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MICOLOGIA E VIROLOGIA

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MICOLOGIA E VIROLOGIA
Aspectos gerais
Para iniciarmos o estudo sobre os vírus, é interessante entendermos a história geral da virologia. Com base nisso, Tortora e colaboradores (2012, p. 368) introduzem seu estudo nessa área com o seguinte trecho:
Cerca de cem anos atrás, os pesquisadores não poderiam imaginar a existência de partículas submicroscópicas, descrevendo então estes agentes infecciosos como um fluido contagioso. Já em 1930, os cientistas começaram a utilizar a palavra vírus, que no latim significa veneno, para descrever estes agentes filtráveis. Todavia, a natureza dos vírus permaneceu obscura até 1935, quando Wendell Stanley, um químico norte-americano, isolou o vírus do mosaico do tabaco, tornando possível, pela primeira vez, o desenvolvimento de estudos químicos e estruturais com um vírus purificado. A invenção do microscópio eletrônico, aproximadamente na mesma época, possibilitou sua visualização.
 Portanto, apesar de desencadearem doenças muito comuns e cotidianas, os vírus demoraram um tempo considerável para serem definidos com exatidão em relação a sua estrutura, seu modo de reprodução e sua morfologia.
A típica pergunta feita sobre os vírus é “eles são seres vivos, ou não são?”. Essa resposta é bastante controversa e explora pontos de vista diferentes. Partimos do princípio de que “vida” é definida como o fenômeno de codificação de proteínas pelos ácidos nucleicos, havendo um conjunto de processos comandados por essas proteínas. Dessa forma, por não terem ação fora de células vivas hospedeiras, e não terem metabolismo próprio, os vírus não são considerados seres vivos. Entretanto, dentro de uma célula hospedeira, o DNA ou RNA viral é ativado, e, sob esse ponto de vista, o vírus pode ser considerado vivo quando se multiplica dentro dessa célula (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 368).
Antes de adentrarmos profundamente nessa área tão rica em informações importantes, precisamos saber que, antigamente, os vírus eram diferenciados de outros agentes infecciosos por serem muito menores (filtráveis), e por serem parasitas intracelulares obrigatórios (precisam de uma célula viva para se multiplicar).
Sabe-se que algumas bactérias pequenas, como as riquetsias, compartilham essas características virais, então, foi necessário encontrar outras características que realmente definissem e diferenciassem os vírus. Essas características dizem respeito a sua estrutura simples e os mecanismos adotados para sua multiplicação, e são as seguintes (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 368):
· os vírus têm apenas um tipo de ácido nucleico, DNA ou RNA;
· apresentam um revestimento (invólucro) proteico que envolve o ácido nucleico, e que pode ser recoberto por lipídeos e carboidratos;
· multiplicam-se dentro de células hospedeiras vivas, utilizando as propriedades de síntese da própria célula;
· não possuem capacidade de síntese proteica e de geração de ATP;
· induzem a formação de estruturas que transferem o ácido nucleico viral para outras células.
1.1 Espectro de hospedeiros
De acordo com Tortora e colaboradores (2012, p. 368 e p. 369), o termo espectro viral é usado para definir os tipos de células que os vírus podem parasitar. Existem alguns vírus que podem infectar diversos grupos de seres vivos, sejam eles vertebrados, invertebrados, plantas, fungos ou bactérias, mas a maior parte dos vírus consegue infectar um tipo específico de células de uma única espécie hospedeira.
Em nossos estudos, focaremos principalmente nos vírus que infectam seres humanos e nos que infectam bactérias, chamados de bacteriófagos, ou simplesmente fagos.
O tipo de organismo que o vírus irá parasitar é determinado pela disponibilidade de fatores celulares do hospedeiro, os quais serão necessários para a multiplicação viral. Além disso, para que ocorra a infecção, a superfície do vírus deve interagir quimicamente, através de receptores específicos que existem na superfície da célula hospedeira. Nas bactérias, os receptores podem estar na parede celular ou mesmo nos flagelos e fímbrias. Na célula animal, os receptores ficam na membrana plasmática.
Entender o espectro de hospedeiros de um vírus é interessante porque existem estudos acerca da utilização de vírus no tratamento de algumas doenças bacterianas, através de fagoterapia, utilizando vírus bacteriófagos.
