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Geografia (2017) - Geografia

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VESTIBULAR+ENEM 2017
W W W . G U I A D O E S T U D A N T E . C O M . B R
� AULAS SOBRE OS TEMAS QUE MAIS CAEM NAS PROVAS
Geografia
Fundada em 1950
 VICTOR CIVITA ROBERTO CIVITA
 (1907-1990) (1936-2013) 
Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), 
Thomaz Souto Côrrea (Vice-Presidente), Alecsandra Zapparoli, Eurípedes Alcântara, 
Giancarlo Civita e José Roberto Guzzo
Presidente Abril Mídia: Walter Longo
Presidente Editora Abril: Alexandre Caldini
Diretor Comercial: Rogério Gabriel Comprido
Diretor de Vendas para Audiência: Dimas Mietto 
Diretor de Marketing: Tiago Afonso 
Diretora Digital e Mobile: Sandra Carvalho
Diretor de Apoio Editorial: Edward Pimenta
Diretora Editorial Abril: Alecsandra Zapparolli
Diretor Editorial - Estilo de Vida: Sérgio Gwercman
Diretor de Redação: Fabio Volpe
Diretor de Arte: Fábio Bosquê Editores: Ana Prado, Fábio Akio Sasaki, Lisandra Matias, Paulo Montoia 
Repórter: Ana Lourenço Analista de Informações Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de 
Informações Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian Designers: Dânue Falcão, Vitor Inoue Atendimento 
ao Leitor: Carolina Garofalo, Sandra Hadich, Sonia Santos, Walkiria Giorgino CTI Eduardo Blanco (Supervisor)
PRODUTO DIGITAL Gerente de Negócios Digitais: Marianne Nishihata Gerentes de Produto: Pedro Moreno e 
Renata Gomes de Aguiar Analistas de Produto: Elaine Cristina dos Santos e Leonam Bernardo Designers: Danilo 
Braga, Juliana Moreira, Simone Yamamoto Animação: Felipe Thiroux Estagiário: Daniel Ito Desenvolvimento: 
Anderson Renato Poli, Cah Felix, Denis V Russo, Eduardo Borges Ferreira, Elton Prado. Estagiário: Vinicius Arruda
COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Consultoria: Arno Aloisio Goettems Texto: Arno Aloisio Goettems e Yuri 
Vasconcelos Infografia e ilustração: 45 Jujubas (capa), Alex Argozino e Multi-SP Revisão: José Vicente Bernardo
www.guiadoestudante.com.br
GE GEOGRAFIA 2017 ed.9 (ISBN 978-85-5579-037-9) é uma publicação da Editora Abril. Distribuída em todo 
o país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. 
IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP 02909-900 – Freguesia do Ó - 
São Paulo - SP
5GE GEOGRAFIA 2017 
O passo final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as pro-
vas exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos 
que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer 
em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem 
diferente dos demais vestibulares.
� COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE Enem e o GE Fuvest são verda-
deiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre 
todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas 
edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que podem 
cair nas próximas provas – e com explicações claras, para quem não 
tem o costume de ler jornais nem revistas.
Um plano para 
os seus estudos
Este GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA oferece uma ajuda e tanto 
para as provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação 
necessária para o Enem e os demais vestibulares.
É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações 
que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos. 
O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de 
nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas.
O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza 
a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo o 
grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que têm peso 
maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar os seus estudos 
para obter bons resultados.
� COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE PROFISSÕES traz todos os 
cursos superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as carac-
terísticas de mais de 260 carreiras e ainda indica as instituições que 
oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking 
de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC.
Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos 
mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você 
pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas delas. 
Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito exercício 
para praticar.
� COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ Além do GE GEOGRAFIA, que você 
já tem em mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino 
Médio: GE HISTÓRIA, Português, Redação, Matemática, Biologia, 
Química e Física. Todos reúnem os temas que mais caem nas pro-
vas, trazem muitas questões de vestibulares para fazer e têm uma 
linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho.
CAPA: 45 JUJUBAS
1 Decida o que vai prestar
2 Revise as matérias-chave
3 Mantenha-se atualizado
APRESENTAÇÃO
Os guias ficam um ano nas bancas – 
com exceção do ATUALIDADES, que é 
semestral. Você pode comprá-los também 
nas lojas on-line das livrarias Saraiva 
e Cultura. 
FALE COM A GENTE: 
Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar, 
CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para: 
guiadoestudante.abril@atleitor.com.br
CALENDÁRIO GE 2016
Veja quando são lançadas 
as nossas publicações
MÊS PUBLICAÇÃO
Janeiro
Fevereiro GE HISTÓRIA
Março GE ATUALIDADES 1
Abril
GE GEOGRAFIA
GE QUÍMICA
Maio
GE PORTUGUÊS
GE BIOLOGIA
Junho
GE ENEM
GE FUVEST
Julho GE REDAÇÃO 
Agosto GE ATUALIDADES 2
Setembro
GE MATEMÁTICA
GE FÍSICA
Outubro GE PROFISSÕES
Novembro
Dezembro
CARTA AO LEITOR
6 GE GEOGRAFIA 2017
Do Big Bang aos dias de hoje, o planeta Terra já passou por intensas transformações nesses quase 5 bilhões de anos. As prin-cipais mudanças podem ser observadas através de uma linha do tempo conhecida como Escala de Tempo Geológica. Ela 
estabelece os grandes eventos pelo qual o planeta passou 
a partir de uma classificação em eras, períodos e épocas. 
A marca 
humana
Faz 11.700 anos que estamos na época do Holoceno. Ou 
estávamos. Segundo os cientistas do Anthropocene Working 
Group, a influência da ação humana no meio ambiente já 
justificaria o início de um novo tempo geológico. 
O Holoceno já era: bem-vindo à época do Antropoceno. 
O nome vem do grego anthropos, que significa homem. 
Ou seja, vivemos na época dos humanos. De acordo com o 
estudo, as marcas que o homem vem deixando no planeta são 
tão intensas que já teriam provocado mudanças geológicas. 
Resíduos de plástico, concreto e alumínio, fuligem decor-
rente da queima de combustíveis fósseis e radiação expelida 
por inúmeros testes nucleares, tudo isso já é facilmente 
encontrado em sedimentos na crosta terrestre e no oceano. 
A assinatura do homem no planeta é inequívoca. A questão 
é estabelecer quando teria começado a época do Antro-
poceno. Segundo os cientistas, este novo tempo geológico 
começaria na década de 1950, quando houve uma expansão 
sem precedentes da população planetária e do consumo.
7GE GEOGRAFIA 2017 
FERRO VELHO 
Veículos empilhados 
em um depósito na 
China: após poluir 
o ar com dióxido de 
carbono, os carros 
descartados agravam 
o problema do lixo
8 EM CADA 10
APROVADOS NA 
USP USARAM
SEL O D E Q UA L ID A D E 
G U I A D O E S T U D A N T E
O selo de qualidade acima é resultado de uma pes-
quisa realizada com 351 estudantes aprovados em 
três dos principais cursos da Universidade de São 
Paulo no vestibular 2015. São eles:
� DIREITO, DA FACULDADE DO LARGO 
SÃO FRANCISCO;
� ENGENHARIA, DA ESCOLA POLITÉCNICA; e
� MEDICINA, DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP
� 8 em cada 10 entrevistados na 
pesquisa usaram algum conteúdo do 
GUIA DO ESTUDANTE durante sua 
preparação para o vestibular. 
� Entre os que utilizaram versões 
impressas do GUIA DO ESTUDANTE:     
88% disseram que os guias ajudaram 
na preparação. 
97% recomendaram os guias para 
outros estudantes.
TESTADO E APROVADO!
A pesquisa quantitativa por meio de entrevista 
pessoal foi realizada nosdias 11 e 12 de 
Fevereiro de 2015, nos campi de matrícula dos 
cursos de Direito, Medicina e Engenharia da 
Universidade de São Paulo (USP).
� Universo total de estudantes aprovados nesses 
 cursos: 1.725 alunos.
� Amostra utilizada na pesquisa: 351 entrevistados.
� Margem de erro amostral: 4,7 pontos percentuais.
CHINA DAILY/REUTERS
Nesta época do Antropoceno, portanto, o estudo da Geografia 
física é indissociável da ação do homem. Como você verá neste 
GUIA, sob qualquer aspecto que você analisar a litosfera, a 
hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, a marca humana é im-
placável. Por isso, é fundamental estudar a disciplina com um 
olhar atento aos principais fatos da atualidade e compreender 
como a ação antrópica está alterando o planeta – tal como o 
Enem e os principais vestibulares exigem. Para ajudar você 
nessa tarefa, oferecemos um amplo conjunto de informações 
na forma de textos, resumos, simulados, mapas e infográficos.
Para complementar o seu aprendizado de Geografia, também 
recomendamos o GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES, 
que é lançado duas vezes por ano e aborda os aspectos mais 
relacionados aos temas contemporâneos da Geografia humana.
Um abraço,
� Fábio Sasaki, editor – fabio.sasaki@abril.com.br
SUMÁRIO
8 GE GEOGRAFIA 2017
� Geografia 
VESTIBULAR + ENEM 
2017
CARTOGRAFIA
10 Mapas em mutação As frágeis fronteiras do Oriente Médio
12 Elementos do mapa Dicas para entender os elementos cartográficos
14 Coordenadas geográficas Aprenda a identificar pontos no mapa
16 Fusos horários Como os países acertam os seus relógios
18 Tipos de mapa Os diferentes aspectos retratados pela cartografia
20 Projeções As formas de representar o espaço geográfico 
22 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
LITOSFERA
24 A tragédia de Mariana Os danos ambientais provocados pela lama
26 Composição e estrutura geológica As camadas internas do planeta
28 Tipos de relevo Depressões, planaltos, planícies e montanhas
30 Placas tectônicas Os grandes blocos que modelam o relevo 
32 Relevo em movimento A ação de forças internas e externas na Terra
36 Relevo do Brasil O processo de formação do terreno nacional 
38 Recursos minerais Conheça suas características geológicas
40 Características dos solos Processo de formação e fertilidade 
42 Deslizamentos e inundações Os efeitos da ocupação desordenada
44 Contaminação dos solos Um dos principais problemas ambientais
46 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
HIDROSFERA
48 Um problema global A crise hídrica afeta 70% da população mundial
50 A distribuição de água no planeta Onde está a água no globo 
52 Água salgada Oceanos e mares ajudam a equilibrar a vida na Terra
56 Água doce As reservas que guardam o líquido que consumimos 
58 Tsunami Tremores no fundo do mar provocam ondas de destruição
60 Bacias hidrográficas do Brasil As fontes de água de nosso território
62 Escassez hídrica no mundo Onde a falta de água já provoca crise
64 Escassez hídrica no Brasil Torneiras secas no Nordeste e no Sudeste 
66 Poluição hídrica Os efeitos perversos da contaminação das águas 
68 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
ATMOSFERA
70 Clima de mudança Os compromissos definidos pelo Acordo de Paris
72 Camadas da atmosfera A estrutura de gás que envolve o planeta
73 Meteorologia Os principais fenômenos que influenciam o clima
76 El Niño e La Niña Entenda esses fenômenos meteorológicos
77 Ciclone Os efeitos devastadores da perturbação atmosférica
78 Climas do mundo As características das dez classificações climáticas
80 Climas do Brasil Os seis principais grupos climáticos do país
82 Poluição do ar Os efeitos da emissão de gases nocivos à atmosfera
84 Aquecimento global As alterações climáticas causadas pelo homem
86 Os efeitos das mudanças climáticas Os riscos que podemos enfrentar
88 Energias renováveis As alternativas para evitar a poluição do ar
90 Acordo de Paris e Protocolo de Kyoto Redução das emissões em pauta
92 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
BIOSFERA
94 Em defesa da floresta Desmatamento volta a aumentar na Amazônia
96 Ecologia O ciclo natural que sustenta a vida no planeta
98 A evolução do planeta Infográfico mostra a origem da vida na Terra
100 Vegetação no mundo As características das formações vegetais
106 Biomas brasileiros A rica biodiversidade do país sob ameaça
110 Preservação e conservação Os mecanismos de proteção ambiental 
111 Código Florestal Nova lei regulamenta o uso da terra no Brasil
112 Conferências ambientais Os eventos em que o ambientalismo é pauta
114 Como cai na prova + Resumo Questões comentadas e síntese da seção
ATLAS
116 O mundo em resumo Um perfil socioeconômico e físico dos continentes
126 O Brasil em resumo As cinco regiões brasileiras em fatos e números
RAIO X
132 As preciosas informações contidas nos enunciados das questões 
SIMULADO
134 32 questões para você aplicar os seus conhecimentos
GLOSSÁRIO
146 Os principais conceitos básicos que você encontrará na publicação
RAKESH BAKSHI/AFP
ALTA VOLTAGEM 
Tempestade de 
relâmpagos em 
Jammu, na Índia: 
fenômeno elétrico é 
frequente durante o 
período das monções, 
entre abril e maio
9GE GEOGRAFIA 2017 
10 GE GEOGRAFIA 2017
CARTOGRAFIA
1 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Os elementos cartográficos ..........................................................................12� Coordenadas geográficas ..............................................................................14
� Fusos horários ..................................................................................................16
� Tipos de mapas .................................................................................................18
� Projeções cartográficas ..................................................................................20
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................22
O avanço implacável do grupo extremista Estado Islâmico (EI) intensificou os con-flitos na já turbulenta região do Oriente 
Médio. Dotada de uma forte capacidade militar 
e operacional, a organização aproveitou-se dos 
conflitos sectários no Iraque e da guerra civil na 
Síria para conquistar vastos territórios nesses 
dois países. Em 2014, o EI desafiou a ordem 
mundial e anunciou a criação de um califado nas 
áreas ocupadas, ainda que esse suposto império 
islâmico não tenha legitimidade nem mesmo 
dentro do mundo árabe-muçulmano.
A tentativa de reconfigurar as frágeis fronteiras 
do Oriente Médio não é inédita na região. Com o 
desmembramento do Império Otomano, em 1920, 
o mapa do Oriente Médio foi redesenhado pelas 
mãos do Reino Unido e da França, por meio do 
Acordo Sykes-Picot. Para manter seus interesses 
estratégicos na região, as duas potências imperia-
listas vencedoras da I Guerra Mundial (1914-1918) 
estabeleceram suas áreas de dominação direta. 
Essas novas fronteiras artificiais redefiniram a 
ordem política do Oriente Médio. Civilizações 
milenares, que tinham fortes laços culturais em 
comum, foram separadas. Da mesma forma, popu-
lações com profundas divisões étnicas e religiosas 
foram agrupadas. Tudo para atender aos interesses 
econômicos das grandes potências ocidentais.
A atual instabilidade no Oriente Médio re-
presenta a mais intensa ameaça a suas frágeis 
fronteiras dos últimos anos. Além da ocupação de 
grande parte de seu território pelo EI, a Síria cor-
re o risco de se desmembrar em virtude da brutal 
guerra civil, na qual diversas forças controlam 
uma determinada parte do país. Os curdos, por 
exemplo, são uma etnia que reivindica um Estado 
próprio e conquistaram autonomia em grandes 
áreas no norte do Iraque e da Síria. Somada a esse 
cenário caótico, ainda há a histórica reivindicação 
da Palestina pela criação de um Estado próprio 
nos territórios ocupados por Israel.
Essa situação evidencia a instabilidade das fron-
teiras políticas mundiaise como os mapas estão 
sempre sujeitos a mutações que refletem a criação 
de novos países. A última vez que o mapa-múndi 
sofreu uma alteração 
foi em 2011, com a cria-
ção do Sudão do Sul.
Neste capítulo, você 
fica sabendo mais sobre 
as diferentes formas de 
apresentar os mapas, 
sua utilidade e como 
fazer a leitura adequa-
da das representações 
cartográficas.
O avanço do grupo extremista Estado Islâmico, a guerra 
na Síria e o fortalecimento da população curda podem 
reconfigurar as fronteiras do Oriente Médio
Mapas em mutação
CONFLITO MAPEADO 
O general William Myville 
Jr., diretor de operações do 
Departamento de Defesa 
dos Estados Unidos, mostra 
mapa com os bombardeios 
norte-americanos às bases 
do grupo Estado Islâmico, 
em setembro de 2014
11GE GEOGRAFIA 2017 BRENDAN SMIALOWSKI/AFP
12 GE GEOGRAFIA 2017
CARTOGRAFIA OS ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS
A cartografia é dotada de 
uma linguagem própria, 
com símbolos, indicadores e 
representações. Veja a seguir 
algumas dicas para interpretar 
corretamente os mapas
Tudo começou quando o homem pré-histórico passou a desenhar no interior das cavernas a loca-
lização de seu entorno. Foi assim que 
surgiram os primeiros mapas. À medida 
que o homem foi conquistando novos 
espaços, cruzando mares e aprimorando 
as técnicas cartográficas, os mapas se 
tornaram mais sofisticados. Hoje, com a 
ajuda de poderosos satélites, até mesmo 
as mais inóspitas regiões do planeta são 
reproduzidas com alta precisão.
Com o passar dos séculos, os mapas 
tiveram importantes funções estratégi-
cas: ajudaram a impulsionar a expansão 
marítimo-comercial europeia no século 
XV e atualmente são fundamentais para 
que as administrações públicas desen-
volvam projetos de organização territo-
rial. Com os mapas, é possível realizar 
variados tipos de levantamento, seja ele 
político, socioeconômico ou ambiental. 
Por isso, eles são imprescindíveis ao 
estudo da geografia física e humana e 
à compreensão dos principais temas 
que movem o mundo.
Qualquer representação geométri-
ca da superfície terrestre, ou mesmo 
de parte dela, pode ser considerada 
um mapa – desde o desenho pouco 
apurado do homem pré-histórico até 
o mais completo planisfério produzido 
pela Nasa recentemente. Sejam eles 
rudimentares, sejam eles complexos, 
é importante ressaltar que os mapas 
possuem uma linguagem própria, com 
símbolos, indicadores e representações 
que facilitam sua interpretação. Conhe-
ça mais os recursos utilizados pelos 
cartógrafos para reproduzir diferentes 
informações gráficas.
TÍTULO
O título é a nossa 
primeira aproximação 
com o mapa. Observá-lo 
com atenção pode 
“encurtar” o caminho 
da sua leitura e 
compreensão, pois 
nos permite conhecer, 
de imediato, qual é o 
conteúdo representado. 
Em geral, vem 
acompanhado do 
ano em que os dados 
foram coletados.
LEGENDA
A legenda é um dos elementos mais importantes 
do mapa, pois dá significado aos indicadores nele 
representados. Ela informa se os dados são percentuais 
ou absolutos, além do significado de cores, símbolos, 
linhas e demais recursos utilizados. 
A leitura da legenda deve ser feita em conjunto com a 
visualização da distribuição dos dados no mapa. Neste 
exemplo, as manchas mais escuras mostram os locais 
onde há maior concentração de pessoas por quilômetro 
quadrado. Note que o mapa não fornece os nomes 
dos países. Essas informações você pode aprender por 
meio da leitura atenta dos mapas políticos. Trata-se, 
aliás, de uma dica interessante: os mapas sempre 
se complementam. Portanto, ao estudar Geografia, 
lembre-se de olhar para os mapas com a mesma 
atenção que você olha para os textos, fotografias, 
gráficos e tabelas.
O fascinante 
universo 
dos mapas
FONTE
A fonte informa a 
origem (instituição, 
pesquisa etc.) dos dados 
utilizados para compor 
o mapa.
13GE GEOGRAFIA 2017 
ROSA DOS VENTOS
A rosa dos ventos indica 
a orientação geográfica, 
ou seja, para que lado se 
encontram, no mapa, os 
pontos cardeais (Norte, 
Sul, Leste e Oeste). Pode 
parecer bem óbvio que 
o Norte esteja na parte 
superior do mapa, pois 
esta é uma convenção 
internacional. 
Entretanto, em alguns 
tipos de mapas, como as 
plantas cartográficas e 
em projeções azimutais 
ou planas, o Norte nem 
sempre se encontra na 
parte superior do mapa.
ESCALA
A escala indica a relação entre o espaço verdadeiro 
e seu correspondente no mapa. A escala gráfica 
apresentada no mapa acima mostra que 1 centímetro 
equivale a 1.237,5 quilômetros nas dimensões reais. 
Já a escala numérica do mapa ao lado nos mostra que 
cada centímetro reproduzido equivale a 55,5 milhões de 
centímetros – ou 555 quilômetros nas dimensões reais.
Ao analisar os dois mapas, também é possível 
comparar reproduções cartográficas feitas em escalas 
pequenas e grandes. No mapa acima, reproduzido 
em uma escala pequena é possível identificar 
os continentes, a divisão política dos países e os 
oceanos, além dos locais com maior concentração 
de habitantes. Já no mapa ao lado, em escala maior, 
vemos uma área mais restrita – no caso, o território 
brasileiro. Assim, é possível observar os detalhes do 
contorno do país e identificar com mais precisão as 
áreas de maior densidade demográfica.
14 GE GEOGRAFIA 2017
CARTOGRAFIA COORDENADAS GEOGRÁFICAS
Para encontrar determinado lu-gar, como a casa de alguém ou um órgão público, precisamos 
de um endereço, não é mesmo? Sa-
bendo o nome da cidade, do bairro, da 
rua e o número da casa, chegaremos 
ao destino. No entanto, nem todas as 
regiões do planeta têm um endereço 
com essas informações. Por isso, para 
obtermos a localização de qualquer 
ponto ou área da superfície terrestre, 
BRASÍLIA
EQUADOR
15º47’S
47º55’O
MERIDIANO DE GREENWICH
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
TRÓPICO DE CÂNCER
utilizamos as coordenadas geográficas. 
Trata-se de um sistema obtido a partir 
do cruzamento de uma rede de linhas 
imaginárias – os meridianos e paralelos:
• Os meridianos cruzam a Terra no 
sentido norte-sul, de um polo ao outro 
do globo. Os meridianos nos indicam 
a longitude, que é a distância expressa 
em graus entre um local no mapa e o 
meridiano de Greenwich.
Localização precisa
Um sistema de eixos horizontais e verticais constituem 
as coordenadas geográficas, que nos ajudam a identificar 
qualquer posição na superfície terrestre
• Os paralelos são linhas perpendiculares 
aos meridianos, que cruzam a Terra no 
sentido leste-oeste. Eles determinam a 
latitude, também expressa em graus, e 
nos indica a distância entre um local no 
planisfério e a linha do Equador. 
Para localizar qualquer ponto na su-
perfície terrestre é só fazer o cruzamento 
do meridiano com o paralelo e obter os 
dados referentes a latitude e longitude. 
MERIDIANO DE GREENWICH
O meridiano de Greenwich, que ganhou esse nome 
por passar pela cidade de Greenwich, na Inglaterra, 
divide o planeta em Ocidente e Oriente. A partir dele, as 
distâncias são contabilizadas de zero a 180 graus, tanto 
para leste quanto para oeste. A longitude de um lugar é 
a sua distância até o meridiano de Greenwich – quanto 
mais distante, maior será sua longitude. A longitude 
de Brasília, por exemplo, é de 47º55’O – lê-se 47 graus e 
55 minutos de longitude oeste. Ou seja, Brasília está a 
cerca de 47 graus a oeste do meridiano de Greenwich.
Também é comum informar no lugar das iniciais dos 
pontos cardeais (N, S, L e O) um sinal de + (positivo) 
para as latitudes norte e longitudes leste e, em 
contrapartida, um sinal de – (negativo) para as 
latitudes sul e longitudes oeste. 
LINHA DO EQUADOR
A linha do Equador é equidistante em relação aos polos 
Norte e Sul da Terra e serve como referência para traçar 
os paralelos, como os trópicos de Câncer e Capricórnio e 
os círculos polares Ártico e Antártico. Ela divide o planeta 
em porção norte, ou setentrional, e sul, ou meridional. 
As linhas que partem do Equadorsão divididas de zero 
a 90 graus para as duas direções. A latitude de um lugar 
é determinada por sua distância em relação à linha do 
Equador – quanto mais longe, mais alta é a latitude de um 
ponto. A latitude de Brasília, por exemplo, é 15º47’S – lê-se 
15 graus e 47 minutos de latitude sul. Ou seja, a cidade 
fica a pouco mais de 15 graus ao sul da linha do Equador. 
15GE GEOGRAFIA 2017 
POR QUE AS COORDENADAS 
SÃO MEDIDAS EM GRAUS?
Geralmente as distâncias são medidas em metros ou quilômetros. 
Por que então a latitude e a longitude são medidas em graus? Ocorre 
que, apesar de a maioria dos planisférios não mostrar isso, estamos 
tratando da medida de uma superfície curva, pois a Terra tem a forma 
arredondada. Assim, essas medidas equivalem à abertura do ângulo 
entre as linhas imaginárias traçadas a partir do centro da Terra até a 
linha do Equador (latitude) e do centro da Terra até o Meridiano de 
Greenwich (longitude). Veja o exemplo de Brasília, nas figuras abaixo:
SAIBA MAIS
BÚSSOLAS, PORTULANOS E GPS
Da Idade Média (séculos V a XV) ao período das Grandes Navegações 
(séculos XV a XVII), a localização geográfica era obtida por meio da 
observação dos astros – a posição do Sol durante o dia e das cons-
telações e da Lua à noite, por exemplo. As distâncias e as direções 
a serem seguidas eram obtidas pela leitura atenta da bússola e das 
Cartas Portulanas ou Mapas Portulanos.
A bússola, cuja invenção é creditada aos chineses, foi fundamental 
para a navegação marítima no período das Grandes Navegações. Sua 
agulha imantada alinha-se com os polos magnéticos Norte e Sul da 
Terra e, dessa forma, permite que o navegador possa localizar-se e 
seguir na direção desejada. O desenvolvimento das Cartas Portulanas 
também facilitou a navegação, à medida que traziam as linhas de rumo 
para orientar o trajeto das embarcações, além de mostrar detalhes do 
litoral e a indicação dos principais portos, baías e cidades, como mostra 
este exemplo que representa o Mar Mediterrâneo e o seu entorno.
Atualmente, dispomos de tecnologias infinitamente mais precisas para 
obter as coordenadas geográficas e identificar praticamente qualquer 
lugar no planeta. Esses dados são facilmente levantados pelo GPS 
(Global Positioning System), um sistema composto por 24 satélites 
que fornece a um aparelho receptor sua posição exata na superfície 
terrestre. As informações são visualizadas a partir de aparelhos de 
GPS, celulares e computadores de bordo em automóveis, aviões e 
navios e são fundamentais para a navegação terrestre, marítima ou 
aérea hoje em dia. 
[1] ALEX ARGOZINO [2] REPRODUÇÃO 
[1]
[2]
Fonte: Atlas Geográfico Mundial. Editora Fundamento, 2007. p. 4
16 GE GEOGRAFIA 2017
CARTOGRAFIA FUSOS HORÁRIOS
Os fusos horários foram estabele-cidos porque, em razão do mo-vimento de rotação da Terra, as 
várias porções da superfície terrestre 
são iluminadas de forma diferencia-
da no decorrer do dia. Para dar uma 
volta completa em torno de si, o pla-
neta gira 360º e faz isso em um dia, ou 
seja, em 24 horas. Dessa forma, foram 
determinadas 24 faixas longitudinais 
(no sentido norte-sul do globo) de 15º. 
Cada faixa, denominada de fuso horário 
teórico ou astronômico, corresponde, 
portanto, a 1 hora.
O fuso de referência do horário mun-
dial é o de Greenwich, localidade situa-
da em Londres, na Inglaterra. Esse fuso 
se estende 7º 30’ a oeste e 7º 30’ a leste 
do Meridiano de Greenwich, também 
chamado de Meridiano 0º. A partir 
dele, foram definidos os demais fusos 
teóricos – indo para leste, acrescenta-
-se uma hora a cada fuso; para oeste, 
subtrai-se uma hora.
Entretanto, esses limites teóricos 
dos fusos horários, delimitados a cada 
15º, não coincidem com os limites dos 
países. Por isso, foram criados os fusos 
horários práticos, também conhecidos 
como fusos civis ou políticos. Esses 
fusos respeitam os limites políticos dos 
países, pois consideram os interesses 
de cada nação em fazer parte de um ou 
de outro fuso, de acordo, por exemplo, 
com a integração econômica, política e 
sociocultural com as regiões vizinhas. 
Como os limites das linhas são uma 
convenção, os fusos acabam sendo 
maleáveis. Em novembro de 2013, por 
exemplo, o Brasil passou a ter quatro 
fusos horários, em vez de três. Com a 
medida, os fusos do estado do Acre e 
de parte do Amazonas foram modifica-
dos, a partir de uma leve adaptação do 
meridiano. E essas mudanças ocorrem 
no mundo todo. Em 2010, a Rússia, que, 
com sua vastidão territorial tinha 11 
fusos horários, decidiu reduzir para 
nove. Além disso, alguns países ado-
tam as chamadas “horas fracionadas”, 
como o Irã (3 horas e meia a mais em 
relação ao fuso de Greenwich) e a Índia 
(5 horas e meia a mais em relação ao 
fuso de Greenwich).
Acertando os ponteiros
Com base nos meridianos e no sistema de 
rotação da Terra, o sistema de fusos horários 
ajuda a organizar as horas em diversas 
localidades do globo
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
CÍRCULO ANTÁRTICO
CÍRCULO ÁRTICO
EQUADOR
A N T Á R T I C A
Brasília
Lima
Cidade 
do México
Ilhas Galápagos
Honolulu
Tonga
Georgetown
Dacar
Trípoli
Cairo
Berlim
Luanda
Cidade
do Cabo
Maputo
Jerusalém
Riad
Nairóbi
Adis-Adeba
Moscou
Samara
Teerã
Astana
Nova
Délhi
Pequim
Tóquio
Hong
Kong
Seul
Pyongyang
Jacarta
Melbourne
Sydney
Manila
Lisboa
Londres
Paris
Bogotá
Cidade do
Panamá
Nova York
Ottawa
Washington
Vancouver
Los Angeles
San Francisco
Tijuana
Buenos
Aires
+13
+13
-3
-4
+9
+5
+3
+4
+12
-9
Wellington
Reykjavik
Ilhas da Linha
Ilhas
Marquesas
Ilha
Pitcairn
Ilha
de Páscoa
Ilhas
Malvinas
Ilhas
Geórgia
do Sul
Taiti
Paramaribo
Belém
La Paz
Rio Branco
Cuiabá
Assunção
Manaus
Caracas
Santo
Domingo
Quito
Seattle
Edmonton
Anchorage
Whitehorse
Açores
Samoa
Santiago Montevidéu
Houston Miami
Havana
New
Orleans
Chicago
St. Louis
Halifax
St. John’s
MontrealWinnipeg
Denver
Phoenix
Túnis
Argel
Casablanca
Lagos
Abidjan
Johannesburgo
Antananarivo
Cartum
Campala
Lusaka
Kinshasa
Windhoek
Fernando
de Noronha
Bagdá
Murmansk
Helsinque
São
Petersburgo
Roma
Viena
EstocolmoOslo
Istambul
Atenas
KievVarsóviaDublin
Madri
Meca Mascate
Yangun
Bangcoc
Dili
Adelaide
Brisbane
Perth
Cingapura
Colombo
Mumbai
Karachi
Calcutá
Katmandu
Lhasa
Ashkhabad
Tashkent
Cabul Xi’an
Ulan
Bator
Irkutsk
Vladivostok
Xangai
Taipé
Petropavlovsk
Magadan
YakutskYekaterinburgo
Ilhas
Chatham
Oceano Pacífico
Oceano Pacífico
Oceano Ártico Oceano Ártico
Oceano
Atlântico
Oceano
Índico
Manágua
Kiribati
+3
Omsk
+6
+8
+5
Hanói
1h 2h 3h 4h 5h 6h 7h 8h 9h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h 19h 20h 21h 22h 23h 0h0h
-12 +12-11 +11-10 +10-9 +9-7 +7-6 +6-5 +5-4 +4-3 +3-2 +2-1 +10-8 +8
150º O 120º 90º 60º 60º 90º 120º 150º L 180º180º 30º 30º0º
Horário Universal
de Greenwich
Horário fracionado
Linha Internacional de Data
+8
Novosibirsk
Krasnoyarsk
Bucareste
Fonte: World Time Zone
N
1.780 km
OLHA A HORA! Para determinar o horário em 
um país, deve-se aumentar uma hora no relógio 
para cada fuso a leste de Greenwich e diminuir 
uma hora para cada fuso a oeste dele 
17GE GEOGRAFIA 2017 
HORÁRIO DE VERÃO
Com o horário de verão, o Brasil mantém seus 
quatro fusos, mas muda a disposição deles, pois 
as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste adiantam 
o relógio em uma hora. O objetivo é aproveitar 
melhor a luz solar, já que, durante o verão, quan-
to maior a latitude, maior o fotoperíodo – o Sol 
nasce mais cedo e se põe mais tarde. 
A medida provoca uma importante redução 
no consumo de energia durante os horários de 
maior consumo, sobretudo das 18h às 20h, o 
que reduz a sobrecarga no sistema elétrico e 
os riscos de apagões. Nos estados localizados 
em latitudes mais baixas (mais próximos da 
linha do Equador), como no Nordeste, Norte e 
Centro-Oeste, há pouca variação do fotoperío-
do e, por isso, não compensa fazer a mudança 
para o horário de verão. Nesses estados, mes-
mo que houvesse alguma economiade energia 
à tarde, a mudança provocaria um aumento 
no consumo de energia no início da manhã. 
O horário de verão começa no terceiro domin-
go de outubro e termina no terceiro domingo 
de fevereiro. Se neste último for carnaval, o 
encerramento fica para o domingo seguinte.
COREIA DO NORTE ATRASA HORÁRIO EM 30 
MINUTOS E ADOTA ‘HORA DE PYONGYANG’
A Coreia do Norte anunciou nesta sexta-feira (7) a adoção da “hora 
de Pyongyang”, que exigirá um atraso de todos os relógios do país 
em 30 minutos a partir de 15 de agosto. Com a decisão, a “hora de 
Pyogyang” será GMT + oito horas e meia, 30 minutos mais tarde que 
na Coreia do Sul, que tem a mesma hora do Japão, GMT + 9.
A alteração do horário no país foi aprovada na quarta-feira pelo 
Parlamento norte-coreano, e marcará o 70º aniversário da libertação 
da península coreana do reinado colonial japonês (1910-1945).(...)
Na era pré-colonial, a hora da Coreia era GMT + 08H30, o que foi 
modificado pelo Japão em 1912.(...)
G1, 7/8/2015 
SAIU NA IMPRENSA
OS FUSOS HORÁRIOS DO BRASIL
Exemplos da variação dos horários nos fusos brasileiros quando 
em Londres (fuso de referência) são 15 horas
As regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o Distrito Federal e os estados 
de Goiás, do Tocantins, Pará e Amapá acompanham o horário de 
Brasília. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e a 
maior parte do Amazonas têm uma hora a menos. Já um pequeno 
trecho do Amazonas e o Acre passaram a ter duas a menos que Brasília 
com a mudança de fuso implementada em 2013.
Com as alterações, o Brasil ficou com quatro fusos horários. No 
alto, os relógios mostram os diversos horários quando é meio-dia em 
Brasília. Note como Fernando de Noronha e as ilhas oceânicas estão 
mais “adiantados” em relação aos horários do Brasil continental: 
nessas regiões já são 13 horas.
DF
PA
GO
AP
MA
PI
BA
CE
PE
SP RJ
ES
AC
AM
RR
RO
MT
MS
PR
SC
MG
TO
RS
11h10h 12h 13h
Atol das
Rocas (RN)
3’52’S
33’50’O
Penedos de
S. Pedro e
S. Paulo (RN)
3’56’S
29’22’O
Fernando de
Noronha (PE)
3’50’S
32’24’O
*Em relação ao
horário de Greenwich
-4h
-5h
-2h
-3h
FUSO
HORÁRIO*
RN
PB
AL
SE
1h
entram no 
horário de verão
não entram no
horário de verão
SAIBA MAIS
18 GE GEOGRAFIA 2017
Grandes
Lagos
Aconcágua
6.959 m
Mte. McKinley
6.194 m
Amazon
as
Cordilheira dos Andes
Apa
lac
hes
Pico da 
Neblina
3.014 m
Sã
o F
ra
nc
isc
o
M
iss
iss
ipp
i
M
ontanhas Rochosas
CARTOGRAFIA TIPOS DE MAPA
Veja como as diversas formas 
de representar o espaço 
geográfico podem alterar 
o modo como enxergamos 
o planeta
Representação: é essa a ideia que norteia a construção de um mapa. Ocorre que, obvia-
mente, o tamanho e a complexidade 
do planeta não cabem no papel. Desse 
modo, é preciso fazer escolhas para 
conseguir mostrar, num espaço tão res-
trito, o máximo daquilo que comporta 
o mundo real. 
Dessas escolhas é que resultam as 
diversas maneiras de representar um 
território, que pode se dar com base 
em focos variados, como seus aspectos 
físicos, políticos ou sociais. Cada um 
desses recortes, por sua vez, abarca ou-
tras subdivisões. A representação física 
do planeta, por exemplo, engloba mapas 
de hidrografia e relevo, entre outros. 
Todas essas divisões são importantes 
tanto por seu caráter teórico, ao faci-
litar o estudo de uma área, quanto pela 
aplicação prática desse conhecimento, 
ao nortear a implantação de políticas 
de saúde ou ambientais. 
Entretanto, com tantas possibilidades, 
é preciso atenção na hora de ler os ma-
pas e avaliar as conclusões tiradas com 
base em sua análise. Afinal, como vimos, 
eles mostram apenas uma parte da re-
alidade. Assim, dependendo do ponto 
de vista adotado para sua construção, 
eles podem acabar servindo para in-
fluenciar – positiva ou negativamente – 
o modo como enxergamos determina-
da área ou algum fenômeno. Confira a 
seguir alguns dos principais tipos de 
mapas e o que eles representam.
Vários mapas, 
diferentes 
leituras
MAPAS FÍSICOS
Este tipo de mapa destaca as 
características físicas da superfície 
terrestre, em especial de relevo e 
hidrografia. Geralmente, as diferentes 
faixas de altitudes são apresentadas por 
meio de uma sequência de cores: nas terras 
emersas, os tons em verde são usados para 
altitudes mais baixas, seguidos do amarelo, 
laranja e marrom, sucessivamente, para as 
altitudes mais elevadas. 
Também constam nos mapas físicos 
denominações das unidades de relevo 
que se destacam no território, como 
cadeias montanhosas, serras, planaltos 
e planícies, bem como os picos mais 
elevados. Quanto à hidrografia, são 
representados com traços azuis os 
grandes rios e seus principais afluentes 
e subafluentes. Os principais lagos 
também são identificados.
MAPAS POLÍTICOS
É este recorte que dá aos mapas a cara 
que mais conhecemos: os continentes 
divididos em países, os países divididos 
em regiões e estas, em cidades (veja, 
ao lado, os 35 países do continente 
americano). Seu objetivo é simplesmente 
demarcar os limites entre territórios, que 
podem mudar no decorrer dos anos.
As fronteiras entre as nações, por 
exemplo, sofreram muitas mudanças no 
decorrer da história. As atualizações do 
mapa-múndi atingiram número recorde 
no século XX, por causa do turbilhão de 
eventos ocorridos no período, como o 
desmembramento da ex-União Soviética. 
A mais recente alteração no mapa político 
ocorreu em 2011, com o desmembramento 
do Sudão, que deu origem ao Sudão 
do Sul. Em suma, aparecer ou não no 
mapa significa ter a própria existência 
reconhecida pelo resto do mundo.
19GE GEOGRAFIA 2017 
VOCÊ SABIA?
ANAMORFOSES, OS MAPAS DISTORCIDOS
Os mapas têm como objetivo apresentar de forma mais fiel possível 
o espaço geográfico, certo? Mais ou menos. Existem alguns tipos de 
representação cartográfica que distorcem o tamanho e o traçado das 
regiões para reforçar o efeito comparativo sobre o tema apresentado. 
Esses mapas recebem o nome de anamorfoses e costumam cair nos 
vestibulares com certa frequência.
Nesta anamorfose, o tamanho de cada país é proporcional ao seu 
Produto Interno Bruto (PIB) e não à sua extensão territorial. Logo, 
chama a atenção o aumento de tamanho dos Estados Unidos, dono 
da maior economia do mundo, com 17,4 trilhões de dólares. Por sua 
vez, note como o Canadá, que tem a segunda maior extensão territorial 
do planeta, atrás apenas da Rússia, ficou representado de uma forma 
bem menor nesta anamorfose. Isso acontece porque o gigantismo de 
sua área não é proporcional ao seu PIB. Já o mapa do Brasil apresenta 
poucas distorções na comparação entre economia e área.
MAPAS TEMÁTICOS
São mapas que representam dados 
sobre determinados temas, permitindo 
observar as características de uma 
região e estabelecer comparações 
entre os países apresentados. Os temas 
abordados podem ser os mais diversos, 
da economia à cultura, passando por 
demografia e meio ambiente. 
Neste exemplo, os países da América são 
agrupados a partir de sua classificação 
no ranking mundial do Índice de 
Desenvolvimento Humano (IDH). 
O indicador, apurado pela Organização 
das Nações Unidas (ONU), serve 
para medir as variações no padrão 
de qualidade de vida das diferentes 
populações do globo, levando em conta 
três fatores: educação, longevidade e 
renda. Ao observarmos o mapa de IDH 
do continente americano acima, 
notamos que Estados Unidos, Canadá, 
Chile e Argentina são as únicas nações 
com IDH muito alto, enquanto o Haiti é a 
única nação com baixo desenvolvimento 
humano. O Brasil, junto com países como 
Venezuela e México, tem IDH alto.
Índice de 
Desenvolvimento 
Humano (2014) 
Muito Alto 
Alto 
Médio 
Baixo 
Dados não disponíveis
Estados Unidos
Canadá
Argentina
Chile
Cuba
Venezuela
Haiti
Brasil
México
PARA IR ALÉM 
Confira dezenas de 
anamorfoses sobre os 
mais diversos temas no site 
www.worldmapper.org.
Estados Unidos
Canadá
Brasil
20 GE GEOGRAFIA 2017
CARTOGRAFIA PROJEÇÕESCARTOGRÁFICAS
Ao longo dos séculos, os cartó-grafos vêm se empenhando em desenvolver mapas-múndi da 
forma mais fiel possível. O problema é 
que a Terra tem um formato esférico,
com um leve achatamento nos polos. 
O maior desafio na criação dos mapas, 
portanto, é representar este planeta 
esférico em uma superfície plana. Para 
ter uma ideia da dificuldade de fazer
essa transposição, no decorrer dos anos 
surgiram mais de 200 tipos de projeção 
cartográfica. E todas apresentam algum 
tipo de distorção.
Forma e
conteúdo
O desafio de reproduzir a 
superfície esférica da Terra 
pp
em um mapa plano levou ao 
p
surgimento de uma infinidade
p pp
de projeções cartográficas.
gg
Conheça a seguir os tipos
p j ç gj ç g
mais comuns
ç
Equador
Gr
ee
nw
ic
h
Trópico de Capricórnio
Trópico de Câncer
60˚
60˚
20˚
20˚
Trópico de Câncer
Equador
180˚
160˚
140˚
120˚ 100˚ 80˚ 60˚
40˚
20˚
0˚
Greenwich
Polo
Norte
PROJEÇÃO CILÍNDRICA
Este tipo de projeção é produzido como 
se um cilindro envolvesse a esfera
terrestre e fosse então planificado. 
A projeção cilíndrica ainda consegue 
representar com menos distorções as 
baixas latitudes. 
PROJEÇÃO CÔNICA
Neste tipo de projeção, a representação 
é feita como se um cone envolvesse 
o planeta e depois fosse planificado. 
Essa projeção é utilizada para mapas 
de latitudes médias, pois nessa região a 
distorção é menor. 
PROJEÇÃO PLANA 
OU AZIMUTAL
O mapa é construído sobre um plano que 
tangencia algum ponto da superfície 
terrestre. Seu uso mais comum é para
melhorar a visibilidade das regiões 
polares e de suas proximidades.
AS DIFERENTES REPRESENTAÇÕES DA ESFERA TERRESTRE
Dependendo da figura geométrica utilizada para desenvolver o mapa, as projeções podem ser classificadas da seguinte forma:
21GE GEOGRAFIA 2017 
CONFORME
Prioriza a forma, ou seja, o contorno 
dos continentes e oceanos e distorce 
a área, principalmente nas latitudes 
maiores. Na Projeção de Mercator ao 
lado, a Groenlândia, que tem cerca de 
2,8 milhões de quilômetros quadrados, 
aparece no mapa com quase o mesmo 
tamanho da África, com seus mais de 
30 milhões de quilômetros quadrados.
EQUIVALENTE
Mantém a equivalência da área, 
ou seja, a proporção entre as áreas 
reais e sua representação nos mapas. 
No entanto, as formas ficam distorcidas, 
como a América do Sul e a África, que 
aparecem mais alongadas no mapa, como 
se nota na Projeção de Peters.
EQUIDISTANTE
Representa com maior fidelidade as 
distâncias, por isso é frequentemente 
adotada para definir rotas aéreas e 
marítimas. No entanto, ela distorce as 
formas e as áreas. As projeções planas ou 
azimutais, descritas na página ao lado, 
também são consideradas equidistantes. 
ARBITRÁRIA OU AFILÁTICA
Não se prende totalmente a nenhuma 
regra, distorcendo tanto a área como 
a forma, porém sem exagerar essas 
distorções, buscando um resultado 
mais equilibrado. O exemplo mais 
representativo é a Projeção de Robinson, 
utilizada na maior parte dos atlas 
e livros escolares.
DIFERENTES PROJEÇÕES CAUSAM POLÊMICA
As projeções também podem ser classificadas de acordo com os parâmetros utilizados 
para conservar ou distorcer as áreas:
SAIBA MAIS
AS IMAGENS DE SATÉLITES
Os satélites são instrumentos essenciais para 
a obtenção de imagens da superfície terres-
tre com grande riqueza de detalhes. A partir 
dessas informações, os cartógrafos produzem 
mapas temáticos, monitoram problemas am-
bientais, como o desmatamento e a poluição 
das águas, descobrem novas riquezas, como ja-
zidas minerais, entre inúmeras outras funções. 
A obtenção de imagens de satélite faz parte de 
um conjunto de técnicas conhecidas como sen-
soriamento remoto. Como a própria expressão 
já diz, trata-se de uma forma de obter imagens 
com sensores localizados à distância. Depen-
dendo das variações que as características físi-
cas da superfície terrestre apresentam, ocorrem 
diferentes índices de reflexão da luz solar ou das 
radiações dos sensores ativos dos satélites. As 
águas, por exemplo, tendem a absorver maior 
quantidade de energia, enquanto construções 
(prédios, estradas, pontes etc.) ou mesmo o solo 
exposto refletem mais a energia incidente. Desta 
forma, é possível identificar as características 
naturais e da ocupação humana de uma deter-
minada área. Existem ainda filtros utilizados para 
realçar alguma caraterística, como as variações 
do relevo, dos recursos minerais, da vegetação 
ou das águas, por exemplo.
CORES E TEXTURAS Nesta imagem da região 
metropolitana de São Paulo, as porções de 
água estão representadas na cor preta, as áreas 
urbanizadas na cor rosa, a vegetação na cor 
verde e o solo exposto na cor marrom
INPE
22 GE GEOGRAFIA 2017
COMO CAI NA PROVA
1. (Fuvest 2014) Observe estes mapas:
a) Identifique duas diferenças significativas entre os mapas, quanto à forma de 
representação cartográfica.
b) Qual era o principal objetivo de cada mapa, considerando os diferentes 
contextos históricos em que foram criados? 
RESOLUÇÃO
a) Uma primeira diferença são tecnologias distintas: em 1519, as técnicas de produção 
de mapas eram rudimentares, se comparadas às utilizadas atualmente. No caso s
do primeiro mapa, um Portulano utilizado no período das grandes navegações, as
informações apresentadas eram pouco precisas quanto à localização dos fenômenos 
representados e à delimitação do território brasileiro. Já o mapa de 2009 conta
com técnicas como projeção cartográfica, escala, legenda e divisão política. Outra 
diferença é quanto ao conhecimento científico acumulado sobre o território. Em 
1519, como eram escassos os conhecimentos sobre a vegetação brasileira, o mapa 
era preenchido por ilustrações (legenda pictórica). O mapa de 2009 apresenta os 
principais tipos de vegetação do país em sua cobertura original, revelando maior 
precisão quanto aos seus limites como resultado de estudos científicos sistemáticos.
b) No mapa de 1519 evidencia-se o caráter descritivo, voltado para a representação
dos recursos naturais existentes nas colônias ou terras que estavam sendo dis-
putadas pelas grandes metrópoles. O mapa de vegetação publicado em 2009 tem 
uma conotação científica e seu objetivo é representar, com a precisão permitida 
pela escala adotada, as áreas de cobertura original das formações vegetais em
território brasileiro.
2. (IFSC 2014 – adaptada) A seguir, apresentam-se os dados de uma passagem 
de avião comprada de Santarém/PA para Manaus/AM:
Voo: D5Z81
Data: 28/07/2012
Itinerário: 
Saída: STM – Santarém/PA – Horário: 15:00
Chegada: MAO – Manaus/AM – Horário: 15:15
Tendo em vista os dados apresentados na passagem sobre o tema fusos horários, 
assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
a) A viagem entre Santarém/PA e Manaus/AM dura, na verdade, 1 hora e 15
minutos, porque as duas cidades estão em fusos horários diferentes. 
b) O fuso horário de Santarém é o mesmo que o de Brasília, e o de Manaus está 1 
(uma) hora adiantado em relação ao fuso da capital federal; por esse motivo é 
que a diferença entre o horário de saída e o de chegada é de apenas 15 minutos.
c) Desde junho de 2008, todo o território do estado do Pará, onde se localiza
Santarém, está sob o horário de Brasília durante a maior parte do ano. 
d) Uma passagem de avião, emitida no dia 12 de dezembro de 2012, com saída 
de Santarém/PA, marcada para as 15 horas, teria impresso, como horário de 
chegada em Manaus/AM, 16 horas e 15 minutos, já que, durante o período do
horário de verão, as duas cidades passam a ter a mesma hora legal. 
e) O percurso de avião entre Santarém/PA e Manaus/AM é realizado de leste
para oeste, e por isso, ao atravessar o fuso horário, deve-se atrasar o relógio. 
f) Um percurso de avião do Recife/PE para o arquipélago de Fernando de Noronha, 
realizado durante a mesma data e horário de saída, teria também a mesma hora 
de chegada, se levasse um tempo de voo igual ao da rota entre Santarém/PA e Ma-
naus/AM, já que comparativamente possuem a mesma diferençade fuso horário. 
RESOLUÇÃO
A questão rerr quer o conhecimento dos fusos horários do Brasil e a localização das
cidades de Manaus (AM) e Santarém (PA). Veja o mapa e os comentários a seguir.
a) CORRETA – A cidade de Manaus, por estar localizada um fuso a oeste da cidade
de Santarém, tem uma hora a menos. Assim, quando o avião chegou em Manaus 
às 15h15, na cidade de origem (Santar(( ém) já eram 16h15, ou seja, já haviam se m
passado 1h15min desde a sua partida.
b) INCORRETA – A afirmação é falsa, pois o fuso em que se encontra Manaus está 
uma hora atrasada (e não adiantada, como se afirma) em relação a Brasília.
c) CORRETA – O Pará encontra-se no mesmo fuso de Brasília. A referência feita à 
“maior parte do ano” subentende que se deve considerar o horário de verão, 
que é adotado em Brasília, mas não no Pará.
d) INCORRETA – Os estados da região Norte não adotam o horário de verão, pois
se encontram próximos da linha do Equador (baixa latitude), onde a pequena 
variação do fotoperíodo (período com luz solar) não favorece a mudança do 
horário para fins de economia de energia.
e) CORRETA – No sentido leste-oeste, situação descrita no enunciado, há uma 
hora a menos a cada fuso. Portanto, essa afirmação está correta.
f) INCORRETA – O arquipélago de Fernando de Noronha localiza-se no sentido
oposto, ou seja um fuso a leste de Recife. Dessa forma, seria necessário acres-
centar uma hora para se obter o horário de chegada.
� SAIBA MAIS
Veja onde se localizam Manaus e Santarém no maparr , seus respectivos fusos a horários
e o que muda no período em que é adotado o horário de verão.
-4h-5h -3h -2h *Em relação aohorário de Greenwich
FUSO HORÁRIO*
HORÁRIO REGULAR HORÁRIO DE VERÃO
rémrérérrérrrérSantaréaréaréManaus rrérrémréréréSantaréréréManaus
23GE GEOGRAFIA 2017
RESUMO
Cartografia
ELEMENTOS DOS MAPAS São as informações que acompa-
nham os mapas e a eles dão significado. Os principais elementos
são o título, a legenda (indica o significado dos símbolos, cores
e demais recursos utilizados nos mapas), a rosa dos ventos 
(indica os pontos cardeais), a fonte dos dados e a escala, que
determina a proporção em que o mapa foi feito, comparado 
à superfície real.
COORDENADAS GEOGRÁFICAS São valores em graus, minutos 
e segundos obtidos a partir do cruzamento dos meridianos
(linhas imaginárias traçadas no sentido norte-sul) e dos para-
lelos (linhas imaginárias traçadas no sentido leste-oeste). As 
coordenadas são fundamentais para a localização de qualquer 
ponto ou área na superfície terrestre. O ponto de referência dos
paralelos é a linha do Equador, enquanto dos meridianos é o 
meridiano de Greenwich. Os paralelos determinam a latitude 
e os meridianos indicam a longitude. 
