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MÓDULO
ENFRENTAMENTO DAS
ARBOVIROSES
Organizadoras:
Débora Dupas Gonçalves do Nascimento
Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira
Sílvia Helena Mendonça de Moraes
Programa Educacional em Vigilância e Cuidado em Saúde
no Enfrentamento da COVID-19 e de outras doenças virais
MÓDULO
ENFRENTAMENTO DAS
ARBOVIROSES
Carlos Henrique Alencar • Daniela Buosi Rohlfs • Daniele Rocha Queiroz Lemos • Francisco Gustavo Silveira
Jackeline Leite Pereira Pavin • Kauara Brito Campos • Livia Carla Vinhal Frutuoso
Marcelo José Monteiro Ferreira • Mariana Ferreira Lopes • Zoraida Del Carmem Fernandez Grillo
Unidade 1
Arbovírus
Unidade 4
Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses
Unidade 2
Vigilância das Doenças Transmissíveis
Unidade 5
Vigilância em Saúde do Trabalhador
Unidade 3
Vigilância e Controle de Vetores
Unidade 6
Comunicação para Vigilância
e Controle das Arboviroses
Unidade 7
Organização dos Processos de Trabalho
Programa Educacional em Vigilância e Cuidado em Saúde
no Enfrentamento da COVID-19 e de outras doenças virais
23-166573 CDD-362.109
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Enfrentamento das arboviroses [livro eletrônico] / 
 [coordenação] Luciano Pamplona de Góes 
 Cavalcanti, Rita Maria Lino Tarcia ; 
 organizadoras Débora Dupas Gonçalves do 
 Nascimento, Sandra Maria do Valle Leone 
 de Oliveira, Sílvia Helena Mendonça de 
 Moraes. -- 2. ed. -- Campo Grande, MS : 
 Fiocruz Pantanal, 2023.
 PDF 
 Vários autores.
 Bibliografia.
 ISBN 978-85-66909-48-7
 1. Arboviroses 2. Trabalhadores - Saúde 3. Vetores
de doença - Controle 4. Vigilância epidemiológica 
I. Cavalcanti, Luciano Pamplona de Góes. II. Tarcia,
Rita Maria Lino. III. Nascimento, Débora Dupas
Gonçalves do. IV. Oliveira, Sandra Maria do Valle
Leone de. V. Moraes, Sílvia Helena Mendonça de.
Índices para catálogo sistemático:
1. Saúde pública 362.109
Tábata Alves da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9253
FICHA TÉCNICA
Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul (Fiocruz MS)
Rua Gabriel Abrão, 92 – Jardim das Nações, Campo Grande/MS
CEP 79081-746
Telefone: (67) 3346-7220
E-mail: educacao.ms@fiocruz.br
Site: www.matogrossodosul.fiocruz.br
CRÉDITOS
Coordenação Geral 
Débora Dupas Gonçalves do Nascimento
Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira
Sílvia Helena Mendonça de Moraes
Coordenador Acadêmico
Luciano Pamplona de Góes Cavalcanti
Coordenadora Pedagógica 
Rita Maria Lino Tarcia
Autores 
Carlos Henrique Alencar
Daniela Buosi Rohlfs
Daniele Rocha Queiroz Lemos
Francisco Gustavo Silveira
Jackeline Leite Pereira Pavin
Kauara Brito Campos
Livia Carla Vinhal Frutuoso
Marcelo José Monteiro Ferreira
Mariana Ferreira Lopes
Zoraida Del Carmem Fernandez Grillo
Consultor
José Braz Damas Padilha
Avaliadoras Técnico-científicas
Daniela Buosi Rohlfs
Tatiana Mingote Ferreira de Ázara
Conteudista (questões de avaliação) 
James Venturini
© 2023. Ministério da Saúde. Sistema Universidade Aberta do 
SUS. Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul.
Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, 
disseminação e utilização dessa obra, em parte ou em sua 
totalidade, nos Termos de uso do ARES. Deve ser citada a fonte 
e é vedada sua utilização comercial. 
 
Ministério da Saúde
Nísia Trindade Lima
Ministra
Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente
Ethel Leonor Noia Maciel
Secretária
Departamento de Emergências em Saúde Pública 
Márcio Henrique de Oliveira Garcia
Diretor
Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz
Mário Santos Moreira
Presidente
Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul – Fiocruz MS
Jislaine de Fátima Guilhermino
Coordenadora
Coordenação de Educação da Fiocruz MS
Débora Dupas Gonçalves do Nascimento
Vice-coordenadora de Educação
Secretaria-Executiva da Universidade Aberta do SUS – 
UNA-SUS 
Maria Fabiana Damásio Passos
Secretária-executiva
Apoio técnico-administrativo 
Aline Moura de Araújo
Coordenador de Produção 
Marcos Paulo de Souza
Designers Instrucionais
Felipe Vieira Pacheco
Margeci Leal de Freitas
Designers Gráficos 
Hélder Rafael Regina Nunes Dias
Humberto Nadeu Bijos
Renato Silva Garcia
Coordenadoras de Desenvolvimento
Janaína Rolan Loureiro
Regina Beretta Mazaro
Desenvolvedores
Julio César Coimbra de Oliveira
Larissa Mendes Ribeiro
Leandro Koiti Oguro
Marcos Felipe Reis Barroso  
Paulo Henrique Wosniak Franco Ferreira
Rebeca Beatriz Lopes Cruz
Thiago Fernandes de Oliveira
Editor de Audiovisual
Luciana Ferreira Nantes
Ilustrador da capa
Everton Ferreira Lemos
Revisores 
Davi Bagnatori Tavares
Ana Paula da Costa Marques
Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira 
Revisor HTML
David Cunha
Assessoria de Comunicação
Bruna Karla Bezerra da Cruz
Thayssa Maluff de Mello
Apoio Acadêmico 
Claudia Stutz Zubieta
Gisela Maria Azambuja de Oliveira
https://amenteemaravilhosa.com.br/rene-descartes-biografia/
Ficha técnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Apresentação do módulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Unidade 1: Arbovírus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Apresentação da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Objetivos de aprendizagem da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.2 Definição de vírus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.3 Características morfológicas dos vírus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.4 Definição de arbovírus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Encerramento da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Minicurrículo da autora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
SUMÁRIO
MÓDULO ENFRENTAMENTO DAS ARBOVIROSES
Unidade 2: Vigilância das Doenças Transmissíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
Apresentação da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
Objetivos de aprendizagem da unidade . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
2.2 Relevância epidemiológica das arboviroses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
2.3 Definições de caso das arboviroses de notificação compulsória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
2.4 Atribuições e rotinas de vigilância . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
2.5 Análise de dados epidemiológicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
Encerramento da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
Minicurrículo da autora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
SUMÁRIO
MÓDULO ENFRENTAMENTO DAS ARBOVIROSES
Unidade 3: Vigilância e Controle de Vetores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
Apresentação da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
Objetivos de aprendizagem da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
3.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
3.2 Biologia dos vetores dos arbovírus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120
3.3 Vigilância de vetores da febre amarela urbana e silvestre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130
Encerramento da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 187
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188
Minicurrículo da autora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191
SUMÁRIO
MÓDULO ENFRENTAMENTO DAS ARBOVIROSES
Unidade 4: Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192
Apresentação da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193
Objetivos de aprendizagem da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194
4.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195
4.2 Vigilância em Saúde Ambiental: Aspectos conceituais, organizacionais e marcos regulatórios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195
4.3 Componentes da Vigilância em Saúde Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209
Encerramento da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 225
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226
Minicurrículo dos autores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230
SUMÁRIO
MÓDULO ENFRENTAMENTO DAS ARBOVIROSES
Unidade 5: Vigilância em Saúde do Trabalhador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232
Apresentação da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233
Objetivos de aprendizagem da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235
5.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 236
5.2 A estruturação da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (RENAST) . . . . 237
5.3 Potencialidades e desafios para a realização das ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador voltadas para 
o combate das arboviroses em ambientes de trabalho e residências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245
5.4 Organização, planejamento e desenvolvimento das ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador para 
profissionais de saúde voltados ao combate das arboviroses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 251
5.5 Medidas de proteção coletivas e individuais e sua importância para a promoção da saúde e prevenção de 
doenças entre os Agentes de Combate às Endemias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259
Encerramento da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 265
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 266
Minicurrículo do autor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269
SUMÁRIO
MÓDULO ENFRENTAMENTO DAS ARBOVIROSES
Unidade 6: Comunicação para Vigilância e Controle das Arboviroses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270 
Apresentação da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271
Objetivos de aprendizagem da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272
6.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273
6.2 Comunicação de risco no combate às arboviroses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273
6.3 Comunicação de risco, educação em saúde e mobilização social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 287
6.4 Construindo estratégias de comunicação de risco no combate às arboviroses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 290
Encerramento da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295
Minicurrículo da autora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 297
SUMÁRIO
MÓDULO ENFRENTAMENTO DAS ARBOVIROSES
Unidade 7: Organização dos Processos de Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 298
Apresentação da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 299
Objetivos de aprendizagem da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 300
7.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 301
7.2 Processos de trabalho da vigilância das arboviroses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 302
Encerramento da unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 335
Encerramento do módulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 336
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337
Minicurrículo da autora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338
SUMÁRIO
MÓDULO ENFRENTAMENTO DAS ARBOVIROSES
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 12
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO
Prezado trabalhador estudante, é com muito prazer que lhe apresentamos o Módulo do Programa Educacional em Vigilância e Cuidado em 
Saúde no Enfrentamento da COVID-19 e de outras Doenças Virais. 
Nosso objetivo neste módulo é criar condições para que você se capacite ainda mais para realizar o cuidado e enfrentamento das arboviroses, 
por meio de ações integradas da vigilância em saúde, com vistas à melhoria da articulação e organização dos processos de trabalho em 
saúde. 
Este módulo está composto de sete unidades de ensino, assim distribuídas: I – Arbovírus; II – Vigilância das Doenças Transmissíveis; III 
– Vigilância e Controle de Vetores; IV – Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses; V – Vigilância em Saúde do Trabalhador; VI – 
Comunicação para Vigilância e Controle das Arboviroses; e VII – Organização dos Processos de Trabalho.
Essas unidades foram desenvolvidas por especialistas em cada área e baseadas nas melhores e mais atuais evidências científicas disponíveis. 
Todo o material produzido está alinhado com as orientações do Ministério da Saúde do Brasil e da Organização Pan-Americana da Saúde 
(OPAS), perfazendo um total de 145 horas.
Nossa expectativa é a melhor possível e desejamos que aproveite cada material produzido com a máxima atenção, pois foram construídos 
pensando na sua atuação como profissional de saúde e na sua necessidade para o desenvolvimento de tarefas de forma qualificada.
Vamos juntos!
Programa Educacional em Vigilância e Cuidado em Saúde
no Enfrentamento da COVID-19 e de outras doenças virais
Unidade 1
Arbovírus
Zoraida Del Carmen Fernandez Grillo
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 14
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
A presente unidade tem como objetivo principal abordar as arboviroses, dando ênfase nas famílias e gêneros dos arbovírus que têm maior 
prevalência no Brasil e são de grande importância em saúde pública. 
As arboviroses são doenças zoonóticas cujos patógenos/vírus causadores são transmitidos a hospedeiros vertebrados pela picada de 
artrópodes hematófagos infectados: mosquitos, carrapatos, entre outros. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), há 
aproximadamente 600 arbovírus conhecidos, dos quais, pelo menos, 150 constituem patógenos para os humanos. 
As mudanças climáticas, os desmatamentos, a migração populacional, a ocupação desordenada de áreas urbanas e as condições sanitárias 
precárias têm favorecido a dispersão e a transmissão de arbovírus nas regiões tropicais. Entre essas condições podemos mencionar: o 
desabastecimento de água e, em consequência, o armazenamento desse recurso para suprir as necessidades do lar; o descarte inadequado 
de lixo e o acúmulo exagerado de materiais de reciclagem; a alteração do ambiente natural de espécies que podem ser reservatórios ou 
vetores de patógenos; a entrada do homem em ambientes silvestres.
Algumas arboviroses são consideradas doenças emergentes, ou seja, ocorrem pela primeira vez numa região 
determinada (ou mundialmente, como aconteceu com o SARS-CoV-2 recentemente), tendo uma alta incidência 
(elevado número de casos novos numa população e intervalo de tempo determinados) e destacando-se pela 
sua gravidade e capacidade de dispersão. Já as doenças denominadas reemergentes se caracterizam por serem 
conhecidas ou existentes numa determinada região ou população e que haviam sido controladas, porém, devido 
a mudanças no comportamento epidemiológico (características genéticas, ampliação da lista dehospedeiros e 
modificações no padrão de virulência ou na distribuição geográfica), voltaram a representar uma ameaça para a 
saúde humana e animal, gerando novos casos.
Seguiremos juntos nesta unidade, estudando temas e conteúdos para que você possa compreender a tríade 
arbovírus-vetor-hospedeiro, os mecanismos de transmissão dos patógenos, a patogênese das infecções 
provocadas pelos arbovírus e a importância do diagnóstico diferencial.
Faça a leitura cuidadosa do material e vamos juntos nesse aprendizado tão importante para a sua prática 
profissional e para a sua ação na comunidade em que atua. 
Bons estudos!
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 15
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE
1. Compreender a especificidade do conceito básico e atualizado do vírus;
2. Conhecer as características gerais dos vírus;
3. Diferenciar os vírus de outros organismos;
4. Compreender o conceito dos arbovírus;
5. Conhecer as características estruturais gerais dos arbovírus;
6. Identificar as diferenças entre os arbovírus e outros vírus que afetam os humanos;
7. Entender a relação vírus-vetor-hospedeiro;
8. Compreender as características da família Flaviviridae, gênero Flavivirus;
9. Reconhecer os principais vírus do gênero Flavivirus que circulam no Brasil;
10. Compreender as principais características dos vírus Dengue, Zika, Febre Amarela e Encefalite do Nilo Ocidental;
11. Compreender as características da família Togaviridae;
12. Reconhecer os principais vírus do gênero Alphavirus que circulam no Brasil;
13. Compreender as principais características dos vírus CHIKV, Mayaro.
14. Compreender e analisar os principais vírus da família Perybunyaviridae;
15. Conhecer as características principais do vírus Oropouche;
16. Entender o espectro clínico e a patogênese das arboviroses;
17. Diferenciar os sintomas gerados em cada arbovirose;
18. Diferenciar os métodos e técnicas de diagnóstico dos arbovírus;
19. Compreender o significado do diagnóstico diferencial em doenças que geram sintomas similares;
20. Conhecer o ciclo da doença e relacionar cada etapa com as diferentes técnicas de diagnóstico.
Carga Horária de Estudo: 10 horas
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 16
1.1 Introdução
Caro trabalhador estudante, vamos iniciar nossos estudos sobre as arboviroses, os 
aspectos morfológicos, os mecanismos de transmissão, os sintomas que geram e as 
opções de tratamento. Mas antes, vamos falar sobre o conceito básico e atualizado de 
vírus e conhecer as suas características gerais para que você seja capaz de diferenciar 
os vírus de outros organismos. 
1.2 Definição de vírus
Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios e submicroscópicos que não se replicam 
individualmente, dependendo das células hospedeiras para realizar as sínteses e organização das 
macromoléculas (proteínas e ácido nucleico que conformam as partículas virais) (CANN, 2010; 
FLINT et al., 2015).
Com frequência surge a pergunta: os vírus podem ser considerados seres vivos? 
Há controvérsias a respeito disso e, para que fiquem mais claras as opiniões dos que defendem e 
dos que não defendem essa hipótese, vamos visualizar o Quadro 1. 
QUADRO 1 – OS VÍRUS PODEM SER CONSIDERADOS SERES VIVOS?
Fonte: Oliveira et al. (2019).
SIM NÃO
Os vírus se reproduzem mesmo que usando a 
maquinária da célula hospedeira
Os vírus não têm estruturas próprias para realizar 
atividades metabólicas por meio das quais pudessem 
construir novas partículas virais
Os vírus estão presentes em todos os reinos do mundo 
natural
Não têm habilidade de importar nutrientes e energia do 
ambiente
A descoberta dos vírus gigantes
Os vírus gigantes são suscetíveis a infecção pelo vírus 
Sputnik
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 17
Caro trabalhador estudante, com base nas informações ofertadas e considerando o conteúdo que está 
sendo colocado à sua disposição nesta unidade, você poderá gerar seu próprio critério sobre se os vírus 
devem ou não ser considerados seres vivos.
Agora, vamos ver as características morfológicas dos vírus e detalhar cada um dos seus componentes.
SAIBA MAIS
Os vírus gigantes, Acanthamoeba polyphaga mimivirus ou mimivírus e o Acanthamoeba castellanii 
mamavirus ou mamavírus, os dois da família Mimiviridae, foram descobertos recentemente. Trata-se 
de vírus que têm dimensões maiores que as dos já conhecidos (até 800 nm) que infectam espécies 
de amebas e que têm genoma DNA de fita dupla. 
Um aspecto importante desses vírus e que os diferencia de outros é que eles sintetizam uma 
variedade de proteínas estruturais e enzimas que participam no reparo do DNA, na biogênese de 
membranas, na motilidade celular, no metabolismo de nucleotídeos, na função de chaperonas, 
entre outros. Dito de outra forma, são vírus com características morfológicas e genéticas que 
permitem a replicação e atuação com mais independência na célula hospedeira (OLIVEIRA; LA 
SCOLA; ABRAHÃO, 2019). 
Outra característica relevante dos mimivírus e mamavírus é que são suscetíveis à infecção pelo vírus 
chamado Sputnik, que é um vírus relativamente pequeno (50 nm) e com complexidade genética e 
estrutural interessante.
O Sputnik, ao infectar o mimivírus e o mamavírus, prejudica a morfogênese e a produção de vírions 
normais, indicando que ele é um parasita genuíno. A descoberta dos vírus gigantes e do vírus 
Sputnik mostra que há características dos vírus que apoiam a hipótese de que os vírus podem ser 
considerados seres vivos (LA SCOLA et al., 2008).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 18
1.3 Características morfológicas dos vírus
Caro trabalhador estudante, vamos conversar sobre a morfologia e o genoma dos vírus e entender seus diferentes 
componentes estruturais, o que é fundamental para compreendermos como eles são transmitidos e replicados.
Uma partícula viral completa, ou vírion, é composta de uma molécula de ácido nucleico (que pode ser RNA ou DNA) 
circundado por uma capa de proteína (cápside), podendo conter ou não um envelope constituído por lipídios e 
açúcares associados a proteínas (glicoproteínas). Na Figura 1, apresentamos os componentes da partícula viral e as 
funções de cada uma das estruturas.
1.3.1 Genoma viral
Os vírus podem ter genoma RNA ou DNA. O genoma DNA pode ser de fita simples (exemplo: parvovírus), fita dupla 
(exemplo: os Adenovírus) ou fita parcialmente em dupla (exemplo: hepadnavírus). Além disso, o genoma pode 
ser circular (exemplo: poliomavírus) ou linear (exemplo: parvovírus). Todos os vírus com genoma RNA (exemplo: 
arbovírus) são lineares, a maioria deles de fita simples e com um único segmento. No entanto, alguns vírus têm 
dois (exemplo: arenavírus), três (exemplo: Orthobunyavirus), 7 ou 8 (exemplo: Orthomyxovirus) ou 10 segmentos 
(exemplo: reovírus). 
FIGURA 1 – COMPONENTES DA PARTÍCULA VIRAL E AS FUNÇÕES DE CADA ESTRUTURA
Vamos definir brevemente cada uma das partes de uma partícula viral (Figura 2) (FLINT et al., 2015; CARTER; 
SAUNDERS, 2007).
Fonte: Flint et al. (2015).
Nucleocapsídeo
Envelope Lipídeos e glicoproteínas
Genoma
Cápside
DNA ou RNA
Proteínas
Informação genética
e infectividade
Proteção do genoma
União a receptores celulares
União a receptores celulares
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 19
1.3.2 Envelope
O envelope é a camada bilipídica, proveniente da célula hospedeira, que envolve as partículas virais 
(somente nos vírus envelopados), em que se encontram inseridas as glicoproteínas conhecidas pelo nome 
de peplômeros ou espículas virais. O envelope é adquirido por um processo denominado brotamento dos 
nucleocapsídeos, que acontece através de uma membrana celular – membrana plasmática em muitos 
casos, Retículo Endoplasmático, aparelho de Golgi ou membrana nuclear – carregando parte da estrutura 
(membrana). As funções do envelope são diversas, entre elas: ancoragem inicial do vírion na célula, 
penetração, fusão e disseminação do vírus entre células.
1.3.3 Cápside
Acápside é uma capa proteica que protege o genoma viral durante a sua transferência de uma célula 
hospedeira para outra. Pode estar conformado por múltiplas cópias de uma mesma proteína ou por 
associação de várias proteínas diferentes. Pode ter várias formas geométricas que são características de 
cada família viral.
FIGURA 2 – ESTRUTURA MORFOLÓGICA DE UM VÍRUS ENVELOPADO E COM GENOMA DNA
Glicoproteína de
membrana (M)
Glicoproteína Spike (S)
Proteína de
Nucleocápside (N)
Envelope ou
envoltura
RNA
Fonte: adaptado de Kumar et al. (2020).
Depois de estudarmos o vírus, 
seguimos agora para o conceito de 
arbovírus e vamos juntos conhecer 
as suas características estruturais.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 20
1.4 DEFINIÇÃO DE ARBOVÍRUS
Os arbovírus, ou do inglês arthropod-borne-viruses, compreendem uma 
diversidade de vírus transmitidos pela picada de artrópodes hematófagos 
(mosquito culicídeo, carrapatos, flebótomos), entre hospedeiros vertebrados 
infectados virêmicos e os vertebrados susceptíveis, incluindo o humano (SANTOS; 
ROMANOS; WIGG, 2015; LOPES; NOZAWA; LINHARES, 2014).
Entre as arboviroses que afetam o homem, a maioria se encontra distribuída nas 
famílias Flaviviridae, Togaviridae, Peribunyaviridae, Reoviridae e Rhabdoviridae. 
Das cinco famílias mencionadas, enfatizaremos as famílias Flaviviridae, 
Togaviridae e Peribunyaviridae, por terem importância em saúde pública no 
Brasil. Vamos falar apenas brevemente das famílias Reoviridae e Rhabdoviridae 
por terem pouca relevância para a saúde pública, no Brasil. A família Reoviridae é 
formada por 11 gêneros, um deles sendo o Orbivirus, que abrange os arbovírus, 
a maioria deles transmitida fundamentalmente por carrapatos, culicoides e 
mosquitos. Os vírions são partículas sem envelope com diâmetro de 70 a 80 nm e 
genoma tipo RNA de fita dupla, segmentado. Os três orbivírus economicamente 
mais importantes são o vírus da língua azul, o vírus da doença equina africana 
e o vírus da doença hemorrágica epizoótica, todos transmitidos por espécies 
de Culicoides, que causam doenças em equinos e ruminantes domésticos e 
selvagens.
Os membros da família Rhabdoviridae têm forma de bastão e medem entre 
70 e 180 nm e genoma RNA linear não segmentado de polaridade negativa, 
envolvido por uma complexa ribonucleoproteína. Alguns gêneros da família 
são transmitidos por artrópodes para hospedeiros vertebrados, entre eles os 
gêneros Ephemerovirus e Tribovirus, transmitidos por mosquitos para o gado e 
bubalinos, e o gênero Vesiculovirus, transmitidos por mosquitos e flebótomos 
para mamíferos, peixes e insetos. 
A maioria das doenças produzidas por arbovírus, com exceção da dengue, teve 
uma origem zoonótica, ou seja, os vírus circulavam naturalmente entre animais 
vertebrados silvestres e, por mudanças ambientais e pressões seletivas que 
levaram a mudanças genéticas no patógeno, começaram a se adaptar e infectar 
populações humanas (LOPES; NOZAWA; LINHARES, 2014).
1.4.1 Características gerais dos arbovírus
Os arbovírus, na sua maioria, são vírus com genoma 
RNA e grande plasticidade genética e alta frequência 
de mutações, o que permite adaptações a hospedeiros 
vertebrados e invertebrados. Estima-se que haja mais de 
600 espécies de arbovírus. Dessas, 150 estão associadas a 
doenças em humanos. São vírus que circulam entre animais 
silvestres, com alguma especificidade por hospedeiros e 
mantendo-se em ciclos enzoóticos em poucas espécies 
de vertebrados e invertebrados. O homem ou animais 
domésticos geralmente são hospedeiros acidentais (LOPES; 
NOZAWA; LINHARES, 2014). 
Os Alphavirus e Flavivirus têm envelope, genoma RNA 
linear de fita simples e polaridade positiva. Os vírions 
têm forma esférica, e o capsídeo mede entre 40 e 70 nm. 
Os Orthobunyavirus são envelopados, com genoma tipo 
RNA segmentado, circular e de polaridade negativa. São 
esféricos ou pleomórficos e têm diâmetro de 80 a 120 nm 
(LOPES; NOZAWA; LINHARES, 2014).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 21
Três elementos são fundamentais para a manutenção e transmissão dos arbovírus: o vetor 
(mosquito, carrapato, flebótomo, entre outros), o ou os hospedeiros vertebrados e as condições 
ambientais apropriadas. Alguns ciclos de transmissão são relativamente simples (envolvem um 
vetor e um hospedeiro, por exemplo os vírus da dengue e da zika), enquanto outros são mais 
complexos (envolvem mais de um vetor e mais de um hospedeiro, por exemplo o vírus do Oeste 
do Nilo e o vírus da febre amarela) (Figura 3) (JONES et al., 2020).
Fonte: Nature Education (2014) e Brasil (2014).
FIGURA 3 – CICLOS DE TRANSMISSÃO DE ALGUNS ARBOVÍRUS: A) CICLO DE TRANSMISSÃO 
DO VÍRUS DA DENGUE; B) CICLO DE TRANSMISSÃO DO VÍRUS DA FEBRE AMARELA
Aedes mosquito
Humano
C
ic
lo
 u
rb
an
o
C
ic
lo
 s
ilv
es
tr
e
Aedes aegypti
Haemagogus
Sabethes
Homem
A B
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 22
A maioria dos arbovírus pode gerar infecções assintomáticas e produzir doenças leves não específicas ou com 
sintomas muito graves. Nos períodos epidêmicos, as características das doenças são determinadas pela imunidade/
suscetibilidade do hospedeiro e pelas características da cepa circulante (virulência) (JONES et al., 2020). 
As infecções sintomáticas provocadas pelos arbovírus com frequência produzem uma síndrome febril nos estágios 
iniciais, podendo estar acompanhada de sintomas gastrointestinais e dor de cabeça. As dores musculares e nas 
articulações são comuns, especialmente nas infecções por Alphavirus. O rash pode estar presente de forma generalizada 
e maculopapular e, ocasionalmente, vesicular. Na maioria das infecções, a recuperação é espontânea (BRASIL, 2020, 
2017, 2014).
Caro trabalhador estudante, vamos falar agora sobre como ocorre a circulação dos arbovírus entre os hospedeiros; dito 
de outra forma, como é o processo de transmissão do vírus entre hospedeiros suscetíveis por meio do vetor (artrópode 
hematófago).
1.4.1.1 Transmissão dos arbovírus
Como foi mencionado previamente, os arbovírus são vírus transmitidos, principalmente, por artrópodes hematófagos. 
O processo se inicia quando a fêmea do inseto hematófago (e/ou o macho, como no caso dos carrapatos) realiza 
repasto sanguíneo em hospedeiro infectado virêmico. Após um período de incubação extrínseco, o vírus se replica 
em diferentes órgãos do vetor até alcançar as suas glândulas salivares. Posteriormente, o vírus é transmitido para um 
hospedeiro suscetível por meio de um novo repasto sanguíneo (Figura 4). 
Nesse processo, o vírus encontra seis barreiras potenciais dentro do inseto vetor que podem limitar a infecção, replicação 
e transmissão do vírus do mosquito vetor para o hospedeiro suscetível e, consequentemente, sua competência vetorial 
(Figura 4).
Inicialmente, o vírus deve ser capaz de penetrar as células epiteliais e se replicar nelas. Os fatores que bloqueiam um 
desses dois eventos constituem uma barreira de infecção no intestino (em inglês, Midgut infection barrier ou MIB). 
Posteriormente, o vírus deve ser capaz de ultrapassar a lâmina basal que envolve o epitélio intestinal e infectar e se 
replicar nos tecidos vizinhos. Fatores que bloqueiam esses eventos impedem a disseminação da infecção nos tecidos, 
atuando como uma barreira de escape do intestino (em inglês, Midgut Escape Barrier ou MEB). Por último, o arbovírus 
deve infectar e se replicar nas glândulas salivares para a transmissão final na próxima picada. Fatores que impedem essa 
etapa constituem a barreira de transmissão (em inglês, Transmission Barrier ou TB) (Figura 4).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 23
Barreiras de infecção do intestino (MIB)
1. Estabelecimento da infecção no epitélio intestinal
2. Replicação nas células epiteliais do intestino
Barreiras de escape do intestino (MBE)
3. Passagem através da lâmina basal
4. Replicação em outros órgãos e tecidos
Barreiras de escape do intestino (TB)
5. Infecção nas glândulas salivares
6.Saída do lúmen das glândulas salivares
Estômago
Intestino médio
anterior
Intestino médio
posterior
Intestino posterior
posterior
ÂnusReto
Túbulos de
Malpighi
Divertículo
Glândulas
salivaresDuctos
salivares
Cibário
Esôfago
Divertículo
dorsal Intestino posterior
anterior
FIGURA 4 – CICLO DE TRANSMISSÃO DO VÍRUS VETOR
Fonte: adaptado de Black et al. (2002).
SAIBA MAIS
A fêmea do mosquito (seja do 
gênero Aedes, seja de outro 
gênero) precisa do sangue do 
hospedeiro para produzir os ovos, 
portanto apenas as fêmeas picam. 
Entretanto, tanto o macho quanto a 
fêmea se alimentam de substâncias 
com açúcar (néctar, seiva, entre 
outros).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 24
Continuando os nossos estudos, vamos falar de forma mais detalhada das três 
famílias de arbovírus de importância na saúde pública no Brasil. Trata-se das 
famílias Flaviviridae, Togaviridae e Peribunyaviridae. As arboviroses geradas 
pelos vírus que fazem parte dessas famílias constituem doenças que, no 
Brasil e em outras regiões tropicais e subtropicais, têm potencial de dispersão, 
capacidade de adaptação a novos ambientes e hospedeiros e possibilidade de 
causar epidemias. Vamos começar falando da família Flaviviridae.
1.4.1.2 Família Flaviviridae
A família Flaviviridae é constituída por vírus pequenos envelopados com 
genoma RNA linear, de fita simples e polaridade positiva. Os vírions têm 
tamanho entre 40 e 60 nm, com uma cápside proteica e com duas ou três 
glicoproteínas. Os gêneros que fazem parte dessa família são: Flavivirus, 
Hepacivirus, Pegivirus e Pestivirus. O gênero Flavivirus tem 53 espécies virais, 
sendo os principais representantes o vírus da febre amarela, o vírus da dengue, 
o vírus Cacipacore, o vírus Ilheus, o vírus da encefalite de Saint Louis, o vírus 
Rocio, o vírus do oeste do Nilo, o vírus Bussuquara e o vírus Zika (SIMMONDS 
et al., 2017). 
1.4.1.2.1 Gênero Flavivirus
O gênero Flavivirus inclui 53 espécies. A grande maioria delas é transmitida por artrópode 
hematófago, mosquitos ou carrapatos. Os mamíferos e as aves são os principais hospedeiros 
reservatórios. O ser humano, exceto no caso do vírus da dengue, entra no ciclo de transmissão de 
forma acidental e pode vir a manifestar desde uma infecção assintomática até um quadro severo, 
com febre hemorrágica ou sintomas neurológicos (SIMMONDS et al., 2017).
Os vírions do gênero Flavivirus têm um formato esférico e têm 50 nm de diâmetro. O genoma 
RNA codifica três proteínas estruturais: a proteína do capsídeo ou cápside (C), a proteína do 
envelope (E) e a proteína precursora de membrana (prM). Dentro da célula hospedeira infectada, 
o vírus sintetiza sete proteínas não estruturais: NS1, NS2A, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5, que são 
responsáveis pelas atividades reguladoras e de expressão do vírus, incluindo replicação, virulência 
e patogenicidade (Figura 5) (SANTOS et al., 2015; LOPES; NOZAWA; LINHARES, 2014).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 25
FIGURA 5 – ORGANIZAÇÃO GENÔMICA DOS VÍRUS DO GÊNERO FLAVIVIRUS
Entre os flavivírus de importância em saúde pública estão: o vírus da dengue 
(com seus quatro sorotipos), o vírus da febre amarela, o vírus da zika e o vírus 
do Oeste do Nilo. 
Vamos aprofundar nossos estudos sobre as características dos vírus 
mencionados.
RNA viral
5’ m7G
anc C prM
pr
E NS1 NS2A NS2B NS3x NS4A NS4B NS5
3’OH
Cap
Estrutural Não Estrutural
Poliproteína
? Protease desconhecida
Sinal para a
peptidase do
hospedeiro
Protease NS3
P
P M
RH
Protease similar a
furina presente no CG
Fonte: Rodrigues (2011, p. 6).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 26
1.4.1.2.1.1 O vírus da dengue
O vírus foi descrito pela primeira vez no século XVIII, porém o isolamento do patógeno só aconteceu em 1943. O 
homem é o único hospedeiro que desenvolve as formas clínicas pela infecção causada pelo vírus, que pode variar de 
uma forma assintomática, passando por uma síndrome febril-benigna, a formas mais graves, com possibilidades de 
desenvolver dengue grave com sinais de alarme e complicações em vários órgãos (VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015).
1.4.1.2.1.1.1 Sorotipos da dengue
O vírus da dengue pode ser diferenciado em quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), que têm 
propriedades antigênicas distintas (VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015).
Os quatro sorotipos da dengue são mantidos na natureza por um ciclo de transmissão que envolve hospedeiros 
vertebrados e mosquitos do gênero Aedes. Na África e Ásia, o vírus circula em ambientes silvestres onde os primatas 
não humanos são os principais hospedeiros vertebrados e os vetores são mosquitos silvestres do gênero Aedes, bem 
como em ambientes urbanos em que o homem é o principal hospedeiro e os vetores são o Aedes aegypti e o Aedes 
albopictus. No continente americano, o Aedes aegypti é o principal vetor do vírus. No Brasil, o Aedes albopictus está 
presente em regiões rurais e, cada vez mais, nas regiões periféricas das grandes cidades. Tem se mostrado capaz de 
transmitir o vírus em condições de laboratório, porém não tem sido associado à transmissão para o homem (CHENG 
et al., 2021).
1.4.1.2.1.1.2 Patogênese e sintomas
A patogenia da dengue é determinada por aspectos individuais, como idade, presença de comorbidades e perfil 
imunogenético, associados a características do agente patógeno e aspectos socioambientais (WORLD HEALTH 
ORGANIZATION, 2009). 
As primeiras células infectadas após a picada do mosquito são as células dendríticas na pele (células de Langerhans), 
nas quais ocorre a replicação inicial do vírus para posterior migração para os linfonodos, corrente sanguínea e outros 
órgãos (fígado, baço, medula óssea, podendo atingir pulmão, coração e trato gastrointestinal). Essa fase febril aguda 
pode durar de 3 a 5 dias, e o período de replicação do vírus nos órgãos do corpo é conhecido como período de 
incubação intrínseco (VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2009).
Na fase inicial da infecção surgem os primeiros sintomas: febre alta (39º a 40ºC) de início abrupto, seguida de cefaleia 
(dor de cabeça), mialgia (dor muscular), prostração (debilidade, fraqueza), artralgia (dor nas articulações), perda de 
apetite, astenia (perda ou diminuição da força física), dor retro-orbital (dor ao redor dos olhos), náuseas, vômitos, 
exantema (erupção na pele) e prurido cutâneo (coceira na pele). A manifestação grave da dengue, com sinais de 
alarme, se caracteriza por choque hipovolêmico (perda de grande quantidade de líquidos e sangue), devido ao 
extravasamento de plasma, que pode ser brando e transitório, ou evoluir para o choque profundo (VALLE; PIMENTA; 
CUNHA, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2009).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 27
Os primeiros anticorpos a serem produzidos contra a dengue são os IgM (Figura 6A), que começam a surgir a partir do quinto e sexto dia após início dos 
sintomas. Os níveis de IgM atingem seu pico após por volta de duas semanas, permanecendo detectáveis por dois a três meses e diminuindo após esse tempo. 
Os anticorpos IgG aparecem a partir do quinto dia na infecção primária e continuam detectáveis por toda a vida do paciente. Essa memória imunológica 
não confere proteção contra os quatro sorotipos, somente contra o sorotipo contraído (VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 
2009).
A dengue é uma doença endêmica (doença que se manifesta e permanece nas regiões tropicais e subtropicais) e há cocirculação de mais de um sorotipo do 
vírus. Essa situação epidemiológica leva a que as pessoas possam contrair a doença mais de uma vez, já que ela pode ser causada por diferentes sorotipos do 
vírus, e passem por uma infecção secundária, na qual é gerado um alto nível de anticorpos IgG (Figura 6B), que podem ser detectados na fase aguda. Porém, 
os níveis de IgM na resposta secundária são mais baixos do que na resposta primária (VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015). 
Um fenômeno interessante que pode ser observadona resposta imune após uma segunda infecção pelo dengue é o chamado ADE, do inglês Antibody 
Dependent Enhancement, ou potenciação dependente de anticorpos. Os anticorpos produzidos contra o patógeno na segunda infecção são, em sua maioria, 
não neutralizantes e são direcionados contra vários antígenos nas proteínas E e prM. Isso incrementa a entrada de qualquer sorotipo de DENV em células 
suscetíveis e aumenta a possibilidade de evolução para formas mais graves (VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2009).
FIGURA 6 – RESPOSTA IMUNE CONTRA A 
INFECÇÃO POR DENGUE: A) PRODUÇÃO 
DE IGM E IGG NA INFECÇÃO PRIMÁRIA; B) 
PRODUÇÃO DE IGM E IGG NA INFECÇÃO 
SECUNDÁRIA
Fonte: adaptado de World Health Organization (2009).
Infecção primária
Febre
An
tic
or
po
s
Febre
Infecção secundária
Viral
RNA
Viral
RNA
NS1NS1
IgG
IgG
IgM
A
B
0 4
Dias após o início Dias após o início
8 16 4 8 16090-180
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 28
SAIBA MAIS
Conheça a história do vírus da dengue no Brasil
A dengue chegou ao Brasil na metade do século XIX, e os primeiros relatos da doença ocorreram 
em 1846, no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Em 1981-1982, aconteceu uma epidemia em Boa 
Vista (RR) causada pelos sorotipos DENV-1 e DENV-4. Após um silêncio epidemiológico, o sorotipo 
DEN-1 invadiu o Sudeste (Rio de Janeiro) e o Nordeste (Alagoas, Ceará, Pernambuco, Bahia e Minas 
Gerais) em 1986-1987, espalhando-se pelo país desde então. Também houve a entrada do sorotipo 
DEN-2 em 1990-1991 e do DEN-3 em 2001-2002. Desde a década passada, a dengue é considerada 
uma doença endêmica, com circulação dos quatro sorotipos DEN-1, 2, 3 e 4 (C MARA et al., 2007; 
VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015). 
Consulte sempre o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde e o Boletim da Secretaria 
de Estado de Saúde da sua região para se manter atualizado sobre a situação epidemiológica 
dos arbovírus.
1.4.1.2.1.2 O vírus da febre amarela
O vírus amarílico é o protótipo do gênero Flavivirus (do latim flavus = amarelo) que produz uma doença febril aguda de 
curta duração (no máximo 12 dias) e de gravidade variável, endêmica nas regiões tropicais da África e América do Sul. A 
febre amarela foi a primeira doença de seres humanos em que se demonstrou a presença de um agente patógeno filtrável 
(posteriormente chamado de vírus) e, assim como outros Flavivirus, é transmitido por artrópode, tendo um ciclo silvestre 
e outro urbano (Figura 3B).
No continente americano, na forma silvestre, os primatas não humanos são os principais hospedeiros do vírus amarílico, 
principalmente os macacos pertencentes aos gêneros Cebus (macaco prego), Alouatta (guariba), Ateles (macaco aranha) e 
Callithrix (sagui). Os marsupiais e alguns roedores também podem fazer papel de reservatório na natureza (BRASIL, 2020, 
2014). 
Os vetores nas áreas silvestres, no continente americano, são mosquitos primatófilos (têm preferência por sangue de 
macacos) dos gêneros Haemagogus sp. e Sabethes sp. As fêmeas podem voar longas distâncias – até 11 km –, têm hábitos 
diurnos e são estritamente silvestres, vivem nas copas das árvores, onde habitam os hospedeiros, e descem às vezes ao 
solo na presença do homem ou quando a quantidade de macacos é pequena.
Na região urbana, o principal vetor é o Aedes aegypti, porém, no Brasil, o último caso urbano foi detectado em 1942 e, a 
partir de então, o país não teve mais transmissão urbana do vírus. Diferenças entre o ciclo de transmissão no continente 
africano e no continente americano são mencionadas na Figura 7. Na África, evidenciam-se três regiões de transmissão: 
a floresta, as regiões de savana e a região urbana. Na América, ocorrem dois ciclos de transmissão: na região de floresta 
ou silvestre e na região urbana. Em cada ciclo, os vetores e hospedeiros são diferentes (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 29
FIGURA 7 – CICLO DE TRANSMISSÃO DO VÍRUS DA FEBRE AMARELA NA ÁFRICA E NA AMÉRICA
Fonte: Brasil (2004).
ÁFRICA AMÉRICA
Macacos
Macacos
Aedes
africanus
Aedes simpsoni
Aedes taylori
Aedes luteocephalus
Aedes
africanus
Homem
Homem
Aedes
aegypti
Aedes
aegypti
Homem
Homem
Homem
Aedes
aegypti
Aedes
aegypti
Macacos
Macacos
Hg . janthinomys
Sa.chloropterus
Hg . janthinomys
Sa.chloropterus
1.4.1.2.1.2.1 Patogênese e sintomas
O vírus da febre amarela penetra no corpo pela pele. Após a picada do mosquito, se replica nos 
linfonodos regionais e se dissemina via corrente sanguínea para outros órgãos, como fígado, rins, 
medula óssea, sistema nervoso central, coração, pâncreas, baço, entre outros. A infecção ocasiona 
lesões proeminentes e aumento de tamanho no fígado e nos rins, necrose nos lóbulos hepáticos, 
degeneração eosinofílica dos hepatócitos e replicação viral nos macrófagos hepáticos, levando à 
icterícia, com resposta inflamatória ausente ou fraca (BRASIL, 2020, 2014).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 30
A febre amarela é caracterizada por ter duas fases separadas por um curto período de remissão (Figura 8). Período 
de infecção (fase virêmica): dura cerca de 3 a 6 dias, tem início súbito e sintomas inespecíficos, como febre, calafrios, 
cefaleia, lombalgia, mialgias generalizadas, prostração, mal-estar, tonturas, náuseas e vômitos, podendo ocorrer 
infecção conjuntival e bradicardia; período de remissão (não percebido na maioria dos casos): ocorre declínio da 
temperatura e diminuição da intensidade dos sintomas, provocando sensação de melhora no paciente, e dura de 
poucas horas a até, no máximo, dois dias; período toxêmico (produção de anticorpos e citocinas): caracterizado por 
resposta inflamatória exacerbada associada a colapso hemodinâmico (circulação sanguínea), reaparecendo a febre, 
a diarreia e os vômitos, que têm aspecto de borra de café. Nesse período ainda pode ocorrer dor abdominal intensa. 
Instala-se quadro de insuficiência hepatorrenal, caracterizado por icterícia (coloração amarela de pele e olhos), 
oligúria (diminuição de produção de urina), anúria (ausência de produção e eliminação de urina) e albuminúria 
(presença de albumina na urina), acompanhado de manifestações hemorrágicas, prostração intensa, podendo 
haver evolução para coma e morte (BRASIL, 2020, 2014). 
FIGURA 8 – ESTÁGIOS DE INFECÇÃO POR FEBRE AMARELA
Fonte: Governo de Santa Catarina (2017).
VIREMA REMISSÃO TOXÊMICA
Carga viral
Isolamento Viral
RT-PCR
Sorologia (S1 - MAC-ELISA)
Material: SORO
1º ao 5º dia de sintomas
Sorologia (S1 ou S2 - MAC-ELISA
para IgM e ELISA-IgG)
Material: SORO
A partir do 6º dia de sintomas
IgM IgG
Recuperação
ou Óbito
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 31
SAIBA MAIS
Conheça a história da febre amarela no Brasil
No Brasil, a febre amarela silvestre é uma doença endêmica na região amazônica. Na região extra-amazônica, 
são registrados ocasionalmente períodos epizoóticos/epidêmicos, caracterizando as reemergências do vírus 
no país. Nos últimos anos, essas epizootias têm sido cada vez mais frequentes na região extra-amazônica.
