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Imunologia Geral 
e Clínica Aplicada 
à Farmácia
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Ana Carolina Alves Rocha
Revisão Textual:
Prof. Me. Luciano Vieira Francisco
Imunidade Adaptativa
Imunidade Adaptativa
 
 
• Compreender os mecanismos de ativação de linfócitos T e B;
• Compreender os receptores de linfócitos e formação de MHC classe I e classe II;
• Entender a teoria da seleção clonal e o desenvolvimento de memória imunológica;
• Conhecer os mecanismos de desenvolvimento de tolerância central e periférica.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Respostas das Células T e B;
• Tolerância Imunológica e Autoimunidade.
UNIDADE Imunidade Adaptativa
Respostas das Células T e B
Os linfócitos T e B são células da imunidade adaptativa, responsáveis pela resposta 
imune específica contra antígenos. A resposta imune adaptativa é iniciada pelo re-
conhecimento de antígenos pelos receptores de membrana de linfócitos T e B. Cada 
um desses linfócitos difere o tipo de antígeno no qual reconhecem.
Parece estranho o entendimento de apresentar e reconhecer antígenos. Veja, é 
como se uma célula informasse – apresentasse – à outra algo de errado que está in-
vadindo o corpo, sendo que esse mecanismo de apresentar e reconhecer antígenos 
ocorre entre duas células, de modo a iniciar uma resposta específica. Esse reconheci-
mento e o tipo de resposta dependerão de como e qual receptor de linfócito recebeu 
o antígeno. 
Um fagócito, ao identificar um patógeno, fagocita-o. O fagossomo no qual foi ge-
rado a partir dessa fagocitose processará em uma molécula menor – peptídeo – e 
a apresentará para um linfócito T helper, este que será ativado e iniciará a secreção 
de citocinas, provocando uma cascata de resposta imunológica específica contra o 
mencionado peptídeo.
Os linfócitos B e T possuem diferentes tipos de receptores capazes de reconhecer 
antígenos. Os linfócitos B têm anticorpos ligados à membrana e os linfócitos T têm 
Receptores de Célula T (TCR).
A principal função desses receptores é detectar estímulos externos – antígenos – e 
iniciar a resposta do referido linfócito, seja T ou B. Esses receptores são capazes de 
reconhecer uma diversidade enorme de antígenos, ativando o linfócito. Tal ativação 
aciona um mecanismo conhecido como seleção clonal, ou seja, essas células ini-
ciam cópias idênticas celulares e cada clone de linfócito é específico para um antíge-
no diferente e contém um receptor único, diferente de outros clones.
Então, como os linfócitos reconhecem esses antígenos? E quem apresenta esse 
antígeno para os quais?
É importante saber que os receptores de antígenos dos linfócitos T (TCR) reco-
nhecem apenas fragmentos de peptídeos apresentados por moléculas especializadas, 
conhecidas como MHC. Tais moléculas são produzidas de duas formas: por células 
infectadas pelos antígenos – célula hospedeira –, ou por células que absorveram o 
antígeno por fagocitose.
As Moléculas do Complexo principal de Histocompatibilidade (MCH) funcionam 
para apresentar antígenos aos linfócitos T. Os TCR se conectam simultaneamente 
ao peptídeo do antígeno e à molécula de MCH no momento do reconhecimento 
antigênico (Figura 1).
8
9
Figura 1 – Apresentação de antígeno pela APC utilizando uma molécula de MCH classe II 
(que veremos adiante) e o reconhecimento pelo receptor do linfócito T (TCR)
Fonte: Adaptado de Getty Images
 No vídeo “Immune System: Innate and Adaptive Immunity Explained” você entenderá 
de uma forma bem simples as diferenças entre imunidade inata e adaptativa, assim como 
ocorre a ativação dos linfócitos T auxiliares. Disponível em: https://youtu.be/PzunOgYHeyg
Os antígenos proteicos que invadem o corpo são identificados e capturados pelas 
células dendríticas e levados aos órgãos linfoides periféricos, onde são iniciadas as 
respostas imunes. As células dendríticas utilizam vários receptores de membrana 
para se ligarem aos microrganismos, tais como os receptores de lectina.
