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Trabalho de conclusão Laís Dias Corrigido ABNT

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Laís Dias 
 
 
 
 
 
 
 
Ozonioterapia como tratamento adjuvante em pacientes com risco de 
osteorradionecrose: relato de casos. 
 
 
 
 
 
 
Florianópolis 2023
 
 
Laís Dias 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ozonioterapia como tratamento adjuvante em pacientes com risco de 
osteorradionecrose: relato de casos. 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Curso de 
Graduação em Odontologia do Centro de Ciências da 
Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina, como 
requisito para obtenção do título de bacharel em 
Odontologia. 
Orientadora: Prof. Drª Aira Maria Bonfim Santos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Florianópolis 2023
 
 
 
 
 
 
 
Laís Dias 
 
 
 
Ozonioterapia como tratamento adjuvante em pacientes com risco de osteorradionecrose: 
Relato de casos. 
 
 
Este trabalho de conclusão de curso foi julgado adequado para obtenção do Título de Cirurgiã 
Dentista e aprovado em sua forma final pelo Curso de Odontologia. 
 
 
 
Profª. Dra. Glaucia Santos Zimermann Coordenadora do Curso Florianópolis, 13 de outubro 
de 2023. 
 
Banca Examinadora: 
 
 
 
Profª. Dra. Aira M. Bonfim Santos 
Orientadora 
Universidade Federal de Santa Catarina 
 
 
 
 
Profª. Dra.Liliane Janete Grando 
Universidade Federal de Santa Catarina 
 
 
 
 
 
Dra. Mariáh Luz Lisboa 
 Universidade Federal de Santa Catarina 
 
 
 
 
Residente em cirurgia bucomaxilo facial Willy Rodrigues Neuburger 
Universidade Federal de Santa Catarina 
 
 
 
RESUMO 
 
A osteorradionecrose (ORN) é uma das complicações mais graves dos maxilares após a 
radioterapia (RT), podendo ocorrer de maneira espontânea ou provocada, após exodontia, por 
exemplo. O tratamento da osteorradionecrose (ORN) é muito debatido e terapias coadjuvantes, 
como a ozonioterapia, estão sendo estudadas. O presente trabalho tem por finalidade descrever 
a aplicação e os resultados da ozonioterapia na odontologia através de relato de dois casos 
clínicos, de pacientes com risco de osteorradionecrose dos maxilares, que vêm sendo tratados 
há pelo menos um ano no Núcleo de Odontologia Hospitalar do Hospital Universitário da 
Universidade Federal de santa Catarina NOH/HU-UFSC/EBSERH. Para tanto, realizou-se 
revisão de literatura sobre osteorradionecrose e a ozonioterapia no tratamento adjuvante de 
osteorradionecrose, com o intuito de se verificar os artigos mais atualizados sobre o tema. 
Ainda, realizou-se a análise de doi casos clínicos, tratados no NOH acompanhados para 
discorrer sobre os resultados encontrados após o uso da ozonioterapia em pacientes irradiados. 
 
Palavras-chave: Câncer bucal. Radiação Ionizante. Osteorradionecrose. Ozonioterapia 
 
 
ABSTRACT 
 
Osteoradionecrosis (ORN) is one of the most serious complications of the jaw after radiotherapy 
(RT), and can occur spontaneously or provoked, after extraction, for example. The treatment of 
osteoradionecrosis (ORN) is hotly debated and adjuvant therapies, such as ozone therapy, are 
being studied. The purpose of this work is to describe the application and results of ozone 
therapy in dentistry through the report of 2 clinical cases, of patients at risk of 
osteoradionecrosis of the jaw, who have been treated for at least a year at the Hospital Dentistry 
Center of the University Hospital. from the Federal University of Santa Catarina 
(NOH/HU/EBSERH/UFSC). To this end, a literature review was carried out on 
osteoradionecrosis and ozone therapy in the adjuvant treatment of osteoradionecrosis, with the 
aim of checking the most up-to-date articles on the topic. Furthermore, an analysis of 2 clinical 
cases was carried out, treated at the NOH, followed up to discuss the results found after the use 
of ozone therapy in irradiated patients. 
 
Keywords: Oral cancer. Ionizing radiation. Osteoradionecrosis. Ozone therapy.
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 - Gerador de ozônio da marca PHILOZON, modelo Medplus MX(PH100016)25 
Figura 2 - Seringa com gás ozonizado 25 
Figura 3 - óleo ozonizado 25 
Figura 4 - Paciente traqueostomizada 26 
Figura 5 – Elemento dental 17 27 
Figura 6 – Alvéolo elemento dental 17 28 
Figura 7 – Aplicação de ozônio da forma gasosa 28 
Figura 8 – Sutura em álveolo do elemento dental 17 29 
Figura 9 – Aplicação de gás ozonizado 31 
Figura 10 – Região de cicatrização – elemento dental 17 41 
Figura 11 – Aplicação de água ozonizada a 40ug/ml 41 
Figura 12 – Curetagem da região de exposição óssea 42
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 9 
2. REVISÃO DE LITERATURA 10 
2.1 CÂNCER DE BOCA 10 
2.2. RADIOTERAPIA 12 
2.3 OSTEORRADIONECROSE 13 
2.4 OZONIOTERAPIA 17 
3. OBJETIVOS 22 
3.1 OBJETIVO GERAL 22 
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 22 
4. MATERIAIS E MÉTODOS 23 
4.1RELATO DOS CASOS 23 
4.2 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO 24 
4.3 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO 24 
5. RELATO DE CASOS 24 
5.1 PROTOCOLO DE OZONIOTERAPIA NOH/HU/UFSC 24 
5.2 RELATO DE CASO 1 26 
5.3 RELATO DE CASO 2 31 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 38 
7. CONCLUSÃO 40 
REFERÊNCIAS 42 
DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR 51
 
 
10 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2022), o câncer 
bucal é um tumor maligno que afeta lábios, estruturas da boca, como gengivas, bochechas, 
palato, língua, assoalho e ventre lingual. Sendo que os fatores associados ao maior risco de 
desenvolvimento da doença são o tabagismo; o consumo de bebidas alcoólicas; a exposição 
solar sem proteção; o excesso de gordura corporal; a infecção pelo Papilomavírus humano 
(HPV), entre outros. O carcinoma espinocelular de boca e orofaringe é considerado uma das 
neoplasias mais prevalentes na população atual. Perea et al., (2021) realizaram pesquisas, nas 
quais analisaram os índices de mortalidade por câncer de boca e orofaringe no período de 1983 
a 2017 no Brasil. Os estudos registraram 142.634 óbitos por câncer de boca e orofaringe, sendo 
139.924 (98,1%) entre pessoas com 25 anos ou mais. Dentre os óbitos de indivíduos com idade 
superior a 25 anos, 81% ocorreram entre homens. 
Realizada desde 1895, a radioterapia se caracteriza pela utilização de radiação ionizante 
no tratamento de neoplasias malignas, de forma que as células tumorais sejam destruídas ou 
impedidas de aumentarem. (EPSTEIN et al., 1987; VISSINK et al., 2003). O tratamento 
ionizante, contudo, não é seletivo, pois não possui a capacidade de diferenciar as células 
normais das células malignas, o que o torna tóxico para o organismo. Segundo Dreizen (1990), 
altas doses de radiação podem causar hipóxia, redução de suprimento sanguíneo, necrose e 
consequentemente infecção. 
A osteorradionecrose (ORN) da mandíbula é uma grave complicação da radioterapia
 para câncer de cabeça e pescoço. Marx (1983) afirma que a Osteorradionecrose é 
caracterizada como um osso exposto através de uma abertura na pele ou mucosa sobrejacente, 
persistindo como uma ferida que não cicatriza por três meses ou mais. O tratamento da ORN é 
amplamente discutido e a gravidade das lesões correspondem a diferentes tratamentos. Lesões 
menores respondem bem à tratamentos conservadores, que consistem em irrigação local com 
Clorexidina 0,12%; uso de antibióticos (ATB) sistêmicos nos episódios de infecções agudas; 
evitar o uso de irritantes locais, como tabaco, álcool e próteses mal adaptadas, e instrução ao 
paciente para realizar
11 
 
uma higiene bucal de forma eficiente. (BEUMER et al., 1984; VAN MERKESTEYN et al., 
1994). 
A ozonioterapia tem sido utilizada no controle da infecção, pois tem a capacidade de 
estimular a circulação sanguínea local e a melhorar a resposta imune, sendo o ozônio, utilizado 
como agente antimicrobiano contra bactérias, vírus e fungos (NOGALES et al., 2008). 
Apresenta, também, propriedades anti-inflamatórias e analgésicas,sendo coadjuvante na 
redução de edema e dor. Sua aplicação se dá também de forma adjuvante no tratamento de 
lesões de osteorradionecrose, pois além das propriedades antimicrobianas, o ozônio tem 
capacidade de estimular a proliferação celular e a regeneração do tecido mole. (GARG, 2014; 
MENENDEZ CEPERO, 2018; NAIK et al., 2016 e NOGALES et al., 2008). Com isso, faz-se 
necessário observar a regeneração alveolar de pacientes atendidos no Ambulatório de 
Odontologia Hospitalar: suporte odontológico pré/trans e pós tratamento oncológico, em 
pacientes com Câncer de Boca (ACB), do Núcleo de Odontologia Hospitalar (NOH) do 
Hospital Universitário Polydoro Ernani de Santiago, da Universidade Federal de Santa Catarina 
(HU-UFSC/EBSERH), que foram submetidos à radioterapia na região de cabeça e pescoço, e 
fizeram uso da ozonioterapia pré, trans e pós-operatória, a fim de minimizar o risco de 
desenvolvimento de ORN após extrações dentárias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
2. REVISÃO DE LITERATURA 
2.1 CÂNCER DE BOCA E OROFARINGE 
 
