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GE - TOPICOSINTEGRADORESIII_BIOMEDICINA - UNIDADE 1_SEREDUCACIONAL (1)

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UNIDADE I
TÓPICOS INTEGRADORES III - 
BIOMEDICINA 
2
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida ou transmitida de 
qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou 
qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, do Grupo Ser Educacional.
Edição, revisão e diagramação: 
Equipe de Desenvolvimento de Material Didático EaD 
 
__________________________________________________________________________
Gonçales, Juliana. 
Tópicos Integradores III – Biomedicina, Guia de Estudo: Unidade 1 – Recife: Grupo Ser Educacional, 
2021.
___________________________________________________________________________
Grupo Ser Educacional
Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro
CEP: 50100-160, Recife - PE
PABX: (81) 3413-4611
3
TÓPICOS INTEGRADORES III
UNIDADE 1
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Olá, estimado (a) aluno (a)! Tudo bem com você?
Seja bem-vindo (a) ao primeiro guia de estudo da disciplina de Tópicos Integradores 
III - Biomedicina. Nós iremos recapitular alguns conceitos básicos de imunologia 
clínica, que serão necessários para compreender as técnicas de imunodiagnóstico 
discutidas em seguida. Você será introduzido às técnicas laboratoriais de média 
e alta complexidade utilizadas na rotina de um setor de imunologia, como a 
imunofluorescência indireta, o ELISA, ensaios de aglutinação e imunocromatografia. 
Bons estudos! 
ORIENTAÇÕES DA DISCIPLINA
Esse guia de estudo irá abordar aspectos não estudados anteriormente, por isso, 
é importante que você acesse os materiais adicionais e consulte a bibliografia 
indicada. No ensino a distância você é o gestor do seu progresso acadêmico, e as 
leituras são fundamentais para que você consiga adquirir o conhecimento necessário 
para se tornar um excelente profissional. Por esse motivo, organize seu tempo de 
estudo de acordo com sua disponibilidade. 
Preparado (a)? Começaremos a discutir sobre as metodologias associadas ao 
diagnóstico. 
IMUNODIAGNÓSTICO
A nomenclatura imunodiagnóstico representa um conjunto de técnicas laboratoriais que se baseiam 
no princípio da interação específica que ocorre entre antígenos e anticorpos, para expressar os seus 
resultados. São métodos que apresentam entre si, alta especificidade e sensibilidade diagnóstica, que 
melhoraram a qualidade e velocidade de resultados, principalmente voltados a doenças infecciosas. As 
principais técnicas aplicadas em laboratório são:
• imunofluorescência;
• enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA);
• ensaios de aglutinação e precipitação;
• imunocromatografia; 
• quimioluminescência; 
• veneral disease research laboratory (VDRL).
4
Para compreender o princípio de ação dos testes imunodiagnósticos, é necessário recapitular alguns 
conceitos fisiológicos, estruturais e práticos, voltados principalmente aos antígenos e anticorpos, bem 
como o processo de interação que acontece entre os dois, responsável por fornecer os resultados dos 
testes. 
Antígenos (Ag)
Antígenos compreendem qualquer estrutura capaz de reagir com os componentes do sistema 
imunológico, induzindo tanto uma resposta celular quanto uma resposta humoral, que resulta 
na produção de anticorpos específicos para o mesmo, caracterizando a imunogenicidade. Outra 
característica de interação dos antígenos com o sistema imunológico é o processo de antigenicidade, 
definido como a capacidade que uma estrutura possui de se ligar a anticorpos ou a receptores de 
linfócitos. A distinção entre essas duas características é importante, pois a antigenicidade está 
estritamente relacionada com o processo de ligação em si, sendo uma característica comum a todos os 
antígenos. Entretanto, a imunogenicidade se correlaciona com a capacidade que um antígeno possui de 
induzir uma resposta imunológica específica para ele, e esse processo está ausente em alguns tipos de 
antígenos. Haptenos é o nome dado a um conjunto de moléculas de baixo peso molecular, que apesar 
de apresentar a capacidade de se ligar aos componentes imunológicos (antigenicidade), não conseguem 
induzi-los à formação de uma resposta específica, a menos que esteja associado a uma proteína 
carreadora.
