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VESTIBULAR+ENEM 2017 W W W . G U I A D O E S T U D A N T E . C O M . B R � AULAS SOBRE OS TEMAS QUE MAIS CAEM NAS PROVAS Geografia Fundada em 1950 VICTOR CIVITA ROBERTO CIVITA (1907-1990) (1936-2013) Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), Thomaz Souto Côrrea (Vice-Presidente), Alecsandra Zapparoli, Eurípedes Alcântara, Giancarlo Civita e José Roberto Guzzo Presidente Abril Mídia: Walter Longo Presidente Editora Abril: Alexandre Caldini Diretor Comercial: Rogério Gabriel Comprido Diretor de Vendas para Audiência: Dimas Mietto Diretor de Marketing: Tiago Afonso Diretora Digital e Mobile: Sandra Carvalho Diretor de Apoio Editorial: Edward Pimenta Diretora Editorial Abril: Alecsandra Zapparolli Diretor Editorial - Estilo de Vida: Sérgio Gwercman Diretor de Redação: Fabio Volpe Diretor de Arte: Fábio Bosquê Editores: Ana Prado, Fábio Akio Sasaki, Lisandra Matias, Paulo Montoia Repórter: Ana Lourenço Analista de Informações Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de Informações Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian Designers: Dânue Falcão, Vitor Inoue Atendimento ao Leitor: Carolina Garofalo, Sandra Hadich, Sonia Santos, Walkiria Giorgino CTI Eduardo Blanco (Supervisor) PRODUTO DIGITAL Gerente de Negócios Digitais: Marianne Nishihata Gerentes de Produto: Pedro Moreno e Renata Gomes de Aguiar Analistas de Produto: Elaine Cristina dos Santos e Leonam Bernardo Designers: Danilo Braga, Juliana Moreira, Simone Yamamoto Animação: Felipe Thiroux Estagiário: Daniel Ito Desenvolvimento: Anderson Renato Poli, Cah Felix, Denis V Russo, Eduardo Borges Ferreira, Elton Prado. Estagiário: Vinicius Arruda COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Consultoria: Arno Aloisio Goettems Texto: Arno Aloisio Goettems e Yuri Vasconcelos Infografia e ilustração: 45 Jujubas (capa), Alex Argozino e Multi-SP Revisão: José Vicente Bernardo www.guiadoestudante.com.br GE GEOGRAFIA 2017 ed.9 (ISBN 978-85-5579-037-9) é uma publicação da Editora Abril. Distribuída em todo o país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP 02909-900 – Freguesia do Ó - São Paulo - SP 5GE GEOGRAFIA 2017 O passo final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as pro- vas exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem diferente dos demais vestibulares. � COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE Enem e o GE Fuvest são verda- deiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que podem cair nas próximas provas – e com explicações claras, para quem não tem o costume de ler jornais nem revistas. Um plano para os seus estudos Este GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA oferece uma ajuda e tanto para as provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação necessária para o Enem e os demais vestibulares. É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos. O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas. O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo o grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que têm peso maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar os seus estudos para obter bons resultados. � COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE PROFISSÕES traz todos os cursos superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as carac- terísticas de mais de 260 carreiras e ainda indica as instituições que oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC. Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas delas. Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito exercício para praticar. � COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ Além do GE GEOGRAFIA, que você já tem em mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino Médio: GE HISTÓRIA, Português, Redação, Matemática, Biologia, Química e Física. Todos reúnem os temas que mais caem nas pro- vas, trazem muitas questões de vestibulares para fazer e têm uma linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho. CAPA: 45 JUJUBAS 1 Decida o que vai prestar 2 Revise as matérias-chave 3 Mantenha-se atualizado APRESENTAÇÃO Os guias ficam um ano nas bancas – com exceção do ATUALIDADES, que é semestral. Você pode comprá-los também nas lojas on-line das livrarias Saraiva e Cultura. FALE COM A GENTE: Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar, CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para: guiadoestudante.abril@atleitor.com.br CALENDÁRIO GE 2016 Veja quando são lançadas as nossas publicações MÊS PUBLICAÇÃO Janeiro Fevereiro GE HISTÓRIA Março GE ATUALIDADES 1 Abril GE GEOGRAFIA GE QUÍMICA Maio GE PORTUGUÊS GE BIOLOGIA Junho GE ENEM GE FUVEST Julho GE REDAÇÃO Agosto GE ATUALIDADES 2 Setembro GE MATEMÁTICA GE FÍSICA Outubro GE PROFISSÕES Novembro Dezembro CARTA AO LEITOR 6 GE GEOGRAFIA 2017 Do Big Bang aos dias de hoje, o planeta Terra já passou por intensas transformações nesses quase 5 bilhões de anos. As prin-cipais mudanças podem ser observadas através de uma linha do tempo conhecida como Escala de Tempo Geológica. Ela estabelece os grandes eventos pelo qual o planeta passou a partir de uma classificação em eras, períodos e épocas. A marca humana Faz 11.700 anos que estamos na época do Holoceno. Ou estávamos. Segundo os cientistas do Anthropocene Working Group, a influência da ação humana no meio ambiente já justificaria o início de um novo tempo geológico. O Holoceno já era: bem-vindo à época do Antropoceno. O nome vem do grego anthropos, que significa homem. Ou seja, vivemos na época dos humanos. De acordo com o estudo, as marcas que o homem vem deixando no planeta são tão intensas que já teriam provocado mudanças geológicas. Resíduos de plástico, concreto e alumínio, fuligem decor- rente da queima de combustíveis fósseis e radiação expelida por inúmeros testes nucleares, tudo isso já é facilmente encontrado em sedimentos na crosta terrestre e no oceano. A assinatura do homem no planeta é inequívoca. A questão é estabelecer quando teria começado a época do Antro- poceno. Segundo os cientistas, este novo tempo geológico começaria na década de 1950, quando houve uma expansão sem precedentes da população planetária e do consumo. 7GE GEOGRAFIA 2017 FERRO VELHO Veículos empilhados em um depósito na China: após poluir o ar com dióxido de carbono, os carros descartados agravam o problema do lixo 8 EM CADA 10 APROVADOS NA USP USARAM SEL O D E Q UA L ID A D E G U I A D O E S T U D A N T E O selo de qualidade acima é resultado de uma pes- quisa realizada com 351 estudantes aprovados em três dos principais cursos da Universidade de São Paulo no vestibular 2015. São eles: � DIREITO, DA FACULDADE DO LARGO SÃO FRANCISCO; � ENGENHARIA, DA ESCOLA POLITÉCNICA; e � MEDICINA, DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP � 8 em cada 10 entrevistados na pesquisa usaram algum conteúdo do GUIA DO ESTUDANTE durante sua preparação para o vestibular. � Entre os que utilizaram versões impressas do GUIA DO ESTUDANTE: 88% disseram que os guias ajudaram na preparação. 97% recomendaram os guias para outros estudantes. TESTADO E APROVADO! A pesquisa quantitativa por meio de entrevista pessoal foi realizada nosdias 11 e 12 de Fevereiro de 2015, nos campi de matrícula dos cursos de Direito, Medicina e Engenharia da Universidade de São Paulo (USP). � Universo total de estudantes aprovados nesses cursos: 1.725 alunos. � Amostra utilizada na pesquisa: 351 entrevistados. � Margem de erro amostral: 4,7 pontos percentuais. CHINA DAILY/REUTERS Nesta época do Antropoceno, portanto, o estudo da Geografia física é indissociável da ação do homem. Como você verá neste GUIA, sob qualquer aspecto que você analisar a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, a marca humana é im- placável. Por isso, é fundamental estudar a disciplina com um olhar atento aos principais fatos da atualidade e compreender como a ação antrópica está alterando o planeta – tal como o Enem e os principais vestibulares exigem. Para ajudar você nessa tarefa, oferecemos um amplo conjunto de informações na forma de textos, resumos, simulados, mapas e infográficos. Para complementar o seu aprendizado de Geografia, também recomendamos o GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES, que é lançado duas vezes por ano e aborda os aspectos mais relacionados aos temas contemporâneos da Geografia humana. Um abraço, � Fábio Sasaki, editor – fabio.sasaki@abril.com.br SUMÁRIO 8 GE GEOGRAFIA 2017 � Geografia VESTIBULAR + ENEM 2017 CARTOGRAFIA 10 Mapas em mutação As frágeis fronteiras do Oriente Médio 12 Elementos do mapa Dicas para entender os elementos cartográficos 14 Coordenadas geográficas Aprenda a identificar pontos no mapa 16 Fusos horários Como os países acertam os seus relógios 18 Tipos de mapa Os diferentes aspectos retratados pela cartografia 20 Projeções As formas de representar o espaço geográfico 22 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção LITOSFERA 24 A tragédia de Mariana Os danos ambientais provocados pela lama 26 Composição e estrutura geológica As camadas internas do planeta 28 Tipos de relevo Depressões, planaltos, planícies e montanhas 30 Placas tectônicas Os grandes blocos que modelam o relevo 32 Relevo em movimento A ação de forças internas e externas na Terra 36 Relevo do Brasil O processo de formação do terreno nacional 38 Recursos minerais Conheça suas características geológicas 40 Características dos solos Processo de formação e fertilidade 42 Deslizamentos e inundações Os efeitos da ocupação desordenada 44 Contaminação dos solos Um dos principais problemas ambientais 46 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção HIDROSFERA 48 Um problema global A crise hídrica afeta 70% da população mundial 50 A distribuição de água no planeta Onde está a água no globo 52 Água salgada Oceanos e mares ajudam a equilibrar a vida na Terra 56 Água doce As reservas que guardam o líquido que consumimos 58 Tsunami Tremores no fundo do mar provocam ondas de destruição 60 Bacias hidrográficas do Brasil As fontes de água de nosso território 62 Escassez hídrica no mundo Onde a falta de água já provoca crise 64 Escassez hídrica no Brasil Torneiras secas no Nordeste e no Sudeste 66 Poluição hídrica Os efeitos perversos da contaminação das águas 68 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção ATMOSFERA 70 Clima de mudança Os compromissos definidos pelo Acordo de Paris 72 Camadas da atmosfera A estrutura de gás que envolve o planeta 73 Meteorologia Os principais fenômenos que influenciam o clima 76 El Niño e La Niña Entenda esses fenômenos meteorológicos 77 Ciclone Os efeitos devastadores da perturbação atmosférica 78 Climas do mundo As características das dez classificações climáticas 80 Climas do Brasil Os seis principais grupos climáticos do país 82 Poluição do ar Os efeitos da emissão de gases nocivos à atmosfera 84 Aquecimento global As alterações climáticas causadas pelo homem 86 Os efeitos das mudanças climáticas Os riscos que podemos enfrentar 88 Energias renováveis As alternativas para evitar a poluição do ar 90 Acordo de Paris e Protocolo de Kyoto Redução das emissões em pauta 92 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção BIOSFERA 94 Em defesa da floresta Desmatamento volta a aumentar na Amazônia 96 Ecologia O ciclo natural que sustenta a vida no planeta 98 A evolução do planeta Infográfico mostra a origem da vida na Terra 100 Vegetação no mundo As características das formações vegetais 106 Biomas brasileiros A rica biodiversidade do país sob ameaça 110 Preservação e conservação Os mecanismos de proteção ambiental 111 Código Florestal Nova lei regulamenta o uso da terra no Brasil 112 Conferências ambientais Os eventos em que o ambientalismo é pauta 114 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção ATLAS 116 O mundo em resumo Um perfil socioeconômico e físico dos continentes 126 O Brasil em resumo As cinco regiões brasileiras em fatos e números RAIO X 132 As preciosas informações contidas nos enunciados das questões SIMULADO 134 32 questões para você aplicar os seus conhecimentos GLOSSÁRIO 146 Os principais conceitos básicos que você encontrará na publicação RAKESH BAKSHI/AFP ALTA VOLTAGEM Tempestade de relâmpagos em Jammu, na Índia: fenômeno elétrico é frequente durante o período das monções, entre abril e maio 9GE GEOGRAFIA 2017 10 GE GEOGRAFIA 2017 CARTOGRAFIA 1 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Os elementos cartográficos ..........................................................................12� Coordenadas geográficas ..............................................................................14 � Fusos horários ..................................................................................................16 � Tipos de mapas .................................................................................................18 � Projeções cartográficas ..................................................................................20 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................22 O avanço implacável do grupo extremista Estado Islâmico (EI) intensificou os con-flitos na já turbulenta região do Oriente Médio. Dotada de uma forte capacidade militar e operacional, a organização aproveitou-se dos conflitos sectários no Iraque e da guerra civil na Síria para conquistar vastos territórios nesses dois países. Em 2014, o EI desafiou a ordem mundial e anunciou a criação de um califado nas áreas ocupadas, ainda que esse suposto império islâmico não tenha legitimidade nem mesmo dentro do mundo árabe-muçulmano. A tentativa de reconfigurar as frágeis fronteiras do Oriente Médio não é inédita na região. Com o desmembramento do Império Otomano, em 1920, o mapa do Oriente Médio foi redesenhado pelas mãos do Reino Unido e da França, por meio do Acordo Sykes-Picot. Para manter seus interesses estratégicos na região, as duas potências imperia- listas vencedoras da I Guerra Mundial (1914-1918) estabeleceram suas áreas de dominação direta. Essas novas fronteiras artificiais redefiniram a ordem política do Oriente Médio. Civilizações milenares, que tinham fortes laços culturais em comum, foram separadas. Da mesma forma, popu- lações com profundas divisões étnicas e religiosas foram agrupadas. Tudo para atender aos interesses econômicos das grandes potências ocidentais. A atual instabilidade no Oriente Médio re- presenta a mais intensa ameaça a suas frágeis fronteiras dos últimos anos. Além da ocupação de grande parte de seu território pelo EI, a Síria cor- re o risco de se desmembrar em virtude da brutal guerra civil, na qual diversas forças controlam uma determinada parte do país. Os curdos, por exemplo, são uma etnia que reivindica um Estado próprio e conquistaram autonomia em grandes áreas no norte do Iraque e da Síria. Somada a esse cenário caótico, ainda há a histórica reivindicação da Palestina pela criação de um Estado próprio nos territórios ocupados por Israel. Essa situação evidencia a instabilidade das fron- teiras políticas mundiaise como os mapas estão sempre sujeitos a mutações que refletem a criação de novos países. A última vez que o mapa-múndi sofreu uma alteração foi em 2011, com a cria- ção do Sudão do Sul. Neste capítulo, você fica sabendo mais sobre as diferentes formas de apresentar os mapas, sua utilidade e como fazer a leitura adequa- da das representações cartográficas. O avanço do grupo extremista Estado Islâmico, a guerra na Síria e o fortalecimento da população curda podem reconfigurar as fronteiras do Oriente Médio Mapas em mutação CONFLITO MAPEADO O general William Myville Jr., diretor de operações do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, mostra mapa com os bombardeios norte-americanos às bases do grupo Estado Islâmico, em setembro de 2014 11GE GEOGRAFIA 2017 BRENDAN SMIALOWSKI/AFP 12 GE GEOGRAFIA 2017 CARTOGRAFIA OS ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS A cartografia é dotada de uma linguagem própria, com símbolos, indicadores e representações. Veja a seguir algumas dicas para interpretar corretamente os mapas Tudo começou quando o homem pré-histórico passou a desenhar no interior das cavernas a loca- lização de seu entorno. Foi assim que surgiram os primeiros mapas. À medida que o homem foi conquistando novos espaços, cruzando mares e aprimorando as técnicas cartográficas, os mapas se tornaram mais sofisticados. Hoje, com a ajuda de poderosos satélites, até mesmo as mais inóspitas regiões do planeta são reproduzidas com alta precisão. Com o passar dos séculos, os mapas tiveram importantes funções estratégi- cas: ajudaram a impulsionar a expansão marítimo-comercial europeia no século XV e atualmente são fundamentais para que as administrações públicas desen- volvam projetos de organização territo- rial. Com os mapas, é possível realizar variados tipos de levantamento, seja ele político, socioeconômico ou ambiental. Por isso, eles são imprescindíveis ao estudo da geografia física e humana e à compreensão dos principais temas que movem o mundo. Qualquer representação geométri- ca da superfície terrestre, ou mesmo de parte dela, pode ser considerada um mapa – desde o desenho pouco apurado do homem pré-histórico até o mais completo planisfério produzido pela Nasa recentemente. Sejam eles rudimentares, sejam eles complexos, é importante ressaltar que os mapas possuem uma linguagem própria, com símbolos, indicadores e representações que facilitam sua interpretação. Conhe- ça mais os recursos utilizados pelos cartógrafos para reproduzir diferentes informações gráficas. TÍTULO O título é a nossa primeira aproximação com o mapa. Observá-lo com atenção pode “encurtar” o caminho da sua leitura e compreensão, pois nos permite conhecer, de imediato, qual é o conteúdo representado. Em geral, vem acompanhado do ano em que os dados foram coletados. LEGENDA A legenda é um dos elementos mais importantes do mapa, pois dá significado aos indicadores nele representados. Ela informa se os dados são percentuais ou absolutos, além do significado de cores, símbolos, linhas e demais recursos utilizados. A leitura da legenda deve ser feita em conjunto com a visualização da distribuição dos dados no mapa. Neste exemplo, as manchas mais escuras mostram os locais onde há maior concentração de pessoas por quilômetro quadrado. Note que o mapa não fornece os nomes dos países. Essas informações você pode aprender por meio da leitura atenta dos mapas políticos. Trata-se, aliás, de uma dica interessante: os mapas sempre se complementam. Portanto, ao estudar Geografia, lembre-se de olhar para os mapas com a mesma atenção que você olha para os textos, fotografias, gráficos e tabelas. O fascinante universo dos mapas FONTE A fonte informa a origem (instituição, pesquisa etc.) dos dados utilizados para compor o mapa. 13GE GEOGRAFIA 2017 ROSA DOS VENTOS A rosa dos ventos indica a orientação geográfica, ou seja, para que lado se encontram, no mapa, os pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste). Pode parecer bem óbvio que o Norte esteja na parte superior do mapa, pois esta é uma convenção internacional. Entretanto, em alguns tipos de mapas, como as plantas cartográficas e em projeções azimutais ou planas, o Norte nem sempre se encontra na parte superior do mapa. ESCALA A escala indica a relação entre o espaço verdadeiro e seu correspondente no mapa. A escala gráfica apresentada no mapa acima mostra que 1 centímetro equivale a 1.237,5 quilômetros nas dimensões reais. Já a escala numérica do mapa ao lado nos mostra que cada centímetro reproduzido equivale a 55,5 milhões de centímetros – ou 555 quilômetros nas dimensões reais. Ao analisar os dois mapas, também é possível comparar reproduções cartográficas feitas em escalas pequenas e grandes. No mapa acima, reproduzido em uma escala pequena é possível identificar os continentes, a divisão política dos países e os oceanos, além dos locais com maior concentração de habitantes. Já no mapa ao lado, em escala maior, vemos uma área mais restrita – no caso, o território brasileiro. Assim, é possível observar os detalhes do contorno do país e identificar com mais precisão as áreas de maior densidade demográfica. 14 GE GEOGRAFIA 2017 CARTOGRAFIA COORDENADAS GEOGRÁFICAS Para encontrar determinado lu-gar, como a casa de alguém ou um órgão público, precisamos de um endereço, não é mesmo? Sa- bendo o nome da cidade, do bairro, da rua e o número da casa, chegaremos ao destino. No entanto, nem todas as regiões do planeta têm um endereço com essas informações. Por isso, para obtermos a localização de qualquer ponto ou área da superfície terrestre, BRASÍLIA EQUADOR 15º47’S 47º55’O MERIDIANO DE GREENWICH TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO CÍRCULO POLAR ÁRTICO TRÓPICO DE CÂNCER utilizamos as coordenadas geográficas. Trata-se de um sistema obtido a partir do cruzamento de uma rede de linhas imaginárias – os meridianos e paralelos: • Os meridianos cruzam a Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro do globo. Os meridianos nos indicam a longitude, que é a distância expressa em graus entre um local no mapa e o meridiano de Greenwich. Localização precisa Um sistema de eixos horizontais e verticais constituem as coordenadas geográficas, que nos ajudam a identificar qualquer posição na superfície terrestre • Os paralelos são linhas perpendiculares aos meridianos, que cruzam a Terra no sentido leste-oeste. Eles determinam a latitude, também expressa em graus, e nos indica a distância entre um local no planisfério e a linha do Equador. Para localizar qualquer ponto na su- perfície terrestre é só fazer o cruzamento do meridiano com o paralelo e obter os dados referentes a latitude e longitude. MERIDIANO DE GREENWICH O meridiano de Greenwich, que ganhou esse nome por passar pela cidade de Greenwich, na Inglaterra, divide o planeta em Ocidente e Oriente. A partir dele, as distâncias são contabilizadas de zero a 180 graus, tanto para leste quanto para oeste. A longitude de um lugar é a sua distância até o meridiano de Greenwich – quanto mais distante, maior será sua longitude. A longitude de Brasília, por exemplo, é de 47º55’O – lê-se 47 graus e 55 minutos de longitude oeste. Ou seja, Brasília está a cerca de 47 graus a oeste do meridiano de Greenwich. Também é comum informar no lugar das iniciais dos pontos cardeais (N, S, L e O) um sinal de + (positivo) para as latitudes norte e longitudes leste e, em contrapartida, um sinal de – (negativo) para as latitudes sul e longitudes oeste. LINHA DO EQUADOR A linha do Equador é equidistante em relação aos polos Norte e Sul da Terra e serve como referência para traçar os paralelos, como os trópicos de Câncer e Capricórnio e os círculos polares Ártico e Antártico. Ela divide o planeta em porção norte, ou setentrional, e sul, ou meridional. As linhas que partem do Equadorsão divididas de zero a 90 graus para as duas direções. A latitude de um lugar é determinada por sua distância em relação à linha do Equador – quanto mais longe, mais alta é a latitude de um ponto. A latitude de Brasília, por exemplo, é 15º47’S – lê-se 15 graus e 47 minutos de latitude sul. Ou seja, a cidade fica a pouco mais de 15 graus ao sul da linha do Equador. 15GE GEOGRAFIA 2017 POR QUE AS COORDENADAS SÃO MEDIDAS EM GRAUS? Geralmente as distâncias são medidas em metros ou quilômetros. Por que então a latitude e a longitude são medidas em graus? Ocorre que, apesar de a maioria dos planisférios não mostrar isso, estamos tratando da medida de uma superfície curva, pois a Terra tem a forma arredondada. Assim, essas medidas equivalem à abertura do ângulo entre as linhas imaginárias traçadas a partir do centro da Terra até a linha do Equador (latitude) e do centro da Terra até o Meridiano de Greenwich (longitude). Veja o exemplo de Brasília, nas figuras abaixo: SAIBA MAIS BÚSSOLAS, PORTULANOS E GPS Da Idade Média (séculos V a XV) ao período das Grandes Navegações (séculos XV a XVII), a localização geográfica era obtida por meio da observação dos astros – a posição do Sol durante o dia e das cons- telações e da Lua à noite, por exemplo. As distâncias e as direções a serem seguidas eram obtidas pela leitura atenta da bússola e das Cartas Portulanas ou Mapas Portulanos. A bússola, cuja invenção é creditada aos chineses, foi fundamental para a navegação marítima no período das Grandes Navegações. Sua agulha imantada alinha-se com os polos magnéticos Norte e Sul da Terra e, dessa forma, permite que o navegador possa localizar-se e seguir na direção desejada. O desenvolvimento das Cartas Portulanas também facilitou a navegação, à medida que traziam as linhas de rumo para orientar o trajeto das embarcações, além de mostrar detalhes do litoral e a indicação dos principais portos, baías e cidades, como mostra este exemplo que representa o Mar Mediterrâneo e o seu entorno. Atualmente, dispomos de tecnologias infinitamente mais precisas para obter as coordenadas geográficas e identificar praticamente qualquer lugar no planeta. Esses dados são facilmente levantados pelo GPS (Global Positioning System), um sistema composto por 24 satélites que fornece a um aparelho receptor sua posição exata na superfície terrestre. As informações são visualizadas a partir de aparelhos de GPS, celulares e computadores de bordo em automóveis, aviões e navios e são fundamentais para a navegação terrestre, marítima ou aérea hoje em dia. [1] ALEX ARGOZINO [2] REPRODUÇÃO [1] [2] Fonte: Atlas Geográfico Mundial. Editora Fundamento, 2007. p. 4 16 GE GEOGRAFIA 2017 CARTOGRAFIA FUSOS HORÁRIOS Os fusos horários foram estabele-cidos porque, em razão do mo-vimento de rotação da Terra, as várias porções da superfície terrestre são iluminadas de forma diferencia- da no decorrer do dia. Para dar uma volta completa em torno de si, o pla- neta gira 360º e faz isso em um dia, ou seja, em 24 horas. Dessa forma, foram determinadas 24 faixas longitudinais (no sentido norte-sul do globo) de 15º. Cada faixa, denominada de fuso horário teórico ou astronômico, corresponde, portanto, a 1 hora. O fuso de referência do horário mun- dial é o de Greenwich, localidade situa- da em Londres, na Inglaterra. Esse fuso se estende 7º 30’ a oeste e 7º 30’ a leste do Meridiano de Greenwich, também chamado de Meridiano 0º. A partir dele, foram definidos os demais fusos teóricos – indo para leste, acrescenta- -se uma hora a cada fuso; para oeste, subtrai-se uma hora. Entretanto, esses limites teóricos dos fusos horários, delimitados a cada 15º, não coincidem com os limites dos países. Por isso, foram criados os fusos horários práticos, também conhecidos como fusos civis ou políticos. Esses fusos respeitam os limites políticos dos países, pois consideram os interesses de cada nação em fazer parte de um ou de outro fuso, de acordo, por exemplo, com a integração econômica, política e sociocultural com as regiões vizinhas. Como os limites das linhas são uma convenção, os fusos acabam sendo maleáveis. Em novembro de 2013, por exemplo, o Brasil passou a ter quatro fusos horários, em vez de três. Com a medida, os fusos do estado do Acre e de parte do Amazonas foram modifica- dos, a partir de uma leve adaptação do meridiano. E essas mudanças ocorrem no mundo todo. Em 2010, a Rússia, que, com sua vastidão territorial tinha 11 fusos horários, decidiu reduzir para nove. Além disso, alguns países ado- tam as chamadas “horas fracionadas”, como o Irã (3 horas e meia a mais em relação ao fuso de Greenwich) e a Índia (5 horas e meia a mais em relação ao fuso de Greenwich). Acertando os ponteiros Com base nos meridianos e no sistema de rotação da Terra, o sistema de fusos horários ajuda a organizar as horas em diversas localidades do globo TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER CÍRCULO ANTÁRTICO CÍRCULO ÁRTICO EQUADOR A N T Á R T I C A Brasília Lima Cidade do México Ilhas Galápagos Honolulu Tonga Georgetown Dacar Trípoli Cairo Berlim Luanda Cidade do Cabo Maputo Jerusalém Riad Nairóbi Adis-Adeba Moscou Samara Teerã Astana Nova Délhi Pequim Tóquio Hong Kong Seul Pyongyang Jacarta Melbourne Sydney Manila Lisboa Londres Paris Bogotá Cidade do Panamá Nova York Ottawa Washington Vancouver Los Angeles San Francisco Tijuana Buenos Aires +13 +13 -3 -4 +9 +5 +3 +4 +12 -9 Wellington Reykjavik Ilhas da Linha Ilhas Marquesas Ilha Pitcairn Ilha de Páscoa Ilhas Malvinas Ilhas Geórgia do Sul Taiti Paramaribo Belém La Paz Rio Branco Cuiabá Assunção Manaus Caracas Santo Domingo Quito Seattle Edmonton Anchorage Whitehorse Açores Samoa Santiago Montevidéu Houston Miami Havana New Orleans Chicago St. Louis Halifax St. John’s MontrealWinnipeg Denver Phoenix Túnis Argel Casablanca Lagos Abidjan Johannesburgo Antananarivo Cartum Campala Lusaka Kinshasa Windhoek Fernando de Noronha Bagdá Murmansk Helsinque São Petersburgo Roma Viena EstocolmoOslo Istambul Atenas KievVarsóviaDublin Madri Meca Mascate Yangun Bangcoc Dili Adelaide Brisbane Perth Cingapura Colombo Mumbai Karachi Calcutá Katmandu Lhasa Ashkhabad Tashkent Cabul Xi’an Ulan Bator Irkutsk Vladivostok Xangai Taipé Petropavlovsk Magadan YakutskYekaterinburgo Ilhas Chatham Oceano Pacífico Oceano Pacífico Oceano Ártico Oceano Ártico Oceano Atlântico Oceano Índico Manágua Kiribati +3 Omsk +6 +8 +5 Hanói 1h 2h 3h 4h 5h 6h 7h 8h 9h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h 19h 20h 21h 22h 23h 0h0h -12 +12-11 +11-10 +10-9 +9-7 +7-6 +6-5 +5-4 +4-3 +3-2 +2-1 +10-8 +8 150º O 120º 90º 60º 60º 90º 120º 150º L 180º180º 30º 30º0º Horário Universal de Greenwich Horário fracionado Linha Internacional de Data +8 Novosibirsk Krasnoyarsk Bucareste Fonte: World Time Zone N 1.780 km OLHA A HORA! Para determinar o horário em um país, deve-se aumentar uma hora no relógio para cada fuso a leste de Greenwich e diminuir uma hora para cada fuso a oeste dele 17GE GEOGRAFIA 2017 HORÁRIO DE VERÃO Com o horário de verão, o Brasil mantém seus quatro fusos, mas muda a disposição deles, pois as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste adiantam o relógio em uma hora. O objetivo é aproveitar melhor a luz solar, já que, durante o verão, quan- to maior a latitude, maior o fotoperíodo – o Sol nasce mais cedo e se põe mais tarde. A medida provoca uma importante redução no consumo de energia durante os horários de maior consumo, sobretudo das 18h às 20h, o que reduz a sobrecarga no sistema elétrico e os riscos de apagões. Nos estados localizados em latitudes mais baixas (mais próximos da linha do Equador), como no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, há pouca variação do fotoperío- do e, por isso, não compensa fazer a mudança para o horário de verão. Nesses estados, mes- mo que houvesse alguma economiade energia à tarde, a mudança provocaria um aumento no consumo de energia no início da manhã. O horário de verão começa no terceiro domin- go de outubro e termina no terceiro domingo de fevereiro. Se neste último for carnaval, o encerramento fica para o domingo seguinte. COREIA DO NORTE ATRASA HORÁRIO EM 30 MINUTOS E ADOTA ‘HORA DE PYONGYANG’ A Coreia do Norte anunciou nesta sexta-feira (7) a adoção da “hora de Pyongyang”, que exigirá um atraso de todos os relógios do país em 30 minutos a partir de 15 de agosto. Com a decisão, a “hora de Pyogyang” será GMT + oito horas e meia, 30 minutos mais tarde que na Coreia do Sul, que tem a mesma hora do Japão, GMT + 9. A alteração do horário no país foi aprovada na quarta-feira pelo Parlamento norte-coreano, e marcará o 70º aniversário da libertação da península coreana do reinado colonial japonês (1910-1945).(...) Na era pré-colonial, a hora da Coreia era GMT + 08H30, o que foi modificado pelo Japão em 1912.(...) G1, 7/8/2015 SAIU NA IMPRENSA OS FUSOS HORÁRIOS DO BRASIL Exemplos da variação dos horários nos fusos brasileiros quando em Londres (fuso de referência) são 15 horas As regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o Distrito Federal e os estados de Goiás, do Tocantins, Pará e Amapá acompanham o horário de Brasília. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e a maior parte do Amazonas têm uma hora a menos. Já um pequeno trecho do Amazonas e o Acre passaram a ter duas a menos que Brasília com a mudança de fuso implementada em 2013. Com as alterações, o Brasil ficou com quatro fusos horários. No alto, os relógios mostram os diversos horários quando é meio-dia em Brasília. Note como Fernando de Noronha e as ilhas oceânicas estão mais “adiantados” em relação aos horários do Brasil continental: nessas regiões já são 13 horas. DF PA GO AP MA PI BA CE PE SP RJ ES AC AM RR RO MT MS PR SC MG TO RS 11h10h 12h 13h Atol das Rocas (RN) 3’52’S 33’50’O Penedos de S. Pedro e S. Paulo (RN) 3’56’S 29’22’O Fernando de Noronha (PE) 3’50’S 32’24’O *Em relação ao horário de Greenwich -4h -5h -2h -3h FUSO HORÁRIO* RN PB AL SE 1h entram no horário de verão não entram no horário de verão SAIBA MAIS 18 GE GEOGRAFIA 2017 Grandes Lagos Aconcágua 6.959 m Mte. McKinley 6.194 m Amazon as Cordilheira dos Andes Apa lac hes Pico da Neblina 3.014 m Sã o F ra nc isc o M iss iss ipp i M ontanhas Rochosas CARTOGRAFIA TIPOS DE MAPA Veja como as diversas formas de representar o espaço geográfico podem alterar o modo como enxergamos o planeta Representação: é essa a ideia que norteia a construção de um mapa. Ocorre que, obvia- mente, o tamanho e a complexidade do planeta não cabem no papel. Desse modo, é preciso fazer escolhas para conseguir mostrar, num espaço tão res- trito, o máximo daquilo que comporta o mundo real. Dessas escolhas é que resultam as diversas maneiras de representar um território, que pode se dar com base em focos variados, como seus aspectos físicos, políticos ou sociais. Cada um desses recortes, por sua vez, abarca ou- tras subdivisões. A representação física do planeta, por exemplo, engloba mapas de hidrografia e relevo, entre outros. Todas essas divisões são importantes tanto por seu caráter teórico, ao faci- litar o estudo de uma área, quanto pela aplicação prática desse conhecimento, ao nortear a implantação de políticas de saúde ou ambientais. Entretanto, com tantas possibilidades, é preciso atenção na hora de ler os ma- pas e avaliar as conclusões tiradas com base em sua análise. Afinal, como vimos, eles mostram apenas uma parte da re- alidade. Assim, dependendo do ponto de vista adotado para sua construção, eles podem acabar servindo para in- fluenciar – positiva ou negativamente – o modo como enxergamos determina- da área ou algum fenômeno. Confira a seguir alguns dos principais tipos de mapas e o que eles representam. Vários mapas, diferentes leituras MAPAS FÍSICOS Este tipo de mapa destaca as características físicas da superfície terrestre, em especial de relevo e hidrografia. Geralmente, as diferentes faixas de altitudes são apresentadas por meio de uma sequência de cores: nas terras emersas, os tons em verde são usados para altitudes mais baixas, seguidos do amarelo, laranja e marrom, sucessivamente, para as altitudes mais elevadas. Também constam nos mapas físicos denominações das unidades de relevo que se destacam no território, como cadeias montanhosas, serras, planaltos e planícies, bem como os picos mais elevados. Quanto à hidrografia, são representados com traços azuis os grandes rios e seus principais afluentes e subafluentes. Os principais lagos também são identificados. MAPAS POLÍTICOS É este recorte que dá aos mapas a cara que mais conhecemos: os continentes divididos em países, os países divididos em regiões e estas, em cidades (veja, ao lado, os 35 países do continente americano). Seu objetivo é simplesmente demarcar os limites entre territórios, que podem mudar no decorrer dos anos. As fronteiras entre as nações, por exemplo, sofreram muitas mudanças no decorrer da história. As atualizações do mapa-múndi atingiram número recorde no século XX, por causa do turbilhão de eventos ocorridos no período, como o desmembramento da ex-União Soviética. A mais recente alteração no mapa político ocorreu em 2011, com o desmembramento do Sudão, que deu origem ao Sudão do Sul. Em suma, aparecer ou não no mapa significa ter a própria existência reconhecida pelo resto do mundo. 19GE GEOGRAFIA 2017 VOCÊ SABIA? ANAMORFOSES, OS MAPAS DISTORCIDOS Os mapas têm como objetivo apresentar de forma mais fiel possível o espaço geográfico, certo? Mais ou menos. Existem alguns tipos de representação cartográfica que distorcem o tamanho e o traçado das regiões para reforçar o efeito comparativo sobre o tema apresentado. Esses mapas recebem o nome de anamorfoses e costumam cair nos vestibulares com certa frequência. Nesta anamorfose, o tamanho de cada país é proporcional ao seu Produto Interno Bruto (PIB) e não à sua extensão territorial. Logo, chama a atenção o aumento de tamanho dos Estados Unidos, dono da maior economia do mundo, com 17,4 trilhões de dólares. Por sua vez, note como o Canadá, que tem a segunda maior extensão territorial do planeta, atrás apenas da Rússia, ficou representado de uma forma bem menor nesta anamorfose. Isso acontece porque o gigantismo de sua área não é proporcional ao seu PIB. Já o mapa do Brasil apresenta poucas distorções na comparação entre economia e área. MAPAS TEMÁTICOS São mapas que representam dados sobre determinados temas, permitindo observar as características de uma região e estabelecer comparações entre os países apresentados. Os temas abordados podem ser os mais diversos, da economia à cultura, passando por demografia e meio ambiente. Neste exemplo, os países da América são agrupados a partir de sua classificação no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O indicador, apurado pela Organização das Nações Unidas (ONU), serve para medir as variações no padrão de qualidade de vida das diferentes populações do globo, levando em conta três fatores: educação, longevidade e renda. Ao observarmos o mapa de IDH do continente americano acima, notamos que Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina são as únicas nações com IDH muito alto, enquanto o Haiti é a única nação com baixo desenvolvimento humano. O Brasil, junto com países como Venezuela e México, tem IDH alto. Índice de Desenvolvimento Humano (2014) Muito Alto Alto Médio Baixo Dados não disponíveis Estados Unidos Canadá Argentina Chile Cuba Venezuela Haiti Brasil México PARA IR ALÉM Confira dezenas de anamorfoses sobre os mais diversos temas no site www.worldmapper.org. Estados Unidos Canadá Brasil 20 GE GEOGRAFIA 2017 CARTOGRAFIA PROJEÇÕESCARTOGRÁFICAS Ao longo dos séculos, os cartó-grafos vêm se empenhando em desenvolver mapas-múndi da forma mais fiel possível. O problema é que a Terra tem um formato esférico, com um leve achatamento nos polos. O maior desafio na criação dos mapas, portanto, é representar este planeta esférico em uma superfície plana. Para ter uma ideia da dificuldade de fazer essa transposição, no decorrer dos anos surgiram mais de 200 tipos de projeção cartográfica. E todas apresentam algum tipo de distorção. Forma e conteúdo O desafio de reproduzir a superfície esférica da Terra pp em um mapa plano levou ao p surgimento de uma infinidade p pp de projeções cartográficas. gg Conheça a seguir os tipos p j ç gj ç g mais comuns ç Equador Gr ee nw ic h Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer 60˚ 60˚ 20˚ 20˚ Trópico de Câncer Equador 180˚ 160˚ 140˚ 120˚ 100˚ 80˚ 60˚ 40˚ 20˚ 0˚ Greenwich Polo Norte PROJEÇÃO CILÍNDRICA Este tipo de projeção é produzido como se um cilindro envolvesse a esfera terrestre e fosse então planificado. A projeção cilíndrica ainda consegue representar com menos distorções as baixas latitudes. PROJEÇÃO CÔNICA Neste tipo de projeção, a representação é feita como se um cone envolvesse o planeta e depois fosse planificado. Essa projeção é utilizada para mapas de latitudes médias, pois nessa região a distorção é menor. PROJEÇÃO PLANA OU AZIMUTAL O mapa é construído sobre um plano que tangencia algum ponto da superfície terrestre. Seu uso mais comum é para melhorar a visibilidade das regiões polares e de suas proximidades. AS DIFERENTES REPRESENTAÇÕES DA ESFERA TERRESTRE Dependendo da figura geométrica utilizada para desenvolver o mapa, as projeções podem ser classificadas da seguinte forma: 21GE GEOGRAFIA 2017 CONFORME Prioriza a forma, ou seja, o contorno dos continentes e oceanos e distorce a área, principalmente nas latitudes maiores. Na Projeção de Mercator ao lado, a Groenlândia, que tem cerca de 2,8 milhões de quilômetros quadrados, aparece no mapa com quase o mesmo tamanho da África, com seus mais de 30 milhões de quilômetros quadrados. EQUIVALENTE Mantém a equivalência da área, ou seja, a proporção entre as áreas reais e sua representação nos mapas. No entanto, as formas ficam distorcidas, como a América do Sul e a África, que aparecem mais alongadas no mapa, como se nota na Projeção de Peters. EQUIDISTANTE Representa com maior fidelidade as distâncias, por isso é frequentemente adotada para definir rotas aéreas e marítimas. No entanto, ela distorce as formas e as áreas. As projeções planas ou azimutais, descritas na página ao lado, também são consideradas equidistantes. ARBITRÁRIA OU AFILÁTICA Não se prende totalmente a nenhuma regra, distorcendo tanto a área como a forma, porém sem exagerar essas distorções, buscando um resultado mais equilibrado. O exemplo mais representativo é a Projeção de Robinson, utilizada na maior parte dos atlas e livros escolares. DIFERENTES PROJEÇÕES CAUSAM POLÊMICA As projeções também podem ser classificadas de acordo com os parâmetros utilizados para conservar ou distorcer as áreas: SAIBA MAIS AS IMAGENS DE SATÉLITES Os satélites são instrumentos essenciais para a obtenção de imagens da superfície terres- tre com grande riqueza de detalhes. A partir dessas informações, os cartógrafos produzem mapas temáticos, monitoram problemas am- bientais, como o desmatamento e a poluição das águas, descobrem novas riquezas, como ja- zidas minerais, entre inúmeras outras funções. A obtenção de imagens de satélite faz parte de um conjunto de técnicas conhecidas como sen- soriamento remoto. Como a própria expressão já diz, trata-se de uma forma de obter imagens com sensores localizados à distância. Depen- dendo das variações que as características físi- cas da superfície terrestre apresentam, ocorrem diferentes índices de reflexão da luz solar ou das radiações dos sensores ativos dos satélites. As águas, por exemplo, tendem a absorver maior quantidade de energia, enquanto construções (prédios, estradas, pontes etc.) ou mesmo o solo exposto refletem mais a energia incidente. Desta forma, é possível identificar as características naturais e da ocupação humana de uma deter- minada área. Existem ainda filtros utilizados para realçar alguma caraterística, como as variações do relevo, dos recursos minerais, da vegetação ou das águas, por exemplo. CORES E TEXTURAS Nesta imagem da região metropolitana de São Paulo, as porções de água estão representadas na cor preta, as áreas urbanizadas na cor rosa, a vegetação na cor verde e o solo exposto na cor marrom INPE 22 GE GEOGRAFIA 2017 COMO CAI NA PROVA 1. (Fuvest 2014) Observe estes mapas: a) Identifique duas diferenças significativas entre os mapas, quanto à forma de representação cartográfica. b) Qual era o principal objetivo de cada mapa, considerando os diferentes contextos históricos em que foram criados? RESOLUÇÃO a) Uma primeira diferença são tecnologias distintas: em 1519, as técnicas de produção de mapas eram rudimentares, se comparadas às utilizadas atualmente. No caso s do primeiro mapa, um Portulano utilizado no período das grandes navegações, as informações apresentadas eram pouco precisas quanto à localização dos fenômenos representados e à delimitação do território brasileiro. Já o mapa de 2009 conta com técnicas como projeção cartográfica, escala, legenda e divisão política. Outra diferença é quanto ao conhecimento científico acumulado sobre o território. Em 1519, como eram escassos os conhecimentos sobre a vegetação brasileira, o mapa era preenchido por ilustrações (legenda pictórica). O mapa de 2009 apresenta os principais tipos de vegetação do país em sua cobertura original, revelando maior precisão quanto aos seus limites como resultado de estudos científicos sistemáticos. b) No mapa de 1519 evidencia-se o caráter descritivo, voltado para a representação dos recursos naturais existentes nas colônias ou terras que estavam sendo dis- putadas pelas grandes metrópoles. O mapa de vegetação publicado em 2009 tem uma conotação científica e seu objetivo é representar, com a precisão permitida pela escala adotada, as áreas de cobertura original das formações vegetais em território brasileiro. 2. (IFSC 2014 – adaptada) A seguir, apresentam-se os dados de uma passagem de avião comprada de Santarém/PA para Manaus/AM: Voo: D5Z81 Data: 28/07/2012 Itinerário: Saída: STM – Santarém/PA – Horário: 15:00 Chegada: MAO – Manaus/AM – Horário: 15:15 Tendo em vista os dados apresentados na passagem sobre o tema fusos horários, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S). a) A viagem entre Santarém/PA e Manaus/AM dura, na verdade, 1 hora e 15 minutos, porque as duas cidades estão em fusos horários diferentes. b) O fuso horário de Santarém é o mesmo que o de Brasília, e o de Manaus está 1 (uma) hora adiantado em relação ao fuso da capital federal; por esse motivo é que a diferença entre o horário de saída e o de chegada é de apenas 15 minutos. c) Desde junho de 2008, todo o território do estado do Pará, onde se localiza Santarém, está sob o horário de Brasília durante a maior parte do ano. d) Uma passagem de avião, emitida no dia 12 de dezembro de 2012, com saída de Santarém/PA, marcada para as 15 horas, teria impresso, como horário de chegada em Manaus/AM, 16 horas e 15 minutos, já que, durante o período do horário de verão, as duas cidades passam a ter a mesma hora legal. e) O percurso de avião entre Santarém/PA e Manaus/AM é realizado de leste para oeste, e por isso, ao atravessar o fuso horário, deve-se atrasar o relógio. f) Um percurso de avião do Recife/PE para o arquipélago de Fernando de Noronha, realizado durante a mesma data e horário de saída, teria também a mesma hora de chegada, se levasse um tempo de voo igual ao da rota entre Santarém/PA e Ma- naus/AM, já que comparativamente possuem a mesma diferençade fuso horário. RESOLUÇÃO A questão rerr quer o conhecimento dos fusos horários do Brasil e a localização das cidades de Manaus (AM) e Santarém (PA). Veja o mapa e os comentários a seguir. a) CORRETA – A cidade de Manaus, por estar localizada um fuso a oeste da cidade de Santarém, tem uma hora a menos. Assim, quando o avião chegou em Manaus às 15h15, na cidade de origem (Santar(( ém) já eram 16h15, ou seja, já haviam se m passado 1h15min desde a sua partida. b) INCORRETA – A afirmação é falsa, pois o fuso em que se encontra Manaus está uma hora atrasada (e não adiantada, como se afirma) em relação a Brasília. c) CORRETA – O Pará encontra-se no mesmo fuso de Brasília. A referência feita à “maior parte do ano” subentende que se deve considerar o horário de verão, que é adotado em Brasília, mas não no Pará. d) INCORRETA – Os estados da região Norte não adotam o horário de verão, pois se encontram próximos da linha do Equador (baixa latitude), onde a pequena variação do fotoperíodo (período com luz solar) não favorece a mudança do horário para fins de economia de energia. e) CORRETA – No sentido leste-oeste, situação descrita no enunciado, há uma hora a menos a cada fuso. Portanto, essa afirmação está correta. f) INCORRETA – O arquipélago de Fernando de Noronha localiza-se no sentido oposto, ou seja um fuso a leste de Recife. Dessa forma, seria necessário acres- centar uma hora para se obter o horário de chegada. � SAIBA MAIS Veja onde se localizam Manaus e Santarém no maparr , seus respectivos fusos a horários e o que muda no período em que é adotado o horário de verão. -4h-5h -3h -2h *Em relação aohorário de Greenwich FUSO HORÁRIO* HORÁRIO REGULAR HORÁRIO DE VERÃO rémrérérrérrrérSantaréaréaréManaus rrérrémréréréSantaréréréManaus 23GE GEOGRAFIA 2017 RESUMO Cartografia ELEMENTOS DOS MAPAS São as informações que acompa- nham os mapas e a eles dão significado. Os principais elementos são o título, a legenda (indica o significado dos símbolos, cores e demais recursos utilizados nos mapas), a rosa dos ventos (indica os pontos cardeais), a fonte dos dados e a escala, que determina a proporção em que o mapa foi feito, comparado à superfície real. COORDENADAS GEOGRÁFICAS São valores em graus, minutos e segundos obtidos a partir do cruzamento dos meridianos (linhas imaginárias traçadas no sentido norte-sul) e dos para- lelos (linhas imaginárias traçadas no sentido leste-oeste). As coordenadas são fundamentais para a localização de qualquer ponto ou área na superfície terrestre. O ponto de referência dos paralelos é a linha do Equador, enquanto dos meridianos é o meridiano de Greenwich. Os paralelos determinam a latitude e os meridianos indicam a longitude. FUSOS HORÁRIOS São faixas longitudinais (que se estendem no sentido norte-sul no globo terrestre) criadas para organizar a hora mundial. Inicialmente foram determinadas 24 faixas, cada uma com 15 graus. A hora adotada em cada país, no entanto, foi regulamentada com base nos fusos horários práticos, que acompanham os limites territoriais dos países ou estados, de acordo com os interesses político-econômicos regionais. O ponto de referência do horário mundial é o meridiano de Greenwich, na Inglaterra: indo para leste, adianta-se o relógio; para oeste, deve-se atrasá-lo. Muitos países adotam o horário de verão, adiantando o relógio em uma hora para aproveitar melhor a luz solar e reduzir o consumo de energia. TIPOS DE MAPAS De acordo com o tipo de informação que representam, os mapas podem ser classificados como: mapas políticos, que mostram os limites político-territoriais dos países; mapas físicos, com as principais características de relevo e hidrografia; e os mapas temáticos, que representam algum tema ou assunto específico, como dados econômicos, populacionais ou ambientais. As anamorfoses aumentam ou diminuem o tamanho dos países ou continentes de acordo com os dados quantitativos que estão sendo representados. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS São técnicas utilizadas para representar a Terra, que é esférica, em uma superfície plana. As principais projeções são classificadas de acordo com a figura geométrica utilizada para representar a superfície terrestre: cilindro (projeção cilíndrica); cone (projeção cônica) e plano (projeção plana ou azimutal). Há distorções em todas as pro- jeções, sendo que em cada uma se prioriza uma determinada propriedade: a área, a forma ou as distâncias. A projeção de Mercator é mais precisa nas distâncias, mas distorce as áreas. Já a projeção de Peters privilegia o tamanho da área, porém não consegue apresentar as formas de maneira fiel. 3. (Fuvest 2011) Observe o mapa abaixo, no qual estão representadas cidades africanas em que ocorreram jogos da seleção brasileira de futebol pouco antes e durante a Copa do Mundo de 2010. As distâncias*, em linha reta e em km, entre Johannesburgo e as demais cidades localizadas no mapa, estão corretamente indicadas em: Dar es Salaam Harare Durban Porto Elizabeth a) 25.900 9.100 5.600 10.500 b) 18.900 5.380 870 4.600 c) 2.590 910 560 1.050 d) 259 91 56 105 e) 1.890 530 87 460 *Valores aproximados. RESOLUÇÃO Para responder ao item, deve-se ler com atenção as informações disponíveis no mapa, principalmente a sua escala, que é de 1:70.000.000. Isso significa que cada centímetro no mapa corresponde na realidade a 700 quilômetros. Dessa forma, para saber a distância real entre as cidades africanas, deve-se multiplicar por 700 as distâncias das cidades fornecidas no mapa em relação a Johannesburgo. Assim, obtêm-se os seguintes resultados, que correspondem à alternativa Css :CC Cidade Cálculo da escala real Resultado Dar Es Salaam (Tanzânia) 3,7 cm X 700 km 2.590 km Harare (Zimbábue) 1,3 cm X 700 km 910 km Durban (África do Sul) 0,8 cm X 700 km 560 km Porto Elizabeth (África do Sul) 1,5 cm X 700 km 1.050 km Resposta: C 24 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA 2 O dia 5 de novembro de 2015 ficará marcado na história pelo maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil. Na tarde daquela quinta-feira, a barragem do Fundão, na zona rural de Mariana (MG), rompeu-se, liberando cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos da produ- ção de minério de ferro, formados principalmente por óxido de ferro, água e lama. A enxurrada tóxica devastou o distrito de Bento Gonçalves, próximo à barragem, matando 17 pessoas, deixando duas desaparecidas e desalojando outras centenas. Dez cidades foram atingidas pelo tsunami de lama, que avançou pelo Rio Doce e percorreu mais de 600 quilômetros até chegar ao litoral do Espírito Santo. A barragem pertence à empresa Samarco, que é controlada por duas gigantes da mineração, a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. O desastre, o maior relacionado à mineração já ocorrido no mundo, levantou questões sobre a segurança da atividade mineradora no Brasil. O país conta com uma legislação recente sobre o tema, em vigor desde 2010, que estabeleceu a Política Nacional de Segurança de Barragens, mas ainda não está totalmente regulamentada. Um projeto que estabelece o Novo Código de Mineração tramita há cinco anos no Congresso Nacional, colocando em lados opostos parla- mentares ligados ao meio ambiente e aqueles que defendem os interesses das mineradoras. O fato é que a atividade é uma importante fonte de riqueza e geração de empregos. Minas Gerais localiza-se na região do Quadrilátero Ferrífero, área formada por rochas metamórficas que abri- gam importantes depósitos de minérios. Devido a essa característica, o estado tem sua economia fortemente atrelada à mineração, que responde por 7,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Em Mariana, 80% da arrecadação municipal vinha da extração mineral antes do desastre. Por isso, é fundamental encontrar uma solução sustentável que propicie ganhos econômicos sem comprome- ter o meio ambiente e a segurança da população. Neste capítulo, falaremos mais sobre o de- senvolvimento dos minerais e seu impacto na exploração econômi- ca.Aqui você também confere como os mo- vimentos no interior da Terra modelam o relevo e influenciam desde a formação de minérios até a inci- dência de terremotos e atividade vulcânica. O rompimento da barragem da empresa Samarco libera uma enxurrada de rejeitos da produção de minério de ferro e provoca o maior desastre ambiental do Brasil A tragédia de Mariana CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO � Composição e estrutura geológica .............................................................26 � Tipos de relevo ..................................................................................................28 � Placas tectônicas .............................................................................................30 � Relevo em movimento....................................................................................32 � Relevo do Brasil ................................................................................................36 � Recursos minerais ...........................................................................................38 � Características dos solos ...............................................................................40 � Deslizamento de terra e inundações ........................................................42 � Contaminação dos solos ................................................................................44 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................46 LAMA ARRASADORA Casas destruídas pelos rejeitos da produção de minério de ferro no distrito de Bento Gonçalves, em Mariana (MG): maior desastre relacionado à mineração no mundo 25GE GEOGRAFIA 2017 CHRISTOPHE SIMON/AFP 26 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA O termo litos, em grego, significa “pedra” ou “rocha”. Portanto, conhecer a litosfera é saber literalmente onde estamos pisando, já que ela dá nome à camada sólida que reveste a esfera terrestre. Essa rigidez em sua superfície, aliás, é uma característica que nem todos os pla- netas possuem. No Sistema Solar, além da Terra, somente outros três (Mercúrio, Vênus e Marte) são classificados como planetas rochosos. Os demais (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são gigantes gasosos e não possuem uma crosta rochosa. A litosfera é composta pela crosta e por uma parte do manto superior, conforme ilustra a ima- Por dentro do globo Conheça as características das camadas internas do planeta e como o relevo foi formado ao longo dos anos Manto inferior Manto superior Fonte: ALMANAQUE ABRIL Crosta Núcleo externo Núcleo central CROSTA É a parte superior ou externa da litosfera, encontrada tanto nas áreas continentais (crosta continental) como submersas pelos oceanos (crosta oceânica). A crosta continental apresenta espessuras que variam de 30 a 70 quilômetros, aproximadamente, com rochas mais densas na parte inferior e menos densas na porção superior, próxima da superfície. A crosta oceânica, por sua vez, tem espessura entre 6 e 7 quilômetros de profundidade e é constituída predominantemente por rochas mais densas. gem abaixo. É sobre ela que o relevo ganha seus contornos, formando desde depressões até cadeias montanhosas. Além dessas camadas, a Terra possui outras partes em sua estrutura interna igualmente sólidas, como o núcleo interno, ou fluidas, como o manto e o núcleo externo. Conhecer essa estru- tura e sua dinâmica é fundamental para entender fenômenos como os terremotos, as atividades vulcânicas e os tsunamis, por exemplo, e assim poder buscar os meios de se proteger contra seus efeitos devastadores. Veja abaixo, as características das diferentes camadas da Terra: TETO DAS AMÉRICAS O Monte Aconcágua, na Argentina, é o ponto mais alto do continente americano, medindo 6.959 metros AS CAMADAS DA TERRA 27GE GEOGRAFIA 2017 A estrutura geológica A estrutura geológica e mineralógica da crosta está na base do modo de vida das populações humanas, uma vez que fornece dezenas de recursos necessários à vida, como a produção de ali- mentos (obtidos por meio do cultivo do solo), os materiais utilizados na construção de moradias (tijolos, cimento, ferro), a geração de energia (petróleo, urânio), entre inúmeros outros. Confira a seguir as principais estruturas geológicas da litosfera: FORMAÇÃO DAS ESTRUTURAS GEOLÓGICAS Escudo cristalino Dobramentos modernos Bacias sedimentares 2,5 bilhões 4,5 bilhões 250 milhões Arqueozoica Proterozoica Paleozoica Mesozoica Cenozoica 65 milhões 570 milhões ESCUDOS CRISTALINOS São os terrenos mais antigos da crosta terrestre, formados pelo choque de massas continentais ocorrido há centenas de milhões de anos durante a era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica). Os escudos cristalinos são constituídos de rochas magmáticas, ou seja, trata-se do magma – material líquido-pastoso proveniente do manto – em estado sólido. As rochas magmáticas dividem-se em duas categorias: as extrusivas, como o basalto, que são formadas com o esfriamento rápido do magma na superfície terrestre; e as intrusivas, como o granito, que são resfriadas lentamente dentro da crosta terrestre. Os escudos cristalinos também exibem as rochas metamórficas, que são o resultado da transformação das rochas magmáticas, sedimentares ou mesmo de outras metamórficas, por meio de processos químicos e físicos nas grandes profundidades da Terra. O mármore, por exemplo, é formado do calcário quando esse é submetido a altas temperaturas e pressão. BACIAS SEDIMENTARES Foram formadas nas eras Paleozoica e Mesozoica, com a erosão das rochas dos escudos cristalinos – após o desgaste dos maciços, seus sedimentos foram depositados em regiões mais baixas. O acúmulo desses detritos, somado aos restos orgânicos, leva à formação de rochas sedimentares pelo processo de MANTO SUPERIOR É a parte da estrutura interna da Terra que se encontra logo abaixo da crosta e vai até cerca de 400 quilômetros de profundidade. Juntamente com a crosta, a parte superior do manto, formada por rochas sólidas, constitui a litosfera. MANTO INFERIOR Constituído por rochas fundidas diante das elevadas temperaturas, o manto inferior estende-se de 400 a 2.900 quilômetros de profundidade. É nessa parte que se formam as correntes de convecção do magma: o contato com o núcleo externo aumenta as temperaturas desses materiais, que são impulsionados em direção ao manto superior, onde se “resfriam” e, mais densos, tornam a descer para perto do núcleo, onde novamente são aquecidos e reiniciam o ciclo. NÚCLEO EXTERNO Localizado na faixa entre 2.900 e 5.100 quilômetros, é constituído por dois minerais predominantes: o níquel e o ferro, totalmente fundidos pelas elevadas temperaturas. NÚCLEO CENTRAL O núcleo central constitui a camada que fica entre 5.100 quilômetros e o centro da Terra, a 6.378 quilômetros. É constituído de uma liga metálica formada por ferro e níquel, porém em estado sólido em função da elevada pressão a que é submetido. Seu movimento de rotação é maior do que o do restante da Terra. litificação. Essa deposição é feita em camadas. O calcário, presente em cavernas, o arenito e o carvão são exemplos de rochas sedimentares. DOBRAMENTOS MODERNOS Trata-se das formações mais recentes da crosta terrestre, surgidas do choque de placas ocorrido entre o fim da era Mesozoica e o início da Cenozoica. As rochas são mais flexíveis e situam-se na zona de contato entre as placas tectônicas. Nessa região de grande instabilidade e frequentes movimentos sísmicos, encontram-se montanhas e vulcões ativos e extintos. PARA IR ALÉM O filme Viagem ao Centro da Terra, de Eric Brevig, baseado na obra de Júlio Verne, conta a história de um grupo de pessoas que descobre um caminho para o núcleo do planeta. Esta obra de ficção apresenta características geológicas internas da Terra. iSTOCK PHOTO 28 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA TIPOS DE RELEVO DEPRESSÕESSão áreas da superfície localizadas em altitude inferior à das regiões próximas (depressão relativa) ou abaixo do nível do mar (depressão absoluta). As depressões podem ser formadas de várias maneiras: por deslocamento do terreno, remoção de sedimentos, dissolução de rochas ou até por queda de meteoritos. O Mar Morto, situado 416 metros abaixo do nível do mar, é a maior depressão do globo. Ele banha Israel, Jordânia e Cisjordânia e leva esse nome em razão da elevada concentração de sal de suas águas – dez vezes superior à dos demais oceanos –, o que impede a existência de qualquer forma de vida. MONTANHAS Também chamadas de dobramentos modernos, são grandes áreas elevadas resultantes do choque de placas tectônicas (veja mais na pág. 32). Os maiores picos do mundo ficam na cordilheira do Himalaia, um complexo montanhoso que se estende por cinco países asiáticos: Paquistão, Índia, Nepal, Butão e China. Sua formação, iniciada há cerca de 70 milhões de anos, resulta do choque entre a placa tectônica Indiana e a placa Eurasiática (veja mais na pág. 31). O curioso é que a placa Indiana continua a se mover, fazendo com que o Himalaia se eleve a uma taxa de 5 milímetros por ano. SAIBA MAIS O RELEVO SUBMARINO Escondido sob o cobertor das águas mari- nhas, o solo oceânico apresenta um rico relevo de montanhas, planaltos e fossas profundíssi- mas. Como essas formas não estão expostas à erosão de agentes externos, como o vento e as chuvas, os perfis são mais contrastantes e escarpados. Podemos destacar três porções desse relevo submerso: Plataforma continental: terras submersas que se prolongam das terras emersas, como uma orla em torno dos continentes. Topogra- ficamente, ela é uma superfície quase plana, formada pelo acúmulo de sedimentos de origem continental. Vai até os 200 metros de profundidade, que também é o limite da pe- netração da luz solar (veja mais na pág. 54). Cordilheira submarina: elevações de forma regular que surgem ao longo dos oceanos, como a Dorsal Mesoatlântica. Essa cadeia de montanhas submersas tem mais de 10 mil quilômetros de comprimento e se estende no sentido norte-sul pela região central do Oceano Atlântico. Sua formação se deve ao afastamento das placas tectônicas, que per- mitiu que o magma chegasse à superfície. Em alguns pontos, os picos se elevam acima do nível do mar e formam ilhas, como é o caso do arquipélago de Fernando de Noronha, no Brasil. Há outras cordilheiras submarinas nos ocea- nos Índico e Pacífico, todas com uma caracte- rística em comum: formam-se em locais onde as placas tectônicas estão se afastando umas das outras. O afastamento é lento (menos de 2 centímetros ao ano), impulsionado pelas correntes convectivas do magma, que se eleva e forma novas rochas ao se resfriar. Fossas oceânicas: também conhecidas como fossas abissais, são gigantescos abismos sub- marinos formados quando uma placa tectôni- ca é forçada para debaixo de outra, após uma colisão. O local mais profundo dos oceanos é a Fossa das Marianas, um enorme vale sub- marino com 10.920 metros de profundidade, localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oce- ano Pacífico. Ela tem por volta de 2,5 mil quilômetros de extensão e fica na fronteira entre duas pla- cas tectônicas, a do Pacífico e a das Filipinas. Caso o Monte Everest fosse colocado dentro da Fossa das Marianas, ainda restariam mais de 2 mil metros de água entre seu pico e o nível do mar. As quatro faces da Terra Conheça os principais tipos de relevo que constituem o cenário global PLANALTOS São elevações de altitudes variadas, em que predomina o processo de erosão e cuja composição rochosa pode ser de rochas sedimentares, cristalinas ou metamórficas. Os planaltos apresentam superfície irregular, como serras e chapadas, e são delimitados por áreas rebaixadas em um de seus lados. O continente Africano se destaca pela presença de planaltos, com altitudes predominantes entre 400 e 2 mil metros. Na porção leste/nordeste, destacam-se os planaltos da Etiópia e o dos Grandes Lagos. PLANÍCIES São áreas de superfície relativamente plana, formadas por rochas sedimentares e nas quais predominam os processos de deposição e acúmulo de sedimentos. Na maior parte das vezes, as planícies são encontradas em baixas altitudes. Em geral, localizam-se próximas do litoral, como a planície do norte europeu, ou de grandes rios ou lagos, como ocorre com a planície do Rio Amazonas. Mas é bom ficar atento: não é a altitude de um relevo que determina se ele é uma planície; o principal fator definidor é o acúmulo de sedimentos. Nas regiões elevadas, por exemplo, existem as planícies de montanha, que são formadas de rocha sedimentar e delimitadas por aclives. ALTOS E BAIXOS Exemplos de relevo (da esquerda para a direita): Depressão do Mar Morto (Israel), Cordilheira do Himalaia (Nepal), Planalto do Apalache (EUA) e Planície Amazônica (Brasil) [1] 29GE GEOGRAFIA 2017 1. ÁSIA: Everest (Nepal) 8.850 m 2. AMÉRICA DO SUL: Aconcágua (Argentina) 6.959 m 3. AMÉRICA DO NORTE: McKinley (EUA) 6.194 m 4. ÁFRICA: Kilimanjaro (Quênia) 5.895 m 5. EUROPA: Elbrus (Rússia) 5.642 m 6. ANTÁRTICA: Maciço Vinson 4.897 m 7. OCEANIA: Kosciuszko (Austrália) 2.228 m Fonte: Atlas National Geographic MONTES MAIS ALTOS POR CONTINENTE O maior deles fica na cordilheira do Himalaia, no Nepal ELEVAÇÃO OCEÂNICA O arquipélago de Fernando de Noronha é formado a partir de alguns pontos emersos da Dorsal Mesoatlântica [1] iSTOCK PHOTO | DIVULGAÇÃO | IRMO CELSO [2] iSTOCK PHOTO AS FORMAÇÕES DO RELEVO NO MUNDO 4.800 m 3.000 m 1.800 m 1.200 m 600 m 300 m 150 m 0 -1.000m -2.000 m -3.000 m -4.000 m -5.000 m -6.000 m -7.000 m -8.000 m ALTITUDES Picos Fonte: IBGE Aconcágua Maciço Vinson Pico da Neblina Mte. McKinley Mte. Elbrus Mte. Kilimanjaro Mte. Everest Mte. Kosciuszko TETO DO MUNDO Os maiores picos do mundo ficam na cordilheira do Himalaia, um complexo montanhoso localizado no coração da Ásia. NAS PROFUNDEZAS DO OCEANO O local mais profundo dos oceanos é a Fossa das Marianas, um enorme vale submarino localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oceano Pacífico SALGADO E SEM VIDA O Mar Morto banha Israel, Jordânia e Cisjordânia e é a maior depressão do globo BERÇO DAS ÁGUAS O planalto dos Grandes Lagos abriga as nascentes das duas maiores bacias hidrográficas do continente: a do Rio Congo, a maior em volume de água, e a do Rio Nilo. CORDILHEIRAS OCEÂNICAS A Dorsal Mesoatlântica forma uma cadeia de montanhas que se estende de norte a sul no Oceano Atlântico As maiores altitudes (mancha marrom) ficam no centro-sul da Ásia. As planícies (áreas verdes e amarelo-claras) estão espalhadas pelo globo SEDIMENTOS ACUMULADOS A Planície Amazônica é uma faixa de terra que acompanha o Rio Amazonas e torna-se mais larga quando chega na foz, na Ilha de Marajó [2] 30 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA PLACAS TECTÔNICAS A s placas tectônicas são gigantescos blocosque compõem a camada sólida externa do nosso planeta (a litosfera), sustentando os continentes e os oceanos. Impulsionadas pelo movimento do magma incandescente (material em estado líquido-pastoso no interior da Terra), as principais placas se empurram, afastam-se umas das outras e afundam ou se elevam alguns milímetros por ano, alterando suas dimensões e modificando o contorno do relevo terrestre. Esses imensos fragmentos atuam como artistas que, continuamente, recriam a paisagem da Terra. Aliás, a palavra tectônica vem de tektoniké, expressão grega que significa “a arte de cons- truir”. A configuração atual dos continentes, por exemplo, é fruto de milhões de anos de “trabalho artístico” das placas. Veja ao lado as característi- cas de 16 das mais importantes placas tectônicas. A deriva continental Desenvolvida pelo alemão Alfred Lothar We- gener, a teoria da deriva continental não recebeu muito crédito quando foi divulgada em 1912. À época, poucos acreditaramna hipótese levantada por este cientista de que, no passado geológico, toda a crosta terrestre estava unida em um único continente – a Pangeia – e que, posteriormente, ela se rompeu em dois supercontinentes: Laurásia e Gondwana. Estas, por sua vez, se desmembraram em várias outras partes, que passaram a se mover em diferentes direções. Para sustentar sua argu- mentação, Wegener recorreu à semelhança dos contornos da África ocidental e do leste da América ç ç do Sul e também à análise de fósseis e amostras de rochas. Posteriormente, a confirmação de que as placas rochosas flutuam sob magma incandescente ajudou a fortalecer a tese de Wegener. Atualmente, geólogos do mundo inteiro reto- mam e aprofundam as descobertas de Wegener a partir da teoria da Tectônica das Placas. Os estudos em vigor desde a década de 1960 descre- vem a analisam com detalhes os movimentos das placas que compõem a crosta terrestre, bem como suas consequências, como os abalos sísmicos e as alterações no relevo terrestre e do fundo dos oceanos. Confira à direita como foi o processo de deslocamento de terras que resultou na formação dos atuais continentes. As construtoras da Terra As placas tectônicas modelam e modificam o relevo do planeta há pp milhões de anos PLACA DE COCOS Foi formada a partir do Foi formada a partir do desprendimento da placa do Pacífico. Fundiu-se com a placa do Caribe, criando uma zona turbulenta QUEBRA-CABEÇA PLANETÁRIO Conheça as características de 16 das mais importantes placas tectônicas PLACA DA AMÉRICA DO NORTE O deslocamento em relação à placa do Pacífico cria uma zona turbulenta: em um dos limites, na Califórnia, está a falha de San Andreas, famosa pelos terremotos arrasadores PLACA DO PACÍFICO Com cerca de 70 milhões de quilômetros quadrados, está em constante renovação na região do Havaí, onde o magma sobe e cria ilhas vulcânicas. No encontro com a placa das Filipinas, ela afunda em uma área conhecida como fossa das Marianas, na qual o oceano atinge sua profundidade máxima: 10.920 metros PLACA DE NAZCA A cada ano, essa placa de 10 milhões de quilômetros quadrados no leste do Oceano Pacífico fica 10 centímetros menor pelas trombadas com a placa Sul-Americana. Esta, por ser mais leve, desliza por cima da placa de Nazca, criando vulcões e elevando as montanhas dos Andes PLACA JUAN DE FUCA É a menor das placas tectônicas, que se fundiu com a placa Norte- Americana e criou a cordilheira das Cascatas, nos Estados Unidos Todos os continentes estavam reunidos em um único chamado Pangeia (do grego: toda terra), formado durante a era Paleozoica 225 MILHÕES DE ANOS ATRÁS A Pangeia começou a se partir no sentido leste-oeste, formando dois subcontinentes: Laurásia e Gondwana 180 MILHÕES DE ANOS ATRÁS DERIVA DOS CONTINENTES 31GE GEOGRAFIA 2017 PLACA DA ÁFRICA No meio do Atlântico, uma falha submersa abre caminho para o magma do manto inferior, fazendomagma do manto inferior, fazendo com que esse bloco se afaste da placa Sul-Americana e cresça de tamanho. A tendência é passar os 65 milhões de quilômetros atuais PLACA DO CARIBE A placa do Caribe desliza ao lado da placa Norte-Americana, criando falhas transformantes.criando falhas transformantes. Foi o atrito entre elas que gerou, em 2010, o avassalador terremoto no Haiti, país que fica no limite entre as duas placas PLACA SUL-AMERICANA Como o Brasil está no meio desse bloco, ele sente pouco os efeitos de terremotos. No centroefeitos de terremotos. No centro do continente, a placa tem 200 quilômetros de espessura; na borda com a placa da África, não passam de 15 quilômetros PLACA IRANIANAP Localizada entre as placas Arábica e L Euroasiática, o bloco sustenta a maior parte do E território do Irã. Por causa disso, o país registrat grande atividade sísmica, como o terremoto deg 2006, que matou mais de 31 mil pessoas2 PLACA DE ANATÓLIA Sobre esta placa fica boa parte do território da Turquia. O choque desse bloco com a placa Arábica e com a placa Euroasiática torna o país uma área sujeita a violentas atividades sísmicas PLACA DA ANTÁRTICA É o bloco que dá suporte à Antártida e a uma parte do Atlântico Sul, em um total de 25 milhões de quilômetros quadrados PLACA ARÁBICA A placa sustenta a Península Arábica e foi responsável pela criação do Mar Vermelho. O choque com a placa Euroasiática e com a placa Indiana provoca fortes terremotos PLACA AUSTRALIANA O bloco que sustenta a Austrália e a maior parte do Oceano Índico ruma velozmente para o norte. Além de se chocar com a placa Indiana, a borda nordeste bate na placa do Pacífico, criando ilhas na região turbulenta PLACA INDIANA A placa comporta todo o subcontinente A indiano. No choque com a placa Euroasiática, nasceu o conjunto de montanhas do Himalaia, no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas com altitudes superiores a 7 mil metros PLACA DAS FILIPINAS Essa placa concentra em seus limites quase a metade dos vulcões ativos do planeta. Colisões com a placa Euroasiática causam terremotos c e erupções destruidoras, como a do Monte e Pinatubo, em 1991, uma das mais violentas dos últimos 50 anos PLACA EUROASIÁTICA Sustenta a Europa, parte da Ásia, do Atlântico Norte e do Mar Mediterrâneo. Ela se choca contra a placa das Filipinas e com a do Pacífico, onde fica o Japão. O encontro triplo é tumultuado e dá origem a uma das áreas do globo com o maior índice de terremotos e vulcões do planeta [1] Fendas separaram a América do Sul, a África e a Índia, iniciando a formação dos oceanos Atlântico e Índico ç 135 MILHÕES DE ANOS ATRÁS A placa da Índia deslocou-se em direção à Ásia. O choque entre os dois blocos formou as regiões elevadas do Himalaia e do Tibete 65 MILHÕES DE ANOS ATRÁS Na atual configuração da Terra, a deriva continua. A América do Sul, por exemplo, afasta-se da África cerca de 5 centímetros por ano ATUALMENTE [1] MULTI/SP [2] LUIZ IRIA E RODRIGO RATIER/REVISTA MUNDO ESTRANHO [2] 32 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO E O VENTO MUDOU As dunas exemplificam como o relevo está sujeito a transformações [1] O relevo é resultado da dinâmica de fenômenos internos e exter-nos sobre a camada mais super- ficial da Terra, a litosfera. Depressões, planícies, planaltos e montanhas foram esculpidos no decorrer de milhões de anos – e continuam em constante trans- formação. A qualquer momento, por exemplo, terrenos podem ser elevados por pressões de dentro do planeta ou mesmo ser gastos por agentes do intem- perismo, mudando de cara e ganhando novas curvas. Duas ações combinam-se para modelar o relevo: as forças internas ou endógenas, que dão as linhas mestras do relevo, e as externas ou exógenas, que modificam as formas já existentes. Veja a seguir as forças que esculpiram – e continuam esculpindo – os contornos do planeta. Eu tenho a força! Os vigorosos agentes internos e externos que, a cada segundo, modelam o relevo FORÇAS INTERNAS Também chamadas de endógenas, são as forças responsáveis por dar forma ao relevo. São três os agentes internos do globo: o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos. 1 TECTONISMO São os lentos deslocamentos das placas tectônicas, que podem ser vertical ou horizontal. Quando é vertical (epirogênese), levanta ou abaixa a crosta durante um prolongado espaço de tempo. É o que ocorre, por exemplo, na Península Escandinava, que se eleva alguns centímetros todo ano. Quando o movimento de uma placa em relação a outra é horizontal (orogênese), uma acaba entrando embaixo da outra (a subducção). É o processo que resulta na formação das imensas cadeias de montanhas e de fossas. Veja exemplos de como as placas tectônicas se movimentam. FALHAS TRANSFORMANTES São criadas por duas placas que deslizam uma ao lado da outra. O atrito entre elas guarda muita tensão, que pode causar terremotos destruidores. Exemplo disso é a falha de San Andreas, que corta a costa da Califórnia, nos Estados Unidos, e o litoral oeste do México. PLACAS CONVERGENTES1 São placas que vão uma de encontro à outra. A placa mais densa mergulha para baixo da menos densa. É o caso do choque entre uma placa oceânica (mais densa) e outra continental. Elas se comprimem, dando origem a cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes. As regiões em que esse de tipo de choque ocorre são suscetíveis a terremotos. PLACAS CONVERGENTES 2 Quando as placas têm a mesma densidade (duas placas continentais, por exemplo), chocam-se e se comprimem. O Himalaia é resultado desse fenômeno. PLACAS DIVERGENTES São aquelas que se afastam. Pela falha aberta na crosta pode escapar magma, dando origem a ilhas vulcânicas, como as do Havaí. O Oceano Atlântico é cortado de norte a sul por uma falha desse tipo, que está afastando a América do Sul da África. Esse tipo de estrutura provoca menos terremotos. 33GE GEOGRAFIA 2017 2 VULCANISMO Os vulcões são fendas na crosta terrestre por meio das quais o magma, o material em estado líquido-pastoso vindo do manto, atinge a superfície. Existem dois tipos básicos de vulcão: o explosivo e o não explosivo. O primeiro aparece nos pontos de encontro das placas tectônicas, os grandes blocos que formam a litosfera – seu melhor exemplo está nos vulcões que desenham o Cinturão de Fogo, em torno do Oceano Pacífico. Esse tipo se caracteriza também pela lava quase sólida, além de expelir poeira e uma mistura de gases e vapor-d’água. A lava desses vulcões vem das profundezas da Terra, onde a temperatura elevada derrete a rocha da crosta oceânica e faz com que ela se misture à água do mar. É justamente a presença de água que confere o caráter explosivo ao vulcão. Isso ocorre porque, conforme a lava sobe, o vapor-d’água é liberado da rocha e esbarra numa tampa formada pelo material endurecido da explosão anterior, aumentando a pressão até explodir de vez. Já os vulcões não explosivos, como os do Havaí, ficam bem no meio de uma placa tectônica, longe do choque entre elas. Esse tipo surge quando ocorre alguma fissura na crosta terrestre por onde a lava pode escorrer. Essa lava é mais líquida e incandescente. NATUREZA EM FÚRIA POMPEIA UMA REGIÃO VITIMADA PELA FÚRIA DO VESÚVIO Hoje, parece impossível viver à beira de um vulcão e não se dar conta do perigo. Mas era assim que os moradores do balneário romano de Pompeia levavam a vida no ano de 79, pois já fazia quase 2 mil anos que o Monte Vesúvio não entrava em erupção. Quando a montanha soltou um estrondo, o chão tremeu e uma nuvem preta encobriu o sol, as pessoas saíram para a rua, curiosas. Alguns minutos depois do primeiro rugido, o vulcão lançou uma saraivada de pedras e começou a fazer as primeiras vítimas. Outras morriam ao respirar a fumaça. No fim do processo, duas avalanches cobriram Pompeia com 6 metros de cinzas e pedras, matando 16 mil pessoas. A coisa aconteceu de forma tão rápida que é como se as cidades tivessem ficado congeladas no tempo, tornando-se os registros mais detalhados da era romana que chegaram até nós. A foto ao lado mostra o “Jardim dos Fugitivos”, que abriga diversos corpos fossilizados, cobertos pelas cinzas do Vesúvio. ACESSO ÀS PROFUNDEZAS Os vulcões, como o Parinacota, no Deserto do Atacama, no Chile, são fendas por onde o magma sai PARA IR ALÉM O documentário Tudo sobre Vulcões, do Discovery Channel, apresenta imagens de uma série de erupções vulcânicas e teorias desenvolvidas por cientistas que podem ajudar a prever esses fenômenos. [1] SERGIO DUTTI [2] FELIPE ORRIGO [3] VALDEMIR CUNHA [2] [3] 34 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO 3 ABALOS SÍSMICOS São tremores na superfície terrestre causados pelo movimento das placas tectônicas ou em virtude da grande energia liberada pelo vulcanismo. Eles se propagam a partir do hipocentro (foco de contato entre as placas) em ondas pelas rochas, atingindo regiões distantes do epicentro (ponto na superfície da Terra diretamente acima do local onde se registra a maior intensidade do tremor). A cada vez que as enormes placas se encontram, grande quantidade de energia fica acumulada em suas rochas. De tempos em tempos, o arsenal é liberado de forma explosiva – essa liberação pode ser sentida por meio de terremotos que chacoalham as áreas continentais do globo, geralmente nas bordas das placas. Quando os abalos sísmicos ocorrem no fundo oceânico, são batizados de maremoto. Esses últimos podem causar os temíveis tsunamis, ou ondas gigantes (veja mais na pág. 58). NATUREZA EM FÚRIA HAITI VIOLENTO TERREMOTO DEVASTA PAÍS POBRE No dia 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu violentamente no Haiti. Em apenas um minuto, o terremoto de 7 pontos na escala Richter derrubou 90% das construções de sua capital, Porto Príncipe. Mais de 3 milhões de pessoas – um terço da população haitiana – foram afe- tadas pelo tremor. O número de mortos é estimado entre 220 mil e 250 mil. O terremoto no Haiti foi uma tragédia anun- ciada. A ilha de Hispaniola, que abriga o Haiti e a República Dominicana, fica sobre a fenda entre duas grandes placas tectônicas, a do Caribe e a Norte-Americana (veja mais na pág. 30). E regiões desse tipo estão sujeitas a abalos sísmicos. País mais pobre das Américas, o Haiti já tinha enormes carências mesmo antes da catástrofe. Em 2016, seis anos após o terre- moto, 60 mil pessoas ainda vivem em acam- pamentos improvisados. Sem perspectivas, muitos haitianos acabam migrando para nações como o Brasil, onde esperam uma oportunidade de recomeçar a vida. VOCÊ SABIA? TERREMOTOS NO BRASIL As regiões mais propícias a terremotos localizam-se na junção das placas tectônicas. Isso explica a maior incidência de tremores em países como Chile, Japão e Irã. Como o Brasil fica bem no meio da placa Sul-Americana, uma região bem mais estável, não há abalos sísmicos de grandes proporções. Mas isso não significa que estamos livres de tremores. Fenômenos de pequena intensidade podem se manifestar como reflexo de outros ocorridos em locais mais distantes em razão de pequenas falhas nas placas. Em abril de 2008, um abalo de 5,2 pontos na escala Richter atingiu a cidade de São Paulo e assustou milhares de moradores. Um ano antes, um tremor de 4,9 pontos na cidade de Itacarambi, no norte de Minas Gerais, provocou a primeira vítima fatal de terremotos no Brasil, depois que uma parede caiu sobre uma criança de 5 anos. [1] DEVASTADO O terremoto no Haiti, em 2010, derrubou 90% das construções da capital, Porto Príncipe 35GE GEOGRAFIA 2017 FORÇAS EXTERNAS Também chamadas de exógenas ou agentes esculpidores, são as forças que modelam o relevo terrestre. Os principais agentes desse grupo são a erosão e o intemperismo: 2 INTEMPERISMO É o processo de degradação das rochas provocado por fenômenos químicos e físicos. � O INTEMPERISMO QUÍMICO ocorre quando a rocha tem sua composição química alterada pelo efeito da água e da umidade no decorrer dos anos, provocando sua decomposição. � O INTEMPERISMO FÍSICO ou mecânico consiste na fragmentação das rochas por meio de alguns dos seguintes processos: • solidificação da água: a água em estado líquido se infiltra na fenda das rochas, onde fica acumulada. Com a queda de temperatura, a água se solidifica, passando a ocupar um volume 10% maior que o do estado líquido, o suficiente para fragmentar a rocha. • raízes de plantas: o crescimento das raízes das árvores por entre as rochas alarga as fendas e ajuda a desintegrar sua estrutura. • variação de temperatura: em locais onde a alteração da temperatura diária é mais constante – como nos desertos ou em regiões próximas aos polos –, as rochas estão sujeitas a contrações e dilatações frequentes. Com o tempo, esse processo provoca fraturas em sua composição. 1 EROSÃO A exposição prolongada a agentes naturais provoca o desgaste das rochas e dos solos. O processo de desintegração e consequente transporte do material decomposto recebeo nome de erosão. Veja os principais elementos causadores desse fenômeno. VENTOS As dunas dos desertos e as paisagens das praias são exemplos clássicos de formação por erosão eólica. RIOS Vales, cânions e planícies nos mais diversos continentes são moldados pelo movimento sinuoso das águas dos rios. MARES O choque das ondas do mar em paredões litorâneos provoca o desgaste da superfície, dando origem às falésias. GELEIRAS Os fiordes na Península Escandinava, no norte da Europa, também são formados pelo deslocamento das geleiras e pelo desgaste que elas provocam nas montanhas. [1] iSTOCK PHOTO [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL NOVAES [4] RODRIGO CESAR [5] iSTOCK PHOTO [2] [3] [4] [5] � O QUE ISSO TEM A VER COM A FÍSICA Quando um corpo sólido que tem dimensões significativas é submetido a uma variação de temperatura, ocorre uma dilatação ou contração volumétrica. Para calcular a variação do volume de um corpo em função da variação de temperatura é utilizado um coeficiente de dilatação volumétrico. Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE FÍSICA. 36 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA RELEVO DO BRASIL BACIA SEDIMENTAR AMAZÔNICA ESCUDO DO BRASIL CENTRAL ESCUDO DAS GUIANAS BACIA SEDIMENTAR DO MARANHÃO ESCUDO ATLÂNTICO DOBRAMENTOS – ATLÂNTICO DOBRAMENTOS – NORDESTE DOBRAMENTOS – BRASÍLIA BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ Predomínio de rochas sedimentares Predomínio de rochas cristalinas 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico Fonte: IBGE Terra (velha) à vista! Os principais tipos de relevo do Brasil foram esculpidos sobre rochas de milhões e milhões de anos Apesar de o Brasil ser uma nação relati-vamente jovem, com pouco mais de 500 anos, contando a partir da chegada dos portugueses, seus terrenos são de outras eras. Tudo teve início há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando a litosfera começou a se formar, com o resfriamento do magma, e, mais tarde, com os movimentos das placas tectônicas. Nesses pri- mórdios da história terrestre, durante a era Ar- queozoica, as primeiras rochas deram origem aos escudos cristalinos, ou maciços antigos, um dos dois tipos de formação geológica que ocorrem no Brasil. Do longo processo de erosão dos escudos cristalinos surgiu o outro tipo de estrutura geo- lógica do país: as bacias sedimentares. Presentes na maior parte do território, são constituídas de rochas formadas pela desagregação de outras rochas e de diferentes materiais (veja a estrutura geológica brasileira no mapa abaixo). Em razão dessa formação antiga, e sofrendo há milênios com a erosão de agentes do intem- perismo como ventos e chuva, as altitudes por aqui são modestas: aproximadamente 40% do território se encontra abaixo de 200 metros de altitude e cerca de 90% não passa de 900 metros. Outro fator para termos um relevo considerado tão baixo é a ausência dos dobramentos modernos que deram origem a imensas cadeias de mon- tanhas, como os Alpes e os Andes. Isso ocorre porque o Brasil se localiza bem no meio da placa Sul-Americana, longe das zonas de choque entre as placas tectônicas, onde se dão os movimentos de soerguimento ou afundamento das placas. Sem as cadeias de montanhas, sobram-nos outros três principais tipos de relevo: planaltos, planícies e depressões. Com base nisso, no de- correr dos anos, os estudiosos propuseram várias classificações do perfil geográfico brasileiro. A mais aceita foi estabelecida, nos anos 1990, pelo geógrafo Jurandyr Ross, da Universidade de São Paulo (USP). Considerando o processo de forma- ção dos diversos relevos do mundo (veja mais na pág. 27), e também a altitude das formações do Brasil, Ross chegou à definição de 28 estruturas no país: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies. Veja na página ao lado três destaques do ancestral relevo brasileiro. PERTO DO CÉU Entre MG e RJ, o Pico das Agulhas Negras é o quinto mais alto do Brasil, com 2.791 metros ESTRUTURA GEOLÓGICA DO BRASIL 37GE GEOGRAFIA 2017 PLANÍCIES E TABULEIROS LITORÂNEOS Relevo característico do litoral das regiões Norte e Nordeste e do norte do Espírito Santo, constitui-se da combinação de planícies, formadas pela deposição de sedimentos de rios e do mar, e dos tabuleiros, terrenos de baixa altitude (entre 30 e 60 metros) que terminam de forma abrupta na costa, em escarpas – neste caso chamadas de falésias. Na definição de Ross, as planícies são superfícies planas e áreas em que o processo de acumulação de sedimentos é maior que o erosivo. DEPRESSÃO DO ARAGUAIA Acompanhando o leito do Rio Araguaia, essa depressão tem superfície entre 300 e 400 metros de altitude; configura-se uma depressão por estar abaixo dos terrenos que a circundam. Na definição de Ross, depressões são superfícies formadas por processos erosivos, com suave inclinação e menos irregulares que planaltos. Entre as 11 depressões brasileiras, também merecem destaque a depressão da Amazônia Ocidental (com cerca de 200 metros de altitude) e a depressão da borda leste da bacia do Paraná (que chega a atingir altitudes entre 600 e 750 metros). 1 2 7 4 10 9 5 6 3 8 Fontes: IBGE e Jurandyr Ross Planaltos Planícies Depressões DESTAQUES DO RELEVO BRASILEIRO 2 3 1 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Planaltos Residuais Norte-Amazônicos Depressão Marginal Norte-Amazônica Planalto da Amazônia Oriental Planície do Rio Amazonas Depressão Marginal Sul-Amazônica Planaltos Residuais Sul-Amazônicos PERFIS DE RELEVO Confira três grandes recortes do Brasil NORTE Este perfil (noroeste-sudeste), com cerca de 2 mil quilômetros, vai das altas serras de Roraima até Mato Grosso. Mostra as faixas de planícies às margens do Rio Amazonas, a partir das quais vêm extensões de terras mais altas: planaltos e planícies 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Planície do Pantanal Mato- Grossense Oceano Atlântico Planaltos e chapadas da bacia do Paraná Rio Paraná Depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná Planaltos e serras do Atlântico leste-sudeste 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Rio Parnaíba Planaltos e chapadas da bacia do rio Parnaíba Escarpa (ex-serra) do Ibiapaba Depressão Sertaneja Planalto da Borborema Tabuleiros litorâneos Oceano Atlântico NORDESTE Com quase 1,5 mil quilômetros, este perfil vai do Maranhão a Pernambuco. É um retrato fiel do relevo da região, com destaque para os dois planaltos (o da bacia do Parnaíba e o de Borborema) cercando a Depressão Sertaneja (ex-Planalto Nordestino) CENTRO-OESTE E SUDESTE Este corte, de cerca de 1,5 mil quilômetros, vai de Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Além da planície do Pantanal, pode-se ver a bacia do Paraná, formada por rios de planalto, que abrigam as maiores hidrelétricas do país PONTOS MAIS ALTOS DO BRASIL (em metros) 1 2.993 Pico da Neblina 2 2.972 Pico 31 de Março 3 2.891 Pico da Bandeira 4 2.798 Pico Pedra da Mina 5 2.791 Pico das Agulhas Negras 6 2.769 Pico do Cristal 7 2.734 Monte Roraima 8 2.680 Morro do Couto 9 2.670 Pedra do Sino de Itatiaia 10 2.665 Pico Três Estados Fontes: IBGE e Jurandyr Ross PLANALTOS E SERRAS DO ATLÂNTICO LESTE-SUDESTE Estendendo-se do sul da Bahia ao sul do país, esse imenso planalto é composto de diferentes subunidades morfológicas, como a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são formados de antigos escudos cristalinos, que, em alguns pontos, e há milhões de anos, foram erguidos por movimentos resultantes do choque entre placas tectônicas a grande distância. O resultado disso é o relevo acidentado e heterogêneo da região, com vales profundos, escarpas (terrenos muito íngremes que lembram degraus), chapadas (superfícies extensas e horizontais, de elevada altitude) e elevações, como o Pico das Agulhas Negras, na Serra do Itatiaia (MG/RJ), de 2.791,55 metros. Na definição de Ross, o planalto caracteriza-se por ser uma região em que o processoerosivo supera o de acumulação – são conhecidos como formas residuais, ou seja, resultantes do processo de erosão. Além de cristalinos, podem ser sedimentares, como é o caso dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos. MARIO RODRIGUES 3 2 1 38 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA RECURSOS MINERAIS A s rochas são agrupamentos de minerais que formam a crosta terrestre e se desenvolve-ram no decorrer de bilhões de anos. Entre as mais de 3,5 mil variedades de rochas, estão os minérios, dos quais podemos extrair substâncias de interesse econômico. No conjunto dos minérios, distinguem-se aqueles utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio, o ferro, o magnésio e o titânio. Embora os minérios metálicos tendam a se concentrar em maciços rochosos por toda a crosta terrestre, os depósitos mais explorados en- contram-se em rochas metamórficas, nos escudos cristalinos da crosta continental. O ouro e a platina são os únicos minérios me- tálicos que ocorrem principalmente na forma Riqueza que vem do solo Conheça o processo de formação geológica dos minérios e suas principais aplicações econômicas de metais na natureza. Zinco, prata, ferro, cobre e outros metais também podem ser achados no estado primário, mas normalmente estão associados a outros minerais. Nesses casos, os minérios são reduzidos pela metalurgia para se transformar em metais. As substâncias minerais são utilizadas como matéria-prima em diversos processos de manu- fatura. Alguns exemplos são: o alumínio e o ferro na construção civil; o manganês na fabricação de fertilizantes e pilhas; as argilas na fabricação de cerâmicas; o zircônio na fabricação de pisos e revestimentos; e o caulim na fabricação de papel e celulose, vidros e tintas. Onde estão os minérios no Brasil Com aproximadamente 36% de seu território formado por escudos cristalinos, o Brasil pos- sui algumas das reservas minerais mais ricas do planeta, incluindo minério de ferro, bauxita (alumínio), cobre, zinco, cromo, níquel, calcário e argila. A maioria dos minérios metálicos do Brasil encontra-se em Minas Gerais, na região chamada Quadrilátero Ferrífero, e no Pará, na província mineral de Carajás. Os dois estados respondem por quase dois terços de toda a pro- dução mineral brasileira. Outras unidades da federação também abri- gam importantes reservas minerais. Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, destacam- se pelo carvão. Já Bahia e Espírito Santo estão entre os principais produtores de pedras precio- sas do Brasil, enquanto Goiás tem significativas jazidas de cobre. Veja no mapa onde se localizam as principais jazidas minerais no país. PRINCIPAIS RESERVAS MINERAIS NO BRASIL Bauxita Cobre Diamante Ferro Manganês Níquel Ouro Fonte: Departamento Nacional de Produção Mineral Bauxit Cobre Diama Ferro Manga TERRA FERIDA Marcas de mineração na Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG) 39GE GEOGRAFIA 2017 Área pré-sal Petrobras + Parceiros pré-sal Petrobras + Parceiros pós-sal Petrobras pré-sal Petrobras pós-sal Libra Júpiter Ostra Abalone Argonauta Bacia de CamposRota 1 - Mexilhão Rota 2 - Com perj Ro ta 3 - T ec ab Bacia de Santos Lula Área de Iracema Iara Franco Parati Lapa Sapinhoá BM-S-50 Caramba Bem-Te-Vi Carcará SP RJ ES MG Fonte: Petrobras Formação do petróleo Principal fonte de energia mundial, o petróleo é um combustível fóssil formado da decom- posição de matérias orgânicas em ambientes marinhos. O acúmulo de restos de animais e vegetais microscópicos que se precipitam no fundo marinho origina bacias sedimentares, nas quais, em milhões de anos, a ação de microrga- nismos, o calor e a pressão intensos reduzem a matéria orgânica a uma massa viscosa de car- bono e hidrogênio – o petróleo. Infiltrando-se por rochas porosas, ele migra para regiões de menor pressão até sair para a superfície ou topar com uma camada impermeável. Bloqueado, o petróleo se acumula nos poros e fraturas das rochas sedimentares, de onde é extraído. As regiões mais propícias para a formação do petróleo são mares interiores, baías e golfos. As reservas existentes no interior dos continen- tes resultam de áreas originalmente marinhas que foram erguidas por meio de movimentos na crosta terrestre ou do óleo que migrou das rochas geradoras até as rochas armazenadoras através das fissuras. O pré-sal brasileiro Desde que foram descobertas as reservas de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, em 2007, um novo termo passou a frequentar os noticiários: o pré-sal. Trata-se do nome que os geólogos dão à camada de rochas porosas que se localiza abaixo de uma espessa camada de sal no subsolo marinho. É lá que ficam os grandes reservatórios de petróleo, em uma faixa que se estende por 800 quilômetros na área marítima entre o Espírito Santo e Santa Catarina, a mais de 7 mil metros de profundidade. A explora- ção do petróleo no pré-sal pode fazer o Brasil dobrar suas reservas, que estão em torno de 15 bilhões de barris. As jazidas do pré-sal começaram a se formar há mais de 100 milhões de anos, quando o super- continente Gondwana se partiu, dando origem aos continentes sul-americano e africano (veja na pág. 30). Na Bacia de Campos, o principal campo petrolífero brasileiro localizado na camada pós-sal, o óleo está armazenado em rochas com predomínio de silício. No pré-sal, a substância encontra-se armazenada em rochas constituídas essencialmente de carbonato de cálcio e magnésio, o que dificulta o trabalho dos geólogos. Mesmo com esses desafios, a extração nos poços da ca- mada do pré-sal já responde por um terço do total de petróleo produzido no país, ultrapassando a marca de 1 milhão de barris por dia. SAIBA MAIS GÁS DE XISTO Nos últimos anos, a exploração do gás de xisto vem revolucionando o setor energético, especialmente nos Estados Unidos (EUA), onde a tecnologia para sua extração é mais desenvolvida. O mineral em questão, na verdade, é o folhelho – xisto é o nome informal e mais conhecido no mercado de energia. Trata-se de uma formação de rocha sedimentar, resultante da decomposição de material orgânico, sob calor e pressão no subsolo. Ele contém gás natural e uma forma de petróleo, chamada de pirogênio, da qual se produzem os mesmos derivados do petróleo convencional, como gasolina e diesel. As novas técnicas de perfuração do solo, contudo, envolvem riscos de contaminação dos lençóis freáticos e de desestabilização do solo. Por causa disso, a exploração do xisto é proibida em muitos países. No Brasil foi realizado um leilão em 2013 para licitar 240 blocos com potencial para exploração do xisto. No entanto, os trabalhos vêm sendo embargados pela Justiça, que exigem uma definição a respeito do uso da nova tecnolo- gia pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). � COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS Eles recebem esse nome pois se formaram a partir da fossilização de seres vivos: do plâncton marinho, no caso do petróleo e do gás natural, e de florestas e pântanos no caso do carvão mineral. As reservas atualmente exploradas são resultantes da deposição e decomposição ocorridas em tempos geológicos passados. O mapa mostra a extensão e jazidas do pré-sal, além de jazidas do pós-sal. Nos campos em que a Petrobras trabalha com petroleiras estrangeiras, nominamos apenas aqueles que são do pré-sal AS JAZIDAS DO PRÉ-SAL YANN ARTHUS-BERTRAND 40 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS O solo é uma camada com espessuras variadas (de alguns centímetros a vários metros) de material não consolidado que cobre a superfície da crosta terrestre. Constituído por matéria mineral e matéria orgânica, é o substrato para a vida dos ecossistemas. Os solos são resultado da decomposição das rochas, que através dos anos passam por um processo de intemperismo físico, químico e biológico. Esse processo cria diferentes camadas, às quais se dá o nome de horizontes. O conjunto dos horizontes constituio perfil do solo, que permite identificar o estágio de formação em que se encontram (veja a figura abaixo). Camada sobre camada Saiba mais sobre as características dos solos e os fatores que contribuem para sua fertilidade Fonte: GOETTEMS, Arno Aloísio; JOIA, Antonio Luís. Geografia: leituras e interação – vol. único. São Paulo: Leya, 2013. Pg 93. Fertilidade dos solos Os solos podem ser classificados em “agri- cultáveis” e “não agricultáveis”. Geralmente, as terras que não permitem a exploração agrícola são encontradas em altitudes muito elevadas, como nos picos do Himalaia, dos Andes e demais cadeias montanhosas, ou em regiões desérticas frias (regiões polares) e quentes (Deserto do Saara), onde as restrições decorrem das tem- peraturas extremas ou da escassez de água. As áreas mais exploradas para a produção agropecuária são aquelas com climas favoráveis, com pluviosidade e temperaturas adequadas, FORMAÇÃO E PERFIS DE SOLO EM CLIMAS ÚMIDOS Nos solos maduros podem ser identificadas as camadas O, A, B e C, que se diferenciam pela composição físico-química, cor, presença ou ausência de matéria orgânica, entre outras características. CARACTERÍSTICAS DOS HORIZONTES DO SOLO O Horizonte orgânico, também denominado de serrapilheira. Corresponde à camada superficial de florestas e matas; é composto de materiais de origem vegetal e animal em decomposição. A Horizonte mineralógico. Composto de material de origem mineral proveniente da rocha-mãe ou trazido de outros lugares por vento, água ou gelo. Há grande presença de matéria orgânica decomposta, motivo pelo qual pode ser denominado horizonte humífero (húmus). B Horizonte de acumulação de argila, matéria orgânica e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio provenientes das camadas superiores. Esse processo de transferência de minerais entre camadas é chamado lixiviação, considerado um tipo de erosão química do solo. C Horizonte de rocha alterada, denominado alterita ou saprolito. É nele que começa a decomposição da rocha. Formado por sedimentos grosseiros na base e por sedimentos mais finos na parte superior. R Rocha que dá origem ao solo, também denominada rocha-mãe. A velocidade de decomposição depende de vários fatores, como a composição mineral da própria rocha e o tipo de clima (climas quentes e úmidos tendem a acelerar o intemperismo). 41GE GEOGRAFIA 2017 e solos férteis. A fertilidade natural dos solos depende, primeiramente, da sua composição química – os solos muito férteis dispõem de nutrientes suficientes para a exploração agrí- cola, sem a necessidade de adubação artificial. Além disso, a fertilidade dos solos está ligada à capacidade de reter água e matéria orgânica (o que depende da presença de argilas) e de reter oxigênio (o que depende da estrutura física, já que o solo precisa ser poroso e “aerado”). Veja abaixo algumas regiões do globo que se destacam por apresentarem solos férteis, intensamente explorados pela agricultura. RECÔNCAVO BAIANO (BRASIL/BAHIA) Região com o solo massapê, argiloso e de elevada fertilidade química natural. A presença de argila é importante para regular a drenagem e, consequentemente, evitar a perda de nutrientes essenciais para as plantas. Esse tipo de solo possibilitou a implantação das primeiras plantações de cana-de-açúcar e dos engenhos de cana pelos colonizadores portugueses. 8 REGIÃO SUL 9 REGIÃO CENTRO-OESTE (BRASIL) Possuem os latossolos vermelhos originados a partir da decomposição do basalto, rico em ferro. Ao ser oxidado, este mineral confere a cor avermelhada ao solo. Os imigrantes italianos que se dirigiram para as plantações de café no interior do estado de São Paulo apelidaram esse solo de “terra rossa” (terra vermelha), motivo pelo qual esses solos são muitas vezes (e erroneamente) denominados “terra roxa”. 3 UCRÂNIA 4 ARGENTINA Esses países possuem o solo tchernozion (do russo tcherno = escuro e zion = terra) ou chernozén. Quimicamente fértil e com elevada matéria orgânica, tem alta produtividade agrícola e é muito utilizada para o plantio de trigo. 5 FRANÇA 6 HOLANDA 7 VALE DO RIO AMARELO (CHINA) Possuem o solo loess (do alemão löss = solto), formado pela deposição de sedimentos carregados pelo vento. Na China é intensivamente utilizado para a produção de arroz. 1 VALE DO RIO MISSISSIPI (ESTADOS UNIDOS) 2 VALE DO RIO NILO (EGITO) A deposição de sedimentos e de matéria orgânica nas planícies inundadas renovam anualmente a fertilidade natural dessas regiões. OS SOLOS FÉRTEIS NO BRASIL E NO MUNDO CELEIRO ORIENTAL Plantações às margens do Rio Amarelo, na China: a fertilidade do solo é garantida com a ajuda de sedimentos trazidos pelo vento iSTOCK PHOTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 10 42 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES Enchente é um fenômeno natural, que causa o aumento temporário do nível da água, porém sem transbordamento Inundação é o transbordamento de um curso d’água, atingindo a planície em torno do rio ou a área de várzea Alagamento ocorre quando a água fica acumulada nas ruas e nos perímetros urbanos, por problemas de drenagem 1 2 3 1 2 3 A CHUVA E AS CIDADES Entenda a diferença entre enchente, inundação e alagamento: DEBAIXO D'ÁGUA O município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, sofreu com o alagamento provocado pelas fortes chuvas que caíram em março de 2016 Os temporais são fenômenos naturais que atingem as cidades de tempos em tem-pos. A dimensão dos danos que causam, porém, poderia ser menor, se as zonas urbanas fossem construídas respeitando a natureza. As cheias dos rios, por exemplo, são naturais e cíclicas. Um bom planejamento, portanto, deveria preservar seus leitos livres. Mas não é o que ocorre na maioria das grandes cidades. A ocupação dessas áreas, principalmente em trechos de planície também conhecidas como várzeas, provoca inundações que trazem enor- mes transtornos e prejuízos sociais e materiais. Casas são invadidas pelas águas, formam-se enormes congestionamentos e serviços, como transportes e abastecimento de água, são inter- rompidos, entre outras consequências. Para entender melhor esse fenômeno, é pre- ciso atentar para as diferenças entre enchente, inundação e alagamento. Veja na figura ao lado: Ocupação caótica Saiba como a falta de planejamento urbano potencializa os efeitos dos temporais, provocando deslizamentos de terras e inundações [1] 43GE GEOGRAFIA 2017 Além das características de relevo e hidrogra- fia, há outros fatores que aumentam o volume de água dos rios de planície e que contribuem para a ocorrência de inundações em áreas urbanas: � A IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO Ruas e avenidas pavimentadas, prédios, casas, indústrias e estacionamentos impedem ou reduzem a infiltração da água no solo e, consequentemente, aumenta o volume e a velocidade do escoamento das águas superficiais. � A RETIFICAÇÃO E A CANALIZAÇÃO DO LEITO DE RIOS E CÓRREGOS Em geral, os rios de planície apresentam meandros ou “curvas”. A retificação e canalização desses rios, feita para ampliar os espaços a serem ocupados pela cidade, diminuem a extensão do rio. � DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE LIXO SÓLIDO O lixo jogado nas ruas e calçadas ou mesmo diretamente nos rios e córregos dificulta a vazão das águas. � DESMATAMENTO A retirada da mata nas encostas e nas margens dos rios provoca o aumento da erosão e, consequentemente, o assoreamento dos rios em seus trechos de planície, ou seja, o acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios e lagos, facilitando o seu transbordamento. Deslizamentos de terras Os deslizamentos de terra estão diretamente relacionados às características de relevo, solo, clima e cobertura vegetal. Apesar de serem fe- nômenos naturais, os deslizamentos são poten- cializados pela ocupação humana desordenada. A construção de casas e estradas e a implantação da agricultura e da pecuáriatendem a desestabi- lizar ainda mais o frágil equilíbrio natural desses ambientes, aumentando as chances de acidentes que trazem prejuízos incalculáveis, incluindo a perda de dezenas de vidas humanas anualmente. No Brasil, as áreas mais sujeitas à ocorrência de deslizamentos são as que se encontram na unidade de relevo conhecida como Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste (veja o mapa de relevo do Brasil, na página 37). Isso porque a região caracteriza-se pela existência de áreas com grande declividade (escarpas e encostas das serras), solos rasos e elevada pluviosidade concentrada no ve- rão, sobretudo nas encostas próximas ao litoral e voltadas para o leste, que recebem os fluxos de ar úmido provenientes das águas oceânicas. Como a região foi densamente povoada em áreas de risco, como encostas de morro, os acidentes se tornam mais frequentes. Entre os casos mais emblemáticos ocorridos no país, estão os deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011. SP TEM 88 MUNICÍPIOS COM RISCO DE DESASTRE POR DESLIZAMENTOS Em todo o Brasil, 957 municípios são monitorados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Ambientais (Cemaden), do governo federal. Todos têm histórico de desastres causados por deslizamentos. Desse total, 88 municípios estão no Estado de São Paulo – incluin- do Mairiporã e Francisco Morato. De acordo com o último levantamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, de 2011, só na capital existem 407 áreas de risco. De acordo com o coordenador da Defesa Civil da Região Metropolitana de São Paulo, Alfredo Pisani, o Estado aprimorou o sistema de monitoramento e alertas para deslizamentos e inundações na última década, com investimentos federais, estaduais e dos municípios. Mas, mesmo com tecnologias cada vez mais modernas, os desastres e mortes causados pelas chuvas só poderão ser evitados com a remoção de ocupações irregulares em áreas de risco.(...) “Retirar uma ocupação irregular envolve desapro- priações e realocação em outras áreas, o que tem alto custo. São muitas áreas de risco, mas a solução correta seria localizar todas e eliminá-las”. “Hoje, a convivência com o risco é a linha de ação do Plano Preventivo da Defesa Civil. Ela consiste em cadastrar as áreas de risco, classificá-las em níveis e determinar o índice de chuvas que dispara o alerta.” (...) O Estado de S.Paulo, 12/03/2016 SAIU NA IMPRENSA [1] MARCEL NAVES/AFP [2] ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHA IMAGEM TERRA ARRASADA Chuvas torrenciais provocaram deslizamentos de terra no bairro de Campo Grande em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, em 2011: o povoamento em áreas de risco potencializa os acidentes [2] 44 GE GEOGRAFIA 2017 LITOSFERA CONTAMINAÇÃO DOS SOLOS Durante vários anos, o homem pouco se importou com as con-sequências que suas atividades poderiam ter para o solo. Do estilo de vida consumista, que gera uma colossal quantidade de resíduos a ser descarta- da, passando pelo uso indiscriminado de produtos tóxicos na indústria até o manejo inadequado das culturas agrí- colas, nossa sociedade vai gradativa- mente contaminando os solos. Como consequência, muitas áreas estão se tor- nando impróprias para a produção de alimentos ou para a presença humana. As principais formas de poluição do solo estão associadas a atividades econômicas como a agricultura, o ex- trativismo mineral e a produção in- dustrial, ou à falta de investimentos no tratamento adequado ao lixo. Veja cada um desses casos: LIXO A deposição inadequada do lixo, principalmente em aterros sem nenhum controle ambiental (os chamados lixões), está entre as principais causas da contaminação dos solos nas cidades. Além de produzir o gás natural metano (CH4), um dos agravadores do efeito estufa, a decomposição da matéria orgânica por microrganismos gera o caldo chorume, altamente poluente para o solo e para os lençóis freáticos. O destino mais adequado para o lixo urbano são os aterros sanitários. Trata-se de áreas nas quais os resíduos são compactados e cobertos por terra. Terrenos assim têm sistema de drenagem que captam líquidos e gases resultantes da decomposição dos resíduos orgânicos, evitando maiores danos aos solo. Outra opção são os incineradores públicos, principalmente para o lixo hospitalar, odontológico e ambulatorial. Terra maculada A degradação dos solos, provocada principalmente pela exploração dos recursos naturais e pelo tratamento inadequado do lixo, é um dos principais problemas ambientais da atualidade De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50% dos municípios destinavam os resíduos sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades fazia o descarte em aterros sanitários. Em 2010, o governo federal instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determinava uma série de regras para o manejo sustentável do lixo. Entre outras medidas, a PNRS estabeleceu que agosto de 2014 seria o prazo final para as prefeituras erradicarem os lixões e passarem a depositar o lixo em aterros sanitários. No entanto, mais de 60% dos municípios não conseguiram cumprir a determinação. Um projeto de lei tramita no Congresso para estender até 2021 o prazo para a erradicação dos lixões. RESÍDUOS INDUSTRIAIS As fábricas nas áreas urbanas também depositam grandes quantidades de resíduos industriais, como produtos químicos e metal pesado, em áreas próximas de onde estão instaladas. Com o tempo, esses elementos infiltram-se no solo, que fica contaminado e improdutivo, podendo provocar doenças nos habitantes que vivem próximos à indústria. AGROTÓXICOS O uso de agrotóxicos para fertilizar o solo, eliminar ervas daninhas e destruir pragas pode aumentar a produtividade agrícola em grande escala, mas produz um nefasto efeito colateral: a contaminação do solo. Com o tempo, esses resíduos químicos vão se acumulando e ajudam a degradar ainda mais as áreas agrícolas, tornando-as impróprias para o cultivo. Ou seja, apesar dos ganhos produtivos no curto prazo, a aplicação intensiva de agrotóxicos é uma prática insustentável para a agricultura. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um quarto dos solos do planeta está degradado, afetando diretamente a produção mundial de alimentos. MERCÚRIO NOS GARIMPOS A exploração de minérios, como ouro e diamantes nos garimpos da Região Norte do Brasil, utiliza mercúrio no processo de separação das pedras preciosas dos demais sedimentos. Por ser um mineral pesado altamente tóxico, o mercúrio depositado no solo e nas águas provoca graves prejuízos à fauna e à saúde humana. ENTRE OS URUBUS Criança recolhe papelão no lixão da Canabrava, em Salvador (BA): mais da metade dos municípios brasileiros descarta os resíduos sólidos em áreas sem nenhum controle ambiental 45GE GEOGRAFIA 2017 SAIBA MAIS O PRINCÍPIO DOS 3 RS: REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR A melhor solução para o lixo é reaproveitá-lo para fazer novos bens, reduzindo a sobrecarga dos depósitos. O reaproveitamento do lixo envolve o princípio dos “3 Rs”: � Reduzir a produção de resíduos, com a adoção de novos hábitos de compra. � Reutilizar potes, vasilhames, caixas e outros objetos de uso cotidiano e o material neles contido. � Reciclar o lixo descartado após o consumo, transformando-o em matéria- prima industrial para nova fabricação. Para que seja reciclado, o lixo deve ser descartado de forma seletiva e entregue em postos distribuídos pelas prefeituras (quando existem) ou por empresas em locais predefinidos, doados a entidades que recebem material desse tipo ou na forma estabelecida pelos programas porta a porta. Apesar das iniciativas nesse sentido, apenas 3% do lixo é reciclado no Brasil, segundo dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). Veja abaixo um quadro com os principais produtos recicláveis: A erosão das camadas superficiais dosolo pelo escoamento das águas das chuvas, também conhecida como ero- são laminar, é uma das maiores preo- cupações ambientais da agricultura atualmente. Esse processo provoca a perda gradativa de nutrientes do solo. Em algumas culturas, como o feijão e a mandioca, essa perda pode chegar a 40 toneladas por hectare em um ano. Para ter uma dimensão melhor do problema, em uma área com floresta nativa, essa perda é de apenas 0,004 tonelada por hectare no mesmo período. A melhor forma para evitar a ação da erosão é a adoção de técnicas de conservação do solo. O plantio direto é uma técnica que não revolve as camadas superficiais do solo, mantendo sobre ela a matéria orgânica (plantas, folhas e palhas de colheitas anteriores), o que contribui para conter a erosão. Já as curvas de nível é uma técnica de plan- tio adequada às variações das altitudes e à inclinação do relevo, evitando o escoamento direto das águas das chuvas que caem na lavoura. A ausência dessas técnicas pode dar origem a ravinas Os principais produtos recicláveis Vidro Garrafas, potes de alimentos, frascos de remédio e de perfume. Cacos de vidro Volta a ser usado infinitas vezes sem perder as características Papel Revistas, jornais, papéis variados, caixas de papelão (de todos os tipos) Transforma-se em papel reciclado para agendas, cartões e caixas de papelão Plástico Garrafas PET, potes (de todos os tipos), tampas, embalagens, sacos (de leite, arroz etc.) Matéria-prima de fibras têxteis, tubos, artefatos plásticos, cordas, cerdas de vassoura, carpetes Metal Latas de aço e alumínio, tampas, arames, fios, grampos, pregos, tubos de pasta, alumínio, cobre O aço volta a ser usado sem limites. O alumínio pode ser reusado em latas e autopeças Não podem ser reciclados Espelhos, vidro de janela e de boxe de banheiro, vidro de automóveis, cristais, lâmpadas, vidro temperado, ampolas de remédio, celofane, espuma, fraldas descartáveis, pilhas, latas enferrujadas, papel higiênico, guardanapos com restos de comida, papel laminado e plastificado, papel-carbono Fonte: Como Cuidar do Seu Meio Ambiente – Editora Beı, edição e texto da Rita Mendonça, 2004 Papel Pano Filtro de cigarro Chiclete Lata de aço Madeira pintada Náilon Plástico Alumínio Vidro Borracha 3 a 6 meses 6 meses a 1 ano 5 anos 5 anos 5 a 10 anos 13 anos Mais de 30 anos Centenas de anos Centenas de anos Mais de mil anos Indeterminado OR IG EM U TI LI D AD E Quanto tempo leva para se degradar na natureza ˜ (sulcos formados no solo devido à ação erosiva da água) e voçorocas (aberturas ainda maiores que as ravinas e que, se atingirem o lençol freático, podem ser irreversíveis e impedem o aproveita- mento agrícola da área atingida). Outro grave problema da degradação dos solos envolve a grande concentra- ção de sais nos seus horizontes superfi- ciais, o que dificulta o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, a pro- dução de alimentos. A salinização dos solos pode se dar por meio de processos naturais ou provocados e acelerados pelas atividades humanas. A irrigação é a principal prática agrícola responsável por induzir ou acelerar esse processo. No mundo, as principais áreas atin- gidas pela salinização encontram-se na África e na Ásia. Um dos casos mais conhecidos é o da região do Mar de Aral, na fronteira entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central. Desde o período da União Soviética, extinta em 1990, vinham sendo implantados nessa região projetos de irrigação, em especial para a produção de algodão (veja mais na pág. 67). Colheita maldita Entenda como a erosão e a salinização prejudicam os solos e provocam enormes perdas para as culturas agrícolas FERNANDO VIVAS 46 GE GEOGRAFIA 2017 COMO CAI NA PROVA 1. (UEM 2014) (adaptada) Assinale V para verdadeiro e F para falso nas afirmações sobre o relevo e sua dinâmica no território brasileiro. ( ) A classificação mais recente do relevo brasileiro foi baseada em grandes unidades ou compartimentos, dividindo-se em três tipos: os planaltos, as depressões e as planícies. ( ) Ao longo do território brasileiro, não são encontradas cadeias montanhosas formadas por dobramentos modernos, pois o país se encontra no meio da placa tectônica sul-americana. ( ) Os fatores climáticos atuais não interferem na dinâmica do modelado do relevo brasileiro, devido à proximidade dele com a linha imaginária do Equador. ( ) As frentes de cuestas são feições do relevo que ocorrem no interior do estado de São Paulo e correspondem ao limite entre duas unidades de relevo: os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná e a Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná. ( ) Ao longo do litoral brasileiro, sucedem-se paisagens muito diversificadas, porém predominam os processos erosivos em áreas de planaltos, sem a formação de planícies litorâneas. RESOLUÇÃO A primeira afirmação, verdadeira, refere-se à classificação feita por Jurandyr Ross, que mapeia os três tipos de unidades de relevo citados. A segunda afirmação também está correta, visto que o Brasil tem dobramentos muito antigos, intensamente desgastados pela erosão, enquanto os dobramentos modernos (como os Andes, Himalaia e Alpes) são considerados “modernos”, ou seja, de formação recente em decorrência do choque de placas tectônicas. Os fatores climáticos (pluviosidade e variação as temperaturas) são agentes formadores do relevo,o pois provocam a erosão e a sedimentação. Portanto, a terceira afirmação é falsa. A quarta afirmação se refere corretamente às cuestas, formas de relevo que s delimitam os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná e a Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná. São formas semelhantes às escarpas, porém seu reverso (neste caso Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná) diminui gra- dativamente a altitude, enquanto nas escarpas isso não ocorre. Ao contrário do que diz a quinta afirmação, no litoral brasileiro predominam as planícies fluviomarinhas, ou seja, com sedimentação dos rios e dos oceanos. Resposta: V, V, F, V, F 2. (UFPR 2014) Os escorregamentos, também conhecidos como deslizamentos, são processos de movimentos de massa envolvendo materiais que recobrem as superfícies das vertentes ou encostas, tais como solos, rochas e vegetação. Estes processos estão presentes nas regiões montanhosas e serranas em várias partes do mundo, principalmente naquelas onde predominam climas úmidos. No Brasil, são mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. TOMINAGA, L.K. “Escorregamentos”. In.: Desastres naturais: conhecer e prevenir. Cap. 9, p. 27-38. Org.: TOMINAGA, L.K.; SANTORO, J. AMARAL, R. Instituto Geológico, São Paulo, 2009. Sobre esses processos, considere as seguintes afirmativas: 1. Os escorregamentos consistem em importante processo natural que atua na dinâmica das vertentes, fazendo parte da evolução do relevo terrestre, principalmente nas regiões serranas. 2. Nos grandes centros urbanos, os escorregamentos assumem frequentemente proporções catastróficas, uma vez que cortes nas encostas, depósitos de lixo, entre outras ações promovidas pelo homem geram novas relações com os fatores condicionantes naturais. 3. É necessário que o ser humano deixe de devastar as florestas, imper- meabilizar os solos e contaminar os rios para que não mais ocorram os escorregamentos. 4. A origem vulcânica do relevo brasileiro gerou um conjunto de serras propícias para os escorregamentos, que acarretam grandes prejuízos e perdas significativas, inclusive de vidas humanas. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras. b) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. RESOLUÇÃO Sobre as afirmativas, considere o seguinte: 1. Os deslizamentos fazem parte da dinâmica natural dasencostas e alteram o relevo por meio da movimentação das camadas superficiais do solo, erosão e sedimentação. 2. A ocupação das encostas com moradias, locais de trabalho, vias de circulação ou mesmo a deposição de lixo, entulho e outros materiais indevidamente aumentam a possibilidade de haver deslizamentos, trazendo prejuízos sociais e econômicos à população local. 3. A impermeabilização dos solos provoca maior escoamento das águas superfi- ciais, contribuindo para a ocorrência de enchentes e não de deslizamentos. Já a contaminação das águas não é, diretamente, uma causa de deslizamentos. 4. O relevo brasileiro, salvo em algumas áreas específicas, não é de origem vulcânica, mas de dobramentos antigos (áreas de serras e planaltos sujeitos a deslizamentos), derramamentos (Planaltos e Chapas da Bacia do Paraná) e planícies fluviais, onde predominam as formas aplainadas do relevo. Resposta: C 3. (Mackenzie 2014) Observando a figura, podemos afirmar que I. Alfred Wegener, meteorologista alemão, levantou a hipótese, no início do século XX, afirmando que, há 220 milhões de anos, os continentes formavam uma única massa denominada Pangeia, rodeada por um oceano chamado Pantalassa. Essa suposição foi rejeitada pela comunidade científica da época. II. A litosfera encontra-se em movimento, uma vez que é composta por placas RESUMO 47GE GEOGRAFIA 2017 Litosfera ESTRUTURAS GEOLÓGICAS A camada mais superficial do planeta é a litosfera, cuja superfície é formada por três tipos de estrutura geológica: escudos cristalinos (os terrenos mais antigos, formados por rochas magmáticas), bacias sedimentares (surgidas com a erosão das rochas dos escudos cristalinos) e dobramentos mo- dernos (formações recentes que ficam entre as placas tectônicas). RELEVO Existem quatro principais tipos de relevo no mundo: depressões são áreas localizadas em altitude inferior à das re- giões vizinhas ou abaixo do nível do mar; montanhas são áreas elevadas resultantes do choque de placas tectônicas; planaltos são elevações delimitadas por superfícies rebaixadas; e planícies são áreas planas, geralmente encontradas em baixas altitudes. PLACAS TECTÔNICAS São gigantescos blocos que integram a litosfera. O globo é recortado por grandes placas que se deslocam e se chocam, numa movimentação constante e lenta. As regiões próximas à borda dessas placas são sujeitas a terremotos e atividade vulcânica. FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS As forças internas dão forma ao relevo. O tectonismo consiste no lento deslocamento das placas tectônicas. Os abalos sísmicos são os tremores causados na superfície do planeta pela movimentação da placa tectônica. Já o vulcanismo é a elevação do magma para a superfície por meio de fendas na crosta terrestre. São duas as principais for-rr ças externas. O intemperismo é o processo de degradação das rochas provocada por fenômenos químicos e físicos. Já a erosão consiste no desgaste da rocha em razão da exposição prolongada a agentes naturais, como ventos, geleiras, rios e mares. RECURSOS MINERAIS Os minérios são elementos dos quais po- demos extrair substâncias de interesse econômico. Destacam- se os utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio, o ferro e o titânio. Os depósitos mais explorados ficam nos escudos cristalinos. No Brasil, os minérios são encontrados principalmente em Minas Gerais e no Pará. SOLOS O solo compreende a parte superficial da litosfera e se forma, principalmente, da decomposição das rochas e se dispõe em camadas, denominadas horizontes. Os horizontes O (orgânico) e A são os mais superficiais e mais significativos para a agricultura. A composição mineral, o nível de acidez e a capacidade de reter matéria orgânica e água são fatores determinantes para a fertilidade dos diferentes tipos de solos, de grande importância para as atividades agropecuárias. LIXO A deposição inadequada do lixo em aterros sem nenhum controle ambiental (os chamados lixões) está entre as princi- pais causas da contaminação dos solos nas cidades. Mais de 50% dos municípios destinam os resíduos sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades faz o descarte em aterros sanitários. tectônicas seccionadas que flutuam deslocando-se lentamente sobre a astenosfera. III. A Cordilheira dos Andes é um dobramento recente. Datando do período Terciário da era Cenozoica, surge do intenso entrechoque das placas do Pacífico e Sul-Americana promovendo o fenômeno de obducção. IV. A Dorsal Atlântica estende-se desde as costas da Groenlândia até o sul da América do Sul. Os movimentos divergentes entre as placas Africana e Sul-Americana permitiram intensos derramamentos magmáticos originando rochas basálticas que foram incorporadas às bordas das referidas placas. Estão corretas: a) I e III, apenas. b) II e III, apenas. c) I, II e III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. RESOLUÇÃO As afirmações I, II e IV apresentam informações corretas sobre as teorias da Deriva Continental, proposta por Alfred Wegener em 1912, e da tectônica de placas, que desde a década de 1960 investiga e aprofunda as hipóteses de Wegener e, com isso, descreve a dinâmica e as características da litosfera. Na afirmação III, o erro está no termo “obducção”. O correto seria “subducção”, ou seja, uma das placas (a do Pacífico) é afundada e reabsorvida pelo manto. Além disso, o choque se dá entre as placas de Nazca e da América do Sul. Resposta: D � SAIBA MAIS A maior incidência de vulcões e terremotos concentra-se na região doii Pacífico. Existem cerca de 450 vulcões ativos no mundo (nos pontos em vermelho no EE mapa abaixo). A maioria se formou na área de contato entre as placas tectônicas (assinaladas pelas linhas azuis) – sobretudo as que circundam o Oceano Pacífico. Não à toa, a região, que concentra cerca de 80% dos vulcões do planeta e 90% dos terremotos, é chamada de Cinturão de Fogo do Pacífico. 48 GE GEOGRAFIA 2017 HIDROSFERA 3 O problema é mais grave do que se pensava. Um estudo publicado na revista cientí-fica Science Advances em março deste ano mostrou que cerca de 70% da população global, o equivalente a 4,3 bilhões de pessoas, sofre com a escassez de água em níveis severo ou moderado pelo menos um mês por ano. Os resultados do levantamento, que analisou dados coletados entre os anos de 1996 e 2005, são piores do que os indicados por estudos anteriores, que estimavam o contingente populacional impacta- do pelo problema entre 1,7 bilhão e 3,1 bilhões. Segundo o estudo, o Iêmen, pequena nação localizada na Península Arábica, lidera a lista dos países mais afetados pela seca. Os iemenitas podem se ver sem água para prover suas necessi- dades básicas dentro de poucos anos. A falta do líquido também atinge grandes proporções na Índia e na China, onde 1 bilhão e 900 milhões de pessoas, respectivamente, são obrigadas a conviver com o problema. Nenhum país da Amé- rica Latina figura na lista dos mais impactados. Para o autor do estudo, o pesquisador holandês Arjen Hoekstra, a solução para a falta crônica de água não passa apenas por “reduzir o tempo no banho”, já que o consumo doméstico representa entre 1% e 4% do total. Segundo ele, a escassez hídrica requer que a agricultura e a pecuária, os dois maiores vilões da gastança, revejam suas práticas e adotem modelos sustentáveis de consumo de água. Embora o Brasil não seja citado no estudo, o país não está salvo da escassez. Aqui, a falta de água está relacionada à dificuldade de acesso ao bem, em função da poluição dos rios e da distribuição desigual – as maiores reservas de água estão em locais pouco habitados, como a Amazônia. Além disso, há sérios problemas de gestão de recursos hídricos, como ficou evi- denciado na recente crise que afetou o abas- tecimento em grandes metrópoles do Sudeste. Essas perspectivas negativas sobre disponibili- dade de água para a população mundial mobiliza as principais lideranças políticas e foi tema de dis- cussão no Fórum Econômico Mundial em janeiro último. As autoridadesclassificaram a escassez hídrica como uma das maiores preocupações da humanidade nos próximos dez anos. Nas páginas seguin- tes, você vai saber mais sobre a hidrosfera e en- tender a importância estratégica desse líqui- do tão precioso e vital. Mais de 4,3 bilhões de pessoas no mundo vivem sob moderada ou severa falta de água um mês a cada ano – Índia e China concentram as maiores populações afetadas Um problema global CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO � A distribuição de água no planeta .............................................................50 � Água salgada .....................................................................................................52 � Água doce ............................................................................................................56 � Tsunami ..............................................................................................................58 � Bacias hidrográficas do Brasil .....................................................................60 � Escassez hídrica no mundo ..........................................................................62 � Escassez hídrica no Brasil ............................................................................64 � Poluição hídrica ...............................................................................................66 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................68 NÃO FOI PARA O BREJO Fazendeiro caminha com seu búfalo sobre o leito seco de um rio em Bibinagar, na Índia: 1 bilhão de pessoas no país enfrentam períodos de escassez de água pelo menos um mês por ano 49GE GEOGRAFIA 2017 NOAH SEELAM/AFP 50 GE GEOGRAFIA 2017 3 Primeiro homem a ver o planeta do espaço, o astronauta russo Yuri Gagarin tornou célebre a frase em que descreveu o que observou lá de cima: “A Terra é azul”. A coloração do nosso planeta visto da órbita terrestre é conse- quência do enorme volume de água que a Terra dispõe. São cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos que cobrem mais de 70% da superfície do globo. O conjunto de toda a água do pla- neta recebe o nome de hidrosfera. Há cerca de 4 bilhões de anos, quando nosso planeta era uma nuvem quente de poeira e gás, a água encontrava-se misturada a outros gases, no estado de vapor. À medida que o planeta esfriava, esse vapor foi se condensando e, sob a forma de chuva, se precipitando sobre a superfície. Dessa longa e caudalosa tempestade, formaram-se os oceanos, mares e o conjunto das “águas continen- tais”, composto de rios, lagos, lençóis subterrâneos, geleiras e neves eternas. Mas todo este volume de água que cobre o planeta não está à disposição para o nosso consumo. Desse 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água que A Terra é azul Ocupando mais de 70% da superfície terrestre, a hidrosfera domina a paisagem do nosso planeta PLANETA ÁGUA Apesar de a Terra dispor de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água, apenas 2,5% desse volume é próprio para o consumo humano revestem o globo, apenas 2,5% são de água doce – algo em torno de 35 mi- lhões de quilômetros cúbicos. Além disso, a maior parte da água ou está congelada nas geleiras e calotas polares ou encontra-se escondida em depósi- tos subterrâneos. A real proporção da água a que o homem tem acesso fácil – a superficial, de rios lagos e pântanos – é de, no máximo, 0,4% da água doce exis- tente no mundo (veja mais no gráfico). Ou seja, temos 100 mil quilômetros cúbicos para matar a sede, cuidar da higiene, ge- rar energia, produzir alimentos e bens in- dustriais. Não é exatamente pouca água – imagine que cada pessoa no mundo tenha direito a mais de 570 bilhões de litros por dia, durante 75 anos. O problema é que a água não é distri- buída assim, de forma equilibrada, entre toda a população. A própria natureza impõe restrições. Enquanto regiões como a Amazônia é riquíssima em recursos hídricos, trechos da África e do Oriente Médio sofrem com uma brutal escas- sez, responsável, inclusive, por sérios conflitos armados. Para piorar, a ação do homem em nada vem ajudando a HIDROSFERA A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA [1] 51GE GEOGRAFIA 2017 A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA Apenas uma pequena parte da água da Terra é acessível para uso humano ÁGUA DOCE ÁGUA ATMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE TOTAL DA ÁGUA Água doce 2,5% Água salgada 97,5% Fonte: National Geographic Biota 0,8% (conjunto dos seres vivos) Lagos de água doce 67,4% Umidade do solo 12,2% Atmosfera 9,5% Pântanos e áreas alagadas 8,5% Rios 1,6% Subterrânea 30,1% Permafrost 0,8% (camada de subsolo na tundra congelada) Água atmosférica e de superfície 0,4% Geleiras 68,7% mais democráticos. Se hoje 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água lim- pa, isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes naturais e à falta de equilíbrio entre a renovação e o consumo da água. O ciclo hidrológico Toda a água disponível no planeta está em constante renovação. Esse processo no qual a água se desloca da superfície terrestre e da atmosfera, passando pelos estados líquido, sólido e gasoso, recebe o nome de ciclo hidrológico. Um dos responsáveis por esse processo é a energia solar, que incide na superfície do planeta e provoca a evapotranspiração das águas, ou seja, elas passam do estado líquido para o gasoso. A evaporação dos oceanos ocorre com maior intensidade, mas o fenômeno acontece ainda em rios, lagos e demais águas continentais. A transpiração das plantas também con- tribui para a evaporação da água. O vapor de água resultante desse pro- cesso dá origem às nuvens, que se des- locam com o movimento de rotação da Terra e dos ventos. Quando as nuvens se condensam, ocorre a precipitação, e a água volta para a superfície terrestre, atingindo tanto o continente quanto os oceanos. Essa precipitação pode ser líqui- da, no caso das chuvas, ou sólida, se cair na forma de neve ou granizo. Tudo de- pende das condições climáticas da região. Ao atingir os continentes, a água da precipitação pode percorrer alguns caminhos: � volta para a atmosfera, em novo pro- cesso de evapotranspiração; � infiltra-se no solo, alimentando as águas subterrâneas; � é escoada na direção de rios, lagos e mares. O destino dessas águas é influenciado por fatores como a cobertura vegetal, as condições climáticas e a geologia e a alti- tude. Em áreas mais áridas, por exemplo, a evaporação é maior que a infiltração, ao passo que, em terrenos arenosos, a água se infiltra mais rapidamente. Veja as quatro etapas do processo de renovação hidrológica O CICLO DA ÁGUA A energia solar incide sobre a superfície do planeta. 1 3 Os ventos carregam o vapor de água dos oceanos para os continentes. As nuvens se condensam, e a água volta para a superfície terrestre na forma de chuva – a precipitação também pode ocorrer como neve ou granizo. A água das chuvas é escoada para os rios, lagos e mares. Também pode infiltrar-se no solo ou voltar para a atmosfera pelo processo de evaporação. eta. para na f a pr oco A ág para Tam solo atm eva O calor provoca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso e é transferida para a atmosfera. A transpiração de plantas e animais contribui para esse processo. Apesar de o fenômeno também ocorrer em rios e em lagos, é nos oceanos que a evaporação é mais intensa. 2 4 [1] NASA [2] MULTISP [2] 52 GE GEOGRAFIA 2017 3 As águas marinhas dividem-se em oceanos (grandes áreas) e mares (áreas menores). Juntas, essa imensidão de água salgada representa 97,5% de toda a hidrosfera. Conforme veremos a seguir, os oceanos e mares têm uma incalculável importância para o equilíbrio do planeta, tanto nos aspec- tos ambientais como socioeconômicos. A própria origem da vida, de acordo com a teoria do Big Bang, teria ocorrido nos oceanos há cerca de 3,5 bilhões de anos (veja mais na pág. 98). A origem da água salgada Durante centenas de milhões deanos, a chuva foi formando os rios – que, por sua vez, dissolveram rochas de dife- rentes períodos geológicos, nas quais o sal comum, cloreto de sódio (NaCl), é encontrado em abundância. Como todos os cursos de água correm para o oceano, os mares ficam com quase todo o sal dissolvido nesse processo. Além disso, as partículas de cloro e de sódio suspensas na atmosfera também são levadas pela chuva, completando o processo. Ainda assim, a salinidade de Imensidão marinha Quase a totalidade da hidrosfera é formada por oceanos e mares, habitat da maioria das espécies do planeta e responsáveis por grande parcela da atividade econômica mundial HIDROSFERA ÁGUA SALGADA uma massa de água depende principal- mente de sua taxa de evaporação, que acaba determinando a concentração do sal. É por isso que lagos e açudes podem se tornar salgados em regiões de muito calor, como ocorre no nordeste brasi- leiro. Por essa mesma razão, os mares equatoriais são mais salgados que os polares. Os mais salgados do planeta são o Mar Morto, no interior da Ásia, e o Mediterrâneo. O menos salgado é o Mar Báltico, no norte da Europa, que, por causa de seu baixo teor de sal, chega a ficar congelado durante o inverno. A biodiversidade marinha A grande biodiversidade marinha pode ser confirmada estatisticamente: dos 33 filos (grandes grupos de seres vivos), 15 são exclusivamente marinhos e cinco são predominantemente marinhos. São mais de 230 mil espécies conhecidas nos mares e oceanos, porém estima-se que o número ultrapasse 1 milhão de espécies. Os ambientes diversificados propi- ciam a formação de ecossistemas di- versos, desde as águas rasas e quentes das costas continentais – com grande aporte de alimentos provenientes dos rios – até águas profundas, frias e sem luz, com erupções de lava e gás metano, entre outros materiais tóxicos para as espécies da superfície. Algumas espé- cies marinhas têm funções vitais para o planeta Terra em escala global, como o plâncton, cuja absorção de CO2 é maior do que a de todas as florestas das terras emersas somadas. A economia dos mares e dos oceanos Os mares e oceanos são explorados economicamente desde os primórdios da existência dos seres humanos para a obtenção de alimentos e energia, o trans- porte, o lazer, entre outras atividades. As rotas estabelecidas no período das Grandes Navegações (séculos XV a XVII) mudaram o mapa econômico mundial, ampliando numa escala jamais vista até então as trocas comerciais e a exploração de recursos naturais do planeta. Atualmente, merecem destaque as seguintes atividades econômicas as- sentadas na exploração dos mares e dos oceanos: 53GE GEOGRAFIA 2017 � A PESCA Base da alimentação de milhões de pessoas, a pesca tradicional e indus- trial é feita em todos os oceanos e na maioria dos mares, sobretudo em áre- as costeiras. A produtividade é maior em regiões banhadas por correntes marítimas frias. Um bom exemplo é a corrente de Humboldt, que passa pela costa peruana (veja no mapa). � EXTRATIVISMO MINERAL Além da extração de petróleo e gás natural, explorado em áreas como a Bacia de Campos, o Golfo Pérsico e o Golfo do México (veja localização no mapa), outros recursos minerais são prospectados em águas oceânicas. Merece destaque a mineração feita no Mar Morto, de cujo leito se extra- em grandes quantidades de potássio, o que coloca Israel e Jordânia na lista dos dez maiores exportadores desse mineral. O produto é utilizado, entre outras aplicações, na fabricação de adubos químicos. Já África do Sul e Namíbia exploram diamantes nos mares que banham o seu litoral. MARES Os mares são blocos menores de água salgada ligados aos oceanos. Em geral, são classificados de acordo com a maneira pela qual se juntam aos oceanos. Mares abertos: são ligados ao oceano por meio de grandes aberturas. Ex.: Mar das Antilhas ou do Caribe e o Mar do Norte, entre as ilhas britânicas e o continente europeu. Mares continentais: as ligações com o oceano são menores, feitas por meio de estreitos. Ex.: Mar Mediterrâneo, ao sul da Europa, e Mar Vermelho, entre a península Arábica e a África. MARES E OCEANOS OCEANO ATLÂNTICO Mar do Caribe Mar Mediterrâneo Mar do Norte Golfo do México Golfo Pérsico Bacia de Campos Mar Vermelho Mar MortoOCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO PACÍFICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO OCEANO PACÍFICO C. de Humboldt Mares fechados: apesar de serem chamados de mares, são, na verdade, grandes lagos com água salgada. Ex.: Mar Morto, no Oriente Médio OCEANOS De acordo com a maioria dos especialistas, são três os grandes oceanos: Pacífico, Atlântico e Índico. O limite entre um oceano e outro é determinado pelo contorno dos continentes. Alguns geógrafos apontam a existência de dois outros oceanos, o Ártico, no norte do globo, e o Antártico, que circunda o continente gelado ao sul. iSTOCK PHOTO GRANDES NAVEGAÇÕES Cerca de 80% do volume total do comércio mundial é feito por meio de transporte marítimo 54 GE GEOGRAFIA 2017 3 HIDROSFERA ÁGUA SALGADA Arquipélago de Fernando de Noronha Atol das Rocas Arquipélago de São Pedro e São Paulo Arquipélago de Abrolhos ços do proçoçoçoçoçoçoçoçoçoçoooooPoPoPoPoPoPoPoPoPoPoPPPPPPPPPPPPPP é-sal Ilhas da Trindade e Martin Vaz JúpiterTupi Guaráá Carioca BR AS ILGU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA GU IA NA NC ES A FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR AN CE SA FR A BRASILURUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI URUGUAI Salvador Rio de Janeiro Florianópolis São Luís Belém O c e a n o A t l â n t i c o CROSTA CONTINENTAL CROSTA OCEÂNICA PLANÍCIE ABISSAL TALUDE ELEVAÇÃO PLATAFORMA Mar territorial Zona contígua Zona econômica exclusiva Plataforma continental LINHA BASE Fronteiras marítimas Fronteira Definição Limite a partir da orla Área Mar territorial Soberania absoluta, econômica e militar 12 milhas (22,2 km) – Zona contígua Controle administrativo 24 milhas (44,4 km) – Zona econômica exclusiva Direitos econômicos absolutos sobre a água, o assoalho e o subsolo 200 milhas (370 km) 3.539.919 km2 Plataforma continental Direitos sobre o assoalho marítimo e seus seres e o subsolo até 350 milhas (648 km) (área reivindicada) 4.489.919 km2 Fonte: Marinha do Brasil/ Ministério das Relações Exteriores OS LIMITES MARINHOS DO BRASIL � ROTAS COMERCIAIS Cerca de 80% das mercadorias co- mercializadas entre diferentes paí- ses no mundo são transportadas por navios cargueiros, que diariamente atravessam os oceanos. Diversos pa- íses, principalmente na África e na Ásia, carecem de uma saída para os oceanos, o que dificulta o acesso aos mercados internacionais. � TURISMO O turismo marítimo é outra ativi- dade em expansão, explorando as orlas marítimas com a implantação de balneários, navegação, pesca es- portiva e atividades de mergulho. A indústria turística também projeta suas atividades para o alto-mar com a navegação dos cruzeiros marítimos. Controle político-territorial dos mares e oceanos A importância econômica e geopolí- tica dos mares e dos oceanos reflete-se nas disputas que muitas nações travam entre si para poder exercer sua soberania sobre o território marítimo.Como vimos anteriormente, as águas marítimas são amplamente exploradas para a pesca, o extrativismo mineral, o turismo e as rotas comerciais. Por isso, o controle dessas re- giões é visto como uma forma de os países projetarem poder econômico e político. 