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Prévia do material em texto

Movimentos da Psicologia no século XX
Prof. Roberto Sena Fraga Filho
Descrição A origem e a organização da Psicologia e os movimentos da Psicologia no século XX.
Propósito Compreender que o conhecimento de facetas diversas do campo da Psicologia e de seus desenvolvimentos ao
longo dos séculos XX e XXI instrumentalizam profissionais a multiplicar suas capacidades e abordagens.
Objetivos
Módulo 1
In�uências na história da Psicologia
Descrever os movimentos históricos que contribuíram para a organização
da Psicologia como ciência.
Módulo 2
A Psicologia no século XX
Identificar os movimentos da Psicologia do século XX.
Módulo 3
A Psicologia Cognitiva
Identificar o marco histórico, os conceitos fundamentais e os métodos da
Psicologia Cognitiva.
Módulo 4
Psicologia: do século XX para o século
XXI
Relacionar a Psicologia do século XX com a Psicologia do século XXI.
Introdução
Estudar a história de uma ciência, de uma área do conhecimento humano, permite-nos
compreender o propósito, a utilidade desse conhecimento em nossas vidas, em nossa prática
profissional e na forma como exercemos nossa profissão.

A Psicologia como uma profissão é restrita ao psicólogo e à psicóloga, devidamente inscritos em
um conselho regional de Psicologia. No entanto, a Psicologia como ciência embasa o trabalho de
psicólogos, pedagogos, professores, gestores e de qualquer outro profissional que necessite
compreender o ser humano para manejar comportamento e cognição dentro de sua prerrogativa
profissional.
Algumas práticas da Psicologia são, portanto, restritas aos seus profissionais, mas o uso do
conhecimento, em interseção com outras profissões, após uma formação de nível superior para
atuar na pedagogia, na docência, na gestão de pessoas, no desenvolvimento de soluções e
produtos para as pessoas é possível e desejável. Essa é nossa proposta para você. Vamos nessa!
1 - In�uências na história da Psicologia
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os movimentos históricos que contribuíram para a
organização da Psicologia como ciência.
Perspectiva e Zeitgeist
Leonardo Boff afirma o seguinte:
Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Ler significa reler e compreender,
interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés
pisam. Todo ponto de vista é um ponto.
Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é
sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam.
Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer:
como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que
desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o
animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.
(BOFF, 1999, p. 4)
Sem a pretensão de analisar a complexidade revelada nessas poucas linhas do texto de Leonardo Boff,
uma palavra atende ao nosso propósito inicial: perspectiva. Em perspectiva, estudamos Psicologia, em
perspectiva, usamos do conhecimento da Psicologia. Fundamentalmente, em perspectiva, buscamos
compreender a complexidade dos fenômenos humanos, as pessoas e, também, os eventos históricos
da Psicologia.
Atenção!
Não conseguimos estudar Psicologia desconsiderando o Zeitgeist. Uma ciência não se desenvolve no vácuo, ela usa a tecnologia
disponível de sua época e tenta dar respostas às perguntas que são feitas. Essas perguntas (as indagações dos filósofos e dos
cientistas) consideram o acúmulo de conhecimento até aquele ponto da história.
Zeitgeist
O espírito, as necessidades, o clima intelectual e cultural de uma época.
A tecnologia está mais avançada no século XXI. Podemos dizer que, atualmente, os filósofos e os
cientistas podem fazer perguntas mais complexas, pois detêm mais conhecimentos do que os
filósofos e cientistas de meados do século XIX, quando surgiu a Psicologia Científica. Uma frase
atribuída a Sir Isaac Newton (1643-1727), cientista do século XVII e cavaleiro da Coroa Real Inglesa,
traduz bem essa ideia:
Se enxerguei um pouco mais longe, foi por estar em
pé sobre ombros de gigantes.
(Isaac Newton)
Não é recomendado julgar e/ou refutar um dado histórico se você estiver pensando com a cabeça do
século XXI, a partir de suas ideias preconcebidas e do que você acha certo ou errado, ou seja, do seu
sistema de crenças, de sua perspectiva, eventualmente, nutrida pelo senso comum, pelo conhecimento
popular que não tenha sido testado e analisado pelo método da Filosofia ou da Ciência.
Segundo Schultz (2019), é necessário um distanciamento: afastar-se momentaneamente do seu
sistema de crenças e também do seu conhecimento do século XXI. Compreenda a perspectiva e o
Zeitgeist do momento histórico que estiver estudando.
Em ciência, não achamos, não deduzimos sem antes observar, experimentar,
demonstrar evidências. Em ciência, não existe o óbvio. Tudo precisa ser
investigado e evidenciado.
Com essa postura, você absorverá melhor o conteúdo, compreenderá melhor a nossa história, e, assim,
perceberá o propósito e a utilidade daquele conhecimento para não cometer os mesmos erros dos
nossos antepassados, para prospectar o futuro, ou compreender como chegamos até o nosso
momento histórico do século XXI.
Em ciência, algumas vezes, para acertar é necessário errar. É a partir dos erros que alguns
pesquisadores ficam inquietos, buscam evidências válidas e fidedignas para refutar o erro e alcançar
evidências de maior qualidade. Os erros são tão relevantes quanto os acertos.
Vamos analisar um exemplo prático do que tratamos até aqui!
O que você diria se disséssemos que sua inteligência e suas características de personalidade podem
ser medidas pelo tamanho de sua cabeça e do formato do seu crânio? Isso faria sentido?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
Pode parecer estranho, mas os primeiros indivíduos a tentar entender como funcionava a mente
humana partiram do método de dissecação de corpos e do exame do cérebro, buscando
compreender sua estrutura e a relação entre suas partes e as funções que desempenhava.
Vamos conhecer um pouco mais sobre os caminhos dos estudiosos da mente.
Vejamos a seguir um caso interessante de uma ciência que foi relevante no passado, mas que
atualmente já não é tão considerada.
Saiba mais
Nos dias atuais, afirmamos que a Frenologia é uma pseudociência, mas, em 1796, o alemão Franz Joseph Gall (1758-1828)
exerceu influência na Psicologia e na psiquiatria com essa teoria. Com a Frenologia, Gall acreditava ser possível estudar as
aptidões mentais analisando o tamanho e o formato do crânio. Por muitos anos, o tamanho e o formato do crânio de Gall e de
outros estudiosos da Frenologia foram considerados, por eles mesmos, o padrão de excelência e um exemplo do melhor da
espécie humana.
Atualmente, essa ideia é um absurdo. No entanto, não podemos achar que esse conhecimento seja
inútil, pois, em ciência, não chegamos a conclusões simplesmente por pensarmos que algo é
obviamente verdadeiro ou falso. Precisamos buscar evidências. Isso quer dizer que só foi possível
descartar essa teoria porque esta foi posta à prova.
Entretanto, as ideias de Gall de que algumas características são específicas de certas áreas do cérebro
se sustentaram em momentos posteriores. Em ciência, aproveitamos o que é útil, como uma evidência
consistente, e descartamos o resto, mas sem esquecer esse resto, pois, assim, evitamos cometer os
mesmos erros no futuro (ao menos isso é o desejável).
A Psicologia é recheada de exemplos de acertos e erros. Os erros nem sempre são oriundos de
pseudociências, mas podem ser também resultado do método científico levado a sério, ético e rigoroso
(errar faz parte — perceba, com humor, que “herrar é umano” —, mas permanecer nesse “herro” é
obscurantismo). Até nos dias atuais, precisamos ficar atentos e ser críticos. Podemos encontrar
informações que se dizem embasadas no método científico, mas são pseudociências.Devemos ter
cuidado e não acreditar em tudo, só porque dizem que é ciência.
Pseudociências
Entendemos como pseudociência algo que se diz ciência, mas que não é.
Nessa jornada fantástica, podemos perceber como algumas discussões são
fundamentais e demonstrar que teses e hipóteses foram testadas e não se
sustentaram quando passaram pela prova, como ocorreu com a Frenologia.
Assim, podemos afirmar, em pleno século XXI, com evidências científicas robustas, que somos seres
únicos, ninguém é melhor do que ninguém, existe um lugar no mundo para os extrovertidos e para os
introvertidos. Antigas afirmações foram reavaliadas, por exemplo:
 Não existe raça superior.
A Psicologia Científica é autônoma e não se confunde com dogma religioso. Portanto, as discussões
polêmicas que as civilizações se propuseram a debater, como a questão da raça, foram submetidas a
contestações científicas e amplos estudos, com evidências científicas demonstrando sua ineficácia de
partida.
Exemplo
A eugenia como uma hipótese não se sustenta para os seres humanos, pois apresenta sérios conflitos éticos. A
homossexualidade não é uma doença para ser tratada. Na escola, não devemos separar as crianças por dificuldades de
aprendizado e/ou outras condições como surdez, autismo etc.
Entre outras discussões delicadas, só com reflexões e críticas amparadas pela ciência prosseguimos
absorvendo as transformações pelas demandas sociais e atuando de forma a promover bem-estar e
qualidade de vida.
Caminhos e descaminhos da Psicologia
Confira os caminhos acertados e os erros cometidos na trajetória da Psicologia que levaram a
"descaminhos".
 O melhor tratamento para o doente mental não é ser descartado em um hospício
 A orientação sexual de uma pessoa só importa a ela mesma.

Dessas discussões e pesquisas ao longo da nossa história, surgem os argumentos para projetos
individualizados para educação, mas sem desconsiderarmos a inclusão e promovendo uma educação
para o convívio com as diferenças.
Exemplo
Os doentes mentais, em certas circunstâncias, ficarão internados, mas as comunidades terapêuticas são uma solução viável, em
vez de internações de longa permanência.
Várias estratégias vêm sendo desenvolvidas a partir de erros e acertos, para promovermos tolerância,
compaixão, autocompaixão, saúde, e bem-estar físico e emocional. Buscamos os acertos e as
evidências científicas, bem como caminhos mais éticos, humanizados, integradores.
Mas, para acharmos a ética, em algum momento da história, foi necessário perdê-la. Para achar nossa
humanidade, em algum momento da história, foi necessário nos depararmos com práticas desumanas.
Para chegarmos às estratégias e ao manejo que promovem inclusão, foi necessário que
vivenciássemos as consequências econômicas, sociais, éticas e políticas das práticas
segregacionistas. Infelizmente, não aprendemos com todos os erros e, em parte de nossa civilização e
de nossa sociedade, ainda encontraremos mazelas, mas estamos em tempos melhores como
humanidade do que já estivemos em outras épocas.
A história da Psicologia como ciência demonstra como essa área tem sido importante em diferentes
campos:
Na escola, para pedagogos e outros profissionais entenderem o desenvolvimento humano e designarem estratégias de
aprendizagem, atendendo a maturação biológica, funcionamento do cérebro e perfil cognitivo do aluno.
Para organizações e instituições desenvolverem melhores práticas na gestão de pessoas.
Para o estabelecimento de tratamentos mais humanizados na saúde mental, bem como de práticas para a promoção de
saúde, negócios e neuromarketing.
Para psicoterapia, para avaliação psicológica, neuropsicologia, entre outras possibilidades de atuação dos psicólogos.
Os eventos históricos são fundamentais para evitar equívocos e não repetir algumas práticas que
trouxeram mais confusão do que solução. Analisar a história e compreender nosso passado nos ajuda
a imaginar o futuro e a direcionar melhor nossos esforços. Essa história é nossa. Ela é sua. É da nossa
civilização, para o bem ou para o mal.
A Psicologia como ciência e profissão, no Brasil do século XXI, tem sido posicionada de modo a evitar
os erros da história, buscando o caminho do bem, promovendo os direitos universais humanos, a
inclusão, a tolerância, a ciência, mas sabendo que: todo ponto de vista é a vista de um ponto (BOFF,
1999).
Por onde começamos?
A Psicologia, como ciência, foi influenciada por inúmeros pensadores, cientistas, movimentos e áreas.
Veremos a seguir alguns.
In�uências
In�uência da Filoso�a
A história da Psicologia está imersa na história do desenvolvimento do pensamento humano, na
história da Filosofia: é assim que a Psicologia se organiza.
Até certo ponto, a história da tradição filosófica é a história da Psicologia. Isso inclui o período da
Grécia Antiga com os mitos gregos, a exigência racional com Tales de Mileto, Pitágoras, Heráclito e
Parmênides, Sócrates, os Sofistas, Platão e Aristóteles.
A Filosofia aborda o objeto que deseja conhecer por intermédio da razão, da argumentação (indutiva e
dedutiva), da lógica, da retórica. Esses métodos são necessários para questionar o que é o
conhecimento, os tipos de conhecimento e o que é verdadeiro nesse conhecimento.
A Filoso�a também se ocupa das falácias do
conhecimento, ou seja, dos erros da argumentação
�losó�ca, mas que convencem e enganam.
Uma falácia do conhecimento sempre vem disfarçada de boas intenções e, eventualmente, confirma
ideias do senso comum, confirma os desejos e as opiniões de algumas pessoas, e por isso convence
os mais ingênuos.
O papel da Filosofia, de apontar as falácias do conhecimento, é fundamental para nossa civilização,
para os psicólogos, para os educadores (ensinantes), para os gestores e para o cidadão. As falácias do
conhecimento estão em nosso passado, mas também no presente. O pensamento filosófico é uma
vacina poderosa contra o obscurantismo e contra tais falácias, pois desenvolve o pensamento crítico.
In�uência de movimentos e estudos
Vejamos a seguir dois exemplos de influências.
René Descartes (1596-1650).
Mecanicismo, a doutrina filosófica do século XVII,
pela qual todos os fenômenos se explicam pela
causalidade; pela discussão dos racionalistas
(tese) e dos empiristas (antítese) e pela síntese
do filósofo Immanuel Kant, no século XVIII.
René Descartes (1596-1650) era racionalista. A
publicação relevante para nossa discussão é de
1637: Discurso sobre o método para bem conduzir
a razão na busca da verdade dentro da ciência.
Empiristas
Há vários representantes no movimento conhecido como empirismo inglês. Destaque para a “mente como uma tabula rasa”, na
publicação Ensaio sobre o entendimento humano, do filósofo John Locke (1632-1704).
A origem das espécies (1872), livro publicado por
Charles R. Darwin (1809-1882), abordou o
desenvolvimento filogenético das espécies,
incluindo a espécie humana.
Isso aproxima os seres humanos de outras
espécies que habitam o planeta em uma corrida
por adaptabilidade e sobrevivência. Nossa
espécie Homo sapiens (homem sábio), com as
características morfológicas atuais, tem 350 mil
anos; as características comportamentais
modernas, cerca de 50 mil anos.
Essas evidências são importantes para a
delimitação da Psicologia como ciência e para o
movimento do funcionalismo com o estudo do
papel adaptativo da consciência, em vez do seu
conteúdo.
Charles R. Darwin (1809-1882).
Desde o início da Idade Moderna até a época do Iluminismo, os filósofos especularam sobre o
funcionamento da mente humana, com o intuito de determinar por meio de quais processos o
conhecimento é produzido. A ideia de que a faculdade da razão era o que possibilitava o saber não era
exatamente nova: já na Grécia Antiga e durante a Idade Média se atribuía à razão essa função. No
entanto, a compreensão de seu funcionamento ainda representava um desafio. John Locke concebeu a
mente como uma espécie de folha em branco, ou tabula rasa, onde a experiênciasensorial deixava
suas impressões, assumindo que não havia pressupostos preestabelecidos, tanto para o pensar quanto
para o agir.
Outros pensadores, como René Descartes e Gottfried Leibniz (1646-1716), posicionavam-se de
maneira diferente em relação à questão, pois, para eles, havia funções da consciência humana que não
poderiam ser resultado da mera experiência sensorial, como:

