Buscar

Regencia

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 3, do total de 49 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 6, do total de 49 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 9, do total de 49 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Prévia do material em texto

Com Sérgio Nogueira,
o professor do Soletrando.
regência
9
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
ApresentaçãoApresentação
Quer simplificar o português, aprender com mais prazer e acabar 
com suas dúvidas?
Este e-book mostra como algumas palavras mandam e outras obe-
decem e como elas dependem umas das outras. Também trata do em-
prego do acento indicativo da crase.
As videoaulas ampliam o conteúdo do livro digital, discutem as dú-
vidas mais comuns e apresentam exemplos práticos para você enrique-
cer seu conhecimento.
É assim que o professor Sérgio Nogueira retoma os temas mais im-
portantes e mais cobrados em provas de concursos e vestibulares, para 
que você possa (re)aprender sem dificuldades e sem traumas.
Tudo com a experiência de quem há mais de 40 anos aproxima os 
brasileiros da língua portuguesa. 
Bom proveito!
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Sumário
Maestros da língua ......................................................................... 4
Regência nominal ........................................................................... 6
Outras regências ....................................................................................................19
Regência verbal ..............................................................................22
O emprego da crase .....................................................................38
Tira-dúvidas...............................................................................................................41
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Maestros da língua
Quando nos propomos a usar uma língua como canal de comuni-
cação, não podemos esquecer que ela não é feita apenas de palavras. 
Palavras soltas não transmitem uma mensagem. Para haver comunica-
ção, é necessário que as palavras estejam organizadas em uma frase. 
Essa organização depende de como as palavras se relacionam. Pa-
lavras diferentes têm necessidades diferentes. Algumas determinam 
a concordância e outras obedecem a essa concordância. Algumas exi-
gem complementos, outras não. E nem as que pedem complemento 
são iguais. Umas precisam de uma preposição para se ligar ao comple-
mento, outras se ligam ao complemento sem o auxílio da preposição. 
Assim, quando escolhemos as palavras que vamos usar, devemos 
conhecer o modo como elas se relacionam, a relação de dependência 
que se estabelece entre elas em uma oração. É muito importante saber-
mos identificar o termo principal e seus com-
plementos. O termo principal ou regente 
é aquele que determina o modo 
como o complemento (ter-
mo regido) deve se ligar 
a ele.
Pegue, por exemplo, 
as frases “Amo você” e 
“Gosto de você”. Perceba que, na 
primeira, o termo regente “Amo” 
não exige preposição para se ligar 
ao complemento (você). Já na 
4
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
segunda, o termo regente “Gosto” necessita do auxílio da preposição “de” 
para se ligar ao termo regido (você).
Essa relação de subordinação não ocorre somente entre os 
verbos e seus complementos. Os nomes (substantivos, adjetivos, 
advérbios) também estabelecem uma relação de dependência com 
seus complementos. 
Veja as frases: “Eu tenho admiração por você” e “Eu tenho medo de 
você”. Observe que o que determina a preposição que vai ser emprega-
da não é o complemento (você). Quem manda, quem rege a preposição 
é o substantivo. Na primeira frase, é o substantivo “admiração” que exi-
ge a preposição “por” para se ligar ao complemento (você) e, na segun-
da, é o substantivo “medo” que pede a preposição “de” para se ligar ao 
complemento (você).
Podemos então concluir que regência é a relação de dependência 
entre duas palavras. Nessa relação, há uma palavra que rege e outra 
que se subordina a ela, completando seu sentido. A palavra que manda, 
que rege, é chamada regente, ao passo que a que se submete ou se su-
bordina recebe o nome de regida. 
Há dois tipos de regência: a nominal, que se estabelece entre os no-
mes e seus complementos, e a verbal, que é a relação entre os verbos e 
seus complementos.
5
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Regência
nominal
6
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
É a relação dos substantivos, adjetivos e advérbios com seus com-
plementos. É sempre bom lembrar que o termo que completa o sentido 
de um substantivo, adjetivo ou advérbio recebe o nome de complemen-
to nominal. E que o complemento nominal é um termo preposicionado, 
ou seja, sempre vem precedido de preposição.
Vamos ver alguns casos que frequentemente nos colocam em dúvida.
O vestido está adequado À ou PARA A ocasião?
O adjetivo “adequado” aceita três preposições: “a”, “com” e “para”. 
Veja os exemplos:
O discurso está adequado às pessoas presentes.
As ilustrações do livro não estão adequadas com o assunto.
O local mais adequado para morar é perto do trabalho.
Observe que as preposições “a” e “com” introduzem expressões no-
minais (“pessoas” e “assunto” são substantivos) e a preposição “para” 
deve ser empregada preferencialmente com infinitivos (morar). Assim, 
na frase em questão, prefira a primeira construção: O vestido está ade-
quado à ocasião.
Ele é avesso A ou PARA qualquer novidade?
Nesse caso, o adjetivo “avesso” pede a preposição “a”. Devemos di-
zer que “Ele é avesso a qualquer novidade”. 
7
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Somos avessos ao hábito de dormir tarde.
Ninguém aqui é avesso às suas manifestações artísticas.
Quando empregado como substantivo, “avesso” exige a preposição “de”.
Ele é o avesso dos pais.
O avesso do bordado está perfeito.
As crianças estão adaptadas À ou COM A escola?
O adjetivo “adaptado” só aceita a preposição “a”. Portanto, diga: 
As crianças estão adaptadas à escola.
O discurso foi adaptado ao público.
Alguns animais estão adaptados ao frio.
Esses animais estão acostumados A ou COM você?
Tanto faz. O adjetivo “acostumado” rege as preposições “a” e “com”.
O técnico está acostumado a jogos de decisão.
Os vizinhos do estádio estão acostumados com o barulho das torcidas.
A poluição é um atentado À ou COM A saúde pública?
Com o substantivo “atentado”, podemos usar as preposições “a” e 
“contra”. Portanto, o certo é: A poluição é um atentado à (ou “contra a”) 
saúde pública.
