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Semana do Edital | 39º Exame de Ordem 
 Direito Civil na OAB 
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 Semana do Edital | 39º Exame de Ordem 
 Direito Civil na OAB 
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Queridos alunos, 
 
Cada material da Semana do Edital foi preparado com 
muito carinho para que você possa conhecer os 
conteúdos queridinhos da FGV! 
Nós deciframos os principais mistérios da prova! 
Não conte com a sorte, conte com o Ceisc. 
Esperamos você durante as aulas da Semana do 
Edital! 
 
 
Com carinho, 
Equipe Ceisc ♥ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Semana do Edital | 39º Exame de Ordem 
 Direito Civil na OAB 
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1ª FASE OAB | 39° EXAME 
Direito Civil 
5 conteúdos favoritos da FGV 
 
 
Sumário 
 
Conheça a 2ª Fase de Civil........................................................................................4 
1. Pessoas Naturais .................................................................................................. 5 
2. Propriedade: Usucapião de Bens Imóveis e Móveis ............................................. 5 
3. Sucessão Legítima: Ordem da Vocação Hereditária ............................................. 8 
4. Sucessão Testamentária ....................................................................................... 9 
5. Direitos Reais de Garantia .................................................................................. 13 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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https://ceisc.com.br/quiz/teste-vocacional-2afase-ceisc
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1. Pessoas Naturais 
 
2. Propriedade: Usucapião de Bens Imóveis e Móveis 
O Código Civil estabelece, nos arts. 1.225-1.227, as disposições sobre os direitos reais. 
Segundo o art. 1.225, CC, são direitos reais: “I – a propriedade; II – a superfície; III – as 
servidões; IV – o usufruto; V – o uso; VI – a habitação; VII – o direito do promitente comprador 
do imóvel; VIII – o penhor; IX – a hipoteca; X – a anticrese. XI – a concessão de uso especial 
para fins de moradia; XII – a concessão de direito real de uso; XIII – a laje; e XIV - os direitos 
oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito 
Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de 
cessão.”. 
O direito de propriedade é um direito real que determina que uma coisa fica submetida à 
vontade de uma pessoa, limitada pela lei e pela função social ou pelas cláusulas derivadas da 
vontade impostas sobre a coisa. Seu conceito está mais direcionado aos atributos do direito de 
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propriedade do que, propriamente, a uma definição. Este direito consiste em poder usar, gozar 
e dispor do bem, podendo, também, reavê-lo contra aquele que injustamente o detenha ou 
possua. 
Trata-se de um direito fundamental, inscrito no art. 5º, XXII, da CF, que pode ser oponível 
contra todos os membros da sociedade (direito erga omnes). Deve atender a uma função social, 
em benefício da coletividade. Por fim, seu conceito/definição está diretamente ligado aos 
atributos ou às faculdades relativas à propriedade: usar, gozar, dispor e reaver (art. 1.228, CC), 
sendo, portanto, um direito exclusivo do titular e complexo. 
Direito de uso: utilização da coisa conforme as permissões legislativas, ou seja, existem 
limites ao uso como, por exemplo, o direito de vizinhança, a desapropriação ou o tombamento. 
Direito de gozo ou fruição: a possibilidade de retirar da coisa os frutos que ela produz 
(sejam eles naturais ou civis), como, por exemplo, a locação de um imóvel. 
Direito de disposição: sendo o proprietário da coisa, poder transmiti-la a terceiro, seja 
por ato entre vivos (compra e venda) ou causa mortis (testamento), seja de forma onerosa 
(mediante pagamento) ou gratuita (negócio benéfico, sem pagamento). 
Direito de reinvindicação, ou seja, possibilidade de, através de ação petitória, com 
fundamento na propriedade, reivindicar a coisa de quem a detenha injustamente. A ação 
reivindicatória é a ação petitória mais comum, tratando-se de ação real fundada no domínio. 
Estes quatro atributos da propriedade: gozar, reivindicar, usar e dispor, são resumidos 
na sigla GRUD. Se uma pessoa tiver todos estes atributos, terá a propriedade plena. Contudo, 
faltando algum deles ou, caso esses atributos sejam divididos entre duas ou mais pessoas, 
haverá a propriedade restrita – Ex.: usufruto, onde o usufrutuário tem os poderes de usar e 
gozar da coisa e o nu-proprietário, os poderes de dispor e reaver. 
 
