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ASSISTENTE 
DE 
ADVOCACIA 
 
 Curso de Assistente de Advocacia 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Curso de Assistente de Advocacia 
3 
 
Norma jurídica: a estrutura do Direito 
A norma jurídica é um fenômeno comunicativo complexo. Em 
seu cometimento, há uma relação de autoridade institucionalizada 
em seu grau máximo, protagonizada pelo Estado. Essa relação de 
autoridade manifesta-se, no relato, por meio de funtores, quais 
sejam: é permitido, é proibido ou é obrigatório. Além disso, o relato 
descreve ações, eventualmente apresenta suas condições e 
descreve suas consequências. 
A dogmática jurídica simplifica essa realidade complexa e foca 
sua análise no texto normativo, tomando, por exemplo, a lei e seus 
artigos como objeto de estudo e como ponto de partida para a 
produção de decisões. Esse texto apresenta três elementos 
essenciais: 
1. O caráter vinculante; 
2. A hipótese normativa; 
3. A consequência jurídica. 
O caráter vinculante da norma jurídica, em verdade, encontra-se 
no seu cometimento: deriva da relação de autoridade entre os 
comunicadores, que vincula o comportamento do receptor à 
consequência estabelecida pelo emissor. Essa relação de autoridade 
penetra no texto, conforme dito inicialmente, transformando-se em 
um dever ser (dada uma situação hipotética, algo deve ser permitido, 
proibido ou obrigatório). A norma, assim, vincula uma consequência 
a uma hipótese, estabelecendo que, se ocorrer a hipótese, a 
consequência deve ser concretizada. 
A hipótese normativa recebe inúmeras designações na ciência 
do direito: tipo legal, hipótese de incidência, fato tipo, facti species. 
Basicamente, todas descrevem fatos ou atos jurídicos hipotéticos, ou 
seja, que podem ocorrer. Podemos, sinteticamente, dizer que os 
fatos jurídicos são fenômenos que ocorrem sem a manifestação da 
vontade humana e que levam a consequências previstas nas normas 
jurídicas (por exemplo, a queda de um raio que cause um dano à 
rede elétrica e a consumidores de eletricidade). Já os atos jurídicos 
são acontecimentos provocados pela vontade humana e que, se 
ocorrerem, devem levar a consequências jurídicas (por exemplo, a 
celebração de um contrato válido tem por consequência que suas 
cláusulas devem ser cumpridas pelas partes). 
A consequência jurídica é o resultado previsto pela norma 
jurídica para o ato ou fato descrito em sua hipótese. Como a norma 
http://introducaoaodireito.info/wp/?p=417
 Curso de Assistente de Advocacia 
4 
 
traz uma medida socialmente desejável de valor que deve ser 
realizado nos comportamentos humanos, ela limita as possibilidades 
de determinados acontecimentos, para concretizar tal valor. Assim, 
por exemplo, dado o valor propriedade privada, se uma pessoa 
adquirir a propriedade de um bem, a consequência dessa aquisição 
será a obrigação imposta a todas as demais pessoas de respeitarem 
essa propriedade. 
Caso a consequência de uma norma jurídica não seja 
respeitada, surge uma nova norma, chamada sanção. Será que a 
sanção é parte integrante da norma jurídica, ou será que existem 
normas jurídicas sem sanção? 
Tal debate revela posicionamentos quanto à natureza do próprio 
direito. Um jurista como Kelsen, por exemplo, não admite que 
existam normas jurídicas desprovidas de sanção. Ao contrário, afirma 
que a sanção é o elemento fundamental da norma jurídica, que 
estabelece punições a comportamentos que não ocorrem. Algumas 
normas, porém, são interpretativas, apenas determinando o sentido 
de outras. Elas, por não apresentarem sanções, deixam de ser 
jurídicas? 
Kelsen afirma que continuam a ser jurídicas, mas são 
consideradas normas dependentes, pois referem-se a outras, que 
possuem sanção. Daí surge novo problema: e as normas de 
competência, que delimitam a competência de funcionários públicos, 
por exemplo, são jurídicas? Tais normas não possuem sanção e não 
se referem a outras. 
Também aqui cabe uma objeção: haveria uma sanção implícita 
nas normas de competência. Trata-se da pena de nulidade. Se um 
funcionário público age sem ter competência para fazer algo, seu 
comportamento será considerado nulo. Outros pensadores, todavia, 
alegam que a nulidade não é uma sanção, pois não pune o autor do 
ato, mas apenas desfaz o ato. 
Daí surgir outra reflexão: será que todas as normas jurídicas 
pretendem desencorajar comportamentos, punindo aqueles que os 
pratiquem? As normas jurídicas não podem, ao contrário, estimular 
determinadas condutas, que podem ou não ser realizadas, mas, caso 
realizadas, geram benefícios a seus agentes? 
Aqui entra a perspectiva, muito difundida no presente, de que a 
sanção não é, necessariamente, uma punição. Pode haver a sanção 
punitiva, mas também há bastantes normas que estipulam sanções 
premiais, atribuindo um benefício caso a consequência da norma 
 Curso de Assistente de Advocacia 
5 
 
jurídica se concretize. Tal perspectiva alarga o conceito de sanção e 
não considera o direito apenas um instrumento de ameaças, mas 
também um agente que promove a transformação social. 
Ora, isso leva a mais uma reflexão: considerar a sanção, 
sobretudo em seu sentido penal, elemento essencial da norma 
jurídica revela uma concepção do direito enquanto fenômeno coativo. 
Não haveria direito se a violência estatal não fosse exercida. Cada 
norma jurídica, assim, preveria uma violência específica. Porém, o 
direito pode ser visto não como violência concreta (coação), mas 
como sua ameaça (coerção). O essencial do direito não seria a 
punição aplicada, mas a possibilidade de, eventualmente, fazê-lo. 
Mais importante do que existir uma sanção para cada norma jurídica 
seria a existência de autoridade no cometimento da relação 
comunicativa que cria tais normas. 
Independentemente da posição, o debate é acalorado. Podemos 
considerar todos os argumentos válidos, mas parece mais plausível 
considerar o direito um fenômeno coercível, cuja ameaça de sanção 
aparece em muitas normas, mas não necessariamente em todas. 
Outra discussão que envolve a norma jurídica diz respeito a 
algumas de suas características: será que toda norma jurídica 
deve ser bilateral, geral e abstrata? 
Enquanto norma ética, não resta dúvidas de que a norma jurídica 
é socialmente bilateral. Só podemos falar de normas éticas em 
situações sociais, que envolvem mais de uma pessoa, nunca em 
situações unilaterais. Mesmo normas jurídicas que qualificam uma 
pessoa, por exemplo, dizendo que se trata de alguém capaz, 
somente faz sentido se colocada em um contexto no qual essa 
pessoa irá se relacionar com outras. 
Por outro lado, a norma jurídica também é axiologicamente 
bilateral. Os valores impostos pelas normas jurídicas às relações 
sociais não trazem o bem para apenas um dos sujeitos, mas 
perseguem, sempre, o bem de ambos e, acima disso, o bem comum. 
Ainda que uma norma imponha deveres a uma das partes e dê 
poderes à outra, fará isso porque é o melhor não para a pessoa que 
recebeu os poderes, mas para a sociedade toda. 
Já a generalidade da norma jurídica é questionável. Uma norma 
jurídica será geral caso refira-se a uma quantidade indeterminada de 
destinatários. As leis são exemplos de normas jurídicas 
rotineiramente gerais, pois costumam referir-se a todas as pessoas. 
Porém, há outras normas jurídicas que se referem, em regra, a 
http://introducaoaodireito.info/wp/?p=201
http://introducaoaodireito.info/wp/?p=219
 Curso de Assistente de Advocacia 
6 
 
pessoas determinadas, sendo, portanto, individuais. É o caso das 
sentenças, normas jurídicas que se referem às partes do processo, 
ou dos contratos, normas jurídicas que se referem aos contratantes. 
Quanto à abstração, também não parece ser um requisito da 
norma jurídica. As normas jurídicas abstratas, novamente como 
costumam ser as leis, referem-se a fenômenos sociais em sua 
universalidade. As normas de direito do consumidor, por exemplo, 
referem-se a todas as relações entre consumidores e fornecedores. 
Outras normas jurídicas, como as sentenças e os contratos, referem-se, usualmente, a fenômenos sociais concretos, como uma relação 
social específica ou um conflito específico. 
Se devemos considerar, portanto, que as normas jurídicas são 
bilaterais, quer social, quer axiologicamente, não podemos afirmar 
que sejam apenas gerais e apenas abstratas. Vimos que podem ser 
individuais e concretas. 
Miguel Reale afirma que existem dois tipos básicos de normas 
jurídicas, cada uma estruturada de modo próprio: normas de 
organização e normas de conduta. 
A norma de organização é aquela que, como o nome indica, 
organiza: 
1. O Estado, estruturando e regulando o funcionamento de seus 
órgãos; 
2. Os poderes sociais, fixando e distribuindo capacidades e 
competências; 
3. O direito, disciplinando a identificação, a modificação e a 
aplicação das normas jurídicas. 
Sua estrutura lógica revela a existência de um juízo categórico, 
ou seja, a norma constata que algo existe e estabelece uma 
consequência que deve ser respeitada. Pode ser representada pela 
fórmula: A dever ser B. Note que o fato A não é hipotético, mas 
concreto. 
Um exemplo de norma de organização é o artigo 2º da 
Constituição Federal. Constatada a existência de Poderes da União, 
afirma-se que devem ser independentes e harmônicos entre si. 
A norma de conduta, por seu turno, disciplina o comportamento 
dos indivíduos e dos grupos sociais. Sua estrutura lógica revela 
um juízo hipotético, prevendo uma situação que pode ocorrer ou não 
 Curso de Assistente de Advocacia 
7 
 