Uma molécula antigênica é normalmente composta por diversas estruturas chamadas epítopos (ou 
determinantes antigênicos), que são caracterizados como a menor porção estrutural de um antígeno, 
capaz de ser reconhecido por linfócitos ou anticorpos e estimular uma resposta imunológica. Um mesmo 
antígeno pode apresentar epítopos diferentes, que promovem uma resposta específica para cada um 
deles. 
Após estimular uma resposta imunológica, o epítopo que desencadeou a reação passa a ser reconhecido 
especificamente pelos elementos imunológicos gerados, que são: anticorpos que atuam como 
receptores de membrana de linfócitos B (BCR), anticorpos livres produzidos por linfócitos B ativados 
(plasmócitos) e por receptores de linfócitos T (TCR), que necessitam de um prévio processamento 
antigênico, e apresentação por moléculas do complexo principal de histocompatibilidade.
Figura 1 - Reação antígeno-anticorpo
Fonte: LINK
https://www.diagnosticosdobrasil.com.br/uploads/images/2021/05/imuno-histoquimica-1620845422.png
5
Anticorpos (Ac)
Como já foi discutido anteriormente, os anticorpos (ou imunoglobulinas) são moléculas que participam 
da resposta imunológica humoral e são produzidos por linfócitos B ativados devido ao contato com um 
antígeno, que passam a ser chamados de plasmócitos. O receptor dos linfócitos B (BCR) é constituído 
por alguns tipos de anticorpos de membrana que, quando ativados, estimulam a célula a produzir e 
liberar anticorpos específicos para o antígeno que originalmente desencadeou a resposta imunológica. 
Todas as moléculas de imunoglobulinas são constituídas por duas cadeias leves (L – light) e duas 
cadeias pesadas (H – heavy), ligadas entre si através de pontes dissulfeto, e são as variações 
estruturais das cadeias pesadas que definem a qual classe pertence cada imunoglobulina, que podem 
ser: IgG, IgM, IgD, IgE e IgA. 
As classes podem apresentar conformações estruturais e funções diferentes, tais como:
• IgG – É um anticorpo com estrutura monomérica mais abundante do organismo e com importante 
papel na resposta imunológica adquirida secundária. Atua na opsonização de patógenos, ativação 
do sistema complemento, citotoxicidade dependente de anticorpos (ADCC) e possui a capacidade de 
ultrapassar a barreira placentária. 
• IgM – É um anticorpo com estrutura pentamérica, que faz parte da composição dos receptores de 
linfócitos B (BCR) e são as primeiras imunoglobulinas produzidas durante a resposta imunológica 
adquirida contra uma nova infecção. 
• IgA – É um anticorpo com estrutura dimérica, encontrado principalmente em membranas mucosas 
do trato gastrointestinal, respiratório, urogenital, além de estar presente nas lágrimas, saliva e leite 
materno. Previne o desenvolvimento de infecções nos locais onde estão presentes.
• IgE – É um anticorpo com estrutura monomérica, também encontrado em mucosas, e desempenha 
um papel importante em processos alérgicos, além de apresentar atividade parasitária ao permitir 
atividade de eosinófilos, a partir do processo de citotoxicidade dependente de anticorpos (ADCC). 
• IgD – É um anticorpo monomérico, encontrado em menores concentrações, que também faz parte da 
estrutura dos receptores de linfócitos B (BCR).
Figura 2 – Classes dos anticorpos
Fonte: LINK
https://static.mundoeducacao.uol.com.br/mundoeducacao/2020/04/classes-de-anticorpos.jpg
6
A estrutura básica dos anticorpos é formada a partir da combinação de cadeias pesadas e cadeias 
leves, entretanto, essas cadeias podem ser subdivididas em porções (ou regiões) variáveis e porções 
constantes. Cada cadeia pesada e cada cadeia leve possui uma região variável e uma região constante 
que, como o próprio nome sugere, tratam-se de regiões com composições distintas e imutáveis, 
respectivamente.Prezado (a) estudante, a junção das porções variáveis da cadeia leve e da cadeia pesada forma o sítio 
de ligação ao antígeno e, por isso, a sua conformação varia de anticorpo para anticorpo, garantindo 
diferentes especificidades. A informação de que a região constante apresente a mesma composição 
em diferentes anticorpos é importante para compreender os testes de imunodiagnósticos que serão 
discutidos nos próximos guias. 