 O câncer é definido pela Sociedade Americana de Câncer (ACS) como um conjunto de 
doenças representadas pela proliferação desordenada de células defeituosas ou atípicas, não 
passíveis de identificação pelo sistema imunológico. O termo câncer abrange mais de cem 
diferentes tipos de doenças malignas. Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários 
tipos de células do corpo. Além do tecido afetado, outras características que diferenciam os 
diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade 
de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes, conhecida como metástase. (INCA, 2022) De 
acordo com informações do Instituto Nacional de câncer (INCA, 2022), câncer bucal é um 
tumor maligno que afeta lábios, estruturas da boca, como gengivas, bochechas, céu da boca, 
língua, assoalho e ventre lingual. Sendo que, os fatores associados ao maior risco de 
desenvolvimento da doença são: o tabagismo; o consumo de bebidas alcoólicas; a exposição 
solar sem proteção; o excesso de gordura corporal; a infecção pelo Papilomavírus humano 
(HPV), entre outros. 
 O carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço é considerado uma das neoplasias 
mais prevalentes na população atual. Montero (2015), afirma que de todas as neoplasias 
malignas intraorais do mundo, aproximadamente 90% são tumores sólidos originados de células 
epiteliais anormais, denominados carcinomas de células escamosas (CECs). 
 No Brasil, o câncer bucal e de orofaringe é considerado um problema de saúde 
pública, visto que o país possui as maiores taxas de mortalidade em relação a esse tipo de 
neoplasia da América latina. (PERDOMO et al., 2016) Perea et al., (2021) realizaram uma 
pesquisa, na qual analisaram os índices de mortalidade por câncer de boca e orofaringe no 
período de 1983 a 2017 no Brasil. Os estudos registraram 142.634 óbitos por câncer de boca e 
orofaringe, sendo 139.924 (98,1%) entre pessoas com 25 anos ou mais. Dentre os óbitos de 
indivíduos com idade superior a 25 anos, 81% ocorreram entre homens. Estudos realizados 
em 2006 por Boing et al., onde dados semelhantes foram analisados do período de 1979 a 2002 
e Perea et al., (2018) entre 2002 a 2013 corroboram com a informação de que as taxas de 
mortalidade por câncer de boca e orofaringe nos homens foram cinco vezes maiores do que nas 
mulheres. A associação de terapias é o mais indicado em casos de lesões mais avançadas. 
 No caso de câncer de boca, a cirurgia para remoção do tumor é o tratamento de 
escolha, e pode ser associada ou não à radioterapia. A radioterapia também pode ser indicada 
 
13 
 
no pós-operatório ou pré-operatório, visando-se a redução do volume do tumor ou melhora dos 
sintomas do paciente. MARX (1983). Curi et al., (2000) observaram que em casos de lesões 
neoplásicas iniciais ou intermediárias, geralmente, cirurgias com margens de segurança e/ ou 
radioterapia em neoplasias promovem um favorável prognóstico. A cirurgia; a radioterapia e 
a quimioterapia são os principais tratamentos para essa doença. O tratamento padrão é definido 
baseado nas considerações anatômicas; no estadiamento da neoplasia e na condição de saúde 
bucal e sistêmica do paciente. (COHEN et al., 2016). 
 
2.2. RADIOTERAPIA 
 
Segundo as diretrizes oncológicas (2021), o termo radiação refere-se à propagação ou 
emissão de energia no espaço ou em algum meio material. Existem diferentes tipos de radiação. 
A radiação de partículas, por exemplo, que ocorre quando há a propagação de partículas como 
elétrons, prótons, nêutrons ou até alguns átomos. E a radiação eletromagnética, que não envolve 
a disseminação de matéria, de partículas com massa. O que ocorre é a propagação de ondas 
eletromagnéticas. Esse é o tipo de radiação propagada em casos de radiação infravermelha, 
ultravioleta, luz visível, ondas de rádio, micro-ondas e raios X. (SANTOS, 2018). 
Realizada desde 1895, a radioterapia caracteriza-se pela utilização de radiação ionizante 
no tratamento de neoplasias malignas, de forma que as células tumorais sejam destruídas ou 
impedidas de aumentarem. (EPSTEIN et al., 1987 e VISSINK et al., 2003). Rice (1997), explica 
que ao se deslocar elétrons, criam-se átomos instáveis, cujos elétrons livres se unem a outros 
átomos adjacentes, que também se tornam instáveis com cargas negativas aumentadas, 
danificando o DNA celular e impedindo a replicação da célula neoplásica. 
Na radioterapia, dose de radiação ou dose radioterápica ou apenas dose, se refere a uma 
grandeza radiológica chamada dose absorvida. Ela representa a energia absorvida por unidade 
de massa e sua unidade no sistema internacional é o gray (1 Gy = 1 J/kg). A dose absorvida é 
definida por: Dose = dĒ/dm onde dĒ é a energia média depositada pela radiação ionizante na 
matéria de massa dm. A dose absorvida está relacionada com o efeito biológico da radiação, 
por isso é usada nas prescrições dos tratamentos. (SANTOS, 2018). 
De acordo com Okuno (2013), os mecanismos de ação dos raios ionizantes podem ser 
de dois tipos: O mecanismo direto, onde a radiação interage diretamente com as moléculas 
importantes como as de DNA, podendo causar desde mutação genética até morte celular e o 
mecanismo indireto, onde a radiação quebra a molécula da água, formandoradicais livres que 
podem atacar outras moléculas importantes. 
; 
14 
 
O tratamento ionizante, contudo, não é seletivo, pois não possui a capacidade de 
diferenciar as células normais das células malignas, o que o torna tóxico para o organismo. 
Segundo Dreizen (1990), altas doses de radiação podem causar hipóxia, redução de suprimento 
sanguíneo, necrose e, consequentemente, infecção. 
Os pacientes que recebem a radioterapia de cabeça e pescoço recebem uma dose total 
que varia de 40 a 70Gy, a qual é dividida em várias sessões, com no máximo 2Gy cada. Doses 
superiores a 45 Gy são responsáveis pelo aparecimento de efeitos colaterais. 
Salazar et al., (2008) sustentam que esses efeitos provocam danos à estrutura bucal e 
outras afins, e pode ter consequências imediatas ou de longo prazo. Entre estas complicações 
estão a mucosite, a xerostomia, a cárie dental, a doença periodontal, a perda do paladar, o 
trismo, infecção, dificuldade para falar, comer e dormir, entre outras. Sendo a consequência 
mais grave de todas a osteorradionecrose. (NEVILLE et al., 2009; MARX RE 1983) 
 
2.3 OSTEORRADIONECROSE 
 
A osteorradionecrose (ORN) dos maxilares é uma grave complicação da radioterapia 
para câncer de cabeça e pescoço. Existem várias definições para a doença, de acordo com 
diferentes autores; critérios; evolução das descobertas e sua etiopatogênia. Inicialmente, a 
osteorradionecrose foi denominada osteíte de radiação, por Ewing, em 1926. Além dessa 
nomenclatura, outros termos como necrose óssea avascular e necrose por irradiação também 
eram usados paradesignar a doença. (CHENG et al., 2006). 
A definição clássica de Marx (1983) afirma que a Osteorradionecrose é caracterizada 
como um osso exposto através de uma abertura na pele ou mucosa sobrejacente, persistindo 
como uma ferida que não cicatriza por três meses ou mais. Em 1983, Marx propôs a teoria de 
que a radioterapia estimularia uma endarterite, promovendo uma hipóxia tecidual, 
hipocelularidade e hipovascularização. O que resultaria em ruptura do tecido e feridas crônicas 
que não cicatrizam. Descrevendo assim, a primeira e mais aceita teoria de fisiopatologia sobre 
a osteorradionecrose. Além disso, a terapia com radiação reduziria a proliferação da medula 
óssea, do colágeno, das células endoteliais e do periósteo. 
Store e Boysen (2000) utilizaram critérios radiológicos e definiram osteorradionecrose 
como necrose óssea dentro do campo de irradiação, com exclusão de recorrência de 
malignidade. Wong et al., (2008) referem-se à uma necrose isquêmica induzida pela radiação 
com cicatrização lenta e associada à necrose de tecidos moles, na ausência de necrose do tumor 
primário, recorrência e de doença metastática, que pode estar associada com infecção local e 
15 
 