Ao estimular a produção de citocinas inflamatórias pela identificação da lectina, 
as células dendríticas secretam várias citocinas, tais como TNF, IL-1, quimiocinas, 
capturando antígenos e estimulando linfócitos T junto às APC. Todo esse mecanismo 
estimula a produção de moléculas MHC para a ativação completa dos linfócitos T.
Lectinas: são estruturas de carboidratos típicas de glicoproteínas microbianas e não estão 
presentes em mamíferos. Uma vez que células da imunidade inata reconhecem a presença 
de lectina por receptores do tipo Toll, inicia-se a ativação das proteínas do complemento por 
essa via, disparando a resposta imunológica contra o patógeno, induzindo à produção de 
citocinas inflamatórias.
Mecanismos de Ativação de Linfócitos T
Alguns tipos de resposta imunológica são dependentes da ativação de células T. 
Por exemplo, o desenvolvimento de memória do sistema imune é mais duradouro 
9
UNIDADE Imunidade Adaptativa
quando a resposta ocorre por ativação dos linfócitos. Essa ativação se dá por vários 
mecanismos: pelo estímulo de células dendríticas, já que são mais potentes do que as 
APC; pelos macrófagos que se localizam em todos os tecidos e são capazes de elimi-
nar os microrganismos invasores; pelos linfócitos B, ao se ingerir antígenos proteicos 
e apresentar aos linfócitos T dentro dos tecidos linfoides; e por células nucleadas 
infectadas que apresentam antígeno derivado do microrganismo.
As moléculas de MCH são proteínas expressas pelas APC ou por células infecta-
das para o reconhecimento de antígeno e a ativação dos linfócitos T. Essas moléculas 
são produzidas no interior das APC ou de células infectadas e expressas no exterior 
para serem reconhecidas por linfócitos T citotóxicos (MHC classe I) ou linfócitos T 
helper (MHC classe II).
As moléculas de MHC são codificadas por genes altamente polimórficos – cha-
mados de Antígeno Leucocitário Humano (HLA). Esse gene possui regiões que 
codificam as moléculas de MHC classe I que serão reconhecidas por linfócitos T 
citotóxicos (CD8), moléculas de MCH classe II que serão reconhecidas por linfócitos 
T helper (CD4) e moléculas de MHC classe III que resultarão na síntese de várias 
citocinas, proteínas do complemento, fator de necrose tumoral e várias outras subs-
tâncias da imunidade inata.
Genes polimórficos: são entendidos como quantidades de alelos diferentes e variantes. 
Considera-se o polimorfismo de MHC tão grande que quaisquer de dois indivíduos não con-
sanguíneos em uma população são extremamente improváveis de possuírem exatamente 
os mesmos genes e as moléculas de MHC.
Ativação de Linfócitos T Citotóxicos por Moléculas de MHC Classe I
As moléculas de MHC classe I são processadas de modo a ativar e apresentar 
antígenos para os linfócitos T citotóxicos. Esse mecanismo ocorre quando proteínas 
entram no citoplasma das células infectadas por vírus ou pela ingestão de micror-
ganismos digeridos. Essas proteínas estranhas são encontradas no citoplasma e são 
desdobradas, degradadas em pedaços bem pequenos – peptídeos –, os quais são 
levados para o retículo endoplasmático da célula, onde são montados o complexo 
MHC classe I e o peptídeo. Em seguida, esse complexo montado e transportado 
para a superfície celular é reconhecido pelos linfócitos T citotóxicos (CD8) (Figura 2).
Ativação de Linfócitos T Helper por Moléculas de MHC Classe II
A principal forma de processamento de antígenos dessa molécula é por meio da 
digestão de microrganismos das APC. As células dendríticas e os macrófagos podem 
ingerir microrganismos extracelulares ou proteínas microbianas por vários mecanis-
mos, incluindo fagocitose e endocitose mediada por receptores. Dentro das APC 
por qualquer dessas vias, as proteínas microbianas se unem com vesículas ácidas, 
chamadas de endossomos ou fagossomos, que devem se fundir aos lisossomos. 
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Nessas vesículas, as proteínas são quebradas por enzimas, gerando muitos peptídeos 
de diferentes comprimentos e sequências. Esses peptídeos ligam-se às moléculas de 
MHC no retículo endoplasmáticoe são transportados para o exterior da célula, sen-
do reconhecidos pelos linfócitos T helper (Figura 2).