55GE GEOGRAFIA 2017 BRASIL ASSINA ACORDO PARA EXPLORAÇÃO DE MINERAIS NO OCEANO O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) assina nesta segunda-feira (9) um contrato de 15 anos para a exploração de crostas ricas em cobalto, níquel, platina, manganês, tálio e telúrio no Atlântico Sul. O acordo será firmado com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (Isba), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), que regu- lamenta atividades realizadas na área internacional dos oceanos (...). O contrato autoriza o Brasil a explorar economicamente recursos mine- rais em uma área de 3 mil km2, divididos em 150 blocos em uma região do Oceano Atlântico conhecida como Alto do Rio Grande, localizada em águas internacionais a cerca de 1.500 km do Rio de Janeiro. (...) Gazeta do Povo, 9/11/2015 SAIU NA IMPRENSA SAIBA MAIS MARÉS E CORRENTES MARÍTIMAS As marés são o movimento de subida e descida das águas em relação à costa, ocasionado pela atração que a Lua e o Sol exercem sobre as massas de água. A influência da Lua é sentida de maneira mais forte, porque o Sol, apesar de ser muito maior do que ela e, portanto, ter um campo gravitacional mais poderoso, está muito mais afastado (veja o infográfico abaixo). Além dessa força de atração dos astros, outro fenô- meno astronômico colabora para a formação das marés: a rotação da Terra. Girando em torno de si mesma, a Terra fica sempre com metade de sua superfície virada para a Lua. O resultado é o movimento das águas de acordo com a posição do planeta e de seu satélite. A cada dia, acontecem duas marés altas (quando o oceano está de frente para a Lua) e duas baixas (nos intervalos entre as altas). A rotação da Terra influencia outro tipo de movimento das águas oceânicas: as correntes marítimas. Elas são gigantescas porções de água que se deslocam nos oceanos de forma independente das águas que as circundam. É por causa do fenômeno da inércia que as correntes se deslocam com o movimento do planeta: as águas tende- riam a continuar paradas, mas acabam se movimentando em sentido contrário ao da rotação do globo. As correntes também ocorrem em razão da inclinação do eixo terrestre e da diferença de temperatura entre o Equador e as zonas polares. As correntes podem ser frias ou quentes e influenciam a vida no planeta de várias formas. A corrente fria de Humboldt, por exemplo, esfria a costa oeste da América do Sul. Há ainda a corrente quente do Atlântico Norte (ou corrente do Golfo), que evita o congelamento de portos europeus, e a corrente fria do Labrador, que desce do Ártico e influencia as gélidas temperaturas da costa leste norte-americana no inverno (veja mapa com as principais correntes marítimas na pág. 79). No lado da Terra voltado para a Lua, as águas (em azul) sobem, atraídas pela gravidade lunar Para facilitar, imagine que o planeta fosse todo recoberto pelos oceanos SOB O DOMÍNIO DA LUA Entenda como o satélite da Terra interfere nas marés Maré alta Maré alta Maré baixaMaré baixa A dificuldade em estabelecer as faixas oceânicas a que cada país tem direito deu origem à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Ela determina os limites do mar territorial, ou seja, as águas que fazem parte do território nacional de cada país, onde possuem total soberania econômica e militar. Além do mar territo- rial, são definidas, ainda, as zonas contí- guas, nas quais o Estado deve fiscalizar e combater crimes ambientais e a imigração ilegal; as zonas econômicas exclusivas, que estabelece direitos absolutos para a realização de pesquisas e exploração econômica; e a plataforma continental, área na qual o país detém direitos sobre o assoalho marítimo e o subsolo. O Brasil é signatário dessa convenção desde 1994. Na zona econômica exclusiva brasileira, estão 91% de todo o petróleo explorado pelo país, incluindo as jazidas do pré-sal. Diante das riquezas contidas ali e da necessidade de garantir sua proteção, a Marinha brasileira passou a chamá-la de “Amazônia Azul”. Em 2004, o Brasil solicitou à ONU que estenda sua soberania sobre a área de mar acima da plataforma continental para até 350 milhas náuticas (648 quilômetros), conforme prevê a con- venção, para poder exercer um controle maior sobre as águas oceânicas. Veja na página ao lado a localização e a extensão de cada nível de fronteira marítima no litoral atlântico brasileiro. 56 GE GEOGRAFIA 2017 3 Reservas vitais Saiba onde ficam as principais fontes de água doce, que representam menos de 3% de toda a hidrosfera A pesar de a água dominar a pai-sagem do globo, a quantidade de H2O disponível para nosso consumo é proporcionalmente irrisória: do 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água da hidrosfera, apenas 2,5% são de água doce. Mas a garganta começa a secar mesmo quando observamos que a maior parte da água doce, quase 70%, está sob a forma de gelo, ou seja, indisponível, nos polos. As principais fontes para matar a sede dos bilhões de seres vivos no mundo são: as águas subterrâneas, captadas por meio da exploração de poços; as águas de superfície, que englobam desde lagos e rios até a umidade do solo; e a água presente na atmosfera. Tudo isso junto, DOCE PAISAGEM Vista aérea do Lago Michigan, em Chicago, nos Estados Unidos, que compõe um dos cinco Grandes Lagos: sua formação se deu por erosão glacial HIDROSFERA ÁGUA DOCE contudo, não atinge 1% do volume da hidrosfera. Seja como for, mesmo que o volume relativo seja mínimo, os números absolutos de H2O à nossa disposição ain- da são bastante significativos, desde que administrados racionalmente e preserva- dos de qualquer contaminação. Confira a seguir as características dos reservatórios que guardam todo esse precioso líquido. Geleiras Reservatório de 68,7% da água doce do planeta, as geleiras são enormes mas- sas formadas pelo acúmulo de neve no decorrer de milhares de anos. Existem em áreas planas próximas aos polos ou na forma de imensos rios de gelo que avançam lentamente pelos vales em altas latitudes ou em cordilheiras elevadas. As geleiras se movimentam: descem encostas pela ação da gravidade ou se espalham pelo solo com a força de seu peso. Em seu trajeto, elas desgastam as rochas e, ao chegar a mares e lagos, dão origem a plataformas de gelo. Os icebergs são massas de gelo que se des- prendem dessas plataformas e flutuam pelos oceanos. Lagos Os lagos, definidos conceitualmen- te como corpos de água parada, são a maioria da água doce de superfície disponível para consumo. Podem ser formados de várias maneiras: por acú- mulo de água da chuva, afloramento de uma nascente, pela alimentação de rios ou pela erosão glacial (desgaste das rochas provocado pelo movimento das geleiras). Essa última explica a ori- gem dos Grandes Lagos da América do Norte, que abrigam 27% da água doce proveniente de lagos do planeta. Também são lagos os mares fechados, sem ligação com o oceano, como o Mar Cáspio – o maior lago do mundo, com área de 370 mil quilômetros quadrados – e o Mar Morto. Outro mar, o de Aral, enfrenta enorme desastre ambiental e perdeu cerca de 90% do volume total de água (veja mais na pág. 67). Rios São cursos naturais de água que se deslocam de um ponto mais alto (nas- cente) até um nível mais baixo (foz ou desembocadura), onde lançam suas 57GE GEOGRAFIA 2017 BOLÍVIA PARAGUAI ARGENTINA MT GO MG MS SP PR RS SC URUGUAI AQUÍFERO GUARANI Boa Vista Solimões Alter do Chão Motuca Itapecuru Serra Grande JandaíraAçu Beberibe Missão Velha Tacaratu Exu Inajá Marizal São Sebastião Barreiras Bambuí Barreiras Dunas Corda Poti-Piauí Urucuia-Areado Bauru-Caiuá Serra Geral Furnas Cabeças Ponta GrossaParecis Oceano Atlântico Oceano Pacífico BOLÍVIA PARAGUAI ARGENTINA URUGUAI PERU COLÔMBIA VENEZUELA GUIANA SURINAME GUIANA FRANCESA CHILE Fonte: Agência Nacional de Águas OS PRINCIPAIS AQUÍFEROS BRASILEIROS iSTOCK PHOTO águas. A foz pode ser um mar, lago, pântano ou rio. Os rios aumentam pro- gressivamente de volume ao longo de seu percurso, alimentados por novos cursos de água – outros rios, riachos e nascentes. As chuvas também reforçam o flu- xo do rio, pois as águas se infiltram no terreno ou escorrem em filetes até atingir os riachos. A parte absorvida pelo solo penetra até estratos inferio- res, formados por rochas impermeá- veis, e continua se movimentando subterraneamente conforme a incli- nação da camada rochosa, criando os lençóis freáticos. Mais adiante, essa água retorna à superfície em nascen- tes, que alimentam os cursos de água. O derretimento da neve acumulada no cume das montanhas é outro fa- tor que participa na formação dos rios (veja a imagem ao lado). Águas subterrâneas As águas subterrâneas são o segundo grande depósito de água doce da Ter- ra, com 30,1% do volume total. Elas se acumulam em reservatórios naturais no interior da crosta terrestre graças à infiltração das águas superficiais em áreas com rochas porosas. Essas fon- tes de água doce são essenciais para o abastecimento de diversas regiões do globo onde há carência permanente ou sazonal de águas superficiais, com destaque para o norte da África, Oriente Médio, algumas regiões dos Estados Unidos, China e a Índia. São utilizadas na irrigação agrícola e no consumo de pessoas e animais. Também têm impor- tante papel na manutenção da umidade do solo e na alimentação de rios e lagos. No Brasil, as reservas de águas sub- terrâneas nos aquíferos são estimadas em 112 mil quilômetros cúbicos. Neles, a água se distribui de maneira irre- gular e em grandes extensões, o que dificulta a obtenção de dados precisos sobre esses reservatórios subterrâneos. Calcula-se que existam 27 aquíferos principais no país. O Aquífero Guarani é um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, ocupando aproxima- damente 1,1 milhão de quilômetros quadrados (veja mapa). Desse total, 70% estão em território brasileiro, estendendo-se do Centro-Oeste ao Sudeste e Sul, e o restante está em territórios do Uruguai, do Paraguai e da Argentina. As reservas poten- ciais calculadas do Guarani são de 37 trilhões de metros cúbicos de água. Atualmente, o aquífero é largamente explorado para a irrigação agrícola. Outro importante aquífero brasi- leiro é o Alter do Chão, na Amazônia. Estudos preliminares situam-no entre os maiores do mundo em volume de água. Com área de 437,5 mil quilô- metros quadrados, há projeções que indicam que o Alter do Chão tenha 86 trilhões de metros cúbicos de água, o que, caso confirmado, superaria em muito o Guarani. Oceano Condensação Neve Chuva Chuva Lago COMO NASCEM OS RIOS A água das chuvas e a do derretimento das neves escorrem pelo solo, formando pequenos veios que vão aumentando conforme se encontram Rochas porosas permitem que a água penetre no subsolo – e as diferenças de altura e pressão a fazem ressurgir em outro local, formando nascentes 2 1 58 GE GEOGRAFIA 2017 3 HIDROSFERA TSUNAMI Ondas de destruição Tremores provocados por fenômenos geológicos no fundo do mar dão origem aos terríveis tsunamis Grande maré de terremoto: esse é o significado da palavra tsunami em japonês. Os tsunamis são ondas gigan- tescas, com mais de 30 metros de altura, pro- vocadas por perturbações nas profundezas do mar, como abalos sísmicos (maremotos), erupções vulcânicas ou deslizamentos no fundo oceânico (veja ao lado). Os tremores provocados por fenômenos geológicos, como esses, fazem com que uma série de ondu- lações se propague por grandes distâncias na superfície do oceano. Essas ondas são inicialmente bastante longas e baixas, não mais que 0,3 a 0,6 metro. Entretanto, a coisa se complica quando elas se aproximam da costa, onde a profundidade diminui e surge atrito com o fundo do oceano. O resultado é que as ondas passam a ser comprimidas num espaço cada vez menor, o que as obriga a subir. Os tsunamis, então, formam uma coluna descomunal, sugando o mar da costa a ponto de deixar parte do solo oceânico descoberto. Esse é o último aviso. Minutos depois, eles chegam, em geral catastroficamente. A CHEGADA DO TSUNAMI NA COSTA Diferenças nas encostas do litoral podem suavizar ou aumentar o impacto Um declive menos acentuado na beira-mar faz com que as ondas percam força, atenuando o tsunami Uma maior profundidade na encosta joga as ondas para cima, amplificando sua potência TUDO COMEÇA NO FUNDO DO MAR Ondas gigantes são provocadas por três tipos de fenômeno Erupções vulcânicas injetam toneladas de lava no chão oceânico, provocando ondas devastadoras Terremotos submarinos deslocam a crosta oceânica, empurrando a massa de água para cima Uma imensa bolha de gás se forma no fundo do solo oceânico, surtindo o mesmo efeito de uma explosão descomunal [3] [4] [1] [2] [5] 59GE GEOGRAFIA 2017 NATUREZA EM FÚRIA INDONÉSIA O PLANETA MOBILIZADO PELA ONDA GIGANTE A tragédia de 26 de dezembro de 2004 foi ainda mais devastadora porque o Oceano Índico não tinha um sistema de aviso eficaz nem estava acostumado a esse tipo de onda. A alta densidade populacional das áreas atin- gidas (15 países na Ásia e na África) também amplificou a catástrofe, que deixou 230 mil mortos. A Indonésia foi o país mais atingido – só na ilha de Sumatra morreram mais de 170 mil pessoas. O tsunami nasceu de um terremoto de 9 pontos na escala Richter. A partir do epicen- tro, a cerca de 160 quilômetros a oeste da ilha indonésia de Sumatra, surgiram ondas de 10 metros de altura, que viajavam a 800 quilômetros por hora. A comoção diante da tragédia provocou uma mobilização mundial. Nações de todo o globo enviaram dinheiro, donativos e volun- tários com rapidez sem precedentes. NATUREZA EM FÚRIA JAPÃO O DESASTRE QUE GEROU UM ALERTA NUCLEAR No dia 11 de março de 2011, o Japão sofreu o maior terremoto de sua história. O abalo de 9 pontos na escala Richter teve seu epi- centro no oceano Pacífico, a 67 quilômetros da costa nordeste, provocando um tsunami devastador. As ondas viajaram a 800 quilô- metros por hora, arrastando carros, barcos e edifícios. Cidades como Sendai e Ishi ficaram submersas em meio aos escombros. Além de deixar pelo menos 9 mil mortos, o tsunami comprometeu o sistema de res- friamento da usina atômica de Fukushima. O superaquecimento dos reatores provocou explosões, e houve vazamento de material ra- dioativo. Enquanto milhares de desabrigados eram socorridos, o país ainda era ameaçado por uma catástrofe nuclear. [6] [7] [1][2][3][4][5] NEWTON VERLANGIER/ REVISTA MUNDO ESTRANHO [6] KYODO PRESS/ AP [7] DUDI ANUNG/ AP COSTA BRAVA Tsunami invade o litoral de Iwanuma, no norte do Japão, em março de 2011 CENÁRIO DESOLADOR A cidade de Meulaboh, na Indonésia, após a passagem do tsunami, em 2004 60 GE GEOGRAFIA 2017 3 HIDROSFERA BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O Brasil concentra mais de 10% da água doce disponível na superfície do planeta. Descubra os meandros das águas que percorrem nosso país Enquanto várias regiões do planeta são pouco privilegiadas em relação à disponibilidade de água, o Brasil não tem do que reclamar nesse quesito: nosso território concentra mais de 10% da água superficial disponível para consumo no mundo. Toda essa caudalosa riqueza está espalhada pelos milhares de rios que percorrem o país. A maioria desses rios nasce em regiões de altitude média – o Amazonas, que tem origem na cordilheira dos Andes, é uma das exceções. Uma característica importante é o predomínio de rios de planalto, o que permite bom aproveitamento hidrelétrico. O regime dos rios brasileiros é pluvial, ou seja, são alimentados pela água da chu- va (oAmazonas é exceção, pois também recebe neve derretida dos Andes). Em virtude da predominância do clima tro- pical no país, com bastante chuva, nossos rios são majoritariamente perenes (nunca secam). Desaguando no Oceano Atlântico ou em outros afluentes que correm para o mar, eles têm, em sua maioria, foz do tipo estuário: o canal se afunila, e as águas são lançadas livremente no oceano. Outro tipo de foz é o delta, em que aparecem ilhas na região do deságue. Há, ainda, o caso de foz mista, como a do Amazonas. Apesar de a água ser abundante aqui no Brasil, o país não está livre do problema da falta de água. Isso porque as fontes na- turais são mal distribuídas pelo território e há uma crônica má administração dos recursos hídricos (veja mais na pág. 64). O vasto emaranhado de afluentes na- cionais está agrupado em oito grandes bacias hidrográficas. As bacias, por sua vez, reúnem-se em regiões hidrográficas para facilitar o planejamento ambiental e o uso racional dos recursos. Veja a se- guir cada uma das oito grandes regiões hidrográficas do Brasil. Território caudaloso Fonte: IBGE 1 32 4 8A 8B 8E 8D 8C6 5 7 1. Região hidrográfica da Amazônia Engloba a maior bacia hidrográfica do mundo, a Amazônica, com área de 3,8 milhões de quilômetros quadrados em terras brasileiras, o equivalente a cerca de 60% do total (os outros 40% distribuem-se nos territórios de Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Bolívia). Seu curso principal nasce no Peru, com o nome de rio Vilcanota, e recebe depois as denominações de Ucaiali, Urubamba, Marañón e Ama- zonas. Quando entra no Brasil, vira Solimões, até o encontro com o rio Negro; desse ponto até a foz, volta a se chamar Amazonas. Seus principais afluentes no Brasil são os rios Madeira, Tapajós e Xingu, na margem direita, e, na margem esquerda, Negro, Trombetas e Paru. Um estudo divulgado em 2008 pelo Inpe mostrou que o rio Amazonas é o maior do mundo: o rio brasileiro tem 6.992 quilômetros de extensão, superando o rio Nilo, com 6.852 qui- lômetros. A confirmação desses dados, contudo, ainda depende da aceitação de instituições geográficas internacionais. A bacia Amazônica tem mais de 20 mil quilômetros de rios navegáveis. Hidrovias como a do Rio Madeira, que opera de Porto Velho a Itacoatiara, ser- vem de escoadouro para a produção agrícola do Centro-Oeste. 2. Região hidrográfica dos rios Tocantins-Araguaia Ocupando 921 mil quilômetros qua- drados, essa área é definida pela bacia do Rio Tocantins. Ele nasce em Goiás e desemboca na foz do Rio Amazonas. Parte de seu potencial hidrelétrico é aproveitada pela usina de Tucuruí, no Pará. Já o Rio Araguaia nasce em Mato Grosso, na divisa com Goiás, unindo-se ao Rio Tocantins no extremo norte do estado do Tocantins. 3. Região hidrográfica do Rio São Francisco Possui uma área de 638 mil quilô- metros quadrados e seu principal rio é o São Francisco, com cerca de 2,7 mil quilômetros de extensão. O Velho Chico 61 SAIBA MAIS BACIAS HIDROGRÁFICAS Uma bacia hidrográfica ou bacia de drena- gem compreende as águas superficiais (lagos, rios e seus afluentes e subafluentes, além do escoamento das águas das chuvas) e também as águas subterrâneas. Em geral, as bacias hi- drográficas são exorreicas, ou seja, suas águas escoam para os mares ou oceanos. As bacias endorreicas (aquelas em que as águas escoam para lagos ou pântanos) são menos frequentes, principalmente em se tratando de grandes bacias hidrográficas. Veja na imagem ao lado os seus principais elementos. nasce em Minas Gerais e percorre os estados da Bahia, de Pernambuco, Ala- goas e Sergipe até a foz, na divisa entre esses dois últimos estados. É o maior rio totalmente localizado em território brasileiro, sendo essencial para a eco- nomia das localidades que percorre – grande parte localizada em região semiárida – , pois permite a atividade agrícola em suas margens e oferece condições para a irrigação artificial de áreas mais distantes. Essa, inclusive, é uma das questões em debate em torno do projeto de transposição das águas do São Francisco (veja mais na pág. 64). 4. Região hidrográfica do Rio Parnaíba Segunda principal região hídrica do Nordeste, atrás da região do São Francisco, ocupa uma área de 333 mil quilômetros quadrados, entre os esta- dos do Ceará, Maranhão e Piauí. Ao desaguar no oceano Atlântico, fazendo a divisa do Piauí com o Maranhão, o Rio Parnaíba forma um delta oceânico. A piscicultura é a principal atividade econômica praticada no rio. 5. Região hidrográfica do Rio Paraná Abrangendo uma das áreas com o maior desenvolvimento econômico do país, a região da bacia do Paraná tem cerca de 880 mil quilômetros quadrados. O Rio Paraná, com quase 3 mil quilô- metros de extensão, nasce na junção dos rios Paranaíba e Grande, na divisa entre Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Essa bacia apresenta o maior aproveitamento hídrico do Brasil, abri- gando hidrelétricas como a de Itaipu. Afluentes do Paraná, como o Tietê e o Paranapanema, também têm grande potencial para gerar energia. A hidrovia Tietê-Paraná é a mais antiga do país. 6. Região hidrográfica do Rio Paraguai É constituída pela bacia brasileira do Rio Paraguai, abrigando a grande planí- cie do Pantanal Mato-Grossense. Com sua nascente em território brasileiro, na Serra do Araporé, próximo de Cuiabá (MT), o Rio Paraguai ocupa uma região de 363 mil quilômetros quadrados no Brasil, correspondente a cerca de um terço da área total, e inclui também Argentina, Bolívia e Paraguai. Seus rios são muito usados para a navegação e para o consumo animal. 7. Região hidrográfica do Rio Uruguai Com cerca de 274 mil quilômetros quadrados, é constituída pela parte brasileira da bacia do Uruguai, rio que surge da união dos rios Pelotas e Ca- noas. Tem grande importância tanto pelo potencial hidrelétrico como pela concentração de atividades agroindus- triais na região. 8. Região hidrográfica do Atlântico Trata-se de um conjunto de várias pe- quenas e médias bacias costeiras forma- das por rios que deságuam no Atlântico, exceto os do Amapá, que fazem parte da região hidrográfica Amazônica. São cinco regiões: a) A Atlântico Nordeste Ocidental, de 274 mil quilômetros quadrados, abri- ga os rios situados entre a foz do Gurupi (divisa Pará-Maranhão) e a do Rio Parnaíba (divisa Maranhão- -Piauí). b) A Atlântico Nordeste Oriental, de 286 mil quilômetros quadrados, fica entre a foz do Parnaíba e a do São Francisco, na divisa entre Alagoas e Sergipe. c) A Atlântico Leste, com 388 mil qui- lômetros quadrados, vai da foz do São Francisco ao Rio Mucuri (extremo sul da Bahia). d) A Atlântico Sudeste, com 215 mil quilômetros quadrados, vai do Mu- curi à área da divisa entre São Paulo e Paraná. e) Por fim, a Atlântico Sul abrange as bacias dos rios Itajaí, Capivari e aquelas ligadas ao Rio Guaíba e ao sistema lagunar do Rio Grande do Sul, somando 187 mil quilômetros quadrados de área. GE GEOGRAFIA 2017 62 GE GEOGRAFIA 2017 3 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO O volume total de água no planeta – 1,4 bilhão de quilômetros cúbi-cos – praticamente não aumenta nem diminui. E tem sido assim desde as eras mais remotas. Como observamos na página 51, o ciclo hidrológico garante que a água passe do mar para a atmosfera e desta para os rios que abastecem os re- servatórios de forma constante. Mas, se a quantidade de água na Terra permanece a mesma, por que estamos sempre falando em esgotamento das reservas hídricas? A questão é que, mesmo sendo um re- curso renovável, a água não se mantém, necessariamente, inesgotável e sempre com boa qualidade. Tudo depende do equilíbrio entre a renovação e o consu- mo. Se hoje uma a cada nove pessoas no mundo não tem acesso à água potável em quantidade necessária para garantir sua saúde, é porque a ação do homem está interferindo diretamente nesta relação entre a ofertae a demanda de água potá- vel. O aumento populacional, o consumo crescente, o desperdício, a contaminação dos mananciais e as alterações climáticas exercem grande pressão sobre as fontes de abastecimento de água. O mundo tem sede Entenda como a ação do homem vem interferindo na disponibilidade de água e provocando uma grave escassez hídrica PARA IR ALÉM O documentário Ouro Azul – As Guerras Mundiais pela Água, de Sam Bozzo, trata, por meio de entrevistas com especialistas de diversos países, da escassez hídrica em várias regiões do mundo e dos conflitos que podem surgir em razão da falta de água, com sérias implicações geopolíticas. USO HUMANO DA ÁGUA Subterrânea e superficial Industrial 21% Agricultura 69% Doméstico 10% Fonte: National Geographic A população mundial saltou de 2,5 bilhões de pessoas em 1950 para mais de 7 bilhões atualmente. E esse acelerado crescimento demográfico não signifi- ca apenas maior consumo de água em nossas casas. Tarefas cotidianas como tomar banho, cozinhar ou lavar louça representam apenas 10% do consumo total da água pelo homem. Com mais gente no mundo, nossa sociedade precisa aumentar a produção no campo para produzir alimentos e na indústria para gerar os bens que consumimos. Como o desenvolvimento industrial e agropecuá- rio é hoje responsável pelo consumo de 90% de toda a água utilizada pela huma- nidade, é possível ter uma dimensão da pressão que esse aumento populacional exerce sobre as fontes hídricas. O mapa na página ao lado mostra a disponibilidade de água no planeta. Em alguns casos, fatores naturais, como a ocorrência de zonas áridas, podem explicar a escassez. Mas, de modo ge- ral, é o mau gerenciamento das fontes que pressionam o ciclo hidrológico, ou seja, consumimos mais água do que a natureza é capaz de repor. QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA Refugiados carregam galões com água em Darfur do Norte, no Sudão: acesso restrito ao escasso e precioso líquido 63GE GEOGRAFIA 2017 SAIBA MAIS ÁGUA VIRTUAL Além da água que consumimos diretamente todos os dias para beber, cozinhar os nossos alimentos e fazer a higiene pessoal, gastamos outras centenas de litros indiretamente. Como assim? Ocorre que tudo o que utilizamos no dia a dia, como roupas, alimentos, eletrodo- mésticos e material escolar, precisou de água para ser produzido. Para chamar atenção sobre a importância de calcular o consumo indireto e identificar a quantidade real de água utili- zada, foi criado o conceito de “água virtual”. Em produtos de origem animal, por exemplo, a maior parte da água virtual tem origem na produção da ração que alimenta a criação. A ÁGUA ESTÁ PRESENTE EM TUDO O QUE CONSUMIMOS Água virtual é a quantidade de água usada, direta ou indiretamente, na produção de algo. Veja quantos litros de água virtual existe em alguns produtos Fontes: R.L.Carmo, A.L.R.O.Ojima, R.Ojima e T.T.Nascimento; Hoekstra e Chapagain e Water Footprint Network 32 litros Microchip (2 g) 140 litros Xícara de café (125 ml) 10 litros Folha de papel A4 (80 g/m2) 2.000 litros Camiseta de algodão (250 g) 135 litros Ovo (40 g) 200 litros Copo de leite (200 ml) 2.325 litros Carne bovina (150 g) 720 litros Carne suína (150 g) 8.000 litros Par de sapatos de couro Em produtos de origem animal, a maior parte da água virtual tem origem na produção da ração que alimenta a criação Fonte: Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture, 2007 Escassez hídrica Áreas onde o consumo humano já superou a capacidade de renovação natural, com extração de mais de 75% das águas das bacias hidrográficas Próximo da escassez hídrica física Mais de 60% do fluxo dos rios dessas bacias é usado, e a população deve enfrentar a escassez física em breve Sem dados disponíveis Escassez hídrica econômica Questões políticas e econômicas também limitam o acesso à água. Encontram-se nessa situação regiões em que menos de 20% da água disponível é aproveitada, enquanto os habitantes sofrem com desabastecimento por causa de conflitos ou falta de infraestrutura e saneamento Escassez hídrica pequena ou inexistente Ocorre em regiões ricas em recursos hídricos, com retirada inferior a 25% do total de água disponível A ÁGUA DOCE NO MUNDO Europa 7%Américas 46% Ásia 32% África 9% 12% Só o Brasil Oceania 6% ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO ALBERT GONZÁLEZ FARRAN/ONU 3 64 GE GEOGRAFIA 2017 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL Acesso desigual Seja por aspectos climáticos ou má gestão dos recursos hídricos, o Brasil também enfrenta o problema da seca. Veja a situação no Nordeste e no Sudeste, as duas regiões mais afetadas atualmente Mesmo concentrando cerca de 12% das reservas mundiais de água doce e sen-do privilegiado por uma profusão de rios, o Brasil não está imune à escassez hídrica. Um dos problemas é que o precioso líquido não é distribuído de maneira uniforme pelo território nacional. Os estados do Norte, com somente 8% da população, têm quase 70% das reservas hídricas. Em compensação, o Nordeste, que concentra 28% da população, possui apenas 3% da água disponível e é a região mais afetada pela seca no país. No Nordeste, a escassez hídrica está dire- tamente relacionada com o clima semiárido do sertão. A presença de uma massa quente e seca que estaciona na região durante longos períodos é responsável pela falta de chuvas. Alguns fenômenos climáticos sazonais, como a ocorrência do El Niño, pode agravar ainda mais a situação (veja mais na pág. 76). A seca no Nordeste é um fenômeno previsível, que é constatado desde o período colonial. Por- tanto, as autoridades governamentais ao longo das últimas décadas já poderiam ter desenvolvido políticas públicas eficazes para minimizar os efeitos da baixa pluviosidade. Contudo, a cons- trução de açudes, que permitem tornar perenes os rios intermitentes, e projetos de irrigação durante muitos anos beneficiou apenas grandes latifundiários em detrimento da população mais duramente castigada – atitude que ajudou a cunhar o termo “indústria da seca”, ao perpetuar os problemas decorrentes da estiagem. A transposição do rio São Francisco Atualmente, a principal obra do governo federal para combater os efeitos da seca é a controversa transposição do rio São Francisco. Iniciadas em 2007, as obras têm como objetivo desviar uma pequena parcela de seu volume por meio de dutos e canais que devem abastecer rios menores e açudes que secam durante a estiagem no semiárido nordestino. O governo acredita que a obra beneficiará 12 milhões de pessoas e estimulará a agricultura nas áreas atingidas. Os críticos da transposição, porém, acreditam que poços profundos e cisternas (que são reser- vatórios para a captação de água da chuva) são alternativas mais eficazes e baratas para com- bater a seca, além de argumentar que o projeto não alcançará muitas comunidades e beneficiará principalmente os grandes fazendeiros. Existe ainda o temor de que o projeto cause impactos ambientais no rio São Francisco. Após muitos atrasos, a previsão é que a obra seja concluída em dezembro de 2016 (veja o mapa na pág. ao lado). PARA IR ALÉM O documentário Entre Rios, de Caio Ferraz, trata da urbanização de São Paulo, pelo viés dos cursos d’água, desde a primeira vila até os dias atuais: www.youtube.com/ watch?v=Fwh-cZfWNIc. 65GE GEOGRAFIA 2017 A crise hídrica chega ao Sudeste Nem mesmo o Sudeste, caracterizado pela gran- de presença de umidade, está imune à escassez de água. Uma grave crise hídrica atingiu todos os es- tados da região em 2014 e 2015 e foi especialmente aguda em São Paulo e sua região metropolitana. Responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões de pessoas, o Sistema Cantareira quase entrou em colapso, e o governo estadual foi obrigado a utilizar o chamado volume morto – uma reserva técnica que fica abaixo das comportas das represas. Ainda que a estiagem tenha contribuído para agravar a situação, a crise reflete a faltade plane- jamento e investimentos no sistema de abasteci- mento de água. Por isso, apesar de o pior da crise já ter sido superado, o setor ainda apresenta sérios problmeas estruturais. Veja alguns dos principais entraves que o setor enfrenta na região: � Há pelo menos duas décadas, especialistas em recursos hídricos alertam que as regiões metropolitanas devem criar medidas para atender ao aumento da demanda de água nessas regiões, fruto do crescimento popu- lacional. Entretanto, as obras para aumentar a captação, o tratamento e a distribuição de água não foram realizadas ou foram feitas em ritmo muito abaixo do que seria necessário. � MANANCIAIS São todas as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, que podem ser usadas para o abastecimento das populações. Isso inclui, por exemplo, rios, lagos, represas e lençóis freáticos � A lentidão ou a conivência do poder pú- blico na questão da ocupação das áreas de mananciais reduziu a capacidade de re- posição da água em grandes reservatórios, como o da Cantareira e do Alto Tietê. Essa ocupação, fruto do crescimento desordenado das cidades, ocorreu com a implantação de áreas residenciais e comerciais (agrícolas e industriais), provocando desmatamento, im- permeabilização do solo e poluição das águas. � Há fortes críticas de diversos setores da so- ciedade sobre o modelo de gestão público- -privada dos recursos hídricos. Em São Paulo, a Sabesp é uma empresa de capital misto (51% sob controle do Estado e o restante pertence a investidores privados), com ações negociadas na bolsa de valores. Esse modelo concretiza, portanto, a concepção da água como merca- doria voltada para a obtenção de lucro, e não como um bem universal e direito de todos. � A lentidão ou inexistência de programas de despoluição das águas dos rios e lagos em áreas urbanas restringe as fontes de água para o abastecimento público. A coleta e tratamento de esgotos, serviço cobrado pelas empresas que fazem a distribuição da água, atende menos da metade da po- pulação (veja mais na pág. 66). TORNEIRAS SECAS Moradores de Itu, no interior de São Paulo, fazem fila para receber água durante a crise de desabastecimento que afetou a cidade em 2014 TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO 0 100 Escala (em km) 50 PERNAMBUCO BAHIA CEARÁ ALAGOAS SERGIPE PARAÍBA Ri o Pi ra nh as -A çu Oceano Atlântico Rio Brígida Ri o M ox ot ó Rio Paraíba Rio do Pe ixeR io Ja gu ar ib e R io S al g ad o Ri o Ap od i Eixo Norte* 99 m3/s Eixo Leste* 28 m3/s Cabrobó RIO G. DO NORTE Rio São Francisco Locais de captação Canais em construção Rios receptores * Vazão máxima Petrolândia HELVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/ 3 66 GE GEOGRAFIA 2017 HIDROSFERA POLUIÇÃO HÍDRICA A pesar da evidente importância da água para a nossa sobrevivência e para as inúmeras atividades humanas, como produção de alimentos, lazer e transporte, um dos maiores desafios ambientais da atualidade diz respeito à contaminação das fontes hídricas. A poluição das águas é causada, sobretudo, pelo lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico e resíduos sólidos. Isso com- promete a qualidade das águas superficiais e subterrâneas em inúmeros pontos do planeta. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 700 milhões de pessoas ainda consomem água imprópria e em torno de 2,5 bilhões de pessoas não possuem esgotamento sanitário – um terço da população mundial. Além de indisponibilizar mananciais que poderiam ser utilizados para o consumo de água potável pela população, a contaminação das águas está relacionada à transmissão de diferentes tipos de doenças que, juntas, causam 1,5 milhão de mortes por ano no mundo – as maiores vítimas são as crianças de países pobres e em desenvolvimento. Os ecossistemas também são gravemente afetados pela poluição hídrica, Águas turvas A contaminação das fontes hídricas, que deteriora os ecossistemas e provoca milhares de mortes no mundo, é um dos grandes desafios ambientais da atualidade COLETA DE ESGOTO NO BRASIL (2014)* Percentual de domicílios atendidos NorteBrasil Nordeste Centro- Oeste Sudeste Sul Fonte: PNAD 2014 *Ligados na rede geral, com e sem fossa séptica 63,5% 21,2% 41,1% 46,5% 87,7% 61,9% ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO MUNDO (2012) População com o mínimo de condições, em faixas de % por país Fonte: Organização Mundial da Saúde 91–100% 76–90% 50–75% menos de 50% sem dados que compromete a fauna e a flora aquática. Veja a seguir as principais atividades humanas responsáveis pela poluição das águas. A precariedade do saneamento básico A falta de coleta e tratamento de esgotos in- dustriais e domésticos, sobretudo nas grandes áreas urbanas, representa uma séria ameaça a rios, lagos e represas. Esses ambientes sofrem o fenômeno conhecido como eutrofização: os esgotos domésticos, ricos em matéria orgânica, quando são lançados na água, geram um excesso de nutrientes que provoca o crescimento acele- rado de plantas e algas aquáticas. Estas, por sua vez, impedem a passagem de luz e a transferência de oxigênio para o meio aquático, favorecendo o desenvolvimento de bactérias anaeróbias. No Brasil, de acordo com dados do IBGE de 2014, eram atendidos com coleta de esgoto por rede canalizada 42,6 milhões de domicílios, nos 5.570 municípios do país – o que representa 63,5% do total. Ou seja, um terço das residên- cias brasileiras não são atendidas por serviços de coleta de esgoto. Segundo o Instituto Trata Brasil e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em 2014 apenas 12 dos 100 maiores municípios brasileiros haviam cumprido as exigências do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), que prevê ações de abastecimento de água, tratamento de esgotos, coleta e tratamento de resíduos sólidos e manejo das águas pluviais urbanas. Nota-se, ainda, grandes disparidades entre as regiões quanto à coleta de esgoto (veja o gráfico abaixo). 67GE GEOGRAFIA 2017 Descarga no mar de dejetos industriais e urbanos Área poluída pela circulação de petróleo Mares e lagos poluídos Mares e lagos bastante poluídos OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO Gr ee nw ic h Círculo Polar Antártico Trópico de Câncer Trópico de Capricórnio Equador OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico 0 2.500 5.000 km N POLUIÇÃO DAS ÁGUAS (2007) Fonte: ilustração de Alex Argozino, baseado em mapa publicado no Atlas Geográfico: Espaço Mundial (Editora Moderna). CONTAMINAÇÃO INTEROCEÂNICA O uso de adubos químicos nas lavouras, que é escoado no litoral, e a deposição de material não biodegradável respondem por grande parte da poluição nas áreas costeiras. Veja também como o transporte marítimo deixa um rastro de petróleo por onde passam os cargueiros. � COMMODITIES São produtos de origem mineral (petróleo, minério de ferro, alumínio, entre outros) ou agrícola (soja, milho, algodão, etc.) negociados nas bolsas de valores no mercado internacional SAIBA MAIS A CATÁSTROFE DO MAR DE ARAL Além de contaminar os mananciais, a agroindústria também provoca enorme desperdício de água. Quando mal planejada, a irrigação pode dar origem a catástrofes ambientais extremas. É o que aconteceu no Mar de Aral. Encravado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, na Ásia Central, o Aral ocupava uma área de 68 mil quilômetros quadrados – pouco maior que o estado do Rio de Janeiro. O desastre começou a se formar nos anos 1960, com o desvio dos rios Amu e Syr para irrigar as lavouras da antiga União Soviética. Passados quase 50 anos, o Aral perdeu 90% do volume de água. Entre outras consequên- cias, o recuo ampliou as áreas desérticas e diminuiu drasticamente a flora e a fauna locais. Em 2014, pela primeira vez na história, a parte oriental do Mar de Aral secou completamente. 1977 2015 NASA A deposição de lixo e vazamentosnos oceanos Os oceanos são os principais “corredores” do transporte mundial de mercadorias e matérias- -primas. Os milhares de navios cargueiros e de pesca industrial provocam, nas rotas mais utili- zadas, a poluição das águas com vazamentos de combustíveis e deposição de lixo (veja o mapa). Outras fontes de resíduos sólidos nos oceanos, principalmente de plásticos e outros materiais não biodegradáveis, são as cidades litorâneas e a descarga de rios poluídos nas águas oceânicas. Os vazamentos de petróleo que ocorrem com certa frequência nos poços explorados no assoa- lho oceânico também estão entre as principais fontes poluidoras dos oceanos. O uso de adubos químicos e de agrotóxicos na produção agrícola A agricultura comercial, voltada para a produ- ção de commodities comercializadas em escala global, utiliza toneladas de adubos químicos para aumentar a produtividade e de produtos tóxicos para controlar a proliferação de pragas (insetos, doenças e plantas indesejadas) nas lavouras. Além de contaminar os solos (veja mais na pág. 44), o uso desses produtos dá origem ao pro- cesso de fertilização artificial das águas de rios, lagos e oceanos com nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo. É o mesmo fenômeno da eutrofização, verificado na poluição por esgoto doméstico. Estudos mostram que o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, apresenta elevado grau de con- taminação por agrotóxicos. 68 GE GEOGRAFIA 2017 COMO CAI NA PROVA3 1. (Uece 2014) Sobre o ciclo da água, é correto afirmar-se que a) o ciclo, através das chuvas, contribui para aumentar a umidade do ar e dos solos, alimentar os lençóis de água subterrânea e o escoamento fluvial. b) a infiltração da água tende a ser maior em terrenos impermeáveis e de rochas pouco porosas pertencentes ao embasamento cristalino. c) a descarga fluvial, ou débito de um rio, é sempre igual à pluviosidade total que incide sobre a região da bacia hidrográfica. d) a evaporação e a evapotranspiração tendem a um decréscimo em regiões de baixas latitudes, aumentando, consideravelmente, nas regiões de altas latitudes. RESOLUÇÃO A alternativa A apresenta corretamente aspectos do ciclo da água: a evaporação, formação de nuvens e as chuvas tornam a atmosfera úmida, além de garantir a presença da água nos solos e nos rios (escoamento fluvial) e, por infiltração, nos lençóis freáticos (água subterrânea). Sobre as alternativas incorretas: em terrenos impermeáveis e com rochas pouco porosas (B), a infiltração é prejudicada e ocorre um aumento do escoamento superficial. A descarga fluvial (C) é menor do que a pluviosidade total, pois uma parte da água infiltra ou evapora ao longo do ciclo hidrológico. Em regiões de baixas latitudes (D), com temperaturas médias mais altas, a evaporação e a evapotranspi-ii ração são mais elevadas e,e nas latitudes maiores (regiões mais afastadas da linha do Equador)EE ,)) as baixas temperaturas reduzem a evaporação e a evapotranspiração. Resposta: A � SAIBA MAIS GRANDES RESERVATÓRIOS DE ÁGUA MUNDO Veja a seguir quais são as principais bacias hidrográficas do mundo: 1. Yukon 2. Mackenzie 3. Nelson 4. Mississipi 5. St. Lawrence 6. Amazônica 7. Paraná 8. Níger 9. Bacia do Lago Chade 10. Congo 11. Nilo 12. Zambezi 13. Volga 14. Ob 15. Yenisey 16. Lena 17. Kolyma 18. Amur 19. Ganges e Brahmaputra 20. Yangtze 21. Murray Darling 22. Huang He 23. Indo 24. Tigre e Eufrates 25. Danúbio 26. Orange 2. (Espcex-Aman 2015) “Relatórios da ONU alertam que se o padrão de consu- mo não mudar, em 2025, 1,8 bilhão de pessoas estarão vivendo em regiões com absoluta escassez de água, e dois terços da população do mundo poderá estar vivendo sob condições de estresse hídrico.” redeglobo.globo.com/globoecologia/noticia/2013/05/mundoenfrenta.crise-de-agua-doce Sobre os fatores relacionados à crise de abastecimento de água potável no mundo, podemos afirmar que I. embora a água doce disponível no mundo ultrapasse largamente as neces- sidades de consumo atuais, a crise da água é uma realidade no planeta. II. em muitos países, as reservas de água subterrâneas renovam-se em velocidade menor que a retirada de água, provocando a secagem de poços e um efeito de subsidência (rebaixamento) bastante pronunciado em suas áreas urbanas, o que compromete a estrutura das construções e dos monumentos históricos. III. a construção de barragens em rios compartilhados por diferentes países, viabilizando projetos de irrigação e beneficiando as atividades agrícolas, tem contribuído para a redução do estresse hídrico entre esses países. IV. o Aquífero Guarani é uma importante reserva estratégica de recursos hí- dricos para o Centro- Sul do Brasil, a qual ainda não está sendo explorada, haja vista as abundantes chuvas que alimentam os rios, os quais, por si só, garantem o abastecimento da região mais dinâmica do País. V. entre os diversos usos da água, o uso industrial é o que apresenta as maiores taxas de desperdício em termos globais. Assinale a alternativa em que todas as afirmativas estão corretas: a) I e II b) II e III c) II e IV d) I, IV e V e) II, III e V RESOLUÇÃO A afirmação I é correta e está relacionada à distribuição desigual da água no planeta e nas diversas regiões povoadas. Na afirmação II, um exemplo de re- baixamento do solo é o que ocorre na Cidade do México, localizada a mais de 2 mil metros de altitude, em região de clima temperado com uma estação seca (outono/inverno, de setembro a março), que complementa seu abastecimento hídrico com a exploração de águas subterrâneas. Os itens incorretos são: III. A exploração de rios que atravessam o território de diferentes países, por meio da construção de barragens, por exemplo, tende a aumentar os conflitos pela água, como ocorre nas bacias dos rios Nilo (explorado principalmente por Egito, Sudãor e Sudão do Sul) e Tigre/Eufrates (explorado por Síria e Iraque, principalmente). IV. O Aquífero Guarani já é explorado para o abastecimento de água e para a irrigação agrícola em muitos municípios do Sudeste. Além disso, há registros da presença de poluentes nessas águas em função da deposição de lixo, ao uso de agrotóxicos e à falta de tratamento de esgotos. V. A agricultura – e não a indústria – é o setor que mais consome água e também o que mais desperdiça, por meio de ineficientes sistemas de irrigação. Resposta: A 69GE GEOGRAFIA 2017 � SAIBA MAIS Veja abaixo alguns dos principais aquíferos mundiais e suas características. O compartilhamento dessas fontes por vários países é motivo de disputa. 