e estabelecendo uma consequência que deve suceder à primeira 
situação. Pode ser representada pela fórmula: Se A, deve ser B. 
Um exemplo de norma de conduta é o artigo 73 do Código Civil. 
Seu texto prevê que, se uma pessoa não possuir residência habitual 
(hipótese normativa), deve ser considerado seu domicílio o lugar em 
que for encontrada (consequência jurídica). 
As normas de conduta apresentam, rotineiramente, dois 
componentes normativos em sua estrutura: a endonorma e a 
perinorma. Cada um desses componentes pode ser considerado, 
isoladamente, uma norma jurídica, prevendo uma hipótese e uma 
consequência. 
A endonorma prevê, como hipótese normativa, um fato ou ato 
da vida social, e atribui a ele uma consequência que deve ser 
respeitada. Assim, caso o ato previsto ocorra, surge um novo 
comportamento como permitido, proibido ou obrigatório. Podemos 
representá-la com a fórmula já utilizada: Se A, deve ser B (sendo A 
a hipótese e B a consequência) 
A perinorma é o componente da norma que reforça a 
consequência da endonorma. Ela pode reforçar essa consequência 
por meio de uma punição, que será chamada de sanção penal ou 
negativa, ou de um prêmio, que será chamado de sanção premial ou 
positiva. 
Caso a perinorma estabeleça uma sanção penal, sua hipótese 
corresponde à conduta oposta daquela prevista na consequência da 
endonorma e sua consequência, que deve ser aplicada, é uma 
punição. Pode ser representada assim: Se não B, deve ser SPe. 
Caso a perinorma estabeleça uma sanção premial, sua hipótese 
corresponde à conduta similar à prevista na consequência da 
endonorma e sua consequência, que deve ser aplicada, é um 
benefício. Pode ser representada assim: Se B, deve ser SPr. 
As normas jurídicas, assim, sobretudo aquelas de conduta, 
correspondem à soma da endonorma e da perinorma. Podem existir 
normas que trazem uma perinorma negativa e uma perinorma 
positiva, ao mesmo tempo 
 
 
 
 Curso de Assistente de Advocacia 
8 
 
Direito Constitucional 
Para entender direito constitucional é necessário conhecer os 
seguintes conceitos: 
Constitucionalismo 
Tipo de movimento político 
baseado em um regime 
constitucional, ou seja, que utiliza 
uma Constituição para comandar 
o país. Esse movimento é 
responsável pelo desenvolvimento do conceito de Constituição, bem 
como de seu conteúdo e organização. O constitucionalismo moderno 
começou na Europa com a revolta da burguesia contra o poder 
econômico e o Estado Monárquico. 
As primeiras constituições possuíam apenas a organização do 
Estado, bem como os direitos e garantias das liberdades individuais. 
Esse modelo durou até a metade do século XX, que logo depois foi 
substituído pelas constituições da Alemanha (Weimer - 1919) e do 
México (1917), que garantiam direitos culturais, sociais e 
econômicos. Já nos Estados Unidos a primeira surgiu com a 
Revolução Norte-Americana. 
Constituição 
É a lei das leis, um conjunto de normas escritas ou não, com os 
princípios que regem ou organizam um Estado. Pode ser chamada 
de Carta Magna, Lei Suprema, etc. 
Regime Constitucional 
Tipo de regime que se baseia na Constituição, no que a Lei 
Magna diz a respeito de um determinado tema. 
Estado 
Uma sociedade organizada de forma política, fixada em um 
território, com um poder soberano responsável por governar um povo 
e com a finalidade de trazer o bem comum. 
O que é Direito Constitucional? 
O Direito Constitucional faz parte do Direito Público e é focado 
no estudo dos princípios e normas que organizam o Estado, os 
 Curso de Assistente de Advocacia 
9 
 
poderes, os órgãos públicos, bem como os direitos individuais e 
coletivos. Está acima de todos os outros ramos do direito e seu objeto 
de estudo é a Constituição Política do Estado, principal documento 
que deve ser respeitado e obedecido. 
Faz parte do Direito Constitucional as seguintes disciplinas: 
• Direito Constitucional Positivo ou Particular - responsável por 
interpretar, criticar e sistematizar as normas existentes em 
determinado Estado. Por exemplo, é aquela que estuda a 
Constituição Brasileira ou a Americana, etc. 
• Direito Constitucional Comparado - é feita uma comparação 
entre diferentes constituições para obter informações sobre 
diferenças e semelhanças essenciais para o estudo jurídico. 
• Direito Constitucional Geral - estuda a teoria geral do direito 
constitucional, tais como hermenêutica, interpretação e aplicação 
das normas, conceito, etc. 
O Direito é dividido em dois grupos: Direito Privado que trata 
das normas que regulam as relações individuais e dos indivíduos 
com o Estado (sem que este esteja na sua condição de poder); e 
o Direito Público que corresponde às normas que regulam as 
atividades e funções do Estado, servidores e particulares. 
História do Direito Constitucional 
Constitucionalismo Antigo 
Desde os primórdios, o homem tinha a necessidade de organizar 
as relações sociais e políticas. Nos tempos antigos, as primeiras 
civilizações se guiavam a partir dos seus costumes que deviam ser 
respeitados. Um exemplo disso, é o povo hebreu, cuja história, está 
descrita na Bíblia. Apesar de não terem regras escritas em uma 
constituição, todo o povo as conhecia. 
Uma das leis escritas mais antigas do mundo surgiu no reinado 
de Hamurabi (1728 a 1686 a.C), do Império Babilônico. A lei era 
conhecida como o Código de Hamurabi, formada por 282 artigos. 
Suas penalizações eram apoiadas no princípio de “olho por olho, 
dente por dente” (a lei de talião), ou seja, o autor do delito deveria 
sofrer o mesmo castigo que teria causado à vítima. 
No constitucionalismo antigo, havia apenas um governo para 
liderar as cidades-estados, exemplo disso são o Império Romano, o 
Império Grego e também Persa. As constituições eram apoiadas nos 
costumes, tradições e hábitos populares, bem como em leis e 
http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/122-direito-constitucional
 Curso de Assistente de Advocacia 
10 
 
documentos separados. Portanto, não existia uma constituição 
escrita e rígida. 
Constitucionalismo na Grécia 
A Grécia, por exemplo, foi um dos primeiros locais a valorizar o 
Estado e sua importância, tanto na prática, quanto na teoria. Entre 
1200 a.C a 800 a.C a organização do Estado era marcada pelo 
genos, um tipo de clã familiar, onde cada um era liderado por uma 
pessoa mais velha (chamada pater, um tipo de chefe patriarca do 
clã), com autoridade política, religiosa e militar. Nesse período, a 
sociedade vivia em igualdadee, portanto, não havia a divisão de 
classes sociais. 
Esse sistema começou a declinar no século VIII a.C., com o 
crescimento da população. Assim, surgiu a polis (cidade-estado), um 
território pequeno formado pelos cidadãos, dotado de vida pública, 
protegido por uma fortaleza. Naquele tempo, a polis significava 
o Estado e também a religião do cidadão grego. A polis prevaleceu 
até o século V a.C., quando a monarquia se transformou em 
oligarquia. 
Na política, outro exemplo de cidade que passou por todos os 
modelos políticos foi Atenas, que utilizou a monarquia, oligarquia, 
tirania e por último a democracia. Todas essas sociedades antigas 
tais como egípcios, sumérios, assírios, palestinos, dentre outros, 
tinham leis baseadas em princípios, normas, tradições e costumes 
que não se encontravam em apenas um documento. 
Constitucionalismo Romano 
A República de Roma vivia em intensos conflitos entre a plebe e 
os patrícios, nos séculos V e III a.C. Uma das principais causas disso, 
eram a reclamação dos direitos políticos pelos plebeus. Um fato que 
aconteceu foi a organização de um exército para ir ao Monte Sagrado 
e realizar essa reinvindicação. Os patrícios precisavam dos plebeus 
para atividades diversas e, por isso, concordaram que eles tivessem 
representação na vida política. Foram criados os tribunos da plebe, 
que tinha o poder de vetar leis que fossem contra os interesses dos 
plebeus. 
Aproximadamente em 450 a.C surgiram as Leis das XII Tábuas, 
uma lei válida para todos, mas ainda sim, havia escravidão por 
contrair dívidas e matrimônio ilegal entre patrícios e plebeus. Em 445 
a.C. foi aprovada a Lei da Canuléia que permitia o casamento entre 
camadas sociais diferentes, e em 336 a.C., surgiu a Lei da 
Licínia que aboliu a escravidão em caso de dívidas. Os plebeus 
 Curso de Assistente de Advocacia 
11 
 