FUSOS HORÁRIOS São faixas longitudinais (que se estendem
no sentido norte-sul no globo terrestre) criadas para organizar a
hora mundial. Inicialmente foram determinadas 24 faixas, cada
uma com 15 graus. A hora adotada em cada país, no entanto, 
foi regulamentada com base nos fusos horários práticos, que
acompanham os limites territoriais dos países ou estados,
de acordo com os interesses político-econômicos regionais.
O ponto de referência do horário mundial é o meridiano de
Greenwich, na Inglaterra: indo para leste, adianta-se o relógio; 
para oeste, deve-se atrasá-lo. Muitos países adotam o horário 
de verão, adiantando o relógio em uma hora para aproveitar 
melhor a luz solar e reduzir o consumo de energia.
TIPOS DE MAPAS De acordo com o tipo de informação que 
representam, os mapas podem ser classificados como: mapas
políticos, que mostram os limites político-territoriais dos 
países; mapas físicos, com as principais características de
relevo e hidrografia; e os mapas temáticos, que representam 
algum tema ou assunto específico, como dados econômicos,
populacionais ou ambientais. As anamorfoses aumentam ou 
diminuem o tamanho dos países ou continentes de acordo 
com os dados quantitativos que estão sendo representados.
PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS São técnicas utilizadas para
representar a Terra, que é esférica, em uma superfície plana.
As principais projeções são classificadas de acordo com a figura
geométrica utilizada para representar a superfície terrestre: 
cilindro (projeção cilíndrica); cone (projeção cônica) e plano
(projeção plana ou azimutal). Há distorções em todas as pro-
jeções, sendo que em cada uma se prioriza uma determinada 
propriedade: a área, a forma ou as distâncias. A projeção de 
Mercator é mais precisa nas distâncias, mas distorce as áreas. 
Já a projeção de Peters privilegia o tamanho da área, porém
não consegue apresentar as formas de maneira fiel.
3. (Fuvest 2011) Observe o mapa abaixo, no qual estão representadas cidades 
africanas em que ocorreram jogos da seleção brasileira de futebol pouco antes 
e durante a Copa do Mundo de 2010.
As distâncias*, em linha reta e em km, entre Johannesburgo e as demais cidades 
localizadas no mapa, estão corretamente indicadas em:
Dar es Salaam Harare Durban Porto Elizabeth
a) 25.900 9.100 5.600 10.500
b) 18.900 5.380 870 4.600
c) 2.590 910 560 1.050
d) 259 91 56 105
e) 1.890 530 87 460
*Valores aproximados.
RESOLUÇÃO
Para responder ao item, deve-se ler com atenção as informações disponíveis no
mapa, principalmente a sua escala, que é de 1:70.000.000. Isso significa que cada 
centímetro no mapa corresponde na realidade a 700 quilômetros. Dessa forma,
para saber a distância real entre as cidades africanas, deve-se multiplicar por 700 
as distâncias das cidades fornecidas no mapa em relação a Johannesburgo. Assim, 
obtêm-se os seguintes resultados, que correspondem à alternativa Css :CC
Cidade Cálculo da escala real Resultado
Dar Es Salaam (Tanzânia) 3,7 cm X 700 km 2.590 km
Harare (Zimbábue) 1,3 cm X 700 km 910 km
Durban (África do Sul) 0,8 cm X 700 km 560 km
Porto Elizabeth (África do Sul) 1,5 cm X 700 km 1.050 km
Resposta: C
24 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA
2
O dia 5 de novembro de 2015 ficará marcado na história pelo maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil. Na tarde daquela 
quinta-feira, a barragem do Fundão, na zona rural 
de Mariana (MG), rompeu-se, liberando cerca de 
50 milhões de metros cúbicos de rejeitos da produ-
ção de minério de ferro, formados principalmente 
por óxido de ferro, água e lama. A enxurrada tóxica 
devastou o distrito de Bento Gonçalves, próximo 
à barragem, matando 17 pessoas, deixando duas 
desaparecidas e desalojando outras centenas. Dez 
cidades foram atingidas pelo tsunami de lama, 
que avançou pelo Rio Doce e percorreu mais de 
600 quilômetros até chegar ao litoral do Espírito 
Santo. A barragem pertence à empresa Samarco, 
que é controlada por duas gigantes da mineração, a 
brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. 
O desastre, o maior relacionado à mineração 
já ocorrido no mundo, levantou questões sobre 
a segurança da atividade mineradora no Brasil. 
O país conta com uma legislação recente sobre 
o tema, em vigor desde 2010, que estabeleceu a 
Política Nacional de Segurança de Barragens, 
mas ainda não está totalmente regulamentada. 
Um projeto que estabelece o Novo Código de 
Mineração tramita há cinco anos no Congresso 
Nacional, colocando em lados opostos parla-
mentares ligados ao meio ambiente e aqueles 
que defendem os interesses das mineradoras.
O fato é que a atividade é uma importante fonte 
de riqueza e geração de empregos. Minas Gerais 
localiza-se na região do Quadrilátero Ferrífero, 
área formada por rochas metamórficas que abri-
gam importantes depósitos de minérios. Devido 
a essa característica, o estado tem sua economia 
fortemente atrelada à mineração, que responde 
por 7,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Em 
Mariana, 80% da arrecadação municipal vinha 
da extração mineral antes do desastre. Por isso, é 
fundamental encontrar uma solução sustentável 
que propicie ganhos econômicos sem comprome-
ter o meio ambiente e a segurança da população.
Neste capítulo, falaremos mais sobre o de-
senvolvimento dos minerais e seu impacto na 
exploração econômi-
ca.Aqui você também 
confere como os mo-
vimentos no interior 
da Terra modelam o 
relevo e influenciam 
desde a formação de 
minérios até a inci-
dência de terremotos 
e atividade vulcânica.
O rompimento da barragem da empresa Samarco libera 
uma enxurrada de rejeitos da produção de minério de 
ferro e provoca o maior desastre ambiental do Brasil
A tragédia de Mariana
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
� Composição e estrutura geológica .............................................................26
� Tipos de relevo ..................................................................................................28
� Placas tectônicas .............................................................................................30
� Relevo em movimento....................................................................................32
� Relevo do Brasil ................................................................................................36
� Recursos minerais ...........................................................................................38
� Características dos solos ...............................................................................40
� Deslizamento de terra e inundações ........................................................42
� Contaminação dos solos ................................................................................44
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................46
LAMA ARRASADORA 
Casas destruídas pelos 
rejeitos da produção de 
minério de ferro no distrito 
de Bento Gonçalves, em 
Mariana (MG): maior 
desastre relacionado à 
mineração no mundo
25GE GEOGRAFIA 2017 CHRISTOPHE SIMON/AFP
26 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA
O termo litos, em grego, significa “pedra” ou “rocha”. Portanto, conhecer a litosfera é saber literalmente onde estamos pisando, 
já que ela dá nome à camada sólida que reveste a 
esfera terrestre. Essa rigidez em sua superfície, 
aliás, é uma característica que nem todos os pla-
netas possuem. No Sistema Solar, além da Terra, 
somente outros três (Mercúrio, Vênus e Marte) são 
classificados como planetas rochosos. Os demais 
(Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são gigantes 
gasosos e não possuem uma crosta rochosa.
A litosfera é composta pela crosta e por uma 
parte do manto superior, conforme ilustra a ima-
Por 
dentro 
do globo
Conheça as 
características 
das camadas 
internas do 
planeta e como 
o relevo foi 
formado ao 
longo dos anos
Manto inferior
Manto superior
Fonte: ALMANAQUE ABRIL
Crosta
Núcleo externo
Núcleo 
central
CROSTA
É a parte superior ou externa da litosfera, 
encontrada tanto nas áreas continentais (crosta 
continental) como submersas pelos oceanos 
(crosta oceânica). A crosta continental apresenta 
espessuras que variam de 30 a 70 quilômetros, 
aproximadamente, com rochas mais densas na 
parte inferior e menos densas na porção superior, 
próxima da superfície. A crosta oceânica, por sua 
vez, tem espessura entre 6 e 7 quilômetros de 
profundidade e é constituída predominantemente 
por rochas mais densas.
gem abaixo. É sobre ela que o relevo ganha seus 
contornos, formando desde depressões até cadeias 
montanhosas. Além dessas camadas, a Terra possui 
outras partes em sua estrutura interna igualmente 
sólidas, como o núcleo interno, ou fluidas, como 
o manto e o núcleo externo. Conhecer essa estru-
tura e sua dinâmica é fundamental para entender 
fenômenos como os terremotos, as atividades 
vulcânicas e os tsunamis, por exemplo, e assim 
poder buscar os meios de se proteger contra seus 
efeitos devastadores. 
Veja abaixo, as características das diferentes 
camadas da Terra:
TETO DAS AMÉRICAS O Monte Aconcágua, na Argentina, é o ponto mais alto do continente americano, medindo 6.959 metros
AS CAMADAS DA TERRA
27GE GEOGRAFIA 2017 
A estrutura geológica
A estrutura geológica e mineralógica da crosta está na base do modo de vida das populações 
humanas, uma vez que fornece dezenas de recursos necessários à vida, como a produção de ali-
mentos (obtidos por meio do cultivo do solo), os materiais utilizados na construção de moradias 
(tijolos, cimento, ferro), a geração de energia (petróleo, urânio), entre inúmeros outros. Confira 
a seguir as principais estruturas geológicas da litosfera:
FORMAÇÃO DAS ESTRUTURAS GEOLÓGICAS
Escudo 
cristalino
Dobramentos 
modernos
Bacias 
sedimentares
2,5 bilhões 4,5 bilhões 250 milhões 
Arqueozoica Proterozoica Paleozoica Mesozoica Cenozoica
65 milhões 570 milhões 
ESCUDOS CRISTALINOS 
São os terrenos mais antigos da crosta terrestre, 
formados pelo choque de massas continentais 
ocorrido há centenas de milhões de anos durante 
a era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica). 
Os escudos cristalinos são constituídos de rochas 
magmáticas, ou seja, trata-se do magma – material 
líquido-pastoso proveniente do manto – em estado 
sólido. As rochas magmáticas dividem-se em duas 
categorias: as extrusivas, como o basalto, que são 
formadas com o esfriamento rápido do magma na 
superfície terrestre; e as intrusivas, como o granito, que 
são resfriadas lentamente dentro da crosta terrestre. 
Os escudos cristalinos também exibem as rochas 
metamórficas, que são o resultado da transformação 
das rochas magmáticas, sedimentares ou mesmo 
de outras metamórficas, por meio de processos 
químicos e físicos nas grandes profundidades 
da Terra. O mármore, por exemplo, é formado 
do calcário quando esse é submetido a altas 
temperaturas e pressão.
BACIAS SEDIMENTARES
Foram formadas nas eras Paleozoica e Mesozoica, 
com a erosão das rochas dos escudos cristalinos – 
após o desgaste dos maciços, seus sedimentos foram 
depositados em regiões mais baixas. O acúmulo 
desses detritos, somado aos restos orgânicos, leva à 
formação de rochas sedimentares pelo processo de 
MANTO SUPERIOR
É a parte da estrutura 
interna da Terra que se 
encontra logo abaixo 
da crosta e vai até cerca 
de 400 quilômetros 
de profundidade. 
Juntamente com a 
crosta, a parte superior 
do manto, formada por 
rochas sólidas, constitui 
a litosfera.
MANTO INFERIOR
Constituído por rochas fundidas diante das 
elevadas temperaturas, o manto inferior 
estende-se de 400 a 2.900 quilômetros de 
profundidade. É nessa parte que se formam 
as correntes de convecção do magma: o 
contato com o núcleo externo aumenta as 
temperaturas desses materiais, que são 
impulsionados em direção ao manto 
superior, onde se “resfriam” e, mais densos, 
tornam a descer para perto do núcleo, onde 
novamente são aquecidos e reiniciam o ciclo.
NÚCLEO 
EXTERNO
Localizado na 
faixa entre 2.900 e 
5.100 quilômetros, 
é constituído por 
dois minerais 
predominantes: 
o níquel e o ferro, 
totalmente fundidos 
pelas elevadas 
temperaturas.
NÚCLEO CENTRAL
O núcleo central constitui a 
camada que fica entre 5.100 
quilômetros e o centro da 
Terra, a 6.378 quilômetros. 
É constituído de uma liga 
metálica formada por ferro 
e níquel, porém em estado 
sólido em função da elevada 
pressão a que é submetido. Seu 
movimento de rotação é maior 
do que o do restante da Terra.
litificação. Essa deposição é feita em camadas. 
O calcário, presente em cavernas, o arenito e o 
carvão são exemplos de rochas sedimentares. 
DOBRAMENTOS MODERNOS 
Trata-se das formações mais recentes da crosta 
terrestre, surgidas do choque de placas ocorrido entre 
o fim da era Mesozoica e o início da Cenozoica. 
As rochas são mais flexíveis e situam-se na zona de 
contato entre as placas tectônicas. Nessa região de 
grande instabilidade e frequentes movimentos sísmicos, 
encontram-se montanhas e vulcões ativos e extintos.
PARA IR ALÉM
O filme Viagem ao 
Centro da Terra, de 
Eric Brevig, baseado 
na obra de Júlio Verne, 
conta a história de 
um grupo de pessoas 
que descobre um 
caminho para o núcleo 
do planeta. Esta obra 
de ficção apresenta 
características 
geológicas internas 
da Terra.
iSTOCK PHOTO 
28 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA TIPOS DE RELEVO
DEPRESSÕESSão áreas da superfície localizadas em 
altitude inferior à das regiões próximas 
(depressão relativa) ou abaixo do nível do 
mar (depressão absoluta). As depressões 
podem ser formadas de várias maneiras: 
por deslocamento do terreno, remoção de 
sedimentos, dissolução de rochas ou até 
por queda de meteoritos. O Mar Morto, 
situado 416 metros abaixo do nível do mar, 
é a maior depressão do globo. Ele banha 
Israel, Jordânia e Cisjordânia e leva esse 
nome em razão da elevada concentração 
de sal de suas águas – dez vezes superior 
à dos demais oceanos –, o que impede a 
existência de qualquer forma de vida.
MONTANHAS
Também chamadas de dobramentos 
modernos, são grandes áreas elevadas 
resultantes do choque de placas tectônicas 
(veja mais na pág. 32). Os maiores picos do 
mundo ficam na cordilheira do Himalaia, 
um complexo montanhoso que se estende 
por cinco países asiáticos: Paquistão, 
Índia, Nepal, Butão e China. Sua formação, 
iniciada há cerca de 70 milhões de anos, 
resulta do choque entre a placa tectônica 
Indiana e a placa Eurasiática (veja mais 
na pág. 31). O curioso é que a placa 
Indiana continua a se mover, fazendo 
com que o Himalaia se eleve a uma taxa 
de 5 milímetros por ano. 
SAIBA MAIS
O RELEVO SUBMARINO
Escondido sob o cobertor das águas mari-
nhas, o solo oceânico apresenta um rico relevo 
de montanhas, planaltos e fossas profundíssi-
mas. Como essas formas não estão expostas 
à erosão de agentes externos, como o vento 
e as chuvas, os perfis são mais contrastantes 
e escarpados. Podemos destacar três porções 
desse relevo submerso: 
Plataforma continental: terras submersas 
que se prolongam das terras emersas, como 
uma orla em torno dos continentes. Topogra-
ficamente, ela é uma superfície quase plana, 
formada pelo acúmulo de sedimentos de 
origem continental. Vai até os 200 metros de 
profundidade, que também é o limite da pe-
netração da luz solar (veja mais na pág. 54). 
Cordilheira submarina: elevações de forma 
regular que surgem ao longo dos oceanos, 
como a Dorsal Mesoatlântica. Essa cadeia de 
montanhas submersas tem mais de 10 mil 
quilômetros de comprimento e se estende 
no sentido norte-sul pela região central do 
Oceano Atlântico. Sua formação se deve ao 
afastamento das placas tectônicas, que per-
mitiu que o magma chegasse à superfície. Em 
alguns pontos, os picos se elevam acima do 
nível do mar e formam ilhas, como é o caso do 
arquipélago de Fernando de Noronha, no Brasil. 
Há outras cordilheiras submarinas nos ocea-
nos Índico e Pacífico, todas com uma caracte-
rística em comum: formam-se em locais onde 
as placas tectônicas estão se afastando umas 
das outras. O afastamento é lento (menos de 
2 centímetros ao ano), impulsionado pelas 
correntes convectivas do magma, que se eleva 
e forma novas rochas ao se resfriar.
Fossas oceânicas: também conhecidas como 
fossas abissais, são gigantescos abismos sub-
marinos formados quando uma placa tectôni-
ca é forçada para debaixo de outra, após uma 
colisão. O local mais profundo dos oceanos é 
a Fossa das Marianas, um enorme vale sub-
marino com 10.920 metros de profundidade, 
localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oce-
ano Pacífico. 
Ela tem por volta de 2,5 mil quilômetros de 
extensão e fica na fronteira entre duas pla-
cas tectônicas, a do Pacífico e a das Filipinas. 
Caso o Monte Everest fosse colocado dentro 
da Fossa das Marianas, ainda restariam mais 
de 2 mil metros de água entre seu pico e o 
nível do mar. 
As quatro faces da Terra
Conheça os principais tipos de relevo 
que constituem o cenário global 
PLANALTOS
São elevações de altitudes variadas, em 
que predomina o processo de erosão e cuja 
composição rochosa pode ser de rochas 
sedimentares, cristalinas ou metamórficas. 
Os planaltos apresentam superfície 
irregular, como serras e chapadas, e são 
delimitados por áreas rebaixadas em 
um de seus lados. O continente Africano 
se destaca pela presença de planaltos, 
com altitudes predominantes entre 400 
e 2 mil metros. Na porção leste/nordeste, 
destacam-se os planaltos da Etiópia e o dos 
Grandes Lagos. 
PLANÍCIES
São áreas de superfície relativamente 
plana, formadas por rochas sedimentares 
e nas quais predominam os processos 
de deposição e acúmulo de sedimentos. 
Na maior parte das vezes, as planícies 
são encontradas em baixas altitudes. Em 
geral, localizam-se próximas do litoral, 
como a planície do norte europeu, ou de 
grandes rios ou lagos, como ocorre com a 
planície do Rio Amazonas. Mas é bom ficar 
atento: não é a altitude de um relevo que 
determina se ele é uma planície; o principal 
fator definidor é o acúmulo de sedimentos. 
Nas regiões elevadas, por exemplo, 
existem as planícies de montanha, que 
são formadas de rocha sedimentar e 
delimitadas por aclives. 
ALTOS E BAIXOS Exemplos de relevo (da esquerda para a direita): Depressão do Mar Morto (Israel), 
Cordilheira do Himalaia (Nepal), Planalto do Apalache (EUA) e Planície Amazônica (Brasil)
[1]
29GE GEOGRAFIA 2017 
1. ÁSIA: Everest (Nepal) 8.850 m
2.
AMÉRICA DO SUL: 
Aconcágua (Argentina)
6.959 m
3.
AMÉRICA DO NORTE: 
McKinley (EUA)
6.194 m
4.
ÁFRICA: Kilimanjaro
(Quênia)
5.895 m
5. EUROPA: Elbrus (Rússia) 5.642 m
6. ANTÁRTICA: Maciço Vinson 4.897 m
7.
OCEANIA: Kosciuszko
(Austrália)
2.228 m
Fonte: Atlas National Geographic
MONTES MAIS ALTOS POR CONTINENTE
O maior deles fica na cordilheira do Himalaia, no Nepal
ELEVAÇÃO OCEÂNICA O arquipélago de Fernando de Noronha é formado a 
partir de alguns pontos emersos da Dorsal Mesoatlântica
[1] iSTOCK PHOTO | DIVULGAÇÃO | IRMO CELSO [2] iSTOCK PHOTO
AS FORMAÇÕES DO 
RELEVO NO MUNDO
4.800 m
3.000 m
1.800 m
1.200 m
600 m
300 m
150 m
0
-1.000m
-2.000 m
-3.000 m
-4.000 m
-5.000 m
-6.000 m
-7.000 m
-8.000 m
ALTITUDES
Picos
Fonte: IBGE
Aconcágua
Maciço Vinson
Pico da 
Neblina
Mte. McKinley
Mte. 
Elbrus
Mte. Kilimanjaro
Mte. Everest
Mte. Kosciuszko
TETO DO MUNDO
Os maiores picos 
do mundo ficam 
na cordilheira do 
Himalaia, um complexo 
montanhoso localizado 
no coração da Ásia.
NAS PROFUNDEZAS 
DO OCEANO
O local mais profundo 
dos oceanos é a Fossa das 
Marianas, um enorme vale 
submarino localizado a leste 
das Ilhas Marianas, 
no Oceano Pacífico
SALGADO E SEM VIDA
O Mar Morto banha 
Israel, Jordânia e 
Cisjordânia e é a maior 
depressão do globo 
BERÇO DAS ÁGUAS
O planalto dos Grandes Lagos abriga 
as nascentes das duas maiores bacias 
hidrográficas do continente: a do Rio 
Congo, a maior em volume de água, 
e a do Rio Nilo. 
CORDILHEIRAS OCEÂNICAS
A Dorsal Mesoatlântica forma 
uma cadeia de montanhas 
que se estende de norte a sul 
no Oceano Atlântico
As maiores altitudes (mancha marrom) ficam no 
centro-sul da Ásia. As planícies (áreas verdes e 
amarelo-claras) estão espalhadas pelo globo
SEDIMENTOS ACUMULADOS
A Planície Amazônica é uma 
faixa de terra que acompanha 
o Rio Amazonas e torna-se 
mais larga quando chega na 
foz, na Ilha de Marajó
[2]
30 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA PLACAS TECTÔNICAS
A s placas tectônicas são gigantescos blocosque compõem a camada sólida externa do nosso planeta (a litosfera), sustentando os 
continentes e os oceanos. Impulsionadas pelo
movimento do magma incandescente (material 
em estado líquido-pastoso no interior da Terra), 
as principais placas se empurram, afastam-se 
umas das outras e afundam ou se elevam alguns 
milímetros por ano, alterando suas dimensões e
modificando o contorno do relevo terrestre. Esses
imensos fragmentos atuam como artistas que, 
continuamente, recriam a paisagem da Terra.
Aliás, a palavra tectônica vem de tektoniké,
expressão grega que significa “a arte de cons-
truir”. A configuração atual dos continentes, por 
exemplo, é fruto de milhões de anos de “trabalho 
artístico” das placas. Veja ao lado as característi-
cas de 16 das mais importantes placas tectônicas.
A deriva continental
Desenvolvida pelo alemão Alfred Lothar We-
gener, a teoria da deriva continental não recebeu
muito crédito quando foi divulgada em 1912. À 
época, poucos acreditaramna hipótese levantada 
por este cientista de que, no passado geológico,
toda a crosta terrestre estava unida em um único
continente – a Pangeia – e que, posteriormente, ela 
se rompeu em dois supercontinentes: Laurásia e
Gondwana. Estas, por sua vez, se desmembraram
em várias outras partes, que passaram a se mover
em diferentes direções. Para sustentar sua argu-
mentação, Wegener recorreu à semelhança dos
contornos da África ocidental e do leste da América 
ç ç
do Sul e também à análise de fósseis e amostras de 
rochas. Posteriormente, a confirmação de que as 
placas rochosas flutuam sob magma incandescente 
ajudou a fortalecer a tese de Wegener.
Atualmente, geólogos do mundo inteiro reto-
mam e aprofundam as descobertas de Wegener 
a partir da teoria da Tectônica das Placas. Os
estudos em vigor desde a década de 1960 descre-
vem a analisam com detalhes os movimentos das 
placas que compõem a crosta terrestre, bem como
suas consequências, como os abalos sísmicos e 
as alterações no relevo terrestre e do fundo dos 
oceanos. Confira à direita como foi o processo de 
deslocamento de terras que resultou na formação
dos atuais continentes.
As construtoras 
da Terra
As placas tectônicas modelam e 
modificam o relevo do planeta há 
pp
milhões de anos
PLACA DE COCOS
Foi formada a partir do Foi formada a partir do
desprendimento da placa
do Pacífico. Fundiu-se com a 
placa do Caribe, criando uma 
zona turbulenta
QUEBRA-CABEÇA PLANETÁRIO
Conheça as características de 16 das 
mais importantes placas tectônicas
PLACA DA AMÉRICA 
DO NORTE
O deslocamento em relação à
placa do Pacífico cria uma zona
turbulenta: em um dos limites,
na Califórnia, está a falha de
San Andreas, famosa pelos
terremotos arrasadores
PLACA DO PACÍFICO
Com cerca de 70 milhões
de quilômetros quadrados,
está em constante
renovação na região do 
Havaí, onde o magma sobe
e cria ilhas vulcânicas. No
encontro com a placa das
Filipinas, ela afunda em
uma área conhecida como
fossa das Marianas, na
qual o oceano atinge sua
profundidade máxima:
10.920 metros
PLACA DE NAZCA
A cada ano, essa placa de
10 milhões de quilômetros
quadrados no leste do
Oceano Pacífico fica
10 centímetros menor pelas
trombadas com a placa
Sul-Americana. Esta, por ser
mais leve, desliza por cima
da placa de Nazca, criando
vulcões e elevando as
montanhas dos Andes
PLACA JUAN DE FUCA
É a menor das placas
tectônicas, que se fundiu
com a placa Norte-
Americana e criou a
cordilheira das Cascatas,
nos Estados Unidos
Todos os continentes estavam 
reunidos em um único chamado
Pangeia (do grego: toda terra), 
formado durante a era Paleozoica
225 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
A Pangeia começou a se partir
no sentido leste-oeste,
formando dois subcontinentes:
Laurásia e Gondwana
180 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
DERIVA DOS CONTINENTES
31GE GEOGRAFIA 2017
PLACA DA ÁFRICA
No meio do Atlântico, uma falha 
submersa abre caminho para o 
magma do manto inferior, fazendomagma do manto inferior, fazendo
com que esse bloco se afaste da
placa Sul-Americana e cresça de 
tamanho. A tendência é passar os
65 milhões de quilômetros atuais
PLACA DO CARIBE
A placa do Caribe desliza ao 
lado da placa Norte-Americana, 
criando falhas transformantes.criando falhas transformantes. 
Foi o atrito entre elas que gerou,
em 2010, o avassalador terremoto
no Haiti, país que fica no limite
entre as duas placas
PLACA SUL-AMERICANA
Como o Brasil está no meio 
desse bloco, ele sente pouco os
efeitos de terremotos. No centroefeitos de terremotos. No centro
do continente, a placa tem 200
quilômetros de espessura; na
borda com a placa da África, não
passam de 15 quilômetros
PLACA IRANIANAP
Localizada entre as placas Arábica e L
Euroasiática, o bloco sustenta a maior parte do E
território do Irã. Por causa disso, o país registrat
grande atividade sísmica, como o terremoto deg
2006, que matou mais de 31 mil pessoas2
PLACA DE ANATÓLIA
Sobre esta placa fica boa parte do 
território da Turquia. O choque
desse bloco com a placa Arábica e 
com a placa Euroasiática torna o 
país uma área sujeita a violentas 
atividades sísmicas
PLACA DA ANTÁRTICA
É o bloco que dá suporte
à Antártida e a uma parte 
do Atlântico Sul, em um total 
de 25 milhões de quilômetros
quadrados
PLACA ARÁBICA
A placa sustenta a
Península Arábica e foi 
responsável pela criação do
Mar Vermelho. O choque
com a placa Euroasiática
e com a placa Indiana
provoca fortes terremotos
PLACA AUSTRALIANA
O bloco que sustenta a Austrália 
e a maior parte do Oceano Índico 
ruma velozmente para o norte. 
Além de se chocar com a placa 
Indiana, a borda nordeste bate na
placa do Pacífico, criando ilhas na
região turbulenta
PLACA INDIANA
A placa comporta todo o subcontinente A
indiano. No choque com a placa Euroasiática, 
nasceu o conjunto de montanhas do Himalaia, 
no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas 
com altitudes superiores a 7 mil metros
PLACA DAS FILIPINAS
Essa placa concentra em seus limites quase a
metade dos vulcões ativos do planeta. Colisões
com a placa Euroasiática causam terremotos c
e erupções destruidoras, como a do Monte e
Pinatubo, em 1991, uma das mais violentas dos 
últimos 50 anos
PLACA EUROASIÁTICA
Sustenta a Europa, parte da Ásia, do Atlântico
Norte e do Mar Mediterrâneo. Ela se choca
contra a placa das Filipinas e com a do
Pacífico, onde fica o Japão. O encontro triplo 
é tumultuado e dá origem a uma das áreas
do globo com o maior índice de terremotos e
vulcões do planeta
[1]
Fendas separaram a
 América do Sul, a África e a Índia,
iniciando a formação dos oceanos
Atlântico e Índico
ç
135 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
A placa da Índia deslocou-se em
direção à Ásia. O choque entre
os dois blocos formou as regiões
elevadas do Himalaia e do Tibete
65 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
Na atual configuração da Terra,
a deriva continua. A América do Sul,
por exemplo, afasta-se da África
cerca de 5 centímetros por ano
ATUALMENTE
[1] MULTI/SP [2] LUIZ IRIA E RODRIGO RATIER/REVISTA MUNDO ESTRANHO
[2]
32 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO
E O VENTO MUDOU As dunas exemplificam como 
o relevo está sujeito a transformações
[1]
O relevo é resultado da dinâmica de fenômenos internos e exter-nos sobre a camada mais super-
ficial da Terra, a litosfera. Depressões, 
planícies, planaltos e montanhas foram 
esculpidos no decorrer de milhões de 
anos – e continuam em constante trans-
formação. A qualquer momento, por 
exemplo, terrenos podem ser elevados 
por pressões de dentro do planeta ou 
mesmo ser gastos por agentes do intem-
perismo, mudando de cara e ganhando 
novas curvas. 
Duas ações combinam-se para modelar 
o relevo: as forças internas ou endógenas, 
que dão as linhas mestras do relevo, e as 
externas ou exógenas, que modificam 
as formas já existentes. Veja a seguir as 
forças que esculpiram – e continuam 
esculpindo – os contornos do planeta.
Eu tenho 
a força!
Os vigorosos agentes internos 
e externos que, a cada segundo, 
modelam o relevo
FORÇAS INTERNAS 
Também chamadas de endógenas, são as forças responsáveis 
por dar forma ao relevo. São três os agentes internos do globo: 
o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos.
1 TECTONISMO
 São os lentos deslocamentos das placas tectônicas, que podem ser vertical 
ou horizontal. Quando é vertical (epirogênese), levanta ou abaixa a crosta 
durante um prolongado espaço de tempo. 
É o que ocorre, por exemplo, na Península Escandinava, que se eleva alguns 
centímetros todo ano. 
Quando o movimento de uma placa em relação a outra é horizontal (orogênese), 
uma acaba entrando embaixo da outra (a subducção). 
É o processo que resulta na formação das imensas cadeias de montanhas 
e de fossas. Veja exemplos de como as placas tectônicas se movimentam.
FALHAS TRANSFORMANTES
São criadas por duas placas que deslizam uma ao lado 
da outra. O atrito entre elas guarda muita tensão, que 
pode causar terremotos destruidores. Exemplo disso é 
a falha de San Andreas, que corta a costa da Califórnia, 
nos Estados Unidos, e o litoral oeste do México.
PLACAS CONVERGENTES1
São placas que vão uma de encontro à outra. A placa 
mais densa mergulha para baixo da menos densa. É o 
caso do choque entre uma placa oceânica (mais densa) 
e outra continental. Elas se comprimem, dando origem 
a cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes. 
As regiões em que esse de tipo de choque ocorre são 
suscetíveis a terremotos.
PLACAS CONVERGENTES 2
Quando as placas têm a mesma densidade (duas 
placas continentais, por exemplo), chocam-se e se 
comprimem. O Himalaia é resultado desse fenômeno.
PLACAS DIVERGENTES
São aquelas que se afastam. Pela falha aberta na 
crosta pode escapar magma, dando origem a ilhas 
vulcânicas, como as do Havaí. O Oceano Atlântico é 
cortado de norte a sul por uma falha desse tipo, que 
está afastando a América do Sul da África. Esse tipo de 
estrutura provoca menos terremotos.
33GE GEOGRAFIA 2017 
2 VULCANISMO
 Os vulcões são fendas na crosta 
terrestre por meio das quais o magma, 
o material em estado líquido-pastoso 
vindo do manto, atinge a superfície. 
Existem dois tipos básicos de vulcão: o 
explosivo e o não explosivo. O primeiro 
aparece nos pontos de encontro 
das placas tectônicas, os grandes 
blocos que formam a litosfera – seu 
melhor exemplo está nos vulcões que 
desenham o Cinturão de Fogo, em 
torno do Oceano Pacífico. Esse tipo se 
caracteriza também pela lava quase 
sólida, além de expelir poeira e uma 
mistura de gases e vapor-d’água. A lava 
desses vulcões vem das profundezas 
da Terra, onde a temperatura elevada 
derrete a rocha da crosta oceânica e faz 
com que ela se misture à água do mar. 
É justamente a presença de água que 
confere o caráter explosivo ao vulcão. 
Isso ocorre porque, conforme a lava 
sobe, o vapor-d’água é liberado da 
rocha e esbarra numa tampa formada 
pelo material endurecido da explosão 
anterior, aumentando a pressão até 
explodir de vez. Já os vulcões não 
explosivos, como os do Havaí, ficam 
bem no meio de uma placa tectônica, 
longe do choque entre elas. Esse tipo 
surge quando ocorre alguma fissura na 
crosta terrestre por onde a lava pode 
escorrer. Essa lava é mais líquida e 
incandescente.
NATUREZA EM FÚRIA
POMPEIA
UMA REGIÃO VITIMADA PELA FÚRIA DO VESÚVIO 
Hoje, parece impossível viver à beira de um vulcão e não se dar conta do perigo. Mas era 
assim que os moradores do balneário romano de Pompeia levavam a vida no ano de 79, pois 
já fazia quase 2 mil anos que o Monte Vesúvio não entrava em erupção. Quando a montanha 
soltou um estrondo, o chão tremeu e uma nuvem preta encobriu o sol, as pessoas saíram 
para a rua, curiosas.
Alguns minutos depois do primeiro rugido, o vulcão lançou uma saraivada de pedras 
e começou a fazer as primeiras vítimas. Outras morriam ao respirar a fumaça. No fim do 
processo, duas avalanches cobriram Pompeia com 6 metros de cinzas e pedras, matando 
16 mil pessoas. A coisa aconteceu de forma tão rápida que é como se as cidades tivessem 
ficado congeladas no tempo, tornando-se os registros mais detalhados da era romana que 
chegaram até nós. A foto ao lado mostra o “Jardim dos Fugitivos”, que abriga diversos corpos 
fossilizados, cobertos pelas cinzas do Vesúvio.
ACESSO ÀS 
PROFUNDEZAS 
Os vulcões, como 
o Parinacota, no 
Deserto do Atacama, 
no Chile, são fendas 
por onde o magma sai
PARA IR ALÉM
O documentário 
Tudo sobre Vulcões, 
do Discovery Channel, 
apresenta imagens de 
uma série de erupções 
vulcânicas e teorias 
desenvolvidas por 
cientistas que podem 
ajudar a prever 
esses fenômenos.
[1] SERGIO DUTTI [2] FELIPE ORRIGO [3] VALDEMIR CUNHA
[2]
[3]
34 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO
3 ABALOS SÍSMICOS
 São tremores na superfície terrestre 
causados pelo movimento das placas 
tectônicas ou em virtude da grande 
energia liberada pelo vulcanismo. Eles 
se propagam a partir do hipocentro 
(foco de contato entre as placas) em 
ondas pelas rochas, atingindo regiões 
distantes do epicentro (ponto na 
superfície da Terra diretamente acima 
do local onde se registra a maior 
intensidade do tremor). A cada vez 
que as enormes placas se encontram, 
grande quantidade de energia fica 
acumulada em suas rochas. De tempos 
em tempos, o arsenal é liberado de 
forma explosiva – essa liberação pode 
ser sentida por meio de terremotos 
que chacoalham as áreas continentais 
do globo, geralmente nas bordas das 
placas. Quando os abalos sísmicos 
ocorrem no fundo oceânico, são 
batizados de maremoto. Esses últimos 
podem causar os temíveis tsunamis, ou 
ondas gigantes (veja mais na pág. 58).
NATUREZA EM FÚRIA
HAITI
VIOLENTO TERREMOTO DEVASTA PAÍS POBRE
No dia 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu 
violentamente no Haiti. Em apenas um minuto, 
o terremoto de 7 pontos na escala Richter 
derrubou 90% das construções de sua capital, 
Porto Príncipe. Mais de 3 milhões de pessoas – 
um terço da população haitiana – foram afe-
tadas pelo tremor. O número de mortos é 
estimado entre 220 mil e 250 mil.
O terremoto no Haiti foi uma tragédia anun-
ciada. A ilha de Hispaniola, que abriga o Haiti 
e a República Dominicana, fica sobre a fenda 
entre duas grandes placas tectônicas, a do 
Caribe e a Norte-Americana (veja mais na 
pág. 30). E regiões desse tipo estão sujeitas 
a abalos sísmicos. 
País mais pobre das Américas, o Haiti já 
tinha enormes carências mesmo antes da 
catástrofe. Em 2016, seis anos após o terre-
moto, 60 mil pessoas ainda vivem em acam-
pamentos improvisados. Sem perspectivas, 
muitos haitianos acabam migrando para 
nações como o Brasil, onde esperam uma 
oportunidade de recomeçar a vida.
VOCÊ SABIA?
TERREMOTOS NO BRASIL
As regiões mais propícias a terremotos localizam-se na junção das 
placas tectônicas. Isso explica a maior incidência de tremores em 
países como Chile, Japão e Irã. Como o Brasil fica bem no meio da 
placa Sul-Americana, uma região bem mais estável, não há abalos 
sísmicos de grandes proporções. Mas isso não significa que estamos 
livres de tremores. Fenômenos de pequena intensidade podem 
se manifestar como reflexo de outros ocorridos em locais mais 
distantes em razão de pequenas falhas nas placas. Em abril de 2008, 
um abalo de 5,2 pontos na escala Richter atingiu a cidade de São 
Paulo e assustou milhares de moradores. Um ano antes, um tremor 
de 4,9 pontos na cidade de Itacarambi, no norte de Minas Gerais, 
provocou a primeira vítima fatal de terremotos no Brasil, depois que 
uma parede caiu sobre uma criança de 5 anos.
[1]
DEVASTADO O terremoto no Haiti, em 2010, derrubou 90% das construções da capital, Porto Príncipe
35GE GEOGRAFIA 2017 
FORÇAS EXTERNAS 
Também chamadas de exógenas ou agentes esculpidores, são as forças que modelam 
o relevo terrestre. Os principais agentes desse grupo são a erosão e o intemperismo:
2 INTEMPERISMO
 É o processo de degradação das 
rochas provocado por fenômenos 
químicos e físicos. 
� O INTEMPERISMO QUÍMICO ocorre 
quando a rocha tem sua composição 
química alterada pelo efeito da água 
e da umidade no decorrer dos anos, 
provocando sua decomposição.
� O INTEMPERISMO FÍSICO ou mecânico 
consiste na fragmentação das 
rochas por meio de alguns dos 
seguintes processos:
 • solidificação da água: a água em 
estado líquido se infiltra na fenda das 
rochas, onde fica acumulada. Com 
a queda de temperatura, a água se 
solidifica, passando a ocupar um volume 
10% maior que o do estado líquido, o 
suficiente para fragmentar a rocha.
 • raízes de plantas: o crescimento das 
raízes das árvores por entre as rochas 
alarga as fendas e ajuda a desintegrar 
sua estrutura.
 • variação de 
temperatura: 
em locais onde 
a alteração da 
temperatura 
diária é mais 
constante – como 
nos desertos 
ou em regiões 
próximas aos 
polos –, as rochas 
estão sujeitas 
a contrações 
e dilatações 
frequentes. Com 
o tempo, esse 
processo provoca 
fraturas em sua 
composição. 
1 EROSÃO
 A exposição prolongada a agentes 
naturais provoca o desgaste das 
rochas e dos solos. 
 O processo de desintegração e 
consequente transporte do material 
decomposto recebeo nome de 
erosão. Veja os principais elementos 
causadores desse fenômeno.
VENTOS
As dunas dos desertos e as paisagens 
das praias são exemplos clássicos de 
formação por erosão eólica.
RIOS
Vales, cânions 
e planícies nos 
mais diversos 
continentes são 
moldados pelo 
movimento 
sinuoso das 
águas dos rios.
MARES
O choque das 
ondas do mar 
em paredões 
litorâneos 
provoca o 
desgaste da 
superfície, 
dando origem 
às falésias.
GELEIRAS 
Os fiordes na Península 
Escandinava, no norte 
da Europa, também 
são formados pelo 
deslocamento das 
geleiras e pelo desgaste 
que elas provocam 
nas montanhas.
[1] iSTOCK PHOTO [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL NOVAES [4] RODRIGO CESAR [5] iSTOCK PHOTO
[2]
[3]
[4]
[5]
� O QUE ISSO TEM A 
VER COM A FÍSICA 
Quando um 
corpo sólido que 
tem dimensões 
significativas 
é submetido a 
uma variação de 
temperatura, ocorre 
uma dilatação ou 
contração volumétrica. 
Para calcular a 
variação do volume 
de um corpo em 
função da variação 
de temperatura 
é utilizado um 
coeficiente de 
dilatação volumétrico. 
Para saber mais, veja 
o GUIA DO ESTUDANTE 
FÍSICA.
36 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA RELEVO DO BRASIL
BACIA SEDIMENTAR 
AMAZÔNICA
ESCUDO DO 
BRASIL CENTRAL
ESCUDO 
DAS GUIANAS
BACIA 
SEDIMENTAR 
DO MARANHÃO
ESCUDO 
ATLÂNTICO
DOBRAMENTOS
– ATLÂNTICO
DOBRAMENTOS
– NORDESTE
DOBRAMENTOS
– BRASÍLIA
BACIA 
SEDIMENTAR
DO PARANÁ
Predomínio de rochas sedimentares
Predomínio de rochas cristalinas
0 250 500 750
km
Oceano 
Atlântico
Oceano 
Atlântico
Fonte: IBGE
Terra 
(velha) 
à vista!
Os principais 
tipos de relevo 
do Brasil foram 
esculpidos 
sobre rochas 
de milhões e 
milhões de anos
Apesar de o Brasil ser uma nação relati-vamente jovem, com pouco mais de 500 anos, contando a partir da chegada dos 
portugueses, seus terrenos são de outras eras. 
Tudo teve início há cerca de 4,5 bilhões de anos, 
quando a litosfera começou a se formar, com o 
resfriamento do magma, e, mais tarde, com os 
movimentos das placas tectônicas. Nesses pri-
mórdios da história terrestre, durante a era Ar-
queozoica, as primeiras rochas deram origem aos 
escudos cristalinos, ou maciços antigos, um dos 
dois tipos de formação geológica que ocorrem no 
Brasil. Do longo processo de erosão dos escudos 
cristalinos surgiu o outro tipo de estrutura geo-
lógica do país: as bacias sedimentares. Presentes 
na maior parte do território, são constituídas de 
rochas formadas pela desagregação de outras 
rochas e de diferentes materiais (veja a estrutura 
geológica brasileira no mapa abaixo).
Em razão dessa formação antiga, e sofrendo 
há milênios com a erosão de agentes do intem-
perismo como ventos e chuva, as altitudes por 
aqui são modestas: aproximadamente 40% do 
território se encontra abaixo de 200 metros de 
altitude e cerca de 90% não passa de 900 metros. 
Outro fator para termos um relevo considerado 
tão baixo é a ausência dos dobramentos modernos 
que deram origem a imensas cadeias de mon-
tanhas, como os Alpes e os Andes. Isso ocorre 
porque o Brasil se localiza bem no meio da placa 
Sul-Americana, longe das zonas de choque entre 
as placas tectônicas, onde se dão os movimentos 
de soerguimento ou afundamento das placas. 
Sem as cadeias de montanhas, sobram-nos 
outros três principais tipos de relevo: planaltos, 
planícies e depressões. Com base nisso, no de-
correr dos anos, os estudiosos propuseram várias 
classificações do perfil geográfico brasileiro. A 
mais aceita foi estabelecida, nos anos 1990, pelo 
geógrafo Jurandyr Ross, da Universidade de São 
Paulo (USP). Considerando o processo de forma-
ção dos diversos relevos do mundo (veja mais na 
pág. 27), e também a altitude das formações do 
Brasil, Ross chegou à definição de 28 estruturas 
no país: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies. 
Veja na página ao lado três destaques do ancestral 
relevo brasileiro.
PERTO DO CÉU Entre MG e RJ, o Pico das Agulhas Negras é o quinto mais alto do Brasil, com 2.791 metros
ESTRUTURA GEOLÓGICA DO BRASIL
37GE GEOGRAFIA 2017 
PLANÍCIES E 
TABULEIROS LITORÂNEOS
Relevo característico do litoral das 
regiões Norte e Nordeste e do norte 
do Espírito Santo, constitui-se da 
combinação de planícies, formadas 
pela deposição de sedimentos de 
rios e do mar, e dos tabuleiros, 
terrenos de baixa altitude (entre 
30 e 60 metros) que terminam 
de forma abrupta na costa, em 
escarpas – neste caso chamadas 
de falésias. Na definição de Ross, 
as planícies são superfícies planas 
e áreas em que o processo de 
acumulação de sedimentos é maior 
que o erosivo.
DEPRESSÃO DO ARAGUAIA 
Acompanhando o leito do Rio Araguaia, essa 
depressão tem superfície entre 300 e 400 
metros de altitude; configura-se uma depressão 
por estar abaixo dos terrenos que a circundam. 
Na definição de Ross, depressões são 
superfícies formadas por processos erosivos, 
com suave inclinação e menos irregulares que 
planaltos. Entre as 11 depressões brasileiras, 
também merecem destaque a depressão da 
Amazônia Ocidental (com cerca de 200 metros 
de altitude) e a depressão da borda leste da 
bacia do Paraná (que chega a atingir altitudes 
entre 600 e 750 metros). 
1
2
7
4 10
9 5 6
3
8
Fontes: IBGE e Jurandyr Ross
Planaltos
Planícies
Depressões
DESTAQUES DO RELEVO BRASILEIRO
2
3
1
0 m
1.000 m
2.000 m
3.000 m
Planaltos Residuais 
Norte-Amazônicos
Depressão Marginal 
Norte-Amazônica
Planalto da 
Amazônia Oriental
Planície do 
Rio Amazonas
Depressão Marginal 
Sul-Amazônica
Planaltos 
Residuais 
Sul-Amazônicos
PERFIS DE RELEVO
Confira três grandes recortes do Brasil
NORTE Este perfil (noroeste-sudeste), com cerca de 2 mil quilômetros, vai das altas serras 
de Roraima até Mato Grosso. Mostra as faixas de planícies às margens do Rio Amazonas, 
a partir das quais vêm extensões de terras mais altas: planaltos e planícies
0 m
1.000 m
2.000 m
3.000 m
Planície do 
Pantanal Mato-
Grossense Oceano 
Atlântico
Planaltos e 
chapadas da 
bacia do Paraná
Rio Paraná
Depressão 
periférica da 
borda leste 
da bacia do Paraná
Planaltos e 
serras do Atlântico
leste-sudeste
0 m
1.000 m
2.000 m
3.000 m
Rio Parnaíba
Planaltos e 
chapadas da 
bacia do rio 
Parnaíba
Escarpa 
(ex-serra) 
do Ibiapaba
Depressão 
Sertaneja
Planalto da 
Borborema Tabuleiros 
litorâneos
Oceano 
Atlântico
NORDESTE Com quase 1,5 mil quilômetros, este perfil vai do Maranhão a Pernambuco. É um 
retrato fiel do relevo da região, com destaque para os dois planaltos (o da bacia do Parnaíba 
e o de Borborema) cercando a Depressão Sertaneja (ex-Planalto Nordestino)
CENTRO-OESTE E SUDESTE Este corte, de cerca de 1,5 mil quilômetros, vai de 
Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Além da planície do Pantanal, pode-se ver a bacia 
do Paraná, formada por rios de planalto, que abrigam as maiores hidrelétricas do país
PONTOS MAIS ALTOS DO BRASIL 
(em metros) 
 1 2.993 Pico da Neblina
 2 2.972 Pico 31 de Março
 3 2.891 Pico da Bandeira
 4 2.798 Pico Pedra da Mina
 5 2.791 Pico das Agulhas Negras
 6 2.769 Pico do Cristal
 7 2.734 Monte Roraima
 8 2.680 Morro do Couto
 9 2.670 Pedra do Sino de Itatiaia
 10 2.665 Pico Três Estados
Fontes: IBGE e Jurandyr Ross
PLANALTOS E SERRAS DO 
ATLÂNTICO LESTE-SUDESTE 
Estendendo-se do sul da Bahia ao sul do país, 
esse imenso planalto é composto de diferentes 
subunidades morfológicas, como a Serra do Mar e a 
Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são formados 
de antigos escudos cristalinos, que, em alguns 
pontos, e há milhões de anos, foram erguidos por 
movimentos resultantes do choque entre placas 
tectônicas a grande distância. O resultado disso é 
o relevo acidentado e heterogêneo da região, com 
vales profundos, escarpas (terrenos muito íngremes 
que lembram degraus), chapadas (superfícies 
extensas e horizontais, de elevada altitude) e 
elevações, como o Pico das Agulhas Negras, na Serra 
do Itatiaia (MG/RJ), de 2.791,55 metros. Na definição 
de Ross, o planalto caracteriza-se por ser uma região 
em que o processoerosivo supera o de acumulação 
– são conhecidos como formas residuais, ou 
seja, resultantes do processo de erosão. Além de 
cristalinos, podem ser sedimentares, como é o caso 
dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos.
MARIO RODRIGUES
3
2
1
38 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA RECURSOS MINERAIS
A s rochas são agrupamentos de minerais que formam a crosta terrestre e se desenvolve-ram no decorrer de bilhões de anos. Entre 
as mais de 3,5 mil variedades de rochas, estão os 
minérios, dos quais podemos extrair substâncias 
de interesse econômico. No conjunto dos minérios, 
distinguem-se aqueles utilizados para a obtenção 
de metais, como o alumínio, o ferro, o magnésio e 
o titânio. Embora os minérios metálicos tendam 
a se concentrar em maciços rochosos por toda a 
crosta terrestre, os depósitos mais explorados en-
contram-se em rochas metamórficas, nos escudos 
cristalinos da crosta continental. 
O ouro e a platina são os únicos minérios me-
tálicos que ocorrem principalmente na forma 
Riqueza 
que vem 
do solo
Conheça o 
processo de 
formação 
geológica dos 
minérios e 
suas principais 
aplicações 
econômicas
de metais na natureza. Zinco, prata, ferro, cobre 
e outros metais também podem ser achados 
no estado primário, mas normalmente estão 
associados a outros minerais. Nesses casos, os 
minérios são reduzidos pela metalurgia para se 
transformar em metais. 
As substâncias minerais são utilizadas como 
matéria-prima em diversos processos de manu-
fatura. Alguns exemplos são: o alumínio e o ferro 
na construção civil; o manganês na fabricação 
de fertilizantes e pilhas; as argilas na fabricação 
de cerâmicas; o zircônio na fabricação de pisos 
e revestimentos; e o caulim na fabricação de 
papel e celulose, vidros e tintas. 
Onde estão os minérios no Brasil
Com aproximadamente 36% de seu território 
formado por escudos cristalinos, o Brasil pos-
sui algumas das reservas minerais mais ricas 
do planeta, incluindo minério de ferro, bauxita 
(alumínio), cobre, zinco, cromo, níquel, calcário 
e argila. A maioria dos minérios metálicos do 
Brasil encontra-se em Minas Gerais, na região 
chamada Quadrilátero Ferrífero, e no Pará, na 
província mineral de Carajás. Os dois estados 
respondem por quase dois terços de toda a pro-
dução mineral brasileira. 
Outras unidades da federação também abri-
gam importantes reservas minerais. Rio Grande 
do Sul e Santa Catarina, por exemplo, destacam- 
se pelo carvão. Já Bahia e Espírito Santo estão 
entre os principais produtores de pedras precio-
sas do Brasil, enquanto Goiás tem significativas 
jazidas de cobre. Veja no mapa onde se localizam 
as principais jazidas minerais no país.
PRINCIPAIS RESERVAS MINERAIS NO BRASIL
Bauxita
Cobre
Diamante
Ferro
Manganês
Níquel
Ouro
Fonte: Departamento Nacional 
de Produção Mineral
Bauxit
Cobre
Diama
Ferro
Manga
TERRA FERIDA 
Marcas de mineração na 
Serra do Curral, em Belo 
Horizonte (MG)
39GE GEOGRAFIA 2017 
Área pré-sal
Petrobras + Parceiros pré-sal
Petrobras + Parceiros pós-sal
Petrobras pré-sal
Petrobras pós-sal
Libra
Júpiter
Ostra
Abalone
Argonauta
Bacia de CamposRota 1 - Mexilhão
Rota 2 - Com
perj
Ro
ta
 3 
- T
ec
ab
Bacia de Santos
Lula
Área de Iracema Iara
Franco
Parati
Lapa
Sapinhoá
BM-S-50
Caramba
Bem-Te-Vi
Carcará
SP
RJ
ES
MG
Fonte: Petrobras
Formação do petróleo
Principal fonte de energia mundial, o petróleo 
é um combustível fóssil formado da decom-
posição de matérias orgânicas em ambientes 
marinhos. O acúmulo de restos de animais e 
vegetais microscópicos que se precipitam no 
fundo marinho origina bacias sedimentares, nas 
quais, em milhões de anos, a ação de microrga-
nismos, o calor e a pressão intensos reduzem a 
matéria orgânica a uma massa viscosa de car-
bono e hidrogênio – o petróleo. Infiltrando-se 
por rochas porosas, ele migra para regiões de 
menor pressão até sair para a superfície ou topar 
com uma camada impermeável. Bloqueado, o 
petróleo se acumula nos poros e fraturas das 
rochas sedimentares, de onde é extraído. 