Figura 3 – Estrutura dos anticorpos
Fonte: LINK
Processo de interação entre Ag-Ac
Os mecanismos de interações multivalentes entre anticorpos e antígenos são importantes para a 
compreensão de algumas possíveis alterações nos testes de imunodiagnósticos. Existem basicamente 
três tipos de interações entre antígenos e anticorpos, que devem ser levadas em conta no momento da 
interpretação de testes de imunodiagnósticos, são elas: pró-zona, zona de equivalência e pós-zona.
A zona de equivalência representa um estado do teste em que existe uma estabilidade entre as 
concentrações de antígenos e anticorpos, garantindo uma formação satisfatória de imunocomplexos 
(anticorpos ligados a antígenos), necessários para a interpretação dos resultados dos testes. A pró-zona 
e a pós-zona correspondem respectivamente a uma concentração excessiva de anticorpos em relação 
aos antígenos, e uma concentração excessiva de antígenos em relação aos anticorpos, dificultando a 
formação dos imunocomplexos e favorecendo a obtenção de resultados falso-negativos. 
https://s4.static.brasilescola.uol.com.br/img/2016/07/estrutura-anticorpo.jpg
7
O teste de VDRL (Veneral Disease Research Laboratory) é um teste não treponêmico utilizado para 
compor o diagnóstico da sífilis, que por apresentar uma excessiva produção de anticorpos em algumas 
fases da doença, é um dos principais testes que podem cursar com resultados falso-negativos devido 
ao efeito pró-zona. Para corrigir esse tipo de efeito deve-se realizar diluições seriadas no teste, com o 
objetivo de reduzir a concentração de anticorpos em relação aos antígenos, permitindo a formação de 
imunocomplexos visíveis por microscopia. 
GUARDE ESSA IDEIA!
Os resultados expressos por diluições seriadas são dados em titulações (1/8, 1/16,1/32), que 
representam os níveis de diluições das amostras que apresentaram resultados positivos. 
Figura 4 – Concentração crescente de antígeno
Fonte: LINK
IMUNOFLUORESCÊNCIA
Os ensaios de fluorescência são testes, na maioria dos casos, de alta especificidade e ampla aplicação 
laboratorial. Esses testes se baseiam no uso de conjugados, que são anticorpos ou antígenos 
estruturalmente associados a uma molécula que permite a visualização dos resultados, esse conceito 
também é necessário para entender outros testes, que serão abordados mais adiante. 
Tratando especificamente de imunofluorescência, são utilizados anticorpos conjugados a moléculas 
chamadas fluorocromos, que apresentam como característica principal a capacidade de absorver luz 
com baixo comprimento de onda, bem como emitir uma energia fluorescente com comprimento de onda 
superior ao comprimento que originalmente foi absorvido, ou seja, a interpretação dos resultados desse 
teste se baseia na visualização da emissão de energia fluorescente. 
https://imunosite.files.wordpress.com/2017/10/resumo3.jpg
8
O fluocromo mais comumente utilizado é o isotiocianato de fluoresceína (FITC), que confere às estruturas 
marcadas uma fluorescência de cor verde. Existem dois tipos de técnicas de imunofluorescência, são 
elas:
• direta: é uma técnica que utiliza um anticorpo conjugado a um fluorocromo, que possui 
especificidade para a detecção direta de antígenos presentes em células ou tecidos, abrangendo os 
componentes intracelulares e a membrana.
• indireta: essa técnica também utiliza um anticorpo conjugado a um fluorocromo, mas diferente da 
metodologia direta, que tem como objetivo a pesquisa de antígenos, os anticorpos utilizados no 
método indireto apresentam especificidade para a região constante da imunoglobulina humana, 
ou seja, por se tratar de um anti-anticorpo, essa técnica visa detectar anticorpos que foram 
previamente formados após estímulo antigênico. 
