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Livro Texto - Unidade I

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Prévia do material em texto

Autor: Prof. Flávio Buratti Gonçalves
Colaboradores: Prof. Juliano Rodrigo Guerreiro
 Profa. Christiane Mazur Doi
 Profa. Marília Tavares Coutinho da Costa Patrão
Interpretação Laboratorial 
na Clínica Farmacêutica
Professor conteudista: Flávio Buratti Gonçalves 
Biomédico graduado pela Universidade de Mogi das Cruzes (1996), especialista em Diagnóstico Laboratorial 
de Doenças Tropicais pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e em Acupuntura 
Tradicional Chinesa, mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP (2000), doutor em Patologia 
Ambiental e Experimental pela UNIP (2017) e habilitado nas áreas de Análises Clínicas, Microbiologia, Imunologia, 
Parasitologia, Saúde Pública e Acupuntura. Atualmente, é coordenador do curso de Biomedicina na modalidade 
semipresencial (flex), coordenador auxiliar do curso presencial e docente da UNIP. Atua nas seguintes linhas de 
pesquisa: Patologia Ambiental e Experimental (Neuroimunopatologia), Microbiologia e Imunologia. É membro do 
Banco de Avaliadores (Basis) do Inep.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
G635i Gonçalves, Flávio Buratti.
Interpretação Laboratorial na Clínica Farmacêutica / Flávio 
Buratti Gonçalves. – São Paulo: Editora Sol, 2022.
180 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Estudo. 2. Avaliação. 3. Diagnóstico. I. Título.
CDU 615.03
U516.29 – 22
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Profa. Sandra Miessa
Reitora em Exercício
Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini
Vice-Reitora de Administração
Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia
Vice-Reitor de Extensão
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades do Interior
Unip Interativa
Profa. Elisabete Brihy
Prof. Marcelo Vannini
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático
 Comissão editorial: 
 Profa. Dra. Christiane Mazur Doi
 Profa. Dra. Angélica L. Carlini
 Profa. Dra. Ronilda Ribeiro
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista
 Profa. Deise Alcantara Carreiro
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Vitor Andrade
 Leonardo do Carmo
 Caio Ramalho
Sumário
Interpretação Laboratorial na Clínica Farmacêutica
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................9
Unidade I
1 ASPECTOS METODOLÓGICOS DO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS E 
INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS LABORATORIAIS .......................................................................... 11
1.1 Conceitos básicos em análises clínicas ........................................................................................ 14
1.1.1 Valores de referência ............................................................................................................................. 14
1.1.2 Especificidade e sensibilidade ............................................................................................................ 14
1.1.3 Exatidão, precisão e acurácia metodológica ............................................................................... 16
1.1.4 Erros sistemáticos e aleatórios .......................................................................................................... 17
1.2 Qualidade no contexto do laboratório de análises clínicas ................................................ 19
1.2.1 Procedimentos operacionais padrão ............................................................................................... 19
1.2.2 Controle interno e externo de qualidade ...................................................................................... 19
1.2.3 Certificação laboratorial ...................................................................................................................... 22
1.3 Avaliação dos testes laboratoriais na prática clínica do farmacêutico .......................... 23
1.4 Principais métodos empregados no laboratório de análises clínicas .............................. 25
2 AVALIAÇÃO DE MARCADORES BIOQUÍMICOS RELACIONADOS AOS DISTÚRBIOS 
DO METABOLISMO .............................................................................................................................................. 27
2.1 Estudo bioquímico-laboratorial das principais alterações hepáticas 
e das vias biliares ......................................................................................................................................... 28
2.1.1 Aminotransferases ou transaminases: alanina aminotransferase (ALT), ou 
transaminase pirúvica (TGP), e aspartato aminotransferase (AST), ou transaminase 
oxalacética (TGO) ............................................................................................................................................... 28
2.1.2 Desidrogenase lática (LDH) ................................................................................................................. 29
2.1.3 Fosfatase alcalina (FA) .......................................................................................................................... 29
2.1.4 Gama-glutamil transferase (GGT) .................................................................................................... 30
2.1.5 Bilirrubinas ................................................................................................................................................ 30
2.1.6 Albumina .................................................................................................................................................... 31
2.1.7 Globulinas (alfa-1, alfa-2, beta e gama) ....................................................................................... 32
2.1.8 Ferritina e transferrina .......................................................................................................................... 33
2.1.9 Alfa-fetoproteína (AFP) ........................................................................................................................ 33
2.1.10 Fatores de coagulação ........................................................................................................................ 33
2.1.11 Colinesterases ......................................................................................................................................... 34
2.1.12 Amônia ..................................................................................................................................................... 35
2.2 Estudo bioquímico-laboratorial das principais alterações do pâncreas endócrino ................ 36
2.2.1 Glicemia em jejum .................................................................................................................................. 39
2.2.2 Glicemia pós-prandial de 2 horas .................................................................................................... 39
2.2.3 Teste de O’Sullivan.................................................................................................................................. 39
2.2.4 Teste de tolerância oral à glicose (TTOG) ou curva glicêmica .............................................. 39
2.2.5 Hemoglobina glicada (HbA1c) ...........................................................................................................40
2.2.6 Glicosúria ................................................................................................................................................... 41
2.2.7 Frutosaminas ............................................................................................................................................ 42
2.2.8 Insulina plasmática em jejum ou basal ......................................................................................... 42
2.2.9 Curva de insulinemia simplificada de 2 horas ............................................................................ 43
2.3 Estudo bioquímico-laboratorial do perfil pancreático exócrino ....................................... 43
2.3.1 Teste da secretina-colecistocinina ................................................................................................... 44
2.3.2 Quantificação da gordura fecal ........................................................................................................ 45
2.3.3 Quimiotripsina fecal .............................................................................................................................. 45
2.3.4 Tripsina imunorreativa (IRT) ............................................................................................................... 45
2.3.5 Elastase pancreática fecal ................................................................................................................... 46
2.3.6 Amilasemia ................................................................................................................................................ 46
2.3.7 Lipasemia .................................................................................................................................................... 47
2.4 Estudo bioquímico-laboratorial das principais alterações associadas 
às dislipidemias ............................................................................................................................................. 48
2.4.1 Triglicérides (TG) ...................................................................................................................................... 51
2.4.2 Colesterol total (CT) ............................................................................................................................... 51
2.4.3 Colesterol HDL .......................................................................................................................................... 51
2.4.4 Colesterol LDL ........................................................................................................................................... 52
2.4.5 Avaliação lipídica completa ................................................................................................................ 55
2.5 Estudo bioquímico-laboratorial das principais alterações gastrointestinais ............... 56
2.6 Estudo bioquímico-laboratorial das principais alterações do metabolismo ósseo ........... 58
3 MARCADORES DE AVALIAÇÃO DE FUNÇÃO RENAL E DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO 
E HIDROELETROLÍTICO: A IMPORTÂNCIA DA UROANÁLISE ............................................................... 59
3.1 Exame de urina tipo 1 ........................................................................................................................ 61
3.1.1 Exame físico da urina ............................................................................................................................ 61
3.1.2 Exame químico da urina ...................................................................................................................... 63
3.1.3 Exame microscópico do sedimento ................................................................................................. 67
3.2 Avaliação dos distúrbios hidroeletrolíticos ................................................................................ 70
3.2.1 Sódio e potássio ...................................................................................................................................... 71
3.2.2 Cloreto ......................................................................................................................................................... 72
3.2.3 Cálcio ........................................................................................................................................................... 72
3.2.4 Magnésio .................................................................................................................................................... 73
3.2.5 Fosfato ......................................................................................................................................................... 73
3.2.6 Bicarbonato ............................................................................................................................................... 73
3.3 Perfil renal ............................................................................................................................................... 74
3.3.1 Estimativa da taxa de filtração glomerular .................................................................................. 75
3.3.2 Ureia ............................................................................................................................................................. 76
