Buscar

tcc_de_teologia[1]

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 3, do total de 17 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 6, do total de 17 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 9, do total de 17 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Prévia do material em texto

O PAPEL DA EVANGELIZAÇÃO NOS DIAS ATUAIS 
 
 
Discente Jucival da Silva Farias 
Professora Thauana Paiva de Souza Gomes 
 
 
RESUMO 
 
A partir da análise de Lc 23,39-43 - onde é apresentado o papel da evangelização 
no diálogo com alguns autores da ética apresenta pesquisas que visam refletir sobre 
o sofrimento e a morte, visando ajudar aqueles que realizam um monitoramento 
abrangente de pessoas vivendo na contemporaneidade. A contribuição bíblica está 
unida à ética para gerar reflexos de apoio e crescimento em meio a situações 
extremas, visando tornar o sofrimento e a morte produtivos, com um sentido 
redentor. 
Palavras-chave: Evangelização. Contemporaneidade. Fé. 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
O movimento pentecostal, nascido nos Estados Unidos nos primeiros anos do 
século XX, experimentou uma vigorosa expansão na América Latina nas últimas três 
décadas. Seu forte componente emocional, suas práticas religiosas e sua insistência 
na comunicação direta, pessoal e permanente com a divindade e em sua 
intervenção milagrosa diária relacionam-na com formas populares e tradicionais de 
religiosidade, ao mesmo tempo em que a torna objeto de forte crítica por alguns 
setores intelectuais seculares. 
No entanto, quando, em 31 de outubro de 1517, o monge alemão Martinho 
Lutero pendurou suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg para todos 
verem, ele estava dando origem a uma série de movimentos religiosos e igrejas que 
mudariam profundamente o mundo (de acordo com o raciocínio de Max Weber em A 
Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo). Neste documento, o Martinho Lutero 
criticou duramente o costume católico de vender indulgências e, assim, rejeitou a 
ideia de que a salvação do inferno era possível através de contribuições financeiras 
feitas à Igreja. 
Para Lutero, o perdão era uma graça que só Deus poderia conceder, e nem 
caridade, nem boas ações, nem as promessas dos bispos garantiram a salvação. 
Tudo o que os fiéis podiam fazer era aceitar Jesus como o Salvador, confiar em Sua 
graça, e tentar viver para aprovação divina. Lutero, aliás, descartou a inerrância 
papal e reconheceu a Bíblia – e a interpretação pessoal que, sob a inspiração do 
Espírito Santo, cada crente a fez como a única fonte de autoridade religiosa. 
Por essas ideias ele foi excomungado em 1521. Seu pensamento, ao 
expandir-se com algumas variantes em diferentes países, deu origem à chamada 
Reforma Protestante. Enquanto o catolicismo baseou sua fé na Igreja, e em sua 
cabeça, o Papa, os grupos dissidentes que emergiram de Lutero afirmaram seu 
credo nos Evangelhos – razão pela qual logo seriam conhecidos como evangélicos. 
A autoridade que esses grupos conferiram a cada crente na interpretação 
autônoma da Bíblia deu origem a um processo contínuo de criação, 
institucionalização e dissidência religiosa que continua até hoje e que ajuda na 
expansão desse credo religioso em todo o mundo. 
 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
 