A imunofluorescência indireta é muito utilizada para a identificação da presença ou ausência de 
anticorpos específicos para microrganismos infecciosos no soro do paciente. A técnica se baseia 
na fixação prévia do antígeno de interesse em uma lâmina de imunofluorescência, para que, 
posteriormente, a amostra do paciente com a suspeita de infecção possa ser colocada em contato com 
o antígeno em questão. Sabemos que em caso de positividade, os anticorpos do paciente irão interagir 
com os epítopos dos antígenos que foram aplicados e, após a adição do conjugado, o mesmo, se liga 
às regiões constantes dos anticorpos do paciente. A leitura é feita com um microscópio específico, que 
incide uma luz ultravioleta na lâmina, permitindo a visualização da fluorescência. 
Figura 5 - Representação esquemática da reação de IFI positiva
Fonte: LINK
É possível observar na imagem abaixo o resultado positivo de um teste FTA-Abs (Fluorescent 
Treponemal Antibody Absorption), que é o nome dado à imunofluorescência indireta utilizada para 
o diagnóstico de sífilis. Nela, é possível observar toda a estrutura do Treponema pallidum, emitindo 
fluorescência. 
https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22100/mod_resource/content/1/manualChagas.pdf
9
Figura 6 – FTA-Abs para Treponema pallidum
Fonte: LINK
Outra imagem que podemos observar é um resultado positivo de imunofluorescência indireta para 
a pesquisa de anticorpos específicos para o Trypanosoma cruzi. Assim como no FTA-Abs, é possível 
observar toda a estrutura do parasita através da emissão de fluorescência. A imunofluorescência 
compõe o diagnóstico da doença de Chagas, que deve ser obrigatoriamente liberado com resultados 
positivos de duas metodologias distintas, uma com alta especificidade, como a imunofluorescência e 
outra com alta sensibilidade, como o ELISA. Em algumas ocasiões, a hemaglutinação indireta, que será 
discutida adiante, também pode ser utilizada como teste complementar para o diagnóstico. 
Figura 7 – Reação positiva de IFI
Fonte: a autora.
http://images.howmed.net/wp-content/uploads/2012/08/Treponema-pallidum1.jpg
10
O fator antinuclear (FAN) é uma técnica de imunofluorescência específica para a detecção de 
autoanticorpos contra o núcleo, nucléolo, citoplasma e aparelho mitótico celular utilizado no diagnóstico 
de doenças autoimunes. Devido a gama de anticorpos detectáveis pelo teste, ele também pode ser 
chamado de Pesquisa de Anticorpos contra Antígenos Celulares (PAAC).
O método utilizado é uma imunofluorescência indireta, que utiliza células HEp-2 como substrato fixados 
nas lâminas, que são células tumorais da laringe que, por apresentarem a capacidade de multiplicação 
rápida, permitem a avaliação da divisão celular. O FAN é, atualmente, um importante recurso para o 
diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), uma doença de caráter inflamatório que pode afetar 
diferentes órgãos de forma lenta ou rápida. 
Diferente de outros métodos de imunofluorescência, em que a interpretação dos resultados se restringe 
basicamente a uma visualização da presença ou ausência de reação fluorescente, no método de FAN, 
diferentes padrões de fluorescência devem ser interpretados, por fornecerem um melhor direcionamento 
para um diagnóstico específico. Os padrões que normalmente podem ser encontrados nos casos de LES 
são: núcleo com fluorescência homogênea com formação nuclear de pontilhados grossos ou finos. Cada 
padrão, apesar de estar associado a uma mesma doença autoimune, pode representar um autoantígeno 
diferente que apresentou reatividade. 
