Prévia do material em texto
1 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 4 2 VEGETAÇÃO BRASILEIRA ........................................................................ 5 2.1 Tipos de Vegetação do Brasil ............................................................... 5 2.2 Espécies Exóticas .............................................................................. 10 2.3 Plantas Medicinais ............................................................................. 11 3 CLASSIFICAÇÕES DA VEGETAÇÃO DO BRASIL .................................. 11 4 VEGETAÇÃO ............................................................................................ 22 5 VEGETAÇÃO ARBÓREA ......................................................................... 23 6 VEGETAÇÃO HERBÁCEA ....................................................................... 25 7 MATAS CILIARES .................................................................................... 26 7.1 O Que São Matas Ciliares e Reservas Legais? ................................. 28 8 AMEAÇAS E CONSERVAÇÃO ................................................................ 30 9 COMO A VEGETAÇÃO INFLUENCIA O CLIMA REGIONAL ................... 32 10 VEGETAÇÃO MANTÉM QUALIDADE DA ÁGUA E PRESERVA O SOLO ................................................................................................................33 10.1 Vegetação brasileira tem diversas aplicações no nosso dia a dia .. 34 11 A IMPORTÂNCIA DAS FLORESTAS .................................................... 36 12 A IMPORTÂNCIA DAS ÁRVORES PARA TER ÁGUA DE QUALIDADE ................................................................................................................41 12.1 A relação entre árvores e água varia de acordo com o tipo de floresta .........................................................................................................42 13 CONSEQUÊNCIAS DA FALTA DE VEGETAÇÃO ................................ 43 14 VEGETAÇÃO NO AMBIENTE CONSTRUÍDO: UMA CONVIVÊNCIA NECESSÁRIA ........................................................................................................... 44 15 A VEGETAÇÃO E O CONFORTO AMBIENTAL ................................... 44 16 PORQUE A AMAZÔNIA É VITAL PARA O MUNDO? ........................... 45 3 17 A ARBORIZAÇÃO URBANA ................................................................. 48 18 REFERÊNCAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 51 4 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 5 2 VEGETAÇÃO BRASILEIRA 2.1 Tipos de Vegetação do Brasil A grande extensão territorial e latitudinal e a diversidade climática do Brasil explicam a extraordinária riqueza vegetal que o país possui. Situado quase totalmente dentro da Zona Neotropical, podemos dividi-lo para fins geográficos em dois territórios: o amazônico e o extra-amazônico. No amazônico (área equatorial ombrófila) o sistema ecológico vegetal decorre de um clima de temperatura média em torno de 25°C com chuvas torrenciais bem distribuídas durante o ano. No extra-amazônico (área intertropical), o sistema ecológico vegetal responde a dois climas: o tropical com temperaturas médias por volta de 22°C e precipitação estacional, com período seco, e o subtropical com temperatura média anual próxima dos 18°C, com chuvas bem distribuídas. A grande quantidade de espécies vegetais nativas e exóticas de importância econômica, conhecida e descrita em trabalhos científicos, representa apenas uma amostra das que provavelmente existem. Não podemos esquecer que grande parte da cobertura vegetal primitiva já foi e continua sendo impiedosamente devastada, criando sérios riscos de acidentes e desequilíbrios ecológicos. A ação do homem como devastador da vegetação original se iniciou com a colonização do Brasil, sendo acentuada nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e parte do Centro-Oeste. Estados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais já devastaram a maior parte da cobertura primitiva. Na Região Norte a ação depredadora data da década de 60, com crescimento nos anos 70/80, provocando o quase desaparecimento de espécies raras e já sendo motivo de preocupação em áreas como Rondônia, oeste do Tocantins e sul do Pará, enquanto o reflorestamento e a preservação são incipientes. A vegetação brasileira pode ser classificada em três grupos principais: formações florestais ou arbóreas, formações arbustivas e herbáceas e formações complexas e litorâneas. Quanto aos tipos de vegetação, encontramos no território brasileiro as seguintes: 6 Fonte: epoca.globo.com 1) Vegetação do tipo Savana (Cerrado/Campos) — Ocorre principalmente na região Centro-Oeste, aparecendo também no norte amazônico, desde o vale do rio Tacatu (Roraima) até os tabuleiros do Amapá; no litoral e interior do Nordeste; no planalto sedimentar da bacia do Paraná; na região sudeste; na Região Sul em áreas do Planalto Meridional. 2) Estepe (Caatinga e Campanha Gaúcha) — No árido sertão nordestino a estepe (conhecida como caatinga) corresponde a várias formações vegetais que se constituem num tipo de vegetação estacional decidual, com várias cactáceas. A outra área de estepe brasileira se encontra no Sul do Brasil, nas fronteiras com o Uruguai e Argentina; é a Campanha Gaúcha, que recobre as superfícies conservadas do planalto da Campanha e da depressão dos rios Ibicuí e Negro. 3) A Savana estépica (vegetação chaquenha, campos de Roraima e Campanha Gaúcha) - É um tipo de vegetação constituída por uma cobertura arbórea e várias cactáceas, que recobre um estrato graminoso. No Brasil ocupa três áreas bem diversas geograficamente, o Pantanal Mato-Grossense, os Campos de Roraima e a Campanha Gaúcha. A primeira situa-se entre a Serra da Bodoquena (Mato Grosso do Sul) e o rio Paraguai, sendo a maior área de ocorrência no Brasil desse tipo de vegetação. A segunda, a de Roraima (limites com a Venezuela), aparece entre as áreas dissecadas do monte Roraima e a planície do rio Branco. E a terceira ocupa a parte sul-sudeste do Rio Grande do Sul, fazendo parte da Campanha Gaúcha. 7 4) Vegetação lenhosa oligotrófica dos pântanos e das acumulações arenosas (Campinarana) — Esse tipo de vegetação se restringe às áreas amazônicas do alto rio Negro e seus afluentes adjacentes, recobrindo as áreas deprimidas e embrejadas, caracterizada por agrupamentos de formações arbóreas altas e finas. 5) Floresta ombrófila densa (Floresta Amazônica/Floresta Atlântica) — Ocupa parte da Amazônia, estendendo-se pelo litoral desde o sul de Natal, Rio Grande do Norte até o Espírito Santo, entre o litoral e as serras pré-cambrianas que margeiam o Atlântico, estendendo-se ainda pelas encostas até a região de Osório, no Rio Grande do Sul. A floresta Atlânticajá foi quase totalmente devastada, restando apenas poucos locais onde se encontra a floresta original. Esse tipo de vegetação nas duas áreas (Amazônica e Atlântica) consiste de árvores que variam de médio a grande porte e com gêneros típicos que as caracterizam. 6) Floresta ombrófila aberta (Floresta de Transição) — Encontra-se entre a Amazônia e a área extra-amazônica. É constituída de árvores mais espaçadas, com estrato arbustivo pouco denso. Trata-se de uma vegetação de transição entre a floresta Amazônica úmida a oeste, a caatinga seca a leste e o cerrado semiúmido ao sul. Essa região fito ecológica domina, principalmente, os estados do Maranhão e Piauí, aparecendo também no Ceará e Rio Grande do Norte. 7) Floresta ombrófila mista (Mata dos Pinheiros) — Esse tipo de vegetação, também conhecida por "mata dos pinhais ou de araucárias", é encontrada concentrada no Planalto Meridional, nas áreas mais elevadas e mais frias, com pequenas ocorrências isoladas nas serras do Mar e Mantiqueira (partes altas). Destacam-se os gêneros Araucária, Podocarpus e outros de menor importância. 8) Floresta estacional semidecidual (Mata semicaducifólia) — Esse tipo de vegetação está ligado às estações climáticas, uma tropical, com chuvas de verão e estiagem acentuada, e outra subtropical, sem período seco, mas com seca fisiológica por causa do frio do inverno. Ocorrem nas áreas brasileiras com esses tipos climáticos. 9) Floresta estacional decidual (Mata caducifólia) — Ocorre no território brasileiro dispersivamente e sem continuidade, pois só aparece em áreas caracterizadas por duas estações climáticas bem definidas, chuvosa e seca. O estrato arbóreo é predominantemente caducifólio (perdem as folhas na seca). 8 10) Áreas das formações pioneiras de influência marinha (Vegetação de Restinga e Manguezal) — As áreas de influência marinha são representadas pelas restingas ou cordões litorâneos e pelas dunas que ocorrem ao longo da costa. São formados pela deposição de areias, aí ocorrendo desde formações herbáceas até arbóreas. Os manguezais sofrem influência fluviomarinha onde nasce uma vegetação de ambiente salobro que também apresenta fisionomia arbórea e arbustiva; são encontrados em quase todo o litoral brasileiro, mas as maiores concentrações aparecem no litoral norte e praticamente desaparecem, a partir do sul da ilha de Santa Catarina, pois é vegetação típica de litorais tropicais. 11) Áreas das formações pioneiras ou de influência fluvial (Vegetação Aluvial) — É um tipo de vegetação que ocorre nas áreas de acumulação dos cursos dos rios, lagoas ou assemelhados; a fisionomia vegetal pode ser arbórea, arbustiva ou herbácea, formando ao longo dos cursos dos rios as Matas-Galerias. A vegetação que se instala varia de acordo com a intensidade e duração da inundação. 12) Áreas de Tensão ecológica (Contatos entre tipos de vegetação) — São denominadas assim as regiões de contato entre grandes tipos de vegetação, em que cada tipo guarda sua identidade. Ocorre em vários locais do país, inclusive no Pantanal nas áreas alagadas, periodicamente alagadas e nas livres das inundações. Existem aí várias associações vegetais como palmeiras, gramíneas e bosques chaquenhos. 