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Economia industrial, da tecnologia e inovação 3

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Autoria: Carolina Freitas / Fernanda Nacif Marçal - Revisão técnica: André Abdala
Economia industrial, da tecnologia e inovação
UNIDADE 3 - GLOBALIZAÇÃO E EVOLUÇÃO
INDUSTRIAL NO BRASIL
Caro (a) estudante, nesta unidade, serão abordados os
aspectos gerais da globalização. Precisamente, vamos
analisar as consequências desse fenômeno mundial em
diferentes esferas: econômica, ambiental, social e
cultural.
Compreender a globalização é de fundamental
importância para a análise das transformações
econômicas, sociais e políticas que ocorreram nos
últimos anos, bem como para entender como esse
processo influenciou nas interações entre países e regiões.
Em seguida, será apresentado o Programa de Substituição de Importações (PSI), adotado como uma
forma de incentivar a indústria nacional, promover o desenvolvimento econômico e restringir as
importações. Além disso, vamos estudar a evolução industrial no Brasil, respondendo questões
como: quais foram as atividades industriais pioneiras no país? E quais foram as regiões que mais se
beneficiaram com a industrialização?
Por último, vamos explorar o desenvolvimento tecnológico e a importância para a industrialização. É
notório que a tecnologia é inerente ao desenvolvimento industrial dos países e constitui fator
fundamental no meio econômico e social. Dessa forma, esta unidade contribuirá para a compreensão
da influência da globalização na evolução industrial do Brasil e o papel do desenvolvimento
tecnológico, bem como na elaboração das políticas econômicas do país.
Bons estudos!
Introdução
3.1 Influências e consequências da
globalização
O avanço dos meios de comunicação e dos meios de transporte, possibilitando maior integração econômica,
social e cultural entre os países, impulsionou o processo de globalização. A globalização é muito presente em
nosso cotidiano. É comum nos depararmos com produtos produzidos na China, como, por exemplo os
eletrônicos, que contam com a observação “Made in China”, gravada em algum componente. Isso é devido ao
advento da globalização, que possibilitou maior fluxo de produtos entre os países, com a ampliação dos
mercados em larga escala.
Nesse cenário, ocorre a incorporação de economias nacionais em uma economia global, na qual a produção é
internacionalizada e o capital circula com certa flexibilidade e liberdade (CLEMENTE; JULIANO, 2017).
Além da intensificação do fluxo de produtos entre os países, a globalização também permitiu a agilidade da
propagação da informação, com o advento da internet. Em 2018, por exemplo, pessoas de diversas
nacionalidades conseguiram acompanhar, pela televisão e pela internet, a Copa do Mundo, como se
estivessem sentadas nas arquibancadas dos estádios na Rússia.
#PraCegoVer: imagem traz sete pessoas, três homens e quatro mulheres, sentadas em uma mesa de madeira
retangular, cada um segurando um dispositivo eletrônico, como tablets e smartphones. Ao fundo, uma
reprodução do mapa mundial, com 12 símbolos redondos, espalhados em pontos do mapa, com desenhos de:
raio, foguete, óculos, nuvens, reciclagem, telefone, coração, sol, engrenagem, gráfico de barras e foco de alvo.
 
Para Clemente e Juliano (2017), o avanço tecnológico na comunicação global foi um dos principais precursores
da globalização no mundo contemporâneo, influenciando as estruturas estatais, fazendo emergir o que se
denominou “estado digital”. Mas afinal de contas, qual a definição de globalização? Vamos para a resposta no
item a seguir.
3.1.1 Definindo globalização
Segundo Gomes (2020), não existe um conceito único de globalização e não há consenso na literatura sobre
seu surgimento, pois pode ser vista como um processo gradativo. Entretanto, de maneira geral, podemos
definir a globalização como:
Figura 1 - A globalização promove a interatividade
Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2021.
Para Clemente e Juliano (2017, p.171), o conceito de globalização diz respeito “a um fenômeno ainda em
marcha e que, em linhas gerais, representa o processo por meio do qual o Estado-nação se torna cada vez
mais poroso e aberto às questões que provêm do contexto internacional”. Desse modo, o fenômeno está
presente quando utilizamos novas tecnologias, quando compramos produtos importados, quando assistimos às
notícias de diferentes regiões, quando a política nacional precisa estar aderente à política internacional, entre
outros momentos.
Em relação ao surgimento, autores como Sene (2012) delimitam as navegações marítimas, ocorridas no século
XV, como o fator precursor da globalização. Isso porque foi nesse período que as trocas comerciais e culturais
entre as regiões começaram a ser intensificadas, bem como novos territórios foram descobertos, aumentando
o fluxo migratório para a ocupação desses locais.
Paralelamente, o desenvolvimento do mercantilismo, no mesmo período, como modo de produção
predominante, propiciou a consolidação do processo de globalização, na medida em que estimulou a
exportação de produtos e a comercialização entre as regiões.
