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FISIOPATOLOGIA DA ANEMIA FERROPRIVA, ASSIM COMO SEU TRATAMENTO E PREVENÇÃO

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1- DISCORRER A FISIOPATOLOGIA DA ANEMIA FERROPRIVA, ASSIM COMO SEU TRATAMENTO E PREVENÇÃO 
A anemia é definida como processo patológico no qual a concentração de hemoglobina (Hb), contida nos glóbulos vermelhos, 
encontra-se anormalmente baixa, respeitando-se as variações segundo idade, sexo e altitude em relação ao nível do mar, em 
consequência de várias situações como infecções crônicas, problemas hereditários sanguíneos, carência de um ou mais 
nutrientes essenciais, necessários na formação da hemoglobina, como ácido fólico, Vitaminas B12, B6 e C e proteínas1. 
Entretanto, não resta dúvida de que a deficiência de ferro é a responsável pela maior parte das anemias encontradas, sendo 
denominada de anemia ferropriva. 
 
Metabolismo do ferro 
O ferro utilizado pelo organismo é obtido principalmente da dieta e da reciclagem de hemácias senescentes e a quantidade de 
ferro absorvida é regulada pela necessidade do organismo. A maior parte do ferro inorgânico está presente na forma Fe3+ e é 
fornecida por vegetais e cereais. A aquisição do ferro da dieta na forma heme corresponde a 1/3 do total e é proveniente da 
hemoglobina (Hb) e mioglobina contidas na carne vermelha. Ovos e laticínios fornecem menor quantidade dessa forma de ferro, 
que é melhor absorvida do que a forma inorgânica. 
A internalização do ferro heme da dieta é feita pela proteína transportadora do heme-1 (HCP1) encontrada na membrana apical 
das células do duodeno. O heme liga-se à membrana da borda dos enterócitos duodenais e atravessa a membrana plasmática 
ligada a proteína, logo depois o ferro é então liberado da protoporfirina pela heme oxigenase, e fará parte do mesmo pool de 
ferro não heme, sendo armazenado na forma de ferritina ou liberado do enterócito para o sangue. 
 
A proteína da hemocromatose (HFE) está fortemente relacionada com a regulação da absorção intestinal do ferro. Esta interage 
com o receptor da transferrina (TfR) e detecta o seu grau de saturação, sinalizando para o enterócito se há maior ou menor 
necessidade de absorção do ferro na luz intestinal. Indivíduos com mutação no gene da HFE apresentam hemocromatose, 
caracterizada pelo acúmulo de ferro no organismo decorrente da contínua absorção do ferro pelo intestino. 
Como a maior parte do ferro no organismo está associada à molécula de Hb, a fagocitose e degradação de hemácias senescentes 
representam uma fonte importante de ferro (de 25 a 30 mg/dia). Essa quantidade de ferro reciclado é suficiente para manter a 
necessidade diária de ferro para a eritropoiese. Após a interação de receptores específicos dos macrófagos com as hemácias, 
inicia-se o processo de fagocitose, seguido da degradação dos componentes da hemácia. O catabolismo intracelular do heme 
envolve várias enzimas, como a NADPH-citocromo C redutase, a HO e a biliverdina redutase e terá como produtos o CO, ferro e 
bilirrubina. A parte protéica da molécula de Hb, a cadeia globínica, terá seus aminoácidos também reciclados e aproveitados na 
síntese de novas proteínas. O Fe2+ pode ser estocado no próprio macrófago na forma de ferritina ou ser exportado. 
 
Após a exportação pela FPT, o Fe2+ será oxidado pela ceruloplasmina, sintetizada no fígado. O Fe3+ será transportado pela 
transferrina até os locais onde será reutilizado, predominantemente na medula óssea, participando da hemoglobinização de 
novos eritrócitos . A homeostase do ferro é importante para a eritropoiese e as funções celulares normais. Apesar de várias 
proteínas e enzimas de transporte de ferro estarem envolvidas no processo de homeostase, verificou-se que o metabolismo do 
ferro é regulado pela hepcidina, uma proteína sintetizada no fígado. Ele exerce a sua ação através da interação com a 
ferroproteina, uma proteína transmembrana implicado em efluxo de ferro do organismo. Pesquisas relacionadas com a 
hepcidina mostram uma forte associação deste peptídeo com a fisiopatologia dos transtornos relacionados com o ferro. Uma 
alta concentração de hepcidina pode resultar em anemia refratária a terapia com ferro, enquanto uma concentração diminuída 
no soro pode conduzir a sobrecarga de ferro com deposição disseminada de ferro no tecido. O aumento da hepcidina também 
tem sido relatado em diversos estados clínicos, como, doenças neoplásicas, inflamação e sepse. 
Alguns fatores regulam a expressão da hepcidina, como o estado do ferro (a sobrecarga de ferro aumenta sua expressão, 
enquanto a anemia e hipoxemia a reduzem) e o processo inflamatório, em que a IL-6 tem um papel fundamental. A ferroportina 
é o receptor da hepcidina e a interação hepcidina-ferroportina controla os níveis de ferro nos enterócitos, hepatócitos e 
macrófagos. 
 
Etiologia da anemia ferropriva 
De modo geral, a anemia instala-se em consequência de perdas sanguíneas e/ou por deficiência prolongada da ingestão de ferro 
alimentar, principalmente em períodos de maior demanda, como crianças e adolescentes que apresentam acentuada velocidade 
de crescimento. Além disso, a gestação e lactação também são períodos de maior demanda de ferro. 
As causas de anemia ferropriva e deficiência de ferro podem ter início ainda no período intra-uterino. As reservas fisiológicas de 
ferro (0,5g/kg no recém-nascido a termo) são formadas no último trimestre de gestação e, juntamente com o ferro proveniente 
do leite materno, sustentam a demanda do lactente até o sexto mês de vida. Podemos, portanto, concluir que a prematuridade, 
pela falta de tempo, e o baixo peso ao nascer, pela pequena reserva, associados ao abandono precoce do aleitamento materno 
exclusivo, são as causas mais comuns que contribuem para a espoliação de ferro no lactente jovem. Na primeira infância, o 
problema agrava-se em decorrência de erros alimentares, principalmente no período de desmame, quando frequentemente o 
leite materno é substituído por alimentos pobres em ferro. O leite de vaca é um exemplo, pois apesar de apresentar o mesmo 
teor em ferro que o leite materno, sua biodisponibilidade é muito baixa e, como se sabe, as mães frequentemente substituem 
uma refeição pela mamadeira. 
Além desses aspectos, como agentes agravantes e, muitas vezes, determinantes da formação insuficiente de depósitos de ferro, 
devem ser considerados o baixo nível socioeconômico e cultural, as condições de saneamento básico e de acesso aos serviços 
de saúde e o fraco vínculo na relação mãe/filho. 
As perdas sanguíneas agudas ou crônicas espoliam as reservas de ferro no organismo e podem ser consequentes a patologias 
como o refluxo gastro-esofágico, intolerância à proteína do leite de vaca e parasitoses intestinais. 
 
Diagnóstico 
A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia microcítica. Caracteriza-se pela diminuição do volume corpuscular médio 
(VCM), geralmente acompanhada pela diminuição da hemoglobina corpuscular média (HCM) e da concentração de hemoglobina 
corpuscular média (CHCM), caracterizando a presença de hipocromia associada. Entretanto, outras condições podem cursar 
com anemia microcítica, tais como: talassemias, anemia de doença crônica, anemia sideroblástica e envenenamento por 
chumbo. 
O principal diagnóstico diferencial da anemia ferropriva é a talassemia-beta menor. A produção das cadeias de globina beta é 
controlada por dois genes. Assim, a mutação em apenas um dos genes causa o traço talassêmico, enquanto a mutação de ambos 
os genes causa a doença. Na talassemia beta menor, observa-se contagem normal ou aumentada de glóbulos vermelhos, RDW 
(Red Cell Distribution Width) menor que 18%, redução discreta da hemoglobina A e aumento da hemoglobina A2. A presença 
de resistência globular aumentada é exame diagnóstico auxiliar. Entretanto, em alguns casos, apenas a análise molecular do 
DNA pode fornecer o diagnóstico definitivo. 
Por outro lado, a associação entre talassemia-β menor e anemia ferropriva pode ocorrer, reduzindo a concentração de 
hemoglobina A2. Logo, para evitar falsos diagnósticos, na suspeita destaassociação deve-se corrigir o estoque de ferro corpóreo 
para avaliação posterior da eletroforese de hemoglobina. 
O diagnóstico de deficiência de ferro poderia ser simples se não houvesse uma série de situações clínicas que influenciam o 
perfil do ferro. A anemia de doença crônica é a anemia mais comum em pacientes hospitalizados e, em geral, incide em 
indivíduos com doenças inflamatórias crônicas devido aos elevados níveis de citocinas inflamatórias, que interferem na 
utilização da eritropoetina e no metabolismo do ferro. A anemia altera os testes de triagem na avaliação do perfil do ferro, 
sendo que a adequada diferenciação entre a anemia de doença crônica e anemia ferropriva requer a mensuração tecidual do 
ferro, que pode ser inferida pela medida do receptor solúvel da transferrina. 
A carência de ferro ocorre no organismo de maneira gradual e progressiva. Neste sentido, diversos parâmetros hematológicos 
e bioquímicos que refletem os três estágios da deficiência podem ser usados, isoladamente ou associados, no diagnóstico do 
estado nutricional de ferro em indivíduos ou populações. 
O diagnóstico do primeiro estágio da deficiência de ferro, caracterizado pela diminuição dos estoques de ferro no organismo, é 
realizado por meio de dosagem de ferritina sérica (44). Assim, ferritina sérica inferior a 15 ng/mL é atribuída à anemia por 
deficiência de ferro, enquanto valores superiores a 100 ng/mL praticamente excluem este diagnóstico, mesmo na presença de 
doença inflamatória ou doença hepática. 
A dosagem da hemossiderina na medula óssea pode também ser adotada como indicativo de depleção. Entretanto, por ser um 
método invasivo, não é recomendado para triagem. O segundo estágio da deficiência de ferro corresponde à diminuição do 
ferro de transporte. Este estágio caracteriza-se pela diminuição do ferro sérico e um aumento da capacidade de ligação do ferro, 
sendo que tais mudanças resultam na diminuição da saturação da transferrina. 
O terceiro estágio ocorre quando a quantidade de ferro está suficientemente restrita para a produção de hemoglobina, 
apresentando células hipocrômicas e microcíticas. 
Alguns autores acreditam que os marcadores utilizados, particularmente seus limites de corte, devem ser revistos, pois podem 
estar superestimando a anemia ferropriva e a deficiência de ferro. O correto diagnóstico da anemia por deficiência de ferro é 
de fundamental importância para se evitar e reduzir os riscos à saúde. 
 
