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1 
 
 
ABORDAGEM E TRATAMENTO DE OSTOMIAS, FERIDAS 
E QUEIMADURAS 
1 
 
 
Sumário 
 
ESTOMATERAPIA .......................................................................................... 3 
OSTOMIAS .................................................................................................. 4 
BOLSA COLETORA .................................................................................. 12 
FERIDAS ................................................................................................... 21 
CLASSIFICAÇÃO DA FERIDA .................................................................. 22 
AVALIAÇÃO DA FERIDA ........................................................................... 24 
QUEIMADURAS ........................................................................................ 38 
REFERÊNCIAS ............................................................................................. 48 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
ESTOMATERAPIA 
 
 
 
 
Estomaterapia é a área da saúde responsável por prevenir a perda da 
integridade da pele, realizar tratamento avançado de pessoas com feridas (agudas e 
crônicas), reabilitar as que possuem estomias e incontinências (urinária ou anal) e 
realizar cuidados com fístulas, cateteres, drenos e tubos. 
 Desde 1980 é uma especialidade exclusiva do enfermeiro, cujo papel é 
assistencial, gerencial, de ensino e pesquisa. No Brasil, a prática foi instituída 
somente dez anos depois, em 1990, como pós-graduação lato sensu. 
 A estomaterapia nasceu em 1958, nos Estados Unidos, com Rupert Turnbull 
(médico coloproctologista) e Norma Gill (estomizada, paciente de Dr. Rupert). Em 
1961, esses dois visionários fundaram o primeiro curso de estomaterapia. Norma Gill 
foi considerada a primeira estomaterapeuta (ET). Gradualmente, a estomaterapia foi 
ganhando expressividade internacional e muitos feitos foram realizados por essa 
senhora, entre eles a fundação de um órgão mundial que pudesse representar a 
especialidade, que é o WCET (World Council of Enterostomal Therapists). 
No Brasil, os primeiros ETs foram dois médicos do Rio de Janeiro. Antes de 
1980, era permitido aos profissionais não enfermeiros cursarem estomaterapia. As 
primeiras enfermeiras brasileiras a fazer estomaterapia foram Gelse Zerbetto, Sônia 
Dias, Vera Gouveia, Lauma Paegle e Eloísa Roncarate. Todas fora do Brasil. Gelse 
teve grande contribuição atuando nas companhias que desenvolvem tecnologias para 
a estomaterapia. Vera Gouveia implantou a especialização no Brasil, em 1990, na 
Estomaterapia (Curativos )- Crédito: Divulgação/PMSCS 
 
4 
 
 
Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP). Esta especialização 
foi única até 1998 e formava somente 13 especialistas para o Brasil. 
A partir desse ano, outros cursos foram implantados. Em 1999, na 
Universidade Estadual do Ceará, com a professora Maria Euridea Castro; em 2000, 
na UNITAU, pelas professoras Maria Ângela Bocara de Paula e Isabel Cesaretti. E 
daí por diante, outros cursos foram gradualmente implantados no país. 
Certamente o Brasil está entre os países mais avançados nesta área, 
principalmente quando falamos de América Latina. Porém, os Estados Unidos estão 
largamente na frente, mundialmente. Na Europa, a Inglaterra tem destaque. Contudo, 
os países europeus não têm a mesma concepção de uma especialidade com três 
subáreas como é nos Estados Unidos e no Brasil (temos o modelo americano). A 
Austrália, o Canadá e o Japão, entre outros, também têm grande representatividade 
internacional. A China tem crescido muito nos últimos anos. Mas, ainda têm-se muito 
a crescer ao redor do mundo. Um grande número de países não tem nem mesmo um 
estomaterapeuta. 
 
OSTOMIAS 
 
A ostomia é um procedimento abdominal, realizada através de uma 
intervenção cirúrgica, para a saída das fezes ou urina. O estoma pode ser feito de 
urgência ou planejado de forma temporária ou definitiva. 
 Há vários tipos de ostomias: respiratórios (traqueostomia), gástricos 
(gastrostomia), intestinais (colostomia e ileostomia) e urinário (urostomia).O estoma 
não pode ser controlado voluntariamente e, por esta razão, deve ser usado uma bolsa 
coletora. 
As ostomias mais comuns são : 
5 
 
 
 
Figura:http://www.conteudodeenfermagem.com/2013/06/cuidados-basicos-com-ostomias.html 
 
Colostomias: São realizadas para promover o restabelecimento ou a 
cicatrização da parte do intestino afetada pela doença, ou o seu tratamento. 
Ileostomia: A ileostomia é um tipo de estoma intestinal que comunica o 
intestino delgado (íleo) com o exterior. Elimina geralmente fezes líquidas e funciona 
várias vezes ao dia. Normalmente localiza-se no quadrante inferior direito do abdome. 
Urostomia: A urostomia é um ostoma urinário que comunica o aparelho 
urinário com o exterior. Elimina urina em forma de gotas e continuamente. 
Definitiva ou permanentes: são realizados após a retirada da parte doente do 
intestino por amputação completa do órgão, inexistindo a possibilidade de 
reconstrução do trânsito intestinal, ou impossibilidade de restaurar a evacuação trans-
retal. 
Estomia Respiratória 
Traqueostomia: procedimento cirúrgico da traquéia com o propósito de 
estabelecer uma via respiratória, que pode ser definitiva, como acontece nos casos 
da cirurgia de laringectomia total, ou temporária, que é muito comum nas pessoas 
que necessitam de intubação orotraqueal prolongada. 
Estomias Alimentares 
As gastrostomias e as jejunostomias são realizadas com a finalidade de 
6 
 
 
administrar alimentos (pastosos e/ou líquidos). 
 
A estomia alimentar, dependendo da localização, pode ser classificada em: 
 
Gastrostomia Procedimento cirúrgico que estabelece o acesso à luz do estômago 
através da parede abdominal. 
Jejunostomia Procedimento cirúrgico que estabelece o acesso à luz do jejuno 
proximal através da parede abdominal. 
 
 
Figura: https://www.docsity.com/pt/gastrostomia-e-jejunostomia/4773526/ 
 
Estomias Intestinais 
 
Colostomia e ileostomia são definidas, respectivamente, como intervenções 
cirúrgicas realizadas pela abertura de segmento cólico ou ileal na parede 
abdominal, visando ao desvio do conteúdo fecal para o meio externo. 
 
 A colostomia, dependendo da localização, pode ser classificada em: 
Colostomia 
Ascendente 
É realizada com a parte ascendente do cólon (lado direito do intestino 
grosso). As fezes são líquidas ou semi-líquidas nos primeiros dias 
após a cirurgia e pastosas após a readaptação intestinal. 
Colostomia 
Transversa 
É realizada na parte transversa do cólon (porção entre o cólon 
ascendente e descendente). As fezes são de semi-líquidas a 
pastosas. 
7 
 
 
Colostomia 
Descendente 
É realizadana parte descendente do cólon (lado esquerdo do 
intestino grosso). As fezes são de pastosas a sólidas e, no início, o 
funcionamento do estoma é irregular podendo eliminar fezes várias 
vezes ao dia, em diferentes momentos. Com o tempo, o 
funcionamento pode se regularizar, mas será sempre involuntário. 
Colostomia 
Sigmóide 
É realizada na parte do sigmóide. As fezes são de firmes a sólidas 
(semelhante às fezes eliminadas pelo ânus) e também é possível 
adquirir regularidade. 
Colostomia Úmida 
em Alça 
É realizada para permitir a saída de urina e fezes pelo mesmo 
estoma. É uma alternativa para pacientes que necessitam de dupla 
derivação (aparelho urinário e digestório). 
Figura: Local da Colostomia. 
http://1.bp.blogspot.com/2vlQgdKY0I4/Uhd_7QKNCEI/AAAAAAAAKx0/t_U3Ia0veME/s1600/colostomia1.jpg 
A colostomia pode ser duplo barril ou duas bocas: o intestino é totalmente 
separado e as duas porções finais são trazidas para a parede abdominal, formando 
dois estomas distintos, o estoma proximal, funcionante, e o estoma distal, que não 
funciona. Como também pode ser de uma única boca dependendo da técnica 
cirúrgica adotada. 
8 
 
 
Ileostomia é a exteriorização da parte final do intestino delgado, decorrente de 
qualquer motivo que impeça a passagem das fezes pelo intestino grosso. Os 
efluentes, nesse caso, são mais líquidos do que os eliminados por uma colostomia. 
 
 
Estomias Urinárias 
 
Urostomia é toda forma de drenagem de urina fora dos condutos naturais, que 
envolve a pelve renal, ureteres, bexiga e uretra. 
Nefrostostomia ou pielostomia Quando derivadas diretamente dos rins 
Ureterostomia Quando exterioriza um ureter 
Cistostomia Quando deriva da bexiga 
Vesicostomia Quando ocorre a eliminação da bexiga 
 
 Outras Estomias 
A Colecistostomia é o procedimento que envolve a vesícula biliar para a 
eliminação de seu produto. 
 