As regiões mais propícias para a formação do 
petróleo são mares interiores, baías e golfos. As 
reservas existentes no interior dos continen-
tes resultam de áreas originalmente marinhas 
que foram erguidas por meio de movimentos 
na crosta terrestre ou do óleo que migrou das 
rochas geradoras até as rochas armazenadoras 
através das fissuras.
O pré-sal brasileiro
Desde que foram descobertas as reservas de 
petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, 
em 2007, um novo termo passou a frequentar os 
noticiários: o pré-sal. Trata-se do nome que os 
geólogos dão à camada de rochas porosas que 
se localiza abaixo de uma espessa camada de sal 
no subsolo marinho. É lá que ficam os grandes 
reservatórios de petróleo, em uma faixa que se 
estende por 800 quilômetros na área marítima 
entre o Espírito Santo e Santa Catarina, a mais 
de 7 mil metros de profundidade. A explora-
ção do petróleo no pré-sal pode fazer o Brasil 
dobrar suas reservas, que estão em torno de 15 
bilhões de barris.
As jazidas do pré-sal começaram a se formar 
há mais de 100 milhões de anos, quando o super-
continente Gondwana se partiu, dando origem 
aos continentes sul-americano e africano (veja 
na pág. 30). Na Bacia de Campos, o principal 
campo petrolífero brasileiro localizado na camada 
pós-sal, o óleo está armazenado em rochas com 
predomínio de silício. No pré-sal, a substância 
encontra-se armazenada em rochas constituídas 
essencialmente de carbonato de cálcio e magnésio, 
o que dificulta o trabalho dos geólogos. Mesmo 
com esses desafios, a extração nos poços da ca-
mada do pré-sal já responde por um terço do total 
de petróleo produzido no país, ultrapassando a 
marca de 1 milhão de barris por dia.
SAIBA MAIS
GÁS DE XISTO 
Nos últimos anos, a exploração do gás de xisto vem 
revolucionando o setor energético, especialmente 
nos Estados Unidos (EUA), onde a tecnologia para sua 
extração é mais desenvolvida. O mineral em questão, 
na verdade, é o folhelho – xisto é o nome informal 
e mais conhecido no mercado de energia. Trata-se 
de uma formação de rocha sedimentar, resultante 
da decomposição de material orgânico, sob calor e 
pressão no subsolo. Ele contém gás natural e uma 
forma de petróleo, chamada de pirogênio, da qual 
se produzem os mesmos derivados do petróleo 
convencional, como gasolina e diesel. As novas 
técnicas de perfuração do solo, contudo, envolvem 
riscos de contaminação dos lençóis freáticos e de 
desestabilização do solo. Por causa disso, a exploração 
do xisto é proibida em muitos países.
No Brasil foi realizado um leilão em 2013 para licitar 240 
blocos com potencial para exploração do xisto. No entanto, 
os trabalhos vêm sendo embargados pela Justiça, que 
exigem uma definição a respeito do uso da nova tecnolo-
gia pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
� COMBUSTÍVEIS 
FÓSSEIS
Eles recebem 
esse nome pois se 
formaram a partir da 
fossilização de seres 
vivos: do plâncton 
marinho, no caso 
do petróleo e do gás 
natural, e de florestas 
e pântanos no caso 
do carvão mineral. 
As reservas 
atualmente exploradas 
são resultantes 
da deposição e 
decomposição 
ocorridas em tempos 
geológicos passados.
O mapa mostra a extensão e 
jazidas do pré-sal, além de jazidas 
do pós-sal. Nos campos em que a 
Petrobras trabalha com petroleiras 
estrangeiras, nominamos apenas 
aqueles que são do pré-sal 
AS JAZIDAS DO PRÉ-SAL
YANN ARTHUS-BERTRAND
40 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS
O solo é uma camada com espessuras variadas (de alguns centímetros a vários metros) de material não consolidado que cobre 
a superfície da crosta terrestre. Constituído por 
matéria mineral e matéria orgânica, é o substrato 
para a vida dos ecossistemas. Os solos são resultado 
da decomposição das rochas, que através dos anos 
passam por um processo de intemperismo físico, 
químico e biológico. Esse processo cria diferentes 
camadas, às quais se dá o nome de horizontes. O 
conjunto dos horizontes constituio perfil do solo, 
que permite identificar o estágio de formação em 
que se encontram (veja a figura abaixo).
Camada sobre camada
Saiba mais sobre as características dos solos e 
os fatores que contribuem para sua fertilidade
Fonte: GOETTEMS, Arno Aloísio; JOIA, Antonio Luís. Geografia: leituras e interação – vol. único. São Paulo: Leya, 2013. Pg 93.
Fertilidade dos solos
Os solos podem ser classificados em “agri-
cultáveis” e “não agricultáveis”. Geralmente, as 
terras que não permitem a exploração agrícola 
são encontradas em altitudes muito elevadas, 
como nos picos do Himalaia, dos Andes e demais 
cadeias montanhosas, ou em regiões desérticas 
frias (regiões polares) e quentes (Deserto do 
Saara), onde as restrições decorrem das tem-
peraturas extremas ou da escassez de água. 
As áreas mais exploradas para a produção 
agropecuária são aquelas com climas favoráveis, 
com pluviosidade e temperaturas adequadas, 
FORMAÇÃO E PERFIS DE SOLO EM CLIMAS ÚMIDOS
Nos solos maduros podem ser identificadas as camadas O, A, B e C, que se diferenciam pela 
composição físico-química, cor, presença ou ausência de matéria orgânica, entre outras características. 
CARACTERÍSTICAS DOS HORIZONTES DO SOLO
O 
Horizonte orgânico, também denominado 
de serrapilheira. Corresponde à camada 
superficial de florestas e matas; é 
composto de materiais de origem vegetal 
e animal em decomposição.
A 
Horizonte mineralógico. Composto 
de material de origem mineral 
proveniente da rocha-mãe ou trazido 
de outros lugares por vento, água ou 
gelo. Há grande presença de matéria 
orgânica decomposta, motivo pelo 
qual pode ser denominado horizonte 
humífero (húmus).
B 
Horizonte de acumulação de argila, matéria 
orgânica e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio 
provenientes das camadas superiores. Esse 
processo de transferência de minerais entre 
camadas é chamado lixiviação, considerado 
um tipo de erosão química do solo.
C 
Horizonte de rocha alterada, 
denominado alterita ou saprolito. 
É nele que começa a decomposição 
da rocha. Formado por sedimentos 
grosseiros na base e por sedimentos 
mais finos na parte superior.
R 
Rocha que dá origem ao solo, também 
denominada rocha-mãe. A velocidade de 
decomposição depende de vários fatores, 
como a composição mineral da própria 
rocha e o tipo de clima (climas quentes e 
úmidos tendem a acelerar o intemperismo).
41GE GEOGRAFIA 2017 
e solos férteis. A fertilidade natural dos solos 
depende, primeiramente, da sua composição 
química – os solos muito férteis dispõem de 
nutrientes suficientes para a exploração agrí-
cola, sem a necessidade de adubação artificial. 
Além disso, a fertilidade dos solos está ligada à 
capacidade de reter água e matéria orgânica (o 
que depende da presença de argilas) e de reter 
oxigênio (o que depende da estrutura física, já 
que o solo precisa ser poroso e “aerado”). Veja 
abaixo algumas regiões do globo que se destacam 
por apresentarem solos férteis, intensamente 
explorados pela agricultura.
 RECÔNCAVO BAIANO (BRASIL/BAHIA)
Região com o solo massapê, argiloso e de elevada fertilidade 
química natural. A presença de argila é importante para regular 
a drenagem e, consequentemente, evitar a perda de nutrientes 
essenciais para as plantas. Esse tipo de solo possibilitou a 
implantação das primeiras plantações de cana-de-açúcar e dos 
engenhos de cana pelos colonizadores portugueses.
8 REGIÃO SUL 
9 REGIÃO CENTRO-OESTE 
(BRASIL)
Possuem os latossolos vermelhos 
originados a partir da decomposição 
do basalto, rico em ferro. Ao ser 
oxidado, este mineral confere a cor 
avermelhada ao solo. Os imigrantes 
italianos que se dirigiram para as 
plantações de café no interior do 
estado de São Paulo apelidaram esse 
solo de “terra rossa” (terra vermelha), 
motivo pelo qual esses solos são 
muitas vezes (e erroneamente) 
denominados “terra roxa”. 
3 UCRÂNIA 4 ARGENTINA 
Esses países possuem o solo tchernozion (do russo 
tcherno = escuro e zion = terra) ou chernozén. 
Quimicamente fértil e com elevada matéria 
orgânica, tem alta produtividade agrícola e é muito 
utilizada para o plantio de trigo.
5 FRANÇA 6 HOLANDA 
7 VALE DO RIO AMARELO (CHINA) 
Possuem o solo loess (do alemão löss = solto), 
formado pela deposição de sedimentos carregados 
pelo vento. Na China é intensivamente utilizado 
para a produção de arroz. 
1 VALE DO RIO MISSISSIPI 
(ESTADOS UNIDOS) 
2 VALE DO RIO NILO (EGITO)
A deposição de sedimentos e de matéria orgânica 
nas planícies inundadas renovam anualmente a 
fertilidade natural dessas regiões.
OS SOLOS FÉRTEIS NO BRASIL E NO MUNDO
CELEIRO ORIENTAL Plantações às margens do Rio Amarelo, na China: a fertilidade do solo é 
garantida com a ajuda de sedimentos trazidos pelo vento
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42 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES
Enchente é 
um fenômeno 
natural, que 
causa o aumento 
temporário do 
nível da água, 
porém sem 
transbordamento
Inundação é o 
transbordamento 
de um curso 
d’água, 
atingindo a 
planície em 
torno do rio ou a 
área de várzea
Alagamento ocorre quando a 
água fica acumulada nas ruas 
e nos perímetros urbanos, 
por problemas de drenagem
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3
A CHUVA E AS CIDADES
Entenda a diferença entre enchente, inundação e alagamento:
DEBAIXO D'ÁGUA O município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, sofreu com o alagamento provocado pelas fortes chuvas que caíram em março de 2016
Os temporais são fenômenos naturais que atingem as cidades de tempos em tem-pos. A dimensão dos danos que causam, 
porém, poderia ser menor, se as zonas urbanas 
fossem construídas respeitando a natureza. 
As cheias dos rios, por exemplo, são naturais 
e cíclicas. Um bom planejamento, portanto, 
deveria preservar seus leitos livres. Mas não é 
o que ocorre na maioria das grandes cidades. 
A ocupação dessas áreas, principalmente em 
trechos de planície também conhecidas como 
várzeas, provoca inundações que trazem enor-
mes transtornos e prejuízos sociais e materiais. 
Casas são invadidas pelas águas, formam-se 
enormes congestionamentos e serviços, como 
transportes e abastecimento de água, são inter-
rompidos, entre outras consequências.
Para entender melhor esse fenômeno, é pre-
ciso atentar para as diferenças entre enchente, 
inundação e alagamento. Veja na figura ao lado:
Ocupação caótica
Saiba como a falta de planejamento 
urbano potencializa os efeitos dos 
temporais, provocando deslizamentos 
de terras e inundações
[1]
43GE GEOGRAFIA 2017 
Além das características de relevo e hidrogra-
fia, há outros fatores que aumentam o volume de 
água dos rios de planície e que contribuem para 
a ocorrência de inundações em áreas urbanas:
� A IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO 
Ruas e avenidas pavimentadas, prédios, 
casas, indústrias e estacionamentos impedem 
ou reduzem a infiltração da água no solo e, 
consequentemente, aumenta o volume e a 
velocidade do escoamento das águas superficiais.
� A RETIFICAÇÃO E A CANALIZAÇÃO DO LEITO DE 
RIOS E CÓRREGOS Em geral, os rios de planície 
apresentam meandros ou “curvas”. A retificação 
e canalização desses rios, feita para ampliar os 
espaços a serem ocupados pela cidade, diminuem 
a extensão do rio. 
� DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE LIXO SÓLIDO O lixo 
jogado nas ruas e calçadas ou mesmo diretamente 
nos rios e córregos dificulta a vazão das águas.
� DESMATAMENTO A retirada da mata nas encostas 
e nas margens dos rios provoca o aumento da 
erosão e, consequentemente, o assoreamento 
dos rios em seus trechos de planície, ou seja, o 
acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios e lagos, 
facilitando o seu transbordamento.
Deslizamentos de terras
Os deslizamentos de terra estão diretamente 
relacionados às características de relevo, solo, 
clima e cobertura vegetal. Apesar de serem fe-
nômenos naturais, os deslizamentos são poten-
cializados pela ocupação humana desordenada. 
A construção de casas e estradas e a implantação 
da agricultura e da pecuáriatendem a desestabi-
lizar ainda mais o frágil equilíbrio natural desses 
ambientes, aumentando as chances de acidentes 
que trazem prejuízos incalculáveis, incluindo a 
perda de dezenas de vidas humanas anualmente.
No Brasil, as áreas mais sujeitas à ocorrência 
de deslizamentos são as que se encontram na 
unidade de relevo conhecida como Planaltos e 
Serras do Atlântico Leste-Sudeste (veja o mapa de 
relevo do Brasil, na página 37). Isso porque a região 
caracteriza-se pela existência de áreas com grande 
declividade (escarpas e encostas das serras), solos 
rasos e elevada pluviosidade concentrada no ve-
rão, sobretudo nas encostas próximas ao litoral e 
voltadas para o leste, que recebem os fluxos de ar 
úmido provenientes das águas oceânicas. Como a 
região foi densamente povoada em áreas de risco, 
como encostas de morro, os acidentes se tornam 
mais frequentes. Entre os casos mais emblemáticos 
ocorridos no país, estão os deslizamentos na região 
serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011. 
SP TEM 88 MUNICÍPIOS COM RISCO DE 
DESASTRE POR DESLIZAMENTOS
Em todo o Brasil, 957 municípios são monitorados pelo 
Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres 
Ambientais (Cemaden), do governo federal. Todos têm 
histórico de desastres causados por deslizamentos. Desse 
total, 88 municípios estão no Estado de São Paulo – incluin-
do Mairiporã e Francisco Morato. De acordo com o último 
levantamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, de 
2011, só na capital existem 407 áreas de risco.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil da 
Região Metropolitana de São Paulo, Alfredo Pisani, 
o Estado aprimorou o sistema de monitoramento e 
alertas para deslizamentos e inundações na última 
década, com investimentos federais, estaduais e dos 
municípios. Mas, mesmo com tecnologias cada vez 
mais modernas, os desastres e mortes causados pelas 
chuvas só poderão ser evitados com a remoção de 
ocupações irregulares em áreas de risco.(...)
 “Retirar uma ocupação irregular envolve desapro-
priações e realocação em outras áreas, o que tem alto 
custo. São muitas áreas de risco, mas a solução correta 
seria localizar todas e eliminá-las”. “Hoje, a convivência 
com o risco é a linha de ação do Plano Preventivo da 
Defesa Civil. Ela consiste em cadastrar as áreas de 
risco, classificá-las em níveis e determinar o índice de 
chuvas que dispara o alerta.” (...)
O Estado de S.Paulo, 12/03/2016
SAIU NA IMPRENSA
[1] MARCEL NAVES/AFP [2] ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHA IMAGEM
TERRA ARRASADA 
Chuvas torrenciais 
provocaram deslizamentos 
de terra no bairro de 
Campo Grande em 
Teresópolis, região serrana 
do Rio de Janeiro, em 2011: 
o povoamento em áreas 
de risco potencializa 
os acidentes
[2]
44 GE GEOGRAFIA 2017
LITOSFERA CONTAMINAÇÃO DOS SOLOS
Durante vários anos, o homem pouco se importou com as con-sequências que suas atividades 
poderiam ter para o solo. Do estilo de 
vida consumista, que gera uma colossal 
quantidade de resíduos a ser descarta-
da, passando pelo uso indiscriminado 
de produtos tóxicos na indústria até o 
manejo inadequado das culturas agrí-
colas, nossa sociedade vai gradativa-
mente contaminando os solos. Como 
consequência, muitas áreas estão se tor-
nando impróprias para a produção de 
alimentos ou para a presença humana.
As principais formas de poluição 
do solo estão associadas a atividades 
econômicas como a agricultura, o ex-
trativismo mineral e a produção in-
dustrial, ou à falta de investimentos 
no tratamento adequado ao lixo. Veja 
cada um desses casos:
LIXO
A deposição inadequada do lixo, 
principalmente em aterros sem nenhum 
controle ambiental (os chamados 
lixões), está entre as principais causas da 
contaminação dos solos nas cidades. Além 
de produzir o gás natural metano (CH4), 
um dos agravadores do efeito estufa, a 
decomposição da matéria orgânica por 
microrganismos gera o caldo chorume, 
altamente poluente para o solo e para os 
lençóis freáticos. 
O destino mais adequado para o lixo urbano 
são os aterros sanitários. Trata-se de áreas 
nas quais os resíduos são compactados 
e cobertos por terra. Terrenos assim têm 
sistema de drenagem que captam líquidos 
e gases resultantes da decomposição dos 
resíduos orgânicos, evitando maiores danos 
aos solo. Outra opção são os incineradores 
públicos, principalmente para o lixo 
hospitalar, odontológico e ambulatorial.
Terra maculada
A degradação dos solos, 
provocada principalmente 
pela exploração dos recursos 
naturais e pelo tratamento 
inadequado do lixo, é um 
dos principais problemas 
ambientais da atualidade
De acordo com o Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50% 
dos municípios destinavam os resíduos 
sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades 
fazia o descarte em aterros sanitários. Em 
2010, o governo federal instituiu a Política 
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que 
determinava uma série de regras para o 
manejo sustentável do lixo. Entre outras 
medidas, a PNRS estabeleceu que agosto de 
2014 seria o prazo final para as prefeituras 
erradicarem os lixões e passarem a depositar 
o lixo em aterros sanitários. No entanto, mais 
de 60% dos municípios não conseguiram 
cumprir a determinação. Um projeto de lei 
tramita no Congresso para estender até 2021 
o prazo para a erradicação dos lixões.
RESÍDUOS INDUSTRIAIS
As fábricas nas áreas urbanas também 
depositam grandes quantidades de 
resíduos industriais, como produtos 
químicos e metal pesado, em áreas 
próximas de onde estão instaladas. Com 
o tempo, esses elementos infiltram-se no 
solo, que fica contaminado e improdutivo, 
podendo provocar doenças nos habitantes 
que vivem próximos à indústria.
AGROTÓXICOS
O uso de agrotóxicos para fertilizar o solo, 
eliminar ervas daninhas e destruir pragas 
pode aumentar a produtividade agrícola 
em grande escala, mas produz um nefasto 
efeito colateral: a contaminação do solo. 
Com o tempo, esses resíduos químicos 
vão se acumulando e ajudam a degradar 
ainda mais as áreas agrícolas, tornando-as 
impróprias para o cultivo. Ou seja, apesar 
dos ganhos produtivos no curto prazo, a 
aplicação intensiva de agrotóxicos é uma 
prática insustentável para a agricultura. 
Segundo a Organização das Nações 
Unidas para a Alimentação e a Agricultura 
(FAO), um quarto dos solos do planeta 
está degradado, afetando diretamente a 
produção mundial de alimentos. 
MERCÚRIO NOS GARIMPOS
A exploração de minérios, como ouro e 
diamantes nos garimpos da Região Norte 
do Brasil, utiliza mercúrio no processo de 
separação das pedras preciosas dos demais 
sedimentos. Por ser um mineral pesado 
altamente tóxico, o mercúrio depositado no 
solo e nas águas provoca graves prejuízos à 
fauna e à saúde humana. 
ENTRE OS URUBUS Criança recolhe papelão no lixão da Canabrava, em Salvador (BA): mais da metade 
dos municípios brasileiros descarta os resíduos sólidos em áreas sem nenhum controle ambiental
45GE GEOGRAFIA 2017 
SAIBA MAIS
O PRINCÍPIO DOS 3 RS: 
REDUZIR, REUTILIZAR 
E RECICLAR
A melhor solução para o lixo é 
reaproveitá-lo para fazer novos bens, 
reduzindo a sobrecarga dos depósitos. 
O reaproveitamento do lixo envolve o 
princípio dos “3 Rs”: 
� Reduzir a produção de resíduos, com a 
adoção de novos hábitos de compra. 
� Reutilizar potes, vasilhames, caixas 
e outros objetos de uso cotidiano e o 
material neles contido. 
� Reciclar o lixo descartado após o 
consumo, transformando-o em matéria- 
prima industrial para nova fabricação. 
Para que seja reciclado, o lixo deve ser 
descartado de forma seletiva e entregue 
em postos distribuídos pelas prefeituras 
(quando existem) ou por empresas em 
locais predefinidos, doados a entidades 
que recebem material desse tipo ou na 
forma estabelecida pelos programas 
porta a porta. Apesar das iniciativas nesse 
sentido, apenas 3% do lixo é reciclado no 
Brasil, segundo dados do Compromisso 
Empresarial para a Reciclagem (Cempre).
Veja abaixo um quadro com os principais 
produtos recicláveis:
A erosão das camadas superficiais 
dosolo pelo escoamento das águas das 
chuvas, também conhecida como ero-
são laminar, é uma das maiores preo- 
cupações ambientais da agricultura 
atualmente. Esse processo provoca a 
perda gradativa de nutrientes do solo. 
Em algumas culturas, como o feijão e a 
mandioca, essa perda pode chegar a 40 
toneladas por hectare em um ano. Para 
ter uma dimensão melhor do problema, 
em uma área com floresta nativa, essa 
perda é de apenas 0,004 tonelada por 
hectare no mesmo período. 
A melhor forma para evitar a ação 
da erosão é a adoção de técnicas de 
conservação do solo. O plantio direto é 
uma técnica que não revolve as camadas 
superficiais do solo, mantendo sobre 
ela a matéria orgânica (plantas, folhas 
e palhas de colheitas anteriores), o que 
contribui para conter a erosão. Já as 
curvas de nível é uma técnica de plan-
tio adequada às variações das altitudes 
e à inclinação do relevo, evitando o 
escoamento direto das águas das chuvas 
que caem na lavoura. A ausência dessas 
técnicas pode dar origem a ravinas 
Os principais produtos recicláveis
Vidro
Garrafas, potes de 
alimentos, frascos de 
remédio e de perfume. 
Cacos de vidro
Volta a ser usado 
infinitas vezes sem 
perder as 
características
Papel
Revistas, jornais, papéis 
variados, caixas de 
papelão (de todos os 
tipos)
Transforma-se em 
papel reciclado para 
agendas, cartões e 
caixas de papelão
Plástico 
Garrafas PET, potes (de 
todos os tipos), tampas, 
embalagens, sacos (de 
leite, arroz etc.)
Matéria-prima de fibras 
têxteis, tubos, artefatos 
plásticos, cordas, cerdas 
de vassoura, carpetes
Metal 
Latas de aço e alumínio, 
tampas, arames, fios, 
grampos, pregos, tubos 
de pasta, alumínio, cobre
O aço volta a ser usado 
sem limites. O alumínio 
pode ser reusado em 
latas e autopeças
Não podem ser 
reciclados
Espelhos, vidro de 
janela e de boxe de 
banheiro, vidro de 
automóveis, cristais, 
lâmpadas, vidro 
temperado, ampolas de 
remédio, celofane, 
espuma, fraldas 
descartáveis, pilhas, 
latas enferrujadas, 
papel higiênico, 
guardanapos com 
restos de comida, papel 
laminado
e plastificado,
papel-carbono
Fonte: Como Cuidar do Seu Meio Ambiente – Editora Beı, edição e texto da Rita Mendonça, 2004
Papel 
Pano 
Filtro de cigarro 
Chiclete 
Lata de aço 
Madeira pintada 
Náilon 
Plástico 
Alumínio 
Vidro
Borracha 
3 a 6 meses
6 meses a 1 ano
5 anos
5 anos
5 a 10 anos
13 anos
Mais de 30 anos
Centenas de anos
Centenas de anos
Mais de mil anos
Indeterminado
OR
IG
EM
U
TI
LI
D
AD
E
Quanto 
tempo 
leva para 
se degradar 
na natureza
˜
(sulcos formados no solo devido à ação 
erosiva da água) e voçorocas (aberturas 
ainda maiores que as ravinas e que, se 
atingirem o lençol freático, podem ser 
irreversíveis e impedem o aproveita-
mento agrícola da área atingida).
Outro grave problema da degradação 
dos solos envolve a grande concentra-
ção de sais nos seus horizontes superfi-
ciais, o que dificulta o desenvolvimento 
das plantas e, consequentemente, a pro-
dução de alimentos. A salinização dos 
solos pode se dar por meio de processos 
naturais ou provocados e acelerados 
pelas atividades humanas. A irrigação é 
a principal prática agrícola responsável 
por induzir ou acelerar esse processo.
No mundo, as principais áreas atin-
gidas pela salinização encontram-se 
na África e na Ásia. Um dos casos mais 
conhecidos é o da região do Mar de 
Aral, na fronteira entre o Cazaquistão 
e o Uzbequistão, na Ásia Central. Desde 
o período da União Soviética, extinta 
em 1990, vinham sendo implantados 
nessa região projetos de irrigação, em 
especial para a produção de algodão 
(veja mais na pág. 67). 
Colheita maldita
Entenda como a erosão e a salinização prejudicam os solos e 
provocam enormes perdas para as culturas agrícolas
FERNANDO VIVAS
46 GE GEOGRAFIA 2017
COMO CAI NA PROVA
1. (UEM 2014) (adaptada) Assinale V para verdadeiro e F para falso nas 
afirmações sobre o relevo e sua dinâmica no território brasileiro.
( ) A classificação mais recente do relevo brasileiro foi baseada em grandes 
unidades ou compartimentos, dividindo-se em três tipos: os planaltos, as 
depressões e as planícies. 
( ) Ao longo do território brasileiro, não são encontradas cadeias montanhosas 
formadas por dobramentos modernos, pois o país se encontra no meio da
placa tectônica sul-americana. 
( ) Os fatores climáticos atuais não interferem na dinâmica do modelado do relevo 
brasileiro, devido à proximidade dele com a linha imaginária do Equador. 
( ) As frentes de cuestas são feições do relevo que ocorrem no interior do estado 
de São Paulo e correspondem ao limite entre duas unidades de relevo: os 
Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná e a Depressão Periférica da Borda
Leste da Bacia do Paraná. 
( ) Ao longo do litoral brasileiro, sucedem-se paisagens muito diversificadas, 
porém predominam os processos erosivos em áreas de planaltos, sem a
formação de planícies litorâneas. 
 
RESOLUÇÃO
A primeira afirmação, verdadeira, refere-se à classificação feita por Jurandyr Ross,
que mapeia os três tipos de unidades de relevo citados.
A segunda afirmação também está correta, visto que o Brasil tem dobramentos 
muito antigos, intensamente desgastados pela erosão, enquanto os dobramentos 
modernos (como os Andes, Himalaia e Alpes) são considerados “modernos”, ou 
seja, de formação recente em decorrência do choque de placas tectônicas.
Os fatores climáticos (pluviosidade e variação as temperaturas) são agentes 
formadores do relevo,o pois provocam a erosão e a sedimentação. Portanto, a 
terceira afirmação é falsa.
A quarta afirmação se refere corretamente às cuestas, formas de relevo que s
delimitam os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná e a Depressão Periférica
da Borda Leste da Bacia do Paraná. São formas semelhantes às escarpas, porém 
seu reverso (neste caso Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná) diminui gra-
dativamente a altitude, enquanto nas escarpas isso não ocorre.
Ao contrário do que diz a quinta afirmação, no litoral brasileiro predominam 
as planícies fluviomarinhas, ou seja, com sedimentação dos rios e dos oceanos.
Resposta: V, V, F, V, F
2. (UFPR 2014) Os escorregamentos, também conhecidos como deslizamentos, 
são processos de movimentos de massa envolvendo materiais que recobrem 
as superfícies das vertentes ou encostas, tais como solos, rochas e vegetação. 
Estes processos estão presentes nas regiões montanhosas e serranas em várias 
partes do mundo, principalmente naquelas onde predominam climas úmidos. 
No Brasil, são mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. 
TOMINAGA, L.K. “Escorregamentos”. In.: Desastres naturais: conhecer e prevenir. Cap. 9, p. 27-38. Org.: TOMINAGA, L.K.;
SANTORO, J. AMARAL, R. Instituto Geológico, São Paulo, 2009.
Sobre esses processos, considere as seguintes afirmativas: 
1. Os escorregamentos consistem em importante processo natural que atua 
na dinâmica das vertentes, fazendo parte da evolução do relevo terrestre, 
principalmente nas regiões serranas. 
2. Nos grandes centros urbanos, os escorregamentos assumem frequentemente
proporções catastróficas, uma vez que cortes nas encostas, depósitos de lixo, 
entre outras ações promovidas pelo homem geram novas relações com os fatores
condicionantes naturais.
3. É necessário que o ser humano deixe de devastar as florestas, imper-
meabilizar os solos e contaminar os rios para que não mais ocorram os
escorregamentos. 
4. A origem vulcânica do relevo brasileiro gerou um conjunto de serras propícias 
para os escorregamentos, que acarretam grandes prejuízos e perdas significativas, 
inclusive de vidas humanas. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras. 
b) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. 
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. 
 
RESOLUÇÃO
Sobre as afirmativas, considere o seguinte:
1. Os deslizamentos fazem parte da dinâmica natural dasencostas e alteram o 
relevo por meio da movimentação das camadas superficiais do solo, erosão e 
sedimentação.
2. A ocupação das encostas com moradias, locais de trabalho, vias de circulação 
ou mesmo a deposição de lixo, entulho e outros materiais indevidamente 
aumentam a possibilidade de haver deslizamentos, trazendo prejuízos sociais 
e econômicos à população local.
3. A impermeabilização dos solos provoca maior escoamento das águas superfi-
ciais, contribuindo para a ocorrência de enchentes e não de deslizamentos. Já 
a contaminação das águas não é, diretamente, uma causa de deslizamentos.
4. O relevo brasileiro, salvo em algumas áreas específicas, não é de origem
vulcânica, mas de dobramentos antigos (áreas de serras e planaltos sujeitos
a deslizamentos), derramamentos (Planaltos e Chapas da Bacia do Paraná) e 
planícies fluviais, onde predominam as formas aplainadas do relevo.
Resposta: C
3. (Mackenzie 2014)
Observando a figura, podemos afirmar que
I. Alfred Wegener, meteorologista alemão, levantou a hipótese, no início do
século XX, afirmando que, há 220 milhões de anos, os continentes formavam
uma única massa denominada Pangeia, rodeada por um oceano chamado 
Pantalassa. Essa suposição foi rejeitada pela comunidade científica da época.
II. A litosfera encontra-se em movimento, uma vez que é composta por placas
RESUMO
47GE GEOGRAFIA 2017
Litosfera
ESTRUTURAS GEOLÓGICAS A camada mais superficial do planeta 
é a litosfera, cuja superfície é formada por três tipos de estrutura
geológica: escudos cristalinos (os terrenos mais antigos, formados
por rochas magmáticas), bacias sedimentares (surgidas com a
erosão das rochas dos escudos cristalinos) e dobramentos mo-
dernos (formações recentes que ficam entre as placas tectônicas).
RELEVO Existem quatro principais tipos de relevo no mundo: 
depressões são áreas localizadas em altitude inferior à das re-
giões vizinhas ou abaixo do nível do mar; montanhas são áreas
elevadas resultantes do choque de placas tectônicas; planaltos 
são elevações delimitadas por superfícies rebaixadas; e planícies
são áreas planas, geralmente encontradas em baixas altitudes.
PLACAS TECTÔNICAS São gigantescos blocos que integram 
a litosfera. O globo é recortado por grandes placas que se 
deslocam e se chocam, numa movimentação constante e
lenta. As regiões próximas à borda dessas placas são sujeitas
a terremotos e atividade vulcânica.
FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS As forças internas dão forma
ao relevo. O tectonismo consiste no lento deslocamento das
placas tectônicas. Os abalos sísmicos são os tremores causados 
na superfície do planeta pela movimentação da placa tectônica.
Já o vulcanismo é a elevação do magma para a superfície por 
meio de fendas na crosta terrestre. São duas as principais for-rr
ças externas. O intemperismo é o processo de degradação das
rochas provocada por fenômenos químicos e físicos. Já a erosão
consiste no desgaste da rocha em razão da exposição prolongada
a agentes naturais, como ventos, geleiras, rios e mares.
RECURSOS MINERAIS Os minérios são elementos dos quais po-
demos extrair substâncias de interesse econômico. Destacam-
se os utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio,
o ferro e o titânio. Os depósitos mais explorados ficam nos
escudos cristalinos. No Brasil, os minérios são encontrados
principalmente em Minas Gerais e no Pará.
SOLOS O solo compreende a parte superficial da litosfera e
se forma, principalmente, da decomposição das rochas e se 
dispõe em camadas, denominadas horizontes. Os horizontes 
O (orgânico) e A são os mais superficiais e mais significativos 
para a agricultura. A composição mineral, o nível de acidez
e a capacidade de reter matéria orgânica e água são fatores
determinantes para a fertilidade dos diferentes tipos de solos, 
de grande importância para as atividades agropecuárias. 
LIXO A deposição inadequada do lixo em aterros sem nenhum 
controle ambiental (os chamados lixões) está entre as princi-
pais causas da contaminação dos solos nas cidades. Mais de
50% dos municípios destinam os resíduos sólidos em lixões. 
Apenas 28% das cidades faz o descarte em aterros sanitários. 
tectônicas seccionadas que flutuam deslocando-se lentamente sobre a 
astenosfera.
III. A Cordilheira dos Andes é um dobramento recente. Datando do período
Terciário da era Cenozoica, surge do intenso entrechoque das placas do 
Pacífico e Sul-Americana promovendo o fenômeno de obducção.
IV. A Dorsal Atlântica estende-se desde as costas da Groenlândia até o sul da América 
do Sul. Os movimentos divergentes entre as placas Africana e Sul-Americana
permitiram intensos derramamentos magmáticos originando rochas basálticas
que foram incorporadas às bordas das referidas placas.
Estão corretas:
a) I e III, apenas. 
b) II e III, apenas. 
c) I, II e III, apenas. 
d) I, II e IV, apenas. 
e) I, II, III e IV. 
RESOLUÇÃO
As afirmações I, II e IV apresentam informações corretas sobre as teorias da Deriva 
Continental, proposta por Alfred Wegener em 1912, e da tectônica de placas, que
desde a década de 1960 investiga e aprofunda as hipóteses de Wegener e, com 
isso, descreve a dinâmica e as características da litosfera. Na afirmação III, o erro 
está no termo “obducção”. O correto seria “subducção”, ou seja, uma das placas 
(a do Pacífico) é afundada e reabsorvida pelo manto. Além disso, o choque se dá
entre as placas de Nazca e da América do Sul.
Resposta: D
� SAIBA MAIS
A maior incidência de vulcões e terremotos concentra-se na região doii Pacífico.
Existem cerca de 450 vulcões ativos no mundo (nos pontos em vermelho no EE
mapa abaixo). A maioria se formou na área de contato entre as placas tectônicas 
(assinaladas pelas linhas azuis) – sobretudo as que circundam o Oceano Pacífico. 
Não à toa, a região, que concentra cerca de 80% dos vulcões do planeta e 90% 
dos terremotos, é chamada de Cinturão de Fogo do Pacífico.
48 GE GEOGRAFIA 2017
HIDROSFERA
3
O problema é mais grave do que se pensava. Um estudo publicado na revista cientí-fica Science Advances em março deste 
ano mostrou que cerca de 70% da população 
global, o equivalente a 4,3 bilhões de pessoas, 
sofre com a escassez de água em níveis severo 
ou moderado pelo menos um mês por ano. Os 
resultados do levantamento, que analisou dados 
coletados entre os anos de 1996 e 2005, são piores 
do que os indicados por estudos anteriores, que 
estimavam o contingente populacional impacta-
do pelo problema entre 1,7 bilhão e 3,1 bilhões.
Segundo o estudo, o Iêmen, pequena nação 
localizada na Península Arábica, lidera a lista 
dos países mais afetados pela seca. Os iemenitas 
podem se ver sem água para prover suas necessi-
dades básicas dentro de poucos anos. A falta do 
líquido também atinge grandes proporções na 
Índia e na China, onde 1 bilhão e 900 milhões 
de pessoas, respectivamente, são obrigadas a 
conviver com o problema. Nenhum país da Amé-
rica Latina figura na lista dos mais impactados.
Para o autor do estudo, o pesquisador holandês 
Arjen Hoekstra, a solução para a falta crônica de 
água não passa apenas por “reduzir o tempo no 
banho”, já que o consumo doméstico representa 
entre 1% e 4% do total. Segundo ele, a escassez 
hídrica requer que a agricultura e a pecuária, 
os dois maiores vilões da gastança, revejam 
suas práticas e adotem modelos sustentáveis 
de consumo de água. 
Embora o Brasil não seja citado no estudo, o 
país não está salvo da escassez. Aqui, a falta de 
água está relacionada à dificuldade de acesso 
ao bem, em função da poluição dos rios e da 
distribuição desigual – as maiores reservas de 
água estão em locais pouco habitados, como a 
Amazônia. Além disso, há sérios problemas de 
gestão de recursos hídricos, como ficou evi-
denciado na recente crise que afetou o abas-
tecimento em grandes metrópoles do Sudeste.
Essas perspectivas negativas sobre disponibili-
dade de água para a população mundial mobiliza 
as principais lideranças políticas e foi tema de dis-
cussão no Fórum Econômico Mundial em janeiro 
último. As autoridadesclassificaram a escassez 
hídrica como uma das 
maiores preocupações 
da humanidade nos 
próximos dez anos. 
Nas páginas seguin-
tes, você vai saber mais 
sobre a hidrosfera e en-
tender a importância 
estratégica desse líqui-
do tão precioso e vital.
Mais de 4,3 bilhões de pessoas no mundo vivem sob 
moderada ou severa falta de água um mês a cada ano – 
Índia e China concentram as maiores populações afetadas
Um problema global
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
� A distribuição de água no planeta .............................................................50
� Água salgada .....................................................................................................52
� Água doce ............................................................................................................56
� Tsunami ..............................................................................................................58
� Bacias hidrográficas do Brasil .....................................................................60
� Escassez hídrica no mundo ..........................................................................62
� Escassez hídrica no Brasil ............................................................................64
� Poluição hídrica ...............................................................................................66
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................68
NÃO FOI PARA O BREJO 
Fazendeiro caminha com 
seu búfalo sobre o leito seco 
de um rio em Bibinagar, na 
Índia: 1 bilhão de pessoas 
no país enfrentam períodos 
de escassez de água pelo 
menos um mês por ano
49GE GEOGRAFIA 2017 NOAH SEELAM/AFP
50 GE GEOGRAFIA 2017
3
Primeiro homem a ver o planeta do espaço, o astronauta russo Yuri Gagarin tornou célebre a frase em 
que descreveu o que observou lá de cima: 
“A Terra é azul”. A coloração do nosso 
planeta visto da órbita terrestre é conse-
quência do enorme volume de água que 
a Terra dispõe. São cerca de 1,4 bilhão de 
quilômetros cúbicos que cobrem mais de 
70% da superfície do globo.
O conjunto de toda a água do pla-
neta recebe o nome de hidrosfera. Há 
cerca de 4 bilhões de anos, quando 
nosso planeta era uma nuvem quente 
de poeira e gás, a água encontrava-se 
misturada a outros gases, no estado de 
vapor. À medida que o planeta esfriava, 
esse vapor foi se condensando e, sob a 
forma de chuva, se precipitando sobre 
a superfície. Dessa longa e caudalosa 
tempestade, formaram-se os oceanos, 
mares e o conjunto das “águas continen-
tais”, composto de rios, lagos, lençóis 
subterrâneos, geleiras e neves eternas. 
Mas todo este volume de água que 
cobre o planeta não está à disposição 
para o nosso consumo. Desse 1,4 bilhão 
de quilômetros cúbicos de água que 
A Terra é azul
Ocupando mais de 70% 
da superfície terrestre, 
a hidrosfera domina a 
paisagem do nosso planeta
PLANETA ÁGUA Apesar de a Terra dispor de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água, apenas 2,5% desse volume é próprio para o consumo humano
revestem o globo, apenas 2,5% são de 
água doce – algo em torno de 35 mi-
lhões de quilômetros cúbicos. Além 
disso, a maior parte da água ou está 
congelada nas geleiras e calotas polares 
ou encontra-se escondida em depósi-
tos subterrâneos. A real proporção da 
água a que o homem tem acesso fácil – 
a superficial, de rios lagos e pântanos – é 
de, no máximo, 0,4% da água doce exis-
tente no mundo (veja mais no gráfico). Ou 
seja, temos 100 mil quilômetros cúbicos 
para matar a sede, cuidar da higiene, ge-
rar energia, produzir alimentos e bens in-
dustriais. Não é exatamente pouca água – 
imagine que cada pessoa no mundo tenha 
direito a mais de 570 bilhões de litros por 
dia, durante 75 anos. 
O problema é que a água não é distri-
buída assim, de forma equilibrada, entre 
toda a população. A própria natureza 
impõe restrições. Enquanto regiões como 
a Amazônia é riquíssima em recursos 
hídricos, trechos da África e do Oriente 
Médio sofrem com uma brutal escas-
sez, responsável, inclusive, por sérios 
conflitos armados. Para piorar, a ação 
do homem em nada vem ajudando a 
HIDROSFERA A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA
[1]
51GE GEOGRAFIA 2017
A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA
Apenas uma pequena parte da água da Terra é 
acessível para uso humano
ÁGUA DOCE
ÁGUA ATMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE
TOTAL DA ÁGUA
Água doce
2,5%
Água salgada
97,5%
Fonte: National Geographic
Biota
0,8%
(conjunto dos 
seres vivos)
Lagos de
água doce
67,4%
Umidade
do solo
12,2%
Atmosfera 
9,5%
Pântanos e 
áreas alagadas
8,5%
Rios
1,6%
Subterrânea 
30,1%
Permafrost
0,8%
(camada de subsolo
na tundra congelada)
Água atmosférica e 
de superfície 
0,4%
Geleiras
68,7%
mais democráticos. Se hoje 2,4 bilhões
de pessoas não têm acesso à água lim-
pa, isso se deve principalmente ao mau 
gerenciamento das fontes naturais e à 
falta de equilíbrio entre a renovação e o
consumo da água.
O ciclo hidrológico
Toda a água disponível no planeta está 
em constante renovação. Esse processo
no qual a água se desloca da superfície 
terrestre e da atmosfera, passando pelos 
estados líquido, sólido e gasoso, recebe 
o nome de ciclo hidrológico.
Um dos responsáveis por esse processo
é a energia solar, que incide na superfície 
do planeta e provoca a evapotranspiração 
das águas, ou seja, elas passam do estado 
líquido para o gasoso. A evaporação dos
oceanos ocorre com maior intensidade, 
mas o fenômeno acontece ainda em rios,
lagos e demais águas continentais. A
transpiração das plantas também con-
tribui para a evaporação da água.
O vapor de água resultante desse pro-
cesso dá origem às nuvens, que se des-
locam com o movimento de rotação da 
Terra e dos ventos. Quando as nuvens 
se condensam, ocorre a precipitação, e 
a água volta para a superfície terrestre,
atingindo tanto o continente quanto os
oceanos. Essa precipitação pode ser líqui-
da, no caso das chuvas, ou sólida, se cair
na forma de neve ou granizo. Tudo de-
pende das condições climáticas da região.
Ao atingir os continentes, a água da 
precipitação pode percorrer alguns
caminhos:
� volta para a atmosfera, em novo pro-
cesso de evapotranspiração;
� infiltra-se no solo, alimentando as 
águas subterrâneas;
� é escoada na direção de rios, lagos
e mares.
O destino dessas águas é influenciado
por fatores como a cobertura vegetal, as
condições climáticas e a geologia e a alti-
tude. Em áreas mais áridas, por exemplo,
a evaporação é maior que a infiltração, ao 
passo que, em terrenos arenosos, a água 
se infiltra mais rapidamente.
Veja as quatro etapas do processo de renovação hidrológica
O CICLO DA ÁGUA
A energia solar 
incide sobre a 
superfície do planeta.
1
3 Os ventos carregam o vapor 
de água dos oceanos para os 
continentes. As nuvens se 
condensam, e a água volta 
para a superfície terrestre 
na forma de chuva – 
a precipitação também pode 
ocorrer como neve ou granizo.
A água das chuvas é escoada 
para os rios, lagos e mares. 
Também pode infiltrar-se no 
solo ou voltar para a 
atmosfera pelo processo de 
evaporação.
eta.
para
na f
a pr
oco
A ág
para
Tam
solo
atm
eva
O calor provoca a 
evaporação da água, 
que passa para o estado 
gasoso e é transferida 
para a atmosfera. 
A transpiração 
de plantas e animais 
contribui para esse 
processo. Apesar de o 
fenômeno também ocorrer 
em rios e em lagos, é nos 
oceanos que a evaporação 
é mais intensa.
2
4
[1] NASA [2] MULTISP
[2]
52 GE GEOGRAFIA 2017
3
As águas marinhas dividem-se em oceanos (grandes áreas) e mares (áreas menores). Juntas, essa 
imensidão de água salgada representa 
97,5% de toda a hidrosfera. Conforme 
veremos a seguir, os oceanos e mares 
têm uma incalculável importância para 
o equilíbrio do planeta, tanto nos aspec-
tos ambientais como socioeconômicos. 
A própria origem da vida, de acordo 
com a teoria do Big Bang, teria ocorrido 
nos oceanos há cerca de 3,5 bilhões de 
anos (veja mais na pág. 98). 
A origem da água salgada
Durante centenas de milhões deanos, 
a chuva foi formando os rios – que, por 
sua vez, dissolveram rochas de dife-
rentes períodos geológicos, nas quais 
o sal comum, cloreto de sódio (NaCl), 
é encontrado em abundância. Como 
todos os cursos de água correm para 
o oceano, os mares ficam com quase 
todo o sal dissolvido nesse processo. 
Além disso, as partículas de cloro e de 
sódio suspensas na atmosfera também 
são levadas pela chuva, completando o 
processo. Ainda assim, a salinidade de 
Imensidão 
marinha
Quase a totalidade da 
hidrosfera é formada por 
oceanos e mares, habitat 
da maioria das espécies do 
planeta e responsáveis por 
grande parcela da atividade 
econômica mundial
HIDROSFERA ÁGUA SALGADA
uma massa de água depende principal-
mente de sua taxa de evaporação, que 
acaba determinando a concentração do 
sal. É por isso que lagos e açudes podem 
se tornar salgados em regiões de muito 
calor, como ocorre no nordeste brasi-
leiro. Por essa mesma razão, os mares 
equatoriais são mais salgados que os 
polares. Os mais salgados do planeta 
são o Mar Morto, no interior da Ásia, 
e o Mediterrâneo. O menos salgado é o 
Mar Báltico, no norte da Europa, que, 
por causa de seu baixo teor de sal, chega 
a ficar congelado durante o inverno.
A biodiversidade marinha
A grande biodiversidade marinha pode 
ser confirmada estatisticamente: dos 33 
filos (grandes grupos de seres vivos), 15 
são exclusivamente marinhos e cinco 
são predominantemente marinhos. São 
mais de 230 mil espécies conhecidas nos 
mares e oceanos, porém estima-se que o 
número ultrapasse 1 milhão de espécies.
Os ambientes diversificados propi-
ciam a formação de ecossistemas di-
versos, desde as águas rasas e quentes 
das costas continentais – com grande 
aporte de alimentos provenientes dos 
rios – até águas profundas, frias e sem 
luz, com erupções de lava e gás metano, 
entre outros materiais tóxicos para as 
espécies da superfície. Algumas espé-
cies marinhas têm funções vitais para o 
planeta Terra em escala global, como o 
plâncton, cuja absorção de CO2 é maior 
do que a de todas as florestas das terras 
emersas somadas.
A economia dos mares 
e dos oceanos
Os mares e oceanos são explorados 
economicamente desde os primórdios 
da existência dos seres humanos para a 
obtenção de alimentos e energia, o trans-
porte, o lazer, entre outras atividades. 
As rotas estabelecidas no período das 
Grandes Navegações (séculos XV a XVII) 
mudaram o mapa econômico mundial, 
ampliando numa escala jamais vista até 
então as trocas comerciais e a exploração 
de recursos naturais do planeta. 
Atualmente, merecem destaque as 
seguintes atividades econômicas as-
sentadas na exploração dos mares e 
dos oceanos:
53GE GEOGRAFIA 2017 
� A PESCA 
Base da alimentação de milhões de 
pessoas, a pesca tradicional e indus-
trial é feita em todos os oceanos e na 
maioria dos mares, sobretudo em áre-
as costeiras. A produtividade é maior 
em regiões banhadas por correntes 
marítimas frias. Um bom exemplo é a 
corrente de Humboldt, que passa pela 
costa peruana (veja no mapa).
� EXTRATIVISMO MINERAL 
Além da extração de petróleo e gás 
natural, explorado em áreas como a 
Bacia de Campos, o Golfo Pérsico e o 
Golfo do México (veja localização no 
mapa), outros recursos minerais são 
prospectados em águas oceânicas. 
Merece destaque a mineração feita 
no Mar Morto, de cujo leito se extra-
em grandes quantidades de potássio, 
o que coloca Israel e Jordânia na lista 
dos dez maiores exportadores desse 
mineral. O produto é utilizado, entre 
outras aplicações, na fabricação de 
adubos químicos. Já África do Sul e 
Namíbia exploram diamantes nos 
mares que banham o seu litoral.
MARES
Os mares são blocos menores de água salgada ligados 
aos oceanos. Em geral, são classificados de acordo com 
a maneira pela qual se juntam aos oceanos.
Mares abertos: são ligados ao oceano por meio 
de grandes aberturas. Ex.: Mar das Antilhas ou do 
Caribe e o Mar do Norte, entre as ilhas britânicas e 
o continente europeu. 
Mares continentais: as ligações com o oceano são 
menores, feitas por meio de estreitos. Ex.: Mar 
Mediterrâneo, ao sul da Europa, e Mar Vermelho, 
entre a península Arábica e a África. 
MARES E OCEANOS
OCEANO
ATLÂNTICO
Mar do Caribe
Mar
 Mediterrâneo
Mar do Norte
Golfo 
do México
Golfo
Pérsico
Bacia
de Campos
Mar
Vermelho
Mar
MortoOCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
PACÍFICO
C. de Humboldt 
Mares fechados: apesar de serem chamados de mares, 
são, na verdade, grandes lagos com água salgada. 
Ex.: Mar Morto, no Oriente Médio
OCEANOS
De acordo com a maioria dos especialistas, são três os 
grandes oceanos: Pacífico, Atlântico e Índico. O limite 
entre um oceano e outro é determinado pelo contorno 
dos continentes. Alguns geógrafos apontam a existência 
de dois outros oceanos, o Ártico, no norte do globo, 
e o Antártico, que circunda o continente gelado ao sul. 
iSTOCK PHOTO
GRANDES NAVEGAÇÕES 
Cerca de 80% do 
volume total do 
comércio mundial 
é feito por meio de 
transporte marítimo
54 GE GEOGRAFIA 2017
3 HIDROSFERA ÁGUA SALGADA
Arquipélago 
de Fernando 
de Noronha
Atol das
Rocas
Arquipélago 
de São Pedro 
e São Paulo
Arquipélago 
de Abrolhos
ços do proçoçoçoçoçoçoçoçoçoçoooooPoPoPoPoPoPoPoPoPoPoPPPPPPPPPPPPPP é-sal
Ilhas da 
Trindade e
Martin Vaz
JúpiterTupi
Guaráá
Carioca
BR
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URUGUAI
Salvador
Rio de Janeiro
Florianópolis
São Luís
Belém
O c e a n o 
A t l â n t i c o
CROSTA CONTINENTAL
CROSTA OCEÂNICA
PLANÍCIE
ABISSAL
TALUDE
ELEVAÇÃO
PLATAFORMA
Mar territorial Zona contígua
Zona econômica exclusiva Plataforma continental
LINHA 
BASE
Fronteiras marítimas
Fronteira Definição Limite a partir da orla Área 
Mar territorial Soberania absoluta, econômica 
e militar
12 milhas (22,2 km) –
Zona contígua Controle administrativo 24 milhas (44,4 km) –
Zona econômica 
exclusiva
Direitos econômicos absolutos 
sobre a água, o assoalho e o subsolo
200 milhas (370 km) 3.539.919 km2
Plataforma 
continental
Direitos sobre o assoalho marítimo 
e seus seres e o subsolo
até 350 milhas (648 km)
(área reivindicada)
4.489.919 km2
Fonte: Marinha do Brasil/ Ministério das Relações Exteriores
OS LIMITES MARINHOS DO BRASIL � ROTAS COMERCIAIS
Cerca de 80% das mercadorias co-
mercializadas entre diferentes paí-
ses no mundo são transportadas por
navios cargueiros, que diariamente 
atravessam os oceanos. Diversos pa-
íses, principalmente na África e na 
Ásia, carecem de uma saída para os 
oceanos, o que dificulta o acesso aos 
mercados internacionais.
