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Aromaterapia Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª M .ª Alessandra Sa� ra Barbas Prof. Me. Rodrigo Terrazas Sanzetenéa Revisão Técnica: Prof.ª M .ª Luciana Nogueira Introdução a Aromaterapia Introdução a Aromaterapia • Introduzir o aluno no tema e apresentar a evolução história do uso das plantas aromáticas; • Apresentar uma visão geral das plantas e sua estrutura. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Introdução; • Breve Histórico da Aromaterapia; • Plantas Aromáticas; • Visão Geral da Estruturas das Plantas. UNIDADE Introdução a Aromaterapia Introdução “A aromaterapia é prática terapêutica secular que consiste no uso intencional de concentrados voláteis extraídos de vegetais – os óleos essenciais (OE) – a fim de promover ou melhorar a saúde, o bem-estar e a higiene” (BRASIL, 2018). Esta é definição extraída da portaria n° 702/2108, que incluiu a aromaterapia juntamente com outras práticas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Esta prática centenária é atualmente apoiada por diversos estudos científicos, além da prática pelo uso popular e pode atuar sozinha ou complementando outras terapias tradicionais ou alternativas, com o intuito de buscar a melhoria do bem-estar e qualidade de vida. Os óleos essenciais são substâncias voláteis de origem vegetal, produtos do metabo- lismo secundário destas plantas. Diversas perguntas surgem quando se fala de óleos essenciais como: Do que se trata? Seu uso é seguro? Óleo essencial e essência é a mesma coisa? Podemos utilizar em casa com nossos familiares? Podemos abandonar o uso de outros medicamentos? Vamos ex- plorar este tema e responder a estas e outras perguntas, para que você tenha segurança na utilização e indicação destes produtos. Uma das perguntas mais comuns é “como funcionam os óleos essenciais?” Abordando do ponto de vista científico, podemos considerar as moléculas que compões os óleos essenciais como fármacos, pois exercem ações dentro do organismo, alterando sua fun- ção, portanto sua ação é farmacológica. Do ponto de vista alternativo, diversos autores afirmam que os óleos essenciais têm a função sutil de restaurar as energias curativas or- gânicas, trazendo ao corpo, à mente e ao espírito o equilíbrio necessário para uma vida saudável. Independente da filosofia seguida para afirmar seu modo funcionamento, no contexto histórico encontram-se diversas evidências do uso de ervas aromáticas desde a antiguidade, seja na culinária, na religião, estética ou na medicina. Breve Histórico da Aromaterapia Durante milhares de anos, as ervas aromáticas, bálsamos e resinas foram utilizadas por diversas civilizações para diversos fins, como medicamentos, na culinária, para embalsamar os cadáveres em cerimônias religiosas e em sacrifícios, entre outras. Achados em sítios arqueológicos demonstram o uso de ervas, como no caso do esqueleto “Shanidar IV”, en- contrado na região do Iraque ao lado de depósitos de pólen, jacintos e ervas, datado de 6 mil anos. A China, os Hindus e a Bacia do Mediterrâneo que abrange parte do Sul da Europa, do Centro e o Leste com a bacia do Mar Negro, o Norte da África até seu interior com a bacia do Rio Nilo, são considerados, cronologicamente e historicamente, os três grandes berços geográficos da civilização aromática, e seus conhecimentos e procedimentos foram base de estudos para as aplicações e à utilização da aromaterapia que conhecemos hoje. Os do- cumentos médicos mais antigos conhecidos são chineses e datam de 3700 a.C. como os manuais do imperador Kiwang-ti que cita plantas como ópio e gengibre, e o ervanário 8 9 de Shen-nung considerado a primeira farmacopéia chinesa. Estes registros descrevem que para cada doença existe uma planta que é seu medicamento natural. Os Egípcios utilizavam essências aromáticas no