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DESCRIÇÃO Visão geral dos conceitos e métodos utilizados pela escola técnica (gráfica) de análise de ações. PROPÓSITO Compreender os fundamentos e as principais metodologias utilizadas pela escola técnica — também conhecida como escola gráfica — na busca de oportunidades de investimento em ações. PREPARAÇÃO Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos recursos como planilhas eletrônicas (Excel) e calculadora para efetuar os cálculos dos indicadores propostos. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar os conceitos, os princípios e as metodologias básicas da análise técnica MÓDULO 2 Reconhecer os principais tipos de figuras nos gráficos de ações MÓDULO 3 Definir o emprego dos principais tipos de indicadores da análise técnica INTRODUÇÃO No mercado de ações, a análise técnica é vista por muitos como uma visão complementar à análise fundamentalista, que se baseia em projeções de resultados futuros dos ativos e comparações com preços praticados no mercado. Sua principal premissa é a ideia de que é possível inferir o comportamento futuro de ações a partir do estudo do desempenho histórico retratado em gráficos com registro de cotações passadas. Apesar de sua praticidade e popularidade, com diversos defensores ferrenhos de sua utilização, a análise técnica é bastante criticada por pesquisadores em finanças, os quais advogam que a suposta capacidade de inferência do desempenho futuro a partir de gráficos de cotações violaria a teoria da eficiência de mercado, bastante difundida no meio acadêmico. A despeito dessa discordância entre praticantes e acadêmicos, a análise técnica é extremamente difundida e utilizada no mercado financeiro. Portanto, seus conceitos devem ser divulgados e debatidos, a fim de instruir praticantes que desejem testá-la em suas aplicações de recursos e gerar insumos para pesquisas acadêmicas que continuem testando cientificamente sua eficácia. MÓDULO 1 Identificar os conceitos, os princípios e as metodologias básicas da análise técnica LIGANDO OS PONTOS FUNDAMENTOS DA ANÁLISE TÉCNICA Vamos conhecer mais como é feita uma análise técnica tendo como base o caso a seguir. Após anos trabalhando como analista financeiro no mercado de capitais, João conseguiu acumular recursos que lhe permitem viver exclusivamente de seus investimentos, e uma parcela significativa desses recursos está aplicada em ações. Até o presente momento, João utilizou a análise fundamentalista – baseada no estudo dos demonstrativos financeiros e nas projeções de resultados futuros de empresas – para seu processo de tomada de decisão. Porém, recentemente, decidiu que iniciaria o estudo de uma metodologia complementar, mais especificamente a da análise técnica. Também denominada de análise gráfica, essa metodologia se baseia no estudo do comportamento da cotação das ações no mercado, visando identificar oportunidades de investimento. A criação da base filosófica da análise técnica é atribuída a Charles Dow, cofundador do Wall Street Journal e criador do Índice Dow Jones. Em sua teoria, denominada de Teoria Dow, ele propôs alguns princípios básicos que norteiam o comportamento das cotações dos ativos no mercado. Segundo um dos princípios mais importantes, “os índices descontam tudo”. Em termos práticos, isso determina que índices, como o Ibovespa, refletem o consenso das opiniões dos investidores sobre o passado, presente e futuro. Dessa forma, notícias, resultados contábeis e perspectivas futuras estão incorporadas nesses índices. Outro importante postulado da Teoria de Dow é a ideia de que “os mercados se movimentam em tendências”. Dow defendia que as tendências das cotações das ações podem ser de alta ou baixa, e ainda podem ser classificadas em primárias (movimentos de longo prazo do mercado, durando de meses a anos), secundárias (movimentos de médio prazo, com prazos variando de semanas a meses) e terciárias (movimentos de curto prazo, durando dias ou semanas). A despeito da Teoria Dow já existir a mais de um século, ainda hoje é bastante utilizada, sendo a base para diversos instrumentos utilizados na análise técnica. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? 1. INTERESSADO NA ANÁLISE TÉCNICA, JOÃO RESOLVEU APLICAR OS PRINCÍPIOS DA TEORIA DOW NO HISTÓRICO DE COTAÇÕES DO IBOVESPA NO PERÍODO ENTRE JANEIRO DE 2010 A AGOSTO DE 2021. NESSE SENTIDO, QUAIS SERIAM AS TENDÊNCIAS PRIMÁRIAS, SECUNDÁRIAS E TERCIÁRIAS QUE PODEM SER VERIFICADAS NO GRÁFICO ABAIXO? ADICIONALMENTE, DISCORRA SOBRE FATOS OCORRIDOS AO LONGO DOS ÚLTIMOS ANOS QUE POSSAM TER INFLUENCIADO O MERCADO E ESTEJAM REFLETIDOS NAS COTAÇÕES DO IBOVESPA. Imagem: IBOVESPA Gráfico Candlestick Ibovespa— janeiro de 2010 a agosto de 2021 RESPOSTA javascript:void(0) Conforme podemos observar no gráfico abaixo, no período de 2010 a 2016, temos uma clara tendência primária de baixa, movimento que reflete a estagnação econômica e o concomitante desgaste político verificado no 2º governo da Presidente Dilma Rousseff, culminando no impeachment em agosto de 2016. Na sequência, podemos verificar uma 1ª tendência primária de alta, que vai de 2016 até o início de 2020. Nesse período, embalado pelas expectativas positivas das reformas econômicas (por exemplo, a reforma previdenciária), o Ibovespa apresenta uma forte ascensão, interrompida no 1º trimestre de 2020 pelo impacto da pandemia da Covid-19. Por fim, após a rápida e profunda queda do Ibovespa no 1º trimestre de 2020, é possível observar sua recuperação. Isso se deve, principalmente, à expectativa de redução dos impactos da pandemia na economia com o anúncio de planos de ajuda governamentais, a ajustes nos modelos de negócios das empresas com o suporte de novas tecnologias e à expectativa do desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. Temos então a formação de uma 2ª e mais longa tendência primária de alta do Ibovespa, tendo como suporte o fundo formado no princípio de 2020. TENDÊNCIA PRIMÁRIA DE BAIXA TENDÊNCIAS PRIMÁRIAS DE ALTA Imagem: IBOVESPA, adaptado por Luiz Ozorio Gráfico Candlestick Ibovespa— janeiro de 2010 a agosto de 2021 Além das tendências primárias citadas, é possível verificar no gráfico abaixo alguns exemplos de tendências secundárias de alta e baixa, que estão presentes no decorrer de todo período analisado. TENDÊNCIA SECUNDÁRIAS DE ALTA TENDÊNCIA SECUNDÁRIAS DE BAIXA Imagem: IBOVESPA, adaptado por Luiz Ozorio Gráfico Candlestick Ibovespa— janeiro de 2010 a agosto de 2021 As tendências terciárias consistem nas ondulações menores (prazo de dias a semanas) que podem ser verificadas no espaço compreendido pelas tendências secundárias. Em razão de seu pequeno tamanho, essas tendências são difíceis de serem marcadas no gráfico. 2. O GRÁFICO UTILIZADO PARA APRESENTAÇÃO DAS COTAÇÕES DO IBOVESPA NO PERÍODO ENTRE 2010 A AGOSTO DE 2021 FOI O GRÁFICO DE VELAS, TAMBÉM DENOMINADO DE CANDELABRO JAPONÊS (CANDLESTICK). ALÉM DESSE MODELO, SÃO UTILIZADOS NA ANÁLISE TÉCNICA PARA APRESENTAÇÃO DAS COTAÇÕES DE PREÇO DAS AÇÕES OS GRÁFICOS DE: A) formato de pizza, ponto-figura e área. B) radar, área e barras. C) barras, radar e dispersão. D) dispersão, linha e formato de pizza. E) linha, barras e ponto-figura. 3. SEGUNDO DETERMINA O PRINCÍPIO DA CONFIRMAÇÃO DA TEORIA DOW: A) os volumes negociados devem ser crescentes na direção da tendência principal. B) para confirmação de uma tendência, os índices complementares e amplos devem se movimentar na mesma direção. C) as cotações das ações e dos índices de mercado devem confirmar as notícias publicamente divulgadas. D) os volumes negociados devem ser crescentes na direção da tendência secundária e terciária. E) a tendência primária deve ser confirmada pela secundária e terciária. GABARITO 2. O gráfico utilizado para apresentação das cotações do Ibovespa no período entre 2010 a agosto de 2021 foi o gráfico de velas, também denominado de candelabro japonês (candlestick). Além desse modelo, são utilizados na análisetécnica para apresentação das cotações de preço das ações os gráficos de: A alternativa "E " está correta. Os gráficos utilizados para apresentação do histórico de cotações de ações são: o candelabro japonês, o gráfico de linha, o gráfico de barras e o gráfico ponto-figura. 3. Segundo determina o princípio da confirmação da Teoria Dow: A alternativa "B " está correta. O “princípio da confirmação” determina que, para haver confirmação de uma tendência, é necessário que os índices complementares (como os índices setoriais) e amplos (como Ibovespa ou S&P 500) se movimentem na mesma direção. CONCEITOS DA ANÁLISE TÉCNICA OU GRÁFICA Neste módulo, definiremos a análise técnica e apresentaremos os principais aspectos e instrumentos dessa metodologia. Além de discutirmos os fundamentos da escola técnica, apresentaremos os principais tipos de gráficos, as linhas de tendência, suporte e resistência, e, ainda, uma breve introdução sobre as ondas de Elliot. PRINCÍPIOS DA ANÁLISE TÉCNICA TAMBÉM CONHECIDA COMO ANÁLISE GRÁFICA, A ANÁLISE TÉCNICA CONSISTE EM UMA METODOLOGIA BASEADA NO ESTUDO DO COMPORTAMENTO HISTÓRICO DA COTAÇÃO DE ATIVOS NO MERCADO — AÇÕES, COMMODITIES, MOEDAS ETC. — QUE PROCURA INFERIR TENDÊNCIAS FUTURAS PARA SEUS PREÇOS, VISANDO IDENTIFICAR OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO. COMMODITIES Produtos primários (como, por exemplo, café, açúcar, soja, trigo, petróleo, ouro, diversos minérios etc.), cujo preço é determinado pela oferta e procura internacional. Fonte: Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Os fundamentos que norteiam a análise técnica são provenientes dos estudos de Charles Dow, estruturados na Teoria Dow, criada no final do século XIX. Essa teoria é pautada em seis princípios básicos, que buscam descrever o comportamento dos investidores e sua relação com a evolução das cotações das ações no mercado. São eles: CHARLES DOW Fundador do Wall Street Journal e criador do Índice Dow Jones. 1º PRINCÍPIO – OS ÍNDICES DESCONTAM TUDO A ideia por trás desse princípio seria que os índices de mercado — como Ibovespa, S&P 500, Nasdaq e Dow Jones — refletem o consenso das opiniões dos investidores sobre o passado, o presente e o futuro. Dessa forma, todos os fatores que afetam os preços das ações — como notícias, resultados contábeis, perspectivas de novos negócios, acidentes etc. — estariam incorporados nos índices. javascript:void(0) javascript:void(0) 2º PRINCÍPIO – OS MERCADOS SE MOVEM EM TENDÊNCIAS Dow defende que as tendências dos preços das ações podem ser de alta ou baixa, e classificadas em primárias, secundárias e terciárias. As tendências primárias consistem em movimentos de longo prazo do mercado, que podem durar de meses a anos. As tendências secundárias seriam movimentos de médio prazo, que correspondem a correções ou reações de mercado, com prazos variando de semanas a meses. As tendências terciárias seriam os movimentos de curto prazo, que podem durar dias ou semanas. 3º PRINCÍPIO – PRINCÍPIO DA CONFIRMAÇÃO Esse princípio postula que, para confirmação de uma tendência, seria necessário que os índices complementares (como os índices setoriais) e amplos (como Ibovespa ou S&P 500) se movimentassem na mesma direção. Por exemplo, caso o índice IEE B3 — Índice das Empresas de Energia Elétrica da Bovespa — estivesse em alta, enquanto o Ibovespa estivesse em queda, a tendência de alta para as empresas do setor elétrico não estaria confirmada, indicando fragilidade na manutenção do movimento de subida. 