 
2.1 A Gênese da Experiência Religiosa Pentecostal 
 
 
Durante a segunda metade do século XIX, os Estados Unidos 
experimentaram uma onda de ressurgimento religioso conhecida como “O Segundo 
Despertar”, na qual diferentes grupos reivindicaram não apenas a interpretação 
personalizada da Bíblia e a aceitação de Cristo como o único Salvador, mas também 
a cura divina e a necessidade de uma forte experiência experiencial que assinaria 
esse encontro pessoal com Jesus. 
Com essa formação religiosa surgiram, no início do século XX, as primeiras 
igrejas pentecostais. Muitos grupos atuais afirmam como o nascimento do 
movimento pentecostal o batismo no Espírito Santo vivido pelo pregador negro 
William Seymour em sua igreja na Rua Azusa, em Los Angeles, em 1906. 
Essa experiência fundadora reviveu a cena do pentecostes bíblico em que os 
apóstolos, sob a influência do Espírito Santo, falavam em línguas que não 
conheciam. O "batismo no Espírito" logo se espalhou para outras igrejas e também 
para outras regiões: missionários da igreja da Rua Azusa foram dispersados para 25 
países nos dois anos seguintes. 
Na experiência pentecostal do início do século XX, as manifestações que 
evidenciavam a presença divina no indivíduo incluíam glossolalia (falando em 
línguas estranhas) e outras experiências como quebra, choro ou explosões de risos, 
sonhos ou visões. Essas manifestações então variaram de acordo com a cultura em 
que o pentecostalismo se desenvolveu e as formas pelas quais os missionários 
tentaram difundi-lo. Assim, curas milagrosas ou a resolução de problemas afetivos e 
econômicos tornaram-se o sinal desse encontro com Jesus e, ao mesmo tempo, 
objeto de demanda religiosa. 
Nesse sentido, o pentecostalismo tem, além de suas diversidades, um padrão 
doutrinário e prático comum resumido na afirmação "Jesus cura, salva, santifica e 
retorna como rei". Jesus cura o corpo, salva a alma e aproxima Deus através de 
uma experiência de encontro pessoal com ele. 
A ênfase em qualquer um desses quatro temas pode variar, mas o principal 
para um pentecostal é a contínua cura e ação salvadora de Jesus em diferentes 
momentos de sua vida pessoal. Essa interpretação dos fatos da vida na chave da 
intervenção divina permanente diferencia pentecostais e evangélicos de outros 
grupos cristãos; para eles, a possibilidade do milagre não é excepcional, mas diária, 
mesmo em casos que outros grupos religiosos considerariam banal. Daí a 
insistência, em sermões de pastores e evangelistas, na fé em um Jesus vivo, ativo 
todos os dias na vida dos crentes. 
 