� TURISMO 
O turismo marítimo é outra ativi-
dade em expansão, explorando as
orlas marítimas com a implantação
de balneários, navegação, pesca es-
portiva e atividades de mergulho. A
indústria turística também projeta 
suas atividades para o alto-mar com
a navegação dos cruzeiros marítimos.
Controle político-territorial dos
mares e oceanos
A importância econômica e geopolí-
tica dos mares e dos oceanos reflete-se
nas disputas que muitas nações travam
entre si para poder exercer sua soberania 
sobre o território marítimo.Como vimos
anteriormente, as águas marítimas são 
amplamente exploradas para a pesca, o 
extrativismo mineral, o turismo e as rotas 
comerciais. Por isso, o controle dessas re-
giões é visto como uma forma de os países
projetarem poder econômico e político. 
55GE GEOGRAFIA 2017 
BRASIL ASSINA ACORDO PARA EXPLORAÇÃO DE 
MINERAIS NO OCEANO 
O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) assina nesta segunda-feira (9) 
um contrato de 15 anos para a exploração de crostas ricas em cobalto, 
níquel, platina, manganês, tálio e telúrio no Atlântico Sul. O acordo será 
firmado com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (Isba), 
órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), que regu-
lamenta atividades realizadas na área internacional dos oceanos (...).
O contrato autoriza o Brasil a explorar economicamente recursos mine-
rais em uma área de 3 mil km2, divididos em 150 blocos em uma região 
do Oceano Atlântico conhecida como Alto do Rio Grande, localizada em 
águas internacionais a cerca de 1.500 km do Rio de Janeiro. (...)
Gazeta do Povo, 9/11/2015
SAIU NA IMPRENSA
SAIBA MAIS
MARÉS E CORRENTES MARÍTIMAS
As marés são o movimento de subida e descida das águas em relação 
à costa, ocasionado pela atração que a Lua e o Sol exercem sobre as 
massas de água. A influência da Lua é sentida de maneira mais forte, 
porque o Sol, apesar de ser muito maior do que ela e, portanto, ter um 
campo gravitacional mais poderoso, está muito mais afastado (veja o 
infográfico abaixo). Além dessa força de atração dos astros, outro fenô-
meno astronômico colabora para a formação das marés: a rotação da 
Terra. Girando em torno de si mesma, a Terra fica sempre com metade 
de sua superfície virada para a Lua. O resultado é o movimento das 
águas de acordo com a posição do planeta e de seu satélite. A cada 
dia, acontecem duas marés altas (quando o oceano está de frente para 
a Lua) e duas baixas (nos intervalos entre as altas). 
A rotação da Terra influencia outro tipo de movimento das águas 
oceânicas: as correntes marítimas. Elas são gigantescas porções 
de água que se deslocam nos oceanos de forma independente das 
águas que as circundam. É por causa do fenômeno da inércia que as 
correntes se deslocam com o movimento do planeta: as águas tende-
riam a continuar paradas, mas acabam se movimentando em sentido 
contrário ao da rotação do globo. As correntes também ocorrem em 
razão da inclinação do eixo terrestre e da diferença de temperatura 
entre o Equador e as zonas polares. As correntes podem ser frias ou 
quentes e influenciam a vida no planeta de várias formas. A corrente 
fria de Humboldt, por exemplo, esfria a costa oeste da América do Sul. 
Há ainda a corrente quente do Atlântico Norte (ou corrente do Golfo), 
que evita o congelamento de portos europeus, e a corrente fria do 
Labrador, que desce do Ártico e influencia as gélidas temperaturas da 
costa leste norte-americana no inverno (veja mapa com as principais 
correntes marítimas na pág. 79).
No lado da Terra voltado para a 
Lua, as águas (em azul) sobem, 
atraídas pela gravidade lunar
Para facilitar, imagine 
que o planeta fosse todo 
recoberto pelos oceanos
SOB O DOMÍNIO DA LUA
Entenda como o satélite da Terra interfere nas marés
Maré alta
Maré alta
Maré baixaMaré baixa
A dificuldade em estabelecer as faixas 
oceânicas a que cada país tem direito deu 
origem à Convenção das Nações Unidas 
sobre o Direito do Mar. Ela determina os 
limites do mar territorial, ou seja, as águas 
que fazem parte do território nacional de 
cada país, onde possuem total soberania 
econômica e militar. Além do mar territo-
rial, são definidas, ainda, as zonas contí-
guas, nas quais o Estado deve fiscalizar e 
combater crimes ambientais e a imigração 
ilegal; as zonas econômicas exclusivas, 
que estabelece direitos absolutos para 
a realização de pesquisas e exploração 
econômica; e a plataforma continental, 
área na qual o país detém direitos sobre 
o assoalho marítimo e o subsolo.
O Brasil é signatário dessa convenção 
desde 1994. Na zona econômica exclusiva 
brasileira, estão 91% de todo o petróleo 
explorado pelo país, incluindo as jazidas 
do pré-sal. Diante das riquezas contidas ali 
e da necessidade de garantir sua proteção, 
a Marinha brasileira passou a chamá-la 
de “Amazônia Azul”. Em 2004, o Brasil 
solicitou à ONU que estenda sua soberania 
sobre a área de mar acima da plataforma 
continental para até 350 milhas náuticas 
(648 quilômetros), conforme prevê a con-
venção, para poder exercer um controle 
maior sobre as águas oceânicas. Veja na 
página ao lado a localização e a extensão 
de cada nível de fronteira marítima no 
litoral atlântico brasileiro.
56 GE GEOGRAFIA 2017
3
Reservas vitais
Saiba onde ficam as principais 
fontes de água doce, que 
representam menos de 
3% de toda a hidrosfera
A pesar de a água dominar a pai-sagem do globo, a quantidade de H2O disponível para nosso 
consumo é proporcionalmente irrisória: 
do 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos 
de água da hidrosfera, apenas 2,5% são 
de água doce. Mas a garganta começa 
a secar mesmo quando observamos 
que a maior parte da água doce, quase 
70%, está sob a forma de gelo, ou seja, 
indisponível, nos polos. 
As principais fontes para matar a sede 
dos bilhões de seres vivos no mundo 
são: as águas subterrâneas, captadas por 
meio da exploração de poços; as águas 
de superfície, que englobam desde lagos 
e rios até a umidade do solo; e a água 
presente na atmosfera. Tudo isso junto, 
DOCE PAISAGEM 
Vista aérea do Lago 
Michigan, em Chicago, 
nos Estados Unidos, 
que compõe um dos 
cinco Grandes Lagos: 
sua formação se deu 
por erosão glacial
HIDROSFERA ÁGUA DOCE
contudo, não atinge 1% do volume da 
hidrosfera. Seja como for, mesmo que o 
volume relativo seja mínimo, os números 
absolutos de H2O à nossa disposição ain-
da são bastante significativos, desde que 
administrados racionalmente e preserva-
dos de qualquer contaminação. Confira a 
seguir as características dos reservatórios 
que guardam todo esse precioso líquido. 
Geleiras 
Reservatório de 68,7% da água doce 
do planeta, as geleiras são enormes mas-
sas formadas pelo acúmulo de neve no 
decorrer de milhares de anos. Existem 
em áreas planas próximas aos polos ou 
na forma de imensos rios de gelo que 
avançam lentamente pelos vales em altas 
latitudes ou em cordilheiras elevadas. 
As geleiras se movimentam: descem 
encostas pela ação da gravidade ou se 
espalham pelo solo com a força de seu 
peso. Em seu trajeto, elas desgastam 
as rochas e, ao chegar a mares e lagos, 
dão origem a plataformas de gelo. Os 
icebergs são massas de gelo que se des-
prendem dessas plataformas e flutuam 
pelos oceanos.
Lagos
Os lagos, definidos conceitualmen-
te como corpos de água parada, são 
a maioria da água doce de superfície 
disponível para consumo. Podem ser 
formados de várias maneiras: por acú-
mulo de água da chuva, afloramento 
de uma nascente, pela alimentação de 
rios ou pela erosão glacial (desgaste 
das rochas provocado pelo movimento 
das geleiras). Essa última explica a ori-
gem dos Grandes Lagos da América do 
Norte, que abrigam 27% da água doce 
proveniente de lagos do planeta.
Também são lagos os mares fechados, 
sem ligação com o oceano, como o Mar 
Cáspio – o maior lago do mundo, com 
área de 370 mil quilômetros quadrados – 
e o Mar Morto. Outro mar, o de Aral, 
enfrenta enorme desastre ambiental e 
perdeu cerca de 90% do volume total 
de água (veja mais na pág. 67).
Rios
São cursos naturais de água que se 
deslocam de um ponto mais alto (nas-
cente) até um nível mais baixo (foz ou 
desembocadura), onde lançam suas 
57GE GEOGRAFIA 2017 
BOLÍVIA
PARAGUAI
ARGENTINA
MT
GO
MG
MS
SP
PR
RS
SC
URUGUAI
AQUÍFERO GUARANI
Boa Vista
Solimões
Alter do Chão
Motuca
Itapecuru
Serra Grande
JandaíraAçu
Beberibe
Missão
Velha
Tacaratu
Exu
Inajá
Marizal
São Sebastião
Barreiras
Bambuí
Barreiras
Dunas
Corda
Poti-Piauí
Urucuia-Areado
Bauru-Caiuá
Serra Geral
Furnas
Cabeças
Ponta
GrossaParecis
Oceano Atlântico
Oceano 
Pacífico
BOLÍVIA
PARAGUAI
ARGENTINA
URUGUAI
PERU
COLÔMBIA
VENEZUELA GUIANA
SURINAME
GUIANA FRANCESA
CHILE
Fonte: Agência Nacional de Águas
OS PRINCIPAIS AQUÍFEROS BRASILEIROS
iSTOCK PHOTO
águas. A foz pode ser um mar, lago, 
pântano ou rio. Os rios aumentam pro-
gressivamente de volume ao longo de 
seu percurso, alimentados por novos 
cursos de água – outros rios, riachos 
e nascentes. 
As chuvas também reforçam o flu-
xo do rio, pois as águas se infiltram 
no terreno ou escorrem em filetes até 
atingir os riachos. A parte absorvida 
pelo solo penetra até estratos inferio-
res, formados por rochas impermeá- 
veis, e continua se movimentando 
subterraneamente conforme a incli-
nação da camada rochosa, criando os 
lençóis freáticos. Mais adiante, essa 
água retorna à superfície em nascen-
tes, que alimentam os cursos de água. 
O derretimento da neve acumulada 
no cume das montanhas é outro fa-
tor que participa na formação dos rios 
(veja a imagem ao lado).
Águas subterrâneas
As águas subterrâneas são o segundo 
grande depósito de água doce da Ter-
ra, com 30,1% do volume total. Elas se 
acumulam em reservatórios naturais 
no interior da crosta terrestre graças 
à infiltração das águas superficiais em 
áreas com rochas porosas. Essas fon-
tes de água doce são essenciais para o 
abastecimento de diversas regiões do 
globo onde há carência permanente 
ou sazonal de águas superficiais, com 
destaque para o norte da África, Oriente 
Médio, algumas regiões dos Estados 
Unidos, China e a Índia. São utilizadas 
na irrigação agrícola e no consumo de 
pessoas e animais. Também têm impor-
tante papel na manutenção da umidade 
do solo e na alimentação de rios e lagos.
No Brasil, as reservas de águas sub-
terrâneas nos aquíferos são estimadas 
em 112 mil quilômetros cúbicos. Neles, 
a água se distribui de maneira irre-
gular e em grandes extensões, o que 
dificulta a obtenção de dados precisos 
sobre esses reservatórios subterrâneos. 
Calcula-se que existam 27 aquíferos 
principais no país. O Aquífero Guarani 
é um dos maiores reservatórios de água 
doce do mundo, ocupando aproxima-
damente 1,1 milhão de quilômetros 
quadrados (veja mapa). Desse total, 
70% estão em território brasileiro, 
estendendo-se do Centro-Oeste ao 
Sudeste e Sul, e o restante está em 
territórios do Uruguai, do Paraguai 
e da Argentina. As reservas poten-
ciais calculadas do Guarani são de 37 
trilhões de metros cúbicos de água. 
Atualmente, o aquífero é largamente 
explorado para a irrigação agrícola.
Outro importante aquífero brasi-
leiro é o Alter do Chão, na Amazônia. 
Estudos preliminares situam-no entre 
os maiores do mundo em volume de 
água. Com área de 437,5 mil quilô-
metros quadrados, há projeções que 
indicam que o Alter do Chão tenha 86 
trilhões de metros cúbicos de água, o 
que, caso confirmado, superaria em 
muito o Guarani.
Oceano
Condensação
Neve
Chuva
Chuva
Lago
COMO NASCEM OS RIOS
A água das chuvas e 
a do derretimento 
das neves escorrem 
pelo solo, formando 
pequenos veios que 
vão aumentando 
conforme se 
encontram
Rochas porosas 
permitem que a água 
penetre no subsolo –
e as diferenças de 
altura e pressão 
a fazem ressurgir em 
outro local, formando 
nascentes
2 
1 
58 GE GEOGRAFIA 2017
3 HIDROSFERA TSUNAMI
Ondas de 
destruição
Tremores provocados por 
fenômenos geológicos no 
fundo do mar dão origem 
aos terríveis tsunamis 
Grande maré de terremoto: esse é o significado da palavra tsunami em japonês. Os tsunamis são ondas gigan-
tescas, com mais de 30 metros de altura, pro-
vocadas por perturbações nas profundezas 
do mar, como abalos sísmicos (maremotos), 
erupções vulcânicas ou deslizamentos no 
fundo oceânico (veja ao lado). Os tremores 
provocados por fenômenos geológicos, como 
esses, fazem com que uma série de ondu-
lações se propague por grandes distâncias 
na superfície do oceano. Essas ondas são 
inicialmente bastante longas e baixas, não 
mais que 0,3 a 0,6 metro. Entretanto, a coisa 
se complica quando elas se aproximam da 
costa, onde a profundidade diminui e surge 
atrito com o fundo do oceano.
O resultado é que as ondas passam a ser 
comprimidas num espaço cada vez menor, 
o que as obriga a subir. Os tsunamis, então, 
formam uma coluna descomunal, sugando 
o mar da costa a ponto de deixar parte do 
solo oceânico descoberto. Esse é o último 
aviso. Minutos depois, eles chegam, em 
geral catastroficamente.
A CHEGADA DO TSUNAMI NA COSTA
Diferenças nas encostas do litoral podem suavizar ou aumentar o impacto
Um declive menos acentuado na beira-mar faz com que as ondas percam força, atenuando o tsunami
Uma maior profundidade na encosta joga as ondas para cima, amplificando sua potência
TUDO COMEÇA 
NO FUNDO DO MAR
Ondas gigantes são provocadas por 
três tipos de fenômeno
Erupções vulcânicas injetam 
toneladas de lava no chão oceânico, 
provocando ondas devastadoras 
Terremotos submarinos deslocam a 
crosta oceânica, empurrando a massa 
de água para cima
Uma imensa bolha de gás se 
forma no fundo do solo oceânico, 
surtindo o mesmo efeito de uma 
explosão descomunal
[3]
[4]
[1]
[2]
[5]
59GE GEOGRAFIA 2017 
NATUREZA EM FÚRIA
INDONÉSIA
O PLANETA MOBILIZADO PELA ONDA GIGANTE 
A tragédia de 26 de dezembro de 2004 foi 
ainda mais devastadora porque o Oceano 
Índico não tinha um sistema de aviso eficaz 
nem estava acostumado a esse tipo de onda. 
A alta densidade populacional das áreas atin-
gidas (15 países na Ásia e na África) também 
amplificou a catástrofe, que deixou 230 mil 
mortos. A Indonésia foi o país mais atingido – 
só na ilha de Sumatra morreram mais de 
170 mil pessoas.
O tsunami nasceu de um terremoto de 9 
pontos na escala Richter. A partir do epicen-
tro, a cerca de 160 quilômetros a oeste da 
ilha indonésia de Sumatra, surgiram ondas 
de 10 metros de altura, que viajavam a 800 
quilômetros por hora. 
A comoção diante da tragédia provocou 
uma mobilização mundial. Nações de todo o 
globo enviaram dinheiro, donativos e volun-
tários com rapidez sem precedentes.
NATUREZA EM FÚRIA
JAPÃO
O DESASTRE QUE GEROU 
UM ALERTA NUCLEAR
No dia 11 de março de 2011, o Japão sofreu 
o maior terremoto de sua história. O abalo 
de 9 pontos na escala Richter teve seu epi-
centro no oceano Pacífico, a 67 quilômetros 
da costa nordeste, provocando um tsunami 
devastador. As ondas viajaram a 800 quilô-
metros por hora, arrastando carros, barcos e 
edifícios. Cidades como Sendai e Ishi ficaram 
submersas em meio aos escombros.
Além de deixar pelo menos 9 mil mortos, 
o tsunami comprometeu o sistema de res-
friamento da usina atômica de Fukushima. 
O superaquecimento dos reatores provocou 
explosões, e houve vazamento de material ra-
dioativo. Enquanto milhares de desabrigados 
eram socorridos, o país ainda era ameaçado 
por uma catástrofe nuclear.
[6]
[7]
[1][2][3][4][5] NEWTON VERLANGIER/ REVISTA MUNDO ESTRANHO [6] KYODO PRESS/ AP [7] DUDI ANUNG/ AP
COSTA BRAVA Tsunami invade o litoral de Iwanuma, no norte do Japão, em março de 2011
CENÁRIO DESOLADOR A cidade de Meulaboh, na Indonésia, após a passagem do tsunami, em 2004
60 GE GEOGRAFIA 2017
3 HIDROSFERA BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
O Brasil concentra mais de 
10% da água doce disponível na 
superfície do planeta. Descubra 
os meandros das águas que 
percorrem nosso país
Enquanto várias regiões do planeta são pouco privilegiadas em relação à disponibilidade de água, o Brasil 
não tem do que reclamar nesse quesito: 
nosso território concentra mais de 10% da 
água superficial disponível para consumo 
no mundo. Toda essa caudalosa riqueza 
está espalhada pelos milhares de rios que 
percorrem o país. A maioria desses rios 
nasce em regiões de altitude média – o 
Amazonas, que tem origem na cordilheira 
dos Andes, é uma das exceções. Uma 
característica importante é o predomínio 
de rios de planalto, o que permite bom 
aproveitamento hidrelétrico. 
O regime dos rios brasileiros é pluvial, 
ou seja, são alimentados pela água da chu-
va (oAmazonas é exceção, pois também 
recebe neve derretida dos Andes). Em 
virtude da predominância do clima tro-
pical no país, com bastante chuva, nossos 
rios são majoritariamente perenes (nunca 
secam). Desaguando no Oceano Atlântico 
ou em outros afluentes que correm para 
o mar, eles têm, em sua maioria, foz do 
tipo estuário: o canal se afunila, e as águas 
são lançadas livremente no oceano. Outro 
tipo de foz é o delta, em que aparecem 
ilhas na região do deságue. Há, ainda, o 
caso de foz mista, como a do Amazonas. 
Apesar de a água ser abundante aqui no 
Brasil, o país não está livre do problema 
da falta de água. Isso porque as fontes na-
turais são mal distribuídas pelo território 
e há uma crônica má administração dos 
recursos hídricos (veja mais na pág. 64). 
O vasto emaranhado de afluentes na-
cionais está agrupado em oito grandes 
bacias hidrográficas. As bacias, por sua 
vez, reúnem-se em regiões hidrográficas 
para facilitar o planejamento ambiental 
e o uso racional dos recursos. Veja a se-
guir cada uma das oito grandes regiões 
hidrográficas do Brasil.
Território 
caudaloso
Fonte: IBGE
1
32
4
8A
8B
8E
8D
8C6
5
7
1. Região hidrográfica 
da Amazônia
Engloba a maior bacia hidrográfica 
do mundo, a Amazônica, com área de 
3,8 milhões de quilômetros quadrados 
em terras brasileiras, o equivalente a 
cerca de 60% do total (os outros 40% 
distribuem-se nos territórios de Peru, 
Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana 
e Bolívia). Seu curso principal nasce 
no Peru, com o nome de rio Vilcanota, 
e recebe depois as denominações de 
Ucaiali, Urubamba, Marañón e Ama-
zonas. Quando entra no Brasil, vira 
Solimões, até o encontro com o rio 
Negro; desse ponto até a foz, volta a 
se chamar Amazonas. Seus principais 
afluentes no Brasil são os rios Madeira, 
Tapajós e Xingu, na margem direita, e, 
na margem esquerda, Negro, Trombetas 
e Paru. Um estudo divulgado em 2008 
pelo Inpe mostrou que o rio Amazonas 
é o maior do mundo: o rio brasileiro 
tem 6.992 quilômetros de extensão, 
superando o rio Nilo, com 6.852 qui-
lômetros. A confirmação desses dados, 
contudo, ainda depende da aceitação de 
instituições geográficas internacionais. 
A bacia Amazônica tem mais de 
20 mil quilômetros de rios navegáveis. 
Hidrovias como a do Rio Madeira, que 
opera de Porto Velho a Itacoatiara, ser-
vem de escoadouro para a produção 
agrícola do Centro-Oeste.
2. Região hidrográfica 
dos rios Tocantins-Araguaia
Ocupando 921 mil quilômetros qua-
drados, essa área é definida pela bacia 
do Rio Tocantins. Ele nasce em Goiás 
e desemboca na foz do Rio Amazonas. 
Parte de seu potencial hidrelétrico é 
aproveitada pela usina de Tucuruí, no 
Pará. Já o Rio Araguaia nasce em Mato 
Grosso, na divisa com Goiás, unindo-se 
ao Rio Tocantins no extremo norte do 
estado do Tocantins.
3. Região hidrográfica 
do Rio São Francisco 
Possui uma área de 638 mil quilô-
metros quadrados e seu principal rio 
é o São Francisco, com cerca de 2,7 mil 
quilômetros de extensão. O Velho Chico 
61
SAIBA MAIS
BACIAS HIDROGRÁFICAS
Uma bacia hidrográfica ou bacia de drena-
gem compreende as águas superficiais (lagos, 
rios e seus afluentes e subafluentes, além do 
escoamento das águas das chuvas) e também 
as águas subterrâneas. Em geral, as bacias hi-
drográficas são exorreicas, ou seja, suas águas 
escoam para os mares ou oceanos. As bacias 
endorreicas (aquelas em que as águas escoam 
para lagos ou pântanos) são menos frequentes, 
principalmente em se tratando de grandes 
bacias hidrográficas. Veja na imagem ao lado 
os seus principais elementos.
nasce em Minas Gerais e percorre os 
estados da Bahia, de Pernambuco, Ala-
goas e Sergipe até a foz, na divisa entre 
esses dois últimos estados. É o maior 
rio totalmente localizado em território 
brasileiro, sendo essencial para a eco-
nomia das localidades que percorre 
– grande parte localizada em região 
semiárida – , pois permite a atividade 
agrícola em suas margens e oferece 
condições para a irrigação artificial de 
áreas mais distantes. Essa, inclusive, é 
uma das questões em debate em torno 
do projeto de transposição das águas 
do São Francisco (veja mais na pág. 64).
4. Região hidrográfica 
do Rio Parnaíba
Segunda principal região hídrica 
do Nordeste, atrás da região do São 
Francisco, ocupa uma área de 333 mil 
quilômetros quadrados, entre os esta-
dos do Ceará, Maranhão e Piauí. Ao 
desaguar no oceano Atlântico, fazendo 
a divisa do Piauí com o Maranhão, o 
Rio Parnaíba forma um delta oceânico. 
A piscicultura é a principal atividade 
econômica praticada no rio. 
5. Região hidrográfica 
do Rio Paraná
Abrangendo uma das áreas com o 
maior desenvolvimento econômico do 
país, a região da bacia do Paraná tem 
cerca de 880 mil quilômetros quadrados. 
O Rio Paraná, com quase 3 mil quilô-
metros de extensão, nasce na junção 
dos rios Paranaíba e Grande, na divisa 
entre Mato Grosso do Sul, Minas Gerais 
e São Paulo. Essa bacia apresenta o maior 
aproveitamento hídrico do Brasil, abri-
gando hidrelétricas como a de Itaipu. 
Afluentes do Paraná, como o Tietê e 
o Paranapanema, também têm grande 
potencial para gerar energia. A hidrovia 
Tietê-Paraná é a mais antiga do país.
6. Região hidrográfica 
do Rio Paraguai
É constituída pela bacia brasileira do 
Rio Paraguai, abrigando a grande planí-
cie do Pantanal Mato-Grossense. Com 
sua nascente em território brasileiro, na 
Serra do Araporé, próximo de Cuiabá 
(MT), o Rio Paraguai ocupa uma região 
de 363 mil quilômetros quadrados no 
Brasil, correspondente a cerca de um 
terço da área total, e inclui também 
Argentina, Bolívia e Paraguai. Seus rios 
são muito usados para a navegação e 
para o consumo animal.
7. Região hidrográfica 
do Rio Uruguai
Com cerca de 274 mil quilômetros 
quadrados, é constituída pela parte 
brasileira da bacia do Uruguai, rio que 
surge da união dos rios Pelotas e Ca-
noas. Tem grande importância tanto 
pelo potencial hidrelétrico como pela 
concentração de atividades agroindus-
triais na região.
8. Região hidrográfica 
do Atlântico
Trata-se de um conjunto de várias pe-
quenas e médias bacias costeiras forma-
das por rios que deságuam no Atlântico, 
exceto os do Amapá, que fazem parte 
da região hidrográfica Amazônica. São 
cinco regiões:
a) A Atlântico Nordeste Ocidental, de 
274 mil quilômetros quadrados, abri-
ga os rios situados entre a foz do 
Gurupi (divisa Pará-Maranhão) e a 
do Rio Parnaíba (divisa Maranhão-
-Piauí).
b) A Atlântico Nordeste Oriental, de 
286 mil quilômetros quadrados, fica 
entre a foz do Parnaíba e a do São 
Francisco, na divisa entre Alagoas 
e Sergipe.
c) A Atlântico Leste, com 388 mil qui-
lômetros quadrados, vai da foz do São 
Francisco ao Rio Mucuri (extremo 
sul da Bahia).
d) A Atlântico Sudeste, com 215 mil 
quilômetros quadrados, vai do Mu-
curi à área da divisa entre São Paulo 
e Paraná.
e) Por fim, a Atlântico Sul abrange 
as bacias dos rios Itajaí, Capivari e 
aquelas ligadas ao Rio Guaíba e ao 
sistema lagunar do Rio Grande do 
Sul, somando 187 mil quilômetros 
quadrados de área.
GE GEOGRAFIA 2017 
62 GE GEOGRAFIA 2017
3 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO
O volume total de água no planeta – 1,4 bilhão de quilômetros cúbi-cos – praticamente não aumenta 
nem diminui. E tem sido assim desde as 
eras mais remotas. Como observamos na 
página 51, o ciclo hidrológico garante que 
a água passe do mar para a atmosfera e 
desta para os rios que abastecem os re-
servatórios de forma constante. Mas, se a 
quantidade de água na Terra permanece a 
mesma, por que estamos sempre falando 
em esgotamento das reservas hídricas? 
A questão é que, mesmo sendo um re-
curso renovável, a água não se mantém, 
necessariamente, inesgotável e sempre 
com boa qualidade. Tudo depende do 
equilíbrio entre a renovação e o consu-
mo. Se hoje uma a cada nove pessoas no 
mundo não tem acesso à água potável em 
quantidade necessária para garantir sua 
saúde, é porque a ação do homem está 
interferindo diretamente nesta relação 
entre a ofertae a demanda de água potá-
vel. O aumento populacional, o consumo 
crescente, o desperdício, a contaminação 
dos mananciais e as alterações climáticas 
exercem grande pressão sobre as fontes 
de abastecimento de água.
O mundo 
tem sede
Entenda como a ação do 
homem vem interferindo 
na disponibilidade de água 
e provocando uma grave 
escassez hídrica
PARA IR ALÉM
O documentário Ouro Azul – As Guerras 
Mundiais pela Água, de Sam Bozzo, trata, 
por meio de entrevistas com especialistas 
de diversos países, da escassez hídrica em 
várias regiões do mundo e dos conflitos que 
podem surgir em razão da falta de água, 
com sérias implicações geopolíticas.
USO HUMANO DA ÁGUA
Subterrânea e superficial
Industrial
21% Agricultura
69%
Doméstico
10%
Fonte: National Geographic
A população mundial saltou de 2,5 
bilhões de pessoas em 1950 para mais de 
7 bilhões atualmente. E esse acelerado 
crescimento demográfico não signifi-
ca apenas maior consumo de água em 
nossas casas. Tarefas cotidianas como 
tomar banho, cozinhar ou lavar louça 
representam apenas 10% do consumo 
total da água pelo homem. Com mais 
gente no mundo, nossa sociedade precisa 
aumentar a produção no campo para 
produzir alimentos e na indústria para 
gerar os bens que consumimos. Como o 
desenvolvimento industrial e agropecuá- 
rio é hoje responsável pelo consumo de 
90% de toda a água utilizada pela huma-
nidade, é possível ter uma dimensão da 
pressão que esse aumento populacional 
exerce sobre as fontes hídricas.
O mapa na página ao lado mostra a 
disponibilidade de água no planeta. Em 
alguns casos, fatores naturais, como 
a ocorrência de zonas áridas, podem 
explicar a escassez. Mas, de modo ge-
ral, é o mau gerenciamento das fontes 
que pressionam o ciclo hidrológico, ou 
seja, consumimos mais água do que a 
natureza é capaz de repor.
QUESTÃO DE 
SOBREVIVÊNCIA 
Refugiados carregam 
galões com água em 
Darfur do Norte, no 
Sudão: acesso restrito 
ao escasso e precioso 
líquido 
63GE GEOGRAFIA 2017 
SAIBA MAIS
ÁGUA VIRTUAL
Além da água que consumimos diretamente 
todos os dias para beber, cozinhar os nossos 
alimentos e fazer a higiene pessoal, gastamos 
outras centenas de litros indiretamente. Como 
assim? Ocorre que tudo o que utilizamos no 
dia a dia, como roupas, alimentos, eletrodo-
mésticos e material escolar, precisou de água 
para ser produzido. Para chamar atenção sobre 
a importância de calcular o consumo indireto 
e identificar a quantidade real de água utili-
zada, foi criado o conceito de “água virtual”. 
Em produtos de origem animal, por exemplo, 
a maior parte da água virtual tem origem na 
produção da ração que alimenta a criação.
A ÁGUA ESTÁ PRESENTE EM TUDO O QUE CONSUMIMOS
Água virtual é a quantidade de água usada, direta ou indiretamente, na produção de algo. 
Veja quantos litros de água virtual existe em alguns produtos
Fontes: R.L.Carmo, A.L.R.O.Ojima, R.Ojima e T.T.Nascimento; Hoekstra e Chapagain e Water Footprint Network
32 litros
Microchip
(2 g)
140 litros
Xícara de café
(125 ml)
10 litros
Folha de papel A4
(80 g/m2)
2.000 litros
Camiseta de 
algodão (250 g)
135 litros
Ovo
(40 g)
200 litros
Copo de leite
(200 ml)
2.325 litros
Carne bovina
(150 g)
720 litros
Carne suína
(150 g)
8.000 litros
Par de sapatos 
de couro
Em produtos de 
origem animal, a 
maior parte da água 
virtual tem origem na 
produção da ração que 
alimenta a criação 
Fonte: Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture, 2007
Escassez hídrica
Áreas onde o consumo humano já superou a 
capacidade de renovação natural, com extração de 
mais de 75% das águas das bacias hidrográficas
Próximo da escassez hídrica física 
Mais de 60% do fluxo dos rios dessas bacias é usado, 
e a população deve enfrentar a escassez física em 
breve
Sem dados disponíveis
Escassez hídrica econômica
Questões políticas e econômicas também limitam o 
acesso à água. Encontram-se nessa situação regiões 
em que menos de 20% da água disponível é 
aproveitada, enquanto os habitantes sofrem com 
desabastecimento por causa de conflitos ou falta de 
infraestrutura e saneamento 
Escassez hídrica pequena ou inexistente 
Ocorre em regiões ricas em recursos hídricos, com 
retirada inferior a 25% do total de água disponível
A ÁGUA DOCE NO MUNDO
Europa
7%Américas
46%
Ásia
32%
África
9% 
12%
Só o Brasil
Oceania
6%
ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO
ALBERT GONZÁLEZ FARRAN/ONU
3
64 GE GEOGRAFIA 2017
HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL
Acesso desigual
Seja por aspectos climáticos ou 
má gestão dos recursos hídricos, 
o Brasil também enfrenta o problema 
da seca. Veja a situação no Nordeste 
e no Sudeste, as duas regiões mais 
afetadas atualmente
Mesmo concentrando cerca de 12% das reservas mundiais de água doce e sen-do privilegiado por uma profusão de 
rios, o Brasil não está imune à escassez hídrica. 
Um dos problemas é que o precioso líquido 
não é distribuído de maneira uniforme pelo 
território nacional. Os estados do Norte, com 
somente 8% da população, têm quase 70% das 
reservas hídricas. Em compensação, o Nordeste, 
que concentra 28% da população, possui apenas 
3% da água disponível e é a região mais afetada 
pela seca no país.
No Nordeste, a escassez hídrica está dire-
tamente relacionada com o clima semiárido 
do sertão. A presença de uma massa quente e 
seca que estaciona na região durante longos 
períodos é responsável pela falta de chuvas. 
Alguns fenômenos climáticos sazonais, como a 
ocorrência do El Niño, pode agravar ainda mais 
a situação (veja mais na pág. 76). 
A seca no Nordeste é um fenômeno previsível, 
que é constatado desde o período colonial. Por-
tanto, as autoridades governamentais ao longo 
das últimas décadas já poderiam ter desenvolvido 
políticas públicas eficazes para minimizar os 
efeitos da baixa pluviosidade. Contudo, a cons-
trução de açudes, que permitem tornar perenes 
os rios intermitentes, e projetos de irrigação 
durante muitos anos beneficiou apenas grandes 
latifundiários em detrimento da população mais 
duramente castigada – atitude que ajudou a 
cunhar o termo “indústria da seca”, ao perpetuar 
os problemas decorrentes da estiagem.
A transposição do rio São Francisco 
Atualmente, a principal obra do governo 
federal para combater os efeitos da seca é a 
controversa transposição do rio São Francisco. 
Iniciadas em 2007, as obras têm como objetivo 
desviar uma pequena parcela de seu volume por 
meio de dutos e canais que devem abastecer rios 
menores e açudes que secam durante a estiagem 
no semiárido nordestino. O governo acredita 
que a obra beneficiará 12 milhões de pessoas 
e estimulará a agricultura nas áreas atingidas. 
Os críticos da transposição, porém, acreditam 
que poços profundos e cisternas (que são reser-
vatórios para a captação de água da chuva) são 
alternativas mais eficazes e baratas para com-
bater a seca, além de argumentar que o projeto 
não alcançará muitas comunidades e beneficiará 
principalmente os grandes fazendeiros. Existe 
ainda o temor de que o projeto cause impactos 
ambientais no rio São Francisco. Após muitos 
atrasos, a previsão é que a obra seja concluída em 
dezembro de 2016 (veja o mapa na pág. ao lado).
PARA IR ALÉM
O documentário Entre 
Rios, de Caio Ferraz, trata 
da urbanização de São 
Paulo, pelo viés dos cursos 
d’água, desde a primeira 
vila até os dias atuais: 
www.youtube.com/
watch?v=Fwh-cZfWNIc.
65GE GEOGRAFIA 2017 
A crise hídrica chega ao Sudeste
Nem mesmo o Sudeste, caracterizado pela gran-
de presença de umidade, está imune à escassez de 
água. Uma grave crise hídrica atingiu todos os es-
tados da região em 2014 e 2015 e foi especialmente 
aguda em São Paulo e sua região metropolitana. 
Responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões 
de pessoas, o Sistema Cantareira quase entrou 
em colapso, e o governo estadual foi obrigado a 
utilizar o chamado volume morto – uma reserva 
técnica que fica abaixo das comportas das represas. 
Ainda que a estiagem tenha contribuído para 
agravar a situação, a crise reflete a faltade plane-
jamento e investimentos no sistema de abasteci-
mento de água. Por isso, apesar de o pior da crise 
já ter sido superado, o setor ainda apresenta sérios 
problmeas estruturais. Veja alguns dos principais 
entraves que o setor enfrenta na região:
� Há pelo menos duas décadas, especialistas 
em recursos hídricos alertam que as regiões 
metropolitanas devem criar medidas para 
atender ao aumento da demanda de água 
nessas regiões, fruto do crescimento popu-
lacional. Entretanto, as obras para aumentar 
a captação, o tratamento e a distribuição de 
água não foram realizadas ou foram feitas em 
ritmo muito abaixo do que seria necessário.
� MANANCIAIS 
São todas as fontes 
de água, superficiais 
ou subterrâneas, que 
podem ser usadas 
para o abastecimento 
das populações. Isso 
inclui, por exemplo, 
rios, lagos, represas e 
lençóis freáticos
� A lentidão ou a conivência do poder pú-
blico na questão da ocupação das áreas de 
mananciais reduziu a capacidade de re-
posição da água em grandes reservatórios, 
como o da Cantareira e do Alto Tietê. Essa 
ocupação, fruto do crescimento desordenado 
das cidades, ocorreu com a implantação de 
áreas residenciais e comerciais (agrícolas e 
industriais), provocando desmatamento, im-
permeabilização do solo e poluição das águas. 
� Há fortes críticas de diversos setores da so-
ciedade sobre o modelo de gestão público-
-privada dos recursos hídricos. Em São Paulo, 
a Sabesp é uma empresa de capital misto (51% 
sob controle do Estado e o restante pertence a 
investidores privados), com ações negociadas 
na bolsa de valores. Esse modelo concretiza, 
portanto, a concepção da água como merca-
doria voltada para a obtenção de lucro, e não 
como um bem universal e direito de todos.
� A lentidão ou inexistência de programas de 
despoluição das águas dos rios e lagos em 
áreas urbanas restringe as fontes de água 
para o abastecimento público. A coleta e 
tratamento de esgotos, serviço cobrado 
pelas empresas que fazem a distribuição 
da água, atende menos da metade da po-
pulação (veja mais na pág. 66).
TORNEIRAS SECAS 
Moradores de Itu, no 
interior de São Paulo, 
fazem fila para receber 
água durante a crise de 
desabastecimento que 
afetou a cidade em 2014
TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
0 100
Escala (em km)
50
PERNAMBUCO
BAHIA
CEARÁ
ALAGOAS
SERGIPE
PARAÍBA
Ri
o 
Pi
ra
nh
as
-A
çu
Oceano 
Atlântico
Rio Brígida
Ri
o M
ox
ot
ó
Rio Paraíba
Rio
 do
 Pe
ixeR
io
 Ja
gu
ar
ib
e
R
io
 S
al
g
ad
o
Ri
o 
Ap
od
i
Eixo Norte*
99 m3/s
Eixo Leste*
28 m3/s
Cabrobó
RIO G. 
DO NORTE
Rio São Francisco
Locais de captação
Canais em construção
Rios receptores
* Vazão máxima
Petrolândia
HELVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/
3
66 GE GEOGRAFIA 2017
HIDROSFERA POLUIÇÃO HÍDRICA
A pesar da evidente importância da água para a nossa sobrevivência e para as inúmeras atividades humanas, como 
produção de alimentos, lazer e transporte, um 
dos maiores desafios ambientais da atualidade 
diz respeito à contaminação das fontes hídricas. 
A poluição das águas é causada, sobretudo, pelo 
lançamento de dejetos industriais e agrícolas, 
esgoto doméstico e resíduos sólidos. Isso com-
promete a qualidade das águas superficiais e 
subterrâneas em inúmeros pontos do planeta. 
Segundo estimativas da Organização Mundial 
de Saúde (OMS), 700 milhões de pessoas ainda 
consomem água imprópria e em torno de 2,5 
bilhões de pessoas não possuem esgotamento 
sanitário – um terço da população mundial. 
Além de indisponibilizar mananciais que 
poderiam ser utilizados para o consumo de 
água potável pela população, a contaminação 
das águas está relacionada à transmissão de 
diferentes tipos de doenças que, juntas, causam 
1,5 milhão de mortes por ano no mundo – as 
maiores vítimas são as crianças de países pobres 
e em desenvolvimento. Os ecossistemas também 
são gravemente afetados pela poluição hídrica, 
Águas turvas
A contaminação das fontes hídricas, 
que deteriora os ecossistemas e 
provoca milhares de mortes no 
mundo, é um dos grandes desafios 
ambientais da atualidade
COLETA DE ESGOTO NO BRASIL (2014)*
Percentual de domicílios atendidos
NorteBrasil Nordeste Centro-
Oeste
Sudeste Sul 
Fonte: PNAD 2014
*Ligados na rede geral, com e sem fossa séptica
63,5%
21,2%
41,1%
46,5%
87,7%
61,9%
ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO MUNDO (2012)
População com o mínimo de condições, em faixas de % por país
Fonte: Organização Mundial da Saúde
91–100%
76–90%
50–75%
menos de 50%
sem dados
que compromete a fauna e a flora aquática. 
Veja a seguir as principais atividades humanas 
responsáveis pela poluição das águas. 
A precariedade do saneamento básico
A falta de coleta e tratamento de esgotos in-
dustriais e domésticos, sobretudo nas grandes 
áreas urbanas, representa uma séria ameaça a 
rios, lagos e represas. Esses ambientes sofrem 
o fenômeno conhecido como eutrofização: os 
esgotos domésticos, ricos em matéria orgânica, 
quando são lançados na água, geram um excesso 
de nutrientes que provoca o crescimento acele-
rado de plantas e algas aquáticas. Estas, por sua 
vez, impedem a passagem de luz e a transferência 
de oxigênio para o meio aquático, favorecendo o 
desenvolvimento de bactérias anaeróbias.
No Brasil, de acordo com dados do IBGE de 
2014, eram atendidos com coleta de esgoto por 
rede canalizada 42,6 milhões de domicílios, nos 
5.570 municípios do país – o que representa 
63,5% do total. Ou seja, um terço das residên-
cias brasileiras não são atendidas por serviços 
de coleta de esgoto. Segundo o Instituto Trata 
Brasil e o Conselho Empresarial Brasileiro para 
o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em 
2014 apenas 12 dos 100 maiores municípios 
brasileiros haviam cumprido as exigências do 
Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), 
que prevê ações de abastecimento de água, 
tratamento de esgotos, coleta e tratamento de 
resíduos sólidos e manejo das águas pluviais 
urbanas. Nota-se, ainda, grandes disparidades 
entre as regiões quanto à coleta de esgoto (veja 
o gráfico abaixo).
67GE GEOGRAFIA 2017 
Descarga no mar de dejetos 
industriais e urbanos
Área poluída pela 
circulação de petróleo
Mares e lagos poluídos
Mares e lagos bastante poluídos
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO
OCEANO PACÍFICO
OCEANO ÍNDICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
Gr
ee
nw
ic
h Círculo Polar Antártico
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Equador 
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
Círculo Polar Ártico
0 2.500 5.000 km
N
POLUIÇÃO DAS ÁGUAS (2007)
Fonte: ilustração de Alex Argozino, baseado em mapa publicado no Atlas Geográfico: Espaço Mundial (Editora Moderna).
CONTAMINAÇÃO 
INTEROCEÂNICA 
O uso de adubos químicos 
nas lavouras, que é escoado 
no litoral, e a deposição de 
material não biodegradável 
respondem por grande parte 
da poluição nas áreas 
costeiras. Veja também como o 
transporte marítimo deixa um 
rastro de petróleo por onde 
passam os cargueiros.
� COMMODITIES 
São produtos de 
origem mineral 
(petróleo, minério de 
ferro, alumínio, entre 
outros) ou agrícola 
(soja, milho, algodão, 
etc.) negociados nas 
bolsas de valores no 
mercado internacional
SAIBA MAIS
A CATÁSTROFE DO MAR DE ARAL 
Além de contaminar os mananciais, a agroindústria 
também provoca enorme desperdício de água. Quando 
mal planejada, a irrigação pode dar origem a catástrofes 
ambientais extremas. É o que aconteceu no Mar de Aral. 
Encravado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, na Ásia 
Central, o Aral ocupava uma área de 68 mil quilômetros 
quadrados – pouco maior que o estado do Rio de Janeiro. 
O desastre começou a se formar nos anos 1960, com o 
desvio dos rios Amu e Syr para irrigar as lavouras da 
antiga União Soviética. Passados quase 50 anos, o Aral 
perdeu 90% do volume de água. Entre outras consequên-
cias, o recuo ampliou as áreas desérticas e diminuiu 
drasticamente a flora e a fauna locais. Em 2014, pela 
primeira vez na história, a parte oriental do Mar de Aral 
secou completamente.
1977 2015
NASA
A deposição de lixo e 
vazamentosnos oceanos
Os oceanos são os principais “corredores” do 
transporte mundial de mercadorias e matérias-
-primas. Os milhares de navios cargueiros e de 
pesca industrial provocam, nas rotas mais utili-
zadas, a poluição das águas com vazamentos de 
combustíveis e deposição de lixo (veja o mapa). 
Outras fontes de resíduos sólidos nos oceanos, 
principalmente de plásticos e outros materiais 
não biodegradáveis, são as cidades litorâneas e 
a descarga de rios poluídos nas águas oceânicas.
Os vazamentos de petróleo que ocorrem com 
certa frequência nos poços explorados no assoa- 
lho oceânico também estão entre as principais 
fontes poluidoras dos oceanos. 
O uso de adubos químicos e de 
agrotóxicos na produção agrícola
A agricultura comercial, voltada para a produ-
ção de commodities comercializadas em escala 
global, utiliza toneladas de adubos químicos para 
aumentar a produtividade e de produtos tóxicos 
para controlar a proliferação de pragas (insetos, 
doenças e plantas indesejadas) nas lavouras. 
Além de contaminar os solos (veja mais na pág. 
44), o uso desses produtos dá origem ao pro-
cesso de fertilização artificial das águas de rios, 
lagos e oceanos com nutrientes, principalmente 
nitrogênio e fósforo. É o mesmo fenômeno da 
eutrofização, verificado na poluição por esgoto 
doméstico. Estudos mostram que o Aquífero 
Guarani, um dos maiores reservatórios de água 
doce do mundo, apresenta elevado grau de con-
taminação por agrotóxicos.
68 GE GEOGRAFIA 2017
COMO CAI NA PROVA3
1. (Uece 2014) Sobre o ciclo da água, é correto afirmar-se que
a) o ciclo, através das chuvas, contribui para aumentar a umidade do ar e dos
solos, alimentar os lençóis de água subterrânea e o escoamento fluvial. 
b) a infiltração da água tende a ser maior em terrenos impermeáveis e de rochas 
pouco porosas pertencentes ao embasamento cristalino. 
c) a descarga fluvial, ou débito de um rio, é sempre igual à pluviosidade total
que incide sobre a região da bacia hidrográfica. 
d) a evaporação e a evapotranspiração tendem a um decréscimo em regiões de
baixas latitudes, aumentando, consideravelmente, nas regiões de altas latitudes.
RESOLUÇÃO
A alternativa A apresenta corretamente aspectos do ciclo da água: a evaporação, 
formação de nuvens e as chuvas tornam a atmosfera úmida, além de garantir a
presença da água nos solos e nos rios (escoamento fluvial) e, por infiltração, nos
lençóis freáticos (água subterrânea). 
Sobre as alternativas incorretas: em terrenos impermeáveis e com rochas pouco 
porosas (B), a infiltração é prejudicada e ocorre um aumento do escoamento 
superficial. A descarga fluvial (C) é menor do que a pluviosidade total, pois uma 
parte da água infiltra ou evapora ao longo do ciclo hidrológico. Em regiões de baixas 
latitudes (D), com temperaturas médias mais altas, a evaporação e a evapotranspi-ii
ração são mais elevadas e,e nas latitudes maiores (regiões mais afastadas da linha
do Equador)EE ,)) as baixas temperaturas reduzem a evaporação e a evapotranspiração.
Resposta: A
� SAIBA MAIS
GRANDES RESERVATÓRIOS DE ÁGUA MUNDO
Veja a seguir quais são as principais bacias hidrográficas do mundo:
1. Yukon
2. Mackenzie
3. Nelson
4. Mississipi
5. St. Lawrence
6. Amazônica
7. Paraná
8. Níger
9. Bacia do Lago Chade
10. Congo
11. Nilo
12. Zambezi
13. Volga
14. Ob
15. Yenisey
16. Lena
17. Kolyma
18. Amur
19. Ganges 
 e Brahmaputra
20. Yangtze
21. Murray Darling
22. Huang He
23. Indo
24. Tigre e Eufrates
25. Danúbio
26. Orange
2. (Espcex-Aman 2015) “Relatórios da ONU alertam que se o padrão de consu-
mo não mudar, em 2025, 1,8 bilhão de pessoas estarão vivendo em regiões com 
absoluta escassez de água, e dois terços da população do mundo poderá estar 
vivendo sob condições de estresse hídrico.”
redeglobo.globo.com/globoecologia/noticia/2013/05/mundoenfrenta.crise-de-agua-doce
Sobre os fatores relacionados à crise de abastecimento de água potável no
mundo, podemos afirmar que
I. embora a água doce disponível no mundo ultrapasse largamente as neces-
sidades de consumo atuais, a crise da água é uma realidade no planeta.
II. em muitos países, as reservas de água subterrâneas renovam-se em velocidade 
menor que a retirada de água, provocando a secagem de poços e um efeito de 
subsidência (rebaixamento) bastante pronunciado em suas áreas urbanas, o 
que compromete a estrutura das construções e dos monumentos históricos.
III. a construção de barragens em rios compartilhados por diferentes países, 
viabilizando projetos de irrigação e beneficiando as atividades agrícolas,
tem contribuído para a redução do estresse hídrico entre esses países.
IV. o Aquífero Guarani é uma importante reserva estratégica de recursos hí-
dricos para o Centro- Sul do Brasil, a qual ainda não está sendo explorada, 
haja vista as abundantes chuvas que alimentam os rios, os quais, por si só, 
garantem o abastecimento da região mais dinâmica do País.
V. entre os diversos usos da água, o uso industrial é o que apresenta as maiores
taxas de desperdício em termos globais.
Assinale a alternativa em que todas as afirmativas estão corretas:
a) I e II 
b) II e III 
c) II e IV 
d) I, IV e V 
e) II, III e V 
RESOLUÇÃO
A afirmação I é correta e está relacionada à distribuição desigual da água no
planeta e nas diversas regiões povoadas. Na afirmação II, um exemplo de re-
baixamento do solo é o que ocorre na Cidade do México, localizada a mais de 
2 mil metros de altitude, em região de clima temperado com uma estação seca 
(outono/inverno, de setembro a março), que complementa seu abastecimento 
hídrico com a exploração de águas subterrâneas. 
Os itens incorretos são:
III. A exploração de rios que atravessam o território de diferentes países, por meio da
construção de barragens, por exemplo, tende a aumentar os conflitos pela água, 
como ocorre nas bacias dos rios Nilo (explorado principalmente por Egito, Sudãor
e Sudão do Sul) e Tigre/Eufrates (explorado por Síria e Iraque, principalmente).
IV. O Aquífero Guarani já é explorado para o abastecimento de água e para a
irrigação agrícola em muitos municípios do Sudeste. Além disso, há registros 
da presença de poluentes nessas águas em função da deposição de lixo, ao 
uso de agrotóxicos e à falta de tratamento de esgotos.
V. A agricultura – e não a indústria – é o setor que mais consome água e também
o que mais desperdiça, por meio de ineficientes sistemas de irrigação. 
Resposta: A
69GE GEOGRAFIA 2017
� SAIBA MAIS
Veja abaixo alguns dos principais aquíferos mundiais e suas características.
O compartilhamento dessas fontes por vários países é motivo de disputa.
3. (Enem 2014) 
A preservação da sustentabilidade do recurso natural exposto pressupõe 
a) impedir a perfuração de poços. 
b) coibir o uso pelo setor residencial. 
c) substituir as leis ambientais vigentes. 
d) reduzir o contingente populacional na área. 
e) introduzir a gestão participativa entre os municípios. 
RESOLUÇÃO
O Aquífero Alter do Chão perpassa os limites territoriais de dezenas de municípios, 
distribuídos nos estados de Amazonas, Pará e Amapá. A gestão racional e comparti-ii
lhada das águas do Alter do Chão é a melhor forma de preservar de forma sustentável 
este recurso. O uso sustentável é, sim, possível por meio da perfuração de poços, e a
legislação ambiental brasileira regulamenta esse tipo de exploração (o que invalida
as alternativas A, B e C). A redução do contingente populacional da área (alternativa
D) é improcedente, pois se trata de uma região de baixa densidade demográfica.
Resposta: E
RESUMO
Hidrosfera
HIDROSFERA É o conjunto de toda a água presente no planeta, A
que corresponde a cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos
e cobre mais de 70% da superfície do globo.
CICLO HIDROLÓGICO É o processo pelo qual a água circula
entre a superfície da Terra e a atmosfera. A energia solar pro-
voca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso 
e chega à atmosfera. Esse vapor de água se transforma em
nuvem, que se condensa, dando origem às chuvas. Asgotas de
água atingem os continentes e são escoadas para rios, lagos
e oceanos e também se infiltram no solo.