3. (Enem 2014) A preservação da sustentabilidade do recurso natural exposto pressupõe a) impedir a perfuração de poços. b) coibir o uso pelo setor residencial. c) substituir as leis ambientais vigentes. d) reduzir o contingente populacional na área. e) introduzir a gestão participativa entre os municípios. RESOLUÇÃO O Aquífero Alter do Chão perpassa os limites territoriais de dezenas de municípios, distribuídos nos estados de Amazonas, Pará e Amapá. A gestão racional e comparti-ii lhada das águas do Alter do Chão é a melhor forma de preservar de forma sustentável este recurso. O uso sustentável é, sim, possível por meio da perfuração de poços, e a legislação ambiental brasileira regulamenta esse tipo de exploração (o que invalida as alternativas A, B e C). A redução do contingente populacional da área (alternativa D) é improcedente, pois se trata de uma região de baixa densidade demográfica. Resposta: E RESUMO Hidrosfera HIDROSFERA É o conjunto de toda a água presente no planeta, A que corresponde a cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos e cobre mais de 70% da superfície do globo. CICLO HIDROLÓGICO É o processo pelo qual a água circula entre a superfície da Terra e a atmosfera. A energia solar pro- voca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso e chega à atmosfera. Esse vapor de água se transforma em nuvem, que se condensa, dando origem às chuvas. Asgotas de água atingem os continentes e são escoadas para rios, lagos e oceanos e também se infiltram no solo. ÁGUA SALGADA A água salgada representa 97,5% de toda A a hidrosfera. Esse volume se divide em oceanos e mares. Os oceanos são grandes áreas de água salgada delimitadas pe- los continentes. Os mares são blocos menores de água e são classificados conforme sua relação com os oceanos. Podem ser de três tipos: abertos, continentais e fechados. ÁGUA DOCE Apenas 2,5% de toda a hidrosfera corresponde a água doce. Desse total, quase 70% estão congeladas em geleiras ou calotas polares. O volume de água disponível para o consumo humano, presente em lençóis subterrâneos, lagos e rios, não chega a 1% da hidrosfera. BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O território brasileiro concentra mais de 12% da água doce superficial do planeta. O Brasil apresenta oito grandes regiões hidrográficas: Amazô- nica (a maior do mundo), dos rios Tocantins-Araguaia, do São Francisco, do Rio Parnaíba, do Rio Paraná, do Rio Paraguai, do Rio Uruguai e do Atlântico. ESCASSEZ DE ÁGUA A distribuição de água no planeta é irreA - gular, com regiões onde há abundância (como a Amazônia) e outras que sofrem com a escassez (como trechos da África). Cerca de 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água limpa. Isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes naturais, como a ocupação ilegal dos mananciais. Além disso, há uma superexploração das reservas hídricas. Somente a agricultura consome 69% da água doce disponível – a indústria absorve 21% e o uso doméstico representa 10%. ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL A água por aqui é abundante, mas mal distribuída. O Nordeste tem 28% da população, mas apenas 3% da água disponível. Atualmente, as regiões Nordeste e Sudeste enfrentam grave escassez hídrica em função da falta de chuva e da má gestão das fontes de água. POLUIÇÃO DAS ÁGUAS Os rios e lagos são ameaçados pelo lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico e resíduos sólidos. Cerca de um terço da população mundial não dispõe de água suficiente para o saneamento básico. MEIO-OESTE DOS EUA O aquífero Ogallala, que se estende sob oito estados dos EUA, teve uma queda de 35 metros no nível da água em 50 anos. A água nele contida é “fóssil” e não pode ser reposta naturalmente. AMÉRICA DO SUL O aquífero Guarani, sob o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, é um dos maiores do mundo. Mas já está contaminado por produtos agrícolas e esgoto em alguns pontos. ÁFRICA OCIDENTAL Níger, Nigéria e Mali negociam o gerenciamento conjunto do aquífero Iulolemeden. NORTE DA ÁFRICA O aquífero Núbio, compartilhado por Chade, Egito, Líbia e Sudão, é um reservatório de água fóssil, que não se recarrega naturalmente pela chuva. ÍNDIA Bangladesh reclamou que a barragem indiana de Farakka desvia parte da vazão do Rio Ganges para longe de seu território. A Índia concordou em reduzir o volume desviado. ORIENTE MÉDIO Israel e os territórios palestinos dividem quatro aquíferos. Desde os Acordos de Oslo II (1995), os israelenses têm acesso a quatro vezes mais água do que os palestinos. FRONTEIRA ENTRE EUA E MÉXICO O aquífero Hueco Bolsón é compartilhado pelas cidades de El Paso, nos EUA, e Ciudad Juarez, no México. A exploração descontrolada ameaçava a cidade mexicana de desabastecimento em cinco anos. Os EUA passaram a recarregar o aquífero com água usada e retratada. 1 4 5 6 7 2 3 Aquíferos cuja recarga é lenta demais em comparação à exploração Aquíferos não recarregáveis AMEAÇAS E ACORDOS SOBRE GRANDES FONTES 70 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA 4 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Camadas da atmosfera ..................................................................................72� Meteorologia .....................................................................................................73 � El Niño e La Niña .............................................................................................76 � Ciclone .................................................................................................................77 � Climas do mundo .............................................................................................78 � Climas do Brasil ................................................................................................80 � Poluição do ar ...................................................................................................82 � Aquecimento global ........................................................................................84 � Os efeitos das mudanças climáticas .........................................................86 � Energias renováveis .......................................................................................88 � Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris .......................................................90 � Como cai na prova + Resumo .......................................................................92 F oram quase duas semanas de duras ne-gociações, mas o esforço compensou. Ao término da 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, a COP21, realizada em Paris entre novembro e dezembro de 2015, as delegações dos 195 países presentes ao encontro celebraram um acordo histórico com o objetivo de reduzir as emissões de dióxido de carbono na atmosfera e conter os efeitos do aquecimento global sobre o planeta. Pelo Acordo de Paris, que valerá a partir de 2020, as nações se obrigaram a elaborar estratégias para limitar o aumento médio da temperatura da Terra até 2100 a “bem menos de 2 ºC”, buscando ainda “esforços para limitar o aumento a 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais”. Cada país comprometeu-se a cumprir metas nacionais, as chamadas INDCs (sigla em inglês para Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas), definidas por seus governos e que são voluntárias. O sucesso do acordo, o mais amplo entendi- mento sobre o clima desde o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, depende, em larga medida, do engajamento dos países mais poluidores do pla- neta. Essa lista é encabeçada pela China, nação que experimentou um vertiginoso crescimento econômico nas últimas décadas impulsionado principalmente pela rápida expansão indus- trial. Ocorre que a matriz energética chinesa é altamente dependente de combustíveis fósseis, principalmente carvão. Desde a década de 1980, o país consome pelo menos metade do carvão produzido no mundo, a maior parte usada para mover suas indústrias. Ao fim da COP21, os chineses se comprome- teram a aumentar em 20% a participação de combustíveis não fósseis em sua matriz ener- gética. Além disso, concordaram em reduzir as emissões de dióxido de carbono por unidade do PIB (Produto Interno Bruto) em até 65% em comparação a 2005. Isso significa que se em 2005 a China emitia 1 quilo de dióxido de carbono para produzir um 1 dólar de PIB, o compromisso é que seja 0,35 quilo para cada dólar de PIB. A questão das emissões de poluentes e seu efei- to sobre o aquecimento global é um dos temas que mais preocupam os ambientalistas. Neste capítulo, aprofunda- mos a discussão sobre esse tema e discutimos outros assuntos rele- vantes que interferem no clima e na meteo- rologia do Brasil e do mundo. Sucesso do Acordo de Paris firmado na COP21 depende do engajamento de todos os países, entre eles a China, o maior poluidor global Clima de mudança AMBIENTE TÓXICO Chaminés liberam poluentes na atmosfera em uma usina de carvão em Shanxi, na China: o país é responsável por quase um terço das emissões globais de carbono 71GE GEOGRAFIA 2017 KEVIN FRAYER/GETTY IMAGES 72 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA CAMADAS DA ATMOSFERA F oi da junção de duas palavras gregas, atmós (vapor) e sphaîra (esfera), que nasceu o nome da estrutura de gás que envolve um saté- lite ou planeta: a atmosfera. Na Terra, essa “esfera de vapores” é composta de diversas camadas e, em sua porção mais densa, chega a até 600 quilômetros dealtitude a partir do nível do mar. É uma espessura considerável, mas quase ir- Vapor essencial Explore as diversas camadas da atmosfera, a invisível esfera de gás que envolve a Terra e garante a existência de vida no planeta risória se considerarmos o tamanho do globo terrestre, de aproximadamente 12,8 mil quilômetros de diâmetro. Mas, independentemente de sua espessura, a atmosfera é essencial para a vida. Além de conter o oxigênio que respiramos, ela mantém a Terra quente, protege os seres vivos dos raios ultravioleta vin- dos do Sol e funciona como um escudo contra meteoritos. Há vários critérios pelos quais pode- mos classificar a atmosfera. A divisão mais conhecida, feita de acordo com as variações de temperatura conforme a altitude, reparte a atmosfera em cinco ca- madas distintas: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Veja as principais características de cada uma: AS CAMADAS DA ATMOSFERAAMADAS DA ATMOSFERA MESOSFERA A camada mais fria da atmosfera fica entre 50 e 90 quilômetros de altitude. Sua temperatura diminui conforme subimos: parte de -15 0C na divisa com a estratosfera e chega a -120 0C. É onde ocorrem as estrelas cadentes. TROPOSFERA A camada inferior da atmosfera vai do nível do mar até cerca de 12 quilômetros de altitude. Sua temperatura atinge -60 ºC na parte superior. Nessa faixa acontece a maioria dos fenômenos climáticos. ESTRATOSFERA Vai até 50 quilômetros acima do nível do mar. Sua temperatura sobe com o aumento de altitude: começa em -60 ºC e vai até -15 ºC. É onde fica a camada de ozônio. TERMOSFERA Camada mais extensa da atmosfera, ela parte dos 90 e chega aos 600 quilômetros de altitude. Também é a mais quente: na parte superior, chega a 2.000 0C. É nessa faixa que orbitam os ônibus espaciais. FAIXAS DE TRANSIÇÃO Entre as camadas da atmosfera, há regiões fronteiriças que apresentam características de transição. São elas: a tropopausa, a estratopausa, a mesopausa e a termopausa. 600 km 2.000˚C 90 km -120˚C 50 km -15˚C 20 km -60˚C CAMADA DE OZÔNIO ESTRATOPAUSA TERMOPAUSA Balões meteorológicos Poluentes Reflexão das ondas de rádio Balões tripulados Monte Everest 8.844 m Nuvens geradas por explosões atômicas Aviões a jato Satélite artificial Estação espacial Cortinas iluminadas Estrelas cadentes [1] TROPOPAUSA MESOPAUSA EXOSFERA É a última camada da atmosfera, na fronteira com o espaço sideral. Nela, as moléculas tornam-se cada vez mais rarefeitas, libertando-se da gravidade terrestre. O final da exosfera pode chegar a 10 mil quilômetros. As medições indicam que a temperatura dessa região fique em torno de 1.600 0C. 73GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA METEOROLOGIA A meteorologia é a ciência que estuda a atmos-fera terrestre e seus principais fenômenos. Trata-se de uma ciência muito complexa, já que a atmosfera é bastante extensa e instável. Mas o grau de precisão da previsão do tempo evoluiu muito desde a construção dos primeiros termômetros no século XVI. Os meteorologistas contam hoje com instrumentos como satélites, radares, boias marítimas e balões atmosféricos para estudar os mais variados fenômenos através da análise de dados em supercomputadores. Os boletins meteorológicos são essenciais para o controle do tráfego de aviões, para a agricultura, para o gerenciamento de recursos hídricos e para situações menos rotineiras, como a chegada de furacões. A seguir, confira um mapeamento dos principais fenômenos atmosféricos estudados pelos meteorologistas. Tudo o que vem do céu Conheça os fenômenos que movimentam a atmosfera terrestre e são objeto de estudo dos meteorologistas Nuvem É um agregado de gotículas de água, de cristais de gelo, ou uma combinação dos dois. As nuvens são formadas principalmente pelo movimento ascendente do ar úmido: o vapor-d’água conden- sa quando a temperatura diminui até o ponto de orvalho. Elas são classificadas em vários tipos, de acordo com o aspecto, a estrutura e a forma. Chuva É a precipitação de água em forma líquida, com gotas de diâmetro maior que 0,5 milímetro. Existem três tipos de chuva. A chuva de convecção é resultante da ascen- são do vapor-d’água das partes mais baixas da atmosfera – mais aquecido, ele esfria e se con- densa à medida que sobe. É o caso das pancadas de chuva que ocorrem durante o verão na região Sudeste do país. A chuva frontal é o resultado do encontro de duas massas de ar de diferentes temperaturas e umidades: a massa fria e seca empurra para cima a massa quente e úmida, que esfria e provoca a precipitação. Esse tipo de chuva é típico das regiões de clima temperado. A chuva orográfica ou de relevo ocorre quando a massa de ar sobe por causa de algum obstáculo de relevo, como uma montanha – a FECHOU O TEMPO Tempestade se aproxima de Queensland, na Austrália, trazendo chuvas intensas e descargas elétricas: fenômeno comum em regiões de clima tropical [2] [1] MKANNO/MULTISP [2] iSTOCK PHOTO 74 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA METEOROLOGIA queda de temperatura, na ascensão, provoca a condensação do vapor. Essa chuva é comum nas áreas próximas ao litoral do Nordeste e do Su- deste, que recebem massas úmidas do Atlântico. Neve, granizo e geada Um dos mais belos fenômenos atmosféri- cos, a neve é fruto da precipitação de cristais de gelo, geralmente agrupados em flocos, que são formados pelo congelamento do vapor- -d’água suspenso na atmosfera. O granizo, por sua vez, é o cristal de gelo que, por causa de fortes correntes ascendentes dentro da nuvem, acaba subindo e caindo várias vezes, até ganhar volume e se precipitar de vez. Por fim, a geada nada mais é que orvalho congelado, que, sob a forma de uma fininha camada branca, cobre as superfícies onde cai. Vento Trata-se do deslocamento de ar, geralmente na horizontal, de um ponto de pressão atmosférica mais alta para outro onde ela é mais baixa. As diferenças de pressão, causadoras dos ventos, estão relacionadas à temperatura. A brisa nas regiões litorâneas é um bom exemplo disso: o continente e o mar concentram calor de ma- neiras diferentes, e isso faz o vento mudar de direção conforme o período do dia. Massa de ar Trata-se de um corpo de ar com características próprias de umidade, pressão e temperatura. Essas características dependem das diferentes regiões da superfície terrestre em que as massas se formam: caso ocorra nos polos, serão frias e secas; se se formarem nas áreas oceânicas tropicais, serão quentes e úmidas. A borda de uma massa de ar frio que avança em direção a outra mais quente, provocando quedas bruscas de temperatura, é chamada de frente fria. Trata-se de um mecanismo natu- ral da atmosfera para compensar diferenças de temperatura no planeta. Avançando com velocidades de até 30 km/h, o ar frio e seco, mais denso, empurra a massa quente e leve para cima. Se houver umidade suficiente, a passagem da frente causará chuvas intensas, com direito a granizo, raios e trovões. As mais severas podem provocar quedas de até 10 ºC em apenas uma hora. No Brasil, as regiões mais atingidas pelo fe- nômeno são a Sudeste e a Sul, onde também podem ocorrer geadas. Isso acontece porque, na América do Sul, a maioria das frentes frias se origina nas latitudes médias, ao extremo sul do continente. Com seu avanço, contudo, as frentes perdem energia e velocidade, e o contato VENTOS ALÍSIOS E A ZONA DE CONVERGÊNCIA A circulação dos ventos em escala global tem grande influência nos tipos de clima, sobretudo na circulação das massas de ar e, consequentemente, na formação e no volume das chuvas nas diferentes regiões do globo. Toda esta troca de ar entre as camadas mais baixas e mais altas da troposfera, bem como entre diferentes latitudes, dão origem a “células” de circulação do ar em escala global, denominadas células de Hadley. Nas baixas latitudes, em regiões próximas à linha do Equador, o ar tende a subir por ser maisaquecido e menos denso. No alto da troposfera, essas cor- rentes de ar são impulsionadas para latitudes maiores, próximas aos trópicos de Câncer e Capricórnio, onde se resfriam e tornam a descer para a superfície, em direção à região equatorial. Esses ventos, denominados alísios, são úmidos e provocam chuva. Os alísios sofrem um desvio em função do movimento de rotação da Terra: no Hemisfério Sul, eles vêm do sudeste e, no Hemisfério Norte, partem do nordeste. Esse fenômeno é conhecido como efeito de Coriólis. Nas latitudes maiores, ocorrem movimentos semelhantes, porém com sentido contrário ao da região intertropical. A faixa onde ocorre o encontro dos ventos alísios provenientes do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul é denominada Zona de Convergência dos Ventos Alí- sios. Essa faixa não está exatamente sobre a linha do Equador pois acompanha a variação das estações do ano: quando é verão no Hemisfério Norte, ele se forma mais ao norte e, ao contrário, move-se mais para o sul quando é verão nesse hemisfério. A Zona de Convergência, associada a outros fatores, como a temperatura das águas oceânicas e a circulação das massas de ar locais, pode favorecer a formação de chuvas, visto que é onde se encontram os ventos úmidos dos dois hemisférios na região intertropical. Veja na ilustração abaixo como são formados os ventos alísios: Células de Hadley Zona de camadas equatoriais NE Ventos alísios SE Ventos alísios 0º 30º 60º 60º 30º Células de Hadley com o solo quente reduz o frio das massas de ar. Por isso, é tão raro uma frente fria chegar até o Nordeste. Já a frente quente é a extremidade de uma massa de ar quente que se forma pela evaporação da água de correntes marítimas quentes – essas massas de ar elevam a temperatura e a umidade nas regiões que elas atingem. [1] 75GE GEOGRAFIA 2017 SAIBA MAIS AS MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL As massas de ar têm influência direta nos tipos de clima no Brasil. Devido à localização do país no globo, predominam as massas equatoriais e tropicais. Porém, no inverno ocorre a atuação da massa Polar Atlântica em grande parte do território brasileiro. Veja a seguir como se caracteriza cada uma dessas massas. [1] ALEX ARGOZINO A ATUAÇÃO DAS MASSAS DE AR NO BRASIL DURANTE O VERÃO E O INVERNO MASSAS DE AR ATUANTES 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico AC AM RR PA AP RO MT MA TO PI CE BA MG GO MS SP PR SC RS RJ ES SE AL PE PB RN 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico AC AM RR PAEC EA EA EC PA TATC TA AP RO MT MA TO PI CE BA MG GO MS SP PR SC RS RJ ES SE AL PE PB RN VERÃO INVERNO TA Tropical Continental Forma-se em uma região de clima tropical mais seco, no semiárido da região conhecida como Chaco, no Paraguai. Por isso, a massa Tropical Continental caracteriza-se como quente e seca. Ela atua durante o verão nas regiões Sul e Centro-Oeste, sendo responsável pela ocorrência de estiagens, sobretudo no oeste de Santa Catarina e do Paraná e no noroeste gaúcho. Tropical Atlântica Forma-se sobre o sul do Oceano Atlântico e é caracterizada como uma massa quente e úmida. Atua diretamente sobre a porção leste do Brasil nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, sendo responsável, por exemplo, pelas chuvas orográficas (de relevo) nas encostas das serras litorâneas, como a Serra do Mar, na Região Sudeste. Equatorial Continental Origina-se na região amazônica, onde as elevadas temperaturas e a umidade proveniente da evapotranspiração (liberação de água pelas plantas) e da evaporação de rios e lagos a tornam quente e úmida. Sua influência atinge grande parte do território nacional durante o verão no Hemisfério Sul, transferindo umidade da Floresta Amazônica para regiões de clima tropical e semiárido. No inverno no Hemisfério Sul, essa massa perde força e sua atuação se restringe à Região Norte. EC Equatorial Atlântica Esta massa também tem origem na região equatorial, mas ela surge sobre o Oceano Atlântico. O elevado índice de evaporação das águas quentes do Atlântico central torna esta massa de ar quente bastante úmida. De modo geral, a massa Equatorial Atlântica atinge a Região Norte e a faixa costeira da Região Nordeste. Sua incidência está relacionada à variação das estações: durante o verão do Hemisfério Sul encontra-se mais ao sul e, quando o Hemisfério Norte está no verão, desloca-se mais para o norte. EA TC Polar Atlântica Forma-se sobre o Oceano Antártico e sobre o extremo sul do Oceano Atlântico. Em sua origem, a massa Polar Atlântica é fria e seca devido aos baixos índices de evaporação da água nessas regiões oceânicas. À medida que se desloca para o norte e atravessa outras áreas do oceano, penetrando no continente, ela provoca chuvas com a formação de frentes frias. Com o avanço dessa massa polar, o ar úmido e mais quente (menos denso) que se encontra nas regiões por onde ela passa é forçado a subir, formando nuvens de chuva (chuvas frontais). Essa massa de ar pode chegar, ainda que com menor intensidade do que nas regiões Sul e Sudeste, até as regiões Norte e Centro-Oeste, onde a queda de temperaturas que ela provoca é denominada friagem pela população regional. Esse deslocamento até a Região Norte ocorre graças à configuração do relevo, com planícies ao centro (Planície Platina e do Chaco, por exemplo), uma cadeia de montanhas a oeste (Cordilheira dos Andes) e os planaltos brasileiros a leste, formando uma espécie de corredor para esta massa de ar. PA 76 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA EL NIÑO E LA NIÑA EFEITOS DOS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA NA AGRICULTURA BRASILEIRA Região El Niño La Niña Norte Secas acentuadas, principalmente no leste da Amazônia: aumento do risco de incêndios florestais e prejuízos para a produção agropecuária. Tendência ao aumento de chuvas no norte e leste da Amazônia; chuvas normais no inverno, sem prejuízos à agropecuária. Nordeste Secas severas: perdas na agricultura, na pecuária, na geração de energia elétrica e dificuldades para o abastecimento de água. Chuvas acima da média sobre a região semiárida, favorecendo a agricultura de subsistência e a pecuária. Centro-Oeste Sem efeitos evidentes, exceto tendência de aumento das chuvas no sul do MS, que favorecem a produção de grãos. Não há alterações significativas de temperatura e pluviosidade. Sudeste Leve aumento das temperaturas (redução das geadas, que prejudicam culturas como o café) e sem alterações significativas na pluviosidade. Não há alterações significativas de pluviosidade, com leve queda nas temperaturas no inverno, que não interferem na colheita da cana e do café. Sul Excesso de chuvas na primavera e começo de verão, no ano inicial do evento, e final de outono e começo de inverno. Beneficia as culturas de verão, como soja e milho. Chuvas abaixo do normal, com estiagens severas na parte oeste dos estados da região, prejudicando as culturas de verão, como soja e milho. A primavera seca favorece a produção de trigo. Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Presente de Natal Entenda os fenômenos do El Niño e de La Niña e de que forma eles afetam o clima mundial B atizado em referência ao Menino Jesus, por ocorrer em geral no fim do ano, à época do Natal, o El Niño (“o menino”, em espanhol) é um fenômeno de aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico les- te, na costa da América do Sul (para entender melhor, acompanhe o processo no infográfico). É denominado, pelos cientistas, de Enos, sigla para El Niño Oscilação Sul. O El Niño é fruto do enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente sopram de leste para o oeste pelo Pacífico 1 – isso faz que a água aquecida na região equatorial não seja levada em direção à Indonésia, como de costume. Com isso, as massas de ar quentes e úmidas ficam estacionadas na costa sul-americana, provocando chuvas intensas nessa área 2 e, ao mesmo tempo, seca na Indo- nésia, Austrália e em outras regiões. Na verdade,o clima de todo o planeta é alterado. O El Niño, que ocorre em média uma ou duas vezes a cada dez anos, também altera o ecossistema marinho. Como não há o deslocamento das águas quentes da superfície, as águas profundas, que são mais frias e carregadas de nutrientes, não conseguem vir à tona, na ressurgência 3– a população de peixes, por exemplo, diminui drasticamente 4. Há, ainda, o caso do La Niña, fenômeno oposto ao El Niño: em vez de as águas do Pacífico les- te se aquecerem, elas esfriam. Isso acontece porque os ventos alí- sios, que carregam a água quente para o oes- te, ficam mais intensos. Consequentemente, as águas quentes da su- perfície são deslocadas em maior quantidade para o oeste e mais água fria vem à tona 5. A temperatura do ocea- no diminui na região próxima à costa oeste da América do Sul, e o clima fica mais úmido na Austrália e Indoné- sia, por causa das mas- sas de ar quentes. ANO NORMAL ANO COM LA NIÑA Costa da Indonésia Costa da América do Sul Costa da Indonésia Costa da América do Sul Ventos alísios Ventos alísios mais fortes Oceano Pacífico Oceano Pacífico Fortes chuvas Água fria Água aquecida Ressurgência da água fria Forte ressurgência da água fria Água aquecida 1 3 ANO COM EL NIÑO Costa da Indonésia Costa da América do Sul Ventos alísios mais fracos Oceano Pacífico Água fria Água aquecida 2 4 5 [1] 77GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA CICLONE De olho no ciclone Entenda como se forma a ventania arrasadora que pode deixar milhares de mortos q p O s ciclones são uma perturbaçãoatmosférica no centro da qual a pressão é muito baixa, provo- cando ventos circulares com velocidade superior a 119 quilômetros por hora. Ele ocorre nas regiões tropicais, sobre os mares quentes, podendo causar grande destruição quando atinge o continente. Denominações Embora furacão, tufão e tornado se- jam palavras comumente usadas como sinônimos de ciclone, há uma pequena diferença entre elas. A distinção entre os termos refere-se mais a uma questão de localização. De modo geral, o ciclone que se forma sobre o Oceano Atlânti- co é chamado de furacão, enquanto o que se forma sobre o Oceano Pacífico é conhecido como tufão. Por fim, há o caso dos tornados, que surgem sobre o continente, após o choque de uma massa de ar quente com outra de ar frio – a ventania toma a forma de um cone invertido e sai num turbilhão ar- rasador com velocidades de até 500 quilômetros por hora. O desastre do ciclone Bhola Para quem já assistiu – e sobreviveu – à passagem de um ciclone, a experiência pode ser aterradora. Em Bangladesh, na Ásia, por exemplo, um desses turbilhões arrasou o país em 13 de novembro de 1970. O redemoinho nasceu no golfo de Bengala e avançou para a costa, criando ondas de até 6 metros. Elas invadiram a densamente povoada região do delta do Rio Ganges, matando cerca de 500 mil pessoas – 100 mil só na ilha de Bhola (nome que batizou o ciclone). Foi o pior desastre natural do século XX. Para nossa sorte, o Brasil não sofre com esse tipo de fenômeno. Tudo graças às baixas temperaturas das águas do Atlântico Sul. FAIXAS DE TEMPESTADE O O FUFURARAACÃCÃOO POPORR DDEEENTNTTN RRO OlhOlhOlhOOO oooooo AR QUENTE E ÚMIDO Uma densa nuvem cobc re o furacão VENTO OESTEQuaQQuaQuaQuauaQuaQuaQuaQuaQuaQuaQ ndodndondndondo asasasaassss nununununununuvenvenvenvenvenvve s as as as as atintintiningemgemgemgeg cececercarca deddedededede 5 m5 m5 m5 m5 mililil il il il ili metmetmetmetmetmettmetetmetrosrosrosrosrosrososrosrososrososros dedededededededededededede alallalalalalalalaltuturturtururtura,a,a,a, comcomcommeçaeçeçeçaeçaeça a ca caaa ca ca ca chovhovhovhovhovhovovh er.erer.er.eer.er. NNNNeNeNN ssessesesssee popopopopoppp ntontottntonto, o,, oooo arararrrrrararar seseseseseseseseesecoocococo coco co co aaascascascaaaascascascasscs endendndendendendendendendndendendeenenennenennnnnnnnndn ententententententennentnte ee ee ee ee ee ee eee eeee eee nconconconconcooconconcontrntrntrtntrntrntrntrntra aa aa aa aaaa aa aa aa aaas ns ns ns nss ss nss s ns ns ns nnuvuveveuveuveveveuveuuuvuvuu ns,ns,ns,nsnsnss, resesfrifr a-se, ficaficaaficaandondondondodondodododondondodndodonnndodoondndodoondnd mmamamamamamamamamammaaisis isisisisisissisisis pespespespespespespespespespespesesesppespesppepesespesppespespespeppeseesesp adoadoadadoadoadodoadoadoadoadoddadoadoadoddadoadadoadodadoadoadaadodadddddd , eee, eee, e, e, ee, e, ee, ee, e, e desce pelo oooolholhoh dododdd ffufufufufuracracraccraccão.ão.ão.ão.ão.ão.ãão EsEsEsEsEsEsEsEsEsEEsEsEsEsEsEsEsEsEsEsEssessesesesesssesesesessesesesesessese ar, ao chegar àà susuperperpee fícfíccccie ie ie ie ieieieeeee do ddododododododdodooooodoood mammmmamarmamarmmarmarmarmarmmmm ,, vaivai formar novas ns uvevensns 4 O furacão começa com a combinação de dois fatores: ar quente e úmido e a água aquecida dos oceanos das regiões tropicais 127 ˚C O atrito das correntes de ar com a superfície do mar faz que os ventos e as nuvens girem de oeste para leste, no sentido de rotação da Terra. O ar mais quente vai subindo numa espiral pelo olho do furacão 3 As correntes de ar se aquecem em contato com a água, ficam mais leves e sobem, formando as primeiras nuvens. Enquanto sugam energia das águas quentes, essas correntes vão circulando em direção ao olho do furacão – região de baixa pressão no centro 2 OO ciclloone ppassaa a se desloocar quaando veentoos extternoos soppram nna direçção oestee em ggrandde vellocidaade. Se eele chhegaar ao conttinentte e enncontraar a uumidaade ddo arr baixaa, as nnuvens se ddesfazazem e – uufa! – oo venddaval aacaba 5 A tempestade começa com um emaranhado de nuvens… …que vai girando de modoo o coordenado… …até formar uma espiral de nuvens… …em torno do olho do furacão (zona de baixa pressão, no centro) e ganhar mais velocidade VEJA A SEGUIR COMO SE FORMA UM CICCLOLLOLOLOLOLONENENENENNN [1] [2] MULTI/SP [2][2][22] 78 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA CLIMAS DO MUNDO O clima da Terra é influenciado por vários fatores, entre eles latitude, pressão atmosférica, altitude, relevo, vegetação, massas de ar, maritimidade (proximidade de um local em relação ao mar), continentali- dade (distância de um ponto em relação ao mar) e correntes marítimas. As áreas em torno da linha do Equa- dor, que recebem forte insolação, têm predominantemente clima equatorial, marcado por altas temperaturas e umi- dade. Já as regiões de latitudes mais elevadas, próximas aos polos, registram clima frio ou polar, com invernos rigo- rosos e temperaturas baixas. No mapa, você confere as mais impor- tantes correntes marítimas, os principais tipos de clima, segundo a classificação de Wilhelm Köpen, a mais aceita atu- almente, e as três principais zonas cli- máticas. Veja a seguir as características dos principais tipos de clima do planeta. Equatorial Quente e úmido durante o ano todo, está presente na região da linha do Equador e nas áreas de baixa latitude, Diversidade climática Conheça as características dos dez principais grupos de clima do planeta como a América Central, a Indoné- sia, a região central da África e o norte do Brasil. A umidade relativa do ar é elevada, com média anual de 90%, e a chuva é abundante durante o ano todo. A temperatura também é alta e estável, com média anual de 25 ºC. Tropical Fica nas áreas entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, cobrindo grande parte do território brasileiro e do continente africano, Índia, Península da Indochina e norte da Austrália. O clima é quente, com média anual supe- rior a 20 ºC. As chuvas são intensas no verão e, no resto do ano, ocorrem mais nas regiões próximas ao mar. No Sudeste Asiático, destacam-se as chuvas de monções, tempestades torrenciais provocadas pelo vento úmido que sopra do oceano. Quando começa o verão, o continente se es- quenta rapidamente, formando uma zona de baixa pressão, e as massas de ar do oceano trazem as chuvas.Essa dinâmica, comum em outros pontos do planeta, tem maiores proporções nessa região em virtude da vastidão de terra (o continente asiático) e de mar (os oceanos Índico e Pacífico) envolvidas no fenômeno. Mediterrâneo É o clima predominante no sul da Europa. Os verões são quentes e secos – a temperatura chega a 30 ºC – e os invernos, moderados e com um pouco de chuva. As mínimas de temperatura podem atingir 0 ºC. Temperado Também de latitudes médias, o tem- perado está presente nas áreas da Amé- rica do Norte, da Europa e do leste da Ásia. No temperado continental, o inverno é muito rigoroso e o verão é quente – as médias de temperatura são -5 ºC e 24 ºC, respectivamente. As chu- vas são escassas, sobretudo no inverno. A continentalidade justifica a umidade relativa do ar mais baixa e a grande amplitude térmica anual nesses locais. Já o temperado oceânico está pre- sente no oeste e no noroeste da Europa. As chuvas são abundantes durante o Corrente fria Corrente quente CORRENTES MARÍTIMAS TIPOS DE CLIMA (adaptação da classificação de Köpen) Mediterrâneo Temperado Subtropical Semiárido Frio de montanha Tropical Desértico Frio Polar Equatorial ZONAS CLIMÁTICAS Polar Polar Intertropical Polar Polar Temperada Temperada MAPA MUNDIAL DO CLIMA E CORRENTES MARÍTIMAS DEU BRANCO Nevascas em países de clima temperado, como o Canadá, são comuns no inverno 79GE GEOGRAFIA 2017 ano, e as temperaturas não sofrem muita variação – os invernos são frios (média de -3 ºC) e os verões, frescos (média de 15 ºC). A proximidade com o mar (ma- ritimidade) é um fator que influencia a baixa amplitude térmica e as chuvas bem distribuídas durante o ano. Subtropical É outro clima de latitudes médias, que se caracteriza como uma faixa de transição entre os climas tropicais e os mais frios. Está presente nas regiões ao sul do trópico de Capricórnio (sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e na região leste dos Estados Unidos. A quantidade de chuva não varia muito durante o ano, mas as temperaturas mudam bastante: o inverno é frio e o verão, quente. Desértico Ocorre em regiões como o Saara, o centro da Austrália, norte do México e sul dos EUA. O índice pluviométrico é baixíssimo: a média anual de preci- pitação é inferior a 250 milímetros, o equivalente a aproximadamente um mês de chuva no clima equatorial. A umidade relativa do ar também é mui- to baixa, cerca de 40%. A amplitude térmica diária é elevada: de dia, a tem- peratura ultrapassa os 40 ºC e, à noite, chega a graus negativos. Semiárido Clima seco, presente na Ásia Central (Cazaquistão, no interior da China e Mongólia), na Patagônia e no planalto oeste das Montanhas Rochosas (EUA). A precipitação é escassa e irregular, com longos períodos de estiagem, não ultrapassando os 600 milímetros por ano. As temperaturas são elevadas du- rante o ano, com média entre 25 ºC e 27 ºC. No Brasil localiza-se no chamado Polígono das Secas. Frio de montanha Ocorre nas cadeias de montanhas ao redor do globo: áreas elevadas dos Andes, Montanhas Rochosas, Alpes e Himalaia. É um clima frio, com tem- peratura que diminui 6 ºC a cada mil metros de altitude. Acima dos 2 mil metros, há neve constante. A umidade relativa do ar varia conforme o lado da cadeia: a média é de 90% do lado do vento (barlavento), caindo para até 30% do lado contrário (sotavento). A quantidade de precipitação também é variável, chegando a 2 mil milímetros por ano nas regiões tropicais. Frio É o clima do norte do Canadá e da Sibéria, na Rússia. O inverno é bastante rigoroso e prolongado, com mínima de -15 ºC, e o verão, brando e curto, com temperatura máxima de 10 ºC. A precipitação é escassa, menos de 300 milímetros por ano. Polar É o clima com as menores temperatu- ras do planeta: no inverno, ela permane- ce em torno de -30 ºC e, no verão, a mé- dia é de 4 ºC. Está presente no extremo norte do Canadá, da Rússia e do Alasca, em parte da Península Escandinava e na Antártica. A umidade relativa do ar é alta, entre 70% e 80%, mas a precipi- tação, bastante reduzida: cerca de 100 milímetros de neve acumulados ao ano. ANTÁRTICA OCEANIA ÁFRICA EUROPA ÁSIA AMÉRICA OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO CÍRCULO POLAR ÁRTICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER EQUADOR Fonte: IBGE C. Norte Equatorial C. Sul Equatorial C. de Humboldt C. do Brasil C. da s F al kl an d C. Circumpolar da Antártica C. da Antártica C. da Antártica C. Australiana C. de Benguela C. Sul Equatorial C. Sul Equatorial C. Norte Equatorial C. do Japão C. Oia Sivo C. das Monções C. de Madagáscar C. Sul Equatorial C. da Guianas C. Norte Equatorial C. do Golfo C. das Canárias C. Norte Atlântica C. da Groenlândia C. do Labrador C. do Atlântico Sul C. da Califórnia C. do Pacífico Norte CORRENTE FRIA E DESERTO As correntes marítimas são grandes deslocamentos de massas de água que influenciam o clima. No Chile, a fria Corrente de Humboldt provoca chuvas no Oceano Pacífico. Com isso, a massa de ar chega sem umidade ao continente, o que explica a aridez do Deserto do Atacama. CHUVAS DE MONÇÕES Trata-se de um fenômeno típico do Oceano Índico e do Sudeste Asiático. Elas têm origem na grande diferença de temperatura das águas do mar e do continente durante o verão. Um vento contínuo leva a umidade do oceano e a transforma em fortes chuvas sobre o continente. iSTOCK PHOTO ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez Clima equatorial Temperatura (oC) Precipitação (mm) 1. MANAUS Clima tropical Temperatura (oC) Precipitação (mm) 2. GOIÂNIA 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 1. Equatorial 2. Tropical 3. Semiárido 4. Tropical de altitude 5. Tropical atlântico 6. Subtropical 80 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA CLIMAS DO BRASIL M esmo sendo conhecido como “um país tropical”, com mais de 90% do território entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, o Brasil também compreende variações climáticas. Os tipos de clima no país são definidos com base em critérios diversos, mas, sobretudo, a partir da quantidade de chuva e da temperatura média no decorrer do ano. Essas informações aparecem juntas em um gráfico denominado climo- grama, que você vê acima. A leitura dele pode parecer complicada, mas é bastante simples: as barras representam a média pluviométrica no mês, expressa em milímetros; já as linhas indicam a temperatura média mensal, em graus Celsius. O climograma permite a identificação de cada um dos climas e até uma dife- renciação entre eles. Uma comparação interessante, por exemplo, é a do clima equatorial com o do semiárido. A princípio, eles podem parecer semelhantes por causa da temperatura média, que oscila em torno de 26 ºC. Porém, ficam claramente diferentes quando observamos as barras que indicam o índice pluviométrico de cada um: enquanto no clima equatorial chove abundantemente durante o ano todo, no semiárido, o índice pluviométrico é muito baixo e distribuído de forma irregular. Confira a seguir as principais características dos seis principais tipos climáticos do Brasil, além de alguns climogramas a eles relacionados. Muito além de tropical Apesar de o nosso país estar localizado quase inteiramente entre os trópicos, o clima do Brasil apresenta muitas variações 1. Clima equatorial Fica nas proximidades da linha do Equador, abarcando a Amazônia, norte de Mato Grosso e oeste do Maranhão. Chove durante o ano todo, e em grande quanti- dade; é bastante úmido e a temperatura varia pouco no decorrer do ano, com média de 26 ºC. O climograma 1 acima traz informações sobre a pluviosidadee a temperatura da cidade de Manaus (AM), localizada nessa faixa de clima. Repare como, no gráfico, a quantidade de precipitação (representada pelas barras verticais) é bem alta, atingindo mais de 300 milímetros no mês de março, com apenas uma pequena queda no meio do ano (em julho, agosto e setembro), quando fica abaixo dos 100 milímetros. A pequena variação de temperatura, típica do clima equatorial, também pode ser vista no climograma de Manaus: a linha horizontal, formada pelas temperaturas médias de cada mês, quase não sobe nem desce, ficando em torno dos 26 0C. 2. Clima tropical Predominante no território brasileiro, pega toda a faixa do centro do país, leste MAPA DE CLIMAS DO BRASIL RECANTO GELADO As mais baixas temperaturas no país são registradas na Região Sul, a única com clima subtropical. As temperaturas médias anuais são inferiores a 21 0C. MÁXIMA E MÍNIMA A temperatura máxima oficial no país foi registrada em Bom Jesus do Piauí, em 21 de novembro de 2005. Os termômetros chegaram a 44,7 oC. A mínima foi na cidade de Xanxerê, em Santa Catarina: -11,1 oC, em 20 de julho de 1953. CHUVAS DE VERÃO As tempestades que costumam atingir a Região Sudeste durante o verão são causadas pelo encontro de duas massas de ar que formam a zona de convergência do Atlântico Sul. ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez ja n fe v m a r a b r m a i ju n ju l a g o se t o u t n o v d ez 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 Clima semiárido Temperatura (oC) Precipitação (mm) 3. JUAZEIRO Clima tropical de altitude Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 4. BELO HORIZONTE 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 Clima tropical atlântico Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 5. JOÃO PESSOA Clima tropical atlântico Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 5. RIO DE JANEIRO Clima subtropical Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 6. CURITIBA 81GE GEOGRAFIA 2017 do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia e de Minas Gerais. Inverno e verão são estações bem marcadas pela diferença de pluviosidade: o verão é bastante chu- voso e há seca no inverno. No climo- grama 2, de Goiânia (GO), conseguimos enxergar essa diferença pela variação na altura das barras de precipitação: em julho, a precipitação chega a quase zero e, em janeiro, ultrapassa 250 milíme- tros. A temperatura no clima tropical, de modo geral, é alta, caindo um pouco nos meses de inverno; a média fica entre 18 ºC em locais de serra e 28 ºC na maior parte do território. 3. Clima semiárido É o clima das zonas mais secas do interior do Nordeste. Caracteriza-se pela baixa umidade, pouca chuva e temperaturas elevadas. O climogra- ma 3, referente à cidade baiana de Juazeiro, na divisa com Pernambuco, representa graficamente essas carac- terísticas: note que entre julho e se- tembro as barrinhas de precipitação são bastante baixas – em agosto a mí- nima de chuva chega a 1,7 milímetro. A chuva se concentra entre os me- ses de novembro e abril, mas o total anual de precipitação não chega a 550 milímetros – o volume é inferior ao atingido em apenas dois meses (fe- vereiro e março) no clima equatorial. Já a linha de temperatura varia entre 24,5 ºC e 28,5 ºC durante o ano, médias térmicas bastante elevadas. 4. Clima tropical de altitude É o clima das áreas com altitude acima de 800 metros em Minas Gerais, no Es- pírito Santo, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os verões são quentes e chuvosos, e os invernos, frios e secos. Isso pode ser visto no climograma 4, que mostra as médias de temperatura e pluviosidade de Belo Horizonte (MG). No inverno, as barras de chuva atingem o mínimo de cerca de 10 milímetros e, no verão, passam de 300 milímetros. Em compa- ração com o clima tropical, o tropical de altitude tem o mesmo comportamento pluviométrico, mas as médias anuais de temperatura são menores, ficando em torno dos 20 ºC – no inverno, as tem- peraturas são bem mais baixas. 5. Clima tropical atlântico Esse clima cobre quase todo o lito- ral do país: começa no Rio Grande do Norte e vai até o Paraná. A quantidade de chuvas varia conforme a latitude da localidade. Por exemplo, enquanto no Nordeste chove muito no inverno, no Sudeste chove mais no verão, como pode ser visto nos climogramas 5 de João Pessoa (PB) e do Rio de Janeiro (RJ). A variação de temperatura é maior na porção mais ao sul do litoral. No Rio de Janeiro, oscila entre 21,5 ºC e 26,5 ºC e, em João Pessoa, entre 24 ºC e 28 ºC. 6. Clima subtropical É o clima das regiões ao sul do Tró- pico de Capricórnio: sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A quantidade de chuva não varia muito durante o ano, mas as temperatu- ras mudam bastante: o inverno é frio e o verão, quente. No climograma 6, que representa Curitiba (PR), por exemplo, a temperatura oscila entre 12,5 ºC e 20 ºC, enquanto as barras de precipi- tação apresentam pouca variação (a média anual é de 110 milímetros). 