A primeira epidemia urbana ocorreu em Recife-PE, em 1685. No ano seguinte, o vírus foi detectado na Bahia 
e provocou 25 mil casos. Em 1691, a doença foi controlada, porém, em 1849, reapareceu em Salvador-BA, 
causando 2800 mortes. Entre 1850 e 1899 a doença se dispersou pelo país. A febre amarela urbana continuou a 
ocorrer de forma pouco expressiva até 1942, quando foi erradicada. Em 1920, foi diagnosticado o primeiro caso 
de febre amarela silvestre e, nos últimos 50 anos, têm ocorrido epidemias em vários estados (BRASIL, 2004).
Consulte sempre o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde e o Boletim da Secretaria de Estado 
de Saúde da sua região para se manter atualizado sobre a situação epidemiológica dos arbovírus.
1.4.1.2.1.3 O vírus da zika
O vírus da zika foi isolado pela primeira vez em 1947 na floresta Zika, na Uganda, em macacos 
sentinelas rhesus (Macaca mulata) e em mosquitos Aedes africanus.Os primeiros isolamentos 
do vírus em humanos aconteceram entre 1964 e 1975, na Nigéria, em pacientes que tiveram 
febre, dor de cabeça e dor no corpo. Estudos sorológicos realizados nas décadas de 1950 e 
1960 mostraram a disseminação do vírus para outras regiões da África e Ásia, entre pequenos 
mamíferos, aves e humanos, encontrando-se anticorpos neutralizantes contra o vírus. Em 2007, 
uma grande epidemia foi descrita na Ilha de Yap (Micronésia), onde cerca de 75% da população 
foi infectada. Em 3 de março de 2014, o Chile notificou a OPAS/OMS da transmissão autóctone 
do vírus da zika na Ilha de Páscoa, e, em maio de 2015, autoridades de saúde pública brasileiras 
confirmaram a transmissão do vírus na região Nordeste do país.
O vírus da zika pode ser transmitido pelas seguintes vias: 1) pela picada do mosquito infectado 
Aedes aegypti, sendo essa a principal forma de transmissão; 2) por transmissão sexual; 3) da 
mãe para o feto durante a gravidez; e 4) por transfusão de sangue, plaquetas ou células-tronco 
hematopoiéticas (JONES et al., 2020; ROOSSINCK, 2020).
A maioria das infecções pelo vírus da zika é assintomática, com menos de 20% sendo 
sintomáticas. Nesses casos, ocorre uma doença leve, autolimitante, com um período de 
incubação de até 10 dias, muitas vezes confundida com outras infecções por arbovírus. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 32
1.4.1.2.1.3.1 Patogênese e sintomas
Após a picada do mosquito, o vírus da zika se replica nas células dendríticas, próximo ao local de inoculação, disseminando-se para o sangue 
e linfonodos, podendo atingir as células neurais em diferentes estados de maturidade, pois se trata de um vírus neurotrópico, que pode 
gerar complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré.
Os principais sintomas são febre, rash, artralgia e conjuntivite. Também podem ocorrer dor de cabeça, vômitos, edema e icterícia, sendo 
esses sintomas menos frequentes. Complicações digestivas, como dor abdominal, diarreia e constipação, úlceras e prurido, são observadas 
raramente.
No Brasil, foi relatada pela primeira vez a relação entre a infecção pelo vírus da zika durante a gravidez e a microcefalia no feto, caracterizada 
por uma circunferência da cabeça fetal abaixo da média para a idade gestacional, resultando em retardo intelectual e deficiência física. A 
comprovação do efeito do vírus no desenvolvimento de microcefalia veio após a detecção do RNA viral pela técnica de PCR para zika em 
líquido amniótico, placenta, sangue do cordão umbilical e tecido cerebral. Foi demostrada, também, a capacidade do vírus em infectar e 
atravessar a barreira placentária, podendo, então, acometer o tecido nervoso em formação (JONES et al., 2020; ROOSSINCK, 2020), tendo 
originado uma nova síndrome (Síndrome Congênita pelo Zika Vírus).
SAIBA MAIS
Conheça a história da febre zika no Brasil
O vírus da zika começou a circular no Brasil em 2014, na região Nordeste. Estudos mostram que o vírus veio 
do Haiti, provavelmente com migrantes ilegais e militares brasileiros que participaram da missão de paz no 
país caribenho. No início, parecia ser uma doença leve e autolimitada que desaparecia em quatro a cinco dias. 
Posteriormente, surgiram casos de síndrome de Guillain-Barré em adultos e milhares de bebês com microcefalia. 
A partir de novembro de 2015, os casos de microcefalia passaram a ser notificados no Registro de Eventos em 
Saúde Pública (RESP), no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no Sistema de Informação 
sobre Nascidos Vivos (SINASC) e no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
Consulte sempre o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde e o Boletim da Secretaria de Estado 
de Saúde da sua região para se manter atualizado sobre a situação epidemiológica dos arbovírus.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 33
1.4.1.2.1.4 O vírus do Oeste do Nilo
O vírus do Oeste do Nilo foi primeiramente isolado na província de West Nile, Uganda, em 1937. Em 1999, um surto em Nova York, nos EUA, 
causou a morte de grande número de aves; em humanos, foi relacionado a um grande número de casos de encefalite. O surgimento do vírus 
do Oeste do Nilo no Brasil foi relacionado às aves migratórias, que vêm do hemisfério norte para o país, onde há também uma variedade de 
espécies de aves consideradas como reservatórios do patógeno. O vírus é membro do complexo sorológico que inclui o vírus da encefalite 
japonesa (presente na Ásia), o vírus da encefalite de Saint Louis (identificado pela primeira vez nos EUA) e o vírus da encefalite do Vale Murray 
(reportado na Austrália). Os vírions têm 50 nm de diâmetro (BAHUON; LECOLLINET; BECK, 2015).
O conhecimento atual da ecologia do vírus do Oeste do Nilo sugere sua manutenção ambiental em ciclos silvestres, envolvendo 
primariamente aves e mosquitos e eventualmente mamíferos e o Culex pipiens como principal vetor, embora no Brasil ainda não tenha sido 
definida a espécie transmissora. Outras espécies de Culex, Aedes, Anopheles e Mansonia têm sido identificadas como vetores com capacidade 
para transmitir o vírus (LOPES; NOZAWA; LINHARES, 2014; BAHUON; LECOLLINET; BECK, 2015). 
Diferentes espécies de aves constituem os reservatórios naturais do vírus, principalmente espécies da Ordem Passeriformes, Charadriiformes, 
Falconiformes e Strigiformes. Muitos outros animais, incluindo répteis, anfíbios e mamíferos, podem ser infectados, porém são considerados 
hospedeiros terminais devido à baixa viremia apresentada (LOPES; NOZAWA; LINHARES, 2014; BAHUON; LECOLLINET; BECK, 2015).
1.4.1.2.1.3.1 Patogênese e sintomas
Pouco se sabe dos tecidos e órgãos em que o vírus se replica após 
a picada do mosquito infectado. Acredita-se que a replicação 
inicial ocorra na pele e em linfonodos regionais, gerando uma 
viremia primária no sistema reticuloendotelial. Os vírions têm 
tropismo pelas células do sistema nervoso central, porém outros 
órgãos podem ser também afetados, como o tecido renal. Cerca 
de 80% das pessoas infectadas são assintomáticas e apenas 20% 
dos que apresentam sintomas desenvolvem a doença febril 
caracterizada por um período de incubação de dois a 14 dias, 
ocasionando febre, dor de cabeça, fadiga, exantema, nódulos 
linfáticos palpáveis e dor ocular. As manifestações mais graves 
são meningite e encefalite (LOPES; NOZAWA; LINHARES, 2014; 
BAHUON; LECOLLINET; BECK, 2015).
SAIBA MAIS
Conheça a história da febre do Oeste do 
Nilo no Brasil
Como mencionado, o vírus do Oeste do 
Nilo, no Brasil, foi relacionado às aves 
migratórias. Entre os anos de 2002 e 2013 foi 
documentada a soropositividade em cavalos 
e aves na Região do Pantanal, estados do 
Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Em 
2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) 
confirmou o primeiro caso do vírus do Oeste 
do Nilo em humano, no estado do Piauí 
(VIEIRA et al., 2015). Mais recentemente, o 
vírus foi detectado no estado de Minas Gerais 
em amostras de cavalos que adoeceram entre 
2018 e 2020, e foi confirmada a circulação 
viral nos estados de Piauí e São Paulo.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 34
1.4.1.2.2 Diagnóstico laboratorial dos Flavivirus
O diagnóstico dos Flavivirus, assim como de outros arbovírus, é baseado na detecção dos vírus e/ou seus componentes 
(exemplos: genoma viral e antígenos) e na pesquisa de anticorpos específicos para os referidos agravos. 
As metodologias utilizadas são: o teste de ELISA (do inglês enzyme-linked immunosorbent assay), detecção do antígeno ou 
proteína NS1, no caso do vírus da dengue (glicoproteína presente na superfície dos quatro sorotipos), e RT-PCR em tempo real 
(transcriptase reversa seguida de reação em cadeia da polimerase, em tempo real). 
O ELISA permite detectar os anticorpos tanto na fase aguda, a partir do quinto dia do início dos sintomas (IgM), quanto na fase 
de convalescença (IgG) (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 
2009).
A detecção do antígeno NS1 é realizadasomente no diagnóstico do vírus da dengue em amostras com suspeita de 
infecção por esse vírus e é feita utilizando o ELISA pela técnica de captura. A NS1 é uma proteína não estrutural altamente 
conservada (não tem mutações) nos quatro sorotipos que se associa à membrana da célula ou a compartimentos vesiculares 
e acredita-se que ela esteja envolvida na montagem do complexo de enzimas que atua na replicação do vírus. O antígeno 
pode ser detectado em amostras de soro durante a fase aguda da doença, quando é secretado para a circulação sanguínea 
(SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2009). 
A RT-PCR em tempo real é uma técnica molecular que permite detectar o genoma viral dos arbovírus na fase aguda 
da doença, além de quantificar a carga viral (concentração do vírus no paciente infectado). A RT-PCR em tempo real 
possibilita a amplificação de fragmentos genômicos, e a detecção dos produtos é feita diretamente no equipamento, 
utilizando marcadores fluorescentes e métodos sensíveis de mensuração da fluorescência emitida (SANTOS; 
ROMANOS; WIGG, 2015; VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2009).
SAIBA MAIS
Assista ao vídeo para entender como funciona a 
técnica de RT-PCR em tempo real. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=K1nWC3-
P3sc&feature=youtu.be
Nota dos Autores: Os vídeos de YouTube indicados neste módulo são complementares ao conteúdo 
e podem ser retirados do ar a qualquer momento e sem aviso prévio, não havendo qualquer 
responsabilidade das instituições envolvidas.
https://www.youtube.com/watch?v=K1nWC3-P3sc&feature=youtu.be
https://www.youtube.com/watch?v=K1nWC3-P3sc&feature=youtu.be
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 35
As técnicas de diagnóstico mencionadas (ELISA e RT-PCR em tempo real) são também usadas no 
diagnóstico de outras doenças produzidas por arbovírus, tal e como veremos mais adiante.
Continuando, vamos falar da família Togaviridae, na qual encontramos duas arboviroses que afetam 
diversas regiões do Brasil: chikungunya e mayaro.
1.4.1.3 Família Togaviridae
A família Togaviridae é composta de vírus esféricos, de 70 nm de diâmetro, envelopados e com genoma RNA de fita simples sentido 
positivo. Inclui dois gêneros: Rubivirus (vírus da Rubéola) e Alphavirus. O gênero Alphavirus, com o maior número de espécies dentro da 
família, inclui, na sua maioria, patógenos transmitidos por mosquitos para o homem e para os animais. O genoma codifica a síntese de 
quatro proteínas não estruturais (nsP1, nsP2, nsP3 e nsP4), que participam na replicação do vírus, e das proteínas estruturais: a proteína 
do capsídeo CP, duas glicoproteínas do envelope E1 e E2, a proteína transmembrana 6K, e, em alguns Alphavirus, como o vírus Semliki 
Forest, é encontrada uma terceira proteína chamada E3 (Figura 9) (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; FAUQUET et al., 2005). 
Aproximadamente 10 espécies virais pertencentes ao gênero Alphavirus foram isoladas no Brasil: o vírus Aura, o vírus Mucambo, o vírus 
Pixuna, o vírus Trocara, o vírus Una, o vírus da encefalite Equina do Leste, o vírus mayaro, o vírus da encefalite Equina do Oeste e o vírus 
da encefalite Equina da Venezuela. Apenas o vírus Triniti não tem classificação e grupo sorológico (FAUQUET et al., 2005).
FIGURA 9 – ORGANIZAÇÃO GENÔMICA DOS VÍRUS DO GÊNERO ALPHAVIRUS
5’m7G
5’mG
nsP1
p150K p90K CP E2 E1
nsP2 nsP3 nsP4 CP E3 E2 6K E1
A(N) 3’
A(N) 3’
A(N) 3’
sgRNA 5’
A(N) 3’sgRNA 5’
S-ORF
S-ORF
Alphavirus genome
Rubivirus genome
Mtr Hel
NS-ORF
Pro X Rep
NS-ORF
Mtr HelProX Rep
Fonte: Fauquet et al. (2005).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 36
Os Alphavirus estão relacionados e compartilham sítios antigênicos comuns, devido à presença de 
sequências conservadas nas proteínas C e E1, conferindo a mesma proteção cruzada. Pela proximidade 
antigênica, é possível diferenciar sete complexos antigênicos dentro do sorogrupo Alphavirus: o vírus 
Barmah Forest, o vírus da encefalite Equina do Leste, o vírus Middelburg, o vírus Ndumu, o vírus Semliki 
Forest e os vírus das encefalites Equina da Venezuela e do Oeste (FLINT et al., 2015).
1.4.1.3.1 O vírus da chikungunya
O vírus da chikungunya é conhecido desde 1952, quando foi identificado pela primeira vez em surto no leste da África, na 
Tanzânia. A palavra chikungunya, nos dialetos africanos swahili e makonde, significa “aquele que se curva”, em referência ao 
efeito da artralgia incapacitante que caracteriza a doença. Antes do ano 2000, os casos eram observados de forma ocasional em 
viajantes da América do Norte e Europa. Entretanto, os sucessivos surtos que atingiram o leste da África, as ilhas do oeste e do 
leste do Oceano Índico e a Índia, assim como sua disseminação para a Oceania, a Europa e as Américas em 2013, demonstraram o 
potencial desse vírus para emergir como importante patógeno para o ser humano (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; OKEOMA, 
2016).
Na Ásia e nas Ilhas do Oceano Índico, os principais vetores de transmissão do vírus são o Aedes aegypti e Aedes albopictus, em 
área urbana. Na África, além do ciclo urbano, o vírus tem um ciclo zoonótico entre primatas não humanos e diversas espécies 
de mosquitos do gênero Aedes. Na Índia e nas Américas, o vetor principal é o Aedes aegypti; e na Europa e na região do Oceano 
Índico, o Aedes albopictus (SANTOS et al., 2015). Ao chegar ao Brasil, ainda em 2014, já demonstrou sua capacidade de transmissão 
causando graves epidemias no Nordeste entre os anos de 2015 e 2017 e revelando pela primeira vez sua capacidade de levar 
pessoas infectadas a óbito, principalmente aqueles em idades abaixo dos cinco anos e acima dos sessenta anos.
SAIBA MAIS
Reação cruzada ou proteção cruzada: quando um 
anticorpo pode se ligar a mais de um antígeno que não 
é específico. No exemplo anterior, seria a ligação de um 
anticorpo a antígenos.
FIQUE ATENTO!
O Paraguai vive uma epidemia de chikungunya. Até final de março de 2023, já 
haviam sido registrados 44 mil casos da doença e 51 mortes no país no ano. Ponta 
Porã, cidade fronteira entre Brasil e Paraguai, notificou 263 casos nos primeiros 4 
meses do ano.
https://www.vs.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2023/04/Boletim-
Epidemiologico-Chikungunya-SE-15-2023.pdf
https://www.vs.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2023/04/Boletim-Epidemiologico-Chikungunya-SE-15-2023.pdf
https://www.vs.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2023/04/Boletim-Epidemiologico-Chikungunya-SE-15-2023.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 37
SAIBA MAIS
Conheça a história da chikungunya no Brasil
No Brasil, os primeiros casos autóctones foram identificados em Oiapoque, estado do Amapá, e em Feira de 
Santana, estado da Bahia, em setembro de 2014. Foram detectadas as duas linhagens: a asiática, no Amapá, e a 
Eastern, Central and Southern Africa (ECSA), na Bahia. A doença se espalhou rapidamente para outros estados 
devido à presença do vetor em todas as regiões, o amplo fluxo de pessoas para as diferentes localidades e a 
suscetibilidade da população à infecção, tendo causado grandes epidemias na região Nordeste entre os anos 
de 2015 e 2017.
Consulte sempre o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde e o Boletim da Secretaria de Estado 
de Saúde da sua região para se manter atualizado sobre a situação epidemiológica dos arbovírus.
1.4.1.3.2 O vírus mayaro
O vírus mayaro é um Alphavirus com genoma RNA de fita simples positiva. Foi identificado pela primeira vez em Trindade e Tobago, 
em 1954, em amostra de soro de paciente sintomático (PEZZI et al., 2019). Posteriormente, o vírus se dispersou para outras regiões 
tropicais da América do Sul. A maioria dos casos ocorre na Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Peru, Bolívia e Brasil. No Brasil, a 
febre mayaro tem sido relatada na região da Amazônia e no estado de Mato Grosso.
O vírus, constituído de genoma tipo RNA de fita simples positivo, tem quatro genótipos: D, L, N e o recombinante D/L. No Brasil, 
circulam as linhagensD e L (PEZZI et al., 2019), e o vírus constitui um problema de saúde pública nas áreas rurais, devido às mudanças 
no ecossistema, em que é principalmente transmitido para o homem por mosquitos do gênero Haemagogus, e onde os primatas 
não humanos, pássaros, roedores, bicho preguiça e outros pequenos mamíferos são os principais hospedeiros. O Aedes aegypti tem 
mostrado capacidade para se infectar em condições experimentais de laboratório, sugerindo que na região urbana o mosquito é um 
potencial vetor do vírus (LORENZ; RIBEIRO; CHIARAVALOTTI-NETO, 2019). 
1.4.1.3.2.1 Patogênese e sintomas
Mais recentemente, no Brasil, têm sido relatados casos nos estados de Goiás e Tocantins, onde os infectados tiveram uma doença 
febril aguda, artralgia/artrite e rash maculopapular, associado a dor de cabeça, mialgia, dor retro-orbital, vômito e diarreia. As 
manifestações clínicas são difíceis de distinguir daquelas produzidas por outras arboviroses, como a dengue, zika e chikungunya 
(DIAGNE et al., 2020). 
A artralgia nos infectados pelo vírus mayaro pode se manifestar por meses e, em alguns casos, por anos, fazendo com que a doença 
seja mais debilitante do que as infecções por Flavivirus, em que os sintomas se apresentam por no máximo três semanas. Após a picada 
pelo mosquito, o vírus se dispersa pelas vias sanguíneas, replicando-se nos monócitos e macrófagos, atingindo os ossos, músculos 
e articulações, até alcançar o baço e o fígado. A severidade da doença está associada à produção de citocinas pró-inflamatórias e 
mediadores (interleucinas, proteínas quimioatraentes de monócitos, entre outros), bem como à indução de estresse oxidativo, que 
está associado a respostas inflamatórias e apoptose celular (DIAGNE et al., 2020). A Figura 10 mostra o curso da viremia e da produção 
de anticorpos IgM/IgG após inoculação do vírus mayaro em hospedeiro susceptível e o aparecimento dos sintomas.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 38
FIGURA 10 – CURSO DA VIREMIA, ANTICORPOS IGM/IGG EM INFECTADOS PELO VÍRUS MAYARO
Picada do mosquito
infectado por mayaro Biomarcadores Sintomas
N
ív
ei
s 
de
 e
xp
re
ss
ão
Período e incubação Aproximadamente 1 semana Semanas a meses Anos
Febre, em uma semana
(90% dos pacientes)
Poliartrite, poliartralgia ou os
dois pode demorar semanas 
ou meses (95% dos pacientes)
IgG detectável de 
4 a 10 dias após o 
início dos sintomas, 
persiste por anos
IgM detectável 3 a 8 dias
após início dos sintomas, 
usualmente persiste 
por 1 a 3 meses
Rash, em uma 
semana (40-50% 
dos pacientes)
Mialgia, 
usualmente 
nos últimos 
7 a 10 dias
(90% dos 
pacientes)
Início da infecçao
em 5-7 dias
0 2 4 6 8 10 12 14 dias
Fonte: Diagne et al. (2020).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 39
SAIBA MAIS
Conheça a história da febre mayaro no Brasil
Na região amazônica, no estado do Pará, foram relatadas quatro epidemias de febre mayaro: a primeira em 
1955, em comunidade próxima ao Rio Guamá; a segunda em 1978, em Belterra; a terceira no ano de 1981, em 
Conceição do Araguaia; e a quarta em 1991, em Benevides. Em 1987, o vírus foi responsável por surtos em 
Goiás, e, em 1991, foi detectado no Tocantins. Em 2000, o vírus foi isolado em turistas que viajaram à cidade de 
Camapuã, Mato Grosso do Sul. Entre 2014 e 2015, nove estados brasileiros reportaram casos suspeitos.
1.4.1.3.3 Patogênese e sintomas dos Alphavirus
Do ponto de vista clínico, os Alphavirus podem ser divididos em dois grupos: os associados a encefalite e os associados a exantema 
e poliartrite. Os vírus chikungunya e mayaro comprometem as articulações das pessoas infectadas, porém em surtos recentes 
existe documentação de casos de meningoencefalite (principalmente em neonatos) e hemorragias em pessoas infectadas pelo 
vírus chikungunya (SANTOS et al., 2015; OKEOMA, 2016).
Após a transmissão, o vírus é replicado nos fibroblastos da pele e disseminado pela via sanguínea para outros tecidos e órgãos. 
Na fase aguda, a elevada carga viral induz à produção de citocinas e quimiocinas pró-inflamatórias que determinam a resposta 
artritogênica. O período de incubação é de 2 a 4 dias em média, e o início da doença é abrupto e coincide com a viremia e com 
sintomas de febre, cefaleia, dor nas costas, poliartralgia (observada em 87% a 98% dos casos) e fadiga. Na fase aguda da doença, 
a dor é, predominantemente, poliarticular, bilateral, simétrica e ocorre principalmente nas articulações periféricas (tornozelos, 
punhos e falanges) e em algumas das grandes articulações (cotovelos e joelhos). Já a mialgia é observada em 46% a 59% e as 
expressões cutâneas em 40% a 50% dos casos (SANTOS et al., 2015; OKEOMA, 2016). 
A chikungunya tem impacto relevante na qualidade de vida do paciente durante a fase aguda da doença e pode provocar o 
surgimento de doença crônica. A incapacitação ou limitação das atividades normais em decorrência das dores e o cansaço 
permanente são manifestações significativas nos pacientes.
1.4.1.3.4 O diagnóstico dos Alphavirus
O diagnóstico dos Alphavirus é feito nos laboratórios de referência, de forma semelhante ao diagnóstico dos 
Flavivirus, como explicado na seção 1.4.1.2.2. O teste de detecção do RNA dos vírus chikungunya e mayaro é 
direcionado para confirmação diagnóstica de casos notificados que apresentem quadro clínico característico 
das doenças ou vínculo epidemiológico de infecção. No teste por RT-PCR em tempo real são usados 
oligonucleotídeos específicos que detectam sequências genéticas do vírus chikungunya ou mayaro. 
É importante destacar que, nas regiões onde há circulação do vírus mayaro, o teste ELISA para detecção de 
anticorpos IgM/IgG para chikungunya pode dar reação cruzada, pois mayaro e chikungunya pertencem ao 
complexo antigênico Semliki Forest. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 40
1.4.1.3.5 Diagnóstico diferencial dengue-zika-chikungunya
Se compararmos os sinais e sintomas que produzem as arboviroses dengue, zika e chikungunya, podemos 
observar que há entre elas algumas similaridades que podem dificultar o diagnóstico correto. Porém, há 
alguns sintomas marcantes que podem diferir e que são apresentados na Figura 11 (SANTOS et al., 2015; 
VALLE; PIMENTA; CUNHA, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2009).
FIGURA 11 – PRINCIPAIS SINTOMAS DA DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA
Por outro lado, considerando que as arboviroses 
têm um amplo espectro clínico, o diagnóstico delas 
deve considerar a existência de outros agentes 
patógenos que geram manifestações exantemáticas, 
hemorrágicas e artralgia (Figura 12).
Fonte: Lang (2015). 
DENGUE CHIKUNGUNYA ZIKA
FEBRE Sempre presente: alta e de início imediato
Quase sempre presente: 
alta e de início imediato
Pode estar presente: 
baixa
ARTRALGIA (DORES 
NAS ARTICULAÇÕES)
Quase sempre presente: 
dores moderadas
Presente em 90% dos 
casos: dores intensas
Pode estar presente: 
dores leves
RASH CUTÂNEO 
(MANCHAS 
VERMELHAS NA PELE)
Pode estar presente
Pode estar presente: se 
manifesta nas primeiras 
48 horas (normalmente a 
partir do 2º dia)
Quase sempre presente: 
se manifesta nas 
primeiras 24 horas
PRURIDO (COCEIRA) Pode estar presente: leve Presente em 50 a 80% dos casos: leve
Pode estar presente: de 
leve a intensa
VERMELHIDÃO NOS 
OLHOS Não está presente Pode estar presente Pode estar presente
PR
IN
C
IP
A
IS
 S
IN
TO
M
A
S
SAIBA MAIS
A diferença entre sintoma e sinal é que o sinal é aquilo 
que pode ser percebido por outra pessoa sem o relato ou 
comunicação do paciente, e o sintoma é a queixa relatada 
pelo paciente, mas que só ele consegue perceber. 
Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação do 
próprio paciente.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 41
FIGURA 12 – DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL SINDRÔMICO
Caro trabalhador estudante, vamos falar agora da família Peribunyaviridae 
ressaltando o vírus oropouche por ser um arbovírus que afeta algumas regiões 
do Brasil.
Fonte: adaptado de Universidade Federal Fluminense (2017, p. 11).ARBOVIROSES
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL SINDRÔMICO
SÍNDROME FEBRIL 
COM ALTRALGIA
SÍNDROME 
EXANTEMÁTICA
SÍNDROME 
HEMORRÁGICA
• Dengue
• Chikungunya
• Febre mayaro
• Rubéola
• Doença de 
Kawasaki
• Zika
• Dengue
• Sarampo
• Rubéola
• Parvovirose B19 
(Eritema infeccioso)
• Exantema Súbito
• Escarlatina
• Dengue
• Febre Amarela
• Leptospirose
• Meningococcemia
• Septicemia
• Malária Grave
• Hantavirose
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 42
Proteína L
Proteína N
Envelope ou
envoltura lipídica
Proteína Gn
Proteína Gc
Large
Small
Medium
1.4.1.4 Família Peribunyaviridae
Os peribunyavirus são esféricos ou pleomórficos, têm de 80-200 nm de diâmetro e são envelopados. Os 
vírions têm duas proteínas não estruturais (NSs e NSm) e quatro proteínas estruturais: duas glicoproteínas 
externas (Gn e Gc), a proteína do nucleocapsídeo (N) e a proteína L ou Large com função RNA-polimerase 
RNA-dependente (RdRP) e de endonuclease. O genoma está organizado em três segmentos de RNA de fita 
simples senso negativo, designados: S (small), M (medium) e L (large). O segmento L codifica a síntese da 
proteína L ou RdRP e o segmento M codifica um polipeptídeo que dará origem às glicoproteínas de superfície 
Gn e Gc e a proteína não estrutural NSm. O segmento S codifica a proteína N e a proteína não estrutural NSs. 
A Figura 13 mostra a organização morfológica da partícula viral dos peribunyavirus (HUGHES et al., 2020).
A família Peribunyaviridae abrange quatro gêneros: 
Orthobunyavirus, Herbevirus, Pacuvirus e Shangavirus. O 
gênero Orthobunyavirus é o mais diverso e com maior 
número de espécies dentro da família (agrupa mais de 
170 vírus dos 19 diferentes sorogrupos e 48 complexos 
de espécies), ocorrendo globalmente nas regiões tropical, 
temperada e ártica. Os isolados das diferentes espécies têm 
sido encontrados em diferentes hospedeiros vertebrados, 
entre eles esquilos, morcegos, coelhos, ungulados, bichos-
preguiça e pássaros, e a maioria é transmitida por mosquitos 
(HUGHES et al., 2020). 
Um amplo espectro de doenças humanas tem sido 
associado às infecções por Orthobunyavirus, incluindo 
encefalites, doenças febris e febres hemorrágicas. A Figura 
14 mostra a organização do genoma dos Orthobunyavirus. 
Uma das diferenças encontradas com o genoma de outros 
membros da família Peribunyaviridae é que nem todos os 
Orthobunyavirus codificam para a proteína NSs e entre Gn e 
Gc é sintetizada a proteína NSm (HUGHES et al., 2020).
FIGURA 13 – ORGANIZAÇÃO MORFOLÓGICA DOS VÍRUS DA FAMÍLIA PERIBUNYAVIRIDAE
Fonte: Hughes et al. (2020).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 43
FIGURA 14 – ORGANIZAÇÃO GENÔMICA DOS ORTHOBUNYAVIRUS
L segment vRNA (˜6 kb)
M segment vRNA (˜4.5 kb)
S segment vRNA (˜1 kb)
N mRNA
G mRNA
3’
3’
3’
5’
5’
5’
3’ 5’
5’
3’5’
3’ L mRNA
Orthobunyavirus
L
Gn GcNSm
N
NSs
Fonte: International Committee on Taxonomy of Viruses (2021).
1.4.1.4.1 Vírus oropouche
O vírus oropouche é um membro do gênero Orthobunyavirus, que foi isolado pela primeira vez em 
Trindade e Tobago, em 1955, em soro de trabalhador rural que residia numa vila chamada Vega de 
Oropouche. Posteriormente, houve outro isolado em pool de 177 mosquitos Coquillettidia venezuelensis, 
coletados na floresta Bush, em Trindade, em 1960. Pertence ao sorogrupo Simbu, constituído de 25 vírus 
classificados em sete complexos e dois subclados filogenéticos, denominados subclado A, Manzanilla 
e Oropouche, e subclado B, Simbu, Akabane, Sathuperi, Shamonda e Shuni. Uma das características do 
sorogrupo Simbu é a sua grande diversidade genética que é atribuída à ampla distribuição geográfica. 
Dos vírus do subclado A, 77% têm sido isolados na América, Austrália, África do Sul e no Vietnã. O 
complexo Oropouche é o único que inclui espécies que afetam o homem: Oropouche, Jatobal, Iquitos, 
Leanyer, Oya e Thimiri (SAKKAS et al., 2018). 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 44
Em 2000, do ponto de vista filogenético, foram diferenciados três genótipos (I, II e III) do vírus no Brasil, 
Peru e Panamá, e, dez anos depois, um quarto genótipo foi relatado no Brasil. O genótipo I inclui linhagens 
isoladas nos estados do Acre, Amazonas, Maranhão, Tocantins e Pará, assim como em Trindade e Tobago, 
e é o mais disperso pelo Brasil. O genótipo II foi inicialmente encontrado nos estados brasileiros do Pará, 
Amapá e Rondônia, assim como no Peru. O genótipo III foi isolado no Acre, Minas Gerais e Rondônia, no 
Brasil, e no Panamá. Por último, o genótipo IV foi isolado no estado do Amazonas, no Brasil (SAKKAS et al., 
2018).
O vírus oropouche tem dois ciclos de transmissão. No ciclo silvestre, há evidências de que o bicho-preguiça, 
os primatas não humanos e algumas espécies de pássaros são os principais hospedeiros vertebrados do 
vírus. O vetor nesse ciclo não está claro ainda, porém, em duas ocasiões, foi isolado de pool de mosquitos de 
Ochlerotatus serratus na região Amazônica e de Coquilletidia venezuelensis em Trindade e Tobago. No ciclo 
urbano ou epidêmico, os humanos são os principais hospedeiros, e o vetor principal é o Culicoides paraensis 
da família Ceratopogonidae, tradicionalmente chamado de maruim, e o mosquito Culex quinquefasciatus 
(TRAVASSOS DA ROSA et al., 2017).
1.4.1.4.1.1 Patogênese e sintomas na infecção pelo vírus oropouche
Não existe informação precisa sobre o período de incubação intrínseca do vírus oropouche, porém alguns estudos realizados 
durante as epidemias sugerem que pode variar de 4 a 8 dias. Adicionalmente, estudos experimentais em hamsters demonstraram 
que o período de incubação extrínseca é de 5 dias ou mais.
Os sintomas são observados nos primeiros 2 a 4 dias da infecção, com viremia detectável. Após percorrer a corrente sanguínea, o vírus 
infecta as células do Sistema Nervoso Central (SNC), gerando resposta inflamatória. Experimentos realizados com camundongos 
infectados demonstraram severas manifestações de encefalite relacionadas à dispersão do vírus para o parênquima cerebral. Em 
outros estudos, o vírus foi detectado em lesões do fígado com significativa necrose dos hepatócitos (TRAVASSOS DA ROSA et 
al., 2017). Com relação aos sintomas, normalmente as infecções pelo vírus oropouche vêm acompanhadas de dores de cabeça, 
mialgia, artralgia, anorexia, tontura, arrepios e fotofobia. Alguns pacientes relatam rash, náusea, vômitos, diarreia, conjuntivite, 
dor epigástrica e dor retro-orbital. A recorrência dos sintomas é frequente poucos dias após o início dos primeiros sinais, porém 
com menor intensidade. Alguns pacientes desenvolvem meningite. A convalescência é completa, sem aparente sequela, inclusive 
nos casos severos. Não há relatos de óbitos associados à infecção pelo vírus, porém a detecção do vírus no fluido cerebroespinhal 
em pacientes do estado do Amazonas sugere que a severidade da doença comprometa o SNC (TRAVASSOS DA ROSA et al., 2017; 
SAKKAS et al., 2018).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 45
1.4.1.4.1.2 Diagnóstico laboratorial do vírus oropouche
O diagnóstico clínico da doença é complicado nas regiões endêmicas pelo fato de os sintomas serem similares aos das 
infecções por dengue, zika, chikungunya, febre amarela e malária. As técnicas utilizadas para o diagnóstico laboratorial 
são as mesmas mencionadas na seção 1.4.1.2.2. No teste ELISA são usados antígenos do vírus que detectam anticorpos 
IgM e IgG contra o patógeno. Da mesma forma, no teste RT-PCR em tempo real são usados oligonucleotídeos específicos 
que detectam o vírus em amostras de soro coletadas.
Na Tabela 1, são mostrados, de forma resumida, diferentes aspectos do ciclo de transmissão dos Flavivirus, Alphavirus 
e Orthobunyavirus tratados nesta unidade, com o objetivo de facilitar a compreensão das semelhanças e diferenças 
entre esses arbovírus.
SAIBA MAIS
Conheça a história do vírus oropouche no Brasil
Foi isolado no Brasil em 1960 em soro de bicho-preguiça Bradypus trydactylus capturado emregião de floresta 
durante a construção da BR Belém-Brasília e em pool de mosquitos Ochlerotatus serratus coletados numa região 
próxima. 
No ano seguinte, o vírus foi detectado na cidade de Belém, no Pará, durante surto relatado na cidade que 
acometeu 11.000 pessoas. A partir desse momento ficou demonstrado o potencial epidêmico do vírus.
Outros surtos foram descritos nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia e Tocantins, 
no ano de 1989. Mais recentemente, o vírus foi relatado em diferentes municípios do estado do Pará. Em 2009, 
outro surto da doença foi reportado nos municípios de Altamira e Santa Bárbara, no Pará, e em Mazagão, no 
Amapá.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 46
Dengue Chikungunya Zika Febre amarela (*) Febre do Oeste do Nilo Mayaro Oropouche
Ciclo urbano e/ou 
silvestre
Urbano: Homem-
vetor-homem.
Urbano: Homem-
vetor-homem e 
silvestre (na África).
Urbano: Homem-
vetor-homem; 
transmissão sexual; 
transmissão durante 
a gravidez em 
mulheres grávidas; 
transfusão de 
sangue.
Silvestre: 
1 – Macaco-vetor-
macaco
2 – Macaco-vetor-
humano.
Silvestre/urbano: 
1 – Pássaro-vetor-
pássaro
2 – Pássaro-vetor-
mamífero
3 – Pássaro-vetor-
homem.
Silvestre. Urbano e silvestre.
Mosquito vetor
Urbano: Aedes 
aegypti no 
continente 
americano.
Urbano: Aedes 
aegypti no continente 
americano;
Silvestre: várias 
espécies do gênero 
Aedes.
Urbano: Aedes 
aegypti no 
continente 
americano.
Silvestre: gêneros 
Sabethes sp. e 
Haemagogus sp.
Silvestre: gênero 
Culex; espécies 
stigmatosema, 
nigripalpus, pipiens, 
quincefaciatus, 
restuans e tarsalis.
Haemagogus.
Urbano: 
Ochlerotatus 
serratus e 
Coquilletidia 
venezuelensis;
Urbano: Culicoides 
paraensis.
Reservatório O ser humano.
O ser humano 
e primatas não 
humanos.
O ser humano.
Macacos dos 
gêneros Alouatta 
spp., Sapajus 
spp., Callithrix 
spp. O homem 
é hospedeiro 
acidental definitivo.
Os pássaros 
da ordem 
Passeriformes, 
Falconiformes e 
Strigiformes, no 
ciclo silvestre.
O ser humano e 
os equinos são 
hospedeiros 
acidentais.
Silvestre: primatas 
não humanos, 
pássaros, roedores, 
bicho-preguiça, 
entre outros 
mamíferos. 
Urbano: O homem.
Silvestre: bicho-
preguiça, primatas 
não humanos e 
pássaros.
Urbano: homem.
TABELA 1 – SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS NO CICLO DE TRANSMISSÃO DOS VÍRUS DA DENGUE, CHIKUNGUNYA, 
ZIKA, FEBRE AMARELA, FEBRE DO OESTE DO NILO, MAYARO E OROPOUCHE
(*) A febre amarela urbana foi erradicada do Brasil na década de 1940 e era transmitida pelo mosquito Aedes aegypti para os seres humanos.
Fonte: elaboração do autor.
Para finalizar a unidade, vamos falar do tratamento das arboviroses e das medidas que permitem controlar a 
circulação e disseminação desses arbovírus.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 47
1.4.1.5 Tratamento das arboviroses
Não existe tratamento antiviral específico para as arboviroses. O tratamento é realizado com base nos sintomas 
relatados pelo paciente, sendo recomendado repouso e reposição de líquidos. Analgésicos e antitérmicos como 
dipirona e paracetamol podem ser prescritos para controlar a dor e a febre, e anti-histamínicos orais, para o 
controle do rash e prurido. O tratamento das náuseas e vômitos é feito com antieméticos, sendo a metoclopramida 
a droga de eleição. Recomenda-se não usar medicamentos que contenham em sua fórmula ácido acetilsalicílico 
ou derivados pela possibilidade de gerar ou agravar o quadro hemorrágico (SAKKAS et al., 2018; DIAGNE et al., 
2020; BRASIL, 2017, 2004). 
No caso de dores articulares provocadas pelas infecções por dengue, chikungunya e mayaro, é importante ter 
uma ferramenta (escala analógica visual – EVA) que permite a aferição da dor, transformando um dado subjetivo 
em um dado objetivo, o que possibilita avaliar e conduzir adequadamente o caso. Na dor causada pela infecção 
por chikungunya na fase aguda, os anti-inflamatórios não hormonais (AINH) não devem ser prescritos devido ao 
risco de sangramento desses pacientes. Na presença de dor leve a moderada, recomenda-se o uso de dipirona ou 
paracetamol. Em caso de dor persistente, poliarticular ou incapacitante, pode ser necessário o uso de medicações 
intravenosas. Se as dores forem intensas, além dos analgésicos, podem ser prescritos opioides (SAKKAS et al., 2018; 
DIAGNE et al., 2020; BRASIL, 2017, 2004). 
No caso de o paciente desenvolver a síndrome de Guillain-Barré, provocada principalmente pelo vírus zika, o 
tratamento na fase aguda, devido à natureza autoimune da doença, consiste em imunoterapia, como plasmaférese 
ou aplicação de imunoglobulina, que ajudam a remover os anticorpos da corrente sanguínea e substituí-los por 
plasma artificial, usualmente albumina (SAKKAS et al., 2018; DIAGNE et al., 2020; BRASIL, 2017, 2004).
Independentemente da arbovirose, é importante que qualquer pessoa sintomática procure atendimento médico 
e não se automedique.
1.4.1.6 Medidas de controle das arboviroses
Nas áreas urbanas, as medidas comunitárias de controle visam controlar o vetor, entre elas: saneamento 
básico; eliminação dos focos do vetor nas residências e área comuns; redução do acúmulo de lixo por meio 
de campanhas de limpeza urbana para eliminar os lugares em que a fêmea do mosquito possa colocar 
os ovos; uso de adulticidas e larvicidas para diminuir a densidade do mosquito e bloquear os focos de 
transmissão. Por outro lado, também existem medidas de prevenção individuais que são recomendadas: 
usar camisa de manga comprida e calças em lugares endêmicos e onde há grande densidade de 
mosquitos; utilizar tela nas portas e janelas para evitar a entrada de mosquitos; usar repelentes contra 
insetos seguindo as orientações da bula; vestir as crianças com roupas que cubram braços e pernas; usar 
mosquiteiros nos berços e camas (BRASIL, 2017, 2004). Mais detalhes sobre o controle desses vetores 
poderão ser vistos nas Unidades 3 e 4.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 48
No caso dos arbovírus que circulam em áreas silvestres e que podem afetar o homem, os cuidados individuais devem ser considerados. 
Porém, alguns vírus, como o mayaro e o oropouche, podem ser “urbanizados” e produzir surtos. Nesse sentido, alguns aspectos devem 
ser observados: 1) a urbanização pode ser o resultado do “transporte” do vírus para as cidades por humanos ou pássaros infectados; 2) 
a presença de mosquitos nas cidades, Aedes aegypti, Culex quinquefasciatus e Aedes albopictus, que têm a capacidade de se infectar 
e transmitir alguns vírus que circulam nas áreas silvestres; 3) as mudanças do ambiente natural por ação do homem (desmatamento, 
atividades agrícolas, crescimento das cidades, entre outras); 4) mutações genéticas dos arbovírus e as suas adaptações a vetores urbanos; 
5) o incremento da tolerância e seleção de resistência dos vetores a doses letais de inseticidas (adulticidas e larvicidas); 6) as mudanças 
climáticas que favorecem a invasão dos vetores em áreas onde os vírus não circulavam (SAKKAS et al., 2018; DIAGNE et al., 2020). 
A febre amarela pode ser controlada por meio da vacinação contra o vírus, que é ofertada à população pelo SUS. Desde 2017, o Brasil 
adota o esquema vacinal de apenas uma dose para toda a vida, mas, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde 
(OMS), uma dose de reforço é indicada para a pessoa – independentemente da idade que tiver – que recebeu a vacina antes de completar 
cinco anos. A vacina é produzida no Brasil desde 1937 pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos (Fiocruz) e é da 
cepa 17DD. É produzida com vírus vivos atenuados derivados de uma amostra africana do vírus amarílico selvagem denominado Asibi. 
Pode ser aplicada na população a partir dos 9 meses de idade, sem limite de idade. A administração é subcutânea. A imunidade ocorre a 
partir do 10º dia após a vacinação, perdurando por toda a vida (BRASIL, 2020). 
Estão em fase de desenvolvimento vacinas contra o vírus Dengue. O Instituto Butantan desenvolveua vacina Butantan-DV que mostrou uma eficácia de 
79,6%. A vacina é tetravalente, composta pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, atenuados. A pesquisa clínica se encontra na fase 3, onde o novo pro-
duto é avaliado em pacientes voluntários, analisando o tipo e o perfil das reações adversas mais frequentes, de forma aleatória e por sorteio, comparando 
com o grupo controle. O acompanhamento vem sendo realizado em mais de 16 mil indivíduos de todo o Brasil, com idades entre 2 e 59 anos. O imuni-
zante foi administrado, em dose única, em 10.259 pessoas, e o restante recebeu placebo. Até o presente momento, não foi reportado nenhum caso grave 
de dengue nos participantes. O estudo terá continuidade até todos os indivíduos completarem cinco anos de acompanhamento (2024). Adicionalmente, 
a eficácia da vacina foi avaliada em voluntários que estiveram expostos ao vírus da dengue. Em pessoas que contraíram a doença antes da pesquisa, a 
proteção foi de 89,2% e naqueles que tiveram contato com o vírus sem apresentar a doença, a eficácia foi de 73,5% (https://revistapesquisa.fapesp.br/
wp-content/uploads/2020/01/038-042_Butantan_275_ING.pdf; https://observatorio.fm.usp.br/handle/OPI/36870).