2.1. Usucapião de bens imóveis e móveis 
A usucapião é a forma mais comum de aquisição originária de propriedade. Trata-se de 
forma de aquisição de propriedade ou outros direitos reais em face do decurso do tempo, 
condicionada à existência de posse e com a observância dos requisitos de lei para cada uma 
das modalidades/espécies. 
Para que se configure o/a usucapião deve-se ter: a) posse com a intenção de ser dono 
(posse ad usucapionem); posse deve ser mansa e pacífica, sem oposição; transcurso do lapso 
temporal prescrito em lei. 
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Usucapião extraordinária (art. 1.238 do CC): posse ad usucapionem e lapso temporal 
de 15 anos. Dispensa a existência de justo título e boa-fé. Redução de prazo: o prazo poderá 
ser reduzido para dez anos se o imóvel for utilizado para moradia habitual ou se tiver sido 
realizada obra ou serviço de caráter produtivo. 
Usucapião ordinária (art. 1.242 do CC): posse ad usucapionem, lapso temporal de dez 
anos, justo título (título hábil a transferir a propriedade) e boa-fé (desconhecer ou inexistir 
eventuais vícios que maculem a posse). Redução de prazo: o prazo reduz-se para cinco anos 
se o imóvel tiver sido adquirido, de forma onerosa, devidamente registrado e, posteriormente, 
tiver o registro cancelado e desde que os possuidores tenham estabelecido lá sua moradia ou 
realizado investimentos de interesse social e econômico. 
Usucapião especial rural (art. 1.239, CC + art. 191, CF): posse ad usucapionem, lapso 
temporal incontestado e ininterrupto de cinco anos, área rural de até 50 hectares, produtividade 
ou moradia, não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
Usucapião especial urbana (art. 1.240, CC + art. 183, CF): posse ad usucapionem; 
lapso temporal incontestado e ininterrupto de cinco anos; área urbana de até 250 m², usada 
para moradia; não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
Usucapião especial urbana por abandono do lar conjugal (art. 1.240-A, CC): posse 
ad usucapionem exercida de forma direta; lapso temporal incontestado e ininterrupto de dois 
anos; área urbana de até 250 m², usada para moradia (posse direta), da qual o usucapiente 
seja proprietário em conjunto com ex-cônjuge ou companheiro que tenha abandonado o lar; 
não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
Usucapião especial urbana coletiva (art. 10, Lei 10.257/2001): núcleos urbanos 
informais (aqueles clandestinos, irregulares ou nos quais não foi possível realizar, por qualquer 
modo, a titulação de seus ocupantes, ainda que atendida a legislação vigente à época de sua 
implantação ou regularização); posse ad usucapionem; lapso temporal de cinco anos; área por 
possuidor inferior a 250 m²; não serem os possuidores proprietários de outro imóvel urbano ou 
rural. A pretensão de usucapião dos possuidores deve ser julgada por sentença, na qual o juiz 
irá determinar a formação de um condomínio indivisível entre os possuidores, e a cada um 
caberá uma fração ideal igual da área do terreno,independentemente da área ocupada. 
Registro do título: forma de aquisição derivada de propriedade na qual, para que a 
transmissão se efetive, não basta a celebração do contrato, sendo necessário, também, o 
registro do título aquisitivo (art. 1.245 a 1.247, CC). 
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Lembre-se! “Quem não registra, não é dono”, pois somente com o registro do título 
translativo é que a propriedade será adquirida. 
A propriedade móvel pode ser adquirida de forma originária e derivada. São formas 
de aquisição da propriedade móvel: usucapião, ocupação, achado de tesouro, tradição, 
especificação, confusão, comissão e adjunção. 
Usucapião ordinária (art. 1.260, CC): posse ad usucapionem, lapso temporal de três 
anos, justo título e boa-fé. 
Usucapião extraordinária (art. 1.261, CC): posse ad usucapionem, lapso temporal de 
cinco anos. Não exige justo título e nem boa-fé. 
3. Sucessão Legítima: Ordem da Vocação Hereditária 
 *Para todos verem: esquema 
 
Falecido Solteiro
DESCENDENTES
- Mais próximos excluem os mais remotos;
- Existe direito de representação;
- Filhos sucedem por cabeça;
- Outros descendentes, por cabeça ou por estirpe, conforme se 
achem ou não no mesmo grau.
ASCENDENTES
- Mais próximos excluem os mais remotos;
- Não há direito de representação;
- Havendo igualdade em grau e diversidade em linha, os 
ascendentes da linha paterna herdam a metade, cabendo a outra 
aos da linha materna. 
COLATERAIS
- Mais próximos excluem os mais remotos;
- Ordem: 1º Irmãos - 2º Sobrinhos - 3º Tios - 4º Demais colaterais;
- Existe direito de representação – FILHOS DE IRMÃOS: Irmão 
unilateral – peso 1 - Irmão bilateral – peso 2.
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 *Para todos verem: tabela comparativa 
 