As categorias do pensamento

O mecanismo das inferências
lógicas

A noção de causalidade

O sentido do propósito
Independentemente do mecanismo, para os pensadores iluministas, a especulação precedente abriu
uma porta para o funcionamento da mente humana que não poderia mais ser fechada. O debate sobre
o mecanismo racional envolvia desde a ideia de que uma porção “divina” nos oferecia o sentido da
verdade, do belo e do correto, até uma crítica necessária da “Razão Pura”, empreendida por Immanuel
Kant. Outros pensadores afirmaram ainda que as ideias deviam seu processo de construção às
dinâmicas sociais, interpretações e relações do sujeito com o meio.
Nesse contexto, destaca-se o pensamento
dialético de Hegel (1770-1831). O conceito de
dialética apresentado pelo autor defende que os
seres humanos constroem e reconstroem os seus
conceitos. Seja em expedientes sociais, seja nas
concepções artísticas, para Hegel, esse processo
deve ser descrito como uma espiral constante.
As sociedades — e os indivíduos que nelas vivem
— estão sempre ancorados em teses,
naturalizadas em seu cotidiano e assumidas
como verdadeiras.
Entretanto, no processo histórico, essas teses são constantemente contrastadas, negadas,
enfrentadas, e desse enfrentamento, entre tese e antítese, emerge sempre algo novo, uma síntese (por
isso espiral), que posteriormente será consolidada no meio social, tornando-se a tese então vigente.
In�uência da Psicofísica
A Psicofísica demarca uma mudança de abordagem. Eventualmente, você pode ler que a Psicologia,
em sua fundação, rompe com a Filosofia, mas essa afirmação está equivocada.
Psicofísica
É a relação entre um estímulo em seu aspecto físico e a resposta consciente do sujeito.
Toda ciência precisa de uma base filosófica consistente para operar: a isso
chamamos de bases epistemológicas .
Bases epistemológicas
Filosofia da ciência ou, dependendo do momento histórico, teoria do conhecimento.
A inovação dos psicofísicos é empregar o método experimental para estudar uma Psicologia sensorial,
uma Fisiologia experimental, não romper com o pensamento filosófico, buscando evidências empíricas
por meio do método experimental e de resultados reprodutíveis. É fundamental conseguir dados
constantes, não apenas as especulações, induções e deduções filosóficas.
A teoria da evolução das espécies, os avanços da Fisiologia Experimental com os psicofísicos,
correlacionando nosso aparato sensorial à mente humana, a rigor, aos estados conscientes dessas
sensações, e o Zeitgeist do século XIX impulsionaram a criação do primeiro laboratório de Psicologia,
em 1879, na Alemanha.
Sensorial
Tecnicamente, na Psicologia Científica, as sensações são os nossos sentidos: visão, audição, olfação, paladar, tato, propriocepção.
Isso se difere da percepção. Enquanto as sensações são descritas puramente em termos fisiológicos e por uma linguagem neural
(sinapses), as percepções são descritas como uma função psicológica.
Saiba mais
Para compreender o plano de fundo e o Zeitgeist do século XIX, é preciso considerar que os métodos das ciências naturais
estavam em alta, e a Psicologia precisava seguir esse caminho. A Fisiologia foi uma resposta possível. O espírito metódico e
rigoroso dos pensadores alemães construiu o ambiente propício para o desenvolvimento de uma Fisiologia experimental.
Aparelhos tecnológicos estavam sendo desenvolvidos. Além disso, a influência do empirismo inglês, que preconizava a
necessidade de se estudar os sentidos e como podem levar ao erro, foi fundamental em um contexto social em que havia
urgência de se fazer ciência, devido à predominância do espírito positivista, que defendia o método experimental. Nesse contexto,
o conhecimento científico era considerado a via mais segura para se construir um conhecimento verdadeiro.
Origens e cientistas
No século XX, a medida em Psicologia, ou seja, a mensuração de construtos psicológicos, era
basicamente de natureza cognitiva, por intermédio de testes psicológicos das diferenças individuais.
Isso quer dizer compreender as particularidades de uma pessoa, por exemplo, mensurando o nível de
inteligência ou investigando os traços de sua personalidade e correlacionando a dificuldades escolares
ou ao desempenho em determinada área no mercado de trabalho.
Na Psicologia, considerando a segunda metade do século XIX, as primeiras medidas não eram de
natureza psicológica, mas psicofísicas — uma Psicologia sensorial. Essa influência da Fisiologia, por
meio das primeiras medidas psicofísicas, buscava as regularidades e os padrões da nossa fisiologia,
isto é, o geral, não o particular ou as singularidades.
Singularidades
O que não é padrão, o que se tem de resultado ímpar em uma movimentação que tende a ser recorrente.
Wilhelm M. Wundt (1832-1920) 
Wilhelm M. Wundt.
Ficou registrado na história como o responsável pelo marco fundante da Psicologia Científica.
Foi esse pesquisador que, em 1879, delimitou em seu laboratório, fundado na Universidade de
Leipzig, na Alemanha, o Psychologische Institut (Instituto Psicológico).
Outros psicofísicos precederam o primeiro laboratório de Psicologia e trabalharam juntos (ou
separados) a Wundt. Lembre-se de que uma ciência não se desenvolve no vácuo, mas em um
continuum de acúmulo de conhecimento e tecnologia. Os psicofísicos estavam abrindo as
portas para a Psicologia Científica, e Wundt era um deles. Eles concordavam entre si e/ou se
criticavam. Acertaram e erraram. Mas sempre persistiram.
Ernst Weber.
Desenvolveu estudos para discriminar a distância tátil perceptível entre dois pontos (limiar de
dois pontos), ou seja, a relação de uma estimulação física (sensação) e uma percepção
(mental).
Ernst Weber (1795-1878) 
Gustav Theodor Fechner (1801-1887) 
Gustav Theodor Fechner.
Fechner disputa com Wundt o título de pioneiro da Psicologia Experimental e da própria
Psicologia, embora suas primeiras contribuições para as ciências tenham se desenvolvido nos
campos da Matemática e da Física. Posteriormente, devido a uma crise pessoal e influenciado
pelo filósofo alemão Friedrich Schelling (1775-1854), passou a interessar-se por questões
psicológicas e religiosas.
De acordo com sua concepção de paralelismo psicofísico, as realidades física e psíquica não
estariam em oposição, mas constituiriam aspectos de uma mesma realidade essencial. Fechner
demonstrou que o mundo mental e o mundo material estão relacionados quantitativamente; e
que se pode medi-los.
Hermann von Helmholtz (1821-1894) 
Hermann von Helmholtz.
Foi pioneiro em medir a velocidade do impulso nervoso, de uma estimulação sensorial tátil até a
resposta, ou seja, o movimento motor resultante. Para a Psicologia, isso foi importante na ideia
de que o pensamento e o movimento se seguem um ao outro, e o intervalo entre um
pensamento e um movimento resultante poderia ser medido.
Esses estudos, inovadores na época, foram gradualmente encorajando Wundt a conseguir os recursos
e o espaço necessários para fundar um Instituto de Psicologia na Universidade de Leipzig. Antes
desses estudos, a mente humana era abordada apenas pelos argumentos filosóficos, fundamentais,
mas incapazes de demonstrar como a mente funciona e/ou se estrutura em aspectos fisiológicos.
Wundt prosseguiu usando o método
experimental, mas, diferentemente de seus
antecessores e contemporâneos, estava mais
focado em delimitar o campo da nova ciência
(Psicologia) e o seu objeto de estudo
(consciência).
Buscou definir a consciência e descrever o
caráter de seus elementos básicos. A maneira de
estudá-la foi a introspecção,ou seja, a
observação da experiência consciente. Uma
forma de auto-observação guiada. O exame do
próprio estado mental. Mas negou que a
Psicologia seria capaz de estudar funções
superiores.
Wilhelm Wundt (sentado) com colegas em seu laboratório
psicológico, o primeiro desse tipo.
Alguns pesquisadores seguiram Wundt, mas outros o contestaram, desenvolvendo uma Psicologia não
wundtiana:
Hermann Ebbinghaus (1850-
1909)
Estudou a aprendizagem e memória (funções superiores).
Franz Brentano (1838-1917)
Fez uma distinção entre o conteúdo mental e a atividade
mental.
Muitos cientistas somaram esforços para delimitar esse campo de estudo no século XIX e essa nova
Psicologia resultou em duas escolas: o estruturalismo e o funcionalismo.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Estudamos eventos históricos que estão no alicerce da Psicologia como uma ciência e uma
profissão. Quais cuidados devemos ter, ao estudar determinado conteúdo da nossa história, para
torná-lo útil e significativo no tempo presente?
Parabéns! A alternativa B está correta.
A
Considerar o Zeitgeist e usar do conhecimento do senso comum para dar sentido em
minha vida cotidiana.
B
Usar o método filosófico para evitar as falácias do conhecimento e o método
científico para coletar evidências.
C
Usar o método filosófico para, por meio da razão, desenvolvermos o conhecimento
científico.
D
Todo ponto de vista é a vista de um ponto. O método científico nem sempre trará um
resultado para a Psicologia, como uma ciência e uma profissão, por causa dos erros e
das pseudociências.
E Não se deve considerar os pontos de vista, mas somente o Zeitgeist de seu tempo.
Ao ler sobre esses eventos e essas ideias, é natural interpretá-los a partir de determinado ponto de
vista e, eventualmente, compará-los ao tempo presente e ao sistema de crenças pessoal, que
tipicamente vai julgar o certo e o errado pelas ideias do senso comum. Mas, em ciência, usamos o
método filosófico para delimitar as bases epistemológicas e o método científico para colher as
evidências.
Questão 2
A Psicologia Científica, surgida no século XIX, rompe com a Filosofia para delimitar-se como uma
ciência, evento que é um marco de 1879 com Wundt fundando o primeiro laboratório de Psicologia
Experimental. Analise essa afirmação e responda:
A
Afirmativa correta. A Psicologia deixa de ser estudada pela Filosofia e passa a ser
investigada pelo método científico.
B
Afirmativa correta. Por uma exigência do positivismo, a Psicologia abandona a
Filosofia.
C
Afirmativa errada. A Psicologia Científica, como a conhecemos, foi fundada no século
XX por Titchener nos Estados Unidos da América.
D
Afirmativa errada. A Psicologia Científica amplia a abordagem dos fenômenos
psicológicos pelo método experimental, mas não rompe com a Filosofia.
E
Parabéns! A alternativa D está correta.
Toda ciência, para operar, necessita dos argumentos filosóficos para delimitar o seu campo de
estudo e os seus métodos. Chamamos isso de bases epistemológicas.
2 - A Psicologia no século XX
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os movimentos da Psicologia do século XX.
Afirmativa correta. A Psicologia Científica rompe com a Filosofia e passa a usar
somente o método experimental.
Movimentos da Psicologia
Estruturalismo
Na transição do século XIX para o início do século XX, a Psicologia alcançou visibilidade nas
universidades dos Estados Unidos e da Europa, notadamente na Alemanha, e o ritmo de seu
desenvolvimento foi marcado pelos movimentos do estruturalismo e do funcionalismo.
Edward B. Titchener.
Em 1896, nos Estados Unidos, o britânico Edward
B. Titchener (1867-1927), discípulo de Wundt,
divulgou um projeto diferente do de seu professor,
em termos epistemológicos.
Titchener e seus colaboradores identificaram
mais de 40 mil qualidades e sensações, e
afirmavam que cada elemento era consciente e
poderia ser combinado para formar percepções e
ideias.
Esses elementos eram determinados pela
qualidade, intensidade, duração e nitidez.
Todos os processos conscientes e perceptuais
poderiam ser reduzidos a esses elementos que,
em última análise, são os átomos do
pensamento.
O reducionismo de chegar ao átomo do
pensamento era uma exigência do Zeitgeist —
aproximar a Psicologia das ciências naturais e do
espírito positivista.
Titchener treinou vários observadores a descrever
o seu estado consciente em vez de descrever o
estímulo, por intermédio de uma introspecção
experimental sistemática.
Um fantasma do curso das fibras no cérebro humano, Edward B.
Titchener, 1895.
O pesquisador criticava que, até então, os instrumentos de medida da Fisiologia Experimental
aplicados à Psicologia, como taquistoscópio e o cronoscópio, eram mais importantes do que o próprio
observador. Por isso, havia a urgência em treiná-los para empregar a introspecção.
Vamos fazer um exercício!
Observe a imagem a seguir e depois responda o que você vê.
Pensou? Vamos ver a seguir a resposta:
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
O que você vê? Uma maçã? Resposta errada. Um objeto vermelho? Resposta errada. Analise suas
sensações e descreva essa percepção, detalhando sua experiência consciente. A diferença entre
luz e sombra, de tons, intensidade, duração e nitidez dessa experiência consciente. Pois é, não é
fácil compreender a introspecção experimental sistemática.
Funcionalismo
O norte-americano William James (1842-1910) publicou, em 1890, o texto Princípios da Psicologia, que
se transformou nas bases do funcionalismo nos Estados Unidos no século XX. Ele foi um
