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Rui Cunha Marques 
A Regulação no Brasil e 
no Mundo
Origem da regulação no mundo, primórdios da 
regulação e desenvolvimento 
Origem da regulação no mundo, primórdios 
da regulação e desenvolvimento
Rui Cunha Marques
Ponto 1: Os primórdios da regulação
Ponto 2: Evolução regulatória no mundo
Ponto 3: Relevância da regulação para o desenvolvimento 
Ponto 4: Modelos regulatórios de destaque no mundo 
Os primórdios da 
regulação 
Necessidade de regulação
Nas últimas décadas verificou-se uma desintervenção do 
Estado na economia, a qual foi acompanhada pelo reforço 
da sua função regulatória (freer market, more rules). 
Insira uma 
imagem aqui
Rui Cunha Marques
Os primórdios da 
regulação 
Necessidade de regulação
Entre as mutações ocorridas, que levaram a que o paradigma 
do Estado intervencionista tenha sido substituído pelo da 
economia de mercado regulada, destacam-se, desde já: 
a clara retirada do Estado na economia (no fornecimento de 
serviços públicos)
a necessidade de desgovernamentalização da atividade 
regulatória
a “fuga” para o direito privado do setor público (com a 
consequente alteração do setor empresarial do Estado)
Os serviços públicos que, em muitos países,
estavam fora do mercado, foram mercantilizados
e empresarializados, requerendo, como tal, uma
necessidade acrescida de regulação.
Rui Cunha Marques
Os primórdios da 
regulação 
Necessidade de regulação
Rui Cunha Marques
• Prestadores privados especialmente regulados;
• A sua concessão (PPP) a prestadores privados;
• Através de empresas públicas.
A prestação de serviços públicos tem sido 
tradicionalmente disponibilizada segundo as 
seguintes configurações:
Hoje, cada vez mais, também:
v As empresas públicas são reguladas por agências externas
(independentes);
v As PPP (regulação contratual) não dispensam a regulação por
agências reguladoras (regulação discricionária).
Regulação define-se como o estabelecimento e a 
implementação de um conjunto de regras 
específicas, necessárias ao funcionamento 
equilibrado de um determinado setor, em função do 
interesse público; 
Regime 
regulatório
Rui Cunha Marques
Teorias que justificam a regulação
Origem da regulação:
v Teoria do interesse público:
Baseia-se no pressuposto de que o Estado deve intervir 
sempre que existam falhas de mercado, de modo a 
prevalecerem o interesse público, maximizando o bem-estar 
social. 
Exemplos de falhas de 
mercado: competição 
imperfeita, problemas de 
informação, 
externalidades, bens 
públicos e resultados 
indesejáveis; 
Teorias que justificam a regulação
v Teoria do interesse público:
Economias de escala
Economias de escopo
Economias de densidade
Monopólios naturais
Economias de 
verticalização
Custos elevados e 
irrecuperáveis (sunk)
Competição 
Imperfeita
Teorias que justificam a regulação
v Teoria do interesse público:
Assimetrias de informação
Risco moral 
(moral hazard)
Seleção adversa
Variáveis endógenas à agência 
reguladora, às quais o regulador não 
tem acesso, i.e. ,informação escondida.
Agência regulada detém mais informação 
que o regulador sobre variáveis exógenas, 
i.e. ,quando existe distribuição assimétrica 
de informação 
Distorção dos custos e a sua alocação Progresso tecnológico e a evolução de 
certos segmentos de mercado
Teorias que justificam a regulação
v Teoria do interesse público:
10
Bens quase-públicos
Valor social muito superior ao valor econômico
Externalidades 
(positivas e 
negativas) 
Benefícios maiores que os gastos:
• Negativas: caso da poluição
• Positivas: financiamento da 
capacitação ou da vacinação 
Teorias que justificam a regulação
Origem da regulação:
v Teoria dos grupos de interesse:
Admite que a função regulatória gera vencedores e derrotados e que a regulação existe para a satisfação
dos interesses de certos grupos sociais. A regulação não é vista como uma resposta aos fracassos do
mercado, mas como procurada e oferecida em função dos interesses daqueles que sofrem os efeitos
distributivos e políticos das variantes possíveis (e.g. controlo da concorrência, atribuição de subsídios e
condições de acesso).
Teorias que justificam a regulação
Origem da regulação:
v Teoria da escolha pública
Nesta teoria a preocupação incide sobre as falhas do Estado e não do mercado. Esta teoria justifica o
aumento da atividade do Estado e da regulação como resultado da demanda da maximização da utilidade
(rent seeking) dos políticos, funcionários públicos e burocratas. Não há incentivos para a defesa do
interesse público por parte dos políticos e dos agentes de decisão pública, mas sim dos seus próprios
interesses.
Tipos de regulação
Essencialmente, subsistem 
cinco formatos de instituição 
da regulação:
Regulação estadual/municipal direta
Regulação estadual/municipal indireta
Regulação por agência independente
Auto-regulação
Regulação por contrato
Obrigado!
Rui Cunha Marques
Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL)
rui.marques@tecnico.ulisboa.pt
www.ruicunhamarques.com
Nome do curso
Rui Cunha Marques 
A Regulação no Brasil e 
no Mundo
Origem da regulação no mundo, primórdios da 
regulação e desenvolvimento 
Evolução regulatória no 
mundo 
Regulação: Evolução histórica
Rui Cunha Marques
Nos EUA e na Europa existem 
reguladores (e regulação) há 
muitos anos .
• Nos Estados Unidos, a regulação de serviços 
públicos privados foi implementada no século XIX. 
A tradição foi sempre regular empresas privadas;
• O Reino Unido e a Austrália estabeleceram 
reguladores independentes nas décadas de 1980 
e 1990 como parte de um pacote de reformas 
construídas em torno da liberalização, 
privatização ou corporização dos mercados;
• Outros países europeus nos anos 90 seguiram os 
seus passos;
• Ainda assim, na França e na Espanha a regulação 
por contrato tem historicamente dominado.
Regulação: Evolução histórica
• Até ao ano 2000 foram criadas mais de 100 agências reguladoras para os serviços de saneamento. No ano 2010
estimavam-se em mais de 200 agências reguladoras e hoje (2022) serão próximas das 300;
• O Brasil é o pais do mundo com mais agências reguladoras dos serviços de saneamento, com quase 100 agências
reguladoras, entre agências estaduais, intermunicipais (consorciais) e municipais;
• A regulação nos países de renda baixa ou média (e.g. América Latina) foi imposta pelas agências multilaterais que
condicionavam o financiamento à existência destas entidade reguladoras, com o objetivo de remover a influência
política na gestão dos serviços de infraestruturas.
Regulação: Evolução histórica
• No entanto, o contexto de regulação nos vários países era muito diferente daquele de onde os modelos eram
originários - em termos de acesso, qualidade de serviço, disponibilidade de dados, capacidade humana,
governança e contexto institucional, entre outros;
• Inicialmente, muitos dos reguladores só regulavam tecnicamente os serviços de saneamento, outros só
economicamente e ainda outros só fiscalizavam. Muito pouco era inclusivos e se focavam no acesso aos serviços
de saneamento. Desta forma, a abordagem de copiar e colar de um país ou região para outra pode, no entanto,
ser ineficaz;
• Para que a regulação seja eficaz, seus objetivos, forma e função devem se alinhar à estrutura institucional
estabelecida do país/região e considerar as realidades de sua economia política (políticas, instituições, ambiente
e contexto).
Regulação: Evolução 
histórica
Rui Cunha Marques
Similar a outros serviços de infraestrutura, com a privatização dos serviços de 
saneamento foi necessário reforçar sua regulação (mercado mais livre, mais regras!...) e 
criar agências reguladoras independentes (fenômeno chamado agencificação) para 
corrigir falhas de mercado existentes, fornecer estabilidade regulatória (segurança 
jurídica) e proteger o interesse público;
Uma vez que as agências reguladoras são dirigidas por seres 
humanos, às vezes com tentações populistas, podem não ser 
independentese os processos regulatórios adotados podem não 
ser consistentes e proporcionais e dotados de estabilidade 
regulatória, tendo como consequência o aumento do risco da 
atividade (chamado risco regulatório ).
Regulação: Evolução 
histórica
Rui Cunha Marques
• Seja porque aumenta o custo de capital ou porque torna o mercado 
menos atrativo e consequente distanciamento da participação do setor 
privado;
Nos diversos setores regulados, o risco regulatório é um dos mais 
relevantes, com forte impacto (negativo) no financiamento do setor;
• Dessa forma, a regulação contratual complementa a regulação por 
uma agência reguladora.
Desta forma, uma das possibilidades de mitigar o risco regulatório é 
contratar os direitos e obrigações mínimos do prestador regulado (e 
do regulador), limitando assim a amplitude de ação do regulador, 
mas ao mesmo tempo, aumentando a estabilidade regulatória e 
reduzindo consideravelmente o risco regulatório
Regulação: Evolução 
histórica
Rui Cunha Marques
Co
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o)
• Sempre incompletos;
• O futuro não pode ser previsto com 
certeza;
• Não inclui todas as situações e 
contingências possíveis;
• Porque a realidade muda ao longo do 
tempo (por exemplo, incluindo requisitos 
de qualidade de serviço).
Regulação 
por 
contrato
Assim, o oportunismo ex post pode ocorrer por 
ambas as partes, o que levará a conflitos e à 
revisão e renegociação do contrato, o que é 
sempre desgastante e penalizador para ambas 
as partes;
Assim, é necessária a existência de uma terceira 
entidade, externa e independente, uma espécie 
de árbitro (regulador, de fato), que permita 
ultrapassar os impasses existentes e 
simultaneamente possa ser um motor de 
promoção e melhoria contínua do prestador 
regulado.
Dessa forma, a regulação pela agência reguladora 
complementa a regulação contratual.
Regulação: Evolução 
histórica
Rui Cunha Marques
Também no caso das empresas públicas, observa-se que 
estas são cada vez mais reguladas por entidades externas, 
muitas vezes independentes; 
A politização dessas empresas, com a aplicação de preços 
políticos e a falta de investimentos e sua utilização para 
fins não comerciais, levou à necessidade de serem 
reguladas por terceiros (reguladores);
Para a sua organização e funcionamento, são celebrados 
contratos entre as empresas públicas e as entidades 
proprietárias (acionistas) que estabelecem direitos e 
obrigações, nomeadamente metas de desempenho e 
obrigações de serviço público;
Desta forma, também as empresas públicas são 
normalmente sujeitas à regulação contratual.
Regulação: Evolução 
histórica
Rui Cunha Marques
Dessa forma, 
poderá ser 
adotada uma 
regulação 
híbrida (agência 
reguladora mais 
contrato)
Problemas com contratos mais regulação 
Deve haver um equilíbrio entre o regulador e o contrato
Esta solução híbrida, se devidamente implementada, permite ultrapassar 
os problemas do contrato que nunca é concluído e a magnitude do risco 
regulatório, simultaneamente
Regulação: Evolução 
histórica
Rui Cunha Marques
Bem implementado 
• O melhor de dois
mundos (jogo de soma 
positiva)
Mal implementado
• O pior de dois mundos
(jogo de soma 
negativa) 
Obrigado!
Rui Cunha Marques
Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL)
rui.marques@tecnico.ulisboa.pt
www.ruicunhamarques.com
Nome do curso
Rui Cunha Marques 
A Regulação no Brasil e 
no Mundo
Origem da regulação no mundo, primórdios da 
regulação e desenvolvimento 
Relevância da regulação 
para o desenvolvimento 
Porquê regular?
Rui Cunha Marques
Serviços de Saneamento são Serviços de Interesse Geral
“Satisfação das necessidades básicas da generalidade dos cidadãos e cuja existência seja essencial à vida, à saúde ou à participação social 
dos cidadãos” (Marques, 2005) 
Aliás, são Serviços de Interesse Econômico Geral
Na vertente econômica (auto-sustentabilidade)
Princípios
Serviço universal
Continuidade
Qualidade de serviço
Acessibilidade
Proteção do usuário e consumidor
Relevância da regulação 
para o desenvolvimento 
Porquê regular?
Rui Cunha Marques
Serviço de Interesse Econômico Geral
Falhas de mercado
Competição 
imperfeita
Assimetrias de 
informação
ExternalidadesBens 
quase-públicos
Resultados 
indesejáveis
Para quê regular?
OSP
Qualidade 
de serviço
REGULAÇÃO
Tarifas
OSP – Obrigações 
de Serviço Público
Para quê regular?
• Promoção do acesso aos serviços de saneamento;
• Promoção da eficiência; 
• Proteção dos interesses dos usuários (OSP); 
• Autofinanciamento; 
• Estabilidade das políticas definidas para o setor.
Objetivos tradicionais: 
Para quê regular?
• Facilitar e promover a concorrência no setores;
• Reforçar a regulação social;
• Promover a sustentabilidade e robustez dos sistemas
• Assegurar a resiliência dos sistemas;
• Estimular a circularidade dos sistemas. 
Objetivos recentes: 
Promoção da eficiência
A eficiência estática, que 
corresponde às eficiências 
técnica e alocativa de 
preços, relaciona-se com a 
minimização dos custos a 
curto prazo.
Eficiência 
estática 
(econômica)
Eficiência 
alocativa
Eficiência 
dinâmica
A eficiência alocativa é 
ótima se o preço for igual 
ao custo marginal, sendo 
os seus ganhos obtidos 
com essa aproximação.
Um dos grandes desafios da regulação econômica contemporânea é a potencial 
colisão entre a realização de investimentos que mitiguem os custos de longo prazo 
(eficiência dinâmica) e os objetivos de curto prazo de redução de custos, tornando 
extremamente complexo e controverso todo o processo regulatório.
A eficiência dinâmica diz respeito à 
mitigação dos custos a longo prazo e 
reflete os ganhos devidos ao 
investimento em novas 
infraestruturas e/ou à introdução de 
novas tecnologias, e às economias 
de escala ou de gama verificadas.
Proteção dos interesses dos usuários 
Entre estes, e comuns à globalidade dos serviços de infraestruturas, destacam-se:
A proteção dos interesses dos usuários envolve diversos 
requisitos, os quais são denominados de obrigações ou 
princípios gerais de serviço público. 
Universalidade
•A universalidade implica 
que todos os cidadãos 
tenham acesso ao serviço, 
no que respeita ao preço e 
à qualidade de serviço. Os 
Governos de cada país 
podem adotar as políticas 
que julguem mais 
adequadas.
Continuidade
•Quando as causas da falta 
de continuidade de 
fornecimento de serviços 
forem imputáveis aos 
prestadores de serviços ou 
a terceiros identificáveis e 
puníveis, os usuários 
devem ser indemnizados.
Proteção dos interesses dos usuários 
Qualidade de serviço
• Cabe ao regulador 
o controle da 
relação qualidade-
preço e ao estímulo 
à excelência da 
qualidade de 
serviços prestados.
Disponibilidade 
• Os serviços devem 
estar disponíveis a 
preços que sejam 
comportáveis por 
todos os usuários, 
sendo que este 
objetivo pode ser 
concretizado de 
diferentes formas, 
como subsidiação 
cruzada ou 
subsídios...
Proteção dos usuários/ 
consumidores
• Por exemplo, o 
regulador deve 
facilitar a resolução 
de conflitos entre 
os usuários e os 
prestadores através 
de mediação, de 
conciliação e de 
arbitragem 
voluntária.
Promoção da estabilidade das políticas 
definidas para o setor
Os processos regulatórios devem ser procedimentalizados, 
participados e transparentes
Os processos regulatórios devem ser previsíveis e o mais
transparentes possível e deve procurar-se, sobretudo, a sua
procedimentalização (“democracia procedimental”). Desta forma,
existirá uma co-responsabilização entre as partes e, por conseguinte,
uma melhor aceitação das decisões tomadas.
O regulador deve ter 
sempre presente a 
estabilidade das políticas 
definidas para o setor.
O regulador deve ser 
independente e dotado 
de poderes de atuação 
adequados.
Promover a sustentabilidade e robustez do 
serviço
O serviço deve desenvolver-se de forma gradual e equilibrada, mas 
tambémser forte e versátil o suficiente na confrontação com 
eventuais adversidades.
Os serviços públicos de infraestruturas não podem ser geridos e 
racionalizados, tendo em conta o ciclo político ou o período 
regulatório. Os seus ciclos são muito superiores.
Objetivo
s de 
longo p
razo!
Assegurar a resiliência dos sistemas
Os serviços de saneamento devem ter capacidade de resposta a 
solicitações extremas (e.g. pandemias e mudanças climáticas) ;
Os eventos extremos que no passados eram pouco prováveis de 
ocorrer, hoje são mais frequentes e mais intensos.
Objetivo
s de 
longo p
razo!
Promover a circularidade dos sistemas 
Mudança do paradigma e implementação da economia circular 
dos serviços de saneamento (acabar com a abordagem linear) ;
Os efluentes necessitam de ser encarados como recursos e não 
como dejetos ou de algo sem valor
Objetivo
s de 
longo p
razo!
Obrigado!
Rui Cunha Marques
Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL)
rui.marques@tecnico.ulisboa.pt
www.ruicunhamarques.com
Nome do curso
Rui Cunha Marques 
A Regulação no Brasil e 
no Mundo
Origem da regulação no mundo, primórdios da 
regulação e desenvolvimento 
Modelos regulatórios de 
destaque no mundo 
A regulação no mundo: 
Rui Cunha Marques
Em todo o mundo estão a ser criadas agências reguladoras dos serviços de 
saneamento. 
Existem mais de 250 agências reguladoras com funções de regulação (econômica) em 
todo mundo.
É preciso desmistificar dois princípios essenciais: 
A instituição de regulação não tem de 
estar relacionada com a privatização ou 
titularidade dos serviços
As agências reguladoras respondem 
pelos seus atos, não possuindo nenhum 
poder especial
O cenário europeu
Rui Cunha Marques
Os serviços de saneamento são ainda pouco regulados na Europa, pelo menos, por regulação
dedicada como existe noutras indústrias de rede. Porquê?
v A primeira razão está relacionada com a atribuição dos serviços de saneamento que é, por norma, ainda da
administração local;
v A segunda razão está relacionada com a existência de regulação transversal conjugada (ou não) com auto-
regulação;
v Em terceiro lugar, quando ocorre a participação do setor privado, a mesma é quase sempre efetuada através de
contratos (regulação contratual).
Modelos de regulação
A tendência futura: Regulação Híbrida
Serviços regulados por agência reguladora Serviços regulados por contrato 
Direitos e obrigações definidos e risco regulatório mitigado 
Configurações 
possíveis
Atividade privada especialmente regulada - modelo inglês
Concessão a prestadores privadas - modelo francês 
Gestão pelo Estado - modelo de gestão pública
Numa sociedademoderna e desenvolvida a titularidade é um aspecto secundário, o que 
conta é o value for money.
Modelo inglês
Estado
Consumidores/
Usuários
Prestadores 
(privados)
Bacia
hidrográfica
Regulação 
independente
Gestão dos sistemas à escala da bacia hidrográfica (regional);
Controlo e supervisão dos setores por regulação centralizada, mas independente;
A regulação (econômica) procura criar e simular o mercado, protegendo, desta forma, os usuários e
as próprias empresas quanto ao eventual oportunismo. O baricentro do modelo são os usuários;
Modelo inglês
O sucesso do modelo depende do protagonismo e da eficácia da 
regulação
Problema da informação assimétrica (relação de agência)
Equilíbrio entre o curto e o longo prazo
Em função da forma de remuneração podem ocorrer desvios 
comportamentais (efeito A-J, gold–plate, subinvestimento, …)
Transparência e responsabilização da regulação
Custo da regulação não negligenciável
Modelo francês
Associação do 
Setor
Prestadores
Contrato 
(Direitos e 
obrigações)
Gestão RegionalSupervisão
Municípios
Politica Nacional
v Baseia-se na concorrência no acesso ao mercado (franchising);
v O sucesso do modelo depende do número de concorrentes no acesso ao mercado e da
eficácia da redação do contrato;
v Exige sempre supervisão (regulação), sobretudo da qualidade de serviço.
Modelo francês
Raramente existe concorrência efetiva (no mínimo 4 players);
Monitorização da qualidade de serviço;
Renegociação, acontecimentos imprevisíveis, questões deixadas em aberto, …; 
Renovação do franchising; 
Custo elevado e processo longo desde a decisão do franchising até à adjudicação;
Pode levar ao oportunismo ex post, quer do prestador, quer do concedente.
Modelo empresa pública (e.g. holandês)
Associação do Setor
Prestadores
Politica Nacional
PLC
Municípios
“Conselhos 
de água”
Captação, Produção 
e Distribuição
Drenagem de esgoto
Tratamento de 
esgoto
Benchmarking obrigatório
v O serviço de abastecimento de água é efetuado por empresas públicas de direito privado;
v Auto-regulação tem evitado a sua regulação e privatização;
v Ganhos de eficiência devido a ganhos de economia de escala;
v Existência obrigatória de benchmarking e boas regras de governança.
Modelo de gestão pública
Assegura, por intervenção direta no mercado como prestador, o comportamento ótimo (bem-
estar social);
Na teoria, possibilidade de preços mais baixos e realização de mais objetivos sociais;
Na prática, ineficientes com grande instabilidade na sua gestão e na orientação estratégica de 
desenvolvimento; 
Falta de pressão do mercado, orçamento ilimitado, utilização dos recursos para autointeresse 
(teoria da public choice) e objetivos e estratégias definidas em função de cada Governo;
O sucesso do modelo de gestão pública em alguns países não é específico do setor do 
saneamento (regulação transversal, auto-regulação, regulação social, …)
Obrigado!
Rui Cunha Marques
Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL)
rui.marques@tecnico.ulisboa.pt
www.ruicunhamarques.com
Nome do curso
.
A regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 2 – Origem da regulação no Brasil: experiências 
internacionais consideradas as orientações da OCDE
Tema 1 - Origem da Regulação no Brasil
JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA
• Professor de Direito Administrativo no Curso de Direito da 
Universidade Estadual Paulista - UNESP
• Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do 
Curso de Direito - UNESP.
• Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional 
em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP.
• Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e 
Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br)
• Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, 
Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas.
• Acesse algumas publicações em:
• https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira
A evolução da regulação dos serviços públicos no Brasil. 
Modelo brasileiro (Governo Imperial)
• 1835 Ferrovias 
• 1852 Iluminação (Rio de Janeiro)
• 1874 Cabo submarino (telégrafo)
• 1853 D. 2450 (7% Taxa de retorno) - 1934 Constituição Federal – (art.134 taxa de retorno)
• 1940 Caducidade das empresas geradoras de energia elétrica - Ferrovias
• 1934 Código de águas 
• Primórdios da regulação
• Telecomunicações – Fiscalização - DENTEL 
• Ferrovias – Departamento Federal 
• Águas e Energia Elétrica - Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAAE)
• Assegurar a execução do Código de Águas
• Promover e desenvolver a produção de energia elétrica
• Divisão de tarifas. Divisão de concessões. 
A evolução da regulação dos serviços públicos no Brasil. 
Na década de quarenta, já se apontava a falta de um órgão Regulador e fiscalizador para os serviços de interesse
coletivo. Estes serviços públicos a cargo do concessionário já se mostravam problemáticos para o Estado, em razão da
falta de investimentos na melhoria dos serviços, tarifas exorbitantes e outras tantas mazelas.
Os juristas de então, imbuídos no espírito de apontar os erros e de oferecer soluções para as questões, apresentavam
estudos para a busca do equacionamento do problema.
Dentre estes estudos, destacamos, pela atualidade que se mostra, o parecer de Osvaldo Aranha Bandeira de Melo,
que apóstecer considerações sobre a função do Estado, escreve que a concessão dos serviços, geralmente, tem seu
fim deturpado pelo concessionário, que busca a satisfação quase exclusiva em suas ambições desmedidas, em
detrimento do bem-estar coletivo - razão do serviço. Além disso, a fiscalização do Poder Público contra os abusos dos
concessionários é muito difícil e dispendiosa, pois estes tentam proporcionar o máximo de dificuldades à ação
daquele, procurando, por todos os meios, fugir à sua interferência controladora.
Finalmente, esclarece o autor que o Poder Público deve exercer com eficiência a fiscalização no serviço concedido e
sujeitar seus dirigentes a inflexíveis medidas punitivas no caso de descumprimento das finalidades
A evolução da regulação dos serviços públicos no Brasil. 
1º Retorno do Pêndulo
Processo de Estatização 
• 1940 Caducidade dos contratos de concessão de ferrovias/energia elétrica 
Estatização dos serviços públicos
Criação das estatais
Fatores de natureza econômica
Fatores de natureza política
Fatores de natureza administrativa
Fatores de natureza social 
• CF 1967 art. 8º inciso XV, letra “a” (Competência da União para o sistema de telefonia)
27 anos de regulação no Brasil.
2º Retorno do Pêndulo
Mudança do Papel do Estado (Lei de concessões)
• CF art. 21 XI criação de um órgão regulador (EC 8/1995)
• Criação das Agências Reguladoras 
• CF art. 175 (Incumbe ao Poder Público ..... ) Lei das Concessões 8.987/95
• Regime das empresas concessionárias
• Caráter especial do seu contrato
• Condições de caducidade, fiscalização e rescisão contratual
• Direitos dos Usuários
• Política Tarifária
• Obrigação de manter o serviço adequado
27 anos de regulação no Brasil.
A Governança dos Serviços Públicos - Visão de Futuro para a regulação no Brasil
Lei das Agências Reguladoras – e os pressupostos do “novo” marco regulatório do saneamento
• Governança pressupõe
• Regulação. Legalidade (Compliance) e transparência
• Captura (política, econômica e jurídica)
• Análise de Impacto Regulatório
• Objetivos setoriais (Princípios, instrumentos e planejamento)
• Controle Interno
• Gestão de Contratos 
• Processo decisório 
• Prestação de contas e o controle social
• Plano estratégico e plano de Gestão
• Ouvidoria
• Interação e articulação entre as agências
* O 3º Retorno do Pêndulo (o que se espera das Agências Reguladoras)
Obrigado!
Centro de estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos.
www.regulacao.com.br
Jose.c.oliveira@unesp.br
Nome do curso
.
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 2: Origem da Regulação no Brasil. Experiências internacionais 
consideradas e as orientações da OCDE.
Ponto 2 Experiências internacionais consideradas no modelo brasileiro
JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA
• Professor de Direito Administrativo no Curso de Direito da 
Universidade Estadual Paulista - UNESP
• Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do 
Curso de Direito da UNESP.
• Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional 
em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP.
• Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e 
Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br)
• Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, 
Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas.
• Acesse algumas publicações em:
• https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira
Experiências internacionais
Consideradas no modelo brasileiro 
• Melhoria da qualidade regulatória (Quali-Reg CGU)
• Fortalecimento da atividade regulatória
• Causas do descumprimento das normas regulatórias
• Regulações em excesso 
• Análise de impacto regulatório
• Regulação sem efetividade
• Falhas de monitoramento
• Participação social no processo de formulação da regulação.
• Controle social
• Equilíbrio entre interesses opostos (interesse público x mercado)
• Identificação de efeitos indesejados na regulação
• Teste de qualidade e avaliação das normas regulatórias
• Proporcionalidade – custos – eficiência regulatória
• Liberdade de escolha
.
Experiências internacionais
Consideradas no modelo brasileiro 
• Estimular a clareza regulatória – linguagem direta
• Normas de fácil compreensão
• Padronização (normas de referência)
• Transparência dos procedimentos
• Características principais das Agências Reguladoras 
• Independência – ausência de tutela/subordinação
• Transparência – controle social
• Delimitação precisa da sua competência
• Autonomia financeira
• Excelência técnica
.
Experiências internacionais
Consideradas no modelo brasileiro 
• Quarentena dos diretores
• Requisitos para o exercício da função de dirigente
• Reputação ilibada e conhecimento técnico
• Análise de custo-benefício em suas decisões
• Benefícios sociais que a regulação acarretará
• Transparência
• Motivação dos atos administrativos
• Grupos de interesse – imparcialidade da agência
• Articulação entre agências e órgãos:
• Defesa da concorrência. Meio ambiente. Consumidor.
• Mecanismos de disputas de controvérsias 
.
Obrigado!
Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos
www.regulacao.com.br
Jose.c.oliveira@unesp.br 
Nome do curso
.
Módulo 2: Origem da Regulação no Brasil. 
Experiências internacionais consideradas e as 
orientações da OCDE.
Tema: Referências da OCDE para a regulação Brasileira
JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA
• Professor de Direito Administrativo no Curso de Direito da 
Universidade Estadual Paulista - UNESP
• Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do 
Curso de Direito da UNESP.
• Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional 
em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP.
• Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e 
Governança dos Serviços Públicos (www.regulação.com.br)
• Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, 
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• Características principais das Agências Reguladoras 
– OCDE
• O Futuro da Regulação
• Avaliação da capacidade institucional para a regulação.
• Perspectivas e desafios da regulação 
• Autonomia Decisória
• Autonomia Financeira
• Fiscalização
• Mecanismos de controle
• Mecanismos de gestão de riscos
• Análise de impacto regulatório
• Regulação dos contratos
• Participação social
• O Futuro da Regulação
• A regulação em constante processo de aprimoramento
• Avaliação da capacidade institucional para a regulação
• Oito dimensões com objetivos estratégicos de aumento da eficiência do Estado Regulador 
• Perspectivas e desafios da regulação 
• Autonomia Decisória
• Tensões recorrentes e ameaças à qualidade regulatória
• Autonomia Financeira
• Previsibilidade de recursos orçamentários
• Fiscalização
• Fiscalização dos objetivos e das metas contratuais
• Mecanismos de controle
• Transparência e clareza das atividades de concretização dos projetos de infraestrutura
• Mecanismos de gestão de riscos
• Ações efetivas de accountability
• Análise de impacto regulatório
• Políticas baseadas em evidências – fortalecimento da governança
• Regulação e gestão dos contratos
• Mecanismo de concretização da segurança jurídica 
• Participação social
• Controle social e participação nas formulação das políticas públicas
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.
Módulo 2: Origem da Regulação no Brasil. 
Experiências internacionais consideradas e as 
orientações da OCDE.
Tema: Exemplos estrangeiros a serem observados pelo Brasil*
JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA
• Professor de Direito Administrativo no Curso de Direito da 
Universidade Estadual Paulista - UNESP
• Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do 
Curso de Direito da UNESP.
• Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional 
em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua-UNESP.
• Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e 
Governança dos Serviços Públicos (www.regulação.com.br)
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Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas.
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Exemplos estrangeiros a serem seguidos no Brasil
Os indicadores de política e governança regulatória para a América Latina e Caribe (2019), proporcionam uma visão 
geral atualizada dos sistemas regulatórios e cobrem parcialmente três princípios da recomendação do conselho da 
OCDE de 2012 sobre política e governança regulatória.
• Participação dos atores interessados
• Consulta pública e audiência pública
• Análise de impacto regulatório
• Na edição e na alteração de atos normativos de interesse geral
• Verificar a razoabilidade do seu impacto 
• Avaliação ex post
• Análise dos resultados após a vigência dos atos normativos
• Simplificação administrativa 
• Clareza e coerência dos enunciados regulatórios
• Transparência 
• Clareza e coerência dos enunciados regulatórios
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Nome do curso
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil
Contexto histórico e 
criação de agências 
reguladoras de 
saneamento no Brasil
(aula 1)
Introdução
Relevante componente 
histórico.
Infraestrutura e 
desenvolvimento social 
dos países.
Contextos de 
desenvolvimento 
diferentes no mundo.
Desigualdes expressas 
em desemprego, 
doenças e mortalidade 
infantil.
Fragilidade do equilíbrio 
ecológico.
Saneamento
Introdução
Precariedades na 
governança e 
planejamento dos 
prestadores.
Carência de 
investimentos e baixa 
qualidade técnica.
84,13% abastecimento 
de água*.
54,95% coleta de águas 
residuais*.
50,75% tratamento dos 
efluentes gerados*.
Saneamento no Brasil
*Fonte: SNIS (2022), dados de 2020.
Fonte: VILARINHO (2021).
Contexto 
histórico
É função do Estado 
promover políticas públicas:
• Bem-estar da 
sociedade;
• Acesso aos serviços 
públicos essenciais.
Contexto histórico:
• Compreensão sobre 
como o saneamento é 
hoje;
• Evolução histórica;
• Desafios e 
universalização.
Primórdios do 
saneamento brasileiro
Fonte: BBC News (2019).
Escravos responsáveis pelo manejo de esgoto
Primeiras medidas sanitárias:
• Chafarizes em praças públicas;
• Excretas lançadas ao mar ou valas.
Descoberta do ouro:
• Chafarizes, poços, cisternas;
• Aquedutos: Arcos da Lapa no Rio de Janeiro.
Chegada da família real:
• Conceitos de saúde pública e saneamento da Europa;
• John Snow, Robert Koch, Louis Pasteur.
Primórdios do 
saneamento brasileiro
Soluções coletivas:
• Redes de água e esgoto com vendas das penas d’água.
Higienismo:
• Reformulação espacial;
• Demolição de 1.700 habitações no Rio de Janeiro;
• 20 mil pessoas excluídas para os morros.
Epidemias e gripe espanhola:
• Criação do Departamento Nacional de Saúde Pública
(Oswaldo Cruz).
Fonte: Estado de Minas (2017).
Fonte: Vasconcellos (2006).
Primeiros arranjos 
institucionais
Código de Águas Brasileiro (1934):
• Uma das leis mais completas sobre gestão das
águas do mundo.
Serviço Especial de Saúde Pública (SESP):
• Criado em 1942;
• Acordo com os EUA;
• Expansão da produção de matéria-prima (borracha e
minérios);
• Fins militares para assegurar condições sanitárias.
Fonte: Fonte: FGV CPDOC (2020b).
Primeiros arranjos 
institucionais
Concessões estrangeiras de saneamento:
• Baixa qualidade e abrangência.
Avanços da época:
• Criação de Autarquias municipais;
• Código Nacional de Saúde;
• Fundo Nacional de Obras de Saneamento.
Golpe militar:
• Saneamento dissociado da saúde (engenharia civil).
Financiamento de obras:
• Banco Nacional da Habitação (BNH);
• Fundo Rotativo de Águas e Esgoto (FRAE).
Saneamento e saúde 
eram tratados de forma 
integrada:
Assinatura do Decreto nº 
49.974, promulgando o 
Código Nacional de 
Saúde.
ü Separou a vigilância 
sanitária da vigilância 
epidemiológica;
ü Tornou obrigatória a 
notificação de doenças 
infectocontagiosas.
Fonte: Fonte: Museu do universo da Farmácia (2022).
Política Nacional de Saneamento e
PLANASA
Plano Nacional de Saneamento (PLANASA):
• 1973: 27 Companhias Estaduais de Saneamento 
Básico (CESB), economia mista, até 1980.
Pontos positivos:
ü Crescimento rápido e significativo dos índices de
cobertura de água e esgoto (sem metas para o
tratamento de efluentes).
Pontos negativos:
ü Metas não cumpridas.
ü Ausência de modernização
Vazio institucional (1986 até 2007)
• Crise financeira;
• Transferência da pasta para diferentes ministérios e
órgãos financiadores.
Fonte: Elaborado pela autora a partir de Costa (2002).
Evolução dos índices de cobertura de água e esgoto
47,90%
47,30%
85,20%
64,40%
0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00%
Água
Esgoto
% de cobertura dos serviços
1980 1960
Primeiras concessões privadas (década de 90):
• Birigui - SP (concessão parcial água)
Marco Regulatório do Saneamento
(Lei nº 11.445/2007)
Antecedentes:
• Projeto de Lei nº 199/1993;
• Aprovado no Congresso, mas vetado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso;
• Expressiva divergência sobre a privatização e a titularidade dos serviços.
Criação do Ministério das Cidades (2003):
• Desenvolvimento urbano:
• desenvolvimento urbano;
• habitação, saneamento ambiental, transporte urbano e trânsito;
• política de subsídio à habitação popular, saneamento e transporte urbano;
• planejamento, regulação, normatização e gestão da aplicação de recursos.
Criação da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA):
• Escopo de trabalho:
• Promover o direito de acesso à água potável (universalização do abastecimento de água e esgotamento sanitário);
• Elaborar uma proposta de legislação específica para o saneamento no Brasil, em conjunto com atores e instituições
representativas.
Marco Regulatório do Saneamento
(Lei nº 11.445/2007)
Programa Saneamento para Todos (2005):
• Financiar empreendimentos de saneamento dos setores público e privado (Resolução nº 476/2005);
• Promover ações integradas a políticas setoriais para melhoria da saúde e qualidade de vida;
• Caixa Econômica Federal.
Lei nº 11.445/2007:
• Participação democrática das partes interessadas;
• Vetos do Congresso Nacional:
• criação de um fundo federal de saneamento básico;
• melhor caracterização da cobrança da tarifa de esgoto;
• créditos a pagar na apuração de COFINS e PIS/PASEP (valores investidos em ativos);
• remuneração e mecanismos de contingência em casos de escassez hídrica.
Marco Regulatório do Saneamento
(Lei nº 11.445/2007)
Principais inovações da Lei nº 11.445/2007:
• Definição do saneamento básico em 4 eixos:
• Abastecimento de água;
• Esgotamento sanitário;
• Drenagem de águas pluviais;
• Manejo de resíduos sólidos.
• Criação do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB);
• Obrigatoriedade de Planos Municipais de Saneamento Básico
(PMSB) para os municípios;
• Viabilidade econômico-financeira para a prestação dos serviços;
• Controle social nas atividades do setor;
• Regulação do saneamento básico.
Criação de agências reguladoras de
saneamento básico
Importância da regulação:
• Monopólio natural e captura do mercado;
• Custos irrecuperáveis (sunk costs) para disponibilizar os ativos;
• Alto custo ambiental da falta de efetividade do setor.
Papel da regulação:
• Assegurar a qualidade, universalidade e regularidade;
• Proteger contra a ineficiência, a concentração econômica e o aumento arbitrário dos lucros.
(Aula: Os primeiros movimentos regulatórios do saneamento no Brasil)
• Primeiras agências reguladoras de saneamento básico (multifinalitárias):
• Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) em 1997;
• Agência Reguladora do Estado do Ceará (ARCE) em 1997.
Programa deAceleração do
Crescimento (PAC)
61,53%
38,47%
Utilização de recursos do PAC
20,00%
80,00%
Fonte: Elaborada pela autora a partir de informações de Gonçalves (2019) e Sousa e Gomes (2019).
2016 2017
5,00%
10,00%
0,00% 5,00% 10,00%
Evolução da
cobertura de
água
Evolução da
coleta de
esgoto
Evolução dos indicadores de 2007 a 2017
Fonte: Elaborada pela autora a partir de informações de 
Sousa e Gomes (2019).
FRAGILIDADE
DE GOVERNANÇA
Projetos e orçamentos sem qualidade 
técnica
Ausência de licenças 
ambientais
Descumprimento dos prazos Desistência dos projetos (Norte)
Recursos não utilizados Recursos desembolsados em 2016 Recursos desembolsados em 2017
Atualização do Marco Regulatório
(Lei nº 14.026/2020)
Universalização 
dos serviços
Plano de 
Saneamento 
Básico
Equilíbrio 
Econômico e 
Financeiro
Titularidade Prestação 
regionalizada e 
formação de blocos
Contratos para a 
prestação dos 
serviços
Universalização 
da Regulação
Normas de 
Referência para a 
Regulação
Capacitação para a 
Regulação do 
Saneamento
Principais alterações da Lei nº 14.026/2020
Considerações finais
Saneamento
Contexto Histórico x Situação Atual
Passado
Crescimento 
desordenado e 
realocação da 
população carente
Saneamento surge 
em época de graves 
pandemias com 
gestão integrada
Métodos rústicos e 
exploração dos 
escravos (“tigres”)
Em 1964 houve a 
desagregação e 
visão estrita de 
engenharia civil
Presente
Baixos índices de 
cobertura e 
mecanismos de 
spending power
Ausência de menção 
à água ou 
saneamento como 
direito humano
Evolução de políticas 
públicas, criação e 
fortalecimento da 
regulação
Falta integração à 
práticas 
internacionais 
(OneHealth, OneWater)
Obrigada!
cintia.vilarinho@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil
Referências
BBC News. Quem eram os escravos 'tigres', marcantes na história do saneamento básico no Brasil. 2019. Disponível em:
<https://www.bbc.com/portuguese/brasil-50526902> Acesso em 20 set. 2022.
COSTA, I. G.; PIEROBON, F.; SOARES, E. C. A efetivação do direito ao saneamento básico no Brasil: do Planasa ao Planasb. Meritum, Belo
Horizonte, v. 13, n. 2, p. 335-358, 2018.
Estado de Minas. O legado de Oswaldo Cruz está na raiz do próprio SUS, atestam estudiosos. (2017). Disponível em:
<https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/02/12/interna_gerais,846797/o-legado-de-oswaldo-cruz-esta-na-raiz-do-proprio-sus-dizem-
estudiosos.shtml> Acesso em 20 set. 2022.
FGV CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Revolução de 1930. [2020a]. Disponível em:
<http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/revolucao-de-1930-3> Acesso em 26 dez. 2020.
GONÇALVES, S. A. A Política Pública de saneamento no Brasil: da Lei 11.445/2007 aos movimentos político-institucionais para sua revisão. 2019. 101
f. Monografia (Especialização) - Curso de Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública,
Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2019.
Museu do universo da Farmácia. O Código Nacional de Saúde. Disponível em: <https://museudouniversodafarmacia.com.br/acervo/linha-do-tempo/o-
codigo-nacional-de-saude-2/> Acesso em 20 set. 2022.
Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Painel de Saneamento. Disponível em:
<http://appsnis.mdr.gov.br/indicadores/web/agua_esgoto/mapa-agua/> Acesso em 20 set. 2022.