2.2 O pentecostalismo na Ámerica Latina 
 
Embora o pentecostalismo tenha nascido nos Estados Unidos, a forma 
pentecostal de conceber e se relacionar com o mundo espiritual está muito próxima 
da religiosidade popular latino-americana. A possibilidade de intervenção divina no 
cotidiano das pessoas, a comunicação direta com a divindade, tanto durante rituais 
quanto fora dos rituais, e a importância da emoção nessa comunicação são todos 
elementos presentes na religiosidade popular que geralmente não são enfatizados – 
ou aprovados – pela hierarquia da Igreja Católica. 
Nas igrejas pentecostais, pelo contrário, essa forma de se relacionar com o 
divino é aprimorada e isso imprime algumas modificações e ajustes à própria 
ideologia. Características semelhantes, embora enquadradas em diferentes sistemas 
de crenças, são encontradas em outras expressões religiosas. 
Não é por acaso que essas variantes são as que mais se expandiram na 
Brasil e em outros países vizinhos. Essa expansão aparece como consequência 
lógica da continuidade cultural que existe entre a religiosidade popular latino-
americana e essas religiões. O sucesso dessas igrejas parece estar no fato de que 
elas expressam, adotam e legitimam elementos da religiosidade popular que não 
eram bem-vindos nas religiões instituídas. 
A persistência de visões de mundo encantadas e práticas religiosas não 
parece agora, como se acreditava anteriormente, incompatível com a modernidade. 
Mais do que o resultado da ignorância religiosa dos setores populares – como as 
hierarquias religiosas mantêm – ou da "crise socioeconômica", como afirmado por 
alguns setores seculares iluminados, essas práticas expressam pressupostos 
culturais estendidos em vastos setores das sociedades latino-americanas. 
A possibilidade de recorrer à ajuda espiritual de vários tipos é uma das várias 
estratégias de resolução de problemas presentes em ambientes populares, que 
podem aumentar em tempos de crise, mas certamente não surgem delas. 
Assim, crenças e práticas pentecostais têm sido muitas vezes desacreditadas 
como "alienantes". Embora essa linha de crítica tenha sido mais prevalente há uma 
ou duas décadas, ainda faz parte da linguagem da suspeita com que esses grupos 
religiosos são referenciados. 
No sentido mais extremo, indica os efeitos nocivos que a participação em 
rituais altamente emocionais poderia tersobre o indivíduo. Outras conotações mais 
sociológicas do termo referem-se aos pentecostais sendo "alienados" de seu grupo 
comunitário original e até mesmo da sociedade à qual pertencem. 
Uma terceira interpretação, em uma chave política, considera que por trás 
desse crescimento estaria à direita conservadora dos EUA, que tenta desmobilizar 
politicamente as massas latino-americanas em busca da imposição de ideologias 
neoliberais. Em qualquer um desses três significados, é (pré)assumido que a 
afiliação religiosa teria consequências negativas para o indivíduo, seu grupo 
comunitário e sociedade. 
Essas críticas, mesmo quando empunhadas com linguagem científica, não 
encontram maior apoio na produção acadêmica contemporânea. A socióloga 
brasileira Cecilia Mariz (2012) conduziu uma análise detalhada do pentecostalismo 
como uma das estratégias de sobrevivência utilizadas pelas classes populares. 
A autora (2012) ressalta que os líderes dos grupos obtêm um sustento 
econômico e um certo prestígio social e político. Para seus membros, essas 
comunidades religiosas constituem redes de apoio mútuo que permitem maior 
acesso aos recursos materiais e são adicionadas às redes sociais pré-existentes 
sem substituí-las. 
No nível psicossocial, a conversão ao pentecostalismo transforma atitudes 
individuais em relação ao consumo, eliminando despesas não essenciais para a 
subsistência familiar e enfatizando a poupança. Ao destacar a existência de um 