causar fratura óssea patológica. Peterson et al., (2010) caracterizam a osteorradionecrose por 
uma área não cicatrizada de osso exposto de pelo menos seis meses de duração em um paciente 
que foi tratado com radioterapia para câncer. Fatores como a dose de radiação; local de 
irradiação e espaço de tempo relacionados ao término do tratamento radioterápico foram 
observados em estudos descritos a seguir. 
Thorn et al., (2000) realizaram um estudo com 80 pacientes encaminhados para 
tratamento de ORN que avaliou a importância da relação entre o campo de radiação e o local 
de extensão da ORN. O estudo corrobora com estudos anteriores, como o de Beumer et al., 
(1984) que evidenciam a predileção da doença necrótica pela mandíbula em relação à maxila. 
A pesquisa de Thorn et al., (2000) demonstrou que dos 80 pacientes afetados pela ORN, todos, 
com exceção de um caso, foram encontrados no campo de radiação e, o local de predileção para 
ORN foi a região de molar inferior. Segundo Dourado (2012), a menor vascularização e o tecido 
ósseo ser mais compacto na área mandibular, ocasiona um aumento da dispersão eletrônica e, 
consequentemente, aumenta a dose de radiação absorvida na região. 
A ORN pode ocorrer em qualquer momento após a radioterapia, variando de meses a 
anos. Estudos observaram que a doença ocorre com mais frequência (70-94%) nos primeiros 
dois anos ou menos, após a conclusão do tratamento radioterápico parece estar relacionada com 
doses maiores que 60 Gy ou trauma cirúrgico. (VARELLIS et al., 2018). O estudo de Marx e 
Johnson (1987), aponta que níveis mais elevados de radiação acumulada estão mais 
relacionados aos casos de ORN espontânea do que os casos induzidos por trauma. 
Em estudo, Notani et al., (2002) afirmaram que a Osteorradionecrose mais progrediu e 
se tornou mais grave em situações em que o paciente foi tratado com maior dose de radiação e 
quando a doença se desenvolveu mais tarde, possivelmente devido à menor atividade 
biológica da localização da lesão. Além de poder se desenvolver entre quatro meses e três anos 
após o término da radioterapia, quando ORN se desenvolve, geralmente começa como uma 
pequena área de ruptura da mucosa com exposição do osso subjacente. 
 Já a ORN de início tardio, acredita-se estar relacionada a trauma em tecido 
cronicamente hipóxico. (REUTHER et al., 2003). A osteorradionecrose desenvolve-se 
principalmente em mandíbula do sexo masculino, em maiores de 50 anos. Sinais radiográficos 
incluem diminuição da densidade óssea com fraturas, destruição cortical e perda do trabeculado 
na porção esponjosa. (VARELLIS et al., 2018). 
Delanian E Lefaix (2004) propuseram uma definição histopatológica de ORN, 
consistindo na desvitalização de trabéculas ósseas pela destruição de osteócitos e perda de 
osteoblastos de osso marginal. 
16 
 
A ORN é o resultado de processos patológicos progressivos envolvendo a matriz óssea 
e destruição celular, levando a uma osteogênese defeituosa com áreas de cicatrização com 
exacerbada proliferação de fibroblastos e deposição de matriz extracelular, formando as áreas 
de Fibrose Induzidas por Radiação (RIF), pobres em vascularização. 
Os fatores predisponentes, habitualmente relacionados à osteorradionecrose de 
mandíbula, incluem doença periodontal; abcesso dentoalveolar; higiene bucal ineficiente; cáries 
extensas; localização anatômica do tumor; doses altas de radiação e cirurgia dentoalveolar, 
durante a radioterapia ou no período pós-operatório. Os hábitos que irritam a mucosa bucal, 
como o consumo de álcool e tabaco, possível estimulação traumática, como extração dentária 
ou irritação por prótese, resultando em exposição óssea também podem aumentar o risco. 
(NEVILLE et al., 2009) 
Existem diferentes classificações de estágios da osteorradionecrose na literatura. 
Epstein et al., (1987) classificam a doença com base na evolução clínica e no resultado do 
tratamento. Onde o estágio I envolve casos resolvidos e curados; estágio II diz respeito a casos 
crônicos e não progressivos e; estágio III envolve os casos ativos e progressivos. Store et al., 
(2000) discordam dessa classificação, pois, segundo os pesquisadores, esse sistema de 
classificação não cobre totalmente os aspectos diagnósticos e a necessidade de estadiar os 
pacientes na primeira apresentação, afirmando que o diagnóstico sempre precede o tratamento. 
E acrescentam que um diagnóstico adequado deve ser baseado em uma verdadeira definição da 
doença. Sendo assim, Store et al. propuseram uma nova classificação, baseada na evidência 
radiológica de necrose óssea dentro do campo de radiação, onde a recorrência do tumor foi 
excluída, sendo: Estágio 0: Casos com apenas defeitos em mucosa; 
 
Estágio I: Casos com evidências radiológicas de osso necrótico, com mucosa intacta; 
Estágio II: Osteonecrose radiológica com osso desnudado intraoralmente; 
Estágio III: Osso radionecrótico exposto clinicamente e por imaginologia, com presença de 
fístulas cutâneas e infecção. 
 
Notani et al., (2003) afirmam que o tratamento da osteorradionecrose de mandíbula 
permanecia difícil e nem sempre era bem-sucedido devido à falta de métodos de tratamento 
adequados e estabelecidos que correspondessem às classificações das lesões de ORN. Sendo 
assim, em 2003, realizaram um estudo onde avaliaram os resultados de tratamentos prévios e 
propuseram métodos de tratamentos para os diversos pacientes com ORN da mandíbula: O 
estágio I descreve uma lesão limitada ao osso alveolar; o estágio II foi definido como uma lesão 
, 
17 
 
limitada ao osso alveolar e/ou mandíbula acima do nível do canal alveolar inferior; no estágio 
III corresponde à lesão que se estende até a mandíbula sob o nível do canal mandibular e lesão 
com fístula cutânea e o/ou fratura patológica. 
O diagnóstico é baseado na história médica do paciente associada com os aspectos 
clínicos e radiográficos, porém, às vezes, torna-se complicado diagnosticá-la, pois nenhum 
desses sinais e sintomas são patognomônicos, sendo necessária a diferenciação principalmente 
de recorrências tumorais e processos infecciosos. 
O manejo da ORN é complexo e existem diversas abordagens para gerenciar a doença. 
O tratamento da ORN não é um protocolo fixo que possa ser usado em todos os casos. Cada 
situação deve ser avaliada individualmente, e deve-se estar ciente da sua patogênese para definir 
o melhor tratamento. Lesões menores respondem bem à tratamentos conservadores, como 
irrigação local com Clorexidina 0,12%; uso de antibióticos (ATB) sistêmicos nos episódios de 
infecções agudas; evitar o uso de irritantes locais, como tabaco, álcool e próteses mal adaptadas, 
e instruir o paciente a realizar uma higiene oral de forma cuidadosa (BEUMERet al., 1984; 
VAN MERKESTEYN et al. 1994). Quando houver a presença de sequestros ósseos, faz-se 
necessário a sua remoção através de terapias mais conservadoras, como a curetagem, evitando 
a realização de ostectomias amplas e traumáticas. Além disso, os tratamentos de lesões mais 
graves, podem envolver terapias combinadas, como antibióticos e corticosteroides, terapia com 
oxigenoterapia hiperbárica (HBO), debridamento ósseo e ressecção cirúrgica seguida por 
reconstrução. A utilização de terapias coadjuvantes, como a ozonioterapia, também estão sendo 
estudadas. (NADELLA et al., 2015). 
 
2.4 OZONIOTERAPIA 
 
O ozônio é produzido de forma natural através de descargas elétricas e de reações com 
raios ultravioletas. Nogales et al., (2008) explicam que no primeiro caso uma molécula de 
oxigênio recebe uma descarga elétrica dividindo-a em dois átomos de oxigênio, onde os átomos 
individuais se combinam com outra molécula de oxigênio para formar uma molécula de O3. 
Enquanto no segundo caso, os raios ultravioletas emitidos pelo sol, fazem a função de descarga 
elétrica sobre o oxigênio presente na estratosfera, criando assim a camada de ozônio que 
absorve a maior parte da radiação ultravioleta emitida pelo sol. 
Em 1840 o alemão Christian Friedrich Schonbein descobriu o ozônio quando passou 
uma descarga elétrica pela água. O químico observou um odor forte, que ele chamou de “ozon”. 
18 
 
No século XIX o ozônio foi mencionado pela primeira vez como um desinfetante para 
água potável por influência de sua alta capacidade de inativar microrganismos. (OHMULLER, 
1892). 
O ozônio possui propriedades microbiológicas e metabólicas que, nas fases gasosa ou 
aquosa, o tornam um desinfetante eficiente e um confiável e poderoso agente antimicrobiano 
contra bactérias, fungos, protozoários e vírus. (BAYSAN; LYNCH, 2005). 
Arita et al., (2005) afirmam que o ozônio tem a característica única de se decompor de 
forma inofensiva, não tóxica e um material ambientalmente seguro (oxigênio). 
O O3 possui a meia-vida de 40 minutos a 20ºC, devido à sua instabilidade, por isso, 
recomenda-se a preparação do O3 terapêutico apenas quando for utilizá-lo. (BOCCI 2006). 
BOCCI (2015) realizou um estudo, onde sinaliza a importância das propriedades do 
ozônio. Segundo o autor, as características a seguir devem ser consideradas a respeito do
 tratamento com o gás: 
a) O O3 se dissolve fisicamente em água, somente desta forma ele não é reativo e pode ser 
conservado por alguns dias como água ozonizada (desde que firmemente fechado em uma
 garrafa de vidro de cor âmbar/escura); 
b) O O3 reage imediatamente assim que solubilizado em líquidos biológicos (linfa, plasma, 
urina). Acredita-se, erroneamente, que o ozônio penetra através da mucosa e, em seguida, 
penetra nas células, porém assim que entra em contato com o líquido biológico o ozônio 
deixa de existir. 
c) No organismo, o O3 produz Espécies Reativas de Oxigênio (ERO) e Produtos da Oxidação 
Lipídica (LOP). A molécula de ERO formada é o peróxido de hidrogênio (H2O2) que age 
como um mensageiro de O3, sendo responsável por desencadear alguns efeitos terapêuticos e 
biológicos. Apesar do ERO possuir um tempo de meia vida menor que 1 segundo, seu excesso 
pode causar a formação de componentes tóxicos que causarão danos aos componentes da 
célula. Por esse motivo, a geração do ERO deve ser calibrada (através da regulação da dose de 
ozônio contra a capacidade antioxidante do sangue) para alcançar um efeito biológico sem 
nenhum dano; 
d) Por meio da oxidação de ácidos-graxos poliinsaturados se forma o LOP, e esta formação deve 
ser muito bem controlada, pois, baixos níveis de LOP podem ser benéficos, enquanto 
altos níveis podem ser tóxicos. Atualmente, na medicina, a ozônioterapia pode ser utilizada 
no tratamento de diversas doenças, como: distúrbios circulatórios arteriais; infecções; terapia 
adjuvante de câncer, entre outras. (VIEBAHN, 2002). 
 