SOUSA, A.C.A.; GOMES, J.P. Desafios para o investimento público em saneamento no Brasil. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 43, n. especial 7, p.
36-49, 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0103-11042019s703
VASCONCELLOS, M.P.C. A fotografia como instrumento do trabalho do higienista - São Paulo, primeira metade do século XX. (2006) Disponível em:
<https://www.scielo.br/j/hcsm/a/HfB3bjym47tkxwmYzLgQggf/?lang=pt> Acesso em 20 set. 2022.
VILARINHO, C.M.R. Regulação do saneamento no Brasil - Contexto histórico, perspectivas e capacitação. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-
Graduação em Mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Universidade Federal de Itajubá, Itabira, 2021. Disponível em:
<https://www.feis.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/profagua/dissertacoesdefendidas/dissertacao-de-mestrado---cintia-vilarinho---cintia-maria-ribeiro-
vilarinho.pdf> Acesso em 15 set. 2022.
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil
Os primeiros movimentos 
regulatórios do 
saneamento no Brasil
(aula 2)
Introdução
Importância da regulação:
• Monopólio natural e captura do mercado;
• Custos irrecuperáveis (sunk costs) para disponibilizar os
ativos;
• Alto custo ambiental da falta de efetividade do setor.
Papel da regulação:
• Assegurar a qualidade, universalidade e regularidade;
• Proteger contra a ineficiência, a concentração econômica
e o aumento arbitrário dos lucros.
Surgimento da 
regulação no Brasil
Surgimento da regulação no Brasil:
• 1995: amplo programa de reformas;
• Descentralização da prestação de serviços públicos;
• Fortalecimento do núcleo estratégico do Estado:
• Formulação das políticas públicas;
• Regulação.
• Iniciativa de regulação inspirada pela tendência
internacional;
• Regular (normas e fiscalização) dos agentes
privatizados no final da década de 1990.
As agências reguladoras 
(independent regulatory
agencies or comissions)
surgiram nos Estados 
Unidos no fim do século 
XIX e ganharam corpo, na 
década de 1930
durante a grande 
depressão como 
instrumento
do new deal de 
Franklin D. Roosevelt.
Internacionalmente
Primeira agência
reguladora do país
Criação da ANEEL:
• Primeiro projeto: Agência Nacional de Energia Elétrica
(ANEEL)
• Enviado pelo Executivo Federal ao Congresso no final de
1995;
• Modelo de autarquia convencional:
• Sem autonomia decisória nem os demais requisitos de
estrutura e procedimentos.
• Congresso: questionamento do modelo e a busca de
modelos alternativos, a partir da experiência
internacional;
• Debate no Legislativo: mais de um ano.
Primeira agência reguladora do país
Criação da ANEEL:
• Criação da ANEEL no final de 1996, segundo o formato consagrado na experiência internacional:
• autonomia decisória e financeira;
• mandatos fixos para seus dirigentes e não coincidentes com os do chefe do Executivo.
• Os demais projetos de agências reguladoras incorporaram tal modelo já em sua proposta inicial.
Primeiras agências reguladoras de
saneamento básico
Agência Estadual de Regulação dos Serviços 
Públicos Delegados do Rio Grande do Sul 
(AGERGS)
ANTES DO MARCO LEGAL DE SANEAMENTO1997
Agência Reguladora do Estado do Ceará (ARCE)
• Saneamento
• Transportes
• Saneamento
• Transporte de 
passageiros
• Energia Elétrica
• Estações rodoviárias
• Travessias 
hidroviárias
• Rodovias 
concedidas
• Gás canalizado
• Energia Elétrica
• Gás canalizado
A regulação e o marco legal do
saneamento no Brasil
Destaques da Lei nº 11.445/2007:
“Art. 21. A função de regulação, desempenhada por entidade de natureza autárquica dotada de independência
decisória e autonomia administrativa, orçamentária e financeira, atenderá aos princípios de transparência,
tecnicidade, celeridade e objetividade das decisões.”
“Art. 22. São objetivos da regulação:
I - estabelecer padrões e normas para a adequada prestação e a expansão da qualidade dos serviços e para a
satisfação dos usuários, com observação das normas de referência editadas pela ANA.
II - garantir o cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos de prestação de serviços e nos
planos municipais ou de prestação regionalizada de saneamento básico.
III - prevenir e reprimir o abuso do poder econômico, ressalvada a competência dos órgãos integrantes do
Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência; e
IV - definir tarifas que assegurem tanto o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos quanto a modicidade
tarifária, por mecanismosque gerem eficiência e eficácia dos serviços e que permitam o compartilhamento dos
ganhos de produtividade com os usuários.”
A regulação e o marco legal do
saneamento no Brasil
Conceito de regulação:
• Grande parte do âmbito internacional inclui nas atribuições da regulação a fiscalização;
• Seria inútil a definição de condições e normas sem a fiscalização correspondente da observância pelos
prestadores;
Decreto nº 7.217/2010:
• Regulação: “todo e qualquer ato que discipline ou organize determinado serviço público, incluindo suas
características, padrões de qualidade, impacto socioambiental, direitos e obrigações dos usuários e dos
responsáveis por sua oferta ou prestação e fixação e revisão do valor de tarifas e outros preços públicos”;
• Fiscalização: “atividades de acompanhamento, monitoramento, controle ou avaliação, no sentido de garantir o
cumprimento de normas e regulamentos editados pelo poder público e a utilização, efetiva ou potencial, do serviço
público”.
Lei nº 11.445/2007:
• Conceito moderno de regulação que abrange as atividades de:
• regulação técnica (normatização, planejamento, acompanhamento, controle dos padrões de qualidade, controle e fiscalização);
• regulação econômica (estabelecimento de tarifas);
• atendimento aos usuários (recebimento, processamento e decisão acerca de reclamações).
A regulação e o marco legal do
saneamento no Brasil
AGÊNCIAS REGULADORAS FEDERAIS
DA INFRAESTRURA BRASILEIRA
AGÊNCIAS REGULADORAS
DE SANEAMENTO BÁSICO
Única agência federal:
• ANEEL;
• ANTT;
• ANATEL;
• ANVISA;
• ANCINE;
• etc.
Abrangência:
• Todo o território nacional;
• Vínculo compulsório.
Modalidades de agências:
• Estadual;
• Intermunicipal;
• Municipal.
Abrangência:
• Estadual: prestadores no limite do estado de atuação;
• Intermunicipal: prestadores no limite do estado de 
atuação com associação ou adesão à gestão por 
consórcio;
• Municipal: apenas o prestador do próprio município;
• Escolha de agência pelo titular dos serviços.
Normas de Referência e 
Capacitação de 
responsabilidade da Agência 
Nacional de Águas e 
Saneamento Básico (ANA)
Abrangência Vantagens Desvantagens
Estadual
- Redução dos custos de regulação;
- Existência de órgão colegiado de dirigentes;
- Vencimentos compatíveis para o quadro técnico;
- Troca de expertise adquirida entre os serviços
públicos regulados.
- Distanciamento dos entes estaduais em
relação ao serviço público e aos usuários;
- Necessidade de mecanismos para garantir
a eficiência e celeridade da regulação, bem
como o acesso à regulação pela sociedade;
- Captura política pelo estado.
Intermunicipal
- Redução dos custos de regulação;
- Existência de órgão colegiado de dirigentes;
- Vencimentos compatíveis para o quadro técnico;
- Troca de expertise adquirida entre os serviços
públicos regulados;
- Proximidade com o serviço público;
- Facilidade de fiscalização constante;
- Maior probabilidade de participação dos usuários
no controle social.
- Insegurança da continuidade do consórcio
quando da ocorrência de mudanças de
governo, em razão do seu caráter
pactuado;
- Forma de escolha do quadro dirigente e do
processo de decisões que pode gerar
conflitos políticos entre os consorciados.
Municipal
- Proximidade com o serviço público;
- Facilidade de fiscalização constante;
- Maior probabilidade de participação dos usuários
no controle social.
- Falta de escala e escopo conduz à
inviabilidade;
- Baixos salários levam à baixa qualidade
técnica da atividade da regulação;
- Captura política pelo município.
Estágio de desenvolvimento das
agências reguladoras
Primeiros anos
• Infraestrutura e aspectos
econômicos:
• Características do setor;
• Mecanismos tarifários. 
Agências em 
desenvolvimento
• Melhoria da governança, 
independência e autonomia;
• Maior equilíbrio nas 
atividades (poder concedente, 
prestador e usuário);
• Qualidade dos serviços.
Agências mais 
desenvolvidas
• Novas formas de regular:
• Regulação responsiva e 
integrada;
• Yardstick competition;
• Regulação ante aos desafios 
emergentes do setor.
Obrigada!
cintia.vilarinho@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil
Referências
ABAR - Associação Brasileira de Agências de Regulação. Regulação saneamento básico 2019. Brasília: [s.n.], 2019. 54 p.
AGERGS - gência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul. Disponível em:
<https://agergs.rs.gov.br/inicial> Acesso em 15 set. 2022.
ARCE - Agência Reguladora do Estado do Ceará. Disponível em: <https://www.arce.ce.gov.br/> Acesso em 12 dez. 2020.
BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e dá outras
providências. Diário Oficial da União: República Federativa do Brasil, Brasília (DF): Imprensa Nacional, ano CXLIV, v. 1, n.
5, p. 3-7, 8 jan. 2007a.
OLIVEIRA, C. R.; GRANZIERA, M. L. M. (Org.) Novo Marco do Saneamento Básico no Brasil. Indaiatuba, SP: Editora
Foco, 2021. 216 p.
PACHECO, R. S. Regulação no Brasil: desenho das agências e formas de controle. Revista de Administração Pública, Rio
de Janeiro, v. 40, n. 4, p. 523-543, 2006. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0034-76122006000400002
VILARINHO, C.M.R. Regulação do saneamento no Brasil - Contexto histórico, perspectivas e capacitação. Dissertação
(Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Universidade
Federal de Itajubá, Itabira, 2021. Disponível em: <https://www.feis.unesp.br/Home/Pos-
Graduacao/profagua/dissertacoesdefendidas/dissertacao-de-mestrado---cintia-vilarinho---cintia-maria-ribeiro-vilarinho.pdf>
Acesso em 15 set. 2022.
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil
Regulação do 
saneamento no Brasil
(aula 3)
Introdução
“Art. 8º, § 5º O titular dos serviços públicos de saneamento
básico deverá definir a entidade responsável pela regulação e
fiscalização desses serviços, independentemente da
modalidade de sua prestação.” (Lei nº 11.445/2007)
Necessidade legal de regulação do saneamento no Brasil
Todos os serviços de saneamento básico, prestados por 
entidade pública ou privada, devem ser regulados.
Introdução
“Art. 21. A função de regulação, desempenhada por entidade de
natureza autárquica dotada de independência decisória e
autonomia administrativa, orçamentária e financeira,
atenderá aos princípios de transparência, tecnicidade, celeridade
e objetividade das decisões.” (Lei nº 11.445/2007)
Quem deve exercer o papel de ente regulador?
Agência 
reguladora 
municipal
Agência 
reguladora 
intermunicipal
Agência 
reguladora 
estadual
Autarquia com
independência
e autonomia
Introdução
Quais são os objetivos da regulação?
“Art. 22. São objetivos da regulação:
I.- estabelecer padrões e normas para a adequada prestação e a
expansão da qualidade dos serviços e para a satisfação dos
usuários, com observação das normas de referência editadas pela
ANA.
II.- garantir o cumprimento das condições e metas
estabelecidas nos contratos de prestação de serviços e nos planos
municipais ou de prestação regionalizada de saneamento básico.
III.- prevenir e reprimir o abuso do poder econômico,
ressalvada a competência dos órgãos integrantes do Sistema
Brasileiro de Defesa da Concorrência; e
IV.- definir tarifas que assegurem tanto o equilíbrio econômico-
financeiro dos contratos quanto a modicidade tarifária, por
mecanismos que gerem eficiência e eficácia dos serviços e que
permitam o compartilhamento dos ganhos de produtividade com os
usuários.” (Lei nº 11.445/2007)
Introdução
Quais normas 
devem ser 
elaboradas 
pelo 
regulador?
“Art. 23. A entidade reguladora, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, editará
normas relativas às dimensões técnica, econômica e social […]:
I - padrões e indicadores de qualidade da prestação dos serviços; 
II - requisitos operacionais e de manutençãodos sistemas;
III.- as metas progressivas de expansão e de qualidade dos serviços e os respectivos prazos;
IV. - regime, estrutura e níveis tarifários, bem como os procedimentos e prazos de sua fixação,
reajuste e revisão;
V.- medição, faturamento e cobrança de serviços; 
VI - monitoramento dos custos;
VII.- avaliação da eficiência e eficácia dos serviços prestados;
VIII.- plano de contas e mecanismos de informação, auditoria e certificação; 
IX - subsídios tarifários e não tarifários;
X.- padrões de atendimento ao público e mecanismos de participação e informação;
XI.- medidas de segurança, de contingência e de emergência, inclusive quanto a racionamento; 
XII - (VETADO).
XIII.-procedimentos de fiscalização e de aplicação de sanções previstas nos instrumentos 
contratuais e na legislação do titular; e
XIV.- diretrizes para a redução progressiva e controle das perdas de água.” (Lei nº 11.445/2007)
Conteúdo 
mínimo:
13 normas 
sobre as 
dimensões 
técnica, 
econômica e 
social.
Introdução
Necessidade legal de regulação do saneamento no Brasil
Quem deve exercer o papel de ente regulador?
Quais são os objetivos da regulação?
Quais normas devem ser elaboradas pelo regulador?
Política pública
Processo Regulatório
Instrumentos 
regulatórios
Governança do 
regulador
Política pública
Marco legal
PAPEL DO REGULADOR
Diretrizes nacionais para o saneamento básico:
• Lei nº 11.445 de 5 de janeiro de 2007:
• Decreto nº 7.217 de 21 de junho de 2010.
Atualização do marco legal:
• Lei nº 14.026 de 15 de julho de 2020: alterações na ementa 
da Lei nº 11.445/2007 com posteriores Decretos para:
• Comitê Interministerial de Saneamento Básico: Decreto nº
10.430 de 20 de julho de 2020;
• Alocação de recursos públicos federais e financiamentos:
Decreto nº 10.588 de 24 de dezembro de 2020 e decreto nº 11.030
de 1º de abril de 2022;
• Metodologia de comprovação da capacidade econômico-
financeira dos prestadores de água e esgoto: Decreto Nº 10.710
de 31 de maio de 2021.
ü Cumprir e promover o cumprimento da
legislação do setor pelos prestadores de
serviços;
ü Gerar subsídios e participar das propostas
de atualização do marco legal.
Política pública
Planejamento do setor
PAPEL DO REGULADOR
ü Incentivar o atingimento das metas dos 
planos elaborados pelos prestadores 
regulados através de instrumentos 
regulatórios;
ü Monitorar as metas dos planos dos 
prestadores regulados em conjunto com 
o titular;
ü Difundir informações sobre a política
pública aos stakeholders do setor;
ü Gerar subsídios e participar das 
propostas de atualização dos planos de 
modo a contribuir com o atingimento 
das metas do PLANSAB.
Governança do regulador
PLANEJAMENTO 
ESTRATÉGICO
ESTRUTURA 
ORGÂNICA
FLUXOS DAS 
ATIVIDADES
GESTÃO DE 
PESSOAS
GESTÃO 
FINANCEIRA
INDEPENDÊNCIA 
E AUTONOMIA
RECURSOS 
TECNOLÓGICOS
PARTICIPAÇÃO 
POPULAR
AIR e ARR AGENDA 
REGULATÓRIA
Obrigada!
cintia.vilarinho@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil
mailto:cintia.vilarinho@lis-water.org
Referências
ABAR - Associação Brasileira de Agências de Regulação. Regulação saneamento básico 2019. Brasília: [s.n.], 2019. 54 p. 
ACERTAR. Home. Disponível em: <http://www.acertarbrasil.com/> Acesso em 17 set. 2022.
ADASA. Resoluções ADASA. Disponível em: <https://www.adasa.df.gov.br/legislacao/resolucoes-adasa> Acesso em 17 set. 2022.
ARES-PCJ. Resoluções ARES-PCJ Disponível em: <https://www.arespcj.com.br/conteudo/resolucoes-ares-pcj> Acesso em 17 set. 2022.
ARIS. Relatório de avaliação dos indicadores de desempenho de Penha. Disponível em: <https://www.aris.sc.gov.br/uploads/edital/4432/neBkQRC9tg-
oEP_ulLV8sWjWWXBvHPbQ.pdf> Acesso em 16 set. 2022.
ARSAE. Nota técnica CRE 12/2021 - Metodologia de reajustes tarifários da COPASA MG. Disponível em: <http://www.arsae.mg.gov.br/wp-
content/uploads/2021/06/NT_CRE_12_2021_Metodologia_Reajuste_PreCP23.pdf> Acesso em 16 set. 2022.
BoKIR - Body of Knowledge on Infrastructure Regulation. Home. Disponível em: <https://regulationbodyofknowledge.org/> Acesso em 16 set. 2022.
BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e dá outras providências. Diário Oficial da União: 
República Federativa do Brasil, Brasília (DF): Imprensa Nacional, ano CXLIV, v. 1, n. 5, p. 3-7, 8 jan. 2007a.
BRASIL. Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020. Altera o marco legal do saneamento entre outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm> Acesso em 16 set. 2022.
ERSAR. Prémios e selos de qualidade dos serviços de águas e resíduos. Disponível em: <https://www.ersar.pt/pt/setor/premios-e-selos-de-qualidade> Acesso em
17 set. 2022.
OLIVEIRA, C. R.; GRANZIERA, M. L. M. (Org.) Novo Marco do Saneamento Básico no Brasil. Indaiatuba, SP: Editora Foco, 2021. 216 p.
TAYLOR, C.M.; et al. Environmental regulation in transition - Policy officials' views of regulatory instruments and their mapping to environmental risks. Science of The
Total Environment. Volume 646, 1 January 2019, Pages 811-820. https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2018.07.217
VILARINHO, C.M.R. Regulação do saneamento no Brasil - Contexto histórico, perspectivas e capacitação. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação
em Mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Universidade Federal de Itajubá, Itabira, 2021. Disponível em: <https://www.feis.unesp.br/Home/Pos-
Graduacao/profagua/dissertacoesdefendidas/dissertacao-de-mestrado---cintia-vilarinho---cintia-maria-ribeiro-vilarinho.pdf> Acesso em 15 set. 2022.
http://www.acertarbrasil.com/
http://www.acertarbrasil.com/
http://www.adasa.df.gov.br/legislacao/resolucoes-adasa
http://www.arespcj.com.br/conteudo/resolucoes-ares-pcj
http://www.aris.sc.gov.br/uploads/edital/4432/neBkQRC9tg-
http://www.arsae.mg.gov.br/wp-
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm
http://www.ersar.pt/pt/setor/premios-e-selos-de-qualidade
http://www.feis.unesp.br/Home/Pos-
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil
Regulação do 
saneamento no Brasil
(aula 4)
Introdução
Necessidade legal de regulação do saneamento no Brasil
Quem deve exercer o papel de ente regulador?
Quais são os objetivos da regulação?
Quais normas devem ser elaboradas pelo regulador?
Política pública
Processo Regulatório
Instrumentos 
regulatórios
Governança do 
regulador
AULA 3
Instrumentos regulatórios
Comando e controle Instrumentos 
econômicos
Instrumentos
baseados em
informação
Apoio e capacitação Co-regulação Autorregulação
Instrumentos regulatórios
Exigir que os 
prestadores 
cumpram as 
regras, reforçadas 
com sanções nos 
casos de 
descumprimento.
Modelo mais 
adotado na 
regulação do 
saneamento 
básico no Brasil.
Instrumentos regulatórios
Estabelecer 
incentivos 
econômicos para 
estimular a 
melhoria da 
eficácia e 
eficiência dos 
serviços dos 
prestadores.
Usado em 
algumas agências 
reguladoras do 
setor.
Instrumentos regulatórios
Fornecer melhores 
informações aos 
usuários e outras 
partes interessadas 
do setor.
Usado em algumas 
agências 
reguladoras do 
setor.
Incentivado no 
Brasil pelo 
ACERTAR.
Instrumentos regulatórios
Melhorar o 
conhecimento e as 
habilidades dos 
colaboradores dos 
prestadores e 
stakeholders do 
setor para promover 
melhores práticas.
Usado 
sistematicamente 
em poucas agências 
reguladoras do setor 
(Guias, capacitações, 
entre outros).
Instrumentos regulatórios
Negociar com um 
grupo de prestadores 
um acordo sobre as 
metas que devem ser 
atingidas em relação 
a um problema 
regulatório.
Utilização 
desconhecida no 
setor no país.
Exemplo positivo no 
regulador de 
telecomunicações no 
Brasil.
Instrumentos regulatórios
Promoverou 
reforçar outras 
influências sociais 
para a criação de 
um ambiente de 
bom 
desempenho.
Usado em 
algumas agências 
reguladoras. Pode 
ser inspirada no 
regulador de 
Portugal do setor.
Considerações finais
Processo regulatório do saneamento básico no Brasil:
• É papel do regulador colaborar para o cumprimento e a melhoria das políticas públicas do setor;
• A governança deve estar na agenda prioritária de planejamento e discussão dos reguladores para 
promover estruturas capazes de um bom desempenho dos modelos regulatórios;
• Utilizar os instrumentos regulatórios de forma integrada para alcançar a eficácia e eficiência da
regulação.
Desafios emergentes:
• Objetivos do Desenvolvimento Sustentável;
• ANA e sua responsabilidades de emitir normas de referência, mediar conflitos e capacitação;
• Regulação forte para a evolução dos indicadores do setor (eficácia e eficiência);
• Modicidade tarifária como garantia do acesso aos serviços pela população de baixa renda.
Obrigada!
cintia.vilarinho@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 3: Contexto histórico e criação de agências reguladoras de saneamento no Brasil
mailto:cintia.vilarinho@lis-water.org
Referências
ABAR - Associação Brasileira de Agências de Regulação. Regulação saneamento básico 2019. Brasília: [s.n.], 2019. 54 p. 
ACERTAR. Home. Disponível em: <http://www.acertarbrasil.com/> Acesso em 17 set. 2022.
ADASA. Resoluções ADASA. Disponível em: <https://www.adasa.df.gov.br/legislacao/resolucoes-adasa> Acesso em 17 set. 2022.
ARES-PCJ. Resoluções ARES-PCJ Disponível em: <https://www.arespcj.com.br/conteudo/resolucoes-ares-pcj> Acesso em 17 set. 2022.
ARIS. Relatório de avaliação dos indicadores de desempenho de Penha. Disponível em: <https://www.aris.sc.gov.br/uploads/edital/4432/neBkQRC9tg-
oEP_ulLV8sWjWWXBvHPbQ.pdf> Acesso em 16 set. 2022.
ARSAE. Nota técnica CRE 12/2021 - Metodologia de reajustes tarifários da COPASA MG. Disponível em: <http://www.arsae.mg.gov.br/wp-
content/uploads/2021/06/NT_CRE_12_2021_Metodologia_Reajuste_PreCP23.pdf> Acesso em 16 set. 2022.
BoKIR - Body of Knowledge on Infrastructure Regulation. Home. Disponível em: <https://regulationbodyofknowledge.org/> Acesso em 16 set. 2022.
BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e dá outras providências. Diário Oficial da União: 
República Federativa do Brasil, Brasília (DF): Imprensa Nacional, ano CXLIV, v. 1, n. 5, p. 3-7, 8 jan. 2007a.
BRASIL. Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020. Altera o marco legal do saneamento entre outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm> Acesso em 16 set. 2022.
ERSAR. Prémios e selos de qualidade dos serviços de águas e resíduos. Disponível em: <https://www.ersar.pt/pt/setor/premios-e-selos-de-qualidade> Acesso em
17 set. 2022.
OLIVEIRA, C. R.; GRANZIERA, M. L. M. (Org.) Novo Marco do Saneamento Básico no Brasil. Indaiatuba, SP: Editora Foco, 2021. 216 p.
TAYLOR, C.M.; et al. Environmental regulation in transition - Policy officials' views of regulatory instruments and their mapping to environmental risks. Science of The
Total Environment. Volume 646, 1 January 2019, Pages 811-820. https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2018.07.217
VILARINHO, C.M.R. Regulação do saneamento no Brasil - Contexto histórico, perspectivas e capacitação. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação
em Mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Universidade Federal de Itajubá, Itabira, 2021. Disponível em: <https://www.feis.unesp.br/Home/Pos-
Graduacao/profagua/dissertacoesdefendidas/dissertacao-de-mestrado---cintia-vilarinho---cintia-maria-ribeiro-vilarinho.pdf> Acesso em 15 set. 2022.
http://www.acertarbrasil.com/
http://www.acertarbrasil.com/
http://www.adasa.df.gov.br/legislacao/resolucoes-adasa
http://www.arespcj.com.br/conteudo/resolucoes-ares-pcj
http://www.aris.sc.gov.br/uploads/edital/4432/neBkQRC9tg-
http://www.arsae.mg.gov.br/wp-
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm
http://www.ersar.pt/pt/setor/premios-e-selos-de-qualidade
http://www.feis.unesp.br/Home/Pos-
.
Curso 1: A regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 4: A evolução da Administração 
Pública: os desafios do Estado regulador
Tema 1: Quais as principais mudanças na 
Administração Pública com a regulação?
JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA
• Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da 
Universidade Estadual Paulista - UNESP
• Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do 
Curso de Direito da UNESP.
• Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional 
em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP.
• Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e 
Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br)
• Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, 
Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas.
• Acesse algumas publicações em:
• https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira
1
TÓPICO
SMART REGULATION - REGULAÇÃO INTELIGENTE
2
TÓPICO
Transparência, eficiência e eficácia nos processos regulatórios
Smart Regulation – Regulação Inteligente, um conceito em transformação 
A Regulação é um tema que ultrapassa as relações que envolvem o serviço público – a regulação é um assunto que 
envolve, além dos serviços públicos, questões ambientais, de saúde pública, de economia, de mercado, de ensino, de 
profissões, de organização social e, ainda, um número significativo de outras atividades reguladas. 
A Regulação, portanto, pode ser definida como uma espécie de regras do jogo, na organização social.
A regulação também se transforma e se incorpora através de mecanismos concretos para atender situações 
problemáticas específicas – desenvolvendo-se através de mecanismos para determinar se a regulação atende 
eficientemente o resultado que se espera.
PRINCIPIOS ORIENTADORES DA REGULAÇÃO INTELIGENTE
- No contexto global em que se desenvolve o conceito, a regulação inteligente tem sido objeto de múltiplas 
transformações – a OCDE relaciona a regulação inteligente como um instrumento para fechar a lacuna política diferencial 
entre os diferentes instrumentos regulatórios para investir mais em avaliação e simplificação, principalmente nos 
procedimentos administrativos.
• Incorporação de múltiplos mecanismos com o objetivo de gerar resultados de qualidade.
• Melhoria dos resultados com um menor custo e repensar alternativas quando a atividade regulatória não seja mais 
adequada (estoque regulatório)
Instrumentos metodológicos importantes no conceito de regulação inteligente 
- A OCDE tem estruturado uma plataforma para construir um cenário de boas práticas regulatórias através da qual se 
analisa as tendências gerais e o marco institucional para a política regulatória, para gerar, inclusive, mais competição no 
mercado. 
- Análise de impacto regulatório (normativo)
- Lei das agências reguladoras (13.848/2019)
- Lei que institui a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica (13.874/2019)
- Decreto regulamentador da AIR (10.411/2020)
- Processo de avaliação e identificação sistemática dos efeitos esperados nas propostas regulatórias, utilizando um 
método analítico e comparativo, baseado nos objetivos da política regulatória e de intervenção para alcançar 
modelos de qualidade.
- Redução ou eliminação dos riscos e a melhoria das análises de custos e benefícios da regulação (qual o resultado 
mais adequado? Regular ou não regular?).
Instrumentos metodológicos importantes no conceito de regulação inteligente 
Diretrizes Gerais e Guia de orientação para elaboração de AIR
- Identificação do problema normativo
- Identificação do objeto normativo
- Desenho das alternativas de solução
- Avaliação qualitativa e quantitativa da alternativa selecionada
- Impacto jurídico e econômico
- Impacto de oportunidades
Consultapública
• Uma das mais radicais transformações que experimentamos no direito administrativo em nossos dias foi a posição do 
cidadão frente a administração. 
• A Administração abandona a sua posição de superioridade e assume uma maior aproximação do cidadão, em busca 
da qualidade na gestão pública, com o objetivo de gerar mais informações disponíveis e impedir que 
particulares/Grupos de Pressão exerçam influência indevida (captura) sobre os propósitos de qualidade e de 
legitimidade das políticas públicas.
Instrumentos metodológicos importantes no conceito de regulação inteligente 
Instrumentos de participação social
Lei das Agências Reguladoras (13.848/2019) Controle Social 
Lei n. 13.460 de 2017 – Dispõe sobre a participação, proteção e defesa dos direitos dos usuários dos serviços 
públicos.
- CDC - aplicação da Lei de Proteção do consumidor (também na Lei 8.987/95)
- Acesso do usuário a informação/proteção de suas informações pessoais (lei n. 12.527/2011)
- Diretrizes no atendimento ao usuário dos serviços públicos
- Utilização de linguagem simples e compreensível, evitando o uso de siglas, jargões e estrangeirismos. 
- Conselhos de usuários – órgãos consultivos
- Avaliação continuada dos serviços públicos
Agenda regulatória
• Programação de objetivos, eventos e circunstâncias que devem orientar a política regulatória. A Agenda deve ser 
concreta para cada projeto que se pretenda regular.
Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) 
ART. 20 (..) A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, 
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. (AIR)
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato, 
ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e 
administrativas. (AIR)
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições para que 
a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo impor 
aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos.
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova sobre 
norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever regime de 
transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo 
proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais.
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público, inclusive 
no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, 
após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar compromisso com os 
interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial.
Obrigado!
Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços 
Públicos – www.regulacao.com.br
José Carlos de Oliveira
Jose.c.oliveira@unesp.br
.
Curso 1: A regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 4: A evolução da Administração 
Pública: os desafios do Estado regulador
Tema 2: A regulação pode incrementar 
eficiência à Administração Pública?
JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA
• Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da 
Universidade Estadual Paulista - UNESP
• Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do 
Curso de Direito da UNESP.
• Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional 
em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP.
• Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e 
Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br)
• Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, 
Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas.
• Acesse algumas publicações em:
• https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira
1
TÓPICO
GOVERNANÇA COMO PRESSUPOSTO DA 
EFICIÊNCIA (https://bityli.com/V7ogXj)
2 PLANO ESTRATÉGICO. PLANO DE GESTÃO E AGENDA REGULATÓRIA
GOVERNANÇA PÚBLICA
O QUE É GOVERNANÇA 
- O Decreto n. 9.203, de 22 de novembro de 2017, trata a governança pública como um “conjunto de mecanismos de 
liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução de 
políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade”.
- OCDE. A boa governança é um meio para atingir um fim
PARA QUE SERVE UMA POLÍTICA DE GOVERNANÇA
- Fortalecer a confiança nas instituições públicas (legitimidade)
- Interesse público e interesse privado (Captura. Corrupção)
- Participação social – controle social
GOVERNANÇA PÚBLICA
PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DE GOVERNANÇA
- Capacidade de resposta. 
- Atender às necessidades dos cidadãos
- Integridade
- Fortalecimento dos padrões morais de conduta e prevenção da corrupção
- Confiabilidade
- Capacidade de minimizar as incertezas. Processo de articulação e coordenação.
- Melhoria regulatória
- Avaliação de políticas e atos normativos em um processo transparente (AIR)
- Prestação de contas e responsabilidade (accountability)
- Controle social da atividade administrativa
- Ouvidorias
- Transparência
- OCDE. Governo aberto. Representa o compromisso com a divulgação de suas atividades, prestando 
informações confiáveis, relevantes e tempestivas à sociedade.
PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA
governança pública - conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para 
avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de 
serviços de interesse da sociedade
- Capacidade de Resposta 
- LINDB e a promoção da segurança jurídica
- D. 9.203/2017 Dispõe sobre a política de governança
- Decisão transparente. Que resolve o problema. Tempestividade.
- competência de uma instituição pública de atender de forma eficiente e eficaz às necessidades dos 
cidadãos, inclusive antevendo interesses e antecipando aspirações
- A governança responsiva exige que os servidores públicos atuem além das ordens e sejam 
proativos. Para fortalecer a capacidade de resposta do serviço público, a capacitação em áreas 
como inovação, foco no cliente e no cidadão, colaboração, gerenciamento de projetos, 
gerenciamento financeiro e negociação. 
- Acima de tudo, é preciso incutir um firme compromisso de servir os cidadãos
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PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA
- Integridade (Conduta ética. Padrões de honestidade)
- Lei n. 12.846/2013 Programa de compliance privado– lei anticorrupção 
- Lei n. 13.303/2016 Programa de compliance público
- OCDE - integridade pública refere-se ao alinhamento consistente e à adesão de valores, 
princípios e normas éticas comuns para sustentar e priorizar o interesse público sobre os 
interesses privados no setor público.
- O conteúdo do princípio remete, portanto, à busca do difícil equilíbrio entre a punição de 
gestores que se valem da máquina pública para defender fins privados e ilícitos e a preservação 
do necessário espaço para que agentes movidos pelo espírito público possam buscar soluções 
inovadoras – e, eventualmente, mais arriscadas – para satisfazer os interesses da sociedade.
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PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA
- Confiabilidade
- OCDE capacidade das instituições de minimizar as incertezas para os cidadãos nos ambientes 
econômico, social e político
- A primeira diretriz ligada ao princípio da confiabilidade prevê que a instituição deve “monitorar o 
desempenho e avaliar a concepção, a implementação e os resultados das políticas e das ações 
prioritárias para assegurar que as diretrizes estratégicas sejam observadas”
- Articular instituiçõese coordenar processos para melhorar a integração entre os diferentes níveis e 
esferas do setor público, com vistas a gerar, preservar e entregar valor público
- O processo decisório é orientado por sistemas que privilegiam a gestão de riscos (princípios da 
integridade e da capacidade de resposta), refletido em ações consistentes com a missão da 
instituição (princípio da confiabilidade) e é ancorado em evidências previamente reunidas 
(princípio da melhoria regulatória), a accountability se transforma em uma consequência natural 
da atuação pública.
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PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA
- Melhoria Regulatória
- A aplicação do princípio da melhoria regulatória tem como consequência inexorável a adoção de um 
processo decisório baseado em evidências. A formulação de atos normativos deve ser realizada a 
partir de um conjunto de evidências que permita ao agente público identificar corretamente o 
problema a ser solucionado e dimensionar adequadamente a resposta regulatória mais apropriada. 
- A melhoria regulatória (better regulation) representa o desenvolvimento e a avaliação de políticas e 
de atos normativos em um processo transparente, baseado em evidências e orientado pela visão de 
cidadãos e partes diretamente interessadas. 
- Prestação de contas e responsabilidade
- Prestação de contas e responsabilidade (accountability) representa a vinculação necessária, 
notadamente na administração de recursos públicos, entre decisões, condutas e competências e 
seus respectivos responsáveis. Trata-se de manter uma linha clara e objetiva entre as justificativas e 
os resultados da atuação administrativa, de um lado, e os agentes públicos que dela tomarem parte, 
de outro.
.
PRINCÍPIOS DA POLÍTICA DE GOVERNANÇA PÚBLICA
- Transparência.
- [Governo aberto é] uma cultura de governança centrada no cidadão que utiliza ferramentas, 
políticas e práticas inovadoras e sustentáveis para promover transparência, capacidade de resposta 
e responsabilização do governo, de forma a incentivar a participação das partes interessadas no 
apoio à democracia e ao crescimento inclusivo.
- A transparência representa o compromisso da Administração Pública com a divulgação das suas 
atividades, prestando informações confiáveis, relevantes e tempestivas à sociedade. Inserida em 
um conjunto de princípios centrais que orienta a atividade pública, a transparência é um dos 
pilares para a construção de um governo aberto (open government).
.
Plano Estratégico – Plano de Gestão Anual e Agenda Regulatória
PLANO ESTRATÉGICO
- Plano estratégico que conterá os objetivos, as metas e os resultados estratégicos esperados das ações da agência 
reguladora relativos a sua gestão e a suas competências regulatórias, fiscalizatórias e normativas, bem como a 
indicação dos fatores externos alheios ao controle da agência que poderão afetar significativamente o cumprimento 
do plano. (Para cada período de quatro anos).
PLANO DE GESTÃO ANUAL
- O plano de gestão anual, alinhado às diretrizes estabelecidas no plano estratégico, será o instrumento anual do 
planejamento consolidado da agência reguladora e contemplará ações, resultados e metas (desempenho) relacionados 
aos processos finalísticos e de gestão.
AGENDA REGULATÓRIA.
- instrumento de planejamento da atividade normativa que conterá o conjunto dos temas prioritários a serem 
regulamentados pela agência durante sua vigência.
Obrigado!
Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços 
Públicos – www.regulacao.com.br
José Carlos de Oliveira
Jose.c.oliveira@unesp.br
.
Curso 1: A regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 4: A evolução da Administração 
Pública: os desafios do Estado regulador
Tema 3: Motivação das escolhas 
Administrativas e regulação.
JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA
• Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da 
Universidade Estadual Paulista - UNESP
• Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do 
Curso de Direito da UNESP.
• Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional 
em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP.
• Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e 
Governança dos Serviços Públicos (www.regulação.com.br)
• Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, 
Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas.
• Acesse algumas publicações em:
• https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira
1
TÓPICO
ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO
2
TÓPICO
PROCESSO ADMINISTRATIVO 
3
TÓPICO
MOTIVAÇÃO DAS ESCOLHAS PÚBLICAS
PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS
LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO (Lei n. 9.784/99)
ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO
AGENTE (vícios)
• Competência legal
FORMA (vícios)
• Escrita (símbolos, placas, sinais, sons, cores)
MOTIVO (vícios)
• Situação de fato ou legal que autoriza a atuação da Administração Pública
CONTEÚDO (vícios)
• A decisão da Administração Pública
• Razoabilidade - proporcionalidade
FINALIDADE (vícios)
• Interesse público
MOTIVAÇÃO DAS ESCOLHAS PÚBLICAS (vícios)
• Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos
• A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com 
fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do 
ato.
CONTROLE JUDICIAL - Legalidade
PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS
LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO (Lei n. 9.784/99)
- A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, 
motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, 
segurança jurídica, interesse público e eficiência.
• atuação conforme a lei e o Direito (princípio da justiça)
• atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé
• adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em 
medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público
• indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão
• adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança 
e respeito aos direitos dos administrados
PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS
PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS (Lei n. 13.848/19)
• A agência reguladora deverá observar, em suas atividades, a devida adequação entre 
meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior 
àquela necessária ao atendimento do interesse público.
• A agência reguladora deverá indicar os pressupostos de fato e de direito que 
determinarem suas decisões, inclusive a respeito da edição ou não de atos normativos.
• A adoção e as propostas de alteração de atos normativos de interesse geral dos agentes 
econômicos, consumidores ou usuários dos serviços prestados serão, nos termos de 
regulamento, precedidas da realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR), que 
conterá informações e dados sobre os possíveis efeitos do ato normativo.
• Decisão colegiada – reuniões deliberativas serão públicas – gravadas (disponibilizadas)
• Consulta pública/audiência pública
PROCESSO DECISÓRIO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS
MOTIVAÇÃO DAS ESCOLHAS PÚBLICAS
• Interesse público
• Razoabilidade e proporcionalidade
• Controles de legalidade
• Controle interno
• Controle externo
• Ministério Público
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Curso 1: A regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 4: A evolução da Administração 
Pública: os desafios do Estado regulador
Tema 4: Administração Pública gerencial e a 
regulação
JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA
• Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da 
Universidade Estadual Paulista - UNESP
• Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do 
Curso de Direito da UNESP.
• Docente no programa deMestrado Profissional em Rede Nacional 
em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP.
• Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e 
Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br)
• Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, 
Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas.
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1
TÓPICO
Administração Pública Gerencial
2
TÓPICO
Prestação de contas e controle social 
Administração Gerencial
A Administração Gerencial caracteriza-se pela existência de formas 
modernas de Gestão Pública – passa a enfatizar a eficiência, a 
qualidade e a efetiva concretização do regime democrático, mediante 
a participação mais intensa dos cidadãos
As medidas não se limitam ao âmbito da organização administrativa, 
em si consideradas, mas se estendem em relação aos cidadãos, que 
assumem uma posição de maior destaque e passam a ser vistos como 
clientes, podendo fiscalizar e exigir a qualidade do serviço oferecido. 
A Reforma Gerencial na Administração Pública
A Reforma Gerencial na Administração Pública teve o objetivo precípuo de aumentar a eficiência e efetividade dos órgãos 
do Estado a partir de um programa de descentralização, com abertura no processo decisório e assim obter um processo de 
“socialização do Estado”, com mais participação a nível subnacional o modelo gerencial apresenta um caráter estratégico 
ou orientado por resultado do processo decisório; descentralização; flexibilidade; desempenho crescente; competitividade 
interna e externa, e, sobretudo, transparência e cobrança de resultados (accountability).