3.3.3 Cistatina C.................................................................................................................................................. 77
4 O LABORATÓRIO CLÍNICO NA AVALIAÇÃO DO SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO: 
ANÁLISE DA FERTILIDADE E DA FUNÇÃO PROSTÁTICA ........................................................................ 80
4.1 Infertilidade masculina ...................................................................................................................... 80
4.2 Diagnóstico das doenças prostáticas ........................................................................................... 85
Unidade II
5 O LABORATÓRIO CLÍNICO NA AVALIAÇÃO DOS EXAMES CITOPATOLÓGICOS 
GINECOLÓGICOS .................................................................................................................................................. 97
5.1 Papanicolau ............................................................................................................................................ 97
5.1.1 Principais características do epitélio do colo do útero e da vagina .................................. 97
5.1.2 Etapas do exame de Papanicolau ..................................................................................................... 99
5.2 Diagnóstico das doenças da mama ............................................................................................104
6 O LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA: AVALIAÇÃO DOS EXAMES HEMATOLÓGICOS 
E CORRELAÇÕES FISIOPATOLÓGICAS ........................................................................................................106
6.1 Hemograma ..........................................................................................................................................106
6.1.1 Interpretação do hemograma..........................................................................................................108
6.2 Diagnóstico diferencial das principais anemias carenciais e hemolíticas ...................110
6.3 Diagnóstico diferencial das doenças benignas dos leucócitos e das principais 
leucemias, linfomas e mielomas ..........................................................................................................112
6.4 Alterações da hemostasia e distúrbios hemorrágicos .........................................................116
7 AVALIAÇÃO DAS FUNÇÕES ENDÓCRINAS: METODOLOGIAS APLICADAS AO 
ESTUDO HORMONAL .......................................................................................................................................118
7.1 O eixo hipotálamo-hipófisee a secreção hormonal ............................................................119
7.1.1 O eixo hipotálamo-hipófise-tireoide ............................................................................................121
7.1.2 Paratireoides .......................................................................................................................................... 123
7.1.3 O eixo hipotálamo-hipófise-testículo ......................................................................................... 124
7.1.4 O eixo hipotálamo-hipófise-ovários ............................................................................................ 127
7.1.5 O eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal .................................................................................... 129
8 AVALIAÇÃO DOS EXAMES MICROBIOLÓGICOS, PARASITOLÓGICOS E SUAS 
CORRELAÇÕES FISIOPATOLÓGICAS ............................................................................................................132
8.1 O laboratório de microbiologia clínica ......................................................................................132
8.1.1 Automação do laboratório de microbiologia clínica ............................................................. 135
8.1.2 Técnicas moleculares aplicadas à microbiologia clínica ...................................................... 137
8.2 O laboratório de parasitologia clínica ........................................................................................140
8.2.1 Automação do laboratório de parasitologia clínica ...............................................................141
8.2.2 Técnicas de biologia molecular aplicadas à parasitologia clínica .................................... 142
8.3 Testes laboratoriais remotos (point-of-care) ..........................................................................143
8.4 Diagnóstico das principais doenças emergentes e reemergentes no Brasil ...............143
8.4.1 Diagnóstico das hepatites virais .................................................................................................... 143
8.4.2 Diagnóstico da rubéola ..................................................................................................................... 149
8.4.3 Diagnóstico da dengue.......................................................................................................................151
8.4.4 Diagnóstico da infecção por HIV ................................................................................................... 152
8.4.5 Diagnóstico de covid-19 ................................................................................................................... 154
8.4.6 Diagnóstico da tuberculose ............................................................................................................. 155
8.4.7 Diagnóstico das infecções por bactérias KPC-positivas ...................................................... 156
8.4.8 Diagnóstico das infecções por enterobactérias....................................................................... 157
8.4.9 Diagnóstico das infecções fúngicas ............................................................................................. 158
8.4.10 Diagnóstico da malária ................................................................................................................... 159
8.4.11 Diagnóstico das leishmanioses......................................................................................................161
8.5 Vacinação e prevenção de doenças ............................................................................................162
8.6 Antibioticoterapia: regras gerais de prescrição ......................................................................166
9
APRESENTAÇÃO
Este livro-texto apresenta conteúdo atualizado sobre os mais consagrados e os mais modernos 
métodos usados nas análises clínicas diagnósticas, de modo a permitir que o aluno correlacione os 
resultados dos exames laboratoriais e os principais aspectos da clínica farmacêutica.
O objetivo desta disciplina é fornecer informações sobre os principais dados laboratoriais que 
norteiam o diagnóstico, a avaliação do prognóstico e o monitoramento clínico e terapêutico das doenças 
mais comuns na população.
O conteúdo será apresentado de forma a integrar os conhecimentos adquiridos nas várias unidades 
curriculares que constituem o curso. Assim, pretende-se, essencialmente, conferir competências para a 
compreensão dos diversos parâmetros analíticos de modo integrado.
Após a leitura deste livro-texto, esperamos que você consiga discutir casos clínicos, interpretar 
parâmetros analíticos e desenvolver temas relacionados às situações descritas, independentemente da 
área em que vai atuar.
Boa leitura!
INTRODUÇÃO
A evolução metodológica vivenciada nos últimos 50 anos de medicina diagnóstica de precisão 
revolucionou o mercado de saúde mundial. Com equipamentos robustos, rápidos e confiáveis, o mercado 
diagnóstico laboratorial tornou-se referência para os atendimentos clínicos de urgência, de emergência 
e de rotina.
Em uma linha de temporalidade técnica, migramos de métodos 100% manuais, dependentes do 
operador, para processos totalmente automatizados, sem nenhum manuseio humano da amostra 
biológica, de elevada sensibilidade e especificidade.
Atualmente, as análises clínicas laboratoriais apresentam altíssima qualidade técnica, pois utilizam 
protocolos que garantem a exatidão e a reprodutibilidade dos exames, o que tem possibilitado a adoção 
da conduta clínica e terapêutica mais adequada a cada caso. Além disso, cada vez torna-se mais evidente 
a importância do farmacêutico na avaliação global do paciente, que inclui a interpretação dos exames 
e a correlação entre esses resultados e a terapia medicamentosa adotada.
Todos esses aspectos serão discutidos ao longo deste livro-texto, que apresenta seu conteúdo 
dividido conforme descrito a seguir.
•	 Na unidade I, são introduzidos os aspectos metodológicos e de controle de qualidade em laboratórios 
de análises clínicas. Em seguida, são ilustrados os testes laboratoriais de maior impacto no laboratório 
de análises clínicas, destacando-se os serviços de bioquímica e de uroanálise. Estudam-se os 
10
exames para a investigação funcional do sistema reprodutor masculino, com ênfase nas questões 
relacionadas com a fertilidade.
•	 Na unidade II, são acentuados os principais testes e metodologias que envolvem as alterações 
relacionadas ao sistema reprodutor feminino; os exames realizados para avaliar distúrbios 
hematológicos e de hemostasia, com ênfase no hemograma; os testes realizados para verificar as 
alterações no sistema endócrino; e o diagnóstico das principais doenças infecciosas e parasitárias.
Como exemplos de aplicação, foram adicionados alguns casos clínicos em cada unidade, para que 
você compreenda o raciocínio clínico por trás dos resultados dos diferentes exames e testes laboratoriais.
Bom estudo!
11
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
Unidade I
1 ASPECTOS METODOLÓGICOS DO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS E 
INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS LABORATORIAIS
Você já deve ter se perguntado: por que preciso de um teste de laboratório?
Os testes de laboratório são realizados por muitos motivos diferentes. Os principais são descritos 
a seguir.
•	 Para diagnosticar ou descartar uma doença ou uma condição específica. O teste de HPV 
(papilomavírus humano) é um exemplo: ele pode mostrar se a pessoa tem ou não uma infecção por HPV.
•	 Para realizar triagem. Um teste de triagem ajuda a entender o risco de se contrair uma doença 
específica. Também pode diagnosticar doenças, mesmo na ausência de sintomas. O Papanicolau, 
por exemplo, é um tipo de teste de triagem para o câncer do colo do útero.
•	 Para monitorar uma doença e/ou seu tratamento. Se a pessoa já foi diagnosticada com uma 
doença, testes de laboratório podem mostrar se sua condição está melhorando ou piorando. Tambémpode destacar se o tratamento está funcionando. A glicemia, por exemplo, é um teste usado para 
monitorar a diabetes e seu tratamento. Às vezes, também é usado para diagnosticar a doença.
•	 Para a avaliação do estado de saúde. Testes de laboratório são frequentemente incluídos 
em um check-up de rotina. O médico pode solicitar exames de vários órgãos e sistemas para 
monitorar a saúde geral do paciente. Esses testes podem ajudar a encontrar problemas de saúde 
antes que os sintomas apareçam. O hemograma, por exemplo, é um tipo de exame de rotina 
que avalia a quantidade e a qualidade das diferentes células que compõem o sangue. Ele pode 
fornecer ao médico informações importantes sobre a saúde das pessoas e o risco de desenvolver 
certas doenças.
No laudo, os resultados dos testes de laboratório são mostrados com um conjunto de números 
conhecidos como “intervalos de referência”, “valores de referência” ou “valores normais”. Os intervalos de 
referência são baseados nos resultados dos testes de um grande grupo de pessoas saudáveis e mostram 
como deve ser o resultado de um exame cuja amostra não apresenta alteração no parâmetro testado.
No entanto, vale destacar que, às vezes, pessoas saudáveis obtêm resultados fora dos valores de 
referência, enquanto pessoas com problemas de saúde podem ter resultados dentro desses valores. Se os 
resultados estiverem fora do intervalo de referência na ausência de sintomas, ou se a pessoa apresentar 
sintomas apesar de um resultado normal, provavelmente precisará de mais testes.
12
Unidade I
Os resultados do teste laboratorial também podem incluir um dos termos a seguir.
•	 Negativo ou normal: a doença (ou a substância) testada não foi encontrada.
•	 Positivo ou anormal: a doença (ou a substância) testada foi encontrada.
•	 Inconclusivo ou incerto: não há informações suficientes nos resultados para diagnosticar ou 
para descartar a doença, o que indica, na maioria das vezes, a necessidade de que sejam realizados 
mais testes.
Testes que avaliam vários órgãos e sistemas geralmente fornecem resultados quantitativos, que 
podem estar dentro ou fora de um intervalo de referência, enquanto aqueles que diagnosticam ou 
descartam doenças são qualitativos e, comumente, usam os termos listados anteriormente.