19 
 
O gás ozônio dissolvido em água ou em óleos vegetais, como o azeite (óleo 
ozonizado), vem sendo discutido na odontologia por sua excelente propriedade 
antimicrobiana, sem desenvolvimento de resistência a medicamentos e facilitação da 
cicatrização de feridas na cavidade oral. Em estudo in vitro, Nagayoshi et al., (2004) avaliaram 
a ação da água ozonizada, onde a mesma mostrou-se eficaz para matar microrganismos orais 
gram-positivos e gram-negativos e Candida albicans orais. Na área odontológica, seu uso 
adjuvante é utilizado no tratamento de doenças infecciosas da cavidade bucal, bem como 
cáries; doenças periodontais e endodônticas. (NOGALES, 2006). Em cirurgias odontológicas, 
a água ozonizada foi utilizada como meio de obtenção de hemostasia para impedir a 
proliferação bacteriana e favorecer o aumento de suprimento local de oxigênio. (BAYSAN et 
al., 2000) Stubinger et al., (2006). Observaram a eficácia local do ozônio através de uma 
pesquisa clínica realizada com onze pacientes com feridas intraorais infectadas após alta dose 
de radiação. 
De acordo com Nogales et al., (2008) o ozônio pode acelerar o metabolismo do reparo 
ósseo. Vescovi e Nammour (2010) acrescentam que o gás pode estimular a proliferação celular
 e favorecer um acelerado reparo de tecidos moles. 
Sagai E Bocci (2011) realizaram uma análise sobre os mecanismos de ação envolvidos 
na terapia com ozônio do ponto de vista do estresse oxidativo e dos fatores de transcrição 
nuclear, pois o estresse oxidativo atua como um segundo mensageiro em diversas vias de 
sinalização intracelular. Os autores questionam se a cura do tecido se deve ao estresse oxidativo 
e levantam importantes questões acerca do mecanismo de hormese. O conceito de limiar é 
fisiologicamente importante e significa que uma dose de ozônio abaixo de 10 ug/ ml de gás por 
ml de sangue, na maioria dos casos, é biologicamente ineficaz porque a dose de ozônio é 
totalmente neutralizada pelos antioxidantes plasmáticos. Por outras palavras, o conceito de 
limiar ajuda a compreender que uma dose de ozônio muito baixa pode ser ineficaz (efeito 
placebo), enquanto uma dose superior à terapêutica pode ser tóxica. A “janela terapêutica” foi 
cuidadosamente determinada e varia entre 10 e 80 ug/ml de ozônio por ml de sangue. Abaixo é 
possível observar informações de tabela descrita no estudo de Sagai e Bocci (2011). Para os 
autores, a terapia com ozônio pode induzir as seguintes respostas biológicas: 
 
a) Melhorar a circulação sanguínea e o fornecimento de oxigênio no tecido isquêmico; 
b) Melhorar o metabolismo geral, melhorando o fornecimento de oxigênio; 
c) Regular positivamente as enzimas antioxidantes celulares; 
 
20 
 
d) Induzir uma leve ativação do sistema imunológico e aumentar a liberação de fatores de 
crescimento; 
e) Não provocar efeitos colaterais agudos ou tardios. 
f) Proporcionar bem-estar na maioria dos pacientes, provavelmente através da estimulação
 do sistema neuroendócrino; 
g) Ativar sistemas neuroprotetores. Patel et al., (2011) realizaram um estudo randomizado 
com 18 pacientes onde avaliaram o efeito terapêutico do óleo ozonizado tópico na 
cicatrização epitelial de feridas palatinas. Os pacientes foram alocados aleatoriamente no 
grupo ozônio (onde receberam azeite prensado a frio tratado com ozônio na concentração 
de 14 ug/mL) ou no grupo controle (onde receberam azeite que não havia sido tratado com 
ozônio). A aplicação do óleo foi realizada diariamente durante uma semana. Critérios como 
taxa de reepitelização e índice de queratinização foram analisados para indicar a influência 
do óleo ozonizado na cicatrização de feridas palatinas. O estudo obteve resultados que 
mostraram melhora significativa no tamanho da ferida e na cicatrização epitelial após 
aplicação tópica de óleo ozonizado em comparação ao óleo controle em feridas palatinas, 
sugerindo que a aplicação tópica de ozônio em feridas palatinas tem um efeito 
potencializador nacicatrização epitelial. 
Ozdemir et al., (2013), realizaram um experimento para analisar a formação óssea da 
terapia conjunta entre ozônio e enxerto autógeno, a fim de avaliar a cicatrização de tecido ósseo. 
O protocolo utilizou 27 ratos machos, criando um defeito de 5mm de diâmetro no osso parietal. 
Os animais foram então divididos em grupo controle, que não recebeu enxerto ósseo autógeno 
ou ozônio, um grupo recebendo apenas enxerto autógeno e um grupo recebendo enxerto ósseo 
autógeno e ozônio. 
Os resultados do trabalho mostram um aumento da formação óssea e presença em maior 
quantidade de osteoblastos no grupo tratado com enxerto autógeno e ozônio, quando comparado 
ao grupo que recebeu apenas enxerto autógeno ou apenas o defeito ósseo isolado. Os autores 
concluíram que o uso de enxertos ósseos autógenos, seguido por ozonioterapia aumentou a 
formação de osso novo, em comparação com o grupo controle ou o grupo que recebeu apenas 
enxerto autógeno, onde o ozônio não foi aplicado. 
Em um relato de caso conduzido por Batinjan et al., (2014), foi realizada terapia com 
ozônio na extração de um elemento dental em um paciente que foi submetido a radioterapia da 
região lateral direita do pescoço com 79,2 Gy divididas em 30 frações. A aplicação do ozônio 
ocorreu no pré-operatório, em um sistema de sonda (GIgengival) por 40 segundos, e no pós-
operatório com uma sonda AL 90° alveolar. Além da utilização do ozônio após a sutura. Os 
21 
 
exames de acompanhamento ocorreram no 3, 7 e 14 dias após o procedimento cirúrgico. O 
reparo dos tecidos moles ocorreu sem complicações. Todavia, autores afirmam estudos 
envolvendo um maior número de pacientes deva ser realizado, para que se tenha um protocolo 
definido na literatura sobre o uso do ozônio na prevenção e tratamento da osteorradionecrose. 
O ozônio pode ser utilizado em três formas: água, gás e óleo. Segundo Nogales et al., 
(2008). A aplicação da água ozonizada e o óleo sobre a ferida cirúrgica, é eficaz no tratamento 
da alveolite, reduz o tempo de reparo tecidual após extração dentária, e também auxilia na 
cicatrização de pacientes irradiados, devido ao maior aporte de oxigênio no osso mandibular 
que é amplamente afetado pela RT (NAIK et al., 2016). 
Segundo Bianco et al. (2019), o óleo ozonizado antes do procedimento cirúrgico de 
ressecção segmentar e reconstrução do defeito cirúrgico em pacientes irradiados na região de 
cabeça e pescoço, pode auxiliar na diminuição das taxas de infecção secundária da ferida. 
Maglia (2021) realizou um estudo observacional descritivo, onde apresentou uma série 
de casos clínicos de pacientes atendidos no Ambulatório de Câncer Bucal do (NOH/HU-
UFSC/EBSERH) entre os meses de março de 2019 a dezembro de 2020. O estudo observou a 
progressão e o desfecho do reparo tecidual do alvéolo após exodontia associada ao uso da 
ozonioterapia para prevenção de ORN. Os 12 pacientes avaliados realizaram extrações 
dentárias após tratamento radioterápico com doses entre 50 e 70 Gy na região de cabeça e 
pescoço, e foram submetidos a ozonioterapia para a prevenção de osteorradionecrose. Durante 
o período de análise, 48 dentes foram extraídos em um total de 23 cirurgias realizadas, sendo 
87% dos procedimentos considerados atraumáticos. As exodontias em mandíbula 
representaram 83,3% das cirurgias, enquanto 16,6% foram exodontias em maxila. A pesquisa 
concluiu que a ozonioterapia, com aplicação em forma de água, gás e óleo, apresentou bons 
resultados como tratamento adjuvante, na prevenção de lesões por ORN, auxiliando no reparo 
alveolar dos pacientes submetidos a extrações dentária, porém não há definição exata do 
número de sessões de ozonioterapia e concentrações específicas do gás e da água ozonizada 
para o reparo alveolar. Contudo, a utilização de água ozonizada em concentração de 40 a 60 
ug/ml, gás na concentração de 5 a 10ug/ml e óleo ozonizado sobre a sutura cirúrgica, parece 
auxiliar na prevenção de ORN em pacientes que foram submetidos a RT e realizaram exodontia. 
É importante salientar que o presente trabalho utiliza dados de casos clínicos dos pacientes a 
partir do estudo de Maglia (2021). 
 
 
 
22 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. OBJETIVOS 
3.1 OBJETIVO GERAL 
 
Descrever os resultados da ozonioterapia como tratamento adjuvante em exodontias em 
pacientes irradiados. 
 
