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FUVEST 202
 
 
Página 1 
____________________________________________________________________________________________________________ 
 
01 
 
Leia o texto e responda ao que se pede. 
 
Insensível a conveniências editoriais, o escritor pouco se preocupa em ir ao encontro dos hábitos do público. Arremessa aos leitores, de 
uma só vez, uma Suma inteira; lança-os, em vez de num caminho reto, num verdadeiro labirinto; e, se lhes dá algumas chaves — 
epígrafes tiradas de Plotino1 e Ruysbroeck2, tão inesperadas no limiar de uma coleção de novelas regionais —, deixa-os procurar as 
fechaduras a que elas se aplicam. E mesmo que eles tenham compreendido a unidade essencial do conjunto e a importância igual das 
diversas partes, mesmo que tenham percebido a razão de ser do título e a presença permanente de símbolos poéticos nessas narrativas 
telúricas3, ainda terão de resolver inúmeros enigmas que se lhes armam a cada passo. Com estes a sagacidade do autor parece querer 
selecionar o seu público a fim de, depois, compensá-lo regiamente4 do esforço despendido. 
É Ruskin5 quem fala dessa "reticência cruel no coração de homens sábios que lhes faz sempre esconder o seu pensamento mais profundo. 
Eles não no-lo comunicam sob forma de ajuda, mas sob forma de recompensa, e querem ficar certos de o merecermos antes de nos 
permitirem que o alcancemos". 
 
Rondando os segredos de Guimarães Rosa, Paulo Rónai. 
 
1. Plotino: filósofo grego. 
2. Ruysbroeck: escritor e místico belga. 
3. narrativas telúricas: narrativas regionalistas, ligadas a terra. 
4. regiamente: com luxo e ostentação; majestosamente. 
5. Ruskin: escritor e poeta britânico. 
 
a) Pode-se afirmar corretamente que o estilo considerado difícil de alguns autores é intencional? Justifique sua resposta com algum 
trecho do texto. 
 
b) Justifique sintaticamente o emprego das formas pronominais destacadas no trecho “Eles não no-lo comunicam sob forma de ajuda, 
mas sob forma de recompensa”. 
____________________________________________________________________________________________________________ 
 
02 
 
Examine a capa da revista Isto É, publicada em junho de 2001: 
 
 
 
Lê-se na capa: “Você é racista? No Brasil, ninguém assume que tem preconceito racial, mas as minorias, principalmente os negros, continuam sendo 
discriminadas”. 
 
a) Explique como a imagem da mão com uma tinta escorrendo sobre ela e o texto verbal logo abaixo se relacionam na construção de 
sentido. 
 
b) O fim de maio de 2020, com a morte do norte-americano Geroge Floyd, foi marcado por inúmeros protestos antirracistas. Nessas 
manifestações, apareceu recorrentemente a declaração: “Não basta não ser racista. É preciso ser antirracista”. Explique como essa 
afirmativa dialoga com a frase de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. 
____________________________________________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
Página 2 
____________________________________________________________________________________________________________ 
03 
 
Leia trecho da entrevista de Ubiratan Brasil com o escritor Luis Fernando Verissimo para o jornal O Estado de São Paulo, de 09 de junho 
de 2020: 
 
Diálogos invejáveis são um diferencial em seus textos. Para isso, basta ter um bom ouvido ou muita leitura? Ou nada disso? 
 
 É difícil escrever diálogos em português. Em inglês, por exemplo, o corriqueiro não soa falso. Alguém já disse que para um diálogo em 
inglês parecer natural basta acrescentar um "fucking" a cada frase. Mas é verdade que, até há pouco tempo, nos livros do Hemingway, 
por exemplo, o palavrão era substituído por ("obscenity"). No caso do diálogo em português, o "natural" não funciona. Já se disse que, 
em português, pronome no lugar certo é elitismo. 
 
Há vários anos, textos falsamente atribuídos a você circulam na internet, o que o torna uma vítima antiga das hoje chamadas fake news. 
No atual contexto, há alguma possibilidade de fake news serem engraçadas? 
 
Há "fake news" engraçadas, você estranha que o autor verdadeiro não queira aparecer, ou prefira se esconder sob um pseudônimo 
conhecido. Mas geralmente as "fakes" são ruins. Como não há como evitá-las, o jeito é se resignar e aceitá-las, com o risco de um dia 
ser processado por calúnia ou difamação. 
 
a) Há uma crítica implícita do escritor quando afirma que “Já se disse que, em português, pronome no lugar certo é elitismo”. Explique. 
 
b) Dentre as várias ocorrências pronominais nesse excerto, cite uma que seria considerada elitismo. Explique por que a escolheu. 
 
