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Trabalho de Conclusao de Curso - Ana Ivete Ivanov Sandin

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
DEPARTAMENTO DE ODONTOLOGIA 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
Ana Ivete Ivanov Sandin 
 
 
 
 
 
 
Tratamento de molares com hipomineralização molar incisivo: revisão 
integrativa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Florianópolis 
2022 
 
 
 
Ana Ivete Ivanov Sandin 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tratamento de molares com hipomineralização molar incisivo: revisão 
integrativa 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao 
curso de Graduação em Odontologia do Centro de 
Ciências da Saúde da Universidade Federal de 
Santa Catarina como requisito para a obtenção do 
título de Cirurgiã Dentista. 
 
Orientadora: Profª Sheila Cristina Stolf Cupani, Dra. 
Coorientadora: Profª Carla Miranda Santana, Dra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Florianópolis 
2022 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ana Ivete Ivanov Sandin 
 
Tratamento de molares com hipomineralização molar incisivo: revisão 
integrativa 
 
Este Trabalho Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de 
“Cirurgião-Dentista” e aprovado em sua forma final pelo Curso de Odontologia. 
 
Florianópolis, 22 de novembro de 2022. 
 
 
________________________ 
Prof.ª Dra. Gláucia Santos Zimmermann 
Coordenadora do Curso 
 
Banca Examinadora: 
 
 
________________________ 
Prof.ª Sheila Cristina Stolf Cupani, Dra. 
Orientadora 
Universidade Federal de Santa Catarina 
 
 
________________________ 
Prof.ª Silvana Batalha Silva, Dra. 
Avaliador(a) 
Universidade Federal de Santa Catarina 
 
 
________________________ 
Me. Mariana Perini Zendron 
Avaliador(a) 
Universidade Federal de Santa Catarina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este trabalho é dedicado aos meus queridos pais. 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Aos meus pais, Tatiana Ivanov e André Sandin, por serem os maiores 
incentivadores dos meus estudos e por me proporcionarem tudo isso. Obrigada por 
sempre acreditarem nos meus sonhos, eu amo vocês! 
A minha irmã Valentina, que torna nossos dias mais leves com toda a sua 
alegria, espontaneidade e doçura. 
Aos meus avós, Laurinez, e Igor, por estarem sempre vibrando com as minhas 
conquistas. Obrigada pelos almoços nos intervalos da faculdade e pela confiança de 
terem sido meus pacientes também! 
Aos meus avós, Eliziete e Sálvio, por todo incentivo e carinho, sempre 
disponíveis para a nossa família, sem medirem esforços para nos fazer feliz! 
Aos amigos que fiz durante a faculdade: Aline Sagaz, Lara Búrigo, Marianna 
Gimennes, Fernanda Martins e Letícia Demétrio. Vocês tornaram estes anos mais 
fáceis e leves. Em especial, minha dupla Aline, por toda parceria e cumplicidade, 
juntas desde o primeiro semestre da faculdade. 
Ao meu namorado Gabriel, que esteve presente em vários momentos 
importantes, sendo sempre um dos meus maiores incentivadores. 
A minha orientadora Sheila Stolf, que super admiro como docente e pessoa. 
Obrigada pela paciência de ensinar de forma tão cuidadosa e por todo carinho comigo. 
Sou muito grata pela oportunidade de aprender tanto com você! 
A minha coorientadora Carla Miranda Santana, que é uma inspiração como 
profissional e que esteve sempre presente com toda a sua atenção. Obrigada por 
compartilhar todos os seus conhecimentos e nos ajudar tanto, serei sempre grata! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? 
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato. 
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice. 
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato. 
(Lewis Carroll) 
 
 
 
RESUMO 
 
A Hipomineralização Molar Incisivo (HMI) é um defeito de desenvolvimento qualitativo 
do esmalte dentário, que pode acometer um, ou até mesmo, os quatro primeiros 
molares permanentes, associados ou não a alteração dos incisivos. As alterações nos 
molares ocorrem em diferentes graus, desta forma o manejo destes dentes varia, 
sendo por muitas vezes desafiador. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi realizar 
uma revisão integrativa da literatura sobre as modalidades de tratamento da HMI para 
os molares. Para tal, foram utilizadas as bases de dados PubMed, Web of Science, 
Scopus e Portal Regional da BVS aplicando estratégias de busca relacionadas aos 
seguintes termos: “Hipomineralização Molar Incisivo” e “Terapêutica”. A pesquisa foi 
limitada aos artigos publicados nas línguas portuguesa e inglesa, entre os anos de 
2017 e 2022, os quais apresentavam como temática principal o tratamento de molares 
com HMI. A busca inicial resultou em 468 artigos, sendo 259 artigos após remoção 
das duplicatas. Foram aplicados os critérios de inclusão e exclusão e por fim, 18 
artigos se adequavam ao objetivo do trabalho. Observou-se que o número de estudos 
sobre as condutas clínicas frente a HMI aumentou nos últimos anos. Embora as 
evidências científicas ainda não indiquem quais os protocolos específicos para o 
tratamento da HMI, conforme o grau de severidade do dente afetado, é possível 
identificar diferentes condutas clínicas, tais como, controle da sensibilidade, 
prevenção da cárie dental, tratamento restaurador até a extração com ou sem 
posterior tratamento ortodôntico. Assim, o conhecimento sobre a HMI e suas 
possibilidades de tratamento torna-se essencial permitindo um melhor manejo desta 
condição de forma precoce, a fim de empregar procedimentos minimamente 
invasivos. 
 
Palavras-chave: Hipomineralização Dentária; Terapêutica; Molar; Revisão 
Acadêmica. 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
Molar Incisor Hypomineralization (MIH) is a qualitative developmental defect of the 
dental enamel, which can affect one, or even the four first permanent molars, 
associated or not with the alteration of the incisors. Changes in molars occur in different 
degrees, so the treatment can be challenging. In this context, the aim of this study was 
to carry out an integrative review of the literature on the treatment modalities of MIH 
for molars. For this, PubMed, Web of Science, Scopus and VHL Regional Portal 
databases were used, applying search strategies related to the following terms: “Molar 
Incisor Hypomineralization” and “Therapeutics”. The search was limited to articles 
published in Portuguese and English, between the years 2017 and 2022, which had 
the treatment of molars with HMI as their main theme. The initial search resulted in 468 
articles, with 259 articles after removal of duplicates. Inclusion and exclusion criteria 
were applied and, finally, 18 articles fit the objective of the work. It was observed that 
the number of studies on clinical approaches to HMI has increased in recent years. 
Although scientific evidence still does not indicate which specific protocols for the 
treatment of MIH, according to the degree of severity of the affected tooth, it is possible 
to identify different clinical procedures, such as sensitivity control, prevention of dental 
caries, restorative treatment until extraction. with or without subsequent orthodontic 
treatment. Knowledge about MIH and its treatment possibilities becomes essential, 
allowing a better management of this condition at an early stage, in order to employ 
minimally invasive procedures. 
 
Keywords: Dental hypomineralization; Therapy; Molar; Review. 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1......................................................................................................................27 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1......................................................................................................................24 
Tabela 2......................................................................................................................29 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
CIVCimento de Ionômero de Vidro 
CPP-ACP Casein phosphopeptides - amorphous calcium and phosphate (Caseína 
Fosfopeptídeo-Amorfo de Cálcio Fosfato) 
DDE Defeitos de Desenvolvimento do Esmalte 
F Flúor 
HMI Hipomineralização Molar Incisivo 
MIH Molar Incisor Hypomineralization 
PMPs Primeiros Molares Permanentes 
PRISMA Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses 
(Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Meta-Análises) 
QVRSB Qualidade de Vida Relacionada à Saúde Bucal 
RC Resina Composta 
UFSC Universidade Federal de Santa Catarina 
 
 
 
 
LISTA DE SÍMBOLOS 
 
* Asterisco 
= Igual 
® Marca registrada 
% Porcentagem 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 15 
2. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................. 17 
3. OBJETIVOS ....................................................................................................... 22 
3.1 OBJETIVO GERAL .............................................................................................. 22 
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 22 
4. METODOLOGIA ................................................................................................ 23 
4.1 ELABORAÇÃO DA PERGUNTA NORTEADORA ............................................... 23 
4.2 BUSCA OU AMOSTRAGEM DA LITERATURA .................................................. 23 
4.3 COLETA DE DADOS ........................................................................................... 24 
4.4 ANÁLISE CRÍTICA DOS ESTUDOS INCLUÍDOS .............................................. 25 
4.4.1 Critérios de inclusão ......................................................................................... 25 
4.4.2 Critérios de exclusão ........................................................................................ 26 
5. RESULTADOS ................................................................................................... 27 
6. DISCUSSÃO ...................................................................................................... 40 
6.1 DESSENSIBILIZANTES ...................................................................................... 41 
6.2 FLUORTERAPIA ................................................................................................. 42 
6.3 SELANTES .......................................................................................................... 42 
6.4 RESTAURAÇÕES COM CIMENTO DE IONÔMERO DE VIDRO (CIV) ............. 43 
6.5 RESTAURAÇÕES DIRETAS COM RESINA COMPOSTA ................................. 45 
6.6 COROAS DE AÇO INOXIDÁVEL ........................................................................ 46 
6.7 RESTAURAÇÕES INDIRETAS ........................................................................... 47 
6.8 EXODONTIA E TRATAMENTO ORTODÔNTICO .............................................. 48 
7. CONCLUSÕES .................................................................................................. 50 
8. REFERÊNCIAS .................................................................................................. 51 
ANEXO A - ATA DE APRESENTAÇÃO DO PRESENTE TRABALHO DE 
CONCLUSÃO DE CURSO ........................................................................................ 57 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
1. INTRODUÇÃO 
 