1.2 Tamanho dos vírus
Para determinar o tamanho de um vírus, é necessário estarmos dentro de um laboratório equipado com microscopia eletrônica. É importante saber que os vírus variam consideravelmente de tamanho, conforme variam em seu gênero ou espectro. A maior parte dos vírus são menores que as bactérias, mas existem vírus maiores (como o vírus da vaccínia), que são praticamente do tamanho de algumas bactérias pequenas, podendo citar-se como exemplo as micoplasmas, clamídias e riquétsias. De maneira geral, o comprimento dos vírus varia entre 20 a 1000nm.
Para ilustrar, a nível de curiosidade, veja o tamanho de alguns vírus: o adenovírus tem 90nm, o vírus da raiva apresenta 170nm, o bacteriófago T4 mede 225nm e o vírus da ebola chega a 970nm (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 369).
1.3 Estrutura viral
Segundo Flores (2007, p. 21), existe uma partícula denominada vírion, que é a unidade fundamental dos vírus. Essa partícula pode variar em tamanho, formato e complexidade entre os vírus de diferentes famílias, mas a maioria possui dimensões ultramicroscópicas, e, por isso, só pode ser visualizada na microscopia eletrônica.
Um vírion é uma partícula viral infecciosa, formada por um ácido nucleico (DNA ou RNA) envolto por uma camada proteica, responsável por proteger do ambiente e servir como transmissão de uma célula hospedeira para outra. Por ter variações na estrutura do envoltório, os vírus são classificados por essa diferença (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 370).
Nessa classificação, dois grupos podem ser reconhecidos: os vírus sem envelope e os vírus com envelope. Os vírions mais simples possuem o genoma recoberto pelo capsídeo, que é apenas uma camada simples de proteína. Os vírions mais complexos têm genomas longos e são recobertos por capsídeos complexos, envoltos ainda por uma membrana lipoproteica chamada envelope (FLORES, 2007, p. 22). Para melhor entender a estrutura viral, iremos dividí-la em três partes: ácido nucleico, envoltórios e matriz.
Ácido nucleico:
Nas células procarióticas e eucarióticas, o material genético principal é sempre o ácido desoxirribonucleico (DNA), enquanto o ácido ribonucleico (RNA) tem um papel auxiliar na síntese proteica. Ao contrário dessas células, os vírus podem apresentar DNA ou RNA como material genético, mas nunca ambos. Os dois possíveis ácidos nucleicos podem ser de fita dupla ou fita simples, e, dependendo do vírus, podem ser lineares ou circulares. A quantidade total de ácido nucleico presente em um vírus está entre poucos milhares de nucleotídeos e 250.000 nucleotídeos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 372). Segundo Flores (2007, p. 23), o genoma dos vírus é muito compacto e capaz de codificar apenas proteínas necessárias para sua replicação e transmissão entre as células. Essas funções estão presentes de todos os vírus, e alguns mais complexos podem codificar funções extras, que favorecem a multiplicação e disseminação.
Envoltórios proteicos:
São o capsídeo e o envelope. Como já vimos anteriormente, o vírion pode ser revestido somente pelo capsídeo, ou também pelo envelope. O capsídeo é um envoltório proteico e constitui a maior parte da massa viral, é composto por subunidades que se chamam capsômeros, estruturas que geralmente são visíveis na microscopia eletrônica.
Em alguns vírus, o capsídeo é recoberto pelo envelope, uma combinação de lipídeos, carboidratos e proteínas. De acordo com o vírus, o envelope pode ter espículas, estruturas menores que se projetam a partir da sua superfície, a fim de ligar o vírus à célula hospedeira. As espículas (presentes, por exemplo, no vírus da gripe) ajudam os vírus a se ligar às hemácias, formando pontes chamadas de hemaglutinação, base para testes laboratoriais muito úteis.