processo de mumificação e os sarcó- fagos eram também aromatizados, queimavam olíbano na aurora e mirra ao anoitecer como forma de revência ao sol (Deus Rá) e a lua. As plantas medicinais também eram utilizadas pelos egípcios na medicina, que dominavam técnicas de extração por desti- lação e infusão a quente, existe registro do uso de óleo essencial de mirra como anti- -inflamatório e do uso do extrato obtido do salgueiro (que hoje sabe-se ser uma fonte de ácido salicílico). O Papiro de Ebers é um dos registros mais famosos do uso terapêutico de plantas e em conjunto com o papiro de Edwin-Smith indicam formulações com cerca de 125 ervas, entre elas algumas ervas aromáticas utilizadas até os dias de hoje como anis, canela, cardamomo e açafrão. Na tumba do famoso faraó menino Tutancâmon foram encontrados óleos essenciais de ce- dro, coentro, mirra, olíbano e zimbro, mas foi Cleópatra que utilizava um perfume feito com óleo essencial extraído das flores de henna, açafrão, menta e zimbro chamado cyprinum, que eternizou esta ligação do uso de aromas no Egito . Figura 1 – Thutmosis III na frente de Amon-Rá queimando incenso em um santuário dedicado a Hathor – Deir el-Bahari. Fonte: antigoegito.org A região do mediterrâneo teve um período de grande comercialização de cereais, vinhos, óleos essenciais, resinas e azeites impulsionada pela construção dos primeiros portos, em especial envolvendo gregos, egípcios e palestinos, justificando a quantidade 9 UNIDADE Introdução a Aromaterapia de registros encontrados em diversos locais do uso dos óleos essenciais e plantas aromá- ticas em períodos históricos próximos. Mas a história do uso de aromas não se limita aos continentes ao redor do Mediter- râneo, na Austrália as populações aborígenes que viviam no continente Australiano há 40.000 anos aprenderam a se adaptar às mais duras condições de vida do seu meio. Elas desenvolveram um excepcional conhecimento da flora indígena, e já faziam uso das folhas de Melaleuca alternifólia, planta aromática que ainda faz parte do “arsenal” terapêutico moderno, tanto na aromaterapia como insumo ativo para preparações farmacêuticas. A Índia é uma região com grande variedade de plantas aromáticas que são utilizadas há mais de 7000 anos no tratamento de doenças físicas, emocionais e espirituais pelos mestres religiosos (Rishis) em cerimônias para tratar o corpo e o espírito. Vale apontar que os compostos aromáticos são também utilizados pela medicina Ayurvédica, um dos sistemas de saúde mais antigos conhecido que teve origem na região onde hoje ficam a Índia e o Paquistão. Na cultura indiana dois livros famosos marcam este tema, o Riga Veda e o Sucrutasamhitâ, que catalogam inúmeras fórmulas de banhos aromáticos, sinergias aromáticas e massagens nas quais eram utilizadas as plantas aromáticas e os óleos es- senciais, entre elas o manjericão, considerado sagrado, o cálamo, os capins do gênero Andropogon (capim limão, cidreira, citronela, vetiver etc.), o espicanardo, a canela, o cardamono, o coentro, o gengibre, a mirra e outras 700 substâncias aromáticas. Figura 2 – Rig Veda – Livro dos hinos Fonte: ucuenca.edu.ec Apesar do Rig Veda ou Rigveda ser um livro de Hinos, descreve informações histó- ricas importantes como a forma de destilação das ervas em oficinas, os lugares em que eram extraídos os extratos alcoólicos que seriam utilizados nos perfumes, em cerimônias religiosas e nos tratamentos terapêuticos medicinais. Dentre outros registros importantes históricos, o Kiphi, composto de 70 plantas e ou- tras misturas fito-aromáticas, era intensamente utilizado na Grécia. Na cidade de Atenas, as grande epidemias e pestes eram tratadas também com a queima de plantas aromáti- cas, como lavanda, alecrim, hissopo, segurelha e outras pelos médicos. Foi Hipócrates, conhecido como Pai da Medicina, quem tratou inicialmente