ainda insatisfeitos, lutaram para participar do consulado, direito que 
foi concedido. 
No Império Bizantino, que teve início em 395, quando o 
Imperador Teodósio dividiu o Império Romano em ocidental e 
oriental, a parte oriental sobreviveu dos ataques bárbaros até a sua 
independência em 1453, quando foi dominada pelos turcos 
otomanos. Um dos governos mais expressivos para a área do Direito 
foi o de Justiniano (527-565), pois ele foi responsável por revisar e 
codificar o Direito Romano. Com isso, foram convocados os mais 
importantes juristas bizantinos, que tiveram a orientação de 
Triboniano, um destacado jurista do período, cuja finalização resultou 
na produção do Código de Direito Civil. 
Constitucionalismo Medieval 
Já na Idade Média houve uma reformulação na vida política e o 
poder passou para as mãos daqueles que tinham grandes riquezas 
e terras. O sistema que prevaleceu entre os séculos IX a XI, na 
Europa Ocidental foi o feudalismo. Com o fim do Império Romano, 
quem dominou foi a Igreja e os senhores feudais. O poder deste 
último enfraqueceu o Estado, mas em contrapartida fortaleceu a 
Igreja. Assim, o Direito se baseava naquilo em que a igreja orientava 
e não na vontade do governante, havia um acordo entre ambos, que 
deu origem ao contrato social, ideia desenvolvida no século XVII e 
fixada no século XVIII. 
Mas, com o advento da Idade Moderna, o rei passou a ser o 
representante do povo e se estabeleceu o Estado Absolutista. 
Um dos principais modelos de constitucionalismo medieval 
aconteceu com a Magna Carta inglesa de 1215, em que houve 
limitação do poder do rei, a partir deste texto. Ela foi um pacto 
realizado com o Rei João Sem Terra, a nobreza, representada pelos 
barões ingleses e a Igreja. Foi um dos passos importantes para o 
surgimento da democracia moderna. Essa Carta, portanto, surgiu 
para auxiliar a população a se proteger dos abusos cometidos pelo 
rei. O movimento constitucionalista moderno surgiu principalmente 
para limitar esse poder monarquista. 
Constitucionalismo Moderno 
Depois desse período da história, o Estado se apresentou mais 
liberal e sobretudo sob o comando das leis. Mas, o Direito 
Constitucional à princípio teve início nos Estados Unidos. No século 
XVIII, o constucionalismo foi influenciado pelas ideias dos 
pensadores iluministas tais como Montesquieu, John Locke, 
Rosseau e Kant, que faziam oposição ao governo absolutista. A partir 
http://idade-media.info/
http://idade-moderna.info/
 Curso de Assistente de Advocacia 
12 
 
desses ideais surgiu a constituição moderna detentora dos direitos 
fundamentais, garantias do cidadão, bem como normas que 
regulariam o poder político. 
Revolução Norte-Americana de 1776 
O constitucionalismo moderno começou com a Carta Política 
(Covenant ou Pacto de Mayflower) que foi assinada em 1620. Essa 
carta foi resultado dos primeiros colonizadores ingleses da Virgínia 
que desejavam a independência dos Estados Unidos. 
Posteriormente, essas ideias, seriam um ponto de partida para o 
estudo do Direito Constitucional. 
No início, os ingleses foram resistentes durante a Revolução 
Norte-Americana, mas com a derrota da Inglaterra, em 1783, estes 
tiveram que assinar o Tratado de Paris, onde concedia aos 
americanos o reconhecimento oficial de independência. A partir daí, 
as Treze Colônias foram emancipadas e surgiu a Constituição dos 
Estados Unidos da América de 1787. 
Revolução Francesa 
Outro fato que marcou o Direito Constitucional foi a Revolução 
Francesa, no século XVIII, que desejava trazer liberdade, igualdade 
e fraternidade para todos. Na época, a França ainda possuía um 
modelo ultrapassado de governo, se comparada com outros países 
da Europa. À exemplo, a Inglaterra, já havia deixado o absolutismo e 
aberto suas portas para o liberalismo econômico através do 
parlamento, ao contrário da França que ainda era governada por um 
rei. 
As classes sociais da época, estavam insatisfeitas com o 
governo e, em maio de 1789, foi reunida a Assembleia dos Estados 
Gerais, no Palácio de Versalhes. O objetivo era resolver os 
problemas sociais, políticos e econômicos que passava o país. Uma 
parte, que era a privilegiada, defendia que os assuntos fossem 
votados por estamento, já o terceiro estado defendia o voto por 
pessoa. Este último, se separou dos demais, recebendo o apoio dos 
deputados do baixo clero contra a vontade de Luíz XVI, foi criada a 
Assembleia Nacional Constituinte em 09 de julho de 1789, para a 
criação da Carta Magna. A partir daí, havia se iniciado a Revolução 
Francesa. O rei foi pressionado, o povo organizou milícias populares 
e tomou conta das ruas da capital. No dia 14, invadiram a Bastilha, 
principal símbolo da monarquia da França. Esse momento da história 
é considerado um marco da liberdade nacional. 
A partir da Assembleia Nacional Constituinte da França de 26 de 
setembro de 1971, a constituição passou a fazer parte das matérias 
http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/143-historia-geral-para-concursos/442-independencia-das-13-colonias
http://revolucao-francesa.info/
http://revolucao-francesa.info/
 Curso de Assistente de Advocacia 
13 
 
obrigatórias de estudo dos franceses. Já o termo, Direito 
Constitucional foi introduzido em 1797, em Milão, na Itália. 
Constituição 
Como foi dito, a Constituição é o objeto principal de estudo do 
Direito Constitucional. a palavra vem do latim constituere e quer dizer 
estabelecer definitivamente. É a principal lei do Estado que mostra 
como este está organizado juridicamente, além de apresentar quais 
as regras e princípios devem ser cumpridos por todos aqueles que 
se pautam por ela. Possui um grau máximo de superioridade e 
eficácia, ficando acima das outras leis. Essas normas menores 
devem estar de acordo com a Lei Fundamental (Constituição). 
Classificação das Constituições 
Existem vários modos, de acordo com a doutrina, de classificar as 
constituições. Elas podem ser classificadas: 
Quanto ao seu conteúdo 
• Material ou Substancial - é um tipo de constituição escrita ou não 
que se refere aos elementos que constituem o Estado, bem como 
sua estrutura, divisãodo poder político, de competências e direitos 
fundamentais; 
• Formal - são normas escritas superior às leis comuns, sendo estas 
inseridas no texto da constituição escrita, podendo ter relação com 
as matérias constitucionais ou não. 
Quanto à forma 
• Escritas - um documento escrito com leis que foram criadas em 
um período de reflexão; 
• Não Escritas - constituição formada pelos costumes de uma 
sociedade. Também é conhecida como constituição costumeira. 
Quando ao modo de elaboração 
• Dogmática - são ideais que surgiram desde o momento de sua 
criação e portanto, funcionam como verdades da ciência política. 
Ela é feita de forma escrita por um órgão constituiente; 
• Histórica - é uma constituição não escrita que depende de um 
processo demorado para sua formação, de acordo com a história, 
costumes e tradições de um povo. 
Quanto a ideologia 
 Curso de Assistente de Advocacia 
14 
 
• Eclética - apoiada em um conjunto de ideologias, pode ser 
chamada também de pluralista, compromissória ou complexa e sua 
linha política não possui uma definição; 
• Ortodoxa - aquela onde está definida a sua linha política, 
apoiando-se em uma ideologia apenas. 
Quanto à origem ou processo de positivação 
• Promulgada - é o tipo conhecido também como democrático e 
popular feita por uma Assembleia Nacional Constituinte 
(representantes que foram escolhido pelo povo para fazer parte do 
poder constituinte e criar uma constituição); 
• Outorgada - é quando o processo de criação passa por uma 
pessoa ou um grupo responsável pelo produção da Carta, sendo 
esta uma imposição do poder do governante (monarcas, ditadores, 
juntas de governo golpistas). Nela não ocorre a participação do 
povo. 
Quanto à estabilidade 
• Rígida - tipo de constituição escrita, cujo processo de alteração é 
mais demorado; 
• Flexível - tipo de constituição que não informa em seu texto 
qualquer requisito para sua alteração, sendo assim, não há um 
grau elevado de dificuldade para alterá-la; 
• Semi-Rígida - se trata de uma constituição que ora poderá ter suas 
regras alteradas por meio de um processo legislativo ou ser 
imutável, em alguns pontos. 
Quanto à extensão 
• Sintética (sucinta ou concisa) - aquela que possui número de 
artigos reduzidos. Um exemplo é a Constituição Norte-Americana; 
• Analítica (prolixa) - é uma constituição ampla e possui detalhes 
que poderiam ser abordados por uma legislação ordinária. 
Hermenêutica e Interpretação das Normas Constitucionais 
A hermenêutica é o estudo das técnicas de interpretação do 
Direito, bem como de sua metodologia, princípios e pressupostos. 
Através da interpretação constitucional, os intérpretes procuram 
transmitir o real significado das normas jurídicas, a fim de expressá-
las à sociedade. 
 