Figura 2 – Vias do processamento celular de antígenos proteicos
Fonte: Adaptado de ABBAS, 2019 p. 133
Mecanismos de Ativação de Linfócitos B
A ativação do linfócito B resulta na secreção de anticorpos, os quais funcionam 
para neutralizar microrganismos extracelulares e toxinas. Linfócitos B imaturos – vir-
gens – expressam em sua superfície imunoglobulinas – anticorpos – de duas classes 
diferentes, IgM e IgD, que funcionam como receptores de antígenos.
Ao reconhecer um antígeno, esses receptores iniciam respostas de mesma espe-
cificidade, produzindo quantidade abundante de anticorpos por meio da geração de 
milhares de linfócitos B ativados – que chamaremos de plasmócitos, ilustrados na 
Figura 3. Dessa maneira, a resposta imunológica humoral – mediada por proteínas 
– pode inibir rapidamente a proliferação de microrganismos.
Figura 3 – Ativação de linfócitos B por receptores ou por estímulo de linfócitos T.
Fonte: Adaptado de ABBAS, 2019 p. 250
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UNIDADE Imunidade Adaptativa
Anticorpos de Membrana como Receptores de Linfócitos B
Reconhecem grande diversidade de substâncias químicas, toxinas, macromoléculas, 
proteínas, lipídeos, carboidratos, ácidos nucleicos. Esses antígenos são capazes de 
ativar o linfócito B, fazendo com que produza anticorpos específicos contra essas 
substâncias. Já os linfócitos T possuem uma limitação maior, tendo em vista que 
reconhecem peptídeos ligados a MCH, apresentados pelas APC. Esse fenômeno 
limita o linfócito T a reconhecer padrões dos patógenos associados às células apre-
sentadoras de antígeno.
Receptores de Célula B (BCR) e Receptores de Célula T (TCR)
É um conjunto de receptores que geram sinais para o interior do linfócito B. A partir 
do estímulo recebido pelo antígeno pode se dividir, diferenciar-se ou até mesmo morrer. 
Teoria da Seleção Clonal
O reconhecimento do antígeno pelo linfócito T ou B virgem provoca a sua ativa-
ção; ou seja, essa célula inicia a sua clonagem gerando várias cópias idênticas com 
a informação do reconhecimento da substância estranha – antígeno – originando 
um arsenal de células capazes de reconhecer rapidamente o mesmo antígeno em 
exposições futuras pelo mesmo agente invasor. Esse fenômeno é conhecido como 
seleção clonal (Figura 4). 
Seleção clonal: atualmente, não é mais considerada uma teoria e sim um dogma. Significa 
ser possível entender a origem da memória imunológica e como o organismo humano é 
capaz de responder rapidamente a reinfecções – pelo mesmo agente invasor – sem sequer 
apresentar sintomas de doença.
A teoria da seleção clonal surgiu em torno de 1950, pelo virologista Frank Burnet, quem 
percebeu que o sistema imunológico é capaz de resistir a infecções, garantindo-lhe o Prêmio 
Nobel em 1960. 
Veja como a seleção clonal ocorre durante uma infecção de garganta no vídeo disponível 
em: https://youtu.be/yzcl9r_KIP4
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Figura 4 – Teoria da seleção clonal. Células Th – linfócitos T auxiliares. Tc – linfócitos T citotóxicos. Treg – 
linfócitos T reguladores. PC – plasmócitos. Ac – anticorpos
Fonte: Adaptado de Delves (2013) p. 56
O reconhecimento do antígeno ativa os linfócitos por meio de receptores espe-
cíficos e complementares. Esse processo é designado como seleção clonal e asse-
gura que apenas os linfócitos complementares, ou seja, antígeno-específicos sejam 
ativados para produzir as células efetoras e células de memória exclusivamente para 
aquele antígeno.  
