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Rui Cunha Marques A Regulação no Brasil e no Mundo Origem da regulação no mundo, primórdios da regulação e desenvolvimento Origem da regulação no mundo, primórdios da regulação e desenvolvimento Rui Cunha Marques Ponto 1: Os primórdios da regulação Ponto 2: Evolução regulatória no mundo Ponto 3: Relevância da regulação para o desenvolvimento Ponto 4: Modelos regulatórios de destaque no mundo Os primórdios da regulação Necessidade de regulação Nas últimas décadas verificou-se uma desintervenção do Estado na economia, a qual foi acompanhada pelo reforço da sua função regulatória (freer market, more rules). Insira uma imagem aqui Rui Cunha Marques Os primórdios da regulação Necessidade de regulação Entre as mutações ocorridas, que levaram a que o paradigma do Estado intervencionista tenha sido substituído pelo da economia de mercado regulada, destacam-se, desde já: a clara retirada do Estado na economia (no fornecimento de serviços públicos) a necessidade de desgovernamentalização da atividade regulatória a “fuga” para o direito privado do setor público (com a consequente alteração do setor empresarial do Estado) Os serviços públicos que, em muitos países, estavam fora do mercado, foram mercantilizados e empresarializados, requerendo, como tal, uma necessidade acrescida de regulação. Rui Cunha Marques Os primórdios da regulação Necessidade de regulação Rui Cunha Marques • Prestadores privados especialmente regulados; • A sua concessão (PPP) a prestadores privados; • Através de empresas públicas. A prestação de serviços públicos tem sido tradicionalmente disponibilizada segundo as seguintes configurações: Hoje, cada vez mais, também: v As empresas públicas são reguladas por agências externas (independentes); v As PPP (regulação contratual) não dispensam a regulação por agências reguladoras (regulação discricionária). Regulação define-se como o estabelecimento e a implementação de um conjunto de regras específicas, necessárias ao funcionamento equilibrado de um determinado setor, em função do interesse público; Regime regulatório Rui Cunha Marques Teorias que justificam a regulação Origem da regulação: v Teoria do interesse público: Baseia-se no pressuposto de que o Estado deve intervir sempre que existam falhas de mercado, de modo a prevalecerem o interesse público, maximizando o bem-estar social. Exemplos de falhas de mercado: competição imperfeita, problemas de informação, externalidades, bens públicos e resultados indesejáveis; Teorias que justificam a regulação v Teoria do interesse público: Economias de escala Economias de escopo Economias de densidade Monopólios naturais Economias de verticalização Custos elevados e irrecuperáveis (sunk) Competição Imperfeita Teorias que justificam a regulação v Teoria do interesse público: Assimetrias de informação Risco moral (moral hazard) Seleção adversa Variáveis endógenas à agência reguladora, às quais o regulador não tem acesso, i.e. ,informação escondida. Agência regulada detém mais informação que o regulador sobre variáveis exógenas, i.e. ,quando existe distribuição assimétrica de informação Distorção dos custos e a sua alocação Progresso tecnológico e a evolução de certos segmentos de mercado Teorias que justificam a regulação v Teoria do interesse público: 10 Bens quase-públicos Valor social muito superior ao valor econômico Externalidades (positivas e negativas) Benefícios maiores que os gastos: • Negativas: caso da poluição • Positivas: financiamento da capacitação ou da vacinação Teorias que justificam a regulação Origem da regulação: v Teoria dos grupos de interesse: Admite que a função regulatória gera vencedores e derrotados e que a regulação existe para a satisfação dos interesses de certos grupos sociais. A regulação não é vista como uma resposta aos fracassos do mercado, mas como procurada e oferecida em função dos interesses daqueles que sofrem os efeitos distributivos e políticos das variantes possíveis (e.g. controlo da concorrência, atribuição de subsídios e condições de acesso). Teorias que justificam a regulação Origem da regulação: v Teoria da escolha pública Nesta teoria a preocupação incide sobre as falhas do Estado e não do mercado. Esta teoria justifica o aumento da atividade do Estado e da regulação como resultado da demanda da maximização da utilidade (rent seeking) dos políticos, funcionários públicos e burocratas. Não há incentivos para a defesa do interesse público por parte dos políticos e dos agentes de decisão pública, mas sim dos seus próprios interesses. Tipos de regulação Essencialmente, subsistem cinco formatos de instituição da regulação: Regulação estadual/municipal direta Regulação estadual/municipal indireta Regulação por agência independente Auto-regulação Regulação por contrato Obrigado! Rui Cunha Marques Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) rui.marques@tecnico.ulisboa.pt www.ruicunhamarques.com Nome do curso Rui Cunha Marques A Regulação no Brasil e no Mundo Origem da regulação no mundo, primórdios da regulação e desenvolvimento Evolução regulatória no mundo Regulação: Evolução histórica Rui Cunha Marques Nos EUA e na Europa existem reguladores (e regulação) há muitos anos . • Nos Estados Unidos, a regulação de serviços públicos privados foi implementada no século XIX. A tradição foi sempre regular empresas privadas; • O Reino Unido e a Austrália estabeleceram reguladores independentes nas décadas de 1980 e 1990 como parte de um pacote de reformas construídas em torno da liberalização, privatização ou corporização dos mercados; • Outros países europeus nos anos 90 seguiram os seus passos; • Ainda assim, na França e na Espanha a regulação por contrato tem historicamente dominado. Regulação: Evolução histórica • Até ao ano 2000 foram criadas mais de 100 agências reguladoras para os serviços de saneamento. No ano 2010 estimavam-se em mais de 200 agências reguladoras e hoje (2022) serão próximas das 300; • O Brasil é o pais do mundo com mais agências reguladoras dos serviços de saneamento, com quase 100 agências reguladoras, entre agências estaduais, intermunicipais (consorciais) e municipais; • A regulação nos países de renda baixa ou média (e.g. América Latina) foi imposta pelas agências multilaterais que condicionavam o financiamento à existência destas entidade reguladoras, com o objetivo de remover a influência política na gestão dos serviços de infraestruturas. Regulação: Evolução histórica • No entanto, o contexto de regulação nos vários países era muito diferente daquele de onde os modelos eram originários - em termos de acesso, qualidade de serviço, disponibilidade de dados, capacidade humana, governança e contexto institucional, entre outros; • Inicialmente, muitos dos reguladores só regulavam tecnicamente os serviços de saneamento, outros só economicamente e ainda outros só fiscalizavam. Muito pouco era inclusivos e se focavam no acesso aos serviços de saneamento. Desta forma, a abordagem de copiar e colar de um país ou região para outra pode, no entanto, ser ineficaz; • Para que a regulação seja eficaz, seus objetivos, forma e função devem se alinhar à estrutura institucional estabelecida do país/região e considerar as realidades de sua economia política (políticas, instituições, ambiente e contexto). Regulação: Evolução histórica Rui Cunha Marques Similar a outros serviços de infraestrutura, com a privatização dos serviços de saneamento foi necessário reforçar sua regulação (mercado mais livre, mais regras!...) e criar agências reguladoras independentes (fenômeno chamado agencificação) para corrigir falhas de mercado existentes, fornecer estabilidade regulatória (segurança jurídica) e proteger o interesse público; Uma vez que as agências reguladoras são dirigidas por seres humanos, às vezes com tentações populistas, podem não ser independentese os processos regulatórios adotados podem não ser consistentes e proporcionais e dotados de estabilidade regulatória, tendo como consequência o aumento do risco da atividade (chamado risco regulatório ). Regulação: Evolução histórica Rui Cunha Marques • Seja porque aumenta o custo de capital ou porque torna o mercado menos atrativo e consequente distanciamento da participação do setor privado; Nos diversos setores regulados, o risco regulatório é um dos mais relevantes, com forte impacto (negativo) no financiamento do setor; • Dessa forma, a regulação contratual complementa a regulação por uma agência reguladora. Desta forma, uma das possibilidades de mitigar o risco regulatório é contratar os direitos e obrigações mínimos do prestador regulado (e do regulador), limitando assim a amplitude de ação do regulador, mas ao mesmo tempo, aumentando a estabilidade regulatória e reduzindo consideravelmente o risco regulatório Regulação: Evolução histórica Rui Cunha Marques Co nt ra to fi rm ad o en tr e o pr es ta do r e a e nt id ad e tit ul ar (lo ng o pr az o) • Sempre incompletos; • O futuro não pode ser previsto com certeza; • Não inclui todas as situações e contingências possíveis; • Porque a realidade muda ao longo do tempo (por exemplo, incluindo requisitos de qualidade de serviço). Regulação por contrato Assim, o oportunismo ex post pode ocorrer por ambas as partes, o que levará a conflitos e à revisão e renegociação do contrato, o que é sempre desgastante e penalizador para ambas as partes; Assim, é necessária a existência de uma terceira entidade, externa e independente, uma espécie de árbitro (regulador, de fato), que permita ultrapassar os impasses existentes e simultaneamente possa ser um motor de promoção e melhoria contínua do prestador regulado. Dessa forma, a regulação pela agência reguladora complementa a regulação contratual. Regulação: Evolução histórica Rui Cunha Marques Também no caso das empresas públicas, observa-se que estas são cada vez mais reguladas por entidades externas, muitas vezes independentes; A politização dessas empresas, com a aplicação de preços políticos e a falta de investimentos e sua utilização para fins não comerciais, levou à necessidade de serem reguladas por terceiros (reguladores); Para a sua organização e funcionamento, são celebrados contratos entre as empresas públicas e as entidades proprietárias (acionistas) que estabelecem direitos e obrigações, nomeadamente metas de desempenho e obrigações de serviço público; Desta forma, também as empresas públicas são normalmente sujeitas à regulação contratual. Regulação: Evolução histórica Rui Cunha Marques Dessa forma, poderá ser adotada uma regulação híbrida (agência reguladora mais contrato) Problemas com contratos mais regulação Deve haver um equilíbrio entre o regulador e o contrato Esta solução híbrida, se devidamente implementada, permite ultrapassar os problemas do contrato que nunca é concluído e a magnitude do risco regulatório, simultaneamente Regulação: Evolução histórica Rui Cunha Marques Bem implementado • O melhor de dois mundos (jogo de soma positiva) Mal implementado • O pior de dois mundos (jogo de soma negativa) Obrigado! Rui Cunha Marques Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) rui.marques@tecnico.ulisboa.pt www.ruicunhamarques.com Nome do curso Rui Cunha Marques A Regulação no Brasil e no Mundo Origem da regulação no mundo, primórdios da regulação e desenvolvimento Relevância da regulação para o desenvolvimento Porquê regular? Rui Cunha Marques Serviços de Saneamento são Serviços de Interesse Geral “Satisfação das necessidades básicas da generalidade dos cidadãos e cuja existência seja essencial à vida, à saúde ou à participação social dos cidadãos” (Marques, 2005) Aliás, são Serviços de Interesse Econômico Geral Na vertente econômica (auto-sustentabilidade) Princípios Serviço universal Continuidade Qualidade de serviço Acessibilidade Proteção do usuário e consumidor Relevância da regulação para o desenvolvimento Porquê regular? Rui Cunha Marques Serviço de Interesse Econômico Geral Falhas de mercado Competição imperfeita Assimetrias de informação ExternalidadesBens quase-públicos Resultados indesejáveis Para quê regular? OSP Qualidade de serviço REGULAÇÃO Tarifas OSP – Obrigações de Serviço Público Para quê regular? • Promoção do acesso aos serviços de saneamento; • Promoção da eficiência; • Proteção dos interesses dos usuários (OSP); • Autofinanciamento; • Estabilidade das políticas definidas para o setor. Objetivos tradicionais: Para quê regular? • Facilitar e promover a concorrência no setores; • Reforçar a regulação social; • Promover a sustentabilidade e robustez dos sistemas • Assegurar a resiliência dos sistemas; • Estimular a circularidade dos sistemas. Objetivos recentes: Promoção da eficiência A eficiência estática, que corresponde às eficiências técnica e alocativa de preços, relaciona-se com a minimização dos custos a curto prazo. Eficiência estática (econômica) Eficiência alocativa Eficiência dinâmica A eficiência alocativa é ótima se o preço for igual ao custo marginal, sendo os seus ganhos obtidos com essa aproximação. Um dos grandes desafios da regulação econômica contemporânea é a potencial colisão entre a realização de investimentos que mitiguem os custos de longo prazo (eficiência dinâmica) e os objetivos de curto prazo de redução de custos, tornando extremamente complexo e controverso todo o processo regulatório. A eficiência dinâmica diz respeito à mitigação dos custos a longo prazo e reflete os ganhos devidos ao investimento em novas infraestruturas e/ou à introdução de novas tecnologias, e às economias de escala ou de gama verificadas. Proteção dos interesses dos usuários Entre estes, e comuns à globalidade dos serviços de infraestruturas, destacam-se: A proteção dos interesses dos usuários envolve diversos requisitos, os quais são denominados de obrigações ou princípios gerais de serviço público. Universalidade •A universalidade implica que todos os cidadãos tenham acesso ao serviço, no que respeita ao preço e à qualidade de serviço. Os Governos de cada país podem adotar as políticas que julguem mais adequadas. Continuidade •Quando as causas da falta de continuidade de fornecimento de serviços forem imputáveis aos prestadores de serviços ou a terceiros identificáveis e puníveis, os usuários devem ser indemnizados. Proteção dos interesses dos usuários Qualidade de serviço • Cabe ao regulador o controle da relação qualidade- preço e ao estímulo à excelência da qualidade de serviços prestados. Disponibilidade • Os serviços devem estar disponíveis a preços que sejam comportáveis por todos os usuários, sendo que este objetivo pode ser concretizado de diferentes formas, como subsidiação cruzada ou subsídios... Proteção dos usuários/ consumidores • Por exemplo, o regulador deve facilitar a resolução de conflitos entre os usuários e os prestadores através de mediação, de conciliação e de arbitragem voluntária. Promoção da estabilidade das políticas definidas para o setor Os processos regulatórios devem ser procedimentalizados, participados e transparentes Os processos regulatórios devem ser previsíveis e o mais transparentes possível e deve procurar-se, sobretudo, a sua procedimentalização (“democracia procedimental”). Desta forma, existirá uma co-responsabilização entre as partes e, por conseguinte, uma melhor aceitação das decisões tomadas. O regulador deve ter sempre presente a estabilidade das políticas definidas para o setor. O regulador deve ser independente e dotado de poderes de atuação adequados. Promover a sustentabilidade e robustez do serviço O serviço deve desenvolver-se de forma gradual e equilibrada, mas tambémser forte e versátil o suficiente na confrontação com eventuais adversidades. Os serviços públicos de infraestruturas não podem ser geridos e racionalizados, tendo em conta o ciclo político ou o período regulatório. Os seus ciclos são muito superiores. Objetivo s de longo p razo! Assegurar a resiliência dos sistemas Os serviços de saneamento devem ter capacidade de resposta a solicitações extremas (e.g. pandemias e mudanças climáticas) ; Os eventos extremos que no passados eram pouco prováveis de ocorrer, hoje são mais frequentes e mais intensos. Objetivo s de longo p razo! Promover a circularidade dos sistemas Mudança do paradigma e implementação da economia circular dos serviços de saneamento (acabar com a abordagem linear) ; Os efluentes necessitam de ser encarados como recursos e não como dejetos ou de algo sem valor Objetivo s de longo p razo! Obrigado! Rui Cunha Marques Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) rui.marques@tecnico.ulisboa.pt www.ruicunhamarques.com Nome do curso Rui Cunha Marques A Regulação no Brasil e no Mundo Origem da regulação no mundo, primórdios da regulação e desenvolvimento Modelos regulatórios de destaque no mundo A regulação no mundo: Rui Cunha Marques Em todo o mundo estão a ser criadas agências reguladoras dos serviços de saneamento. Existem mais de 250 agências reguladoras com funções de regulação (econômica) em todo mundo. É preciso desmistificar dois princípios essenciais: A instituição de regulação não tem de estar relacionada com a privatização ou titularidade dos serviços As agências reguladoras respondem pelos seus atos, não possuindo nenhum poder especial O cenário europeu Rui Cunha Marques Os serviços de saneamento são ainda pouco regulados na Europa, pelo menos, por regulação dedicada como existe noutras indústrias de rede. Porquê? v A primeira razão está relacionada com a atribuição dos serviços de saneamento que é, por norma, ainda da administração local; v A segunda razão está relacionada com a existência de regulação transversal conjugada (ou não) com auto- regulação; v Em terceiro lugar, quando ocorre a participação do setor privado, a mesma é quase sempre efetuada através de contratos (regulação contratual). Modelos de regulação A tendência futura: Regulação Híbrida Serviços regulados por agência reguladora Serviços regulados por contrato Direitos e obrigações definidos e risco regulatório mitigado Configurações possíveis Atividade privada especialmente regulada - modelo inglês Concessão a prestadores privadas - modelo francês Gestão pelo Estado - modelo de gestão pública Numa sociedademoderna e desenvolvida a titularidade é um aspecto secundário, o que conta é o value for money. Modelo inglês Estado Consumidores/ Usuários Prestadores (privados) Bacia hidrográfica Regulação independente Gestão dos sistemas à escala da bacia hidrográfica (regional); Controlo e supervisão dos setores por regulação centralizada, mas independente; A regulação (econômica) procura criar e simular o mercado, protegendo, desta forma, os usuários e as próprias empresas quanto ao eventual oportunismo. O baricentro do modelo são os usuários; Modelo inglês O sucesso do modelo depende do protagonismo e da eficácia da regulação Problema da informação assimétrica (relação de agência) Equilíbrio entre o curto e o longo prazo Em função da forma de remuneração podem ocorrer desvios comportamentais (efeito A-J, gold–plate, subinvestimento, …) Transparência e responsabilização da regulação Custo da regulação não negligenciável Modelo francês Associação do Setor Prestadores Contrato (Direitos e obrigações) Gestão RegionalSupervisão Municípios Politica Nacional v Baseia-se na concorrência no acesso ao mercado (franchising); v O sucesso do modelo depende do número de concorrentes no acesso ao mercado e da eficácia da redação do contrato; v Exige sempre supervisão (regulação), sobretudo da qualidade de serviço. Modelo francês Raramente existe concorrência efetiva (no mínimo 4 players); Monitorização da qualidade de serviço; Renegociação, acontecimentos imprevisíveis, questões deixadas em aberto, …; Renovação do franchising; Custo elevado e processo longo desde a decisão do franchising até à adjudicação; Pode levar ao oportunismo ex post, quer do prestador, quer do concedente. Modelo empresa pública (e.g. holandês) Associação do Setor Prestadores Politica Nacional PLC Municípios “Conselhos de água” Captação, Produção e Distribuição Drenagem de esgoto Tratamento de esgoto Benchmarking obrigatório v O serviço de abastecimento de água é efetuado por empresas públicas de direito privado; v Auto-regulação tem evitado a sua regulação e privatização; v Ganhos de eficiência devido a ganhos de economia de escala; v Existência obrigatória de benchmarking e boas regras de governança. Modelo de gestão pública Assegura, por intervenção direta no mercado como prestador, o comportamento ótimo (bem- estar social); Na teoria, possibilidade de preços mais baixos e realização de mais objetivos sociais; Na prática, ineficientes com grande instabilidade na sua gestão e na orientação estratégica de desenvolvimento; Falta de pressão do mercado, orçamento ilimitado, utilização dos recursos para autointeresse (teoria da public choice) e objetivos e estratégias definidas em função de cada Governo; O sucesso do modelo de gestão pública em alguns países não é específico do setor do saneamento (regulação transversal, auto-regulação, regulação social, …) Obrigado! Rui Cunha Marques Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) rui.marques@tecnico.ulisboa.pt www.ruicunhamarques.com Nome do curso . A regulação no Brasil e no Mundo Módulo 2 – Origem da regulação no Brasil: experiências internacionais consideradas as orientações da OCDE Tema 1 - Origem da Regulação no Brasil JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA • Professor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito - UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira A evolução da regulação dos serviços públicos no Brasil. Modelo brasileiro (Governo Imperial) • 1835 Ferrovias • 1852 Iluminação (Rio de Janeiro) • 1874 Cabo submarino (telégrafo) • 1853 D. 2450 (7% Taxa de retorno) - 1934 Constituição Federal – (art.134 taxa de retorno) • 1940 Caducidade das empresas geradoras de energia elétrica - Ferrovias • 1934 Código de águas • Primórdios da regulação • Telecomunicações – Fiscalização - DENTEL • Ferrovias – Departamento Federal • Águas e Energia Elétrica - Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAAE) • Assegurar a execução do Código de Águas • Promover e desenvolver a produção de energia elétrica • Divisão de tarifas. Divisão de concessões. A evolução da regulação dos serviços públicos no Brasil. Na década de quarenta, já se apontava a falta de um órgão Regulador e fiscalizador para os serviços de interesse coletivo. Estes serviços públicos a cargo do concessionário já se mostravam problemáticos para o Estado, em razão da falta de investimentos na melhoria dos serviços, tarifas exorbitantes e outras tantas mazelas. Os juristas de então, imbuídos no espírito de apontar os erros e de oferecer soluções para as questões, apresentavam estudos para a busca do equacionamento do problema. Dentre estes estudos, destacamos, pela atualidade que se mostra, o parecer de Osvaldo Aranha Bandeira de Melo, que apóstecer considerações sobre a função do Estado, escreve que a concessão dos serviços, geralmente, tem seu fim deturpado pelo concessionário, que busca a satisfação quase exclusiva em suas ambições desmedidas, em detrimento do bem-estar coletivo - razão do serviço. Além disso, a fiscalização do Poder Público contra os abusos dos concessionários é muito difícil e dispendiosa, pois estes tentam proporcionar o máximo de dificuldades à ação daquele, procurando, por todos os meios, fugir à sua interferência controladora. Finalmente, esclarece o autor que o Poder Público deve exercer com eficiência a fiscalização no serviço concedido e sujeitar seus dirigentes a inflexíveis medidas punitivas no caso de descumprimento das finalidades A evolução da regulação dos serviços públicos no Brasil. 1º Retorno do Pêndulo Processo de Estatização • 1940 Caducidade dos contratos de concessão de ferrovias/energia elétrica Estatização dos serviços públicos Criação das estatais Fatores de natureza econômica Fatores de natureza política Fatores de natureza administrativa Fatores de natureza social • CF 1967 art. 8º inciso XV, letra “a” (Competência da União para o sistema de telefonia) 27 anos de regulação no Brasil. 2º Retorno do Pêndulo Mudança do Papel do Estado (Lei de concessões) • CF art. 21 XI criação de um órgão regulador (EC 8/1995) • Criação das Agências Reguladoras • CF art. 175 (Incumbe ao Poder Público ..... ) Lei das Concessões 8.987/95 • Regime das empresas concessionárias • Caráter especial do seu contrato • Condições de caducidade, fiscalização e rescisão contratual • Direitos dos Usuários • Política Tarifária • Obrigação de manter o serviço adequado 27 anos de regulação no Brasil. A Governança dos Serviços Públicos - Visão de Futuro para a regulação no Brasil Lei das Agências Reguladoras – e os pressupostos do “novo” marco regulatório do saneamento • Governança pressupõe • Regulação. Legalidade (Compliance) e transparência • Captura (política, econômica e jurídica) • Análise de Impacto Regulatório • Objetivos setoriais (Princípios, instrumentos e planejamento) • Controle Interno • Gestão de Contratos • Processo decisório • Prestação de contas e o controle social • Plano estratégico e plano de Gestão • Ouvidoria • Interação e articulação entre as agências * O 3º Retorno do Pêndulo (o que se espera das Agências Reguladoras) Obrigado! Centro de estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos. www.regulacao.com.br Jose.c.oliveira@unesp.br Nome do curso . A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 2: Origem da Regulação no Brasil. Experiências internacionais consideradas e as orientações da OCDE. Ponto 2 Experiências internacionais consideradas no modelo brasileiro JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA • Professor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito da UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira Experiências internacionais Consideradas no modelo brasileiro • Melhoria da qualidade regulatória (Quali-Reg CGU) • Fortalecimento da atividade regulatória • Causas do descumprimento das normas regulatórias • Regulações em excesso • Análise de impacto regulatório • Regulação sem efetividade • Falhas de monitoramento • Participação social no processo de formulação da regulação. • Controle social • Equilíbrio entre interesses opostos (interesse público x mercado) • Identificação de efeitos indesejados na regulação • Teste de qualidade e avaliação das normas regulatórias • Proporcionalidade – custos – eficiência regulatória • Liberdade de escolha . Experiências internacionais Consideradas no modelo brasileiro • Estimular a clareza regulatória – linguagem direta • Normas de fácil compreensão • Padronização (normas de referência) • Transparência dos procedimentos • Características principais das Agências Reguladoras • Independência – ausência de tutela/subordinação • Transparência – controle social • Delimitação precisa da sua competência • Autonomia financeira • Excelência técnica . Experiências internacionais Consideradas no modelo brasileiro • Quarentena dos diretores • Requisitos para o exercício da função de dirigente • Reputação ilibada e conhecimento técnico • Análise de custo-benefício em suas decisões • Benefícios sociais que a regulação acarretará • Transparência • Motivação dos atos administrativos • Grupos de interesse – imparcialidade da agência • Articulação entre agências e órgãos: • Defesa da concorrência. Meio ambiente. Consumidor. • Mecanismos de disputas de controvérsias . Obrigado! Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos www.regulacao.com.br Jose.c.oliveira@unesp.br Nome do curso . Módulo 2: Origem da Regulação no Brasil. Experiências internacionais consideradas e as orientações da OCDE. Tema: Referências da OCDE para a regulação Brasileira JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA • Professor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito da UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulação.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira • Características principais das Agências Reguladoras – OCDE • O Futuro da Regulação • Avaliação da capacidade institucional para a regulação. • Perspectivas e desafios da regulação • Autonomia Decisória • Autonomia Financeira • Fiscalização • Mecanismos de controle • Mecanismos de gestão de riscos • Análise de impacto regulatório • Regulação dos contratos • Participação social • O Futuro da Regulação • A regulação em constante processo de aprimoramento • Avaliação da capacidade institucional para a regulação • Oito dimensões com objetivos estratégicos de aumento da eficiência do Estado Regulador • Perspectivas e desafios da regulação • Autonomia Decisória • Tensões recorrentes e ameaças à qualidade regulatória • Autonomia Financeira • Previsibilidade de recursos orçamentários • Fiscalização • Fiscalização dos objetivos e das metas contratuais • Mecanismos de controle • Transparência e clareza das atividades de concretização dos projetos de infraestrutura • Mecanismos de gestão de riscos • Ações efetivas de accountability • Análise de impacto regulatório • Políticas baseadas em evidências – fortalecimento da governança • Regulação e gestão dos contratos • Mecanismo de concretização da segurança jurídica • Participação social • Controle social e participação nas formulação das políticas públicas Obrigado! Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos www.regulacao.com.br Jose.c.oliveira@unesp.br Nome do curso . Módulo 2: Origem da Regulação no Brasil. Experiências internacionais consideradas e as orientações da OCDE. Tema: Exemplos estrangeiros a serem observados pelo Brasil* JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA • Professor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito da UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua-UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulação.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira Exemplos estrangeiros a serem seguidos no Brasil Os indicadores de política e governança regulatória para a América Latina e Caribe (2019), proporcionam uma visão geral atualizada dos sistemas regulatórios e cobrem parcialmente três princípios da recomendação do conselho da OCDE de 2012 sobre política e governança regulatória. • Participação dos atores interessados • Consulta pública e audiência pública • Análise de impacto regulatório • Na edição e na alteração de atos normativos de interesse geral • Verificar a razoabilidade do seu impacto • Avaliação ex post • Análise dos resultados após a vigência dos atos normativos • Simplificação administrativa • Clareza e coerência dos enunciados regulatórios • Transparência • Clareza e coerência dos enunciados regulatórios Obrigado! Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos www.regulacao.com.br Jose.c.oliveira@unesp.br Nome do curso CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil (aula 1) Introdução Relevante componente histórico. Infraestrutura e desenvolvimento social dos países. Contextos de desenvolvimento diferentes no mundo. Desigualdes expressas em desemprego, doenças e mortalidade infantil. Fragilidade do equilíbrio ecológico. Saneamento Introdução Precariedades na governança e planejamento dos prestadores. Carência de investimentos e baixa qualidade técnica. 84,13% abastecimento de água*. 54,95% coleta de águas residuais*. 50,75% tratamento dos efluentes gerados*. Saneamento no Brasil *Fonte: SNIS (2022), dados de 2020. Fonte: VILARINHO (2021). Contexto histórico É função do Estado promover políticas públicas: • Bem-estar da sociedade; • Acesso aos serviços públicos essenciais. Contexto histórico: • Compreensão sobre como o saneamento é hoje; • Evolução histórica; • Desafios e universalização. Primórdios do saneamento brasileiro Fonte: BBC News (2019). Escravos responsáveis pelo manejo de esgoto Primeiras medidas sanitárias: • Chafarizes em praças públicas; • Excretas lançadas ao mar ou valas. Descoberta do ouro: • Chafarizes, poços, cisternas; • Aquedutos: Arcos da Lapa no Rio de Janeiro. Chegada da família real: • Conceitos de saúde pública e saneamento da Europa; • John Snow, Robert Koch, Louis Pasteur. Primórdios do saneamento brasileiro Soluções coletivas: • Redes de água e esgoto com vendas das penas d’água. Higienismo: • Reformulação espacial; • Demolição de 1.700 habitações no Rio de Janeiro; • 20 mil pessoas excluídas para os morros. Epidemias e gripe espanhola: • Criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (Oswaldo Cruz). Fonte: Estado de Minas (2017). Fonte: Vasconcellos (2006). Primeiros arranjos institucionais Código de Águas Brasileiro (1934): • Uma das leis mais completas sobre gestão das águas do mundo. Serviço Especial de Saúde Pública (SESP): • Criado em 1942; • Acordo com os EUA; • Expansão da produção de matéria-prima (borracha e minérios); • Fins militares para assegurar condições sanitárias. Fonte: Fonte: FGV CPDOC (2020b). Primeiros arranjos institucionais Concessões estrangeiras de saneamento: • Baixa qualidade e abrangência. Avanços da época: • Criação de Autarquias municipais; • Código Nacional de Saúde; • Fundo Nacional de Obras de Saneamento. Golpe militar: • Saneamento dissociado da saúde (engenharia civil). Financiamento de obras: • Banco Nacional da Habitação (BNH); • Fundo Rotativo de Águas e Esgoto (FRAE). Saneamento e saúde eram tratados de forma integrada: Assinatura do Decreto nº 49.974, promulgando o Código Nacional de Saúde. ü Separou a vigilância sanitária da vigilância epidemiológica; ü Tornou obrigatória a notificação de doenças infectocontagiosas. Fonte: Fonte: Museu do universo da Farmácia (2022). Política Nacional de Saneamento e PLANASA Plano Nacional de Saneamento (PLANASA): • 1973: 27 Companhias Estaduais de Saneamento Básico (CESB), economia mista, até 1980. Pontos positivos: ü Crescimento rápido e significativo dos índices de cobertura de água e esgoto (sem metas para o tratamento de efluentes). Pontos negativos: ü Metas não cumpridas. ü Ausência de modernização Vazio institucional (1986 até 2007) • Crise financeira; • Transferência da pasta para diferentes ministérios e órgãos financiadores. Fonte: Elaborado pela autora a partir de Costa (2002). Evolução dos índices de cobertura de água e esgoto 47,90% 47,30% 85,20% 64,40% 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% Água Esgoto % de cobertura dos serviços 1980 1960 Primeiras concessões privadas (década de 90): • Birigui - SP (concessão parcial água) Marco Regulatório do Saneamento (Lei nº 11.445/2007) Antecedentes: • Projeto de Lei nº 199/1993; • Aprovado no Congresso, mas vetado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso; • Expressiva divergência sobre a privatização e a titularidade dos serviços. Criação do Ministério das Cidades (2003): • Desenvolvimento urbano: • desenvolvimento urbano; • habitação, saneamento ambiental, transporte urbano e trânsito; • política de subsídio à habitação popular, saneamento e transporte urbano; • planejamento, regulação, normatização e gestão da aplicação de recursos. Criação da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA): • Escopo de trabalho: • Promover o direito de acesso à água potável (universalização do abastecimento de água e esgotamento sanitário); • Elaborar uma proposta de legislação específica para o saneamento no Brasil, em conjunto com atores e instituições representativas. Marco Regulatório do Saneamento (Lei nº 11.445/2007) Programa Saneamento para Todos (2005): • Financiar empreendimentos de saneamento dos setores público e privado (Resolução nº 476/2005); • Promover ações integradas a políticas setoriais para melhoria da saúde e qualidade de vida; • Caixa Econômica Federal. Lei nº 11.445/2007: • Participação democrática das partes interessadas; • Vetos do Congresso Nacional: • criação de um fundo federal de saneamento básico; • melhor caracterização da cobrança da tarifa de esgoto; • créditos a pagar na apuração de COFINS e PIS/PASEP (valores investidos em ativos); • remuneração e mecanismos de contingência em casos de escassez hídrica. Marco Regulatório do Saneamento (Lei nº 11.445/2007) Principais inovações da Lei nº 11.445/2007: • Definição do saneamento básico em 4 eixos: • Abastecimento de água; • Esgotamento sanitário; • Drenagem de águas pluviais; • Manejo de resíduos sólidos. • Criação do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB); • Obrigatoriedade de Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB) para os municípios; • Viabilidade econômico-financeira para a prestação dos serviços; • Controle social nas atividades do setor; • Regulação do saneamento básico. Criação de agências reguladoras de saneamento básico Importância da regulação: • Monopólio natural e captura do mercado; • Custos irrecuperáveis (sunk costs) para disponibilizar os ativos; • Alto custo ambiental da falta de efetividade do setor. Papel da regulação: • Assegurar a qualidade, universalidade e regularidade; • Proteger contra a ineficiência, a concentração econômica e o aumento arbitrário dos lucros. (Aula: Os primeiros movimentos regulatórios do saneamento no Brasil) • Primeiras agências reguladoras de saneamento básico (multifinalitárias): • Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) em 1997; • Agência Reguladora do Estado do Ceará (ARCE) em 1997. Programa deAceleração do Crescimento (PAC) 61,53% 38,47% Utilização de recursos do PAC 20,00% 80,00% Fonte: Elaborada pela autora a partir de informações de Gonçalves (2019) e Sousa e Gomes (2019). 2016 2017 5,00% 10,00% 0,00% 5,00% 10,00% Evolução da cobertura de água Evolução da coleta de esgoto Evolução dos indicadores de 2007 a 2017 Fonte: Elaborada pela autora a partir de informações de Sousa e Gomes (2019). FRAGILIDADE DE GOVERNANÇA Projetos e orçamentos sem qualidade técnica Ausência de licenças ambientais Descumprimento dos prazos Desistência dos projetos (Norte) Recursos não utilizados Recursos desembolsados em 2016 Recursos desembolsados em 2017 Atualização do Marco Regulatório (Lei nº 14.026/2020) Universalização dos serviços Plano de Saneamento Básico Equilíbrio Econômico e Financeiro Titularidade Prestação regionalizada e formação de blocos Contratos para a prestação dos serviços Universalização da Regulação Normas de Referência para a Regulação Capacitação para a Regulação do Saneamento Principais alterações da Lei nº 14.026/2020 Considerações finais Saneamento Contexto Histórico x Situação Atual Passado Crescimento desordenado e realocação da população carente Saneamento surge em época de graves pandemias com gestão integrada Métodos rústicos e exploração dos escravos (“tigres”) Em 1964 houve a desagregação e visão estrita de engenharia civil Presente Baixos índices de cobertura e mecanismos de spending power Ausência de menção à água ou saneamento como direito humano Evolução de políticas públicas, criação e fortalecimento da regulação Falta integração à práticas internacionais (OneHealth, OneWater) Obrigada! cintia.vilarinho@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil Referências BBC News. Quem eram os escravos 'tigres', marcantes na história do saneamento básico no Brasil. 2019. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-50526902> Acesso em 20 set. 2022. COSTA, I. G.; PIEROBON, F.; SOARES, E. C. A efetivação do direito ao saneamento básico no Brasil: do Planasa ao Planasb. Meritum, Belo Horizonte, v. 13, n. 2, p. 335-358, 2018. Estado de Minas. O legado de Oswaldo Cruz está na raiz do próprio SUS, atestam estudiosos. (2017). Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/02/12/interna_gerais,846797/o-legado-de-oswaldo-cruz-esta-na-raiz-do-proprio-sus-dizem- estudiosos.shtml> Acesso em 20 set. 2022. FGV CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Revolução de 1930. [2020a]. Disponível em: <http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/revolucao-de-1930-3> Acesso em 26 dez. 2020. GONÇALVES, S. A. A Política Pública de saneamento no Brasil: da Lei 11.445/2007 aos movimentos político-institucionais para sua revisão. 2019. 101 f. Monografia (Especialização) - Curso de Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2019. Museu do universo da Farmácia. O Código Nacional de Saúde. Disponível em: <https://museudouniversodafarmacia.com.br/acervo/linha-do-tempo/o- codigo-nacional-de-saude-2/> Acesso em 20 set. 2022. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Painel de Saneamento. Disponível em: <http://appsnis.mdr.gov.br/indicadores/web/agua_esgoto/mapa-agua/> Acesso em 20 set. 2022. SOUSA, A.C.A.; GOMES, J.P. Desafios para o investimento público em saneamento no Brasil. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 43, n. especial 7, p. 36-49, 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0103-11042019s703 VASCONCELLOS, M.P.C. A fotografia como instrumento do trabalho do higienista - São Paulo, primeira metade do século XX. (2006) Disponível em: <https://www.scielo.br/j/hcsm/a/HfB3bjym47tkxwmYzLgQggf/?lang=pt> Acesso em 20 set. 2022. VILARINHO, C.M.R. Regulação do saneamento no Brasil - Contexto histórico, perspectivas e capacitação. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós- Graduação em Mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Universidade Federal de Itajubá, Itabira, 2021. Disponível em: <https://www.feis.