Figura 8 – Imunofluorescência positiva para o fator antinuclear
Fonte: LINK
http://www.minutobiomedicina.com.br/uploads/posts/766/exame-fan-fator-antinuclear.jpg
11
ELISA
O teste Enzyme-Linked Immunosorbent Assay (ELISA) é um método de alta sensibilidade, amplamenteutilizado em laboratórios, principalmente para o diagnóstico de doenças infecciosas. O teste é realizado 
em uma placa com 96 poços, que representam a fase sólida (a composição da fase sólida pode variar 
dependendo do kit utilizado), em que existe a possibilidade de se imobilizar antígenos ou anticorpos 
de interesse, dependendo do que se deseja detectar (anticorpos imobilizados, caso o objetivo seja a 
pesquisa de antígenos, ou antígenos imobilizados, caso o objetivo seja a pesquisa de anticorpos). A 
identificação do analito é feita a partir do uso de um anticorpo conjugado a uma enzima, por isso o 
ELISA é considerado um ensaio imunoenzimático.
PRATICANDO
Para entender o princípio do teste, caro (a) aluno (a), vamos supor que estamos 
trabalhando com um kit de ELISA indireto (mais utilizado atualmente), que possui 
a finalidade de pesquisar anticorpos na amostra do paciente, e por isso possui 
antígenos imobilizados na sua fase sólida. A primeira etapa do procedimento é 
adicionar uma solução composta por uma proporção de diluente e uma proporção 
da amostra do paciente em um dos poços da placa. Caso a amostra possua uma 
concentração dos anticorpos de interesse, os mesmos se ligarão aos antígenos 
imobilizados, permitindo que a segunda etapa do teste seja efetuada, que é a adição 
dos anticorpos conjugados a enzimas. Esses conjugados reconhecem especificamente 
a região constante de imunoglobulinas humanas (se ligam aos anticorpos do paciente 
que interagiram com os antígenos da primeira etapa), e como são conjugados a 
enzimas, a próxima etapa da técnica é adicionar o substrato específico para a enzima 
utilizada no teste. 
Normalmente, a enzima utilizada na associação aos anticorpos do teste é a peroxidase, que possui 
como substrato o peróxido de hidrogênio. No teste de ELISA, o substrato adicionado precisa ser 
associado a uma substância cromogênica (cromógeno), para que a mesma seja desassociada durante 
a interação enzima-substrato. A liberação dos cromógenos altera a coloração da solução presente 
nos poços, e sua intensidade é proporcional à concentração de anticorpos e deve ser mensurada por 
espectrofotometria. 
Lembre-se que as etapas de lavagem possuem o objetivo de eliminar os anticorpos não ligados. Não 
haverá ligação se o conjugado for adicionado em uma amostra negativa, mas caso o analista esqueça a 
etapa de lavagem, os anticorpos remanescentes apresentarão reatividade, caracterizando um resultado 
falso-positivo. 
12
Figura 9 - Elisa Indireto
Fonte: LINK
Apesar do ELISA indireto ser a metodologia mais aplicada atualmente, existem outros tipos de ELISA 
comercializados, que apresentam algumas particularidades quanto ao seu princípio de ação, são alguns 
deles:
• ELISA direto: é um teste que usa antígenos imobilizados no suporte sólido, mas diferente da 
metodologia indireta, apresenta apenas um anticorpo conjugado primário sendo utilizado, e por isso, 
é menos sensível e quase não é utilizado.
• ELISA sanduíche (de captura): trata-se de um teste que possui a pesquisa de antígenos como 
objetivo, e por isso apresenta anticorpos de captura imobilizados na fase sólida. Caso a amostra 
do paciente possua os antígenos de interesse, ocorre a ligação entre os anticorpos de captura 
e os antígenos da amostra. A próxima etapa envolve a adição de outros anticorpos que também 
possuem especificidade para o antígeno pesquisado e também interagem com os antígenos que 
originalmente estavam apenas ligados aos anticorpos de captura. O último anticorpo adicionado 
é o conjugado específico para a região constante dos anticorpos humanos, que se liga ao segundo 
anticorpo adicionado no teste, dando continuidade à reação. 
