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Aula 9 Profs Carlos Roberto e Márcio Damasceno

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Aula 9 (Profs. Carlos
Roberto e Márcio
Damasceno)
Polícia Federal (Agente de Polícia)
Discursivas Sem correção - 2023
(Pré-Edital)
Autor:
Carlos Roberto
15 de Fevereiro de 2023
40181815826 - Flávio Ricardo Cirino
 
 
 
 
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Sumário 
Padrões de resposta do bloco de temas 1 – Segurança pública e Sistema carcerário brasileiro .................... 3 
Tema 1................................................................................................................................................... 3 
Proposta de solução .............................................................................................................................. 5 
Tema 2 ................................................................................................................................................. 6 
Proposta de solução ............................................................................................................................... 7 
Tema 3.................................................................................................................................................. 8 
Proposta de solução .............................................................................................................................. 9 
Tema 4 ................................................................................................................................................ 10 
Proposta de solução ............................................................................................................................. 11 
Tema 5 ................................................................................................................................................ 12 
Proposta de solução ............................................................................................................................. 13 
Tema 6 ................................................................................................................................................ 15 
Proposta de solução ............................................................................................................................. 16 
Tema 7 ................................................................................................................................................. 17 
Proposta de solução ............................................................................................................................. 18 
Tema 8 ................................................................................................................................................ 19 
Proposta de solução ............................................................................................................................ 20 
Tema 9 ............................................................................................................................................... 22 
Proposta de solução ............................................................................................................................. 23 
Tema 10 .............................................................................................................................................. 24 
Proposta de solução ............................................................................................................................. 25 
Tema 11 .............................................................................................................................................. 26 
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Proposta de solução ............................................................................................................................ 28 
Bloco de temas 2 – Crime organizado, drogas e armas ............................................................................ 29 
Tema 12 .............................................................................................................................................. 29 
Abordagem teórica .............................................................................................................................. 31 
Tema 13 ............................................................................................................................................... 37 
Abordagem teórica .............................................................................................................................. 39 
Tema 14 ............................................................................................................................................... 41 
Abordagem teórica .............................................................................................................................. 43 
Tema 15 .............................................................................................................................................. 48 
Abordagem teórica ............................................................................................................................. 49 
Tema 16............................................................................................................................................... 52 
Abordagem teórica .............................................................................................................................. 53 
Tema 17 ............................................................................................................................................... 55 
Abordagem teórica .............................................................................................................................. 57 
Tema 18 .............................................................................................................................................. 66 
Abordagem teórica .............................................................................................................................. 67 
Tema 19............................................................................................................................................... 76 
Abordagem teórica .............................................................................................................................. 76 
Tema 20 .............................................................................................................................................. 76 
Abordagem teórica .............................................................................................................................. 78 
Tema 21 .............................................................................................................................................. 84 
Abordagem teórica ............................................................................................................................. 84 
Prática .................................................................................................................................................... 86 
 
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SEGUNDA RODADA DE TEMAS 
Olá, meus nobres alunos. Bem-vindos à nossa segunda rodada de temas. 
Meus nobres, esperamos que nesta aula você já comece a perceber a sua evolução em relação aos textos 
produzidos na aula anterior. Cada aula é uma etapa transposta e uma vitória alcançada. Mas, junto a essa 
conquista, vem o compromisso e a responsabilidade de escrever textos cada vez melhores. 
Para que isso aconteça, é essencial que você
incorpore os ensinamentos transmitidos e, efetivamente, passe 
a aplicá-los. Nesse sentido, é fundamental que você treine, escreva textos manuscritos, conforme 
conversamos nas aulas anteriores. 
Aos alunos do curso com correção: vocês poderão escolher para envio qualquer dos temas desta aula. 
Contudo, não é obrigatório escolher um tema agora, caso prefiram aguardar os temas da próxima rodada. 
Bons estudos! 
Instagram: profmarciodamasceno 
Prof. Marcio 
 
PADRÕES DE RESPOSTA DO BLOCO DE TEMAS 1 – 
SEGURANÇA PÚBLICA E SISTEMA CARCERÁRIO BRASILEIRO 
Tema 1 
Inédita 
Desde meados da década de 1970, vem-se exacerbando, no Brasil, o sentimento de medo e insegurança. 
Não parece infundado esse sentimento. As estatísticas oficiais de criminalidade indicam, a partir dessa 
década, a aceleração do crescimento de todas as modalidades delituosas. Crescem mais rápido os crimes 
que envolvem a prática de violência, como os homicídios, os roubos, os sequestros, os estupros. Esse 
crescimento veio acompanhado de mudanças substantivas nos padrões de criminalidade individual bem 
como no perfil das pessoas envolvidas com a delinquência. [...] 
Em todo o país, o alvo preferencial dessas mortes são adolescentes e jovens adultos masculinos das 
chamadas classes populares urbanas, tendência que vem sendo observada nos estudos sobre mortalidade 
por causas externas (violentas). Na Região Metropolitana de São Paulo, registros de mortes violentas 
revelam maior incidência nos bairros que compõem a periferia urbana, onde as condições sociais de vida 
são acentuadamente degradadas. 
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É provável que parte significativa dessas mortes se deva aos conflitos entre quadrilhas, associados ou não 
ao tráfico de drogas. A esse quadro, conviria agregar graves violações de direitos humanos, entre as quais 
as mortes praticadas por policiais em confronto com civis, suspeitos de haver cometido crimes, como 
também aquelas cometidas por justiceiros e grupos de extermínio. Ademais, ao longo das décadas de 1980 
e 1990, observou-se intensificação de casos de linchamentos em todo o Brasil, particularmente nas regiões 
metropolitanas de São Paulo e em Salvador (Pinheiro; Adorno; Cardia e col.1999. In www.nevusp.org). 
Finalmente, têm-se as mortes violentas provocadas por tensões nas relações intersubjetivas e que pouco 
têm em comum com a criminalidade cotidiana. Trata-se de um infindável número de situações, em geral 
envolvendo conflitos entre pessoas conhecidas, cujo desfecho acaba, muitas vezes até acidental e 
inesperadamente, na morte de um dos contendores. São os conflitos entre companheiros e suas 
companheiras, entre parentes, entre vizinhos, entre amigos, entre colegas de trabalho, entre conhecidos 
que frequentam os mesmos espaços de lazer, entre pessoas que se cruzam diariamente nas vias públicas, 
entre patrões e empregados, entre comerciantes e seus clientes. 
As políticas públicas de segurança, justiça e penitenciárias não têm contido o crescimento dos crimes, das 
graves violações dos direitos humanos e da violência em geral. A despeito das pressões sociais e das 
mudanças estimuladas por investimentos promovidos pelos governos estaduais e federal, em recursos 
materiais e humanos e na renovação das diretrizes institucionais que orientam as agências responsáveis 
pelo controle da ordem pública, os resultados ainda parecem tímidos e pouco visíveis. 
Ao que tudo indica, o crescimento dos delitos não foi acompanhado de uma elevação proporcional do 
número de inquéritos e processos penais instaurados. Suspeita-se que o número percentual de condenações 
vem caindo desde a década de 1980 e, por consequência, aumentando as taxas de réus isentos da aplicação 
de sanções penais. [...] 
No domínio das prisões, esses fatos são indicativos de uma crise há tempos instalada no sistema de Justiça 
criminal. Todas as imagens de degradação e de desumanização, de debilitamento de uma vida cívica 
conduzida segundo princípios éticos reconhecidos e legítimos, parecem se concentrar em torno dessas 
“estufas de modificar pessoas e comportamentos”. As prisões revelavam a face cruel de toda essa história: 
os limites que se colocam na sociedade brasileira à implementação de uma política de proteção dos direitos 
fundamentais da pessoa humana, nela incluído o respeito às regras mínimas estipuladas pela ONU para 
tratamento de presos. 
ADORNO, S. . Crime e violência na sociedade brasileira contemporânea. 
Jornal de Psicologia-PSI, n. Abril/Junh, p. 7-8, 2002. Disponível em: 
http://www.depen.pr.gov.br/arquivos/File/crimeeviolencianasociedadebra
sileiracontemporanea.pdf. Acesso em: 08/07/2020 (com adaptações) 
A partir das ideias do texto precedente, que tem caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo 
acerca do seguinte tema: 
VIOLÊNCIA NA SOCIEDADE BRASILEIRA: PROBLEMAS E SOLUÇÕES 
Em seu texto, aborde, necessariamente: 
a) principais problemas de violência nas grandes cidades; [valor: 4,00 pontos] 
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b) custos econômicos da violência; [valor: 4,00 pontos] 
c) ações na área da segurança pública para solucionar o problema. [valor: 4,40 pontos] 
Proposta de solução 
O Brasil é um país violento, o que explica ser a segurança pública uma das principais 
preocupações dos brasileiros. Face à gravidade da situação, faz-se necessário analisar as causas 
da violência, os seus custos e as possíveis soluções para o problema. 
Um dos grandes problemas brasileiros é o elevado índice de crimes violentos. Segundo o 
Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP) de 2020, no ano de 2019, 
ocorreram no Brasil mais de 39.000 homicídios dolosos e mais de 66.000 estupros. 
Compõe esse cenário de medo e insegurança o elevado número de crimes patrimoniais, entre os 
quais se destacam os latrocínios, os roubos de carga e os roubos e furtos de veículos. Essas 
engrenagens, integrantes do panorama criminal brasileiro, são movimentadas pelo crime 
organizado, o qual se financia por outras atividades responsáveis por disseminar mais violência: o 
tráfico de drogas, de armas e o contrabando. [Tópico 1] 
Para enfrentar esse contexto de violência, são vultosas as quantias empregadas no 
financiamento da segurança pública. Segundo o ABSP de 2019, esse valor foi de 95 
bilhões de reais em 2019. Além do impacto fiscal, há a perda prematura de vidas em faixa de 
idade economicamente ativa, fato crítico ao se considerar a transição demográfica pela qual passa 
o país. Acrescentem-se os gastos com segurança privada e seguros, encarecendo, por exemplo, o 
valor dos fretes, e os gastos com o sistema de saúde e assistência social, para atender as vítimas, 
pagamento de pensões, licenças médicas e aposentadorias. Esse conjunto de despesas compõe o custo 
social da violência no país, estimado em, aproximadamente, 6,0% do Produto Interno 
Bruto, segundo o Atlas da Violência. [Tópico 2] 
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Por fim, as soluções para o problema da violência no Brasil envolvem a criação de 
políticas para reduzir e prevenir a ocorrência dos crimes violentos e para o enfrentamento do crime 
organizado. Nesse sentido, é necessário consolidar um sistema de governança em segurança 
pública capaz de tratar o problema de forma sistêmica, articulando os diversos órgãos e integrando 
sistemas e informações. As políticas
a serem implementadas devem enfatizar o uso da 
inteligência, tecnologia e investigação, com planejamento voltado para uma atuação estratégica e 
para a identificação e prisão dos criminosos cujos crimes provocam maiores impactos à sociedade, 
bem como priorizar o ataque ao crime organizado, focando, principalmente, na redução do seu 
poder econômico e político. [Tópico 3] 
 