Assim, a globalização pode ser entendida como um processo gradativo, dotado de dimensões diversas
(econômica, social, ambiental, cultural etc.), que teve origens com a expansão das Grandes Navegações,
amadurecendo ao longo da Primeira e da Segunda Revolução Industrial e atingindo o auge com a
disseminação de tecnologias e consolidação do capitalismo, após a Queda do Muro de Berlim, em 1989.
3.1.2 Aspectos negativos da globalização e a nova dinâmica econômica dos países
Gomes (2020) aponta que a globalização pode ser vista como um processo que influenciou negativamente a
dinâmica mundial, pois gerou aumento da degradação e poluição ambiental, estimulou o crescimento
exacerbado e não foi capaz de induzir a uniformidade nas políticas ambientais entre os países, de modo a
limitar as atividades poluentes.
[…] a expansão dos fluxos de informações, que atingem todos os países, afetando empresas, indivíduos e movimentos
sociais, pela aceleração das transações econômicas, envolvendo mercadorias, capitais e aplicações financeiras que
ultrapassam as fronteiras nacionais e pela crescente difusão de valores políticos e morais em escala universal
(BARBOSA, 2010, p. 12-13).
#PraCegoVer: imagem traz um terreno com lixo no solo, ilustrando um lixão a céu aberto. Ao fundo, diversas
fábricas, com chaminés expelindo fumaça, no meio de uma cidade. 
 
O aumento das desigualdades regionais é apontado como outro fator negativo desse processo, uma vez que
a globalização não implica em desenvolvimento igual e constante para todos países e regiões. Barbosa (2010)
destaca que as divisões entre os países são ampliadas, causando assimetrias entre eles, em que os países
desenvolvidos, com tecnologias mais avançadas, são os mais beneficiados, pois conseguem assimilar as
inovações com mais facilidade e, consequentemente, adquirem vantagens comerciais em relação aos demais.
Enquanto os países subdesenvolvidos, alguns com potencial industrial e outros desprovidos de uma estrutura
básica, são os mais vulneráveis nesse processo e sofrem com os efeitos adversos.
Figura 2 - Globalização traz como ponto negativo os impactos ambientais
Fonte: 24November, Shutterstock, 2021
Você sabe em que condição determinada mercadoria é produzida
antes de chegar, a um preço acessível, às prateleiras de diferentes
lugares? O documentário The True Cost (2015) retrata os diversos
aspectos e impactos da indústria da moda na sociedade que, para
suprir as necessidades da produção globalizada, realoca a
produção para países em desenvolvimento, onde os salários são
extremamente baixos e as legislações trabalhistas e ambientais
são mais flexíveis. Vale a pena essa reflexão sobre os bastidores
do que consumimos no dia a dia.
Você quer ver?
Nesse contexto, uma nova dinâmica mundial é instaurada, na qual surgem grandes corporações multinacionais
e os países passam a ser organizar em blocos econômicos, com a finalidade de flexibilizar a integração
econômica com alguns países e delimitar a integração com outros. O objetivo dos países na formação deblocos é acompanhar o fluxo do comércio mundial, de modo a dinamizar o comércio interno, mas protegendo-o
da competição desproporcional com alguns países.
A título de exemplo, podemos citar a União Europeia (UE), constituída por 27 países, que instituiu um mercado
comum entre os países membros, e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), formado por Brasil, Argentina,
Paraguai e Uruguai, com a finalidade de instituir uma integração econômica entre os membros. Paralelamente,
surgem também instituições globais com a proposta de regulamentar as relações políticas transnacionais e o
agravamento das questões ambientais e sociais. Portanto, são criados os organismos mundiais. Saiba o que
eles significam.
Com essa finalidade, foram criadas as seguintes organizações: em 1944, o Banco Mundial e o Fundo
Monetário Internacional (FMI); em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU); e, em 1961, a Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Teste seus conhecimentos
(Atividade não pontuada)
A globalização é um processo dinâmico e multidisciplinar que trouxe diversos avanços para a sociedade em
geral. Porém, os impactos sociais e ambientais geram uma preocupação, principalmente, nos países em
desenvolvimento.
A respeito da globalização, analise as afirmativas a seguir.
I. Ocorreu primeiro nos países mais pobres.
II. É um processo que impacta positivamente e igualmente todos os países.
III. É um fenômeno mundial que ocorre de forma gradativa.
IV. Tem como impacto negativo o aumento da degradação ambiental.
É correto o que se afirma em:
I e III.
I, II e IV.
III e IV.
I e II.
II, III e IV.
São instituições formadas por dois ou mais Estados, com a finalidade de intervir no
âmbito político para a busca do bem-estar a nível mundial e regulamentar essa nova
dinâmica que se instaurou com a globalização.
Organismos
mundiais
Verificar 
3.2 Programa de Substituição das Importações
(PSI)
Nos países em desenvolvimento, os impactos da globalização ocorreram tardiamente e foram absorvidos de
maneira distinta do que nos países desenvolvidos, principalmente quando tratamos do setor industrial.