8
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Sua roupa é um atentado ao pudor.
Fechar um jornal por questões políticas é um atentado 
contra a democracia.
Quando empregada como adjetivo, a palavra “atentado” pode signi-
ficar “uma pessoa atenta, vigilante, prevenida”.
Era um professor atentado.
Num uso mais informal, esse adjetivo é empregado em muitas regi-
ões do Brasil como sinônimo de “endiabrado, muito levado”:
Aquele menino é atentado!
Observe que, nos dois casos, o adjetivo não exige complemento.
Era uma criança alheia 
A ou COM tudo?
O adjetivo “alheio” rege a preposi-
ção “a”. Desse modo, a frase correta é: 
Era uma criança alheia a tudo.
A população anda alheia às 
discussões do Judiciário.
O aluno ocupava-se com atividades 
alheias à aula.
9
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Como substantivo, “alheio” significa “algo que pertence aos ou-
tros”. Daí a expressão eufemística “o amigo do alheio”, muito usada para 
suavizar o termo “ladrão”.
O deputado estava atento AO ou COM O discurso?
A forma correta é “O deputado estava atento ao discurso”. O adjetivo 
“atento” só aceita duas preposições: “a” e “em”. Podemos, assim, dizer:
Fique atento a seu trabalho.
É uma pessoa atenta em tudo que faz.
A novela faz alusão À ou DA classe política?
O substantivo “alusão” só aceita a preposição “a”. Desse modo, ape-
nas a frase “A novela faz alusão à classe política” está correta. Veja ou-
tros exemplos:
O relatório não fez nenhuma alusão às falhas da empresa.
O diretor não fez alusão a você na reunião.
Tratava-sede um curso acessível A ou DE todos?
Com o adjetivo “acessível”, podemos usar as preposições “a” e “por”, 
nunca a preposição “de”. Portanto, a forma correta é: Tratava-se de um 
curso acessível a todos.
Aquela parte da praia só era acessível por uma ponte velha 
e malcuidada.
Educação de qualidade não é acessível a todas as classes sociais.
10
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Essa emissora está apta A ou EM transmitir 
os jogos olímpicos?
O adjetivo “apto” rege as preposições “a” e “para”. Assim, a frase cor-
reta é: Essa emissora está apta a transmitir os jogos olímpicos. 
O palhaço acredita estar apto para representar um drama.
O artilheiro está apto para jogar a final do campeonato.
Comer frutas é benéfico À ou COM A saúde?
O correto é “Comer frutas é benéfico à saúde”. O adjetivo “benéfico” 
rege as preposições “a” e “para”.
Agir corretamente vai ser benéfico para você.
Um clima úmido não é benéfico a todos.
O delegado tinha certeza DE QUE ou QUE ele era culpado?
O substantivo “certeza” exige a preposição “de” (quem tem certeza “tem 
certeza” de alguma coisa): O delegado tinha certeza de que ele era culpado; 
A mãe tinha certeza de que a filha estava mentindo.
Mais informalmente, o uso da preposição na presença da conjun-
ção integrante “que” é facultativo. Na grande maioria dos concursos 
públicos e dos vestibulares, porém, os examinadores só consideram 
corretas as frases que empregam a preposição “de”. Desse modo, ao 
prestar um exame oficial, use a preposição. 
Há suspeitas de que ele seja culpado.
Todos tinham medo de que isso acontecesse.
11
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
A população anda descrente DOS ou 
COM OS homens públicos?
O adjetivo “descrente” só aceita a preposição “de”. Assim, embora 
muito utilizada a preposição “com”, a frase correta é: A população anda 
descrente dos homens públicos.
É interessante notar que o adjetivo “crente” rege as preposições 
“de” e “em”.
O capitão estava crente de que todos sairiam com vida do naufrágio. 
Ele era crente em Deus.
Ela era devota DE ou A São Jorge?
Tanto faz. Você pode escolher a preposição que mais lhe agrada. O ad-
jetivo “devoto” rege as preposições “de” e “a”. Está correto, portanto, dizer:
Aquela moça é devota de Santo Antônio.
Naquela cidade, todos eram devotos à 
imagem da Virgem.
12
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O crítico não era entendido EM ou DE vinhos?
Nesse caso, o correto é: O crítico não era entendido em vinhos. 
Embora seja muito comum ouvirmos “Ele é entendido do assunto”, na 
linguagem culta devemos dizer “Ele é entendido no assunto”.
Veja outros exemplos:
Ela era entendida em comércio exterior.
Ele era entendido em cinema francês.
O mercado de trabalho nunca esteve tão escasso DE ou 
EM oportunidades?
A frase correta é: O mercado de trabalho nunca esteve tão escasso 
de oportunidades. O adjetivo “escasso” rege apenas a preposição “de”. 
Portanto, diga:
Escasso de posses, o empresário pediu falência.
A juventude anda escassa de sonhos.
Sou grato A você. Sou grato POR tudo que você me fez.
O adjetivo “grato” rege as preposições “a” e “por”. Mas cada prepo-
sição estabelece um sentido próprio. Veja: quem é grato “é grato” a al-
guém ou por alguma coisa. Assim, a preposição “a” liga o sentimento de 
gratidão a alguém ou ao responsável por esse sentimento. Já a preposi-
ção “por” liga a gratidão ao benefício recebido.
Os alunos são gratos aos professores pelas 
orientações recebidas.
13
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Os bens do deputado eram incompatíveis COM ou A 
sua renda?
O adjetivo “incompatível” aceita apenas a preposição “com”. Por-
tanto, diga: Os bens do deputado são incompatíveis com sua renda.
O seu vestido decotado é incompatível com a formalidade 
exigida pela situação.
O linguajar chulo do prefeito é incompatível com o cargo 
que ocupa.
É preferível enfrentar a situação A ou 
DO QUE fugir dela?