13) Refúgio ecológico (Campos de altitude) — Qualquer tipo de vegetação diferente do contexto geral da flora da região é considerado como um "refúgio ecológico". Este é o caso da vegetação que se localiza, no Brasil, acima de 1800m de altitude. Flora brasileira, o Brasil possui a maior biodiversidade vegetal do planeta, com mais de 55 mil espécies de plantas superiores e cerca de 10 mil de briófitas, fungos e algas, um total equivalente a quase 25% de todas as espécies de plantas existentes. A cada ano, cientistas adicionam dezenas de espécies novas a essa lista, incluindo árvores de mais de 20 metros de altura. Acredita-se que o número atual de plantas conhecidas represente apenas 60% a 80% das plantas realmente existentes no país. Essa diversidade é tão grande que em cerca de um hectare da floresta amazônica ou da Mata Atlântica encontram-se mais espécies de árvores (entre 200 e 300 espécies) que em todo o continente europeu. 9 A flora brasileira está espalhada por diversos hábitats, desde florestas de terra firme com cerca de 30 metros de altura de copa e com uma biomassa de até 400 toneladas por hectare, até campos rupestres e de altitude, com sua vegetação de pequenas plantas e musgos que frequentemente congelam no inverno; e matas de araucária, o pinheiro brasileiro no sul do país. Alguns desses hábitats são caracterizados por uma flora endêmica característica. Os campos rupestres e de altitude que dominam as montanhas do Brasil central, por exemplo, apresentam uma grande variedade de espécies de velosiáceas, eriocauláceas, bromeliáceas e xiridáceas que só ocorrem nesse hábitat. A maior parte da flora brasileira, entretanto, encontra-se na Mata Atlântica e na floresta amazônica, embora o Pantanal mato- grossense, o cerrado e as restingas também apresentem grande diversidade vegetal. Algumas famílias de plantas destacam-se por sua grande diversidade na flora brasileira. A família das bromeliáceas, que inclui as bromélias, gravatás e barbas-de- velho, tem mais de 1.200 espécies diferentes. São as plantas epífitas mais abundantes em todas as formações vegetais do país, desde as restingas e manguezais até as florestas de araucária e campos de altitude. Outras famílias importantes são a das orquidáceas; a das mirtáceas, que dominam a flora das restingas e da Mata Atlântica; a das lecitidáceas, que incluem dezenas de espécies arbóreas da Amazônia; e a das palmáceas, também representadas por numerosas espécies, boa parte de grande importância econômica, como os palmitos, cocos e açaís. 10 Fonte: www.iguiecologia.com 2.2 Espécies Exóticas Além das espécies nativas, a flora brasileira recebeu aportes significativos de outras regiões tropicais, trazidos pelos portugueses durante o período colonial. Várias dessas espécies de plantas restringiram-se às áreas agrícolas, como o arroz, a cana- de-açúcar, a banana e as frutas cítricas. Outras, entretanto, adaptaram-se muito bem e espalharam-se pelas florestas nativas a tal ponto que frequentemente são confundidas com espécies nativas. O coqueiro (Cocus nucifera) que forma verdadeiras florestas ao longo do litoral nordestino brasileiro, é originário da Ásia. Da mesma forma, a fruta-pão (Artocarpus communis) e a jaqueira (Artocarpus integrifolia), originários da região indo-malaia, são integrantes comuns da Mata Atlântica. Além dessas, podemos citar a mangueira, a mamona, o cafeeiro e várias espécies de eucaliptos e pinheiros, introduzidas para a produção de madeira, bem como dezenas de espécies de gramíneas. É comum encontrar em matas degradadas ou brotadas em pastos ou terras agrícolas abandonadas uma grande proporção de espécies exóticas 11 2.3 Plantas Medicinais A diversificada flora brasileira é amplamente utilizada pela população, embora pouco se conheça cientificamente sobre seus usos. Por exemplo, um estudo recente realizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi na ilha de Marajó, no Pará, identificou quase 200 espécies de plantas de uso terapêutico pela população local. A população indígena também utilizou e ainda utiliza a flora brasileira, porém tal conhecimento tem se perdido com sua aculturação. É provável que muitas espécies de plantas brasileiras tenham uso terapêutico ainda desconhecido. Esse conhecimento, entretanto, está ameaçado pelo desmatamento e pela expansão das terras agropecuárias.1 3 CLASSIFICAÇÕES DA VEGETAÇÃO DO BRASIL CERRADO Podemos encontrar a vegetação de cerrado, principalmente, na região centro- oeste do Brasil, ou seja, nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins. Está presente também nas seguintes regiões: oeste de MinasGerais e sul do Maranhão e Piauí. Infelizmente, em função do avanço da agricultura nesta região, principalmente de soja, o cerrado vem diminuindo de tamanho com o passar dos anos. O crescimento da pecuária de corte também tem colaborado para a diminuição deste tipo de vegetação. Ambientalistas afirmam que, nos últimos 50 anos, a vegetação do cerrado diminuiu para a metade do tamanho original. Características do Cerrado: - Presença marcante de árvores de galhos tortuosos e de pequeno porte; - As raízes destes arbustos são profundas (propriedade para a busca de água em regiões profundas do solo, em épocas de seca); - As cascas destas árvores são duras e grossas; - As folhas são cobertas de pelos; - Presença de gramíneas e ciperáceas no estrado das árvores. 1 Extraído do link: www.algosobre.com.br 12 O cerrado é uma vegetação típica de locais com as estações climáticas bem definidas (uma época bem chuvosa e outra seca) e regiões de solo de composição arenosa. Curiosidade: - Os principais arbustos encontrados no cerrado são: pau-santo, pequi e lixeira. CAATINGA A caatinga é uma formação vegetal que podemos encontrar na região do semiárido nordestino. Está presente também nas regiões extremo norte de Minas Gerais e sul dos estados do Maranhão e Piauí. A caatinga é típica de regiões com baixo índice de chuvas (presença de solo seco). As principais características da caatinga são: - Forte presença de arbustos com galhos retorcidos e com raízes profundas; - Presença de cactos e bromélias; - Os arbustos costumam perder, quase que totalmente, as folhas em épocas de seca (propriedade usada para evitar a perda de água por evaporação); - As folhas deste tipo de vegetação são de tamanho pequeno; Exemplos de vegetação da caatinga: - Arbustos: aroeira, angico e juazeiro - Bromélias: caroá - Cactos: mandacaru, xique-xique e xique-xique do sertão Em função da criação de gado extensivo na região, pesquisadores estão alertando para a diminuição deste tipo de formação vegetação. Em alguns locais do semiárido já são encontradas regiões com características de deserto. Curiosidade: - Durante o período de seca, o gado da região alimenta-se do mandacaru (rico em água). Já algumas espécies de bromélias (exemplo da caroá) são aproveitadas para a fabricação de bolsas, cintos, cordas e redes, pois são ricas em fibras vegetais. CAMPOS – Pampas 13 Os Campos caracterizam-se pela presença de uma vegetação rasteira (gramíneas) e pequenos arbustos distantes uns dos outros. Podemos encontrar esta formação vegetal em várias regiões do Brasil (sul do Mato Grosso do Sul, nordeste do Paraná, sul de Minas Gerais e norte do Maranhão), porém é no sul do Rio Grande do Sul, região conhecida como Pampas Gaúchos, que encontramos em maior extensão. Características principais dos Campos: - Vegetação formada por gramíneas e arbustos e árvores de pequeno porte. - Não dependem de grande quantidade de chuvas. - Sua extensão atingem os territórios da Argentina e Paraguai. Economia A região dos Campos, principalmente no Rio Grande do Sul, é muito utilizada para a pastagem de gado. A pecuária é uma das principais atividades econômica nesta região. FLORESTA AMAZÔNICA Situada na região norte da América do Sul, a floresta amazônica possui uma extensão de aproximadamente 7 mil quilômetros quadrados, espalhada por territórios do Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname Guiana e Guiana Francesa. Porém, a maior parte da floresta está presente em território brasileiro (estados do Amazonas, Amapa, Rondônia, Acre, Pará e Roraima). Em função de sua biodiversidade e importância, foi apelidada de o "pulmão do mundo". 14 Fonte: viagemeturismo.abril.com.br Conhecendo a floresta É uma floresta tropical fechada, formada em boa parte por árvores de grande porte, situando-se próximas umas das outras (floresta fechada). O solo desta floresta não é muito rico, pois possui apenas uma fina camada de nutrientes. Esta é formada pela decomposição de folhas, frutos e animais mortos. Este rico húmus é matéria essencial para as milhares de espécies de plantas e árvores que se desenvolvem nesta região. Outra característica importante da floresta amazônica é o perfeito equilíbrio do ecossistema. Tudo que ela produz é aproveitado de forma eficiente. A grande quantidade de chuvas na região também colabora para o seu perfeito desenvolvimento. Como as árvores crescem muito juntas uma das outras, as espécies de vegetação rasteira estão presentes em pouca quantidade na floresta. Isto ocorre, pois com a chegada de poucos raios solares ao solo, este tipo de vegetação não consegue se desenvolver. O mesmo vale para os animais. A grande maioria das espécies desta floresta vive nas árvores e são de pequeno e médio porte. Podemos citar como exemplos de animais típicos da floresta amazônica: macacos, cobras, marsupiais, tucanos, pica-paus, roedores, morcegos entre outros. Os rios que cortam a floresta amazônica (rio amazonas e seus afluentes) são repletos de diversas espécies de peixes. 15 O clima que encontramos na região desta floresta é o equatorial, pois ela está situada próxima à linha do equador. Neste tipo de clima, as temperaturas são elevadas e o índice pluviométrico (quantidade de chuvas) também. Num dia típico na floresta amazônica, podemos encontrar muito calor durante o dia com chuvas fortes no final da tarde. Problemas atuais enfrentados pela floresta amazônica: Um dos principais problemas é o desmatamento ilegal e predatório. Madeireiras instalam-se na região para cortar e vender troncos de árvores nobres. Há também fazendeiros que provocam queimadas na floresta para ampliação de áreas de cultivo (principalmente de soja). Estes dois problemas preocupam cientistas e ambientalistas do mundo, pois em pouco tempo, podem provocar um desequilíbrio no ecossistema da região, colocando em risco a floresta. Outro problema é a biopirataria na floresta amazônica. Cientistas estrangeiros entram na floresta, sem autorização de autoridades brasileiras, para obter amostras de plantas ou espécies animais. Levam estas para seus países, pesquisam e desenvolvem substâncias, registrando patente e depois lucrando com isso. O grande problema é que o Brasil teria que pagar, futuramente, para utilizar substâncias cujas matérias-primas são originárias do nosso território. Com a descoberta de ouro na região (principalmente no estado do Pará), muitos rios estão sendo contaminados. Os garimpeiros usam o mercúrio no garimpo, substância que está contaminando os rios e peixes da região. Índios que habitam a floresta amazônica também sofrem com a extração de ouro na região, pois a água dos rios e os peixes são importantes para a sobrevivência das tribos. MANGUES Podemos encontrar a vegetação de mangue nas regiões litorâneas do Brasil. Nestas áreas, a água do mar avança no solo, formando regiões alagadiças. Características principais dos mangues: - Presença de caranguejos que buscam seus alimentos no mangue. 