 
 
 
Quanto à 
permanência 
A Estomia pode ser classificada em definitiva ou temporária. 
 
9 
 
 
Estomia definitiva: É aquele em que foi necessário retirar uma estrutura que 
mantém o fisiologismo do trato gastrointestinal. Exemplo: retirada do esfíncter anal, 
ou de todo o reto, que impossibilitaria o funcionamento fisiológico do intestino. 
 
Estomia temporária: É aquele em que, no procedimento cirúrgico inicial, 
foram mantidas as estruturas que possibilitem o funcionamento fisiológico do trato 
gastrointestinal após recuperação da doença de base. 
O tempo de permanência do estoma temporário varia, em média, de 03 a 12 
meses. 
Para não frustrar as expectativas e o direito do usuário, abreviar seu retorno 
ao trabalho, desonerar a Previdência Social e o Serviço Ambulatorial, devem ser 
adotadas as condutas previstas neste manual (item 5.2.5) visando à reversão da 
estomia. 
Quando não há definição do diagnóstico ou do tratamento, a condição de 
temporário pode não prever um prazo para a reversão. Nesse caso é usual o emprego 
do termo “indefinido”. 
 
Quanto à evolução e possíveis complicações 
 
Evolução esperada: Nos primeiros dias após a cirurgia, o estoma pode ficar 
edemaciado (inchado). Aos poucos o edema regride. O estoma é vermelho ou rosa 
vivo semelhante à mucosa da boca (parte interna). A pele ao redor do estoma (pele 
periestomal) deve estar lisa, sem lesões ou ferimentos. Como o estoma não tem 
terminações nervosas, não dói ao ser tocado; no entanto, pode apresentar um 
pequeno sangramento. 
Realizada a estomia, o organismo passa por uma adaptação. A consistência 
das fezes e a frequência da evacuação mudarão após 30 dias da cirurgia, 
aproximadamente. 
10 
 
 
Possíveis Complicações: As possíveis complicações do estoma estão 
correlacionadas a diversos fatores, tais como: idade, alimentação, técnica cirúrgica 
inadequada, esforço físico precoce, deficiência no autocuidado, infecções, aumento 
de peso, localização inadequada do estoma ou falta de dispositivos adequados. 
As complicações físicas do estoma são classificadas de acordo com o tempo, 
contando a partir da intervenção cirúrgica. Podem ser imediatas, precoces e tardias. 
Imediatas quando aparecem nas primeiras 24 horas de pós-operatório. Precoces 
quando aparecem entre o 1º e 7º dia no pós-operatório, que corresponde ao pós-
operatório mediato. Tardias, quando se manifestam após a alta hospitalar, ou seja, 
quando os familiares ou a pessoa ostomizada assume os cuidados com o estoma. 
Dentre os tipos de complicações, são mais comuns os seguintes eventos: 
Abscesso: pode surgir no estoma ou no orifício de exteriorização da alça 
intestinal. A infecção da mucosa é geralmente provocada por fungos ou germes 
anaeróbicos, podendo ser decorrente, ou não, de isquemia parcial do estoma. Já a 
infecção que ocorre em torno do estoma pode acometer todo o trajeto da parede 
abdominal, frequentemente decorre da contaminação no momento da passagem da 
alça pelo trajeto ou da contaminação no momento da manutenção. 
Dermatite: pode decorrer do contato com efluente ou produtos utilizados na 
pele periestoma. Esses agentes causam distúrbios nos mecanismos de defesa da 
pele, permitindo a penetração de substâncias nocivas e desenvolvendo processo 
inflamatório. A dermatite alérgica pode ocorrer pela aplicação de produtos contínuos 
e/ou produtos errôneos nos cuidados com estomas, que podem provocar uma reação. 
As causas mais comuns de dermatite por trauma mecânico incluem técnicas de 
limpeza ou retirada traumática do dispositivo, fricção ou pressão continua de 
dispositivos mal adaptados, ou troca frequente de bolsa coletora. 
Edema: ocorre pela mobilização da alça intestinal, por trauma local, e, 
principalmente, pela passagem através de um trajeto estreito da parte abdominal para 
exteriorização da alça. A sua evolução deve ser acompanhada, uma vez que pode 
provocar necrose, por diminuição da irrigação sanguínea. 
Estenose: surge geralmente no terceiro mês de pós-operatório, quando ocorre 
estreitamento da luz do estoma, sendo observada tanto em nível cutâneo como da 
fáscia. Na fase inicial observa-se fezes afiladas, ocorrendo dificuldade crescente para 
11 
 
 
eliminar o conteúdo intestinal, podendo levar a quadro de sub-oclusão. A correção 
poderá necessitar de tratamento cirúrgico. 
Foliculite: causada pela remoção traumática dos pelos da região periestomal 
ou remoção inadequada da bolsa, provocando lesão/inflamação na epiderme ao redor 
do folículo piloso. 
Varizes periestomais: ocorrem com a dilatação das veias cutâneas ao redor 
do estoma de cor roxo-azulado em pessoas ostomizadas, portadores de cirrose e 
hipertensão portal. 
Hemorragia: pode ocorrer nas primeiras horas após a confecção do estoma, 
podendo ser da borda do estoma, do intestino que está preso na parede do abdômen, 
ou de ambos, ou até da parede abdominal como músculos ou subcutâneo, geralmente 
em decorrência da hemostasia inadequada durante a construção do estoma. 
Ressalta-se que um pequeno sangramento inicial pode ser normal, mas se for 
contínuo e abundante um atendimento hospitalar deve ser imediatamente procurado. 
Hérnia periestomal: está relacionada à confecção de um orifício abdominal 
grande ou, em caso de pessoas obesas e com mau estado geral ou, ainda, pelo 
aumento da pressão intra-abdominal e localização do estoma em incisão operatória 
anterior. A hérnia surge quando existe um espaço entre o segmento intestinal que 
forma o estoma e o tecido circundante, configurando um defeito fascial, sendo o 
resultado uma saliência total ou parcial na base do estoma. Quando associada à 
fragilidade muscular periestomal de menor intensidade, o que ocorre em muitos 
usuários com estomia, esses podem permanecer sem correção cirúrgica. O 
aparecimento de hérnia periestomal é tão comum que pode ser considerada como 
inevitável. Indica-se cirurgia corretiva apenas quando a hérnia está causando muitos 
transtornos às atividades de vida diária. Nesses casos, prioriza-se mudar a estomia 
delugar e corrigir a fraqueza abdominal. 
Necrose: pode ocorrer por isquemia arterial (insuficiência na chegada de 
sangue), ou por isquemia venosa (drenagem venosa do segmento exteriorizado), 
sendo mais frequente em usuários obesos e com distensão abdominal. 
12 
 
 
Prolapso: exteriorização inesperada total ou parcial do segmento da alça 
intestinal pelo estoma. Esta complicação não é letal, mas causa problemas de pele e 
grande dificuldade no cuidado ao estoma, requerendo cuidados médicos. 
Retração: ocorre devido à má fixação ou insuficiente exteriorização da alça 
intestinal levando ao deslocamento do estoma para a cavidade abdominal. 
 
 BOLSA COLETORA 
 
O que é uma bolsa coletora ? 
Existem vários tipos e marcas diferentes de 
bolsas que são colocadas sob o ostoma para recolher 
as fezes ou urina, apropriadas para diferentes tipos de 
ostomas e pele. Essas bolsas coletoras podem ser 
drenáveis ou não, opacas ou transparentes e em uma 
ou duas peças. Podem ser encontradas em hospitais 
e lojas especializadas em produtos hospitalares. 
 
 
Para a indicação adequada do equipamento, o enfermeiro deve considerar a 
localização, o tipo e o tamanho do estoma, além da condição da pele periestomal 
visando uma melhor adaptação ao usuário. 
Os sistemas de bolsas de estomias, em sua maioria, são produzidos por 
empresas multinacionais e possuem uma grande diversidade de modelos 
 
As bolsas podem conter uma ou duas peças, serem drenáveis ou fechadas, descartáveis 
ou reutilizáveis. 
LEMBRE-SE 
O governo tem um programa de distribuição de bolsas coletoras. Procure 
informações na Associação de Ostomizados do seu estado. 
VOCÊ SABIA? 
13 
 
 
 
Algumas bolsas são pré-cortadas pelo fabricante, outras são cortadas sob 
medida, pelo usuário, conforme o tamanho do estoma. 
As barreiras cutâneas podem ser de diferentes matérias; as do tipo hóstia, por 
exemplo, ficam aderidas à bolsa de estomia, são chamadas de “bolsa de uma peça”. 
Quando a bolsa pode ser desconectada da base, que se encontra aderida à pele para 
esvaziamento ou troca, são chamadas de “sistema de duas peças”. 
 