Enquanto os países desenvolvidos iniciaram a industrialização a partir de 1760, com a Primeira Revolução
Industrial, os países em desenvolvimento só viriam a experimentar a intensificação do processo de
industrialização a partir do século XX, com a adoção de políticas protecionistas, de cunho mais restritivo à
entrada de produtos estrangeiros e com uma ruptura da forma tradicional de inserção desses países na
economia mundial.
3.2.1 Políticas protecionistas
As políticas protecionistas visam proteger a indústria nascente e substituir importações para frear a
deterioração dos termos de troca, ou seja, reduzir a dependência do país em relação aos países estrangeiros.
Além disso, podem ser utilizadas como forma de proteger a indústria local da competitividade externa desleal,
como o caso de empresas que oferecem preços elevados aos consumidores estrangeiros em relação aos
consumidores locais (SOUZA; MACHADO, 2020).
Em geral, as políticas protecionistas são baseadas na adoção de barreiras tarifárias e não tarifárias, ou seja,
inibem a entrada de produtos importados, na medida em que elevam o preço do produto estrangeiro em
relação aos similares nacionais. As barreiras tarifárias são os impostos e subsídios, enquanto as tarifas não
tarifárias são mais genéricas e englobam medidas protetivas que não envolvem a cobrança de tarifas, tais
como, as cotas de importação, as barreiras burocráticas, os controles cambiais, entre outras.
A maioria dos países em desenvolvimento da América Latina aplicou a política protecionista por meio do
modelo de industrialização substituição de importações, com o intuito de estimular setores específicos da
economia e, dessa forma, ampliar o mercado consumidor.
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal)
Comentário: fundada em 1948, com a finalidade de contribuir para
o desenvolvimento dos países latino-americanos e fortalecer as
relações econômicas de seus membros com os demais países do
mundo, a Cepal realizou diversos estudos sobre o modelo de
Você quer ler?
De acordo com Mendonça e Pires (2002), o termo “substituição de importações” não pode ser entendido como
uma política deliberada de se substituírem todas as importações de um país, de forma a torná-lo
autossuficiente. É preciso entendê-lo como um processo gradual e direcionado a setores específicos. 
No caso do Brasil, essas medidas foram adotadas a partir da década de 1930, período no qual a maioria dos
países enfrentava sucessivas crises no mercado internacional, com reduções significativas do volume de
exportações e importações. Nesse período vigorava a Era Vargas (1930-1945), a economia brasileira era
dependente do setor externo e, basicamente, caracterizada como primário-exportadora, pela predominância da
produção de café, e altamente dependente das importações para atender à demanda interna, principalmente
de bens de consumo primário (FURTADO, 1959).
3.2.2 A crise cafeeira e o novo modelo industrial
Para Furtado (1959), a existência de restrições externas, oriundas da crise de 1929, e a predominância de um
único produto nas exportações, o café, que passava por um colapso de destruição de estoques, abriu
caminhos para oportunidades mais rentáveis em outros setores da economia que já produziam para o mercado
interno.
Assim, com a redução do nível de exportações do café, juntamente com a impossibilidade de arcar com o
volume de importações de bens essenciais para o mercado interno, a manutenção do modelo de
desenvolvimento primário-exportador passou a ser insustentável, obrigando o país a redirecionar os
investimentos e começar a produzir internamente os bens com maior volume de importações na balança
comercial.
#PraCegoVer: imagem traz, ao lado esquerdo, um saco branco de café recém-colhido, com duas mãos
retirando ou colocando uma quantidade grande de café. Ao lado direito, um caminhão branco, em um porto de
cargas.
 
substituição de importações adotado na maioria dos países da
América Latina. No site oficial, você pode conhecer mais sobre a
Cepal e seus estudos.
Acesse (https://www.cepal.org/pt-br)
Figura 3 - O café como principal produto de exportação brasileiro
Fonte: KAMONRAT, Shutterstock, 2021.
https://www.cepal.org/pt-br
O governo brasileiro passa a adotar medidas para deslocar o centro dinâmico da economia, da produção de
café para outras atividades (FURTADO, 1959). Nesse contexto, é adotado o Programa de Substituição de
Importações (PSI), o qual consiste em estimular a produção interna de produtos que antes eram importados,
alavancando, assim, a indústria nacional e diversificando a economia.
Com a diversificação, observou-se uma expansão significativa da produção industrial, com a predominância da
produção de bens de consumo que exigiam máquinas e equipamentos, destacando-se as indústrias
alimentícias, farmacêuticas, metalúrgicas, artigos de higiene e limpeza, perfumaria, entre outras (BRESSER-
PERREIRA, 1985). Do ponto de vista das políticas econômicas, o governo brasileiro assumiu uma postura de
intervenção direta, que incluía ações. Vamos conhecer quais são.