São características deste modelo gerencial aliado a regulação:
• Inclui a necessidade de reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços, tendo o cidadão como beneficiário. Assim, 
desloca a ênfase dos procedimentos (meios) para os resultados (fins), com orientação para o cidadão-cliente;
• É orientado, predominantemente, pelos valores da eficiência, qualidade e produtividade na prestação de serviços 
públicos;
• Concede liberdade gerencial aos gestores públicos, aspecto essencial para que seja garantida a cobrança de resultados e 
para o estabelecimento de metas e condições de accountability;
• Exerce o controle gerencial sobre as unidades descentralizadas por meio da pactuação de resultados e de desempenhos, 
com condições e meios para atingi-los, mediante contrato de gestão e mecanismos que viabilizem o controle social, por 
meio de conselhos de usuários e mecanismos de consulta ao cidadão;
Prestação de contas e Controle Social
CONTROLE EXTERNO
• Tribunal de Contas (Legalidade e economicidade)
CONTROLE INTERNO
• Controladoria
• Lei n. 8987/95 
• Art. 30 - A fiscalização do serviço será feita por intermédio de órgão técnico do poder concedente (...) por comissão 
composta de representantes do poder concedente, da concessionária e dos usuários.
• Lei n. 14.133/2021 - A alta administração do órgão ou entidade é responsável pela governança das contratações e 
deve implementar processos e estruturas, inclusive de gestão de riscos e controles internos, para avaliar, direcionar e 
monitorar (...) os respectivos contratos, com o intuito de alcançar os objetivos estabelecidos (...) promover um 
ambiente íntegro e confiável, assegurar o alinhamento das contratações ao planejamento estratégico e às leis 
orçamentárias e promover eficiência, efetividade e eficácia em suas contratações.
RELATÓRIO ANUAL CIRCUNSTANCIADO DE SUAS ATIVIDADES
- A agência reguladora deverá elaborar relatório anual circunstanciado de suas atividades, no qual destacará o 
cumprimento da política do setor, definida pelos Poderes Legislativo e Executivo, e o cumprimento dos seguintes 
planos:
- Plano estratégico. Plano de Gestão Anual.
São objetivos dos planos Estratégicos e de Gestão Anual
- aperfeiçoar o acompanhamento das ações da agência reguladora, inclusive de sua gestão, promovendo maior 
transparência e controle social;
- aperfeiçoar as relações de cooperação da agência reguladora com o Poder Público, em particular no 
cumprimento das políticas públicas definidas em lei;
- Lei de Saneamento Básico
- Modicidade tarifária
- Política social – população de baixa renda. Subsídios Tarifários. Tarifa Social.
- Núcleos urbanos informais
- promover o aumento da eficiência e da qualidade dos serviços da agência reguladora de forma a melhorar o 
seu desempenho, bem como incrementar a satisfação dos interesses da sociedade, com foco nos resultados;
- permitir o acompanhamento da atuação administrativa e a avaliação da gestão da agência.
Controle Social 
Relatório anual circunstanciado 
- aperfeiçoar o acompanhamento das ações da agência reguladora, inclusive de sua gestão, promovendo maior 
transparência e controle social
- Audiência Pública – consulta Pública 
- Associação de defesa dos interesses dos usuários de serviços públicos
Obrigado!
Centro de Estudos de Regulação e Governança dos Serviços 
Públicos – www.regulacao.com.br
José Carlos de Oliveira
Jose.c.oliveira@unesp.br
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 5: A nova gestão pública 
e a agencificação: desafios e 
oportunidades para a 
Administração Pública (Parte 1)
Jaime Baptista
Lisbon International Centre for Water 
Portugal
Questões:
Porque há necessidade de boas políticas públicas para os serviços de água
e saneamento ?
Porque há necessidade de regulação dos serviços?
Necessidade de boas políticas 
públicas para os serviços de água e 
saneamento
Necessidade de boas políticas públicas
Importância e necessidade:
• Os serviços de água e saneamento têm sido assumidos como prioritários pelos
decisores políticos.
• Isso implica a existência de políticas públicas adequadas.
E o que são políticas públicas?
• Políticas públicas são programas de ação governamental visando coordenar os 
meios à disposição do Estado e as atividades privadas, para a realização de metas 
coletivas socialmente relevantes e politicamente determinadas.
• Devem fazer recurso a componentes diversas, que concorrem para o mesmo fim e 
garantem a otimização de resultados em função dos meios disponíveis.
• O sucesso de uma política pública passa por gerir globalmente estas
componentes.
• Em todas elas o regulador tem um papel relevante.
Necessidade de boas políticas públicas
• Efetivamente, o desenvolvimento de melhores serviços de águas passa por 
três pilares:
• Uma boa política pública: o “orientador" necessário para melhorar os 
serviços de águas.
• Uma regulação eficaz: o “catalizador" necessário para implementar a política
pública.
• Uma gestão eficaz, eficiente e sustentável: o “operacionalizador" 
necessário para materializar no terreno a política pública.
Papel da regulação:
• A entidade reguladora deve atuar como instrumento acelerador e 
equilibrador da implementação da política pública junto das entidades 
gestoras que prestavam o serviço aos consumidores.
Necessidade de boas políticas públicas
Responsabilidade pela política pública dos serviços:
• É responsabilidade dos governos desenvolver os serviços de águas,
melhorando a qualidade de vida das populações.
• Esse desenvolvimento deve ser sustentável e inclusivo, realizado de forma 
globalmente consistente, com a devida articulação de todos os aspetos 
importantes.
• Isso implica a existência de uma visão adequada, materializada numa política 
pública global e integrada.
• A política pública dos serviços de águas pode ser decomposta em diversas
componentes.
• Cada uma dessa componentes deve ter associados instrumentos e
incentivos para a sua operacionalização.
Necessidade de boas políticas públicas
Responsabilidade pela regulação dos serviços:
• Sendo os serviços de águas prestados em regime de monopólio natural, 
não há incentivo na procura de uma maior eficiência e eficácia pelas 
entidades gestoras, aumentando os riscos de prevalência perante os 
utilizadores.
• Por estas razões, a sociedade pode beneficiarda existência de uma 
intervenção regulatória capaz de introduzir maior equilíbrio na relação entre 
as entidades gestoras e os utilizadores.
• A regulação deve, assim, ser vista como uma das diversas componentes 
da política pública, mas com um papel crucial, pois promove e controla 
grande parte das outras componentes.
Necessidade de boas políticas públicas
Responsabilidade pela gestão dos serviços:
• As entidades gestoras dos serviços de águas são agentes essenciais que
materializam no terreno a política pública.
• O bom desempenho dessas entidades monopolistas é essencial para obter 
serviços com qualidade a preços aceitáveis.
É assim importante:
• Apoiar os governos a estruturar e implementar uma política pública 
abrangente e integrada para os serviços de águas.
• Apoiar os reguladores a melhorarem a sua organização e o modelo 
regulatório dos serviços.
• Apoiar as entidades gestoras de serviços a melhorarem a sua organização e
gestão.
Necessidade de boas políticas públicas
Em síntese:
• As políticas públicas são essenciais para a obtenção de adequados
serviços públicos de água e saneamento às populações.
• São programas de ação governamental que visam coordenar os meios de 
que dispõem o Estado e as atividades privadas, para alcançar objetivos 
coletivos socialmente relevantes e politicamente determinados.
• Devem utilizar vários componentes (blocos) e incentivos, que contribuem 
para o mesmo fim e garantam a otimização dos resultados de acordo com os 
meios disponíveis.
• As autoridades reguladoras são uma das componentes e realizam a sua 
atividade no âmbito da lei e da política pública estabelecida pelo Governo.
• São o acelerador e o equilíbrio entre a política pública estabelecida pelo 
Governo e a sua efetiva implementação no terreno pelos operadores.
Necessidade de boas políticas públicas
Passa a existir um maior alinhamento de 
interesses de todos os intervenientes, em 
benefício da sociedade
Necessidade de regulação dos 
serviços
Necessidade de regulação dos serviços
Características dos serviços de águas:
• São serviços públicos essenciais, de caráter estrutural, fundamentais ao bem-
estar geral, à saúde pública e à segurança, às atividades económicas e à proteção 
do ambiente.
• Têm uma importância primordial nas sociedades modernas e são classificados de
serviços de interesse económico geral, por serem:
• Atividades de serviço comercial;
• Atividades que preenchem missões de interesse geral;
• Atividades sujeitas a obrigações de serviço público.
• Pretende-se promover a prestação de serviços públicos com:
• Qualidade adequada;
• Preços comportáveis socialmente;
• Nível de risco aceitável.
• Pretende-se encontrar o equilíbrio entre estes objetivos, no longo prazo, garantindo 
racionalidade e transparência.
Necessidade de regulação dos serviços
Característica de monopólio dos serviços:
• Os serviços de água e saneamento constituem indústrias de rede, tais como 
os serviços de eletricidade, gás, telecomunicações, transporte ferroviário, 
aéreo e marítimo, etc.
• Face às suas caraterísticas específicas e às pesadas infraestruturas de que 
necessitam, configuram um monopólio natural.
• Como consequência, uma entidade gestora presta na maioria da situações 
esses serviços em exclusivo, sem concorrentes, no seu território de 
intervenção.
• Trata-se provavelmente do último dos grandes monopólios nos serviços 
públicos.
Necessidade de regulação dos serviços
Necessidade de regulação:
• Nestes mercados de monopólio os consumidores não têm alternativa e estão 
numa situação frágil face à entidade gestora.
• Não há incentivo para uma maior eficiência e eficácia das entidades gestoras e
aumentam os riscos de predomínio face aos utilizadores.
• Estes mercados de monopólio requerem portanto uma forma de regulação que 
ultrapasse a inexistência de autorregulação, que carateriza os mercados 
concorrenciais.
• Por estas razões, a sociedade pode beneficiar da existência de uma intervenção
regulatória capaz de introduzir maior equilíbrio no setor.
Necessidade de regulação dos serviços
Qual o papel do Estado:
• Nos serviços de monopólio, o Estado pode assumir não apenas a titularidade 
mas também a sua prestação, garantindo, em teoria, o interesse público e as 
necessidades dos utilizadores, sem tirar vantagem da sua condição de monopolista.
• Mas nem sempre isto acontece por dificuldade de o Estado se capacitar para a 
boa prestação dos serviços, ou por opção estratégica, decidindo por ex. que a 
gestão dos serviços deve ser feita por terceiras entidades, públicas ou privadas.
• Mesmo quando o Estado delega ou concessiona estes serviços a entidades 
empresariais públicas, acontece que outras prioridades, como a da gestão dos 
ciclos políticos ou a criação de valor acionista, se sobrepõem por vezes às 
obrigações de serviço público.
• Por estas razões, continua a existir necessidade de uma intervenção regulatória
capaz de introduzir maior equilíbrio no setor, com estabilidade e independência.
Necessidade de regulação dos serviços
O que é a regulação:
• A regulação é um mecanismo que procura reproduzir, num mercado de monopólio
natural, os resultados de eficiência que se tenderiam a obter naturalmente num
mercado competitivo.
• Cria um mercado de competição virtual, introduzindo medidas regulatórias que 
induzem as entidades gestoras a agirem em função do interesse público, sem porem 
em causa a sua viabilidade.
• Surge como instrumento moderno de intervenção do Estado nos serviços.
• Assim, a agência reguladora exerce funções de Estado, especificamente e apenas 
aquelas que este entenda entregar-lhe.
• Por isso existem reguladores com diferentes níveis de poderes e graus de 
independência, função da opção tomada pelo Estado.
Necessidade de regulação dos serviços
Alargamento da regulação no mundo:
• Por todas estas razões, tem vindo a assistir-se ao surgimento de um número
crescente de agências reguladoras em todo o mundo.
• Existem atualmente mais de duzentas e cinquenta agências reguladoras no 
mundo abrangendo nestes serviços.
• Designa-se frequentemente esta tendência por “agencificação”.
• Isso constitui um reconhecimento da vantagem em criar órgãos especializados que 
tornem mais eficaz o exercício dos poderes do Estado que lhes forem delegados.
• Efetivamente a regulação reveste-se de um acentuado carácter técnico, muito 
complexo e interdisciplinar, que encontra por vezes difícil resposta na administração 
pública tradicional.
Obrigado!
Jaime Baptista
LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal 
jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
mailto:jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 5: A nova gestão pública 
e a agencificação: desafios e 
oportunidades para a 
Administração Pública (Parte 2)
Jaime Baptista
Lisbon International Centre for Water 
Portugal
Questões:
Quais devem ser as abordagens regulatórias?
Quais são as componentes de intervenção regulatória?
O que é a governança de uma entidade reguladora?
Abordagem regulatória
Abordagem regulatória
Modelos institucionais de regulação possíveis:
• O Estado (central, regional ou local) assume diretamente essa 
responsabilidade, e exerce-a essencialmente através da 
legislação.
• O Estado dispõe de uma entidade especializada dependente, 
geralmente uma direção geral (administração direta do Estado), 
geralmente dependente de uma secretaria de estado ou de um 
ministério, para exercer essa função.
• O Estado cria uma entidade especializada parcialmente 
dependente (administração indireta do Estado), por exemplo um 
instituto público ou uma autarquia, dotado de personalidade 
jurídica.
• O Estado cria uma entidade especializada independente,
dotada de personalidade jurídica e independência.
Estado(central,
regional oulocal)
Administração 
públicadireta 
(exemplo: direção 
geral)
Administração 
públicaindireta 
(exemplo: instituto 
público)
Entidade 
administrativaindependenteIn
de
pe
nd
ên
ci
a
re
gu
la
tó
ria
cr
es
ce
nt
e
Abordagem regulatória
• Ao contrário dos primeiros modelos, que são decisão exclusiva do Governo através 
de legislação própria, as entidades administrativas independentes têm em geral a 
sua lei orgânica aprovada pelo Parlamento, dando-lhe poder reforçado.
• Outras figuras jurídicas e designações são possíveis, função da organização de cada
país (ex. entes reguladores, entidades reguladoras, comissões, superintendências).
• A alternativa por vezes utilizada de autorregulação destes serviços pelas próprias
entidades gestoras não garante uma abordagem equilibrada.
• Uma figura mitigada é a de observatório, que apenas recolhe e processa informação 
para o Estado ser melhor regulador, mas a experiência não tem sido muito positiva.
• A entidade reguladora é em geral mais eficiente porque tem a capacidade de intervir.
Abordagem regulatória
Modelos funcionais de regulação:
• O modelo funcional de regulação deve ser racional face ao contexto dos serviços de
água e saneamento.
• Deve ser claro, simples e prático para os regulados e para os consumidores.
• Deve ter em conta, de forma integrada, as vertentes técnica, económica, jurídica,
ambiental, social e ética.
• Não há soluções universais, devendo procurar-se em cada país o modelo certo.
• É por exemplo necessário adaptar a abordagem regulatória a zonas periurbanas, 
rurais e de pobreza extrema.
• O modelo deve ser aplicado com intensidade variável, função da estrutura do 
mercado, por ex. regulação de comando e controle (ex. Reino Unido), ou colaborativa 
e pedagógica (ex. Portugal).
Abordagem regulatória
Preocupações da regulação com os serviços:
• Eficácia dos serviços: acessibilidade física, continuidade e fiabilidade, qualidade 
das águas distribuídas e rejeitadas, segurança, resiliência, equidade e acessibilidade 
económica.
• Eficiência dos serviços: melhor governo e estruturação do setor, organização, 
modernização e digitalização das entidades gestoras, gestão e alocação eficiente de 
recursos financeiros, eficiência hídrica e energética e descarbonização.
• Sustentabilidade dos serviços: sustentabilidade económica, financeira e 
infraestrutural, utilização e recuperação de recursos naturais, adequado capital 
humano, gestão de informação, conhecimento e inovação.
• Valorização dos serviços: valorização económica nos mercados, circularidade e 
valorização ambiental e territorial, valorização societal, transparência, 
responsabilização e ética.
Abordagem regulatória
Preocupações da regulação com os intervenientes:
• Consumidores: assegurar a proteção dos seus interesses através do acesso e
qualidade do serviço e razoabilidade do preço.
• Entidades gestoras: assegurar a sua sustentabilidade aos níveis económico, 
infraestrutural e de recursos humanos.
• Ambiente: assegurar a sua boa utilização e proteção, a nível dos impactos dos
serviços na água, no ar, no solo e no ecossistema.
Regulador
Regulador
Entidade 
gestora
Entidade 
gestora
Consu-
midor
Próxima geração
Consu-
midor
Preocupações da regulação com o balanço intergeracional:
• Geração atual: assegurar os interesses da atual geração.
• Geração futura: salvaguardar os interesses das futuras 
gerações.
Componentes de intervenção 
regulatória
Componentes de intervenção regulatória
Intervenção regulatória em dois planos:
Regulação estrutural
(dirigido ao sector como um todo)
Consiste em:
• contribuir para uma melhor organização do sector
• clarificar as suas regras de funcionamento
• preparar e divulgar informação
• promover a capacitação e a inovação
Regulação comportamental
(dirigido aos operadores)
Consiste em assegurar:
• monitorização legal e contratual
• regulação económica
• qualidade de serviço
• qualidade da água para consumo 
humano
• interface com o utilizador
Componentes de intervenção regulatória
Regulação estrutural do setor:
• Está focalizada no setor como conjunto.
• Deve contribuir para a sua melhor organização e clarificação das suas regras,
como as relativas às restrições à entrada das entidades gestoras no mercado e às
medidas de separação funcional.
• Inclui todo um conjunto de medidas tendentes a consolidar e a modernizar as
entidades gestoras, quer disponibilizando informação quer capacitando os agentes.
• É uma forma de controlo direto sobre o contexto envolvente e indireto sobre as
entidades gestoras, reduzindo ou eliminando comportamentos indesejáveis.
• Condiciona, numa lógica preventiva, a forma, o conteúdo e a natureza da regulação 
comportamental, sendo complementar.
Componentes de intervenção regulatória
Regulação comportamental das entidades gestoras:
• Consiste em regular os comportamentos das entidades gestoras em relação aos 
aspetos legais e contratuais, económicos, de qualidade do serviço, qualidade da 
água para consumo humano e interface com os utilizadores.
• Estas componentes são potenciadas com a avaliação do desempenho e a 
comparação com os resultados das outras entidades gestoras similares que 
atuam em zonas geográficas distintas (benchmarking).
• Estes mecanismos devem, em geral, adotar uma lógica de pedagogia e 
valorização, por exemplo beneficiando de alguma forma a entidade gestora em 
função do seu desempenho em relação à média de desempenhos de todas as 
entidades gestoras.
Componentes de intervenção regulatória
Articulação das componentes regulatórias:
• Todas estas componentes devem ter boa articulação, num todo coerente e
integrado, cuja eficácia beneficia das sinergias obtidas.
• Por exemplo, a regulação económica deve potenciar mas também beneficiar da 
regulação da qualidade do serviço.
• Por exemplo, a regulação da qualidade da água para consumo humano deve
influenciar a regulação económica e também beneficiar desta.
• A concentração de todas estas componentes numa entidade reguladora potencia
essas sinergias.
Componentes de intervenção regulatória
Complementaridade da regulação estrutural e da regulação comportamental:
• A necessidade de eficácia na regulação dos monopólios naturais recomenda a
utilização complementar da regulação estrutural e da regulação comportamental.
• No caso dos serviços de águas, por terem uma alteração lenta das condições de 
mercado e das tecnologias, tende a haver uma prevalência da regulação 
comportamental das entidades gestoras sobre a regulação estrutural dos setores.
• Contudo, nos períodos de reforma das políticas públicas, pode haver uma 
prevalência da regulação estrutural do setor.
• A intervenção da agência reguladora deve adaptar-se e acompanhar a situação
existente em cada país.
Governança de uma entidade 
reguladora
Governança de uma entidade reguladora
Missão regulatória:
• É a declaração clara e concisa do seu propósito fundamental, a finalidade da sua
existência.
• É como o “ADN do regulador”, definindo a sua identidade, pretendendo-se que seja
estável ao longo do tempo.
• Essa clareza é essencial para que o regulador esteja devidamente legitimado e 
possa cumprir o seu papel de forma eficaz.
• Na criação do regulador é pois essencial que o Estado defina com clareza o que
entende ser a sua missão e, consequentemente, o seu mandato regulatório.
• Um exemplo é que a entidade reguladora “tem por missão a regulação e a 
supervisão dos serviços de abastecimento público de água e de saneamento de 
águas residuais urbanas e pluviais”.
Governança de uma entidade reguladora
Mandato regulatório e sua delimitação:
• Dessa missão resulta um mandato dado pelo Estado.
• É importante a delimitação precisa do mandato regulatório, que deve 
marcar claramente a fronteira, a montante, a jusante e na envolvente.
• A montante deve ter definida a fronteira com o Estado, o seu poder 
legislativo e as opções políticas, que cabem ao Parlamento e ao 
Governo (ex. tarifas, regulamentos).
• A jusante deve ter definida a área de intervenção da entidade 
reguladora, onde termina e onde começa a autonomia de gestão das 
entidades reguladas. (ex. evitandoexcessiva interferência na gestão).
• Na envolvente, deve ter definida a sua jurisdição face a reguladores
setoriais (ex. ambiente, saúde).
Re
gu
lad
or
Reguladoressetoriais
Estado
Entidades 
reguladas
Governança de uma entidade reguladora
Poderes regulatórios:
• Poderes regulamentares, podendo emitir regras através de regulamentos com
eficácia externa, que vêm complementar e ou especificar a legislação.
• Poderes de autoridade, podendo verificar se as regras são implementadas e 
“fazendo cumprir”, impondo a sua vontade junto das entidades gestoras, face à sua 
força estatutária.
• Poderes de resolução de conflitos, por exemplo através de conciliação, mediação
e arbitragem entre entidades gestoras e consumidores.
• Poderes sancionatórios, processando contraordenações e aplicando coimas, que 
não devem preferencialmente reverter a favor da entidade reguladora para não haver 
conflitos de interesse.
• Outros, variando consoante a vontade do Estado.
Governança de uma entidade reguladora
Princípios regulatórios:
• Responsabilidade: assunção dos deveres no quadro da missão e atribuições, em
articulação com o poder político e os agentes do setor, no estrito cumprimento das
normas legais aplicáveis.
• Competência: sólidas capacidades próprias para a avaliação das questões
inerentes à regulação.
• Melhoria contínua: permanente esforço de melhoria contínua da atividade
regulatória, através de avaliação interna e por terceiros.
• Isenção: total imparcialidade em relação aos interesses das diferentes partes 
envolvidas, equidistante do poder político, das entidades gestoras, dos utilizadores e 
dos restantes agentes dos setores, atuando apenas no sentido do interesse público.
• Transparência: com procedimentos claros, processos monitorizáveis de 
transparência, responsabilidade e envolvimento do setor.
Obrigado!
Jaime Baptista
LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal 
jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
mailto:jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 5: A nova gestão pública 
e a agencificação: desafios e 
oportunidades para a 
Administração Pública (Parte 3)
Jaime Baptista
Lisbon International Centre for Water 
Portugal
Questões:
Qual o âmbito de intervenção da entidade reguladora?
O que deve ser a estrutura orgânica de uma entidade reguladora?
Quais devem ser os recursos da entidade reguladora?
Âmbito de intervenção da entidade 
reguladora
Âmbito de intervenção da entidade reguladora
Âmbito das atividade reguladas:
• Em geral os reguladores regulam o serviço de abastecimento público de água, o 
mais sensível face aos consumidores.
• Regulam também o serviço de águas residuais (saneamento), incluindo atividades
acessórias como reutilização e fossas sépticas.
• Regulam por vezes também o serviço de águas pluviais, completando o ciclo 
urbano da água.
• Regulam algumas vezes o serviço de resíduos urbanos, o que permite maximizar 
os benefícios da salubridade pública.
• Noutras situações regulam estes serviços juntamente com outros, como eletricidade
e transportes (reguladores multissectoriais).
• Por vezes regulam estes serviços junto com a regulação ambiental.
• O alargamento do âmbito de atividade permite economias de gama mas reduz a
especialidade.
Âmbito de intervenção da entidade reguladora
Universo de entidades reguladas:
• Pode variar, função da conceção institucional e da dimensão e do contexto de cada 
país.
• Os reguladores foram em muitos casos criados com o objetivo de regular entidades 
gestoras privadas.
• Gradualmente têm procurado alargar:
• A entidades gestoras de titularidade estatal (central), para promover eficácia e eficiência ou evitar 
por ex. que a criação de valor acionista se sobreponha às obrigações de serviço público.
• A entidades gestoras de titularidade municipal ou intermunicipal (local), por ex. para evitar que a
lógica política de curto prazo se sobreponha ao interesse público de longo prazo.
• Essas entidades podem abranger não apenas zonas urbanas, como também rurais,
periurbanas e informais.
Âmbito de intervenção da entidade reguladora
Área geográfica de intervenção regulatória:
• Os reguladores podem ter um âmbito geográfico
de intervenção:
• A nível nacional, na maioria das situações.
• A nível regional, típico de países de grande 
dimensão ou regiões autónomas.
• A nível local, em casos excecionais.
• O aumento de escala geográfica permite:
• Visão global do setor.
• Maior uniformização de regras, procedimentos e interpretações.
• Utilização do benchmarking com um número mais elevado de entidades gestoras.
• Diminuição do risco de captura regulatória, pela multiplicidade de relacionamentos.
• Racionalização dos recursos regulatórios, proporcionando a redução unitária do seu 
custo para os utilizadores.
Estrutura orgânica da entidade 
reguladora
Estrutura orgânica da entidade reguladora
Recomendações para o órgão de direção:
• Deve ser colegial e composto por um número ímpar de membros.
• Devem ser selecionados de entre pessoas com reconhecida idoneidade, 
independência e competência, de forma transparente e credível, com envolvimento 
de Governo e Parlamento.
• Devem prosseguir regras de igualdade de género.
• Devem exercer as suas funções em regime de exclusividade e sujeitos a 
mecanismos de inelegibilidades, incompatibilidades e impedimentos.
• Devem ficar impedidos de desempenhar funções ou prestar qualquer serviço às 
entidades anteriormente sujeitas à sua intervenção depois do termo do seu 
mandato e durante um determinado período.
• A inamovibilidade do cargo deve ser excecionada quando se verifiquem infrações
graves.
Estrutura orgânica da entidade reguladora
Recomendações para o (desejável) órgão de consulta:
• Este órgão deve dar apoio na definição das linhas gerais de atuação.
• Serve para obter uma primeira perceção da reação do setor às iniciativas do
regulador e para divulgar essas medidas pelo setor.
• Deve ser independente no exercício das suas funções e presidido por uma
personalidade de reconhecido mérito.
• Deve representar todos os atores do setor:
• Autoridades ambientais, de recursos hídricos, de saúde pública, de proteção dos 
consumidores e da concorrência, a nível nacional e, se adequado, a nível
regional.
• Entidades gestoras que cubram os diversos modelos de gestão.
• Associações de utilizadores.
• Associações representativas de atividades económicas.
• Associações técnico-profissionais com relevo nos setores.
• Organizações não-governamentais de ambiente.
Estrutura orgânica da entidade reguladora
Recomendações para o órgão de controlo:
• Este órgão interno deve ser responsável pela verificação da legalidade e da gestão
financeira e patrimonial.
• Deve ser independente no exercício das suas funções, ex. um revisor oficial de 
contas ou uma sociedade de revisores oficiais de contas.
• Este órgão complementa órgãos externos transversais de verificação da 
legalidade e da gestão financeira e patrimonial de entidades públicas, de acordo com 
a legislação vigente no país.
Recomendações para a ouvidoria:
• Este órgão deve, no âmbito administrativo, dirimir as divergências entre as 
empresas prestadoras de serviços, bem como entre esses prestadores e seus 
usuários.
• Devem também colaborar na correção de procedimentos internos do regulador.
Estrutura orgânica da entidade reguladora
Recomendações para as competências da equipa:
• Os reguladores devem dispor de competências essenciais, por ex.:
• Análise económica e financeira;
• Análise jurídica;
• Engenharia de águas;
• Qualidade da água.
• Deve ter apoio transversal, por exemplo de:
• Estudos e projetos;
• Tecnologias de informação;
• Comunicação e imagem institucional;
• Planeamento e controlo de gestão;
• Administrativo e financeiro.
Estrutura orgânica da entidade reguladora
Opções para o modelo organizacional:
• Por componentes regulatórias
• Por destinatário da regulação
• Por centro deconhecimento
Regulação legal e
contratual
Regulação 
económica
Regulaçãode 
qualidadedeserviço
Regulaçãode 
interfacedeutilizador
Operadores 
estatais
Operadores 
municipais
Operadores 
privados
Micro 
operadores
Engenharia Economias Jurídico Outros
• Outros modelos são possíveis (por serviço, etc.).
Garante autonomia 
departamental mas 
dificulta solidez 
disciplinar, exigindo 
rotação de pessoas
Cada assunto é entregue ao 
departamento apropriado, que 
é autónomo para a tarefa
Cada assunto é entregue a um 
coordenador, que constituiu a 
sua equipa dos departamentos
Enfraquece 
departamentos e 
requer reforço da 
gestão de topo
Descrição
Cada assunto é entregue ao 
departamento mais relevante, 
que solicita a colaboração dos 
outros sempre que necessário
Avaliação
Garante solidez 
disciplinar mas requer 
boa cooperação 
interdepartamental
Recursos da entidade reguladora
Estrutura orgânica da entidade reguladora
Recursos humanos:
• Devem ser em número adequado e ter formação e experiência profissional e
conhecimento aprofundado de regulação.
• Deve ter capacidade de auto-organização a nível de quadro de pessoal, carreiras,
cargos dirigentes, remunerações e recrutamento.
• É importante o regulador dispor de bons incentivos para contratar, incentivar e
preservar esses recursos humanos.
• A entidade reguladora deve investir na formação contínua e especializada dos 
recursos humanos para se manterem atualizados.
• O recurso à contratação de consultores externos qualificados e de auditores 
independentes sempre que necessário, por ex. para auditorias às entidades 
gestoras.
• Os recursos humanos devem trabalhar em exclusivo e ter deveres de sigilo
profissional.
Estrutura orgânica da entidade reguladora
Recursos financeiros:
• Os reguladores devem dispor dos recursos financeiros indispensáveis à efetivação 
das suas atividades e dispor de autonomia financeira.
• As receitas devem provir de preferência da cobrança de taxas pelos serviços de 
regulação prestados às entidades gestoras, suportadas pelos utilizadores e não 
pelos contribuintes, assegurando assim maior independência financeira e reforçando 
a confiança no regulador.
• As taxas devem ter componente fixa e variável, desdobrada por serviço de água e 
serviço de saneamento:
• Componente fixa para entidades que ainda não entraram em produção
• Componente variável função do volume de atividade da entidade (m3).
• O impacto do custo regulatório para o utilizador deve ser baixo, para efeitos de
contenção tarifária (ex. inferior a 1% da tarifa média em Portugal).
Estrutura orgânica da entidade reguladora
Recursos físicos e tecnológicos:
• Os reguladores devem ter instalações próprias adequadas, e não utilizarem 
instalações cedidas pelo Ministério ou terceiros.
• As instalações podem ser centralizadas ou não, função do contexto.
• Os reguladores lidam com grande quantidade de informação e devem estar dotados 
de uma infraestrutura informática de adequada capacidade, elevada fiabilidade e 
boa redundância.
• Deve desenhar e implementar um sistema de informação capaz de gerir essa 
grande quantidade de informação, sendo partilhada entre diferentes departamentos 
do regulador.
• Deve permitir interligação com os sistemas próprios das entidades gestoras.
• Deve ainda poder ser partilhada com terceiras entidades, por exemplo de
estatística, saúde, ambiente e defesa do consumidor.
Obrigado!
Jaime Baptista
LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal 
jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
mailto:jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 5: A nova gestão pública 
e a agencificação: desafios e 
oportunidades para a 
Administração Pública (Parte 4)
Jaime Baptista
Lisbon International Centre for Water 
Portugal
Questões:
Qual deve ser a independência da agência reguladora?
Quais as reflexões finais sobre este módulo?
Independência da agência 
reguladora
Independência da agência reguladora
Fundamentos da independência regulatória:
• Separar a política da economia no setor: em diversos contextos políticos, 
considera-se que a atividade económica não deve pertencer ao Estado, sem prejuízo 
da sua regulação pública.
• Assegurar a estabilidade e segurança regulatória: não depende do ciclo eleitoral 
nem de mudanças de governo, garantindo estabilidade.
• Favorecer o profissionalismo e a neutralidade política: recrutamento de
profissionais em vez de quadros políticos.
• Separar o Estado empresário do Estado regulador: assegurar a igualdade de
tratamento de entidades gestoras públicas e privadas.
• Proteger contra a captura regulatória: melhorar as condições para resistir às 
eventuais pressões dos diversos atores do setor.
• Facilitar o autofinanciamento: financiamento independente tanto em relação aos
governos quanto em relação aos regulados.
Independência da agência reguladora
Características da independência regulatória:
• A independência não é um fim em si mesmo, mas um meio para garantir, de forma
estável, uma prestação eficaz, eficiente e sustentável dos serviços públicos.
• A independência não é estática, mas é um processo contínuo, que requer uma 
combinação de elementos formais e informais, de jure e de facto.
• A independência não pode ser entendida como absoluta, devendo em geral ser 
centrada nas seguintes vertentes:
• Vamos analisar cada uma destas vertentes.
Independência
orgânica
Independência
funcional
Independência
financeira
Autonomia de 
gestão 
administrativa e 
financeira
Independência da agência reguladora
Independência orgânica:
• O regulador deve ser uma entidade organizacional distinta dos ministérios e
outras entidades da administração pública.
• Deve ter uma lei orgânica própria que especifique de forma clara a sua 
independência do Governo.
• A direção do regulador deve ser designada de forma exigente e transparente, sem 
critérios políticos, com recurso a pessoas com reconhecida idoneidade, 
independência e competência.
• A sua nomeação pode passar pelo envolvimento do Governo, do Parlamento e
eventualmente da Presidência.
• O seu mandato deve ser bem definido e prolongado no tempo.
• A destituição do órgão diretivo não pode acontecer por razões políticas e apenas 
por incumprimentos graves previstos na lei.
Independência da agência reguladora
Independência funcional:
• O regulador tem autonomia nas decisões técnicas, ou seja, não estão dependentes
da aprovação pelo Governo.
• Consequentemente, o regulador não recebe instruções específicas do Governo nem 
de qualquer outro dos atores do setor, sem prejuízo de ter que funcionar no quadro da 
lei e da estratégia nacional.
Independência financeira:
• O regulador deve dispor de fonte de receitas segura e adequada.
• As receitas devem provir de taxas de regulação aplicadas às entidades gestoras, não
devendo depender do orçamento do Estado.
• Deve haver repercussão das taxas na fatura dos consumidores, para que o regulador
possa responder perante os consumidores.
• O regulador deve dispor de mecanismos de garantia de cobrança.
Independência da agência reguladora
Autonomia de gestão administrativa e financeira:
• O regulador deve ter autonomia administrativa, de recursos humanos e
orçamental.
• Deve ter agilidade dos processos administrativos de contratação pública e gestão 
orçamental.
• Deve ter agilidade nos procedimentos de recrutamento de pessoal, sempre numa 
base técnica e não política, e tabela salarial autónoma e atrativa.
Independência real ou de facto:
• O regulador deve atual com uma cultura de imparcialidade.
• Não deve haver interferência política, de entidades gestoras ou de outros agentes
nas suas decisões.
• Não deve agir em função de instruções, pressões ou incentivos.
Independência da agência reguladora
Necessidade de prestação pública de contas:
• Como contrapartida da independência, deve haver prestação de contas e 
escrutínio, exigência básica de todo o poder público, nomeadamentee especialmente 
do regulador independente.
• Um défice dessa prestação pública de contas pode pôr em causa a legitimidade do 
regulador independente.
Instrumentos de prestação de contas:
• Planos e relatórios de atividades.
• Audições no órgão de consulta (ex. conselho consultivo).
• Audições parlamentares regulares.
• Controlo geral administrativo e financeiro (ex. Tribunal de Contas).
• Recurso das decisões regulatórias (ex. Tribunal especializado).
Independência da agência reguladora
Instrumentos de transparência e comunicação:
• O regulador deve divulgar todos os dados relevantes do setor.
• Deve fazer prévio anúncio público dos projetos de regulamento e das mais 
relevantes medidas regulatórias.
• Deve justificar as decisões adotadas.
Instrumentos de democracia procedimental:
• Deve promover a participação procedimental pública, ou seja, a intervenção de
todos os interessados nos procedimentos decisórios mais estruturantes.
Instrumentos de avaliação do impacto regulatório (RIA):
• Deve fazer a identificação e quantificação prévia dos custos e dos benefícios
resultantes de qualquer proposta de medida regulatória, por ex. regulamentação.
Reflexões finais
Reflexões finais
1ª mensagem:
• A regulação constitui uma componente da política pública dos serviços de águas.
• A regulação tem um papel chave na implementação da política pública, por ser a
componente que melhor pode controlar ou influenciar todas as outras componentes.
2ª mensagem:
• É necessário reforçar a eficácia e a equidade do papel regulatório de 
supervisionar, monitorizar, conciliar e, se necessário, sancionar o comportamento das 
entidades gestoras.
• Isso consegue-se com uma boa combinação das componentes de regulação 
comportamental.
• Uma regulação eficaz e com equidade de tratamento faz ganhar o respeito dos
regulados e permite o magistério de influência.
Reflexões finais
3ª mensagem:
• É necessário importante regular globalmente todo o sector, com uma boa
combinação das componentes de regulação estrutural.
• Para isso, os reguladores devem interpretar corretamente as políticas públicas
definidas, bem como contribuir para a sua melhoria.
• Os reguladores devem ser proactivos, e não seguidistas, devem marcar o ritmo e não 
serem arrastados por ele, devem estar presentes e não se esconderem nas 
ausências.
4ª mensagem:
• É necessário que os reguladores criem uma adequada organização interna, face aos 
objetivos, missão, mandato, princípios regulatórios, deveres, poderes e âmbito de 
intervenção.
• Devem para isso ter recursos humanos de elevada competência, fortemente 
motivados e grande espírito de equipa, sob uma forte, clara e reconhecida liderança.
Reflexões finais
5ª mensagem:
• É necessário que os reguladores saibam enfrentar os desafios futuros do sector.
• Devem identificar atempadamente quais são e como devem ser abordados,
promovendo o conhecimento e transmitindo-o mais eficazmente aos decisores.
• Devem internalizá-los junto dos executivos e profissionais do setor e promover o
empreendedorismo na procura de soluções.
• Devem difundir nos cidadãos e sociedade esses desafios futuros.
Regulação no Mundo: Portugal
Jaime Melo Baptista
• Engenheiro civil especializado em engenharia sanitária.
• Presidente do Lisbon International Centre for Water (LIS-Water), Portugal.
• Investigador-Coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
• Presidente do Conselho Estratégico da Parceria Portuguesa para a Água (PPA).
• Vogal do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS).
• Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) entre 2003 e 2015.
• Comissário de Portugal ao 8.º Fórum Mundial da Água (WWF) entre 2017 e 2018.
• Vogal do conselho de administração e do conselho estratégico da International Water Association 
(IWA) entre 2012 e 2016, e seu Distinguished Fellow desde 2022.
• Diretor do Departamento de Hidráulica do LNEC entre 1990 e 2000.
• Chefe do Núcleo de Hidráulica Sanitária do LNEC entre 1980 e 1989.
Obrigado!
Jaime Baptista
LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal 
jaime.baptista@lis-water.org
Nome do curso
mailto:jaime.baptista@lis-water.org
Administração Gerencial
Administração Gerencial
1
TÓPICO
CONTEXTO
2
TÓPICO
CARACTERÍSTICAS
3
TÓPICO
PROBLEMÁTICA
“Um dos debates da época colocava em evidência um 
possível enxugamento do escopo temático e do 
espectro material do direito administrativo, os quais 
seriam drasticamente reduzidos em face da eclosão dos 
fenômenos da desestatização e da privatização das 
estruturas e dos serviços públicos, uma das linhas 
mestras da “Reforma de Aparelho do Estado” que se 
encontrava a todo vapor nos idos de 1995. Para alguns 
juristas, havia uma forte tendência de diminuição do 
direito administrativo enquanto ramo jurídico e área de 
especialização profissional, uma vez que muito do que 
era considerado público tornar-se-ia privado, e o direito 
público não mais incidiria com a mesma força entre os 
setores público e privado, espaço que seria ocupado 
pelo direito privado”.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Direito administrativo
pragmático. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2020.
Insira a foto do 
convidado aqui
Gustavo Justino de Oliveira
Advogado, árbitro e consultor especializado em Direito Público
Contexto
Anos 1980-1990
Evolução paradigmática
Administração Burocrática
↓
Administração Gerencial
↓
Nova Gestão Pública
↓
Nova Governança Pública
Características
§ Oposição à Administração Burocrática, que se concentrava no 
processo em si e não nos resultados;
§ Flexibilização dos princípios burocráticos clássicos;
§ Tentativa de tornar as relações com o Estado muito mais 
horizontais do que verticais;
§ Orientada para o cidadão e para a obtenção de resultados;
§ Confiança aos políticos e aos servidores públicos;
§ Descentralização, criatividade e inovação;
§ Contrato de gestão como instrumento de controle dos gestores 
públicos.
PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Gestão do setor público: estratégia e estrutura para um novo 
Estado. In: PEREIRA, Luiz Carlos Bresser; SPINK, Peter (org.). Reforma do Estado e 
administração pública gerencial. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998. cap. 2, p. 28.
Problemática
• ineficácia da Administração Gerencial, que tinha de traçar metas 
predefinidas na busca de resultados, devendo ser 
constantemente reavaliada em suas ações e decisões para 
reavaliar seus caminhos e retificar seus percursos, no intuito de 
garantir a qualidade na prestação de serviços e ampliar a 
efetivação dos direitos dos cidadãos (OLIVEIRA, 2020, p. 28).
• ascensão da Agenda de Desenvolvimento Social (meados de 
2003), fazendo que o pêndulo da ação pública deixasse de 
apontar para o direito privado, voltando-se em direção ao 
público, de modo que a desestatização e a privatização foram 
substituídas pela (re)estatização, inaugurando o modelo, ainda 
em construção, da governança pública (OLIVEIRA, 2020, p. 28).
