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1 ABORDAGEM E TRATAMENTO DE OSTOMIAS, FERIDAS E QUEIMADURAS 1 Sumário ESTOMATERAPIA .......................................................................................... 3 OSTOMIAS .................................................................................................. 4 BOLSA COLETORA .................................................................................. 12 FERIDAS ................................................................................................... 21 CLASSIFICAÇÃO DA FERIDA .................................................................. 22 AVALIAÇÃO DA FERIDA ........................................................................... 24 QUEIMADURAS ........................................................................................ 38 REFERÊNCIAS ............................................................................................. 48 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 ESTOMATERAPIA Estomaterapia é a área da saúde responsável por prevenir a perda da integridade da pele, realizar tratamento avançado de pessoas com feridas (agudas e crônicas), reabilitar as que possuem estomias e incontinências (urinária ou anal) e realizar cuidados com fístulas, cateteres, drenos e tubos. Desde 1980 é uma especialidade exclusiva do enfermeiro, cujo papel é assistencial, gerencial, de ensino e pesquisa. No Brasil, a prática foi instituída somente dez anos depois, em 1990, como pós-graduação lato sensu. A estomaterapia nasceu em 1958, nos Estados Unidos, com Rupert Turnbull (médico coloproctologista) e Norma Gill (estomizada, paciente de Dr. Rupert). Em 1961, esses dois visionários fundaram o primeiro curso de estomaterapia. Norma Gill foi considerada a primeira estomaterapeuta (ET). Gradualmente, a estomaterapia foi ganhando expressividade internacional e muitos feitos foram realizados por essa senhora, entre eles a fundação de um órgão mundial que pudesse representar a especialidade, que é o WCET (World Council of Enterostomal Therapists). No Brasil, os primeiros ETs foram dois médicos do Rio de Janeiro. Antes de 1980, era permitido aos profissionais não enfermeiros cursarem estomaterapia. As primeiras enfermeiras brasileiras a fazer estomaterapia foram Gelse Zerbetto, Sônia Dias, Vera Gouveia, Lauma Paegle e Eloísa Roncarate. Todas fora do Brasil. Gelse teve grande contribuição atuando nas companhias que desenvolvem tecnologias para a estomaterapia. Vera Gouveia implantou a especialização no Brasil, em 1990, na Estomaterapia (Curativos )- Crédito: Divulgação/PMSCS 4 Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP). Esta especialização foi única até 1998 e formava somente 13 especialistas para o Brasil. A partir desse ano, outros cursos foram implantados. Em 1999, na Universidade Estadual do Ceará, com a professora Maria Euridea Castro; em 2000, na UNITAU, pelas professoras Maria Ângela Bocara de Paula e Isabel Cesaretti. E daí por diante, outros cursos foram gradualmente implantados no país. Certamente o Brasil está entre os países mais avançados nesta área, principalmente quando falamos de América Latina. Porém, os Estados Unidos estão largamente na frente, mundialmente. Na Europa, a Inglaterra tem destaque. Contudo, os países europeus não têm a mesma concepção de uma especialidade com três subáreas como é nos Estados Unidos e no Brasil (temos o modelo americano). A Austrália, o Canadá e o Japão, entre outros, também têm grande representatividade internacional. A China tem crescido muito nos últimos anos. Mas, ainda têm-se muito a crescer ao redor do mundo. Um grande número de países não tem nem mesmo um estomaterapeuta. OSTOMIAS A ostomia é um procedimento abdominal, realizada através de uma intervenção cirúrgica, para a saída das fezes ou urina. O estoma pode ser feito de urgência ou planejado de forma temporária ou definitiva. Há vários tipos de ostomias: respiratórios (traqueostomia), gástricos (gastrostomia), intestinais (colostomia e ileostomia) e urinário (urostomia).O estoma não pode ser controlado voluntariamente e, por esta razão, deve ser usado uma bolsa coletora. As ostomias mais comuns são : 5 Figura:http://www.conteudodeenfermagem.com/2013/06/cuidados-basicos-com-ostomias.html Colostomias: São realizadas para promover o restabelecimento ou a cicatrização da parte do intestino afetada pela doença, ou o seu tratamento. Ileostomia: A ileostomia é um tipo de estoma intestinal que comunica o intestino delgado (íleo) com o exterior. Elimina geralmente fezes líquidas e funciona várias vezes ao dia. Normalmente localiza-se no quadrante inferior direito do abdome. Urostomia: A urostomia é um ostoma urinário que comunica o aparelho urinário com o exterior. Elimina urina em forma de gotas e continuamente. Definitiva ou permanentes: são realizados após a retirada da parte doente do intestino por amputação completa do órgão, inexistindo a possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal, ou impossibilidade de restaurar a evacuação trans- retal. Estomia Respiratória Traqueostomia: procedimento cirúrgico da traquéia com o propósito de estabelecer uma via respiratória, que pode ser definitiva, como acontece nos casos da cirurgia de laringectomia total, ou temporária, que é muito comum nas pessoas que necessitam de intubação orotraqueal prolongada. Estomias Alimentares As gastrostomias e as jejunostomias são realizadas com a finalidade de 6 administrar alimentos (pastosos e/ou líquidos). A estomia alimentar, dependendo da localização, pode ser classificada em: Gastrostomia Procedimento cirúrgico que estabelece o acesso à luz do estômago através da parede abdominal. Jejunostomia Procedimento cirúrgico que estabelece o acesso à luz do jejuno proximal através da parede abdominal. Figura: https://www.docsity.com/pt/gastrostomia-e-jejunostomia/4773526/ Estomias Intestinais Colostomia e ileostomia são definidas, respectivamente, como intervenções cirúrgicas realizadas pela abertura de segmento cólico ou ileal na parede abdominal, visando ao desvio do conteúdo fecal para o meio externo. A colostomia, dependendo da localização, pode ser classificada em: Colostomia Ascendente É realizada com a parte ascendente do cólon (lado direito do intestino grosso). As fezes são líquidas ou semi-líquidas nos primeiros dias após a cirurgia e pastosas após a readaptação intestinal. Colostomia Transversa É realizada na parte transversa do cólon (porção entre o cólon ascendente e descendente). As fezes são de semi-líquidas a pastosas. 7 Colostomia Descendente É realizadana parte descendente do cólon (lado esquerdo do intestino grosso). As fezes são de pastosas a sólidas e, no início, o funcionamento do estoma é irregular podendo eliminar fezes várias vezes ao dia, em diferentes momentos. Com o tempo, o funcionamento pode se regularizar, mas será sempre involuntário. Colostomia Sigmóide É realizada na parte do sigmóide. As fezes são de firmes a sólidas (semelhante às fezes eliminadas pelo ânus) e também é possível adquirir regularidade. Colostomia Úmida em Alça É realizada para permitir a saída de urina e fezes pelo mesmo estoma. É uma alternativa para pacientes que necessitam de dupla derivação (aparelho urinário e digestório). Figura: Local da Colostomia. http://1.bp.blogspot.com/2vlQgdKY0I4/Uhd_7QKNCEI/AAAAAAAAKx0/t_U3Ia0veME/s1600/colostomia1.jpg A colostomia pode ser duplo barril ou duas bocas: o intestino é totalmente separado e as duas porções finais são trazidas para a parede abdominal, formando dois estomas distintos, o estoma proximal, funcionante, e o estoma distal, que não funciona. Como também pode ser de uma única boca dependendo da técnica cirúrgica adotada. 