O termo “Hipomineralização de Molares e Incisivos” (HMI), proposto pela 
primeira vez em 2001, foi definido como uma alteração na qualidade do esmalte, ainda 
de causa desconhecida, que afeta principalmente os primeiros molares permanentes 
associados ou não com o envolvimento dos incisivos permanentes (WEERHEIJM et 
al., 2001). Clinicamente se apresenta por meio de opacidades bem delimitadas de cor 
branco-creme a amarelo acastanhada. 
Existem algumas hipóteses relacionadas à etiologia da HMI, que ainda não está 
bem definida. Como tal, as exposições pré-natais (tabagismo materno ou doença 
durante a gravidez), as exposições perinatais (parto prematuro ou prolongado, baixo 
peso ao nascer, parto cesáreo e complicações no parto) e as exposições pós-natais 
(doenças na primeira infância, medicamentos ou amamentação) são discutidas na 
literatura como as principais causas ou como os fatores associados à HMI 
(ELHENNAWY; SCHWENDICKE, 2016c). 
Além disso, ainda é estudada a suscetibilidade genética associada à HMI. Em 
2014, KÜHNISCH e colaboradores, investigaram de forma mais abrangente a carga 
genética potencialmente envolvida no desenvolvimento de HMI e observaram uma 
associação entre as variações nos genes e uma maior prevalência da condição. 
Dessa forma, concluíram que a HMI é um distúrbio multifatorial, apesar dos fatores 
ambientais específicos e da contribuição genética ainda não estarem completamente 
compreendidos (KÜHNISCH et al., 2014). 
A prevalência da HMI varia entre 2,8% a 44% (HERNANDEZ; BOJ; ESPASA, 
2016). Entretanto, é necessária uma padronização nos critérios dos estudos, visto que 
o uso de grupos experimentais com indivíduos com diferentes idades pode gerar 
variações nos índices relatados (WEERHEIJM et al., 2001). 
O conhecimento e a identificação clínica realizada pelo Cirurgião-Dentista são 
de extrema importância, uma vez que esta lesão é frequentemente confundida com 
outros tipos de lesões hipomineralizadas. Para o diagnóstico diferencial da HMI, é 
indicado atentar para a fluorose dental, hipoplasia de esmalte, amelogênese 
imperfeita, lesões de mancha branca e a hipomineralização associada à história de 
trauma do dente primário predecessor (ALMUALLEM; BUSUTTIL-NAUDI, 2018b). 
 
 
16 
O tratamento da HMI pode variar dependendo da gravidade das lesões, do 
dente acometido e da idade dental dos pacientes. Há diversos tipos de terapêutica 
disponíveis na literatura, as quais podem envolver desde a prevenção da cárie dental, 
o controle da sensibilidade, o tratamento restaurador até a extração com ou sem 
posterior alinhamento ortodôntico dos dentes adjacentes (VENTURA, 2019). 
Os molares com diagnóstico de HMI são mais susceptíveis à sensibilidade 
dentária devido à pobre mineralização do esmalte e possível exposição de dentina 
(ALMUALLEM; BUSUTTIL-NAUDI, 2018). Este tecido por apresentar-se desprotegido 
pode dificultar a higienização, por conta do desconforto durante a escovação e 
favorecer o surgimento da doença cárie. Além disso, a ansiedade apresentada pelos 
pacientes pode estar relacionada à dor relatada durante as consultas de tratamento 
que podem causar momentos de desconforto pela manipulação dental (ALMUALLEM; 
BUSUTTIL-NAUDI, 2018). Diante disso, é importante que o diagnóstico precoce seja 
realizado visando à prevenção de problemas, e caso haja necessidade de 
intervenção, que esta seja realizada de forma efetiva a fim de evitar danos maiores e 
irreversíveis. 
A revisão integrativa é a mais ampla abordagem metodológica referente às 
revisões de literatura, permitindo a inclusão de estudos experimentais e não-
experimentais para uma compreensão completa do fenômeno analisado (SOUZA, M. 
T. De; SILVA; CARVALHO, 2010). Esta revisão determina o conhecimento atual sobre 
uma temática específica, já que é conduzida de modo a identificar, analisar e sintetizar 
resultados de estudos independentes sobre o mesmo assunto, contribuindo, para uma 
possível repercussão benéfica na qualidade dos cuidados prestados ao paciente 
(SOUZA, M. T. De; SILVA; CARVALHO, 2010). 
Portanto, diante das diversas condutas em relação ao tratamento de molares 
afetados por HMI e da importância do seu adequado manejo visando à redução das 
intervenções, por se tratar de dentes de grande valor estratégico para a dentição 
permanente, torna-se importante realizar uma revisão integrativa da literatura sobre 
esta temática, a fim de sistematizaras informações e auxiliar os Cirurgiões-Dentistas 
na condução dos casos de HMI. 
 
 
 
17 
2. REVISÃO DE LITERATURA 
 
O esmalte dentário, tecido mais duro do corpo, tem em sua composição uma 
porcentagem muito alta de minerais (98%) e muito baixa de água e matriz orgânica 
(2%). Esse tecido é produzido por células especializadas conhecidas como 
ameloblastos, que são células muito sensíveis a qualquer distúrbio sistêmico que pode 
provocar alterações em suas funções e desencadear defeitos no esmalte, as quais 
podem variar conforme a fase da amelogênese em que ocorreu o distúrbio (SALES et 
al., 2016). 
As alterações que acometem o esmalte durante o estágio de formação da 
matriz podem resultar na redução da espessura ou na formação do esmalte, 
promovendo o aparecimento das hipoplasias (SALES et al., 2016). A 
hipomineralização, por sua vez, caracteriza-se pela deficiência na qualidade do 
esmalte, decorrente de defeitos ocorridos na fase de maturação (FERREIRA et al., 
2005). Estas alterações associadas aos estágios de formação do esmalte são 
chamadas de defeitos de desenvolvimento do esmalte (DDE) e, são comumente 
encontradas na prática clínica. 
Diferente de outros DDE, a HMI se apresenta como defeitos qualitativos do 
esmalte de origem sistêmica e pode afetar um ou mais dentes, com destaque para os 
primeiros molares permanentes, com possível envolvimento dos incisivos 
permanentes (WEERHEIJM et al., 2001). Histologicamente, os dentes afetados com 
a HMI apresentam um arranjo diferente dos cristais de esmalte com bainhas 
prismáticas menos distintas (SCHWENDICKE et al., 2018). 
Clinicamente, as lesões de HMI se apresentam com opacidades demarcadas, 
razoavelmente grandes, de coloração amarelo-esbranquiçada ou marrom-amarelada 
e que podem ou não estar associadas à degradação pós-eruptiva do esmalte (KANG, 
2016). Por conta da maior porosidade e menor rigidez do esmalte, o dente afetado 
com HMI pode ser facilmente fraturado pelas forças mastigatórias o que pode levar a 
uma exposição de dentina e a formação de cavidades, as quais facilitam o acúmulo 
de biofilme e a suscetibilidade à doença cárie (ALMUALLEM; BUSUTTIL-NAUDI, 
2018). 
Em 2020, um método diagnóstico da HMI foi desenvolvido por Cabral e 
colaboradores, baseado não apenas na presença, mas também na gravidade da 
HMI. Esse método é chamado de sistema de pontuação de gravidade e é baseado 
 
 
18 
nos seguintes códigos: (0) translucidez normal do esmalte, sem opacidade do 
esmalte; (1) presença de opacidade do esmalte branco/creme; (2), presença de 
opacidade amarela/marrom; (3) ruptura pós-eruptiva restrita ao esmalte associada à 
opacidade branca/cremosa; (4) ruptura pós-eruptiva restrito ao esmalte associado à 
opacidade amarela/marrom; (5) ruptura pós-eruptiva expondo a dentina, a dentina é 
dura; (6) ruptura pós-eruptiva expondo a dentina, a dentina é macia; (7) restauração 
atípica sem defeito marginal; (8) restauração atípica com defeito marginal; e (9) dente 
extraído por HMI (CABRAL et al., 2020). 
 Alguns estudos demonstraram que a prevalência da HMI pode variar entre 
2,8% a 44% (HERNANDEZ; BOJ; ESPASA, 2016). Em 2009, SOVIERO e 
colaboradores relataram uma prevalência de 40,2% de HMI em crianças de 7 a 13 
anos, no Rio de Janeiro. Em um estudo de 2010, DA COSTA-SILVA e colaboradores 
observaram a prevalência de HMI em crianças brasileiras residentes no município de 
Botelho, Minas Gerais. Neste estudo que envolveu 918 crianças, entre 6 e 12 anos, a 
prevalência foi de 19,8% com maior prevalência nas áreas rurais. Estes dados 
demonstraram uma alta prevalência de HMI no Brasil, os quais podem estar 
relacionados com os fatores etiológicos locais. Entretanto, é difícil comparar os 
resultados em diferentes países devido à variação nos índices e nos critérios de 
diagnóstico, nos métodos de seleção e nas diferentes faixas etárias (HERNANDEZ; 
BOJ; ESPASA, 2016). 
A etiologia da HMI pode gerar discussões e ainda não está bem definida. Ao 
considerar que a mineralização dos primeiros molares e incisivos permanentes inicia 
no final do período da gestação e se completa ao longo dos primeiros quatro anos de 
vida (TOURINO et al., 2016), a presença de distúrbios sistêmicos ou ambientais 
durante esses períodos, diferenciados em pré-natal, perinatal e pós-natal, são 
apontados como as possíveis causas (TOURINO et al., 2016). 
Entre as causas pré-natais estão o tabagismo materno e as doenças durante a 
gravidez (ELHENNAWY; SCHWENDICKE, 2016a). Já as exposições perinatais 
podem ser causadas de forma isolada ou por uma combinação de fatores. Entre eles, 
estão a hipocalcemia que pode estar associada ao diabetes materno, a deficiência de 
vitamina D durante o período pré-natal e/ou perinatal e a prematuridade 
(ALALUUSUA, 2010). A hipóxia também foi associada com problemas médicos 
durante o nascimento, como a prematuridade e o baixo peso ao nascer, o estresse 
respiratório e o parto cesáreo ou prolongado (ALALUUSUA, 2010). 
 