Embora a tendência atual do português do Brasil seja empregar a 
expressão “do que” no lugar da preposição “a”, os examinadores dos 
exames oficiais vão exigir de você o uso da forma culta. Na linguagem 
padrão formal, o adjetivo “preferível” rege unicamente a preposição 
“a”. Desse modo, diga: É preferível enfrentar a situação a fugir dela.
É preferível passar o feriado em casa a perder horas no 
congestionamento das estradas.
Ele mora próximo DO ou AO trabalho? 
Tanto faz. O adjetivo “próximo” rege as preposições “a” e “de”. Pode-
mos, assim, dizer:
Ninguém quer morar próximo da estrada.
Ninguém quer morar próximo à estrada.
14
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Os fiéis têm muito respeito PARA COM o pároco ou 
PELO pároco?
Embora o uso concomitante de duas preposições (para com, de 
sobre, por sobre) seja aceito pela língua portuguesa, devemos evitá-lo. 
Pois, além de desnecessário na grande maioria dos casos, esse uso ain-
da deixa o texto artificial e pedante.
Assim, evite dizer: 
“Os políticos não têm consideração para com os eleitores.”
“O menino desceu de sobre a árvore.” 
“A tempestade passou por sobre a casa.”
Prefira:
Os fiéis têm muito respeito pelo pároco.
Os políticos não têm consideração com os eleitores.
O menino desceu da árvore.
A tempestade passou sobre a casa.
Os países emergentes 
estão sedentos DE ou 
POR prestígio?
O adjetivo “sedento” rege a preposi-
ção “de”. Quem está sedento “está seden-
to” de alguma coisa. Diga, então: Os países 
emergentes estão sedentos de prestígio.
Os viajantes estão sedentos de aventura.
A multidão estava sedenta de milagres.
15
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O juiz não tinha simpatia POR ou A ninguém?
Quem tem simpatia “tem simpatia” por alguém. O substantivo “sim-
patia”, nesse caso, rege a preposição “por”. Portanto, diga: O juiz não 
tinha simpatia por ninguém.
Todos tinham simpatia pelas crianças da creche.
Ninguém tinha simpatia por mim.
O restaurante da Zilá está situado 
NA ou À Rua Augusta?
É muito comum, principalmente em documentos redigidos em car-
tório, encontrarmos frases do tipo: “Fulano de Tal recebe de herança 
um apartamento situado à Rua das Mangueiras” ou ainda “A procura-
ção foi apresentada pela Dra. Mariazinha, com escritório situado à Ave-
nida Benedito Mendes”. 
Mas o fato de ser frequente o uso da preposição “a” não torna a 
construção correta. E isso é bem fácil de explicar. Observe que, se tro-
carmos as palavras femininas “rua” e “avenida” por outras masculinas, 
a forma “à” não se transforma em “ao”. Ninguém declara que recebeu 
de herança um apartamento situado ao Beco dos Inconfidentes, e a 
Dra. Mariazinha certamente não escreve na procuração do cliente que 
seu escritório está situado ao Largo Santa Ifigênia.
Assim, se dizemos que o apartamento herdado está situado no Beco 
dos Inconfidentes e que o escritório da advogada está situado no Largo 
Santa Ifigênia, devemos dizer, por uma questão de coerência, que “Fulano 
16
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
de Tal recebe de herança um apartamento situado na Rua das Manguei-
ras” e que “A procuração foi apresentada pela Dra. Mariazinha, com escri-
tório situado na Avenida Benedito Mendes”. Portanto, ao nos referirmos 
ao restaurante da Zilá, devemos dizer que ele está situado na Rua Augusta.
Essa mesma regência ocorre com os adjetivos “sito”, “residente” e 
“domiciliado”, que também regem a preposição “em”.
Marcos é residente na Avenida Brasil.
João é domiciliado na Alameda Itu.
Trata-se de um imóvel sito na Rua da Matriz.
Sábado, o São Paulo joga COM ou CONTRA o Flamengo?
Se o São Paulo jogar com o Flamengo, teremos 22 jogadores defen-
dendo a mesma meta e atacando do mesmo lado. E quem eles teriam 
como adversário? O Palmeiras jogando com o Vasco? Nesse caso, tería-
mos 44 jogadores em campo, 22 de cada lado, 2 goleiros em cada gol... 
Para evitarque alguém pense que esse absurdo possa acontecer, 
diga que “Sábado, o São Paulo joga contra o Flamengo”.
17
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O governo foi solidário COM OS ou AOS desabrigados? 
O adjetivo “solidário” rege a preposição “com”. Quem é solidário “é 
solidário” com alguém. Portanto, a forma correta é: O governo foi soli-
dário com os desabrigados.
A torcida foi solidária com o time.
O síndico foi solidário com o inquilino.
O jurado votou favoravelmente AO ou PELO réu?
A forma correta é: O jurado votou favoravelmente ao réu. O advér-
bio “favoravelmente” exige a preposição “a”, a mesma preposição exigi-
da pelo adjetivo “favorável”, do qual deriva.
Se o ministro é “favorável ao” desmatamento 
da Mata Atlântica, vota “favoravelmente ao” des-
matamento.
Os advérbios terminados em “-mente”, que 
são formados a partir de radicais de adjetivos, 
devem seguir a mesma regência dos adjetivos 
de que são originados.
O documento apresentado era relativo ao 
fracasso da empresa.
Relativamente ao documento 
apresentado, os presentes não quiseram 
se manifestar.