Figura: Tipos de Bolsas. http://www.convatec.com.br/estomia/estomia-informa 
 
 
Equipamentos Coletores 
 
a) Bolsas para colostomia/ileostomia, recortáveis, drenáveis, de uma 
peça, adulto/infantil: são indicadas para usuários que possuem 
colostomia/ileostomia; 
b) Bolsas para colostomia/ileostomia, recortáveis, drenáveis, de duas 
peças adulto/infantil: são, preferencialmente, indicadas para usuários que 
possuem ileostomia, embora não sejam restritas a esses; 
 
14 
 
 
c) Bolsas para colostomia/ileostomia convexas, recortáveis ou pré-
cortadas, drenáveis, de uma ou de duas peças adulto/infantil: são, 
preferencialmente, indicadas para usuários que possuem estoma retraído 
ou nivelado com pele; 
d) Bolsas para colostomia, recortáveis, fechadas ou descartáveis adulto: 
são indicadas para usuários que possuem colostomia; 
e) Bolsas para colostomia, recortáveis, protetoras de estoma, fechadas, 
descartáveis adulto: são indicadas para usuários que possuem colostomia 
e realizam técnica de irrigação, para usuários com fistula de baixo débito e 
para estoma não funcionante; 
f) Bolsas para colostomia/ileostomia, pré-cortadas, drenáveis, de uma 
peça ou de duas peças, adulto: são ideais para usuários com problemas 
oftalmológicos, psiquiátricos e para presidiários (visando dispensar uso de 
material perfuro-cortante) ou, ainda, para usuários com estomas que 
tenham tamanho inferior a 3 (três) milímetros do seu diâmetro; 
g) Sistema oclusor/obturador de colostomia: são indicadas para usuários 
que possuem colostomia definitiva e realizam técnica de irrigação; 
h) Dispositivo para incontinência fecal: são indicadas para usuários que 
possuem colostomia perineal definitiva e realizam técnica de irrigação; 
i) Kit Irrigação: é indicado para usuários que possuem colostomia abdominal 
e perineal de categoria definitiva, dentre outros critérios avaliados na 
consulta de enfermagem prévia; 
j) Bolsas para urostomia, recortáveis, drenáveis, de uma peça, 
adulto/infantil: são indicadas para usuários que possuem urostomia; 
k) Bolsas para urostomia, recortáveis, drenáveis, de duas peças, 
adulto/infantil: indicadas para usuários que possuem urostomia; 
l) Bolsas para urostomia, pré-cortadas, drenáveis, de uma peça ou de 
duas peças, adulto: são ideais para usuários com problemas 
oftalmológicos, psiquiátricos e para presidiários, ou, ainda, para usuários 
15 
 
 
com estomas que tenham tamanho inferior a três milímetros do seu 
diâmetro. 
 
Acessórios 
 
a) Clamps: usados para o fechamento das bolsas coletoras intestinais drenáveis; 
b) Medidor de estomas: usado para marcar o tamanho dos orifícios nas placas 
recortáveis; 
c) Coletor de urina: indicado para uso noturno, uma vez que armazena 2000 ml, 
proporcionando maior conforto para o usuário. 
 
Adjuvantes de proteção e segurança 
 
a) Creme Barreira: indicado para prevenção de irritações cutâneas, com ação 
hidrofóbica. Deve ser usada ao redor do estoma e em toda área de fixação da 
bolsa, criando uma barreira protetora; 
b) Pó: indicado para pele peritestomal macerada. Mostra-se eficaz na absorção 
de umidade, exsudatos e efluentes, mantendo a pele seca, evitando futuras 
irritações e cicatrizando as lesões; 
c) Pasta: indicada para tratar granulomas e proteger à pele, aumentar a adesão 
das bolsas à pele, para nivelar dobras e irregularidades da pele próxima ao 
estoma. 
Não deve ser usada em pele que apresentar feridas, uma vez que contém 
álcool e provoca dor; 
d) Protetor Cutâneo Spray: aplicada à pele, forma uma película protetora incolor 
e transparente, tornando-se uma barreira contra fluídos corpóreos, advindos 
de ostomias, fístulas e lesões cutâneas provocadas por trocas frequentes de 
curativos e/ou bolsas coletoras (produtos adesivos); 
16 
 
 
e) Anel Convexo: indicado para o ajuste de dispositivos de 1 ou 2 peças em 
estomas com retração ou nivelação. Trata-se de uma barreira de resina 
sintética não estéril em formato de anéis convexos, que podem ser moldados, 
obtendo ajuste perfeito ao dispositivo de estomia; 
f) Fita: indicada para aumentar a fixação de bolsa de ostomia no sistema de uma 
peça de hidrocolóide; 
g) Placa de barreira cutânea: indicada para manutenção da pele seca. Deve ser 
aplicada ao redor da colostomia/ileostomia; apresenta propriedade absorvente 
e hidrofóbica; 
h) Cinto elástico ajustável reutilizável: Indicado para melhor sustentação da 
bolsa de ostomia, sendo compatível com algumas bolsas de ostomia intestinal 
e urinária; 
i) Espessante: indicado para efluentes líquidos que, em contato com o produto, 
adquire consistência gelatinosa; 
j) Lenço barreira protetora de pele, formadora de película: forma um filme 
protetor entre a pele e a bolsa; 
k) Desodorante lubrificante para bolsas de ostomias: consiste em um gel 
fluído indicado para lubrificação da bolsa, evitando a aderência dos efluentes 
e reduzindo os odores característicos; 
l) Lenço descartável removedor de adesivo: indicado para higienização da 
área perístoma e peri-fístulas. 
 
Cuidados com a ostomia e com a bolsa 
 
17 
 
 
O ostoma deve ser tratado 
com delicadeza e suavidade para 
não ocorrer sangramentos. Pode 
ser lavado com água e sabão ou 
com soluções degermantes 
apropriadas. A pele ao redor tem 
que receber cuidados para não 
ser ferida. Sempre que possível, 
entre a troca da bolsa, tomar 
alguns minutos de Sol. 
A bolsa deve ser colocada da maneira mais cômoda, geralmente com a 
abertura para drenagem no sentido vertical, com o objetivo de ser esvaziada. 
Não se deve deixar a bolsa encher mais que 113 da sua capacidade. Ela deve 
ser esvaziada em qualquer banheiro, inclusive público. Basta drená-la diretamente no 
vaso sanitário e após, se possível, lavar com água. Fechar bem o clip para evitar 
acidentes.A bolsa pode ser trocada com vários dias de intervalo, dependendo do 
cuidado com ela, ou quando descolar. 
Dieta 
Não há nenhuma dieta especial para o ostomizado. Como acontece com 
qualquer outra pessoa, existem alimentos que são bem tolerados e outros que 
causam várias reações individuais, como aumento de gases, odor e aumento da 
eliminação de fezes. É importante construir uma dieta bem balanceada. rica em fibras 
(verduras. legumes e frutas) e pobre em gorduras e açúcares. Beber; pelo menos, 10 
copos d ' água por dia. Caso seja possível, deve-se procurar a orientação de um 
profissional em nutrição. 
 
 
 
 
 
18 
 
 
Como trocar a bolsa de uma peça? 
 
1. Retire delicadamente a bolsa para não traumatizar a pele. 
Use gaze ou algodão embebido em água morna, ou faça 
isso durante o banho. pois facilita a retirada da bolsa. 
2. Jogue a bolsa usada no lixo. 
3. Limpe delicadamente a pele ao redor do ostoma com 
sabão neutro e água morna. 
4. Seque bem ao redor do estoma. 
5. Recorte a bolsa no tamanho do estoma. Se for necessário, 
use o m e n s u r a d o r para ostomas. Se melhor lhe convir, 
poderá deixar a bolsa recortada antes das trocas. 
6. Retire o papel que protege a resina. 
7. Coloque a bolsa de baixo para cima. 
8. Certifique-se de que a bolsa esteja bem adaptada à pele. 
9. Retire o ar de dentro da bolsa. 
10. Feche com o "clamp". 
 