Além da proteção,os envoltórios fazem o reconhecimento e interação com estruturas superficiais da célula hospedeira, de forma com que haja penetração do vírus na célula e inicie a multiplicação. Percebemos, portanto, que o envoltório precisa ser resistente para proteger o genoma no interior do vírus, mas precisa se desintegrar com facilidade e segurança para que o genoma entre na célula hospedeira. Essas duas características praticamente opostas constituem o que se chama hoje de (FLORES, 2007, p. 22)
1.4 Morfologia Geral
Com base na organização do capsídeo, os vírus são classificados em tipos morfológicos diferentes, como os vírus helicoidais, poliédricos, envelopados e complexos:
· Vírus helicoidais: Sua forma lembra longos bastões e o genoma viral fica dentro de um capsídeo cilíndrico e oco de estrutura helicoidal. Podemos citar como exemplo dessa classe morfológica o vírus da raiva e da febre hemorrágica.
· Vírus poliédricos: Essa classe é composta por muitos vírus animais, bacterianos e vegetais. O capsídeo tem o formato de um icosaedro (polígono com 20 faces triangulares). O exemplo mais comum de um vírus poliédrico é o adenovírus.
· Vírus envelopados: Já mencionamos anteriormente que alguns vírus possuem o capsídeo recoberto por um envelope. Esses vírus costumam ser esféricos, mas os helicoidais e poliédricos também podem ser envelopados. Um exemplo de helicoidal envelopado é o vírus influenza, enquanto o vírus da herpes é um exemplo de vírus poliédrico envelopado.
· Vírus complexos: Particularmente os bacteriófagos possuem características mais complexas, com estruturas adicionais aderidas (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 373).
2 Taxonomia
Você sabe o que significa taxonomia? Esse é o nome usado para designar a ciência que descreve, identifica e classifica os indivíduos, seja individualmente ou em grupo.
Segundo Tortora e colaboradores (2012, p. 374), assim como se utiliza categorias taxonômicas para animais, plantas e bactérias, a taxonomia viral auxilia na organização e melhor entendimento acerca desses micro-organismos. Antigamente, a classificação era feita com base na sintomatologia, como por exemplo “os vírus que afetam o sistema respiratório”. Esse sistema é útil, mas não tem relevância científica, porque sabemos que o mesmo vírus é capaz de causar diversas doenças. Ainda, de acordo com Flores (2007, p. 41):
No uso formal, as palavras que designam as famílias, subfamílias e gêneros devem iniciar com letra maiúscula e devem ser escritas em itálico ou sublinhadas. O nome da espécie do vírus não deve iniciar com letra maiúscula (a não ser que este nome corresponda a um nome próprio de região, cidade etc.) e deve ser escrito com fonte normal, sem itálico. (...) No uso informal (ou vernacular) os termos referentes à família, subfamília, gênero e espécie devem ser escritos com letras minúsculas, sem itálico ou sublinhado. Neste caso, o sufixo formal não é incluído e o nome do táxon segue o termo usado para definir a unidade taxonômica. Escreve-se então: “a família dos poxvírus”, “o gênero parapoxvirus”.
2.1 Ordem viral
As ordens são agrupamentos de famílias que compartilham características em comum e são reconhecidas pelo sufixo virales. Atualmente existem sete ordens reconhecidas: caudovirales, herpesvirales, mononegavirales, nicovirales, picornavirales e tymovirales (SANTOS et al., 2015, p. 43).
2.2 Família e subfamília viral
A partir da criação do Comitê Internacional de Taxonomia Viral (CITV), em 1966, os vírus foram agrupados em famílias, baseando-se no tipo de ácido nucleico presente no vírus, no método utilizado para replicação e na sua morfologia (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 374).
Com base nos estudos de Santos e colaboradores (2015, p. 43), o sufixo usado para definir as famílias é viridae. Sabe-se que em pelo menos quatro famílias há uma grande complexidade filogenética entre seus membros, e, por isto, convencionou-se dividi-las em subfamílias, cujo sufixo adotado é virinae. Essas famílias que foram subdivididas são: poxviridae, herpesviridae, parvoviridae e paramyxoviridae.
2.3 Gênero viral
Os gêneros são um conjunto de espécies que compartilham características e o sufixo utilizado para defini-los é o virus (SANTOS et al., 2015, p. 44). Essas espécies são agrupadas em gêneros conforme suas propriedades biológicas, molecular e sua organização genômica (FLORES, 2007, p. 40).