Tema 2 
Cebraspe – Depen – 2015 – Adaptado 
No passado, ligar a Zona Norte à Zona Sul do Rio de Janeiro simbolizava a esperança de aproximar a cidade 
partida. Hoje, crimes absurdos unem as zonas da cidade em abraços inconsoláveis. A cada dez minutos, 
uma pessoa é vítima de homicídio no Brasil. O discurso oficial de que segurança pública não pode ser só 
polícia faz sentido. A conhecida carência de políticas sociais tem parcela imensa de importância nesse 
quadro. Segurança não é só polícia, mas é polícia também. 
Paula Cesarino Costa. Contágio da indiferença. In: Folha de S.Paulo, 
21/5/2015, p. A2 (com adaptações). 
Dois fatos trágicos que chocaram o Rio de Janeiro recentemente — a morte de dois jovens em um morro, 
depois de uma operação policial, e a de um ciclista na Zona Sul da cidade — têm uma causa semelhante, 
que é a incapacidade do poder público de lidar com os jovens pobres, mas a repercussão deles é bastante 
diversa, sem que se faça a necessária reflexão sobre isso. Para muitos, trata-se de um problema exclusivo 
de segurança pública. Para outros, esse é um problema ainda maior e muito mais complexo. 
André Luís Machado de Castro. Menos presídios e mais escolas. In: O 
Globo, 22/5/2015, p. 9 (com adaptações). 
Aos dezesseis anos, os jovens podem votar, isto é, escolhem os nossos representantes nas câmaras e 
assembleias e nos cargos executivos. Emancipados, podem realizar todos os atos da vida civil, inclusive 
contrair matrimônio. A verdade é que os jovens de dezesseis anos de idade têm, de regra, capacidade de 
entender a conduta criminosa. 
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Carlos Velloso. Jovem de 16 anos é capaz de entender conduta 
criminosa. In: O Globo, 22/5/2015, p. 9 (com adaptações). 
Em vinte e cinco anos de existência do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estado foi o que mais 
infringiu a lei. Não implementou as medidas previstas no estatuto, que têm o intuito de transformar o 
adolescente em cidadão do bem. Com raríssimas exceções, os estabelecimentos destinados à 
ressocialização dos infratores são calabouços revestidos de violência e desrespeito aos direitos 
fundamentais dos jovens. O sistema educacional é ruim. A saúde pública é vergonhosa. Nas regiões de baixa 
renda, os jovens são encarados como mão de obra fácil e barata na luta diária pela sobrevivência. Na 
periferia urbana, eles são as principais vítimas da violência que todos querem combater. 
Correio Braziliense. Editorial: O fiasco da punição a jovens infratores. 
23/5/2015, p. 12 (com adaptações). 
 
Considerando que os fragmentos de textos acima têm caráter unicamente motivador, redija um texto 
dissertativo acerca do seguinte tema. 
SEGURANÇA PÚBLICA: DEVER DO ESTADO, DIREITO E RESPONSABILIDADE DE TODOS 
Ao elaborar seu texto, faça o que se pede a seguir. 
< Dê exemplos de políticas públicas para reduzir a violência e a insegurança. [valor: 4,00 pontos] 
< Discorra a respeito do debate atual sobre reduzir ou não a maioridade penal. [valor: 4,00 pontos] 
< Comente a respeito do sistema prisional brasileiro e da reincidência criminal. [valor: 4,40 pontos] 
Proposta de solução 
O sistema de segurança pública brasileiro passa por uma grave crise institucional. Face à 
gravidade desse quadro, faz-se necessária a adoção de políticas públicas para reduzir a violência e 
a insegurança [introdução sintética]. 
Para galgar mudanças estruturais que modifiquem de forma consistente a situação descrita, 
deve-se investir em soluções focadas na redução das desigualdades sociais, no afastamento dos jovens 
da criminalidade, na melhoria da educação, na erradicação da evasão escolar e no fortalecimento 
do assistencialismo social. Por meio dessas políticas, o Estado tornar-se-á mais presente, 
evitando que esse espaço seja ocupado pelo crime organizado, nas comunidades periféricas e nos 
presídios. Adicionalmente, deve-se investir em políticas de segurança pública, como as que visem 
a maior integração e coordenação entre os órgãos envolvidos na preservação da ordem social, 
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proposta a qual se propõe a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, 
estabelecida pela Lei 13.675/2018. [Tópico 1] 
Correlaciona-se a esse tema a discussão sobre a redução da maioridade penal. Trata-se de 
tema polêmico, que polariza a sociedade em dois grandes segmentos. De um lado, há os que 
defendem a manutenção da maioridade penal em 18 anos, visto que reduzir essa idade não teria 
nenhum efeito sobre as verdadeiras causas do problema: deficiência no sistema educacional, 
ausência do Estado, falta de oportunidades e outros. De outro, amparados pelo forte apoio popular, 
há os defensores da redução da maioridade penal, ponderando que o sistema vigente reforça o 
cometimento de crimes por parte dos menores, principalmente pela frouxidão das medidas 
socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. [Tópico 2] 
Por fim, o sistema prisional brasileiro caracteriza-se pela superlotação, haja vista ser o 
número de detentos muito maior que o número de vagas disponíveis. Outrossim, tem como traços 
marcantes o péssimo estado de conservação, a alimentação e assistência médica de baixa qualidade 
e a falta de uma estrutura capaz de proporcionar trabalho profissionalizante e educação. Na 
prática, esses estabelecimentos acabam funcionando como “escolas do crime”, ambientes em que as 
organizações criminosas se organizam, articulam-se e recrutam novos componentes. Não sem 
razão, o índice de reincidência beira a 25%, o que indica o fracasso do sistema prisional na sua 
tarefa de educar e ressocializar o preso. [Conclusão sintética] 
 