Após a sua ativação pelo antígeno, os linfócitos sofrem divisão celular repetida 
– proliferação clonal – e seus clones dão origem a uma população ampliada de cé-
lulas específicas para aquele antígeno. Uma parte dos clones dos linfócitos originais 
reativos ao antígeno transforma-se em células de memória, enquanto outras células 
diferenciam-se em células efetoras. No caso dos linfócitos B (Figura 5), as células 
efetoras consistem nos plasmócitos, que secretam anticorpos, ao passo que para os 
linfócitos T as células efetoras podem ser células T helper (Th), células T citotóxicas 
(Tc) ou células T reguladoras (Treg).
Vírus Antígeno Linfócito B
(virgem)
Ativação de
linfócito B
Linfoblasto
Linfoblasto B
(maduro)PlasmócitoAnticorpos
Linfócito B
(memória)
Figura 5 – Mecanismo de ativação de linfócitos B e a sua transformação
em célula de memória e célula efetora produtora de anticorpos
Fonte: Adaptado de Getty Images
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UNIDADE Imunidade Adaptativa
Vírus Macrófago
Macrófago (célula
apresentadora de antígeno)
Antígeno
Interleukin
= interleucina
Replicação
(seleção clonal)
Destruição de células infectadas
Células infectadas
Ativação células-T
Célula citotóxica T
Helper t-cell
= linfócito t helper
Figura 6 – Mecanismo de ativação de linfócitos T e sua transformação 
em célula de memória e célula efetora
Fonte: Adaptado de Getty Images
Tolerância Imunológica e Autoimunidade
Já podemos entender que o sistema imunológico é capaz de responder e reagir 
aos diversos microrganismos existentes no ambiente, no entanto, em condições 
normais não deve reagir contra os antígenos próprios – autoantígenos. 
Autoantígeno: podemos entender como autoantígeno de qualquer partícula, proteína, 
peptídeo, lipídeo, células, órgãos que nos são próprios. O sistema imunológico não deve 
reagir contra os quais, caso isso aconteça, as doenças autoimunes serão desenvolvidas. O 
mecanismo de autorreatividade ocorre pela perda da tolerância imunológica.
A tolerância imunológica é caracterizada pela falta de resposta do sistema imune 
contra os autoantígenos. Essa tolerância deve ser obtida ainda no momento de matu-
ração dos linfócitos T e B, ou seja, o organismo precisa “ensinar” as células quais ou-
tras não podem ser atacadas. Quando os linfócitos interagem com antígenos e estes 
são ativados desenvolvendo uma resposta imunológica, dizemos que são imunógenos.
Por sua vez, quando um antígeno interage com linfócitos e estes não reagem – 
pelo contrário, inibem uma resposta –, dizemos que são tolerógenos, que são capa-
zes de induzir tolerância imunológica para as células. A escolha de um linfócito em 
reagir ou tolerar determinado antígeno variará com a natureza do último. Em geral, 
os microrganismos desenvolvem resposta imune – imunógeno – e os linfócitos mor-
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tos ou outras proteínas próprias desenvolvem tolerância. A autotolerância pode ser 
desenvolvida de duas formas: central ou periférica (Figura 7). 
Tolerância Central e Periférica
Para facilitar o entendimento de tolerância central é necessário relembrar os ór-
gãos linfáticos primários – a medula óssea e o timo. É na medula óssea que todas 
as células do sistema imunológico são produzidas, inclusive os linfócitos T e B; no 
entanto, o desenvolvimento da tolerância de linfócitos T ocorre no timo e dos linfó-
citos B na própria medula. 
Figura 7 – Desenvolvimento de tolerância central e periférica
Fonte: Adaptado de Abbas (2019). P. 327
Os linfócitos encontram os autoantígenos nos órgãos linfoides primários e são 
suprimidos para não reagirem ao próprio. Esse mecanismo pode ocorrer mudando 
receptores de linfócitos B, para que passe a não reconhecer mais autoantígenos. 
No caso de desenvolvimento de tolerância central de linfócitos T, ao encontrarem 
autoantígenos, desenvolvem-se para linfócitos T reguladores, os quais desempenham 
papel fundamental na manutenção da tolerância imunológica, inibindo as respostas 
imunes de linfócitos T autorreativos, ou seja, que reagem contra os autoantígenos.
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UNIDADE Imunidade Adaptativa
Caso alguns dos linfócitos autorreativos completem a sua maturação nos órgãos 
linfoides primários e invadir os tecidos periféricos, a tolerância ainda pode ser desen-
volvida, situação em que os linfócitos autorreativos podem ser inativados – anergia –, 
eliminados – apoptose – ou suprimidos pelas células T reguladoras.