Resultados incorretos, que não correspondem à realidade, podem ser falso-positivos ou 
falso-negativos. Esses resultados não acontecem com frequência, mas é mais provável que aconteçam 
com certos tipos de testes, ou caso um teste não tenha sido conduzido de maneira adequada.
•	 Um resultado falso-positivo significa que o teste mostra que a pessoa tem uma doença ou uma 
condição, mas, na verdade, ela não tem.
•	 Um resultado falso-negativo significa que o teste mostra que a pessoa não tem uma doença ou 
uma condição, mas, na verdade, ela tem.
Embora os resultados falso-negativos e falso-positivos sejam incomuns, o médico pode solicitar que 
sejam feitos vários outros testes, a fim de garantir que o diagnóstico esteja correto.
Existem muitos fatores que podem afetar a precisão dos resultados do teste, por exemplo:
•	 certos alimentos e certas bebidas;
•	 medicamentos;
•	 estresse;
•	 exercício vigoroso;
•	 variações nos procedimentos do laboratório;
•	 algumas doenças.
Mas, afinal, como interpretar os resultados dos testes laboratoriais?
13
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
A interpretação dos resultados pode ser tão ou mais complexa do que o teste em si. Uma das causas 
é que nenhum resultado analítico é absoluto, independentemente do método utilizado.
Em outras palavras, todos os resultados têm um grau de incerteza associado: há incerteza na 
identificação correta da substância ou do parâmetro que está sendo avaliado, na sua quantificação etc.
O laboratório de análises clínicas é um serviço de saúde que tem como principal finalidade apoiar a 
conduta clínica perante as mais diversas enfermidades que nos atingem.
Muitos diagnósticos e muitas condutas terapêuticas são conduzidos de acordo com resultados de 
testes laboratoriais. Dessa forma, é fundamental que o laboratório de análises clínicas adote condutas 
que garantam a confiabilidade diagnóstica e metodológica de seus procedimentos.
O laboratório de análises clínicas é composto de diferentes setores técnicos, os quais executam 
a fase analítica do serviço diagnóstico. Entre esses setores, destacam-se os laboratórios de bioquímica 
clínica, gasometria, hematologia clínica, hemostasia, microbiologia clínica, uroanálise, imunologia clínica, 
hormônios, sorologia e de parasitologia clínica. Além desses setores clássicos, o laboratório de análises 
clínicas pode ter, em seu escopo, os serviços de biologia molecular, de citogenética clínica e de citopatologia, 
entre outros.
O quadro a seguir mostra alguns dos principais exames laboratoriais realizados no laboratório de 
análises clínicas.
Quadro 1 – Relação dos principais setores do laboratório de análises 
clínicas e exemplos de exames realizados em cada setor
Setor Principais exames
Hematologia clínica 
e hemostasia
Hemograma (eritrograma, leucograma e plaquetograma), provas de coaulação, 
tipagem ABO e sistema RH, testes de Coombs direto e indireto, contagem de 
reticulócitos, prova de falcização, curva de resistência osmótica
Bioquímica clínica 
e gasometria
Gasometria, dosagens de glicemia, amilase, lipase, ácido úrico, proteínas totais 
e frações, perfil renal (ureia, creatinina, clearance de creatinina, proteinúrias), 
provas AST, ALT, FAL, GGT, bilirrubina total e frações, cálcio iônico, ionograma, 
colesterol total e frações, enzimas cardíacas
Microbiologia 
clínica
Culturas de bactérias e fungos, provas de antibioticoterapia (antibiograma), 
baciloscopia (pesquisa de BK), provas de identificação e classificação 
bacteriana, hemocultura
Imunologia clínica, 
hormônios e sorologia
Prova para sífilis (VDRL), hormônios sexuais masculinos e femininos, 
hormônios tireoidianos, provas de autoimunidade, sorologias para diferentes 
doenças e agentes, entre outros
Uroanálise e fluidos 
corporais
Dosagem de proteinúria em urina de 24 horas, urina tipo I, análise dos 
líquidos cavitários (líquor, líquido ascético, líquido pleural, líquido sinovial)
Parasitologia clínica Provas protoparasitológicas, sangue oculto nas fezes
Outros testes Pesquisa molecular, MLPA, cariotipagem, Fish, arrays
Os testes laboratoriais são desenvolvidos em três fases distintas e inter-relacionadas:
14
Unidade I
•	 a fase pré-analítica, que envolve desde a solicitação do teste laboratorial até a triagem dos 
materiais coletados;
•	 a fase analítica, relacionada com os procedimentos experimentais necessários para a obtenção 
dos resultados;
•	 a fase pós-analítica, que se refere à análise e à interpretação dos resultados, ao preparo do laudo 
e ao estabelecimento da conduta terapêutica.
Atualmente, o laboratório de análises clínicas é composto de plataformas automatizadas, que 
realizam as dosagens dos analitos e a contagem de células com maior rapidez e confiabilidade, devido à 
padronização dos processos e à minimização dos erros decorrentes da manipulação humana.
A automação laboratorial deve ser avaliada com muito critério pelo responsável técnico, a fim de 
garantir a reprodutibilidade de todas as etapas dos testes.
1.1 Conceitos básicos em análises clínicas
Diversos parâmetros são importantes para que os resultados de um exame laboratorial sejam 
interpretados de maneira correta. A seguir, apresentamos os principais.
1.1.1 Valores de referência
Como já discutido anteriormente, os valores de referência são um intervalo de valores obtidos a 
partir da observação ou da avaliação quantitativa de um analito em uma população saudável. Em 
outras palavras, eles indicam a faixa de normalidade da concentração do analito em determinado tipo 
de amostra biológica (sangue, urina, líquor etc.).
Esses valores são diferencialmente expressos de acordo com o tipo de teste realizado (qualitativo ou 
quantitativo).
•	 Nos testesqualitativos, o valor de referência tende a ser apresentado como positivo ou negativo 
ou, ainda, como reagente ou não reagente.
•	 Nos testes quantitativos, os valores de referência são expressos como valores numéricos em 
intervalos de referência, que se referem a uma taxa ou a uma faixa de normalidade, dentro de 
um intervalo de variação dito normal.
1.1.2 Especificidade e sensibilidade
A especificidade e a sensibilidade são parâmetros fundamentais para garantir a confiabilidade do 
teste e para entender as limitações relacionadas com a interpretação dos resultados gerados. Eles são 
expressos em valores relativos, que variam de 0% a 100%.
15
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
A especificidade do teste consiste na probabilidade de detectar corretamente indivíduos sadios 
quando eles são submetidos a um teste laboratorial, ou seja, relaciona-se à capacidade de identificar 
de maneira inequívoca os indivíduos não doentes. Por exemplo, em testes sorológicos, a especificidade 
refere-se à capacidade de detectar somente os antígenos e/ou os anticorpos que sejam específicos para 
a doença diagnosticada pelo teste.
Testes com elevada especificidade têm pouca chance de apresentar resultados falso-positivos, ou 
seja, de evidenciar indivíduos saudáveis como doentes. Por exemplo, um teste que apresenta 98% 
de especificidade consegue indicar resultados verdadeiro-positivos em 98% dos casos e resultados 
falso-positivos em apenas 2% dos casos.
A sensibilidade, por sua vez, refere-se à potencialidade de detectar uma ínfima porção do analito na 
amostra, ou seja, trata-se da capacidade de detectar de maneira correta os pacientes doentes.
Testes com alta sensibilidade são muito utilizados para a triagem diagnóstica, pois a chance de 
revelar resultados falso-negativos é baixa. Por exemplo, um teste que apresenta 98% de sensibilidade 
consegue indicar resultados verdadeiro-negativos em 98% dos casos e resultados falso-negativos em 
apenas 2% dos casos.
Exemplo de aplicação
Em bancos de sangue, os exames de triagem de doenças transmissíveis são essenciais para garantir 
a qualidade do material doado e a segurança do receptor do sangue e dos hemoderivados.
A Resolução RDC n. 153, de 14 de junho de 2004, determina que as amostras de sangue devam ser 
obrigatoriamente testadas para hepatite B, hepatite C, HIV-1 e HIV-2, doença de Chagas, sífilis, HTLV-I 
e HTLV-II e, em situações especiais, para CMV e malária (BRASIL, 2004).
Ainda de acordo com a resolução, é obrigatória a realização de exames laboratoriais de alta 
sensibilidade. Portanto, os testes, quando necessários, devem privilegiar a sensibilidade em detrimento 
da especificidade.
Em um banco de sangue, a triagem sorológica é realizada com fins preventivos, ou seja, a finalidade 
dos testes é evitar a contaminação do indivíduo receptor. Portanto, a diminuição dos resultados 
falso-negativos deve ser privilegiada. As amostras de sangue com sorologia falso-positiva, por outro 
lado, não representam risco para o receptor.
Caso o resultado positivo persista, o doador deverá ser convocado para a realização de testes 
confirmatórios, com alta especificidade, para que haja certeza diagnóstica. Esses testes podem ser 
realizados no próprio hemocentro ou em unidades assistenciais indicadas.
A relação entre a sensibilidade e a especificidade de um teste diagnóstico é avaliada por meio de 
ferramentas de validação, por exemplo, a curva ROC (receiver operating characteristic). Essa curva é um 
16
Unidade I
instrumento que previne os erros diagnósticos e contribui para a padronização dos testes laboratoriais. 