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
a) Descrever os protocolos de ozonioterapia utilizados no NOH/HU-UFSC, em pacientes 
irradiados que necessitam de realizar exodontias 
b) Descrever dois casos clínicos de pacientes irradiados, com risco de desenvolver ORN, 
que foram submetidos a exodontia e ozonioterapia, com 1 ano, ou mais, após o 
tratamento.
23 
 
4. MATERIAIS E MÉTODOS 
Este estudo é parte do estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres 
Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (CEPSH-UFSC), CAAE 
35357620.4.0000.0121, parecer 4.196.570. Os indivíduos que concordaram em ter seus dados 
estudados e relatados assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice X) 
 
4.1RELATO DOS CASOS 
 
Seleção dos pacientes 
 
Utilizou-se como referência a tabela de coleta de dados do trabalho “Ozonioterapia Em 
Pacientes Submetidos À Exodontia, Após Irradiação Na Região De Cabeça E Pescoço: Uma 
Série De Casos Clínicos” realizado no NOH no HU-UFSC/EBSERH, entre os meses de março 
de 2019 a dezembro de 2020. 
Obteve-se, nessa tabela, o número do prontuário dos pacientes que realizaram extrações 
dentárias após tratamento radioterápico, e que foram submetidos a ozonioterapia, para 
prevenção de ORN. 
Os pacientes foram escolhidos de forma aleatória, procurando-se, com o número do 
prontuário dos pacientes, verificar os que apresentavam horário agendado para consulta de 
rotina no NOH, através do acesso às agendas físicas de marcação dos pacientes, presentes no 
próprio do serviço. 
 
Coleta dos dados 
 
Na tabela geral do trabalho prévio verificou-se: idade, sexo e origem do paciente; tipo 
de câncer e sítio que foi acometido na cavidade bucal; tipo de tratamento realizado; dados sobre 
a Radioterapia (RTX) como dose de radiação, frequência e campo irradiado; dentes que foram 
extraídos e o protocolo de ozonioterapia realizado no NOH para o caso, incluindo forma de 
aplicação, concentração do ozônio, frequência de aplicação; tempo decorrido após as extrações.
24 
 
Avaliação dos pacientes 
 
Avaliou-se presença ou não de sinais e sintomas de osteorradionecrose no sítio da 
realização da exodontia. 
4.2 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO: 
 
Foram incluídos pacientes de ambos os sexos, maiores de 18 anos de idade, com 
histórico de tratamento de radioterapia de cabeça e pescoço para o câncer de boca e 
diagnosticados ORN, que tenham sido submetidos a ozonioterapia no NOH/HU-UFSC/ 
EBSERH na pesquisa acima citada e que aceitaram a divulgação do seu caso nesse trabalho. 
 
4.3 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO: 
 
Foram excluídos pacientes que não participaram da pesquisa acima citada e pacientes 
que não concordaram em participar do estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
5. RELATO DE CASOS 
 
5.1 PROTOCOLO DE OZONIOTERAPIA NOH/HU/UFSC 
 
Para aplicação das sessões de Ozonioterapia, foi utilizado o gerador de ozônio da marca 
PHILOZON, modelo Medplus MX (PH100016), disponível no NOH, HU/UFSC. O protocolo 
de aplicação de ozônio utilizado no NOH, segue os seguintes parâmetros: irrigação da ferida 
com água ozonizada na concentração de 40 ug/ml, em caso de infecção a concentração utilizada 
aumenta para 60 ug/ml. Na aplicação do gás, utiliza-se concentrações menores (5 a 9ug/ml) 
para bioestimulação tecidual, e concentrações mais elevadas (10 a 15ug/ml) para controle de 
infecção, podendo este ser aplicado diretamente no tecido gengival perilesional, ou na loja 
cirúrgica, realizando o borbulhamento do sangue ou água ozonizada na cavidade alveolar. Ao 
final do procedimento cirúrgico,após irrigação e aplicação do gás, é realizada a aplicação de 
óleo ozonizado sobre a sutura/ferida. 
 
Figura 1 - Gerador de ozônio da marca PHILOZON, modelo Medplus MX (PH100016). 
 
Fonte: NOH/HU/UFSC 
 
 
 
 
26 
 
Figura 2 - Seringa com gás ozonizado 
 
Fonte: NOH/HU/UFSC 
 
 
Figura 3 - óleo ozonizado 
 
Fonte: NOH/HU/UFSC 
 
 
5.2 RELATO DE CASO 1 
 
Paciente sexo feminino,75 anos, leucoderma, ex-tabagista (parou há 40 anos). Recebeu 
diagnóstico carcinoma espinocelular (CEC) de orofaringe – T3NO - em fevereiro de 2020. O 
tratamento realizado foram 3 sessões de quimioterapia e 35 sessões de radioterapia, sendo a 
dose total radioterápica equivalente a 70 Gy, fracionada em 2Gy por sessão. 
Em março de 2020, paciente comparece ao serviço do Núcleo de odontologia hospitalar 
do Hospital Universitário da Universidade Federal De Santa Catarina 
(NOH/HU/EBSERH/UFSC) para realizar a primeira consulta de adequação bucal pré- 
radioterapia. A Paciente faz uso de traqueostomia, realizada durante biópsia anterior, devido à 
obstrução tumoral. 
27 
 
Figura 4 - Paciente traqueostomizada. 
 
Fonte: NOH/HU/UFSC 
 
 
Ao exame físico realizado, o odontograma apontou necessidade de restaurações, 
tratamentos endodônticos e exodontias. Nesta mesma consulta foram realizadas as exodontias 
dos elementos dentais 27 e 28. A cirurgia ocorreu sem intercorrências. 
Em maio de 2020, paciente comparece à consulta de retorno e relata estar na 14ª sessão 
de radioterapia. Queixa-se de dor no lábio inferior, de odinofagia e de secreção de difícil 
eliminação pela traqueostomia. Estava fazendo alimentação e hidratação exclusiva via sonda 
nasoenteral. Relatou estar fazendo bochecho com Nistatina e bicarbonato de sódio por 
prescrição da equipe médica de radioterapia. Ao exame físico foi verificado mucosas orais com 
pouca hidratação e pápulas brancas de aproximadamente 3 mm dispersas em mucosa de palato 
duro e mole lado esquerdo. A radiografia panorâmica, demonstrou radiolucidez sobre 
restauração radiopaca no dente 17, indicando cárie de raiz sob restauração, ainda observado 
radiolucidez periapical associada ao 17, sendo necessária a indicação de exodontia do elemento 
dental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
Figura 5 – Elemento dental 17 
 
Fonte:(NOH/HU/EBSERH/UFSC) 
 
Três dias após, iniciaram-se as aplicações de ozonioterapia prévias à exodontia do 
elemento 17. Ao todo, foram realizadas cinco sessões ozonioterapia na forma gasosa, uma vez 
por semana. Todas as aplicações foram realizadas sob anestesia tópica de lidocaína 100mg/ml, 
sendo injetado 1ml de gás em cada ponto, sendo três pontos por vestibular e dois pontos por 
palatal, variando de 5 a 6ug/ml. 
Após o término das sessões de radioterapia e quimioterapia (junho de 2020), a paciente 
retorna acompanhada do filho para realizar a exodontia do elemento 17. Não relata queixas. 
Relata continuar com os devidos cuidados bucais em casa. Ao exame físico observado mucosas 
orais normais em cor, continuidade e volume. Foram realizados os cuidados de assepsia 
extraoral com Digluconato de Clorexidina a 2% e antissepsia intraoral com Digluconato de 
Clorexidina 0,12% e utilização de campos estéreis. O procedimento ocorreu sob anestesia 
infiltrativa terminal em região do elemento 17, com 2 tubetes de mepivacaína 2% e epinefrina 
1/100:000. A cirurgia foi realizada com abundante irrigação de água ozonizada a 40 ug/ml (40 
ml) e de forma atraumática, utilizando-se alavanca e fórceps. 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
 
Figura 6 – Alvéolo elemento dental 17 
 
Fonte:(NOH/HU/EBSERH/UFSC) 
 
Após a remoção do elemento dental, foi realizada uma aplicação de gás de ozônio a 
9ug/ml, injetado em três pontos por vestibular, dois pontos por lingual e um ponto dentro do 
alvéolo (1cc por ponto). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
Figura 7 – Aplicação de ozônio na forma gasosa 
Fonte: (NOH/HU/EBSERH/UFSC) 
A sutura foi realizada com fio de nylon 4-0. O procedimento ocorreu sem 
intercorrências. 
Figura 8 – Sutura em alvéolo do elemento dental 17 
 
Fonte:(NOH/HU/EBSERH/UFSC) 
 