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/profagua/dissertacoesdefendidas/dissertacao-de-mestrado---cintia-vilarinho---cintia-maria-ribeiro- vilarinho.pdf> Acesso em 15 set. 2022. CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil Os primeiros movimentos regulatórios do saneamento no Brasil (aula 2) Introdução Importância da regulação: • Monopólio natural e captura do mercado; • Custos irrecuperáveis (sunk costs) para disponibilizar os ativos; • Alto custo ambiental da falta de efetividade do setor. Papel da regulação: • Assegurar a qualidade, universalidade e regularidade; • Proteger contra a ineficiência, a concentração econômica e o aumento arbitrário dos lucros. Surgimento da regulação no Brasil Surgimento da regulação no Brasil: • 1995: amplo programa de reformas; • Descentralização da prestação de serviços públicos; • Fortalecimento do núcleo estratégico do Estado: • Formulação das políticas públicas; • Regulação. • Iniciativa de regulação inspirada pela tendência internacional; • Regular (normas e fiscalização) dos agentes privatizados no final da década de 1990. As agências reguladoras (independent regulatory agencies or comissions) surgiram nos Estados Unidos no fim do século XIX e ganharam corpo, na década de 1930 durante a grande depressão como instrumento do new deal de Franklin D. Roosevelt. Internacionalmente Primeira agência reguladora do país Criação da ANEEL: • Primeiro projeto: Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) • Enviado pelo Executivo Federal ao Congresso no final de 1995; • Modelo de autarquia convencional: • Sem autonomia decisória nem os demais requisitos de estrutura e procedimentos. • Congresso: questionamento do modelo e a busca de modelos alternativos, a partir da experiência internacional; • Debate no Legislativo: mais de um ano. Primeira agência reguladora do país Criação da ANEEL: • Criação da ANEEL no final de 1996, segundo o formato consagrado na experiência internacional: • autonomia decisória e financeira; • mandatos fixos para seus dirigentes e não coincidentes com os do chefe do Executivo. • Os demais projetos de agências reguladoras incorporaram tal modelo já em sua proposta inicial. Primeiras agências reguladoras de saneamento básico Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) ANTES DO MARCO LEGAL DE SANEAMENTO1997 Agência Reguladora do Estado do Ceará (ARCE) • Saneamento • Transportes • Saneamento • Transporte de passageiros • Energia Elétrica • Estações rodoviárias • Travessias hidroviárias • Rodovias concedidas • Gás canalizado • Energia Elétrica • Gás canalizado A regulação e o marco legal do saneamento no Brasil Destaques da Lei nº 11.445/2007: “Art. 21. A função de regulação, desempenhada por entidade de natureza autárquica dotada de independência decisória e autonomia administrativa, orçamentária e financeira, atenderá aos princípios de transparência, tecnicidade, celeridade e objetividade das decisões.” “Art. 22. São objetivos da regulação: I - estabelecer padrões e normas para a adequada prestação e a expansão da qualidade dos serviços e para a satisfação dos usuários, com observação das normas de referência editadas pela ANA. II - garantir o cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos de prestação de serviços e nos planos municipais ou de prestação regionalizada de saneamento básico. III - prevenir e reprimir o abuso do poder econômico, ressalvada a competência dos órgãos integrantes do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência; e IV - definir tarifas que assegurem tanto o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos quanto a modicidade tarifária, por mecanismosque gerem eficiência e eficácia dos serviços e que permitam o compartilhamento dos ganhos de produtividade com os usuários.” A regulação e o marco legal do saneamento no Brasil Conceito de regulação: • Grande parte do âmbito internacional inclui nas atribuições da regulação a fiscalização; • Seria inútil a definição de condições e normas sem a fiscalização correspondente da observância pelos prestadores; Decreto nº 7.217/2010: • Regulação: “todo e qualquer ato que discipline ou organize determinado serviço público, incluindo suas características, padrões de qualidade, impacto socioambiental, direitos e obrigações dos usuários e dos responsáveis por sua oferta ou prestação e fixação e revisão do valor de tarifas e outros preços públicos”; • Fiscalização: “atividades de acompanhamento, monitoramento, controle ou avaliação, no sentido de garantir o cumprimento de normas e regulamentos editados pelo poder público e a utilização, efetiva ou potencial, do serviço público”. Lei nº 11.445/2007: • Conceito moderno de regulação que abrange as atividades de: • regulação técnica (normatização, planejamento, acompanhamento, controle dos padrões de qualidade, controle e fiscalização); • regulação econômica (estabelecimento de tarifas); • atendimento aos usuários (recebimento, processamento e decisão acerca de reclamações). A regulação e o marco legal do saneamento no Brasil AGÊNCIAS REGULADORAS FEDERAIS DA INFRAESTRURA BRASILEIRA AGÊNCIAS REGULADORAS DE SANEAMENTO BÁSICO Única agência federal: • ANEEL; • ANTT; • ANATEL; • ANVISA; • ANCINE; • etc. Abrangência: • Todo o território nacional; • Vínculo compulsório. Modalidades de agências: • Estadual; • Intermunicipal; • Municipal. Abrangência: • Estadual: prestadores no limite do estado de atuação; • Intermunicipal: prestadores no limite do estado de atuação com associação ou adesão à gestão por consórcio; • Municipal: apenas o prestador do próprio município; • Escolha de agência pelo titular dos serviços. Normas de Referência e Capacitação de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) Abrangência Vantagens Desvantagens Estadual - Redução dos custos de regulação; - Existência de órgão colegiado de dirigentes; - Vencimentos compatíveis para o quadro técnico; - Troca de expertise adquirida entre os serviços públicos regulados. - Distanciamento dos entes estaduais em relação ao serviço público e aos usuários; - Necessidade de mecanismos para garantir a eficiência e celeridade da regulação, bem como o acesso à regulação pela sociedade; - Captura política pelo estado. Intermunicipal - Redução dos custos de regulação; - Existência de órgão colegiado de dirigentes; - Vencimentos compatíveis para o quadro técnico; - Troca de expertise adquirida entre os serviços públicos regulados; - Proximidade com o serviço público; - Facilidade de fiscalização constante; - Maior probabilidade de participação dos usuários no controle social. - Insegurança da continuidade do consórcio quando da ocorrência de mudanças de governo, em razão do seu caráter pactuado; - Forma de escolha do quadro dirigente e do processo de decisões que pode gerar conflitos políticos entre os consorciados. Municipal - Proximidade com o serviço público; - Facilidade de fiscalização constante; - Maior probabilidade de participação dos usuários no controle social. - Falta de escala e escopo conduz à inviabilidade; - Baixos salários levam à baixa qualidade técnica da atividade da regulação; - Captura política pelo município. Estágio de desenvolvimento das agências reguladoras Primeiros anos • Infraestrutura e aspectos econômicos: • Características do setor; • Mecanismos tarifários. Agências em desenvolvimento • Melhoria da governança, independência e autonomia; • Maior equilíbrio nas atividades (poder concedente, prestador e usuário); • Qualidade dos serviços. Agências mais desenvolvidas • Novas formas de regular: • Regulação responsiva e integrada; • Yardstick competition; • Regulação ante aos desafios emergentes do setor. Obrigada! cintia.vilarinho@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil Referências ABAR - Associação Brasileira de Agências de Regulação. Regulação saneamento básico 2019. Brasília: [s.n.], 2019. 54 p. AGERGS - gência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul. Disponível em: <https://agergs.rs.gov.br/inicial> Acesso em 15 set. 2022. ARCE - Agência Reguladora do Estado do Ceará. Disponível em: <https://www.arce.ce.gov.br/> Acesso em 12 dez. 2020. BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e dá outras providências. Diário Oficial da União: República Federativa do Brasil, Brasília (DF): Imprensa Nacional, ano CXLIV, v. 1, n. 5, p. 3-7, 8 jan. 2007a. OLIVEIRA, C. R.; GRANZIERA, M. L. M. (Org.) Novo Marco do Saneamento Básico no Brasil. Indaiatuba, SP: Editora Foco, 2021. 216 p. PACHECO, R. S. Regulação no Brasil: desenho das agências e formas de controle. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 40, n. 4, p. 523-543, 2006. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0034-76122006000400002 VILARINHO, C.M.R. Regulação do saneamento no Brasil - Contexto histórico, perspectivas e capacitação. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Universidade Federal de Itajubá, Itabira, 2021. Disponível em: <https://www.feis.unesp.br/Home/Pos- Graduacao/profagua/dissertacoesdefendidas/dissertacao-de-mestrado---cintia-vilarinho---cintia-maria-ribeiro-vilarinho.pdf> Acesso em 15 set. 2022. CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil Regulação do saneamento no Brasil (aula 3) Introdução “Art. 8º, § 5º O titular dos serviços públicos de saneamento básico deverá definir a entidade responsável pela regulação e fiscalização desses serviços, independentemente da modalidade de sua prestação.” (Lei nº 11.445/2007) Necessidade legal de regulação do saneamento no Brasil Todos os serviços de saneamento básico, prestados por entidade pública ou privada, devem ser regulados. Introdução “Art. 21. A função de regulação, desempenhada por entidade de natureza autárquica dotada de independência decisória e autonomia administrativa, orçamentária e financeira, atenderá aos princípios de transparência, tecnicidade, celeridade e objetividade das decisões.” (Lei nº 11.445/2007) Quem deve exercer o papel de ente regulador? Agência reguladora municipal Agência reguladora intermunicipal Agência reguladora estadual Autarquia com independência e autonomia Introdução Quais são os objetivos da regulação? “Art. 22. São objetivos da regulação: I.- estabelecer padrões e normas para a adequada prestação e a expansão da qualidade dos serviços e para a satisfação dos usuários, com observação das normas de referência editadas pela ANA. II.- garantir o cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos de prestação de serviços e nos planos municipais ou de prestação regionalizada de saneamento básico. III.- prevenir e reprimir o abuso do poder econômico, ressalvada a competência dos órgãos integrantes do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência; e IV.- definir tarifas que assegurem tanto o equilíbrio econômico- financeiro dos contratos quanto a modicidade tarifária, por mecanismos que gerem eficiência e eficácia dos serviços e que permitam o compartilhamento dos ganhos de produtividade com os usuários.” (Lei nº 11.445/2007) Introdução Quais normas devem ser elaboradas pelo regulador? “Art. 23. A entidade reguladora, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, editará normas relativas às dimensões técnica, econômica e social […]: I - padrões e indicadores de qualidade da prestação dos serviços; II - requisitos operacionais e de manutençãodos sistemas; III.- as metas progressivas de expansão e de qualidade dos serviços e os respectivos prazos; IV. - regime, estrutura e níveis tarifários, bem como os procedimentos e prazos de sua fixação, reajuste e revisão; V.- medição, faturamento e cobrança de serviços; VI - monitoramento dos custos; VII.- avaliação da eficiência e eficácia dos serviços prestados; VIII.- plano de contas e mecanismos de informação, auditoria e certificação; IX - subsídios tarifários e não tarifários; X.- padrões de atendimento ao público e mecanismos de participação e informação; XI.- medidas de segurança, de contingência e de emergência, inclusive quanto a racionamento; XII - (VETADO). XIII.-procedimentos de fiscalização e de aplicação de sanções previstas nos instrumentos contratuais e na legislação do titular; e XIV.- diretrizes para a redução progressiva e controle das perdas de água.” (Lei nº 11.445/2007) Conteúdo mínimo: 13 normas sobre as dimensões técnica, econômica e social. Introdução Necessidade legal de regulação do saneamento no Brasil Quem deve exercer o papel de ente regulador? Quais são os objetivos da regulação? Quais normas devem ser elaboradas pelo regulador? Política pública Processo Regulatório Instrumentos regulatórios Governança do regulador Política pública Marco legal PAPEL DO REGULADOR Diretrizes nacionais para o saneamento básico: • Lei nº 11.445 de 5 de janeiro de 2007: • Decreto nº 7.217 de 21 de junho de 2010. Atualização do marco legal: • Lei nº 14.026 de 15 de julho de 2020: alterações na ementa da Lei nº 11.445/2007 com posteriores Decretos para: • Comitê Interministerial de Saneamento Básico: Decreto nº 10.430 de 20 de julho de 2020; • Alocação de recursos públicos federais e financiamentos: Decreto nº 10.588 de 24 de dezembro de 2020 e decreto nº 11.030 de 1º de abril de 2022; • Metodologia de comprovação da capacidade econômico- financeira dos prestadores de água e esgoto: Decreto Nº 10.710 de 31 de maio de 2021. ü Cumprir e promover o cumprimento da legislação do setor pelos prestadores de serviços; ü Gerar subsídios e participar das propostas de atualização do marco legal. Política pública Planejamento do setor PAPEL DO REGULADOR ü Incentivar o atingimento das metas dos planos elaborados pelos prestadores regulados através de instrumentos regulatórios; ü Monitorar as metas dos planos dos prestadores regulados em conjunto com o titular; ü Difundir informações sobre a política pública aos stakeholders do setor; ü Gerar subsídios e participar das propostas de atualização dos planos de modo a contribuir com o atingimento das metas do PLANSAB. Governança do regulador PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ESTRUTURA ORGÂNICA FLUXOS DAS ATIVIDADES GESTÃO DE PESSOAS GESTÃO FINANCEIRA INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA RECURSOS TECNOLÓGICOS PARTICIPAÇÃO POPULAR AIR e ARR AGENDA REGULATÓRIA Obrigada! cintia.vilarinho@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil mailto:cintia.vilarinho@lis-water.org Referências ABAR - Associação Brasileira de Agências de Regulação. Regulação saneamento básico 2019. Brasília: [s.n.], 2019. 54 p. ACERTAR. Home. Disponível em: <http://www.acertarbrasil.com/> Acesso em 17 set. 2022. ADASA. Resoluções ADASA. Disponível em: <https://www.adasa.df.gov.br/legislacao/resolucoes-adasa> Acesso em 17 set. 2022. ARES-PCJ. Resoluções ARES-PCJ Disponível em: <https://www.arespcj.com.br/conteudo/resolucoes-ares-pcj> Acesso em 17 set. 2022. ARIS. Relatório de avaliação dos indicadores de desempenho de Penha. Disponível em: <https://www.aris.sc.gov.br/uploads/edital/4432/neBkQRC9tg- oEP_ulLV8sWjWWXBvHPbQ.pdf> Acesso em 16 set. 2022. ARSAE. Nota técnica CRE 12/2021 - Metodologia de reajustes tarifários da COPASA MG. Disponível em: <http://www.arsae.mg.gov.br/wp- content/uploads/2021/06/NT_CRE_12_2021_Metodologia_Reajuste_PreCP23.pdf> Acesso em 16 set. 2022. BoKIR - Body of Knowledge on Infrastructure Regulation. Home. Disponível em: <https://regulationbodyofknowledge.org/> Acesso em 16 set. 2022. BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e dá outras providências. Diário Oficial da União: República Federativa do Brasil, Brasília (DF): Imprensa Nacional, ano CXLIV, v. 1, n. 5, p. 3-7, 8 jan. 2007a. BRASIL. Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020. Altera o marco legal do saneamento entre outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm> Acesso em 16 set. 2022. ERSAR. Prémios e selos de qualidade dos serviços de águas e resíduos. Disponível em: <https://www.ersar.pt/pt/setor/premios-e-selos-de-qualidade> Acesso em 17 set. 2022. OLIVEIRA, C. R.; GRANZIERA, M. L. M. (Org.) Novo Marco do Saneamento Básico no Brasil. Indaiatuba, SP: Editora Foco, 2021. 216 p. TAYLOR, C.M.; et al. Environmental regulation in transition - Policy officials' views of regulatory instruments and their mapping to environmental risks. Science of The Total Environment. Volume 646, 1 January 2019, Pages 811-820. https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2018.07.217 VILARINHO, C.M.R. Regulação do saneamento no Brasil - Contexto histórico, perspectivas e capacitação. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Universidade Federal de Itajubá, Itabira, 2021. Disponível em: <https://www.feis.unesp.br/Home/Pos- Graduacao/profagua/dissertacoesdefendidas/dissertacao-de-mestrado---cintia-vilarinho---cintia-maria-ribeiro-vilarinho.pdf> Acesso em 15 set. 2022. http://www.acertarbrasil.com/ http://www.acertarbrasil.com/ http://www.adasa.df.gov.br/legislacao/resolucoes-adasa http://www.arespcj.com.br/conteudo/resolucoes-ares-pcj http://www.aris.sc.gov.br/uploads/edital/4432/neBkQRC9tg- http://www.arsae.mg.gov.br/wp- http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm http://www.ersar.pt/pt/setor/premios-e-selos-de-qualidade http://www.feis.unesp.br/Home/Pos- CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil Regulação do saneamento no Brasil (aula 4) Introdução Necessidade legal de regulação do saneamento no Brasil Quem deve exercer o papel de ente regulador? Quais são os objetivos da regulação? Quais normas devem ser elaboradas pelo regulador? Política pública Processo Regulatório Instrumentos regulatórios Governança do regulador AULA 3 Instrumentos regulatórios Comando e controle Instrumentos econômicos Instrumentos baseados em informação Apoio e capacitação Co-regulação Autorregulação Instrumentos regulatórios Exigir que os prestadores cumpram as regras, reforçadas com sanções nos casos de descumprimento. Modelo mais adotado na regulação do saneamento básico no Brasil. Instrumentos regulatórios Estabelecer incentivos econômicos para estimular a melhoria da eficácia e eficiência dos serviços dos prestadores. Usado em algumas agências reguladoras do setor. Instrumentos regulatórios Fornecer melhores informações aos usuários e outras partes interessadas do setor. Usado em algumas agências reguladoras do setor. Incentivado no Brasil pelo ACERTAR. Instrumentos regulatórios Melhorar o conhecimento e as habilidades dos colaboradores dos prestadores e stakeholders do setor para promover melhores práticas. Usado sistematicamente em poucas agências reguladoras do setor (Guias, capacitações, entre outros). Instrumentos regulatórios Negociar com um grupo de prestadores um acordo sobre as metas que devem ser atingidas em relação a um problema regulatório. Utilização desconhecida no setor no país. Exemplo positivo no regulador de telecomunicações no Brasil. Instrumentos regulatórios Promoverou reforçar outras influências sociais para a criação de um ambiente de bom desempenho. Usado em algumas agências reguladoras. Pode ser inspirada no regulador de Portugal do setor. Considerações finais Processo regulatório do saneamento básico no Brasil: • É papel do regulador colaborar para o cumprimento e a melhoria das políticas públicas do setor; • A governança deve estar na agenda prioritária de planejamento e discussão dos reguladores para promover estruturas capazes de um bom desempenho dos modelos regulatórios; • Utilizar os instrumentos regulatórios de forma integrada para alcançar a eficácia e eficiência da regulação. Desafios emergentes: • Objetivos do Desenvolvimento Sustentável; • ANA e sua responsabilidades de emitir normas de referência, mediar conflitos e capacitação; • Regulação forte para a evolução dos indicadores do setor (eficácia e eficiência); • Modicidade tarifária como garantia do acesso aos serviços pela população de baixa renda. Obrigada! cintia.vilarinho@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil mailto:cintia.vilarinho@lis-water.org Referências ABAR - Associação Brasileira de Agências de Regulação. Regulação saneamento básico 2019. Brasília: [s.n.], 2019. 54 p. ACERTAR. Home. Disponível em: <http://www.acertarbrasil.com/> Acesso em 17 set. 2022. ADASA. Resoluções ADASA. Disponível em: <https://www.adasa.df.gov.br/legislacao/resolucoes-adasa> Acesso em 17 set. 2022. ARES-PCJ. Resoluções ARES-PCJ Disponível em: <https://www.arespcj.com.br/conteudo/resolucoes-ares-pcj> Acesso em 17 set. 2022. ARIS. Relatório de avaliação dos indicadores de desempenho de Penha. Disponível em: <https://www.aris.sc.gov.br/uploads/edital/4432/neBkQRC9tg- oEP_ulLV8sWjWWXBvHPbQ.pdf> Acesso em 16 set. 2022. ARSAE. Nota técnica CRE 12/2021 - Metodologia de reajustes tarifários da COPASA MG. Disponível em: <http://www.arsae.mg.gov.br/wp- content/uploads/2021/06/NT_CRE_12_2021_Metodologia_Reajuste_PreCP23.pdf> Acesso em 16 set. 2022. BoKIR - Body of Knowledge on Infrastructure Regulation. Home. Disponível em: <https://regulationbodyofknowledge.org/> Acesso em 16 set. 2022. BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e dá outras providências. Diário Oficial da União: República Federativa do Brasil, Brasília (DF): Imprensa Nacional, ano CXLIV, v. 1, n. 5, p. 3-7, 8 jan. 2007a. BRASIL. Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020. Altera o marco legal do saneamento entre outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm> Acesso em 16 set. 2022. ERSAR. Prémios e selos de qualidade dos serviços de águas e resíduos. Disponível em: <https://www.ersar.pt/pt/setor/premios-e-selos-de-qualidade> Acesso em 17 set. 2022. OLIVEIRA, C. R.; GRANZIERA, M. L. M. (Org.) Novo Marco do Saneamento Básico no Brasil. Indaiatuba, SP: Editora Foco, 2021. 216 p. TAYLOR, C.M.; et al. Environmental regulation in transition - Policy officials' views of regulatory instruments and their mapping to environmental risks. Science of The Total Environment. Volume 646, 1 January 2019, Pages 811-820. https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2018.07.217 VILARINHO, C.M.R. Regulação do saneamento no Brasil - Contexto histórico, perspectivas e capacitação. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Universidade Federal de Itajubá, Itabira, 2021. Disponível em: <https://www.feis.unesp.br/Home/Pos- Graduacao/profagua/dissertacoesdefendidas/dissertacao-de-mestrado---cintia-vilarinho---cintia-maria-ribeiro-vilarinho.pdf> Acesso em 15 set. 2022. http://www.acertarbrasil.com/ http://www.acertarbrasil.com/ http://www.adasa.df.gov.br/legislacao/resolucoes-adasa http://www.arespcj.com.br/conteudo/resolucoes-ares-pcj http://www.aris.sc.gov.br/uploads/edital/4432/neBkQRC9tg- http://www.arsae.mg.gov.br/wp- http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm http://www.ersar.pt/pt/setor/premios-e-selos-de-qualidade http://www.feis.unesp.br/Home/Pos- . Curso 1: A regulação no Brasil e no Mundo Módulo 4: A evolução da Administração Pública: os desafios do Estado regulador Tema 1: Quais as principais mudanças na Administração Pública com a regulação? JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA • Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito da UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira 1 TÓPICO SMART REGULATION - REGULAÇÃO INTELIGENTE 2 TÓPICO Transparência, eficiência e eficácia nos processos regulatórios Smart Regulation – Regulação Inteligente, um conceito em transformação A Regulação é um tema que ultrapassa as relações que envolvem o serviço público – a regulação é um assunto que envolve, além dos serviços públicos, questões ambientais, de saúde pública, de economia, de mercado, de ensino, de profissões, de organização social e, ainda, um número significativo de outras atividades reguladas. A Regulação, portanto, pode ser definida como uma espécie de regras do jogo, na organização social. A regulação também se transforma e se incorpora através de mecanismos concretos para atender situações problemáticas específicas – desenvolvendo-se através de mecanismos para determinar se a regulação atende eficientemente o resultado que se espera. PRINCIPIOS ORIENTADORES DA REGULAÇÃO INTELIGENTE - No contexto global em que se desenvolve o conceito, a regulação inteligente tem sido objeto de múltiplas transformações – a OCDE relaciona a regulação inteligente como um instrumento para fechar a lacuna política diferencial entre os diferentes instrumentos regulatórios para investir mais em avaliação e simplificação, principalmente nos procedimentos administrativos. • Incorporação de múltiplos mecanismos com o objetivo de gerar resultados de qualidade. • Melhoria dos resultados com um menor custo e repensar alternativas quando a atividade regulatória não seja mais adequada (estoque regulatório) Instrumentos metodológicos importantes no conceito de regulação inteligente - A OCDE tem estruturado uma plataforma para construir um cenário de boas práticas regulatórias através da qual se analisa as tendências gerais e o marco institucional para a política regulatória, para gerar, inclusive, mais competição no mercado. - Análise de impacto regulatório (normativo) - Lei das agências reguladoras (13.848/2019) - Lei que institui a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica (13.874/2019) - Decreto regulamentador da AIR (10.411/2020) - Processo de avaliação e identificação sistemática dos efeitos esperados nas propostas regulatórias, utilizando um método analítico e comparativo, baseado nos objetivos da política regulatória e de intervenção para alcançar modelos de qualidade. - Redução ou eliminação dos riscos e a melhoria das análises de custos e benefícios da regulação (qual o resultado mais adequado? Regular ou não regular?). Instrumentos metodológicos importantes no conceito de regulação inteligente Diretrizes Gerais e Guia de orientação para elaboração de AIR - Identificação do problema normativo - Identificação do objeto normativo - Desenho das alternativas de solução - Avaliação qualitativa e quantitativa da alternativa selecionada - Impacto jurídico e econômico - Impacto de oportunidades Consultapública • Uma das mais radicais transformações que experimentamos no direito administrativo em nossos dias foi a posição do cidadão frente a administração. • A Administração abandona a sua posição de superioridade e assume uma maior aproximação do cidadão, em busca da qualidade na gestão pública, com o objetivo de gerar mais informações disponíveis e impedir que particulares/Grupos de Pressão exerçam influência indevida (captura) sobre os propósitos de qualidade e de legitimidade das políticas públicas. Instrumentos metodológicos importantes no conceito de regulação inteligente Instrumentos de participação social Lei das Agências Reguladoras (13.848/2019) Controle Social Lei n. 13.460 de 2017 – Dispõe sobre a participação, proteção e defesa dos direitos dos usuários dos serviços públicos. - CDC - aplicação da Lei de Proteção do consumidor (também na Lei 8.987/95) - Acesso do usuário a informação/proteção de suas informações pessoais (lei n. 12.527/2011) - Diretrizes no atendimento ao usuário dos serviços públicos - Utilização de linguagem simples e compreensível, evitando o uso de siglas, jargões e estrangeirismos. - Conselhos de usuários – órgãos consultivos - Avaliação continuada dos serviços públicos Agenda regulatória • Programação de objetivos, eventos e circunstâncias que devem orientar a política regulatória. A Agenda deve ser concreta para cada projeto que se pretenda regular. Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) ART. 20 (..) A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. (AIR) Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e administrativas. (AIR) Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos. Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais. Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial. Obrigado! Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos – www.regulacao.com.br José Carlos de Oliveira Jose.c.oliveira@unesp.br . Curso 1: A regulação no Brasil e no Mundo Módulo 4: A evolução da Administração Pública: os desafios do Estado regulador Tema 2: A regulação pode incrementar eficiência à Administração Pública? JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA • Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito da UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira 1 TÓPICO GOVERNANÇA COMO PRESSUPOSTO DA EFICIÊNCIA (https://bityli.com/V7ogXj) 2 PLANO ESTRATÉGICO. PLANO DE GESTÃO E AGENDA REGULATÓRIA GOVERNANÇA PÚBLICA O QUE É GOVERNANÇA - O Decreto n. 9.203, de 22 de novembro de 2017, trata a governança pública como um “conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade”. - OCDE. A boa governança é um meio para atingir um fim PARA QUE SERVE UMA POLÍTICA DE GOVERNANÇA - Fortalecer a confiança nas instituições públicas (legitimidade) - Interesse público e interesse privado (Captura. Corrupção) - Participação social – controle social GOVERNANÇA PÚBLICA PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DE GOVERNANÇA - Capacidade de resposta. - Atender às necessidades dos cidadãos - Integridade - Fortalecimento dos padrões morais de conduta e prevenção da corrupção - Confiabilidade - Capacidade de minimizar as incertezas. Processo de articulação e coordenação. - Melhoria regulatória - Avaliação de políticas e atos normativos em um processo transparente (AIR) - Prestação de contas e responsabilidade (accountability) - Controle social da atividade administrativa - Ouvidorias - Transparência - OCDE. Governo aberto. Representa o compromisso com a divulgação de suas atividades, prestando informações confiáveis, relevantes e tempestivas à sociedade. PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA governança pública - conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade - Capacidade de Resposta - LINDB e a promoção da segurança jurídica - D. 9.203/2017 Dispõe sobre a política de governança - Decisão transparente. Que resolve o problema. Tempestividade. - competência de uma instituição pública de atender de forma eficiente e eficaz às necessidades dos cidadãos, inclusive antevendo interesses e antecipando aspirações - A governança responsiva exige que os servidores públicos atuem além das ordens e sejam proativos. Para fortalecer a capacidade de resposta do serviço público, a capacitação em áreas como inovação, foco no cliente e no cidadão, colaboração, gerenciamento de projetos, gerenciamento financeiro e negociação. - Acima de tudo, é preciso incutir um firme compromisso de servir os cidadãos . PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA - Integridade (Conduta ética. Padrões de honestidade) - Lei n. 12.846/2013 Programa de compliance privado– lei anticorrupção - Lei n. 13.303/2016 Programa de compliance público - OCDE - integridade pública refere-se ao alinhamento consistente e à adesão de valores, princípios e normas éticas comuns para sustentar e priorizar o interesse público sobre os interesses privados no setor público. - O conteúdo do princípio remete, portanto, à busca do difícil equilíbrio entre a punição de gestores que se valem da máquina pública para defender fins privados e ilícitos e a preservação do necessário espaço para que agentes movidos pelo espírito público possam buscar soluções inovadoras – e, eventualmente, mais arriscadas – para satisfazer os interesses da sociedade. . PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA - Confiabilidade - OCDE capacidade das instituições de minimizar as incertezas para os cidadãos nos ambientes econômico, social e político - A primeira diretriz ligada ao princípio da confiabilidade prevê que a instituição deve “monitorar o desempenho e avaliar a concepção, a implementação e os resultados das políticas e das ações prioritárias para assegurar que as diretrizes estratégicas sejam observadas” - Articular instituiçõese coordenar processos para melhorar a integração entre os diferentes níveis e esferas do setor público, com vistas a gerar, preservar e entregar valor público - O processo decisório é orientado por sistemas que privilegiam a gestão de riscos (princípios da integridade e da capacidade de resposta), refletido em ações consistentes com a missão da instituição (princípio da confiabilidade) e é ancorado em evidências previamente reunidas (princípio da melhoria regulatória), a accountability se transforma em uma consequência natural da atuação pública. . PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA - Melhoria Regulatória - A aplicação do princípio da melhoria regulatória tem como consequência inexorável a adoção de um processo decisório baseado em evidências. A formulação de atos normativos deve ser realizada a partir de um conjunto de evidências que permita ao agente público identificar corretamente o problema a ser solucionado e dimensionar adequadamente a resposta regulatória mais apropriada. - A melhoria regulatória (better regulation) representa o desenvolvimento e a avaliação de políticas e de atos normativos em um processo transparente, baseado em evidências e orientado pela visão de cidadãos e partes diretamente interessadas. - Prestação de contas e responsabilidade - Prestação de contas e responsabilidade (accountability) representa a vinculação necessária, notadamente na administração de recursos públicos, entre decisões, condutas e competências e seus respectivos responsáveis. Trata-se de manter uma linha clara e objetiva entre as justificativas e os resultados da atuação administrativa, de um lado, e os agentes públicos que dela tomarem parte, de outro. . PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA - Transparência. - [Governo aberto é] uma cultura de governança centrada no cidadão que utiliza ferramentas, políticas e práticas inovadoras e sustentáveis para promover transparência, capacidade de resposta e responsabilização do governo, de forma a incentivar a participação das partes interessadas no apoio à democracia e ao crescimento inclusivo. - A transparência representa o compromisso da Administração Pública com a divulgação das suas atividades, prestando informações confiáveis, relevantes e tempestivas à sociedade. Inserida em um conjunto de princípios centrais que orienta a atividade pública, a transparência é um dos pilares para a construção de um governo aberto (open government). . Plano Estratégico – Plano de Gestão Anual e Agenda Regulatória PLANO ESTRATÉGICO - Plano estratégico que conterá os objetivos, as metas e os resultados estratégicos esperados das ações da agência reguladora relativos a sua gestão e a suas competências regulatórias, fiscalizatórias e normativas, bem como a indicação dos fatores externos alheios ao controle da agência que poderão afetar significativamente o cumprimento do plano. (Para cada período de quatro anos). PLANO DE GESTÃO ANUAL - O plano de gestão anual, alinhado às diretrizes estabelecidas no plano estratégico, será o instrumento anual do planejamento consolidado da agência reguladora e contemplará ações, resultados e metas (desempenho) relacionados aos processos finalísticos e de gestão. AGENDA REGULATÓRIA. - instrumento de planejamento da atividade normativa que conterá o conjunto dos temas prioritários a serem regulamentados pela agência durante sua vigência. Obrigado! Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos – www.regulacao.com.br José Carlos de Oliveira Jose.c.oliveira@unesp.br . Curso 1: A regulação no Brasil e no Mundo Módulo 4: A evolução da Administração Pública: os desafios do Estado regulador Tema 3: Motivação das escolhas Administrativas e regulação. JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA • Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito da UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulação.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira 1 TÓPICO ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 2 TÓPICO PROCESSO ADMINISTRATIVO 3 TÓPICO MOTIVAÇÃO DAS ESCOLHAS PÚBLICAS PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO (Lei n. 9.784/99) ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO AGENTE (vícios) • Competência legal FORMA (vícios) • Escrita (símbolos, placas, sinais, sons, cores) MOTIVO (vícios) • Situação de fato ou legal que autoriza a atuação da Administração Pública CONTEÚDO (vícios) • A decisão da Administração Pública • Razoabilidade - proporcionalidade FINALIDADE (vícios) • Interesse público MOTIVAÇÃO DAS ESCOLHAS PÚBLICAS (vícios) • Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos • A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. CONTROLE JUDICIAL - Legalidade PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO (Lei n. 9.784/99) - A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. • atuação conforme a lei e o Direito (princípio da justiça) • atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé • adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público • indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão • adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS (Lei n. 13.848/19) • A agência reguladora deverá observar, em suas atividades, a devida adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquela necessária ao atendimento do interesse público. • A agência reguladora deverá indicar os pressupostos de fato e de direito que determinarem suas decisões, inclusive a respeito da edição ou não de atos normativos. • A adoção e as propostas de alteração de atos normativos de interesse geral dos agentes econômicos, consumidores ou usuários dos serviços prestados serão, nos termos de regulamento, precedidas da realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR), que conterá informações e dados sobre os possíveis efeitos do ato normativo. • Decisão colegiada – reuniões deliberativas serão públicas – gravadas (disponibilizadas) • Consulta pública/audiência pública PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS MOTIVAÇÃO DAS ESCOLHAS PÚBLICAS • Interesse público • Razoabilidade e proporcionalidade • Controles de legalidade • Controle interno • Controle externo • Ministério Público Obrigado! Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos – www.regulacao.com.br José Carlos de Oliveira Jose.c.oliveira@unesp.br . Curso 1: A regulação no Brasil e no Mundo Módulo 4: A evolução da Administração Pública: os desafios do Estado regulador Tema 4: Administração Pública gerencial e a regulação JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA • Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito da UNESP. • Docente no programa deMestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira 1 TÓPICO Administração Pública Gerencial 2 TÓPICO Prestação de contas e controle social Administração Gerencial A Administração Gerencial caracteriza-se pela existência de formas modernas de Gestão Pública – passa a enfatizar a eficiência, a qualidade e a efetiva concretização do regime democrático, mediante a participação mais intensa dos cidadãos As medidas não se limitam ao âmbito da organização administrativa, em si consideradas, mas se estendem em relação aos cidadãos, que assumem uma posição de maior destaque e passam a ser vistos como clientes, podendo fiscalizar e exigir a qualidade do serviço oferecido. A Reforma Gerencial na Administração Pública A Reforma Gerencial na Administração Pública teve o objetivo precípuo de aumentar a eficiência e efetividade dos órgãos do Estado a partir de um programa de descentralização, com abertura no processo decisório e assim obter um processo de “socialização do Estado”, com mais participação a nível subnacional o modelo gerencial apresenta um caráter estratégico ou orientado por resultado do processo decisório; descentralização; flexibilidade; desempenho crescente; competitividade interna e externa, e, sobretudo, transparência e cobrança de resultados (accountability). São características deste modelo gerencial aliado a regulação: • Inclui a necessidade de reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços, tendo o cidadão como beneficiário. Assim, desloca a ênfase dos procedimentos (meios) para os resultados (fins), com orientação para o cidadão-cliente; • É orientado, predominantemente, pelos valores da eficiência, qualidade e produtividade na prestação de serviços públicos; • Concede liberdade gerencial aos gestores públicos, aspecto essencial para que seja garantida a cobrança de resultados e para o estabelecimento de metas e condições de accountability; • Exerce o controle gerencial sobre as unidades descentralizadas por meio da pactuação de resultados e de desempenhos, com condições e meios para atingi-los, mediante contrato de gestão e mecanismos que viabilizem o controle social, por meio de conselhos de usuários e mecanismos de consulta ao cidadão; Prestação de contas e Controle Social CONTROLE EXTERNO • Tribunal de Contas (Legalidade e economicidade) CONTROLE INTERNO • Controladoria • Lei n. 8987/95 • Art. 30 - A fiscalização do serviço será feita por intermédio de órgão técnico do poder concedente (...) por comissão composta de representantes do poder concedente, da concessionária e dos usuários. • Lei n. 14.133/2021 - A alta administração do órgão ou entidade é responsável pela governança das contratações e deve implementar processos e estruturas, inclusive de gestão de riscos e controles internos, para avaliar, direcionar e monitorar (...) os respectivos contratos, com o intuito de alcançar os objetivos estabelecidos (...) promover um ambiente íntegro e confiável, assegurar o alinhamento das contratações ao planejamento estratégico e às leis orçamentárias e promover eficiência, efetividade e eficácia em suas contratações. RELATÓRIO ANUAL CIRCUNSTANCIADO DE SUAS ATIVIDADES - A agência reguladora deverá elaborar relatório anual circunstanciado de suas atividades, no qual destacará o cumprimento da política do setor, definida pelos Poderes Legislativo e Executivo, e o cumprimento dos seguintes planos: - Plano estratégico. Plano de Gestão Anual. São objetivos dos planos Estratégicos e de Gestão Anual - aperfeiçoar o acompanhamento das ações da agência reguladora, inclusive de sua gestão, promovendo maior transparência e controle social; - aperfeiçoar as relações de cooperação da agência reguladora com o Poder Público, em particular no cumprimento das políticas públicas definidas em lei; - Lei de Saneamento Básico - Modicidade tarifária - Política social – população de baixa renda. Subsídios Tarifários. Tarifa Social. - Núcleos urbanos informais - promover o aumento da eficiência e da qualidade dos serviços da agência reguladora de forma a melhorar o seu desempenho, bem como incrementar a satisfação dos interesses da sociedade, com foco nos resultados; - permitir o acompanhamento da atuação administrativa e a avaliação da gestão da agência. Controle Social Relatório anual circunstanciado - aperfeiçoar o acompanhamento das ações da agência reguladora, inclusive de sua gestão, promovendo maior transparência e controle social - Audiência Pública – consulta Pública - Associação de defesa dos interesses dos usuários de serviços públicos Obrigado! Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos – www.regulacao.com.br José Carlos de Oliveira Jose.c.oliveira@unesp.br CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 5: A nova gestão pública e a agencificação: desafios e oportunidades para a Administração Pública (Parte 1) Jaime Baptista Lisbon International Centre for Water Portugal Questões: Porque há necessidade de boas políticas públicas para os serviços de água e saneamento ? Porque há necessidade de regulação dos serviços? Necessidade de boas políticas públicas para os serviços de água e saneamento Necessidade de boas políticas públicas Importância e necessidade: • Os serviços de água e saneamento têm sido assumidos como prioritários pelos decisores políticos. • Isso implica a existência de políticas públicas adequadas. E o que são políticas públicas? • Políticas públicas são programas de ação governamental visando coordenar os meios à disposição do Estado e as atividades privadas, para a realização de metas coletivas socialmente relevantes e politicamente determinadas. • Devem fazer recurso a componentes diversas, que concorrem para o mesmo fim e garantem a otimização de resultados em função dos meios disponíveis. • O sucesso de uma política pública passa por gerir globalmente estas componentes. • Em todas elas o regulador tem um papel relevante. Necessidade de boas políticas públicas • Efetivamente, o desenvolvimento de melhores serviços de águas passa por três pilares: • Uma boa política pública: o “orientador" necessário para melhorar os serviços de águas. • Uma regulação eficaz: o “catalizador" necessário para implementar a política pública. • Uma gestão eficaz, eficiente e sustentável: o “operacionalizador" necessário para materializar no terreno a política pública. Papel da regulação: • A entidade reguladora deve atuar como instrumento acelerador e equilibrador da implementação da política pública junto das entidades gestoras que prestavam o serviço aos consumidores. Necessidade de boas políticas públicas Responsabilidade pela política pública dos serviços: • É responsabilidade dos governos desenvolver os serviços de águas, melhorando a qualidade de vida das populações. • Esse desenvolvimento deve ser sustentável e inclusivo, realizado de forma globalmente consistente, com a devida articulação de todos os aspetos importantes. • Isso implica a existência de uma visão adequada, materializada numa política pública global e integrada. • A política pública dos serviços de águas pode ser decomposta em diversas componentes. • Cada uma dessa componentes deve ter associados instrumentos e incentivos para a sua operacionalização. Necessidade de boas políticas públicas Responsabilidade pela regulação dos serviços: • Sendo os serviços de águas prestados em regime de monopólio natural, não há incentivo na procura de uma maior eficiência e eficácia pelas entidades gestoras, aumentando os riscos de prevalência perante os utilizadores. • Por estas razões, a sociedade pode beneficiarda existência de uma intervenção regulatória capaz de introduzir maior equilíbrio na relação entre as entidades gestoras e os utilizadores. • A regulação deve, assim, ser vista como uma das diversas componentes da política pública, mas com um papel crucial, pois promove e controla grande parte das outras componentes. Necessidade de boas políticas públicas Responsabilidade pela gestão dos serviços: • As entidades gestoras dos serviços de águas são agentes essenciais que materializam no terreno a política pública. • O bom desempenho dessas entidades monopolistas é essencial para obter serviços com qualidade a preços aceitáveis. É assim importante: • Apoiar os governos a estruturar e implementar uma política pública abrangente e integrada para os serviços de águas. • Apoiar os reguladores a melhorarem a sua organização e o modelo regulatório dos serviços. • Apoiar as entidades gestoras de serviços a melhorarem a sua organização e gestão. Necessidade de boas políticas públicas Em síntese: • As políticas públicas são essenciais para a obtenção de adequados serviços públicos de água e saneamento às populações. • São programas de ação governamental que visam coordenar os meios de que dispõem o Estado e as atividades privadas, para alcançar objetivos coletivos socialmente relevantes e politicamente determinados. • Devem utilizar vários componentes (blocos) e incentivos, que contribuem para o mesmo fim e garantam a otimização dos resultados de acordo com os meios disponíveis. • As autoridades reguladoras são uma das componentes e realizam a sua atividade no âmbito da lei e da política pública estabelecida pelo Governo. • São o acelerador e o equilíbrio entre a política pública estabelecida pelo Governo e a sua efetiva implementação no terreno pelos operadores. Necessidade de boas políticas públicas Passa a existir um maior alinhamento de interesses de todos os intervenientes, em benefício da sociedade Necessidade de regulação dos serviços Necessidade de regulação dos serviços Características dos serviços de águas: • São serviços públicos essenciais, de caráter estrutural, fundamentais ao bem- estar geral, à saúde pública e à segurança, às atividades económicas e à proteção do ambiente. • Têm uma importância primordial nas sociedades modernas e são classificados de serviços de interesse económico geral, por serem: • Atividades de serviço comercial; • Atividades que preenchem missões de interesse geral; • Atividades sujeitas a obrigações de serviço público. • Pretende-se promover a prestação de serviços públicos com: • Qualidade adequada; • Preços comportáveis socialmente; • Nível de risco aceitável. • Pretende-se encontrar o equilíbrio entre estes objetivos, no longo prazo, garantindo racionalidade e transparência. Necessidade de regulação dos serviços Característica de monopólio dos serviços: • Os serviços de água e saneamento constituem indústrias de rede, tais como os serviços de eletricidade, gás, telecomunicações, transporte ferroviário, aéreo e marítimo, etc. • Face às suas caraterísticas específicas e às pesadas infraestruturas de que necessitam, configuram um monopólio natural. • Como consequência, uma entidade gestora presta na maioria da situações esses serviços em exclusivo, sem concorrentes, no seu território de intervenção. • Trata-se provavelmente do último dos grandes monopólios nos serviços públicos. Necessidade de regulação dos serviços Necessidade de regulação: • Nestes mercados de monopólio os consumidores não têm alternativa e estão numa situação frágil face à entidade gestora. • Não há incentivo para uma maior eficiência e eficácia das entidades gestoras e aumentam os riscos de predomínio face aos utilizadores. • Estes mercados de monopólio requerem portanto uma forma de regulação que ultrapasse a inexistência de autorregulação, que carateriza os mercados concorrenciais. • Por estas razões, a sociedade pode beneficiar da existência de uma intervenção regulatória capaz de introduzir maior equilíbrio no setor. Necessidade de regulação dos serviços Qual o papel do Estado: • Nos serviços de monopólio, o Estado pode assumir não apenas a titularidade mas também a sua prestação, garantindo, em teoria, o interesse público e as necessidades dos utilizadores, sem tirar vantagem da sua condição de monopolista. • Mas nem sempre isto acontece por dificuldade de o Estado se capacitar para a boa prestação dos serviços, ou por opção estratégica, decidindo por ex. que a gestão dos serviços deve ser feita por terceiras entidades, públicas ou privadas. • Mesmo quando o Estado delega ou concessiona estes serviços a entidades empresariais públicas, acontece que outras prioridades, como a da gestão dos ciclos políticos ou a criação de valor acionista, se sobrepõem por vezes às obrigações de serviço público. • Por estas razões, continua a existir necessidade de uma intervenção regulatória capaz de introduzir maior equilíbrio no setor, com estabilidade e independência. Necessidade de regulação dos serviços O que é a regulação: • A regulação é um mecanismo que procura reproduzir, num mercado de monopólio natural, os resultados de eficiência que se tenderiam a obter naturalmente num mercado competitivo. • Cria um mercado de competição virtual, introduzindo medidas regulatórias que induzem as entidades gestoras a agirem em função do interesse público, sem porem em causa a sua viabilidade. • Surge como instrumento moderno de intervenção do Estado nos serviços. • Assim, a agência reguladora exerce funções de Estado, especificamente e apenas aquelas que este entenda entregar-lhe. • Por isso existem reguladores com diferentes níveis de poderes e graus de independência, função da opção tomada pelo Estado. Necessidade de regulação dos serviços Alargamento da regulação no mundo: • Por todas estas razões, tem vindo a assistir-se ao surgimento de um número crescente de agências reguladoras em todo o mundo. • Existem atualmente mais de duzentas e cinquenta agências reguladoras no mundo abrangendo nestes serviços. • Designa-se frequentemente esta tendência por “agencificação”. • Isso constitui um reconhecimento da vantagem em criar órgãos especializados que tornem mais eficaz o exercício dos poderes do Estado que lhes forem delegados. • Efetivamente a regulação reveste-se de um acentuado carácter técnico, muito complexo e interdisciplinar, que encontra por vezes difícil resposta na administração pública tradicional. Obrigado! Jaime Baptista LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 5: A nova gestão pública e a agencificação: desafios e oportunidades para a Administração Pública (Parte 2) Jaime Baptista Lisbon International Centre for Water Portugal Questões: Quais devem ser as abordagens regulatórias? Quais são as componentes de intervenção regulatória? O que é a governança de uma entidade reguladora? Abordagem regulatória Abordagem regulatória Modelos institucionais de regulação possíveis: • O Estado (central, regional ou local) assume diretamente essa responsabilidade, e exerce-a essencialmente através da legislação. • O Estado dispõe de uma entidade especializada dependente, geralmente uma direção geral (administração direta do Estado), geralmente dependente de uma secretaria de estado ou de um ministério, para exercer essa função. • O Estado cria uma entidade especializada parcialmente dependente (administração indireta do Estado), por exemplo um instituto público ou uma autarquia, dotado de personalidade jurídica. • O Estado cria uma entidade especializada independente, dotada de personalidade jurídica e independência. Estado(central, regional oulocal) Administração públicadireta (exemplo: direção geral) Administração públicaindireta (exemplo: instituto público) Entidade administrativaindependenteIn de pe nd ên ci a re gu la tó ria cr es ce nt e Abordagem regulatória • Ao contrário dos primeiros modelos, que são decisão exclusiva do Governo através de legislação própria, as entidades administrativas independentes têm em geral a sua lei orgânica aprovada pelo Parlamento, dando-lhe poder reforçado. • Outras figuras jurídicas e designações são possíveis, função da organização de cada país (ex. entes reguladores, entidades reguladoras, comissões, superintendências). • A alternativa por vezes utilizada de autorregulação destes serviços pelas próprias entidades gestoras não garante uma abordagem equilibrada. • Uma figura mitigada é a de observatório, que apenas recolhe e processa informação para o Estado ser melhor regulador, mas a experiência não tem sido muito positiva. • A entidade reguladora é em geral mais eficiente porque tem a capacidade de intervir. Abordagem regulatória Modelos funcionais de regulação: • O modelo funcional de regulação deve ser racional face ao contexto dos serviços de água e saneamento. • Deve ser claro, simples e prático para os regulados e para os consumidores. • Deve ter em conta, de forma integrada, as vertentes técnica, económica, jurídica, ambiental, social e ética. • Não há soluções universais, devendo procurar-se em cada país o modelo certo. • É por exemplo necessário adaptar a abordagem regulatória a zonas periurbanas, rurais e de pobreza extrema. • O modelo deve ser aplicado com intensidade variável, função da estrutura do mercado, por ex. regulação de comando e controle (ex. Reino Unido), ou colaborativa e pedagógica (ex. Portugal). Abordagem regulatória Preocupações da regulação com os serviços: • Eficácia dos serviços: acessibilidade física, continuidade e fiabilidade, qualidade das águas distribuídas e rejeitadas, segurança, resiliência, equidade e acessibilidade económica. • Eficiência dos serviços: melhor governo e estruturação do setor, organização, modernização e digitalização das entidades gestoras, gestão e alocação eficiente de recursos financeiros, eficiência hídrica e energética e descarbonização. • Sustentabilidade dos serviços: sustentabilidade económica, financeira e infraestrutural, utilização e recuperação de recursos naturais, adequado capital humano, gestão de informação, conhecimento e inovação. • Valorização dos serviços: valorização económica nos mercados, circularidade e valorização ambiental e territorial, valorização societal, transparência, responsabilização e ética. Abordagem regulatória Preocupações da regulação com os intervenientes: • Consumidores: assegurar a proteção dos seus interesses através do acesso e qualidade do serviço e razoabilidade do preço. • Entidades gestoras: assegurar a sua sustentabilidade aos níveis económico, infraestrutural e de recursos humanos. • Ambiente: assegurar a sua boa utilização e proteção, a nível dos impactos dos serviços na água, no ar, no solo e no ecossistema. Regulador Regulador Entidade gestora Entidade gestora Consu- midor Próxima geração Consu- midor Preocupações da regulação com o balanço intergeracional: • Geração atual: assegurar os interesses da atual geração. • Geração futura: salvaguardar os interesses das futuras gerações. Componentes de intervenção regulatória Componentes de intervenção regulatória Intervenção regulatória em dois planos: Regulação estrutural (dirigido ao sector como um todo) Consiste em: • contribuir para uma melhor organização do sector • clarificar as suas regras de funcionamento • preparar e divulgar informação • promover a capacitação e a inovação Regulação comportamental (dirigido aos operadores) Consiste em assegurar: • monitorização legal e contratual • regulação económica • qualidade de serviço • qualidade da água para consumo humano • interface com o utilizador Componentes de intervenção regulatória Regulação estrutural do setor: • Está focalizada no setor como conjunto. • Deve contribuir para a sua melhor organização e clarificação das suas regras, como as relativas às restrições à entrada das entidades gestoras no mercado e às medidas de separação funcional. • Inclui todo um conjunto de medidas tendentes a consolidar e a modernizar as entidades gestoras, quer disponibilizando informação quer capacitando os agentes. • É uma forma de controlo direto sobre o contexto envolvente e indireto sobre as entidades gestoras, reduzindo ou eliminando comportamentos indesejáveis. • Condiciona, numa lógica preventiva, a forma, o conteúdo e a natureza da regulação comportamental, sendo complementar. Componentes de intervenção regulatória Regulação comportamental das entidades gestoras: • Consiste em regular os comportamentos das entidades gestoras em relação aos aspetos legais e contratuais, económicos, de qualidade do serviço, qualidade da água para consumo humano e interface com os utilizadores. • Estas componentes são potenciadas com a avaliação do desempenho e a comparação com os resultados das outras entidades gestoras similares que atuam em zonas geográficas distintas (benchmarking). • Estes mecanismos devem, em geral, adotar uma lógica de pedagogia e valorização, por exemplo beneficiando de alguma forma a entidade gestora em função do seu desempenho em relação à média de desempenhos de todas as entidades gestoras. Componentes de intervenção regulatória Articulação das componentes regulatórias: • Todas estas componentes devem ter boa articulação, num todo coerente e integrado, cuja eficácia beneficia das sinergias obtidas. • Por exemplo, a regulação económica deve potenciar mas também beneficiar da regulação da qualidade do serviço. • Por exemplo, a regulação da qualidade da água para consumo humano deve influenciar a regulação económica e também beneficiar desta. • A concentração de todas estas componentes numa entidade reguladora potencia essas sinergias. Componentes de intervenção regulatória Complementaridade da regulação estrutural e da regulação comportamental: • A necessidade de eficácia na regulação dos monopólios naturais recomenda a utilização complementar da regulação estrutural e da regulação comportamental. • No caso dos serviços de águas, por terem uma alteração lenta das condições de mercado e das tecnologias, tende a haver uma prevalência da regulação comportamental das entidades gestoras sobre a regulação estrutural dos setores. • Contudo, nos períodos de reforma das políticas públicas, pode haver uma prevalência da regulação estrutural do setor. • A intervenção da agência reguladora deve adaptar-se e acompanhar a situação existente em cada país. Governança de uma entidade reguladora Governança de uma entidade reguladora Missão regulatória: • É a declaração clara e concisa do seu propósito fundamental, a finalidade da sua existência. • É como o “ADN do regulador”, definindo a sua identidade, pretendendo-se que seja estável ao longo do tempo. • Essa clareza é essencial para que o regulador esteja devidamente legitimado e possa cumprir o seu papel de forma eficaz. • Na criação do regulador é pois essencial que o Estado defina com clareza o que entende ser a sua missão e, consequentemente, o seu mandato regulatório. • Um exemplo é que a entidade reguladora “tem por missão a regulação e a supervisão dos serviços de abastecimento público de água e de saneamento de águas residuais urbanas e pluviais”. Governança de uma entidade reguladora Mandato regulatório e sua delimitação: • Dessa missão resulta um mandato dado pelo Estado. • É importante a delimitação precisa do mandato regulatório, que deve marcar claramente a fronteira, a montante, a jusante e na envolvente. • A montante deve ter definida a fronteira com o Estado, o seu poder legislativo e as opções políticas, que cabem ao Parlamento e ao Governo (ex. tarifas, regulamentos). • A jusante deve ter definida a área de intervenção da entidade reguladora, onde termina e onde começa a autonomia de gestão das entidades reguladas. (ex. evitandoexcessiva interferência na gestão). • Na envolvente, deve ter definida a sua jurisdição face a reguladores setoriais (ex. ambiente, saúde). Re gu lad or Reguladoressetoriais Estado Entidades reguladas Governança de uma entidade reguladora Poderes regulatórios: • Poderes regulamentares, podendo emitir regras através de regulamentos com eficácia externa, que vêm complementar e ou especificar a legislação. • Poderes de autoridade, podendo verificar se as regras são implementadas e “fazendo cumprir”, impondo a sua vontade junto das entidades gestoras, face à sua força estatutária. • Poderes de resolução de conflitos, por exemplo através de conciliação, mediação e arbitragem entre entidades gestoras e consumidores. • Poderes sancionatórios, processando contraordenações e aplicando coimas, que não devem preferencialmente reverter a favor da entidade reguladora para não haver conflitos de interesse. • Outros, variando consoante a vontade do Estado. Governança de uma entidade reguladora Princípios regulatórios: • Responsabilidade: assunção dos deveres no quadro da missão e atribuições, em articulação com o poder político e os agentes do setor, no estrito cumprimento das normas legais aplicáveis. • Competência: sólidas capacidades próprias para a avaliação das questões inerentes à regulação. • Melhoria contínua: permanente esforço de melhoria contínua da atividade regulatória, através de avaliação interna e por terceiros. • Isenção: total imparcialidade em relação aos interesses das diferentes partes envolvidas, equidistante do poder político, das entidades gestoras, dos utilizadores e dos restantes agentes dos setores, atuando apenas no sentido do interesse público. • Transparência: com procedimentos claros, processos monitorizáveis de transparência, responsabilidade e envolvimento do setor. Obrigado! Jaime Baptista LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 5: A nova gestão pública e a agencificação: desafios e oportunidades para a Administração Pública (Parte 3) Jaime Baptista Lisbon International Centre for Water Portugal Questões: Qual o âmbito de intervenção da entidade reguladora? O que deve ser a estrutura orgânica de uma entidade reguladora? Quais devem ser os recursos da entidade reguladora? Âmbito de intervenção da entidade reguladora Âmbito de intervenção da entidade reguladora Âmbito das atividade reguladas: • Em geral os reguladores regulam o serviço de abastecimento público de água, o mais sensível face aos consumidores. • Regulam também o serviço de águas residuais (saneamento), incluindo atividades acessórias como reutilização e fossas sépticas. • Regulam por vezes também o serviço de águas pluviais, completando o ciclo urbano da água. • Regulam algumas vezes o serviço de resíduos urbanos, o que permite maximizar os benefícios da salubridade pública. • Noutras situações regulam estes serviços juntamente com outros, como eletricidade e transportes (reguladores multissectoriais). • Por vezes regulam estes serviços junto com a regulação ambiental. • O alargamento do âmbito de atividade permite economias de gama mas reduz a especialidade. Âmbito de intervenção da entidade reguladora Universo de entidades reguladas: • Pode variar, função da conceção institucional e da dimensão e do contexto de cada país. • Os reguladores foram em muitos casos criados com o objetivo de regular entidades gestoras privadas. • Gradualmente têm procurado alargar: • A entidades gestoras de titularidade estatal (central), para promover eficácia e eficiência ou evitar por ex. que a criação de valor acionista se sobreponha às obrigações de serviço público. • A entidades gestoras de titularidade municipal ou intermunicipal (local), por ex. para evitar que a lógica política de curto prazo se sobreponha ao interesse público de longo prazo. • Essas entidades podem abranger não apenas zonas urbanas, como também rurais, periurbanas e informais. Âmbito de intervenção da entidade reguladora Área geográfica de intervenção regulatória: • Os reguladores podem ter um âmbito geográfico de intervenção: • A nível nacional, na maioria das situações. • A nível regional, típico de países de grande dimensão ou regiões autónomas. • A nível local, em casos excecionais. • O aumento de escala geográfica permite: • Visão global do setor. • Maior uniformização de regras, procedimentos e interpretações. • Utilização do benchmarking com um número mais elevado de entidades gestoras. • Diminuição do risco de captura regulatória, pela multiplicidade de relacionamentos. • Racionalização dos recursos regulatórios, proporcionando a redução unitária do seu custo para os utilizadores. Estrutura orgânica da entidade reguladora Estrutura orgânica da entidade reguladora Recomendações para o órgão de direção: • Deve ser colegial e composto por um número ímpar de membros. • Devem ser selecionados de entre pessoas com reconhecida idoneidade, independência e competência, de forma transparente e credível, com envolvimento de Governo e Parlamento. • Devem prosseguir regras de igualdade de género. • Devem exercer as suas funções em regime de exclusividade e sujeitos a mecanismos de inelegibilidades, incompatibilidades e impedimentos. • Devem ficar impedidos de desempenhar funções ou prestar qualquer serviço às entidades anteriormente sujeitas à sua intervenção depois do termo do seu mandato e durante um determinado período. • A inamovibilidade do cargo deve ser excecionada quando se verifiquem infrações graves. Estrutura orgânica da entidade reguladora Recomendações para o (desejável) órgão de consulta: • Este órgão deve dar apoio na definição das linhas gerais de atuação. • Serve para obter uma primeira perceção da reação do setor às iniciativas do regulador e para divulgar essas medidas pelo setor. • Deve ser independente no exercício das suas funções e presidido por uma personalidade de reconhecido mérito. • Deve representar todos os atores do setor: • Autoridades ambientais, de recursos hídricos, de saúde pública, de proteção dos consumidores e da concorrência, a nível nacional e, se adequado, a nível regional. • Entidades gestoras que cubram os diversos modelos de gestão. • Associações de utilizadores. • Associações representativas de atividades económicas. • Associações técnico-profissionais com relevo nos setores. • Organizações não-governamentais de ambiente. Estrutura orgânica da entidade reguladora Recomendações para o órgão de controlo: • Este órgão interno deve ser responsável pela verificação da legalidade e da gestão financeira e patrimonial. • Deve ser independente no exercício das suas funções, ex. um revisor oficial de contas ou uma sociedade de revisores oficiais de contas. • Este órgão complementa órgãos externos transversais de verificação da legalidade e da gestão financeira e patrimonial de entidades públicas, de acordo com a legislação vigente no país. Recomendações para a ouvidoria: • Este órgão deve, no âmbito administrativo, dirimir as divergências entre as empresas prestadoras de serviços, bem como entre esses prestadores e seus usuários. • Devem também colaborar na correção de procedimentos internos do regulador. Estrutura orgânica da entidade reguladora Recomendações para as competências da equipa: • Os reguladores devem dispor de competências essenciais, por ex.: • Análise económica e financeira; • Análise jurídica; • Engenharia de águas; • Qualidade da água. • Deve ter apoio transversal, por exemplo de: • Estudos e projetos; • Tecnologias de informação; • Comunicação e imagem institucional; • Planeamento e controlo de gestão; • Administrativo e financeiro. Estrutura orgânica da entidade reguladora Opções para o modelo organizacional: • Por componentes regulatórias • Por destinatário da regulação • Por centro deconhecimento Regulação legal e contratual Regulação económica Regulaçãode qualidadedeserviço Regulaçãode interfacedeutilizador Operadores estatais Operadores municipais Operadores privados Micro operadores Engenharia Economias Jurídico Outros • Outros modelos são possíveis (por serviço, etc.). Garante autonomia departamental mas dificulta solidez disciplinar, exigindo rotação de pessoas Cada assunto é entregue ao departamento apropriado, que é autónomo para a tarefa Cada assunto é entregue a um coordenador, que constituiu a sua equipa dos departamentos Enfraquece departamentos e requer reforço da gestão de topo Descrição Cada assunto é entregue ao departamento mais relevante, que solicita a colaboração dos outros sempre que necessário Avaliação Garante solidez disciplinar mas requer boa cooperação interdepartamental Recursos da entidade reguladora Estrutura orgânica da entidade reguladora Recursos humanos: • Devem ser em número adequado e ter formação e experiência profissional e conhecimento aprofundado de regulação. • Deve ter capacidade de auto-organização a nível de quadro de pessoal, carreiras, cargos dirigentes, remunerações e recrutamento. • É importante o regulador dispor de bons incentivos para contratar, incentivar e preservar esses recursos humanos. • A entidade reguladora deve investir na formação contínua e especializada dos recursos humanos para se manterem atualizados. • O recurso à contratação de consultores externos qualificados e de auditores independentes sempre que necessário, por ex. para auditorias às entidades gestoras. • Os recursos humanos devem trabalhar em exclusivo e ter deveres de sigilo profissional. Estrutura orgânica da entidade reguladora Recursos financeiros: • Os reguladores devem dispor dos recursos financeiros indispensáveis à efetivação das suas atividades e dispor de autonomia financeira. • As receitas devem provir de preferência da cobrança de taxas pelos serviços de regulação prestados às entidades gestoras, suportadas pelos utilizadores e não pelos contribuintes, assegurando assim maior independência financeira e reforçando a confiança no regulador. • As taxas devem ter componente fixa e variável, desdobrada por serviço de água e serviço de saneamento: • Componente fixa para entidades que ainda não entraram em produção • Componente variável função do volume de atividade da entidade (m3). • O impacto do custo regulatório para o utilizador deve ser baixo, para efeitos de contenção tarifária (ex. inferior a 1% da tarifa média em Portugal). Estrutura orgânica da entidade reguladora Recursos físicos e tecnológicos: • Os reguladores devem ter instalações próprias adequadas, e não utilizarem instalações cedidas pelo Ministério ou terceiros. • As instalações podem ser centralizadas ou não, função do contexto. • Os reguladores lidam com grande quantidade de informação e devem estar dotados de uma infraestrutura informática de adequada capacidade, elevada fiabilidade e boa redundância. • Deve desenhar e implementar um sistema de informação capaz de gerir essa grande quantidade de informação, sendo partilhada entre diferentes departamentos do regulador. • Deve permitir interligação com os sistemas próprios das entidades gestoras. • Deve ainda poder ser partilhada com terceiras entidades, por exemplo de estatística, saúde, ambiente e defesa do consumidor. Obrigado! Jaime Baptista LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 5: A nova gestão pública e a agencificação: desafios e oportunidades para a Administração Pública (Parte 4) Jaime Baptista Lisbon International Centre for Water Portugal Questões: Qual deve ser a independência da agência reguladora? Quais as reflexões finais sobre este módulo? Independência da agência reguladora Independência da agência reguladora Fundamentos da independência regulatória: • Separar a política da economia no setor: em diversos contextos políticos, considera-se que a atividade económica não deve pertencer ao Estado, sem prejuízo da sua regulação pública. • Assegurar a estabilidade e segurança regulatória: não depende do ciclo eleitoral nem de mudanças de governo, garantindo estabilidade. • Favorecer o profissionalismo e a neutralidade política: recrutamento de profissionais em vez de quadros políticos. • Separar o Estado empresário do Estado regulador: assegurar a igualdade de tratamento de entidades gestoras públicas e privadas. • Proteger contra a captura regulatória: melhorar as condições para resistir às eventuais pressões dos diversos atores do setor. • Facilitar o autofinanciamento: financiamento independente tanto em relação aos governos quanto em relação aos regulados. Independência da agência reguladora Características da independência regulatória: • A independência não é um fim em si mesmo, mas um meio para garantir, de forma estável, uma prestação eficaz, eficiente e sustentável dos serviços públicos. • A independência não é estática, mas é um processo contínuo, que requer uma combinação de elementos formais e informais, de jure e de facto. • A independência não pode ser entendida como absoluta, devendo em geral ser centrada nas seguintes vertentes: • Vamos analisar cada uma destas vertentes. Independência orgânica Independência funcional Independência financeira Autonomia de gestão administrativa e financeira Independência da agência reguladora Independência orgânica: • O regulador deve ser uma entidade organizacional distinta dos ministérios e outras entidades da administração pública. • Deve ter uma lei orgânica própria que especifique de forma clara a sua independência do Governo. • A direção do regulador deve ser designada de forma exigente e transparente, sem critérios políticos, com recurso a pessoas com reconhecida idoneidade, independência e competência. • A sua nomeação pode passar pelo envolvimento do Governo, do Parlamento e eventualmente da Presidência. • O seu mandato deve ser bem definido e prolongado no tempo. • A destituição do órgão diretivo não pode acontecer por razões políticas e apenas por incumprimentos graves previstos na lei. Independência da agência reguladora Independência funcional: • O regulador tem autonomia nas decisões técnicas, ou seja, não estão dependentes da aprovação pelo Governo. • Consequentemente, o regulador não recebe instruções específicas do Governo nem de qualquer outro dos atores do setor, sem prejuízo de ter que funcionar no quadro da lei e da estratégia nacional. Independência financeira: • O regulador deve dispor de fonte de receitas segura e adequada. • As receitas devem provir de taxas de regulação aplicadas às entidades gestoras, não devendo depender do orçamento do Estado. • Deve haver repercussão das taxas na fatura dos consumidores, para que o regulador possa responder perante os consumidores. • O regulador deve dispor de mecanismos de garantia de cobrança. Independência da agência reguladora Autonomia de gestão administrativa e financeira: • O regulador deve ter autonomia administrativa, de recursos humanos e orçamental. • Deve ter agilidade dos processos administrativos de contratação pública e gestão orçamental. • Deve ter agilidade nos procedimentos de recrutamento de pessoal, sempre numa base técnica e não política, e tabela salarial autónoma e atrativa. Independência real ou de facto: • O regulador deve atual com uma cultura de imparcialidade. • Não deve haver interferência política, de entidades gestoras ou de outros agentes nas suas decisões. • Não deve agir em função de instruções, pressões ou incentivos. Independência da agência reguladora Necessidade de prestação pública de contas: • Como contrapartida da independência, deve haver prestação de contas e escrutínio, exigência básica de todo o poder público, nomeadamentee especialmente do regulador independente. • Um défice dessa prestação pública de contas pode pôr em causa a legitimidade do regulador independente. Instrumentos de prestação de contas: • Planos e relatórios de atividades. • Audições no órgão de consulta (ex. conselho consultivo). • Audições parlamentares regulares. • Controlo geral administrativo e financeiro (ex. Tribunal de Contas). • Recurso das decisões regulatórias (ex. Tribunal especializado). Independência da agência reguladora Instrumentos de transparência e comunicação: • O regulador deve divulgar todos os dados relevantes do setor. • Deve fazer prévio anúncio público dos projetos de regulamento e das mais relevantes medidas regulatórias. • Deve justificar as decisões adotadas. Instrumentos de democracia procedimental: • Deve promover a participação procedimental pública, ou seja, a intervenção de todos os interessados nos procedimentos decisórios mais estruturantes. Instrumentos de avaliação do impacto regulatório (RIA): • Deve fazer a identificação e quantificação prévia dos custos e dos benefícios resultantes de qualquer proposta de medida regulatória, por ex. regulamentação. Reflexões finais Reflexões finais 1ª mensagem: • A regulação constitui uma componente da política pública dos serviços de águas. • A regulação tem um papel chave na implementação da política pública, por ser a componente que melhor pode controlar ou influenciar todas as outras componentes. 2ª mensagem: • É necessário reforçar a eficácia e a equidade do papel regulatório de supervisionar, monitorizar, conciliar e, se necessário, sancionar o comportamento das entidades gestoras. • Isso consegue-se com uma boa combinação das componentes de regulação comportamental. • Uma regulação eficaz e com equidade de tratamento faz ganhar o respeito dos regulados e permite o magistério de influência. Reflexões finais 3ª mensagem: • É necessário importante regular globalmente todo o sector, com uma boa combinação das componentes de regulação estrutural. • Para isso, os reguladores devem interpretar corretamente as políticas públicas definidas, bem como contribuir para a sua melhoria. • Os reguladores devem ser proactivos, e não seguidistas, devem marcar o ritmo e não serem arrastados por ele, devem estar presentes e não se esconderem nas ausências. 4ª mensagem: • É necessário que os reguladores criem uma adequada organização interna, face aos objetivos, missão, mandato, princípios regulatórios, deveres, poderes e âmbito de intervenção. • Devem para isso ter recursos humanos de elevada competência, fortemente motivados e grande espírito de equipa, sob uma forte, clara e reconhecida liderança. Reflexões finais 5ª mensagem: • É necessário que os reguladores saibam enfrentar os desafios futuros do sector. • Devem identificar atempadamente quais são e como devem ser abordados, promovendo o conhecimento e transmitindo-o mais eficazmente aos decisores. • Devem internalizá-los junto dos executivos e profissionais do setor e promover o empreendedorismo na procura de soluções. • Devem difundir nos cidadãos e sociedade esses desafios futuros. Regulação no Mundo: Portugal Jaime Melo Baptista • Engenheiro civil especializado em engenharia sanitária. • Presidente do Lisbon International Centre for Water (LIS-Water), Portugal. • Investigador-Coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). • Presidente do Conselho Estratégico da Parceria Portuguesa para a Água (PPA). • Vogal do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS). • Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) entre 2003 e 2015. • Comissário de Portugal ao 8.º Fórum Mundial da Água (WWF) entre 2017 e 2018. • Vogal do conselho de administração e do conselho estratégico da International Water Association (IWA) entre 2012 e 2016, e seu Distinguished Fellow desde 2022. • Diretor do Departamento de Hidráulica do LNEC entre 1990 e 2000. • Chefe do Núcleo de Hidráulica Sanitária do LNEC entre 1980 e 1989. Obrigado! Jaime Baptista LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal jaime.baptista@lis-water.org Nome do curso mailto:jaime.baptista@lis-water.org Administração Gerencial Administração Gerencial 1 TÓPICO CONTEXTO 2 TÓPICO CARACTERÍSTICAS 3 TÓPICO PROBLEMÁTICA “Um dos debates da época colocava em evidência um possível enxugamento do escopo temático e do espectro material do direito administrativo, os quais seriam drasticamente reduzidos em face da eclosão dos fenômenos da desestatização e da privatização das estruturas e dos serviços públicos, uma das linhas mestras da “Reforma de Aparelho do Estado” que se encontrava a todo vapor nos idos de 1995. Para alguns juristas, havia uma forte tendência de diminuição do direito administrativo enquanto ramo jurídico e área de especialização profissional, uma vez que muito do que era considerado público tornar-se-ia privado, e o direito público não mais incidiria com a mesma força entre os setores público e privado, espaço que seria ocupado pelo direito privado”. OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Direito administrativo pragmático. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2020. Insira a foto do convidado aqui Gustavo Justino de Oliveira Advogado, árbitro e consultor especializado em Direito Público Contexto Anos 1980-1990 Evolução paradigmática Administração Burocrática ↓ Administração Gerencial ↓ Nova Gestão Pública ↓ Nova Governança Pública Características § Oposição à Administração Burocrática, que se concentrava no processo em si e não nos resultados; § Flexibilização dos princípios burocráticos clássicos; § Tentativa de tornar as relações com o Estado muito mais horizontais do que verticais; § Orientada para o cidadão e para a obtenção de resultados; § Confiança aos políticos e aos servidores públicos; § Descentralização, criatividade e inovação; § Contrato de gestão como instrumento de controle dos gestores públicos. PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Gestão do setor público: estratégia e estrutura para um novo Estado. In: PEREIRA, Luiz Carlos Bresser; SPINK, Peter (org.). Reforma do Estado e administração pública gerencial. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998. cap. 2, p. 28. Problemática • ineficácia da Administração Gerencial, que tinha de traçar metas predefinidas na busca de resultados, devendo ser constantemente reavaliada em suas ações e decisões para reavaliar seus caminhos e retificar seus percursos, no intuito de garantir a qualidade na prestação de serviços e ampliar a efetivação dos direitos dos cidadãos (OLIVEIRA, 2020, p. 28). • ascensão da Agenda de Desenvolvimento Social (meados de 2003), fazendo que o pêndulo da ação pública deixasse de apontar para o direito privado, voltando-se em direção ao público, de modo que a desestatização e a privatização foram substituídas pela (re)estatização, inaugurando o modelo, ainda em construção, da governança pública (OLIVEIRA, 2020, p. 28). EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 19, DE 04 DE JUNHO DE 1998 Modifica o regime e dispõe sobre princípios e normas da Administração Pública, servidores e agentes políticos, controle de despesas e finanças públicas e custeio de atividades a cargo do Distrito Federal, e dá outras providências. Art. 37: [...] § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I - o prazo de duração do contrato; II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III - a remuneração do pessoal. LEI Nº 13.934, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2019 Regulamenta o contrato referido no § 8º do art. 37 da Constituição Federal, denominado “contrato de desempenho”, no âmbito daadministração pública federal direta de qualquer dos Poderes da União e das autarquias e fundações públicas federais. Art. 1º Esta Lei regulamenta o contrato referido no § 8º do art. 37 da Constituição Federal, denominado “contrato de desempenho”, no âmbito da administração pública federal direta de qualquer dos Poderes da União e das autarquias e fundações públicas federais. Art. 2º Contrato de desempenho é o acordo celebrado entre o órgão ou entidade supervisora e o órgão ou entidade supervisionada, por meio de seus administradores, para o estabelecimento de metas de desempenho do supervisionado, com os respectivos prazos de execução e indicadores de qualidade, tendo como contrapartida a concessão de flexibilidades ou autonomias especiais. § 1º Meta de desempenho é o nível desejado de atividade ou resultado, estipulada de forma mensurável e objetiva para determinado período. § 2º Indicador de qualidade é o referencial utilizado para avaliar o desempenho do supervisionado. § 3º As flexibilidades e as autonomias especiais referidas no caput deste artigo podem compreender a ampliação da autonomia gerencial, orçamentária e financeira do supervisionado. Art. 3º O contrato de desempenho constitui, para o supervisor, forma de autovinculação e, para o supervisionado, condição para a fruição das flexibilidades ou autonomias especiais. DECRETO Nº 9.203, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2017 Dispõe sobre a política de governança da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Art. 2º Para os efeitos do disposto neste Decreto, considera-se: I - governança pública - conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade; II - valor público - produtos e resultados gerados, preservados ou entregues pelas atividades de uma organização que representem respostas efetivas e úteis às necessidades ou às demandas de interesse público e modifiquem aspectos do conjunto da sociedade ou de alguns grupos específicos reconhecidos como destinatários legítimos de bens e serviços públicos; III - alta administração - Ministros de Estado, ocupantes de cargos de natureza especial, ocupantes de cargo de nível 6 do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS e presidentes e diretores de autarquias, inclusive as especiais, e de fundações públicas ou autoridades de hierarquia equivalente; e IV - gestão de riscos - processo de natureza permanente, estabelecido, direcionado e monitorado pela alta administração, que contempla as atividades de identificar, avaliar e gerenciar potenciais eventos que possam afetar a organização, destinado a fornecer segurança razoável quanto à realização de seus objetivos. Art. 3º São princípios da governança pública: I - capacidade de resposta; II - integridade; III - confiabilidade; IV - melhoria regulatória; V - prestação de contas e responsabilidade; e VI - transparência. DECRETO Nº 9.203, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2017 Dispõe sobre a política de governança da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Art. 4º São diretrizes da governança pública: I - direcionar ações para a busca de resultados para a sociedade, encontrando soluções tempestivas e inovadoras para lidar com a limitação de recursos e com as mudanças de prioridades; II - promover a simplificação administrativa, a modernização da gestão pública e a integração dos serviços públicos, especialmente aqueles prestados por meio eletrônico; III - monitorar o desempenho e avaliar a concepção, a implementação e os resultados das políticas e das ações prioritárias para assegurar que as diretrizes estratégicas sejam observadas; IV - articular instituições e coordenar processos para melhorar a integração entre os diferentes níveis e esferas do setor público, com vistas a gerar, preservar e entregar valor público; V - fazer incorporar padrões elevados de conduta pela alta administração para orientar o comportamento dos agentes públicos, em consonância com as funções e as atribuições de seus órgãos e de suas entidades; VI - implementar controles internos fundamentados na gestão de risco, que privilegiará ações estratégicas de prevenção antes de processos sancionadores; VII - avaliar as propostas de criação, expansão ou aperfeiçoamento de políticas públicas e de concessão de incentivos fiscais e aferir, sempre que possível, seus custos e benefícios; VIII - manter processo decisório orientado pelas evidências, pela conformidade legal, pela qualidade regulatória, pela desburocratização e pelo apoio à participação da sociedade; IX - editar e revisar atos normativos, pautando-se pelas boas práticas regulatórias e pela legitimidade, estabilidade e coerência do ordenamento jurídico e realizando consultas públicas sempre que conveniente; X - definir formalmente as funções, as competências e as responsabilidades das estruturas e dos arranjos institucionais; e XI - promover a comunicação aberta, voluntária e transparente das atividades e dos resultados da organização, de maneira a fortalecer o acesso público à informação. BIBLIOGRAFIA OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Direito administrativo pragmático. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2020. PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Gestão do setor público: estratégia e estrutura para um novo Estado. In: PEREIRA, Luiz Carlos Bresser; SPINK, Peter (org.). Reforma do Estado e administração pública gerencial. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998. cap. 2, p. 28. Obrigado! Prof. Dr. Gustavo Justino de Oliveira escritorio@justinodeoliveira.com.br Fixo: +55 (11) 3525-7274 Cel. Brasília: +55 (61) 9943-9777 Cel. São Paulo: +55 (11) 95055-2835 mailto:escritorio@justinodeoliveira.com.br Consensualismo na Administração Pública Consensualismo na Administração Pública 1 TÓPICO CONTEXTO 2 TÓPICO ACORDOS EM ESPÉCIE 3 TÓPICO BIBLIOGRAFIA Contexto Anos 2000 • Ascensão da cultura dialógica, em que o Estado passa a considerar a diversidade social para a tomada de suas ações, confrontando-a com a tradicional postura monológica da Administração pública (OLIVEIRA; SCHWANKA, 2008, p. 309- 310). • Isto é, o consenso e o diálogo atenuam a imposição unilateral e autoritária das decisões do Estado, que passa a admitir maior abertura e penetração de movimentos sociais e organizações da sociedade civil • Resultado: - a Administração Pública passa a ter como referencial o acordo, negociação, coordenação, cooperação, colaboração, conciliação e transação, levando os indivíduos em consideração (OLIVEIRA; SCHWANKA, 2008, p. 310). - soluções privadas de interesse público. Contexto Anos 2000 • Formas de expressão e instrumentos da Administração consensual: (a) Concertação administrativa: decisões como resultado de negociações e de diálogos estabelecidos entre o Estado e os particulares; não há uma relação de subordinação entre ambos; v Administração paritária. (b) Contratualização administrativa: retrata a expansão do consensualismo em substituição à postura autoritária do Estado; v Novo módulo consensual da administração pública. OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de; SCHWANKA, Christiane. A administração consensual como a nova face da Administração Pública no século XXI: fundamentos dogmáticos, formas de expressão e instrumentos de ação. A&C. Revista de Direito Administrativo & Constitucional (Impresso), v. 32, p. 1-2, 2008. Acordos em espécie Direito Administrativo Consensual a) Acordo de Leniência § Lei nº 12.846/2013: Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública poderá celebrar acordo de leniência com as pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem efetivamente com as investigações e o processo administrativo, sendo que dessa colaboração resulte: I - a identificação dos demais envolvidos na infração, quando couber; e II - a obtenção célere de informações e documentos que comprovemo ilícito sob apuração. • Decreto nº 11.129/2022: Art. 32. O acordo de leniência é ato administrativo negocial decorrente do exercício do poder sancionador do Estado, que visa à responsabilização de pessoas jurídicas pela prática de atos lesivos contra a administração pública nacional ou estrangeira. Parágrafo único. O acordo de leniência buscará, nos termos da lei: I - o incremento da capacidade investigativa da administração pública; II - a potencialização da capacidade estatal de recuperação de ativos; e III - o fomento da cultura de integridade no setor privado. b) Acordo de Não Persecução Cível § Lei nº 8.429/1992, alterada pela Lei nº 14.230/2021: Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados: I - o integral ressarcimento do dano; II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados. c) Acordo de Programa § Lei nº 11.107/2005: Art. 13. Deverão ser constituídas e reguladas por contrato de programa, como condição de sua validade, as obrigações que um ente da Federação constituir para com outro ente da Federação ou para com consórcio público no âmbito de gestão associada em que haja a prestação de serviços públicos ou a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal ou de bens necessários à continuidade dos serviços transferidos. § 1º O contrato de programa deverá: I – atender à legislação de concessões e permissões de serviços públicos e, especialmente no que se refere ao cálculo de tarifas e de outros preços públicos, à de regulação dos serviços a serem prestados; e II – prever procedimentos que garantam a transparência da gestão econômica e financeira de cada serviço em relação a cada um de seus titulares. Acordos em espécie Direito Administrativo Consensual d) Contrato de Desempenho § Lei nº 13.934/2019: Art. 5º O contrato de desempenho tem como objetivo fundamental a promoção da melhoria do desempenho do supervisionado, visando especialmente a: I - aperfeiçoar o acompanhamento e o controle de resultados da gestão pública, mediante instrumento caracterizado por consensualidade, objetividade, responsabilidade e transparência; II - compatibilizar as atividades do supervisionado com as políticas públicas e os programas governamentais; III - facilitar o controle social sobre a atividade administrativa; IV - estabelecer indicadores objetivos para o controle de resultados e o aperfeiçoamento das relações de cooperação e supervisão; V - fixar a responsabilidade de dirigentes quanto aos resultados; VI - promover o desenvolvimento e a implantação de modelos de gestão flexíveis, vinculados ao desempenho e propiciadores de envolvimento efetivo dos agentes e dos dirigentes na obtenção de melhorias contínuas da qualidade dos serviços prestados à comunidade. Acordos em espécie Direito Administrativo Consensual BIBLIOGRAFIA OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de; SCHWANKA, Christiane. A administração consensual como a nova face da Administração Pública no século XXI: fundamentos dogmáticos, formas de expressão e instrumentos de ação. A&C. Revista de Direito Administrativo & Constitucional (Impresso), v. 32, p. 1-2, 2008. OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. A Emenda Constitucional nº 19/18, o § 8º do art. 37 da Constituição da República e a Administração Pública Brasileira: Por que ainda imposta para a gestão pública implementar contrato de desempenho, indicadores de qualidade e avaliação de resultados?. In: BEÇAK, Rubens. PRADO, João Carlos Navarros de Almeida.. (Org.). Reflexões sobre os 30 anos da Constituição de 1988: Mutações e Reformas Constitucionais. 1ed.Belo Horizonte: Arraes Editora, 2018, v. 1, p. 206-232. Obrigado! Prof. Dr. Gustavo Justino de Oliveira escritorio@justinodeoliveira.com.br Fixo: +55 (11) 3525-7274 Cel. Brasília: +55 (61) 9943-9777 Cel. São Paulo: +55 (11) 95055-2835 mailto:escritorio@justinodeoliveira.com.br Parcerias na Administração Pública Parcerias na Administração Pública 1 TÓPICO ESPÉCIES DE PARCERIAS 2 TÓPICO BASES NORMATIVAS 3 TÓPICO BIBLIOGRAFIA Características elementares § Parceria: forma sui generis de sociedade que não é constituída a partir da integração de determinado capital social ou da criação de uma nova PJ, ocorre apenas uma relação negocial em que uma das partes assume obrigações em troca da participação nos lucros (MORAES; WALD); § Colaboração entre o Poder Público e a iniciativa privada para a satisfação de interesses públicos; § A natureza econômica não é requisito essencial para caracterizar a parceria: esta pode ocorrer com entidades privadas sem fins lucrativos. WALD, Arnoldo; MORAES, Luiza Rangel de; WALD, Alexandre de M. O direito de parceria e a nova lei de concessões. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996. As parcerias com a Administração Pública refletem a face consensual do Direito Administrativo, em que o Estado passa a “governar por contrato”, haja vista a necessidade de estabelecer continuamente vínculos com a sociedade, buscando a eficiência de suas ações. OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Governança Pública e Parcerias do Estado: Novas Fronteiras do Direito Administrativo. REVISTA DE DIREITO DA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, v. 1, p. 113-121, 2012. Insira a foto do convidado aqui Gustavo Justino de Oliveira Advogado, árbitro e consultor especializado em Direito Público Espécies de Parcerias § São expressamente previstas pela Constituição Federal (Art. 21, XI e XII; 30, V; 175; e 223): concessão ou permissão e autorização; § Contrato de Concessão de serviço público (Lei nº 8.987/95); § Permissão de serviço público (Art. 2º, IV; e 40, Lei nº 8.987/95); § Parceria Público-Privada (Lei nº 11.079/2004); § Parcerias do Estado com o terceiro setor (Lei nº 13.019/2014) – Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) . Bases Normativas (a) Parcerias do Estado com o próprio Estado: § ex.: consórcios públicos (Lei 11.107/2005) Art. 1º Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum e dá outras providências. § 1º O consórcio público constituirá associação pública ou pessoa jurídica de direito privado. Bases Normativas (b) Parcerias do Estado com a iniciativa privada: § ex.: parcerias público-privadas/PPPs (Lei 11.079/2004) Art. 1º Esta Lei institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Parágrafo único. Esta Lei aplica-se aos órgãos da administração pública direta dos Poderes Executivo e Legislativo, aos fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas públicas, às sociedades de economia mista e às demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Art. 2º Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade patrocinada ou administrativa. § 1º Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. § 2º Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a Administração Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens. Bases Normativas (c) Parcerias do Estado com o Terceiro Setor: § ex.: organizações da sociedade civil (Lei 13.019/2014 - MROSC) Art. 1º Esta Lei institui normas gerais para as parcerias entre a administração pública e organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecução definalidades de interesse público e recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em planos de trabalho inseridos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em acordos de cooperação. Bases Normativas Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se: I - organização da sociedade civil: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) a) entidade privada sem fins lucrativos que não distribua entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados, doadores ou terceiros eventuais resultados, sobras, excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, isenções de qualquer natureza, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplique integralmente na consecução do respectivo objeto social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo patrimonial ou fundo de reserva; b) as sociedades cooperativas previstas na Lei nº 9.867, de 10 de novembro de 1999; as integradas por pessoas em situação de risco ou vulnerabilidade pessoal ou social; as alcançadas por programas e ações de combate à pobreza e de geração de trabalho e renda; as voltadas para fomento, educação e capacitação de trabalhadores rurais ou capacitação de agentes de assistência técnica e extensão rural; e as capacitadas para execução de atividades ou de projetos de interesse público e de cunho social. c) as organizações religiosas que se dediquem a atividades ou a projetos de interesse público e de cunho social distintas das destinadas a fins exclusivamente religiosos BIBLIOGRAFIA OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Governança Pública e Parcerias do Estado: Novas Fronteiras do Direito Administrativo. REVISTA DE DIREITO DA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, v. 1, p. 113-121, 2012. OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Governança Pública e Parcerias do Estado: a relevância dos acordos administrativos para a nova gestão pública. Novas Fronteiras do Direito Administrativo. Revista Brasileira de Direito Público, v. 23, p. 1-2, 2008. OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Parceria público-privada e direito ao desenvolvimento: uma abordagem necessária. Fórum de Contratação e Gestão Pública, Belo Horizonte, v. a.4, n. setembro, p. 6023-6039, 2005. OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Parcerias do Estado com o terceiro setor: impacto da lei 13.019/14 sob o enfoque da insegurança jurídica e instabilidade das relações. Migalhas, 2015 (Documento Eletrônico). WALD, Arnoldo; MORAES, Luiza Rangel de; WALD, Alexandre de M. O direito de parceria e a nova lei de concessões. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996. Obrigado! Prof. Dr. Gustavo Justino de Oliveira escritorio@justinodeoliveira.com.br Fixo: +55 (11) 3525-7274 Cel. Brasília: +55 (61) 9943-9777 Cel. São Paulo: +55 (11) 95055-2835 mailto:escritorio@justinodeoliveira.com.br Consórcios Públicos e Outros Arranjos Interfederativos Consórcios Públicos e Outros Arranjos Interfederativos 1 TÓPICO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CONSENSUAL E OS CONSÓRCIOS PÚBLICOS 2 TÓPICO CARACTERÍSTICAS 3 TÓPICO CONSÓRCIOS PÚBLICOS E O NOVO SANEAMENTO BÁSICO Administração Pública consensual e os consórcios públicos § Conceito: acordos celebrados para a realização de interesses comuns entre entidades estatais da mesma espécie ou do mesmo nível (OLIVEIRA; MEDAUAR, 2006, p. 15). Administração Pública consensual e os consórcios públicos § Normativas: - CF, Art. 241: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos. - Lei dos Consórcios Públicos nº 11.107/2005, Art. 1º: Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum e dá outras providências; - Decreto nº 6.017, de 17 de janeiro de 2007, que regulamenta a LCP, Art. 2º, I: consórcio público: pessoa jurídica formada exclusivamente por entes da Federação, na forma da Lei no 11.107, de 2005, para estabelecer relações de cooperação federativa, inclusive a realização de objetivos de interesse comum, constituída como associação pública, com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica, ou como pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos. Características § Federalismo de cooperação; § Consórcios públicos x Convênios de cooperação; § Associação pública ou pessoa jurídica de direito privado (Art. 1º, § 2º, LCP); § Forma típica: contrato + prévia subscrição de protocolo de intenções (Art. 3º, LCP), que conterá as cláusulas dispostas no Art. 4º da LCP e será ratificado por lei (Art. 5º, LCP); Consórcios Públicos e o Novo Marco do Saneamento § Lei nº 14.026/2020: Art. 3º, II: gestão associada: associação voluntária entre entes federativos, por meio de consórcio público ou convênio de cooperação, conforme disposto no art. 241 da Constituição Federal; Art. 8º, § 1º: O exercício da titularidade dos serviços de saneamento poderá ser realizado também por gestão associada, mediante consórcio público ou convênio de cooperação, nos termos do art. 241 da Constituição Federal, observadas as seguintes disposições: I - fica admitida a formalização de consórcios intermunicipais de saneamento básico, exclusivamente composto de Municípios, que poderão prestar o serviço aos seus consorciados diretamente, pela instituição de autarquia intermunicipal; II - os consórcios intermunicipais de saneamento básico terão como objetivo, exclusivamente, o financiamento das iniciativas de implantação de medidas estruturais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais, vedada a formalização de contrato de programa com sociedade de economia mista ou empresa pública, ou a subdelegação do serviço prestado pela autarquia intermunicipal sem prévio procedimento licitatório. Contrato de Rateio e Contrato de Programa (a) Contrato de rateio: § Art. 8º, Lei 11.107/2005; § disciplina as obrigações econômico-financeiras oriundas das cláusulas de um contrato de consórcio público (OLIVEIRA; MEDAUAR, 2006, p. 81). (b) Contrato de programa: § Art. 13, Lei 11.107/2005; § constitui e regulamenta as obrigações que um ente federativo terá para com outro ou para com um consórcio público, sempre no âmbito da gestão associada de serviços públicos (OLIVEIRA; MEDAUAR, 2006, p. 101). LEI COMPLEMENTAR Nº 140, DE 8 DEZEMBRO 2011 Fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora; e altera a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. Art. 4o Os entes federativos podem valer-se, entre outros, dos seguintes instrumentos de cooperação institucional: I - consórcios públicos, nos termos da legislação em vigor; II - convênios, acordos de cooperação técnica e outros instrumentos similares com órgãos e entidades do Poder Público, respeitado o art. 241 da Constituição Federal; III - Comissão Tripartite Nacional, Comissões Tripartites Estaduais e Comissão Bipartite do Distrito Federal; IV - fundos públicos e privados e outros instrumentos econômicos; V - delegação de atribuições de um ente federativo a outro, respeitados os requisitos previstos nesta Lei Complementar; VI - delegação da execução de ações administrativas de um ente federativo a outro, respeitados os requisitosprevistos nesta Lei Complementar. § 1o Os instrumentos mencionados no inciso II do caput podem ser firmados com prazo indeterminado. § 2o A Comissão Tripartite Nacional será formada, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre os entes federativos. § 3o As Comissões Tripartites Estaduais serão formadas, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União, dos Estados e dos Municípios, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre os entes federativos. § 4o A Comissão Bipartite do Distrito Federal será formada, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União e do Distrito Federal, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre esses entes federativos. § 5o As Comissões Tripartites e a Comissão Bipartite do Distrito Federal terão sua organização e funcionamento regidos pelos respectivos regimentos internos. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm BIBLIOGRAFIA OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de; MEDAUAR, Odete. Consórcios Públicos: comentários à Lei 11.107/2005. 1. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. Obrigado! Prof. Dr. Gustavo Justino de Oliveira escritorio@justinodeoliveira.com.br Fixo: +55 (11) 3525-7274 Cel. Brasília: +55 (61) 9943-9777 Cel. São Paulo: +55 (11) 95055-2835 mailto:escritorio@justinodeoliveira.com.br CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 7 - A disseminação da regulação no mundo: experiências exitosas e padrões regulatórios (Parte 1) Jaime Baptista Lisbon International Centre for Water Portugal Universo de reguladores inquiridos Brazil l ADASA l ARES-PCJ Peru l CRA Colombia l ERAS (Buenos Aires) l EnReSS (Santa Fé) l ERSeP (Córdoba) l ERSEPT (Tucumán) Bolivia Chile l ENRESP (Salta) l DPA (Rio Negro) l EPRAC (Misiones) l OMRESP (Trelew) Paraguay Uruguai Jamaica l OUR Honduras Costa Rica l ASEP Panama Argentina l SISS l URSEA l ERSAAN l SUNASS Ecuador l EMAPAG l ARCA l ERSAPS l ARESEP l AAPS RegWAS LAC Programa para el mejoramiento de las políticas públicas y la regulación de los servicios de agua y saneamiento en América Latina y el Caribe Questões: Qual o contexto geral do sector e da regulação na América Latina? Quais as funções regulatórias mas correntes? Contexto geral do sector e da regulação na LAC Contexto geral do sector e da regulação na LAC Quem são os ministérios que tutelam o sector? • O sector é supervisionado em 2/3 dos casos por um Ministério multissetorial, sendo os serviços de água uma parte geralmente minoritária da sua responsabilidade. • Nos restantes 1/3 dos casos são supervisionados por um Ministério sectorial, sendo os serviços de água, em geral, uma parte mais relevante da sua responsabilidade. Quem são as autoridades que regulam o sector? • Quase todos são reguladores económicos e técnicos (ex. Panamá). • 2 são reguladores económicos, mas não técnicos (ex. Colômbia). • 2/3 são também reguladores da qualidade da água potável (ex. Chile). • Alguns regulam também recursos hídricos, ambiente, resíduos sólidos, saúde pública, defesa do consumidor ou concorrência. Contexto geral do sector e da regulação na LAC De quem é a propriedade dos ativos associados aos serviços? • É maioritariamente pública, local, nacional ou provincial (ex. Costa Rica). • A propriedade privada é minoritária, mas existe em 1/4 dos casos (ex. Chile). • 1/3 dos casos têm múltiplas opções de propriedade (ex. Bolívia). • Um caso tem apenas propriedade privada (ex. Argentina, OMRESP). De que tipo são os principais prestadores de serviços do sector? • Os prestadores de serviços são maioritariamente públicos (ex. Uruguai). • Os prestadores de serviços públicos podem ser nacionais, regionais, provinciais, intermunicipais e municipais (ex. Nicarágua). • Os prestadores de serviços privados têm uma presença significativa na região (ex. Chile). Contexto geral do sector e da regulação na LAC Quem tem associações do setor? • 2/3 dos casos têm associações técnicas e científicas (ex. Brasil). • 2/3 dos casos têm associações de prestadores de serviços (ex. Argentina). • Quase metade dos casos não têm associações de utilizadores (ex. Jamaica). Quem tem a responsabilidade legal de tomar decisões finais? • Em 1/3 dos casos, os Ministérios decidem sobre as fontes de atribuição de subsídios, normas técnicas, estrutura do mercado e qualidade da água. • Os reguladores decidem sobre tarifas, investimentos, qualidade de serviço, normas técnicas e reclamações de utilizadores. • Em 1/2 dos casos decidem sobre a qualidade da água, os subsídios a atribuir, a orientação e a elegibilidade dos subsídios. • Os prestadores de serviços, residualmente, decidem sobre estas questões. Contexto geral do sector e da regulação na LAC Quais são os possíveis papéis do sector privado? • O sector privado tem um papel significativo na região (ex. Chile). • Este papel centra-se principalmente nas concessões e também nos contratos de curta duração (ex. Colômbia). • Também possuem propriedade dos ativos em alguns casos (ex. Nicarágua). Como é estabelecido o instrumento de relacionamento entre o proprietário dos ativos e o prestador de serviços? • Os contratos de concessão a médio prazo são muito comuns na região LAC. • Podem ser excelentes instrumentos, mas exigem uma elevada capacidade das partes envolvidas, pois constituem contratos complexos. As funções regulatórias As funções regulatórias Em geral, quais são as funções regulatórias dos reguladores? • A grande maioria dos reguladores tem deveres de estabelecer regras, compilar e processar dados e informações, monitorizar a implementação de políticas públicas e impor regras e decisões. • A grande maioria dos reguladores tem funções de regulação da qualidade do serviço, económico, legal, de proteção dos consumidores e de obtenção de informação. • A maioria dos reguladores não fornece informação periódica ao nível político, nem ao nível técnico e quase nada ao público em geral. • Em termos ambientais, diversos têm funções sobre descargas de águas residuais, mas poucos têm sobre captação da água. • Raramente têm funções na área da concorrência. As funções regulatórias Têm funções regulatórias para a organização do sector? • A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para a organização do sector. • 2/3 cooperam com o governo na formulação de estratégias e no aconselhamento e promoção de políticas públicas. • 1/2 propõe medidas para resolver as disfunções e monitorizar e informar sobre a aplicação de políticas públicas. Têm funções regulatórias para a legislação do setor? • A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para a legislação do sector (ex. Peru). • 2/3 têm poderes para aprovar regulamentos (ex. Peru). • 1/2 têm poderes para propor legislação e emitir recomendações (ex. Peru). As funções regulatórias Têm funções regulatórias para a informação do setor? • A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para a informação sobre o sector (ex. Chile). • A grande maioria recolhe e processa informações e dados (ex. Chile). Têm funções regulatórias para a capacitação do sector? • A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para o desenvolvimento de capacitação no sector. • 2/3 desenvolve estudos técnicos, guias técnicos e ações de formação (ex. Equador). • 1/3 promove projetos de inovação (ex. Costa Rica). As funções regulatórias A regulação legal faz parte das suas funções? • A grande maioria dos reguladores contribui para a regulação legal dos prestadores de serviços (ex. Peru). • A grande maioria monitoriza regularmente o cumprimento da legislação (ex. Peru). A regulação dos contratos (para prestação de serviços) faz parte das suas funções?• A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para a regulação dos contratos dos prestadores de serviços. • A intervenção regulatória centra-se na execução do contrato, na renegociação e rescisão ou na interrupção de contratos. As funções regulatórias A regulação económica faz parte das suas funções? • A grande maioria dos reguladores contribui para a regulação económica dos prestadores de serviços. • 2/3 define taxas e preços, analisa planos de investimento, monitoriza, aplica e fornece informações económicas e financeiras (ex. Colômbia). • 1/2 estabelece incentivos e realiza auditorias financeiras (ex. Colômbia). A regulação da qualidade do serviço faz parte das suas funções? • Todos os reguladores regulam a qualidade do serviço dos prestadores de serviços. • Em alguns casos, não existem auditorias à qualidade dos dados (ex. Colômbia). • Em alguns casos, não há divulgação da qualidade dos serviços (ex. Uruguai). As funções regulatórias A regulação da qualidade da água potável faz parte das suas funções? • A grande maioria dos reguladores controla, pelo menos parcialmente, a qualidade da água potável dos prestadores de serviços. • Em alguns casos, não existem auditorias de qualidade da água (ex. Paraguai). • Em alguns casos, não existe divulgação dos resultados da qualidade da água (ex. Uruguai). A regulação da interface do utilizador faz parte das suas funções? • A grande maioria dos reguladores supervisiona, pelo menos parcialmente, a relação do utilizador com os prestadores de serviços (ex. Costa Rica). • Em alguns casos, não há divulgação de reclamações de consumidores (ex. Uruguai). As funções regulatórias A regulação da extração de água dos recursos hídricos faz parte das suas funções? • A grande maioria dos reguladores não regula a extração de água com prestadores de serviços (ex. Equador faz). A regulamentação das descargas de efluentes nos recursos hídricos faz parte das suas funções? • Alguns reguladores regulam as descargas de efluentes dos prestadores de serviços (ex. Equador). • Não existe um paralelo aparente entre a regulamentação da extração de água e a regulamentação das descargas de efluentes. As funções regulatórias A regulação pró-pobre (para garantir o acesso universal) faz parte das suas funções? • A grande maioria dos reguladores faz, pelo menos parcialmente, uma regulamentação pró-pobre (ex. Paraguai). • A tarifa social é utilizada em metade dos casos (ex. Peru). A regulamentação da concorrência faz parte das suas funções? • A maioria dos reguladores não regula a concorrência no sector (ex. Equador faz). Obrigado! Jaime Baptista LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 7: A disseminação da regulação no mundo: experiências exitosas e padrões regulatórios (Parte 2) Jaime Baptista Lisbon International Centre for Water Portugal Universo de reguladores inquiridos Brazil l ADASA l ARES-PCJ Peru l CRA Colombia l ERAS (Buenos Aires) l EnReSS (Santa Fé) l ERSeP (Córdoba) l ERSEPT (Tucumán) Bolivia Chile l ENRESP (Salta) l DPA (Rio Negro) l EPRAC (Misiones) l OMRESP (Trelew) Paraguay Uruguai Jamaica l OUR Honduras Costa Rica l ASEP Panama Argentina l SISS l URSEA l ERSAAN l SUNASS Ecuador l EMAPAG l ARCA l ERSAPS l ARESEP l AAPS RegWAS LAC Programa para el mejoramiento de las políticas públicas y la regulación de los servicios de agua y saneamiento en América Latina y el Caribe Questão: Como se caracteriza a governança regulatória na América Latina? A governança regulatória A governança regulatória Quando foram criados os reguladores? • Verificou-se um grande crescimento dos reguladores nos últimos 30 anos na região. • A criação do regulador Ofwat em 1989 no Reino Unido impulsionou a criação de muitos outros reguladores. • Atualmente existem cerca de duzentos e cinquenta em todo o mundo. • Mais de uma centena são na região LAC. Qual as principais razões para a criação do regulador? • Melhorar a qualidade do serviço. • Melhorar a eficiência. • Proteger o interesse público. A governança regulatória Os reguladores são administração pública direta, indireta ou independente? • A grande maioria (2/3) dos reguladores são administração pública independente (ex. Peru). • Existe uma tendência para passar parte das funções do Estado para reguladores especializados. • Nos restantes casos, a administração pública indireta é mais utilizada do que os ministérios e a administração pública direta. A governança regulatória Que nível de independência tem o regulador? • A independência orgânica não se materializa em muitos casos (ex. Nicarágua). • A independência financeira não se materializa em muitos casos (ex. Equador). • A independência funcional não se materializa em muitos casos (ex. Honduras). A independência do regulador está explicitamente declarada na lei? • Está explicitamente indicado na lei em muitos casos (ex. Chile). Como é nomeado o órgão de governo do regulador? • 1/2 dos reguladores têm os seus órgãos sociais nomeados pelo Governo, nacional, regional, provincial e local (ex. Colômbia). • 1/4 dos reguladores têm os seus órgãos sociais nomeados pelo Presidente da República (ex. Bolívia). A governança regulatória O processo de nomeação está condicionado por um pronunciamento de um segundo órgão? • Em 2/3 dos casos, o processo de nomeação é condicionado por um pronunciamento prévio por um segundo órgão (ex. Panamá). • O segundo órgão é diversificado. Que poderes tem o regulador? • Quase todos os reguladores têm poderes de autoridade (ex. Peru). • A grande maioria tem poderes de resolução de conflitos (ex. Peru). • A maioria tem poderes de regulamentação (ex. Peru). • A maioria tem poderes sancionatórios (ex. Peru). A governança regulatória Pode o regulador tomar decisões juridicamente vinculativas? • Quase todos os reguladores têm o poder de tomar decisões juridicamente vinculativas. Qual a área geográfica abrangida pelo regulador? • Em 1/2 dos casos o regulador foi criado a nível nacional/federal (ex. Bolívia). • Em 1/4 dos casos o regulador foi criado a nível estadual/regional/provincial (Brasil e Argentina). • Em 1/5 dos casos, o regulador foi criado a nível municipal ou intermunicipal (ex. Brasil, Equador). A governança regulatória Qual a cobertura do mandato regulatório? • Em 2/5 dos casos o regulador é específico da água e do saneamento (ex. Honduras). • Em 3/5 dos casos, o regulador é multissectoral, incluindo não só a água e o saneamento, mas também outros serviços como a eletricidade, o gás, as telecomunicações, os transportes, etc. (ex. Uruguai). Que atividades são reguladas? • Em quase todos os casos, o regulador regula não só a água, mas também o saneamento (ex. Peru). • Em 1/2 dos casos também regula a energia (ex. Uruguai). • Em 1/4 dos casos regula também a águas pluviais, resíduos sólidos e gás (ex. Costa Rica). A governança regulatória Qual o âmbito de intervenção em áreas urbanas, periurbanas e rurais? • Em todos os casos, o regulador regula os serviços urbanos. • Em quase todos os casos, regula os serviços periurbanos (ex. Panamá). • Na maioria dos casos, regula os serviços rurais (ex. Paraguai). • Em 3/4 dos casos, regula pequenos operadores (ex. Chile). • Em 2/3 dos casos regula muito pequenos operadores (ex. Costa Rica). • Em 1/3 dos casos regula prestadores informais (ex. Equador). • Em apenas 1/4 dos casos regula sistemas individuais (ex. Colômbia). • Em apenas 1/2 dos casos, regula a reutilização de águas residuais e outros sub-produtos do tratamento (ex. Peru). A governança regulatória Qual o número de prestadores de serviços regulados? • Há uma enorme variação no número de prestadores de serviços regulados, desde um (Adasa, Brasil) até dezenas de milhares (Peru). Existe um sistema deavaliação do desempenho regulatório? • Apenas 1/4 dos casos têm um sistema de autoavaliação do desempenho regulatório (ex. Colômbia). • Apenas 1/3 dos casos têm um sistema de avaliação de desempenho regulatório por entidades externas independentes (ex. Costa Rica). • Apenas dois casos têm um sistema de avaliação do desempenho regulatório por parte dos prestadores de serviços (ex. Nicarágua). A governança regulatória Por quem é dirigido o regulador? • O Conselho Colegial é a solução mais frequente (ex. Peru). • O número de membros do Conselho é geralmente de 3 ou 5 (ex. Equador). • O número de mulheres no órgão de governo é uma minoria. Existem outros órgãos estatutários do regulador? • O órgão consultivo é pouco utilizado pelos reguladores (ex. existe na Argentina). • O órgão de controlo financeiro não é habitual. A governança regulatória Qual o número total de empregados e pessoas contratadas? • Há uma grande diversidade no número de colaboradores que se dedicam aos serviços de água e saneamento . • O número total de trabalhadores (excluindo o órgão de governo) é, em média, de 102. • O número total de outsourcing (pessoas contratadas) que apoiam o trabalho regulatório (número total de pessoas por mês) é, em média, de 38. Qual o número de mulheres? • Há 45% de mulheres nas equipas dos reguladores. • Há apenas 39% de mulheres em cargos de gestão intermédia. • Há muito poucas (15%) mulheres nos órgãos sociais. A governança regulatória Como são definidos os salários dos empregados? • Os salários dos trabalhadores do regulador são como na administração pública geral na maioria dos casos (ex. Colômbia). • Num terço dos casos, o nível salarial é uma decisão da entidade reguladora e, em geral, são mais elevados em comparação com a administração pública (ex. Costa Rica). Como é financiado o regulador? • O regulador é financiado por taxas a prestadores de serviços ou utilizadores em dois terços dos casos (ex. Colômbia). • O regulador é financiado a partir do orçamento do Estado em um terço dos casos (ex. Equador). • As rúbricas de pessoal e despesas correntes são as mais relevantes. A governança regulatória Existe um sistema de avaliação para recolher cada tipo de informação? • Em geral, existe um sistema de avaliação bem especificado para recolher cada tipo de informação. • Os reguladores geralmente recolhem quase todos os tipos de informação sobre os prestadores de serviços • A informação sobre contratos de prestação de serviços é a menos recolhida. Qual é a taxa de resposta à prestação de informação pelos prestadores de serviços? • A taxa de resposta à informação por parte dos prestadores de serviços é geralmente elevada, mas raramente atinge os 100%. A governança regulatória Esta informação está sujeita a um processo de validação? • O processo de validação de informação é geralmente muito frágil. • Só em 50% dos casos é feito no gabinete (ex. Chile). • Apenas 20% dos casos são realizados auditorias locais (ex. Jamaica). • Só num dos casos é feita auditoria em gabinete e local (ex. Peru). Como é que os prestadores de serviços enviam informações ao regulador? • Menos de metade dos reguladores têm um sistema de informação (ex. Colômbia). • O envio da informação ao regulador pelos prestadores de serviços é maioritariamente por e-mail para papel (ex. Panamá). A governança regulatória Como é que a informação é divulgada pelo regulador? • Metade dos reguladores transformam a informação num relatório anual disponível publicamente (ex. Honduras). • Dois terços dos reguladores disponibilizam informação mediante pedido (ex. Panamá). • Em alguns casos não está disponível (ex. Equador). Qual é a duração média do processo de recolha, validação, processamento e divulgação de informação por parte do regulador? • A duração média do processo varia de 1 a 15 meses. • O mais comum é entre 6 e 12 meses. Obrigado! Jaime