 
19 
No período pós-natal, uma atenção especial tem sido dada às doenças 
infecciosas durante a infância, como a febre alta, o uso de antibióticos como a 
Amoxicilina (KUSCU et al., 2013) e a exposição aos tóxicos ambientais e dioxinas. O 
primeiro ano de vida é de enorme relevância clínica, por ser um período em que ocorre 
a formação dos dentes, inclusive da coroa dos primeiros molares e incisivos 
permanentes, logo, é a fase determinante para o desenvolvimento desta 
patologia (RESENDE; FAVRETTO, 2019). 
Além de todos esses fatores, ainda é discutido a suscetibilidade genética 
associada à HMI. Em 2014, KÜHNISCH e colaboradores, investigaram de forma mais 
abrangente a carga genética potencialmente envolvida no desenvolvimento de HMI e 
os autores observaram uma associação entre as variações nos genes AMBN 
(Ameloblastin), ENAM (Enamelin), TUFT1 (Tuftelin 1), TFIP11 (Tuftelin interacting 
protein 11) e SCUBE 1 (Signal peptide, CUB domain and EGF like do- main containing 
1) e uma maior prevalência da condição. Dessa forma, concluíram que a HMI é um 
distúrbio multifatorial, apesar dos fatores ambientais específicos e da contribuição 
genética ainda não estarem completamente compreendidos. 
Os pacientes com HMI em molares podem apresentar uma série de condições 
as quais podem dificultar o manejo clínico. Nas fraturas pós-eruptivas do esmalte, é 
comum a exposição de dentina, que quando não tratada pode evoluir para um quadro 
com comprometimento pulpar (GHANIM et al., 2017). Essas fraturas deixam as 
cavidades expostas aos estímulos locais frequentes, que podem gerar inflamação 
pulpar e consequente sintomatologia dolorosa (GHANIM et al., 2017). Os dentes 
afetados podem apresentar elevada sensibilidade, o que resulta em má higiene oral e 
aumento da suscetibilidade à cárie dentária (GHANIM et al., 2017). 
Na prática clínica, a inflamação pulpar crônica pode dificultar a analgesia local, 
o que muitas vezes desencadeia problemas de comportamento, como o medo e a 
ansiedade, relacionados à dor vivenciada pelos pacientes durante as múltiplas 
consultas de tratamento (GHANIM et al., 2017). Os molares afetados geralmente 
requerem tratamento extenso e podem criar problemas para o paciente e para o 
clínico, visto que podem ser dentes difíceis de serem anestesiados e restaurados 
adequadamente, o que pode levar à perda precoce (LYGIDAKIS, 2010). 
A qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB), já foi objeto de estudo 
de FUETTERER e colaboradores, em 2020, os quais avaliaram o impacto da HMI de 
 
 
20 
acordo com a percepção de escolares e seus pais/cuidadores. O estudo transversal 
foi composto por uma amostra de 594 escolares entre 11 e 14 anos e seus 
pais/cuidadores que responderam aos questionários de QVRSB. De acordo com a 
percepção tanto dos escolares quanto dos seus pais/cuidadores, as crianças com HMI 
grave tiveram maior limitação funcional e impacto negativoperante à sintomatologia, 
em relação àqueles que não apresentavam HMI (FUETTERER et al., 2020). Esses 
resultados reforçaram a importância de tratar os dentes danificados pela HMI, para 
ajudar a aliviar o sofrimento das crianças e melhorar a qualidade de vida 
(FUETTERER et al., 2020). 
As possibilidades de terapêuticas para a HMI variam e podem envolver desde 
a prevenção, do controle de hipersensibilidade, do tratamento restaurador até a 
extração com ou sem o alinhamento ortodôntico dos dentes adjacentes (SOMANI et 
al., 2021). 
Como medida preventiva a fim de melhorar a dureza de superfícies dentais 
acometidas pela HMI, o uso tópico de flúor tem sido recomendado para reduzir a 
sensibilidade e aumentar a resistência à desmineralização, fornecendo um 
reservatório de íons de flúor que se depositam na estrutura do esmalte (CARDOSO et 
al., 2019). 
O uso de selante de cicatrículas e fissuras, as infiltrações resinosas e o uso de 
materiais que liberam flúor como o cimento de ionômero de vidro (CIV), podem ser 
indicados onde já existe perda estrutural ou sensibilidade dentária (DHAREULA et al., 
2019). Entretanto, caso o dente afetado por HMI já esteja cavitado, devido a fratura 
e/ou cárie dentária, uma abordagem restauradora pode ser realizada (SOMANI et al., 
2021). 
Assim, diferentes materiais restauradores, tais como resina composta, coroas 
de aço inoxidável e restaurações indiretas têm sido propostos, apesar das evidências 
científicas ainda não indicarem qual o melhor tratamento restaurador (ELHENNAWY; 
SCHWENDICKE, 2016a). 
Na HMI severa, a extração do dente pode ser uma opção de tratamento, 
considerando as futuras intervenções e os procedimentos odontológicos que 
poderiam ser evitados (ELHENNAWY et al., 2016). 
Dessa forma, cada caso clínico deve ser avaliado individualmente e a 
determinação do tratamento dependerá de uma série de fatores, tais como a idade do 
 
 
21 
paciente, condições socioeconômicas e grau de severidade do dente afetado 
(RESENDE; FAVRETTO, 2019). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
3. OBJETIVOS 
 
3.1 OBJETIVO GERAL 
 
Realizar uma revisão de literatura integrativa sobre o tratamento de molares 
afetados pela Hipomineralização Molar Incisivo. 
 
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
- Discutir sobre as técnicas e os materiais restauradores utilizados no 
tratamento da Hipomineralização Molar Incisivo; 
- Apresentar a longevidade dos tratamentos propostos. 
 
 
 
23 
4. METODOLOGIA 
 
Este trabalho trata de uma revisão integrativa científica sobre o tratamento de 
molares acometidos pela Hipomineralização Molar Incisivo. Para a construção da 
metodologia da revisão integrativa, foram adotadas as seguintes etapas (GANONG, 
1987): 
4.1 ELABORAÇÃO DA PERGUNTA NORTEADORA 
 
Nessa primeira etapa, definiu-se a pergunta da pesquisa, que foi utilizada como 
guia da revisão integrativa. A definição da pergunta norteadora é a fase mais 
importante da revisão, uma vez que determina quais os estudos incluídos, os meios 
adotados para a identificação e as informações coletadas de cada artigo selecionado 
(SOUZA, M. T. De; SILVA; CARVALHO, 2010). Portanto, esse processo incluiu a 
definição dos participantes, as intervenções a serem avaliadas e os resultados 
mensurados (GALVÃO; SAWADA; TREVIZAN, 2004). 
A revisão pretendeu responder à seguinte pergunta de pesquisa: Quais as 
modalidades de tratamento para molares afetados pela Hipomineralização Molar 
Incisivo? 
4.2 BUSCA OU AMOSTRAGEM DA LITERATURA 
 
Foram desenvolvidas estratégias de busca personalizadas para cada base de 
dados. Este auxílio na formação da estratégia foi fornecido gratuitamente pela 
Biblioteca Universitária, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio 
de um atendimento individualizado, mediante agendamento e fornecimento de dados, 
como: identificação do pesquisador, dados do problema, objetivos da pesquisa e 
principais assuntos do estudo. 
A partir dessas informações, as estratégias de busca foram realizadas com 
base em palavras-chave para abranger a totalidade das publicações sobre a temática. 
Os principais assuntos da pesquisa e os seus sinônimos foram consultados nos 
Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) para termos em português, e no Medical 
Subject Headings (MeSH) para termos em inglês. Foi utilizado na busca, o descritor 
“terapêutica” e seus sinônimos em inglês, combinados com a palavra-chave "molar 
incisor hypomineralization" e suas variações e siglas em inglês. 
 
 
24 
4.3 COLETA DE DADOS 
 
Após definida a estratégia, a coleta de dados foi realizada por meio de artigos 
científicos localizados nos seguintes bancos de dados online: PubMed, Web of 
Science, Scopus e Portal Regional da BVS. A pesquisa foi realizada, compreendendo 
o período entre 2017 e 2022, e limitada aos artigos publicados nas línguas portuguesa 
e inglesa. 
Foram selecionados inicialmente 468 artigos, dentre as bases de dados 
consultadas: 183 artigos na PubMed, 120 artigos na Web of Science, 133 artigos na 
Scopus e 32 artigos no Portal Regional da BVS. 
Dessa forma, os artigos obtidos foram enviados para o software MENDELEY 
®, onde foram inseridas as citações e as referências da pesquisa. Em seguida, foram 
excluídas as duplicatas, restando um total de 259 artigos. 
 
Tabela 1. Estratégias de busca em bases de dados 
Base de dados Estratégias de busca para identificação de estudos 
PubMed ("molar-incisor hypomineralisation"[Title/Abstract] OR 
"molar-incisor-hypomineralisation"[Title/Abstract] OR 
"molar incisor hypomineralization"[Title/Abstract] OR 
"molar-incisor hypomineralization"[Title/Abstract] OR 
"MIH"[Title/Abstract] AND (y_5[Filter])) AND 
((Therapeutics[MeSH Terms]) OR 
(Therapeutics[Title/Abstract] OR 
Therapeutic[Title/Abstract] OR Therapy[Title/Abstract] 
OR Therapies[Title/Abstract] OR 
Treatment[Title/Abstract] OR Treatments[Title/Abstract]) 
AND (y_5[Filter])) 
Web of Science (("Therapeutics" OR Therap* OR Treatment*) AND 
("molar-incisor hypomineralisation" OR "molar-incisor-
hypomineralisation" OR "molar incisor 
hypomineralization" OR "molar-incisor 
hypomineralization" OR "Molar and Incisor 
Hypomineralization")) 
 
 
 
25 
Scopus (("Therapeutics" OR Therap* OR Treatment*) AND 
("molar-incisor hypomineralisation" OR "molar-incisor-
hypomineralisation" OR "molar incisor 
hypomineralization" OR "molar-incisor 
hypomineralization" OR "Molar and Incisor 
Hypomineralization")) 
 
Portal Regional da 
BVS 
(("Terapêutica" OR Terapêutica* OR Terapia* OR 
Tratamento* OR "Therapeutics" OR Therap* OR 
Treatment*) AND ("Hipomineralização Molar Incisivo" OR 
"Hipomineralização Molar Incisiva" OR 
"Hipomineralização incisivo-molar" OR 
"Hipomineralização incisiva-molar" OR 
"Hipomineralização molar-incisivo" OR 
"Hipomineralização molar-incisiva" OR "molar-incisor 
hypomineralisation" OR "molar-incisor-
hypomineralisation" OR "molar incisor 
hypomineralization" OR "molar-incisor 
hypomineralization" OR "Molar and Incisor 
Hypomineralization")) 
 
4.4 ANÁLISE CRÍTICA DOS ESTUDOS INCLUÍDOS 
 
A análise e a seleção dos artigos incluídos nesta revisão foram divididas em 
duas fases. Na primeira fase, foi realizada a leitura dos títulos e dos resumos dos 
artigos por um revisor. Os estudos que não atenderam aos critérios de elegibilidade 
foram excluídos. Nesta etapa, foram aplicados alguns critérios de exclusão e inclusão, 
tais como: 
4.4.1 Critérios de inclusão 
 
Foram incluídos estudos que relataram modalidades de tratamento de molares 
afetados pela Hipomineralização Molar Incisivo, indexados nas bases de dados 
 
 
26 
selecionadas, publicados em inglês ou português, com recorte temporal dos últimos 5 
anos, artigos originais, com textos completos e disponibilizados na íntegra. 
4.4.2 Critérios de exclusão 
 
Teses, dissertações, editoriais, cartas, artigosde opinião, comentários, resumo 
de anais, ensaios, publicações duplicadas, dossiês, TCC, resumos, protocolos, 
opinião pessoal, artigos publicados em outras línguas além dos idiomas português, 
inglês e espanhol e artigos com texto completo indisponível foram excluídos. 
 