Tratamento 
O objetivo do tratamento da anemia ferropriva deve ser o de corrigir o valor da hemoglobina circulante e repor os depósitos de 
ferro nos tecidos onde ele é armazenado. Recomenda-se a utilização de sais ferrosos, preferencialmente por via oral. Os sais 
ferrosos (sulfato, fumarato, gluconato, succinato, citrato, etc.) são mais baratos e absorvidos mais rapidamente, porém 
produzem mais efeitos colaterais - náuseas, vômitos, dor epigástrica, diarréia ou obstipação intestinal, fezes escuras e, a longo 
prazo, o aparecimento de manchas escuras nos dentes. Sua absorção é maior quando administrado uma hora antes das 
refeições. 
O conteúdo de ferro varia nos diferentes sais. A posologia sugerida é de 3 a 5 mg de ferro elementar por quilo de peso por dia, 
dividida em 2 a 3 doses. O medicamento deve ser ingerido, se possível, acompanhado de suco de fruta rica em vitamina C, 
importante elemento facilitador da absorção do ferro. 
Outra recomendação é que o medicamento não seja administrado juntamente com suplementos polivitamínicos e minerais. 
Existem interações do ferro com cálcio, fosfato, zinco e outros elementos, diminuindo sua biodisponibilidade. Outros fatores 
inibidores da absorção do ferro como chá mate ou preto, café e antiácidos devem ser evitados durante ou logo após a ingestão 
do medicamento. 
Para que a eritropoiese se restabeleça, é fundamental que a dieta oferecida durante o tratamento seja balanceada, assegurando 
nutrientes suficientes, principalmente proteínas, para garantir o fornecimento dos aminoácidos essenciais à formação da 
hemoglobina, calorias, para evitar que estes aminoácidos sejam utilizados como fonte calórica e de alimentos ricos em vitamina 
C, para aumentar a biodisponibilidade do ferro da dieta. 
A resposta ao tratamento é rápida, e o tempo de duração depende da intensidade da anemia. A absorção do íon ferro é muito 
maior nas primeiras semanas de tratamento. Estima-se uma absorção de 14% do ferro ingerido durante a primeira semana de 
tratamento, 7% após 3 semanas e 2% após 4 meses. O primeiro mês de terapia é fundamental para o sucesso do tratamento. 
Uma resposta positiva pode ser medida com um incremento diário de 0,1 g/dl na concentração da hemoglobina, a partir do 
quarto dia de tratamento. Observa-se aumento máximo da reticulocitose entre o 5° e 10° dias de tratamento, e elevação 
substancial da hemoglobina em torno da terceira semana. 
A oferta do medicamento deve ser continuada por volta de 6 semanas após a normalização da hemoglobina, para possibilitar a 
reposição das reservas orgânicas de ferro. 
A transfusão sanguínea somente está indicada em crianças com hemoglobina inferior a 5g/dl ou com sinais de descompensação 
cardíaca. Nessas situações é aconselhável a utilização de 10 ml/kg de concentrado de hemáceas, em venoclise lenta e 
monitoramento dos sinais vitais. 
Portanto, para o tratamento da anemia carencial ferropriva é necessária uma abordagem global do problema, visando a adoção 
de medidas que transcendem em muito a visão isolada do tratamento da deficiência de ferro. 
 
Prevenção 
A prevenção da anemia ferropriva deve ser estabelecida com base em quatro tipos de abordagens: educação nutricional e 
melhoria da qualidade da dieta oferecida, incluindo o incentivo do aleitamento materno, suplementação medicamentosa, 
fortificação dos alimentos e controle de infecções. 
Nas recomendações dietéticas infantis, alguns cuidados podem ser tomados, visando a um melhor aporte de ferro ao organismo, 
tais como manutenção do aleitamento materno exclusivo até o 4o – 6o mês de vida e introdução de alimentos complementares 
ricos em ferro e dotados de agentes facilitadores de sua absorção (carnes em geral, frutas cítricas). Por outro lado, devem ser 
evitados, durante as refeições, os agentes inibidores como chás preto e mate, café e refrigerantes. O ideal é que as carnes sejam 
cozidas e não fritas, aproveitando o caldo da cocção. 
Dessa forma, a escolha correta dos alimentos complementares é de fundamental importância, pois há necessidade de a 
alimentação da criança ser diversificada, balanceada e rica em ferro de alta biodisponibilidade. 
A suplementação medicamentosa é bastante eficaz na prevenção e controle da anemia. Entretanto, alguns estudos já 
evidenciaram que esse tipo de intervenção apresenta um entrave que reduz significativamente o impacto sobre as condições 
hematológicas das crianças acompanhadas, que é a falta de vínculo mãe/filho, independentemente da condição nutricional. 
Como a mãe não interage de maneira satisfatória com seu filho, não percebe a gravidade dessa doença e, consequentemente, 
acaba por não administrar o medicamento à criança. Portanto, somente a preconização da suplementação medicamentosa com 
sulfato ferroso não deve dar ao profissional de saúde a segurança de que a criança está realmente recebendo o suplemento. 
O Grupo de Consultoria Internacional sobre Anemias de Origem Nutricional (INAGG) sugere as seguintes recomendações para 
o controle e prevenção das anemias nutricionais: b) melhoria dos sistemas de saneamento básico e assistência médica a todos, 
com controle de parasitoses intestinais; c) criação de programas de suplementação de ferro em doses profiláticas aos grupos de 
risco, sob supervisão e acompanhamento; d) criação e incentivo a programas de fortificação de alimentos, considerada 
atualmente a melhor medida preventiva a longo prazo, com menores custos. A utilização de fórmulas lácteas e leitesfortificados 
com sulfato ferroso, ferro quelato, ferro elementar em crianças menores de 2 anos apresenta resultados gratificantes. 
 