Tema 3 
Convocada pela Defensoria Pública do Rio, a comunidade do Complexo do Alemão começou a chegar duas 
horas antes do combinado. Enfileiraram-se em busca, principalmente, de carteiras de identidade e de 
trabalho, ícones da entrada na sociedade formal. Houve duas dúzias de coleta de material genético para 
exames de comprovação de paternidade. Foram entrevistadas 180 moradoras sobre saúde, maternidade e 
violência doméstica. Uma cidadã transexual foi atrás de orientação para trocar de nome. Mães pediram 
tratamento psicológico para filhos com sintomas de síndrome do pânico. Segundo a presidenta da 
Associação de Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro, “quando conversamos, percebemos que a 
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violência permeia o discurso. Mas os moradores têm outras demandas. Denunciam a falta de alguma 
instituição que os defenda da vulnerabilidade”. A agenda dos moradores do Alemão envolve cinco ações: 
moradia, saneamento, educação técnico-profissional, políticas para jovens e espaços de lazer, esporte e 
cultura. 
Flávia Oliveira. Demanda cidadã. In: O Globo, 27/5/2015, p. 28 (com adaptações). 
Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto 
dissertativo acerca do seguinte tema. 
SEGURANÇA PÚBLICA: POLÍCIA E POLÍTICAS PÚBLICAS
Ao elaborar seu texto, faça o que se pede a seguir. 
< Disserte a respeito da segurança como condição para o exercício da cidadania. [valor: 4,00 pontos] 
< Dê exemplos de ação do Estado na luta pela segurança pública. [valor: 4,00 pontos] 
< Discorra acerca da ausência do poder público e a presença do crime organizado. [valor: 4,40 pontos] 
Proposta de solução 
O Brasil é um dos países mais violentos do mundo, o que torna a questão da segurança 
pública [tema] um dos principais problemas brasileiros. Trata-se de situação grave e complexa, 
cuja solução envolve a atuação da polícia e adoção de políticas públicas 
Inicialmente, esclareça-se que a cidadania, de forma ampla, é a condição de cidadão, 
tornando o indivíduo sujeito de direitos e também de deveres. Assim, para que a cidadania seja 
exercida, é necessário que os integrantes do Estado possam gozar de direitos civis, políticos e sociais, 
fato que, em grande medida, depende da garantia de segurança aos cidadãos. Direitos basilares, 
como o à vida, à propriedade e à liberdade de locomoção, ficam comprometidos num cenário de 
violência, desordem e insegurança. Basta ver que, quando há uma greve das forças policiais, 
cenário em que a garantia à segurança é enfraquecida, as cidades tornam-se palcos de chacinas, 
saques a estabelecimentos comerciais, e os cidadãos ficam impedidos de se locomover, o que cerceia, 
portanto, o pleno exercício da cidadania. 
Nesse sentido, deve o Estado desenvolver ações na luta pela segurança pública. Um 
exemplo são ações sociais com o objetivo de proporcionar condições de existência dignas à população, 
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marcando a sua presença e demonstrando a sua capacidade de prover à população, especialmente 
aos mais vulneráveis, o exercício de direitos constitucionalmente assegurados. Às polícias, 
instituições essenciais na garantia da segurança, também cabem ações. Uma delas envolve a busca 
da aproximação junto à comunidade, visando ao desenvolvimento de uma relação de confiança, 
com foco na resolução preventiva de problemas e em parceria com os cidadãos. Para isso, é 
necessário que cada policial tenha ciência de que sua atuação deve ser norteada pela garantia de 
direitos aos cidadãos. 
Por fim, pode-se afirmar que a presença do crime organizado decorre, em grande parte, da 
ausência do poder público. A carência no oferecimento de serviços essenciais aos cidadãos em 
determinadas áreas, como segurança, saúde, educação, tratamento de água e saneamento básico, 
engendrou um vazio de poder, o qual foi ocupado pelo crime organizado. Com um discurso voltado 
ao assistencialismo, essas facções, na verdade, impõem-se pela disseminação do medo e da violência, 
subjugando os locais a regras próprias e criando uma espécie de Estado paralelo. Mencione-se 
que esse mesmo fenômeno foi observado no interior dos estabelecimentos carcerários, local de criação 
e de fortalecimento das grandes facções criminosas atuantes no país, como o Primeiro Comando 
da Capital. 
 
Tema 4 
Cespe/Cebraspe – Agente da Polícia Federal – 2009 - Adaptado 
Texto fixa duração de dez anos para Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social 
O Projeto de Lei 3.734/12, aprovado nesta quarta-feira (11/04/2018) pelo Plenário da Câmara dos Deputados, 
prevê a criação do Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para promover a melhora da 
qualidade da gestão das políticas do setor e priorizar ações preventivas e fiscalizatórias de segurança 
interna, nas divisas, fronteiras, portos e aeroportos. 
O plano terá ainda de assegurar a produção de conhecimento no tema e a avaliação dos resultados das 
políticas de segurança pública, contribuindo para a organização dos conselhos de Segurança Pública e 
Defesa Social. 
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De acordo com o substitutivo do deputado Alberto Fraga (DEM-DF), o plano nacional terá duração de dez 
anos. As ações de prevenção à criminalidade serão prioritárias, e as políticas públicas de segurança não 
serão restritas aos integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), devendo considerar um 
contexto social amplo e abranger outras áreas do serviço público, como educação, saúde, lazer e cultura. 
No caso dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, eles terão até dois anos para elaborar seus planos 
correspondentes, sob pena de não poderem receber recursos da União para a execução de programas ou 
ações no setor. 
Disponível em: https://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SEGURANCA/555815-
TEXTO-FIXA-DURACAO-DE-DEZ-ANOS-PARA-PLANO-NACIONAL-DE-SEGURANCA-PUBLICA-E-
DEFESA-SOCIAL.html. Acesso: 24 de abril de 2019. 
 
Considerando que o texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo que 
aborde, necessariamente, os seguintes aspectos: 
 relação entre eficiência policial e direitos do cidadão; [valor: 4,00 pontos] 
 finalidade da repressão policial e sua intensidade; [valor: 4,00 pontos] 
 aparelho policial como um dos pilares da sociedade democrática. [valor: 4,40 pontos] 
Proposta de solução 
A Constituição Federal dispõe que a segurança pública é dever do Estado, direito e 
responsabilidade de todos e é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das 
pessoas e do patrimônio por meio dos órgãos policiais. Desse dispositivo, depreende-se o relevante 
papel dos órgãos policiais, qual seja, propiciar condições para o fortalecimento da democracia e o 
pleno exercício dos direitos do cidadão. [Introdução] 
Inicialmente, frise-se haver uma intrínseca relação entre a eficiência policial e os direitos do 
cidadão, pois quanto mais eficiente a polícia, mais os cidadãos terão condições de exercer os direitos 
a eles constitucionalmente assegurados. Se ineficiente, torna-se incapaz de garantir a ordem social 
e a incolumidade das pessoas e do patrimônio, o que frustrará o exercício de direitos. De uma 
atividade policial eficiente dependem direitos tão básicos quanto o próprio direito à vida, a qual 
resta ameaçada num ambiente violento, seja pela insuficiência da cobertura policial, seja pelo seu 
mau funcionamento. Por isso é fundamental que essa atividade seja desempenhada com elevado 
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esmero e com o menor custo social possível, de forma que possa atender a um número maior de 
pessoas e com mais qualidade. [Tópico I] 
Outrossim, deve-se esclarecer que a repressão policial tem como finalidade a preservação da 
ordem pública e da paz social. Não obstante seja inerente à atividade policial o uso da força, ela 
deve ser sempre exercida de forma proporcional e nos rigorosos ditames da lei, conforme se estabelece 
nos Estados democráticos de direito. Nesse sentido, não se concebem operações policiais com o 
uso desmedido da violência, ao arrepio do que preconiza o ordenamento jurídico. A intensidade 
da ação policial deve ser a necessária para restaurar a normalidade e evitar que os direitos alheios 
sejam ofendidos, contexto em que se inadmitem manifestações com abuso de autoridade. [Tópico 
2] 
Por fim, pode-se afirmar que o aparelho policial é um dos pilares da sociedade democrática. 
Na democracia, regime político em que o poder deflui do povo, quem possui direitos, mas, também, 
deveres, exige, como condição de existência, a possiblidade do exercício desses direitos, a exemplo do 
ato de votar. Consoante o
exposto, as polícias ocupam papel de grande relevância nesse sentido, 
visto que possibilitam o livre exercício de direitos, além de zelarem pelo cumprimento de deveres, 
entre os quais o de respeitar os direitos alheios. Nesse sentido, fica clara a importância da atividade 
policial para a democracia, sustentáculo fundamental para o funcionamento da sociedade e para o 
pleno gozo dos direitos humanos. [Tópico 3] 
 
