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Imunologia Geral e Clínica 
Aplicada à Farmácia
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Ana Carolina Alves Rocha
Revisão Textual:
Prof. Me. Luciano Vieira Francisco
Imunologia na Saúde e Doença
Imunologia na Saúde e Doença
 
 
• Compreender os processos da resposta imune a partir da exposição a um antígeno;
• Compreender os mecanismos de infecção e resposta imune efetora e de memória da toxo-
plasmose, rubéola, vírus da imunodeficiência humana (HIV)/síndrome da imunodeficiência 
adquirida (Aids), vírus linfotrópico da célula humana (HTLV), sífilis, hepatites A, B, C e D.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Sistema Imunológico na Saúde e Doença;
• Imunização e Vacinas;
• Infecções Congênitas e Infecções Sexualmente Transmissíveis.
UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
Sistema Imunológico na Saúde e Doença
Resposta Imunomediada nas Doenças Infecciosas
Doenças infecciosas são provocadas por microrganismos. Vírus, bactérias, fungos 
e parasitas são essencialmente responsáveis por isso. No entanto, o sistema imu-
nológico reage ao reconhecer um invasor. Entender como funciona essa resposta 
imunológica nos ajuda a identificar, diagnosticar e tratar as doenças infecciosas.
A defesa e resposta imune contra os microrganismos são mediadas pela imuni-
dade inata e adaptativa, onde a imunidade inata é uma defesa inicial e inespecífica, 
e a resposta imune adaptativa é específica e altamente especializada e duradoura. 
Nas respostas adaptativas os anticorpos produzidos servem para neutralizar a infec-
ção por microrganismos, e é possível utilizar a presença e quantidade desses anticor-
pos para o diagnóstico laboratorial.
O diagnóstico laboratorial de um processo infeccioso pode ser realizado de duas 
formas: por meio da comprovação da presença do microrganismo ou de seus pro-
dutos nos tecidos ou fluidos biológicos dos infectados; a outra é verificar a presença 
e quantidade de anticorpos produzidos a partir da resposta à infecção. É importante 
saber que nem sempre é possível detectar o agente infeccioso de forma direta, seja 
pela falta de sensibilidade dos métodos analíticos ou por falhas na técnica, tornando 
mais simples a pesquisa de anticorpos, já que existe o aumento da produção dessa 
proteína em grandes quantidades após uma infecção.
Os métodos imunológicos diretos ou indiretos, conhecidos também como sorologia, 
são utilizados para analisar a presença de um processo infeccioso.
Algumas doenças infecciosas como toxoplasmose, sífilis, citomegalovirose, rubé-
ola, doença de Chagas, dengue, zika, vírus da imunodeficiência humana (HIV) e he-
patites virais podem ser diagnosticadas a partir da pesquisa de anticorpos presentes 
no paciente infectado. Em geral, a análise é realizada pela presença e/ou quantidade 
das duas classes de imunoglobulinas: IgM e IgG.
A presença de anticorpos Imunoglobulina M (IgM) indica infecção recente, en-
quanto a presença apenas da IgG sugere infecção antiga. Outros testes podem incluir 
ensaios de respostas dos linfócitos T, como é o exemplo de testes cutâneos para tu-
berculose, onde citocinas são liberadas a partir da presença do antígeno microbiano 
da Mycobacterium tuberculosis.
A análise das respostas imunes por meio da dosagem de anticorpos é importante 
para avaliar as infecções. O teste mais útil, como já mencionado, é medir esses an-
ticorpos que são específicos para microrganismos. Os testes são necessários para 
analisar a presença de microrganismos nos órgãos e tecidos, evitando procedimen-
tos invasivos e difíceis, como seria o caso de uma análise da presença de um vírus 
da hepatite no fígado.
8
9
Assim, consideraremos os aspectos da resposta imunológica contra as cinco cate-
gorias principais de microrganismos que provocam doenças, a saber:
• Bactérias extracelulares;
• Bactérias intracelulares (fagocitadas);
• Fungos;
• Vírus;
• Protozoários e parasitas multicelulares.
Entender essas respostas imunológicas e a importância fisiológica das funções 
efetoras dos linfócitos na imunidade contra microrganismos será de extrema impor-
tância para tratar do diagnóstico laboratorial de diversas doenças.
Resposta Imunológica Contra Bactérias Extracelulares
As bactérias extracelulares são capazes de se replicar fora das células hospedeiras, 
ou seja, nos espaços intersticiais. Muitas espécies diferentes de bactérias extracelu-
lares provocam doenças que são causadas por meio de dois mecanismos principais: 
• Indução da inflamação, podendo resultar na destruição dos tecidos no local 
da infecção;
• As bactérias produzem toxinas que podem resultar em diversos efeitos patológi-
cos. Tais toxinas são classificadas como endotoxinas quando são componentes 
das paredes celulares das bactérias, ou exotoxinas quando são produzidas e 
secretadas pelas bactérias. Veja, na Tabela 1, algumas exotoxinas produzidas 
por bactérias:
Tabela 1 – Bactérias produtoras de exotoxinas
Bactéria Exotoxina Efeito patológico
Corynebacterium diphtheriae Toxina diftérica Bloqueio de síntese proteica nas células infectadas.
Vibrio cholerae Toxina colérica Interfere no transporte de íons de água.
Clostridium tetani Toxina tetânica Inibe a transmissão neuromuscular.
Bacillus anthracis Toxina do antraz Interrompe as vias de sinalização bioquímica importantes nas células infectadas.