2- ACLARAR A ABORDAGEM TERAPÊUTICA E PREVENTIVA DA DESNUTRIÇÃO ENERGÉTICO-PROTEICA INFANTIL 
O Kwashiorkor e o marasmo se manifestam clinicamente de forma distinta. As principais características do Kwashiorkor são 
retardo no crescimento, perda de gordura subcutânea e muscular menos intensa que no marasmo, edema depressível que se 
localiza principalmente nas pernas, nas crianças que caminham, mas que pode atingir todo o corpo, hepatomegalia acentuada 
devido a esteatose hepática, e alterações mentais e de humor. Podem ocorrer lesões de cabelos (textura, cor, sem brilho, queda) 
generalizadas ou localizadas (sinal da bandeira), e também lesões de pele (despigmentação, dermatose de áreas de fricção, 
descamação). 
Anorexia, diarreia, infecções e deficiências de micronutrientes (vitamina A, zinco, ferro) são frequentes. A presença de um 
significante grau de perda de peso e a presença de edema são os aspectos essenciais para o diagnóstico de Kwashiorkor. 
A criança com marasmo avançado tem um aspecto inconfundível. É muito magra, com evidente perda de massa muscular, 
extremidades muito delgadas e abdômen às vezes proeminente. A face tem uma aparência de “velho” ou “simiesca”. Pregas 
frouxas da pele podem ser vistas, principalmente nas nádegas. Os principais sinais clínicos são peso muito baixo (peso por idade 
inferior a 60% do peso previsto para a idade), retardo no crescimento (baixa estatura para a idade) e gordura cutânea escassa 
ou ausente. Diarreia, infecção respiratória, parasitoses e tuberculose comumente estão presentes, bem como sinais de carências 
de micronutrientes, como xeroftalmia, deficiência de vitamina B, anemia ferropriva e outras. O estado de ânimo pode ser mais 
ansioso do que apático. A temperatura corporal tende à hipotermia. 
Uma proporção das crianças desnutridas pode apresentar uma forma de desnutrição mista, o Kwashiorkor- marasmático, com 
características mistas em relação às duas outras formas clínicas. Geralmente, quando desaparece o edema com o tratamento, 
pode-se ver que elas são portadoras de marasmo. 
As crianças que não apresentam as características clínicas do marasmo, mas que apresentam déficit de crescimento, são 
consideradas desnutridas moderadas ou leves. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico de desnutrição é feito a partir da história clínica da criança, bem como pelo seu exame clínico e determinação do 
estado nutricional. A avaliação e cuidadoso acompanhamento clínico da criança é o guia mais importante para o diagnóstico e 
para definir e monitorizar o tratamento da criança. A clínica da criança é soberana em todos os momentos do tratamento, 
inclusive nas situações de impossibilidade de realização ou de dificuldades de interpretações de exames laboratoriais. Onde os 
recursos permitirem, exames laboratoriais podem ser feitos para ajudar no tratamento. No entanto, é importante lembrar que, 
no caso da criança desnutrida grave, a interpretação dos resultados dos exames deve ser cuidadosa, uma vez que os mesmos 
podem ser alterados pela própria desnutrição, confundindo os trabalhadores de saúde menos experientes. 
As alterações bioquímicas e metabólicas são semelhantes nas crianças com marasmo, Kwashiorkor e Kwashiorkor-marasmático. 
Devido à gravidade e complexidade das alterações metabólicas, os exames laboratoriais podem ser de difícil interpretação ou 
até mesmo confusos. A proteína sérica total no Kwashiorkor está diminuída devido à baixa de albumina, em consequência à 
alteração da sua síntese hepática, enquanto no marasmo é normal. Os aminoácidos essenciais podem estar baixos e os não 
essenciais, normais ou altos, sobretudo no Kwashiorkor. A imunoglobulina G sérica pode estar alta em decorrência de infecções. 
A proteína captadora de retinol pode estar baixa. É frequente que a hemoglobina e o hematócrito estejam baixos. As 
concentrações de creatinina e hidroxiprolina urinária são baixas, principalmente nos pacientes muito emagrecidos. 
Podem ser encontrados sinais bioquímicos de deficiência de vitamina A, riboflavina tiamina, niacina e ácido ascórbico, bem 
como de deficiências de minerais como ferro, zinco e magnésio. Também podem haver sinais bioquímicos de desequilíbrio 
hidroeletrolítico secundário à desidratação por diarreia. 
 
Tratamento 
Diversos aspectos do tratamento da criança desnutrida vêm sendo revistos por vários autores. No Brasil, a necessidade 
identificada de se aperfeiçoar a assistência a essas crianças tem gerado uma série de discussões de idéias e propostas de 
aperfeiçoamento e sistematização da ação no país, incluindo-se uma possível adaptação à realidade do País das novas diretrizes 
da OMS para o tratamento da criança gravemente desnutrida. 
Na dependência da sua gravidade, as crianças desnutridas podem ser tratadas em hospital, centros de nutrição, ambulatórios e 
na comunidade/domicílio. 
Devem ser hospitalizadas para tratamento as crianças com manifestações clínicas de Kwashiorkor, marasmo ou Kwashiorkor-
marasmático, cujo peso para a idade (P/I) seja menor que -3DP ou menos de 70% da mediana dos valores de referência do NCHS, 
associado a inapetência acentuada; e/ou diarréia e/ou vômitos; e/ou qualquer infecção associada. Também devem ser 
hospitalizadas crianças com DEP grave (P/I < -3DP) que não podem ser referidas para tratamento ambulatorial, centros de 
recuperação nutricional e outros. Quando é possível medir a altura, utiliza-se o indicador peso por altura e considera-se 
desnutrição grave a presença de edema, emagrecimento importante (menos de 70% do peso/altura ou - 3 DP) ou sinais clínicos 
de desnutrição grave. 
A abordagem do tratamento hospitalar é a mesma para crianças com Kwashiorkor, marasmo e Kwashiorkor-marasmático. O 
tratamento deve ser iniciado tão logo a criança seja atendida. Ela deve ser manuseada o mínimo possível. Para fins de 
compreensão, o tratamento da criança com desnutrição grave pode ser dividido em três fases, descritas a seguir. A duração 
total mínima prevista é de 26 semanas, para atingir a reabilitação e também prevenir recaídas. 
Na fase de estabilização, que vai do 1º ao 7º dia de tratamento, são identificados e tratados os problemas com risco de vida, 
corrigidas as deficiências específicas, assim como as anormalidades metabólicas, e inicia-se a alimentação. Na fase de 
reabilitação, que dura da 2a até 6a semana, a criança deve ser alimentada de forma intensiva para recuperar a maior parte do 
peso perdido. Aumenta-se a estimulação emocional e física, treina-se a mãe ou pessoa que cuida da criança para continuar os 
cuidados em casa e, finalmente, prepara-se a alta da criança. Se a duração da hospitalização for menor que 6 semanas, deve-se 
assegurar o suporte adequado para completar o tratamento de reabilitação em centro de nutrição, ambulatório e domicílio. 
A fase de acompanhamento, da 7a à 26a semana, inicia-se imediatamente após a alta, principalmente se a criança recebeu 
alta antes de completar a reabilitação. Acompanha-se a criança e sua família, para prevenir a recaída e assegurar a continuidade 
do desenvolvimento emocional, físico e mental da criança. 
Quando a criança tiver completado a fase inicial do tratamento, não tiver complicações e estiver se alimentando e ganhando 
peso satisfatoriamente (geralmente 2-3 semanas após a admissão), ela geralmente pode continuar o tratamento em um centro 
de reabilitação nutricional, sem ser em regime de internação. Um centro de reabilitação nutricional é um hospital-dia, um centro 
de saúde ou uma instalação semelhante que presta cuidado diário através de uma equipe treinada em reabilitação de crianças 
desnutridas. A criança dorme em casa, é trazida ao centro a cada manhã e retorna a sua casa ao final de cada dia. É necessária 
uma íntima colaboração entre o hospital e o centro para assegurar a continuidade do cuidado da criança e facilitar o seu rápido 
retorno ao hospital,caso surja algum problema grave. Em áreas urbanas, os centros de reabilitação nutricional devem ser 
preferivelmente estabelecidos perto do hospital. Em áreas onde não há centros especializados, o hospital deve continuar a 
acompanhar a criança até que ela esteja pronta para a alta do tratamento. Crianças com desnutrição grave frequentemente 
estão muito doentes e em risco de vida quando chegam para tratamento, necessitando, amiúde, de tratamento, de emergência. 
A criança deve ser mantida aquecida, adequadamente vestida e coberta, e afastada de correntes de ar, principalmente à noite. 
Idealmente, a temperatura ambiental deveria ser mantida em 25-30oC porque as crianças desnutridas graves, particularmente 
as pequenas, facilmente ficam hipotérmicas. Nos locais de clima muito quente, deve-se cuidar para que a criança não fique 