8 Ileostomia é a exteriorização da parte final do intestino delgado, decorrente de qualquer motivo que impeça a passagem das fezes pelo intestino grosso. Os efluentes, nesse caso, são mais líquidos do que os eliminados por uma colostomia. Estomias Urinárias Urostomia é toda forma de drenagem de urina fora dos condutos naturais, que envolve a pelve renal, ureteres, bexiga e uretra. Nefrostostomia ou pielostomia Quando derivadas diretamente dos rins Ureterostomia Quando exterioriza um ureter Cistostomia Quando deriva da bexiga Vesicostomia Quando ocorre a eliminação da bexiga Outras Estomias A Colecistostomia é o procedimento que envolve a vesícula biliar para a eliminação de seu produto. Quanto à permanência A Estomia pode ser classificada em definitiva ou temporária. 9 Estomia definitiva: É aquele em que foi necessário retirar uma estrutura que mantém o fisiologismo do trato gastrointestinal. Exemplo: retirada do esfíncter anal, ou de todo o reto, que impossibilitaria o funcionamento fisiológico do intestino. Estomia temporária: É aquele em que, no procedimento cirúrgico inicial, foram mantidas as estruturas que possibilitem o funcionamento fisiológico do trato gastrointestinal após recuperação da doença de base. O tempo de permanência do estoma temporário varia, em média, de 03 a 12 meses. Para não frustrar as expectativas e o direito do usuário, abreviar seu retorno ao trabalho, desonerar a Previdência Social e o Serviço Ambulatorial, devem ser adotadas as condutas previstas neste manual (item 5.2.5) visando à reversão da estomia. Quando não há definição do diagnóstico ou do tratamento, a condição de temporário pode não prever um prazo para a reversão. Nesse caso é usual o emprego do termo “indefinido”. Quanto à evolução e possíveis complicações Evolução esperada: Nos primeiros dias após a cirurgia, o estoma pode ficar edemaciado (inchado). Aos poucos o edema regride. O estoma é vermelho ou rosa vivo semelhante à mucosa da boca (parte interna). A pele ao redor do estoma (pele periestomal) deve estar lisa, sem lesões ou ferimentos. Como o estoma não tem terminações nervosas, não dói ao ser tocado; no entanto, pode apresentar um pequeno sangramento. Realizada a estomia, o organismo passa por uma adaptação. A consistência das fezes e a frequência da evacuação mudarão após 30 dias da cirurgia, aproximadamente. 10 Possíveis Complicações: As possíveis complicações do estoma estão correlacionadas a diversos fatores, tais como: idade, alimentação, técnica cirúrgica inadequada, esforço físico precoce, deficiência no autocuidado, infecções, aumento de peso, localização inadequada do estoma ou falta de dispositivos adequados. As complicações físicas do estoma são classificadas de acordo com o tempo, contando a partir da intervenção cirúrgica. Podem ser imediatas, precoces e tardias. Imediatas quando aparecem nas primeiras 24 horas de pós-operatório. Precoces quando aparecem entre o 1º e 7º dia no pós-operatório, que corresponde ao pós- operatório mediato. Tardias, quando se manifestam após a alta hospitalar, ou seja, quando os familiares ou a pessoa ostomizada assume os cuidados com o estoma. Dentre os tipos de complicações, são mais comuns os seguintes eventos: Abscesso: pode surgir no estoma ou no orifício de exteriorização da alça intestinal. A infecção da mucosa é geralmente provocada por fungos ou germes anaeróbicos, podendo ser decorrente, ou não, de isquemia parcial do estoma. Já a infecção que ocorre em torno do estoma pode acometer todo o trajeto da parede abdominal, frequentemente decorre da contaminação no momento da passagem da alça pelo trajeto ou da contaminação no momento da manutenção. Dermatite: pode decorrer do contato com efluente ou produtos utilizados na pele periestoma. Esses agentes causam distúrbios nos mecanismos de defesa da pele, permitindo a penetração de substâncias nocivas e desenvolvendo processo inflamatório. A dermatite alérgica pode ocorrer pela aplicação de produtos contínuos e/ou produtos errôneos nos cuidados com estomas, que podem provocar uma reação. As causas mais comuns de dermatite por trauma mecânico incluem técnicas de limpeza ou retirada traumática do dispositivo, fricção ou pressão continua de dispositivos mal adaptados, ou troca frequente de bolsa coletora. Edema: ocorre pela mobilização da alça intestinal, por trauma local, e, principalmente, pela passagem através de um trajeto estreito da parte abdominal para exteriorização da alça. A sua evolução deve ser acompanhada, uma vez que pode provocar necrose, por diminuição da irrigação sanguínea. Estenose: surge geralmente no terceiro mês de pós-operatório, quando ocorre estreitamento da luz do estoma, sendo observada tanto em nível cutâneo como da fáscia. Na fase inicial observa-se fezes afiladas, ocorrendo dificuldade crescente para 11 eliminar o conteúdo intestinal, podendo levar a quadro de sub-oclusão. A correção poderá necessitar de tratamento cirúrgico. Foliculite: causada pela remoção traumática dos pelos da região periestomal ou remoção inadequada da bolsa, provocando lesão/inflamação na epiderme ao redor do folículo piloso. Varizes periestomais: ocorrem com a dilatação das veias cutâneas ao redor do estoma de cor roxo-azulado em pessoas ostomizadas, portadores de cirrose e hipertensão portal. Hemorragia: pode ocorrer nas primeiras horas após a confecção do estoma, podendo ser da borda do estoma, do intestino que está preso na parede do abdômen, ou de ambos, ou até da parede abdominal como músculos ou subcutâneo, geralmente em decorrência da hemostasia inadequada durante a construção do estoma. Ressalta-se que um pequeno sangramento inicial pode ser normal, mas se for contínuo e abundante um atendimento hospitalar deve ser imediatamente procurado. Hérnia periestomal: está relacionada à confecção de um orifício abdominal grande ou, em caso de pessoas obesas e com mau estado geral ou, ainda, pelo aumento da pressão intra-abdominal e localização do estoma em incisão operatória anterior. A hérnia surge quando existe um espaço entre o segmento intestinal que forma o estoma e o tecido circundante, configurando um defeito fascial, sendo o resultado uma saliência total ou parcial na base do estoma. Quando associada à fragilidade muscular periestomal de menor intensidade, o que ocorre em muitos usuários com estomia, esses podem permanecer sem correção cirúrgica. O aparecimento de hérnia periestomal é tão comum que pode ser considerada como inevitável. Indica-se cirurgia corretiva apenas quando a hérnia está causando muitos transtornos às atividades de vida diária. Nesses casos, prioriza-se mudar a estomia delugar e corrigir a fraqueza abdominal. Necrose: pode ocorrer por isquemia arterial (insuficiência na chegada de sangue), ou por isquemia venosa (drenagem venosa do segmento exteriorizado), sendo mais frequente em usuários obesos e com distensão abdominal. 12 Prolapso: exteriorização inesperada total ou parcial do segmento da alça intestinal pelo estoma. Esta complicação não é letal, mas causa problemas de pele e grande dificuldade no cuidado ao estoma, requerendo cuidados médicos. Retração: ocorre devido à má fixação ou insuficiente exteriorização da alça intestinal levando ao deslocamento do estoma para a cavidade abdominal. BOLSA COLETORA O que é uma bolsa coletora ? Existem vários tipos e marcas diferentes de bolsas que são colocadas sob o ostoma para recolher as fezes ou urina, apropriadas para diferentes tipos de ostomas e pele. Essas bolsas coletoras podem ser drenáveis ou não, opacas ou transparentes e em uma ou duas peças. Podem ser encontradas em hospitais e lojas especializadas em produtos hospitalares. Para a indicação adequada do equipamento, o enfermeiro deve considerar a localização, o tipo e o tamanho do estoma, além da condição da pele periestomal visando uma melhor adaptação ao usuário. Os sistemas de bolsas de estomias, em sua maioria, são produzidos por empresas multinacionais e possuem uma grande diversidade de modelos As bolsas podem conter uma ou duas peças, serem drenáveis ou fechadas, descartáveis ou reutilizáveis. LEMBRE-SE O governo tem um programa de distribuição de bolsas coletoras. Procure informações na Associação de Ostomizados do seu estado. VOCÊ SABIA? 