2.4 Espécie viral
Quando falamos em espécies, elas são consideradas as mais importantes para a taxonomia, porém, para os vírus, são as mais difíceis de definir. De acordo com Santos e colaboradores (2015, p. 44):
Membros de uma espécie são definidos por mais de uma propriedade, com a vantagem da acomodação da variabilidade genética dos vírus, sem depender de uma única característica. Apesar disso, os pesquisadores ainda encontram dificuldade em denominar como espécie, subespécie, estirpe ou variante. Os grupos de estudo do ICTV determinaram propriedades mais específicas para definir a espécie viral e enfatizaram as diferenças genômicas ou estruturais, físico-químicas ou sorológicas.
Segundo FLORES (2007, p. 40), devido a muitas variações na mesma espécie, convencionou-se classificar em subespécies, cepas, variantes e isolados, mesmo que essa classificação não existe de forma oficial. Porém, utiliza-se essa convenção para facilitar diagnóstico, estudo biológicos e produção de vacinas.
3 Ciclo biológico viral
O principal objetivo da existência de um vírus é gerar um progênie que seja semelhante do ponto de vista genético, a fim de perpetuar o vírus na natureza. Para isso, os vírus causam alterações na fisiologia básica das células afetadas, causando doença ou até mesmo morte do hospedeiro.
Conforme já estudamos nesta mesma unidade, esses micro-organismos são os mais simples da natureza, e portanto, quando estão fora das células vivas, eles são meras estruturas químicas, sem atividade biológica. Uma vez que os vírus não têm metabolismo próprio, não conseguem se multiplicar sem contar com organelas e metabolismo de uma célula hospedeira. É importante lembrar que até os vírus mais evoluídos precisam de uma célula para se reproduzir, e é por este motivo que eles são tradicional e comumente chamados de “parasitas intracelulares obrigatórios”. Chamamos, portanto, de replicação o processo de multiplicação dos vírus (FLORES, 2007, p. 109).
3.1 Replicação dos bacteriófagos
Segundo Tortora e colaboradores (2012, p. 379), o mecanismo para replicação dos vírus é basicamente o mesmo para todos, podendo ocorrer mudanças na maneira de penetração na célula parasitada. Os bacteriófagos (vírus que atacam bactérias) adotam um dos dois mecanismos, o ciclo lítico, quando há destruição final da célula hospedeira, ou ciclo lisogênico, quando a célula hospedeira continua viva.
O ciclo lítico culmina com a lise da célula, ou seja, sua destruição, e é dividida em cinco etapas: adsorção, penetração, biossíntese, maturação e liberação.
· Absorção: Essa etapa ocorre depois de uma colisão ocasional entre o vírus e a bactéria que será utilizada, há ligação entre um sítio de adsorção do vírus e um receptor na parede celular bacteriana (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 380). Segundo Flores (2007, p. 111), existem vírus que dependem de um receptor específico, e existem outros que podem usar diversos receptores para iniciar esse processo de adsorção, o que representa uma vantagem em termos de evolução, já que esses vírus podem infectar mais de um tipo de célula.
· Penetração: Depois da etapa acima, os vírus bacteriófagos introduzem seu DNA no interior da bactéria, através da liberação de lisozima pela cauda viral. Essa enzima destrói parte da parede celular bacteriana. O capsídeo permanece fora da célula (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 380).
· Biossíntese: Quando o DNA viral chega no citoplasma da bactéria, ocorre a biossíntese de novo ácido nucleico e proteínas virais, interrompendo a síntese proteica da célula hospedeira, pois o vírus induz a destruição de seu DNA. Então, o vírus usa enzimas e nucleotídeos da célula hospedeira para duplicar seu DNA, e, depois,utiliza o mRNA, ribossomos, enzimas e aminoácidos para fazer a transcrição e tradução (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 380).
· Maturação: Nessa etapa há formação de vírions a partir do DNA e dos capsídeos, há organização espontânea para formação das partículas virais. A cabeça recebe o DNA viral depois se junta à cauda (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 380).