18
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Outras regências
Como seria impossível comentar todos os casos de regência nominal, 
publicamos a seguir uma pequena lista de substantivos e adjetivos com 
suas respectivas preposições para você consultar em caso de dúvida.
absolvido de, por
admiração a, por
afável a, com
ansioso de, para
aversão a, para, por
capaz de, para
cauteloso com
compatível com
conciliação entre
constituído de, por
contrário a
cuidadoso com
curioso de, para, por
dificuldade com, de, em, para
digno de
discordância com, de, entre
dúvida acerca de, em, sobre
equivalente a
19
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
essencial para
facilidade de, em, para
falho de, em
fanático por
favorável a
generoso com
hábil em
horror a
horrorizado com, de
hostil a
imbuído de, em
impróprio a, para
imune a
indeciso em
inerente a
inofensivo a, para
junto a, de
justo com, em
livre de
necessário a
nocivo a
obcecado em, por
obediência a
paralelo a
20
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
passível de
permissão de, para
posterior a
prestes a, para
propenso a, para
receio de
relativo a
rigoroso com, em
semelhante a
sensível a
submisso a, de
tolerante com
transversal a
união com, entre, a
útil a, para
vantajoso a, para
vulnerável a
zeloso de, em, por
21
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Regência
verbal
22
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
É a relação dos verbos com seus complementos. Tendo como base 
essa relação, os verbos podem ser intransitivos (não necessitam de 
complemento), transitivos diretos (ligam-se aos complementos sem 
preposição), transitivos indiretos (ligam-se aos complementos com 
preposição) e transitivos diretos e indiretos (necessitam de dois com-
plementos, um com e outro sem preposição). 
No estudo da regência verbal, dizemos que o verbo é o termo regen-
te e os objetos direto e indireto, os termos regidos.
Conhecer a regência verbal é muito importante para a compreen-
são da mensagem, já que muitos verbos mudam de significado quando 
mudam de regência e outros apresentam uma regência na tradição gra-
matical e outra na fala do dia a dia.
Vamos ver, agora, a regência de alguns verbos que podem nos cau-
sar problemas.
Para a boa compreensão de regência verbal, é fundamental 
lembrar a noção de predicação verbal, abordada na aula de 
análise sintática.
O carro novo agradou O ou AO consumidor?
Com o sentido de “acariciar, fazer carinho”, o verbo “agradar” é tran-
sitivo direto.
23
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O pai agradou o filho machucado. 
(Ele fez carinho no filho machucado.)
Não sai de casa sem agradar o gatinho manhoso. 
(Não sai de casa sem acariciar o gatinho manhoso.)
O verbo “agradar” é transitivo indireto quando significa “ser agra-
dável a, contentar, satisfazer”.
A proposta dos patrões agradou aos funcionários. 
(contentou, satisfez)
O objetivo da nossa empresa é agradar a você. 
(contentar, satisfazer)
Portanto, diga que “O carro novo agradou ao consumidor”.
As crianças aspiram O ou AO 
reconhecimento dos pais?
O verbo “aspirar” tem dois senti-
dos e para cada um requer regência 
própria. Quando empregado no sentido 
de “respirar, inalar”, esse verbo é transi-
tivo direto.
Os habitantes das grandes cidades 
aspiram um ar poluído.
Aproveite seu passeio no 
campo para aspirar o perfume 
da natureza.
24
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Já como transitivo indireto, tem o sentido de “pretender, desejar”. 
Seu complemento, o objeto indireto, deve vir introduzido pela prepo-
sição “a”.
Todos aspiramos ao sucesso da política econômica.
Os jovens aspiram a um mundo livre de preconceitos.
Assim, devemos dizer: As crianças aspiram ao reconhecimento 
dos pais.
Embora o verbo “aspirar”, no sentido de “desejar, almejar”, seja 
transitivo indireto, não admite que o objeto indireto seja representado 
pelo pronome “lhe(s)”. Quando for o caso, substitua esse pronome por 
“a ele(s)” ou “a ela(s)”. Veja o exemplo:
Ter o carro do ano é símbolo de sucesso, por isso aspiro a ele.
A fila virava a esquina para assistir O ou AO show 
de Madonna?
O verbo “assistir” é transitivo indireto quando empregado no senti-
do de “ver, presenciar”, exigindo a preposição “a”. Por ter o mesmo sig-
nificado do verbo “ver”, muitas pessoas confundem suas regências. O 
verbo “ver” é transitivo direto – quem vê “vê” alguma coisa, mas quem 
assiste “assiste” a alguma coisa. Assim, diga: A fila virava a esquina para 
assistir ao show de Madonna.
Os jornalistas não assistiram às corridas de Fórmula 1 até o final.
Todos gostam de assistir a filmes comendo pipoca.
25
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O verbo “assistir” é transitivo direto no sentido de “prestar assistên-
cia, ajudar, auxiliar”.
Rapidamente os bombeiros assistiram as vítimas do acidente.
O escritório de advocacia do Dr. Morgado assiste os funcionários 
da minha empresa.
O verbo “assistir” também pode ter o sentido de “pertencer, caber”. 
Nesse caso, o verbo é transitivo indireto e exige a preposição “a”.
Este assunto assiste a você.
É um direito que assiste a todos os cidadãos.
Mariazinha chegou À ou NA Vila dos Prazeres?
Embora esteja bastante difundido na língua coloquial o uso da 
preposição “em” com o verbo “chegar”, devemos evitar empregá-la, 
principalmente em situações que exigem o domínio da língua cul-
ta, como é o caso dos exames de concursos e vestibulares. Assim, 
quando o padrão culto for exigido, diga: Mariazinha chegou à Vila 
dos Prazeres.
Os alunos chegaram cansados à escola.
O avião chegou atrasado a São Paulo.
Outro que também exige a preposição “a” é o verbo “ir” quando tem 
o sentido de “avançar em direção a algum lugar”. Quem vai “vai” a al-
gum lugar. Com a preposição “em”, o verbo “ir” significa “seguir dentro 
de ou servindo-se de alguma coisa”. 
26
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Portanto, devemos dizer: “Vou ao banheiro” (porque estou indo em 
direção ao banheiro) e “Vou no banco da frente” (porque vou me servir 
do banco da frente para ir). Assim, as pessoas que dizem que “vão no ba-
nheiro” devem estar se referindo ao banheiro do ônibus ou do avião e, 
talvez, pretendam fazer a viagem acomodadas nesse pequeno espaço.
Os jogadores tentam ESQUECER A derrota ou 
ESQUECER-SE DA derrota?
As duas construções estão corretas. Quando transitivo direto, o ver-
bo “esquecer” liga-se ao complemento sem o auxílio da preposição: Os 
jogadores tentam esquecer a derrota.