epidemias com as ervas e 10 11 tratava doenças femininas com banhos aromáticos. Teofrasto, autor do livro O Tratado dos Odores, relata em sua obra as funções terapêuticas dos perfumes e dos óleos essenciais sobre os órgãos internos, indicando o aroma mais conveniente para cada parte do corpo.Os gregos foram grandes influenciadores dos romanos nas questões aromáticas, pro- porcionando a base para seus estudos sobre os perfumes. Durante o Reinado de Nero, Dioscórides Pedânio – médico grego considerado o pai da farmacologia ( 90-40 a.C) – publicou sua obra o sobre matéria médica onde relata sua pesquisa sobre as origens da invenção da destilação e as possibilidades médicas das águas destiladas (hidrossóis). essa obra foi referência para toda medicina ocidental durante um milênio. Dioscorides era exímio conhecedor do Kyphi. Ibin Sina (980 d.C. a 1037 d.C.) mais conhecido como Avicena, foi um polímata Persa que escreveu várias obras parte delas dedicadas à medicina, incluindo o Cânone de Medicina. Foi o produtor do primeiro óleo essencial puro retirado da Rosa centifolia. Avicena utilizava amplamente os óleos essenciais de forma terapêutica. Polímata = indivíduo que estuda ou conhece muitas ciências. Um dos episódios mais marcantes da medicina e que envolve o uso de ervas aro- máticas aconteceu no século XIV, na pandemia de peste negra, que matou milhões de pessoas (cerca de 25% da população europeia). Os médicos dessa época utilizavam uma roupagem específica com uma máscara com longo nariz, no qual eles colocavam ervas aromáticas ou óleos essenciais na ponta como forma de prevenção da Peste, acreditando que estariam protegidos para tratar seus doentes. Figura 3 – Roupagem médica utilizada no século XIV para prevenção da peste negra Fonte: npr.org O Físico (origina “The Physician”): Direção: Philipp Stölzl Ainda criança, Rob vê sua mãe morrer em decorrência da “doença do lado”. O garoto cresce sob os cuidados de Bader (Stellan Sarsgard), o barbeiro local, que vende bebidas que prometem curar 11 UNIDADE Introdução a Aromaterapia doenças. Ao crescer, Rob (Tom Payne) aprende tudo o que Bader sabe sobre cuidar de pessoas doentes, mas ele sonha em saber mais. Após Bader passar por uma operação nos olhos, Rob des- cobre que na Pérsia há um médico famoso, Ibn Sina (Ben Kingsley), que coordena um hospital, algo impensável na Inglaterra. Para aprender com ele, Rob aceita não apenas fazer uma longa viagem rumo à Ásia mas também esconde o fato de ser cristão, já que apenas judeus e árabes podem entrar na Pérsia. Disponível em: https://bit.ly/3hEBqn4 O termo aromaterapia foi lançado profissionalmente por Maurice Renné Gattefossé em 1928, quando citou em um artigo científico o uso de óleos essenciais na sua totalida- de, sem que esses fossem divididos em seus constituintes básicos. A partir daí, foi publica- do, em 1937, o livro Aromathérapie: Les Huiles essentielles hormones végétales. Nesse livro, Gattefossé catalogou as numerosas possibilidades terapêuticas dos óleos essenciais, relatando assim a sua experiência pessoal com o óleo de lavanda que o levou a pesquisar mais profundamente os óleos. Nos seus estudos, ele verificou que os óleos essenciais são mais efetivos em sua totalidade do que seus componentes isolados e/ou sintetizados. Figura 4 – Maurice Renne Gattefosse em 1938 Fonte: Wikimedia Commons Outros aromaterapeutas importantes do século XX foram Jean Valnet, Marguerite Maury e Robert B. Tisserand. Nos anos 1970, Dr. Jean Valnet deu início ao movimen- to renascentista francês, introduzindo na sociedade francesa o conhecimento correto do extraordinário poder curativo dos óleos essenciais a partir da publicação de sua obra, Aromathérapie, donde. Com isso, ele lançou a nova onda de interesse pelas “essências” na população civil e médica. Esse autor é conhecido também pelo seu trabalho utilizando óleos essenciais para tratar soldados feridos durante a Segunda Guerra Mundial para su- prir a falta de antibióticos. 