Clostridium botulinum Toxina butolínica Bloqueia os impulsos nervosos aos músculos.
É importante ressaltar que algumas toxinas interferem nas funções das células – 
sem exterminá-las – e outras estimulam a produção de citocinas que causam doenças. 
Tabela 2 – Imunidade a bactérias extracelulares
Imunidade inata Imunidade adaptativa
Ativação das proteínas do complemento.
Produção de anticorpos contra as bactérias e suas 
toxinas, neutralizando-as, bloqueando a infecção, 
eliminando o microrganismo.
Ativação de fagócitos e inflamação. Ativação de linfócitos T helper, intensificando a resposta inflamatória.
9
UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
Resposta Imunológica Contra Bactérias Intracelulares
A característica mais marcante das bactérias intracelulares é a sua habilidade de 
sobreviver e se replicar dentro de fagócitos. Desse modo, tais microrganismos ficam 
inacessíveis aos anticorpos circulantes, impedindo a ação humoral para a eliminação 
desse patógeno. Neste caso, os mecanismos necessários para o seu extermínio se 
dão por meio da resposta celular.
Quadro 1 – Imunidade a bactérias intracelulares
Imunidade inata Ativação dos fagócitos e linfócitos NK.
Imunidade adaptativa Ativação de linfócitos T helper e T citotóxicos.
Resposta Imunológica Contra Fungos
As infecções fúngicas são também conhecidas como micoses e são de grande im-
portância clínica por possuírem morbidade e mortalidade significativa em humanos. 
Algumas infecções são provocadas por fungos presentes no ambiente por meio da 
invasão de esporos, ou ainda podem desenvolver infecções severas em pessoas imu-
nocomprometidas (pacientes com HIV, câncer, transplantados), o que não ocorreria 
em indivíduos com a imunidade normal.
Determinados fungos, ao infectarem uma pessoa, podem viver tanto no meio 
extracelular, quanto no meio intracelular, o que favorece a resposta imunológica 
mista. No entanto, a resposta imunológica contra fungos ainda é menos conhecida 
do que a resposta contra bactérias e vírus, devido à escassez de modelos animais que 
desenvolvam as micoses.
Resposta Imunológica Contra Vírus
Os vírus são microrganismos intracelulares obrigatórios que usam a maquinaria 
celular e os seus componentes para sintetizar novas proteínas a fim de dar conti-
nuidade à sua replicação. Os vírus infectam por endocitose e afetam as sínteses 
proteicas da célula, provocando inflamação tecidual, afetando as funções normais da 
célula, levando-a à morte. As respostas imunológicas contra vírus são destinadas a 
impedir o avanço da infecção de células vizinhas e exterminar as células infectadas.
Quadro 2 – Imunidade a vírus
Imunidade inata Ativação das células NK.
Imunidade adaptativa Ativação de linfócitosT citotóxicos e neutralização de proteínas--alvo do vírus por anticorpos.
Resposta Imunológica Contra Parasitas
Os protozoários unicelulares, vermes multicelulares (helmintos) e ectoparasitas 
são vastamente conhecidos por provocar infecções parasitárias, que é um importan-
te problema de saúde nos países em desenvolvimento.
10
11
O principal mecanismo de defesa contra os protozoários, que conseguem sobre-
viver aos macrófagos, é mediado por linfócitos T helper (Th1). Quando a resposta é 
mediada por linfócitos T helper (Th2), geralmente por helmintos, inicia-se a estimu-
lação da síntese de anticorpos da classe IgE e a ativação dos eosinófilos.
Imunização e Vacinas
Em 1796 foi possível evidenciar que o corpo humano possui um sistema de defesa 
contra infecções e que pode provocar memória imunológica, impedindo que uma 
pessoa se infecte.
Edward Jenner teve, então, a ideia de imunizar as pessoas contra a varíola. O prin-
cípio fundamental da vacina consiste em administrar o agente infeccioso em sua forma 
morta ou atenuada, de modo a não provocar a doença, mas a estimular o próprio 
organismo a produzir imunidade contra esse patógeno, por meio de anticorpos.
A presença de anticorpos no corpo humano pode variar por diversos fatores, 
sendo um dos quais a falta de exposição aos agentes patogênicos, acarretando baixa 
ativação do sistema imune. A efetividade das vacinas depende basicamente do estí-
mulo antigênico provocado pelo microrganismo.
As melhores vacinas são aquelas que desenvolvem plasmócitos (linfócitos B ativa-
dos) de vida longa, onde é possível obter imunidade por muitos anos e até décadas.
Quadro 3 – Tipos de vacina
Vacinas bacterianas 
e virais atenuadas
São compostas por microrganismos intactos que foram tratados de 
modo a serem atenuados ou mortos, para assim não mais causa-
rem a doença e, ao mesmo tempo, reterem a sua imunogenicidade 
– por exemplo, poliomielite, sarampo e febre amarela.
Vacinas de 
antígenos purifi cados
São compostas por antígenos purificados de microrganismos ou toxinas 
inativadas, geralmente administradas com um adjuvante. Um uso efe-
tivo dos antígenos purificados como vacinas é na prevenção de doenças 
causadas por toxinas bacterianas – por exemplo, tétano e difteria.
Vacinas de 
antígenos sintéticos
São desenvolvidas proteínas do patógeno (antígenos) a partir do 
sequenciamento gênico do microrganismo, por meio da tecnologia 
do ácido desoxirribonucleico (DNA) recombinante – por exemplo, 
vírus do papiloma humano (HPV) e hepatite B.