Baptista LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 7: A disseminação da regulação no mundo: experiências exitosas e padrões regulatórios (Parte 3) Jaime Baptista Lisbon International Centre for Water Portugal Questões: Como é realizada a regulação em Portugal? Que modelo regulatório utiliza? Qual foi a evolução da regulação em Portugal? A regulação em Portugal A regulação em Portugal Agências reguladoras portuguesas: • Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos ERSAR • Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores ERSARA Missão e mandato regulatório da ERSAR: • Tem por missão a regulação e a supervisão dos setores dos serviços de abastecimento público de água, de saneamento de águas residuais urbanas e de gestão de resíduos urbanos. • Inclui a qualidade da água para consumo humano. Estatuto: • É uma entidade administrativa independente com funções de regulação e de supervisão. • É dotada de autonomia de gestão, administrativa e financeira e de património próprio. • Não está sujeita a superintendência ou tutela governamental. A regulação em Portugal Jurisdição: • Território nacional, exceto as regiões autónomas (Açores e Madeira). Poderes regulatórios: • Regulamentares, de autoridade, de resolução de conflitos e sancionatórios. Atribuições regulatórias: Independência: Regulador não independente (direçãogeral ou institutopúblico nãoespecializado) Regulador parcialmente dependente (institutopúblico) 2000 Regulador parcialmentedependente compoderes reforçados (institutopúblico) 2009 2014 Regulador independente (entidadeadministrativa independente) Operadores emalta (multimunicipais) • Regulação comportamental de todos cerca de 300 entidades gestoras, sejam estatais, municipais ou privadas, com serviço em alta e em baixa. • Regulação estrutural do setor no seu conjunto. Operadores embaixa (municipais) A regulação em Portugal Órgão diretivo • Colegiado com 3 membros (um presidente e outros 2 membros). • Equilíbrio de género (presidência alternada prevista por lei). • Garantias de credibilidade e imparcialidade dos titulares do órgão. Órgão de controlo financeiro • Conselho Fiscal interno + Tribunal de Contas, Inspeções, etc. Conselho consultivo • Órgão independente, com representação de todo o sector: • Autoridades ambiental, de recurso hídricos, de saúde pública, de proteção dos consumidores e de concorrência (nível nacional e regional). • Operadores estatais, municipais e privados. • Associações de utilizadores a nível nacional. • Associações representativas de atividades económicas. • Associações técnico-profissionais com ênfase no sector. • Organizações não governamentais ambientais. A regulação em Portugal Recursos humanos: • 80 empregados (90% licenciados) para 10 milhões de habitantes. • 40 colaboradores sazonais em subcontratação utilizados para necessidades específicas (ex. auditorias) e atividades de apoio (hardware, segurança, etc.). • Formação de base: regulação, engenharia, ambiente, microbiologia, saúde público, gestão, economia e finanças, jurídico e concorrência, social. • Elevada capacidade técnica (formação nacional e internacional). • Salários atrativos superiores à administração pública geral. • Equilíbrio de género: 68% de mulheres no staff; 70% em postos de nível intermédio e 33% no órgão diretivo. • Recursos humanos com deveres de imparcialidade e exclusividade. A regulação em Portugal Recursos físicos: • Instalações próprias centralizadas em Lisboa. Recursos tecnológicos: • Sistema de informação (Portal ERSAR) como instrumento essencial à eficiência e articulação da organização interna da agência reguladora. Recursos financeiros: • Cerca de 8 milhões de euros/ano, provenientes das taxas de regulação e (sem expressão) de coimas. • Taxas de regulação anuais aplicadas com os seguintes critérios: • A€por cada 1000 habitantes residentes(componente fixa); • B€por cada 1000 m3 de água fornecida (componente variável, com uma parte afeta à qualidade da água para consumo); • C€por cada 1000 m3 de águas residuais recolhidas. • Taxas aplicadas a volumes/pesos e não a receitas. • Impacte «1% da tarifa média ou «1€hab/ano. O modelo regulatório em Portugal A regulação em Portugal Empresas multimunicipais (estado central) Parcerias entre municípios e o Estado Empresas municipais ou intermunicipais Empresas municipais concessionárias Câmaras municipais Serviços municipais ou intermunicipais Micro operadores Contribuir para regras, organização, informação e capacitação do setor Regulação estrutural Incentivos à regionalização Melhoria dos contratos Incentivos à empresarialização e à regionalização Incentivo à integração nos municípios Fiscalizar cumprimento da lei e contratos Fiscalizar cumprimento da lei e contratos Fiscalizar cumprimento da lei Regulação legal e contratual Fixar tarifas e supervisionar Regular mas não fixar tarifas Regular por contratoRegular mas não fixar tarifas Regulação económica Regular, supervisionar, comparar e premiar casos de referência (regulamento de qualidade de serviço, sistema de avaliação, benchmarking anual, etc.) Regulação da qualidade de serviço Regular, supervisionar, comparar, premiar casos de referência e sancionar (regulamento de qualidade da água, plano de controlo de qualidade da água, benchmarking anual, planos de segurança da água, etc.) Regulação da qualidade da água Regular, supervisionar, comparar, premiar casos de referência, conciliar conflitos e sancionar (regulamento de relações comerciais, sistema de gestão de reclamações, etc.) Regulação da interface com utilizador Responsabilidade dos municípios (atenção do regulador à qualidade da água) A evolução da regulação em Portugal A evolução da regulação em Portugal Como foi a evolução da agência reguladora ao longo do tempo? A reforma do setor e a criação da agência reguladora portuguesa: • A reforma do setor em 1993 em Portugal previu a criação de um mecanismo regulatório para os serviços de água e saneamento. • Era considerado um componente importante da política pública. • Seguiu-se uma longa marcha, com sucessos e insucessos. A experiência inicial de (insuficiente) sucesso: • Em 1995 começou por ser criada a Comissão de Acompanhamento das Concessões, que teve uma atividade intensa mas limitada. • Tinha apenas poderes delegados do concedente Estado relativamente ao acompanhamento e à fiscalização das (então recentemente criadas) concessionárias estatais. • Elaborava pareceres sobre os planos de investimento e as propostas de tarifários. A evolução da regulação em Portugal A experiência (falhada) de um observatório: • Foi então decidida a criação do Observatório Nacional dos Sistemas Multimunicipais e Municipais, alargando o seu âmbito às concessionárias municipais. • Foram atribuídas competências para apreciar processos de concurso e minutas dos contratos, recolher informação sobre a qualidade do serviço e qualidade da água e divulgá-las, bem como emitir recomendações. • A opção de criar um observatório, e não uma agência reguladora, resultou da oposição dos municípios à interferência do Estado central. • Era uma opção mitigada, pois apenas observava e dava pareceres pontuais, sem verdadeira capacidade de intervenção. • Porém, esse observatório nunca chegou a ser instalado, tendo sido extinto três anos depois. A evolução da regulação em Portugal A experiência (positiva) de instituto público: • Em 1997 foi criado o Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR) com as atribuições de agência reguladora desses serviços. • Era um instituto público dotado de autonomia administrativa e financeira mas sujeito à tutela do ministro do Ambiente, distinto, portanto, de agência reguladora independente. • Os seus poderes eram limitados e atuava mais como magistério de influência através de uma interação construtiva com os regulados. • Só abrangia inicialmente as concessões estatais e municipais: • Concessões estatais (multimunicipais): emitia parecer sobre o processo de constituição e sobre as tarifas propostas pelas concessionárias; • Concessões municipais: emitia parecer sobre o processo de concurso mas não intervinha na fixação da tarifa, estando esta regulada pelo contrato, assim como as suas atualizações anuais. A evolução da regulação em Portugal A introdução (positiva) da qualidade da água para consumo: • A partir de 2003 passou a acumular a responsabilidade de autoridade competente para a qualidade da água para consumo humano. • Esta competência abrangeu um vasto conjunto de funções: • Aprovação dos programas de controlo da qualidade da água apresentados anualmente pelas entidades gestoras; • Apreciação, validação e supervisão dos métodos utilizados e dos laboratórios de análises que prestam serviço às entidades gestoras; • Acompanhamento, fiscalização e sancionamento; • Elaboração de relatórios anuais. • A opção de integrar a qualidade da água no instituto regulador foi feita depois de um intenso debate sobre seguir o modelo inglês (regulador económico, regulador da qualidade da água e regulador ambiental) ou ter um modelo mais simples, apenas com um regulador económico (mais abrangente) e um regulador ambiental. A evolução da regulação em Portugal O reforço dos poderes do regulador e universalização da regulação: • Os regimes jurídicos dos serviços municipais e multimunicipais de 2009 vieram consagrar e densificar os poderes do regulador. • O regime jurídico da regulação foi reforçado, aprovando a orgânica da ERSAR, mas manteve-se como instituto público. • O âmbito da regulação foi alargado a todas as entidades gestoras. • A regulação económica passou a abranger não apenas os serviços de titularidade estatal mas também os serviços municipais: • Com contrato (concessões, delegações e parcerias): mecanismo de supervisão das tarifas face às previstas no contrato; • Sem contrato (serviços municipais e municipalizados): mecanismo de verificação do cumprimento da recomendação tarifária. • Os serviços de titularidade estatal e municipal em gestão direta passaram também a ser objeto de regulação da qualidade do serviço. A evolução da regulação em Portugal A passagem a entidade independente: • Em 2011, após a crise económica mundial, o Governo assumiu o objetivo de transformar as entidades com funções reguladoras relevantes em entidades independentes. • Em 2013 foi aprovada uma lei-quadro para as entidades administrativas independentes com funções de regulação dos setores privado e público, uniformizando a sua atuação. • Em 2014 foram aprovados pela Assembleia da República os estatutos da ERSAR enquanto entidade administrativa independente. • Alterou o estatuto dos membros do conselho de administração quanto ao processo de designação, período dos mandatos, garantias de inamovibilidade e regras de cessação dos mandatos. • Foram reforçados os poderes de autoridade, sancionatórios e regulamentares, para potenciar a sua capacidade de atuação. A evolução da regulação em Portugal Em Portugal: • A criação de uma entidade reguladora para os serviços de águas em Portugal resultou da nova política pública (1993). • No entanto, foram necessários mais de seis anos para o início do seu funcionamento (1999). • Considerando o período inicial de alguma fragilidade, foi necessária cerca de uma década (1993-2003) para ter funcionamento efetivo. • Foi necessária cerca de mais uma década (2003-2014) de atividade, com poderes mitigados, para se tornar independente. • Apenas nessa altura reforçou os poderes de regulação, ao nível dos instrumentos jurídicos típicos (fixação de tarifas e instruções vinculativas, etc.), bem como das competências regulamentares, sancionatórias, de resolução de litígios e divulgação de informação. • Foi nesse período possível conceber, desenvolver e implementar gradualmenteum modelo regulatório integrado. A evolução da regulação em Portugal • Foi um longo mas consistente e frutuoso período de implementação de uma cultura regulatória, beneficiando de estabilidade na política pública do setor e na entidade reguladora. • A posterior mudança de orientação regulatória, para um modelo menos colaborativo e pedagógico e mais confrontacional, trouxe um retrocesso à regulação e ao sector, que acabou por se materializar na perda de poderes regulatórios regulamentares e tarifários. Obrigado! Jaime Baptista LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo MÓDULO 7: A disseminação da regulação no mundo: experiências exitosas e padrões regulatórios (Parte 4) Jaime Baptista Lisbon International Centre for Water Portugal Questões: Como é realizada a regulação nos países de língua portuguesa? Quais as semelhanças e as diferenças entre eles? A regulação nos países de língua portuguesa A regulação nos países de língua portuguesa A evolução da regulação no espaço lusófono: • Lusofonia é a comunidade formada pelos povos e nações que compartilham a língua portuguesa. • 8 países, num total de 275 milhões de pessoas. • Distribuem-se por 4 continentes. • Têm historicamente uma cultura comum, também na organização administrativa do Estado. • Partindo dessa base comum, têm evoluído a diferentes ritmos e com diferentes modelos de regulação nos serviços de água e saneamento. A regulação nos países de língua portuguesa Modelos institucionais de regulação possíveis: • O Estado (central, regional ou local) assume diretamente essa responsabilidade, e exerce-a essencialmente através da legislação. • O Estado dispõe de uma entidade especializada dependente, geralmente uma direção geral (administração direta do Estado), geralmente dependente de uma secretaria de estado ou de um ministério, para exercer essa função. • O Estado cria uma entidade especializada parcialmente dependente (administração indireta do Estado), por exemplo um instituto público ou uma autarquia, dotado de personalidade jurídica. • O Estado cria uma entidade especializada independente, dotada de personalidade jurídica e independência. Estado(central, regional oulocal) Administração públicadireta (exemplo: direção geral) Administração públicaindireta (exemplo: instituto público) Entidade administrativa independenteIn de pe nd ên ci a re gu la tó ria cr es ce nt e A regulação nos países de língua portuguesa O caso de Portugal (10 milhões de habitantes): • Portugal criou um regulador atualmente designado ERSAR, Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, criado em 1997 e que iniciou funções em 1999, resultante da reforma do setor. • Tem âmbito nacional continental, abrangendo 95% da população, mas excluindo as Regiões Autónomas, que têm entidades próprias: A regulação nos países de língua portuguesa • Açores: ERSARA, Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores. • Madeira: Secretaria Regional de Ambiente a Alterações Climáticas. • A ERSAR evoluiu para uma entidade reguladora independente. • Anteriormente a regulação tinha sido realizada por uma direção geral e depois por um instituto público. • O regulador é sectorial, abrangendo os serviços de abastecimento de água e de saneamento, e ainda os resíduos urbanos. A regulação nos países de língua portuguesa O caso do Brasil (213 milhões de habitantes): • O Brasil tem numerosos (86) reguladores de serviços, criados a partir do ano 1997, dez anos antes de a Lei 11.445/2007 definir pela primeira vez a necessidade da regulação. • Regulam serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem pluvial. A regulação nos países de língua portuguesa • Têm âmbito estadual ou municipal/intermunicipal. • São entidades de natureza autárquica dotadas de independência decisória e autonomia administrativa, orçamentária e financeira. • Em geral são reguladores multissectoriais. • Face à diversidade de situações, foi atribuído recentemente à ANA - Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico o papel de supervisão regulatória de todos eles. A regulação nos países de língua portuguesa O caso de Angola (33 milhões de habitantes): • IRSEA – Instituto Regulador dos Serviços de Electricidade e de Água, que integrou os serviços de água e saneamento em 2016. • Tem âmbito nacional. • É um instituto público. • É um regulador multissectorial, de energia, água e saneamento. A regulação nos países de língua portuguesa O caso de Moçambique (31 milhões de habitantes): • AURA - Autoridade Reguladora de Água (anteriormente CRA- Conselho de Regulação do Abastecimento de Água, criado em 2000). • Tem âmbito nacional. • É um instituto público. • É um regulador sectorial, apenas de água e saneamento. A regulação nos países de língua portuguesa O caso da Guiné Bissau (2 milhões de habitantes): • DGRH - Direcção Geral dos Recursos Hídricos • Tem âmbito nacional. • É uma direção geral. • É um regulador de recursos hídricos. A regulação nos países de língua portuguesa O caso de Timor Leste (1,3 milhões de habitantes): • Direcção-Geral de Água e Saneamento (DGAS) • Tem âmbito nacional. • É uma direção geral. • É um regulador sectorial, apenas de água e saneamento. A regulação nos países de língua portuguesa O caso de Cabo Verde (560 mil habitantes): • Tem um regulador económico e outro técnico. • AARME - Agência Reguladora Multissetorial da Economia, é um regulador económico, criada em 2018. • Tem âmbito nacional. • É uma autoridade administrativa e independente. • É um regulador multissectorial. A regulação nos países de língua portuguesa • AANAS - Agência Nacional de Água e Saneamento, é um regulador técnico. • Tem âmbito nacional. • É um instituto público. • É um regulador sectorial, apenas de água e saneamento. Mas é simultaneamente regulador dos recursos hídricos. A regulação nos países de língua portuguesa O caso de São Tomé e Príncipe (220 mil habitantes): • Agência Geral de Regulação (AGER) criada em 2005. • Tem âmbito nacional. • É um instituto público. • É um regulador multisectorial. Quais as semelhanças e as diferenças entre eles? A regulação nos países de língua portuguesa Como se comparam os países lusófonos relativamente ao âmbito geográfico da entidade reguladora? • A maioria dos países têm uma intervenção regulatória de âmbito nacional. • Portugal tem uma intervenção regulatória de âmbito nacional, com exceção das duas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. • O Brasil tem uma intervenção regulatória que pode ser de âmbito estatual ou municipal/intermunicipal, tendo criado agora uma entidade de supervisão regulatória nacional. De âmbito nacional De âmbito localDe âmbito regional A regulação nos países de língua portuguesa Como se comparam os países lusófonos relativamente à tipologia institucional? • Em Timor e na Guiné Bissau a regulação é responsabilidade de direções gerais. • Em São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique a regulação é uma responsabilidade de institutos públicos. No Brasil a regulação é uma responsabilidade de autarquias. • Em Cabo Verde a regulação é uma responsabilidade partilhada entre um instituto público e uma entidade administrativa independente. • Em Portugal continental a regulação é uma responsabilidade de uma entidade administrativa independente. Direção Geral Entidade IndependenteInstituto Público A regulação nos países de língua portuguesa Como se comparam os países lusófonos relativamente à regulação sectorial ou multissectorial? • Em Timor, na Guiné Bissau e em Moçambique a regulação é sectorial, de água e saneamento. • Em Portugal a regulação é sectorial, de água e saneamento, mas incluindo os resíduosurbanos. • Em Angola a regulação é multissectorial, de água e saneamento e também de energia. • Em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil a regulação é multissectorial. Sectorial Multisectorial A regulação nos países de língua portuguesa No universo lusófono: • A evolução tem vindo a acontecer a diferentes ritmos e com diferentes modelos de regulação. • Essa evolução diferenciada é natural, face a diferentes estádios de desenvolvimento, contextos políticos e a caraterísticas territoriais. Regulação no Mundo: Portugal Jaime Melo Baptista • Engenheiro civil especializado em engenharia sanitária. • Presidente do Lisbon International Centre for Water (LIS-Water), Portugal. • Investigador-Coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). • Presidente do Conselho Estratégico da Parceria Portuguesa para a Água (PPA). • Vogal do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS). • Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) entre 2003 e 2015. • Comissário de Portugal ao 8.º Fórum Mundial da Água (WWF) entre 2017 e 2018. • Vogal do conselho de administração e do conselho estratégico da International Water Association (IWA) entre 2012 e 2016, e seu Distinguished Fellow desde 2022. • Diretor do Departamento de Hidráulica do LNEC entre 1990 e 2000. • Chefe do Núcleo de Hidráulica Sanitária do LNEC entre 1980 e 1989. Obrigado! Jaime Baptista LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal jaime.baptista@lis-water.org CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:jaime.baptista@lis-water.org ARegulação no Brasil e no Mundo O modelo de regulação independente: tecnicidade, estabilidade e segurança jurídica Rui CunhaMarques Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) rui.marques@tecnico.ulisboa.pt www.ruicunhamarques.com mailto:rui.marques@tecnico.ulisboa.pt http://www.ruicunhamarques.com/ O modelo de regulação independente: tecnicidade, estabilidade e segurança jurídica Ponto 1: O que devemos saber sobre segurança jurídica na regulação do saneamento? Ponto 2: A regulação independente é boa para o regime democrático? Ponto 3: A regulação independente é boa para um mercado equilibrado e pautado em bons serviços e preços adequados? Ponto 4: A regulação independente pode ser aprimorada? RuiCunha Marques Ponto 1: O que devemos saber sobre segurança jurídica na regulação do saneamento? Importância da segurança jurídica para a atração de investimento A criação de um ambiente favorável e atrativo ao investimento no setor do saneamento privado dependerá… De possuir a certeza que os pagamentos e o retorno financeiro serão assegurados Se as decisões forem tomadas numa perspetiva técnica (e não política) com uma visão sustentável e de longo prazo De o risco de não pagamento ou de mudança das regras do jogo ser mínimo RuiCunha Marques Importância da segurança jurídica para a atração de investimento Por outro lado, uma reduzida segurança jurídica, para o setor privado, não só condiciona a atratividade do setor com a presença de menos players como também aumenta consideravelmente o custo de capital. No limite, pode levar a que não hajam prestadores privados interessados em investir na prestação dos serviços de saneamento. O aumento da segurança jurídica e da redução do risco da atividade se traduz num custo de capital muito mais reduzido, independentemente de os prestadores serem públicos ou privados; No caso dos prestadores públicos o custo de financiamento (e.g. capital de terceiros) torna-se mais elevado, podendo, no limite, não se conseguirem mesmo financiarem, pelo menos, nos mercados comerciais; RuiCunha Marques Importância da segurança jurídica para a atração de investimento Note-se que o setor do saneamento apresenta, por natureza, risco muito elevado, dado que exige grandes investimentos a realizar nos primeiros anos do projeto, com grandes períodos de retorno do investimento (paybacks). Além disso, os investimentos em infraestruturas de saneamento são sempre irrecuperáveis/afundados (sunk assets); Quando se compara o setor do saneamento com o de outras infraestruturas (e.g. energia) a relação CAPEX/OPEX é muito mais determinante e, portanto, envolve muito mais risco. O setor do saneamento exige maior investimentos (e.g. transporte) e necessita de mais tempo para poder recuperar os investimentos efetuados (e.g. o perfil de receitas) do que o de outras infraestruturas; Por conseguinte, dotar o setor do saneamento de segurança jurídica é fundamental para atrair investimento para o setor, sendo que a falta deste tem sido apontado como a principal razão para o atraso da realização dos investimentos no setor de saneamento brasileiro e, consequentemente, de alcançar a sua universalização. RuiCunha Marques Importância da segurança jurídica para a atração do setor privado A melhoria da segurança jurídica e a criação de um ambiente favorável e atrativo ao setor privado foi um dos principais objetivos da reforma e publicação da nova Lei de Saneamento (Lei n.º 14.026) no Brasil através de… Incentivos à criação de prestadores regionais mais sustentáveis, procurando tornar mais atrativo o setor para a participação do setor privado. Promoção de uma regulação por contrato de forma a aumentar a estabilidade regulatória e reduzir o risco regulatório. Melhoria da regulação para dar maior segurança jurídica e reduzir o risco para o setor privado e para quem financia o setor. RuiCunha Marques Governança regulatória e segurança jurídica Em particular, quando os prestadores têm natureza privada ou tem que se financiar comercialmente, a boa governança regulatória é fundamental para assegurar segurança jurídica. As agências reguladoras devem verificar o cumprimento de obrigações legais, contratuais ou técnicas por parte dos prestadores de serviços e, também, impor-lhes sanções e medidas corretivas pelo descumprimento de obrigações decorrentes de regulamentos legais ou técnicos, bem como das obrigações dos prestadores de serviços dispostas em seus respectivos contratos de concessão. O complemento da regulação discricionária é importante porque os contratos são incompletos e imperfeitos, e porque a realidade e a qualidade do serviço, ou os interesses dos stakeholders, mudam ao longo do tempo. O novo marco regulatório do saneamento básico, introduzido por meio da Lei nº 14.026/2020, prevê a obrigatoriedade de os contratos preverem metas de desempenho e de universalização dos serviços. RuiCunha Marques Contratualização e segurança jurídica 9 A existência de contratos (regulação por contrato) é importante porque aumenta a segurança jurídica, dado que neles são estabelecidas obrigações e direitos das partes que têm de ser respeitados, reduzindo, desta forma, a discricionariedade da regulação por agência e, por conseguinte, o risco regulatório. De acordo com o novo marco regulatório (Lei nº 14.026/2020), a não ser em situações de gestão direta, é necessário que se estabeleçam contratos de concessão/PPPs para a prestação dos serviços de saneamento básico. • As melhores práticas apontam para uma solução híbrida de regulação por agência com regulação por contrato, que pode permitir um melhor equilíbrio entre o regulador e o contrato; • Esta solução híbrida, se adequadamente implementada, permite superar os problemas do contrato que nunca é completo e perfeito e a importância do risco regulatório, simultaneamente; • Desta forma, é importante que se fomente tornar a regulação por agência compatível com a regulação por contrato (através da definição clara de regras). RuiCunha Marques Reforço da regulação para melhorar a segurança jurídica A Lei nº 14.026/2020, atualizou o marco legal do saneamento básico, e alargou o papel e competências da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Esta Lei resultou num reforço da regulação do saneamento básico no Brasil!Promover a uniformização das regras permitindo, dessa forma, aumentar a homogeneidade e melhorar a qualidade da regulação e, sobretudo, fomentar a segurança jurídica. Foi atribuído à ANA o papel de 'regulador federal' e simultaneamente de autoridade responsável pela emissão de ‘normas de referência' para as agências reguladoras infranacionais. RuiCunha Marques Se as agências reguladoras infranacionais não adotarem os padrões de referência da ANA, os prestadores de serviços não são elegíveis para subsídios e/ou empréstimos do Governo Federal. Reforço da regulação para melhorar a segurança jurídica RuiCunha Marques A ANA adquiriu o papel de criação de normas de referência que influenciarão o papel regulatório das agências reguladoras infranacionais. Estas normas deverão, entre outros objetivos: Promover a prestação adequada dos serviços, com atendimento pleno aos usuários; Estimular a cooperação entre os entes federativos com vistas à prestação, à contratação e à regulação dos serviços de forma adequada e eficiente, a fim de buscar a universalização dos serviços e a modicidade tarifária; Possibilitar a adoção de métodos, técnicas e processos adequados às peculiaridades locais e regionais; Estabelecer parâmetros e periodicidade mínimos para medição do cumprimento das metas de cobertura dos serviços e do atendimento aos indicadores de qualidade e aos padrões de potabilidade, observadas as peculiaridades contratuais e regionais; Estabelecer critérios limitadores da sobreposição de custos administrativos ou gerenciais a serem pagos pelo usuário final, independentemente da configuração de subcontratações ou de subdelegações. Regionalização e segurança jurídica • Obtenção de ganhos de eficiência relacionados com a existência de economias de escala, gerando redução de custos; • Utilização de subsídios cruzados e, portanto, maior sustentabilidade financeira e social dos serviços; • Melhorar a sua capacidade administrativa e técnica (capacitação e pessoal qualificado); • Maior capacidade financeira dos sistemas agregados e consequentemente maior facilidade de acesso ao financiamento externo; • Fortalecer a tomada de decisões estratégicas e fomentar maior poder político e social; • Melhoria da governança corporativa. RuiCunha Marques A Lei de Saneamento fornece diretrizes para uma melhor e racional estrutura de mercado, promovendo e facilitando soluções regionais que melhoram a governança, aumentam as economias de escala e aproveitam o subsídio cruzado. Ponto 2: A regulação independente é boa para o regime democrático? Regulação governamental direta RuiCunha Marques A principal característica dos sistemas regulatórios baseados na regulação governamental direta (regulação implícita) é a opacidade, que resulta do fato de o estabelecimento das políticas e das regras, a propriedade e a gestão, e a regulação de um determinado setor (que também inclui a sua auto-punição pelas infrações cometidas) estarem confinados ao mesmo protagonista. Como consequência, a regulação e, logo, os preços finais e a qualidade de serviço são politizados. Neste cenário, a regulação é desenvolvida com base em princípios não comerciais e até anticoncorrenciais, distorcendo as regras de mercado, denotando apenas alguma preocupação com os resultados financeiros e com a subsidiação de grupos específicos de usuários. Criação de agência reguladora: Vantagens Os argumentos que têm servido de base aos defensores da regulação explícita (por agência reguladora com maior ou menor independência), nos países onde a gestão pública é maioritária ou absoluta, prendem-se com os seguintes aspectos: Despolitização da atividade regulatória e aumento da segurança jurídica; Aumento da transparência, autonomia, prestação de contas e boa governança das atividades desenvolvidas; Incremento da eficiência e da produtividade dos serviços de saneamento; Estímulo da competitividade entre os prestadores regulados e no respetivo setor; Proteção dos interesses dos usuários quanto às obrigações de serviço público; Preparação, a prazo, da privatização, ou da entrada de capital, ou da gestão privada. RuiCunha Marques Criação de agência reguladora: Desvantagens Em contraposição, alega-se o custo elevado da regulação, a dificuldade de independência efetiva dos reguladores, a captura dos reguladores, a falta de legitimidade e inconstitucionalidade destes organismos, a discricionariedade dos métodos regulatórios (e risco regulatório ainda que esta persista quando a regulação é implícita) e, finalmente, a perda de atribuições e de «soberania» da administração pública tradicional em setores considerados estratégicos e de interesse local/nacional. RuiCunha Marques Agências reguladoras independentes RuiCunha Marques A desintervenção do Estado em relação à atividade econômica e a separação do Estado produtor de bens e prestador de serviços do Estado regulador não significa uma diminuição da atividade regulatória. Muito pelo contrário, a atividade regulatória torna-se mais exigente e mais abrangente. Para além da sua expansão, o quadro regulatório deve ser independente da esfera política, de forma a ser estável e neutra face aos interesses envolvidos. Esta necessidade de desgovernamentalização da atividade regulatória é também um reflexo do fato de a natureza desta atividade ser essencialmente técnica e apolítica. Agências reguladoras independentes As agências reguladoras independentes surgem assim, naturalmente, como os agentes da regulação independente e da substituição do Estado neste papel. Estas entidades, embora sejam pessoas coletivas de direito público de base institucional (entidades administrativas e verdadeiros institutos públicos), evidenciam dois traços distintivos relativos às entidades públicas tradicionais, nomeadamente, a sua independência orgânica e a sua independência funcional. RuiCunha Marques Independência orgânica e funcional A independência orgânica é- lhe conferida pela competência técnica e inamovibilidade dos seus membros, ou seja, estes são designados por um período fixo e longo, sendo impossível a sua destituição, exceto nos casos especiais previstos na lei. A independência funcional significa que a agência reguladora está apenas sujeita à lei e ao controlo dos tribunais, não estando submetida a uma tutela de mérito nem à superintendência(instruções) governamental. RuiCunha Marques Independência e legitimidade regulatória A controvérsia da regulação independente está nos poderes que as agências reguladoras, que são entidades não eleitas, possuem. Os seus poderes normativos, executivos e sancionatórios não ocorrem em nenhuma outra entidade administrativa Problema: Se não existe legitimidade democrática como justificar a atribuição destes poderes? Solução: Princípios de boa governança A regulação independente não significa desresponsabilização, muito pelo contrário, sendo a legitimidade democrática substituída pela democracia ‘procedimental’ RuiCunha Marques Independência e legitimidade regulatória RuiCunha Marques Ø Nos EUA muitos dos reguladores são eleitos democraticamente, precisamente para lhe conferir essa legitimidade; Ø Nalguns países, como em Portugal, houve necessidade de alterar a Constituição da República para poder prever a existência de entidades administrativas independentes; Ø Em países, como o Brasil, a regulação independente tal como nos EUA, Austrália ou em vários países da Europa não é constitucionalmente possível; Ø Veja-se que no caso do setor do saneamento no Brasil ao atribuir a função regulatória à entidade titular (ainda que delegável), que é ainda responsável pela prestação, está-se a impedir o modelo de regulação independente; Ø O princípio chave é óbvio: não se pode ser árbitro e jogador ao mesmo tempo. Independência e legitimidade regulatória RuiCunha Marques Ø Princípios de boa governança regulatóriaque permitem a ‘procedimentalização’ (democracia procedimental) da regulação, com uma adequada responsabilização (prestação de contas) e com uma elevada transparência, participação e engajamento dos stakeholders na atividade regulatória, mitigam a falta de independência (‘constitucional); Ø Regras de competência técnica dos diretores, bons princípios de governança corporativa e procedimentos de separação da atividade política da atividade técnica contribuem para a independência e qualidade regulatória; Ø Por essas razões, no Brasil, foi publicada a Lei das Agências (Lei nº 13.848, de 25 de junho de 2019) que dispõe sobre a gestão, organização, processo decisório e controle social das agências reguladoras e cria um regime uniforme para todas as agências reguladoras federais; Ø A ANA irá elaborar também uma Norma de Referência sobre governança regulatória para as agências reguladoras infranacionais, procurando seguir os princípios referidos. Ponto 3: A regulação independente é boa para um mercado equilibrado e pautado em bons serviços e preços adequados? Regulação independente A regulação independente deve, sobretudo, ser implementada em setores nos quais o Estado detenha um papel essencial. RuiCunha Marques Ø Nestes destacam-se, em relação aos setores de infraestruturas, aqueles caracterizados por estruturas de rede e em monopólio natural (como nos serviços de saneamento), aqueles onde existem obrigações de serviços público (como nos serviços de saneamento) e, por fim, aqueles onde ocorre concorrência e o Estado/município participa como player (como nos serviços de saneamento). Regulação independente Agência reguladora RuiCunha Marques Na regulação destes setores a agência reguladora, apenas dotada de independência, consegue ser o centro de gravidade das relações tripartidas entre o Governo que define as políticas e as grandes linhas de orientação, os prestadores que fornecem os bens ou serviços e os usuários usufrutuários do mesmo. Governo UsuáriosPrestador regulado Vantagens da regulação independente Os benefícios da independência da regulação são diversos... Existem recomendações das mais diversas instituições para a criação de agências reguladoras independente. Mais, para os países de baixa e média renda, as instituições multilaterais (e.g. Banco Mundial, Banco Europeu de Investimento e Banco Asiático, Africano e Interamericano de Desenvolvimento) fazem depender, muitas vezes, os seus financiamentos da criação de ARI. RuiCunha Marques Vantagens da regulação independente O primeiro grande benefício da regulação independente consiste na separação da política e da economia, ainda que os Governos não participem ativamente na esfera econômica. A tomada de decisões sem o envolvimento direto do Governo, não estando subjugada aos seus interesses (políticos e econômicos) é fundamental para o sucesso da regulação, garantindo ainda a ausência de responsabilidade política sobre os seus atos. Esta separação deve ser reforçada quando existe um Estado/município que opera nos diferentes mercados, fornecendo bens e serviços. Neste caso não é admissível que se misturem as funções estaduais de Estado empresário e as de Estado regulador. A regulação deve ser o mais profissional, imparcial, apolítica e técnica possível. RuiCunha Marques Vantagens da regulação independente Outro benefício da regulação independente é a maior agilidade, desburocratização e flexibilização dos processos regulatórios. As agências reguladoras independentes, por não pertencerem à administração do Estado tradicional, estão isentas de determinados pressupostos funcionais, além de disporem de um conjunto vasto de poderes e ferramentas de atuação, jamais visto em qualquer outro ente administrativo, que lhes permitem atuar com uma maior eficácia. Associado a este, está o fato de a regulação independente permitir também uma maior especialização da agência reguladora e uma maior facilidade no recurso a consultores e a especialistas independentes, dado que usufrui de autonomia financeira e orçamentária. Em virtude de não terem natureza política e de não fazerem parte da administração costumada, as agências reguladoras podem contratar os melhores profissionais e rodearem-se dos consultores mais competentes, e dos especialistas mais consagrados, tornando-se numa espécie de «governo dos sábios». RuiCunha Marques Vantagens da regulação independente RuiCunha Marques A presença de agências reguladoras independentes dá garantias de um quadro regulatório seguro e estável, fornecendo uma maior credibilidade ao processo regulatório. A credibilidade é alcançada não só com estabilidade, mas também com previsibilidade, imparcialidade e objetividade da atividade regulatória que a independência possibilita. Como consequência, o processo regulatório comporta um menor risco regulatório. Esta confiança, que as agências reguladoras fornecem, é também fundamental para uma das suas principais atribuições, que consiste na resolução extrajudicial de conflitos entre os prestadores regulados ou entre estas e os usuários, quer seja através de mediação, conciliação ou de arbitragem voluntária. Vantagens da regulação independente Por fim, a independência dos reguladores fornece uma maior responsabilização no que concerne ao seu equilíbrio financeiro. As agência reguladoras independentes, além de autonomia financeira, possuem também, em geral, independência financeira e orçamentária. Ao contrário de outras entidades administrativas, onde os seus défices são imiscuídos conjuntamente com outros organismos, as agências reguladoras independentes prestam contas da sua atividade, não podendo evidenciar desvios relevantes dos montantes orçamentários. RuiCunha Marques Ponto 4: A regulação independente é pode ser aprimorada? Conceito e escopo da regulação Regulação define-se como o estabelecimento e a implementação de um conjunto de regras, específicas e necessárias ao funcionamento equilibrado de um determinado setor, em função do interesse público; Implementação Estabelecimento de regras Sanções Poder executivo Poder normativo Poder sancionatório Regime regulatório Problema: Se não existir eleição democrática como justificar a atribuição destes poderes? Solução: Princípios de boa governança RuiCunha Marques Porquê independentes? Governo Usuário Compromisso credível a longo-prazo Potenciais conflitos de interesse (imparcialidade) Prestador Estabilidade/previsibilidade Competências de regulação ConflitoRegulador independente RuiCunha Marques Regular prestadores públicos e privados Os prestadores públicos possuem interesses diferentes dos prestadores privados, e relação de direito diferentes. Interesses dos privados são conhecidos (i.e. lucro)!.. .E dos públicos? Bem-estar social? Ou interesses políticos/particulares perversos? Regulação é necessária independentemente da natureza do titular RuiCunha Marques Governança e substância regulatória Governança regulatória É o “como” da regulação! Referente ao desenho institucional e legal do sistema regulatório e o enquadramento em que as decisões são tomadas. Leis, processos e procedimentos relativos à atividade regulatória, quem de direito toma as decisões regulatórias e os recursos disponíveis. Substância (decisões regulatórias) É o “quê” da regulação! É o conteúdo da regulação. São as ações implícitas ou explicitas tomadas pelo regulador (ou equiparável), assim como o racional para a tomada de decisão. RuiCunha Marques Porquê assegurar uma boa governança? Regras bem concebidas e regulação que são efetivas e eficazes Enquadramento institucional apropriado e modo de governança Processos operacionais que são efetivos, consistentes e justos Recursos e capacidade institucional com qualidade e poder Porque tem um impacto importante nos resultados da regulação RuiCunha Marques Fonte: Baseado em OECD (2014). TheGovernance of Regulators. Critérios de governança regulatória Fonte: Marques, R.; Pinto, F. (2018). How to watch the watchmen? The role and measurement of regulatory governance. Utilities Policy. 