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 19, DE 04 DE JUNHO DE 1998
Modifica o regime e dispõe sobre princípios e normas da 
Administração Pública, servidores e agentes políticos, 
controle de despesas e finanças públicas e custeio de 
atividades a cargo do Distrito Federal, e dá outras 
providências.
Art. 37: [...]
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração 
direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores 
e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou 
entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade
dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.
LEI Nº 13.934, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2019 
Regulamenta o contrato referido no § 8º do art. 37 da Constituição Federal, 
denominado “contrato de desempenho”, no âmbito daadministração 
pública federal direta de qualquer dos Poderes da União e das autarquias 
e fundações públicas federais.
Art. 1º Esta Lei regulamenta o contrato referido no § 8º do art. 37 da Constituição Federal, denominado “contrato de 
desempenho”, no âmbito da administração pública federal direta de qualquer dos Poderes da União e das autarquias e 
fundações públicas federais.
Art. 2º Contrato de desempenho é o acordo celebrado entre o órgão ou entidade supervisora e o órgão ou entidade 
supervisionada, por meio de seus administradores, para o estabelecimento de metas de desempenho do 
supervisionado, com os respectivos prazos de execução e indicadores de qualidade, tendo como contrapartida a 
concessão de flexibilidades ou autonomias especiais.
§ 1º Meta de desempenho é o nível desejado de atividade ou resultado, estipulada de forma mensurável e objetiva para 
determinado período.
§ 2º Indicador de qualidade é o referencial utilizado para avaliar o desempenho do supervisionado.
§ 3º As flexibilidades e as autonomias especiais referidas no caput deste artigo podem compreender a ampliação da 
autonomia gerencial, orçamentária e financeira do supervisionado.
Art. 3º O contrato de desempenho constitui, para o supervisor, forma de autovinculação e, para o supervisionado, 
condição para a fruição das flexibilidades ou autonomias especiais.
DECRETO Nº 9.203, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2017 
Dispõe sobre a política de governança da administração pública federal 
direta, autárquica e fundacional.
Art. 2º Para os efeitos do disposto neste Decreto, considera-se:
I - governança pública - conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar 
a gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade;
II - valor público - produtos e resultados gerados, preservados ou entregues pelas atividades de uma organização que representem 
respostas efetivas e úteis às necessidades ou às demandas de interesse público e modifiquem aspectos do conjunto da sociedade ou de 
alguns grupos específicos reconhecidos como destinatários legítimos de bens e serviços públicos;
III - alta administração - Ministros de Estado, ocupantes de cargos de natureza especial, ocupantes de cargo de nível 6 do Grupo-Direção 
e Assessoramento Superiores - DAS e presidentes e diretores de autarquias, inclusive as especiais, e de fundações públicas ou 
autoridades de hierarquia equivalente; e
IV - gestão de riscos - processo de natureza permanente, estabelecido, direcionado e monitorado pela alta administração, que contempla 
as atividades de identificar, avaliar e gerenciar potenciais eventos que possam afetar a organização, destinado a fornecer segurança 
razoável quanto à realização de seus objetivos.
Art. 3º São princípios da governança pública:
I - capacidade de resposta;
II - integridade;
III - confiabilidade;
IV - melhoria regulatória;
V - prestação de contas e responsabilidade; e
VI - transparência.
DECRETO Nº 9.203, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2017 
Dispõe sobre a política de governança da administração pública federal 
direta, autárquica e fundacional.
Art. 4º São diretrizes da governança pública:
I - direcionar ações para a busca de resultados para a sociedade, encontrando soluções tempestivas e inovadoras para lidar com a
limitação de recursos e com as mudanças de prioridades;
II - promover a simplificação administrativa, a modernização da gestão pública e a integração dos serviços públicos, especialmente
aqueles prestados por meio eletrônico;
III - monitorar o desempenho e avaliar a concepção, a implementação e os resultados das políticas e das ações prioritárias para assegurar
que as diretrizes estratégicas sejam observadas;
IV - articular instituições e coordenar processos para melhorar a integração entre os diferentes níveis e esferas do setor público, com
vistas a gerar, preservar e entregar valor público;
V - fazer incorporar padrões elevados de conduta pela alta administração para orientar o comportamento dos agentes públicos, em
consonância com as funções e as atribuições de seus órgãos e de suas entidades;
VI - implementar controles internos fundamentados na gestão de risco, que privilegiará ações estratégicas de prevenção antes de
processos sancionadores;
VII - avaliar as propostas de criação, expansão ou aperfeiçoamento de políticas públicas e de concessão de incentivos fiscais e aferir,
sempre que possível, seus custos e benefícios;
VIII - manter processo decisório orientado pelas evidências, pela conformidade legal, pela qualidade regulatória, pela desburocratização e
pelo apoio à participação da sociedade;
IX - editar e revisar atos normativos, pautando-se pelas boas práticas regulatórias e pela legitimidade, estabilidade e coerência do
ordenamento jurídico e realizando consultas públicas sempre que conveniente;
X - definir formalmente as funções, as competências e as responsabilidades das estruturas e dos arranjos institucionais; e
XI - promover a comunicação aberta, voluntária e transparente das atividades e dos resultados da organização, de maneira a fortalecer o
acesso público à informação.
BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Direito administrativo pragmático. Rio de Janeiro:
Editora Lumen Juris, 2020.
PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Gestão do setor público: estratégia e estrutura para um novo
Estado. In: PEREIRA, Luiz Carlos Bresser; SPINK, Peter (org.). Reforma do Estado e
administração pública gerencial. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998. cap. 2, p. 28.
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Consensualismo na 
Administração Pública
Consensualismo na 
Administração Pública
1
TÓPICO
CONTEXTO
2
TÓPICO
ACORDOS EM ESPÉCIE
3
TÓPICO
BIBLIOGRAFIA
Contexto
Anos 2000
• Ascensão da cultura dialógica, em que o Estado passa a 
considerar a diversidade social para a tomada de suas ações, 
confrontando-a com a tradicional postura monológica da 
Administração pública (OLIVEIRA; SCHWANKA, 2008, p. 309-
310). 
• Isto é, o consenso e o diálogo atenuam a imposição unilateral e 
autoritária das decisões do Estado, que passa a admitir maior 
abertura e penetração de movimentos sociais e organizações da 
sociedade civil
• Resultado: 
- a Administração Pública passa a ter como referencial o 
acordo, negociação, coordenação, cooperação, colaboração, 
conciliação e transação, levando os indivíduos em consideração 
(OLIVEIRA; SCHWANKA, 2008, p. 310).
- soluções privadas de interesse público.
Contexto
Anos 2000
• Formas de expressão e instrumentos da Administração 
consensual:
(a) Concertação administrativa: decisões como resultado de 
negociações e de diálogos estabelecidos entre o Estado e os 
particulares; não há uma relação de subordinação entre ambos;
v Administração paritária.
(b) Contratualização administrativa: retrata a expansão do 
consensualismo em substituição à postura autoritária do Estado;
v Novo módulo consensual da administração pública.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de; SCHWANKA, Christiane. A administração consensual 
como a nova face da Administração Pública no século XXI: fundamentos dogmáticos, formas de 
expressão e instrumentos de ação. A&C. Revista de Direito Administrativo & Constitucional 
(Impresso), v. 32, p. 1-2, 2008.
Acordos em espécie
Direito Administrativo Consensual
a) Acordo de Leniência
§ Lei nº 12.846/2013:
Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública poderá celebrar acordo de leniência com as
pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem efetivamente com as
investigações e o processo administrativo, sendo que dessa colaboração resulte:
I - a identificação dos demais envolvidos na infração, quando couber; e
II - a obtenção célere de informações e documentos que comprovemo ilícito sob apuração.
• Decreto nº 11.129/2022:
Art. 32. O acordo de leniência é ato administrativo negocial decorrente do exercício do poder sancionador do 
Estado, que visa à responsabilização de pessoas jurídicas pela prática de atos lesivos contra a administração pública 
nacional ou estrangeira.
Parágrafo único. O acordo de leniência buscará, nos termos da lei:
I - o incremento da capacidade investigativa da administração pública;
II - a potencialização da capacidade estatal de recuperação de ativos; e
III - o fomento da cultura de integridade no setor privado. 
b) Acordo de Não Persecução Cível
§ Lei nº 8.429/1992, alterada pela Lei nº 14.230/2021:
Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele 
advenham, ao menos, os seguintes resultados:
I - o integral ressarcimento do dano; 
II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados.
c) Acordo de Programa
§ Lei nº 11.107/2005:
Art. 13. Deverão ser constituídas e reguladas por contrato de programa, como condição de sua validade, as obrigações que um ente da 
Federação constituir para com outro ente da Federação ou para com consórcio público no âmbito de gestão associada em que haja a prestação 
de serviços públicos ou a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal ou de bens necessários à continuidade dos serviços 
transferidos.
§ 1º O contrato de programa deverá:
I – atender à legislação de concessões e permissões de serviços públicos e, especialmente no que se refere ao cálculo de tarifas e de outros 
preços públicos, à de regulação dos serviços a serem prestados; e
II – prever procedimentos que garantam a transparência da gestão econômica e financeira de cada serviço em relação a cada um de seus 
titulares. 
Acordos em espécie
Direito Administrativo Consensual
d) Contrato de Desempenho
§ Lei nº 13.934/2019:
Art. 5º O contrato de desempenho tem como objetivo fundamental a promoção da melhoria do desempenho do 
supervisionado, visando especialmente a:
I - aperfeiçoar o acompanhamento e o controle de resultados da gestão pública, mediante instrumento caracterizado 
por consensualidade, objetividade, responsabilidade e transparência;
II - compatibilizar as atividades do supervisionado com as políticas públicas e os programas governamentais;
III - facilitar o controle social sobre a atividade administrativa;
IV - estabelecer indicadores objetivos para o controle de resultados e o aperfeiçoamento das relações de cooperação 
e supervisão;
V - fixar a responsabilidade de dirigentes quanto aos resultados;
VI - promover o desenvolvimento e a implantação de modelos de gestão flexíveis, vinculados ao desempenho e 
propiciadores de envolvimento efetivo dos agentes e dos dirigentes na obtenção de melhorias contínuas da qualidade 
dos serviços prestados à comunidade.
Acordos em espécie
Direito Administrativo Consensual
BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de; SCHWANKA, Christiane. A administração consensual 
como a nova face da Administração Pública no século XXI: fundamentos dogmáticos, formas de 
expressão e instrumentos de ação. A&C. Revista de Direito Administrativo & Constitucional 
(Impresso), v. 32, p. 1-2, 2008.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. A Emenda Constitucional nº 19/18, o § 8º do art. 37 da 
Constituição da República e a Administração Pública Brasileira: Por que ainda imposta para a gestão 
pública implementar contrato de desempenho, indicadores de qualidade e avaliação de resultados?. In: 
BEÇAK, Rubens. PRADO, João Carlos Navarros de Almeida.. (Org.). Reflexões sobre os 30 anos da 
Constituição de 1988: Mutações e Reformas Constitucionais. 1ed.Belo Horizonte: Arraes Editora, 2018, 
v. 1, p. 206-232.
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Parcerias na Administração 
Pública
Parcerias na 
Administração Pública
1
TÓPICO
ESPÉCIES DE PARCERIAS
2
TÓPICO
BASES NORMATIVAS
3
TÓPICO
BIBLIOGRAFIA
Características 
elementares
§ Parceria: forma sui generis de sociedade que não é constituída 
a partir da integração de determinado capital social ou da 
criação de uma nova PJ, ocorre apenas uma relação negocial 
em que uma das partes assume obrigações em troca da 
participação nos lucros (MORAES; WALD);
§ Colaboração entre o Poder Público e a iniciativa privada para a 
satisfação de interesses públicos;
§ A natureza econômica não é requisito essencial para 
caracterizar a parceria: esta pode ocorrer com entidades 
privadas sem fins lucrativos.
WALD, Arnoldo; MORAES, Luiza Rangel de; WALD, Alexandre de M. O direito de 
parceria e a nova lei de concessões. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996.
As parcerias com a Administração Pública 
refletem a face consensual do Direito 
Administrativo, em que o Estado passa a 
“governar por contrato”, haja vista a 
necessidade de estabelecer 
continuamente vínculos com a sociedade, 
buscando a eficiência de suas ações.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Governança Pública e 
Parcerias do Estado: Novas Fronteiras do Direito Administrativo. 
REVISTA DE DIREITO DA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO 
RIO DE JANEIRO, v. 1, p. 113-121, 2012. 
Insira a foto do 
convidado aqui
Gustavo Justino de Oliveira
Advogado, árbitro e consultor especializado em Direito Público
Espécies de Parcerias
§ São expressamente previstas pela Constituição Federal 
(Art. 21, XI e XII; 30, V; 175; e 223): concessão ou 
permissão e autorização;
§ Contrato de Concessão de serviço público (Lei nº 
8.987/95);
§ Permissão de serviço público (Art. 2º, IV; e 40, Lei nº 
8.987/95);
§ Parceria Público-Privada (Lei nº 11.079/2004);
§ Parcerias do Estado com o terceiro setor (Lei nº 
13.019/2014) – Marco Regulatório das Organizações da 
Sociedade Civil (MROSC) .
Bases Normativas
(a) Parcerias do Estado com o próprio Estado:
§ ex.: consórcios públicos (Lei 11.107/2005)
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum e dá outras providências.
§ 1º O consórcio público constituirá associação pública ou pessoa jurídica de direito privado.
Bases Normativas
(b) Parcerias do Estado com a iniciativa privada:
§ ex.: parcerias público-privadas/PPPs (Lei 11.079/2004)
Art. 1º Esta Lei institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Parágrafo único. Esta Lei aplica-se aos órgãos da administração pública direta dos Poderes Executivo e
Legislativo, aos fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas públicas, às sociedades de
economia mista e às demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal
e Municípios.
Art. 2º Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade patrocinada ou
administrativa.
§ 1º Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei nº
8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
§ 2º Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a Administração Pública seja a
usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens.
Bases Normativas
(c) Parcerias do Estado com o Terceiro Setor:
§ ex.: organizações da sociedade civil (Lei 13.019/2014 - MROSC)
Art. 1º Esta Lei institui normas gerais para as parcerias entre a administração pública e organizações da
sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecução definalidades de interesse público e
recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em planos de
trabalho inseridos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em acordos de cooperação.
Bases Normativas
Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se:
I - organização da sociedade civil: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
a) entidade privada sem fins lucrativos que não distribua entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados,
doadores ou terceiros eventuais resultados, sobras, excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, isenções de qualquer
natureza, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplique
integralmente na consecução do respectivo objeto social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo patrimonial ou
fundo de reserva;
b) as sociedades cooperativas previstas na Lei nº 9.867, de 10 de novembro de 1999; as integradas por pessoas em situação de risco
ou vulnerabilidade pessoal ou social; as alcançadas por programas e ações de combate à pobreza e de geração de trabalho e renda; as
voltadas para fomento, educação e capacitação de trabalhadores rurais ou capacitação de agentes de assistência técnica e extensão
rural; e as capacitadas para execução de atividades ou de projetos de interesse público e de cunho social.
c) as organizações religiosas que se dediquem a atividades ou a projetos de interesse público e de cunho social distintas das
destinadas a fins exclusivamente religiosos
BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Governança Pública e Parcerias do Estado: Novas Fronteiras do
Direito Administrativo. REVISTA DE DIREITO DA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO RIO DE
JANEIRO, v. 1, p. 113-121, 2012.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Governança Pública e Parcerias do Estado: a relevância dos
acordos administrativos para a nova gestão pública. Novas Fronteiras do Direito Administrativo. Revista
Brasileira de Direito Público, v. 23, p. 1-2, 2008.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Parceria público-privada e direito ao desenvolvimento: uma
abordagem necessária. Fórum de Contratação e Gestão Pública, Belo Horizonte, v. a.4, n. setembro, p.
6023-6039, 2005.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Parcerias do Estado com o terceiro setor: impacto da lei 13.019/14 
sob o enfoque da insegurança jurídica e instabilidade das relações. Migalhas, 2015 (Documento Eletrônico).
WALD, Arnoldo; MORAES, Luiza Rangel de; WALD, Alexandre de M. O direito de parceria e a nova lei de 
concessões. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996.
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Consórcios Públicos e Outros 
Arranjos Interfederativos
Consórcios Públicos e Outros 
Arranjos Interfederativos
1
TÓPICO
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
CONSENSUAL E OS CONSÓRCIOS 
PÚBLICOS
2
TÓPICO
CARACTERÍSTICAS
3
TÓPICO
CONSÓRCIOS PÚBLICOS E O NOVO 
SANEAMENTO BÁSICO
Administração Pública consensual e os 
consórcios públicos
§ Conceito:
acordos celebrados para a realização de interesses comuns entre entidades estatais da 
mesma espécie ou do mesmo nível (OLIVEIRA; MEDAUAR, 2006, p. 15).
Administração Pública consensual e os 
consórcios públicos
§ Normativas:
- CF, Art. 241: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os 
consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão associada 
de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens 
essenciais à continuidade dos serviços transferidos.
- Lei dos Consórcios Públicos nº 11.107/2005, Art. 1º: Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de 
interesse comum e dá outras providências; 
- Decreto nº 6.017, de 17 de janeiro de 2007, que regulamenta a LCP, Art. 2º, I: consórcio público: pessoa 
jurídica formada exclusivamente por entes da Federação, na forma da Lei no 11.107, de 2005, para 
estabelecer relações de cooperação federativa, inclusive a realização de objetivos de interesse comum, 
constituída como associação pública, com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica, ou 
como pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos.
Características 
§ Federalismo de cooperação;
§ Consórcios públicos x Convênios de cooperação;
§ Associação pública ou pessoa jurídica de direito privado (Art. 1º, 
§ 2º, LCP);
§ Forma típica: contrato + prévia subscrição de protocolo de 
intenções (Art. 3º, LCP), que conterá as cláusulas dispostas no 
Art. 4º da LCP e será ratificado por lei (Art. 5º, LCP);
Consórcios Públicos e o 
Novo Marco do Saneamento
§ Lei nº 14.026/2020:
Art. 3º, II: gestão associada: associação voluntária entre entes 
federativos, por meio de consórcio público ou convênio de cooperação, 
conforme disposto no art. 241 da Constituição Federal;
Art. 8º, § 1º: O exercício da titularidade dos serviços de saneamento 
poderá ser realizado também por gestão associada, mediante 
consórcio público ou convênio de cooperação, nos termos do art. 241 
da Constituição Federal, observadas as seguintes disposições:
I - fica admitida a formalização de consórcios intermunicipais de 
saneamento básico, exclusivamente composto de Municípios, 
que poderão prestar o serviço aos seus consorciados 
diretamente, pela instituição de autarquia intermunicipal;
II - os consórcios intermunicipais de saneamento básico terão 
como objetivo, exclusivamente, o financiamento das iniciativas de 
implantação de medidas estruturais de abastecimento de água 
potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana, manejo de 
resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais, vedada a 
formalização de contrato de programa com sociedade de 
economia mista ou empresa pública, ou a subdelegação do 
serviço prestado pela autarquia intermunicipal sem prévio 
procedimento licitatório.
Contrato de Rateio e 
Contrato de Programa
(a) Contrato de rateio:
§ Art. 8º, Lei 11.107/2005;
§ disciplina as obrigações econômico-financeiras
oriundas das cláusulas de um contrato de
consórcio público (OLIVEIRA; MEDAUAR, 2006,
p. 81).
(b) Contrato de programa:
§ Art. 13, Lei 11.107/2005;
§ constitui e regulamenta as obrigações que um
ente federativo terá para com outro ou para com
um consórcio público, sempre no âmbito da
gestão associada de serviços públicos
(OLIVEIRA; MEDAUAR, 2006, p. 101).
LEI COMPLEMENTAR Nº 140, DE 8 DEZEMBRO 2011 
Fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição 
Federal, para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações 
administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens 
naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à 
preservação das florestas, da fauna e da flora; e altera a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981.
Art. 4o Os entes federativos podem valer-se, entre outros, dos seguintes instrumentos de cooperação institucional:
I - consórcios públicos, nos termos da legislação em vigor;
II - convênios, acordos de cooperação técnica e outros instrumentos similares com órgãos e entidades do Poder Público, respeitado o art.
241 da Constituição Federal;
III - Comissão Tripartite Nacional, Comissões Tripartites Estaduais e Comissão Bipartite do Distrito Federal;
IV - fundos públicos e privados e outros instrumentos econômicos;
V - delegação de atribuições de um ente federativo a outro, respeitados os requisitos previstos nesta Lei Complementar;
VI - delegação da execução de ações administrativas de um ente federativo a outro, respeitados os requisitosprevistos nesta Lei
Complementar.
§ 1o Os instrumentos mencionados no inciso II do caput podem ser firmados com prazo indeterminado.
§ 2o A Comissão Tripartite Nacional será formada, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre os entes
federativos.
§ 3o As Comissões Tripartites Estaduais serão formadas, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União, dos
Estados e dos Municípios, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre os entes federativos.
§ 4o A Comissão Bipartite do Distrito Federal será formada, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União e do
Distrito Federal, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre esses entes federativos.
§ 5o As Comissões Tripartites e a Comissão Bipartite do Distrito Federal terão sua organização e funcionamento regidos pelos respectivos
regimentos internos.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de; MEDAUAR, Odete. Consórcios Públicos: comentários à Lei 
11.107/2005. 1. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006.
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CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 7 - A disseminação da 
regulação no mundo: experiências 
exitosas e padrões regulatórios 
(Parte 1)
Jaime Baptista
Lisbon International Centre for Water 
Portugal
Universo de reguladores inquiridos
Brazil
l ADASA
l ARES-PCJ
Peru
l CRA
Colombia
l ERAS (Buenos Aires)
l EnReSS (Santa Fé)
l ERSeP (Córdoba)
l ERSEPT (Tucumán)
Bolivia
Chile
l ENRESP (Salta)
l DPA (Rio Negro)
l EPRAC (Misiones)
l OMRESP (Trelew)
Paraguay
Uruguai
Jamaica
l OUR
Honduras
Costa Rica
l ASEP
Panama
Argentina
l SISS
l URSEA
l ERSAAN
l SUNASS
Ecuador
l EMAPAG
l ARCA
l ERSAPS
l ARESEP
l AAPS
RegWAS LAC
Programa para el mejoramiento de las 
políticas públicas y la regulación de 
los servicios de agua y saneamiento 
en América Latina y el Caribe
Questões:
Qual o contexto geral do sector e da regulação na América Latina?
Quais as funções regulatórias mas correntes?
Contexto geral do sector e da 
regulação na LAC
Contexto geral do sector e da regulação na LAC
Quem são os ministérios que tutelam o sector?
• O sector é supervisionado em 2/3 dos casos por um Ministério multissetorial, 
sendo os serviços de água uma parte geralmente minoritária da sua 
responsabilidade.
• Nos restantes 1/3 dos casos são supervisionados por um Ministério sectorial, 
sendo os serviços de água, em geral, uma parte mais relevante da sua 
responsabilidade.
Quem são as autoridades que regulam o sector?
• Quase todos são reguladores económicos e técnicos (ex. Panamá).
• 2 são reguladores económicos, mas não técnicos (ex. Colômbia).
• 2/3 são também reguladores da qualidade da água potável (ex. Chile).
• Alguns regulam também recursos hídricos, ambiente, resíduos sólidos, saúde 
pública, defesa do consumidor ou concorrência.
Contexto geral do sector e da regulação na LAC
De quem é a propriedade dos ativos associados aos serviços?
• É maioritariamente pública, local, nacional ou provincial (ex. Costa Rica).
• A propriedade privada é minoritária, mas existe em 1/4 dos casos (ex. Chile).
• 1/3 dos casos têm múltiplas opções de propriedade (ex. Bolívia).
• Um caso tem apenas propriedade privada (ex. Argentina, OMRESP).
De que tipo são os principais prestadores de serviços do sector?
• Os prestadores de serviços são maioritariamente públicos (ex. Uruguai).
• Os prestadores de serviços públicos podem ser nacionais, regionais, 
provinciais, intermunicipais e municipais (ex. Nicarágua).
• Os prestadores de serviços privados têm uma presença significativa na região
(ex. Chile).
Contexto geral do sector e da regulação na LAC
Quem tem associações do setor?
• 2/3 dos casos têm associações técnicas e científicas (ex. Brasil).
• 2/3 dos casos têm associações de prestadores de serviços (ex. Argentina).
• Quase metade dos casos não têm associações de utilizadores (ex. Jamaica).
Quem tem a responsabilidade legal de tomar decisões finais?
• Em 1/3 dos casos, os Ministérios decidem sobre as fontes de atribuição de 
subsídios, normas técnicas, estrutura do mercado e qualidade da água.
• Os reguladores decidem sobre tarifas, investimentos, qualidade de serviço,
normas técnicas e reclamações de utilizadores.
• Em 1/2 dos casos decidem sobre a qualidade da água, os subsídios a atribuir, 
a orientação e a elegibilidade dos subsídios.
• Os prestadores de serviços, residualmente, decidem sobre estas questões.
Contexto geral do sector e da regulação na LAC
Quais são os possíveis papéis do sector privado?
• O sector privado tem um papel significativo na região (ex. Chile).
• Este papel centra-se principalmente nas concessões e também nos contratos 
de curta duração (ex. Colômbia).
• Também possuem propriedade dos ativos em alguns casos (ex. Nicarágua).
Como é estabelecido o instrumento de relacionamento entre o 
proprietário dos ativos e o prestador de serviços?
• Os contratos de concessão a médio prazo são muito comuns na região LAC.
• Podem ser excelentes instrumentos, mas exigem uma elevada capacidade 
das partes envolvidas, pois constituem contratos complexos.
As funções regulatórias
As funções regulatórias
Em geral, quais são as funções regulatórias dos reguladores?
• A grande maioria dos reguladores tem deveres de estabelecer regras, 
compilar e processar dados e informações, monitorizar a implementação de 
políticas públicas e impor regras e decisões.
• A grande maioria dos reguladores tem funções de regulação da qualidade do 
serviço, económico, legal, de proteção dos consumidores e de obtenção de 
informação.
• A maioria dos reguladores não fornece informação periódica ao nível político,
nem ao nível técnico e quase nada ao público em geral.
• Em termos ambientais, diversos têm funções sobre descargas de águas 
residuais, mas poucos têm sobre captação da água.
• Raramente têm funções na área da concorrência.
As funções regulatórias
Têm funções regulatórias para a organização do sector?
• A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para a 
organização do sector.
• 2/3 cooperam com o governo na formulação de estratégias e no 
aconselhamento e promoção de políticas públicas.
• 1/2 propõe medidas para resolver as disfunções e monitorizar e informar
sobre a aplicação de políticas públicas.
Têm funções regulatórias para a legislação do setor?
• A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para a 
legislação do sector (ex. Peru).
• 2/3 têm poderes para aprovar regulamentos (ex. Peru).
• 1/2 têm poderes para propor legislação e emitir recomendações (ex. Peru).
As funções regulatórias
Têm funções regulatórias para a informação do setor?
• A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para a 
informação sobre o sector (ex. Chile).
• A grande maioria recolhe e processa informações e dados (ex. Chile).
Têm funções regulatórias para a capacitação do sector?
• A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para o 
desenvolvimento de capacitação no sector.
• 2/3 desenvolve estudos técnicos, guias técnicos e ações de formação (ex. 
Equador).
• 1/3 promove projetos de inovação (ex. Costa Rica).
As funções regulatórias
A regulação legal faz parte das suas funções?
• A grande maioria dos reguladores contribui para a regulação legal dos 
prestadores de serviços (ex. Peru).
• A grande maioria monitoriza regularmente o cumprimento da legislação (ex. 
Peru).
A regulação dos contratos (para prestação de serviços) faz parte das 
suas funções?• A grande maioria dos reguladores contribui, pelo menos parcialmente, para a 
regulação dos contratos dos prestadores de serviços.
• A intervenção regulatória centra-se na execução do contrato, na renegociação
e rescisão ou na interrupção de contratos.
As funções regulatórias
A regulação económica faz parte das suas funções?
• A grande maioria dos reguladores contribui para a regulação económica dos 
prestadores de serviços.
• 2/3 define taxas e preços, analisa planos de investimento, monitoriza, aplica e 
fornece informações económicas e financeiras (ex. Colômbia).
• 1/2 estabelece incentivos e realiza auditorias financeiras (ex. Colômbia).
A regulação da qualidade do serviço faz parte das suas funções?
• Todos os reguladores regulam a qualidade do serviço dos prestadores de
serviços.
• Em alguns casos, não existem auditorias à qualidade dos dados (ex. 
Colômbia).
• Em alguns casos, não há divulgação da qualidade dos serviços (ex. Uruguai).
As funções regulatórias
A regulação da qualidade da água potável faz parte das suas funções?
• A grande maioria dos reguladores controla, pelo menos parcialmente, a 
qualidade da água potável dos prestadores de serviços.
• Em alguns casos, não existem auditorias de qualidade da água (ex. 
Paraguai).
• Em alguns casos, não existe divulgação dos resultados da qualidade da água
(ex. Uruguai).
A regulação da interface do utilizador faz parte das suas funções?
• A grande maioria dos reguladores supervisiona, pelo menos parcialmente, a 
relação do utilizador com os prestadores de serviços (ex. Costa Rica).
• Em alguns casos, não há divulgação de reclamações de consumidores (ex. 
Uruguai).
As funções regulatórias
A regulação da extração de água dos recursos hídricos faz parte das 
suas funções?
• A grande maioria dos reguladores não regula a extração de água com 
prestadores de serviços (ex. Equador faz).
A regulamentação das descargas de efluentes nos recursos hídricos 
faz parte das suas funções?
• Alguns reguladores regulam as descargas de efluentes dos prestadores de 
serviços (ex. Equador).
• Não existe um paralelo aparente entre a regulamentação da extração de água 
e a regulamentação das descargas de efluentes.
As funções regulatórias
A regulação pró-pobre (para garantir o acesso universal) faz parte das 
suas funções?
• A grande maioria dos reguladores faz, pelo menos parcialmente, uma 
regulamentação pró-pobre (ex. Paraguai).
• A tarifa social é utilizada em metade dos casos (ex. Peru).
A regulamentação da concorrência faz parte das suas funções?
• A maioria dos reguladores não regula a concorrência no sector (ex. Equador 
faz).
Obrigado!
Jaime Baptista
LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal 
jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
mailto:jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 7: A disseminação da 
regulação no mundo: experiências 
exitosas e padrões regulatórios 
(Parte 2)
Jaime Baptista
Lisbon International Centre for Water 
Portugal
Universo de reguladores inquiridos
Brazil
l ADASA
l ARES-PCJ
Peru
l CRA
Colombia
l ERAS (Buenos Aires)
l EnReSS (Santa Fé)
l ERSeP (Córdoba)
l ERSEPT (Tucumán)
Bolivia
Chile
l ENRESP (Salta)
l DPA (Rio Negro)
l EPRAC (Misiones)
l OMRESP (Trelew)
Paraguay
Uruguai
Jamaica
l OUR
Honduras
Costa Rica
l ASEP
Panama
Argentina
l SISS
l URSEA
l ERSAAN
l SUNASS
Ecuador
l EMAPAG
l ARCA
l ERSAPS
l ARESEP
l AAPS
RegWAS LAC
Programa para el mejoramiento de las 
políticas públicas y la regulación de 
los servicios de agua y saneamiento 
en América Latina y el Caribe
Questão:
Como se caracteriza a governança regulatória na América Latina?
A governança regulatória
A governança regulatória
Quando foram criados os reguladores?
• Verificou-se um grande crescimento dos reguladores nos últimos 30 anos na
região.
• A criação do regulador Ofwat em 1989 no Reino Unido impulsionou a criação 
de muitos outros reguladores.
• Atualmente existem cerca de duzentos e cinquenta em todo o mundo.
• Mais de uma centena são na região LAC.
Qual as principais razões para a criação do regulador?
• Melhorar a qualidade do serviço.
• Melhorar a eficiência.
• Proteger o interesse público.
A governança regulatória
Os reguladores são administração pública direta, indireta ou 
independente?
• A grande maioria (2/3) dos reguladores são administração pública 
independente (ex. Peru).
• Existe uma tendência para passar parte das funções do Estado para
reguladores especializados.
• Nos restantes casos, a administração pública indireta é mais utilizada do que 
os ministérios e a administração pública direta.
A governança regulatória
Que nível de independência tem o regulador?
• A independência orgânica não se materializa em muitos casos (ex. Nicarágua).
• A independência financeira não se materializa em muitos casos (ex. Equador).
• A independência funcional não se materializa em muitos casos (ex. Honduras).
A independência do regulador está explicitamente declarada na lei?
• Está explicitamente indicado na lei em muitos casos (ex. Chile).
Como é nomeado o órgão de governo do regulador?
• 1/2 dos reguladores têm os seus órgãos sociais nomeados pelo Governo, 
nacional, regional, provincial e local (ex. Colômbia).
• 1/4 dos reguladores têm os seus órgãos sociais nomeados pelo Presidente da
República (ex. Bolívia).
A governança regulatória
O processo de nomeação está condicionado por um pronunciamento de 
um segundo órgão?
• Em 2/3 dos casos, o processo de nomeação é condicionado por um 
pronunciamento prévio por um segundo órgão (ex. Panamá).
• O segundo órgão é diversificado.
Que poderes tem o regulador?
• Quase todos os reguladores têm poderes de autoridade (ex. Peru).
• A grande maioria tem poderes de resolução de conflitos (ex. Peru).
• A maioria tem poderes de regulamentação (ex. Peru).
• A maioria tem poderes sancionatórios (ex. Peru).
A governança regulatória
Pode o regulador tomar decisões juridicamente vinculativas?
• Quase todos os reguladores têm o poder de tomar decisões juridicamente 
vinculativas.
Qual a área geográfica abrangida pelo regulador?
• Em 1/2 dos casos o regulador foi criado a nível nacional/federal (ex. Bolívia).
• Em 1/4 dos casos o regulador foi criado a nível estadual/regional/provincial 
(Brasil e Argentina).
• Em 1/5 dos casos, o regulador foi criado a nível municipal ou intermunicipal 
(ex. Brasil, Equador).
A governança regulatória
Qual a cobertura do mandato regulatório?
• Em 2/5 dos casos o regulador é específico da água e do saneamento (ex. 
Honduras).
• Em 3/5 dos casos, o regulador é multissectoral, incluindo não só a água e o 
saneamento, mas também outros serviços como a eletricidade, o gás, as 
telecomunicações, os transportes, etc. (ex. Uruguai).
Que atividades são reguladas?
• Em quase todos os casos, o regulador regula não só a água, mas também o 
saneamento (ex. Peru).
• Em 1/2 dos casos também regula a energia (ex. Uruguai).
• Em 1/4 dos casos regula também a águas pluviais, resíduos sólidos e gás 
(ex. Costa Rica).
A governança regulatória
Qual o âmbito de intervenção em áreas urbanas, periurbanas e rurais?
• Em todos os casos, o regulador regula os serviços urbanos.
• Em quase todos os casos, regula os serviços periurbanos (ex. Panamá).
• Na maioria dos casos, regula os serviços rurais (ex. Paraguai).
• Em 3/4 dos casos, regula pequenos operadores (ex. Chile).
• Em 2/3 dos casos regula muito pequenos operadores (ex. Costa Rica).
• Em 1/3 dos casos regula prestadores informais (ex. Equador).
• Em apenas 1/4 dos casos regula sistemas individuais (ex. Colômbia).
• Em apenas 1/2 dos casos, regula a reutilização de águas residuais e outros
sub-produtos do tratamento (ex. Peru).
A governança regulatória
Qual o número de prestadores de serviços regulados?
• Há uma enorme variação no número de prestadores de serviços regulados, 
desde um (Adasa, Brasil) até dezenas de milhares (Peru).
Existe um sistema deavaliação do desempenho regulatório?
• Apenas 1/4 dos casos têm um sistema de autoavaliação do desempenho
regulatório (ex. Colômbia).
• Apenas 1/3 dos casos têm um sistema de avaliação de desempenho 
regulatório por entidades externas independentes (ex. Costa Rica).
• Apenas dois casos têm um sistema de avaliação do desempenho regulatório 
por parte dos prestadores de serviços (ex. Nicarágua).
A governança regulatória
Por quem é dirigido o regulador?
• O Conselho Colegial é a solução mais frequente (ex. Peru).
• O número de membros do Conselho é geralmente de 3 ou 5 (ex. Equador).
• O número de mulheres no órgão de governo é uma minoria.
Existem outros órgãos estatutários do regulador?
• O órgão consultivo é pouco utilizado pelos reguladores (ex. existe na 
Argentina).
• O órgão de controlo financeiro não é habitual.
A governança regulatória
Qual o número total de empregados e pessoas contratadas?
• Há uma grande diversidade no número de colaboradores que se dedicam aos 
serviços de água e saneamento .
• O número total de trabalhadores (excluindo o órgão de governo) é, em média, 
de 102.
• O número total de outsourcing (pessoas contratadas) que apoiam o trabalho 
regulatório (número total de pessoas por mês) é, em média, de 38.
Qual o número de mulheres?
• Há 45% de mulheres nas equipas dos reguladores.
• Há apenas 39% de mulheres em cargos de gestão intermédia.
• Há muito poucas (15%) mulheres nos órgãos sociais.
A governança regulatória
Como são definidos os salários dos empregados?
• Os salários dos trabalhadores do regulador são como na administração 
pública geral na maioria dos casos (ex. Colômbia).
• Num terço dos casos, o nível salarial é uma decisão da entidade reguladora 
e, em geral, são mais elevados em comparação com a administração pública 
(ex. Costa Rica).
Como é financiado o regulador?
• O regulador é financiado por taxas a prestadores de serviços ou utilizadores 
em dois terços dos casos (ex. Colômbia).
• O regulador é financiado a partir do orçamento do Estado em um terço dos 
casos (ex. Equador).
• As rúbricas de pessoal e despesas correntes são as mais relevantes.
A governança regulatória
Existe um sistema de avaliação para recolher cada tipo de informação?
• Em geral, existe um sistema de avaliação bem especificado para recolher
cada tipo de informação.
• Os reguladores geralmente recolhem quase todos os tipos de informação 
sobre os prestadores de serviços
• A informação sobre contratos de prestação de serviços é a menos recolhida.
Qual é a taxa de resposta à prestação de informação pelos 
prestadores de serviços?
• A taxa de resposta à informação por parte dos prestadores de serviços é 
geralmente elevada, mas raramente atinge os 100%.
A governança regulatória
Esta informação está sujeita a um processo de validação?
• O processo de validação de informação é geralmente muito frágil.
• Só em 50% dos casos é feito no gabinete (ex. Chile).
• Apenas 20% dos casos são realizados auditorias locais (ex. Jamaica).
• Só num dos casos é feita auditoria em gabinete e local (ex. Peru).
Como é que os prestadores de serviços enviam informações ao 
regulador?
• Menos de metade dos reguladores têm um sistema de informação (ex. 
Colômbia).
• O envio da informação ao regulador pelos prestadores de serviços é
maioritariamente por e-mail para papel (ex. Panamá).
A governança regulatória
Como é que a informação é divulgada pelo regulador?
• Metade dos reguladores transformam a informação num relatório anual
disponível publicamente (ex. Honduras).
• Dois terços dos reguladores disponibilizam informação mediante pedido (ex. 
Panamá).
• Em alguns casos não está disponível (ex. Equador).
Qual é a duração média do processo de recolha, validação, 
processamento e divulgação de informação por parte do regulador?
• A duração média do processo varia de 1 a 15 meses.
• O mais comum é entre 6 e 12 meses.
Obrigado!
Jaime Baptista
LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal 
jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
mailto:jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 7: A disseminação da 
regulação no mundo: experiências 
exitosas e padrões regulatórios 
(Parte 3)
Jaime Baptista
Lisbon International Centre for Water 
Portugal
Questões:
Como é realizada a regulação em Portugal?
Que modelo regulatório utiliza?
Qual foi a evolução da regulação em Portugal?
A regulação em Portugal
A regulação em Portugal
Agências reguladoras portuguesas:
• Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos ERSAR
• Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores ERSARA
Missão e mandato regulatório da ERSAR:
• Tem por missão a regulação e a supervisão dos setores dos serviços de 
abastecimento público de água, de saneamento de águas residuais urbanas e de 
gestão de resíduos urbanos.
• Inclui a qualidade da água para consumo humano.
Estatuto:
• É uma entidade administrativa independente com funções de regulação e de 
supervisão.
• É dotada de autonomia de gestão, administrativa e financeira e de património
próprio.
• Não está sujeita a superintendência ou tutela governamental.
A regulação em Portugal
Jurisdição:
• Território nacional, exceto as regiões autónomas (Açores e Madeira).
Poderes regulatórios:
• Regulamentares, de autoridade, de resolução de conflitos e sancionatórios.
Atribuições regulatórias:
Independência:
Regulador não independente 
(direçãogeral ou institutopúblico 
nãoespecializado)
Regulador parcialmente 
dependente
(institutopúblico)
2000
Regulador parcialmentedependente 
compoderes reforçados
(institutopúblico)
2009 2014
Regulador independente 
(entidadeadministrativa 
independente)
Operadores emalta 
(multimunicipais)
• Regulação comportamental de todos cerca de 300 entidades gestoras, sejam 
estatais, municipais ou privadas, com serviço em alta e em baixa.
• Regulação estrutural do setor no seu conjunto.
Operadores embaixa
(municipais)
A regulação em Portugal
Órgão diretivo
• Colegiado com 3 membros (um presidente e outros 2 membros).
• Equilíbrio de género (presidência alternada prevista por lei).
• Garantias de credibilidade e imparcialidade dos titulares do órgão.