Vacinas virais vivas 
envolvendo vírus 
recombinantes
É uma abordagem ainda em desenvolvimento em decorrência da 
segurança do hospedeiro. São desenvolvidas a partir de genes codi-
ficadores de antígenos microbianos em um vírus não citopático a fim 
de infectar indivíduos com esse vírus, servindo de fonte de antígeno 
em um indivíduo inoculado, proporcionando imunização completa.
Imunização passiva
A imunização passiva é mais comumente utilizada para o trata-
mento rápido de doenças potencialmente fatais e causadas por 
toxinas, tal como o tétano, e para a proteção contra raiva, hepatite 
e veneno de cobra. 
A imunidade passiva tem curta duração, porque o hospedeiro não 
responde à imunização e a proteção dura apenas enquanto os anti-
corpos injetados persistirem. Além disso, a imunização passiva não 
induz memória imunológica.
11
UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
Infecções Congênitas e Infecções 
Sexualmente Transmissíveis
Infecções Congênitas
São infecções transmitidas da mãe para o feto durante a gestação. Alguns micror-
ganismos possuem a capacidade de atravessar a barreira placentária e desenvolver 
infecção no feto. Algumas infecções são mais comuns e possuem grande relevância na 
saúde pública, impactando na morbimortalidade de bebês até os dois anos de idade. 
Toxoplasmose
Trata-se de infecção causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, que apresenta 
quadro clínico variado, desde a infecção assintomática a manifestações sistêmicas extre-
mamente graves. É transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados e é 
uma das zoonoses (doenças transmitidas por animais) mais comuns em todo o mundo.
Quando a mulher é infectada durante a gestação a doença pode resultar em uma 
infecção intrauterina, variando de assintomática à letal, dependendo da idade fetal. 
Os sinais comuns no recém-nascido são prematuridade, baixo peso, coriorretinite 
pós-maturidade, estrabismo, icterícia e hepatomegalia.
Se a infecção ocorreu no último trimestre da gravidez, o recém-nascido pode apresen-
tar, principalmente, pneumonia, miocardite ou hepatite com icterícia, anemia, plaqueto-
penia, coriorretinite e ausência de ganho de peso; ou pode permanecer assintomático.
Quando ocorre no segundo trimestre da gestação, o bebê pode nascer prematu-
ramente, mostrando sinais de encefalite com convulsões, pleocitose do líquor e cal-
cificações cerebrais. Ademais, pode apresentar a tétrade de Sabin: microcefalia com 
hidrocefalia, coriorretinite, retardo mental e calcificações intracranianas.
Realizar os testes sorológicos antes e durante a gestação é de fundamental impor-
tância para evitar complicações para o bebê.
Tabela 3 – Sorologia para toxoplasmose em gestantes
Toxoplasmose IgM
Toxoplasmose IgG
Não reagente
Não reagente
A gestante deverá ter cuidado para não se infectar durante 
a gestação, evitando alimentos possivelmente infectados.
Toxoplasmose IgM
Toxoplasmose IgG
Reagente
Não reagente
Infecção ativa pelo T. gondii. Alto risco de infecção 
congênita. O tratamento e acompanhamento médico 
é necessário.
Toxoplasmose IgM
Toxoplasmose IgG
Não reagente
Reagente
Gestante e feto imunologicamente protegidos durante 
a gestação.
Rubéola
A rubéola é uma doença infectocontagiosa que acomete principalmente crianças 
entre cinco e nove anos de idade. A transmissão acontece de uma pessoa para outra, 
geralmente pela emissão de gotículas das secreções respiratórias dos doentes. É pou-
co frequente a transmissão através do contato com objetos recém-contaminados 
12
13
por secreções de nariz, boca e garganta ou por sangue, urina ou fezes dos doentes. 
A rubéola congênita acontece quando a mulher grávida a adquire e infecta o feto 
porque o vírus atravessa a placenta.
A imunidade é adquirida pela infecção natural ou por vacinação, sendo duradoura 
após a infecção natural e permanecendo por quase toda a vida após a vacinação. 
Filhos de mães imunes geralmente permanecem protegidos por anticorpos maternos 
em torno de seis a nove meses após o nascimento. Para diminuir a circulação do 
vírus da rubéola, a vacinação é essencial.
Apesar de não ser grave, a rubéola é particularmente perigosa na forma congênita. 
Neste caso, pode deixar sequelas irreversíveis no feto, tais como glaucoma, catarata, 
malformação cardíaca, retardo no crescimento, surdez e outras consequências.
Tabela 4 – Sorologia para rubéola em gestantes
Rubéola IgM
Rubéola IgG
Não reagente
Não reagente
A gestante deverá ter cuidado para não se infectar 
durante a gestação. 
Rubéola IgM
Rubéola IgG
Reagente
Não reagente
Infecção viral ativa. Alto risco de infecção congênita. 
Rubéola IgM
Rubéola IgG
Não reagente
Reagente
Gestante e feto imunologicamente protegidos durante 
a gestação.
Citomegalovírus (CMV)
 CMV é transmitido por sangue, líquidos corporais, ou transplantes de órgãos. 
A infecção pode ser adquirida por via transplacentária ou durante o nascimento.
A infecção congênita por CMV ocorre em 0,2 a 1% dos nascidos vivos no mundo 
todo, resultado da aquisição transplacentária de infecção materna primária ou recor-
rente. No neonato, a doença clinicamente aparente ocorre com maior probabilidade 
após a exposição materna primária, principalmente na primeira metade da gestação.