Tema 5 
A origem da criminalidade 
Sem contar as vidas perdidas, o crime custa ao Brasil mais de 100 bilhões de reais. Para curar essa chaga, é 
preciso primeiro entender como ela é fabricada. 
A sensação de insegurança no Brasil não é sem fundamento. Somos, de fato, um dos países mais violentos 
da América Latina, que, por sua vez, é a região mais violenta do globo. O país perde muito com isso. 
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Só por causa dos assassinatos, o homem brasileiro vive um ano e poucos meses a menos, em média. Se esse 
homem vive no Rio de Janeiro, o prejuízo é ainda maior: quase três anos a menos. As mulheres também não 
passam incólumes. Na cidade de São Paulo, em 2001, o assassinato foi, pela primeira vez, a principal causa 
de mortes de mulheres, ultrapassando números de mortes por doenças cerebrovasculares e Aids. 
Embora tão grave e nociva, a chaga do crime é pouco entendida no Brasil. Mas, afinal, qual é a origem do 
crime? 
Existem muitas teorias para explicar o que gera a criminalidade. Cada uma delas se aplica perfeitamente a 
pelo menos uma situação criminosa, mas nenhuma consegue explicar o nascedouro de todos os crimes. 
Para o antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares, que foi coordenador de Segurança, Justiça e 
Cidadania no governo de Anthony Garotinho (PSB) no Rio de Janeiro, isso acontece porque “crime” é um 
conceito muito amplo. “Não há uma teoria geral sobre criminalidade porque não há uma criminalidade ‘em 
geral’. Quando falamos em crime, estamos nos referindo à transgressão de uma lei, e isso engloba uma 
infinidade de situações diferentes, cada uma favorecida por determinadas condições”, diz ele. Em outras 
palavras: crimes diferentes têm causas diferentes. “Um menino de rua que rouba para cheirar cola tem uma 
motivação completamente diferente da que move o operador financeiro que lava dinheiro para traficantes. 
No entanto, ambos estão cometendo crimes.” 
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/a-origem-da-
criminalidade/.Acesso em: 06/08/2020. Com adaptações. 
Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto 
dissertativo acerca do seguinte tema. 
VIOLÊNCIA NO BRASIL: CAUSAS E SOLUÇÕES 
Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos: 
< raízes da atual violência urbana; [valor: 4,00 pontos] 
< responsabilidade do poder público no combate à violência; [valor: 4,00 pontos] 
< possíveis medidas a serem tomadas para se enfrentar a criminalidade. [valor: 4,40 pontos] 
Proposta de solução 
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, houve no Brasil 
47.773 mortes violentas intencionais em 2019. Apesar de esse número representar uma 
redução em relação ao ano anterior, trata-se, ainda, de cifra elevada, que exprime o grau de violência 
com a qual convive a sociedade brasileira. 
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Inicialmente, mencione-se que as raízes da violência se associam à elevada desigualdade 
social, a qual vulnerabiliza uma grande parcela da população e suprime-lhe o gozo de direitos 
sociais básicos, fator que oportuniza uma aproximação da via criminal. Esse cenário conspira 
também para a deterioração dos laços familiares, a degradação na transmissão dos valores e o 
afastamento da escola, contextos que enfraquecem as travas morais dos indivíduos. Além disso, 
mencione-se a histórica impunidade, comprovada pela baixa taxa de esclarecimento nos crimes 
violentos. A falta de perspectivas de conduzir uma vida digna, aliada à baixa probabilidade de 
punição, encoraja o cometimento de delitos e torna o caminho do crime mais sedutor, convergindo 
para o aumento da violência. 
Outrossim, saliente-se que é dever do poder público combater a violência, como forma de 
concretizar a previsão do art. 144, da Constituição Federal de 1988, a qual atribui como 
obrigação do Estado a garantia da segurança pública. O Estado, como implementador de 
políticas públicas e detentor do monopólio do uso legítimo da força, tem a responsabilidade de 
proporcionar aos cidadãos um ambiente onde os direitos, sejam eles políticos, sociais ou civis, possam 
ser livremente exercidos, assegurando condições para o pleno desenvolvimento de um regime 
democrático. Nesse sentido, é dever do Estado entender as raízes do problema da violência no 
país e entender como o crime se estrutura, organizando políticas efetivas para o enfrentamento do 
quadro de insegurança social. 
Por fim, as medidas a serem tomadas para se enfrentar a criminalidade envolvem a 
implementação de políticas públicas para a redução das desigualdades e de inclusão social. São 
exemplos nesse sentido a criação de programas de aprendizes e estagiários voltados exclusivamente 
para adolescentes em situação de maior vulnerabilidade e a adoção de ações para fortalecimento das 
escolas, fomentando a realização de atividades desportivas e culturais para evitar a evasão escolar. 
Além disso, como forma de aumentar a eficiência das polícias e reduzir a impunidade, deve-se 
enfatizar as áreas de investigação e perícia, implementando-se, por exemplo, metas progressivas 
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voltadas à resolução de crimes. Para isso, deve-se, contudo, valorizar e fortalecer as polícias, bem 
como investir na sua formação. 
 
Tema 6 
Cespe/Cebraspe – PF/2018 – Agente 
O preâmbulo da Constituição Federal de 1988 (CF) dispõe que o Estado democrático se destina a 
assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o 
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e 
sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a 
solução pacífica das controvérsias. 
A missão das forças policiais é garantir ao cidadão o exercício dos direitos e das garantias 
fundamentais previstos na CF e nos instrumentos internacionais subscritos pelo Brasil (art. 5.º, § 2.º, da CF). 
O cumprimento dessa missão exige preparo dos integrantes das corporações policiais, que devem perseguir 
incansavelmente a verdade dos fatos sem se afastar da estrita observância ao ordenamento jurídico 
vigente, que deve ser observado por todos, em respeito ao Estado democrático de direito. 
Wlamir Leandro Motta Campos. Polícia Federal e o Estado democrático. Internet: 
(com adaptações). 
O Brasil se efetivou como um país democrático de direito após a promulgação da CF — também 
chamada de Constituição Cidadã, por contar com garantias e direitos fundamentais que reforçam a ideia de 
um país livre e pautado na valorização do ser humano. Com a ruptura do antigo sistema ditatorial, o Estado 
tinha a necessidade de resgatar a importância dos direitos humanos, negligenciados até então, porquanto, 
desde 1948, havia-se erigido a Declaração Internacional dos Direitos Humanos no mundo. 
Já no art. 1.º da CF, afirma-se a condição
de Estado democrático de direito fundamentado em 
cidadania e dignidade da pessoa humana. O Brasil, por ser signatário de tratados internacionais de direitos 
humanos, tem como princípio, em suas relações internacionais, a prevalência dos direitos humanos. 
Yara Gonçalves Emerik Borges. A atividade policial e os direitos humanos. Internet: 
(com adaptações). 
 
 
A partir das ideias dos textos precedentes, que têm caráter unicamente motivador, redija um texto 
dissertativo acerca do seguinte tema. 
O PAPEL DA POLÍCIA FEDERAL NO APRIMORAMENTO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA 
Em seu texto, 
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1. Discorra sobre o papel constitucional e social da Polícia Federal e sua relação com os direitos humanos; 
[valor: 4,00 pontos] 
2. Cite contribuições da Polícia Federal relevantes para a manutenção do Estado democrático de direito, 
especialmente relacionadas aos direitos humanos; [valor: 4,00 pontos] 
3. Apresente sugestões de implantação de ações e(ou) projetos que possam contribuir futuramente para 
o aprimoramento da democracia brasileira. [valor: 4,40 pontos] 
Proposta de solução 
Inicialmente, esclareça-se que a Polícia Federal (PF), peça central no atual 
arcabouço da segurança pública, tem como atribuição constitucional a preservação da ordem 
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, defluindo disso seu relevante papel social. 
Nesse sentido, é emblemática a sua atuação na área de segurança pública, zelando pela 
preservação da vida dos cidadãos, a exemplo das atividades de prevenção e repressão ao tráfico ilícito 
de entorpecentes e drogas afins. A PF, por meio da sua atuação, é instrumento de garantia e 
preservação dos direitos humanos, proporcionando a paz social, ambiente imprescindível para o 
gozo de direitos. É necessário mencionar que, no desenvolvimento desse papel, a referida instituição 
deve ter como referência constante a estrita obediência aos direitos humanos, haja vista ser elemento 
responsável pela sua promoção, não pelo seu sufocamento. [Tópico 1] 
Desse modo, a PF tem papel decisivo na manutenção do Estado democrático de direito, 
haja vista a sua atribuição de zelar pela ordem pública e pela incolumidade das pessoas e do 
patrimônio, condição necessária para o pleno exercício dos direitos humanos e das garantias 
fundamentais. Nessa linha, exemplifica-se com a prevenção ao cometimento de crimes, 
repercutindo no zelo à vida; com a sua atuação no combate à corrupção, poupando recursos públicos 
que poderão propiciar serviços de saúde e educação de melhor qualidade; e com suas operações 
destinadas ao combate aos crimes contra os direitos humanos (exemplos: tráfico de seres humanos, 
exploração sexual de crianças e adolescentes), protegendo a dignidade da pessoa humana, valor 
supremo da democracia. [Tópico 2] 
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Por fim, são exemplos de ações capitaneadas pela PF que podem contribuir futuramente 
para o aprimoramento da democracia brasileira: o investimento em ações de capacitação para que 
seus agentes internalizem o importante papel da instituição na preservação dos direitos humanos; 
a disponibilização de canais que otimizem o tratamento de demandas apresentadas pelos cidadãos 
e a disponibilização de relatórios, que darão ciência das atividades desempenhadas, dos recursos 
envolvidos e dos resultados obtidos, proporcionando, pois, maior transparência sobre as suas ações. 
[Tópico 3] 
 
