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Prévia do material em texto

Com Sérgio Nogueira,
o professor do Soletrando.
10
construção
de texto
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.com
Apresentação
Quer simplificar o português, aprender com mais prazer e acabar 
com suas dúvidas?
Este e-book destina-se a apurar sua capacidade de escrever, ler e 
compreender um texto, requisito fundamental para fazer uma prova de 
vestibular ou concurso. Você vai descobrir como produzir textos com 
ideias e conceitos claros, encadeados de forma lógica e precisa.
As videoaulas ampliam o conteúdo do livro digital, discutem as dú-
vidas mais comuns e apresentam exemplos práticos para você enrique-
cer seu conhecimento.
É assim que o professor Sérgio Nogueira retoma os temas mais im-
portantes e mais cobrados em provas de concursos e vestibulares, para 
que você possa (re)aprender sem dificuldades e sem traumas.
Tudo com a experiência de quem há mais de 40 anos aproxima os 
brasileiros da língua portuguesa. 
Bom proveito!
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Sumário
O que é um texto? ............................................................................ 4
Coerência textual ............................................................................ 6
1. Público-alvo ............................................................................................................ 7
2. Contexto situacional ........................................................................................ 8
3. Tipo textual ..........................................................................................................10
Coesão textual ................................................................................14
1. Coesão referencial ...........................................................................................18
2. Coesão sequencial ...........................................................................................25
Defeitos do texto ...........................................................................34
1. Falta de clareza ..................................................................................................35
2. Falta de concisão ..............................................................................................39
3. Vícios de linguagem ........................................................................................42
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O que é um
texto?
4
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É muito comum ouvirmos ou lermos sobre a importância da coerên-
cia e da coesão na construção de um texto. Os professores, os manuais 
de redação, as orientações de vestibulares e concursos, todos recomen-
dam especial atenção a esses dois conceitos que, se respeitados, garan-
tem uma produção textual clara e bem estruturada.
Mas se pretendemos trabalhar com textos, é importante, antes, 
termos uma ideia de como eles se constroem. Todos sabemos que um 
texto não é uma porção de palavras jogadas em uma folha de papel 
(ou numa tela de computador) sem organização e sem objetivo. Ao con-
trário, o que define um texto é sua estrutura organizada, que tem por 
objetivo produzir sentido, transmitir uma ideia. 
Lembre-se de que a palavra “texto” vem do latim textum, o parti-
cípio do verbo texere, que significa “tecer”. Podemos, assim, dizer que 
o texto é um tecido, fruto do entrelaçamento organizado de palavras. 
Portanto, num texto, como em um tecido, suas partes são interdepen-
dentes. Isso quer dizer que se uma parte é retirada do todo ou acrescida 
a ele, altera-se o sentido, interfere-se no produto final. 
Conhecer as partes que compõem um texto e entender como elas 
se relacionam é fundamental tanto para quem pretende escrever como 
para quem quer compreender e interpretar textos. É aí que entram os 
tão falados e exigidos mecanismos de coesão e coerência. Pois são eles 
que encadeiam as ideias de maneira lógica, garantindo sentido à men-
sagem do texto.
5
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Coerência
textual
6
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Dizemos que um texto é coerente quando não há contradições en-
tre as diversas partes que o compõem. Cada parte de um texto deve 
preparar a chegada da parte seguinte e assim sucessivamente, até 
formar um todo em que os vários segmentos estejam harmonicamen-
te costurados.
Para ser considerado coerente, um texto não pode ser avaliado ape-
nas quanto à concatenação de suas partes. Devemos extrapolar a aná-
lise dessa organização interna e preocupar-nos também com alguns 
fatores externos, como o público-alvo e o contexto em que será escrito 
ou proferido.
1. Público-alvo
Uma comunicação eficiente se dá quando o emissor atinge seu ob-
jetivo. Para assegurar que isso aconteça, é necessário que o emissor 
conheça o receptor da mensagem. Conheça seu meio cultural, escolari-
dade, classe social, profissão, idade etc.
Esse conhecimento é muito importante, pois auxilia o produtor 
do texto a adequar sua mensagem à capacidade e às expectativas de 
seu interlocutor.
Imagine, por exemplo, que um astrofísico seja convidado a dar uma 
palestra sobre a origem do universo e que ele não tenha se informado 
com antecedência sobre as características de seu público-alvo. Nesse 
caso, ele corre vários riscos. Se ele preparar um texto com grande apro-
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fundamento científico e a plateia for constituída de crianças de oito a 
dez anos, ninguém entenderá os conceitos expostos e sua missão terá 
sido um fracasso. Se ele preparar uma palestra com conceitos básicos 
sobre a matéria e encontrar, no público, especialistas da área, sua comu-
nicação também terá sido incoerente e inadequada a seu público-alvo.
Lembre-se de que um texto é considerado coerente quando faz sen-
tido – sentido para quem fala e principalmente para quem ouve. Por-
tanto, uma comunicação coerente deve respeitar as características do 
seu receptor, do público a quem se destina. Do contrário, corre o risco 
de não fazer sentido, de não ser compreendida.
2. Contexto situacional
Quando o emissor transmite uma informação, ele o faz em determi-
nado lugar e tempo. E essas circunstâncias do ambiente em que a men-
sagem foi escrita ou proferida determinam muitas vezes seu sentido. 
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Muitas vezes, o fato de o interlocutor desconhecer o contexto em 
que foi emitida a mensagem pode levá-lo a concluir que aquele discur-
so é incoerente, que não tem sentido, ou, ainda pior, ele pode entender 
algo muito diferente do que originalmente o texto queria dizer. 
Veja como Narizinho apresenta Tia Nastácia no livro Reinações de 
Narizinho, de Monteiro Lobato:
Não reparem ser preta. É preta só por fora, e não de nascença. 
Foi uma fada que um dia a pretejou, condenando-a a ficar assim 
até que encontre um certo anel na barriga de um certo peixe. 