Cerca de 10% dos lactentes com CMV congênito são sintomáticos ao nascimento. 
As manifestações incluem restrição do crescimento intrauterina, prematuridade, icte-
rícia, microcefalia, petéquias, hepatoesplenomegalia, calcificações periventriculares,coriorretinite, hepatite, pneumonite e perda auditiva (surdez).
Tabela 5 – Sorologia para CMV em gestantes
CMV IgM
CMV IgG
Não reagente
Não reagente
A gestante deverá ter cuidado para não se infectar du-
rante a gestação. 
CMV IgM
CMV IgG
Reagente
Não reagente
Infecção viral ativa. Alto risco de infecção congênita. 
CMV IgM
CMV IgG
Não reagente
Reagente
Gestante e feto imunologicamente protegidos durante 
a gestação.
Zika Vírus
O vírus Zika é um arbovírus, ou seja, vírus transmitidos por picadas de insetos, 
especialmente mosquitos. A doença pelo vírus Zika apresenta risco superior a outras 
13
UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
arboviroses, tais como dengue, febre amarela e chikungunya, para o desenvolvimen-
to de complicações neurológicas, tais como encefalites, síndrome de Guillain Barré 
e outras doenças neurológicas. Uma das principais complicações é a microcefalia. 
A doença inicia com manchas vermelhas em todo o corpo, olho vermelho, podendo 
causar febre baixa, dores pelo corpo e nas juntas – também de pequena intensidade.
A infecção por Zika Vírus na maioria dos casos é uma doença branda e tem cura 
espontânea depois de 10 dias. As principais complicações são neurológicas e devem 
ser tratadas caso a caso, conforme orientação médica. 
No caso de o feto ser infectado durante a gestação, pode desenvolver lesões 
cerebrais irreversíveis e ter comprometida, definitivamente, toda a sua estrutura em 
formação. As doenças neurológicas, especialmente nas crianças com a doença con-
gênita (infectadas no útero materno), têm sequelas de intensidade variável, conforme 
cada caso.
O comprometimento nesses casos é tão importante que algumas crianças, ao nas-
cerem, têm microcefalia, uma deformação dos ossos da cabeça, sinal do não cresci-
mento adequado do encéfalo (cérebro). 
Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)
As IST são consideradas problemas de saúde pública e estão entre as patologias 
transmissíveis mais comuns, afetando a saúde e vida das pessoas em todo o mundo. 
As IST têm impacto direto sobre a saúde reprodutiva e infantil, porquanto acarretam 
infertilidade e complicações na gravidez e no parto, além de causar morte fetal e 
agravos à saúde da criança. Têm ainda impacto indireto na facilitação da transmissão 
sexual do HIV.
Sífilis
A sífilis é uma infecção provocada pela bactéria Treponema pallidum (Figura 1), 
uma espiroqueta que penetra nas mucosas após o contato sexual pelas pequenas 
erosões. Essa bactéria produz diversas lipoproteínas que ativam o sistema imunoló-
gico, podendo causar a destruição local dos tecidos. Se não tratado, o T. pallidum 
pode invadir o sistema linfático e se disseminar pela via hematogênica, evoluindo 
para infecção generalizada em todos os tecidos no corpo.
Tabela 6 – Classificação da sífilis
Estágio Descrição Sinais e sintomas
Sífilis adquirida
Primária Contagiosa Cancro (pequena lesão cutânea, normalmente indolor); linfadenopatia regional.
Secundária Contagiosa – ocorre semanas a meses após a fase primária
Exantemas (que podem ser confundidos com 
os decorrentes de outras doenças), erosões de 
membranas mucosas, queda de cabelo, febre, 
outros sintomas.
14
15
Estágio Descrição Sinais e sintomas
Sífi lis adquirida
Latente
Assintomática, geralmente não 
contagiosa; pode persistir in-
definidamente, ou pode evoluir 
para fase tardia.
Sífilis latente precoce (infecção com < 1 ano de 
duração), às vezes, com recidiva de lesões infec-
ciosas. Sífilis latente tardia (infecção ≥ 1 ano de 
duração), raramente com recorrências; testes 
sorológicos positivos.
Tardia ou terciária Sintomática; não contagiosa.
Classificação clínica: sífilis terciária benigna, 
sífilis cardiovascular ou neurossífilis (por exem-
plo, neurossífilis assintomática, meningovas-
cular ou parenquimatosa; tabes dorsais).
Sífi lis congênita
Precoce Sintomático – ocorre até os 2 anos de idade. Doença manifesta.
Tardia Sintomático – ocorre mais tarde na vida.
Dentes de Hutchinson, anormalidades ósseas 
ou ópticas.
Figura 1 – Treponema pallidum
Fonte: Getty Images
Diagnóstico Sorológico da Sífilis
Na sífilis primária, o diagnóstico laboratorial pode ser feito pesquisando o 
Treponema pallidum por microscopia de campo escuro em imunofluorescên-
cia direta. Os anticorpos começam a surgir na corrente sanguínea cerca de 7 a 
10 dias após o surgimento do cancro duro. Por isso, nessa fase os testes sorológi-
cos são não reagentes. O primeiro teste a se tornar reagente em torno de 10 dias 
da evolução do cancro duro é o FTA-abs, seguido dos outros testes treponêmicos 
e não treponêmicos.