Tema 7 
CESPE | CEBRASPE – PF – Papiloscopista de Polícia Federal - 2018 
Sem abrigos, grupos de imigrantes venezuelanos voltaram a acampar na rodoviária e a ficar nas ruas de 
Manaus. A crise política, econômica e social na Venezuela, que desencadeou um fluxo migratório para o 
Brasil, continua atraindo milhares de imigrantes para o país. 
Em busca de sobrevivência, indígenas venezuelanos da etnia Warao começaram a migrar para Manaus 
desde o início de 2017. Adultos, idosos e crianças se abrigaram na rodoviária de Manaus e debaixo de um 
viaduto na Zona Centro-Sul. Enquanto o maior abrigo foi desativado no Amazonas, a chegada dos 
venezuelanos não indígenas só aumentou. 
As condições precárias de vida em solo brasileiro podem favorecer a ocorrência de situações degradantes. 
Órgãos federais e entidades religiosas anunciaram medidas para cobrar ações concretas da prefeitura da 
cidade e dos governos federal e estadual. 
Internet: <https://g1.globo.com> (com adaptações). 
Lei nº 13.445/2017 
Art. 3.º A política migratória brasileira rege-se pelos seguintes princípios e diretrizes: 
I – universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos; 
II – repúdio e prevenção à xenofobia, ao racismo e a quaisquer formas de discriminação; 
III – não criminalização da migração; 
[...] 
VI – acolhida humanitária; 
[...] 
IX – igualdade de tratamento e de oportunidade ao migrante e a seus familiares; 
X – inclusão social, laboral e produtiva do migrante por meio de políticas públicas; 
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XI – acesso igualitário e livre do migrante a serviços, programas e benefícios sociais, bens públicos, 
educação, assistência jurídica integral pública, trabalho, moradia, serviço bancário e seguridade social; 
XII – promoção e difusão de direitos, liberdades, garantias e obrigações do migrante; 
XVII – proteção integral e atenção ao superior interesse da criança e do adolescente migrante; 
Internet: <www.planalto.gov.br> 
 
Considerando que os fragmentos de texto apresentados têm caráter unicamente motivador, redija um 
texto dissertativo acerca da entrada de imigrantes no Brasil, discutindo estratégias para a prevenção de 
crimes e de violências envolvendo imigrantes no país, tanto na condição de agentes quanto na de vítimas. 
Proposta de solução 
A entrada de imigrantes [tema] é assunto que, recentemente, ganhou maior popularidade, 
a partir da entrada massiva de venezuelanos no Brasil. Esse evento provocou impactos na 
sociedade, mormente na segurança pública, ensejando a adoção de estratégias para a prevenção de 
crimes e de violências envolvendo imigrantes [tese]. 
A entrada de imigrantes no Brasil gerou notórios impactos, principalmente nas áreas de 
maior afluxo. Não obstante as nobres intenções do legislador, que, por meio da edição da Lei de 
Migração (Lei 13.445/2017), simplificou a entrada e a permanência de imigrantes 
no Brasil, na prática, essa política de “portas abertas” fez surgir uma série de problemas, 
destacando-se os afetos à área de segurança. Considerando-se que os serviços públicos, no Brasil, 
já não correspondem ao ideal, com a entrada de imigrantes, que farão jus aos mesmos serviços, a 
tendência é o colapso, o que gerará insatisfação por parte dos locais. Noutro polo, os imigrantes, 
privados de condições de proporcionar o seu sustento, terão o crime como alternativa provável. Isso, 
aliás, foi o que se observou, recentemente, com a entrada massiva de venezuelanos no Brasil. 
Como forma de neutralizar essas tensões, é imprescindível a adoção de estratégias específicas. 
É mister a criação de uma infraestrutura especial nos locais de maior concentração de imigrantes, 
com o oferecimento de abrigo e alimentação, além de políticas públicas que visem integrá-los ao 
seu novo país, oferecendo condições para que possam ingressar no mercado de trabalho e ter uma 
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vida digna, longe da criminalidade. Sob o ponto de vista dos locais, é importante a realização de 
campanhas de conscientização, informando sobre todos os benefícios que a entrada de imigrantes 
já trouxe para a construção do país e estimulando a solidariedade e o espírito humanitário, visto 
que, em boa parte dos casos, a migração se justifica pela situação de calamidade enfrentada pelos 
imigrantes nos seus países de origem. 
Diante do exposto, ressalta-se a necessidade de que a política migratória seja planejada com 
cautela, pois, caso contrário, pode-se estimular o sentimento de xenofobia, o que vai de encontro à 
cooperação entre os povos, princípio da República Federativa do Brasil nas suas relações 
internacionais. [Conclusão] 
 