Eu esqueci a luz acesa.
Ninguém pode esquecer a data da prova.
Mas quando empregado na forma pronominal (esquecer-se), ele 
passa a ser transitivo indireto e a exigir a preposição “de”com o objeto 
indireto: Os jogadores tentam esquecer-se da derrota.
Eu me esqueci de marcar a consulta no dentista.
Os políticos esqueceram-se de suas promessas de campanha.
27
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
As mesmas regências ocorrem com o verbo “lembrar”:
Todos lembraram a data de seu aniversário.
Todos se lembraram da data de seu aniversário.
O resultado favoreceu O ou AO time?
O verbo “favorecer” é transitivo direto, ou seja, ele se liga ao com-
plemento diretamente, sem o auxílio da preposição. Quem favorece 
“favorece” alguém ou alguma coisa. Portanto, devemos dizer: O resul-
tado favoreceu o time.
Esse vestido favorece muito sua beleza.
O professor favoreceu o aluno.
A vida do atleta IMPLICA sacrifícios ou 
IMPLICA EM sacrifícios?
Na linguagem do dia a 
dia, é muito frequente en-
contrarmos o verbo “impli-
car”, no sentido de “resultar”, 
“pressupor”, “envolver”, como 
se fosse transitivo indireto, com 
preposição “em”. 
Alguns gramáticos até já 
aceitam essa regência, mas vol-
to a dizer que, em exames ofi-
28
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
ciais, com esses sentidos, devemos sempre optar pela regência clássica 
do verbo (sem preposição): A vida do atleta implica sacrifícios. 
Por sua vez, com o sentido de “ter implicância”, esse verbo é transi-
tivo indireto: Ele implicava com todos. 
Já em sua forma pronominal, significando “comprometer-se, enredar-
-se”, é regido pela preposição “em”: O alfaiate implicou-se em falcatruas.
O técnico informou AOS atletas SUA estratégia ou 
O técnico informou OS atletas DA SUA estratégia?
As duas frases estão corretas. O verbo “informar” aceita as 
duas construções. 
Podemos informar alguma coisa a alguém:
O diretor informou o fechamento da empresa aos funcionários.
O professor informou aos alunos o dia da prova.
Ou podemos informar alguém de alguma coisa (ou sobre algu-
ma coisa):
Uma circular informava os pais sobre as regras da escola.
Um cartaz informava os consumidores do fechamento da loja.
Essa mesma regência é seguida pelos verbos “avisar”, “comunicar”, 
“noticiar”, “notificar”...
O advogado deve notificar seu cliente sobre a decisão do juiz.
O síndico comunicou o valor da reforma aos condôminos. 
29
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Os motoristas devem obedecer AO ou O regulamento 
de trânsito?
Esse é outro caso em que a linguagem coloquial difere da norma 
culta. É muito comum encontrarmos o verbo “obedecer” como transiti-
vo direto, caso em que o complemento liga-se ao verbo sem o auxílio da 
preposição. Mas, numa situação de comunicação que requeira o uso do 
padrão culto da língua, não podemos esquecer que o verbo “obedecer” 
é transitivo indireto e exige que seu complemento seja iniciado pela 
preposição “a”. Devemos, assim, dizer: Os motoristas devem obedecer 
ao regulamento de trânsito.
Os alunos obedecem ao professor.
Aquele cachorro não obedece ao dono.
A mesma regência é seguida pelo verbo “desobedecer”:
Os clubes desobedeceram ao Estatuto do Torcedor.
O inquilino não pagou AO ou O proprietário?
Esse é um dos poucos casos em que a regência do verbo depende 
da natureza do complemento. Eu explico: quando o complemento refe-
re-se a “pessoas”, o verbo é transitivo indireto. Devemos, então, dizer: O 
inquilino não pagou ao proprietário.
Agora, no caso de o complemento referir-se a “coisas”, o verbo 
passa a ser transitivo direto. Temos, assim, a frase: O inquilino não 
pagou o aluguel.
30
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Logicamente, se tivermos dois complementos, uma “pessoa” e uma 
“coisa”, a “pessoa” será representada pelo objeto indireto e a “coisa”, 
pelo objeto direto.
O inquilino não pagou o aluguel ao proprietário.
A mesma regência é seguida pelo verbo “perdoar”. Veja como o ob-
jeto indireto indica “pessoa”:
A vítima perdoou ao agressor.
E o objeto direto indica “coisa”:
Peço-lhe que perdoe o nosso erro.
Prefiro salgado A ou DO QUE doce?
No dia a dia, na nossa linguagem cotidiana, é muito comum ouvirmos 
frases do tipo “Prefiro salgado do que doce”. Mas, segundo a regência clás-
sica, exigida em nossos exames oficiais, o correto é preferir uma coisa a 
outra e não “do que” outra. Portanto, devemos falar: Prefiro salgado a doce. 
Prefiro passear a trabalhar.
Ele prefere cinema a teatro.
31
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Outra frase que também escutamos quase todos os dias é: “Eu pre-
firo muito mais isso”. Cuidado: “preferir mais” não existe. Preferir já sig-
nifica “gostar mais”. A expressão “preferir mais”, portanto, é uma redun-
dância que deve ser evitada.
O avô queria bem AO ou O neto?
O verbo “querer” admite duas regências, mas, para cada uma, apre-
senta um significado. 
No sentido de “desejar”, é transitivo direto.
Com a idade, aprendi a querer apenas saúde.
Ele sempre quis dinheiro e fama.
Com o sentido de “estimar, gostar”, é transitivo indireto. Assim sen-
do, a forma correta é: O avô queria bem ao neto.
Eles querem ao filho adotivo como querem ao próprio filho.
32
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Confesso que ME SIMPATIZEI muito POR ela ou 
Confesso que SIMPATIZEI muito COM ela?
Os verbos “simpatizar” e “antipatizar” não são pronominais. São 
transitivos indiretos e regem a preposição “com”. Devemos, assim, di-
zer: Confesso que simpatizei muito com ela.