Quanto mais precocemente a sífilis primária for tratada, maior será a possibilidade 
de os exames sorológicos se tornarem não reagentes. Porém, mesmo após a cura os 
testes treponêmicos podem permanecer reagentes por toda a vida.
O diagnóstico da sífilis depende da associação entre a história do indivíduo, os da-
dos clínicos e a detecção de antígenos ou anticorpos por meio de testes laboratoriais. 
15
UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
Por isso, é importante conhecer a evolução da doença, as diferentes fases da infec-
ção e o que cada teste disponível é capaz de detectar, a fim de utilizá-los adequada-
mente. Note ainda que o diagnóstico da sífilis sempre é realizado em duas etapas: 
triagem e confirmatória.
Testes Treponêmicos
São testes que detectam anticorpos contra antígenos do Treponema pallidum. 
Estes testes são qualitativos, ou seja, os seus resultados apenas informam se existe 
ou não a doença, mas não conseguem acompanhar o tratamento e a cura. Definem 
a presença ou ausência de anticorpos na amostra e são de caráter confirmatório dos 
resultados dos testes não treponêmicos que tiveram resultados reagentes.
Testes Não Treponêmicos
São testes que detectam anticorpos não treponêmicos, anteriormente denomina-
dos anticardiolipínicos, reagínicos ou lipídicos. Esses anticorpos não são especí-
ficos para Treponema pallidum, porém, estão presentes na sífilis, sendo os denomi-
nados anticorpos anti-lípides. 
Os testes não treponêmicos podem ser: 
• Qualitativos: rotineiramente utilizados como testes de triagem para determinar 
se uma amostra é reagente ou não; 
• Quantitativos: são utilizados para determinar a titulação dos anticorpos pre-
sentes nas amostras que tiveram resultado reagente no teste qualitativo e para o 
monitoramento da resposta ao tratamento. 
Efeito prozona
Este efeito é um fenômeno que ocorre em algumas situações onde a relação 
antígeno-anticorpo dos testes são desproporcionais, levando a resultados não 
reagentes em amostras sem diluição. Isto é, trata-se da ausência de reatividade 
em uma amostra que, embora contenha anticorpos não treponêmicos, apresen-
ta resultado não reagente, gerando resultados falso-negativos. Em geral, ocorre 
em amostras de pessoas com sífilis, em virtude da elevada quantidade de anti-
corpos presentes.
O fenômeno de prozona não é observado nos testes treponêmicos, mas princi-
palmente na sífilis secundária, fase em que há produção de grande quantidade de 
anticorpos. Além disso, o fenômeno é facilmente identificado fazendo-se o teste 
qualitativo com a amostra pura e diluída a 1:8 ou a 1:16.
Técnicas Utilizadas nos Testes para o Diagnóstico da Sífilis 
Existem várias metodologias utilizadas nos testes existentes para diagnosticar 
a sífilis.
16
17
Tabela 7
Testes treponêmicos
Metodologia Testes
Microscopia 
Pesquisa direta do T. pallidum
A fresco em campo escuro coloração (Fontana-Tribondeaux
ou imunfluorescência direta).
Microscopia
Imunofluorescência indireta FTA-abs – Fluorescent Treponemal Antibody absorption.
Hemaglutinação MHA-TP – Microhemaglutinação para Treponema pallidum.
Aglutinação de partículas TPPA – Treponema Pallidum Particle Agglutination Assay.
Imunoenzimáticos e as suas variações Elisa – Enzyme-Linked Immunossorbent Assay –, CMIA – Ensaio Imunológico Quimioluminescente Magnético.
Imunocromatografia Testes rápidos.
Testes moleculares Reação de amplificação do DNA dabactéria como a PCR – Reação em Cadeia da Polimerase.
Testes não treponêmicos
Metodologia Testes
Floculação
VDRL – Venereal Disease Laboratory.
RPR – Rapid Test Reagin.
USR – Unheated Serum Reagin.
Trust – Toluidine Red Unheated Serum Test.
É ilustrado na Figura 2 o fluxograma que consiste na abordagem convencional para 
o diagnóstico de sífilis por testes imunológicos, na qual se aplica teste não treponêmico 
como primeiro (VDRL), e em seguida um teste treponêmico (incluindo a possibilidade 
de ser um teste rápido) para a confirmação do diagnóstico da doença. Se executados 
em laboratório, todos os testes devem ser realizados em uma mesma amostra obtida 
por punção venosa, inclusive quando se utiliza o teste rápido treponêmico.
Resultado
Reagente?
Resultado
Reagente?
Amostra
Reagente
para Sí�lisAmostra
Não Reagente
para Sí�lis
Amostra
Não Reagente
para Sí�lis
Realizar Teste
Treponêmico
Realizar Teste 
Não Treponêmico
Amostra
sim
sim
não
não
Legenda: Processo prede�nido Processo Exige uma tomada de decisão Finalizador
Figura 2 – Fluxograma do diagnóstico laboratorial 
da sífi lis iniciado por teste não treponêmico (VDRL)
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2016
17
UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
Na Figura 3 é possível verificar o fluxograma indicado quando o paciente é diag-
nosticado inicialmente por métodos automatizados. Essa abordagem, em geral, não 
é a mais comum para diagnóstico de sífilis por testes imunológicos. Nesse caso, 
emprega-se teste treponêmico do tipo Elisa, quimioluminescência ou outros equiva-
lentes como primeiro teste, seguido por um teste não treponêmico para a confirma-
ção do diagnóstico e a análise da titulação, em casos de resultados reagentes.