Então o encanto se quebrará e ela virará uma linda princesa loura.
Qualquer pessoa que leia esse trecho do livro hoje, sem conheci-
mento do contexto histórico em que ele foi produzido, fatalmente irá 
classificá-lo como racista e desaconselhar sua leitura nas escolas. 
No entanto, se analisarmos a época em que foi escrito (1931), en-
contraremos uma sociedade com fortes características escravocratas. 
Embora a abolição já tivesse sido assinada havia quase 50 anos (1888), 
o fim da escravidão ainda era muito recente para mudar os hábitos e os 
costumes de uma sociedade que acreditava na superioridade branca. 
Assim, não se trata de um livro preconceituoso ou de um autor ra-
cista. Trata-se, antes de tudo, de um autor e de um livro que retratam a 
sociedade de seu tempo, essa, sim, racista e preconceituosa. 
Podemos, então, afirmar que a coerência de um texto também de-
pende do conhecimento que o receptor da mensagem tem do contex-
to em que ele foi produzido,pois esse conhecimento confere sentido 
ao texto.
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3. Tipo textual
Todo texto tem uma intenção. Quando escrevemos, pretende-
mos, por exemplo, transmitir uma informação ou um ensinamento, 
entreter o leitor, explicar uma ideia ou o funcionamento de um me-
canismo, dar uma ordem, fazer um pedido, persuadir o interlocutor, 
entre muitas outras intenções.
A intenção do emissor da mensagem determina o tipo de texto que 
ele vai produzir. Pode ser, por exemplo, um texto argumentativo, narra-
tivo ou descritivo. Em cada tipo de texto a coerência se manifesta de 
uma forma própria.
Coerência em textos argumentativos
Um texto argumentativo apresenta, obviamente, argumentos, 
opiniões e exemplos que sustentam a ideia defendida pelo autor da 
mensagem. Num texto desse tipo, a coerência se dá no encadeamen-
to das ideias apresentadas e na conclusão que decorre delas. Assim, 
um texto que defende, por exemplo, o fim da censura nos meios de 
comunicação não pode apresentar como conclusão que programas 
que veiculem sexo e violência sejam banidos da TV. Tal conclusão se-
ria incoerente com a tese inicialmente defendida.
Um texto argumentativo coerente deve apresentar e concatenar os 
argumentos de tal modo que levem o leitor a aceitar a conclusão apre-
sentada como uma decorrência natural do que foi exposto.
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Coerência em textos narrativos
O texto narrativo conta fatos que 
aconteceram com determinados per-
sonagens em certo espaço e perí-
odo de tempo. Esses fatos são 
expostos em uma linha temporal, 
ou seja, cada fato decorre de um 
fato anterior e origina um fato poste-
rior. E esses fatos não podem de ma-
neira nenhuma se contradizer. 
Se iniciamos nossa história contan-
do que o personagem é órfão desde pequeno, 
não podemos, no meio da narrativa, dizer que ele re-
cebeu total apoio dos pais para pedir a separação da esposa. Conside-
rando que não se trata de um romance espírita, o apoio dos pais que já 
morreram torna o texto incoerente.
A caracterização dos personagens também pode ser fonte de inco-
erências. Se caracterizamos um personagem no início da história como 
uma pessoa covarde e medrosa, não podemos depois dizer que ele vi-
rou um campeão de esportes radicais sem contar como e por que hou-
ve uma transformação tão profunda.
Lembre-se de que a coerência em um texto narrativo ficcional de-
pende do universo em que se passa a história e não de sua semelhança 
com a realidade. O que faz uma obra ficcional ser coerente e parecer 
verdadeira é sua capacidade de convencer o leitor de que o fato nar-
rado é possível dentro do universo criado pelo escritor naquela obra. 
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Essa coerência interna de uma narrativa que possibilita a um perso-
nagem voar numa vassoura é chamada verossimilhança. Pelo princípio 
de verossimilhança, os acontecimentos de uma história não precisam 
ter comprovação na realidade externa do texto, não precisam corres-
ponder à realidade. Eles devem ser coerentes com o universo literário 
criado pelo autor do texto. Assim, uma narrativa coerente deve ser ve-
rossímil, isto é, deve convencer o leitor de que as ações apresentadas 
são perfeitamente plausíveis no mundo inventado na história.
Coerência em textos descritivos
Nesse tipo de texto, a coerência pode ser percebida, por exemplo, 
na combinação dos objetos que formam o cenário. Se a história se 
passa em uma praia do Nordeste, quente e ensolarada, as partes que 
compõem a paisagem devem estar em harmonia com essas caracte-
rísticas. Espera-se encontrar mulheres de biquíni, homens de sunga, 
mães passando filtro solar nas crianças, jovens jogando futebol etc. 
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Seria, portanto, incoerente vestir os personagens com casacos pesa-
dos e cachecóis e colocá-los tomando chocolate quente em volta de 
uma fogueira.
É muito comum notarmos incoerência descritiva nas sequências 
das cenas de um filme, por erro de seus produtores e continuístas. Você, 
certamente, já ouviu muitas dessas histórias. Há o famoso caso de um 
centurião romano filmado com um relógio de pulso ou o do avião que 
cruza a cena de crucificação de Cristo.
Nada raras também são as divertidas gafes de continuidade de 
cena. Essas acontecem, por exemplo, quando a câmera mostra o per-
sonagem de costas portando um chapéu e tocando a campainha de 
uma casa e, na cena seguinte, a porta se abre e o mesmo personagem 
é mostrado de frente, mas o chapéu, misteriosamente, desapareceu 
de sua cabeça.
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Coesão
textual
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Enquanto a coerência é responsável pelo sentido do texto, preocu-
pando-se com as ideias e os conceitos, a coesão é responsável pelo en-
cadeamento dessas ideias e conceitos, ou seja, é ela que liga, que cos-
tura de forma lógica os termos em uma frase, as frases nos parágrafos 
e os parágrafos no texto.