Os presentes não simpatizaram com suas ideias.
Os alunos antipatizaram com o novo professor.
Os deputados têm QUE ou DE votar o projeto?
Atualmente, as duas formas são aceitas. Mas, em textos mais for-
mais ou em exames oficiais, dê preferência à preposição “de”:
Eu tenho de sair mais cedo.
Ela teve de reconhecer seus erros.
A lavadeira deixou a roupa AO ou NO sol?
Se fosse possível deixar uma roupa no sol, ela certamente desapare-
ceria devido à intensidade do calor. Recomende a sua lavadeira, portan-
to, que deixe a roupa ao sol.
A criança ficou ao sol.
Deixaram o carro ao sol.
33
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O técnico visa AO ou O bem do time?
“Visar” é mais um daqueles verbos que mudam de significado quan-
do mudam de regência. No sentido de “dar visto” ou “mirar”, é transitivo 
direto, não necessita de preposição.
O gerente do banco visou o cheque. (deu visto)
A professora visou a prova dos alunos. (deu visto)
O atirador visou o alvo e disparou. (mirou)
Quando significa “pretender, ter em vista”, “visar” é transitivo indi-
reto. Portanto, diga: O técnico visa ao bem do time.
O diretor visa a grandes lucros. (pretende)
Ninguém visava às mudanças necessárias. (tinha em vista)
Era difícil satisfazer OS ou AOS filhos?
Tanto faz. As duas formas estão corretas. O verbo “satisfazer” faz 
parte da turma dos verbos que podem ser transitivos diretos ou indi-
retos sem sofrer alteração de sentido. Dentre eles, podemos citar: ab-
dicar, almejar, ansiar, atentar, cogitar, cumprir, deparar, gozar, puxar, 
renunciar, usar...
Veja os exemplos:
O rei abdicou o trono. / O rei abdicou do trono.
Os alunos almejam notas melhores. / Os alunos almejam por 
notas melhores.
Ela ansiava ter filhos cedo. / Ela ansiava por ter filhos cedo.
34
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Atente este novo caminho. / Atente a este novo caminho. / 
Atente neste novo caminho. / Atente para este novo caminho.
Ele cogitava novas aventuras. / Ele cogitava de novas aventuras. / 
Ele cogitava sobre novas aventuras. / Ele cogitava em 
novas aventuras.
Ele não cumpriu a palavra. / Ele não cumpriu com a palavra.
Olhando para a rua, deparou a árvore caída. / Olhando para a rua, 
deparou com a árvore caída.
Ele não gozava as férias todos os anos. / Ele não gozava de férias 
todos os anos.
Rapidamente, puxou o revólver. / Rapidamente, puxou 
do revólver.
O vereador usou muita astúcia. / O vereador usou de muita astúcia.
O monge renunciou os prazeresda vida. / O monge renunciou aos 
prazeres da vida.
35
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Pizza é a comida DE QUE ou QUE mais gosto?
Nem sempre a preposição exigida pelo verbo vem depois do verbo. 
Em orações iniciadas por advérbios interrogativos, pronomes inter-
rogativos e pronomes relativos, a preposição, obrigatoriamente, vem 
antes do verbo. Para não errarmos na hora de identificar a preposição 
adequada, basta analisarmos a regência do verbo da oração. Por exem-
plo, o verbo “gostar” exige a preposição “de”, pois quem gosta “gosta” 
de alguma coisa ou de alguém. Assim, a preposição exigida pelo verbo 
“gostar” deve vir antes do pronome relativo que inicia a oração adjeti-
va. Logo, o correto é: Pizza é a comida de que mais gosto. 
Desse modo, também escreva:
Esta é a gaveta em que guardo os recibos para o imposto de 
renda. (A preposição “em” precede o pronome relativo “que”, pois 
quem guarda “guarda” alguma coisa em algum lugar.)
A que livro você está se referindo? (A preposição “a” precede o 
pronome interrogativo “que”, pois quem se refere “refere-se” 
a alguma coisa ou alguém.)
De onde vieram essas crianças? (A preposição “de” precede 
o advérbio interrogativo “onde”, pois quem vem “vem” de 
algum lugar.)
Simpatizo e gosto DA nova professora ou Simpatizo 
COM a nova professora e gosto DELA?
De acordo com a norma culta, não se deve dar um único complemen-
to a verbos de regências diferentes. Observe que o verbo “simpatizar” exi-
ge a preposição “com” (quem simpatiza “simpatiza” com alguma coisa ou 
36
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
alguém) e o verbo “gostar” rege a preposição “de” (quem gosta “gosta” de 
alguma coisa ou alguém). Se após esses dois verbos colocarmos apenas 
um complemento regido pela preposição “de”, estaremos, equivocada-
mente, ligando essa preposição aos dois verbos. Para fugir dessa armadi-
lha, devemos repetir o complemento após cada verbo. Portanto, a frase 
correta é: Simpatizo com a nova professora e gosto dela.
Do mesmo modo, evite dizer:
“Conheci e me apaixonei por Paris.”
“Assisti e não gostei do filme.”
“Defendemos e aspiramos a uma vida sem preconceitos.”
“Amo e preciso de silêncio.”
E diga:
Conheci Paris e me apaixonei por ela.
Assisti ao filme e não gostei dele.
Defendemos uma vida sem preconceitos e a ela aspiramos.
Amo o silêncio e preciso dele.
37
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O emprego da
crase
38
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Embora já esteja mais que generalizado o uso da palavra “crase” 
para designar o acento grave, é sempre bom lembrar que crase não é 
acento. Crase é a fusão de duas vogais iguais: a + a. Essa contração é 
marcada pelo acento grave (`) = à. Para formar a crase, teremos sempre 
a preposição “a”, que pode se unir:
 > Ao artigo “a”
Nesse caso, há um jeito simples de reconhecer se a crase é necessá-
ria: basta substituir a palavra feminina por uma masculina. Se o “a” virar 
“ao”, é porque se trata da união de duas vogais, a vogal da preposição 
mais a vogal do artigo (A + O = AO; A + A = À).