4º PRINCÍPIO – O VOLUME DEVE CONFIRMAR A TENDÊNCIA De acordo com este princípio, o volume de negociações do ativo deve aumentar na mesma direção que a tendência principal. Dessa forma, supondo uma tendência primária de alta, movimentos secundários de alta devem ser acompanhados de aumentos no volume, enquanto tendências secundárias de queda devem ser seguidas por volumes proporcionalmente menores. Além disso, no caso de uma reversão de tendência, para que a nova tendência se confirme, seria necessário que o movimento fosse confirmado por um aumento de volume. 5º PRINCÍPIO – A TENDÊNCIA PRIMÁRIA TEM TRÊS FASES: ACUMULAÇÃO, PARTICIPAÇÃO PÚBLICA E DISTRIBUIÇÃO Na fase de acumulação, após um período de baixa, o mercado já absorveu as notícias ruins. Então, inicia-se um movimento de subida leve, com a entrada dos investidores profissionais que antecipam o movimento de alta. Na fase de participação pública, o mercado ganha força com a entrada de mais investidores motivados por boas notícias. Na fase de distribuição, mais investidores — motivados pela forte subida das cotações e notícias promissoras na mídia — provocam uma euforia e uma elevação ainda maior dos preços. Nessa última fase, os investidores atentos aos movimentos de mercado aproveitam para encerrar suas operações, vendendo suas ações e auferindo seus rendimentos. 6º PRINCÍPIO – UMA TENDÊNCIA DEVE SER CONSIDERADA VIGENTE ENQUANTO OUTRA NÃO É CONFIRMADA Como verificaremos mais adiante, existem diversos instrumentos que podem ser utilizados para testar a manutenção ou reversão de uma tendência. Esse princípio sugere, por exemplo, que o investidor não abandone prematuramente uma posição comprada em um mercado de alta, enquanto não existirem indícios de sua reversão. Apesar de ter mais de um século, a Teoria Dow ainda é bastante utilizada, e suas premissas são a base para diversos instrumentos utilizados na análise técnica. TIPOS DE GRÁFICOS Uma ferramenta fundamental para análise técnica são os gráficos utilizados para estudo do comportamento histórico das cotações das ações. Diversos tipos de gráficos se prestam a essa tarefa, dentre os quais podemos destacar: Gráfico de linha Gráfico de barras Gráfico ponto-figura Gráfico de velas — também chamado de gráfico do candelabro (candlestick) Aqui, discutiremos os dois mais utilizados no mercado, gráfico de barras e candlestick, presentes em diversos softwares e aplicativos de análise técnica. GRÁFICO DE BARRAS O GRÁFICO DE BARRAS CONSISTE EM UMA SEQUÊNCIA DE BARRAS VERTICAIS, CADA QUAL REFERENTE A UMA UNIDADE DA PERIODICIDADE ESCOLHIDA PARA ANÁLISE, QUE PODE VARIAR DE MINUTOS A ANOS. A periodicidade mais comumente utilizada no mercado é a diária, mas, no caso dos investidores que efetuam operações em curto espaço de tempo, comprando e vendendo dentro do mesmo dia, é recomendável o uso de gráficos mais curtos com dados, por exemplo, registrados a cada 5 ou 15 minutos. Cada barra desse tipo de gráfico sumariza (sintetiza, resume) quatro tipos de informações sobre as cotações de uma ação em determinado período, mais especificamente os valores de: abertura, máxima, mínima e fechamento do mercado. Na figura 1, é possível observar um exemplo de gráfico de barras referente à empresa Aliansce Sonae Shopping Centers, com código na B3 de ALSO3, relativo ao período de junho de 2015 a junho de 2016: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 1: Gráfico de barras da Aliansce Sonae Shopping Centers — junho de 2015 a junho de 2016. Os extremos da barra referem-se às cotações mínima e máxima, o traço posicionado à esquerda refere-se à cotação de abertura, e o traço posicionado à direita refere-se à cotação de fechamento. A fim de facilitar a interpretação das informações nas barras, utilizam-se cores para identificar os movimentos de alta e baixa. No caso de um período de alta (cotação de fechamento superior à da abertura), utiliza-se, em geral, a cor verde para a barra, enquanto para um período de baixa (cotação de fechamento inferior à da abertura), utiliza-se a cor vermelha. CANDLESTICK A criação do candlestick é atribuída a um negociador de arroz do mercado japonês no século XVIII. Por isso, esse gráfico também é denominado candelabro japonês (japanese candlestick). A lógica do candlestick é similar à do gráfico OHLC, com as mesmas informações disponibilizadas por período. A diferença crucial entre ambos é que, no lugar dos traços à esquerda e à direita, indicando, respectivamente, a mínima e a máximado gráfico de barras, o intervalo entre essas cotações fica hachurado (traçado) no candlestick, similar a uma vela. Para identificar se um período é de alta ou baixa, utiliza-se o mesmo esquema de cores proposto no gráfico de barras. Na figura 2, é possível observar o mesmo exemplo apresentado na figura 1, mas elaborado com o uso do candlestick: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 2: Gráfico candlestick da Aliansce Sonae Shopping Centers — junho de 2015 a junho de 2016. É importante observar a escala utilizada na elaboração do gráfico. Geralmente, no mercado, é comum o uso de dois tipos de padrões: a escala aritmética e a escala logarítmica. Escala aritmética • A distância vertical de um ponto a outro utiliza sempre a mesma unidade, ou seja, a distância entre os valores 1 e 2 será a mesma utilizada entre os valores 11 e 12, e assim por diante. Escala logarítmica • A distância entre um ponto a outro será sempre a mesma em termos percentuais. • Por exemplo, a distância entre os valores 1 e 2 será a mesma entre os valores 10 e 20, pois, em ambos os casos, temos uma variação de 100%. LINHAS DE TENDÊNCIA De posse do gráfico de cotações, seja de barras ou candlestick , o primeiro passo da análise técnica consiste na identificação da tendência do mercado, que pode ser de alta, de baixa ou, ainda, indefinida. Tendência de alta • É caracterizada por uma sucessão de topos e fundos ascendentes no gráfico. Tendência de baixa • O contrário ocorre, ou seja, a sucessão de topos e fundos descendentes. Mas, quando as cotações mais atuais não ultrapassam os valores de máximo e mínimo de períodos imediatamente anteriores, podemos afirmar que o mercado está sem tendência definida, ou, no jargão do mercado de capitais, “está de lado”. A figura 3 apresenta um exemplo de tendência de alta relativo à empresa Aliansce Sonae Shopping Centers, iniciada em junho de 2018 e finalizada em março de 2020, que se caracteriza pela sucessão de fundos e topos ascendentes no período: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 3: Tendência de alta nas cotações da Aliansce Sonae Shopping Centers — junho de 2018 a março de 2020. Para visualizar de forma mais clara as tendências de mercado, utilizam-se, geralmente, linhas de tendências, que correspondem a: No mercado de alta – linhas conectando os fundos ascendentes das cotações observadas em determinado período. No mercado de baixa – linhas conectando os topos descendentes das cotações. Na figura 4, é possível observar dois exemplos de linhas de tendência de alta no gráfico referente às cotações da Aliansce Sonae Shopping Centers: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 4: Linha de tendência de alta nas cotações da Aliansce Sonae Shopping Centers. Ambas as linhas são relacionadas à mesma tendência de alta. A primeira foi iniciada no 1º trimestre de 2016, e a segunda — mais acentuada — foi iniciada no 2º semestre de 2018. O período de alta aconteceu no 1º trimestre de 2020, quando as duas linhas foram cortadas. Utilizando como base as cotações da Aliansce Sonae Shoppings Centers, na figura 5, é possível observar dois exemplos de linhas de tendência de baixa: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 5: Linhas de tendência de baixa nas cotações da Aliansce Sonae Shopping Centers. A primeira linha foi iniciada no 4º trimestre de 2012 e finalizada no 1º trimestre de 2015, e a segunda linha (mais acentuada) foi registrada no período de maio de 2013 a agosto de 2014. Em situações que o mercado estiver indefinido, será possível traçar linhas horizontais ligando os fundos e topos, formando um canal, conforme demostrado no exemplo apresentado na figura 6, no período de janeiro de 2014 a janeiro de 2017, referente às cotações das ações da Aliansce Sonae Shopping Centers: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 6. Canal lateral nas cotações da Aliansce Sonae Shopping Centers. No caso de reversão de uma tendência de alta, observa-se o gráfico de cotações (barras ou velas do candlestick) cortando de cima para baixo a linha de tendência de alta. De forma análoga, quando o gráfico das cotações corta de baixo para cima a linha de tendência de baixa, temos uma reversão da tendência de baixa. SEMELHANTE AOS CASOS ANTERIORES, QUANDO UMA DAS LINHAS DO CANAL REFERENTE AO MERCADO DE LADO É ULTRAPASSADA (COM AS BARRAS SAINDO DO CANAL), DIZEMOS QUE O MERCADO ENTROU EM TENDÊNCIA. Nesse sentido, diversos autores sugerem que, quando uma tendência é revertida, e os volumes negociados são expressivos, temos uma forte indicação (confirmação) de que a nova tendência deve persistir. TANTO NOS GRÁFICOS DE BARRAS QUANTO NOS CANDLESTICKS, OS VOLUMES NEGOCIADOS (EM QUANTIDADES DE AÇÕES) SÃO, GERALMENTE, EXPOSTOS EM BARRAS VERTICAIS PEQUENAS, QUE FICAM ABAIXO DO GRÁFICO DE COTAÇÕES. O gráfico na figura 7 apresenta um exemplo de reversão de uma tendência de baixa para uma tendência de alta, referente às cotações das ações da empresa Magazine Luiza: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 7: Reversão de tendência nas cotações das ações da Magazine Luiza. Como podemos observar, em dezembro de 2015, uma tendência de baixa que já se estendia desde o 2º semestre de 2014 — e, de forma mais acentuada, desde meados de 2015 — foi revertida, com um forte aumento dos volumes negociados, dando início a uma longa tendência de alta que ainda vigorava em janeiro de 2021. Além disso, as tendências podem ser observadas em diferentes periodicidades. Considerando as oscilações nas cotações, uma tendência terciária de alta, por exemplo, poderia estar inserida em uma tendência secundária de baixa, que, por sua vez, pode fazer parte de uma tendência primária de alta. É possível notar isso no exemplo apresentado na figura 8, referente às cotações das ações da empresa Weg: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 8: Tendências primária, secundária e terciária nas cotações das ações da Weg. Nesse exemplo, temos uma longa tendência primária de alta registrada no período que se estende do 2º semestre de 2012 até janeiro de 2021, na qual — no intervalo de julho de 2015 a julho de 2016 — se manifesta uma tendência secundária de baixa. Nesta, no 4º trimestre de 2015, apresenta-se uma tendência terciária de alta. SUPORTES E RESISTÊNCIAS ALÉM DAS LINHAS DE TENDÊNCIA, OUTRAS FERRAMENTAS ÚTEIS, QUE PODEM SER APLICADAS DE FORMA SIMPLES E OBJETIVA NOS GRÁFICOS, SÃO OS SUPORTES E AS RESISTÊNCIAS. Os suportes • São as regiões de preço em que as cotações de uma ação em queda são represadas, e o movimento de baixa é temporariamente estancado. Em teoria, o racional para a formação de um suporte seria a percepção da maior parte dos investidores de que, ao preço praticado (cotação do suporte), a ação estaria barata, fazendo com que a demanda (ponta compradora) superasse a oferta (ponta vendedora). As resistências • São regiões de preço em que as cotações de uma ação em movimento de