Um escritor que domina os mecanismos de coesão sabe empregar, 
por exemplo, as preposições, os pronomes e as conjunções para estabe-
lecer relações lógicas entre as ideias de um texto. 
Na frase “As medidas do governo na área de educação não levaram 
em conta algumas matérias importantes no desenvolvimento dos jo-
vens”, pode-se perceber o emprego inadequado da contração da prepo-
sição “em” mais o artigo “o” que define a forma “no”. 
Veja como a ideia transmitida pela frase ficaria muito melhor se 
substituíssemos a contração “no” pela preposição “para” mais o ar-
tigo “o”: 
As medidas do governo na área de educação não levaram em 
conta algumas matérias importantes para o desenvolvimento 
dos jovens.
Observe o uso impróprio do pronome relativo na frase: “Cortaram 
as árvores que os troncos estavam podres”. Nesse caso, deveríamos em-
pregar o pronome relativo “cujo”. Confira: 
Cortaram as árvores cujos troncos estavam podres. 
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O emprego inadequado da conjunção também pode prejudicar a 
compreensão da mensagem. Leia o seguinte trecho e tente perceber 
como isso acontece: “Os diretores das empresas incentivam a partici-
pação dos funcionários na busca de resoluções de problemas. Portan-
to, quando a opinião do empregado contraria a ideologia da compa-
nhia, ele é imediatamente reprimido e ameaçado de demissão”.
Você deve ter percebido que a conjunção “portanto” não foi em-
pregada corretamente na ligação das duas frases. Essa conjunção es-
tabelece uma relação de conclusão, de consequência. Ficaria correto, 
por exemplo, se a frase continuasse como “Portanto, os empregados 
terão oportunidade de mostrar o que sabem”. Mas a ideia transmitida 
pelas frases é de oposição, de contraste: quem contraria o pensamento 
da companhia pode até ser demitido. Devemos, assim, empregar uma 
conjunção adversativa (mas, porém, todavia, contudo, no entanto, en-
tretanto...). Perceba a diferença: 
Os diretores das empresas incentivam a participação 
dos funcionários na busca de resoluções de problemas. 
No entanto, quando a opinião do empregado contraria a 
ideologia da companhia, ele é imediatamente reprimido e 
ameaçado de demissão.
Um texto coerente precisa retomar elementos (como conceitos, 
palavras, frases, acontecimentos, pessoas etc.) para não perder sua 
linha de pensamento e, assim, conduzir o leitor de forma segura na 
construção do sentido do texto. Dizemos, então, que um texto está 
bem escrito quando as repetições inevitáveis que garantem sua coe-
rência não prejudicam a estética do documento nem sua progressão 
de ideias. Veja o exemplo:
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Há crianças que ninguém vê. Elas fazem malabarismos nos faróis, 
dormem embaixo de pontes, tomam banho no chafariz dapraça. 
E ninguém vê. Às vezes uma e outra se fazem perceber quando 
roubam um celular ou uma fruta para comer. Aí as pessoas que 
antes não as viam passam a acusar os governantes de cegos, pois 
eles deixam isso acontecer.
Observe como a ideia “crianças que ninguém vê” é retomada pelo 
pronome “elas”, pela terminação dos verbos “dormem” e “tomam” e 
pela expressão “uma e outra” que, por sua vez, é retomada pela termi-
nação do verbo “roubam”. O pronome “as” em “as pessoas que antes 
não as viam” também retoma “crianças que ninguém vê”. Temos, ain-
da, o pronome “eles”, que retoma a palavra “governantes”.
Esse mecanismo de repetição e retomada torna o texto coerente e 
seu desenvolvimento homogêneo, pois é capaz de recuperar uma infor-
mação e assegurar a progressão textual, acrescentando novas ideias ao 
que já foi dito. 
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A repetição de palavras torna-se um problema quando é excessiva 
ou quando os vocábulos repetidos estão muito próximos. Para evitar 
que isso ocorra, devemos lançar mão dos mecanismos de coesão. 
Existem, basicamente, dois tipos de coesão: a referencial e a sequencial.
1. Coesão referencial
A coesão referencial é aquela que retoma um termo já dito, visando 
enfatizá-lo. Um mecanismo importante de coesão referencial é a subs-
tituição, que ocorre quando um elemento do texto é retomado por ou-
tra palavra, como um pronome, um advérbio, um sinônimo etc.
Veja alguns casos em que a substituição funciona como mecanismo 
de coesão referencial.
Substituição por pronomes pessoais
Como todos sabem, os pronomes pessoais substituem o substan-
tivo e podem ser do caso reto ou do caso oblíquo. Na frase “Como os 
atletas do Palmeiras chegaram muito cedo para o treino, eles ainda 
não sabiam que o técnico havia sido desligado do time”, temos o pro-
nome pessoal do caso reto “eles” retomando o termo “atletas” men-
cionado anteriormente. 
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Em “A participação do presidente da empresa na festa dos funcio-
nários foi muito discreta. Ninguém o viu sair”, o pronome pessoal do 
caso oblíquo “o” retoma o termo “presidente da empresa” mencionado 
na frase anterior.
Substituição por pronomes possessivos
Os pronomes possessivos indicam o que pertence a cada uma das 
pessoas gramaticais. Estabelece, portanto, uma relação de posse ou de 
pertencimento entre a pessoa e a coisa possuída. Os pronomes possessi-
vos podem acompanhar ou substituir o substantivo. 
Na frase “Os professores revisaram a matéria da prova e levantaram 
seus pontos mais polêmicos, possibilitando, assim, que todos os alu-
nos dirimissem suas dúvidas”, o pronome possessivo “seus” concorda 
com o substantivo “pontos”, que acompanha e refere-se a “matéria da 
prova”. Já o pronome possessivo “suas” con-
corda com o substantivo “dúvidas”, que 
acompanha e refere-se a “alunos”.
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Veja como o pronome possessivo também pode substituir o subs-
tantivo: na frase “Já que estamos falando em obrigações, aproveito 
para deixar claro que as minhas são apenas estas!”, o pronome posses-
sivo “minhas” está substituindo a palavra “obrigações”.