____________________________________________________________________________________________________________ 
04 
 
Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia 
 
A cada canto um grande conselheiro, 
Que nos quer governar cabana e vinha; 
Não sabem governor sua cozinha, 
E podem governar o mundo inteiro. 
 
Em cada porta um bem frequente olheiro, 
Que a vida do vizinho e da vizinha 
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, 
Para levar à praça e ao terreiro. 
 
Muitos mulatos desavergonhados, 
Trazidos sob os pés os homens nobres, 
Posta nas palmas toda a picardia, 
 
Estupendas usuras nos mercados, 
Todos os que não furtam muito pobres: 
E eis aqui a cidade da Bahia. 
 
Gregório de Matos – Poemas Escolhidos 
 
a) Na primeira parte do poema, há uma relação entre as formas de governar nos trechos “sua cozinha” e “mundo inteiro”. Identifique 
a figura de linguagem usada nessa construção e explique como ela evidencia o despreparo dos governantes. 
 
b) O soneto acima apresenta a ironia como recurso expressivo para criticar o governo. Identifique o verso no qual isso ocorre e explique 
no que se constitui o uso dessa figura de linguagem. 
____________________________________________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Página 3 
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05 
 
Leia este trecho do documentário O Guia Pervertido da Ideologia, de Sophie Fiennes, apresentado pelo filósofo e escritor Slavoj Žižek. 
 
 Eu já estou comendo da lata de lixo o tempo todo. O nome dessa lata de lixo é “ideologia”. A força material da ideologia não me deixa 
ver o que estou de fato comendo. Não é apenas a nossa realidade que nos escraviza. A tragédia de nossa condição, quando estamos 
dentro da ideologia, é que, quando pensamos que escapamos da ideologia rumo aos nossos sonhos, é nesse ponto que estamos dentro 
da ideologia. 
 
a) Reescreva o trecho “Eu já estou comendo da lata de lixo o tempo todo. O nome dessa lata de lixo é ‘ideologia’” em um único período, 
mantendo o sentido original e a correção gramatical. Faça as adaptações necessárias. 
 
b) A conjunção “quando” é tradicionalmente classificada como temporal. Explique em que medida a conjunção destacada no excerto 
também comporta uma ideia de concessão, relacionando esta ideia à condição humana e a uma expectativa implícita no trecho. 
____________________________________________________________________________________________________________ 
06 
 
Cultura do cancelamento: precisamos mesmo cancelar as pessoas? 
 
Lembra de lá da sua infância, quando um coleguinha se recusava a emprestar a bicicleta nova e um outro mais popular na rua começava 
a colocar a turma toda contra ele, que era excluído de todas as brincadeiras? Transpondo mais ou menos para os tempos de hoje, das 
redes sociais, esse menino seria cancelado. 
Sim, a moda agora é cancelar pessoas. Não importa se errou feio ou falou uma besteira? Está can-ce-la-do. Pelo menos, por um tempo. 
Pelo menos, no Facebook, no Twitter e no Instagram. 
Mas será que é preciso mesmo ir cancelando todo mundo? Existe lógica em, com apenas um clique, nos “vingarmos” de alguém de 
quem discordamos? Para Vitor Burgo, jurista e doutor em Direito pela USP, esse comportamento não é novo, elesó ganha dimensões 
dessa natureza pelo potencial difusor da Internet. 
“Quem cancela está tentando ser o menino popular da rua. É que hoje a gente não se comunica mais na rua como antigamente, não 
sabe mais quem é o vizinho. A forma que encontramos de nos agrupar é na Internet. O cancelamento se tornou uma cultura justamente 
pelo fato de ele propiciar na Internet aquilo que perdemos no deslocamento do real para o virtual: o senso de pertencimento, 
integração, comunidade. Quando eu cancelo alguém e comunico essa decisão, todos que chegam embalados pelo mesmo sentimento 
trazem aconchego, referendam minha ideia, fazem com que me sinta pertencente”, analisa. 
 
Por Paula Stange. Publicado em março de 2020 na revista virtual: A Gazeta. 
 
a) No segundo parágrafo, a separação de sílabas em “can-ce-la-do” indica qual recurso expressivo encontrado no texto falado? 
 
b) Na análise de Vitor Burgo, explique como o “cancelamento” se resulta em uma “comunidade” de “pertencimento”. 
____________________________________________________________________________________________________________ 
07 
 
Texto 1 
 
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire 
forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as 
batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os 
despojos. (...) Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. 
Machado de Assis, Quincas Borba, capítulo 6 
 