Fonte: www.inca.gov.br 
19 
 
 
Como trocar a bolsa de duas peças? 
1. Retire o "clamp" e esvazie-o completamente. 
2. Desconecte a bolsa da placa colada ao corpo. 
3. Embaixo do chuveiro, procure soltar a placa, suavemente 
pressionando a pele e ao mesmo tempo soltando o adesivo. 
4. Limpe durante o banho apele periestomal e o próprio estoma 
com movimentos suaves. 
5. Use sabão neutro, retirando o restos de fezes, urina ou de 
adesivos. 
6. Após o banho, depois de secar o corpo, procure secar bem a 
pele periestomal. 
7. Retire o papel que proteje a resina e segure-o com as duas 
mãos. 
8. Procure posicionar o estoma em frente ao espelho, 
procurando esticar o corpo durante a colocação. 
9. Adapte aplaca de baixo para cima, parte por parte, procurando 
encaixá-la no estoma, do centro para a extremidade. 
10. Procure não deixar pregas ou bolhas de ar que facilitem vazamentos e que 
acabam fazen que o dispositivo descole. 
11. Certifique-se de que a placa esteja bem adaptada à pele. 
12. Encaixe a bolsa coletora na placa. 
13. Retire o ar de dentro da bolsa e coloque o "clamp" para fechar. Se você utiliza 
o cinto, coloque-o após todos estes passos. 
Fonte: www.inca.gov.br 
 
20 
 
 
Declaração dos Direitos dos Ostomizados 
É objetivo principal da "International Ostomy Association" que todas 
as pessoas ostomizadas tenham direito a uma qualidade de vida 
satisfatória após suas cirurgias e que esta Declaração seja reconhecida em 
todos os países do mundo. 
 
1. Receber orientação pré-operatória. a fim de garantir um total 
conhecimento dos benefícios da operação e os fatos essenciais a 
respeito de viver com uma ostomia. 
2. Ter um ostoma bem feito, local apropriado, proporcionando 
atendimento integral e conveniente para o conforto do paciente. 
3. Receber apoio médico experiente e profissional. cuidados de 
enfermagem especializada no período pré-operatório e pós- 
operatório, tanto no hospital como em suas próprias 
comunidades. 
4. Ter acesso a informações completas e imparciais sobre o 
fornecimento e produtos adequados disponíveis em seu país. 
5. Ter a oportunidade de escolha entre os diversos equipamentos 
disponíveis para ostomia sem preconceito ou constrangimento. 
6. Ter acesso a dados acerca de sua Associação Nacional de 
Ostomizados e dos serviços e apoio que podem ser oferecidos. 
7. Receber apoio e informação para benefício da família,dos 
cuidadores e dos amigos afim de aumentar o entendimento sobre 
as condições e adaptações necessárias para alcançar um padrão 
de vida satisfatório para viver com a ostomia. 
8. Assegurar que os dados pessoais a respeito da cirurgia de ostomia 
serão tratados com discrição e confiabilidade, afim de manter 
privacidade. 
Comitê Executivo da IOA -Associação Internacional dos Ostomizados em junho 
de 1993 e revisado em junho de 1997 Canadá 
21 
 
 
FERIDAS 
 
INTRODUÇÃO 
 
Avaliar a ferida é descrevê-la de forma que os registros sejam fidedignos a sua 
característica clínica. Antes de avaliar a ferida, deve-se avaliar o paciente na sua 
integralidade. Na história, levantar a queixa principal relacionada à ferida, o tempo de 
início da lesão, tratamentos anteriores, presença de fatores que podem interferir na 
cicatrização e doenças associadas. 
Ao exame físico deve-se atentar para as condições gerais do paciente, 
oxigenação, estado nutricional, higiene, condições para o autocuidado, condições da 
pele, presença de calosidades, atrofias, edema, pulsos, sensibilidade, dor, sinais 
flogísticos e sinais de infecção. Ao realizar a avaliação da ferida atentar para a sua 
classificação. Obter dados mais detalhados de acordo com a descrição clínica da 
ferida, especificar a sua localização, tamanho, tipo de tecido presente no seu leito, 
exsudato, borda, pele ao redor e dor. 
Os profissionais devem avaliar o risco nutricional, pois este pode evoluir 
facilmente para desnutrição, influenciar o processo de perda da integridade tecidual 
e interferir no processo de cicatrização. A desnutrição clássica é caracterizada por 
proeminências ósseas visíveis e salientes, desidratação e descamação da pele, entre 
outros. Atentar para a anamnese alimentar, alterações de ingesta, história de perda 
de peso, sintomas gastrointestinais, controle rigoroso de ingesta alimentar durante a 
internação, peso e altura aproximados. 
22 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DA FERIDA 
FORMAS DE CLASSIFICAÇÃO 
 
As feridas podem ser classificadas de diversas formas e estas auxiliam na 
avaliação e evolução da lesão. Consideraremos a classificação quanto à etiologia, 
tempo de evolução e acometimento tecidual. 
 
ETIOLOGIA 
A etiologia de ferida deve ser determinada para tratar a causa da lesão e 
também direcionar o tratamento. Quanto à etiologia, as feridas podem ser cirúrgicas 
ou não cirúrgicas. Entre as cirúrgicas, destacam-se as deiscências, fasciotomias, 
peritoneostomias, enxertos e amputações entre outras. Quanto as não cirúrgicas 
devem ser salientadas as lesões traumáticas e os diversos tipos de úlceras, que 
podem ser classificadas em: úlcera por pressão, úlcera arterial, úlcera venosa, úlcera 
diabética, úlceras traumáticas, tumorais e outras. 
 
TEMPO DE EVOLUÇÃO 
 
O tempo de evolução caracteriza se a ferida é aguda ou crônica. As feridas 
agudas são as traumáticas (cortes, abrasões, lacerações, queimadura e outras) e as 
feridas pós- operatórias (agudas intencionalmente). Estas costumam responder 
rapidamente ao tratamento e cicatrizam sem complicações. As feridas crônicas 
geralmente são de longa duração ou de recorrência frequente, como as úlceras 
crônicas. No processo de cicatrização normal, a fase inflamatória dura em torno de 
72 a 96 horas após a lesão, a fase de proliferação ocorre em torno de duas semanas 
após a fase inflamatória e a remodelação pode durar do 20º dia até dois anos após a 
lesão. 
 
 
23 
 
 
ACOMETIMENTO TECIDUAL 
 
As feridas podem ser classificadas de acordo com o acometimento tecidual e 
são denominadas de superficial, perda tecidual parcial e perda tecidual total. 
As feridas superficiais são aquelas nas quais apenas a epiderme foi lesada. As 
de perda parcial ocorrem quando o epitélio e parte da derme são destruídos. Nas de 
perda total toda a epiderme, derme e camadas mais profundas como subcutâneo, 
músculos ou ossos podem estar envolvidos. Caso seja necessário maior 
detalhamento do acometimento tecidual este pode ser realizada pela identificação do 
tecido lesado na sua profundidade máxima visualizada. 
O comprometimento tecidualtambém pode ser caracterizado em estágios, 
categorias ou graus, que variam, de acordo com o tipo de lesão. As úlceras por 
pressão, por exemplo, são classificadas em categoria de 1 a 4, suspeita de lesão 
tissular profunda e inclassificável, já a queimadura é classificada em graus de 1 a 3 e 
as úlceras diabéticas são classificadas pela escala de Wagner em graus de zero a 
cinco, conforme serão descritos posteriormente. 
Para a identificação do tecido lesado as principais estruturas anatômicas 
devem ser reconhecidas e diferenciadas (Quadro 1). 
 
QUADRO 1. ESTRUTURAS ANATÔMICAS 
 
ESTRUTURA 
ANATÔMICA 
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 
 
 
Pele 
Composta pela epiderme, derme e subcutâneo. Recobre o corpo 
humano exerce barreira de proteção indispensável à vida e isola os 
componentes orgânicos do meio exterior. A sua coloração varia de 
acordo com a etnia. 
 Epiderme – 1ª camada da pele; 
 Derme – 2ª camada da pele. 
Subcutâneo 
(Hipoderme) 
De espessura variável, composta exclusivamente por tecido adiposo, 
de cor amarela, pouco vascularizada, facilmente predisposta a danos 
pela pressão e infecção. Sua principal função é o depósito nutritivo de 
reserva, isolamento térmico e proteção mecânica 
24 
 
 
 
Fáscia 
Anexo do sistema muscular, membrana de tecido conjuntivo, fibrosa 
de camada branca e brilhante, que envolve os músculos. Varia em 
espessura, presente em diversas regiões. É uma área propícia para o 
desenvolvimento de infecção, ressecamento e desvitalidade. 
 
 
Músculo 
Tecido vermelho, muito vascularizado, constituído de fibras musculares 
com diferentes excitabilidades, recobre os ossos, articulações, nervos 
e vasos, protegendo-os. Sua principal função é contração muscular 
quando estimulado. Ao ser lesado, há ocorrência de sangramento e 
exsudação, 
rompe-se facilmente. É difícil de ser pinçado. 
 
Osso 
Tecido branco, duro, resistente ao toque. Desidrata rapidamente 
quando 
exposto. Sua principal função é proteção de estruturas
 vitais, sustentação do corpo e reserva cálcio, fósforo e 
magnésio. 
 