plano divino no qual o crente desempenha um papel de liderança, ele lhe dá um 
sentimento de poder que lhe permite enfrentar dificuldades diárias. 
A adoção de crenças pentecostais parece ser especialmente vantajosa para 
as mulheres, que geralmente constituem dois terços dos devotos desta religião. Em 
estudo realizado na Colômbia, a antropóloga americana Elizabeth Brusco (2017) 
aponta que o pentecostalismo é um dos poucos movimentos que conseguiram 
modificar as relações de gênero na vida doméstica. 
Brusco argumenta que a religião pentecostal serve aos interesses práticos 
das mulheres, melhorando as circunstâncias materiais da família - o marido aloca 
seus recursos econômicos para ela – e também serve aos seus interesses 
estratégicos, uma vez que a relação homem-mulher não é mais governada por 
valores machistas, mas por valores evangélicos. A esposa permanece subordinada 
ao homem, mas agora as aspirações do marido coincidem muito mais do que antes 
com as de sua esposa. 
O trabalho de cientistas sociais brasileiras como a Cecília Mariz sugere que 
os crentes pentecostais não se afastam de seus pares mundanos, uma vez que o 
novo pertencimento religioso permite criar uma rede social que não elimina, mas se 
soma aos anteriores. 
Além de ter parentes, amigos e conhecidos não crentes, o convertido está 
ligado a uma nova rede de relações sociais, o que melhora seu acesso à circulação 
de bens e serviços necessários à subsistência em condições precárias: atendimento 
a crianças ou idosos, alojamento para migrantes, acesso à moradia e informação 
sobre empregos ou serviços. 
Sobre o papel dos recursos estrangeiros na disseminação do 
pentecostalismo, estudos mostram que, pelo contrário, essa religião só conseguiu se 
tornar massiva quando foi "nacionalizada". Por exemplo, no caso brasileiro, somente 
quando foram formados líderes vernáculos que inauguraram igrejas locais, seu 
desenvolvimento se tornou significativo, por volta da década de 1980, com algumas 
figuras paradigmáticas como os pastores de denominações da Assembleia de Deus 
e da Igreja Universal. 
Nesse sentido, o crescimento das igrejas evangélicas na América Latina e, 
especialmente, no Brasil é geralmente explicado pelo uso assíduo da mídia e pelas 
reuniões maciças de evangelização que realizariam "com apoio do exterior". Embora 
mais estudos sejam necessários, as evidências indicam que os programas de 
televisão e rádio não têm o sucesso que geralmente são atribuídos na função de 
proselitismo. 
Os dados que temos indicam que, consistentemente, com estudos de 
conversão conduzidos por muitos sociólogos, os contatos interpessoais com 
membros do grupo são mais importantes para a afiliação a um novo grupo religioso 
do que a publicidade da mídia. É provável que algumas pessoas venham ao grupo 
através da propaganda, mas sua decisão de se tornar parte dela depende se o 
indivíduo já tem amigos, parentes ou conhecidos que são membros, ou que, caso 
contrário, estabeleçam relações afetivas com os membros. 
Por outro lado, programas de televisão evangélicos parecem ser consumidos 
principalmente por um público que já pertence a essa fé religiosa e frequenta uma 
igreja evangélica em sua localidade. É provável que a importância de incorporar 
devotos através da pregação em praças e em campanhas massivas de 
evangelização também seja superestimada, pois o público é quase certamente 
composto de já convertidos, principalmente por causa da ressonância supracitada 
entre as noções pentecostais de cura divina e as premissas culturais de vastos 
setores sociais suburbanos. 
No entanto, a maior parte das tarefas de convencer e manter a visão de 
mundo pentecostal são realizadas por pastores em suas atividades diárias nas 
milhares de igrejas, grandes, médias, pequenas e muito pequenas que estão 
espalhadas pelo país. 
 