Nesse contexto, é importante ressaltar que a sensibilidade e a especificidade do teste são determinadas 
com base em estudos populacionais.
A
Co
nt
ag
em
50
50 70 90
0
Teste 1
40
30
20
10
A3 A1 A2
Controle
Doentes
1 - Especificidade (falso-positivos)
B
Se
ns
ib
ili
da
de
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
A3
Teste 1
Linha de 
referência
A1
A2
Figura 1 – (A) Representação das curvas de distribuição de resultados para um teste hipotético que visa 
classificar pacientes como doentes ou saudáveis. (B) Curva ROC dos resultados do teste 1, segundo sua 
sensibilidade e taxa de falso-positivos. O ponto A1 representa o valor do teste (ponto de corte) com maiores 
sensibilidade e especificidade (maior proximidade do canto superior esquerdo do gráfico). O ponto A2 
representa o valor do teste a partir do qual se atinge a máxima sensibilidade (ausência de falso-positivos). 
O ponto A3 é o valor de máxima especificidade, abaixo do qual não deve haver falso-negativos
Fonte: Polo e Miot (2020, p. 2).
 Saiba mais
Para entender melhor a interpretação de testes, leia:
KAWAMURA, T. Interpretação de um teste sob a visão epidemiológica: 
eficiência de um teste. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 79, n. 4, p. 437-441, 
2002. Disponível em: https://cutt.ly/oAf5qar. Acesso em: 21 set. 2022.
1.1.3 Exatidão, precisão e acurácia metodológica
Os resultados dos testes laboratoriais devem ser condizentes com as manifestações clínicas dos 
pacientes. Nesse cenário, é vital abordar os conceitos de exatidão, precisão e acurácia metodológica.
A exatidão é um termo amplamente utilizado para expressar o quanto determinado teste diagnóstico 
apresenta resultados compatíveis com a realidade do paciente, ou seja, o quanto os resultados dos exames 
são verdadeiros.
17
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
A precisão é importante para a confiabilidade do teste. Esse termo está relacionado à reprodutibilidade, 
ou seja, o quanto aquele determinado teste, quando repetido em uma mesma amostra, apresenta 
resultado igual ou condizente ao resultado anterior.
A acurácia é o termo usado para avaliar a capacidade de determinado teste mensurar ou avaliar o 
analito que ele se propõe avaliar.
A figura a seguir ilustra um modelo esquemático da definição de exatidão e de precisão. À esquerda, 
observa-se um teste com elevada exatidão (acerta o centro do alvo, o que é uma analogia da situação 
ideal em que se acerta a concentração real do analito no teste) e elevada precisão (todos os resultados 
são próximos uns dos outros). À direita, por outro lado, observa-se um teste com alta precisão, mas com 
baixa exatidão.
Exatidão: resultados de 
exames laboratoriais 
condizentes com o valor real
� � ��
� � � � ��
��
Precisão: resultados 
repetidamente iguais ou 
dentro de um intervalo de 
confiança – reprodutibilidade
××
× × ×× × ×× ×× ×
Figura 2 – Representação esquemática dos conceitos de exatidão e de precisão
1.1.4 Erros sistemáticos e aleatórios
Os erros sistemáticos e os erros aleatórios são erros inerentes à automação laboratorial.
•	 Os erros sistemáticos são evidenciados quando os resultados do teste oscilam de maneira equilibrada 
ao redor da média esperada. Eles tendem a acontecer de forma repetida na rotina laboratorial.
•	 Os erros aleatórios estão relacionados com a falta de precisão de determinado teste. Nesse caso, 
os resultados do teste não oscilam em torno da média, mas são distribuídos aleatoriamente
Os erros aleatórios são, muitas vezes, de difícil detecção pelo responsável técnico. O olhar cuidadoso, 
a avaliação do laudo evolutivo de pacientes internados e a relação clínico-laboratorial são fundamentais 
para a sua correta constatação.
Os erros sistemáticos são mais previsíveis e podem ser detectados quando repetimos determinado teste 
quantitativo várias vezes usando uma mesma amostra e obtemos resultados consistentemente diferentes.
18
Unidade I
Ao repetirmos a análise de uma amostra, os resultados muito dificilmente serão idênticos, pois 
existem erros associados à leitura. No entanto, espera-se que a distribuição dos resultados não seja 
aleatória, mas que esses dados apresentem uma distribuição normal, ou seja, uma distribuição gaussiana.
A curva de Gauss é uma função matemática que apresenta a distribuição de normalidade (mais 
precisamente, a função densidadede probabilidade). No contexto do laboratório clínico, ela exprime a 
relação entre os valores avaliados (no caso, os valores dos resultados dos testes), plotados no eixo x do 
gráfico, e a frequência com que cada valor é observado, no eixo y.
Essa curva tem o formato de um sino, com um ponto central, de ordenada “mais alta”, que exprime a 
média dos valores. A variação da distribuição dos pontos em relação a esse ponto central está associada 
ao desvio padrão.
Quanto maior for o número de desvios padrão aceitáveis, maior a margem de aceitabilidade, porém 
maior a probabilidade de incutirmos em possíveis erros diagnósticos.
Atualmente, cabe ao laboratório de análises clínicas determinar a margem de desvios padrão aceitáveis 
em sua rotina, sempre de acordo com as recomendações dos fabricantes dos testes laboratoriais e 
dos padrões de controle de qualidade interno. Um dos critérios mais utilizados é a média do ensaio 
± 2 desvios padrão.
Ressaltamos que, quando os resultados de um teste, realizado em uma amostra específica, 
apresentam distribuição normal, cerca de 68,26% dos resultados estão compreendidos na margem entre 
± 1 desvio padrão; 95,45% dos resultados estão entre ± 2 desvios padrão; e, aproximadamente, 99,73% 
dos resultados estão entre ± 3 desvios padrão da média-alvo do teste.
0,1%
-3σ 3σ-2σ 2σ-1σ 1σ0
0,1%
0,
0
0,
1
0,
2
0,
3
0,
4
2,1% 2,1%
13,6%13,6% 13,6%13,6%
34,1% 34,1%
13,6% 13,6%
Figura 3 – Curva de Gauss padronizada. Os valores de ± 1 desvio padrão, ± 2 desvios padrão e 
± 3 desvios padrão estão indicados pela letra grega σ. A distribuição dos resultados ao longo da curva 
está representada em valores relativos
Disponível em: https://bit.ly/3LBlHCT. Acesso em: 21 set. 2022.
19
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
1.2 Qualidade no contexto do laboratório de análises clínicas
1.2.1 Procedimentos operacionais padrão
Os procedimentos realizados no laboratório de análises clínicas devem ser sistematizados e padronizados, 
a fim de garantir sua qualidade.
Uma das principais ferramentas utilizadas na fase analítica, que permite a reprodutibilidade 
dos processos, é o manual operacional interno dos serviços do laboratório de análises clínicas. Os 
procedimentos operacionais padrões (POPs) são desenvolvidos para cada atividade e exame. Eles devem 
conter os parâmetros mínimos que garantam as boas práticas laboratoriais e precisam ser escritos e 
revisados periodicamente.
Destacamos a seguir alguns dos itens que devem ser contemplados nos POPs.
•	 Descrição detalhada de cada procedimento;
•	 Marca, fabricante, número de catálogo do representante e validade dos reagentes utilizados no 
procedimento;
•	 Normas de biossegurança para a execução das atividades;
•	 Descritivo rápido para utilização dos equipamentos automatizados;
•	 Registro de manutenção preventiva e de controles de qualidade (frequência de resultados 
alterados e possíveis erros de resultados);
•	 Descrição da técnica usada;
•	 Interpretação do resultado e dos valores de referência.
A responsabilidade pela elaboração, pela atualização e pela validação dos POPs é da equipe técnica, 
em conjunto com o gestor do laboratório de análises clínicas. Esses documentos garantem a padronização 
das atividades laborativas, sejam gerenciais, sejam técnicas.
1.2.2 Controle interno e externo de qualidade
O assunto qualidade é extremamente discutido nos laboratórios de análises clínicas por toda a 
equipe de trabalho.
A garantia da qualidade dos exames da fase analítica é mantida pela realização do controle interno 
de qualidade (CIQ) e do controle externo de qualidade (CEQ).
20
Unidade I
•	 O CIQ engloba testes intralaboratoriais, ou seja, realizados dentro de um mesmo laboratório, a fim 
de avaliar a precisão dos ensaios executados diariamente. Em outras palavras, esse processo avalia 
os procedimentos realizados nas dependências de determinado laboratório de análises clínicas.
•	 O CEQ engloba testes interlaboratoriais, ou seja, ensaios que verificam se a análise de uma mesma 
amostra por laboratórios diferentes leva a resultados semelhantes.
O CEQ é realizado a partir da análise de amostras comercialmente distribuídas para validar os testes 
executados nos setores de hematologia, de bioquímica, de sorologia e de hormônios, entre outros.
O CIQ baseia-se na comparação dos valores obtidos na leitura de uma mesma amostra controle, pelo 
mesmo equipamento, em dias sucessivos. Os dados são plotados em um gráfico específico, denominado 
gráfico de Levey-Jennings, e, em seguida, algumas regras de qualidade são aplicadas, chamadas de 
regras de Westgard.