Órgão de controlo financeiro
• Conselho Fiscal interno + Tribunal de Contas, Inspeções, etc.
Conselho consultivo
• Órgão independente, com representação de todo o sector:
• Autoridades ambiental, de recurso hídricos, de saúde pública, de proteção dos
consumidores e de concorrência (nível nacional e regional).
• Operadores estatais, municipais e privados.
• Associações de utilizadores a nível nacional.
• Associações representativas de atividades económicas.
• Associações técnico-profissionais com ênfase no sector.
• Organizações não governamentais ambientais.
A regulação em Portugal
Recursos humanos:
• 80 empregados (90% licenciados) para 10 milhões de habitantes.
• 40 colaboradores sazonais em subcontratação utilizados para necessidades
específicas (ex. auditorias) e atividades de apoio (hardware, segurança, etc.).
• Formação de base: regulação, engenharia, ambiente, microbiologia, saúde público,
gestão, economia e finanças, jurídico e concorrência, social.
• Elevada capacidade técnica (formação nacional e internacional).
• Salários atrativos superiores à administração pública geral.
• Equilíbrio de género: 68% de mulheres no staff; 70% em postos de nível intermédio 
e 33% no órgão diretivo.
• Recursos humanos com deveres de imparcialidade e exclusividade.
A regulação em Portugal
Recursos físicos:
• Instalações próprias centralizadas em Lisboa.
Recursos tecnológicos:
• Sistema de informação (Portal ERSAR) como instrumento essencial à eficiência e
articulação da organização interna da agência reguladora.
Recursos financeiros:
• Cerca de 8 milhões de euros/ano, provenientes das taxas de regulação e (sem 
expressão) de coimas.
• Taxas de regulação anuais aplicadas com os seguintes critérios:
• A€por cada 1000 habitantes residentes(componente fixa);
• B€por cada 1000 m3 de água fornecida (componente variável, com uma parte afeta à
qualidade da água para consumo);
• C€por cada 1000 m3 de águas residuais recolhidas.
• Taxas aplicadas a volumes/pesos e não a receitas.
• Impacte «1% da tarifa média ou «1€hab/ano.
O modelo regulatório em Portugal
A regulação em Portugal
Empresas 
multimunicipais 
(estado central)
Parcerias entre 
municípios e o Estado
Empresas 
municipais ou 
intermunicipais
Empresas 
municipais 
concessionárias
Câmaras municipais
Serviços municipais
ou intermunicipais
Micro 
operadores
Contribuir para regras, organização, informação e capacitação do setor
Regulação 
estrutural
Incentivos à
regionalização
Melhoria dos
contratos
Incentivos à 
empresarialização 
e à regionalização
Incentivo à 
integração nos 
municípios
Fiscalizar cumprimento da lei e contratos
Fiscalizar 
cumprimento da lei e 
contratos
Fiscalizar cumprimento da lei
Regulação 
legal
e contratual
Fixar tarifas e 
supervisionar
Regular mas não 
fixar tarifas Regular por contratoRegular mas não fixar tarifas
Regulação 
económica
Regular, supervisionar, comparar e premiar casos de referência 
(regulamento de qualidade de serviço, sistema de avaliação, benchmarking anual, etc.)
Regulação da 
qualidade 
de serviço
Regular, supervisionar, comparar, premiar casos de referência e sancionar
(regulamento de qualidade da água, plano de controlo de qualidade da água, benchmarking anual, planos de segurança 
da água, etc.)
Regulação da 
qualidade 
da água
Regular, supervisionar, comparar, premiar casos de referência, conciliar conflitos e sancionar
(regulamento de relações comerciais, sistema de gestão de reclamações, etc.)
Regulação da 
interface com 
utilizador
Responsabilidade 
dos municípios 
(atenção do 
regulador à 
qualidade da 
água)
A evolução da regulação em 
Portugal
A evolução da regulação em Portugal
Como foi a evolução da agência reguladora ao longo do tempo? 
A reforma do setor e a criação da agência reguladora portuguesa:
• A reforma do setor em 1993 em Portugal previu a criação de um mecanismo
regulatório para os serviços de água e saneamento.
• Era considerado um componente importante da política pública.
• Seguiu-se uma longa marcha, com sucessos e insucessos.
A experiência inicial de (insuficiente) sucesso:
• Em 1995 começou por ser criada a Comissão de Acompanhamento das
Concessões, que teve uma atividade intensa mas limitada.
• Tinha apenas poderes delegados do concedente Estado relativamente ao 
acompanhamento e à fiscalização das (então recentemente criadas) 
concessionárias estatais.
• Elaborava pareceres sobre os planos de investimento e as propostas de tarifários.
A evolução da regulação em Portugal
A experiência (falhada) de um observatório:
• Foi então decidida a criação do Observatório Nacional dos Sistemas 
Multimunicipais e Municipais, alargando o seu âmbito às concessionárias 
municipais.
• Foram atribuídas competências para apreciar processos de concurso e minutas dos 
contratos, recolher informação sobre a qualidade do serviço e qualidade da água e 
divulgá-las, bem como emitir recomendações.
• A opção de criar um observatório, e não uma agência reguladora, resultou da
oposição dos municípios à interferência do Estado central.
• Era uma opção mitigada, pois apenas observava e dava pareceres pontuais, sem 
verdadeira capacidade de intervenção.
• Porém, esse observatório nunca chegou a ser instalado, tendo sido extinto três
anos depois.
A evolução da regulação em Portugal
A experiência (positiva) de instituto público:
• Em 1997 foi criado o Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR) com as 
atribuições de agência reguladora desses serviços.
• Era um instituto público dotado de autonomia administrativa e financeira mas 
sujeito à tutela do ministro do Ambiente, distinto, portanto, de agência reguladora 
independente.
• Os seus poderes eram limitados e atuava mais como magistério de influência
através de uma interação construtiva com os regulados.
• Só abrangia inicialmente as concessões estatais e municipais:
• Concessões estatais (multimunicipais): emitia parecer sobre o processo de constituição e
sobre as tarifas propostas pelas concessionárias;
• Concessões municipais: emitia parecer sobre o processo de concurso mas não
intervinha na fixação da tarifa, estando esta regulada pelo contrato, assim como as suas
atualizações anuais.
A evolução da regulação em Portugal
A introdução (positiva) da qualidade da água para consumo:
• A partir de 2003 passou a acumular a responsabilidade de autoridade competente
para a qualidade da água para consumo humano.
• Esta competência abrangeu um vasto conjunto de funções:
• Aprovação dos programas de controlo da qualidade da água apresentados anualmente pelas 
entidades gestoras;
• Apreciação, validação e supervisão dos métodos utilizados e dos laboratórios de análises que 
prestam serviço às entidades gestoras;
• Acompanhamento, fiscalização e sancionamento;
• Elaboração de relatórios anuais.
• A opção de integrar a qualidade da água no instituto regulador foi feita depois de 
um intenso debate sobre seguir o modelo inglês (regulador económico, regulador da 
qualidade da água e regulador ambiental) ou ter um modelo mais simples, apenas 
com um regulador económico (mais abrangente) e um regulador ambiental.
A evolução da regulação em Portugal
O reforço dos poderes do regulador e universalização da regulação:
• Os regimes jurídicos dos serviços municipais e multimunicipais de 2009 vieram 
consagrar e densificar os poderes do regulador.
• O regime jurídico da regulação foi reforçado, aprovando a orgânica da ERSAR, 
mas manteve-se como instituto público.
• O âmbito da regulação foi alargado a todas as entidades gestoras.
• A regulação económica passou a abranger não apenas os serviços de titularidade
estatal mas também os serviços municipais:
• Com contrato (concessões, delegações e parcerias): mecanismo de supervisão 
das tarifas face às previstas no contrato;
• Sem contrato (serviços municipais e municipalizados): mecanismo de verificação 
do cumprimento da recomendação tarifária.
• Os serviços de titularidade estatal e municipal em gestão direta passaram também a
ser objeto de regulação da qualidade do serviço.
A evolução da regulação em Portugal
A passagem a entidade independente:
• Em 2011, após a crise económica mundial, o Governo assumiu o objetivo de 
transformar as entidades com funções reguladoras relevantes em entidades 
independentes.
• Em 2013 foi aprovada uma lei-quadro para as entidades administrativas 
independentes com funções de regulação dos setores privado e público, 
uniformizando a sua atuação.
• Em 2014 foram aprovados pela Assembleia da República os estatutos da ERSAR 
enquanto entidade administrativa independente.
• Alterou o estatuto dos membros do conselho de administração quanto ao 
processo de designação, período dos mandatos, garantias de inamovibilidade e 
regras de cessação dos mandatos.
• Foram reforçados os poderes de autoridade, sancionatórios e regulamentares,
para potenciar a sua capacidade de atuação.
A evolução da regulação em Portugal
Em Portugal:
• A criação de uma entidade reguladora para os serviços de águas em Portugal
resultou da nova política pública (1993).
• No entanto, foram necessários mais de seis anos para o início do seu funcionamento 
(1999).
• Considerando o período inicial de alguma fragilidade, foi necessária cerca de uma
década (1993-2003) para ter funcionamento efetivo.
• Foi necessária cerca de mais uma década (2003-2014) de atividade, com poderes 
mitigados, para se tornar independente.
• Apenas nessa altura reforçou os poderes de regulação, ao nível dos instrumentos 
jurídicos típicos (fixação de tarifas e instruções vinculativas, etc.), bem como das 
competências regulamentares, sancionatórias, de resolução de litígios e divulgação 
de informação.
• Foi nesse período possível conceber, desenvolver e implementar gradualmenteum 
modelo regulatório integrado.
A evolução da regulação em Portugal
• Foi um longo mas consistente e frutuoso período de implementação de uma cultura 
regulatória, beneficiando de estabilidade na política pública do setor e na entidade 
reguladora.
• A posterior mudança de orientação regulatória, para um modelo menos colaborativo 
e pedagógico e mais confrontacional, trouxe um retrocesso à regulação e ao sector, 
que acabou por se materializar na perda de poderes regulatórios regulamentares e 
tarifários.
Obrigado!
Jaime Baptista
LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal 
jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
mailto:jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
MÓDULO 7: A disseminação da 
regulação no mundo: experiências 
exitosas e padrões regulatórios 
(Parte 4)
Jaime Baptista
Lisbon International Centre for Water 
Portugal
Questões:
Como é realizada a regulação nos países de língua portuguesa?
Quais as semelhanças e as diferenças entre eles?
A regulação nos países de língua 
portuguesa
A regulação nos países de língua portuguesa
A evolução da regulação no espaço lusófono:
• Lusofonia é a comunidade formada pelos povos 
e nações que compartilham a língua 
portuguesa.
• 8 países, num total de 275 milhões de pessoas.
• Distribuem-se por 4 continentes.
• Têm historicamente uma cultura comum, 
também na organização administrativa do 
Estado.
• Partindo dessa base comum, têm evoluído a 
diferentes ritmos e com diferentes modelos de 
regulação nos serviços de água e saneamento.
A regulação nos países de língua portuguesa
Modelos institucionais de regulação possíveis:
• O Estado (central, regional ou local) assume diretamente essa 
responsabilidade, e exerce-a essencialmente através da legislação.
• O Estado dispõe de uma entidade especializada dependente, 
geralmente uma direção geral (administração direta do Estado), 
geralmente dependente de uma secretaria de estado ou de um 
ministério, para exercer essa função.
• O Estado cria uma entidade especializada parcialmente dependente
(administração indireta do Estado), por exemplo um instituto público
ou uma autarquia, dotado de personalidade jurídica.
• O Estado cria uma entidade especializada independente, dotada de
personalidade jurídica e independência.
Estado(central,
regional oulocal)
Administração 
públicadireta 
(exemplo: direção 
geral)
Administração 
públicaindireta 
(exemplo: instituto 
público)
Entidade 
administrativa 
independenteIn
de
pe
nd
ên
ci
a
re
gu
la
tó
ria
cr
es
ce
nt
e
A regulação nos países de língua portuguesa
O caso de Portugal (10 milhões de 
habitantes):
• Portugal criou um regulador 
atualmente designado ERSAR, 
Entidade Reguladora dos Serviços 
de Águas e Resíduos, criado em 
1997 e que iniciou funções em 
1999, resultante da reforma do 
setor.
• Tem âmbito nacional continental, 
abrangendo 95% da população, 
mas excluindo as Regiões 
Autónomas, que têm entidades 
próprias:
A regulação nos países de língua portuguesa
• Açores: ERSARA, Entidade Reguladora
dos Serviços de Águas e Resíduos dos
Açores.
• Madeira: Secretaria Regional de 
Ambiente a Alterações Climáticas.
• A ERSAR evoluiu para uma entidade
reguladora independente.
• Anteriormente a regulação tinha sido 
realizada por uma direção geral e 
depois por um instituto público.
• O regulador é sectorial, abrangendo 
os serviços de abastecimento de água 
e de saneamento, e ainda os resíduos 
urbanos.
A regulação nos países de língua portuguesa
O caso do Brasil (213 milhões de 
habitantes):
• O Brasil tem numerosos (86) 
reguladores de serviços, criados a 
partir do ano 1997, dez anos antes 
de a Lei 11.445/2007 definir pela 
primeira vez a necessidade da 
regulação.
• Regulam serviços de abastecimento 
de água, esgotamento sanitário, 
manejo de resíduos sólidos e 
drenagem pluvial.
A regulação nos países de língua portuguesa
• Têm âmbito estadual ou 
municipal/intermunicipal.
• São entidades de natureza 
autárquica dotadas de 
independência decisória e 
autonomia administrativa, 
orçamentária e financeira.
• Em geral são reguladores 
multissectoriais.
• Face à diversidade de situações, foi 
atribuído recentemente à ANA -
Agência Nacional de Águas e 
Saneamento Básico o papel de 
supervisão regulatória de todos eles.
A regulação nos países de língua portuguesa
O caso de Angola (33 milhões de 
habitantes):
• IRSEA – Instituto Regulador dos 
Serviços de Electricidade e de 
Água, que integrou os serviços de 
água e saneamento em 2016.
• Tem âmbito nacional.
• É um instituto público.
• É um regulador multissectorial, de
energia, água e saneamento.
A regulação nos países de língua portuguesa
O caso de Moçambique (31 
milhões de habitantes):
• AURA - Autoridade Reguladora de 
Água (anteriormente CRA-
Conselho de Regulação do 
Abastecimento de Água, criado em 
2000).
• Tem âmbito nacional.
• É um instituto público.
• É um regulador sectorial, apenas 
de água e saneamento.
A regulação nos países de língua portuguesa
O caso da Guiné Bissau (2 milhões 
de habitantes):
• DGRH - Direcção Geral dos
Recursos Hídricos
• Tem âmbito nacional.
• É uma direção geral.
• É um regulador de recursos 
hídricos.
A regulação nos países de língua portuguesa
O caso de Timor Leste (1,3 
milhões de habitantes):
• Direcção-Geral de Água e
Saneamento (DGAS)
• Tem âmbito nacional.
• É uma direção geral.
• É um regulador sectorial, apenas 
de água e saneamento.
A regulação nos países de língua portuguesa
O caso de Cabo Verde (560 mil 
habitantes):
• Tem um regulador económico e 
outro técnico.
• AARME - Agência Reguladora 
Multissetorial da Economia, é um 
regulador económico, criada em 
2018.
• Tem âmbito nacional.
• É uma autoridade administrativa e
independente.
• É um regulador multissectorial.
A regulação nos países de língua portuguesa
• AANAS - Agência Nacional de Água 
e Saneamento, é um regulador 
técnico.
• Tem âmbito nacional.
• É um instituto público.
• É um regulador sectorial, apenas de 
água e saneamento. Mas é 
simultaneamente regulador dos 
recursos hídricos.
A regulação nos países de língua portuguesa
O caso de São Tomé e Príncipe 
(220 mil habitantes):
• Agência Geral de Regulação
(AGER) criada em 2005.
• Tem âmbito nacional.
• É um instituto público.
• É um regulador multisectorial.
Quais as semelhanças e as 
diferenças entre eles?
A regulação nos países de língua portuguesa
Como se comparam os países lusófonos relativamente ao âmbito 
geográfico da entidade reguladora?
• A maioria dos países têm uma intervenção regulatória de âmbito nacional.
• Portugal tem uma intervenção regulatória de âmbito nacional, com exceção 
das duas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
• O Brasil tem uma intervenção regulatória que pode ser de âmbito estatual ou 
municipal/intermunicipal, tendo criado agora uma entidade de supervisão 
regulatória nacional.
De âmbito nacional De âmbito localDe âmbito regional
A regulação nos países de língua portuguesa
Como se comparam os países lusófonos relativamente à tipologia 
institucional?
• Em Timor e na Guiné Bissau a regulação é responsabilidade de direções gerais.
• Em São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique a regulação é uma
responsabilidade de institutos públicos. No Brasil a regulação é uma
responsabilidade de autarquias.
• Em Cabo Verde a regulação é uma responsabilidade partilhada entre um 
instituto público e uma entidade administrativa independente.
• Em Portugal continental a regulação é uma responsabilidade de uma entidade
administrativa independente.
Direção Geral Entidade IndependenteInstituto Público
A regulação nos países de língua portuguesa
Como se comparam os países lusófonos relativamente à regulação 
sectorial ou multissectorial?
• Em Timor, na Guiné Bissau e em Moçambique a regulação é sectorial, de água
e saneamento.
• Em Portugal a regulação é sectorial, de água e saneamento, mas incluindo os 
resíduosurbanos.
• Em Angola a regulação é multissectorial, de água e saneamento e também de 
energia.
• Em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil a regulação é multissectorial.
Sectorial Multisectorial
A regulação nos países de língua portuguesa
No universo lusófono:
• A evolução tem vindo a acontecer a diferentes ritmos e com 
diferentes modelos de regulação.
• Essa evolução diferenciada é natural, face a diferentes estádios de 
desenvolvimento, contextos políticos e a caraterísticas territoriais.
Regulação no Mundo: Portugal
Jaime Melo Baptista
• Engenheiro civil especializado em engenharia sanitária.
• Presidente do Lisbon International Centre for Water (LIS-Water), Portugal.
• Investigador-Coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
• Presidente do Conselho Estratégico da Parceria Portuguesa para a Água (PPA).
• Vogal do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS).
• Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) entre 2003 e 2015.
• Comissário de Portugal ao 8.º Fórum Mundial da Água (WWF) entre 2017 e 2018.
• Vogal do conselho de administração e do conselho estratégico da International Water Association 
(IWA) entre 2012 e 2016, e seu Distinguished Fellow desde 2022.
• Diretor do Departamento de Hidráulica do LNEC entre 1990 e 2000.
• Chefe do Núcleo de Hidráulica Sanitária do LNEC entre 1980 e 1989.
Obrigado!
Jaime Baptista
LIS-Water, Lisbon International Centre for Water Portugal 
jaime.baptista@lis-water.org
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
mailto:jaime.baptista@lis-water.org
ARegulação no Brasil e no Mundo
O modelo de regulação independente: 
tecnicidade, estabilidade e segurança jurídica
Rui CunhaMarques
Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) 
rui.marques@tecnico.ulisboa.pt 
www.ruicunhamarques.com
mailto:rui.marques@tecnico.ulisboa.pt
http://www.ruicunhamarques.com/
O modelo de regulação independente: tecnicidade, estabilidade 
e segurança jurídica
Ponto 1: O que devemos saber sobre segurança jurídica na regulação do
saneamento?
Ponto 2: A regulação independente é boa para o regime democrático?
Ponto 3: A regulação independente é boa para um mercado equilibrado e 
pautado em bons serviços e preços adequados?
Ponto 4: A regulação independente pode ser aprimorada?
RuiCunha Marques
Ponto 1: O que 
devemos saber 
sobre segurança 
jurídica na 
regulação do 
saneamento?
Importância da segurança jurídica para a atração de 
investimento
A criação de um ambiente favorável e atrativo ao investimento no setor do saneamento privado 
dependerá…
De possuir a certeza 
que os pagamentos e 
o retorno financeiro 
serão assegurados
Se as decisões forem 
tomadas numa 
perspetiva técnica (e 
não política) com 
uma visão sustentável 
e de longo prazo
De o risco de não 
pagamento ou de 
mudança das regras 
do jogo ser mínimo
RuiCunha Marques
Importância da segurança jurídica para a 
atração de investimento
Por outro lado, uma reduzida segurança jurídica, para o setor privado, não só 
condiciona a atratividade do setor com a presença de menos players como 
também aumenta consideravelmente o custo de capital. No limite, pode 
levar a que não hajam prestadores privados interessados em investir
na prestação dos serviços de saneamento.
O aumento da segurança jurídica e da redução do risco da atividade se
traduz num custo de capital muito mais reduzido, independentemente de os
prestadores serem públicos ou privados;
No caso dos prestadores públicos o custo de financiamento (e.g. capital de 
terceiros) torna-se mais elevado, podendo, no limite, não se conseguirem 
mesmo financiarem, pelo menos, nos mercados comerciais;
RuiCunha Marques
Importância da segurança jurídica para a 
atração de investimento
Note-se que o setor do saneamento apresenta, por natureza, risco muito elevado, dado 
que exige grandes investimentos a realizar nos primeiros anos do projeto, com grandes 
períodos de retorno do investimento (paybacks). Além disso, os investimentos em 
infraestruturas de saneamento são sempre irrecuperáveis/afundados (sunk assets);
Quando se compara o setor do saneamento com o de outras infraestruturas (e.g. energia) 
a relação CAPEX/OPEX é muito mais determinante e, portanto, envolve muito mais 
risco. O setor do saneamento exige maior investimentos (e.g. transporte) e necessita de 
mais tempo para poder recuperar os investimentos efetuados (e.g. o perfil de receitas) do 
que o de outras infraestruturas;
Por conseguinte, dotar o setor do saneamento de segurança jurídica é fundamental para 
atrair investimento para o setor, sendo que a falta deste tem sido apontado como a 
principal razão para o atraso da realização dos investimentos no setor de
saneamento brasileiro e, consequentemente, de alcançar a sua universalização.
RuiCunha Marques
Importância da segurança jurídica para a atração do setor 
privado
A melhoria da segurança jurídica e a criação de um ambiente favorável e atrativo ao setor privado foi 
um dos principais objetivos da reforma e publicação da nova Lei de Saneamento (Lei n.º 14.026) no 
Brasil através de…
Incentivos à criação de 
prestadores regionais 
mais sustentáveis, 
procurando tornar 
mais atrativo o setor 
para a participação do 
setor privado.
Promoção de uma 
regulação por 
contrato de forma a 
aumentar a 
estabilidade 
regulatória e reduzir o 
risco regulatório.
Melhoria da regulação 
para dar maior 
segurança jurídica e 
reduzir o risco para o 
setor privado e para 
quem financia o setor.
RuiCunha Marques
Governança regulatória e segurança jurídica
Em particular, quando os prestadores têm natureza privada ou tem que se financiar comercialmente, a
boa governança regulatória é fundamental para assegurar segurança jurídica.
As agências reguladoras devem verificar o 
cumprimento de obrigações legais, contratuais 
ou técnicas por parte dos prestadores de 
serviços e, também, impor-lhes sanções e 
medidas corretivas pelo descumprimento de 
obrigações decorrentes de regulamentos 
legais ou técnicos, bem como das obrigações 
dos prestadores de serviços dispostas em seus 
respectivos contratos de concessão.
O complemento da regulação discricionária é 
importante porque os contratos são incompletos 
e imperfeitos, e porque a realidade e a 
qualidade do serviço, ou os interesses dos 
stakeholders, mudam ao longo do tempo.
O novo marco regulatório do saneamento 
básico, introduzido por meio da Lei nº 
14.026/2020, prevê a obrigatoriedade de os 
contratos preverem metas de desempenho e 
de universalização dos serviços.
RuiCunha Marques
Contratualização e segurança jurídica
9
A existência de contratos (regulação por contrato) é importante porque aumenta a segurança jurídica, 
dado que neles são estabelecidas obrigações e direitos das partes que têm de ser respeitados, 
reduzindo, desta forma, a discricionariedade da regulação por agência e, por conseguinte, o
risco regulatório.
De acordo com o novo marco regulatório (Lei nº 14.026/2020), a não ser em situações de gestão direta, é 
necessário que se estabeleçam contratos de concessão/PPPs para a prestação dos serviços de 
saneamento básico.
• As melhores práticas apontam para uma solução híbrida de regulação por agência com regulação por
contrato, que pode permitir um melhor equilíbrio entre o regulador e o contrato;
• Esta solução híbrida, se adequadamente implementada, permite superar os problemas do contrato
que nunca é completo e perfeito e a importância do risco regulatório, simultaneamente;
• Desta forma, é importante que se fomente tornar a regulação por agência compatível com a
regulação por contrato (através da definição clara de regras).
RuiCunha Marques
Reforço da regulação para melhorar a segurança jurídica
A Lei nº 14.026/2020, atualizou o marco legal do saneamento básico, e alargou o papel e competências da 
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Esta Lei resultou num reforço da regulação do saneamento básico no Brasil!Promover a uniformização das regras permitindo, dessa forma, aumentar a
homogeneidade e melhorar a qualidade da regulação e, sobretudo, fomentar a
segurança jurídica.
Foi atribuído à ANA o papel de 
'regulador federal' e 
simultaneamente de autoridade 
responsável pela emissão de ‘normas 
de referência' para as agências 
reguladoras infranacionais.
RuiCunha Marques
Se as agências reguladoras 
infranacionais não adotarem os 
padrões de referência da ANA, os 
prestadores de serviços não são 
elegíveis para subsídios e/ou 
empréstimos do Governo Federal.
Reforço da regulação para melhorar a segurança jurídica
RuiCunha Marques
A ANA adquiriu o papel de criação de normas de referência que influenciarão o papel regulatório das agências
reguladoras infranacionais. Estas normas deverão, entre outros objetivos:
Promover a prestação adequada dos 
serviços, com atendimento pleno aos 
usuários;
Estimular a cooperação entre os entes 
federativos com vistas à prestação, à 
contratação e à regulação dos 
serviços de forma adequada e 
eficiente, a fim de buscar a 
universalização dos serviços e a 
modicidade tarifária;
Possibilitar a adoção de métodos,
técnicas e processos adequados às
peculiaridades locais e regionais;
Estabelecer parâmetros e 
periodicidade mínimos para medição 
do cumprimento das metas de 
cobertura dos serviços e do 
atendimento aos indicadores de 
qualidade e aos padrões de 
potabilidade, observadas as 
peculiaridades contratuais e 
regionais;
Estabelecer critérios limitadores da 
sobreposição de custos 
administrativos ou gerenciais a serem 
pagos pelo usuário final, 
independentemente da configuração 
de subcontratações ou de 
subdelegações.
Regionalização e segurança jurídica
• Obtenção de ganhos de eficiência relacionados com a existência de economias de escala, gerando redução
de custos;
• Utilização de subsídios cruzados e, portanto, maior sustentabilidade financeira e social dos serviços;
• Melhorar a sua capacidade administrativa e técnica (capacitação e pessoal qualificado);
• Maior capacidade financeira dos sistemas agregados e consequentemente maior facilidade de acesso ao 
financiamento externo;
• Fortalecer a tomada de decisões estratégicas e fomentar maior poder político e social;
• Melhoria da governança corporativa.
RuiCunha Marques
A Lei de Saneamento fornece diretrizes para uma melhor e racional estrutura de mercado, promovendo e 
facilitando soluções regionais que melhoram a governança, aumentam as economias de escala e aproveitam 
o subsídio cruzado.
Ponto 2: A 
regulação 
independente é 
boa para o regime 
democrático?
Regulação governamental direta
RuiCunha Marques
A principal característica dos sistemas 
regulatórios baseados na regulação 
governamental direta (regulação 
implícita) é a opacidade, que resulta do 
fato de o estabelecimento das políticas e 
das regras, a propriedade e a gestão, e a 
regulação de um determinado setor 
(que também inclui a sua auto-punição 
pelas infrações cometidas) estarem 
confinados ao mesmo protagonista.
Como consequência, a regulação e, logo, 
os preços finais e a qualidade de serviço 
são politizados.
Neste cenário, a regulação é desenvolvida 
com base em princípios não comerciais e 
até anticoncorrenciais, distorcendo as 
regras de mercado, denotando apenas 
alguma preocupação com os resultados 
financeiros e com a subsidiação de grupos 
específicos de usuários.
Criação de agência reguladora: Vantagens
Os argumentos que têm servido de base aos defensores da regulação explícita (por agência reguladora com 
maior ou menor independência), nos países onde a gestão pública é maioritária ou absoluta, prendem-se com 
os seguintes aspectos:
Despolitização da atividade regulatória e aumento da segurança jurídica;
Aumento da transparência, autonomia, prestação de contas e boa governança das atividades desenvolvidas; 
Incremento da eficiência e da produtividade dos serviços de saneamento;
Estímulo da competitividade entre os prestadores regulados e no respetivo setor; 
Proteção dos interesses dos usuários quanto às obrigações de serviço público; 
Preparação, a prazo, da privatização, ou da entrada de capital, ou da gestão privada.
RuiCunha Marques
Criação de agência reguladora: Desvantagens
Em contraposição, alega-se o custo elevado da regulação, a dificuldade de 
independência efetiva dos reguladores, a captura dos reguladores, a falta de 
legitimidade e inconstitucionalidade destes organismos, a discricionariedade dos 
métodos regulatórios (e risco regulatório ainda que esta persista quando a 
regulação é implícita) e, finalmente, a perda de atribuições e de «soberania» da 
administração pública tradicional em setores considerados estratégicos e de 
interesse local/nacional.
RuiCunha Marques
Agências reguladoras independentes
RuiCunha Marques
A desintervenção do Estado em 
relação à atividade econômica e a 
separação do Estado produtor de bens 
e prestador de serviços do Estado 
regulador não significa uma 
diminuição da atividade regulatória.
Muito pelo contrário, a atividade 
regulatória torna-se mais exigente e 
mais abrangente. Para além da sua 
expansão, o quadro regulatório deve 
ser independente da esfera política, 
de forma a ser estável e neutra face 
aos interesses envolvidos.
Esta necessidade de 
desgovernamentalização da atividade 
regulatória é também um reflexo do 
fato de a natureza desta atividade ser 
essencialmente técnica e apolítica.
Agências reguladoras independentes
As agências reguladoras independentes surgem assim, naturalmente, 
como os agentes da regulação independente e da substituição do 
Estado neste papel.
Estas entidades, embora sejam pessoas coletivas de direito público de 
base institucional (entidades administrativas e verdadeiros institutos 
públicos), evidenciam dois traços distintivos relativos às entidades 
públicas tradicionais, nomeadamente, a sua independência orgânica e 
a sua independência funcional.
RuiCunha Marques
Independência orgânica e funcional
A independência orgânica é-
lhe conferida pela 
competência técnica e 
inamovibilidade dos seus 
membros, ou seja, estes são 
designados por um período 
fixo e longo, sendo impossível 
a sua destituição, exceto nos 
casos especiais previstos na 
lei.
A independência funcional 
significa que a agência 
reguladora está apenas 
sujeita à lei e ao controlo dos 
tribunais, não estando 
submetida a uma tutela de 
mérito nem à 
superintendência(instruções) 
governamental.
RuiCunha Marques
Independência e legitimidade regulatória
A controvérsia da regulação independente está nos poderes que as agências reguladoras, que 
são entidades não eleitas, possuem. Os seus poderes normativos, executivos e sancionatórios 
não ocorrem em nenhuma outra entidade administrativa
Problema: Se não existe 
legitimidade democrática como 
justificar a atribuição destes 
poderes?
Solução: 
Princípios de boa 
governança
A regulação independente não significa desresponsabilização, muito pelo contrário, sendo a
legitimidade democrática substituída pela democracia ‘procedimental’
RuiCunha Marques
Independência e legitimidade regulatória
RuiCunha Marques
Ø Nos EUA muitos dos reguladores são eleitos democraticamente, precisamente para lhe conferir essa
legitimidade;
Ø Nalguns países, como em Portugal, houve necessidade de alterar a Constituição da República para
poder prever a existência de entidades administrativas independentes;
Ø Em países, como o Brasil, a regulação independente tal como nos EUA, Austrália ou em vários países
da Europa não é constitucionalmente possível;
Ø Veja-se que no caso do setor do saneamento no Brasil ao atribuir a função regulatória à entidade
titular (ainda que delegável), que é ainda responsável pela prestação, está-se a impedir o modelo de
regulação independente;
Ø O princípio chave é óbvio: não se pode ser árbitro e jogador ao mesmo tempo.
Independência e legitimidade regulatória
RuiCunha Marques
Ø Princípios de boa governança regulatóriaque permitem a ‘procedimentalização’ (democracia
procedimental) da regulação, com uma adequada responsabilização (prestação de contas) e com uma
elevada transparência, participação e engajamento dos stakeholders na atividade regulatória, mitigam
a falta de independência (‘constitucional);
Ø Regras de competência técnica dos diretores, bons princípios de governança corporativa e
procedimentos de separação da atividade política da atividade técnica contribuem para a
independência e qualidade regulatória;
Ø Por essas razões, no Brasil, foi publicada a Lei das Agências (Lei nº 13.848, de 25 de junho de 2019) que
dispõe sobre a gestão, organização, processo decisório e controle social das agências reguladoras e cria
um regime uniforme para todas as agências reguladoras federais;
Ø A ANA irá elaborar também uma Norma de Referência sobre governança regulatória para as agências
reguladoras infranacionais, procurando seguir os princípios referidos.
Ponto 3: A 
regulação 
independente é 
boa para um 
mercado 
equilibrado e 
pautado em bons 
serviços e
preços 
adequados?
Regulação independente
A regulação independente deve, sobretudo, ser implementada em setores nos quais o
Estado detenha um papel essencial.
RuiCunha Marques
Ø Nestes destacam-se, em relação aos setores de infraestruturas, aqueles caracterizados 
por estruturas de rede e em monopólio natural (como nos serviços de saneamento), 
aqueles onde existem obrigações de serviços público (como nos serviços de saneamento) 
e, por fim, aqueles onde ocorre concorrência e o Estado/município participa como player 
(como nos serviços de saneamento).
Regulação independente
Agência
reguladora
RuiCunha Marques
Na regulação destes setores a agência reguladora, apenas dotada de independência, consegue 
ser o centro de gravidade das relações tripartidas entre o Governo que define as políticas e as 
grandes linhas de orientação, os prestadores que fornecem os bens ou serviços e os usuários 
usufrutuários do mesmo.
Governo
UsuáriosPrestador
regulado
Vantagens da regulação independente
Os benefícios da independência da 
regulação são diversos...
Existem recomendações das mais 
diversas instituições para a criação de 
agências reguladoras independente.
Mais, para os países de baixa e média
renda, as instituições multilaterais (e.g.
Banco Mundial, Banco Europeu de 
Investimento e Banco Asiático, 
Africano e Interamericano de 
Desenvolvimento) fazem depender, 
muitas vezes, os seus financiamentos 
da criação de ARI.
RuiCunha Marques
Vantagens da regulação independente
O primeiro grande benefício da regulação independente consiste na separação da política e da 
economia, ainda que os Governos não participem ativamente na esfera econômica.
A tomada de decisões sem o envolvimento direto do Governo, não estando subjugada aos seus 
interesses (políticos e econômicos) é fundamental para o sucesso da regulação, garantindo ainda a 
ausência de responsabilidade política sobre os seus atos.
Esta separação deve ser reforçada quando existe um Estado/município que opera nos diferentes
mercados, fornecendo bens e serviços. Neste caso não é admissível que se misturem as funções
estaduais de Estado empresário e as de Estado regulador.
A regulação deve ser o mais profissional, imparcial, apolítica e técnica possível.
RuiCunha Marques
Vantagens da regulação independente
Outro benefício da regulação independente é a maior agilidade, desburocratização e flexibilização dos processos 
regulatórios.
As agências reguladoras independentes, por não pertencerem à administração do Estado tradicional, estão 
isentas de determinados pressupostos funcionais, além de disporem de um conjunto vasto de poderes e 
ferramentas de atuação, jamais visto em qualquer outro ente administrativo, que lhes permitem atuar com uma 
maior eficácia.
Associado a este, está o fato de a regulação independente permitir também uma maior especialização da agência
reguladora e uma maior facilidade no recurso a consultores e a especialistas independentes, dado que usufrui de
autonomia financeira e orçamentária.
Em virtude de não terem natureza política e de não fazerem parte da administração costumada, as agências 
reguladoras podem contratar os melhores profissionais e rodearem-se dos consultores mais competentes, e dos 
especialistas mais consagrados, tornando-se numa espécie de «governo dos sábios».
RuiCunha Marques
Vantagens da regulação independente
RuiCunha Marques
A presença de agências reguladoras 
independentes dá garantias de um 
quadro regulatório seguro e estável, 
fornecendo uma maior credibilidade ao 
processo regulatório.
A credibilidade é alcançada não só com 
estabilidade, mas também com 
previsibilidade, imparcialidade e 
objetividade da atividade regulatória 
que a independência possibilita.
Como consequência, o processo 
regulatório comporta um menor risco 
regulatório.
Esta confiança, que as agências 
reguladoras fornecem, é também 
fundamental para uma das suas 
principais atribuições, que consiste na 
resolução extrajudicial de conflitos 
entre os prestadores regulados ou entre 
estas e os usuários, quer seja através de 
mediação, conciliação ou de arbitragem 
voluntária.
Vantagens da regulação independente
Por fim, a independência dos reguladores fornece uma maior 
responsabilização no que concerne ao seu equilíbrio financeiro.
As agência reguladoras independentes, além de autonomia financeira, 
possuem também, em geral, independência financeira e orçamentária.
Ao contrário de outras entidades administrativas, onde os seus défices 
são imiscuídos conjuntamente com outros organismos, as agências 
reguladoras independentes prestam contas da sua atividade, não 
podendo evidenciar desvios relevantes dos montantes orçamentários.
RuiCunha Marques
Ponto 4: A 
regulação 
independente é 
pode ser 
aprimorada?
Conceito e escopo da regulação
Regulação define-se como o estabelecimento e a implementação de um
conjunto de regras, específicas e necessárias ao funcionamento 
equilibrado de um determinado setor, em função do interesse público;
Implementação
Estabelecimento de regras
Sanções
Poder executivo
Poder normativo
Poder sancionatório
Regime
regulatório
Problema: Se não existir eleição 
democrática como justificar a 
atribuição destes poderes?
Solução: 
Princípios de 
boa governança
RuiCunha Marques
Porquê independentes?
Governo
Usuário
Compromisso credível
a longo-prazo
Potenciais 
conflitos de 
interesse 
(imparcialidade)
Prestador
Estabilidade/previsibilidade
Competências 
de regulação
ConflitoRegulador 
independente
RuiCunha Marques
Regular prestadores públicos e privados
Os prestadores públicos possuem interesses diferentes dos prestadores privados, e relação de
direito diferentes.
Interesses dos privados são conhecidos (i.e. lucro)!.. .E dos públicos?
Bem-estar social? Ou interesses políticos/particulares perversos?
Regulação é necessária 
independentemente da 
natureza do titular
RuiCunha Marques
Governança e substância regulatória
Governança 
regulatória
É o “como” da regulação!
Referente ao desenho 
institucional e legal do 
sistema regulatório e o 
enquadramento em que as 
decisões são tomadas. Leis, 
processos e procedimentos 
relativos à atividade 
regulatória, quem de direito 
toma as decisões regulatórias 
e os recursos disponíveis.
Substância
(decisões regulatórias)
É o “quê” da regulação!
É o conteúdo da regulação. 
São as ações implícitas ou 
explicitas tomadas pelo 
regulador (ou equiparável), 
assim como o racional para a 
tomada de decisão.
RuiCunha Marques
Porquê assegurar uma boa governança?
Regras bem 
concebidas e 
regulação que são 
efetivas e eficazes
Enquadramento 
institucional 
apropriado e modo 
de governança
Processos 
operacionais que são 
efetivos, consistentes 
e justos
Recursos e 
capacidade 
institucional com 
qualidade e poder
Porque tem um impacto importante nos resultados da regulação
RuiCunha Marques
Fonte: Baseado em OECD (2014). TheGovernance of Regulators.
Critérios de governança regulatória
Fonte: Marques, R.; Pinto, F. (2018). How to watch the watchmen? The role and 
measurement of regulatory governance. Utilities Policy. 51, 73-81
RuiCunha Marques
Fatores internos
RuiCunha Marques
Transparência Publicação de informação de acordo com o local de consulta e a
sua frequência e oportunismo.
Previsibilidade Procedimentalização e facilidade de mudança dos processos.
Consistência e
proporcionalidade
Atividade regulatória desenvolvida de forma uniforme e na sua
aplicação aos prestadores ao longo do tempo.
Integridade Os valores e procedimentos das agências reguladoras e dos seus
diretores/dirigentes desenvolvidos durante a atividade regulatória.
Fatores externos
Clareza das Regras Clareza das leis que sustentam o processo regulatório relativo a, e.g.,
princípios, objetivos, responsabilidades, e consequências.
Articulação Regulatória Clareza no papel do regulador com o objetivo de evitar duplicação de
funções, conflitos entre reguladores e sinais contrários aos
interessados no processo (stakeholders).
Poderes de Ação Poderes necessários para as atribuições que possui.
RuiCunha Marques
Fatores relacionais I
Independência Financeira Independência do seu financiamento, e.g., origem e capacidade de
poder efetuar despesa.
Independência Orgânica Independência do seu quadro orgânico, e.g., estrutura do pessoal, na sua
nomeação, promoção, demissão e nojo.
Independência Funcional Independência operacional no exercício das suas funções, e.g., ausência
de tutela e superintendência (não receber ordens/orientações do poder
político).