51, 73-81 RuiCunha Marques Fatores internos RuiCunha Marques Transparência Publicação de informação de acordo com o local de consulta e a sua frequência e oportunismo. Previsibilidade Procedimentalização e facilidade de mudança dos processos. Consistência e proporcionalidade Atividade regulatória desenvolvida de forma uniforme e na sua aplicação aos prestadores ao longo do tempo. Integridade Os valores e procedimentos das agências reguladoras e dos seus diretores/dirigentes desenvolvidos durante a atividade regulatória. Fatores externos Clareza das Regras Clareza das leis que sustentam o processo regulatório relativo a, e.g., princípios, objetivos, responsabilidades, e consequências. Articulação Regulatória Clareza no papel do regulador com o objetivo de evitar duplicação de funções, conflitos entre reguladores e sinais contrários aos interessados no processo (stakeholders). Poderes de Ação Poderes necessários para as atribuições que possui. RuiCunha Marques Fatores relacionais I Independência Financeira Independência do seu financiamento, e.g., origem e capacidade de poder efetuar despesa. Independência Orgânica Independência do seu quadro orgânico, e.g., estrutura do pessoal, na sua nomeação, promoção, demissão e nojo. Independência Funcional Independência operacional no exercício das suas funções, e.g., ausência de tutela e superintendência (não receber ordens/orientações do poder político). Independência (autonomia na decisão) RuiCunha Marques Fatores relacionais II Participação e Responsabilização RuiCunha Marques Participação Pública Participação efetiva nos processos e decisões regulatórias através de um conjunto de boas práticas (audiência e consulta pública, possibilidade de contraditório, conselho consultivo, …). Responsabilização Prestação de contas do regulador através de um conjunto de boas práticas relativas aos stakeholders (e.g. possibilidade de apelo, audiências no Parlamento, conselho consultivo, …) Governança regulatória no Brasil A boa governança regulatória assume um papel fundamental para a eficácia e eficiência da regulação. Em particular, permite melhorar a decisão regulatória, evita comportamentos desviantes, aumenta a aceitabilidade e reduz os conflitos entre as partes. No Brasil, a influência política na atividade das agências reguladoras pode ser relevante com impacto determinante nas decisões ou na inação destas. A questão da nomeação dos diretores tanto das suas qualificações, requisitos e independência como das características dos termos do seu mandato são matérias essenciais que precisam de ser melhoradas e reguladas. A atual situação da existência de recursos humanos suficientes, mas não concursados, gera uma grande rotatividade dos funcionários. Ademais verifica-se a existência de dificuldade e impossibilidade de lançar concursos públicos para aumentar o quadro de pessoal, condicionando a atividade regulatória das agências reguladoras de saneamento básico. RuiCunha Marques Governança regulatória no Brasil A capacitação das agências reguladoras infranacionais é uma das matérias também a salientar sendo o seu défice de capacitação claramente um dos gargalos que tem de ser ultrapassado. A articulação da atividade da agência reguladora infranacional com outras agências reguladoras correlatas (ambiente, recursos hídricos, defesa dos usuários, …) ou órgãos de controle público é quase sempre inexistente, esporádica ou casuística. As relações e coordenação com estas entidades devem estar previstas e serem preconizadas. A comunicação, em particular associada à transparência da atividade regulatória e da agência reguladora é também muito heterogênea e, em diversos casos, inadequada ou insuficiente. A informação sobre a atividade regulatória deve ser, por natureza, pública e acessível a todos os atores da regulação. RuiCunha Marques Governança regulatória no Brasil É importante desenvolver a governança na regulação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. • A independência das agências reguladoras infranacionais, incluindo dos seus diretores, deve ser assegurada; • As agências não devem receber instruções ou diretrizes do governo, e os diretores devem ser escolhidos por critérios de mérito. Todos os trabalhadores (incluindo diretores) devem declarar potenciais conflitos de interesse e prestar provas de sua formação e experiência em regulação e/ou no setor regulado. RuiCunha Marques Governança regulatória no Brasil As agências reguladoras têm de possuir autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira. A autonomia financeira deve ser conseguida com o pagamento da taxa regulatória e não deve existir restrições à sua utilização. RuiCunha Marques Deve ser prevista na lei, ou realizando memorandos de cooperação e coordenação regulatória, a articulação da agência reguladora com outras agências reguladoras (ambiente, usuários, recurso hídricos, concorrência, …) e com os órgãos de controle para alinhamento das suas atividades. Obrigado! Nome do curso Rui CunhaMarques Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) rui.marques@tecnico.ulisboa.pt www.ruicunhamarques.com mailto:rui.marques@tecnico.ulisboa.pt http://www.ruicunhamarques.com/ A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado “Os serviços de infraestruturas, que ofertam um serviço coletivo aos cidadãos, de natureza essencial, e que, por possuírem uma estrutura em rede e requererem o uso do direito de propriedade para fins de utilidade pública não podem funcionar em autorregulação ou sem regulação, pois usualmente são caracterizados por falhas e devem, em prol do interesse público, estar sujeitos a uma mão visível externa que permita a sua mitigação (Marques, 2011).” Daniel Antonio Narzetti Diretor Geral da AGIR/SC Dr. Engenharia do Território/Economista Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são serviços públicos essenciais? O que são as falhas de mercado? Qual o papel do regulador para um mercado eficiente? Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado? A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são serviços públicos essenciais? Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são serviços públicos essenciais? Definições: Os serviços públicos essenciais estão diretamente ligados às necessidades básicas da coletividade, os quais são fornecidos pelo Estado ou por concessionárias, de forma contínua. Os serviços essenciais estão para a coletividade e para o ordenamento jurídico como serviços indispensáveis à manutenção da vida e dos direitos, conceito que vivifica a impossibilidade de sua interrupção. Além do mais, por serem indispensáveis à normalidade das relações sociais ocupam natureza pública, onde não se evidencia proprietários destes serviços, mas apenas gestores que devem atuar para a preservação de sua utilização pela sociedade fazendo as vezes do Estado. Educação Saúde Alimentação Trabalho Moradia Transporte Lazer Segurança Previdência social Proteção à maternidade e à infância Assistência aos desamparados Fonte: Constituição Federal, 1988 Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são serviços públicos essenciais? Constituição Federal 1988 Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terádireito a uma renda básica familiar, garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de renda, cujas normas e requisitos de acesso serão determinados em lei, observada a legislação fiscal e orçamentária TOME NOTA! Para Justen Filho (2006, p. 128) os serviços públicos essenciais compreendem nas atividades fundamentais à subsistência humana, cuja prestação e continuidade é exercida pela Administração Pública. Ademais, assevera que alguns serviços possuem utilidade obrigatória em razão, por exemplo, da saúde pública, a qual Estado possui a obrigação de promover de forma indiscriminada, para a integralidade da sociedade, serviços como: “[...] ligação ao sistema de água encanada, rede pública de esgoto [...]”. Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são serviços públicos essenciais? Os serviços públicos essenciais são aqueles ligados às garantias de condições de saúde e de segurança dos cidadãos, aqueles que são indispensáveis para a vida digna das pessoas. Dessa forma, a lei determina que a prestação destes serviços não poderá ser interrompida. Assim, os serviços públicos fornecidos diretamente por particulares possuem natureza jurídica híbrida, ao passo que são concedidos pelo poder público e fornecidos por uma pessoa jurídica de direito privado (concessionária). O serviço público é demasiadamente distinto dos serviços comuns prestados por empresas privadas ou pelos prestadores autônomos, vez que estão voltados à coletividade. Portanto, prevalece, nessa órbita, a supremacia do interesse público sobre o interesse privado. O Estado, por conveniência técnica, jurídica e econômica, define e estabelece quais os serviços deverão ser exercidos efetivamente pela Administração Pública ou exercidos por um delegatário público. Módulo 9 Exemplos de serviços públicos essenciais Os serviços de saneamento básico são fundamentais para a promoção da saúde, e sua deficiência resulta no aumento de doenças, portanto, em novas pressões sobre o sistema de saúde. 01. Saneamento Básico Os serviços de saúde são essenciais e não podem deixar de ser ofertado a toda a sociedade minimamente com equidade, de forma que todos cidadãos tenham acesso a este serviço público. 02. Saúde Da mesma forma, o serviço de segurança é direito essencial, que deve ser assegurada sem discriminação a todo cidadão 03. Segurança Obrigado! Dr. Daniel Antonio Narzetti danielnarzetti@gmail.com +55 48 99972.1824 A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:danielnarzetti@gmail.com A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são serviços públicos essenciais? O que são as falhas de mercado? Qual o papel do regulador para um mercado eficiente? Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado? “Os serviços de infraestruturas, que ofertam um serviço coletivo aos cidadãos, de natureza essencial, e que, por possuírem uma estrutura em rede e requererem o uso do direito de propriedade para fins de utilidade pública não podem funcionar em autorregulação ou sem regulação, pois usualmente são caracterizados por falhas e devem, em prol do interesse público, estar sujeitos a uma mão visível externa que permita a sua mitigação (Marques, 2011).” Daniel Antonio Narzetti Diretor Geral da AGIR/SC Dr. Engenharia do Território/Economista A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são as falhas de mercado? Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são as falhas de mercado? Definições: A economia de mercado é o melhor mecanismo para alocar recursos e organizar a atividade econômica da forma mais eficiente possível. Porém, nem todo esse funcionamento é perfeito. Algumas vezes, a livre interação entre agentes econômicos produz distorções que causam mais efeitos negativos do que positivos. Segundo a microeconomia, esse evento é chamado de falha de mercado. As falhas de mercado podem ocorrer em muitas situações diferentes. Na maioria das vezes, essa condição beneficia alguns e prejudica os demais. No entanto, o fato de o mercado não ser perfeito não invalida sua utilidade. Na verdade, essa pergunta apenas reforça a ideia de que às vezes deve haver alguma força para direcionar sua operação na direção certa. Fonte: Marques, 2011. Monopólio natural Economia de escala Economia de escopo Economia de densidade Custos irrecuperá veisInformaçõ es assimétric as Externalid ades Bem quase público Ambiente operacion al Serviço de Interesse Econômico Geral Falhas de Mercado Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são as falhas de mercado? Os Serviços de saneamento básico, quando disponibilizados por uma estrutura de rede fixa aos utilizadores, representam exemplos típicos de indústrias monopolistas. Estes serviços podem mesmo ser considerados monopólios naturais, porquanto os custos de produção são menores no caso de um só produtor para um determinado espectro de procura. Assim, a regulação dos monopólios torna-se necessária para a proteção dos interesses dos utilizadores, principalmente para o controle dos preços e da qualidade do serviço. TOME NOTA! Os serviços em regime de monopólio demonstram ainda economias de escala, ou seja, rendimentos à escala crescentes. Isto é, os custos unitários de produção são decrescentes para quantidades crescentes de procura, ainda que apenas até uma determinada dimensão, onde a partir de determinado ponto começam as deseconomias de escala. Módulo 9 Alguns exemplos de falhas de mercado no setor de saneamento básico Por se tratar de uma indústria de rede, usualmente sem concorrência, o consumidor pode ser duplamente penalizado, com menor qualidade e maior preço. 01. Monopólio Natural Devido a presença de custos fixos elevados e a necessidade de infraestrutura para cobertura total, os serviços de saneamento básico podem estar sujeitos a custos de longo prazo para assegurar o pleno atendimento. 02. Economia de densidade São aqueles que satisfazem as necessidades básicas da generalidade dos cidadãos, quer sejam econômicas, sociais ou culturais, e cuja existência seja essencial à vida, à saúde ou à participação social dos cidadãos (Gouveia, 2001). 03. serviços de interesse geral Fonte: OECD (2011), Water Governance in OECD: A Multi-Level Approach, OECD Publishing, Paris Módulo 9 O que são as falhas de mercado? 1 TÓPICO Desde 2010, a OCDE tem apresentado evidência empírica sobre as principais falhas de governança que dificultam a formulação e a implementação de políticas da água, e sugeriu um conjunto de respostas e boas práticas para superá-las 2 TÓPICO O “Quadro de Governança Multinível da OCDE: Diagnosticar e Superar as Falhas” foi desenvolvido como um quadro analítico e uma ferramenta de apoio à formulação de políticas, designadamente no diagnóstico e na superação dos desafios de governança que afetam, em maior ou menor grau, todos os países independentemente da sua configuração institucional, da sua disponibilidade de recursos hídricos ou do seu grau de descentralização. 3 TÓPICO Lidar com os desafios atuais e futuros requer políticas públicas mais robustas, visando objetivos mensuráveis de acordo com calendários pré-determinados e à escala adequada, baseadas numa clara atribuição de competências a todas as autoridades responsáveis e sujeitas a monitorização e avaliação periódicas. Obrigado! Dr. Daniel Antonio Narzetti danielnarzetti@gmail.com +55 48 99972.1824 A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:danielnarzetti@gmail.com A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são serviços públicos essenciais? O que são as falhas de mercado? Qualo papel do regulador para um mercado eficiente? Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado? “Os serviços de infraestruturas, que ofertam um serviço coletivo aos cidadãos, de natureza essencial, e que, por possuírem uma estrutura em rede e requererem o uso do direito de propriedade para fins de utilidade pública não podem funcionar em autorregulação ou sem regulação, pois usualmente são caracterizados por falhas e devem, em prol do interesse público, estar sujeitos a uma mão visível externa que permita a sua mitigação (Marques, 2011).” Daniel Antonio Narzetti Diretor Geral da AGIR/SC Dr. Engenharia do Território/Economista A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Qual o papel do regulador para um mercado eficiente? Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Qual o papel do regulador para um mercado eficiente? As falhas de mercado apontadas anteriormente justificam a intervenção do Estado, via regulação destes serviços, para defesa do interesse público. Como a mão invisível do mercado nos serviços de rede de infraestruturas não é eficaz, o Estado tem de intervir, definindo regras, controlando e supervisionando as instituições e seu funcionamento. Como outras infraestruturas de rede monopolistas, os serviços de saneamento básico são suscetíveis à “vida calma” (sem concorrência) e à ineficiência e, consequentemente, requerem incentivos para se tornarem mais eficientes e inovadores. Proteção dos interesses dos utilizadores quanto às obrigações de serviço público Promoção da eficiência e da inovação Assegurar a estabilidade, sustentabilidad e e robustez dos serviços Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Qual o papel do regulador para um mercado eficiente? Proteção dos interesses dos utilizadores quanto às obrigações de serviço público: a universalidade, a continuidade, a qualidade do serviço, a equidade, a acessibilidade, a proteção à saúde, a segurança dos bens e serviços, a transparência, Promoção da eficiência e da inovação: A eficiência pode ser decomposta em eficiência alocativa, que corresponde à circunstância de funcionamento do mercado em concorrência perfeita e, por conseguinte, da tarifação a preços marginais, a qual é descabida para o mercado dos SAS, e eficiência produtiva ou econômica, que está associada à produção ao menor custo. TOME NOTA! Embora a regulação seja instituída pelo interesse público, a mesma não deixa de, inevitavelmente, gerar vencedores e derrotados e, desta forma, poder ser procurada por alguns grupos de interesses, incluído o dos próprios regulados. Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Qual o papel do regulador para um mercado eficiente? De acordo com a Lei 11.445/2007 e suas alterações, compete ao regulador: I - estabelecer padrões e normas para a adequada prestação e a expansão da qualidade dos serviços e para a satisfação dos usuários, com observação das normas de referência editadas pela ANA; II - garantir o cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos de prestação de serviços e nos planos municipais ou de prestação regionalizada de saneamento básico; III - prevenir e reprimir o abuso do poder econômico, ressalvada a competência dos órgãos integrantes do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência; e IV - definir tarifas que assegurem tanto o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos quanto a modicidade tarifária, por mecanismos que gerem eficiência e eficácia dos serviços e que permitam o compartilhamento dos ganhos de produtividade com os usuários. Módulo 9 Alguns exemplos do papel do regulador para um mercado eficiente. Considerando que não há concorrência, ou seja, o consumidor não tem opção de escolher seu fornecedor, é papel da regulação assegurar a qualidade da prestação do serviço. 01. Assegurar o padrão de qualidade Da mesma forma, não havendo concorrência, o consumidor não tem escolha sobre o provedor do serviço, estando refém dos preços praticados. Assim cabe ao regulador coibir o abuso de poder econômico dos regimes em monopólio. 02. Reprimir o abuso de poder econômico Na mesma linha de coibir o abuso de poder econômico do prestador monopolista, cabe à regulação assegurar tarifas justas à recuperação dos custos e remuneração adequada pelos serviços prestados, coibindo possíveis intervenções políticas na estruturação tarifária. 03. Estabelecer tarifas sustentáveis Obrigado! Dr. Daniel Antonio Narzetti danielnarzetti@gmail.com +55 48 99972.1824 A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:danielnarzetti@gmail.com A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado O que são serviços públicos essenciais? O que são as falhas de mercado? Qual o papel do regulador para um mercado eficiente? Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado? “Os serviços de infraestruturas, que ofertam um serviço coletivo aos cidadãos, de natureza essencial, e que, por possuírem uma estrutura em rede e requererem o uso do direito de propriedade para fins de utilidade pública não podem funcionar em autorregulação ou sem regulação, pois usualmente são caracterizados por falhas e devem, em prol do interesse público, estar sujeitos a uma mão visível externa que permita a sua mitigação (Marques, 2011).” Daniel Antonio Narzetti Diretor Geral da AGIR/SC Dr. Engenharia do Território/Economista A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado? Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado? Eficácia: definição de objetivos e metas claros e sustentáveis para as políticas da água a todos os níveis de governo, para a prossecução desses objetivos e para o cumprimento das metas desejadas. Eficiência: maximização dos benefícios de uma gestão sustentável da água e bem-estar associado ao menor custo para a sociedade. Confiança e Compromisso: reforço da confiança da sociedade e para garantir a inclusão das partes interessadas através de mecanismos de legitimação democrática e de equidade para a sociedade como um todo. Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e falhas de mercado Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado? Gerenciamento de contratos de concessão e PPP. Com foco: •Nas atividades internas que se concentram nos processos internos de gerenciamento de contratos e são mais instrumentais; •Nas atividades externas são direcionadas para o exterior, intervindo diretamente com o desempenho do projeto; •As atividades internas incluem governança por contrato, análise e coleta de informações, administração de contratos e avaliações periódicas; •As atividades externas incluem gerenciamento e solução de conflitos e problemas, gerenciamento de informações, gerenciamento de conhecimento, monitoramento de desempenho, planejamento de contingência e gerenciamento de mudanças. Módulo 9 Alguns exemplos como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado. Com base nas determinações legais, o regulador deve ter acesso às informações com total transparência e assegurar a defesa do interesse dos consumidores. 01. Transparência e acesso às informações Através de teorias econômicas determinar os níveis tarifários, seja por recomposição de custo justo, ou preço teto, ou ainda por métodos matemáticos de fronteira ou multicritérios. 02. Reprimir o abuso de poder econômico Apesar da função atribuída para reprimir o abuso do poder econômico, cabe ao regulador estabelecerestrutura tarifária sustentável, ou seja, definir preços módicos que assegure a prestação do serviço adequado. 03. Estabelecer tarifas sustentáveis Módulo 9 Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado? 1 TÓPICO Regulação lato-sensu: Qualquer intervenção estatal em decisões privadas. 2 TÓPICO Regulação econômica: Intervenção estatal nas decisões econômicas de agentes privados visando sanar falhas de mercado e, assim, aumentar a eficiência. 3 TÓPICO Regulação Econômica stricto-sensu: Controle das decisões de quantidade produzida, preços praticados, qualidade do produto e condições de entrada, para elevar sua eficiência alocativa. Obrigado! Dr. Daniel Antonio Narzetti danielnarzetti@gmail.com +55 48 99972.1824 A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:danielnarzetti@gmail.com A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários “Concessão pública é o contrato firmado entre a administração pública e uma empresa privada, para que esta passe a executar e explorar economicamente um serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas pagas pelos usuários (CNI).” Daniel Antonio Narzetti Diretor Geral da AGIR/SC Dr. Engenharia do Território / Economista Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente O Papel do Usuário para uma regulação eficiente O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 Poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE Art. 29 - Incumbe ao poder concedente: I - regulamentar o serviço concedido e fiscalizar permanentemente a sua prestação; II - aplicar as penalidades regulamentares e contratuais; III - intervir na prestação do serviço, nos casos e condições previstos em lei; IV - extinguir a concessão, nos casos previstos nesta Lei e na forma prevista no contrato; Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE Art. 29 - Incumbe ao poder concedente: ... V - homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; VI - cumprir e fazer cumprir as disposições regulamentares do serviço e as cláusulas contratuais da concessão; VII - zelar pela boa qualidade do serviço, receber, apurar e solucionar queixas e reclamações dos usuários, que serão cientificados, em até trinta dias, das providências tomadas; VIII - declarar de utilidade pública os bens necessários à execução do serviço ou obra pública, promovendo as desapropriações, diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis; Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE Art. 29 - Incumbe ao poder concedente: ... IX - declarar de necessidade ou utilidade pública, para fins de instituição de servidão administrativa, os bens necessários à execução de serviço ou obra pública, promovendo-a diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis; X - estimular o aumento da qualidade, produtividade, preservação do meio-ambiente e conservação; XI - incentivar a competitividade; e XII - estimular a formação de associações de usuários para defesa de interesses relativos ao serviço. Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE Art. 30. No exercício da fiscalização, o poder concedente terá acesso aos dados relativos à administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros da concessionária. Parágrafo único. A fiscalização do serviço será feita por intermédio de órgão técnico do poder concedente ou por entidade com ele conveniada, e, periodicamente, conforme previsto em norma regulamentar, por comissão composta de representantes do poder concedente, da concessionária e dos usuários. Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente Lei 11.445/2007 - DO EXERCÍCIO DA TITULARIDADE Art. 8º Exercem a titularidade dos serviços públicos de saneamento básico: I - os Municípios e o Distrito Federal, no caso de interesse local; II - o Estado, em conjunto com os Municípios que compartilham efetivamente instalações operacionais integrantes de regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, instituídas por lei complementar estadual, no caso de interesse comum. § 1º O exercício da titularidade dos serviços de saneamento poderá ser realizado também por gestão associada, mediante consórcio público ou convênio de cooperação, nos termos do art. 241 da Constituição Federal, observadas as seguintes disposições: TOME NOTA! O titular dos serviços públicos de saneamento básico deverá definir a entidade responsável pela regulação e fiscalização desses serviços, independentemente da modalidade de sua prestação. Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente Art. 10. A prestação dos serviços públicos de saneamento básico por entidade que não integre a administração do titular depende da celebração de contrato de concessão, mediante prévia licitação, nos termos do art. 175 da Constituição Federal, vedada a sua disciplina mediante contrato de programa, convênio, termo de parceria ou outros instrumentos de natureza precária. Art. 10-A. Os contratos relativos à prestação dos serviços públicos de saneamento básico deverão conter, expressamente, sob pena de nulidade, as cláusulas essenciais previstas no art. 23 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, além das seguintes disposições: I - metas de expansão dos serviços, de redução de perdas na distribuição de água tratada, de qualidade na prestação dos serviços, de eficiência e de uso racional da água, da energia e de outros recursos naturais, do reúso de efluentes sanitários e do aproveitamento de águas de chuva, em conformidade com os serviços a serem prestados; II - possíveis fontes de receitas alternativas, complementares ou acessórias, bem como as provenientes de projetos associados, incluindo, entre outras, a alienação e o uso de efluentes sanitários para a produção de água de reúso, com possibilidade de as receitas serem compartilhadas entre o contratante e o contratado, caso aplicável; III - metodologia de cálculo de eventual indenização relativa aos bens reversíveis não amortizados por ocasião da extinção do contrato; e IV - repartição de riscos entre as partes, incluindo os referentes a caso fortuito, força maior, fato do príncipe e álea econômica extraordinária. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8987cons.htm Módulo 10 O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente São exemplos de concessão do Poder Público: Concessão pública é o contrato firmadoentre a administração pública e uma empresa privada, para que esta passe a executar e explorar economicamente um serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas pagas pelos usuários. São exemplos de concessões os aeroportos, rodovias e o setor de petróleo e gás. 01. Estruturador A fiscalização do serviço será feita por intermédio de órgão técnico do poder concedente ou por entidade com ele conveniada, e, fiscalizado periodicamente, conforme previsto em norma regulamentar, por comissão composta de representantes do poder concedente, da concessionária e dos usuários. 02. Fiscalizador Obrigado! Dr. Daniel Antonio Narzetti danielnarzetti@gmail.com +55 48 99972.1824 A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:danielnarzetti@gmail.com A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários “Concessão pública é o contrato firmado entre a administração pública e uma empresa privada, para que esta passe a executar e explorar economicamente um serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas pagas pelos usuários (CNI).” Daniel Antonio Narzetti Diretor Geral da AGIR/SC Dr. Engenharia do Território / Economista Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente O Papel do Usuário para uma regulação eficiente O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 Á Concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegados pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade concorrência ou diálogo competitivo, a pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DA CONCESSIONÁRIA Art. 31. Incumbe à concessionária: I - prestar serviço adequado, na forma prevista nesta Lei, nas normas técnicas aplicáveis e no contrato; II - manter em dia o inventário e o registro dos bens vinculados à concessão; III - prestar contas da gestão do serviço ao poder concedente e aos usuários, nos termos definidos no contrato; IV - cumprir e fazer cumprir as normas do serviço e as cláusulas contratuais da concessão; V - permitir aos encarregados da fiscalização livre acesso, em qualquer época, às obras, aos equipamentos e às instalações integrantes do serviço, bem como a seus registros contábeis; Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DA CONCESSIONÁRIA Art. 31. Incumbe à concessionária: ... VI - promover as desapropriações e constituir servidões autorizadas pelo poder concedente, conforme previsto no edital e no contrato; VII - zelar pela integridade dos bens vinculados à prestação do serviço, bem como segurá-los adequadamente; e VIII - captar, aplicar e gerir os recursos financeiros necessários à prestação do serviço. Parágrafo único. As contratações, inclusive de mão-de-obra, feitas pela concessionária serão regidas pelas disposições de direito privado e pela legislação trabalhista, não se estabelecendo qualquer relação entre os terceiros contratados pela concessionária e o poder concedente. Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente Lei 11.445/2007 - DOS ASPECTOS TÉCNICOS 18-A. O prestador dos serviços públicos de saneamento básico deve disponibilizar infraestrutura de rede até os respectivos pontos de conexão necessários à implantação dos serviços nas edificações e nas unidades imobiliárias decorrentes de incorporação imobiliária e de parcelamento de solo urbano. ... Art. 25. Os prestadores de serviços públicos de saneamento básico deverão fornecer à entidade reguladora todos os dados e informações necessários para o desempenho de suas atividades, na forma das normas legais, regulamentares e contratuais. § 1o Incluem-se entre os dados e informações a que se refere o caput deste artigo aquelas produzidas por empresas ou profissionais contratados para executar serviços ou fornecer materiais e equipamentos específicos. § 2o Compreendem-se nas atividades de regulação dos serviços de saneamento básico a interpretação e a fixação de critérios para a fiel execução dos contratos, dos serviços e para a correta administração de subsídios. TOME NOTA! Art. 43. A prestação dos serviços atenderá a requisitos mínimos de qualidade, incluindo a regularidade, a continuidade e aqueles relativos aos produtos oferecidos, ao atendimento dos usuários e às condições operacionais e de manutenção dos sistemas, de acordo com as normas regulamentares e contratuais. § 1º A União definirá parâmetros mínimos de potabilidade da água. Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente Transparência Responsabilidade CompromissoComprometimento Equidade Módulo 10 O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente Obrigado! Dr. Daniel Antonio Narzetti danielnarzetti@gmail.com +55 48 99972.1824 A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:danielnarzetti@gmail.com A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários “Concessão pública é o contrato firmado entre a administração pública e uma empresa privada, para que esta passe a executar e explorar economicamente um serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas pagas pelos usuários (CNI).” Daniel Antonio Narzetti Diretor Geral da AGIR/SC Dr. Engenharia do Território / Economista Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente O Papel do Usuário para uma regulação eficiente O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Usuário para uma regulação eficiente Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Usuário para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 - DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DOS USUÁRIOS Art. 7º. Sem prejuízo do disposto na Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, são direitos e obrigações dos usuários: I - receber serviço adequado; II - receber do poder concedente e da concessionária informações para a defesa de interesses individuais ou coletivos; III - obter e utilizar o serviço, com liberdade de escolha entre vários prestadores de serviços, quando for o caso, observadas as normas do poder concedente. (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) IV - levar ao conhecimento do poder público e da concessionária as irregularidades de que tenham conhecimento, referentes ao serviço prestado; Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papeldo Usuário para uma regulação eficiente Lei 8.987/1995 - DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DOS USUÁRIOS Art. 7º. Sem prejuízo do disposto na Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, são direitos e obrigações dos usuários: V - comunicar às autoridades competentes os atos ilícitos praticados pela concessionária na prestação do serviço; VI - contribuir para a permanência das boas condições dos bens públicos através dos quais lhes são prestados os serviços. Art. 7º-A. As concessionárias de serviços públicos, de direito público e privado, nos Estados e no Distrito Federal, são obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário, dentro do mês de vencimento, o mínimo de seis datas opcionais para escolherem os dias de vencimento de seus débitos. Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Usuário para uma regulação eficiente A participação proporciona aos humanos o prazer de realizar ações em conjunto com seus congêneres, de exprimir-se, de desenvolver o pensamento reflexivo, de criar e de recriar, de ser valorizado pelos outros. Além disso, aumenta a eficácia e a eficiência do ato de realizar e buscar soluções para problemas específicos, porque realizar ações com os outros é mais produtivo do que fazê-las sozinho. Por isso, para Juan Bordenave, a participação se edifica sobre duas bases complementares, que devem se manter equilibradas: uma base afetiva e outra instrumental. A primeira tem a ver com o prazer de participar; a segunda está ligada à eficácia e à eficiência da participação. . TOME NOTA! No contexto brasileiro dos anos de 1990, por exemplo, considera-se que a participação pode ser apresentada como importante instrumento de aprofundamento da democracia e para a reivindicação de democracia participativa.. Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Usuário para uma regulação eficiente Relativamente ao Grupo 1, na lei n. 11.445/2007, o art. 2º, inciso X, estabelece que o controle social é um dos princípios fundamentais segundo os quais os serviços de saneamento básico devem ser prestados. No que tange ao Grupo 2 de referências, na lei n. 11.445/2007, o art. 47 refere-se, em sua totalidade, à possibilidade do exercício do controle social em saneamento por meio de órgãos colegiados de caráter consultivo, criados para esse fim ou já existentes, nos quais deverão estar representados diversos segmentos do Estado e da sociedade civil. Audiência Pública Consulta Pública Módulo 10 O Papel do Usuário para uma regulação eficiente Principais deveres dos usuários de saneamento básico • Nas instalações internas, manter as tubulações, equipamentos e caixa d’água dentro dos padrões técnicos e de segurança; • Guardar em integridade os equipamentos de medição, os componentes do padrão de ligação e os lacres; • Comunicar imediatamente à prestador/regulador qualquer avaria no medidor, ou rompimento involuntário dos lacres; • Permitir o livre acesso de empregados e representantes da prestador/regulador, desde que devidamente identificados, para leitura dos medidores e realização de inspeções; • Informar corretamente e manter sempre atualizados os seus dados cadastrais junto à prestador/regulador; • Informar ao prestador/regulador quando deixar de ser usuário dos serviços, solicitando o encerramento da relação contratual; • Pagar em dia a fatura dos serviços de abastecimento de água ou esgoto; • Não desviar as instalações de tubulações de água ou esgoto para atender outro imóvel; • Não despejar águas de chuva na rede coletora de esgoto, e não lançar resíduos na rede coletora que exijam tratamento prévio e adequado, conforme os padrões estabelecidos em contrato específico com a reguladora. https://www.arce.