Resultado
Reagente?
Resultado
Reagente?
Amostra
Reagente
para Sí�lisAmostra
Não Reagente
para Sí�lis
Realizar Teste
Não Treponêmico
Realizar Teste
Treponêmico*
Realizar Teste 
Treponêmico
Amostra
sim
sim
Resultado
Reagente?
Amostra
Reagente
para Sí�lis
sim
não
não
não
Legenda: Processo prede�nido Processo Exige uma tomada de decisão Finalizador
Amostra
Não Reagente
para Sí�lis
*Teste treponêmico com metodologia diferente do primeiro teste treponêmico realizado.
Figura 3 – Fluxograma do diagnóstico laboratorial da sífilis 
iniciado por teste treponêmico em sistemas automatizados
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2016
HIV/Aids
A síndrome da imunodeficiência adquirida – do inglês Acquired Immune Deficiency 
Syndrome (AIDS) – é causada pelo vírus da imunodeficiência humana – do inglês Human 
Immunodeficiency Virus (HIV). Os primeiros casos de Aids foram diagnosticados no início 
da década de 1980. A doença disseminou-se pelo mundo, tornando-se uma pandemia.
Estrutura do HIV
O HIV (Figura 4) é uma partícula esférica medindo de 100 a 120 nm de diâmetro, 
pertencente ao gênero Lentivirus e à família Retroviridae, que apresenta em seu nú-
cleo duas cópias de RNA de cadeia simples, encapsuladas por uma camada proteica 
ou nucleocapsídeo, um capsídeo e um envelope externo composto por uma bicama-
da fosfolipídica.
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Figura 4 – Estrutura do vírus HIV
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2018, p. 26
As proteínas virais encontradas no envelope são as glicoproteínas 120 (gp120) 
e 41 (gp41). A gp120 é a mais externa, responsável pela ligação do vírus com as 
células hospedeiras. Está ligada à gp41, que atravessa o envelope viral.
Os retrovírus apresentam a enzima transcriptase reversa, que é capaz de trans-
formar o RNA viral em cDNA, o qual é inserido pela enzima integrase ao DNA da 
célula infectada para começar o ciclo viral (Figura 5).
Na parte interna do envelope viral existe uma estrutura proteica constituída pela 
proteína 17 (p17). A estrutura seguinte é o cerne ou capsídeo viral, constituído pela 
proteína p24, que envolve duas fitas de RNA (genoma viral) e as enzimas transcrip-
tase reversa, integrase e protease.
Figura 5 – Ciclo reprodutivo do vírus HIV
Fonte: BRASIL, 2018, p. 25
Após a transmissão do vírus, há um período de aproximadamente dez dias, deno-
minado fase eclipse, antes que o RNA viral seja detectável no plasma. Estudos que 
utilizaram técnicas avançadas de sequenciamento genético das primeiras partículas 
virais detectadas no plasma permitiram demonstrar que aproximadamente 80% das 
infecções sexuais pelo HIV-1 são iniciadas por um único vírus.
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UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
Como em qualquer outra infecção viral, a primeira classe de anticorpo produ-
zida durante uma resposta imune primária é a imunoglobulina M (IgM). Devido à 
persistência do HIV, o organismo é continuamente exposto aos mesmos antígenos 
e a produção inicial de IgM é substituída pela produção de imunoglobulina G (IgG). 
Entretanto, ao contrário de outras doenças infecciosas, a presença da IgM não per-
mite diferenciar uma infecção recente de uma infecção crônica, tendo em vista que a 
IgM pode reaparecer em outros momentos durante o curso da infecção. A IgG anti-
-HIV atinge níveis séricos elevados e persiste por anos, enquanto os níveis séricos 
de IgM tendem a desaparecer com o tempo ou apresentar padrão de intermitência.
Diagnóstico do HIV
As proteínas, o genoma viral (RNA) e os anticorpos formados em resposta à in-
fecção pelo HIV são os marcadores da infecção detectados pelos testes (Figura 6). 
Figura 6 – Marcadores da infecção pelo HIV
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2018, p. 25
A detecção do HIV obedece à seguinte ordem cronológica após a infecção:
1. RNA viral é o primeiro marcador a ser detectado. Para isso utiliza-se 
métodos de biologia molecular para a realização dos testes;
2. Uma das proteínas virais, a p24, é o próximo marcador possível de se 
detectar por meio de imunoensaios;
3. De acordo com a evolução da doença, os anticorpos anti-HIV IgM pro-
duzidos contra o vírus são detectados;
4. O último marcador sorológico para o vírus é a detecção dos anticorpos 
anti-HIV IgG.
Os testes para a detecção da infecção pelo HIV são empregados principalmente 
para a triagem sorológica do sangue de doadores e a garantia da segurança transfu-
sional, dos hemoderivados e órgãos para transplante; para os estudos de vigilância 
epidemiológica; e para realizar o diagnóstico da infecção pelo HIV.
Teste Rápido
Os Testes Rápidos (TR) são IE simples, com resultados em até 30 minutos (Figura 7) 
e podem ser realizados em ambiente não laboratorial com amostra de sangue total 
obtida por punção digital ou amostra de fluido oral. 
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Figura 7 – Teste rápido para a detecção de HIV-1 e HIV-2 por imunocromatografi a
Fonte: telelab.aids.gov.br
Testes Sorológicos
Logo após a descoberta do HIV, foram desenvolvidos Imunoensaios (IE) para o 
diagnóstico da infecção. Nas últimas décadas, sucederam-se quatro gerações de IE, 
definidas de acordo com a evolução das metodologias empregadas, a partir do pri-
meiro ensaio disponível comercialmente, no ano de 1985.
