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Movimento Negro Brasileiro

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Movimento Negro Brasileiro 
O Movimento Negro é como definimos o conjunto de movimentos sociais que atuam no 
combate ao racismo e na defesa da igualdade racial, buscando melhorias para a população 
negra. 
De acordo com o IBGE, a população negra é formada pela soma das pessoas que se 
autodeclaram pretas com tonalidades de pele mais escura e pardas com tonalidades de pele 
mais clara. 
Dos 500 anos de história do Brasil, quase 400 anos foram marcados pela escravização de 
africanos e afro-brasileiros, e os últimos 100 anos foram marcados pela negligência do Estado 
em engolir a população negra recentemente libertada da escravidão. Com o tempo, para exigir 
liberdade, igualdade e outros direitos fundamentais, a população negra começou a se organizar 
em espaços autônomos, grupos, coletivos e instituições culturais, religiosas e políticas, criando 
assim o que vemos hoje o Movimento Negro Brasileiro (DOMINGUES, 2007, pp. 100-122). 
Quando os europeus entraram em contato com povos indígenas, africanos e asiáticos durante 
a Era dos Descobrimentos, dos séculos XV a XVII, encontraram uma grande variedade de povos 
com diferentes cores de pele e texturas de cabelo. Estas diferenças levaram os europeus a 
acreditar que havia diferentes raças humanas no mundo e, com base nas suas próprias ideias 
limitadas e ignorantes, dividiram um grupo altamente pluralista numa única raça. Desta forma, 
centenas de nativos americanos com línguas e sociedades diferentes foram classificados 
exclusivamente como índios, enquanto centenas de africanos com realidades diferentes foram 
classificados apenas como africanos ou negros. Coisas semelhantes aconteceram na Ásia e na 
Oceania. Estas classificações levam em consideração dois fatores: as características biológicas e 
culturais de uma sociedade (ALMEIDA, 2019, p. 19). 
O apoio jurídico total perpetuou a discriminação e a marginalização e impediu o avanço 
econômico, político e social dos negros. Por aqui, o negro continuará sendo oprimido enquanto 
o Brasil não se assumir racista. De acordo com o filósofo e jurista Silvio Almeida — A negação é 
essencial para a continuidade do racismo. Ele só consegue funcionar e se reproduzir sem 
embaraço quando é negado, naturalizado, incorporado ao nosso cotidiano como algo normal. 
Não sendo o racismo reconhecido, é como se o problema não existisse e nenhuma mudança 
fosse necessária. A tomada de consciência, portanto, é um ponto de partida fundamental 
(Fonte: Agência Senado). 
Embora a opressão da escravatura, os africanos e os seus descendentes tentaram preservar a 
sua identidade. A resistência ao cativeiro foi exercida através das fugas que ocorriam tanto nas 
áreas rurais quanto nas urbanas, sempre em busca de liberdade e autonomia. O que foi visto 
como uma perda econômica para os proprietários de escravos foi, na perspectiva dos 
refugiados, uma defesa legítima do seu direito de reivindicar a propriedade dos seus próprios 
corpos, das suas próprias histórias e dos seus próprios destinos. 
A intolerância religiosa conduziu ao levante dos malês que representou uma das maiores e mais 
importantes organizações políticas dos negros durante a era da escravidão do Brasil. Não era 
uma organização de toda a população negra da Bahia, mas apenas de africanos muçulmanos, 
mostrando que os afrodescendentes são pluralistas e não se consideram iguais. 
Marco histórico do movimento: 
1837 – Primeira lei de educação: negros não podem ir à escola 
1850 – Lei de terras: negros não podem ser proprietários 
1871 – Lei do Ventre Livre 
1885 – Lei do Sexagenário 
1888 – Lei Áurea 
1890 – Lei dos vadios e capoeiras 
 
Falar cronologicamente sobre como chegar a um Movimento Negro torna-se difícil, pois todos 
os acontecimentos históricos desde África têm de ser analisados e considerados. 
 
Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, pondo fim a mais de 300 anos de 
escravidão africana no Brasil. No entanto, o fim da escravatura não significou o fim da 
desigualdade entre as populações brancas e negras do nosso país. 
De acordo com o Petrônio Domingues (2007) o movimento político de mobilização racial negra 
– Movimento Negro (MN), no Brasil, historicamente está dividido em 3 fases: 
o A primeira entre 1889 a 1937, que corresponde ao período da Primeira República ao 
Estado Novo; 
o A segunda entre 1945 a 1964, que corresponde ao período da Segunda República à 
Ditadura civil- militar; 
o A terceira entre 1978 a 2000, que corresponde ao processo de redemocratização à 
República Nova. 
Na primeira fase, as características do movimento naquela época eram a ênfase na 
alfabetização, a criação de organizações negras, especialmente o Centro Cívico de Palmares em 
1926, a assimilação das organizações existentes na época e a divulgação cultural. Informações 
baseadas na estrutura da rede. Destacam-se os jornais “A Pátria” em 1899, “O Combate em” em 
1912, e “Clarim da Alvorada” em 1924. Há registros de pelo menos 31 artigos circulando em São 
Paulo nesse período. O auge desse período foi em 1931, quando foi criada a Frente Negra 
Brasileira, com representação em nível estadual. Esta organização conseguiu atrair milhares de 
negros, organizou-os e manteve escolas, grupos de teatro, formação política e comercial e muito 
mais. O jornal “A Voz da Raça'' deixou de existir em 1937 com a criação do Estado Novo. 
 
Na segunda fase, foi mantido um discurso moderado através de estratégias culturais e de 
integração, que afirmava que a solução para a discriminação racial seria através de meios 
educacionais e culturais, e promoveu a valorização dos negros. sobre A eliminação dos 
complexos de inferioridade e a reeducação racial dos brancos. Denuncia o mito da democracia 
racial ao centrar-se na Coligação das Pessoas de Cor, um teatro negro experimental cujos 
principais líderes foram José Bernardo da Silva e Abdias do Nascimento. 
 
As celebrações referentes a Consciência Negra surgiram nas lutas dos movimentos sociais contra 
o racismo na metade da década de 70. Oliveira Silveira foi um intelectual e ativista do Rio Grande 
do Sul, que pesquisou sobre a história do negro no Brasil e identificou que a data da morte de 
Zumbi dos Palmares, 20 de novembro, tinha requisitos que apresentavam orgulho para a 
população negra. Junto com outros ativistas, mobilizaram o Movimento Negro e sugeriram esse 
dia como dia Nacional da Consciência Negra. Em 1971, foi proposto que nessa data fosse 
comemorado o valor da comunidade negra e sua fundamental contribuição ao país. 
 
O dia 20 de novembro se torna um dia para homenagear o líder na época dos quilombos. 
Fortalecendo mitos e referências históricas da cultura e trajetórias negra no Brasil e também 
trazer referências para lideranças atuais. Surge como uma iniciativa de gerar reflexão para as 
questões raciais no Brasil. 
 
Na terceira fase, na área de normas, temos a Lei do Gado de 1968, a atual constituição foi 
promulgada em 1988, e a Conferência de Durban de 2001. Além disso, o termo “negro” foi 
oficialmente adotado, “pessoa de cor” foi abandonado e o termo “ascendência africana” foi 
introduzido posteriormente. O movimento desta época via a escravidão e o sistema capitalista 
como alienadores dos negros. Os seus líderes enfatizam que o caminho para reduzir a 
discriminação racial é através da política (visão de 1931). Os métodos de combate às 
manifestações públicas incluem a formação de comités de base e a formação de movimentos 
nacionais. Tem como foco a reorganização de organizações negras como o Movimento Negro 
Unido, o Bloco Africano Ilê Aiyê e o Primeiro Congresso Nacional da Mulher Negra na cidade de 
Valensa-RJ. 
 
As comemorações do 13 de maio desapareceram e o Movimento Black Soul explodiu. A 
imprensa negra voltou com destaque para o jornal Simba (1977), o jornal Zinga (1984) e, a partir 
de 1986, o jornal Levista Ebano. Os seus princípios ideológicos são uma posição políticabaseada 
no intencionalismo e na defesa das forças políticas de esquerda de 1970 a 1980. Discuta o mito 
da democracia racial como um programa mínimo de um Movimento Negro unido contra o 
racismo. 
 