subida são detidas, fazendo com que um movimento de alta seja paralisado. A formação de uma resistência seria explicada, em tese, pela percepção de que os preços praticados nessa região (cotação de resistência) estariam caros, permitindo que a oferta superasse a demanda. Na figura 9, referente ao gráfico das cotações das ações da Weg, podemos observar um exemplo de suporte de preços, registrado no período de janeiro de 2014 a julho de 2016, e um exemplo de resistência de preços, registrado no período de janeiro de 2018 a junho de 2019: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 9: Suporte e resistência nas cotações das ações da Weg. De fácil aplicação e entendimento, as linhas de tendências, suporte e resistência podem ser úteis para o acompanhamento do desempenho de mercado, bem como para a determinação de pontos de compra e venda das ações. OUTRAS FERRAMENTAS DA ANÁLISE TÉCNICA Além das linhas de tendência, suportes e resistências, a análise técnica propõe o uso de outras ferramentas que podem diagnosticar os movimentos de mercado. As mais populares são as figuras, os indicadores e as ondas de Elliot. AS FIGURAS DA ANÁLISE TÉCNICA SÃO PADRÕESGRÁFICOS QUE SE FORMAM EM UMA SEQUÊNCIA DE COTAÇÕES, AS QUAIS PODEM AUXILIAR NA TAREFA DE PREVER A CONTINUIDADE OU REVERSÃO DA TENDÊNCIA DE PREÇOS. Entre as diversas figuras existentes, uma das mais famosas é chamada de ombro-cabeça-ombro, cujo surgimento sugere uma reversão de tendência de alta, conforme proposto no esquema gráfico apresentado na figura 10: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 10. Esquema gráfico de um ombro-cabeça-ombro. COMENTÁRIO No módulo 2, aprofundaremos o entendimento do ombro-cabeça-ombro e apresentaremos outros padrões gráficos utilizados por analistas técnicos, especuladores e investidores no mercado. Conforme explicamos no início deste módulo, os estudos e o uso da análise técnica começaram a ser aprofundados no final do século XIX por Charles Dow, com aplicações no mercado de ações dos EUA, ou ainda anteriormente a isso, se considerarmos o uso de gráficos por mercadores de commodities, como, por exemplo, o mercador de arroz, a quem se atribui a criação do candlestick. Nessa época, não havia disponíveis recursos computacionais como hoje, e os gráficos eram elaborados manualmente. À medida que a informática foi evoluindo, foram criados softwares de análise gráfica, o que, além de facilitar a construção dos gráficos, aumentou sensivelmente a velocidade de sua produção. Além disso, outro aspecto positivo da informatização da análise técnica foi a intensificação do uso de indicadores numéricos, alguns preexistentes e outros criados posteriormente, em virtude da simplificação dos cálculos utilizados em sua construção. Da mesma forma que as figuras, os indicadores da análise técnica podem ser utilizados para confirmação da manutenção de tendências ou reversões. ENTRE OS MAIS USADOS, UM INDICADOR BASTANTE TRADICIONAL É O ON BALANCE VOLUME (OBV), QUE CONSISTE NA DIFERENÇA ENTRE O SOMATÓRIO DOS VOLUMES DE NEGOCIAÇÕES APURADAS NOS DIAS DE ALTA E O SOMATÓRIO DOS VOLUMES DE NEGOCIAÇÕES APURADAS NOS DIAS DE BAIXA. Quando o OBV é positivo, significa que o número de ações adquiridas nos dias de alta foi superior ao número de ações negociadas no dia de baixa, o que sugeriria um processo de acumulação, podendo ser interpretado como indício de um movimento de alta. COMENTÁRIO No módulo 3, aprofundaremos o entendimento do OBV e discutiremos sobre a utilização dos demais indicadores usados na análise técnica. Além das figuras e dos indicadores, uma ferramenta bastante interessante da análise técnica são as ondas de Elliot. Criadas por Ralph Nelson Elliot na década de 1930, elas consistem em uma teoria que sugere padrões de comportamento dos preços de ações. De acordo com essa teoria, uma tendência de alta no mercado é constituída de cinco movimentos: três de alta (ondas 1, 3 e 5) e dois de queda (ondas 2 e 4). Por sua vez, em uma tendência de baixa, são verificados três movimentos: A, B e C. As ondas A e C são de queda, e a onda B (que intercala as ondas A e C) é de alta, conforme sugerido na figura 11: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 11. Esquema gráfico de ondas de Elliot. Elliot sugere em suas publicações que o mesmo padrão verificado nas tendências primárias poderia ser verificado em suas tendências secundárias e terciárias, conforme sugerido na figura 12: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 12. Esquema gráfico de ondas de Elliot em diferentes periodicidades. A APLICAÇÃO DESSA METODOLOGIA OCORRE PELA TENTATIVA DE VISUALIZAÇÃO DAS ONDAS NOS GRÁFICOS, O QUE, EM TESE, PERMITIRIA AO INVESTIDOR MONITORAR E ANTECIPAR MOVIMENTOS DO MERCADO. O GRANDE DESAFIO DESSA TEORIA ESTÁ NA DIFICULDADE RELATIVA À IDENTIFICAÇÃO DAS ONDAS E DE SUA DURAÇÃO. INTRODUÇÃO À ANÁLISE TÉCNICA O especialista Luiz Ozorio faz uma introdução à análise técnica: VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. DESENVOLVIDA POR CHARLES DOW NO FINAL DO SÉCULO XIX, A TEORIA DOW É CONSIDERADA POR MUITOS A BASE DA ESCOLA TÉCNICA DE ANÁLISE DE AÇÕES POR TER ESTABELECIDO PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O ESTUDO DOS GRÁFICOS DE COTAÇÕES. UM DOS PRINCÍPIOS POSTULADOS POR DOW FOI A IDEIA DE QUE OS “ÍNDICES DESCONTAM TUDO”. NA PRÁTICA, ISSO SIGNIFICARIA QUE: A) Os índices de mercado (como, por exemplo, o Ibovespa e o S&500) refletem as projeções estimativas embutidas no fluxo de caixa descontado das ações. B) Os índices de mercado (como, por exemplo, o Ibovespa) refletem o consenso das percepções dos investidores sobre todos os fatores que possam afetar o preço das ações. C) Os índices de mercado (como, por exemplo, o Ibovespa e a Nasdaq) são, geralmente, descontados em relação ao valor justo das ações, calculado pelos analistas fundamentalistas. D) Os índices de mercado (como, por exemplo, o S&P 500) são, geralmente, manipulados pelos especuladores, que desejam ter ganho sobre os pequenos investidores. E) Os índices de mercado (como a Nasdaq, por exemplo) refletem as percepções dos analistas de mercado, que são, geralmente, descontadas em relação às percepções dos especuladores. 2. UM DOS INSTRUMENTOS MAIS TRADICIONAIS DA ANÁLISE TÉCNICA É A APLICAÇÃO DAS LINHAS DE TENDÊNCIA — FERRAMENTAL DE USO SIMPLES E PRÁTICO PARA O ESTUDO DO COMPORTAMENTO DO PREÇO DAS AÇÕES. EM RELAÇÃO A UMA LINHA DE TENDÊNCIA DE ALTA, É POSSÍVEL AFIRMAR QUE ESTA É CONSTRUÍDA PELA LIGAÇÃO DOS PONTOS REFERENTES AOS: A) Topos ascendentes das cotações das ações. B) Fundos descendentes das cotações das ações. C) Topos descendentes das cotações das ações. D) Topos e fundos descendentes das cotações das ações. E) Fundos ascendentes das cotações das ações. GABARITO 1. Desenvolvida por Charles Dow no final do século XIX, a Teoria Dow é considerada por muitos a base da escola técnica de análise de ações por ter estabelecido princípios que norteiam o estudo dos gráficos de cotações. Um dos princípios postulados por Dow foi a ideia de que os “índices descontam tudo”. Na prática, isso significaria que: A alternativa "B " está correta. A Teoria de Dow postula que os índices de mercado — como Ibovespa e S&P 500 — refletem as percepções dos investidores sobre o passado e as perspectivas acerca do futuro, o que determinaria que todos os fatores que afetam os preços das ações estariam incorporados nesses indicadores. 2. Um dos instrumentos mais tradicionais da análise técnica é a aplicação das linhas de tendência — ferramental de uso simples e prático para o estudo do comportamento do preço das ações. Em relação a uma linha de tendência de alta, é possível afirmar que esta é construída pela ligação dos pontos referentes aos: A alternativa "E " está correta. Em um mercado de alta, as linhas de tendências são construídas pela conexão dos fundos ascendentes dos preços dos ativos por uma reta, enquanto em um mercado de baixa, as linhas conectariam os topos descendentes dos preços. MÓDULO 2 Reconhecer os principais tipos de figuras nos gráficos de ações LIGANDO OS PONTOS PADRÕES GRÁFICOS Você consegue identificar os grupos de padrões em uma análise técnica? Vamos entender mais sobre esses padrões. Além do conhecimento da Teoria Dow e do uso das linhas de tendência, suporte e resistência, outro ferramental importantíssimo na análise técnica são os padrões gráficos, também conhecidos como figuras da análise gráfica. Nesse sentido, podemos identificar três grupos de padrões: as figuras de reversão, as figuras de continuidade e os padrões específicos do candlestick. No caso específico das figuras de reversão, as mais conhecidas são: o ombro-cabeça-ombro, o ombro- cabeça-ombro invertido, os topos duplos e triplos, e os fundos duplos e triplos. Todas essas figuras aparecem no fim de uma tendência, dando sequência a outra em direção oposta, apontando também objetivos de preços. No que se refere às figuras de continuidade, as mais populares entre os analistas técnicos são: os triângulos simétricos, os triângulos de alta e de baixa, as cunhas de alta e de baixa, os retângulos de alta e de baixa e as bandeiras de alta e de baixa. Essas figuras surgem no decorrer de uma tendência bem definida, como uma espécie de pausaonde a tendência acumula força para continuar sua caminhada. Assim como as figuras de reversão, as figuras de continuidade permitem definir projeções de preço. Completando o ferramental das figuras da análise técnica, temos os padrões específicos do candlestick (candelabro japonês), sendo os mais conhecidos dessa categoria: o hammer (martelo), as shooting stars (estrelas cadentes), o hanging man (enforcado), a star (estrela), o engulfing (engolfo), os abandoned babies (bebês abandonados), as ilhas de reversão, o inverted hammer (o martelo invertido), os piercings e os dark cloud covers. Um aspecto interessante da análise técnica é a possibilidade do uso combinado das figuras de reversão e dos padrões gráficos do candlestick. Quando uma das figuras de reversão citadas (um topo duplo, por exemplo) aparece combinado com um padrão do candlestick (um bebê abandonado, por exemplo), temos uma indicação ainda mais forte da reversão. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? 1. O GRÁFICO A SEGUIR APRESENTA O DESEMPENHO DAS AÇÕES DA VALE (VALE3) NO PERÍODO DE 2007 A AGOSTO DE 2021, NO QUAL É POSSÍVEL VERIFICAR ALGUMAS FIGURAS DE CONTINUIDADE E REVERSÃO. ANALISE O GRÁFICO APRESENTADO E BUSQUE IDENTIFICAR AS FIGURAS PRINCIPAIS. Imagem: IBOVESPA Gráfico Candlestick VALE3— janeiro de 2007 a agosto de 2021 RESPOSTA Conforme podemos observar no gráfico abaixo, no final de 2007/início de 2008, temos o surgimento de um topo duplo, revertendo uma tendência de alta primária. Na sequência, no fim de 2008/início de 2009, temos um rápido fundo duplo e uma reversão da tendência de baixa para uma tendência de alta. Na tendência de alta iniciada em 2016, é possível verificar 3 figuras de consolidação: um triângulo simétrico em 2016, uma cunha de alta em 2017, e um retângulo de alta em 2019. javascript:void(0) TOPO DUPLO FUNDO DUPLO RETÂNGULO DE ALTA CUNHA DE ALTA TRIÂNGULO SIMÉTRICO Imagem: IBOVESPA, adaptado por Luiz Ozorio Gráfico Candlestick VALE3— janeiro de 2007 a agosto de 2021 2. UMA DAS FIGURAS DE CONTINUIDADE MAIS IMPORTANTES DA ANÁLISE TÉCNICA SÃO OS TRIÂNGULOS SIMÉTRICOS, QUE INDICAM A CONSOLIDAÇÃO E A CONTINUIDADE DE TENDÊNCIAS. NESSE SENTIDO, A PROJEÇÃO INICIAL (OBJETIVO DE PREÇOS) DO MOVIMENTO APÓS A RUPTURA DE UM TRIÂNGULO SIMÉTRICO DE ALTA É DADA POR: A) uma variação similar a duas vezes o tamanho do mastro do triângulo. B) uma variação similar à observada entre o 1º fundo e a linha de tendência oposta. C) uma variação similar ao tamanho do mastro da figura. D) uma variação similar a duas vezes a distância ente o 1º topo e a linha de tendência oposta. E) uma variação similar à observada entre o 1º topo e a linha de tendência oposta. 