13 Algumas bolsas são pré-cortadas pelo fabricante, outras são cortadas sob medida, pelo usuário, conforme o tamanho do estoma. As barreiras cutâneas podem ser de diferentes matérias; as do tipo hóstia, por exemplo, ficam aderidas à bolsa de estomia, são chamadas de “bolsa de uma peça”. Quando a bolsa pode ser desconectada da base, que se encontra aderida à pele para esvaziamento ou troca, são chamadas de “sistema de duas peças”. Figura: Tipos de Bolsas. http://www.convatec.com.br/estomia/estomia-informa Equipamentos Coletores a) Bolsas para colostomia/ileostomia, recortáveis, drenáveis, de uma peça, adulto/infantil: são indicadas para usuários que possuem colostomia/ileostomia; b) Bolsas para colostomia/ileostomia, recortáveis, drenáveis, de duas peças adulto/infantil: são, preferencialmente, indicadas para usuários que possuem ileostomia, embora não sejam restritas a esses; 14 c) Bolsas para colostomia/ileostomia convexas, recortáveis ou pré- cortadas, drenáveis, de uma ou de duas peças adulto/infantil: são, preferencialmente, indicadas para usuários que possuem estoma retraído ou nivelado com pele; d) Bolsas para colostomia, recortáveis, fechadas ou descartáveis adulto: são indicadas para usuários que possuem colostomia; e) Bolsas para colostomia, recortáveis, protetoras de estoma, fechadas, descartáveis adulto: são indicadas para usuários que possuem colostomia e realizam técnica de irrigação, para usuários com fistula de baixo débito e para estoma não funcionante; f) Bolsas para colostomia/ileostomia, pré-cortadas, drenáveis, de uma peça ou de duas peças, adulto: são ideais para usuários com problemas oftalmológicos, psiquiátricos e para presidiários (visando dispensar uso de material perfuro-cortante) ou, ainda, para usuários com estomas que tenham tamanho inferior a 3 (três) milímetros do seu diâmetro; g) Sistema oclusor/obturador de colostomia: são indicadas para usuários que possuem colostomia definitiva e realizam técnica de irrigação; h) Dispositivo para incontinência fecal: são indicadas para usuários que possuem colostomia perineal definitiva e realizam técnica de irrigação; i) Kit Irrigação: é indicado para usuários que possuem colostomia abdominal e perineal de categoria definitiva, dentre outros critérios avaliados na consulta de enfermagem prévia; j) Bolsas para urostomia, recortáveis, drenáveis, de uma peça, adulto/infantil: são indicadas para usuários que possuem urostomia; k) Bolsas para urostomia, recortáveis, drenáveis, de duas peças, adulto/infantil: indicadas para usuários que possuem urostomia; l) Bolsas para urostomia, pré-cortadas, drenáveis, de uma peça ou de duas peças, adulto: são ideais para usuários com problemas oftalmológicos, psiquiátricos e para presidiários, ou, ainda, para usuários 15 com estomas que tenham tamanho inferior a três milímetros do seu diâmetro. Acessórios a) Clamps: usados para o fechamento das bolsas coletoras intestinais drenáveis; b) Medidor de estomas: usado para marcar o tamanho dos orifícios nas placas recortáveis; c) Coletor de urina: indicado para uso noturno, uma vez que armazena 2000 ml, proporcionando maior conforto para o usuário. Adjuvantes de proteção e segurança a) Creme Barreira: indicado para prevenção de irritações cutâneas, com ação hidrofóbica. Deve ser usada ao redor do estoma e em toda área de fixação da bolsa, criando uma barreira protetora; b) Pó: indicado para pele peritestomal macerada. Mostra-se eficaz na absorção de umidade, exsudatos e efluentes, mantendo a pele seca, evitando futuras irritações e cicatrizando as lesões; c) Pasta: indicada para tratar granulomas e proteger à pele, aumentar a adesão das bolsas à pele, para nivelar dobras e irregularidades da pele próxima ao estoma. Não deve ser usada em pele que apresentar feridas, uma vez que contém álcool e provoca dor; d) Protetor Cutâneo Spray: aplicada à pele, forma uma película protetora incolor e transparente, tornando-se uma barreira contra fluídos corpóreos, advindos de ostomias, fístulas e lesões cutâneas provocadas por trocas frequentes de curativos e/ou bolsas coletoras (produtos adesivos); 16 e) Anel Convexo: indicado para o ajuste de dispositivos de 1 ou 2 peças em estomas com retração ou nivelação. Trata-se de uma barreira de resina sintética não estéril em formato de anéis convexos, que podem ser moldados, obtendo ajuste perfeito ao dispositivo de estomia; f) Fita: indicada para aumentar a fixação de bolsa de ostomia no sistema de uma peça de hidrocolóide; g) Placa de barreira cutânea: indicada para manutenção da pele seca. Deve ser aplicada ao redor da colostomia/ileostomia; apresenta propriedade absorvente e hidrofóbica; h) Cinto elástico ajustável reutilizável: Indicado para melhor sustentação da bolsa de ostomia, sendo compatível com algumas bolsas de ostomia intestinal e urinária; i) Espessante: indicado para efluentes líquidos que, em contato com o produto, adquire consistência gelatinosa; j) Lenço barreira protetora de pele, formadora de película: forma um filme protetor entre a pele e a bolsa; k) Desodorante lubrificante para bolsas de ostomias: consiste em um gel fluído indicado para lubrificação da bolsa, evitando a aderência dos efluentes e reduzindo os odores característicos; l) Lenço descartável removedor de adesivo: indicado para higienização da área perístoma e peri-fístulas. Cuidados com a ostomia e com a bolsa 17 O ostoma deve ser tratado com delicadeza e suavidade para não ocorrer sangramentos. Pode ser lavado com água e sabão ou com soluções degermantes apropriadas. A pele ao redor tem que receber cuidados para não ser ferida. Sempre que possível, entre a troca da bolsa, tomar alguns minutos de Sol. A bolsa deve ser colocada da maneira mais cômoda, geralmente com a abertura para drenagem no sentido vertical, com o objetivo de ser esvaziada. Não se deve deixar a bolsa encher mais que 113 da sua capacidade. Ela deve ser esvaziada em qualquer banheiro, inclusive público. Basta drená-la diretamente no vaso sanitário e após, se possível, lavar com água. Fechar bem o clip para evitar acidentes.A bolsa pode ser trocada com vários dias de intervalo, dependendo do cuidado com ela, ou quando descolar. Dieta Não há nenhuma dieta especial para o ostomizado. Como acontece com qualquer outra pessoa, existem alimentos que são bem tolerados e outros que causam várias reações individuais, como aumento de gases, odor e aumento da eliminação de fezes. É importante construir uma dieta bem balanceada. rica em fibras (verduras. legumes e frutas) e pobre em gorduras e açúcares. Beber; pelo menos, 10 copos d ' água por dia. Caso seja possível, deve-se procurar a orientação de um profissional em nutrição. 18 Como trocar a bolsa de uma peça? 1. Retire delicadamente a bolsa para não traumatizar a pele. Use gaze ou algodão embebido em água morna, ou faça isso durante o banho. pois facilita a retirada da bolsa. 2. Jogue a bolsa usada no lixo. 3. Limpe delicadamente a pele ao redor do ostoma com sabão neutro e água morna. 4. Seque bem ao redor do estoma. 5. Recorte a bolsa no tamanho do estoma. Se for necessário, use o m e n s u r a d o r para ostomas. Se melhor lhe convir, poderá deixar a bolsa recortada antes das trocas. 6. Retire o papel que protege a resina. 7. Coloque a bolsa de baixo para cima. 8. Certifique-se de que a bolsa esteja bem adaptada à pele. 9. Retire o ar de dentro da bolsa. 10. Feche com o "clamp". Fonte: www.inca.gov.br 19 Como trocar a bolsa de duas peças? 1. Retire o "clamp" e esvazie-o completamente. 2. Desconecte a bolsa da placa colada ao corpo. 3. Embaixo do chuveiro, procure soltar a placa, suavemente pressionando a pele e ao mesmo tempo soltando o adesivo. 4. Limpe durante o banho apele periestomal e o próprio estoma com movimentos suaves. 5. Use sabão neutro, retirando o restos de fezes, urina ou de adesivos. 6. Após o banho, depois de secar o corpo, procure secar bem a pele periestomal. 