Independência (autonomia na decisão)
RuiCunha Marques
Fatores relacionais II
Participação e Responsabilização
RuiCunha Marques
Participação Pública Participação efetiva nos processos e decisões regulatórias através de um
conjunto de boas práticas (audiência e consulta pública, possibilidade de
contraditório, conselho consultivo, …).
Responsabilização Prestação de contas do regulador através de um conjunto de boas
práticas relativas aos stakeholders (e.g. possibilidade de apelo, audiências
no Parlamento, conselho consultivo, …)
Governança regulatória no Brasil
A boa governança regulatória assume um papel fundamental para a 
eficácia e eficiência da regulação. Em particular, permite melhorar a 
decisão regulatória, evita comportamentos desviantes, aumenta a 
aceitabilidade e reduz os conflitos entre as partes.
No Brasil, a influência política na 
atividade das agências reguladoras pode 
ser relevante com impacto determinante 
nas decisões ou na inação destas. A 
questão da nomeação dos diretores 
tanto das suas qualificações, requisitos e 
independência como das características 
dos termos do seu mandato são matérias 
essenciais que precisam de ser 
melhoradas e reguladas.
A atual situação da existência de recursos 
humanos suficientes, mas não 
concursados, gera uma grande 
rotatividade dos funcionários. Ademais 
verifica-se a existência de dificuldade e 
impossibilidade de lançar concursos 
públicos para aumentar o quadro de 
pessoal, condicionando a atividade 
regulatória das agências reguladoras de 
saneamento básico.
RuiCunha Marques
Governança regulatória no Brasil
A capacitação das agências 
reguladoras infranacionais é 
uma das matérias também 
a salientar sendo o seu 
défice de capacitação 
claramente um dos gargalos 
que tem de ser 
ultrapassado.
A articulação da atividade 
da agência reguladora 
infranacional com outras 
agências reguladoras 
correlatas (ambiente, 
recursos hídricos, defesa 
dos usuários, …) ou órgãos 
de controle público é quase 
sempre inexistente, 
esporádica ou casuística. As 
relações e coordenação 
com estas entidades devem 
estar previstas e serem 
preconizadas.
A comunicação, em 
particular associada à 
transparência da atividade 
regulatória e da agência 
reguladora é também muito 
heterogênea e, em diversos 
casos, inadequada ou 
insuficiente. A informação 
sobre a atividade 
regulatória deve ser, por 
natureza, pública e 
acessível a todos os atores 
da regulação.
RuiCunha Marques
Governança regulatória no Brasil
É importante desenvolver a governança na regulação dos serviços de 
abastecimento de água e de esgotamento sanitário.
• A independência das agências reguladoras infranacionais, incluindo dos seus
diretores, deve ser assegurada;
• As agências não devem receber instruções ou diretrizes do governo, e os diretores
devem ser escolhidos por critérios de mérito.
Todos os trabalhadores (incluindo diretores) devem declarar potenciais conflitos de 
interesse e prestar provas de sua formação e experiência em regulação e/ou no 
setor regulado.
RuiCunha Marques
Governança regulatória no Brasil
As agências reguladoras têm 
de possuir autonomia 
funcional, decisória, 
administrativa e financeira.
A autonomia financeira deve 
ser conseguida com o 
pagamento da taxa 
regulatória e não deve existir 
restrições à sua utilização.
RuiCunha Marques
Deve ser prevista na lei, ou realizando memorandos de cooperação e 
coordenação regulatória, a articulação da agência reguladora com outras 
agências reguladoras (ambiente, usuários, recurso hídricos, concorrência, …) e 
com os órgãos de controle para alinhamento das suas atividades.
Obrigado!
Nome do curso
Rui CunhaMarques
Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) 
rui.marques@tecnico.ulisboa.pt 
www.ruicunhamarques.com
mailto:rui.marques@tecnico.ulisboa.pt
http://www.ruicunhamarques.com/
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
“Os serviços de infraestruturas, que ofertam um serviço 
coletivo aos cidadãos, de natureza essencial, e que, por 
possuírem uma estrutura em rede e requererem o uso do 
direito de propriedade para fins de utilidade pública não 
podem funcionar em autorregulação ou sem regulação, pois 
usualmente são caracterizados por falhas e devem, em prol 
do interesse público, estar sujeitos a uma mão visível 
externa que permita a sua mitigação (Marques, 2011).” 
Daniel Antonio Narzetti
Diretor Geral da AGIR/SC
Dr. Engenharia do Território/Economista
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são serviços públicos essenciais?
O que são as falhas de mercado?
Qual o papel do regulador para um
mercado eficiente?
Como o regulador pode atuar para a
manutenção dos serviços essenciais e
reduzir as falhas de mercado?
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são serviços públicos essenciais?
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são serviços públicos essenciais?
Definições:
Os serviços públicos essenciais estão diretamente ligados
às necessidades básicas da coletividade, os quais são
fornecidos pelo Estado ou por concessionárias, de forma
contínua.
Os serviços essenciais estão para a coletividade e para o
ordenamento jurídico como serviços indispensáveis à
manutenção da vida e dos direitos, conceito que vivifica a
impossibilidade de sua interrupção.
Além do mais, por serem indispensáveis à normalidade das
relações sociais ocupam natureza pública, onde não se
evidencia proprietários destes serviços, mas apenas
gestores que devem atuar para a preservação de sua
utilização pela sociedade fazendo as vezes do Estado.
Educação Saúde Alimentação
Trabalho Moradia Transporte
Lazer Segurança Previdência social
Proteção à 
maternidade e 
à infância
Assistência 
aos 
desamparados
Fonte: Constituição Federal, 1988
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são serviços públicos essenciais?
Constituição Federal 1988
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a
alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade
e à infância, a assistência aos desamparados, na forma
desta Constituição.
Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de
vulnerabilidade social terádireito a uma renda básica
familiar, garantida pelo poder público em programa
permanente de transferência de renda, cujas normas e
requisitos de acesso serão determinados em lei, observada
a legislação fiscal e orçamentária
TOME NOTA!
Para Justen Filho (2006, p. 128) 
os serviços públicos essenciais 
compreendem nas atividades 
fundamentais à subsistência 
humana, cuja prestação e 
continuidade é exercida pela 
Administração Pública. Ademais, 
assevera que alguns serviços 
possuem utilidade obrigatória em 
razão, por exemplo, da saúde 
pública, a qual Estado possui a 
obrigação de promover de forma 
indiscriminada, para a 
integralidade da sociedade, 
serviços como: “[...] ligação ao 
sistema de água encanada, rede 
pública de esgoto [...]”.
Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e 
falhas de mercado
O que são serviços públicos essenciais?
Os serviços públicos essenciais são aqueles ligados às garantias de condições de saúde e de segurança dos
cidadãos, aqueles que são indispensáveis para a vida digna das pessoas. Dessa forma, a lei determina que
a prestação destes serviços não poderá ser interrompida.
Assim, os serviços públicos fornecidos diretamente por particulares possuem natureza jurídica híbrida, ao
passo que são concedidos pelo poder público e fornecidos por uma pessoa jurídica de direito privado
(concessionária).
O serviço público é demasiadamente distinto dos serviços comuns prestados por empresas privadas ou
pelos prestadores autônomos, vez que estão voltados à coletividade. Portanto, prevalece, nessa órbita, a
supremacia do interesse público sobre o interesse privado.
O Estado, por conveniência técnica, jurídica e econômica, define e estabelece quais os serviços deverão ser
exercidos efetivamente pela Administração Pública ou exercidos por um delegatário público.
Módulo 9
Exemplos de serviços públicos essenciais
Os serviços de saneamento básico são fundamentais para a
promoção da saúde, e sua deficiência resulta no aumento de
doenças, portanto, em novas pressões sobre o sistema de saúde.
01. Saneamento Básico
Os serviços de saúde são essenciais e não podem deixar de ser
ofertado a toda a sociedade minimamente com equidade, de forma
que todos cidadãos tenham acesso a este serviço público.
02. Saúde 
Da mesma forma, o serviço de segurança é direito essencial, que
deve ser assegurada sem discriminação a todo cidadão
03. Segurança 
Obrigado!
Dr. Daniel Antonio Narzetti
danielnarzetti@gmail.com
+55 48 99972.1824
A Regulação no Brasil e no Mundo
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A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são serviços públicos essenciais?
O que são as falhas de mercado?
Qual o papel do regulador para um
mercado eficiente?
Como o regulador pode atuar para a
manutenção dos serviços essenciais e
reduzir as falhas de mercado?
“Os serviços de infraestruturas, que ofertam um serviço 
coletivo aos cidadãos, de natureza essencial, e que, por 
possuírem uma estrutura em rede e requererem o uso do 
direito de propriedade para fins de utilidade pública não 
podem funcionar em autorregulação ou sem regulação, pois 
usualmente são caracterizados por falhas e devem, em prol 
do interesse público, estar sujeitos a uma mão visível 
externa que permita a sua mitigação (Marques, 2011).” 
Daniel Antonio Narzetti
Diretor Geral da AGIR/SC
Dr. Engenharia do Território/Economista
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são as falhas de mercado?
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são as falhas de mercado?
Definições:
A economia de mercado é o melhor mecanismo para alocar
recursos e organizar a atividade econômica da forma mais
eficiente possível. Porém, nem todo esse funcionamento é
perfeito. Algumas vezes, a livre interação entre agentes
econômicos produz distorções que causam mais efeitos
negativos do que positivos. Segundo a microeconomia,
esse evento é chamado de falha de mercado.
As falhas de mercado podem ocorrer em muitas situações
diferentes. Na maioria das vezes, essa condição beneficia
alguns e prejudica os demais. No entanto, o fato de o
mercado não ser perfeito não invalida sua utilidade. Na
verdade, essa pergunta apenas reforça a ideia de que às
vezes deve haver alguma força para direcionar sua
operação na direção certa.
Fonte: Marques, 2011.
Monopólio 
natural
Economia 
de escala
Economia 
de escopo
Economia 
de 
densidade
Custos 
irrecuperá
veisInformaçõ
es 
assimétric
as
Externalid
ades
Bem quase 
público
Ambiente 
operacion
al
Serviço de 
Interesse 
Econômico 
Geral
Falhas 
de 
Mercado
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são as falhas de mercado?
Os Serviços de saneamento básico, quando
disponibilizados por uma estrutura de rede fixa aos
utilizadores, representam exemplos típicos de indústrias
monopolistas.
Estes serviços podem mesmo ser considerados monopólios
naturais, porquanto os custos de produção são menores no
caso de um só produtor para um determinado espectro de
procura.
Assim, a regulação dos monopólios torna-se necessária
para a proteção dos interesses dos utilizadores,
principalmente para o controle dos preços e da qualidade
do serviço.
TOME NOTA!
Os serviços em regime de 
monopólio demonstram ainda 
economias de escala, ou 
seja, rendimentos à escala 
crescentes. Isto é, os custos 
unitários de produção são 
decrescentes para 
quantidades crescentes de 
procura, ainda que apenas 
até uma determinada 
dimensão, onde a partir de 
determinado ponto começam 
as deseconomias de escala. 
Módulo 9
Alguns exemplos de falhas de mercado no 
setor de saneamento básico
Por se tratar de uma indústria de rede, usualmente sem
concorrência, o consumidor pode ser duplamente penalizado, com
menor qualidade e maior preço.
01. Monopólio Natural
Devido a presença de custos fixos elevados e a necessidade de
infraestrutura para cobertura total, os serviços de saneamento
básico podem estar sujeitos a custos de longo prazo para
assegurar o pleno atendimento.
02. Economia de densidade
São aqueles que satisfazem as necessidades básicas da
generalidade dos cidadãos, quer sejam econômicas, sociais ou
culturais, e cuja existência seja essencial à vida, à saúde ou à
participação social dos cidadãos (Gouveia, 2001).
03. serviços de interesse geral 
Fonte: OECD (2011), Water Governance in OECD: A
Multi-Level Approach, OECD Publishing, Paris
Módulo 9
O que são as falhas de mercado?
1
TÓPICO
Desde 2010, a OCDE tem apresentado evidência empírica sobre as principais falhas de
governança que dificultam a formulação e a implementação de políticas da água, e sugeriu
um conjunto de respostas e boas práticas para superá-las
2
TÓPICO
O “Quadro de Governança Multinível da OCDE: Diagnosticar e Superar as Falhas” foi
desenvolvido como um quadro analítico e uma ferramenta de apoio à formulação de políticas,
designadamente no diagnóstico e na superação dos desafios de governança que afetam, em
maior ou menor grau, todos os países independentemente da sua configuração institucional,
da sua disponibilidade de recursos hídricos ou do seu grau de descentralização.
3
TÓPICO
Lidar com os desafios atuais e futuros requer políticas públicas mais robustas, visando
objetivos mensuráveis de acordo com calendários pré-determinados e à escala adequada,
baseadas numa clara atribuição de competências a todas as autoridades responsáveis e
sujeitas a monitorização e avaliação periódicas.
Obrigado!
Dr. Daniel Antonio Narzetti
danielnarzetti@gmail.com
+55 48 99972.1824
A Regulação no Brasil e no Mundo
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Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são serviços públicos essenciais?
O que são as falhas de mercado?
Qualo papel do regulador para um
mercado eficiente?
Como o regulador pode atuar para a
manutenção dos serviços essenciais e
reduzir as falhas de mercado?
“Os serviços de infraestruturas, que ofertam um serviço 
coletivo aos cidadãos, de natureza essencial, e que, por 
possuírem uma estrutura em rede e requererem o uso do 
direito de propriedade para fins de utilidade pública não 
podem funcionar em autorregulação ou sem regulação, pois 
usualmente são caracterizados por falhas e devem, em prol 
do interesse público, estar sujeitos a uma mão visível 
externa que permita a sua mitigação (Marques, 2011).” 
Daniel Antonio Narzetti
Diretor Geral da AGIR/SC
Dr. Engenharia do Território/Economista
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
Qual o papel do regulador para um mercado eficiente?
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
Qual o papel do regulador para um
mercado eficiente?
As falhas de mercado apontadas anteriormente justificam a
intervenção do Estado, via regulação destes serviços, para
defesa do interesse público.
Como a mão invisível do mercado nos serviços de rede de
infraestruturas não é eficaz, o Estado tem de intervir,
definindo regras, controlando e supervisionando as
instituições e seu funcionamento.
Como outras infraestruturas de rede monopolistas, os
serviços de saneamento básico são suscetíveis à “vida
calma” (sem concorrência) e à ineficiência e,
consequentemente, requerem incentivos para se tornarem
mais eficientes e inovadores.
Proteção dos 
interesses dos 
utilizadores 
quanto às 
obrigações de 
serviço público
Promoção da 
eficiência e da 
inovação
Assegurar a 
estabilidade, 
sustentabilidad
e e robustez 
dos serviços
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
Qual o papel do regulador para um
mercado eficiente?
Proteção dos interesses dos utilizadores quanto às
obrigações de serviço público: a universalidade, a
continuidade, a qualidade do serviço, a equidade, a
acessibilidade, a proteção à saúde, a segurança dos bens e
serviços, a transparência,
Promoção da eficiência e da inovação: A eficiência pode ser
decomposta em eficiência alocativa, que corresponde à
circunstância de funcionamento do mercado em
concorrência perfeita e, por conseguinte, da tarifação a
preços marginais, a qual é descabida para o mercado dos
SAS, e eficiência produtiva ou econômica, que está
associada à produção ao menor custo.
TOME NOTA!
Embora a regulação seja 
instituída pelo interesse 
público, a mesma não deixa 
de, inevitavelmente, gerar 
vencedores e derrotados e, 
desta forma, poder ser 
procurada por alguns grupos 
de interesses, incluído o dos 
próprios regulados.
Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e 
falhas de mercado
Qual o papel do regulador para um mercado eficiente?
De acordo com a Lei 11.445/2007 e suas alterações, compete ao regulador:
I - estabelecer padrões e normas para a adequada prestação e a expansão da qualidade dos serviços e para
a satisfação dos usuários, com observação das normas de referência editadas pela ANA;
II - garantir o cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos de prestação de serviços e
nos planos municipais ou de prestação regionalizada de saneamento básico;
III - prevenir e reprimir o abuso do poder econômico, ressalvada a competência dos órgãos integrantes do
Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência; e
IV - definir tarifas que assegurem tanto o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos quanto a modicidade
tarifária, por mecanismos que gerem eficiência e eficácia dos serviços e que permitam o compartilhamento
dos ganhos de produtividade com os usuários.
Módulo 9
Alguns exemplos do papel do regulador para 
um mercado eficiente.
Considerando que não há concorrência, ou seja, o consumidor não
tem opção de escolher seu fornecedor, é papel da regulação
assegurar a qualidade da prestação do serviço.
01. Assegurar o padrão de qualidade 
Da mesma forma, não havendo concorrência, o consumidor não
tem escolha sobre o provedor do serviço, estando refém dos preços
praticados. Assim cabe ao regulador coibir o abuso de poder
econômico dos regimes em monopólio.
02. Reprimir o abuso de poder econômico
Na mesma linha de coibir o abuso de poder econômico do
prestador monopolista, cabe à regulação assegurar tarifas justas à
recuperação dos custos e remuneração adequada pelos serviços
prestados, coibindo possíveis intervenções políticas na estruturação
tarifária.
03. Estabelecer tarifas sustentáveis 
Obrigado!
Dr. Daniel Antonio Narzetti
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A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
O que são serviços públicos essenciais?
O que são as falhas de mercado?
Qual o papel do regulador para um
mercado eficiente?
Como o regulador pode atuar para a
manutenção dos serviços essenciais e
reduzir as falhas de mercado?
“Os serviços de infraestruturas, que ofertam um serviço 
coletivo aos cidadãos, de natureza essencial, e que, por 
possuírem uma estrutura em rede e requererem o uso do 
direito de propriedade para fins de utilidade pública não 
podem funcionar em autorregulação ou sem regulação, pois 
usualmente são caracterizados por falhas e devem, em prol 
do interesse público, estar sujeitos a uma mão visível 
externa que permita a sua mitigação (Marques, 2011).” 
Daniel Antonio Narzetti
Diretor Geral da AGIR/SC
Dr. Engenharia do Território/Economista
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
Como o regulador pode atuar para a manutenção dos
serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado?
Módulo 9 - Serviços públicos 
essenciais e falhas de mercado
Como o regulador pode atuar para a
manutenção dos serviços essenciais
e reduzir as falhas de mercado?
Eficácia: definição de objetivos e metas claros e
sustentáveis para as políticas da água a todos os níveis de
governo, para a prossecução desses objetivos e para o
cumprimento das metas desejadas.
Eficiência: maximização dos benefícios de uma gestão
sustentável da água e bem-estar associado ao menor custo
para a sociedade.
Confiança e Compromisso: reforço da confiança da
sociedade e para garantir a inclusão das partes interessadas
através de mecanismos de legitimação democrática e de
equidade para a sociedade como um todo.
Módulo 9 - Serviços públicos essenciais e 
falhas de mercado
Como o regulador pode atuar para a manutenção dos serviços
essenciais e reduzir as falhas de mercado?
Gerenciamento de contratos de concessão e PPP.
Com foco:
•Nas atividades internas que se concentram nos processos
internos de gerenciamento de contratos e são mais
instrumentais;
•Nas atividades externas são direcionadas para o exterior,
intervindo diretamente com o desempenho do projeto;
•As atividades internas incluem governança por contrato,
análise e coleta de informações, administração de
contratos e avaliações periódicas;
•As atividades externas incluem gerenciamento e solução
de conflitos e problemas, gerenciamento de informações,
gerenciamento de conhecimento, monitoramento de
desempenho, planejamento de contingência e
gerenciamento de mudanças.
Módulo 9
Alguns exemplos como o regulador pode atuar 
para a manutenção dos serviços essenciais e 
reduzir as falhas de mercado.
Com base nas determinações legais, o regulador deve ter acesso
às informações com total transparência e assegurar a defesa do
interesse dos consumidores.
01. Transparência e acesso às informações
Através de teorias econômicas determinar os níveis tarifários, seja
por recomposição de custo justo, ou preço teto, ou ainda por
métodos matemáticos de fronteira ou multicritérios.
02. Reprimir o abuso de poder econômico
Apesar da função atribuída para reprimir o abuso do poder
econômico, cabe ao regulador estabelecerestrutura tarifária
sustentável, ou seja, definir preços módicos que assegure a
prestação do serviço adequado.
03. Estabelecer tarifas sustentáveis 
Módulo 9
Como o regulador pode atuar para a manutenção dos
serviços essenciais e reduzir as falhas de mercado?
1
TÓPICO
Regulação lato-sensu:
Qualquer intervenção estatal em decisões privadas.
2
TÓPICO
Regulação econômica:
Intervenção estatal nas decisões econômicas de agentes privados visando sanar
falhas de mercado e, assim, aumentar a eficiência.
3
TÓPICO
Regulação Econômica stricto-sensu:
Controle das decisões de quantidade produzida, preços praticados, qualidade do
produto e condições de entrada, para elevar sua eficiência alocativa.
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Dr. Daniel Antonio Narzetti
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A Regulação no Brasil e no Mundo
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A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
“Concessão pública é o contrato firmado entre a 
administração pública e uma empresa privada, para que 
esta passe a executar e explorar economicamente um 
serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas 
pagas pelos usuários (CNI).” 
Daniel Antonio Narzetti
Diretor Geral da AGIR/SC
Dr. Engenharia do Território / Economista
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma
regulação eficiente
O Papel do Prestador de Serviços para
uma regulação eficiente
O Papel do Usuário para uma regulação
eficiente
O Papel de fiscalização da sociedade
para uma regulação eficiente
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma
regulação eficiente
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma 
regulação eficiente
Lei 8.987/1995
Poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou
o Município, em cuja competência se encontre o serviço
público, precedido ou não da execução de obra pública,
objeto de concessão ou permissão;
DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE
Art. 29 - Incumbe ao poder concedente:
I - regulamentar o serviço concedido e fiscalizar
permanentemente a sua prestação;
II - aplicar as penalidades regulamentares e contratuais;
III - intervir na prestação do serviço, nos casos e condições
previstos em lei;
IV - extinguir a concessão, nos casos previstos nesta Lei e
na forma prevista no contrato;
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma 
regulação eficiente
Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE
Art. 29 - Incumbe ao poder concedente:
...
V - homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma
desta Lei, das normas pertinentes e do contrato;
VI - cumprir e fazer cumprir as disposições regulamentares do
serviço e as cláusulas contratuais da concessão;
VII - zelar pela boa qualidade do serviço, receber, apurar e
solucionar queixas e reclamações dos usuários, que serão
cientificados, em até trinta dias, das providências tomadas;
VIII - declarar de utilidade pública os bens necessários à execução
do serviço ou obra pública, promovendo as desapropriações,
diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária,
caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações
cabíveis;
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma 
regulação eficiente
Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE
Art. 29 - Incumbe ao poder concedente:
...
IX - declarar de necessidade ou utilidade pública, para fins de instituição
de servidão administrativa, os bens necessários à execução de serviço
ou obra pública, promovendo-a diretamente ou mediante outorga de
poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade
pelas indenizações cabíveis;
X - estimular o aumento da qualidade, produtividade, preservação do
meio-ambiente e conservação;
XI - incentivar a competitividade; e
XII - estimular a formação de associações de usuários para defesa de
interesses relativos ao serviço.
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma 
regulação eficiente
Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DO PODER CONCEDENTE
Art. 30. No exercício da fiscalização, o poder concedente terá
acesso aos dados relativos à administração, contabilidade,
recursos técnicos, econômicos e financeiros da concessionária.
Parágrafo único. A fiscalização do serviço será feita por
intermédio de órgão técnico do poder concedente ou por
entidade com ele conveniada, e, periodicamente, conforme
previsto em norma regulamentar, por comissão composta de
representantes do poder concedente, da concessionária e dos
usuários.
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma 
regulação eficiente
Lei 11.445/2007 - DO EXERCÍCIO DA TITULARIDADE
Art. 8º Exercem a titularidade dos serviços públicos de
saneamento básico:
I - os Municípios e o Distrito Federal, no caso de interesse
local;
II - o Estado, em conjunto com os Municípios que
compartilham efetivamente instalações operacionais
integrantes de regiões metropolitanas, aglomerações
urbanas e microrregiões, instituídas por lei complementar
estadual, no caso de interesse comum.
§ 1º O exercício da titularidade dos serviços de saneamento
poderá ser realizado também por gestão associada,
mediante consórcio público ou convênio de cooperação,
nos termos do art. 241 da Constituição Federal, observadas
as seguintes disposições:
TOME NOTA!
O titular dos serviços públicos de 
saneamento básico deverá 
definir a entidade responsável 
pela regulação e fiscalização 
desses serviços, 
independentemente da 
modalidade de sua prestação.
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador 
de serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma regulação eficiente
Art. 10. A prestação dos serviços públicos de saneamento básico por entidade que não integre a administração
do titular depende da celebração de contrato de concessão, mediante prévia licitação, nos termos do art. 175
da Constituição Federal, vedada a sua disciplina mediante contrato de programa, convênio, termo de parceria
ou outros instrumentos de natureza precária.
Art. 10-A. Os contratos relativos à prestação dos serviços públicos de saneamento básico deverão conter,
expressamente, sob pena de nulidade, as cláusulas essenciais previstas no art. 23 da Lei nº 8.987, de 13 de
fevereiro de 1995, além das seguintes disposições:
I - metas de expansão dos serviços, de redução de perdas na distribuição de água tratada, de qualidade na
prestação dos serviços, de eficiência e de uso racional da água, da energia e de outros recursos naturais, do
reúso de efluentes sanitários e do aproveitamento de águas de chuva, em conformidade com os serviços a
serem prestados;
II - possíveis fontes de receitas alternativas, complementares ou acessórias, bem como as provenientes de
projetos associados, incluindo, entre outras, a alienação e o uso de efluentes sanitários para a produção de
água de reúso, com possibilidade de as receitas serem compartilhadas entre o contratante e o contratado,
caso aplicável;
III - metodologia de cálculo de eventual indenização relativa aos bens reversíveis não amortizados por ocasião
da extinção do contrato; e IV - repartição de riscos entre as partes, incluindo os referentes a caso fortuito,
força maior, fato do príncipe e álea econômica extraordinária.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8987cons.htm
Módulo 10
O Papel do Poder Concedente para uma 
regulação eficiente
São exemplos de concessão do Poder Público:
Concessão pública é o contrato firmadoentre a administração
pública e uma empresa privada, para que esta passe a executar e
explorar economicamente um serviço público onde são remuneradas
por meio de tarifas pagas pelos usuários. São exemplos de
concessões os aeroportos, rodovias e o setor de petróleo e gás.
01. Estruturador
A fiscalização do serviço será feita por intermédio de órgão técnico
do poder concedente ou por entidade com ele conveniada, e,
fiscalizado periodicamente, conforme previsto em norma
regulamentar, por comissão composta de representantes do poder
concedente, da concessionária e dos usuários.
02. Fiscalizador 
Obrigado!
Dr. Daniel Antonio Narzetti
danielnarzetti@gmail.com
+55 48 99972.1824
A Regulação no Brasil e no Mundo
mailto:danielnarzetti@gmail.com
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
“Concessão pública é o contrato firmado entre a 
administração pública e uma empresa privada, para que 
esta passe a executar e explorar economicamente um 
serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas 
pagas pelos usuários (CNI).” 
Daniel Antonio Narzetti
Diretor Geral da AGIR/SC
Dr. Engenharia do Território / Economista
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma
regulação eficiente
O Papel do Prestador de Serviços para
uma regulação eficiente
O Papel do Usuário para uma regulação
eficiente
O Papel de fiscalização da sociedade
para uma regulação eficiente
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
O Papel do Prestador de Serviços para uma
regulação eficiente
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Prestador de Serviços para uma 
regulação eficiente 
Lei 8.987/1995
Á Concessão de serviço público precedida da execução de
obra pública: a construção, total ou parcial, conservação,
reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras
de interesse público, delegados pelo poder concedente,
mediante licitação, na modalidade concorrência ou diálogo
competitivo, a pessoa jurídica ou consórcio de empresas
que demonstre capacidade para a sua realização, por sua
conta e risco, de forma que o investimento da
concessionária seja remunerado e amortizado mediante a
exploração do serviço ou da obra por prazo determinado;
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Prestador de Serviços para uma 
regulação eficiente 
Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DA CONCESSIONÁRIA
Art. 31. Incumbe à concessionária:
I - prestar serviço adequado, na forma prevista nesta Lei, nas
normas técnicas aplicáveis e no contrato;
II - manter em dia o inventário e o registro dos bens vinculados à
concessão;
III - prestar contas da gestão do serviço ao poder concedente e
aos usuários, nos termos definidos no contrato;
IV - cumprir e fazer cumprir as normas do serviço e as cláusulas
contratuais da concessão;
V - permitir aos encarregados da fiscalização livre acesso, em
qualquer época, às obras, aos equipamentos e às instalações
integrantes do serviço, bem como a seus registros contábeis;
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Prestador de Serviços para uma 
regulação eficiente 
Lei 8.987/1995 - DOS ENCARGOS DA CONCESSIONÁRIA
Art. 31. Incumbe à concessionária:
...
VI - promover as desapropriações e constituir servidões
autorizadas pelo poder concedente, conforme previsto no edital e
no contrato;
VII - zelar pela integridade dos bens vinculados à prestação do
serviço, bem como segurá-los adequadamente; e
VIII - captar, aplicar e gerir os recursos financeiros necessários à
prestação do serviço.
Parágrafo único. As contratações, inclusive de mão-de-obra, feitas
pela concessionária serão regidas pelas disposições de direito
privado e pela legislação trabalhista, não se estabelecendo
qualquer relação entre os terceiros contratados pela
concessionária e o poder concedente.
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação 
eficiente 
Lei 11.445/2007 - DOS ASPECTOS TÉCNICOS
18-A. O prestador dos serviços públicos de saneamento básico deve
disponibilizar infraestrutura de rede até os respectivos pontos de
conexão necessários à implantação dos serviços nas edificações e
nas unidades imobiliárias decorrentes de incorporação imobiliária e
de parcelamento de solo urbano.
...
Art. 25. Os prestadores de serviços públicos de saneamento básico
deverão fornecer à entidade reguladora todos os dados e
informações necessários para o desempenho de suas atividades, na
forma das normas legais, regulamentares e contratuais.
§ 1o Incluem-se entre os dados e informações a que se refere o
caput deste artigo aquelas produzidas por empresas ou profissionais
contratados para executar serviços ou fornecer materiais e
equipamentos específicos.
§ 2o Compreendem-se nas atividades de regulação dos serviços de
saneamento básico a interpretação e a fixação de critérios para a fiel
execução dos contratos, dos serviços e para a correta administração
de subsídios.
TOME NOTA!
Art. 43. A prestação dos 
serviços atenderá a requisitos 
mínimos de qualidade, incluindo 
a regularidade, a continuidade e 
aqueles relativos aos produtos 
oferecidos, ao atendimento dos 
usuários e às condições 
operacionais e de manutenção 
dos sistemas, de acordo com as 
normas regulamentares e 
contratuais.
§ 1º A União definirá parâmetros 
mínimos de potabilidade da 
água.
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador 
de serviços e usuários
O Papel do Prestador de Serviços para uma regulação eficiente 
Transparência
Responsabilidade
CompromissoComprometimento
Equidade
Módulo 10
O Papel do Prestador de Serviços para uma 
regulação eficiente 
Obrigado!
Dr. Daniel Antonio Narzetti
danielnarzetti@gmail.com
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A Regulação no Brasil e no Mundo
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A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
“Concessão pública é o contrato firmado entre a 
administração pública e uma empresa privada, para que 
esta passe a executar e explorar economicamente um 
serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas 
pagas pelos usuários (CNI).” 
Daniel Antonio Narzetti
Diretor Geral da AGIR/SC
Dr. Engenharia do Território / Economista
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma
regulação eficiente
O Papel do Prestador de Serviços para
uma regulação eficiente
O Papel do Usuário para uma regulação
eficiente
O Papel de fiscalização da sociedade
para uma regulação eficiente
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
O Papel do Usuário para uma regulação eficiente
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Usuário para uma regulação 
eficiente
Lei 8.987/1995 - DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DOS USUÁRIOS
Art. 7º. Sem prejuízo do disposto na Lei no 8.078, de 11 de setembro
de 1990, são direitos e obrigações dos usuários:
I - receber serviço adequado;
II - receber do poder concedente e da concessionária informações
para a defesa de interesses individuais ou coletivos;
III - obter e utilizar o serviço, com liberdade de escolha entre vários
prestadores de serviços, quando for o caso, observadas as normas
do poder concedente. (Redação dada pela Lei nº 9.648, de
1998)
IV - levar ao conhecimento do poder público e da concessionária as
irregularidades de que tenham conhecimento, referentes ao serviço
prestado;
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papeldo Usuário para uma regulação 
eficiente
Lei 8.987/1995 - DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DOS USUÁRIOS
Art. 7º. Sem prejuízo do disposto na Lei no 8.078, de 11 de setembro
de 1990, são direitos e obrigações dos usuários:
V - comunicar às autoridades competentes os atos ilícitos praticados
pela concessionária na prestação do serviço;
VI - contribuir para a permanência das boas condições dos bens
públicos através dos quais lhes são prestados os serviços.
Art. 7º-A. As concessionárias de serviços públicos, de direito público e
privado, nos Estados e no Distrito Federal, são obrigadas a oferecer
ao consumidor e ao usuário, dentro do mês de vencimento, o mínimo
de seis datas opcionais para escolherem os dias de vencimento de
seus débitos.
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel do Usuário para uma regulação eficiente
A participação proporciona aos humanos o prazer de
realizar ações em conjunto com seus congêneres, de
exprimir-se, de desenvolver o pensamento reflexivo, de
criar e de recriar, de ser valorizado pelos outros.
Além disso, aumenta a eficácia e a eficiência do ato de
realizar e buscar soluções para problemas específicos,
porque realizar ações com os outros é mais produtivo
do que fazê-las sozinho.
Por isso, para Juan Bordenave, a participação se
edifica sobre duas bases complementares, que devem
se manter equilibradas: uma base afetiva e outra
instrumental. A primeira tem a ver com o prazer de
participar; a segunda está ligada à eficácia e à
eficiência da participação.
.
TOME NOTA!
No contexto brasileiro dos 
anos de
1990, por exemplo, 
considera-se que a 
participação pode ser 
apresentada como
importante instrumento de 
aprofundamento da 
democracia e para a 
reivindicação
de democracia participativa..
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador 
de serviços e usuários
O Papel do Usuário para uma regulação eficiente
Relativamente ao Grupo 1, na lei n. 11.445/2007, o art.
2º, inciso X, estabelece que o controle social é um dos
princípios fundamentais segundo os quais os serviços de
saneamento básico devem ser prestados.
No que tange ao Grupo 2 de referências, na lei n.
11.445/2007, o art. 47 refere-se, em sua totalidade, à
possibilidade do exercício do controle social em
saneamento por meio de órgãos colegiados de caráter
consultivo, criados para esse fim ou já existentes, nos
quais deverão estar representados diversos segmentos
do Estado e da sociedade civil.
Audiência Pública
Consulta Pública
Módulo 10
O Papel do Usuário para uma regulação 
eficiente
Principais deveres dos usuários de saneamento básico
• Nas instalações internas, manter as tubulações, equipamentos e caixa d’água dentro dos padrões técnicos e de 
segurança;
• Guardar em integridade os equipamentos de medição, os componentes do padrão de ligação e os lacres;
• Comunicar imediatamente à prestador/regulador qualquer avaria no medidor, ou rompimento involuntário dos 
lacres;
• Permitir o livre acesso de empregados e representantes da prestador/regulador, desde que devidamente 
identificados, para leitura dos medidores e realização de inspeções; 
• Informar corretamente e manter sempre atualizados os seus dados cadastrais junto à prestador/regulador;
• Informar ao prestador/regulador quando deixar de ser usuário dos serviços, solicitando o encerramento da 
relação contratual;
• Pagar em dia a fatura dos serviços de abastecimento de água ou esgoto;
• Não desviar as instalações de tubulações de água ou esgoto para atender outro imóvel;
• Não despejar águas de chuva na rede coletora de esgoto, e não lançar resíduos na rede coletora que exijam 
tratamento prévio e adequado, conforme os padrões estabelecidos em contrato específico com a reguladora.
https://www.arce.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/53/2014/02/direitos-e-deveres-dos-usurios-de-saneamento-bsico_2013.pdf
Obrigado!
Dr. Daniel Antonio Narzetti
danielnarzetti@gmail.com
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A Regulação no Brasil e no Mundo
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A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
“Concessão pública é o contrato firmado entre a 
administração pública e uma empresa privada, para que 
esta passe a executar e explorar economicamente um 
serviço público onde são remuneradas por meio de tarifas 
pagas pelos usuários (CNI).” 
Daniel Antonio Narzetti
Diretor Geral da AGIR/SC
Dr. Engenharia do Território / Economista
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: 
poder concedente, prestador de 
serviços e usuários
O Papel do Poder Concedente para uma
regulação eficiente
O Papel do Prestador de Serviços para
uma regulação eficiente
O Papel do Usuário para uma regulação
eficiente
O Papel de fiscalização da sociedade
para uma regulação eficiente
A Regulação no Brasil e no Mundo
Módulo 10 - Equilíbrio das
relações: poder concedente,
prestador de serviços e
usuários
O Papel de fiscalização da sociedade para uma
regulação eficiente
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel de fiscalização da sociedade para 
uma regulação eficiente
Ao longo do tempo, os modelos teóricos de administração
pública passaram por um processo de evolução, em que o
formato seguinte procurou corrigir as falhas do anterior. De
modo resumido, a sequência de evolução segue a seguinte
ordem:
(i) administração pública patrimonialista,
(ii) administração pública burocrática e
(iii) administração pública gerencial ou nova gestão pública.
Ao fim desse processo, o cidadão se deparou com uma
nova perspectiva, a qual abriu caminho para construção do
chamado “controle social”.
https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel de fiscalização da sociedade para 
uma regulação eficiente
Enquanto nos dois primeiros modelos não havia consideração
pelo cidadão quanto sua participação nas decisões públicas, o
modelo gerencial representa uma mudança.
Na administração patrimonialista, o cidadão era visto
inicialmente como mero financiador dos serviços públicos.
Em seguida, passa a ser considerado como “cliente-usuário”
desses serviços.
Hoje, tem-se uma dimensão da população como titular da coisa
pública. Nessa posição, o cidadão se torna um dos principais
agentes responsáveis pela fiscalização das ações do Estado.
Esse novo papel levanta uma questão: como posso atuar, no dia
a dia, para controlar/fiscalizar os atos praticados por nossos
representantes?
https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder 
concedente, prestador de serviços e usuários
O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação 
eficiente
O controle social é a participação do cidadão na gestão
pública. O termo inclui fiscalização, monitoramento e
controle das ações da Administração Pública que a
população realiza.
É um importante mecanismo de fortalecimento da
cidadania que contribui para aproximar a sociedade do
Estado. Assim, surge a oportunidade de os cidadãos
acompanharem as ações dos governos e cobrarem
uma boa gestão pública. Além disso, o controle social
representa uma ferramenta indispensável quanto a
prevenção da corrupção e mau uso do dinheiro
público.
TOME NOTA!
O controle social é um 
complemento indispensável 
ao controle institucional 
realizado pelos órgãos que 
fiscalizam os recursos 
públicos. Essa participação é 
importante pois contribui para 
a boa e correta aplicação dos 
recursos públicos, fazendo 
com que as necessidades da 
sociedade sejam atendidas de 
forma eficiente. 
https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/
Módulo 10 - Equilíbrio das relações: poder concedente, prestador 
de serviços e usuários
O Papel de fiscalização da sociedade para uma regulação eficiente
Controle social direto
A forma direta representa a atuação do cidadão ou grupo social sema
participação ou intermédio de órgão ou entidade pública, que atuaria como um
“canal” entre a população e os governantes. Aqui, o controle é feito diretamente
pelo povo. Você, por exemplo, pode verificar se a sua cidade realiza as obras das
escolas conforme o prometido no plano de governo.
Controle social indireto
A forma indireta representa a participação do povo por meio de mecanismos ou
instituições colocados à sua disposição. Aqui, o controle é feito por intermédio de
organizações. Um exemplo de controle social indireto são os Conselhos Municipais
de Políticas Públicas, criados para acompanhar a execução dos recursos federais
repassados ao município.
https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/
Módulo 10
O Papel de fiscalização da sociedade para 
uma regulação eficiente
FERRAMENTAS DE CONTROLE SOCIAL
Entendidas as formas de controle social, vamos dar o próximo passo: conhecer as ferramentas do 
controle social. Diferentes mecanismos podem nos auxiliar nessa tarefa, seja no planejamento ou 
na execução das ações de governo. Que tal conhecer alguns deles?
Audiência Pública
Refere-se a um espaço institucional para todos aqueles que tenham interesse ou sejam afetados 
pelas ações do governo possam participar do processo de tomada de decisão da autoridade. 
A audiência pública pode ser opcional, obrigatória ou solicitada pelo própria população. Nesse 
ambiente, cidadãs e cidadãos têm a oportunidade de expressar sua opinião sobre as questões 
discutidas.
https://www.arce.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/53/2014/02/direitos-e-deveres-dos-usurios-de-saneamento-bsico_2013.pdf
https://www.politize.com.br/planejamento-urbano-brasil/
https://www.politize.com.br/audiencias-publicas-saiba-como-participar/
Módulo 10
O Papel de fiscalização da sociedade para 
uma regulação eficiente
Apesar de a Constituição Federal não falar especificamente sobre audiências públicas, existem 
algumas leis que preveem o uso dessa importante ferramenta de controle social. Algumas delas são:
•Lei n.º 9.784/99 (Processo Administrativo);
•Lei n.º 6.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente);
•Lei n.º 8.666/93 (Licitações e Contratos Administrativos).