16 - A formação vegetal do mangue (plantas e arbustos) possui raízes externas (aéreas). Como o solo do mangue é pobre em oxigênio, este é obtido pelas plantas fora do solo. - Em função da diversidade da região, podemos dividir os mangues em: mangue-branco, mangue-vermelho e mangue siriúba. - As plantas possuem sementes compridas, finas e pontudas. Isto ocorre para facilitar a reprodução, pois quando caem no solo úmido, podem se fixar com mais facilidade. - O cheiro do mangue é bem característico, em função da presença de áreas salobras (com presença de sal). Degradação das regiões de mangue A poluição de rios e mares em conjunto com a especulação imobiliária nas regiões litorâneas tem afetado, significativamente,os mangues. Esta área tem diminuído de tamanho e o ecossistema da região tem sido afetado nas últimas décadas. Trabalhadores locais, principalmente os que vivem da caça e comércio de caranguejos, tem sofrido com a diminuição destes animais nos manguezais. Curiosidade: - O mangue é o habitat de várias espécies marinhas e também de caranguejos. MATA ATLÂNTICA A Mata Atlântica é uma formação vegetal que está presente em grande parte da região litorânea brasileira. Ocupa, atualmente, uma extensão de aproximadamente 100 mil quilômetros quadrados. É uma das mais importantes florestas tropicais do mundo, apresentando uma rica biodiversidade. A Mata Atlântica encontra-se, infelizmente, em processo de extinção. Isto ocorre desde a chegada dos portugueses ao Brasil (1500), quando se iniciou a extração do pau-brasil, importante árvore da Mata Atlântica. Atualmente, a especulação imobiliária, o corte ilegal de árvores e a poluição ambiental são os principais fatores responsáveis pela extinção desta mata. As principais características da Mata Atlântica são: 17 - Presença de árvores de médio e grande porte, formando uma floresta fechada e densa; - Rica biodiversidade, com presença de diversas espécies animais e vegetais; - As árvores de grande porte formam um microclima na mata, gerando sombra e umidade - Fauna rica com presença de diversas espécies de mamíferos, anfíbios, aves, insetos, peixes e répteis. - Na região da Serra do Mar, forma-se na Mata Atlântica uma constante neblina. Flora - Exemplos de vegetação da Mata Atlântica - Palmeiras - Bromélias, begônias, orquídeas, cipós E briófitas - Pau-brasil, jacarandá, peroba, jequitibá-rosa, cedro - Tapiriria - Andira - Ananás - Figueiras Fauna - Exemplos de espécies animais da Mata Atlântica: - Mico-leão-Dourado (risco de extinção) - Bugio (risco de extinção) - Tamanduá bandeira (risco de extinção) - Tatu-Canastra (risco de extinção) - Arara-azul-Pequena (risco de extinção) - Muriqui - Anta - Onça Pintada (risco de extinção) - Jaguatirica - Capivara Curiosidades: 18 - Alguns povos indígenas ainda habitam a região da Mata Atlântica. Entre eles, podemos destacar: Kaiagang, Terena, Potiguara, Kadiweu, Pataxó, Wassu, Krenak, Guarani, Kaiowa e Tupiniquim. - A Mata Atlântica é a segunda maior floresta brasileira, em extensão. MATA DOS COCAIS A Mata dos Cocais é uma floresta de transição, situada na região do nordeste brasileiro, entre a caatinga e o cerrado. Encontramos esta formação florestal, principalmente no norte dos estados do Maranhão e Piauí. Características principais da Mata dos Cocais: - As vegetações típicas da Mata dos Cocais são: babaçu (em maior quantidade), carnaúba, oiticica e buriti. - No extrato mais baixo da mata, encontramos diversas espécies de arbustos e vegetações de pequeno porte. - As folhas das palmáceas caracterizam-se por serem grandes e finas. Fonte: www.todamateria.com.br Economia 19 O extrativismo é a principal atividade econômica na Mata dos Cocais. Milhares de pessoas vivem do extrativismo do coco de babaçu. A semente deste coco é utilizada como matéria-prima pelas indústrias de cosméticos, medicamentos e alimentos. O óleo de carnaúba também é outra fonte de renda para os que se dedicam ao extrativismo vegetal na região. MATA DOS PINHAIS A Mata dos Pinhais, também conhecida como Mata das Araucárias, é uma floresta subtropical e pode ser encontrada na região Sul do Brasil (estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Esta formação florestal é típica de uma região de clima subtropical. Características principais da Mata dos Pinhais: - Os pinheiros predominam nesta área, principalmente as coníferas. - O pinheiro típico e mais presente na Mata dos Pinhais é a araucária angustifólia. - Trata-se de uma formação fechada e densa, com grande quantidade de árvores. - As árvores são altas, possuindo, em média, de 20 a 30 metros de altura. - As folhas dos pinheiros possuem o formato de agulha. A reprodução ocorre quando as sementes são levadas pelo vento. - As coníferas possuem um formato triangular. Sendo que no topo são mais estreitas (pontudas) e na base mais largas. Degradação da Mata dos Pinhais Assim como outras formações florestais do Brasil, a Mata dos Pinhais encontra- se em processo de degradação. Nas últimas décadas sua extensão diminuiu significativamente. Este processo ocorre em função do corte ilegal de árvores, que são destinadas a produção de madeira (fabricação de móveis, papel e outros objetos) e resinas (fabricação de óleos, tintas, sabão, etc.). 20 A abertura de novas áreas destinadas à agricultura e pecuária também tem contribuído para o desmatamento da Mata dos Pinhais. Ambientalistas afirmam que, aproximadamente, 95% da mata nativa foi derrubada nas últimas décadas. Curiosidades: - Os pinheiros são muito utilizados na decoração natalina em diversas partes do mundo. É a árvore símbolo do Natal. - Como localizam-se em regiões subtropicais, as coníferas possuem uma anatomia específica, adaptada as condições climáticas da região. Em formato de cone, não acumulam neve em seus galhos. PANTANAL Um dos ecossistemas mais ricos do Brasil, o Pantanal, estende-se pelos territórios do Matogrosso (região sul), Matogrosso do Sul (noroeste), Paraguai (norte) e Bolívia (leste). Ao todo são aproximadamente 228 mil quilômetros quadrados. Em função de sua importância e diversidade ecológica, o Pantanal é considerado pela UNESCO como um Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. Aspectos Geográficos O Pantanal é formado por uma planície e está situado na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai. Recebe uma grande influência do Rio Paraguai e seus afluentes, que alagam a região formando extensas áreas alagadiças (pântanos) e favorecendo a existência de uma rica biodiversidade. A época de chuvas e cheias dos rios ocorre durante os meses de novembro a abril. O clima do Pantanal é úmido (alto índice pluviométrico), quente no verão e seco e frio na época do inverno. Fauna do Pantanal: vida animal O ecossistema do Pantanal é muito diversificado, abrigando uma grande quantidade de animais, que vivem em perfeito equilíbrio ecológico. Podemos 21 encontrar, principalmente, as seguintes espécies: jacarés, capivaras, peixes (dourado, pintado, curimbatá, pacu), ariranhas, onça-pintada, macaco-prego, veado-campeiro, lobo-guará, cervo-do-pantanal, tatu, bicho-preguiça, tamanduá, lagartos, cágados, jabutis, cobras (jiboia e sucuri) e pássaros (tucanos, jaburus, garças, papagaios, araras, emas, gaviões). Além destes citados, que são os mais conhecidos, vivem no Pantanal muitas outras espécies de animais. Flora do Pantanal Assim como ocorre com a vida animal, o Pantanal possui uma extensa variedade de árvores, plantas, ervas e outros tipos de vegetação. Nesta região, podemos encontrar espécies da Amazônia, do Cerrado e do Chaco Boliviano. Nas planícies (região que alaga na época das cheias) encontramos uma vegetação de gramíneas. Nas regiões intermediárias, desenvolvem-se pequenos arbustos e vegetação rasteira. Já nas regiões mais altas, podemos encontrar árvores de grande porte. As principais árvores do Pantanal são: aroeira, ipê, figueira, palmeira e angico. Economia do Pantanal Uma das principais atividades econômicas do Pantanal é a pecuária. Nas regiões de planícies, cobertas por formação vegetal de gramíneas (alimentação para o gado), estão estabelecidas diversas fazendas de gado. Há também a atividade da pesca, uma vez que é grande a quantidade de rios e de peixes na região pantaneira. O turismo também tem se desenvolvido muito na região. Atraídos pelas belezas do Pantanal, turistas brasileiros e estrangeiros têm comparecido cada vezmais, gerando renda e empregos no Pantanal. A região é muito bem servida em hotéis, pousadas e outros serviços turísticos. Curiosidades: - Animais do Pantanal em risco de extinção: cervo-do-pantanal, tuiuiú e capivara. 