Prévia do material em texto
Educação contemporânea – questões epistemológicas Contemporaneamente, o desenvolvimento científico e tecnológico provocou transformações consideráveis em todos os campos da vida humana. Nesta unidade, vamos dar ênfase à relação entre Filosofia e Educação, considerando os novos desafios que levam a atividade educacional a desenvolver caminhos alternativos que possibilitem motivar uma formação voltada para a liberdade do educando. Objetivo Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: • Analisar criticamente os saberes que sustentam o processo educacional. Conteúdo Programático Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: • Tema 1 - As novas ciências • Tema 2 - Os valores • Tema 3 - Os desafios da nova Filosofia educacional: transdisciplinaridade e complexidade Viagem no tempo: desenvolvimento tecnológico Tema 1 As novas ciências De que modo Augusto Comte desenvolve sua ideia de “evolução histórica do conhecimento”? O desenvolvimento científico contemporâneo, cujo fundamento remonta à Modernidade, como já observamos, influencia e transforma as condições de conhecimento e a vida humana, abalando de modo drástico as relações sociais e o próprio modo de conduzir o progresso das ciências. Desde o movimento iluminista (século XVIII), percebemos a importância do caráter racional do conhecimento, distante de qualquer recurso a crenças e critérios de autoridade. Agora emancipada, a Razão – lógica, laica e objetiva – passa a constituir o ponto de partida do conhecimento geral e, particularmente, das investigações científicas. Esse privilégio crescente dado ao progresso racional leva alguns pensadores à valorização exclusiva do conhecimento científico; Augusto Comte (1798-1857), por exemplo, foi um deles. Criador do positivismo, Comte conferia total prioridade ao progresso científico e à industrialização. Augusto Comte Positivismo Três estados Positivismo é a designação da doutrina criada por Comte, fundada na extrema valorização do método científico das ciências positivas (baseadas nos fatos e na experiência) e na recusa das discussões metafísicas. O termo positivismo foi adotado pelo próprio Comte, definindo toda uma diretriz para sua filosofia, de culto Comte também admite uma evolução histórica do conhecimento, com base em sua teoria dos três estados (ou lei dos três estados): o primeiro, mítico ou teológico, tem por característica a aceitação passiva das normas já estabelecidas e, por isso, segundo Comte, está ligado à fase da da ciência e sacralização do método científico. O positivismo caracteriza-se por um tom geral de confiança nos benefícios da industrialização, bem como por um otimismo em relação ao progresso capitalista, guiado pela técnica e pela ciência. Manifestando-se de modo variado em diversos países ocidentais a partir da segunda metade do século XIX, o positivismo refletiu o entusiasmo burguês pelo progresso trazido com o desenvolvimento técnico-industrial capitalista. E, embora seja bastante criticado no plano teórico, trata-se de uma doutrina muito influente no plano prático até nossos dias. (COTRIM & FERNANDES. 2010, p. 254) infância do homem; o segundo, metafísico ou filosófico, vinculado à juventude, corresponde ao questionamento e à não- aceitação das normas, mas, de modo abstrato e sem sistematização; o terceiro, científico ou positivo, equipara-se à plenitude do conhecimento científico, quando o homem atinge a maturidade plena. No campo pedagógico, o positivismo influenciou as diretrizes educativas, levando à construção de um modelo de rigor científico, fundado em leis experimentais indutivas e sistemáticas, em um processo de evolução contínua que enfatizava a crítica à educação tradicional. Saiba Mais Na elaboração dos positivistas estão presentes também fortes limites, que podemos desde já enumerar. Por um lado, a sua pedagogia científica, como foi muitas vezes destacado por parte de vários intérpretes, permaneceu no estágio de esboço, de enunciado e de aspiração, e jamais se concretizou em pesquisas específicas, setoriais e minuciosas nos vários campos que a pedagogia pode implicar. A sua ciência da educação permaneceu frequentemente na intenção [...] Com tudo isso, porém, cumpre destacar que devemos ao positivismo oitocentista o início de uma reflexão epistemológica da pedagogia e o recurso a um novo perfil, baseado numa intensa colaboração entre as várias ciências, biológicas e ‘humanas’. (CAMBI. 