2.3 O papel da evangelização nos dias atuais 
 
Como vimos até agora, a evangelização será a grande questão pós-conciliar. 
No Brasil, o tema será discernido de acordo com a natureza missionária da Igreja, 
que, ao invés de propor novos modelos de pastoral, gera um processo de 
autoconhecimento da identidade eclesial com vistas à realização de sua vocação no 
continente. Esse processo é caracterizado pelo acolhimento do Ad Gentes 2, texto 
que representa uma das mais importantes viradas eclesiológicas do Conselho por 
reconhecer que a igreja é missionária por natureza (OCELAM, 1987). 
A Igreja não tem missões, mas ela mesma é missionária e, portanto, 
evangelizada e evangelizadora ao mesmo tempo. Dessa forma, a recepção do 
modelo de igreja do Povo de Deus que a distinguiu não pode ser entendida fora 
dessa dimensão – uma vez que toda a Igreja é missionária e o trabalho de 
evangelização é um dever fundamental do Povo de Deus (PYRONIUM, 1974). 
A noção da Igreja como o Povo de Deus alude ao tema principal de toda a 
evangelização e em um estado permanente de missão. Deus reconheceu essa 
qualificação da vida eclesial afirmando que a missionária não é apenas uma 
dimensão programática na vida cristã, mas também uma dimensão paradigmática 
que afeta todos os aspectos da vida cristã [derivada] da natureza missionária da 
Igreja. A partir dessa leitura emerge, no pontificado presente, uma clara recepção do 
espírito e do texto de Ad gentes (TRIGO, 1987). 
Queremos destacar e aprofundar abaixo alguns marcos fundamentais no 
processo de tematização e aprofundamento da recepção missionária no Brasil, pois 
isso implicou uma novidade singular no contexto do Igreja Global, ao vincular os 
processos de evangelização realizados pelas Igrejas locais com o desenvolvimento 
e libertação de povos e culturas (HOEKENDIJ, 1967). 
Esse caminho, nascido da experiência ambiental e vivido, permitiu então uma 
leitura orgânica dos documentos Lumen gentium (Igreja Povo de Deus), Ad gentes 
(em estado permanente de missão) e Gaudium et spes (à luz dos sinais dos 
tempos), dando lugar à formalização de uma eclesiologia em chave do Povo de 
Deus como o tema da missão (FRANCIS, 1974). 
Nesse contexto, a palavra libertação pretende distinguir o próprio fato da 
salvação, que se destaca sob duas premissas: (1) a promoção do ser humano com 
vistas à sua participação sociopolítica e ao aumento econômico de sua subsistência, 
(2) o desenvolvimento de seus próprios povos que lhes dá poder a libertar-se de 
qualquer forma de colonialismo (FRANCISCO, 2013). 
Sobre o tema da libertação se torna novamenteimportante destacar a 
libertação como a função adequada do trabalho de uma evangelização renovada 
com base em três pilares: (1) a proclamação da práxis de Jesus; (2) a proclamação 
da força transformadora do Reino, e; (3) o chamado à conversão eclesial. Ao fazê-lo, 
ele incentiva uma ação de diakonia de todo o Povo de Deus como tema da missão 
evangelizadora da Igreja (ERRÁZURIZ, 2017). 
Com isso, deve-se ressaltar que não se evangeliza ensinando doutrinas 
anteriores, egocêntricas e não relacionadas à realidade das pessoas que vivem em 
cada cultura, pois a evangelização diz relação direta com a promoção humana e a 
completa libertação dos povos, sem isso não há a identificação entre o Reino de 
Deus e o desenvolvimento humano (COLZANI, 1975). 
Essa conexão entre os processos de evangelização e a proclamação de uma 
libertação integral do ser humano reflete a face de uma Igreja autenticamente pobre, 
missionária e pascal, desvinculada de todo o poder temporal e corajosamente 
comprometido com a libertação de cada homem (BIDEGAIN, 1993). 
As conclusões destacam a importância que a mensagem de libertação das 
pessoas assume no trabalho de evangelização, uma vez que a evangelização 
carrega consigo uma mensagem explícita, adaptada às diversas situações e 
constantemente atualizada, sobre os direitos e deveres de cada pessoa humana, 
sobre a família, sobre a vida comunitária da sociedade, sobre a vida internacional, a 
paz, a justiça e o desenvolvimento; uma mensagem, especialmente vigorosa em 
nossos dias, sobre a libertação (FRANCIS, 1974). 
Enuncia-se assim o significado de uma libertação que deve ser entendida em 
três ordens: antropológica (uma vez que parte do reconhecimento dos problemas 
sociais e econômicos concretos de cada sujeito humano), teológica (desde que não 
haja redenção sem justiça) e evangélico (já que o amor ao próximo implica seu 
crescimento na humanidade) (BIDEGAIN, 1993). 
O Representante da igreja adverte que não é possível aceitar que o trabalho 
de evangelização pode ou deve esquecer as questões extremamente sérias, tão 
agitadas hoje, que dizem respeito à justiça, libertação, desenvolvimento e paz no 
mundo, porque para isso, seria ignorar a doutrina evangélica sobre o amor ao 
próximo (BIORD, 2009). 
É essa fidelidade ao Evangelho, e especialmente à fraternidade que decanta 
uma vida cristã, que manifesta a mais autêntica vocação e identidade da instituição 
como igreja em actu, que precisa ser evangelizada e requer conversão para servir 
ao mundo de caminho críveis e trazendo a doce alegria de evangelizar. (BEOZZO, 
2016). 
 