A farmacêutica japonesa Takeda desenvolveu uma vacina chamada QDenga ou TAK-003, feita com uma cepa atenuada do sorotipo 2 do vírus fornecendo 
“o suporte” genético de proteção contra os quatro sorotipos. A vacina, aplicada em duas doses, demonstrou uma eficácia de 80% na prevenção da febre 
causada pela dengue. O estudo está sendo realizado em oito países da América Latina e da região Ásia-Pacífico. As fases 1 e 2 do estudo clínico demons-
traram boa tolerância nos voluntários, alta resposta humoral contra os quatro sorotipos e longa persistência dos anticorpos gerados após aplicação. Na 
fase 3 da pesquisa já foram avaliados mais de 28 mil crianças e adultos, totalizando 4 anos de estudo, evitando 84% dos casos de dengue hospitalizados 
e 61% de casos sintomáticos na população geral, incluindo indivíduos soropositivos e soronegativos, que persistiu por 48 meses após a vacinação. Em 
dezembro de 2021, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, em inglês) autorizou o uso da QDenga na população acima de 4 anos de idade. Em março 
deste ano, a Anvisa aprovou por meio da resolução RE 661/23, o registro que permite a comercialização do produto no Brasil. (LÓPEZ-MEDINA et al, 2022; 
https://portalcorreio.com.br/dino/?id=281296; BRASIL, 2023). 
O Instituto Butantan em parceria com a empresa farmacêutica Valneva Áustria Gmb desenvolveu uma vacina, de vírus atenuado, contra o vírus Chikun-
gunya chamada VLA1553-321. O imunizante se encontra na fase 3 dos estudos clínicos em voluntários maiores de 18 anos, em 44 locais dos Estados Unidos 
e tem mostrado bons parâmetros de segurança e soroproteção de 98,5% tanto em adultos quanto em idosos que receberam o imunizante de dose única. 
No Brasil, o ensaio clínico de fase 3 está sendo conduzido em oito estados em adolescentes de 12 a 17 anos que tenham ou não contraído a doença, com 
autorização de seus responsáveis legais e após passar por uma triagem clínica com base no histórico médico, exame físico e testes laboratoriais. O objetivo 
da pesquisa é verificar o perfil de segurança em pessoas de diferentes idades (https://www.epsjv.fiocruz.br/podcast/instituto-butantan-inicia-estudo-cli-
nico-de-fase-3-de-vacina-contra-o-virus-chikungunya). 
https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2020/01/038-042_Butantan_275_ING.pdf; https://observatorio.fm.usp.br/handle/OPI/36870
https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2020/01/038-042_Butantan_275_ING.pdf; https://observatorio.fm.usp.br/handle/OPI/36870
https://portalcorreio.com.br/dino/?id=281296
https://www.epsjv.fiocruz.br/podcast/instituto-butantan-inicia-estudo-clinico-de-fase-3-de-vacina-contra-o-virus-chikungunya
https://www.epsjv.fiocruz.br/podcast/instituto-butantan-inicia-estudo-clinico-de-fase-3-de-vacina-contra-o-virus-chikungunya
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 49
Glossário 
Anticorpos monoclonais: proteínas produzidas pelo nosso organismo que 
ajudam o sistema imunológico a combater vírus, bactérias e câncer por meio do 
reconhecimento de antígenos.
Anticorpos neutralizantes: anticorpos capazes de impedir e neutralizar a ligação 
do vírus ao receptor da célula hospedeira.
Artrópodes: animais dotados de patas articuladas que se alimentam de sangue. 
Compreendem os insetos (6 patas na fase adulta) e os carrapatos (8 patas).
Biogênese: palavra de origem grega que significa origem da vida. É a produção de 
novos organismos ou organelas vivas.
Célula hospedeira: sistema vivo estável ao qual um agente patógeno (vírus, 
bactérias, protozoários, entre outros) se acopla utilizando nutrientes, proteínas e 
outras macromoléculas para se multiplicar.
Chaperonas: termo coletivo utilizado para proteínas que impedem o dobramento 
incorreto de uma proteína-alvo.
Competência vetorial: capacidade de uma população de mosquitos de se infectar 
e transmitir um vírus após o período de incubação extrínseco (EIP). Depende das 
características do vetor, do vírus e da temperatura ambiente.
Comorbidades: associação de duas ou de várias doenças que aparecem de modo 
simultâneo em um mesmo paciente.
Culicídeo: mosquitos da família Culicidae.
Doença exantemática: é uma doença infecciosa sistêmica onde as manifestações 
cutâneas estão presentes no quadro clínico.
Exantema maculopapular:  tipo de  exantema  caracterizado por uma área 
vermelha e plana na pele com pápulas pequenas e confluentes.
Imunogenicidade: capacidade que uma substância tem de induzir uma resposta 
imunológica.
Imunogenético: ativação do sistema de defesa de um organismo contra agente 
patógeno determinado pelas condições genéticas.
Mutação: mudança nos ácidos nucleicos que ocorre no material genético.
Nucleotídeo: molécula composta de uma base purina ou pirimidina ligada a uma 
pentose (ribose ou desoxirribose) e a um ou mais grupos fosfatos.
Período de incubação extrínseco (EIP): tempo entre 8 e 10 dias após o qual o 
mosquito torna-se capaz de transmitir o vírus a um hospedeiro.
Plasticidade genética: propriedade dinâmica do genoma que pode envolver 
ganho, perda ou rearranjo de ácidos nucleicos.
Pleomórfico: que pode assumir várias formas.
Pirimidinas: compostos nitrogenados que contêm um anel heterocíclico. A 
citosina está presente no DNA e RNA; a timina se encontra no DNA; e o uracil 
substitui a timina no RNA. 
Purina: compostos nitrogenados que contêm dois anéis heterocíclicos fusionados 
e formam parte dos ácidos nucleicos adenina e guanina. 
Propriedades antigênicas: característica do antígeno, relacionada com a própria 
estrutura da molécula que ao ser induzida no organismo pode produzir anticorpos.
Rash: erupção cutânea.
Repasto sanguíneo: nome dado ao comportamento de mosquitos hematófagos 
que realizam atividade de se alimentar do sangue de outros animais.
RNA polaridade positiva: a fita serve como RNA mensageiro para a síntese direta 
das proteínas.
Saúde pública: conjunto de medidas executadas pelo Estado para garantir o bem-
estar físico, mental e social da população.
Síndrome de Guillain-Barré: doença autoimune que provoca danos no sistema 
nervoso periférico, com perda do isolamento de mielina, resultando em mialgia, 
paralisia facial e disfunção muscular.
Vesículas: elevações epidérmicas circunscritas.
Viremia: presença de vírus no sangue circulante do animal. 
Virulência: capacidade de um agente infeccioso de se multiplicar no organismo 
do hospedeiro, produzir toxinas e levar a efeitos deletérios graves e/ou fatais.
Zoonose ou doença zoonótica: doenças e infecções que são naturalmente 
transmitidas de animais vertebrados para o homem.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 50
Caro trabalhador estudante, estamos finalizando a Unidade 1. Ao longo do texto falamos de diferentes aspectos 
dos arbovírus. Enfatizamos três famílias que, no Brasil e em outras regiões tropicaise neotropicais, produzem 
doenças que afetam de forma importante a população humana, trazendo consequências epidemiológicas, 
econômicas e psicológicas. 
Fizemos uma breve descrição das características morfológicas, genômicas, do ciclo de transmissão, da 
patogênese, dos sintomas, do diagnóstico e das medidas de controle da dispersão dos arbovírus. 
Com essas informações e com a bibliografia recomendada, você pode ampliar seu conhecimento sobre esses 
vírus, o que lhe será, sem dúvida, de grande utilidade no exercício de sua profissão.
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 51
REFERÊNCIAS
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Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 52
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Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 53
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WORLD HEALTH ORGANIZATION. Dengue: guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control. 3. ed. Geneva, 2009.
Indicamos quatro referências bibliográficas que mencionam aspectos gerais e importantes referentes ao conteúdo trabalhado nesta unidade.
1) CHEN, R. et al. ICTV Virus Taxonomy Profile: Togaviridae. Journal of General Virology, n. 99, p. 761-762, 2018.
2) HUGHES, H. R. et al. Peribunyaviridae. ICTV Virus Taxonomy Profile: Peribunyaviridae. Journal of General Virology, v. 101, n. 1, p. 1-2. 2020.
3) LOPES, N.; NOZAWA, C.; LINHARES, R. E. C. Características gerais e epidemiologia dos arbovírus emergentes no Brasil. Revista Pan-Amazônica de Saúde, v. 5, 
n. 3, p. 55-64. 2014.
4) SIMMONDS, P. et al. ICTV Virus Taxonomy Profile: Flaviviridae. Journal of General Virology, v. 98, n. 1, p. 2-3, 2017.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 1 - Arbovírus 54
MINICURRÍCULO DA AUTORA
ZORAIDA DEL CARMEN FERNANDEZ GRILLO
Sou formada em Biologia pela Universidad Central da Venezuela, com mestrado em Entomologia médica pela Universidade 
Federal do Paraná e doutorado em Epidemiologia e Saúde Pública pela Faculdade em Saúde Pública da Universidade de São 
Paulo. Ministrei aulas na Universidad de Carabobo (Venezuela) nas disciplinas Virologia, Microbiologia, Genética, Bioquímica 
e Biotecnologia. Desde o ano 2014, estou na Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul na área de Viroses Emergentes e 
Reemergentes. 
Ao longo da minha vida profissional tenho desenvolvido projetos de pesquisas com arbovírus e vírus respiratórios de importância 
em Saúde Pública. Entre os projetos de grande relevância que estou coordenando estão: Avaliação da competência vetora do 
Aedes albopictus para transmitir os vírus encefalites equina Venezolana, do Leste e do Oeste; Investigação dos vírus dengue, 
chikungunya e Zika no município de Campo Grande, MS; Desenvolvimento de ELISA utilizando proteína quimérica recombinante 
de SARS-CoV-2; Volta às aulas e transmissão de vírus respiratórios em escolas do município de Campo Grande, MS.
Lattes: lattes.cnpq.br/7390564367538099
http://lattes.cnpq.br/7390564367538099
Programa Educacional em Vigilância e Cuidado em Saúde
no Enfrentamento da COVID-19 e de outras doenças virais
Unidade 2
Vigilância das Doenças Transmissíveis
Livia Carla Vinhal Frutuoso
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 56
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
Nesta unidade, você estudará o papel da vigilância em saúde na resposta aos desafios de saúde pública impostos pelas arboviroses e 
as definições da epidemiologia descritiva na identificação do perfil dos casos (pessoa), quando (tempo) ocorrem mudanças no padrão 
espaço temporal dessas doenças e onde essas mudanças (lugar) ocorrem. Os temas estão organizados de forma a facilitar a compreensão, 
a aplicação de instrumentos e definições que auxiliam na identificação de períodos epidêmicos e não epidêmicos, o papel de cada ente 
que compõe o Sistema Único de Saúde (SUS) no controle destas doenças e a interface entre a vigilância e as equipes de controle vetorial 
e de assistência. 
Leia com atenção o material e acesse os links que levam a materiais complementares e atividades práticas propostas, assim você estará apto 
a utilizar os conhecimentos adquiridos nesta unidade para aplicar no cotidiano de trabalho da vigilância.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 57
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE
1. Compreender a relevância epidemiológica das arboviroses;
2. Conhecer as definições de caso das arboviroses de notificação compulsória;
3. Conhecer as atribuições e rotinas de vigilância nos três níveis de gestão e conforme cenário epidemiológico de transmissão 
(endêmico ou epidêmico);
4. Interpretar dados epidemiológicos obtidos na base de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN); 
5. Interpretar indicadores de incidência, letalidade, tendência de doença;
6. Interpretar diagramas de controle; 
7. Identificar áreas de maior transmissão e grupos de maior risco para gravidade e óbito;
8. Reconhecer a importância do trabalho integrado com as equipes de controle vetorial e assistência para obtenção de melhores 
resultados.
Carga Horária de Estudo: 30 horas
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 58
2.1 Introdução
Caro trabalhador estudante, seja bem-vindo a Unidade de Vigilância das Doenças Transmissíveis.
A unidade foi elaborada para que você compreenda a importância das arboviroses como problema de 
saúde pública no nosso país e o papel da vigilância para o seu enfrentamento, passando pelas definições de 
caso, sistemas de informação e rotinas de vigilância. Ao final da unidade, abordaremos alguns exemplos de 
análises de indicadores pela vigilância. Vamos começar?
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 59
2.2 RELEVÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DAS ARBOVIROSES
Quando empregamos o termo 
relevância epidemiológica, do que 
estamos tratando?
A priorização dos eventos sob vigilâncias são estabelecidos a partir da 
transcendência (severidade, relevância social e/ou econômica) e magnitude das 
arboviroses com potencial de disseminação, a vulnerabilidade e os compromissos 
internacionais (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2010b). Esses 
elementos são utilizados como critérios para a inclusão de doenças na Lista 
Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde 
pública (BRASIL, 2020a), que será abordada adiante nesta unidade.
 Quando aplicamos os conceitos de transcendência e magnitude, concluímos 
que entre as quatro arboviroses (dengue, chikungunya, zika e febre amarela) 
que discutiremos nesta unidade a de maior transcendência e magnitude é, sem 
dúvida, a dengue.
A dengue é a principal arbovirose de importância em saúde pública. A plataforma 
PLISA da Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que metade da população 
mundial esteja vivendo em áreas de risco de transmissão de dengue e que 
ocorram em torno de 100 a 400 milhões de infecções a cada ano. Muitos desses 
casos são leves ou assintomáticos, e por essa razão o número total de casos pode 
estar subnotificado (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021). 
Entre os anos de 2004 e 2014 a incidência de dengue cresceu em todo o mundo, 
tanto em número de casos quanto em distribuição espacial (Figura 1). Por essa razão, 
a Organização Pan-Americana da Saúde organizou, em 2014, uma reunião da qual 
participaram os principais países das Américas com histórico de transmissão de 
dengue. Os objetivos foram revisar o conhecimento e as experiências disponíveis 
relacionadas à vigilância, à detecção, ao diagnóstico, ao manejo, ao tratamento 
e à prevenção da dengue e aprender com a experiência de países das Américas 
que têm se concentrado na geração de conhecimento por meio da pesquisa e da 
prática sobre qual a melhor forma de abordar a dengue no século XXI.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 60
FIGURA1 – ÁREAS GLOBAIS DE TRANSMISSÃO ENDÊMICA DE DENGUE
FIGURA 2 - DISTRIBUIÇÃO DE CASOS DE DENGUE 
NOTIFICADOS, PROPORÇÃO DE CASOS DE DENGUE GRAVE E 
TENDÊNCIAS DA TAXA DE LETALIDADE POR DENGUE. REGIÃO 
DAS AMÉRICAS, 2022
Fonte: European Centre for Disease Prevention and Control, 2022. 
(https://www.ecdc.europa.eu/en/publications-data/communicable-
disease-threats-report-18-24-december-2022-week-51) 
Apesar de a reunião de 2014 ter reafirmado a 
importância de todas as medidas em uso de prevenção 
e controle da dengue, houve uma mudança no 
cenário epidemiológico. Houve um aumento de casos 
expressivos nos anos seguintes, com destaque para os 
anos de 2016 e 2017 e, mais recentemente, para os anos 
de 2019 e 2020, conforme Figura 2.
Fonte: PAHO, 2023. (https://ais.paho.org/ha_viz/arbo/pdf/OPS%20Arbo%20
Boletin%202022.pdf)
https://www.ecdc.europa.eu/en/publications-data/communicable-disease-threats-report-18-24-december-2022-week-51
https://www.ecdc.europa.eu/en/publications-data/communicable-disease-threats-report-18-24-december-2022-week-51
https://ais.paho.org/ha_viz/arbo/pdf/OPS%20Arbo%20Boletin%202022.pdf
https://ais.paho.org/ha_viz/arbo/pdf/OPS%20Arbo%20Boletin%202022.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 61
1ª Epidemia
Boa Vista-RR
Denv1 e Denv4
Rio de Janeiro
Denv1
Rio de Janeiro
Denv3
288 mil casos
91 óbitos Rio de Janeiro
Denv2
Casos graves
e óbitos em
crianças
Epidemia
3,2 milhões de
casos
1.600 óbitos
Epidemia
Denv-2
predominante
Rio de Janeiro
Denv-2
1981/1982 1986 2000 2008 20212015/2016
Aumento
gravidade em
crianças
Ma e Am
Denv-2
Recirculação
Denv-2
+ 1 milhão de
casos
Epidemia - Denv-2 Casos de Dengue 
aumentam 43,8% até 
março de 2023 comparado 
ao mesmo período de 2022.
1,5 milhão de
casos
782 óbitos
1990 2006 2010 2019 2023
O Brasil é o país que mais contribui com o aumento do número de casos de dengue 
nas Américas. Em 2022, até a SE 52, ocorreram 1.450.270 casos prováveis de dengue no 
país, ou seja, 679,9 casos/100 mil habitantes. Comparando ao ano de 2021, ocorreu um 
aumento de 162,5% casos (BRASIL, 2023). 
As primeiras epidemias de dengue no território brasileiro foram reportadas há cerca 
de 40 anos, inicialmente no estado de Roraima (1981/1982), causada pelos sorotipos 
1 e 4, e, em pouco mais de 4 anos, ocorreram epidemias em algumas capitais do 
Nordeste e no Rio de Janeiro. Atualmente, todas as unidades da federação registram 
transmissão autóctone de dengue, com circulação dos quatro sorotipos. As epidemias 
são relacionadas à introdução ou recirculação de novos sorotipos. Nesse período, pelo 
menos quatro anos merecem destaque: o ano de 2008, em que ocorreu uma epidemia 
de dengue no município do Rio de Janeiro ocasionada pela recirculação do sorotipo 
DENV2, com maior gravidade e número de óbitos entre crianças; o ano de 2010, devido à 
recirculação do sorotipo DENV4, quando o número de casos prováveis ultrapassou pela 
primeira vez a casa do milhão; e o período de 2015 a 2016, em que houve expansão da 
circulação do vírus no Brasil e aumento da incidência, de hospitalizações e da letalidade 
(BRASIL, 2019a; NOGUEIRA, 2007; DIAS JÚNIOR, 2017) (Figura 3).
FIGURA 3 – LINHA DO TEMPO COM OS PRINCIPAIS EVENTOS EPIDEMIOLÓGICOS 
RELACIONADOS À TRANSMISSÃO DE DENGUE NO BRASIL, DE 1981 A 2023
Fonte: elaboração do autor.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 62
Além do cenário de intensa transmissão de dengue no Brasil, outra ameaça por arbovírus foi 
identificada em 2014: a chikungunya. Os primeiros casos foram identificados nas Américas no final 
de 2013 e ocasionaram surtos nas ilhas do Caribe (DAUDENS-VAYSSE, 2015; BORTEL et al., 2014). No 
ano seguinte, o vírus rapidamente se espalhou por outros países das Américas, atingindo 35 países, 
incluindo o Brasil. Antes de sua introdução nas Américas, vários surtos haviam sido reportados na 
África e na Ásia, conforme Figura 4. Em alguns países da Ásia e da África ocorreram surtos somente 
entre 1950 e 1979, ou em 1980 a 2004, os intervalos entre os surtos foram superiores aos observados 
nas epidemias de dengue (BORTEL et al., 2014; KARIUKI NJENGA, 2008). Em 2005 houve um grande 
surto nas Ilhas da Reunião no Oceano Índico (MAVALANKA et al., 2008).
Fonte: traduzido de Bortel et al. (2014).
FIGURA 4 – EPIDEMIAS DE CHIKUNGUNYA NA ÁFRICA E ÁSIA, DE 1950 A 2013
Países afetados 
Período 1950-1979
Período 1980-2004
Período 2005-outubro 2013
Nenhum surto
Surtos de 
Chickungunya
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 63
TAXA DE ATAQUE:
 é o coeficiente ou taxa de incidência de uma determinada doença em um grupo de 
pessoas expostas ao mesmo risco expressa em percentual.
Nº de casos de uma determinada doença em um dado local e período
A doença é causada por um Alphavirus, transmitido principalmente pelo Aedes aegypti (BRASIL, 
2019a), e caracterizada por fortes dores poliarticulares e febre elevada. As dores podem persistir 
por meses e até anos, por isso é comum alguns casos se tornarem crônicos (BRITO, 2017; PAN 
AMERICAN HEALTH ORGANIZATION, 2011). 
Altas taxas de ataque são comumente observadas em regiões onde o vírus é transmitido, o 
que pressiona o sistema de saúde. Existem estudos que apontam para elevada mortalidade 
especialmente em idosos, que coincide com a distribuição espaço temporal da doença, sugerindo 
que os dados oficiais sobre óbitos por chikungunya possam estar subestimados (FRUTUOSO 
et al., 2020; DAUDENS-VAYSSE et al., 2015; CAVALCANTI et al., 2017; BONIFAY et al., 2018). Os 
óbitos ainda não estão completamente elucidados, mas em geral decorrem de manifestações 
graves, que envolvem acometimento cardíaco, renal e neurológico e distúrbios endócrinos, ou 
da descompensação de doenças preexistentes (PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION, 2011; 
LIMA NETO et al., 2019). 
COEFICIENTE DE INCIDÊNCIA:
representa o risco de ocorrência (casos novos) de uma doença na população.
Nº de casos novos de uma determinada doença em um dado local e 
período
População exposta ao risco
População do local no mesmo período
Os primeiros casos autóctones de chikungunya no 
Brasil foram identificados nos estados do Amapá e 
da Bahia (NUNES et al., 2015) em 2014, e, apesar de 
todas as unidades da federação reportarem casos 
autóctones, a transmissão se concentra nos estados 
da Região Nordeste do país (BRASIL, 2019a). Assim 
como a dengue, em 2022 houve um aumento 
de 78,9% nos casos de chikungunya. Até a SE 52, 
ocorreram 174.517 casos prováveis da doença e a 
região Nordeste manteve-se com a maior incidência 
(coeficiente de incidência de 257,4 casos/ 100 mil 
habitantes) (BRASIL, 2023). 
 x 100
 x 100.000 hab.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 64
Em 2015, pouco tempo após a detecção da chikungunya no Brasil, o vírus zika 
também foi identificado no país (CAMPOS et al., 2015). O Brasil foi o primeiro país 
das Américas a notificar casos autóctones. A doença é causada por um Flavivirus, 
que, assim como a dengue e a chikungunya, é transmitido principalmente por 
mosquitos do gênero Aedes (VASCONCELOS; CALISHER, 2016). Outros surtos ha-
viam sido reportados na Polinésia Francesa em 2013 e 2014 (CAO-LORMEAU et al., 
2014).
No Brasil, assim como aconteceu com o vírus da chikungunya, a maior transmis-
são de zika ocorreu nos estados da Região Nordeste, e, apesar de ter sido consi-
derada uma arbovirose de menor gravidade quando comparada à dengue e à 
chikungunya, por cursar com febre baixa e exantema e em muitos dos casos não 
provocar sintomas, provocou um aumento de casos de microcefalia em bebês 
nascidos de mães que tiveram o vírus durante a gestação (OLIVEIRA et al., 2016). 
Entre novembro de 2015 e julho de 2016, foram notificados cerca de 8,3 mil casos 
de microcefalia no Brasil (MAGALHÃES-BARBOSA et al., 2016; BARBI et al., 2018). 
Outras malformações congênitas, além da microcefalia, tambémtiveram aumen-
to e foi estabelecida a relação dessas malformações com a transmissão de zika, o 
que resultou na criação de uma nova nomenclatura para incluir não só a micro-
cefalia. Esses casos passaram a ser denominados de Síndrome Congênita do Zika 
(SCZ). 
Apesar de ter se espalhado rapidamente por diversos países do mundo e provoca-
do uma pandemia, foi a associação do zika com casos de malformação congênita 
que levou a OMS declarar Emergência de Saúde Pública de Importância Interna-
cional (ESPII).
Nesse contexto, cabe destacar a capacidade dos profissionais de saú-
de em perceber o aumento do padrão de ocorrência de microcefalia 
com base no elevado número de atendimentos de recém-nascidos 
com essa malformação, considerado fora do habitual. Os cientistas 
brasileiros e o Sistema Único de Saúde (SUS) foram protagonistas da 
investigação e confirmação da etiologia do evento. Isso foi possível 
porque os sistemas de informação captam as mudanças e permitem 
análises espaço temporais, assim conseguem traçar perfil das mães 
e identificar sobreposição geográfica com áreas em que o zika havia 
circulado.
No primeiro ano de transmissão do zika, foi instituída uma vigilân-
cia sentinela no país. A doença não era de notificação compulsória 
nacional, o que tornou difícil estimar a carga de doença no primeiro 
ano de transmissão. Na ocasião, o principal objetivo da vigilância era 
detectar casos autóctones da doença. É possível que grande parte 
dos casos notificados de dengue em 2015 fossem casos de zika, de-
vido a algumas semelhanças clínicas e à reatividade cruzada das so-
rologias, pois ambos são Flavivirus. 
Uma vez instituída a Emergência de importância internacional, vá-
rias mudanças na forma de coletar os dados ocorreram no Brasil, in-
cluindo a notificação de casos de SCZ. Em poucos meses, 1394 mu-
nicípios já haviam notificado pelo menos um caso suspeito de SCZ 
(BRASIL, 2016a). A maior parte desses municípios está concentrada 
na Região Nordeste (Figura 5).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 65
Casos Notificados (n=1.394 municípios)
Legenda
50 casos ou mais
11 a 49 casos
2 a 10 casos
1 caso
UF com casos notificados
Legenda
Municípios com casos notificados
UF com casos confirmados
UF sem casos confirmados
Casos Confirmados (n=484 municípios)
250 250 500 750 1000 km0
FIGURA 5 – CASOS NOTIFICADOS E CONFIRMADOS DE MICROCEFALIA E/OU ALTERAÇÃO DO SISTEMA 
NERVOSO CENTRAL (SNC), BRASIL, ATÉ A SEMANA EPIDEMIOLÓGICA 18 NO ANO DE 2016
Fonte: Brasil (2016a).
Com relação aos casos de Zika, ocorreram 9.204 casos prováveis até a SE 52 no ano de 2022, correspondendo a 
uma taxa de incidência de 4,3 casos para cada 100 mil habitantes. Houve um incremento de 42% no número de 
casos quando comparados ao ano de 2021, e a Região Nordeste apresentou a maior incidência (13,3 casos/100 
mil hab.) (BRASIL, 2023). 
Por razões ainda não tão compreendidas ou suficientemente exploradas, os casos de zika, assim como os casos 
de chikungunya, ocorreram predominantemente na Região Nordeste do Brasil. Dessa forma, ainda existe um 
contingente populacional expressivo de pessoas suscetível a esses arbovírus em território nacional. 
Após refletirmos um pouco sobre as três arboviroses discutidas nesta unidade, podemos compreender que 
cada uma delas tem suas implicações para o indivíduo afetado e para a coletividade, devido à magnitude e à 
transcendência que abordamos no início. Além disso, temos que ter em mente que a transmissão de dengue 
(por qualquer um dos quatro sorotipos), zika e chikungunya pode ocorrer de forma concomitante e que todas 
essas doenças têm alguns sintomas semelhantes, o que torna o cenário extremamente desafiador, seja para a 
vigilância, seja para a assistência. Dessa forma, apesar das limitações do diagnóstico laboratorial específico em 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 66
FIGURA 6 – CICLO SILVESTRE E URBANO DA FEBRE AMARELA NO BRASIL
Fonte: UNASUS (2017). Disponível em ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/8794
razão das reações cruzadas entre dengue e zika em testes indiretos (sorológicos), conforme 
abordado na Unidade 1, é necessário que se avance na oferta de exames específicos para 
auxiliar no diagnóstico diferencial entre elas.
Para finalizarmos esse cenário de arboviroses, o Brasil é uma importante área de transmissão 
de febre amarela, que assim como a dengue e a zika, é causada por um vírus pertencente ao 
gênero Flavivirus, que tem dois ciclos de transmissão, um silvestre e um urbano (BRASIL, 2019a), 
que envolvem vetores e reservatórios diferentes (Figura 6). No ciclo urbano da febre amarela, 
o homem é o único hospedeiro de importância epidemiológica; a transmissão envolve apenas 
o vetor urbano (Aedes aegypti).
Imunoprevenível significa que há vacinas disponíveis para proteger as pessoas.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 67
Apesar de ser imunoprevenível, alguns surtos são observados quando pessoas não vacinadas 
entram em contato com ambientes silvestres ou rurais em áreas de transmissão. O número 
de óbitos é elevado nesses casos, devido à insuficiência hepática e renal.
As epizootias são um importante alerta, pois, em geral, precedem a ocorrência de surtos de 
febre amarela. Os primatas não humanos (PNH) funcionam como sentinelas e, por isso, a 
morte desses animais deve ser notificada e investigada pelos serviços de saúde. 
Por ser uma doença para a qual existe vacina, não se fala na ocorrência de epidemias urbanas 
de febre amarela. A última transmissão em áreas urbanas (ciclo urbano que envolve o Aedes 
aegypti) do país foi reportada em 1942 (BRASIL, 2019a).
As Regiões Norte, Centro-Oeste e parte do Maranhão concentravam os focos de transmissão 
até meados de 2000, mas no período de 2000 a 2008 houve expansão dessa circulação viral. 
Isso resultou em uma nova estratificação de risco, delimitando Áreas Com Recomendação de 
Vacinação (ACRV) e Áreas Sem Recomendação de Vacinação (ASRV).
O aumento de epizootias no Brasil no período de julho de 2019 a janeiro de 2020, concentradas principalmente 
nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil, levou à elaboração de Nota Técnica (BRASIL, 2019b) com recomendações. 
Concluiu-se que a análise para definição das ACRV e ASRV deve ser realizada em esfera municipal, baseada 
em uma série de indicadores. 
Dados mais recentes de febre amarela, relativos ao período de julho de 2020 a abril de 2021, mostram o 
aumento das notificações de epizootias em primatas não humanos, sendo 15% delas confirmadas. A 
circulação do vírus em PNH foi confirmada nos estados do Acre, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e 
Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, representando aumento do risco de transmissão para os residentes 
dessas regiões (BRASIL, 2021a). 
Vários são os determinantes relacionados ao aumento da carga das arboviroses e à reemergência dessas 
doenças (STRUCHINER et al., 2015). Entre eles estão:
As mudanças climáticas;
Rápido fluxo de pessoas entre os países;
Aumento do contingente populacional vivendo em áreas urbanas;
Crescimento populacional;
Condições precárias de saneamento e abastecimento de água. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 68
Fatores socioeconômicos, como habitação de baixa qualidade, acesso limitado à água potável e saneamento, 
além da gestão inadequada de resíduos, provavelmente exacerbarão os efeitos do clima, principalmente em 
ambientes urbanos, densamente povoados e altamente conectados. Mudanças de longo prazo nas condições 
climáticas e estações do ano, além da influência antrópica, podem afetar ainda mais o comportamento 
e a dinâmica dos mosquitos vetores (TOZAN et al., 2020; STANAWAY, 2016), fazendo com que avancem e 
prosperem em locais antes inóspitos à sua sobrevivência.
Caro trabalhador estudante, em razão da relevância epidemiológica dessas arboviroses exposta nesta 
unidade, dengue,chikungunya, zika e febre amarela são doenças de notificação compulsória no Brasil, de 
acordo com Portaria nº 264 (BRASIL, 2020b). Dessa forma, existem definições de caso específicas para cada 
uma delas, como veremos a seguir. Vamos juntos para esta nova temática do nosso estudo. 
2.3 DEFINIÇÕES DE CASO DAS ARBOVIROSES DE NOTIFICAÇÃO 
COMPULSÓRIA
Nesta seção, abordaremos as definições de caso das principais arboviroses urbanas do país.
Você sabe o que é uma de�nição de caso? 
“A de�nição de caso é o instrumento básico para as atividades de coleta de dados de vigilância: 
dela depende a identi�cação, a noti�cação e a classi�cação de casos” (ORGANIZAÇÃO 
PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2010a, p. 19).
A de�nição de caso descreve os sinais e sintomas compatíveis com a doença e manifestadas pelo indivíduo, cujos objetivos são:
Permitir a 
identificação de 
casos com base em 
dados clínicos e 
laboratoriais;
Padronizar a coleta 
de informações ao 
longo do tempo;
Reconhecer padrões 
de transmissão e 
suas mudanças no 
tempo e no espaço;
Identificar 
ocorrência de 
surtos e epidemias.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 69
As atividades de coleta de dados para a vigilância têm como ponto de partida a definição de caso estabelecida. 
Ela é imprescindível ao desenvolvimento de um sistema de vigilância. Entretanto, é importante deixar claro 
que a definição de caso com a finalidade de vigilância pode não ser exatamente igual à definição de caso 
utilizada na clínica da doença e/ou evento (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2010a).
Assim, espera-se que a definição de caso seja: “sensível para captar os casos verdadeiros de forma simples 
e rápida e suficientemente específica para evitar que o número de casos falsos positivos seja excessivo” 
(ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2010a, p. 19). Também espera-se que a definição de caso não 
sofra muitas modificações ao longo do tempo, pois só assim permite comparações e análise de tendência. 
De maneira geral, a definição de caso suspeito deve conter os sinais e sintomas da doença, sem resultado 
laboratorial específico. Já os casos confirmados devem ter, além dos sinais e sintomas, confirmação laboratorial, 
ou, em algumas situações, confirmação por vínculo, em geral clínico-epidemiológico.
Nesta unidade, vamos estudar as definições de caso das arboviroses, conforme publicado no do Guia de 
Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (BRASIL, 2019a).
2.3.1 Dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave
Segundo o Guia de Vigilância em Saúde (BRASIL, 2021d, p. 691), a dengue é uma:
Doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, que pode apresentar um amplo espectro clínico, 
variando de casos assintomáticos a graves. No curso da doença – em geral debilitante e 
autolimitada –, a maioria dos pacientes apresenta evolução clínica benigna e se recupera. No 
entanto, uma parte pode evoluir para formas graves, inclusive óbitos (BRASIL, 2019, p. 415).
Apesar de não ter havido grandes mudanças no espectro clínico de dengue, as 
definições de caso foram revistas em 2014, com base em um estudo internacional do 
qual o Brasil fez parte. O principal objetivo da mudança foi aproximar as definições 
de caso utilizadas pela assistência das definições utilizadas pela vigilância e chamar a 
atenção para o principal fator de gravidade, que na verdade é o choque hipovolêmico, 
que pode levar à hospitalização e óbito, e não o sangramento.
Nos casos de dengue, antes de se tornarem graves, é usual o aparecimento dos sinais de alarme. 
Na presença desses sinais, é indicado que se retorne ao serviço de saúde para que a pessoa fique 
em observação e receba os cuidados necessários. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 70
Os principais sinais de alarme são (BRASIL, 2021d): 
Dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua;
Vômitos persistentes;
Acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural e derrame pericárdico);
Hipotensão postural e/ou lipotimia;
Letargia e/ou irritabilidade;
Hepatomegalia maior do que 2 cm abaixo do rebordo costal;
Sangramento de mucosa;
Aumento progressivo do hematócrito.
LIPOTIMIA: sensação de desmaio iminente. O indivíduo se sente 
prestes a desmaiar, sem perda de consciência. Pode vir seguida 
de outros sinais e sintomas, como palidez, tontura, suor, sensação 
de vista escura, enjoos, entre outros.
HEPATOMEGALIA: aumento do fígado.
Existem particularidades nas manifestações clínicas de dengue nos extremos 
de idade, que são as crianças e os idosos. Crianças podem apresentar sintomas 
inespecíficos, o que pode dificultar o diagnóstico, e o quadro grave pode se instalar 
sem que se percebam os sinais de alarme.
Para efeitos de notificação, as definições de caso de dengue adotadas pelo Ministério 
da Saúde do Brasil são descritas a seguir.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 71
2.3.1.1 Caso suspeito de dengue 
Caso suspeito de dengue é o indivíduo que reside em área onde 
se registram casos de dengue ou indivíduo que tenha viajado nos 
últimos 14 dias para área com ocorrência de transmissão ou presença 
de Aedes aegypti. Esse indivíduo deve apresentar febre, usualmente 
por 2 a 7 dias, e duas ou mais das seguintes manifestações: 
• Náusea/vômitos; 
• Exantema;
• Mialgia/artralgia;
• Cefaleia/dor retro-orbital; 
• Petéquias/prova do laço positiva; 
• Leucopenia.
Também pode ser considerado um caso suspeito de dengue a criança 
proveniente de (ou residente em) área com transmissão de dengue 
que apresente quadro febril agudo por usualmente entre 2 e 7 dias e 
não tenha sinais e sintomas indicativos de outra doença. 
2.3.1.2 Caso suspeito de dengue com sinais de alarme
Os casos suspeitos de dengue com sinais de alarme são os casos que, no período 
de defervescência da febre, apresentam um ou mais sinais de alarme.
2.3.1.3 Caso suspeito de dengue grave 
O caso suspeito de dengue grave é todo caso que apresenta uma ou mais das 
seguintes condições: 
• Choque ou desconforto respiratório em virtude do extravasamento grave de 
plasma;
• Choque evidenciado por taquicardia;
• Pulso débil ou indetectável;
• Taquicardia;
• Extremidades frias e tempo de perfusão capilar > 2 segundos;
• Pressão diferencial convergente 1000 do sistema nervoso central (alteração da 
consciência), do coração (miocardite) ou de outros órgãos.
• Sangramento grave segundo a avaliação do médico 
• Comprometimento grave de órgãos, por exemplo: dano hepático importante, 
do sistema nervoso central (alteração da consciência), do coração (miocardite) ou 
de outros órgãos. 
Independentemente da classificação do caso de dengue, dengue com sinais de 
alarme ou dengue grave, os casos suspeitos podem ser confirmados por critério 
laboratorial ou clínico-epidemiológico. Para a aplicação desses critérios, também 
existem orientações específicas, conforme descreveremos a seguir.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 72
2.3.1.4 Caso de dengue confirmado por critério laboratorial
O caso de dengue confirmado por critério laboratorial é aquele que atende à definição de caso 
suspeito de dengue e que foi confirmado por um ou mais dos seguintes testes laboratoriais e seus 
respectivos resultados:
• ELISA NS1 reagente;
• Isolamento viral positivo;
• RT-PCR detectável (até o 5º dia de início de sintomas da doença);
• Detecção de anticorpos IgM ELISA (a partir do 6º dia do início dos sintomas da doença);
• Aumento de ≥ 4 (quatro) vezes nos títulos de anticorpos no PRNT ou teste IH utilizando amostras 
pareadas (fase aguda e convalescente).
2.3.1.5 Caso de dengue confirmado por critério clínico-epidemiológico
O caso de dengue confirmado por critério clínico-epidemiológico deve considerar o vínculo 
epidemiológico com um caso confirmado laboratorialmente e a situação epidemiológica local, 
após avaliação da distribuição espaçotemporal dos casos confirmados. Em geral, podeser utilizado 
em momentos epidêmicos. O Ministério da Saúde recomenda que não se utilize o critério clínico-
epidemiológico para confirmação de casos em gestantes, casos graves e óbitos, e estimula que esses 
casos sejam exaustivamente investigados.
2.3.2 Chikungunya
Estima-se que cerca de 70% dos casos dos indivíduos infectados pelo vírus chikungunya 
(CHIKV) apresentarão sintomas da doença e esses valores são mais altos do que se 
observa nas demais arboviroses. Na fase aguda da doença, os principais sintomas são a 
febre e a artralgia, que, comumente, afeta mais de uma articulação. Também podem estar 
presentes dor retro-ocular, calafrios, conjuntivite, faringite, náusea, vômitos, diarreia, 
dor abdominal, linfoadenomegalia cervical, manifestações do trato gastrointestinal 
(mais comum em crianças) e neurite. Essa fase aguda dura, em média, 14 dias.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 73
Infecção
Casos
assintomáticos
Formas
típicas
Fase aguda Fase subaguda Fase crônica
Casos gravesFormas atípicas
Casos
sintomáticos
LINFOADENOMEGALIA CERVICAL: aumento de linfonodos 
(gânglios) na região do pescoço.
NEURITE: processo inflamatório dos nervos.
Alguns casos evoluem para a fase subaguda (atualmente denominada 
pós-aguda) com persistência da artralgia por até 3 meses, e outros 
podem se tornar crônicos, com persistência da artralgia por vários meses 
ou até vários anos (BRASIL, 2015a). Algumas formas da doença provocam 
sintomas considerados atípicos, sobre os quais discorreremos logo após 
a Figura 7.
FIGURA 7 – ESPECTRO CLÍNICO DE CHIKUNGUNYA
Fonte: Brasil (2015a).
As formas atípicas e graves são mais frequentes em neonatos de mães infectadas durante a 
gestação. Nesses casos, os sintomas podem aparecer no bebê a partir do quarto dia podendo 
variar de 3 a 7 dias e são caracterizados por diversos sintomas: febre, síndrome álgica, recusa 
da mamada, exantemas, descamação, hiperpigmentação cutânea e edema de extremidades. 
Essas crianças são mais propensas a apresentar manifestações neurológicas e complicações 
hemorrágicas e cardíacas. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 74
Outras manifestações relativamente atípicas associadas ao chikungunya que podem 
ocorrer independentemente de faixa etária estão sintetizadas no Quadro 1, extraído 
do Guia de Manejo Clínico de chikungunya do Ministério da Saúde. Entretanto, é 
importante destacar que, após a ocorrência das epidemias mais recentes de chikungunya 
nas Américas, principalmente no Brasil, várias outras complicações têm sido descritas.
QUADRO 1 – MANIFESTAÇÕES ATÍPICAS DE CHIKUNGUNYA
Fonte: Brasil (2015a, p. 14).
As definições de caso de chikungunya são descritas a seguir.
2.3.2.1 Caso suspeito de chikungunya
Caso suspeito de chikungunya é o paciente com febre de início súbito, maior que 38,5 ºC e artralgia ou 
artrite intensa de início agudo, não explicado por outras condições, residente em (ou que tenha visitado) 
áreas com transmissão até duas semanas antes do início dos sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico 
com caso importado confirmado.
SISTEMA/ÓRGÃO MANIFESTAÇÕES
Nervoso
Meningoencefalite, encefalopatia, convulsão, Síndrome 
de Guillain-Barré, Síndrome cerebelar, paresias, paralisias e 
neuropatias.
Olho Neurite óptica, iridociclite, epsclerite, retinite e uveite
Cardiovascular Miocardite, pericardite, insuficiência cardíaca, arritmia e instabilidade hemodinâmica.
Pele Hiperpigmentação por fotossensibilidade, dermatoses vesiculobolhosas e ulcerações aftosa-like.
Rins Nefrite e insuficiência renal aguda.
Outros
Discrasia sanguínea, penumonia, insuficiência respiratória, 
hepatite, pancreatite, síndrome da secreção inapropriada do 
hormônio antidiurético e insuficiência adrenal.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 75
2.3.2.2 Caso confirmado de chikungunya
Caso confirmado de chikungunya é todo caso suspeito de chikungunya confirmado 
laboratorialmente por: 
• Isolamento viral positivo;
• Detecção de RNA viral por RT-PCR;
• Detecção de IgM em uma única amostra de soro durante a fase aguda (a partir do 6º dia do 
início dos sintomas) ou convalescente (15 dias após o início dos sintomas);
• Demonstração de soroconversão entre as amostras na fase aguda (primeira amostra) e 
convalescente (segunda amostra); ou 
• Detecção de IgG em amostras coletadas de pacientes na fase crônica da doença, com clínica 
sugestiva.
2.3.3 Zika
Em geral, a doença causada pelo vírus zika tem curso agudo e manifestações clínicas 
autolimitadas. A busca pelo serviço de saúde, em geral, é decorrente do incômodo ocasionado 
pelo exantema pruriginoso. No entanto, os casos que cursam com manifestações neurológicas 
e síndrome congênita do zika são considerados eventos graves.
Para efeitos de notificação, as definições de caso para o zika adotadas pelo Ministério da Saúde 
são conforme segue.
2.3.3.1 Caso suspeito de zika
Caso suspeito de zika é o paciente que apresenta exantema maculopapular pruriginoso 
acompanhado de um dos seguintes sinais e sintomas:
• Febre;
• Hiperemia conjuntival/conjuntivite não purulenta;
• Artralgia/poliartralgia;
• Edema periarticular.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 76
2.3.3.2 Caso confirmado de zika
Caso confirmado de zika é aquele que atende à definição de caso 
suspeito de zika e que foi confirmado por um ou mais dos seguintes 
testes laboratoriais e seus respectivos resultados: 
• Isolamento viral;
• Detecção de RNA viral por RT-PCR;
• Sorologia IgM.
QUADRO 2 – DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE DENGUE E CHIKUNGUNYA
Fonte: Brasil (2016b, p. 13).
IMPORTANTE
A utilização de critério clínico-
epidemiológico para confirmação de 
casos de dengue, zika e chikungunya 
exige cautela. Esse critério pode 
ser utilizado em cenários em que a 
transmissão da arbovirose em questão 
esteja bem caracterizada, considerando as 
semelhanças clínicas entre elas, conforme 
Quadros 2 e 3.
MANIFESTAÇÃO CLÍNICA/LABORATORIAL DENGUE CHIKUNGUNYA
Intensidade da febre ++ +++
Exantema + (D5-D7) ++ (D1-D4)
Mialgia ++ +
Artralgia +/- +++
Dor retro orbital +++ +
Sangramentos ++ -/+
Choque -/+ -
Plaquetopenia +++ +
Leucopenia +++ ++
Linfopenia ++ +++
Neutropenia +++ +
Evolução após fase aguda Fadiga Artralgia crônica
SAIBA MAIS
Sempre consulte as 
orientações do Ministério 
da Saúde para possíveis 
atualizações das definições 
de caso.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 77
QUADRO 3 – DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE DENGUE E ZIKA
2.3.4 Febre amarela
As manifestações clínicas da febre amarela têm início súbito. Em geral, ocorrem febre, 
cefaleia, lombalgia, mialgia generalizada, prostração, náuseas e vômitos. Em seguida, inicia-
se uma fase de remissão, em que a febre e os sintomas diminuem, para então instalar-se o 
período toxêmico, com manifestações graves e podendo levar a óbito.
