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Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
Semiologia Endócrina
. .
Fisiologia e anatomia da tireóide: breve .
resumo .
A glândula tireoidea é um constituída de
lobo único, em formato de H. Situa-se na
região cervical anterior e tem relação
proximal com diversas estruturas da região,
por isso as alterações em sua estrutura
podem trazer diferentes alterações:
- nervo laríngeo recorrente: sua
compressão em caso de bócio pode
ocasionar disfonia (rouquidão) ou
paresia de uma corda vocal.
- traqueia: a compressão do vestíbulo
laríngeo pode ocasionar dispneia.
- músculos da mastigação: sua
compressão origina disfagia.
Sua função endócrina inicia-se desde o
início da vida intrauterina e permanece ao
longo da vida.
A tireóide possui regulação através do eixo
hipotálamo-hipófise-tireóide.
A glândula hipófise libera o hormônio
estimulador da tireoide ou tireotrofina (TSH), o
qual atua sobre a tireoide, estimulando os
tireócitos à sua secreção hormonal normal, um
colóide denominado tireoglobulina, que se
reúne no lúmen de folículos formados pelos
tireocitos. Outro regulador importante da
função tireoidiana é o iodo, mineral obtido da
alimentação. Ao adentrar os tireócitos através
da circulação sanguínea, ele é capaz de
deflagrar reações ao associar-se à
tireoglobulina, que culminam na produção de
tirodoxina (T4) e triiodotironina (T3).
O T3 é produzido a partir de T4, por
deiodação e é o T3 que possui maior afinidade
aos receptores dos hormônios da tireoide.
Há receptores para os hormônios
tireoidianos em todo corpo. No sangue, esses
hormônios encontram-se em sua maioria
unidos à proteínas transportadoras, contudo, a
única fração capaz de adentrar as células-alvo
é a fração livre. Por isso, a concentração da
fração livre desses hormônios é o melhor
parâmetro para indicar a atividade de
funções dependentes da tireoide. A famosa
solicitação de “T4 livre”, procura saber isso.
Tanto os hormônios da tireoide como do SNC
atuam através de mecanismos de feedback
positivo e negativo, sendo o feedback negativo
acionado quando se encontra um hormônio
tireoidiano em excesso e por isso se “sinaliza”
que é para o hormônio central (TRH) reduzir a
atividade do TSH, para contrarregulação do T3 e
T4, este é o mecanismo do hipertireoidismo.
Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
Valores de referência dos hormônios .
valores de referência variam conforme laboratório
No caso do paciente, com T4 aumentados, TSH
tenta realizar uma contraregulação e, por isso
encontra-se diminuído, sugerindo uma
hiperfunção primária ou hipertireoidismo
primário.
Exame físico do pescoço .
Outras abordagens:
- anterior: com mãos contralaterais,
uma apoia-se no ombro e a outra
utiliza o polegar para palpar a
tireoide
Hipertireoidismo e hipotireoidismo são
diagnósticos SINDRÔMICOS, enquanto que
Doença de Graves e Tireoidite de
Hashimoto são diagnósticos ETIOLÓGICOS.
Quais as queixas comuns do paciente?
- dor, mais comum na tireoidite aguda
- disfagia, disfonia ou dispneia em
caso de massas
- cansaço excessivo
- nervosismo, tremores ou palpitações
Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
Hipotireoidismo. .
- Idade > 60 anos e sexo feminino.
- Mulheres apresentam 20% de chance de
apresentar após 5 anos da gestação.
- Após uma tireoidite.
- Após uma cirurgia na região para
retirada de nódulos: tireoidite de Reidel
- Como estágio final da doença de
Graves, principal etiologia do
hipertireoidismo, logo é possível o
paciente ter hipertireoidismo e em
seguida ter hipo.
Quais os Sintomas e Sinaismais comuns? .
Pacientes costumam ser assintomáticos ou
oligossintomáticos.
- pele seca e descamativa
- sonolência
- sensibilidade ao frio
- redução do apetite com “ganho de peso
aparente” contraditório, que ocorre por
retenção hídrica
- voz arrastada podendo haver macroglossia
- hiporreflexia profunda originando um aspecto
de lentidão ou de paciente aéreo
- adinamia
- ataxia
macroglossia
ascite mixedematosa
Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
Sintomas reprodutivos .
- Redução da libido
- Amenorreia
- Oligomenorreia
Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
Hipertireoidismo
A principal etiologia do hipertireoidismo é a
Doença de Graves, a qual possui origem
autoimune e ao passar dos anos destrói o
tecido tireoidiano, tornando o paciente que
antes era hipertireoideos em hipotireoideos.
Essa patogenia inicia-se na produção de
anticorpos alvo de receptores de TSH (TRAb),
os quais super estimulando a vascularização e
secreção tireoidiana, o que leva ao aumento de
T3 e T4, associada à supressão do TSH.
O efeito Jod-Basedow refere-se ao
hipertireoidismo induzido por alto consumo de
iodo.
Quais os Sintomas e Sinaismais comuns? .
Lembrando: o hipertireoidismo é um
diagnóstico sindrômico, enquanto que a
Doença de Graves (DG) é um diagnóstico
etiológico, logo, os sintomas para a DG
compõem os mesmos do hipertireoidismo mas
nem todo hipertireoidismo possui os sintomas
patognomônicos da DG.