2.4 Para uma conversão missionária e pastoral 
A conversão da Igreja ocorre precisamente em missão, saindo de si mesma e 
superando a própria auto-referencialidade. É uma experiência que é amatizada sob 
a noção de conversão pastoral, que liga a experiência eclesial da Igreja em saída 
permanente com seus processos de reforma também permanentes (TRIGO, 1987). 
O desafio não é pouca coisa: a Igreja não consegue mais entender sua 
relação com o mundo apenas a partir da oferta sacramental, mas é chamada, 
obrigada, a andar em sua missão como povo de Deus no meio dos povos e 
problemas deste mundo. Os novos tempos marcam o desafio de recuperar sua 
identidade missionária na partida para a outra (Aparecida 226) (ERRÁZURIZ, 2017). 
O texto aponta para um aprofundamento da eclesiologia conciliadora; pede 
que a missão da Igreja seja revista, tanto no seu ser quanto em seu trabalho, com 
ênfase em tudo relacionado à conversão de consciência e práxis. A conversão é 
verificada, de forma concreta, no exercício da autoridade, na medida em que é vivida 
à luz das relações de igualdade (HOEKENDIJ, 1967). 
Todo um círculo hermenêutico, mas também de demandas palpáveis no 
cotidiano, que ainda requer a implementação dessas relações a partir do sensus 
fidelium, que funciona em razão da dignidade batismo de todos e do 
empoderamento do Espírito que fala através de cada pessoa e realidade (Ad Gentes 
11) (ERRÁZURIZ, 2017). 
Com base nisso, a conversão de estruturas é então solicitada através da 
criação de dinamismos ou processos internos que favoreçam o melhor cumprimento 
da missão da Igreja no mundo. Assim, no documento de São Domingos, a noção de 
conversão pastoral é proposta como eixo orgânico, estruturando toda a gênese e 
organização da missão evangelizadora da Igreja, que afeta tudo e todos em relação 
aos estilos de vida (práxis pessoal e comunitária), os exercícios de autoridade e 
poder (relações de igualdade e autoridade) e modelos eclesiales (estruturas e 
dinamismos) (PYRONIUM, 1974). 
A conversão de mentalidades e a reforma das estruturas postuladas a partir 
dessa noção não têm outro propósito a não ser fortalecer o modo evangelizador de 
testemunha, porque – viver o Povo de Deus nas comunidades, especialmente 
diocesanas e paroquiais, em que é de alguma forma visível, cabe também a eles 
testemunhar a Cristo antes do povo (OCELAM, 1987). 
A tradição latino-americana aprofunda o caminho aberto por Santo Domingo 
na V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, encontro em 
Aparecida, em 2007. A conversão pastoral (368-370) está situada em relação às 
"reformas espirituais, pastorais e institucionais (Aparecida 367), por isso, dando um 
passo adiante em direção se considera necessário abandonar estruturas obsoletas 
que não favorecem mais a transmissão da fé (Aparecida 365) (COLZANI, 1975). 
O cumprimento da missão evangelizadora da Igreja deve assumir o caminho 
– desde um cuidado pastoral de mera preservação até um cuidado pastoral 
decididamente missionário‖ (Aparecida 370). A identidade missionária da Igreja 
(Aparecida 347) propõe um modelo a seguir, o da "comunidade de comunidades 
evangelizadas e missionárias‖ (Aparecida 99) que reúne todos os fiéis como sujeito 
de evangelização coletiva. Em outras palavras, o que qualifica a identidade dos 
membros eclesiais é a condição do discipulado-missionário que irradia da igualdade 
de todos na dignidade do batismo (FRANCIS, 1974). 
Nesta nova e criativa recepção missionária da Igreja, reconhecida em Ad 
Gentes, a conversão pastoral exige que, como comunidades eclesiais, sejam – 
comunidades de discípulos missionários em torno de Jesus Cristo, Mestre e Pastor. 