1999, p.467-468) De todo modo, convém lembrar que o excesso de cientificismo vai ser criticado por diversas vertentes, pedagógicas e filosóficas, pois acarreta também alguns problemas com relação à autonomia criativa e existencial do ser humano. Ao se firmar como condição imprescindível para sustentar e comprovar a realidade, a ciência passou a ser considerada como a forma de conhecimento mais precisa e confiável, expandindo sua metodologia a todas as formas de investigação. O desenvolvimento das ciências, e consequentemente de seus métodos, se verifica através dos tempos com base nas condições de comprobabilidade alcançadas na demonstração de suas hipóteses. Nessas circunstâncias, o conhecimento científico assume um aspecto preciso de segurança, compatível com o que se espera de uma investigação rigorosa e sistemática. Mais do que simples teorias experenciáveis e catalogadas como resultado de pesquisas objetivas, o legado das ciências tem seu fundamento na Revolução Científica da Modernidade. Saiba Mais Quando, ao procurarmos analisar a situação presente das ciências no seu conjunto, olhamos para o passado, a primeira imagem é talvez a de que os progressos científicos dos últimos trinta anos são de tal ordem dramáticos que os séculos que nos precederam – desde o século XVI, onde todos nós, cientistas modernos, nascemos, até ao próprio século XIX – não são mais que uma pré-história longínqua. Mas se fecharmos os olhos e os voltarmos a abrir, verificamos com surpresa que os grandes cientistas que estabeleceram e mapearam o campo teórico em que ainda hoje nos movemos vieram ou trabalharam entre o século XVIII e os primeiros vinte anos do século XX [...]. (SANTOS. 2001, p. 5) Paradigmas Tais mudanças acontecem e trazem consigo a formulação de novos paradigmas, modelos que imprimem uma outra visão da realidade. Estes modelos derivam, quase sempre, das modificações criadas por teorias mais recentes, que absorvem, ampliam ou desmontam as anteriores. Isso significa que o progresso do conhecimento e a evolução das ciências provocam intensas mudanças na vida em sociedade, fazendo surgir novos paradigmas. Importante Não podemos esquecer, portanto, que as transformações decorrentes do progresso científico se relacionam, ainda, com muitas das teorias modernas. Seja por derivarem de aperfeiçoamentos, ligados às mudanças naturais das gerações, seja por romperem com as teorias clássicas para inaugurar outras, o fato é que as ciências não podem ser estáticas e definitivas, pois o caminho para a concepção de novas fontes de conhecimento deve permanecer aberto. O conceito de paradigma (do grego parádeigma) diz respeito a um modelo, a um padrão, que é válido e serve de exemplo para um determinado momento histórico e social. A modificação destes modelos pode acontecer de duas formas, especialmente: como uma mudança paradigmática ou como uma ruptura paradigmática. Conheça a seguir a distinção entre mudança e ruptura paradigmática. Mudança paradigmática Ruptura de paradigma Quando falamos de mudança paradigmática, nos referimos às transformações efetuadas de modo regular e gradual, sem grandes abalos na formulação de novas teorias, alterando ou completando antigos modelos. É comumobservarmos os paradigmas apenas pelo viés científico, mas, em muitos Uma ruptura de paradigma, ao contrário, constitui um rompimento, uma negação do que já foi validado. Isto é, uma ruptura paradigmática modifica radicalmente teorias anteriores, cancelando e substituindo teses tradicionais. Alguns exemplos: a teoria heliocêntrica de Copérnico casos, as mudanças não se limitam ao campo das ciências, atingindo diversas áreas não só do conhecimento, como também do cotidiano. Como exemplos, podemos citar os meios de transporte (da Antiguidade aos dias atuais), o avanço no campo da medicina, as novas tecnologias (que são desenvolvidas e aperfeiçoadas a todo momento), além, é claro, da concepção e atualização de teorias educacionais, as quais levam em conta as mudanças históricas e os seus devidos contextos. – que afirmava a centralidade do sol como base do nosso universo – rompe definitivamente com a concepção geocêntrica, que considerava a terra o ponto central de tudo; também a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin derruba a crença de que o homem seria um ser único e especial na natureza. Filosoficamente, essas alterações contribuem para o desenvolvimento de uma tendência divergente com relação ao lugar que o homem ocupa no cosmos. Aquela visão moderna do sujeito solipsista de Descartes, isolado em si mesmo e capaz de chegar ao conhecimento, ou ainda o indivíduo autônomo, autossuficiente e racional do século XVIII, vai ser substituída por uma concepção mais modesta da relação do homem com a realidade. Desse modo, não é mais possível pensar o ser humano como dotado de uma consciência autônoma, como ponto de partida de todo conhecimento. Assim, surge uma nova concepção do sujeito que não se isenta de sua relação com o mundo. Embora ainda existam vertentes que dão prioridade à consciência individual, não se pode desconsiderar a importância do contexto na formação do sujeito. Georg Wilhelm Friedrich Hegel e Karl Heinrich Marx Com relação a Hegel e Marx, convém destacar que, embora não se tenham detido explicitamente na elaboração de teorias pedagógicas, a recorrência a eles se justifica, pois ambos tratam à sua maneira das características básicas da formação do homem. Tanto Hegel quanto Marx associam a dialética a um instrumento fundamental que permite modificar a realidade. Marx, em sua visão materialista, assegura