 
Cartilagem 
Tecido conectivo branco ou acinzentado, semirrígido, aderente às 
superfícies articulares dos ossos, não existem vasos sanguíneos, 
nervos e vasos linfáticos, obtém oxigenação e nutrientes por difusão. A 
cartilagem pode ser elástica, fibrosa e hialina. Pode ser encontrado 
entre 
outros em nariz, orelha. 
 
Ligamentos 
São formados por pequenas faixas fibrosas esbranquiçadas que se 
estendem através do tecido subcutâneo e prendem a superfície 
profunda 
da derme à fáscia. Sua principal função é mobilidade. 
 
Tendões 
Tecido branco, brilhante e inextensível, move-se com o movimento de 
articulação adjacente, liga o músculo ao osso. Tem pouca 
vascularização e quando ressecado por 6 horas e costuma evoluir 
para necrose. 
Vasos 
Sanguíneos 
São constituídos por artérias, veias e capilares. A característica 
mais importante é a pulsação, que define sua origem. 
 
AVALIAÇÃO DA FERIDA 
 
LOCALIZAÇÃO 
A localização fornece informações sobre a provável etiologia da ferida, além 
de permitir direcionar o tipo de terapia tópica a ser aplicada. Considerar para 
descrever a localização das feridas o esquema da divisão da superfície corporal de 
Celmo Celeno Porto. 
 
 
 
 
25 
 
 
TAMANHO 
A avaliação do tamanho da ferida deve ser realizada na avaliação inicial e 
repetida periodicamente. Estas medidas permitem avaliar sua evolução, além de 
demonstrar a eficácia do tratamento proposto e prever o tempo de cura. 
Deve-se mensurar a ferida em relação à maior extensão da lesão, no eixo 
céfalo-podálico (vertical) e látero-lateral (horizontal) considerando um ângulo de 90° 
entre eles. Utilizar régua graduada em centímetros para executar a medição. Se for 
de papel esta deve ser descartada após o uso. Se for de plástico esta não deve 
encostar na ferida e após o uso, deve ser lavada com água e sabão e desinfetada por 
fricção com álcool a 70%. 
Quando ocorrerem duas lesões com uma distância mínima de 2 cm entre elas, 
considerar a somatória de suas maiores extensões (vertical e horizontal). 
 
 
 
 
 
Figura – Extensão maior distância (Revista Hélios – Coloplast). 
A profundidade pode ser verificada introduzindo a pinça do material de curativo, 
na profundidade máxima da ferida, demarcando o ponto que delimita o nivelamento 
com a epiderme, realizando a conversão da medida obtida em centímetros com a 
utilização de régua. As feridas com perda parcial geralmente são superficiais e 
apresentam uma profundidade de 1 a 4 mm e as feridas com perda total costumam 
ser maiores que 4 mm. 
Figura 2 - Profundidade Figura 3 – Profundidade cm 
26 
 
 
 
Para avaliação de túnel e ou áreas de descolamento de tecido, pode-se utilizar 
zaragatoa (swab), cotonete, sonda, pinça ou seringa, utilizando-se a técnica do 
relógio, de acordo com a escala horária para descrever a sua direção, respeitando os 
pontos cardeais ou o sentido céfalo-podálico e latero-lateral, onde a cabeça 
corresponde à marca de 12 horas, os pés às 6 horas e as laterais correspondem às 
9 e 3 horas. Túnel é uma cavidade com espaço morto em fundo cego. O descolamento 
de tecido envolve área maior de espaço morto e não é visível na superfície da ferida. 
 
 
 
Figura 4 - Túnel em 3 horas Figura 5 - Túnel em 3 horas com 3 cm 
 
 
 
 
 
 
 Figura 6 - Descolamento de tecido de acordo com a escala horária 
 
A profundidade do descolamento de tecido permite identificar as diferentes 
medidas no interior da lesão e esta pode ser obtida pela mensuração nas diversas 
direções, de acordo com a escala horária, pelo método semelhante à mensuração 
da profundidade de túneis. 
 
 
 
27 
 
 
LEITO DA FERIDA 
 
Com relação ao leito da ferida, a identificação das características do tecido 
presente na ferida, através de sua observação, são importantes indicadores da 
evolução do processo de cicatrização. O quadro abaixo ilustra os principais tecidos 
encontrados nas feridas. 
Quadro ilustrativo dos tipos de tecidos, suas colorações, conceitos e 
figura 
ilustrativa correspondente (NIX, 2007). 
Tecido Coloração Conceito 
Figuras 
Fonte: Enf. Helena M. 
Bajay 
 
 
Tecido 
Desvitalizado 
(Escara) 
 
 
Castanho, 
Marrom, 
Preto 
 
Necrose seca, dura, 
escurecida, pode 
estar forte ou 
frouxamente aderida à 
ferida. 
 
 
 
 
Esfacelo 
 
 
 
Amarelo, 
Cinza, 
Tecido desvitalizado 
de consistência 
delgada, úmida, 
mucoide, macia ou 
fibrinoso e a coloração 
pode ser amarela, 
bronzeada 
ou cinza e pode estar 
intimamente aderido. 
 
 
 
 
Granulação 
 
 
 
Vermelho 
Tecido conectivo, 
indica a proliferação 
de fibroblastos, 
células inflamatórias, 
novos vasos 
sanguíneos. Realiza 
preenchimento da 
ferida no processo de 
cicatrização. 
 
28 
 
 
 
 
 
Epitelização 
 
 
 
Rosa 
Tecido epitelial 
representa a fase final 
do processo de 
cicatrização, 
regeneração da 
epiderme através da 
superfície e borda da 
ferida. 
 
 
EXSUDATO 
A produção de exsudato pela ferida faz parte do processo de cicatrização, 
especialmente na fase inflamatória. O exsudato é um líquido inflamatório extracelular 
com concentração proteica elevada e restos celulares, resultado da ação celular de 
leucócitos, no qual os neutrófilos realizam a fagocitose, removendo corpos estranhos, 
bactérias e tecidos desvitalizados. Este líquido difere do transudato, que contém baixo 
teor protéico e também é composto por albumina. 
A presença de exsudato deve ser avaliada, visando manutenção do meio 
úmido, sua presença em quantidade adequada contribui para o processo de 
cicatrização, pois contém fatores de crescimentos e outros componentes que 
estimulam a regeneração do tecido e a migração celular, além de favorecer o 
desbridamento do tecido necrótico. 
Porém seu excesso deve ser minimizado, pois, além de favorecer infecções, 
causa desconforto ao paciente e podeinibir a cicatrização devido à quebra da matriz 
extracelular. Além de inibir fator de crescimento e proliferação celular, ocasiona 
degradação dos tecidos e maceração da pele ao redor da ferida. 
Por outro lado, a desidratação do leito da ferida deve ser evitada e tratada, pois 
favorece a formação de tecido desvitalizado. 
Existem diversos tipos de exsudato, cujas características possibilitam maior 
conhecimento da ferida e permite um registro mais preciso, dentre eles: 
 Seroso: é plasmático, aquoso, claro, transparente e está normalmente 
presente em lesões limpas; 
29 
 
 
 Sanguinolento: vermelho vivo; indica muitas vezes, ocorrência de 
extravasamento de sangue ativo, proveniente de lesão vascular; 
 Serosanguinolento: é a mistura do exsudato seroso e sanguinolento, 
costuma ser pálido, vermelho aguado; 
 Purulento: geralmente espesso, grosso, é o resultado de leucócitos e 
microrganismos vivos ou mortos, apresenta coloração que pode variar entre 
amarelo, verde ou marrom de acordo com o agente infeccioso. 
A quantidade de exsudação varia durante o processo de cicatrização. Há uma 
quantidade considerável de exsudação na fase inflamatório do processo de 
cicatrização e uma quantidade muito pequena na fase de epitelização. Uma 
exsudação abundante pode indicar uma fase inflamatória prolongada ou infecção. 
Com relação à quantidade de exsudato, podemos descrever como ausente, 
pequena, média e grande. Isso é realizado através da avaliação subjetiva do exsudato 
impregnado na cobertura removida da ferida na troca de curativo. 
O odor presente na ferida, mesmo após o processo de limpeza, geralmente 
está relacionado a processo infeccioso local, sugerindo a necessidade de coletar 
cultura para confirmação de diagnóstico de infecção (manual da Divisão de Patologia 
Clínica – patologia_clinica.pdf). 
BORDA DA FERIDA 
A borda da ferida delimita o seu contorno e deve estar em condições 
adequadas para favorecer a migração celular e propiciar a epitelização. Atentar para 
os fatores que interferem na epitelização como isquemia, tecido desvitalizado e 
descolamento de tecido. 
Outros problemas também podem ser identificados nas bordas: 
 Maceração: a borda apresenta-se intumescida e esbranquiçada, devido o 
excesso de umidade na superfície epitelial; 
 Ressecamento: condição onde a borda encontra-se ressecada, geralmente 
provocada pela falta de umidade adequada; 
30 
 
 
 Epibolia: condição onde a borda epitelial enrola-se sobre si mesmo, inibindo 
o contato e cessando a epitelização. 
 