7. Retire o papel que proteje a resina e segure-o com as duas mãos. 8. Procure posicionar o estoma em frente ao espelho, procurando esticar o corpo durante a colocação. 9. Adapte aplaca de baixo para cima, parte por parte, procurando encaixá-la no estoma, do centro para a extremidade. 10. Procure não deixar pregas ou bolhas de ar que facilitem vazamentos e que acabam fazen que o dispositivo descole. 11. Certifique-se de que a placa esteja bem adaptada à pele. 12. Encaixe a bolsa coletora na placa. 13. Retire o ar de dentro da bolsa e coloque o "clamp" para fechar. Se você utiliza o cinto, coloque-o após todos estes passos. Fonte: www.inca.gov.br 20 Declaração dos Direitos dos Ostomizados É objetivo principal da "International Ostomy Association" que todas as pessoas ostomizadas tenham direito a uma qualidade de vida satisfatória após suas cirurgias e que esta Declaração seja reconhecida em todos os países do mundo. 1. Receber orientação pré-operatória. a fim de garantir um total conhecimento dos benefícios da operação e os fatos essenciais a respeito de viver com uma ostomia. 2. Ter um ostoma bem feito, local apropriado, proporcionando atendimento integral e conveniente para o conforto do paciente. 3. Receber apoio médico experiente e profissional. cuidados de enfermagem especializada no período pré-operatório e pós- operatório, tanto no hospital como em suas próprias comunidades. 4. Ter acesso a informações completas e imparciais sobre o fornecimento e produtos adequados disponíveis em seu país. 5. Ter a oportunidade de escolha entre os diversos equipamentos disponíveis para ostomia sem preconceito ou constrangimento. 6. Ter acesso a dados acerca de sua Associação Nacional de Ostomizados e dos serviços e apoio que podem ser oferecidos. 7. Receber apoio e informação para benefício da família,dos cuidadores e dos amigos afim de aumentar o entendimento sobre as condições e adaptações necessárias para alcançar um padrão de vida satisfatório para viver com a ostomia. 8. Assegurar que os dados pessoais a respeito da cirurgia de ostomia serão tratados com discrição e confiabilidade, afim de manter privacidade. Comitê Executivo da IOA -Associação Internacional dos Ostomizados em junho de 1993 e revisado em junho de 1997 Canadá 21 FERIDAS INTRODUÇÃO Avaliar a ferida é descrevê-la de forma que os registros sejam fidedignos a sua característica clínica. Antes de avaliar a ferida, deve-se avaliar o paciente na sua integralidade. Na história, levantar a queixa principal relacionada à ferida, o tempo de início da lesão, tratamentos anteriores, presença de fatores que podem interferir na cicatrização e doenças associadas. Ao exame físico deve-se atentar para as condições gerais do paciente, oxigenação, estado nutricional, higiene, condições para o autocuidado, condições da pele, presença de calosidades, atrofias, edema, pulsos, sensibilidade, dor, sinais flogísticos e sinais de infecção. Ao realizar a avaliação da ferida atentar para a sua classificação. Obter dados mais detalhados de acordo com a descrição clínica da ferida, especificar a sua localização, tamanho, tipo de tecido presente no seu leito, exsudato, borda, pele ao redor e dor. Os profissionais devem avaliar o risco nutricional, pois este pode evoluir facilmente para desnutrição, influenciar o processo de perda da integridade tecidual e interferir no processo de cicatrização. A desnutrição clássica é caracterizada por proeminências ósseas visíveis e salientes, desidratação e descamação da pele, entre outros. Atentar para a anamnese alimentar, alterações de ingesta, história de perda de peso, sintomas gastrointestinais, controle rigoroso de ingesta alimentar durante a internação, peso e altura aproximados. 22 CLASSIFICAÇÃO DA FERIDA FORMAS DE CLASSIFICAÇÃO As feridas podem ser classificadas de diversas formas e estas auxiliam na avaliação e evolução da lesão. Consideraremos a classificação quanto à etiologia, tempo de evolução e acometimento tecidual. ETIOLOGIA A etiologia de ferida deve ser determinada para tratar a causa da lesão e também direcionar o tratamento. Quanto à etiologia, as feridas podem ser cirúrgicas ou não cirúrgicas. Entre as cirúrgicas, destacam-se as deiscências, fasciotomias, peritoneostomias, enxertos e amputações entre outras. Quanto as não cirúrgicas devem ser salientadas as lesões traumáticas e os diversos tipos de úlceras, que podem ser classificadas em: úlcera por pressão, úlcera arterial, úlcera venosa, úlcera diabética, úlceras traumáticas, tumorais e outras. TEMPO DE EVOLUÇÃO O tempo de evolução caracteriza se a ferida é aguda ou crônica. As feridas agudas são as traumáticas (cortes, abrasões, lacerações, queimadura e outras) e as feridas pós- operatórias (agudas intencionalmente). Estas costumam responder rapidamente ao tratamento e cicatrizam sem complicações. As feridas crônicas geralmente são de longa duração ou de recorrência frequente, como as úlceras crônicas. No processo de cicatrização normal, a fase inflamatória dura em torno de 72 a 96 horas após a lesão, a fase de proliferação ocorre em torno de duas semanas após a fase inflamatória e a remodelação pode durar do 20º dia até dois anos após a lesão. 23 ACOMETIMENTO TECIDUAL As feridas podem ser classificadas de acordo com o acometimento tecidual e são denominadas de superficial, perda tecidual parcial e perda tecidual total. As feridas superficiais são aquelas nas quais apenas a epiderme foi lesada. As de perda parcial ocorrem quando o epitélio e parte da derme são destruídos. Nas de perda total toda a epiderme, derme e camadas mais profundas como subcutâneo, músculos ou ossos podem estar envolvidos. Caso seja necessário maior detalhamento do acometimento tecidual este pode ser realizada pela identificação do tecido lesado na sua profundidade máxima visualizada. O comprometimento tecidualtambém pode ser caracterizado em estágios, categorias ou graus, que variam, de acordo com o tipo de lesão. As úlceras por pressão, por exemplo, são classificadas em categoria de 1 a 4, suspeita de lesão tissular profunda e inclassificável, já a queimadura é classificada em graus de 1 a 3 e as úlceras diabéticas são classificadas pela escala de Wagner em graus de zero a cinco, conforme serão descritos posteriormente. Para a identificação do tecido lesado as principais estruturas anatômicas devem ser reconhecidas e diferenciadas (Quadro 1). QUADRO 1. ESTRUTURAS ANATÔMICAS ESTRUTURA ANATÔMICA PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS Pele Composta pela epiderme, derme e subcutâneo. Recobre o corpo humano exerce barreira de proteção indispensável à vida e isola os componentes orgânicos do meio exterior. A sua coloração varia de acordo com a etnia. Epiderme – 1ª camada da pele; Derme – 2ª camada da pele. Subcutâneo (Hipoderme) De espessura variável, composta exclusivamente por tecido adiposo, de cor amarela, pouco vascularizada, facilmente predisposta a danos pela pressão e infecção. Sua principal função é o depósito nutritivo de reserva, isolamento térmico e proteção mecânica 24 Fáscia Anexo do sistema muscular, membrana de tecido conjuntivo, fibrosa de camada branca e brilhante, que envolve os músculos. Varia em espessura, presente em diversas regiões. É uma área propícia para o desenvolvimento de infecção, ressecamento e desvitalidade. Músculo Tecido vermelho, muito vascularizado, constituído de fibras musculares com diferentes excitabilidades, recobre os ossos, articulações, nervos e vasos, protegendo-os. Sua principal função é contração muscular quando estimulado. Ao ser lesado, há ocorrência de sangramento e exsudação, rompe-se facilmente. É difícil de ser pinçado. Osso Tecido branco, duro, resistente ao toque. Desidrata rapidamente quando exposto. Sua principal função é proteção de estruturas vitais, sustentação do corpo e reserva cálcio, fósforo e magnésio. Cartilagem Tecido conectivo branco ou acinzentado, semirrígido, aderente às superfícies articulares dos ossos, não existem vasos sanguíneos, nervos e vasos linfáticos, obtém oxigenação e nutrientes por difusão. A cartilagem pode ser elástica, fibrosa e hialina. Pode ser encontrado entre outros em nariz, orelha. Ligamentos São formados por pequenas faixas fibrosas esbranquiçadas que se estendem através do tecido subcutâneo e prendem a superfície profunda da derme à fáscia. Sua principal função é mobilidade. Tendões Tecido branco, brilhante e inextensível, move-se com o movimento de articulação adjacente, liga o músculo ao osso. Tem pouca vascularização e quando ressecado por 6 horas e costuma evoluir para necrose. Vasos Sanguíneos São constituídos por artérias, veias e capilares. A característica mais importante é a pulsação, que define sua origem. AVALIAÇÃO DA FERIDA LOCALIZAÇÃO A localização fornece informações sobre a provável etiologia da ferida, além de permitir direcionar o tipo de terapia tópica a ser aplicada. Considerar para descrever a localização das feridas o esquema da divisão da superfície corporal de Celmo Celeno Porto. 