22 - Você sabia que a maior planície inundável do mundo é o pantanal mato- grossense?2 4 VEGETAÇÃO Podemos definir a vegetação como sendo a cobertura vegetal natural de uma determinada região. A vegetação de uma região depende muito de outros aspectos da ge-ografia física, como o relevo, o solo e, principalmente, o clima. Dos elementos do clima, aquele que mais interfere no porte e na densidade dos vegetais é a umidade. Por isso mesmo, podemos classificar a vegetação de acordo com o hábitat natural do vegetal em: Vegetação Podemos definir a vegetação como sendo a cobertura vegetal natural de uma determinada região. A vegetação de uma região depende muito de outros aspectos da ge-ografia física, como o relevo, o solo e, principalmente, o clima. Dos elementos do clima, aquele que mais interfere no porte e na densidade dos vegetais é a umidade. Por isso mesmo, podemos classificar a vegetação de acordo com o hábitat natural do vegetal em: Higrófilas: são formações vegetais típicas de regiões úmidas. Possuem folhas largas e perenes (latifoliadas), para facilitar a transpiração (florestas tropicais). Xerófilas: aparecem em regiões de clima seco. Nesse caso, os vegetais se adaptam à falta de chuva, substi-tuindo as folhas por espinhos, perdendo a folhagem ou cobrindo-a com uma cera que pode impermeabilizar a folha, evitando a evaporação (cactos e outros vegetais da caatinga brasileira). Os vegetais xerófilos também possuem raízes profundas ou então uma multirradicação que permite otimizar o aproveitamento da água que infiltra no subsolo. Tropófilas: vegetais que vivem em climas com alternância de pluviosidade (um período chuvoso e outro seco). Nesse caso, os vegetais perdem a folhagem na estação seca do ano e são chamados vegetais caducifólios ou caducos. Confira abaixo os tipos de vegetação existentes no mundo: 2 Extraído do link: sites.google.com 23 5 VEGETAÇÃO ARBÓREA Florestas equatoriais Aparecem em áreas de clima equatorial. São formações hidrófilas, latifoliadas e heteróclitas (apresentam grande heterogeneidade de espécies). Recobrem cerca de 40% do território brasileiro, constituindo uma das mais vastas áreas florestais contínuas do mundo. Fonte:meioambiente.culturamix.com Recebem várias denominações: latifoliada (folha larga); hileia, do grego hylaia = “da floresta” (nome dado por Humboldt); floresta equatorial, por causa do clima equatorial; floresta-pluvial, em virtude dos elevados índices pluviométricos que caracterizam as regiões. Possuem uma variedade enorme de espécies vegetais e é uma floresta fechada. Florestas tropicais Aparecem, em climas tropicais úmidos e se assemelham bastante às florestas equatoriais. No Brasil, estão representadas pela mata Atlântica, que ocupa grandes extensões de terra, desde o Nordeste até o Paraná e alguns trechos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 24 A mata Atlântica brasileira sofreu grandes desmatamentos, sobretudo em virtude da penetração da cafeicultura em Minas Gerais e, principalmente, em São Paulo e no norte do Paraná. Possui, em muitos trechos, vegetação imponente, com árvores de 25 a 30 m de altura, como perobas, paus-d’alho, figueiras e cedros. Florestas temperadas Floresta temperada de Ontário no Canadá Aparecem nos climas temperados menos frios, são bosques de árvores frondosas e espaçadas, que possuem a propriedade caducifólia de perda da folhagem nas estações secas ou muito frias. São também cha-madas de florestas caducas. A Floresta de Sherwood da Inglaterra (aquela de Robin Wood) é um exemplo desse tipo de formação. Florestas de coníferas Aparecem em regiões de clima temperado, nas áreas mais frias, que possuem pelo menos três meses cober-tos de gelo. Possuem árvores espaçadas, com copa em forma de cone e folhas agulhadas (aciculifoliadas). Pos-suem poucas espécies diferentes, formando uma floresta homogênea, como o pinho canadense, por exemplo. Merece destaque um tipo de conífera que é a taiga siberiana, pois é considerada como a formação arbórea mais resistente a climas frios. No hábitat natural da taiga, o solo fica coberto de neve durante seis meses. As coníferas são muito cobiçadas, por causa do aproveitamento da sua madeira, excelente para a fabricação da celulose vegetal. No Brasil, a floresta de coníferas está representada pela “mata de araucária”, também denominada pinheiro-do-paraná. É encontrada desde o norte do Rio Grande do Sul até a porção sul do estado de São Paulo, cobrindo porções do planalto Meridional. Entretanto é no Paraná e em Santa Catarina que essa formação é encontrada de forma contínua. Recebe o nome de aciculifoliada em virtude de suas folhas pontiagudas e de araucária graças à abundância da conífera araucária angustifólia (nome científico dado ao pinheiro-do-paraná). 25 Em virtude de altitudes mais elevadas, da serra da Mantiqueira, no estado de Minas Gerais, existem também os pinheiros. Essa formação vegetal é largamente explorada, pois o pinheiro fornece a madeira mole, que é o pinho, de grande comercialização. Entretanto o seu desmatamento também foi intenso, exigindo, por conseguinte, uma eficaz fiscalização e incentivos ao reflorestamento. Mata dos cocais Babaçu - mata dos cocais A área de ocorrência dos cocais localiza-se entre a floresta Amazônica, a oeste, a caatinga (vegetação do sertão nordestino), a leste, e o cerrado, ao sul. Loca-liza-se, portanto, numa área de transição entre o clima úmido da Amazônia, o clima semiárido do Nordeste e o clima menos úmido do planalto Central. Abrange vastas áreas do Maranhão, Piauí e norte de Goiás, predominando nos trechos de solos úmidos e dos vales fluviais, como é o caso dos rios Mearim, Parnaíba e outros da região do meio-Norte. A mata dos cocais recebe este nome porque é forma-da por duas palmeiras: o babaçu e a carnaúba, que são produtos extrativos importantes para a região. Dentro da região do meio-Norte, onde aparece a mata dos cocais, o babaçu fica mais concentrado no Maranhão, enquanto a carnaúba fica mais concentrada no Piauí. Matas galerias ou ciliares As matas galerias correspondem a pequenas flores-tas alongadas que se desenvolveram ao longo dos rios, aproveitando a umidade do solo. São encontradas nas regiões de cerrado, de campos e mesmo de florestas. 6 VEGETAÇÃO HERBÁCEA Campos temperados ou pradarias Como diz o próprio nome, tais tipos de formações caracterizam-se pela predominância de gramíneas, cuja altura varia de 10 a 50 cm, aproximadamente. Além disso, surgem subarbustos, sendo que os arbustos são mais raros. São formações 26 herbáceas contínuas e aparecem geralmente em climas temperados, nas áreas de planícies. Quando ocorre o predomínio das gramíneas, for-mam-se os campos limpos; quando ocorrem os arbustos, formam-se os campos sujos. No Brasil, os campos limpos surgem desde o sul do estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul, onde são denominados campos da campanha gaúcha. Ocupam o planalto Meridional e constituem excelentes áreas para a criação de gado, como é o caso também dos campos de vacaria, no Mato Grosso do Sul. Estepes São formações herbáceas descontínuas que se caracterizam por apresentar “moitas” espalhadas de ervas. Aparecem em climas semiáridos, geralmente nas bordas dos desertos, onde servem para o pastoreio de animais adaptados a estas regiões. Tundra Vegetação rasteira, constituída de musgos e liquens. Aparecem em climas subpolares, em regiões onde o solo está coberto de neve por, pelo menos, nove meses. Nos três meses de verão, a tundranasce e tem um ciclo de vida muito curto. Serve para o pastoreio de animais das regiões subpolares no período do verão.3 7 MATAS CILIARES A mata ciliar é um importante domínio natural que possui a função de conservar o ambiente ao redor de rios e redes de drenagem. As matas ciliares compreendem a vegetação que se localiza em áreas situadas nas proximidades de cursos d'água, tais como rios, lagos, olhos d'água e reservas hídricas em geral. Tal nomenclatura relaciona-se à analogia que se faz entre a função das matas para os rios e a função dos cílios para os nossos olhos: proteção. 3 Extraído do link: www.coladaweb.com 27 Fonte: meioambiente.culturamix.com Portanto, podemos rapidamente deduzir que as matas ciliares são importantes por representarem uma proteção natural dos cursos d'água. Tal processo ocorre quando essas matas, através de suas raízes, seguram o solo das margens dos rios, evitando casos de erosão fluvial, em que as águas desgastam as bordas que as comprimem e provocam abalos na estrutura superficial. Outra forma de atuação das matas ciliares é na “filtragem” do ambiente ao redor dos rios, evitando ou diminuindo a presença de sedimentos trazidos com a água das chuvas e da poluição em forma de resíduos tóxicos e lixo, contribuindo, assim, para conservar as redes de drenagem. A remoção das matas ciliares costuma acontecer, principalmente, para a pecuária, uma vez que as áreas úmidas ao redor dos cursos d'água favorecem a pastagem em tempos de seca. Além disso, a agricultura também é uma atividade responsável pela destruição desse tipo de vegetação, aumentando o assoreamento dos rios que, em alguns casos, tornam-se extintos. Há que se estabelecer, todavia, a diferença entre a mata ciliar e a mata de galeria. Muitas pessoas confundem esses dois termos, pois ambos se referem às vegetações situadas próximas a cursos d'água. A principal diferença é que, nas matas ciliares, a copa das árvores (parte mais alta das espécies) não se encontra entre uma margem e a outra, o que ocorre com a mata galeria, que recebe esse nome justamente por formar uma galeria sobre os rios. 28 As matas ciliares e de galeria são áreas de necessária conservação e são protegidas pela legislação, sendo categorizadas como APAs (Áreas de Proteção Permanente). Por esse motivo, os limites dessa vegetação precisam ser respeitados, tanto para a conservação dos rios quanto do ambiente natural que os envolve.4 7.1 O Que São Matas Ciliares e Reservas Legais? As matas ciliares são as florestas ou outras espécies nativas de cobertura vegetal, que se localizam nas margens dos rios, lagos, igarapés, represas e olhos de água. A origem da denominação dessas matas é curiosa, “ciliar” vem de “cílios”, pois assim como os cílios são importantes para proteger nossos olhos contra qualquer agente estranho, assim também as matas ciliares têm a função essencial de proteger os rios, lagos, igarapés e fontes de água. As matas ciliares e as reservas legais são duas unidades diferentes, enquanto as matas ciliares são as matas nativas na beira das diversas fontes de água as reservas legais são áreas dentro de propriedades rurais de particulares em que não é permitido o corte raso ou desmatamento, de forma que possam manter as condições de vida das diferentes espécies da fauna e o equilíbrio ecológico da região. Degradação das Matas Ciliares e Reservas Legais O principal motivo da degradação das matas ciliares são a utilização das áreas costeiras aos rios e as diversas fontes de água para plantação de pastagens. A umidade concentrada e a melhor qualidade do solo nas áreas de várzea e na beira de rios e fontes de água fazem com que essas áreas sejam responsáveis pelo melhor desenvolvimento de pastagens, que resistem especialmente nas estações de secas, e assim os fazendeiros e produtores acabam preferindo essas regiões, em detrimento de outras, causando grandes prejuízos ao meio ambiente. Outra causa importante é o desmatamento das florestas e dessas matas, além das queimadas que apesar de todos os protestos ambientalistas ainda são utilizadas como uma pratica agropecuária, e também aparecem como importantes causas do desaparecimento das matas ciliares e a sua degradação. 