A DG tem como tríade
hipertireoidismo com bócio difuso,
oftalmopatia e mixedema pré-tibial.
Apesar da tríade anterior ser comum na DG,
há um achado exclusivo da DG: sopro e frêmito
sobre a glândula tireoide. A palpação e
ausculta da glândula tireoide permitem avaliar o
tamanho, a consistência, a presença de nódulos
ou o sopro tireoidiano. O bócio difuso também
está presente em até 97% dos pacientes com
DG, mas não é comum só dela.
Quais outros sintomas além dos sopros
sugerem a DG?
Exoftalmia com ou sem hiperemia conjutival
edema da conjuntiva ou quemose
sinal de lid lag,
atraso na movimentação da pálpebra superior à
movimentação ocular
Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
mixedema pré-tibial (raro)
onicólise ou unhas de plummer
Lembrando! Os sintomas do hipertireoidismo
são inespecíficos e compõem um diagnóstico
sindrômico para o hipertireoidismo e ainda
necessitam de avaliações laboratoriais para
confirmá-lo, o único que confirma a DG é o
sopro tireóide.
Bócio Multinodular Tóxico
Aumento de volume da tireoide (bócio) pela
formação de nódulos, inicialmente benignos e
quem precisam de acompanhamento para
evitar a evolução para maligno.
Tireotoxicose
Significa aumento dos hormônios tireoidianos e,
portanto, hipertireoidismo propriamente dito,
mas não necessariamente por Doença de
Graves.
Hipertireoidismo central ou primário ou
subclínico? .
O hipertireoidismo primário, quaisquer que seja
sua etiologia, quase sempre apresenta TSH
baixo e T3 e T4 elevados ou normais. Já quando
o TSH está em alta é um hipertireoidismo
central. O termo subclínico descreve quando os
valores de T3 e T4 ainda estão normais mas TSH
permanece baixo, o que significa que o TSH
está realizando uma compensação da atividade
da tireoide e por isso ela ainda não apresenta
sintomatologia.
Exames de imagem .
Captação do iodo radioativo em 24h
A taxa de captação de iodo pela tireoide
pode ser avaliada utilizando-se iodo radioativo
e permite diferenciar as causas de tireotoxicose
associadas ao aumento da captação
(hipertireoidismo) daquelas com captação
baixa ou ausente.
Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
A cintilografia de tireoide evidencia a
distribuição do radiomarcador na glândula e
tem indicações limitadas na avaliação do
hipertireoidismo. É caracteristicamente difusa
na DG e heterogênea no BMNT (focos de
hipercaptação entremeados com áreas
hipocaptantes). A principal indicação da
cintilografia é na suspeita de adenoma folicular
hiperfuncionante
A USG tem vantagem semelhante à
cintilografia e ainda apresenta a vantagem de
não submeter o paciente à exposição de
radiação ionizante e ao iodo, contudo não é
indicada rotineiramente para avaliar o
hipertireoidismo.
Fluxograma de conduta em caso de TSH
reduzido e T3 e T4 elevados = hiper .
Referências:
Lucio Vilar
Porto
https://doi.org/10.1590/S0004-2730201300030
0006
Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
. BócioMergulhante .
É uma afecção relativamente rara,sendo
constituída pelo aumento de volume e peso da
glândula tireoide a ponto de invadir a cavidade
torácica.
O BM é mais freqüente em indivíduos do sexo
feminino, com idade superior a 60 anos e
história pregressa de cirurgia tireoidiana.
Estima-se que de cada 100 casos de bócio,
apenas 1 é do tipo mergulhante. A maior parte
consiste em massa benigna.
O diagnóstico inclui avaliação hormonal do
paciente, o tireograma para comprovar a
existência de tecido tireoidiano no interior do
tórax e exames de imagem como raio X,
tomografia computadorizada (TC) e
ressonância nuclear magnética (RNM).
Referência: MAIA, F. F. R.; ARAÚJO, L. R.. Bócio
mergulhante: quando operar?. Arquivos
Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v.
46, n. Arq Bras Endocrinol Metab, 2002 46(6), dez.
2002.
. Doenças da Paratireoide .
Lembrando! As glândulas paratireoides são
as responsáveis pela reposição sérica dos
níveis de Ca2+ através da reabsorção da matriz
óssea. Logo, alterações na paratireoide podem
alterar os níveis de Ca2+ que é necessário na
contração muscular.
É necessário investigar na paciente:
- níveis de PTH
- cálcio sérico e iônico
- sinais de Trousseau e de Chvostek
Semiologia II - Semiologia endócrina LarahCaetano - P5A
Estes últimos são sinais que avaliam o
hipoparatireoidismo, principal motivo de
hipocalcemia, responsável por sintomas agudos
de tetania, convulsões, alterações
cardiovasculares e papiledema ( há o inchaço
do nervo óptico na papila, o ponto onde o nervo
“entra” no olho, ocasionando diminuição
progressiva da visão.) .
Espamo carpopodal = Sinal de Trousseau
É a flexão do punho e a extensão das
articulações interfalangeanas associada à
adução do polegar, quando insufla-se o
manguito por 3min, 20mm de mercúrio acima
da PAS do paciente.
Contratura da musculatura da face à
percussão = Sinal de Chovstek .

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