Autoimunidade
A autoimunidade ocorre pela presença e ativação de linfócitos autorreativos, 
ouseja, que não desenvolveram a tolerância imunológica. O que ocorre é que os 
autoantígenos – entendidos também como antígenos próprios – são reconhecidos 
pelo sistema imunológico e ativa a resposta imune, como se estranho fosse. Esse 
fenômeno é anormal e desencadeia as doenças autoimunes.
Estima-se que as doenças autoimunes afetem de 3 a 6% da população mundial e 
com prevalência aumentando para alguns tipos de doença.
Os principais fatores envolvidos no surgimento de autoimunidade são predisposi-
ções genéticas com desencadeadores ambientais como, por exemplo, uma infecção.
As infecções ativam o sistema imunológico e com isso acabam por deflagrar di-
versos linfócitos autorreativos. 
Figura 8 – Mecanismos de autoimunidade
Fonte: Adaptado de ABBAS, 2019 p. 341
16
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Doenças Autoimunes
As doenças autoimunes são caracterizadas pela produção de autoanticorpos, ou 
seja, anticorpos que foram produzidos a partir de antígenos próprios devido à perda 
da tolerância imunológica. As autoimunidades podem ser induzidas pela ativação dos 
linfócitos T e B. 
Algumas doenças autoimunes produzem autoanticorpos contra órgãos, proteí-
nas e muitas vezes podem envolver múltiplos órgãos. As doenças autoimunes são 
classificadas de acordo com o órgão que sofre o maior dano por essa resposta imu-
nológica inadequada.
 A Tabela 1 mostra algumas das doenças autoimunes existentes e qual órgão o 
sistema imunológico perdeu a tolerância, provocando uma resposta autoimune:
 Tabela 1 – Doenças autoimunes e órgãos afetados pelos autoanticorpos.
Doença autoimune Órgão afetado
Doença de Graves
O sistema imune produz anticorpos contra o receptor 
de TSH localizado na tireoide. O autoanticorpo produ-
zido estimula o receptor de TSH na tireoide, como se 
fosse uma molécula de T4 livre aumentando a ativida-
de metabólica da tireoide. A doença de Graves possui 
características semelhantes ao hipertireoidismo. 
Tireoidite de Hashimoto
Produção de anticorpos contra a tireoglobulina, tireoi-
de-peroxidade, antígenos micossômicos. Isso acarreta 
a impossibilidade desses hormônios se ligarem no re-
ceptor de células da tireoide. 
Esclerose múltipla Autoanticorpos atacam a bainha de mielina.
Artrite reumatoide Autoantígenos contra tecido conjuntivo das cartila-gens de articulações.
Lúpus Eritromatoso Sistêmico 
(LES)
São produzidos autoanticorpos contra vários órgãos 
e tecidos, provocando autoimunidade sistêmica. Essa 
doença provoca inflamações nos rins, pulmões, na 
pele, no coração, nos intestinos, nas articulações e nos 
inúmeros outros tecidos.
Fonte: elaborado pela professora conteudista.
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UNIDADE Imunidade Adaptativa
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Imunidade adaptativa: sistema imunológico, anatomia etc
https://youtu.be/ibNyve-nJSk
Células B versus células T; linfócitos B versus linfócitos T – imunidade adaptativa
https://youtu.be/NMOHWry8EDc
Vacinas e a resposta imune: como funcionam as vacinas
https://youtu.be/Atrx1P2EkiQ
A vacinação e o sistema imunológico
https://youtu.be/Spf1OC9ceWE
18
19
Referências
DELVES, P. J. Fundamentos de imunologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2013.
KINDT, T. J.; GOLDSBY, R. A.; OSBORNE, B. A. Imunologia de Kuby. 6. ed. 
Porto Alegre, RS: Artmed, 2008.
MCPHERSON, R. A.; PINCUS, M. R. Diagnósticos clínicos e tratamento por 
métodos laboratoriais de Henry. 21. ed. São Paulo: Manole, 2013. 
ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. H. I. V.  Imunologia  celular e 
molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Gen, Guanabara Koogan, 2019
19

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