representante da escola do pragmatismo e do funcionalismo.
James não estava interessado nos átomos do pensamento, mas na experiência imediata que um
objeto impunha à consciência, ou seja, um fenômeno. Suas principais teorias são os estudos sobre a
emoção, sua origem e função, com grande impacto para a Psicologia no século XX.
William James.
James acreditava que uma alteração fisiológica no organismo levaria a uma emoção, ideia que foi
corroborada em um estudo independente pelo fisiologista Carl G. Lange (1834-1900), psicólogo
dinamarquês.
Na perspectiva desses autores, não experimentamos uma emoção se não houver uma alteração
fisiológica no organismo. Assim, o corpo reagiria de modo diverso aos eventos ambientais causadores
de emoções, e as experiências emocionais nada mais seriam do que uma tentativa de dar sentido à
alteração no organismo.
Exemplo
Se você escuta um barulho muito alto, como uma explosão, esse evento ambiental vai aumentar seu batimento cardíaco, causar
sudorese, respiração mais rápida e curta, e o resultante disso é sua percepção de medo. Essa é a teoria James-Lange para
explicar uma emoção.
Os funcionalistas sofreram influência da teoria da evolução das espécies e estavam mais interessados
no papel adaptativo da consciência, dos hábitos, da emoção, ou seja, em suas respectivas funções.
Para os funcionalistas, isso era mais válido e pragmático do que investigar o conteúdo da consciência
em termos estruturais.
No início do século XX, entre 1901 e 1913, a Psicologia norte-americana vivenciou o debate, muitas
vezes, fundamentalista e não amistoso, entre estruturalistas e funcionalistas. Na Europa, observamos
outras discussões.
Pragmático
Pragmatismo é uma doutrina da Filosofia que define os critérios de utilidade do conhecimento.
A história em perspectiva
Nesse pequeno espaço, é difícil contar tudo o que acontecia na Europa e nos Estados Unidos, pois
existiam intercâmbios e influência mútua, mas é uma escolha didática destacar aquilo que era mais
evidente nessas localidades.
A marcha da humanidade, David Alfaro Siqueiros, 1971.
Igualmente difícil é narrar todas as influências, as perspectivas e os acontecimentos que tiveram
impacto na formação da Psicologia como ciência entre 1879 e o fim do século XX, pois a proposta
deste estudo é dar uma visão panorâmica.
A cabeça pensa a partir deonde os pés pisam.
(BOFF, 1999, p. 4)
Antes de prosseguirmos, vamos analisar o que se desenvolveu ao longo do século XX, por influência da
Psicologia do século XIX.
Uma história à parte
A Psicanálise é uma história à parte da Psicologia, mas que exerce grande influência nos psicólogos,
pedagogos, médicos psiquiatras, neurocientistas, entre outros interessados no estudo das funções
psicológicas humanas.
Sigmund S. Freud
Erros de tradução colocam Sigmund S. Freud
(1856-1939), em certos livros, como um teórico
do instinto, mas isso está equivocado. A palavra
instinto não se aplica a Freud, pois ele não usou o
termo instinkt (instinto, em alemão). Para os
seres humanos, ele usou trieb, traduzido como
impulso ou pulsão. Freud também apresenta sua
teoria sobre o desenvolvimento psicossexual
(fase oral, anal, fálica, período de latência,
genital).
Lembra-se de quando abordamos o tópico perspectiva e Zeitgeist? Nesse aspecto, do desenvolvimento
psicossexual, a Psicanálise é mal compreendida por leigos e pelo senso comum.
Atenção!
Não reproduza esses enganos, mas busque compreender a perspectiva do autor.
De maneira geral, uma teoria do impulso, como compreensão do funcionamento humano, concentra-se
em explicar como o nosso comportamento mantém o organismo em equilíbrio. A experiência
psicológica de um desequilíbrio interno seria um impulso, ou seja, o “energizador” do comportamento.
Exemplo
A sede é um desconforto psicológico para a necessidade de ingestão de líquidos.
As teorias do impulso explicam comportamentos e são focadas nas causas, em nosso funcionamento
interno, na fisiologia e/ou na estrutura da nossa mente. Não é incomum compararmos a proposta
libidinal (energia mental) de Freud com um sistema hidráulico. Imagine uma caixa de água sendo
abastecida: se a boia da caixa falhar, a água escorrerá por um mecanismo de escape para fora da casa,
um meio simples de segurança para sua casa não ser inundada pela água.
Vamos descrever com essa analogia o funcionamento da mente humana na perspectiva desse autor: à
medida que os impulsos corporais acumulam energia (por analogia, a água de nosso sistema
hidráulico), a experiência psicológica resultante é um aumento da ansiedade, um desconforto psíquico.
Então, é preciso proteger, por meio de um mecanismo de escape (como aquele presente na caixa-
d’água), nossa saúde física e mental (para evitar a inundação de nossa residência).
Freud descreverá minuciosamente esses mecanismos de defesa. Ele elenca três estruturas do aparato
psicológico humano que vivem em uma interação dinâmica e, digamos, medindo forças:
Id
Evita a dor e maximiza o prazer.
A girafa ardente, Salvador Dalí.
Ego
O aspecto racional da personalidade.
Figura Clássica e Cabeça (inacabada),
Salvador Dalí.
Superego
Introjeção da moral da sociedade na
estrutura de personalidade.
A Madonna de Port Lligat, Salvador
Dalí
O Id, como uma estrutura psíquica inata, é regido pelo princípio do prazer e pela busca da satisfação
imediata; representa, por analogia, a pressão da água que chega à nossa caixa. Essa pressão é
constante e buscamos objetos que sejam capazes de satisfazer o desconforto psíquico. Como não
podemos atender às pressões mais primitivas em busca do prazer, devido à ação do Superego e dos
mecanismos de defesa, eventualmente, adoecemos, pois não podemos buscar os objetos que, de fato,
desejamos. Esse adoecimento, muitas vezes, não apresenta os motivos para consciência (para o Ego).
A produção intelectual da Psicanálise, inicialmente, foi direcionada para a saúde mental e para o
tratamento clínico de enfermidades mentais. Uma inovação para a época. Durante o século XX, a
Psicanálise foi empregada de maneira mais ampla para compreender diversas manifestações
humanas, uma vez que se constitui como uma teoria da personalidade e do desenvolvimento humano.
Pode ser aplicada na psicopedagogia, na psicoterapia, na educação, na saúde e nas práticas
institucionais e comunitárias.
A Psicanálise sofreu algumas variações, ao longo
do século XX, nas mãos de outros autores que
discordaram de certos aspectos da abordagem
de Freud e/ou ampliaram algo que anteriormente
não tinha sido abordado ou aprofundado.
Para encerrar esse tópico, falaremos sobre Carl
Gustav Jung (1875-1961), cuja teoria dos tipos
psicológicos é amplamente utilizada como
orientação profissional, no levantamento do estilo
de aprendizagem de uma pessoa e dos seus
interesses; isso pode ser utilizado no
planejamento de projetos educacionais, bem
como na seleção de pessoas em recursos
humanos.
Carl Gustav Jung.
Jung foi um discípulo de Freud, mas romperam relações por divergências teóricas. O seu sistema é
conhecido como Psicologia Analítica, que é aplicada na psicoterapia, em saúde mental e na avaliação
da personalidade. A tipologia de Myers-Briggs (classificação tipológica de Myers-Briggs) é um
instrumento padrão-ouro para avaliação da personalidade (MBTI). Outro teste que é amplamente
utilizado no Brasil é o questionário de avaliação tipológica (QUATI). Ambos os recursos são de uso
restrito do psicólogo e da psicóloga.
Sigmund Freud, Stanley Hall, Carl Gustav Jung, Abraham Arden Brill, Ernest Jones e Sándor Ferenczi em fotografia de 1909.
No Brasil, o uso e a comercialização de testes psicológicos são restritos aos profissionais da
Psicologia com inscrição ativa em um conselho regional de Psicologia. Existem questões técnicas e
psicométricas delicadas para garantir a correta utilização e fazer inferências corretas sobre a
população brasileira.
Psicométricas
Trata-se do embasamento para a medida em Psicologia.
Behaviorismo (comportamentalismo)
O behaviorismo, também conhecido como comportamentalismo, tem como objeto de estudo a análise
científica dos comportamentos humano e animal. Busca descrever as circunstâncias relevantes para
que um comportamento seja instalado no repertório comportamental de uma pessoa e o que é preciso
para modificar esse comportamento, quando necessário. Desse modo, é possível evidenciar por que
determinada pessoa se comporta dessa ou daquela maneira, os motivos de alguma decisão, e prever e
alterar os possíveis comportamentos futuros.
Nenhum sistema teórico, ou perspectiva psicológica, como vimos, surge em um vácuo, mas pelo
acúmulo de conhecimento e pelo avanço da tecnologia. O behaviorismo foi um protesto contra a
Psicologia Wundtiana, a consciência como objeto de estudo e a introspeção como um método.
Behaviorismo
Um neologismo, criação de uma nova palavra a partir de outra já existente. Behavior (inglês) = comportamento
Origem do behaviorismo
Em 1913, John Broadus Watson publicou o artigo A Psicologia como um behaviorista a vê, no qual
expõe os principais posicionamentos científicos da Psicologia Comportamental. Watson propõe defini-
la como uma ciência do comportamento, já que esta é fisicamente observável: é possível ver as
pessoas andarem, comerem, conversarem, mas é difícil observar seus pensamentos e sentimentos.
Vamos ver um exemplo.
Podemos dizer que comemos porque sentimos fome. Você já parou para pensar nos eventos que
fazem parte dessa contingência, ou seja, da probabilidade de um evento ser causado por outro evento?
John Broadus Watson
John Broadus Watson (1878-1958) foi um cientista que fez conferências em que rejeitava as abordagens estruturalistas e
funcionalistas e afirmava o abandono de métodos introspectivos. Inseriu a Psicologia como uma ciência que deveria ter um objeto
natural e aplicações práticas para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Estudou os reflexos aprendidos e as reações
emocionais básicas (incondicionadas — medo, raiva, amor) e complexas (condicionadas).
Podemos dizer que houve um período de privação de comida.
Durante essa privação, os processos associados à homeostase causam a sensação de fome
materializada na consciência mediante pensamentos sobre comida e/ou estratégias para saciar
a fome (ir a uma lanchonete ou fritar um ovo na cozinha).
Momento1 
Momento 2 
Entendemos homeostase como processo fisiológico que faz a manutenção da vida e busca o
equilíbrio interno no organismo; por exemplo, a experiência na consciência de sede e fome é
resultado de processo homeostático.
Com a sensação, você se dirige à cozinha, para fritar um ovo ou outro alimento de sua
preferência, ou vai até uma lanchonete e come.
Os momentos 1 e 3 podem ser observados diretamente. Já o momento 2 é encoberto aos olhos de um
observador externo e só pode ser descrito pela introspecção, mas esse método é falho, uma vez que
dois ou mais introspectistas podem experimentar ideias diferentes a respeito do fato.
Essa é uma crítica feita pelos funcionalistas para os estruturalistas, embora os funcionalistas tenham
continuado com a introspecção até o Manifesto Behaviorista de 1913.
Os introspectistas, pela Psicologia Wundtiana, tratariam o momento 2, a sensação de fome, como a
causa do momento 3, o comportamento de comer. Essa é a base do pensamento mentalista ingênuo,
crítica feita pelos behavioristas: “como porque sinto fome”. Se a fome é resultado da privação de
comida, pode-se desconsiderar a causa mental, os pensamentos, a sensação, porque não é possível
estudar os eventos só acessíveis pela introspecção.
A tese do behaviorismo é se preocupar somente com os fatos naturais, facilmente mensuráveis.
Momento 3 
Burrhus Frederic Skinner.
Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) recebeu
influência de Watson e Thorndike e estabeleceu a
distinção entre o behaviorismo radical e o
metodológico, além de descrever a aprendizagem
por contingência (probabilidade de um evento ser
causado por outro; relação entre eventos
ambientais).
Skinner buscava descrever contingências, como elas ocorrem e são mantidas. O behaviorismo
apresenta protocolos interessantes para o manejo do comportamento na escola, nas organizações etc.
Na perspectiva desse autor, o cérebro é um depositário de contingências, ou seja, armazena nossas
experiências e os padrões do nosso repertório comportamental.
As ideias essenciais de Skinner são reveladas em algumas frases:
Seja inato ou adquirido, o comportamento é selecionado por suas consequências.
(SKINNER, 1983, p. 155)
Um eu ou uma personalidade é, na melhor das hipóteses, um repertório de
comportamento partilhado por um conjunto organizado de contingências.
(SKINNER, 1974, p. 130)
Psicologia da Gestalt
A Psicologia da Gestalt é uma importante perspectiva da Psicologia. Foi crítica à Psicologia
Wundtiana; à lei do efeito, de Thorndike (1874-1949), nos Estados Unidos; e à Psicologia do Reflexo, de
Pavlov (1849-1936), na Rússia.
As principais personalidades desse movimento foram:
Psicologia da Gestalt
Não confunda com Gestalt terapia, pois são movimentos diferentes.