PELE AO REDOR 
A pele ao redor deve ser examinada atentando-se à presença de sinais 
flogísticos (hiperemia, calor, edema, dor) ou outros fatores que interferem na 
cicatrização, como maceração, ressecamento, perda da epiderme, endurecimento, 
calosidades ou hiperpigmentação, entre outros. 
 
DOR 
A dor requer uma abordagem multidisciplinar e uma anamnese detalhada. A 
queixa de dor deve ser ouvida, valorizada e questionada quanto a sua intensidade. 
A detecção desta pode auxiliar na determinação da etiologia da ferida, bem como 
aliviada para o conforto do paciente e melhor qualidade de vida. 
A dor é um fenômeno subjetivo, complexo e pessoal, resultante da interação 
de aspectos cognitivos, sensitivos, emocionais e culturais e não pode ser medida com 
precisão, entretanto escalas de avaliação numéricas ou analogias visuais podem 
contribuir para a sua avaliação. A escala visual numérica (EVN) é graduada de zero 
a 10, na qual o zero significa ausência de dor e 10 é a pior dor já sentida nas últimas 
24horas. A intensidade da dor pode ser categorizada em três níveis: 
 Zero = ausência de dor; 
 1 - 4 = dor leve; 
 5 - 6 = dor moderada e 
 7 - 10 = dor intensa. 
A dor, ao ser detectada, deve ser comunicada de forma rápida e efetiva para 
providenciar prescrição médica e assegurar a analgesia adequada. Protocolos de 
analgesia e escalas de avaliação devem ser instituídos, exemplo: 
 Ausência de dor não exige analgésico; 
31 
 
 
 Dor de pequena intensidade requer a prescrição de analgesia, se 
necessário; 
 Dor moderada exige analgesia prescrita de horário; 
 Dor intensa exige analgesia prescrita de horário e ainda, se necessário, um 
analgésico mais forte durante o curativo. 
O paciente deve ser reavaliado em relação à eficácia da analgesia. 
 
SINAIS FLOGÍSTICOS E SINAIS DE INFECÇÃO 
 
A ferida deve ser avaliada quanto à presença de sinais flogísticos e sinais de 
infecção. A infecção em ferida ocorre quando há o desequilíbrio homeostático entre 
hospedeiro, organismo e ambiente. A epiderme e as mucosas são barreiras primárias 
de defesa contra agentes causadores de infecção, portanto, quando há ruptura dos 
tecidos, o hospedeiro pode tornar-se suscetível à penetração de microrganismos 
residentes ou do ambiente. Quando os microrganismos invadem os tecidos, o sistema 
imunológico é estimulado desencadeando a resposta inflamatória, caracterizada por 
eritema, calor no local da lesão, dor e edema. 
As feridas infectadas também apresentam os sinais clínicos acima descritos, 
caracterizados pela resposta inflamatória, acrescido de secreção purulenta 
aumentada, podendo ocorrer também odor. Entretanto, as feridas crônicas nem 
sempre apresentam estes sinais, exigindo critérios adicionais como correlação à 
cicatrização retardada, descoloração do leito da ferida, tecido de granulação friável 
que sangra facilmente, odor anormal e ruptura da ferida. 
Nas Feridas Agudas, observa-se: 
 Sinais locais de inflamação; 
 Secreção purulenta; 
 Aumento na quantidade de exsudato. 
 
32 
 
 
 Nas Feridas Crônicas, observa-se: 
 Sinais locais de inflamação; 
 Alteração no exsudato; 
 Odor; 
 Tecido de granulação de coloração vermelha exuberante (capilarização 
excessiva, sangramento); 
 Excesso de esfacelo; 
 Lesões satélites; 
 Demora na cura, sendo que esta pode ser o primeiro sinal da colonização 
crítica. 
 
PERIODICIDADE DA AVALIAÇÃO DA FERIDA 
A avaliação da ferida deve ser realizada na avaliação inicial e periódicamente, 
a cada troca de cobertura quando esta permanecer mais de um dia. 
REGISTRO DA AVALIAÇÃO DA FERIDA E CONDUTA 
 
O registro da avaliação deve ser realizado no prontuário do paciente, pelo 
profissional executor, com data e horário da troca do curativo, profissional executor 
com carimbo, dados que julgar relevantes e produto utilizado. Preconiza-se o 
preenchimento de um instrumento específico para o registro da avaliação da ferida 
desenvolvido para a utilização na instituição (Ficha de avaliação de Ferida), entretanto 
na ausência deste, realizá-lo nos registros de enfermagem (anotação e evolução de 
enfermagem). 
O instrumento consta de: 
 Identificação do paciente; 
 Hipótese diagnostica e doenças associadas; 
 Localização da ferida; 
33 
 
 
 Tipo de ferida; 
 Monitoramento da ferida: Medidas, exsudato, leito, borda, pele ao redor, 
espaço morto, edema e temperatura; 
No monitoramento da ferida, dar-se-á uma pontuação segundo a característica 
de cada aspecto avaliado, obtendo assim uma somatória das características, 
possibilitando uma comparação nas próximas avaliações. 
As Condutas tomadas de acordo com a avaliação da ferida devem ser 
anotadas no verso da (Ficha de avaliação de ferida), seguida de observações 
pertinentes da data da avaliação e carimbo e rubrica do Enfermeiro executor. 
34 
 
 
 
 
 
35 
 
 
 6. Conduta 
 
DATA 
Desbridamento 
Enzimático (Papaina 10%) 
Autolítico 
Mecânico 
Instrumental 
Cirúrgico 
Controle de 
Infecção 
PHMB 
Cobertura com prata 
Sulfadiazina de prata 
Absorção do 
exsudato 
Alginato de cálcio 
Umidade 
Hidrogel 
Hidrogel com alginato 
Papaína 3% 
AGE óleo 
Proteção da 
ferida 
Não aderenteHidrocolóide 
Rayon 
Bordas e pele 
ao redor 
Oxido de zinco 
AGE Loção 
Cavilon 
Creme Barreira 
Rubrica 
 
7. Observações 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8. Carimbo e rubrica do 
Enfermeiro 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
ACHADOS CLÍNICOS 
A descrição clínica precisa da ferida permite identificar a fase do processo de 
cicatrização em que a ferida se encontra. Pela observação clínica, podemos 
identificar: 
 Presença de tecido inviável caracterizado pela presença de tecido 
desvitalizado que deve ser removido precocemente; 
 Sinais inflamatórios caracterizados pela presença de sinais flogísticos 
(eritema, calor, edema e dor); 
 Infecção local caracterizada pelo exsudato purulento aumentado, dor, odor 
da ferida após limpeza e sinais sistêmicos como hipertermia, leucocitose e 
mal estar. 
Estes dados sugerem a coleta de cultura para avaliação quantitativa e 
qualitativa do agente infectante e conduta adequada. O nível de exsudação orienta o 
tipo de cobertura necessário para equilibrar a umidade do leito da ferida. 
As características da borda da ferida permitem identificar quando a epitelização 
não avança, sendo necessário reavaliar os fatores que interferem na cicatrização bem 
como a conduta terapêutica utilizada. 
 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
Em casos de desconhecimento da etiologia da lesão, solicitar avaliação de 
equipe especializada, por meio de interconsulta, para estabelecimento de diagnóstico 
e conduta terapêutica. 
 