Falecido casado ou convivente em união estável 
 
Descendentes em concorrência 
com o sobrevivente 
 
Ascendentes em concorrência 
com o sobrevivente 
Sobrevivente como herdeiro 
universal 
Condicionado ao regime de bens Independentemente do regime de 
bens 
Não havendo descendentes, nem 
ascendentes 
Regra: há ocorrência Meação sobre bens comuns Direito real de habitação sobre o 
imóvel em que o casal residia 
Exceção: CUB, SOB, CPB, s/BP Herda sobre a totalidade da 
herança (outra metade dos bens 
comuns + totalidade de bens 
particulares) 
 
- 
Meação sobre bens comuns % de concorrência 
Herança sobre bens particulares 1/3 se concorrer com Pai e Mãe - 
% de concorrência ½ se concorrer só com Pai ou só 
com Mãe ou se maior for o grau 
- 
Divisão igualitária – qualquer 
número de filhos individuais 
- - 
Reserva de ¼ da herança – mais 
de 3 filhos comuns 
- - 
4. Sucessão Testamentária 
4.1. Espécies de testamento 
Pela sucessão testamentária, o autor da herança dispõe do seu patrimônio, obedecendo 
à sua vontade. A liberdade de dispor por testamento será limitada, nos casos de haver herdeiros 
necessários (ver tópico relativo à liberdade de dispor), e plena, quando houver apenas herdeiros 
facultativos (art. 1.857 do CC). O testamento é ato personalíssimo e essencialmente revogável 
(art. 1.858 do CC). 
A capacidade testamentária deve ser analisada/aferida no momento em que a disposição 
for celebrada. Toda pessoa capaz pode dispor por testamento. Nesse sentido, o art. 1.860 
dispõe que, além dos incapazes, não podem testar os que, no ato de fazê-lo, não tiverem pleno 
discernimento, podendo os maiores de 16 anos testar. A perda da capacidade posterior a 
celebração do testamento não invalida o ato, assim como a aquisição da capacidade após 
realizar o testamento não o torna válido. 
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O testamento produz efeitos a partir do óbito do autor da herança e eventual invalidade 
deve ser discutida a partir do registro do testamento, no prazo de cinco anos, conforme o art. 
1.859, CC. Por sua vez, o art. 1.909 afirma que são anuláveis as disposições testamentárias 
que sejam viciadas por erro, dolo ou coação, extinguindo-se em quatro anos o direito de anular 
a disposição a partir do momento em que o interessado tiver conhecimento do erro. Significa 
dizer, portanto, que, ainda que se trate de um testamento nulo (realizado sem a observância da 
forma legal ou que o testador deliberou mediante dolo), só pode ser anulado até quatro anos 
após a ciência do vício. 
 