2.3.4.1 Caso suspeito de febre amarela
Caso suspeito de febre amarela é o indivíduo não vacinado contra febre amarela ou com estado vacinal 
ignorado que apresentou quadro infeccioso febril agudo (geralmente até 7 dias), de início súbito, 
acompanhado de icterícia e/ou manifestações hemorrágicas, com exposição nos últimos 15 dias em 
área de risco e/ou em ACRV e/ou em locais com recente ocorrência de epizootia em PNH; e/ou em áreas 
recém-afetadas e suas proximidades.
Considerando que o espectro clínico da febre amarela é amplo, o Ministério da Saúde recomenda 
adequação da definição de casos em situações de surto, para aumentar a sensibilidade e assim detectar 
o maior número de casos possível e de maneira oportuna.
MANIFESTAÇÃO CLÍNICA/LABORATORIAL DENGUE ZICA
Intensidade da febre ++ +/ausente
Exantema + (D5-D7) ++++ (D2-D3)
Mialgia ++ +
Artralgia +/- +
Dor retro orbital +++ ++
Conjuntivites -/+ +++
Sangramentos ++ -
Choque -/+ -
Leucopenia/trombocitopenia +++ -
Fonte: Brasil(2016b, p. 13).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 78
2.3.4.2 Critério clínico-laboratorial
Todo caso suspeito pode ser definido, como o caso que apresente pelo 
menos uma das seguintes condições:
• Isolamento do vírus da febre amarela;
• Detecção do genoma viral. Em situações atípicas e/ou detecções de 
eventos isolados no tempo e no espaço e em situações de relevância 
epidemiológica, a detecção de fragmento do genoma viral deve ser 
acompanhada dos achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais e, se 
necessário ainda, seguida do sequenciamento genético;
• Detecção de anticorpos IgM pela técnica de ELISA em indivíduos não 
vacinados, associada aos achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais;
• Aumento de 4 vezes ou mais dos títulos de anticorpos detectados 
na sorologia em amostras pareadas pela técnica de inibição da 
hemaglutinação (IH);
• Achados histopatológicos que apresentem as lesões compatíveis 
com infecção recente por febre amarela nos tecidos elegíveis para o 
diagnóstico, acompanhada da detecção de antígeno viral em técnica de 
imuno-histoquímica.
Também pode ser considerado um caso confirmado de febre amarela 
aquele indivíduo assintomático ou oligossintomático que, originário de 
busca ativa e não vacinado contra a febre amarela, apresentou resultado 
positivo por meio de técnica laboratorial conclusiva.
O critério de vínculo epidemiológico pode ser utilizado nos casos 
suspeitos de febre amarela que evoluem para óbito, em menos de 10 dias, 
sem confirmação laboratorial, em período e área compatíveis com surto 
ou epidemia em que outros casos e/ou epizootias de PNH já tenham sido 
confirmados laboratorialmente.
2.3.4.3 Epizootias
Considerando que o ciclo silvestre de transmissão da febre amarela 
tem maior importância em relação ao ciclo urbano, pelas razões já 
expostas neste módulo, e que o ciclo silvestre de transmissão não pode 
ser eliminado, a detecção da circulação viral é primordial para adoção 
de medidas de prevenção e controle. Nesse sentido, a vigilância de 
epizootias, ao realizar a vigilância de epizootias de primatas não humanos, 
tem como objetivos principais:
O Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo) permite a 
notificação de eventos envolvendo fauna silvestre, incluindo as suspeitas 
de epizootias em PNH. Tem sido usado por várias unidades da federação, 
e seu uso tem aprimorado a vigilância das epizootias. Qualquer pessoa 
pode ser um colaborador, mediante cadastro do usuário. Seu uso tem 
contribuído para a melhoria da oportunidade das notificações e da 
qualidade dos dados sobre as epizootias em tempo real para todas as 
instâncias do SUS. O SISS-Geo faz parte do Centro de Informação em 
Saúde Silvestre (CISS) da Fundação Oswaldo Cruz e tem parceria com o 
Laboratório Nacional de Computação Científica (FUNDAÇÃO OSWALDO 
CRUZ, 2021).
Detectar oportunamente a circulação viral de febre amarela;
Delimitar as áreas de transmissão;
Orientar as pessoas em locais de risco.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 79
As epizootias permitem que uma série de ações preventivas e de controle possam ser adotadas 
oportunamente. Vejamos como realizar uma definição de caso (BRASIL, 2021d).
• Definição de caso: primata não humano de qualquer espécie encontrado morto (incluindo 
ossadas) ou doente em qualquer local do território nacional.
2.3.4.3.1 Epizootia indeterminada
Epizootia indeterminada é o rumor do adoecimento ou morte de macaco, com 
histórico consistente, sem coleta de amostras para diagnóstico laboratorial. Incluem-
se nessa classificação aqueles eventos em que a investigação epidemiológica não 
reuniu amostras para investigação da causa da epizootia.
2.3.4.3.2 Epizootia em primata “em investigação”
Morte de macaco constatada em investigação local, com coleta de amostras do 
animal objeto da notificação ou com coleta de amostras secundárias na investigação 
(amostras de primatas remanescentes da área, contactantes do animal doente ou 
morto). Adicionalmente, a investigação na área do local provável de infecção (LPI) 
pode reunir amostras indiretas que contribuem na investigação, como vetores para 
pesquisa de vírus, casos humanos sintomáticos ou indivíduos assintomáticos não 
vacinados identificados na busca ativa.
2.3.4.3.3 Epizootia confirmada de febre amarela
Há duas formas de confirmar epizootia de febre amarela:
• Por laboratório: resultado laboratorial conclusivo para a febre amarela em pelo menos 
um animal do LPI;
• Por vínculo epidemiológico: epizootia em primata associada à evidência de circulação 
viral em vetores, outros primatas ou humanos no LPI. Devem ser considerados o 
tempo e a área de detecção, avaliando-se caso a caso, em conjunto com as Secretarias 
Estaduais de Saúde (SES) e a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde 
(SVS/MS).
Nesse contexto de circulação de várias arboviroses, é importante entender o potencial 
e as limitações do diagnóstico laboratorial específico, já abordado na Unidade 1. Aqui 
falaremos mais sobre sua utilização e possíveis interpretações de teste sorológico, 
quando analisarmos os cenários epidemiológicos de transmissão.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 80
2.4 ATRIBUIÇÕES E ROTINAS DE VIGILÂNCIA
Antes de iniciarmos esta nova seção sobre as abordagem das rotinas de vigilância e 
atribuições de cada esfera de gestão do SUS, vamos rever o conceito de vigilância em 
saúde apresentado nas Diretrizes Nacionais da Vigilância em Saúde, do Ministério da 
Saúde (BRASIL, 2010).
A vigilância em saúde tem por objetivo a observação e análise permanentes da situação 
de saúde da população, articulando-se em um conjunto de ações destinadas a controlar 
determinantes, riscos e danos à saúde de populações que vivem em determinados 
territórios, garantindo-se a integralidade da atenção, o que inclui tanto a abordagem 
individual como coletiva dos problemas de saúde (BRASIL, 2010, p. 16).
A observação e análise são essenciais para a vigilância, e, para isso, além de definições 
de caso padronizadas, é necessário que existam instrumentos de coleta de dados, 
sistema de informação e rotinas de vigilância estabelecidas (BRASIL, 2020b). 
Considerando esse conceito, podemos compreender que a vigilância deve coletar e analisar os dados 
permanentemente, para ter condições de identificar qualquer mudança nos padrões de transmissão.
2.4.1 Atribuições e rotinas de vigilância nas três esferas de gestão
Dentro da organização do SUS, reconhecemos que cada esfera que o constitui tem uma atribuição, estabelecida 
por meio da Portaria nº 264, de 17 de fevereiro de 2020 (BRASIL, 2020b).
Entre as atribuições da União estão as ações de vigilância, prevenção e controle das doenças transmissíveis; 
formulação de políticas, diretrizes e prioridades em Vigilância em Saúde no âmbito nacional; financiamento 
das ações de Vigilância em Saúde; normalização técnica e coordenação dos sistemas nacionais de informação. 
“A Vigilância em Saúde constitui um processo contínuo e sistemático de coleta, 
consolidação, análise e disseminação de dados sobre eventos relacionados à 
saúde, visando o planejamento e a implementação de medidas de saúde pública 
para a proteção da saúde da população, a prevenção e controle de riscos, agravos 
e doenças, bem como para a promoção da saúde” (BRASIL, 2020a).
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-264-de-17-de-fevereiro-de-2020-244043656
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 81
Com relação aos estados, compete a eles a coordenação do componente estadual dos Sistemas Nacionais 
de Vigilância em Saúde, e sua atuação é especialmente importante quando se trata de arboviroses. 
Competem a esse ente o acompanhamento e a avaliação da rede estadual de laboratórios públicos e 
privados que realizam análises de interesse em saúde pública, nos aspectos relativos à vigilância; ea 
colaboração na resposta ao enfrentamento de epidemias, apoiando municípios, especialmente quando 
os surtos ocorrem em municípios vizinhos ou pertencentes a regiões metropolitanas. 
No entanto, é nos municípios que a maioria das ações se desenvolve. Competem aos municípios as ações 
de vigilância, prevenção e controle das doenças transmissíveis; a coleta, processamento, consolidação e 
avaliação da qualidade dos dados obtidos das unidades de saúde; e alimentar os sistemas de informação. 
Isso significa que o município deve ser o primeiro ente a detectar mudanças no padrão de ocorrência das 
doenças e desencadear as medidas necessárias para mitigar os surtos ou preparar o sistema de saúde 
para atender aos casos.
2.4.2 Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)
Todas as arboviroses apresentadas nesta unidade são de notificação compulsória no Brasil, sendo a febre 
amarela de notificação compulsória imediata (em até 24 horas). Isso significa que, além da obrigatoriedade 
de notificar os casos suspeitos, independentemente da confirmação, é necessário reportar os casos 
de febre amarela às autoridades pelo meio mais rápido possível (telefone, fax ou e-mail), em razão da 
gravidade e do risco de dispersão para outras áreas do território nacional ou internacional.
As medidas de vigilância, independentemente do nível de gestão, envolvem ações diferentes de acordo com a 
situação epidemiológica local. Para isso, é fundamental conhecer o número de casos esperado para o período 
com base em uma série histórica da doença e na análise de dados laboratoriais e da situação entomológica local, 
a distribuição dos casos por faixa etária e a ocorrência de óbitos e hospitalizações. 
Como já comentamos, é possível que as arboviroses circulem ao mesmo tempo em um local e que, devido à 
semelhança dos sintomas, é importante manter uma vigilância viral ativa, em consonância com a capacidade 
laboratorial pactuada com cada Secretaria Estadual de Saúde. A alternância de sorotipos de dengue, por exemplo, 
ou a circulação de chikungunya e zika em áreas onde o vírus ainda não foi identificado anteriormente ou que 
tenha circulado há muito tempo, pode apontar para possível aumento de casos no futuro próximo. 
É importante, ainda, analisar a curva que consolide essas três arboviroses, uma vez que todas têm em comum o 
vetor. Isso pode tornar a análise mais sensível e oportuna e direcionar melhor as ações de controle vetorial.
Como a vigilância compreende várias etapas, por questões didáticas, os objetivos específicos da vigilância de cada 
arbovirose serão apresentados após discutirmos o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), as 
fichas de notificação e investigação e os softwares de análise.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 82
As epizootias suspeitas são notificadas em uma ficha própria (Ficha de Notificação/Investigação de Epizootia), 
que tem campos para registro dos achados da investigação.
Cada uma dessas doenças tem Ficha Individual de Notificação (FIN), mas há partes em comum, com exceção 
da Ficha de Notificação de Epizootias. Os campos da ficha de notificação auxiliarão na análise dos casos por 
tempo, pessoa e lugar, respondendo às questões elementares da epidemiologia descritiva. Por meio das 
variáveis de data de início dos sintomas, é possível identificar, por exemplo, a sazonalidade e os períodos de 
maior ocorrência, enquanto as variáveis de idade, sexo e raça/cor permitem identificar grupos mais acometidos, 
e, por fim, as variáveis de bairro, município e estado identificam onde a doença está ocorrendo, contribuindo 
para a tomada de decisão.
Além dos campos em comum, existe uma parte da ficha que é relativa a campos específicos de 
cada arbovirose, com exceção da zika, que não tem ficha de investigação específica, utilizando-se 
uma ficha simplificada chamada de notificação/conclusão. Em geral, esses campos se referem aos 
exames laboratoriais, LPI, classificação final (confirmado ou descartado), critério de confirmação 
(laboratorial ou clínico-epidemiológico), evolução (óbito ou cura) e hospitalização. A seguir, como 
exemplo, observe os campos da ficha de notificação/investigação de dengue (Figura 8).
SAIBA MAIS
Acesse aqui as fichas de notificação do SINAN: 
portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/
NINDIV/Notificacao_Individual_v5.pdf
http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/NINDIV/Notificacao_Individual_v5.pdf
http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/NINDIV/Notificacao_Individual_v5.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 83
FIGURA 8 – FICHA DE NOTIFICAÇÃO/INVESTIGAÇÃO DE DENGUE E CHIKUNGUNYA
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 84
Fonte: Brasil (2016).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 85
Quando o profissional de saúde atende a um caso que se enquadre na definição de caso 
suspeito de dengue, zika, chikungunya ou febre amarela, ele deve iniciar o preenchimento 
da ficha de notificação. Em geral, os prontuários ou fichas de atendimento clínico contêm as 
informações necessárias para iniciar o preenchimento dos campos da ficha de notificação.
No preenchimento da ficha de investigação deverá ser considerada a inserção dos campos 
de laboratório, doenças preexistentes (dengue e chikungunya), a evolução do caso, 
hospitalização e outras observações importantes. 
Trabalhador estudante, qual o objetivo de digitar as fichas que integram o SINAN em 
tempo real?
O SINAN irá por meio de uma rede informatizada apoiar 
o processo de investigação e dar subsídios à análise das 
informações do perfil de morbidade da população. A coleta e 
inserção de dados, a transmissão, a análise e disseminação dos 
dados de agravos de notificação compulsória nas três esferas de 
governo, em tempo real, devem apoiar a tomada de decisão de 
forma rápida e íntegra (BRASIL, 2021b).
Esse sistema tem duas versões, uma on-line, para dengue e chikungunya, e uma versão Net, para os demais 
agravos, mas que só pode ser acessada por usuários autorizados, mediante login e senha (Figuras 9 e 10). O 
módulo on-line desenvolvido para dengue e chikungunya permite que, feita a notificação, todas as esferas 
do SUS tenham conhecimento dos casos. A febre amarela, as epizootias e o zika são notificados no SINAN 
Net, e os dados são transferidos do município para as demais esferas do SUS, no entanto, especialmente 
com relação à febre amarela e às epizootias, devem ser usados meios mais rápidos de comunicação com as 
demais instâncias do SUS, simultaneamente à notificação no SINAN, para que as ações de controle sejam 
iniciadas de maneira oportuna.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 86
FIGURA 9 – SINAN ON-LINE – VISUALIZAÇÃO DO ACESSO AO SISTEMA
FIGURA 10 – SINAN NET – VISUALIZAÇÃO DO ACESSO AO SISTEMA
Fonte: BRASIL (2021). SINAN - Ministério da Saúde. Disponível em: http://sinan.saude.gov.br/sinan/login/login.jsf.
Fonte: BRASIL (2021c).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 87
Os bancos de dados gerados no SINAN podem ser exportados, em formato DBASE, para 
posteriormente serem analisados em softwares de domínio público. Falaremos sobre esses 
softwares adiante, quando exploramos algumas análises.
É possível que muito do que abordamos nesta seção sobre o SINAN já seja do seu conhecimento. 
No entanto, caso não tenha familiaridade com o tema, você pode concluir que esse é o principal 
sistema de informação utilizado pela vigilância.
SAIBA MAIS
Não esqueça da importância dos dicionários de variáveis que 
orientam o preenchimento dos campos das FIN e do SINAN, 
e roteiros de investigação específicos que estão disponíveis 
tanto no Guia de Vigilância, como no site do Ministério da 
Saúde, no portal do SINAN: 
portalsinan.saude.gov.br
SAIBA MAIS
Aprofundeseu conhecimento sobre o SINAN: 
www.youtube.com/watch?v=_4sbHBlGSmM
s c i e l o . i e c . g o v . b r / s c i e l o . p h p ? s c r i p t = s c i _
arttext&pid=S1679-49742004000300002
http://portalsinan.saude.gov.br
http://www.youtube.com/watch?v=_4sbHBlGSmM
http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742004000300002
http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742004000300002
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 88
2.4.3 Investigação das arboviroses
Até agora tratamos sobre a notificação dos casos, as definições necessárias e o SINAN. Porém, 
você verá nesta seção que a investigação é igualmente importante e que cada arbovirose que 
estamos estudando tem suas particularidades na condução da investigação.
O Guia de Vigilância em Saúde orienta a investigação das arboviroses e aborda os indicadores 
que devem ser analisados pela vigilância (BRASIL, 2019a).
A seguir destacam-se os objetivos de vigilância das arboviroses de maior importância.
2.4.3.1 Dengue, chikungunya e zika (DCZ)
As ações de vigilância em saúde relacionadas à dengue, zika e chikungunya dependem da situação epidemiológica 
local, do nível da infestação vetorial e da circulação viral.
A tendência de casos notificados por semana epidemiológica pode ser facilmente obtida nos bancos de dados e são de 
simples acompanhamento. A curva de casos pode ser comparada a curvas de anos anteriores, e o incremento semanal 
de notificações é um importante alerta para detecção de mudanças no padrão temporal.
Como as três arboviroses podem ser confundidas clinicamente ou ocorrer de forma simultânea no território, é 
necessário analisar, por meio da vigilância laboratorial, qual tem predominado. Além disso, como o vetor das três é o 
mesmo, é interessante elaborar curva única para visualizar áreas com maior transmissão e aumentar a sensibilidade 
para detecção de epidemias.
O sistema de informação que poderá auxiliar na análise laboratorial é o Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL), 
que também complementa as análises de dados notificados no SINAN. Por meio dele é possível avaliar a taxa de 
positividade para cada uma dessas arboviroses. Esse sistema é alimentado pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública 
(LACENs) e pelas unidades de saúde que coletam as amostras.
Qualquer mudança de padrão na transmissão das arboviroses só será detectada se a vigilância for contínua. No entanto, 
em situações de epidemia, a realização dos exames específicos não deve ser direcionada para a confirmação da 
totalidade dos casos suspeitos. Ela deve ser usada para orientar a vigilância. A vigilância também deve ser flexível, para 
se adaptar à situação epidemiológica local. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 89
Como já discutido neste módulo, é no município que a maioria das ações de vigilância 
precisa ser desenvolvida. O município é o responsável por alimentar o SINAN, a partir da 
notificação e investigação dos casos. Também é de responsabilidade do município a maioria 
das ações de controle ou prevenção. 
Considerando o exposto, o guia de vigilância apresenta três cenários diferentes de 
transmissão de DCZ:
• Município não infestado pelo Aedes aegypti;
• Município infestado sem transmissão;
• Município infestado com história prévia de transmissão. 
Para cada um desses cenários, são previstas diferentes ações. Como a maior parte dos 
municípios do Brasil é infestada pelo Aedes aegypti, também há história prévia de transmissão. 
Vamos priorizar as ações previstas neste cenário, conforme descrito a seguir.
2.4.3.1.1 Município infestado com história prévia de transmissão de dengue, chikungunya e/ou zika
Nos municípios infestados pelo Aedes aegypti com histórico de transmissão, os principais objetivos da vigilância 
são detectar precocemente a circulação viral, identificar o vírus predominante e adotar medidas que reduzam a 
ocorrência de casos e, se possível, a duração da epidemia nos períodos epidêmicos (BRASIL, 2019a). 
Nos períodos não epidêmicos, a vigilância deve investigar e encerrar rapidamente os casos, identificar o agente 
etiológico e acompanhar oportunamente a curva de casos e qualquer mudança no padrão de ocorrência, para 
reduzir assim a ocorrência de epidemias ou preparar a assistência para evitar óbitos. 
É necessário manter diálogo permanente com as equipes de controle vetorial para sinalizar áreas de maior 
transmissão no território. 
Nos períodos não epidêmicos, a vigilância deve orientar a realização dos exames laboratoriais específicos, para 
que não haja sobrecarga dos laboratórios de saúde pública. As recomendações sobre a notificação compulsória 
são mantidas. O SINAN deve estar atualizado para permitir as análises oportunas com dados fidedignos.
IMPORTANTE
Jamais deve-se aguardar a confirmação laboratorial dos casos para reconhecer a epidemia, 
direcionar medidas de controle e, muito menos, orientar a condução clínica dos casos.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 90
Com relação aos óbitos, eles devem ser notificados já quando 
houver suspeita e investigados o mais rápido possível, pois 
podem fundamentar adequações da assistência para evitar 
novos óbitos.
O diagrama de controle é uma importante ferramenta da 
vigilância no monitoramento da situação epidemiológica 
e na determinação de epidemia. Uma vez detectada a 
epidemia, outras ações devem ser priorizadas. Veremos 
adiante como elaborar o diagrama de controle. 
Nos períodos epidêmicos, recomenda-se a implantação da 
sala de situação para permitir melhor diálogo entre todos 
os envolvidos na resposta à epidemia e que se priorize 
a realização dos exames específicos para determinados 
grupos, como crianças, gestantes, idosos, casos graves, 
atípicos e óbitos, evitando a sobrecarga dos laboratórios.
Pode-se utilizar a confirmação por critério clínico-
epidemiológico, desde que a identificação de vírus ou 
sorotipos predominantes esteja bem caracterizada, assim 
como o percentual de positividade das sorologias permita 
essa análise. 
Em momentos epidêmicos, sugere que seja feita a coleta 
de sangue de 1 a cada 10 pacientes (10%) com suspeita 
de dengue, aplicando-se a mesma proporção para zika e 
chikungunya. O monitoramento viral deve ser mantido, 
conforme rotina estabelecida (BRASIL, 2019a).
Alguns algoritmos para diagnóstico laboratorial de dengue, 
chikungunya e zika estão apresentados nas Figuras 11, 12 e 
13. Nestas figuras, estão destacados o processo de coleta de 
amostras e registro no GAL, além do período adequado de 
coleta para cada exame.
FIGURA 11 – FLUXO DE AMOSTRAS PARA DIAGNÓSTICO DE DENGUE
Fonte: Brasil (2021d, p. 709).
Unidade de
atendimento
(UBS, UPA, Hospital)
Laboratório de Referência
Estadual (LACEN)
Laboratório de 
Referência Regional (LRR) 
e Nacional (LRN)
Ministério 
da Saúde
(SVS)
Amostra post
mortem (vísceras)
Histopatologia/
Imunohistopatologia
Biologia Molecular
(RT-PCR)
Isolamento Viral
Isolamento Viral
Sequenciamento
Resultados e
Informações
GAL
Resultados
Resultado
Resultados
Resultados
Teste de Neutralização
Redução de Placas
(PRNT)
Inibição da
Hemaglutinação (IH)
Coleta = 6 dias do
início dos sintomas
Coleta = 5 dias do
início dos sintomas
Sorologia
ELISA (IgM/lgG)
Sorologia
ELISA
(NS1)
Biologia
Molecular
(RT-PCR)
Resultado
(Reagente/
Não Reagente)
Resultado
(Reagente/
Não Reagente)
Resultado
Não Detectável)
Atenção
Básica e
Vigilância
Epidemiológica
Amostras
GAL
GAL
GAL Sorotipagem
(DENV1 - DENV2 -
DENV3 - DENV4)
GAL
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 91
FIGURA 12 – FLUXO DE AMOSTRAS PARA DIAGNÓSTICO DE CHIKUNGUNYA
Fonte: Brasil (2021d, p. 724).
Unidade de
atendimento
(UBS, UPA, Hospital)
Laboratório de Referência
Estadual (LACEN)
Laboratório de 
Referência Regional (LRR) 
e Nacional (LRN)
Ministério 
da Saúde
(SVS)
Amostra postmortem (vísceras)
Histopatologia/
Imunohistopatologia
Biologia Molecular
(RT-PCR)
Isolamento Viral
Isolamento Viral
Sequenciamento
Resultados e
Informações
GAL
Resultados
Resultados
Resultados
Teste de Neutralização
Redução de Placas
(PRNT)
Inibição da
Hemaglutinação (IH)
Coleta = 6 dias do
início dos sintomas
Coleta = 5 dias do
início dos sintomas
Sorologia
ELISA (IgM/lgG)
Biologia
Molecular
(RT-PCR)
Resultado
(Reagente/
Não Reagente)
Resultado
(Detectável/
Não Detectável)
Atenção
Básica e
Vigilância
Epidemiológica
Amostras
GAL
GAL
GAL
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 92
FIGURA 13 – FLUXO DE AMOSTRAS PARA DIAGNÓSTICO DE ZIKA
Fonte: Brasil (202d1, p. 749).
Os óbitos devem ser, preferencialmente, confirmados por critério laboratorial 
e investigados oportunamente com os objetivos de identificar os possíveis 
determinantes e auxiliar na definição de estratégias para aprimoramento da 
assistência, evitando a ocorrência de novos óbitos. Devem ser investigados, 
preferencialmente, pela vigilância do próprio município.
Unidade de
atendimento
(UBS, UPA, Hospital)
Laboratório de Referência
Estadual (LACEN)
Laboratório de 
Referência Regional (LRR) 
e Nacional (LRN)
Ministério 
da Saúde
(SVS)
Amostra post
mortem (vísceras)
Histopatologia/
Imunohistopatologia
Biologia Molecular
(RT-PCR)
Isolamento Viral
Isolamento Viral
Sequenciamento
Resultados e
Informações
GAL
Resultados
Resultados
Resultados
Teste de Neutralização
Redução de Placas
(PRNT)
Inibição da
Hemaglutinação (IH)
Coleta = 6 dias do
início dos sintomas
Coleta = 5 dias do
início dos sintomas
Sorologia
ELISA (IgM/lgG)
Biologia
Molecular
(RT-PCR)
Resultado
(Reagente/
Não Reagente)
Resultado
(Detectável/
Não Detectável)
Atenção
Básica e
Vigilância
Epidemiológica
Amostras
GAL
GAL
GAL
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 93
2.4.3.2 Febre amarela
Vamos falar um pouquinho sobre a febre amarela.
Você sabe quais os objetivos da vigilância de febre amarela?
O primeiro é detectar precocemente a circulação viral, preferencialmente enquanto 
ainda estiver ocorrendo o ciclo enzoótico (transmissão restrita a animais).
Onde queremos chegar? Instituir oportunamente as medidas de prevenção e 
controle; reduzir o risco de transmissão da febre amarela silvestre e da febre amarela 
urbana para a população.
A investigação deve ser iniciada imediatamente após a notificação de um ou mais 
casos suspeitos de febre amarela, para que possam ser adotadas medidas de 
controle em tempo oportuno. 
SAIBA MAIS
As variáveis essenciais para investigação estão 
contidas na Ficha de Investigação da Febre Amarela, 
que pode ser acessada por meio deste link:
w w w.p or talsinan.saude.gov.br/ images/
documentos/Agravos/Febre%20Amarela/
Febre_Amarela_v5.pdf
O que devemos incluir na coleta de dados, a partir da identificação 
do paciente?
• Dados sobre a história e manifestações clínicas; 
• Histórico de vacinação;
• Acompanhamento da evolução dos pacientes;
• Checagem dos resultados dos exames laboratoriais específicos.
Na história da transmissão deve-se buscar:
• identificar o local de transmissão;
• Verificar o histórico de deslocamento do caso, considerando o 
antecedente de 15 dias do início dos sintomas;
• Determinar a extensão da área de transmissão por meio de busca 
ativa de outros possíveis casos humanos. 
Por fim, coletar material de todos os casos identificados durante a 
investigação cabe à vigilância epidemiológica, e aos laboratórios 
centrais de saúde pública/laboratórios de referência. Nessa etapa é 
preciso viabilizar, orientar ou até mesmo realizar as coletas.
Mas não podemos esquecer que as medidas de controle devem 
ser desencadeadas antes mesmo da confirmação laboratorial dos 
casos. Entre elas, é importante lembrar algo que você já viu em 
outras unidades.
As epizootias em primatas não humanos (PNH) notificadas 
constituem um “evento de alerta do risco de transmissão silvestre 
de febre amarela”. Devem ser investigadas para caracterização dos 
planos de intervenção. Essas áreas serão definidas como afetadas, 
quando a transmissão for ativa, ou ampliadas, quando se tratar de 
áreas próximas.
http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5.pdf
http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5.pdf
http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 94
Lembrando que:
Qualquer cidadão pode informar para as autoridades de saúde a morte de macacos. A investigação deve ser iniciada o mais rápido 
possível para determinação do LPI, intensidade da transmissão e área de abrangência do evento. A ficha de notificação e o relatório 
específico para investigação de epizootias pode ser consultado neste link: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_
vigilancia_epizootias_primatas_entomologia.pdf
As amostras para envio ao laboratório devem ser coletadas, de preferência, no próprio local onde o animal for encontrado, evitando o 
deslocamento de patógenos de uma área afetada para outra, supostamente não afetada. O fluxo de encaminhamento das amostras 
pode variar conforme a região, no entanto o LACEN é o responsável pelo encaminhamento das amostras para os laboratórios de 
referência regional (LRR) e nacional (LRN).
A avaliação da epizootia deve ser realizada em conjunto com as diferentes esferas de gestão, e a vigilância vetorial deve ser acionada 
de forma concomitante à investigação das epizootias e dos casos humanos.
As mudanças no perfil epidemiológico de transmissão do vírus demandam a organização e ampliação das ações integradas de 
vigilância, prevenção e controle, no sentido de se reduzir a incidência da doença e prevenir sua reurbanização no país (BRASIL, 2019). 
As medidas de prevenção e controle da febre amarela consistem em:
Manter a elevada cobertura vacinal em áreas de risco e infestadas por Aedes aegypti, 
considerando as áreas com recomendação de vacinação no país; 
Orientar medidas de proteção individual para as pessoas que se expõem em áreas de risco;
Reduzir os índices de infestação vetorial do Aedes aegypti;
Isolar os casos suspeitos no período de viremia;
Implementar a vigilância laboratorial voltada para o diagnóstico diferencial;
Implementar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras.
A partir de 2020, a vacinação contra a febre amarela (atenuada) foi ampliada em todo o Brasil, passando a ser 
recomendada nas ACRV, na população de 9 (nove) meses de vida a 59 anos de idade, com administração de uma 
dose de reforço para crianças de 4 anos de idade (BRASIL, 2021d).
Para contextualizar o que já estudamos até aqui, nossa última seção abordará alguns exemplos de análises que 
devem ser realizadas pela vigilância. 
Você observa que os dados gerados pelas notificações, após sua inserção no SINAN, se transformam em informação?
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epizootias_primatas_entomologia.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epizootias_primatas_entomologia.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 95
2.5 ANÁLISE DE DADOS EPIDEMIOLÓGICOS
O sistema de vigilância analisa os dados epidemiológicos a partir de sistemas de informações 
retroalimentadas por municípios e estados.
FIGURA 14 – TELA INICIAL DO TABWIN
Fonte: Brasil (2021c). 
SAIBA MAIS
Para análise dos dados epidemiológicos 
do SINAN, o DATASUS disponibiliza o 
software Tabwin. Esse programa é livre e 
pode ser baixado no site datasus.saude.
gov.br/transferencia-de-arquivos. 
Para sua utilização, devem ser baixados 
também os arquivos de definição 
e conversão específicos para cada 
arbovirose, os chamados DEF e CNV. 
Todos esses arquivos estão disponíveis 
no portal do SINAN(portalsinan.saude.
gov.br/downloads). A lógica do Tabwin 
é gerar, utilizando as informações 
solicitadas, tabelas rapidamente, mesmo 
se o volume de dados for grande (Figura 
14). O programa também gera gráficos e 
mapas.
http://datasus.saude.gov.br/transferencia-de-arquivos
http://datasus.saude.gov.br/transferencia-de-arquivos
http://portalsinan.saude.gov.br/downloads
http://portalsinan.saude.gov.br/downloads
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 96
Caso você queira explorar a ferramenta, acesse um banco de dados público (disponível 
também: datasus.saude.gov.br/transferencia-de-arquivos), conforme instruções da 
Figura 15. Existem vários cursos gratuitos sobre o Tabwin que você pode acessar para 
conhecer melhor o programa.
FIGURA 15 – DOWNLOAD DE BASES DE DADOS PÚBLICOS DO SINAN
Fonte: elaboração do autor.
Selecione o sistema1.
Selecione a
modalidade
2.
Selecione o
tipo de arquivo
3.
Clique
em enviar
6.
Selecione 
o ano
4.
Selecione
a UF
5.
Algumas análises mais específicas não são possíveis por meio do Tabwin, devido às 
limitações do software. Nesse caso, um software de análise gratuito muito utilizado é 
o Epi Info, desenvolvido pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) 
(disponível em: www.cdc.gov/epiinfo/por/pt_index.html).
O site oficial disponibiliza tutoriais sobre o uso do software, incluindo vídeos com 
apresentação da ferramenta, e pode ser acessado aqui: www.youtube.com/watch?v=-uT
Hl9E6NK8&list=PL9B9157E47AB3FDFA&index=1.
http://www.cdc.gov/epiinfo/por/pt_index.html
http://www.youtube.com/watch?v=-uTHl9E6NK8&list=PL9B9157E47AB3FDFA&index=1
http://www.youtube.com/watch?v=-uTHl9E6NK8&list=PL9B9157E47AB3FDFA&index=1
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 97
Outra possibilidade de obtenção de dados de forma rápida é o Tabnet, disponível em: datasus.
saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet. Por meio do Tabnet também é possível obter dados 
de hospitalizações por arboviroses provenientes do Sistema de Internação Hospitalar (SIHSUS).
Não é objetivo desta unidade explorar essas ferramentas de análise, mas é importante conhecê-las. 
Tanto o Tabwin quanto o Epi Info são programas intuitivos e, com a prática, qualquer profissional 
de saúde que tenha domínio do banco de dados e que conheça o dicionário de dados da ficha de 
notificação/investigação é capaz de extrair indicadores e realizar análise de situação. 
O DATASUS elaborou um tutorial bem detalhado sobre a utilização do Tabnet, que pode ser acessado 
em: datasus.saude.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Tutorial-TABNET-2020.pdf.
Dessa forma, em vez de trabalharmos na obtenção dos bancos de dados e aprendermos como utilizar 
as ferramentas de análise, vamos explorar nesta unidade a interpretação dos dados, considerando 
algumas análises importantes para a vigilância, por meio de exemplos práticos. Para isso, utilizaremos 
os dados de dengue como estudo de caso.
2.5.1 Indicadores básicos para acompanhamento da vigilância
As análises mais elementares que a vigilância deve realizar são as de coeficiente de incidência, taxa de 
letalidade, diferentes proporções, taxas, diagramas de casos e análise de tendência.
2.5.1.1 Coeficiente de incidência de casos prováveis
O coeficiente de incidência é uma medida que expressa o risco de adoecer da população em um determinado 
período. O número corresponde ao número absoluto de casos notificados por semana epidemiológica, e o 
denominador corresponde à população sob risco de adoecer, no mesmo período, multiplicado por 100 mil 
habitantes. 
Essa análise deve ser feita preferencialmente ao longo do tempo, por exemplo por semana epidemiológica, 
permitindo observar a tendência e a sazonalidade da doença.
Observando a Figura 16, em que estão apresentados os coeficientes de incidência de dengue em 2019, é 
possível observar que nas semanas epidemiológicas de 1 a 25, período que corresponde aproximadamente 
ao primeiro semestre do ano, ocorre maior transmissão de dengue no cenário hipotético que estamos 
analisando. Além disso, é possível observar que, na semana epidemiológica 20, houve o pico de transmissão, 
com o coeficiente de incidência apresentando tendência de queda a partir de então.
http://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet
http://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet
http://datasus.saude.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Tutorial-TABNET-2020.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 98
C
oe
f. 
de
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dê
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120
100
80
60
40
20
0
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51
Semana epidemiológica de sintomas
Fonte: elaboração do autor.
FIGURA 16 – COEFICIENTE DE INCIDÊNCIA DE CASOS DE DENGUE, BRASIL, 2019
FIGURA 17 – ÓBITOS E TAXA DE LETALIDADE DE DENGUE, 2008-2019
2.5.1.2 Taxa de letalidade
A taxa de letalidade, por sua vez, corresponde à proporção 
do número de casos que evoluem para óbito em relação 
ao total de casos notificados x 100. Ela pode ser calculada 
inserindo-se no numerador a totalidade de casos 
notificados ou apenas os casos de dengue com sinais de 
alarme e dengue grave.
Observe, na Figura 17, que a análise do número absoluto de 
óbitos (linha roxa) pode ocultar a real situação em termos 
de gravidade, quando se compara a taxa de letalidade (linha 
azul). Em 2014, 2017 e 2108, o número absoluto de óbitos 
reduziu, no entanto a taxa de letalidade não acompanhou 
a queda de óbitos. Dessa forma, a probabilidade de morrer 
por dengue foi maior nesses anos, ainda que o número 
absoluto de óbitos tenha sido menor.
Óbitos confirmados
N
úm
er
o 
de
 ó
bi
to
s
Taxa de letalidade
200
0
400
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
0,00
0,01
0,02
0,03
0,04
0,05
0,06
0,07
710
989
677676
0,08
0,09
0,10
600
800
1.000
1.200
Fonte: elaboração do autor.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 99
2.5.1.3 Proporção de casos confirmados segundo critério de confirmação
A proporção de casos confirmados, segundo critério laboratorial ou critério clínico-epidemiológico, permite 
compreender, por exemplo, se nos momentos de baixa transmissão está havendo utilização correta da 
confirmação de casos por critério laboratorial. Também permite analisar o contrário, se em períodos 
epidêmicos a proporção de casos confirmados por critério laboratorial se mantém inalterada. Vimos ao longo 
da unidade que, nos períodos de baixa transmissão, a vigilância deve se dedicar ainda mais ao uso correto 
dos exames específicos e ao correto encerramento dos casos, ainda mais diante do cenário de cocirculação 
de diferentes arbovírus.
No exemplo a seguir (Figura 18), a proporção de casos confirmados por critério laboratorial se manteve quase 
inalterada ao longo das semanas e, curiosamente, foi menor nos períodos de baixa transmissão, quando se 
espera que com a redução dos casos notificados a vigilância consiga investigar a maior parte dos casos. No 
período de baixa transmissão, a vigilância deve estar atenta para detectar o aumento da positividade de 
sorologias e a circulação de outros vírus além do vírus da dengue.
FIGURA 18 – PROPORÇÃO DE CASOS DE DENGUE CONFIRMADOS SEGUNDO CRITÉRIO 
DE CONFIRMAÇÃO E SEMANA EPIDEMIOLÓGICA DE INÍCIO DE SINTOMAS, 2019
%
 d
e 
ca
so
s/
cr
ité
ri
o
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
% laboratório % clínico epidemiológico
Semana epidemiológica de sintomas
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51
Fonte: elaboração do autor.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 100
2.5.1.4 Número de casos confirmados de dengue com sinais de 
alarme e de dengue grave
A análise dos casos de dengue com sinais de alarme e de dengue 
grave é realizada com base em números absolutos, pois o 
denominador para dengue é muito maior que o numerador, o 
que pode subestimar a relevânciada análise. 
Vale lembrar, que com a adoção da nova classificação de dengue 
a partir de 2014, os casos graves incluem acometimento grave de 
órgãos, sangramento importante e choque hipovolêmico. Essas 
condições, se não manejadas adequadamente, oferecem grande 
chance de levar o caso a óbito. 
Ainda que tenha suas limitações, esse dado compõe o 
denominador da taxa de letalidade e, dada a sua importância, 
deve ser monitorado e investigado pela vigilância. No exemplo a 
seguir, sugerimos o acompanhamento da curva de casos graves 
junto com o acompanhamento da curva de casos totais e das 
hospitalizações.
O eixo x da Figura 19 representa as semanas epidemiológicas, e 
o eixo y, o número de casos notificados. Nota-se que no período 
entre a semana epidemiológica 1 e a semana 19 está concentrada 
a maior parte dos casos (barras azuis) e que a curva de casos de 
dengue com sinais de alarme e de dengue grave (linha vermelha) 
acompanha a mesma tendência ao longo das semanas. As 
hospitalizações (linha verde) foram superiores à curva de casos 
de dengue grave e de dengue com sinais de alarme, o que pode 
refletir, em algum grau, a dificuldade de classificar corretamente 
os casos. É possível que o número de casos graves esteja 
subestimado. 
Em condições reais, a vigilância poderia fazer a investigação 
em prontuários dos casos hospitalizados, inclusive com a 
ajuda das equipes dos Núcleos de Vigilância Hospitalar, para 
confirmar a hipótese de subnotificação. Observe que o número 
de hospitalizações está representado no eixo y à direita e que 
a escala é menor do que aquela utilizada para representar o 
número de casos notificados.
FIGURA 19 – NÚMERO DE CASOS NOTIFICADOS DE DENGUE, DENGUE GRAVE E DENGUE 
COM SINAIS DE ALARME, E DE HOSPITALIZAÇÕES POR SEMANA EPIDEMIOLÓGICA, 2019
Fonte: elaboração do autor.
N
º d
e 
ca
so
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no
tif
ic
ad
os
H
os
pi
ta
liz
aç
õe
s.
D
G
+D
SA
180.000
160.000
140.000
120.000
100.000
80.000
60.000
40.000
20.000
0
3.000
2.500
2.000
1.500
1.000
500
0
Semana epidemiológica
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51 53
Casos notificados Hospitalizações DG+DAS
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 101
Notificados (%)
Masculino Feminino
Hospitalizações (%)DG+DAS (%)
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Pr
op
or
çã
o 
de
 c
as
os
44
56
46
54
47
53
2.5.1.5 Proporção de casos distribuídos por sexo
Para o cálculo da proporção de casos distribuídos por sexo, o numerador corresponde ao total de casos 
do sexo masculino, e o denominador corresponde ao total de casos na população (sexo masculino e 
sexo feminino) x 100.
 Como podemos ver no exemplo a seguir (Figura 20), não há diferença na proporção de casos de 
dengue notificados por sexo, tanto para casos notificados, quanto para graves e hospitalizados.
FIGURA 20 – PROPORÇÃO DE CASOS DE DENGUE E HOSPITALIZAÇÕES 
DISTRIBUÍDOS POR SEXO, 2019
Fonte: elaboração do autor.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 102
2.5.1.6 Proporção de casos por faixa etária e coeficiente de incidência por faixa etária
A análise de casos por faixa etária pode ser feita de várias formas. Vamos explorar duas delas e analisar as diferenças. 
É importante destacar que, quando usamos proporção, não estamos expressando risco, mas indicando qual faixa etária 
contribui em maior ou menor medida para a distribuição etária. Esse é o cálculo utilizado:
Já o coeficiente de incidência por faixa etária demonstra o risco de cada faixa etária adoecer por dengue. Os eventos do 
numerador representam um risco de ocorrência em relação ao denominador (MERCHÁN-HAMANN; TAUIL; COSTA, 2000). 
Assim, o coeficiente de incidência é calculado utilizando-se:
% de casos por faixa etária = x 100
nº de casos na faixa etária que se queira analisar
total de casos da doença
a faixa etária
nº de expostos na mesma faixa etária
Vejamos o exemplo a seguir (Figura 21). Apresentamos a proporção de casos por faixa etária. Observe que a faixa etária 
com maior proporção de casos foi a de 40 a 49 anos, seguida das faixas etárias de 50 a 59 anos e 60 a 69 anos. Em pessoas 
com 14 anos ou menos ou em idosos acima dos 80 anos, a proporção foi menor.
FIGURA 21 – PROPORÇÃO DE CASOS DE DENGUE POR FAIXA ETÁRIA, 2019
Fonte: elaboração do autor.
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
0 a 4
anos
5 a 9
anos
10 a 14
anos
15 a 19
anos
20 a 29
anos
30 a 39
anos
40 a 49
anos
50 a 59
anos
60 a 69
anos
70 a 79
anos
80 anos
ou mais
%
 d
e 
ca
so
s/
fx
 e
tá
ri
a
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 103
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
4,5
5,0
0 a 4
anos
5 a 9
anos
10 a 14
anos
15 a 19
anos
20 a 29
anos
30 a 39
anos
40 a 49
anos
50 a 59
anos
60 a 69
anos
70 a 79
anos
80 anos
ou mais
C
oe
f. 
de
 in
ci
d.
 x
 10
0 
m
il 
ha
b.
Por outro lado, quando analisamos o coeficiente de incidência por faixa etária (Figura 22), 
o maior risco de adoecer por dengue pode ser observado principalmente na faixa etária de 
50 a 59 anos, seguida das faixas etárias de 60 a 69 anos, 40 a 59, 70 a 79 anos e da faixa etária 
de 80 anos ou mais, que não se destacou quando observamos a distribuição proporcional 
de casos por faixa etária. Dessa forma, devemos considerar, preferencialmente, as medidas 
que expressam risco, no caso o coeficiente de incidência.