ÁGUA SALGADA A água salgada representa 97,5% de toda A
a hidrosfera. Esse volume se divide em oceanos e mares. Os
oceanos são grandes áreas de água salgada delimitadas pe-
los continentes. Os mares são blocos menores de água e são
classificados conforme sua relação com os oceanos. Podem 
ser de três tipos: abertos, continentais e fechados.
ÁGUA DOCE Apenas 2,5% de toda a hidrosfera corresponde
a água doce. Desse total, quase 70% estão congeladas em 
geleiras ou calotas polares. O volume de água disponível para
o consumo humano, presente em lençóis subterrâneos, lagos 
e rios, não chega a 1% da hidrosfera.
BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O território brasileiro
concentra mais de 12% da água doce superficial do planeta.
O Brasil apresenta oito grandes regiões hidrográficas: Amazô-
nica (a maior do mundo), dos rios Tocantins-Araguaia, do São 
Francisco, do Rio Parnaíba, do Rio Paraná, do Rio Paraguai, do 
Rio Uruguai e do Atlântico.
ESCASSEZ DE ÁGUA A distribuição de água no planeta é irreA -
gular, com regiões onde há abundância (como a Amazônia) e 
outras que sofrem com a escassez (como trechos da África).
Cerca de 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água limpa. 
Isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes
naturais, como a ocupação ilegal dos mananciais. Além disso,
há uma superexploração das reservas hídricas. Somente a
agricultura consome 69% da água doce disponível – a indústria
absorve 21% e o uso doméstico representa 10%. 
ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL A água por aqui é abundante,
mas mal distribuída. O Nordeste tem 28% da população, mas 
apenas 3% da água disponível. Atualmente, as regiões Nordeste
e Sudeste enfrentam grave escassez hídrica em função da falta
de chuva e da má gestão das fontes de água.
POLUIÇÃO DAS ÁGUAS Os rios e lagos são ameaçados pelo
lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico
e resíduos sólidos. Cerca de um terço da população mundial 
não dispõe de água suficiente para o saneamento básico.
MEIO-OESTE DOS EUA
O aquífero Ogallala, que se 
estende sob oito estados dos EUA, 
teve uma queda de 35 metros no 
nível da água em 50 anos. A água 
nele contida é “fóssil” e não pode 
ser reposta naturalmente.
AMÉRICA DO SUL
O aquífero Guarani, 
sob o Brasil, Argentina, 
Paraguai e Uruguai, é um 
dos maiores do mundo. 
Mas já está contaminado 
por produtos agrícolas e 
esgoto em alguns pontos.
ÁFRICA 
OCIDENTAL
Níger, Nigéria 
e Mali negociam 
o gerenciamento 
conjunto do 
aquífero 
Iulolemeden.
NORTE DA ÁFRICA
O aquífero Núbio, 
compartilhado por Chade, 
Egito, Líbia e Sudão, é um 
reservatório de água fóssil, 
que não se recarrega 
naturalmente pela chuva.
 ÍNDIA
Bangladesh 
reclamou que a 
barragem indiana de 
Farakka desvia parte 
da vazão do Rio 
Ganges para longe de 
seu território. A Índia 
concordou em reduzir 
o volume desviado.
ORIENTE MÉDIO
Israel e os territórios 
palestinos dividem quatro 
aquíferos. Desde os Acordos de 
Oslo II (1995), os israelenses têm 
acesso a quatro vezes mais água 
do que os palestinos.
FRONTEIRA ENTRE 
EUA E MÉXICO
O aquífero Hueco Bolsón 
é compartilhado pelas 
cidades de El Paso, nos 
EUA, e Ciudad Juarez, no 
México. A exploração 
descontrolada ameaçava 
a cidade mexicana de 
desabastecimento em 
cinco anos. Os EUA 
passaram a recarregar o 
aquífero com água usada 
e retratada.
1
4
5 6
7
2 3
Aquíferos cuja recarga é lenta demais em comparação à exploração
Aquíferos não recarregáveis
AMEAÇAS E ACORDOS SOBRE GRANDES FONTES
70 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA
4 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO� Camadas da atmosfera ..................................................................................72� Meteorologia .....................................................................................................73
� El Niño e La Niña .............................................................................................76
� Ciclone .................................................................................................................77
� Climas do mundo .............................................................................................78
� Climas do Brasil ................................................................................................80
� Poluição do ar ...................................................................................................82
� Aquecimento global ........................................................................................84
� Os efeitos das mudanças climáticas .........................................................86
� Energias renováveis .......................................................................................88
� Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris .......................................................90
� Como cai na prova + Resumo .......................................................................92
F oram quase duas semanas de duras ne-gociações, mas o esforço compensou. Ao término da 21ª Conferência das Nações 
Unidas sobre o Clima, a COP21, realizada em 
Paris entre novembro e dezembro de 2015, as 
delegações dos 195 países presentes ao encontro 
celebraram um acordo histórico com o objetivo 
de reduzir as emissões de dióxido de carbono 
na atmosfera e conter os efeitos do aquecimento 
global sobre o planeta.
Pelo Acordo de Paris, que valerá a partir de 2020, 
as nações se obrigaram a elaborar estratégias para 
limitar o aumento médio da temperatura da Terra 
até 2100 a “bem menos de 2 ºC”, buscando ainda 
“esforços para limitar o aumento a 1,5 ºC acima dos 
níveis pré-industriais”. Cada país comprometeu-se 
a cumprir metas nacionais, as chamadas INDCs 
(sigla em inglês para Contribuições Pretendidas 
Nacionalmente Determinadas), definidas por seus 
governos e que são voluntárias.
O sucesso do acordo, o mais amplo entendi-
mento sobre o clima desde o Protocolo de Kyoto, 
assinado em 1997, depende, em larga medida, do 
engajamento dos países mais poluidores do pla-
neta. Essa lista é encabeçada pela China, nação 
que experimentou um vertiginoso crescimento 
econômico nas últimas décadas impulsionado 
principalmente pela rápida expansão indus-
trial. Ocorre que a matriz energética chinesa é 
altamente dependente de combustíveis fósseis, 
principalmente carvão. Desde a década de 1980, 
o país consome pelo menos metade do carvão 
produzido no mundo, a maior parte usada para 
mover suas indústrias.
Ao fim da COP21, os chineses se comprome-
teram a aumentar em 20% a participação de 
combustíveis não fósseis em sua matriz ener-
gética. Além disso, concordaram em reduzir as 
emissões de dióxido de carbono por unidade 
do PIB (Produto Interno Bruto) em até 65% em 
comparação a 2005. Isso significa que se em 2005 
a China emitia 1 quilo de dióxido de carbono para 
produzir um 1 dólar de PIB, o compromisso é que 
seja 0,35 quilo para cada dólar de PIB. 
A questão das emissões de poluentes e seu efei-
to sobre o aquecimento global é um dos temas que 
mais preocupam os 
ambientalistas. Neste 
capítulo, aprofunda-
mos a discussão sobre 
esse tema e discutimos 
outros assuntos rele-
vantes que interferem 
no clima e na meteo-
rologia do Brasil e do 
mundo.
Sucesso do Acordo de Paris firmado na COP21 
depende do engajamento de todos os países, entre 
eles a China, o maior poluidor global
Clima de mudança
AMBIENTE TÓXICO 
Chaminés liberam 
poluentes na atmosfera em 
uma usina de carvão em 
Shanxi, na China: o país é 
responsável por quase 
um terço das emissões 
globais de carbono
71GE GEOGRAFIA 2017 KEVIN FRAYER/GETTY IMAGES
72 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA CAMADAS DA ATMOSFERA 
F oi da junção de duas palavras gregas, atmós (vapor) e sphaîra (esfera), que nasceu o nome da 
estrutura de gás que envolve um saté-
lite ou planeta: a atmosfera. Na Terra, 
essa “esfera de vapores” é composta de 
diversas camadas e, em sua porção mais 
densa, chega a até 600 quilômetros dealtitude a partir do nível do mar. É uma 
espessura considerável, mas quase ir-
Vapor 
essencial
Explore as diversas camadas 
da atmosfera, a invisível esfera 
de gás que envolve a Terra e 
garante a existência de vida 
no planeta
risória se considerarmos o tamanho do 
globo terrestre, de aproximadamente 
12,8 mil quilômetros de diâmetro. Mas, 
independentemente de sua espessura, a 
atmosfera é essencial para a vida. Além 
de conter o oxigênio que respiramos, 
ela mantém a Terra quente, protege os 
seres vivos dos raios ultravioleta vin-
dos do Sol e funciona como um escudo 
contra meteoritos.
Há vários critérios pelos quais pode-
mos classificar a atmosfera. A divisão 
mais conhecida, feita de acordo com as 
variações de temperatura conforme a 
altitude, reparte a atmosfera em cinco ca-
madas distintas: troposfera, estratosfera, 
mesosfera, termosfera e exosfera. Veja as 
principais características de cada uma:
AS CAMADAS DA ATMOSFERAAMADAS DA ATMOSFERA
MESOSFERA
A camada mais fria da 
atmosfera fica entre 
50 e 90 quilômetros de 
altitude. Sua temperatura 
diminui conforme 
subimos: parte de -15 0C 
na divisa com a 
estratosfera e chega a 
-120 0C. É onde ocorrem as 
estrelas cadentes.
TROPOSFERA
A camada inferior da 
atmosfera vai do nível 
do mar até cerca de 12 
quilômetros de altitude. 
Sua temperatura atinge 
-60 ºC na parte superior. 
Nessa faixa acontece a 
maioria dos fenômenos 
climáticos.
ESTRATOSFERA
Vai até 50 quilômetros 
acima do nível do mar. 
Sua temperatura sobe 
com o aumento de 
altitude: começa em 
-60 ºC e vai até -15 ºC. 
É onde fica a camada 
de ozônio.
TERMOSFERA
Camada mais extensa 
da atmosfera, ela parte 
dos 90 e chega aos 600 
quilômetros de altitude. 
Também é a mais quente: 
na parte superior, chega 
a 2.000 0C. É nessa faixa 
que orbitam os ônibus 
espaciais. FAIXAS DE 
TRANSIÇÃO
Entre as camadas 
da atmosfera, há 
regiões fronteiriças 
que apresentam 
características 
de transição. São 
elas: a tropopausa, 
a estratopausa, 
a mesopausa e a 
termopausa.
600 km
2.000˚C
90 km
-120˚C
50 km
-15˚C
20 km
-60˚C
CAMADA DE OZÔNIO
ESTRATOPAUSA
TERMOPAUSA
Balões 
meteorológicos
Poluentes
Reflexão das 
ondas de rádio
Balões 
tripulados 
Monte Everest
8.844 m 
Nuvens geradas 
por explosões 
atômicas 
Aviões a jato 
Satélite 
artificial
Estação
espacial
Cortinas
iluminadas
Estrelas 
cadentes
[1]
TROPOPAUSA
MESOPAUSA
EXOSFERA
É a última camada da 
atmosfera, na fronteira 
com o espaço sideral. 
Nela, as moléculas 
tornam-se cada vez mais 
rarefeitas, libertando-se 
da gravidade terrestre. 
O final da exosfera 
pode chegar a 
10 mil quilômetros. 
As medições indicam 
que a temperatura dessa 
região fique em torno 
de 1.600 0C.
73GE GEOGRAFIA 2017 
ATMOSFERA METEOROLOGIA
A meteorologia é a ciência que estuda a atmos-fera terrestre e seus principais fenômenos. Trata-se de uma ciência muito complexa, 
já que a atmosfera é bastante extensa e instável. 
Mas o grau de precisão da previsão do tempo 
evoluiu muito desde a construção dos primeiros 
termômetros no século XVI. Os meteorologistas 
contam hoje com instrumentos como satélites, 
radares, boias marítimas e balões atmosféricos 
para estudar os mais variados fenômenos através 
da análise de dados em supercomputadores.
Os boletins meteorológicos são essenciais para 
o controle do tráfego de aviões, para a agricultura, 
para o gerenciamento de recursos hídricos e para 
situações menos rotineiras, como a chegada de 
furacões. A seguir, confira um mapeamento dos 
principais fenômenos atmosféricos estudados 
pelos meteorologistas.
Tudo o que 
vem do céu
Conheça os fenômenos que 
movimentam a atmosfera 
terrestre e são objeto de estudo 
dos meteorologistas
Nuvem
É um agregado de gotículas de água, de cristais 
de gelo, ou uma combinação dos dois. As nuvens 
são formadas principalmente pelo movimento 
ascendente do ar úmido: o vapor-d’água conden-
sa quando a temperatura diminui até o ponto de 
orvalho. Elas são classificadas em vários tipos, 
de acordo com o aspecto, a estrutura e a forma.
Chuva
É a precipitação de água em forma líquida, 
com gotas de diâmetro maior que 0,5 milímetro. 
Existem três tipos de chuva. 
A chuva de convecção é resultante da ascen-
são do vapor-d’água das partes mais baixas da 
atmosfera – mais aquecido, ele esfria e se con-
densa à medida que sobe. É o caso das pancadas 
de chuva que ocorrem durante o verão na região 
Sudeste do país. 
A chuva frontal é o resultado do encontro de 
duas massas de ar de diferentes temperaturas e 
umidades: a massa fria e seca empurra para cima 
a massa quente e úmida, que esfria e provoca 
a precipitação. Esse tipo de chuva é típico das 
regiões de clima temperado. 
A chuva orográfica ou de relevo ocorre 
quando a massa de ar sobe por causa de algum 
obstáculo de relevo, como uma montanha – a 
FECHOU O TEMPO 
Tempestade se aproxima de 
Queensland, na Austrália, 
trazendo chuvas intensas 
e descargas elétricas: 
fenômeno comum em 
regiões de clima tropical
[2]
[1] MKANNO/MULTISP [2] iSTOCK PHOTO
74 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA METEOROLOGIA
queda de temperatura, na ascensão, provoca a 
condensação do vapor. Essa chuva é comum nas
áreas próximas ao litoral do Nordeste e do Su-
deste, que recebem massas úmidas do Atlântico. 
Neve, granizo e geada
Um dos mais belos fenômenos atmosféri-
cos, a neve é fruto da precipitação de cristais 
de gelo, geralmente agrupados em flocos, que 
são formados pelo congelamento do vapor-
-d’água suspenso na atmosfera. O granizo, por 
sua vez, é o cristal de gelo que, por causa de 
fortes correntes ascendentes dentro da nuvem,
acaba subindo e caindo várias vezes, até ganhar 
volume e se precipitar de vez. Por fim, a geada 
nada mais é que orvalho congelado, que, sob a 
forma de uma fininha camada branca, cobre as
superfícies onde cai.
Vento
Trata-se do deslocamento de ar, geralmente na 
horizontal, de um ponto de pressão atmosférica 
mais alta para outro onde ela é mais baixa. As
diferenças de pressão, causadoras dos ventos,
estão relacionadas à temperatura. A brisa nas 
regiões litorâneas é um bom exemplo disso: o 
continente e o mar concentram calor de ma-
neiras diferentes, e isso faz o vento mudar de
direção conforme o período do dia.
Massa de ar
Trata-se de um corpo de ar com características 
próprias de umidade, pressão e temperatura.
Essas características dependem das diferentes
regiões da superfície terrestre em que as massas 
se formam: caso ocorra nos polos, serão frias 
e secas; se se formarem nas áreas oceânicas 
tropicais, serão quentes e úmidas.
A borda de uma massa de ar frio que avança 
em direção a outra mais quente, provocando 
quedas bruscas de temperatura, é chamada de
frente fria. Trata-se de um mecanismo natu-
ral da atmosfera para compensar diferenças 
de temperatura no planeta. Avançando com 
velocidades de até 30 km/h, o ar frio e seco, 
mais denso, empurra a massa quente e leve 
para cima. Se houver umidade suficiente, a 
passagem da frente causará chuvas intensas,
com direito a granizo, raios e trovões. As mais
severas podem provocar quedas de até 10 ºC 
em apenas uma hora. 
No Brasil, as regiões mais atingidas pelo fe-
nômeno são a Sudeste e a Sul, onde também
podem ocorrer geadas. Isso acontece porque, 
na América do Sul, a maioria das frentes frias 
se origina nas latitudes médias, ao extremo sul
do continente. Com seu avanço, contudo, as
frentes perdem energia e velocidade, e o contato
VENTOS ALÍSIOS E A ZONA DE CONVERGÊNCIA
A circulação dos ventos em escala global tem grande influência nos tipos 
de clima, sobretudo na circulação das massas de ar e, consequentemente, na
formação e no volume das chuvas nas diferentes regiões do globo. Toda esta
troca de ar entre as camadas mais baixas e mais altas da troposfera, bem como
entre diferentes latitudes, dão origem a “células” de circulação do ar em escala 
global, denominadas células de Hadley.
Nas baixas latitudes, em regiões próximas à linha do Equador, o ar tende a 
subir por ser maisaquecido e menos denso. No alto da troposfera, essas cor-
rentes de ar são impulsionadas para latitudes maiores, próximas aos trópicos
de Câncer e Capricórnio, onde se resfriam e tornam a descer para a superfície, 
em direção à região equatorial. Esses ventos, denominados alísios, são úmidos 
e provocam chuva.
Os alísios sofrem um desvio em função do movimento de rotação da Terra: 
no Hemisfério Sul, eles vêm do sudeste e, no Hemisfério Norte, partem do
nordeste. Esse fenômeno é conhecido como efeito de Coriólis. Nas latitudes
maiores, ocorrem movimentos semelhantes, porém com sentido contrário ao
da região intertropical.
A faixa onde ocorre o encontro dos ventos alísios provenientes do Hemisfério
Norte e do Hemisfério Sul é denominada Zona de Convergência dos Ventos Alí-
sios. Essa faixa não está exatamente sobre a linha do Equador pois acompanha 
a variação das estações do ano: quando é verão no Hemisfério Norte, ele se
forma mais ao norte e, ao contrário, move-se mais para o sul quando é verão
nesse hemisfério. A Zona de Convergência, associada a outros fatores, como
a temperatura das águas oceânicas e a circulação das massas de ar locais,
pode favorecer a formação de chuvas, visto que é onde se encontram os ventos 
úmidos dos dois hemisférios na região intertropical. 
Veja na ilustração abaixo como são formados os ventos alísios:
Células de Hadley
Zona de camadas 
equatoriais
NE
Ventos 
alísios
SE 
Ventos 
alísios
0º
30º
60º
60º
30º
Células de Hadley
com o solo quente reduz o frio das massas de 
ar. Por isso, é tão raro uma frente fria chegar 
até o Nordeste. 
Já a frente quente é a extremidade de uma 
massa de ar quente que se forma pela evaporação
da água de correntes marítimas quentes – essas
massas de ar elevam a temperatura e a umidade 
nas regiões que elas atingem.
[1]
75GE GEOGRAFIA 2017 
SAIBA MAIS
AS MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL
As massas de ar têm influência direta nos tipos de clima no Brasil. Devido à localização do 
país no globo, predominam as massas equatoriais e tropicais. Porém, no inverno ocorre a 
atuação da massa Polar Atlântica em grande parte do território brasileiro. Veja a seguir como 
se caracteriza cada uma dessas massas.
[1] ALEX ARGOZINO
A ATUAÇÃO DAS MASSAS DE AR NO BRASIL DURANTE O VERÃO E O INVERNO
MASSAS DE AR ATUANTES
0 250 500 750
km
Oceano 
Atlântico
Oceano 
Atlântico
AC
AM
RR
PA
AP
RO
MT
MA
TO
PI
CE
BA
MG
GO
MS
SP
PR
SC
RS
RJ
ES
SE
AL
PE
PB
RN
0 250 500 750
km
Oceano 
Atlântico
Oceano 
Atlântico
AC
AM
RR
PAEC
EA EA
EC
PA
TATC
TA
AP
RO
MT
MA
TO
PI
CE
BA
MG
GO
MS
SP
PR
SC
RS
RJ
ES
SE
AL
PE
PB
RN
VERÃO INVERNO
TA
Tropical Continental
Forma-se em uma região de clima tropical mais seco, no semiárido da região conhecida 
como Chaco, no Paraguai. Por isso, a massa Tropical Continental caracteriza-se como 
quente e seca. Ela atua durante o verão nas regiões Sul e Centro-Oeste, sendo 
responsável pela ocorrência de estiagens, sobretudo no oeste de Santa Catarina e do 
Paraná e no noroeste gaúcho. 
Tropical Atlântica
Forma-se sobre o sul do Oceano Atlântico e é caracterizada como uma massa quente e 
úmida. Atua diretamente sobre a porção leste do Brasil nas regiões Sul, Sudeste e 
Nordeste, sendo responsável, por exemplo, pelas chuvas orográficas (de relevo) nas 
encostas das serras litorâneas, como a Serra do Mar, na Região Sudeste.
Equatorial Continental
Origina-se na região amazônica, onde as elevadas temperaturas e a umidade 
proveniente da evapotranspiração (liberação de água pelas plantas) e da evaporação de 
rios e lagos a tornam quente e úmida. Sua influência atinge grande parte do território 
nacional durante o verão no Hemisfério Sul, transferindo umidade da Floresta 
Amazônica para regiões de clima tropical e semiárido. No inverno no Hemisfério Sul, 
essa massa perde força e sua atuação se restringe à Região Norte.
EC
Equatorial Atlântica
Esta massa também tem origem na região equatorial, mas ela surge sobre o Oceano 
Atlântico. O elevado índice de evaporação das águas quentes do Atlântico central torna 
esta massa de ar quente bastante úmida. De modo geral, a massa Equatorial Atlântica 
atinge a Região Norte e a faixa costeira da Região Nordeste. Sua incidência está 
relacionada à variação das estações: durante o verão do Hemisfério Sul encontra-se 
mais ao sul e, quando o Hemisfério Norte está no verão, desloca-se mais para o norte.
EA
TC
Polar Atlântica
Forma-se sobre o Oceano Antártico e sobre o extremo sul do Oceano Atlântico. Em sua 
origem, a massa Polar Atlântica é fria e seca devido aos baixos índices de evaporação da 
água nessas regiões oceânicas. À medida que se desloca para o norte e atravessa outras 
áreas do oceano, penetrando no continente, ela provoca chuvas com a formação de 
frentes frias. Com o avanço dessa massa polar, o ar úmido e mais quente (menos denso) 
que se encontra nas regiões por onde ela passa é forçado a subir, formando nuvens de 
chuva (chuvas frontais). Essa massa de ar pode chegar, ainda que com menor 
intensidade do que nas regiões Sul e Sudeste, até as regiões Norte e Centro-Oeste, onde 
a queda de temperaturas que ela provoca é denominada friagem pela população 
regional. Esse deslocamento até a Região Norte ocorre graças à configuração do relevo, 
com planícies ao centro (Planície Platina e do Chaco, por exemplo), uma cadeia de 
montanhas a oeste (Cordilheira dos Andes) e os planaltos brasileiros a leste, formando 
uma espécie de corredor para esta massa de ar.
PA
76 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA EL NIÑO E LA NIÑA
EFEITOS DOS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA NA AGRICULTURA BRASILEIRA
Região El Niño La Niña
Norte 
Secas acentuadas, principalmente no leste da Amazônia: 
aumento do risco de incêndios florestais e prejuízos para a 
produção agropecuária.
Tendência ao aumento de chuvas no norte e leste da 
Amazônia; chuvas normais no inverno, sem prejuízos à 
agropecuária.
Nordeste
Secas severas: perdas na agricultura, na pecuária, na geração de 
energia elétrica e dificuldades para o abastecimento de água.
Chuvas acima da média sobre a região semiárida, favorecendo 
a agricultura de subsistência e a pecuária.
Centro-Oeste
Sem efeitos evidentes, exceto tendência de aumento das 
chuvas no sul do MS, que favorecem a produção de grãos.
Não há alterações significativas de temperatura e 
pluviosidade.
Sudeste
Leve aumento das temperaturas (redução das geadas, 
que prejudicam culturas como o café) e sem alterações 
significativas na pluviosidade.
Não há alterações significativas de pluviosidade, com leve 
queda nas temperaturas no inverno, que não interferem na 
colheita da cana e do café.
Sul
Excesso de chuvas na primavera e começo de verão, no ano 
inicial do evento, e final de outono e começo de inverno. 
Beneficia as culturas de verão, como soja e milho.
Chuvas abaixo do normal, com estiagens severas na parte 
oeste dos estados da região, prejudicando as culturas de 
verão, como soja e milho. A primavera seca favorece a 
produção de trigo.
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
Presente 
de Natal
Entenda os fenômenos do 
El Niño e de La Niña e de que forma 
eles afetam o clima mundial
B atizado em referência ao Menino Jesus, por ocorrer em geral no fim do ano, à época do Natal, o El Niño (“o menino”, 
em espanhol) é um fenômeno de aquecimento 
anormal das águas superficiais do Pacífico les-
te, na costa da América do Sul (para entender 
melhor, acompanhe o processo no infográfico). 
É denominado, pelos cientistas, de Enos, sigla 
para El Niño Oscilação Sul.
O El Niño é fruto do enfraquecimento dos ventos 
alísios, que normalmente sopram de leste para o 
oeste pelo Pacífico 1 – isso faz que a água aquecida 
na região equatorial não seja levada em direção à 
Indonésia, como de costume. Com isso, as massas 
de ar quentes e úmidas ficam estacionadas na 
costa sul-americana, provocando chuvas intensas 
nessa área 2 e, ao mesmo tempo, seca na Indo-
nésia, Austrália e em outras regiões. Na verdade,o clima de todo o planeta é alterado. O El Niño, 
que ocorre em média uma ou duas vezes a cada 
dez anos, também altera o ecossistema marinho. 
Como não há o deslocamento das águas quentes 
da superfície, as águas profundas, que são mais 
frias e carregadas de nutrientes, não conseguem 
vir à tona, na ressurgência 3– a população de 
peixes, por exemplo, diminui drasticamente 4. 
Há, ainda, o caso do La Niña, fenômeno oposto 
ao El Niño: em vez de as águas do Pacífico les-
te se aquecerem, elas 
esfriam. Isso acontece 
porque os ventos alí-
sios, que carregam a 
água quente para o oes-
te, ficam mais intensos. 
Consequentemente, as 
águas quentes da su-
perfície são deslocadas 
em maior quantidade 
para o oeste e mais 
água fria vem à tona 5. 
A temperatura do ocea- 
no diminui na região 
próxima à costa oeste 
da América do Sul, e o 
clima fica mais úmido 
na Austrália e Indoné-
sia, por causa das mas-
sas de ar quentes.
ANO NORMAL
ANO COM LA NIÑA
Costa da 
Indonésia
Costa da 
América 
do Sul
Costa da 
Indonésia
Costa da 
América 
do Sul
Ventos alísios
Ventos alísios 
mais fortes 
Oceano Pacífico
Oceano Pacífico
Fortes chuvas 
Água fria
Água aquecida
Ressurgência 
da água fria
Forte ressurgência 
da água fria
Água aquecida
1
3
ANO COM EL NIÑO
Costa da 
Indonésia
Costa da 
América 
do Sul
Ventos alísios 
mais fracos 
Oceano Pacífico
Água fria
Água aquecida
2
4
5
[1]
77GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA CICLONE
De olho
no ciclone
Entenda como se forma a 
ventania arrasadora que pode
deixar milhares de mortos
q p
O s ciclones são uma perturbaçãoatmosférica no centro da qual a pressão é muito baixa, provo-
cando ventos circulares com velocidade
superior a 119 quilômetros por hora. Ele 
ocorre nas regiões tropicais, sobre os
mares quentes, podendo causar grande
destruição quando atinge o continente.
Denominações
Embora furacão, tufão e tornado se-
jam palavras comumente usadas como
sinônimos de ciclone, há uma pequena 
diferença entre elas. A distinção entre
os termos refere-se mais a uma questão 
de localização. De modo geral, o ciclone
que se forma sobre o Oceano Atlânti-
co é chamado de furacão, enquanto o
que se forma sobre o Oceano Pacífico
é conhecido como tufão. Por fim, há o
caso dos tornados, que surgem sobre 
o continente, após o choque de uma 
massa de ar quente com outra de ar
frio – a ventania toma a forma de um 
cone invertido e sai num turbilhão ar-
rasador com velocidades de até 500
quilômetros por hora.
O desastre do ciclone Bhola
Para quem já assistiu – e sobreviveu – 
à passagem de um ciclone, a experiência 
pode ser aterradora. Em Bangladesh, na 
Ásia, por exemplo, um desses turbilhões 
arrasou o país em 13 de novembro de 
1970. O redemoinho nasceu no golfo de 
Bengala e avançou para a costa, criando 
ondas de até 6 metros. Elas invadiram a 
densamente povoada região do delta do 
Rio Ganges, matando cerca de 500 mil 
pessoas – 100 mil só na ilha de Bhola 
(nome que batizou o ciclone). Foi o 
pior desastre natural do século XX. 
Para nossa sorte, o Brasil não sofre com 
esse tipo de fenômeno. Tudo graças 
às baixas temperaturas das águas do
Atlântico Sul. 
FAIXAS DE TEMPESTADE
O O FUFURARAACÃCÃOO
POPORR DDEEENTNTTN RRO OlhOlhOlhOOO oooooo
AR QUENTE E ÚMIDO
Uma densa nuvem 
cobc re o furacão
VENTO OESTEQuaQQuaQuaQuauaQuaQuaQuaQuaQuaQuaQ ndodndondndondo asasasaassss nununununununuvenvenvenvenvenvve s as as as as atintintiningemgemgemgeg cececercarca 
deddedededede 5 m5 m5 m5 m5 mililil il il il ili metmetmetmetmetmettmetetmetrosrosrosrosrosrososrosrososrososros dedededededededededededede alallalalalalalalaltuturturtururtura,a,a,a, comcomcommeçaeçeçeçaeçaeça 
a ca caaa ca ca ca chovhovhovhovhovhovovh er.erer.er.eer.er. NNNNeNeNN ssessesesssee popopopopoppp ntontottntonto, o,, oooo arararrrrrararar seseseseseseseseesecoocococo coco co co
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vaivai formar novas ns uvevensns
4
O furacão começa com a 
combinação de dois fatores: 
ar quente e úmido e a água 
aquecida dos oceanos das 
regiões tropicais
127 ˚C 
O atrito das correntes de ar com 
a superfície do mar faz que os 
ventos e as nuvens girem de 
oeste para leste, no sentido 
de rotação da Terra. O ar mais 
quente vai subindo numa 
espiral pelo olho do furacão
3
As correntes de ar se 
aquecem em contato com 
a água, ficam mais leves e sobem, 
formando as primeiras nuvens. 
Enquanto sugam energia das 
águas quentes, essas correntes 
vão circulando em direção 
ao olho do furacão – 
região de baixa pressão 
no centro
2
OO ciclloone ppassaa a se desloocar quaando 
veentoos extternoos soppram nna direçção 
oestee em ggrandde vellocidaade. Se eele 
chhegaar ao conttinentte e enncontraar a
uumidaade ddo arr baixaa, as nnuvens se 
ddesfazazem e – uufa! – oo venddaval aacaba
5
A tempestade 
começa com um 
emaranhado de 
nuvens… 
…que vai 
girando de modoo o 
coordenado…
…até formar 
uma espiral 
de nuvens…
…em torno do olho do 
furacão (zona de baixa 
pressão, no centro) e 
ganhar mais velocidade
VEJA A SEGUIR COMO SE FORMA UM CICCLOLLOLOLOLOLONENENENENNN
[1] [2] MULTI/SP
[2][2][22]
78 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA CLIMAS DO MUNDO
O clima da Terra é influenciado por vários fatores, entre eles latitude, pressão atmosférica, 
altitude, relevo, vegetação, massas de 
ar, maritimidade (proximidade de um 
local em relação ao mar), continentali-
dade (distância de um ponto em relação 
ao mar) e correntes marítimas.
As áreas em torno da linha do Equa-
dor, que recebem forte insolação, têm 
predominantemente clima equatorial, 
marcado por altas temperaturas e umi-
dade. Já as regiões de latitudes mais 
elevadas, próximas aos polos, registram 
clima frio ou polar, com invernos rigo-
rosos e temperaturas baixas.
No mapa, você confere as mais impor-
tantes correntes marítimas, os principais 
tipos de clima, segundo a classificação 
de Wilhelm Köpen, a mais aceita atu-
almente, e as três principais zonas cli-
máticas. Veja a seguir as características 
dos principais tipos de clima do planeta.
Equatorial
Quente e úmido durante o ano todo, 
está presente na região da linha do 
Equador e nas áreas de baixa latitude, 
Diversidade 
climática
Conheça as características dos 
dez principais grupos de 
clima do planeta
como a América Central, a Indoné-
sia, a região central da África e o norte 
do Brasil. A umidade relativa do ar é 
elevada, com média anual de 90%, e a 
chuva é abundante durante o ano todo. 
A temperatura também é alta e estável, 
com média anual de 25 ºC.
Tropical
Fica nas áreas entre os trópicos de 
Câncer e de Capricórnio, cobrindo 
grande parte do território brasileiro e 
do continente africano, Índia, Península 
da Indochina e norte da Austrália. O 
clima é quente, com média anual supe-
rior a 20 ºC. As chuvas são intensas no 
verão e, no resto do ano, ocorrem mais 
nas regiões próximas ao mar. 
No Sudeste Asiático, destacam-se 
as chuvas de monções, tempestades 
torrenciais provocadas pelo vento 
úmido que sopra do oceano. Quando 
começa o verão, o continente se es-
quenta rapidamente, formando uma 
zona de baixa pressão, e as massas de 
ar do oceano trazem as chuvas.Essa 
dinâmica, comum em outros pontos do 
planeta, tem maiores proporções nessa 
região em virtude da vastidão de terra 
(o continente asiático) e de mar (os 
oceanos Índico e Pacífico) envolvidas 
no fenômeno.
Mediterrâneo 
É o clima predominante no sul da 
Europa. Os verões são quentes e secos 
– a temperatura chega a 30 ºC – e os 
invernos, moderados e com um pouco 
de chuva. As mínimas de temperatura 
podem atingir 0 ºC. 
Temperado
Também de latitudes médias, o tem-
perado está presente nas áreas da Amé-
rica do Norte, da Europa e do leste da 
Ásia. No temperado continental, o 
inverno é muito rigoroso e o verão é 
quente – as médias de temperatura são 
-5 ºC e 24 ºC, respectivamente. As chu-
vas são escassas, sobretudo no inverno. 
A continentalidade justifica a umidade 
relativa do ar mais baixa e a grande 
amplitude térmica anual nesses locais. 
Já o temperado oceânico está pre-
sente no oeste e no noroeste da Europa. 
As chuvas são abundantes durante o 
Corrente fria
Corrente quente
CORRENTES MARÍTIMAS
TIPOS DE CLIMA 
(adaptação da classificação de Köpen)
Mediterrâneo
Temperado
Subtropical
Semiárido
Frio de montanha
Tropical
Desértico
Frio
Polar
Equatorial
ZONAS CLIMÁTICAS
Polar
Polar
Intertropical
Polar
Polar
Temperada
Temperada
MAPA MUNDIAL DO CLIMA 
E CORRENTES MARÍTIMAS 
DEU BRANCO Nevascas em países de clima temperado, como o Canadá, são comuns no inverno
79GE GEOGRAFIA 2017 
ano, e as temperaturas não sofrem muita 
variação – os invernos são frios (média 
de -3 ºC) e os verões, frescos (média de 
15 ºC). A proximidade com o mar (ma-
ritimidade) é um fator que influencia 
a baixa amplitude térmica e as chuvas 
bem distribuídas durante o ano.
Subtropical
É outro clima de latitudes médias, 
que se caracteriza como uma faixa de 
transição entre os climas tropicais e os 
mais frios. Está presente nas regiões 
ao sul do trópico de Capricórnio (sul 
de São Paulo, Paraná, Santa Catarina 
e Rio Grande do Sul) e na região leste 
dos Estados Unidos. A quantidade de 
chuva não varia muito durante o ano, 
mas as temperaturas mudam bastante: 
o inverno é frio e o verão, quente.
Desértico
Ocorre em regiões como o Saara, o 
centro da Austrália, norte do México 
e sul dos EUA. O índice pluviométrico 
é baixíssimo: a média anual de preci-
pitação é inferior a 250 milímetros, o 
equivalente a aproximadamente um 
mês de chuva no clima equatorial. A 
umidade relativa do ar também é mui-
to baixa, cerca de 40%. A amplitude 
térmica diária é elevada: de dia, a tem-
peratura ultrapassa os 40 ºC e, à noite, 
chega a graus negativos. 
Semiárido
Clima seco, presente na Ásia Central 
(Cazaquistão, no interior da China e 
Mongólia), na Patagônia e no planalto 
oeste das Montanhas Rochosas (EUA). 
A precipitação é escassa e irregular, 
com longos períodos de estiagem, não 
ultrapassando os 600 milímetros por 
ano. As temperaturas são elevadas du-
rante o ano, com média entre 25 ºC e 
27 ºC. No Brasil localiza-se no chamado 
Polígono das Secas.
Frio de montanha
Ocorre nas cadeias de montanhas 
ao redor do globo: áreas elevadas dos 
Andes, Montanhas Rochosas, Alpes e 
Himalaia. É um clima frio, com tem-
peratura que diminui 6 ºC a cada mil 
metros de altitude. Acima dos 2 mil 
metros, há neve constante. A umidade 
relativa do ar varia conforme o lado 
da cadeia: a média é de 90% do lado 
do vento (barlavento), caindo para até 
30% do lado contrário (sotavento). A 
quantidade de precipitação também é 
variável, chegando a 2 mil milímetros 
por ano nas regiões tropicais.
Frio
É o clima do norte do Canadá e da 
Sibéria, na Rússia. O inverno é bastante 
rigoroso e prolongado, com mínima 
de -15 ºC, e o verão, brando e curto, 
com temperatura máxima de 10 ºC. A 
precipitação é escassa, menos de 300 
milímetros por ano.
Polar
É o clima com as menores temperatu-
ras do planeta: no inverno, ela permane-
ce em torno de -30 ºC e, no verão, a mé-
dia é de 4 ºC. Está presente no extremo 
norte do Canadá, da Rússia e do Alasca, 
em parte da Península Escandinava e 
na Antártica. A umidade relativa do ar 
é alta, entre 70% e 80%, mas a precipi-
tação, bastante reduzida: cerca de 100 
milímetros de neve acumulados ao ano.
ANTÁRTICA
OCEANIA
ÁFRICA
EUROPA
ÁSIA
AMÉRICA OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
EQUADOR
Fonte: IBGE
C. Norte Equatorial 
C. Sul Equatorial 
C. de Humboldt 
C. do Brasil 
C. 
da
s F
al
kl
an
d 
C. Circumpolar da Antártica 
C. da Antártica C. da Antártica 
C. Australiana 
C. de Benguela C. Sul Equatorial 
C. Sul Equatorial 
C. Norte Equatorial 
C. do Japão 
C. Oia Sivo 
C. das Monções 
C. de Madagáscar 
C. Sul Equatorial 
C. da Guianas 
C. Norte Equatorial 
C. do Golfo 
C. das Canárias
C. Norte Atlântica 
C. da Groenlândia 
C. do Labrador 
C. do Atlântico Sul 
C. da Califórnia 
C. do Pacífico Norte 
CORRENTE FRIA E DESERTO
As correntes marítimas são grandes deslocamentos de 
massas de água que influenciam o clima. No Chile, a fria 
Corrente de Humboldt provoca chuvas no Oceano Pacífico. 
Com isso, a massa de ar chega sem umidade ao continente, 
o que explica a aridez do Deserto do Atacama.
CHUVAS DE MONÇÕES
Trata-se de um fenômeno típico do Oceano Índico e do 
Sudeste Asiático. Elas têm origem na grande diferença de 
temperatura das águas do mar e do continente durante 
o verão. Um vento contínuo leva a umidade do oceano e 
a transforma em fortes chuvas sobre o continente.
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 Clima equatorial
Temperatura (oC)
Precipitação (mm)
1. MANAUS
 Clima tropical
Temperatura (oC)
Precipitação (mm)
2. GOIÂNIA
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10
1. Equatorial
2. Tropical
3. Semiárido
4. Tropical de altitude
5. Tropical atlântico
6. Subtropical
80 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA CLIMAS DO BRASIL
M esmo sendo conhecido como “um país tropical”, com mais de 90% do território entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, o Brasil também compreende variações climáticas. 
Os tipos de clima no país são definidos com base em critérios diversos, mas, 
sobretudo, a partir da quantidade de chuva e da temperatura média no decorrer 
do ano. Essas informações aparecem juntas em um gráfico denominado climo-
grama, que você vê acima. A leitura dele pode parecer complicada, mas é bastante 
simples: as barras representam a média pluviométrica no mês, expressa em 
milímetros; já as linhas indicam a temperatura média mensal, em graus Celsius.
O climograma permite a identificação de cada um dos climas e até uma dife-
renciação entre eles. Uma comparação interessante, por exemplo, é a do clima 
equatorial com o do semiárido. A princípio, eles podem parecer semelhantes por 
causa da temperatura média, que oscila em torno de 26 ºC. Porém, ficam claramente 
diferentes quando observamos as barras que indicam o índice pluviométrico de 
cada um: enquanto no clima equatorial chove abundantemente durante o ano 
todo, no semiárido, o índice pluviométrico é muito baixo e distribuído de forma 
irregular. Confira a seguir as principais características dos seis principais tipos 
climáticos do Brasil, além de alguns climogramas a eles relacionados.
Muito além 
de tropical
Apesar de o nosso país estar localizado quase 
inteiramente entre os trópicos, o clima do 
Brasil apresenta muitas variações
1. Clima equatorial
Fica nas proximidades da linha do 
Equador, abarcando a Amazônia, norte de 
Mato Grosso e oeste do Maranhão. Chove 
durante o ano todo, e em grande quanti-
dade; é bastante úmido e a temperatura 
varia pouco no decorrer do ano, com 
média de 26 ºC. O climograma 1 acima 
traz informações sobre a pluviosidadee a temperatura da cidade de Manaus 
(AM), localizada nessa faixa de clima. 
Repare como, no gráfico, a quantidade de 
precipitação (representada pelas barras 
verticais) é bem alta, atingindo mais de 
300 milímetros no mês de março, com 
apenas uma pequena queda no meio 
do ano (em julho, agosto e setembro), 
quando fica abaixo dos 100 milímetros. A 
pequena variação de temperatura, típica 
do clima equatorial, também pode ser 
vista no climograma de Manaus: a linha 
horizontal, formada pelas temperaturas 
médias de cada mês, quase não sobe nem 
desce, ficando em torno dos 26 0C.
2. Clima tropical 
Predominante no território brasileiro, 
pega toda a faixa do centro do país, leste 
MAPA DE CLIMAS DO BRASIL 
RECANTO GELADO 
As mais baixas 
temperaturas no país 
são registradas na 
Região Sul, a única com 
clima subtropical. 
As temperaturas médias 
anuais são inferiores 
a 21 0C. 
MÁXIMA E MÍNIMA 
A temperatura máxima oficial no país foi registrada em Bom Jesus do 
Piauí, em 21 de novembro de 2005. Os termômetros chegaram a 44,7 oC. 
A mínima foi na cidade de Xanxerê, em Santa Catarina: -11,1 oC, 
em 20 de julho de 1953.
CHUVAS DE VERÃO
As tempestades que 
costumam atingir a 
Região Sudeste durante o 
verão são causadas pelo 
encontro de duas massas 
de ar que formam a 
zona de convergência do 
Atlântico Sul. 
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 Clima semiárido
Temperatura (oC)
Precipitação (mm)
3. JUAZEIRO
 Clima tropical de altitude
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
4. BELO HORIZONTE
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10
 Clima tropical atlântico
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
5. JOÃO PESSOA
 Clima tropical atlântico
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
5. RIO DE JANEIRO
 Clima subtropical
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
6. CURITIBA
81GE GEOGRAFIA 2017 
do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia e 
de Minas Gerais. Inverno e verão são 
estações bem marcadas pela diferença 
de pluviosidade: o verão é bastante chu-
voso e há seca no inverno. No climo-
grama 2, de Goiânia (GO), conseguimos 
enxergar essa diferença pela variação 
na altura das barras de precipitação: em 
julho, a precipitação chega a quase zero 
e, em janeiro, ultrapassa 250 milíme-
tros. A temperatura no clima tropical, 
de modo geral, é alta, caindo um pouco 
nos meses de inverno; a média fica entre 
18 ºC em locais de serra e 28 ºC na maior 
parte do território.
3. Clima semiárido 
É o clima das zonas mais secas do 
interior do Nordeste. Caracteriza-se 
pela baixa umidade, pouca chuva e 
temperaturas elevadas. O climogra-
ma 3, referente à cidade baiana de 
Juazeiro, na divisa com Pernambuco, 
representa graficamente essas carac-
terísticas: note que entre julho e se-
tembro as barrinhas de precipitação 
são bastante baixas – em agosto a mí-
nima de chuva chega a 1,7 milímetro. 
A chuva se concentra entre os me-
ses de novembro e abril, mas o total 
anual de precipitação não chega a 
550 milímetros – o volume é inferior 
ao atingido em apenas dois meses (fe-
vereiro e março) no clima equatorial. 
Já a linha de temperatura varia entre 
24,5 ºC e 28,5 ºC durante o ano, médias 
térmicas bastante elevadas. 
4. Clima tropical de altitude
É o clima das áreas com altitude acima 
de 800 metros em Minas Gerais, no Es-
pírito Santo, no Rio de Janeiro e em São 
Paulo. Os verões são quentes e chuvosos, 
e os invernos, frios e secos. Isso pode ser 
visto no climograma 4, que mostra as 
médias de temperatura e pluviosidade 
de Belo Horizonte (MG). No inverno, 
as barras de chuva atingem o mínimo 
de cerca de 10 milímetros e, no verão, 
passam de 300 milímetros. Em compa-
ração com o clima tropical, o tropical de 
altitude tem o mesmo comportamento 
pluviométrico, mas as médias anuais de 
temperatura são menores, ficando em 
torno dos 20 ºC – no inverno, as tem-
peraturas são bem mais baixas.
5. Clima tropical atlântico
Esse clima cobre quase todo o lito-
ral do país: começa no Rio Grande do 
Norte e vai até o Paraná. A quantidade 
de chuvas varia conforme a latitude 
da localidade. Por exemplo, enquanto 
no Nordeste chove muito no inverno, 
no Sudeste chove mais no verão, como 
pode ser visto nos climogramas 5 de 
João Pessoa (PB) e do Rio de Janeiro 
(RJ). A variação de temperatura é maior 
na porção mais ao sul do litoral. No Rio 
de Janeiro, oscila entre 21,5 ºC e 26,5 ºC 
e, em João Pessoa, entre 24 ºC e 28 ºC.
6. Clima subtropical
É o clima das regiões ao sul do Tró-
pico de Capricórnio: sul de São Paulo, 
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do 
Sul. A quantidade de chuva não varia 
muito durante o ano, mas as temperatu-
ras mudam bastante: o inverno é frio e 
o verão, quente. No climograma 6, que 
representa Curitiba (PR), por exemplo, 
a temperatura oscila entre 12,5 ºC e 
20 ºC, enquanto as barras de precipi-
tação apresentam pouca variação (a 
média anual é de 110 milímetros).
82 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA POLUIÇÃO DO AR
A poluição do ar é provocada principalmente pela queima de combustíveis fósseis nos transportes e na geração de energia elétrica 
e pela atividade industrial. Dióxido de carbono 
(CO2), monóxido de carbono (CO) e hidrocarbone-
tos (HC) são alguns dos poluentes mais emitidos. 
Veja a seguir alguns dos efeitos mais comuns 
provocados pela emissão desses gases.
Buraco na camada de ozônio
O aparecimento de buracos na camada de 
ozônio é um processo natural, já que, em certas 
épocas do ano, reações químicas na atmosfera 
produzem aberturas, que depois se fecham. O 
ozônio absorve parte da radiação ultravioleta 
B (UVB) emitida pelo Sol. Sem ela, as plantas 
teriam redução na capacidade de fotossíntese 
e haveria maior incidência de câncer de pele e 
catarata. A atividade humana, porém, acentuou 
o processo. As reações que destroem o ozônio 
são intensificadas pela emissão de compostos 
químicos halogenados artificiais, sobretudo os 
clorofluorcarbonos (CFCs), criados nos anos 
1930 e usados como fluidos refrigerantes em 
geladeiras, aparelhos de ar condicionado e como 
propelente de aerossóis.
A boa notícia é que, nos últimos anos, acordos 
internacionais levaram ao fim da produção das 
substâncias nocivas à camada de ozônio. Estu-
dos recentes indicam que o buraco na camada 
de ozônio atualmente está 9% menor do que no 
ano 2000. No entanto, desde 2010, o tamanho do 
rombo não diminui – são 23 milhões de quilôme-
tros quadrados, área equivalente à da América 
do Norte. A perspectiva, segundo a Organização 
Mundial de Meteorologia, é que a camada deverá 
voltar à espessura original por volta de 2050.
Atmosfera 
carregada
A emissão de poluentes no ar causa 
uma série de efeitos nocivos ao 
homem e à natureza
Fonte: Nasa
1979
1987
2006
2015
CORTINA DE FUMAÇA Um denso nevoeiro paira sobre as ruas de Krabi, na Tailândia: efeito do dióxido de carbono liberado pelas queimadas na Indonésia
EVOLUÇÃO DO BURACO 
NA CAMADA DE OZÔNIO 
(1979-2015)
A abertura na atmosfera é 
representada pela cor azul 
nas imagens abaixo
83GE GEOGRAFIA 2017 
Chuva ácida
Toda chuva é naturalmente ácida (pH infe-
rior a 7), em função das reações do vapor-d'água 
com o gás carbônico presente na atmosfera. 
Entretanto, ao atingir um pH inferior a 5,6 a 
chuva é considerada, de fato, ácida e passa a 
ser tratada como um problema ambiental. Esse 
aumento de acidez se deve à queima de com-
bustíveis fósseis, feita principalmente pelas 
atividades industriais e pelosautomóveis, que 
liberam óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido 
de enxofre (SO2) na atmosfera. Esses compos-
tos reagem com o vapor-d'água presente na 
atmosfera, formando o ácido nítrico (HNO3) e 
o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando chove, essas 
substâncias atingem o solo e a água, alterando 
suas características e prejudicando lavouras, 
florestas e a vida aquática. Também danificam 
edifícios e monumentos históricos.
As principais áreas de ocorrência se encon-
tram próximas às regiões de maior emissão de 
gases causadores do efeito estufa, ou seja, as 
mais urbanizadas e industrializadas, como o 
Nordeste dos Estados Unidos, a Europa oci-
dental, o leste da China, o eixo Rio-São Paulo. 
Entretanto, essas substâncias podem ser trans-
portadas pelos ventos para regiões mais afasta-
das desses grandes centros urbano-industriais, 
causando a chuva ácida. Trata-se, portanto, de 
uma “poluição transfronteiriça”. O leste do 
Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida 
proveniente da poluição gerada na megalópole 
Boston-Washington-Nova York e nas cidades 
industriais da região dos Grandes Lagos, dos 
Estados Unidos. Já os países escandinavos como 
Noruega, Finlândia e Suécia recebem as corren-
tes de ar que trazem a poluição da Alemanha, 
Holanda, Bélgica e Inglaterra.
 � O QUE ISSO TEM A VER 
COM QUÍMICA 
A reação entre dióxido 
de carbono (CO2) e as 
moléculas de água (H2O) 
libera íons H+. Quanto 
maior a concentração de 
H+ maior é a acidez. Essa 
concentração é medida 
pelo pH, o potencial 
hidrogeniônico, que 
segue uma escala de zero 
a 14 na qual: 
0 < pH < 7: soluções 
ácidas 
pH = 7: soluções neutras 
7 < pH ≤ 14: soluções 
básicas ou alcalinas 
Para saber mais, veja 
o GUIA DO ESTUDANTE 
QUÍMICA.
Ilhas de calor
Os poluentes lançados na atmosfera, principal-
mente o dióxido de carbono, ajudam a aumentar 
a temperatura do ar mais próximo da atmosfera. 
Em regiões urbanas, esse fato é agravado pela 
substituição da cobertura vegetal por prédios 
de concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses 
materiais absorvem mais calor e o devolvem na 
forma de radiação térmica. A combinação desses 
fenômenos tende a aumentar a temperatura nos 
grandes centros, criando as ilhas de calor. A dife-
rença de temperatura entre uma área verde e uma 
típica zona central de uma cidade pode ser de 8 
graus centígrados a mais (veja o mapa ao lado). 
Inversão térmica
A inversão térmica é um fenômeno atmosférico 
natural que ocorre principalmente nas manhãs de 
outono e inverno, com a penetração de massas de 
ar frio, em regiões de clima tropical e subtropical. 
Caracteriza-se pela alteração na sequência de 
camadas de ar. Em condições normais, a tempe-
ratura fica cada vez mais baixa conforme aumenta 
a altitude. Em uma situação de inversão térmica, 
porém, forma-se uma camada de ar mais quente 
logo acima da camada de ar mais frio próxima 
ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da 
superfície e do ar durante o final da madrugada 
e início da manhã, quando as temperaturas, tanto 
da terra quanto do ar, são mais baixas. 
Em regiões onde o ar não se encontra carregado 
de poluentes, a inversão térmica não provoca 
nenhum problema ambiental. No entanto, em 
ambientes urbanos, a inversão térmica causa o 
bloqueio das correntes ascendentes de ar, retendo 
grande quantidade de poluentes próximos à su-
perfície durante algumas horas. Isso ocorre por-
que as trocas verticais 
de ar, chamadas cor-
rentes de convecção, 
não chegam a atingir a 
superfície, formando-
-se somente a partir da 
camada de ar quente 
para cima. Por esse 
motivo, os poluentes 
não conseguem se dis-
persar. Quando o Sol 
esquenta a superfície 
no decorrer da manhã, 
o ar da camada mais 
baixa se aquece e sobe, 
as correntes de con-
vecção voltam a atingir 
o solo e os poluentes 
voltam a ser dispersa-
dos em camadas mais 
elevadas.