Max Wertheimer
1880-1943

Kurt Ko�ka
1886-1941

Wolfgang Köhler
1887-1967
Os gestaltistas aceitavam o objeto de estudo da Psicologia Wundtiana, a consciência, mas negavam-se
a aceitar que o seu estudo acontecesse pela busca de seus elementos. Nesse aspecto, concordavam
com a crítica que William James estabeleceu aos estruturalistas.
De certo modo, a Psicologia da Gestalt foi um movimento funcionalista, mas ao estilo alemão; foi
influenciada pela Filosofia de Immanuel Kant (1724-1804) e de Franz Brentano, bem como pelo
movimento fenomenológico alemão.
Max Wertheimer foi o precursor da Psicologia da Gestalt, sendo o principal fundador desse movimento.
Em 1912, descreveu o movimento Phi , um fenômeno que demonstrou as propriedades da percepção
humana e serviu de base para a tese inicial da Gestalt se opor a outros sistemas teóricos.
Movimento Phi
No fenômeno Phi, uma sequência de imagens foi apresentada, na época, por um taquistoscópio, com um intervalo de tempo de 60
milissegundos, dando a ilusão de que era a mesma imagem se movimentando.
Ao demonstrar uma ilusão, ou seja, um movimento aparente, os gestaltistas constataram que a
consciência, a percepção do movimento, não poderia ser analisada a partir dos seus elementos
sensoriais, premissa da Psicologia de Wundt.
Como o movimento aparente não é real, não possui os
dados sensoriais concretos de um movimento.
A Psicologia da Gºestalt também criticou a ideia de que a percepção seria a soma de elementos
básicos, tese atomista defendida por Wundt. Os cientistas defendiam que uma percepção não
dependia de processos mentais superiores ou de aprendizagem, mas os dados da percepção estavam
presentes no próprio estímulo apreendido pela percepção, em um todo, não no somatório de partes
elementares.
Gestalt e seu desenvolvimento
Entenda agora uma das premissas da Gestalt que trata da organização perceptiva.
A terceira força da Psicologia: humanismo
O humanismo é um movimento, uma perspectiva teórica da Psicologia, do início da década de 1960.

Todas as perspectivas analisadas até aqui têm por base uma doutrina filosófica — o determinismo,
ambiental no caso do behaviorismo, psíquico no caso da Psicanálise; os movimentos anteriores
recebiam uma influência muito grande da Fisiologia e do determinismo biológico.
O humanismo evidencia outra doutrina filosófica: o livre-arbítrio, que preconiza que as pessoas dirigem
seus atos de modo consciente, independentemente de determinações psíquicas, cognitivas ou
ambientais. O objeto de estudo do humanismo não é a consciência ou o comportamento, tampouco a
percepção, mas os interesses e valores humanos. Os humanistas se opunham ao mecanicismo e ao
materialismo da cultura ocidental da época.
Determinismo
Segundo essa perspectiva, eventos ordenados podem ser explicados por leis simples. Da mesma maneira, eventos psicológicos e/ou
comportamentais são regidos por essas leis (propriedades).
Gordon Allport.
As escolas com as quais os humanistas
rivalizavam eram o behaviorismo e a Psicanálise;
criticavam que os dois sistemas ofereciam uma
visão da natureza humana limitada e depreciativa.
Entre muitas influências, destacamos Gordon
Allport (1897-1967), com o livro A natureza do
preconceito, de 1954. Allport utilizou a expressão
Humanismo de forma pioneira, em 1930.
Além de Allport, as principais referências da terceira força da Psicologia são: Kenneth B. Clark (1914-
2005), militante dos direitos civis e representante do Zeitgeist da época — mesmo que não associado
diretamente ao movimento do humanismo; Abraham Maslow (1908-1970); e Carl Rogers (1902-1987).
Abraham Harold Maslow foi um precursor do
movimento da Psicologia Humanista. Defendia a
capacidade de autorrealização de cada pessoa e
criou a famosa pirâmide de necessidades.
Embora seja uma teoria muito criticada dentro da
Psicologia e careça de evidências para
generalizar diversas populações, é amplamente
utilizada, principalmente, em treinamentos para o
desenvolvimento de pessoas.
Abraham Harold Maslow.
Na perspectiva desse autor, todos temos tendência a buscar uma realização pessoal, que só é
alcançada quando atingimos as prioridades dos degraus da pirâmide, da base para o topo. A ideia da
hierarquia é criticada, sem dúvida temos necessidades que são fisiológicas, psicológicas e sociais.
Realização pessoal
Moralidade, criatividade, espontaneidade, solução de problemas, ausência de preconceitos, aceitação dos fatos.
Estima
Autoestima, confiança, conquista, respeito dos outros, respeitos aos outros.
Amor/Relacionamento
Amizade, família, intimidade sexual.
Segurança
Segurança do corpo, do empregro, de recursos, da moralidade, da família, da saúde e da propriedade.
Fisiologia
Respiração, comida, água, sexo, sono, homeostase, excreção.
Pesquisas que buscaram evidências da hierarquia em cinco níveis, em amostras mais amplas de
pessoas, sugerem que é coerente pensar em apenas dois níveis que são necessidades por deficiência e
necessidade por crescimento.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Estudamos inúmeros sistemas teóricos da Psicologia, que surgiram por divergências do objeto de
estudo edo método empregado para estudá-lo. Das alternativas abaixo, identifique aquela que
caracteriza o behaviorismo.
Parabéns! A alternativa C está correta.
O behaviorismo refuta o estudo da mente humana, rompe com o modelo da Psicologia Wundtiana e
elege o comportamento observável como objeto de estudo.
Questão 2
A
Busca da objetividade do método científico, abandonando a introspecção, para
compreender como os conteúdos mentais influenciam comportamentos.
B
Busca da compreensão das motivações humanas e dos comportamentos de
autorrealização.
C
Uso da observação sistemática e do método experimental para descrever as
circunstâncias em que um comportamento ocorre e modificá-lo, se necessário.
D
Estudo da percepção humana e de suas propriedades e análise do comportamento
pela reestruturação do campo perceptual.
E Estudo do comportamento humana por meio da percepção e de suas propriedades.
A frase “O todo é mais importante que o somatório das partes” expressa uma reflexão que nos é
dada pela Psicologia da Gestalt, no estudo da consciência e da percepção. Analise as sentenças
abaixo e identifique aquela que melhor expressa os argumentos que defendem essa ideia.
A
Evidências de um experimento que demonstrou que um movimento aparente não era
real e que não podia ser compreendido por teses atomistas, pois o fenômeno
simplesmente acontecia e não podia ser explicado, mas era apreendido pela
consciência.
B
O fenômeno Phi demonstrava os átomos da percepção consciente do movimento. Tal
fenômeno demonstrou que o movimento como um todo é mais importante e pode ser
percebido pela consciência pela apresentação sucessiva de estímulos a 60
milissegundos.
C
Descrevendo em detalhes o estado consciente em vez de descrever o estímulo do
movimento Phi, ou movimento aparente, por meio de uma introspecção experimental
sistemática, que era um método falho na perspectiva gestaltista.
D
A Psicologia da Gestalt amplia a abordagem dos estruturalistas pelo método
experimental, demonstrando como podemos analisar comportamentos estudando
contingências.
E
A Psicologia da Gestalt com o movimento de Phi amplia a abordagem dos
estruturalistas pelo método percepcional, quando analisa comportamentos por meio
do entendimento do todo.
Parabéns! A alternativa A está correta.
O experimento do movimento aparente (fenômeno Phi) apresentou uma ilusão, que demonstrou que
uma percepção consciente não poderia ser descrita por um dado sensorial, uma vez que o
movimento não era real, mas ilusório.
3 - A Psicologia Cognitiva
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car o marco histórico, os conceitos fundamentais e os
métodos da Psicologia Cognitiva.
Psicologia do senso comum e a Psicologia
Cientí�ca
A Psicologia Cognitiva traduz, em essência, o que é a ciência psicológica. Percorrer a história da
Psicologia é uma viagem fantástica. Sabe o porquê? Tudo é cognição.
Cérebro e as funções cognitivas.
Sabemos que essa afirmação, por hora, talvez não faça muito sentido. No entanto, a partir de agora é
importante você se lembrar da diferença entre a Psicologia do senso comum e a Psicologia Científica.
Vamos analisar alguns exemplos? Pense nos seguintes eventos da vida, que são psicológicos:
A dor A tensão pré-
menstrual
A depressão pós-
parto
O senso comum, quando utiliza a expressão “é psicológico”, tipicamente está fazendo menção a uma
frescura, a algo que é inventado e/ou que podemos mudar se tivermos força de vontade. Força de
vontade não é um construto que explica um comportamento motivado — essa é uma visão equivocada
do senso comum. Vamos aprender que tudo é psicológico do ponto de vista da Psicologia Cognitiva
(científica).
Você já parou para analisar algo a seu respeito, por exemplo, sobre seu estilo cognitivo? Pare agora por
alguns minutos e pense sobre você.
Uma autoanálise sobre o estilo cognitivo
Agora vamos refletir sobre alguns dos exemplos que vimos:
Por que algumas pessoas, diante de
alguns eventos, alteram seu humor —
por exemplo, na tensão pré-menstrual
— e outras não?
Por que alguns eventos resultam em
depressão em algumas pessoas e em
outras não? Já tentou refletir sobre a
depressão pós-parto? Todas as
mulheres ficam deprimidas depois de
darem à luz?
Você já parou para pensar por que algumas pessoas relatam serem felizes e gozar de bem-estar e
outras pessoas não, mesmo quando as circunstâncias (o meio) estão favoráveis? O que é felicidade? O
que é bem-estar e qualidade de vida? Lembra-se da proposta de viajar pela história da Psicologia para
entender que tudo é psicológico, tudo é cognição? Vamos lá!
Conceito e princípios da Psicologia
Cognitiva
A Psicologia Cognitiva pode ser definida como uma área de conhecimento que analisa os processos
internos implicados na forma como as pessoas extraem sentido do ambiente — interno (fisiológico) e
externo (cultura) — e decidem quais ações são apropriadas. Estuda a atividade e a estrutura do cérebro
para compreender a cognição e o comportamento humano.
A investigação dos processos cognitivos inclui:

Atenção
Percepção
Aprendizagem
Memória
Motivação
Linguagem
Resolução de
problemas
Sobre o pensamento, podemos dizer que:
O pensamento é a “cereja do bolo” da Psicologia
Cognitiva, principalmente clínica.
Raciocínio
Pensamento
Existe diferença entre a Psicologia Cognitiva aplicada à clínica, seus métodos e objetos de estudo, e a
Psicologia Cognitiva enquanto um sistema teórico da Psicologia. A perspectiva teórica vai explicar o
psicológico como um todo, definir e descrever os processos cognitivos, por exemplo. Gradualmente, ao
longo desta leitura, você compreenderá melhor essa distinção.
Existem processos psicoterapêuticos que podem atuar no manejo da dor, da irritabilidade, da angústia,
da ansiedade etc. Mudar determinado padrão de comportamento, determinado padrão cognitivo (um
perfil cognitivo) — obviamente quando necessário e desejado —, porém, exige investimento e
engajamento da pessoa no processo de mudança, que pode ser conduzido, por exemplo, em uma
terapia cognitivo-comportamental.
Comentário
Tudo é psicológico, e chamamos esse tipo de trabalho de reestruturação cognitiva, ou seja, ensinar uma pessoa a reinterpretar
eventos e utilizar essas informações para motivar comportamentos mais adaptados e funcionais em suas vidas, ou seja, buscar
qualidade de vida e bem-estar.
Tudo é psicológico
Para Sternberg (2016), a Psicologia Cognitiva é o estudo de como as pessoas percebem, aprendem, lembram-se de algo e pensam
sobre informações. Podemos descrever as áreas do cérebro ativas na percepção, no aprendizado, na lembrança e no pensamento. A
Psicologia Cognitiva vai estabelecer como tais informações são codificadas, interpretadas e utilizadas.
Dito de outra forma, a reestruturação cognitiva significa:
Ensinar a pensar
diferente sobre...
Ensinar a pensar
diferente sobre...
Ensinar a pensar
diferente sobre...
...si próprio (o eu, o ego). ...o mundo (pessoas e
acontecimentos).
...o futuro.
Esses três fatores compõem a tríade cognitiva, na expressão teórica do autor da Psicologia Clínica
Aaron Beck (2013).
Resumindo
A Psicologia estuda como o indivíduo dá significado ao ambiente, a partir dos seus processos internos, permitindo a sua
ressignificação.
Você deve estar dizendo “certo, entendi tudo”, mas, afinal, o que é interpretar e decidir? A forma como
decidimos as ações que são apropriadas e/ou simplesmente como agimos, nos comportamos e/ou
interpretamos os eventos depende de nossa evolução ontogenética .
Evolução ontogenética
Trata-se do ciclo da vida, do ciclo de desenvolvimento do organismo (pessoa) ao longo da vida, desde o desenvolvimento embrionário
Ontogenia é o desenvolvimento de um organismo. Já filogenia é o desenvolvimento da espécie, por exemplo, de nossa espécie,
Homo sapiens sapiens (O sapiens repete duas vezes, isso mesmo, está correto!).
Imagine a seguinte situação:
 Mas como fazer essa interpretação?
A Psicologia Cognitivaadota o determinismo como um pressuposto epistemológico. Eventos no decorrer de
nosso desenvolvimento podem resultar em um ambiente propício para desenvolvermos resiliência ou não,
assim como em mais ou menos controle emocional e psicológico. Podemos ter uma vulnerabilidade a
desenvolver transtornos de humor, por exemplo, a depressão. Segundo o paradigma de diátese-estresse,
pessoas vulneráveis cognitivamente desenvolvem psicopatologias ao passar por eventos estressores.
 Como desenvolvemos essa vulnerabilidade?
A vulnerabilidade é inata, depende de muitos fatores, por exemplo, eventos do período gestacional e
condições hereditárias. Mas, tais vulnerabilidades se desenvolvem em nossas vidas por gatilhos ambientais,
acontecimentos da vida.
Na infância, uma criança não tem as suas necessidades
psicológicas básicas atendidas.
Na adolescência, essa ausência pode resultar em esquemas
cognitivos disfuncionais em graus de impacto variados.
Necessidades psicológicas básicas
A Psicologia trata o tema com base em teorias diferentes, mas podemos entender as necessidades psicológicas em um âmbito geral
como:
Fisiológicas: sede, fome e sexo.
Psicológicas: autonomia, relacionamento e competência.
Sociais: afiliação e intimidade, realização e poder.
Esses são alguns poucos exemplos.
Na infância, as necessidades emocionais fundamentais são: vínculos seguros, autonomia, liberdade de expressão, espontaneidade e
lazer, limites realistas e autocontrole.
Um esquema cognitivo pode ser positivo ou negativo, adaptado ou desadaptado. Se seu padrão de
respostas está desadaptado ao meio e/ou com respostas (comportamentos) muito exacerbados, a
Psicologia Clínica pode ajudar.
Sabe o porquê? Tudo é psicológico, e podemos mudar algumas coisas — outras não, e há aquelas de
difícil mudança. A visão é monista, ou seja, não dualista (mente-corpo). Trata-se de uma visão
integrada e holística. Falar da mente, do psicológico, ou do cérebro é falar da mesma coisa com vieses
diferentes. Vejamos alguns exemplos:
Você sabe o que é plasticidade neural?
Saiba mais
Trata-se da mudança do sistema nervoso em decorrência dos eventos da vida, da experiência, do comportamento. Podemos
pensar a plasticidade neural por dois vieses básicos: estrutural, por conexões sinápticas; ou funcionais, que se traduzem por
mudanças no comportamento e/ou no perfil cognitivo. Trata-se da mesma coisa, ou seja, plasticidade neural, explicada por vieses
diferentes.
Tanto manejo medicamentoso quanto psicoterapia agem sobre o cérebro, sobre o psicológico, apenas
operam com mecanismos distintos.
Nessa perspectiva, não existe um corpo adoecendo uma mente, ou uma mente adoecendo um corpo. O
que vai existir é uma pessoa saudável, relativamente saudável, ou não saudável, em uma abordagem
simplista e didática a respeito dos estados de saúde e de qualidade de vida de uma pessoa.
O que importa, neste momento, é compreendermos essa visão da Psicologia Cognitiva contemporânea.
Não se trata de um reducionismo materializante, mas de uma visão integrativa entre Psicologia,
Ciências da Saúde, Ciências Sociais e Neurociências. Com essa ideia de base, os determinantes do
comportamento podem ser analisados:
 Tomar uma medicação para depressão resulta em mexer na bioquímica do cérebro regulando algo que
estava em desequilíbrio.
 Fazer psicoterapia (Psicologia Clínica) também mexe com essa bioquímica do cérebro regulando algo que
estava em desequilíbrio. A psicoterapia resulta em plasticidade neural.
Em um aspecto físico
Mapeamento neurológico.
Em um aspecto psicológico
Sensopercepção, atenção, pensamento, memória, volição, emoções, sentimentos etc.
Em um aspecto ambiental/funcional
Mapeamento cultural, socioeconômico etc.
Isso não significa dividir uma pessoa em três coisas diferentes, pois, como demonstrado, essa divisão
é meramente didática. Uma pessoa é inteira e indivisível. Falar do psicológico, da mente ou do cérebro
é falar da mesma coisa, em perspectivas didáticas diferentes, que permitam trabalhos diferentes. Nada
mais, nada menos.
Qual o motivo dessa divisão didática?
É simples. Existe uma grande quantidade de variáveis que exercem influência em como os neurônios
codificam as informações, e isso gradualmente vai determinar nossa estrutura de personalidade e
nosso repertório comportamental. Vejamos alguns exemplos dessas variáveis!
Uma mulher que durante a gestação sofra descargas
hormonais, bem-estar e estresse.
Estilos parentais e ocorrências no meio externo (sol e chuva).
Ocorrências no meio externo
Em países com menos sol, estatisticamente, há mais prevalência de depressão e ideação suicida na população do que em países
com mais sol.
Tudo isso influencia quem somos, nosso estilo de agir e de tomar decisões, nossa forma de interpretar
os eventos, sejam os externos, sejam os internos (mudanças do próprio corpo).
Resumindo
A Psicologia Cognitiva estuda o indivíduo em diferentes aspectos: ambiental, psicológico e físico.
Os marcos históricos relativos ao
surgimento da Psicologia Cognitiva
Questionar como o cérebro ou a mente funciona e, fundamentalmente, o que motiva o comportamento
está na base de nossa discussão. Podemos buscar esse entendimento na Filosofia e nas Ciências. As
respostas que a Psicologia Cognitiva adota não são fruto de um único autor. Certamente, na Psicologia
Cognitiva, há alguns marcos históricos, que podem ser antigos, modernos ou contemporâneos. Veja
alguns desses marcos:
Ainda devemos compreender que existem duas modalidades de Psicologia Cognitiva, uma básica e
outra aplicada. Veja a definição de cada modalidade:
 Ciência básica
Busca delimitar uma área de conhecimento, definir construtos, construir e testar hipóteses, elaborar teorias
que possam descrever os fenômenos.
Esses são modelos de ciência interdependentes, e essa divisão, muitas vezes, é meramente didática. O
que é relevante é o uso que se faz da ciência, sendo básica ou aplicada. Na Psicologia Cognitiva
aplicada, vamos encontrar, por exemplo, as teorias das práticas clínicas. Na Psicologia Cognitiva
básica, vamos encontrar algumas teorias sobre como nosso aparato cognitivo funciona, ou seja, esse
modelo vai responder a três perguntas fundamentais:

Quais são os
processos
cognitivos?

Como eles
funcionam?

Quais variáveis
intervenientes que
se pode identi�car /
descrever?
Variáveis intervenientes
Por exemplo, estados internos que motivam um comportamento, como o comportamento criativo, entre outros.
No escopo da Psicologia Cognitiva básica, surgem teorias da linguagem, da memória, da atenção, da
percepção etc., ou seja, o que chamamos de processos cognitivos básicos. A Psicologia Cognitiva
estuda, principalmente, alguns construtos que explicam como nos motivamos (comportamentos
 Ciência aplicada
Utiliza as diversas formas de conhecimento e a ciência básica para encontrar soluções para a vida das
pessoas. As teorias de uma ciência aplicada são construídas com um viés de prática, ou seja, em nosso caso,
no fazer do psicólogo.
motivados), como criamos (criatividade), resiliência, autoeficácia, crenças, entre outras variáveis que
exercem influência em nosso comportamento.
Resumindo
A Psicologia Cognitiva usa a ciência básica e a ciência aplicada para estudar as diversas variáveis que influenciam o
comportamento do indivíduo.
Vejamos a seguir os marcos históricos:
Marcos históricos
O ano é 1956
Esse foi um ano de grande relevância para coroar o movimento da Psicologia Cognitiva.
O cientista cognitivo Noam Chomsky fez uma
exposição sobre uma teoria para a linguagem
(um processo cognitivo) para o famoso e
internacionalmente conhecido Massachusetts
Institute of Techonology (MIT).
Nessa mesma ocasião, George Miller (1920-
2012) apresentou o que ficou conhecido como o
mágico número 7 na memória de curto prazo
(outro processo cognitivo), e Newell (1927-1992)
e Simon (1916-2001) expuseram seu modelo de
solução de problemas (General Problem Solver),
precursordo desenvolvimento de programas de
inteligência artificial.
Solução de problemas e tomada de decisões são
duas grandes áreas de interesse de cientistas
cognitivos.
Noam Chomsky.
Pesquise sobre essas personalidades e suas produções teóricas. Isso poderá enriquecer muito sua
compreensão da Psicologia Cognitiva.
Fim dos anos 1950 e década de 1960
Vamos conhecer um pouco mais sobre esses marcos. No fim dos anos 1950 e na década de 1960, os
sistemas clínicos (ciência aplicada) começam a ganhar forma, e surgem as terapias cognitivas. A
tradição filosófica tratou do tema do funcionamento da mente, da consciência, com base em seus
métodos, que fundamentalmente englobam o manejo da palavra, a elaboração de ideias, a lógica, a
dialética, mas não a experimentação.
Wilhelm Wundt.
Como você viu na cronologia sobre os marcos
históricos, Wilhelm Wundt demarcou o primeiro
laboratório de Psicologia. Curiosamente, os
objetos de estudo são os processos elementares
da percepção e a velocidade de processos
mentais. Isso não quer dizer que Wundt rompeu
com a Filosofia, mas buscou demarcar a
Psicologia como uma ciência experimental. Seu
método de estudo era a introspecção.
Percepção e velocidade de processamento da informação, são objetos de estudo da Psicologia
Cognitiva. Temas que são abordados desde as escolas funcionalistas e estruturalistas do século XIX. E
segue
Desenvolvimento da Psicologia Cognitiva.
O movimento que ficou conhecido como revolução cognitivista é mais bem identificado, por seus
métodos, pela analogia ao processamento computacional, pelo uso de tecnologia para demonstrar
suas teorias, e tem como marco a conferência no MIT de proeminentes cientistas cognitivos em 1956.
A formação da Psicologia Cognitiva, contudo, é
demarcada formalmente, pelos historiadores da
Psicologia, nas décadas de 1950 até 1970.
A Psicologia Cognitiva resgata a história do
estudo da mente que foi negligenciada pela força
do behaviorismo como um sistema teórico dentro
da Psicologia. Para entender o cognitivismo, é
necessário compreender a história da Psicologia.
Edward Chace Tolman (1886-1959), um
behaviorista, declarou que o behaviorismo de
Watson foi um alívio, pois trazia cientificidade
para a Psicologia, mas não foi um “watsoniano”.
Edward Chace Tolman.
Tolman tentou superar o monismo materialista de Watson (pensamento com hábito). De certa forma,
esse autor estabelece os alicerces para o cognitivismo, pois afirma que aprendizagem não é mudança
no comportamento, mas aquisição de novos conhecimentos/cognições. Apresenta as definições de
um comportamento intencional — tal intencionalidade, embora existente, é um evento particular ao
organismo, uma variável interveniente, e não estaria ao alcance dos instrumentos objetivos da ciência.
Exemplo
Tolman diria, por exemplo, que a fome é a intencionalidade para o comportamento de comer. Isso significaria ver a mente no
comportamento, ou seja, falar da mente sem recorrer a teses mentalistas e a métodos não científicos.
O ponto-chave para entender a revolução cognitivista (uma revolução lenta que demorou décadas para
se consolidar) é perceber os esquemas dos modelos behavioristas. As contingências behavioristas
descreviam diretamente a relação entre um estímulo e uma resposta sem a mediação do cérebro e/ou
de uma cognição.
Resposta
Ocorrência do comportamento operante. Uma resposta que ocorre sem um estímulo eliciador é emitida. Aplica-se tanto ao responder
a um estímulo discriminativo como ao responder de maneira indiscriminada.
O estímulo discriminativo pode ser compreendido pelo contexto que estabelece a ocasião para o
comportamento ser afetado por suas consequências. Tais consequências são seletivas que ocorrem
após o comportamento e modificam a probabilidade futura de comportamentos equivalentes
acontecerem. Punição: Apresentação de punidores positivos produzidos pela resposta ou a remoção
de punidores negativos. Os punidores são os estímulos, a punição é uma operação (ou processo), e
respostas, e não organismos, são punidas. Um estímulo é um punidor positivo se sua presença reduz a
probabilidade da resposta ou um punidor negativo, se a sua remoção reduz a probabilidade da
resposta. Reforço: Apresentação de reforçadores positivos produzidos pela resposta ou a remoção de
reforçadores negativos. Os reforçadores são os estímulos, o reforço é uma operação (ou processo), e
respostas, e não organismos, são reforçados. Um estímulo é um reforçador positivo se sua presença
aumenta a probabilidade da resposta ou um reforçador negativo, se a sua remoção aumenta a
probabilidade da resposta. Por exemplo: Na ocasião da luz do sol incomodar (estímulo discriminativo)
você irá colocar os óculos escuros (resposta) e isso retira o incômodo que a luz do sol estava
causando aos seus olhos. Chamamos isso de um reforçador negativo, ou seja, a probabilidade de você
usar óculos escuros em situações semelhantes no futuro pela retirada de um estímulo aversivo.
Observe que, nas contingências behavioristas (respondentes e operantes), a relação entre um estímulo
e uma resposta é direta, não mediada. Nesse modelo teórico, o sistema nervoso era visto como um
depositário de contingências, passivo, que apenas codificava em uma linguagem neural (eletroquímica)
e armazenava as experiências. Uma vez diante de um estímulo eliciador ou discriminante, gerava uma
resposta – de fato, “uma tábula rasa”.
A inovação do cognitivismo foi buscar compreender as operações internas do organismo, ou seja,
estudar o efeito dos processos cognitivos e como esses medeiam comportamentos. O esquema a
seguir ilustra essas operações:
inovação do cognitivismo
Foco no estudo das variáveis intervenientes.
Operações internas do organismo.
Resumindo
O cérebro, no Cognitivismo, é ativo, coordena e faz a mediação de comportamentos. Para o behaviorismo, o importante não é
saber o que causa os comportamentos, mas explicar e descrever em que circunstâncias eles acontecem. O cognitivismo quer
compreender o que causa um comportamento, quais as fontes de um comportamento motivado, por exemplo, a criatividade, a
arte etc. Na atualidade, são sistemas teóricos que se complementam.
Ainda existem profissionais que são behavioristas radicais, pois o Cognitivismo não veio para substituir
esse modelo comportamentalista, mas para ampliá-lo. Na década de 1970, os temas do momento
eram o Cognitivismo e a Computação. Temas discutidos com a mesma intensidade que a civilização
debate hoje, no século XXI, inteligência artificial, automação e as Neurociências.
Vamos fazer um exercício!
Imagine que um individuo tenha motivação para a arte, a corrente que busca compreender as causas
dessa motivação é chamada de:
Opa! Resposta errada.
Parabéns! É isso mesmo. Enquanto o behaviorismo busca explicar as circunstâncias em que
um comportamento acontece, o cognitivismo busca identificar as causas de determinado
comportamento.
Os principais representantes da Psicologia
a) Behaviorismo 
b) Cognitivismo 
Cognitiva e suas contribuições
A Neurociência Cognitiva, a Psicofisiologia e a Computação, na era informacional, constituem um
Zeitgeist. Não se trata de estabelecer um monismo materialista e reduzir os eventos comportamentais
e os processos cognitivos em termos físico-químicos — até porque os modelos computacionais e das
Neurociências não conseguem explicar tudo —, mas sim de superar uma influência do dualismo e do
realismo como uma base epistemológica presente na história da Psicologia e desenvolver um olhar
mais integrativo.
Para chegarmos até aqui, no que chamamos de Psicologia Cognitiva, muitos pesquisadores somaram
esforços em um movimento histórico e epistemológico. Não necessariamente eram psicólogos ou
estavam envolvidos em uma revolução cognitiva, apenas estavam fazendo ciência que fosse útil para o
Zeitgeist que vivenciavam em suas épocas.
Os principais nomes da Psicologia
Cognitiva
Conheça alguns dos principais nomes da Psicologia Cognitivae a contribuição de seus trabalhos.