4 Extraído do link: mundoeducacao.bol.uol.com.br 29 Importância Ambiental das Matas Ciliares e das Reservas Legais As matas ciliares assim como as reservas legais como um importante corredor para a fauna, ou seja, espaços preservados que permitem que os animais se desloquem para outras regiões em busca de alimento e também para se acasalar. Essas áreas são fundamentais na preservação da flora e da fauna, possibilitando o desenvolvimento de inúmeras espécies conhecidas e outras ainda desconhecidas do homem. As matas ciliares também são de fundamental importância na preservação das fontes de água contra o assoreamento, que acaba por reduzir a correnteza dessas fontes de água e por vezes determina até seu desaparecimento, com toda a vida que se alimenta em seu leito. As matas ciliares, as reservas legais e todas as formas encontradas na natureza tem um papel muito importante a cumprir, e sempre que o homem interfere no seu desenvolvimento causa um desequilíbrio que com certeza vai ter consequências futuras.5 As matas ciliares estão sujeitas a frequentes inundações. No cerrado do Brasil, esse tipo de vegetação acaba assumindo a forma de mata de galeria, o que significa dizer que ela acompanha os córregos dos planaltos do país e ainda os rios de porte pequeno, formando então corredores fechados. Durante todo o ano, as florestas também se mantêm verde, ou seja, durante a época de seca, ela não perde as folhas. Essas formações chamadas de arbóreas se divergem de acordo com a região onde ela é encontrada e também de acordo com o tipo de vegetação predominante no local. Em sua maioria, elas são encontradas na região sul brasileira, apresentando grande biodiversidade. Por muitos pesquisadores e estudiosos, as matas ciliares são consideradas verdadeiros mosaicos, já que podem acontecer de uma maneira ou de outra em todas as regiões brasileiras, com as características da bacia hidrográfica, do solo e de outros elementos que se apresentam ao longo da extensão dos cursos de águas. As matas ciliares são encontradas em várias regiões brasileiras, no entanto, são mais comuns em áreas de cerrado e de caatinga, por causa da umidade que o solo perto das margens de rios, lagos e córregos se encontra. 5 Extraído do link: meioambiente.culturamix.com 30 Essas áreas com matas ciliares, são atualmente no Brasil, consideradas áreas de preservação permanente, sendo, portanto, protegidas através do código florestal brasileiro e pelas legislações estaduais. Por isso, quem desmata as matas ciliares está cometendo um crime ambiental. As matas ciliares são de extrema importância para que não haja uma erosão nas margens de córregos, lagos e rios. Sem esse tipo de vegetação, esse tipo de paisagem pode acabar sofrendo com os processos de assoreamento. Além disso, as matas ciliares são importantes para evitar o desmoronamento, já que elas ajudam a não deixar os barrancos e brejos ressecados. Outra importante função das matas ciliares, é que elas fornecem nutrientes e energia para o ecossistema aquático e servem de espaços temporários para a transição de espécies de aves que fazem migração, ou seja, que vão de um bioma para outro. As matas ciliares também desempenham um papel importante na melhoria da qualidade da água, já que elas atuam na proteção de modo físico das margens de córregos, rios e de lagos. Servem também de habitat para muitas espécies de animais, principalmente mamíferos, pássaros e répteis. Além disso,na mata ciliar há uma alta concentração de espécies nativas de vegetais. 8 AMEAÇAS E CONSERVAÇÃO No território brasileiro atual, esse tipo de vegetação está sendo brutalmente ameaçada, em função dos desmatamentos por causa da prática da pecuária e da agricultura. Podemos dizer que é muito importante a preservação das matas ciliares para o meio ambiente. Mas isso só é possível quando há uma fiscalização intensa dos órgãos federais e estaduais que tem como função a proteção desse meio. Muitas vezes, se faz necessário a aplicação de multas. Todas as áreas que já foram desmatadas, só vão se recuperar se houver um processo de reflorestamento e uma consciência da população em relação às nossas ações que podem causar danos ao meio ambiente. O crescimento ilegal, desenfreado e desordenado do meio urbano, também ameaça as matas ciliares do Brasil. Isso porque, diversas construções habitacionais 31 estão localizadas em margens de lagos e de rios, que por consequência provocam a poluição do meio e o desmatamento. Nas regiões que possuem problemas por causa do desequilíbrio ecológico, vale ressaltar que as matas ciliares não conseguem impedir que as margens sofram com o processo de erosão. Os rios, que estão em processos de assoreamento, tendem a sair com maior facilidade de seu leito, durante a época de chuvas, o que acaba provocando solapamento das margens e inundações. A maioria das árvores então presentes, acabam não resistindo as agressões constantes que sofrem e terminam sendo levadas pela força das águas por causa da inexistência de uma superfície que as sustentem. Fonte: cantikaindonesia.blogspot.com Com o objetivo de facilitarem a entrada e chegada de comitivas até as beiras de lagos ou de rios, muitos fazendeiros retiram totalmente a vegetação, que além de deixar o solo de proteção, o pisoteamento do gado acaba facilitando a entrada de sedimentos nas águas e o processo de erosão. Alguns produtores também acabam desmatando essas áreas para que os igarapés aumentem a produção de água no período de seca. Isso acontece porque as árvores deixam de bombear a água que é utilizada na transpiração das plantas.6 6 Extraído do link: www.resumoescolar.com.br 32 9 COMO A VEGETAÇÃO INFLUENCIA O CLIMA REGIONAL O desmatamento ao longo dos últimos séculos nos Estados Unidos e na Europa provavelmente contribuiu para aumentar, entre duas e quatro vezes, a frequência de verões extremamente secos e quentes. Uma cobertura vegetal extensiva pode mitigar regionalmente o impacto de ondas intensas de calor, de secas e de outros eventos climáticos extremos, afirma estudo de cientistas dos Estados Unidos. A relação entre a vegetação, em especial as florestas, e os eventos climáticos é um dos campos de estudo da ciência. Entre as formas de influenciar o clima, a vegetação contribui para reduzir as temperaturas médias em escalas locais e regionais. O estudo buscou quantificar um pouco melhor essas influências, verificando como as alterações no uso e ocupação dos solos registrada na história recente impactou a frequência de extremos de temperatura e seca a nível regional. Os cientistas utilizaram um modelo computacional do clima. Durante o período compreendido entre 1800 e o presente, foram simuladas duas diferentes condições. Na primeira, o desmatamento e a alteração no uso e ocupação dos solos, a emissão de gases de efeito estufa, entre outras variáveis, reproduziram a mesma trajetória observada durante os séculos. A segunda simulação repetiu as mesmas condições da primeira, mas com uma importante exceção. Dessa vez, a cobertura vegetal não foi alterada, preservando a mesma configuração registrada historicamente em 1800. Mesmo avançando a simulação ao longo dos séculos até o presente, os cientistas preservaram artificialmente no modelo a cobertura vegetal original. Nenhuma alteração no uso e ocupação dos solos foi incluída. O experimento com o modelo climático permitiu aos cientistas compararem a situação atual, de grande perda de cobertura vegetal, com uma situação atual hipotética, na qual a vegetação original estivesse preservada. Os resultados sugerem que, em grande parte da Europa, do Canadá e dos Estados Unidos, a perda da vegetação reduziu significativamente o período recorrência de verões extremamente quentes e secos (ver mapa abaixo). Com a vegetação preservada, eles tenderiam a ocorrer uma vez a cada dez anos. Sem a vegetação, ocorrem uma vez a cada 2-3 anos. 33 Ao mesmo tempo, as simulações apontaram que o desmatamento da vegetação trouxe também invernos mais frios nas regiões de alta latitude. Nos trópicos, registrou-se uma diminuição da frequência de verões extremamente quentes e secos, mas os cientistas não puderam atribuir essa tendência ao desmatamento. Além de uma área menor alterada, a região também está mais exposta à variabilidade oceânica em larga escala. Do ponto de vista global, estima-se que o desmatamento tenha contribuído para um pequeno resfriamento na temperatura média da superfície terrestre por causas da fração de radiação solar refletida ou absorvida – o albedo. Uma área coberta por florestas é muito eficiente em absorver radiação, possuindo, consequentemente, baixo albedo. Quando se retira a vegetação para o cultivo agrícola, por exemplo, a quantidade de radiação refletida de volta ao espaço aumenta – maior albedo. O estudo indica, contudo, que os efeitos locais e regionais são bastante diversos. A paisagem, e nela a cobertura vegetal, constitui elemento formador das características do clima local, de sua sazonalidade e seus eventos extremos. A técnica de modelagem adotada pelo estudo pode auxiliar na gestão florestal.7 10 VEGETAÇÃO MANTÉM QUALIDADE DA ÁGUA E PRESERVA O SOLO Todos sabem que a floresta tem relação direta com a produção de água. Mas um estudo desenvolvido pelo Instituto Florestal reforçou as afirmações sobre os benefícios de uma floresta para o meio ambiente. A presença de cobertura vegetal em bacias hidrográficas traz a regularização dos rios e a melhora na qualidade da água. Desta preocupação surgiu o Programa Nascentes, desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo, que tem o objetivo de restaurar 20 mil hectares de matas ciliares. A vegetação se enraíza, retém água na superfície do solo e alimenta gradualmente o lençol freático, assim, possibilita que um rio tenha vazão regular ao longo do