Temperatura aparente
da superfície
Menor Maior
Distribuição da 
vegetação em SP
Rural Urbano
Fonte: Atlas Ambiental do Município de São Paulo 
No sul da cidade, 
onde há mata e quase 
não existem prédios nem 
casas, as temperaturas 
são bem mais baixas.
A região central de 
São Paulo, altamente 
urbanizada, apresenta 
temperaturas mais 
elevadas.
Município de São Paulo, com variação de temperatura de 24 °C a 32 °C
DENSIDADE DEMOGRÁFICA E ILHAS DE CALOR
DIA NORMAL
AR QUENTE
AR FRIO
AR MAIS FRIO
AR FRIO
AR QUENTE
AR FRIO
INVERSÃO TÉRMICA
FENÔMENO DA INVERSÃO TÉRMICA
iSTOCK PHOTO
84 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA AQUECIMENTO GLOBAL
EFEITO ESTUFA
O fenômeno permite a 
existência de vida na Terra. 
Veja como ele funciona 
e o modo como as ações 
humanas o afetam
1
2 3
4
5
O Sol emite sua energia 
pelo espaço na forma de luz 
visível, radiação ultravioleta 
e infravermelha
Quando os raios do Sol chegam 
à Terra, cerca de 30% da energia 
luminosa volta para o espaço, 
refletida por poeira e nuvens na 
atmosfera e, ainda, por refletores 
naturais na superfície, como áreas 
 cobertas de neve e gelo
O ar, terras e águas 
absorvem cerca de 70% 
da radiação solar
Aquecida, a superfície 
emite calor na forma de 
radiação infravermelha
Um pouco da radiação térmica 
da Terra vai para o espaço, mas a 
maior parte é retida na atmosfera, 
absorvida por vapor-d'água, 
dióxido de carbono, metano e 
outros gases do efeito estufa
6
7 A temperatura do planeta varia, 
de maneira natural, por causa dos 
ciclos solares e geológicos. 
Mas, de acordo com o relatório 
do IPCC, as atividades humanas 
afetaram o ritmo normal do ciclo e 
o equilíbrio natural de produção e 
absorção de gases
Se o calor não fosse retido 
pelo efeito estufa, o planeta 
congelaria a uma temperatura 
média de 18 ºC negativos
Planeta 
em ebulição
Cientistas confirmam que a atividade 
humana está provocando alterações 
climáticas em todo o globo
S e antes a ideia do aquecimento global era apenas uma hipótese, hoje os cientistas já contam com evidências mais seguras 
para afirmar que a ação do homem sobre o meio 
ambiente está alterando a temperatura do planeta. 
O estudo mais consistente a respeito foi divulga-
do em 2007 pelo Painel Intergovernamental de 
Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que reúne 
2.500 cientistas de mais de 130 países sob a chan-
cela da Organização das Nações Unidas (ONU). 
A partir deste documento, que representou um 
marco ambiental, especialistas do mundo todo 
passaram a culpar nosso padrão de desen-
volvimento pelo aquecimento da Terra. 
Em setembro de 2013, o IPCC divul-
gou um novo estudo no qual aumenta 
de 90% para 95% o grau de certeza 
científica quanto à participação do 
homem na elevação da temperatura do planeta: 
“É extremamente provável que a influência 
humana sobre o clima tenha causado mais da 
metade do aumento observado da temperatura 
média da superfície global entre 1951 e 2010”, 
dizem os cientistas. O relatório da ONU aponta 
que entre 1880 e 2012 a temperatura média 
na Terra subiu 0,85 ºC. Em algumas regiões, 
que incluem o Brasil, o aumento foi de até 2,5 
graus. Além disso, o nível médio da água dos 
oceanos subiu 19 centímetros e as últimas três 
décadas foram as mais quentes desde 1850. O 
estudo também permitiu aos cientistas projetar 
as dramáticas consequências que as próximas 
gerações enfrentarão, caso esse processo não 
seja revertido (veja mapa na pág. 86).
O efeito estufa
Sempre ouvimos falar que o efeito estufa é o 
grande vilão do aquecimento global, o que não 
deixa de ser verdade. Mas uma coisa precisa 
ficar clara: é graças a ele que existe vida em 
nosso planeta. O efeito estufa é um fenômeno 
natural que faz com que a temperatura média 
do globo se conserve nos limites necessários 
para a manutenção da vida, em torno de 14,5 ºC. 
Ele ocorre em razão da existência de gases que 
estão naturalmente na atmosfera e impedem a 
85GE GEOGRAFIA 2017 
8 Hoje, milhões de toneladas de carbono que a 
natureza tirou de circulação, armazenado como 
petróleo no subsolo ou biomassa nas matas, 
são jogadas pela ação humana na atmosfera 
em poucas horas, naforma de CO
2
. Ao aumentar 
a concentração desse e de outros gases, o 
homem amplia o efeito estufa, o que provoca o 
aquecimento do planeta
OS GASES DA ATMOSFERA
78,084%
Nitrogênio (N
2
)
20,946%
Oxigênio (O
2
)
0,934%
Argônio (Ar)
0,036%
Outros gases
DIÓXIDO DE CARBONO (CO
2
): 0,0332%
NEÔNIO (NE): 0,0018%
OUTROS GASES: 0,0010%
[1]
Fonte: Nasa
CONCENTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO NA ATMOSFERA NOS ÚLTIMOS 10 MIL ANOS
8.000
a.C.
5.500
a.C.
3.000
a.C.
500
a.C.
2.000
350
300
250
D
ió
xi
d
o
 d
e
 c
a
rb
o
n
o
 (p
p
m
)
350
330
15,5
15
14,5
310
290
19001880 1920 1940 1960 1980 2000
CO
2 (
pp
m
)
Gr
au
s C
el
si
us
CO
2
 e temperatura média da Terra
MAIS GÁS, MAIS CALOR
No gráfico à esquerda, veja como a concentração 
de dióxido de carbono (CO
2
) deu um salto a partir 
da Revolução Industrial, no século XVIII. Isso pode 
ser visto por meio da linha vermelha no lado 
direito do gráfico, que sobe quase 
perpendicularmente. No detalhamento desse 
período, no gráfico acima, a relação do CO
2
 com o 
aquecimento global fica clara: a curva de aumento 
de CO
2
 coincide com a da elevação da temperatura.
PARA IR ALÉM
O documentário Uma 
Verdade Inconveniente, 
dirigido por Davis 
Guggenheim e 
apresentado pelo 
ex-vice-presidente 
dos Estados Unidos 
Al Gore, procura 
evidenciar as causas e 
as consequências do 
aquecimento global. 
Parte da análise de 
dados de variação 
de temperaturas e 
concentração de CO2 
na atmosfera terrestre, 
e chama a atenção sobre 
as responsabilidades 
individuais e coletivas 
do homem diante dessa 
situação.
dissipação para o espaço de parte da radiação 
vinda do Sol, que é absorvida e refletida pela 
Terra (veja o infográfico). 
O problema é que, por causa da ação do homem, 
esse benéfico “cobertor” atmosférico está se trans-
formando num forno. E quando nos referimos à 
ação do homem, trata-se daquelas atividades que 
resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera 
de gases responsáveis pelo efeito estufa. Entre 
os principais, estão o dióxido de carbono (CO2), 
produzido pela queima de combustíveis fósseis 
(especialmente carvão mineral e derivados de 
petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina) para 
gerar energia; o metano (gás natural, CH4), libe-
rado pela decomposição de lixo, digestão do gado, 
plantações alagadas (principalmente de arroz); 
e óxido nitroso (N2O), que advém, entre outros 
meios, do tratamento de dejetos de animais, do uso 
de fertilizantes e de alguns processos industriais. 
Além disso, ao alterar a terra por meio do desma-
tamento e de atividades agrícolas, o ser humano 
está lançando no ar, por apodrecimento ou queima, 
CO2, que estava acumulado nas plantas e no solo.
Todas essas atividades são realizadas mais 
intensamente nos países desenvolvidos. Esta-
dos Unidos, Japão e muitas nações europeias 
apresentam elevada produção de gases do efeito 
estufa per capita, principalmente por causa do 
uso de automóveis e da elevada industrialização. 
Contudo, países em desenvolvimento, como a 
China, vêm aumentando significativamente 
as emissões desses gases nos últimos anos. Os 
chineses já ultrapassaram os norte-america-
nos como os maiores poluidores do planeta, 
tornando-se responsáveis por um quarto das 
emissões mundiais. 
EL NIÑO E EFEITO ESTUFA FAZEM GÁS CARBÔNICO TER 
AUMENTO RECORDE
O dióxido de carbono (CO2) na atmosfera registrou um aumento recorde com um 
crescimento de 3,05 partes por milhão (ppm) em 2015 – segundo medições da estação de 
referência de Mauna Loa, no Havaí. Segundo informou nesta quinta-feira (10) a Agência 
Oceânica e Atmosférica (NOAA), este “importante” aumento se explica em especial 
pelo surgimento da corrente marinha quente do Pacífico conhecida como El Niño.
Esta corrente reaparece a cada três a cinco anos e provoca mudanças em florestas 
e outros ecossistemas terrestres que reagem a modificações no clima e ao aumento 
das precipitações, explicou a agência (...). “Mas as emissões de gases de efeito estufa 
provenientes das atividades humanas são o principal fator de longo prazo que explicam 
o aumento do CO2 atmosférico (...)”, afirmou em comunicado.(...)
G1, 10/3/2016
SAIU NA IMPRENSA
86 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
PARA IR ALÉM
O documentário Seis 
Graus que Podem Mudar 
o Mundo, da National 
Geographic, simula 
possíveis cenários 
decorrentes do aumento 
de um até seis graus 
Celsius na temperatura 
global sobre os 
diversos ecossistemas e 
populações humanas.
O pior cenário
Extremos climáticos como secas 
prolongadas e furacões devem se 
tornar mais frequentes em função 
do processo de mudança climática
Desde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a popu-lação mundial não entrentou um ano 
tão quente como o de 2015. Segundo a Nasa, a 
Agência Espacial Norte-Americana, os recordes 
de temperatura são uma constante neste século: 
15 dos 16 anos mais quentes da história foram 
registrados após o ano 2000. Esses dados con-
solidam uma tendência de aquecimento global 
de longo prazo, o que abre a possibilidade da 
ocorrência mais frequente de eventos climáti-
cos extremos, como secas prolongadas, chuvas 
torrenciais e violentos ciclones. É o que pode 
ocorrer se não houver uma redução na emissão 
de gases do efeito estufa, na análise dos cientistas 
do Painel Intergovernamental sobre a Mudança 
no Clima (IPCC). 
As projeções do IPCC indicam que, se as emis-
sões permanecerem nos níveis atuais, a temperatu-
ra média do planeta pode subir até 4,8 ºC, e o nível 
dos mares deve aumentar em até 82 centímetros. 
As geleiras irão continuar a derreter e é fortemente 
provável que o gelo do Ártico diminua até o final 
do século. Segundo os cientistas, nenhuma parte 
do globo ficará imune aos efeitos do aquecimento 
global (veja mais no mapa).
Os terríveis cenários previstos pelos cientistas 
do IPCC certamente teriam consequências em 
termos estratégicos e geopolíticos. O Departa-
mento de Defesa dos Estados Unidos alerta para 
o fato de que, atingido pelas mudanças climá-
ticas, o mundo seria mais instável e perigoso. 
Haveria um aumento de migrações e até mesmo 
invasões populacionais para obter recursos 
como água e alimentos. E os maiores problemas 
ocorreriam justamente onde hoje já existem 
graves questões políticas, como em regiões da 
Ásia e da África. Para o órgão de governo dos 
EUA, em alguns locais, a tensão social causada 
pela fome poderia se tornar mais explosiva, 
combinada com a tensão étnico-religiosa.
A corrente cética
As explicações sobre as causas do aumento 
da temperatura global não são aceitas por todo 
mundo. Há cientistas que questionam seus fun-
damentos. Eles alegam que a temperatura média 
da Terra subiu e desceu várias vezes durante 
sua existência, e que isso pode estar ocorrendo 
neste momento. Ou seja, esse esquenta-esfria do 
planeta faria parte de um ciclo natural no qual 
o clima alterna períodos quentes e eras glaciais.
Além disso, essa “corrente cética” acredita 
que, mesmo que exista uma tendência para o 
aquecimento, ela está mais ligada aos fatores na-
turais do que à ação humana. O clima seria mais 
influenciado pelas glaciações, pelo vulcanismo 
e por fenômenos astronômicos. Esses cientistas 
também contestam a capacidade científica de 
prever com antecedência de décadas como será 
o clima da Terra. 
No entanto, os que defendem esta tese são acusa-
dos de agir em favor daqueles que atuam no lobby 
de interesses das indústrias que vivem do petróleo 
e de governos que seriam afetados pelas medidas 
necessárias para conter o aquecimento global. 
AMÉRICA LATINA
Na América Central aumentará 
a ocorrência de ciclones 
tropicais. As chuvas devem 
diminuir na Bacia Amazônica 
e aumentar na Bacia do Prata, 
região que abrange o sul do 
Brasil, além de Paraguai, 
Uruguai e Argentina.
AMÉRICA DO NORTE
A região deve ser afetada 
por fortes secas e queda na 
disponibilidade de água, 
especialmente na parte central. 
Haverá maior ocorrência de 
ciclones tropicais nogolfo do 
México e na costa leste dos EUA 
e do Canadá.
MUDANÇAS NA TEMPERATURA 
2081-2100
110 C
90
70
50
40
30
20
1,50
10
0,50
87GE GEOGRAFIA 2017 
OS EFEITOS 
NO BRASIL
Segundo o Painel 
Brasileiro de Mudanças 
Climáticas (PBMC), até 
2100, a temperatura no 
país irá aumentar entre 
1 ºC e 6 ºC, em 
comparação com a 
registrada no fim do 
século XX. Nesse cenário, 
a agricultura, a geração e 
a distribuição de energia 
e a gestão dos recursos 
hídricos serão afetados. 
Veja os efeitos regionais 
no mapa ao lado.
ÁSIA
As chuvas de monções devem 
se tornar mais intensas no sul 
e no leste do continente. 
A frequência de tempestades e 
ciclones irá aumentar em áreas 
como o Mar do Japão, a Baía de 
Bengala, o Mar do Sul da China 
e o Golfo da Tailândia.
OCEANIA
Fortes ondas de calor devem 
atingir a Austrália, com chuvas 
extremas no sul do país e secas 
no noroeste. As ilhas do Pacífico 
ficarão mais vulneráveis à 
passagem de ciclones tropicais.
ÁFRICA
As temperaturas devem 
aumentar principalmente no 
sul do continente. É provável 
que a seca piore na parte 
ocidental e na região do Sahel, 
provocando queda da safra e 
agravando a situação de fome.
REGIÕES POLARES
O gelo do Ártico pode diminuir 
até 94% durante o verão. 
Com o derretimento na calota 
norte da Terra, o nível do mar 
pode aumentar de 45 a 82 
centímetros, nível considerado 
perigoso pelos cientistas.
EUROPA
A temperatura deve aumentar 
de forma generalizada no 
continente, com menos dias de 
frio intenso no inverno. No sul 
e leste europeus, os períodos 
de seca devem reduzir a água 
disponível e a produtividade 
agrícola, enquanto, no noroeste 
do continente, o IPCC prevê 
maior volume de chuvas.
OUTRAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS:
� Ameaças à biodiversidade e aceleração da extinção de espécies.
� Esgotamento das reservas de água e agravamento de sua distribuição.
� Comprometimento da produção agrícola e da segurança alimentar, 
especialmente nas regiões tropical e subtropical.
� Elevação do nível dos oceanos e ameaças a cidades litorâneas.
NORTE
O volume de chuvas na 
Amazônia deve cair até 40%, 
o que levaria a uma 
substituição da floresta por 
uma vegetação mais rala, 
semelhante à do cerrado.
NORDESTE
Até 2100, a temperatura na 
caatinga poderá subir até 
4,5 ºC, e a ocorrência de chuva 
irá diminuir entre 40% e 50%.
CENTRO-OESTE
As chuvas devem diminuir 
entre 35% e 45%. No Pantanal 
e no cerrado, as temperaturas 
devem subir de 3,5 ºC a 5,5 ºC.
SUDESTE
Na região da Mata Atlântica, o 
clima deverá ficar até 3 ºC mais 
quente e até 30% mais chuvoso.
ZONA COSTEIRA
O aumento do nível do 
mar em até 30 cm afetaria 
ecossistemas costeiros do Norte 
e Nordeste, como manguezais; a 
população litorânea teria de ser 
remanejada.
SUL
Na região dos pampas, 
a temperatura deve subir 3 ºC, 
com previsão de um aumento 
de 40% na ocorrência de chuvas.
88 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA ENERGIAS RENOVÁVEIS
Alternativas 
limpas
Investimentos em fontes de energia 
renováveis são essenciais para reduzir 
as emissões de gases do efeito estufa
O s cientistas do Painel Intergovernamen-tal sobre a Mudança no Clima (IPCC) são enfáticos em apontar o que é pre-
ciso ser feito para evitar os efeitos dramáticos 
das mudanças climáticas: suspender o uso sem 
restrições de combustíveis fósseis. Desde a 
Revolução Industrial, há mais de 200 anos, 
nossas atividades econômicas são baseadas na 
queima de fontes não renováveis e altamente 
poluentes como petróleo, gás e carvão. A energia 
que consumimos para gerar eletricidade e aque-
cimento, para nos locomovermos em viagens de 
carro, avião ou navios e para mover a atividade 
manufatureira contribui com cerca de metade 
das emissões dos gases de efeito estufa.
Na prática, para alterar essa matriz de 
energia e reduzir a dependência econômica 
de combustíveis fósseis, seria preciso ampliar 
o uso de energias renováveis. Trata-se de um 
procedimento que já está em andamento ao 
redor do mundo, ainda que num ritmo abai-
xo do desejável. A China, o maior emissor de 
gases do efeito estufa do planeta, é o país que 
mais vem investindo em energia renovável há 
alguns anos. Os Estados Unidos e a Europa 
também avançam em projetos para baratear o 
custo dessas fontes de energia. O Brasil, que é o 
nono maior investidor em energias renováveis 
� MATRIZ DE ENERGIA 
Combinação das 
fontes de energia 
disponíveis numa 
economia ou país e 
dos usos de energia. 
A economia moderna 
consome energia em 
duas principais formas: 
a energia combustível, 
que alimenta 
principalmente 
equipamentos 
mecânicos, como 
motores, e a energia 
elétrica, que alimenta 
essencialmente 
equipamentos 
eletrônicos.� O QUE ISSO TEM A VER COM HISTÓRIA A Revolução 
Industrial é o processo de transformação da 
economia agrária, baseada no trabalho manual, em 
outra, dominada pela indústria mecanizada, que se 
caracteriza pelo uso de novas fontes de energia e de 
máquinas, pela especialização do trabalho e pela 
aplicação da ciência na indústria. Ela teve início por 
volta de 1760, na Inglaterra. 
Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE HISTÓRIA.
do mundo, tem cerca de 40% de sua matriz 
energética proveniente de recursos renováveis 
(veja o gráfico acima) e caminha para ter 93% 
de sua energia elétrica com origem em fontes 
que não se esgotarão até 2050, de acordo com 
um estudo da ONG Greenpeace. 
Vale ressaltar que algumas das fontes de ener-
gia alternativas ainda têm um custo ambiental 
alto. As usinas hidrelétricas, por exemplo, cos-
tumam afetar a biodiversidade, como no caso da 
Usina de Belo Monte, no Pará, que vem causando 
polêmica por reduzir a vazão do Rio Xingu, o 
que comprometeria o ecossistema da região 
Amazônica. Já a energia nuclear pode causar 
sérios danos ambientais com o lixo radioativo. 
Confira alguns exemplos de fontes de energia 
renováveis e limpas.
Energia eólica
A energia é produzida quando a força do vento 
gira as hélices das turbinas eólicas, que conver-
tem a energia mecânica em elétrica. O Brasil 
tem grande potencial nessa área, especialmente 
no Nordeste e no Sul, por possuir condições 
naturais favoráveis. Com o aumento dos in-
vestimentos, a previsão é de que a participação 
da energia eólica na matriz elétrica brasileira 
alcance 5,4% até 2016. 
Petróleo 
e derivados
39,4%
Carvão
5,7%
Gás natural
13,5%
Nuclear
1,3%
Biomassa
23,8%
Hidráulica
11,5%
Outras*
4,8%
BRASIL – 2014
Fontes: Agência Internacional de Energia e Ministério de Minas e Energia
RenovávelNão renovável
Gás natural
21,4%
Nuclear
4,8%
Biomassa
10,2%
Hidráulica
2,4%
Outras*
1,2%
Petróleo 
e derivados
31,1%
Carvão
28,9%**
MUNDO – 2013
OFERTA DE ENERGIA POR FONTE
*Inclui eólica e solar **Inclui xisto (folhelho)
89GE GEOGRAFIA 2017
Energia solar
A principal forma de captar a energia prove-
niente do Sol é por meio de painéis fotovoltaicos,
que possuem células solares capazes de trans-
formar a radiação solar em eletricidade. Quanto 
maior a intensidade de luz, maior o fluxo de 
energia elétrica. O Brasil também é privilegia-
do em radiação solar, especialmente na região 
Nordeste. O elevado preço dessa tecnologia, 
porém, ainda inviabiliza investimentos mais 
pesados nesse tipo de energia no país.
Biomassa
A matéria orgânica também vem sendo utilizada 
para gerar energia. Seu aproveitamento pode ser 
feito pela combustão direta, por processos termo-
químicos ou biológicos. No Brasil, óleos vegetais e 
bagaço de cana, entre outros materiais, dão origem 
à energia elétrica. A biomassa também pode se 
transformar em biocombustíveis – o álcool etílico 
já é amplamente usado nos veículos brasileiros.
Energia geotérmica
O calor interno do globo, principalmente em
áreas geologicamente ativas, pode produzir 
energia em usinas termelétricas a partir dos
gêiseres (fontes de vapor no interior da Terra),
presentes em países como EUA, México e Japão.
PETRÓLEO
A combinação de material 
decomposto com as altas 
temperaturas e a pressão 
do subsolo forma jazidas 
depetróleo e gás. 
O carbono guardado nesses 
depósitos soma 300 bilhões 
de toneladas
CO
2
 + água + energia solar 
O
2
 + açúcares 
CO
2
 
H
2
O
EN
ER
GI
A 
SO
LA
R
FOTOSSÍNTESE
Na fotossíntese, 
as plantas absorvem 
CO
2
 e liberam oxigênio. 
Os vegetais estão na 
base de todas as 
cadeias alimentares 
do planeta
VEGETAÇÃO
Cerca de 600 bilhões 
de toneladas de 
carbono ficam 
estocadas nas plantas 
naturais ou cultivadas
QUEIMADAS E DESMATES
A queima da vegetação 
libera carbono no ar. 
A mata derrubada 
significa menos 
organismos para absorver 
o carbono. Restos de 
matéria orgânica sobre o 
solo têm 1 trilhão de 
toneladas de carbono
CARVÃO MINERAL
Formado com os restos 
soterrados de plantas e 
animais, o carvão mineral 
estoca cerca de 3 trilhões de 
toneladas de carbono
DEVOLUÇÃO 
DO CARBONO
A atmosfera devolve à 
superfície da Terra e aos 
oceanos cerca de 200 
bilhões de toneladas de 
carbono a cada ano
SEDIMENTOS MARINHOS
O carbono depositado em 
sedimentos marinhos 
guarda 150 bilhões de 
toneladas de carbono 
OCEANO
Grande parte do CO
2
 da 
atmosfera dissolve-se 
na água e é absorvida 
por seres marinhos 
ATMOSFERA
A camada gasosa que 
envolve a Terra guarda 
750 bilhões de toneladas 
de dióxido de carbono
O CICLO DO CARBONO
O carbono tem um ciclo natural entre o subsolo, os organismos, 
a atmosfera e os mares. As atividades humanas aumentam sua quantidade 
no ar. O volume de carbono em cada etapa é estimado pelos cientistas
O Sol é a fonte 
de energia que 
sustenta a vida 
na Terra
COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
A queima de petróleo e 
carvão acelera a liberação de 
carbono para a atmosfera, 
soltando mais de 5 bilhões de 
toneladas no ar a cada ano 
SAIBA MAIS
CICLO DO CARBONO
Apesar de ser o responsável direto pelo efeito estu-
fa e, consequentemente, pelo aquecimento global, o 
carbono é um elemento químico essencial para a vida 
humana. Ele faz parte de um ciclo natural: transita entre 
a atmosfera, a biosfera e a hidrosfera, garantindo o 
equilíbrio do meio ambiente. Para se desenvolverem, 
as plantas transformam o dióxido de carbono presente 
na atmosfera em carboidratos, que formam folhas e
troncos. Nesse processo, conhecido como fotossíntese,
os vegetais liberam oxigênio. Os oceanos também
absorvem o carbono da atmosfera – em contato com
a água do mar, o dióxido de carbono se transforma 
em ácido carbônico, dissolvendo-se nas profundezas 
dos oceanos.
Mas, além de absorver carbono, esse ciclo natural
libera o elemento na atmosfera, num processo que pode 
se dar de diversas formas: pela erupção de vulcões,
pela decomposição de organismos, pela respiração, 
ou mesmo pela flatulência de animais. Infelizmente,
nosso padrão de desenvolvimento, baseado na queima 
de combustíveis fósseis para a geração de energia, vem 
rompendo esse equilíbrio natural. Em suma, estamos 
emitindo mais carbono do que a natureza é capaz de 
absorver, desestabilizando o ciclo.
� O QUE ISSO TEMQ
A VER COM BIOLOGIAA VER COM BIOLOGIA
A fotossíntese é um 
processo metabólico, 
pelo qual os vegetais 
transformam gás 
carbônico (CO2) e água 
em açúcares e oxigênio.
A energia necessária para 
que a fotossíntese ocorra
vem do Sol e é captada 
pelo pigmento clorofila. 
A fotossíntese pode ser 
resumida na seguinte 
equação:
6 CO2 + 12 H2O + luz = 
C6H12O6 + 6 O2 + 6H2O
O C6H12O6 é a glicose, 
um carboidrato (açúcar).
Para saber mais, 
veja o GUIA DO 
ESTUDANTE BIOLOGIA.
MULTI/SP
90 GE GEOGRAFIA 2017
ATMOSFERA PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS
Nova esperança 
Apesar das divergências para 
o estabelecimento de metas de 
redução de gases do efeito estufa, os 
governantes de 195 países chegam a 
um acordo na COP21 
A constatação de que a intensa emissão de gases do efeito estufa está alterando o clima do planeta vem mobilizando a comunidade 
internacional nos últimos anos. Mas enfrentar um 
problema global dessas proporções requer um 
difícil alinhamento entre os líderes mundiais. As 
ações políticas para tentar reverter o aquecimento 
global são tratadas em fóruns mundiais, como a 
Conferência Geral das Partes, um encontro reali-
zado anualmente com a participação de todos os 
países para discutir a mudança climática – ela é 
conhecida por sua sigla em inglês COP. 
Chegar a um consenso nesses encontros é 
uma tarefa muito complicada porque há vários 
interesses conflitantes entre as nações ricas e os 
países em desenvolvimento quanto as respon-
sabilidades que cada um deveria assumir para 
reduzir as emissões de carbono. 
O Protocolo de Kyoto
O primeiro grande marco de ação governamen-
tal coletiva foi o Protocolo de Kyoto, assinado 
em 1997 durante a terceira COP. O documento 
é o primeiro acordo oficial com metas e prazos 
para reduzir as emissões de gases do efeito estu-
fa. Ele estabeleceu que os países desenvolvidos, 
responsáveis por lançar a maior parte dos gases, 
deveriam reduzir suas emissões em pelo menos 
5% em relação aos níveis de 1990. Já as nações em 
desenvolvimento, como o Brasil e a China, que ti-
veram uma industrialização tardia, não precisaram 
adotar metas, mas comprometiam-se a diminuir 
a emissão de carbono voluntariamente.
Mas o Protocolo de Kyoto já nasceu prati-
camente condenado. Os EUA não assinaram o 
documento por se recusar a mudar sua matriz 
energética – fortemente dependente de petróleo 
– e não concordar com a ausência de metas para 
os países em desenvolvimento. Posteriormente, 
outros países também abandonaram os compro-
missos firmados no protocolo. Os governos de 
Canadá, Japão, Austrália e Rússia passaram a 
reclamar da falta de compromisso das economias 
emergentes. Eles alegam que o crescimento eco-
nômico de países como China e Índia aumentou 
muito a emissão de carbono global, e exigiam o 
cumprimento de metas dessas nações.
AGORA VAI?
O presidente da França, 
François Hollande (à dir.), 
e outras autoridades 
mundiais celebram a 
assinatura do Acordo de 
Paris, em dezembro de 
2015, durante a COP21
91GE GEOGRAFIA 2017 
SAIBA MAIS
MERCADO DE 
CARBONO
Para minimizar o dese-
quilíbrio entre as emis-
sões de gases dos países 
ricos e dos menos de-
senvolvidos, o Protoco-
lo de Kyoto estabeleceu 
o “mercado de carbono”. 
Ele funciona da seguinte 
forma: os países desen-
volvidos, incapazes de 
substituir o carvão e o pe-
tróleo de uma hora para 
outra, podem compensar 
parte de suas emissões 
comprando créditos de 
carbono de outros países 
cujas emissões ficaram 
abaixo do limite estipu-
lado. Esses créditos são 
pagos com investimentos 
em projetos que ajudem 
as nações vendedoras a 
reduzir suas emissões de 
gases do efeito estufa. 
O primeiro projeto ba-
seado nesse mercado de 
carbono foi implemen-
tado em 2005, em Nova 
Iguaçu (RJ). Um antigo 
lixão foi transformado em 
aterro sanitário com o fi-
nanciamento da Holanda. 
Hoje em dia, centenas de 
projetos como esse estão 
em andamento em várias 
partes do mundo.
O Acordo de Paris
Por todas essas dificuldades, o Acordo de Paris 
firmado durante a COP21, realizada na capital 
francesa, em dezembro de 2015, foi recebido 
com bastante otimismo. O documento assinado 
por representantes de 195 países foi considerado 
histórico: pela primeira vez houve um entendi-
mento para a redução das emissões de carbono 
que envolve quase todas as nações do mundo.
O acordo entrará em vigor a partir de 2020 e 
obriga a participação de todos os países – e não 
apenas os ricos – no estabelecimento de metas 
para limitar o aumento da temperatura média do 
planeta até 2100. O objetivo é restringir o aqueci-
mento a “bem menos de 2º C”.
Cada nação fica obrigada a apresentar um con-
junto de metas para reduzir a emissão de carbono 
em um documento conhecido como INDCs (sigla 
em inglês para Contribuições Pretendidas Nacio-
nalmente Determinadas). Mas se o estabelecimen-
to das metas é compulsório para todas as nações, 
o cumprimento desses objetivos é voluntário. 
O documento final também estabeleceu que 
os países ricos irão garantir um financiamento 
de, no mínimo, 100 bilhões de dólarespor ano 
para projetos de combate às mudanças do clima 
e adaptação em nações em desenvolvimento a 
partir de 2020 e até, ao menos, 2025. 
Tanto o financiamento quanto as metas nacio-
nais (INDCs) serão revistas a cada cinco anos, 
a partir de 2018. Isso porque, por enquanto, o 
conjunto das metas somadas é considerado in-
suficiente para barrar o aquecimento médio em 
até 2º C. Espera-se que até lá haja uma ambição 
maior dos países no controle das emissões.
Os compromissos do Brasil
O Brasil oficializou a meta voluntária de reduzir 
as emissões de gases do efeito estufa em 37% até 
2025 e 43% até 2030 em relação aos valores de 
2005. Além dessa meta, o compromisso do Brasil 
apresentado na COP21 inclui garantir 45% de 
fontes renováveis no total da matriz energética, 
ampliar para 23% a participação de fontes renová-
veis (eólica, solar e biomassa) na geração de energia 
elétrica e acabar com o desmatamento ilegal.
Segundo o governo, as emissões entre 2005 e 
2012 reduziram 41,1%. Em boa medida, esta re-
dução é creditada a uma forte queda nos índices 
de desmatamento na Amazônia Legal. Na última 
década, com a desaceleração do desmatamento 
no Brasil, as atividades ligadas à derrubada das 
florestas deixaram de ser a principal emissora 
de CO2. Atualmente, a produção de energia a 
partir da queima de combustíveis fósseis é a 
maior fonte poluidora do país.
Menos de 799
86.717 ou mais
Fonte: Banco Mundial
Em milhões de toneladas de CO
2
FRANCOIS GUILLOT/AFP
CAMPEÕES DE POLUIÇÃO Veja como os países desenvolvidos estão entre os que mais emitem 
carbono na atmosfera: Estados Unidos e Canadá, além da Europa Ocidental, da Austrália e do Japão. 
Mas note que as nações em desenvolvimento que tiveram crescimento acelerado na última década 
(2000-2009) também são grandes emissoras. É o caso de China, Índia, Rússia, México e Brasil.
EMISSÕES DE CARBONO – 2010
92 GE GEOGRAFIA 2017
COMO CAI NA PROVA
1. (UFRGS 2014) Analise os climogramas abaixo, no Hemisfério Sul.
Comparando esses climogramas, é possível afirmar que
a) o 1 apresenta as variações mais significativas de pluviosidade e temperatura,
indicando um clima equatorial úmido. 
b) o 2 apresenta uma relação direta entre pluviosidade e temperatura, indicando 
um clima com verões quentes e úmidos. 
c) o 3 apresenta uma relação inversa entre pluviosidade e temperatura, indicando 
um clima com invernos úmidos. 
d) o 2 e o 3 indicam variações significativas de pluviosidade e temperatura, com
estações definidas para ambos. 
e) o 1 e o 2 apresentam condições de considerável pluviosidade nos meses de 
temperaturas mais altas. 
RESPOSTA
A alternativa a indica corretamente que o climograma 1 representa um clima 
equatorial úmido, porém não há, no climograma e nesse tipo de clima, variações
significativas de pluviosidade e temperatura.
Na alternativa b, a informação incorreta é a que se refere aos verões úmidos,bb
visto que, quando são registradas as temperaturas mais elevadas, entre dezembro
e março (verão), há uma redução no volume de chuvas mostrado pelas colunas.
A alternativa C está errada, pois há uma relação direta entre temperatura e
pluviosidade (a queda na temperatura é acompanhada por uma queda na plu-
viosidade), e o período do inverno é, na realidade, o mais seco.
A alternativa d está correta, pois os dois climogramas mencionados (2 e 3 ) apred -
sentam quedas de temperatura no inverno (junho a agosto), acompanhadas de
variações significativas de pluviosidade (para mais ou para menos), determinando 
duas estações bem definidas (seca e úmida).
Na alternativa e, não é possível afirmar que os climogramas 1 e 2 apresentam ee
maiores pluviosidades nos meses mais quentes, pois isso não se confirma no
climograma 2, onde a pluviosidade maior é registrada no inverno.
Resposta: D
� SAIBA MAIS
2. (Uerj 2015) Para evitar novos flagelos
Os eventos extremos de curta duração, como as chuvas intensas que caíram 
sobre São Paulo e outras cidades brasileiras com suas trágicas consequências, 
vão se intensificar com as mudanças climáticas em curso há algumas décadas. 
“Na década de 1930 e, se formos um pouco mais atrás no tempo, no século XIX, 
não ocorriam tantos eventos extremos de chuva como acontecem hoje na cidade 
de São Paulo”, diz Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
“Isso é mudança climática, não necessariamente provocada pelo aquecimento 
global”, ressalta. O mais provável é que a maior parte dessa mudança climática 
tenha origem na própria Região Metropolitana de São Paulo.
ERENO, Dinorah. Adaptado de revistapesquisa.fapesp.br, 26/05/2010.
Considerando a dinâmica ambiental de grandes metrópoles, como São Paulo, 
as circunstâncias locais para a elevação do índice de chuvas apontada no texto
estão relacionadas ao fenômeno de: 
a) ilha de calor 
b) inversão térmica 
c) campo de vento 
d) precipitação ácida 
RESPOSTA
As ilhas de calor são formadas em áreas das grandes cidades com maior adensamento
urbano e, consequentemente, com maior absorção e irradiação de calor. Contribuem 
para esse processo os poluentes lançados na atmosfera e a substituição da cobertura 
vegetal por prédios de concreto e cimento e ruas asfaltadas. As ilhas de calor aceleram 
as correntes ascendentes de ar úmido (correntes de convecção) e, assim, contribuem
para formar nuvens mais carregadas e chuvas torrenciais, sobretudo no verão. Além 
disso, os poluentes atmosféricos (poeira, fuligem etc.) podem atuar como núcleos de 
condensação, aumentando a concentração de gotículas de chuva, intensificando-as. 
Resposta: A
Se a escala usada para montar o climograma 
for diferente, o aspecto do climograma poderá
sofrer modificações. Repare, por exemplo, como
o climograma de João Pessoa, ao lado, ficou
diferente da versão abaixo depois de mudarmos
a escala do índice pluviométrico, diminuindo os
intervalos de 100 mm para 50 mm. 
93GE GEOGRAFIA 2017 
RESUMO
Lorem ipsondolor
GIAMCORE MAGNA accum am, vullam, core feum auguerit, si 
blam, quat. Lor sequat lorerci tem accum il ulput nummy nit 
nullam adit ea ad tetumsan hent lor init adionsequip exeros 
do dolor sum zzrit amcorer sustrud dui et autpatin eugue ve-
lenim vulluptate consectem zzrit wismod el ulputatum incing 
et lutdiamcom molumsandip.
EAFACIDUNT DOLOBOR sustrud magna feugiam veniam 
zzrilit luptatem iriusto consequi eraesto eugait luptat do ese 
tat dolut venis amconsed mincillandre commodi onullan ver 
sustrud modigniam ipsuscillam, cor iliquat.
Num volobor eraestionum ing eniatummy nulputem vent amet 
iusto odignim quisis adiam aliquat vel esequip
IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni-
bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore 
magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, 
sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod 
dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan 
heniam doloreet amcore do eu facil utpat. Osto odiamet, velent 
pratet nosto consequisl ullandrem quat am dolorem veliquatue 
min velesequam nonse facipisim zzriure.
RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet 
lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do-
lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait 
atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. 
NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis 
acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim 
ipsuscipit in Del ut lutat aute mincill andipsustis do exeraestrud 
eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit ing 
et irilit iureet laorem veraess equisi. Ecte vulla commy nullam, 
sis nulluptat, sum venibh elesto conum nonulla facilit nit lorem 
delesto ea feui blandre eui tet lam
IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni-
bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore 
magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, 
sequat. Equat. Ut iliscidunt la commy nostion hendiam commod 
dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratinesectet nonullan 
heniam doloreet amcore do eu facil utpat. 
RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet 
lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do-
lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait 
atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. 
NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis 
acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim 
ipsuscipit in Del ut lutat aute mincill andipsustis do exeraestrud 
eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit.
Atmosfera
FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS Principal objeto de estudo 
dos meteorologistas, eles se formam com diferentes reações 
químicas que ocorrem na atmosfera. Nuvem, chuva, neve, 
granizo, geada, vento e massas de ar são formados por causa 
de certas condições de umidade, pressão e temperatura.
EL NIÑO Esse fenômeno se forma duas vezes a cada dez anos 
na época do Natal, com o enfraquecimento dos ventos alísios, 
que normalmente sopram as águas aquecidas do Pacífico do 
leste para o oeste – da costa da América do Sul até a região da 
Indonésia. Como essas águas quentes e úmidas permanecem 
na costa sul-americana, elas provocam chuvas nessa área e 
seca na Indonésia e Austrália. 
CLIMAS DO MUNDO São dez os principais tipos climáticos do 
mundo: equatorial, tropical, mediterrâneo, temperado, sub-
tropical, desértico, semiárido, frio de montanha, frio e polar. 
Fatores como latitude, altitude, proximidade do mar, pressão 
atmosférica e influência das correntes marítimas determinam 
as diferenças entre os climas.
CLIMAS DO BRASIL O Brasil possui seis tipos climáticos 
principais: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitu-
de, tropical atlântico e subtropical. A ocorrência de chuvas e 
a temperatura média são os critérios mais importantes para 
definir os climas no Brasil.
AQUECIMENTO GLOBAL O efeito estufa é um fenômeno na-
tural, no qual os gases presentes na atmosfera retêm o calor 
recebido do Sol. A emissão de gases por indústrias, veículos, 
desmatamento e agropecuária potencializa o fenômeno e pode 
ser um dos causadores do aquecimento global.
ENERGIAS ALTERNATIVAS Uma das alternativas para reduzir 
a emissão de gases do efeito estufa é a adoção de fontes de 
energia renovável. No Brasil, quase metade da energia utiliza-
da é proveniente de recursos renováveis. Entre as principais 
energias alternativas destacam-se a eólica (produzida pelos 
ventos), a solar (proveniente do Sol) e a biomassa (feita com 
matéria orgânica).
PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS O Protocolo de 
Kyoto foi estabelecido em 1997 com o objetivo de diminuir a 
emissão de gases do efeito estufa. Ele previa que os países 
desenvolvidos deveriam cortar suas emissões de dióxido de 
carbono e outros gases, mas isentava os países em desenvol-
vimento da obrigação de reduzir as emissões. O acordo não 
funcionou e foi substituído pelo Acordo de Paris. Assinado em 
dezembro de 2015, ele obriga todos os 195 países signatários a 
estabelecer metas para o corte de emissões de gases do efeito 
estufa, de modo a evitar que o aquecimento médio do planeta 
ultrapasse os 2 ºC até 2100.
3. (FGV 2014) Considere o texto.
I. O inventário de emissão de gases de efeito estufa de 2010, lançado em 2013 
pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostra que houve a inver-
são do tipo de poluição predominante no Brasil em comparação ao relatório 
anterior, de 2004.
(http://blog.ambientebrasil.com.br/2013/10/brasil-ja-polui-como-um-pais-rico. Adaptado)
Considerando o texto, é correto afirmar que 
a) atualmente a principal fonte poluidora é a queima de combustíveis fósseis, 
que ultrapassou o desmatamento. 
b) o fato de o Brasil encontrar-se entre os grandes poluidores do mundo destaca 
o peso do setor industrial na economia. 
c) a expansão das atividades agrícolas para produção de commodities tornou-se, 
atualmente, a principal fonte poluidora. 
d) o cultivo de arroz, grande emissor de metano, ultrapassou o peso da pecuária 
no ranking de grande poluidor. 
e) a posição do Brasil, entre os grandes poluidores, deve-se, principalmente, à 
redução da participação do gás natural na matriz energética. 
RESPOSTA
Conforme afirma corretamente a alternativa a, a queima de combustíveis fósseis 
ultrapassou o desmatamento e passou a responder pela maior emissão de CO
2
 no 
Brasil. Isso decorre do aumento da frota de automóveis e caminhões nos últimos 
anos, que resultou em um maior consumo de gasolina e diesel, além do aumento 
no uso de termelétricas, que geram energia a partir da queima de carvão, óleo 
ou gás. A alternativa b está incorreta porque o Brasil, apesar da expressiva 
produção industrial, tem a maior parte da economia centrada no setor terciário. 
As alternativas c e d incorretamente indicam que a agricultura é a maior fonte 
emissora de gases estufa. Já a alternativa e é falsa porque, entre os combustíveis 
fósseis, o gás natural responde pelas menores emissões e este tem aumentado 
sua participação na matriz energética brasileira. 
Resposta: A
� SAIBA MAIS
Veja nos dois gráficos abaixo como a queima de combustíveis fósseis, caracteri-
zada pelas atividades de energia, ultrapassaram o uso da terra e florestas como 
principal atividade geradora de CO
2 
 no Brasil, entre 2005 e 2012.
94 GE GEOGRAFIA 2016
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
� Ecologia ...............................................................................................................96
� A evolução do planeta ....................................................................................98
� Vegetação no mundo ....................................................................................100
� Biomas brasileiros .........................................................................................106
� Preservação e conservação ........................................................................110
� Conferências ambientais ............................................................................112
� Como cai na prova + Resumo .....................................................................114
A pesar de a Amazônia receber grande parte da atenção quando o assunto é desmatamento no Brasil, outros biomas 
tão importantes para o equilíbrio ambiental 
não dispõem do mesmo tratamento. O cerrado 
é considerado um dos ambientes mais anti-
gos da história recente da Terra, com cerca de 
65 milhões de anos, e já abrigou a mais diversa 
flora do planeta. Atualmente, o bioma detém 5% 
de toda a biodiversidade mundial e é berço de 
10 das 12 bacias hidrográficas do Brasil. 
Mesmo com toda essa riqueza natural, apenas 
8% do cerrado é protegido por áreas de con-
servação, o que o torna uma das regiões mais 
vulneráveis diante da expansão da agropecuária. 
Em um período de 50 anos, quase metade de 
sua cobertura original já foi devastada para dar 
lugar a plantações e áreas de pastagem. Como o 
cerrado já atingiu o seu clímax evolutivo, o am-
biente já degradado – onde houve modificação 
da vegetação e do solo – é incapaz de recuperar 
sua biodiversidade original.
A despeito da pressão dos ambientalistas, mui-
tos dos quais afirmam que o cerrado entrou em 
um ciclo irreversível de extinção, as ações go-
vernamentais para a preservação do bioma têm 
sido tímidas. O novo Código Florestal frustrou 
aqueles que esperavam a criação de regras mais 
rigorosas para estancar a degradação. Segundo a 
legislação aprovada em 2012, os proprietários de 
terra no cerrado são obrigados a preservar entre 
20% e 35% da cobertura vegetal, enquanto que os 
fazendeiros da Amazônia devem conservar 80%.
Mais recentemente, o governo federal sinali-
zou que o cerrado deve ser encarado com mais 
prioridade. Em julho de 2014, o Ministério do 
Meio Ambiente anunciou investimentos de 596 
milhões de reais em ações destinadas a reduzir em 
até 40% os índices de desmatamento do cerrado 
até 2020. A decisão faz parte do Plano de Ação 
para Prevenção e Controle do Desmatamento 
e dasQueimadas no Cerrado (PPCerrado), que 
prevê um sistema de monitoramento permanente 
do bioma, tal qual ocorre na Amazônia.
Nas próximas páginas, você encontrará mais 
informações sobre os biomas brasileiros e as ca-
racterísticas dos prin-
cipais tipos de vegeta-
ção no mundo. Além 
disso, abordamos as 
ameaças mais latentes 
aos ecossistemas e as 
ações governamen-
tais para tentar frear 
as ameaças ao meio 
ambiente.
Enquanto as atenções ambientais se voltam para 
o desmatamento da Amazônia, o cerrado tem sua 
cobertura vegetal devastada e corre risco de extinção
Agonia silenciosa
5
BIOSFERA
O POUCO QUE RESTOU 
Vegetação remanescente 
de um incêndio no Parque 
Nacional de Brasília: 
o cerrado, com toda a sua 
riqueza natural, é um dos 
biomas mais ameaçados 
do planeta
95GE GEOGRAFIA 2016 EVARISTO SA/AFP PHOTO
96 GE GEOGRAFIA 2016
5 BIOSFERA ECOLOGIA
O termo ecologia ganhou destaque nas últimas décadas, juntamente com a relevância crescente dos 
assuntos relacionados ao meio ambien-
te. Muitas vezes esse termo é usado de 
forma indevida ou superficial, como em 
afirmações do tipo “Defenda a ecolo-
gia”. Na verdade, trata-se da ciência que 
estuda as relações dos seres vivos entre 
si ou com o ambiente em que vivem. A 
ecologia é um conteúdo multidiscipli-
nar que engloba estudos de Biologia, 
Geografia, Geologia, Química, entre 
outras áreas curriculares. 
Veja a seguir, alguns conceitos essen-
ciais para a compreensão da ecologia, 
como ecossistema, bioma, biosfera e 
biodiversidade:
Ecossistemas
Os ecossistemas são sistemas dinâ-
micos resultantes da interdependência 
entre os fatores físicos do meio am-
biente e os seres vivos que o habitam. 
Os nutrientes, a água, o ar, os gases, 
a energia disponível e as substâncias 
orgânicas e inorgânicas num ambiente 
constituem a parte abiótica (não viva) 
Delicado 
equilíbrio
A relação que os seres vivos 
mantêm entre si e com o 
ambiente que habitam 
forma um ciclo natural 
que sustenta a vida no planeta
de um ecossistema. O conjunto de seres 
vivos é chamado de biota e é composto 
de três categorias de organismos: as 
plantas, os animais e os decomposito-
res – microrganismos que decompõem 
plantas e animais e os transformam em 
componentes simples, reciclados.
Uma floresta, um rio, um lago ou um 
simples jardim são exemplos de ecos-
sistemas. Eles se misturam e interagem. 
Os ecossistemas podem, também, ser 
subdivididos em pequenas unidades 
bióticas, conhecidas como comunida-
des biológicas. Elas são formadas por 
duas ou mais populações de espécies 
que interagem e são interdependentes – 
como o conjunto da flora e da fauna 
de um lago. 
Já o termo habitat se refere a um 
ambiente ou ecossistema que oferece 
condições especialmente favoráveis 
à sobrevivência de certa espécie. Por 
exemplo, o cerrado é o habitat do lobo-
-guará. Um ecossistema pode ser o ha-
bitat de diversas espécies para as quais 
oferece alimento, água e abrigo, entre 
outras condições essenciais à repro-
dução da vida.
PERFEITA HARMONIA Aves tuiuiús e caturritas em árvore do Pantanal: o Brasil abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta
97GE GEOGRAFIA 2016 
� O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA
Veja abaixo uma descrição resumida dos 
cinco reinos da natureza:
Reino Monera: organismos unicelulares 
procariontes, como bactérias e 
cianobactérias
Reino Protista: seres unicelulares eucariontes, 
como algas, protozoários e amebas
Reino dos Fungos: seres eucariontes, 
unicelulares e pluricelulares, como mofos, 
bolores, cogumelos e leveduras
Reino Vegetal: seres pluricelulares 
autótrofos, com células revestidas de uma 
parede de celulose, como briófitas (musgos), 
pteridófitas (samambaias), gimnospermas 
(pinheiros) e angiospermas (plantas com 
flores e frutos)
Reino Animal: organismos pluricelulares 
e heterótrofos, que inclui os vertebrados 
(um subfilo dos cordados, que abrange 
animais com esqueleto interno, coluna 
vertebral, cérebro e medula espinhal) e os 
invertebrados (animais sem coluna vertebral 
nem cérebro)
Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE 
BIOLOGIA
Biomas
Os grandes conjuntos relativamen-
te homogêneos de ecossistemas são 
chamados de biomas. O termo bioma 
designa as comunidades de organismos 
estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas 
às condições ambientais de uma grande 
região – pense na Floresta Amazônica 
ou na tundra ártica. Na Geografia, o 
estudo dos biomas tem como um dos 
focos principais a vegetação, elemento 
que se destaca na paisagem.
Biosfera
A biosfera ou “esfera da vida” é o con-
junto de todos os biomas do planeta. Ela 
faz referência a todas as formas de vida 
da Terra em escala global – dos reinos 
monera, protista, animal, vegetal e dos 
fungos – em conjunto com os fatores não 
vivos que as sustentam. A biosfera abran-
ge desde as profundezas dos oceanos, 
que atingem cerca de 11 mil metros, até 
o limite da troposfera, camada inferior 
da atmosfera, que atinge uma altitude 
de cerca de 12 mil metros. Entre os seres 
vivos, os humanos são os que possuem a 
maior capacidade de intervenção (positi-
va e negativa) no equilíbrio das diversas 
formas de vida que constituem a biosfera.
Biodiversidade
O termo biodiversidade abarca toda a 
variedade das formas de vida (animais, 
vegetais e microrganismos), espécies e 
ecossistemas, em uma região ou em todo 
o planeta. É uma riqueza tão grande que 
se ignora o número de espécies vegetais 
e animais existentes no mundo. A esti-
mativa é de que haja cerca de 14 milhões, 
mas até agora somente 1,7 milhão foram 
classificados pela União Internacional 
para a Conservação da Natureza (IUCN).
A biodiversidade garante o equilí-
brio dos ecossistemas e, por tabela, do 
planeta todo. Por isso, qualquer dano 
provocado a ela não afeta somente as 
espécies que habitam determinado lo-
cal, mas toda uma fina rede de relações 
entre os seres e o meio em que vivem. 
A principal ameaça à biodiversidade do 
planeta é justamente a ação humana. 
De acordo a World Wildlife Fund, uma 
das ONGs ambientalistas mais ativas no 
mundo, em menos de 40 anos o planeta 
perdeu 30% de sua biodiversidade, sen-
do que os países tropicais tiveram uma 
queda de 60% nesse período.
PEGADA ECOLÓGICA EM DIFERENTES REGIÕES (2009)
Fonte: Global Footprint Network
Em hectares por pessoa
América 
do Norte
Oceania
7,90
5,39
4,68
2,70 2,58
1,78
1,41
Europa Mundo América 
Latina
Ásia África
VOCÊ SABIA?
PEGADA ECOLÓGICA
Segundo a organização não governamental 
World Wildlife Fund, o homem está consumin-
do 30% a mais dos recursos naturais que a 
Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse 
ritmo predatório de exploração dos recursos 
naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, 
ou seja, precisaremos de dois planetas para 
sustentar o mundo.