Tema 8 
Ministro Dias Toffoli assina termo que capacita CNJ a estimular adoção de penas alternativas 
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Dias 
Toffoli, e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, assinaram hoje (24) um termo de execução 
descentralizada que permite a transferência inicial de R$ 20 milhões ao CNJ para desenvolver estratégias 
que reduzam a superlotação carcerária por meio do incremento da adoção de penas alternativas . [...]Toffoli 
saudou a iniciativa como o primeiro passo concreto, dado conjuntamente pelos Poderes Judiciário e 
Executivo, para o enfretamento da crise penitenciária no País, e afirmou que a parceria põe em prática um 
dos compromissos de sua gestão. 
O ministro destacou que a adoção de penas alternativas à prisão para punir o cometimento de delitos de 
menor potencial ofensivo exige uma mudança cultural por parte dos juízes, com o objetivo de oferecer uma 
opção real ao encarceramento, sem comprometer a segurança pública. Enfatizou ainda que a medida será 
uma forma de dar resposta a uma decisão do STF que, em 2015, ao julgar uma ação que pedia à Corte que 
reconhecesse a violação de direitos fundamentais da população carcerária e adotasse providências, 
reconheceu o estado inconstitucional de coisas no sistema penitenciário brasileiro e determinou o 
descontingenciamento de verbas do Funpen e a realização de audiências de custódia em até 24 horas, 
contadas do momento da prisão. 
“O Conselho Nacional de Justiça pretende, com esses valores repassados pelo Ministério da Segurança 
Pública, fazer-se presente em todos os Tribunais do país, oferecendo assistência técnica para a 
implementação de um efetivo controle de vagas do sistema prisional, única saída capaz de romper com o 
atual quadro caótico em que nos encontramos. Faremos, em cada uma das 27 unidades da federação, 
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diagnósticos locais relacionados à aplicação e execução das medidas alternativas à prisão, criando 
condições para que os serviços de acompanhamento de pessoas que cumprem penas e medidas em 
liberdade sejam implantados”, disse o ministro Toffoli. 
[...] 
Jungmann reconheceu que o Estado brasileiro não tem condições de garantir a vida dos detentos e também 
falha no processo de ressocialização da população carcerária que, por não ser aceita de volta à sociedade, 
termina por reincidir no crime. “O sistema estatal, com mais de 1.400 unidade prisionais, seja pela 
superlotação, seja pela não observância do princípio constitucional da separação dos apenados pelo tipo de 
crime cometido, não é capaz de assegurar a vida do detento, e ele então recorre às facções para proteger a 
própria vida. Ao fazê-lo, ele faz um juramento e se torna um escravo dessas facções, dentro do sistema ou 
fora dele”, admitiu, acrescentando há cerca de 70 facções criminosas, sendo a maioria delas de base 
prisional. 
Por esse motivo, o ministro da Segurança Pública destacou a importância do estímulo à adoção de penas 
alternativas, já que reduzirá o problema da superlotação carcerária e também o controle, a atuação e o 
tamanho dessas facções criminosas. 
[...] 
Com adaptações. Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=393619. 
Acesso em 20 de maio de 2020. 
Considerando que o fragmento de texto apresentados têm caráter unicamente motivador, redija um texto 
dissertativo acerca da SUPERPOPULAÇÃO CARCERÁRIA NO BRASIL. No seu texto, aborde, 
necessariamente, 
a) O perfil da população carcerária brasileira; [valor: 4,00 pontos] 
b) A superlotação como violação aos direitos humanos; [valor: 4,00 pontos] 
c) Alternativas para a redução do encarceramento. [valor: 4,40 pontos] 
Proposta de solução 
Dados oficiais apontam um cenário de superpopulação carcerária no Brasil. Em 
virtude da gravidade dessa situação, faz-se necessário discutir o perfil da população carcerária, a 
violação aos direitos humanos decorrentes da superpopulação e as alternativas para reduzir o 
encarceramento. [Introdução roteiro] 
De acordo com as informações apresentadas pelo Sistema de Informações Estatísticas 
do Sistema Penitenciário Brasileiro- Infopen, os principais afetados pelo cenário de 
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superlotação são homens (cerca de 95%), pardos e negros, jovens (na faixa dos 18 aos 29 
anos). Além disso, a massa carcerária caracteriza-se por um baixo nível de escolaridade, com 
mais da metade dos presos possuindo apenas o nível fundamental incompleto. A maioria dos 
homens teve a sua prisão motivada por: crimes contra o patrimônio, tráfico de drogas e crimes 
contra a pessoa. Quanto às mulheres, a maior causa da prisão é o tráfico de drogas, seguido pelos 
crimes contra o patrimônio. 
A deficiência de vagas nos presídios provoca a superlotação, grave ofensa aos direitos 
humanos, principalmente, à dignidade dos presos. As celas, onde se amontoam dezenas de 
presidiários, sem condições mínimas de higiene e conforto, ofendem os Tratados 
Internacionais dos quais o país é signatário, a Constituição Federal e a Lei de Execução 
Penal, no que tange à a necessidade de compatibilidade entre a lotação do estabelecimento 
prisional e sua estrutura e finalidade. Além disso, a superlotação compromete a qualidade dos 
serviços oferecidos, como a assistência médica, saúde e trabalho, haja vista o desequilíbrio entre a 
escassa oferta e a elevada demanda por essas assistências. 
Por fim, o problema da superpopulação pode ser amenizado pela difusão de práticas já 
existentes no ordenamento jurídico. A primeira delas é a opção de penas alternativas à prisão, 
como a prestação de serviços comunitários, em detrimento das penas restritivas de liberdade nos 
crimes de menor potencial ofensivo. A segunda é o monitoramento eletrônico de presos, 
instrumento de acompanhamento da localização e medida capaz de diminuir o número elevado 
de presos provisórios no Brasil. Finalmente, outro instrumento é a intensificação da remição 
da pena pelo trabalho e estudo, por meio do qual, uma vez cumpridos seus requisitos, abrevia-se 
o tempo de encarceramento, além de contribuir com a ressocialização do detento. 
 
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Tema 9 
Inédita 
“Uma recente pesquisa feita no período eleitoral, durante o ano passado, revelou que as duas maiores 
preocupações do eleitor brasileiro estavam relacionadas
à escalada da violência, ou seja, ao medo de perder 
um ente querido de forma violenta ou de sofrer algum tipo de violência pessoal. Realizado pelo instituto 
Real Time Data, o levantamento também revelou que 85% dos entrevistados mostravam preocupação 
excessiva com a segurança pública. 
Essa preocupação não é exclusiva do brasileiro. A grande diferença é que, em outros países, muito já foi 
feito para combater a escalada da violência, e grande parte desses esforços só foi possível por conta de 
novas tecnologias. Em matéria de segurança pública, não faltam inovações tecnológicas em prol do 
combate ao crime”. 
Como a tecnologia aprimora o trabalho da polícia. Disponível em: 
http://www.ariehalpern.com.br/como-a-tecnologia-aprimora-o-
trabalho-da-policia/. Acesso em: 09 dez. 2019. (Com adaptações) 
 [...] o Estado Brasileiro além de investir pouco, quando o faz, gasta mal, e, em decorrência da má qualidade 
do investimento - não pode dele advir bons frutos - o resultado, em geral, é baixo ou pífio. No que tange à 
segurança pública, por exemplo, os altos índices de criminalidade estão diretamente relacionados à falta de 
estratégia e inteligência no combate ao crime. 
Apenas para ilustrar a questão, cabe mencionar que, no episódio do atentado da Maratona de Boston, a 
polícia, graças a uma câmera de circuito fechado de lojas de rua, conseguiu em poucas horas identificar e 
prender os responsáveis pelo atentado, que, para a detonação da bomba, utilizaram a rede de telefonia 
móvel. Cabe lembrar que, tanto aqui como lá, criminosos utilizam o que há de melhor na tecnologia. A 
diferença é que lá o Estado também tem os melhores recursos e aqui, nossa força policial, em geral, não 
tem nada ou, quando tem, está sucateado ou inoperante. Como esperar um resultado satisfatório num 
Estado em que a polícia vive de favor para comer ou abastecer uma viatura? [...] 
Como a tecnologia aprimora o trabalho da polícia. Disponível em: 
https://canaltech.com.br/seguranca/Como-a-tecnologia-pode-
ajudar-no-combate-ao-crime/. Acesso em: 09 dez. 2019. (Com 
adaptações) 
Considerando os textos de apoio acima e seu conhecimento de mundo, elabore um texto dissertativo-
argumentativo sobre o tema: 
A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA NO TRABALHO POLICIAL 
Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos: 
a) Como a tecnologia pode auxiliar o trabalho policial. [valor: 5,40 pontos] 
b) Como o uso da tecnologia na atividade policial pode contribuir para a cidadania. [valor: 3,50 pontos] 
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c) Apresente eventual risco que envolve a adoção massiva de recursos tecnológicos. [valor: 3,50 pontos] 
Proposta de solução 
De fato, a tecnologia [assunto] revolucionou os processos produtivos, dotou-os de maior 
rapidez e acurácia e alterou a forma de relacionamento entre os seres humanos na 
contemporaneidade. Essas transformações trazem um leque de oportunidades na área da segurança 
pública e apresentam elevado potencial para aumentar sua eficiência e fortalecer a cidadania [tese]. 
[Introdução roteiro] 
Segundo o Atlas da Violência de 2019, em 2017, houve mais de 65.000 
homicídios no Brasil. Números dessa magnitude ensejam forte clamor social por mais eficiência 
e racionalidade na segurança pública, o que pode ser obtido por meio de ferramentas tecnológicas. 
A utilização desses recursos proporciona a otimização de processos, a redução de custos e a 
substituição da mão de obra humana empregada em atividades repetitivas, o que possibilita o 
emprego mais estratégico dos recursos humanos. Basta ver o ganho proporcionado pelo uso de 
“drones”, os quais podem levantar informações sem a necessidade de exposição dos agentes ao risco, 
orientar perseguições, entre outros, bem como todas as contribuições proporcionadas pela difusão da 
biometria, destacando-se, nesse cenário, ferramentas que utilizam reconhecimento facial. 
Outrossim, no que se refere à cidadania, vê-se que a tecnologia permite o ganho de eficiência 
na atividade policial e, por conseguinte, potencializa o aumento do seu espectro protetivo. Logo, o 
crescente emprego de ferramentas tecnológicas contribui para a ordem social e preservação da 
incolumidade patrimonial e pessoal, condições indispensáveis para o exercício dos direitos do 
cidadão. Inexistentes essas condições, não há que se falar em democracia, visto que é sistema no 
qual pressupõe o livre exercício do poder titularizado pelo cidadão. 
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Por fim, não obstante as incontestáveis vantagens, é inegável haver riscos associados ao uso 
massivo das tecnologias. Um deles decorre do emprego de ferramentas tecnológicas ainda não 
totalmente testadas ou aceitas pela comunidade científica, as quais podem ocasionar efeitos adversos 
aos pretendidos. Isso ocorreu, por exemplo, com a tecnologia de reconhecimento facial, visto que já 
houve casos de erro de identificação, o que implicou a prisão de pessoas inocentes. Há, inclusive, 
estudos que apontam margens de erros maiores para mulheres, negros e mulheres negras. 
 