25 TAMANHO A avaliação do tamanho da ferida deve ser realizada na avaliação inicial e repetida periodicamente. Estas medidas permitem avaliar sua evolução, além de demonstrar a eficácia do tratamento proposto e prever o tempo de cura. Deve-se mensurar a ferida em relação à maior extensão da lesão, no eixo céfalo-podálico (vertical) e látero-lateral (horizontal) considerando um ângulo de 90° entre eles. Utilizar régua graduada em centímetros para executar a medição. Se for de papel esta deve ser descartada após o uso. Se for de plástico esta não deve encostar na ferida e após o uso, deve ser lavada com água e sabão e desinfetada por fricção com álcool a 70%. Quando ocorrerem duas lesões com uma distância mínima de 2 cm entre elas, considerar a somatória de suas maiores extensões (vertical e horizontal). Figura – Extensão maior distância (Revista Hélios – Coloplast). A profundidade pode ser verificada introduzindo a pinça do material de curativo, na profundidade máxima da ferida, demarcando o ponto que delimita o nivelamento com a epiderme, realizando a conversão da medida obtida em centímetros com a utilização de régua. As feridas com perda parcial geralmente são superficiais e apresentam uma profundidade de 1 a 4 mm e as feridas com perda total costumam ser maiores que 4 mm. Figura 2 - Profundidade Figura 3 – Profundidade cm 26 Para avaliação de túnel e ou áreas de descolamento de tecido, pode-se utilizar zaragatoa (swab), cotonete, sonda, pinça ou seringa, utilizando-se a técnica do relógio, de acordo com a escala horária para descrever a sua direção, respeitando os pontos cardeais ou o sentido céfalo-podálico e latero-lateral, onde a cabeça corresponde à marca de 12 horas, os pés às 6 horas e as laterais correspondem às 9 e 3 horas. Túnel é uma cavidade com espaço morto em fundo cego. O descolamento de tecido envolve área maior de espaço morto e não é visível na superfície da ferida. Figura 4 - Túnel em 3 horas Figura 5 - Túnel em 3 horas com 3 cm Figura 6 - Descolamento de tecido de acordo com a escala horária A profundidade do descolamento de tecido permite identificar as diferentes medidas no interior da lesão e esta pode ser obtida pela mensuração nas diversas direções, de acordo com a escala horária, pelo método semelhante à mensuração da profundidade de túneis. 27 LEITO DA FERIDA Com relação ao leito da ferida, a identificação das características do tecido presente na ferida, através de sua observação, são importantes indicadores da evolução do processo de cicatrização. O quadro abaixo ilustra os principais tecidos encontrados nas feridas. Quadro ilustrativo dos tipos de tecidos, suas colorações, conceitos e figura ilustrativa correspondente (NIX, 2007). Tecido Coloração Conceito Figuras Fonte: Enf. Helena M. Bajay Tecido Desvitalizado (Escara) Castanho, Marrom, Preto Necrose seca, dura, escurecida, pode estar forte ou frouxamente aderida à ferida. Esfacelo Amarelo, Cinza, Tecido desvitalizado de consistência delgada, úmida, mucoide, macia ou fibrinoso e a coloração pode ser amarela, bronzeada ou cinza e pode estar intimamente aderido. Granulação Vermelho Tecido conectivo, indica a proliferação de fibroblastos, células inflamatórias, novos vasos sanguíneos. Realiza preenchimento da ferida no processo de cicatrização. 28 Epitelização Rosa Tecido epitelial representa a fase final do processo de cicatrização, regeneração da epiderme através da superfície e borda da ferida. EXSUDATO A produção de exsudato pela ferida faz parte do processo de cicatrização, especialmente na fase inflamatória. O exsudato é um líquido inflamatório extracelular com concentração proteica elevada e restos celulares, resultado da ação celular de leucócitos, no qual os neutrófilos realizam a fagocitose, removendo corpos estranhos, bactérias e tecidos desvitalizados. Este líquido difere do transudato, que contém baixo teor protéico e também é composto por albumina. A presença de exsudato deve ser avaliada, visando manutenção do meio úmido, sua presença em quantidade adequada contribui para o processo de cicatrização, pois contém fatores de crescimentos e outros componentes que estimulam a regeneração do tecido e a migração celular, além de favorecer o desbridamento do tecido necrótico. Porém seu excesso deve ser minimizado, pois, além de favorecer infecções, causa desconforto ao paciente e podeinibir a cicatrização devido à quebra da matriz extracelular. Além de inibir fator de crescimento e proliferação celular, ocasiona degradação dos tecidos e maceração da pele ao redor da ferida. Por outro lado, a desidratação do leito da ferida deve ser evitada e tratada, pois favorece a formação de tecido desvitalizado. Existem diversos tipos de exsudato, cujas características possibilitam maior conhecimento da ferida e permite um registro mais preciso, dentre eles: Seroso: é plasmático, aquoso, claro, transparente e está normalmente presente em lesões limpas; 29 Sanguinolento: vermelho vivo; indica muitas vezes, ocorrência de extravasamento de sangue ativo, proveniente de lesão vascular; Serosanguinolento: é a mistura do exsudato seroso e sanguinolento, costuma ser pálido, vermelho aguado; Purulento: geralmente espesso, grosso, é o resultado de leucócitos e microrganismos vivos ou mortos, apresenta coloração que pode variar entre amarelo, verde ou marrom de acordo com o agente infeccioso. A quantidade de exsudação varia durante o processo de cicatrização. Há uma quantidade considerável de exsudação na fase inflamatório do processo de cicatrização e uma quantidade muito pequena na fase de epitelização. Uma exsudação abundante pode indicar uma fase inflamatória prolongada ou infecção. Com relação à quantidade de exsudato, podemos descrever como ausente, pequena, média e grande. Isso é realizado através da avaliação subjetiva do exsudato impregnado na cobertura removida da ferida na troca de curativo. O odor presente na ferida, mesmo após o processo de limpeza, geralmente está relacionado a processo infeccioso local, sugerindo a necessidade de coletar cultura para confirmação de diagnóstico de infecção (manual da Divisão de Patologia Clínica – patologia_clinica.pdf). BORDA DA FERIDA A borda da ferida delimita o seu contorno e deve estar em condições adequadas para favorecer a migração celular e propiciar a epitelização. Atentar para os fatores que interferem na epitelização como isquemia, tecido desvitalizado e descolamento de tecido. Outros problemas também podem ser identificados nas bordas: Maceração: a borda apresenta-se intumescida e esbranquiçada, devido o excesso de umidade na superfície epitelial; Ressecamento: condição onde a borda encontra-se ressecada, geralmente provocada pela falta de umidade adequada; 30 Epibolia: condição onde a borda epitelial enrola-se sobre si mesmo, inibindo o contato e cessando a epitelização. PELE AO REDOR A pele ao redor deve ser examinada atentando-se à presença