FIGURA 22 – COEFICIENTE DE INCIDÊNCIA DE DENGUE POR FAIXA ETÁRIA, 2019
Fonte: elaboração do autor.
2.5.1.7 Número absoluto de óbitos confirmados e taxa de letalidade por faixa etária
A análise do número de óbitos pode ser feita com base no número absoluto de óbitos confirmados, uma vez 
que, proporcionalmente ao número de casos notificados, é pequeno, o que pode distorcer a magnitude do 
problema ao se calcular a taxa de letalidade. Apesar das limitações de se trabalhar com números absolutos, 
devemos ter em mente que a maioria dos óbitos por dengue é evitável com medidas simples de manejo 
clínico. Em outras palavras, o número deveria ser bem menor do que é observado normalmente no país.
É importante observar ainda a distribuição dos óbitos por faixa etária e assim identificar grupos etários de 
maior risco, para os quais a assistência deve ter os cuidados intensificados. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 104
0
5
10
15
20
25
0 a 4
anos
Menos
que
1 ano
5 a 9
anos
10 a 14
anos
15 a 19
anos
20 a 29
anos
30 a 39
anos
40 a 49
anos
50 a 59
anos
60 a 69
anos
70 a 79
anos
80 anos
ou mais
nº
 d
e 
ób
ito
/f
x 
et
ár
ia
Vejamos a seguir, nas Figuras 23 e 24, como a mudança no cálculo do indicador pode afetar as 
análises de faixa etária. Na Figura 23, observamos que a partir da faixa etária de 50 a 59 anos o 
número de óbitos aumenta, e, apesar de a mesma tendência ser observada quando se analisa a taxa 
de letalidade por faixa etária (Figura 24), o gradiente fica mais claro e a população de 70 a 79 anos e 
de 80 anos ou mais se destacam por apresentarem as maiores taxa de letalidade.
FIGURA 23 – NÚMERO ABSOLUTO DE ÓBITOS POR DENGUE, SEGUNDO FAIXA ETÁRIA, 2019
Fonte: elaboração do autor.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 105
0,0
2,0
4,0
6,0
8,0
10,0
12,0
0 a 4
anos
5 a 9
anos
10 a 14
anos
15 a 19
anos
20 a 29
anos
30 a 39
anos
40 a 49
anos
50 a 59
anos
60 a 69
anos
70 a 79
anos
80 anos
ou mais
%
 d
e 
ób
ito
/f
x 
et
ár
ia
Menos
que
1 ano
Taxa de letalidade/dengue Taxa de letalidade/dengue grave
FIGURA 24 – TAXA DE LETALIDADE DE DENGUE, SEGUNDO FAIXA ETÁRIA, 2019
Fonte: elaboração do autor.
2.5.1.8 Proporção de sorotipos isolados
A coleta de amostras para isolamento viral deve considerar o período de doença, a representatividade 
territorial e a capacidade laboratorial para análise. Além disso, deve ainda ser contínua no tempo, para 
permitira detecção de mudanças de sorotipo, pois, conforme já discutimos nesta unidade, a alternância 
de sorotipos, seja por nova introdução, seja por recirculação, pode aumentar o número de casos e 
geralmente precede epidemias.
O cálculo do indicador inclui no numerador:
o número absoluto de amostras na qual cada sorotipo foi identificado
total de amostras para as quais houve identificação de sorotipo
 x 100
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 106
2.5.1.9 Taxa de positividade de sorologia
A positividade (Figura 25) deve ser distribuída ao longo do tempo, conforme exemplo a seguir. 
Supondo que o período epidêmico ou de maior transmissão ocorra nas primeiras 27 semanas do 
ano, podemos concluir que o percentual de exames realizados (linha roxa) teve um ligeiro aumento 
nas últimas semanas do ano e que a proporção de exames positivos foi maior no primeiro período 
do ano (linha azul) e caiu ao longo do tempo, sugerindo que a sensibilidade para suspeita clínica 
se manteve elevada mesmo nos períodos de menor transmissão e que a elevada positividade de 
sorologias durante o período de alta transmissão reflete que os casos testados realmente eram 
casos confirmados de dengue.
FIGURA 25 – TAXA DE POSITIVIDADE DE SOROLOGIA PARA DENGUE POR SEMANA 
EPIDEMIOLÓGICA
Fonte: elaboração do autor.
é obtida pela divisão do número de casos com IgM positivo
total de sorologias realizadas
A taxa de positividade de sorologia= x 100
%
 d
e 
ca
so
s/
cr
ité
ri
o
80
70
60
50
40
30
20
10
0
% Exames % Positividade
Semana epidemiológica de sintomas
1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 52
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 107
2.5.1.10 Diagrama de controle
Devido à importância do uso dos diagramas de controle na detecção de epidemias, faremos uma discussão 
específica sobre sua interpretação e sua utilidade para o acionamento dos planos de contingência.
O diagrama de controle é uma representação gráfica elaborada com base em uma série histórica de casos, excluindo, 
para isso, os anos epidêmicos. Com base na série histórica calcula-se a média móvel semanal de casos, e o limite 
superior corresponde à média móvel mais 1,96 desvio padrão da média, obtendo-se assim o canal endêmico.
Uma vez elaborado o canal endêmico, os casos do ano devem ser inseridos no gráfico e atualizados semanalmente, 
ou diariamente, para permitir o acompanhamento da curva. Os valores compreendidos abaixo do limite superior 
correspondem ao nível endêmico da doença, ou seja, o limite de variação esperada para cada semana, quando os 
casos excedem o limite superior e o aumento se mantém no tempo, está caracterizada a epidemia.
O diagrama vai sinalizar não só quando o município entrou em epidemia, mas também quando a doença retornou 
para níveis endêmicos.
SAIBA MAIS
Nas Diretrizes Nacionais para a Prevenção e 
Controle de Epidemias de Dengue (BRASIL, 2009), 
há um exemplo e o passo a passo para elaboração 
de diagramas:
b v s m s . s a u d e . g o v. b r / b v s / p u b l i c a c o e s /
diretrizes_nacionais_prevencao_controle_
dengue.pdf
A seguir podemos observar a utilização do diagrama para acionar diferentes 
níveis de alerta do Plano de Contingência. Cada local deve ter seu próprio 
Plano de Contingência, mas usando como exemplo o Plano de Contingência 
Nacional para Epidemias de Dengue (BRASIL, 2015a). Para acionar o plano, 
quatro níveis de resposta foram propostos (Figura 26).
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_prevencao_controle_dengue.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_prevencao_controle_dengue.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_prevencao_controle_dengue.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 108
FIGURA 26 – EXEMPLO DE DIAGRAMA DE CONTROLE
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 2727 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51
Incidência
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Semana epidemiológica
Média móvel
Limite superior
Nível Zero
2011/2012
Nível 01 
Nível 02
Nível 03
Fonte: Brasil (2015a, p. 12).
Nos níveis zero e um, observe que os casos (linha pontilhada) ainda não ultrapassam o limite superior 
(linha vermelha), no entanto, no nível 1, a tendência de aumento semanal já pode ser identificada. Para 
o nível zero é recomendado que a vigilância analise o coeficiente de incidência, identifique o sorotipo 
circulante e trabalhe na captura de rumores que possam antecipar a detecção do aumento de casos por 
meio dos sistemas oficiais. 
Já no nível 1, além do coeficiente de incidência, deve-se monitorar atentamente a notificação de óbitos 
ou casos graves. 
O nível 2 é acionado quando o número de casos notificados ou o coeficiente de incidência ultrapassam 
o limite máximo esperado, com transmissão sustentada e/ou quando for detectado aglomerado de 
óbitos suspeitos de dengue.
No nível 3, os indicadores são o coeficiente de incidência e número de casos de óbitos. O número de 
casos notificados ultrapassa o limite máximo com transmissão sustentada de acordo com o diagrama 
de controle por pelo menos 4 semanas, e a letalidade apresenta tendência de aumento. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 109
Embora o enfoque da unidade tenha sido na vigilância das principais arboviroses, em vários 
momentos podemos perceber sua interface com os outros atores nas ações de controle 
vetorial e na assistência. As análises realizadas pela vigilância permitem identificar áreas 
e grupos de maior risco para adoecimento e óbito, mudanças no padrão de ocorrência 
e orientação da resposta em momentos epidêmicos, funcionando como uma carta de 
navegação para o acionamento de outros atores e medidas de controle.
Os indicadores operacionais também devem ser acompanhados. Eles podem ser calculados 
com o auxílio do software Epi Info e oferecem uma noção sobre a qualidade da vigilância. A 
seguir poderemos ver como os principais indicadores operacionais podem ser calculados 
e como devem ser interpretados.
2.5.1.11 Oportunidade de notificação
A oportunidade de notificação corresponde ao produto da diferença entre a data de notificação e 
a data de início dos sintomas. Permite identificar quanto tempo, em média, as pessoas demoram a 
buscar atendimento e pode auxiliar, por exemplo, na análise dos casos graves e óbitos e levantar 
e verificar hipóteses sobre se a busca tardia por atendimento médico pode ser um dos fatores que 
contribuem para a letalidade.
2.5.1.12 Oportunidade de digitação
A oportunidade de digitação corresponde ao produto da diferença entre a data de digitação e a data 
de notificação. A mediana ou a média de tempo que os casos demoram para ser digitados, e inseridos 
os dados da ficha de investigação, de fato no sistema de informação, pode afetar todas as análises e, 
por consequência, a adoção de medidas de controle para evitar epidemia, uma vez que pode levar a 
subestimação da situação epidemiológica local. Não é incomum que os casos só reflitam a realidade 
da transmissão após várias semanas da notificação, em decorrência do atraso da digitação.
2.5.1.13 Oportunidade de encerramento dos casos
A oportunidade de encerramento dos casos corresponde ao produto da diferença entre a data de 
encerramento e a data de notificação. Reflete a capacidade da vigilância e, em muitos casos, da 
capacidade laboratorial no processamento dos testes específicos para auxiliar no encerramento dos 
casos. O prazo para encerramento de agravos agudos no SINAN é de até 60 dias. Ultrapassado esse 
prazo, o encerramento é considerado inoportuno e revela os desafios da vigilância em concluir a 
investigação obtendo dados mais fidedignos.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 110
2.5.1.14 Oportunidade de encerramento dos óbitos
O cálculo da oportunidade de encerramentodos óbitos não difere do que acabamos de 
discutir, pois não existe uma variável específica de data de investigação do óbito. Apesar 
disso, é esperado que os óbitos sejam investigados e encerrados com prioridade em relação 
aos casos notificados em geral.
Alguns óbitos são encerrados tardiamente em razão da dependência de resultados de 
imuno-histoquímica de histopatológicos, pois esses exames, em geral, são realizados em 
laboratórios de referência nacional, que atendem à demanda de diversos estados.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 111
Nesta unidade, você teve oportunidade de compreender a importância da vigilância no enfrentamento das 
arboviroses, pôde revisitar fatos históricos da epidemiologia dessas doenças e conhecer um pouco do cenário 
atual no que se refere à expansão da circulação desses vírus no território e sua importância na vigência da 
circulação do Covid-19.
Os conhecimentos adquiridos vão contribuir para o seu crescimento profissional e para o seu olhar crítico a todas 
as etapas que constituem o processo de vigilância.
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 112
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Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 113
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Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 114
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Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 2 - Vigilância das Doenças Transmissíveis 115
MINICURRÍCULO DA AUTORA
LIVIA CARLA VINHAL FRUTUOSO
Sou servidora efetiva do Ministério da Saúde, carreira de ciência e tecnologia. Atualmente, trabalho no Departamento de 
Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, no monitoramento 
e avaliação dos projetos de pesquisa na área de doenças transmissíveis e negligenciadas, com enfoque em resistência a 
antimicrobianos, malária, arboviroses e COVID-19. Anteriormente, trabalhei no Departamento de Imunização e Doenças 
Transmissíveis (DEIDT), na Coordenação-Geral de Vigilância das Arboviroses (CGARB), atuando como assessora técnica do 
Coordenador Geral durante a Pandemia de Zika, e na equipe de análise da Coordenação geral de Informação e análise 
Epidemiológica do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância das Doenças Não Transmissíveis (DASNT) , ambos da 
Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Tenho publicações em revistas indexadas na área de arboviroses 
principalmente. Participei como organizadora do Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada 
à Infecção pelo Vírus Zika que compõe o Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia no Brasil, além de outras publicações 
do Ministério da Saúde em dengue, Zika e chikungunya. Doutora em Epidemiologia (NMT/UnB, 2020). 
Sou Mestre em Saúde Pública pela FIOCRUZ (2008), Especialista em Vigilância em Saúde e Avaliação de Programas de 
Processos Endêmicos pela FIOCRUZ (2006). Participei do Curso de Epidemiologia para Gestores pela Johns Hopkins University, 
Bloomberg School of Public Health - EUA (2011). No período de 1999 a setembro de 2006 trabalhei na Secretaria Municipal de 
Saúde de Palmas-TO, na área de epidemiologia e controle de zoonoses. Sou graduada em Medicina Veterinária pela Fundação 
Universidade do Tocantins (1997).
Lattes: http://lattes.cnpq.br/7049605514035319
http://lattes.cnpq.br/7049605514035319
Programa Educacional em Vigilância e Cuidado em Saúde
no Enfrentamento da COVID-19 e de outras doenças virais
Unidade 3
Vigilância e Controle de Vetores
Kauara Brito Campos
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 117
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
Caro trabalhador estudante, que bom estarmos juntos nesta unidade em que estudaremos a vigilância e o controle de vetores. 
Serão apresentadas suas principais características e informações sobre a biologia dos vetores desses arbovírus. Conheceremos também as 
condições favoráveis para a proliferação dos vetores e as ações recomendadas pelo Ministério da Saúde (MS) para sua vigilância e controle 
e faremos uma releitura atualizada dos manuais, guias e normativas sobre o assunto, além de informações complementares provenientes 
de outras publicações científicas relacionadas.
Esperamos que você compreenda a importância da vigilância e do controle dos vetores das arboviroses urbanas e silvestres, conheça as 
atividades recomendadas pelo MS e reconheça a sua importância nesse processo.
Vamos juntos neste caminho aprendendo sempre mais, para você contribuir com a saúde no território em que atua. Desejamos a você bons 
estudos e que possa fazer a diferença para a população do seu território.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 118
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE
1. Identificar os vetores, hospedeiros, reservatórios das Arboviroses urbanas (Dengue, Zika, Chikungunya) e silvestres (Febre Amarela, Oropouche e Mayaro);
2. Descrever os ciclos de vida dos vetores dos arbovírus;
3. Destacar as principais diferenças entre as Arboviroses urbanas (Dengue, Zika, Chikungunya) e silvestres (Febre Amarela, Oropouche e Mayaro);
4. Compreender o conceito da vigilância e do controle de vetores, hospedeiros ereservatórios das arboviroses urbanas e silvestres;
5. Relatar a importância da vigilância e do combate de vetores, hospedeiros e reservatórios das arboviroses urbanas e silvestres;
6. Identificar os objetivos da vigilância de epizootias em primatas não humanos;
7. Descrever as atividades de vigilância passiva e ativa de epizootias em primatas não humanos;
8. Compreender as ações de vigilância dos vetores das arboviroses;
9. Descrever ações intersetoriais necessárias ao controle das arboviroses;
10. Conhecer brevemente o histórico das ações de controle do Ae. aegypti em saúde pública no Brasil, até a construção das Diretrizes Nacionais para Prevenção 
e Controle de Epidemias de Dengue;
11. Compreender os métodos de controle do Aedes aegypti preconizados pelo Ministério da Saúde;
12. Conhecer os critérios para preconização dos inseticidas pelo Ministério da Saúde para uso pelos Programas Municipais de Controle de vetores;
13. Compreender o conceito de Manejo Integrado de Vetores (MIV) e sua contribuição para o controle de vetores;
14. Reconhecer a estratificação de municípios em infestados e não infestados pelo Aedes aegypti;
15. Diferenciar os métodos de vigilância e controle do Aedes aegypti preconizados pelo Ministério da Saúde para municípios não infestados e infestados pelo 
vetor;
16. Enumerar as atribuições dos profissionais envolvidos no controle vetorial;
17. Apontar aspectos importantes para o planejamento e organização das operações de campo;
18. Compreender a importância de integração das atividades e do território trabalhado pelas equipes
Carga Horária de Estudo: 30 horas
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 119
3.1 Introdução
As arboviroses são bastante conhecidas por sua capacidade de causar epidemias com 
milhares de casos graves e óbitos todos os anos. Além disso, diferentes arboviroses 
podem ocorrer simultaneamente, caso haja a circulação de mais de um arbovírus 
no mesmo local. Mosquitos da espécie Aedes aegypti, que podem se infectar com 
diferentes arbovírus e transmiti-los ao homem, estão presentes em um número cada 
vez maior de municípios do país e em grandes infestações, representando um sério 
risco à saúde da população. A dispersão do Aedes aegypti em grandes distâncias se 
dá, geralmente, como resultado do transporte dos ovos e larvas em recipientes. O 
Aedes albopictus é uma espécie também capaz de se infectar e transmitir arbovírus 
e tem sido encontrado nos ambientes urbanos de alguns municípios, apesar de ter 
preferência pela reprodução em criadouros naturais (CARVALHO; LOURENÇO-DE-
OLIVEIRA; BRAGA, 2014). Outros mosquitos são capazes de transmitir arboviroses em 
ambientes silvestres, como aqueles dos gêneros Haemagogus e Sabethes.
O enfrentamento de desafios, como a ampliação da cobertura vacinal contra a febre 
amarela (FA), atendimento aos pacientes suspeitos de dengue em tempo oportuno, 
investigação de casos suspeitos de arboviroses notificados ou intensificação das 
visitas domiciliares para o controle vetorial, exige que os profissionais envolvidos 
estejam preparados. Para tal, o conhecimento é uma valiosa arma, e por isso 
convidamos o trabalhador estudante a conhecer um pouco mais sobre os principais 
vetores de arbovírus em circulação no país e as ações preconizadas para sua vigilância 
e controle. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 120
3.2 BIOLOGIA DOS VETORES DOS ARBOVÍRUS 
Os arbovírus são vírus transmitidos por artrópodes vetores. Os vírus da dengue, 
zika e chikungunya são transmitidos no Brasil principalmente pelo mosquito 
Aedes aegypti (Figura 1), podendo ocorrer transmissão também pela espécie Aedes 
albopictus (Figura 2), que tem preferência por criadouros artificiais.
FIGURA 1 – AEDES AEGYPTI 
A B
Fontes: (A) Rodrigo Mexas e Raquel Portugal. Acervo da Fundação Oswaldo Cruz. (B) Foto gentilmente cedida pelo PhD. Lawrence Reeves, 
cientista assistente de pesquisa, do Laboratório de Entomologia Médica da Universidade da Florida/EUA. Disponível no Instagram @
biodiversilary (https://www.instagram.com/p/B78kyX4nipQ/).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 121
FIGURA 2 – AEDES ALBOPICTUS
Fonte: fotos gentilmente cedidas pelo PhD. Lawrence Reeves, cientista assistente de pesquisa, do Laboratório de Entomologia Médica da 
Universidade da Florida/EUA. Disponíveis no Instagram @biodiversilary (https://www.instagram.com/p/B78kyX4nipQ/).
A FA é enzoótica nas florestas das Américas, sendo transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e 
Sabethes aos primatas (Figura 3) e, ocasionalmente, aos humanos. Os Aedes aegypti podem se infectar com 
o vírus amarílico ao picar essas pessoas nas cidades, iniciando assim o ciclo urbano da FA. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 122
FIGURA 3 – HAEMAGOGUS JANTHINOMYS (A), SABETHES GLAUCODAEMON (B), 
MOSQUITOS VETORES DO VÍRUS DA FEBRE AMARELA
A B
Fonte: Brasil (2014a).
Conhecer as características do ciclo de vida de tais vetores (seu habitat, em que animais e períodos do dia as 
fêmeas fazem seu repasto ou alimentação sanguínea, onde se escondem e botam seus ovos, qual o seu tempo de 
vida, entre outras características) é importante na definição de ações para vigilância ou controle das arboviroses.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 123
3.2.1 Ciclo de vida
Os mosquitos, dípteros (um par de asas anterior funcional e um par posterior transformado em 
halteres) da família Culicidae, vivem parte de sua vida em fase adulta ou alada, em ambiente terrestre/
aéreo, e parte nas fases de ovo, larva e pupa, em ambiente aquático (Figuras 4, 5, 6 e 7). Seus ovos são 
depositados em recipientes com água ou superfícies úmidas, em criadouros artificiais ou naturais, de 
tamanhos e localizações diferentes, variando conforme a espécie. A duração de cada fase depende 
de fatores ambientais, climáticos e recursos disponíveis aos mosquitos.
Fonte: Andrade e Serpa Filho (2021).
FIGURA 4 – CICLO BIOLÓGICO DE MOSQUITOS DA FAMÍLIA CULICIDAE
Adultos
Ovos
Água
Pupa
Larva
1.11.21.31.4
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 124
Seus locais de reprodução e desenvolvimento sofrem influência da atividade humana, que altera o meio 
ambiente por meio do desmatamento, aquecimento global, crescimento demográfico, acúmulo de 
criadouros artificiais (lixo, principalmente), deslocamento de pessoas, entre outros. Tais fatores contribuem 
com a manutenção do vetor Aedes aegypti nos ambientes próximos ao homem. A espécie tem sido 
encontrada em um número cada vez maior de locais no mundo, e o número de municípios infestados por 
ela no Brasil aumentou bastante nas últimas décadas, apesar de todas as campanhas conduzidas para sua 
erradicação ou controle.
As principais características do mosquito vetor do vírus da dengue, Aedes aegypti, foram apresentadas no 
manual Dengue: instruções para pessoal de combate ao vetor: manual de normas técnicas (BRASIL, 2001):
Espécie tropical e subtropical que possui hábitos urbanos, o Ae. Aegypti possui estreita relação 
com o homem. Seus ovos medem, aproximadamente, 1mm de comprimento e possuem contorno 
alongado e fusiforme. São depositados pela fêmea, individualmente, nas paredes internas dos 
depósitos que servem como criadouros, próximos à superfície da água. A fecundação se dá durante 
a postura e o desenvolvimento do embrião se completa em 48 horas, em condições favoráveis 
de umidade e temperatura. Uma vez completado o desenvolvimento embrionário, os ovos são 
capazes de resistir a períodos de dessecação de mais de um ano, facilitando seu transporte em 
recipientes secos (dispersão passiva) e dificultando seu controle (BRASIL, 2001, p. 11-12).
Fonte: www.fiocruzimagens.fiocruz.br
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 125
Fonte: Mauro Campello. Acervo da Fundação Oswaldo Cruz.Fonte: Rodrigo Mexas e Raquel Portugal. Acervo da Fundação Oswaldo Cruz.
FIGURA 5 – OVOS DO MOSQUITO AEDES AEGYPTI
FIGURA 6 – LARVAS DE AEDES AEGYPTI
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 126
FIGURA 7 – PUPAS DE AEDES AEGYPTI FIGURA 8 – AEDES AEGYPTI PUPA E ADULTO
Fonte: foto gentilmente cedida pelo PhD. Lawrence Reeves, cientista 
assistente de pesquisa, do Laboratório de Entomologia Médica da 
Universidade da Florida/EUA. Disponível no Instagram @biodiversilary 
(https://www.instagram.com/p/B78kyX4nipQ/).
Fonte: Rodrigo Mexas e Raquel Portugal. Acervo da Fundação Oswaldo 
Cruz.
As larvas (Figura 6) alimentam-se de material orgânico acumulado nas paredes e fundo 
dos depósitos, e crescem passando por quatro estágios evolutivos em um período 
que varia conforme a temperatura, disponibilidade de alimento e a densidade no 
criadouro. O período entre a eclosão e a pupação é, no mínimo, de cinco dias, quando 
as condições são ótimas, mas pode prolongar-se por várias semanas. A larva do Aedes 
aegypti é composta de cabeça, tórax e abdômen segmentado. O segmento posterior 
tem um sifão de ar para a respiração na superfície da água. A larva fica em posição quase 
vertical para respirar, movimenta-se em forma de serpente e é sensível a movimentos 
bruscos na água e à luz. As pupas (Figura 7) não se alimentam e nessa fase se mantêm na 
superfície da água por dois a três dias até a emergência do inseto adulto. São divididas 
em cefalotórax (cabeça e tórax unidos) e abdômen, e têm um par de tubos respiratórios 
que atravessam a água, permitindo a respiração (BRASIL, 2001).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 127
O Aedes aegypti adulto (Figura 8) representa a fase reprodutora do inseto e importante fase de dispersão. É um 
mosquito escuro, com faixas brancas nas bases dos segmentos tarsais (ausência de pelos) e um desenho em forma 
de lira no mesonoto. O macho se distingue da fêmea por ter antenas plumosas e palpos mais longos. Dentro de 
24 horas após emergirem podem acasalar, e uma única inseminação é suficiente para fecundar todos os ovos que 
a fêmea venha a produzir durante sua vida (BRASIL, 2001). A fêmea grávida é atraída por recipientes escuros ou 
sombreados, com superfície áspera e água preferencialmente limpa, para depositar os ovos. Distribui cada postura 
em vários recipientes e se dispersa por pequenas distâncias, desde que haja disponibilidade de fontes alimentares 
e recipientes para oviposição. Quando não estão em acasalamento, procurando fontes de alimentação ou em 
dispersão, os mosquitos buscam locais escuros e quietos para repousar dentro dos domicílios, e ocasionalmente, 
no peridomicílio. Os adultos, na natureza, vivem em média de 30 a 35 dias (BRASIL, 2001).
Os mosquitos do gênero Haemagogus desenvolvem-se em plantas que acumulam água, entre as quais os ocos 
de árvores têm sido seu criadouro mais comum. Os adultos têm hábitos diurnos e abrigam-se preferencialmente 
nas copas das árvores, descendo ao solo eventualmente. Contudo, esse comportamento e sua intensidade são 
variáveis entre as espécies, influenciados até mesmo pela região. No período de chuvas, ocorre um aumento de 
fêmeas picando humanos. As espécies do gênero Sabethes têm características ecológicas semelhantes às dos 
Haemagogus (BRASIL, 2014a).
3.2.2 Distribuição, hábitos alimentares, infecção e transmissão viral
A espécie Aedes aegypti está distribuída geralmente em regiões tropicais 
e subtropicais, e no Brasil encontra-se disseminada em todos os estados 
e no Distrito Federal, amplamente dispersa em áreas urbanas. Macho e 
fêmea da espécie alimentam-se de carboidratos extraídos dos vegetais. 
Em busca de proteínas para o desenvolvimento dos ovos, as fêmeas se 
alimentam de sangue da maior parte dos animais vertebrados, com 
predileção pelo homem (antropofilia). O repasto sanguíneo ocorre 
quase sempre no início da manhã e ao anoitecer (BRASIL, 2001). 
Seguem as principais características das espécies mais envolvidas 
na transmissão do vírus da FA para primatas não humanos (PNH) em 
regiões tropicais, segundo o Guia de vigilância de epizootias em 
primatas não humanos e entomologia aplicada à vigilância da 
febre amarela (BRASIL, 2014a):
Fonte: www.fiocruzimagens.fiocruz.br
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 128
HAEMAGOGUS (HAEMAGOGUS) JANTHINOMYS DYAR: vetor primário 
do vírus amarílico ao homem no Brasil, encontrado em florestas 
pluviais na Mata Atlântica (Sudeste do Brasil) e na floresta amazônica. 
Há registros de sua infectividade natural pelo vírus amarílico 
(transmissão transovariana, ou seja, quando a fêmea coloca ovos já 
infectados pelo vírus), o que mantém o vírus circulando mesmo na 
ausência de hospedeiros vertebrados. Sua dispersão está limitada 
ao ambiente florestal (copa e solo), no qual exerce durante o dia a 
hematofagia (alimentação sanguínea) em vários grupos de mamíferos 
e aves. 
HAEMAGOGUS (CONOPOSTEGUS) LEUCOCELAENUS DYAR & 
SHANNON: ampla distribuição no continente sul-americano, presente 
em todos os estados do Brasil. Seus ovos são muito resistentes 
à dessecação, sugerindo longo período de incubação, e sua 
distribuição ecológica na floresta é vertical (solo e copa), com ampla 
dispersão das fêmeas além da mata. A atividade hematofágica ocorre 
principalmente no período da tarde, com hábito alimentar eclético 
(as fêmeas realizam repasto sanguíneo inclusive em humanos). É 
considerado vetor secundário do vírus amarílico. 
SABETHES (SABETHOIDES) CHLOROPTERUS VON HUMBOLDT: 
espécie distribuída pela região neotropical e presente em todo 
o território brasileiro, desenvolve-se principalmente em ocos de 
árvores. Diferentemente de Haemagogus leucocelaenus, seus ovos 
não resistem à dessecação, ocorrendo exclusivamente em ambientes 
florestais. As fêmeas exercem hematofagia e oviposição durante o 
dia. Supõe-se que exerça maior participação na transmissão para 
PNH do que para humanos.
Fonte: www.fiocruzimagens.fiocruz.br
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 129
A espécie Aedes albopictus, frequente em regiões tropicais e subtropicais, 
está presente em todas as regiões do Brasil, podendo ser encontrada no 
peridomicílio e em ambientes naturais ou modificados. Está apta a colonizar 
criadouros naturais, além de ser capaz de colonizar os recipientes artificiais 
abandonados no ambiente florestal e rural. A espécie tem sido registrada em 
ambientes florestais do bioma mata atlântica do Brasil e tem importância na 
epidemiologia da FA por oferecer risco na formação de uma ponte entre os 
hábitats naturais e áreas urbanas. Apesar de ter demonstrado competência 
vetorial em laboratório, até o momento não foi associada à transmissão de 
dengue, chikungunya e zika nas Américas (BRASIL, 2014a).
O vetor pode se infectar ao picar uma pessoa infectada no período 
virêmico, dando início ao período de incubação extrínseco (tempo 
decorrido desde a ingestão de sangue com o vírus, pelo mosquito 
suscetível, até o surgimento do vírus na saliva do inseto). Com relação 
aos vírus da dengue e zika, esse período varia de 8 a 14 dias; para o 
chikungunya, varia entre 3 e 7 dias. Já na infecção dos mosquitos vetores 
da FA, o período de incubação extrínseco varia entre 8 e 12 dias. Após 
esse período, os mosquitos permanecem infectantes até o final das suas 
vidas (6 a 8 semanas), sendo capazes de transmitir o vírus para o homem 
(BRASIL, 2014a).
Fonte: pixnio.com
SAIBA MAIS
Informações detalhadas sobre essas e outras espécies 
capazes de transmitir o vírus amarílico podem ser 
encontradas no Guia de vigilância de epizootias em 
primatas não humanos e entomologia aplicada à 
vigilância da febre amarela (BRASIL, 2014a).
b v s m s . s a u d e . g o v. b r / b v s / p u b l i c a c o e s / g u i a _
vigilancia_epizootias_primatas_entomologia.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epizootias_primatas_entomologia.pdfhttp://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epizootias_primatas_entomologia.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 130
3.3 VIGILÂNCIA DE VETORES DA FEBRE AMARELA 
URBANA E SILVESTRE
Convido o trabalhador estudante a compreender agora aspectos importantes sobre a 
vigilância de vetores da FA nos ambientes urbano e silvestre. Assim como a vigilância 
de hospedeiros e reservatórios do vírus da FA, a vigilância de seus vetores é necessária 
para o monitoramento do risco de transmissão da doença. A detecção oportuna da 
circulação viral permite a análise e orientação das medidas de prevenção e controle 
necessárias em cada caso.
Segundo o Guia de vigilância de epizootias em primatas não humanos e 
entomologia aplicada à vigilância da febre amarela (BRASIL, 2014a), a vigilância 
entomológica da FA objetiva conhecer as principais espécies de mosquitos envolvidos 
na transmissão do vírus amarílico, contribuir para determinar a causa de casos 
humanos e epizootias (PNH encontrados doentes ou mortos, incluindo suas ossadas) 
suspeitos da doença e avaliar o risco de transmissão. Suas principais atividades são o 
monitoramento entomológico e a investigação entomológica.
O monitoramento das áreas com maior risco de transmissão é realizado com o intuito 
de acompanhar espacial e temporalmente populações de culicídeos potencialmente 
vetores, detectar precocemente a circulação viral e definir áreas com potencial de 
transmissão (receptivas) e áreas com recomendação de vacina. Já na investigação 
entomológica, as atividades são desencadeadas a partir de notificações de 
casos humanos ou epizootias em PNH suspeitos de FA, orientando o bloqueio de 
transmissão e outras medidas de controle necessárias. 
Como podemos ver, o mosquito Aedes aegypti tem capacidade de transmissão de diferentes arbovírus e vive 
em estreita relação com o homem, sendo relatadas altas infestações em diversos centros urbanos no Brasil. 
Aedes albopictus também pode ser encontrado no peridomicílio e participar do ciclo de arboviroses urbanas. 
As espécies silvestres dos gêneros Sabethes e Haemagogus, vetoras do vírus da FA, devem receber atenção 
das equipes de vigilância, principalmente em regiões com circulação detectada do vírus amarílico. Conhecer 
as características biológicas e hábitos dessas espécies é necessário para a melhor execução das ações de 
vigilância e controle entomológico, quando indicado.
Fonte: www. flickr.com
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 131
Muitas vezes a coleta de amostras dos PNH para exames laboratoriais não é realizada, e a confirmação da 
transmissão se dá por meio de exames do vírus em mosquitos coletados na região do local provável de infecção 
(LPI), por vínculo epidemiológico. Podem acontecer também a coleta inoportuna (fora do período recomendado 
pelo laboratório) de material dos macacos ou humanos suspeitos de FA, ou a coleta no período correto, porém com 
resultados de exames inconclusivos. O LPI de casos humanos é definido com base na investigação epidemiológica 
do histórico de deslocamentos do paciente (considerando-se a data de início dos sintomas e período de incubação 
do vírus). A busca de vírus nos mosquitos também faz parte da avaliação do risco de transmissão local, sendo 
importante informação adicional das investigações.
Agora que conhecemos as ações de vigilância da FA, podemos compreender a necessidade do diálogo entre 
os trabalhadores da assistência em saúde, que recebem e tratam as pessoas com suspeita de infecção, os 
trabalhadores da vigilância epidemiológica, que monitoram as notificações suspeitas de casos humanos 
e epizootias e organizam campanhas de vacinação, e os trabalhadores da vigilância e controle de vetores. As 
informações e o trabalho dessas áreas se complementam, por isso todos os trabalhadores são muito importantes 
dentro do SUS!
3.3.1 Controle de vetores da febre amarela
Ações para o controle de vetores da FA são recomendadas em 
áreas de risco, diante da suspeita ou confirmação de circulação 
viral (epizootias em áreas periurbanas, urbanas e/ou casos 
humanos), visando à prevenção da reurbanização da doença. 
Vamos agora conhecer quais são essas medidas recomendadas 
pelo Ministério da Saúde? 
3.3.1.1 Ocorrência de epizootia em área periurbana
Quando a epizootia suspeita de FA ocorre em área periurbana 
próxima à mata, é necessário realizar a investigação do evento 
e visitas domiciliares nas áreas de borda (300 ou 400 metros a 
partir da mata, ou em todo o território, no caso de municípios 
pequenos) com ações de comunicação, educação em saúde 
e manejo de criadouros do Aedes aegypti. Esse manejo inclui 
eliminação e/ou proteção (controle mecânico) de recipientes 
que possam ser locais de desova para as fêmeas do mosquito e 
aplicação de larvicidas (tratamento focal), quando necessário. 
Para que as ações sejam efetivas, recomenda-se o envolvimento 
da população, dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e do 
setor de limpeza urbana.
Fonte: www. flickr.com
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 132
Quando a epizootia na área periurbana for confirmada para FA, deve-se realizar 
o controle de mosquitos adultos por meio da aplicação espacial de inseticidas, 
segundo as Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle das Epidemias 
de Dengue (BRASIL, 2009), além de ser necessária a intensificação de ações 
intersetoriais para o controle do mosquito.
3.3.1.2 Ocorrência de epizootia em área urbana
Na ocorrência de epizootia suspeita ou confirmada em área urbana, deve-se investigar se há possíveis corredores 
ecológicos partindo de matas ou parques, onde o animal possa ter se infectado com o vírus da FA. A vigilância 
de casos humanos e de epizootias de PNH suspeitos deve ser intensificada, assim como as ações para redução da 
infestação do Aedes aegypti.
Não se recomenda a aplicação de inseticida em locais de mata. As ações de controle químico de vetores devem 
ser focadas nas áreas urbanas ou periurbanas vizinhas à mata. Diante disso, recomenda-se ampliar a vigilância de 
epizootias de PNH (Figura 9) e de casos humanos suspeitos de FA nessas áreas.
FIGURA 9 – VIGILÂNCIA DE EPIZOOTIAS EM PRIMATAS NÃO HUMANOS (PNH)
Fonte: Brasil (2014a).
Epizootia de primata
Resposta de serviços:
• Imunização
• Busca de casos e epizootias
• Investigação vetorial e controle vetor urbano
• Informação, educação e comunicação
Informação
Notificação
Investigação
Ação
http://www.youtube.com/watch?v=B-cEFNwax1A.
http://www.youtube.com/watch?v=B-cEFNwax1A.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 133
3.3.1.3 Ocorrência de casos humanos
A ocorrência de casos humanos representa um risco de transmissão da FA em 
ciclo urbano, pela reintrodução do vírus em ambientes infestados pelo Aedes 
aegypti e pelo Aedes albopictus, espécies com capacidade para transmissão 
do vírus. Outros fatores de risco para a reurbanização da FA são a densidade 
populacional nos centros urbanos, a alta infestação por Aedes aegypti em 
um número cada vez maior de municípios, a expansão da circulação do vírus 
amarílico nas últimas décadas, baixas coberturas vacinais para FA e o intenso 
fluxo de pessoas entre as áreas com e sem circulação do vírus. A FA urbana não 
é registrada no Brasil desde 1942.
Para prevenção da reurbanização da FA, algumas estratégias são 
recomendadas no Guia de Vigilância em Saúde (BRASIL, 2021d), 
especialmente para serem realizadas nas áreas de risco para a FA 
infestadas por Aedes aegypti. Entre elas, orienta-se a realização de 
bloqueios de transmissão (controle de vetores adultos) e a manutenção 
dos índices de infestação por Aedes aegypti muito baixos, por meio do 
fortalecimento das ações voltadas para o controle dessa espécie, que 
veremos detalhadamente a seguir.
Fonte: www. flickr.com
LEMBRE-SE
A detecção de eventos suspeitos de FA em tempo oportuno 
permite a investigação do LPIe dos locais de circulação do 
paciente e/ou PNH, assim como as ações de bloqueio e outras 
medidas de controle que se fizerem necessárias.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_5ed_rev_atual.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 134
3.3.2 Elaboração de diretrizes básicas para o controle dos Aedes
Como já vimos anteriormente, os mosquitos do gênero Aedes são vetores dos arbovírus causadores de dengue, 
chikungunya e zika. A espécie Aedes aegypti está distribuída em um número maior de regiões no mundo (Figura 
10), sendo por isso considerada mais importante vetora que o Aedes albopictus, até o momento não associado 
à transmissão desses arbovírus nas Américas. A distribuição global de Aedes aegypti no mundo é representada 
no mapa (Figura 10), que mostra, em vermelho, as áreas com a ocorrência do mosquito e, em azul, aquelas sem 
a presença da espécie. Nas áreas de coloração intermediária (em amarelo e alaranjado), a probabilidade de ser 
encontrado o vetor é variada: quanto mais próximo da cor vermelha, maior essa probabilidade.
FIGURA 10 – DISTRIBUIÇÃO GLOBAL DE AEDES AEGYPTI, 2015
Legenda: probabilidade de ocorrência do vetor, em uma escala arbitrária de 0 (azul) a 1 (vermelho). 
Fonte: Kraemer et al. (2015).
A migração rural-urbana, o crescimento da densidade populacional sem fornecimento regular de água encanada, o aumento 
da produção de lixo e, consequentemente, de criadouros para o vetor, tornam o ambiente urbano cada vez mais favorável 
à infestação e o Aedes aegypti um vetor bastante eficiente. Aedes aegypti é um mosquito domesticado que se desenvolve 
em containers construídos pelo homem em ambiente urbano, e a abundância do mosquito aumenta com a urbanização 
(HIGA, 2011). Somados a esses fatores, um inefetivo controle do mosquito, globalização, mudanças no estilo de vida e 
viagens internacionais contribuíram para a reemergência da dengue em áreas endêmicas e não endêmicas (GUBLER, 2011). 
A capacidade de sobrevivência dos ovos por longos períodos na ausência de água, contribuindo para sua manutenção no 
ambiente, as condições climáticas favoráveis à sua reprodução e sua dispersão passiva para novas localidades pelos meios de 
transporte são outros fatores que contribuem para a transmissão das arboviroses (ZARA et al., 2016).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 135
Como os determinantes da manutenção do vetor em ambientes urbanos 
e sua dispersão para novas áreas são diversos, as medidas necessárias para 
seu controle exigem a participação de setores externos à saúde, por meio da 
implementação de políticas públicas intersetoriais que responsabilizem os 
gestores e a sociedade. Educação e mobilização social capazes de incentivar 
a população à transformação de informação em ação, buscando a redução de 
criadouros e a manutenção dos ambientes saudáveis, são imprescindíveis. O 
alcance da eficácia e da sustentabilidade do controle do Aedes aegypti exige 
a redução de determinantes relacionados à infraestrutura urbana, como 
inadequadas condições de habitação, irregularidade no abastecimento de 
água e destinação imprópria de resíduos sólidos. Para tal objetivo, o Ministério 
da Saúde (MS) propõe a criação de um grupo executivo intersetorial, que deverá 
contar com o envolvimento dos setores de planejamento, de abastecimento 
de água e de coleta de resíduos sólidos, que darão suporte ao controle da 
dengue promovido pelo setor Saúde.
Fonte: www. flickr.com
Fonte: www. flickr.com
SAIBA MAIS
Atividades sistematizadas para eli-
minação de focos do Aedes aegypti 
vêm sendo conduzidas no Brasil 
desde o início do século passado, 
com a campanha de controle da FA 
urbana comandada por Oswaldo 
Cruz e com o apoio da fundação 
norte-americana Rockefeller para 
atuação nas regiões Norte e Nor-
deste do país. O vetor chegou a ser 
erradicado por mais de uma vez 
no território, porém algum tempo 
depois havia a reinfestação e, nas 
décadas seguintes, os mosquitos se 
disseminaram para diversas locali-
dades.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 136
A criação do Programa de Erradicação do Aedes aegypti (PEAa) em 1997 promoveu a descentralização das ações para estados e 
munícipios, seguindo os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), com ações focadas na aplicação de inseticidas para controle 
químico (Figura 11).
Em 2002, o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) foi lançado sem a meta de erradicação do vetor, diante das 
evidências técnicas que sustentavam sua inviabilidade. Seus objetivos definidos foram redução da infestação vetorial, da 
incidência de dengue e letalidade, além da execução permanente das ações, abandonando o modelo campanhista anterior. O 
desenvolvimento de campanhas de educação e mobilização social e a atuação intersetorial foram incluídos no programa.
Tendo em vista experiências com a expansão da transmissão de dengue no país, o PNCD foi atualizado em 2009 com apoio das 
Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, por meio da publicação das Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle 
das Epidemias de Dengue (DNPCED) (BRASIL, 2009). O documento incorpora aprendizados resultantes da vigilância, 
acompanhamento e assistência a pacientes de dengue, das ações de controle de vetores e da comunicação social.
FIGURA 11 – LINHA DO TEMPO DO CONTROLE DO MOSQUITO AEDES AEGYPTI EM SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL
Fonte: Brasil (2009).
Programa de Erradicação 
do Aedes aegypti (1997) – 
promoção de ações 
descentralizadas, meta de 
erradicação do vetor.
Diretrizes Nacionais para 
Prevenção e Controle das 
Epidemias de Dengue (2009) – 
incorporação de aprendizados 
de diversos setores nas três 
esferas de gestão. 
Programa Nacional de 
Controle da Dengue (2002) – 
proposta de execução 
permanente das ações, 
objetivo de redução da 
infestação vetorial.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_prevencao_controle_dengue.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_prevencao_controle_dengue.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 137
3.3.2.1 Definição de métodos de controle vetorial
Os métodos mais utilizados em saúde pública para controle do Aedes aegypti se baseiam principalmente 
na educação em saúde e mobilização social, no controle mecânico (manejo ambiental) e no amparo de 
legislações buscando manter os ambientes livres de criadouros, além do uso de controle biológico e 
controle químico para redução da infestação. Veremos em seguida em que consistem esses métodos, e 
como podem ser aplicados de forma individual e integrada aos demais.