82 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA POLUIÇÃO DO AR A poluição do ar é provocada principalmente pela queima de combustíveis fósseis nos transportes e na geração de energia elétrica e pela atividade industrial. Dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO) e hidrocarbone- tos (HC) são alguns dos poluentes mais emitidos. Veja a seguir alguns dos efeitos mais comuns provocados pela emissão desses gases. Buraco na camada de ozônio O aparecimento de buracos na camada de ozônio é um processo natural, já que, em certas épocas do ano, reações químicas na atmosfera produzem aberturas, que depois se fecham. O ozônio absorve parte da radiação ultravioleta B (UVB) emitida pelo Sol. Sem ela, as plantas teriam redução na capacidade de fotossíntese e haveria maior incidência de câncer de pele e catarata. A atividade humana, porém, acentuou o processo. As reações que destroem o ozônio são intensificadas pela emissão de compostos químicos halogenados artificiais, sobretudo os clorofluorcarbonos (CFCs), criados nos anos 1930 e usados como fluidos refrigerantes em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e como propelente de aerossóis. A boa notícia é que, nos últimos anos, acordos internacionais levaram ao fim da produção das substâncias nocivas à camada de ozônio. Estu- dos recentes indicam que o buraco na camada de ozônio atualmente está 9% menor do que no ano 2000. No entanto, desde 2010, o tamanho do rombo não diminui – são 23 milhões de quilôme- tros quadrados, área equivalente à da América do Norte. A perspectiva, segundo a Organização Mundial de Meteorologia, é que a camada deverá voltar à espessura original por volta de 2050. Atmosfera carregada A emissão de poluentes no ar causa uma série de efeitos nocivos ao homem e à natureza Fonte: Nasa 1979 1987 2006 2015 CORTINA DE FUMAÇA Um denso nevoeiro paira sobre as ruas de Krabi, na Tailândia: efeito do dióxido de carbono liberado pelas queimadas na Indonésia EVOLUÇÃO DO BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO (1979-2015) A abertura na atmosfera é representada pela cor azul nas imagens abaixo 83GE GEOGRAFIA 2017 Chuva ácida Toda chuva é naturalmente ácida (pH infe- rior a 7), em função das reações do vapor-d'água com o gás carbônico presente na atmosfera. Entretanto, ao atingir um pH inferior a 5,6 a chuva é considerada, de fato, ácida e passa a ser tratada como um problema ambiental. Esse aumento de acidez se deve à queima de com- bustíveis fósseis, feita principalmente pelas atividades industriais e pelosautomóveis, que liberam óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera. Esses compos- tos reagem com o vapor-d'água presente na atmosfera, formando o ácido nítrico (HNO3) e o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando chove, essas substâncias atingem o solo e a água, alterando suas características e prejudicando lavouras, florestas e a vida aquática. Também danificam edifícios e monumentos históricos. As principais áreas de ocorrência se encon- tram próximas às regiões de maior emissão de gases causadores do efeito estufa, ou seja, as mais urbanizadas e industrializadas, como o Nordeste dos Estados Unidos, a Europa oci- dental, o leste da China, o eixo Rio-São Paulo. Entretanto, essas substâncias podem ser trans- portadas pelos ventos para regiões mais afasta- das desses grandes centros urbano-industriais, causando a chuva ácida. Trata-se, portanto, de uma “poluição transfronteiriça”. O leste do Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida proveniente da poluição gerada na megalópole Boston-Washington-Nova York e nas cidades industriais da região dos Grandes Lagos, dos Estados Unidos. Já os países escandinavos como Noruega, Finlândia e Suécia recebem as corren- tes de ar que trazem a poluição da Alemanha, Holanda, Bélgica e Inglaterra. � O QUE ISSO TEM A VER COM QUÍMICA A reação entre dióxido de carbono (CO2) e as moléculas de água (H2O) libera íons H+. Quanto maior a concentração de H+ maior é a acidez. Essa concentração é medida pelo pH, o potencial hidrogeniônico, que segue uma escala de zero a 14 na qual: 0 < pH < 7: soluções ácidas pH = 7: soluções neutras 7 < pH ≤ 14: soluções básicas ou alcalinas Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE QUÍMICA. Ilhas de calor Os poluentes lançados na atmosfera, principal- mente o dióxido de carbono, ajudam a aumentar a temperatura do ar mais próximo da atmosfera. Em regiões urbanas, esse fato é agravado pela substituição da cobertura vegetal por prédios de concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses materiais absorvem mais calor e o devolvem na forma de radiação térmica. A combinação desses fenômenos tende a aumentar a temperatura nos grandes centros, criando as ilhas de calor. A dife- rença de temperatura entre uma área verde e uma típica zona central de uma cidade pode ser de 8 graus centígrados a mais (veja o mapa ao lado). Inversão térmica A inversão térmica é um fenômeno atmosférico natural que ocorre principalmente nas manhãs de outono e inverno, com a penetração de massas de ar frio, em regiões de clima tropical e subtropical. Caracteriza-se pela alteração na sequência de camadas de ar. Em condições normais, a tempe- ratura fica cada vez mais baixa conforme aumenta a altitude. Em uma situação de inversão térmica, porém, forma-se uma camada de ar mais quente logo acima da camada de ar mais frio próxima ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da superfície e do ar durante o final da madrugada e início da manhã, quando as temperaturas, tanto da terra quanto do ar, são mais baixas. Em regiões onde o ar não se encontra carregado de poluentes, a inversão térmica não provoca nenhum problema ambiental. No entanto, em ambientes urbanos, a inversão térmica causa o bloqueio das correntes ascendentes de ar, retendo grande quantidade de poluentes próximos à su- perfície durante algumas horas. Isso ocorre por- que as trocas verticais de ar, chamadas cor- rentes de convecção, não chegam a atingir a superfície, formando- -se somente a partir da camada de ar quente para cima. Por esse motivo, os poluentes não conseguem se dis- persar. Quando o Sol esquenta a superfície no decorrer da manhã, o ar da camada mais baixa se aquece e sobe, as correntes de con- vecção voltam a atingir o solo e os poluentes voltam a ser dispersa- dos em camadas mais elevadas. Temperatura aparente da superfície Menor Maior Distribuição da vegetação em SP Rural Urbano Fonte: Atlas Ambiental do Município de São Paulo No sul da cidade, onde há mata e quase não existem prédios nem casas, as temperaturas são bem mais baixas. A região central de São Paulo, altamente urbanizada, apresenta temperaturas mais elevadas. Município de São Paulo, com variação de temperatura de 24 °C a 32 °C DENSIDADE DEMOGRÁFICA E ILHAS DE CALOR DIA NORMAL AR QUENTE AR FRIO AR MAIS FRIO AR FRIO AR QUENTE AR FRIO INVERSÃO TÉRMICA FENÔMENO DA INVERSÃO TÉRMICA iSTOCK PHOTO 84 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA AQUECIMENTO GLOBAL EFEITO ESTUFA O fenômeno permite a existência de vida na Terra. Veja como ele funciona e o modo como as ações humanas o afetam 1 2 3 4 5 O Sol emite sua energia pelo espaço na forma de luz visível, radiação ultravioleta e infravermelha Quando os raios do Sol chegam à Terra, cerca de 30% da energia luminosa volta para o espaço, refletida por poeira e nuvens na atmosfera e, ainda, por refletores naturais na superfície, como áreas cobertas de neve e gelo O ar, terras e águas absorvem cerca de 70% da radiação solar Aquecida, a superfície emite calor na forma de radiação infravermelha Um pouco da radiação térmica da Terra vai para o espaço, mas a maior parte é retida na atmosfera, absorvida por vapor-d'água, dióxido de carbono, metano e outros gases do efeito estufa 6 7 A temperatura do planeta varia, de maneira natural, por causa dos ciclos solares e geológicos. Mas, de acordo com o relatório do IPCC, as atividades humanas afetaram o ritmo normal do ciclo e o equilíbrio natural de produção e absorção de gases Se o calor não fosse retido pelo efeito estufa, o planeta congelaria a uma temperatura média de 18 ºC negativos Planeta em ebulição Cientistas confirmam que a atividade humana está provocando alterações climáticas em todo o globo S e antes a ideia do aquecimento global era apenas uma hipótese, hoje os cientistas já contam com evidências mais seguras para afirmar que a ação do homem sobre o meio ambiente está alterando a temperatura do planeta. O estudo mais consistente a respeito foi divulga- do em 2007 pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de 130 países sob a chan- cela da Organização das Nações Unidas (ONU). A partir deste documento, que representou um marco ambiental, especialistas do mundo todo passaram a culpar nosso padrão de desen- volvimento pelo aquecimento da Terra. Em setembro de 2013, o IPCC divul- gou um novo estudo no qual aumenta de 90% para 95% o grau de certeza científica quanto à participação do homem na elevação da temperatura do planeta: “É extremamente provável que a influência humana sobre o clima tenha causado mais da metade do aumento observado da temperatura média da superfície global entre 1951 e 2010”, dizem os cientistas. O relatório da ONU aponta que entre 1880 e 2012 a temperatura média na Terra subiu 0,85 ºC. Em algumas regiões, que incluem o Brasil, o aumento foi de até 2,5 graus. Além disso, o nível médio da água dos oceanos subiu 19 centímetros e as últimas três décadas foram as mais quentes desde 1850. O estudo também permitiu aos cientistas projetar as dramáticas consequências que as próximas gerações enfrentarão, caso esse processo não seja revertido (veja mapa na pág. 86). O efeito estufa Sempre ouvimos falar que o efeito estufa é o grande vilão do aquecimento global, o que não deixa de ser verdade. Mas uma coisa precisa ficar clara: é graças a ele que existe vida em nosso planeta. O efeito estufa é um fenômeno natural que faz com que a temperatura média do globo se conserve nos limites necessários para a manutenção da vida, em torno de 14,5 ºC. Ele ocorre em razão da existência de gases que estão naturalmente na atmosfera e impedem a 85GE GEOGRAFIA 2017 8 Hoje, milhões de toneladas de carbono que a natureza tirou de circulação, armazenado como petróleo no subsolo ou biomassa nas matas, são jogadas pela ação humana na atmosfera em poucas horas, naforma de CO 2 . Ao aumentar a concentração desse e de outros gases, o homem amplia o efeito estufa, o que provoca o aquecimento do planeta OS GASES DA ATMOSFERA 78,084% Nitrogênio (N 2 ) 20,946% Oxigênio (O 2 ) 0,934% Argônio (Ar) 0,036% Outros gases DIÓXIDO DE CARBONO (CO 2 ): 0,0332% NEÔNIO (NE): 0,0018% OUTROS GASES: 0,0010% [1] Fonte: Nasa CONCENTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO NA ATMOSFERA NOS ÚLTIMOS 10 MIL ANOS 8.000 a.C. 5.500 a.C. 3.000 a.C. 500 a.C. 2.000 350 300 250 D ió xi d o d e c a rb o n o (p p m ) 350 330 15,5 15 14,5 310 290 19001880 1920 1940 1960 1980 2000 CO 2 ( pp m ) Gr au s C el si us CO 2 e temperatura média da Terra MAIS GÁS, MAIS CALOR No gráfico à esquerda, veja como a concentração de dióxido de carbono (CO 2 ) deu um salto a partir da Revolução Industrial, no século XVIII. Isso pode ser visto por meio da linha vermelha no lado direito do gráfico, que sobe quase perpendicularmente. No detalhamento desse período, no gráfico acima, a relação do CO 2 com o aquecimento global fica clara: a curva de aumento de CO 2 coincide com a da elevação da temperatura. PARA IR ALÉM O documentário Uma Verdade Inconveniente, dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, procura evidenciar as causas e as consequências do aquecimento global. Parte da análise de dados de variação de temperaturas e concentração de CO2 na atmosfera terrestre, e chama a atenção sobre as responsabilidades individuais e coletivas do homem diante dessa situação. dissipação para o espaço de parte da radiação vinda do Sol, que é absorvida e refletida pela Terra (veja o infográfico). O problema é que, por causa da ação do homem, esse benéfico “cobertor” atmosférico está se trans- formando num forno. E quando nos referimos à ação do homem, trata-se daquelas atividades que resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera de gases responsáveis pelo efeito estufa. Entre os principais, estão o dióxido de carbono (CO2), produzido pela queima de combustíveis fósseis (especialmente carvão mineral e derivados de petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina) para gerar energia; o metano (gás natural, CH4), libe- rado pela decomposição de lixo, digestão do gado, plantações alagadas (principalmente de arroz); e óxido nitroso (N2O), que advém, entre outros meios, do tratamento de dejetos de animais, do uso de fertilizantes e de alguns processos industriais. Além disso, ao alterar a terra por meio do desma- tamento e de atividades agrícolas, o ser humano está lançando no ar, por apodrecimento ou queima, CO2, que estava acumulado nas plantas e no solo. Todas essas atividades são realizadas mais intensamente nos países desenvolvidos. Esta- dos Unidos, Japão e muitas nações europeias apresentam elevada produção de gases do efeito estufa per capita, principalmente por causa do uso de automóveis e da elevada industrialização. Contudo, países em desenvolvimento, como a China, vêm aumentando significativamente as emissões desses gases nos últimos anos. Os chineses já ultrapassaram os norte-america- nos como os maiores poluidores do planeta, tornando-se responsáveis por um quarto das emissões mundiais. EL NIÑO E EFEITO ESTUFA FAZEM GÁS CARBÔNICO TER AUMENTO RECORDE O dióxido de carbono (CO2) na atmosfera registrou um aumento recorde com um crescimento de 3,05 partes por milhão (ppm) em 2015 – segundo medições da estação de referência de Mauna Loa, no Havaí. Segundo informou nesta quinta-feira (10) a Agência Oceânica e Atmosférica (NOAA), este “importante” aumento se explica em especial pelo surgimento da corrente marinha quente do Pacífico conhecida como El Niño. Esta corrente reaparece a cada três a cinco anos e provoca mudanças em florestas e outros ecossistemas terrestres que reagem a modificações no clima e ao aumento das precipitações, explicou a agência (...). “Mas as emissões de gases de efeito estufa provenientes das atividades humanas são o principal fator de longo prazo que explicam o aumento do CO2 atmosférico (...)”, afirmou em comunicado.(...) G1, 10/3/2016 SAIU NA IMPRENSA 86 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS PARA IR ALÉM O documentário Seis Graus que Podem Mudar o Mundo, da National Geographic, simula possíveis cenários decorrentes do aumento de um até seis graus Celsius na temperatura global sobre os diversos ecossistemas e populações humanas. O pior cenário Extremos climáticos como secas prolongadas e furacões devem se tornar mais frequentes em função do processo de mudança climática Desde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a popu-lação mundial não entrentou um ano tão quente como o de 2015. Segundo a Nasa, a Agência Espacial Norte-Americana, os recordes de temperatura são uma constante neste século: 15 dos 16 anos mais quentes da história foram registrados após o ano 2000. Esses dados con- solidam uma tendência de aquecimento global de longo prazo, o que abre a possibilidade da ocorrência mais frequente de eventos climáti- cos extremos, como secas prolongadas, chuvas torrenciais e violentos ciclones. É o que pode ocorrer se não houver uma redução na emissão de gases do efeito estufa, na análise dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre a Mudança no Clima (IPCC). As projeções do IPCC indicam que, se as emis- sões permanecerem nos níveis atuais, a temperatu- ra média do planeta pode subir até 4,8 ºC, e o nível dos mares deve aumentar em até 82 centímetros. As geleiras irão continuar a derreter e é fortemente provável que o gelo do Ártico diminua até o final do século. Segundo os cientistas, nenhuma parte do globo ficará imune aos efeitos do aquecimento global (veja mais no mapa). Os terríveis cenários previstos pelos cientistas do IPCC certamente teriam consequências em termos estratégicos e geopolíticos. O Departa- mento de Defesa dos Estados Unidos alerta para o fato de que, atingido pelas mudanças climá- ticas, o mundo seria mais instável e perigoso. Haveria um aumento de migrações e até mesmo invasões populacionais para obter recursos como água e alimentos. E os maiores problemas ocorreriam justamente onde hoje já existem graves questões políticas, como em regiões da Ásia e da África. Para o órgão de governo dos EUA, em alguns locais, a tensão social causada pela fome poderia se tornar mais explosiva, combinada com a tensão étnico-religiosa. A corrente cética As explicações sobre as causas do aumento da temperatura global não são aceitas por todo mundo. Há cientistas que questionam seus fun- damentos. Eles alegam que a temperatura média da Terra subiu e desceu várias vezes durante sua existência, e que isso pode estar ocorrendo neste momento. Ou seja, esse esquenta-esfria do planeta faria parte de um ciclo natural no qual o clima alterna períodos quentes e eras glaciais. Além disso, essa “corrente cética” acredita que, mesmo que exista uma tendência para o aquecimento, ela está mais ligada aos fatores na- turais do que à ação humana. O clima seria mais influenciado pelas glaciações, pelo vulcanismo e por fenômenos astronômicos. Esses cientistas também contestam a capacidade científica de prever com antecedência de décadas como será o clima da Terra. No entanto, os que defendem esta tese são acusa- dos de agir em favor daqueles que atuam no lobby de interesses das indústrias que vivem do petróleo e de governos que seriam afetados pelas medidas necessárias para conter o aquecimento global. AMÉRICA LATINA Na América Central aumentará a ocorrência de ciclones tropicais. As chuvas devem diminuir na Bacia Amazônica e aumentar na Bacia do Prata, região que abrange o sul do Brasil, além de Paraguai, Uruguai e Argentina. AMÉRICA DO NORTE A região deve ser afetada por fortes secas e queda na disponibilidade de água, especialmente na parte central. Haverá maior ocorrência de ciclones tropicais nogolfo do México e na costa leste dos EUA e do Canadá. MUDANÇAS NA TEMPERATURA 2081-2100 110 C 90 70 50 40 30 20 1,50 10 0,50 87GE GEOGRAFIA 2017 OS EFEITOS NO BRASIL Segundo o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), até 2100, a temperatura no país irá aumentar entre 1 ºC e 6 ºC, em comparação com a registrada no fim do século XX. Nesse cenário, a agricultura, a geração e a distribuição de energia e a gestão dos recursos hídricos serão afetados. Veja os efeitos regionais no mapa ao lado. ÁSIA As chuvas de monções devem se tornar mais intensas no sul e no leste do continente. A frequência de tempestades e ciclones irá aumentar em áreas como o Mar do Japão, a Baía de Bengala, o Mar do Sul da China e o Golfo da Tailândia. OCEANIA Fortes ondas de calor devem atingir a Austrália, com chuvas extremas no sul do país e secas no noroeste. As ilhas do Pacífico ficarão mais vulneráveis à passagem de ciclones tropicais. ÁFRICA As temperaturas devem aumentar principalmente no sul do continente. É provável que a seca piore na parte ocidental e na região do Sahel, provocando queda da safra e agravando a situação de fome. REGIÕES POLARES O gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão. Com o derretimento na calota norte da Terra, o nível do mar pode aumentar de 45 a 82 centímetros, nível considerado perigoso pelos cientistas. EUROPA A temperatura deve aumentar de forma generalizada no continente, com menos dias de frio intenso no inverno. No sul e leste europeus, os períodos de seca devem reduzir a água disponível e a produtividade agrícola, enquanto, no noroeste do continente, o IPCC prevê maior volume de chuvas. OUTRAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS: � Ameaças à biodiversidade e aceleração da extinção de espécies. � Esgotamento das reservas de água e agravamento de sua distribuição. � Comprometimento da produção agrícola e da segurança alimentar, especialmente nas regiões tropical e subtropical. � Elevação do nível dos oceanos e ameaças a cidades litorâneas. NORTE O volume de chuvas na Amazônia deve cair até 40%, o que levaria a uma substituição da floresta por uma vegetação mais rala, semelhante à do cerrado. NORDESTE Até 2100, a temperatura na caatinga poderá subir até 4,5 ºC, e a ocorrência de chuva irá diminuir entre 40% e 50%. CENTRO-OESTE As chuvas devem diminuir entre 35% e 45%. No Pantanal e no cerrado, as temperaturas devem subir de 3,5 ºC a 5,5 ºC. SUDESTE Na região da Mata Atlântica, o clima deverá ficar até 3 ºC mais quente e até 30% mais chuvoso. ZONA COSTEIRA O aumento do nível do mar em até 30 cm afetaria ecossistemas costeiros do Norte e Nordeste, como manguezais; a população litorânea teria de ser remanejada. SUL Na região dos pampas, a temperatura deve subir 3 ºC, com previsão de um aumento de 40% na ocorrência de chuvas. 88 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA ENERGIAS RENOVÁVEIS Alternativas limpas Investimentos em fontes de energia renováveis são essenciais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa O s cientistas do Painel Intergovernamen-tal sobre a Mudança no Clima (IPCC) são enfáticos em apontar o que é pre- ciso ser feito para evitar os efeitos dramáticos das mudanças climáticas: suspender o uso sem restrições de combustíveis fósseis. Desde a Revolução Industrial, há mais de 200 anos, nossas atividades econômicas são baseadas na queima de fontes não renováveis e altamente poluentes como petróleo, gás e carvão. A energia que consumimos para gerar eletricidade e aque- cimento, para nos locomovermos em viagens de carro, avião ou navios e para mover a atividade manufatureira contribui com cerca de metade das emissões dos gases de efeito estufa. Na prática, para alterar essa matriz de energia e reduzir a dependência econômica de combustíveis fósseis, seria preciso ampliar o uso de energias renováveis. Trata-se de um procedimento que já está em andamento ao redor do mundo, ainda que num ritmo abai- xo do desejável. A China, o maior emissor de gases do efeito estufa do planeta, é o país que mais vem investindo em energia renovável há alguns anos. Os Estados Unidos e a Europa também avançam em projetos para baratear o custo dessas fontes de energia. O Brasil, que é o nono maior investidor em energias renováveis � MATRIZ DE ENERGIA Combinação das fontes de energia disponíveis numa economia ou país e dos usos de energia. A economia moderna consome energia em duas principais formas: a energia combustível, que alimenta principalmente equipamentos mecânicos, como motores, e a energia elétrica, que alimenta essencialmente equipamentos eletrônicos.� O QUE ISSO TEM A VER COM HISTÓRIA A Revolução Industrial é o processo de transformação da economia agrária, baseada no trabalho manual, em outra, dominada pela indústria mecanizada, que se caracteriza pelo uso de novas fontes de energia e de máquinas, pela especialização do trabalho e pela aplicação da ciência na indústria. Ela teve início por volta de 1760, na Inglaterra. Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE HISTÓRIA. do mundo, tem cerca de 40% de sua matriz energética proveniente de recursos renováveis (veja o gráfico acima) e caminha para ter 93% de sua energia elétrica com origem em fontes que não se esgotarão até 2050, de acordo com um estudo da ONG Greenpeace. Vale ressaltar que algumas das fontes de ener- gia alternativas ainda têm um custo ambiental alto. As usinas hidrelétricas, por exemplo, cos- tumam afetar a biodiversidade, como no caso da Usina de Belo Monte, no Pará, que vem causando polêmica por reduzir a vazão do Rio Xingu, o que comprometeria o ecossistema da região Amazônica. Já a energia nuclear pode causar sérios danos ambientais com o lixo radioativo. Confira alguns exemplos de fontes de energia renováveis e limpas. Energia eólica A energia é produzida quando a força do vento gira as hélices das turbinas eólicas, que conver- tem a energia mecânica em elétrica. O Brasil tem grande potencial nessa área, especialmente no Nordeste e no Sul, por possuir condições naturais favoráveis. Com o aumento dos in- vestimentos, a previsão é de que a participação da energia eólica na matriz elétrica brasileira alcance 5,4% até 2016. Petróleo e derivados 39,4% Carvão 5,7% Gás natural 13,5% Nuclear 1,3% Biomassa 23,8% Hidráulica 11,5% Outras* 4,8% BRASIL – 2014 Fontes: Agência Internacional de Energia e Ministério de Minas e Energia RenovávelNão renovável Gás natural 21,4% Nuclear 4,8% Biomassa 10,2% Hidráulica 2,4% Outras* 1,2% Petróleo e derivados 31,1% Carvão 28,9%** MUNDO – 2013 OFERTA DE ENERGIA POR FONTE *Inclui eólica e solar **Inclui xisto (folhelho) 89GE GEOGRAFIA 2017 Energia solar A principal forma de captar a energia prove- niente do Sol é por meio de painéis fotovoltaicos, que possuem células solares capazes de trans- formar a radiação solar em eletricidade. Quanto maior a intensidade de luz, maior o fluxo de energia elétrica. O Brasil também é privilegia- do em radiação solar, especialmente na região Nordeste. O elevado preço dessa tecnologia, porém, ainda inviabiliza investimentos mais pesados nesse tipo de energia no país. Biomassa A matéria orgânica também vem sendo utilizada para gerar energia. Seu aproveitamento pode ser feito pela combustão direta, por processos termo- químicos ou biológicos. No Brasil, óleos vegetais e bagaço de cana, entre outros materiais, dão origem à energia elétrica. A biomassa também pode se transformar em biocombustíveis – o álcool etílico já é amplamente usado nos veículos brasileiros. Energia geotérmica O calor interno do globo, principalmente em áreas geologicamente ativas, pode produzir energia em usinas termelétricas a partir dos gêiseres (fontes de vapor no interior da Terra), presentes em países como EUA, México e Japão. PETRÓLEO A combinação de material decomposto com as altas temperaturas e a pressão do subsolo forma jazidas depetróleo e gás. O carbono guardado nesses depósitos soma 300 bilhões de toneladas CO 2 + água + energia solar O 2 + açúcares CO 2 H 2 O EN ER GI A SO LA R FOTOSSÍNTESE Na fotossíntese, as plantas absorvem CO 2 e liberam oxigênio. Os vegetais estão na base de todas as cadeias alimentares do planeta VEGETAÇÃO Cerca de 600 bilhões de toneladas de carbono ficam estocadas nas plantas naturais ou cultivadas QUEIMADAS E DESMATES A queima da vegetação libera carbono no ar. A mata derrubada significa menos organismos para absorver o carbono. Restos de matéria orgânica sobre o solo têm 1 trilhão de toneladas de carbono CARVÃO MINERAL Formado com os restos soterrados de plantas e animais, o carvão mineral estoca cerca de 3 trilhões de toneladas de carbono DEVOLUÇÃO DO CARBONO A atmosfera devolve à superfície da Terra e aos oceanos cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono a cada ano SEDIMENTOS MARINHOS O carbono depositado em sedimentos marinhos guarda 150 bilhões de toneladas de carbono OCEANO Grande parte do CO 2 da atmosfera dissolve-se na água e é absorvida por seres marinhos ATMOSFERA A camada gasosa que envolve a Terra guarda 750 bilhões de toneladas de dióxido de carbono O CICLO DO CARBONO O carbono tem um ciclo natural entre o subsolo, os organismos, a atmosfera e os mares. As atividades humanas aumentam sua quantidade no ar. O volume de carbono em cada etapa é estimado pelos cientistas O Sol é a fonte de energia que sustenta a vida na Terra COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS A queima de petróleo e carvão acelera a liberação de carbono para a atmosfera, soltando mais de 5 bilhões de toneladas no ar a cada ano SAIBA MAIS CICLO DO CARBONO Apesar de ser o responsável direto pelo efeito estu- fa e, consequentemente, pelo aquecimento global, o carbono é um elemento químico essencial para a vida humana. Ele faz parte de um ciclo natural: transita entre a atmosfera, a biosfera e a hidrosfera, garantindo o equilíbrio do meio ambiente. Para se desenvolverem, as plantas transformam o dióxido de carbono presente na atmosfera em carboidratos, que formam folhas e troncos. Nesse processo, conhecido como fotossíntese, os vegetais liberam oxigênio. Os oceanos também absorvem o carbono da atmosfera – em contato com a água do mar, o dióxido de carbono se transforma em ácido carbônico, dissolvendo-se nas profundezas dos oceanos. Mas, além de absorver carbono, esse ciclo natural libera o elemento na atmosfera, num processo que pode se dar de diversas formas: pela erupção de vulcões, pela decomposição de organismos, pela respiração, ou mesmo pela flatulência de animais. Infelizmente, nosso padrão de desenvolvimento, baseado na queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, vem rompendo esse equilíbrio natural. Em suma, estamos emitindo mais carbono do que a natureza é capaz de absorver, desestabilizando o ciclo. � O QUE ISSO TEMQ A VER COM BIOLOGIAA VER COM BIOLOGIA A fotossíntese é um processo metabólico, pelo qual os vegetais transformam gás carbônico (CO2) e água em açúcares e oxigênio. A energia necessária para que a fotossíntese ocorra vem do Sol e é captada pelo pigmento clorofila. A fotossíntese pode ser resumida na seguinte equação: 6 CO2 + 12 H2O + luz = C6H12O6 + 6 O2 + 6H2O O C6H12O6 é a glicose, um carboidrato (açúcar). Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA. MULTI/SP 90 GE GEOGRAFIA 2017 ATMOSFERA PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS Nova esperança Apesar das divergências para o estabelecimento de metas de redução de gases do efeito estufa, os governantes de 195 países chegam a um acordo na COP21 A constatação de que a intensa emissão de gases do efeito estufa está alterando o clima do planeta vem mobilizando a comunidade internacional nos últimos anos. Mas enfrentar um problema global dessas proporções requer um difícil alinhamento entre os líderes mundiais. As ações políticas para tentar reverter o aquecimento global são tratadas em fóruns mundiais, como a Conferência Geral das Partes, um encontro reali- zado anualmente com a participação de todos os países para discutir a mudança climática – ela é conhecida por sua sigla em inglês COP. Chegar a um consenso nesses encontros é uma tarefa muito complicada porque há vários interesses conflitantes entre as nações ricas e os países em desenvolvimento quanto as respon- sabilidades que cada um deveria assumir para reduzir as emissões de carbono. O Protocolo de Kyoto O primeiro grande marco de ação governamen- tal coletiva foi o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 durante a terceira COP. O documento é o primeiro acordo oficial com metas e prazos para reduzir as emissões de gases do efeito estu- fa. Ele estabeleceu que os países desenvolvidos, responsáveis por lançar a maior parte dos gases, deveriam reduzir suas emissões em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Já as nações em desenvolvimento, como o Brasil e a China, que ti- veram uma industrialização tardia, não precisaram adotar metas, mas comprometiam-se a diminuir a emissão de carbono voluntariamente. Mas o Protocolo de Kyoto já nasceu prati- camente condenado. Os EUA não assinaram o documento por se recusar a mudar sua matriz energética – fortemente dependente de petróleo – e não concordar com a ausência de metas para os países em desenvolvimento. Posteriormente, outros países também abandonaram os compro- missos firmados no protocolo. Os governos de Canadá, Japão, Austrália e Rússia passaram a reclamar da falta de compromisso das economias emergentes. Eles alegam que o crescimento eco- nômico de países como China e Índia aumentou muito a emissão de carbono global, e exigiam o cumprimento de metas dessas nações. AGORA VAI? O presidente da França, François Hollande (à dir.), e outras autoridades mundiais celebram a assinatura do Acordo de Paris, em dezembro de 2015, durante a COP21 91GE GEOGRAFIA 2017 SAIBA MAIS MERCADO DE CARBONO Para minimizar o dese- quilíbrio entre as emis- sões de gases dos países ricos e dos menos de- senvolvidos, o Protoco- lo de Kyoto estabeleceu o “mercado de carbono”. Ele funciona da seguinte forma: os países desen- volvidos, incapazes de substituir o carvão e o pe- tróleo de uma hora para outra, podem compensar parte de suas emissões comprando créditos de carbono de outros países cujas emissões ficaram abaixo do limite estipu- lado. Esses créditos são pagos com investimentos em projetos que ajudem as nações vendedoras a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. O primeiro projeto ba- seado nesse mercado de carbono foi implemen- tado em 2005, em Nova Iguaçu (RJ). Um antigo lixão foi transformado em aterro sanitário com o fi- nanciamento da Holanda. Hoje em dia, centenas de projetos como esse estão em andamento em várias partes do mundo. O Acordo de Paris Por todas essas dificuldades, o Acordo de Paris firmado durante a COP21, realizada na capital francesa, em dezembro de 2015, foi recebido com bastante otimismo. O documento assinado por representantes de 195 países foi considerado histórico: pela primeira vez houve um entendi- mento para a redução das emissões de carbono que envolve quase todas as nações do mundo. O acordo entrará em vigor a partir de 2020 e obriga a participação de todos os países – e não apenas os ricos – no estabelecimento de metas para limitar o aumento da temperatura média do planeta até 2100. O objetivo é restringir o aqueci- mento a “bem menos de 2º C”. Cada nação fica obrigada a apresentar um con- junto de metas para reduzir a emissão de carbono em um documento conhecido como INDCs (sigla em inglês para Contribuições Pretendidas Nacio- nalmente Determinadas). Mas se o estabelecimen- to das metas é compulsório para todas as nações, o cumprimento desses objetivos é voluntário. O documento final também estabeleceu que os países ricos irão garantir um financiamento de, no mínimo, 100 bilhões de dólarespor ano para projetos de combate às mudanças do clima e adaptação em nações em desenvolvimento a partir de 2020 e até, ao menos, 2025. Tanto o financiamento quanto as metas nacio- nais (INDCs) serão revistas a cada cinco anos, a partir de 2018. Isso porque, por enquanto, o conjunto das metas somadas é considerado in- suficiente para barrar o aquecimento médio em até 2º C. Espera-se que até lá haja uma ambição maior dos países no controle das emissões. Os compromissos do Brasil O Brasil oficializou a meta voluntária de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030 em relação aos valores de 2005. Além dessa meta, o compromisso do Brasil apresentado na COP21 inclui garantir 45% de fontes renováveis no total da matriz energética, ampliar para 23% a participação de fontes renová- veis (eólica, solar e biomassa) na geração de energia elétrica e acabar com o desmatamento ilegal. Segundo o governo, as emissões entre 2005 e 2012 reduziram 41,1%. Em boa medida, esta re- dução é creditada a uma forte queda nos índices de desmatamento na Amazônia Legal. Na última década, com a desaceleração do desmatamento no Brasil, as atividades ligadas à derrubada das florestas deixaram de ser a principal emissora de CO2. Atualmente, a produção de energia a partir da queima de combustíveis fósseis é a maior fonte poluidora do país. Menos de 799 86.717 ou mais Fonte: Banco Mundial Em milhões de toneladas de CO 2 FRANCOIS GUILLOT/AFP CAMPEÕES DE POLUIÇÃO Veja como os países desenvolvidos estão entre os que mais emitem carbono na atmosfera: Estados Unidos e Canadá, além da Europa Ocidental, da Austrália e do Japão. Mas note que as nações em desenvolvimento que tiveram crescimento acelerado na última década (2000-2009) também são grandes emissoras. É o caso de China, Índia, Rússia, México e Brasil. EMISSÕES DE CARBONO – 2010 92 GE GEOGRAFIA 2017 COMO CAI NA PROVA 1. (UFRGS 2014) Analise os climogramas abaixo, no Hemisfério Sul. Comparando esses climogramas, é possível afirmar que a) o 1 apresenta as variações mais significativas de pluviosidade e temperatura, indicando um clima equatorial úmido. b) o 2 apresenta uma relação direta entre pluviosidade e temperatura, indicando um clima com verões quentes e úmidos. c) o 3 apresenta uma relação inversa entre pluviosidade e temperatura, indicando um clima com invernos úmidos. d) o 2 e o 3 indicam variações significativas de pluviosidade e temperatura, com estações definidas para ambos. e) o 1 e o 2 apresentam condições de considerável pluviosidade nos meses de temperaturas mais altas. RESPOSTA A alternativa a indica corretamente que o climograma 1 representa um clima equatorial úmido, porém não há, no climograma e nesse tipo de clima, variações significativas de pluviosidade e temperatura. Na alternativa b, a informação incorreta é a que se refere aos verões úmidos,bb visto que, quando são registradas as temperaturas mais elevadas, entre dezembro e março (verão), há uma redução no volume de chuvas mostrado pelas colunas. A alternativa C está errada, pois há uma relação direta entre temperatura e pluviosidade (a queda na temperatura é acompanhada por uma queda na plu- viosidade), e o período do inverno é, na realidade, o mais seco. A alternativa d está correta, pois os dois climogramas mencionados (2 e 3 ) apred - sentam quedas de temperatura no inverno (junho a agosto), acompanhadas de variações significativas de pluviosidade (para mais ou para menos), determinando duas estações bem definidas (seca e úmida). Na alternativa e, não é possível afirmar que os climogramas 1 e 2 apresentam ee maiores pluviosidades nos meses mais quentes, pois isso não se confirma no climograma 2, onde a pluviosidade maior é registrada no inverno. Resposta: D � SAIBA MAIS 2. (Uerj 2015) Para evitar novos flagelos Os eventos extremos de curta duração, como as chuvas intensas que caíram sobre São Paulo e outras cidades brasileiras com suas trágicas consequências, vão se intensificar com as mudanças climáticas em curso há algumas décadas. “Na década de 1930 e, se formos um pouco mais atrás no tempo, no século XIX, não ocorriam tantos eventos extremos de chuva como acontecem hoje na cidade de São Paulo”, diz Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. “Isso é mudança climática, não necessariamente provocada pelo aquecimento global”, ressalta. O mais provável é que a maior parte dessa mudança climática tenha origem na própria Região Metropolitana de São Paulo. ERENO, Dinorah. Adaptado de revistapesquisa.fapesp.br, 26/05/2010. Considerando a dinâmica ambiental de grandes metrópoles, como São Paulo, as circunstâncias locais para a elevação do índice de chuvas apontada no texto estão relacionadas ao fenômeno de: a) ilha de calor b) inversão térmica c) campo de vento d) precipitação ácida RESPOSTA As ilhas de calor são formadas em áreas das grandes cidades com maior adensamento urbano e, consequentemente, com maior absorção e irradiação de calor. Contribuem para esse processo os poluentes lançados na atmosfera e a substituição da cobertura vegetal por prédios de concreto e cimento e ruas asfaltadas. As ilhas de calor aceleram as correntes ascendentes de ar úmido (correntes de convecção) e, assim, contribuem para formar nuvens mais carregadas e chuvas torrenciais, sobretudo no verão. Além disso, os poluentes atmosféricos (poeira, fuligem etc.) podem atuar como núcleos de condensação, aumentando a concentração de gotículas de chuva, intensificando-as. Resposta: A Se a escala usada para montar o climograma for diferente, o aspecto do climograma poderá sofrer modificações. Repare, por exemplo, como o climograma de João Pessoa, ao lado, ficou diferente da versão abaixo depois de mudarmos a escala do índice pluviométrico, diminuindo os intervalos de 100 mm para 50 mm. 93GE GEOGRAFIA 2017 RESUMO Lorem ipsondolor GIAMCORE MAGNA accum am, vullam, core feum auguerit, si blam, quat. Lor sequat lorerci tem accum il ulput nummy nit nullam adit ea ad tetumsan hent lor init adionsequip exeros do dolor sum zzrit amcorer sustrud dui et autpatin eugue ve- lenim vulluptate consectem zzrit wismod el ulputatum incing et lutdiamcom molumsandip. EAFACIDUNT DOLOBOR sustrud magna feugiam veniam zzrilit luptatem iriusto consequi eraesto eugait luptat do ese tat dolut venis amconsed mincillandre commodi onullan ver sustrud modigniam ipsuscillam, cor iliquat. Num volobor eraestionum ing eniatummy nulputem vent amet iusto odignim quisis adiam aliquat vel esequip IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni- bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan heniam doloreet amcore do eu facil utpat. Osto odiamet, velent pratet nosto consequisl ullandrem quat am dolorem veliquatue min velesequam nonse facipisim zzriure. RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do- lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim ipsuscipit in Del ut lutat aute mincill andipsustis do exeraestrud eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit ing et irilit iureet laorem veraess equisi. Ecte vulla commy nullam, sis nulluptat, sum venibh elesto conum nonulla facilit nit lorem delesto ea feui blandre eui tet lam IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni- bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratinesectet nonullan heniam doloreet amcore do eu facil utpat. RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do- lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim ipsuscipit in Del ut lutat aute mincill andipsustis do exeraestrud eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit. Atmosfera FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS Principal objeto de estudo dos meteorologistas, eles se formam com diferentes reações químicas que ocorrem na atmosfera. Nuvem, chuva, neve, granizo, geada, vento e massas de ar são formados por causa de certas condições de umidade, pressão e temperatura. EL NIÑO Esse fenômeno se forma duas vezes a cada dez anos na época do Natal, com o enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente sopram as águas aquecidas do Pacífico do leste para o oeste – da costa da América do Sul até a região da Indonésia. Como essas águas quentes e úmidas permanecem na costa sul-americana, elas provocam chuvas nessa área e seca na Indonésia e Austrália. CLIMAS DO MUNDO São dez os principais tipos climáticos do mundo: equatorial, tropical, mediterrâneo, temperado, sub- tropical, desértico, semiárido, frio de montanha, frio e polar. Fatores como latitude, altitude, proximidade do mar, pressão atmosférica e influência das correntes marítimas determinam as diferenças entre os climas. CLIMAS DO BRASIL O Brasil possui seis tipos climáticos principais: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitu- de, tropical atlântico e subtropical. A ocorrência de chuvas e a temperatura média são os critérios mais importantes para definir os climas no Brasil. AQUECIMENTO GLOBAL O efeito estufa é um fenômeno na- tural, no qual os gases presentes na atmosfera retêm o calor recebido do Sol. A emissão de gases por indústrias, veículos, desmatamento e agropecuária potencializa o fenômeno e pode ser um dos causadores do aquecimento global. ENERGIAS ALTERNATIVAS Uma das alternativas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa é a adoção de fontes de energia renovável. No Brasil, quase metade da energia utiliza- da é proveniente de recursos renováveis. Entre as principais energias alternativas destacam-se a eólica (produzida pelos ventos), a solar (proveniente do Sol) e a biomassa (feita com matéria orgânica). PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS O Protocolo de Kyoto foi estabelecido em 1997 com o objetivo de diminuir a emissão de gases do efeito estufa. Ele previa que os países desenvolvidos deveriam cortar suas emissões de dióxido de carbono e outros gases, mas isentava os países em desenvol- vimento da obrigação de reduzir as emissões. O acordo não funcionou e foi substituído pelo Acordo de Paris. Assinado em dezembro de 2015, ele obriga todos os 195 países signatários a estabelecer metas para o corte de emissões de gases do efeito estufa, de modo a evitar que o aquecimento médio do planeta ultrapasse os 2 ºC até 2100. 3. (FGV 2014) Considere o texto. I. O inventário de emissão de gases de efeito estufa de 2010, lançado em 2013 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostra que houve a inver- são do tipo de poluição predominante no Brasil em comparação ao relatório anterior, de 2004. (http://blog.ambientebrasil.com.br/2013/10/brasil-ja-polui-como-um-pais-rico. Adaptado) Considerando o texto, é correto afirmar que a) atualmente a principal fonte poluidora é a queima de combustíveis fósseis, que ultrapassou o desmatamento. b) o fato de o Brasil encontrar-se entre os grandes poluidores do mundo destaca o peso do setor industrial na economia. c) a expansão das atividades agrícolas para produção de commodities tornou-se, atualmente, a principal fonte poluidora. d) o cultivo de arroz, grande emissor de metano, ultrapassou o peso da pecuária no ranking de grande poluidor. e) a posição do Brasil, entre os grandes poluidores, deve-se, principalmente, à redução da participação do gás natural na matriz energética. RESPOSTA Conforme afirma corretamente a alternativa a, a queima de combustíveis fósseis ultrapassou o desmatamento e passou a responder pela maior emissão de CO 2 no Brasil. Isso decorre do aumento da frota de automóveis e caminhões nos últimos anos, que resultou em um maior consumo de gasolina e diesel, além do aumento no uso de termelétricas, que geram energia a partir da queima de carvão, óleo ou gás. A alternativa b está incorreta porque o Brasil, apesar da expressiva produção industrial, tem a maior parte da economia centrada no setor terciário. As alternativas c e d incorretamente indicam que a agricultura é a maior fonte emissora de gases estufa. Já a alternativa e é falsa porque, entre os combustíveis fósseis, o gás natural responde pelas menores emissões e este tem aumentado sua participação na matriz energética brasileira. Resposta: A � SAIBA MAIS Veja nos dois gráficos abaixo como a queima de combustíveis fósseis, caracteri- zada pelas atividades de energia, ultrapassaram o uso da terra e florestas como principal atividade geradora de CO 2 no Brasil, entre 2005 e 2012. 