de sinais flogísticos (hiperemia, calor, edema, dor) ou outros fatores que interferem na cicatrização, como maceração, ressecamento, perda da epiderme, endurecimento, calosidades ou hiperpigmentação, entre outros. DOR A dor requer uma abordagem multidisciplinar e uma anamnese detalhada. A queixa de dor deve ser ouvida, valorizada e questionada quanto a sua intensidade. A detecção desta pode auxiliar na determinação da etiologia da ferida, bem como aliviada para o conforto do paciente e melhor qualidade de vida. A dor é um fenômeno subjetivo, complexo e pessoal, resultante da interação de aspectos cognitivos, sensitivos, emocionais e culturais e não pode ser medida com precisão, entretanto escalas de avaliação numéricas ou analogias visuais podem contribuir para a sua avaliação. A escala visual numérica (EVN) é graduada de zero a 10, na qual o zero significa ausência de dor e 10 é a pior dor já sentida nas últimas 24horas. A intensidade da dor pode ser categorizada em três níveis: Zero = ausência de dor; 1 - 4 = dor leve; 5 - 6 = dor moderada e 7 - 10 = dor intensa. A dor, ao ser detectada, deve ser comunicada de forma rápida e efetiva para providenciar prescrição médica e assegurar a analgesia adequada. Protocolos de analgesia e escalas de avaliação devem ser instituídos, exemplo: Ausência de dor não exige analgésico; 31 Dor de pequena intensidade requer a prescrição de analgesia, se necessário; Dor moderada exige analgesia prescrita de horário; Dor intensa exige analgesia prescrita de horário e ainda, se necessário, um analgésico mais forte durante o curativo. O paciente deve ser reavaliado em relação à eficácia da analgesia. SINAIS FLOGÍSTICOS E SINAIS DE INFECÇÃO A ferida deve ser avaliada quanto à presença de sinais flogísticos e sinais de infecção. A infecção em ferida ocorre quando há o desequilíbrio homeostático entre hospedeiro, organismo e ambiente. A epiderme e as mucosas são barreiras primárias de defesa contra agentes causadores de infecção, portanto, quando há ruptura dos tecidos, o hospedeiro pode tornar-se suscetível à penetração de microrganismos residentes ou do ambiente. Quando os microrganismos invadem os tecidos, o sistema imunológico é estimulado desencadeando a resposta inflamatória, caracterizada por eritema, calor no local da lesão, dor e edema. As feridas infectadas também apresentam os sinais clínicos acima descritos, caracterizados pela resposta inflamatória, acrescido de secreção purulenta aumentada, podendo ocorrer também odor. Entretanto, as feridas crônicas nem sempre apresentam estes sinais, exigindo critérios adicionais como correlação à cicatrização retardada, descoloração do leito da ferida, tecido de granulação friável que sangra facilmente, odor anormal e ruptura da ferida. Nas Feridas Agudas, observa-se: Sinais locais de inflamação; Secreção purulenta; Aumento na quantidade de exsudato. 32 Nas Feridas Crônicas, observa-se: Sinais locais de inflamação; Alteração no exsudato; Odor; Tecido de granulação de coloração vermelha exuberante (capilarização excessiva, sangramento); Excesso de esfacelo; Lesões satélites; Demora na cura, sendo que esta pode ser o primeiro sinal da colonização crítica. PERIODICIDADE DA AVALIAÇÃO DA FERIDA A avaliação da ferida deve ser realizada na avaliação inicial e periódicamente, a cada troca de cobertura quando esta permanecer mais de um dia. REGISTRO DA AVALIAÇÃO DA FERIDA E CONDUTA O registro da avaliação deve ser realizado no prontuário do paciente, pelo profissional executor, com data e horário da troca do curativo, profissional executor com carimbo, dados que julgar relevantes e produto utilizado. Preconiza-se o preenchimento de um instrumento específico para o registro da avaliação da ferida desenvolvido para a utilização na instituição (Ficha de avaliação de Ferida), entretanto na ausência deste, realizá-lo nos registros de enfermagem (anotação e evolução de enfermagem). O instrumento consta de: Identificação do paciente; Hipótese diagnostica e doenças associadas; Localização da ferida; 33 Tipo de ferida; Monitoramento da ferida: Medidas, exsudato, leito, borda, pele ao redor, espaço morto, edema e temperatura; No monitoramento da ferida, dar-se-á uma pontuação segundo a característica de cada aspecto avaliado, obtendo assim uma somatória das características, possibilitando uma comparação nas próximas avaliações. As Condutas tomadas de acordo com a avaliação da ferida devem ser anotadas no verso da (Ficha de avaliação de ferida), seguida de observações pertinentes da data da avaliação e carimbo e rubrica do Enfermeiro executor. 34 35 6. Conduta DATA Desbridamento Enzimático (Papaina 10%) Autolítico Mecânico Instrumental Cirúrgico Controle de Infecção PHMB Cobertura com prata Sulfadiazina de prata Absorção do exsudato Alginato de cálcio Umidade Hidrogel Hidrogel com alginato Papaína 3% AGE óleo Proteção da ferida Não aderenteHidrocolóide Rayon Bordas e pele ao redor Oxido de zinco AGE Loção Cavilon Creme Barreira Rubrica 7. Observações 8. Carimbo e rubrica do Enfermeiro 36 ACHADOS CLÍNICOS A descrição clínica precisa da ferida permite identificar a fase do processo de cicatrização em que a ferida se encontra. Pela observação clínica, podemos identificar: Presença de tecido inviável caracterizado pela presença de tecido desvitalizado que deve ser removido precocemente; Sinais inflamatórios caracterizados pela presença de sinais flogísticos (eritema, calor, edema e dor); Infecção local caracterizada pelo exsudato purulento aumentado, dor, odor da ferida após limpeza e sinais sistêmicos como hipertermia, leucocitose e mal estar. Estes dados sugerem a coleta de cultura para avaliação quantitativa e qualitativa do agente infectante e conduta adequada. O nível de exsudação orienta o tipo de cobertura necessário para equilibrar a umidade do leito da ferida. As características da borda da ferida permitem identificar quando a epitelização não avança, sendo necessário reavaliar os fatores que interferem na cicatrização bem como a conduta terapêutica utilizada. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Em casos de desconhecimento da etiologia da lesão, solicitar avaliação de equipe especializada, por meio de interconsulta, para estabelecimento de diagnóstico e conduta terapêutica. CONDUTA TERAPÊUTICA GERAL A conduta terapêutica da ferida baseia-se nos achados clínicos detectados em sua avaliação e é direcionada pelo raciocínio clínico proposto, disponível em diretriz específica sobre Raciocínio Clínico. 37 A terapia tópica para as feridas poderá ser indicada pelo médico ou enfermeiro, de acordo com os produtos padronizados na instituição, conforme descrição no Protocolo de Terapias Tópicas. PREVENÇÃO DE INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE Precauções Padrão Devem ser adotadas sempre que prestar assistência aos pacientes, manusear equipamentos, materiais e superfícies da assistência. Consistem em: Higienizar as mãos (água e sabão ou álcool gel); Utilizar barreiras e equipamentos de proteção individual (luvas, avental, máscara e protetor ocular) de acordo com o grau de exposição à matéria orgânica ou fluidos corporais; Realizar limpeza/desinfecção de materiais e equipamentos utilizados; Prevenir acidentes com perfuro-cortantes; Manusear adequadamente resíduos, materiais biológicos e roupas usadas. Caso o profissional apresente sintomas respiratórios (resfriado / gripe), utilizar máscara cirúrgica, conter secreções e higienizar as mãos após assoar o nariz ou espirrar. Precauções Adicionais Adotar Precauções Adicionais sempre que indicado pela CCIH. Maiores informações: Manual da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (ccih.pdf). SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL Adotar as orientações descritas no Guia para Adequação da NR-32 no Hospital de Clínicas (NR32.pdf). EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAIS E COLETIVOS ESPECÍFICOS Não se aplica 38 QUEIMADURAS Aquele que