 
 
 
27 
5. RESULTADOS 
 
Após a análise crítica dos estudos incluídos, permaneceram 73 artigos os quais 
passaram por uma segunda fase de seleção, onde foi realizada a leitura do artigo 
completo. Esta etapa foi realizada por dois revisores. Dessa seleção, foram obtidos 
19 artigos para realização da leitura completa. Por fim, restaram 18 que responderam 
ao objetivo proposto pelo estudo como mostra a Fig. 1. 
 
Fig. 1 – Fluxograma das etapas de seleção de artigos e critérios de seleção 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 Adaptado do PRISMA. 
 
Registros identificados através 
da pesquisa nas bases de 
dados: 
PubMed (n = 183) 
Web od Science (n = 120) 
Scopus (n = 133) 
BVS (n = 32) 
Registros após a remoção das 
duplicatas (n = 259) 
Registros selecionados das 
bases de dados 
(n = 259) 
Registros excluídos 
(n = 209) 
Artigos de texto completo 
avaliados para elegibilidade 
(n = 19) 
Registros excluídos: 
Razão 1 (n = 1) Aborda 
tratamento para molares 
decíduos 
 
Estudos incluídos na revisão 
(n = 18) 
 
Registros identificados através da pesquisa nas bases de dados (n = 468) 
Id
en
tif
ic
aç
ão
 
Se
le
çã
o 
In
cl
uí
do
s 
El
eg
ib
ili
da
de
 
 
 
28 
Dentre os 19 artigos selecionados para a revisão integrativa de literatura, foram 
encontradas diferentes modalidades de tratamento para a HMI. Desses, 1 artigo foi 
excluído por abordar o tratamento de HMI em molares decíduos, que não foi incluído 
no objetivo deste estudo. 
 
A tabela 2 apresenta a lista dos 18 artigos selecionados e incluídos na revisão 
integrativa de literatura, em relação as características do estudo como autoria, ano de 
publicação, título, tipo de estudo, tratamento proposto, período e conclusão. 
 
Tabela 2. Artigos selecionados e incluídos na revisão de integrativa
 
 
29 
 
CARACTERÍSTICAS DO ESTUDO 
Autor Ano Objetivo Tipo Tratamento Período Conclusão 
Bekes, Katrin 
Heinzelmann, 
Karolin 
Lettner, 
Stefan 
Schaller, 
Hans Günter 
2017 Avaliar o efeito de uma 
pasta dessensibilizante 
contendo arginina 
(Pasta dessensibilizante 
Elmex Sensitive 
Professional) em 
molares hipersensíveis 
com HMI. 
Ensaio 
clínico 
não 
randomiza
do 
Cada criança recebeu 
um único tratamento 
no consultório com 
pasta 
dessensibilizante, 
seguido por 8 
semanas de 
escovação 2 vezes ao 
dia com um dentifrício 
dessensibilizante 
contendo 8% de 
arginina, carbonato de 
cálcio com 1450 ppm 
de flúor. 
Adicionalmente, foi 
utilizado o antisséptico 
bucal correspondente 
(Elmex Sensitive 
Professional). 
8 
semanas 
Concluiu-se que a 
associação de 8% de 
arginina e carbonato de 
cálcio foram capazes de 
reduzir a 
hipersensibilidade 
durante o tratamento de 8 
semanas. 
De Souza, 
Juliana 
Feltrin 
Fragelli, 
Camila Bullio 
Jeremias, 
Fabiano 
Paschoal, 
Marco 
2017 O objetivo deste estudo 
foi avaliar a longevidade 
clínica de restaurações 
diretas de resina 
composta em primeiros 
molares permanentes 
afetados por HMI, 
comparando dois 
sistemas adesivos. 
Ensaio 
clínico 
Restaurações de 
resina composta com 
dois sistemas adesivos 
diferentes 
(autocondicionante e 
de condicionamento 
total) para molares 
afetados por HMI. 
18 meses Não teve diferença na 
sobrevida clínica de 
restaurações em molares 
afetados por HMI usando 
os dois sistemas 
adesivos diferentes 
(autocondicionante e de 
condicionamento total), 
ao final de 18 meses. 
Concluiu-se que os dois 
 
 
30 
Aurélio 
Benini 
Santos-Pinto, 
Lourdes 
de Cássia 
Loiola 
Cordeiro, 
Rita 
sistemas podem ser 
aplicados para restaurar 
molares acometidos por 
HMI, quando é realizado 
um preparo cavitário 
conservador. 
Fragelli, 
Camila Maria 
Bullio 
Feltrin, 
Juliana 
Bussaneli, 
Diego Girotto 
Jeremias, 
Fabiano 
Cordeiro, 
Loiola 
2017 O objetivo deste estudo 
foi avaliar a longevidade 
clínica de selantes 
aplicados em primeiros 
molares permanentes 
afetados por HMI, 
acompanhados por 18 
meses. 
Ensaio 
clínico 
Tratamento preventivo 
com selantes em dois 
grupos: PMP’s 
afetados por HMI e 
primeiros molares 
permanentes não 
afetados por HMI, mas 
com lesão de cárie em 
esmalte ou alto risco a 
cárie. A indicação de 
uso do selante foi 
avaliada de acordo 
com a avaliação do 
risco de cárie do 
paciente e a 
morfologia dentária. 
18 meses O acompanhamento de 
18 meses indicou 
que a longevidade dos 
PMP’s afetados por HMI 
e tratados com selante 
não foi significativamente 
diferente dos dentes não 
afetados por HMI, o que 
sugeriu que a aplicação 
do selante pode ser uma 
abordagem eficaz para 
prevenir lesões de cárie 
em dentes afetados por 
HMI. 
Orellana, 
Carla 
Pérez, Vidal 
2017 Relatar o caso de um 
paciente de 11 anos 
com HMI grave. O 
paciente apresentava 
extensa destruição da 
coroa por cárie no dente 
16, sem sinais clínicos 
Relato de 
caso 
Intervenção preventiva 
com instruções de 
higiene oral, 
aconselhamento 
dietético e aplicação 
de verniz fluoretado, 
seguida da 
restauração dos 
18 meses O tratamento provisório, 
de cimentação de uma 
banda ortodôntica sobre 
um dente restaurado com 
ionômero de vidro, 
parece favorecer a 
retenção e a resistência à 
compressão, mantendo o 
 
 
31 
ou radiográficos de 
patologia pulpar. 
dentes 36 e 46 com 
cimento de ionômero 
de vidro modificado 
por resina e 
cimentação de uma 
banda ortodôntica. 
molar afetado por HMI 
assintomático por pelo 
menos 18 meses. Novos 
estudos avaliando esta 
opção de tratamento em 
situações clínicas 
semelhantes são 
recomendados. 
Dhareula, A 
Goyal, A 
Gauba, K 
Bhatia, S K 
2018 Fornecer um protocolo 
de tratamento estético e 
conservador na 
reabilitação de 10 
molares permanentes 
afetados com a forma 
grave de HMI em 
crianças, com idades 
entre 8 e 14 anos. 
Relato de 
caso 
Reabilitação estética 
de primeiros molares 
permanentes 
hipomineralizados 
usando resinas 
compostas indiretas. 
30 a 36 
meses 
Demonstrou-se a eficácia 
da utilização de 
restaurações indiretas 
como uma opção 
estética, conservadora e 
viável para o tratamento 
de longo prazo de 
primeiros molares 
permanentes afetados 
com a forma moderada e 
grave de HMI. 
Grossi, 
Juliana de 
Aguiar 
Cabral, 
Renata 
Nunes 
Ribeiro, Ana 
Paula Dias 
Leal, Soraya 
Coelho 
2018 Avaliar a taxa de 
longevidade de 
restaurações realizadas 
com um sistema 
restaurador híbrido a 
base de ionômero de 
vidro, usando a técnica 
de tratamento 
restaurador atraumático 
(ART) em primeiros 
molares permanentes 
afetados por HMI. 
Ensaio 
clínico 
Tratamento 
restaurador com um 
sistema restaurador 
híbrido de vidro (Equia 
Forte, GC®), em 
dentes com HMI grave 
associado a lesões de 
cárie dentinária sem 
envolvimento pulpar. 
12 meses A restauração realizada 
com a técnica ART se 
mostrou eficaz na 
preservação dos 
primeiros molares 
permanentes acometidos 
por HMI. 
 