 Curso de Assistente de Advocacia 
15 
 
Princípios de Interpretação Constitucional 
Para que seja feito um correto estudo da Constituição foram 
criados os princípios de interpretação constitucional que funcionam 
como ferramentas de auxílio na interpretação da lei. Importante 
ressaltar que a partir da CF de 1988 houve uma valorização maior do 
texto constitucional e que a interpretação de qualquer dispositivo 
legal deveria partir dela. Assim, todos os ramos do Direito, estariam 
subordinado a Constituição. Esses princípios podem variar de acordo 
com cada autor que trata sobre Direito Constitucional. 
Princípio da Supremacia da Constituição 
Nesse princípio, nenhum ato jurídico pode permanecer valendo 
em ação contrária à Constituição Federal. As normas que outrora se 
chocam com a lei suprema são revogadas. No entanto, as regras 
posteriores que vierem a ser implementadas, passarão por um 
controle de constitucionalidade. Caso estejam indo de encontro às 
normas-chave, serão tidas como nulas. Para o legislador ordinário, é 
proibido burlar a lei, acrescentar, deturpar ou mudar algo que a 
prejudique. O juiz, como intérprete da lei, deve aplicar os princípios 
da constituição através de uma hermenêutica construtiva. 
Princípio da Máxima Efetividade ou Efetividade Constitucional 
Por esse princípio, à uma norma constitucional deve ser 
atribuída um sentido, que lhe permita maior eficácia, permitindo duas 
formas de interpretação, deixando ao intérprete da lei, escolher a que 
seja mais eficiente para o comando constitucional. Isso quando se 
tratar de direito ou garantia fundamental. O intérprete deve favorecer 
o elemento teleológico que, de acordo com o dicionário, essa palavra 
significa: teoria que estuda os seres pelo fim que aparentemente 
serão destinados. 
Princípio da Unidade da Constituição 
No princípio da Unidade da Constituição, a lei é tratada de forma 
sistemática e não isolada. A Constituição é quem faz a ligação e dá 
a permisão da sistemicidade do ordenamento jurídico, servindo de 
parâmetro para qualquer processo interpretativo. 
Princípio da Proporcionalidade 
A proporcionalidade carrega consigo três subprincípios: 
adequação, exigibilidade e proporcionalidade. 
A proporcionalidade serve como parâmetro de controle da 
constitucionalidade das regras restritivas de direitos fundamentais. 
Também atua na solução dos conflitos entre os princípios da 
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16 
 
constituição. A adequação exige medidas interventivas, em que o 
meio escolhido pela norma é ideal para alcançar o fim estabelecido, 
assim, mostrando-se adequado. O sub-princípio 
da exigibilidade propõe que o meio indicado seja exigível, não tendo 
outro com eficiência equiparadam e que seja menos danoso a 
direitos fundamentais. 
 
Introdução ao Direito Civil 
 Introdução. 
O estudioso do direito civil deve ter em mente a sua importância 
da vida em sociedade. Isto porque é ele mesmo, importante ramo da 
ciência do direito e do direito positivo, que regulará a vida dos 
cidadãos comuns nas suas relações jurídicas recíprocas. 
Recentemente foi aprovado, finalmente, o novo Código Civil 
Brasileiro, em substituição do anterior vigente desde 1917. O novo 
Código Civil trouxe importantes modificações. Muitas delas, 
entretanto, já foram tratadas em leis esparsas anteriores. São 2045 
artigos (2046 originalmente) que tratam dos mais diferentes temas a 
respeito do dia a dia das pessoas.(1) 
Maioridade e capacidade. 
O primeiro tema foi a maioridade e capacidade. A partir de agora, 
aos 18 anos de idade completos, o jovem já pode exercer todos os 
atos da vida civil. O antigo pátrio poder, agora chamado poder 
familiar, desaparecerá com as suas obrigações decorrentes. 
Proteção ao corpo. 
Atualmente é proibido o ato de dispor do próprio corpo se atingir 
a integridade física ou contrariar os bons costumes, salvo quando se 
tratar de exigência médica ou de transplante. Resta proibida a 
comercialização de órgãos do corpo humano. 
Estado de perigo. 
É anulável o negócio jurídico celebrado em resultado de estado 
de perigo, ou seja, quando alguém assumir obrigação 
excessivamente onerosa pressionado pela necessidade de salvar a 
https://secure.jurid.com.br/jurid/jurid.exe/carregahtml?arq=detalhe.html&ID=6624#1#1
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17 
 
si próprio ou a outra pessoa de algum grave dano que seja conhecido 
pela outra parte. 
Fiança. 
O fiador poderá desobrigar-se da fiança que prestar sem 
limitação do tempo, depois de decorrido o prazo de 60 (sessenta) 
dias contados da mera notificação do credor. Antes tal possibilidade 
não existia sem a concordância da outra parte. 
Direito Civil. 
"Direito Civil - o direito privado gera um outro, cujo objeto 
consiste na regulamentação da pessoa em sua estrutura orgânica, 
nos direitos que lhe são correspondentes como tal e nas relações 
decorrentes de sua integração na família e de ser titular de um 
patrimônio dentro da comunidade. 
E explica que este é um ramo do direito privado destinado a 
impor normas às relações de família e patrimoniais dos indivíduos de 
uma sociedade. 
 Interpretação das normas jurídicas. 
Aqui são estudadas a função da norma jurídica e a classificaçãodas diferentes espécies de normas e de fontes. Os meios de 
interpretação podem ser encontrados nas leis, mediante utilização da 
lógica, gramática, história, dentre outras maneiras. 
As normas podem ser classificadas em genéricas ou gerais, 
respectivamente à conduta humana diária dos indivíduos com fim 
certo e objetivo determinado. 
Podendo ser divididas em normas técnicas ou éticas, as normas 
jurídicas fazem parte das normas éticas. 
Cantão cita Serpa Lopes que conceitua a norma jurídica como 
sendo um: "mandato jurídico com eficácia social organizada". 
As normas jurídicas preceptivas ordenam alguma coisa; as 
proibitivas vedam a prática de determinado ato e as permissivas 
facultam determinada ação. 
As leis são conjuntos de normas jurídicas. 
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18 
 
Os costumes advêm de formação de regras jurídicas 
processadas fora da lei escrita. Deriva de práticas uniformes, gerais, 
repetitivas, etc. Obedece às condições a seguir: a) continuidade; b) 
uniformidade; c) moralidade; d) obrigatoriedade. O costume deve ser 
usado constantemente e por muito tempo para ser considerado 
norma jurídica. 
Devem ser feitas, ainda, considerações a respeito da doutrina, 
jurisprudência, equidade e as lacunas da lei. 
Doutrina é o estudo a respeito do direito. É de grande utilizado 
para formar as opiniões acerca do direito. Entretanto, só é fonte para 
a inspiração dos legisladores e para os operadores do direito. 
A jurisprudência também pode ser usada pelos estudiosos do 
direito, pelos legisladores e, principalmente, pelos operadores do 
direito. Há que se ressaltar, todavia, que podem ser encontradas 
decisões judiciais em sentidos opostos, dificultando assim, a sua 
utilização como fonte de direito. 
A eqüidade pode influenciar na formação das leis, na aplicação 
mesma do direito e na sua interpretação. 
Como o Juiz não pode deixar de sentenciar, quando não houver 
lei própria, ele poderá utilizar a analogia, os costumes e os princípios 
gerais de direito. 
Clóvis Beviláqua entendia serem os princípios jurídicos 
elementos fundamentais da cultura jurídica humana em nossos dias. 
 A eficácia da lei no tempo e no espaço. 
Aqui teremos os conflitos interespacial e intertemporal de leis. O 
conflito interespacial de leis ocorre quando duas leis vigentes ao 
mesmo tempo. O que ocorre é a necessidade de se descobrir qual 
das leis produzirá efeito sobre um mesmo fato. É o que ocorre 
quando há conflitos de leis de diferentes países regendo um só fato. 
É o objeto do direito internacional privado. 
O conflito intertemporal de leis tem a ver com as leis vigentes e 
as anteriores, já revogadas. 
 
 Curso de Assistente de Advocacia 
19 
 
 Domicílio e residência. 
Domicílio civil da pessoa natural é o local onde ela estabelece a 
sua residência com ânimo definitivo. 
O domicílio expressa relação jurídica, a residência relação de 
fato, habitação uma relação de fato com caráter transeunte, sem a 
fixidez da residência. 
Negócio jurídico. 
Para a doutrina clássica: "ato jurídico é uma declaração de 
vontade dirigida no sentido da obtenção de um resultado". A doutrina 
moderna já considera este conceito um negócio jurídico. "O negócio 
jurídico é a declaração de vontade em que o agente persegue o efeito 
jurídico". 
Nos artigos 104 ao 114 do Novo Código Civil brasileiro estão 
previstas as disposições gerais a respeito dos negócios jurídicos. 
Inicialmente, para ser válido o negócio jurídico requer agente 
capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável e forma 
prescrita ou não proibida em lei. 
Quando se fala em capacidade, quer-se dizer aptidão para a 
manifestação da vontade própria. 
A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser 
invocada pela outra em benefício próprio. 
São relativamente incapazes, relativamente a certos atos, ou à 
maneira de os exercer, os maiores de dezesseis e menores de anos; 
os hébrios habituais, os viciados em tóxicos e os que, por deficiência 
mental, tenham o discernimento reduzido; os excepcionais, sem 
desenvolvimento completo e os pródigos. 
 
A validade da declaração de vontade só dependerá de forma especial 
quando a lei o exigir expressamente. 
Salvo previsão legal, a escritura pública é exigida para a validade 
dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, 
modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis que valham 
mais de trinta vezes o salário mínimo vigente no país. 
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20 
 
Nas declarações de vontade têm maior importância do que o 
sentido literal da linguagem. 
 
Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e 
os usos do lugar de sua celebração. 
Finalmente, os negócios jurídicos benéficos e a renúncia 
interpretam-se estritamente. 
Teoria da imprevisão. 
Ao contratarmos uma obrigação, necessário é que se cumpra a 
mesma, sob pena de execução patrimonial. Entretanto, com a teoria 
da imprevisão, é permitido aos juízes poderes de revisão nos 
contratos, sendo superada a secular teoria de que os pactos devem 
ser cumpridos. 
Prescrição e decadência. 
Prescrição, segundo Clóvis Beviláqua, é a perda da ação 
atribuída a um direito, e de toda a sua capacidade defensiva, em 
conseqüência do não uso dela, durante determinado tempo. 
A prescrição significa a perda do direito de ação. 
Segundo o art. 189 do novo Código Civil brasileiro, violado o 
direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela 
prescrição, nos prazos de um a dez anos, segundo o disposto nos 
artigos 205 e 206. 
A decadência traz a perda do próprio direito. 
A decadência está prevista nos artigos 207 a 211 do Código Civil 
 
Direito comercial 
 
Direito comercial ou direito empresarial é um ramo do direito 
privado que pode ser entendido como o conjunto de normas 
disciplinadoras da atividade negocial do empresário, e de 
qualquer pessoa física ou jurídica, destinada a fins de natureza 
econômica, desde que habitual e dirigida à produção de bens ou 
serviços conducentes a resultados patrimoniais ou lucrativos, e que 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_privado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_privado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pessoa_f%C3%ADsica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pessoa_jur%C3%ADdica
 Curso de Assistente de Advocacia 
21 
 
a exerça com a racionalidade própria de "empresa", sendo um ramo 
especial de direito privado. Em Portugal, veja-se direito comercial 
português. Rege os atos tidos como comerciais. 
Assim entendido, o direito empresarial abrange um conjunto 
variado de matérias, incluindo as obrigações dos empresários, 
as sociedades empresárias, os contratos especiais de comércio, 
os títulos de crédito, a propriedade intelectual, entre outras. 
Desde 1886 nos Estados Unidos, as corporações passaram a 
ter direitos humanos, antes reservados apenas a pessoas físicas.[1] 
O 'Direito comercial' de Portugal, segundo Coutinho de 
Abreu, é definível como o sistema jurídico-normativo dos actos de 
comércio e comerciantes. Estes actos e sujeitos, ligam-se em regra 
às empresas comerciais. 
Segundo o quadro jurídico-positivo português, podemos defini-
lo, citando Coutinho de Abreu, como o sistema jurídico-normativo que 
disciplina de modo especial os actos de comércio e os comerciantes. 
O direito comercial é um ramo de direito privado (veja-se a 
distinção entre direito público e privado). No essencial, o direito 
privado, rege as relações entre particulares. O direito civil constitui o 
núcleo fundamental do direito privado - direito civil como direito 
privado comum. 
Dentro do direito privado comum, aplicável a todas as pessoas 
e relações entre particulares, o direito comercial é considerado 
especial, tem normas diferentes do direito privado comum, aplica-se 
somente a certos sujeitos, objectos e relações, sendo o direito civil 
comum aplicável subsidiariamente (na falta de regulação). Sendo 
que existe o direito privado comum, que vimos, e o direito privado 
especial (não excepcional),certos, como direito comercial, o direito 
do trabalho e outros têm autonima, daí serem considerados direito 
privado especial. 
O direito comercial é um ramo de direito privado, não obstante 
contém algumas disposições de direito público (deveres jurídico-
públicos dos comerciantes, disposições penais, etc). 
O direito comercial, disciplina actos de 
comércio e comerciantes, sendo tais conceitos qualificáveis pela 
lei/doutrina. 
• A legislação portuguesa, entendida em sentido amplo (leis 
constitucionais, leis, decretos - lei do governo, decretos 
legislativos regionais das regiões autónomas portuguesas, 
regulamentos do Governo e outras entidades). Importante será 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_comercial_portugu%C3%AAs
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_comercial_portugu%C3%AAs
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Empres%C3%A1ria
https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%ADtulo_de_cr%C3%A9dito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Propriedade_intelectual
https://pt.wikipedia.org/wiki/1886
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_humanos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pessoa_f%C3%ADsica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_comercial#cite_note-1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_privado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_privado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_privado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_civil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Portugal
 Curso de Assistente de Advocacia 
22 
 
referir o Código comercial de Portugal aprovado por carta de lei 
de 28 de Junho de 1888, da autoria de Veiga Beirão, Ministro da 
justiça à época. Código este ainda em vigor (com várias 
alterações). A mais importante fonte de direito será, naturalmente, 
a lei ordinária. 
• As convenções internacionais e o direito internacional, 
regularmente ratificadas pelo Governo da República 
Portuguesa são fonte de direito comercial. 
• Os regulamentos e directivas da União Europeia também são 
fontes de direito comercial. 
• A jurisprudência e a doutrina são fontes de direito comercial, as 
decisões judiciais participam na realização do direito (a 
jurisprudência é um estrato do sistema, veja-se C. Neves, 
Metodologia jurídica). A doutrina completa o sistema, antecipa, 
apresenta soluções, participa da realização do direito, também é 
fonte de direito. 
Actos de comércio 
O artigo 2º do Código comercial de Portugal define e delimita os 
actos de comércio. Na redacção deste artigo "(…) serão 
considerados actos de comércio todos aqueles que se acharem 
especialmente regulados neste código e, além deles, todos os 
contratos e obrigações dos comerciantes, que não forem de natureza 
exclusivamente civil, se o contrário do próprio acto não 
resultar".[3] Sendo que os actos de comércio, naturalmente serão 
regulados pela lei comercial (não só apenas pelo código comercial, 
mas também por outras leis) e os civis serão regulados pelo direito 
civil geral ou comum, não sendo, pois, comerciais. 
Os actos de comércio, são na maior das vezes, contratos. 
Veja-se, acto(s) de comércio "especialmente regulados no 
código" / actos de comércio objectivo - por exemplo, a compra e 
venda comercial - 463 °C.com " São consideradas comerciais 1. As 
vendas de coisas móveis para revender, em bruto ou trabalhadas, ou 
simplesmente para lhes alugar o uso". Sendo este contrato de 
compra e venda diferente do regulado pelo código civil Português - 
artigo 874º do mesmo "Compra e venda é o contrato pelo qual se 
transmite a propriedade de uma coisa, ou outro direito, mediante um 
preço". Sendo o contrato de compra e venda comercial quando haja 
uma pretensão de revenda - aplicando-se a lei comercial. Tudo isto 
de um modo simplificado. 
Os sujeitos dos actos de comércio podem ser comerciantes ou 
não comerciantes, se bem que os comerciantes são os principais 
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=C%C3%B3digo_comercial_de_Portugal&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio_internacional
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_internacional
https://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_da_Rep%C3%BAblica_Portuguesa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_da_Rep%C3%BAblica_Portuguesa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pilares_da_Uni%C3%A3o_Europeia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Europeia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jurisprud%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Doutrina_jur%C3%ADdica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_comercial#cite_note-3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio
 Curso de Assistente de Advocacia 
23 
 
protagonistas do direito comercial e têm um estatuto legal próprio. 
Podem ser considerados comerciantes pessoas singulares e 
pessoas colectivas. 
Brasil 
No Brasil, após a vigência do novo Código Civil, convencionou-
se chamar de Direito Empresarial o conjunto de legislações, tanto 
públicas quanto privadas, que regem as empresas brasileiras de 
personalidade jurídica de direito privado. Podem-se destacar os 
seguintes ramos de Direito que compõem o que seria o Direito 
Empresarial: 
• Direito Civil - parte empresarial; 
• Direito Comercial - parte do Código Comercial ainda em vigor; 
• Direito Tributário - pessoas jurídicas e equiparadas; 
• Direito do Trabalho - relações do empregador com 
o empregado e as entidades sindicais; 
• Direito Administrativo - leis das empresas sob controle público; 
• Direito Previdenciário - pessoas jurídicas que contribuem para o 
regime da previdência geral; 
• Direito Societário - leis sobre as companhias brasileiras e 
os investimentos nos mercado de capitais; 
• Direito Cambiário - leis sobre os títulos de crédito; 
• Direito Falimentar - leis sobre a falência, recuperação judicial e 
extrajudicial e liquidação de entidades; 
• Direito Econômico - leis sobre concessões públicas, regulação e 
defesa da concorrência e intervenção do estado na propriedade; 
• Direito Constitucional - organização econômica; 
• Direito Penal - crimes dos administradores e contadores; 
• Direito internacional privado - leis sobre o comércio, sobre o meio 
ambiente; 
• Direito Financeiro - leis sobre instituições financeiras, aplicações 
em títulos financeiros, juros, empréstimos e moeda estrangeira. 
 