sofre um tipo de queimadura, independentemente de sua extensão, torna-se vítima de uma agressão física em sua morfologia e estética, o que vai além de danos físicos. Queimaduras são classificadas como injúrias decorrentes de trauma de origem térmica resultante da exposição a chamas, líquidos quentes, superfícies quentes, frio, substâncias químicas, radiação, atrito ou fricção. O tipo de queimadura depende da extensão do comprometimento tecidual e exposição ao agente agressor. Assim, a pessoa vítima desse acidente pode vir a óbito, ou ficar com sequelas irreversíveis, além do grande sofrimento físico e psicológico. Pacientes que sofreram algum tipo de queimadura apresentam intensa dor e grande impacto emocional, sendo, estes, alguns dos fatores que interferem em sua recuperação. É necessário conhecer a etiologia da queimadura, pois é um fator determinante nas medidas e intervenções terapêuticas que serão adotadas, direcionando os cuidados do enfermeiro e da equipe de saúde, assegurando, assim, melhora e evolução no quadro clínico do paciente. A gravidade da queimadura está diretamente relacionada com sua extensão e profundidade da lesão gerada no organismo. Comprometimento que causa vários distúrbios físicos, como, por exemplo, perda de volume líquido, mudanças metabólicas, deformidades corporais e risco de infecção, além das complicações advindas da queimadura, que podem ocasionar maiores complicações no estado de saúde do paciente. Por ser um trauma de grande complexidade e requerer tratamento eficaz, adequado e de caráter imediato, acidentes com vítimas por queimaduras apresentam alta taxa de morbidade e mortalidade. Além do comprometimento físico decorrente ao acidente de causa térmica, o paciente mostra-se, geralmente, muito abalado, até mesmo em estado de choque. A assistência de enfermagem, nesse momento, é de grande valia no tratamento do paciente queimado. No momento em que o paciente é admitido em uma unidade de emergência, faz-se necessário que este receba um tratamento imediato e eficaz. 39 O cuidado prestado pelo enfermeiro não pode apenas limitar-se à assistência tecnicista, requer uma abordagem multidimensional, não olhando apenas o indivíduo, mas também sua família. Isto permite estabelecer intervenções direcionadas ao paciente e sua família, a fim de obter resultados positivos na tentativa de lhes preservar a vida. Figura. Bebê com queimaduras. https://servidoresmt.com.br/noticias/ O cuidado com paciente queimado Paciente queimado, quando admitido em uma unidade de emergência, independentemente da extensão de sua lesão deve ser assistido pela equipe de saúde, que realizará os procedimentos e exames necessários, para avaliar o nível de comprometimento cutâneo e sistêmico. A conduta de atendimento é executada de acordo com o protocolo de atendimento estabelecido pela unidade, levando-se em conta a extensão das feridas e de seu quadro clínico. Há casos em que o paciente deve ser encaminhado ao centro cirúrgico, para realização de desbridamento e curativos ou, até mesmo, procedimentos cirúrgicos. Assim, subsequentemente, serão internados em unidades semi-intensivas, UTIs, ou em centro de tratamento de 40 queimados(CTQ). Salienta-se que acidentes de origem térmica têm como consequências traumas adicionais e comprometimento ao organismo humano, principalmente lesões pulmonares, ocasionadas pela inalação de gases nocivos, além de fraturas e lacerações em alguns órgãos. A equipe deve estar preparada e ter em maos recursos que irao assegurar a vida ao paciente queimado durante a primeira conduta de atendimento. O tratamento dos queimados O tratamento dos queimados é dividido em três fases: reanimação, reparação e reabilitação. O cuidado ao queimado, quanto ao critério de prioridades de condutas de atendimento, é o mesmo tido com vítimas de algum tipo de trauma, como, por exemplo, verificar as vias aéreas, ventilação, coluna vertebral e circulação, com objetivo de controlar a hemorragia. No caso do paciente queimado, faz-se necessário remover as roupas, a fim de possibilitar melhor avaliação. O exame neurológico é fundamental no primeiro momento. Estar hospitalizado representa, ao paciente queimado, uma sensação de medo, impotência, além de ser um processo doloroso, devido aos diversos procedimentos de cuidadosque lhe causam dor e incômodo, mas que se faz necessário em seu tratamento. Em sua maioria, ficam totalmente dependentes para realização de qualquer atividade, em especial as de autocuidado. 41 Figura: Paciente fazendo fisioterapia após sofrer queimaduras: (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) O cuidado inicial ao paciente que sofreu queimadura não envolve apenas as lesões ocasionadas com o agente causador. Assim, o primeiro cuidado é a manutenção da permeabilidade das vias aéreas, reposição de fluidos e controle da dor. São medidas que têm por finalidade diminuir complicações devido ao trauma térmico. A forma de cuidado e o tratamento ao queimado serão estabelecidos de acordo com a gravidade das lesões decorrentes da exposição, tipo e grau de comprometimento, levando em conta a real necessidade do paciente, com a finalidade da estabilização, melhora e, por fim, diminuir seu tempo de internação. O processo de cicatrização, formação de um tecido no decorrer do tratamento, irá dimensionar a possibilidade e limitações do paciente. Salienta-se que estar queimado é uma das formas mais traumáticas que o indivíduo pode ter como experiência física e emocional, pois se trata de um acontecimento que interrompe a sua forma de viver, passando da integridade física para o desequilíbrio. 42 Assistência de enfermagem ao paciente queimado A essência da enfermagem é o ato de cuidar do ser humano, e proporcionar uma recuperação segura, além de ser responsável na execução de medidas preventivas sob a forma de educação em saúde. É nesse contexto que a equipe de enfermagem deve estar preparada para atuar em distintas áreas, com competências e habilidades. Por sua vez, prestar assistência de enfermagem ao paciente queimado exige que o enfermeiro tenha alto nível de conhecimento científico sobre as alterações fisiológicas que ocorrem no sistema orgânico após uma queimadura. Isso possibilitará identificar e prevenir alterações sutis que possam desencadear maiores complicações em decorrência das lesões teciduais e sistêmicas. Compete ao enfermeiro levantar informações necessárias, por meio da anamnese, para que possa estabelecer assistência de enfermagem que atenda às necessidades do paciente queimado e, assim, dar continuidade ao tratamento terapêutico iniciado no primeiro momento. A equipe de enfermagem deve prestar assistência na fase de emergência, monitorando a estabilização física e psicológica do paciente, além de intervir nas necessidades psicológicas também da família, pois as queimaduras geram respostas emocionais variáveis. 