A pressão das atividades humanas sobre os 
ecossistemas é medida pela pegada ecológica. 
Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está 
de acordo com a capacidade do planeta de 
oferecer seus recursos naturais, de renová-
-los e de absorver os resíduos produzidos pela 
atividade humana. 
O índice, apresentado em hectares globais, 
representa a superfície ocupada por terras cul-
tivadas, pastagens, florestas, áreas de pesca 
ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do 
planeta estaria garantida se cada pessoa no 
mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase 
dois campos de futebol). O problema é que 
essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos 
países desenvolvidos, esse número é ainda 
maior – o índice dos Estados Unidos, por 
exemplo, é de 8 hectares por pessoa. O Brasil 
apresenta um índice um pouco maior que a 
média mundial: 2,9.
THIAGO BAZZI
5
98 GE GEOGRAFIA 2016
BIOSFERA A EVOLUÇÃO DO PLANETA
Qual é a origem da vida na terra?
Nosso planeta surgiu 5 bilhões de anos atrás, após uma 
complexa cadeia de eventos. As primeiras formas de vida 
apareceram 1,5 bilhão de anos depois, e o nascimento do 
homem ocorreu há “apenas” 100 mil anos
Da massa de moléculas inanimadas 
de carbono surgiu a vida há 3,5 bilhões de 
anos. Parecemilagre, mas é pura química. 
O planeta, então, era frequentemente 
bombardeado por meteoros, 
restos da explosão inicial
Há quase 
5 bilhões de anos, uma 
estrela explodiu num canto da Via 
Láctea, espalhando poeira pelo espaço. 
A gravidade começou a juntar 
os grãos de poeira em pedaços 
cada vez maiores. 
Assim surgiu 
a Terra
3 BILHÕES
As células se espalham pela Terra. 
Mas o processo é lento, diante da 
queda de meteoros. O planeta, 
ainda novo, guarda o calor da 
explosão estelar, e seu interior 
quente vive vazando por vulcões. 
Outro problema são os tórridos 
raios solares
2 BILHÕES
A agitação cósmica e geológica aos 
poucos vai diminuindo, enquanto 
o planeta esfria. Forma-se a 
camada de ozônio, que torna os 
raios solares menos nocivos e 
permite o surgimento de formas 
de vida mais complexas
1 BILHÃO
Aparecem células mais 
complicadas, os eucariontes, 
que possuem todas as organelas. 
A vida vai, aos poucos, tomando 
o planeta, protegida do Sol pela 
camada de ozônio. Os meteoros 
são cada vez mais raros
600 MILHÕES
Surgem os primeiros 
organismos multicelulares – 
todos invertebrados. 
A variedade de vida aumenta 
de maneira impressionante. 
Os oceanos se povoam com os 
seres mais estranhos
ERA ARQUEOZOICA ERA PROTEROZOICA
No decorrer da história do planeta, os continentes navegaram sobre a rocha derretida (veja mais na pág. 30)
99GE GEOGRAFIA 2016 
De tempo em tempo, a vida na Terra sofre um grande golpe e ocorre uma extinção em massa. Foi assim 
há meio bilhão de anos, quando boa parte dos seres sumiu de repente. Pouco se sabe sobre a tragédia – 
mas a prova de que ela aconteceu são as conchas fossilizadas de animais marinhos, cuja diversidade teve 
uma brusca redução
Há 230 milhões de anos ocorreu outra grande extinção. Das espécies marinhas, 96% simplesmente sumiram. 
Algumas teorias acreditam que grandes erupções vulcânicas tenham provocado isso. Essa extinção em massa, 
conhecida como a do fim do Permiano, foi muito pior do que a que acabou com os dinossauros
A culpa pela extinção em massa que assolou o planeta há 65 milhões de anos, matando os dinossauros, 
geralmente é atribuída a um meteoro, embora ainda haja dúvidas. Paradoxalmente, o cataclismo foi um 
impulso para a vida: abriu espaço para que outras espécies se desenvolvessem. Fenômeno parecido 
aconteceu em outras grandes extinções
Vivemos hoje outra imensa extinção em massa, esta com uma causa bem diferente das outras: a ação humana. 
Centenas de espécies somem todos os dias por causa da perda de habitats, principalmente nas florestas tropicais. 
O homem já é a maior força transformadora do planeta, superando tempestades, furacões e terremotos
400 MILHÕES
Há 350 milhões de anos, 
os vertebrados saem do mar – 
surgem os anfíbios. Todos os 
continentes estão unidos em 
um só grande bloco – 
a Pangeia, que começa a ser 
habitada por muitas plantas 
primitivas (veja mais na pág. 30)
300 MILHÕES
Os répteis aparecem 
há 300 milhões de anos e, 
em seguida, tomam o planeta. 
Os primeiros dinossauros 
passam a ser vistos em 
todos os continentes. 
Os insetos também se 
diversificam muito
200 MILHÕES
Há 200 milhões de anos 
surgem os mamíferos – 
então não muito mais que 
ratinhos insignificantes com 
características de répteis. 
A Terra ainda é dos dinossauros. 
Outra inovação: as plantas 
ganham flores
100 MILHÕES
Com a extinção dos 
dinossauros, há 65 milhões 
de anos, sobra espaço para 
os mamíferos. Eles se 
tornam maiores e mais 
diversificados e herdam 
o trono do planeta. 
As aves também se espalham
HOJE
Surge o homem – 
há apenas 100 mil 
anos, insignificantes 
para a longa história do 
planeta. A nova espécie 
vem alterando a Terra 
como nenhuma antes fizera
ERA PALEOZOICA ERA MESOZOICA ERA CENOZOICA
500 MILHÕES
Aparecem os peixes 
primitivos – não muito 
diferentes dos atuais 
tubarões. São os primeiros 
vertebrados. A Terra fica 
mais interessante
1 2
3
4
1
2
3
4
LUIZ IRIA, RODRIGO MAROJA E DENIS RUSSO BURGIERMAN/REVISTA SUPERINTERESSANTE 
100 GE GEOGRAFIA 2016
5
Vegetação mediterrânea
Tundra
Vegetação de montanha
Floresta de coníferas
Floresta tropical
Estepe/pradaria/pampas
Savana/cerrado
Floresta temperada
Deserto
Fonte: The Times Concise Atlas of the World
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
As diferentes 
paisagens 
do planeta
Conheça as características 
e a localização dos principais 
tipos de formação vegetal 
do planeta
Na Geografia, as diferentes for-mações vegetais da Terra são analisadas do ponto de vista da 
distribuição geográfica, das característi-
cas fisionômicas e das suas relações com 
o clima, o relevo, os solos e o substrato 
rochoso. O estudo da vegetação também 
deve ser feito sob o ponto de vista da 
exploração econômica pelo homem e 
as consequências socioambientais da 
derrubada das florestas. 
Veja a seguir, as principais formações 
vegetais do planeta, onde elas se loca-
lizam e quais são suas características 
mais marcantes.
1 DESERTO
Nos desertos, a vegetação é esparsa e 
de poucas espécies. Como as regiões 
áridas têm índices pluviométricos 
abaixo de 250 milímetros ao ano, as 
plantas são xeromórficas, ou seja, 
adaptadas à ausência de chuvas – os 
cactos, por exemplo, armazenam água 
e desenvolvem espinhos no lugar das 
folhas, para reduzir a evapotranspiração 
(perda de água na fotossíntese). 
Nos desertos frios, que ficam em altas 
latitudes (Patagônia, por exemplo, na 
América do Sul), as temperaturas variam 
pouco durante o dia. Já os desertos 
quentes, como do Atacama, da Austrália 
e do Saara, ficam em regiões tropicais e, 
no decorrer do dia, apresentam grande 
variação de temperatura, despencando 
de mais de 40 ºC durante o dia para 
índices abaixo de zero à noite. 
TIPOS DE VEGETAÇÃO NO MUNDO
RESISTENTES Nos desertos, como o do Atacama 
(Chile), as plantas são adaptadas à falta de água
[1]
101GE GEOGRAFIA 2016 
2 VEGETAÇÃO DE MONTANHA
A vegetação de montanha é rasteira, 
formada apenas de ervas e arbustos que, 
a duras penas, conseguem sobreviver 
no clima hostil. Algumas características 
como folhas duras (coriáceas) ajudam 
a resistir ao frio e aos fortes ventos das 
altitudes elevadas.
Esse tipo de formação vegetal pode 
ser encontrado em diversas regiões 
montanhosas pelo mundo, como as 
encostas da Cordilheira dos Andes (na 
América do Sul), dos Alpes (na Europa), 
da Cordilheira do Himalaia (na Ásia) 
e das Montanhas Rochosas (nos 
Estados Unidos).
3 FLORESTA DE CONÍFERAS 
OU FLORESTA BOREAL
Floresta homogênea, de pinheiros 
e abetos, com folhas em formato 
de agulha (aciculifoliadas) e copas 
em forma de cone, que acumulam 
menos neve durante o longo inverno 
das regiões de latitudes médias e 
elevadas. No solo, o frio rigoroso 
também impõe duras limitações para 
o desenvolvimento das espécies 
vegetais: há pouca vegetação rasteira, 
como alguns liquens, musgos e 
arbustos. A floresta de coníferas 
é intensamente explorada como 
matéria-prima para importantes 
indústrias madeireiras, de papel e 
celulose. Essa formação é encontrada 
principalmente no norte da Europa, 
da América e da Ásia (onde é chamada 
de taiga). AINDA DE PÉ A floresta de coníferas, encontrada na Sibéria (Rússia), é explorada pela indústria madeireira
NAS ALTURAS Só vegetação rasteira consegue suportar o clima hostil das Montanhas Rochosas (EUA)
[1] DIVULGAÇÃO [2] MARCELO SACCO [3] ILYA NAYMUSHIN/REUTERS
[2]
[3]
102 GE GEOGRAFIA 2016
5
4 TUNDRA
Desenvolve-se em uma das regiões 
mais frias do mundo, a do clima 
subpolar, como no norte da Rússia. 
Ela é formada por musgos e algumas 
espécies herbáceas que aparecem 
no solo somente nos poucos meses 
de degelo, quando o verão eleva a 
temperatura para 4 ºC, em média. No 
resto do ano, o solo fica coberto de 
neve, motivo pelo qual é denominado 
permafrost (permanentemente 
congelado). Por ter uma relação direta 
com o degelo nas regiões subpolares, 
a tundra é utilizada como bioindicador 
para o estudo de possíveisaumentos 
das temperaturas globais e suas 
consequências nesse frágil bioma.
5 ESTEPE (CAMPOS, PAMPAS, 
PRADARIAS)
Típica de áreas de clima temperado 
continental, a estepe é uma formação 
vegetal pobre, sem árvores, 
constituída basicamente de gramíneas, 
que se estende sobretudo em regiões 
planas, podendo ser encontrada 
também em relevo montanhoso, como 
nos planaltos tibetanos. Dependendo 
da área onde se localiza, recebe um 
nome diferente: campos, no Brasil; 
pampas, na Argentina; e pradaria, nos 
Estados Unidos e no Canadá. Essa flora 
também é encontrada na África, na 
Ásia Central e em trechos da Austrália. 
Por ser constituída de gramíneas, 
que são pastagens naturais, é 
comum encontrar, nessas regiões, 
a agropecuária como atividade 
econômica principal. O relevo plano e 
o solo fértil em algumas dessas áreas 
favorece a produção agrícola.
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
VEGETAÇÃO SUBPOLAR A tundra aparece nos poucos meses de degelo em regiões como o Alasca (EUA)
AGROPECUÁRIA As pradarias norte-americanas possuem solos férteis e uma pastagem natural
[1]
[2]
103GE GEOGRAFIA 2016 
6 FLORESTA TEMPERADA
É uma cobertura vegetal típica das 
latitudes médias – aparece no norte da 
China, na Coreia do Sul, no Japão, no 
leste dos Estados Unidos, na Europa 
e no sudeste da Austrália e Nova 
Zelândia. Essa floresta é formada por 
árvores decíduas, chamadas ainda de 
estacionais, caducas ou caducifólias, 
ou seja, que perdem as folhas no 
inverno para suportar as baixas 
temperaturas. As poucas espécies de 
árvore, como carvalhos, bordos e faias, 
são espaçadas, e o solo é recoberto por 
gramíneas. Grande parte da floresta 
temperada, contudo, já foi devastada – 
na Europa, por exemplo, de 70% a 80% 
da cobertura original já foi perdida; na 
China, de 80% a 90%. 
7 FLORESTA TROPICAL
Vegetação das áreas de baixas 
latitudes, quentes e úmidas; as plantas 
têm folhas largas (latifoliadas), que 
absorvem mais energia solar, e são 
perenes, isto é, não caem no "inverno", 
pois as temperaturas permanecem 
elevadas. O solo é coberto por húmus, 
formado pela decomposição de 
galhos, troncos e folhas. As florestas 
tropicais cobrem grande parte da 
América do Sul (região Amazônica), da 
América Central, da zona equatorial 
da África, do Sudeste Asiático e do 
Subcontinente Indiano. 
ITEM RARO Quase 90% da cobertura original de florestas temperadas na China já foram derrubadas
MATA DENSA O Vietnã abriga uma quente e úmida floreta tropical, vegetação típica das zonas equatoriais
[1] YVA MOMATIUK & JOHN EASTCOTT/MINDEN PICTURES/BIOSPHOTO [2] EDWIN OLSON [3] IVAN WALSH [4] WOLFGANG KAEHLER/CORBIS 
[3]
[4]
104 GE GEOGRAFIA 2016
5
8 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA
A vegetação mediterrânea é formada 
por espécies adaptadas a períodos 
secos, como os garrigues, o maqui – 
arbustos, moitas e árvores pequenas, 
como oliveiras – e o chaparral, similar 
ao maqui, mas menos denso. Essa 
formação vegetal é encontrada 
no litoral do Mar Mediterrâneo, na 
Califórnia (EUA), na Austrália e na 
África do Sul. A oliveira, da qual se 
extrai o azeite de oliva, e o loureiro, 
cuja folha é utilizada como tempero, 
são espécies nativas da vegetação 
temperada. O clima mediterrâneo 
também favorece a produção de uvas 
e concentram as principais vinícolas 
do mundo.
9 SAVANA (CERRADO)
Na savana, presente em áreas de 
baixas latitudes, as plantas são 
rasteiras e há pequenas árvores, 
distribuídas de maneira esparsa, 
alternadas com bosques com 
vegetação arbórea mais desenvolvida. 
Nas regiões mais secas, predomina 
a vegetação rasteira e espinhosa. A 
savana é uma vegetação estacional, 
marcada por duas estações bem 
definidas: o período seco (no inverno) 
e o período chuvoso (no verão). Essas 
formações são encontradas na África, 
na Ásia (Índia, principalmente), na 
Austrália e na América, onde recebe 
os nomes específicos de lhanos (na 
Venezuela) e cerrado (no Brasil). 
A ocorrência de uma prolongada 
estação seca faz com que as plantas 
desenvolvam adaptações para 
reservar e obter água, como as folhas 
coriáceas e as raízes profundas para 
atingir o lençol freático. 
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
ISOLADAS As pequenas árvores distribuídas de forma esparsa são uma característica da savana africana
NA MOITA O chaparral é uma espécie tipicamente mediterrânea, presente no Novo México (EUA)
[1]
[2]
105GE GEOGRAFIA 2016 
PARA IR ALÉM
O documentário 
Home – Nosso Planeta, 
Nossa Casa, de Yann 
Arthus-Bertrand 
mostra exuberantes 
imagens aéreas de 
diversas paisagens e 
suas transformações 
decorrentes das 
ações antrópicas: 
www.youtube.com/
homeproject
VOCÊ SABIA?
HOTSPOTS – AS ZONAS EM PERIGO
As zonas do planeta mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas de destruição são defi-
nidas pelo conceito hotspots (em inglês, pontos quentes), criado em 1988 pelo ecólogo inglês 
Norman Myers. São 34 regiões ou biomas, incluindo a Mata Atlântica e o cerrado brasileiro. 
Atualmente, elas representam apenas 2,3% da superfície da Terra, mas 50% das espécies de 
plantas e 42% das de vertebrados terrestres são endêmicas dessas regiões. Os hotspots já 
perderam 70% da vegetação original. 
 
Os 34 hotspots concentram
2,3% da 
superfície terrestre
50%
da flora
42%
dos vertebrados
São áreas que já perderam, ao menos,
70% da vegetação original
HOTSPOTS*
Polinésia-
Micronésia
Polinésia-
Micronésia
Nova Zelândia
Nova Zelândia
Zona litorânea
da Califórnia
Ilhas do 
Caribe
Andes
tropical
Japão
Filipinas
Cerrado
Florestas
chilenas
Mata Atlântica
Bacia do
Mediterrâneo
Montanhas do
sudoeste da China
Montanhas da
Ásia CentralCáucaso
HimalaiaAnatólia e Irã
Litoral oeste da
Índia e Sri Lanka
Nova Caledônia
Ilhas da Melanésia 
Ocidental
Sudoeste 
da Austrália
Madagáscar e ilhas 
do oceano Índico
Chifre da África
Florestas costeiras da África Oriental
Planaltos
do México
Florestas da América 
Central e do México
Galápagos e litoral de
Equador e Colômbia
Região da 
Cidade do Cabo
Florestas da 
África Ocidental Malásia e 
Indonésia Ocidental Indonésia
Central
Sudeste
Asiático
Litoral da Namíbia
e África do Sul Sudeste sul-africano
Montanhas da 
África Oriental
AS REGIÕES RICAS EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA MAIS AMEAÇADAS DO PLANETA (2013)
Fonte: The Times Concise Atlas of the World
Gelo e neve
Tundra
Taiga
Florestas 
Temperadas
Florestas 
Tropicais
Equador
Latitude
Polo
Alta
A
lt
it
u
d
e
Baixa
A VARIAÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS DE ACORDO COM A LATITUDE E A ALTITUDE
A RELAÇÃO ENTRE
CLIMA E VEGETAÇÃO
Para estudar os principais tipos de vege-
tação, é importante conhecer sua relação 
com os demais elementos naturais, como 
o clima. A variação da temperatura e da 
umidade é um dos fatores que mais in-
fluenciam as formações vegetais.
À medida que diminui tanto a tempe-
ratura como a umidade, menos exube-
rante se torna a vegetação e com me-
nor número de espécies, ou seja, menor 
biodiversidade. A região intertropical, 
mais próxima à linha do Equador, reú-
ne o chamado “ótimo climático”: altas 
temperaturas, pluviosidade elevada e luz 
intensa, propiciando o desenvolvimento 
das florestas tropicais pluviais, além de 
milhares de espécies vegetais. É o caso 
da Amazônia, que abriga a mais rica bio-
diversidade do planeta.
Conforme avançamos para altas latitu-
des e nos aproximamos dos polos, onde há 
escassez de luz e baixas temperaturas, a 
variedade de plantas diminui progressiva-
mente (veja na figura). A tundra, presente 
no extremo norte da Rússia e do Canadá, 
é formada por musgos e algumas espécies 
herbáceas, que surgem nos poucos meses 
em que a neve derrete.
Mas a ausência de umidade, mesmo em 
regiões quentes como a zona intertropical, 
leva à formação de desertos, onde poucas 
espécies se adaptam. Isso também ocorre 
em regiões com disponibilidade de água, 
porém com temperaturas muito baixas 
a ponto de congelá-la (regiões polares), 
formando os desertos frios. 
[1] GERRY ELLIS/MINDEN PICTURES/BIOSPHOTO [2] DAVOR LOVINCIC/GETTY IMAGES 
5
106 GE GEOGRAFIA2016
BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS
Patrimônio 
em perigo
O Brasil é a nação com a maior 
biodiversidade do planeta, mas seus 
seis grandes biomas estão sob uma 
ameaça persistente
O Brasil é, de longe, o campeão mundial de biodiversidade: para se ter uma ideia, de cada cinco espécies de animais e vegetais 
conhecidas do planeta, uma encontra-se aqui. 
O país apresenta, ainda, a maior diversidade 
de primatas, anfíbios e insetos. Em boa parte, 
toda essa riqueza deve-se à extensão de seu 
território e aos diversos climas que caracterizam 
seus biomas. Está no território nacional a maior 
floresta tropical úmida (Floresta Amazônica), 
com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como 
a maior planície inundável (o Pantanal), além 
do cerrado, da caatinga e da Mata Atlântica.
Entretanto, como no resto do mundo, sobretu-
do nas últimas décadas, o Brasil assistiu, quase 
impassível, à deterioração de seus ambientes 
naturais, em virtude de males contemporâneos 
como a urbanização descontrolada, a explo-
ração mineral, o desmatamento a serviço da 
agropecuária e a poluição. A seguir, conheça 
toda a exuberância dos seis grandes biomas 
brasileiros, conforme definição do IBGE, e as 
ameaças a esse riquíssimo manancial de vida. 
1 CAATINGA
� O BIOMA 
A caatinga limita-se apenas ao território brasileiro, 
o que significa que sua biodiversidade é única 
em todo o mundo. Seus 826,4 mil quilômetros 
quadrados representam cerca de 10% do território 
brasileiro. Apesar do clima semiárido, a caatinga 
é pontilhada por “ilhas de umidade”, de solo 
extremamente fértil. Vivem nesse bioma cerca de 
1,2 mil espécies de planta – 360 delas endêmicas 
(que não ocorrem em nenhum outro lugar do 
planeta) – e outras tantas de mamíferos, aves, 
répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, as plantas 
da caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao 
clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas 
armazenam água; outras possuem raízes superficiais 
para captar o máximo das chuvas. Há as que contam 
com recursos para diminuir a transpiração, como 
espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada 
por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 
metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; 
e o herbáceo, abaixo de 2 metros.
� A AMEAÇA 
Os maiores problemas enfrentados pela região são 
a salinização do solo e a desertificação de grandes 
áreas, o que acarreta em um processo de redução 
da vegetação e da capacidade produtiva do solo. 
Estima-se que, no decorrer dos últimos 15 anos 
do século passado, 40 mil quilômetros quadrados 
de caatinga tenham se transformado em deserto. 
Alguns dos responsáveis por isso são a exploração 
da vegetação para a produção de lenha e carvão, a 
contaminação do solo por agrotóxicos e o emprego 
de técnicas de irrigação inadequadas para o tipo de 
solo existente ali. Acredita-se que cerca de 50% do 
bioma já tenha sofrido algum tipo de deterioração e 
que 20% estejam completamente degradados.
BIOMAS BRASILEIROS
Fonte: Ibama 2012
AMAZÔNIA
PANTANAL
PAMPA
MATA ATLÂNTICA
CAATINGA
CERRADO
RASO DA CATARINA A região do norte baiano é rica em cactus, vegetação típica da caatinga
DESMATAMENTO
Área 
desmatada
53%
Área ocupada 
por corpos d'água
1%
Área de 
vegetação 
remanescente
46%
Caatinga 
(826.411 km2 – 2009)
1
2
3
6
4
5
[1]
107GE GEOGRAFIA 2016 
2 CERRADO
� O BIOMA 
O segundo maior bioma brasileiro ocupa uma 
área de 2 milhões de quilômetros quadrados 
(cerca de 24% do território brasileiro), coberta 
pela mais rica flora de savana tropical do mundo. 
São mais de 11 mil espécies vegetais – 44% delas 
endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro 
lugar do planeta). A fauna também é riquíssima, 
com centenas de espécies de mamíferos, 
aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, 
caracteriza-se pela presença de pequenos 
arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa. 
Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, 
tipo mais denso de cerrado que abriga formações 
típicas de florestas esparsas e disseminadas 
entre arbustos.
� A AMEAÇA 
O cerrado é uma das regiões mais ameaçadas do 
globo. Ele é considerado pelos ambientalistas um 
dos 34 biomas do planeta que exigem atenção 
especial de preservação, os hotspots (veja mais 
na pág. 105). De fato, com a Mata Atlântica, é 
o bioma brasileiro que mais sofreu alterações 
com a ocupação humana. Sessenta por cento 
de sua área total é destinada à pecuária, e 6%, 
à monocultura intensiva de grãos – entre eles, a 
onipresente soja. A agropecuária fez aumentar 
a deterioração de uma terra já ferida com o 
garimpo, a contaminação dos rios por mercúrio, 
a erosão do solo e o assoreamento dos cursos 
de água. O cerrado já perdeu quase a metade 
da vegetação e, se nada for feito para reverter a 
situação, o bioma pode desaparecer até 2030. 
Alguns especialistas apontam que o cerrado já 
está em um ciclo irreversível de extinção e que sua 
cobertura original não pode mais ser recuperada.
3 MATA ATLÂNTICA
� O BIOMA
Com clima tropical, quente e úmido, a Mata 
Atlântica apresenta um relevo de planaltos e 
serras. Quanto à vegetação, entre as florestas 
tropicais, a Mata Atlântica é a que apresenta a 
maior biodiversidade por hectare do planeta, com 
espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro, 
palmiteiro, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras. 
A vegetação remanescente guarda ainda cerca de 
20 mil espécies de planta – 8 mil, endêmicas (que 
não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). 
De exuberante biodiversidade, apresenta, em 
alguns locais, mais de 450 espécies de árvore 
num único hectare. A região reúne, ainda, 
centenas de espécies de mamíferos, aves, 
répteis e anfíbios. 
� A AMEAÇA 
Como o cerrado, a Mata Atlântica também é 
considerada um hotspot, uma das 34 áreas 
do planeta que exigem ação preservacionista 
mais urgente. Sua cobertura vegetal ocupava, 
originalmente, mais de 1 milhão de quilômetros 
quadrados, cerca de 13% do território nacional. 
No entanto, restam apenas cerca de 22% do volume 
original. Ele foi o bioma que mais sofreu com a 
urbanização do país – hoje, as cidades da região 
concentram cerca de 60% da população brasileira.
Ecossistema associado à Mata Atlântica, a Mata 
de Araucárias, localizada, sobretudo, na Região 
Sul, é o ambiente que sofreu o maior grau de 
devastação em termos percentuais no país – 
restam apenas cerca de 2% dos quase 100 mil 
quilômetros quadrados originais. A derrubada 
indiscriminada para a expansão das áreas de 
cultivo e para a produção de papel, celulose e 
móveis está por trás desse trágico cenário. 
CONTORCIONISMO As árvores retorcidas do cerrado PARAÍSO AMEAÇADO A Mata Atlântica contorna a Praia do Félix, em Ubatuba (SP)
DESMATAMENTO
Área ocupada 
por corpos d'água
1%
Área 
desmatada
48%
Área de 
vegetação 
remanescente
51%
Cerrado 
(2.039.386 km2 –2010)
Área ocupada 
por corpos d'água
2%
Área 
desmatada
76%
Área de 
vegetação 
remanescente
22%
Mata Atlântica 
(1.103.961 km2 – 2009)
[1] CLAUDIO LARANGEIRA [2] GLADSTONE CAMPOS [3] RENATO PIZZUTTO 
[2] [3]
5
108 GE GEOGRAFIA 2016
5 PAMPA (CAMPOS SULINOS)
� O BIOMA
Esse bioma cobre 177,8 mil quilômetros quadrados, 
equivalentes a cerca de 2% do território brasileiro. 
Os pampas são vastas extensões de campos limpos, 
de solo coberto por gramíneas e pontilhado de 
pequenos arbustos, onde proliferam milhares de 
espécies de plantas, mamíferos e aves. São campos 
típicos do Rio Grande do Sul. A região plana, de 
vegetação aberta e de pequeno porte, forma um 
tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura, 
com pouca variedade de espécies. Sete tipos de 
cactus e de bromélia são endêmicos dos pampas.
� A AMEAÇA 
A ocupação humana acelerada e o emprego de 
técnicas não sustentáveis de cultivo e criação 
resultaram na formação de areais em algumas 
áreas. Os pampas sofrem, ainda, com a caça 
predatória e o bombeamento de água dos 
banhados – ecossistemas alagados, com densa 
vegetação de juncos e aguapés.
4 AMAZÔNIA
� O BIOMA 
Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados 
(equivalentes acerca de 49% do território nacional), 
o bioma Amazônia é o maior do país. A paisagem 
é dominada pela Floresta Amazônica e pela maior 
bacia hidrográfica do mundo. Essa floresta tem 
vegetação de folhas largas (latifoliadas), comuns 
em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Ele 
apresenta três tipos de mata: de igapó (parte do solo 
inundado); de várzea (periodicamente inundadas); 
e de terra firme (nas partes mais elevadas do relevo, 
livres de inundação). Mas, longe de ser uma área 
homogênea de floresta tropical, o bioma também 
abarca áreas de campos abertos e manchas de 
cerrado. As espécies que habitam a região – desde 
plantas até aves e mamíferos – representam cerca 
de 20% do total de espécies conhecidas do planeta. 
� A AMEAÇA 
Todos os anos, a região perde milhares de 
quilômetros quadrados de vegetação, pelo corte 
de árvores e pelas queimadas. A floresta tem 
sido derrubada para a exploração de madeira, 
a agropecuária, a mineração, além de outras 
atividades econômicas. O agronegócio responde 
por uma parcela significativa do desmatamento 
generalizado: nada menos do que cerca de 40% 
da produção de carne e soja do país se concentra 
na Amazônia Legal. Nesse avanço, é visível uma 
mancha de mata derrubada, conhecida como 
Arco do Desflorestamento, que representa cerca 
de 12% da cobertura original da Amazônia (veja 
o mapa abaixo). Ainda assim, a área desmatada a 
cada ano na Amazônia legal mantém a tendência 
de queda entre 2005 e 2014. Após ter em 2013 um 
aumento de desmate de 28%, em 2014 o total 
desmatado foi de 4.848 km2, menos 17% que no 
período anterior.
PARA IR ALÉM
O site do Instituto 
Imazon apresenta 
informações referentes a 
políticas públicas e ações 
não governamentais na 
Amazônia. Disponibiliza 
também vídeos e mapas 
sobre a região: 
www.imazon.com.br
Maranhão
Rondônia
Acre
Amazonas
Roraima
Pará
Tocantins
Amapá
Mato Grosso
Desmatamento até 2012
Formação não florestal
Floresta
ZONAS DA AMAZÔNIA LEGAL DE ACORDO 
COM A COBERTURA VEGETAL
Fonte: Imazon
EXUBERÂNCIA A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, com 30 mil espécies de plantas
CAMPO LIMPO Os pampas são típicos do Rio Grande do Sul
DESMATAMENTO
BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS
Área ocupada 
por corpos d'água
4%
Área 
desmatada
12%
Amazônia 
(4.196.943 km2 – 2007)
Área de vegetação 
remanescente
84%
Área ocupada 
por corpos d'água
10%
Área 
desmatada
54%
Área de vegetação 
remanescente
36%
Pampa 
(177.767 km2 – 2009)
[1]
[2]
109GE GEOGRAFIA 2016 
6 PANTANAL
� O BIOMA
Situado na bacia do rio Paraguai, o Pantanal 
cobre cerca de 1,8% do território nacional, com 
151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma 
brasileiro é a maior área alagada de água doce 
do mundo. Mais de 80% da região permanece 
intocada, onde proliferam milhares de espécies 
conhecidas de plantas, aves, mamíferos, répteis 
e anfíbios. É considerada uma área de transição 
entre a Amazônia e o cerrado, ao norte, e o chaco, 
na bacia do rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de 
ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta 
úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas. 
Quanto à vegetação, podem ser identificadas três 
áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as 
que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a 
vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno 
e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais 
alagamentos, encontram-se, além de vegetação 
rasteira, arbustos e palmeiras, como o buriti. 
Nas que não sofrem inundação, predominam os 
cerrados e espécies arbóreas da floresta tropical. 
� A AMEAÇA 
As transformações no Pantanal são lentas, mas 
implacáveis. A degradação agravou-se nas últimas 
duas décadas, com o crescimento das cidades e 
a ocupação da cabeceira de importantes rios que 
cortam a região. A navegação nos rios Paraguai 
e Paraná põe em risco as frágeis matas ciliares. 
Mas a maior ameaça vem da agropecuária: as 
queimadas para renovação das pastagens, a 
contaminação das águas e do solo por pesticidas 
e a introdução de espécies exóticas de capim. 
O turismo desorganizado, bem como a caça e a 
pesca predatórias, completam o pacote. Apesar 
disso, ainda é o bioma mais preservado do Brasil.
ZONAS LITORÂNEAS
Ao lado dos seis grandes biomas, os ambientalis-
tas destacam a zona costeira brasileira como uma 
região particular, que abriga centenas de ecossiste-
mas extremamente ricos e delicados. São mais de 
7 mil quilômetros de extensão de litoral, marcados 
por manguezais, dunas, falésias, praias, recifes e 
lagunas. O litoral brasileiro pode ser dividido em 
quatro zonas distintas:
� Litoral amazônico, do rio Oiapoque ao delta 
do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e 
matas de várzea.
� Litoral nordestino, do delta do Parnaíba ao 
Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias, 
restingas e manguezais. É o habitat de várias 
espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho, 
em risco de extinção.
� Zona litorânea do Sudeste, do Recôncavo à divisa 
entre São Paulo e Paraná. Apesar de ser a região 
mais densamente povoada, é também a que pre-
serva as maiores porções de Mata Atlântica.
� Litoral sul, que abrange a costa de Paraná, Santa 
Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por 
manguezais, costões e, a partir de Torres (RS), 
por uma faixa contínua de praia.
A biodiversidade desses ecossistemas está em 
constante risco, diante da urbanização e suas con-
sequências, como desmatamento de encostas e con-
taminação das águas. A especulação imobiliária é a 
maior destruidora da vegetação nativa, que resulta 
no deslocamento de dunas e no desabamento de 
morros. O afluxo exagerado de turistas às cidades 
litorâneas sobrecarrega os precários sistemas de 
saneamento e polui os córregos e o mar. Os ecos-
sistemas da zona costeira também são degradados 
pelos rios que vêm do interior do país e despejam no 
litoral resíduos agrícolas e efluentes industriais. Um 
dos ambientes mais ameaçados por tudo isso são os 
mangues. Esses ricos ecossistemas – com centenas 
de peixes, crustáceos e plantas – funcionam como 
filtros naturais: as raízes parcialmente submersas 
das árvores retêm sedimentos e impurezas, impe-
dindo sua chegada ao mar.
ECOSSISTEMA DE TRANSIÇÃO O Pantanal é a maior área alagada de água doce do mundo
DESMATAMENTO
Área 
desmatada
15%
Área ocupada 
por corpos d'água
2%
Área de vegetação 
remanescente
83%
Pantanal 
(151.313 km2 – 2009)
[1] IRMO CELSO [2] CLAUDIO LARANGEIRA [3] VALDEMIR CUNHA 
[3]
110 GE GEOGRAFIA 2016
5 BIOSFERA PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO
Com a evolução da consciência ambiental ao longo das décadas, foram sendo criados mecanismos 
legais para proteger áreas de grande 
importância ecológica. Foi assim que 
surgiram os parques nacionais, esta- 
duais e municipais, as reservas eco-
lógicas ou extrativistas e as áreas de 
proteção ambiental. 
Dentro desse âmbito, podem ser iden-
tificadas duas correntes de pensamento: 
o preservacionismo, que coloca em pri-
meiro plano a necessidade de proteção 
dos ecossistemas e dos habitats naturais e 
em segundo plano as populações huma-
nas dessas áreas. Já o conservacionismo 
Os limites 
da exploração
Mecanismos legais de 
proteção ambiental 
tentam regulamentar 
o uso da terra e proteger 
os ecossistemas brasileiros
defende a necessidade de se proteger os 
ecossistemas naturais juntamente com as 
populações humanas, em especial os po-
vos tradicionais que vivem nesses locais.
A primeira área criada oficialmente 
para a proteção da flora e da fauna no 
mundo foi o Parque Nacional de Yellow- 
stone, nos Estados Unidos, no ano de 
1872. Esse parque tinha como objetivo 
proteger legalmente a vida selvagem e 
preservar áreas de grande beleza cê-
nica, sem a presença de populações 
humanas. Tratava-se, portanto, de uma 
visão preservacionista. Esse enfoque 
também foi adotado em outros países, 
incluindo o Brasil, onde foi criado o 
Parque Nacional de Itatiaia, no estado 
do Rio de Janeiro, na década de 1930.
Diversas outras ações semelhan-
tes surgiram no país sob essamesma 
perspectiva, mas, ao longo do século 
XX, a visão conservacionista passou a 
influenciar a criação de Unidades de 
Conservação (UCs), ou seja, as popula-
ções locais passaram a ser consideradas 
corresponsáveis pela conservação das 
áreas protegidas. Atualmente o Sistema 
Nacional de Unidades de Conservação 
(Snuc) – criado pela lei federal nº 9.985, 
de 18 de julho de 2000, e gerenciado pelo 
Ministério do Meio Ambiente – classifica 
as áreas protegidas em dois grupos:
� Unidades de Proteção Integral – 
permite apenas o uso indireto dos re-
cursos naturais, por meio de pesquisa 
científica, atividades educacionais e 
turismo ecológico. O objetivo prin-
cipal é a preservação da natureza.
� Unidades de Uso Sustentável – pre-
vê a exploração parcial dos recursos 
naturais, de acordo com legislação 
específica para cada área protegi-
da. O objetivo é tornar compatível a 
conservação da natureza com o uso 
sustentável dos recursos naturais. 
Até outubro de 2014, o Brasil soma 
1.930 unidades de conservação conti-
nentais, sendo 581 Unidades de Prote-
ção Integral e 1.349 de Uso Sustentável. 
No total, as áreas protegidas no Brasil 
somam 1.550 quilômetros quadrados – 
o que representa 18% do território na-
cional. Há uma forte concentração de 
áreas protegidas na Amazônia (cerca 
de 26% do bioma é designado unidade 
de conservação). Isso não significa, que 
não ocorram transgressões, já que há 
desmatamentos ilegais, poluição das 
águas e desrespeito aos direitos dos po-
vos tradicionais (indígenas, ribeirinhos, 
seringueiros). A Mata Atlântica e o cerra-
do, os dois biomas brasileiros na lista de 
hotspots mundiais (veja mais na pág. 105), 
possuem bem menos áreas protegidas 
do que a Amazônia (veja gráfico abaixo).
Amazônia
Caatinga
Cerrado
Mata Atlântica
Pampa
Pantanal
Total em terra
Total no mar
Fonte: Ministério do Meio Ambiente
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (2014)
Proporção em área do bioma em unidades de 
conservação federais, estaduais e municipais, 
até fevereiro no ano
Preservado Não preservado
26,1%
7,5%
8,3%
9,3%
2,7%
4,6%
16,9%
1,5%
73,9%
92,5%
91,7%
90,7%
97,3%
95,4%
83,1%
98,5%
RESERVA NATURAL O Parque Nacional de Itatiaia foi criado para preservar sua fauna e flora originais
[1]
111GE GEOGRAFIA 2016 
1 . ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP)
São áreas, cobertas ou não por vegetação nativa, 
que devem ser protegidas. Essas áreas têm a 
função ambiental de preservar recursos hídricos, 
paisagens, estabilidade geológica, biodiversidade, 
além de proteger o solo e assegurar o bem-estar das 
populações humanas que vivem no local. As APPs 
representam cerca de 20% do território nacional.
PRINCIPAIS PONTOS
de interesse social ou baixo impacto, somente em 
áreas rurais consolidadas – trata-se dos imóveis 
estabelecidos antes da promulgação da Lei de 
Crimes Ambientais, em julho de 2008. 
 
realizados pelas áreas rurais consolidadas 
serão convertidas em serviços de preservação 
e melhoria do meio ambiente.
APP
Topos de morro
São consideradas APPs os morros com altura 
mínima de 100 metros e inclinação média de 25º.
APP
Encostas
São consideradas APPs as encostas 
com declive acima de 45º. Aquelas com 
declividade inferior a 45º agora podem ser 
exploradas sem restrições.
APP
Nascentes
Um raio mínimo de 50 metros 
deve ser preservado nas áreas 
não desmatadas. Nas áreas rurais 
consolidadas, a proteção passou 
a ser de 15 metros no mínimo.
APP
Manguezais
São consideradas APPs 
em toda a sua extensão. 
A nova lei prevê a criação 
de camarão e salinas em 
áreas de apicuns e salgados.
A ÁREA DE PRESERVAÇÃO 
VARIA CONFORME O BIOMA
2 . RESERVA LEGAL
Área localizada no interior 
de propriedade rural necessária 
ao uso sustentável dos recursos naturais. É proibido 
desmatar a área de reserva legal, mas é permitida 
a exploração econômica com manejo sustentável.
PRINCIPAIS PONTOS
como reserva legal varia conforme o bioma (veja ao lado). 
Em alguns casos, é permitido incluir as APPs neste percentual.
AMAZÔNIA 80%
CERRADO (na Amazônia Legal) 35%
CERRADO (fora da Amazônia Legal) 20%
OUTROS 20%
[2]
APP
Mata ciliar
É a formação vegetal 
presente nas margens de 
rios, córregos, lagos, represas e 
nascentes. Sua preservação é importante 
para evitar o assoreamento dos rios, proteger as 
nascentes e conservar a biodiversidade. Nas áreas ainda 
não desmatadas, prevalece o estabelecido na lei anterior: a faixa 
de mata ciliar protegida varia de 30 a 500 metros, conforme a largura do 
curso d’água. Mas o novo Código é menos rigoroso com as áreas rurais 
consolidadas. De modo geral, nessas áreas, a faixa de mata ciliar a ser 
preservada varia de 5 a 100 metros, conforme o tamanho do imóvel e 
independentemente da largura do rio.
A
 80%
a Legal) 35%
zônia Legal) 20%
 20%
g )
g )
O Código Florestal brasileiro foi cria-do em 1934 para regulamentar a exploração dos recursos naturais 
como a madeira, a borracha e a água. Em 
2012, essas regras foram modificadas a 
fim de equilibrar desenvolvimento eco-
nômico e preservação ambiental. Mas as 
negociações para a aprovação do novo Có-
digo Florestal opuseram os interesses dos 
grandes proprietários, que defendiam a 
flexibilização da lei para a expansão agro-
pecuária, e dos ambientalistas, favoráveis 
a regras mais rígidas para o desmate.
Sob nova 
legislação
O Código Florestal brasileiro 
regulamenta o uso da terra 
para tentar equilibrar 
desenvolvimento econômico 
e preservação ambiental
Os principais pontos da lei aprovada 
dizem respeito às regiões em que é per-
mitido o desmate e às zonas que devem 
ser protegidas em uma propriedade par-
ticular. Ela regulamenta o uso da terra 
nas áreas de preservação permanente 
(APPs), como topos de morro, encostas 
e nascentes, e nas reservas legais (veja as 
definições abaixo). A redução das áreas 
protegidas e a isenção de multa a quem 
desmatou até 2008 são os temas mais 
controversos. Veja, a seguir, os prin-
cipais aspectos da nova lei ambiental.
O NOVO CÓDIGO FLORESTAL
[1] LEO FELTRAN [2] FARREL/AE
112 GE GEOGRAFIA 2016
5 BIOSFERA CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS
Devido à pressão crescente da comunidade científica, além de ONGs, movimentos sociais e ou-
tros setores da sociedade civil, as ques-
tões ambientais passaram a integrar a 
agenda política internacional. Desde 
o primeiro evento com a presença de 
chefes de Estado para tratar da temática 
ambiental, ocorrido em Estocolmo, em 
1972, até a Rio+20, em 2012, houve al-
guns avanços no combate à degradação 
ambiental, como a aprovação de docu-
mentos, adoção de princípios comuns 
e assinatura de convenções em defesa 
do meio ambiente. 
Avançou-se também na perspectiva 
adotada: a maioria dos governantes 
concorda atualmente que a questão am-
Ambientalismo 
em pauta
Eventos internacionais 
reúnem lideranças políticas 
e científicas para debater as 
questões ambientais. Mas a 
lentidão na implementação 
das medidas trava os avanços
biental não está desvinculada das ques-
tões sociais, ou seja, não basta cuidar 
do meio ambiente, é preciso atender às 
necessidades das populações humanas, 
sobretudo dos mais pobres. Critica-se, 
porém, a lentidão na implantação de 
medidas que de fato contribuam para 
essas transformações, condicionadas 
às relações econômicas. Como muitas 
das ações de preservação ambiental 
dependem de alterações nos padrões 
de produção e consumo, os governantes 
temem os impactos econômicos que tais 
medidas possam acarretar.
Os principais eventos ambientais
O primeiro evento com a presença 
de chefes de Estado para tratar da te-
113GE GEOGRAFIA 2016 
VOCÊ SABIA?
DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL
A pressão sobre a biodiversidade do pla-
neta advém principalmente de um padrão 
de desenvolvimento econômico baseado na 
superexploração dos recursos naturais. Para 
tentar impor limites ao uso predatório do 
meio ambiente, a Comissão Mundial sobre o 
Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organi-
zação dasNações Unidas (ONU) apresentou, 
em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum, 
que define o importante conceito norteador 
de desenvolvimento sustentável, aquele que 
“atende às necessidades do presente, sem 
comprometer a possibilidade de as gerações 
futuras atenderem às suas necessidades”. 
A ideia de sustentabilidade diz respeito à 
noção de que a sociedade deve viver com 
os recursos naturais que o meio ambiente 
pode lhe fornecer, e não com o que ela deseja 
que a Terra lhe forneça. O desafio é aliar o 
progresso econômico à preservação do meio 
ambiente, o que exige uma mudança no mo-
delo de desenvolvimento e nos padrões de 
consumo vigentes. 
mática ambiental foi a Conferência 
Mundial de Estocolmo, ocorrido em 
1972 na capital da Suécia. Promovida 
pela ONU, o encontro abordou pela pri-
meira vez a produção dos países ricos 
como causa importante da degradação 
da natureza. Foram debatidas também 
questões referentes ao controle de na-
talidade e a estagnação econômica. 
A Declaração de Estocolmo reuniu 
26 princípios e ações voltadas para 
a redução dos impactos ambientais.
A Eco 92, também representou ou-
tro marco importante. A conferência 
mundial sobre meio ambiente reali-
zada no Rio de Janeiro, em 1992, foi 
realizada com o objetivo de minimizar 
os impactos ambientais a partir de um 
OBAMA ASSINA DECRETO PARA 
REDUZIR 40% DAS EMISSÕES 
DOS EUA ATÉ 2025
O presidente dos Estados Unidos, Barack Oba-
ma, assinou nesta quinta-feira (19) um decreto 
que fixa como meta reduzir em 40% as emissões 
de gases causadores do efeito estufa pelas 
agências federais dos Estados Unidos até 2025.
O decreto, que também prevê o investimen-
to em energia limpa, foi assinado após acordo 
de cooperação com a China, acertado no ano 
passado. Juntos, os dois maiores poluido-
res mundiais se comprometeram a reduzir 
suas emissões de gases do efeito estufa na 
atmosfera. (...) Em 10 anos, a eletricidade 
procedente de fontes renováveis utilizada 
pelo governo – que dispõe de uma frota de 
650 mil veículos assim como 360 mil edifícios 
em todo o país – deverá alcançar 30%. (...)
G1, 19/03/2015
SAIU NA IMPRENSA
modelo de desenvolvimento mais justo 
e sustentável (veja mais sobre o conceito 
de sustentabilidade ao lado). O encon-
tro aprovou o documento Convenção 
sobre a Mudança do Clima, que trata 
do aquecimento global, e a Convenção 
sobre a Diversidade Biológica, sobre 
a preservação de ecossistemas. Além 
disso, elaborou a Agenda 21, um plano 
que estabelece estratégias globais para 
promover o desenvolvimento sustentá-
vel no mundo, que envolve mudanças 
de padrão de consumo e produção, 
principalmente pelos países mais ricos.
A partir da Eco 92, estabeleceu-se a 
realização de encontros anuais, deno-
minados Conferência Geral das Partes 
(cuja sigla é COP), para aprofundar 
as discussões ambientais. Na terceira 
COP, realizada em Kyoto, no Japão, 
foi assinado o Protocolo de Kyoto, o 
primeiro acordo oficial com metas 
e prazos para a redução de gases do 
efeito estufa (veja mais na pág. 90).
Dez anos depois após a realização 
da Eco 92, a cidade de Johannesburgo 
na África do Sul sediou a Rio+10 para 
discutir os avanços obtidos desde o 
encontro no Rio de Janeiro. Ao final 
do evento foi elaborado um plano 
para a implementação da Agenda 21, 
que, entretanto, frustrou expectativas 
por ter sido apenas um documento de 
diretrizes e soluções, que não tinha 
força de lei.
Em 2012, o Rio de Janeiro voltou a 
reunir lideranças mundiais de todo o 
mundo para fazer um balanço da Eco 
92. A Rio+20 desenvolveu o conceito 
de “economia verde”, que propõe a 
construção de uma sociedade susten-
tável, que freie a degradação do meio 
ambiente e, simultaneamente, com-
bata a pobreza e as desigualdades. O 
documento “O futuro que queremos” 
mantém o princípio das “responsabi-
lidades comuns, mas diferenciadas”, 
cuja diretriz determina que os países 
ricos devem arcar com os maiores cus-
tos ambientais por terem emitido mais 
poluentes para se desenvolverem. Essa 
discussão domina o debate ambiental 
atualmente e espera-se que as COPs 
consigam avançar em um consenso 
sobre metas e diretrizes sobre o tema.
NAU SEM RUMO
Ativistas ambientais 
satirizam líderes 
mundiais como o 
presidente dos EUA, 
Barack Obama (à esq.), 
em conferência do 
clima, no Peru, em 2014
ENRIQUE CASTRO-MENDIVIL/REUTERS
114 GE GEOGRAFIA 2016
COMO CAI NA PROVA5
1. (PUC-Rio 2014) Com tantas regiões na Terra sofrendo a ação devastadora 
do homem, é fundamental a definição de prioridades de proteção ambiental. 
Algumas dessas regiões passaram a ser chamadas de hotspots (zonas de perigo) 
pelo ecologista inglês Normam Myers, em 1988, conceito reelaborado no início 
do século XXI, por ONG conservacionista.
Sobre os hotspots do continente americano, é correto afirmar que: 
a) a província florística da Califórnia é duramente afetada pelo vulcanismo, 
tectônica de placas e tsunamis. 
b) a biodiversidade das ilhas do Caribe está sendo eliminada pelos constantes 
terremotos e poluição das águas oceânicas. 
c) a Mata Atlântica vem sendo reduzida gradualmente pelos altos índices de 
chuva ácida que se precipitam de Norte ao Sul do Brasil. 
d) o cerrado brasileiro está sendo devastado pelo agronegócio, o uso de pesticidas 
e pela logística de transporte para a exportação de grãos. 
e) os Andes tropicais estão assolados pela enorme mancha urbana das megalópoles 
sul-americanas, erradicando espécies raras e únicas. 
RESOLUÇÃO
A alternativa certa é a D. O cerrado reúne os dois critérios para ser classificado como 
um hotspot: apresenta expressiva biodiversidade e encontra-se muito ameaçado 
pelas atividades humanas. Cerca de 50% de sua área original foi devastada devido, 
principalmente, à expansão do agronegócio e à exploração de madeira para a 
produção de carvão, que abastece importantes indústrias siderúrgicas do país. 
O impacto de fenômenos naturais como terremotos e tsunamis não justifica a 
classificação da província florística da Califórnia e da biodiversidade do Caribe 
como um hotspot (alternativas A e B). 
Na alternativa C, ainda que a chuva ácida possa impactar a vegetação da Mata 
Atlântica, esse problema ambiental decorrente da poluição atmosférica se res-
tringe às áreas do entorno de regiões metropolitanas e polos industriais, como 
o de Cubatão, em São Paulo.
Na alternativa E, é infundada a afirmação sobre a presença de manchas urbanas 
nos Andes tropicais.
Resposta: D
� SAIBA MAIS
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) acompanha o 
monitoramento feito por cientistas espalhados no mundo de 73,7 mil espécies 
do total de 1,7 milhão descrito pela ciência, ou seja, 4% do total conhecido. Desse 
total, sabe-se que estão sob ameaça mais de 22 mil. Veja a lista mais recente com 
o número de espécies ameaçadas.
ESPÉCIES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO – 2014
Quantidade atualizada de espécies conhecidas e de ameaçadas de extinção no mundo
Espécies conhecidas Ameaçadas de extinção
Vertebrados 65.590 7.537
 Mamíferos 5.514 1.194
 Aves 10.065 1.308
 Répteis 9.952 902
 Anfíbios 7.259 1.961
 Peixes 32.800 2.172
Invertebrados 1.305.250 4.070
Vegetais 307.674 10.487
Fungos e protistas 51.623 9
Total 1.730.137 22.103
Fonte: União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)
2. (UPF 2014) Estabeleça a relação entre os tipos de vegetação que aparecem 
nas figuras com as características apresentadas e assinale a opção correta.
 
a) A figura I representa a caatinga, vegetação própria de ambientes de tempera-
turas elevadas e chuvas escassas, que predomina na Zona da Mata Nordestina 
e é um dos tipos mais preservados no Brasil. 
b) A figura II representa os campos, os quais são formados por vegetação rasteira ou 
herbácea. Esses, comuns no Rio Grande do Sul, em clima do tipo tropical e terrenos 
elevados, são aproveitados para criação de gado e desenvolvimento da rizicultura. 
c) A figura II representa o cerrado, o qual é formado por restingas e manguezais. 