Tema 10 
Reconhecimento facial: o que se pode esperar dele? 
Trata-se de uma das tecnologias mais inovadoras do momento. Só que é preciso pensá-la melhor 
A tecnologia não é nova, mas está cada vez mais avançada. O conceito foi desenvolvido na década de 1960 
por Woodrow "Woody" Bledsoe para a Panoramic Research e até hoje os preceitos são os mesmos: boa 
parte dos sistemas ainda aposta em imagens 2D, já que a maioria dos bancos de dados de referência têm 
apenas esse tipo de foto. 
Ela é, portanto, uma forma de autenticação biométrica que permite confirmar uma identidade. O processo 
de identificação usa as medidas do formato e da estrutura facial, que são únicas para cada indivíduo. Aí 
começam os problemas: embora seja bastante interessante, ela pode ser controversa. 
É essa a tecnologia usada no Facebook para sugerir marcações em fotos — e quem tem irmãos sabe que o 
sistema pode ser bastante falho na tarefa de diferenciar pessoas com características semelhantes. Isso 
porque informações-chave das imagens (como o tamanho e o formato de nariz, boca e olhos, bem como a 
distância entre diferentes pontos da face) são comparadas com um banco de dados. Há até quem tenha 
processado a rede social por ter sido identificado em imagens sem ser informado. 
 Disponível em: https://olhardigital.com.br/noticia/reconhecimento-facial-o-que-se-pode-
esperar-dele/84009. Acesso em: 30/07/2020. Com adaptações. 
IBM desiste de segmento para pesquisa e desenvolvimento de reconhecimento facial 
CEO da companhia defende que uso da tecnologia precisa de um "acordo global" 
A IBM anunciou que não está mais trabalhando com o segmento de pesquisa e análise de reconhecimento 
facial. A empresa não trabalhará mais com programas para reconhecimento facial de uso geral por tempo 
indeterminado já que a tecnologia necessitaria de um "acordo mundial" para entender como e em quais 
situações ela deve ser usada, de acordo com empresários da companhia. 
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Arvind Krishna, CEO da IBM, disse que há necessidade de um "diálogo nacional" sobre se e como a 
tecnologia deve ser empregada pela polícia. Ele sugeriu a discussão através de uma carta aos membros do 
Congresso dos Estados Unidos nessa semana, explicando a decisão da empresa de sair do negócio de 
reconhecimento facial.
Além de propor uma discussão global sobre o uso do reconhecimento facial, a IBM declarou que está 
encerrando o desenvolvimento e a pesquisa da tecnologia. O CEO da empresa declarou que vai incentivar o 
uso de outras tecnologias que possuem maior "transparência e responsabilidade de policiamento". 
 Disponível em: https://mundoconectado.com.br/noticias/v/14029/ibm-desiste-de-segmento-
para-pesquisa-e-desenvolvimento-de-reconhecimento-facial. Acesso em: 30/07/2020. Com 
adaptações. 
Considerando que os textos acima são unicamente motivadores, redija um texto dissertativo acerca do 
seguinte tema: 
RECONHECIMENTO FACIAL: ENTRE O FORTALECIMENTO DA SEGURANÇA PÚBLICA E A AMEAÇA 
À DEMOCRACIA 
Em seu texto, aborde, necessariamente: 
► reconhecimento facial como oportunidade de fortalecimento da segurança pública; [valor: 4,00 pontos] 
► reconhecimento facial como ameaça à democracia; [valor: 4,40 pontos] 
►o papel do Poder Legislativo na proteção da sociedade. [valor: 4,00 pontos] 
Proposta de solução 
O uso de tecnologias de reconhecimento facial é uma tendência mundial. Na área da 
segurança pública, essa expansão tem gerado expectativas, pelos ganhos que pode proporcionar, mas 
também preocupações, pelos riscos que dela decorrem. 
Inicialmente, frise-se que o reconhecimento facial pode fortalecer a segurança pública. Por 
meio das imagens captadas, pode-se reconhecer pessoas desaparecidas, sequestradas ou vítimas de 
tráfico sexual, agilizando as buscas e viabilizando a sua localização. Outrossim, permite a 
identificação de pessoas com mandado de prisão em aberto, tornando a atividade policial mais 
eficiente e precisa. Essa ferramenta é particularmente poderosa em eventos que reúnem multidões, 
situação em que a polícia teria maior dificuldade em atuar. Segundo a Secretaria de Segurança 
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da Bahia, no carnaval de Salvador de 2020, 42 foragidos foram capturados com a 
aplicação das ferramentas de reconhecimento facial. 
Não obstante as oportunidades que apresenta, há uma série de riscos associados ao 
reconhecimento facial. A profusão de câmeras cria ferramentas com potencial de vigilância em 
massa, que, se utilizadas por governos autocráticos, pode instaurar um controle social que viola o 
direito à privacidade, à liberdade de locomoção e de manifestação. Nesse sentido, a tecnologia pode 
ser utilizada como instrumento de controle e perseguição, valores que não dialogam com o conceito 
de democracia. Por outro lado, alguns algoritmos de reconhecimento facial se mostravam 
ineficazes na identificação de determinados segmentos. Há pesquisas que apontam até 35% de 
erro na identificação de mulheres negras, o que pode reforçar o preconceito e o racismo. 
Por fim, cabe ao Poder Legislativo o estabelecimento de balizas para a garantia dos 
direitos dos cidadãos. Apesar da existência de um arcabouço legislativo que trata sobre a proteção 
dos dados pessoais, como a Lei Geral de Proteção de Dados, ainda não há uma legislação 
específica. Nesse sentido, é necessária a criação de leis que protejam a privacidade dos cidadãos, 
limitem o compartilhamento de dados provenientes do reconhecimento facial e estabeleçam 
salvaguardas para possíveis violações. É necessário também que se coíba a vigilância massiva, 
exercida indiscriminadamente sobre toda a população, sem restrição de local e período, e que se 
garanta a proteção dos dados contra atos de discriminação e contra a deturpação de seus usos, como 
a sua utilização para perseguição dos opositores de quem se encontra no poder. 
 
Tema 11 
CESPE | CEBRASPE – PF – Escrivão de Polícia Federal - 2018 
A consolidação de um direito brasileiro democrático da criança e do adolescente tem suas origens na 
Campanha Criança e Constituinte, antes mesmo da entrada em vigor do Estatuto da Criança e do 
Adolescente (Lei nº 8.069/1990), por força de princípios constitucionais que reconheceram a proteção 
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integral e a prioridade absoluta no estabelecimento de todas as políticas dirigidas à infância e à juventude. 
A doutrina da proteção integral interfere, diretamente, na organização de um sistema de justiça 
especializado e na adoção de uma legislação especial para regulamentar todas as situações que envolvam 
criança ou adolescente, com especial destaque às situações nas quais o adolescente é autor de uma infração 
à lei penal. 
Karyna Batista Sposato. Por que dizer não à redução da idade penal. Brasília: 
UNICEF, 2007, p. 6. Internet: <www.crianca.mppr.mp.br> (com adaptações). 
 