Merece destaque os investimentos no setor de logística (ferroviária, rodoviária e portuária), os quais seriam
destinados a distribuir os produtos para todo o país, promovendo a integração nacional. Além disso, ao longo
da Era Vargas, foram criados órgãos para aumentar o controle estatal e a coordenação das atividades
econômicas e empresas estatais para atender às necessidades das indústrias em expansão, no que se refere
ao fornecimento de energia, combustível e comunicações, dentre as quais podemos citar a Companhia Vale do
Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional. Posteriormente, outras empresas estatais também foram
criadas com o intuito de fornecer infraestrutura básica, tais como a Eletrobrás e a Petrobrás.
 
Tributação alfandegária sobre os produtos importados.
Criação de cotas de importação.
Estímulo à produção internapor meio de subsídios e isenção de impostos.
Acumulação de capital.
Redirecionamento de investimentos.
Getúlio Dornelles Vargas foi chefe do Governo Provisório e Presidente da
República em dois períodos. O primeiro e mais duradouro foi de 1930 a
1945, conhecido como a Era Vargas, marcada por grandes progressos na
economia brasileira, principalmente em relação aos avanços nas leis
trabalhistas. O segundo período foi de 1951 a 1954. Outro importante marco
foi a controvérsia medida de “queima de uma parcela da produção nacional
de café”, em 1931, com o intuito de elevar o preço no mercado externo. 
Você o conhece?
 
Oliveira (2012) aponta que a criação das empresas estatais impulsionou o desenvolvimento das indústrias de
bens de capital, para atender à demanda de máquinas e equipamentos essenciais para as atividades dessas
estatais. Nesse contexto, a indústria de bens de consumo não duráveis, conforme aponta o autor, havia
atingido um nível sustentável para atender às demandas internas, por meio de empresas, em sua maioria de
propriedade nacional, e estava em andamento a implantação das indústrias de base (energética, siderúrgica e
petrolífera).
Entretanto, ainda havia um gargalo em relação às indústrias de bens de consumo duráveis e bens de capital,
os quais continuavam a ser importados em larga escala, ocasionando desequilíbrios nas contas externas
(OLIVEIRA, 2012).
O modelo de substituição de importações se desenvolveu em ciclos, no qual o fim de um ciclo gera demanda
por outros tipos de bens. Segundo Souza e Machado (2020), as restrições às importações fazem com que o
capital disponível seja direcionado aos setores substituidores de importações, no caso brasileiro os de bens
não duráveis, e a renda nacional e a demanda agregada aumentam, gerando a necessidade de importações
de bens intermediários e de capital.
Assim, observa-se que as importações não foram completamente “eliminadas”, mas direcionadas diante das
necessidades dos novos setores. Ocorre, portanto, um processo de diversificação também da pauta de
importações, que antes englobava os bens primários e passa a englobar os bens de consumo duráveis e de
capital.
#PraCegoVer: imagem traz o interior de uma fábrica de automóveis, com destaque para um carro, com sua
estrutura exposta na linha de produção.
 
Nesse limiar, o avanço das indústrias de bens de consumo primário reduzia a importação desses bens, por
outro lado criava outras necessidades de importação (OLIVEIRA, 2012).
Somente a partir de 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, conforme Oliveira (2012) aponta, a indústria de
bens de consumo duráveis foi impulsionada com medidas de incentivo para empresas multinacionais
produzirem no Brasil. Ao mesmo tempo, com a oferta interna desses produtos foram adotadas restrições à
importação. Em suma, a consolidação dos setores industriais, baseada na substituição de importações, foi
apoiada em três pilares, segundo Oliveira (2012).
Figura 4 - Linha de produção de carros, uma das atividades do setor industrial
Fonte: RainerPlendl, Mediapool, 2021.
Com esse processo de industrialização, além das transformações econômicas e políticas, a economia
brasileira sofreu profundas modificações na área social, em decorrência da implantação em algumas partes do
país de parques industriais, sendo o estado de São Paulo o protagonista nesse processo, por possuir uma
posição privilegiada oriunda do auge da produção cafeeira (BRESSER-PERREIRA,1973).
O advento dos parques industriais promoveu à migração em massa das pessoas dos meios rurais para os
centros urbanos, modificando a dinâmica territorial do país. Além de atrair também imigrantes de diferentes
países em busca de oportunidades, possibilitando, assim, a disponibilidade de mão de obra para ser
empregada na indústria e a criação de um mercado interno.
Depois de entender quais medidas um país utiliza para proteger a produção industrial da concorrência externa
e verificar como o Brasil utilizou-se dessas medidas para alavancar a indústria nacional, podemos nos
aprofundar, no próximo tópico, na evolução industrial no Brasil, abrangendo os primórdios da indústria até os
dias atuais.
 
Primeiro pilar
Atuação direta e o financiamento do governo na implantação da
indústria de base e parte da produção de bens de capital.
Segundo pilar
Adoção de incentivos para o estabelecimento de multinacionais
para explorar os setores que exigiam maior aporte tecnológico
(automóveis, setor farmacêutico e eletrônicos).