hiperaquecida durante as horas mais quentes do dia. 
A hipotermia está associada com mortalidade aumentada. Todas as crianças hipotérmicas também devem ser tratadas para 
hipoglicemia e para infecção sistêmica séria. A hipotermia é frequente nas crianças desnutridas graves menores de 12 meses, 
com marasmo, com grandes áreas de pele lesada ou com infecções graves. Se a temperatura axilar estiver abaixo de 35,0oC ou 
não aparece para leitura no termômetro axilar disponível, assuma que a criança tem hipotermia. Aqueça bem a criança, 
alimente-a imediatamente e trate as infecções existentes. 
É difícil diferenciar desidratação e choque séptico em uma criança com desnutrição grave. Em muitos casos de choque séptico, 
há uma história de diarréia e um grau de desidratação leve ou moderado, produzindo um quadro clínico misto. Muitos dos sinais 
habitualmente usados para avaliar desidratação não são confiáveis em uma criança com desnutrição grave, tornando difícil ou 
impossível detectar desidratação e sua gravidade de forma confiável. Além disso, muitos sinais de desidratação também são 
encontrados no choque séptico, fazendo com que a desidratação seja hiperdiagnosticada e sua gravidade hiperestimada. 
Frequentemente é necessário tratar a criança simultaneamente para desidratação e choque séptico. 
No tratamento da desidratação, a via oral é a preferencial, sendo a via intravenosa reservada aos casos em que há sinais 
definitivos de choque, pois pode facilmente causar hiperidratação e insuficiência cardíaca. A solução para reidratação oral deve 
ter menos sódio e mais potássio que a solução padrão recomendada pela OMS. Magnésio, zinco e cobre também devem ser 
dados para corrigir a deficiência desses minerais. A solução de reidratação oral proposta pela OMS para crianças desnutridas 
graves contém aproximadamente 45mmol de sódio, 36mmol de potássio e 3mmol de magnésio por litro. 
Todas as crianças gravemente desnutridas têm deficiências de vitaminas e de minerais. Recomenda-se a administração diária, 
por um mínimo de duas semanas, de suplemento de multivitaminas (que não tenha ferro), ácido fólico (5mg no primeiro dia e 
a partir daí 1mg/dia), zinco (2mg/kg/d) e cobre (0,2mg/kg/dia). Quando a criança começar a ganhar peso, o que geralmente 
ocorre no início da segunda semana de tratamento, deve-se iniciar o sulfato ferroso (3mg de Fe/kg/d). As crianças gravemente 
desnutridas estão em alto risco de cegueira por deficiência de vitamina A. Esta deve ser dada oralmente no primeiro dia. 
Administrar a dose específica para a idade no segundo dia e repetir no mínimo duas semanas depois. 
A alimentação da criança deve iniciar logo após a admissão, com refeições pequenas, de baixa osmolaridade e baixo teor de 
lactose, oferecidas a cada 2, 3 ou 4 horas, dia e noite. A via oral é a preferencial e, se essa não for possível, dar por SNG. A meta 
nutricional nesta fase é atingir a ingestão máxima de 100kcal/kg/dia (o mínimo aceitável é de 80kcal/kg/dia) e 1-1,5g 
proteína/kg/dia. Planeja-se para um total de 130ml/kg/d de líquido (100ml/kg/dia se a criança tem edema importante). Se a 
criança estiver sendo amamentada, o aleitamento materno deve ser acompanhado de formulação láctea apropriada para cobrir 
a cota calórica desejada. A via intravenosa é utilizada excepcionalmente na desnutrição primária. 
A quantidade ingerida pela criança deve ser rigorosamente medida e registrada. Se a meta mínima não for atingida, alimentá-la 
por SNG, oferecendo primeiro a alimentação por via oral. A sonda deve ser retirada quando a criança aceitar por via oral 3/4 do 
total da dieta diária, ou o volume total em duas refeições consecutivas. Se a ingestão nas próximas 24 horas seguintes não atingir 
o mínimo de 80kcal/kg/dia, reintroduzir a sonda. 
A reabilitação nutricional em ambulatório e na comunidade é possível, embora seja mais longa. A maior responsabilidade pelo 
sucesso do tratamento das crianças nessas condições é dos pais. Portanto, é essencial que eles recebam dos profissionais de 
saúde e agentes de saúde orientação e apoio prático adequados para cuidar das suas crianças. De uma forma geral, a orientação 
para essas crianças é semelhante à que é dada na preparação para a alta e no acompanhamento da criança que foi hospitalizada. 
As mães devem ser orientadas sobre como preparar as refeições com conteúdo nutricional adequado e saber que a criança 
precisa ser alimentada no mínimo 5 vezes por dia. Os alimentos usuais da casa devem ser preparados de forma a conter 
aproximadamente 100kcal e 2-3g de proteína por 100g de alimento. Os suplementos de vitamina, ferro e eletrólitos/minerais 
devem ser usados. 
Um plano de acompanhamento deve ser seguido e uma rotina efetiva de atendimento deve ser adotada, pelo menos até que a 
criança esteja completamente recuperada. O apoio dos trabalhadores de saúde da comunidade é essencial. Se a criança recebeu 
alta precoce do hospital, a supervisão deve ser reforçada no ambulatório e no domicílio, pois o seu risco de recair e de morrer 
é muito alto. A criança deve ser cuidadosamente avaliada antes da alta e algum suporte comunitário deverá estar disponível 
para a prevenção de recaída. O tratamento domiciliar, além de ser o mais barato para o setor de saúde, pode ser também o 
preferido pelas mães. 
Possíveis alternativas para o controle da desnutrição infantil 
 A efetiva prevenção da desnutrição infantil calórico- proteica não pode ser um objetivo isolado em relação a medidas gerais 
que visem atender às necessidades básicas dos pobres. Este entendimento tem desencadeado decisões internacionais para a 
melhoria econômica das populações, através de estratégias e programas para grupos de maior risco nutricional. Embora a 
história demonstre que a solução da pobreza é um objetivo muito ambicioso para ser atingido a curto prazo, também se tem 
visto que intervenções bem implementadas através do setor de saúde contribuem para a redução da desnutrição infantil. 
Lamentavelmente, devido ao reconhecimento da multicausalidade, a desnutrição passou a ser, frequentemente, preocupação 
de muitos, mas ninguém a tem realmente assumido como responsabilidade. Vários profissionais de saúde rotulam a desnutrição 
infantil como sendo um “problema social” e adotam uma atitude de descaso, de pouca importância ou derrotista face à criança 
desnutrida ou em risco de desnutrição, e de menos valia em relação à promoção da nutrição para a saúde da criança. Atuam de 
forma desintegrada e muitas vezes se mantêm distanciados dos constantes avanços do conhecimento para tentar controlar a 
desnutrição. 
Outros, diante do fato de que atualmente há menos crianças gravemente desnutridas, passam a minimizar a importância do 
problema e até a ignorar a existência da epidemia silenciosa de fome oculta e de desnutrição que se expressa através do 
contingente de crianças com desnutrição moderada e leve, menos evidente. 
A introdução do aspecto nutricional no atendimento rotineiro à criança tem um papel fundamental na prevenção da 
desnutrição. No que se refere às crianças menores de três anos, estudos recentes indicam que o nanismo nutricional começa 
na faixa etária que compreende algunsmeses após o nascimento até cerca de dois anos de idade, coincidindo com a idade na 
qual alimentos complementares ao leite materno são introduzidos na dieta. Assim sendo, é possível que abordagens 
programáticas inovadoras direcionadas à promoção da alimentação complementar em menores de dois anos possam ter melhor 
custo-efetividade do que aquelas dirigidas ao grupamento pré-escolar, e ter um sucesso sem precedentes históricos na redução 
da desnutrição na infância No ambulatório e no domicílio, as equipes do PSF, compostas por profissionais e agentes de saúde, 
poderão atuar em aspectos críticos(38) na orientação nutricional à gestante, nas infecções, no direcionamento de programas 
para enfrentar a falta de alimentos, e sobre o fator de aparente negligência com o cuidado da criança que pode ocorrer, 
principalmente, por falta de informação adequada às mães. 
As ações de manejo dietético podem ser promovidas pelos profissionais de saúde através de orientação direta às mães sobre 
aleitamento materno, alimentação complementar para crianças a partir de 6 meses, incluindo alimentos ricos em vitamina A, 
ferro, zinco, vitamina B6, alimentação da criança doente e reidratação oral na diarreia. 
Acesso à educação, cuidados de saúde e água de boa qualidade, proteção contra doenças e garantia de uma ingestão adequada 
de micronutrientes são elementos chave, em conjunto com algum sistema comunitário adequado para acompanhamento e 
suporte às crianças com desnutrição leve, moderada e grave. Quando isso é feito de forma efetiva, é possível reduzir 
rapidamente as taxas de desnutrição. 
 