Daí a atitude de abertura, diálogo e disposição para promover a corresponsabilidade 
e a participação efetiva de todos os cristãos na vida das comunidades cristãs 
(Aparecida 368) (COLZANI, 1975). 
Baseia-se, portanto, em uma profunda correlação existente entre a conversão 
pastoral, o modelo eclesiológico missionário e a gestão eclesial que envolve todos 
os sujeitos eclesiais por igual, considerados fiéis no âmbito do Povo de Deus, de tal 
forma que, como os missionários mantêm na Conferência, juntamente com todos os 
fiéis e em virtude do Batismo, somos, em primeiro lugar, discípulos e membros do 
Povo de Deus. Como todos os batizados, e junto com eles, queremos seguir Jesus, 
Mestre da vida e da verdade, na comunhão da Igreja (Aparecida 186) (BIDEGAIN, 
1993). 
Assim, os novos processos evangelizadores devem incorporar três elementos 
intrínsecos à missão da Igreja: (1) a opção preferencial para os pobres, (2) 
promoção humana interna, (3) autêntica libertação cristã (Aparecida 146). O impulso 
de uma nova evangelização não pode permanecer na luta pela recuperação de 
espaços perdidos, mas deve avançar para a geração de dinâmicas socioculturais de 
transformação, pois "todo processo evangelizador implica a promoção de libertação 
humana e autêntica sem a qual não é possível uma ordem justa na sociedade 
(Aparecida 399) (FRANCIS, 1974). 
Uma Igreja Missionária requer uma conversão pastoral permanente 
(Aparecida 366) de sua própria estrutura eclesial e de sua forma de se relacionar 
com a sociedade (Aparecida 368) (BIDE;GAIN, 1993). 
A reforma, evangelização e promoção humana exigemuns aos outros. Isso 
também foi afirmado pelos representantes da igreja quando admitiram que "o 
Concílio Vaticano II lembrou, e o Sínodo de 1974, mais uma vez insistentemente 
tocou neste tema da Igreja que é evangelizado através da conversão e renovação 
constante, a fim de evangelizar o mundo de forma crível (BIDEGAIN, 1993). 
Não se trata apenas de ir para aqueles que estão longe, mas para aqueles 
que ainda não conhecem Cristo e para aqueles que ainda não conhecem Cristo eles 
ainda experimentam a paternidade de Deus, manteve em sua mensagem ao afirmar 
que cada Igreja em particular também é chamada à sua própria conversão 
missionária, para uma partida constante para as periferias de seu próprio território ou 
para as novas esferas socioculturais (EG 30). É, então, um dinamismo que germina 
em razão de sua encarnação no meio dos povos e culturas em que faz a vida (EG 
115) (ERRÁZURIZ, 2017). 
Não estamos mais diante do modelo territorial de missões pré-conciliadoras, 
ou no campo do envio de missionários para terras distantes. A realidade missionária 
atual enfrenta o desafio de se inserir em espaços socioculturais que se 
desenvolvem em meio a um mundo pós-colonial e intercultural e no qual a 
eclesiologia e a missiologia se cruzam (OCELAM, 1987). 
Essa visão implica recuperar uma leitura do Conselho capaz de unir Lumen 
gentium (eclesiologia) com Ad gentes (eclesiogênese). A nova hermenêutica da 
reciprocidade entre os dois documentos conciliadores pode redefinir a dimensão 
missionária do ser eclesial e colocá-la no âmbito de um processo de constituição das 
igrejas locais. 
Sendo assim, a missão não pode se limitar aos Ad Gentes, deve ampliar o 
horizonte para Inter Gentes e Cum Gentibus, e assim priorizar as formas 
ambientais, de testemunho e de convívio de serem realizadas antes do doutrinário 
ou temático, pois o Evangelho não é anunciado como um imperativo moral sobre a 
realidade sociocultural local (AG 10-11), mas implica e exige uma promoção integral 
de cada ser humano (EG 182) (PYRONIUM, 1974). 
 