• ELISA de competição: é um método muito utilizado para detectar um antígeno que possui poucos 
epítopos, mas também pode ser aplicado na detecção de anticorpos. Supondo que o teste em 
questão tenha o objetivo de detectar antígenos, ele irá se basear na utilização de anticorpos 
previamente fixados nos poços e em um antígeno marcado (inibidor), além dos antígenos das 
amostras de um paciente. A amostra do paciente é adicionada primeiro, e a partir disso, existem 
duas possibilidades reacionais, a primeira é a presença do antígeno específico para a ligação aos 
anticorpos utilizados ou a presença de um antígeno com semelhanças estruturais, que podem 
promover reação cruzada. Os antígenos marcados devem ser específicos para os antígenos 
dos poços, pois em caso de reações cruzadas, eles são capazes de desassociar os antígenos 
responsáveis pela ligação cruzada e assumir o sítio de ligação. Os resultados positivos são 
caracterizados pela ausência de reação colorimétrica, pois indica que os antígenos presentes nas 
amostras do paciente apresentaram alta especificidade para os anticorpos do poço e resistiram à 
competição por parte do antígeno marcado. Enquanto que os resultados negativos são interpretados 
pela presença de mudança de coloração, caracterizando a ligação entre os anticorpos e os 
antígenos marcados, seja por ausência de antígenos na amostra ou pela desassociação de ligações 
cruzadas. 
https://lh5.ggpht.com/_STDVFQGESJI/S-Igpzyf9xI/AAAAAAAAAys/5bgOt5ERnck/elisa%20indireto%5B5%5D.jpg?imgmax=800
13
Figura 10 – Diferentes tipos de ELISA
Fonte: LINK
VOCÊ SABIA?
Como os anticorpos conjugados utilizados em algumas técnicas indiretas de 
imunodiagnósticos reconhecem especificamente a região constante dos anticorpos de 
interesse, existe a possibilidade de se utilizar o conjugado de kits comerciais distintos 
para a pesquisa de outro anticorpo, diferente do que originalmente deveria ser 
pesquisado. Por exemplo, o conjugado de um kit de imunofluorescência indireta para 
Leishmaniose, pode ser utilizado em um teste de imunofluorescência para doença de 
Chagas. 
HEMAGLUTINAÇÃO
O conceito básico dos ensaios de imunoaglutinação gira em torno da presença ou ausência de 
agregados oriundos da interação entre antígenos e anticorpos. Um desses dois componentes 
imunológicos (antígenos ou anticorpos) pode estar presente naturalmente nas células que serão 
utilizadas no teste, ou pode ser adsorvido artificialmente em células ou outras partículas, que são 
justamente as características que as diferenciam em metodologias diretas e indiretas. 
A aglutinação direta é definida como um teste que pesquisa antígenos que naturalmente fazem parte 
da composição de uma célula. São utilizados anticorpos específicos para esses antígenos, porém, 
caso ocorra a formação de agregados celulares, o resultado é considerado positivo. São exemplos 
de métodos de aglutinação direta a tipagem sanguínea, que apresenta como objetivo a pesquisa de 
antígenos A e B, que compõem naturalmente a estrutura da membrana das hemácias, e o uso de 
bactérias para pesquisa de anticorpos no soro do paciente. Já a metodologia indireta consiste na 
utilização de partículas inertes com os anticorpos ou antígenos adsorvidos artificialmente na sua 
superfície. Um dos principais suportes utilizados são hemácias formolizadas de animais, e por isso o 
teste passa a ser chamado de hemaglutinação indireta (HAI). Supondo que um teste de hemaglutinação 
indireta tenha como objetivo a detecção sérica de anticorpos específicos para o Trypanosoma cruzi, 
a primeira etapa do procedimento seria a adição do soro do paciente suspeito em um dos poços em 
formato de “V” de uma placa de microtitulação, para em seguida adicionar as hemácias sensibilizadas 
com os antígenos do T. cruzi. 
???
https://static.wixstatic.com/media/a7cd34_68a083a1549a4653adc13a08c1ac1f21~mv2.png/v1/fill/w_740,h_216,al_c,lg_1,q_95/a7cd34_68a083a1549a4653adc13a08c1ac1f21~mv2.webp
14
Caso o paciente possua anticorpos anti-T. cruzi, haverá a formação de imunocomplexos a partir de sua 
interação com os antígenos presentes nas hemácias, promovendo uma reação de aglutinação. 