Terceiro pilar
Adoção de medidas de apoio aos produtores locais já instalados,
para produção de bens de consumo não duráveis e exploração do
comércio.
3.3 Evolução industrial no
Brasil
A Primeira Revolução Industrial, ocorrida a partir de 1776, deu início a uma fase de profundas rupturas nas
estruturas econômicas, sociais e políticas do mundo. O desenvolvimento de tecnologias provocou mudanças
nos meios de produção, promoveu a industrialização e alterou a dinâmica da maioria dos países, sendo a
Inglaterra a pioneira nesse processo.
Contudo, o novo modelo de produção propagado com a Revolução Industrial encontrou algumas barreiras nos
países periféricos, como no caso do Brasil, que, inicialmente, teve o processo de industrialização
impossibilitado nesse período, pois ainda era colônia de Portugal e, de forma tardia, teve incentivos à
industrialização aprofundados apenas a partir do século XIX.
Nesse limiar, para compreender como ocorreu a evolução da industrialização no Brasil, é importante analisar o
aparecimento das primeiras atividades produtivas até os dias atuais, sendo possível distinguir quatro fases.
Saiba quais são.
Vamos, a seguir, saber mais sobre essas fases.
3.3.1 Do descobrimento à chegada da corte portuguesa no Brasil
Engloba as imposições da metrópole portuguesa às atividades a serem desenvolvidas em território
brasileiro.
Albergando o fim das restrições industriais às primeiras atividades produtivas.
Contempla o período incipiente de políticas direcionadas a impulsionar o setor industrial.
Engloba a consolidação da indústria no Brasil e a abertura comercial.
Primeira fase (de 1500 até 1808)
Segunda fase (de 1808 até 1930)
Terceira fase (de 1930 até 1955)
Quarta fase (de 1955 até os dias atuais)
Logo após o descobrimento, o território brasileiro foi repartido entre portugueses burocratas, navegadores,
entre outros, os quais eram incentivados a explorar e desenvolver atividades produtivas, garantindo, assim, a
ocupação do território e retornos a Portugal. Inicialmente, o modelo econômico implantado foi o
agroexportador, no qual, de acordo com Souza e Machado (2020), os recursos presentes na colônia brasileira
eram destinados para a produção de bens de exportação que seriam comercializados ou consumidos pela
metrópole. Como forma de evitar a concorrência aos produtos manufaturados de Portugal, diversas restrições
e imposições legais foram criadas para inibir e extinguir todas as manufaturas têxteis da colônia e demais
atividades industriais. Dessa forma, todo o capital fixo da colônia, como máquinas e animais de carga, era
utilizado apenas para a agroexportação, não sendo permitido outras atividades paralelas (SOUZA; MACHADO,
2020).
As atividades desenvolvidas foram a exploração do pau-brasil, a produção do açúcar e do algodão.
Posteriormente, a exploração de ouro passou a ser a atividade predominante. Nesse período, os países
centrais experimentavam uma onda de industrialização acentuada, ocasionada pela Primeira Revolução
Industrial, o que viria a influenciar diversas economias mundiais. Entretanto, devido às restrições impostas pela
metrópole, o Brasil não sofreu as influências desse fenômeno e, por isso, a industrialização ocorreu de forma
tardia em relação aos demais países.
Com o tempo, essas imposições foram flexibilizadas, porém a industrialização no Brasil apresentou avanços a
partir de 1808, com a chegada da corte portuguesa e, posteriormente, com a independência do país e a
constituição da república.
3.3.2 O fim das restrições e as primeiras indústriasno Brasil
O quadro de inércia na industrialização brasileira começa a se inverter a partir de 1808, com o abrandamento
das restrições à produção industrial, aliado às diversas transformações ocorridas no Brasil. Souza e Machado
(2020) destacam que os investimentos em infraestrutura, o avanço tecnológico e a criação de instituições
bancárias e de crédito foram transformações voltadas à produção de café, mas que contribuíram para propiciar
as condições necessárias à industrialização. Os primeiros empreendimentos industriais surgiram para atender
às demandas do mercado interno e concentravam-se, basicamente, na atividade têxtil. Mas a predominância
econômica na balança comercial era a produção de café, a qual determinava os rumos das políticas do
governo brasileiro. 
A dinâmica da economia era conduzida, prioritariamente, de acordo com os interesses agrícolas de diminuição
das tarifas de exportação e importação, objetivando beneficiar a produção de café. Em segundo plano, as
políticas econômicas contemplavam também os interesses da atividade industrial nascente, que pleiteavam o
protecionismo alfandegário.
Diante disso, a política industrial assumiu um caráter moderadamente protecionista, com algumas restrições às
importações de determinados produtos, mediante tarifas e impostos. Mesmo tímidas, essas políticas
conseguiram acender a chama da indústria no país e, apesar do relativo progresso industrial conduzido pela
indústria têxtil, ainda havia gargalos a serem explorados, tanto no que se refere à diversificação das atividades
quanto à necessidade de políticas industriais mais efetivas por parte do governo brasileiro. 