 
 
 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_civil_brasileiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Civil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Comercial
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_comercial_do_Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Tribut%C3%A1rio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_do_Trabalho
https://pt.wikipedia.org/wiki/Empregador
https://pt.wikipedia.org/wiki/Empregado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Administrativo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Previdenci%C3%A1rio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Previd%C3%AAncia_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Societ%C3%A1rio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Investimento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_de_capitais
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Cambi%C3%A1rio
https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%ADtulos_de_cr%C3%A9dito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Econ%C3%B4mico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Concorr%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Propriedade_(direito)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Constitucional
https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Penal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_internacional_privado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Financeiro
 Curso de Assistente de Advocacia 
24 
 
Direito do consumidor 
 
O Direito do Consumidor é o ramo do direito que lida com as 
relações jurídicas entre fornecedores de bens e serviços e seus 
consumidores. 
Tem por objetivo assegurar que os consumidores obtenham acessoa informações quanto a origem e qualidade dos produtos e serviços; 
assegurar proteção contra fraudes no mercado de consumo; garantir 
transparência a segurança para os usuários dos bens e serviços e 
harmonizar as relações consumo por meio da intervenção 
jurisdicional. 
O direito do consumidor também assegura que o consumidor possa 
recorrer ao judiciário para a prevenção e reparação de danos 
patrimoniais decorrentes na falha no fornecimento de bens e 
prestação de serviços para o consumidor final. 
Histórico 
Direito do consumidor é um ramo relativamente novo do direito, 
principalmente no Direito brasileiro. Somente a partir dos anos 
cinquenta, após a segunda guerra mundial, quando surge a 
sociedade de massa com contratos e produtos padronizados, é que 
se iniciou uma construção mais sólida no sentido de harmonizar as 
coisas que relações de consumo. Os consumidores passaram a 
ganhar proteção contra os abusos sofridos, tornando-se uma 
preocupação social, principalmente nos países da América e 
da Europa Ocidental que se destacaram por serem pioneiros na 
criação de Órgãos de defesa do consumidor. 
Existem, no entanto, evidências implícitas da existência de 
regras entre consumidores e fornecedores de serviços e produtos em 
diversos códigos, constituições e tratados bem antes da criação do 
Direito do consumidor. Já no antigo código de Hamurabi havia certas 
regras que, ainda que indiretamente, visavam proteger o consumidor. 
Assim, por exemplo, a Lei No 233 rezava que o arquiteto que viesse 
a construir uma casa cujas paredes se revelassem deficientes teria a 
obrigação de reconstruí-las ou consolida-las as suas próprias 
expensas. As consequências para desabamentos com vitimas fatais 
eram ainda mais severas; o empreiteiro , além de ser obrigado a 
reparar totalmente os danos causados ao dono da moradia, poderia 
ser condenado à morte se o acidente vitimasse o chefe de família. 
No caso de falecimento do filho do empreendedor da obra a pena de 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_brasileiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_guerra_mundial
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADs
https://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Europa_Ocidental
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Hamurabi
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquiteto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Casa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Empreiteiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Moradia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pena_de_morte
 Curso de Assistente de Advocacia 
25 
 
morte se aplicaria a algum parente do responsável técnico pela obra, 
e assim por diante. 
Na Índia, no século XIII a.C., o sagrado código de 
Manu previa multa e punição, além de ressarcimento dos danos 
àqueles que adulterassem gêneros (Lei No 702) ou entregassem 
coisa de espécie inferior àquela acertada, ou vendessem bens de 
igual natureza por preços diferentes (Lei No 703). 
Não se falava em direito do consumidor no período histórico de 
Aristóteles, pois apenas a satisfação das necessidades do homem 
que estavam relacionadas ao consumo. Apesar da consumação ter 
feito parte do processo biológico vital do homem, os fornecedores de 
produtos eram igualados a um Deus, um vez que seriam capazes de 
modificar o reino da natureza e criar bens duráveis por meio da 
arte. Contemporaneamente existe o Direito do Consumidor, cujo 
objetivo é adaptar e melhorar o direito das obrigações entre as 
pessoas, de forma a buscar e restabelecer o equilíbrio das partes 
abaladas pelo poder do mercado fornecedor, muitas vezes fruto da 
constituição de monopólios e oligopólios, ou até mesmo pela 
displicência no tratamento dado às pessoas, constituindo um 
verdadeiro rolo compressor sobre as queixas e os direitos dos 
consumidores. 
Como direito novo, o Direito do Consumidor busca inspiração 
no Direito 
civil, Comercial, Penal, Processual, Financeiro e Administrativo, 
para de uma forma coerente atingir seus objetivos sem ofender os 
demais princípios e regras existentes. Dessa união de sistemas e 
legislações surgiu em 1990 o Código de Defesa do Consumidor, Lei 
No 8078/90, que foi criado para regulamentar as relações de 
consumo, entendidas essas como sendo o vinculo estabelecido entre 
fornecedor e consumidor, ligados por um objeto que será 
necessariamente, um serviço ou um produto. Esses três requisitos 
devem vir obrigatoriamente, coexistirem, sob pena de não se aplicar 
o Código de Defesa do Consumidor e, sim, o direito comum. Em 
Portugal, a principal lei em defesa do consumidor é a Lei nº 24/96, de 
31 de julho de 1996. Na Argentina, a lei mais importante é a Lei 
24.240, de 22 de setembro de 1990, atualizada pela Lei 26.361, de 
12 de março de 2008. 
No Brasil 
No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor, estabelece normas 
de proteção e defesa do consumidor. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIII_a.C.
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu
https://pt.wikipedia.org/wiki/Multa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bens
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pre%C3%A7o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Monop%C3%B3lio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Oligop%C3%B3lio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Civil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Civil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Comercial
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Penal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Processual
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Financeiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Administrativo
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Defesa_do_Consumidor
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_comum
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Defesa_do_Consumidor
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26 
 
São direitos básicos do consumidor estabelecidos pelo artigo 6º 
da lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990: 
1. a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos 
provocados por práticas no fornecimento de produtos e 
serviços considerados perigosos ou nocivos; 
2. a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos 
produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a 
igualdade nas contratações; 
3. a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e 
serviços, com especificação correta de quantidade, 
características, composição, qualidade e preço, bem como 
sobre os riscos que apresentem; 
4. a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos 
comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas 
e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos 
e serviços; 
5. a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam 
prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos 
supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; 
6. a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e 
morais, individuais, coletivos e difusos; 
7. o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à 
prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, 
individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção 
Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; 
8. a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a 
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, 
quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando 
for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de 
experiências; 
9. (Vetado); 
10. a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em 
geral. 
Segundo o Art. 7° da mesma lei, os direitos previstos neste 
código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções 
internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna 
ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades 
administrativas competentes, bem como dos que derivem dos 
princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade. 
Estabelece ainda esse artigo que tendo mais de um autor a ofensa, 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei
https://pt.wikipedia.org/wiki/11_de_setembrohttps://pt.wikipedia.org/wiki/1990
https://pt.wikipedia.org/wiki/Legisla%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Analogia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Costume
https://pt.wikipedia.org/wiki/Equidade
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27 
 
todos responderão solidariamente pela reparação dos danos 
previstos nas normas de consumo. 
Garantia, Vícios e Fatos dos Produtos e Serviços[editar | editar 
código-fonte] 
O consumidor é protegido contra vícios e fatos de consumo (arts. 
12, 14, 18 e 20), ou seja, contra produtos e ou serviços que, ou não 
funcionam como deveriam, ou provocam dano ao consumidor ou a 
outrem quando de sua utilização. 
A reclamação do consumidor pode se basear na garantia legal 
concedida explicitamente pela lei - noventa dias. Essa garantia existe 
independente da garantia dada pelo fabricante. Assim, se o 
fabricante dá garantia de nove meses, devemos acrescentar mais 
noventa dias. 
Para exercer o direito de reclamar por vícios de produtos e 
serviços o consumidor deverá fazê-lo: 
1. Em até trinta dias para bens não duráveis; 
2. Em até noventa dias para bens duráveis; 
O prazo de reclamação por vícios ocultos inicia quando o vício 
torna-se visível. 
Para exercer o direito contra danos, ou seja, pelo fato do produto 
ou serviço, o consumidor tem cinco anos de prazo 
O Consumidor também pode fazer reclamações com base na 
garantia dada pelo fornecedor do produto ou serviço. 
Recomenda-se que toda insatisfação na relação de consumo 
seja resolvida diretamente entre as partes (no caso, fornecedor e 
consumidor); caso não seja possível se chegar a um acordo, existem 
órgãos administrativos (PROCON's estaduais e federais, 
associações de defesa) para o registro da reclamação. 
Defesa do Consumidor 
A defesa do consumidor é a atividade de proteção do 
consumidor através da divulgação de informação sobre a qualidade 
dos bens e serviços e através do exercício de pressão sobre as 
entidades públicas com o objetivo de defender os direitos dos 
consumidores. 
A defesa do consumidor não se baseia apenas na punição dos 
que praticam ilícitos e violam os direitos do consumidor, como 
também na conscientização dos consumidores de 
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Direito_do_consumidor&veaction=edit&section=3
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Direito_do_consumidor&action=edit&section=3
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Direito_do_consumidor&action=edit&section=3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Garantia
https://pt.wikipedia.org/wiki/PROCON
 Curso de Assistente de Advocacia 
28 
 