 
32 
Ashle,Paul 
Noar, Joe 
2019 Revisar a lógica por trás 
da remoção 
interceptativa de 
primeiros molares 
permanentes e fornecer 
orientação para casos 
com um ou mais 
primeiros molares 
permanentes 
comprometidos. 
Revisão de 
literatura 
Extração interceptativa 
dos primeiros molares 
permanentes 
comprometidos com 
HMI. 
- A extração interceptativa 
dos primeiros molares 
permanentes 
comprometidos é uma 
opção de tratamento. Um 
bom planejamento requer 
avaliação do prognóstico 
dos dentes, da presença 
ou ausência do terceiro 
molar permanente e da 
necessidade futura de 
ortodontia. 
Cardoso, 
Micaela 
Moreira, Kelly 
Maria Silva 
Cardoso, 
Andréia 
Alves 
Rontani, 
Regina Maria 
Puppin 
2019 Relatar o tratamento 
clínico de HMI e o alto 
índice de sensibilidade 
dentária. 
Relato de 
caso 
Aplicações deverniz 
fluoretado a 5% com 
complexo de CPP-
ACP, associado ao 
dentifrício fluoretado 
contendo CPP-
ACP (MI Paste Plus), 
em intervalos 
semanais. Após as 
aplicações, os molares 
com grande perda de 
estrutura dentária 
foram restaurados com 
CIV modificado por 
resina (Vitremer). 
3 
semanas 
Verificou-se que a 
sensibilidade diminuiu 
entre as sessões, com 
ausência de sensibilidade 
na última sessão antes 
do procedimento 
restaurador. O tratamento 
de dentes com HMI 
utilizando-se o complexo 
CPP-ACP associado à 
aplicação tópica de flúor 
pode ser uma alternativa 
para redução da 
sensibilidade. 
 
Vieira, Letícia 
Diniz Santos 
Paschoal, 
Marco 
2019 Investigar a aplicação 
da Terapia 
Fotodinâmica em 
dentes permanentes 
com HMI grave, com 
Ensaio 
clínico 
randomiza
do cego 
controlado 
No Grupo 1, foi 
aplicado a terapia 
fotodinâmica 
antimicrobiana para o 
tratamento de dentina 
12 meses Em muitos casos de HMI, 
a ocorrência de 
sensibilidade dentinária 
está associada à lesão 
de cárie. Segundo os 
 
 
33 
Aurelio 
Benini 
De Barros 
Motta, 
Pamella 
Ferri, Elza 
Padilha 
Ribeiro, 
Caroline 
Diniz Pagani 
Vieira 
Dos Santos-
Pinto, 
Lourdes 
Aparecida 
Martins 
Motta, Lara 
Jansiski 
Gonçalves, 
Marcela 
Letícia Leal 
Horliana, 
Anna 
Carolina 
Ratto 
Tempestini 
Fernandes, 
Kristianne 
Porta Santos 
Ferrari, 
Raquel 
sensibilidade dolorosa, 
associada à presença 
de lesão de cárie. 
infectada. Em seguida, 
os dentes foram 
restaurados com CIV 
de alta viscosidade. 
No Grupo 2, foi 
realizado a remoção 
da dentina amolecida 
ao redor das paredes 
circundantes da 
cavidade com curetas 
afiadas e posterior 
restauração com CIV 
de alta viscosidade. 
autores, em situações de 
lesões profundas (com 
risco de exposição 
pulpar) deve-se realizar a 
remoção seletiva da 
dentina mole. Como o 
tecido contaminado é 
mantido dentro da 
cavidade, a aplicação de 
métodos de 
descontaminação como a 
terapia fotodinâmica 
torna-se necessária. 
 
 
34 
Agnelli 
Mesquita 
Deana, 
Alexandre 
Melo 
Bussadori, 
Sandra Kalil 
Davidovich, 
Esti 
Dagon, 
Shlomi 
Tamari, Israel 
Etinger, 
Michael 
Mijiritsky, 
Eitan 
2020 Apresentar uma 
abordagem inovadora 
de tratamento para 
crianças com HMI, 
usando um sistema 
digital de fluxo de 
trabalho com IOS 
(scanners intraorais) e 
CAD-CAM. 
Artigo de 
protocolo 
clínico 
O protocolo envolveu 
uma fase de 
diagnóstico que levou 
em consideração o 
comportamento da 
criança e a 
cooperação dos pais. 
Foram realizadas 
restaurações indiretas 
para os molares e 
facetas para os 
incisivos. As 
impressões com IOS a 
preparação CAD-CAM 
das restaurações 
foram feitas, seguidas 
da restauração, 
cimentação e 
acompanhamento. 
- O uso de IOS abriu um 
novo caminho para a 
restauração de dentes 
com HMI, reduzindo o 
desafio do 
comportamento das 
crianças e permitindo a 
preservação da estrutura 
dental. O fluxo de 
trabalho digital deve ser 
uma das escolhas para o 
tratamento de HMI, pois 
permite confeccionar 
restaurações em crianças 
devido à alta precisão 
obtida com o 
escaneamento. 
Elhussein, 
Mustafa 
Jamal, Hasan 
2020 O objetivo deste estudo 
foi evidenciar que, com 
uma abordagem 
interdisciplinar, é 
possível obter 
resultados favoráveis 
Relato de 
caso 
Extração de primeiros 
molares permanentes 
com HMI. 
- A evidência disponível 
para controlar e 
prescrever a extração de 
primeiros molares 
permanentes é 
considerada fraca, e 
 
 
35 
após a extração de 
primeiros molares 
permanentes com HMI 
e prognóstico ruim. 
reflete apenas em uma 
opinião clínica. Portanto, 
um exame ortodôntico 
por volta dos 8 anos de 
idade, torna-se 
importante a fim de 
estabelecer uma decisão 
terapêutica diferencial, 
com relação ao momento 
ideal para extrair os 
molares afetados por 
HMI. O uso de aparelhos 
fixos pode alcançar 
resultados previsíveis 
após a extração, 
independentemente da 
idade cronológica. Os 
dispositivos de 
ancoragem temporários 
também podem viabilizar 
o fechamento dos 
espaços, em casos 
ortodônticos 
desafiadores. 
Fütterer, 
Jana 
Ebel, Markus 
Bekes, Katrin 
Klode, 
Christian 
Hirsch, 
Christian 
2020 Demonstrar os efeitos 
de diferentes 
estratégias terapêuticas 
para dentes 
hipomineralizados na 
saúde bucal dos 
pacientes, por meio da 
observação das 
Ensaio 
clínico 
Uso de verniz 
fluoretado, selantes de 
fissuras, 
preenchimento com 
resina composta, 
coroa de aço 
inoxidável e extração, 
3 meses Este estudo confirmou a 
hipótese de que o 
tratamento pode reduzir a 
hipersensibilidade e 
melhorar a capacidade 
de higiene bucal dos 
pacientes. Além disso, o 
número de restrições 
 
 
36 
mudanças na extensão 
da hipersensibilidade e 
acúmulo de placa, bem 
como nas reduções nas 
restrições nutricionais. 
como opções de 
tratamento. 
alimentares diminuiu 
após a terapia. Os 
resultados indicaram que 
dentes severamente 
danificados precisam de 
tratamento mais invasivo. 
Lagarde, 
Marianne 
Vennat, Elsa 
Attal, Jean-
Pierre 
Dursun, 
Elisabeth 
2020 Realizar uma revisão 
sistemática sobre a 
adesão de materiais ao 
esmalte afetado por 
HMI, a fim de identificar 
os métodos otimizar e 
determinar os melhores 
protocolos de adesão. 
Revisão 
sistemática 
Estudos envolvendo 
materiais adesivos 
(resina composta, 
cimento de ionômero 
de vidro, selante e 
infiltração de resina) 
em esmalte afetado 
por HMI, com pelo 
menos um grupo 
comparativo. 
- A resistência de união da 
resina composta ao 
esmalte afetado por HMI 
não apresentou 
diferenças significativas 
com o uso dos sistemas 
adesivos 
autocondicionantes ou 
adesivos de 
condicionamento ácido 
total. 
Mendonça, 
Fernanda 
Lyrio 
Di Leone, 
Camila 
Cristina Lira 
Grizzo, 
Isabella Claro 
Cruvinel, 
Thiago 
de Oliveira, 
Thais 
Marchini 
2020 Propor um novo método 
para restauração de 
dentes posteriores 
hipomineralizados com 
perda de estrutura e 
sensibilidade. A técnica 
consistiu na réplica da 
face oclusal simplificada 
e adaptada com CIV. 
Relato de 
caso 
O tratamento consistiu 
em uma técnica de 
réplica oclusal 
simplificada e 
adaptada com CIV nos 
molares afetados por 
HMI, que envolveu 
etapas laboratoriais e 
clínicas. Previamente, 
foi feita a aplicação de 
verniz fluoretado por 4 
semanas consecutivas 
e uso diário de creme 
dental com flúor para 
sensibilidade. 
18 meses O caso clínico relatado 
indicou que o 
planejamento do 
tratamento para molares 
afetados por HMI não 
deve ser focado apenas 
na estrutura dental 
perdida, pois é 
necessário considerar a 
sensibilidade do paciente 
e as suas demandas 
psicológicas. A técnica 
proposta pode ser 
considerada uma 
alternativa viável para 
 
 
37 
Navarro, 
Maria Fidela 
de Lima 
Rios, Daniela 
Mendonca, F 
L 
Di Leone, 
Camila 
Cristina Lira 
Grizzo, 
Isabella Claro 
Cruvinel, 
Thiago 
de Oliveira, 
Thais 
Marchini 
Navarro, 
Maria Fidela 
de Lima 
Rios, Daniela 
restaurar dentes 
hipomineralizados, 
devido ao seu reduzido 
tempo de procedimento e 
bom desempenho no 
período de 
acompanhamento. 
Bekes, Katrin 
Amend, 
Stefanie 
Priller, Julia 
Zamek, 
Claudia 
Stamm, 
Tanja 
Krämer, 
Norbert 
2021 Investigar as mudanças 
na qualidade de vida 
relacionadas à saúde 
bucal, antes e após o 
tratamento com 
selantes de molares 
afetados por HMI. 
Ensaio 
clínico 
Foram selecionados 2 
grupos de estudo: 
G1: selante 
fotopolimerizável em 
combinação com um 
adesivo 
fotopolimerizável 
G2: cimento de 
ionômero de vidro 
radiopaco. 
12 
semanas 
O selamento de molares 
afetados por HMI com 
material adesivo ou um 
cimento de ionômero de 
vidro, revelaram melhora 
significativa na qualidade 
de vida, imediatamente e 
ao longo de 12 semanas 
de acompanhamento. 
De Farias, 
Aline Leite 
2021 Fornecer evidências 
para o tratamento 
Estudo de 
coorte 
Restaurações com 
coroa de aço 
24 meses Em molares com HMI e 
necessidade de 
 
 
38 
Rojas-
Gualdrón, 
Diego 
Fernando 
Mejía, Juan 
Diego 
Bussaneli, 
Diego Girotto 
Santos-Pinto,Lourdes 
Restrepo, 
Manuel 
restaurador de molares 
afetados por HMI com 
uma abordagem 
minimamente invasiva 
por meio de coroas de 
aço inoxidável ou resina 
composta. 
inoxidável ou resina 
composta em 
primeiros molares 
permanentes afetados 
por HMI. 
tratamento restaurador, a 
restauração com coroas 
de aço inoxidável 
apresentou uma taxa de 
sobrevivência 
significativamente maior 
em relação aos dentes 
tratados com resina 
composta ao longo de 24 
meses. 
Somani, C., 
Taylor, G.D., 
Garot, E., 
Rouas, P., 
Lygidakis, 
N.A., Wong, 
F.S.L. 
 