Comparação dos métodos de pesquisa na
Psicologia Cognitiva
Existe uma Ciência Cognitiva e uma Psicologia Cognitiva. A Ciência Cognitiva inclui a Psicologia
Cognitiva, mas também outros modelos com interesses e métodos de investigação distintos. São
modelos que se complementam em certos contextos e estudos, mas também divergem. Podemos
identificar algumas abordagens da Ciência Cognitiva:

Psicologia Cognitiva

Neuropsicologia

Neurociências

Ciência Cognitiva
Computacional
O método das Neurociências
As Neurociências buscam evidências de como a interação de áreas no cérebro resultam em cognição,
uma vez que apenas apontar uma localização (blobology) está caindo em desuso, e até os modelos
computacionais estão buscando correlações com o cérebro. Nas Neurociências, vamos encontrar as
evidências científicas que são levantadas pelo uso da tecnologia, especialmente o uso de técnicas de
neuroimagem, que são capazes de demonstrar atividades em regiões e circuitos do sistema nervoso
central durante um processamento sensorial, motor ou cognitivo.
A organização de nosso sistema nervoso, basicamente, traduz-se por atividades excitatórias (ativação)
e inibitórias (inibição), algo como sim e não.
As estruturas como hipotálamo, feixe
prosencefálico medial, área septal, córtex
cerebral e córtex pré-frontal esquerdo estão
relacionadas à aproximação, enquanto o córtex
pré-frontal direito e a amígdala, à evitação.
Existem correlações na literatura entre um sistema de ativação comportamental e um sistema de
inibição comportamental e características da personalidade, por exemplo, o neuroticismo e a
extroversão. Constantemente, a atividade cortical vai gerenciar as metas conscientes dos indivíduos.
Por exemplo, quando um indivíduo durante a perda de peso pensa:

Devo comer?
Sistema de ativação comportamental.

Não devo comer?
Sistema de inibição comportamental.
As interpretações cognitivas oriundas de nossas crenças, sistemas de crenças, pensamentos,
sentimentos e humor a respeito das coisas também vão ativar os sistemas de ativação e inibição
comportamental. Agir ou não agir? Fazer ou não fazer? Respostas automáticas ou voluntárias? Todas
essas perguntas têm respostas que envolvem mecanismos complexos que nos impulsionam ou nos
inibem diante das situações de desempenho. Tais sistemas se formam em decorrência de sua
evolução ontogenética, e isso determina sua maneira de ser.
Muitas evidências das Neurociências Cognitivas vão apoiar a ideia de que as
pessoas apresentam características que demonstram um sistema de inibição
comportamental (por exemplo, neuroticismo) ou um sistema de ativação
comportamental (por exemplo, extroversão).
Veja a seguir como o sistema dorsal, o sistema ventral e a amígdala influenciam as respostas
comportamentais:
Um sistema dorsal é composto por hipocampo, regiões dorsais do cíngulo anterior e córtex pré-
frontal. Esse sistema está relacionado à regulação dos estados afetivos, eliciando respostas
comportamentais contextualmente apropriadas, e também está relacionado à cognição
(memória e atenção).
O sistema ventral é composto por circuitos envolvendo amígdala, ínsula, corpo estriado ventral,
regiões ventrais do cíngulo anterior e córtex órbito-frontal. É um sistema que está relacionado
às etapas de identificação do significado emocional de estímulos e de produção dos estados
Sistema dorsal 
Sistema ventral 
afetivos. Esse sistema também recebe aferências de áreas sensoriais primárias e de
associação.
A amígdala estimula respostas automáticas diante de um evento ameaçador, por exemplo:
ativação do sistema nervoso simpático estimulando o núcleo hipotalâmico lateral; estimulação
do núcleo paraventricular do hipotálamo para liberação de hormônios de estresse; e
estimulação do nervo facial trigêmeo para expressão facial de medo.
Richard J. Davidson, em seu livro O estilo emocional do cérebro, mostra os resultados de uma pesquisa
que indicam que o temperamento típico observado em crianças, quanto a características típicas de
uma inibição ou ativação comportamental em situações de desempenho, não é permanente em um
indivíduo. Isso contraria alguns trabalhos que apontam a personalidade como características
constantes e formadas precocemente.
Mesmo com as divergências, a discussão de tais sistemas (ativação e inibição) envolve aspectos
muito interessantes das bases neurobiológicas da personalidade e dos sistemas cognitivos, no que se
refere ao processamento e às interpretações dos eventos que nos circundam. Se tais características
são permanentes ou podem variar no desenvolvimento da pessoa é outra análise. Existem pesquisas
muito relevantes evidenciando a relação de nossa cognição, de como interpretamos eventos, com a
Neurobiologia e a de nosso comportamento típico com as diversas situações ambientais aversivas ou
favoráveis.
Resumindo
O sistema nervoso humano exerce atividades de ativação e inibição, ou seja, influencia em decisões, como: Posso? Não posso?
Amígdala 
O método da Psicologia Cognitiva
(pesquisa básica)
Diversos são os métodos que podemos identificar, com e sem o uso de tecnologia. Optamos por
apresentar uma metodologia de baixo custo e que é responsável por grandes paradigmas da Psicologia
Cognitiva quanto às etapas de processamento da informação e do planejamento de uma resposta
(comportamento). Trata-se da cronometria mental.
A cronometria mental é utilizada para construir
modelos do processo cognitivo.
Podemos discutir por meio de tarefas se a
informação tem um processamento serial, ou
seja, uma etapa cognitiva é concluída antes de
outra começar, ou um processamento em
paralelo, ou seja, dois ou mais processos
cognitivos ocorrem ao mesmo tempo.
Tarefas de compatibilidade estímulo-resposta,
como efeito Simon e efeito Stroop, são clássicos
da Psicologia Cognitiva.
Na tarefa de Stroop, o voluntário nomeia a cor na qual o nome das cores é apresentado – por exemplo,
VERMELHO ou VERMELHO. O voluntário é mais rápido em processar e executar a resposta quando o
nome da palavra é congruente com a cor que deve nomear.
Vamos fazer um exercício! 
Nomeie a cor das palavras nas listas a seguir e perceba em qual delas você será mais rápido e
obterá maior acurácia (acertos). Lembre-se de que você precisa dizer o nome da cor, e não ler a
palavra.
As pesquisas básicas em Psicologia Cognitiva vão estabelecer como processamos os estímulos (a
entrada da informação); como nosso sistema atentivo gerencia (alocação de recursos cognitivos); e
como construímos nossa percepção, processamos os pensamentos e tomamos uma decisão. Veja a
seguir um modelo de processamento da informação:
Modelo de processamento de informação.
Ou seja, a cronometria mental auxilia a Psicologia Cognitiva a identificar os modelos de processamento
da informação.
O método da Psicologia Cognitiva
(aplicada)
A terapia cognitiva-comportamental é um modelo para a atuação na Psicologia Clínica que,
tradicionalmente, busca correlacionar o pensamento, a emoção e o comportamento. Veja como esse
modelo funciona:
I.
O modelo clínico cognitivo propõe que pensamentos
disfuncionais influenciam o humor e o comportamento.
II.
Pensamentos automáticos são ideias que invadem sua mente
e são um produto de seu sistema de crenças.
III.
Seu sistema de crenças pode ser adaptado e funcional ou
produzir distorções cognitivas.
IV.
Distorções cognitivas e pensamentos automáticos
disfuncionais estão na base de desordens psíquicas, são usual
a todos os transtornos psicológicos.
Transtornos psicológicos
Uma pessoa que sofre de fobia social pode interpretar uma ida a um restaurante com os colegas de trabalho da seguinte maneira:
Pensamento automático: vou derrubar minha bandeja.
Emoção: ansiedade.
Efeito: mãos suadas, respiração acelerada.
Resultado: evita o refeitório.
Consequência: não interage com os colegas de trabalho adequadamente.
Por meio de nosso sistema de crenças, interpretamos:a nós mesmos (crenças sobre nossas próprias
capacidades; o outro (o quanto somos otimistas sobre as pessoas); o meio em que vivemos (o quanto
acreditamos que estamos seguros, o meio nos oferece as condições para vivermos e nos
desenvolvermos); e o futuro (o quanto somos otimistas a respeito do futuro).
O terapeuta promove o que chamamos de reestruturação cognitiva, ou seja, perceber os eventos e
interpretar as ideias de uma maneira mais funcional. O objetivo é desenvolver qualidade de vida e, para
isso, também se utiliza de técnicas comportamentais, por exemplo, treinamento em habilidades
sociais.
Resumindo
A terapia cognitiva-comportamental auxilia na identificação de distorções cognitivas e na promoção da reestruturação cognitiva.
A Neuropsicologia
No Brasil, a Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 002/2004 reconhece a Neuropsicologia
como uma especialidade em Psicologia que atua no diagnóstico, no acompanhamento, no tratamento
e na pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento, sob o enfoque da
relação entre esses aspectos e o funcionamento cerebral.
Utiliza-se, para isso, de conhecimentos teóricos
angariados pelas Neurociências e pela prática
clínica, com metodologia estabelecida
experimental ou clinicamente.
A Neuropsicologia atua na reabilitação cognitiva e
na avaliação psicológica.
Premissas e conceitos fundamentais da
Psicologia Cognitiva
O pensamento é um ponto central para a Psicologia Cognitiva, e saber como ele opera sobre a
motivação parece um bom lugar para começar. Segundo Reeve (2006), os pesquisadores, após a
revolução cognitiva, voltaram sua atenção para destrinchar quais as bases cognitivas do pensamento
sobre: vontade, otimismo, eficácia, sucesso, realização, autoestima, autoeficácia, meta, planejamento,
criatividade, escolha, persistência, desempenho, crenças, valores, sucesso, fracasso,
empreendedorismo etc.
No início dos anos 1970, o Zeitgeist da Psicologia definitivamente era cognitivo, e tais construtos foram
amplamente estudados. A vontade não é um constructo psicológico capaz de explicar a complexidade
e a variabilidade do comportamento motivado humano, até porque nosso comportamento e nosso
perfil cognitivo são predeterminados em decorrência de nossa evolução ontogenética e de muitas
outras variáveis que exercem influência sobre nós.
Constructo psicológico
São conceitos ideativos e intencionais que foram criados ou são utilizados com uma finalidade científica com base em uma definição
operacional e constitutiva. É o primeiro passo para a construção de uma teoria.
Pense em um adicto (dependente químico).
O trabalho psicológico de reabilitação estará
pautado na força de vontade da pessoa?
A resposta é, absolutamente, não.
O trabalho será investigar a tríade cognitiva, como
pensam. Força de vontade, como um motivador
de comportamentos, é uma ideia associada à
Psicologia do senso comum, e não à Psicologia
Cognitiva científica.
A vontade, como um construto para explicar um comportamento motivado, foi utilizada no século XVII,
com René Descartes (1596-1650). Depois, foi substituída pelo instinto, com Charles Darwin (1809-
1882) e, por fim, pelas teorias de impulso, com Sigmund Freud (1856-1939), um psicanalista, e Clark L.
Hull (1884-1952), um neobehaviorista.
O próximo movimento que construiu teorias para explicar o comportamento motivado, e que
permanece até hoje, foi o cognitivismo da década de 1950. Os psicólogos passaram a investigar as
bases cognitivas da motivação não como vontade ou instinto. Os motivos por déficits (impulsos)
explicam parte do comportamento motivado, mas não sua totalidade.
A Psicologia Cognitiva passa a elaborar modelos teóricos para explicar aquilo que as Neurociências
ainda não conseguem demonstrar, por exemplo, o motivo pelo qual tais características variam de
pessoa para pessoa. A Neurociência Cognitiva pode demonstrar áreas ativas em um processo criativo,
mas não consegue explicar, por exemplo, como a criatividade acontece, onde ela está no cérebro.
Atenção!
Ainda não é possível fazer ligações, uma a uma, entre as áreas do cérebro e os processos cognitivos. A forma como o cérebro
implementa vários processos cognitivos, como nosso sistema de crenças, permanece um mistério.
A Psicologia Cognitiva interpretou que uma emoção não ocorre sem a avaliação do indivíduo e que é
esta avaliação que causa a emoção, não o evento. Essa contribuição teve bastante impacto na
Psicologia. Vejamos um exemplo:
Pense em duas pessoas trabalhando no mesmo ambiente de trabalho. A gerência do setor é agressiva
e autoritária:
Pessoa 1
Um dos indivíduos fica extremamente
estressado. Diariamente, sente raiva,
tristeza, angústia e medo, em vários
momentos do dia.
Pessoa 2
O outro indivíduo é resiliente à situação
e, embora fique preocupado com seu
colega, a rotina de trabalho não o afeta
tanto.
Em relação à produtividade:
Pessoa 1
Deixa a desejar na produtividade
levando em conta sua potencialidade,
pois a interpretação cognitiva dos
Pessoa 2
Vivencia um estado de humor normal,
mantém uma produtividade constante,
uma conduta proativa, pois entende