· Liberação: Esse é o último estágio da multiplicação viral, e, se tratando de um ciclo lítico, após a liberação dos vírions, há o rompimento (lise) da membrana citoplasmática da célula hospedeira, através da enzima lisozima. Os novos vírus liberados infectam células vizinhas que estejam susceptíveis, e o ciclo de replicação do vírus se repete (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 380).
O ciclo lisogênico, por sua vez, não causa destruição da célula hospedeira. Depois que ocorre a penetração na célula, o DNA viral, que antes era linear, forma um círculo, que pode se juntar ao DNA bacteriano (também circular) e se tornar parte dele. Esse DNA que se agregou à célula se chama profago, e, sempre que a célula se reproduzir, o profago também será multiplicado, mas durante o resto do tempo ele ficará latente (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 380).
O ciclo lisogênico tem duas consequências que devem ser observadas. Primeiramente, as células da bactéria afetada se tornam imunes à outra infecção pelo mesmo tipo de vírus. A outra consequência é o aparecimento ocasional de novas propriedades nas células hospedeiras, fenômeno chamado de conversão. Podemos citar, como exemplo, que a toxina produzida pelo Clostridium botulinium é codificada por um gene do profago, ou seja, só consegue causar o botulismo quando é parte do ciclo lisogênico de um bacteriófago.
Determinados vírus animais podem passar por processos extremamente parecidos com a lisogenia: os vírus que ficam latentes grande do período nas células, sem multiplicarem-se ou causarem doenças. Podem estar no cromossomo da célula parasitada ou separado, mas em estado inativado (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 383).
3.2 Replicação dos vírus animais
Os vírus animais, apesar de seguirem o padrão básico de replicação viral, diferem dos bacteriófagos na forma como penetram a célula hospedeira. Ainda, já dentro da célula, a biossíntese de novos componentes é um pouco diferente, talvez pelas notáveis diferenças entre as células eucarióticas e procarióticas, já que os vírus animais tem alguns tipos de enzimas que os bacteriófagos não possuem. Também há diferenças no mecanismo de maturação, de liberação e nos efeitos que causam na célula hospedeira (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 383).
Resumidamente, vamos entender, então, as diferenças do processo de multiplicação desses vírus para os bacteriófagos? No período da adsorção, os sítios de adsorção nos vírus animais são proteínas ou glicoproteínas da membrana plasmática, enquanto nos bacteriófagos esses sítios são as fibras da cauda viral.
Na penetração, o capsídeo do vírus de animais penetra por endocitose ou por fusão, enquanto o DNA viral dos bacteriófagos é injetado na célula e seu capsídeo permanece externo.
Uma etapa que é desnecessária para os bacteriófagos é o desnudamento, que consiste na remoção enzimática das proteínas do capsídeo, essencial para os vírus animais. A biossíntese ocorre no citoplasma dos bacteriófagos, e, nos vírus animais, pode ocorrer no núcleo (genoma DNA) ou no citoplasma (genoma RNA). A infecção crônica para os bacteriófagos consiste na lisogenia e, para os vírus animais, chamamos de latência, infecções lentas que podem causar até mesmo câncer (TORTORA; FUNKE; CASE, 2012, p. 384).
4 Patogenia
Segundo Flores (2007, p. 191), patogenia se refere aos mecanismos que os vírus adotam para produzir doença nos seus hospedeiros, sendo considerada doença qualquer manifestação consequente às alterações fisiológicas do organismo. As manifestações patológicas podem ser aumentos da temperatura corporal, alterações de ânimo ou inapetência, ou também podem ser mais graves que eventualmente levem à morte do hospedeiro. Nas infecções virais, os sintomas aparecem pela interação entre agente e hospedeiro, seja pelo dano causado pelo vírus ou pela resposta imunológica da célula afetada.
Para entendermos a patogenia viral, vamos estudar conceitos básicos que são fundamentais nesse assunto, com base nos estudos de Flores (2007, p. 192 e p. 193). A palavra patogenicidade diz respeito à capacidade de um agente causar doença no hospedeiro, por isso, vírus muito patogênicos são os que produzem patologia em grande parte dos hospedeiros que infecta. A patogenicidade de um vírus é determinada pela sua interação com o hospedeiro.