Os ensaios de quarta geração detectam simultaneamente o antígeno p24 e os 
anticorpos específicos anti-HIV. O componente de detecção de anticorpo tem o for-
mato de “sanduíche”; portanto, detecta todas as classes de imunoglobulinas contra 
proteínas recombinantes ou peptídeos sintéticos derivados das glicoproteínas gp41 
e gp120/160.
A infecção pelo HIV pode ser diagnosticada por meio da detecção direta de com-
ponentes do vírus, tal como o antígeno p24, ou com Testes Moleculares (TM) que 
detectam RNA ou DNA pró-viral. A detecção do antígeno p24 do HIV-1, de RNA ou 
DNA, desempenha papel importante quando a detecção de anticorpos não é possí-
vel. Esses testes são especialmente úteis para o diagnóstico em crianças com idade 
inferior a 18 meses e na infecção aguda em adultos.
Hepatites Virais
As hepatites virais constituem atualmente uma relevante questão de saúde pública 
no Brasil e mundo – distribuindo-se de maneira universal, atingindo vários segmen-
tos da população e causando grande impacto de morbidade e mortalidade em pa-
drões de saúde como o Sistema Único de Saúde (SUS).
O diagnóstico preciso e precoce desses agravos permitetratamento adequado 
e impacta diretamente a qualidade de vida do indivíduo, sendo ainda um poderoso 
instrumento de prevenção de complicações mais frequentes, tais como cirrose avan-
çada e câncer hepático.
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UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
A avaliação clínica é de extrema importância para guiar o médico quanto ao exame 
a ser solicitado, de modo que o diagnóstico seja correto, de acordo com o tipo de 
hepatite – se A, B, C, D ou E.
As técnicas de imunoensaio são baseadas na detecção do antígeno viral e/ou 
anticorpos específicos, tais como as imunoglobulinas da classe M (IgM), que são as 
primeiras a aparecer e caracterizam, portanto, uma infecção aguda, e as imunoglo-
bulinas da classe G (IgG), que surgem após as IgM e podem permanecer indefinida-
mente, servindo como marcadores de infecção passada – caracterizando o contato 
prévio com o vírus –, ou de resposta vacinal.
Hepatite A
A principal via de contágio do HAV é a fecal-oral, por contato inter-humano ou 
por meio de água e de alimentos contaminados. Contribuem para a transmissão a 
estabilidade do HAV no meio ambiente e a grande quantidade de vírus presente nas 
fezes dos indivíduos infectados.
O diagnóstico da infecção pelo vírus da hepatite A é realizado por meio de imu-
noensaios que detectam anticorpos contra o vírus em amostras de soro. A detecção 
de anticorpos do tipo IgM sugere uma infecção recente. Esses testes são capazes de 
detectar o anti-HAV IgM entre cinco e dez dias após a infecção. A detectabilidade 
se mantém por um período entre quatro e seis meses após o contato com o vírus, 
quando os títulos desses anticorpos caem a níveis indetectáveis.
Os imunoensaios para IgM anti-HAV apresentam sensibilidade de 100%, especifici-
dade de 99% e valor preditivo positivo de 88%. Resultados falso-reagentes podem ocor-
rer e, portanto, o teste sorológico deve ser realizado apenas em indivíduos sintomáticos.
Os testes para anti-HAV total (IgM e IgG) ou para o anti-HAV IgG permanecem rea-
gentes após a infecção ou imunização durante toda a vida do paciente, sendo úteis ape-
nas para identificar indivíduos em risco por não terem sido previamente imunizados.
Tabela 8 – Interpretação laboratorial para o diagnóstico de hepatite A
Anti-HAV IgM
Anti-HAV IgG
Reagente
Não reagente
Infecção ativa.
Anti-HAV IgM
Anti-HAV IgG
Não reagente
Reagente
Memória imunológica. Neste caso, o paciente teve in-
fecção ou foi imunizado.
Anti-HAV IgM
Anti-HAV IgG
Não reagente
Não reagente
Paciente susceptível. Imunização necessária.
Hepatite B
A transmissão do HBV se dá por via parenteral e, sobretudo, pela via sexual, 
sendo a hepatite B considerada uma IST. Dessa forma, o HBV pode ser transmitido 
por solução de continuidade (pele e mucosa), relações sexuais desprotegidas e por 
via parenteral (compartilhamento de agulhas e seringas, tatuagens, piercings, pro-
cedimentos odontológicos ou cirúrgicos etc.). Outros líquidos orgânicos, tais como 
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sêmen, secreção vaginal e leite materno podem igualmente conter o vírus e constituir 
fontes de infecção. A transmissão vertical (de mãe para filho) também é causa fre-
quente de disseminação do HBV em regiões de alta endemicidade.
A detecção de anticorpos e antígenos do vírus B por meio de imunoensaios pode 
indicar diferentes estágios da infecção pelo HBV: infecção aguda, infecção crônica, 
resposta vacinal, ausência de contato prévio com o vírus e outras condições.
Tabela 9 – Interpretação laboratorial para o diagnóstico de hepatite B
HBsAg
Anti-HBc IgM
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Não reagente
Não reagente
Não reagente
Não reagente
Ausência de contato prévio com o HBV; susceptível 
à infecção pelo HBV.