que as condições concretas da existência são capazes de vislumbrar as contradições da sociedade. Para Hegel, o processo dialético – de tese, antítese e síntese – possibilita o desenvolvimento do conhecimento humano a partir dos conflitos com o já estabelecido; podemos dizer que a educação do indivíduo decorre da superação e depuração desses modelos para atingir um novo patamar do saber – vinculado, idealisticamente, à história. Considerando a história como um processo dinâmico e diacrônico, em desenvolvimento constante, é importante, mais uma vez, destacar a capacidade do aprimoramento constante das investigações teóricas e científicas, e de sua interferência na vida social. Saiba Mais Em geral, a pedagogia hegeliana caracteriza-se como um ‘humanismo integral’ que interpreta o homem como um desenvolvimento dialético. O desenvolvimento da consciência passa da naturalidade à objetividade do espírito mediante um contato cada vez mais rico e amplo com a realidade histórico-social, que gradativamente se torna uma ‘segunda natureza’ do homem. Em tal processo, o ponto de chegada é constituído pela realização de uma síntese harmônica entre o eu e o mundo histórico, que é atingida pelo empenho da vontade em ligar-se ao plano da ética social, pela participação na vida da cultura (estética e religiosa, jurídica e filosófica) e o reconhecimento do trabalho como atividade específica do homem como gênero. (CAMBI. 1999, p. 428) Tema 2 Os valores Qual a importância de uma formação acadêmica consistente para o exercício das atividades pedagógicas? O avanço científico provocou modificações radicais nos domínios do saber, ao revolucionar as formas de investigação e de pesquisa; muitas foram, consequentemente, as descobertas e invenções que motivaram revisões consideráveis nos paradigmas existentes, aperfeiçoando modelos e trazendo novas teorias. Desse modo, as transformações científicas afetam o modo de pensar a realidade e o conhecimento, bem como as relações do homem em sociedade, já que as ciências e a tecnologia perpassam todos os campos da vida humana, alterando comportamentos, valores e relações sociais. Quando se instala no mundo, o homem prontamente revela a tendência de apreciar e construir julgamentos acerca da realidade, observando o que está à sua volta; avaliando os fenômenos e suas próprias ações; isso porque todo ser humano procura administrar sua vida a partir de seus interesses práticos e existenciais. Essa capacidade de julgar decorre de opiniões expressas em argumentos, em frases que são formuladas, manifestando ideias. Ou seja, o ser humano está sempre construindo juízos, de acordo com seu livre arbítrio e o seu entendimento. Um juízo é uma frase (sujeito, verbo, predicado) relacionada a uma apreensão intelectiva que resume, como vimos, opiniões e atitudes. De modo geral, é possível distinguir dois tipos de juízos: o juízo de realidade e o juízo de valor. Juízo de realidade Juízo de valor O juízo de realidade, também conhecido como juízo de fato, se refere à compreensão concreta de algo, constatando quantitativamente, de forma clara e evidente, a existência de um objeto, de um dado ou de um fenômeno, sem atribuir opiniões pessoais. Exemplos: “Todo homem é mortal.”; “Esta mesa é de madeira.”; “Todo triângulo tem três ângulos.”; estas frases descrevem um dado da realidade e não são contestadas, pois comprovam por si mesmas a descrição correta de um objeto ou fato. O juízo de realidade é próprio das ciências, sendo objetivos e impessoais. Como o próprio nome sintetiza, o juízo de valor elabora um julgamento subjetivo, que diz respeito às qualidades que podem ser atribuídas a um fato ou objeto. Isso quer dizer que a formulação de um juízo de valor diz respeito a uma interpretação qualitativa do que é apresentado e vai além da simples constatação do dado em questão. Por exemplo, as frases “Só se vê bem com o coração.”; “Este sofá é confortável.”; “Filosofar é aprender a morrer.” são valorativas e dependem da opinião de cada pessoa, não podendo ser aceitas incontestavelmente. Este modo de pensar é também associado à Filosofia, pois a reflexão filosófica não traz comprovações quantitativas e possibilita um olhar mais abrangente e crítico sobre o mundo. Assim, estamos sempre atribuindo julgamentos às situações cotidianas, no sentido de apreender e conhecer a realidade. Os valores permeiam integralmente a vida humana e são adquiridos no decorrer de nosso desenvolvimento. Saiba Mais Desde o nascimento nos encontramos envoltos por valores herdados, porque o mundo cultural é um sistema de significados estabelecidos por outros. Desse modo, aprendemos desde cedo como nos comportar à mesa, na rua, diante de estranhos; como, quando e quanto falar em determinadas circunstâncias; como andar, correr, brincar; como cobrir o corpo e quando desnudá-lo; qual o padrão de beleza; que direitos e deveres temos. Na medida em que atendemos ou transgredimos certos padrões, nossos comportamentos são avaliados bons ou maus, e o que produzimos é julgado belo ou feio. Diversos são os valores, entre eles os econômicos, vitais, lógicos, éticos, estéticos, religiosos, abraçando todos os níveis da vivência humana, o que nos leva a concluir que é impossível viver sem eles. (ARANHA. 