Fomos à piscina. (Fomos ao cinema)
O professor referiu-se às notas da turma. (O professor referiu-se 
aos modos da turma.)
Minha rua é paralela à avenida principal. (Minha rua é paralela 
ao mercado.)
Todos devem obedecer à sinalização de trânsito. (Todos devem 
obedecer ao policial.)
 > Aos pronomes “aquela(s)”, “aquele(s)” e “aquilo”
A dica aqui é substituir os pronomes acima pelos pronomes “es-
sa(s)”, “esse(s)” e “isso”. Se nessa transformação encontrarmos as for-
mas “a essa(s)”, “a esse(s)” ou “a isso”, trata-se de um caso de crase.
A medalha pertence àquele atleta. 
(A medalha pertence a esse atleta.)
O pai deixou a herança àquela filha. 
(O pai deixou a herança a essa filha.)
Não me refiro àquilo. (Não me refiro a isso.)
39
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Distribuíram lanches àquelas crianças. (Distribuíram lanches a 
essas crianças.)
 > Ao pronome demonstrativo “a(s)”
O pronome demonstrativo “a” tem o mesmo valor do demonstrati-
vo “aquela”. Assim, se puder ser substituído por “àquela” (a essa), trata-
-se de um caso de crase. 
Sua camisa é igual à do meu filho. (Sua camisa é igual àquela do 
meu filho.)
O diretor se referiu às que partiram. (O diretor se referiu àquelas 
que partiram.)
Suas convicções são idênticas às de seus avós. (Suas convicções 
são idênticas àquelas de seus avós.)
 > Aos pronomes relativos “a qual” e “as quais”
Para saber se devemos colocar o acento indicativo da crase nes-
se caso, basta trocar o substantivo feminino que precede o prono-
me relativo por um masculino. Se aparecerem as formas “ao qual” 
ou “aos quais”, não tenha dúvida: coloque o acento em “à qual” e 
“às quais”.
Estas são as funcionárias às quais me referi. (Estes são os 
funcionários aos quais me referi.)
Conheça a vereadora à qual dei apoio. (Conheça o vereador ao 
qual dei apoio.)
Aquela é a secretária à qual entreguei os documentos. (Aquele é o 
secretário ao qual entreguei os documentos.)
40
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Tira-dúvidas
Analise, agora, alguns casos que podem gerar dúvidas sobre o em-
prego ou não do acento indicativo de crase.
Ele adora bife À ou A milanesa?
Devemos usar o acento indicativo da crase sempre que estiverem 
subentendidas as locuções “à moda de”, “à maneira de” ou “ao estilo de”. 
Desse modo, o correto é escrever “Ele adora bife à milanesa”, pois 
podemos reconhecer oculta a palavra “moda”, que forma, aqui, a ex-
pressão “à moda milanesa”. 
Veja outros exemplos:
Ele saiu à francesa. (à maneira francesa)
Não lhe cai bem sapatos à Luís XV. (sapatos à moda de Luís XV)
Ele escreve versos à Olavo Bilac. (versos ao estilo de Olavo Bilac)
41
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O avião chegou ÀS ou AS 15h?
Toda vez que você puder trocar a expressão que indica hora pela 
expressão “ao meio-dia”, coloque o acento indicativo da crase. Assim, 
como podemos dizer que o avião chegou ao meio-dia, escreva que: O 
avião chegou às 15h.
O portão fecha às 18h. (O portão fecha ao meio-dia.)
A reunião será das 10h às 14h. (A reunião será das 10h ao meio-dia.)
Ele voltou À ou A casa dos avós?
Antes da palavra “casa”, devemos tomar alguns cuidados. Costumo 
dizer que você deve ir a qualquer “casa” com o acento indicativo da cra-
se, com exceção de sua própria casa. Assim, por se tratar da casa dos 
avós, a frase correta é: Ele voltou à casa dos avós. 
Se a casa estiver especificada, também ocorrerá crase:
Fui à casa do vizinho.
Fomos à casa abandonada.
Ele não retornou a casa naquela noite. (para a própria casa)
42
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Gosto de passear A ou À pé?
O correto é “Gosto de passear a pé”, sem o acento indicativo da cra-
se. Isso ocorre porque, para haver crase, é necessário que existam dois 
“a”. Nesse caso, temos o “a” preposição, mas falta o “a” artigo definido, 
já que palavra masculina não aceita artigo feminino. Do mesmo modo, 
não há crase em:
Ele votou a favor.
Viajou a serviço.
Comprei um carro movido a álcool.
Ele começou A ou À falar aos dez meses?
Como verbo não admite ser precedido por artigo, e como para ocor-
rer crase é preciso a fusão de uma preposição com um artigo, não é pos-
sível haver crase antes de verbo. Assim, o correto é: Ele começou a falar 
aos dez meses.
Ele se pôs a escrever e não parou.
Chegamos a tocar nesse assunto.
Ninguém está disposto a ceder.
Ele foi A ou À Paris?
Devemos escrever “Ele foi a Paris”, pois, como o nome “Paris” não 
aceita ser precedido de artigo feminino, só existe na frase a preposição 
“a” exigida pelo verbo “chegar”. 
43
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
O problema é saber quando o nome de um lugar aceita ser precedi-
do por artigo. 
Para saber isso, há uma dica: troqueo verbo “ir” pelo verbo “voltar”. 
Se dizemos “Ele voltou de Paris” (e não “da” Paris), é porque esse nome 
não aceita artigo. Assim, devemos escrever:
Ele foi a Brasília. (Ele voltou de Brasília.)
Ele foi a Campinas. (Ele voltou de Campinas.)
Vamos a Fortaleza. (Ele voltou de Fortaleza.)
Caso o nome de lugar aceite o artigo feminino, devemos empregar 
o acento indicador da crase.
Fomos à Amazônia. (Voltamos da Amazônia.)
Ele foi à Bélgica. (Ele voltou da Bélgica.)