eventos não é favorável, e seu humor
se mantém deprimido.
que é a única forma de conseguir uma
promoção e/ou conquistar um
ambiente de trabalho melhor.
Em relação às emoções no ambiente de trabalho:
Pessoa 1
Suas emoções são tristeza, medo,
raiva e repulsa, experimentando afetos
negativos ao longo do dia. Ele acaba
com uma autoestima prejudicada, não
conseguindo construir crenças
positivas a seu respeito.
Pessoa 2
Consegue vivenciar, ao longo do dia,
emoções como a alegria, mesmo que,
em alguns momentos, sinta raiva ou
fique triste, diante de condutas
aversivas de seu gerente.
Como consequência:
Pessoa 1
Seu comportamento reflete sua
insatisfação, o que dificulta
perspectivas melhores de trabalho. É
um forte candidato ao desamparo
aprendido.
Pessoa 2
Seu estado de afeto é positivo e, ao
longo do dia, experimenta menos
afetos negativos.


Você pode mudar as avaliações cognitivas dos eventos e, com isso, mudar sua emoção e seu
comportamento. Não se engane: a tarefa de uma reestruturação cognitiva nem sempre é fácil, mas é
possível e demonstrada empiricamente pela clínica cognitiva.
Veja agora um resumo do que estudou!
A Psicologia estuda como o indivíduo dá significado ao ambiente, a partir dos seus processos
internos, permitindo a sua ressignificação.
A Psicologia Cognitiva estuda o indivíduo em diferentes aspectos: ambiental, psicológico e
físico.
A Psicologia Cognitiva usa a ciência básica e a ciência aplicada para estudar as diversas
variáveis que influenciam o comportamento do indivíduo.
O cérebro, no cognitivismo, é ativo, coordena e faz a mediação de comportamentos. Para o
behaviorismo, o importante não é saber o que causa os comportamentos, mas explicar e
descrever em que circunstâncias eles acontecem. O cognitivismo quer compreender o que
causa um comportamento, quais as fontes de um comportamento motivado, por exemplo, a
criatividade, a arte etc. Na atualidade, são sistemas teóricos que se complementam.
O sistema nervoso humano exerce atividades de ativação e inibição, ou seja, influencia em
decisões, como “posso?” e “não posso?”.
A cronometria mental auxilia a Psicologia Cognitiva a identificar os modelos de processamento
da informação.
A terapia cognitiva-comportamental auxilia na identificação de distorções cognitivas e na
promoção da reestruturação cognitiva.
O que você aprendeu 
A Psicologia Cognitiva busca identificar o motivo pelo qual as características variam de pessoa
para pessoa.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Godofredo era um jovem de 19 anos que acabara de ingressar na faculdade. Como era do interior,
saiu da casa dos pais e foi morar na capital com outro rapaz, da mesma cidade, que também entrou
na faculdade. Depois de poucos meses, Godofredo não fez nenhumnovo amigo. “As pessoas não
são confiáveis na cidade grande”, pensava. No início, conseguia ir às aulas, mas essa ação começou
a ficar muito difícil para ele, e sua frequência foi gradualmente caindo nas aulas. Ele tinha medo de
estar com as pessoas. Quando não aguentava mais, voltou para casa com um pensamento fixo na
cabeça: “Eu não sou capaz, e tudo em minha vida dá errado”. Qual a fonte desse pensamento?
A Pensamento automático
B Sistema de crenças
C Um neurônio
Parabéns! A alternativa B está correta.
Os pensamentos automáticos são um produto de crenças disfuncionais e de distorções cognitivas.
Godofredo está fazendo inferências errôneas com base em algumas distorções cognitivas, atividade
complexa para explicarmos apenas com um viés das Neurociências, sendo necessária uma
interpretação de uma teoria clínica, da Psicologia aplicada.
Questão 2
O cérebro é um órgão ativo que faz mediação de comportamento, e não apenas um depositário de
contingências por mera codificação neuronal. Identifique o sistema teórico que faz oposição a essa
ideia:
D Uma emoção
E Um impulso
A Psicologia Cognitiva
B Conexionismo
C Funcionalismo
Parabéns! A alternativa D está correta.
No comportamentalismo, o sistema nervoso era visto como um depositário de contingências,
passivo, que apenas codificava em uma linguagem neural (eletroquímica) e armazenava as
experiências. Diante de um estímulo eliciador ou discriminante, o sistema nervoso geraria uma
resposta — de fato, “uma tábula rasa”.
A inovação do cognitivismo foi buscar compreender as operações internas do organismo, ou seja,
estudar o efeito dos processos cognitivos e como esses medeiam comportamentos. O cérebro, no
cognitivismo, é ativo, coordena e faz a mediação de comportamentos.
Para o behaviorismo, o importante não é saber o que causa os comportamentos, mas explicar e
descrever em que circunstâncias eles acontecem. O cognitivismo quer compreender o que causa um
comportamento, quais as fontes de um comportamento motivado, por exemplo, como a criatividade,
a arte etc. Na atualidade, são sistemas teóricos que se complementam, e ainda existem profissionais
que são behavioristas radicais. O cognitivismo não veio para substituir esse modelo
comportamentalista, mas para ampliá-lo.
D Behaviorismo
E Estruturalismo
4 - Psicologia: do século XX para o século XXI
Ao �nal deste módulo, você será capaz de relacionar a Psicologia do século XX com a Psicologia do século
XXI.
A Psicologia no século XXI
Antes de dar prosseguimento ao conteúdo, vamos ver o vídeo a seguir para entender sobre Psicologia
Positiva.
Psicologia Positiva
Antes de dar prosseguimento ao conteúdo, vamos ver o vídeo a seguir para entender sobre Psicologia
Positiva.
Observamos que a Psicologia se organiza e se desenvolve a partir da evolução do pensamento do ser
humano. Desde a Grécia Antiga, passando pela Filosofia medieval e avançando nos períodos moderno
e contemporâneo, até os dias atuais, sempre existiu um filósofo indagando sobre a natureza do homem
e buscando compreender como o pensamento funciona, para revelar o que motiva a nossa espécie e
justifica o nosso comportamento.
O avanço da tecnologia, ao longo da história, também impulsionou, obviamente, o desenvolvimento da
Psicologia, como ciência autônoma e como profissão. Por tecnologia, entendemos não apenas aquela
que está em nossas mãos, como os smartphones.
Para chegarmos até o século XXI, gradualmente evoluímos o nosso jeito de pensar. Por esse motivo,
desenvolvemos tecnologias de acordo com a necessidade do ambiente e sempre em um continuum
histórico de acúmulo de conhecimento.
Exemplo
Dominamos o fogo 800 mil anos atrás; 8 mil anos atrás, a agricultura; atualmente temos smartphones; amanhã, robôs.