1998, p. 118) O comportamento humano é, portanto, impregnado de valores, herdados ou adquiridos conformesejam os contextos em que nos situamos. Por conseguinte, nossas atitudes constituem o reflexo daquilo que nos foi transmitido, especialmente no que se vincula à formação do caráter. Contemporaneamente, e devido às inúmeras transformações ocorridas no campo do conhecimento e dos valores, como mencionamos, as consequências dessas mudanças sobre os processos educativos trouxeram à tona sérias dificuldades com relação ao desempenho da posição do mestre diante de uma classe e do comportamento dos educandos junto ao professor. Saiba Mais O modo como o indivíduo age moralmente, ou o seu comportamento moral numa dada situação, não é algo totalmente espontâneo e imprevisto, mas está inscrito como uma possibilidade no seu caráter. Isto é, seu modo de decidir e de agir não é casual, mas corresponde a uma maneira de reagir – até certo ponto constante e estável – diante das coisas e dos outros homens. Isso significa também que, embora não possamos dissociar o comportamento do indivíduo da sua condição de membro da sociedade e tampouco de certas formas genéricas ou sociais do comportamento individual, devemos atribuir-lhe formas particulares e originais – e, ao mesmo tempo relativamente estáveis – de comportar-se, às quais corresponde o seu comportamento moral. Estas formas características mutuamente ligadas entre si, que formam uma totalidade indissolúvel, constituem o caráter de uma pessoa. (VÁZQUES. 2005, p. 212) Na atividade educacional é praticamente impossível delimitar um modelo único e válido como exemplo de uma imagem-ideal, já que a mutabilidade dos valores em nossos dias se expressa pelas atitudes decorrentes do contato entre mestre e aluno no ambiente escolar. Os valores exemplares e louváveis de cada sociedade tendem a ser assimilados no processo de aprendizagem, no sentido de respaldar a convivência democrática a ser desenvolvida por todos. Levando em conta as propostas de liberdade e de conscientização que devem ser respeitadas nos processos educativos, bem como a influência da revolução tecnológica e cibernética na formação do educando, a nova pedagogia – vinculada à reflexão filosófica – não pode abster-se de ampliar seu campo de visão para melhor apreender a realidade, desenvolvendo, para isso, investigações voltadas para essa pluralidade de saberes e, especialmente, considerando os valores sociais. Saiba Mais O processo educativo deve levar o educando a assumir, de acordo com os seus interesses, os valores culturais da comunidade, a integrar a sua experiência na experiência da comunidade, pois são as forças da comunidade que atuam na sua vida e com estas ele terá que operar. O educador deve levar o processo de tal maneira que não haja conflito entre esforço e interesse. [...] No processo educativo, o educador não deve procurar formar réplicas de si próprio, ou de uma imagem-ideal, mas sim, o homem que se distingue pela sua unicidade, aquele que descobre as profundezas infinitas do mundo do eu. Tampouco o processo educativo tem por finalidade simplesmente ajudar o educando a se ajustar ao ambiente em que vive, mas sim, a levá-lo a transcender condições existentes, graças à sua visão da realidade tal como ela realmente é. (GILES. 1983, p. 87-88) Professor Atividade pedagógica Desse modo, é necessário que o professor tenha a capacidade de refletir sobre a sua função, a fim de reconhecer a importância do papel que exerce na educação do aluno. Mas, se educar é um ato de conscientização e liberdade na formação do estudante, torna-se imprescindível que o educando perceba também a responsabilidade que envolve essa liberdade, bem como a necessidade de assimilar os valores inerentes a todos nós. A atividade pedagógica deve, então, assumir a função de possibilitar a plena autonomia do estudante, para que este possa, responsavelmente, identificar os valores que permitem alcançar a liberdade. Nesse caso, o papel do mestre é o de balancear sua autoridade acadêmica – e os conteúdos a serem administrados – com a necessária tolerância de considerar e respeitar a formação espontânea inicial do educando. Processo educativo Todo processo educativo requer, assim, uma fundamentação teórica que possibilite eficazmente a preparação clara e segura do planejamento escolar. A perfeita compreensão da teoria permite que o professor ultrapasse a prática espontaneísta – de um ensino formulado sem o devido domínio teórico –, assumindo verdadeiramente a sua função. De todo modo, a formação acadêmica, com seu saber teórico, deve estar vinculada à habilidade prática, possibilitando a valorização deste profissional. Vale destacar os três aspectos fundamentais, citados por ARANHA (1998, p. 152), na formação