3.3.3 Era Vargas e as políticas incipientes de incentivos à industrialização
Como vimos anteriormente, após a crise de 1929, o governo brasileiro passou a adotar o modelo de
substituição de importações, objetivando impulsionar a industrialização. Em complemento, no período Vargas
(1930-1945), foram introduzidos controles cambiais, a fim de restringir as importações e outras medidas para
impulsionar a indústria nacional que, com o tempo, propiciou a diversificação dos setores, albergando a
indústria de base, de bens de capital, de bens de consumo não duráveis.
Posteriormente, ressalta-se as medidas promulgadas pelo Plano de Metas, implantadas na vigência do
governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), com a finalidade de promover a industrialização e modernização
da economia brasileira. Mais especificamente, essas medidas propunham ações para a indústria de base,
ratificação do processo de substituição de importações e estabelecimento de uma política cambial consistente
e direcionada a proteger a indústria nacional (SOUZA; MACHADO, 2020).
Dessa forma, o Plano de Metas aprofundou a industrialização no país, ao passo em que constituiu um sistema
produtivo estatal que possibilitou as bases para o avanço da indústria no país, principalmente pela melhoria da
infraestrutura. Essas melhorias atraíram grandes empresas estrangeiras para explorar as janelas dos setores
que demandavam um elevado nível de investimentos e tecnologia, como o de bens duráveis.
Em relação à distribuição territorial dessas atividades industriais, o eixo São Paulo e Rio de Janeiro
caracterizava-se como as áreas mais privilegiadas e as responsáveis por mais da metade do valor da produção
industrial brasileira. Além disso, os principais portos de exportação estavam localizados nas cidades de Santos
e do Rio de Janeiro e, por essa razão, investimentos em infraestrutura foram centralizados nessas regiões.
#PraCegoVer: imagem traz o porto de Santos, uma parte do mar, um barco contendo vários contêineres de
diferentes cores, e o espaço do pátio do porto, com contêineres organizados em blocos.
 
Merece destaque o estado de São Paulo, que contava com um parque industrial desenvolvido e concentrava a
maior parte do mercado consumidor, o que acabou por acentuar as desigualdades regionais. Souza e Machado
(2020) evidenciam que o estado de São Paulo foi privilegiado no processo industrial, em virtude da eliminação
dos impostos interestaduais e intermunicipais e a expansão da rede ferroviária e rodoviária, possibilitando,
assim, o escoamento da produção.
Cabe destacar as iniciativas do governo brasileiro em ampliar as atividades industriais para outras regiões, por
meio de incentivos fiscais, com o intuito de compensar o atraso industrial e reduzir as desigualdades regionais
de alguns estados brasileiros, como é o caso da Zona Franca de Manaus. Criada em 1957, possui um núcleo
industrial forte, no qual abriga multinacionais e diversas indústrias, que possibilitaram o desenvolvimento de
uma base econômica na Amazônia Ocidental, promovendo a integração produtiva da região Norte.
Figura 5 - Porto de Santos, em São Paulo, uma das principais regiões industrializadas no país
Fonte: Erich Sacco, Shutterstock, 2021.
Assim, os avanços propiciados pelo PSI levaram a diversificação do setor industrial e o Brasil atingiu um nível
de industrialização elevado em relação aos anos anteriores, porém muito aquém dos países desenvolvidos. A
concretização do processo de industrialização ocorre alguns anos depois, com a abertura da economia e com
o abrandamento das políticas protecionistas. 
3.3.4 A consolidação da industrialização brasileira
Com o esgotamento do modelo de substituição de importações, a partir de 1964, o fator dinâmico da indústria
brasileira baseou-se no crescimento do mercado interno e externo e no aprofundamento dos setores industriais
já instalados (BRESSER-PEREIRA,1973). Nos anos seguintes, a implementação do II Plano Nacional de
Desenvolvimento (II PND), em 1974, consolidou as bases para a modernização industrial no país, pois
priorizava o aumento da capacidade energética e da produção de insumos básicos e de bens de capital.
Maringoni (2016) abaliza que o plano englobava três áreas fundamentais: infraestrutura, setor de bens de
produção e energia.
Nesse sentido, o II PND procurou aliar medidas para estimular o crescimento econômico do país e enfrentar a
crise internacional da época. Diante disso, foram definidas metas de investimentos em setores-chave da
economia, com a integração de ações do Estado, da iniciativa privada e do capital externo. 
Contudo, a partir de 1980, a economia brasileira entra em crise e apresenta estabilidade na estrutura produtiva,
sem inovações significativas. Esse quadro de estagnação permanece até o início de 1990, quando o governo
brasileiro promove a implementação de um novo modelo de industrialização, em contraposição aos modelos
adotados até então, com a abertura comercial e a redução das políticas protecionistas.