3. OS TOPOS DUPLOS SÃO FIGURAS CLÁSSICAS DE REVERSÃO, APARECENDO SEMPRE NO FINAL DE TENDÊNCIAS DE ALTA. ESSAS FIGURAS SE CARACTERIZAM POR DOIS TOPOS DE TAMANHOS SIMILARES OBSERVADOS EM UMA SEQUÊNCIA, SENDO SEPARADOS POR UM ÚNICO FUNDO, TENDO FORMATO SEMELHANTE À LETRA M. NESSE SENTIDO, É CORRETO AFIRMAR QUE A PROJEÇÃO INICIAL (OBJETIVO DE PREÇOS) DO MOVIMENTO APÓS A RUPTURA DO TOPO DUPLO É DADA POR: A) uma variação semelhante à distância horizontal entre os dois topos. B) uma variação semelhante à distância percorrida na tendência de subida. C) uma variação semelhante à distância entre os topos e o fundo que os divide. D) uma variação semelhante a duas vezes a distância entre os topos e o fundo que os divide. E) uma variação semelhante à metade da distância percorrida no movimento de subida. GABARITO 2. Uma das figuras de continuidade mais importantes da análise técnica são os triângulos simétricos, que indicam a consolidação e a continuidade de tendências. Nesse sentido, a projeção inicial (objetivo de preços) do movimento após a ruptura de um triângulo simétrico de alta é dada por: A alternativa "E " está correta. No caso de triângulos simétricos, o objetivo inicial de preços após o rompimento da figura seria similar à distância entre o 1º topo e a linha de tendência oposta no caso de um movimento de alta. 3. Os topos duplos são figuras clássicas de reversão, aparecendo sempre no final de tendências de alta. Essas figuras se caracterizam por dois topos de tamanhos similares observados em uma sequência, sendo separados por um único fundo, tendo formato semelhante à letra M. Nesse sentido, é correto afirmar que a projeção inicial (objetivo de preços) do movimento após a ruptura do topo duplo é dada por: A alternativa "C " está correta. No que se refere ao de potencial de variação de preços após a ruptura de um topo duplo, sugere-se considerar como objetivo inicial de preços uma variação semelhante à distância entre os topos e o fundo que os divide. PADRÕES GRÁFICOS Neste módulo, discutiremos com maior profundidade os padrões gráficos (figuras) utilizados na análise técnica, com o intuito de prever os movimentos futuros, buscando identificar a possibilidade de manutenção (figuras de continuidade) ou reversão (figuras de reversão) de tendências do comportamento dos preços das ações. Além das figuras tradicionais, que podem ser visualizadas em gráficos de barras ou de linha , trataremos de alguns padrões mais específicos do gráfico candlestick. FIGURAS DE REVERSÃO Conforme discutimos anteriormente, além das linhas de tendências, suportes e resistência, os padrões gráficos — mais conhecidos como figuras da análise técnica — consistem em importantes ferramentas para o suporte na identificação de reversões ou continuidade do comportamento das cotações de ações. Entre as principais figuras utilizadas na identificação de reversões de tendência, a mais popular é o ombro-cabeça-ombro, que, tipicamente, aparece no fim de movimentos de alta. Muitos autores sugerem ser possível observar quatro etapas distintas nesse tipo de formação. São elas: ETAPA 01 ETAPA 02 ETAPA 03 ETAPA 04 ETAPA 01 Após um período de elevação de preços, há a ocorrência de uma queda das cotações, com a formação de um fundo e a construção do 1º ombro. ETAPA 02 Após a formação do fundo, os preços voltam a subir, superando o topo anterior e, novamente, retrocedem ao mesmo nível das cotações do 1º fundo, gerando, então, a cabeça. ETAPA 03 Após o “toque” no suporte formado pelo 2º fundo da cabeça, os preços novamente reagem em uma alta mais breve, formando um topo inferior ao da cabeça em um nível similar ao do 1º topo. Na sequência, mais uma reversão ocorre. ETAPA 04 De forma distinta aos dois casos anteriores, a queda de preços ultrapassa o suporte, “cortando” a linha dos ombros e completando a formação. Um ponto importante para confirmação da reversão é o aumento de volumes na queda final do ombro-cabeça-ombro, no momento da passagem suporte, conforme podemos observar no gráfico apresentado na figura 13, referente às cotações das ações da Aliansce Sonae Shopping Centers no período de março de 2012 até junho de 2013: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 13: Formação de um ombro-cabeça-ombro nas cotações da Aliansce Sonae Shopping Centers. Outra figura bastante popular na análise técnica é o ombro-cabeça-ombro invertido, a qual surge no término de períodos de baixa, indicando a reversão da tendência, conforme podemos observar no esquema gráfico apresentado na figura 14: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 14: Esquema gráfico de um ombro-cabeça-ombro invertido. No caso das formações ombro-cabeça-ombro e sua versão invertida, é possível determinar o objetivo de preços após o corte do pescoço da figura, determinado pela distância entre o topo da cabeça e a linha do pescoço, conforme sugerido na figura 15: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 15: Objetivo de preços do ombro-cabeça-ombro. Essas projeções são consideradas objetivos iniciais de preço após a reversão da tendência, pautadas na experiência empírica de alguns analistas, e não são exatas e carentes de uma confirmação estatística e pesquisa científica adequada. Além da formação do ombro-cabeça-ombro e sua versão invertida,dois padrões que também estão presentes em reversões de tendências são os topos e fundos duplos. UM TOPO DUPLO É UMA FIGURA DA ANÁLISE TÉCNICA QUE SURGE NO FIM DE UM PERÍODO DE ALTA E CONSISTE EM DOIS TOPOS DE TAMANHOS SIMILARES, OBSERVADOS EM UMA SEQUÊNCIA E SEPARADOS POR UM ÚNICO FUNDO EM FORMATO SEMELHANTE À LETRA M. Diversos autores postulam que, na formação de um topo duplo, o volume observado no 2º topo é, geralmente, inferior ao verificado no 1º, o que indicaria um processo de exaustão da alta, com poucos compradores acreditando que o preço possa ultrapassar a resistência formada. A figura 16 apresenta um esquema gráfico que ilustra um topo duplo: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 16: Esquema gráfico de um topo duplo. Com racional semelhante ao dos topos duplos, os fundos duplos são formações gráficas que consistem em dois fundos apresentados na sequência de um período de baixa, intercalados por um topo único, indicando a reversão da tendência em um formato similar à letra W, conforme podemos verificar na figura 17: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 17: Esquema gráfico de um fundo duplo. Em termos de potencial de variação, projeção ou objetivo para o movimento, alguns autores sugerem que, no caso dos topos e fundos duplos, deva-se considerar como objetivo inicial de preços uma variação semelhante à distância entre os topos e fundos que os divide. A figura 18 apresenta um exemplo de topo duplo encontrado no histórico de cotações da Amazon, no período de 1999 a 2000: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 18: Formação de topo duplo nas cotações da Amazon. Conforme podemos observar no gráfico da figura 18, a formação ocorreu após uma forte alta de mercado, que elevou as cotações da empresa de aproximadamente US$1,50, em 1997, para mais de US$80,00, em 1999. Após o rompimento da figura, ocorrido no primeiro semestre de 2000, as ações da Amazon recuaram até aproximadamente US$6,00 ao final de 2001, superando o objetivo inicial de preços de US$18,50. ALÉM DOS TOPOS E FUNDOS DUPLOS, NA LITERATURA, SÃO SUGERIDOS TOPOS E FUNDOS TRIPLOS OU QUÁDRUPLOS (AINDA MAIS RAROS): FORMAÇÕES COM CARACTERÍSTICAS SIMILARES AOS OMBRO-CABEÇA- OMBRO, SEM, PORÉM, APRESENTAR DISTINÇÕES CONSIDERÁVEIS NO TAMANHO DOS TOPOS (OU FUNDOS). FIGURAS DE CONTINUIDADE Além das figuras de reversão, diversos padrões gráficos são sugeridos na bibliografia sobre análise técnica, com o intuito de buscar indícios da manutenção das tendências vigentes. Os principais padrões são: TRIÂNGULOS CUNHAS RETÂNGULOS BANDEIRAS FLÂMULAS Vamos detalhar cada um deles. TRIÂNGULOS Na literatura relacionada à escola técnica, três tipos de triângulos são sugeridos: os simétricos, os de alta e os de baixa. UM TRIÂNGULO SIMÉTRICO É UMA FIGURA RELACIONADA A UMA CONSOLIDAÇÃO DE PREÇOS. DE FORMA COLOQUIAL, SERIA COMO SE A AÇÃO ESTIVESSE ACUMULANDO ENERGIA PARA CONTINUAR A JORNADA NA DIREÇÃO — ALTA OU BAIXA — QUE SE MANIFESTAVA ANTES DA FORMAÇÃO. Para ser caracterizado como simétrico, o triângulo deve possuir um mínimo de dois fundos ascendentes (ligados por uma linha tendência de alta relativamente curta) e dois topos descendentes (ligados por uma linha de tendência de baixa relativamente curta) intercalados, conforme demonstrado na figura 19: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 19: Esquema gráfico de um triângulo simétrico. Como podemos observar na figura 19, após um período de alta (precedido do triângulo), os preços do ativo oscilaram para cima e para baixo, ficando cada vez mais próximos, quando, então, compradores superaram vendedores, e a linha superior foi cortada, desencadeando a retomada da tendência de alta. Um ponto considerado importante para confirmação da continuidade do movimento seria o aumento de volume no rompimento da figura, de forma similar ao descrito no caso do ombro-cabeça- ombro. Além disso, sugere-se como projeção inicial (objetivo de preços) uma variação similar à observada entre o 1º topo (no caso de um movimento de alta, ou 1º fundo, no de baixa) e a linha de tendência oposta. DE FORMA SEMELHANTE AO VERIFICADO NO TRIÂNGULO SIMÉTRICO, OS TRIÂNGULOS DE ALTA E BAIXA SÃO FORMAÇÕES DE CONSOLIDAÇÃO, CUJA PRINCIPAL DISTINÇÃO SERIA, NO CASO DE UM TRIÂNGULO DE ALTA, A LIGAÇÃO DOS TOPOS POR UMA LINHA HORIZONTAL DE RESISTÊNCIA E, NO CASO DE UM TRIÂNGULO DE BAIXA, UMA LINHA HORIZONTAL DE RESISTÊNCIA, CONFORME SUGERIDO NA FIGURA 20: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 20: Esquemas gráficos dos triângulos da alta e baixa. As mesmas observações efetuadas no caso do triângulo simétrico, a respeito da determinação do objetivo de preço e volumes mais altos, confirmando a ruptura da figura, são válidas para os triângulos de alta e baixa. CUNHAS UMA FORMAÇÃO GRÁFICA MUITO SIMILAR AOS TRIÂNGULOS SÃO AS CUNHAS. NESSE TIPO DE FIGURA, NO CASO DE UMA TENDÊNCIA DE ALTA, AS COTAÇÕES OSCILAM CADA VEZ MAIS PRÓXIMAS ENTRE DUAS LINHAS DESCENDENTES E CONVERGENTES, ATÉ QUE OCORRA O ROMPIMENTO DA FORMAÇÃO E O MOVIMENTO DE ALTA REINICIE. No caso de uma tendência de baixa, o inverso ocorre: as cotações oscilam cada vez mais próximas entre duas linhas ascendentes e convergentes, até que ocorra o rompimento da formação e o movimento de baixa prossiga. A projeção sugerida de preços é efetuada pela altura do primeiro fundo (topo) e uma reta horizontal traçada do vértice hipotético da cunha do movimento de alta (baixa), conforme demonstrado nos esquemas gráficos da figura 21: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 21: Esquemas gráficos das cunhas de alta e baixa. RETÂNGULOS OUTRA FIGURA SUGERIDA POR VÁRIOS AUTORES E ESTUDIOSOS DA ANÁLISE TÉCNICA É O RETÂNGULO: FORMAÇÃO