4.1.1 Formas ordinárias de testamento 
a) Testamento público – arts. 1.864-1.867 do CC: escrito pelo Tabelião de Notas, no 
Tabelionato, nos termos das declarações prestadas pelo testador. Exige a presença de duas 
testemunhas, que assinarão o ato junto com o testador e o Tabelião, após a leitura do 
testamento (art. 1.864, CC). Registro: art. 736 do CPC/2015. 
b) Testamento cerrado – arts. 1.868 -1.875 do CC: o testador elabora o termo (ou 
alguém a seu rogo) e dependerá de instrumento de aprovação do tabelião, realizado na 
presença do testador e de duas testemunhas, seguindo-se do seu fechamento e costura do 
instrumento, sendo o documento entregue ao testador. O testador deverá saber ler, pois precisa 
ter meios de se certificar de que, no caso de terceiro redigir o testamento a seu rogo, seguiu 
correta e fielmente as suas instruções. Neste caso, o testador pode não saber escrever, mas, 
necessariamente, deve saber ler (art. 1.872, CC). O surdo-mudo pode fazer testamento 
cerrado, desde que escreva e assine (art. 1.873, CC). Registro: art. 735 do CPC/2015. 
c) Testamento particular – arts. 1.876-1.880, CC: o testador elabora o ato de 
disposição de última vontade de próprio punho (ou digitado e impresso), sendo assinado pelo 
testador e lido para três testemunhas, que também o subscreverão. As testemunhas terão o 
dever de, com a morte do testador, confirmar a autenticidade do testamento. Registro: art. 737 
do CPC/2015. 
d) Codicilo – arts. 1.881-1.885, CC: ato de última vontade pelo qual o testador dispõe 
sobre questões mais pessoais ou sobre bens de pequeno valor. O objeto do codicilo é inferior 
ao do testamento, sendo, portanto, limitado. Não pode instituir herdeiro ou legatário, efetuar 
deserdações, legar imóveis ou disposições patrimoniais de valor considerável. Execução: art. 
737, § 3o, do CPC/2015. 
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4.1.2 Formas especiais de testamento 
Além das formas ordinárias de testamento previstas (público, cerrado e particular), o 
Código Civil prevê formas especiais, as quais não podem ser livremente escolhidas pelas 
pessoas (como nas formas ordinárias), mas sim são determinadas por circunstâncias e 
situações excepcionais nas quais se encontra aquele que pretende manifestar sua vontade. 
Tanto seu registro quanto seu cumprimento se darão de acordo com o art. 737, § 3o, do 
CPC/2015, obedecendo às regras do testamento particular. 
a) Marítimo – arts. 1.888 a 1.892, CC: é a declaração de última vontade, feita a bordo 
de navios, embarcações: em alto-mar. Pode ser feito pelos tripulantes ou pelos passageiros 
(art. 1.888). Justifica-se em caso de emergência e necessidade. Não prevalece se a 
embarcação estiver em local onde o testador poderia ter desembarcado e testado de forma 
ordinária (art. 1.892). Caducará se o testador não morrer em viagem, nem nos 90 dias 
subsequentes ao seu desembarque em terra, onde possa fazer, na forma ordinária, outro 
testamento (art. 1.891). 
b) Aeronáutico – arts. 1.888 a 1.892, CC: é aquele feito por quem estiver em viagem, 
a bordo de aeronave militar ou comercial, perante pessoa designada pelo comandante. A 
garantia da entrega ao comandante é o registro no diário de bordo. A integridade do testamento 
fica sob a guarda daquele. Caducará se o testador não morrer na viagem ou nos 90 dias 
subsequentes ao desembarque não testar da forma ordinária (art.1.891, CC). 
c) Militar – art. 1.893, CC: é o realizado pelo militar e outras pessoas a serviço das 
forças armadas em campanha (médicos, enfermeiros, engenheiros etc.) que estejam 
participando de operações de guerra dentro ou fora do país. Justifica-se pela 
excepcionalidade da situação. Caducará se o testador, nos 90 dias seguidos, puder testar 
por uma das formas ordinárias. 
d) Nuncupativo: é feito de viva voz, perante duas testemunhas, por alguém que está 
empenhada em combate ou ferida, ou seja, a pessoa está exposta a risco de vida e 
impossibilitada de usar a forma escrita. Se findar a guerra ou o testador convalescer, cessarão 
os motivos que autorizam essa forma de testamento. 
 
4.1.3 Disposições testamentárias em geral – arts. 1.897-1.911 
As disposições testamentárias contemplarão disposições de caráter pessoal, como, por 
exemplo nomeação de tutor, reconhecimento de filho etc., ou patrimonial. 
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4.1.4 Interpretação do testamento 
Havendo necessidade de interpretar as cláusulas testamentárias, deve-se atentar para 
buscar a verdadeira intenção do testador (art. 1.899, CC). 
 
4.1.5 Disposições vedadas 
A legislação traz disposições que não podem constar no testamento: art. 1.898 
(nomeação a termo), art. 1.900 (instituição de herdeiro sob condição captatória; nomeação de 
pessoa incerta; beneficiar pessoa incerta, a ser identificada por terceiro; deixar ao arbítrio do 
herdeiro a fixação do valor do legado; beneficiar às pessoas indicadas nos arts. 1.801 e 1.802. 
 
4.1.6 Disposições permitidas 
A nomeação de herdeiro pode se dar de forma motivada, pura e simples, sob condição 
ou com imposição de encargo (art. 1.897, CC). O art. 1.911, CC dispõe sobre a possibilidade 
de o testador estabelecer cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e 
incomunicabilidade sobre os bens que integram a sucessão testamentária. Contudo, o art. 
1.848 do CC restringe essas cláusulas para a legítima, determinando que, somente com justa 
causa, poderão ser estabelecidas. 
 