12 13 Figura 5 – Dr. Jean Valnet, médico francês Fonte: Reprodução Marguerite Maury, bioquímica australiana, foi pioneira nos estudos para utilização dos óleos essenciais com fins cosméticos. Introduziu também a visão holística da aroma- terapia, criando modos variados de aplicação dos óleos através da massagem, personali- zando sinergias e associação com as características temperamentais e de personalidade de seus clientes. Figura 6 – Marguerite Maury, bioquímica australiana Fonte: Reprodução O primeiro livro de Aromaterapia publicado em inglês foi The Art of Aromatherapy (1977), escrito por Robert B. Tisserand, um aromaterapeuta inglês que introduziu a Aromaterapia nas nações de língua inglesa. Tisserand também escreveu vários livros e fundou duas associações de aromaterapia, tendo editado um jornal internacional sobre o assunto. Em 2017, completou 50 anos de estudos sobre aromaterapia. 13 UNIDADE Introdução a Aromaterapia Em 1989 foi criado o termo “Aromacologia” com objetivo de separar a linha de estu- dos alicerçada nas bases científicas das informações angariadas pelos anos de utilização consagradas pelo uso. Nos finais do século XX e no início do século XXI, houve um aumento na busca por produtos naturais, interesse que esteve em queda desde o advento da indústria farma- cêutica a partir da Segunda Guerra Mundial, impulsionados por uma onda global de in- centivo às práticas integrativas e complementares. Atualmente, os óleos essenciais estão ganhando espaço pelo aumento de publicações cientificas e pelo aumento no número de fornecedores, facilitando assim o acesso a estes produtos. Plantas Aromáticas Na antiguidade acreditava-se que o perfume das flores estava associado a alma dos ve- getais, que ao emitir seu perfume expressavam sua personalidade. Quando os herboristas começaram a extrair e conservar os perfumes vegetais, tinham em mente que dentro dos frascos de seus laboratórios estavam armazenadas a alma das rosas, violetas e jasmins. Ao extrair essas substâncias verificaram que elas não se misturavam com a água e tinha um aspecto oleoso, por esse motivo deram o nome de óleos essenciais. No decorrer dos estudos e anos percebe-se que possuíam uma característica específica, a volatilidade, ou seja, evaporam facilmente perfumando muito intensamente o ambiente, propriedade que influenciou na nomenclatura mais moderna e técnica que podemos encontrar em literatura, Óleo Volátil. Figura 7 – Plantas diversas Fonte: Getty Images A partir do século XIX, com o desenvolvimento das ciências e das pesquisas químicas, os processos metabólicos vegetais passaram a ser mais bem compreendidos e houve e descoberta dos grupos de substâncias químicas específicas responsáveis pelo odor das plantas e suas respectivas funções nos vegetais. 14 15 As plantas aromáticas destacam-se pela sua utilização na prática terapêutica milenar e seu cheiro singular. Nos primórdios, quem mais adotava essa prática era a população carente. Contudo, recentemente, o uso das plantas como fonte de terapia é predominan- temente utilizado em países em desenvolvimento. Figura 8 – Diversos tipos de plantas aromáticas Fonte: Getty Images Especialmente na Ásia, América Latina e África, essas plantas são uma solução al- ternativa para problemas de saúde (SARTORATTO, 2014). Só na China, até o início da década de 1990, foram desenvolvidos cerca de 11.000 medicamentos derivados das plan- tas. Posteriormente, aprimorando os conhecimentos e isolando os princípios ativos das plantas biologicamente ativas, iniciou-se uma nova era na investigação e no uso de plantas aromáticas e medicinais. Dentre as variadas atividades biológicas dessas ervas, destacam- -se ações: antiviral, anticarcinogénica, antibacteriana, antioxidante, antifúngica, colérica, hepatoprotetora, larvicida e/ou repelente e enzimática estimulante (COELHO, 2009). As plantas aromáticas pertencem ao grupo das plantas medicinais, justamente por apresentarem componentes químicos com comprovadas características terapêuticas re- lacionadas com as que exercem na planta que os produz e que justificam a sua utilização na fitoterapia (CUNHA et al., 2009; MSAADA et al., 2012). Todas as plantas produzem compostos através do seu metabolismo, que são impres- cindíveis para seudesenvolvimento e sobrevivência. Podemos dividir estes compostos em dois grandes grupos, os metabolitos primários, comuns em todos os seres vivos e re- lacionados com os processos de fotossíntese, respiração, assimilação e transporte de nu- trientes e água – são os carbohidratos, lipídeos e proteínas; e os metabolitos secundários (específicos de cada organismo e derivados dos primários) – como terpenos, compostos fenólicos e compostos nitrogenados que são derivados de diversas vias metabólicas. Durante um tempo acreditou-se que os metabolitos secundários, eram subprodutos do metabolismo primário sem função no vegetal, atualmente sabe-se que esses apresentam funções específicas relacionadas principalmente com a defesa da planta, e produzidas mui- tas vezes, em resposta ao stress fisiológico (COELHO, 2009; DJILANI; DICKO, 2012). 15 UNIDADE Introdução a Aromaterapia Em Síntese Podemos dizer que metabolismo é o conjunto de reações químicas que ocorre no interior das células. Chamamos metabolismo primário as reações químicas comuns às espécies relacionadas as funções essenciais no vegetal e são comuns às diferentes espécies. Já o metabolismo secundário aborda as reações específicas em algumas espécies (não acon- tecem em todas as plantas) e possuem um papel importante na interação da planta com o meio ambiente em que vive, como proteção contra patógenos e estímulo para polinização entre outros. São três grandes grupos de metabólitos secundários: • Terpenos; • Compostos fenólicos; • Alcalóides. Os compostos fenólicos são bem famosos por suas características antioxidantes, te- nho no vinho um dos seus representantes mais famosos. Entre os compostos aromáticos desta classe mais comuns estão o aldeído cinâmico da canela e a vanilina da baunilha. Estes compostos são atrativos para os animais para a polinização e dispersão de semen- tes, protege os vegetais dos raios UV, insetos e microrganismos. Não vamos entrar no tema alcalóides por não serem parte do tema estudado, mas caso queira saber mais do assunto, você pode acessar o link disponível em: https://bit.ly/3nC1inp Os terpenos são moléculas (monômeros) que se unem formando moléculas maiores, a partir da molécula inicial chamada Isopreno e que possui 5 átomos de carbono. Essa ligação entre as unidades de isoprenos nos dá a classificação da molécula, de acordo com o número de unidades, conforme Tabela a seguir. Tabela 1 Quantidade de Isoprenos N° de átomos de carbono Nome Exemplos 1 5 Isopreno Cadeias laterais de citocininas 2 10 Monoterpeno Óleos essenciais 3 15 Sesquiterpeno Lactonas 4 20 Diterpeno Giberelinas 6 30 Triterpeno Esteróides e Saponinas 8 40 Tetraterpeno Carotenóides N n Polisopreno Borracha Fonte: Adaptada de PERES, 2021 Os terpenos de interesse para nós são os monoterpenos, categoria que se enquadram os óleos essenciais. São moléculas de baixo peso molecular e muito voláteis e dentre 16 17 suas funções estão atrair polinizadores, repelir insetos e pragas e podem estar estocados em diferentes estruturas do vegetal como flores, folhas, cascas, madeiras e frutos. Tabela 2 Parte da planta Exemplo de OE Flores Laranjeira, rosa Folhas Capim-limão, eucalipto, louro Cascas do caule Canela Madeira Sândalo, pau-rosa Frutos Erva-doce Nesse ínterim das pesquisas, o fato mais interessante descoberto foi que os terpenos são