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/53/2014/02/direitos-e-deveres-dos-usurios-de-saneamento-bsico_2013.pdf Obrigado! Dr. Daniel Antonio Narzetti danielnarzetti@gmail.com +55 48 99972.1824 A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:danielnarzetti@gmail.com A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários “Concessão pública é o contrato firmado entre a administração pública e uma empresa privada, para que esta passe a executar e explorar economicamente um serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas pagas pelos usuários (CNI).” Daniel Antonio Narzetti Diretor Geral da AGIR/SC Dr. Engenharia do Território / Economista Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente O Papel do Usuário para uma regulação eficiente O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente A Regulação no Brasil e no Mundo Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente Ao longo do tempo, os modelos teóricos de administração pública passaram por um processo de evolução, em que o formato seguinte procurou corrigir as falhas do anterior. De modo resumido, a sequência de evolução segue a seguinte ordem: (i) administração pública patrimonialista, (ii) administração pública burocrática e (iii) administração pública gerencial ou nova gestão pública. Ao fim desse processo, o cidadão se deparou com uma nova perspectiva, a qual abriu caminho para construção do chamado “controle social”. https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/ Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente Enquanto nos dois primeiros modelos não havia consideração pelo cidadão quanto sua participação nas decisões públicas, o modelo gerencial representa uma mudança. Na administração patrimonialista, o cidadão era visto inicialmente como mero financiador dos serviços públicos. Em seguida, passa a ser considerado como “cliente-usuário” desses serviços. Hoje, tem-se uma dimensão da população como titular da coisa pública. Nessa posição, o cidadão se torna um dos principais agentes responsáveis pela fiscalização das ações do Estado. Esse novo papel levanta uma questão: como posso atuar, no dia a dia, para controlar/fiscalizar os atos praticados por nossos representantes? https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/ Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente O controle social é a participação do cidadão na gestão pública. O termo inclui fiscalização, monitoramento e controle das ações da Administração Pública que a população realiza. É um importante mecanismo de fortalecimento da cidadania que contribui para aproximar a sociedade do Estado. Assim, surge a oportunidade de os cidadãos acompanharem as ações dos governos e cobrarem uma boa gestão pública. Além disso, o controle social representa uma ferramenta indispensável quanto a prevenção da corrupção e mau uso do dinheiro público. TOME NOTA! O controle social é um complemento indispensável ao controle institucional realizado pelos órgãos que fiscalizam os recursos públicos. Essa participação é importante pois contribui para a boa e correta aplicação dos recursos públicos, fazendo com que as necessidades da sociedade sejam atendidas de forma eficiente. https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/ Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador de serviços e usuários O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente Controle social direto A forma direta representa a atuação do cidadão ou grupo social sema participação ou intermédio de órgão ou entidade pública, que atuaria como um “canal” entre a população e os governantes. Aqui, o controle é feito diretamente pelo povo. Você, por exemplo, pode verificar se a sua cidade realiza as obras das escolas conforme o prometido no plano de governo. Controle social indireto A forma indireta representa a participação do povo por meio de mecanismos ou instituições colocados à sua disposição. Aqui, o controle é feito por intermédio de organizações. Um exemplo de controle social indireto são os Conselhos Municipais de Políticas Públicas, criados para acompanhar a execução dos recursos federais repassados ao município. https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/ Módulo 10 O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente FERRAMENTAS DE CONTROLE SOCIAL Entendidas as formas de controle social, vamos dar o próximo passo: conhecer as ferramentas do controle social. Diferentes mecanismos podem nos auxiliar nessa tarefa, seja no planejamento ou na execução das ações de governo. Que tal conhecer alguns deles? Audiência Pública Refere-se a um espaço institucional para todos aqueles que tenham interesse ou sejam afetados pelas ações do governo possam participar do processo de tomada de decisão da autoridade. A audiência pública pode ser opcional, obrigatória ou solicitada pelo própria população. Nesse ambiente, cidadãs e cidadãos têm a oportunidade de expressar sua opinião sobre as questões discutidas. https://www.arce.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/53/2014/02/direitos-e-deveres-dos-usurios-de-saneamento-bsico_2013.pdf https://www.politize.com.br/planejamento-urbano-brasil/ https://www.politize.com.br/audiencias-publicas-saiba-como-participar/ Módulo 10 O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente Apesar de a Constituição Federal não falar especificamente sobre audiências públicas, existem algumas leis que preveem o uso dessa importante ferramenta de controle social. Algumas delas são: •Lei n.º 9.784/99 (Processo Administrativo); •Lei n.º 6.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente); •Lei n.º 8.666/93 (Licitações e Contratos Administrativos). A lei de licitações, por exemplo, prevê a realização de audiência pública quando o valor estimado para uma licitação ou para um conjunto de licitações simultâneas ou sucessivas for superior a R$ 330 milhões. https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/ https://www.politize.com.br/constituicoes-do-brasil-resumo/ http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/Leis/L9784.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938.htm http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/Leis/L8666compilado.htm https://www.politize.com.br/licitacoes-publicas-como-funcionam/ Módulo 10 O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente Orçamento Participativo Trata-se de uma técnica em que a alocação de alguns recursos contidos no Orçamento Público é decidida com a participação direta da população, ou por meio de grupos organizados da sociedade civil, como a associação de moradores. O orçamento é aberto aos cidadãos no processo de tomada de decisão pública. Isso permite que o povo analise e opine sobre a aplicação dos recursos públicos. Nesse processo, o cidadão deixa de ser um simples coadjuvante e passa a ser protagonista ativo da gestão pública. Aqui, a autorregulação é uma marca fundamental da mencionada técnica orçamentária, pois as regras podem ser definidas e modificadas pelos participantes (você). https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/ https://www.politize.com.br/principios-orcamentarios/ Obrigado! Dr. Daniel Antonio Narzetti danielnarzetti@gmail.com +55 48 99972.1824 A Regulação no Brasil e no Mundo mailto:danielnarzetti@gmail.com Regulação Municipal Principais características Regulação Municipal Principais características A regulação em suas múltiplas dimensões • União Federal • Estados • Distrito Federal • Municípios Cada ente da federação recebeu competências constitucionais (exclusivas ou concorrentes) Estrutura federativa do Brasil Regulação Municipal Principais características A regulação em suas múltiplas dimensões Saneamento básico na estrutura federativa Saneamento básico = Serviço de interesse local Titularidade e responsabilidade do Município (art. 30, IV, da CF) A legislação que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico foi editada no ano de 2007 (cf. art. 21, XX, da CF). Lei Federal nº 11.445/2007 Regulação Municipal Principais características A regulação em suas múltiplas dimensões Saneamento básico na estrutura federativa É competência do Município, nos termos da Lei 11.445/2007: • Planejamento (art. 9º, I) • Prestação de serviços, pelo próprio Poder Público ou por concessão à iniciativa privada (art. 9º, II) • Regulação (art. 9º, II) Regulação Municipal Principais características A regulação em suas múltiplas dimensões Modelagem regulatória Arranjos regulatórios à disposição do Município: • Criar agência local (municipal) • Delegar à agência estadual • Integrar agência intermunicipal (consórcio público) Art. 31, do Decreto Federal nº 7.217/2010 Regulação Municipal Principais características Características relevantes da regulação municipal: - As agências municipais são criadas – em sua maioria –, com objetivo vinculado a um contrato específico de prestação de serviços públicos (contrato de concessão ou de parceria público-privada); - Atuação regulatória multisetorial (saneamento, transporte, serviços funerários, dentre outros). Pontos positivos da regulação municipal: - Sintonia com a realidade local e proximidade com o prestador e com os usuários; - Dedicação exclusiva ao modelo contratual (especialidade), dando maior celeridade à solução de eventuais conflitos locais; Regulação Municipal Principais características Fragilidades da regulação municipal: - Custo operacional (que torna muito onerosa a manutenção de equipe técnica especializada); e - Eventual ociosidade, já que a demanda por fiscalizações é sazonal e o reajuste tarifário acontece a cada 12 (doze) meses (cf. art. 37 da Lei de Saneamento). Oportunidades para a regulação municipal: - Para driblar o alto custo e a ociosidade é possível o formato de agência multisetorial, que traria para a agência novas competências e, por consequência, novas fontes de receita (taxa de regulação). Obrigado! daf@arespcj.com.br Nome do curso Regulação Estadual Principais características Regulação Estadual Principais características A regulação em suas múltiplas dimensões • União Federal • Estados • Distrito Federal • Municípios Cada ente da federação recebeu competências constitucionais (exclusivas ou concorrentes) Estrutura federativa do Brasil Regulação Estadual Principais características A regulação em suas múltiplas dimensões Modelagem regulatória Arranjos regulatórios à disposição do Município: • Criar agência local (municipal) • Delegar à agência estadual • Integrar agência intermunicipal (consórcio público) Art. 31, do Decreto Federal nº 7.217/2010 Regulação Estadual Principais características Características relevantes da regulação estadual: - As agências estaduais são criadas – em sua maioria –, com objetivo vinculado ao acompanhamento e validação dos contratos de programa firmados entre os Municípios e as Companhias Estaduais; - Atuação regulatória multisetorial (saneamento, transporte, convênios para energia elétrica, dentre outros). Pontos positivos da regulação estadual: - Ganho de escala no âmbito do Estado, auxiliando na universalização da regulação; - Dedicação ao modelo contratual (especialidade) padronizando procedimentos e ações, e dando maior celeridade à solução de eventuais conflitos gerados em escala; Regulação Estadual Principais características Fragilidades da regulação estadual: - Atuação em setores do saneamento básico que não contam com prestação estruturada no âmbito do Estado,como resíduos sólidos e drenagem; - Pouca adesão dos Titulares na gestão dos contratos de programa, ocasionando baixa participação do Município no acompanhamento do contrato administrativo. Oportunidades para a regulação estadual: - Ampliar sua atuação para prestadores e Municípios ainda não regulados em água e esgoto; - Padronizar procedimentos e aplicar a lógica estadual dos convênios de cooperação para serviços ainda sem grande adesão à regulação, como resíduos e drenagem. Obrigado! daf@arespcj.com.br Nome do curso Regulação Intermunicipal Principais características Regulação Intermunicipal Principais características A regulação em suas múltiplas dimensões Arranjos regulatórios à disposição do Município: • Criar agência local (municipal) • Delegar à agência estadual • Integrar agência intermunicipal (consórcio público) Art. 31, do Decreto Federal nº 7.217/2010 Regulação Intermunicipal Principais características Norma matriz: Lei Federal 11.107/2005 (regulamenta o art. 241 da Constituição Federal) Regulação Intermunicipal Principais características Consórcios públicos: a gestão associada de serviços públicos Regulação Intermunicipal Principais características Consórcios públicos: porque criar? Regulação Intermunicipal Principais características Pontos positivos da regulação por consórcios públicos: - Ganho de escala; - melhoria da capacidade técnica, gerencial e financeira de grupos de municípios; e - a racionalização e otimização da aplicação dos recursos públicos. Desafio da regulação por consórcios públicos: - Criar instrumentos e normas regulatórias que consigam padronizar procedimentos e práticas em prestadores em condições desiguais (modelos jurídicos de prestação, porte populacional e condições socioeconômicas). Obrigado! daf@arespcj.com.br Nome do curso Regulação Federal e diretrizes regulatórias nacionais para o saneamento básico: Principais atribuições da ANA Regulação Federal e diretrizes regulatórias nacionais para o saneamento básico: Principais atribuições da ANA Normas de referência para uniformidade regulatória - A prática regulatória estabelecida com a Lei nº 11.445/2007 reconhece um modelo diferenciado de regulação para o saneamento básico. Dentre as características do setor, apontamos: (i) A pluralidade de modelos jurídicos de regulação (agência municipal, estadual e intermunicipal por consórcio público); e (ii) Criação de múltiplos reguladores (mais de 80 agências até outubro/2022) Regulação Federal e diretrizes regulatórias nacionais para o saneamento básico: Principais atribuições da ANA Normas de referência para uniformidade regulatória - O modelo foi questionada pela insegurança jurídica e falta de padronização, surgindo a proposta de emissão de normas de referência por parte da ANA, com as alterações promovidas pela Lei Federal nº 14.026/2020 (que introduz o art. 4º-A, à Lei Federal nº 9.984/2000). São objetivos da Lei: - Instituir normas de referência para o setor - Padronizar e orientar a regulação do saneamento básico Regulação Federal e diretrizes regulatórias nacionais para o saneamento básico: Principais atribuições da ANA Normas de referência para uniformidade regulatória • O conteúdo das normas tem atendimento facultativo (soft law) por parte dos reguladores e prestadores; e • O não atendimento restringe o acesso a recursos públicos federais para financiamentos (instrumentos de indução), conforme Decreto Federal nº 10.588/2020. Regulação Federal e diretrizes regulatórias nacionais para o saneamento básico: Principais atribuições da ANA Normas de referência para uniformidade regulatória No processo de edição da norma de referência é esperado regulador federal: - Progressividade na sua criação e acompanhamento; - Observância das melhores práticas já adotadas; e - Avaliação de atendimento com base em critérios objetivos. Regulação Federal e diretrizes regulatórias nacionais para o saneamento básico: Principais atribuições da ANA AGENDA REGULATÓRIA Regulação Federal e diretrizes regulatórias nacionais para o saneamento básico: Principais atribuições da ANA AGENDA REGULATÓRIA Obrigado! daf@arespcj.com.br Nome do curso A regulação no Brasil e no mundo Módulo 12: uniformidade regulatória e norma de referência O que é norma de referência? Insira a foto do convidado aqui Thiago Marrara Professor de direito administrativo da USP Thiago Marrara • Professor de direito administrativo e urbanístico da USP (FDRP). • Livre-docente (USP) e doutor pela Universidade de Munique (LMU). • Consultor especializado em direito administrativo, direito regulatório e direito das infraestruturas. • Fundador de “Marrara Advocacia”; • Autor de “manual de direito administrativo” (Foco), “princípios de direito administrativo” (Fórum), “tratado de direito administrativo, v. 03” (RT), “processo administrativo: Lei 9784/99 comentada” (RT), entre outras obras. Conteúdo 1 TÓPICO A uniformidade regulatória na reforma do saneamento 2 TÓPICO Finalidades da uniformidade regulatória3 TÓPICO O que é a norma de referência? Uniformidade regulatória • A Lei n. 14.026/2020 alterou significativamente a Lei n. 11.445/2007, conhecida como Lei das Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – LDNSB. • A Lei n. 14.026/2020 busca, em síntese: • 1) Estimular a desestatização dos serviços, contendo a atuação de companhias estaduais que operavam sem licitação; • 2) Estimular a regionalização, sobretudo na prestação dos serviços para torná-los mais sustentáveis e atrativos; e • 3) Uniformizar a regulação para reduzir assimetrias e custos de transação. A norma de referência • Norma de referência é o conjunto de disposições jurídicas não vinculantes estabelecidas pela ANA em matéria de saneamento para harmonizar regulação e criar um “MOSAICO REGULATÓRIO”. • Essas normas devem ser analisadas sob 3 perspectivas: • 1) A finalística (ou de objetivos): o que a ANA deve buscar com essas NR? • 2) A material (ou de conteúdo): o que pode ser objeto da NR? • 3) A formal (ou procedimental): de que modo a ANA deverá criar essas normas? Insira uma imagem aqui Finalidades da uniformidade regulatória • Sob a perspectiva finalística, o art. 4º-A, § 7º da Lei n. 9.984/2000 prevê que as NR devem zelar: • 1) Pela “uniformidade regulatória” e; • 2) Pela “segurança jurídica” do prestador e regulador. • Já o art. 4º-A, § 3º prevê que as NR objetivarão: • 3) Promover a prestação adequada; • 4) Estimular a livre-concorrência; • 5) Estimular a sustentabilidade econômica da prestação; • 6) Estimular a cooperação interfederativa e regionalização; • 7) Respeitar as peculiaridades locais; • 8) Limitar sobreposição de custos; • 9) Estimular avaliação periódica de metas; • 10) Estimular prestação concomitante de água e esgoto. Obrigado! marrara@usp.br marrara@marrara.adv.br A regulação no Brasil e no mundo mailto:marrara@usp.br mailto:marrara@marrara.adv.br A regulação no Brasil e no mundo Módulo 12: uniformidade regulatória e norma de referência Soft law e diretrizes para o saneamento básico Insira a foto do convidado aqui Thiago Marrara Professor de direito administrativo da USP Thiago Marrara • Professor de direito administrativo e urbanístico da USP (FDRP). • Livre-docente (USP) e doutor pela Universidade de Munique (LMU). • Consultor especializado em direito administrativo, direito regulatório e direito das infraestruturas. • Fundador de “Marrara Advocacia”; • Autor de “manual de direito administrativo” (Foco), “princípios de direito administrativo” (Fórum), “tratado de direito administrativo, v. 03” (RT), “processo administrativo: Lei 9784/99 comentada” (RT), entre outras obras. Conteúdo 1 TÓPICO Normas de referência como “soft law”2 TÓPICO Fundamentos constitucionais das normas de referência 3 TÓPICO O conteúdo das normas de referência Os fundamentos constitucionais • Art. 21, inciso XXda Constituição da República afirma competir à União “instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos”. • Diretrizes podem ser vistas como: • A) orientações, ou seja, normas que guiam a implementação de certa política pública, voltadas a todos os atores envolvidos; • B) editadas pela União, seja em lei do Congresso (na LDNSB), seja por regulamentos do Executivo; e • C) de caráter técnico e operacional, com finalidade de tornar exequível certas tarefas. NR como soft law • O art. 25-A da LDNSB deixa claro que as NR se referem à regulação como atividade que, primariamente, cabe a uma entidade escolhida pelo titular do serviço no exercício de sua autonomia. • As NR representam um corpo de soft law, ou seja, de orientações normativas que dependem de adoção explícita do regulador para que se tornem vinculantes e aplicáveis. NR como soft law • As NR não devem ser usadas: • Em matéria de planejamento e assuntos extraregulatórios; • Em contrariedade a atos jurídicos perfeitos e à coisa julgada administrativa, dado o princípio da segurança jurídica (art. 25-A, § 2º LDNSB); • Para saneamento em áreas rurais, comunidades tradicionais, incluindo quilombos, e terras indígenas (art. 50, § 1º da LDNSB). O conteúdo das NR • Há também parâmetros materiais para a ANA. O art. 4º-A da Lei n. 9.984/2000 prevê uma lista de assuntos que serão objeto de NR. Esses assuntos podem ser agrupados em três blocos: • Prestação do serviço (qualidade, universalização, perda de água, reuso de efluente etc.) • Contabilidade, equilíbrio econômico- financeiro e tarifação (como metodologia de cálculo de indenizações, compartilhamento de ganhos de produtividade, subsídios para baixa renda etc.). • Instrumentos jurídicos e organizacionais (governança das agências, avaliação de metas de universalização, caducidade de contratos etc.) Obrigado! marrara@usp.br marrara@marrara.adv.br Nome do curso mailto:marrara@usp.br A regulação no Brasil e no mundo Módulo 12: uniformidade regulatória e norma de referência Normas de referência e indução de políticas públicas Insira a foto do convidado aqui Thiago Marrara Professor de direito administrativo da USP Thiago Marrara • Professor de direito administrativo e urbanístico da USP (FDRP). • Livre-docente (USP) e doutor pela Universidade de Munique (LMU). • Consultor especializado em direito administrativo, direito regulatório e direito das infraestruturas. • Fundador de “Marrara Advocacia”; • Autor de “manual de direito administrativo” (Foco), “princípios de direito administrativo” (Fórum), “tratado de direito administrativo, v. 03” (RT), “processo administrativo: Lei 9784/99 comentada” (RT), entre outras obras. Conteúdo 1 TÓPICO O papel indutor das normas de referência 2 TÓPICO Consequências financeiras 3 TÓPICO A internalização das normas de referência Papel indutor das NR • O objetivo das normas de referência não é o de substituir as competências das agências locais, intermunicipais ou estaduais por medidas da ANA. • O objetivo maior das NR é edificar um mosaico regulatório, ou seja, um arcabouço regulatório que: • Respeite a autonomia e as peculiaridades locais, mas • Garanta o mínimo de padronização e comunicabilidade para, ao final, • Afastar assimetrias regulatórias desnecessárias ou nocivas. Internalização das NR • As NR não são normas de aplicabilidade imediata. • Isso significa que elas devem ser examinadas por cada agência e, então, internalizadas de maneira formal. • As NR passam a valer para os regulados de cada agência a partir do momento em que a adoção formal se opera. • Antes da adoção formal, porém, elas já podem ser empregadas como parâmetros de interpretação e, além disso, por meio da analogia para fins de supressão de eventuais lacunas regulatórias. Consequências financeiras • A Lei n. 14.026 modificou a LDNSB e passou a prever requisitos que condicionam o apoio financeiro oferecido pela União. • O art. 25-A, § 1º da LDNSB prevê que “o acesso aos recursos públicos federais ou à contratação de financiamentos com recursos da União ou com recursos geridos ou operados por órgãos e entidades da administração pública federal... será condicionado ao cumprimento das normas de referência nacionais... estabelecidas pela ANA”. • O art. 50, em reforço, afirma que o apoio financeiro da União depende do cumprimento de requisitos variados e que abrangem a “observância das NR para a regulação da prestação dos serviços públicos de saneamento básico expedidas pela ANA”. Obrigado! marrara@usp.br marrara@marrara.adv.br A regulação no Brasil e no mundo mailto:marrara@usp.br mailto:marrara@marrara.adv.br A regulação no Brasil e no mundo Módulo 12: uniformidade regulatória e norma de referência A ANA e a uniformidade regulatória Thiago Marrara • Professor de direito administrativo e urbanístico da USP (FDRP). • Livre-docente (USP) e doutor pela Universidade de Munique (LMU). • Consultor especializado em direito administrativo, direito regulatório e direito das infraestruturas. • Fundador de “Marrara Advocacia”; • Autor de “manual de direito administrativo” (Foco), “princípios de direito administrativo” (Fórum), “tratado de direito administrativo, v. 03” (RT), “processo administrativo: Lei 9784/99 comentada” (RT), entre outras obras. Insira a foto do convidado aqui Thiago Marrara Professor de direito administrativo da USP Conteúdo 1 TÓPICO Os novos papeis da ANA a partir da Lei 14.026 2 TÓPICO O papel da ANA na uniformização regulatória 3 TÓPICO Os parâmetros processuais para criação das NR • A Lei n. 14.026 alterou a Lei n. 9.984/2000, tornando a ANA uma agência também do setor de saneamento, no qual assume papeis de: • Realizar voluntariamente ação mediadora ou arbitral de conflitos envolvendo titulares, prestadores e reguladores de saneamento (art. 4º-A, § 3º); • Promover a capacitação de recursos humanos para regulação adequada e eficiente (art. 4º-A, § 11); • Contribuir para a articulação entre os planos nacionais de saneamento, resíduos sólidos e recursos hídricos (art. 4º-A, § 12). Os novos papeis da ANA após a Lei n. 14.026 A ANA e a uniformidade regulatória • Especificamente no tocante à uniformização regulatória, compete à ANA, além de criar as NR: 1. Avaliar o cumprimento e o impacto das NR (art. 4º- A, § 6º); 2. Listar as agências que adotam as NR para viabilizar o acesso a recursos públicos federais, contratação de financiamentos com a União ou entes federais (art. 4º-B); 3. Disciplinar os requisitos e procedimentos para que as agências comprovem a adoção das NR (art. 4º- B, § 1º) e 4. Verificar periodicamente a adoção das NR, inclusive no momento de contratação de financiamentos da União (art. 4º-B, § 2º). Parâmetros processuais para criação de NR • As alterações também criam os parâmetros finalísticos, materiais e procedimentais para a criação de NR pela ANA. • Dentre os parâmetros procedimentais, a Lei n. 9.984/2000 prevê: • 1) A aplicação de uma transição gradual, impedindo-se a criação de todas as NR de uma vez (art. 4º-A, § 2º) para que as agências possam se preparar e respeitar a segurança jurídica (art. 4º-B); • 2) A realização de diagnóstico inicial para indicar os temas prioritários, organizados por urgência e relevância; Parâmetros processuais para criação de NR • 3) A verificação de melhores práticas do setor por meio de estudos técnicos e divulgação em guias e manuais (art. 4º-A, § 10); • 4) O respeito à transparência e à participação, com a oitiva de entidades de regulação e fiscalização, e representantes dos titulares (4º-A, § 4º); • 5) A eventual constituição de grupos de trabalho para auxiliar na elaboração das normas; • 6) A realização de consultas e audiências públicas para participação do público em geral; • 7) A elaboração de análise de impactoregulatório das normas propostas. Obrigado! marrara@usp.br marrara@marrara.adv.br A regulação no Brasil e no mundo mailto:marrara@usp.br mailto:marrara@marrara.adv.br CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo Regulação dos serviços de abastecimento de água potável Kátia Muniz Côco • Mestre em Engenharia Ambiental pela UFES • Pós-graduada em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FACAM • Graduada em Engenharia Ambiental pela UFES • Graduada em Saneamento Ambiental pelo IFES • Atua desde 2009 com regulação do Saneamento assumindo a função de gerente e diretora na Agência Reguladora do Espírito Santo • Diretora da ABAR e Coordenadora da Câmara Técnica de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Saúde (CTSan). Kátia Muniz Côco Regulação dos serviços de abastecimento de água 1 TÓPICO Obrigatoriedade legal – Lei 11.445/2007 e 14.026/2020 2 TÓPICO Panorama do setor de abastecimento de água 3 TÓPICO Atuação regulatória brasileira Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 3º Para fins do disposto nesta Lei, considera-se: (...) I - saneamento básico: conjunto de serviços públicos, infraestruturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável: constituído pelas atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e instalações operacionais necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e seus instrumentos de medição; b) esgotamento sanitário: (...); c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: (...); e d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: (...); Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 3º-A. Consideram-se serviços públicos de abastecimento de água a sua distribuição mediante ligação predial, incluídos eventuais instrumentos de medição, bem como, quando vinculadas a essa finalidade, as seguintes atividades: I - reservação de água bruta; II - captação de água bruta; III - adução de água bruta; IV - tratamento de água bruta; V - adução de água tratada; e VI - reservação de água tratada. Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 9º O titular dos serviços formulará a respectiva política pública de saneamento básico, devendo, para tanto: I - elaborar os planos de saneamento básico, (...), bem como estabelecer metas e indicadores de desempenho e mecanismos de aferição de resultados, (...); II - prestar diretamente os serviços, ou conceder a prestação deles, e definir, em ambos os casos, a entidade responsável pela regulação e fiscalização da prestação dos serviços públicos de saneamento básico; II - prestar diretamente ou autorizar a delegação dos serviços e definir o ente responsável pela sua regulação e fiscalização, bem como os procedimentos de sua atuação; III - definir os parâmetros a serem adotados para a garantia do atendimento essencial à saúde pública, inclusive quanto ao volume mínimo per capita de água para abastecimento público, observadas as normas nacionais relativas à potabilidade da água; (...) TOME NOTA! Em todas as formas de prestação dos serviços de saneamento básico deverá haver definição do órgão regulador pelo titular dos serviços. Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 11-B. Os contratos de prestação dos serviços públicos de saneamento básico deverão definir metas de universalização que garantam o atendimento de 99% (noventa e nove por cento) da população com água potável e de 90% (noventa por cento) da população com coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033, assim como metas quantitativas de não intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de melhoria dos processos de tratamento. (...) § 5º O cumprimento das metas de universalização e não intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de melhoria dos processos de tratamento deverá ser verificado anualmente pela agência reguladora, observando-se um intervalo dos últimos 5 (cinco) anos, nos quais as metas deverão ter sido cumpridas em, pelo menos, 3 (três), e a primeira fiscalização deverá ser realizada apenas ao término do quinto ano de vigência do contrato. (...) TOME NOTA! Metas para 2033: • 99% da população com água potável • Não intermitência • Redução de perdas • Melhorias do tratamento Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 23. A entidade reguladora, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, editará normas relativas às dimensões técnica, econômica e social de prestação dos serviços públicos de saneamento básico, que abrangerão, pelo menos, os seguintes aspectos: I - padrões e indicadores de qualidade da prestação dos serviços; II - requisitos operacionais e de manutenção dos sistemas; III - as metas progressivas de expansão e de qualidade dos serviços e os respectivos prazos; IV - regime, estrutura e níveis tarifários, bem como os procedimentos e prazos de sua fixação, reajuste e revisão; V - medição, faturamento e cobrança de serviços; VI - monitoramento dos custos; VII - avaliação da eficiência e eficácia dos serviços prestados; VIII - plano de contas e mecanismos de informação, auditoria e certificação; IX - subsídios tarifários e não tarifários; X - padrões de atendimento ao público e mecanismos de participação e informação; XI - medidas de segurança, de contingência e de emergência, inclusive quanto a racionamento; XIII - procedimentos de fiscalização e de aplicação de sanções previstas nos instrumentos contratuais e na legislação do titular; e XIV - diretrizes para a redução progressiva e controle das perdas de água. Insira uma imagem aqui Agências Reguladoras Fonte ABAR - 2021 24 Municipais, 23 Estaduais, 6 Consorciadas e 1 Distrital 54 Agências Reguladoras de Saneamento Cerca de 3.000 municípios Municípios regulados 6 Planos Regionais Cerca de 1.700 Planos Municipais Planos de Saneamento Atividade Regulatória Fonte ABAR - 2021 127 reajustes e revisões tarifários pelas 36 ARSB participantes da pesquisa Reajustes e Revisões Tarifárias - 928 normas e/ou resoluções entre as 36 ARSB participantes da pesquisa; - 160 - condições da prestação dos serviços; - 34 - ouvidoria; - 127 - regulação técnica; - 434 - regulação econômica; - 52 - fiscalização; e - 121 – outros. Normatizações Fiscalizações Fonte ABAR - 2021 2020 à efeitos da pandemia Fiscalizações Aplicação de Penalidades Fonte ABAR - 2021 2 ARSB Estaduais foram responsáveis por 85% dessas penalidades Advertência e Multa Transparência Fonte ABAR - 2021 Consultas e Audiências Transparência Fonte ABAR - 2021 - Publicação de relatórios - Publicação de decisões - Transmissão das decisões Decisões Obrigada! katia_coco@yahoo.com.br Nome do curso CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo Regulação dos serviços de esgotamento sanitário Kátia Muniz Côco • Mestre em Engenharia Ambiental pela UFES • Pós-graduada em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FACAM • Graduada em Engenharia Ambiental pela UFES • Graduada em Saneamento Ambiental pelo IFES • Atua desde 2009 com regulação do Saneamento assumindo a função de gerente e diretora na Agência Reguladora do Espírito Santo • Diretora da ABAR e Coordenadora da Câmara Técnica de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Saúde (CTSan). Kátia Muniz Côco Regulação dos serviços de esgotamento sanitário 1 TÓPICO Obrigatoriedade legal – Lei 11.445/2007 e 14.026/2020 2 TÓPICO Panorama do setor de esgotamento sanitário 3 TÓPICO Atuação regulatória brasileira Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 3º Para fins do disposto nesta Lei, considera-se: (...) I - saneamento básico: conjunto de serviços públicos, infraestruturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável: (...); b) esgotamento sanitário: constituídopelas atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas e instalações operacionais necessárias à coleta, ao transporte, ao tratamento e à disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até sua destinação final para produção de água de reúso ou seu lançamento de forma adequada no meio ambiente; c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: (...); e d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: (...); Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 3º-B. Consideram-se serviços públicos de esgotamento sanitário aqueles constituídos por 1 (uma) ou mais das seguintes atividades: I - coleta, incluída ligação predial, dos esgotos sanitários; II - transporte dos esgotos sanitários; III - tratamento dos esgotos sanitários; e IV - disposição final dos esgotos sanitários e dos lodos originários da operação de unidades de tratamento coletivas ou individuais de forma ambientalmente adequada, incluídas fossas sépticas. Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 9º O titular dos serviços formulará a respectiva política pública de saneamento básico, devendo, para tanto: I - elaborar os planos de saneamento básico, (...), bem como estabelecer metas e indicadores de desempenho e mecanismos de aferição de resultados, (...); II - prestar diretamente os serviços, ou conceder a prestação deles, e definir, em ambos os casos, a entidade responsável pela regulação e fiscalização da prestação dos serviços públicos de saneamento básico; II - prestar diretamente ou autorizar a delegação dos serviços e definir o ente responsável pela sua regulação e fiscalização, bem como os procedimentos de sua atuação; TOME NOTA! Em todas as formas de prestação dos serviços de saneamento básico deverá haver definição do órgão regulador pelo titular dos serviços. Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 11-B. Os contratos de prestação dos serviços públicos de saneamento básico deverão definir metas de universalização que garantam o atendimento de 99% (noventa e nove por cento) da população com água potável e de 90% (noventa por cento) da população com coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033, assim como metas quantitativas de não intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de melhoria dos processos de tratamento. (...) § 5º O cumprimento das metas de universalização e não intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de melhoria dos processos de tratamento deverá ser verificado anualmente pela agência reguladora, observando-se um intervalo dos últimos 5 (cinco) anos, nos quais as metas deverão ter sido cumpridas em, pelo menos, 3 (três), e a primeira fiscalização deverá ser realizada apenas ao término do quinto ano de vigência do contrato. (...) TOME NOTA! Metas para 2033: • 90% da população com coleta e tratamento de esgoto • Melhorias do tratamento Lei Federal nº 11.445/2007 Modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 23. A entidade reguladora, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, editará normas relativas às dimensões técnica, econômica e social de prestação dos serviços públicos de saneamento básico, que abrangerão, pelo menos, os seguintes aspectos: I - padrões e indicadores de qualidade da prestação dos serviços; II - requisitos operacionais e de manutenção dos sistemas; III - as metas progressivas de expansão e de qualidade dos serviços e os respectivos prazos; IV - regime, estrutura e níveis tarifários, bem como os procedimentos e prazos de sua fixação, reajuste e revisão; V - medição, faturamento e cobrança de serviços; VI - monitoramento dos custos; VII - avaliação da eficiência e eficácia dos serviços prestados; VIII - plano de contas e mecanismos de informação, auditoria e certificação; IX - subsídios tarifários e não tarifários; X - padrões de atendimento ao público e mecanismos de participação e informação; XI - medidas de segurança, de contingência e de emergência, inclusive quanto a racionamento; XIII - procedimentos de fiscalização e de aplicação de sanções previstas nos instrumentos contratuais e na legislação do titular; e XIV - diretrizes para a redução progressiva e controle das perdas de água. Insira uma imagem aqui Agências Reguladoras Fonte ABAR - 2021 24 Municipais, 23 Estaduais, 6 Consorciadas e 1 Distrital 54 Agências Reguladoras de Saneamento Cerca de 3.000 municípios Municípios regulados 6 Planos Regionais Cerca de 1.700 Planos Municipais Planos de Saneamento Atividade Regulatória Fonte ABAR - 2021 127 reajustes e revisões tarifários pelas 36 ARSB participantes da pesquisa Reajustes e Revisões Tarifárias - 928 normas e/ou resoluções entre as 36 ARSB participantes da pesquisa; - 160 - condições da prestação dos serviços; - 34 - ouvidoria; - 127 - regulação técnica; - 434 - regulação econômica; - 52 - fiscalização; e - 121 – outros. Normatizações Fiscalizações Fonte ABAR - 2021 2020 à efeitos da pandemia Fiscalizações Aplicação de Penalidades Fonte ABAR - 2021 2 ARSB Estaduais foram responsáveis por 85% dessas penalidades Advertência e Multa Transparência Fonte ABAR - 2021 Consultas e Audiências Transparência Fonte ABAR - 2021 - Publicação de relatórios - Publicação de decisões - Transmissão das decisões Decisões Obrigada! katia_coco@yahoo.com.br Nome do curso Ponto 3 - Benefícios de uma lei geral de Agências Reguladoras ● Segurança Jurídica quanto à governança e ao processo decisório ● Estabilidade das decisões e conteúdos normativos ● Aumento dos mecanismos de controle social ● Fortalecimento da autonomia: “Art. 3º A natureza especial conferida à agência reguladora é caracterizada pela ausência de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira e pela investidura a termo de seus dirigentes e estabilidade durante os mandatos, bem como pelas demais disposições constantes desta Lei ou de leis específicas voltadas à sua implementação.” A Regulação no Brasil e no Mundo Regulação dos Serviços de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais Urbanas (DMPU) Módulo 13 – Ponto 4 Out/2022 “O gerenciamento e o manejo dos recursos hídricos são atividades essenciais para o convívio harmônico da cidade com suas águas, condição básica para o desenvolvimento saudável da vida humana” Manual de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais Urbanas do Distrito Federal – ADASA/DF - 2018 Jeferson da Costa Eng. Civil e Regulador na ADASA/DF Drenagem e Manejo de Águas Pluviais Urbanas 1 TÓPICO Legislação e Instrumentos do Setor 2 TÓPICO Cenário Atual (Brasil e EUA) 3 TÓPICO Experiência Brasileira 4 TÓPICO Perspectivas DMPU Legislação Lei Federal nº 11.445/2007, modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 2º. Os serviços públicos de saneamento básico serão prestados com base nos seguintes princípios fundamentais: I - universalização do acesso e efetiva prestação do serviço; ... IV - disponibilidade, nas áreas urbanas, de serviços de drenagem e manejo das águas pluviais, tratamento, limpeza e fiscalização preventiva das redes, adequados à saúde pública, à proteção do meio ambiente e à segurança da vida e do patrimônio público e privado; ... VII - eficiência e sustentabilidade econômica; Insira uma imagem aqui DMPU Legislação Lei Federal nº 11.445/2007, modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 8º Exercem a titularidade dos serviços públicos de saneamento básico: I - os Municípios e o Distrito Federal, no caso de interesse local; II - o Estado, em conjunto com os Municípios que compartilham efetivamente instalações operacionais integrantes de regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões...; § 1º O exercício da titularidade dos serviços de saneamento poderá ser realizado também por gestão associada, mediante consórcio público ou convênio de cooperação...Insira uma imagem aqui DMPU Legislação Lei Federal nº 11.445/2007, modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 29. Os serviços públicos de saneamento básico terão a sustentabilidade econômico-financeira assegurada por meio de remuneração pela cobrança dos serviços, e, quando necessário, por outras formas adicionais, como subsídios ou subvenções, vedada a cobrança em duplicidade de custos administrativos ou gerenciais a serem pagos pelo usuário, nos seguintes serviços: ... III - de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas, na forma de tributos, inclusive taxas, ou tarifas e outros preços públicos, em conformidade com o regime de prestação do serviço ou das suas atividades. DMPU Legislação Lei Federal nº 9.984/2000, modificada pela Lei n° 14.026/2020 Art. 4º-A. A ANA instituirá normas de referência para a regulação dos serviços públicos de saneamento básico. Consulta Pública nº 07/2022 – ANA Até 26/10/2022 Agenda Regulatória 2022-2024 Diretrizes para definição de modelos de regulação de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas ► Previsão para 2024 DMPU Instrumentos Lei Federal nº 11.445/2007 (Art. 9°) O titular do serviço deverá elaborar o Plano de Saneamento Básico (PMSB), contendo no mínimo: • Diagnóstico; • Prognóstico; • Metas – curto e longo prazos; • Programas e ações; • Indicadores; • Ações de emergência e contingência. Estatuto das Cidades (Lei n°10.257/2001) alterado pela Lei 12.608/2012. Regulamenta os Planos Diretores ► Plano Diretor de DMPU DMPU Cenário Atual Brasil O DMPU é o serviço de saneamento básico com menor grau de institucionalização no país, com generalizada ausência de: • Entidades públicas especializadas – prestadoras (autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista e concessionárias); • Receita específica associada à cobrança de taxa ou de tarifa; • Regulação; • Novo conceitos de sustentabilidade (técnicas compensatórias e orientação por meio de Plano Diretor). DMPU Cenário Atual Estados Unidos O Clean Water Act (1972) e seus desdobramentos estimularam nos EUA a constituição das chamadas stormwater utilities. O CWA estabelece a estrutura básica para regular as descargas de poluentes nas águas superficiais e regular a qualidade das águas superficiais. O Sistema Nacional de Eliminação de Descargas (NPDES) regula as fontes pontuais de poluição, por meio de licenciamento/outorga. Uma stormwater utility é uma entidade municipal na gestão das águas pluviais urbanas e de questões relacionadas (alagamentos, inundações, poluição das águas superficiais e erosão. Uma stormwater utility pode cobrar tarifas relacionadas ao controle e tratamento das águas pluviais. Em 2018, a média da tarifa mensal cobrada de uma unidade unifamiliar correspondia a US$ 5,34. DMPU Experiência Brasileira ETAPA 1 ETAPA 2 Diagnóstico, avaliação e planejamento Plano Distrital de Saneamento Básico - PDSB BLOCO 1 Melhorias e compreensão dos dados existentes BLOCO 2 Capacitação e Estudos Técnicos e Propostas (técnica, legal e econômica) BLOCO 3 Sistemas de gerenciamento e modelagens Etapas para Institucionalização ADASA/DF DMPU Perspectivas O que desejamos para o setor de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas? 1. Reduzir os riscos de danos à vida, à saúde pública, ao ambiente e aos patrimônios público e privado decorrentes de alagamentos e inundações; 2. Mitigar a poluição das águas superficiais e o assoreamento dos corpos receptores e a erosão causada pelo escoamento das águas pluviais; 3. Promover o aproveitamento das águas pluviais (uso da água) e contribuir com a recarga dos aquíferos (ciclo hidrológico); 4. Contribuir para embelezar a cidade e promover a integração com a paisagem e a convivência com as águas urbanas (estética urbana). DMPU Perspectivas O que fazer na regulação do setor? 