 
Considerando que as informações precedentes têm caráter unicamente motivador, redija um texto 
dissertativo a respeito do seguinte tema. 
A RESPONSABILIDADE PENAL NO BRASIL 
Em seu texto, posicione-se, de forma clara e fundamentada, a respeito da redução da maioridade penal 
[valor: 4,00 pontos] e discuta os seguintes aspectos: 
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1 proteção da criança e do adolescente pelo Estado; [valor: 2,80 pontos] 
2 redução/aumento da violência e tratamento dos adolescentes em conflito com a lei como adultos; [valor: 
2,80 pontos] 
3 papel do poder público na elaboração de políticas sociais com potencial de reduzir o envolvimento de 
adolescentes com a violência no Brasil. [valor: 2,80 pontos] 
Proposta de solução 
Considerando o princípio da proteção integral e o fato que o problema da criminalidade 
somente poderá ser superado a partir de políticas públicas eficientes, é indiscutível que a redução da 
maioridade penal, além de não contribuir, agravará a situação da segurança no país. Isso porque, 
essa medida, além de não atacar as principais causas do problema (desigualdade social, desemprego, 
entre outras), provocará aumento da superlotação nos presídios. Além disso, não obstante o 
progressivo rigor da legislação penal, a violência não tem se reduzido de forma consistente, o que 
põe em xeque mais um movimento nessa direção. [Tópico I] 
Arroubos populistas, amplificados em momentos de forte agitação popular, não podem 
ofuscar o que propugna a doutrina da proteção integral, a qual exige que os direitos humanos de 
crianças e adolescentes sejam respeitados e garantidos de forma ampla e integrada, mediante a 
operacionalização de políticas de natureza universal, protetiva e socioeducativa. Tal doutrina 
encontra-se consagrada na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente 
(ECA) e em tratados internacionais dos quais o país é signatário. [Tópico 1] 
A adoção das medidas socioeducativas previstas no ECA, e não das penas criminais, 
relaciona-se com a finalidade pedagógica que o sistema deve alcançar e decorre do reconhecimento 
das condições peculiares de crianças e adolescentes. Ir de encontro a esse espírito, responsabilizando 
indivíduos cada vez mais cedo, por certo, contribuirá para o aumento da violência, visto que o 
encarceramento no Brasil, além de não recuperar o indivíduo, promove o recrutamento pelo 
crime organizado, o que, nesse caso, ocorrerá ainda mais cedo. Acrescente-se que não há nenhum 
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estudo que comprove a eficácia de medida dessa natureza para a diminuição
da criminalidade. 
[Tópico 2] 
Assim, a redução da maioridade não pode ser utilizada como estratégia do Estado para se 
esquivar do seu papel de promotor de políticas públicas, as quais são capazes de gerar mudanças 
estruturais na sociedade. Por isso, deve o Estado: investir em políticas de inclusão e redução da 
desigualdade social; levar serviços públicos de qualidade e apresentar opções de esporte e lazer a todos 
os seus cidadãos e investir na educação como forma de capacitar o jovem para os desafios do mercado 
de trabalho. É por meio de ações capazes de modificar a vida dos indivíduos e dar-lhes opções para 
uma vida digna que o desafio da segurança pública pode ser superado. [Tópico 3] 
 
BLOCO DE TEMAS 2 – CRIME ORGANIZADO, DROGAS E 
ARMAS 
Tema 12 
Há dez anos o crime organizado parou São Paulo – a cidade mais rica do País. Nesses últimos dez anos, 
porém, o crime organizado não parou, seguiu em frente, só cresceu, ampliou suas atuações, expandiu e 
variou seus “negócios”. Em 15 de maio de 2006, após a onda de ataques contra agentes de segurança do 
Estado iniciada na noite do dia 12, o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixou a população da maior 
metrópole da América do Sul atônita, amedrontada, acuada. Em razão do pânico motivado pelas mortes 
em série, escolas, estabelecimentos comerciais, empresas fecharam mais cedo. Até fóruns criminais e o 
Ministério Público dispensaram seus funcionários e abreviaram o expediente. Trabalhadores refugiaram-se 
em suas casas. A cidade se calou. 
O saldo dos ataques daquele mês de maio revela um quadro de violência sem precedentes no Brasil que 
justifica o pânico em São Paulo. Entre os dias 12 e 21, foram 564 mortos em todo o Estado, entre eles 59 
agentes públicos. Muitos dos homicídios com características de execução sumária ainda não foram 
esclarecidos pela polícia nem punidos pela Justiça. Em um único fim de semana, 94 presídios se rebelaram 
e incontáveis ônibus foram incendiados por bandidos em diversas cidades paulistas. Tudo sob comando do 
PCC. 
Sem aviso prévio à população, mas com conhecimento do Estado, os ataques cessaram. No domingo, dia 
14 de maio, após uma reunião no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes entre o líder da 
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facção criminosa, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e a cúpula da gestão Claudio Lembo, 
substituto de Geraldo Alckmin que disputaria a eleição presidencial mais à frente, a normalidade começaria 
a voltar a São Paulo. O Estado, em julho do ano passado, teve acesso ao depoimento à Justiça do delegado 
José Luiz Ramos Cavalcanti, que participou da reunião. Ele afirma que uma advogada da facção dizia que os 
ataques só parariam se os bandidos tivessem a certeza de que Marcola estava vivo e bem. O governo cedeu 
um avião da PM que levou todos até o encontro com o líder. Lá, ele foi convencido a dar a ordem para 
encerrar os ataques. Um outro detento, conhecido por “LH”, recebeu um celular e, após os bloqueadores 
serem desligados, passou o recado às ruas. 
Disponível em: https://infograficos.estadao.com.br/cidades/dominios-do-
crime/. Acesso em: 12 de fevereiro de 2020. 
Até os anos 80, as estruturas criminosas limitavam-se ainda a quadrilhas de ação localizada. E ao jogo do 
bicho. Ele surgiu no Brasil no fim do século 19, em uma situação inusitada – o dono do antigo Jardim 
Zoológico de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, vendo-se diante da falência, estimulou a visitação trocando o 
ingresso por um papel com o nome de um dos 25 animais do parque; o animal sorteado pagava 20 vezes o 
preço do ingresso. Até ser proibido na década de 1890, era um jogo aristocrático, com os resultados dos 
sorteios publicados nos jornais. Desde então, mantém a popularidade entre as classes mais baixas graças, 
em parte, à facilidade na aposta, uma vez que se pode jogar qualquer quantia. Além disso, é até hoje 
considerado contravenção e não crime, o que ajuda os bicheiros a formar quadrilhas poderosas. Não à toa, 
muitos especialistas consideram que ainda hoje eles são o grupo mais representativo do crime organizado 
no Brasil. “O jogo do bicho contempla boa parte da definição desse termo: tem território definido, faz 
lavagem de dinheiro e tem forte penetração na máquina do Estado”, diz Michel Misse, coordenador do 
Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (Necvu), da UFRJ. 
O grande divisor de águas, que tornaria o crime organizado muito mais complexo e violento, foi a entrada 
com força da cocaína no mercado nacional. A gestão diária do jogo não exigia uma estrutura muito 
complexa, mas as drogas sim. Para operar nesse novo mercado, era preciso montar quase uma indústria, 
com estratégias para criar e manter pontos de venda e sistema de transporte para garantir a oferta 
constante. “A logística da economia da droga exigiu mudanças estruturais na forma como os grupos 
atuavam”, diz a antropóloga Jacqueline Muniz, ex-diretora da Secretaria Nacional de Segurança Pública e 
professora da Universidade Cândido Mendes (Ucam), do Rio de Janeiro. Em especial, era preciso mais gente 
envolvida. E é com o tráfico que a imagem positiva do malandro – “aquela de saber se virar pela cidade” – é 
substituída pela do bandido feio e mau. 
[...] 
Da mesma forma que o crescimento da população nas cidades levou ao aumento da criminalidade, o 
crescimento da população nas cadeias levou à radicalização do crime. O berço das principais facções 
criminosas do Brasil são os presídios. Aqui, como em outros países, o melhor lugar para o crime se organizar 
ou aumentar seu poder é atrás das grades. “Há vários casos no mundo, inclusive de movimentos religiosos, 
como os islamitas americanos. É angustiante que isso apareça exatamente entre os bandidos que estão sob 
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a tutela do Estado”, diz Norman Gall, do Instituto Fernand Braudel, uma ONG de pesquisas econômicas e 
sociais. 
A primeira a sair dos presídios brasileiros foi o Comando Vermelho (CV), ainda na década de 1970. 
Posteriormente, ela teria dado origem a todas as demais grandes facções cariocas. Acredita-se que seus 
primeiros líderes tenham convivido com grupos guerrilheiros de esquerda no presídio Cândido Mendes, em 
Ilha Grande, Rio de Janeiro, e se inspirado neles para criar sua organização (daí o “vermelho” no nome). A 
princípio, eram apenas quadrilhas de ladrões tentando criar uma unidade para facilitar seu trabalho. Com a 
chegada das drogas, tornou-se um grupo voltado para o tráfico. A primeira consequência foi exacerbar dois 
componentes que já existiam no bicho: o terror aplicado àqueles que se voltassem contra a facção e o 
assistencialismo à comunidade. Houve até uma época em que o Comando Vermelho especializou-se em 
uma tática Robin Hood: assaltar caminhões com mercadorias e distribuir para os moradores das favelas. 
Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/o-
pcccrime-s-a/. Acesso em: 12 de fevereiro de 2020. 
(com adaptações) 
 
Considerando os textos acima como motivadores, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema. 
CRIME ORGANIZADO NO BRASIL 
Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos: 
1 modo de operação do crime organizado; [valor: 4,20 pontos] 
2 relacionamento entre o encarceramento em massa e o crime organizado; [valor: 4,20 pontos] 
3 papel do Estado e políticas públicas. [valor: 4,10 pontos] 
Abordagem teórica 
1. Crime Organizado no Brasil 
A Lei 12.850/2013 define organização criminosa como a "associação de 4 (quatro) ou mais pessoas 
estruturalmente

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