A prescrição medicamentosa foi de Amoxicilina 500mg/5ml; uso de 5ml a cada 8 horas 
por 7 dias e bochecho com digluconato de clorexidina 0,12% 2 x ao dia. O pós-operatório 
ocorreu duas semanas após a cirurgia. Ao Exame intrabucal observou-se a sutura em posição 
da região do elemento dental 17, com mucosa local em bom estado, em processo de reparo 
31 
 
alveolar. Foi realizada a remoção de sutura, após foi aplicada anestesia tópica spray de lidocaína 
e ozonioterapia da região com água a 40 ug/mg; 1 ml de gás a 6 ug/mg por ponto, em 3 pontos 
por vestibular e 2 pontos por palatal, finalizando com aplicação de óleo ozonizado. A paciente 
recebeu orientação para a dispensação de óleo ozonizado para uso de 1 gota no local do 
elemento 17, 1 vezes ao dia, antes de dormir, durante 21 dias. 
Três semanas após a exodontia do dente 17 ao exame intrabucal, observou-se presença 
de pequena fissura na região correspondente ao elemento 17 e presença de consistência óssea 
no fundo do alvéolo por disto-palatal. Foi realizada anestesia tópica spray de lidocaína; 
avaliação do fundo do alvéolo com leve curetagem e ozonioterapia da região com irrigação do 
alvéolo com água a 40 ug/mg; aplicação de 1 ml de gás 6 a ug/mg por ponto, sendo 3 pontos 
por vestibular e 2 pontos por palatino e óleo ozonizado. 
Trinta dias após intervenção cirúrgica, paciente retorna e ao exame físico foi observada 
uma depressão no rebordo alveolar na região dente 17 com 2 mm de profundidade, sem 
exposição de tecido ósseo. Foi realizada ozonioterapia, com injeção de três pontos de 1ml por 
vestibular e dois pontos de 1ml por lingual na região da extração do dente 17. 
Nos meses de setembro e outubro de 2020, paciente retorna ao serviço do 
NOH/HU/EBSERH/UFSC onde foi observado na região de extração do dente 17, um pequeno 
orifício de 1mm de diâmetro. Ao fundo, foi observado com auxílio de cureta, consistência de 
tecido gengival. Nas duas ocasiões foram realizadas sessões de ozonioterapia na região do 17 
com injeção de gás de 03 a 5 u/ml, em três pontos por vestibular e 2 pontos por palatal (1ml por 
ponto) e aplicação de óleo ozonizado no fundo da cavidade. 
No mês de novembro de 2020, paciente é avaliada novamente e observa-se, na região 
de extração do dente 17, discreta linha onde havia a fissura, além de consistência de tecido 
gengival com auxílio de cureta. Foi realizada ozonioterapia na região do dente 17 com injeção 
de gás de ozônio a 5 u/ml, em três pontos por vestibular e 2 pontos por palatal (1ml por ponto). 
Em dezembro de 2020 paciente retorna para consulta e é observado na região de 
extração do dente 17, mucosa gengival íntegra. Foi realizada a sétima e última sessão de 
ozonioterapia pós exodontia do elemento 17 com injeção de gás de ozônio a 6 u/ml, em dois 
pontos por vestibular e 1 ponto por palatal (1ml por ponto). 
Paciente com recidiva precoce, realizou faringolaringectomia total por CEC de laringe 
em outubro de 2021. Em dezembro de 2021 paciente retorna para acompanhamento e ao 
exame físico foi observado mucosas íntegras com coloração normal. Em exame de radiografia 
panorâmica realizada em outubro de 2021, é possível observar discreta imagem radiopaca no 
32 
 
rebordo alveolar direito correspondente ao dente 17, sugestivo a hipótese de um peque 
remanescente radicular. 
Em dezembro de 2022, paciente retorna acompanhada da filha, sem queixas origem 
bucal. Afirma que continua a realizar os bochechos diários com fluoreto de sódio prescrito por 
nossa equipe. Ao exame físico observado mucosas orais normais, incluindo a região de rebordo 
alveolar região do 17. Retorno marcado para controle em 31/03/23 e solicitação de nova 
panorâmica. 
 
Figura 9 – Região de cicatrização – Elemento 17 
 
Fonte:(NOH/HU/EBSERH/UFSC) 
 
Em fevereiro de 2023 paciente realiza biópsiade peritraqueostoma à esquerda inferior. 
CEC Recidivado. Paciente encaminhada para tratamento paliativo. Paciente não compareceu à 
consulta marcada com o núcleo de odontologia hospitalar em março de 2023. 
Em abril de 2023, a paciente entra em óbito devido à neoplasia maligna de laringe 
avançada. 
 
5.3 RELATO DE CASO 2 
 
Paciente sexo feminino, 57 anos, leucoderma, não fumante. Paciente com diabetes tipo 
II, hipertensão e hipotireoidismo. Recebe o diagnóstico de Carcinoma adenóide cístico (CAC) 
33 
 
em palato, no ano de 2013. Realiza tratamento cirúrgico (Maxilectomia parcial); radioterapia 
(30 sessões - 60 Gy) e quimioterapia (2 sessões). Finaliza o tratamento em julho do mesmo ano. 
Em novembro de 2019, paciente comparece ao NOH/HU-UFSC/EBSERH para 
realizar uma profilaxia. A paciente relata fazer uso dos seguintes medicamentos: Fluoxetina 20 
mg (1-0-0); Metformina 500mg (0-1-0); Puran T4 25mg (1-0-0); Omeprazol (1-0-0); Captopril 
(1-0-0) e; AAS 100mg (0-1-0). 
Ao exame físico, observa-se mucosas íntegras, normocoradas e pouco hidratadas. 
Maxila edêntula total com ampla comunicação buco-nasal e sinusal em lado direito, com 
aspecto de normalidade - paciente faz uso de prótese buco-maxilo facial. Presença dos 
elementos 38, 34, 33, 32, 31, 41, 42 e 43; recessão gengival generalizada, mais acentuada nos 
elementos ântero-inferiores. Dentes 34 - 43 com exposição de mais de 2/3 das raízes, sendo os 
dentes 31 e 41 com aumento de mobilidade grau II; no dente 31 observa-se extensa lesão de 
cárie radicular na face mesial, com comprometimento do canal e grande invasão do espaço 
biológico; área de retração gengival associada à região do dente 43 na face distal, com tecido 
gengival rosado, sem sinais de infecção; dente 38 mésio-inclinado e com fratura da restauração 
na face mesial; acúmulo generalizado de biofilme e saburra lingual. 
Em radiografias periapicais de agosto de 2019 é possível observar extensa lesão 
radiolúcida compatível com cárie radicular nos dentes 31 e 41, de modo mais extenso no 31, 
com grande invasão do espaço biológico já próximo ao ápice. Aumento do espaço do ligamento 
periodontal nos dentes 34, 33 e 43. Acentuada perda óssea horizontal associada aos dentes 34 - 
43. 
Todos os elementos dentais receberam indicação para extração, devido a infecção local 
com consequente destruição do tecido dentário e/ou comprometimento dos seus tecidos de 
suporte, que contraindicam a realização de tratamentos odontológicos restaurador, endodôntico 
e/ou periodontal, e que poderiam originar lesões por ORN de maneira espontânea. Todavia, as 
exodontias ocorreram da forma mais atraumática possível; com poucos elementos extraídos por 
vez e realizando-se sessões ozonioterapia nos períodos pré, trans e pós cirúrgico. 
Em fevereiro e março de 2020, a paciente realizou 2 sessões de ozonioterapia prévias 
à extração dental do elemento 31. As aplicações se deram com irrigação com água ozonizada à 
40 ug/ml, na região de cárie do elemento dental; anestesia tópica com lidocaína 100mg/ml para 
injeção de gás de O3 a 7 à 8 ug/ml em 3 pontos por vestibular e 2 por lingual (1 ml por ponto); 
aplicação de gás de O3 a 60 ug/ml, em 10ml, em bolinha de algodão umedecida com água 
ozonizada, sobre a cárie do 31 e aplicação de óleo ozonizado na mesma região. 
i 
34 
 
No trans cirúrgico do dente 31, foi realizada a anestesia tópica com lidocaína 100 
mg/ml e infiltrativa terminal na região do 31; irrigação abundante com água ozonizada a 40 
ug/ml na região da extração; injeção de gás de O3 a 7 ug/ml em 3 pontos por vestibular, 2 por 
lingual (1 ml por ponto) e no alvéolo e aplicação de óleo ozonizado no mesmo local. Paciente 
é orientada aos cuidados do pós operatório e prescrito dipirona 500mg 6/6h em caso de dor e 
bochecho com digluconato de clorexidina 0,12% 2 x/dia por 7 dias. 
No pós-operatório de 14 dias, ao exame físico é possível observar deiscência de sutura 
e fissura na região do alvéolo. Realiza-se a remoção da sutura e a aplicação da ozonioterapia, 
conforme as sessões anteriores. 
No pós-operatório de 21 dias é possível observar, no sítio da extração do dente 31, uma 
depressão no rebordo alveolar, porém totalmente recoberto por tecido gengival rosado, sem 
sinais de infecção e sem exposição óssea. É realizada a segunda sessão de ozonioterapia pós 
exodontia. 
Em 35 dias é realizada a terceira sessão de ozonioterapia após extração do dente 31. 
No sítio da extração do dente 31 é possível observar o reparo completo do alvéolo. É mostrado 
para paciente, através de espelho, acúmulo de cálculo subgengival e orientado utilizar escova 
interdental para melhor controle de biofilme. 
45 dias após a exodontia do dente 31, paciente realiza a 4ª sessão de ozonioterapia. 
Refere esquecer de higienizar os dentes com escova interdental, conforme indicado na última 
consulta. Observa-se o completo reparo do alvéolo do dente 31 extraído. São reforçadas as 
orientações de higiene oral com uso da escova interdental. Prescrito bochecho com clorexidina 
0,12% a cada 12h por 7 dias. 
Em outubro de 2020, realizou-se o planejamento de extração do elemento 34 devido à 
exposição de 2/3 da raiz, aumento de mobilidade grau I e ampla lesão de cárie radicular por 
mesial e por distal, na face distal com extensão para subgengival. Define-se o tratamento com 
quatro sessões de ozonioterapia prévias; uma sessão transoperatória e cinco sessões pós-
operatórias. Reforça-se à paciente, a importância de higienizar corretamente os dentes, 
incluindo o uso da escova interdental e explica-se novamente sobre o risco de 
osteorradionecrose se não realizar o correto controle do biofilme. 
Em novembro de 2020, a paciente retorna para exodontia do dente 34 devido ao risco 
de ORN. O protocolo cirúrgico é descrito à seguir: Antissepsia intra oral com clorexidina 0,12% 
e extra oral com clorexidina 2%; colocação dos campos estéreis; anestesia tópica com lidocaína 
100mg/ml na região do dente 34; anestesia do nervo mentoniano lado esquerdo e infiltrativa na 
região do dente 34 com 1 tubete de mepivacaína 2% com epinefrina 0,01mg/ml; incisão e 
 