Substituição por pronomes relativos
O pronome relativo é aquele que retoma o termo anterior e introduz 
uma oração subordinada. Na frase “Estavam presentes na festa todos os 
empreiteiros que participaram da concorrência pública”, o pronome re-
lativo “que” retoma e substitui o termo antecedente “empreiteiros”. 
Substituição por pronomes demonstrativos
Os pronomes demonstrativos, além de fazerem referência a uma 
pessoa do discurso, estabelecem o lugar do substantivo no tempo 
e no espaço. Observe que na frase “Ganhar 
o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, 
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essa é a atual meta do clube”, o pronome demonstrativo “essa” re-
toma o termo “Ganhar o Campeonato Brasileiro e a Libertadores”.
Veja a frase: “Foram chamados o padre e o médico, este por sua ci-
ência, aquele por sua fé”. Observe como os pronomes demonstrativos 
retomam os antecedentes e organizam a informação que se declara 
a respeito deles. O pronome “este” retoma o antecedente mais próxi-
mo dele (médico) e o pronome “aquele” retoma “padre”, antecedente 
mais distante.
Substituição por numerais
Os numerais indicam a quantidade de seres ou a posição que eles 
ocupam em uma série. Na frase “Foram convocados para a reunião o 
juiz, o promotor e o advogado de defesa, mas somente o primeiro foi 
ouvido”, o numeral ordinal “primeiro” retoma o termo “juiz”. 
Em “Não se pode dizer que todo o time ficou fora de forma nas fé-
rias, um terço pelo menos parece bem preparado fisicamente”, o nume-
ral “um terço” refere-se ao termo anterior “time”.
Substituição por advérbios
Os advérbios são responsáveis pela localização dos elementos 
a que se referem. Na frase “Adoraria viver em Paris, mas o custo 
de vida lá é muito alto”, o advérbio “lá” substitui o termo “Paris”, 
citado anteriormente. 
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Em “É muito comum as pessoas compararem São Paulo com Nova 
York. Isso talvez aconteça porque tanto aqui como lá o ritmo de vida é 
enlouquecedor”, os advérbios “aqui” e “lá” substituem respectivamente 
“São Paulo” e “Nova York”.
Substituição por um termo síntese 
Esse tipo de substituição utiliza termos como “assim”, “também”, 
“isso”, “tudo” etc., evitando a redundância de conceitos. Veja o exemplo: 
O objetivo da seleção brasileira de futebol é ganhar a Copa 
de 2014. O problema é que todas as seleções querem isso. 
Observe que o termo “isso” retoma a ideia “ganhar a Copa de 2014”, 
evitando sua repetição. 
Confira mais estes exemplos: 
Falta de moradia, de sistema de saúde que funcione, de educação 
de qualidade, de transporte público decente, tudo contribui para 
estressar o trabalhador brasileiro. 
Carros, joias, roupas, eletrônicos, viagens, nada a seduzia.
Na primeira frase, o termo “tudo” substitui toda a expressão “Falta 
de moradia, de sistema de saúde que funcione, de educação de qualida-
de, de transporte público decente”. Já na segunda frase, o termo “nada” 
substitui “Carros, joias, roupas, eletrônicos, viagens”.
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Substituição por palavras sinônimas 
ou de valor semântico equivalente
Esse tipo de coesão consiste em empregar palavras sinônimas ou 
quase sinônimas para evitar a repetição de vocábulos. Veja as frases:
A greve dos funcionários públicos foi considerada ilegal pelo 
Tribunal de Justiça. O sindicato deve fazer uma assembleia hoje 
para discutir o futuro da paralisação. 
Perceba que, na intenção de evitar a repetição do termo “greve”, 
empregou-se a palavra “paralisação”. 
Confira outros exemplos: 
Ele sofreu mais uma derrota. Agora foi nas eleições legislativas. 
Definitivamente, o prestígio do presidente está em baixa. 
O novo prazo de financiamento de automóveis e o desconto 
do IPI procuram reanimar a indústria de veículos, paralisada 
desde o começo da crise econômica mundial.
Dizem que a maconha diminui a fertilidade masculina. Mas ainda 
não há um estudo científico comprovando que o uso da droga 
reduza o número de espermatozoides. 
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Substituição por epítetos
Nesse recurso de coesão, há uma substituição do nome da pessoa 
ou do objeto por uma palavra ou frase que os qualifica. Veja o exemplo: 
O índice de violência no Rio de Janeiro chegou a níveis 
alarmantes. Preocupadas com a repercussão internacional, as 
empresas de turismo encomendaram uma campanha publicitária 
para veicular as imagens da “Cidade Maravilhosa” na Europa e 
nos Estados Unidos. 
Nesse trecho, podemos notar a utilização do epíteto “Cidade Maravi-
lhosa” para substituir o termo “Rio de Janeiro”. 
Anote alguns epítetos famosos:“Águia de Haia” para se referir a Rui Barbosa
“Tiradentes” para Joaquim José da Silva Xavier 
“Velho Guerreiro” para Chacrinha 
“O Libertador” para Simón Bolívar 
“Maluco Beleza” para Raul Seixas
“Rei do Futebol” para Pelé
“Cidade Luz” para Paris
“Cidade Eterna” para Roma
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Coesão referencial por omissão
Isso acontece quando um termo da oração é omitido por ser desne-
cessário, já que ele pode ser facilmente identificado seja pela desinên-
cia verbal, seja pelo próprio contexto.
Na frase “Os deputados compareceram à sessão da Câmara, votaram 
a emenda de lei sugerida pelo Senado e deram o caso por encerrado”, 
ocorre a elipse do sujeito das formas verbais “votaram” e “deram”, pois, 
pelo contexto, o leitor não tem dúvida de quem praticou essas ações.