muito frequentes nos organismos vegetais e animais, exercendo diversas funções metabólicas, explicando com isso sua utilidade como medicamentos e sua atuação posi- tiva nas funções orgânicas corporais. No ser humano, os óleos essenciais são utilizados com diversas funções, muitas já comprovadas por estudos científicos e diversas outras ainda como uso consagrado, são elas: funções antissépticas, narcóticas, excitantes, calmantes, cicatrizantes, dentre outras. A grande maioria destas substâncias são aromáticas, ou seja, compostos orgânicos em que pelo menos parte dos átomos de carbono (a base desses compostos) forma um anel fechado, e essas substâncias receberam este o nome de “aromáticas”, por terem sido identificadas inicialmente em vegetais odoríferos. As demais substâncias possuem átomos ou grupos de átomos específicos que ajudam a determinar seu odor, um grande exemplo são os compostos de enxofre que possuem um cheiro muito característico. Figura 9 – Estrutura química do Limoneno Fonte: Adaptada de PERES, 2021 Apesar dos terpenos estarem presentes em diferentes essências, a nomenclatura dada a cada um deriva-se da planta em que esse foi identificado a priori: gerânio, pinho, menta, limão, erva-cidreira etc. Os óleos voláteis são compostos pelas estruturas de base e também por álcoois, éste- res, óxidos, ácidos, cetonas, aldeídos acetato, entre outros derivados de terpenos. 17 UNIDADE Introdução a Aromaterapia Geralmente os óleos de folhas e lenhos possuem composição química simples, po- dendo conter de 90 a 98% de uma única substância; mas as outras essências, geral- mente as flores, podem conter dezenas de substâncias. A forma de cultivo, período de colheita e método de extração podem alterar as características do óleo essencial obtido, dificultando a padronização e mensuração dos efeitos obtidos. Estas variações impactam em especial na obtenção sintética destes compostos. Em alguns casos, a mudança de região de plantio pode bloquear a produção de essências. Podemos exemplificar como a alfazema, que é nativa de região temperada, afastada do Equador, onde no verão os dias são muito mais longos que nos trópicos, só completa seu ciclo vital quando produz flores e frutos; a exposição longa às altas temperaturas das regiões tropicais faz com que ela não produza muitas flores e frutos, sendo assim, não será possível produzir a essência de alfazema em condições climáticas tropicais normais. 1,8-Cineol α-Tujona β-Tujona Cânfora α-Humuleno Figura 10 – Composição do óleo essencial de Sálvia (Salvia officinalis) cultivada em 6 regiões diferentes Fonte: Adaptada de FRANZ, NOVAK Cada planta possui uma proporção característica de óleo, variando de 0,01% até 10%. Contudo, a média fica entre 1% a 2%. As plantas mais odoríferas (com essências mais fortes) são geralmente nativas dos trópicos. Algumas dessas plantas têm tanto óleo, que poderíamos extrair simplesmente espremendo partes dela com as mãos (casca de laranja por exemplo). Visão Geral da Estruturas das Plantas Assim como temos diversas partes em nosso corpo, as partes da planta desempe- nham funções importantes para o vegetal. De modo simplório, podemos dizer que as folhas fazem a respiração e a fotossíntese; as raízes absorvem os nutrientes e água do solo; o caule sustenta o vegetal; e as flores e frutos estão relacionados com a reprodução, ou seja, cada parte da planta possui um papel para que a planta se alimente, respire, cresça e se reproduza. 