QUE SURGE QUANDO O MERCADO ESTÁ INDEFINIDO E AS COTAÇÕES OSCILAM EM UMA SUCESSÃO DE FUNDOS (LIMITADOS POR UM SUPORTE) E TOPOS (LIMITADOS POR UMA RESISTÊNCIA), ENCAPSULADAS EM UM CANAL LATERAL. Semelhante ao observado nas formações anteriores, a altura verificada entre a distância dos fundos e topos é recomendada como objetivo de preços após a ruptura da resistência (no caso do retângulo de alta) ou suporte (no caso de um retângulo de baixa), conforme podemos observar nos esquemas gráficos sugeridos na figura 22: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 22: Esquemas gráficos dos retângulos de alta e baixa. Além disso, alguns autores relatam que os próprios limites do retângulo poderiam ser utilizados como pontos de compra (suporte) e venda (resistência), auxiliando no desenvolvimento de estratégia de operação quando o mercado está sem tendência definida. BANDEIRAS E FLÂMULAS Bandeiras e flâmulas são formações geralmente mais curtas do que os triângulos e retângulos, que também podem auxiliar na confirmação da continuidade da tendência vigente. Ambas ocorrem após uma forte subida, no caso de uma tendência de alta, ou forte descida, no caso de uma tendência de baixa. Este último movimento é denominado mastro. Bandeira As cotações ficam — no decorrer da formação — encapsuladas entre duas linhas paralelas relativamente próximas, até que ocorra o rompimento da figura, dando continuidade à tendência que as cotações seguiam previamente. Flâmula No decorrer da figura, as cotações sobem e descem em intervalos cada vez menores, formando linhas convergentes. A figura 23 apresenta dois esquemas gráficos que ilustram uma bandeira de alta e uma flâmula de baixa: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 23: Esquemas gráficos de uma bandeira de alta e uma flâmula de baixa. Como é possível observar na figura 23, em ambos os tipos de formação, a sugestão de objetivo de preços após o rompimento das figuras seria justamente o comprimento do mastro. Para demonstrar a aplicabilidade das figuras de continuidade e reversão, bem como o uso das projeções (objetivos) de preço advindas dessas formações, selecionamos o gráfico das cotações da Usiminas, referente ao período de março de 2019 a fevereiro de 2021, representado na figura 24: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 24: Diversas figuras da análise técnica nas cotações da Usiminas ON — março de 2019 a fevereiro de 2021.Aqui, é possível observar uma sequência de quatro figuras encadeadas: Um fundo quádruplo — registrado entre março a maio de 2020; Um triângulo de alta — entre junho e agosto de 2020; Uma cunha de alta — entre setembro e outubro de 2020; Uma flâmula de alta — em dezembro de 2020. O rompimento da resistência do fundo quádruplo (simultaneamente ao corte da linha de tendência de baixa), em maio de 2020, foi acompanhado de um forte aumento no volume, sugerindo o potencial de alta do movimento, confirmado na variação de preços de R$5,70 (maio de 2020) para aproximadamente R$18,00, registrado em janeiro de 2021, equivalente a aproximadamente 215% de variação em um período de 7 meses. PADRÕES ESPECÍFICOS DOS GRÁFICOS CANDLESTICK Além das formações de reversão e continuidade aplicáveis a diversos tipos de gráficos, na literatura, alguns padrões visuais são propostos especificamente ao candlestick. Vamos conhecê-los. HAMMER O Hammer (martelo) consiste em uma sinalização de fundo. Nesse tipo de formação, as cotações de um ativo vinham seguindo uma tendência de baixa e, em determinado dia (ou período correspondente a uma barra ou vela do candlestick), abrem na máxima (ou muito próximo à máxima), caem fortemente e, ao final do dia, recuperam-se, fechando um pouco abaixo da abertura, o que configura um dia de baixa. UM PONTO IMPORTANTE É QUE O CORPO LARGO DA VELA (DISTÂNCIA ENTRE A ABERTURA E O FECHAMENTO) PODE TER NO MÁXIMO 1/3 DO COMPRIMENTO DA BARRA (VELA). ALÉM DISSO, NO DIA (OU PERÍODO) SUBSEQUENTE AO MARTELO, É NECESSÁRIA A CONFIRMAÇÃO COM UMA BARRA DE ALTA, COM FECHAMENTO SUPERIOR AO DA MÁXIMA DO MARTELO. A figura 25 apresenta um exemplo da formação de um Hammer encontrado no gráfico de cotações do Itaú-Unibanco, em maio de 2010: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 25: Hammer no gráfico de cotações do Itaú-Unibanco — maio de 2010. SHOOTING STAR O mesmo padrão observado no martelo, que indica uma reversão de uma tendência de baixa, pode surgir na reversão de uma tendência de alta, em uma formação chamada de Shooting Star (estrela cadente). NESSE CASO, AS COTAÇÕES VINHAM SEGUINDO UMA TENDÊNCIA DE ALTA E, EM DETERMINADO DIA, ABREM NA MÍNIMA (OU MUITO PRÓXIMO A ELA), SOBEM E, AO FINAL DO DIA, DESABAM, FECHANDO UM POUCO ACIMA DA ABERTURA, O QUE CONFIGURA UM DIA DE ALTA. NO DIA SUBSEQUENTE À ESTRELA CADENTE, É NECESSÁRIA A CONFIRMAÇÃO COM UMA BARRA DE BAIXA, COM FECHAMENTO INFERIOR AO DA MÍNIMA DA ESTRELA. A figura 26 apresenta um exemplo da formação de uma Shooting Star encontrado no gráfico de cotações da Ford Motor Co., em agosto de 2020: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 26: Shooting Star no gráfico de cotações da Ford Motor Co. — agosto de 2020. HANGING MAN A terceira formação é chamada de Hanging Man (enforcado), exatamente igual ao martelo: abertura próxima à máxima, seguida de queda e fechamento próximo (mais abaixo) da abertura, indicando um dia de queda. NO ENTANTO, ESSA FORMAÇÃO ESTÁ PRESENTE EM UM TOPO E INDICA UMA REVERSÃO DE ALTA PARA BAIXA. NO DIA SEGUINTE AO ENFORCADO, O FECHAMENTO DEVE OCORRER ABAIXO DO VERIFICADO NO DIA ANTERIOR. A figura 25 apresenta um exemplo da formação de um enforcado encontrado no gráfico de cotações do Itaú-Unibanco, em maio de 2010. Já a figura 27 apresenta um exemplo da formação de um enforcado encontrado no gráfico de cotações do Arcelor Mital, em agosto de 2008: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 27: Enforcado no gráfico de Arcelor Mital — agosto de 2008. STARS AS STARS (ESTRELAS) SÃO CONSIDERADAS SINAIS DE INDEFINIÇÃO DO MERCADO E PODEM SURGIR EM TOPOS OU FUNDOS. NESSE TIPO DE FORMAÇÃO, A ABERTURA E O FECHAMENTO DAS COTAÇÕES SÃO IDÊNTICOS (OU MUITO PRÓXIMOS), COM VARIAÇÕES SIGNIFICATIVAS NO DIA TANTO PARA CIMA QUANTO PARA BAIXO. A interpretação dessa formação é a de uma equiparação de forças — oferta e demanda —momentânea no mercado. O comportamento no mercado no dia seguinte será fundamental para definição da reversão da trajetória observada na estrela. Estrela da manhã Quando uma estrela é precedida por uma sequência de cotações em baixa e seguida de cotações em alta, indicando uma reversão. Estrela da noite Em caso contrário, quando a estrela é precedida de uma sequência de altas e seguida por uma sequência de cotações em queda.. A figura 28 apresenta um exemplo da formação de uma Star encontrado no gráfico de cotações da General Electric Co., em fevereiro de 2020: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 28: Star no gráfico de cotações da General Electric Co. — fevereiro de 2020. ENGULFING O Engulfing (engolfo) é outro tipo de formação que pode auxiliar na identificação de uma reversão de tendência. CONSISTE EM DUAS BARRAS SEQUENCIAIS NO FIM DE UMA TENDÊNCIA DE BAIXA: A PRIMEIRA É UMA BARRA DE BAIXA, E A SEGUNDA É UMA BARRA DE ALTA. Engolfo de fundo O corpo da segunda barra encobre o corpo da primeira. Engolfo de topot Fim de uma tendência de alta, a primeira barra será de alta e a segunda barra será de baixa, e o corpo da segunda encobre o da primeira. A figura 29 apresenta um exemplo da formação de um Engulfing encontrado no gráfico de cotações do Citigroup Inc., em janeiro de 2018: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 29: Engulfing no gráfico de cotações do Citigroup Inc. — janeiro de 2018. ABANDONED BABIES Abandoned Babies (bebês abandonados) são padrões de reversão bem específicos, que se caracterizam pela presença de uma barra do candlestick isolada das demais. Reversão de alta A barra do bebê abandonado inicia o dia cotada a um nível superior à máxima do dia anterior (gap de alta). Na sequência, no dia posterior, as cotações abrem novamente em gap, porém de baixa. Reversão de baixa O mesmo padrão se verifica na reversão de baixa, com um gap de baixa antecedendo o bebê abandonado e um gap de alta no dia posterior. . A figura 30 apresenta um exemplo da formação de uma Abandoned Baby encontrado no gráfico de cotações da Petrobras PN, em maio de 2008: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 30: Abandoned Baby no gráfico da Petrobras PN — maio de 2008. ILHAS DE REVERSÃO AS ILHAS DE REVERSÃO SÃO PADRÕES DE REVERSÃO QUE SEGUEM UMA LÓGICA SIMILAR AOS BEBÊS ABANDONADOS, MAS, NO LUGAR DE UMA ÚNICA BARRA FICAR ISOLADA POR GAPS, UM CONJUNTO DE BARRAS (ILHA) ESTARIA ISOLADO. A figura 31 apresenta um exemplo da formação de uma ilha de reversão encontrado no gráfico de cotações da Ford Motor Co., em junho de 2020: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 31: Ilha de reversão no gráfico de cotações da Ford Motor Co. – junho de 2020. INVERTED HAMMER Inverted Hammer (martelo invertido) é uma formação idêntica à estrela cadente, mas indica um fundo. Nesse caso, as ações que vinham seguindo uma tendência de baixa abrem próximo à mínima do dia, sobem abruptamente, mas não sustentam as cotações atingidas, encerrando um pouco acima da abertura em um dia de alta. No dia seguinte a essa formação, a confirmação se dará com uma barra de alta, com fechamento superior ao do martelo invertido. PIERCINGS E DARK CLOUD COVERS Piercings • São formações similares aos engolfos de fundo, que indicam uma reversão da tendência de queda. A diferença básica das duas formações está no fato de que, nos piercings, a segunda barra não encobre a primeira, como nos engolfos. Dark Cloud Cover • Tem as mesmas características do piercing, mas apresenta sinal de uma reversão de alta. Uma possibilidade interessante na análise técnica é o uso combinado das formações específicas do candlestick e das figuras, como topos e fundos duplos e ombro-cabeça-ombro, o que poderia gerar, em teoria, indícios mais fortes de reversões. O mesmo tipo de combinação poderá ser efetuado com os indicadores que estudaremos no módulo 3. PADRÕES GRÁFICOS O especialista Luiz Ozorio fala sobre padrões gráficos: VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. NA ANÁLISE TÉCNICA, AS FORMAÇÕES GRÁFICAS (FIGURAS) PODEM TER UM PAPEL IMPORTANTE, POIS AUXILIAM A CONFIRMAÇÃO (MANUTENÇÃO) OU REVERSÃO DE TENDÊNCIAS DE PREÇOS DAS AÇÕES. UMA FIGURA EM DESTAQUE É CHAMADA DE OMBRO-CABEÇA-OMBRO,QUE INDICA UMA REVERSÃO DE TENDÊNCIA DE: A) Alta para baixa e é formada por três topos sequenciais de mesmo tamanho. B) Alta para baixa e é formada por dois topos sequenciais de mesmo tamanho. C) Baixa para alta e é formada por três topos sequenciais — o primeiro e o último de tamanhos similares. D) Baixa para alta e é formada por três fundos sequenciais de mesmo tamanho. E) Alta para baixa e é formada por três topos sequenciais — o primeiro e o último de tamanhos similares. 