do professor: Qualificação Formação pedagógica Formação ética e política O professor deve adquirir os conhecimentos científicos indispensáveis para o ensino de um conteúdo específico. A atividade de ensinar deve superar os níveis do senso comum, tornando-se uma atividade sistematizada. O professor deve educar a partir de valores e tendo em vista um mundo melhor. Importante Se os valores estão na base de todas as nossas ações, é inevitável reconhecer sua importância para a práxis educativa. No entanto, os valores transmitidos pela sociedade nem sempre são claramente tematizados, e até mesmo muitos educadores não baseiam sua prática em uma reflexão mais atenta a respeito. A educação se tornará mais eficaz se formos capazes de explicitar esses valores, ou seja, se desenvolvermos um trabalho reflexivo que esclareça as bases axiológicas da educação. (ARANHA. 1998, p.119) Tais características permitem que o desempenho do professor atinja plenamente seu objetivo, pois a qualificação reforça a necessidade de um estudo teórico consistente que não deixe margem a imprecisões conteudísticas; a formação pedagógica é importante porque faz com que o aluno apreenda o conhecimento criteriosa e criticamente, ultrapassando as opiniões cotidianas do senso comum; a formação ética e política se refere aos valores transmitidos, já que o estudante tende a observar o comportamento profissional e social do professor, assimilando, muitas vezes, as atitudes do mestre. Tema 3 Os desafios da nova Filosofia educacional: transdisciplinaridade e complexidade Em que consiste a interdisciplinaridade? Desde seu surgimento, a Filosofia dedicou-se a investigar o conhecimento de forma abrangente, vinculando, como já mencionamos, as diversas fontes do saber, a fim de buscar uma compreensão mais ampla da realidade. Desse modo, as investigações filosóficas seguiram sempre uma visão inter e transdisciplinar, unificando, interagindo e ultrapassando mesmo as diferentes áreas das ciências, para promover um entendimento mais geral e completo. Desse modo, a interdisciplinaridade, como o próprio nome indica, visa a estabelecer uma interação de disciplinas, analisando detidamente seus conteúdos; a transdisciplinaridade se caracteriza pela transcendência das questões interdisciplinares, pois vai além do plano das disciplinas, ampliando seu foco de interesse para o próprio mundo real. Esses conceitos, que vêm se firmando atualmente, têm suas raízes fundadas na Antiguidade, no pensamento dos filósofos clássicos. Mas, na época moderna – da Revolução Científica –, houve o que se pode chamar de fragmentação das ciências, ou seja, as pesquisas científicas foram direcionadas para um objeto determinado e específico, isolado de qualquer interferência. Contudo, em nossos dias, vemos a necessidade de ampliar o conhecimento, considerando a participação de todos os campos teóricos e práticos da vida humana. Observação Uma primeira observação se faz necessária: o desenvolvimento da ciência ocidental desde o século XVII não foi apenas um desenvolvimento disciplinar, mas também um desenvolvimento transdisciplinar.É necessário dizer não só as ciências mas também a Ciência, porque há uma unidade de método, um certo número de postulados implícitos em todas as disciplinas, como o postulado da objetividade, a eliminação do problema do sujeito, a utilização das matemáticas como uma linguagem e um modo de explicação comum, a procura da formalização etc. A ciência nunca teria sido ciência se não tivesse sido transdisciplinar. (MORIN. 2002, p. 50) É inegável que as transformações tecnológicas alteram a visão de mundo, modificando e renovando os modelos já estabelecidos. Esse processo exige uma reflexão mais apurada por parte do indivíduo, a fim de que ele possa perceber claramente a situação em que se encontra, no sentido de elaborar uma crítica consciente sobre o que acontece à sua volta. Ora, sabemos o quanto essas mudanças influenciaram (e influenciam ainda) a atividade educacional, trazendo novos recursos tecnológicos que possibilitam amplo acesso às informações, por mais variadas ou especializadas que sejam. Não podemos nem devemos simplesmente alijar os aparatos tecnológicos do ensino, mas sim estimular a percepção de um uso consciente desse processo de desenvolvimento, para que ele não se transforme em instrumento de passividade e alienação. Importante Contemporaneamente – e diante das críticas a certos modelos que assumem uma roupagem democrática, mas permanecem atrelados a técnicas rígidas –, o professor assume uma importância fundamental, ao possibilitar a renovação dos processos educativos e criar condições para proporcionar a plena liberdade e autonomia do educando. O papel da Filosofia da Educação é justamente resgatar essa visão crítica e incentivar uma relação aberta, na teoria e na prática, entre o professor e o aluno. Cabe ressaltar, ainda, que a grande maioria dos filósofos – antigos e atuais – exerceu também a atividade docente, desenvolvendo, cada qual a seu modo, temas