ano, inclusive nos períodos de estiagem. Nas microbacias este escoamento é responsável por cerca de 80% de toda a água escoada no rio. 7 Extraído do link: cienciaeclima.com.br 34 O efeito contrário acontece nas bacias sem a proteção florestal. A infiltração da água da chuva no solo é menor para alimentar os lençóis freáticos e o escoamento superficial torna-se intenso fazendo com que a água da chuva atinja rapidamente a calha do rio. O rápido escoamento provoca inundações. E nos períodos de estiagem o corpo de água tende a enfraquecer e pode até secar. A floresta representa muitos outros benefícios para os sistemas hídricos. Contribui, por exemplo, para o equilíbrio térmico da água, reduzindo os extremos de temperatura e mantendo a oxigenação do meio aquático. A vegetação promove a absorção de nutrientes pelas árvores, arbustos e plantas herbáceas evitando a lixiviação excessiva dos sais minerais do solo para o rio.8 10.1 Vegetação brasileira tem diversas aplicações no nosso dia a dia A vegetação faz parte da biodiversidade do nosso planeta. São muitas as aplicações dos vegetais na alimentação, medicina, vestuário, habitação e na atividade industrial. É um hábito antigo do homem fazer uso das plantas. Com o passar do tempo, acabamos descobrindo que muitos vegetais, além de atenderem às nossas necessidades básicas de alimentação e de abrigo,podiam também ser utilizados para curar doenças. Com os avanços tecnológicos, passamos a usar mais e mais substâncias medicinais vindas dos vegetais, trazendo novas oportunidades de cura e melhoria da nossa qualidade de vida. E ainda há muito a ser estudado sobre a nossa flora. Alguns produtos que os vegetais podem nos dar. Veja só: Madeira A madeira é usada nas construções, na fabricação de embarcações, na carpintaria e marcenaria (móveis, embalagens, torneados, cabos de ferramentas), na confecção de materiais esportivos, de instrumentos musicais e para decoração em geral. Hoje em dia sabemos que a derrubada de árvores deve ser fiscalizada, pois por 8 Extraído do link: www.saopaulo.sp.gov.br 35 causa da falta de controle, muitas espécies que forneciam madeiras belas talvez nem existam mais num futuro próximo. As madeiras mais utilizadas são da cumarurana, da Canabrava, do jatobá, da carnaúba e do ipê-amarelo. Fibra A fibra é extraída de diversas plantas e utilizada no artesanato (de cestos, chapéus, peneiras) e na fabricação de tecidos, redes, cordoaria e tapetes. É extraída da carnaúba, do jatobá, do olho-de-boi, do cipó-de-beira-mar, do cipó-de-canoa. Celulose É o principal formador da fibra e sai principalmente da polpa da madeira para a composição do papel. A celulose é extraída da carnaúba, da timbaúba, do ipê- amarelo, do umbu, da fruta-de-cutia. Óleos essenciais Os óleos essenciais são também chamados de óleos voláteis e saem das plantas aromáticas como amburana, capim-limão, canela-silvestre, babaçu, pau rosa e caju. Têm sabor e aroma agradáveis, por isso com essas plantas fabricamos perfumes e produtos de beleza. Na fabricação dos remédios e do fumo os vegetais também dão o sabor. Alimentos Como alimento humano, cada vez mais espécies de vegetais vão sendo introduzidas na nossa agricultura e passam a ser utilizadas na nossa alimentação. A maior parte dos vegetais também serve de alimento para os animais. Comer alimentos de origem vegetal é muito importante para nossa saúde. Milho, caju, mangaba, babaçu, tamarindo, macaxeira e amendoim são alguns exemplos. Vegetais tóxicos É chamado de tóxico o vegetal que tem uma substância que envenena. Ele é útil na fabricação de remédios para matar insetos, ratos e carrapatos. 36 Fármacos Os fármacos são os vegetais utilizados para fabricar remédios e podem ser extraídos de qualquer parte da planta. Alguns vegetais que fornecem substâncias para a produção de fármacos: a cabreúva, o angico-branco, a erva-pombinha, a lágrima- de-jó, o jacarandá.9 Fonte: teambus53rlaliomah810.net 11 A IMPORTÂNCIA DAS FLORESTAS Se soubéssemos a real importância das florestas nos empenharíamos mais na defesa da sua existência! Há uma relação muito íntima entre a floresta e a água. As árvores funcionam como esponjas que abastecem as reservas subterrâneas. A carga de água dos rios está relacionada à existência de florestas e aquela pode ficar comprometida se continuarmos no processo de devastação das áreas verdes do planeta. A importância das florestas é enorme, pois suas raízes ajudam a evitar a erosão do solo. Suas folhas que cobrem o solo também ajudam a evitar a erosão e ainda permitem que a água das chuvas possa lentamente entrar no solo e ali permanecer 9 Extraído do link: www.ebc.com.br 37 por mais tempo, ao passo que a ausência de vegetação favorece o processo chamado de lixiviação. As florestas também têm uma função excelente de regular o clima, pois elas, pelo sistema da fotossíntese, absorvem o gás carbônico, que eliminamos com a respiração e aquele decorrente de inúmeras atividades humanas, que foram intensificadas no período pré-industrial e industrial. Portanto, o processo de eliminação das florestas favorece consideravelmente ao acúmulo de gases de efeito estufa. Primeiro, porque ao eliminá-las retiramos do planeta os seres vivos que têm como função ajudar a reduzir, ao menos temporariamente, o gás carbono usado na fotossíntese. Em segundo lugar, a devastação normalmente é feita em duas modalidades que por si só são causadores do aumento desses gases. Ao derrubar árvores para utilização da madeira, apenas algumas são armazenadas para venda ilegal com a finalidade de atender aos mercados consumidores. Ocorre que no processo de derrubada, inúmeras árvores são atingidas por aquela maior e caem no chão, que entram em processo de decomposição que também gera gases de efeito estufa. Outra modalidade é a queimada aplicada após a derrubada para preparar o solo para agricultura e pecuária. A queimada também gera muitos gases fazendo aumentar o seu nível de concentração na atmosfera, sendo também um fator para o aquecimento global. A prática da monocultura e a pecuária são nocivas por si só, pois eliminam a existência de muitos seres vivos e dentre eles alguns que ao serem extintos também aumentam os gases da atmosfera que em situações normais são imprescindíveis para manter a temperatura da terra em níveis adequados à nossa sobrevivência. Outro grande negócio que favorece o desmatamento é a pecuária, pois, os proprietários, vendo a possibilidade de terem mais lucros, utilizam suas terras para criar o boi que no mercado internacional possui um alto valor econômico. A carne bovina brasileira está muito valorizada no mercado internacional, porque o nosso boi é chamado de “boi verde” pois ele só se alimenta de pasto, ao passo que em boa parte do mundo, o gado se alimenta de ração. Suspeita-se que o mal da vaca louca tenha surgido da utilização da ração como alimento, pois ela é produzida a partir de uma mistura que contém partes do boi, desorganizando o seu metabolismo. 38 Portanto, percebe-se que muitas vezes, uma prática diária tão inocente pode esconder uma verdadeira destruição à biodiversidade. Quando compramos madeira para nossas casas e quando nos alimentamos, desconhecemos o processo que há por trás e desconhecemos também como somos também partícipes de toda uma engrenagem que precisa urgentemente ser modificada. É preciso uma atuação forte do Poder Público, criando práticas que garantam à floresta um poder econômico, tornando-se assim pouco rentável o seu desmatamento. É preciso dar valor econômico à floresta em pé. Todavia, para isso, a exportação da carne precisa não ser rentável. Os outros países precisam saber que a carne que eles consomem do Brasil carrega um custo muito alto à sobrevivência de todos nós. Por isso, apesar de ser uma carne mais saudável, ela esconde uma destruição imensa que trará repercussões muito destrutivas em futuro próximo. Além disso, precisamos de políticas muito fortes de educação ambiental, criando espaços de reflexão, pois um cidadão consciente pode modificar muitas práticas. Um cidadão consciente pode deixar de comprar carne que decorre de um desmatamento, pode também comprar madeira que foi retirada de um manejo sustentável. Todavia, é preciso que em primeiro momento o Poder Público dê incentivos a essas práticas, pois caso contrário, só uma parcela consciente e com poder aquisitivo poderá fazer essas opções. A preocupação com o meio ambiente não é mais uma dentre várias questões, ela envolve tudo em nossa vida, porque a Terra é nosso lar comum e criar uma tarefa sustentável deve ser uma tarefa de todos.10 Vegetação litorânea: principais animais e importância de sua conservação O Brasil possui muitas vegetações incríveis e que devem ser preservadas, sendo que uma delas é a chamada vegetação litorânea — formação presente nas planícies e terras baixas do litoral do País. Ela é constituída por variados tipos de espécies vegetais, formando ecossistemas inteiros e abrigando uma ampla diversidade de espécies.10 Extraído do link: www.cenedcursos.com.br 39 As vegetações litorâneas brasileiras podem ser classificadas entre dois principais subtipos: os mangues e as restingas. Conheça cada um deles a seguir e seus animais típicos: Vegetação litorânea: restinga A restinga é composta por formações vegetais que habitam terrenos arenosos, geralmente localizados nas zonas costeiras, acompanhando as praias. A vegetação da restinga apresenta elevada resistência à salinidade, à escassez de água doce e aos ventos intensos. Em geral, as espécies vegetais são do tipo rasteiro. Animais da restinga A maior parte dos animais que vivem na restinga, ou passam algum período de sua vida neste local, são aves, aves aquáticas e alguns mamíferos. Certas espécies são residentes, enquanto outras são migratórias — como os pássaros que usam essas regiões para pouso, para alimentação e para reprodução. Os principais animais da restinga são: Tucano; Saíras; Bem-te-vi; Quero-quero; Jacu; Papagaio-da-cara-roxa; Saracura; Saracura-três-pontes; Mico-leão-caiçara; Lontra; Perereca. Em algumas áreas mais afastadas, nas quais a restinga quase se delimita com algumas outras vegetações, também é possível encontrar animais de grande porte, tais como: gatos do mato, onças e jaguatiricas. Vegetação litorânea: mangues 40 Também chamados de manguezais, os mangues são