2022 Revisar 
sistematicamente as 
modalidades de 
tratamento para HMI em 
crianças menores de 18 
anos. 
Revisão 
sistemática 
Vinte estudos 
investigaram o manejo 
de molares com 
selantes de fissuras, 
CIV, resina composta 
modificada por 
poliácidos, resina 
composta, amálgama, 
coroas metálicas pré-
formadas, coroas 
fabricadas em 
laboratório e 
extrações. Oito 
estudos analisaram 
estratégias para 
mineralizar os dentes 
afetados e/ou reduzir a 
hipersensibilidade e 
dois estudos 
investigaram os 
- O uso de selantes de 
fissuras à base de resina, 
coroas metálicas pré-
formadas, restaurações 
diretas de RC e 
restaurações feitas em 
laboratório podem ser 
recomendadas para 
molares afetados por 
HMI. Produtos contendo 
CPP-ACP podem ser 
benéficos para os dentes 
afetados por HMI. 
 
 
39 
resultados centrados 
no paciente após o 
tratamento. 
Mayara 
Vitorino 
Gevert, 
Renata 
Soares, Letíci
a Maira 
Wambier, An
a Elisa 
Ribeiro, 
Letícia 
Simeoni 
Avais, Julian
a Feltrin de 
Souza, Ana 
Cláudia 
Rodrigues 
Chibinski. 
 
2022 Analisar a qualidade 
das revisões 
sistemáticas disponíveis 
sobre tratamentos para 
HMI. 
 
Análise 
Bibliométri
ca 
Os tratamentos 
identificados foram 
classificados como (1) 
não invasivos — 
caseína incorporada 
em creme dental e 
goma de mascar sem 
açúcar, creme dental 
contendo arginina, gel 
de fluoreto de estanho 
a 0,4%; verniz 
fluoretado; (2) 
microinvasivos — 
selantes resinosos, 
microabrasão, 
clareamento dental, 
infiltração de 
resina; (3) invasivo — 
restaurações ART, 
restaurações indiretas 
(metal, compósito ou 
cerâmica); e (4) 
intervenção mista — 
coroas de aço 
inoxidável. 
 
- Apesar do número 
considerável de artigos 
publicados incluídos 
neste conjunto de 
revisões sistemáticas, as 
evidências que 
sustentaram a eficácia 
dos tratamentos para 
HMI são limitadas devido 
à qualidade metodológica 
e risco de viés das 
revisões sistemáticas, 
bem como a qualidade 
dos estudos primários. 
 
 
 
 
 
40 
6. DISCUSSÃO 
 
Existem várias opções de tratamento disponíveis para o manejo de molares 
afetados por HMI, os quais podem envolver desde a prevenção da cárie dental, o 
controle da sensibilidade, o tratamento restaurador até a extração com ou sem 
alinhamento ortodôntico dos dentes adjacentes (SOMANI et al., 2021). 
Constata-se que dentre todos os molares e incisivos afetados pela HMI, 27,4% 
serão submetidos a algum tipo de intervenção odontológica devido à presença de dor, 
sensibilidade e fratura (SCHWENDICKE et al., 2018). No entanto, a abordagem 
terapêutica mais apropriada é uma decisão complexa. Os principais fatores que 
precisam ser considerados são a cooperação do paciente, o estágio de 
desenvolvimento dentário e a gravidade do defeito. Entretanto, as preferências do 
paciente e dos pais, a presença de outras anomalias e o impacto psicossocial na 
criança também devem ser levados em consideração (SOMANI et al., 2021). 
 Recentemente, houve um aumento no número de estudos investigando o 
manejo de dentes afetados pela HMI (SOMANI et al., 2021). Sendo que a prevenção 
é importante durante a idade de irrompimento dental, e, idealmente, os pais e os 
pacientes devem ser instruídos quanto ao aconselhamento dietético, sobre o uso de 
creme dental com pelo menos 1.000 ppm de flúor (F) (WILLMOT et al., 2008), além 
da manutenção de boa rotina de higiene oral. 
Para molares afetados por HMI, algum tipo de tratamento precoce deve ser 
realizado a fim de reduzir o aparecimento de sensibilidade, prevenir o 
desenvolvimento de cárie e minimizar o risco a fratura, devido ao aumento da 
porosidade e a diminuição das características físicas do esmalte afetado (SOMANI et 
al., 2021). 
A qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB), foi objeto de estudo 
de FUETTERER e colaboradores, em 2020, ao avaliar o impacto da HMI de acordo 
com a autopercepção de escolares, pais e cuidadores. Os autores observaram que os 
escolares com casos graves de HMI apresentaram um impacto negativo no 
desenvolvimento e na suscetibilidade à cárie, devido o aumento da hipersensibilidade 
e do acúmulo de placa. Estes resultados reforçaram a importância de tratar os dentes 
acometidos pela HMI, para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. 
 
 
 
41 
6.1 DESSENSIBILIZANTES 
 
Algumas revisões sistêmicas relataram sobre o uso de dentifrício para controlar 
a hipersensibilidade e promover a remineralização, visto que o dente com HMI é pobre 
em minerais. Ainda, foi identificada a importância de usar o dentifrício em uma 
concentração de pelo menos 1000 ppm F (LYGIDAKIS, 2010). A incorporação de 
arginina nos dentifrícios também foi sugerida como agente dessensibilizante (DA 
CUNHA COELHO et al., 2019). 
Bekes e colaboradores, em 2017, por meio de uma avaliação clínica após 8 
semanas de tratamento, afirmaram que o uso de pasta dessensibilizante em 
consultório, seguido de escovação 2 vezes ao dia com creme dental dessensibilizante 
contendo 8% de arginina, carbonato de cálcio com 1450 ppm de flúor e, 
adicionalmente, um colutório bucal correspondente foram eficazes para diminuir a 
sensibilidade em crianças com pelo menos um dos molares afetados por HMI. O 
potencial da arginina e do carbonato de cálcio, contendo fórmulas para interagir com 
a superfície do esmalte afetado, ainda não foi investigado, entretanto, a imagem das 
superfícies de dentina tratadas com 8% de arginina e carbonato de cálcio revelou a 
cobertura da superfície e dos túbulos dentinários, o que pode explicar os efeitos 
dessensibilizantes desses produtos (BEKES et al., 2017). 
 Estudos recentes também relataram que a incorporação de CPP-ACP (caseína 
fosfato de cálcio amorfo) em cremes dentais provavelmente exerce um efeito 
remineralizante e dessensibilizante (ELHENNAWY; SCHWENDICKE, 2016). O 
material com CPP-ACP pode liberar uma alta concentração de cálcio e fosfato, os 
quais mantém o ambiente mineral supersaturado, reduz a desmineralização e melhora 
a remineralização do esmalte (VASCONCELOS et al., 2012). A recomendação de uso 
na forma de creme dental ou goma de mascar sem açúcar pode beneficiar àqueles 
pacientes que se queixam de dor leve aos estímulos externos (SHEN et al., 2001). 
Em 2019, CARDOSO e colaboradores, observaram o tratamento de uma 
criança com HMI grave e alta sensibilidade, que foi realizado por meio de 3 aplicações 
de verniz fluoretado a 5% com o complexo de CPP-ACP, associado ao dentifrício 
fluoretado contendo CPP-ACP (MI Paste Plus), em intervalos semanais. Neste caso, 
após as sessões de aplicação do verniz, os molares com grande perda de estrutura 
dentária foram restaurados com cimento de ionômero de vidro modificado por resina 
composta. Verificou-se que a sensibilidade diminuiu entre as sessões e não foi 
 
 
42 
identificada na última sessão antes da confecção da restauração (CARDOSO et al., 
2019). A presença de fluoreto de sódio melhorou o efeito do CPP-ACP (LYGIDAKIS, 
2010) e a ação destes materiais associados pode explicar a redução na sensibilidade 
(OZGUL et al., 2018). 
No entanto, embora resultados otimistas tenham sido relatados sobre o uso de 
creme dental de caseína, são necessários mais ensaios clínicos a longo prazo com 
amostras maiores, para validar os resultados, antes da sua recomendação 
generalizada (DA CUNHA COELHO et al., 2019). 
6.2 FLUORTERAPIA 
 