Média + 2 DP
Média + 1 DP
Média - 2 DP
Dia da corrida analítica
203,0
202,5
202,0
201,5
201,0
200,5
200,0
199,5
199,0
198,5
198,0
0 10 20 30 40 50
Média - 1 DP
Média
Re
su
lta
do
 d
o 
te
st
e
Figura 4 – Gráfico de Levey-Jennings (DP = desvio padrão)
Adaptado de: https://bit.ly/3DFYEFd. Acesso em: 21 set. 2022.
Para validar os resultados do controle de qualidade, o gráfico de Levey-Jennings deve ser interpretado 
a partir da aplicação das regras múltiplas de Westgard, que são um conjunto de critérios de decisão que 
objetivam evidenciar um comportamento inadequado em uma ou mais corridas analíticas.
A aplicação de cinco regras de controle diferentes, que analisam o comportamento dos resultados da 
corrida analítica em relação à média, permite julgar se ela é válida ou se deve ser descartada.
21
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
12s
Sim
13s
Sim
Não
22s
Sim
Não
R4s
Sim
Não
41s
Sim
10x
Sim
NãoNão
Sob Controle, Aprovar Corrida Analítica
Fora de Controle, Rejeitar Corrida Analítica
Não
Dados de 
Controle
Figura 5 – Regras múltiplas de Westgard e critérios de aceitabilidade/rejeição de uma corrida analítica
As regras são apresentadas a seguir.
•	 Regra 12s: essa regra é violada quando um resultado da medição da amostra controle excede os limites 
de 2 desvios padrão para cima ou para baixo da média. A violação dessa regra alerta para uma inspeção 
cuidadosa dos dados e, caso mais uma das regras abaixo seja violada, indica-se a rejeição da corrida analítica.
•	 Regra 13s: essa regra é violada quando um resultado da medição da amostra controle excede os 
limites de 3 desvios padrão para cima ou para baixo da média.
•	 Regra 22s: essa regra é violada quando dois resultados consecutivos excedem os limites de 
2 desvios padrão para cima ou 2 desvios padrão para baixo da média (os dois resultados precisam 
necessariamente estar localizados no mesmo lado do gráfico).
•	 Regra R4s: essa regra é violada quando uma medição de controle exceder o limite da média mais 
2 desvios padrão e a seguinte exceder o limite da média menos 2 desvios padrão.
•	 Regra 41s: essa regra é violada quando quatro medições consecutivas excedem o limite de 
1 desvio padrão para cima da média ou 1 desvio padrão para baixo da média (os quatro resultados 
precisam necessariamente estar localizados no mesmo lado do gráfico).
•	 Regra 10x: essa regra é violada quando dez medições de controle consecutivas estiverem no 
mesmo lado em relação à média.
A aplicação das regras de Westgard mostra que, mesmo que determinado ensaio não apresente 
valores fora da margem estabelecida, o seu comportamento em um período deve ser avaliado. Além 
disso, medidas de correção devem ser tomadas pelo responsável técnico, como a calibração do 
equipamento, a verificação da contaminação do equipamento com reagentes e/ou analitos, a detecção 
de erros mecânicos dos equipamentos automatizados etc. Com a resolução das não conformidades da 
fase analítica, o laboratório pode retomar suas atividades com excelência e qualidade.
22
Unidade I
 Observação
As regras de Westgard são utilizadas para avaliar a fase analítica dos 
exames laboratoriais. Quando fazemos os CIQ, os resultados das amostras 
conhecidas são lançados no gráfico de Levey-Jennings, e as regras de 
Westgard são aplicadas para a validação e a liberação da rotina laboratorial.Esse procedimento é uma das principais vias de avaliação da qualidade de 
um teste diagnóstico.
 Saiba mais
Aprofunde seus conhecimentos sobre controle de qualidade em:
BERLITZ, F. A. Controle da qualidade no laboratório clínico: alinhando 
melhoria de processos, confiabilidade e segurança do paciente. Jornal 
Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 46, n. 5, p. 353-363, 2010.
1.2.3 Certificação laboratorial
O processo de certificação laboratorial é uma escolha voluntária que os laboratórios de análises 
clínicas contratam para obter, caso aprovados, a chancela daquele programa. Atualmente, dispomos 
de diferentes programas de acreditação, destacando-se o PALC-SBPC/ML (Programa de Acreditação de 
Laboratórios Clínicos, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial), o DICQ-SBAC 
(Sistema Nacional de Acreditação, da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas) e o CAP (College of 
American Pathologists).
Considerando-se a globalização, os laboratórios de análises clínicas visam possuir as acreditações 
laboratoriais. Esses selos de qualidade são utilizados como grande diferencial em um mercado tão 
concorrido, e o processo de certificação é uma evidência do comprometimento com a excelência e a 
padronização dos processos e procedimentos.
 Lembrete
O conceito de qualidade é muito amplo e importante, sobretudo nas 
análises clínicas. Os resultados dos testes laboratoriais podem influenciar 
diretamente a sobrevida do paciente, daí a importância de mantermos 
rígidas medidas de controle da qualidade.
23
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
1.3 Avaliação dos testes laboratoriais na prática clínica do farmacêutico
Mesmo com os avanços tecnológicos observados nas últimas décadas, sabemos que há falhas de 
comunicação entre os profissionais responsáveis pelos laboratórios clínicos e os farmacêuticos clínicos.
A farmacoterapia pode beneficiar-se de uma melhor ligação laboratório-farmácia em relação a 
vários aspectos, como os listados a seguir.
•	 Escolha do melhor medicamento, considerando-se as indicações e as contraindicações apontadas 
pelos exames laboratoriais.
•	 Ajustes na dosagem dos medicamentos: pacientes com doença renal ou hepática, por exemplo, 
precisam realizar exames periódicos para ajustar a dose de uma série de medicamentos.
•	 Monitoramento dos níveis plasmáticos do fármaco, a partir da avaliação de sinais indicativos 
de toxicidade.
•	 Considerações a respeito da interferência de fármacos nos resultados dos exames laboratoriais.
•	 Vigilância relativa aos efeitos adversos e tóxicos do fármaco que ainda não são conhecidos.
•	 Monitoramento das intercorrências na resposta terapêutica.
Uma maneira de contemplar esses pontos é a implementação de um sistema que incorpore os 
dados laboratoriais e os dados farmacêuticos em um único protocolo. No âmbito do SUS, o prontuário 
nacional eletrônico interligado desempenha esse papel.
 Saiba mais
Aprenda sobre o prontuário nacional eletrônico interligado em:
ALMEIDA, L. Prontuário Eletrônico Nacional Interligado: integração 
de informações do paciente. Medcloud, 14 jan. 2020. Disponível em: 
https://bit.ly/3xG4Ed8. Acesso em: 21 set. 2022.
Agora vamos conhecer alguns exemplos de situações-problema que mostram a importância da 
integração dos dados laboratoriais e dos dados farmacoterapêuticos.
•	 Prescrição de suplementação de potássio para um paciente hipercalêmico, mas cujos resultados 
laboratoriais o prescritor desconhece, pode levar a um quadro grave de arritmia.
24
Unidade I
•	 Falha no ajuste da dosagem de gentamicina em um paciente com insuficiência renal.
•	 Manutenção da infusão de teofilina em um paciente com níveis tóxicos desse fármaco no sangue.
•	 Manutenção da antibioticoterapia em um paciente cujas hemoculturas mostram um organismo 
resistente a esse medicamento.
•	 Falha no monitoramento das enzimas hepáticas ou musculares em doentes em uso de troglitazona 
ou de cerivastatina sódica.
Todos esses casos podem ser evitados quando os sistemas de informação de laboratórios e farmácias 
comunicam-se de forma eficaz.
De fato, um resultado laboratorial passa a ser mais elucidativo quando consideramos quais 
medicamentos o paciente toma. Por exemplo, anormalidades hepáticas aparentemente menores 
assumem maior importância se o paciente estiver recebendo um medicamento hepatotóxico. Da 
mesma forma, a hipocalemia tem um significado especial para um paciente em uso de digoxina.
Nesse contexto, os resultados laboratoriais anteriores dos pacientes são importantes para detectar 
alterações nos parâmetros laboratoriais decorrentes do uso de medicamentos – alterações sutis que, de 
outra forma, poderiam ser ignoradas.
Do mesmo jeito que a farmacoterapia se beneficia do conhecimento dos parâmetros laboratoriais 
do paciente, também é importante que o laboratório de análises clínicas conheça os medicamentos que 
o paciente está tomando, a fim de evitar a interpretação equivocada dos resultados. Por exemplo, um 
estudo de amostras enviadas para avaliações hormonais que revelou que 11% dessas amostras eram de 
pacientes que estavam tomando um ou mais medicamentos potencialmente interferentes (KAILAJÄRVI 
et al., 2000).
Mesmo perguntas simples, por exemplo, “um nível de glicose de 300 mg/dL requer acompanhamento 
urgente?”, podem ser mais facilmente respondidas quando sabemos se o paciente está tomando um 
hipoglicemiante. Seguindo o mesmo raciocínio clínico, a resposta à anemia em um paciente em uso de 
eritropoietina deve ser diferente daquela de um hematócrito em queda em um paciente em uso de um 
anti-inflamatório não esteroidal.
