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Aspectos clínicos HIV-AIDS

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Alice Santos de Lima 4º período 2022/1 Esse resumo não está isento de erros 
 
Aspectos clínicos 
 
HISTÓRIA 
Início no fim da década de 70 e início dos anos 80, nos 
Estados Unidos, onde começou a se observar casos de 
imunossupressão em homossexuais e bissexuais 
No início dos anos 80 começa a surgir um estigma, mas 
nos anos seguintes percebeu-se que essa mesma 
situação poderia ocorrer entre outras populações como 
entre usuários de drogas injetáveis, hemofílicos, 
pacientes que já tinham sido submetidos a outras 
transfusões, além da população heterossexual 
Postulou-se que essa imunossupressão provavelmente 
era originada de um agente infeccioso o qual teria 
tropismo por linfócito TCD4 pelo tipo de infecções que 
os pacientes apresentavam 
Os países buscavam identificar qual era o vírus em 
questão – HTLV e HIV 
Em 1983, o HIV foi associado às imunossupressões que 
estavam acontecendo, à qual foi dado o nome de 
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) 
Passados 3 anos foi isolado o HIV-2 
As imunodeficiências começaram a ser descritas desde 
1979 
A origem é de um vírus da imunodeficiência dos 
macacos, onde a transmissão possivelmente foi por via 
zoonótica 
A primeira droga usada para o tratamento do HIV foi o 
AZT, o qual está no mercado até os dias atuais 
Infecção por HIV não é sinônimo de AIDS! 
CARACTERÍSTICAS DO VÍRUS 
Retrovírus da família Retroviridae e do gênero 
Lentivírus 
Existem 6 tipos de retrovírus humanos: HTLV 1, 2, 3 e 4 e 
o HIV 1 e 2 
- O HIV-1 é o vírus mais patogênico, foi o primeiro 
a ser descoberto e está presente no mundo 
inteiro, ao passo que o HIV-2, descoberto 
posteriormente, está mais restrito a uma 
população específica da África, além de ser 
menos patogênico 
O vírus tem uma variabilidade muito grande, sendo 
dividido em grupos, subtipos do grupo e sub-subtipos 
- Isso é importante porque o indivíduo pode se 
reinfectar, podendo ser com vírus resistentes à 
medicação já utilizada 
- Grupo HIV-1: M, N, O, P 
- Subtipos do grupo M: A, B, C, D, F, G, H, J, K 
- Sub-subtipos: A (A1- A5), F (F1 e F2) 
ESTRUTURA DO VÍRUS 
Na porção mais externa, tem uma membrana na qual há 
duas importantes proteínas: gp-120 e gp-41 
- Essas proteínas da superfície dos vírus é que 
vão se ligar aos receptores CD4 dos linfócitos e 
de outras células do sistema imune 
Na porção mais interior, tem o material genético (RNA 
viral) e enzimas, além do capsídeo, a membrana que 
envolve o material genético, contendo a proteína p-24 
- A proteína p-24 é detectada nos testes 
diagnósticos 
CICLO DE REPLICAÇÃO 
Indivíduo entra em contato com o vírus → busca por 
uma célula que possua o receptor CD4 específico onde 
as proteínas gp-41 e gp-120 se ligarão 
Após a ligação, haverá a fusão da membrana do vírus 
com a membrana da célula → liberação do material 
genético do vírus dentro do citoplasma da célula 
No citoplasma, a enzima transcriptase reversa irá 
transcrever o RNA do HIV em DNA pró-viral o qual 
entrará dentro do núcleo e, através da enzima integrase 
do vírus, será integrado ao material genético da célula 
Após a integração, começara a produção de proteínas 
virais para formarem novas partículas, as quais 
formarão novas estruturas que, posteriormente, por 
brotamento, sairá da célula para infectar novas células 
Esse processo enfraquece a célula até a sua morte 
TRANSMISSÃO 
Via sexual 
Parenteral (sangue e hemoderivados) 
Alice Santos de Lima 4º período 2022/1 Esse resumo não está isento de erros 
 