Vamos à Barra da Tijuca. (Voltamos da Barra da Tijuca.)
Liderou a corrida de ponta A ponta ou 
de ponta À ponta?
Entre substantivos repetidos, não ocorre crase. Portanto, a frase 
correta é: Ele liderou a corrida de ponta a ponta.
Encontraram-se cara a cara.
Ficaram frente a frente.
Caía gota a gota.
A propaganda boca a boca é eficiente.
Vendia doces porta a porta.
44
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Não se dirija A ou À pessoas desconhecidas?
A frase correta é: Não se dirija a pessoas desconhecidas. O fato de 
o “a” estar sem “s” antes de uma palavra no plural já indica a ausência 
do artigo, visto que, obrigatoriamente, o artigo concorda em número 
com o substantivo que determina. Não se trata, portanto, de um caso 
de crase, pois temos somente a preposição “a”.
Este relatório levou-nos a falsas conclusões.
Referia-se a leis antigas.
Só obedeço a pessoas dignas.
Trancou A ou À chave?
Essa dúvida gera certa polêmica entre os gramáticos. Alguns defen-
dem não ocorrer crase em locuções adverbiais de instrumento e de meio. 
Outros admitem essa crase somente nos casos que geram ambiguidade, 
como na frase em questão. Sem o acento indicativo da crase, podemos en-
45
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
tender que uma chave foi trancada dentro de uma gaveta; com o acento, 
podemos entender que uma gaveta foi trancada usando-se uma chave.
Para simplificar essa nossa árdua tarefa de trabalhar com a língua, 
sugiro o uso do acento grave em todas as locuções (adjetivas, adver-
biais, prepositivas e conjuntivas) femininas.
Fomos a um baile à fantasia.
Morava à beira do rio.
Comprou o apartamento à vista.
Os filhos ficaram à espera dos pais.
Fizemos uma visita A ou À Luciana?
O emprego do artigo antes de nomes de pessoas de nosso conví-
vio é facultativo. Assim, a ocorrência da crase também é facultativa. 
Podemos dizer “Márcia chegou” ou “A Márcia chegou”, desde que essa 
pessoa seja nossa conhecida. Do mesmo jeito, podemos usar ou não a 
crase e escrever “Fizemos uma visita a Luciana” (sem crase) ou “Fizemos 
uma visita à Luciana” (com crase).
Porém, relembrando o que já foi dito na aula de classes de palavras, 
não são todos os substantivos que aceitam ser precedidos por artigo. 
É o que acontece com substantivos próprios que designam nomes de 
cidade e os que designam nomes de pessoas famosas.
Assim, diante desses nomes, não devemos empregar o acento indi-
cativo de crase, pois não há artigo. Dizemos “Madonna vem cantar no 
Brasil” e não “A Madonna vem cantar no Brasil”. Portanto, “Os fãs pode-
rão enviar flores a Madonna” (sem crase). 
46
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Como prometido, dedicou a canção A ou À ela?
O correto é: Como prometido, dedicou a canção a ela. Os pronomes 
em geral não aceitam ser precedidos por artigo, o que impossibilita a 
formação da crase. 
Assim, não ocorre crase antes de: pronome pessoal (Entreguei o li-
vro da biblioteca a ela); pronome demonstrativo (Não presto favores a 
esta mulher); pronome indefinido (Não contou seu segredo a ninguém); 
pronome de tratamento (Ofereceram flores a Sua Excelência; Esse cão 
só obedece a você). 
Os pronomes de tratamento “senhora, senhorita e dona” são exce-
ções. Quando determinados, admitem o artigo e pode haver crase an-
tes deles: Ele sempre foi leal à senhora sua mãe.
Referiu-se A ou À minha falha?
Tanto faz. Antes de pronome possessivo feminino singular (minha, 
tua, sua, nossa, vossa), o uso do artigo é facultativo. 
Da mesma forma, escreva:
Obedecemos apenas a/à nossa consciência. 
O mérito pertence a/à sua filha.
Com o pronome no plural (minhas, suas, nossas, tuas, vossas), só há 
crase em “às” (preposição a + artigo as).
Fez alusão a suas ideias. 
Fez alusão às suas ideias. 
47
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
ISBN: 978-65-80225-07-1
R. Elvira Ferraz, 250, conj. 505 – 04552-040 – São Paulo – SP 
CNPJ 04.963.593/0001-42
Concepção e realização: Gold Editora
Coordenação geral: Isabel Moraes
LIVRO DIGITAL
Texto: Sérgio Nogueira, Carla Tullio (redatora assistente)
Assistência editorial: Ana Beraldo
Arte: LIT Design
Foto de capa: Bel Pedrosa
Ilustrações: Marcos Müller
Revisão: Sandra Miguel
VIDEOAULAS
Apresentação: Sérgio Nogueira
Roteiro: Sérgio Nogueira, Carla Tullio, Bárbara Mello
EQUIPE DE ESTÚDIO
Produtora contratada: Uzumaki Comunicação
Direção: Jefferson Gorgulho Peixoto
Fotografia: Newman Costa, Rodolfo Figueiredo
Som direto: Luiz Fujita Jr.
Produção e TP: Tainah Medeiros
Maquiagem: Simone Souza
EQUIPE DE EXTERNAS
Fotografia: Christian Puig
Produção: Ana Beraldo
Assistência de produção: Luciana Sutil
EQUIPE DE EDIÇÃO E PÓS-PRODUÇÃO
Edição: Priscila Viotto, Christian Puig, Luciana Sutil
Locução: Ângela Benhossi
Ilustrações: Marcos Müller
Motion designer: Tiago Almeida Santos
Revisão: Bárbara Mello, Kiel Pimenta
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
1. Ortografia
2. Uso das palavras
3. Classe de palavras
4. Verbos
5. Pronomes
6. Análise sintática
7. Pontuação
8. Concordância
9. Regência
10. Construção de texto
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com

Materiais relacionados

Perguntas relacionadas

Perguntas Recentes