críticos ligados à educação. Friedrich Nietzsche (1844-1900) Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, é considerado um dos principais pensadores do final do século XIX. Crítico contundente da sociedade e dos valores de sua época, Nietzsche – filólogo e professor universitário – desenvolveu suas reflexões a partir da influência da cultura grega, enfatizando a liberdade da potência humana, anterior a Sócrates. Segundo ele, dois elementos antagônicos tendem a sobressair na concepção de homem: o espírito apolíneo e o espírito dionisíaco. Veja a diferença entre os dois elementos a seguir. Espírito apolíneo Espírito dionisíaco O espírito apolíneo, como o próprio nome indica, deriva de Apolo, deus da forma, da ordem, da beleza, e privilegia modelos ideais com base na razão. Já o espírito dionisíaco corresponde a Dioniso, deus da paixão, da embriaguez, da emoção, do delírio. De acordo com Nietzsche, estes dois elementos deveriam fluir simultaneamente, mas as normas estabelecidas pelas sociedades procuram sufocar, a todo momento, as tendências dionisíacas. Esse conflito constitui parte de sua crítica às regras tradicionais e, consequentemente, aos processos educativos da época, que, para ele, não incentivavam a criatividade do educando. Saiba Mais Para Nietzsche, a nova paidéia deve ser crítica e trágica ao mesmo tempo, deve recusar o passado (como tal) e reconstruir um homem que afirme suas tensões vitais no centro do próprio projeto existencial e, portanto, da própria formação, bem como da sociedade nova (dos fortes, dos eleitos, dos ultra-homens) que se dispõe a edificar. A pedagogia de Nietzsche trabalha como a ‘toupeira’ (escava galerias para fazer desmoronar os castelos das certezas) e com o ‘martelo’ (para ouvir se as ideias soam no vazio), operando uma radical destruição das tradições pedagógicas e educativas, propondo a elas alternativas que visam a um modelo de homem, de cultura, de civilização totalmente novos, organizados em torno de valores que a tradição metafísica e moralista do Ocidente, desde as suas origens, ocultou e afastou. Nietzsche quer ser um ‘educador’ e o foi na direção crítico-radical, ativando no pensamento entre os dois séculos processos de revisão radical dos modelos educativos e propostas ousadas na direção de sua superação [...]. (CAMBI. 1999, p. 504-505) Gaston Bachelard (1884-1962) O filósofo francês Gaston Bachelard enfatiza o advento das descobertas que revolucionaram as ciências nos últimos tempos, demolindo antigos paradigmas e trazendo à tona o renascimento da razão plural e dinâmica que permeia os vários setores do conhecimento. Em Bachelard, a ciência é um aprendizado constante que procura se aproximar do real, porquanto está sempre construindo seus objetos, em uma expectativa, que nunca se concretiza, de aproximação da realidade. Por isso, a epistemologia contemporânea deve superar as antigas concepções da ciência, rearticulando novas formas para do desenvolvimento dos saberes . Saiba Mais [...] Numa educação de racionalismo aplicado, de racionalismo em ação de cultura, o mestre apresenta-se como negador das aparências, como freio a convicções rápidas. Ele deve tornar mediato o que a percepção proporciona imediatamente. De modo geral, ele deve entrosar o aluno na luta das ideias e dos fatos, fazendo-o observar bem a inadequação primitiva da ideia com o fato. (BACHELARD. 1977, p. 29) Considerado como exemplo de pedagogia ativa, Bachelard combate o ensino tradicional que não estimula a criatividade intelectual; a filosofia científica deve também fundamentar uma nova pedagogia, em que o estudo seja parte efetiva do racionalismo aplicado. A atividade docente deve inserir-se na experiência do aluno, em uma interação dialógica que mescla teoria e prática como forma de aguçar o espírito crítico do educando, fazendo com que ele se distancie do senso comum para perceber a realidade. Portanto, essa troca que se estabelece entre o professor, dotado de teorias, e o aluno, com sua prática cotidiana, vão possibilitar frutíferas contradições que renovam o conhecimento. Saiba Mais A dialética do mestre e aluno inverte-se sempre. No laboratório, um jovem pesquisador pode adquirir conhecimento tão avançado de certa técnica ou tese que, na questão, torna-se mestre de seu mestre. Há nisso elementos de uma pedagogia dialogada da qual não se resume nem a força nem a novidade, se não se toma parte ativa numa comunidade científica. (BACHELARD. 