Controle mecânico
O controle mecânico consiste na adoção de práticas de manejo ambiental capazes de impedir a reprodução do Aedes, tendo como principais atividades a 
proteção (cobertura, criação de barreiras físicas como telas em janelas e portas), a destruição (drenagem e eliminação) ou a destinação adequada de depósitos 
e/ou recipientes que podem servir de criadouros (caixas d’água, depósitos diversos, pneus, etc.) (Figuras 12 e 13). O manejo ambiental tem grande importância 
na geração de resultados mais duradouros pela eliminação definitiva dos criadouros, quando executado de maneira correta e rotineira pela população. Essa 
forma de controle deve ser priorizada e aliada às ações de promoção da conscientização sanitária e educação voltadas à população, bem como as ações de 
caráter intersetorial, com envolvimento das áreas de saneamento e meio ambiente, educação, ordenamento urbano, cidadania, entre outras.
FIGURA 12 – AÇÕES DE MANEJO AMBIENTAL PARA CONTROLE DO MOSQUITO AEDES AEGYPTI
Fonte: ilustrações de Sergio Magalhães. Acervo da Fundação Oswaldo Cruz.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 138
É importante ressaltar a responsabilidade do poder público na prestação 
de serviços regulares de fornecimento de água encanada,coleta e destino 
adequado de resíduos sólidos, de forma a não promover a manutenção de 
depósitos para armazenamento de água pelos moradores ou o acúmulo 
de criadouros nos domicílios e áreas públicas. Outras ações, como a 
coleta, armazenamento e destinação adequada de pneumáticos, devem 
ser promovidas por meio de parcerias com organizações ou associações 
de reciclagem. Além disso, ações como a vedação de depósitos de 
armazenamento de água com capas e tampas podem ser necessárias.
Controle legal
O controle legal consiste no amparo de legislações que objetivam a 
manutenção dos ambientes livres de criadouros do vetor, apoiando a 
atividade dos agentes públicos, sejam eles Agentes de Controle de Endemias, 
Agentes Comunitários de Saúde, Fiscais Sanitários, Guardas Municipais 
ou gestores. Os códigos de postura municipais devem permitir ao poder 
público a responsabilização de proprietários de imóveis, terrenos baldios 
e pontos estratégicos por sua manutenção livres de criadouros, prever a 
entrada forçada em imóveis fechados, abandonados ou com recusa à visita 
dos agentes para inspeção sanitária, além de outras medidas necessárias à 
redução de riscos à saúde da população. 
FIGURA 13 – USO DE CAPAS PARA VEDAÇÃO DE DEPÓSITOS DE ÁGUA
Fonte: Brasil (2009). 
Fonte: www.flickr.com
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 139
SAIBA MAIS SOBRE O CONTROLE LEGAL
Você pode aprender mais sobre as legislações que amparam o controle de vetores 
lendo os materiais indicados em seguida:
Lei nº 13.301, de 27 de junho de 2016, que dispõe sobre a adoção de medidas de 
vigilância em saúde quando verificada situação de iminente perigo à saúde pública 
pela presença do mosquito transmissor do vírus do dengue, do vírus chikungunya e 
do vírus zika (BRASIL, 2016a).
Programa Nacional de Controle da Dengue: amparo legal à execução das ações 
de campo – imóveis fechados, abandonados ou com acesso não permitido pelo 
morador (BRASIL, 2006).
PARA REFLETIR SOBRE O CONTROLE LEGAL
No seu município existe legislação específica para vigilância e 
controle de arboviroses? Se sim, ela é cumprida? Se não, acha 
importante que tenha? Procure saber em sua prefeitura!
Controle químico
O controle químico consiste no uso de substâncias químicas – inseticidas – para o controle do vetor. O MS recomenda 
o controle químico nas fases larvária (Figura 14) e adulta (Figura 15), segundo orientações técnicas, somente com a 
utilização de inseticidas pré-qualificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso em água destinada ao 
consumo humano ou para aplicação no meio ambiente. No processo de pré-qualificação, os produtos passam por 
avaliações confiáveis de segurança, toxicidade ambiental e eficácia. Seu uso deve respeitar as recomendações de 
formas de aplicação e dosagens recomendadas pela OMS para minimizar os riscos à saúde da população humana e 
animal e desequilíbrios ao meio ambiente, já que outras populações podem ser afetadas e não apenas a de mosquitos. 
Além disso, o MS avalia os compostos em condições locais antes de sua aquisição para utilização pelos Programas 
Municipais de Controle de Vetores (LIMA et al., 2011). Os inseticidas indicados para uso em água de consumo 
humano passam por avaliação adicional do Programa Internacional de Segurança Química, órgão vinculado à OMS, à 
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e à Organização Internacional do Trabalho (OIT).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/L13301.htm#:~:text=L13301&text=LEI%20N%C2%BA%2013.301%2C%20DE%2027%20DE%20JUNHO%20DE%202016.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20ado%C3%A7%C3%A3o%20de,20%20de%20agosto%20de%201977
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dengue_amparo_legal_web.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dengue_amparo_legal_web.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dengue_amparo_legal_web.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 140
Fonte: Brasil (2009). Fonte: Brasil (2009).
A aquisição de inseticidas para uso em saúde pública é de responsabilidade do MS e está sustentada em uma política de 
gestão de insumos estratégicos, conforme determinação do Anexo III da Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de setembro 
de 2017 (BRASIL, 2017).
É importante que o trabalhador estudante esteja ciente de que o controle químico, se usado como única alternativa ao 
controle vetorial, pode não apresentar resultados efetivos. Além disso, seu uso deve ser a última alternativa, uma vez que 
a eliminação dos criadouros por meio do controle mecânico (descarte adequado, cobertura e inutilização) é a solução 
definitiva para resolução do problema e não acarreta riscos ambientais.
O controle químico deve ser realizado por profissionais treinados, seguindo as recomendações de uso que detalham sua 
forma de aplicação, dosagem e segurança.
FIGURA 14 – APLICAÇÃO DE 
LARVICIDA QUÍMICO
FIGURA 15 – APLICAÇÃO 
DE INSETICIDA DE AÇÃO 
RESIDUAL 
SAIBA MAIS SOBRE SOBRE O CONTROLE 
QUÍMICO
Você sempre pode conferir as listagens 
atualizadas de inseticidas pré-qualificados 
para o controle de vetores pelo Programa 
de Pré-qualificação em Controle de Vetores 
da Organização Mundial de Saúde (OMS) no 
site do órgão. Estão disponíveis em: extranet.
who.int/pqweb/vector-control-products. Lá 
constam também informações detalhadas 
relacionadas ao registro, segurança e 
eficácia desses produtos (WORLD HEALTH 
ORGANIZATION, 2021).
https://leidominutoseguinte.mpf.mp.br/www/docs/ANEXO-2_Port_Cons_04_MS_Notif_Compuls.pdf
https://extranet.who.int/pqweb/vector-control-products
https://extranet.who.int/pqweb/vector-control-products
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 141
Controle biológico
O controle biológico consiste na utilização de predadores ou patógenos capazes 
de reduzir as larvas e pupas por meio da predação, como no caso dos peixes, ou 
liberando toxinas, como fazem algumas bactérias, fungos e parasitas. O uso deste 
método de controle é mais seguro ao meio ambiente e a animais não alvo, se 
comparado ao controle químico.
Atualmente, ainda existem poucos larvicidas biológicos pré-qualificados para o 
controle de larvas do mosquito Aedes aegypti pelo Programa de Pré-qualificação 
em Controle de Vetores da OMS. Entre as alternativas disponíveis, o MS já adotou 
no passado o Bacillus thuringiensis israelensis (Bti), bactéria entomopatogênica 
que produz endotoxinas de potente ação larvicida. Além do Bti, são também pré-
qualificados o Bacillus sphaericus e as espinosinas. Essas últimas são moléculas 
extraídas da bactéria Saccharopolyspora spinosa que atuam nas larvas de Aedes 
aegypti como moduladores alostéricos alterando a conformação da proteína 
receptora de acetilcolina, causando a transmissão contínua e descontrolada 
dos impulsos nervosos e, consequentemente, hiperexcitação e tremores 
contínuos (MCCORMACK, 2011).
A eficácia do uso de peixes larvófagos como alternativa de controle biológico 
foi relatada no Nordeste do Brasil, desde 2004 (PAMPLONA et al., 2004), sendo 
recomendado seu uso em conjunto com outras estratégias de controle.
Fonte: www.flickr.com
3.3.2.2 Manejo Integrado de Vetores 
Você conhece a expressão Manejo 
Integrado de Vetores (MIV)? 
O Manejo Integrado de Vetores (MIV) é um processo de tomada 
de decisão racional que tem por objetivo otimizar o uso de 
recursos para controle de vetores, por meio de diferentes 
intervenções que envolvem a integração de métodos químicos, 
não químicos e gestão ambiental, agindo muitas vezes 
sinergicamente. O MIV encoraja a colaboração efetiva dentro do 
setor Saúde e com outros setores, assim como o envolvimento 
e empoderamento das comunidades. A utilização da estratégia 
reduz a necessidade de aplicação de inseticidas e os danos 
ambientais decorrentes e proporciona maior eficácia, custo-
efetividade e sustentabilidade ao controle de vetores de 
doenças (AVENDANHO; SAID, 2019).
Enfrentamento das Arboviroses| Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 142
Ainda implementado em poucos municípios, o MIV pressupõe adaptação das 
estratégias utilizadas às condições locais, sendo necessário que os programas 
de controle de vetores suportem tais adequações e ofereçam aos profissionais 
os apoios político e técnico, assim como as ferramentas necessárias para 
planejamento e implementação da abordagem mais adequada (WORLD 
HEALTH ORGANIZATION, 2017).
SAIBA MAIS SOBRE O MIV
Você pode aprender mais sobre o MIV 
conhecendo o Documento operacional para 
a execução do manejo integrado de vetores 
adaptado ao contexto das Américas, publicado 
pela Organização Pan-Americana de Saúde 
(ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 
2019a).
PARA REFLETIR SOBRE OS MÉTODOS DE CONTROLE
Muitos métodos de controle podem ser realizados nos domicílios 
pelos próprios moradores, com a orientação dos Agentes de 
Controle de Endemia (ACE) ou Agente Comunitário de Saúde (ACS). 
Os agentes públicos devem mobilizar a população a transformar 
as informações em ações de prevenção e a introduzi-las em suas 
rotinas. No caso de imóveis privados não residenciais, como 
indústrias, ferros-velhos e comércio, seus proprietários precisam ser 
orientados, supervisionados e responsabilizados pelas Secretarias 
Municipais de Saúde (SMS) para a adoção de métodos de controle 
vetorial. O setor público tem também a responsabilidade de 
manter imóveis sob sua administração e locais abertos de grande 
circulação de pessoas livres de criadouros para impedir que se 
tornem dispersores de mosquitos.
Os métodos de controle do Aedes aegypti aqui apresentados ao 
trabalhador estudante são os mesmos utilizados há algumas 
décadas no país, porém o aumento dos centros urbanos com 
aglomeração de pessoas e grande produção de criadouros, além 
do transporte passivo dos ovos, contribui para que os mosquitos 
da espécie sejam encontrados em um número cada vez maior de 
localidades, sendo mantidos ao longo das estações e eclodindo na 
presença de água. Por esse motivo, as ações de controle vetorial 
devem ser realizadas de forma ininterrupta e com a participação 
multissetorial e da sociedade.
3.3.2.3 Estratificação dos municípios 
Em virtude da presença ou ausência de Aedes aegypti ou de Aedes albopictus, os municípios podem ser classificados em 
infestados, quando há a disseminação e manutenção do vetor nos domicílios, ou em não infestados. Nesses, a presença 
disseminada do vetor nos domicílios não foi detectada, ou eles permaneceram 12 meses consecutivos sem a detecção do 
vetor no monitoramento entomológico (levantamentos de índice bimestral ou armadilhas).
https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/51762/9789275720998_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/51762/9789275720998_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/51762/9789275720998_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 143
Que atividades foram preconizadas pelo MS para serem realizadas 
nos municípios infestados e não infestados pelo Aedes com a 
finalidade de promover o controle da transmissão de arboviroses?
QUADRO 1 – ATIVIDADES PRECONIZADAS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA A VIGILÂNCIA E CONTROLE DA TRANSMISSÃO 
DE ARBOVIROSES NOS MUNICÍPIOS, SEGUNDO SUA SITUAÇÃO DE INFESTAÇÃO PELO AEDES AEGYPTI
* Apesar de ser preconizada a visita domiciliar 
bimestral a 100% dos imóveis nos municípios 
infestados, alto percentual de cobertura de visitas 
domiciliares dificilmente é atingido. Considerando que 
algumas localidades apresentam maior transmissão 
de arboviroses em diversos períodos epidêmicos, o 
mapeamento de áreas de risco para intensificação 
das ações de controle em detrimento de outras áreas 
tem sido avaliado em estudos de campo, visando à 
adoção da metodologia em âmbito nacional (SANTOS; 
HONÓRIO; NOBRE, 2019).
ATIVIDADES PRECONIZADAS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA VIGILÂNCIA E CONTROLE DA TRANSMISSÃO DE 
ARBOVIROSES NOS MUNICÍPIOS, SEGUNDO SUA INFESTAÇÃO PELO AEDES
Infestados (em períodos epidêmicos e não epidêmicos) Não infestados
Atividades de educação em saúde para prevenção e controle das arboviroses pela população
Articulação com outros órgãos, tendo em vista a atuação 
intersetorial (ex.: melhoria da coleta de lixo e do fornecimento de 
água em áreas com maior infecção)
Não preconizadas
Pesquisa larvária amostral ou Levantamentos de Índices Rápido 
de Aedes aegypti (LIRAa), quatro vezes ao ano
Pesquisa entomológica, preferencialmente com ovitrampas ou 
larvitrampas em ciclos semanais, ou realizar o levantamento de 
índice amostralem ciclos quadrimestrais
Pesquisa larvária em pontos estratégicos (PE), em ciclos 
quinzenais, com tratamento focal e/ou residual, com 
periodicidade mensal para o tratamento residual
Pesquisa larvária em pontos estratégicos (PE), em ciclos 
quinzenais, com tratamento focal e/ou residual, quando 
indicado tecnicamente
Visita domiciliar bimestral em 100% dos imóveis *
Não são preconizadas visitas domiciliares de rotina, apenas 
para vigilância entomológica (pesquisas, levantamentos de 
índices, delimitação de focos, pesquisa vetorial especial)
Realização do bloqueio de transmissão, quando necessário
Delimitação de focos, quando for detectada esporadicamente 
a presença do vetor em PE, armadilhas ou em função do 
resultado de pesquisa vetorial especial (PVE)
Fonte: Brasil (2009).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 144
3.3.3 Operacionalização do controle vetorial no município
As atividades preconizadas pelo MS para o controle do Aedes aegypti devem ser 
realizadas por diferentes profissionais, o que pode sofrer algumas alterações 
de acordo com a estrutura de cada município. As atribuições de cada um serão 
descritas a seguir. Ao realizar a leitura dessas atribuições, observe se suas atividades 
de trabalho se enquadram nessas descrições.
3.3.3.1 Conheça as atribuições de cada profissional envolvido nas atividades de 
controle vetorial, definidas nas diretrizes nacionais para prevenção e controle de 
epidemias de dengue 
As ações de controle vetorial são executadas, em sua maioria, pelos ACE, chamados 
de Agentes de Combate às Endemias ou por outras nomenclaturas em diferentes 
municípios. A esses profissionais, treinados para a aplicação de inseticidas quando 
houver necessidade, é atribuída a responsabilidade das visitas domiciliares para o 
controle do mosquito. O controle químico (aplicação de inseticidas), entretanto, 
deve ser o último recurso utilizado para o controle vetorial. As ações de educação 
em saúde, mobilização social e controle mecânico de criadouros, prioritários para a 
redução de criadouros, também podem ser realizadas pelos ACS. O controle vetorial 
é mais eficiente quando ocorre a integração entre os profissionais da vigilância e da 
assistência em saúde no território.
Fonte: www.flickr.com
Grupos de ACE são coordenados por supervisores, e existe também 
um responsável técnico que gerencia as ações de controle vetorial 
em todo o território municipal. Podem existir algumas variações 
na estrutura de pessoal recomendada pelo MS, de acordo com a 
estrutura dos serviços em cada município. Sendo assim, segue uma 
lista de atribuições dos principais atores envolvidos no controle de 
vetores no Brasil, segundo o próprio MS.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 145
ATRIBUIÇÕES DO RESPONSÁVEL TÉCNICO DO 
CONTROLE VETORIAL
Acompanhar e analisar os indicadores entomológicos e 
epidemiológicos, utilizando-os para subsidiar a tomada 
de decisão pelo nível gerencial ou político;
Preparar relatórios sobre a situação entomo-
epidemiológica do município;
Gerenciar as diferentes logísticas envolvidas no controle 
das arboviroses;
Promover reuniões periódicas com supervisores de 
campo e com os demais parceiros do trabalho, no âmbito 
institucional e com a comunidade;
Acompanhar o andamentoe a conclusão dos trabalhos; e
Acompanhar o andamento das atividades, buscando 
alternativas de solução para redução ou superação dos 
problemas identificados.
Fonte: adaptado de Brasil (2009).
Fonte: adaptado de Brasil (2009).
ATRIBUIÇÕES DO SUPERVISOR (GERAL E DE ÁREA)
Conhecer os aspectos técnicos e operacionais das arboviroses; 
Estar informado sobre a situação da dengue em sua área de trabalho, orientando o pessoal 
sob sua responsabilidade, em especial quanto à presença de casos suspeitos e quanto ao 
encaminhamento para a unidade de saúde ou serviço de referência; 
Participar do planejamento das ações de campo na área sob sua responsabilidade, definindo, 
caso necessário, estratégias específicas, de acordo com a realidade local; 
Participar da avaliação dos resultados e do impacto das ações; 
Garantir o fluxo da informação quanto aos resultados da supervisão; 
Organizar e distribuir o pessoal sob sua responsabilidade, controlando sua frequência; 
Prever, distribuir e controlar os insumos e materiais utilizados no trabalho de campo; 
Atuar como facilitador, oferecendo os esclarecimentos sobre cada ação que envolva o 
controle vetorial; 
Atuar como elo entre o pessoal de campo e a gerência técnica; 
Melhorar a qualificação dos trabalhadores sob sua responsabilidade; 
Estimular o bom desempenho da equipe sob sua responsabilidade;
Acompanhar sistematicamente o desenvolvimento das atividades de campo, por intermédio 
de supervisões direta e indireta; 
Manter organizado e estruturado o posto de apoio e abastecimento (PA); 
Garantir com o pessoal sob sua responsabilidade, o registro correto e completo das 
atividades;
Realizar a consolidação e o encaminhamento à gerência técnica das informações relativas ao 
trabalho desenvolvido em sua área; 
Consolidar os dados do trabalho de campo relativo ao pessoal sob sua responsabilidade; e 
Fornecer às equipes de Atenção Primária, especialmente da Estratégia Saúde 
da Família, as informações entomológicas da área. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 146
ATRIBUIÇÕES DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE (ACS)
Encaminhar os casos suspeitos de arboviroses às Unidades de Atenção Primária à Saúde 
(APS), de acordo com as orientações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS); 
Informar os moradores sobre as arboviroses, seus sintomas e riscos, o agente transmissor e 
medidas de prevenção; 
Informar o morador sobre a importância da verificação da existência de larvas ou mosquitos 
transmissores de arboviroses no domicílio e peridomicílio, chamando a atenção para os 
criadouros mais comuns na sua área de atuação; 
Vistoriar o domicílio e/ou peridomicílio, acompanhado pelo morador, para identificar locais 
de existência de objetos que sejam ou possam se transformar em criadouros do Aedes 
aegypti; 
Orientar e acompanhar o morador na remoção, destruição ou vedação de objetos que 
possam se transformar em criadouros de mosquitos, removendo mecanicamente, se 
necessário, as formas imaturas do mosquito; 
Estimular os moradores a assumirem o compromisso com a adoção das ações de prevenção, 
de forma espontânea e rotineira; 
Encaminhar ao ACE os casos de verificação de criadouros de difícil acesso ou que 
necessitem do uso de larvicidas/biolarvicidas; 
Promover reuniões com a comunidade, com o objetivo de mobilizá-la para as ações de 
prevenção e controle das arboviroses, bem como conscientizar a população quanto à 
importância de que todos os domicílios em uma área infestada pelo Aedes aegypti sejam 
trabalhados (garantir o acesso do ACE);
Comunicar ao enfermeiro supervisor e ao ACE a existência de criadouros de larvas e ou 
do mosquito transmissor da dengue que dependam de tratamento químico/biológico, da 
interveniência da vigilância sanitária ou de outras intervenções do poder público; 
Comunicar ao enfermeiro supervisor e ao ACE os imóveis fechados e as recusas à visita; 
Notificar os casos suspeitos de arboviroses em ficha específica e informar a equipe da APS; 
Reunir-se semanalmente com o ACE, para planejar ações conjuntas, trocar informações 
sobre febris suspeitos de arboviroses, a evolução dos índices de infestação por Aedes aegypti 
da área de abrangência, os índices de pendências, os criadouros preferenciais e as medidas 
adotadas para melhorar a situação; 
Realizar visitas domiciliares aos pacientes com arboviroses; e 
Registrar, sistematicamente, as ações realizadas nos formulários apropriados, com o objetivo 
de alimentar os sistemas de informações. 
Fonte: adaptado de Brasil (2009).
Fonte: adaptado de Brasil (2009).
ATRIBUIÇÕES DO AGENTE DE CONTROLE DE ENDEMIAS (ACE)
Atualizar o cadastro de imóveis, por intermédio do reconhecimento 
geográfico, e o cadastro de pontos estratégicos (PE); 
Realizar a pesquisa larvária em imóveis, para levantamento de índices e 
descobrimento de focos, bem como em armadilhas e em PE, conforme 
orientação técnica; 
Identificar criadouros contendo formas imaturas do mosquito; 
Orientar moradores e responsáveis para a eliminação e/ou proteção de 
possíveis criadouros; 
Executar a aplicação focal e residual, quando indicado, como medida 
complementar ao controle mecânico, aplicando os larvicidas indicados, 
conforme orientação técnica; 
Registrar nos formulários específicos, de forma correta e completa, as 
informações referentes às atividades executadas; 
Vistoriar e tratar os imóveis cadastrados e informados pelo ACS que 
necessitem do uso de larvicida, bem como vistoriar depósitos de difícil 
acesso informado pelo ACS; 
Encaminhar os casos suspeitos de arboviroses à unidade de Atenção 
Primária à Saúde, de acordo com as orientações da Secretaria Municipal de 
Saúde (SMS); 
Analisar junto aos domicílios, informando os seus moradores sobre as 
arboviroses, seus sintomas e riscos, o agente transmissor e medidas de 
prevenção; 
Promover reuniões junto à comunidade com o objetivo de mobilizá-la para 
as ações de prevenção e controle das arboviroses, sempre que possível em 
conjunto com a equipe de APS da sua área; 
Reunir-se sistematicamente com a equipe de Atenção Primária à Saúde, 
para trocar informações sobre febris suspeitos de arboviroses, a evolução 
dos índices de infestação por Aedes aegypti da área de abrangência, os 
índices de pendências e as medidas adotadas para melhorar a situação; 
Comunicar ao supervisor os obstáculos para a execução de sua rotina de 
trabalho, durante as visitas domiciliares. 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 147
Agora que você conhece as atividades preconizadas para cada profissional, reflita sobre 
como são divididas as atividades de controle vetorial no seu município e se existe integração 
entre as equipes de assistência e de vigilância em saúde.
SAIBA MAIS
Em 20 de janeiro de 2023, foi sancionada lei que 
reconhece agentes comunitários como profissionais de 
saúde. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou 
sem vetos a lei que regulamenta as profissões de 
agente comunitário de saúde (ACS) e de agente 
de combate às endemias (ACE) como profissionais 
de saúde (Lei 14.536, de 2023 - https://normas.leg.
br/?urn=urn:lex:br:federal:lei:2023-01-20;14536)
Fonte: www.flickr.com
https://normas.leg.br/?urn=urn:lex:br:federal:lei:2023-01-20;14536
https://normas.leg.br/?urn=urn:lex:br:federal:lei:2023-01-20;14536
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 148
O MS emitiu recomendações aos ACE para adequação das ações de 
vigilância e controle de zoonoses diante de situação epidemiológica 
referente à Covid-19, entre elas:
• O ACE que apresentar qualquer sintoma respiratório (tosse, coriza, dor 
de garganta, falta de ar, etc.) OU febre deve permanecer em isolamento 
seguindo as orientações do MS; 
• Não realizar a visita domiciliar caso o responsável pelo imóvel, no momento 
da atividade, tenha idade superior a 60 anos; 
• Não realizar atividades intradomiciliares. A visita do ACE estará limitada 
apenasà área peridomiciliar (frente, lados e fundo do quintal ou terreno); 
• Em todas as situações em que houver a necessidade de tratamento do 
criadouro, o agente deverá utilizar luvas de látex. Ao deixar o local, orienta-
se o descarte das luvas em local apropriado e a higienização das mãos com 
água e sabão por pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabão 
disponíveis, os agentes devem usar um desinfetante para as mãos à base de 
álcool 70%. Não reutilizar as luvas em hipótese alguma;
• Exige-se o distanciamento mínimo de dois metros entre os agentes e as 
pessoas presentes no momento da visita. 
Essas e outras recomendações do MS se encontram na Nota Informativa Nº 
8/2020-CGARB DEIDT/SVS/MS (BRASIL, 2020a).
3.3.3.2 Aspectos importantes para o planejamento e organização das 
operações de campo 
O gerenciamento das ações de controle vetorial no município deve consi-
derar alguns aspectos operacionais para o alcance de melhores resultados. 
Estrutura física adequada para atividades administrativas e para apoio às 
atividades de campo (pontos de apoio) deve ser assegurada, assim como 
a manutenção dos veículos e equipamentos existentes e fornecimento dos 
insumos necessários à execução do trabalho. É importante que o vínculo 
de contratação dos profissionais esteja de acordo com a legislação vigente.
A supervisão das ações de controle vetorial permite o monitoramento da 
execução dos trabalhos de campo, da utilização de insumos e equipamen-
tos de proteção individual, do cumprimento de horários e outros aspectos 
importantes para maior produtividade e alcance dos objetivos propostos.
O MS sugere que, para cada 10 ACE, seja previsto um supervisor de área e 
que, para cada cinco supervisores de área, haja um supervisor geral.
https://coronavirus.ceara.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/covid19_espce_Nota-Informativa-08-2020-sobre-os-ACES.pdf
https://coronavirus.ceara.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/covid19_espce_Nota-Informativa-08-2020-sobre-os-ACES.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 149
Alguns aspectos são importantes para permitir a supervisão dos tra-
balhos de controle vetorial, como a elaboração da programação do 
itinerário de trabalho dos ACE no campo. A programação do itinerá-
rio de trabalho, fundamental para o desenvolvimento das atividades, 
é individual e deve ficar em local acessível, no ponto de apoio ou na 
SMS. É importante que o estabelecimento de fluxos de acompanha-
mento, planejamento, monitoramento e avaliação sistemática inclua 
os ACS nos municípios em que existe a integração das ações de con-
trole vetorial com a atenção primária.
A integração da vigilância epidemiológica e entomológica com a 
atenção primária deve potencializar o trabalho e evitar a duplicidade 
das ações, promover o planejamento conjunto de atividades entre 
as equipes de controle de vetores e saúde da família, com rotina de 
reuniões entre os supervisores para intercâmbio de informações epi-
demiológicas e entomológicas de seu território. Adotar o regime de 
zoneamento para a atividade dos ACE em uma territorialização com-
patível com a da atenção primária contribui com a integração das ati-
vidades, permitindo sua execução de forma articulada e a geração de 
análises com a mesma referência.
Fonte: www.flickr.com
3.3.3.3 Dimensionamento de profissionais e equipamentos necessários
 Para serem efetivas, as ações de controle vetorial devem ser executadas de forma 
permanente e integrada. Para dimensionamento de profissionais e equipamentos 
necessários à estruturação das equipes e realização das atividades de controle 
vetorial preconizadas pelo MS, seus parâmetros de rendimento médio foram 
descritos nas DNPCED. Segue uma sugestão dos parâmetros recomendados 
pelo MS.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 150
QUADRO 2 – PARÂMETROS SUGERIDOS DE RENDIMENTO MÉDIO 
PRECONIZADOS PARA ATIVIDADES DE CONTROLE VETORIAL
QUADRO 3 – PARÂMETROS SUGERIDOS PARA A ESTRUTURAÇÃO DO 
CONTROLE VETORIAL
ATIVIDADES RENDIMENTOS MÉDIO
Levantamento de índice 20 a 25 imóveis/agenda/dia
Tratamento focal 20 a 25 imóveis/agenda/dia
Delimitação de foco 15 imóveis/agenda/dia
Pesquisa em pontos estratégicos (PE) 15 pontos estratégicos/agenda/dia
Pesquisa em armadilhas 30 armadilhas/agenda/dia
Ultrabaixo Volume (UBV) utilizando 
equipamento acoplado a veículo
80 a 160 quarteirões/máquina/dia, 
em dois turnos
UBV portátil extradomiciliar* 25 quarteirões/dupla de agenda/dia
UBV intradomiciliar** e 
peridomiciliar*** 70 imóveis/agenda/dia
ITENS PARÂMETROS UTILIZADOS
Técnico de Nível Superior (NS) 1 por município
Supervisor geral (SG) 1 para cada 5 supervisores de área
Supervisor de área (SA) 1 para cada 10 agentes de saúde
Agente de saúde 1 para cada 800 a 1.000 imóveis*
Agente comunitário de saúde 1 para no máximo 750 pessoas
Laboratorista** 1 para cada 50.000 imóveis
 Caminhonete pick-up 1 para apoiar as ações de controle
Microscópio** 1 para cada 50.000 imóveis
Nebulizador pesado
1 para cada 600 quarteirões ou 15.000 imóveis/ 
2 operadores por máquina (considerando 30% 
dos quarteirões existentes)
Nebulizador portátil
1 para cada 25 quarteirões ou 625 imóveis/ 2 
operadores por máquina (considerando 20% 
dos quarteirões existentes)
Pulverizador costal 1 para cada 60 pontos estratégicos***
* Extradomiciliar: atividade realizada em via pública, sem adentrar nos imóveis. 
Geralmente é utilizada para complementar às atividades de UBV utilizando 
equipamento acoplado a veículo, nas localidades de difícil acesso.
** Intradomiciliar: atividade realizada com nebulizador costal, onde o jato de aspensão 
é direcionado para o interior do imóvel.
*** Peridomiciliar: atividade realizada com nebulizador costal no quintal ou lado 
externo do imóvel.
Fonte: Brasil (2009).
* Rendimento de 10 a 25 imóveis/agenda/dia.
** Municípios de 10.000 a 50.000 habitantes podem optar por possuir microscópios e 
laboratoristas ou executar as atividades laboratoriais com apoio do estado.
*** Número estimado de PE igual a 0,4% do número de imóveis existentes no município.
Fonte: Brasil (2009).
Os parâmetros apresentados podem variar de acordo com as características de 
cada localidade e com o aumento da complexidade para execução das atividades.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 151
3.3.3.4 Orientações relativas aos procedimentos seguros de operação e 
abastecimento dos equipamentos de aplicação de inseticidas 
Vários tipos de equipamento são empregados no controle do Aedes aegypti e 
de outros vetores de endemias. Os ACE que operam tais equipamentos devem 
conhecer suas características e cuidados necessários ao seu manuseio seguro.
Segundo as DNPCED, o equipamento costal utiliza bicos pulverizadores de energia 
hidráulica, tipo leque, para fragmentar as gotículas do inseticida, produzindo gotas 
maiores do que as geradas pelos nebulizadores pesados. O fluxo de descarga deve 
ser monitorado periodicamente pelo agente aplicador, instruído pelo supervisor. 
O equipamento costal motorizado deve ser adaptado com discos/bicos restritores 
de fluxo que permitam aumento da vazão, proporcionando gotas maiores com 
pouca possibilidade de deriva e maior cobertura da superfície tratada. Esse tipo 
de equipamento é indicado especialmente para utilização em grandes pontos 
estratégicos, pela possibilidade de maior rendimento operacional, o que seria 
pouco produtivo com equipamentos costais não motorizados. Mesmo com 
rendimento menor, apresenta uma eficácia superior à do equipamento pesado, 
uma vez que a névoa de aplicação pode ser direcionada para o local a ser tratado 
no intra e no peridomicílio, além de poder ser utilizado durante todo o dia e não 
apenas em horários restritos (BRASIL, 2009).
Fonte: www.flickr.com
De acordo com as DNPCED, o equipamento nebulizador acoplado 
a veículos é recomendado para o controle de surtos ou epidemias 
em razão do seu alto rendimento (80 quarteirões/dia),mas não é 
recomendado nas situações de bloqueio de transmissão. As aplicações 
com nebulizador acoplado a veículos a ultrabaixo volume (UBV) devem 
ser permanentemente supervisionadas, para garantir a dose indicada 
de ingrediente ativo em cada quarteirão percorrido. Há interferência de 
fatores operacionais, como a vazão do equipamento e a velocidade do 
veículo, sendo fundamental a capacitação do condutor.
Informações referentes aos diversos equipamentos utilizados para 
aplicação de inseticidas, a suas partes funcionais, bem como a situações 
não desejáveis que possam ocorrer acidentalmente ou ocasionar 
desconforto ao operador, são detalhadas no Manual sobre medidas 
de proteção à saúde dos Agentes de Combate às Endemias (BRASIL, 
2019b), apresentadas em seguida.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 152
3.3.3.4.1 Equipamentos de pressão variável 
Os equipamentos de pressão variável são utilizados para aplicação de inseticida de efeito residual 
nos programas de controle do Aedes, doença de Chagas e leishmaniose visceral. Tradicionalmente, 
utiliza-se o pulverizador de pressão variável (tipo Hudson) com tanque inox, êmbolo pressurizador 
e sistema de descarga composto de tubo de imersão, manômetro, torneira, mangueira de pressão, 
gatilho, filtros e bico tipo leque (Figura 16). Atualmente, existem equipamentos dessa categoria 
confeccionados em material plástico.
Tampa:
Despressurização
acidental, vazamento
de calda
Bandoleira:
Contaminação com
calda derramada,
peso mal distribuído
no corpo, ferimento
da pele no ponto
de apoio
Áreas de risco do equipamento de pressão variável
Êmbolo:
Movimento repetitivo,
cansaço
Sistema de descarga:
Sistema pressurizado,
risco de rompimento e
ferimentos, vazamento
de calda em conexões
e mangueiras
Tanque de inox:
Tanque sob alta
pressão, risco de
rompimento de
costura
FIGURA 16 – MODELO DE EQUIPAMENTO DE PRESSÃO VARIÁVEL ACIONADO POR ALAVANCA, 
COM DETALHAMENTO SOBRE AS RESPECTIVAS ÁREAS DE RISCO 
Fonte: adaptado de Brasil (2019b).
Outro tipo de equipamento utilizado é o costal 
confeccionado em plástico, acionado por alavancas laterais 
e pressurizado por êmbolo móvel com descarga por 
mangueira de pressão e bicos tipo leque (Figura 17).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 153
Tampa:
Despressurização
acidental, vazamento
de calda
Alavanca de
pressurização:
Movimento repetitivo,
cansaço
Haste de
pulverização:
Entupimento do bico
Bandoleira:
Contaminação com
calda, peso mal
distribuído no corpo,
ferimento da pele
Sistema de descarga:
Sistema pressurizado com risco
de rompimento, vazamento de
calda em conexão e mangueira
Tanque de 
polietileno:
Risco de 
rompimento 
acidental
Êmbolo e mangueira
FIGURA 17 – MODELO DE EQUIPAMENTO DE APLICAÇÃO RESIDUAL 
CONFECCIONADO EM PLÁSTICO, COM DETALHAMENTO SOBRE AS 
RESPECTIVAS ÁREAS DE RISCO
Fonte: adaptado de Brasil (2019b).
3.3.3.4.2 Nebulizador/pulverizador costal motorizado 
O nebulizador costal motorizado (Figura 18) destina-se ao 
controle espacial do vetor com a aplicação de inseticida a 
ultrabaixo volume (UBV), com a formação de partículas muito 
pequenas. Esses equipamentos devem ser regulados com a 
vazão indicada, e as gotas geradas devem ser periodicamente 
avaliadas quanto ao seu tamanho, o que permite mantê-las 
flutuando pelo maior período de tempo possível e garantir 
sua eficácia, evitando a deriva para áreas não tratadas. 
Podem também ser utilizados para aplicação residual em 
pontos estratégicos (PE), devendo ser adequados quanto à 
vazão e ao produto apropriado, observando-se as instruções 
estabelecidas pelo programa.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 154
Tanque de
formulação:
Derrames e
vazamento
Lança e linha de 
saída do inseticida:
Vazamentos em 
mangueiras e 
torneira, contato com 
jato de inseticida
Turbina:
Peça em movimento
Escapamento:
Alta temperatura, 
monóxido de carbono
Motor:
Peças de rotação, choque
de alta tensão, ruído excessivo
Tanque de combustível:
Vazamento, risco de incêndio,
contato com solvente
Áreas de risco do nebulizador motorizado portátil
FIGURA 18 – MODELO DE NEBULIZADOR/PULVERIZADOR COSTAL 
MOTORIZADO, COM DETALHAMENTO SOBRE AS RESPECTIVAS ÁREAS 
DE RISCO
Fonte: adaptado de Brasil (2019b).
3.3.3.4.3 Equipamento nebulizador pesado 
O nebulizador pesado é utilizado no programa de 
controle do Aedes aegypti para manejo espacial do 
vetor pela nebulização do inseticida em pequenas 
gotículas (Figura 19). A produção dessas gotículas 
deve se concentrar em torno de 5 a 25 micras (85%), o 
que determina a regulagem ideal da vazão conforme 
o produto utilizado e a realização periódica de coleta 
e contagem estatística das gotículas, garantindo a 
maior eficácia do tratamento.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 155
FIGURA 19 – MODELO DE NEBULIZADOR PESADO, COM DETALHAMENTO 
SOBRE AS RESPECTIVAS ÁREAS DE RISCO
Lança e bocal
de nebulização:
Contato com fluxo 
de ar, contato com 
calda de inseticida
conexão entre 
motor/compressor:
Peça em rotação, 
risco de ferimento
Escapamento:
Contato com alta temperatura, 
monóxido de carbono
Motor de 4 tempos:
Peças de rotação, 
caloria, contato com alta
tensão e temperatura, 
ruído excessivo
Tanque de 
combustível 
(gasolina):
Risco de vazamento, 
contato com a pele 
e incêndio
Áreas de risco do nebulizador pesado montado em veículo
Tanque de 
inseticida:
Risco de 
vazamento,
contato com
a pele
Fonte: adaptado de Brasil (2019b).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 156
3.3.3.5 Procedimentos de segurança
O monitoramento da colinesterase é uma medida indicada aos trabalhadores que utilizam inseticidas organofosforados e carbamatos nas atividades 
de controle vetorial. Esses grupos de inseticidas não são atualmente preconizados pelas DNPCED. Medidas de monitoramento e proteção à saúde dos 
ACE estão descritas no Manual sobre medidas de proteção à saúde dos Agentes de Combate às Endemias (BRASIL, 2019b) e nas Notas Técnicas Nº 
1/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS (2020b), Nº 5/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS (BRASIL, 2020c) e Nº 10/2021-CGARB/DEIDT/SVS/MS (BRASIL, 2021b), a respeito 
dos inseticidas atualmente preconizados pelo MS para o controle do Aedes aegypti.
Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) são insumos necessários à segurança do trabalhador durante a aplicação de inseticidas, e sua indicação leva 
em consideração os riscos inerentes a cada uma das atividades desenvolvidas. As especificações técnicas completas dos diversos EPIs são detalhadas no 
Manual sobre medidas de proteção à saúde dos Agentes de Combate às Endemias (BRASIL, 2019b), sendo apresentadas em seguida (Figuras 20, 21 e 22). 
Fonte: adaptado de Brasil (2019b).
FIGURA 20 – UNIFORMES E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIS) DE USO NECESSÁRIO AOS ACE DURANTE A VISITA DOMICILIAR 
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)
UNIFORME E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)
Camisa gola pólo ou camiseta
Calça de brim cáqui ou jeans
Boné ou chapéu de brim
Calçado de segurança
Máscara facial PFF2
Luva nitrílica parede fina
Cinto de segurança com talabarte
Substituir diariamente
Substituir diariamente
Substituir quando necessário
Substituir quando necessário
Substituir diariamente
Substituir quando necessário
Regulagem e verificação constante
Constante Eventual
USO
TIPO CUIDADOS E MANUTENÇÃO
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 157
FIGURA 21 – UNIFORMES E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIS) DE USO NECESSÁRIO AOS 
ACE DURANTE A APLICAÇÃO DE ADULTICIDAS
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)
UNIFORME E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)
Camisa gola pólo ou camiseta
Calça de brim cáqui ou jeans
Boné ou chapéu de brim
Calçado de segurança
Luva nitrílica cano médio
Vestimenta hidrorrepelente, capuz
viseira plástica, avental impermeável
Máscarahemifacial PFF2
Máscara facial PFF2
Substituir diariamente
Substituir diariamente
Substituir quando necessário
Substituir quando necessário
Substituir quando necessário
Substituir quando necessário
Substituir diariamente
Substituir diariamente
Constante Eventual
USO
TIPO CUIDADOS E MANUTENÇÃO
Fonte: Brasil (2019b, p. 83).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 158
Equipamentos
de Proteção
Individual
EPI
Finalidade 
de uso
Visita domici-
liar, manejo de
depósitos e uso
de larvicidas
Inspeções
em depósitos
elevados, uso
de larvicidas
Preparação
da calda,
tríplice
lavagem
Aplicação
residual
Nebulização
(equipamento
portátil e
pesado)
Termone-
bulização
(equipamen-
to portátil)
Regulagem
da vazão,
coleta de
gotas para
CQ (1)
Atividade
em arma-
zéns (2)
Transporte
rodoviário
de inseti-
cidas (3)
Lavagem e
manutenção
de veículos e
equipamentos
Camiseta ou 
camisa gola 
pólo
Trabalho de 
rotina, proteção 
contra insolação
Calça de brim 
cáqui ou jeans
Trabalho de 
rotina, proteção 
contra insolação
Boné ou 
chapéu de brim
Trabalho de 
rotina, proteção 
contra insolação
Calçado de 
segurança
Proteção dos pés 
contra agentes 
químicos 
Vestimenta 
hidrorrepelente 
completa (4)
Proteção contra 
gotículas de pro-
duto pulverizado
Óculos de 
segurança
Proteção dos 
olhos
E E
Respirador 
PFF2
Proteção contra 
partículas de 
pulverização
E E E E
Máscara 
hemifacial (um 
Proteção contra 
partículas de 
pulverização e 
vapores orgânicos
continua
PLANILHA COM RELAÇÃO DE EPI POR ATIVIDADES | CONTROLES DE VETORES
FIGURA 22 – MATRIZ DE RECOMENDAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIS) POR ATIVIDADE
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 159
Fonte: Brasil (2019b).
Protetor auri-
cular (inserção 
ou concha)
Proteção contra 
ruídos excessivos
Avental 
impermeável
Proteção contra 
derramamento
E E E E
Luvas 
nitrílicas para 
procedimentos
Proteção das 
mãos contra 
agentes químicos
E E E
Luvas nitrílicas 
cano médio
Proteção das 
mãos contra 
agentes químicos
E E
Luvas de 
raspa de couro
Proteção das 
mãos em ativida-
des agressivas
Bota 
impermeável 
de borracha
Proteção dos pés 
em ambientes 
úmidos ou ala-
gados
E
Cinto de 
segurança 
com talabarte
Proteção 
contra quedas 
(nas situações em 
que se aplicar)
E
Uso contínuo E Uso eventual 
(1) CQ: contagem de gotas.
(2) Serviços gerais em depósito, carregamento e descarregamento de cargas, coleta de amostras de inseticidas, contenção de vazamentos e eventuais fracionamentos de produtos.
(3) Durante o transporte, deverão estar disponíveis os EPI recomendados e ferramentas (pá e enxada).
(4) Vestimenta hidrorrepelente completa, composta de calça, jaqueta, avental, capuz e viseira.
conclusão
PLANILHA COM RELAÇÃO DE EPI POR ATIVIDADES | CONTROLES DE VETORES
Equipamentos
de Proteção
Individual
EPI
Finalidade 
de uso
Visita domici-
liar, manejo de
depósitos e uso
de larvicidas
Inspeções
em depósitos
elevados, uso
de larvicidas
Preparação
da calda,
tríplice
lavagem
Aplicação
residual
Nebulização
(equipamento
portátil e
pesado)
Termone-
bulização
(equipamen-
to portátil)
Regulagem
da vazão,
coleta de
gotas para
CQ (1)
Atividade
em arma-
zéns (2)
Transporte
rodoviário
de inseti-
cidas (3)
Lavagem e
manutenção
de veículos e
equipamentos
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 160
O uso de EPIs pelos ACE é muito importante, pois reduz os riscos à saúde. Se você trabalha 
como ACE, esteja certo de conhecer e seguir corretamente as recomendações feitas para 
prevenção de danos.
PARA REFLETIR
Você já vivenciou algum acidente de trabalho agravado pela falta de uso 
dos Equipamentos de Proteção Individual, ou percebeu algum risco à sua 
saúde ou à saúde de algum colega de trabalho por não estarem executando 
suas funções de acordo com as normas de segurança do trabalho? O 
respeito a essas normas é bastante importante, e vale a pena deixar esse 
material instrucional em local de fácil acesso para consulta, sempre que for 
necessária.