Compreendemos que temos ainda, uma quarta fase, que corresponde ao período de 2000 até 
os dias atuais, no qual destacam-se o(s) Feminismo(s) Negro(s) e o surgimento de diferentes 
coletivos defensores de questões como empoderamento feminino negro; cotas raciais, nos 
campos educacionais e do trabalho; valorização das religiões de matrizes africanas, dentre 
outras. 
Os acontecimentos mais importantes deste período foram o reconhecimento do racismo como 
crime, a introdução de cotas, a adoção da disciplina da história africana, a demarcação dos 
quilombos e a celebração do 20 de novembro. Destaco os nomes de Lelia Gonzalez e Hamilton 
Cardoso. As lutas destes homens e mulheres garantirão que as gerações futuras desfrutem do 
progresso alcançado e continuem a lutar pela igualdade de gênero e racial. 
 
Neste momento, o Movimento Negro existe em vários campos e instituições da sociedade, 
incluindo saúde, educação, cultura e política. Uma das expressões mais importantes deste 
movimento nos últimos anos foi a criação da Coalizão Negra Por Direitos. Fundada em 2019, a 
coalizão reúne mais de 250 organizações do Movimento Negro de todo o Brasil para trabalharem 
juntas no combate ao racismo e garantir a sobrevivência de um país mais justo e igualitário 
(SILVA, 2022, p45). 
Desde a colonização portuguesa, a introdução da escravidão como forma primitiva de 
colonialismo tem sido um marco discriminatório na sociedade brasileira, que continua em nível 
nacional até hoje. Por essa razão, a sociedade brasileira precisa ter consciência sobre o problema 
do racismo, da desigualdade e da diversidade em nosso país, reconhecendo a necessidade de 
respeitar e valorizar as pessoas negras. Apenas através do reconhecimento coletivo dos 
privilégios e desigualdades presentes em nossa sociedade será possível transformar o Brasil em 
uma nação livre de racismo, preconceito e opressão. Ninguém deve ser subjugado em razão da 
cor da pele, do tipo de cabelo ou de qualquer outra característica genética. 
Personalidades Negras Brasileiras 
Zumbi dos Palmares (1655-1695) - líder do Quilombo dos Palmares 
Dandara (?-1694) - guerreira do período colonial do Brasil, esposa de Zumbi 
Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1738-1814) - escultor e arquiteto 
Tereza de Benguela (1700-1770) - rainha do Quilombo de Quariterê 
Mestre Valentim (1745-1813) - paisagista e arquiteto 
Padre José Maurício (1767-1830) - músico e compositor 
Maria Firmina do Reis (1822-1917) - escritora e professora 
Luís Gama (1830-1882) - escritor e ativista político 
André Rebouças (1838-1898) - engenheiro e ativista político 
Ernesto Carneiro Ribeiro (1839-1920) - médico, professor, gramático, filólogo e educador 
Francisco José do Nascimento (1839-1914) - marinheiro e ativista político 
Machado de Assis (1839-1908) - escritor, jornalista e poeta 
Estêvão Silva (1845-1891) - pintor, desenhista e professor 
José do Patrocínio (1853-1905) - farmacêutico e ativista político 
Teodoro Fernandes Sampaio (1855-1937) - engenheiro, geógrafo, escritor e historiador 
João da Cruz e Souza (1861-1898) - poeta e escritor 
Nilo Peçanha (1867- 1924) - presidente da República 
Ernesto Joaquim Maria dos Santos, Donga (1889-1974) músico, compositor e violonista 
Mãe Menininha do Gantois (1894-1986) – Iyálorixá 
Pixinguinha (1897-1973) - músico, compositor e arranjador 
João Francisco dos Santos, o Madame Satã (1900-1976) - artista 
Antonieta de Barros (1901-1952) - professora, jornalista e deputada 
Laudelina de Campos Melo (1904-1991) - empregada doméstica e ativista política 
Angenor de Oliveira, Cartola (1908-1980) - cantor, compositor, poeta e violonista 
Luiz Gonzaga do Nascimento, Luiz Gonzaga (1912-1989) – músico, sanfoneiro, cantor e 
compositor, recebeu o título de "Rei do Baião" 
Carolina de Jesus (1914-1977) – escritora 
Dorival Caymmi (1914-2008) – cantor, compositor, instrumentista, poeta, pintor e ator 
Abdias do Nascimento (1914-2011) - intelectual, ator e político 
Adhemar Ferreira da Silva (1927-2001) - atleta olímpico 
Grande Otelo (1915-1993) - ator e cantor 
Ruth de Souza (1921-2019) – atriz 
Francisca Xavier Queiroz de Jesus, Chica Xavier (1932-2020) - ialorixá, produtora e atriz de 
teatro, cinema e televisão. 
Elza Gomes da Conceição, Elza Soares (1930-2022) - cantora, compositora musical e intérprete 
Lélia de Almeida Gonzalez (1935-1994) - intelectual, autora, ativista e professora 
Martinho José Ferreira, Martinho da Vila (1938) - cantor, compositor e escritor 
Wilson Simonal de Castro (1938-2000) - cantor e compositor 
Jair Rodrigues de Oliveira, (1939-2014) - cantor 
Edson Arantes do Nascimento, o rei Pelé (1940-2023) – futebolista 
Emanoel Alves de Araújo (1940-2022) - escultor, desenhista, ilustrador, figurinista, gravurista, 
cenógrafo, pintor, curador e museólogo 
Antônio Carlos Bernardes Gomes, Mussum (1941-1194) - humorista, ator, músico e compositor 
Gilberto Passos Gil Moreira, Gilberto Gil (1942) - cantor, compositor, multi-instrumentista, 
produtor musical, político e escritor 
Milton Silva Campos do Nascimento, (1942) - cantor, compositor e multi-instrumentista 
Sebastião Rodrigues Maia, Tim Maia (1942-1998) - cantor, compositor, maestro, produtor 
musical, instrumentista e empresário 
Jovelina Pérola Negra (1944-1998) - cantora e compositora 
Maria José Motta de Oliveira, Zezé Motta (1944) - atriz e cantora 
Maria da Conceição Evaristo de Brito, Conceição Evaristo (1946) - escritora afro-brasileira 
Aparecida Sueli Carneiro (1950) - filósofa, escritora e ativista 
Luiz Carlos dos Santos, Luiz Melodia (1951-2017) - ator, cantor e compositor 
Hamilton Bernardes Cardoso (1953-1999) - jornalista e repórter 
João Carlos de Oliveira, João do Pulo (1954-1999) – atleta 
Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, Marina Silva (1958) - historiadora, professora, 
psicopedagoga, ambientalista e política 
Marielle Francisco da Silva, Marielle Franco (1979-2018) - socióloga, ativista e política 
Djamila Taís Ribeiro dos Santos (1980) - filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica 
 