94 GE GEOGRAFIA 2016 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO � Ecologia ...............................................................................................................96 � A evolução do planeta ....................................................................................98 � Vegetação no mundo ....................................................................................100 � Biomas brasileiros .........................................................................................106 � Preservação e conservação ........................................................................110 � Conferências ambientais ............................................................................112 � Como cai na prova + Resumo .....................................................................114 A pesar de a Amazônia receber grande parte da atenção quando o assunto é desmatamento no Brasil, outros biomas tão importantes para o equilíbrio ambiental não dispõem do mesmo tratamento. O cerrado é considerado um dos ambientes mais anti- gos da história recente da Terra, com cerca de 65 milhões de anos, e já abrigou a mais diversa flora do planeta. Atualmente, o bioma detém 5% de toda a biodiversidade mundial e é berço de 10 das 12 bacias hidrográficas do Brasil. Mesmo com toda essa riqueza natural, apenas 8% do cerrado é protegido por áreas de con- servação, o que o torna uma das regiões mais vulneráveis diante da expansão da agropecuária. Em um período de 50 anos, quase metade de sua cobertura original já foi devastada para dar lugar a plantações e áreas de pastagem. Como o cerrado já atingiu o seu clímax evolutivo, o am- biente já degradado – onde houve modificação da vegetação e do solo – é incapaz de recuperar sua biodiversidade original. A despeito da pressão dos ambientalistas, mui- tos dos quais afirmam que o cerrado entrou em um ciclo irreversível de extinção, as ações go- vernamentais para a preservação do bioma têm sido tímidas. O novo Código Florestal frustrou aqueles que esperavam a criação de regras mais rigorosas para estancar a degradação. Segundo a legislação aprovada em 2012, os proprietários de terra no cerrado são obrigados a preservar entre 20% e 35% da cobertura vegetal, enquanto que os fazendeiros da Amazônia devem conservar 80%. Mais recentemente, o governo federal sinali- zou que o cerrado deve ser encarado com mais prioridade. Em julho de 2014, o Ministério do Meio Ambiente anunciou investimentos de 596 milhões de reais em ações destinadas a reduzir em até 40% os índices de desmatamento do cerrado até 2020. A decisão faz parte do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e dasQueimadas no Cerrado (PPCerrado), que prevê um sistema de monitoramento permanente do bioma, tal qual ocorre na Amazônia. Nas próximas páginas, você encontrará mais informações sobre os biomas brasileiros e as ca- racterísticas dos prin- cipais tipos de vegeta- ção no mundo. Além disso, abordamos as ameaças mais latentes aos ecossistemas e as ações governamen- tais para tentar frear as ameaças ao meio ambiente. Enquanto as atenções ambientais se voltam para o desmatamento da Amazônia, o cerrado tem sua cobertura vegetal devastada e corre risco de extinção Agonia silenciosa 5 BIOSFERA O POUCO QUE RESTOU Vegetação remanescente de um incêndio no Parque Nacional de Brasília: o cerrado, com toda a sua riqueza natural, é um dos biomas mais ameaçados do planeta 95GE GEOGRAFIA 2016 EVARISTO SA/AFP PHOTO 96 GE GEOGRAFIA 2016 5 BIOSFERA ECOLOGIA O termo ecologia ganhou destaque nas últimas décadas, juntamente com a relevância crescente dos assuntos relacionados ao meio ambien- te. Muitas vezes esse termo é usado de forma indevida ou superficial, como em afirmações do tipo “Defenda a ecolo- gia”. Na verdade, trata-se da ciência que estuda as relações dos seres vivos entre si ou com o ambiente em que vivem. A ecologia é um conteúdo multidiscipli- nar que engloba estudos de Biologia, Geografia, Geologia, Química, entre outras áreas curriculares. Veja a seguir, alguns conceitos essen- ciais para a compreensão da ecologia, como ecossistema, bioma, biosfera e biodiversidade: Ecossistemas Os ecossistemas são sistemas dinâ- micos resultantes da interdependência entre os fatores físicos do meio am- biente e os seres vivos que o habitam. Os nutrientes, a água, o ar, os gases, a energia disponível e as substâncias orgânicas e inorgânicas num ambiente constituem a parte abiótica (não viva) Delicado equilíbrio A relação que os seres vivos mantêm entre si e com o ambiente que habitam forma um ciclo natural que sustenta a vida no planeta de um ecossistema. O conjunto de seres vivos é chamado de biota e é composto de três categorias de organismos: as plantas, os animais e os decomposito- res – microrganismos que decompõem plantas e animais e os transformam em componentes simples, reciclados. Uma floresta, um rio, um lago ou um simples jardim são exemplos de ecos- sistemas. Eles se misturam e interagem. Os ecossistemas podem, também, ser subdivididos em pequenas unidades bióticas, conhecidas como comunida- des biológicas. Elas são formadas por duas ou mais populações de espécies que interagem e são interdependentes – como o conjunto da flora e da fauna de um lago. Já o termo habitat se refere a um ambiente ou ecossistema que oferece condições especialmente favoráveis à sobrevivência de certa espécie. Por exemplo, o cerrado é o habitat do lobo- -guará. Um ecossistema pode ser o ha- bitat de diversas espécies para as quais oferece alimento, água e abrigo, entre outras condições essenciais à repro- dução da vida. PERFEITA HARMONIA Aves tuiuiús e caturritas em árvore do Pantanal: o Brasil abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta 97GE GEOGRAFIA 2016 � O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA Veja abaixo uma descrição resumida dos cinco reinos da natureza: Reino Monera: organismos unicelulares procariontes, como bactérias e cianobactérias Reino Protista: seres unicelulares eucariontes, como algas, protozoários e amebas Reino dos Fungos: seres eucariontes, unicelulares e pluricelulares, como mofos, bolores, cogumelos e leveduras Reino Vegetal: seres pluricelulares autótrofos, com células revestidas de uma parede de celulose, como briófitas (musgos), pteridófitas (samambaias), gimnospermas (pinheiros) e angiospermas (plantas com flores e frutos) Reino Animal: organismos pluricelulares e heterótrofos, que inclui os vertebrados (um subfilo dos cordados, que abrange animais com esqueleto interno, coluna vertebral, cérebro e medula espinhal) e os invertebrados (animais sem coluna vertebral nem cérebro) Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA Biomas Os grandes conjuntos relativamen- te homogêneos de ecossistemas são chamados de biomas. O termo bioma designa as comunidades de organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região – pense na Floresta Amazônica ou na tundra ártica. Na Geografia, o estudo dos biomas tem como um dos focos principais a vegetação, elemento que se destaca na paisagem. Biosfera A biosfera ou “esfera da vida” é o con- junto de todos os biomas do planeta. Ela faz referência a todas as formas de vida da Terra em escala global – dos reinos monera, protista, animal, vegetal e dos fungos – em conjunto com os fatores não vivos que as sustentam. A biosfera abran- ge desde as profundezas dos oceanos, que atingem cerca de 11 mil metros, até o limite da troposfera, camada inferior da atmosfera, que atinge uma altitude de cerca de 12 mil metros. Entre os seres vivos, os humanos são os que possuem a maior capacidade de intervenção (positi- va e negativa) no equilíbrio das diversas formas de vida que constituem a biosfera. Biodiversidade O termo biodiversidade abarca toda a variedade das formas de vida (animais, vegetais e microrganismos), espécies e ecossistemas, em uma região ou em todo o planeta. É uma riqueza tão grande que se ignora o número de espécies vegetais e animais existentes no mundo. A esti- mativa é de que haja cerca de 14 milhões, mas até agora somente 1,7 milhão foram classificados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A biodiversidade garante o equilí- brio dos ecossistemas e, por tabela, do planeta todo. Por isso, qualquer dano provocado a ela não afeta somente as espécies que habitam determinado lo- cal, mas toda uma fina rede de relações entre os seres e o meio em que vivem. A principal ameaça à biodiversidade do planeta é justamente a ação humana. De acordo a World Wildlife Fund, uma das ONGs ambientalistas mais ativas no mundo, em menos de 40 anos o planeta perdeu 30% de sua biodiversidade, sen- do que os países tropicais tiveram uma queda de 60% nesse período. PEGADA ECOLÓGICA EM DIFERENTES REGIÕES (2009) Fonte: Global Footprint Network Em hectares por pessoa América do Norte Oceania 7,90 5,39 4,68 2,70 2,58 1,78 1,41 Europa Mundo América Latina Ásia África VOCÊ SABIA? PEGADA ECOLÓGICA Segundo a organização não governamental World Wildlife Fund, o homem está consumin- do 30% a mais dos recursos naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório de exploração dos recursos naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja, precisaremos de dois planetas para sustentar o mundo. A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer seus recursos naturais, de renová- -los e de absorver os resíduos produzidos pela atividade humana. O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cul- tivadas, pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase dois campos de futebol). O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 8 hectares por pessoa. O Brasil apresenta um índice um pouco maior que a média mundial: 2,9. THIAGO BAZZI 5 98 GE GEOGRAFIA 2016 BIOSFERA A EVOLUÇÃO DO PLANETA Qual é a origem da vida na terra? Nosso planeta surgiu 5 bilhões de anos atrás, após uma complexa cadeia de eventos. As primeiras formas de vida apareceram 1,5 bilhão de anos depois, e o nascimento do homem ocorreu há “apenas” 100 mil anos Da massa de moléculas inanimadas de carbono surgiu a vida há 3,5 bilhões de anos. Parecemilagre, mas é pura química. O planeta, então, era frequentemente bombardeado por meteoros, restos da explosão inicial Há quase 5 bilhões de anos, uma estrela explodiu num canto da Via Láctea, espalhando poeira pelo espaço. A gravidade começou a juntar os grãos de poeira em pedaços cada vez maiores. Assim surgiu a Terra 3 BILHÕES As células se espalham pela Terra. Mas o processo é lento, diante da queda de meteoros. O planeta, ainda novo, guarda o calor da explosão estelar, e seu interior quente vive vazando por vulcões. Outro problema são os tórridos raios solares 2 BILHÕES A agitação cósmica e geológica aos poucos vai diminuindo, enquanto o planeta esfria. Forma-se a camada de ozônio, que torna os raios solares menos nocivos e permite o surgimento de formas de vida mais complexas 1 BILHÃO Aparecem células mais complicadas, os eucariontes, que possuem todas as organelas. A vida vai, aos poucos, tomando o planeta, protegida do Sol pela camada de ozônio. Os meteoros são cada vez mais raros 600 MILHÕES Surgem os primeiros organismos multicelulares – todos invertebrados. A variedade de vida aumenta de maneira impressionante. Os oceanos se povoam com os seres mais estranhos ERA ARQUEOZOICA ERA PROTEROZOICA No decorrer da história do planeta, os continentes navegaram sobre a rocha derretida (veja mais na pág. 30) 99GE GEOGRAFIA 2016 De tempo em tempo, a vida na Terra sofre um grande golpe e ocorre uma extinção em massa. Foi assim há meio bilhão de anos, quando boa parte dos seres sumiu de repente. Pouco se sabe sobre a tragédia – mas a prova de que ela aconteceu são as conchas fossilizadas de animais marinhos, cuja diversidade teve uma brusca redução Há 230 milhões de anos ocorreu outra grande extinção. Das espécies marinhas, 96% simplesmente sumiram. Algumas teorias acreditam que grandes erupções vulcânicas tenham provocado isso. Essa extinção em massa, conhecida como a do fim do Permiano, foi muito pior do que a que acabou com os dinossauros A culpa pela extinção em massa que assolou o planeta há 65 milhões de anos, matando os dinossauros, geralmente é atribuída a um meteoro, embora ainda haja dúvidas. Paradoxalmente, o cataclismo foi um impulso para a vida: abriu espaço para que outras espécies se desenvolvessem. Fenômeno parecido aconteceu em outras grandes extinções Vivemos hoje outra imensa extinção em massa, esta com uma causa bem diferente das outras: a ação humana. Centenas de espécies somem todos os dias por causa da perda de habitats, principalmente nas florestas tropicais. O homem já é a maior força transformadora do planeta, superando tempestades, furacões e terremotos 400 MILHÕES Há 350 milhões de anos, os vertebrados saem do mar – surgem os anfíbios. Todos os continentes estão unidos em um só grande bloco – a Pangeia, que começa a ser habitada por muitas plantas primitivas (veja mais na pág. 30) 300 MILHÕES Os répteis aparecem há 300 milhões de anos e, em seguida, tomam o planeta. Os primeiros dinossauros passam a ser vistos em todos os continentes. Os insetos também se diversificam muito 200 MILHÕES Há 200 milhões de anos surgem os mamíferos – então não muito mais que ratinhos insignificantes com características de répteis. A Terra ainda é dos dinossauros. Outra inovação: as plantas ganham flores 100 MILHÕES Com a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos, sobra espaço para os mamíferos. Eles se tornam maiores e mais diversificados e herdam o trono do planeta. As aves também se espalham HOJE Surge o homem – há apenas 100 mil anos, insignificantes para a longa história do planeta. A nova espécie vem alterando a Terra como nenhuma antes fizera ERA PALEOZOICA ERA MESOZOICA ERA CENOZOICA 500 MILHÕES Aparecem os peixes primitivos – não muito diferentes dos atuais tubarões. São os primeiros vertebrados. A Terra fica mais interessante 1 2 3 4 1 2 3 4 LUIZ IRIA, RODRIGO MAROJA E DENIS RUSSO BURGIERMAN/REVISTA SUPERINTERESSANTE 100 GE GEOGRAFIA 2016 5 Vegetação mediterrânea Tundra Vegetação de montanha Floresta de coníferas Floresta tropical Estepe/pradaria/pampas Savana/cerrado Floresta temperada Deserto Fonte: The Times Concise Atlas of the World BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO As diferentes paisagens do planeta Conheça as características e a localização dos principais tipos de formação vegetal do planeta Na Geografia, as diferentes for-mações vegetais da Terra são analisadas do ponto de vista da distribuição geográfica, das característi- cas fisionômicas e das suas relações com o clima, o relevo, os solos e o substrato rochoso. O estudo da vegetação também deve ser feito sob o ponto de vista da exploração econômica pelo homem e as consequências socioambientais da derrubada das florestas. Veja a seguir, as principais formações vegetais do planeta, onde elas se loca- lizam e quais são suas características mais marcantes. 1 DESERTO Nos desertos, a vegetação é esparsa e de poucas espécies. Como as regiões áridas têm índices pluviométricos abaixo de 250 milímetros ao ano, as plantas são xeromórficas, ou seja, adaptadas à ausência de chuvas – os cactos, por exemplo, armazenam água e desenvolvem espinhos no lugar das folhas, para reduzir a evapotranspiração (perda de água na fotossíntese). Nos desertos frios, que ficam em altas latitudes (Patagônia, por exemplo, na América do Sul), as temperaturas variam pouco durante o dia. Já os desertos quentes, como do Atacama, da Austrália e do Saara, ficam em regiões tropicais e, no decorrer do dia, apresentam grande variação de temperatura, despencando de mais de 40 ºC durante o dia para índices abaixo de zero à noite. TIPOS DE VEGETAÇÃO NO MUNDO RESISTENTES Nos desertos, como o do Atacama (Chile), as plantas são adaptadas à falta de água [1] 101GE GEOGRAFIA 2016 2 VEGETAÇÃO DE MONTANHA A vegetação de montanha é rasteira, formada apenas de ervas e arbustos que, a duras penas, conseguem sobreviver no clima hostil. Algumas características como folhas duras (coriáceas) ajudam a resistir ao frio e aos fortes ventos das altitudes elevadas. Esse tipo de formação vegetal pode ser encontrado em diversas regiões montanhosas pelo mundo, como as encostas da Cordilheira dos Andes (na América do Sul), dos Alpes (na Europa), da Cordilheira do Himalaia (na Ásia) e das Montanhas Rochosas (nos Estados Unidos). 3 FLORESTA DE CONÍFERAS OU FLORESTA BOREAL Floresta homogênea, de pinheiros e abetos, com folhas em formato de agulha (aciculifoliadas) e copas em forma de cone, que acumulam menos neve durante o longo inverno das regiões de latitudes médias e elevadas. No solo, o frio rigoroso também impõe duras limitações para o desenvolvimento das espécies vegetais: há pouca vegetação rasteira, como alguns liquens, musgos e arbustos. A floresta de coníferas é intensamente explorada como matéria-prima para importantes indústrias madeireiras, de papel e celulose. Essa formação é encontrada principalmente no norte da Europa, da América e da Ásia (onde é chamada de taiga). AINDA DE PÉ A floresta de coníferas, encontrada na Sibéria (Rússia), é explorada pela indústria madeireira NAS ALTURAS Só vegetação rasteira consegue suportar o clima hostil das Montanhas Rochosas (EUA) [1] DIVULGAÇÃO [2] MARCELO SACCO [3] ILYA NAYMUSHIN/REUTERS [2] [3] 102 GE GEOGRAFIA 2016 5 4 TUNDRA Desenvolve-se em uma das regiões mais frias do mundo, a do clima subpolar, como no norte da Rússia. Ela é formada por musgos e algumas espécies herbáceas que aparecem no solo somente nos poucos meses de degelo, quando o verão eleva a temperatura para 4 ºC, em média. No resto do ano, o solo fica coberto de neve, motivo pelo qual é denominado permafrost (permanentemente congelado). Por ter uma relação direta com o degelo nas regiões subpolares, a tundra é utilizada como bioindicador para o estudo de possíveisaumentos das temperaturas globais e suas consequências nesse frágil bioma. 5 ESTEPE (CAMPOS, PAMPAS, PRADARIAS) Típica de áreas de clima temperado continental, a estepe é uma formação vegetal pobre, sem árvores, constituída basicamente de gramíneas, que se estende sobretudo em regiões planas, podendo ser encontrada também em relevo montanhoso, como nos planaltos tibetanos. Dependendo da área onde se localiza, recebe um nome diferente: campos, no Brasil; pampas, na Argentina; e pradaria, nos Estados Unidos e no Canadá. Essa flora também é encontrada na África, na Ásia Central e em trechos da Austrália. Por ser constituída de gramíneas, que são pastagens naturais, é comum encontrar, nessas regiões, a agropecuária como atividade econômica principal. O relevo plano e o solo fértil em algumas dessas áreas favorece a produção agrícola. BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO VEGETAÇÃO SUBPOLAR A tundra aparece nos poucos meses de degelo em regiões como o Alasca (EUA) AGROPECUÁRIA As pradarias norte-americanas possuem solos férteis e uma pastagem natural [1] [2] 103GE GEOGRAFIA 2016 6 FLORESTA TEMPERADA É uma cobertura vegetal típica das latitudes médias – aparece no norte da China, na Coreia do Sul, no Japão, no leste dos Estados Unidos, na Europa e no sudeste da Austrália e Nova Zelândia. Essa floresta é formada por árvores decíduas, chamadas ainda de estacionais, caducas ou caducifólias, ou seja, que perdem as folhas no inverno para suportar as baixas temperaturas. As poucas espécies de árvore, como carvalhos, bordos e faias, são espaçadas, e o solo é recoberto por gramíneas. Grande parte da floresta temperada, contudo, já foi devastada – na Europa, por exemplo, de 70% a 80% da cobertura original já foi perdida; na China, de 80% a 90%. 7 FLORESTA TROPICAL Vegetação das áreas de baixas latitudes, quentes e úmidas; as plantas têm folhas largas (latifoliadas), que absorvem mais energia solar, e são perenes, isto é, não caem no "inverno", pois as temperaturas permanecem elevadas. O solo é coberto por húmus, formado pela decomposição de galhos, troncos e folhas. As florestas tropicais cobrem grande parte da América do Sul (região Amazônica), da América Central, da zona equatorial da África, do Sudeste Asiático e do Subcontinente Indiano. ITEM RARO Quase 90% da cobertura original de florestas temperadas na China já foram derrubadas MATA DENSA O Vietnã abriga uma quente e úmida floreta tropical, vegetação típica das zonas equatoriais [1] YVA MOMATIUK & JOHN EASTCOTT/MINDEN PICTURES/BIOSPHOTO [2] EDWIN OLSON [3] IVAN WALSH [4] WOLFGANG KAEHLER/CORBIS [3] [4] 104 GE GEOGRAFIA 2016 5 8 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA A vegetação mediterrânea é formada por espécies adaptadas a períodos secos, como os garrigues, o maqui – arbustos, moitas e árvores pequenas, como oliveiras – e o chaparral, similar ao maqui, mas menos denso. Essa formação vegetal é encontrada no litoral do Mar Mediterrâneo, na Califórnia (EUA), na Austrália e na África do Sul. A oliveira, da qual se extrai o azeite de oliva, e o loureiro, cuja folha é utilizada como tempero, são espécies nativas da vegetação temperada. O clima mediterrâneo também favorece a produção de uvas e concentram as principais vinícolas do mundo. 9 SAVANA (CERRADO) Na savana, presente em áreas de baixas latitudes, as plantas são rasteiras e há pequenas árvores, distribuídas de maneira esparsa, alternadas com bosques com vegetação arbórea mais desenvolvida. Nas regiões mais secas, predomina a vegetação rasteira e espinhosa. A savana é uma vegetação estacional, marcada por duas estações bem definidas: o período seco (no inverno) e o período chuvoso (no verão). Essas formações são encontradas na África, na Ásia (Índia, principalmente), na Austrália e na América, onde recebe os nomes específicos de lhanos (na Venezuela) e cerrado (no Brasil). A ocorrência de uma prolongada estação seca faz com que as plantas desenvolvam adaptações para reservar e obter água, como as folhas coriáceas e as raízes profundas para atingir o lençol freático. BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO ISOLADAS As pequenas árvores distribuídas de forma esparsa são uma característica da savana africana NA MOITA O chaparral é uma espécie tipicamente mediterrânea, presente no Novo México (EUA) [1] [2] 105GE GEOGRAFIA 2016 PARA IR ALÉM O documentário Home – Nosso Planeta, Nossa Casa, de Yann Arthus-Bertrand mostra exuberantes imagens aéreas de diversas paisagens e suas transformações decorrentes das ações antrópicas: www.youtube.com/ homeproject VOCÊ SABIA? HOTSPOTS – AS ZONAS EM PERIGO As zonas do planeta mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas de destruição são defi- nidas pelo conceito hotspots (em inglês, pontos quentes), criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers. São 34 regiões ou biomas, incluindo a Mata Atlântica e o cerrado brasileiro. Atualmente, elas representam apenas 2,3% da superfície da Terra, mas 50% das espécies de plantas e 42% das de vertebrados terrestres são endêmicas dessas regiões. Os hotspots já perderam 70% da vegetação original. Os 34 hotspots concentram 2,3% da superfície terrestre 50% da flora 42% dos vertebrados São áreas que já perderam, ao menos, 70% da vegetação original HOTSPOTS* Polinésia- Micronésia Polinésia- Micronésia Nova Zelândia Nova Zelândia Zona litorânea da Califórnia Ilhas do Caribe Andes tropical Japão Filipinas Cerrado Florestas chilenas Mata Atlântica Bacia do Mediterrâneo Montanhas do sudoeste da China Montanhas da Ásia CentralCáucaso HimalaiaAnatólia e Irã Litoral oeste da Índia e Sri Lanka Nova Caledônia Ilhas da Melanésia Ocidental Sudoeste da Austrália Madagáscar e ilhas do oceano Índico Chifre da África Florestas costeiras da África Oriental Planaltos do México Florestas da América Central e do México Galápagos e litoral de Equador e Colômbia Região da Cidade do Cabo Florestas da África Ocidental Malásia e Indonésia Ocidental Indonésia Central Sudeste Asiático Litoral da Namíbia e África do Sul Sudeste sul-africano Montanhas da África Oriental AS REGIÕES RICAS EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA MAIS AMEAÇADAS DO PLANETA (2013) Fonte: The Times Concise Atlas of the World Gelo e neve Tundra Taiga Florestas Temperadas Florestas Tropicais Equador Latitude Polo Alta A lt it u d e Baixa A VARIAÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS DE ACORDO COM A LATITUDE E A ALTITUDE A RELAÇÃO ENTRE CLIMA E VEGETAÇÃO Para estudar os principais tipos de vege- tação, é importante conhecer sua relação com os demais elementos naturais, como o clima. A variação da temperatura e da umidade é um dos fatores que mais in- fluenciam as formações vegetais. À medida que diminui tanto a tempe- ratura como a umidade, menos exube- rante se torna a vegetação e com me- nor número de espécies, ou seja, menor biodiversidade. A região intertropical, mais próxima à linha do Equador, reú- ne o chamado “ótimo climático”: altas temperaturas, pluviosidade elevada e luz intensa, propiciando o desenvolvimento das florestas tropicais pluviais, além de milhares de espécies vegetais. É o caso da Amazônia, que abriga a mais rica bio- diversidade do planeta. Conforme avançamos para altas latitu- des e nos aproximamos dos polos, onde há escassez de luz e baixas temperaturas, a variedade de plantas diminui progressiva- mente (veja na figura). A tundra, presente no extremo norte da Rússia e do Canadá, é formada por musgos e algumas espécies herbáceas, que surgem nos poucos meses em que a neve derrete. Mas a ausência de umidade, mesmo em regiões quentes como a zona intertropical, leva à formação de desertos, onde poucas espécies se adaptam. Isso também ocorre em regiões com disponibilidade de água, porém com temperaturas muito baixas a ponto de congelá-la (regiões polares), formando os desertos frios. [1] GERRY ELLIS/MINDEN PICTURES/BIOSPHOTO [2] DAVOR LOVINCIC/GETTY IMAGES 5 106 GE GEOGRAFIA2016 BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS Patrimônio em perigo O Brasil é a nação com a maior biodiversidade do planeta, mas seus seis grandes biomas estão sob uma ameaça persistente O Brasil é, de longe, o campeão mundial de biodiversidade: para se ter uma ideia, de cada cinco espécies de animais e vegetais conhecidas do planeta, uma encontra-se aqui. O país apresenta, ainda, a maior diversidade de primatas, anfíbios e insetos. Em boa parte, toda essa riqueza deve-se à extensão de seu território e aos diversos climas que caracterizam seus biomas. Está no território nacional a maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica), com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como a maior planície inundável (o Pantanal), além do cerrado, da caatinga e da Mata Atlântica. Entretanto, como no resto do mundo, sobretu- do nas últimas décadas, o Brasil assistiu, quase impassível, à deterioração de seus ambientes naturais, em virtude de males contemporâneos como a urbanização descontrolada, a explo- ração mineral, o desmatamento a serviço da agropecuária e a poluição. A seguir, conheça toda a exuberância dos seis grandes biomas brasileiros, conforme definição do IBGE, e as ameaças a esse riquíssimo manancial de vida. 1 CAATINGA � O BIOMA A caatinga limita-se apenas ao território brasileiro, o que significa que sua biodiversidade é única em todo o mundo. Seus 826,4 mil quilômetros quadrados representam cerca de 10% do território brasileiro. Apesar do clima semiárido, a caatinga é pontilhada por “ilhas de umidade”, de solo extremamente fértil. Vivem nesse bioma cerca de 1,2 mil espécies de planta – 360 delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta) – e outras tantas de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, as plantas da caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas armazenam água; outras possuem raízes superficiais para captar o máximo das chuvas. Há as que contam com recursos para diminuir a transpiração, como espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; e o herbáceo, abaixo de 2 metros. � A AMEAÇA Os maiores problemas enfrentados pela região são a salinização do solo e a desertificação de grandes áreas, o que acarreta em um processo de redução da vegetação e da capacidade produtiva do solo. Estima-se que, no decorrer dos últimos 15 anos do século passado, 40 mil quilômetros quadrados de caatinga tenham se transformado em deserto. Alguns dos responsáveis por isso são a exploração da vegetação para a produção de lenha e carvão, a contaminação do solo por agrotóxicos e o emprego de técnicas de irrigação inadequadas para o tipo de solo existente ali. Acredita-se que cerca de 50% do bioma já tenha sofrido algum tipo de deterioração e que 20% estejam completamente degradados. BIOMAS BRASILEIROS Fonte: Ibama 2012 AMAZÔNIA PANTANAL PAMPA MATA ATLÂNTICA CAATINGA CERRADO RASO DA CATARINA A região do norte baiano é rica em cactus, vegetação típica da caatinga DESMATAMENTO Área desmatada 53% Área ocupada por corpos d'água 1% Área de vegetação remanescente 46% Caatinga (826.411 km2 – 2009) 1 2 3 6 4 5 [1] 107GE GEOGRAFIA 2016 2 CERRADO � O BIOMA O segundo maior bioma brasileiro ocupa uma área de 2 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 24% do território brasileiro), coberta pela mais rica flora de savana tropical do mundo. São mais de 11 mil espécies vegetais – 44% delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). A fauna também é riquíssima, com centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, caracteriza-se pela presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa. Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, tipo mais denso de cerrado que abriga formações típicas de florestas esparsas e disseminadas entre arbustos. � A AMEAÇA O cerrado é uma das regiões mais ameaçadas do globo. Ele é considerado pelos ambientalistas um dos 34 biomas do planeta que exigem atenção especial de preservação, os hotspots (veja mais na pág. 105). De fato, com a Mata Atlântica, é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Sessenta por cento de sua área total é destinada à pecuária, e 6%, à monocultura intensiva de grãos – entre eles, a onipresente soja. A agropecuária fez aumentar a deterioração de uma terra já ferida com o garimpo, a contaminação dos rios por mercúrio, a erosão do solo e o assoreamento dos cursos de água. O cerrado já perdeu quase a metade da vegetação e, se nada for feito para reverter a situação, o bioma pode desaparecer até 2030. Alguns especialistas apontam que o cerrado já está em um ciclo irreversível de extinção e que sua cobertura original não pode mais ser recuperada. 3 MATA ATLÂNTICA � O BIOMA Com clima tropical, quente e úmido, a Mata Atlântica apresenta um relevo de planaltos e serras. Quanto à vegetação, entre as florestas tropicais, a Mata Atlântica é a que apresenta a maior biodiversidade por hectare do planeta, com espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras. A vegetação remanescente guarda ainda cerca de 20 mil espécies de planta – 8 mil, endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). De exuberante biodiversidade, apresenta, em alguns locais, mais de 450 espécies de árvore num único hectare. A região reúne, ainda, centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. � A AMEAÇA Como o cerrado, a Mata Atlântica também é considerada um hotspot, uma das 34 áreas do planeta que exigem ação preservacionista mais urgente. Sua cobertura vegetal ocupava, originalmente, mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 13% do território nacional. No entanto, restam apenas cerca de 22% do volume original. Ele foi o bioma que mais sofreu com a urbanização do país – hoje, as cidades da região concentram cerca de 60% da população brasileira. Ecossistema associado à Mata Atlântica, a Mata de Araucárias, localizada, sobretudo, na Região Sul, é o ambiente que sofreu o maior grau de devastação em termos percentuais no país – restam apenas cerca de 2% dos quase 100 mil quilômetros quadrados originais. A derrubada indiscriminada para a expansão das áreas de cultivo e para a produção de papel, celulose e móveis está por trás desse trágico cenário. CONTORCIONISMO As árvores retorcidas do cerrado PARAÍSO AMEAÇADO A Mata Atlântica contorna a Praia do Félix, em Ubatuba (SP) DESMATAMENTO Área ocupada por corpos d'água 1% Área desmatada 48% Área de vegetação remanescente 51% Cerrado (2.039.386 km2 –2010) Área ocupada por corpos d'água 2% Área desmatada 76% Área de vegetação remanescente 22% Mata Atlântica (1.103.961 km2 – 2009) [1] CLAUDIO LARANGEIRA [2] GLADSTONE CAMPOS [3] RENATO PIZZUTTO [2] [3] 5 108 GE GEOGRAFIA 2016 5 PAMPA (CAMPOS SULINOS) � O BIOMA Esse bioma cobre 177,8 mil quilômetros quadrados, equivalentes a cerca de 2% do território brasileiro. Os pampas são vastas extensões de campos limpos, de solo coberto por gramíneas e pontilhado de pequenos arbustos, onde proliferam milhares de espécies de plantas, mamíferos e aves. São campos típicos do Rio Grande do Sul. A região plana, de vegetação aberta e de pequeno porte, forma um tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura, com pouca variedade de espécies. Sete tipos de cactus e de bromélia são endêmicos dos pampas. � A AMEAÇA A ocupação humana acelerada e o emprego de técnicas não sustentáveis de cultivo e criação resultaram na formação de areais em algumas áreas. Os pampas sofrem, ainda, com a caça predatória e o bombeamento de água dos banhados – ecossistemas alagados, com densa vegetação de juncos e aguapés. 4 AMAZÔNIA � O BIOMA Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados (equivalentes acerca de 49% do território nacional), o bioma Amazônia é o maior do país. A paisagem é dominada pela Floresta Amazônica e pela maior bacia hidrográfica do mundo. Essa floresta tem vegetação de folhas largas (latifoliadas), comuns em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Ele apresenta três tipos de mata: de igapó (parte do solo inundado); de várzea (periodicamente inundadas); e de terra firme (nas partes mais elevadas do relevo, livres de inundação). Mas, longe de ser uma área homogênea de floresta tropical, o bioma também abarca áreas de campos abertos e manchas de cerrado. As espécies que habitam a região – desde plantas até aves e mamíferos – representam cerca de 20% do total de espécies conhecidas do planeta. � A AMEAÇA Todos os anos, a região perde milhares de quilômetros quadrados de vegetação, pelo corte de árvores e pelas queimadas. A floresta tem sido derrubada para a exploração de madeira, a agropecuária, a mineração, além de outras atividades econômicas. O agronegócio responde por uma parcela significativa do desmatamento generalizado: nada menos do que cerca de 40% da produção de carne e soja do país se concentra na Amazônia Legal. Nesse avanço, é visível uma mancha de mata derrubada, conhecida como Arco do Desflorestamento, que representa cerca de 12% da cobertura original da Amazônia (veja o mapa abaixo). Ainda assim, a área desmatada a cada ano na Amazônia legal mantém a tendência de queda entre 2005 e 2014. Após ter em 2013 um aumento de desmate de 28%, em 2014 o total desmatado foi de 4.848 km2, menos 17% que no período anterior. PARA IR ALÉM O site do Instituto Imazon apresenta informações referentes a políticas públicas e ações não governamentais na Amazônia. Disponibiliza também vídeos e mapas sobre a região: www.imazon.com.br Maranhão Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Tocantins Amapá Mato Grosso Desmatamento até 2012 Formação não florestal Floresta ZONAS DA AMAZÔNIA LEGAL DE ACORDO COM A COBERTURA VEGETAL Fonte: Imazon EXUBERÂNCIA A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, com 30 mil espécies de plantas CAMPO LIMPO Os pampas são típicos do Rio Grande do Sul DESMATAMENTO BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS Área ocupada por corpos d'água 4% Área desmatada 12% Amazônia (4.196.943 km2 – 2007) Área de vegetação remanescente 84% Área ocupada por corpos d'água 10% Área desmatada 54% Área de vegetação remanescente 36% Pampa (177.767 km2 – 2009) [1] [2] 109GE GEOGRAFIA 2016 6 PANTANAL � O BIOMA Situado na bacia do rio Paraguai, o Pantanal cobre cerca de 1,8% do território nacional, com 151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma brasileiro é a maior área alagada de água doce do mundo. Mais de 80% da região permanece intocada, onde proliferam milhares de espécies conhecidas de plantas, aves, mamíferos, répteis e anfíbios. É considerada uma área de transição entre a Amazônia e o cerrado, ao norte, e o chaco, na bacia do rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas. Quanto à vegetação, podem ser identificadas três áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais alagamentos, encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras, como o buriti. Nas que não sofrem inundação, predominam os cerrados e espécies arbóreas da floresta tropical. � A AMEAÇA As transformações no Pantanal são lentas, mas implacáveis. A degradação agravou-se nas últimas duas décadas, com o crescimento das cidades e a ocupação da cabeceira de importantes rios que cortam a região. A navegação nos rios Paraguai e Paraná põe em risco as frágeis matas ciliares. Mas a maior ameaça vem da agropecuária: as queimadas para renovação das pastagens, a contaminação das águas e do solo por pesticidas e a introdução de espécies exóticas de capim. O turismo desorganizado, bem como a caça e a pesca predatórias, completam o pacote. Apesar disso, ainda é o bioma mais preservado do Brasil. ZONAS LITORÂNEAS Ao lado dos seis grandes biomas, os ambientalis- tas destacam a zona costeira brasileira como uma região particular, que abriga centenas de ecossiste- mas extremamente ricos e delicados. São mais de 7 mil quilômetros de extensão de litoral, marcados por manguezais, dunas, falésias, praias, recifes e lagunas. O litoral brasileiro pode ser dividido em quatro zonas distintas: � Litoral amazônico, do rio Oiapoque ao delta do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e matas de várzea. � Litoral nordestino, do delta do Parnaíba ao Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias, restingas e manguezais. É o habitat de várias espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho, em risco de extinção. � Zona litorânea do Sudeste, do Recôncavo à divisa entre São Paulo e Paraná. Apesar de ser a região mais densamente povoada, é também a que pre- serva as maiores porções de Mata Atlântica. � Litoral sul, que abrange a costa de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por manguezais, costões e, a partir de Torres (RS), por uma faixa contínua de praia. A biodiversidade desses ecossistemas está em constante risco, diante da urbanização e suas con- sequências, como desmatamento de encostas e con- taminação das águas. A especulação imobiliária é a maior destruidora da vegetação nativa, que resulta no deslocamento de dunas e no desabamento de morros. O afluxo exagerado de turistas às cidades litorâneas sobrecarrega os precários sistemas de saneamento e polui os córregos e o mar. Os ecos- sistemas da zona costeira também são degradados pelos rios que vêm do interior do país e despejam no litoral resíduos agrícolas e efluentes industriais. Um dos ambientes mais ameaçados por tudo isso são os mangues. Esses ricos ecossistemas – com centenas de peixes, crustáceos e plantas – funcionam como filtros naturais: as raízes parcialmente submersas das árvores retêm sedimentos e impurezas, impe- dindo sua chegada ao mar. ECOSSISTEMA DE TRANSIÇÃO O Pantanal é a maior área alagada de água doce do mundo DESMATAMENTO Área desmatada 15% Área ocupada por corpos d'água 2% Área de vegetação remanescente 83% Pantanal (151.313 km2 – 2009) [1] IRMO CELSO [2] CLAUDIO LARANGEIRA [3] VALDEMIR CUNHA [3] 110 GE GEOGRAFIA 2016 5 BIOSFERA PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO Com a evolução da consciência ambiental ao longo das décadas, foram sendo criados mecanismos legais para proteger áreas de grande importância ecológica. Foi assim que surgiram os parques nacionais, esta- duais e municipais, as reservas eco- lógicas ou extrativistas e as áreas de proteção ambiental. Dentro desse âmbito, podem ser iden- tificadas duas correntes de pensamento: o preservacionismo, que coloca em pri- meiro plano a necessidade de proteção dos ecossistemas e dos habitats naturais e em segundo plano as populações huma- nas dessas áreas. Já o conservacionismo Os limites da exploração Mecanismos legais de proteção ambiental tentam regulamentar o uso da terra e proteger os ecossistemas brasileiros defende a necessidade de se proteger os ecossistemas naturais juntamente com as populações humanas, em especial os po- vos tradicionais que vivem nesses locais. A primeira área criada oficialmente para a proteção da flora e da fauna no mundo foi o Parque Nacional de Yellow- stone, nos Estados Unidos, no ano de 1872. Esse parque tinha como objetivo proteger legalmente a vida selvagem e preservar áreas de grande beleza cê- nica, sem a presença de populações humanas. Tratava-se, portanto, de uma visão preservacionista. Esse enfoque também foi adotado em outros países, incluindo o Brasil, onde foi criado o Parque Nacional de Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, na década de 1930. Diversas outras ações semelhan- tes surgiram no país sob essamesma perspectiva, mas, ao longo do século XX, a visão conservacionista passou a influenciar a criação de Unidades de Conservação (UCs), ou seja, as popula- ções locais passaram a ser consideradas corresponsáveis pela conservação das áreas protegidas. Atualmente o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) – criado pela lei federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e gerenciado pelo Ministério do Meio Ambiente – classifica as áreas protegidas em dois grupos: � Unidades de Proteção Integral – permite apenas o uso indireto dos re- cursos naturais, por meio de pesquisa científica, atividades educacionais e turismo ecológico. O objetivo prin- cipal é a preservação da natureza. � Unidades de Uso Sustentável – pre- vê a exploração parcial dos recursos naturais, de acordo com legislação específica para cada área protegi- da. O objetivo é tornar compatível a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais. Até outubro de 2014, o Brasil soma 1.930 unidades de conservação conti- nentais, sendo 581 Unidades de Prote- ção Integral e 1.349 de Uso Sustentável. No total, as áreas protegidas no Brasil somam 1.550 quilômetros quadrados – o que representa 18% do território na- cional. Há uma forte concentração de áreas protegidas na Amazônia (cerca de 26% do bioma é designado unidade de conservação). Isso não significa, que não ocorram transgressões, já que há desmatamentos ilegais, poluição das águas e desrespeito aos direitos dos po- vos tradicionais (indígenas, ribeirinhos, seringueiros). A Mata Atlântica e o cerra- do, os dois biomas brasileiros na lista de hotspots mundiais (veja mais na pág. 105), possuem bem menos áreas protegidas do que a Amazônia (veja gráfico abaixo). Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica Pampa Pantanal Total em terra Total no mar Fonte: Ministério do Meio Ambiente UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (2014) Proporção em área do bioma em unidades de conservação federais, estaduais e municipais, até fevereiro no ano Preservado Não preservado 26,1% 7,5% 8,3% 9,3% 2,7% 4,6% 16,9% 1,5% 73,9% 92,5% 91,7% 90,7% 97,3% 95,4% 83,1% 98,5% RESERVA NATURAL O Parque Nacional de Itatiaia foi criado para preservar sua fauna e flora originais [1] 111GE GEOGRAFIA 2016 1 . ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) São áreas, cobertas ou não por vegetação nativa, que devem ser protegidas. Essas áreas têm a função ambiental de preservar recursos hídricos, paisagens, estabilidade geológica, biodiversidade, além de proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas que vivem no local. As APPs representam cerca de 20% do território nacional. PRINCIPAIS PONTOS de interesse social ou baixo impacto, somente em áreas rurais consolidadas – trata-se dos imóveis estabelecidos antes da promulgação da Lei de Crimes Ambientais, em julho de 2008. realizados pelas áreas rurais consolidadas serão convertidas em serviços de preservação e melhoria do meio ambiente. APP Topos de morro São consideradas APPs os morros com altura mínima de 100 metros e inclinação média de 25º. APP Encostas São consideradas APPs as encostas com declive acima de 45º. Aquelas com declividade inferior a 45º agora podem ser exploradas sem restrições. APP Nascentes Um raio mínimo de 50 metros deve ser preservado nas áreas não desmatadas. Nas áreas rurais consolidadas, a proteção passou a ser de 15 metros no mínimo. APP Manguezais São consideradas APPs em toda a sua extensão. A nova lei prevê a criação de camarão e salinas em áreas de apicuns e salgados. A ÁREA DE PRESERVAÇÃO VARIA CONFORME O BIOMA 2 . RESERVA LEGAL Área localizada no interior de propriedade rural necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. É proibido desmatar a área de reserva legal, mas é permitida a exploração econômica com manejo sustentável. PRINCIPAIS PONTOS como reserva legal varia conforme o bioma (veja ao lado). Em alguns casos, é permitido incluir as APPs neste percentual. AMAZÔNIA 80% CERRADO (na Amazônia Legal) 35% CERRADO (fora da Amazônia Legal) 20% OUTROS 20% [2] APP Mata ciliar É a formação vegetal presente nas margens de rios, córregos, lagos, represas e nascentes. Sua preservação é importante para evitar o assoreamento dos rios, proteger as nascentes e conservar a biodiversidade. Nas áreas ainda não desmatadas, prevalece o estabelecido na lei anterior: a faixa de mata ciliar protegida varia de 30 a 500 metros, conforme a largura do curso d’água. Mas o novo Código é menos rigoroso com as áreas rurais consolidadas. De modo geral, nessas áreas, a faixa de mata ciliar a ser preservada varia de 5 a 100 metros, conforme o tamanho do imóvel e independentemente da largura do rio. A 80% a Legal) 35% zônia Legal) 20% 20% g ) g ) O Código Florestal brasileiro foi cria-do em 1934 para regulamentar a exploração dos recursos naturais como a madeira, a borracha e a água. Em 2012, essas regras foram modificadas a fim de equilibrar desenvolvimento eco- nômico e preservação ambiental. Mas as negociações para a aprovação do novo Có- digo Florestal opuseram os interesses dos grandes proprietários, que defendiam a flexibilização da lei para a expansão agro- pecuária, e dos ambientalistas, favoráveis a regras mais rígidas para o desmate. Sob nova legislação O Código Florestal brasileiro regulamenta o uso da terra para tentar equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental Os principais pontos da lei aprovada dizem respeito às regiões em que é per- mitido o desmate e às zonas que devem ser protegidas em uma propriedade par- ticular. Ela regulamenta o uso da terra nas áreas de preservação permanente (APPs), como topos de morro, encostas e nascentes, e nas reservas legais (veja as definições abaixo). A redução das áreas protegidas e a isenção de multa a quem desmatou até 2008 são os temas mais controversos. Veja, a seguir, os prin- cipais aspectos da nova lei ambiental. O NOVO CÓDIGO FLORESTAL [1] LEO FELTRAN [2] FARREL/AE 112 GE GEOGRAFIA 2016 5 BIOSFERA CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS Devido à pressão crescente da comunidade científica, além de ONGs, movimentos sociais e ou- tros setores da sociedade civil, as ques- tões ambientais passaram a integrar a agenda política internacional. Desde o primeiro evento com a presença de chefes de Estado para tratar da temática ambiental, ocorrido em Estocolmo, em 1972, até a Rio+20, em 2012, houve al- guns avanços no combate à degradação ambiental, como a aprovação de docu- mentos, adoção de princípios comuns e assinatura de convenções em defesa do meio ambiente. Avançou-se também na perspectiva adotada: a maioria dos governantes concorda atualmente que a questão am- Ambientalismo em pauta Eventos internacionais reúnem lideranças políticas e científicas para debater as questões ambientais. Mas a lentidão na implementação das medidas trava os avanços biental não está desvinculada das ques- tões sociais, ou seja, não basta cuidar do meio ambiente, é preciso atender às necessidades das populações humanas, sobretudo dos mais pobres. Critica-se, porém, a lentidão na implantação de medidas que de fato contribuam para essas transformações, condicionadas às relações econômicas. Como muitas das ações de preservação ambiental dependem de alterações nos padrões de produção e consumo, os governantes temem os impactos econômicos que tais medidas possam acarretar. Os principais eventos ambientais O primeiro evento com a presença de chefes de Estado para tratar da te- 113GE GEOGRAFIA 2016 VOCÊ SABIA? DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A pressão sobre a biodiversidade do pla- neta advém principalmente de um padrão de desenvolvimento econômico baseado na superexploração dos recursos naturais. Para tentar impor limites ao uso predatório do meio ambiente, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organi- zação dasNações Unidas (ONU) apresentou, em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum, que define o importante conceito norteador de desenvolvimento sustentável, aquele que “atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”. A ideia de sustentabilidade diz respeito à noção de que a sociedade deve viver com os recursos naturais que o meio ambiente pode lhe fornecer, e não com o que ela deseja que a Terra lhe forneça. O desafio é aliar o progresso econômico à preservação do meio ambiente, o que exige uma mudança no mo- delo de desenvolvimento e nos padrões de consumo vigentes. mática ambiental foi a Conferência Mundial de Estocolmo, ocorrido em 1972 na capital da Suécia. Promovida pela ONU, o encontro abordou pela pri- meira vez a produção dos países ricos como causa importante da degradação da natureza. Foram debatidas também questões referentes ao controle de na- talidade e a estagnação econômica. A Declaração de Estocolmo reuniu 26 princípios e ações voltadas para a redução dos impactos ambientais. A Eco 92, também representou ou- tro marco importante. A conferência mundial sobre meio ambiente reali- zada no Rio de Janeiro, em 1992, foi realizada com o objetivo de minimizar os impactos ambientais a partir de um OBAMA ASSINA DECRETO PARA REDUZIR 40% DAS EMISSÕES DOS EUA ATÉ 2025 O presidente dos Estados Unidos, Barack Oba- ma, assinou nesta quinta-feira (19) um decreto que fixa como meta reduzir em 40% as emissões de gases causadores do efeito estufa pelas agências federais dos Estados Unidos até 2025. O decreto, que também prevê o investimen- to em energia limpa, foi assinado após acordo de cooperação com a China, acertado no ano passado. Juntos, os dois maiores poluido- res mundiais se comprometeram a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa na atmosfera. (...) Em 10 anos, a eletricidade procedente de fontes renováveis utilizada pelo governo – que dispõe de uma frota de 650 mil veículos assim como 360 mil edifícios em todo o país – deverá alcançar 30%. (...) G1, 19/03/2015 SAIU NA IMPRENSA modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável (veja mais sobre o conceito de sustentabilidade ao lado). O encon- tro aprovou o documento Convenção sobre a Mudança do Clima, que trata do aquecimento global, e a Convenção sobre a Diversidade Biológica, sobre a preservação de ecossistemas. Além disso, elaborou a Agenda 21, um plano que estabelece estratégias globais para promover o desenvolvimento sustentá- vel no mundo, que envolve mudanças de padrão de consumo e produção, principalmente pelos países mais ricos. A partir da Eco 92, estabeleceu-se a realização de encontros anuais, deno- minados Conferência Geral das Partes (cuja sigla é COP), para aprofundar as discussões ambientais. Na terceira COP, realizada em Kyoto, no Japão, foi assinado o Protocolo de Kyoto, o primeiro acordo oficial com metas e prazos para a redução de gases do efeito estufa (veja mais na pág. 90). Dez anos depois após a realização da Eco 92, a cidade de Johannesburgo na África do Sul sediou a Rio+10 para discutir os avanços obtidos desde o encontro no Rio de Janeiro. Ao final do evento foi elaborado um plano para a implementação da Agenda 21, que, entretanto, frustrou expectativas por ter sido apenas um documento de diretrizes e soluções, que não tinha força de lei. Em 2012, o Rio de Janeiro voltou a reunir lideranças mundiais de todo o mundo para fazer um balanço da Eco 92. A Rio+20 desenvolveu o conceito de “economia verde”, que propõe a construção de uma sociedade susten- tável, que freie a degradação do meio ambiente e, simultaneamente, com- bata a pobreza e as desigualdades. O documento “O futuro que queremos” mantém o princípio das “responsabi- lidades comuns, mas diferenciadas”, cuja diretriz determina que os países ricos devem arcar com os maiores cus- tos ambientais por terem emitido mais poluentes para se desenvolverem. Essa discussão domina o debate ambiental atualmente e espera-se que as COPs consigam avançar em um consenso sobre metas e diretrizes sobre o tema. NAU SEM RUMO Ativistas ambientais satirizam líderes mundiais como o presidente dos EUA, Barack Obama (à esq.), em conferência do clima, no Peru, em 2014 ENRIQUE CASTRO-MENDIVIL/REUTERS 114 GE GEOGRAFIA 2016 COMO CAI NA PROVA5 1. (PUC-Rio 2014) Com tantas regiões na Terra sofrendo a ação devastadora do homem, é fundamental a definição de prioridades de proteção ambiental. Algumas dessas regiões passaram a ser chamadas de hotspots (zonas de perigo) pelo ecologista inglês Normam Myers, em 1988, conceito reelaborado no início do século XXI, por ONG conservacionista. Sobre os hotspots do continente americano, é correto afirmar que: a) a província florística da Califórnia é duramente afetada pelo vulcanismo, tectônica de placas e tsunamis. b) a biodiversidade das ilhas do Caribe está sendo eliminada pelos constantes terremotos e poluição das águas oceânicas. c) a Mata Atlântica vem sendo reduzida gradualmente pelos altos índices de chuva ácida que se precipitam de Norte ao Sul do Brasil. d) o cerrado brasileiro está sendo devastado pelo agronegócio, o uso de pesticidas e pela logística de transporte para a exportação de grãos. e) os Andes tropicais estão assolados pela enorme mancha urbana das megalópoles sul-americanas, erradicando espécies raras e únicas. RESOLUÇÃO A alternativa certa é a D. O cerrado reúne os dois critérios para ser classificado como um hotspot: apresenta expressiva biodiversidade e encontra-se muito ameaçado pelas atividades humanas. Cerca de 50% de sua área original foi devastada devido, principalmente, à expansão do agronegócio e à exploração de madeira para a produção de carvão, que abastece importantes indústrias siderúrgicas do país. O impacto de fenômenos naturais como terremotos e tsunamis não justifica a classificação da província florística da Califórnia e da biodiversidade do Caribe como um hotspot (alternativas A e B). Na alternativa C, ainda que a chuva ácida possa impactar a vegetação da Mata Atlântica, esse problema ambiental decorrente da poluição atmosférica se res- tringe às áreas do entorno de regiões metropolitanas e polos industriais, como o de Cubatão, em São Paulo. Na alternativa E, é infundada a afirmação sobre a presença de manchas urbanas nos Andes