Apesar de o desenvolvimento industrial ocorrido nesse período, enquanto a maioria dos países centrais
vivenciava um cenário de grandes avanços tecnológicos, que abriu espaço para a indústria de eletrônicos, a
indústria brasileira seguia uma trajetória de baixa produtividade, em função da escassez de recursos externos
e da dependência tecnológica.
O fator inovação tecnológica tem sido um dos desafios industriais do Brasil, ao passo que esse atraso
vivenciado nos anos de 1990 permanece até os dias atuais. Porém, mesmo com a barreira do fator
tecnológico, o Brasil está em 16º no ranking dos produtores industriais do mundo, conforme traz relatório da
Área da infraestrutura
O objetivo era a ampliação da malha rodoferroviária, da rede
de telecomunicações e da constituição de um modelo para a
produção industrial e comercialização agrícola.
Setor de bens de
produção ou insumos
básicos
Os objetivos centralizavam-se na constituição das
indústrias siderúrgica, de química pesada, de metais não ferrosos
e de minerais não metálicos.
Área de energia
Os esforços seriam para garantir o fornecimento de petróleo e
derivados, energia hidrelétrica e fontes alternativas (etanol e
energia nuclear).
Confederação Nacional da Indústria (2020), com uma estrutura dinâmica no setor de derivados do petróleo e
no setor automobilístico. Além disso, nos últimos anos, observou-se uma maior distribuiçãoda atividade
industrial ao longo do território brasileiro, todavia, permanece o protagonismo da região Sudeste.
Teste seus conhecimentos
(Atividade não pontuada)
A industrialização no Brasil, a partir de 1974, foi em grande parte impulsionada pelo II Plano Nacional de
Desenvolvimento (II PND), para promover modificações estruturais na economia brasileira. O plano era
composto por 15 capítulos e dividido em quatro partes: “Desenvolvimento e grandeza: o Brasil como
potência emergente”; “Grandes temas de hoje e de amanhã”; “Perspectivas: o Brasil no fim da década”; e
“Ação para o desenvolvimento”.
 A respeito do II PND, analise as afirmativas a seguir.
I. As ações seriam custeadas e operacionalizadas exclusivamente pelo estado brasileiro.
II. Um dos objetivos era incentivar a produção de metais, aços e ferros fundidos, insumos básicos de outros
setores.
III. A melhoria da infraestrutura do país não foi contemplada.
IV. O setor de energia era um dos eixos fundamentais do plano.
É correto o que se afirma em:
I, II e IV.
III e IV.
I, II e III.
I e III.
II e IV.
Verificar 
3.4 Desenvolvimento
tecnológico
Os avanços tecnológicos estão presentes cada vez mais no nosso dia a dia, promovendo agilidade com a
introdução de eletrônicos e eletrodomésticos, por exemplo, e reduzindo as distâncias, seja por meio digital,
com o avanço das comunicações, da internet, ou de forma presencial, com avanços nos meios de transporte.
Muitos desses avanços foram propiciados pela Terceira Revolução Industrial, que introduziu a importância da
tecnologia e da mão de obra especializada na otimização dos processos produtivos. Atualmente, muito tem se
falado sobre a indústria 4.0, que representaria a Quarta Revolução Industrial, e envolve a automação industrial
com a utilização de um amplo sistema de tecnologias, como robótica, inteligência artificial, entre outras, com
objetivo de digitalizar e otimizar mais ainda os processos produtivos.
A Amazon, empresa multinacional de tecnologia norte-americana, é um exemplo
da implementação de diferentes recursos da Indústria 4.0 para otimizar
processos e serviços. Uma dessas ferramentas é o sistema de inteligência
artificial (IA) e robótica utilizados em estoques e centros de distribuição, para
proporcionar maior agilidade e rastreabilidade na entrega de produtos.
O sistema da Amazon repassa o pedido do cliente feito pela internet à
instalação mais próxima, onde inicia-se uma série de procedimentos controlados
por um sistema computacional, em que as prateleiras são levadas até os
funcionários por pequenos robôs, que também organizam os produtos nas
estantes. Este caso demonstra como as tecnologias podem agilizar os
processos das empresas.
Dessa forma, o desenvolvimento tecnológico é considerado, atualmente, fator predominante no nível de
desenvolvimento de um país. Isso porque quanto maior o desenvolvimento tecnológico de um país, maior será
a competitividade perante os demais.
3.4.1 Importância dos avanços tecnológicos no desenvolvimento dos países
Entende-se por desenvolvimento tecnológico o crescimento contínuo e autossustentável na adoção de
tecnologias inovadoras, o qual pode ocorrer de forma mais lenta ou mais rápida em diferentes lugares
(BARRETO, 1995).
Como definir o desenvolvimento tecnológico de um país? Segundo Barreto (1995), o potencial de inovação ou
nível tecnológico de um país ou sociedade depende de alguns fatores. Em primeiro lugar, o nível de prioridade
das atividades de pesquisa e desenvolvimento no país; em segundo, o nível e a qualidade do estoque de
tecnologia instalado no país que indicam a sua densidade tecnológica; dentre outros, como o contexto político
e institucional, a disponibilidade de recursos humanos e a estrutura industrial do país (BARRETO, 1995).