SAIBA MAIS
Você pode aprofundar seus conhecimentos sobre mosquitos de 
forma dinâmica e bastante interessante ouvindo o podcast #115 
Pra que servem os mosquitos?, do projeto de divulgação científica Alô, 
Ciência?, disponível no endereço eletrônico:
https://alociencia.com.br/podcast/115-pra-que-existem-os-
mosquitos/
e também na plataforma Spotify:
open.spotify.com
3.3.4 Ações de vigilância e controle do Aedes 
O mosquito Aedes aegypti está presente atualmente na maioria dos municípios 
brasileiros, em muitos deles apresentando altos níveis de infestação nos períodos de 
temperaturas mais elevadas e chuvas. A possibilidade de transmissão dos arbovírus 
dengue, zika e chikungunya e o risco de urbanização da febre amarela tornam 
necessária sua vigilância rotineira e controle em determinadas situações.
https://alociencia.com.br/podcast/115-pra-que-existem-os-mosquitos/
https://alociencia.com.br/podcast/115-pra-que-existem-os-mosquitos/
https://open.spotify.com/episode/3MHzfGOdDgAUFTDwAaiCHs?si=1kMO8U4PRGemvwm9C6SsXg
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 161
3.3.4.1 Definição das ações de vigilância entomológica 
A vigilância entomológica de Aedes aegypti compreende atividades realizadas para 
o monitoramento de sua presença e algumas características que descrevem aquela 
população de vetores, como em que níveis de infestação (quantidades) são encontrados 
na localidade monitorada, ou em que tipos de criadouro predominam.
Fonte: www.flickr.com
3.3.4.1.1 Reconhecimento geográfico
O reconhecimento geográfico (RG) é imprescindível para o planejamento das 
atividades de vigilância entomológica e controle vetorial, uma vez que são 
identificados e numerados os quarteirões e imóveis, além de permitir a especificação 
dos imóveis por tipo. Deve estar sempre atualizado, o que é facilitado atualmente 
pela utilização de sistemas de geoprocessamento (GPS) de fácil acesso, inclusive por 
meio de aplicativos de telefones celulares.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 162
3.3.4.1.2 Visita domiciliar
A visita domiciliar pelo ACE e pelo supervisor é realizada para ações de educação em 
saúde e mobilização social, inspeção para busca e controle de criadouros por meio de 
tratamento mecânico, biológico ou químico, além de monitoramento da resistência aos 
inseticidas e vigilância entomológica por meio de armadilhas ou levantamentos. A visita 
e atividades realizadas devem ser registradas em formulários próprios.
Fonte: www.flickr.com
Nos municípios em que Vigilância e Assistência em Saúde atuam de maneira integrada, 
os ACS devem vistoriar sistematicamente os domicílios e peridomicílios durante suas 
atividades de visita domiciliar, orientar os moradores sobre a eliminação de criadouros 
e, caso identifiquem criadouros de difícil acesso ou que necessite da utilização de 
larvicida, acionar um ACE de sua referência.
3.3.4.1.3 Vigilância em pontos estratégicos
Os pontos estratégicos (PE) são locais em que há concentração 
de depósitos preferenciais para a oviposição da fêmea do Aedes 
aegypti, como cemitérios, borracharias, ferros-velhos, depósitos 
de sucata ou de materiais de construção, garagens para grande 
número de veículos, ou locais especialmente vulneráveis à 
introdução do vetor, como portos e aeroportos.
Diante do maior risco sanitário dos PE (Figura 23), as atividades 
de vigilância entomológica nesses locais devem ser realizadas 
quinzenalmente, com aplicação de larvicidas de maneira 
preventiva e com maior frequência (mensalmente ou sempre 
que detectada a presença de focos, segundo DNPCED), e com 
aplicação de adulticidas de ação residual a cada dois meses, de 
acordo com o período de residualidade do inseticida Fludora® 
Fusion (Nota Técnica Nº 5/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS) 
(BRASIL, 2020c). 
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade3 - Vigilância e Controle de Vetores 163
Fonte: http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2015/12/ferro-velho-preocupa-moradores-de-
condominio-apos-registro-de-zika-virus.html
Fonte: www.flickr.com
3.3.4.1.4 Delimitação de foco
A delimitação de foco é a pesquisa larvária e tratamento focal realizados nos imóveis 
a um raio de 300 m de um foco encontrado em localidade não infestada, quando 
detectada a presença do vetor na vigilância entomológica de PE, armadilhas ou pesquisa 
vetorial especial (atendimento à denúncia da população sobre a presença de focos e/ou 
vetores adultos). A partir dessa pesquisa, abrem-se novos raios a cada foco detectado. 
Na persistência de focos, com a comprovação de domiciliação do vetor, o município 
passa a ser considerado infestado. 
3.5.1.5 Caracterização entomológica
A caracterização entomológica é o conjunto de informações 
relativas ao vetor, como sua distribuição geográfica, 
índices de infestação e depósitos predominantes. Deve 
ser constantemente atualizada para nortear as ações de 
controle, podendo ser realizada por meio de coleta de 
ovos, larvas, pupas ou mosquitos adultos em armadilhas, 
pesquisas ou levantamentos de índices.
• Armadilhas de oviposição (ovitrampas)
A utilização de armadilhas de oviposição (ovitrampas) 
(Figura 24) é um método sensível e econômico para 
detectar a presença do vetor. As armadilhas são depósitos 
de plástico na cor preta com capacidade aproximada de 500 
ml que contêm uma palheta de Eucatex para as oviposições 
e podem utilizar infusão de feno ou solução de levedo de 
cerveja como substâncias atraentes para as fêmeas. Exigem 
inspeção semanal para a substituição das palhetas e aporte 
laboratorial para análise do material coletado. Apresentam 
alta sensibilidade na detecção precoce de infestações 
e eficácia na vigilância entomológica de áreas de baixa 
infestação, de áreas estratégicas como portos e aeroportos, 
de áreas de maior risco de transmissão de arboviroses, 
ou mesmo em todo o território de municípios. São úteis 
ainda na avaliação de impacto das aplicações espaciais 
de inseticidas e nas avaliações de eficácia das novas 
ferramentas para controle vetorial em estudo.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 164
FIGURA 24 – ARMADILHA DE OVIPOSIÇÃO (OVITRAMPA)
Fonte: Raquel Portugal. Acervo da Fundação Oswaldo Cruz.
De acordo com as DNPCED, a distribuição de ovitrampas deve atender à 
proporção mínima de uma armadilha para cada nove quarteirões, uma para 
cada 225 imóveis, ou, ainda, a instalação de armadilhas com 300 metros de 
distância de uma para outra.
Os índices geralmente utilizados para estimar a infestação de Aedes aegypti, 
baseados na presença de ovos em armadilhas, são os seguintes:
Índice de Posividade de Ovo (IPO) - indica a porcentagem de armadilhas 
positivas
Índice de Densidade de Ovo (IDO) - indica o número médio de ovos por 
armadilha positiva
IDO=
número de ovos
número de armadilhas positivas
IPO= x 100 imóveis
número de armadilhas positivas
número de armadilhas examinadas
SAIBA MAIS SOBRE OVITRAMPAS
Você pode conhecer detalhadamente o preparo, 
instalação e a manutenção das ovitrampas 
assistindo ao vídeo Metodologia para coleta de 
ovos Aedes aegypti, no canal do Instituto Oswaldo 
Cruz na plataforma YouTube, disponível em: 
www.youtube.com/watch?v=2w89kagSOKM
http://www.youtube.com/watch?v=2w89kagSOKM
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 165
• Armadilhas larvitrampas
De acordo com as DNPCED, as larvitrampas são depósitos geralmente feitos 
de secções transversais de pneus utilizadas para a detecção precoce da 
introdução do vetor em locais estratégicos, como portos fluviais ou marítimos, 
aeroportos, terminais rodoviários, ferroviários, de passageiros e de carga. Não 
devem ser instaladas onde existem outras opções de desova para a fêmea, 
como é o caso dos pontos estratégicos. Assim como no caso das ovitrampas, a 
inspeção das larvitrampas deve ser realizada semanalmente, e, para que não 
se transformem em focos geradores de mosquitos, a detecção de larvas deve 
desencadear ações imediatas para eliminação do vetor nesses locais.
• Armadilhas para captura de adultos
Diferentes tipos de armadilha para a captura de mosquitos adultos 
têm sido desenvolvidos, com ou sem atraentes sintéticos. Entretanto, 
ainda se desconhece a relação entre o número de adultos coletados e o 
número de adultos existentes no meio ambiente, limitação que dificulta 
a utilização de um índice que reflita fielmente uma situação de risco para 
a ocorrência da transmissão de arboviroses. Além disso, os resultados 
dos estudos realizados até o momento não foram considerados como 
evidências de que estas armadilhas atuem como supressoras das 
populações de mosquitos, portanto novos estudos devem continuar 
sendo estimulados.
Por essas razões, as armadilhas para captura de adultos ainda não foram 
preconizadas para vigilância entomológica de Aedes aegypti na rotina 
ou como ferramentas de controle vetorial. Assim como ocorre com as 
armadilhas de oviposição, tais armadilhas têm sido ocasionalmente 
utilizadas na avaliação de impacto das aplicações espaciais de inseticidas 
e nas avaliações de eficácia das novas ferramentas para controle vetorial 
em estudo.
Fonte: www.flickr.com
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 166
SAIBA MAIS SOBRE AS ARMADILHAS PARA VIGILÂNCIA DE AEDES AEGYPTI
Estudo coordenado pela Fiocruz e pelo MS avaliou armadilhas para vigilância do Aedes aegypti, com 
o objetivo de investigar sua eficiência na quantificação de índices de infestação, sua relação custo-
benefício e sua pertinência para implementação na rotina de campo, no âmbito do SUS. Foram 
comparadas várias armadilhas disponíveis no mercado com potencial de estimar a população adulta 
de Aedes aegypti (Adultrap®, MosquiTRAP® e BG-Sentinel®, armadilhas de captura de fêmeas adultas, 
além das ovitrampas, que são armadilhas de oviposição).
A ovitrampa foi a armadilha mais sensível e específica do estudo, além de a de menor custo. Contudo, 
apresenta desvantagens, como o tempo gasto para contar os ovos e a necessidade de eclodi-los 
para obter informação das espécies. Todas as armadilhas apresentaram desempenho superior aos 
índices larvários, sob vários aspectos. Constatou-se, contudo, que em nenhum caso armadilhas são 
independentes do trabalho dos agentes. A adoção de qualquer armadilha na rotina da vigilância 
entomológica depende de capacitação prévia e avaliação continuada dos profissionais.
Convidamos o trabalhador estudante a conhecer mais sobre esse estudo e seus resultados na Nota 
Técnica N.º 3/2014/IOC-FIOCRUZ/DIRETORIA (BRASIL, 2014b) sobre a avaliação de armadilhas para a 
vigilância entomológica de Aedes aegypti com vistas à elaboração de novos índices de infestação.
Além do uso das armadilhas, outro método disponível para a caracterização da 
presença de mosquitos Aedes aegypti em uma determinada área é a pesquisa 
larvária. Vamos compreender melhor do que se trata?
• Pesquisa larvária
A pesquisa larvária consiste na inspeção de formas imaturas (larvas e pupas) em todos os depósitos de 
imóveis visitados e coleta e envio desse material para o laboratório para análise e geração de indicadores. 
A pesquisa larvária objetiva a estratificação das áreas de risco entomológico, o monitoramento das ações 
de controle realizadas e a avaliação de metodologias de controle em estudo. A inspeção é realizada em 
uma amostragem de imóveis, que difere segundo a metodologia adotada. Foram preconizados pelo MS 
dois tipos de pesquisa larvária: o Levantamento de Índice Amostral (LIA) e o Levantamento de Índice 
Rápido para Aedes aegypti (LIRAa).
• Levantamento de Índice Amostral (LIA)
O LIA é um levantamento larvário realizado em uma amostragem sistemática de imóveis do município, 
de modo a apresentar significância estatística. É geralmente realizado em localidades pequenas, uma 
vezque, para aquelas com mais de 8100 imóveis, é recomendada a realização do LIRAa.
http://www.fiocruz.br/ioc/media/nota_tecnica_ioc_3.pdf
http://www.fiocruz.br/ioc/media/nota_tecnica_ioc_3.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 167
Amostra de imóveis para o Levantamento de Índice Amostral
Fonte: Brasil (2009).
NÚMERO DE IMÓVEIS DA LOCALIDADE AMOSTRA PARA PESQUISA
Até 400 100% dos imóveis
401 a 1.500 33% dos imóveis ou 1/3 dos imóveis
1.501 a 5.000 20% dos imóveis ou 1/5 dos imóveis
Mais de 5.000 10% dos imóveis ou 1/10 dos imóveis
• Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa)
O LIRAa foi desenvolvido para a obtenção de indicadores entomológicos de maneira rápida. 
É realizado em municípios de maior porte, nos quais pode ser difícil utilizar o método de 
amostragem sistemática devido às limitações de tempo, de recursos financeiros e operacionais, e 
permite priorizar e selecionar ações de controle para áreas de maior risco dentro do município. Os 
índices entomológicos estimados indicam a situação da infestação de formas imaturas e os tipos 
de recipiente predominantes em cada estrato monitorado dentro da localidade.
Índice de infestação Predial (IIP)
Índice de Breteau (IB)
Índice de Tipo de Recipientes (ITR)
O IIP é a relação expressa em porcentagem entre o número de imóveis positivos e o número de 
imóveis pesquisados.
O IB expresso em números absolutos, estabelece uma relação entre recipientes positivos e imóveis 
e, embora forneça mais informações, não aponta dados sobre a produtividade dos depótitos.
O ITR indica a proporção de recipientes positivos por tipo de criadouro.
IIP= x 100
x 100
IIP= x 100 imóveis
ITR=
imóveis positivos
número de recipientes positivos
tipo de recipientes positivos
imóveis pesquisados
imóveis pesquisados
recipientes positivos totais
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 168
Em localidades com um mínimo de 8100 imóveis, 
inicialmente é feita sua estratificação por conglomerados 
(cada estrato deve apresentar de 8100 a 12.000 imóveis 
que tenham características socioambientais semelhantes), 
e são sorteados os quarteirões (unidade primária de 
amostragem) a serem visitados dentro de cada estrato. 
Posteriormente, nova amostragem é realizada para definir o 
percentual de imóveis (unidade secundária de amostragem) 
a serem visitados dentro de cada quarteirão. O processo de 
amostragem é realizado com auxílio de um software, que 
ao final do levantamento calcula os indicadores para cada 
estrato e os indicadores para o município. Previamente à 
sua realização, é necessária elaboração ou atualização do 
reconhecimento geográfico da área a ser trabalhada.
A inspeção dos imóveis da área urbana do município é 
realizada nas casas e nos terrenos baldios. Nos prédios 
verticais, deverá ser inspecionado somente o térreo de 
toda a área comum do edifício. Os pontos estratégicos 
(cemitérios, borracharias, depósitos de sucata, depósitos de 
materiais de construção, etc.) não são incluídos na amostra.
Depósito ou criadouro é todo recipiente utilizado para 
finalidade específica que armazene ou possa vir a armazenar 
água, seja pela ação da chuva, seja pela ação do homem, 
e que esteja acessível à fêmea do Aedes aegypti para 
postura dos seus ovos. Os depósitos foram classificados em 
cinco grupos (Figuras 25 e 26): Grupo A – depósitos para 
armazenamento de água; Grupo B – depósitos móveis; 
Grupo C – depósitos fixos; Grupo D – depósitos passíveis de 
remoção; Grupo E – depósitos naturais.
FIGURA 25 – CLASSIFICAÇÃO E AÇÕES INDICADAS SOBRE CRIADOUROS 
DO AEDES AEGYPTI
Grupo B
Depósitos 
móveis
Grupo A
Armazena- 
mento de 
água para 
consumo 
humano
Grupo C
Depósitos 
fixos
Grupo D
Depósitos 
passíveis de 
remoção/ 
proteção
Grupo E
Depósitos 
Naturais
Depósito de água elevado, ligado 
à rede pública e/ou ao sistema
de captação mecânica em poço, 
cisterna ou mina d’água: caixas 
d’água, tambores, depósitos
de alvenaria
Providenciar cobertura ou 
vedação; tratar como última 
alternativa*
Depósitos ao nível do solo para 
armazenamento doméstico: tonel, 
tambor, barril, tina, depósitos de 
barro (filtros, moringas, potes), 
cisternas, caixas-d’água, captação 
de água em poço/cisterna/cacimba
 Providenciar cobertura ou 
vedação; se indispensáveis, 
proteger/lavar, caso 
contrário, descartar; tratar 
como última alternativa*
 Vasos/frascos com água, pratos, 
pingadeiras, recipientes de degelo 
em geladeiras, bebedouros em 
geral, pequenas fontes ornamentais, 
materiais em depósito de constru-
ção (sanitários estocados, etc.), 
objetos religiosos/rituais
Vistoriar/lavar com freqüên-
cia; proteger, colocar areia, 
emborcar; não tratar
Tanques em obras, borracharias
e hortas, calhas, lajes e toldos
em desníveis, ralos, sanitários em 
desuso, piscinas não tratadas, fontes 
ornamentais, floreiras/vasos em 
cemitérios, cacos de vidro em 
muros, outras obras arquitetônicas 
(caixas de inspeção/passagens)
Consertar calhas/lajes e 
toldos, vedar sanitários e 
ralos em desuso, lavar com 
freqüência; proteger; 
preencher com areia; tratar 
como última alternativa*
Pneus e outros materiais rodantes 
(câmaras-de-ar, manchões)
Encaminhar para descarte 
adequado; se indispensá-
veis, proteger; tratar como 
última alternativa*
Lixo (recipientes plásticos, garrafas, 
latas); sucatas em pátios e ferros- 
velhos (PE), entulhos de construção
 Lixo/entulho: encaminhar 
para descarte adequado, 
não tratar; sucatas em PE e 
pátios, se indispensáveis, 
proteger sob cobertura; 
tratamento químico 
conforme indicado
Axilas de folhas (bromélias,etc.), 
buracos em árvores e em rochas, 
restos de animais (cascas, carapa-
ças, etc.)
 Instruir para evitar acúmulo 
de água em folhas; tampar 
buracos; encaminhar para 
destino adequado; não 
tratar
A1
A2
D1
D2
*Tratar com larvicida indicado pelo programa.
Grupo Tipos de recipientes/depósitos Ação preconizadaSub-grupo
Fonte: adaptado de Brasil (2013).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 169
FIGURA 26 – CRIADOUROS DE AEDES AEGYPTI, POR TIPO
Depósitos de água elevados (grupo A, subgrupo 1)
Depósito de água ao nível do solo (grupo A, subgrupo 2)
Fonte: Rondon Vellozo (BRASIL, 2013).
Fonte: Rondon Vellozo (BRASIL, 2013).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 170
Depósitos móveis (grupo B)
Pneus e outros materiais rodantes (grupo D, subgrupo 1)
Depósitos fixos (grupo C)
Fonte: Rondon Vellozo (BRASIL, 2013).
Fonte: Rondon Vellozo (BRASIL, 2013).
Fonte: Rondon Vellozo (BRASIL, 2013).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 171
Resíduos sólidos (grupo D, subgrupo 2) Depósitos naturais (grupo E)
Durante o levantamento, as larvas são coletadas e o tipo de recipiente em que se encontravam é registrado. O cálculo do 
percentual de cada tipo de recipiente em relação ao total de recipientes (indicador ITR) permite o direcionamento de medidas 
de controle específicas, como o recolhimento de pneumáticos, a cobertura de depósitos de água com capas ou a intensificação 
de coleta de inservíveis. As ações de comunicação e mobilização social também podem ser mais direcionadas para os tipos de 
recipiente mais encontrados naqueles municípios. 
O índice entomológico mais utilizado estimado com base no LIRAa é o IIP, que representa o percentual de imóveis com 
criadouros do Aedes aegypti em uma localidade. Segundo o MS, um IIP maior que 3,9% indica a existência de risco aumentado 
para a ocorrência de epidemias de dengue. Os índices de infestação são indicadores bastante utilizados na definição de áreas 
prioritárias para intensificação de ações de controle vetorial dentro de um município.
Os índices de infestação predial por Aedes aegypti são classificados, de acordo com o risco, em:
IIP (%) Classificação
< 1 Satisfatório
1 a 3,9 Alerta
> 3,9 Risco
Fonte: Rondon Vellozo (BRASIL, 2013).Fonte: Rondon Vellozo(BRASIL, 2013).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 172
SAIBA MAIS
Alguns estudos não encontraram correlação positiva entre o IIP e os casos de 
dengue, ou seja, nem sempre localidades com alta transmissão apresentaram alto 
IIP, ou o contrário. É importante considerar que a confiabilidade dos indicadores 
estimados por meio do LIRAa é dependente da qualidade do trabalho da equipe 
envolvida. É necessário que realizem inspeção criteriosa em busca de criadouros, 
análise laboratorial adequada do material coletado, além de registro fidedigno dos 
dados nos boletins e no sistema.
Você pode aprender mais sobre o LIRAa no manual Levantamento rápido de 
índices para Aedes aegypti – LIRAa para vigilância entomológica do Aedes aegypti 
no Brasil: metodologia para avaliação dos índices de Breteau e Predial e tipo de 
recipientes (BRASIL, 2013).
PARA REFLETIR
Você acredita que, na localidade em que você trabalha, as ações de controle vetorial são 
orientadas pelos resultados do monitoramento entomológico? 
Consegue compreender as vantagens da realização do monitoramento entomológico? 
Quando bem-feito, ele pode auxiliar na definição das áreas em que é necessária a 
intensificação das ações de controle, ou avaliar se o que já foi executado trouxe bons 
resultados. É interessante que a comunidade conheça os resultados do monitoramento 
entomológico de sua localidade, pois isso pode auxiliar na compreensão das pessoas a 
respeito da necessidade de manutenção dos ambientes livres de criadouros e motivar a 
transformação do conhecimento em práticas.
Depois de compreendermos melhor as ações preconizadas pelo MS para a vigilância entomológica do 
Aedes aegypti, vamos conhecer um pouco sobre o controle de focos do mosquito e também do vetor 
alado (mosquito adulto).
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_liraa_2013.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_liraa_2013.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_liraa_2013.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_liraa_2013.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 173
3.3.4.2 Controle de focos 
O controle de focos consiste na eliminação de todos os depósitos que ofe-
reçam condições favoráveis à oviposição do vetor. Deve preferencialmente 
ocorrer por meio de controle mecânico, e, no caso de impossibilidade de 
destruição, vedação ou destinação adequada, os depósitos com água devem 
ser tratados com inseticida químico ou biológico para a eliminação de larvas 
ou pupas (tratamento focal) nas localidades infestadas pelo Aedes aegypti.
Não devem ser aplicados inseticidas: em latas, plásticos e outros depó-
sitos descartáveis que possam ser eliminados; em garrafas, que devem 
ser viradas e colocadas ao abrigo da chuva; em utensílios de cozinha 
que sirvam para acondicionar e cozer alimentos; em aquários ou tan-
ques que contenham peixes; em pratos de vasos de plantas; em vasos 
sanitários, caixas d’água de descarga e ralos de banheiro, exceto quan-
do a casa estiver desabitada ou o banheiro em desuso; e em bebedou-
ros de animais.
Atendendo às recomendações de manejo para prevenir a resistência 
a inseticidas, conforme Nota Informativa Nº 103/2019-CGARB/DEIDT/
SVS/MS (BRASIL, 2019c), as espinosinas estão sendo adotadas no con-
trole larvário de Aedes aegypti em substituição ao larvicida análogo de 
hormônio juvenil pyriproxyfen. A Nota Técnica Nº 10/2021-CGARB/DEI-
DT/SVS/MS (BRASIL, 2021b) traz orientações técnicas para utilização 
do larvicida biológico Espinosade, derivado da fermentação biológi-
ca da bactéria Saccharopolyspora spinosa, e aborda características do 
produto adotado, seu modo de ação e utilização, base de cálculo para 
solicitação ao MS, informações de proteção à saúde dos trabalhadores, 
toxicidade e condições necessárias para armazenamento adequado. 
Cabe ressaltar que é fundamental a aplicação do larvicida obedecendo 
à dosagem recomendada e após realização da cubagem do depósito, 
conforme orientado pela Nota Técnica Nº 10/2021-CGARB/DEIDT/SVS/
MS (BRASIL, 2021b).
Fonte: www.flickr.com
Fonte: www.flickr.com
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 174
A baixa adesão da população à manutenção dos imóveis livres de criadouros após a visita dos ACE é uma importante 
limitação ao controle de Aedes aegypti nos domicílios. Estratégias e processos de educação em saúde devem estimular 
a mudança de comportamento dos cidadãos, promovendo práticas responsáveis pela redução das fontes geradoras 
de mosquitos nas suas residências (JARDIM; SCHALL, 2015).
3.3.4.3 Controle do mosquito adulto em situação de surtos/epidemias e bloqueios de transmissão 
De acordo com as DNPCED, a aplicação espacial a UBV tem como função específica a eliminação das fêmeas de Aedes 
aegypti, devendo ser utilizada somente para bloqueio de transmissão e controle de surtos ou epidemias. Essa ação 
integra o conjunto de atividades emergenciais adotadas nessas situações, e seu uso deve ser concomitante com todas 
as demais ações de controle, principalmente a diminuição de fontes de mosquito (controle focal). A avaliação das 
atividades de rotina deve ser realizada de forma concomitante, buscando-se a correção de falhas.
3.3.4.3.1 Aplicação espacial a Ultrabaixo Volume (UBV pesado) 
Segundo as DNPCED, o princípio do método de controle vetorial a UBV 
consiste na fragmentação de uma pequena quantidade de inseticida 
pelo equipamento, formando pequenas partículas denominadas 
aerossóis. Essa nebulização, ao ser colocada no ambiente, eliminará por 
ação de contato todos os mosquitos que estiverem voando no local. 
As aplicações com Ultrabaixo (UBV) pesado são recomendadas para 
controle do Aedes aegypti em surtos e epidemias. 
A eficiência das aplicações espaciais a UBV é bastante discutida, pelo 
curto período de persistência do inseticida no ambiente (não há efeito 
residual) e pela rápida recuperação da população de vetores, que 
ocorre poucas semanas depois da aplicação. A ação do inseticida nesse 
tipo de aplicação é fortemente influenciada pelas correntes de ar, por 
fatores físico-químicos do ambiente, como temperatura, eletricidade e 
pressão barométrica, pela coincidência dos horários de aplicação com 
o horário de maior atividade vetorial e, ainda, por fatores operacionais, 
como velocidade de aplicação, diluição do inseticida e regulagem 
do equipamento. As barreiras físicas encontradas nas cidades, como 
muros, vegetação alta e a não abertura de portas e janelas das casas 
pelos moradores nos momentos de aplicação do inseticida a UBV, 
também diminuem sua eficácia. Outros fatores de importante influência 
na qualidade das aplicações são a qualificação dos operadores e a 
supervisão da atividade (Figura 27).
A metodologia recomendada pelo MS para aplicações de inseticidas 
a UBV por meio de equipamentos acoplados a veículos pode ser 
consultada em detalhes no documento DNPCED (BRASIL, 2009).
Fonte: www.flickr.com
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 175
FIGURA 27 – DISPERSÃO DA NEBLINA EM APLICAÇÕES ESPACIAIS A 
ULTRABAIXO VOLUME
Fonte: Brasil (2009, p. 80).
3.3.4.3.2 Aplicação espacial com equipamento costal motorizado (UBV 
leve ou costal) 
Os equipamentos costais motorizados são utilizados em locais em que 
o acesso com equipamento pesado não seja possível e, também, para 
bloqueio de transmissão, quando os primeiros casos são detectados 
em uma localidade. A utilização de equipamento costal motorizado 
apresenta uma eficácia maior que a do equipamento pesado, porém, 
dependendo da modalidade da sua aplicação, o rendimento é bastante 
baixo (Figura 28). A utilização desses equipamentos em aplicações intra 
e peridomiciliares tem um rendimento de, no máximo, seis quarteirões/
equipamento/dia, o que dificulta seu uso em grandes áreas, devido 
ao número de operadores e equipamentos necessários para conter 
rapidamente a transmissão. Alguns municípioscom maior número de ACE 
e boa capacidade operacional, entretanto, realizam a aplicação espacial 
de inseticidas exclusivamente por meio dos equipamentos costais.
FIGURA 28 – APLICAÇÃO ESPACIAL DE INSETICIDA COM 
EQUIPAMENTO COSTAL MOTORIZADO
Fonte: Brasil (2009).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 176
3.3.4.3.3 Bloqueio de transmissão
O bloqueio de transmissão baseia-se na aplicação de inseticida por meio da nebulização espacial a frio – tratamento 
a UBV – utilizando equipamentos portáteis em, pelo menos, uma aplicação, iniciando no quarteirão de ocorrência 
do caso de arbovirose notificado e continuando nos quarteirões adjacentes, considerando um raio de 150m. 
As atividades de bloqueio de transmissão devem, preferencialmente, ser adotadas após análise atualizada de 
indicadores epidemiológicos (número e localização dos casos por área, índice de infestação, arbovírus/sorotipo 
circulante) e operacionais (cobertura de visitas, número de quarteirões, índice de pendência, etc.) da área onde 
será feita a intervenção, permitindo, assim, avaliar o impacto das medidas adotadas. Dessa forma, é imprescindível 
a estreita integração e articulação dos serviços de vigilância epidemiológica e entomológica, de controle de vetores 
e da área de assistência. Essas aplicações têm caráter transitório, devendo ser suspensas quando as informações 
epidemiológicas indicarem que houve progresso no controle da transmissão.
A eficiência do bloqueio de transmissão aumenta consideravelmente quando se realiza a remoção prévia dos focos 
larvários, com a intensificação das visitas domiciliares e mutirões de limpeza e com a colaboração da população, 
abrindo portas e janelas, de maneira a facilitar a entrada das gotículas no domicílio.
O bloqueio de transmissão é a estratégia de escolha para uma ação imediata, quando se faz necessário o combate 
ao vetor em sua forma adulta. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando são notificados os primeiros casos suspeitos 
em municípios infestados, ou ao serem confirmados os primeiros casos de arboviroses em determinada área.
SAIBA MAIS SOBRE O CONTROLE DO AEDES AEGYPTI EM SURTOS, EPIDEMIAS E BLOQUEIOS DE 
TRANSMISSÃO
Atendendo às recomendações de manejo para prevenir a resistência a inseticidas (Nota Informativa Nº 
103/2019-CGARB/DEIDT/SVS/MS, disponível em https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/
publicacoes/estudos-e-notas-informativas/2019/nota-informativa-no-1032019-cgarbdeidtsvsms.
pdf, o inseticida organofosforado malathion começou a ser gradualmente substituído por uma formulação 
associada dos inseticidas imidacloprida e praletrina. Para controle de Aedes aegypti em situação de surtos e 
epidemias e nos bloqueios de transmissão, adotou-se o produto comercial de nome Cielo-ULV, do grupo dos 
neonicotinoides e piretroides. 
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos-e-notas-informativas/2019/nota-informativa-no-1032019-cgarbdeidtsvsms.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos-e-notas-informativas/2019/nota-informativa-no-1032019-cgarbdeidtsvsms.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos-e-notas-informativas/2019/nota-informativa-no-1032019-cgarbdeidtsvsms.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos-e-notas-informativas/2019/nota-informativa-no-1032019-cgarbdeidtsvsms.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos-e-notas-informativas/2019/nota-informativa-no-1032019-cgarbdeidtsvsms.pdf
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 177
3.3.4.4 Aplicação residual
A aplicação residual consiste em aplicar nas superfícies dos criadouros 
do mosquito Aedes aegypti e ao seu redor uma camada de cristais do 
princípio ativo inseticida, possibilitando uma ação prolongada do 
produto. Sua permanência na proximidade do criadouro aumenta 
a possibilidade de eliminação do mosquito. Esse tipo de aplicação 
é realizado tradicionalmente em pontos estratégicos, locais com 
concentração de depósitos preferenciais para as fêmeas do Aedes 
aegypti realizarem oviposição, ou em locais especialmente vulneráveis 
à sua introdução.
O inseticida preconizado pelo MS para controle de populações adultas 
de Aedes aegypti, por meio de aplicações de efeito residual em pontos 
estratégicos, é o produto de nome comercial Fludora® Fusion. Trata-se de 
uma associação dos inseticidas clotianidina e deltametrina, das classes dos 
neonicotinoides e piretroides, respectivamente. Informações detalhadas 
sobre o inseticida Fludora® Fusion e seu modo de utilização, modo de ação, 
dosagens recomendadas, cálculos, informações para proteção à saúde dos 
trabalhadores, exames complementares necessários aos ACE, cuidados 
para limpeza dos equipamentos e aferição de vazão, toxicidade, condições 
necessárias para armazenamento adequado e logística reversa, podem ser 
encontradas na Nota Técnica Nº 5/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS (2020c).
Diante da eficácia limitada dos métodos de aplicação de inseticidas 
tradicionalmente usados para controle do Aedes aegypti, recentemente 
a borrifação residual intradomiciliar (BRI) em áreas urbanas passou a ser 
recomendada como método alternativo. Cabe ressaltar que, apesar de 
apresentar maior eficácia na eliminação das populações de mosquitos 
que se encontram dentro dos domicílios, a BRI também tem efeito de 
curta duração, não superior a três semanas. A borrifação deve ser aplicada 
particularmente nos locais preferenciais de descanso das espécies 
Aedes, especialmente dentro de domicílios e outros locais de risco para 
segmentos específicos da população, como escolas, centros comunitários, 
centros de saúde, etc. (VÁZQUEZ-PROKOPEC et al., 2017; ORGANIZAÇÃO 
PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2019b).
Fonte: www.flickr.com
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 178
SAIBA MAIS SOBRE A BORRIFAÇÃO RESIDUAL PARA CONTROLE DO AEDES 
AEGYPTI
Conheça mais sobre a metodologia de aplicação de BRI para o controle de 
arboviroses no Manual para aplicação de borrifação residual em áreas urbanas 
para o controle do Aedes aegypti, disponível no endereço eletrônico iris.paho.
org/handle/10665.2/51639.
Projeto desenvolvido pela Superintendência de Controle de Endemias do Estado 
de São Paulo (SUCEN/SP) está avaliando a aplicação de BRI em “hotspots” (áreas 
com alta transmissão de arboviroses) para o controle do Aedes aegypti nos 
municípios de Marília-SP, Araçatuba-SP e Natal-RN. Um dos objetivos do estudo é 
validar um protocolo de BRI adaptado à realidade dos municípios brasileiros para 
adoção pelo Programa Nacional de Controle das Arboviroses.
3.3.4.5 Resistência a inseticidas
A resistência é a seleção de uma habilidade em uma linhagem de um 
organismo em tolerar doses de tóxicos que seriam letais para a maioria 
da população normal (suscetível) da mesma espécie (BERGAMIN FILHO; 
AMORIM, 1996). Ela pode ocorrer por meio de diferentes e complexos 
mecanismos, sendo conhecidos os seguintes: 
1) alterações comportamentais; 2) alterações no exoesqueleto dos insetos 
que dificultam a penetração dos compostos; 3) mutações estruturais nas 
proteínas-alvo desses compostos, impedindo ou atrapalhando sua ligação; 4) 
aumento na capacidade de detoxificação do inseticida por maior capacidade 
de catalização ou ampliação da quantidade de enzimas produzidas 
(resistência metabólica) (MOYES et al., 2017).
O uso contínuo e intensivo de inseticidas de um mesmo ingrediente ativo 
para o controle químico de uma população acelera a seleção de mosquitos 
resistentes, ou seja, daqueles capazes de sobreviver a doses que matariam os 
suscetíveis (não resistentes). Ao longo do tempo, o percentual de indivíduos 
resistentes nessa população vai aumentando tanto que, em algum momento, 
aquele inseticida já não é suficiente para controlar essa população de 
mosquitos no campo (ROUSH, 1989).
Fonte: www.fiocruzimagens.fiocruz.br
https://iris.paho.org/handle/10665.2/51639https://iris.paho.org/handle/10665.2/51639
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 179
Os inseticidas aprovados pela OMS para uso em saúde pública são poucos, já que devem 
passar por diversas avaliações de segurança para comprovação do baixo risco de causarem 
danos à saúde humana, dos demais animais e meio ambiente. Segundo a OMS, a resistência 
das populações de Aedes aegypti às classes de inseticidas organofosforados (OF) e piretroides 
(PI), mais tradicionalmente usadas, já está presente na maioria das regiões do mundo em 
que esse mosquito é encontrado (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013).
No Brasil, os primeiros relatos de resistência dessa espécie ao larvicida temefós, da classe dos 
OF, ocorreram em 1995. Poucos anos depois, cerca de metade dos municípios brasileiros já 
apresentava alterações de suscetibilidade de larvas de Aedes aegypti expostas ao produto, 
cenário que se agravou até a substituição do produto por larvicidas da classe dos reguladores 
de crescimento (IGR) a partir de 2009 (CHEDIAK et al., 2016). O mesmo ocorreu com os 
inseticidas utilizados para o controle de Aedes aegypti adultos, e o aumento da resistência 
aos PI e carbamatos ocasionou trocas das classes de inseticidas adotados ao longo do 
tempo. Com quatro a cinco anos de utilização do IGR pyriproxyfen para controle larvário da 
espécie em saúde pública, foram detectadas entre 2017 e 2018 as primeiras alterações de 
suscetibilidade ao larvicida no país. Na mesma ocasião, foi relatada a presença de resistência 
ao OF malathion dispersa em todo o território nacional (CAMPOS et al., 2020). 
A resistência dos vetores aos inseticidas deve sempre ser monitorada, apoiando a adoção de 
produtos eficazes para o controle químico. Além disso, outros métodos de controle devem 
ser realizados de maneira integrada, e a aplicação de inseticidas é o último recurso utilizado, 
buscando-se reduzir a necessidade da aplicação de inseticidas e a seleção de indivíduos 
resistentes.
SAIBA MAIS SOBRE RESISTÊNCIA AOS INSETICIDAS
Compreenda melhor como ocorre a seleção de insetos resistentes aos 
inseticidas e como são realizados os testes para sua detecção em laboratório, 
assistindo ao vídeo Módulo 5 – estratégias de controle de vetor produzido 
pela Fiocruz e disponível na plataforma YouTube, no endereço eletrônico 
www.youtube.com/watch?v=IBl78FWRWcw.
http://www.youtube.com/watch?v=IBl78FWRWcw
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 180
3.3.5 Roteiro da vigilância entomológica e controle vetorial
As ações preconizadas atualmente pelo MS para vigilância e controle do 
Aedes aegypti foram apresentadas nas seções anteriores. Vamos agora 
conhecer quais delas estão previstas para serem realizadas nos períodos 
não epidêmicos, quando existe baixa transmissão viral, e quais estão 
previstas para serem realizadas nos períodos epidêmicos.
3.3.5.1 Atribuições de vigilância e controle do Aedes aegypti em 
períodos não epidêmicos (rotina), segundo a esfera de governo 
(federal, estadual e municipal) 
Segundo a organização do SUS, existem atribuições definidas por meio 
de legislações para o MS, as Secretarias Estaduais de Saúde (SES) e as 
Secretarias Municipais de Saúde (SMS) no que se refere ao controle das 
arboviroses. Tais ações devem ser executadas em caráter permanente 
(sem interrupção), e algumas delas de forma complementar, o que quer 
dizer que os municípios devem ser apoiados pelos estados em caso de 
necessidade e os estados devem ser apoiados pela esfera federal.
Cabe ao MS, em linhas gerais, o papel de normatizar as políticas e ações 
de saúde, assessorar estados e municípios, prover aos municípios os 
inseticidas utilizados no controle de vetores, apoiar os estados com 
insumos e equipamentos da reserva estratégica em situações de 
emergência, executar as ações de controle das arboviroses de forma 
complementar aos estados ou em caráter excepcional, quando constatada 
a insuficiência da ação estadual. Às SES atribuem-se as responsabilidades 
de supervisionar, monitorar e avaliar as ações de prevenção e controle 
vetorial executadas nos municípios, gerenciar os estoques estaduais de 
inseticidas e as Centrais de UBV, prover EPIs e insumos (de acordo com 
regulamentação), executar ações de controle das arboviroses de forma 
complementar aos municípios, conforme pactuação, entre outras. As SMS 
são as executoras das ações, sendo responsáveis pela contratação dos ACE 
e ACS, execução das ações de controle mecânico, químico e biológico do 
mosquito, monitoramento entomológico, aquisição de EPIs, vestimentas 
e equipamentos de rotina recomendados para uso nas ações de controle 
vetorial, além de outras atividades previstas nas DNPECD.
ATRIBUIÇÕES DA ESFERA MUNICIPAL EM PERÍODOS NÃO EPIDÊMICOS
Incluir a vigilância sanitária municipal como suporte às ações de vigilância e 
controle vetorial, que exigem o cumprimento da legislação sanitária; 
Integrar as equipes de saúde da família nas atividades de controle vetorial, 
unificando os territórios de atuação de ACS e ACE; 
Realizar o levantamento de indicadores entomológicos; 
Executar as ações de controle mecânico, químico e biológico do mosquito; 
Enviar os dados entomológicos à esfera estadual, dentro dos prazos 
estabelecidos; 
Gerenciar os estoques municipais de inseticidas; 
Adquirir as vestimentas e equipamentos necessários à rotina de controle vetorial; 
Adquirir os EPIs recomendados para a aplicação de inseticidas nas ações de 
rotina; 
Participar das atividades de monitoramento da resistência do Aedes aegypti aos 
inseticidas, com a coleta de ovos mediante armadilhas (municípios selecionados); 
Coletar e enviar ao laboratório de referência amostras de sangue, para dosagem 
de colinesterase nos casos indicados; 
Constituir Comitê Gestor Intersetorial, sob coordenação da SMS, com 
representantes das áreas do município que tenham interface com o problema 
das arboviroses (defesa civil, limpeza urbana, infraestrutura, segurança, turismo, 
planejamento, saneamento, etc.), definindo responsabilidades, metas e 
indicadores de acompanhamento de cada área de atuação. 
Fonte: Brasil (2009).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 181
ATRIBUIÇÕES DA ESFERA ESTADUAL EM PERÍODOS NÃO EPIDÊMICOS 
Prestar assistência técnica aos municípios;
Supervisionar, monitorar e avaliar as ações de prevenção e controle vetorial;
Gerenciar os estoques estaduais de inseticidas e biolarvicidas para controle do 
vetor;
Gerenciar a Central de UBV, com distribuição adequada dos equipamentos aos 
municípios, considerando os indicadores entomo-epidemiológicos;
Executar as ações de controle das arboviroses de forma complementar aos 
municípios, conforme pactuação;
Prover EPIs e insumos, conforme regulamentação;
Gerenciar o sistema de informação no âmbito estadual, consolidar e enviar os 
dados regularmente à esfera federal, dentro dos prazos estabelecidos pelo gestor 
federal;
Analisar e retroalimentar os dados das arboviroses aos municípios;
Apoiar os municípios com pessoal, insumos e equipamentos, em situações de 
emergência;
Participar das atividades de monitoramento da resistência do Aedes aegypti aos 
inseticidas, com o acompanhamento técnico aos municípios na coleta e envio de 
ovos aos laboratórios de referência;
Definir fluxos e realizar os exames de dosagem de colinesterase, nos casos 
recomendados;
Constituir Comitê Gestor Intersetorial, sob coordenação da SES, com 
representantes das áreas do estado que tenham interface com o problema das 
arboviroses (defesa civil, limpeza urbana, infraestrutura, segurança, turismo, 
planejamento, saneamento, etc.), definindo responsabilidades, metas e 
indicadores de acompanhamento de cada área de atuação.
ATRIBUIÇÕES DA ESFERA FEDERAL EM PERÍODOS NÃO EPIDÊMICOS 
Prestar assessoria técnica aos estados e municípios;
Normatizar tecnicamente as ações de vigilância e controle das arboviroses; 
Prover insumos, conformeregulamentação; 
Consolidar os dados provenientes do estado; 
Executar as ações de controle das arboviroses de forma complementar aos 
estados ou em caráter excepcional, quando constatada a insuficiência da ação 
estadual; 
Apoiar os estados com insumos e equipamentos da reserva estratégica, em 
situações de emergência; 
Manter e controlar estoque estratégico de insumos e equipamentos; 
Monitorar a resistência do Aedes aegypti aos inseticidas, com a definição dos 
laboratórios de referência, seleção de municípios, divulgação dos resultados e 
manejo da resistência, o que pode incluir a troca de inseticidas;
Convocar Grupo Executivo Interministerial (Portaria nº 2.144/2008), definindo 
responsabilidades e indicadores de acompanhamento de cada área de atuação.
Fonte: adaptado de Brasil (2009).
Fonte: adaptado de Brasil (2009).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 182
3.3.5.2 Atribuições de vigilância e controle do Aedes aegypti em períodos epidêmicos, 
segundo a esfera de governo (federal, estadual e municipal) 
Em período epidêmico, caracterizado por alta transmissão de arboviroses, todas as ações 
devem ser otimizadas buscando a rápida redução das populações vetoriais. Com esse objetivo, 
atividades de rotina são alteradas, ocorrendo sua intensificação e direcionamento para as 
áreas com maior infestação pelo vetor e transmissão viral. Educação em saúde, mobilização 
social e articulação intersetorial devem também ser intensificadas durante epidemias.