 Saiba mais
Conheça melhor a interferência dos medicamentos em:
SILVA, R. S. et al. Interferência dos medicamentos nos exames 
laboratoriais. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 57, 
2021. Disponível em: https://bit.ly/3SpPwJ4. Acesso em: 21 set. 2022.
25
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
1.4 Principais métodos empregados no laboratório de análises clínicas
Para que você possa realizar uma avaliação mais completa e elucidativa de seus clientes e pacientes, 
vamos, a partir de agora, aprender os métodos dos principais exames executados no laboratório de 
análises clínicas.
Os ensaios feitos no laboratório de análises clínicas baseiam-se no uso de alguns reagentes que 
permitem a identificação de analitos relacionados a patologias específicas, a partir de reações químicas.
Cada ensaio baseia-se em um sistema analítico específico, que considera, além do reagente e do 
analito, as facilidades instrumentais, a precisão e a exatidão dos resultados, entre outros parâmetros.
De acordo com a natureza do produto formado, podemos dividir as reações químicas que constituem 
os testes laboratoriais nas seguintes categorias:
•	 Reações de aglutinação;
•	 Reações de precipitação ou de turvação;
•	 Reações colorimétricas;
•	 Reações cujos produtos são quantificados a partir da absorbância de luz no espectro ultravioleta;
•	 Reações de quimioluminescência.
Nas reações de aglutinação, partículas ligadas a antígenos ou a anticorpos reagem com o analito 
e produzem uma reação visível a olho nu ou ao microscópio. Em alguns casos, o resultado positivo está 
relacionado à presença de aglutinação; em outros, à sua ausência. Trata-se, portanto, de testes qualitativos.
Nas reações de precipitação, ocorre a precipitação do analito após o contato com o reagente. 
Enquanto o analito encontra-se em suspensão, ele pode ser quantificado por espectrofotometria.
Nas reações colorimétricas, o produto formado pela reação entre o reagente e o analito apresenta 
cor, sendo que sua intensidade é diretamente proporcional à concentração do analito. A quantificação 
é feita em espectrofotômetro, utilizando-se feixes de luz na faixa visível do espectro (comprimentos de 
onda entre 380 e 680 nm).
Nas reações cujos produtos são quantificados a partir da absorbância de luz no espectro 
ultravioleta, a quantificação tambémé feita no espectrofotômetro, porém utilizamos feixes de luz com 
menor comprimento de onda, geralmente entre 340 e 365 nm.
Nas reações de quimioluminescência, ocorre a formação de um produto que emite luz visível. Os 
principais reagentes usados são o luminol, a acridina e o indol.
26
Unidade I
De acordo com o modelo ou o procedimento realizado, as reações descritas anteriormente são, 
ainda, divididas nas seguintes categorias:
•	 Reações de ponto final;
•	 Cinética química.
Nas reações de ponto final, o produto formado atinge o seu ponto máximo de detecção, permanece 
inalterado por determinado tempo e, depois, perde a estabilidade. A quantificação da concentração 
máxima de produto formado é feita por espectrofotometria.
 Observação
Sempre que vamos realizar ensaios espectrofotométricos, temos 
que avaliar se o reagente também absorve luz no comprimento de onda 
usado. Se sim, é importante “zerar” o equipamento com o reagente, que, 
nessas condições, é chamado de “branco”. Ao descontarmos a absorbância 
do “branco”, torna-se possível considerar apenas a absorbância do 
produto formado.
Na cinética química, avaliamos a quantidade de produto formado em diferentes tempos (horas, 
minutos ou, até mesmo, segundos). Podemos avaliar a cinética contínua em tempo fixo ou em dois tempos.
•	 Na cinética contínua, o produto é quantificado continuamente, até o final da reação.
•	 Na cinética de tempo fixo, determinamos a absorbância quando a amostra entra em contato 
com o substrato e no final da reação.
•	 Na cinética de dois pontos, geralmente, determinamos a absorbância da fase inicial da reação, 
aos 30 segundos, e, em seguida, aos 90 segundos. Para obter o resultado, calculamos a diferença 
entre as duas leituras (delta da reação).
Você já deve ter percebido que a espectrofotometria é o principal método de quantificação do 
analito, independentemente do tipo de reação envolvida. Vamos relembrar no que consiste essa técnica?
A espectrofotometria é uma técnica que permite a determinação da concentração de um analito 
com base no seu padrão de absorção de ondas de luz de determinado comprimento de onda. Ela pode 
ser dividida em turbidimetria e nefelometria.
Na turbidimetria, verificamos a diminuição da intensidade da luz transmitida em relação à luz que 
incidiu sobre a amostra. Assim, é possível determinar o nível de turbidez da amostra: quanto maior for 
o número de partículas, mais turva será a amostra e, portanto, maior será o espalhamento da luz, maior 
será a absorbância e menor será a transmitância.
27
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
Na nefelometria, determinamos a difração da luz transmitida. Nesse caso, ao atravessar a amostra, 
observa-se alteração do percurso da luz, o que é detectado pelo equipamento.
Além das categorias já apresentadas, temos os testes sorológicos. Esses testes têm o objetivo de 
detectar anticorpos e/ou componentes antigênicos em vários contextos laboratoriais diferentes.
Os principais tipos de testes sorológicos são apresentados a seguir.
•	 Radioimunoensaio (RIE): método quantitativo no qual antígenos marcados com partículas 
radioativas ligam-se a anticorpos específicos, ou vice-versa. Pode ser competitivo ou por excesso 
de reagente.
•	 Enzimaimunoensaio (ELISA, enzyme‑linked immunosorbent assay): a reação antígeno-anticorpo 
é monitorada por medida de atividade enzimática. Um dos reagentes (o antígeno ou o anticorpo) é 
adicionado em placas contendo pequenos poços. A amostra a ser testada também é adicionada aos 
poços e, caso haja algum analito complementar ao reagente (anticorpos, no caso de o reagente ser 
um antígeno; e antígenos, no caso de o reagente ser um anticorpo), ocorre a formação de cor. Essa 
cor deve-se à presença de uma enzima conjugada ao reagente, cujo produto de reação é colorido.
•	 Imunofluorescência: realizada com anticorpo ligados covalentemente a fluorocromos. Ao se 
ligar ao antígeno, ocorre emissão de fluorescência, que pode ser quantificada ou até mesmo 
observada ao microscópio.
Exemplo de aplicação
Anticorpos contra vírus e outros microrganismos, que sinalizam a efetivação de resposta imune pelo 
hospedeiro, podem ser detectados por ensaios de ELISA.
Nesses ensaios, os antígenos virais purificados são adsorvidos a uma placa de plástico contendo 
poços, e o soro do paciente é adicionado à placa. Caso haja presença de anticorpos contra o vírus no 
soro, eles se complexam aos antígenos aderidos à placa. A visualização da reação positiva é possível 
após a adição de anticorpo secundário, antiglobulina humana, associado a um sistema de detecção 
enzimática (peroxidase, fosfatase alcalina ou beta-galactosidase).
2 AVALIAÇÃO DE MARCADORES BIOQUÍMICOS RELACIONADOS AOS DISTÚRBIOS 
DO METABOLISMO
Os distúrbios do metabolismo podem afetar um ou mais sistemas do organismo e, em geral, são 
resultado da alteração funcional de órgãos ou tecidos com elevada atividade enzimática. A seguir, vamos 
conhecer os principais testes que avaliam a função hepática, a função pancreática, a função óssea, a 
função digestiva, os metabolismos do colesterol e dos triglicérides e a função digestiva.
28
Unidade I
2.1 Estudo bioquímico‑laboratorial das principais alterações hepáticas 
e das vias biliares
A avaliação da função hepática, ou perfil hepático, envolve a interpretação de diferentes exames, 
mostrados a seguir.
•	 Determinação dos níveis plasmáticos das transaminases (aminotransferases), da fosfatase alcalina, 
da gama-glutamil transferase (GGT) e da desidrogenase lática (LDH).
•	 Dosagem das concentrações plasmáticas de bilirrubinas.
•	 Quantificação de outras substâncias no plasma, por exemplo, as proteínas totais, a albumina, a 
protrombina e a amônia.
Esses exames são realizados com várias finalidades, que incluem a avaliação de lesões hepatocelulares 
e das vias biliares, a determinação do fluxo biliar e a estimativa da capacidade que o fígado tem de 
sintetizar diferentes proteínas.
Vamos, agora, conhecê-los?
2.1.1 Aminotransferases ou transaminases: alanina aminotransferase (ALT), ou 
transaminase pirúvica (TGP), e aspartato aminotransferase (AST), ou transaminase 
oxalacética (TGO)
A TGO e a TGP são enzimas que promovem a transferência de grupamentos amina de aminoácidos 
para cetoácidos, com a ajuda da vitamina B6.
A TGO é normalmente encontrada em mitocôndrias de uma diversidade de tecidos, inclusive o fígado, 
os músculos esquelético e cardíaco, os rins, o pâncreas e o cérebro. Portanto, a TGO não é exclusiva do 
fígado, e o aumento dos níveis plasmáticos dessa enzima pode indicar lesão em qualquer um dos órgãos 
que a expressa.