35 
 
descolamento; remoção do dente do alvéolo; curetagem e irrigação abundante com água 
ozonizada a 40 ug/ml na região da extração; sutura com fio de Nylon 4.0; hemostasia; injeção 
de gás de O3 a 7 ug/ml em 2 pontos por vestibular e 1 por lingual (1cc por ponto) na região do 
alvéolo; aplicação de óleo ozonizado na região do 34. Paciente é orientada aos cuidados pós-
operatório e prescrito dipirona 500mg 6/6h, enquanto houver dor e bochecho com digluconato 
de clorexidina 0,12% 2 x/dia por 7 dias. Procedimento sem intercorrências 
No pós-operatório de sete dias da extração do elemento 34 e sessão de ozonioterapia, 
paciente relata que passou bem e está sem dor no local. Ao exame físico é possível observar a 
região do dente 34 com bom aspecto cicatricial, sem sinais de infecção. Suspenso o uso de 
clorexidina 0,12% e orientada a voltar com o bochecho de flúor devido a importância de 
prevenção de cárie de radiação; 
No pós-operatório de 21 dias, a paciente retorna para realizar a terceira aplicação de 
ozônio. Paciente sem queixas em relação a cavidade oral; região do dente 34 com cavidade 
totalmente recoberta por gengiva. 
Na quarta aplicação de ozonioterapia pós exodontia, é possível observar a região do 
dente 34 com cavidade rasa totalmente recoberta por gengiva; paciente sem queixas 
relacionadas à cavidade oral. 
Em 1º de setembro de 2023 realizou-se as exodontias dos elementos dentais 32 e 33. 
Esses dentes receberam terapia com laser e ozônio de forma alternada no período pré-operatório 
e apenas tratamento com ozonioterapia no transoperatório e pós-operatório. A conduta para as 
exodontias do 32 e 33 foi: Assepsia intra e extraoral; aposição de campos estéreis; anestesia do 
nervo mentoniano e infiltrativa local com dois tubetes de anestésico mepivacaína 2% comepinefrina 1:100.00; incisão intrasulcular; descolamento com descolador de molt 9; exérese de 
elementos dentais com fórceps; curetagem de detritos contidos no alvéolo (cálculo dental); 
limagem de espícula óssea lingual sob irrigação de água ozonizada; sutura em "X"; lavagem 
com água ozonizada; aplicação de ozônio a 7 ug/ml (1 cc/cada). Prescrito Dipirona 500mg 6/6h 
por 3 dias e Clorexidine 0,12% 3x ao dia durante 7 dias; retorno em 14 dias. 
Na consulta de retorno, a paciente relata que não teve intercorrências, que passou bem 
no pós-operatório e que está higienizando com cotonete. Relata que a sutura soltou e que parece 
que tem um "buraco" na região, mas sem sintomatologia. Ao exame clínico, observa-se alvéolos 
dos dentes 32 e 33 em cicatrização com exposição óssea e espícula em área lingual. Faz-se a 
remoção de espícula óssea lingual; lavagem com água ozonizada, aplicação de ozônio a 6 ug/ml 
(1 cc/cada) 6 pontos em volta dos alvéolos em cicatrização e 2 pontos por vestibular e aplicação 
de óleo ozonizado em exposição óssea. 21 dias após as exodontias dos elementos 32 e 33, a 
36 
 
paciente retorna para consulta e relata não ter sintomatologia dolorosa. Observa-se exposição 
de tecido ósseo em região dos dentes 31-32 medindo 1,0 X 0,5cm; tecido mucoso adjacente à 
área de exposição apresenta normalidade. 
A conduta adotada segue-se da seguinte forma: Anestesia infiltrativa em região 31-32 
com mepivacaína 2%; curetagem do tecido ósseo exposto sem remoção de sequestro; irrigação 
água ozonizada 40 ug/ml; aplicação de ozônio a 7 ug/ml (1 cc/cada) 3 pontos por vestibular e 2 
lingual; aplicação de óleo ozonizado em exposição óssea. 
28 dias após as extrações programada, a paciente retorna para acompanhamento de 
exposição óssea em região 31-32. Observa-se exposição de tecido ósseo em região dos dentes 
31-32 medindo 1,0 X 0,5cm; tecido gengival adjacente rosado e sem sinais de infecção. Aplica-
se anestesia tópica com lidocaína 10%; faz-se a curetagem do tecido ósseo exposto sem 
remoção de sequestro; regularização da parede lingual com pinça goiva; irrigação abundante 
com água ozonizada 40 ug/ml; aplicação de ozônio a 8ug/ml (1cc/cada) 3 pontos por vestibular 
e 2 lingual e; aplicação de óleo ozonizado em exposição óssea. 
 34 dias após exodontia dos dentes 31 e 32 observa-se ao exame clínico, exposição do 
tecido ósseo em região de 31-32 medindo 0,5X0,5cm; tecido gengival adjacente rosado e sem 
sinais de infecção com possível aumento de espessura por lingual e por vestibular. A 
ozonioterapia segue o padrão adotado: Anestesia tópica com lidocaína 10%; curetagem do 
tecido ósseo exposto sem remoção de sequestro; irrigação abundante com água ozonizada a 40 
ug/ml; aplicação de gás de O3 a 7 ug/ml (1 cc cada), sendo 3 pontos por vestibular, 2 pontos 
por lingual e 1 ponto no alvéolo; aplicação de óleo ozonizado em exposição óssea. 
Na última consulta, assistida por este trabalho, observa-se ao exame clínico, exposição 
de tecido ósseo em região de dentes 31 e 32, medindo 0,5X0,5cm. Tecido gengival adjacente 
rosado e sem sinais de infecção. Foi realizado anestesia tópica com lidocaína 10%; curetagem 
do tecido exposto, sem remoção de sequestro ósseo; irrigação abundante com água ozonizada 
a 40ug/ml; aplicação de ozônio a 6ug/ml (1cc cada), sendo 3 pontos em vestibular, 2 em lingual 
e 1 em alvéolo; aplicação de óleo ozonizado em exposição óssea. Retorno agendado para nova 
sessão ozônio em 20/10/2023.
37 
 
Figura 10: Aplicação de gás ozonizado a 6ug/l 
 
Fonte: NOH/HU/UFSC
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11: Aplicação de água ozonizada a 40ug/ml. 
 
Fonte: NOH/HU/UFSC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
 
Figura 12: Curetagem da região de exposição óssea 
 
Fonte: NOH/HU/UFSC 
 
Tabela 1: Especificações de tratamento de ozonioterapia do relato de caso 2: 
 
DATA DENTE ÁGU A GÁS ÓLEO 
28/02/2020 PRÉ 31 40ug/ ml 7ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
05/03/2020 PRÉ 31 40ug/ ml 8ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
---- 
13/03/2020 TRANS 31 
(Exodontia) 
40ug/ ml 7ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
27/03/2020 PÓS 31 40ug/ ml 7ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
27/03/2020 PRÉ 34 --- 7ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
--- 
03/04/2020 PÓS 31 40ug/ ml 5ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
39 
 
17/04/2020 PÓS 31 40ug/ ml 6ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
29/05/2020 PÓS 31 --- 8ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
---- 
09/10/2020 PRÉ 34 ---- 5ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
---- 
16/10/2020 PRÉ 34 ---- 6ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
---- 
23/10/2020 PRÉ 34 ---- 5ug/ml 2cc
 (V) 
1cc (L) 
---- 
30/10/2020 PRÉ 34 ----- 7ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
---- 
13/11/2020 TRANS 34 
(Exodontia) 
40ug/ ml 7ug/ml 2cc
 (V) 
1cc (L) 
SIM 
20/11/2020 PÓS 34 40ug/ ml 6ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
27/11/2020 PÓS 34 40ug/ ml 5ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
04/12/2020 PÓS 34 40ug/ ml 6ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
11/12/2020 PÓS 34 40ug/ ml 5ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
40 
 