tropicais. Resposta: D � SAIBA MAIS A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) acompanha o monitoramento feito por cientistas espalhados no mundo de 73,7 mil espécies do total de 1,7 milhão descrito pela ciência, ou seja, 4% do total conhecido. Desse total, sabe-se que estão sob ameaça mais de 22 mil. Veja a lista mais recente com o número de espécies ameaçadas. ESPÉCIES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO – 2014 Quantidade atualizada de espécies conhecidas e de ameaçadas de extinção no mundo Espécies conhecidas Ameaçadas de extinção Vertebrados 65.590 7.537 Mamíferos 5.514 1.194 Aves 10.065 1.308 Répteis 9.952 902 Anfíbios 7.259 1.961 Peixes 32.800 2.172 Invertebrados 1.305.250 4.070 Vegetais 307.674 10.487 Fungos e protistas 51.623 9 Total 1.730.137 22.103 Fonte: União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) 2. (UPF 2014) Estabeleça a relação entre os tipos de vegetação que aparecem nas figuras com as características apresentadas e assinale a opção correta. a) A figura I representa a caatinga, vegetação própria de ambientes de tempera- turas elevadas e chuvas escassas, que predomina na Zona da Mata Nordestina e é um dos tipos mais preservados no Brasil. b) A figura II representa os campos, os quais são formados por vegetação rasteira ou herbácea. Esses, comuns no Rio Grande do Sul, em clima do tipo tropical e terrenos elevados, são aproveitados para criação de gado e desenvolvimento da rizicultura. c) A figura II representa o cerrado, o qual é formado por restingas e manguezais. Composto porvegetação arbustiva, desenvolve-se em áreas de clima tropical e subtropical, e hoje está ameaçado pelo avanço da urbanização. d) A figura III representa a Mata Atlântica, a qual aparece ao longo do litoral brasileiro e é formada por uma vegetação densa, de grande porte e também arbustiva. Essa Mata foi drasticamente reduzida pela exploração econômica e pela expansão urbana. e) A figura IV representa a Mata dos Pinhais, a qual é nativa do Brasil, própria de clima seco e desenvolve-se nas áreas baixas e arenosas da região Sul. Valorizada pela indústria madeireira é, por isso, um dos tipos mais preservados do Brasil. RESOLUÇÃO A alternativa correta é a D. A Mata Atlântica, representada na figura III, é uma floresta com elevada biodiversidade, densa, latifoliada (folhas grandes), perenifólia (não perde as folhas em nenhuma estação) e higrófila (adaptada à presença de água graças ao clima tropical úmido). A elevada densidade demográfica, resultante da 115GE GEOGRAFIA 2016 RESUMO Biosfera BIODIVERSIDADE É a variabilidade de organismos vivos de todas as origens existentes (animais, vegetais e microrganismos) nos ecossistemas terrestres e aquáticos. A biodiversidade for- nece a matéria-prima para produtos essenciais à sobrevivência humana, incluindo madeira, alimentos e medicamentos. Ações humanas como desmatamentos, ocupação desordenada e poluição de solos e rios são a grande ameaça à diversidade biológica e provocam extinção de espécies. SUSTENTABILIDADE O conceito de desenvolvimento sus- tentável propõe utilizar os recursos naturais de forma que a natureza os consiga repor, para garantir as necessidades das gerações futuras. Essa ideia tem como objetivo conciliar o desenvolvimento econômico com o respeito ao meio ambiente. ECOSSISTEMAS São áreas de qualquer dimensão onde há uma relação de interdependência entre os seres vivos (plan- tas, animais e decompositores) e os fatores físicos do meio ambiente, como o solo e a água. VEGETAÇÃO NO MUNDO São nove os principais tipos de vege- tação: deserto, estepe (campos, pampas, pradaria), floresta de coníferas, floresta temperada, floresta tropical, savana/cerrado, tundra, vegetação de montanha e vegetação mediterrânea. As regiões de baixa latitude, onde há maior incidência de chuva e luz solar, propiciam maior diversidade vegetal. Conforme a latitude vai aumentando, a variedade de plantas diminui progressivamente. BIOMAS BRASILEIROS Biomas são comunidades formadas por organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região. Os seis grandes biomas brasileiros são: a Amazônia (o maior do país), a caatinga (exclusivamente brasileiro), o cerrado (um dos mais ameaçados do mundo), a Mata Atlântica (possui apenas 22% de vegetação remanescente), o pampa (também modificado, é usado como pastagem) e o Pantanal (o mais bem preservado). DESMATAMENTO A extração da madeira, a agropecuária, o avanço das cidades e a exploração mineral são as principais ações que exercem pressão sobre as florestas. Mais de 75% da cobertura vegetal original do mundo já foi desmatada. No Brasil, a Amazônia já perdeu 12% da sua cobertura original; a Mata Atlântica e o cerrado estão entre os biomas mais amea- çados do planeta. CÓDIGO FLORESTAL Sancionado em outubro de 2012, o novo Código Florestal pretende regulamentar o uso da terra. Ambientalistas criticam a ampliação da área permitida para o desmatamento, o que era uma exigência dos produtores rurais. A isenção de multa a quem desmatou até 2008 é outro tema controverso. ocupação econômica da faixa litorânea do Nordeste e das regiões Sudeste e Sul desde o Período Colonial, e atualmente com as maiores concentrações urbanas do país, provocou a devastação de quase 80% da vegetação nativa. A exploração econômica iniciou-se com a extração do pau-brasil, seguida pelo ciclo da cana- -de-açúcar, do café, da urbanização e industrialização. A alternativa A indica corretamente a caatinga na figura I, porém essa vegetação ocorre no sertão, e não na Zona da Mata nordestina. A figura II, mencionada nas alternativas B e C, mostra uma fotografia do cerrado, com vegetação arbustiva e arbórea, e não dos campos, onde predomina a vegetação herbácea. No bioma cerrado, não se encontram restingas e manguezais. Essas são formações vegetais da Mata Atlântica. Na alternativa E, informa-se corretamente que a figura IV mostra a Mata dos Pinhais (Araucária), um tipo de vegetação também associado à Mata Atlântica. Porém essa vegetação é encontrada em relevo de planaltos basálticos (e não terras baixas arenosas) e houve forte desmatamento provocado pela exploração madeireira e agropecuária da região. Resposta: D 3. (PUC Rio 2014) Pegada ecológica? O que é isso? Você já parou para pensar que a forma como vivemos deixa marcas no meio ambiente? É isso mesmo, nossa caminhada pela Terra deixa “rastros”, “pegadas”, que podem ser maiores ou menores, dependendo de como caminhamos. (...) Disponível em: <www.wwf.org.br>. Acesso em: 28 jul. 2013. a) Explique como se mede a "Pegada Ecológica" de determinada sociedade. b) Explique a importância geopolítica do Brasil no mundo a partir dos níveis de biocapacidade dos países apresentados no gráfico. RESOLUÇÃO a) A pegada ecológica é calculada com base na área (em hectares, sendo que 1 hectare equivale a 10 mil m2) necessária para uma determinada população manter seu modo de vida e consumo, considerando a necessidade de se obter água, alimentos, energia e todo tipo de recurso natural. Países com elevado consumo, como os Estados Unidos, apresentam acentuada pegada ecológica, enquanto países com populações de menor capacidade de consumo (menos desenvolvidos), têm uma pegada ecológica menor, mesmo que sejam mais populosos. b) O Brasil apresenta uma pegada ecológica próxima da média mundial (cerca de 3 hectares por pessoa) sendo menor que a da Rússia, mas superior à da China e da Índia. Sua biocapacidade, porém, é a maior dentre os países selecionados e do que a média mundial em função da diversidade de seus ecossistemas e da grande concentração de biomassa (recursos vegetais), água e solos disponíveis para a produção agrícola. 116 GE GEOGRAFIA 2017 A TERRA É AZUL (E AMARELA) Imagem de satélite mostra o planeta visto do espaço – os pontos luminosos são da cidade de Moscou, capital da Rússia A superfície do planeta é dividida em seis continentes, as grandes extensões de terra emersas limitadas pelas águas de mares e oceanos. Eles ocupam 150.377.393 quilômetros quadrados, dimensão que corresponde a 29,4% da superfície total do globo. Mas nem sempre foi assim. Há cerca de 400 milhões de anos, as terras do planeta estavam reunidas em um único continente, chamado de Pangeia – em grego, pan significa toda; e geia, terra. Esse imenso bloco começou a rachar no sentido leste-oeste por volta de 200 milhões de anos atrás e, aos poucos, seus terri- tórios foram se afastando uns dos outros, dando origem aos continentes como conhecemos hoje (veja mais na pág. 30). A atual configuração física do globo foi estabelecida há 65 milhões de anos, em decorrência desse processo de deslocamento da crosta. O movimento constituiu os seis continentes existentes: África, América, Antártica (ou Antártida), Ásia, Europa e Oceania. A América, por sua vez, é subdividida em três: América do Norte, América Central e Confira a seguir um abrangente retrato físico, econômico e social das seis grandes extensões de terra do planeta O mundo em resumo CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO � Mapa-múndi ............................118 � Perfil dos continentes ..........120 � África ..........................................121 � América .....................................122 � Antártica ...................................123 � Ásia .............................................124 � Europa e Oceania ...................125 � Brasil ..........................................126 � Perfil das regiões ....................128� Centro-Oeste e Nordeste ......129 � Norte e Sudeste .......................130 � Sul ...............................................131 DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A litosfera não é contínua, mas dividida em vários blocos, denominados placas tectônicas. Elas são separadas por grandes fendas vulcânicas em permanente atividade no fundo do mar. Através dessas fendas, o magma sobe à superfície. Isso expande o fundo do mar e movimenta, em várias direções, os blocos que formam a superfície (veja mais na pág. 30). A própria distribuição das superfícies continentais se dá de forma desigual, correspondendo a 40,4% da área do Hemisfério Norte e a apenas 14,4% da do Hemisfério Sul. As regiões polares também são distintas. No sul, há um continente – a Antártica – coberto por espessa camada de gelo; já no norte, existe uma grande depressão, coberta pelo Oceano Ártico. ATLAS 6 América do Sul. Vale ressaltar que o Ártico, região de mares e águas congeladas, não é um continente. Como você verá nas páginas seguintes, os continentes apresentam características físicas, sociais e econômicas bastante diferenciadas. 117GE GEOGRAFIA 2017 POPULAÇÃO A Ásia é o maior e mais populoso dos continentes, reunindo quase 60% dos habitantes do globo. É também o berço de algumas das mais antigas civilizações e religiões do mundo. As duas nações com a maior população estão no continente asiático: China (1,4 bilhão de pessoas) e Índia (1,3 bilhão). Em contrapartida, o crescimento demográfico na Europa está pra- ticamente estagnado. No período entre 2010 e 2015, a ONU estima que sua população tenha crescido apenas 0,1%. Com isso, a Europa acaba necessitando de mão de obra especializada de outras partes do planeta. A discussão em torno da imigração ilegal de trabalhadores sem qualificação se torna cada vez mais intensa e tem sido motivo de criação de diversas – e polêmicas – legislações restritivas. Já na América, os Estados Unidos (EUA), por sua força econômica, são o principal polo receptor de imigrantes. Atualmente, vivem no país 42 milhões de imigrantes, que representam 13,3% da população total. Os mexicanos formam o maior grupo, constituindo 12,1 milhões – só no ano passado, pelo menos 700 mil pessoas migraram do México para os EUA. ECONOMIA Do ponto de vista dos recursos naturais, a Ásia abriga as maiores jazidas conhecidas de petróleo, em particular no Oriente Médio e nos países de sua região central. A África, por sua vez, apresenta os problemas sociais mais agudos, especialmente na região ao sul do deserto do Saara (a África Subsa- ariana). Embora o continente reúna as maiores reservas de minérios e pedras preciosas do planeta, sua população vive em extrema mi- séria. Bolsões de pobreza também são encontrados na maior parte da Ásia e nas porções central e sul da América, que, com o México, formam a América Latina. A produção de riquezas concentra-se principalmente na América do Norte e na Europa: a soma do Produto Interno Bruto (PIB) dos países dessas regiões é superior a 50% do total do planeta. Nessas nações estão os indicadores sociais mais positivos do mundo, que garantem boas condições de vida a ampla parcela da população. Na Ásia, destacam-se China e Japão – segunda e terceira maiores economias mundiais, respectivamente. NASA CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO POLO SUL Mar de Weddell Mar de Davis Mar de Ross Mar de Amundsen Mar de Bellingshausen CÍRCULO POLAR ÁRTICO RÚSSIA GROENLÂNDIA Finlândia SuéciaIslândia Noruega ALASCA CANADÁ POLO NORTE POLO SUL POLO NORTE ILHAS FALKLAND (MALVINAS) PANAMÁ ARGENTINA COLÔMBIA EQUADOR PERU VENEZUELA BRASIL ANTÁRTICA BOLÍVIA CHILE URUGUAI PARAGUAI GUIANA FRANCESA SURINAME GUIANA PORTO RICO REP. DOMINICANA HAITIJAMAICA CUBA NICARÁGUA COSTA RICA HONDURAS BELIZE GUATEMALA EL SALVADOR MÉXICO BAHAMAS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA CANADÁ ALASCA (EUA)RÚSSIA ILHAS HAVAÍ (EUA) ILHAS SAMOA TONGA OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO EQUADOR I. Marquesas (FRA) I. Tahiti (FRA) P O L I N É S I A Áfr ica Am . L at. e Ca rib e Ás ia Am . d o N ort e Eu rop a Oc ea nia 1.186,2 634,4 357,8 4.393,3 738,4 39,3 Áfr ica Am . L at. e Ca rib e Ás ia Am . d o N ort e Eu rop a Oc ea nia 39,2 30,9 16,7 97,4 71,2 4,6 Áfr ica Am . d o N ort e Am . L at. e Ca rib e Ás ia Eu rop a Oc ea nia 40 80 82 48 74 71 Em milhões, 2015 POPULAÇÃO Habitantes/km², 2015 DENSIDADE Em %, 2015 POPULAÇÃO URBANA 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 500 1.500 1.000 2.000 2.500 3.000 3.500 4.000 4.500 5.000 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Fonte: Banco Mundial e ONU 118 GE GEOGRAFIA 2017 ATLAS MUNDO Í PORTUGAL ESPANHA ANDORRA MÔNACO VATICANO SAN MARINO LIECHTENSTEIN ITÁLIA TURQUIA GEÓRGIA SÍRIACHIPRE BULGÁRIA GRÉCIA MALTA ALBÂNIA MACEDÔNIA RÚSSIA REINO UNIDO IRLANDA DINAMARCA NORUEGA SUÉCIA FINLÂNDIA ESTÔNIA LETÔNIA LITUÂNIA BELARUS UCRÂNIA MOLDÁVIA ROMÊNIA ALEMANHA HOLANDA BÉLGICA FRANÇA SUÍÇA LUXEMBURGO ESLOVÁQUIA REP. TCHECA ÁUSTRIA HUNGRIA ESLOVÊNIA BÓSNIA– HERZEGOVINA SÉRVIA CROÁCIA POLÔNIA FEDERAÇÃO DOS ESTADOS DA MICRONÉSIA Ilh as V irgen s (RUN) (EUA) I. Anguilla (RUN) I. S. Martin (FRA e HOL) ANTÍGUA E BARBUDA I. Guadalupe (FRA) DOMINICA I. Martinica (FRA) SANTA LÚCIA BARBADOS GRANADA TRINIDAD E TOBAGO I. Margarita (VEN) I. Blanquilla (VEN) I. Orchilla (VEN) I. La Tortuga (VEN) I. Bonaire (HOL) I. Curaçao (HOL) Mar do Caribe I. Aruba (HOL) AMÉRICA DO SUL REP. DOMINICANA SÃO CRISTÓVÃO E NÉVIS I. Montserrat (RUN) SÃO VICENTE E GRANADINAS Porto Rico (EUA) MONTENEGRO I. GEÓRGIA DO SUL LÍBIA TUNÍSIA ARGÉLIA MARROCOS PORTUGAL ESPANHA ITÁLIA TURQUIA GEÓRGIA UZBEQUISTÃO IRÃ ARÁBIA SAUDITA EGITO OMÃ EMIRADOS ÁRABES UNIDOS CATAR BAREIN KUWAITJORDÂNIA IRAQUE SÍRIA LÍBANO ISRAEL CHIPRE BULGÁRIA GRÉCIA ARMÊNIA AZERBAIJÃO MADAGASCAR MAURÍCIO COMORES SEICHELES SOMÁLIA ETIÓPIA DJIBUTI ERITREIASUDÃO SUDÃO DO SUL REPÚBLICA CENTRO- AFRICANA UGANDA QUÊNIA BURUNDI TANZÂNIA ZÂMBIA MALAUÍ MOCAMBIQUE SUAZILÂNDIA LESOTO ÁFRICA DO SUL BOTSUANA ZIMBÁBUENAMÍBIA ANGOLA REP. DEM. DO CONGO RUANDA IÊMEN MALI NÍGER CHADE CAMARÕES NIGÉRIA CONGO GABÃO GUINÉ EQUATORIAL TO GO BE N IN BURKINA FASSO COSTA DO MARFIM GA N A LIBÉRIA SERRA LEOA GUINÉGUINÉ-BISSAU GÂMBIA SENEGAL CABO VERDE MAURITÂNIA Ilhas Canárias Saara Ocidental AÇORES (POR) ÍNDIA SRI LANKA MALDIVAS MIANMAR CHINA BUTÃO NEPALPAQUISTÃO BANGLADESH LAOS TAILÂNDIA CAMBOJA BRUNEI MALÁSIA CINGAPURA INDONÉSIA FILIPINASVIETNÃ TAIWAN (FORMOSA) TIMOR-LESTE PAPUA NOVA-GUINÉ AUSTRÁLIA NOVA CALEDÔNIA (FRA) NOVA ZELÂNDIA FIJI VANUATU SALOMÃO KIRIBATI NAURU ILHAS MARSHALL JAPÃO COREIA DO NORTE COREIA DO SUL MONGÓLIA QUIRGUISTÃO TADJIQUISTÃO AFEGANISTÃO TURCOMENISTÃO CAZAQUISTÃO RÚSSIA ISLÂNDIA REINO UNIDO IRLANDA DINAMARCA NORUEGA SUÉCIA FINLÂNDIA ESTÔNIA LETÔNIA LITUÂNIA BELARUS UCRÂNIA ROMÊNIA ALEMANHA FRANÇA ÁUSTRIA HUNGRIA GROENLÂNDIA (DIN) Projeção Robinson SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE POLÔNIA OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ANTÁRTICO OCEANO ÁRTICO OCEANO ÍNDICO Mar do Norte Mar Mediterrâneo Mar Negro CÍRCULO POLAR ÁRTICO M E L A N É S I A M I C R O N É S I A TUVALU N 119GE GEOGRAFIA 2017 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2014* (em % por continente) Europa 28,4 África 3,2 Ásia 33,2 América 33 Oceania 2,2 Europa 10,1 África 16,1 Oceania 0,5 Ásia 59,8 América 13,5 POPULAÇÃO – 2015* Distribuição, em % *Total de 7,349 bilhões em 2015 *Total mundial: 77,8 trilhões de dólares PIB PER CAPITA – 2014 (em dólares) 2.167 África 25.957 América 5.959 Ásia 28.960 Europa 44.177 Oceania ÁREA DISTRIBUÍDA (em %) Total mundial: 150.377.393 km2 Ásia 30,0 África 20,1 América 27,9 Europa 6,9 Oceania5,7 Antártica 9,3 América Ásia Oceania Europa África Antártica Fontes: Fundo de Populações das Nações Unidas e Banco Mundial 120 GE GEOGRAFIA 2017 ATLAS MUNDO Perfil dos continentes O que dizem os números COMPARANDO ÁSIA E AMÉRICA A Ásia é o maior continente do planeta em área, superando por apenas 2,1% a América. No entanto, a população asiática representa quase 60% de todos os habitantes do mundo, muito acima dos indicadores da América, que somam apenas 13,5%. Esse elevado povoamento diz muito a respeito do Produto Interno Bruto (PIB) asiático, que é responsável por um terço de toda a riqueza produzida no mundo. Mas perceba que, mesmo com uma população quatro vezes menor que a asiática, a América tem um PIB apenas 0,2% inferior. Essa distorção se traduz nos dados de PIB per capita, ou seja, o quanto cada habitante do continente recebe por ano. Enquanto, os asiáticos ganham apenas 5.959 dólares por ano em média, os trabalhadores da América recebem 25.957 dólares. 121GE GEOGRAFIA 2017 O berço da humanidade C ontinente que abriga as mais antigas evidências da presença do homem no planeta, a África foi seguidamente piç - lhada, dividida e ocupada pelas potências da Europa a partir do século XV. No decorrer desse período, milhões de africanos foram escravizados por essas nações, que mantiveram a exploração dos recursos naturais da região mesmo após o fim da escravidão. As lutas anticoloniais se de- senvolveram principalmente na segunda metade do século XX, resultando na independência das nações africanas. O processo, contudo, não sig- nificou calmaria na região. A pobreza e a miséria estimulam rivalidades étnicas e religiosas entre populações de países cujas fronteiras foram cria- das artificialmente pelas nações europeias no fim do século XIX, ou seja, sem levar em conta os territórios das etnias nativas. Esse legado histórico explica por que a África respondia em 2014 por apenas 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Nos países ao sul do deserto do Saara (a África Subsaariana), quase metade da população vive abaixo da linha de pobreza, com renda inferior a 1,25 dólar por dia. ÁFRICA SAIBA MAIS AS DUAS ÁFRICAS O continente africano abriga duas sub-regiões clara- mente delimitadas: a África Setentrional e a Subsaaria- na, também conhecidas, respectivamente, como África Branca e África Negra. O limite entre ambas é o deserto do Saara. Os países da África Setentrional têm caracte- rísticas semelhantes às das nações do Oriente Médio, sendo majoritariamente ocupados por povos árabes. Já a África Subsaariana, bem mais extensa, reúne a maioria da população, predominantemente negra. Essa região concentra alguns dos principais proble- mas econômicos e sociais do planeta. Quase metade da população sobrevive com menos de 1,25 dólar por dia e mais de 70% dos portadores do vírus da aids no mundo estão na África Subsaariana. Deserto do Saara DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A África tem cerca de 30,2 milhões de quilômetros quadrados de extensão e a maior porcentagem de terras desérticas do globo. O Deserto do Sa- ara ocupa um terço do território africano. Seu relevo se caracteriza pelo predomínio de imensos ta- buleiros – planaltos pouco elevados. A distribuição da vegetação obedece aos fatores climáticos: na porção equatorial, há flo- restas latifoliadas, que vão se transformando em sa- vanas à medida que avan- çam para as regiões mais secas, ao norte e ao sul. POPULAÇÃO O continente africano tem 1,2 bilhão de habitantes em 2015. O fértil vale do Rio Nilo, que corta paí- ses como Egito e Sudão, apresenta uma densidade demográfica bastante ele- vada. Entre os principais centros urbanos da África destacam-se Cairo (Egito), Lagos (Nigéria) e Johan- nesburgo (África do Sul). ECONOMIA A África é o continente mais pobre, com eco- nomia essencialmente agrícola. Os poucos po- los de desenvolvimento se devem à exploração mineral. Nessa atividade, destacam-se a África do Sul e a Nigéria, que, juntas, detêm mais de um terço de todo o PIB africano. 70% dos portadores do vírus da aids no mundo são da África Subsaariana, a porção do continente ao sul do deserto do Saara PESOS-PESADOS Manada de elefantes caminha na Tanzânia – ao fundo, o Monte Kilimanjaro, ponto mais alto da África 122 GE GEOGRAFIA 2017 ATLAS MUNDO AMÉRICA 68% do produto interno bruto das Américas é gerado nos Estados Unidos Três em um S egundo continente mais extenso, com área de 42 milhões de quilômetros qua-drados, a América é formada por duas grandes massas de terra (América do Norte e América do Sul), unidas por uma estreita faixa (América Central). Um sistema de cadeias mon- tanhosas percorre o território em sua porção oeste, sem interrupção, desde o Estreito de Magalhães, no extremo sul, até o Estreito de Bering, no extremo norte. Nenhum continente apresenta tamanho dese- quilíbrio regional quanto a América. Ao norte, os Estados Unidos (EUA) e o Canadá são duas das mais desenvolvidas nações do planeta, enquanto os outros países – que compõem a América Latina – estão num nível de desenvolvimento bem inferior. AMÉRICA DO NORTE A América do Norte é ocupada por três grandes paí- ses: Canadá, EUA – bastante desenvolvidos – e México, menos desenvolvido. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Compreende uma área de 23,4 milhões de quilômetros quadrados. Suas principais elevações se localizam a oeste, enquanto a maior bacia hidrográfica, a do Mississippi-Missouri, se situa a leste. A maior ilha do mundo fica na América do Norte: Groenlân- dia, com quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados. Na porção norte, de clima continental frio, predominam as florestas de coníferas; o centro e o sudeste, de clima continental, são ocupados por florestas temperadas e pradarias; no sudoeste, há desertos. POPULAÇÃO Abriga cerca de 484,8 milhões de habitantes em 2015. A maioria descende de colonizadores europeus, de escravos africanos e de vários grupos de imigrantes. Os principais centros urbanos encontram-se na Cidade do México, em Nova York e Los Angeles. ECONOMIA É plenamente industrializada nos Estados Unidos e no Canadá e, em menor grau, no México. A América do Norte apresenta agricultura altamente me- canizada, com destaque para a produção de cereais, milho, soja e laranja. Além disso, possui vastas reservas de combustíveis fósseis e minérios. AMÉRICA CENTRAL A região, que responde por apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da Amé- rica, sobrevive basicamente da agricultura e do turismo. Pelo canal do Panamá, a principal passagem entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, circulam 5% de todo o comércio marítimo mundial. A região abriga, ainda, a única nação comunista do continente americano: Cuba. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América Central, com 748,6 mil quilômetros quadrados, é formada pelo istmo que une a América do Norte à América do Sul e pelas ilhas do Mar do Caribe. O território centro-americano possui relevo montanhoso, com vários vulcões ativos. No verão, o Caribe é assolado por furacões, com ventos de até 300 quilômetros por hora. POPULAÇÃO Reúne 88,9 milhões de habitantes em 2015. A região é povoada em gran- de parte por mestiços, descendentes de índios, africanos e colonizadores europeus. ECONOMIA A agricultura emprega a maioria da população. A industrialização é incipiente e limita-se ao processamento de produtos agrícolas. O turismo na região do Caribe está em plena expansão. FENDA CONTINENTAL Navios cruzam o Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico BELEZA AMERICANA O Grand Canyon, nos Estados Unidos, tem paredões com quase 2 mil metros de altura [1] [2] 123GE GEOGRAFIA 2017 ANTÁRTICA Cerca de 70% das reservas de água doce da Terra estão sob a forma de gelo na Antártica AMÉRICA DO SUL A região possui vastos recursos naturais, mas também graves problemas sociais. O Brasil é a economia mais desenvolvida, enquanto Chile, Argentina e Uruguai apre- sentam melhor índice de desenvolvimento humano (IDH). DISTRIBUIÇÃOFÍSICA A América do Sul conta com 17,8 milhões de quilômetros quadrados. A porção oeste é ocupada pela Cordilheira dos Andes, cujo ponto mais alto é o Pico Aconcágua (6.959 metros). As planícies centrais abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, encontram-se florestas latifoliadas tropicais úmidas. O sul possui faixas de clima desértico, como na região de Atacama, e uma zona temperada, ocupada por florestas subtropicais e pelos pampas argentinos. POPULAÇÃO A América do Sul tem 418,4 milhões de habitantes em 2015. A população é formada por des- cendentes de europeus (em especial espanhóis e por- tugueses), africanos e indígenas, contando com alta porcentagem de mestiços. ECONOMIA A indústria está centrada na produção agrí- cola e de bens de consumo. No Brasil e na Argentina, encontra-se mais diversificada, abrangendo setores como siderurgia e metalurgia. O Brasil é responsável por cerca de três quintos da produção industrial sul-americana. FENÔMENO AMAZÔNICO O famoso encontro das águas escuras do Rio Negro com o barrento Rio Solimões DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Antártica é cercada pelas águas dos oceanos Atlântico, Pací- fico e Índico. É o lugar mais frio do globo com temperaturas inferiores a 0 ºC no verão e menores que - 80 ºC no inverno. Sob a grossa camada de gelo, estende-se o lago Vostok, um dos maiores do mundo, com 10 mil quilômetros quadrados de extensão. ECONOMIA As atividades humanas no continente restringem-se à pesca e à investigação científica. Diversas nações mantêm base de pesquisa na região, entre as quais o Brasil, que desenvolve atividades na Base Comandante Ferraz. Em 1991 foi assinado o Protocolo de Madri, que entrou em vigor em 1998. Esse documento proíbe por 50 anos a exploração econômica dos recursos naturais. A medida é preventiva, já que, até hoje, não foram en- contradas reservas de interesse comercial. Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido reivindicam áreas no continente. O continente de gelo T ambém chamada de Antártida, a Antártica é coberta por uma enorme camada de gelo. A superfície do continente ocupa 14 milhões de quilômetros quadrados, e 99% de sua superfície é coberta por um manto de gelo que atinge quase 5 quilômetros de espessura. Essa massa de gelo é de extrema importância para o equilíbrio do planeta. Isso porque, além de concentrar cerca de 70% das reservas de água doce da Terra, interfere no nível dos oceanos, por causa das variações em sua extensão e espessura. No inverno, até 18 milhões de quilômetros quadrados do oceano em torno do continente ficam cobertos por uma fina camada de gelo. O buraco na camada de ozônio localiza-se em cima do continente e ameaça a estabilidade de suas geleiras (90% das existentes no planeta), em virtude da maior exposição à radiação solar (veja mais na pág. 82). ESCALA 0 755 km OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO Mar de Davis Mar de Ross Mar de Weddell Mar de Bellingshausen Mar de Amundsen Li m ite e xt re m o do m ar co ng el ad o M ontanhas Transantárticas Ilhas Shetland do Sul Maciço Vinson 5.897 m ANTÁRTICA ORIENTAL ANTÁRTICA OCIDENTAL TERRA DE ENDERBY TERRA DE WILKES TERRA DE MARIE BYRD TERRA DE ELLSWORTH TERRA DA RAINHA MAUD Geleira Lambert Plataforma de gelo Ronne Criosfera 1 Plataforma de gelo Filchner Plataforma de gelo Ross 180º 0º 90º O 90º L 80º S 70º S POLO SUL Círculo Polar Antártico Ilha Rei George Ilhas Shetland do Sul 1 5 7 6 4 3 2 Neumayer (Alemanha) Sanae IV (África do Sul) Troll (Noruega) Rothera (Reino Unido) Marambio (Argentina) McMurdo (EUA) Amundsen-Scott (EUA) Scott Base (Nova Zelândia) Dummont d'Urville (França) Casey (Austrália) Maitri (Índia) Syowa (Japão) Mawson (Austrália) Mirny (Rússia) Principal base permanente de cada país* 1 Comandante Ferraz (Brasil) 2 Arctowski (Polônia) 3 Jubany (Argentina) 4 King Sejong (Coreia do Sul) 5 Artigas (Uruguai) 6 Eduardo Frei (Chile) 7 Great Wall (China) Península Antártica *Bulgária, Equador, Espanha, Finlândia, Peru, Romênia, Suécia e República Tcheca mantêm apenas bases temporárias Fonte: Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR) [1] DIVULGAÇÃO/ NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL MARQUES [3] 124 GE GEOGRAFIA 2017 ATLAS MUNDO DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Maior continente do mundo, sua área é de cerca de 45 milhões de quilômetros quadrados. A fronteira convencional entre Ásia e Europa é determinada pelos Montes Urais, pelo Rio Ural, pelo Mar Cáspio, pelas montanhas do Cáucaso e pelo Mar Negro. Dessa forma, os territórios de Turquia e Rússia estendem-se pelos dois continentes. O relevo asiático apresenta a maior altitude média da Terra (960 metros), em razão da presença de grandes cadeias montanhosas, entre as quais a Cordilheira do Himalaia e a do Kunlun, que contornam o planalto do Tibete. Há também grandes depressões, como o Mar Morto, situado 365 metros abaixo do nível do mar. Em virtude da vastidão de seu território, da diversidade de relevos e do regime de monções (vento periódico que, no verão, sopra do mar para o continente e, no inverno, do continente para o mar), existem muitos tipos de clima na Ásia. Como consequência, há também grande variedade de vegetação: tundra, estepes, florestas de coníferas, florestas temperadas e florestas tropicais. POPULAÇÃO O continente é o mais populoso do mundo, com 4,4 bilhões de habitan- tes em 2015. A distribuição da população é bastante desigual, com mais de 60% dos habitantes concentrados na China e na Índia. Há grande diversidade étnica, linguística e religiosa. Os conflitos em curso no continente provocam grandes deslocamentos de pessoas – os maiores contingentes de refugiados são formados por 4,8 milhões de pa- lestinos e 4,5 milhões de emigrados da Síria, que fogem da guerra civil iniciada em 2011. ECONOMIA A Ásia apresenta contrastes econômicos extremos. A porção mais de- senvolvida – que inclui países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan – registra renda per capita quase 100 vezes maior que a das regiões pobres. No sul do continente, região que abrange nações como Índia, Paquistão e Bangladesh, a pobreza atinge proporções alarmantes: 25% da população vive com menos de 1,25 dólar por dia. Desde a abertura econômica iniciada no fim dos anos 1970, a China é o país que mais se industrializa na Ásia. Em pouco mais de um quarto de século, o país tornou-se a segunda maior economia global, atrás apenas dos Estados Unidos, e o maior exportador mundial. A extração mineral é a principal fonte de divisas dos prósperos países do Golfo Pérsico, que detêm mais de 50% das jazidas mundiais de petróleo. A atividade extrativista é intensa também na Rússia – dona de cerca de um terço do gás natural do planeta e de grandes reservas conhecidas de petróleo. Apesar da intensa modernização econômica, mais de 50% da força de trabalho asiática está empregada na agricultura, especialmente nas nações do subcontinente indiano (Índia, Paquistão e Bangladesh). A Ásia responde por aproximadamente 45% da produção mundial de cereais, com destaque para o arroz (90% do que se produz no planeta). Mas, ainda assim, precisa importá-los para suprir a demanda interna, especialmente da China. ÁSIA Mais de 50% das reservas mundiais de petróleo estão no Oriente Médio Vastidão oriental A Ásia é o maior e o mais populoso con-tinente. Na Cordilheira do Himalaia, estão os pontos mais altos do planeta, em especial o Monte Everest, com 8.850 metros, na fronteira entre o Nepal e a China. Situam-se no continente asiático algumas das maiores concentrações humanas, em megacidades como Tóquio, no Japão. Os recursos naturais são imensos. A Ásia produz quase metade do petróleo do mundo, possuindo as maiores reservas conhecidas, nos países do Golfo Pérsico. Ao lado do Japão, a principal nação industrial do continente, e de países em acelerado processo de desenvolvimen-to, como a China, há várias regiões atrasadas, com graves problemas sociais, sobretudo na Ásia Central. A região também sofre com sérios conflitos. O fundamentalismo religioso e os antagonismos étnicos, sempre associados a disputas territo- riais, transformaram-se nos principais obstá- culos à paz no continente. Assim, opõem-se israelenses e palestinos, no Oriente Médio; e a Índia e o Paquistão, na região da Caxemira; entre outros conflitos. DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO – 2015* *Não inclui a Rússia Em % Fonte: Fundo de Populações das Nações Unidas (Fnuap) China 31,5 Demais países 22 Paquistão 4,3 Indonésia 5,8 Índia 29,9 Bangladesh 3,6 Japão 2,9 TRADIÇÃO Família nômade da Mongólia, país que abriga povos e culturas milenares [1] 125GE GEOGRAFIA 2017 EUROPA OCEANIA Mais de 90% da cobertura original de florestas já foi devastada na maior parte da Europa PRAIA NEGRA Litoral da Islândia, a segunda maior ilha da Europa, repleta de vulcões ativos POVOS NATIVOS Os aborígenes habitam o território da Austrália desde, pelo menos, 45 mil anos antes de Cristo DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Europa pertence, com a Ásia, à massa de terra conhecida como Eurásia. O continente europeu tem área de 10 milhões de quilômetros quadrados. A maior parte do território é formada por planícies. Predomina o clima temperado, mas há variações. A vegetação original já foi bastante devastada, prevalecendo florestas temperadas e de coníferas. POPULAÇÃO O continente tem 738,4 milhões de habitantes em 2015 e é o único com tendência de redução da população. Paralelamente às baixas taxas de natalidade, o envelhecimento dos habitantes exerce forte pressão demográfica no continente e pode comprometer o crescimento econômico. Por isso, apesar da atual resistência de muitos países à entrada de imigrantes, a Europa precisa da força de trabalho dos estrangeiros. ECONOMIA O parque industrial europeu é um dos mais avançados do mundo, com destaque para os setores automobilístico, químico, siderúrgico e de telecomunicações. Persistem, entretanto, contrastes de desenvolvimento entre os países ocidentais, que detêm cerca de 80% do PIB do continente, e as nações do leste, do ex-bloco comunista. A criação da União Europeia, em 1992, tenta superar esse quadro desigual, mas a crise atual da região explicita o fosso que separa as nações ricas das mais atrasadas. Berço da civilização ocidental O continente é considerado o berço da civilização ocidental. Ali se desenvolveram, por exemplo, o Renascimento, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, eventos que moldaram o mundo moderno. A pequena extensão da Europa contrasta com sua importância histórica. Impulsionado pela expansão marítima e comer- cial, o continente exerceu, por séculos, papel hegemônico sobre o globo, abrigando várias potências coloniais. Porém, após o fim da II Guerra Mundial, o continente viu-se dividido, por décadas, em dois blocos hostis, um capitalista e outro socialista – eles correspondem, em linhas gerais, à Europa Ocidental e à Europa Oriental. A primeira é integrada pelas nações mais ricas do continente. A segunda é formada predominantemente por países que saíram do bloco comunista e procuram melhorar sua economia. Após o encerramento da Guerra Fria, nos anos 1990, foi criada a União Europeia (UE), o principal bloco econômico do mundo. Atualmente, a UE tenta superar uma grave crise econômica, alavancada pelo alto endividamento dos países-membros. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA É o menor continente do mundo, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão. A Austrália corresponde a cerca de 90% da área emersa da Oceania. A maioria das ilhas da Oceania é de origem vulcânica, sendo cobertas de florestas tropicais. POPULAÇÃO A Oceania é também o menos habitado dos continentes, com 39,3 milhões de pessoas em 2015. Cerca de 60% dessa população vive na Austrália. ECONOMIA A Austrália destaca-se pelo parque industrial, pela agricultura e pela extração mineral, enquanto a economia das ilhas do Pacífico é agrícola. Mais que cangurus A Oceania é formada por uma massa continental (a Austrália), a parte leste da Ilha de Nova Guiné, as ilhas que constituem a Nova Zelândia e pequenas ilhas e atóis que se espalham pelo oceano Pacífico. Essas ilhas menores se dividem em três grupos: a Polinésia, no extremo leste; a Melanésia, na região central; e a Micronésia, situada ao norte. Há diferenças marcantes na região. Enquan- to a Austrália e a Nova Zelândia são nações desenvolvidas, as demais têm economia frágil. A Oceania enfrenta, ainda, graves problemas ambientais. Estudos indicam que, dentro de um século, a elevação do nível do mar, causada pelo aquecimento global, poderá submergir ilhas e atóis da região. [1] CINDY WILK [2] ALMIR DE FREITAS [3] DIVULGAÇÃO [2] [2] [3] 126 GE GEOGRAFIA 2017 ATLAS BRASIL Quinto maior país do mundo, o Brasil conta com um território de 8.515.767 quilômetros quadrados de extensão. Com todo esse tamanho, para efeitos ad- ministrativos, nosso território é dividido em cinco regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Essa divisão regional, que fica a cargo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem como objetivo reunir estados com traços físicos, humanos, econômicos e sociais comuns, o que ajuda no planejamento de políticas voltadas para áreas com necessidades semelhantes. Mas nem sempre o Brasil foi “repartido” da forma como é hoje, tendo sido estabelecidas muitas divisões regionais no decorrer da história. A atual está em vigor desde 1970, mas sofreu algumas alterações depois da Constituição de 1988. O estado do Tocantins foi criado com a divisão de Goiás e incorporado à Região Norte. Além disso, Roraima, Amapá e Rondônia deixaram de ser territórios para se tornar estados. Por fim, Fernando de Noronha foi incorporado ao estado de Pernambuco. Em 2015, o Brasil registra 5.570 municípios nos 26 estados mais o Distrito Federal. A despeito do tipo de recorte, o fato é que as disparidades entre as regiões são muito grandes. Para ter uma ideia, a Região Sudeste, a segunda menor em área, possui o maior número de habitantes, o maior percentual de pessoas que vivem em cidades e é responsável por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A Região Nordeste, por sua vez, apresenta alguns dos mais baixos indicadores sociais. A Região Norte, com o segundo menor número de habitantes, apresenta o maior contingente de população indígena e tem o mais alto índice de crescimento demográ- fico. A Região Sul, seguida de perto pela Sudeste, é a que apresenta os melhores indicadores: tem o menor índice de mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo. A Região Centro-Oeste, embora conte com população menor, apresenta acelerado crescimento demográfico, atrás apenas da Região Norte. PLANO-PILOTO Imagem de satélite mostra Brasília à noite: a iluminação permite observar o projeto urbanístico, que é comparado às formas de um avião O Brasil em resumo Confira a seguir as principais características físicas, econômicas e sociais das cinco regiões brasileiras NASA SULSUL SUDESTESUDESTE NORDESTENORDESTE NORTE CENTRO-OESTECENTRO-OESTE 450 O550 O 250 S 100 S Equador Trópico de Capricórnio Oceano Pacífico Oceano Atlântico NORTE Ilha de Trindade (ES) 20’32’S 29’19’O Ilha de Martin Vaz (ES) 20’31’S 28’50’O Atol das Rocas (RN) 3’52’S 33’50’O Abrolhos (BA) 17’25’S 38’33’O DISTRITO FEDERAL PARÁ GOIÁS AMAPÁ MARANHÃO PIAUÍ BAHIA CEARÁ RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA PERNAMBUCO ALAGOAS SERGIPE SÃO PAULO RIO DE JANEIRO ESPÍRITO SANTO ACRE AMAZONAS PERU RORAIMA VENEZUELA COLÔMBIA GUIANA SURINAME Guiana Francesa (França) RONDÔNIA BOLÍVIA CHILE PARAGUAI URUGUAI ARGENTINA MATO GROSSO MATO GROSSO DO SUL PARANÁ SANTA CATARINA MINAS GERAIS TOCANTINS RIO GRANDE DO SUL PONTOS EXTREMOS NORTE Nascente do rio Ailã, no monte Caburaí (RR), fronteira com a Guiana LESTEPonta do Seixas (PB) SUL Arroio Chuí (RS), na fronteira com o Uruguai OESTE Nascentes do rio Moa, na serra de Contamana (AC), fronteira com o Peru Fontes: IBGE (mapa) e Ministério das Relações Exteriores (tabela) Obs.: O território da Guiana Francesa (França) mantém fronteira de 730 km com o Brasil Manaus Rio Branco Porto Velho Boa Vista Macapá Belém São Luís Teresina Fortaleza Natal Recife Maceió Aracaju Salvador Palmas Cuiabá Goiânia Campo Grande Vitória São Paulo Curitiba Florianópolis Porto Alegre Rio de Janeiro Belo Horizonte João Pessoa PAÍSES QUE FAZEM FRONTEIRA COM O BRASIL País Bolívia Peru Venezuela Colômbia Guiana Paraguai Argentina Uruguai Suriname 3.423 2.995 2.199 1.644 1.606 1.366 1.261 1.069 593 Fronteira (em km) 3’50’S Fernando de Noronha (PE) 32’24’O Penedos de S. Pedro e S. Paulo (RN) 3’56’S 29’22’O ESTADOS E CAPITAIS BRASILEIROS 127GE GEOGRAFIA 2017 SulSudesteNordesteCentro-OesteNorte 30.495 34.789 12.954 32.322 17.213R$ 4,39 trilhões 204.450 Norte Nordeste Centro-Oeste Sul Sudeste PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2013 Em %, por região e total POPULAÇÃO – 2015 Em milhares e em %, por região Fontes: Pnad 2014, Projeção da População – Indicadores, IBGE PIB PER CAPITA – 2013 (em reais) ÁREA* (em %) Total do Brasil: 8.515.767 km2 Centro-Oeste 18,9 Norte 45,2 Nordeste 18,2 Sudeste 10,9 Sul 6,8 *Distribuição nas regiões brasileiras Nordeste 56.560 27,7% Sul 29.230 14,3% Norte 17.473 8,5% Centro-Oeste 15.442 7,5% Sudeste 85.745 41,9% Nordeste 13,6 Sul 16,5 Norte 5,5 Centro-Oeste 9,1Sudeste 55,3 128 GE GEOGRAFIA 2017 ATLAS BRASIL Perfil das regiões O que dizem os números DISPARIDADES REGIONAIS Apesar de a Região Norte ocupar 45,2% do espaço territorial brasileiro, apenas 8,5% dos brasileiros habitam a região. O Sudeste, por sua vez, abrange apenas 10,9% da área brasi- leira, mas responde por 41,9% da população e mais da metade do total de bens e serviços produzidos no país – o Produto Interno Bruto (PIB). Já o Nordeste, com 27,7% da população brasileira, é a segunda região mais populosa do país, mas é responsável por apenas 13,6% do PIB nacional. Como consequência, a região apresenta o menor PIB per capita do Brasil: o trabalhador nordestino recebe em média 12.954 reais por ano. O valor representa menos da metade do que ganha anualmente os habitantes do Sudeste, donos do maior PIB per capita do país: 34.789 reais por ano. 129GE GEOGRAFIA 2017 CENTRO- OESTE NORDESTE 75% da população da Região Nordeste tem uma renda de até um salário mínimo O cerne brasileiro Formada pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e pelo Dis-trito Federal, a região localiza-se no ex- tenso Planalto Central. Seu relevo se caracteriza por terrenos antigos e aplainados pela erosão, que originaram chapadões. O território também abriga a planície do Pantanal Mato-Grossense, cortada pelo rio Paraguai e sujeita a cheias du- rante parte do ano. O clima do Centro-Oeste é tropical semiúmido e úmido, com chuvas de verão. A vegetação é de cerrado nos planaltos. No Pantanal, considerado patrimônio da hu- manidade pela Unesco, os campos cerrados dividem o espaço com a floresta, que se torna mais fechada e úmida no norte do Mato Grosso. POPULAÇÃO Ainda no Brasil colônia, o povoamento do Centro-Oeste resulta de dois movimentos migratórios. Um vem do Sul e do Sudeste, em virtude do transporte de gado às fazendas que ali começaram a se instalar e da ação dos bandeirantes paulistas. O outro movimen- to vem do Nordeste, também ligado ao comércio de gado, que acaba criando, e fortalecendo, os primeiros povoados da região. No século XX, as maiores ondas migratórias vêm do Nordeste e ocorrem a partir dos anos 1950, com a construção da nova capital federal, Brasília. Segundo o IBGE, o Centro-Oeste é a região do país que proporcionalmente mais recebe imigrantes, com 34,2% de residentes vindos de outros estados em 2013. ECONOMIA O crescimento econômico da região deve-se, sobretudo, ao bom desempenho do setor agropecuário. Com cerca de 70 milhões de cabeças de gado, o rebanho bovino do Centro-Oeste é o maior do país. Na agricultura, os produtos mais importantes são o algodão, o milho e, principalmente, a soja, cuja colheita responde por quase metade da produção nacional. Entre os recursos minerais que mais se destacam estão calcário, cobre, níquel e manganês. Por outro lado, a região enfrenta o desafio de aliar o crescimento econômico com a preservação ambiental. A adaptação da soja ao solo do cerrado devastou grande parte da vegetação local, e a cultura do grão avança para o norte de Mato Grosso, rumo à Floresta Amazônica. POPULAÇÃO A história nordestina é marcada pelos movimentos migratórios. No fim do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia deu início à migração dos nordestinos, que aumentou no século XX para o Sudeste, com a industrialização, e para o Centro- -Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras regiões, os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca. ECONOMIA Nos últimos anos, a economia nordestina vem apresentando cresci- mento. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais com o objetivo de atrair empresas), uma série de indústrias se instalou nos estados nordestinos para fugir da carga tributária mais pesada no Sul e no Sudeste. Além disso, a região é a segunda produtora de petróleo do país – lá funciona um dos polos petroquímicos mais importantes: o de Camaçari (BA). Apesar dos longos períodos de seca, a pecuária e a agricultura vêm ganhando destaque. A boa adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha o maior rebanho do país. A cana-de-açúcar é o produto agrícola de destaque, mas as lavouras irrigadas de frutas tropicais têm crescido em importância na produção nacional. Outro setor relevante na economia nordestina é o turismo. Além do sertão F ormada por nove estados – Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia –, a maior parte da região é constituída por extensos pla- naltos, antigos e aplainados pela erosão. Os climas predominantes são o tropical e o semiárido, com grande parte do território coberta pela caatinga. O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, com altas taxas de mortalidade infantil e analfabetismo. PRÉ-HISTÓRIA Pinturas rupestres no sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí PABLO DE SOUZA/CIA DA LUZ 130 GE GEOGRAFIA 2017 ATLAS BRASIL NORTE SUDESTE 85% das terras indígenas brasileiras encontram-se na Região Norte Gigante setentrional F ormada por sete estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), a região é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins. Em todo o Norte predomina o clima equatorial. A Floresta Amazônica, a vegetação mais abundante, é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Esse patrimônio, contudo, está ameaçado pelo desmatamento. POPULAÇÃO A maior concentração de índios está no Norte e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região abriga 342,8 mil índios de diversas etnias (38% do total). Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concen- tração indígena. No decorrer das décadas, os estados do Norte também receberam grandes levas de imigrantes de outras regiões, sobretudo do Nordeste. ECONOMIA Além do intenso extrativismo vegetal, de produtos como látex e madeira, a região é rica em minérios. Lá estão a Serra dos Carajás (PA), a mais importante área de mineração do país, rica em manganês, ferro e ouro, e a serra do Navio (AP). A economia foi bastante beneficiada com a instalação, no fim da década de 1960, da Zona Franca de Manaus, baseada em políticas de incentivo fiscal. Com quase 600 indústrias, o Polo Industrial de Manaus responde por cerca de metade do PIB do Amazonas. Os principais setores