O tratamento por terapiade remineralização é recomendada assim que um 
defeito de HMI é identificado, a fim de aumentar a mineralização e reduzir a 
sensibilidade (SA, 2022). A aplicação tópica de verniz fluoretado tem sido usado 
primeiramente para remineralização do esmalte, e pode reduzir a sensibilidade e 
aumentar a resistência à desmineralização, fornecendo um reservatório de íons de 
flúor que se depositam na estrutura do esmalte durante a remineralização (CARDOSO 
et al., 2019a). 
Para pacientes com hipersensibilidade espontânea, a aplicação profissional de 
verniz fluoretado (Duraphat 22.600 ppm F) e gel contendo fluoreto e estanho a 0,4% 
apresentaram bons resultados (LYGIDAKIS et al., 2010). Esta modalidade tem grande 
importância no estágio pós-eruptivo inicial, quando o dente afetado apresenta-se mais 
vulnerável a cárie e a fratura (LYGIDAKIS et al., 2010). 
Já em um estudo recente de NOGUEIRA e colaboradores em 2021, foi 
comparado a influência das terapias de verniz fluoretado e infiltração resinosa em 
molares afetados e concluído que a infiltração de resina influenciou positivamente a 
manutenção da integridade estrutural dos dentes afetados pela HMI, diminuindo o 
risco de fratura do esmalte ao longo de 18 meses de acompanhamento. Mesmo 
considerando as limitações do estudo, a infiltração resinosa também mostrou-se uma 
intervenção eficaz para reduzir o risco de fratura pós eruptiva em dentes acometidos 
por HMI. 
6.3 SELANTES 
 
 
 
43 
A última revisão sistemática incluída nesse estudo identificou o uso de selantes 
de fissuras como um tratamento preventivo eficaz para evitar fraturas pós-eruptivas e 
lesões cariosas em molares permanentes afetados por HMI (SOMANI et al., 2021). 
Em 2017, FRAGELLI e colaboradores por meio de um estudo de acompanhamento 
de 18 meses, também sugeriram o uso de selantes como uma abordagem adequada 
para prevenir o aparecimento de lesões de cárie em molares afetados por HMI. 
Os selantes de fossas e fissuras à base de resina podem ser utilizados para os 
primeiros molares permanentes (PMPs) com HMI leve, especialmente quando os 
dentes estão totalmente erupcionados e o controle da umidade é adequado 
(LYGIDAKIS et al., 2010). A aplicação prévia de adesivo de quinta geração pode 
aumentar a retenção do selante resinoso (LYGIDAKIS, 2010). Para PMPs 
parcialmente irrompidos com HMI, os selantes de ionômero de vidro estão indicados, 
apesar das taxas de retenção serem mais baixas quando comparados aos selantes 
de resina (LYGIDAKIS, 2010). 
Independente do tipo de selante, as taxas de falhas anuais podem ser altas 
(GEVERT et al., 2022). Portanto, os estudos recomendam a aplicação de selantes 
como uma abordagem preventiva, devido ao potencial risco para fratura e/ou 
aparecimento de lesões de cárie (SOMANI et al., 2021), e os dentes devem ser 
monitorados regularmente e o selante substituído quando necessário (ELHENNAWY; 
SCHWENDICKE, 2016) 
Entretanto, se o dente afetado por HMI já estiver cavitado, uma abordagem 
restauradora precisa ser realizada (SOMANI et al., 2021). As propriedades químicas 
e mecânicas do esmalte e dentina, bem como a extensão da lesão são essenciais 
quanto a escolha do material restaurador (SOMANI et al., 2021). 
6.4 RESTAURAÇÕES COM CIMENTO DE IONÔMERO DE VIDRO (CIV) 
 
Em casos de molares parcialmente irrompidos apresentando cárie e/ou fraturas 
de esmalte pós-eruptivo, o uso de cimentos convencionais de ionômero de vidro tem 
sido indicado, entretanto, são materiais considerados geralmente como restaurações 
provisórias (LYGIDAKIS et al., 2010). Em 2021, BEKES e colaboradores investigaram 
as alterações na qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) antes e após 
o tratamento de molares hipersensíveis afetados pela HMI e verificaram que o 
 
 
44 
selamento com um material resinoso ou com CIV é capaz de melhorar a QVRSB dos 
pacientes. 
Muitas vezes nos casos de HMI, a ocorrência de sensibilidade dentinária está 
associada a presença de lesão de cárie, o que torna necessário respeitar os princípios 
de mínima intervenção (BANERJEE et al., 2017). Para tal, em situações de lesões de 
cárie extensas e com risco de exposição pulpar está indicada a remoção seletiva de 
dentina (BANERJEE et al., 2017). 
Para os casos em que a sensibilidade é persistente após a confecção da 
restauração, um método que abrange as áreas de opacidades e consiste em uma 
técnica adaptada de réplica oclusal com CIV, foi proposto e relatado por MENDONÇA 
e colaboradores, em 2020. Para tal, foram obtidas moldagens das arcadas superiores 
e inferiores com alginato e realizado enceramento de diagnóstico (MENDONÇA et al., 
2020). Em seguida, uma moldagem adicional do enceramento foi obtida, preenchida 
com CIV convencional (Equia Forte, GC), posicionada e prensada no dente até o 
tempo de presa do material (MENDONÇA et al., 2020). A paciente foi reexaminada 
durante 18 meses e não observou-se perda adicional de estrutura dentária, falha na 
restauração ou sensibilidade. Dessa forma, a técnica restabeleceu com sucesso a 
forma e a função dos dentes afetados (MENDONÇA et al., 2020), e demonstrou que 
o método pode ser uma alternativa viável para restaurar dentes hipomineralizados, 
devido o reduzido tempo de procedimento e o bom desempenho clínico no período de 
acompanhamento (MENDONÇA et al., 2020). 
A longevidade das restaurações com CIV é influenciada pela técnica (SOMANI 
et al., 2021) e pelo tipo de cimento utilizado, como aquelas que usam restaurações de 
resina composta de alta viscosidade (DURMUS et al., 2021) ou híbridas de vidro 
(GROSSI et al., 2018), as quais apresentaram maiores taxas de sobrevivência 
(SOMANI et al., 2021). O estudo de GROSSI e colaboradores, em 2018, relatou a 
sobrevida de 98% de molares restaurados com CIV pela técnica restauradora 
atraumática (ART), o que pode dispensar o uso de anestesia local. Esta abordagem 
não invasiva pode ser benéfica em certas crianças devido às dificuldades inerentes 
ao atendimento odontológico, uma vez que os resultados são variáveis e dependentes 
da cooperação do paciente (SOMANI et al., 2021). 
Portanto, o CIV é frequentemente usado como medida provisória até que uma 
restauração definitiva, tais como a resina composta, possa ser feita em cooperação 
com o paciente (TAYLOR; PEARCE; VERNAZZA, 2019). 
 
 
45 
6.5 RESTAURAÇÕES DIRETAS COM RESINA COMPOSTA 
 
A resina composta é um material restaurador direto recomendado para o 
tratamento de dentes totalmente irrompidos e acometidos por HMI (ELHENNAWY; 
SCHWENDICKE, 2016a), sendo que o seu uso foi indicado para todos os níveis 
gravidade de HMI. As taxas de sucesso demonstradas na revisões sugeriram que a 
RC é uma opção restauradora eficaz na presença de fraturas ou de lesões cariosas, 
mesmo nos casos mais graves (SOMANI et al., 2021). 
Um aspecto importante sobre as restaurações de resina composta está 
relacionado a qualidade das margens cavosuperficiais, devido às propriedades 
mecânicas do esmalte hipomineralizado (DE SOUZA, J. F. et al., 2017), uma vez que 
apresenta aumento da porosidade e redução da dureza e elasticidade quando 
comparado ao esmalte sadio (ELHENNAWY; SCHWENDICKE, 2016a).	 Outro 
problema refere-se a quantidade de esmalte afetado que deve ser removido durante 
o preparo de cavidade (DE SOUZA, J. F. et al., 2017). Para tal, duas abordagens 
foram relatadas nos estudos: a primeira consiste na remoção de todo esmalte 
defeituoso até encontrar uma superfície hígida e a segunda, caracteriza-se pela 
remoção do esmalte poroso até encontrar resistência (WILLIAM; MESSER; 
BURROW, 2006). De acordo com Lygidakis, em 2010, a primeira abordagem irá 
promover a perda de estrutura dental remanescente, entretanto, a adesão será 
realizada em esmalte sadio. Já a segunda alternativa é mais conservadora, no 
entanto, o esmalte defeituoso pode prejudicar a adesão. 	
Para William e colaboradores, em 2006, todo o esmalte hipomineralizadodeve 
ser removido antes da inserção da resina composta. Em um estudo in vitro observou-
se que a resistência de união da resina composta ao esmalte hipomineralizado é 
significativamente menor em relação a resistência de união ao esmalte normal com o 
uso de sistemas adesivos de condicionamento total e autocondicionantes 
(V;BURROW, 2022). Além disso, Sönmez e colaboradores, em 2017, demonstraram 
que o preparo cavitário que envolveu a remoção de todo o esmalte hipomineralizado 
afetado, permitiu uma taxa de sobrevivência significativamente maior com o uso da 
resina composta do que o tratamento no qual o esmalte hipomineralizado foi mantido. 
Portanto, quando possível, a remoção do esmalte defeituoso pode melhorar a adesão 
(SÖNMEZ; SAAT, 2017). 
 