Quando for realizar a anamnese, sempre deve perguntar 
se o paciente já recebeu alguma transfusão de sangue 
porque antes de 1993 os bancos do Brasil não triavam 
para doenças infecciosas 
Vertical (gestação, parto ou durante a amamentação) 
- Amamentação totalmente contraindicada para 
mulheres que vivem com HIV 
- A mãe sendo tratada, provavelmente o vírus 
está controlado e está indetectável, ou seja, 
não há transmissão 
Fluidos que contém o vírus: 
- Sangue 
- Sêmen e secreção vaginal 
- Leite materno 
- Outras secreções que contenham sangue 
Fluidos que não contêm o vírus: 
- Saliva 
- Urina 
- Fezes 
- Vômito 
Fatores que aumentam a transmissibilidade do vírus: 
- Tipo de exposição sexual – maior risco com sexo 
anal receptivo (região muito vascularizada) 
- Outra IST concomitantes como sífilis, hepatite, 
gonorreia 
- Carga viral do portador 
- Imunidade da pessoa exposta 
EPIDEMIOLOGIA 
O HIV é considerado uma pandemia mundial 
O número anual de casos de AIDS vem se diminuindo 
desde 2013 
- Tratamento efetivo não deixa a doença 
progredir, além de diminuir a transmissão 
- Testagem mais precoce fazendo com que cada 
vez menos as pessoas abrem diagnóstico na 
fase de AIDS 
Embora esteja em queda, os casos entre os homens 
ainda se sobrepõem aos entre as mulheres 
Observa-se um aumento entre os jovens do sexo 
masculino 
Testagem e tratamento precoces permitiram uma 
diminuição da taxa de mortalidade ao longo dos anos 
FISIOPATOGENIA 
A multiplicação do vírus gera uma deficiência 
progressiva quantitativa e qualitativa dos linfócitos 
TCD4 
- Outras células do sistema imune também são 
atingidas pelos vírus 
O linfócito servirá como reservatório, logo a cada vez 
que o vírus se multiplica, novas partículas virais vão 
sendo liberadas e, com isso, infecta novas células, 
processo esse que gera uma disfunção e destruição 
Do momento em que o indivíduo contrai o vírus até 
adoecer costuma passar de 8 a 10 anos 
Vírus entra via mucosa → procura o tecido linfoide mais 
próximo onde infectará os linfócitos TCD4 gerando uma 
ativação imune, de forma que novas células de defesa 
chegarão ao local para tentar combater o vírus → mais 
células serão infectadas já que há uma eliminação 
parcial e não total do vírus → perda progressiva com 
destruição dos linfócitos 
 
HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA 
Alice Santos de Lima 4º período 2022/1 Esse resumo não está isento de erros 
 
 
Quantidade normal de linfócitos TCD4 em uma pessoa 
que não tem o vírus: 500 - 1500 
Infecção aguda: passado um tempo (1 a 3 semanas) 
desde a infecção, o indivíduo começa a apresentar 
sintomas inespecíficos secundários à multiplicação viral 
como consequência do trabalho do sistema imune no 
combate do vírus 
- Dor de garganta, aumento de linfonodos 
cervicais 
- Queda de TC4 e aumento da carga viral 
Latência clínica: passado o tempo da Síndrome 
Retroviral Aguda, há uma eliminação parcial do vírus e, 
com isso, um equilíbrio entre a carga viral que sofreu 
uma queda parcial e o número de linfócitos que 
sofreram uma pequena recuperação 
- Geralmente é assintomática 
- Pode ter uma linfonodomegalia 
AIDS: com o passar dos anos, se não houve tratamento, 
a replicação e transmissão viral vai fazendo com que 
haja uma destruição progressiva dos linfócitos TCD4 e 
chega em um determinado ponto que estão tão baixos 
que os pacientes começam a apresentar as infecções 
oportunistas, caracterizando a AIDS 
AIDS: linfócitos TCD4 < 50 ou quando o indivíduo já 
apresenta alguma doença oportunista 
Tanto na fase aguda quanto na fase de AIDS a carga 
viral está alta, mas a transmissão do vírus ocorre de 
forma mais intensa na fase aguda 
INFECÇÃO AGUDA (SÍNDROME RETROVIRAL AGUDA) 
Ocorre entre a 1ª e 3ª semana da exposição 
Principais achados clínicos (inespecíficos): 
- Febre 
- Linfonodomegalia (especialmente cervical, mas 
pode ser generalizada) 
- Faringite 
- Exantema 
- Mialgia 
- Cefaleia 
Pode ocorrer, mas não tão frequente: 
- Esplenomegalia 
- Letargia 
- Anorexia 
- Náusea, vômito, diarreia, perda de peso 
- Úlceras orais 
Em casos mais raros, pode ocorrer: 
- Meningite 
- Paralisia de nervo fácil 
- Síndrome de Guillain-Barré 
É autolimitada, e a maioria dos sintomas desaparecem 
de 3 a 4 semanas, mas a linfadenopatia costuma 
persistir 
PERÍODO DE LATÊNCIA 
Indivíduotem o vírus, mas não tem nenhum sintoma 
associado 
O exame físico é normal, exceto pela linfadenopatia 
Laboratorialmente, é comum que o paciente fique com 
uma plaquetopenia 
- Quando pega um paciente com plaquetopenia 
sem outra causa, deve ser solicitado o teste de 
HIV 
Pode ocorrer anemia (normocítica e normocrômica) e 
neutropenia 
FASE SINTOMÁTICA 
À medida que a doença progride e não houve 
tratamento, a pessoa começa a apresentar sintomas 
como: 
- Febre baixa 
- Perda de peso 
- Sudorese noturna 
- Fadiga 
Alice Santos de Lima 4º período 2022/1 Esse resumo não está isento de erros 
 