2. Coesão sequencial
Chamamos de coesão sequencial o recurso de progressão textual 
que estabelece relações lógicas entre suas ideias. Para exercer essa 
função, utilizam-se os conectivos, principalmente as conjunções ou lo-
cuções conjuntivas e as preposições. 
É muito importante conhecer esses conectivos, pois, além de cos-
turarem as diferentes partes do conteúdo, eles conferem sentido ao 
texto. É por meio desses conectores, por exemplo, que atribuímos um 
significado de causa e consequência às ideias ou que introduzimos 
uma conclusão ou uma explicação no texto. O mau uso de um conecti-
vo pode destruir irremediavelmente o sentido de um texto.
Confira a seguir os principais conectivos distribuídos de acordo 
com os sentidos que expressam.
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Adição
As conjunções aditivas estabelecem uma relação de soma, isto é, 
elas têm a função de unir duas ideias. Ao dizermos que “Laura canta e 
dança”, estamos afirmando que ela faz as duas coisas, estamos soman-
do a ação de cantar com a ação de dançar. As principais conjunções 
aditivas são: e, nem, não só...mas também. 
Veja mais alguns exemplos:
Nós fechamos o bar e abrimos uma sorveteria.
A TV não substituiu o cinema nem a fotografia substituiu 
a pintura.
Não só o pai mas também os filhos são impertinentes.
Alternância
Algumas conjunções têm a função de apresentar duas ações como 
alternativas a serem escolhidas. Por exemplo, a frase “Ou vai, ou racha” 
apresenta duas possibilidades, das quais devemos escolher uma. As 
principais conjunções alternativas são: ou...ou, quer...quer, seja...seja, 
ora...ora. 
Confira outros exemplos:
Ora estão a favor, ora estão contra.
Quer tenha lido o livro, quer não tenha lido, você vai 
fazer a prova.
Seja aqui, seja lá, haverá sempre um lugar para ela.
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Causa
As conjunções causais têm a função de introduzir uma circuns-
tância de causa em relação ao que foi afirmado pelo verbo da oração 
principal. Na frase: “O professor saiu mais cedo da classe porque não 
estava passando bem”, a conjunção “porque” introduz uma causa, o 
motivo pelo qual o professor precisou sair mais cedo. São conjunções 
causais: porque, pois que, porquanto, uma vez que, visto que, já que, 
como, por causa de etc.
Parou de frequentar a escola, já que não ia mesmo 
passar de ano.
Pleiteava o cargo de diretor, visto que era filho do dono 
da empresa.
A conjunção “posto que” merece atenção especial. Não é raro 
encontrarmos essa conjunção sendo utilizada no lugar de “por-
que” com o valor de uma conjunção causal. Frases do tipo “O atleta 
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foi desligado do clube, posto que (= porque) não atendia às expec-
tativas da diretoria” são muito comuns. O problema é que, na sua 
origem, essa conjunção tem um valor concessivo, isto é, introduz 
uma contradição ou um fato inesperado. Nesse sentido, pode ser 
substituída por “embora”. 
Assim, se você encontrar uma frase como “A proposta não foi aceita 
pela diretoria, posto que (= embora) estivesse bem elaborada”, não es-
tranhe: lembre-se do sentido original da conjunção.
Se a conjunção tem dois sentidos, como deixar claro para o leitor 
o sentido que você quis dar a ela? Fácil! Quando quiser empregá-la 
como concessiva (= embora), use o modo subjuntivo: Marcos não foi 
aprovado no exame, posto que (= embora) tenha estudado muito. 
Com o sentido de uma conjunção causal (= uma vez que), empre-
gue o modo indicativo: Marcos não foi aprovado no exame, posto que 
(= uma vez que) não estudou muito.
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Conclusão, resumo, recapitulação
As conjunções conclusivas introduzem uma conclusão ou uma con-
sequência ao que foi dito na oração principal. Apresentam um raciocí-
nio lógico em relação a um fato expresso. Na frase “Ele ainda estuda, 
portanto depende dos pais”, a conjunção “portanto” introduz uma con-
clusão para o fato de ele ainda estudar. As principais conjunções con-
clusivas são: logo, portanto, por conseguinte, pois (posposto ao verbo), 
então, assim, por isso etc.
Os candidatos estão muito bem preparados; logo, farão uma 
ótima prova.
O goleiro faltou aos últimos treinos; por isso, vai ficar fora do 
próximo jogo.
Condição, hipótese
As conjunções condicionais apresentam uma situação necessária 
para que o fato expresso na oração principal aconteça. Elas introduzem 
uma condição para a realização desse fato. Veja a frase: 
Marcos deixará o emprego se não conseguir o aumento 
de salário pretendido. 
Perceba que, para Marcos deixar o emprego, há uma condição: não 
ganhar o aumento de salário. Essa condição foi introduzida pela con-
junção “se”. Também são conjunções condicionais: se, salvo se, senão, 
caso, desde que, contanto que, sem que, a menos que etc. 
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Veja mais exemplos:
Caso tivesse estudado para as provas, não teria perdido o ano.
O comendador confirmará o convite para a festa, desde que suas 
condições sejam aceitas.
Comparação, semelhança
As conjunções comparativas estabelecem uma comparação entre 
o que está sendo dito e o que foi dito na oração principal. Elas introdu-
zem o segundo termo da comparação. Por exemplo, na frase “Maria é 
tão bonita quanto a mãe”, a conjunção “tão (tanto) quanto” estabelece 
uma comparação entre a beleza da filha e a da mãe. Note que o verbo 
da segunda oração foi omitido. Veja como ficaria a frase se o verbo fos-
se repetido: Maria é tão bonita quanto a mãe é.
As principais conjunções comparativas são: como, mais do que, as-
sim como, bem como, tanto quanto etc. 
Confira os exemplos abaixo:
A minha vizinha vive como uma rainha.
A vida noturna de São Paulo é mais agitada do que a de Paris.
Explicação
As conjunções explicativas introduzem uma justificativa ou uma 
explicação ao que foi dito pelo verbo da oração principal. Veja a frase: 
Saia, porque não aguento mais sua presença. 