CONDUTA TERAPÊUTICA GERAL 
A conduta terapêutica da ferida baseia-se nos achados clínicos detectados em 
sua avaliação e é direcionada pelo raciocínio clínico proposto, disponível em diretriz 
específica sobre Raciocínio Clínico. 
37 
 
 
A terapia tópica para as feridas poderá ser indicada pelo médico ou enfermeiro, 
de acordo com os produtos padronizados na instituição, conforme descrição no 
Protocolo de Terapias Tópicas. 
PREVENÇÃO DE INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE 
Precauções Padrão 
Devem ser adotadas sempre que prestar assistência aos pacientes, 
manusear equipamentos, materiais e superfícies da assistência. 
Consistem em: 
 Higienizar as mãos (água e sabão ou álcool gel); 
 Utilizar barreiras e equipamentos de proteção individual (luvas, 
avental, máscara e protetor ocular) de acordo com o grau de exposição 
à matéria orgânica ou fluidos corporais; 
 Realizar limpeza/desinfecção de materiais e equipamentos utilizados; 
 Prevenir acidentes com perfuro-cortantes; 
 Manusear adequadamente resíduos, materiais biológicos e roupas 
usadas. 
 Caso o profissional apresente sintomas respiratórios (resfriado / 
gripe), utilizar máscara cirúrgica, conter secreções e higienizar as mãos 
após assoar o nariz ou espirrar. 
Precauções Adicionais 
 Adotar Precauções Adicionais sempre que indicado pela CCIH. 
Maiores informações: Manual da Comissão de Controle de Infecção 
Hospitalar (ccih.pdf). 
SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL 
Adotar as orientações descritas no Guia para Adequação da 
NR-32 no Hospital de Clínicas (NR32.pdf). 
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAIS E 
COLETIVOS ESPECÍFICOS 
Não se aplica 
 
 
 
38 
 
 
QUEIMADURAS 
 
Aquele que sofre um tipo de queimadura, independentemente de sua 
extensão, torna-se vítima de uma agressão física em sua morfologia e estética, o que 
vai além de danos físicos. Queimaduras são classificadas como injúrias decorrentes 
de trauma de origem térmica resultante da exposição a chamas, líquidos quentes, 
superfícies quentes, frio, substâncias químicas, radiação, atrito ou fricção. O tipo de 
queimadura depende da extensão do comprometimento tecidual e exposição ao 
agente agressor. Assim, a pessoa vítima desse acidente pode vir a óbito, ou ficar com 
sequelas irreversíveis, além do grande sofrimento físico e psicológico. 
 
 Pacientes que sofreram algum tipo de queimadura apresentam intensa dor e 
grande impacto emocional, sendo, estes, alguns dos fatores que interferem em sua 
recuperação. É necessário conhecer a etiologia da queimadura, pois é um fator 
determinante nas medidas e intervenções terapêuticas que serão adotadas, 
direcionando os cuidados do enfermeiro e da equipe de saúde, assegurando, assim, 
melhora e evolução no quadro clínico do paciente. 
 
 A gravidade da queimadura está diretamente relacionada com sua extensão 
e profundidade da lesão gerada no organismo. Comprometimento que causa vários 
distúrbios físicos, como, por exemplo, perda de volume líquido, mudanças 
metabólicas, deformidades corporais e risco de infecção, além das complicações 
advindas da queimadura, que podem ocasionar maiores complicações no estado de 
saúde do paciente. Por ser um trauma de grande complexidade e requerer tratamento 
eficaz, adequado e de caráter imediato, acidentes com vítimas por queimaduras 
apresentam alta taxa de morbidade e mortalidade. 
 
 Além do comprometimento físico decorrente ao acidente de causa térmica, o 
paciente mostra-se, geralmente, muito abalado, até mesmo em estado de choque. A 
assistência de enfermagem, nesse momento, é de grande valia no tratamento do 
paciente queimado. No momento em que o paciente é admitido em uma unidade de 
emergência, faz-se necessário que este receba um tratamento imediato e eficaz. 
 
39 
 
 
 O cuidado prestado pelo enfermeiro não pode apenas limitar-se à assistência 
tecnicista, requer uma abordagem multidimensional, não olhando apenas o indivíduo, 
mas também sua família. Isto permite estabelecer intervenções direcionadas ao 
paciente e sua família, a fim de obter resultados positivos na tentativa de lhes 
preservar a vida. 
 
Figura. Bebê com queimaduras. https://servidoresmt.com.br/noticias/ 
 
O cuidado com paciente queimado 
 
 
 Paciente queimado, quando admitido em uma unidade de emergência, 
independentemente da extensão de sua lesão deve ser assistido pela equipe de 
saúde, que realizará os procedimentos e exames necessários, para avaliar o nível de 
comprometimento cutâneo e sistêmico. A conduta de atendimento é executada de 
acordo com o protocolo de atendimento estabelecido pela unidade, levando-se em 
conta a extensão das feridas e de seu quadro clínico. Há casos em que o paciente 
deve ser encaminhado ao centro cirúrgico, para realização de desbridamento e 
curativos ou, até mesmo, procedimentos cirúrgicos. Assim, subsequentemente, serão 
internados em unidades semi-intensivas, UTIs, ou em centro de tratamento de 
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queimados(CTQ). 
 
 Salienta-se que acidentes de origem térmica têm como consequências 
traumas adicionais e comprometimento ao organismo humano, principalmente lesões 
pulmonares, ocasionadas pela inalação de gases nocivos, além de fraturas e 
lacerações em alguns órgãos. A equipe deve estar preparada e ter em maos recursos 
que irao assegurar a vida ao paciente queimado durante a primeira conduta de 
atendimento. 
 
 O tratamento dos queimados 
 
O tratamento dos queimados é dividido em três fases: reanimação, reparação 
e reabilitação. O cuidado ao queimado, quanto ao critério de prioridades de condutas 
de atendimento, é o mesmo tido com vítimas de algum tipo de trauma, como, por 
exemplo, verificar as vias aéreas, ventilação, coluna vertebral e circulação, com 
objetivo de controlar a hemorragia. No caso do paciente queimado, faz-se necessário 
remover as roupas, a fim de possibilitar melhor avaliação. O exame neurológico é 
fundamental no primeiro momento. 
 
 Estar hospitalizado representa, ao paciente queimado, uma sensação de 
medo, impotência, além de ser um processo doloroso, devido aos diversos 
procedimentos de cuidadosque lhe causam dor e incômodo, mas que se faz 
necessário em seu tratamento. Em sua maioria, ficam totalmente dependentes para 
realização de qualquer atividade, em especial as de autocuidado. 
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Figura: Paciente fazendo fisioterapia após sofrer queimaduras: (Foto: Reprodução/TV 
Anhanguera) 
 
 O cuidado inicial ao paciente que sofreu queimadura não envolve apenas as 
lesões ocasionadas com o agente causador. Assim, o primeiro cuidado é a 
manutenção da permeabilidade das vias aéreas, reposição de fluidos e controle da 
dor. São medidas que têm por finalidade diminuir complicações devido ao trauma 
térmico. A forma de cuidado e o tratamento ao queimado serão estabelecidos de 
acordo com a gravidade das lesões decorrentes da exposição, tipo e grau de 
comprometimento, levando em conta a real necessidade do paciente, com a 
finalidade da estabilização, melhora e, por fim, diminuir seu tempo de internação. 
 
 O processo de cicatrização, formação de um tecido no decorrer do tratamento, 
irá dimensionar a possibilidade e limitações do paciente. Salienta-se que estar 
queimado é uma das formas mais traumáticas que o indivíduo pode ter como 
experiência física e emocional, pois se trata de um acontecimento que interrompe a 
sua forma de viver, passando da integridade física para o desequilíbrio. 
 
 
 
 
42 
 
 
 Assistência de enfermagem ao paciente queimado 
 
 
 A essência da enfermagem é o ato de cuidar do ser humano, e 
proporcionar uma recuperação segura, além de ser responsável na execução de 
medidas preventivas sob a forma de educação em saúde. É nesse contexto que a 
equipe de enfermagem deve estar preparada para atuar em distintas áreas, com 
competências e habilidades. Por sua vez, prestar assistência de enfermagem ao 
paciente queimado exige que o enfermeiro tenha alto nível de conhecimento científico 
sobre as alterações fisiológicas que ocorrem no sistema orgânico após uma 
queimadura. Isso possibilitará identificar e prevenir alterações sutis que possam 
desencadear maiores complicações em decorrência das lesões teciduais e 
sistêmicas. 
 
 Compete ao enfermeiro levantar informações necessárias, por meio da 
anamnese, para que possa estabelecer assistência de enfermagem que atenda às 
necessidades do paciente queimado e, assim, dar continuidade ao tratamento 
terapêutico iniciado no primeiro momento. A equipe de enfermagem deve prestar 
assistência na fase de emergência, monitorando a estabilização física e psicológica 
do paciente, além de intervir nas necessidades psicológicas também da família, pois 
as queimaduras geram respostas emocionais variáveis. 
 
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 O profissional de enfermagem deve elencar as prioridades de ações ao 
paciente, planejando uma assistência adequada de acordo com as necessidades 
afetadas do queimado, deve analisar e acompanhar os exames com periodicidade. 
Também manter uma comunicação efetiva com o doente e seus familiares e com a 
equipe de saúde. 
 
 O exame físico é primordial na avaliação do paciente queimado, levando em 
conta suas limitações, pelas lesões que sofreu, deve ser realizado de forma criteriosa, 
atentando-se com frequência aos sinais vitais, dando ênfase aos pulsos periféricos 
em que, por sua vez, pode ser inviável a verificação, devido à presença de edema. A 
avaliação desses parâmetros permite ao enfermeiro amplo conhecimento da 
evolução no quadro clínico do paciente, pois, somente assim, será possível afirmar 
se o tratamento está tendo uma resposta efetiva. 
 