3- ELUCIDAR OS DIREITOS TRABALHISTAS DOS RESPONSÁVEIS PELA CRIANÇA 
 
Atestado para acompanhante: Entende-se por atestado (ou certificado) o documento que tem por objetivo firmar a veracidade 
de um fato ou a existência de determinado estado, ocorrência ou obrigação. É um instrumento destinado a reproduzir, com 
idoneidade, uma específica manifestação do pensamento médico. Juridicamente, os atestados médicos são considerados 
instrumentos de fé pública — ou seja, são verdadeiros até que se prove o contrário. Carecem de regulação ou verificação de 
credibilidade por qualquer órgão público, sendo que se pressupõe sempre, a priori, que as informações contidas nele são 
verídicas. Somente aos médicos e odontólogos é facultada a prerrogativa do fornecimento de atestados de afastamento de 
trabalho. 
Auxílio doença parental 
Como foi demonstrado nos tópicos anteriores, nossa legislação brasileira se preocupa em fornecer proteção social à entidade 
familiar e a cada membro da família. Dessa forma, o benefício de Auxílio Doença Parental, apresenta-se como uma das formas 
de exercer essa proteção familiar, pois configura-se como o benefício fornecido ao parente que está incapacitado para exercer, 
temporariamente, sua atividade laborativa por encontrar-se cuidando de ente familiar acometido de doença grave ou em estado 
terminal. 
A licença por motivo de doença em pessoa da família, disposto no art. 81 da Lei 8.112/90, é benefício concedido ao servidor que 
tiver que se ausentar se deu trabalho para cuidar de ente familiar acometido de alguma doença, mediante comprovação por 
perícia médica oficial, como menciona o art. 83 da mesma lei: 
Art. 83. Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos filhos, do 
padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que viva as suas expensas e conste do seu assentamento funcional, mediante 
comprovação por perícia médica oficial. § 1 o A licença somente será deferida se a assistência direta do servidor for indispensável 
e não puder ser prestada simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante compensação de horário, na forma do 
disposto no inciso II do art. 44. (BRASIL, 2016). 
Observa-se que não há previsão de benefício semelhante à “Licença por motivo de doença em pessoa da família” no Regime 
Geral de Previdência Social, o que é uma verdadeira lacuna em nossa legislação previdenciária, fazendo com que os segurados 
do deste regime fiquem vulneráveis e não tenham completa proteção social. Essa vulnerabilidade é evidente nos dias atuais, 
pois essa situação em que o segurado tem que se afastar de seu ambiente de trabalho para cuidar de membro da familiar 
debilitado está cada vez mais comum, e os filiados ao RGPS ficam desamparados diante deste cenário. 
Dessa forma, os benefícios garantidos aos segurados do RGPS carecem de ampliação para que a proteção social alcance estas 
situações urgentes que estão cada vez mais no cotidiano dos indivíduos, devendo portanto ser reconhecido o Auxílio Doença 
Parental no rol dos benefícios previdenciários do RGPS. 
Neste sentido, a Senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS) propôs alteração legislativa PLS 286/14, que foi aprovado em 2015, afim 
de acrescentar o auxílio doença parental na Lei 8.213/91, inserindo o art. 63-A com a seguinte redação: 
Art. 63-A. Será concedido auxílio-doença ao segurado por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos filhos, 
do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que viva a suas expensas e conste da sua declaração de rendimentos, 
mediante comprovação por perícia médica, até o limite máximo de doze meses, nos termos e nos limites temporais 
estabelecidos em regulamento. 
Marco da primeira infância 
O primeiro argumento para a elaboração de uma lei especial para a primeira infância diz respeito à valorização da família nuclear, 
muitas vezes monoparental, e à maior inserção da mulher nos vários campos da atividade econômica, social, cultural e política, 
que carece de apoio do Estado para auxiliá-la no cuidado e educação de seus filhos pequenos. 
A importância da lei, em resumo, é assegurar à pessoa humana nos seus primeiros 72 meses maior grau de proteção e prioridade 
absoluta, de tal modo os direitos fundamentais específicos deste momento, indispensáveis que são para a formação e 
desenvolvimento do ser humano, de maneira que se formem como verdadeiras cidadãs. 
A Lei nº 13.257/2016 apresenta inúmeras mudanças que afetarão a vida das pessoas até os seis anos, incluindo os nascituros. 
Tendo como pano de fundo a realidade social da família trabalhadora brasileira, que não dispõe de recursos para assegurar um 
ambiente propício para o cuidado durante a gestação e após o nascimento dos filhos até seis anos, se imprimiu uma rede de 
proteção mais fortalecida para as famílias com prole nesta faixa etária. Como benefício de relevo incluiu-se na Consolidação das 
Leis do Trabalho a licença de dois dias aos pais para acompanharem consultas médicas e exames complementares da esposa ou 
companheira e de um dia por ano para acompanhar o filho de até seis anos em consulta médica (art. 473, X e XI da CLT). Por 
evidente, o benefício da licença de dois dias pode ser usufruído a qualquer momento durante o período de gestação. 
Pode-se afirmar que a Lei nº 13.257 acabou por adentrar em questões que abrangem direitos além dos da primeira infância, 
para a qual a lei foi destinada. Da leitura inicial do Marco Legal da Primeira Infância tem-se, no entanto, a certeza que a sua 
função foi dar visibilidade aos direitos das gestantes e das crianças pequenas, de maneira que venham a usufruir de seus direitos 
de maneira mais efetiva, especialmente os que se referem aos cuidados específicos da pessoa humana desde a concepção. 
Imensos desafios na implementação da presente lei sempre são esperados, pois, lamentavelmente, a falta de articulação da 
rede protetiva e a ineficiência das políticas públicas ainda são obstáculos para que nossas crianças possam usufruir plenamente 
de seus direitos fundamentais. 
 
4- EXPLANAR OS PROGRAMAS ASSISTENCIAIS VOLTADOS PARA FAMÍLIA DE BAIXO PODER AQUISITIVO 
 
Bolsa família 
O Programa Bolsa Família (PBF) é um programa de transferência de renda diretamente às famílias pobres e extremamente 
pobres, que vincula o recebimento do auxílio financeiro ao cumprimentode compromissos (condicionalidades) nas áreas de 
Saúde e Educação, com a finalidade de promover o acesso das famílias aos direitos sociais básicos. 
Este Programa, sob a responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDS, representa uma 
oportunidade de melhoria na qualidade de vida das famílias com as quais você trabalha. Este efeito será muito maior se 
colaborarmos para que estas famílias façam parte de outros programas governamentais ou não-governamentais promotores de 
sua maior participação na sociedade: alfabetização de adultos, geração de emprego e renda e outros. Estas ações são 
fundamentais para o crescimento social e econômico das famílias e do município. 
Assim, foi desenvolvido o Programa Bolsa Família para unificar os programas sociais pré existentes: Bolsa Escola, Bolsa 
Alimentação, Programa Nacional de Acesso à Alimentação, Auxílio Gás e Cadastramento Único do Governo Federal. E com a 
unificação dos programas sociais de transferência de renda, o Bolsa Família foi sancionado pela Lei nº. 10.836/2004, com três 
grandes eixos: transferência de renda, condicionalidades e programas complementares, tendo o Ministério do Desenvolvimento 
Social e Combate à Fome, no comando do referido programa de política pública. 
 
As famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família (PBF) assumem o compromisso, na área de saúde, de manter o cartão de 
vacinação em dia e monitorar o desenvolvimento das crianças menores de 7 anos nos serviços de atenção básica à saúde. As 
mulheres de 14 a 44 anos também se comprometem a fazer acompanhamento na unidade básica de saúde (UBS) e, se gestantes 
ou nutrizes (lactantes), a realizar o pré-natal e o acompanhamento de sua saúde e do bebê. 
Nesse contexto, segundo Silva et al. (2007) a desnutrição no Brasil está fortemente ligada à baixa renda, o que prejudica o acesso 
a uma alimentação em quantidade e em qualidade, de acordo com o conceito de segurança alimentar proposto pela Lei Orgânica 
de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) – Lei no 11. 346/06, que instituiu a Política Nacional de Segurança Alimentar 
(BRASIL, 2006). 
Nessa perspectiva, foi criado o Programa Fome Zero em 2003, tendo como foco principal a segurança alimentar e o acesso a 
uma alimentação adequada como direito humano. Portanto um dos eixos de ação do Programa Fome Zero é garantir uma renda 
mínima a essa população, através de programas de transferência de renda. Segundo CoƩ a e Machado (2013), “os programas de 
transferência condicionada de renda têm-se destacado como políticas de proteção social e combate à pobreza em diversos 
países, inclusive no Brasil”. Nesse eixo, encontra-se o PBF, que objetiva o alívio imediato da pobreza por meio de repasse direto 
de recurso monetário, o acesso a direitos básicos na área da educação, saúde e assistência social e o desenvolvimento das 
famílias com o apoio de ações e programas complementares. 
As famílias, na época do pagamento do benefício, aproveitam a ida às sedes dos municípios para adquirir os alimentos que não 
são oferecidos em suas unidades de produção nas feiras, mercados locais e/ou em supermercados. Entre os principais produtos 
obtidos pelas famílias, estão a carne vermelha, o arroz, o feijão, o açúcar, o café e refrigerantes. 
 
5- ABORDAR OS TIPOS DE ACIDENTES MAIS COMUNS NA INFÂNCIA E SUAS PRECAUÇÕES 
 
O acidente foi definido como um evento não intencional e evitável, causador de lesões físicas e emocionais, ocorrido no 
ambiente doméstico (moradia/espaço de convivência familiar) ou social (trabalho, escola, esporte e lazer). 
Os acidentes constituem o extremo de um processo cuja cadeia causal pode ser antecipada, razão pela qual é fundamental 
contextualizá-los para propor ações possíveis e viáveis de prevenção. 
Os fatores de risco e de vulnerabilidade para a ocorrência de acidentes (lesões acidentais não intencionais), segundo estudos, 
são divididos em: (i) intrapessoais, que são relacionados à idade, ao sexo e ao comportamento de risco, este último atribuído a 
adolescentes; (ii) interpessoais, que são relacionados aos cuidados exercidos pela família e ao ambiente doméstico; (iii) 
institucionais, que são relacionados à comunidade, ao bairro, à escola e à urbanização; e (iv) fatores culturais, que são aqueles 
relacionados à sociedade, 
Levando-se em consideração os fatores intrapessoais, observa-se que a criança, em seu processo natural de crescimento e 
desenvolvimento e com seu comportamento exploratório, enfrenta situações que podem colocar em risco a sua integridade. 
Tais situações ocorrem conforme a fase do desenvolvimento da criança, o sexo e a faixa etária: 
• Menores de 2 anos estão sujeitos a riscos impostos por terceiros, como queimaduras, intoxicações, colisão de automóvel e 
quedas. • Meninos estão mais propensos a sofrer acidentes do que as meninas. • Pré-escolares (de 2 a 6 anos) sofrem mais 
atropelamentos, acidentes por submersão, quedas de lugares altos, ferimentos, lacerações e queimaduras. • Crianças na idade 
escolar (de 6 a 10 anos) podem ser vítimas de atropelamentos, quedas de bicicletas, quedas de lugares altos, traumatismos 
dentários, ferimentos com armas de fogo e lacerações. 
Neste contexto, o conceito de vulnerabilidade permite que sejam repensadas as práticas de saúde, de maneira crítica e dinâmica, 
para contribuir para a mudança de hábitos e incentivar comportamentos saudáveis que resultem em impactos significativos no 
perfil epidemiológico, a partir da compreensão de que é no contexto da vida social e familiar que aumentam as chances de 
exposição das crianças aos acidentes e às violências, resultantes de um conjunto de aspectos individuais, coletivos e 
programáticos. 
 