4.2. Sucessão testamentária: revogação, rompimento e redução de 
disposições testamentárias 
O testamento pode ser revogado de forma expressa ou tácita (quando dispuser, em 
testamento posterior, de forma distinta do anterior). A revogação pode se dar de forma total 
(declara-se, em novo testamento, a revogação do anterior, não fazendo nenhuma limitação ou 
reserva) ou parcial (limita-se ao tópico atingido – art. 1.970 do CC). 
O testamento rompe-se sempre que, ao dispor dela, o autor da herança não sabia da 
existência de herdeiros necessários, vindo a descobri-los após a elaboração do documento 
(causa superveniente). Se o testador dispõe somente de sua metade disponível, a exclusão 
dos herdeiros necessários não implica a ruptura do testamento. Se o testador avançou na 
legítima do herdeiro necessário de que tinha conhecimento, o testamento não se rompe, mas 
reduz-se à liberalidade para o efeito de restaurar por inteiro a quota legalmente reservada. 
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A liberdade de testar é relativa pois, havendo herdeiros necessários, o testador só poderá 
dispor da metade da herança. Assim, para resguardar a legítima, a lei permite a redução das 
disposições testamentárias. Desta forma, toda vez que essas disposições ultrapassarem a 
quota disponível do testador, serão proporcionalmente reduzidas as quotas do herdeiro ou 
herdeiros instituídos, até onde bastem, e, não bastando, também os legados, na proporção de 
seu valor. Ex.: se alguém que tem dois filhos faz uma disposição a favor de um no montante de 
60%, a redução ocorre em 10%. 
 
*Para todos verem: esquema. 
 
5. Direitos Reais de Garantia 
Os arts. 1.419-1.510 do CC tratam de direitos reais de garantia: penhor, hipoteca e 
anticrese. Tais direitos referem-se a garantias reais – vinculação a um bem – para pagamento 
de dívidas. Assim, estabelecem uma vinculação entre o credor e uma coisa dada em garantia 
para cumprimento de uma obrigação. 
Autor da herança testa
Sabendo da existência de 
herdeiro necessário
Autor da herança ultrapassa o 
limite da liberdade de dispor
Autor da herança falece
TESTAMENTO É CUMPRIDO 
= mas com redução das 
disposições ao limite da parte 
disponível
Sucessão será legítima – 50% 
e testamentária – 50%
Autor da herança testa
Sem saber existência de 
herdeiro necessário
Herdeiro necessário aparece 
após testamento
Autor da herança falece
TESTAMENTO NÃO É 
CUMPRIDO = rompe-se
Sucessão será exclusivamente 
legítima
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Apenas quem tem poder de alienar a coisa é que pode dá-la em garantia (art. 1.420). 
Constitui-se a garantia real sobre coisa imóvel quando o contrato é levado a registro. No caso 
dos móveis, basta a tradição, se a lei não exigir, também, o registro. 
Assim, havendo inadimplemento, o credor deverá levar o bem a leilão (se móvel) ou 
praça (se imóvel), sendo vedado o pacto comissório, ou seja, segundo o qual o credor poderia 
ficar com a coisa em pagamento da dívida, sendo nula a cláusula que contenha tal previsão 
(art. 1.428, CC). O valor obtido com a alienação judicial será utilizado para quitar o débito. Se 
superior, devolve-se ao devedor o saldo. Se inferior, permanece o débito quanto ao saldo. Pode 
o credor, após o vencimento da dívida, dar a coisa em pagamento (art. 1.428, parágrafo único). 
Os credores com garantia real terão preferência para receber seus créditos quando 
houver concurso de credores. 
Pagamentos parciais do débito não exoneram a parte correspondente da garantia; ou 
seja, enquanto não for quitada a totalidade da dívida, não será liberada a garantia. 
Considera-se vencida a dívida de forma antecipada (art. 1.425, CC): 
 
I – se, deteriorando-se, ou depreciando-se o bem dado em segurança, desfalcar a 
garantia, e o devedor, intimado, não a reforçar ou substituir; 
II – se o devedor cair em insolvência ou falir; 
III – se as prestações não forem pontualmente pagas, toda vez que deste modo se achar 
estipulado o pagamento. Neste caso, o recebimento posterior da prestação atrasada 
importa renúncia do credor ao seu direito de execução imediata; 
IV – se perecer o bem dado em garantia, e não for substituído; 
V – se se desapropriar o bem dado em garantia, hipótese na qual se depositará a parte 
do preço que for necessária para o pagamento integral do credor. 
 
 
No caso de falecimento do devedor, seus sucessores não poderão resgatar parcialmente 
o penhor ou hipoteca. Deverão saldar o total e se sub-rogar nos direitos do credor sobre as 
quotas dos demais herdeiros. 
 
 
 
 
 
 
 
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https://www.youtube.com/watch?v=yCnHXxGW4EM
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