ecossistemas costeiros presentes em regiões tropicais e subtropicais em que há o encontro de águas dos rios e dos mares. Trata-se de um ambiente úmido, com solo salgado, lodoso, pobre de oxigênio e rico em nutrientes. Por conta dessas características, a vegetação do mangue é formada principalmente por plantas halófitas — que são tolerantes à salinidade e, muitas vezes, têm raízes aéreas para absorver o oxigênio do ar. Animais do mangue Os manguezais são ambientes perfeitos para o refúgio de organismos jovens em suas primeiras etapas de desenvolvimento. Por isso, muitos animais não passam a vida inteira neste ambiente, embora existam algumas espécies que têm o manguezal como sua principal morada. Os principais animais que vivem nos manguezais são: Caranguejos; Sururus; Taiobas, Mariscos e ostras. Qual a importância de conservar a vegetação litorânea? Tanto mangues como restingas apresentam uma grande importância ambiental, sendo que ambas são consideradas Áreas de Preservação Permanente. Entretanto, esses locais têm sido amplamente explorados desde a colonização do Brasil, quando os litorais foram a porta de entrada dos portugueses. Ao longo dos anos, suas vegetações sofreram muitas alterações e desmatamento. Com o crescimento das cidades e das praias como centros de lazer, a vegetação litorânea foi se rareando cada vez mais. Hoje em dia, com o mercado imobiliário dominando os litorais, e com problemas crescentes de depósito de resíduos nas praias, é difícil encontrar restingas que ainda possuem suas vegetações típicas em bom estado. Há apenas alguns locais que mantém focos de preservação.11 11 Extraído do link: www.pensamentoverde.com.br 41 12 A IMPORTÂNCIA DAS ÁRVORES PARA TER ÁGUA DE QUALIDADE Trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Florestal (IF) comprovam que a presença de cobertura florestal em bacias hidrográficas promove a regularização do regime de rios e a melhora na qualidade da água. Os pesquisadores científicos da Seção de Engenharia Florestal, do IF, Valdir de Cicco, Francisco Arcova e Maurício Ranzini, embasaram suas teses de doutorado em pesquisas sobre a relação entre a floresta e a água, elucidando dúvidas e provando com números as suas proposições. “As bacias hidrográficas recobertas por vegetação florestal são as que oferecem água com boa distribuição ao longo do ano, e de melhor qualidade”, enfatiza Arcova, engenheiro florestal, doutor em Geografia Física, pela Universidade de São Paulo, no IF desde 1985. Segundo ele, parte da água da chuva é retida pelas copas das árvores, evaporando em seguida em um processo denominado interceptação. A taxa de evaporação varia com a espécie, idade, densidade e estrutura da floresta, além das condições climáticas de cada região. Fonte: epoca.globo.com “Em florestas tropicais, a interceptação varia de 4,5% a 24% da precipitação, embora tenham sido registrados valores superiores a 30%”, explica. Os pesquisadores ainda dizem que as pesquisas realizadas nos laboratórios em Cunha, 42 no parque Estadual da Serra do Mar, estimam o valor de 18% de interceptação. O restante da água alcança o solo florestal por meio de gotejamento de folhas e ramos ou escoando pelo tronco de árvores. No solo, a água infiltra-se ou é armazenada em depressões, não ocorrendo o escoamento superficial para as partes mais baixas do terreno, como aconteceria em uma área desprovida de floresta. “O piso florestal é formado por uma camada de folhas, galhos e outros restos vegetais, que lhe proporciona grande rugosidade, impedindo o escorrimento superficial da água para as partes mais baixas do terreno, favorecendo a infiltração. Também a matéria orgânica decomposta é incorporada ao solo, proporcionando a ele excelente porosidade e, consequentemente, elevada capacidade de infiltração. ” Uma parcela da água infiltrada contribui para a formação de um rio por meio do escoamento subsuperficial, e outra, é absorvida pelas raízes e volta para a atmosfera pela transpiração das plantas. “A interceptação e a transpiração, ou a evapotranspiração, fazem a água da chuva voltar para a atmosfera não contribuindo para aumentar a vazão de um rio. ” Em florestas tropicais, a evapotranspiração varia de 50% a 78% da precipitação anual. Na pesquisa realizada em Cunha, esse número é de aproximadamente 30%. Os pesquisadores explicam que o remanescente da água infiltrada se movimenta em profundidade e é armazenado nas camadas internas do solo e na região das rochas, alimentando os cursos de água pelo escoamento de base, isto é, do subsolo onde se localizam os lençóis freáticos. 12.1 A relação entre árvores e água varia de acordo com o tipo de floresta Embora os processos que determinam os fluxos de água sejam semelhantes para as diferentes formações florestais, a magnitude desses processos, que depende das características da floresta, da bacia hidrográfica e do clima, influencia a relação floresta-produção de água (escoamento total do rio). Em florestas tropicais, a produção hídrica nas micro bacias varia de 22% a 50% da precipitação. “Em Cunha, onde a evapotranspiração anual da Mata Atlântica é da ordem de apenas 30%, a produção de água pela micro bacia é de notáveis 70% da precipitação”, afirma Francisco. 43 Esse mecanismo, em que a água percola o solo e alimenta gradualmente o lençol freático, possibilita que um rio tenha vazão regular ao longo do ano, inclusive nos períodos de estiagem. Nas micro bacias recobertas com mata atlântica em Cunha, o escoamento de base é responsável por cerca de 80% de toda a água escoada pelo rio, fato que proporciona a elas um regime sustentável de produção hídrica ao longo de todo o ano. 13 CONSEQUÊNCIAS DA FALTA DE VEGETAÇÃO Ao contrário, em uma bacia sem a proteção florestal, a infiltração da água da chuva no solo é menor para alimentar os lençóis freáticos. O escoamento superficial torna-se intenso fazendo com que a água da chuva atinja rapidamente a calha do rio, provocando inundações. E, nos períodos de estiagem, o corpo-d ’água vai minguando, podendo até secar. Um outro fator drástico é que, enquanto nas bacias florestadas, a erosão do solo ocorre a taxas naturais, pois o material orgânico depositado no piso impede o impacto direto das gotas de chuva na superfície do solo, nas áreas desprovidas de vegetação há um intenso processo de carreamento de material para a calha dorio aumentando a turbidez e o assoreamento dos rios. Segundo Maurício, na micro bacia recoberta com Mata Atlântica em Cunha, a perda de solo no rio é da ordem de 162 kg/hectare/ano. “Esse valor é muito inferior à perda de solo registrada para o estado de São Paulo, que varia de 6,6 a 41,5 t/hectare/ano, dependendo da cultura agrícola, algo como 12 toneladas num campo de milho, 12,4 toneladas numa área de cana-de-açúcar, chegando a até 38,1 toneladas numa plantação de feijão”, informa em tom de alerta. A floresta representa muitos outros benefícios para os sistemas hídricos. Contribui, por exemplo, para o equilíbrio térmico da água, reduzindo os extremos de temperatura e mantendo a oxigenação do meio aquático. Promove, ainda, a absorção de nutrientes pelas árvores, arbustos e plantas herbáceas evitando a lixiviação excessiva dos sais minerais do solo para o rio.12 12 Extraído do link: ciclovivo.com.br 44 14 VEGETAÇÃO NO AMBIENTE CONSTRUÍDO: UMA CONVIVÊNCIA NECESSÁRIA Vegetação e arquitetura é uma relação a cada dia mais importante. É notória a importância de edificações responsáveis ecologicamente e maior preocupação com o meio ambiente. Com isto, nas últimas décadas surgiram em arquitetura os conceitos de bioarquitetura e técnicas como telhado verde ou o uso intensivo de vegetação em edificações. Entretanto, por muito tempo, a vegetação nas construções era tida como um trabalho de paisagismo, meramente decorativo ou com pouca significação maior. Vegetação não é apenas uma decoração! É um componente arquitetônico, vivo e, portanto, mutante. O uso da vegetação é capaz de melhorar a temperatura, a acústica e a qualidade do ar de um edifício. Sendo assim, é preciso que um bom projeto paisagístico, ou além, de arquitetura verde seja bonito, adequado ao uso e colabore à constituição de um edifício mais sustentável. Porém, como todo elemento que se vincula à arquitetura, até mesmo a vegetação precisa ser utilizada de forma consciente e responsável de modo a evitar conflito com outros elementos construtivos. Ou seja, é preciso que seja benéfico e que se possa extrair o máximo de vantagens possível. Além dos ganhos materiais na qualidade do uso do espaço, como salubridade e conforto físico, deve-se levar em conta o fator psicológico que as possibilidades do uso da vegetação em edificações oferecem. Uma obra arquitetônica que permite diálogo com a natureza maximiza a sensação de liberdade e de bem-estar. Em outras palavras, inserir vegetação no projeto significa com que os usuários convivam em cumplicidade direta com seres vivos que crescem e se desenvolvem com o correr do tempo, criando a recriando o espaço em cada estação. 