Dessa forma, o conceito de desenvolvimento tecnológico é amplo e envolve a aplicação de inovações tanto no
processo produtivo como em outros campos. Com o desenvolvimento tecnológico, é possível otimizar a cadeia
produtiva, gerar novos produtos, serviços, além de promover melhorias no dia a dia.
Caso
#PraCegoVer: imagem traz um homem, de costas, usando um capacete amarelo, segurando um tablet, pelo
qual coordena um robô mecânico utilizado em processos produtivos.
 
Gonçalves, Santiago e Cardoso Júnior (2017) apontam que o processo de inovação tecnológica é complexo e
requer a integração de diversos agentes econômicos, sendo fundamental o estreitamento da relação entre
público e privado, objetivando a propagação das inovações por toda a sociedade. O intercâmbio de
conhecimento entre os países constitui um passo importante em direção ao desenvolvimento tecnológico. Para
isso, alguns países desenvolveram programas que facilitam as trocas de conhecimento tecnológico e
comercial, principalmente com países líderes nessas tecnologias.
Assim, para que determinado país alcance o desenvolvimento tecnológico, o governo precisa incentivar as
empresas a investirem em inovações, bem como estimular o avanço da pesquisa e desenvolvimento (P&D)
nas instituições e universidades públicas.
3.4.2 Políticas de incentivos à inovação tecnológica no Brasil
Nesse sentido, o Brasil vem buscando estimular o desenvolvimento tecnológico, de forma direta, via criação do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e de agências de fomento e, de forma indireta, mediante fundos
especificamente destinados a empresas privadas que se disponham a investir em pesquisa de inovação.
Figura 6 - A digitalização e a modernização também estão presentes nas atividades industriais
Fonte: PopTika, Mediapool, 2021.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) é um órgão
federal, criado em 1985 e alterado em 2016, com o objetivo de
promover o avanço da ciência, tecnologia, inovação e comunicações
e aproximar o setor industrial do conhecimento científico para
estimular o desenvolvimento tecnológico.
Você sabia?
O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado em 1969, tem o objetivo de
financiar programas de inovação e pesquisa em empresas e instituições. A Lei de Informática, promulgada em
1991, é outro exemplo de política de incentivo à promoção da atividade tecnológica no Brasil e estimula o
estabelecimento de empreendimentos ligados ao complexo eletrônico. Mais recentemente, o decreto nº
5.798/2006 instituiu os incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação
tecnológica.
Como vimos, a industrialização ocorreu de forma tardia no Brasil em relação aos países centrais, em virtude do
sistema colonial vigente à época, que impedia legalmente que o país instalasse fábricas e impunha que todo
produto industrializado deveria ser importado de Portugal (OLIVEIRA, 2012).
Assim sendo, era perceptível que para o avanço da industrialização, como meio para o crescimento econômico
do Brasil, eram necessários altos investimentos e tecnologia, os quais não estavam disponíveis livremente,
sendo indispensável a intervenção direta do Estado. O governo brasileiro assume o papel de protagonista
nesse processo, implementando políticas para incentivar e propiciar a consolidação da indústria brasileira.
 
Com base nos principais aspectos da industrialização no Brasil,
identifique os períodos mais importantes, nos quais a industrialização
teve avanços significativos, descrevendo as principais políticas
econômicas adotadas e os impactos causados. Escreva seu texto e
compartilhe com seus colegas para que possam debater a respeito da
temática.
Vamos Praticar!
Ao longo desta unidade, procuramos analisar o panorama econômico e histórico
que influenciaram na evolução industrial brasileira, além de entender a importância
da globalização e do progresso tecnológico. A industrialização promoveu em muitos
períodos a competitividade nacional e contribuiu na geração de emprego e renda,
além de impactar positivamente na balança comercial. Todavia, nota-se que mesmo
com todos os avanços, a indústria brasileira ainda carece de inovações
tecnológicas para alcançar os níveis dos países maisdesenvolvidos.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
Conclusão
reconhecer e interpretar a importância e bases da globalização no ambiente
industrial;
analisar os fatores que contribuíram para a criação do Programa de Substituição
de Importações (PSI);
conhecer o processo da formação industrial no Brasil e suas etapas;
compreender os princípios econômicos e fundamentos do desenvolvimento
tecnológico.
BARBOSA, A. de F. O mundo globalizado: economia, sociedade e
política. São Paulo: Contexto, 2010.
BARRETO, A. de A. A transferência de informação, o desenvolvimento
tecnológico e a produção de conhecimento. Informare: Cadernos do
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THE TRUE Cost. Direção: Andrew Morgan. Produção: Michael Ross. Los Angeles: Life Is My Movie
Entertainment Company, 2015. (92 min).
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