seus direitos e deveres e conscientizar os fabricantes, fornecedores 
e prestadores de serviços sobre suas obrigações demonstrando que 
agindo corretamente eles respeitam o consumidor e ampliam seu 
mercado de consumo contribuindo para o desenvolvimento do país. 
Os princípios que regem a defesa do consumidor norteiam-se 
pela boa-fé do adquirente e do comerciante, uma vez que 
a publicidade pode estabelecer os liames de seu exercício. Caso a 
publicidade seja enganosa o consumidor tem direito à justa 
reparação, da mesma forma que terá direito à venda conforme o 
anunciado. A respeito do tema publicidade enganosa, esta se trata 
de assunto de interesse público, pertencendo ao ramo dos direitos 
difusos de caráter meta-individual. 
Cuidados mínimos ao apresentar uma reclamação[editar | editar 
código-fonte] 
Ao adquirirmos um produto ou serviço estabelecemos uma 
relação com o fornecedor do mesmo, seja ele uma entidade privada 
ou pública. Esta relação implica o cumprimento de determinados 
direitos e deveres por ambas as partes. 
Nas situações em que o fornecedor não cumpre suas obrigações 
temos o direito de reclamar e solicitar a resolução do problema. 
Uma reclamação deve ser apresentada formalmente, por escrito 
e com recibo de protocolo com a data, assinatura e Carimbo da 
empresa com CNPJ. Desta forma existe um documento suporte da 
queixa que obriga legalmente a empresa ou entidade a quem se 
dirige, a dar seguimento e resposta à reclamação. 
Em Portugal, a apresentação de reclamações pode ser 
efectuada através do Livro de reclamações (a efectuar no local da 
ocorrência), através dos meios online disponibilizados (formulários 
online) pelas empresas ou através de uma carta formal de 
reclamação. 
Caso a sua reclamação não mereça a atenção do fornecedor e 
a sua queixa persista, pode recorrer a várias entidades públicas ou 
privadas para dar seguimento à mesma e defender os seus direitos 
enquanto consumidor. Estas entidades tentarão resolver o problema 
primeiramente de forma amigável, tentando chegar a um acordo. Em 
última instância haverá a necessidade de mover uma ação judicial 
junto aos tribunais, por intermédio de uma petição para uma 
resolução final do conflito 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dever
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Publicidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Interesse_p%C3%BAblico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_difusos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_difusos
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Direito_do_consumidor&veaction=edit&section=5
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Direito_do_consumidor&action=edit&section=5
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Direito_do_consumidor&action=edit&section=5
https://pt.wikipedia.org/wiki/Recibo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo
https://pt.wikipedia.org/wiki/CNPJ
https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Peti%C3%A7%C3%A3o
 Curso de Assistente de Advocacia 
29 
 
Direito Administrativo 
 
Área do Direito 
Público responsável por regular a 
função administrativa desempenhada 
por entes, órgãos, agentes e atividades 
realizadas pela Administração Pública. 
Não existe uma definição fechada sobre 
esse conceito e cada autor que trata do 
tema seleciona os elementos 
destacando-os como os mais relevantes para a área. 
A Administração Pública é a máquina administrativa, ou seja, é 
formada por todos os órgãos do governo, serviços e mecanismos 
responsáveis pelo funcionamento do Estado. 
O Direito Administrativo surgiu entre os séculos XVIII e início 
do século XIX, com a queda do Estado Absolutista e o surgimento do 
Estado de Direito. Um dos marcos desse ramo do direito foi a 
Revolução Francesa, que lutou pela busca dos direitos fundamentais 
dos cidadãos. Assim, entende-se que o Direito Administrativo surgiu 
juntamente com o Direito Constitucional, pois enquanto este era 
responsável pela organização e determinação dos trabalhos, o 
primeiro já é a execução das tarefas. 
Fontes do Direito Administrativo 
O Direito Administrativo possuem várias fontes, ou seja, não há 
um conjunto de leis reunidos em um só documento, como é visto nos 
outros ramos do direito, como o Código Penal, Civil, etc. As regras 
relativas a esse ramo encontram-se em algumas partes da 
Constituição Federal e em várias leis separadas (Lei 8.112/1990, 
relativa ao regime dos servidores públicos; Lei 8.666/1993, que trata 
das licitações e contratos, etc.), fato este que torna difícil o estudo e 
conhecimento geral. 
O Direito Administrativo é norteado pelas seguintes fontes e 
quando não existe uma fonte específica, elas são de grande 
importância para auxiliar na resolução de problemas: 
• Lei - é a principal fonte primária do Direito Administrativo, formada 
pelas leis gerais (constitução, leis complementares, leis ordinárias, 
atos normativos, etc.); 
 Curso de Assistente de Advocacia 
30 
 
• Doutrina - conjunto de princípios que são aplicados no direito 
administrativo criados pelos estudiosos de ciência política em 
forma de artigos, livros e outros documentos; 
• Jurisprudência - são as decisões judiciais proferidas pelo Poder 
Judiciário; 
• Costume - são regras não escritas obsevadas pela sociedade 
como essenciais e quando afetam de alguma forma as decisões 
judiciais ou legislações do direito administrativo. 
É importante observar que apenasos princípios e as regras do 
Direito são consideradas fontes primárias do direito administrativo. Já 
a doutrina, a jurisprudência e os costumes são consideradas fontes 
secundárias. 
Princípios Constitucionais da Administração Pública 
Os princípios básicos da Administração Pública estão 
presentes na Constituição Federal de 1988, no caput do art. 37 e, 
portanto, merecem ser observados e seguidos pela Administração 
Pública, as Esferas de Governo e os Poderes: 
• Legalidade - sendo um dos princípios importantes e essenciais 
dentro Direito Público, consiste na doutrina de aquilo que faz parte 
da atividade particular, o que não está proibido é permitido, mas 
dentro da Administração Pública, aquilo que não é permitido é 
proibido. Com ele, só poderá agir se for autorizado por uma lei 
específica; 
• Impessoalidade - toda a atividade deve ser feita com finalidade 
pública, de modo a trazer o bem comum, caso contrário, será 
considerada inválida. É por esse motivo que ocorrem os concursos 
públicos e licitação; 
• Moralidade - o administrador não deve cumprir apenas a lei 
formalmente, mas cumprir substancialmente, realizando o melhor 
trabalho dentro da administração. Assim, essa moral está 
relacionada a boa-fé e a probidade; 
• Publicidade - significa que os atos da Administração Pública 
devem ser mostrados de forma oficial, assim, os órgãos públicos 
devem agir com transparência, a fim de que os atos administrativos 
tenham conhecimento da população; 
• Eficiência - é um princípio que surgiu na década de 90 com a 
reforma administrativa e está baseado na administração gerencial, 
a fim de que a gestão pública seja tão eficiente, quanto as 
empresas do setor privado. Foi observado que a administração 
 Curso de Assistente de Advocacia 
31 
 
pública deveria ter mais resultados, com poucos gastos, sendo um 
princípio essencial contra a má administração dos bens públicos 
 
Direito do trabalho 
Direito do trabalho é o conjunto de normas jurídicas que regem 
as relações entre empregados e empregadores, são os direitos 
resultantes da condição jurídica dos trabalhadores. 
Surge como autêntica expressão do humanismo jurídico e 
instrumento de renovação social. Constitui atitude de intervenção 
jurídica em busca de um melhor relacionamento entre o homem que 
trabalha e aqueles para os quais o trabalho se destina. Visa também 
a estabelecer uma plataforma de direitos básicos. Portanto, a 
definição de direito do trabalho é o conjunto de normas e princípios 
que regulamentam o relacionamento entre empregado e 
empregadores. 
Pode ser conceituado também segundo Hernainz Marques, 
professor de direito do trabalho, como “Conjunto de normas jurídicas 
que regulam as relações de trabalho, sua preparação, 
desenvolvimento, consequências e instituições complementares dos 
elementos pessoais que nelas intervêm." Não é apenas o conjunto 
de leis, mas de normas jurídicas, entre as quais os contratos 
coletivos, e não regula apenas as relações entre empregados e 
empregadores num contrato de trabalho, mas vai desde a sua 
preparação com a aprendizagem até as consequências 
complementares, como por exemplo a organização profissional. 
Divisões do direito do trabalho 
Há, primeiramente, a distinção entre o ramo individual e o 
ramo coletivo do direito do trabalho. Temos o direito individual do 
trabalho, que rege as relações individuais, tendo como sujeitos o 
empregado e o empregador e a prestação de trabalho subordinado, 
por pessoa física, de forma não-eventual, remunerada e pessoal. 
Já o direito coletivo do trabalho é conceituado como "o 
conjunto de normas que consideram os empregados e empregadores 
coletivamente reunidos, principalmente na forma de entidades 
sindicais". Versa, portanto, sobre organizações sindicais, sua 
estrutura, suas relações representando as categorias profissionais e 
econômicas, os conflitos coletivos entre outros. 
Como adverte manter a doutrina italiana, o direito individual 
pressupõe uma relação entre sujeitos de direito, considerando os 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Empregado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Empregador
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Trabalho
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Hernainz_Marques&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pessoa_f%C3%ADsica
 Curso de Assistente de Advocacia 
32 
 
interesses concretos de indivíduos determinados, contrariamente ao 
direito coletivo, que pressupõe uma relação entre sujeitos de direito, 
em que a participação do indivíduo também é considerada, mas 
como membro de determinada coletividade. Neste último, 
consideram-se os interesses abstratos do grupo. 
Temos também o direito público do trabalho, que disciplina as 
relações entre o trabalhador e o serviço público. Por sua vez, o direito 
internacional do trabalho, versa sobre os tratados e convenções 
internacionais em matéria trabalhista e notadamente a atuação 
da Organização Internacional do Trabalho (OIT). 
Autonomia 
É autônomo em relação aos outros ramos do direito, pois é 
bastante amplo, merecendo estudo adequado e especial; contém 
doutrinas homogêneas, com conceitos gerais comuns e distintos dos 
conceitos formadores dos outros ramos do direito; e possui 
instituições peculiares, finalidade específica e em muitos países 
jurisdições especiais para dirimir os dissídios que lhe concernem 
(no Brasil os dissídios são apreciados pela Justiça do Trabalho) 
O conceito de autonomia resulta dos elementos característicos 
que permitem distinguir cada um dos ramos do tronco comum, que é 
o Direito. Ao reconhecer a autonomia do direito do trabalho, importa 
afirmar que ele não integra o direito civil, o econômico ou o comercial, 
porque ele mesmo constitui um dos ramos da ciência jurídica. 
Dentre os elementos configuradores dessa autonomia, 
pertencentes à categoria das fontes especiais do direito do trabalho, 
cumpre destacar a convenção coletiva de trabalho e a sentença 
normativa, as quais não poderiam ser incluídas em qualquer outro 
ramo do direito, nem explicadas pela respectiva doutrina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_Internacional_do_Trabalho
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Justi%C3%A7a_do_Trabalho
 Curso de Assistente de Advocacia 
33 
 
Petições e Modelos Básicos 
Protegido pela Lei nº 9.610, de 19/02/1998 - Lei de Direitos Autorais. 
 