As ações de prevenção podem incidir nas comunidades para facilitar a reflexão sobre as questões socioeconômicas, culturais e 
ambientais relevantes, além de propiciar ações que estimulem a modificação dos determinantes de risco a lesões (acidentes) 
nos âmbitos da moradia, do transporte, do lazer e da educação, entre outros. De igual forma, podem proporcionar uma boa 
qualidade de vida para todos. 
A partir da reflexão do profissional sobre os atendimentos realizados nos serviços de saúde relacionados a eventos como os 
citados, tais ocorrências servem como sinais de alerta para a adoção de medidas preventivas, o que requer a intensificação do 
trabalho educativo com as famílias e as comunidades que apresentam maior risco para os referidos tipos de eventos. 
 
Orientações aos familiares e às crianças para evitar e prevenir acidentes 
Os profissionais da Atenção Básica, por manterem um contato mais próximo com as comunidades nas quais trabalham, 
especialmente com as crianças e suas famílias, têm oportunidades únicas durante as visitas domiciliares para realizar ações 
educativas de como evitar e prevenir acidentes. É recomendado que cada profissional aproveite os momentos das visitas para 
avaliar aspectos relevantes de segurança no ambiente doméstico e de todos os membros da família [A]. Além disso, também 
fazem parte do rol de ações dos profissionais e de toda equipe de saúde as orientações sobre a promoção, a proteção e a defesa 
dos direitos das crianças ao acesso a equipamentos públicos e insumos necessários à recuperação e à manutenção da sua saúde 
e da sua qualidade de vida. 
Em toda a habitação, desde a sua edificação até o arranjo e a distribuição dos móveis e utensílios domésticos, deve ser sempre 
considerada a prevenção de acidentes. Quedas, queimaduras, intoxicações e envenenamentos são tipos frequentes de acidentes 
no lar, devem estar sempre em mente da equipe de saúde para transmitir aos pais ou responsáveis um alerta geral. Desde o 
local apropriado para a guarda de materiais inflamáveis, cáusticos e medicamentos, até o de pequenos objetos como lâminas 
de barbear e agulhas, deve-se motivar a que se tornem preocupação dos pais, juntamente com a transmissão aos filhos dos 
cuidados que devemter quando necessitarem manipular tais substâncias e objetos. Nesse aspecto, outros elementos 
importantes que existem devem ser considerados, tais como a proteção de escadas e tomadas de corrente elétrica, 
gradeamento de janelas e distância do fogão, mormente quando se estiver cozinhando. 
 
Na criança envolvida ou que sofreu acidente, o trauma é, sem dúvida, uma causa de grande preocupação para profissionais de 
saúde envolvidos com cuidados à crianças, devido a características próprias que as crianças possuem, como: menor massa 
corporal, menos tecido adiposo e conjuntivo de elasticidade, calcificação incompleta do esqueleto e ainda maior proximidade 
entre os órgãos. Por isso o esqueleto da criança tem menor capacidade de absorver as forças cinéticas aplicadas durante um 
evento traumático, podendo permitir lesões internas significativas com lesão externa mínima. Os profissionais que trabalham 
com o atendimento de crianças acidentadas devem sempre ficar atentos para a possibilidade de lesão externa mínima com lesão 
interna grave. 
1. TRAUMAS O trauma é definido como lesão sofrida pelo organismo, de aparecimento súbito, não previsto e indesejável e de 
suficiente intensidade, produzindo lesão/ dano/ferida/alteração de vários tipos e ordens podendo provocar reações imediatas 
que exigem atendimento imediato nos serviços de urgência. O trauma é conhecido como a “doença do século” e é a principal 
causa de morte em crianças em todo mundo. Os tipos mais frequentes de acidentes causadores de lesões traumáticas são: as 
quedas, acidentes de trânsito, atropelamentos, afogamentos e queimaduras. É considerado TCE uma agressão ao cérebro 
resultante de uma força física externa, provocando uma lesão anatómica do couro cabeludo, crânio, meninges ou encéfalo, que 
pode levar a diminuição ou alteração do estado da consciência, com comprometimento das habilidades cognitivas ou do 
funcionamento físico. Desse comprometimento pode resultar distúrbio de emoção, comportamento e do equilíbrio funcional, 
podendo ser parcial ou total. 
QUEDAS A queda pode ser conceituada como uma rápida desaceleração vertical. E pode ocorrer de altura ou do mesmo nível. 
A gravidade do traumatismo vai depender da região do corpo acometido e da capacidade do objeto estacionário em interromper 
o movimento do corpo, como por exemplo, o asfalto e calçadas desaceleram mais rápido que areia e água, causando maior dano 
físico. 
QUEIMADURAS A gravidade de uma queimadura é classificada principalmente pela extensão da superfície do corpo queimado 
e pela sua profundidade. Devem ter em conta também: O agente causador a idade, também deve-se ter em conta outros fatores 
como situações clínicas ou cirúrgicos simultâneos e complicações que podem agravar as queimaduras. Há algumas áreas 
específicas a ter em atenção como a face, mãos e genitais. As queimaduras mais comuns em crianças são as térmicas, geralmente 
causadas por líquidos ferventes, solar, chamas domésticas, fios eléctricos, tomadas, elementos de aquecimento. É um dos tipos 
de acidente que causa traumas físicos, leva a dor e o sofrimento a criança e à família, deixando sequelas e comprometimento 
psíquico. As queimaduras representam uma emergência médica, pois é uma das agressões mais devastadores que nosso 
organismo pode suportar. A vítima sofre de forma traumática e consciente, a dor constante e intensa e para as crianças que 
sofrem esse tipo de traumas térmicos graves, a reabilitação é demorada, há risco de prejuízo do crescimento ósseo e perdas 
funcionais. 
INTOXICAÇÕES As intoxicações estão incluídas numa das principais causas de morte em crianças na faixa etária inferior a cinco 
anos. A incidência aumenta em relação a faixa etária. Os latentes que não conseguem rastejar estes estarão seguros dos perigos 
de agentes tóxicos em decorrência da sua imobilidade. Numa casa comum existem mais de 500 substâncias tóxicas e cerca de 
1/3 das intoxicações acontecem na cozinha. 
ENGASGO/ SUFOCAMENTO/ CORPO ESTRANHO A criança de terna idade passa grande parte do tempo a explorar o seu próprio 
corpo e os objetos pequenos exercem neles um grande fascínio, um dos motivos que as leva a mete-los na boca. A aspiração de 
corpos estranhos pode levar à ocorrência uma asfixia provocada por um material estranho no trato respiratório e está 
relacionada a sufocação mecânica. Considera-se uma das principais causas de acidente fatal em crianças menores de um ano. 
O objeto, tamanho e a consistência do corpo estranho são determinantes para provocar a obstrução. Corpos estranhos mais 
comuns são: sementes de frutas, grãos de arroz, feijão ou milho, moscas, formigas, espinhas de peixe, pedaços de ossos, pregos, 
agulhas espinhos e outros. Podem alojar-se nos olhos, nariz, ouvido, garganta, vias respiratórias, tubo digestivo ou sob a pele. 
Já os engasgos podem ocorrer por aspiração de vómitos, brinquedos e alimentos. A aspiração de alimentos ocorre com maior 
frequência, porque está principalmente relacionada com a imaturidade da mastigação associada à oferta de alimentos sólidos. 
A aspiração de corpos estranhos pode provocar quadros respiratórios obstrutivos graves de vias aéreas superiores. Se o objeto 
foi aspirado para via aérea inferior pode haver um episódio inicial de sufocação. 
 
As informações a seguir, relacionadas aos cuidados para a segurança das crianças, no sentido de evitar e prevenir acidentes, 
objetivam auxiliar o profissional de saúde na orientação aos pais, responsáveis e/ou cuidadores de crianças entre 0 e 10 anos, 
sobre os hábitos e as atitudes do cotidiano promotoras de um ambiente seguro e saudável para a criança, conforme as atividades 
prováveis, por faixa etária e/ou ambiente onde as crianças vivem e transitam. 
De 0 a 6 meses Quedas: Proteja o berço e o cercado com grades altas com no máximo 6cm entre elas. Nunca deixe a criança 
sozinha em cima de qualquer móvel, nem por um segundo. Jamais deixe a criança sob os cuidados de outra criança. 
Queimaduras: No banho, verifique a temperatura da água (o ideal é 37ºC). Enquanto estiver com a criança no colo, não tome 
líquidos quentes. Evite fumar dentro de casa, principalmente com a criança no colo. Sufocação: Nunca use talco próximo ao 
rosto da criança. Ajuste o lençol do berço, cuidando para que o rosto do bebê não seja encoberto por lençóis, cobertores, 
almofadas e travesseiros. Utilize brinquedos grandes e inquebráveis. Afogamentos: Nunca deixe a criança sozinha na banheira. 
Medicamentos: Nunca dê à criança um remédio que não tenha sido receitado pelo médico. Acidentes no trânsito: O Código de 
Trânsito Brasileiro (CTB) determina que, nesta fase, a criança deve ser transportada no bebê-conforto ou no assento infantil 
conversível para carros e veículos de trânsito automotivo (uma cadeira especial em forma de concha, levemente inclinada, que 
deve ser colocada no banco de trás, voltada para o vidro traseiro, conforme as orientações do fabricante). 
 