Figura 11 – Reação de Hemoaglutinação
Fonte: LINK
A interpretação do teste é relativamente simples. Resultados negativos são caracterizados pela 
formação de “botões”de hemácias no fundo dos poços, formados a partir da ausência de aglutinação, 
como consequência da inexistência de anticorpos na amostra. Enquanto os resultados positivos 
apresentam interação entre os anticorpos e antígenos, que promovem a aglutinação das hemácias que 
são associadas à formação de um “tapete” no fundo do poço. 
Figura 12 – Hemoaglutinação positiva para Doença de Chagas 
Fonte: a autora
https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22100/mod_resource/ontente/1/manualChagas.pdf
15
IMUNOPRECIPITAÇÃO
Como o próprio nome sugere, ensaios de imunoprecipitação se baseiam na análise de precipitados 
formados a partir da interação entre anticorpos e antígenos. As técnicas de imunoprecipitação podem 
ser realizadas em meios líquidos ou sólidos (gelificado), os últimos apresentando vantagens associadas 
a nitidez, que facilita a leitura dos resultados. 
Existem diferentes técnicas que se baseiam no princípio da precipitação, dentre elas, a mais utilizada 
hoje em dia nos laboratórios de análises clínicas é a imunodifusão, mais precisamente a imunodifusão 
simples linear. A técnica se fundamenta na utilização de um tubo posicionado verticalmente, que é 
preenchido com um meio gelificado, que possui anticorpos específicos incorporados a sua composição. 
O início do teste é caracterizado pela adição da amostra do paciente na parte superior do gel, e 
a interpretação dos resultados segue o princípio de que, caso o paciente possua os antígenos de 
interesse, os mesmos irão se ligar aos anticorpos presentes no gel e a formação dos imunocomplexos 
impedirá que os antígenos continuem o processo de migração. Os resultados negativos representam 
a ausência da formação dos imunocomplexos, que permite a continuidade da migração da amostra 
através do gel. Ao final do teste, é visualizada como um precipitado no fundo do tubo.
Essa metodologia é atualmente utilizada para realizar a tipagem sanguínea e tem sido rapidamente 
solicitada como substituta das técnicas de tipagem em lâminas e tubos.
Figura 13 – Reação de imunopreciptação para tipagem sanguínea
Fonte: LINK
IMUNOCROMATOGRAFIA
A imunocromatografia de fluxo lateral é a metodologia aplicada aos testes conhecidos como testes 
rápidos. É um método de excelente custo-benefício, de fácil execução e entendimento, que se baseia no 
uso de uma membrana de nitrocelulose (ou náilon) que possui adsorvidos ao longo de sua extensão, e 
áreas com os antígenos ou anticorpos de interesse do teste, além de proteínas inertes que bloqueiam o 
restante da estrutura da membrana, garantindo que as reações ocorram apenas nas áreas que possuem 
os antígenos ou anticorpos. 
https://www.grifols.com/documents/51507592/1023340437/gel-cards-02.jpg/8496c7df-8990-455b-83d6-f58bc383c6b7?t=1585045690197?t=1585045690197
16
Dependendo do fornecedor dos testes, é possível que o kit possua algumas particularidades, mas a 
maioria deles se baseia no uso de um corante que releva a formação do imunocomplexo, que podem 
ser o ouro coloidal (coloração rosada) ou prata coloidal (coloração azulada), que são posicionados 
próximos ao local de aplicação das amostras. Supondo que o objetivo de um teste seja a detecção de 
um antígeno, ele passa a utilizar dois tipos de anticorpos, e um deles estará conjugado ao corante e os 
outros estarão fixados na membrana. Após a aplicação da amostra, caso o paciente possua o antígeno 
de interesse, ocorre a ligação entre ele e o anticorpo conjugado ao corante, e esse imunocomplexo 
migra ao longo da membrana até ser reconhecido pelos anticorpos presentes na fita. Após o 
reconhecimento desse imunocomplexo, é possível visualizar a olho nu a formação de linhas coradas, 
caracterizando um resultado positivo. 