14/05/2021 PÓS 34 --- 7ug/ml 1cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
01/09/2023 TRANS 32,33 
Exodontia) 
40ug/ ml 7ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
---- 
15/09/2023 PÓS 32,33 40ug/ ml 6ug/ml 6cc
 em 
volta 
alvéolos 
SIM 
22/09/2023 ORN 31,32 40ug/ ml 7ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
29/09/2023 ORN 31,32 40ug/ ml 8ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
SIM 
06/10/2023 ORN 31,32 40ug/ ml 7ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
1cc alvéolo 
SIM 
11/10/2023 ORN 31,32 40ug/ ml 6ug/ml 3cc
 (V) 
2cc (L) 
1cc alvéolo 
SIM 
Fonte: Elaborado pela autora (2023) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
 A osteorradionecrose (ORN) da mandíbula é uma complicação grave associada à 
radioterapia para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço. (NEVILLE et al., 2009). A 
radioterapia, embora eficaz no combate às células tumorais, não consegue distinguir entre 
células saudáveis e malignas, resultando em toxicidade para o organismo. Dreizen (1990) 
destaca os efeitos nocivos das altas doses de radiação, incluindo hipóxia, redução do 
suprimento sanguíneo, necrose e infecção. 
 A ozonioterapia desempenha um papel importante no controle de infecções e 
promoção da cicatrização, contribuindo para a prevenção de complicações pós-operatórias. 
(NADELLA et al., 2015). Além disso, estudos compravam que a ozonioterapia possui 
propriedades antimicrobianas eficazes contra bactérias, vírus e fungos; efeitos analgésicos e 
anti-inflamatórios que auxiliam no manejo da dor e inflamação pós-cirúrgica. (NOGALES et 
al., 2008; MENENDEZ CEPERO, 2018). 
 O ozônio demonstra capacidade de estimular a proliferação celular e a regeneração do 
tecido mole, o que é crucial para a regeneração alveolar em pacientes submetidos à radioterapia 
na região de cabeça e pescoço (NAIK et al., 2016). A aplicação adjuvante do ozônio no 
tratamento das lesões de ORN pode ser uma estratégia valiosa para minimizar os riscos de 
desenvolvimento dessa complicação após extrações dentárias em pacientes com câncer 
bucal (NOGALES et al., 2008). 
 Nos dois casos clínicos apresentados, as pacientes receberam doses radioterápicas de 
60 a 70 Gy. Estudos demonstraram que doses maiores ou iguais a 50 Gy aumentam o risco de 
desenvolvimento da osteorradionecrose. A ORN ocorre mais frequentemente nos primeiros 
dois anos após a conclusão do tratamento radioterápico, especialmente com doses maiores que 
60 Gy ou após trauma cirúrgico. (VARELLIS et al., 2018). Os casos clínicos apresentados 
ilustram a aplicação da ozonioterapia em pacientes submetidos à radioterapia pós diagnóstico 
de câncer bucal e que enfrentam desafios de saúde bucal decorrentes dessa terapia. 
 A ozonioterapia se mostra promissora como uma abordagem adjuvante no cuidado 
odontológico desses pacientes, visando a prevenção de osteorradionecrose (ORN) e o suporte 
à cicatrização após extrações dentárias. (PATEL et al., 2011; ERDEMCI et al., 2014). 
 O primeiro caso clínico envolveu uma paciente com carcinoma espinocelularde 
orofaringe que passou por tratamento com radioterapia. A paciente foi submetida a 35 sessões 
de radioterapia, totalizando 70 Gy, antes da exodontia do elemento 17. Realizou cinco consultas 
42 
 
pré-operatórias e cinco sessões de ozonioterapia na forma gasosa, uma vez por semana. Durante 
o procedimento cirúrgico, foi adotada uma abordagem menos traumática, incluindo irrigação 
da região com água ozonizada a 40 ug/ml a fim de acelerar o processo de reparo. Após a 
extração, foi aplicado gás de ozônio a 9 ug/ml em pontos específicos, seguido pela aplicação 
de óleo ozonizado na área da ferida para estimular o reparo. 
 Também realizou sete sessões de ozonioterapia pós-operatórias. Os acompanhamentos 
pós-operatórios de um e dois e anos demonstraram uma mucosa local em bom estado; íntegra 
e com coloração normal, indicando que a aplicação de ozonioterapia pode ter desempenhado 
um papel importante no controle de infecções e promoção da cicatrização, contribuindo para a 
prevenção de complicações pós-operatórias e risco de ORN. No segundo caso, a paciente teve 
diagnóstico de Carcinoma Adenóide Cístico em 2013 e realizou tratamento com radioterapia 
no mesmo ano. 
 Em 2020 a paciente foi submetida à exodontia do dente 31. Antes da exodontia a 
paciente passou por duas sessões pré-operatórias, uma sessão transoperatória e quatro sessões 
pós-operatórias de ozonioterapia. Após três anos de acompanhamento pós exodontia do dente 
31, onde foi possível observar a completa cicatrização da região, a paciente passou por 
extrações dos elementos dentais 32 e 33, os quais também foram tratados com ozonioterapia. 
 Após essas extrações, no pós-operatório de 21 dias observou-se exposição de tecido 
ósseo em região dos dentes 31-32 medindo 1,0 X 0,5, compatível com lesão de ORN. Isso 
destaca a persistência do risco de ORN ao longo da vida do paciente após a radioterapia, 
podendo ocorrer em qualquer momento. (SILVERMAN, 1999) A paciente está sendo 
acompanhada com sessões de ozonioterapia, profilaxia com Digluconato de Clorexidina e 
curetagem periódicas na região afetada. No pós-operatório de 40 dias é possível observar na 
região de dentes 31 e 32, exposição de tecido ósseo medindo 0,5X0,5cm, com tecido gengival 
adjacente rosado e sem sinais de infecção. Na mesma paciente, é possível acompanhar a 
exodontia do elemento 34, onde foram realizadas quatro sessões de ozonioterapia no período 
pré-operatório, uma sessão trans e cinco sessões pós-operatórias. 28 dias após a exodontia é 
possível observar a região do dente 34 com cavidade rasa totalmente recoberta por gengiva. Um 
ano e meio após, observa-se completo reparo da região. 
 Além do tratamento com ozonioterapia ambos os casos foram tratados com uma 
abordagem cirúrgica atraumática/minimamente invasivas, a fim de diminuir as chances de 
induzir lesões de ORN, objetivando a manutenção da integridade dos tecidos adjacentes. 
 Nabil e Samman (2011), sugerem que cirurgias pouco traumáticas reduzem o risco de 
desenvolver ORN devido a manutenção do periósteo, que é uma importante fonte de nutrição 
43 
 
para os tecidos prejudicados. Além disso, os autores defendem que a alveoloplastia e a sutura 
tem papel importante no recobrimento do alvéolo por tecido mole, prevenindo assim a 
exposição óssea. 
 O protocolo de ozonioterapia adotado pelo NOH/HU-UFSC/EBSERH consiste na 
irrigação da ferida com água ozonizada na concentração de 40 ug/ml, em caso de infecção a 
concentração utilizada aumenta para 60 ug/ml. Na aplicação do gás, utiliza-se concentrações 
menores (5 a 9ug/ml) para bioestimulação tecidual, e concentrações mais elevadas (10 a 
15ug/ml) para controle de infecção, podendo este ser aplicado diretamente no tecido gengival 
perilesional, ou na loja cirúrgica, realizando o borbulhamento do sangue ou água ozonizada na 
cavidade alveolar. Ao final do procedimento cirúrgico, após irrigação e aplicação do gás, é 
realizada a aplicação de óleo ozonizado sobre a sutura/ferida. As concentrações utilizadas são 
compatíveis com estudos de Bocci et al. (1999): Oleg et al. (2012); Naik et al. (2016); 
Kazancioglu et al. (2014); e Nogales et al. (2008) que embora, não forneçam uma concentração 
exata do ozônio para pacientes com risco de osteorradionecrose, demonstram a utilização e 
eficácia do gás em diferentes contextos clínicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
7. CONCLUSÃO 
 
Em resumo, a ozonioterapia tem se mostrado promissora na prevenção de ORN e na 
promoção da cicatrização em pacientes irradiados na região de cabeça e pescoço. Embora esses 
casos clínicos forneçam evidências encorajadoras, é importante ressaltar que a ozonioterapia 
não deve ser considerada uma solução isolada, mas sim uma parte integrante do tratamento 
odontológico nesse grupo de pacientes. O cuidado bucal de pacientes submetidos à radioterapia 
é complexo e multifatorial, exigindo uma abordagem multidisciplinar que envolva oncologistas, 
cirurgiões dentistas, e outros profissionais de saúde. 
Nesse contexto, estabelecer diretrizes claras e protocolos de tratamento bem definidos 
para o uso da ozonioterapia é fundamental. Pesquisas adicionais são necessárias para definir 
concentrações ideais de ozônio, frequência de tratamento e duração em diferentes cenários 
clínicos. É essencial que a ozonioterapia seja aplicada de maneira segura e eficaz, levando em 
consideração as necessidades individuais de cada paciente. 
Além disso, é crucial enfatizar a importância da prevenção e da manutenção da saúde 
bucal ao longo da vida dos pacientes irradiados. Isso envolve a identificação e o controle de 
todos os fatores de risco, como próteses mal ajustadas, focos de infecção e extrações dentárias 
cuidadosas. A educação do paciente sobre a importância da higiene bucal e visitas regulares ao 
dentista também desempenha um papel fundamental na redução dos riscos. 
É importante salientar que o acesso a ferramentas como um gerador de ozônio não é a 
realidade do Sistema Único de Saúde (SUS). A realidade que vemos no Núcleo de Odontologia 
Hospitalar do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago – HU-
UFSC/EBSERH, onde a população tem acesso ozonioterapia, laserterapia e diversos 
tratamentos com tecnologia de ponta é fruto de uma incansável luta da coordenação e 
administração do NOH/HU-UFSC/EBSERH, representado pela Profª. Drª. Liliane Janete 
Grando, que fundou o serviço de odontologia hospitalar na década de 90. 
Em última análise, a abordagem multidisciplinar e a consideração cuidadosa de todos 
os fatores de risco são essenciais para garantir o melhor cuidado a longo prazo aos pacientes 
que enfrentam desafios de saúde bucal após a radioterapia para o tratamento do câncer de cabeça 
e pescoço. A ozonioterapia, quando usada em conjunto com outras medidas preventivas e 
terapêuticas, pode contribuir significativamente para melhorar a qualidade de vida desses 
pacientes.
45 
 
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