A lei de licitações, por exemplo, prevê a realização de audiência pública quando o valor estimado 
para uma licitação ou para um conjunto de licitações simultâneas ou sucessivas for superior a R$ 330 
milhões.
https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/
https://www.politize.com.br/constituicoes-do-brasil-resumo/
http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/Leis/L9784.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938.htm
http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/Leis/L8666compilado.htm
https://www.politize.com.br/licitacoes-publicas-como-funcionam/
Módulo 10
O Papel de fiscalização da sociedade para 
uma regulação eficiente
Orçamento Participativo 
Trata-se de uma técnica em que a alocação de alguns recursos contidos no Orçamento Público é 
decidida com a participação direta da população, ou por meio de grupos organizados da sociedade 
civil, como a associação de moradores. O orçamento é aberto aos cidadãos no processo de tomada 
de decisão pública. Isso permite que o povo analise e opine sobre a aplicação dos recursos 
públicos. Nesse processo, o cidadão deixa de ser um simples coadjuvante e passa a 
ser protagonista ativo da gestão pública. Aqui, a autorregulação é uma marca fundamental da 
mencionada técnica orçamentária, pois as regras podem ser definidas e modificadas pelos 
participantes (você).
https://www.politize.com.br/controle-social-o-que-voce-tem-a-ver/
https://www.politize.com.br/principios-orcamentarios/
Obrigado!
Dr. Daniel Antonio Narzetti
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A Regulação no Brasil e no Mundo
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Regulação Municipal
Principais características
Regulação Municipal
Principais características
A regulação em suas múltiplas dimensões 
• União Federal
• Estados
• Distrito Federal
• Municípios 
Cada ente da federação recebeu 
competências constitucionais 
(exclusivas ou concorrentes)
Estrutura federativa do Brasil
Regulação Municipal
Principais características
A regulação em suas múltiplas dimensões 
Saneamento básico na estrutura federativa
Saneamento básico = Serviço de interesse local
Titularidade e responsabilidade do Município (art. 30, IV, da CF)
A legislação que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico foi editada no ano de 
2007 (cf. art. 21, XX, da CF).
Lei Federal nº 11.445/2007
Regulação Municipal
Principais características
A regulação em suas múltiplas dimensões 
Saneamento básico na estrutura federativa
É competência do Município, nos termos da Lei 11.445/2007:
• Planejamento (art. 9º, I)
• Prestação de serviços, pelo próprio Poder Público ou por concessão à iniciativa privada (art. 9º, II)
• Regulação (art. 9º, II)
Regulação Municipal
Principais características
A regulação em suas múltiplas dimensões 
Modelagem regulatória
Arranjos regulatórios à disposição do 
Município:
• Criar agência local (municipal)
• Delegar à agência estadual
• Integrar agência intermunicipal
(consórcio público)
Art. 31, do Decreto 
Federal nº 7.217/2010
Regulação Municipal
Principais características
Características relevantes da regulação municipal:
- As agências municipais são criadas – em sua maioria –, com objetivo vinculado a um contrato específico 
de prestação de serviços públicos (contrato de concessão ou de parceria público-privada); 
- Atuação regulatória multisetorial (saneamento, transporte, serviços funerários, dentre outros).
Pontos positivos da regulação municipal:
- Sintonia com a realidade local e proximidade com o prestador e com os usuários;
- Dedicação exclusiva ao modelo contratual (especialidade), dando maior celeridade à solução de 
eventuais conflitos locais;
Regulação Municipal
Principais características
Fragilidades da regulação municipal:
- Custo operacional (que torna muito onerosa a manutenção de equipe técnica especializada); e
- Eventual ociosidade, já que a demanda por fiscalizações é sazonal e o reajuste tarifário acontece a cada 
12 (doze) meses (cf. art. 37 da Lei de Saneamento).
Oportunidades para a regulação municipal:
- Para driblar o alto custo e a ociosidade é possível o formato de agência multisetorial, que traria para a 
agência novas competências e, por consequência, novas fontes de receita (taxa de regulação).
Obrigado!
daf@arespcj.com.br
Nome do curso
Regulação Estadual
Principais características
Regulação Estadual
Principais características
A regulação em suas múltiplas dimensões 
• União Federal
• Estados
• Distrito Federal
• Municípios 
Cada ente da federação recebeu 
competências constitucionais 
(exclusivas ou concorrentes)
Estrutura federativa do Brasil
Regulação Estadual
Principais características
A regulação em suas múltiplas dimensões 
Modelagem regulatória
Arranjos regulatórios à disposição do 
Município:
• Criar agência local (municipal)
• Delegar à agência estadual
• Integrar agência intermunicipal
(consórcio público)
Art. 31, do Decreto 
Federal nº 7.217/2010
Regulação Estadual
Principais características
Características relevantes da regulação estadual:
- As agências estaduais são criadas – em sua maioria –, com objetivo vinculado ao acompanhamento e 
validação dos contratos de programa firmados entre os Municípios e as Companhias Estaduais; 
- Atuação regulatória multisetorial (saneamento, transporte, convênios para energia elétrica, dentre outros).
Pontos positivos da regulação estadual:
- Ganho de escala no âmbito do Estado, auxiliando na universalização da regulação;
- Dedicação ao modelo contratual (especialidade) padronizando procedimentos e ações, e dando maior 
celeridade à solução de eventuais conflitos gerados em escala;
Regulação Estadual
Principais características
Fragilidades da regulação estadual:
- Atuação em setores do saneamento básico que não contam com prestação estruturada no âmbito do 
Estado,como resíduos sólidos e drenagem;
- Pouca adesão dos Titulares na gestão dos contratos de programa, ocasionando baixa participação do 
Município no acompanhamento do contrato administrativo.
Oportunidades para a regulação estadual:
- Ampliar sua atuação para prestadores e Municípios ainda não regulados em água e esgoto;
- Padronizar procedimentos e aplicar a lógica estadual dos convênios de cooperação para serviços ainda 
sem grande adesão à regulação, como resíduos e drenagem.
Obrigado!
daf@arespcj.com.br
Nome do curso
Regulação Intermunicipal
Principais características
Regulação Intermunicipal
Principais características
A regulação em suas múltiplas dimensões 
Arranjos regulatórios à disposição do 
Município:
• Criar agência local (municipal)
• Delegar à agência estadual
• Integrar agência intermunicipal
(consórcio público)
Art. 31, do Decreto 
Federal nº 7.217/2010
Regulação Intermunicipal
Principais características
Norma matriz: Lei Federal 11.107/2005
(regulamenta o art. 241 da Constituição Federal)
Regulação Intermunicipal
Principais características
Consórcios públicos: a gestão associada de serviços públicos
Regulação Intermunicipal
Principais características
Consórcios públicos: porque criar?
Regulação Intermunicipal 
Principais características
Pontos positivos da regulação por consórcios públicos:
- Ganho de escala;
- melhoria da capacidade técnica, gerencial e financeira de grupos de municípios; e 
- a racionalização e otimização da aplicação dos recursos públicos.
Desafio da regulação por consórcios públicos:
- Criar instrumentos e normas regulatórias que consigam padronizar procedimentos e práticas 
em prestadores em condições desiguais (modelos jurídicos de prestação, porte populacional e 
condições socioeconômicas). 
Obrigado!
daf@arespcj.com.br
Nome do curso
Regulação Federal e diretrizes 
regulatórias nacionais para o 
saneamento básico:
Principais atribuições da ANA
Regulação Federal e diretrizes regulatórias 
nacionais para o saneamento básico:
Principais atribuições da ANA
Normas de referência para uniformidade regulatória
- A prática regulatória estabelecida com a Lei nº 11.445/2007 reconhece um modelo diferenciado de 
regulação para o saneamento básico. Dentre as características do setor, apontamos:
(i) A pluralidade de modelos jurídicos de regulação (agência municipal, estadual e intermunicipal por 
consórcio público); e
(ii) Criação de múltiplos reguladores (mais de 80 agências até outubro/2022)
Regulação Federal e diretrizes regulatórias 
nacionais para o saneamento básico:
Principais atribuições da ANA
Normas de referência para uniformidade regulatória
- O modelo foi questionada pela insegurança jurídica e falta de padronização, surgindo a proposta 
de emissão de normas de referência por parte da ANA, com as alterações promovidas pela Lei Federal 
nº 14.026/2020 (que introduz o art. 4º-A, à Lei Federal nº 9.984/2000).
São objetivos da Lei:
- Instituir normas de referência para o setor
- Padronizar e orientar a regulação do saneamento básico
Regulação Federal e diretrizes regulatórias 
nacionais para o saneamento básico:
Principais atribuições da ANA
Normas de referência para uniformidade regulatória
• O conteúdo das normas tem atendimento facultativo (soft law) por 
parte dos reguladores e prestadores; e
• O não atendimento restringe o acesso a recursos públicos federais 
para financiamentos (instrumentos de indução), conforme Decreto 
Federal nº 10.588/2020.
Regulação Federal e diretrizes regulatórias 
nacionais para o saneamento básico:
Principais atribuições da ANA
Normas de referência para uniformidade regulatória
No processo de edição da norma de referência é esperado regulador federal:
- Progressividade na sua criação e acompanhamento; 
- Observância das melhores práticas já adotadas; e 
- Avaliação de atendimento com base em critérios objetivos.
Regulação Federal e diretrizes regulatórias 
nacionais para o saneamento básico:
Principais atribuições da ANA
AGENDA REGULATÓRIA
Regulação Federal e diretrizes regulatórias 
nacionais para o saneamento básico:
Principais atribuições da ANA
AGENDA REGULATÓRIA
Obrigado!
daf@arespcj.com.br
Nome do curso
A regulação no Brasil e no mundo
Módulo 12: uniformidade 
regulatória e norma de 
referência 
O que é norma de referência?
Insira a foto do 
convidado aqui
Thiago Marrara
Professor de direito 
administrativo da USP
Thiago Marrara
• Professor de direito administrativo e urbanístico da 
USP (FDRP).
• Livre-docente (USP) e doutor pela Universidade de 
Munique (LMU).
• Consultor especializado em direito administrativo, 
direito regulatório e direito das infraestruturas.
• Fundador de “Marrara Advocacia”; 
• Autor de “manual de direito administrativo” (Foco), 
“princípios de direito administrativo” (Fórum), “tratado 
de direito administrativo, v. 03” (RT), “processo 
administrativo: Lei 9784/99 comentada” (RT), entre 
outras obras. 
Conteúdo
1
TÓPICO
A uniformidade regulatória 
na reforma do saneamento
2
TÓPICO
Finalidades da 
uniformidade regulatória3
TÓPICO
O que é a norma de 
referência?
Uniformidade 
regulatória
• A Lei n. 14.026/2020 alterou significativamente a Lei n. 
11.445/2007, conhecida como Lei das Diretrizes Nacionais de 
Saneamento Básico – LDNSB.
• A Lei n. 14.026/2020 busca, em síntese:
• 1) Estimular a desestatização dos serviços, contendo a 
atuação de companhias estaduais que operavam sem 
licitação;
• 2) Estimular a regionalização, sobretudo na prestação 
dos serviços para torná-los mais sustentáveis e atrativos; e 
• 3) Uniformizar a regulação para reduzir assimetrias e 
custos de transação. 
A norma de 
referência
• Norma de referência é o conjunto de disposições 
jurídicas não vinculantes estabelecidas pela ANA em 
matéria de saneamento para harmonizar regulação e 
criar um “MOSAICO REGULATÓRIO”. 
• Essas normas devem ser analisadas sob 3 
perspectivas:
• 1) A finalística (ou de objetivos): o que a ANA deve 
buscar com essas NR?
• 2) A material (ou de conteúdo): o que pode ser 
objeto da NR?
• 3) A formal (ou procedimental): de que modo a ANA 
deverá criar essas normas?
Insira uma 
imagem aqui
Finalidades da 
uniformidade regulatória 
• Sob a perspectiva finalística, o art. 4º-A, § 7º da Lei n. 
9.984/2000 prevê que as NR devem zelar:
• 1) Pela “uniformidade regulatória” e;
• 2) Pela “segurança jurídica” do prestador e regulador.
• Já o art. 4º-A, § 3º prevê que as NR objetivarão:
• 3) Promover a prestação adequada;
• 4) Estimular a livre-concorrência;
• 5) Estimular a sustentabilidade econômica da 
prestação;
• 6) Estimular a cooperação interfederativa e 
regionalização;
• 7) Respeitar as peculiaridades locais;
• 8) Limitar sobreposição de custos;
• 9) Estimular avaliação periódica de metas;
• 10) Estimular prestação concomitante de água e 
esgoto.
Obrigado!
marrara@usp.br
marrara@marrara.adv.br
A regulação no Brasil e no mundo
mailto:marrara@usp.br
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A regulação no Brasil e no mundo
Módulo 12: uniformidade 
regulatória e norma de 
referência 
Soft law e diretrizes para o saneamento básico
Insira a foto do 
convidado aqui
Thiago Marrara
Professor de direito 
administrativo da USP
Thiago Marrara
• Professor de direito administrativo e urbanístico da 
USP (FDRP).
• Livre-docente (USP) e doutor pela Universidade de 
Munique (LMU).
• Consultor especializado em direito administrativo, 
direito regulatório e direito das infraestruturas.
• Fundador de “Marrara Advocacia”; 
• Autor de “manual de direito administrativo” (Foco), 
“princípios de direito administrativo” (Fórum), “tratado 
de direito administrativo, v. 03” (RT), “processo 
administrativo: Lei 9784/99 comentada” (RT), entre 
outras obras. 
Conteúdo
1
TÓPICO
Normas de referência como 
“soft law”2
TÓPICO
Fundamentos constitucionais 
das normas de referência
3
TÓPICO
O conteúdo das normas de 
referência
Os fundamentos 
constitucionais 
• Art. 21, inciso XXda Constituição da República afirma 
competir à União “instituir diretrizes para o 
desenvolvimento urbano, inclusive habitação, 
saneamento básico e transportes urbanos”.
• Diretrizes podem ser vistas como:
• A) orientações, ou seja, normas que guiam a 
implementação de certa política pública, voltadas a 
todos os atores envolvidos;
• B) editadas pela União, seja em lei do Congresso 
(na LDNSB), seja por regulamentos do Executivo; e 
• C) de caráter técnico e operacional, com 
finalidade de tornar exequível certas tarefas. 
NR como soft law
• O art. 25-A da LDNSB deixa claro que as 
NR se referem à regulação como atividade 
que, primariamente, cabe a uma entidade 
escolhida pelo titular do serviço no 
exercício de sua autonomia.
• As NR representam um corpo de soft law, 
ou seja, de orientações normativas que 
dependem de adoção explícita do 
regulador para que se tornem vinculantes 
e aplicáveis. 
NR como soft law
• As NR não devem ser usadas:
• Em matéria de planejamento e assuntos 
extraregulatórios; 
• Em contrariedade a atos jurídicos perfeitos e à 
coisa julgada administrativa, dado o princípio 
da segurança jurídica (art. 25-A, § 2º LDNSB);
• Para saneamento em áreas rurais, 
comunidades tradicionais, incluindo quilombos, 
e terras indígenas (art. 50, § 1º da LDNSB). 
O conteúdo das NR
• Há também parâmetros materiais para a ANA. O art. 
4º-A da Lei n. 9.984/2000 prevê uma lista de assuntos 
que serão objeto de NR. Esses assuntos podem ser 
agrupados em três blocos:
• Prestação do serviço (qualidade, 
universalização, perda de água, reuso de efluente 
etc.) 
• Contabilidade, equilíbrio econômico-
financeiro e tarifação (como metodologia de 
cálculo de indenizações, compartilhamento de 
ganhos de produtividade, subsídios para baixa 
renda etc.). 
• Instrumentos jurídicos e organizacionais 
(governança das agências, avaliação de metas 
de universalização, caducidade de contratos etc.) 
Obrigado!
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marrara@marrara.adv.br
Nome do curso
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A regulação no Brasil e no mundo
Módulo 12: uniformidade 
regulatória e norma de 
referência 
Normas de referência e indução de políticas públicas
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convidado aqui
Thiago Marrara
Professor de direito 
administrativo da USP
Thiago Marrara
• Professor de direito administrativo e urbanístico da 
USP (FDRP).
• Livre-docente (USP) e doutor pela Universidade de 
Munique (LMU).
• Consultor especializado em direito administrativo, 
direito regulatório e direito das infraestruturas.
• Fundador de “Marrara Advocacia”; 
• Autor de “manual de direito administrativo” (Foco), 
“princípios de direito administrativo” (Fórum), “tratado 
de direito administrativo, v. 03” (RT), “processo 
administrativo: Lei 9784/99 comentada” (RT), entre 
outras obras. 
Conteúdo
1
TÓPICO
O papel indutor das normas 
de referência
2
TÓPICO
Consequências financeiras 3
TÓPICO
A internalização das 
normas de referência
Papel indutor das NR
• O objetivo das normas de referência não é o de 
substituir as competências das agências locais, 
intermunicipais ou estaduais por medidas da ANA.
• O objetivo maior das NR é edificar um mosaico 
regulatório, ou seja, um arcabouço regulatório 
que:
• Respeite a autonomia e as peculiaridades 
locais, mas
• Garanta o mínimo de padronização e 
comunicabilidade para, ao final,
• Afastar assimetrias regulatórias 
desnecessárias ou nocivas. 
Internalização das 
NR
• As NR não são normas de aplicabilidade imediata.
• Isso significa que elas devem ser examinadas por 
cada agência e, então, internalizadas de maneira 
formal.
• As NR passam a valer para os regulados de cada 
agência a partir do momento em que a adoção 
formal se opera. 
• Antes da adoção formal, porém, elas já podem ser 
empregadas como parâmetros de interpretação 
e, além disso, por meio da analogia para fins de 
supressão de eventuais lacunas regulatórias. 
Consequências financeiras
• A Lei n. 14.026 modificou a LDNSB e passou a prever 
requisitos que condicionam o apoio financeiro 
oferecido pela União.
• O art. 25-A, § 1º da LDNSB prevê que “o acesso aos 
recursos públicos federais ou à contratação de 
financiamentos com recursos da União ou com 
recursos geridos ou operados por órgãos e entidades 
da administração pública federal... será condicionado 
ao cumprimento das normas de referência 
nacionais... estabelecidas pela ANA”. 
• O art. 50, em reforço, afirma que o apoio financeiro 
da União depende do cumprimento de requisitos 
variados e que abrangem a “observância das NR para 
a regulação da prestação dos serviços públicos de 
saneamento básico expedidas pela ANA”.
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A regulação no Brasil e no mundo
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A regulação no Brasil e no mundo
Módulo 12: uniformidade 
regulatória e norma de 
referência 
A ANA e a uniformidade regulatória
Thiago Marrara
• Professor de direito administrativo e urbanístico da 
USP (FDRP).
• Livre-docente (USP) e doutor pela Universidade de 
Munique (LMU).
• Consultor especializado em direito administrativo, 
direito regulatório e direito das infraestruturas.
• Fundador de “Marrara Advocacia”; 
• Autor de “manual de direito administrativo” (Foco), 
“princípios de direito administrativo” (Fórum), “tratado 
de direito administrativo, v. 03” (RT), “processo 
administrativo: Lei 9784/99 comentada” (RT), entre 
outras obras. 
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Thiago Marrara
Professor de direito 
administrativo da USP
Conteúdo
1
TÓPICO
Os novos papeis da ANA a 
partir da Lei 14.026
2
TÓPICO
O papel da ANA na 
uniformização regulatória
3
TÓPICO
Os parâmetros processuais 
para criação das NR
• A Lei n. 14.026 alterou a Lei n. 9.984/2000, tornando a 
ANA uma agência também do setor de saneamento, no 
qual assume papeis de:
• Realizar voluntariamente ação mediadora ou 
arbitral de conflitos envolvendo titulares, 
prestadores e reguladores de saneamento (art. 4º-A, 
§ 3º);
• Promover a capacitação de recursos humanos para 
regulação adequada e eficiente (art. 4º-A, § 11);
• Contribuir para a articulação entre os planos
nacionais de saneamento, resíduos sólidos e 
recursos hídricos (art. 4º-A, § 12). 
Os novos papeis da ANA 
após a Lei n. 14.026
A ANA e a uniformidade 
regulatória
• Especificamente no tocante à uniformização regulatória, 
compete à ANA, além de criar as NR:
1. Avaliar o cumprimento e o impacto das NR (art. 4º-
A, § 6º);
2. Listar as agências que adotam as NR para 
viabilizar o acesso a recursos públicos federais, 
contratação de financiamentos com a União ou 
entes federais (art. 4º-B);
3. Disciplinar os requisitos e procedimentos para que 
as agências comprovem a adoção das NR (art. 4º-
B, § 1º) e
4. Verificar periodicamente a adoção das NR, 
inclusive no momento de contratação de 
financiamentos da União (art. 4º-B, § 2º). 
Parâmetros processuais 
para criação de NR
• As alterações também criam os parâmetros finalísticos, 
materiais e procedimentais para a criação de NR pela 
ANA.
• Dentre os parâmetros procedimentais, a Lei n. 
9.984/2000 prevê: 
• 1) A aplicação de uma transição gradual, 
impedindo-se a criação de todas as NR de uma vez 
(art. 4º-A, § 2º) para que as agências possam se 
preparar e respeitar a segurança jurídica (art. 4º-B);
• 2) A realização de diagnóstico inicial para indicar os 
temas prioritários, organizados por urgência e 
relevância;
Parâmetros processuais 
para criação de NR
• 3) A verificação de melhores práticas do setor por 
meio de estudos técnicos e divulgação em guias e 
manuais (art. 4º-A, § 10);
• 4) O respeito à transparência e à participação, com 
a oitiva de entidades de regulação e fiscalização, e 
representantes dos titulares (4º-A, § 4º);
• 5) A eventual constituição de grupos de trabalho 
para auxiliar na elaboração das normas;
• 6) A realização de consultas e audiências públicas 
para participação do público em geral;
• 7) A elaboração de análise de impactoregulatório 
das normas propostas. 
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A regulação no Brasil e no mundo
mailto:marrara@usp.br
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CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
Regulação dos serviços 
de abastecimento de 
água potável
Kátia Muniz Côco
• Mestre em Engenharia Ambiental pela UFES
• Pós-graduada em Engenharia de Segurança do 
Trabalho pela FACAM
• Graduada em Engenharia Ambiental pela UFES
• Graduada em Saneamento Ambiental pelo IFES
• Atua desde 2009 com regulação do Saneamento 
assumindo a função de gerente e diretora na Agência 
Reguladora do Espírito Santo
• Diretora da ABAR e Coordenadora da Câmara Técnica 
de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Saúde 
(CTSan).
Kátia Muniz Côco
Regulação dos serviços 
de abastecimento de água 
1
TÓPICO
Obrigatoriedade legal – Lei 11.445/2007 e 14.026/2020
2
TÓPICO
Panorama do setor de abastecimento de água
3
TÓPICO
Atuação regulatória brasileira
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 3º Para fins do disposto nesta Lei, considera-se: (...)
I - saneamento básico: conjunto de serviços públicos, 
infraestruturas e instalações operacionais de:
a) abastecimento de água potável: constituído pelas 
atividades e pela disponibilização e manutenção de 
infraestruturas e instalações operacionais necessárias 
ao abastecimento público de água potável, desde a 
captação até as ligações prediais e seus instrumentos 
de medição; 
b) esgotamento sanitário: (...); 
c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: (...); e
d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: (...); 
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 3º-A. Consideram-se serviços públicos de 
abastecimento de água a sua distribuição mediante ligação 
predial, incluídos eventuais instrumentos de medição, bem 
como, quando vinculadas a essa finalidade, as seguintes 
atividades: 
I - reservação de água bruta; 
II - captação de água bruta; 
III - adução de água bruta; 
IV - tratamento de água bruta; 
V - adução de água tratada; e
VI - reservação de água tratada. 
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 9º O titular dos serviços formulará a respectiva política pública de 
saneamento básico, devendo, para tanto:
I - elaborar os planos de saneamento básico, (...), bem como estabelecer 
metas e indicadores de desempenho e mecanismos de aferição de 
resultados, (...);
II - prestar diretamente os serviços, ou conceder a prestação deles, e 
definir, em ambos os casos, a entidade responsável pela regulação e 
fiscalização da prestação dos serviços públicos de saneamento 
básico; 
II - prestar diretamente ou autorizar a delegação dos serviços e definir o 
ente responsável pela sua regulação e fiscalização, bem como os 
procedimentos de sua atuação;
III - definir os parâmetros a serem adotados para a garantia do 
atendimento essencial à saúde pública, inclusive quanto ao volume 
mínimo per capita de água para abastecimento público, observadas as 
normas nacionais relativas à potabilidade da água; (...)
TOME NOTA!
Em todas as formas de 
prestação dos serviços 
de saneamento básico 
deverá haver definição 
do órgão regulador 
pelo titular dos 
serviços.
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 11-B. Os contratos de prestação dos serviços públicos de 
saneamento básico deverão definir metas de universalização que 
garantam o atendimento de 99% (noventa e nove por cento) da 
população com água potável e de 90% (noventa por cento) da 
população com coleta e tratamento de esgotos até 31 de 
dezembro de 2033, assim como metas quantitativas de não 
intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de 
melhoria dos processos de tratamento. 
(...)
§ 5º O cumprimento das metas de universalização e não 
intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de 
melhoria dos processos de tratamento deverá ser verificado 
anualmente pela agência reguladora, observando-se um 
intervalo dos últimos 5 (cinco) anos, nos quais as metas deverão 
ter sido cumpridas em, pelo menos, 3 (três), e a primeira 
fiscalização deverá ser realizada apenas ao término do quinto ano 
de vigência do contrato. (...)
TOME NOTA!
Metas para 2033:
• 99% da população com 
água potável
• Não intermitência
• Redução de perdas
• Melhorias do tratamento
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 23. A entidade reguladora, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, editará normas relativas às 
dimensões técnica, econômica e social de prestação dos serviços públicos de saneamento básico, que 
abrangerão, pelo menos, os seguintes aspectos:
I - padrões e indicadores de qualidade da prestação dos serviços;
II - requisitos operacionais e de manutenção dos sistemas;
III - as metas progressivas de expansão e de qualidade dos serviços e os respectivos prazos;
IV - regime, estrutura e níveis tarifários, bem como os procedimentos e prazos de sua fixação, reajuste e 
revisão;
V - medição, faturamento e cobrança de serviços;
VI - monitoramento dos custos;
VII - avaliação da eficiência e eficácia dos serviços prestados;
VIII - plano de contas e mecanismos de informação, auditoria e certificação;
IX - subsídios tarifários e não tarifários;
X - padrões de atendimento ao público e mecanismos de participação e informação;
XI - medidas de segurança, de contingência e de emergência, inclusive quanto a racionamento; 
XIII - procedimentos de fiscalização e de aplicação de sanções previstas nos instrumentos contratuais e na 
legislação do titular; e 
XIV - diretrizes para a redução progressiva e controle das perdas de água. 
Insira uma 
imagem aqui
Agências 
Reguladoras 
Fonte ABAR - 2021
24 Municipais, 
23 Estaduais, 
6 Consorciadas e 
1 Distrital
54 Agências Reguladoras de Saneamento
Cerca de 3.000 municípios
Municípios regulados
6 Planos Regionais
Cerca de 1.700 Planos Municipais
Planos de Saneamento
Atividade 
Regulatória 
Fonte ABAR - 2021
127 reajustes e revisões tarifários pelas 36 
ARSB participantes da pesquisa
Reajustes e Revisões Tarifárias
- 928 normas e/ou resoluções entre as 36 ARSB 
participantes da pesquisa;
- 160 - condições da prestação dos serviços; 
- 34 - ouvidoria; 
- 127 - regulação técnica; 
- 434 - regulação econômica; 
- 52 - fiscalização; e 
- 121 – outros.
Normatizações
Fiscalizações
Fonte ABAR - 2021
2020 à efeitos da pandemia
Fiscalizações
Aplicação de 
Penalidades
Fonte ABAR - 2021
2 ARSB Estaduais foram responsáveis por 85% 
dessas penalidades
Advertência e Multa
Transparência
Fonte ABAR - 2021
Consultas e Audiências
Transparência
Fonte ABAR - 2021
- Publicação de relatórios
- Publicação de decisões
- Transmissão das decisões
Decisões
Obrigada!
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Nome do curso
CURSO 1 - A Regulação no Brasil e no Mundo
Regulação dos serviços 
de esgotamento sanitário
Kátia Muniz Côco
• Mestre em Engenharia Ambiental pela UFES
• Pós-graduada em Engenharia de Segurança do 
Trabalho pela FACAM
• Graduada em Engenharia Ambiental pela UFES
• Graduada em Saneamento Ambiental pelo IFES
• Atua desde 2009 com regulação do Saneamento 
assumindo a função de gerente e diretora na Agência 
Reguladora do Espírito Santo
• Diretora da ABAR e Coordenadora da Câmara Técnica 
de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Saúde 
(CTSan).
Kátia Muniz Côco
Regulação dos serviços 
de esgotamento sanitário
1
TÓPICO
Obrigatoriedade legal – Lei 11.445/2007 e 14.026/2020
2
TÓPICO
Panorama do setor de esgotamento sanitário
3
TÓPICO
Atuação regulatória brasileira
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 3º Para fins do disposto nesta Lei, considera-se: (...)
I - saneamento básico: conjunto de serviços públicos, 
infraestruturas e instalações operacionais de:
a) abastecimento de água potável: (...); 
b) esgotamento sanitário: constituídopelas atividades e pela 
disponibilização e manutenção de infraestruturas e 
instalações operacionais necessárias à coleta, ao 
transporte, ao tratamento e à disposição final adequados 
dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até sua 
destinação final para produção de água de reúso ou seu 
lançamento de forma adequada no meio ambiente; 
c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: (...); e
d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: (...); 
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 3º-B. Consideram-se serviços públicos de esgotamento 
sanitário aqueles constituídos por 1 (uma) ou mais das 
seguintes atividades:
I - coleta, incluída ligação predial, dos esgotos sanitários; 
II - transporte dos esgotos sanitários; 
III - tratamento dos esgotos sanitários; e
IV - disposição final dos esgotos sanitários e dos lodos 
originários da operação de unidades de tratamento coletivas ou 
individuais de forma ambientalmente adequada, incluídas 
fossas sépticas. 
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 9º O titular dos serviços formulará a respectiva política 
pública de saneamento básico, devendo, para tanto:
I - elaborar os planos de saneamento básico, (...), bem como 
estabelecer metas e indicadores de desempenho e mecanismos 
de aferição de resultados, (...);
II - prestar diretamente os serviços, ou conceder a prestação 
deles, e definir, em ambos os casos, a entidade responsável 
pela regulação e fiscalização da prestação dos serviços 
públicos de saneamento básico; 
II - prestar diretamente ou autorizar a delegação dos serviços e 
definir o ente responsável pela sua regulação e fiscalização, bem 
como os procedimentos de sua atuação;
TOME NOTA!
Em todas as formas de 
prestação dos serviços 
de saneamento básico 
deverá haver definição 
do órgão regulador 
pelo titular dos 
serviços.
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 11-B. Os contratos de prestação dos serviços públicos de 
saneamento básico deverão definir metas de universalização que 
garantam o atendimento de 99% (noventa e nove por cento) da 
população com água potável e de 90% (noventa por cento) da 
população com coleta e tratamento de esgotos até 31 de 
dezembro de 2033, assim como metas quantitativas de não 
intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de 
melhoria dos processos de tratamento. 
(...)
§ 5º O cumprimento das metas de universalização e não 
intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de 
melhoria dos processos de tratamento deverá ser verificado 
anualmente pela agência reguladora, observando-se um 
intervalo dos últimos 5 (cinco) anos, nos quais as metas deverão 
ter sido cumpridas em, pelo menos, 3 (três), e a primeira 
fiscalização deverá ser realizada apenas ao término do quinto ano 
de vigência do contrato. (...)
TOME NOTA!
Metas para 2033:
• 90% da população com 
coleta e tratamento de 
esgoto
• Melhorias do tratamento
Lei Federal nº 11.445/2007
Modificada pela Lei n° 14.026/2020
Art. 23. A entidade reguladora, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, editará normas relativas às 
dimensões técnica, econômica e social de prestação dos serviços públicos de saneamento básico, que 
abrangerão, pelo menos, os seguintes aspectos:
I - padrões e indicadores de qualidade da prestação dos serviços;
II - requisitos operacionais e de manutenção dos sistemas;
III - as metas progressivas de expansão e de qualidade dos serviços e os respectivos prazos;
IV - regime, estrutura e níveis tarifários, bem como os procedimentos e prazos de sua fixação, reajuste e 
revisão;
V - medição, faturamento e cobrança de serviços;
VI - monitoramento dos custos;
VII - avaliação da eficiência e eficácia dos serviços prestados;
VIII - plano de contas e mecanismos de informação, auditoria e certificação;
IX - subsídios tarifários e não tarifários;
X - padrões de atendimento ao público e mecanismos de participação e informação;
XI - medidas de segurança, de contingência e de emergência, inclusive quanto a racionamento; 
XIII - procedimentos de fiscalização e de aplicação de sanções previstas nos instrumentos contratuais e na 
legislação do titular; e 
XIV - diretrizes para a redução progressiva e controle das perdas de água. 
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imagem aqui
Agências 
Reguladoras 
Fonte ABAR - 2021
24 Municipais, 
23 Estaduais, 
6 Consorciadas e 
1 Distrital
54 Agências Reguladoras de Saneamento
Cerca de 3.000 municípios
Municípios regulados
6 Planos Regionais
Cerca de 1.700 Planos Municipais
Planos de Saneamento
Atividade 
Regulatória 
Fonte ABAR - 2021
127 reajustes e revisões tarifários pelas 36 
ARSB participantes da pesquisa
Reajustes e Revisões Tarifárias
- 928 normas e/ou resoluções entre as 36 ARSB 
participantes da pesquisa;
- 160 - condições da prestação dos serviços; 
- 34 - ouvidoria; 
- 127 - regulação técnica; 
- 434 - regulação econômica; 
- 52 - fiscalização; e 
- 121 – outros.
Normatizações
Fiscalizações
Fonte ABAR - 2021
2020 à efeitos da pandemia
Fiscalizações
Aplicação de 
Penalidades
Fonte ABAR - 2021
2 ARSB Estaduais foram responsáveis por 85% 
dessas penalidades
Advertência e Multa
Transparência
Fonte ABAR - 2021
Consultas e Audiências
Transparência
Fonte ABAR - 2021
- Publicação de relatórios
- Publicação de decisões
- Transmissão das decisões
Decisões
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Ponto 3 - Benefícios de uma lei geral de 
Agências Reguladoras
● Segurança Jurídica quanto à governança e ao processo decisório
● Estabilidade das decisões e conteúdos normativos
● Aumento dos mecanismos de controle social
● Fortalecimento da autonomia: “Art. 3º A natureza especial conferida à agência reguladora é caracterizada
pela ausência de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia funcional, decisória, administrativa e
financeira e pela investidura a termo de seus dirigentes e estabilidade durante os mandatos, bem como pelas demais
disposições constantes desta Lei ou de leis específicas voltadas à sua implementação.”
A Regulação no Brasil e no Mundo
Regulação dos Serviços 
de Drenagem e Manejo de 
Águas Pluviais Urbanas 
(DMPU)
Módulo 13 – Ponto 4
Out/2022 
“O gerenciamento e o manejo dos recursos 
hídricos são atividades essenciais para o convívio 
harmônico da cidade com suas águas, condição 
básica para o desenvolvimento saudável da vida 
humana”
Manual de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais Urbanas 
do Distrito Federal – ADASA/DF - 2018
Jeferson da Costa
Eng. Civil e Regulador na ADASA/DF
Drenagem e Manejo de 
Águas Pluviais Urbanas
1
TÓPICO
Legislação e Instrumentos do Setor
2
TÓPICO
Cenário Atual (Brasil e EUA)
3
TÓPICO
Experiência Brasileira
4
TÓPICO
Perspectivas
DMPU
Legislação
Lei Federal nº 11.445/2007, modificada pela Lei n°
14.026/2020
Art. 2º. Os serviços públicos de saneamento básico serão 
prestados com base nos seguintes princípios fundamentais:
I - universalização do acesso e efetiva prestação 
do serviço;
...
IV - disponibilidade, nas áreas urbanas, de 
serviços de drenagem e manejo das águas pluviais, 
tratamento, limpeza e fiscalização preventiva das redes, 
adequados à saúde pública, à proteção do meio ambiente e 
à segurança da vida e do patrimônio público e privado;
...
VII - eficiência e sustentabilidade econômica;
Insira uma 
imagem aqui
DMPU
Legislação
Lei Federal nº 11.445/2007, modificada pela Lei n°
14.026/2020
Art. 8º Exercem a titularidade dos serviços públicos de 
saneamento básico:
I - os Municípios e o Distrito Federal, no caso de interesse 
local;
II - o Estado, em conjunto com os Municípios que 
compartilham efetivamente instalações operacionais 
integrantes de regiões metropolitanas, aglomerações 
urbanas e microrregiões...;
§ 1º O exercício da titularidade dos serviços de saneamento 
poderá ser realizado também por gestão associada, 
mediante consórcio público ou convênio de 
cooperação...Insira uma 
imagem aqui
DMPU
Legislação
Lei Federal nº 11.445/2007, modificada pela Lei n°
14.026/2020
Art. 29. Os serviços públicos de saneamento básico terão a 
sustentabilidade econômico-financeira assegurada por 
meio de remuneração pela cobrança dos serviços, e, 
quando necessário, por outras formas adicionais, como 
subsídios ou subvenções, vedada a cobrança em 
duplicidade de custos administrativos ou gerenciais a serem 
pagos pelo usuário, nos seguintes serviços:
...
III - de drenagem e manejo de águas pluviais 
urbanas, na forma de tributos, inclusive taxas, ou tarifas e 
outros preços públicos, em conformidade com o regime de 
prestação do serviço ou das suas atividades.
DMPU
Legislação
Lei Federal nº 9.984/2000, modificada pela Lei n°
14.026/2020
Art. 4º-A. A ANA instituirá normas de referência para a 
regulação dos serviços públicos de saneamento básico.
Consulta Pública nº 07/2022 – ANA
Até 26/10/2022
Agenda Regulatória 2022-2024
Diretrizes para definição de modelos de regulação de 
drenagem e manejo de águas pluviais urbanas
► Previsão para 2024
DMPU
Instrumentos
Lei Federal nº 11.445/2007 (Art. 9°)
O titular do serviço deverá elaborar o Plano de 
Saneamento Básico (PMSB), contendo no mínimo: 
• Diagnóstico;
• Prognóstico;
• Metas – curto e longo prazos;
• Programas e ações;
• Indicadores;
• Ações de emergência e contingência.
Estatuto das Cidades (Lei n°10.257/2001) alterado 
pela Lei 12.608/2012.
Regulamenta os Planos Diretores
► Plano Diretor de DMPU
DMPU
Cenário Atual
Brasil
O DMPU é o serviço de saneamento básico com menor grau de institucionalização no país, com 
generalizada ausência de:
• Entidades públicas especializadas – prestadoras (autarquias, empresas públicas ou sociedades 
de economia mista e concessionárias);
• Receita específica associada à cobrança de taxa ou de tarifa;
• Regulação;
• Novo conceitos de sustentabilidade (técnicas compensatórias e orientação por meio de Plano 
Diretor).
DMPU
Cenário Atual
Estados Unidos
O Clean Water Act (1972) e seus desdobramentos estimularam nos EUA a constituição das 
chamadas stormwater utilities. 
O CWA estabelece a estrutura básica para regular as descargas de poluentes nas águas superficiais 
e regular a qualidade das águas superficiais.
O Sistema Nacional de Eliminação de Descargas (NPDES) regula as fontes pontuais de poluição, por meio 
de licenciamento/outorga.
Uma stormwater utility é uma entidade municipal na gestão das águas pluviais urbanas e de questões 
relacionadas (alagamentos, inundações, poluição das águas superficiais e erosão.
Uma stormwater utility pode cobrar tarifas relacionadas ao controle e tratamento das águas pluviais.
Em 2018, a média da tarifa mensal cobrada de uma unidade unifamiliar correspondia a US$ 5,34.
DMPU
Experiência Brasileira
ETAPA 1 ETAPA 2
Diagnóstico, 
avaliação e 
planejamento
Plano Distrital de 
Saneamento Básico -
PDSB
BLOCO 1
Melhorias e 
compreensão 
dos dados 
existentes
BLOCO 2
Capacitação e 
Estudos Técnicos e 
Propostas 
(técnica, legal e 
econômica)
BLOCO 3
Sistemas de 
gerenciamento e 
modelagens
Etapas para Institucionalização
ADASA/DF
DMPU
Perspectivas
O que desejamos para o setor de drenagem e 
manejo de águas pluviais urbanas?
1. Reduzir os riscos de danos à vida, à saúde pública, ao 
ambiente e aos patrimônios público e privado 
decorrentes de alagamentos e inundações; 
2. Mitigar a poluição das águas superficiais e o 
assoreamento dos corpos receptores e a erosão 
causada pelo escoamento das águas pluviais; 
3. Promover o aproveitamento das águas pluviais (uso da 
água) e contribuir com a recarga dos aquíferos (ciclo 
hidrológico);
4. Contribuir para embelezar a cidade e promover a 
integração com a paisagem e a convivência com as 
águas urbanas (estética urbana).
DMPU
Perspectivas
O que fazer na regulação do setor?