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Observe que a conjunção “porque” introduz uma explicação para a 
ordem expressa pelo imperativo “saia”. As conjunções explicativas são: 
que, porque, pois (anteposto ao verbo), isto é, ou seja...
Veja mais exemplos:
Corra mais rápido, que o trem já vai sair.
Choveu durante a noite, pois a rua está toda molhada.
Não se atrase, porque não podemos esperar.
Finalidade, intenção, propósito
As conjunções finais introduzem a finalidade, o objetivo do fato ex-
presso pelo verbo da oração principal. Na frase “É preciso que a comis-
são de ética expulse os deputados corruptos para que o eleitor volte a 
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confiar nos políticos”, temos a conjunção “para que” introduzindo uma 
finalidade para a ação de expulsar os deputados corruptos. 
As principais conjunções finais são: para que, a fim de que, que 
(= para que)...
Veja mais exemplos.
Foi obrigada a chamar sua atenção para que se comportasse.
O diretor pegou o microfone a fim deque sua voz pudesse 
ser ouvida por todos.
Oposição, contraste, restrição
As conjunções que estabelecem a relação de oposição, contraste ou 
restrição introduzem sempre uma ideia que contraria a ideia exposta 
pelo verbo da oração principal. Essa conjunção caracteriza-se por apre-
sentar um fato inesperado, uma exceção. 
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Por exemplo, na frase “As crianças foram passear no parque, embo-
ra estivesse chovendo”, a conjunção “embora” introduz uma informa-
ção inesperada, pois não é comum crianças passeando no parque em 
dia de chuva. 
Os elementos de ligação mais utilizados para estabelecer esse tipo 
de relação são: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, embora, ape-
sar de que, se bem que, por mais que, exceto, salvo, pelo contrário etc. 
Veja alguns exemplos:
Marcos detesta sua vizinha, mas quer se casar com a filha dela.
O estagiário apresentou um ótimo trabalho, entretanto não 
foi contratado.
Ainda que jure inocência, não acredito no seu depoimento.
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Defeitos do
texto
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Tão importante quanto dominar os mecanismos que nos auxiliam 
a compreender e a escrever um bom texto é conhecer os defeitos de 
um texto mal escrito. Porque só aprendendo a identificar os problemas 
é que podemos fugir de suas armadilhas. Vamos, então, relacionar os 
defeitos mais comuns.
1. Falta de clareza
Produzir um texto é um ato de comunicação, e a regra básica de 
toda comunicação é se fazer entender. Assim, sempre que uma pessoa 
escreve é porque espera ser compreendida. Quando o receptor não en-
tende seu texto, é porque ele não está claro, ou seja, não faz sentido, 
não é coerente. 
Inadequação ao tipo textual
Já vimos nesta aula algumas dicas sobre como produzir um texto 
coerente. Agora, vamos comentar outros cuidados para garantir que 
um texto seja compreendido; por exemplo, adequar o tipo de texto à 
intenção comunicativa. Isso quer dizer que quem pretende convencer 
seu leitor sobre um ponto de vista deve produzir um texto argumenta-
tivo. Se a intenção é contar uma história, o texto deve apresentar uma 
estrutura narrativa, e assim por diante. 
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Letra
Outro princípio a ser respeitado é a legibilidade. Quando o texto 
é produzido no velho esquema de papel e caneta, como ocorre no 
Enem, nos concursos e na maioria dos vestibulares em geral, é preciso 
ter em mente que o conteúdo é para ser lido, não para ser decifrado. 
Portanto, escrever em letra legível e uniforme é fundamental para 
não perder pontos. 
Escolha do vocabulário
A escolha do vocabulário a ser empregado é um ponto impor-
tante no quesito clareza. Evite termos vagos e imprecisos que pos-
sam levar o leitor a concluir algo diferente do que o pretendido. 
Pense muito bem no valor semântico e ideológico da palavra esco-
lhida. Chamar, por exemplo, uma criança que vive na rua de 
“pivete” dá a seu texto uma carga preconceituosa em 
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relação a esse tipo de criança. Perceba que é muito diferente de 
chamá-la “menor abandonado” ou “criança desamparada”. Tenha 
sempre em mente que a palavra escolhida revela sua opinião sobre 
aquele assunto. 
Ambiguidade e desrespeito à norma culta
Tome muito cuidado na hora de grafar algumas palavras. Trocar 
“eminente” por “iminente”, por exemplo, pode destruir para sempre a 
clareza de sua redação. Evite desobedecer à norma culta da língua por-
tuguesa. Verifique, sempre que necessário, as regras de concordância e 
regência das palavras que você escolheu empregar. Procure construir 
frases e parágrafos curtos e não descuide da pontuação. 
Você deve, ainda, evitar a todo o custo escrever frases que apre-
sentem mais de um sentido. A ambiguidade é uma das principais 
causas da falta de clareza de um texto. 
Se na publicidade ou nos textos de humor a ambiguidade pode 
ser considerada um recurso estilístico, em uma redação sem essas 
finalidades ela é considerada um defeito.
Frases ambíguas, geralmente, ocorrem em consequência do uso 
desatento de algumas palavras e da colocação inadequada da pon-
tuação. Veja:
O pai encontrou o namorado da filha dormindo em seu quarto.
Perceba as possibilidades de interpretação dessa frase. Podemos 
entender que o namorado foi pego dormindo no quarto da filha. Mas 
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também é possível deduzir que ele estivesse dormindo no próprio 
quarto. Há, ainda, a possibilidade de ele ter dormido no quarto do 
pai. E se essa frase fosse dita a você, adivinhe no quarto de quem 
esse rapaz poderia estar dormindo? Poderia ser no seu quarto, caro 
leitor.