18 19 Vale observar ressaltar que essas partes não estão presentes em todas as plantas. Por exemplo, os musgos e as samambaias não têm flores, nem frutos e se reproduzem atra- vés de esporos. Já as folhas dos cactos se modificaram durante o seu processo evolutivo, dando lugar aos espinhos, para evitar perda de água em locais áridos. Vamos falar um pouco de cada parte do vegetal. Folhas As folhas apresentam uma grande diversidade de formatos. É a parte da planta res- ponsável por realizar a fotossíntese, processo através do qual a planta produz o seu próprio alimento. Figura 11 – Folhas diversas Fonte: Getty Images Nas células das folhas há muitas estruturas, chamadas cloroplastos, que contêm a clo- rofila, o pigmento que dá a cor verde à planta. A clorofila também absorve a luz do sol para que a fotossíntese aconteça. Nas folhas também acontece respiração e transpira- ção. Esses dois processos são possíveis porque na superfície da folha existem estruturas chamadas de estômatos, que se abrem e fecham, permitindo a entrada e saída de gases e água da planta. Elas podem ser classificadas de acordo com a disposição do limbo,que é a parte mais conhecida delas. Assim, ela pode ser simples ou composta, como os trevos e as folhas de palmeiras. Raízes As raízes apresentam formatos relacionados com a sua função. Elas ajudam a fixar a planta ao solo e são responsáveis pela absorção de substâncias essenciais, como água e sais minerais. Além disso, elas conduzem as substâncias e atuam também como reserva de nutrientes. 19 UNIDADE Introdução a Aromaterapia Existem diferentes tipos de raízes, mas, de modo geral, há uma raiz primária princi- pal e várias ramificações, que são as raízes laterais. Além dessas, ainda existem as raízes aquáticas, como a vitória-régia. Rizoma É uma haste modificada que cresce logo abaixo da superfície do solo em direção ho- rizontal, como, por exemplo, o gengibre, o açafrão da terra. Figura 12 – Rizoma gengibre Fonte: Getty Images Caules Os caules transportam os nutrientes produzidos na fotossíntese. Sustentam a planta e fazem o transporte de substâncias através dessa. A água e os sais minerais são levados através de vasos existentes dentro do caule, das raízes até das folhas. Os açúcares (produ- zidos na fotossíntese) são transportados das folhas até as raízes. É no caule que são pro- duzidos os hormônios vegetais, auxiliando no crescimento e desenvolvimento da planta. Figura 13 – Caule da planta pata de vaca Fonte: Reprodução 20 21 Geralmente, os caules são aéreos e verticais, como no caso do tomateiro ou dos troncos das árvores. Existem ainda os vegetais que possuem caules que crescem junto ao solo e outros que são subterrâneos, como é o caso das bananeiras e do gengibre. Flores As flores são coloridas e atrativas. Elas são responsáveis pela reprodução da planta e estão presentes apenas no grupo de plantas mais evoluído, chamado de angiospermas. Figura 14 – Diversos tipos de gerânios Fonte: Getty Images As flores podem ser hermafroditas ou monoicas quando possuem ao mesmo tempo as estruturas femininas (carpelos) e masculinas (estames). Um exemplo desse tipo de flor são as tulipas, que também podem ter suas estruturas separadas em flores diferentes, chamadas de dioicas, como ocorre com o mamoeiro. Frutos No interior dos frutos são encontradas as sementes. Os frutos são, geralmente, re- sultado do desenvolvimento do ovário após a fecundação. As sementes são os óvulos desenvolvidos. Aquelas que se encontram em condições apropriadas germinam no solo originando novas plantas. Figura 15 – Diversos tipos de frutos Fonte: Getty Images 21 UNIDADE Introdução a Aromaterapia Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites Portal Óleos Essenciais https://bit.ly/2Xm380H Leitura Aromaterapia: O Poder das Plantas e dos Óleos Essenciais https://bit.ly/3tMUAvL Aromaterapia e suas aplicações https://bit.ly/3AjHUyO Aromaterapia Base científica para uma prática milenar https://bit.ly/2Xl1ZpZ 22 23 Referências ANJOS, T. dos. Aromaterapia, terapia aplicada através dos óleos essenciais. Rio de Janeiro: Roka, 1996. BASER, K. H. C, BUCHBAUER, G. Handbook of Essential Oils: Science, Techno- logy, and Applications. 3.ed. 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