- Diarreia crônica (mais de 30 dias) 
- Cefaleia 
- Infecção bacteriana recorrente 
- Lesões orais como a leucoplasia oral pilosa 
O aparecimento do herpes-zoster, não sendo em um 
paciente idoso, diabético, que já tem a imunidade 
fragilizada, deve servir para ligar o alerta para HIV 
Quando começam a aparecer esses sintomas, os 
linfócitos TCD4 já estão em torno de 200 a 300 células 
CRITÉRIOS QUE DEFINEM O DIAGNÓSTICO DA AIDS 
Exame de HIV positivo + CD4 < 350 ou quando tem uma 
doença definidora de AIDS 
Exemplos de doenças definidoras de AIDS: 
- Candidíase esofagiana 
- Meningite 
- Neurotoxoplasmose 
- Pneumocistose 
- Sarcoma de Kaposi 
- Tuberculose disseminada 
Sinais de imunodeficiência moderada que indicam a 
presença de uma imunossupressão: 
- Perda de peso inexplicada 
- Diarreia crônica 
- Febre persistente 
- Candidíase oral persistente 
- Candidíase vulvovaginal persistente 
- Leucoplasia pilosa oral 
- Herpes-zoster 
Diagnóstico definitivo: exames laboratoriais 
- 2 ou mais testes combinados de diferentes 
metodologias ou, se forem de uma mesma 
metodologia, de diferentes fabricantes 
Testes presentes atualmente no mercado brasileiro: 
- Imunoensaios de 3ª geração: detectam 
anticorpos IgM e IgG contra o vírus 
- Imunoensaios de 4ª geração: detectam 
anticorpos IgM e IgG, além do antígeno p24 
- Testes rápidos: punção digital detectando 
anticorpos 
- Western Blot e Imunoblot: detectam anticorpos 
contra várias proteínas do vírus, demorando 
mais tempo para positiva, embora sejam testes 
mais específicos 
- Teste molecular: carga viral → é o que positiva 
primeiro (a partir do 10º dia de sintoma) 
Para que se já tenham anticorpos contra o vírus do HIV 
é preciso cerca de 3 semanas a 1 mês, enquanto o 
antígeno p24 pode ser identificado um pouco antes, 
permitindo um diagnóstico mais precoce 
 