Texto 2 
 
O que se pode crer é que [Camacho] queria ser ministro, e trabalhou por obtê-lo. Agregou-se a vários grupos, segundo lhe parecia 
acertado; na Câmara discorria largamente sobre matérias de administração, acumulava algarismos, artigos de legislação, pedaços de 
relatório, trechos de autores franceses, embora mal traduzidos. Mas, entre a espiga e a mão, está o muro de que fala o poeta; e por 
mais que o nosso homem estendesse a mão do seu desejo para colhê-la, a espiga lá ficava do lado oposto, donde a arrancavam outras 
mãos, mais ou menos sôfregas, ou até descuidadas. 
Machado de Assis, Quincas Borba, capítulo 57 
 
A partir da leitura atenta dos dois excertos, responda: 
 
a) Na teoria de Quincas Borba, a competição pelos recursos existentes, com a vitória de uns e a derrota de outros, é o princípio geral 
da vida natural e social. No texto 2, indique a(s) metáfora(s) que serve(m) de ilustração a esse princípio geral. 
 
b) O texto 2 confirmaria a teoria de que a vitória na competição está reservada aos mais qualificados? Justique citando expressões do 
texto. 
____________________________________________________________________________________________________________ 
 
 
 
Página 4 
____________________________________________________________________________________________________________ 
08 
 
O bosque estremece: 
nos arroios, claras 
ovelhinhas bebem. 
Sanfonas e flautas 
suspiros repetem. 
 
O país da Arcádia, 
súbito, escurece, 
em nuvem de lágrimas. 
Acabou-se a alegre 
pastoral dourada: 
pelas nuvens baixas 
a tormenta cresce. 
 
Cecília Meireles, “Do país da Arcádia” in 
Romanceiro da Inconfidência 
 
No Romanceiro da Inconfidência (1953), Cecília Meireles faz um amplo painel do ciclo do ouro em Minas Gerais, mostrando o 
aguçamento das tensões que levaram à Inconfidência Mineira e à brutal repressão deste movimento. Considerando estas informações 
e o trecho citado, responda: 
 
a) Como a expressão “pastoral dourada” deve ser entendida à luz do momento histórico e literário referido por Cecília Meireles? 
 
b) A autora usa uma metáfora da natureza para se referir ao processo histórico da época. Qual é essa metáfora? 
____________________________________________________________________________________________________________ 
09 
 
Texto 1 
 
Na mesma carta, encontrada entre seus pertences levados pelos krahô para Carolina, Quain reclamava das dificuldades de trabalhar 
com os índios no Brasil: “Acredito que isso possa ser atribuído à natureza indisciplinada e invertebrada da própria cultura brasileira (...) 
Tanto os brasileiros como os índios que tenho visto são crianças mimadas que berram se não obtêm o que desejam e nunca mantêm as 
suas promessas, uma vez que você lhes dá as costas. O clima é anárquico e nada agradável. A sociedade parece ter se esgarçado. Minha 
dificuldade aqui pode ser atribuída em grande parte à influência brasileira. O Brasil, por sua vez, sem dúvida absorveu muitas das marcas 
mais desagradáveis das culturas indígenas com as quais teve contato". 
Bernardo de Carvalho, Nove Noites, 15 
 
Texto 2 
 
Quem por desfastio percorrer estas páginas, se não tiver estudado com alma brasileira o berço de nossa nacionalidade, há de estranhar 
em outras coisas a magnanimidade que ressumbra no drama selvagem a formar-lhe o vigoroso relevo. 
Como admitir que bárbaros, quais nos pintaram os indígenas, brutos e canibais, antes feras que homens, fossem suscetíveis desses brios 
nativos que realçam a dignidade do rei da criação? 
(...) 
Por igual teor, senão mais grosseiras, são as apreciações de outros escritores acerca dos costumes indígenas. As coisas mais poéticas, 
os traços mais generosos e cavaleirescos do caráter dos selvagens, os sentimentos mais nobres desses filhos da natureza são deturpados 
por uma linguagem imprópria, quando não acontece lançarem à conta dos indígenas as extravagâncias de uma imaginação desbragada. 
 
José de Alencar, Ubirajara, Advertência 
 
Vocabulário: 
esgarçado – desfeito, fragmentado 
por desfastio - para distrair-se 
ressumbrar - aparecer, mostrar-se 
brios - dignidade, sentimento de honra 
desbragada - sem a devida moderação 
 
A partir da leitura atenta dos excertos acima, responda: 
 
a) Apesar dos pontos de vista contrastantes, ambos os textos estabelecem relação entre as culturas indígenas e a formação da 
identidade brasileira. Você concorda com essa afirmação? Justifique citando passagens dos dois textos. 
 
b) O texto de José de Alencar opõe duas visões a respeito dos indígenas. Indique quais são elas e qual é a defendida por Alencar. 
Justifique citando passagens do texto. 
____________________________________________________________________________________________________________ 
 
 
Página 5 
____________________________________________________________________________________________________________ 
10 
 
Texto 1 
 
Longe do estéril turbilhão da rua, 
Beneditino, escreve! No aconchego 
Do claustro, na paciência e no sossego, 
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! 
 