 
46 
No entanto, pacientes com HMI geralmente sofrem de hipersensibilidade, o que 
pode dificultar a anestesia local e o preparo cavitário (WEBER et al., 2021b). Em 
casos de esmalte afetado por HMI com preparo parcial e esmalte hipomineralizado 
remanescente, um estudo indicou que as taxas de sobrevivência podem ser 
aumentadas se o esmalte for pré-tratado com hipoclorito de sódio (5% NaOCl) antes 
da aplicação do sistema adesivo (SÖNMEZ; SAAT, 2017). 
Considerando que é necessário a aplicação de um sistema adesivo para a 
confecção da resina composta, DE SOUZA e colaboradores, em 2017, realizaram 
uma avaliação clínica e demonstraram, ao final de 18 meses de acompanhamento, 
taxas de sucesso de 68% das restaurações realizadas com os sistemas adesivos 
autocondicionantes e de 54% quando os adesivos de condicionamento ácido total 
foram utilizados, resultando em diferenças não significativas. 
Uma revisão sistemática realizada por LAGARDE e colaboradores, em 2020, 
foi realizada a fim de identificar os métodos sugeridos para otimizar e determinar os 
melhores protocolos de adesão ao esmalte afetado por HMI. Exceto um, todos os 
estudos laboratoriais e clínicos avaliados destacaram valores de resistência de união 
mais baixos ao esmalte afetado por HMI. Dessa forma, os autores sugeriram o uso 
dos adesivos autocondicionantes, principalmente para os casos de hipomineralização 
severa, uma vez que são sistemas que dissolvem parcialmente a lama dentinária e, 
portanto, podem causar menor sensibilidade pós-operatória. Entretanto, mais estudos 
são necessários para confirmar esta hipótese (LAGARDE et al., 2020). 
6.6 COROAS DE AÇO INOXIDÁVEL 
 
As coroas de aço inoxidável tem sido indicadas para molares afetados por HMI, 
principalmente para crianças em fase de crescimento, devido os benefícios de uma 
técnica restauradora que pode ser realizada em sessão única, com um material de 
resistência adequada, o qual permite um preparo simples do dente, apresenta baixo 
custo e favorece o alívio imediato da sensibilidade (SINGH et al., 2022) 
A longevidade das restaurações de RC e com coroa de aço inoxidável, em 
primeiros molares permanentes acometidos por HMI, foi avaliada ao longo de 24 
meses por DE FARIAS e colaboradores em 2019. Os resultados indicaram que a 
sobrevida das restaurações de aço inoxidável e de resina composta foi de 94,4% e 
49,2%, respectivamente, o que demostrou que as coroas de aço inoxidável 
 
 
47 
apresentaram maior eficácia terapêutica em relação às restaurações de resina 
composta. 
Os benefícios clínicos do uso das coroas em aço inoxidável em molares 
decíduos com extensas lesões cariosas são amplamente conhecidos (INNES et al., 
2015). Segundo Elhennawy e Schwendicke, em 2016, o uso das coroas de aço 
inoxidável é um tratamento alternativo com altos índices de sucesso, além de 
apresentar fácil execução clínica e boa relação custo-benefício quando comparado 
aos outros tipos de restaurações indiretas. 
Ainda, as coroas metálicas pré-formadas podem ser usadas ocasionalmente 
como procedimento provisório até a realização da extração programada (Taylor et al., 
2019), especialmente porque apresentam como principal vantagem manter a 
integridade estrutural do dente sem causar sintomas adversos (LYGIDAKIS, 2010). 
No entanto, mais pesquisas são necessárias para entender os efeitos das coroas 
metálicas pré-formadas sobre os tecidos periodontais, caso sejam usadas como uma 
opção restauradora a longo prazo (SOMANI et al., 2021). 
6.7 RESTAURAÇÕES INDIRETAS 
 
O manejo restaurador dos primeiros molares permanentes afetados pela HMI 
é muitas vezes um desafio, devido a baixa participação do paciente, presença de 
sensibilidade e altos custos do tratamento (DHAREULA et al., 2018). 
Tradicionalmente, as coroas de aço inoxidável e as restaurações metálicas fundidas 
têm sido a base para o tratamento (DHAREULA et al., 2018). No entanto, a pouca 
idade dos pacientes e a demanda estética exigiram a busca de alternativas mais 
estéticas e conservadoras (DHAREULA et al., 2018). 
Assim, as restaurações indiretas feitas em laboratório podem servir como 
opção restauradora (DHAREULA et al., 2018), especialmente em crianças mais 
velhas (SOMANI et al., 2021). 
 DHAREULA e colaboradores, em 2018, destacaram a confecção de 
restaurações indiretas de resina composta uma vez que são materiais capazes de 
diminuir a sensibilidade, além de manter a integridade marginal e a forma anatômica 
inalteradas ao longo do tempo (DHAREULA et al., 2018). Ainda, demonstraram uma 
adaptação marginal suficiente e foram consideradas como restaurações estéticas 
promissoras (DHAREULA et al., 2019). 
 
 
48 
Para todas as restaurações indiretas relatadas, o preparo dos dentes afetados 
pela HMI foi realizado com as margens localizadas em esmalte hígido (WEBER et al., 
2021a). Entretanto, as desvantagens como maior remoção de tecido dentário, 
dificuldade de reparo e maior custo devem ser considerados na decisão por optar 
pelas restaurações indiretas (DHAREULA et al., 2018), uma vez que são uma opção 
de tratamento mais invasiva que deve ser confinada aos estágios graves da HMI 
(WEBER et al., 2021a). 
Nesse sentido, nos últimos anos, o uso de scanners intraorais (IOS) e o fluxo 
de trabalho digital abriu um novo caminho para o tratamento de dentes com HMI, ao 
reduzir o desafio de lidar com o comportamento não cooperativo de crianças, permitir 
a preservação da estrutura dental sadia e proporcionar restaurações com alta precisão 
(DAVIDOVICH et al., 2020). O comportamento das crianças, a preferência da família 
e a gravidade dos dentes afetados são os principais fatores a serem considerados 
(DAVIDOVICH et al., 2020). 
Apesar das altas taxas de sucesso apresentadas (SOMANI et al., 2021), o uso 
das restaurações semi-diretas e indiretas apresentaram poucos relatos nas últimas 
revisões, o que destaca a necessidade de estudos mais profundos e com 
acompanhamento a longo prazo. 
6.8 EXODONTIA E TRATAMENTO ORTODÔNTICO 
 
Devido os defeitos estruturais apresentados pelos dentes severamente 
afetados pela HMI, o tratamento restaurador pode ser questionável e de alto custo 
(ELHUSSEIN; JAMAL, 2020). Em uma análise da relação custo-benefício sobre as 
diferentes opções de tratamento, os autores concluíram que a extração dos dentes 
seguida do alinhamento ortodôntico pode ser uma opção econômica e com 
prognóstico bom a longo prazo (ELHENNAWY et al., 2017), uma vez que elimina a 
necessidade de substituição das restaurações e pode evitar que os pré-molares 
sadios sejam extraídos a fim de proporcionar espaço durante o tratamento ortodôntico 
(ELHUSSEIN; JAMAL, 2020). 
A extração interceptativa como uma opção de tratamento também foi relatada 
por ASHLEY e NOAR, em 2019. Os pacientes com HMI geralmente apresentam PMPs 
significativamente afetados e, um bom planejamento, requer considerar o prognóstico 
 
 
49 
destes dentes, da presença dos terceiros molares permanentes e da avaliação da 
necessidade de tratamento ortodôntico (ASHLEY; NOAR, 2019). 
Conforme descrito no artigo de ELHUSSEIN e JAMAL, em 2020, os aparelhos 
ortodônticos fixos podem alcançarbons resultados de tratamento após a extração 
planejada, independente da idade cronológica, principalmente com o uso dos 
dispositivos de ancoragem temporária que facilitam o fechamento de espaços em 
casos ortodônticos desafiadores. Um exame ortodôntico por volta dos 8 anos de 
idade, portanto, faz sentido no que diz respeito ao estabelecimento de uma decisão 
terapêutica diferencial e uma possível extração de dentes afetados pela HMI 
(ELHUSSEIN; JAMAL, 2020). 
No entanto, a extração planejada depende do nível de higiene bucal, da 
motivação do paciente e dos pais para o tratamento ortodôntico e da presença de 
outros dentes permanentes, principalmente dos terceiros molares (SANDLER et al., 
2014). Dependendo da idade do paciente, a decisão de extrair os PMPs deve envolver 
uma equipe interdisciplinar, o que inclui o Cirurgião-Dentista que está comprometido 
com o atendimento odontológico e o Ortodontista que, em última análise, irá viabilizar 
o tratamento (ELHUSSEIN; JAMAL, 2020). Portanto, o planejamento para o 
tratamento interdisciplinar é essencial para alcançar a excelência no atendimento do 
paciente (MUSTAFA ELHUSSEIN; SANDLER, 2020). 
 
 
 
50 
7. CONCLUSÕES 
 
De acordo com as limitações deste estudo concluiu-se que: 
 
 1. Por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, alguns artigos podem 
não ter sido incluídos e outros, por apresentarem limitações metodológicas e riscos 
moderados ou altos de viés, podem reduzir a validade dos resultados apresentados; 
2. Observou-se um aumento no número de estudos sobre as condutas clínicas 
frente ao tratamento da HMI; 
3. Embora as evidências científicas ainda não indiquem quais os protocolos 
específicos para o tratamento da HMI, conforme o grau de severidade do dente 
afetado, é possível identificar diferentes condutas clínicas, tais como: (1) medidas 
preventivas focadas na remineralização do esmalte afetado e redução da 
sensibilidade as quais estão indicadas para os casos mais leves; (2) tratamento 
restaurador com CIV, resina composta, coroas metálicas ou até mesmo restaurações 
indiretas para os casos de fraturas pós-eruptivas e/ou risco a cárie; (3) extração 
planejada com posterior alinhamento ortodôntico, quando analisado o custo benefício 
do tratamento restaurador, em casos de maior severidade; 
4. Apesar dos tratamentos propostos apresentarem boa longevidade, com 
períodos de acompanhamento entre 8 semanas e 36 meses, ainda são necessários 
mais estudos com avaliação clínica a longo prazo; 
5. Por fim, cada paciente deve ser avaliado individualmente, considerando as 
características das alterações dos dentes afetados e a presença de sintomatologia. O 
conhecimento sobre a HMI e suas possibilidades de tratamento torna-se essencial, 
permitindo um melhor manejo desta condição de forma precoce, a fim de empregar 
procedimentos minimamente invasivos. 
 
 
 
51 
8. REFERÊNCIAS 
 
ALALUUSUA, S. Aetiology of Molar-Incisor Hypomineralisation: A systematic review. 
European archives of paediatric dentistry : official journal of the European 
Academy of Paediatric Dentistry, [s. l.], v. 11, n. 2, p. 53–58, 2010. Disponível em: 
https://doi.org/10.1007/BF03262713 
 
ALMUALLEM, Z; BUSUTTIL-NAUDI, A. Molar incisor hypomineralisation (MIH) - an 
overview. British dental journal, England, 2018a. Disponível em: 
https://doi.org/10.1038/sj.bdj.2018.814 
 
ALMUALLEM, Z.; BUSUTTIL-NAUDI, A. Molar incisor hypomineralisation (Mih) – an 
overview. British Dental Journal, [s. l.], v. 225, n. 7, p. 601–609, 2018b. Disponível 
em: https://doi.org/10.1038/sj.bdj.2018.814 
 
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