2. ENTRE AS DIVERSAS FIGURAS DE CONTINUIDADE DE TENDÊNCIA, UMA SE CARACTERIZA PELA SUCESSÃO DE TOPOS E FUNDOS — APÓS UM PERÍODO DE ALTA — CADA VEZ MAIS PRÓXIMOS, FORMANDO LINHAS DESCENDENTES E CONVERGENTES. ESSA FORMAÇÃO É CONHECIDA COMO: A) Triângulo de alta. B) Flâmula de alta. C) Triângulo simétrico. D) Cunha de alta. E) Bandeira de alta. GABARITO 1. Na análise técnica, as formações gráficas (figuras) podem ter um papel importante, pois auxiliam a confirmação (manutenção) ou reversão de tendências de preços das ações. Uma figura em destaque é chamada de ombro-cabeça-ombro, que indica uma reversão de tendência de: A alternativa "E " está correta. A figura ombro-cabeça-ombro é formada por três topos: o primeiro e o último (ombros) de tamanhos similares, e o segundo (cabeça) mais elevado do que os outros dois. 2. Entre as diversas figuras de continuidade de tendência, uma se caracteriza pela sucessão de topos e fundos — após um período de alta — cada vez mais próximos, formando linhas descendentes e convergentes. Essa formação é conhecida como: A alternativa "D " está correta. As cunhas de alta são figuras que surgem após períodos de alta. Nesse tipo de formação, as cotações das ações oscilam lateralmente entre duas linhas descendentes e convergentes. À medida que o tempo passa, elas se aproximam, até que a linha superior da figura seja rompida, o que dá reinício ao processo de subida das ações. MÓDULO 3 Definir o emprego dos principais tipos de indicadores da análise técnica LIGANDO OS PONTOS INDICADORES DA ANÁLISE TÉCNICA Vamos conhecer, agora, os indicadores da análise técnica. Além dos padrões gráficos (figuras), outro ferramental da análise gráfica que pode nos auxiliar no processo de tomada de decisão de investimento em ações são os indicadores da análise técnica. São diversos os tipos de índices usados nessa tarefa, entre os quais podemos destacar: as médias móveis, o Índice Força Relativa (IFR), o Moving Average Convergence and Divergence (MACD), as Bandas de Bollinger e o On Balance Volume (OBV). De modo geral, esses indicadores procuram auxiliar os investidores a compreender se determinada tendência de preços tem condições de se manter ou se está próxima de ser revertida. Esses indicadores podem ser utilizados combinados, em conjunto com as linhas de tendência, suporte e resistência e ainda com os padrões gráficos da análise técnica. Em particular, o On Balance Volume relaciona o volume das operações de compra e venda de um ativo com o movimento de suas cotações. O indicador segue o princípio da Teoria Dow de que os volumes devem confirmar a tendência, ou seja, determina que, nos movimentos de alta sólidos, a quantidade negociada de um ativo deve aumentar quando as cotações se elevarem, e reduzir nas correções. Da mesma maneira, nas tendências de queda, os volumes devem crescer quando os preços dos ativos caírem, reduzindo quando ocorrerem correções. Nesse sentido, quando o mercado sobe, o OBV soma as quantidades negociadas no dia; e quando as cotações retroagem, o indicador abate o volume negociado. Portanto, uma tendência sólida de alta deve ser acompanhada de um OBV crescente, e o inverso vale para as tendências de baixa. Outro artifício usado na análise do indicador é sua comparação com o gráfico das cotações, na busca de divergências (topos sequenciais similares no gráfico das cotações, comparados a topos sequencialmente mais altos no OBV e o inverso para os fundos), que podem reforçar o processo de manutenção da tendência. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? 1. CONSIDERANDO A LÓGICA DO OBV, ANALISE O HISTÓRICO DE COTAÇÕES DA ENGIE BRASIL (EGIE3), EMPRESA GERADORA DE ENERGIA PRIVADA. COMPARE OS GRÁFICOS DO INDICADOR E DO PREÇO DAS AÇÕES, BUSCANDO INFORMAÇÕES QUE SUSTENTEM OU CONTRADIGAM A SOLIDEZ DA TENDÊNCIA DE ALTA PRIMÁRIA VERIFICADA. Imagem: IBOVESPA, adaptado por Luiz Ozorio Gráficos Candlestick e OBV da EGIE3 — janeiro de 2015 a janeiro de 2021 RESPOSTA Conforme podemos verificar no gráfico abaixo, a tendência de alta primária nas ações da ENGIE, verificada no período de 2016 a 2021, é confirmada pelo aumento do OBV e reforçada por duas divergências. A primeira divergência pode ser observada nos períodos de 2016 (1) e 2018 (2), onde as cotações da ENGIE se encontram no mesmo patamar, porém o OBV em 2018 registra um patamar diferente ao verificado em 2016. A segunda divergência pode observada nos períodos de 2019 (3) e 2020 (4), onde o mesmo fenômeno explicado anteriormente é verificado. 1 1 2 2 3 3 4 4 Imagem: IBOVESPA, adaptado por Luiz Ozorio Gráficos Candlestick e OBV da EGIE3 — janeiro de 2015 a janeiro de 2021 javascript:void(0) 2. OUTRO INDICADOR BASTANTE DIFUNDIDO SÃO AS MÉDIAS MÓVEIS, QUE PODEM SER UTILIZADAS ISOLADAMENTE (MÉDIA DE UMA ÚNICA PERIODICIDADE COMPARADA COM AS COTAÇÕES) OU AINDA EM CONJUNTO (MÉDIAS DUPLAS OU TRIPLAS DE DIFERENTES PERIODICIDADES). NESSE SENTIDO, PODEMOS DIZER QUE: A) quando o gráfico das cotações corta de cima para baixo o gráfico da média, temos uma indicação de início de uma tendência de alta e um ponto de compra. B) quando o gráfico das cotações corta de baixo para cima o gráfico da média, temos uma indicação de início de uma tendência de baixa e um ponto de venda. C) quando o gráfico da média móvel corta de baixo para cima o gráfico das cotações, temos uma indicação de início de uma tendência de alta e um ponto de compra. D) quando o gráfico das cotações corta de baixo para cima o gráfico da média, temos uma indicação de início de uma tendência de alta e um ponto de compra. E) quando o gráfico da média móvel corta de cima para baixo o gráfico, temos uma indicação de início de uma tendência de queda e um ponto de venda. 3. O ÍNDICE DE FORÇA RELATIVA (IFR) MENSURA A VELOCIDADE COM QUE OS PREÇOS OSCILAM, O QUE O CATEGORIZA COMO UM INDICADOR DE MOMENTUM. EM VIRTUDE DA FORMA QUE É CONSTRUÍDO, O IFR OSCILA ENTRE 0 E 100. NESSE SENTIDO, EM RELAÇÃO À INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DO IFR, É POSSÍVEL AFIRMAR QUE: A) quando o IFR está alto (acima de 50), isso pode sugerir que o mercado esteja “esticado” e, potencialmente, próximo a uma reversão para uma tendência de baixa. B) quando o IFR está baixo (inferior a 40), isso pode sugerir que os preços já teriam recuado demasiadamente, estando potencialmente próximos a uma reversão de alta. C) quando o IFR está alto (acima de 70), isso pode sugerir que os preços já teriam recuado demasiadamente, estando potencialmente próximos a uma reversão de alta. D) quando o IFR está alto (acima de 70), isso pode sugerir que o mercado esteja “esticado” e, potencialmente, próximo a uma reversão para uma tendência de baixa. E) quando o IFR está alto (acima de 30), isso pode sugerir que o mercado esteja “esticado” e, potencialmente, próximo a uma reversão para uma tendência de baixa. GABARITO 2. Outro indicador bastante difundido são as médias móveis, que podem ser utilizadas isoladamente (média de uma única periodicidade comparada com as cotações) ou ainda em conjunto (médias duplas ou triplas de diferentes periodicidades). Nesse sentido, podemos dizer que: A alternativa "D " está correta. Quando a média móvel é cortada pelo gráfico da cotação de ações de baixo para cima, isso sugere o início de uma tendência de alta e evidencia um ponto de compra. Por outro lado, quando o gráfico das cotações corta de cima para baixo o gráfico da média móvel, isso indica o início de umatendência de baixa e um ponto de venda. 3. O Índice de Força Relativa (IFR) mensura a velocidade com que os preços oscilam, o que o categoriza como um indicador de momentum. Em virtude da forma que é construído, o IFR oscila entre 0 e 100. Nesse sentido, em relação à interpretação dos resultados do IFR, é possível afirmar que: A alternativa "D " está correta. Quando o IFR está alto (acima de 70), isso pode sugerir que o mercado esteja “esticado” e, potencialmente, próximo a uma reversão para uma tendência de baixa. Por outro lado, quando o IFR está baixo (abaixo de 30), isso pode sugerir que os preços já teriam recuado demasiadamente, estando potencialmente próximos a uma reversão de alta. INDICADORES DA ANÁLISE TÉCNICA Neste módulo, discutiremos sobre a utilização dos principais indicadores da análise técnica, complementares aos demais instrumentos já apresentados. São eles: MÉDIAS MÓVEIS (MM) ON BALANCE VOLUME (OBV) ÍNDICE DE FORÇA RELATIVA (IFR) MOVING AVERAGE CONVERGENCE AND DIVERGENCE (MACD) BANDAS DE BOLLINGER MÉDIAS MÓVEIS (MM) Além das linhas de tendências, dos suportes, resistências e padrões gráficos, os indicadores da análise técnica são ferramentas que podem nos ajudar a analisar a manutenção e as reversões de tendências. O PRIMEIRO E MAIS TRADICIONAL INDICADOR QUE ESTUDAREMOS SÃO AS MÉDIAS MÓVEIS (MM), QUE, EM TERMOS PRÁTICOS, CONSISTEM EM MÉDIAS DAS COTAÇÕES PASSADAS DA AÇÃO EM DETERMINADA JANELA DE TEMPO. O cálculo das Médias Móveis pode ser efetuado pela utilização da fórmula apresentada na equação 1: MédiaMóvelt = Pt + Pt − 1 + Pt − 2 + ⋯Pt − n n + 1 (1) Atenção!Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Onde: Média Móvelt = média aritmética dos preços de determinada ação na data t referente ao período que vai do período t-n dia até o dia t. Pt = preço (cotação) de fechamento da ação na data t. (n + 1) = número de períodos compreendidos na Média Móvel. A partir das informações das cotações de determinado período, utilizando a equação 1, é possível construir uma série de dados, conforme o exemplo hipotético apresentado no quadro 1, referente às cotações da empresa ABC no período de 40 dias, sobre as quais foi construída uma Média Móvel de 9 dias: Dia Cotação ABC MM 9 dias Dia Cotação ABC MM 9 dias 1 36,47 - 21 37,88 35,79 2 36,70 - 22 37,62 36,04 3 36,77 - 23 38,80 36,57 4 37,57 - 24 39,50 37,22 5 37,87 - 25 38,04 37,50 Dia Cotação ABC MM 9 dias Dia Cotação ABC MM 9 dias 6 - 37,27 26 38,05 37,75 7 36,32 - 27 38,40 37,97 8 36,87 - 28 39,40 38,38 9 35,33 36,80 29 40,88 38,73 10 35,98 36,80 30 42,50 39,24 11 36,70 36,74 31 42,20 39,75 12 36,20 36,68 32 42,21 40,13 13 35,35 36,43 33 41,53 40,36 14 33,64 35,60 35 41,40 41,24 15 33,64 35,60 35 41,40 41,24 16 35,50 35,51 36 41,00 41,53 17 35,80 35,39 37 40,95 41,70 Dia Cotação ABC MM 9 dias Dia Cotação ABC MM 9 dias 18 36,50 35,52 38 40,40 41,65 19 35,70 35,49 39 42,39 41,63 20 37,70 35,60 40 43,13 41,74 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal Tabela 1: Cotações e Médias Móveis de 9 dias (MM dias) da empresa ABC. Elaborado por: Luiz Ozorio. Como podemos observar pela análise do quadro 1, as oito primeiras cotações não são acompanhadas de médias em função da falta de informações suficientes para o cálculo. Utilizando as informações desse quadro, é possível elaborar um gráfico com as cotações e as MM de 9 dias, conforme demonstrado na figura 32: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 32. Gráfico das cotações e Médias Móveis de 9 Dias da empresa ABC. Conforme podemos observar, as cotações da empresa ABC estão representadas pela linha azul, enquanto as Médias Móveis de 9 dias, pela linha vermelha. AS MÉDIAS MÓVEIS SÃO CONSIDERADAS RASTREADORAS DE TENDÊNCIA, E SUA UTILIZAÇÃO É DE FÁCIL ENTENDIMENTO: QUANDO O GRÁFICO DAS COTAÇÕES DAS AÇÕES CRUZA DE BAIXO PARA CIMA O GRÁFICO DA MÉDIA MÓVEL, EM TESE, ISSO INDICARIA UM PONTO DE COMPRA. ANALOGAMENTE, O CRUZAMENTO DO GRÁFICO DAS AÇÕES DE CIMA PARA BAIXO DO GRÁFICO DA MÉDIA MÓVEL INDICARIA UM PONTO DE VENDA. Seguindo esse racional, como podemos observar na figura 32, no dia 17, a linha azul (referente às cotações) corta de baixo para cima a linha vermelha (referente à MM 9 dias), sugerindo a compra das ações da empresa ABC. No dia 35, o inverso ocorre, sugerindo a venda das ações da empresa ABC. Além do uso de Médias Móveis de uma periodicidade, conforme demonstramos no exemplo anterior, alguns autores e praticantes