1. Dispor dos instrumentos: 1. Diagnóstico (institucional, legal, econômico e técnico); 2. Prognóstico; 3. Metas e ações; 4. Fonte de recursos; 5. Indicadores. 2. Realizar inventário e cadastro técnico do sistema existente; 3. Levantamento de custos operacionais e de expansão; 4. Capacitação; 5. Arcabouço legal, técnico e econômico; 6. Participação social e divulgação das ações. Obrigado! Jeferson da Costa Superintendência de Drenagem Urbana jeferson.costa@adasa.df.gov.br Telefone: (61) 3961-5066 Foto: Orsini Yazaki Nome do curso A lei das Agências Federais do Brasil, Avanços e Perspectivas O cenário regulatório anterior à Lei Federal nº 13.848/2019 João Paulo Soares Coelho. Especialista em Regulação. Coordenador de Contratos e Legislação da Superintendência de Regulação de Saneamento Básico da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Bacharel em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Pós-graduado em Regulação Pública e Concorrência pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (CEDIPRE/FDUC). Pós-graduado em Concessões e Parcerias com a Administração Pública pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Pós-Graduando em Direito Econômico e Concorrência pela Fundação Getúlio Vargas - (FGV). Foi Assessor Jurídico do Gabinete do Procurador-Geral da República, na Assessoria Constitucional. Foi Assessor na Subchefia-Adjunta de Infraestrutura da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República (SAINF/SAJ/CC/PR). Foi membro da Comissão de Consolidação de Decretos de Caráter Normativo do Governo Federal Insira a foto do convidado aqui João Paulo Soares Coelho Especialista em Regulação Módulo 14 - O cenário regulatório anterior à Lei Federal nº 13.848/2019 Insira uma imagem aqui O cenário regulatório anterior à Lei Federal nº 13.848/2019 Lei nº 9.427/1996 - Agência Nacional de Energia Elétrica Lei nº 9.472/1997 - Agência Nacional de Telecomunicações Lei nº 9.478/1997 - Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Lei nº 9.782/1999 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária Lei nº 9.784/99 - Lei do Processo Administrativo Lei nº 9.961/2000 - Agência Nacional de Saúde Suplementar Lei nº 9.984/2000 - Agência Nacional de Águas Lei nº 9.986/2000 - Recursos Humanos das Agências Reguladoras Lei nº 10.233/2001 - Agência Nacional de Transportes Terrestres e Agência Nacional de Transportes Aquaviários MPv nº 2.228-1/2001 - Agência Nacional do Cinema Lei nº 11.182/2005 - Agência Nacional de Aviação Civil Lei 13.575/2017 - Agência Nacional de Mineração O cenário regulatório anterior à Lei Federal nº 13.848/2019 Contexto Prévio: ● Ausência de uniformidade institucional quanto à composição de Conselho Diretor ou Diretoria ● Heterogeneidade de período de mandatos ● Ausência institucional da figura institucional da Ouvidoria ● Submissão de questões administrativas à deliberação dos Ministérios (autorização para realização de concursos públicos, provimento dos cargos autorizados em lei, concessão de diárias e passagens, celebrar contratos e prorrogar contratos em vigor relativos a atividades de custeio conforme valor). ● Ausência de disciplina uniforme da Avaliação de Impacto Regulatório ● Ausência de disciplina uniforme da relação entre as agências reguladoras, e entre essas e os órgãos de defesa da concorrência, de defesa do consumidor e do meio ambiente Ponto 2 - Principais alterações introduzidas com a Lei nº 13.848/2019 ● Uniformidade institucional quanto ao tempo de mandato do Conselho Diretor ou Diretoria ● Definição legal de atributos institucionais de autonomia administrativa e decisória ● Fortalecimento do processo decisório, do dever de fundamentação (AIR - Vide Decreto 10.411/2020 e LINDB) ● Disciplina uniforme da Avaliação de Impacto Regulatório + Avaliação de Resultado Regulatório + Atualização do estoque regulatório ● Definição de metodologias específicas para aferição da razoabilidade do impacto regulatório: análise multicritério, custo-benefício, custo-efetividade,custo, risco e risco- risco, entre outras; ● Presença institucional da figura institucional da Ouvidoria ● Autonomia quanto a questões administrativas (autorização para realização de concursos públicos, provimento dos cargos autorizados em lei, concessão de diárias e passagens, celebrar contratos e prorrogar contratos em vigor relativos a atividades de custeio independentemente de valor). ● Disciplina uniforme da relação entre as agências reguladoras, e entre essas e os órgãos de defesa da concorrência, de defesa do consumidor e do meio ambiente Ponto 3 - Benefícios de uma lei geral de Agências Reguladoras ● Segurança Jurídica quanto à governança e ao processo decisório ● Estabilidade das decisões e conteúdos normativos ● Aumento dos mecanismos de controle social ● Fortalecimento da autonomia: “Art. 3º A natureza especial conferida à agência reguladora é caracterizada pela ausência de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira e pela investidura a termo de seus dirigentes e estabilidade durante os mandatos, bem como pelas demais disposições constantes desta Lei ou de leis específicas voltadas à sua implementação.” Ponto 4 - Perspectivas futuras para a regulação federal ● Série histórica da Análise de Impacto Regulatório e da Avaliação de Resultado Regulatório: Identificação do problema regulatório, dos atores afetados, da base legal, dos objetivos e alternativas de ação, além da eficiência, eficácia e economicidade das escolhas regulatórias ● Maior sinergia entre agências reguladoras ● Maior sinergia entre as agências reguladoras e os órgãos do SBDC ● Adoção de técnicas de regulação mais ágeis e mais focadas em estímulo de comportamentos: Regulação Responsiva Obrigado! João Paulo Soares Coelho joao.coelho@ana.gov.br Nome do curso mailto:joao.coelho@ana.gov.br O Estado da arte da estrutura regulatória para o saneamento no Brasil João Paulo Soares Coelho. Especialista em Regulação. Coordenador de Contratos e Legislação da Superintendência de Regulação de Saneamento Básico da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Bacharel em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Pós-graduado em Regulação Pública e Concorrência pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (CEDIPRE/FDUC). Pós-graduado em Concessões e Parcerias com a Administração Pública pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Pós-Graduando em Direito Econômico e Concorrência pela Fundação Getúlio Vargas - (FGV). Foi Assessor Jurídico do Gabinete do Procurador-Geral da República, na Assessoria Constitucional. Foi Assessor na Subchefia-Adjunta de Infraestrutura da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República (SAINF/SAJ/CC/PR). Foi membro da Comissão de Consolidação de Decretos de Caráter Normativo do Governo Federal Insira a foto do convidado aqui João Paulo Soares Coelho Especialista em Regulação Módulo 15 - O Estado da arte na estrutura regulatória para o saneamento básico no Brasil Ponto 1 - Papel das entidades Reguladoras Insira uma imagem aqui Insira uma imagem aqui Título Subtítulo Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aliquam in pulvinar diam. 01. TÍTULO Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aliquam in pulvinar diam. 02. TÍTULO Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aliquam in pulvinar diam. 03. TÍTULO Módulo 15 - O Estado da arte na estrutura regulatória para o saneamento básico no Brasil Ponto 2 - Entidades Reguladoras que atuam no saneamento Insira uma imagem aqui Módulo 15 - O Estado da arte na estrutura regulatória para o saneamento básico no Brasil Ponto 3: Novo Marco Regulatório e Entidades Reguladoras Insira uma imagem aqui Módulo 15 - O Estado da arte na estrutura regulatória para o saneamento básico no Brasil Ponto 4: Normas de Referência e entidades reguladoras Insira uma imagem aqui Obrigado! João Paulo Soares Coelho joao.coelho@ana.gov.br Nome do curso mailto:joao.coelho@ana.gov.br ARegulação no Brasil e no Mundo Estudos de Caso Internacionais Rui Cunha Marques Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) rui.marques@tecnico.ulisboa.pt www.ruicunhamarques.com mailto:rui.marques@tecnico.ulisboa.pt http://www.ruicunhamarques.com/ Estudos de caso internacionais Ponto 1: As concessões administrativas (PPPs) e a regulação em Portugal Ponto 2: O processo de concessão e regulação do Chile Ponto 3: Os desafios regulatórios da Colômbia Ponto 4: O pioneirismo regulatório do Reino Unido RuiCunha Marques Ponto 1: As concessões administrativas (PPPs) e a regulação em Portugal Modelos para participação do setor privado PPP Contratual (cPPP) Concessões Affermage Contratos de gestão Institucional (iPPP) Empresas mistas Setor público > 50% das ações 50% - 50% Setor privado > 50% das ações RuiCunha Marques A “abordagem” Europeia Responsabilidades, Direitos e deveres, Nível de serviço, Contingências, Rescisão antecipada, Penalidades, Compensações, … Modelos para participação do setor privado Contratos de obras públicas RuiCunha Marques Contratos de assistência técnica Subcontratação, terceirização Contratos de gestão Locação - Affermage Concessão - e. g. BOT BOO - Build, Own and Operate M od el os PP P Grau de envolvimento Assunção de risco Setor privado Setor privado Privatização material Setor público Portugal Área: 92 256 km2 População: 10 344 802 (2021) RuiCunha Marques Regulação: Em Portugal continental existe uma agência reguladora dedicada aos serviços de saneamento, a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) que, de acordo com os seus estatutos, tem funções de regulação relevantes para promover a qualidade do serviço e a sustentabilidade financeira dos prestadores. Nos Açores existe a ERSARA, similar à ERSAR, mas para aquele arquipélago. Na Madeira ainda não há regulação. Estrutura de Mercado: O serviço de abastecimento de água e de esgoto encontra-se desagregado em prestadores de ‘varejo’ e ‘atacado’. Identificam-se prestadores com modelo de gestão direta (município, associação de municípios, SAAE), gestão delegada (empresa municipal e também com participação privada) e concessão / PPP. Portugal – Regulação M is sã o A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), pessoa coletiva de direito público com jurisdição nacional, é uma entidade administrativa independente com funções de regulação e de supervisão, dotada de autonomia de gestão, administrativa e financeira e de património próprio e que se encontra adstrita ao ministério com atribuições na área do ambiente. A ERSAR conta atualmente com 85 colaboradores e um orçamento de cerca de 7,5 milhões de euros A ERSAR tem por missão a regulação e a supervisão dos setores dos serviços de abastecimento público de água, de esgotamento sanitário urbano e de gestão de resíduos urbanos (cerca de 400 prestadores), incluindo o exercício de funções de autoridade competente para a coordenação e a fiscalização do regime da qualidade da água para consumo humano. RuiCunha Marques Portugal – Regulação ERSAR Universo de 400 Prestadores … de titularidade Estatal e Municipal … de gestão direta, delegada e concessionada … com serviços em alta e baixa 263 prestadores de serviços de abastecimento de água RuiCunha Marques 266 prestadores de serviços de esgotamento sanitário 280 prestadores de serviços de gestão de resíduos urbanos 10 milhões de usuários Modelo Regulatório da ERSAR REGULAÇÃO ESTRUTURAL DO SETOR: Contribuição regulatória para a organização dos setores Contribuição regulatória para a regulamentação dos setores Contribuição regulatória para a informação dos setores Contribuiçãoregulatória para a capacitação dos setores REGULAÇÃO COMPORTAMENTAL DOS PRESTADORES: Regulação legal e contratual Regulação econômica dos prestadores Regulação da qualidade de serviço prestado Regulação da qualidade da água para consumo humano Regulação da interface com os usuários ATIVIDADES REGULATÓRIAS COMPLEMENTARES: Elaboração e divulgação regular de informação Apoio técnico aos prestadores RuiCunha Marques Regulação econômica A ERSAR tem tido como função aprovar regulamentos tarifários nos quais são estabelecidas regras de definição, fixação, revisão e atualização dos tarifários de abastecimento público de água, esgotamento sanitário urbano e gestão de resíduos urbanos. Dependendo de cada tipo de modelo de gestão, o modelo de regulação econômica adotado é diferente: Preço teto / regulação por contrato (para PPP / concessão) e para as empresas municipais Receita Teto (em implementação) – Até recentemente, a taxa de retorno era adotada (nos contratos de concessão multimunicipal ou seja de varejo) Taxa de retorno (aplicado aos contratos de concessão multimunicipal no passado e ainda na gestão direta pelos municípios) RuiCunha Marques Regulação econômica A ERSAR no cumprimento das suas atribuições de regulação econômica dos serviços de resíduos urbanos elaborou e aprovou o Regulamento Tarifário em Reunião do Conselho Diretivo da ERSAR em 17 de fevereiro de 2014, nos termos do n.º 2 b) do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 277/2009, de 2 de outubro; Este Regulamento visa definir as regras para o estabelecimento das tarifas para todas os prestadores de serviços de gestão de resíduos urbanos, quer de titularidade estatal quer municipal, e cobrindo os modelos de gestão direta, gestão delegada e gestão concessionada; Na implementação efetiva do Regulamento Tarifário, a ERSAR necessita de definir ou de estabelecer a metodologia de determinação do fator de eficiência – X (aplicado aos custos de exploração), no âmbito do modelo de determinação de tarifas para o modelo de gestão de titularidade estatal dos serviços de resíduos urbanos; Pelo Regulamento Tarifário, os custos de exploração são desagregados em ‘associados às operações’ e ‘associados à estrutura’ (Artigo 34º). RuiCunha Marques Regulação da qualidade de serviço A Regulação da Qualidade de Serviço adota a regulação sunshine (exposição) isto é, pelo cálculo, comparação e publicação dos resultados de indicadores de desempenho específicos para os serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário (tem variado entre 20 e 12 por cada serviço ao longo do tempo). Avaliação global e individual dos indicadores de desempenho por serviço Mapeamento do desempenho por serviço e por indicador de desempenho RuiCunha Marques A atividade regulatória e os contratos de concessão O papel da ERSAR em relação aos contratos de concessão Emite parecer sobre os editais de licitação e sobre o estudo de racionalidade do modelo de gestão (comparador do setor público) e se o modelo de PPP/concessão melhora o modelo atual e é o que maximiza o interesse público; Emite parecer sobre o contrato de PPP/concessão a ser firmado entre o setor público (município) e a empresa privada; Acompanha anualmente o cumprimento do contrato, nomeadamente a execução do plano de investimento e o reajuste tarifário anual (fórmula de atualização de preços); Supervisiona a qualidade do serviço através de um modelo de benchmarking baseado num conjunto de indicadores de desempenho que incluem dimensões sociais, financeiras e ambientais. RuiCunha Marques A atividade regulatória e os contratos de concessão Emite parecer sobre os pedidos de renegociação e recomposição do equilíbrio econômico-financeiro; São realizadas auditorias periódicas ao cumprimento dos contratos; Apoia a resolução de reclamações de usuários ou outras partes interessadas, bem como quaisquer conflitos existentes. O papel da ERSAR: RuiCunha Marques Balanço da regulação em Portugal RuiCunha Marques Desde a 1ª geração do sistema de regulação da qualidade de serviço (2003), este sistema continua a ser um instrumento chave de regulação, reconhecido pelos stakeholders; A regulação da qualidade de serviço e o modelo de benchmarking adotado tem permitido os prestadores melhorar substancialmente a sustentabilidade e a qualidade da prestação dos serviços de saneamento A regulação econômica permanece uma área ainda com grande margem de melhoria, com grande heterogeneidade em função do modelo de prestação. Ponto 2: O processo de concessão e regulação do Chile Chile Durante o final da década de 1980, em resposta à crescente necessidade de investimentos para construir novas infraestruturas e melhorar o funcionamento das existentes, o governo chileno desenvolveu uma nova legislação, pela qual o antigo setor de saneamento básico foi transformado em vários serviços estatais. Entre 1988 e 1990 houve uma intensa reforma do setor de água no Chile. A legislação implantada possibilitou a criação de empresas de serviços públicos e separou as funções do Estado como prestador de serviços do Estado como ente regulador. RuiCunha Marques Chile No período de 1998 a 2001, a participação do setor privado se deu de duas formas distintas: com a venda de ativos em empresas públicas até o limite máximo de 65% inicialmente, sendo depois permitida a totalidade; e por meio de contratos de concessão. O modelo de contratos de concessão foi privilegiado pelo governo a partir de 2001. RuiCunha Marques Chile População: 19 377 029 (2021) RuiCunha Marques Área: 756 950 km2 Regulação: No Chile, a regulação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário encontra-se sob a responsabilidade da Superintendencia de Servicios Sanitarios (SISS). Estrutura de Mercado: Os serviços das áreas urbanas (empresas privadas) são fornecidos por 53 empresas, as quais se encontram repartidas entre 52 prestadores dedicados ao serviço de água e 50 prestadores que prestam o serviço de esgoto. Nas áreas rurais, a situação é mista, existindo tanto prestadores privados quanto públicos Chile – Regulação A SISS supervisiona e regula os serviços de água e esgoto nas áreas urbanas. A fim de lhe ser conferida independência política, a SISS foi criada como instituição descentralizada, dotada de património próprio, autonomia administrativa e financeira. A SISS conta atualmente com 157 colaboradores e um orçamento de cerca de 11,5 milhões de euros Além das respectivas incumbências de regulação de preços, da qualidade do serviço e das obrigações de serviço público, detém a valência de impor sanções e coimas às empresas quando estas se encontram em situação de infração das normas em vigor. A SISS possui também atribuições relativas ao tratamento das reclamações dos usuários. RuiCunha Marques Chile – Regulação A SISS regularmente controla tanto a qualidade da água, como a qualidade do serviço prestado. A SISS executa fiscalização indireta dos serviços prestados de abastecimento de água e esgotamento sanitário através da determinação de um conjunto de indicadores de desempenho, estruturado nas seguintes categorias: Ademais, para induzir a competição entre os prestadores, a SISS elabora um ranking anual, com base na qualidade do serviço e em outras informações relativas a aspectos financeiros e operacionais dos prestadores de serviços. Cumprimento com as obras predefinidas Atendimento dos serviços Gestão operacional Gestão financeira e comercial de água Qualidade do serviço Gestão ambiental RuiCunha Marques Chile - SISS RuiCunha Marques Chile (SISS) Definição de tarifas Sim Método utilizado Teto de preços Técnica utilizada Empresa eficiente Período regulatório 5 anos Manual de contabilidade regulatória Sim Base de capital regulada Sim Tarifas Sim Qualidade do Serviço Sim Subsídios Sim Sistemas Rurais Não Mecanismo de Subsídio Subsidio direto ao consumo aos usuários mais pobres pago pelo governonacional aos prestadores. Os municípios identificam os usuários elegíveis. Papel do regulador Não interfere. Regulação econômica Com base numa variação da regulação por incentivos tradicional, uma vez que é definida uma empresa modelo/eficiente para cada prestador; Não há comparação com prestadores reais, mas com um prestador teórico (eficiente); O conceito de prestador eficiente é imposto para possibilitar ao regulador a determinação dos custos base para definição de tarifas e poder assim incluir ainda os ganhos de produtividade esperados (fator X); Os preços teto são definidos para um período regulatório de 5 anos; Os prestadores estimam o nível de consumo para os próximos 15 anos e os investimentos necessários para satisfazer as essas necessidades. Existem várias metas operacionais (e.g. perdas) RuiCunha Marques La Superintendencia de Servicios Sanitarios (SISS) Regulação da Qualidade de Serviço INDICADORES DE DESEMPENHO a) Cumprimento com as obras predefinidas (%) e) Qualidade do serviço b) Atendimento dos serviços Qualidade da água potável (%) Cobertura do serviço de água (%) Continuidade de serviço de água (%) Cobertura do serviço de esgoto (%) Pressão do serviço de água potável (%) c) Gestão operacional Continuidade de serviço de esgoto (%) Fontes de abastecimento (nº) Capacidade de cobrar os serviços (%) Produção (l/s) e perdas de água (%) Tempo de resposta a reclamações (%) Redes de distribuição (m/usuário) f) Gestão ambiental Indicadores de produtividade (staff/usuário) Tratamento de esgoto (%) d) Gestão financeira e comercial Desempenho das ETE (%) Faturação de água ($/usuário) Investimentos /$/usuário) Custos de exploração ($/usuário) Resultados operacionais ($/ano) Resultados não operacionais ($/ano) Resultados líquidos do exercício ($/ano) Ativos ($/ano) Indicadores de rentabilidade (%) No sentido de incentivar a qualidade do serviço, a SISS determina um conjunto de indicadores de desempenho, desagregados em cumprimento com as obras predefinidas, atendimentos dos serviços, gestão operacional, gestão financeira e comercial de água, qualidade do serviço e gestão ambiental RuiCunha Marques Regulação da Qualidade de Serviço RuiCunha Marques O regulador (SISS) promove incentivos aos prestadores através da avaliação da cobertura dos serviços urbanos (indicador de desempenho). Região Ministério de Desenvolvimento Social Ministério das Finanças Empresa de águaApresentar a fatura ao município Validar a fatura e envie-a ao Governador da Região Município Recolher as contas e apresentar um projeto de lei regional ao Ministério Recolher contas e enviar uma fatura consolidada Aprovar gastos e fazer depósito em cada região Transferênci a para municípios Pagamento à empresa A cada ano, o Ministério do Desenvolvimento Social determina, para cada região, o valor do subsídio e a forma de aplicação. O subsídio é totalmente suportado pelo orçamento do Governo Central. O subsídio social pode cobrir entre 25-85% da fatura até 15 m³ por mês (pago pelo município à empresa). O subsídio aplica-se a ambas as taxas (fixa e variável) para serviços de água e saneamento. Regulação Social e Acesso da População Vulnerável Balanço da regulação no Chile RuiCunha Marques A regulação do Chile tornou-se uma referência pelos resultados alcançados, em particular a universalização dos serviços e um nível de qualidade de serviço elevado prestado à população O modelo de regulação tarifária adotado tem também permitido manter as tarifas de modo comportáveis para os usuários. Além disso, o modelo de subsídio direto à população de baixa renda é considerado muito eficaz. Pelo fato das empresas prestadoras serem privadas, existe bastante controvérsia, mas os bons resultados globais para o setor tem evitado mudanças neste domínio Ponto 3: Os desafios regulatórios da Colômbia Colômbia Durante a primeira metade do século XX, os municípios foram responsáveis pelo saneamento básico na Colômbia. Em 1950, foi adotado um esquema centralizado e criado um Instituto de Desenvolvimento Municipal (INSFOPAL), mas os municípios mantiveram a responsabilidade pelo fornecimento dos serviços. Em 1989, o INSFOPAL faliu financeiramente e, em 1991, a Constituição Nacional delegou aos municípios a responsabilidade de fornecer saneamento, ao mesmo tempo que lhes deu o poder de decidir sobre a eventual participação do setor privado na gestão do setor do saneamento. A estrutura legal do setor do saneamento foi contida na “Ley de Servicios Públicos Domiciliários” (Lei 142/1994). A primeira PPP foi constituída em 1995. RuiCunha Marques Colômbia População: 51 109 158 (2021) RuiCunha Marques Área: 1 141 748 km2 Regulação: Na Colômbia, a regulação dos serviços de água e esgotamento sanitário cabe a duas instituições: Comisión de Regulación de Agua Potable y Saneamiento Básico (CRA), que define a regulação que todos os prestadores devem seguir, incluindo as metodologias para o cálculo de tarifas, e a Superintendencia de Servicios Públicos Domiciliarios (SSPD), que exerce as funções de inspeção, fiscalização e controle sobre os referidos prestadores incluindo da qualidade de serviço. Estrutura de Mercado: Na Colômbia existem mais de 2700 prestadores que se organizam em empresas estatais, empresas municipais, empresas privadas e outros modelos para prestadores de menor dimensão. Colômbia – Regulação • A CRA é uma entidade nacional, enquanto Unidade Administrativa Especial com autonomia administrativa, técnica e patrimonial, sem personalidade jurídica, e vinculada ao Ministério da Habitação, Cidade e Território; • A CRA tem funções de regulação econômica, estabelecendo os sistemas tarifários dos prestadores através de critérios de eficiência econômica e promovendo a competição entre eles; • Não obstante as várias e importantes funções que detém, a CRA não é responsável pela monitorização de muitas das decisões que toma, estando esta atribuição afeta à SSPD. • A CRA conta atualmente com 73 colaboradores e um orçamento de cerca de 5,4 milhões de euros. A SSPD é responsável pela monitorização e supervisão dos serviços públicos (por ex., água, energia, gás e telecomunicações). Neste âmbito, procura que os prestadores prestem estes serviços de forma adequada e eficiente, estabelecendo critérios contabilísticos uniformes, supervisionando a administração dos subsídios e monitorizando a sua gestão. RuiCunha Marques Colômbia – Regulação Se um prestador de serviços é financeiramente fraco, não pode operar e manter adequadamente seus ativos, nem mobilizar recursos financeiros para melhorar a cobertura ou a qualidade do serviço. Os reguladores podem ajudar: • Na Colômbia, o governo concentrou-se inicialmente no estabelecimento de custos unitários e na padronização das normas contábeis utilizadas pelas concessionárias. Isso permitiu introduzir eficiências para refletir totalmente os custos operacionais primeiro e depois cada vez mais os investimentos. Construir uma base analítica sólida • As reformas tarifárias da Colômbia foram em grande parte efetivas, estimulando a participação do setor privado. Garantir o investimento do setor privado é improvável sem a melhoria da sustentabilidade financeira por meio de regulação; • O órgão regulador da Colômbia mostra o papel da regulamentação na atração da participação do setor privado (PSP). A Lei 142 de 1994 define PSP e promove processos de compras transparentes. Atrair investimentos do setor privado RuiCunha Marques Regulação Econômica A CRA) estabelece um modelo de regulação tarifária distinto para os prestadores com menos de 5000 usuários e para aquele com mais de 5000 usuários Para prestadores com menos de 5000 usuários Definição de Tarifas Custo Fixo = CMA Tarifa Variável = CMO + CMI + CMT CMA – Custo Médio de Administração CMO – Custo Médio de Operação CMI – Custo Médio de Investimento CMT – Custo Médio de Taxas Ambientais Os custosmédios administrativos (CMA), para um período de 5 anos, para o serviço de água (AC) e para o serviço de esgoto (AL) são os seguintes: Os custos operacionais são determinados tendo em consideração um fator de eficiência (Fator X), determinado com base na técnica DEA RuiCunha Marques Para prestadores com mais de 5000 usuários Os custos são determinados com base no histórico Regulação Econômica A CRA • O modelo de DEA é utilizado para dois grupos distintos de prestadores (entre 2500 e 25.000 usuários e mais de 25.000 usuários); • O modelo considera retornos constantes de escala e orientado para a minimização de inputs; • A qualidade da amostra é controlada por parâmetros mínimos e por regras estatísticas para evitar a presença de outliers; • Usa várias variáveis não controláveis. Usa DEA para determinar os custos administrativos e OPEX eficientes; Com base num sistema de preços teto (para um período de cinco anos), que também inclui um limite mínimo de 50%. Modelo Regulatório RuiCunha Marques Regulação da Qualidade de Serviço RuiCunha Marques O monitoramento da qualidade de serviço na Colômbia encontra-se sob a responsabilidade da SSPD, em particular através de um conjunto de indicadores de desempenho. Água Esgoto Água captada (m3 | %) Esgoto tratado (m3 | %) Capacidade instalada de produção de água (l/s) Capacidade instalada de tratamento de esgoto (l/s) Consumo de água (m3/usuário/mês) Água não faturada (% | m3/usuário/mês) Índice de qualidade de água (%) Índice de qualidade de esgoto tratado (%) Índice de continuidade (h/dia) Cobertura de serviço (%) Cobertura de serviço (%) Preço médio ($/m3 | $/usuário/mês) Preço médio ($/m3 | $/usuário/mês) Financiamento do setor Os planos de investimento do setor de saneamento básico são aprovados pelo CRA. Além do financiamento estatal, existe uma RuiCunha Marques comercial nacional denominada que promove o desenvolvimento empresa FINDETER, regional e urbano através do financiamento e assessoria na conceção, execução e administração de projetos e programas de investimento. As tarifas são divididas em várias etapas que são tributadas de forma diferente: 6 etapas residenciais e 2 não residenciais (comerciais/industriais ou oficiais). Ø “Residencial 1 – bajo-bajo Ø Residencial 2 – bajo Ø Residencial 3 – medio-bajo Ø Residencial 4 – medio Ø Residencial 5 – medio-alto Ø Residencial 6 – alto Ø Comercial / Industrial Ø Oficial” Regulação social Balanço da regulação na Colômbia RuiCunha Marques A regulação econômica da CRA ganha destaque pelo seu modelo de regulação tarifária baseado em incentivos de eficiência Observa-se uma complementaridade entre a regulação econômica e regulação da qualidade de serviço em duas entidades distintas, o que tem vantagens mas também problemas Os modelos regulatórios baseados em benchmarking têm de ser aplicados com cuidado, devido à heterogeneidade dos prestadores. Balanço da regulação na Colômbia RuiCunha Marques Os principais problemas do setor de saneamento na Colômbia não podem ser dissociados dos problemas do país. Além dos conflitos políticos, que condicionam o desenvolvimento do setor em parte considerável do território, a baixa renda per capita e a baixa densidade populacional também afetam a sustentabilidade desse setor. A regulação da qualidade de serviço pode e deve ser melhorada, nomeadamente, através da publicação e comparação de indicadores de desempenho. Até muito recentemente, o CRA tem, compreensivelmente, centrado a sua atividade na regulação econômica e na regulação social. Uma coordenação eficaz entre CRA e SSPD é de fundamental importância em termos de regulação da qualidade de serviço. Ponto 4: O pioneirismo regulatório do Reino Unido Reino Unido Os serviços de saneamento básico são regulados por diversos documentos normativos na Inglaterra e no País de Gales. A implementação da Lei da Água de 1989 levou à privatização do setor de água. A Lei do Setor de Águas de 1991 definiu as funções e o modus operandi do regulador, bem como os direitos e obrigações dos serviços de saneamento básico relativos ao meio ambiente e aos usuários. Essa lei de 1991 foi alterada em 1999 e, passou a incluir uma nova seção referente aos aspectos sociais, abrangendo questões como a proibição de desconexão de serviços e outra seção que criou a agência reguladora escocesa (The Water Industry Commissioner for Scotland - WICS). As principais mudanças na Lei da Água de 2003 foram relacionadas à introdução da concorrência para grandes consumidores. RuiCunha Marques Reino Unido Na Escócia, a Lei da Água de 1980 foi um dos marcos normativos mais importantes, que, entre outros aspectos, regulamentou a qualidade da água potável. A Lei da Indústria da Água de 1999 criou a WICS, a agência reguladora do setor, cujos estatutos foram posteriormente alterados pela Lei de Serviços de Água de 2005, que também mudou seu nome para Comissão da Indústria da Água. A Lei da Indústria da Água de 2002 criou a Scottish Water Act, fundindo os três prestadores públicos existentes que fornecem serviços de saneamento básico para a população da Escócia. Também regulamentou o papel do regulador econômico (WICS), dos Painéis de Usuários e do regulador da qualidade da água potável (Drinking Water Quality Regulator). RuiCunha Marques Reino Unido Na Irlanda do Norte, um documento normativo de 1999 (Water Order) alterou a estrutura organizacional existente do setor de água em muitos aspectos, que, até então, tinha sido baseada na Lei da Água de 1972. Esta lei regularia, por exemplo, os níveis mínimos para a qualidade da água potável, bem como para a descarga de efluentes. Mais tarde, em 2003, outras normas ambientais (Water Environment Regulations) implementaram a Diretiva Quadro da Água, estabelecendo níveis ainda mais rigorosos de qualidade. Foi também o regulador criado (Utility Regulator). Abrangendo todo o Reino Unido, a Lei de Concorrência de 1998 esclareceu a regulamentação da concorrência no país, incluindo a liberalização e a abertura do setor de água à concorrência. A lei identifica e aborda as práticas restritivas de mercado e o abuso de posição dominante no mercado. Além dessas imposições, a lei introduziu novas penalidades para os atos anti-concorrenciais. RuiCunha Marques Reino Unido População: 68 207 116 (2021) RuiCunha Marques Área: 242 495 km2 Regulação: No Reino Unido (que inclui Inglaterra e País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte), o setor da água é regulado (nos três países) por agencias reguladoras setoriais, nomeadamente OFWAT (para Inglaterra e País de Gales), WICS (para Escócia) e UR (para Irlanda do Norte). Refira-se que a OFWAT e o seu modelo de regulação é uma referência a nível internacional, nomeadamente ao nível da regulação econômica. Estrutura de Mercado: Em Inglaterra e no País de Gales existem 10 empresas privadas que prestam conjuntamente serviços de água e esgoto e 6 empresas que apenas prestam o serviço de água. O resto são empresas de pequena dimensão. Na Escócia e Irlanda do Norte são prestadores nacionais. Reino Unido A OFWAT é uma entidade reguladora independente com funções de regulação econômica dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário em Inglaterra e no País de Gales. Esta entidade foi criada como uma instituição descentralizada, dotada de património próprio, autonomia administrativa e financeira. A OFWAT conta atualmente com 232 colaboradores e um orçamento de cerca de 39 milhões de euros. Aliado às suas incumbências de regulação econômica (sistema tarifário), a OFWAT efetua também a regulação da qualidade do serviço e de proteção do usuário . Promove também a competição no setor do saneamento nos dois países, particularmente para os consumos não residenciais e grandes usuários. RuiCunha Marques Regulação econômica Determinação dos níveis de serviço, da ‘avaliação global do desempenho’ e de outras medidas de desempenhoQualidade de serviço Sunshine regulation Regulação econômica em Inglaterra e País de Gales é apontada como um caso elucidativo de sucesso no uso de incentivos O regulador: OFWAT Os melhores prestadores na qualidade de serviço são compensados com um aumento do tarifário e os piores são penalizados Preços + qualidade serviço Abordagem ‘Carrot e stick’ Regulação de preços/tarifas Preços e tarifas Definição dos custos eficientes (na fórmula de limite de preços) através de métodos de benchmarking (OLS e DEA para comprovar) RuiCunha Marques Regulação econômica OPEX A Southern, Yorkshire, B Anglian, & West Hampshire Severn , Sutton & Essex & Suffolk C Tendring Hundred Three Valleys South West D Dwr Cymru, Folkestone & Dover, Mid Kent E South East E D C B A CAPEX (manutenção) Os custos eficientes são transformados em fatores X e tornam-se os objetivos a serem alcançados por cada prestador no período seguinte de regulação. A regulação do setor do saneamento é reconhecida como benchmark e exemplo a seguir The Water Services Regulation Authority (OFWAT) Regressão DEA Determinar os custos eficientes que são a base para o cálculo do fator-X (na fórmula price cap) RuiCunha Marques A – Mais eficiente; B – Acima da média; C – Média; D – Abaixo da média; E – Menos eficiente. Regulação de qualidade de serviço RuiCunha Marques A OFWAT possui um modelo de regulação de qualidade de serviço baseado em níveis mínimos de serviço garantidos, sendo os usuários indenizados diretamente pelos prestadores quando os mesmos não são assegurados. Descrição DG2 – Propriedades em risco de baixa pressão (horas / usuário / ano) DG3 – Propriedades sujeitas a interrupções não planeadas superiores a 12h (nº) DG4 – População sujeita a fornecimentos fora da rede pública (nº | %) DG5 – Propriedades sujeitas a inundações (transbordamento ou outras causas) (nº) DG5 – Propriedades sujeitas a risco de incidentes de inundações (1 em 10 anos) (nº) DG5 – Propriedades sujeitas a risco de incidentes de inundações (2 em 10 anos) (nº) DG6 – Contatos sobre faturação não respondidos (dentro de 5 dias úteis) (nº) DG7 – Reclamações escritas não respondidas (dentro de 10 dias úteis) (nº | nº/usuário) DG8 – Faturas não baseadas em medições (%) DG9 – Telefonemas recebidos não respondidos dentro de 30 segundos (nº) DG9 – Chamadas telefónicas (nº) – Chamadas abandonadas – Todas as linhas ocupadas – Satisfação do call handling Balanço da regulação no Reino Unido RuiCunha Marques A regulação econômica da OFWAT, em Inglaterra e País de Gales, é uma referência internacional não apenas por ter sido pioneira a nível mundial mas também pela inovação com aplicação de técnicas e modelos mais robustas e complexos Existe um grande foco na sustentabilidade financeira e social (modicidade tarifária) dos serviços de saneamento Nos últimos anos, a regulação tem sido muito criticada pela falta de incentivos para a realização de investimentos na sustentabilidade ambiental e resiliência dos serviços e ainda assim os prestadores evidenciarem lucros elevados Balanço da regulação no Reino Unido RuiCunha Marques O Reino Unido tem um modelo regulatório bem projetado, moderno e muito robusto. A regulação se preocupa principalmente em salvaguardar os interesses dos usuários, sem negligenciar a sustentabilidade dos prestadores. Os diferentes reguladores têm sido capazes de supervisionar e monitorar com sucesso a qualidade do serviço, como as melhorias neste setor têm provado. Balanço da regulação no Reino Unido Os reguladores asseguraram que as diferentes obrigações de serviço público sejam cumpridas através do estabelecimento de contratos entre as diversas partes interessadas, e mantiveram a remuneração dos prestadores através de uma regulação econômica adequada, ou seja, garantindo a viabilidade econômica e financeira dos prestadores sem permitir lucros acima de um nível justo e razoável. Finalmente, é importante observar que em todos os seus diversos aspectos econômicos, sociais e ambientais, a regulação no Reino Unido foi desenvolvida a partir de uma perspectiva de longo prazo e com o objetivo de garantir a sustentabilidade. Os aspectos menos bem-sucedidos estão relacionados à ausência de uma medição universal para medir os volumes consumidos e o alto risco regulatório predominante, o que torna o setor de saneamento básico britânico menos atraente para o setor privado. RuiCunha Marques Obrigado! Nome do curso Rui CunhaMarques Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) rui.marques@tecnico.ulisboa.pt www.ruicunhamarques.com mailto:rui.marques@tecnico.ulisboa.pt http://www.ruicunhamarques.com/