A TGP é encontrada principalmente no citoplasma dos hepatócitos. Doenças não hepatobiliares, 
como a obesidade, a diabetes, a hemocromatose, a deficiência de alfa-1-antitripsina, a infecção pelo 
HIV e o hipertireoidismo, podem resultar em aumento dos níveis plasmáticos dessa enzima, o que indica 
envolvimento hepático.
Além disso, é importante ressaltar que o rápido aumento dos níveis plasmáticos das aminotransferases 
é comum a todas as hepatites agudas induzidas por vírus.
A TGO e a TGP apresentam meia-vida plasmática de cerca de 17 e 47 horas, respectivamente. Elas 
podem ser analisadas por método colorimétrico cinético de tempo fixo ou de ponto final em soro, plasma 
ou líquor. Como em qualquer análise enzimática, devemos tomar cuidado especial com a temperatura 
e com o tempo da reação.
29
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
O uso de esteroides anabolizantes e a realização de exercícios elevam as transaminases no sangue. 
Hemoglobina, triglicérides e bilirrubinas elevados no soro também podem influenciar os resultados.
2.1.2 Desidrogenase lática (LDH)
As isoenzimas da família da desidrogenase lática catalisam a oxidação reversível do lactato a piruvato 
e estão presentes em vários órgãos.
 Observação
Isoenzimas são isoformas de enzimas, ou seja, enzimas que têm a 
mesma função, mas que apresentam características estruturaisque diferem 
ligeiramente entre si.
As isoformas da LDH são:
•	 a LDH-1, presente no coração, nas hemácias e nos rins;
•	 a LDH-2, presente no coração (em menor quantidade) e nos leucócitos;
•	 a LDH-3, presente nos pulmões;
•	 a LDH-4, presente na placenta, no fígado e no pâncreas;
•	 a LDH-5, presente no fígado e no músculo esquelético.
A determinação dos níveis plasmáticos de LDH-4 e de LDH-5 não é uma prova específica da 
função hepática. Porém, quando analisadas em conjunto com outros parâmetros, como os níveis de 
transaminases, GGT e fosfatase alcalina, permitem avaliar a gravidade do dano hepático.
Um exemplo é a hepatite ou as neoplasias malignas do fígado, que apresentam LDH total e fosfatase 
alcalina elevadas na ausência de quaisquer outras alterações.
Para realizar as dosagens, amostras de soro são usadas em métodos colorimétricos, fluorimétricos 
e espectrofotométricos cinético de tempo fixo, em aplicação manual e semiautomática. Caso seja 
necessário analisar e identificar as frações, usamos eletroforese em acetato de celulose ou em agarose.
2.1.3 Fosfatase alcalina (FA)
A FA corresponde a uma família de enzimas (isoenzimas) presentes em praticamente todos os tecidos, 
principalmente nos ossos, nos rins, no fígado, no intestino e na placenta.
30
Unidade I
No fígado, a fosfatase alcalina é encontrada principalmente nos microvilos dos canalículos biliares e 
na superfície sinusoidal dos hepatócitos. Por esse motivo, é um marcador para a disfunção biliar e para 
a obstrução do trato biliar por litíase nos ductos ou nos canalículos. Encontra-se aumentada também 
nos processos infecciosos e nos processos inflamatórios que acompanham as lesões invasivas.
O aumento dos níveis plasmáticos da fosfatase alcalina pode ser usado para diferenciarmos a 
icterícia intra-hepática e icterícia extra-hepática, pois seu aumento está relacionado principalmente 
com a obstrução do ducto biliar, de origem extra-hepática.
Alopurinol, colchicina, alguns antibióticos e metotrexato, entre outros fármacos, são fatores 
interferentes no exame de determinação dos níveis plasmáticos de fosfatase alcalina. Soro ou plasma 
com heparina são submetidos ao método mais usado nos laboratórios, que é o de cinética colorimétrica 
de tempo fixo.
2.1.4 Gama‑glutamil transferase (GGT)
A GGT é uma enzima encontrada em vários tecidos, como nos rins, no cérebro, no pâncreas 
e no fígado (órgão no qual a quase totalidade dessa enzima é encontrada). Ela regula o transporte 
de aminoácidos através das membranas microssomais, a partir da catálise da transferência do grupo 
glutamil da glutationa para um aminoácido livre.
Essa enzima pode estar elevada em pacientes alcoólatras, obesos e que fazem uso de acetaminofeno 
(paracetamol). No entanto, estima-se que cerca de 15% das pessoas tenham GGT acima dos valores 
considerados normais sem a presença de quaisquer doenças.
Ressaltamos que o aumento simultâneo dos níveis plasmáticos da GGT e da fosfatase alcalina indica 
obstrução do trato biliar.
2.1.5 Bilirrubinas
O termo icterícia refere-se ao sinal clínico de amarelamento da pele, das escleras e de mucosas em 
resposta ao aumento da concentração de bilirrubina nos tecidos e no sangue (hiperbilirrubinemia).
A icterícia torna-se evidente quando os níveis séricos de bilirrubina são maiores ou iguais a 2 mg/ dL. 
Em adultos, a icterícia não é uma manifestação comum e pode indicar a presença de hemólise, de 
distúrbios metabólicos ou de patologias hepáticas, pancreáticas ou renais.
A bilirrubina, componente dos pigmentos biliares, é sintetizada principalmente a partir da 
hemoglobina liberada de eritrócitos senescentes. A biossíntese da bilirrubina pode ser dividida em três 
fases: pré-hepática, intra-hepática e pós-hepática.
Na fase pré-hepática, a hemoglobina é liberada dos eritrócitos degradados pelas células 
reticuloendoteliais do baço, do fígado e da medula óssea. Nesse processo, o grupamento heme da 
hemoglobina é quebrado e origina a bilirrubina livre, lipossolúvel, também conhecida como bilirrubina 
31
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
indireta ou não conjugada. A bilirrubina não conjugada liga-se à albumina sérica e, então, é transportada 
para os hepatócitos.
Na fase intra-hepática, a bilirrubina atinge o retículo endoplasmático dos hepatócitos, onde é 
conjugada com o ácido glicurônico. O produto dessa reação é a bilirrubina direta, hidrossolúvel, também 
conhecida como bilirrubina conjugada.
Na fase pós-hepática, a bilirrubina conjugada atinge a vesícula biliar, para compor a bile.
A concentração plasmática de bilirrubina reflete o balanço entre a taxa de produção e a taxa de 
depuração hepática. Portanto, elevação nas concentrações séricas de bilirrubina pode ser resultado 
de aumento da sua produção, de prejuízos em sua metabolização ou do obstáculo ao fluxo de bile em 
direção ao intestino. Dependendo da causa da hiperbilirrubinemia, há predomínio de uma das duas 
frações da bilirrubina, não conjugada (indireta) ou conjugada (direta).
•	 Aumento dos níveis plasmáticos da bilirrubina não conjugada (indireta) indica causa 
pré-hepática, por exemplo, a produção excessiva de bilirrubina por hemólise; a hematopoiese 
inefetiva; o uso de alguns fármacos que diminuem a conjugação da bilirrubina no fígado; os 
distúrbios hemolíticos; a icterícia fisiológica do recém-nascido; a síndrome de Gilbert; e a síndrome 
de Crigler-Najjar.
•	 Aumento dos níveis plasmáticos da bilirrubina conjugada (direta) indica causa pós-hepática, 
como a obstrução biliar extra-hepática por cálculos, estenoses ou tumores.
•	 Em alguns casos, ambas as bilirrubinas estão elevadas. Doenças como a cirrose e as hepatites 
levam a prejuízo na captação, na conjugação e na excreção da bilirrubina. Como resultado, há 
aumento na concentração plasmática da bilirrubina não conjugada e da bilirrubina conjugada. Esse 
quadro também é observado em decorrência de neoplasias do fígado e do uso de alguns fármacos.
Para a análise das frações da bilirrubina, amostras de soro e plasma heparinizado e com EDTA podem ser 
usados com o método colorimétrico. Esse método permite a dosagem da bilirrubina total e da bilirrubina 
direta. A bilirrubina indireta é obtida subtraindo-se o valor da bilirrubina direta do valor da bilirrubina total.
2.1.6 Albumina
A albumina é a principal proteína circulante no organismo humano. Ela é produzida pelo fígado, 
portanto, níveis séricos baixos (hipoalbuminemia) são reflexo da destruição extensa do tecido hepático, 
como ocorre na cirrose.
A hipoalbuminemia frequentemente causa edema, pois a albumina é a principal determinante da 
pressão oncótica do sangue.
32
Unidade I
 Observação
Pressão oncótica, ou pressão osmótica coloidal, é a pressão osmótica 
gerada pelas proteínas no plasma sanguíneo.
Amostras de soro (e não de plasma) podem ser analisadas por colorimetria de método de ponto final.
2.1.7 Globulinas (alfa‑1, alfa‑2, beta e gama)
As globulinas são proteínas, presentes no plasma, que desempenham diferentes funções. As principais 
globulinas são descritas a seguir.