de mercado sugerem o uso de duas ou três médias com periodicidades diferenciadas, visando aumentar a confiança em relação ao movimento da tendência. As periodicidades sugeridas para as Médias Móveis são diversas, mas um padrão bastante utilizado no mercado é o de médias de 9, 21 e 34 dias. Para exemplificar o uso de duas ou três médias, vamos estender o exemplo das cotações da empresa ABC por 85 dias, conforme demonstrado na figura 33: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 33: Gráfico das cotações e Médias Móveis de 9, 21 e 34 Dias da ABC. Conforme podemos verificar nesse gráfico, além das cotações (linha azul) e Médias Móveis de 9 dias (linha vermelha), foram incluídas as médias de 21 dias (linha verde) e 34 dias (linha roxa). O RACIONAL PARA O USO DE DUAS E TRÊS MÉDIAS É SIMILAR AO DESCRITO PARA UTILIZAÇÃO DE UMA ÚNICA MÉDIA. No caso de três médias, o corte do gráfico da média de 9 dias (linha vermelha) de baixo para cima (ocorrido no dia 17) pelas cotações (linha azul) seria um primeiro sinal de compra. O corte — não visível — de baixo para cima do gráfico da média de 21 dias (linha verde) pela média de 9 dias (linha vermelha) seria um segundo sinal de compra. O terceiro sinal de compra seria o corte — ocorrido no dia 23 — de baixo para cima da média de 21 (linha verde) pela média de 9 dias. Além disso, os cortes de baixo para cima da média de 34 dias (linha roxa) pelas cotações, da média de 9 dias e da média de 21 dias também seriam sinalizações de compra das ações da empresa ABC. Por fim, conforme podemos verificar nos cruzamentos ocorridos do dia 35 em diante, as inversões dos casos citados seriam sinalizações para venda das ações. Dessa forma, o fundamental no uso de Médias Móveis é buscar uma sistemática operacional mais adequada aos objetivos do investidor. Quanto mais longas as Médias Móveis utilizadas, mais tardias serão a compra e a venda das ações. SISTEMÁTICA OPERACIONAL Escolha do conjunto de médias e regras de compra e venda. ON BALANCE VOLUME (OBV) Outro indicador bastante popular e muito utilizado pelos grafistas é o On Balance Volume (OBV). Conforme vimos no módulo 1, esse indicador nos auxilia a entender se os volumes negociados de uma ação no mercado são maiores nos movimentos de alta ou nos movimentos de baixa das ações. O cálculo do indicador é efetuado pela diferença entres os somatórios dos volumes de negociações apuradas nos dias de alta e os volumes de negociações apuradas nos dias de baixa, conforme sugerido na fórmula apresentada na equação 2: javascript:void(0) OBVt = ∑ t i = 1Vol . diasaltai − ∑ t i = 1Vol . diasbaixai (2) Atenção!Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Onde: OBVt = OBV calculado até o dia t. Vol.dias altai = volumes registrados nos dias de alta no período de 1 a t. Vol.dias baixai = volumes registrados nos dias de baixa no período de 1 a t. Conforme podemos verificar pela análise da equação 2, quando o somatório dos volumes dos dias de alta for superior ao somatório dos dias de baixa, o OBV será positivo, o que nos sugeriria um processo de acumulação: investidores que acreditam na subida do papel adquirindo ações, comprometidos com um movimento de alta mais prolongado. Ao contrário disso, quando um OBV é negativo, significa que os volumes de negociações nos dias de queda têm sido (em média) superiores aos volumes dos dias de alta, o que nos daria indícios de um processo de distribuição: um número maior de investidoresvendendo suas ações e lucrando com menor comprometimento com o papel. Na figura 34, temos um exemplo do gráfico do OBV apresentado abaixo do candlestick, referente ao comportamento das cotações e dos volumes negociados das ações da Petrobras ON no período de março de 2015 a janeiro de 2021: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 34: Gráfico do OBV e das cotações da Petrobras ON — março de 2015 a janeiro de 2021. Conforme podemos observar, no início de 2020 (fim do 1º trimestre), as ações da Petrobras ON retrocederam de preço, atingindo cotações próximas a R$ 12,00 — patamar similar ao registrado em junho de 2016 e junho de 2017. No entanto, analisando o gráfico do OBV (localizado abaixo do gráfico das cotações), é possível observar que, em 2020, o indicador se encontrava em um patamar superior ao verificado em 2016 e 2017, sugerindo que não ocorreu uma forte distribuição, e que grande parte dos investidores ainda estaria comprometida com o papel. Na sequência, podemos verificar que os papéis da empresa reagiram positivamente, retornando no início de 2021 à casa dos R$28,00. DESSA FORMA, PODEMOS INFERIR QUE, EM TENDÊNCIAS DE ALTA, TOPOS (COMPARATIVAMENTE) MAIS ACENTUADOS NO OBV DO QUE OS VERIFICADOS NO GRÁFICO DAS COTAÇÕES SUGERIRIAM A MANUTENÇÃO DO MOVIMENTO DE ALTA, ENQUANTO TOPOS NO OBV MENOS ACENTUADOS DOS QUE OS VERIFICADOS NO GRÁFICO DAS COTAÇÕES SUGERIRIAM UMA PERDA DE FORÇA DO MOVIMENTO. Analogamente, em tendências de baixa, fundos do OBV mais acentuados do que os observados no gráfico das cotações sugeririam força do movimento de baixa, enquanto fundos do OBV menos acentuados do que os observados no gráfico de barra sugeririam perda de força da tendência. ÍNDICE DE FORÇA RELATIVA (IFR) Criado por J. Welles Wilder Jr., o Índice de Força Relativa (IFR) é um indicador categorizado como de momentum, que mensura a velocidade com que os preços oscilam. O cálculo do IFR pode ser efetuado pelas fórmulas apresentadas nas equações 3 e 4: IFRt = 100 − 100 1 + FRt (3) Atenção!Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal ( ) FRt = GanhosMédiost PerdasMédiast (4) Atenção!Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Onde: IFRt = IFR no tempo t. FRt = FR no tempo t. Ganhos Médiost = média dos ganhos observados em $ nos últimos 14 períodos. Perdas Médiast = média das perdas observadas em $ nos últimos 14 períodos. Para demonstrar no quadro 2 o cálculo o IFR, vamos aplicar as fórmulas das equações 3 e 4 nas cotações da ABC: Dia Cotação Ganhos (G) Perdas (P) Ganhos Médios Perdas Médias FR IFR 1 36,47 - - - - - - 2 36,70 0,23 0,00 - - - - 3 36,77 0,07 0,00 - - - - 4 37,57 0,80 0,00 - - - - 5 37,87 0,30 0,00 - - - - 6 37,27 0,00 -0,60 - - - - Dia Cotação Ganhos (G) Perdas (P) Ganhos Médios Perdas Médias FR IFR 7 36,32 0,00 -0,95 - - - - 8 36,87 0,55 0,00 - - - - 9 35,33 0,00 -1,54 - - - - 10 35,98 0,65 0,00 - - - - 11 36,70 0,72 0,00 - - - - 12 36,20 0,00 -0,50 - - - - 13 35,35 0,00 -0,85 - - - - 14 34,00 0,00 -1,35 - - - - 15 33,64 0,00 -0,36 0,24 0,44 0,54 35 16 35,50 1,86 0,00 0,35 0,44 0,80 45 17 35,80 0,30 0,00 0,37 0,44 0,84 46 18 36,50 0,70 0,00 0,36 0,44 0,83 45 Dia Cotação Ganhos (G) Perdas (P) Ganhos Médios Perdas Médias FR IFR 19 35,30 0,00 -1,20 0,34 0,52 0,65 39 20 37,70 2,40 0,00 0,51 0,48 1,06 52 21 37,88 0,18 0,00 0,53 0,41 1,27 56 22 37,62 0,00 -0,26 0,49 0,43 1,12 53 23 38,80 1,18 0,00 0,57 0,32 1,77 64 24 39,50 0,70 0,00 0,57 0,32 1,78 64 25 38,04 0,00 -1,46 0,52 0,43 1,12 53 26 38,05 0,01 0,00 0,52 0,39 1,34 57 27 38,40 0,35 0,00 0,55 0,33 1,66 62 28 39,40 1,00 0,00 0,62 0,23 2,65 73 29 40,88 1,48 0,00 0,73 0,21 3,48 78 30 42,50 1,62 0,00 0,71 0,21 3,40 77 Dia Cotação Ganhos (G) Perdas (P) Ganhos Médios Perdas Médias FR IFR 31 42,20 0,00 -0,30 0,69 0,23 2,99 75 32 42,21 0,01 0,00 0,64 0,23 2,77 73 33 41,53 0,00 -0,68 0,64 0,19 3,31 77 34 42,62 1,09 0,00 0,54 0,19 2,82 74 35 41,40 0,00 -1,22 0,53 0,28 1,90 65 36 41,00 0,00 -0,40 0,53 0,29 1,52 60 37 40,95 0,00 -0,05 0,45 0,29 1,52 60 38 40,40 0,00 -0,55 0,40 0,33 1,19 54 39 42,39 1,99 0,00 0,54 0,23 2,36 70 40 43,13 0,74 0,00 0,59 0,23 2,59 72 41 43,00 0,00 -0,13 0,57 0,24 2,38 70 42 43,99 0,99 0,00 0,57 0,51 2,38 70 Dia Cotação Ganhos (G) Perdas (P) Ganhos Médios Perdas Médias FR IFR 43 44,71 0,72 0,00 0,51 0,24 2,15 68 44 45,70 0,99 0,00 0,47 0,24 1,96 66 45 45,50 0,00 -0,20 0,47 0,23 2,02 67 46 43,80 0,00 -1,70 0,47 0,35 1,32 57 47 44,75 0,95 0,00 0,53 0,30 1,76 64 48 43,30 0,00 -1,45 0,46 0,41 1,12 53 49 43,40 0,10 0,00 0,46 0,32 1,45 59 50 43,40 0,10 0,00 0,47 0,29 1,60 62 51 43,42 0,00 -0,02 0,47 0,27 1,61 62 52 43,15 0,00 -0,27 0,47 0,27 1,73 63 53 44,20 1,05 0,00 0,40 0,27 1,48 60 54 44,20 0,00 0,00 0,35 0,27 1,28 56 Dia Cotação Ganhos (G) Perdas (P) Ganhos Médios Perdas Médias FR IFR 55 45,63 1,43 0,00 0,45 0,26 1,72 63 56 45,65 0,02 0,00 0,38 0,26 1,46 59 57 45,85 0,20 0,00 0,34 0,26 1,31 57 58 44,60 0,00 -1,25 0,27 0,35 0,78 44 59 44,00 0,00 -0,60 0,27 0,38 0,72 42 60 44,25 0,25 0,00 0,29 0,26 1,13 53 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal Tabela 2: Cálculo do IFR das ações da Empresa ABC. Elaborado por: Luiz Ozorio. Conforme podemos observar no quadro 2, as primeiras observações do IFR não foram calculadas, considerando que não possuímos dados suficientes para a avaliação do índice nesse período. De posse dessas informações, é possível construir uma representação gráfica do IFR juntamente com as cotações da ABC, como demonstra a figura 35: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 35. Cotações e IFR das ações da empresa ABC. Considerando a forma com que foi construído, o IFR apresenta variações que podem ir de 0 a 100. De acordo com a proposição de seu criador, o IFR é um indicador do fôlego do mercado. Nos casos em que o índice trabalha nos níveis mais altos de sua escala (acima de 80, por exemplo), teríamos um indício de que o mercado já teria subido demais e estaria sobrecomprado, o que poderia sugerir a proximidade de um ponto de venda. SOBRECOMPRADO Termo utilizado nos casos em que a ação passa por um movimento de forte valorização e está próximo de uma reversão. Já os casos em que o indicador trabalha nos níveis mais baixos (abaixo de 20, por exemplo) sugeririam que a queda estaria perdendo fôlego, dando indícios de que um ponto de compra estaria próximo. ATENÇÃO Os níveis considerados alto e baixo do indicador variam de autor para autor. Não há um consenso sobre a faixa ideal para ambos os casos. Alguns autores consideram um IFR acima de 70 alto (e 30 baixo), enquanto outros trabalham com níveis superiores a 90 (abaixo de 10). javascript:void(0) Analisando o caso da empresa ABC, é possível verificar que, durante o período considerado, as ações se mantiveram em tendência de alta, iniciando a um preço de $33,64 (no dia 15) e alcançando $44,25 (no dia 60), o que determinou uma variação positiva de 32% no decorrer de 45 dias úteis. ALÉM DISSO, ANALISANDO O COMPORTAMENTO DO IFR, É POSSÍVEL OBSERVAR QUE ESTE SE MANTEVE, NO DECORRER DE TODO O PERÍODO, ABAIXO DE 80, O QUE, ASSUMINDO QUE O IFR ACIMA DE 80 INDICARIA UM MERCADO SOBRECOMPRADO, SERIA UM INDÍCIO QUE A TENDÊNCIA DE ALTA TERIA FÔLEGO PARA CONTINUAR. A figura 36 apresenta os gráficos das cotações e do IFR da Petrobras ON no período de março de 2015 a fevereiro de 2021: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 36. Gráfico do IFR e das cotações da Petrobras ON — março de 2015 a fevereiro de 2021. Aqui, podemos observar que o IFR ultrapassou por cinco vezes os limites (abaixo de 20 e acima de 80) de sobrecomprado e sobrevendido. SOBREVENDIDO javascript:void(0) Termo utilizado nos casos em que a ação passa por um movimento de forte desvalorização e está próximo de uma reversão. Conforme podemos observar na figura 36, exceto a segunda vez que o indicador ultrapassou o limite de sobrecomprado (acima de 80 em 2), em janeiro de 2018, a sinalização de perda de fôlegono IFR foi acompanhada de uma reversão (1, 3 e 5) ou perda (4) de tendência no gráfico