 Ao prestar assistência ao paciente queimado, o enfermeiro se depara com 
uma rotina de muito trabalho, dor e sofrimento, não apenas do doente, mas também 
de seus familiares, exigindo intervenção delicada por parte de toda a equipe. O 
enfermeiro terá de lidar com dor, depressão, padrão de sono perturbado, mobilidade 
física prejudicada e risco para infecção, e deve saber intervir em cada situação, de 
forma eficaz e ética. 
 
 O planejamento da assistência de enfermagem faz parte de um processo 
para identificar inferências e determinar intervenções necessárias para cada tipo de 
paciente, seja ele pequeno, leve e grande queimado, buscando sempre atingir 
resultados almejados e estabelecidos pela enfermagem, de acordo com o tratamento 
terapêutico. Para que seja implantado o plano de cuidados de enfermagem, devem-
se estabelecer prioridades diárias, realizando mudanças necessárias conforme as 
alterações no quadro do paciente, sempre realizando o registro diário de todas as 
ações e intercorrências com o paciente assistido, além de buscar manter 
comunicação eficaz com a equipe. 
 
 O plano de cuidado deve atender às várias ameaças físicas que podem advir, 
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além de oferecer amparo psicológico ao doente e a sua família. A ação dos cuidados 
de enfermagem, descritos no Quadro 2, vai muito além da tecnicista, como, por 
exemplo, banho no leito/aspersão, desbridamento, curativos, momentos pré e pós 
cirúrgicos, entre outros. 
 
 
Medidas executadas pela equipe de enfermagem são fatores que tendem a 
contribuir na recuperação do paciente internado, evitando sempre que ele apresente 
complicações procedentes da queimadura. Os cuidados gerais são basicamente 
procedimentos de rotinas; casos mais complexos necessitam de cuidados mais 
complexos, como higiene, alimentação, hidratação, posicionamento no leito e 
curativos, entre outros. 
 
 Estabelecer intervenções tanto gerais como especificas é direcionar o cuidado 
de enfermagem, visando sempre o bem-estar e melhora do paciente que sofreu algum 
tipo de queimadura, seja ele pequeno, médio ou grande queimado. As intervenções 
levantadas neste estudo estão de acordo problemas comumente identificados em 
pacientes queimados, ressaltando que, por isso, faz-se necessária a avaliação de 
cada caso clínico, uma que vez que cada um tem suas peculiaridades e necessita de 
cuidados específicos e até mesmo complexos. 
 
45 
 
 
 A equipe de enfermagem deve compreender a percepção que o paciente 
queimado tem das alterações que ocorreram no seu corpo. Cabe ao enfermeiro 
encorajar o doente e a família a expressar seus sentimentos, estabelecendo uma 
relação de confiança, o que permitirá um diálogo mais aberto, demonstrando sempre 
estar disposto a ouvir. É importante preparar o paciente para o que ele poderá ver, 
quando for se realizado algum cuidado ou procedimento nele, se possível descrever 
de uma forma tranquila, sem usar terminologias técnicas, a fim de amortizar o choque. 
 
 No processo de reabilitação, o enfermeiro tem que ajudar o paciente e seus 
familiares a enfrentar as mudanças corporais e as possíveis dificuldades e limitações 
em atividades diárias que fazia antes do acidente; orientar que isso acontece devido 
a retrações teciduais e dores, uma vez que são dificuldades que ele irá se deparar 
após a alta hospitalar. Portanto, o profissional de enfermagem deve começar durante 
o período de internação a ajudar o paciente a lidar com algumas situações que ele 
poderá vivenciar fora do ambiente hospitalar. 
 
 
Foto: Renato Lopes – Dircom 
 
 Prestar assistência de qualidade ao paciente queimado é uma tarefa árdua, 
sendo muito importantes a dedicação e a perseverança da equipe de enfermagem. 
Sendo assim, é preciso entendê-lo, levando-se em conta as características muito 
especiais consequentes da situação traumática vivenciada, partindo do pressuposto 
de que as queimaduras que sofreu podem deixar sequelas para a vida toda, seja 
incapacitando o indivíduo ou desfigurando-o irreversivelmente. 
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Assistência de enfermagem diante das necessidades afetadas 
 
 Tratamento com pacientes queimados causa lesões corporais, tanto locais 
quanto sistêmicas. Nesse contexto, o enfermeiro e a equipe de saúde se deparamcom diversas situações que necessitem de intervenções de caráter imediato e com 
técnicas adequadas. Todo paciente que sofre esse tipo de trauma tende a ter suas 
necessidades básicas prejudicadas, como, por exemplo, oxigenação, hidratação e 
nutrição, entre outros. 
Alguns pacientes inalam fumaça ou substâncias tóxicas, o que pode levar a 
lesões ou até mesmo ao óbito, dependendo do tempo de exposição e do agente 
agressor. É muito comum pacientes vítimas de queimaduras apresentarem 
comprometimento respiratório, que vai desde pneumonia a embolia pulmonar. Mesmo 
após o atendimento inicial, no qual o paciente começa a receber o tratamento 
adequado, a equipe de enfermagem deve estar em alerta para sinais de hipoxemia, 
taquicardia, sudorese e cianose. 
Ao controlar as respostas respiratórias e a dor, o enfermeiro deve estar atento 
aos sinais de choque hipovolêmico, e intervir de forma imediata com reposição de 
líquidos e eletrólitos, conforme indicação terapêutica adotada pelo médico. Umas das 
medidas que deve ser realizada pela enfermagem logo após admissão do paciente 
queimado é puncionar e manter um acesso venoso calibroso. 
A comunicação efetiva com a equipe é um alicerce fundamental no tratamento 
e na melhora do paciente queimado. O enfermeiro deve orientar os familiares a ofertar 
alimentos nutritivos para o doente, de acordo com o aconselhamento do nutricionista. 
Quando as necessidades nutritivas não forem satisfatórias pela alimentação oral, o 
que acaba por comprometer o quadro clínico do paciente, o enfermeiro deverá 
introduzir uma sonda nasogástrica, conforme a prescrição do médico, estando atento 
se a nutrição prescrita está sendo adequada e eficaz, não causando nenhum mal-
estar ao doente. Esses cuidados são de fundamental importância para ajudar no 
tratamento e cura do paciente. 
 Compete ao médico e ao enfermeiro executar medidas que controlem a dor do 
paciente queimado, atentando-se à causa e à intensidade, para que possam intervir, 
a fim de eliminar ou reduzir esse quadro com uso de medicação adequada. Em alguns 
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casos, o paciente necessita de sedação, devido ao comprometimento corporal que 
sofreu. E, por sua vez, ao administrar o medicamento prescrito, o enfermeiro deve 
estar atento aos efeitos adversos e intercorrências ocasionadas pelo fármaco, 
comunicando ao médico e anotando os fatos presenciados. 
Todo paciente que sofreu alguma lesão por causa térmica está sujeito à 
infecção. A medida que os resíduos se acumulam na superfície da ferida, podem 
retardar a migração dos queratinócitos, consequentemente afetando o processo de 
epitelização. Em alguns casos, faz-se necessário o desbridamento das lesões por 
queimadura, a fim de remover o tecido contaminado por bactérias e corpos estranhos, 
protegendo o paciente contra a invasão de bactérias. 
Quando se fala em assistência de enfermagem com o paciente queimado, 
deve-se ter em mente que todos os cuidados deverão ser realizados com técnicas 
assépticas, evitando criar um ambiente favorável para crescimento e proliferação 
bacteriana, o que ocasionaria mais sofrimento e dor ao doente. As causas mais 
comuns de infecção em pacientes queimados são por bactérias, 
como Staphylococcus e Pseudomonas. A equipe de enfermagem deve ficar atenta a 
sinais de infecção no local da queimadura, observando os aspectos de coloração, 
secreções e sintomas sistêmicos, como hipertermia e contagem de leucócitos. 
 
Figura: Paciente mostrando sua queimadura para a enfermeira. Fonte: WikiHow 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
YAMADA B. Portal da Enfermagem – Estomaterapia: especialidade em 
ascensão [internet] 2011 [citado 2011 Agosto 16]. 
MANUAL DE ORIENTAÇÃO AOS SERVIÇOS DE ATENÇÃO ÀS PESSOAS 
OSTOMIZADAS- Governo do Estado do Espírito Santo, 2017. 
CARTILHA DO HOMEM OSTOMIZADO I coordenação de Cândida 
Carvalheira. -Rio de Janeiro: ABRASO, 200424 p. : 15 x 21 cm. 
GRECO JÚNIOR JB, Moscozo MVA, Lopes Filho AL, Menezes CMG, Tavares 
FMO, Oliveira GM, et al. Tratamento de pacientes queimados internados em 
hospital geral. Rev Soc Bras Cir Plást. 2007;22(4):228-32.

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