15 A VEGETAÇÃO E O CONFORTO AMBIENTAL Nas edificações, o plantio de árvores colabora na qualidade térmica interna, uma vez que a massa verde se encarrega de filtrar o excesso de luz e de calor gerados pela insolação, além de potencializar brisas de verão. Se as árvores forem 45 caducifólias, tem-se, ainda, a vantagem de no inverno ter a permeabilidade desejada para os raios solares. As folhas absorvem, refletem e transmitem energia incidente em forma seletiva; isto é, em quantidades diferentes segundo os comprimentos de onda da radiação. A absorção é alta: por volta de 90% da lumínicas e 60% das infravermelhas. A ausência de vegetação aliada a materiais que são utilizados sem planejamento prévio, tem alterado significativamente o clima urbano, devido à incidência direta da radiação solar nas construções. Outro problema que a falta de vegetação tem causado é a diminuição da temperatura no inverno, devido à facilidade com que os materiais de construção perdem calor para o meio, onde não existem barreiras naturais para detê-lo.13 16 PORQUE A AMAZÔNIA É VITAL PARA O MUNDO? Floresta leva umidade para toda a América do Sul, influencia regime de chuvas na região, contribui para estabilizar o clima global e ainda tem a maior biodiversidade do planeta. O fato é que a Amazônia influencia o equilíbrio ambiental de todo o planeta e tem papel fundamental na economia do Brasil. Regime de chuvas A área da Floresta Amazônica, ao contrário de ser improdutiva, produz imensas quantidades de água para o restante do país. Os chamados "rios voadores", formados por massas de ar carregadas de vapor de água gerados pela evapotranspiração na Amazônia, levam umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Esses rios voadores também influenciam chuvas na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile. A umidade vinda da Amazônia e os rios da região alimentam regiões que geram 70% do PIB da América do Sul. 13 Extraído do link: 44arquitetura.com.br 46 Segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro pode bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água em forma de vapor por dia – mais que o dobro da água usada diariamente por um brasileiro. Uma árvore maior, com copa de 20 metros de diâmetro, pode evapotranspirar mais de 1.000 litros por dia, bombeando água e levando chuva para irrigar lavouras, encher rios e as represas que alimentam hidrelétricas no resto do país. Assim, preservar a Amazônia é essencial para o agronegócio – o mesmo que devasta a floresta –, para a produção de alimentos e para gerar energia no Brasil. O desmatamento prejudica a evapotranspiração e, por consequência, a rota desses rios, podendo afetar assim o regime de chuvas no restante do país e diversas atividades econômicas. Como resultado do desmatamento, até 65% da Amazônia corre o risco de se transformar em savana ao longo dos próximos 50 anos. Além disso, o rio Amazonas é responsável por quase um quinto das águas doces levadas aos oceanos no mundo. Mudanças climáticas A Amazônia e as florestas tropicais, que armazenam de 90 bilhões a 140 bilhões de toneladas de carbono, ajudam a estabilizar o clima em todo o mundo. Só a Floresta Amazônica representa 10% de toda a biomassa do planeta. Já as florestas que foram degradadas ou desmatadas são as maiores fontes de emissões de gases do efeito estufa depois da queima de combustíveis fósseis. Isso porque as florestas saudáveis têm uma imensa capacidade de reter e armazenar carbono, mas o desmatamento para o uso agrícola ou extração de madeira libera gases do efeito estufa para a atmosfera e desestabiliza o clima. Vale lembrar que 2016 foi o terceiro ano consecutivo a ser considerado o mais quente da história. O Acordo de Paris, cujo objetivo é manter o aquecimento da temperatura média do planeta abaixo de 2°C, passa necessariamente pela preservação de florestas. Dados da ONU de 2015 mostram o Brasil como um dos dez países que mais emitem gases do efeito estufa no mundo, com 2,48% das emissões. Para cumprir suas metas de redução de emissões dentro do acordo internacional, o Brasil se 47 comprometeu a alcançar, na Amazônia brasileira, o desmatamento ilegal zero até 2030 e a compensação das emissões de gases de efeito de estufa provenientes da supressão legal da vegetação até 2030. Equilíbrio ambiental Como a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia possui a maior biodiversidade, com uma em cada dez espécies conhecidas. Também há uma grande quantidade de espécies desconhecidas por cientistas, principalmente nas áreas mais remotas. Assegurar a biodiversidade é importante porque ela garante maior sustentabilidade natural para todas as formas de vida, e ecossistemas saudáveis e diversos podem se recuperar melhor de desastres, como queimadas. Preservar a biodiversidade amazônica, portanto, quer dizer contribuir para estabilizar outros ecossistemas na região. O recife dos corais da Amazônia, por exemplo, um corredor de biodiversidadeentre a foz do Amazonas e o Caribe, é um refúgio para corais ameaçados pelo aquecimento global por estar em uma região mais profunda. Segundo o biólogo Carlos Eduardo Leite Ferreira, da Universidade Federal Fluminense, esse recife poderá ajudar a repovoar áreas degradadas dos oceanos no futuro, mas petroleiras Total e BP têm planos de explorar petróleo perto da região dos corais da Amazônia, ameaçando assim esse ecossistema. A biodiversidade também tem sua função na agricultura: áreas agrícolas com florestas preservadas em seu entorno têm maior riqueza de polinizadores, dos quais depende a produção de alimentos, como café, milho e soja. Produtos da floresta As espécies da Amazônia também são importantes pelo seu uso para produzir medicamentos, alimentos e outros produtos. Mais de 10 mil espécies de plantas da área possuem princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas. Neste ano, uma pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, mostrou que a planta unha-de-gato, da região Amazônica, além de ser utilizada para 48 tratar artrite e osteoartrose, reduz a fadiga e melhora a qualidade de vida de pacientes em estágio avançado de câncer. Produtos da floresta são comercializados em todo o Brasil, como açaí, guaraná, frutas tropicais, palmito, fitoterápicos, fito cosméticos, couro vegetal, artesanato de capim dourado e artesanato indígena. Produtos não-madeireiros também têm grande valor de exportação: castanha do Brasil, jarina (o marfim vegetal), rutila e jaborandi (princípios ativos), pau rosa (essência de perfume), resinas e óleos.14 17 A ARBORIZAÇÃO URBANA A arborização urbana, definida como toda vegetação que compõe o cenário ou a paisagem urbana, é um dos componentes bióticos mais importantes das cidades. Tecnicamente, a arborização urbana é dividida em áreas verdes (parques, bosques, praças e jardinetes) e arborização de ruas (vias públicas). Muitos pesquisadores chamam-na de florestas urbanas, conceito mais amplo que engloba os diversos espaços no tecido urbano passíveis de serem trabalhados com o elemento árvore, tais como arborização de rua, praça, parque, jardim, lote, terreno baldio, quintal, talude de corte e aterro, estacionamento, canteiro central de ruas e avenidas e margens de corpos d'água. A arborização de vias públicas, objeto deste Guia, refere-se às árvores plantadas linearmente nas calçadas ao longo de ruas e avenidas. Trata-se da vegetação mais próxima da população urbana, e, também, da que mais sofre com a falta de planejamento dos órgãos públicos e com a falta de conscientização ambiental. 14 Extraído do link: notícias.uol.com.br 49 Fonte: www.bonde.com.br No meio urbano, as árvores desempenham importante papel na melhoria da qualidade de vida da população, principalmente, no que se refere ao conforto ambiental proporcionado pelas mesmas. Os benefícios proporcionados pelas árvores são geralmente classificados como benefícios ecológicos, estéticos, econômicos e sociais. Os benefícios ecológicos referem-se à melhoria microclimática. Ou seja, as árvores, por intermédio de suas folhas, absorvem radiação solar que diminui a reflexão e proporciona sombra; reduzem ou aumentam a velocidade dos ventos e aumentam a umidade atmosférica que refresca o ar das cidades. Também amenizam a poluição atmosférica e acústica e protegem o solo e a fauna. Os benefícios estéticos referem-se à adição de cores ao cenário urbano com as flores, as folhas e os troncos; à promoção de modelos de paisagens e identidade local, através das espécies; à anulação da monotonia de pavimentos e alvenaria; à introdução de elementos naturais e linhas suaves e orgânicas no meio urbano composto de materiais artificiais e de linhas geométricas; à adição de dinamismo à paisagem urbana através dos aspectos de mudança de cor, queda e brotação das folhas, floração e frutificação. Os benefícios econômicos e sociais referem-se à promoção das cidades. Sendo atração turística quando algumas ruas, bairros ou municípios podem ser 50 conhecidos pelas árvores que têm plantadas. Há, também, valorização de imóveis próximos a áreas arborizadas e redução do consumo de energia em condicionadores de ar, tanto no verão, pela sombra de árvores, quanto no inverno, pela ausência de sombra, no caso de espécies decíduas. Outro importante benefício se dá pela oportunidade de educação ambiental à população: as pessoas aprendem sobre o meio ambiente ao notar a clara diferença entre as áreas arborizadas e as áreas construídas. É preciso lembrar que para a arborização cumprir com os seus benefícios é necessário investimento, assim como em qualquer outro serviço de utilidade pública, principalmente, no plantio, sempre com mudas de alta qualidade, e nas operações de poda. Pelo alto investimento destinado à arborização de ruas, as árvores são consideradas um patrimônio público. Enquanto a maioria dos bens públicos deprecia com o tempo, o valor das árvores aumenta desde seu plantio até a sua maturidade.15 15 Extraído do link: www.copel.com 51 18 REFERÊNCAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIRRE, G.H. Caracterização da vegetação arbustivo-arbórea de fragmentos de Floresta Ombrófila Densa Montana. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas, 2008. ELLEN, G. Classificação da vegetação do Brasil. Conselho nacional de desenvolvimento científico tecnológico. Rio de Janeiro: CT. 1983. FAGRO. Relatório Final: Mapeamento de Cobertura Vegetal do Bioma Cerrado - Edital Probio 02/2004. Brasília: FAGRO, 2007. <Http://mapas.mma.gov.br/geodados/brasil/vegetacao/vegetacao2002/cerrado/docu ment os/relatorio_final.pdf>. FUNCATE. Uso e Cobertura da Terra na Floresta Amazônica: Subprojeto 106/2004 do PROBIO. São José dos Campos: FUNCATE, 2007. <Http://mapas.mma.gov.br/geodados/brasil/vegetacao/vegetacao2002/amazonia/doc umentos/relatorio_final.pdf>. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Manual técnico da vegetação brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 1992. 92 p. (manuais técnicos de Geociências, 1). IESB. Relatório Final: Levantamento da Cobertura Vegetal Nativa do Bioma Mata Atlântica. Rio de Janeiro: IESB, 2007. <Http://mapas.mma.gov.br/geodados/brasil/vegetacao/vegetacao2002/mata_atlantic a/documentos/relatorio_final.pdf>. ______. Manual Técnico de vegetação brasileira. Manuais técnicos em Geociências. 1992. MMA. Ministério do Meio Ambiente. Florestas: Controle e Prevenção do Desmatamento, 2014a. <Http://www.mma.gov.br/biomas/item/7626- mapas-de- cobertura-vegetal>. MASCARÓ, L. Vegetação Urbana. 2 ª ed. Porto Alegre: L e J Mascaro. 2015. ROMANIZ, Dora de Amarante. Aspectos da vegetação do Brasil. 2. ed. São Paulo: Edição da autora, 2016.