das cotações das ações. ATENÇÃO O IFR não foi capaz de antecipar a forte queda das ações da Petrobras em março de 2020, ocasionada pelos efeitos da crise desencadeada pela COVID-19 — fator sistemático que, inicialmente, gerou a queda da maioria das ações das empresas cotadas em bolsa. A despeito da proposição do IFR, verificamos na prática que, no decorrer de longas tendências de alta (ou baixa), o indicador pode dar sinais de sobrecompra (ou sobrevenda) e, ainda assim, permanecer firme durante um bom tempo no movimento prévio. Em razão disso, alguns analistas sugerem, no caso de mercados em tendência, utilizar o IFR juntamente com outros instrumentos — como cortes de linhas de tendência, rompimento de figuras e sinalizações de outros indicadores — para obter confirmações mais confiáveis do indicador. Já no caso de mercados vagando sem tendência definida, o uso do IFR pode auxiliar na identificação de pontos de compra e venda em operações efetuadas em canais laterais. Nesse tipo de situação, quando as cotações no mercado de lado se aproximam de uma resistência, e o IFR está alto (indicando perda de fôlego), temos um possível ponto de venda. Mas quando as cotações da ação se aproximam de um suporte, e o IFR está baixo, temos um possível ponto de compra. MOVING AVERAGE CONVERGENCE AND DIVERGENCE (MACD) ALÉM DO IFR, OUTRO INDICADOR DE MOMENTO BASTANTE POPULAR NO MERCADO É O MOVING AVERAGE CONVERGENCE AND DIVERGENCE (MACD), QUE TAMBÉM PODE SER UTILIZADO PARA SEGUIR TENDÊNCIAS. O INDICADOR CONSISTE NA DIFERENÇA DE DUAS MÉDIAS EXPONENCIAIS DOS PREÇOS (MÉDIA DE 12 DIAS MENOS MÉDIA DE 26 DIAS), CHAMADA DE LINHA DO MACD, E OUTRA MÉDIA EXPONENCIAL DOS PREÇOS DE 9 DIAS, CHAMADA LINHA DE SINAL. A representação gráfica do indicador consiste nas duas linhas — sinal e MACD — e, ainda, em um histograma referente ao resultado da diferença entre a linha do MACD e a linha do sinal. Em termos práticos, diversas indicações podem advir da interpretação do comportamento das linhas: Tendência de alta A primeira seria quando a linha do MACD vira para cima e cruza — de baixo para cima — a linha do sinal. Tendência de baixa Seguindo a mesma lógica, quando a linha do MACD vira para baixo e cruza — de cima para baixo — a linha do sinal. A figura 37 apresenta um exemplo de uso do MACD para o rastreamento de indícios de reversões de tendência nas ações da Petrobras ON: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 37: Gráfico do IFR e das cotações da Petrobras ON. Aqui, podemos verificar cinco cruzamentos da linha do sinal (vermelha) pela linha do MACD (azul): dois casos (1 e 3) de reversão de alta para baixa e três casos (2, 4 e 5) de reversão de baixa para alta. Um segundo tipo de indicação seria proveniente do cruzamento da linha central do gráfico pela linha do MACD de baixo para cima, o que sugeriria um movimento de alta das cotações, enquanto o inverso — cruzamento de cima para baixo da linha central pela linha do MACD — indicaria um movimento de queda. UM TERCEIRO TIPO DE SINAL É CHAMADO DE DIVERGÊNCIA E CONSISTE NA DIFERENÇA OBSERVADA ENTRE O COMPORTAMENTO DA AÇÃO E DA LINHA DO MACD. Divergência de alta Ocorre quando as cotações da ação atingem uma nova mínima, mas a linha do MACD também cai, sem registrar, porém, uma mínima no indicador, o que poderia ser indicativo de uma reversão do movimento de baixa das ações. Divergência de baixa Ocorre quando as cotações de uma ação atingem uma máxima, mas a linha do MACD, apesar de subir, não ultrapassa topos anteriores, indicando a possibilidade de uma reversão (de alta para baixa). A despeito de sua simplicidade e aplicabilidade, o MACD não é julgado adequado para determinar saturações — mercados sobrecomprados ou sobrevendidos , considerando que o indicador é desprovido de limites de máximo e mínimo. BANDAS DE BOLLINGER CRIADO PELO ANALISTA TÉCNICO JOHN BOLLINGER, ESTE INDICADOR CONSISTE EM UMA MÉDIA MÓVEL EXPONENCIAL DE 20 DIAS (MM 20 DIAS), ACOMPANHADA DE DUAS OUTRAS LINHAS — UMA ACIMA DA MÉDIA (BANDA SUPERIOR) E OUTRA ABAIXO (BANDA INFERIOR) , CALCULADAS A PARTIR DA MM 20 DIAS COM MAIS OU MENOS DOIS DESVIOS PADRÕES, TAMBÉM CALCULADOS A PARTIR DAS COTAÇÕES DE 20 DIAS PASSADOS. Na figura 38, temos um exemplo das bandas de Bollinger relativo às ações da Petrobras ON no período de janeiro de 2018 a fevereiro de 2021: Imagem: Luiz Ozorio. Figura 38: Gráfico das bandas de Bollinger nas cotações da Petrobras ON — janeiro de 2018 a fevereiro de 2021. EXEMPLO Um exemplo de utilização das bandas de Bollinger seria a detecção de um possível ponto de compra, quando, em uma tendência de baixa, as cotações de uma ação fechassem em determinado dia abaixo da banda inferior e retornassem no dia seguinte acima, gerando um indício de reversão. Em contrapartida, se as cotações continuassem em queda, isso poderia ser um indício de que o movimento de baixa é forte, e a compra não seria recomendável. O mesmo racional — invertendo as bandas e o movimento de baixa para alta — seria válido: supondo que as cotações fechassem em determinado dia de alta acima da banda superior e, no dia seguinte, retornassem abaixo, teríamos um indício de reversão e uma oportunidade de venda. Porém, semelhante ao caso anterior, se as cotações continuassem em alta, isso poderia ser um indício de que o movimento de alta é forte, e a venda não seria recomendável. INDICADORES DE ANÁLISE TÉCNICA O especialista Luiz Ozorio fala sobre indicadores de análise técnica: VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. UM DOS INDICADORES MAIS TRADICIONAIS DA ANÁLISE TÉCNICA SÃO AS MÉDIAS MÓVEIS, QUE PODEM SER UTILIZADAS NA DETERMINAÇÃO DE PONTOS DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES. SOBRE O ASSUNTO, AFIRMAMOS QUE QUANDO: A) A Média Móvel é cortada de baixo para cima pelo gráfico (linha ou barra) das cotações, temos um indício de um ponto de venda. B) O gráfico (linha ou barra) das cotações é cortado de cima para baixo pela Média Móvel, temos um indício de um ponto de venda. C) A Média Móvel é cortada de cima para baixo pelo gráfico (linha ou barra) das cotações, temos um indício de um ponto de compra. D) A Média Móvel é cortada de baixo para cima pelo gráfico (linha ou barra) das cotações, temos um indício de um ponto de compra. E) O gráfico (linha ou barra) das cotações é cortado de baixo para cima pela Média Móvel, temos um indício de um ponto de compra. 2. O ÍNDICE DE FORÇA RELATIVA (IFR) É UM DOS INDICADORES TÉCNICOS MAIS TRADICIONAIS E FAMOSOS DO MERCADO. ESSE ÍNDICE PODE SER UTILIZADO PARA ANALISAR O MOMENTUM DO MERCADO, QUE SIGNIFICA A VELOCIDADE COM QUE OS PREÇOS OSCILAM. EM RELAÇÃO À INTERPRETAÇÃO DE SEUS RESULTADOS, QUANDO O IFR SE ENCONTRA: A) Próximo ao fundo — abaixo de 50 , temos um indício de que o mercado estaria sobrevendido e, possivelmente, sem fôlego para continuar subindo. B) Próximo ao topo — acima de 80 , temos um indício de que o mercado estaria sobrecomprado e, possivelmente, sem fôlego para continuar subindo. C) Próximo ao topo — acima de 60 , temos um indício de que o mercado estaria sobrecomprado e, possivelmente, sem fôlego para continuar caindo. D) Próximo ao fundo — acima de 40 , temos um indício de que o mercado estaria sobrecomprado e, possivelmente, sem fôlego para continuar subindo. E) Próximo ao fundo — abaixo de 30 , temos um indício de que o mercado estaria sobrecomprado e, possivelmente, sem fôlego para continuar caindo. GABARITO 1. Um dos indicadores mais tradicionais da análise técnica são as Médias Móveis, que podem ser utilizadas na determinação de pontos de compra e venda de ações. Sobre o assunto, afirmamos que quando: A alternativa "D " está correta. As Médias Móveis são geralmente utilizadas para seguir tendências de preço e podem ajudar a indicar reversões de mercado. Mais especificamente, quando o gráfico de preços dos ativos corta de baixo para cima a Média Móvel, isso apontaria um ponto de compra. 2. O Índice de ForçaRelativa (IFR) é um dos indicadores técnicos mais tradicionais e famosos do mercado. Esse índice pode ser utilizado para analisar o momentum do mercado, que significa a velocidade com que os preços oscilam. Em relação à interpretação de seus resultados, quando o IFR se encontra: A alternativa "B " está correta. A faixa de variação do IFR vai de 0 a 100. Nos casos em que o IFR opera em patamares altos (acima de 80), temos uma indicação de sobrecompra, o que sugeriria a proximidade de um ponto de venda. Já quando o IFR opera em níveis mais baixos (abaixo de 20), temos indícios de perda de fôlego, o que sugeriria a proximidade de um ponto de compra. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer do conteúdo, discutimos sobre os pontos mais relevantes da escola técnica para análise de ações. Foram apresentados os conceitos fundamentais que norteiam a metodologia, em particular os princípios da Teoria Dow, as linhas de tendência, suporte e resistência e, ainda, a teoria das ondas de Elliot. Também foram detalhados os principais tipos de padrões gráficos (figuras) de reversão e de continuidade, bem como os padrões específicos dos gráficos candlestick. Além disso, explicamos como essas figuras podem auxiliar na projeção de preços após seu rompimento. Por fim, foram abordados os principais tipos de indicadores da análise técnica, com base no detalhamento de suas formulações e na descrição de seu uso na análise de ativos. Apesar de a análise técnica ser bastante tradicional e muito utilizada pelos praticantes no mercado, é carente de maior fundamentação acadêmica. Mas, a despeito de sua fragilidade teórica, consideramos válido obter esse conhecimento, a fim de estimular pesquisas que permitam a evolução científica dessa metodologia. Esperamos ter contribuído para seu entendimento e aproximado você de sua aplicação prática. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS ABE, M. Manual de análise técnica: essência e estratégias avançadas — tudo o que um investidor precisa saber para prosperar na bolsa de valores até em tempos de crise. São Paulo: Novatec, 2009. DEBASTIANI, C. A. Candlestick: um método para ampliar lucros na bolsa de valores. São Paulo: Novatec, 2007. LEMOS, F. Análise técnica dos mercados financeiros: um guia completo e definitivo dos métodos de negociação de ativos. São Paulo: Saraiva Educação, 2015. PRING, M. J. Análise técnica explicada. Nova York: McGraw-Hill Education, 2014. ROCKEFELLER, B. Análise técnica para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2016. EXPLORE+ Para desenvolver uma visão crítica em relação à análise técnica, sugerimos as seguintes leituras: BARBOSA, M. J.; OLIVEIRA, M. R. G. Uma avaliação da eficácia da análise técnica computadorizada na geração de retornos. In: Revista Ciências Administrativas, Fortaleza, v. 17, n. 1, p. 195-224, jan./abr. 2011. BARROS, T. S. Análise técnica e fundamentalista: ensaios sobre os métodos de análise. In: Revista de Administração e Negócios da Amazônia, Porto Velho, v. 7, n. 2, p. 39-63, maio/ago. 2015. CALICCHIO, S. Investindo com bandas de Bollinger de uma forma simples — como aprender a utilizar as bandas de Bollinger para negociar com sucesso online. E-book, 2020. CONNORS, L.; ALVAREZ, C. Bollinger bands trading strategies that work. Nova Jersey: Connors Research, 2013. SAFFI, P. A. C. Análise técnica: sorte ou realidade? In: Revista Brasileira de Economia, Rio de Janeiro, v. 57, n. 4, p. 953-974, out./dez. 2003. CONTEUDISTA Luiz Ozorio Currículo Lattes javascript:void(0);