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE ASSINATURA MENSAL C/C 
REPETIÇÃO DE INDÉBITO 
 
MERITÍSSIMO JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE 
(........................) 
 
REQUERENTE, brasileiro, (estado civil), (profissão), portador da carteira de identidade 
nº (................................), inscrito no CPF sob o nº (..................................), residente e 
domiciliado na Rua (..........................................), nº (.....), bairro (................), cidade 
(..................), CEP (..............................), no Estado de (....), por seu procurador infra-
assinado, instrumento de mandato anexo (Doc. XX), com escritório profissional situado 
na Rua (..........................................), nº (....), Bairro (..............), Cidade 
(..........................), CEP. (....................), no Estado de (.....), onde recebe intimações, 
vem à presença de V. Excia., propor a presente 
 
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE ASSINATURA MENSAL C/C 
REPETIÇÃO DE INDÉBITO 
nos termos dos arts. 5º, XXXII e art. 170, V da CR/88; art. 6º, IV, art. 39, I e V, art. 42, 
81 e 83 do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990), 
em face da empresa (....................), inscrita no CNPJ sob o nº (.................), com sede 
na Rua (........................................), bairro (.................), cidade (...............................), 
CEP (..............................)no Estado de (....), onde receberá as intimações,pelos fatos e 
fundamentos que passa a expor: 
 
DOS FATOS 
 
1. O REQUERENTE é assinante de serviços de telefonia fixa fornecidos pela empresa 
REQUERIDA, concessionária de serviços de telecomunicações; 
 
2. Este mesmo REQUERENTE é titular do direito de uso da linha telefônica nº (XXXX-
XXXX), conforme demonstram os documentos acostados conjuntamente à presente 
inicial (Doc. XX); 
 
3. A mencionada linha foi instalada no endereço residencial do REQUERENTE na data 
de (.... /...../.........) (Doc................); 
 
4. É certo que, a cada mês, desde a instalação da supracitada linha telefônica, a 
empresa REQUERIDA cobra do REQUERENTE, através das contas de serviços das 
telecomunicações, valores a título de "assinatura mensal"; 
 
5. Desde que iniciou o uso dos serviços fornecidos pela empresa REQUERIDA, vê-se 
que o REQUERENTE já pagou, a título de "assinatura mensal" o valor de R$ (.............), 
conforme comprova a memória de cálculo anexa (Doc..........................); 
 
 Curso de Assistente de Advocacia 
34 
 
6. Entretanto, o REQUERENTE entende indevida a cobrança das parcelas mensais 
definidas pela empresa REQUERIDA como "assinatura mensal", no que busca 
providências judiciais para ver agasalhado seu direito, nos termos que se seguem. 
 
DO DIREITO 
 
1. Da Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor 
 
Pelos fatos elencados acima, conclui-se que o REQUERENTE se enquadra no conceito 
de consumidor inscrito no art. 2º do CDC, assim como a REQUERIDA se identifica com 
o conceito de fornecedor trazido no art. 3º do mesmo texto normativo, formando ambos 
uma relação de consumo no contrato apontado, vínculo este que é disciplinado não só 
pelo Código de Defesa do Consumidor como também (e principalmente) pela própria 
Constituição da República, que, sobretudo em seus artigos 5º, XXXII e 170, V, cuidam 
detidamente da defesa do consumidor. 
 
A legislação cosumerista, a respeito, fixa que: 
 
"Art. 2º Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire e utiliza produtos ou 
serviço como destinatário final”. 
 
“Art. 3º Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou 
estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de 
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, 
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços”: 
 
§ 1º - Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. 
 
§ 2º - Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante 
remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, 
salva as decorrentes das relações de caráter trabalhista." 
 
Pelo exposto, prescindíveis maiores argumentações para se constatar haver uma 
relação de consumo entre REQUERENTE e REQUERIDA. 
 
2. Do princípio da legalidade nos serviços públicos 
 
No ordenamento jurídico brasileiro, o princípio da legalidade, no âmbito administrativo, 
está contido no caput do artigo 37, da Constituição Federal: 
 
"Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, obedecerá aos princípios de 
LEGALIDADE, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao 
seguinte:...”. 
 
Os serviços prestados pela empresa REQUERIDA são serviços públicos, e, em se 
considerando que à vontade da Administração Pública é – necessariamente – a vontade 
decorrente da lei, tais serviços estão subordinados à Lei nº 9.472/97, que dispõe sobre 
a organização dos serviços de telecomunicações. 
 
 Curso de Assistente de Advocacia 
35 
 
A douta escritora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, em sua obra "Direito Administrativo", 
18ª edição, Editora Atlas, pág. 68, define que: 
 
"Segundo o princípio da legalidade, a Administração Pública só pode fazer o que a lei 
permite. No âmbito das relações entre particulares, o princípio aplicável é o da 
autonomia da vontade, que lhes permite fazer tudo o que a lei não proíbe...”. 
 
E prossegue a Professora: 
 
"Em decorrência disso, a Administração Pública não pode, por simples ato 
administrativo, conceder direitos de qualquer espécie, criar obrigações, ou impor 
vedações aos administrados; para tanto ela depende de lei...”. 
 
Verifica-se que a empresa REQUERIDA vem cobrando desde a instação da linha 
telefônica do REQUERENTE, um valor referente à "assinatura mensal", estando o 
consumidor pagando atualmente a importância de R$ (..........) (valor expresso) 
conforme comprova a inclusa cópia de "Demonstrativos de Despesas (Doc..............)". 
Conjuntamente à "assinatura mensal", é cobrado valor referente às tarifas, estas, 
valoradas na proporção e na medida da utilização dos serviços. 
 
A Lei nº 9.472 prevê apenas e tão-somente a cobrança de tarifa pelos pulsos utilizados, 
não havendo qualquer menção quanto a valores cobrados mensalmente, a título de 
"assinatura", de forma constante e compulsória, ou seja, valor cobrado de maneira 
desvinculada e independente da efetiva utilização dos serviços. 
 
Analisando a Lei nº 8.987/95, percebe-se que a instituição de tarifa pela utilização de 
serviços públicos é limitada por alguns princípios, em especial o da modicidade tarifária 
e o da justa remuneração, aos quais devem respeito às empresas concessionárias de 
serviço público, condição jurídica da REQUERIDA. 
 
Não estando prevista na legislação que regula a matéria, a possibilidade da cobrança 
de um adicional incidente sobre a tarifa, conclui-se que a "assinatura mensal" cobrada 
e imposta no contrato de adesão de telefonia, por não ter uma natureza tarifária, fere o 
princípio da legalidade, ao qual devem se submeter os serviços públicos. 
 
3. Do Contrato de Concessão firmado entre a empresa REQUERIDA e a ANATEL 
 
3.1 – Da equiparação da "assinatura mensal" à tributo 
 
O contrato de concessão de serviço público, firmado entre a empresa REQUERIDA e a 
respectiva agência reguladora governamental – ANATEL (Doc. XX), quando prevê, em 
sua cláusula XX, a cobrança por parte da concessionária da "assinatura mensal", está 
claramente a equiparando a um tributo, cobrança esta que mais se assemelha à espécie 
"taxa", que são cobradas pelo Poder Público ou seus concessionários devido aos 
serviços prestados ou postos a disposição do contribuinte, como é o caso da utilização 
dos serviços de água ou esgoto, nas localidades onde não se admite o uso de poços ou 
fossas. 
 
O assinante (consumidor) paga um valor específico para a habilitação do telefone 
(R$........,.......), que é suficiente para cobrir todos os custos referentes à instalação. No 
entanto, também é cobrado pela empresa em um valor mensal denominado "assinatura 
 Curso de Assistente de Advocacia 
36 
 
mensal” , como requisito para a disponibilização do serviço, fazendo com que esta 
cobrança se assemelhe à taxa. 
 
Tal cobrança só poderia ser feita na exata medida do custo do serviço público 
efetivamente prestado, não sendo permitido a cobrança até mesmo quando não 
houvesse a utilização dos serviços, sob pena de gerar o enriquecimento ilícito e sem 
causa. 
 
3.2 – Da estrita legalidade no Direito Tributário 
 
Um outro ponto fundamental vem de encontro com o princípio da estrita legalidade no 
Direito Tributário. Segundo tal postulado, apenas uma Lei, que tenha origem no poder 
competente para editá-la, tem força para criar um tributo, na forma do art. 150, I da 
CR/88. 
 
“Art. 150 – Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à 
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”: 
 
I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça..." 
 
Verifica-se que uma taxa só poderia ser cobrada e exigida pela União, Estados, Distrito 
Federal ou Municípios, não podendo ser delegada a terceiros, nem a pessoas jurídicas 
de direito

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