De 6 meses a 1 ano (Todos os cuidados anteriores devem ser mantidos) Nesta faixa de idade, a criança começa a se locomover 
sozinha e está mais ativa e curiosa. Choques: Coloque protetores nas tomadas e nos fios elétricos, deixando-os longe do alcance 
de crianças. Quedas: Coloque, nas janelas, redes de proteção ou grades que possam ser abertas em casos de incêndio. Instale 
barreiras de proteção nas escadas. Certifique-se de que o tanque de lavar roupas está bem fixo, para evitar acidentes. 
Queimaduras: Use as bocas de trás do fogão e mantenha os cabos das panelas voltadas para o centro do fogão. Mantenha as 
crianças longe do fogo, de aquecedores e ferros elétricos. Sufocação: Afaste sacos plásticos, cordões e fios. Afogamentos: Não 
deixe as crianças sozinhas perto de baldes, tanques, poços e piscinas. Intoxicação: Mantenha produtos de limpeza e 
medicamentos fora do alcance das crianças, em locais altos e trancados. Acidentes no trânsito: O Código de Trânsito Brasileiro 
determina que, nestafase, a criança deve ser transportada no bebê-conforto ou no assento infantil conversível para carros e 
veículos de trânsito automotivo (uma cadeira especial em forma de concha, levemente inclinada, que deve ser colocada no 
banco de trás, voltada para o vidro traseiro, conforme as orientações do fabricante). 
 
De 1 a 2 anos (Todos os cuidados anteriores devem ser mantidos) A criança já anda sozinha e gosta de mexer em tudo. Quedas: 
Coloque proteções nas escadas e janelas. Proteja os cantos dos móveis. Segurança em casa: Coloque obstáculo na porta da 
cozinha e mantenha fechada a porta do banheiro. Outros cuidados: Não deixe ao alcance das crianças objetos pontiagudos, 
cortantes ou que possam ser engolidos. Coloque longe do alcance das crianças objetos que se quebrem, detergentes, 
medicamentos e outros produtos com substâncias corrosivas, pois as crianças gostam de explorar o ambiente onde vivem. 
Acidentes no trânsito: O CTB determina que, nesta fase, a criança deve ser transportada em cadeira especial no banco de trás, 
voltada para frente, corretamente instalada, conforme as orientações do fabricante. Atropelamentos: Evite acidentes na rua. 
Segure a criança pelo pulso. Assim, você impede que ela se solte e corra em direção à rua. Não permita que a criança brinque 
em locais com trânsito de veículos (garagem e rua) e escolha lugares seguros para as crianças brincarem (parques, ciclovias, 
praças e outros lugares próprios para o lazer infantil). 
 
De 2 a 4 anos (Todos os cuidados anteriores devem ser mantidos) A criança está mais independente, mas ainda não percebe as 
situações de perigo. Acidentes no trânsito: Para esta fase, o CTB define que a criança deve ser transportada em cadeira especial 
no banco de trás, voltada para frente, corretamente instalada, conforme as orientações do fabricante. Atropelamentos: Evite 
acidentes na rua. Segure a criança pelo pulso. Assim, você impede que ela se solte e corra em direção à rua. Não permita que a 
criança brinque ou corra em locais com fluxo de veículos (garagem e locais próximos a rodovias), escolha lugares seguros para 
as crianças brincarem e andarem de bicicleta (parques, ciclovias, praças e outros lugares próprios para o lazer infantil). Outros 
cuidados: Não deixe a criança aproximar-se de cães desconhecidos ou que estejam se alimentando. 
 
De 4 a 6 anos (Todos os cuidados anteriores devem ser mantidos) Embora mais confiante e capaz de fazer muitas coisas, a 
criança ainda precisa de supervisão. Converse com ela e explique sempre as situações de perigo. Acidentes no trânsito: Para 
esta fase, o CTB define que a criança deve ser transportada em cadeira especial no banco de trás, voltada para frente, 
corretamente instalada, conforme as orientações do fabricante. Queimaduras: As crianças não devem brincar com fogo. Evite 
que usem fósforo e álcool. Mantenha-as longe de armas de fogo. Afogamentos: A criança não deve nadar sozinha. Ensine-a a 
nadar. Não é seguro deixar crianças sozinhas em piscinas, lagos, rios ou no mar, mesmo que elas saibam nadar. Segurança em 
casa e na rua: Mantenha a criança sob supervisão constante quando estiver com ela em lugares públicos como parques, 
supermercados e lojas. Produtos inflamáveis (álcool e fósforos), facas, armas de fogo, remédios e venenos devem estar 
totalmente fora do alcance das crianças. Acidentes no trânsito: As crianças devem usar os equipamentos chamados de assentos 
de elevação (boosters), com cinto de segurança de três pontos, no banco traseiro, até os 7 anos e meio. Atropelamentos: Evite 
acidentes na rua. Segure a criança pelo pulso. Assim, você impede que ela se solte e corra em direção à rua. Escolha lugares 
seguros para as crianças andarem de bicicleta (parques, ciclovias, praças e outros lugares próprios para o lazer infantil). 
 
De 6 a 10 anos (Todos os cuidados anteriores devem ser mantidos) Com a criança quase independente, aumenta a necessidade 
de medidas de proteção e de supervisão nas atividades fora de casa. Explique sempre para a criança os riscos que ela pode 
correr no dia a dia. Quedas: Nunca deixe que a criança brinque em lajes que não tenham grades de proteção. Ao andar de 
bicicleta, skate ou patins, a criança deve usar capacete de proteção e não deve circular em ruas por onde transitam veículos. 
Queimaduras: Não deixe a criança brincar com fogueiras e fogos de artifício. Choque elétrico: Não deixe a criança soltar pipa 
(papagaio, arraia) em locais onde há fios elétricos, devido ao risco de choque de alta tensão. Acidentes no transito: Evite 
acidentes. Utilize corretamente para a criança o assento de elevação até ela completar 7 anos e meio de idade. A partir desta 
idade, as crianças deverão usar o cinto de segurança de três pontos no banco de trás. Sentar-se no banco da frente só é permitido 
pela lei a partir dos 10 anos de idade e com o uso do cinto de segurança. Acidentes com armas de fogo Armas de fogo não são 
brinquedos. Evite-as dentro de casa. Atropelamentos: Nesta fase, ainda é preocupante este tipo de acidente. Por isso, oriente 
seu filho sobre as normas de trânsito. 
 
6- EXPLICAR A RELAÇÃO DE FRATURAS NA INFÂNCIA COM A DESNUTRIÇÃO 
Os principais objetivos para uma boa saúde óssea nos vários estágios da vida são: • Crianças e adolescentes: Alcançar o potencial 
genético para o pico de massa óssea • Adultos: Evitar a perda óssea prematura e manter um esqueleto saudável • Idosos: 
Prevenção e tratamento da osteoporose. 
Para alcançar estes objetivos, é essencial proporcionar uma nutrição adequada para construir e manter o esqueleto. Os 
nutrientes mais importantes para a saúde óssea são cálcio, vitamina D e proteína, vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina 
K, magnésio e zinco. 
CALCIO O cálcio é um importante componente de nosso esqueleto. O corpo do adulto médio contem um quilo de cálcio e 99% 
deste total reside em nosso esqueleto. Está presente nos ossos na forma de um complexo mineral denominado hidroxiapatita, 
que confere resistência ao esqueleto. O cálcio também desempenha um importante papel no funcionamento de nervos e 
músculos, que exigem que os níveis de cálcio no sangue sejam rigorosamente controlados. Como resultado, o esqueleto atua 
como um ‘reservatório’ de cálcio. Se os níveis do sangue caírem, o hormônio paratireóideo (PTH), produzido pelas glândulas 
paratireoides localizadas no pescoço, faz com que o esqueleto libere cálcio para a corrente sanguínea de forma a compensar 
uma queda nas concentrações circulantes de cálcio. O cálcio é importante para a saúde óssea ao longo de toda a vida, 
particularmente durante a adolescência quando cerca de metade de nossa massa óssea é acumulada. 
VITAMINA D A vitamina D desempenha dois papéis chave no desenvolvimento e manutenção de ossos saudáveis: • Ajudando a 
absorção intestinal de cálcio do alimento • Assegurando a correta renovação e mineralização do osso A vitamina D é formada 
na pele quando esta é exposta aos raios UV-B da luz solar, mas também pode ser obtida de alimentos como peixes ricos em 
óleo. Nas crianças, a deficiência de vitamina D pode levar a um retardo no crescimento e a deformidades ósseas conhecidas 
como raquitismo. 
PROTEÍNA A proteína da dieta proporciona ao organismo uma fonte de aminoácidos que dão o suporte à construção da matriz 
óssea. Também tem um efeito favorável sobre o osso, aumentando os níveis sanguíneos do fator de crescimento semelhante a 
insulina do tipo I (IGF-I), que desempenha um importante papel na formação do osso. A variação da ingestão de proteína durante 
a infância e a adolescência pode afetar o crescimento esquelético, e pode modular o potencial genético para alcançar o PMO. 
Isto respalda a hipótese de que doenças crônicas não transmissíveis em uma fase posterior da vida podem resultar de uma 
discordância entre o ambiente encontrado in útero e no início da vida pós-natal. Está ficando cada vez mais claro que o ambiente 
do início da vida tem consequênciasde longo prazo para o desenvolvimento músculo-esquelético. De fato, o baixo crescimento 
inicial está associado a uma redução do conteúdo mineral ósseo no pico de massa óssea e mais tarde ao longo da vida, e também 
há um aumento no risco de fratura de quadril. Do nascimento até a fase adulta, a CMO (construção da massa óssea), aumenta 
50 vezes. Cerca de metade de nossa massa óssea é acumulada durante a adolescência, sendo que um quarto é adquirido durante 
o período de dois anos em que é alcançada a velocidade pico de altura. 
Os esteroides sexuais e o eixo hormônio de crescimento/fator de crescimento semelhante à insulina I (IGF-I) do sistema 
endócrino controlam a deposição de massa óssea durante a infância e adolescência. 
Um Relato Clínico publicado em 2014 pela Academia Americana de Pediatria enfatizou os seguintes fatores modificáveis que 
afetam o acúmulo de massa óssea em crianças e adolescentes: • Nutrição • Exercício e estilo de vida • Peso e composição 
corporal • Status hormonal. 
 