Virulência, por sua vez, é o nível de severidade da doença que um agente pode causar. Vírus que são avirulentos, ou atenuados, não causam doença, ou causam de forma leve. A susceptibilidade trata das condições do hospedeiro que favorecem a infecção pelo vírus e, consequentemente, o surgimento de doença. Ao contrário, resistência é a força que o hospedeiro oferece quando uma infecção tenta se instalar. Tropismo, por fim, é a afinidade que um vírus tem por células específicas, e geralmente se dá pela existência de receptores para o vírus nas células.
4.1 Efeitos da interação do vírus com a célula hospedeira
Quase que a totalidade das alterações fisiológicas causadas nas células é causada pela interação entre os produtos da replicação viral e os componentes naturais dessas células. Essa interação é essencial para que o vírus se replique.
Os danos advindos da interação vírus-célula podem ocorrer em qualquer etapa da multiplicação viral, seja na adsorção, na penetração, biossíntese, maturação ou até mesmo durante a liberação.
Outra causa comum de dano celular é a toxicidade de algumas substâncias produzidas pelos vírus ou o acúmulo de proteínas e ácido nucleico. Podemos citar, como exemplo, os produtos do vírus da influenza e herpesvírus, que fazem a destruição do RNA mensageiro da célula.
Existem, também, aqueles vírus que utilizam a maquinaria celular de tradução da célula para gerar suas próprias proteínas, fazendo com que a síntese proteica celular seja interrompida, a exemplo do que ocorre com o vírus da estomatite vesicular, o vírus da febre aftosa e os adenovírus. Pode ocorrer também a interrupção da síntese de DNA da célula, o que proporciona maior quantidade de nucleotídeos, proteínas e organelas celulares para sintetizar DNA viral (FLORES, 2007, p. 193).
Alguns vírus estimulam a célula a entrar na fase S do ciclo, ou seja, produzir bastante DNA e iniciar a divisão célular, estratégia que favorece o vírus, pois fornece “matéria-prima” em boa quantidade para a replicação viral.
As poucas proteínas capazes de serem sintetizadas pelos vírus também podem interagir com mecanismos celulares e causar citopatologia. As glicoproteínas presentes no envelope viral, especialmente, podem fazer com que haja erro na produção de proteínas endógenas pela célula. A replicação também pode causar alteração na estrutura e na permeabilidade da célula, causando, muitas vezes, ruptura.
Assim, fica claro que a interação vírus-célula, durante a multiplicação viral, é muito complexa e pode causar diversas e inúmeras alterações da fisiologia viral, consequentemente gerando patologia, injúria celular (FLORES, 2007, p. 194).
4.2 Apoptose por vírus
A interferência causada pelo vírus no ciclo celular, por vezes, é capaz de levar ao que chamamos de transformação tumoral. A apoptose, definida como morte celular programada, ocorre em resposta a muitos estímulos, inclusive infecções causadas por vírus.
Muitos vírus desencadeiam as reações que levam a apoptose da célula hospedeira, formando corpos apoptóticos, cheios de vírus, que resultam em fagocitose e liberação do vírus para o meio extracelular, possibilitando sua disseminação (FLORES, 2007, p. 196).
Também já se sabe que vários vírus inibem ou diminuem a velocidade da apoptose, a fim de prolongar a vida da célula e permitir a continuidade de seu ciclo replicativo (FLORES, 2007, p. 194).
5 Prevenção e controle
Definir, de formageral, a prevenção e controle das infecções virais não é uma tarefa fácil, visto que existem muitas doenças causadas por vírus, variando em sua forma de transmissão, em seus vetores, sua patogenia e seu ciclo reprodutivo.
Entretanto, é de extrema importância entender esse ponto, pois as “viroses”, como popularmente são chamadas, crescem a cada ano que passa, afetando mais pessoas e, por vezes, se tornando um problema de saúde pública, principalmente em países que não são exemplo em saneamento básico, em boas condições econômicas ou acesso à saúde pública de maneira eficaz.