1. Dispor dos instrumentos:
1. Diagnóstico (institucional, legal, econômico e 
técnico);
2. Prognóstico;
3. Metas e ações;
4. Fonte de recursos;
5. Indicadores.
2. Realizar inventário e cadastro técnico do sistema 
existente;
3. Levantamento de custos operacionais e de expansão;
4. Capacitação;
5. Arcabouço legal, técnico e econômico;
6. Participação social e divulgação das ações.
Obrigado!
Jeferson da Costa
Superintendência de Drenagem Urbana
jeferson.costa@adasa.df.gov.br
Telefone: (61) 3961-5066
Foto: Orsini Yazaki
Nome do curso
A lei das Agências 
Federais do Brasil, 
Avanços e Perspectivas 
O cenário regulatório anterior à Lei Federal nº 
13.848/2019
João Paulo Soares Coelho. Especialista em Regulação.
Coordenador de Contratos e Legislação da Superintendência
de Regulação de Saneamento Básico da Agência Nacional
de Águas e Saneamento Básico. Bacharel em Direito pela
Universidade de Brasília (UnB). Pós-graduado em Regulação
Pública e Concorrência pela Faculdade de Direito da
Universidade de Coimbra (CEDIPRE/FDUC). Pós-graduado
em Concessões e Parcerias com a Administração Pública
pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e
Pesquisa (IDP). Pós-Graduando em Direito Econômico e
Concorrência pela Fundação Getúlio Vargas - (FGV). Foi
Assessor Jurídico do Gabinete do Procurador-Geral da
República, na Assessoria Constitucional. Foi Assessor na
Subchefia-Adjunta de Infraestrutura da Subchefia para
Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da
República (SAINF/SAJ/CC/PR). Foi membro da Comissão de
Consolidação de Decretos de Caráter Normativo do Governo
Federal
Insira a foto do 
convidado aqui
João Paulo Soares Coelho
Especialista em Regulação
Módulo 14 - O 
cenário regulatório 
anterior à Lei 
Federal nº 
13.848/2019
Insira uma 
imagem aqui
O cenário regulatório anterior 
à Lei Federal nº 13.848/2019
Lei nº 9.427/1996 - Agência Nacional de Energia Elétrica
Lei nº 9.472/1997 - Agência Nacional de Telecomunicações
Lei nº 9.478/1997 - Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e 
Biocombustíveis
Lei nº 9.782/1999 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária
Lei nº 9.784/99 - Lei do Processo Administrativo
Lei nº 9.961/2000 - Agência Nacional de Saúde Suplementar
Lei nº 9.984/2000 - Agência Nacional de Águas
Lei nº 9.986/2000 - Recursos Humanos das Agências Reguladoras
Lei nº 10.233/2001 - Agência Nacional de Transportes Terrestres e 
Agência Nacional de Transportes Aquaviários
MPv nº 2.228-1/2001 - Agência Nacional do Cinema
Lei nº 11.182/2005 - Agência Nacional de Aviação Civil
Lei 13.575/2017 - Agência Nacional de Mineração
O cenário regulatório anterior 
à Lei Federal nº 13.848/2019
Contexto Prévio:
● Ausência de uniformidade institucional quanto à 
composição de Conselho Diretor ou Diretoria
● Heterogeneidade de período de mandatos
● Ausência institucional da figura institucional da Ouvidoria
● Submissão de questões administrativas à deliberação dos 
Ministérios (autorização para realização de concursos 
públicos, provimento dos cargos autorizados em lei, 
concessão de diárias e passagens, celebrar contratos e 
prorrogar contratos em vigor relativos a atividades de 
custeio conforme valor).
● Ausência de disciplina uniforme da Avaliação de Impacto 
Regulatório 
● Ausência de disciplina uniforme da relação entre as 
agências reguladoras, e entre essas e os órgãos de 
defesa da concorrência, de defesa do consumidor e do 
meio ambiente
Ponto 2 - Principais alterações introduzidas com a 
Lei nº 13.848/2019
● Uniformidade institucional quanto ao tempo de mandato do Conselho Diretor ou Diretoria
● Definição legal de atributos institucionais de autonomia administrativa e decisória
● Fortalecimento do processo decisório, do dever de fundamentação (AIR - Vide Decreto 
10.411/2020 e LINDB)
● Disciplina uniforme da Avaliação de Impacto Regulatório + Avaliação de Resultado 
Regulatório + Atualização do estoque regulatório
● Definição de metodologias específicas para aferição da razoabilidade do impacto 
regulatório: análise multicritério, custo-benefício, custo-efetividade,custo, risco e risco-
risco, entre outras;
● Presença institucional da figura institucional da Ouvidoria
● Autonomia quanto a questões administrativas (autorização para realização de concursos 
públicos, provimento dos cargos autorizados em lei, concessão de diárias e passagens, 
celebrar contratos e prorrogar contratos em vigor relativos a atividades de custeio 
independentemente de valor).
● Disciplina uniforme da relação entre as agências reguladoras, e entre essas e os órgãos de 
defesa da concorrência, de defesa do consumidor e do meio ambiente
Ponto 3 - Benefícios de uma lei geral de 
Agências Reguladoras
● Segurança Jurídica quanto à governança e ao processo decisório
● Estabilidade das decisões e conteúdos normativos
● Aumento dos mecanismos de controle social
● Fortalecimento da autonomia: “Art. 3º A natureza especial conferida à agência reguladora é caracterizada
pela ausência de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia funcional, decisória, administrativa e
financeira e pela investidura a termo de seus dirigentes e estabilidade durante os mandatos, bem como pelas demais
disposições constantes desta Lei ou de leis específicas voltadas à sua implementação.”
Ponto 4 - Perspectivas futuras para a 
regulação federal
● Série histórica da Análise de Impacto Regulatório e da Avaliação de Resultado Regulatório:
Identificação do problema regulatório, dos atores afetados, da base legal, dos objetivos e 
alternativas de ação, além da eficiência, eficácia e economicidade das escolhas regulatórias
● Maior sinergia entre agências reguladoras
● Maior sinergia entre as agências reguladoras e os órgãos do SBDC
● Adoção de técnicas de regulação mais ágeis e mais focadas em estímulo de 
comportamentos: Regulação Responsiva
Obrigado!
João Paulo Soares Coelho
joao.coelho@ana.gov.br
Nome do curso
mailto:joao.coelho@ana.gov.br
O Estado da arte da 
estrutura regulatória para 
o saneamento no Brasil
João Paulo Soares Coelho. Especialista em Regulação.
Coordenador de Contratos e Legislação da Superintendência
de Regulação de Saneamento Básico da Agência Nacional
de Águas e Saneamento Básico. Bacharel em Direito pela
Universidade de Brasília (UnB). Pós-graduado em Regulação
Pública e Concorrência pela Faculdade de Direito da
Universidade de Coimbra (CEDIPRE/FDUC). Pós-graduado
em Concessões e Parcerias com a Administração Pública
pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e
Pesquisa (IDP). Pós-Graduando em Direito Econômico e
Concorrência pela Fundação Getúlio Vargas - (FGV). Foi
Assessor Jurídico do Gabinete do Procurador-Geral da
República, na Assessoria Constitucional. Foi Assessor na
Subchefia-Adjunta de Infraestrutura da Subchefia para
Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da
República (SAINF/SAJ/CC/PR). Foi membro da Comissão de
Consolidação de Decretos de Caráter Normativo do Governo
Federal
Insira a foto do 
convidado aqui
João Paulo Soares Coelho
Especialista em Regulação
Módulo 15 - O 
Estado da arte na 
estrutura 
regulatória para o 
saneamento básico 
no Brasil
Ponto 1 - Papel das 
entidades 
Reguladoras
Insira uma 
imagem aqui
Insira uma 
imagem aqui
Título
Subtítulo
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. 
Aliquam in pulvinar diam.
01. TÍTULO 
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. 
Aliquam in pulvinar diam.
02. TÍTULO 
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. 
Aliquam in pulvinar diam.
03. TÍTULO 
Módulo 15 - O 
Estado da arte na 
estrutura 
regulatória para o 
saneamento básico 
no Brasil
Ponto 2 - Entidades 
Reguladoras que 
atuam no 
saneamento
Insira uma 
imagem aqui
Módulo 15 - O 
Estado da arte na 
estrutura 
regulatória para o 
saneamento básico 
no Brasil
Ponto 3: Novo 
Marco Regulatório 
e Entidades 
Reguladoras
Insira uma 
imagem aqui
Módulo 15 - O 
Estado da arte na 
estrutura 
regulatória para o 
saneamento básico 
no Brasil
Ponto 4: Normas 
de Referência e 
entidades 
reguladoras
Insira uma 
imagem aqui
Obrigado!
João Paulo Soares Coelho
joao.coelho@ana.gov.br
Nome do curso
mailto:joao.coelho@ana.gov.br
ARegulação no Brasil e no Mundo
Estudos de Caso Internacionais
Rui Cunha Marques
Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) 
rui.marques@tecnico.ulisboa.pt 
www.ruicunhamarques.com
mailto:rui.marques@tecnico.ulisboa.pt
http://www.ruicunhamarques.com/
Estudos de caso internacionais
Ponto 1: As concessões administrativas (PPPs) e a regulação em Portugal
Ponto 2: O processo de concessão e regulação do Chile
Ponto 3: Os desafios regulatórios da Colômbia 
Ponto 4: O pioneirismo regulatório do Reino Unido
RuiCunha Marques
Ponto 1: As 
concessões 
administrativas 
(PPPs) e a 
regulação em 
Portugal
Modelos para participação do setor privado
PPP
Contratual
(cPPP)
Concessões
Affermage
Contratos de
gestão
Institucional
(iPPP)
Empresas
mistas
Setor público
> 50% das ações
50% - 50%
Setor privado
> 50% das ações
RuiCunha Marques
A “abordagem” Europeia Responsabilidades, 
Direitos e deveres, 
Nível de serviço, 
Contingências, 
Rescisão antecipada, 
Penalidades, 
Compensações,
…
Modelos para participação do setor privado
Contratos de obras públicas
RuiCunha Marques
Contratos de assistência técnica
Subcontratação, terceirização
Contratos de gestão
Locação - Affermage
Concessão - e. g. BOT
BOO - Build, Own and Operate
M
od
el
os
PP
P
Grau de envolvimento
Assunção
de risco
Setor privado
Setor privado
Privatização material
Setor público
Portugal
Área: 92 256 km2
População: 10 344 802 (2021)
RuiCunha Marques
Regulação:
Em Portugal continental existe uma agência reguladora dedicada aos 
serviços de saneamento, a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e 
Resíduos (ERSAR) que, de acordo com os seus estatutos, tem funções de 
regulação relevantes para promover a qualidade do serviço e a 
sustentabilidade financeira dos prestadores. Nos Açores existe a ERSARA, 
similar à ERSAR, mas para aquele arquipélago. Na Madeira ainda não há 
regulação.
Estrutura de Mercado:
O serviço de abastecimento de água e de esgoto encontra-se desagregado
em prestadores de ‘varejo’ e ‘atacado’.
Identificam-se prestadores com modelo de gestão direta (município, 
associação de municípios, SAAE), gestão delegada (empresa municipal e 
também com participação privada) e concessão / PPP.
Portugal – Regulação
M
is
sã
o
A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), pessoa 
coletiva de direito público com jurisdição nacional, é uma entidade 
administrativa independente com funções de regulação e de supervisão, 
dotada de autonomia de gestão, administrativa e financeira e de património 
próprio e que se encontra adstrita ao ministério com atribuições na área do 
ambiente.
A ERSAR conta atualmente com 85 colaboradores e um orçamento de cerca
de 7,5 milhões de euros
A ERSAR tem por missão a regulação e a supervisão dos setores dos serviços 
de abastecimento público de água, de esgotamento sanitário urbano e de 
gestão de resíduos urbanos (cerca de 400 prestadores), incluindo o exercício 
de funções de autoridade competente para a coordenação e a fiscalização do 
regime da qualidade da água para consumo humano.
RuiCunha Marques
Portugal – Regulação
ERSAR
Universo de 400
Prestadores
… de 
titularidade 
Estatal e 
Municipal
… de gestão 
direta, delegada 
e concessionada
… com serviços
em alta e baixa
263 prestadores de serviços de
abastecimento de água
RuiCunha Marques
266 prestadores de serviços de
esgotamento sanitário
280 prestadores de serviços de 
gestão de resíduos urbanos
10 milhões de usuários
Modelo Regulatório da ERSAR
REGULAÇÃO ESTRUTURAL DO
SETOR:
Contribuição regulatória para 
a organização dos setores
Contribuição regulatória para
a regulamentação dos setores
Contribuição regulatória para
a informação dos setores
Contribuiçãoregulatória para
a capacitação dos setores
REGULAÇÃO COMPORTAMENTAL DOS
PRESTADORES:
Regulação legal e contratual
Regulação econômica dos 
prestadores
Regulação da qualidade de 
serviço prestado
Regulação da qualidade da
água para consumo humano
Regulação da interface com os
usuários
ATIVIDADES REGULATÓRIAS
COMPLEMENTARES:
Elaboração e divulgação 
regular de informação
Apoio técnico aos prestadores
RuiCunha Marques
Regulação econômica
A ERSAR tem tido como função aprovar regulamentos tarifários nos quais são estabelecidas regras de
definição, fixação, revisão e atualização dos tarifários de abastecimento público de água, esgotamento
sanitário urbano e gestão de resíduos urbanos.
Dependendo de cada tipo de modelo de gestão, o modelo de regulação econômica adotado é diferente:
Preço teto / regulação por contrato (para PPP / concessão) e para as empresas municipais
Receita Teto (em implementação) – Até recentemente, a taxa de retorno era adotada
(nos contratos de concessão multimunicipal ou seja de varejo)
Taxa de retorno (aplicado aos contratos de concessão multimunicipal no passado e ainda
na gestão direta pelos municípios)
RuiCunha Marques
Regulação econômica
A ERSAR no cumprimento das suas atribuições de regulação econômica dos serviços de resíduos
urbanos elaborou e aprovou o Regulamento Tarifário em Reunião do Conselho Diretivo da ERSAR
em 17 de fevereiro de 2014, nos termos do n.º 2 b) do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 277/2009, de 2
de outubro;
Este Regulamento visa definir as regras para o estabelecimento das tarifas para todas os
prestadores de serviços de gestão de resíduos urbanos, quer de titularidade estatal quer municipal,
e cobrindo os modelos de gestão direta, gestão delegada e gestão concessionada;
Na implementação efetiva do Regulamento Tarifário, a ERSAR necessita de definir ou de estabelecer
a metodologia de determinação do fator de eficiência – X (aplicado aos custos de exploração), no
âmbito do modelo de determinação de tarifas para o modelo de gestão de titularidade estatal dos
serviços de resíduos urbanos;
Pelo Regulamento Tarifário, os custos de exploração são desagregados em ‘associados às operações’
e ‘associados à estrutura’ (Artigo 34º).
RuiCunha Marques
Regulação da qualidade de serviço
A Regulação da Qualidade de Serviço adota a regulação sunshine (exposição) isto é, pelo cálculo,
comparação e publicação dos resultados de indicadores de desempenho específicos para os serviços de
abastecimento de água e de esgotamento sanitário (tem variado entre 20 e 12 por cada serviço ao longo do
tempo).
Avaliação global e 
individual dos 
indicadores de 
desempenho por 
serviço
Mapeamento do 
desempenho por 
serviço e por 
indicador de 
desempenho
RuiCunha Marques
A atividade regulatória e os contratos de concessão
O papel 
da ERSAR
em
relação 
aos 
contratos 
de 
concessão
Emite parecer sobre os editais de licitação e sobre o estudo de 
racionalidade do modelo de gestão (comparador do setor público) e 
se o modelo de PPP/concessão melhora o modelo atual e é o que 
maximiza o interesse público;
Emite parecer sobre o contrato de PPP/concessão a ser firmado entre 
o setor público (município) e a empresa privada;
Acompanha anualmente o cumprimento do contrato, nomeadamente 
a execução do plano de investimento e o reajuste tarifário anual 
(fórmula de atualização de preços);
Supervisiona a qualidade do serviço através de um modelo de 
benchmarking baseado num conjunto de indicadores de desempenho 
que incluem dimensões sociais, financeiras e ambientais.
RuiCunha Marques
A atividade regulatória e os contratos de concessão
Emite parecer sobre os pedidos de renegociação e
recomposição do equilíbrio econômico-financeiro;
São realizadas auditorias periódicas ao cumprimento dos
contratos;
Apoia a resolução de reclamações de usuários ou outras 
partes interessadas, bem como quaisquer conflitos 
existentes.
O papel da ERSAR:
RuiCunha Marques
Balanço da regulação em Portugal
RuiCunha Marques
Desde a 1ª geração do sistema de 
regulação da qualidade de serviço 
(2003), este sistema continua a ser 
um instrumento chave de regulação, 
reconhecido pelos stakeholders;
A regulação da qualidade de serviço 
e o modelo de benchmarking 
adotado tem permitido os 
prestadores melhorar 
substancialmente a sustentabilidade 
e a qualidade da prestação dos 
serviços de saneamento
A regulação econômica permanece 
uma área ainda com grande margem 
de melhoria, com grande 
heterogeneidade em função do 
modelo de prestação.
Ponto 2: O 
processo de 
concessão e 
regulação do 
Chile
Chile
Durante o final da década de 1980, em resposta à crescente necessidade de 
investimentos para construir novas infraestruturas e melhorar o funcionamento 
das existentes, o governo chileno desenvolveu uma nova legislação, pela qual o 
antigo setor de saneamento básico foi transformado em vários serviços estatais.
Entre 1988 e 1990 houve uma intensa reforma do setor de água no Chile. A 
legislação implantada possibilitou a criação de empresas de serviços públicos e 
separou as funções do Estado como prestador de serviços do Estado como ente 
regulador.
RuiCunha Marques
Chile
No período de 1998 a 2001, a participação do setor privado se deu de 
duas formas distintas: com a venda de ativos em empresas públicas 
até o limite máximo de 65% inicialmente, sendo depois permitida a 
totalidade; e por meio de contratos de concessão.
O modelo de contratos de concessão foi privilegiado pelo governo a
partir de 2001.
RuiCunha Marques
Chile
População: 19 377 029 (2021)
RuiCunha Marques
Área: 756 950 km2
Regulação:
No Chile, a regulação dos serviços de abastecimento de água e de 
esgotamento sanitário encontra-se sob a responsabilidade da 
Superintendencia de Servicios Sanitarios (SISS).
Estrutura de Mercado:
Os serviços das áreas urbanas (empresas privadas) são fornecidos por 53 
empresas, as quais se encontram repartidas entre 52 prestadores 
dedicados ao serviço de água e 50 prestadores que prestam o serviço de 
esgoto.
Nas áreas rurais, a situação é mista, existindo tanto prestadores privados
quanto públicos
Chile – Regulação
A SISS supervisiona e regula os serviços de água e esgoto nas áreas 
urbanas. A fim de lhe ser conferida independência política, a SISS foi 
criada como instituição descentralizada, dotada de património próprio, 
autonomia administrativa e financeira.
A SISS conta atualmente com 157 colaboradores e um orçamento de
cerca de 11,5 milhões de euros
Além das respectivas incumbências de regulação de preços, da qualidade do serviço e das obrigações 
de serviço público, detém a valência de impor sanções e coimas às empresas quando estas se 
encontram em situação de infração das normas em vigor. A SISS possui também atribuições relativas 
ao tratamento das reclamações dos usuários.
RuiCunha Marques
Chile – Regulação
A SISS regularmente controla tanto a qualidade da
água, como a qualidade do serviço prestado.
A SISS executa fiscalização indireta dos serviços 
prestados de abastecimento de água e 
esgotamento sanitário através da determinação de 
um conjunto de indicadores de desempenho, 
estruturado nas seguintes categorias:
Ademais, para induzir a competição entre os 
prestadores, a SISS elabora um ranking anual, com 
base na qualidade do serviço e em outras 
informações relativas a aspectos financeiros e 
operacionais dos prestadores de serviços.
Cumprimento
com as obras
predefinidas
Atendimento dos
serviços
Gestão
operacional
Gestão financeira 
e comercial de 
água
Qualidade do
serviço Gestão ambiental
RuiCunha Marques
Chile - SISS
RuiCunha Marques
Chile (SISS)
Definição de tarifas Sim
Método utilizado Teto de preços
Técnica utilizada Empresa eficiente
Período regulatório 5 anos
Manual de contabilidade regulatória Sim
Base de capital regulada Sim
Tarifas Sim
Qualidade do Serviço Sim
Subsídios Sim
Sistemas Rurais Não
Mecanismo de Subsídio
Subsidio direto ao consumo aos usuários mais 
pobres pago pelo governonacional aos prestadores.
Os municípios identificam os usuários elegíveis.
Papel do regulador Não interfere.
Regulação econômica
Com base numa variação da 
regulação por incentivos 
tradicional, uma vez que é definida 
uma empresa modelo/eficiente 
para cada prestador;
Não há comparação com 
prestadores reais, mas com um 
prestador teórico (eficiente);
O conceito de prestador eficiente é imposto para possibilitar ao regulador a determinação dos custos base para
definição de tarifas e poder assim incluir ainda os ganhos de produtividade esperados (fator X);
Os preços teto são definidos para um período regulatório de 5 anos;
Os prestadores estimam o nível de consumo para os próximos 15 anos e os investimentos necessários para 
satisfazer as essas necessidades. Existem várias metas operacionais (e.g. perdas)
RuiCunha Marques
La Superintendencia de Servicios Sanitarios (SISS)
Regulação da Qualidade de Serviço
INDICADORES DE DESEMPENHO
a) Cumprimento com as obras predefinidas (%) e) Qualidade do serviço
b) Atendimento dos serviços Qualidade da água potável (%)
Cobertura do serviço de água (%) Continuidade de serviço de água (%)
Cobertura do serviço de esgoto (%) Pressão do serviço de água potável (%)
c) Gestão operacional Continuidade de serviço de esgoto (%)
Fontes de abastecimento (nº) Capacidade de cobrar os serviços (%)
Produção (l/s) e perdas de água (%) Tempo de resposta a reclamações (%)
Redes de distribuição (m/usuário) f) Gestão ambiental
Indicadores de produtividade (staff/usuário) Tratamento de esgoto (%)
d) Gestão financeira e comercial Desempenho das ETE (%)
Faturação de água ($/usuário)
Investimentos /$/usuário)
Custos de exploração ($/usuário)
Resultados operacionais ($/ano)
Resultados não operacionais ($/ano)
Resultados líquidos do exercício ($/ano)
Ativos ($/ano)
Indicadores de rentabilidade (%)
No sentido de incentivar a qualidade do serviço, a SISS determina um conjunto de indicadores de desempenho, 
desagregados em cumprimento com as obras predefinidas, atendimentos dos serviços, gestão operacional, gestão 
financeira e comercial de água, qualidade do serviço e gestão ambiental
RuiCunha Marques
Regulação da Qualidade de Serviço
RuiCunha Marques
O regulador (SISS) promove incentivos aos prestadores através da avaliação da cobertura dos serviços urbanos 
(indicador de desempenho).
Região
Ministério de 
Desenvolvimento Social
Ministério das Finanças
Empresa de águaApresentar a fatura
ao município
Validar a fatura e envie-a ao
Governador da Região
Município
Recolher as contas e
apresentar um projeto de
lei regional ao Ministério
Recolher contas e
enviar uma fatura
consolidada
Aprovar gastos e 
fazer depósito em 
cada região
Transferênci 
a para 
municípios
Pagamento à 
empresa
A cada ano, o Ministério do 
Desenvolvimento Social 
determina, para cada região, o 
valor do subsídio e a forma de 
aplicação. O subsídio é 
totalmente suportado pelo 
orçamento do Governo Central.
O subsídio social pode cobrir 
entre 25-85% da fatura até 15 m³ 
por mês (pago pelo município à 
empresa). O subsídio aplica-se a 
ambas as taxas (fixa e variável) 
para serviços de água e 
saneamento.
Regulação Social e Acesso da População Vulnerável
Balanço da regulação no Chile
RuiCunha Marques
A regulação do Chile tornou-se 
uma referência pelos resultados 
alcançados, em particular a 
universalização dos serviços e um 
nível de qualidade de serviço 
elevado prestado à população
O modelo de regulação tarifária 
adotado tem também permitido 
manter as tarifas de modo 
comportáveis para os usuários.
Além disso, o modelo de subsídio 
direto à população de baixa renda 
é considerado muito eficaz.
Pelo fato das empresas 
prestadoras serem privadas, existe 
bastante controvérsia, mas os 
bons resultados globais para o 
setor tem evitado mudanças neste 
domínio
Ponto 3: Os 
desafios 
regulatórios da 
Colômbia
Colômbia
Durante a primeira metade do século XX, os municípios foram responsáveis pelo saneamento básico na Colômbia.
Em 1950, foi adotado um esquema centralizado e criado um Instituto de Desenvolvimento Municipal (INSFOPAL),
mas os municípios mantiveram a responsabilidade pelo fornecimento dos serviços.
Em 1989, o INSFOPAL faliu financeiramente e, em 1991, a Constituição Nacional delegou aos municípios a 
responsabilidade de fornecer saneamento, ao mesmo tempo que lhes deu o poder de decidir sobre a eventual 
participação do setor privado na gestão do setor do saneamento.
A estrutura legal do setor do saneamento foi contida na “Ley de Servicios Públicos Domiciliários” (Lei 142/1994).
A primeira PPP foi constituída em 1995.
RuiCunha Marques
Colômbia
População: 51 109 158 (2021)
RuiCunha Marques
Área: 1 141 748 km2
Regulação:
Na Colômbia, a regulação dos serviços de água e esgotamento sanitário 
cabe a duas instituições: Comisión de Regulación de Agua Potable y 
Saneamiento Básico (CRA), que define a regulação que todos os 
prestadores devem seguir, incluindo as metodologias para o cálculo de 
tarifas, e a Superintendencia de Servicios Públicos Domiciliarios (SSPD), que 
exerce as funções de inspeção, fiscalização e controle sobre os referidos 
prestadores incluindo da qualidade de serviço.
Estrutura de Mercado:
Na Colômbia existem mais de 2700 prestadores que se organizam em 
empresas estatais, empresas municipais, empresas privadas e outros 
modelos para prestadores de menor dimensão.
Colômbia – Regulação
• A CRA é uma entidade nacional, enquanto Unidade Administrativa Especial com 
autonomia administrativa, técnica e patrimonial, sem personalidade jurídica, e vinculada 
ao Ministério da Habitação, Cidade e Território;
• A CRA tem funções de regulação econômica, estabelecendo os sistemas tarifários dos
prestadores através de critérios de eficiência econômica e promovendo a competição
entre eles;
• Não obstante as várias e importantes funções que detém, a CRA não é responsável pela
monitorização de muitas das decisões que toma, estando esta atribuição afeta à SSPD.
• A CRA conta atualmente com 73 colaboradores e um orçamento de cerca de 5,4 milhões
de euros.
A SSPD é responsável pela monitorização e supervisão dos serviços públicos (por ex., 
água, energia, gás e telecomunicações). Neste âmbito, procura que os prestadores 
prestem estes serviços de forma adequada e eficiente, estabelecendo critérios 
contabilísticos uniformes, supervisionando a administração dos subsídios e 
monitorizando a sua gestão.
RuiCunha Marques
Colômbia – Regulação
Se um prestador de serviços é financeiramente fraco, não pode operar e manter adequadamente seus 
ativos, nem mobilizar recursos financeiros para melhorar a cobertura ou a qualidade do serviço. Os 
reguladores podem ajudar:
• Na Colômbia, o governo concentrou-se inicialmente no estabelecimento de custos unitários 
e na padronização das normas contábeis utilizadas pelas concessionárias. Isso permitiu 
introduzir eficiências para refletir totalmente os custos operacionais primeiro e depois cada 
vez mais os investimentos.
Construir uma 
base analítica 
sólida
• As reformas tarifárias da Colômbia foram em grande parte efetivas, estimulando a 
participação do setor privado. Garantir o investimento do setor privado é improvável sem a 
melhoria da sustentabilidade financeira por meio de regulação;
• O órgão regulador da Colômbia mostra o papel da regulamentação na atração da 
participação do setor privado (PSP). A Lei 142 de 1994 define PSP e promove processos de 
compras transparentes.
Atrair 
investimentos do 
setor privado
RuiCunha Marques
Regulação Econômica
A CRA) estabelece um modelo de regulação tarifária distinto para os prestadores com menos de 5000
usuários e para aquele com mais de 5000 usuários
Para prestadores com menos de 5000 usuários
Definição de Tarifas
Custo Fixo = CMA
Tarifa Variável = CMO + CMI + CMT
CMA – Custo Médio de Administração 
CMO – Custo Médio de Operação 
CMI – Custo Médio de Investimento
CMT – Custo Médio de Taxas Ambientais
Os custosmédios administrativos (CMA), para um
período de 5 anos, para o serviço de água (AC) e
para o serviço de esgoto (AL) são os seguintes:
Os custos operacionais são determinados tendo em 
consideração um fator de eficiência (Fator X), 
determinado com base na técnica DEA
RuiCunha Marques
Para prestadores com mais de 5000 usuários
Os custos são determinados com base 
no histórico
Regulação Econômica
A CRA
• O modelo de DEA é utilizado para dois grupos distintos de prestadores (entre 2500 e 25.000 usuários
e mais de 25.000 usuários);
• O modelo considera retornos constantes de escala e orientado para a minimização de inputs;
• A qualidade da amostra é controlada por parâmetros mínimos e por regras estatísticas para evitar a 
presença de outliers;
• Usa várias variáveis não controláveis.
Usa DEA para determinar os custos administrativos e OPEX eficientes;
Com base num sistema de preços teto (para um período de cinco anos), que também inclui 
um limite mínimo de 50%.
Modelo
Regulatório
RuiCunha Marques
Regulação da Qualidade de Serviço
RuiCunha Marques
O monitoramento da qualidade de serviço na Colômbia encontra-se sob a responsabilidade da
SSPD, em particular através de um conjunto de indicadores de desempenho.
Água Esgoto
Água captada (m3 | %) Esgoto tratado (m3 | %)
Capacidade instalada de produção de água (l/s) Capacidade instalada de tratamento de esgoto (l/s)
Consumo de água (m3/usuário/mês)
Água não faturada (% | m3/usuário/mês)
Índice de qualidade de água (%) Índice de qualidade de esgoto tratado (%)
Índice de continuidade (h/dia)
Cobertura de serviço (%) Cobertura de serviço (%)
Preço médio ($/m3 | $/usuário/mês) Preço médio ($/m3 | $/usuário/mês)
Financiamento do setor
Os planos de investimento do setor de
saneamento básico são aprovados pelo CRA.
Além do financiamento estatal, existe uma
RuiCunha Marques
comercial nacional denominada
que promove o desenvolvimento
empresa
FINDETER,
regional e urbano através do financiamento e
assessoria na conceção, execução e administração
de projetos e programas de investimento.
As tarifas são divididas em várias etapas que são
tributadas de forma diferente: 6 etapas residenciais e 2
não residenciais (comerciais/industriais ou oficiais).
Ø “Residencial 1 – bajo-bajo
Ø Residencial 2 – bajo
Ø Residencial 3 – medio-bajo
Ø Residencial 4 – medio
Ø Residencial 5 – medio-alto
Ø Residencial 6 – alto
Ø Comercial / Industrial
Ø Oficial”
Regulação social
Balanço da regulação na Colômbia
RuiCunha Marques
A regulação econômica da CRA 
ganha destaque pelo seu modelo 
de regulação tarifária baseado 
em incentivos de eficiência
Observa-se uma 
complementaridade entre a 
regulação econômica e regulação 
da qualidade de serviço em duas 
entidades distintas, o que tem 
vantagens mas também 
problemas
Os modelos regulatórios 
baseados em benchmarking têm 
de ser aplicados com cuidado, 
devido à heterogeneidade dos 
prestadores.
Balanço da regulação na Colômbia
RuiCunha Marques
Os principais problemas do setor de 
saneamento na Colômbia não podem ser 
dissociados dos problemas do país.
Além dos conflitos políticos, que 
condicionam o desenvolvimento do setor 
em parte considerável do território, a baixa 
renda per capita e a baixa densidade 
populacional também afetam a
sustentabilidade desse setor.
A regulação da qualidade de serviço pode e 
deve ser melhorada, nomeadamente, 
através da publicação e comparação de 
indicadores de desempenho.
Até muito recentemente, o CRA tem, 
compreensivelmente, centrado a sua 
atividade na regulação econômica e na 
regulação social.
Uma coordenação eficaz entre CRA e SSPD é 
de fundamental importância em termos de 
regulação da qualidade de serviço.
Ponto 4: O 
pioneirismo 
regulatório do 
Reino Unido
Reino Unido
Os serviços de saneamento básico são regulados por diversos documentos normativos na Inglaterra e no País de Gales.
A implementação da Lei da Água de 1989 levou à privatização do setor de água.
A Lei do Setor de Águas de 1991 definiu as funções e o modus operandi do regulador, bem como os direitos e 
obrigações dos serviços de saneamento básico relativos ao meio ambiente e aos usuários.
Essa lei de 1991 foi alterada em 1999 e, passou a incluir uma nova seção referente aos aspectos sociais, abrangendo 
questões como a proibição de desconexão de serviços e outra seção que criou a agência reguladora escocesa (The 
Water Industry Commissioner for Scotland - WICS).
As principais mudanças na Lei da Água de 2003 foram relacionadas à introdução da concorrência para grandes 
consumidores.
RuiCunha Marques
Reino Unido
Na Escócia, a Lei da Água de 1980 foi um dos marcos normativos mais 
importantes, que, entre outros aspectos, regulamentou a qualidade da água 
potável. A Lei da Indústria da Água de 1999 criou a WICS, a agência reguladora do 
setor, cujos estatutos foram posteriormente alterados pela Lei de Serviços de 
Água de 2005, que também mudou seu nome para Comissão da Indústria da 
Água.
A Lei da Indústria da Água de 2002 criou a Scottish Water Act, fundindo os três 
prestadores públicos existentes que fornecem serviços de saneamento básico 
para a população da Escócia. Também regulamentou o papel do regulador 
econômico (WICS), dos Painéis de Usuários e do regulador da qualidade da água 
potável (Drinking Water Quality Regulator).
RuiCunha Marques
Reino Unido
Na Irlanda do Norte, um documento normativo de 1999 (Water Order) alterou a estrutura 
organizacional existente do setor de água em muitos aspectos, que, até então, tinha sido 
baseada na Lei da Água de 1972. Esta lei regularia, por exemplo, os níveis mínimos para a 
qualidade da água potável, bem como para a descarga de efluentes. Mais tarde, em 2003, 
outras normas ambientais (Water Environment Regulations) implementaram a Diretiva 
Quadro da Água, estabelecendo níveis ainda mais rigorosos de qualidade. Foi também o 
regulador criado (Utility Regulator).
Abrangendo todo o Reino Unido, a Lei de Concorrência de 1998 esclareceu a 
regulamentação da concorrência no país, incluindo a liberalização e a abertura do setor de 
água à concorrência. A lei identifica e aborda as práticas restritivas de mercado e o abuso 
de posição dominante no mercado. Além dessas imposições, a lei introduziu novas 
penalidades para os atos anti-concorrenciais.
RuiCunha Marques
Reino Unido
População: 68 207 116 (2021)
RuiCunha Marques
Área: 242 495 km2
Regulação:
No Reino Unido (que inclui Inglaterra e País de Gales, Escócia e Irlanda 
do Norte), o setor da água é regulado (nos três países) por agencias 
reguladoras setoriais, nomeadamente OFWAT (para Inglaterra e País de 
Gales), WICS (para Escócia) e UR (para Irlanda do Norte).
Refira-se que a OFWAT e o seu modelo de regulação é uma referência a
nível internacional, nomeadamente ao nível da regulação econômica.
Estrutura de Mercado:
Em Inglaterra e no País de Gales existem 10 empresas privadas que 
prestam conjuntamente serviços de água e esgoto e 6 empresas que 
apenas prestam o serviço de água. O resto são empresas de pequena 
dimensão.
Na Escócia e Irlanda do Norte são prestadores nacionais.
Reino Unido
A OFWAT é uma entidade reguladora independente com funções de regulação 
econômica dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário em 
Inglaterra e no País de Gales.
Esta entidade foi criada como uma instituição descentralizada, dotada de património
próprio, autonomia administrativa e financeira.
A OFWAT conta atualmente com 232 colaboradores e um orçamento de cerca de 39 
milhões de euros.
Aliado às suas incumbências de regulação econômica (sistema tarifário), a OFWAT efetua 
também a regulação da qualidade do serviço e de proteção do usuário . Promove também a 
competição no setor do saneamento nos dois países, particularmente para os consumos não 
residenciais e grandes usuários.
RuiCunha Marques
Regulação econômica
Determinação dos níveis de serviço, da ‘avaliação global do desempenho’ e 
de outras medidas de desempenhoQualidade de 
serviço
Sunshine regulation
Regulação econômica em Inglaterra e País de Gales é apontada como
um caso elucidativo de sucesso no uso de incentivos
O regulador: OFWAT
Os melhores prestadores na qualidade de serviço são compensados com
um aumento do tarifário e os piores são penalizados
Preços + qualidade
serviço
Abordagem ‘Carrot e stick’
Regulação de preços/tarifas
Preços e tarifas Definição dos custos eficientes (na fórmula de limite de preços) através de
métodos de benchmarking (OLS e DEA para comprovar)
RuiCunha Marques
Regulação econômica
OPEX
A
Southern,
Yorkshire,
B
Anglian, &
West 
Hampshire
Severn , Sutton 
&
Essex & 
Suffolk
C
Tendring
Hundred
Three
Valleys
South
West
D
Dwr Cymru,
Folkestone & 
Dover, Mid
Kent
E South East
E D C B A
CAPEX (manutenção)
Os custos eficientes são transformados em fatores X e tornam-se os 
objetivos a serem alcançados por cada prestador no período 
seguinte de regulação.
A regulação do setor do saneamento é reconhecida como benchmark e exemplo a seguir
The Water Services Regulation Authority 
(OFWAT)
Regressão DEA
Determinar os custos eficientes que são a 
base para o cálculo do fator-X (na 
fórmula price cap)
RuiCunha Marques
A – Mais eficiente;
B – Acima da média; 
C – Média;
D – Abaixo da média;
E – Menos eficiente.
Regulação de qualidade de serviço
RuiCunha Marques
A OFWAT possui um modelo de regulação de qualidade de serviço baseado em níveis mínimos de serviço garantidos,
sendo os usuários indenizados diretamente pelos prestadores quando os mesmos não são assegurados.
Descrição
DG2 – Propriedades em risco de baixa pressão (horas / usuário / ano)
DG3 – Propriedades sujeitas a interrupções não planeadas superiores a 12h (nº)
DG4 – População sujeita a fornecimentos fora da rede pública (nº | %)
DG5 – Propriedades sujeitas a inundações (transbordamento ou outras causas) (nº)
DG5 – Propriedades sujeitas a risco de incidentes de inundações (1 em 10 anos) (nº)
DG5 – Propriedades sujeitas a risco de incidentes de inundações (2 em 10 anos) (nº)
DG6 – Contatos sobre faturação não respondidos (dentro de 5 dias úteis) (nº)
DG7 – Reclamações escritas não respondidas (dentro de 10 dias úteis) (nº | nº/usuário)
DG8 – Faturas não baseadas em medições (%)
DG9 – Telefonemas recebidos não respondidos dentro de 30 segundos (nº)
DG9 – Chamadas telefónicas (nº)
– Chamadas abandonadas
– Todas as linhas ocupadas
– Satisfação do call handling
Balanço da regulação no Reino Unido
RuiCunha Marques
A regulação econômica da OFWAT, 
em Inglaterra e País de Gales, é uma 
referência internacional não apenas 
por ter sido pioneira a nível mundial 
mas também pela inovação com 
aplicação de técnicas e modelos 
mais robustas e complexos
Existe um grande foco na 
sustentabilidade financeira e social 
(modicidade tarifária) dos serviços 
de saneamento
Nos últimos anos, a regulação tem 
sido muito criticada pela falta de 
incentivos para a realização de 
investimentos na sustentabilidade 
ambiental e resiliência dos serviços 
e ainda assim os prestadores 
evidenciarem lucros elevados
Balanço da regulação no Reino Unido
RuiCunha Marques
O Reino Unido tem um 
modelo regulatório bem 
projetado, moderno e muito 
robusto.
A regulação se preocupa 
principalmente em 
salvaguardar os interesses dos 
usuários, sem negligenciar a 
sustentabilidade dos 
prestadores.
Os diferentes reguladores têm 
sido capazes de supervisionar 
e monitorar com sucesso a 
qualidade do serviço, como as 
melhorias neste setor têm 
provado.
Balanço da regulação no Reino Unido
Os reguladores asseguraram que as diferentes obrigações de serviço público sejam cumpridas através 
do estabelecimento de contratos entre as diversas partes interessadas, e mantiveram a remuneração 
dos prestadores através de uma regulação econômica adequada, ou seja, garantindo a viabilidade 
econômica e financeira dos prestadores sem permitir lucros acima de um nível justo e razoável.
Finalmente, é importante observar que em todos os seus diversos aspectos econômicos, sociais e 
ambientais, a regulação no Reino Unido foi desenvolvida a partir de uma perspectiva de longo prazo e 
com o objetivo de garantir a sustentabilidade.
Os aspectos menos bem-sucedidos estão relacionados à ausência de uma medição universal para 
medir os volumes consumidos e o alto risco regulatório predominante, o que torna o setor de 
saneamento básico britânico menos atraente para o setor privado.
RuiCunha Marques
Obrigado!
Nome do curso
Rui CunhaMarques
Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa (IST-UL) 
rui.marques@tecnico.ulisboa.pt 
www.ruicunhamarques.com
mailto:rui.marques@tecnico.ulisboa.pt
http://www.ruicunhamarques.com/

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