Raquitismo 
O raquitismo e a osteomalácia são doenças caracterizadas pelo defeito de mineralização do osso. Elas usualmente coexistem na 
criança, até o fechamento das cartilagens de crescimento. O raquitismo é o defeito de mineralização das cartilagens de 
crescimento na criança e se apresenta com retardo no crescimento e deformidades esqueléticas, antes da fusão das epífises. 
Ocorre amolecimento geral dos ossos que faz com que eles se curvem facilmente quando submetidos a forças como a 
sustentação de peso ou a tração de um músculo, o que acarreta uma variedade de deformidades ósseas. 
O defeito na mineralização óssea que caracteriza a patogênese destas duas doenças pode ocorrer por várias razões: alteração 
na produção do osteóide, falta dos substratos (cálcio e/ou fósforo), carência nutricional, deficiência ou incapacidade de 
absorver, metabolizar ou utilizar a vitamina D, tubulopatia perdedora de fósforo, deficiência da enzima fosfatase alcalina 
(hipofosfatasia), alteração no pH do osso (nas acidoses metabólicas) ou presença de substâncias inibidoras da mineralização 
(como bisfosfonados, alumínio, e flúor). 
A deficiência de vitamina D é uma das principais causas, tanto de raquitismo como de osteomalácia. Esta vitamina normalmente 
é sintetizada na pele humana exposta a UVB e é transformada em 25-hidroxivitamina D no fígado, que é a forma mais abundante 
da vitamina e é medida como marcador de suficiência da mesma. No rim, sob controle mais estrito, é sintetizada a forma mais 
ativa dessa vitamina, a 1-25- dihidroxivitamina D. Nos casos de raquitismo, uma das principais causas é a hipofosfatemia que 
pode ocorrer por perda tubular de fosfato, secundária a excesso de hormônio da paratireóide (PTH) ou não. 
O raquitismo pode ser dividido em hipocalcêmico ou hipofosfatêmico. Essa divisão é importante, porque esses dois subtipos 
apresentam etiopatogenia e características clínicas e laboratoriais diferentes. No entanto, em ambos os casos há 
hipofosfatemia. As causas mais comuns de raquitismo hipocalcêmico são a deficiência de vitamina D ou resistência a sua ação, 
enquanto que o raquitismo hipofosfatêmico é mais comumente causado por perda renal de fosfato. As causas de raquitismo 
também podem ser divididas em carenciais (que compreendem a exposição solar inadequada ou a ingestão inadequada de 
vitamina D, cálcio ou fósforo), dependentes de vitamina D (tipo I sendo secundária a um defeito genético que diminui a 
hidroxilação renal da vitamina D e tipo II secundária a um defeito genético no receptor de vitamina D) e resistentes a vitamina 
D (que ocorrem por perda renal de fosfato). 
A maior parte dos casos de raquitismo carencial pode ser prevenida pela administração universal diária de um multivitamínico 
contendo 400 UI de vitamina D para lactentes alimentados ao peito. As crianças mais velhas devem receber 600 UI/dia. 
 
O raquitismo secundário à deficiência nutricional de cálcio é um problema significativo em alguns países da África, embora 
existam casos em outras regiões do mundo, incluindo países industrializados. Como o leite materno e as fórmulas são excelentes 
fontes de cálcio, essa forma de raquitismo se desenvolve depois que as crianças são desmamadas do seio ou da fórmula, sendo 
sua ocorrência mais provável em crianças desmamadas precocemente. O raquitismo se desenvolve porque a dieta tem baixo 
teor de cálcio, tipicamente < 200 mg/dia. Existe baixa ingestão de laticínios e de outras fontes de cálcio. Além disso, a dieta, por 
ser à base de grãos e folhas verdes, pode ser rica em fitato, oxalato e fosfato, que reduzem a absorção de cálcio dos alimentos. 
Nos países industrializados, o raquitismo por deficiência de cálcio pode ocorrer em crianças que consomem dietas não 
convencionais. Os exemplos incluem as crianças com alergia ao leite que apresentam cálcio alimentar baixo e as crianças que 
passam da fórmula ou do leite materno para sucos, refrigerantes ou bebidas de soja pobres em cálcio, sem uma fonte alternativa 
desse elemento. 
 
7- DESCREVER OS FATORES QUE INFLUENCIAM A ERUPÇÃO DENTÁRIA 
Os dentes são órgãos mineralizados, implantados nos ossos alveolares da maxila e da mandíbula. 
Ao longo do processo de crescimento e desenvolvimento humano, estabelecem-se duas dentições: a dentição decídua e a 
dentição permanente. A decídua ocorre durante a primeira infância (0 a 6 anos de idade), seguida por uma fase de transição 
dos 6 aos 12 anos de idade – a fase da dentição mista –quando os dentes decíduos são substituídos pelos dentes permanentes, 
estabelecendo-se, assim, a dentição permanente. 
A dentição decídua é composta por 20 dentes, sendo 10 no arco superior (maxila) e 10 no arco inferior (mandíbula). Em cada 
hemiarco, são dois incisivos (central e lateral), um canino, o primeiro molar e o segundo molar, cuja anatomia é diferente entre 
o primeiro e o segundo, bem como entre os superiores e inferiores. 
A dentição decídua, também conhecida como dentição primária ou temporária, inicia-se no 1o ano de vida da criança. 
Popularmente, esses dentes são chamados de “dentes de leite”, por causa de sua coloração branco-leitosa decorrente de um 
menor teor de cálcio na composição do esmalte em relação aos dentes permanentes. A partir da formação do germe dentário, 
ocorre um movimento contínuo do dente em direção à sua exposição na cavidade bucal. A erupção dos dentes decíduos é 
frequentemente responsabilizada pela ocorrência de sinais e sintomas, como febre, diarreia, irritabilidade, entre outros. 
 
Cronologia de erupção 
A cronologia de erupção dos dentes é um indicador para uma série de ocorrências biológicas e pode ser influenciada por diversos 
fatores genéticos e ambientais. Enquanto a cronologia de erupção dos dentes serve de parâmetro para o crescimento e o 
desenvolvimento, o estudo da sequência de erupção é relevante para o acompanhamento do desenvolvimento da oclusão. 
Alterações na sequência esperada de erupção dos dentes, decíduos ou permanentes, podem predispor, em geral associadas a 
outros fatores, a determinados tipos de maloclusão. 
Estudos investigaram a possível correlação entre a cronologia de erupção dos dentes decíduos e os seguintes fatores: sexo, peso 
ao nascimento e peso para a idade, comprimento ao nascimento e altura para a idade, tipo de aleitamento (materno ou artificial) 
e renda familiar. A correlação entre o número de dentes erupcionados e os fatores estudados foi testada por meio da técnica 
estatística de regressão múltipla. O modelo que mostrou a maior correlação foi o do número de dentes com a altura para a 
idade da criança. Com base nos resultados, as autoras desenvolveram uma tabela que fornece dados médios estatísticos com o 
número esperado de dentes erupcionados em função da idade e da altura da criança, correlacionadas às curvas de referência 
de crescimento proposta por Marcondes. 
 
Anormalidades no desenvolvimento da dentição 
Numerosas alterações dedesenvolvimento dos dentes podem ocorrer em qualquer fase da formação dentária (odontogênese). 
A amelogênese imperfeita decorre de alterações durante a formação da matriz do esmalte dentário, e sua mineralização decorre 
de influências sistêmicas ou ambientais, podendo representar também um distúrbio hereditário. 
Deficiências nutricionais durante a gestação (vitaminas A, C e D, fósforo e cálcio), distúrbios renais, infecções virais e hipóxia são 
as causas mais comuns. A amelogênese imperfeita manifesta-se por meio de defeitos de esmalte por meio do qual a dentina 
subjacente amarela é observada. Afeta tanto dentes decíduos quanto permanentes. O esmalte defeituoso está sujeito à 
destruição por causa de abrasão e também tem se mostrado mais suscetível à cárie dentária. A cobertura da coroa com material 
restaurador pode ser realizada para proteção da dentina, para reduzir a sensibilidade e melhorar a estética dentária.

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