Mas que na forma se disfarce o emprego 
Do esforço; e a trama viva se construa 
De tal modo, que a imagem fique nua, 
Rica mas sóbria, como um templo grego. 
 
Não se mostre na fábrica o suplício 
Do mestre. E, natural, o efeito agrade, 
Sem lembrar os andaimes do edifício: 
 
Porque a beleza, gêmea da Verdade, 
Arte pura, inimigo do artifício, 
É a força e a graça na simplicidade. 
 
Olavo Bilac, A um poeta 
 
Texto 2 
 
Eu quero compor um soneto duro 
como poeta algum ousara escrever. 
Eu quero pintar um soneto escuro, 
seco, abafado, difícil de ler. 
 
Quero que meu soneto, no futuro, 
não desperte em ninguém nenhum prazer. 
E que, no seu maligno ar imaturo, 
ao mesmo tempo saiba ser, não ser. 
 
Esse meu verbo antipático e impuro 
há de pungir, há de fazer sofrer, 
tendão de Vênus sob o pedicuro. 
 
Ninguém o lembrará: tiro no muro, 
cão mijando no caos, enquanto Arcturo, 
claro enigma, se deixa surpreender. 
 
Carlos Drummond de 
Andrade, Oficina Irritada 
 
Os sonetos acima mostram duas concepções antagônicas a respeito do fazer poético. A partir da leitura atenta dos dois textos, 
responda: 
 
a) O soneto de Bilac faz uma série de prescrições “a um poeta”. O modo verbal predominante no primeiro quarteto comprova essa 
afirmação? Justifique citando dois exemplos. 
 
b)A estética parnasiana tem como base normas e regras, em relação às quais o modernista Drummond manifesta rejeição. Levando 
em consideração o primeiro terceto de cada um dos sonetos citados, cite uma expressão de cada um que mostre a oposição entre 
eles. 
____________________________________________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Página 6 
 
PROPOSTA DE REDAÇÃO 
 
Leia os textos para fazer sua redação. 
 
 
1. 
Ah, meu caro Rubião, isto de política pode ser comparado à paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo; não falta nada, nem o discípulo 
que nega, nem o discípulo que vende. Coroa de espinhos, bofetadas, madeiro*, e afinal morre-se na cruz das ideias, pregado pelos 
cravos* da inveja, da calúnia e da ingratidão... 
 
* “madeiro” refere-se à cruz 
* “cravos” refere-se a pregos 
Machado de Assis, em Quincas Borba, 1891 – trecho de um diálogo 
entre as personagens Camacho e Rubião 
 
2. 
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo 
Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil 
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo 
Ninguém segura a juventude do Brasil 
 
Eu te amo meu Brasil, Canção de Dom e Ravel, 1970 
 
De repente é aquela corrente pra frente 
parece que todo o Brasil deu a mão. 
Todos unidos na mesma emoção, tudo é um só coração. 
Todos juntos vamos, pra frente Brasil. 
 
Pra frente Brasil, Canção de Miguel Gustavo, 1970 
 
3. 
 
§1. Sendo os homens, como dissemos, mais conduzidos pelas paixões que pela Razão, daí se conclui que se verdadeiramente querem 
acordar* entre si e ter, de certa maneira, uma alma comum, não é em virtude de uma percepção da Razão, mas antes duma paixão 
comum, tal como a esperança, o medo, ou o desejo de tirar vingança de um prejuízo sofrido. Como, aliás, todos os homens temem a 
solidão, porque nenhum deles na solidão tem força para se defender e obter as coisas necessárias à vida, daí resulta que os homens 
têm, do estado civil, um desejo natural e que não pode dar-se que tal estado seja nunca dissolvido. 
 
*entrar em acordo 
 
Baruch Espinosa, em Tratado Político, cap. VI, 1677 
4. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. 
Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades. 
 
Alexis de Tocqueville, em Lembranças de 1848*, 1851 
 
* Referindo-se às revoluções de 1848 ou Primavera do Povos 
 
Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação em 
prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema: 
 
POLÍTICA SE FAZ COM PAIXÃO*? 
 
Atenção: 
Verbete: compreenda, para esta prova, a palavra “paixão” como “sentimento” (de amor, de ódio, de medo, de sofrimento, de êxtase, 
de esperança, de indignação etc.) que, em certos contextos, se pode opor à ideia de “razão”. 
 
 
Instruções: 
• A dissertação deve ser redigida de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. 
• Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível e não ultrapasse o espaço de 30 linhas da folha de redação. 
• Dê um título a sua redação.

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