A pontuação inadequada é outro fator que pode prejudicar a clare-
za de uma informação. Na internet, circula uma história interessante 
de um homem que deixou um testamento assim: “Deixo os meus bens 
a minha irmã não a meu filho jamais será paga a conta do alfaiate nada 
aos pobres”. Para quem, na verdade, ele deixou sua herança? Sem a pon-
tuação, é impossível determinar. Cada interessado deu um sentido ao 
texto. Veja:
Irmã: 
Deixo meus bens a minha irmã. Não a meu filho. Jamais será paga 
a conta do alfaiate. Nada aos pobres.
Filho:
Deixo meus bens a minha irmã? Não. A meu filho. Jamais será paga 
a conta do alfaiate. Nada aos pobres.
Alfaiate:
Deixo meus bens a minha irmã? Não. A meu filho? Jamais. Será 
paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.
Pobres:
Deixo meus bens a minha irmã? Não. A meu filho? Jamais. Será 
paga a conta do alfaiate? Nada. Aos pobres.
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Às vezes é a ordem das palavras que 
prejudica o sentido da frase. Por exemplo, 
em “Ela encontrou ratos arrumando a des-
pensa”, podemos entender que os ratos, 
muito solidários com a organização 
da casa, resolveram dar uma mão-
zinha e arrumar a despensa. Para 
desfazer essa ambiguidade, basta 
inverter a ordem das palavras. Veja 
como ficaria: Arrumando a despensa, 
ela encontrou ratos.
2. Falta de concisão
É muito comum ouvirmos que um texto precisa ser conciso, mas 
você já parou para pensar no que isso quer dizer? 
Um texto conciso é aquele que consegue transmitir a mensagem 
com o mínimo de palavras, sem prejudicar a clareza. 
Economizar nas palavras não significa que você deva economizar 
nas ideias. Não suprima do texto passagens importantes para o desen-
volvimento da informação só para deixá-lo mais curto. 
Lembre-se de que o que está em jogo é a concisão das informações 
e não o tamanho do texto.
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Assim, o que deve ser eliminada é a famosa “encheção de linguiça”, 
ou seja, a prolixidade que recheia o texto de palavras que não querem 
dizer nada. 
Para deixar o texto mais conciso, use palavras ou expressões que 
consigam sintetizar as ideias. Veja alguns exemplos:
Texto prolixo:
Quando as pessoas andam pelas ruas e encontram outras pessoas 
que não têm casa, vivendo nas ruas, sem ter onde dormir, elas 
ficam revoltadas com a falta de ações por parte do governo que 
não faz nada pra tirar essas pessoas da rua.
Texto conciso:
É revoltante encontrar pessoas que vivem nas ruas sem receber 
nenhum tipo de assistência do governo.
Texto prolixo:
A posição de todas as esferas do governo brasileiro é de que 
esgotem todas as possíveis possibilidades de negociação e de 
diálogo com o objetivo final de se alcançar uma solução que 
seja pacífica.
Texto conciso:
O Brasil é a favor de uma solução pacífica.
A falta de concisão muitas vezes é o reflexo da falta de conhecimen-
to. Basta, por exemplo, solicitar ao aluno ou candidato que desenvolva 
um assunto que ele desconheça para que comece a “enrolação”. Geral-
40
Licensed to Alessandra Leite da Silva - ale_ls@live.commente, ele gasta muitas linhas para comentar a dificuldade do tema 
em lugar de desenvolver esse tema. 
Outra armadilha que deve ser evitada nessas horas é encher o texto 
com informações desnecessárias, com citações e clichês na intenção 
de preencher as linhas em branco.
Um texto conciso deve fugir das repetições viciosas de ideias, o cha-
mado “pleonasmo vicioso”. 
O pleonasmo vicioso consiste no emprego de palavras ou expres-
sões com o mesmo sentido, mas que não acrescentam nada ao que foi 
dito, tornando-se, assim, uma informação inútil. Veja alguns exemplos 
de pleonasmo vicioso:
Adiar para depois 
Canja de galinha 
Consenso geral 
Conviver junto
Criar novos
Encarar de frente
Entrar para dentro / 
Sair para fora
Ganhar grátis
Habitat natural.
Inaugurar novo
Introduzir dentro
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Manter o mesmo
Monopólio exclusivo
Novidade inédita
Países do mundo
Panorama geral
Pequenos detalhes
Protagonista principal
Sorriso nos lábios
Subir para cima / Descer para baixo
Surpresa inesperada
Unanimidade de todos
Ver com os próprios olhos
Vereadores da Câmara Municipal
3. Vícios de linguagem
Um texto que apresenta vícios de linguagem não pode ser consi-
derado um bom texto. Ao contrário das figuras de linguagem, que con-
ferem maior expressividade à ideia transmitida, os vícios constituem 
desvio das normas gramaticais e não acrescentam nada ao que é dito. 
Geralmente esses desvios são decorrentes de descuido ou de falta de 
conhecimento dos padrões linguísticos.
Além do pleonasmo vicioso e da ambiguidade já comentados, há 
outras infrações que devem ser evitadas. Confira:
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Arcaísmo
Consiste no emprego de palavras ou construções muito antigas que 
já caíram em desuso. É o que ocorre na frase “Vossa mercê está mui 
linda”. Veja que foi empregada a expressão “Vossa Mercê” no lugar de 
“você” e “mui” no lugar de “muito”. Em “Havia menos cousas com que 
se preocupar antanho”, temos a palavra “cousas” no lugar de “coisas” e 
“antanho” no lugar de “antigamente”.
Quando alguém ainda escreve “abat-jour”, por exemplo, está em-
pregando um arcaísmo, pois essa palavra já foi incorporada à língua 
portuguesa como “abajur” há muito tempo. Da mesma forma, podemos 
considerar arcaísmo as seguintes grafias: “bouquet” de flores (buquê 
de flores), “buffet” infantil (bufê infantil), “maillot” de duas peças (maiô 
de duas peças)...
Barbarismo
É considerado barbarismo todo erro em relação à forma da palavra. 