1977, p.31) A pedagogia bachelardiana apresenta, assim, uma visão ampla do conhecimento, pois enfatiza a flexibilidade da relação entre o mestre e o educando. Ou seja, de início, o contato entre o professor e o aluno não é de igualdade, mas de assimetria, pois há uma hierarquia bem definida entre os dois. Aos poucos, porém, conforme o educando se desenvolve e vai assimilando os conteúdos necessários para a sua formação intelectual, essa relação tende a se igualar e a assimetria, o desnível anterior, tende a desaparecer – é o que se costuma chamar de “morte simbólica do professor”. Desse modo, a pedagogia dialogada de Bachelard possibilita uma interação concreta entre o mestre e o aluno, no sentido de criar condições para uma pedagogia aberta e dialógica. Michel Foucault (1926-1984) O pensamento do filósofo francês Michel Foucault representa uma importante análise crítica das questões epistemológicas e da noção tradicional correspondente ao papel do sujeito no mundo (proveniente da visão típica da Modernidade). Partindo de uma análise arqueológica (relativa à constituição das práticas discursivas), Foucault se volta, posteriormente, para uma análise genealógica, de inspiração nietzschiana, a fim de investigar a formação e desconstrução dos discursos, considerando historicamente a força desse poder, que envolve as mais variadas instâncias da vida social e dos saberes, os quaisinterferem decisivamente nos processos educacionais. Saiba Mais Segundo Foucault, a escola, através da ‘vigilância hierárquica’ (múltipla e cruzada), do ‘controle interno e contínuo’, da ‘sanção normalizadora’ (o sistema de prêmios e castigos que introduz uma ‘micropenalidade’), que tem função corretiva e capacidade de reafirmar o caráter regulativo do Normal, através enfim do exame, com o ‘aparato do exame ininterrupto’ que caracteriza a escola moderna, instaura um poder sobre o sujeito, produzindo-o segundo as instâncias do Poder: cria um corpo dócil e um sujeito normalizado, que é antropologicamente algo de novo, um novo sujeito que interiorizou o poder e se foi conformando segundo o seu modelo. (CAMBI. 1999, p.206-207) Para Foucault, as instâncias do poder atingem todos os campos da vida humana, buscando modelar e disciplinar a sociedade. As relações de poder assumem, assim, o modo de agir de uns sobre outros, em uma situação sutil e, por isso mesmo, praticamente imperceptível. Vale lembrar que nem sempre o poder se manifesta pela força, mas se instaura como uma rede produtiva que atravessa todo o corpo social. (Cf. FOUCAULT. 1979, p. 8) Desse modo, o poder disciplinar se instaura também no campo pedagógico, engendrando discursos calcados em normas e mecanismos de controle. Saiba Mais Foucault disseca o sistema escolar moderno, como ele se formou e foi usado na sociedade disciplinar. Essa sociedade, que em larga medida ainda é a nossa, surgiu de condições históricas, sua função é a adaptação da população aos processos de produção, às técnicas de gestão sobre a vida, o aprendizado, o treinamento, a aptidão de indivíduos. As análises de Foucault não visam destruir, anarquizar; ele não desqualifica a escola nem o aprendizado, não condena a escola, não afirma que seus procedimentos estejam errados. Foucault mostra a proveniência e os usos daquelas ‘pequenas’ técnicas e dispositivos de saber e poder que passam despercebidos por aqueles que fazem a história da pedagogia moderna. (ARAUJO. S/D, p. 34.) As discussões sobre o problema da educação, bem como de seus desdobramentos, são temas que, como vimos, levam filósofos e especialistas a formular importantes reflexões a respeito dos processos pedagógicos e ainda das condições de aprendizagem. Com relação aos problemas da educação brasileira, devemos destacar, pelo menos, dois notáveis pensadores do século XX que realizaram significativas mudanças no campo pedagógico, de repercussão internacional: Anísio Teixeira e Paulo Freire. Anísio Teixeira (1900-1971) Anísio Teixeira desempenhou um relevante papel na educação de nosso país, a partir de suas investigações no campo da filosofia e da pedagogia. Participou de várias manifestações sobre os problemas da educação no Brasil, contribuindo intensamente com as pesquisas educativas de seu tempo; estimulou também uma reavaliação na forma de ensino, vinculada à possibilidade de mudanças sociais, políticas e econômicas. “ A escola precisa dar à criança não somente um mundo de informações singularmente maior do que o da velha escola – só a absoluta necessidade de ensinar ciência fora bastante para transformá-la – como ainda lhe cabe o dever de aparelhar a criança para ter uma atitude crítica de inteligência, para saber julgar e pesar as coisas, com hospitalidade, mas sem credulidade excessiva; para saber discernir na formidável complexidade da integração industrial moderna as tendências dominadoras, discernimento que há de habituá-la a não perder a sua individualidade e a ter consciência do que vai passando sobre ela pelo mundo afora; e ainda, para sentir, com lúcida objetividade, a interdependência geral do mundo e a necessidade de conciliar o nacionalismo com a concepção mais vigorosa da unidade econômica e social de todo o mundo. TEIXEIRA. 2000, p. 41 ” Seguindo a tendência escolanovista, Anísio Teixeira mostrava-se contrário aos ideais da escola tradicional, buscando renovar a prática educativa e o acesso democrático à escola. Para ele, a modernização da educação deveria ocorrer simultaneamente com a modernização do país. Saiba Mais Em democracia não há senão uma tendência fixa: a busca do maior bem do homem. Como tal, é essencialmente progressiva e livre, e para o exercício dessa forma social progressiva e livre, precisa-se de homens conscientes, informados e capazes de resolver os seus próprios problemas. É esse o fim da escola, a esse respeito: ajudar os nossos jovens, em um meio social liberal, a resolver os seus problemas morais e humanos. (TEIXEIRA. 