Segundo Schatzmayr (2001, p. 209), nos últimos tempos, começou a se falar sobre inúmeras doenças até então desconhecida, bem como houve ressurgimento de outras infecções que haviam sido controladas. Ele ainda afirma que a maioria das infecções virais são causadas por ações humanas que modificam o meio ambiente, e principalmente pelo crescimento demográfico acentuado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda em 1999, por meio do documento CDC/Atlanta, a fim de determinar linhas de atuação para o controle de viroses emergentes, estabeleceu objetivos essenciais para todos os países:
Objetivo I: Vigilância - Descobrir, investigar rapidamente e acompanhar patógenos emergentes, as doenças que causam e os fatores envolvidos no surgimento do quadro. Objetivo II: Pesquisa Aplicada – Integrar os laboratórios e a epidemiologia para apoio à saúde pública.
Objetivo III: Prevenção e Controle – Estimular a comunicação e a circulação de informações sobre as doenças emergentes e assegurar a implementação de estratégias de prevenção.
Objetivo IV: Infra-estrutura – Fortificar a infra-estrutura de saúde pública em níveis local, estadual e federal, para permitir o estabelecimento da Vigilância (Objetivo I) e a implementação dos programas de Prevenção e Controle (Objetivo II).
Estes são objetivos a serem adotados pelos governos, mas é importante saber as medidas que a população deve seguir diariamente. A maioria das doenças virais são transmitidas por secreções, gotículas de saliva, vetores ou alimentos contaminados. Considerando essas formas mais comuns de transmissão, podemos adotar algumas recomendações de maneira geral.
Para prevenir infecções virais, é necessário lavar as mãos com frequência, principalmente após ir ao banheiro e antes de se alimentar. Não é recomendado compartilhar talheres e copos, deve-se sempre lavar os alimentos, principalmente aqueles que não serão cozidos antes de comer. É importante frequentar apenas restaurantes que seguem as normas da Vigilância Sanitária.
Para prevenir as viroses sexualmente transmissíveis, deve-se utilizar preservativo em todas as relações sexuais. Para as viroses que tem insetos como vetor, por sua vez, é necessário utilizar repelentes, telas, e controlar a multiplicação desses animais, não deixando água parada e procurando sempre higienizar os ambientes.
Além disso, é preciso seguir o protocolo de vacinação recomendado para cada idade, já que muitas doenças podem ser prevenidas com as vacinas, como, por exemplo, gripe, raiva, catapora e sarampo.
Em relação ao controle destas doenças, deve-se evitar aglomerações e até mesmo adotar o isolamento social em épocas de surtos ou pandemias de determinadas doenças. Desta forma, o vírus encontra uma dificuldade no contágio. Nessa mesma linha de raciocínio, evitar contato com pessoas doentes também pode ser eficaz.
Ainda existem outras formas de prevenir doenças virais, como aquelas que tem como princípio fortalecer o sistema imunológico, através de boa alimentação, realização de atividade física regularmente e manter-se hidratado (SANTOS, 2020).
6 Diagnóstico das infecções virais
De acordo com Flores (2007, p. 299), os métodos para diagnóstico de vírus podem ser divididos em diretos e indiretos. Os métodos diretos detectam o vírus (antígeno ou ácido nucleico do vírus) e essa detecção pode ser feita diretamente na amostra de material, ou pode ser feita depois do agente se multiplicar em cultivos celulares pré-estabelecidos. Já os métodos indiretos detectam os anticorpos específicos contra o vírus, ou seja, a resposta do organismo examinado à infecção.
6.1 Métodos diretos
Os métodos diretos mais comuns são a microscopia eletrônica, o isolamento em cultivo celular, a hemaglutinação, a imunofluorescência e imunoperoxidase, os testes imunoenzimáticos e cromoatográficos, e, por fim, a detecção de ácidos nucleicos por hibridização ou PCR.
· Método de microscopia eletrônica: Tem como princípio a visualização das vírions, através de coloração com metais pesados, em um microscópio eletrônico. É um método que demora poucas horas, então é considerado rápido, detecta vírions viáveis e inviáveis e é útil para aqueles vírus que não se multiplicam em cultivo. Além de detectar um vírus, ele pode identificar o agente. Entretanto, é um equipamento caro, que exige pessoal treinado e capacitato e possui baixa sensibilidade. As principais aplicações são infecções entéricas e cutâneas (FLORES, 2007, p. 299).