ATRIBUIÇÕES DA ESFERA MUNICIPAL EM PERÍODOS EPIDÊMICOS
Análise das notificações dos casos de arboviroses, detalhando as informações pela menor 
unidade geográfica possível para identificação precisa dos locais em situação epidêmica;
Caso o município não tenha indicadores entomológicos atualizados, fornecidos pelo último 
ciclo de trabalho, deve realizar o LIRAa, com o objetivo de nortear as ações de controle; 
Com a informação entomológica atualizada, suspender o monitoramento entomológico 
de rotina e intensificar a visita domiciliar nos imóveis de áreas de risco do município, com 
manejo dos criadouros passíveis de remoção/eliminação e tratamento focal dos depósitos 
permanentes;
Realizar a aplicação de UBV, em articulação com a SES, utilizando equipamentos costais ou 
pesados, com cobertura de 100% da área de transmissão. Deve-se priorizar as áreas com 
registros de maior número de notificações por local de infecção, estratos em situação de risco 
de surto (IIP > 3,9%) e de alerta (IIP >1 e 3,9%) e locais com grande circulação de pessoas, 
enquanto houver transmissão; 
Intensificar a visita nos pontos estratégicos, com a aplicação de inseticida residual a cada dois 
meses, de acordo com residualidade do inseticida Fludora ® Fusion;
Publicar ato institucional convocando todos os profissionais de saúde envolvidos para 
intensificar as ações de controle (vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, controle de 
vetores, atenção básica, assistência e administração). Se necessário, esse ato deve indicar 
medidas como a suspensão de férias e folgas, entre outras;
Com base nos dados dos indicadores entomológicos, executar ações direcionadas, priorizando 
as áreas onde o LIRAa apontou estratos em situação de risco de surto (IIP > 3,9%) e de alerta (IIP 
>1 e <3,9%), visando ao manejo e/ou à eliminação dos depósitos com ações específicas, como 
mutirões de limpeza, instalação de capas de caixas d’água e recolhimento de pneumáticos; 
Designar um representante da entomologia/controle vetorial capacitado para realizar as 
análises de dados entomológicos e operacionais, que subsidiarão o grupo de monitoramento 
no âmbito do Cievs, onde houver. 
Fonte: Brasil (2009).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 183
ATRIBUIÇÕES DA ESFERA ESTADUAL EM PERÍODOS EPIDÊMICOS
Assessorar os municípios na elaboração de estratégias de controle de vetores;
Designar um representante da entomologia/controle vetorial para realizar as 
análises dos dados provenientes dos municípios, que subsidiarão o grupo de 
monitoramento, no âmbito do Cievs, onde houver; 
Assessorar os municípios no processo de vistoria e calibragem dos equipamentos 
de nebulização espacial (vazão, pressão e rotação), para garantir a qualidade 
durante a aplicação; 
Realizar manutenção periódica dos equipamentos de nebulização que fazem 
parte da central estadual de UBV;
Apoiar os municípios, por intermédio das centrais de UBV, na realização das 
operações de UBV, bem como orientar a sua indicação;
Assessorar os municípios na realização de avaliação de impacto das aplicações 
espaciais de inseticidas, utilizando metodologia recomendada pela OMS que 
preconiza o uso de ovitrampas, captura de adultos e provas biológicas com 
gaiolas; 
Apoiar e orientar tecnicamente a realização do LIRAa nos municípios de maior 
risco no estado; 
Repassar os inseticidas e larvicidas aos municípios.
ATRIBUIÇÕES DA ESFERA FEDERAL EM PERÍODOS EPIDÊMICOS
Assessorar tecnicamente os estados e, excepcionalmente, os municípios na 
elaboração de estratégias de controle de vetores; 
Garantir o repasse de insumos aos estados, conforme regulamentação; 
Designar um representante da entomologia/controle vetorial para realizar as 
análises dos dados entomológicos e operacionais provenientes dos estados, que 
subsidiarão o grupo de monitoramento, no âmbito do Cievs. 
Fonte: Brasil (2009).
Fonte: Brasil (2009).
De acordo com a estrutura do SUS, as ações de controle de vetores são 
realizadas pelos municípios, apoiadas e complementadas pelos estados e 
governo federal. É interessante conhecer de que forma são organizadas e 
reconhecer a importância de cada profissional envolvido nessas atividades.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 184
3.3.6 Ferramentas inovadoras para o controle do Aedes aegypti 
As ações para a vigilância e controle do Aedes aegypti apresentadas aos trabalhadores 
estudantes ao longo deste curso vêm sendo realizadas nos municípios brasileiros há várias 
décadas e, apesar dos esforços, não têm demonstrado a eficácia esperada na redução da 
infestação na maior parte do país. Isso reflete no aumento do número de casos de dengue, 
zika e chikungunya e na ocorrência de epidemias frequentes em diversos municípios (ZARA 
et al., 2016).
Os registros de manifestações neurológicas (síndrome de Guillain-Barré) e microcefalias 
associadas ao vírus zika em 2015 levaram o governo brasileiro a decretar situação de 
emergência em saúde pública de importância nacional. Com o reconhecimento de que as 
alternativas tradicionalmente utilizadas para o controle vetorial não estavam sendo suficientes 
para controlar a população de mosquitos e a transmissão de arbovírus, passaram a ser avaliadas 
a eficácia e viabilidade de aplicação de novas alternativas de controle em escala ampliada, 
com vistas à futura incorporação como ferramentas complementares àquelas já preconizadas 
pelo MS (BRASIL, 2016b). 
Que tal conhecer um pouco essas ferramentas? Seus mecanismos, benefícios e limitações 
foram apresentados no artigo Estratégias de controle do Aedes aegypti: uma revisão (ZARA 
et al., 2016):
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 185
TECNOLOGIA MECANISMO DE CONTROLE VETORIAL PRINCIPAIS VANTAGENS E BENEFÍCIOS PRINCIPAIS DESVANTAGENS E LIMITAÇÕES
Abordagem eco-
bio-social
Participação social no controle vetorial por 
meio do uso de ferramentas mecânicas.
É compatível com outras tecnologias, faz uso de ferramentas 
mecânicas, dispensa uso de inseticidas.
Depende do envolvimento de vários setores da sociedade; demanda 
recursos humanos; trata-se de processo educativo com resultados em 
médio e longo prazos; e necessita de ações recorrentes para garantir a 
sustentabillidade do método.
Mapeamento de 
risco
Ações específicas de controle vetorial em áreas 
de risco.
É compatível com outras tecnologias; permite análises mais precisasde situações de risco; auxilia na otimização de recursos.
É indicador de situação crítica, porém necessita de outras tecnologias para 
alcançar resultados satisfatórios; depende de várias fontes de dados e da 
qualidade dos dados secundários.
Compostos 
naturais Atividade larvicida.
Constitui-se em alternativa para o controle químico; utiliza inseticidas 
mais seguros.
Há necessidade de estudos de eficácia e custo- efetividade em comparação 
ao controle químico.
Wolbachia
Bactéria que, ao colonizar os mosquitos, 
provoca esterilidade e redução da transmissão 
de arbovírus.
Faz uso de microorganismo natural; é autossustentável; dispensa 
sexagem dos mosquitos; não utiliza inseticidas e radiação.
As diferenças climáticas, protocolos de liberação de mosquitos, nível de 
urbanização e densidade humana podem limitar o potencial invasivo dos 
insetos nos locais de soltura.
Mosquitos 
dispersores de 
inseticida
Soltura de mosquitos impregnados com lar- 
vicida, que dispersam o produto em possíveis 
criadouros onde vão depositar seus ovos.
Favorece a otimização do uso de recursos humanos; é compatível 
com outras tecnologias; faz uso do larvicida já disponibilizado pelo 
Ministério da Saúde; os agentes estão familiarizados com o tipo de 
armadilha utilizada; os mosquitos levam larvicidas para criadouros 
não visíveis ou inacessíveis, que somente eles encontram.
Pode promover seleção de populações de mosquitos resistentes ao 
inseticida, requer uma formulação de inseticidas com concentração ideal 
em pequenas partículas.
Nebulização 
espacial 
intradomiciliar 
residual
Aplicação de inseticida residual em pontos 
específicos dentro dos domicílios.
Possui abrangência espacial e reduz a transmissão de doenças no 
momento do surto.
Pode promover seleção de populações resistentes ao inseticida; pode ser 
influenciada pela regulagem da máquina; demanda agentes aplicadores 
treinados; existem apenas dois adulticidas disponíveis (piretroides e 
organosfosforados).
Dispositivos com 
inseticidas
Ação adulticida por meio de dispositivos 
intradomiciliares de liberação lenta.
Mostra ação efetiva em 80% a 90% dos mosquitos adultos no 
ambiente.
Pode promover seleção de populações resistentes ao inseticida; ocorre 
limitação do efeito em ambientes amplos; exige substituição do dispositivo 
após perda do efeito do inseticida.
Mosquitos 
transgênicos
Produção de genes letais, esterilização de 
mosquitos ou introdução de gene que reduza 
ou bloqueie a transmissão de doenças.
Leva à redução do tempo de vida dos mosquitos; diminui a 
infestação de mosquitos; e dispensa uso de radiação.
Há necessidade de uso de tecnologias de sexagem dos mosquitos; 
depende do protocolo de soltura; requer produção e liberação constante 
de mosquitos no meio ambiente.
Irradiação Esterilização de insetos por irradiação.
Reduz a infestação de mosquitos; dispensa o processo de sexagem 
dos mosqutios; e pode utilizar os equipamentos radiológicos já 
disponíveis no sistema de saúde.
Pode ocorrer substituição por população de mosquitos selvagens ao longo 
do tempo.
Wolbachia + 
irradiação
Esterilização de mosquitos e redução ou 
bloqueio de transmissão de patógenos.
Reduz o risco de substituição por mosquitos selvagens e reduz o 
risco de transmissão de patógenos; dispensa processo de sexagem.
As diferenças climáticas, protocolos de liberação de mosquitos, nível de 
urbanização e densidade humana podem limitar o potencial invasivo 
dos insetos nos locais de soltura; requer produção de mosquitos com 
Wolbachia e irradiados e constante liberação no meio ambiente.
Roupas 
impregnadas 
com inseticidas
Ação repelente e inseticida.
Trata-se de proteção individual; dispensa a reaplicação constante 
de repelentes e inseticidas; e pode ser utilizada por gestantes 
para tentar evitar casos de Zika e consequentes complicações 
neurológicas.
Seleção de populações resistentes ao inseticida, contato dermatológico 
frequente com a substância química, produção e durabilidade da roupa, 
uso por crianças somente no horário de aula e nos dias letivos.
Telas 
impregnadas 
com inseticidas
Proteção mecânica, repelente e inseticida. Combina controle mecânico e químico, e é compatível com outras tecnologias.
Pode promover a seleção de populações resistentes ao inseticida, requer 
instalação e manutenção das telas, há dificuldade de implantação em larga 
escala, dificuldade de fabricação, e apresentou pouca efetividade em locais 
com baixa infestação de mosquitos.
Fonte: Zara et al. (2016).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 186
Tais tecnologias encontram-se em diferentes fases de avaliação de custo-efetividade (comparação dos resultados 
obtidos por uma nova técnica ou tratamento, em relação ao custo para sua implementação). A avaliação de 
custo-efetividade deve ser, por lei, realizada antes da adoção de qualquer nova tecnologia pelo SUS, o que faz 
parte das diretrizes para o uso de recursos públicos. Esses estudos estão sendo realizados em municípios com 
diferentes realidades, tamanhos e características de estruturas dos serviços de saúde (especialmente, capacidade 
de operacionalização pelas equipes de controle vetorial). Exemplificando melhor a necessidade da condução 
dos estudos de campo em municípios com diferentes características, explico: nessa fase, esperamos conhecer 
a capacidade de equipes de campo reduzidas, que utilizam o apoio do laboratório de entomologia da SES para 
realizar o monitoramento, por exemplo para implementar e avaliar o uso das estações de disseminação de inseticidas 
por mosquitos. O resultado dessas pesquisas deverá embasar discussões sobre a implementação dessas novas 
ferramentas pelos Programas Municipais de Controle do Aedes em diferentes situações.
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 187
Chegamos ao final desta unidade, e reconheço que trabalhamos com muitas informações importantes para a sua 
prática profissional. As arboviroses são um problema bastante importante para a saúde pública e, durante minha 
experiência de trabalho em município, estado e no governo federal, sempre pude perceber a complexidade 
deste assunto. O principal motivo de ser tão complexo é que a transmissão das arboviroses é influenciada por 
vários fatores que vão além do setor Saúde, como a educação e o saneamento básico. Certamente, na sua rotina 
de trabalho você já se deparou com diversos desafios nesse sentido. 
Aprendendo um pouco mais sobre as arboviroses, você conseguiu perceber a importância do seu trabalho 
para a saúde pública? Imagine que o SUS é uma corrente e que cada elo é um trabalhador. Todos os elos são 
importantes e devem estar bem articulados para que o objetivo seja atingido, que é, no caso do SUS, oferecer 
assistência às pessoas por meio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde.
Tenha certeza de que este material vai auxiliar seu trabalho e, sempre que você sentir necessidade, procure os 
materiais adicionais indicados. Converse também com os colegas da sua e de outras equipes de trabalho, porque 
a troca de experiências nos faz mais fortes!
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 188
REFERÊNCIAS
ANDRADE, H. T. A.; SERPA FILHO, A. Princípios básicos de entomologia médica. 2021.
AVENDANHO, F. C.; SAID, R. F. C. Manejo Integrado de Vetores. Consensus, n. 31, abr./jun. 2019. Disponível em: https://www.conass.org.br/consensus/manejo-
integrado-de-vetores/. Acesso em: 21 jul. 2021.
BERGAMIN FILHO, A.; AMORIM, L. Doenças de Plantas Tropicais: Epidemiologia e Controle Econômico. São Paulo: Ceres, 1996.
BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Nº 13/2021-CGARB/DEIDT/SVS/MS. Recomendação de execução do Levantamento Entomológico para arboviroses 
urbanas no ano de 2021 em possível transmissão simultânea de Coronavírus (COVID – 19). 2021a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Nº 10/2021-CGARB/DEIDT/SVS/MS. Orientações técnicas parautilização do larvicida Espinosade para o controle de 
Aedes aegypti. 2021b.
BRASIL. Ministério da Saúde. Situação epidemiológica da febre amarela – Monitoramento 2020/2021. Boletim Epidemiológico, v. 52, n. 4, 2021c.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 5. Ed. Brasília, 2021d.
BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Informativa Nº 8/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS. Recomendações aos Agentes de Combate a Endemias (ACE) para adequação 
das ações de vigilância e controle de zoonoses frente à atual situação epidemiológica referente ao Coronavírus (COVID-19). 2020a. Disponível em: https://
portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/marco/30/nota-informativa-ACE-Covid-19-27mar20.pdf. Acesso em: 21 jul. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Nº 1/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS. Apresenta as características gerais relacionadas ao produto atualmente preconizado 
para as atividades de controle químico a Ultra Baixo Volume (UBV), Cielo ULV. 2020b. Disponível em: https://dive.sc.gov.br/conteudos/zoonoses/dengue/SEI_
MS%20-%200013726537%20-%20Nota%20T%C3%A9cnica%20(1).pdf. Acesso em: 21 jul. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Nº 5/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS. Apresenta o produto FLUDORA® FUSION. 2020c. Disponível em: https://central3.
to.gov.br/arquivo/557775/. Acesso em: 21 jul. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em 
Saúde: volume único. 3. ed. Brasília, 2019a. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/junho/25/guia-vigilancia-saude-volume-unico-
3ed.pdf. Acesso em: 31 ago. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Saúde Ambiental, do Trabalhador e Vigilância das Emergências em Saúde Pública. 
Manual sobre Medidas de Proteção à Saúde dos Agentes de Combate às Endemias. Volume 1: Arboviroses Transmitidas pelo Aedes aegypti. Brasília, 2019b. 
Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_protecao_agentes_endemias.pdf. Acesso em: 21 jul. 2021.
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Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 189
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Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 190
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Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 3 - Vigilância e Controle de Vetores 191
MINICURRÍCULO DA AUTORA
KAUARA BRITO CAMPOS
Sou graduada em Medicina Veterinária (UFMG/2006). Minha experiencia como servidora pública começou como contratada 
da Prefeitura Municipal de Sabará/MG, entre 2007 e 2008, onde eu trabalhei nos Programas de Controle de Leishmanioses e 
Raiva, do Centro de Controle de Zoonoses. Entre 2008 e 2013 fui servidora da Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais 
no cargo de Especialista de Políticas e Gestão da Saúde, atuando na Diretoria de Vigilância Ambiental como referência técnica 
estadual dos Programas de Controle da Dengue, Leptospirose, Febre Maculosa, Esquistossomose e das Unidades de Controle 
de Zoonoses. Nesse período, me tornei Especialista em Gestão Pública dos Serviços de Saúde nas Faculdades Integradas de 
Jacarepaguá (FIJ/2009) e Mestre em Ciências da Saúde/Infectologia e Medicina Tropical, na linha de pesquisa Epidemiologia 
e Controle das Doenças Infecciosas e Parasitárias (Faculdade de Medicina - UFMG/2012). Fui Autoridade Sanitária na área de 
vigilância epidemiológica no Estado de MG entre 2010 e 2013. Em 2012, fui assessora de campo do Projeto de Expansão do 
Acesso às Medidas de Prevenção e Controle da Malária para Populações Vulneráveis da Amazônia Brasileira, do Ministério da 
Saúde e Fundo Global de Prevenção da AIDS, Tuberculose e Malária, atuando no estado de Rondônia. 
Sou servidora do Ministério da Saúde no cargo Tecnologista Pleno desde agosto de 2015, e anteriormente ocupei o cargo 
Analista Técnico de Políticas Sociais (2013 a 2015), onde atuo como técnica na área de controle vetorial na Coordenação Geral 
de Vigilância das Arboviroses/Secretaria de Vigilância em Saúde. Durante minha atuação no Ministério da Saúde, realizei o 
Curso de aperfeiçoamento em Epidemiologia para Gestores de Saúde Pública pela Universidade Johns Hopkins (2014); e 
atualmente sou estudante de Doutorado em Medicina Tropical na Universidade de Brasília, na área de concentração Biologia 
das Doenças Infecciosas e Parasitárias, com parte dos experimentos sendo realizados no Laboratório de Entomologia Médica 
da Universidade da Florida, nos Estados Unidos da América. 
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8678614853126629
http://lattes.cnpq.br/8678614853126629
Programa Educacional em Vigilância e Cuidado em Saúde
no Enfrentamento da COVID-19 e de outras doenças virais
Unidade 4
Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses
Carlos Henrique Alencar • Daniela Buosi Rohlfs • Francisco Gustavo Silveira Correia • Jackeline Leite Pereira Pavin
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 193
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
Este pode ser o seu primeiro contato com o tema da Vigilância em Saúde Ambiental voltada para as ações de controle de vetores. 
Esperamos, com esta unidade, que os conceitos apresentados lhe ofereçam conhecimentos sobre as questões ambientais voltadas ao 
controle das arboviroses. Para isso, vamos apresentar as etapas de construção da política de Vigilância em Saúde Ambiental que vem sendo 
desenvolvida no Brasil, pautada pela Política Nacional de Vigilância em Saúde. Buscamos descrever algumas situações de risco à saúde 
humana relacionadas com o controle de vetores. Para tanto, os tópicos foram criados com o objetivo de relacionar a realidade vivenciada 
no território com os conceitos descritos, com a problematização de cenários de risco e, principalmente, com a atuação do setor Saúde ante 
os problemas identificados. 
Diante disso, apresentamos alguns pontos de discussão sobre a relação da Vigilância em Saúde Ambiental com o controle das arboviroses. 
Esta unidade está dividida em duas seções principais: seção Vigilância em Saúde Ambiental: aspectos conceituais, organizacionais e marcos 
regulatórios, na qual trabalharemos os seguintes temas: aspectos históricos da Vigilância em Saúde; o conceito de Vigilância em Saúde 
Ambiental; modelos conceituais da relação saúde e meio ambiente; e marcos regulatórios da Vigilância em Saúde Ambiental no Brasil, 
e seção Componentes da Vigilância em Saúde Ambiental, em que serão abordados os seguintes conteúdos: avaliação de riscos à saúde 
humana; indicadores de Vigilância em Saúde Ambiental; fatores ambientais de riscos biológicos; saneamento e arboviroses.
Seguimos juntos nos estudos desta unidade!
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 194
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE
1. Conhecer o marco conceitual e organizacional e os marcos regulatórios da Vigilância em Saúde Ambiental no Brasil;
2. Conhecer a política e atuação da vigilância em saúde ambiental, com destaque para o controle de arboviroses;
3. Compreender os fundamentos sobre avaliação de risco à saúde humana;
4. Identificar os impactos do modelo de desenvolvimento, consumo e atividades humanas no controle de arboviroses;
5. Reconhecer os processos socioambientais associados às arboviroses no território;
6. Estabelecer a relação entre a vigilância em saúde ambiental e seus fatores de risco para o combate às arboviroses;
7. Identificar a importância da intersetorialidade nas ações de combate às arboviroses.
Carga Horária de Estudo: 20 horas
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 195
4.1 Introdução
A identificação das relações entre saúde e ambiente é fundamental para 
a inserção do profissional na problemática dos riscos ambientais. Você já 
pensou nisto? O processo histórico de formação de uma comunidade, de 
sua cultura, suas crenças e suas necessidades dialogam conosco. Todos 
os profissionais da saúde podem utilizar as características da população 
como ferramentas para umaprática em saúde preventiva e assistencial de 
qualidade nas intervenções de saúde da comunidade.
4.2 Vigilância em Saúde Ambiental: aspectos conceituais, organizacionais 
e marcos regulatórios
Nesta seção, vamos conhecer os modelos conceituais de saúde, sua estruturação organizacional (vamos conhecer a ideia do 
processo saúde-doença) e alguns marcos regulatórios da Vigilância em Saúde Ambiental no Brasil que são importantes para a 
melhoria da qualidade de vida e saúde na comunidade. Preparamos este material para que você, trabalhador estudante, possa 
aproveitar da melhor forma. Acreditamos que você gostará desta unidade e dos estudos que vamos realizar.
4.2.1 A arte de vigiar: aspectos históricos da Vigilância em Saúde
Historicamente, a vigilância em saúde está relacionada principalmente às práticas de contenção dos doentes e controle da 
disseminação das doenças. Foi então que surgiram as ações de isolamento social, também chamadas de quarentena. Veja que 
essa prática sanitária é considerada uma das mais antigas ações de promoção da saúde já registradas. Ela é tão antiga que, ao final 
da Idade Média, no século XIV, a quarentena tornou-se uma prática bastante adotada pelos governos recém-instituídos com o 
objetivo de reduzir a dispersão de doenças oriundas dos navios que circulavam pelo mundo (ROSEN, 1994). Mas antes de fazer um 
julgamento a favor ou contra a efetividade ou a implementação dessas práticas, você deve ter em mente que os conceitos de saúde 
e doença são produtos da tecnologia de cada época e lugar!
Vamos trabalhar juntos nessas ideias. Foi somente a partir do século XVIII que a Europa apresentou alguns elementos centrais do 
que atualmente denominamos vigilância em saúde. Nesse período, foram criados os movimentos sociais que organizaram as bases 
conceituais para uma Saúde Pública e para a medicina social na Europa (RODRIGUES DA SILVA, 1973; FOUCAULT, 1982). Nessa 
época, a assistência médica pública era praticamente beneficente, fruto das ações de caridade, e caberia ao Estado se envolver 
apenas quando essa oferta de assistência fosse insuficiente. Perceba que esta “ação complementar de caridade” do Estado já seria 
uma semente para um futuro serviço público de saúde (DALLARI, 2007).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 196
No século XIX, a Segunda Revolução 
Industrial trouxe inovações 
tecnológicas e mudanças sociais, 
acompanhadas pelo advento da 
bacteriologia e aprofundamento 
do conhecimento sobre as doenças 
infecciosas. Nessa época, as novas 
máquinas e uma organização do 
trabalho mais intensa e algumas 
vezes torturante provocaram uma 
deterioração das condições de vida 
da população de trabalhadores nas 
grandes cidades.
A Revolução Industrial e a vida do trabalhador: relações de atualidade
Reflita sobre as duas fotos a seguir: como era a rotina dos trabalhadores à época 
da Segunda Revolução Industrial nas fábricas? Havia cadeiras, exaustores ou 
ventiladores, equipamentos de proteção individual (EPI)? A que elementos 
nocivos os trabalhadores eram expostos durante os turnos de trabalho? Qual 
a qualidade de vida que as cidades proporcionavam? O trabalhador saía de 
uma fábrica após extenuantes 12 (até 16) horas de um trabalho contínuo, um 
ambiente muitas vezes poluído, e encontrava uma cidade limpa, organizada, 
saudável? Havia espaços de lazer, rios para nadar, praças para caminhar, 
alguma forma de lazer para este trabalhador e sua família?
Às vezes os filmes que retratam aquela época são exageradamente 
românticos e ficcionais, não acha?
Fonte: https://www.gettyimages.pt/fotos/revolu%C3%A7%C3%A3o-industrial. 
Para outras informações sobre como a vida do trabalhador foi transformada 
neste período, indicamos a leitura do texto O trabalho na sociedade industrial: 
um breve entendimento da racionalização do modo de produção capitalista, 
escrito por Guilherme Sávio Marchi (2013). Além da maquinação das linhas 
de trabalho, ele esclarece como a ideia de operário também foi transfigurada 
em “coisa” nesse processo capitalista. Vale a pena a leitura! Disponível no 
link: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/aurora/article/view/3417.
Observe que esse contexto foi considerado 
a força motriz para dar início à produção 
de inúmeros trabalhos de pesquisa que 
aprofundaram a relação direta entre saúde 
e condições de vida. Há uma clara aceitação 
em associar a situação de saúde às iniciativas 
de organização do Estado para atender às 
necessidades da população. Veja que nesse 
momento desenvolveu-se lentamente a 
ideia de que as consequências dos impactos 
humanos (antrópicos) no ambiente 
tornaram-se mais próximas da saúde 
humana, principalmente, com o intenso 
processo industrial e de urbanização.
https://www.gettyimages.pt/fotos/revolu%C3%A7%C3%A3o-industrial
https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/aurora/article/view/3417
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 197
No entanto, como tudo muda com o tempo, o conceito de vigilância também foi sendo 
modificado ao longo das décadas de estudos das áreas biológica e social. Tradicionalmente, a 
vigilância era tratada como o “ato de observar, de acompanhar os doentes”, no entanto, a partir de 
1950, a vigilância passou a significar algo mais abrangente, mudando seu foco para as medidas 
de controle e para o processo de “acompanhar sistematicamente os eventos adversos à saúde 
na comunidade” (WALDMAN, 1998, p. 17-18). Observe que se passaram pelo menos 13 anos da 
aparição conceitual do termo vigilância em saúde, quando, no ano de 1963, vigilância em saúde 
foi referida como a “observação contínua da distribuição e tendências da incidência de doenças 
mediante a coleta sistemática, consolidação e avaliação de informes de morbidade e mortalidade, 
assim como de outros dados relevantes, e a regular disseminação dessas informações a todos os 
que necessitam conhecê-la” (MONKEN; BATISTELLA, 2009).
Um ponto fundamental merece destaque aqui: o embate histórico-econômico entre as forças 
produtivas. Esse conflito se torna explícito na década de 1970, e faz com que vivamos um 
confronto que gera uma tensão cada vez mais explícita entre as forças produtivas. As crises 
ambientais como as entendemos são consequências desses embates entre as formas de 
produção, apropriação da natureza, exercício do poder e organização social (RADICCHI; LEMOS, 
2013). Desses conflitos conceituais entre a ação do Estado e a necessidade do crescimento na 
economia do país, a partir do poder de geração de lucros, surgem termos como sustentabilidade, 
desenvolvimento sustentável e saúde ambiental.
Saiba mais
Achou interessante este tema? Recomendamos dois textos que 
apresentam ricos detalhes sobre a construção da Vigilância em Saú-
de Ambiental no mundo: A construção da Vigilância em Saúde Am-
biental no Brasil (ROHLFS et al., 2011): https://pesquisa.bvsalud.
org/portal/resource/pt/lil-641459
Vigilância em Saúde Ambiental no Brasil: heranças e desafios (BE-
ZERRA, 2017): https://www.scielo.br/j/sausoc/a/QW39pKs4mM-
fkbGxVryfrJ3v/?lang=pt.
Vale a pena a leitura!
4.2.2 Mas por que Saúde Ambiental?
Vamos pensar juntos. Todos esses conflitos gerados no processo de produção originaram os sinais 
da crise ambiental em âmbito global, mas, principalmente, na saúde individual. As consequências 
do efeito estufa, o aquecimento dos oceanos, as intoxicações químicas, a maior prevalência de 
doenças neurológicas, imunológicas e respiratórias, a violência... todos esses são sinais evidentes 
que avançam de forma ameaçadora sobre os ecossistemas e as comunidades humanas (AUGUSTO, 
2003).
A consequência disso é que a qualidade de vida e da saúde das populações vem sendo depreciada 
rapidamente em virtude desses desequilíbrios: a poluição ambiental e a degradação dos espaços 
urbanos e solos, assim como a contaminação dos mananciais, são fatores de risco ambientais 
bastante sensíveis à sobrevivência humana (AUGUSTO; FLORÊNCIO;CARNEIRO, 2001). 
O agravamento do quadro fomentou, especialmente nos últimos 30 anos, o desenvolvimento da 
Saúde Ambiental. Essa ciência foi amadurecida em seu caráter multidisciplinar e em sua proposta 
de dar visibilidade às questões sobre o uso racional dos recursos naturais, ao desenvolvimento 
de tecnologias não poluentes, às consequências relacionadas à pobreza e às disparidades entre 
países desenvolvidos e países em desenvolvimento.
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-641459
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-641459
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/QW39pKs4mMfkbGxVryfrJ3v/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/QW39pKs4mMfkbGxVryfrJ3v/?lang=pt
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 198
A doença de Minamata: um silencioso exemplo de desastre ambiental e social
Trabalhador estudante, você conhece a doença de Minamata? Ela ocorreu na primeira metade do século XX, no Japão. Alguns habitantes da cidade de Minamata 
apresentaram febre, fortes convulsões, perda de consciência e surtos de psicose. Além dessa rara doença, os investigadores tinham outro ponto a investigar: 
elas não tinham quase nada em comum. Quase! Os indivíduos haviam consumido peixes 
coletados da baía de Minamata, na qual uma tradicional empresa de produção de PVC 
descartava seus resíduos industriais. Após cerca de 900 óbitos e 5000 pessoas atingidas 
pela doença, a causa da doença de Minamata foi esclarecida, em 1956: o mercúrio. 
Na baía de Minamata, no Japão, fontes locais de poluentes geraram contaminações 
crônicas nas populações por exposição prolongada a concentrações de metilmercúrio. 
Uma indústria lançava dejetos contendo essa forma orgânica do mercúrio na baía da 
Minamata desde 1930. 
O mercúrio era despejado em um rio que desaguava no mar, um importante ecossistema 
para animais que alimentavam as comunidades da região. A fauna marinha foi intoxicada. 
A substância acumulou-se gradualmente na biomassa (“carne”). Pela comida, o metal 
altamente tóxico chegou aos seres humanos. Cerca de 20 anos depois, começaram a 
surgir sintomas de contaminação: peixes, moluscos e aves apareceram mortos. Em 1956, 
o primeiro caso de contaminação humana – uma criança com danos cerebrais – foi 
identificado. Muitos casos foram observados depois dessa data, e a moléstia ficou conhecida 
como Doença de Minamata.
Trabalhador estudante, reflita sobre esse desastre 
ambiental: quais ações poderiam ter sido implementadas 
para evitar tantos óbitos e adoecimentos? O governo local 
e as iniciativas privadas precisam construir quais conexões 
para que haja um intercâmbio de informações mais claro 
e menos burocrático? Para além de buscar os culpados 
(em um desastre ambiental, sempre existem os atores que 
permitiram o fenômeno acontecer), que atitudes legais e 
solidárias você acredita que podemos aprender com esse 
triste episódio para impedir um evento dessa magnitude 
na sua comunidade?
Interessado nesse tema? Indicamos o documentário 
AMAZÔNIA, A NOVA MINAMATA?, dirigido por Jorge 
Bodanzky. Ele acompanhou médicos e pesquisadores que investigaram a contaminação por mercúrio na Amazônia entre 2019 e 2020. Esse filme resgata a história 
de Minamata, no Japão, enquanto desvenda o real tamanho dessa ameaça para a floresta e seus habitantes. Vale a pena conferir!
FIGURA 1 – MAPA DA BAÍA DE MINAMATA, JAPÃO
Fonte: Google Maps.
FIGURA 2 – SEQUELAS DA DOENÇA DE MINAMATA
Fonte: www.japaoemfoco.com/a-misteriosa-doenca-de-minamata/
https://www.japaoemfoco.com/a-misteriosa-doenca-de-minamata/
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 199
Diante das transformações que vinham acontecendo nos últimos 30 anos e 
que ainda estão ocorrendo, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) 
conceituou a Saúde Ambiental como a ciência que compreende aspectos 
da saúde humana, incluindo qualidade de vida, que são determinados 
por fatores físicos, químicos, biológicos, sociais e psicológicos no meio 
ambiente (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1993). Um ponto importante 
a ser considerado foi a vinculação do conceito à teoria e à prática de avaliação, 
correção, controle e prevenção daqueles fatores que, presentes no ambiente, 
podem afetar potencialmente de forma adversa a saúde humana das 
gerações do presente e do futuro (ORGANIZACION PANAMERICANA DE LA 
SALUD, 1994).
No Brasil, a Política Nacional de Vigilância em Saúde define Vigilância em 
Saúde Ambiental como um
conjunto de ações e serviços que propiciam o 
conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores 
determinantes e condicionantes do meio ambiente 
que interferem na saúde humana, com a finalidade de 
recomendar e adotar medidas de promoção à saúde, 
prevenção e monitoramento dos fatores de riscos 
relacionados às doenças ou agravos à saúde (BRASIL, 
2018). 
Esse conceito nasce do aprimoramento das políticas públicas na área 
de vigilância em saúde e foi construído com a participação de todos os 
representantes dos estados e municípios durante as conferências municipais, 
regionais, estaduais e nacional.
Saiba mais
Você sabe como as políticas públicas são construídas no 
SUS?
Achou interessante esta discussão sobre o conceito de 
Saúde Ambiental? Recomendamos o livro 1ª Conferência 
Nacional de Saúde Ambiental (1ª CNSA), em especial o 
capítulo sobre Saúde Ambiental nas Cidades (AMORIM et 
al., 2009):
Disponível em: www.saude.sp.gov.br/resources/cve-
centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/
doencas-ocasionadas-pelo-meio-ambiente/doc/cnsa_
livro.pdf#page=31
Boa leitura!
4.2.3 A relação entre saúde e ambiente: modelos conceituais
Você já percebeu que o conhecimento científico vem sendo aprimorado ao longo do tempo e que, 
com essa evolução, novas formas de explicação para os fenômenos de adoecimento e seus fatores 
determinantes surgiram? Vamos analisar alguns dos principais modelos explicativos do processo saúde-
doença (ALMEIDA FILHO; ROUQUAYROL, 2006):
• modelo biomédico;
• modelo processual;
• modelo sistêmico;
• modelo de determinação social da doença.
https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-ocasionadas-pelo-meio-ambiente/doc/cnsa_livro.pdf#page=31
https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-ocasionadas-pelo-meio-ambiente/doc/cnsa_livro.pdf#page=31
https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-ocasionadas-pelo-meio-ambiente/doc/cnsa_livro.pdf#page=31
https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-ocasionadas-pelo-meio-ambiente/doc/cnsa_livro.pdf#page=31
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 200
O modelo mágico-religioso
Antes de estudarmos esses modelos, é importante que você, trabalhador estudante, saiba que 
existiu uma concepção bastante antiga de que o estado de higidez (saúde e harmonia interior) e 
de doença cabia aos deuses e a forças místicas que fluíam pelo corpo humano. Essa concepção 
é nomeada de modelo mágico-religioso. 
Bastante difundido na sociedade grega, teve defensores famosos, como Platão, Aristóteles 
e Demócrito. Eles acreditavam que o processo de adoecimento no homem acontecia por 
um desequilíbrio entre corpo e alma e que o meio externo podia afetar seu estado de saúde 
(CEBALLOS, 2015). 
FIGURA 3 – ASCLÉPIO E HIGEIA: DEUS GREGO DA MEDICINA E DEUSA DA SAÚDE
Fonte: https://www.worldhistory.org/Asclepius/ Fonte: http://aves.edu.pt/tas/?p=449
O modelo mágico-religioso perdeu sua hegemonia na sociedade científica com o desenvolvimento 
das tecnologias e das teorias biológicas sobre o processo saúde-doença, porém ainda podem ser 
percebidos traços de sua presença. No Brasil, nossa cultura acolhe fenômenos sobrenaturais, por 
exemplo cerimônias de cura, uso de amuletos e “pagamento” de promessas,como ritos fidedignos 
para alcançar um estado de saúde melhor. Ainda são muito comuns no país as benzedeiras e 
indivíduos com a capacidade de manipular fluxos de energias vitais.
4.2.3.1 Modelo biomédico
O modelo biomédico tem como principal vertente, o 
diagnóstico e cura de doenças infecciosas, associando as 
doenças diretamente a um agente patogênico. Esse é um 
modelo por excelência focado no indivíduo. Ele é bastante 
específico e com os conhecimentos científicos aplicados 
de forma fragmentada; perceba que neste modelo há uma 
resistência à interdisciplinaridade. O ambiente hospitalar é 
elevado ao patamar máximo do processo curativo (ALMEIDA 
FILHO; ROUQUAYROL, 2006).
Descartes, no século XVII, propôs que o corpo e a mente 
deveriam ser estudados de forma separada, sendo o corpo 
analisado pela medicina e a mente estudada pela religião e 
pela filosofia. Esse modelo fragmentado de pensar o fenômeno 
do adoecimento foi fortalecido pelas descobertas de Pasteur 
e Virchow em seus trabalhos com microrganismos no século 
XIX. Esses pesquisadores estabeleceram uma relação entre os 
recém-descobertos agentes (microorganismos) patogênicos 
como causadores de doenças, até então com causas misteriosas 
(BARROS, 2002). Há, neste modelo, uma ênfase na microbiologia, 
fisiologia, patologia e clínica centrado no funcionamento do 
corpo humano e do microorganismo. Neste modelo, a doença é 
uma falha ou um desequilíbrio do organismo humano diante de 
outros seres, caracterizando um modelo unicausal para explicar 
o surgimento do processo de adoecimento.
https://www.worldhistory.org/Asclepius/
http://aves.edu.pt/tas/?p=449
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 201
Descartes e Virchow: homens além dos seus séculos.
René Descartes foi filósofo, cientista e matemático. Viveu entre 1596 e 1650 na França. Desde a 
infância impressionava pela insistência em não aceitar sem reflexão os ensinamentos e opiniões 
recebidos de seus mestres. Aos 17 anos, já havia aprendido tudo que era ensinado àquela época 
nas escolas. 
Em 1619, concebeu a ideia de uma ciência universal, a qual unificaria todas as verdades filosóficas 
e científicas. Ele descreveu um sistema de raciocínio. Descartes se engajou no desenvolvimento 
do método de questionamento pelo qual se alcançaria o progresso filosófico e científico. 
Descartes concebeu um método científico novo para sua época (século XVII) que permitia a 
resolução de todos os problemas suscetíveis à razão. Convencido do potencial da razão humana, 
recorreu à dúvida como método de raciocínio. Ao duvidar de tudo, reconhece que duvidar 
significa pensar, chegando à sua mais famosa conclusão: “Penso, logo existo” (EMILIO, 2007). 
Rudolf Virchow viveu entre 1821 e 1902 na Alemanha. O médico foi considerado “Pai da Patologia”, especialidade 
que procura explicar os mecanismos pelos quais surgem as doenças a partir de alterações morfoestruturais das 
células e órgãos. Era professor em um importante hospital em Berlim. 
Em 1845, Virchow demonstrou que células doentes eram provenientes de células e tecidos sadios. Pode parecer 
óbvio, não? Não para aquela época! Naquele período, respeitados patologistas afirmavam que as alterações 
patológicas ocorriam devido a um desequilíbrio no sangue. Virchow contestou diretamente a teoria de que todas 
as doenças eram produto de ação de germes. A teoria microbiológica não estava estabelecida ainda!!! 
Além desse pensamento revolucionário, Virchow se dedicou à divulgação científica: criou sua própria revista 
médica (atualmente conhecida como Virchows Archiv). Sua revista era produzida para profissionais especializados 
e leigos, pois defendia a ideia de que “era preciso tornar o conhecimento acessível. A ciência avança a passos 
rápidos, e a imprensa precisa se adequar a isso”. Rudolf Virchow sabia que o conhecimento científico só alcança 
seu verdadeiro impacto quando se torna público e compreensível à maior parte da sociedade (GUARISCHI, 2019).
 FIGURA 4 – QUADRO DE RENÉ DESCARTES
Fonte: amenteemaravilhosa.com.br/rene-descartes-biografia/
FIGURA 5 – FOTO DE RUDOLF VIRCHOW
Fonte: cbc.org.br/artigo-rudolf-virchow/
https://amenteemaravilhosa.com.br/rene-descartes-biografia/
https://cbc.org.br/artigo-rudolf-virchow/
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 202
4.2.3.2 Modelo processual
O modelo processual surgiu no final do século XX no contexto 
de uma transição epidemiológica na Europa. Essa transição 
se refere à redução no número de casos de doenças infecto 
parasitárias (DIP) na população (redução na prevalência) e 
aumento dos casos de doenças e agravos não transmissíveis 
(DANTs). Este modelo já apresenta avanços conceituais 
quando comparado ao modelo biomédico, pois baseia-se no 
modelo de História Natural da Doença, conceito inicialmente 
proposto pelos pesquisadores Leavell e Clark. A história 
natural da doença já se relaciona a uma visão multicausal da 
doença: “Estímulos patológicos desencadeados pelo ambiente 
desencadeiam uma resposta no corpo, e terá como desenlace 
a cura, cronicidade, sequela ou óbito” (LEAVELL; CLARK, 1976).
Nesse ponto, você pode observar que o modelo processual 
multicausal prevê uma tríade ecológica, formada pelo agente 
causador da doença, pelo hospedeiro, ou pessoa suscetível, e, 
finalmente, pelo meio ambiente em que a relação do agente 
e do hospedeiro acontece. Na visão explicativa do processo 
saúde-doença, percebe-se um destaque e a importância do 
meio externo, um espaço com seus próprios fatores de risco e 
no qual interagem determinantes e agentes. Merece destaque 
também o meio interno, local em que se desenvolve a doença 
(PUTTINI; PEREIRA JUNIOR; OLIVEIRA, 2010). 
Pela primeira vez, os fatores externos foram destacados como 
causa para o adoecimento. No entanto, muitas vezes, esses 
fatores externos são difíceis de controlar, pois são caracterizados 
pela natureza física, biológica, genética, cultural, psicossocial 
e sociopolítica da população. Observe que, por outro lado, 
o meio interno é o lugar em que se processam modificações 
fisiológicas e histológicas no indivíduo, e essas modificações 
podem ser ajustadas por: mudanças de hábitos, atitudes 
positivas para evitar contaminações, vigilância individual, 
exames periódicos, entre outros.
FIGURA 6 – MODELO DE HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA
Fonte: Almeida Filho e Rouquayrol (2006).
Enfrentamento das Arboviroses | Unidade 4 - Vigilância Ambiental e Controle das Arboviroses 203
4.2.3.3 Modelo sistêmico
É possível observar uma evolução do processo 
saúde-doença no modelo sistêmico, se 
comparado aos anteriores. Este modelo trouxe 
uma abordagem mais abrangente do processo 
saúde-doença. Ele rompe com a ideia de meio 
externo e interno observados de forma separada 
e desenvolve o conceito de sistema de fatores. 
Como exemplos desses fatores podemos 
destacar os fatores políticos, socioeconômicos, 
culturais, ambientais e patogênicos. Neste 
modelo, um sistema atua como “um conjunto 
de elementos de tal forma relacionados que 
uma mudança no estado de qualquer elemento 
provoca mudança nos demais elementos” (PAIM; 
ALMEIDA FILHO, 2000).
É importante destacar que, de acordo com o 
modelo sistêmico, uma situação de saúde pode 
ser analisada da perspectiva funcional de um 
sistema epidemiológico em equilíbrio dinâmico. 
Os fatores são abordados de forma sinérgica, ou 
seja, interagem de tal forma que a modificação 
de um afetará os demais (ALMEIDA FILHO; 
ROUQUAYROL, 2006), em um processo pelo qual 
o sistema busca novo equilíbrio.
Um modelo sistêmico para arboviroses
Caro trabalhador estudante, vamos desenvolver uma proposta de modelo sistêmico para arboviroses? Desenvolver a 
aplicação da História Natural da Doença pode explicar o sinergismo (interação) entre fatores de risco para as epidemias 
de arboviroses que assolam periodicamente o Brasil. Isso pode facilitar sua compreensão de um fenômeno que está 
ocorrendo na

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