Composto porvegetação arbustiva, desenvolve-se em áreas de clima tropical 
e subtropical, e hoje está ameaçado pelo avanço da urbanização. 
d) A figura III representa a Mata Atlântica, a qual aparece ao longo do litoral 
brasileiro e é formada por uma vegetação densa, de grande porte e também 
arbustiva. Essa Mata foi drasticamente reduzida pela exploração econômica 
e pela expansão urbana. 
e) A figura IV representa a Mata dos Pinhais, a qual é nativa do Brasil, própria de 
clima seco e desenvolve-se nas áreas baixas e arenosas da região Sul. Valorizada 
pela indústria madeireira é, por isso, um dos tipos mais preservados do Brasil. 
RESOLUÇÃO
A alternativa correta é a D. A Mata Atlântica, representada na figura III, é uma 
floresta com elevada biodiversidade, densa, latifoliada (folhas grandes), perenifólia 
(não perde as folhas em nenhuma estação) e higrófila (adaptada à presença de água 
graças ao clima tropical úmido). A elevada densidade demográfica, resultante da 
115GE GEOGRAFIA 2016 
RESUMO
Biosfera
BIODIVERSIDADE É a variabilidade de organismos vivos de 
todas as origens existentes (animais, vegetais e microrganismos) 
nos ecossistemas terrestres e aquáticos. A biodiversidade for-
nece a matéria-prima para produtos essenciais à sobrevivência 
humana, incluindo madeira, alimentos e medicamentos. Ações 
humanas como desmatamentos, ocupação desordenada e 
poluição de solos e rios são a grande ameaça à diversidade 
biológica e provocam extinção de espécies.
SUSTENTABILIDADE O conceito de desenvolvimento sus-
tentável propõe utilizar os recursos naturais de forma que a 
natureza os consiga repor, para garantir as necessidades das 
gerações futuras. Essa ideia tem como objetivo conciliar o 
desenvolvimento econômico com o respeito ao meio ambiente.
ECOSSISTEMAS São áreas de qualquer dimensão onde há 
uma relação de interdependência entre os seres vivos (plan-
tas, animais e decompositores) e os fatores físicos do meio 
ambiente, como o solo e a água. 
VEGETAÇÃO NO MUNDO São nove os principais tipos de vege-
tação: deserto, estepe (campos, pampas, pradaria), floresta de 
coníferas, floresta temperada, floresta tropical, savana/cerrado, 
tundra, vegetação de montanha e vegetação mediterrânea. As 
regiões de baixa latitude, onde há maior incidência de chuva 
e luz solar, propiciam maior diversidade vegetal. Conforme 
a latitude vai aumentando, a variedade de plantas diminui 
progressivamente.
BIOMAS BRASILEIROS Biomas são comunidades formadas 
por organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às 
condições ambientais de uma grande região. Os seis grandes 
biomas brasileiros são: a Amazônia (o maior do país), a caatinga 
(exclusivamente brasileiro), o cerrado (um dos mais ameaçados 
do mundo), a Mata Atlântica (possui apenas 22% de vegetação 
remanescente), o pampa (também modificado, é usado como 
pastagem) e o Pantanal (o mais bem preservado).
DESMATAMENTO A extração da madeira, a agropecuária, o 
avanço das cidades e a exploração mineral são as principais 
ações que exercem pressão sobre as florestas. Mais de 75% 
da cobertura vegetal original do mundo já foi desmatada. No 
Brasil, a Amazônia já perdeu 12% da sua cobertura original; a 
Mata Atlântica e o cerrado estão entre os biomas mais amea- 
çados do planeta.
CÓDIGO FLORESTAL Sancionado em outubro de 2012, o 
novo Código Florestal pretende regulamentar o uso da terra. 
Ambientalistas criticam a ampliação da área permitida para 
o desmatamento, o que era uma exigência dos produtores 
rurais. A isenção de multa a quem desmatou até 2008 é outro 
tema controverso.
ocupação econômica da faixa litorânea do Nordeste e das regiões Sudeste e Sul 
desde o Período Colonial, e atualmente com as maiores concentrações urbanas 
do país, provocou a devastação de quase 80% da vegetação nativa. A exploração 
econômica iniciou-se com a extração do pau-brasil, seguida pelo ciclo da cana-
-de-açúcar, do café, da urbanização e industrialização. 
A alternativa A indica corretamente a caatinga na figura I, porém essa vegetação 
ocorre no sertão, e não na Zona da Mata nordestina.
A figura II, mencionada nas alternativas B e C, mostra uma fotografia do cerrado, 
com vegetação arbustiva e arbórea, e não dos campos, onde predomina a vegetação 
herbácea. No bioma cerrado, não se encontram restingas e manguezais. Essas 
são formações vegetais da Mata Atlântica.
Na alternativa E, informa-se corretamente que a figura IV mostra a Mata dos 
Pinhais (Araucária), um tipo de vegetação também associado à Mata Atlântica. 
Porém essa vegetação é encontrada em relevo de planaltos basálticos (e não 
terras baixas arenosas) e houve forte desmatamento provocado pela exploração 
madeireira e agropecuária da região.
Resposta: D
3. (PUC Rio 2014) Pegada ecológica? O que é isso?
Você já parou para pensar que a forma como vivemos deixa marcas no meio 
ambiente? É isso mesmo, nossa caminhada pela Terra deixa “rastros”, “pegadas”, 
que podem ser maiores ou menores, dependendo de como caminhamos. (...)
Disponível em: <www.wwf.org.br>. Acesso em: 28 jul. 2013.
a) Explique como se mede a "Pegada Ecológica" de determinada sociedade.
b) Explique a importância geopolítica do Brasil no mundo a partir dos níveis de 
biocapacidade dos países apresentados no gráfico. 
RESOLUÇÃO
a) A pegada ecológica é calculada com base na área (em hectares, sendo que 1 hectare 
equivale a 10 mil m2) necessária para uma determinada população manter seu 
modo de vida e consumo, considerando a necessidade de se obter água, alimentos, 
energia e todo tipo de recurso natural. Países com elevado consumo, como os 
Estados Unidos, apresentam acentuada pegada ecológica, enquanto países com 
populações de menor capacidade de consumo (menos desenvolvidos), têm uma 
pegada ecológica menor, mesmo que sejam mais populosos.
b) O Brasil apresenta uma pegada ecológica próxima da média mundial (cerca de 
3 hectares por pessoa) sendo menor que a da Rússia, mas superior à da China e 
da Índia. Sua biocapacidade, porém, é a maior dentre os países selecionados e 
do que a média mundial em função da diversidade de seus ecossistemas e da 
grande concentração de biomassa (recursos vegetais), água e solos disponíveis 
para a produção agrícola. 
116 GE GEOGRAFIA 2017
A TERRA É AZUL 
(E AMARELA) 
Imagem de satélite 
mostra o planeta 
visto do espaço – os 
pontos luminosos são 
da cidade de Moscou, 
capital da Rússia
A superfície do planeta é dividida em seis continentes, as grandes extensões de terra emersas limitadas pelas águas de mares e oceanos. Eles ocupam 150.377.393 
quilômetros quadrados, dimensão que corresponde a 29,4% 
da superfície total do globo. Mas nem sempre foi assim. 
Há cerca de 400 milhões de anos, as terras do planeta 
estavam reunidas em um único continente, chamado de 
Pangeia – em grego, pan significa toda; e geia, terra. Esse 
imenso bloco começou a rachar no sentido leste-oeste por 
volta de 200 milhões de anos atrás e, aos poucos, seus terri-
tórios foram se afastando uns dos outros, dando origem aos 
continentes como conhecemos hoje (veja mais na pág. 30). 
A atual configuração física do globo foi estabelecida há 
65 milhões de anos, em decorrência desse processo de 
deslocamento da crosta. O movimento constituiu os seis 
continentes existentes: África, América, Antártica (ou 
Antártida), Ásia, Europa e Oceania. A América, por sua vez, 
é subdividida em três: América do Norte, América Central e 
Confira a seguir um abrangente 
retrato físico, econômico e social 
das seis grandes extensões de terra 
do planeta
O mundo 
em resumo
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
� Mapa-múndi ............................118
� Perfil dos continentes ..........120
� África ..........................................121
� América .....................................122
� Antártica ...................................123
� Ásia .............................................124
� Europa e Oceania ...................125
� Brasil ..........................................126
� Perfil das regiões ....................128� Centro-Oeste e Nordeste ......129
� Norte e Sudeste .......................130
� Sul ...............................................131
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA
A litosfera não é contínua, mas dividida em vários blocos, denominados 
placas tectônicas. Elas são separadas por grandes fendas vulcânicas 
em permanente atividade no fundo do mar. Através dessas fendas, o 
magma sobe à superfície. Isso expande o fundo do mar e movimenta, em 
várias direções, os blocos que formam a superfície (veja mais na pág. 30).
 A própria distribuição das superfícies continentais se dá de forma 
desigual, correspondendo a 40,4% da área do Hemisfério Norte e 
a apenas 14,4% da do Hemisfério Sul. As regiões polares também 
são distintas. No sul, há um continente – a Antártica – coberto por 
espessa camada de gelo; já no norte, existe uma grande depressão, 
coberta pelo Oceano Ártico.
ATLAS
6
América do Sul. Vale ressaltar que o Ártico, região de mares 
e águas congeladas, não é um continente. 
Como você verá nas páginas seguintes, os continentes 
apresentam características físicas, sociais e econômicas 
bastante diferenciadas.
117GE GEOGRAFIA 2017 
POPULAÇÃO 
A Ásia é o maior e mais populoso dos continentes, reunindo quase 
60% dos habitantes do globo. É também o berço de algumas das mais 
antigas civilizações e religiões do mundo. As duas nações com a maior 
população estão no continente asiático: China (1,4 bilhão de pessoas) 
e Índia (1,3 bilhão). 
Em contrapartida, o crescimento demográfico na Europa está pra-
ticamente estagnado. No período entre 2010 e 2015, a ONU estima 
que sua população tenha crescido apenas 0,1%. Com isso, a Europa 
acaba necessitando de mão de obra especializada de outras partes do 
planeta. A discussão em torno da imigração ilegal de trabalhadores 
sem qualificação se torna cada vez mais intensa e tem sido motivo de 
criação de diversas – e polêmicas – legislações restritivas. 
Já na América, os Estados Unidos (EUA), por sua força econômica, são 
o principal polo receptor de imigrantes. Atualmente, vivem no país 42 
milhões de imigrantes, que representam 13,3% da população total. Os 
mexicanos formam o maior grupo, constituindo 12,1 milhões – só no ano 
passado, pelo menos 700 mil pessoas migraram do México para os EUA.
ECONOMIA 
Do ponto de vista dos recursos naturais, a Ásia abriga as maiores 
jazidas conhecidas de petróleo, em particular no Oriente Médio e 
nos países de sua região central. 
A África, por sua vez, apresenta os problemas sociais mais agudos, 
especialmente na região ao sul do deserto do Saara (a África Subsa-
ariana). Embora o continente reúna as maiores reservas de minérios 
e pedras preciosas do planeta, sua população vive em extrema mi-
séria. Bolsões de pobreza também são encontrados na maior parte 
da Ásia e nas porções central e sul da América, que, com o México, 
formam a América Latina. 
A produção de riquezas concentra-se principalmente na América 
do Norte e na Europa: a soma do Produto Interno Bruto (PIB) dos 
países dessas regiões é superior a 50% do total do planeta. Nessas 
nações estão os indicadores sociais mais positivos do mundo, que 
garantem boas condições de vida a ampla parcela da população. 
Na Ásia, destacam-se China e Japão – segunda e terceira maiores 
economias mundiais, respectivamente.
NASA
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO
POLO SUL
Mar de Weddell
Mar de Davis
Mar de Ross
Mar de Amundsen
Mar de Bellingshausen
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
RÚSSIA
GROENLÂNDIA
Finlândia
SuéciaIslândia
Noruega
ALASCA
CANADÁ
POLO NORTE
POLO SUL
POLO NORTE
ILHAS FALKLAND
(MALVINAS)
PANAMÁ
ARGENTINA
COLÔMBIA
EQUADOR
PERU
VENEZUELA
BRASIL
ANTÁRTICA
BOLÍVIA
CHILE
URUGUAI
PARAGUAI
GUIANA FRANCESA
SURINAME
GUIANA
PORTO 
RICO
REP. DOMINICANA
HAITIJAMAICA
CUBA
NICARÁGUA
COSTA RICA
HONDURAS
BELIZE
GUATEMALA
EL SALVADOR
MÉXICO
BAHAMAS
ESTADOS UNIDOS 
DA AMÉRICA
CANADÁ
ALASCA
(EUA)RÚSSIA
ILHAS HAVAÍ
(EUA)
ILHAS SAMOA
TONGA
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
EQUADOR
I. Marquesas
(FRA)
I. Tahiti
(FRA)
P
O
L
I
N
É
S
I
A
Áfr
ica
Am
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at.
 e 
Ca
rib
e
Ás
ia
Am
. d
o N
ort
e
Eu
rop
a
Oc
ea
nia
1.186,2
634,4 357,8
4.393,3
738,4
39,3
Áfr
ica
Am
. L
at.
 e 
Ca
rib
e
Ás
ia
Am
. d
o N
ort
e
Eu
rop
a
Oc
ea
nia
39,2
30,9
16,7
97,4
71,2
4,6
Áfr
ica
Am
. d
o N
ort
e
Am
. L
at.
 e 
Ca
rib
e
Ás
ia
Eu
rop
a
Oc
ea
nia
40
80 82
48
74 71
Em milhões, 2015
POPULAÇÃO
Habitantes/km², 2015
DENSIDADE
Em %, 2015
POPULAÇÃO URBANA
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
0
500
1.500
1.000
2.000
2.500
3.000
3.500
4.000
4.500
5.000
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
Fonte: Banco Mundial e ONU
118 GE GEOGRAFIA 2017
ATLAS MUNDO
Í
PORTUGAL
ESPANHA
ANDORRA
MÔNACO
VATICANO
SAN MARINO
LIECHTENSTEIN
ITÁLIA
TURQUIA
GEÓRGIA
SÍRIACHIPRE
BULGÁRIA
GRÉCIA
MALTA
ALBÂNIA
MACEDÔNIA
RÚSSIA
REINO
UNIDO
IRLANDA
DINAMARCA
NORUEGA
SUÉCIA
FINLÂNDIA
ESTÔNIA
LETÔNIA
LITUÂNIA
BELARUS
UCRÂNIA
MOLDÁVIA
ROMÊNIA
ALEMANHA
HOLANDA
BÉLGICA
FRANÇA SUÍÇA
LUXEMBURGO ESLOVÁQUIA
REP. TCHECA
ÁUSTRIA HUNGRIA
ESLOVÊNIA
BÓSNIA–
HERZEGOVINA SÉRVIA
CROÁCIA
POLÔNIA
FEDERAÇÃO DOS
ESTADOS DA
MICRONÉSIA
Ilh
as V
irgen
s 
(RUN)
(EUA)
I. Anguilla (RUN)
I. S. Martin (FRA e HOL)
ANTÍGUA E
BARBUDA
I. Guadalupe (FRA)
DOMINICA
I. Martinica (FRA)
SANTA LÚCIA
BARBADOS
GRANADA
TRINIDAD
E TOBAGO
I. Margarita 
(VEN)
I. Blanquilla 
(VEN)
I. Orchilla 
(VEN)
I. La Tortuga 
(VEN)
I. Bonaire 
(HOL)
I. Curaçao 
(HOL)
Mar do Caribe
I. Aruba 
(HOL)
AMÉRICA DO SUL
REP. 
DOMINICANA
SÃO CRISTÓVÃO
E NÉVIS
I. Montserrat (RUN)
SÃO VICENTE
E GRANADINAS
Porto Rico
(EUA)
MONTENEGRO
I. GEÓRGIA DO SUL
LÍBIA
TUNÍSIA
ARGÉLIA
MARROCOS
PORTUGAL
ESPANHA
ITÁLIA
TURQUIA
GEÓRGIA UZBEQUISTÃO
IRÃ
ARÁBIA
SAUDITA
EGITO
OMÃ
EMIRADOS 
ÁRABES UNIDOS
CATAR
BAREIN
KUWAITJORDÂNIA
IRAQUE
SÍRIA
LÍBANO
ISRAEL
CHIPRE
BULGÁRIA
GRÉCIA
ARMÊNIA
AZERBAIJÃO
MADAGASCAR
MAURÍCIO
COMORES
SEICHELES
SOMÁLIA
ETIÓPIA
DJIBUTI
ERITREIASUDÃO
SUDÃO
DO SUL
REPÚBLICA
CENTRO-
AFRICANA
UGANDA QUÊNIA
BURUNDI
TANZÂNIA
ZÂMBIA
MALAUÍ
MOCAMBIQUE
SUAZILÂNDIA
LESOTO
ÁFRICA 
DO SUL
BOTSUANA
ZIMBÁBUENAMÍBIA
ANGOLA
REP. DEM.
DO CONGO
RUANDA
IÊMEN
MALI
NÍGER CHADE
CAMARÕES
NIGÉRIA
CONGO
GABÃO
GUINÉ EQUATORIAL
TO
GO
BE
N
IN
BURKINA
FASSO
COSTA
DO
MARFIM
GA
N
A
LIBÉRIA
SERRA LEOA
GUINÉGUINÉ-BISSAU
GÂMBIA
SENEGAL
CABO
 VERDE
MAURITÂNIA
Ilhas Canárias
Saara 
Ocidental
AÇORES
(POR)
ÍNDIA
SRI LANKA
MALDIVAS
MIANMAR
CHINA
BUTÃO
NEPALPAQUISTÃO
BANGLADESH
LAOS
TAILÂNDIA
CAMBOJA
BRUNEI
MALÁSIA
CINGAPURA
INDONÉSIA
FILIPINASVIETNÃ
TAIWAN
(FORMOSA)
TIMOR-LESTE
PAPUA
NOVA-GUINÉ
AUSTRÁLIA NOVA 
CALEDÔNIA
(FRA)
NOVA 
ZELÂNDIA
FIJI
VANUATU
SALOMÃO
KIRIBATI
NAURU
ILHAS
MARSHALL
JAPÃO
COREIA
DO NORTE
COREIA
DO SUL
MONGÓLIA
QUIRGUISTÃO
TADJIQUISTÃO
AFEGANISTÃO
TURCOMENISTÃO
CAZAQUISTÃO
RÚSSIA
ISLÂNDIA
REINO
UNIDO
IRLANDA
DINAMARCA
NORUEGA SUÉCIA
FINLÂNDIA
ESTÔNIA
LETÔNIA
LITUÂNIA
BELARUS
UCRÂNIA
ROMÊNIA
ALEMANHA
FRANÇA
ÁUSTRIA HUNGRIA
GROENLÂNDIA
(DIN)
Projeção Robinson
SÃO TOMÉ
E PRÍNCIPE
POLÔNIA
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO ANTÁRTICO
OCEANO ÁRTICO
OCEANO
ÍNDICO
Mar 
do
Norte
Mar 
Mediterrâneo
Mar 
Negro
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
M
E
L
A
N
É
S
I A
M
I C
R
O
N
É
S
I A
TUVALU
N
119GE GEOGRAFIA 2017 
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2014* 
(em % por continente)
Europa
28,4
África
3,2
Ásia
33,2
América
33
Oceania
2,2
Europa
10,1
África
16,1
Oceania
0,5
Ásia
59,8
América
13,5
POPULAÇÃO – 2015*
Distribuição, em % 
*Total de 7,349 bilhões em 2015 *Total mundial: 77,8 trilhões de dólares
PIB PER CAPITA – 2014 
(em dólares)
2.167
África
25.957
América
5.959
Ásia
28.960
Europa
44.177
Oceania
ÁREA DISTRIBUÍDA (em %) Total mundial: 150.377.393 km2 
Ásia
30,0
África
20,1
América
27,9
Europa
6,9
Oceania5,7
Antártica
9,3
América
Ásia
Oceania
Europa
África
Antártica
Fontes: Fundo de Populações das Nações Unidas e Banco Mundial
120 GE GEOGRAFIA 2017
ATLAS MUNDO
Perfil dos continentes
O que dizem os números
COMPARANDO ÁSIA E AMÉRICA 
A Ásia é o maior continente do planeta em área, superando por apenas 2,1% a América. No entanto, a população asiática representa quase 
60% de todos os habitantes do mundo, muito acima dos indicadores da América, que somam apenas 13,5%. Esse elevado povoamento 
diz muito a respeito do Produto Interno Bruto (PIB) asiático, que é responsável por um terço de toda a riqueza produzida no mundo. Mas 
perceba que, mesmo com uma população quatro vezes menor que a asiática, a América tem um PIB apenas 0,2% inferior. Essa distorção se 
traduz nos dados de PIB per capita, ou seja, o quanto cada habitante do continente recebe por ano. Enquanto, os asiáticos ganham apenas 
5.959 dólares por ano em média, os trabalhadores da América recebem 25.957 dólares.
121GE GEOGRAFIA 2017
O berço da 
humanidade
C ontinente que abriga as mais antigas evidências da presença do homem no planeta, a África foi seguidamente piç -
lhada, dividida e ocupada pelas potências da 
Europa a partir do século XV. No decorrer desse
período, milhões de africanos foram escravizados 
por essas nações, que mantiveram a exploração 
dos recursos naturais da região mesmo após o
fim da escravidão. As lutas anticoloniais se de-
senvolveram principalmente na segunda metade 
do século XX, resultando na independência das 
nações africanas. O processo, contudo, não sig-
nificou calmaria na região. A pobreza e a miséria 
estimulam rivalidades étnicas e religiosas entre 
populações de países cujas fronteiras foram cria-
das artificialmente pelas nações europeias no 
fim do século XIX, ou seja, sem levar em conta 
os territórios das etnias nativas.
Esse legado histórico explica por que a África 
respondia em 2014 por apenas 3,2% do Produto 
Interno Bruto (PIB) mundial. Nos países ao sul 
do deserto do Saara (a África Subsaariana), quase
metade da população vive abaixo da linha de 
pobreza, com renda inferior a 1,25 dólar por dia.
ÁFRICA
SAIBA MAIS
AS DUAS ÁFRICAS 
O continente africano abriga duas sub-regiões clara-
mente delimitadas: a África Setentrional e a Subsaaria-
na, também conhecidas, respectivamente, como África 
Branca e África Negra. O limite entre ambas é o deserto 
do Saara. Os países da África Setentrional têm caracte-
rísticas semelhantes às das nações do Oriente Médio, 
sendo majoritariamente ocupados por povos árabes. 
Já a África Subsaariana, bem mais extensa, reúne
a maioria da população, predominantemente negra.
Essa região concentra alguns dos principais proble-
mas econômicos e sociais do planeta. Quase metade 
da população sobrevive com menos de 1,25 dólar por 
dia e mais de 70% dos portadores do vírus da aids no 
mundo estão na África Subsaariana. 
Deserto do Saara
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA
A África tem cerca de 30,2
milhões de quilômetros
quadrados de extensão
e a maior porcentagem
de terras desérticas do
globo. O Deserto do Sa-
ara ocupa um terço do 
território africano. Seu 
relevo se caracteriza pelo 
predomínio de imensos ta-
buleiros – planaltos pouco 
elevados. A distribuição
da vegetação obedece
aos fatores climáticos: na 
porção equatorial, há flo-
restas latifoliadas, que vão
se transformando em sa-
vanas à medida que avan-
çam para as regiões mais 
secas, ao norte e ao sul.
POPULAÇÃO 
O continente africano tem
1,2 bilhão de habitantes
em 2015. O fértil vale do
Rio Nilo, que corta paí-
ses como Egito e Sudão,
apresenta uma densidade
demográfica bastante ele-
vada. Entre os principais 
centros urbanos da África
destacam-se Cairo (Egito),
Lagos (Nigéria) e Johan-
nesburgo (África do Sul).
ECONOMIA
A África é o continente
mais pobre, com eco-
nomia essencialmente
agrícola. Os poucos po-
los de desenvolvimento
se devem à exploração 
mineral. Nessa atividade,
destacam-se a África do
Sul e a Nigéria, que, juntas,
detêm mais de um terço
de todo o PIB africano.
70% 
dos portadores do vírus
da aids no mundo são 
da África Subsaariana, a
porção do continente ao
sul do deserto do Saara
PESOS-PESADOS Manada de elefantes caminha na Tanzânia 
– ao fundo, o Monte Kilimanjaro, ponto mais alto da África
122 GE GEOGRAFIA 2017
ATLAS MUNDO
AMÉRICA
68% 
do produto interno bruto 
das Américas é gerado 
nos Estados Unidos
Três em um
S egundo continente mais extenso, com área de 42 milhões de quilômetros qua-drados, a América é formada por duas 
grandes massas de terra (América do Norte e 
América do Sul), unidas por uma estreita faixa 
(América Central). Um sistema de cadeias mon-
tanhosas percorre o território em sua porção 
oeste, sem interrupção, desde o Estreito de 
Magalhães, no extremo sul, até o Estreito de 
Bering, no extremo norte.
Nenhum continente apresenta tamanho dese-
quilíbrio regional quanto a América. Ao norte, os 
Estados Unidos (EUA) e o Canadá são duas das 
mais desenvolvidas nações do planeta, enquanto os 
outros países – que compõem a América Latina – 
estão num nível de desenvolvimento bem inferior. 
AMÉRICA DO NORTE
A América do Norte é ocupada por três grandes paí-
ses: Canadá, EUA – bastante desenvolvidos – e México, 
menos desenvolvido. 
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Compreende uma área de 23,4 
milhões de quilômetros quadrados. Suas principais 
elevações se localizam a oeste, enquanto a maior bacia 
hidrográfica, a do Mississippi-Missouri, se situa a leste. A 
maior ilha do mundo fica na América do Norte: Groenlân-
dia, com quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados. 
Na porção norte, de clima continental frio, predominam 
as florestas de coníferas; o centro e o sudeste, de clima 
continental, são ocupados por florestas temperadas e 
pradarias; no sudoeste, há desertos. 
POPULAÇÃO Abriga cerca de 484,8 milhões de habitantes 
em 2015. A maioria descende de colonizadores europeus, 
de escravos africanos e de vários grupos de imigrantes. 
Os principais centros urbanos encontram-se na Cidade 
do México, em Nova York e Los Angeles.
ECONOMIA É plenamente industrializada nos Estados 
Unidos e no Canadá e, em menor grau, no México. A 
América do Norte apresenta agricultura altamente me-
canizada, com destaque para a produção de cereais, 
milho, soja e laranja. Além disso, possui vastas reservas 
de combustíveis fósseis e minérios. 
AMÉRICA CENTRAL
A região, que responde por apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da Amé-
rica, sobrevive basicamente da agricultura e do turismo. Pelo canal do Panamá, a 
principal passagem entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, circulam 5% de todo o 
comércio marítimo mundial. A região abriga, ainda, a única nação comunista do 
continente americano: Cuba. 
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América Central, com 748,6 mil quilômetros quadrados, é 
formada pelo istmo que une a América do Norte à América do Sul e pelas ilhas do Mar do 
Caribe. O território centro-americano possui relevo montanhoso, com vários vulcões ativos. 
No verão, o Caribe é assolado por furacões, com ventos de até 300 quilômetros por hora. 
POPULAÇÃO Reúne 88,9 milhões de habitantes em 2015. A região é povoada em gran-
de parte por mestiços, descendentes de índios, africanos e colonizadores europeus. 
ECONOMIA A agricultura emprega a maioria da população. A industrialização é 
incipiente e limita-se ao processamento de produtos agrícolas. O turismo na região 
do Caribe está em plena expansão. 
FENDA CONTINENTAL 
Navios cruzam o Canal 
do Panamá, que liga os 
oceanos Atlântico e Pacífico
BELEZA AMERICANA O Grand Canyon, nos Estados Unidos, 
tem paredões com quase 2 mil metros de altura
[1] 
[2] 
123GE GEOGRAFIA 2017 
ANTÁRTICA
Cerca de
70% 
das reservas de água 
doce da Terra estão 
sob a forma de gelo na 
Antártica
AMÉRICA DO SUL
A região possui vastos recursos naturais, mas também 
graves problemas sociais. O Brasil é a economia mais 
desenvolvida, enquanto Chile, Argentina e Uruguai apre-
sentam melhor índice de desenvolvimento humano (IDH).
DISTRIBUIÇÃOFÍSICA A América do Sul conta com 17,8 
milhões de quilômetros quadrados. A porção oeste é 
ocupada pela Cordilheira dos Andes, cujo ponto mais alto 
é o Pico Aconcágua (6.959 metros). As planícies centrais 
abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e 
a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, 
encontram-se florestas latifoliadas tropicais úmidas. O 
sul possui faixas de clima desértico, como na região de 
Atacama, e uma zona temperada, ocupada por florestas 
subtropicais e pelos pampas argentinos. 
POPULAÇÃO A América do Sul tem 418,4 milhões de 
habitantes em 2015. A população é formada por des-
cendentes de europeus (em especial espanhóis e por-
tugueses), africanos e indígenas, contando com alta 
porcentagem de mestiços. 
ECONOMIA A indústria está centrada na produção agrí-
cola e de bens de consumo. No Brasil e na Argentina, 
encontra-se mais diversificada, abrangendo setores como 
siderurgia e metalurgia. O Brasil é responsável por cerca 
de três quintos da produção industrial sul-americana. 
FENÔMENO AMAZÔNICO O famoso encontro das águas 
escuras do Rio Negro com o barrento Rio Solimões
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Antártica é cercada pelas águas dos oceanos Atlântico, Pací-
fico e Índico. É o lugar mais frio do globo com temperaturas inferiores a 0 ºC no verão 
e menores que - 80 ºC no inverno. Sob a grossa camada de gelo, estende-se o lago 
Vostok, um dos maiores do mundo, com 10 mil quilômetros quadrados de extensão.
ECONOMIA As atividades humanas no continente restringem-se à pesca e à investigação 
científica. Diversas nações mantêm base de pesquisa na região, entre as quais o Brasil, 
que desenvolve atividades na Base Comandante Ferraz. Em 1991 foi assinado o Protocolo 
de Madri, que entrou em vigor em 1998. Esse documento proíbe por 50 anos a exploração 
econômica dos recursos naturais. A medida é preventiva, já que, até hoje, não foram en-
contradas reservas de interesse comercial. Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, 
Nova Zelândia e Reino Unido reivindicam áreas no continente.
O continente de gelo
T ambém chamada de Antártida, a Antártica é coberta por uma enorme camada de gelo. A superfície do continente ocupa 14 milhões de quilômetros quadrados, e 99% de sua superfície é 
coberta por um manto de gelo que atinge quase 5 quilômetros de espessura. 
Essa massa de gelo é de extrema importância para o equilíbrio do planeta. 
Isso porque, além de concentrar cerca de 70% das reservas de água doce 
da Terra, interfere no nível dos oceanos, por causa das variações em sua 
extensão e espessura. No inverno, até 18 milhões de quilômetros quadrados 
do oceano em torno do continente ficam cobertos por uma fina camada 
de gelo. O buraco na camada de ozônio localiza-se em cima do continente 
e ameaça a estabilidade de suas geleiras (90% das existentes no planeta), 
em virtude da maior exposição à radiação solar (veja mais na pág. 82).
ESCALA
0 755 km
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
Mar de Davis
Mar de Ross
Mar de Weddell
Mar de
Bellingshausen
Mar de Amundsen
Li
m
ite
 e
xt
re
m
o 
do
 m
ar
 co
ng
el
ad
o
M
ontanhas Transantárticas 
Ilhas Shetland
do Sul
Maciço Vinson
5.897 m
ANTÁRTICA
ORIENTAL
ANTÁRTICA
OCIDENTAL
TERRA DE
ENDERBY
TERRA
DE WILKES
TERRA DE
MARIE BYRD
TERRA DE
ELLSWORTH
TERRA DA
RAINHA MAUD
Geleira Lambert
Plataforma de
gelo Ronne
Criosfera 1
Plataforma de
gelo Filchner
Plataforma de
gelo Ross
180º 
0º 
90º O 90º L
80º S 
70º S 
POLO SUL
Círculo 
Polar Antártico 
Ilha Rei George
Ilhas Shetland do Sul
1
5
7
6 4 3
2
Neumayer (Alemanha)
Sanae IV
(África do Sul)
Troll
(Noruega)
Rothera (Reino Unido)
Marambio (Argentina)
McMurdo (EUA)
Amundsen-Scott (EUA)
Scott Base
(Nova Zelândia)
Dummont d'Urville
(França)
Casey
(Austrália)
Maitri (Índia)
Syowa (Japão)
Mawson (Austrália)
Mirny (Rússia)
Principal base
permanente de cada país*
1 Comandante Ferraz (Brasil) 2 Arctowski (Polônia)
3 Jubany (Argentina) 4 King Sejong (Coreia do Sul)
5 Artigas (Uruguai) 6 Eduardo Frei (Chile) 7 Great Wall (China)
Península Antártica 
*Bulgária, Equador, Espanha, Finlândia, Peru, Romênia, Suécia e República Tcheca mantêm apenas bases temporárias
Fonte: Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR)
[1] DIVULGAÇÃO/ NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL MARQUES
[3] 
124 GE GEOGRAFIA 2017
ATLAS MUNDO
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Maior continente do mundo, sua área é de cerca de 45 milhões 
de quilômetros quadrados. A fronteira convencional entre Ásia e Europa é determinada 
pelos Montes Urais, pelo Rio Ural, pelo Mar Cáspio, pelas montanhas do Cáucaso e pelo Mar 
Negro. Dessa forma, os territórios de Turquia e Rússia estendem-se pelos dois continentes.
O relevo asiático apresenta a maior altitude média da Terra (960 metros), em razão da 
presença de grandes cadeias montanhosas, entre as quais a Cordilheira do Himalaia 
e a do Kunlun, que contornam o planalto do Tibete. Há também grandes depressões, 
como o Mar Morto, situado 365 metros abaixo do nível do mar.
Em virtude da vastidão de seu território, da diversidade de relevos e do regime 
de monções (vento periódico que, no verão, sopra do mar para o continente e, no 
inverno, do continente para o mar), existem muitos tipos de clima na Ásia. Como 
consequência, há também grande variedade de vegetação: tundra, estepes, florestas 
de coníferas, florestas temperadas e florestas tropicais. 
POPULAÇÃO O continente é o mais populoso do mundo, com 4,4 bilhões de habitan-
tes em 2015. A distribuição da população é bastante desigual, com mais de 60% dos 
habitantes concentrados na China e na Índia. Há grande diversidade étnica, linguística 
e religiosa. Os conflitos em curso no continente provocam grandes deslocamentos de 
pessoas – os maiores contingentes de refugiados são formados por 4,8 milhões de pa-
lestinos e 4,5 milhões de emigrados da Síria, que fogem da guerra civil iniciada em 2011.
ECONOMIA A Ásia apresenta contrastes econômicos extremos. A porção mais de-
senvolvida – que inclui países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan – registra renda 
per capita quase 100 vezes maior que a das regiões pobres. No sul do continente, 
região que abrange nações como Índia, Paquistão e Bangladesh, a pobreza atinge 
proporções alarmantes: 25% da população vive com menos de 1,25 dólar por dia.
Desde a abertura econômica iniciada no fim dos anos 1970, a China é o país que mais se 
industrializa na Ásia. Em pouco mais de um quarto de século, o país tornou-se a segunda 
maior economia global, atrás apenas dos Estados Unidos, e o maior exportador mundial.
A extração mineral é a principal fonte de divisas dos prósperos países do Golfo Pérsico, 
que detêm mais de 50% das jazidas mundiais de petróleo. A atividade extrativista é 
intensa também na Rússia – dona de cerca de um terço do gás natural do planeta e 
de grandes reservas conhecidas de petróleo. 
Apesar da intensa modernização econômica, mais de 50% da força de trabalho asiática 
está empregada na agricultura, especialmente nas nações do subcontinente indiano 
(Índia, Paquistão e Bangladesh). A Ásia responde por aproximadamente 45% da produção 
mundial de cereais, com destaque para o arroz (90% do que se produz no planeta). Mas, 
ainda assim, precisa importá-los para suprir a demanda interna, especialmente da China.
ÁSIA
Mais de
50% 
das reservas mundiais 
de petróleo estão no 
Oriente Médio
Vastidão oriental
A Ásia é o maior e o mais populoso con-tinente. Na Cordilheira do Himalaia, estão os pontos mais altos do planeta, 
em especial o Monte Everest, com 8.850 metros, 
na fronteira entre o Nepal e a China. Situam-se 
no continente asiático algumas das maiores 
concentrações humanas, em megacidades como 
Tóquio, no Japão. 
Os recursos naturais são imensos. A Ásia 
produz quase metade do petróleo do mundo, 
possuindo as maiores reservas conhecidas, nos 
países do Golfo Pérsico. Ao lado do Japão, a 
principal nação industrial do continente, e de 
países em acelerado processo de desenvolvimen-to, como a China, há várias regiões atrasadas, 
com graves problemas sociais, sobretudo na 
Ásia Central. 
A região também sofre com sérios conflitos. 
O fundamentalismo religioso e os antagonismos 
étnicos, sempre associados a disputas territo-
riais, transformaram-se nos principais obstá-
culos à paz no continente. Assim, opõem-se 
israelenses e palestinos, no Oriente Médio; e 
a Índia e o Paquistão, na região da Caxemira; 
entre outros conflitos.
DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO – 2015*
*Não inclui a Rússia
Em %
Fonte: Fundo de Populações das Nações Unidas (Fnuap)
China
31,5
Demais
países
22
Paquistão
4,3
Indonésia
5,8
Índia
29,9
Bangladesh
3,6
Japão
2,9
TRADIÇÃO 
Família nômade da 
Mongólia, país que abriga 
povos e culturas milenares [1] 
125GE GEOGRAFIA 2017 
EUROPA OCEANIA
Mais de
90% 
da cobertura original de 
florestas já foi devastada 
na maior parte da Europa
PRAIA NEGRA Litoral da 
Islândia, a segunda maior 
ilha da Europa, repleta de 
vulcões ativos
POVOS NATIVOS Os aborígenes habitam o território da 
Austrália desde, pelo menos, 45 mil anos antes de Cristo
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Europa pertence, com a Ásia, à massa de terra conhecida como 
Eurásia. O continente europeu tem área de 10 milhões de quilômetros quadrados. A 
maior parte do território é formada por planícies. Predomina o clima temperado, mas 
há variações. A vegetação original já foi bastante devastada, prevalecendo florestas 
temperadas e de coníferas. 
POPULAÇÃO O continente tem 738,4 milhões de habitantes em 2015 e é o único com 
tendência de redução da população. Paralelamente às baixas taxas de natalidade, o 
envelhecimento dos habitantes exerce forte pressão demográfica no continente e pode 
comprometer o crescimento econômico. Por isso, apesar da atual resistência de muitos 
países à entrada de imigrantes, a Europa precisa da força de trabalho dos estrangeiros.
ECONOMIA O parque industrial europeu é um dos mais avançados do mundo, com 
destaque para os setores automobilístico, químico, siderúrgico e de telecomunicações. 
Persistem, entretanto, contrastes de desenvolvimento entre os países ocidentais, que 
detêm cerca de 80% do PIB do continente, e as nações do leste, do ex-bloco comunista. 
A criação da União Europeia, em 1992, tenta superar esse quadro desigual, mas a 
crise atual da região explicita o fosso que separa as nações ricas das mais atrasadas.
Berço da civilização ocidental
O continente é considerado o berço da civilização ocidental. Ali se desenvolveram, por exemplo, o Renascimento, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, eventos que moldaram o 
mundo moderno. A pequena extensão da Europa contrasta com sua 
importância histórica. Impulsionado pela expansão marítima e comer-
cial, o continente exerceu, por séculos, papel hegemônico sobre o globo, 
abrigando várias potências coloniais. 
Porém, após o fim da II Guerra Mundial, o continente viu-se dividido, 
por décadas, em dois blocos hostis, um capitalista e outro socialista – eles 
correspondem, em linhas gerais, à Europa Ocidental e à Europa Oriental. 
A primeira é integrada pelas nações mais ricas do continente. A segunda é 
formada predominantemente por países que saíram do bloco comunista e 
procuram melhorar sua economia. Após o encerramento da Guerra Fria, nos 
anos 1990, foi criada a União Europeia (UE), o principal bloco econômico 
do mundo. Atualmente, a UE tenta superar uma grave crise econômica, 
alavancada pelo alto endividamento dos países-membros.
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA É o menor continente do mundo, 
com 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão. 
A Austrália corresponde a cerca de 90% da área emersa 
da Oceania. A maioria das ilhas da Oceania é de origem 
vulcânica, sendo cobertas de florestas tropicais. 
POPULAÇÃO A Oceania é também o menos habitado 
dos continentes, com 39,3 milhões de pessoas em 2015. 
Cerca de 60% dessa população vive na Austrália. 
ECONOMIA A Austrália destaca-se pelo parque industrial, 
pela agricultura e pela extração mineral, enquanto a 
economia das ilhas do Pacífico é agrícola.
Mais que cangurus
A Oceania é formada por uma massa continental (a Austrália), a parte leste da Ilha de Nova Guiné, as ilhas que 
constituem a Nova Zelândia e pequenas ilhas 
e atóis que se espalham pelo oceano Pacífico. 
Essas ilhas menores se dividem em três grupos: 
a Polinésia, no extremo leste; a Melanésia, na 
região central; e a Micronésia, situada ao norte.
Há diferenças marcantes na região. Enquan-
to a Austrália e a Nova Zelândia são nações 
desenvolvidas, as demais têm economia frágil. 
A Oceania enfrenta, ainda, graves problemas 
ambientais. Estudos indicam que, dentro de um 
século, a elevação do nível do mar, causada pelo 
aquecimento global, poderá submergir ilhas e 
atóis da região. 
[1] CINDY WILK [2] ALMIR DE FREITAS [3] DIVULGAÇÃO
[2] 
[2] 
[3] 
126 GE GEOGRAFIA 2017
ATLAS BRASIL
Quinto maior país do mundo, o Brasil conta com um território de 8.515.767 quilômetros quadrados de extensão. Com todo esse tamanho, para efeitos ad-
ministrativos, nosso território é dividido em cinco 
regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Essa 
divisão regional, que fica a cargo do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), tem como objetivo reunir 
estados com traços físicos, humanos, econômicos e sociais 
comuns, o que ajuda no planejamento de políticas voltadas 
para áreas com necessidades semelhantes. 
Mas nem sempre o Brasil foi “repartido” da forma como é 
hoje, tendo sido estabelecidas muitas divisões regionais no 
decorrer da história. A atual está em vigor desde 1970, mas 
sofreu algumas alterações depois da Constituição de 1988. 
O estado do Tocantins foi criado com a divisão de Goiás e 
incorporado à Região Norte. Além disso, Roraima, Amapá e 
Rondônia deixaram de ser territórios para se tornar estados. 
Por fim, Fernando de Noronha foi incorporado ao estado de 
Pernambuco. Em 2015, o Brasil registra 5.570 municípios 
nos 26 estados mais o Distrito Federal.
 A despeito do tipo de recorte, o fato é que as disparidades 
entre as regiões são muito grandes. Para ter uma ideia, a 
Região Sudeste, a segunda menor em área, possui o maior 
número de habitantes, o maior percentual de pessoas que 
vivem em cidades e é responsável por mais da metade do 
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A Região Nordeste, 
por sua vez, apresenta alguns dos mais baixos indicadores 
sociais. A Região Norte, com o segundo menor número de 
habitantes, apresenta o maior contingente de população 
indígena e tem o mais alto índice de crescimento demográ-
fico. A Região Sul, seguida de perto pela Sudeste, é a que 
apresenta os melhores indicadores: tem o menor índice de 
mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo. A 
Região Centro-Oeste, embora conte com população menor, 
apresenta acelerado crescimento demográfico, atrás apenas 
da Região Norte.
PLANO-PILOTO Imagem de satélite mostra Brasília à noite: a iluminação permite observar o projeto urbanístico, que é comparado às formas de um avião
O Brasil 
em resumo
Confira a seguir as principais 
características físicas, econômicas e 
sociais das cinco regiões brasileiras
NASA
SULSUL
SUDESTESUDESTE
NORDESTENORDESTE
NORTE
CENTRO-OESTECENTRO-OESTE
450 O550 O
250 S
100 S
Equador
Trópico de
Capricórnio
Oceano
Pacífico
Oceano
Atlântico
NORTE
Ilha de
Trindade (ES)
20’32’S 29’19’O
Ilha de Martin
Vaz (ES)
20’31’S 28’50’O
Atol das
Rocas (RN)
3’52’S
33’50’O
Abrolhos (BA)
17’25’S
38’33’O
DISTRITO
FEDERAL
PARÁ
GOIÁS
AMAPÁ
MARANHÃO
PIAUÍ
BAHIA
CEARÁ
RIO GRANDE
DO NORTE
PARAÍBA
PERNAMBUCO
ALAGOAS
SERGIPE
SÃO PAULO
RIO DE JANEIRO
ESPÍRITO SANTO
ACRE
AMAZONAS
PERU
RORAIMA
VENEZUELA
COLÔMBIA GUIANA
SURINAME Guiana
Francesa
(França)
RONDÔNIA
BOLÍVIA
CHILE
PARAGUAI
URUGUAI
ARGENTINA
MATO GROSSO
MATO GROSSO
DO SUL
PARANÁ
SANTA CATARINA
MINAS GERAIS
TOCANTINS
RIO GRANDE DO SUL
PONTOS EXTREMOS
NORTE
Nascente do rio Ailã,
no monte Caburaí (RR),
fronteira com a Guiana
LESTEPonta do
Seixas (PB)
SUL
Arroio Chuí (RS), na
fronteira com o Uruguai
OESTE
Nascentes do
rio Moa, na serra
de Contamana (AC),
fronteira com o Peru
Fontes: IBGE (mapa) e Ministério das Relações Exteriores (tabela)
Obs.: O território da Guiana Francesa (França)
mantém fronteira de 730 km com o Brasil
Manaus
Rio Branco
Porto Velho
Boa Vista
Macapá
Belém
São Luís
Teresina
Fortaleza
Natal
Recife
Maceió
Aracaju
Salvador
Palmas
Cuiabá
Goiânia
Campo Grande Vitória
São Paulo
Curitiba
Florianópolis
Porto Alegre
Rio de Janeiro
Belo Horizonte
João Pessoa
PAÍSES QUE FAZEM FRONTEIRA COM O BRASIL
País
Bolívia
Peru
Venezuela
Colômbia
Guiana
Paraguai
Argentina
Uruguai
Suriname
3.423
2.995
2.199
1.644
1.606
1.366
1.261
1.069
593
Fronteira
(em km)
3’50’S
Fernando de
Noronha (PE)
32’24’O
Penedos de
S. Pedro e
S. Paulo (RN)
3’56’S
29’22’O
ESTADOS E CAPITAIS BRASILEIROS
127GE GEOGRAFIA 2017 
SulSudesteNordesteCentro-OesteNorte
30.495
34.789
12.954
32.322
17.213R$ 4,39 
trilhões
204.450
Norte
Nordeste
Centro-Oeste
Sul
Sudeste
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2013
Em %, por região e total 
POPULAÇÃO – 2015 
Em milhares e em %, por região
Fontes: Pnad 2014, Projeção da População – Indicadores, IBGE
PIB PER CAPITA – 2013 
(em reais)
ÁREA* (em %) Total do Brasil: 8.515.767 km2
Centro-Oeste
18,9
Norte
45,2
Nordeste
18,2
Sudeste
10,9
Sul
6,8
*Distribuição nas regiões brasileiras
Nordeste
56.560
27,7%
Sul
29.230
14,3%
Norte
17.473
8,5%
Centro-Oeste
15.442
7,5%
Sudeste
85.745
41,9%
Nordeste
13,6
Sul
16,5
Norte
5,5
Centro-Oeste
9,1Sudeste
55,3
128 GE GEOGRAFIA 2017
ATLAS BRASIL
Perfil das regiões
O que dizem os números
DISPARIDADES REGIONAIS 
Apesar de a Região Norte ocupar 45,2% do espaço territorial brasileiro, apenas 8,5% dos brasileiros habitam a região. O Sudeste, por sua vez, abrange apenas 10,9% da área brasi-
leira, mas responde por 41,9% da população e mais da metade do total de bens e serviços produzidos no país – o Produto Interno Bruto (PIB). Já o Nordeste, com 27,7% da população 
brasileira, é a segunda região mais populosa do país, mas é responsável por apenas 13,6% do PIB nacional. Como consequência, a região apresenta o menor PIB per capita do Brasil: 
o trabalhador nordestino recebe em média 12.954 reais por ano. O valor representa menos da metade do que ganha anualmente os habitantes do Sudeste, donos do maior PIB per 
capita do país: 34.789 reais por ano.
129GE GEOGRAFIA 2017 
CENTRO-
OESTE NORDESTE
75% 
da população da Região 
Nordeste tem uma renda 
de até um salário mínimo 
O cerne brasileiro
Formada pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e pelo Dis-trito Federal, a região localiza-se no ex-
tenso Planalto Central. Seu relevo se caracteriza 
por terrenos antigos e aplainados pela erosão, 
que originaram chapadões. O território também 
abriga a planície do Pantanal Mato-Grossense, 
cortada pelo rio Paraguai e sujeita a cheias du-
rante parte do ano. O clima do Centro-Oeste é 
tropical semiúmido e úmido, com chuvas de 
verão. A vegetação é de cerrado nos planaltos. 
No Pantanal, considerado patrimônio da hu-
manidade pela Unesco, os campos cerrados 
dividem o espaço com a floresta, que se torna 
mais fechada e úmida no norte do Mato Grosso.
POPULAÇÃO Ainda no Brasil colônia, o povoamento do 
Centro-Oeste resulta de dois movimentos migratórios. 
Um vem do Sul e do Sudeste, em virtude do transporte 
de gado às fazendas que ali começaram a se instalar e 
da ação dos bandeirantes paulistas. O outro movimen-
to vem do Nordeste, também ligado ao comércio de 
gado, que acaba criando, e fortalecendo, os primeiros 
povoados da região. No século XX, as maiores ondas 
migratórias vêm do Nordeste e ocorrem a partir dos 
anos 1950, com a construção da nova capital federal, 
Brasília. Segundo o IBGE, o Centro-Oeste é a região do 
país que proporcionalmente mais recebe imigrantes, com 
34,2% de residentes vindos de outros estados em 2013.
ECONOMIA O crescimento econômico da região deve-se, 
sobretudo, ao bom desempenho do setor agropecuário. 
Com cerca de 70 milhões de cabeças de gado, o rebanho 
bovino do Centro-Oeste é o maior do país. Na agricultura, 
os produtos mais importantes são o algodão, o milho 
e, principalmente, a soja, cuja colheita responde por 
quase metade da produção nacional. Entre os recursos 
minerais que mais se destacam estão calcário, cobre, 
níquel e manganês.
Por outro lado, a região enfrenta o desafio de aliar o 
crescimento econômico com a preservação ambiental. 
A adaptação da soja ao solo do cerrado devastou grande 
parte da vegetação local, e a cultura do grão avança para 
o norte de Mato Grosso, rumo à Floresta Amazônica.
 POPULAÇÃO A história nordestina é marcada pelos movimentos migratórios. No fim 
do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia deu início à migração dos nordestinos, 
que aumentou no século XX para o Sudeste, com a industrialização, e para o Centro-
-Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras regiões, 
os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca. 
ECONOMIA Nos últimos anos, a economia nordestina vem apresentando cresci-
mento. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais 
com o objetivo de atrair empresas), uma série de indústrias se instalou nos estados 
nordestinos para fugir da carga tributária mais pesada no Sul e no Sudeste. Além 
disso, a região é a segunda produtora de petróleo do país – lá funciona um dos polos 
petroquímicos mais importantes: o de Camaçari (BA). 
Apesar dos longos períodos de seca, a pecuária e a agricultura vêm ganhando 
destaque. A boa adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha 
o maior rebanho do país. A cana-de-açúcar é o produto agrícola de destaque, mas 
as lavouras irrigadas de frutas tropicais têm crescido em importância na produção 
nacional. Outro setor relevante na economia nordestina é o turismo.
Além do sertão
F ormada por nove estados – Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia –, a maior parte da região é constituída por extensos pla-
naltos, antigos e aplainados pela erosão. Os climas predominantes são o 
tropical e o semiárido, com grande parte do território coberta pela caatinga. 
O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano 
(IDH) do país, com altas taxas de mortalidade infantil e analfabetismo.
PRÉ-HISTÓRIA Pinturas rupestres no sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí
PABLO DE SOUZA/CIA DA LUZ
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ATLAS BRASIL
NORTE SUDESTE
85% 
das terras indígenas 
brasileiras encontram-se 
na Região Norte
Gigante setentrional
F ormada por sete estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), a região é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins. Em todo o 
Norte predomina o clima equatorial. A Floresta Amazônica, a vegetação 
mais abundante, é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. 
Esse patrimônio, contudo, está ameaçado pelo desmatamento.
POPULAÇÃO A maior concentração de índios está no Norte e, segundo o Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região abriga 342,8 mil índios de diversas 
etnias (38% do total). Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concen-
tração indígena. No decorrer das décadas, os estados do Norte também receberam 
grandes levas de imigrantes de outras regiões, sobretudo do Nordeste. 
ECONOMIA Além do intenso extrativismo vegetal, de produtos como látex e madeira, 
a região é rica em minérios. Lá estão a Serra dos Carajás (PA), a mais importante 
área de mineração do país, rica em manganês, ferro e ouro, e a serra do Navio (AP).
A economia foi bastante beneficiada com a instalação, no fim da década de 1960, 
da Zona Franca de Manaus, baseada em políticas de incentivo fiscal. Com quase 600 
indústrias, o Polo Industrial de Manaus responde por cerca de metade do PIB do 
Amazonas. Os principais setores

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