· Princípio do isolamento em cultivo celular: Consiste em observar o efeito de injúria à célula hospedeira ou detectar produtos virais, após a multiplicação do vírus em meios de cultura adequados. É bastante sensível, tem uma execução relativamente simples, mas pode demorar semanas, não é aplicável a alguns vírus, e só detecta aqueles que estão viáveis. Além disso, pode ocorrer contaminação bacteriana ou fúngica concomitantemente. Qualquer material clínico pode passar pelo isolamento, e todos os vírus que multiplicam em placas de cultivo celular são aplicáveis para esse método.
· Método de hemaglutinação: Esse método se baseia na observação da formação de pontes de aglutinação com eritrócitos, é rápido, sensível, específico e de fácil execução, mas é aplicado para um grupo restrito de vírus. Necessita de espécies doadoras de hemácias e não é automatizável. Pode ser aplicável aos vírus hemaglutinantes.
· Imunofluorescência (IFA) e Imunoperoxidase (IPX): As proteínas virais são detectadas por anticorpos específicos, conjugados com um marcador fluorescente (IFA) ou com uma enzima (IPX). A execução é rápida, simples, barata, bem sensível e específica, disponível em kits e aplicável virtualmente para todos os vírus, desde que se disponha de anticorpos específicos. Porém, o equipamento é caro, e as reações são inespecíficas, devido ao uso de anticorpos policlonais (FLORES, 2007, p. 301)
· Testes imunoenzimáticos/cromatográficos: São realizados pela reação do antígeno com o anticorpo específico imobilizado. A revelação se dá pela mudança de cor. Feito de forma simples, prática, rápida e disponível em kits, com boa sensibilidade e especificidade, mas não é automatizável, com alto custo por amostra. Aplicado a vários vírus de pequenos animais, e para alguns vírus de aves, suínos e bois (FLORES, 2007, p. 301).
· Detecção de ácidos nucleicos (PCR ou hibridização): Neste método, o RNA ou DNA do vírus é detectado por sondas marcadas (hibridização) ou após amplificação por reações enzimáticas (PCR- reação em cadeia da polimerase). É específico, sensível e necessita apenas de uma pequena quantidade da amostra. Além disso, é potencialmente aplicável a todos os vírus, mas tem custo alto, requer profissional treinado e equipamento com técnicas sofisticadas (FLORES, 2007, p. 301).
6.2 Métodos indiretos
Os mais comuns são a soroneutralização, o método ELISA, a inibição da hemaglutinação, imunofluorescência para anticorpos e imunocromatografia.
No método de soroneutralização, os anticorpos presentes no soro impedem a replicação do vírus e o efeito citopático nos cultivos. É sensível, específico, de baixo custo, qualitativo (sim/não) e quantitativo (título de anticorpos). Exige cultivos celulares, passível de contaminação bacteriana e detecta somente anticorpos neutralizantes. Serve para todos os vírus que replicam em cultivo celular (FLORES, 2007, p. 302).
No caso do método ELISA, os anticorpos do soro se ligam aos agentes virais imobilizados, em placas de poliestireno e são detectados poranticorpos conjugados com enzimas. Tem execução rápida, é sensível, específico, automatizável e pode detectar classes específicas de anticorpo (IgG, IgM etc). Requer equipamento, pode ter custo alto e não está disponível para todos os vírus (FLORES, 2007, p. 302).
Na inibição de hemaglutinação, por sua vez, os anticorpos impedem a hemaglutinação do vírus. É rápido, sensível, específico e tem baixo custo, mas só pode ser feita em vírus hemaglutinantes e requer doação de eritrócitos, além de não ser automatizável (FLORES, 2007, p. 302).
No método imunofluorescência para anticorpos, os anticorpos presentes no soro se ligam a antígenos específicos e são detectados por anticorpos marcados. É rápido, sensível e simples, mas as reações são inespecíficas, exige microscópio de UV, podendo não detectar níveis baixos de anticorpos. Atualmente seu uso é restrito a alguns vírus apenas (FLORES, 2007, p. 302).
Por fim, na imunocromatografia, a presença de anticorpo que reage com o antígeno é ativada pela mudança de cor. Simples e prático, disponível em kits, sensível e específico, mas com alto custo individual, além de não ser automatizável (FLORES, 2007, p. 302).