43 O profissional de enfermagem deve elencar as prioridades de ações ao paciente, planejando uma assistência adequada de acordo com as necessidades afetadas do queimado, deve analisar e acompanhar os exames com periodicidade. Também manter uma comunicação efetiva com o doente e seus familiares e com a equipe de saúde. O exame físico é primordial na avaliação do paciente queimado, levando em conta suas limitações, pelas lesões que sofreu, deve ser realizado de forma criteriosa, atentando-se com frequência aos sinais vitais, dando ênfase aos pulsos periféricos em que, por sua vez, pode ser inviável a verificação, devido à presença de edema. A avaliação desses parâmetros permite ao enfermeiro amplo conhecimento da evolução no quadro clínico do paciente, pois, somente assim, será possível afirmar se o tratamento está tendo uma resposta efetiva. Ao prestar assistência ao paciente queimado, o enfermeiro se depara com uma rotina de muito trabalho, dor e sofrimento, não apenas do doente, mas também de seus familiares, exigindo intervenção delicada por parte de toda a equipe. O enfermeiro terá de lidar com dor, depressão, padrão de sono perturbado, mobilidade física prejudicada e risco para infecção, e deve saber intervir em cada situação, de forma eficaz e ética. O planejamento da assistência de enfermagem faz parte de um processo para identificar inferências e determinar intervenções necessárias para cada tipo de paciente, seja ele pequeno, leve e grande queimado, buscando sempre atingir resultados almejados e estabelecidos pela enfermagem, de acordo com o tratamento terapêutico. Para que seja implantado o plano de cuidados de enfermagem, devem- se estabelecer prioridades diárias, realizando mudanças necessárias conforme as alterações no quadro do paciente, sempre realizando o registro diário de todas as ações e intercorrências com o paciente assistido, além de buscar manter comunicação eficaz com a equipe. O plano de cuidado deve atender às várias ameaças físicas que podem advir, 44 além de oferecer amparo psicológico ao doente e a sua família. A ação dos cuidados de enfermagem, descritos no Quadro 2, vai muito além da tecnicista, como, por exemplo, banho no leito/aspersão, desbridamento, curativos, momentos pré e pós cirúrgicos, entre outros. Medidas executadas pela equipe de enfermagem são fatores que tendem a contribuir na recuperação do paciente internado, evitando sempre que ele apresente complicações procedentes da queimadura. Os cuidados gerais são basicamente procedimentos de rotinas; casos mais complexos necessitam de cuidados mais complexos, como higiene, alimentação, hidratação, posicionamento no leito e curativos, entre outros. Estabelecer intervenções tanto gerais como especificas é direcionar o cuidado de enfermagem, visando sempre o bem-estar e melhora do paciente que sofreu algum tipo de queimadura, seja ele pequeno, médio ou grande queimado. As intervenções levantadas neste estudo estão de acordo problemas comumente identificados em pacientes queimados, ressaltando que, por isso, faz-se necessária a avaliação de cada caso clínico, uma que vez que cada um tem suas peculiaridades e necessita de cuidados específicos e até mesmo complexos. 45 A equipe de enfermagem deve compreender a percepção que o paciente queimado tem das alterações que ocorreram no seu corpo. Cabe ao enfermeiro encorajar o doente e a família a expressar seus sentimentos, estabelecendo uma relação de confiança, o que permitirá um diálogo mais aberto, demonstrando sempre estar disposto a ouvir. É importante preparar o paciente para o que ele poderá ver, quando for se realizado algum cuidado ou procedimento nele, se possível descrever de uma forma tranquila, sem usar terminologias técnicas, a fim de amortizar o choque. No processo de reabilitação, o enfermeiro tem que ajudar o paciente e seus familiares a enfrentar as mudanças corporais e as possíveis dificuldades e limitações em atividades diárias que fazia antes do acidente; orientar que isso acontece devido a retrações teciduais e dores, uma vez que são dificuldades que ele irá se deparar após a alta hospitalar. Portanto, o profissional de enfermagem deve começar durante o período de internação a ajudar o paciente a lidar com algumas situações que ele poderá vivenciar fora do ambiente hospitalar. Foto: Renato Lopes – Dircom Prestar assistência de qualidade ao paciente queimado é uma tarefa árdua, sendo muito importantes a dedicação e a perseverança da equipe de enfermagem. Sendo assim, é preciso entendê-lo, levando-se em conta as características muito especiais consequentes da situação traumática vivenciada, partindo do pressuposto de que as queimaduras que sofreu podem deixar sequelas para a vida toda, seja incapacitando o indivíduo ou desfigurando-o irreversivelmente. 46 Assistência de enfermagem diante das necessidades afetadas Tratamento com pacientes queimados causa lesões corporais, tanto locais quanto sistêmicas. Nesse contexto, o enfermeiro e a equipe de saúde se deparamcom diversas situações que necessitem de intervenções de caráter imediato e com técnicas adequadas. Todo paciente que sofre esse tipo de trauma tende a ter suas necessidades básicas prejudicadas, como, por exemplo, oxigenação, hidratação e nutrição, entre outros. Alguns pacientes inalam fumaça ou substâncias tóxicas, o que pode levar a lesões ou até mesmo ao óbito, dependendo do tempo de exposição e do agente agressor. É muito comum pacientes vítimas de queimaduras apresentarem comprometimento respiratório, que vai desde pneumonia a embolia pulmonar. Mesmo após o atendimento inicial, no qual o paciente começa a receber o tratamento adequado, a equipe de enfermagem deve estar em alerta para sinais de hipoxemia, taquicardia, sudorese e cianose. Ao controlar as respostas respiratórias e a dor, o enfermeiro deve estar atento aos sinais de choque hipovolêmico, e intervir de forma imediata com reposição de líquidos e eletrólitos, conforme indicação terapêutica adotada pelo médico. Umas das medidas que deve ser realizada pela enfermagem logo após admissão do paciente queimado é puncionar e manter um acesso venoso calibroso. A comunicação efetiva com a equipe é um alicerce fundamental no tratamento e na melhora do paciente queimado. O enfermeiro deve orientar os familiares a ofertar alimentos nutritivos para o doente, de acordo com o aconselhamento do nutricionista. Quando as necessidades nutritivas não forem satisfatórias pela alimentação oral, o que acaba por comprometer o quadro clínico do paciente, o enfermeiro deverá introduzir uma sonda nasogástrica, conforme a prescrição do médico, estando atento se a nutrição prescrita está sendo adequada e eficaz, não causando nenhum mal- estar ao doente. Esses cuidados são de fundamental importância para ajudar no tratamento e cura do paciente. Compete ao médico e ao enfermeiro executar medidas que controlem a dor do paciente queimado, atentando-se à causa e à intensidade, para que possam intervir, a fim de eliminar ou reduzir esse quadro com uso de medicação adequada. Em alguns 47 casos, o paciente necessita de sedação, devido ao comprometimento corporal que sofreu. E, por sua vez, ao administrar o medicamento prescrito, o enfermeiro deve estar atento aos efeitos adversos e intercorrências ocasionadas pelo fármaco, comunicando ao médico e anotando os fatos presenciados. Todo paciente que sofreu alguma lesão por causa térmica está sujeito à infecção. A medida que os resíduos se acumulam na superfície da ferida, podem retardar a migração dos queratinócitos, consequentemente afetando o processo de epitelização. Em alguns casos, faz-se necessário o desbridamento das lesões por queimadura, a fim de remover o tecido contaminado por bactérias e corpos estranhos, protegendo o paciente contra a invasão de bactérias. Quando se fala em assistência de enfermagem com o paciente queimado, deve-se ter em mente que todos os cuidados deverão ser realizados com técnicas assépticas, evitando criar um ambiente favorável para crescimento e proliferação bacteriana, o que ocasionaria mais sofrimento e dor ao doente. As causas mais comuns de infecção em pacientes queimados são por bactérias, como Staphylococcus e Pseudomonas. A equipe de enfermagem deve ficar atenta a sinais de infecção no local da queimadura, observando os aspectos de coloração, secreções e sintomas sistêmicos, como hipertermia e contagem de leucócitos. Figura: Paciente mostrando sua queimadura para a enfermeira. Fonte: WikiHow 48 REFERÊNCIAS YAMADA B. Portal da Enfermagem – Estomaterapia: especialidade em ascensão [internet] 2011 [citado 2011 Agosto 16]. MANUAL DE ORIENTAÇÃO AOS SERVIÇOS DE ATENÇÃO ÀS PESSOAS OSTOMIZADAS- Governo do Estado do Espírito Santo, 2017. CARTILHA DO HOMEM OSTOMIZADO I coordenação de Cândida Carvalheira. -Rio de Janeiro: ABRASO, 200424 p. : 15 x 21 cm. GRECO JÚNIOR JB, Moscozo MVA, Lopes Filho AL, Menezes CMG, Tavares FMO, Oliveira GM, et al. Tratamento de pacientes queimados internados em hospital geral. Rev Soc Bras Cir Plást. 2007;22(4):228-32.