Nos primeiros 10 dias do contato com o vírus, tem a fase 
de eclipse onde nenhum teste positivará, embora o 
indivíduo já esteja infectado e replicando o vírus 
Formas de diagnosticar: 
- 2 TR de fabricantes diferentes positivados 
- Teste rápido por fluido oral (presença de 
anticorpos na saliva) + TR 
- Imunoensaio de 4ª + teste molecular → é a 
forma de diagnosticar da forma mais rápida 
possível 
- Imunoensaio de 3ª geração + teste molecular 
- Imunoensaio de 3ª geração + blot 
- Imunoensaio de 4ª + blot 
O teste é muito sensível, então, um negativo já basta 
Se houver suspeita que o paciente esteja na janela 
imunológica, deve repetir o teste em 30 dias 
Os testes geralmente são feitos em 2 amostras → se 
coleta de uma amostra e positiva, parte para uma 2ª 
amostra e faz um dos dois testes que foram feitos da 1ª 
O QUE FAZER APÓS O DIAGNÓSTICO 
Abordagem inicial com orientação para o paciente 
quanto à benignidade dos casos, a possibilidade de 
tratamento, prática de risco 
Devem ser solicitados exames como protocolo: 
- Sorologia de outras ISTs: sífilis, hepatites virais, 
HTLV 
Ao fim da primeira consulta deve ter sido elucidado ao 
paciente: 
Alice Santos de Lima 4º período 2022/1 Esse resumo não está isento de erros 
 
- Como o vírus causa a doença 
- Diferença entre HIV e AIDS 
- Importância dos exames 
- Como outros podem se infectar e como isso pode 
ser evitado 
- Como a medicação funciona 
- O bom prognóstico atualmente 
- Como evitar as outras ISTs 
- Possibilidade de reinfecção com outra cepa 
- Como será o planejamento futuro 
TRATAMENTO 
Terapia antirretroviral (TARV) está indicada para todas 
as pessoas que vivem com HIV 
- Antes tratava apenas quem estava com algum 
grau de imunossupressão por conta dos fortes 
efeitos colaterais dos medicamentos 
O tratamento precoce possibilita a redução da 
morbimortalidade, evita a transmissão (indetectável 
não transmite), evita causas de morte concomitantes 
Situações em que o tratamento tem que ser iniciado o 
mais rápido possível: 
- Pessoas com sintomas 
- CD4 < 350 
- Gestante 
- Pessoa com tuberculose 
- Coinfectado com hepatite B ou C 
- Risco cardiovascular elevado 
Níveis baixos de carga viral sérica estão associados com 
menores concentrações dos vírus nas secreções genitais 
I = I: indetectável = intransmissível 
Antirretrovirais usados: 
- Inibidores da transcripstase reversa 
• Análogos de nucleosídeos 
• Não análogos de nucleosídeos 
- Inibidores da protease (enzima que cliva as 
proteínas para formação das novas partículas) 
- Inibidores da integrase 
- Inibidores da fusão 
- Antagonistas CCR5 
Os inibidores da fusão e os antagonistas CCR5 ficam 
restritos para pacientes que já falharam com os 
outros esquemas 
Primeira linha de tratamento no Brasil: tenofovir (TDF) 
+ lamivudina (3TC) + dolutegravir (DTG) 
- O DTG pode ser usado com MVHIV 
Em pacientes coinfectados com TB: 
- Quadro leve: tenofovir + lamivudina + 
enfavirenz 
- Quadro grave: tenofovir + lamivudina + 
dolutegravir 
Os outros esquemas serão de acordo com comorbidade, 
medicação prévia, falha terapêutica 
O tratamento deve ser feito para toda a vida 
Alguns medicamentos podem ter efeito colateral a longo 
prazo, como: 
- Tenofovir: nefrotoxicidade e osteopenia 
Deve ser realizada densitometria óssea nas 
mulheres pós-menopausa que utilizam esse 
medicamento 
PROFILAXIA 
Profilaxia primária: pacientes já na fase da AIDS, 
debilitado, deve ser iniciadas algumas medicações para 
evitar que desenvolva doenças oportunistas 
- CD4 < 200: profilaxia contra pneumocistose e 
neurotoxoplasmose com Bactrim (2 comprimidos 
por dia todos os dias até que o CD4 recupere) 
Profilaxia secundária: ocorre quando o paciente 
debilitado já teve aquela infecção 
- Por exemplo, quando o paciente descobre a 
presença do vírus a partir de uma doença como 
neurotoxoplasmose, continua o tratamento 
para esta por um certo tempo 
Prevenção combinada associando diferentes métodos 
de prevenção contra o HIV 
Alice Santos de Lima 4º período 2022/1 Esse resumo não está isento de erros

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