HBsAg
Anti-HBc IgM
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Não reagente
Não reagente
Reagente
Reagente
Imune após infecção pelo HBV.
HBsAg
Anti-HBc IgM
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Não reagente
Não reagente
Não reagente
Reagente
Imune após vacinação contra o HBV.
HBsAg
Anti-HBc IgM
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Reagente
Reagente
Reagente/não reagente
Não reagente
Infecção recente pelo HBV (menos de seis meses).
HBsAg
Anti-HBc IgM
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Reagente
Não reagente
Reagente/não reagente
Não reagente
Infecção pelo HBV.
Hepatite C
O HCV é transmitido, principalmente, por via parenteral; no entanto, em uma 
parcela significativa dos doentes não é possível identificar a via de infecção. São 
consideradas populações de risco acrescido para a infecção pelo HCV por via pa-
renteral: indivíduos que receberam transfusão de sangue e/ou hemoderivados antes 
de 1993; pessoas que usam drogas injetáveis (cocaína, anabolizantes e complexos vi-
tamínicos), inaláveis (cocaína) ou pipadas (crack), e que compartilham os respectivos 
equipamentos de uso; pessoas com tatuagem, piercings ou que apresentem outras 
formas de exposição percutânea (por exemplo, consultórios odontológicos, clínicas 
de podologia, salões de beleza etc., que não obedecem às normas de biossegurança). 
A transmissão sexual é pouco frequente.
É importante destacar que a infecção pelo HCV já é a maior responsável por 
cirrose e transplante hepático no mundo ocidental, por isso a detecção da infecção 
deve ser realizada precocemente.
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UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
Os imunoensaios empregados estritamente em laboratório e os TR detectam 
o anticorpo anti-HCV, indicando contato com o vírus da hepatite C. O antígeno 
core do HCV pode ser detectado com o uso de imunoensaio e é um indicador da 
presença de infecção ativa, podendo ser utilizado para confirmar o resultado da 
pesquisa de anticorpos.
Tabela 10 – Interpretação laboratorial para o diagnóstico de hepatite C
Anti-HCV total Não reagente Ausência de infecção pelo HCV.
Anti-HCV total Reagente Infecção pelo HCV.
Hepatite D
A hepatite D é causada pelo vírus da hepatite D (HDV, anteriormente conhecido 
como agente Delta), podendo apresentar-se como infecção assintomática, sintomá-
tica ou de formas graves. O HDV é um vírus defectivo, satélite do HBV, que precisa 
do HBsAg para realizar a sua infecção.
O diagnóstico da hepatite D pode ser realizado tanto pela detecção de anticorpos 
anti-HDV, quanto pela pesquisa de marcadores diretos, como o antígeno do HDV, e 
pela detecção do genoma viral circulante.
Hepatite E
O HEV é um vírus de transmissão fecal-oral. Essa via de transmissão favorece a 
disseminação da infecção nos países em desenvolvimento, nos quais a contaminação 
dos reservatórios de água mantém a cadeia de transmissão da doença.
O imunoensaio é o método laboratorial mais utilizado no diagnóstico de HEV. 
Os antígenos-alvo para o imunoensaio são as proteínas recombinantes, os peptídeos 
sintéticos que correspondem aos epítopos imunodominantes das proteínas estruturais.
O teste para a pesquisa de anticorpos IgM anti-HEV pode ser usado para o diag-
nóstico da infecção recente pelo HEV. Anticorpos IgG anti-HEV são encontrados 
desde o início da infecção, com pico entre 30 e 40 dias após a fase aguda da doença, 
e podem persistir por até 14 anos.
Tabela 11 – Interpretação laboratorial para o diagnóstico de hepatite E
Anti-HEV IgM
Anti-HEV IgG
Reagente
Não reagente
Ausência de infecção pelo HEV.
Anti-HEV IgM
Anti-HEV IgG
Reagente
Não reagente
Infecção ativa pelo HEV.
Anti-HEV IgM
Anti-HEV IgG
Não reagente
Reagente
Memória imunológica pelo HEV.
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Sites
Telelab – Diagnósticos e Monitoramento
https://bit.ly/3gvMLlY
 Leitura
Manual técnico para diagnóstico da sífilis
https://bit.ly/2FSoABu
Diagnóstico do vírus da imunodeficiência humana (HIV)
https://bit.ly/3hqmirf
Manual técnico para o diagnóstico das hepatites virais
https://bit.ly/2EGbGG3
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UNIDADE Imunologia na Saúde e Doença
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual técnico para o diagnóstico da infecção 
pelo HIV em adultos e crianças. Brasília, DF, 2018.
________. Manual técnico para o diagnóstico da sífilis. Brasília, DF, 2016.
________. Coordenaçãode Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids. Sífilis. Es-
tratégias para diagnóstico no Brasil. Brasília, DF, 2010. (Série Telelab).
FERREIRA, A. W. Diagnóstico laboratorial das principais doenças infecciosas 
e autoimunes: correlações clínico-laboratoriais. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2017.
KINDT, T. J.; GOLDSBY, R. A.; OSBORNE, B. A. Imunologia de Kuby. 6. ed. 
Porto Alegre, RS: Artmed, 2008.
MCPHERSON, R. A.; PINCUS, M. R. Diagnósticos clínicos e tratamento por 
métodos laboratoriais de Henry. 21. ed. São Paulo: Manole, 2013. 
VAZ, A. Imunoensaios: fundamentos e aplicações. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2018.
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