•	 Globulinas alfa-1: as principais são a antitripsina, a proteína de ligação do retinol, a protrombina, 
a globulina ligadora de tiroxina e a alfa-fetoproteína.
•	 Globulinas alfa-2: as principais são a ceruloplasmina e a eritropoetina (hormônio glicoproteico 
ligado à produção de hemácias).
•	 Globulinas beta: a principal é a transferrina, cuja função é o transporte de ferro.
•	 Gamaglobulinas, também chamadas de imunoglobulinas ou anticorpos IgA, IgE, IgG e IgM.
As globulinas presentes no sangue podem ser separadas em frações por um método simples, 
chamado de eletroforese de proteínas séricas (EPS), cuja interpretação ajuda no diagnóstico de várias 
patologias. Nesse ensaio, as proteínas são aplicadas em um gel, que é submetido a um campo elétrico. 
Como resultado, elas percorrem distâncias diferentes, formando bandas denominadas albumina; 
alfa-1-globulina; alfa-2-globulina; betaglobulina; e gamaglobulina.A quantificação das globulinas é essencial para o diagnóstico de algumas doenças. Um exemplo é 
a hipergamaglobulinemia observada em paciente com hepatopatias, que geralmente é indicativa de 
doença severa.
•	 A hepatite B crônica ativa, por exemplo, é acompanhada por elevações discretas de gamaglobulinas, 
sobretudo de IgG.
•	 A hepatopatia alcoólica crônica leva ao aumento de IgG e de IgA.
•	 A IgA aumenta na obstrução biliar.
A hipogamaglobulinemia, por sua vez, é observada nos pacientes com mieloma múltiplo.
33
INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
Para a realização do exame, a coleta de soro deve ser feita preferencialmente pela manhã, devido ao 
efeito circadiano, sendo que a hemólise e a lipemia alta podem interferir nos resultados. A determinação 
de proteína total é feita por método colorimétrico e a eletroforese, por capilaridade.
2.1.8 Ferritina e transferrina
A ferritina e a hemossiderina são proteínas que armazenam ferro no hepatócito. A transferrina é 
uma proteína transportadora de ferro. Essas três proteínas são produzidas no fígado.
A diminuição da transferrina acompanha as hepatopatias e a hemocromatose, que é uma doença 
caracterizada pela retenção de ferro em alguns tecidos, inclusive no fígado, o que resulta na alteração 
da cor desse órgão e no desenvolvimento de cirrose. Como resultado da diminuição dos níveis de 
transferrina, há aumento do ferro no sangue e aumento da porcentagem de saturação da ferritina.
Os principais ensaios usados para a determinação de ferritina e da transferrina no soro são:
•	 o eletroquimioluminométrico ou a imunoturbidimetria com partículas de látex contendo anticorpo 
antiferritina que, ao reagir com a ferritina do soro, resulta em aglutinação;
•	 a imunoturbidimetria para a proteína transferrina, em que anticorpos específicos reagem com a 
transferrina do soro, o que resulta em turvação da amostra;
•	 o método colorimétrico, que pode ser usado para analisar o ferro.
2.1.9 Alfa‑fetoproteína (AFP)
Sintetizada pelos hepatócitos embrionários e pelas células do saco vitelino, a alfa-fetoproteína 
atinge o pico de concentração plasmática no segundo trimestre de gestação e cai após o nascimento. 
Essa proteína está aumentada em 70% a 90% dos pacientes com carcinoma hepatocelular e com 
hepatite crônica.
Para sua dosagem, o método usado é o imunocromatográfico, tipo “sanduíche”, em amostras de 
soro, plasma ou sangue total humano.
2.1.10 Fatores de coagulação
A maioria dos fatores de coagulação é sintetizada no fígado (fibrinogênio ou fator I, protrombina 
ou fator II e os fatores V, VII, IX, X, XI e XII). Como consequência, doenças hepáticas severas costumam 
causar alterações na coagulação, resultando em sangramento.
Pacientes com hepatopatias também podem apresentar trombocitopenia (plaquetopenia) ou 
deficiência/disfunção plaquetária. Esses quadros são relativamente comuns na hepatite viral aguda, na 
hepatoesplenomegalia, no alcoolismo e em portadores de doenças hepáticas crônicas.
34
Unidade I
A falta de fatores de coagulação pode ocorrer por perda da função dos hepatócitos ou por falta de 
vitamina K, que não é produzida no nosso organismo e precisa ser absorvida da dieta.
A absorção da vitamina K ocorre na presença de sais biliares. Na cirrose, a produção desses sais 
diminui, o que resulta em falha da absorção da vitamina K, com consequente diminuição da síntese 
de fatores de coagulação. Além disso, na cirrose, ocorre a destruição dos hepatócitos, o que resulta em 
diminuição ainda mais drástica na produção desses fatores.
 Observação
A varfarina, um conhecido fármaco anticoagulante, inibe a coagulação 
sanguínea, pois é um antagonista da vitamina K.
O primeiro fator de coagulação a diminuir quando ocorre insuficiência hepática e/ou deficiência de 
vitamina K é o fator VII, seguido do II, do X e do IX.
Na prática clínica, usamos a determinação da atividade da protrombina ou do fator II (ou tempo de 
protrombina) no plasma para avaliar o conjunto dos fatores de coagulação, pois trata-se de um método 
simples, barato e facilmente realizável. O método usado é o coagulométrico.
2.1.11 Colinesterases
Podemos classificar as colinesterases presentes em nosso organismo em dois tipos:
•	 acetilcolinesterase, presente nas hemácias e no sistema nervoso, mais especificamente nas sinapses 
dos neurônios colinérgicos;
•	 pseudocolinesterase, ou butirilcolinesterase, encontrada no plasma e no fígado.
A avaliação da atividade das colinesterases é o principal exame que diagnostica a intoxicação por 
agrotóxicos organofosforados e carbamatos, cujo mecanismo de ação envolve a inibição dessas enzimas. 
Como resultado da intoxicação, ocorre aumento da neurotransmissão colinérgica, com aumento do 
tônus parassimpático e da atividade muscular esquelética, além de alterações na função do sistema 
nervoso central.
Atualmente, o método mais usado para o diagnóstico é baseado na taxa de hidrólise da acetiltiocolina 
pela acetilcolinesterase eritrocitária, seguida da quantificação do produto por espectrofotometria em 
comprimento de onda de 412 nm. A confirmação do resultado é feita por um teste que determina a 
porcentagem de inibição da enzima.
A avaliação da atividade das colinesterases deve ser feita obrigatoriamente a cada 6 meses em todos 
os trabalhadores que manipulam esses agrotóxicos. É importante ressaltar que, devido às variações 
interindividuais nos níveis basais das colinesterases, é necessária a realização da avaliação da atividade 
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INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL NA CLÍNICA FARMACÊUTICA
dessa enzima antes da primeira exposição aos praguicidas. Nesse contexto, quanto menor for a atividade 
da enzima, em relação ao basal, maior será o grau de intoxicação. Atividade menor do que 75% indica 
exposição excessiva.
A atividade da acetilcolinesterase eritrocitária pode permanecer diminuída por até 90 dias, enquanto 
a colinesterase plasmática (pseudocolinesterase) permanece inibida por menos tempo, cerca de 30 dias 
após a última exposição ao praguicida. Por esse motivo, os testes que avaliam a inibição da colinesterase 
plasmática são mais utilizados para detectar intoxicações recentes, e os testes da colinesterase eritrocitária 
avaliam intoxicação passada.
2.1.12 Amônia
A amônia é um produto do metabolismo dos aminoácidos e dos ácidos nucleicos. Ela é produzida por 
bactérias intestinais e pelas células do organismo após o processo de desaminação dos aminoácidos e, 
em seguida, é transportada para o fígado, onde se transforma em ureia e glutamina, no ciclo da ureia.
A amônia é altamente tóxica para o sistema nervoso central por várias razões. Ela é responsável 
pelo quadro de encefalopatia hepática, caracterizada por alterações mentais e neurológicas, como 
desorientação, sonolência, coma e até a morte.
A destruição de 80% ou mais do tecido hepático, decorrente, por exemplo, da cirrose e da insuficiência 
hepática fulminante, leva à não detoxificação da amônia e, consequentemente, ao aumento de seus 
níveis no plasma e no sistema nervoso central.
Outras causas da hiperamonemia são:
•	 a diminuição do fluxo de sangue para o fígado;
•	 a insuficiência renal;
•	 os defeitos hereditários raros do ciclo da ureia;
•	 a síndrome de Reye, condição rara e potencialmente fatal que decorre do uso de anti-inflamatórios 
não esteroidais, principalmente a aspirina, durante quadros de infecção viral aguda.
Para a dosagem da amônia, são realizadas determinações enzimáticas das concentrações desse 
analito no soro. Os níveis séricos de glutamina, algumas vezes, também são utilizados para o diagnóstico 
e o controle da encefalopatia hepática.
Para determinar a amonemia, não devemos usar garroteamento. A coleta é feita sem movimentos 
de abrir e fechar as mãos, e o braço deve ser mantido em repouso. Devemos usar frasco com heparina 
ou EDTA.
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Unidade I
O sangue total heparinizado é centrifugado em até 20 minutos após a coleta (não devemos usar 
soro ou plasma hemolisado) para a obtenção do plasma. Se

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