Essa é a ideia e a tônica: pensar nesses movimentos históricos, no acúmulo de conhecimento, no
desenvolvimento do pensamento humano e na tecnologia. Estamos interessados no tempo presente,
mas queremos saber como evoluímos o nosso pensamento, nossos processos cognitivos, as emoções
e o comportamento, além de nos interessar o papel dessa evolução para a adaptabilidade da espécie.
Assim, conseguimos prospectar nosso futuro, fundamentalmente analisando o impacto das
tecnologias em nossas vidas, ou seja, analisamos o passado para buscar compreender as
consequências da inteligência artificial, da automação no futuro, em nossa empregabilidade, por
exemplo.
No século XIX, vimos a Psicologia demarcar a sua área de conhecimento, não apenas utilizando os
métodos da Filosofia, mas empregando o método científico.
1879
O objeto de estudo da Psicologia
era a consciência, e o método foi
a introspecção.
1913
Abandonamos o estudo da
consciência e passamos a focar
no comportamento, por meio da
observação.
1950
l d
Os processos cognitivos e a forma como modulam o comportamento eram o interesse dos psicólogos.
O impacto da tecnologia, o modelo computacional e as Neurociências são importantes
impulsionadores dessa parte da história, até os dias atuais.
Em paralelo ao desenvolvimento da Psicologia, temos a história da Psicanálise, em suas sucessivas
tentativas de compreender a aprimorar um sistema clínico que atue eficazmente no sofrimento
psíquico do ser humano.
Na década de 1960, o humanismo criticou a Psicanálise e o behaviorismo. Estabeleceu que estudar a
personalidade humana, o seu potencial criativo e a tendência do aprimoramento do ego seriam objetos
de estudo da Psicologia.
Os humanistas, diferentemente de sistemas teóricos anteriores, acreditavam
que a personalidade era moldada pelo presente, como o percebemos de modo
consciente, ao contrário das experiências da infância, da Psicanálise, e do
modelo do determinismo ambiental, do behaviorismo.
Entretanto, quando surge uma nova escola de Psicologia, uma nova perspectiva teórica, a outra não é
abandonada por completo, pois as diversas escolas coexistem ou se transformam. A Psicologia
também viu o movimento da Gestalt, a era das testagens psicológicas (que é forte no século XXI), entre
outros movimentos que duram até os dias atuais.
Mas, no século XXI, a Psicologia apresentou uma proposta nova?
Voltamos a estudar a
consciência e também o
comportamento, mas, então, a
Psicologia era cognitiva.
O movimento da Psicologia Positiva
A Psicologia Positiva como um movimento, um sistema dentro da Psicologia, é humanista? Em certos
aspectos sim; em outros, não.
A Psicologia Positiva recebe influências do humanismo, mas é um movimento que ocorre na transição
do século XX para o século XXI. Lembre que uma ciência não se desenvolve no vácuo! Um sistema
teórico surge em uma área de conhecimento, basicamente, para preencher lacunas abertas, para
estabelecer uma crítica (antítese) ou para inovar. De certa maneira, a Psicologia Positiva cumpre esses
três papéis.
Tanto a Psicologia Positiva quanto o humanismo procuram saber:
Essa pergunta é totalmente diferente de procurarmos saber como as pessoas psicologicamente
doentes se diferenciam dos demais.
A Psicologia Humanista também enfatizou aspectos positivos do desenvolvimento das pessoas e
buscou compreender as razões dos comportamentos motivados, mas seu status científico, por
diversas razões, não causou grande impacto na Psicologia dentro de uma perspectiva metodológica
(metodologia científica).
Maslow reconheceu a limitação de sua teoria dentro de uma perspectiva científica, mas também
identificou que não existiria outra maneira para estudar os aspectos da autorrealização e, talvez,
pudesse ter a esperança de que um dia seus estudos alcançariam confirmações. Mesmo sem estudos
atuais que tragam evidências contundentes acerca da hierarquia de necessidades, em cinco pontos,
O que as pessoas que são felizes têm que os demais não têm? 
empiricamente, a abordagem de Maslow é amplamente utilizada em certos contextos. Como vimos, a
hierarquia em apenas dois eixos possui evidências que podemos generalizar para diversas populações.
Qual a inovação da PsicologiaPositiva?
A Psicologia Positiva tenta compreender alguns adjetivos que são muito admirados quando os
encontramos nas pessoas e superar as limitações pouco científicas do humanismo.
Vamos falar um pouco sobre Martin Seligman,
psicólogo norte-americano, nascido em 1942, que
ficou conhecido por sua teoria do desamparo
aprendido, tanto pela qualidade dos achados,
mas também pelas críticas ao desenho
experimental que resultava em sofrimento para as
cobaias.
Foi presidente da Associação Americana de
Psicologia (APA) no ano de 1997 e, em conjunto
com Christopher Peterson (1950-2012), publicou
Character, strengths and virtues (Caráter, forças e
virtudes).
Martin Seligman.
Nesse livro, os autores estabelecem um contraponto para o DSM (Manual diagnóstico e estatístico de
transtornos mentais norte-americano).
Enquanto o DSM é utilizado para compreensão de psicopatologias e tratamento (doenças mentais ou
do comportamento), o Character, strengths and virtues é utilizado para a análise das virtudes,
potencialidades do indivíduo e para o seu desenvolvimento.
E qual foi a inovação dessa publicação?
Resposta
Ela sistematizou as forças de caráter e virtude tanto quanto os manuais nosológicos (Classificação Internacional de Doenças –
CID) sistematizam doenças.
A Psicologia Positiva, além de pensar os indivíduos, também pensa em instituições positivas que
fomentem espaço para o desenvolvimento das virtudes. Além disso, pessoas positivas geram
ambientes positivos.
Psicologia Positiva versus Psicologia
Cognitiva versus Neurociências
Um cérebro emocional se desenvolveu e funciona de modo adaptativo, em respostas psicológicas e
ambientais aos estímulos do meio destinados para nos afastar do perigo e nos aproximar de
recompensas.
De acordo com Bear, Connors e Paradiso (2017),
o sistema límbico é descrito como o principal
circuito mediador de nossas emoções. É um
conjunto de estruturas situadas em regiões
inferiores ao córtex. Ele integra uma série de
áreas e se comunica com todo o sistema
nervoso, demonstrando a interação entre essas
áreas e estruturas com a finalidade de produzir,
gerenciar uma função.
A especialização de determinadas áreas do
cérebro não é questionada, por exemplo, as áreas
de linguagem e de memória. Mas pensar que é a
interação de diversas estruturas que gerencia
Estruturas do sistema límbico. aspectos do nosso funcionamento e
comportamento é muito atrativo e atual.
A Psicologia Positiva não refuta as Neurociências, pois compreende a importância das redes neurais e
da forma como as informações são processadas.
A Psicologia Positiva trabalha com parâmetros fenomenológicos da consciência, baseada em teorias
da informação. Busca a compreensão dos acontecimentos, dos fenômenos e suas respectivas
interpretações, e não apenas por meio do processamento das redes neurais, dos aspectos
psicofisiológicos ou não conscientes.
Psicologia Positiva: um projeto para
Psicologia do século XXI
Seligman apresenta uma reflexão do papel da Psicologia para o nosso século: o desenvolvimento de
forças de caráter e de valores como uma proposta para saúde mental. Vejamos a seguir alguns pontos
principais:
Sabedoria e conhecimento
Forças que envolvem a aquisição e a utilização do conhecimento. Criatividade, pensamento crítico, gostar de aprender,
curiosidade.
Coragem
Forças emocionais que envolvem o exercício da vontade para alcançar metas perante a oposição, externa e interna.
Honestidade e perseverança.
Humanidade
Ajudar os outros. Amar, ser amado, bondade, habilidades sociais.
Justiça
Ações cívicas para promover uma vida comunitária saudável. Liderança, cidadania, integridade.
Temperança
A busca pelo equilíbrio, misericórdia, humildade, autorregulação, prudência.
Transcendência
Perceber a beleza, bom humor, gratidão, espiritualidade.
Isso não significa abandonar os estudos das funções cognitivas e como elas modulam o
comportamento, tampouco abandonar a Psicologia clínica em suas diversas modalidades.
Continuamos em interseção com as Neurociências, com a discussão sobre a tecnologia, como
incorporá-la à Psicologia e o impacto dela em nossas vidas.
Como um projeto para o século XXI, a Psicologia Positiva propõe rompermos com os discursos
tradicionais e buscar novas práticas em como avaliar e desenvolver as forças de caráter e virtude nas
pessoas, nas organizações e nas instituições.
Atenção!
Um alerta que já tratamos é sobre as falácias do conhecimento: muitas pessoas pegam carona na Psicologia para propor
soluções e serviços para população. Algumas palavras da moda como coaching e Psicologia Positiva podem estar associadas a
práticas meramente comerciais que não resultam no real desenvolvimento de pessoas, mas apenas fazem uma persuasão verbal,
convencem, não são transformadoras da realidade. Por esse motivo, buscar um psicólogo para discutir sobre o seu
desenvolvimento pessoal pode ser um exercício que trará melhores frutos para você, para o seu tempo e para o seu investimento
financeiro.
O psicólogo terá toda a bagagem histórica, poderá avaliar a sua personalidade com cientificidade e tecnicidade. Poderá avaliar o
seu perfil cognitivo, as maneiras que você usa para tomar uma decisão, suas forças de caráter e virtudes, utilizando as práticas
psicológicas refinadas ao longo de mais de um século.
Para a Psicologia Positiva, os pontos fortes de uma pessoa são tão importantes quanto as
vulnerabilidades. Práticas no mercado que atuam com a Psicologia Positiva focadas nos pontos fortes
cometem um erro técnico. Uma avaliação global é necessária.
O profissional de Psicologia possui conhecimento técnico e a prerrogativa
profissional para avaliar sua saúde mental, seu perfil de personalidade, seu
perfil cognitivo e correlacionar com os seus pontos fortes, suas forças de
caráter e virtudes. Esses dois aspectos compõem um projeto mais sustentável
para o seu desenvolvimento pessoal.
Existem muitas variáveis que impactam o nosso comportamento e, para um projeto sustentável no
médio e longo prazo, para que você mude a sua vida e busque o desenvolvimento das suas forças de
caráter e virtude, o profissional qualificado no mercado é o da Psicologia com uma inscrição ativa em
um conselho profissional (conselho regional de Psicologia).
A Psicologia como ciência e a Psicologia Positiva funcionam muito bem em interseção com outras
áreas de atuação, dentro das prerrogativas profissionais próprias das áreas de: pedagogia,
licenciaturas, gestão, desenvolvimento de soluções e produtos para pessoas, entre outros. Agir com
ética, cientificidade e tecnicidade, em acordo com sua formação, é seguro para o cidadão, para nossos
filhos, pais, irmãos, familiares e amigos.
Psicologia Positiva e orientação
pro�ssional
Orientação profissional, no século XXI, é uma expressão que substitui a conhecida orientação
vocacional. Podemos usar outras expressões, por exemplo, orientação de carreira, eleição de carreira
ou gestão da carreira. O trabalho do orientador profissional implica qualquer etapa da vida que esteja
associada ao mercado de trabalho.
 Primeira Revolução Industrial
Final do século XVIII
Foi marcada pela tecnologia da máquina a vapor e a
produção em larga escala.
Essas transformações nas sociedades capitalistas e, fundamentalmente, no Ocidente4 resultaram em
algumas consequências para a vida das pessoas.
Atualmente, vivenciamos a Quarta Revolução Industrial, também chamada de indústria 4.0. O termo
sociedade da informação, em vez de sociedade pós-industrial, demarca essa revolução. Tecnologia,
inteligência artificial, robôs, profissões do futuro são discussões do nosso momento histórico, do
nosso Zeitgeist.
 Segunda Revolução Industrial
Final do século XIX
Foi marcada por tecnologias como a eletricidade e,
na Filosofia, a discussão da sociedade industrial
com os filósofos Marx e Engels.
 Terceira Revolução Industrial
Primeiras décadas do século XX
Foi marcada por tecnologias da automação e pelos
conceitos de taylorismo,menor jornada de trabalho
com aumento da produção e Henry Ford e as linhas
de produção.
Perfil demográfico da população, comparando o ano de 2020 e a projeção para o ano de 2060.
O perfil populacional está mudando e, com isso, as características do mercado de trabalho também
mudam. As necessidades das pessoas ao longo da história, principalmente com o advento da
tecnologia, mudam. Compreender essas mudanças e o impacto da tecnologia na vida das pessoas e
desenvolver as forças de caráter e virtude para o futuro é o projeto da Psicologia como uma profissão
do futuro.
O desafio é compreender o perfil de cada pessoa, levando em consideração o
seu desenvolvimento ontogenético. Isso implica compreender em que época
essa pessoa se desenvolveu, como ela formou seus valores e suas forças de
caráter e como a Psicologia pode auxiliar cada geração a lidar com as
demandas da sociedade 4.0.
Cada geração apresenta um estilo próprio na maneira de aprender e se desenvolver. Cada geração
possui forças de caráter e virtude desenvolvidas, de acordo com a necessidade de seu tempo, com a
influência do momento cultural em que viveu, dos acontecimentos políticos e econômicos que
vivenciou.
 Baby boomers
Nascidos entre 1940 e 1960.
 Geração X
Nascidos entre 1961 e 1980.
 Geração Y
Nascidos entre 1981 e 1995.
 Geração Z
Nascidos entre 1996 e 2010.
 Geração Alpha
Nascidos depois de 2010.
Por que se diz que a Psicologia é uma profissão do futuro?
Resposta
Porque é uma ciência e uma profissão que foi desenvolvida na pressão da história, sempre preocupada em compreender o ser
humano em seu tempo, com raízes na Filosofia e no método científico.
Pressão e tempo transformam...
Carvão Em diamante
No século XXI, a Psicologia como uma profissão do futuro significa o desenvolvimento de forças de
caráter e virtudes das pessoas, bem como de suas habilidades emocionais e comportamentais (as
chamadas soft skills).
Um projeto de desenvolvimento pessoal significa compreender a história de aprendizagem, que é
diferente de pessoa para pessoa, mas vinculada a um período cultural de determinada época.
Desenvolver uma pessoa é investigar as fragilidades, descartar patologias ou encaminhar para um
cuidado de saúde, quando necessário. Esses cuidados, associados ao levantamento das virtudes e das
forças de caráter, resultam em um projeto para um desenvolvimento individual, personalizado, para o
florescimento das soft skills de uma pessoa, com ética, cientificidade e tecnicidade, necessárias para a
segurança e o respeito à população.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Sistematizamos alguns dos principais eventos históricos que estão no alicerce da Psicologia como
uma ciência e uma profissão. Essa diversidade de sistemas teóricos da Psicologia se dá por
divergências do objeto de estudo e do método empregado para estudá-lo. A Psicologia Positiva se
caracteriza
A
pela busca da objetividade do método científico, abandonando a introspecção, para
compreender como os conteúdos mentais influenciam comportamentos.
B pela busca de compreender as forças e a virtude do caráter de uma pessoa.
C
pelo uso da observação sistemática e do método experimental para descrever as
circunstâncias que um comportamento ocorre e modificá-lo, se necessário.
Parabéns! A alternativa B está correta.
O psicólogo Martin Seligman publicou, com Christopher Peterson, um texto que sistematiza o que
chamaram de forças de caráter e virtudes, estabelecendo um contraponto aos manuais dos
transtornos mentais e do comportamento.
Questão 2
Sistema analítico da Psicologia no século XXI que compreende o cérebro como um órgão ativo,
fenomenológico consciente. A Psicologia tenta compreender alguns adjetivos que são muito
admirados quando os encontramos. De qual sistema estamos falando?
D
pelo estudo da percepção humana e das suas propriedades, pela análise do
comportamento e pela reestruturação do campo perceptual.
E pelo uso da observação para descrever comportamentos disfuncionais e modificá-los.
A Psicologia Cognitiva
B Conexionismo
C Funcionalismo
Parabéns! A alternativa D está correta.
A Psicologia Positiva visa construir processos singulares, menos científicos e mais sociais e
relacionados a dinâmicas sociais. No limite, percebemos que esse movimento tenta superar as
limitações pouco científicas do humanismo.
Considerações �nais
A produção de paradigmas tem sido a identidade da Psicologia. Conta a história que nascemos
formalmente introspectivos com Wundt, nos anos de 1873 e 1879, respectivamente, com a publicação
dos Princípios de Psicologia Fisiológica, e a abertura do primeiro laboratório de Psicologia Experimental,
na Alemanha. Até os dias atuais, ainda não encontramos uma grande teoria compatibilizadora, única
metodologia ou definição para os seus construtos e as mesmas definições operacionais. Somos uma
ciência ainda pré-paradigmática.
O resultado é que, na Psicologia, encontramos profissionais que são comportamentalistas,
cognitivistas, psicanalistas, humanistas, existencialistas, entre outras possibilidades. Existem também
os que se dedicam a estudar os processos psicológicos básicos, o social, o desenvolvimento humano,
D Positivismo
E Determinismo
a psicoterapia, a psicofisiologia e outros campos de interesse. Além disso, há a Psicologia aplicada ao
trânsito, à escola, às instituições, às organizações, entre outras áreas de atuação.
A Psicologia é plural como profissão e como ciência, fazendo interseção com diversas outras áreas de
conhecimento. Muitas profissões se beneficiam da Psicologia como ciência: pedagogos, professores,
gestores, marketing, entre outros.
Em todas as formas de atuação do psicólogo, em todas as áreas, tenha convicção de que a Psicologia
apresenta paradigmas capazes de compreender com profundidade a complexidade do comportamento
humano.
Podcast
Ouça um resumo dos tópicos apresentados até aqui.
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Confira as indicações que serparamos especialmente para você!

Assista ao filme Nise: o coração da loucura, dirigido por Roberto Berliner (2016). Nise da Silveira
foi pioneira na Psicologia Analítica (Psicologia Junguiana) no Brasil.
Para saber sobre a lei do efeito, pesquise sobre o experimento clássico da caixa de problemas do
Thorndike.
Para saber mais sobre o reflexo condicionado, pesquise sobre o experimento clássico do cão de
Pavlov.
Se gostou da perspectiva do humanismo, leia o livro Torna-se pessoa, de Carl Rogers.
Leia o artigo Modulações dos efeitos Simon e Stroop espacial por tarefas prévias de
compatibilidade espacial, de Roberto Sena Fraga-Filho e colaboradores, e compreenda como é
feita uma pesquisa experimental na área da cognição utilizando a cronometria mental.
Leia o artigo Métodos de investigação em história da Psicologia, de Marina Massini.
Leia o artigo História da Psicologia, de William Gomes.
Referências
ALLPORT, G. W. The nature of prejudice. 3. ed. Wokingham: Addison-Wesley, 1954.
ANTUNES, M. A. M. Psicologia Escolar e Educacional: história, compromissos e perspectivas.
Psicologia Escolar e Educacional, v. 12, n. 2, p. 469-475, 2008.
BEAR, M. F.; CONNORS B. W.; PARADISO M. A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 3. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2017.
BECK, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
BOFF, L. A águia e a galinha. 4. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 1999.
DAVIDSON, R. J.; BEGLEY, S. O estilo emocional do cérebro. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.
REEVE, J. Motivação e emoção. 4. ed. São Paulo: LTC, 2006.
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning,
2019.
SKINNER, B. F. Enjoy old age. [S.l.]: Grand Central Pub, 1983.
SKINNER, B. F. Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1974
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