 
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Como vimos, a natureza missionária da Igreja refere-se ao seu modo habitual 
de ser e estar no mundo. Trata-se de um processo eclesiogenésico que define e 
redefine a identidade e a vocação eclesial à luz de uma saída permanente de si 
mesma, sua inserção em cada realidade sociocultural e os sinais dos tempos das 
épocas. 
A missão constitui a essência da Igreja. Como Igreja não temos uma missão, 
mas a missão nos tem como Igreja, nos sustenta, nos encontra e nos impelia. 
Missão não é uma invenção da Igreja para sua preservação. Não somos nós que 
definimos a missão, mas a missão nos define. Missão não é uma função da igreja, 
mas constitui sua essência e realização existencial. 
O Brasil experimentou um desenvolvimento único de projeto missionária da 
Igreja que, a partir de um processo de eclesiogênese ambiental na chave da missão, 
de baixo e para cima, tornou-se a formulação e recepção de uma eclesiologia formal 
em clara conexão com a Igreja. 
Podemos dizer que a graça da missionária, de sair de si mesmo e da 
peregrinação nos fez perceber que esta Igreja peregrina é missionária por natureza 
e sempre precisa ser evangelizada, se quiser preservar seu frescor, seu impulso e 
sua força para proclamar o Evangelho e fazer o Reino de Deus presente hoje, 
especialmente no meio dos pobres, das vítimas e dos excluídos, porque evangelizar 
é fazer o Reino presente no mundo. Não se trata, portanto, apenas de ir ao povo 
(ad gentes), mas, sobretudo, de estar com o povo (cum gentibus) e entre as pessoas 
(inter gentes). 
O chamado de Ad gentes permanece em vigor, o que nos convida a seguir o 
caminho dos processos de inculturação, de aprofundamento nas realidades 
socioculturais para compartilhá-los e, a partir deles, testemunhar e caminhar em 
busca de comunidades cristãs constituídas e vivas. 
Este caminho de testemunha que hoje precisa urgentemente ser recuperado 
é uma exortação para reler a eclesiologia do Povo de Deus de Lumen Gentium, 
tendo em vista o caráter peregrino e a dimensão missionária de Ad gentes, quando 
nos encoraja ao diálogo frutífero no qual que os próprios fiéis possam habilmente 
suportar esta testemunha de Cristo, podem se reunir com esses homens para 
apreciação e caridade, reconhecer-se como membros do grupo humano em que 
vivem, e participar da vida cultural e social pelas diversas relações e negócios da 
vida humana; estar familiarizado com suas tradições nacionais e religiosas, descobrir 
com alegria e respeitar as sementes da Palavra que bate neles; mas assistir, ao 
mesmo tempo, a profunda transformação que ocorre entre os povos. 
Assim, é necessário construir uma nova hermenêutica da testemunha 
evangélica que decorre de pequenas comunidades ambientais integradas ao redor 
da Palavra, e em diálogo com a realidade local para que toda a raça humana possa 
formar um povo de Deus. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
BENTO XVI. Mensagem para o Dia Mundial Missionário, 6 de janeiro de 2012. 
Disponível em: http://www.vatican.va/content/benedict- 
xvi/en/messages/missions/documents/hf_ben-xvi_mes_20120106_world-mission-
day-2012.html Acesso em 13 out. 2022. 
BEOZZO, J. O. (ed.). Cristianismo e igrejas no BrasilI. Costa Rica: Departamento de 
Pesquisa Ecumênica (DEI), 1992. 
BEOZZO, J. O. Cristianismo e igrejas na Brasil. Departamento de Pesquisa 
Ecumênica (DEI). São Paulo, 2016, p. 111. 
BERNARDI, B. Missões. En GAROFALO, S.; FEDERICI, T. (eds.). Dicionário do 
Concílio Ecumênico do Vaticano II. Roma, 1969. 
BIDEGAIN, A.M. As comunidades eclesiais básicas na formação do partido dos 
trabalhadores. História Critica 7, 1993, p. 92-109. 
BIORD, R. O Missio Dei. Paradigma da teologia ou um cavalo de Tróia? Rio de 
Janeira, 2009. 
CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. I Conferência Geral do 
Episcopado Latino-Americano. Rio, conclusões. 
CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Evangelização, um desafio da 
Igreja. Sínodo de 1974: documentos representante da igrejais e sinodais. Presença 
de Celam e do Episcopado Latino-Americano, Celam, Bogotá 1976. 
CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento Final de Aparecida, V 
Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, 2007. 
CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento Final de Medellín, II 
Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, 1968. 
CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento Final de Puebla, III 
Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, 1979. 
CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento Final de Santo 
Domingo, IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, 1992. 
COLZANI, G. A natureza missionária da Igreja. Ensaio histórico sobre a era 
moderna. EDB, 1975. 
DHAVAMONY, Mariasusai. Documenta Missionalia. Pontifícia Universidade 
Gregoriana. Roma 1975, p. 161-190. 
ERRÁZURIZ, M. L. Pastoral Letter. Desenvolvimento: sucesso ou fracasso no Brasil. 
Chamada de Bispo para cristãos. Veritas 37, 2017, p. 205-232. 
FRANCIS, P. E. A evangelização do mundo de hoje na América Latina. Exposição 
apresentada no Sínodo Episcopal de 1974. 
FRANCISCO. Dia Mundial da Missão, 2013. Disponivel em: 
http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/missions/giornata-
missionaria2013.html Acesso em: 15 out. 2022. 
GAROFALO, Salvatore; FEDERICI, Tomasso (eds.). Dicionário do Concílio 
Ecumênico do Vaticano II. Roma, 1969, p. 1.416ff. 
HOEKENDIJ, J. C. A igreja do avesso. Londres: SCM, 1967. 
II Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, Introdução, 1971. 
XIX Assembleia de Celam. Haiti, 9 de março de 1983. 
LUCIANI, R. Da socialidade conjunta à dimensão pastoral do Povo de Deus, 
Fronteiras (Recife, Brasil), v. 1 n. 2, 2018, p. 353-376. 
MERONI, F.; GIL, A. (eds.). Missão, o futuro da Igreja. Missio ad-inter gentes. São 
Paulo, 2018. 
NOCETI, S. Igreja, lar comum. Uma palavra profética do para a Amazônia. 
Bologna: EDB, 2020,p. 95-138. 
OCELAM, I. A igreja Latino-Americana. Rio de Janeiro, Ed. Conclusões, 1987. 
OROPEZA, M.L. A Conferência Eclesial da Amazônia. Um organismo territorial sem 
precedentes para um kairos na Igreja. Revista Medellín 179, 2020, p. 543-562. 
PIAZZA, A. G. - O problema da evangelização. Monitor ecclesiasticus 81, 1956, p. 
13-26. 
PYRONIUM, E. F. A evangelização do mundo de hoje no Brasil. Exposição 
apresentada no Sínodo Episcopal de 1974. 
TRIGO, F. R. Análise teológica protestante da Igreja na América Latina. Revista 
Latinoamericana de Teologia 10, 1987, p. 29-61.

Materiais relacionados

Perguntas relacionadas

Materiais recentes

Perguntas Recentes