Assim, qualquer erro de grafia é um barbarismo. Veja alguns erros co-
muns e, entre parênteses, a forma correta: 
esteje (esteja), seje (seja), menas (menos), refastelar (refestelar), 
beneficiente (beneficente), derrepente (de repente) oque (o que), 
tenque (tem que), ele quiz (ele quis), em baixo (embaixo), encima 
(em cima), advinhar (adivinhar)...
Alguns desses erros se dão na pronúncia da palavra. Isso pode acon-
tecer, por exemplo, quando se desloca o acento tônico. Esse tipo de bar-
barismo recebe o nome de silabada. Veja alguns exemplos:
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Erradas Corretas
áustero austero (paroxítona)
ávaro avaro (paroxítona)
cíclope ciclope (paroxítona)
côndor condor (oxítona)
gratuíto gratuito (paroxítona, ditongo “ui”)
íbero ibero (paroxítona)
púdico pudico (paroxítona)
récorde recorde (paroxítona)
rúbrica rubrica (paroxítona)
São ainda barbarismos relacionados à pronúncia o jeito de dizer 
“arrôiz”, “luiz”, “nóis”, visto que essas palavras não têm “i”.
Estrangeirismo
É um vício de linguagem que consiste no emprego de palavras ou 
expressões estrangeiras ainda não incorporadas ao idioma nacional. É 
importante lembrar que nossa língua está repleta de palavras que fo-
ram aportuguesadas e são muito bem aceitas. Veja:
blecaute, chope, detalhe, espaguete, estresse, futebol, 
lasanha, nhoque
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Isso não significa que precisamos aportuguesar todas as palavras es-
trangeiras que usamos no dia a dia. Muitas palavras já se consagraram 
pelo uso na forma original, como: 
shopping center, show, pizza, marketing, mouse, software, réveillon... 
O que não dá para entender e aceitar é a mistura de idiomas que en-
contramos por aí. Por exemplo, por que escrever “espaguete à la bolog-
nese” no cardápio? Se o espaguete foi empregado na forma aportugue-
sada e o nome do molho também tem uma forma aportuguesada, por 
que não escrever “espaguete à bolonhesa”, tudo em bom português?
Perceba que eu nem de longe sou a favor de banir toda palavra de 
origem estrangeira de nossa vida. Mas defendo que, antes de empre-
garem indistintamente uma palavra ou expressão estrangeira, os bra-
sileiros procurem saber se não há uma boa tradução para substituí-la. 
Podemos, por exemplo, empregar os verbos “iniciar” ou “começar” no 
lugar de “startar” ou “estartar”. Por que usar “linkar” se temos os verbos 
“unir”, “ligar”, “conectar”? E o mais ridículo de todos, por que dizer “beach 
soccer” para falar do bom e velho “futebol de areia”?
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O difícil no caso dos estrangeirismos é encontrar o meio-termo. 
Não fazer parte da turma que rejeita tudo, mas também não se alinhar 
àqueles que aceitam tudo.
Cacófato
Consiste na formação de uma palavra inconveniente pela junção de 
duas ou mais palavras na frase. Deve ser evitado em um texto porque, 
geralmente, produz uma palavra ridícula ou obscena. 
Confira alguns exemplos:
Essa marca ganha mais que a outra.
Foi mal. Desculpe então.
Ele havia dado muitas alegrias à sua mãe.
Dei um beijo na boca dela.
Amasse todos os temperos no aparelho de socar alho.
Distribuiu uma por cada.
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Nesta sala existe uma herdeira.
Ela entrou em forma graças ao cooper feito diariamente.
Ibama confisca gado em área protegida.
Não tenho pretensão acerca dela.
Colisão
É um vício de linguagem que ocorre quando há uma sequência de 
sons consonantais iguais ou semelhantes. Deve ser evitado, pois pro-
voca um efeito sonoro desagradável, como em “A senhora Selma saiu 
com sua saia suja”.
Eco
Consiste na repetição de um som em uma sequência de palavras, 
formando uma rima em um texto em prosa. É considerado um vício 
de linguagem quando não se trata de obra literária em versos. Veja o 
exemplo: “A reação da população está na decisão da eleição”.
Hiato
Ocorre quando há um acúmulo de vogais, provocando um efeito so-
noro desagradável. Veja o exemplo: “Escolha: ou eu ou o outro. Agora, 
vá à aula”.
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ISBN: 978-65-80225-08-8
R. Elvira Ferraz, 250, conj. 505 – 04552-040 – São Paulo – SP 
CNPJ 04.963.593/0001-42
Concepção e realização: Gold Editora
Coordenação geral: Isabel Moraes
LIVRO DIGITAL
Texto: Sérgio Nogueira, Carla Tullio (redatora assistente)
Assistência editorial: Ana Beraldo
Arte: LIT Design
Foto de capa: Bel Pedrosa
Ilustrações: Marcos Müller
Revisão: Sandra Miguel
VIDEOAULAS
Apresentação: Sérgio Nogueira
Roteiro: Sérgio Nogueira, Carla Tullio, Bárbara Mello
EQUIPE DE ESTÚDIO
Produtora contratada: Uzumaki Comunicação
Direção: Jefferson Gorgulho Peixoto
Fotografia: Newman Costa, Rodolfo Figueiredo
Som direto: Luiz Fujita Jr.
Produção e TP: Tainah Medeiros
Maquiagem: Simone Souza
EQUIPE DE EXTERNAS
Fotografia: Christian Puig
Produção: Ana Beraldo
Assistência de produção: Luciana Sutil
EQUIPE DE EDIÇÃO E PÓS-PRODUÇÃO
Edição: Priscila Viotto, Christian Puig, Luciana Sutil
Locução: Ângela Benhossi
Ilustrações: Marcos Müller
Motion designer: Tiago Almeida Santos
Revisão: Bárbara Mello, Kiel Pimenta
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1. Ortografia
2. Uso das palavras
3. Classe de palavras
4. Verbos
5. Pronomes
6. Análise sintática
7. Pontuação8. Concordância
9. Regência
10. Construção de texto
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