 
 
Referências: 
ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo Estrutural. São Paulo: Sueli Carneiro; Editora Jandaíra, 2020. 
 
DOMINGUES, Petrônio. Movimento Negro Brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, 
v. 12, p. 100-122, 2007. 
 
RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 1ª ed., 2019. 
 
SILVA, Guilherme Oliveira a História o Movimento Negro no Brasil) livro eletrônico]: vol. 2: 
Movimento Negro o Brasil no Pós–Abolição / Guilherme Oliveira da Silva. ––São Caetano o Sul: 
Instituto Conhecimento Liberta, 2022. PDF Bibliografia. ISBN e78–65–ee7653–5–3 
 
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2020/06/negro-continuara-sendo-
oprimido-enquanto-o-brasil-nao-se-assumir-racista-dizem-especialistas 
 
http://querepublicaeessa.an.gov.br/temas/186-movimento-negro-no-brasil-resistencias-e-
lutas.html 
 
https://www.clp.org.br/os-quatro-periodos-do-movimento-negro-e-suas-conquistas/ 
 
https://www.politize.com.br/dia-da-consciencia-negra/ 
 
https://www.todamateria.com.br/personalidades-negras-brasileiras/ 
 
https://youtu.be/33k55fzgGxM?si=iyQYRZuAg03-DJ3r A Revolta dos Malês 
 
http://querepublicaeessa.an.gov.br/temas/186-movimento-negro-no-brasil-resistencias-e-lutas.html
http://querepublicaeessa.an.gov.br/temas/186-movimento-negro-no-brasil-resistencias-e-lutas.html
https://www.clp.org.br/os-quatro-periodos-do-movimento-negro-e-suas-conquistas/
https://www.politize.com.br/dia-da-consciencia-negra/
https://www.todamateria.com.br/personalidades-negras-brasileiras/
https://youtu.be/33k55fzgGxM?si=iyQYRZuAg03-DJ3r

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