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Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 2 METABOLISMO DO EXERCÍCIO E EMAGRECIMENTO Marcelo Conrado Dudu Haluch Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 3 Sobre os autor es Marcelo Conrado de Freitas é formado em Educação Física, possui mestrado em Fisioterapia (UNESP) e doutorado em Ciências da Motricidade (UNESP). Professor da graduação e cursos de pós-graduação da UNIGUAÇU. Coordenador pedagógico dos cursos de Pós- Graduação da UNIGUAÇU. Dudu Haluch é nutricionista, bacharel em física, mestre em física pela USP. Autor dos livros Hormônios no Fisiculturismo (2017), Nutrição no Fisiculturismo (2018) e Emagrecimento e Metabolismo (2021). Grande experiência preparando atletas de fisiculturismo. Professor de diversos cursos de pós-graduação, lecionando disciplinas relacionadas à nutrição esportiva, fisiculturismo, obesidade, bioquímica e fisiologia. Coordenador de cursos de pós-graduação da UNIGUAÇU. Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 4 Sumário 1. BIOENERGÉTICA DO EXERCÍCIO FÍSICO 6....................................... 1.1 Como acontece a produção de energia durante o exercício? .......................... 7 1.2 Metabolismo anaeróbio alático ..................................................................... 10 1.3 Metabolismo anaeróbio lático ....................................................................... 13 1.4 Exercício físico e glicogenólise ....................................................................... 19 1.5 Exercício físico e lipólise ................................................................................. 20 1.6 Metabolismo aeróbio ..................................................................................... 22 1.7 Exercício físico, AMPK e bioenergética .......................................................... 25 1.8 Exercício físico, Interleucina-6 e bioenergética .............................................. 27 2. VARIÁVEIS DO TREINAMENTO E METABOLISMO ...................... 32 2.1 Exercício intenso vs moderado: Qual a diferença no metabolismo? ............. 33 2.2 Por que em alta intensidade o uso de glicogênio muscular é maior? ........... 36 2.3 Volume no aeróbio, gasto energético e glicogênio muscular ........................ 37 2.4 Por que aumentar a intensidade do aeróbio ocorre redução na oxidação de gorduras? ............................................................................................................. 39 2.5 Influência da pausa longa vs curta sobre o metabolismo ............................. 41 2.6 Influência da pausa ativa vs passiva sobre o metabolismo ........................... 43 3. EXERCÍCIO FÍSICO E EMAGRECIMENTO ..................................... 47 3.1 Déficit calórico e emagrecimento .................................................................. 48 3.2 Componentes do gasto energético diário total ............................................. 49 3.3 Exercício, emagrecimento e compensação energética .................................. 50 3.4 Aumento do metabolismo com o exercício (EPOC) ........................................ 52 3.5 Musculação, massa muscular e emagrecimento 53 ........................................... 3.6 Flexibilidade metabólica e emagrecimento ................................................... 56 3.7 Hipertrofia em déficit calórico ....................................................................... 57 3.8 Aeróbio em jejum (AEJ) .................................................................................. 59 4. TREINAMENTO RESISTIDO E EMAGRECIMENTO 64........................ 4.1 Treinamento resistido e metabolismo das proteínas musculares ................. 65 4.2 Treinamento resistido e adaptações moleculares ......................................... 69 4.3 Treinamento resistido vs aeróbio no emagrecimento ................................... 71 4.4 Variáveis do treinamento resistido e gasto calórico 72 ..................................... Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 5 5. TREINAMENTO AERÓBIO E EMAGRECIMENTO 76......................... 5.1 HIIT vs aeróbio contínuo moderado na perda de gordura 77 ............................ 5.2 Aeróbio atrapalha a hipertrofia? ................................................................... 78 5.3 Protocolos de treinamento intervalado de alta intensidade ......................... 79 5.4 Progressão do treinamento aeróbio no emagrecimento 81 .............................. 5.5 Adaptações do treinamento aeróbio: Biogênese mitocondrial ..................... 82 5.6 Adaptações do treinamento aeróbio: Angiogênese ...................................... 86 5.7 Adaptações do treinamento aeróbio: Capacidade de tamponamento ......... 88 Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 6 CAPÍTULO 1 BIOENERGÉTICA DO EXERCÍCIO FÍSICO Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 7 1.1 COMO ACONTECE A PRODUÇÃO DE ENERGIA DURANTE O EXERCÍCIO? A bioenergética é uma área que estuda a transferência de energia que acontece nas células. Basicamente os alimentos que consumidos e os estoques de glicogênio e triglicerídeos fornecem substratos energéticos (glicose, ácidos graxos e aminoácidos) para sintetizar moléculas de Adenosina Trifosfato (ATP). Mas, qual a importância do ATP no nosso organismo? Bom, o ATP é nossa moeda energética, ou seja, a molécula de ATP é utilizada nas diversas funções que necessitam de energia no nosso organismo. Precisamos de ATP para ter a contração muscular, transporte de substâncias entre o meio intra e meio extracelulares, secreção hormonal, transmissão de estímulos neurais, digestão e muitas outras funções. Em outras palavras, usamos o ATP constantemente como forma de energia para o organismo funcionar. Dentre as diversas funções que o organismo usa ATP para ter energia, a contração muscular é uma delas. Para ocorrer à contração muscular durante o exercício é necessário ter a interação entre os filamentos de actina e miosina (encurtamento do sarcômero), pois quando isso acontece ocorre a produção da força e o movimento acontece. Porém, essa interação de filamentos contráteis precisa de energia, e de onde vem essa energia? energia para haver a A contração muscular vem da quebra de ATP, vou explicar melhor. Durante o exercício o ATP é hidrolisado (quebrado) em adenosina difosfato (ADP) e, posteriormente, o ADP pode ser quebrado em adenosina monofosfato (AMP), ou seja, toda vez que o ATP é quebrado em ADP ocorre à liberação de energia para unir os filamentos de actina com miosina e a contração muscularacontece, como demonstrado na figura 1. Figura 1 Reação de hidrólise do ATP para formar ADP e liberação de energia – para a contração muscular. Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 8 Legenda: Durante o exercício a quebra de ATP em ADP aumenta, liberando energia para unir os filamentos de actina e miosina e com isso gera a produção de força muscular para o movimento acontecer. A questão é que o conteúdo de ATP no músculo é limitado. Por exemplo, a quantidade de ATP muscular em repouso gira em torno de 20,2 mmol/kg, sendo suficiente para poucos segundos de exercício, principalmente quando a intensidade é alta (Li et al, 2003) Por isso, é preciso que as células . musculares estejam sintetizando constantemente moléculas de ATP para garantir energia suficiente para a contração muscular e consequentemente movimento. A pergunta que fica é: “Como a célula muscular produz o ATP?” Existem três formas que as células muscular produzem o ATP, tais como: 1) es metabolismo anaeróbio alático, metabolismo anaeróbio lático e metabolismo aeróbio. Os três metabolismos estão funcionando constantemente, sendo que cada metabolismo tem a sua especificidade e dependendo da condição e intensidade de exercício ocorre predominância de um metabolismo sobre o outro (SUNDBERG et al, 2019), no qual esses detalhes serão abordados nos próximos tópicos. Se você deseja entender melhor sobre metabolismo energético é preciso compreender que o ATP é o produto final sendo que o metabolismo aeróbio e , anaeróbio é a forma que a célula faz o ATP. M , para tudo isso acontecer é as necessário substrato energético, ou seja, a célula precisa de matéria prima para fazer o ATP. Esses substratos energéticos são: glicose, ácidos graxos, fosfocreatina e aminoácidos. Não vamos entrar em detalhes ainda do Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 9 metabolismo energético, por enquanto vamos concentrar em entender o metabolismo energético de uma forma geral, após isso estaremos e aprofundando em cada metabolismo, fazendo a relação com a prática do treinamento e emagrecimento. Vamos começar abordando o funcionamento geral do metabolismo anaeróbio alático. O termo “anaeróbio” significa uma via metabólica que produz ATP sem utilizar oxigênio. Já o termo “alático” significa que esse metabolismo produz ATP sem a produção de lactato, no qual esse metabolismo também é chamado de ATP-CP ou creatina fosfato. O substrato energético para esse metabolismo é a fosfocreatina, que fica armazenada no citoplasma da célula muscular. O metabolismo anaeróbio alático é muito usado em exercício de alta intensidade com pausas mais longas entre os estímulos (HARGREAVES et al, 2020). O metabolismo anaeróbio lático também está localizado no citoplasma da célula muscular, são 10 reações químicas (glicólise) que tem como função produzir ATP através do uso da glicose que está no sangue ou o glicogênio muscular. O termo “lático” significa que esse metabolismo produz o lactato (produto final da glicólise) e quanto mais usamos esse metabolismo, maior é a produção de lactato. De um ponto de vista prático, exercício com estímulo de alta intensidade combinado com pausas curtas entre séries aumenta a demanda do metabolismo anaeróbio lático e consequentemente a produção de lactato aumenta ( HARGREAVES et al, 2020). Já o metabolismo aeróbio acontece dentro das mitocôndrias, sendo que os ácidos graxos (gordura) e a glicose são os substratos energéticos para fazer o ATP. O termo “aeróbio” significa que é um metabolismo que produz ATP através do consumo de oxigênio. Quando estamos em repouso ou em exercício leve/moderado a demanda energética é baixa, então usaremos mais o metabolismo aeróbio e menos o metabolismo anaeróbio (SUNDBERG et al, 2019). Para ficar mais claro para vocês o funcionamento geral do metabolismo energético, observem a figura 2, é um resumo das vias metabólicas para a ressíntese de ATP no músculo esquelético de acordo com a localização na célula e substrato energético. Percebam que os três metabolismos compartilham da mesma função, fazer ATP. Impresso por Brunosousa Personal, CPF 103.050.574-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 09/03/2022 12:31:26 10 Figura 2 Resumo das vias metabólicas para a ressíntese de ATP. – Legenda: As vias anaeróbias (alática e lática) acontecem no citoplasma da célula muscular. O metabolismo anaeróbio alático utiliza fosfocrestina para fazer o ATP, sendo que o metabolismo anaeróbio lático utiliza glicose plasmática e glicogênio para fazer o ATP. O metabolismo aeróbio acontece nas mitocôndrias, no qual usa ácidos graxos e glicose para fazer ATP através do consumo de oxigênio. Os três metabolismos têm o mesmo objetivo, no qual é fazer moléculas de ATP. 1.2 METABOLISMO ANAERÓBIO ALÁTICO O metabolismo anaeróbio alático utiliza a fosfocreatina como substrato energético para fazer o ATP. A fosfocreatina é encontrada em altas concentrações no músculo esquelético e cardíaco, onde atua como uma fonte de energia rápida para a formação de ATP (MCMAHON et al, 2002). Em estímulos intensos, como por exemplo, uma série de treinamento resistido ou um sprint máximo de corrida, o estoque de fosfocreatina reduz de maneira progressiva, diminuindo drasticamente em torno de 15 a 20 segundos. É importante destacar que somente quando o esforço é de alta intensidade que a