Atualmente, existem testes rápidos disponíveis para diversos tipos de diagnósticos diferentes, como a 
detecção de anticorpos específicos para HIV, Treponema pallidum, vírus da dengue, zika e chikunguya, 
testes de gravidez, avaliação do antígeno prostático específico (PSA), entre outros. 
É importante ressaltar, estimado (a) aluno (a), que os testes rápidos apresentam linhas de capturas 
referentes ao controle do teste, que obrigatoriamente devem apresentar-se reativas (coradas). Os 
resultados são de fácil interpretação, caso ocorra a formação da linha controle e linha do teste, o 
resultado é considerado positivo, e se a formação de linhas se restringir apenas à formação da linha do 
controle, o resultado é considerado negativo. Nas ocasiões em que o teste rápido não forma a linha de 
controle, esse teste deve ser invalidado. 
Figura 14 -Imunocromatografia
Fonte: LINK
https://img.r7.com/images/2016/02/11/3teb9p4583_6dl3v8424k_file?dimensions=660x360
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VOCÊ SABIA?
Você sabia que existe outra possibilidade de interferência em testes de 
imunodiagnósticos?
Sim, existe. Principalmente nos testes que são utilizados para diagnosticar doenças 
infecciosas, as chamadas reações cruzadas. Essas reações são caracterizadas pela 
possibilidade que um anticorpo possui de se ligar a um epítopo diferente daquele 
que estimulou a sua produção, devido a sua semelhança estrutural e de propriedades 
químicas. A ligação entre um anticorpo e um epítopo diferente daquele que estimulou 
sua produção apresenta uma afinidade inferior quando comparada à ligação do 
anticorpo com o epítopo que originalmente promoveu o estímulo de produção. Apesar 
disso, a ligação não deixa de acontecer. 
Outra informação importante é que em laboratórios de rotina de análises 
clínicas, normalmente as metodologias empregadas no setor de imunologia são 
automatizadas. Técnicas de média e alta complexidade que possuem etapas de 
execução manuais, como imunofluorescência, ELISA e citometria de fluxo, geralmente 
são realizadas em laboratórios mais especializados nesse tipo de diagnóstico. 
ACESSE SUA BIBLIOTECA VIRTUAL
Acesse a biblioteca virtual e adicione para a leitura: Imunologia: do Básico ao 
Aplicado e Imunologia Básica - Guia Ilustrado de Conceitos Fundamentais. Esses 
livros poderão ser utilizados como leitura complementar para expandir seus 
conhecimentos. 
ACESSE O AMBIENTE VIRTUAL
Acesse seu ambiente virtual e consulte os livros da disciplina de Microbiologia e 
Imunologia, e não se esqueça de realizar os questionários e as atividades disponíveis. 
???
18
PALAVRAS FINAIS DO PROFESSOR
Finalizamos aqui nosso guia de estudos da Unidade 1. O conteúdo abordado 
reafirmou fundamentos já conhecidos, como também adicionou outros conhecimentos 
necessários ao longo do curso, para que se torne um excelente profissional. 
Aproveite que terminou seu estudo e responda ao questionário referente a este 
guia, isso lhe permitirá identificar suas principais dúvidas. Para concluir, gostaria 
de ressaltar que imunologia é uma ciência complexa e completa de detalhes, caso 
se sinta perdido ou não esteja absorvendo o conteúdo aqui disposto, respire e dê 
uma pausa, isso irá ajudar no seu processo de aprendizagem. Não se esqueça de 
que o tutor estará disponível para tirar suas dúvidas e fique de olho na data da 
webconferência desta disciplina, assim poderá esclarecer suas dúvidas com o 
professor. 
Vejo você no próximo guia! Até breve! 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABBAS, Abul K.; PILLAI, Shiv.; LICHTMAN, Andrew H. Imunologia: Celular e Molecular. 
9 ed. Rio De Janeiro: Elsevier Ltda, 2019.
VAZ, Adelaide J.; MARTINS, Joilson O. Ciências Farmacêuticas - Imunoensaios - 
Fundamentos e Aplicações. 2 ed. Rio De Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.

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