2000, 42) Paulo Freire (1921-1997) O educador Paulo Freire tem seu olhar voltado especialmente para a educação de jovens e adultos, num período em que o analfabetismo no Brasil atingia um patamar surpreendente. Para tanto, desenvolve um método – com base nas ‘palavras geradoras’ – capaz de não só possibilitar a leitura e a escrita como também de conscientizar o indivíduo a respeito de seu lugar na sociedade. “ Uma pesquisa inicial feita nas áreas que vão ser trabalhadas nos oferece as palavras geradoras, que nunca devem sair de nossa biblioteca. Elas são constituídas pelos vocábulos mais carregados de certa emoção, pelas palavras típicas do povo. Trata-se de vocábulos ligados à sua experiência existencial, da qual a experiência profissional faz parte. Esta investigação dá resultados muito ricos para a equipe de educadores, não só pelas relações que trava, mas pela exuberância da linguagem do povo, às vezes insuspeitas. FREIRE. 1985, p. 73 ” Em sua pedagogia, Paulo Freire exalta a capacidade humana de criar e criar-se, por meio de uma educação libertadora, já a partir do próprio professor. Isso significa que o processo educativo deve pautar-se por uma educação que não imponha barreiras de qualquer espécie e que propicie assim a autonomia do aluno. Saiba Mais Em todo homem existe um ímpeto criador. O ímpeto de criar nasce da inconclusão do homem. A educação é mais autêntica quanto mais desenvolve este ímpeto ontológico de criar. A educação deve ser desinibidora e não restritiva. É necessário darmos oportunidade para que os educandos sejam eles mesmos. Caso contrário domesticamos, o que significa, a negação da educação. Um educador que restringe os educandos a um plano pessoal impede-os de criar. (FREIRE. 1985, p. 32) Portanto, pensar a educação nesses novos tempos equivale a aceitar os novos desafios, ampliando, cada vez mais, o campo de atuação dos saberes e a relação interdisciplinar entre os modos de conhecer, a fim de possibilitar, com eficácia, a interação das questões teóricas com a realidade concreta. “ Educar é levar o educando à consciência de poder ser mais, a reconhecer que é chamado a ser um verdadeiro eu-no-mundo-com-o-outro, um empreendimento comum e solidário. Não foi sem percalços, recuos, idealismos estéreis e práxis desnorteada que se fez e se faz a evolução do processo educativo desde os tempos mais remotos da história humana até a época atual. No entanto, é só a esse preço que chegaremos a superar-nos em função do próprio ideal humano. Se a Filosofia é interrogação, questionamento radical e implacável, a golpes de machado, como dizia Nietzsche, ela será sempre contestação daquilo que poderá vir a ser. Portanto, a Filosofia da Educação deve levar-nos à procura das raízes do processo educativo como fato, mas também com ideal prático a ser por nós construído. GILES. 1983, p. 108 ” Vídeo Para saber mais sobre as influências políticas, assista agora ao vídeo: A pedagogia ativa de Gaston Bachelard. Clique na imagem para visualizar o vídeo. https://player.vimeo.com/video/344184526?badge=0&autopause=0&player_id=0&app_id=58479 Encerramento De que modo Augusto Comte desenvolve sua ideia de “evolução histórica do conhecimento”? Comte elaborasuas ideias a partir da “teoria dos três estados”, que constituiria as etapas do desenvolvimento humano. A primeira etapa, mítica ou teológica, seria a da aceitação pura e simples dos dogmas; a segunda, metafísica ou filosófica, corresponde ao questionamento da realidade, porém, conforme ele explica, não há um direcionamento concreto; a terceira etapa é a fase do conhecimento científico ou positivo, do pleno entendimento humano. Qual a importância de uma formação acadêmica consistente para o exercício das atividades pedagógicas? A formação acadêmica consistente é fundamental para que as atividades pedagógicas tenham o domínio teórico condizente com as propostas a serem transmitidas, com a possibilidade de vincular, em sala de aula, a teoria e a prática. Em que consiste a interdisciplinaridade? A interdisciplinaridade consiste em articular as diversas áreas do conhecimento, relacionando as disciplinas, a fim de proporcionar um saber mais abrangente e teórico da realidade. Resumo da Unidade Como pudemos observar, desde o primeiro momento no mundo, o homem sentiu a necessidade de se agregar em grupos e de transformar a natureza, como meios de viabilização de sua própria sobrevivência. No percurso do seu desenvolvimento, o ser humano aperfeiçoou técnicas eficazes e imprescindíveis ao seu estar no mundo. A partir daí, abrem-se novas possibilidades para ampliar a sua visão sobre o mundo, tanto em sentido prático quanto filosófico.