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Aula 14 AFRFB 2009 DIREITO PREVIDENCIARIO

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CURSO ON-LINE – DIREITO PREVIDENCIÁRIO P/ MINISTÉRIO DA FAZENDA 
PROFESSOR: FÁBIO ZAMBITTE 
1 
www.pontodosconcursos.com.br 
Aula XIV: Plano de Benefícios da Previdência Social: Espécies de 
Prestações (Parte 1). 
 
 Após estudarmos as regras gerais de concessão dos benefícios, 
podemos finalmente adentrar às características específicas de cada um 
deles. 
 Naturalmente, não podemos e não devemos entrar em todos os 
detalhes, já que as provas limitam-se a noções gerais de benefícios. 
 A seguir, temos as características básicas de cada uma das 
prestações previdenciárias, começando pelos benefícios. 
 
 
1 - APOSENTADORIA POR INVALIDEZ 
 
Para estudarmos qualquer beneficio, é preciso começarmos pelo seu 
evento determinante (o fato gerador), isto é, o pressuposto para sua 
concessão. 
 No caso da aposentadoria por invalidez, temos como evento 
determinante a incapacidade permanente para a atividade habitual do 
segurado e a impossibilidade de reabilitação para outra. 
Ex.: indivíduo sofre acidente e perde a perna. A incapacidade é 
permanente. Mas não necessariamente está inválido, porque pode ser 
reabilitado para outra atividade. 
Cuidado: o evento determinante requer, necessariamente, incapacidade 
permanente para a atividade habitual do segurado e impossibilidade 
de reabilitação. Se isso acontecer, poderá então ser aposentado por 
invalidez. 
Isto é verificado pela perícia médica do INSS. Se o segurado ingressa no 
RGPS já portador de lesão ou doença incapacitante, não terá direito ao 
benefício. 
Salvo hipótese de agravamento da doença ou lesão. Ex.: indivíduo tem 
AIDS, começa a pagar a Previdência após contrair a doença, mas ainda 
tinha capacidade laborativa. Em razão da doença, ele tem que se afastar 
das atividades, ficando incapaz - terá direito ao benefício, porque houve 
agravamento da doença ou lesão. O que não pode é ingressar no 
sistema já incapacitado. 
Perceba que uma vez aposentado por invalidez, o segurado vai 
ter que se afastar de todas as atividades remuneradas. 
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O segurado aposentado por invalidez não pode exercer qualquer 
atividade remunerada. Se a Previdência descobre, o benefício é 
cancelado, retroagindo à data em que começou a exercer a atividade 
remunerada. 
Ex.: indivíduo voltou a trabalhar hoje e a previdência só descobre um 
ano depois. A Previdência cancela o benefício desde o ano anterior. O 
segurado vai ter que devolver tudo o que recebeu. 
O aposentado por invalidez é obrigado a se submeter a tratamento 
médico prescrito e custeado pela Previdência e a se submeter a perícias 
médicas periódicas (a cada dois anos, em regra). Não há prazo final 
para isso. 
Se a perícia entender que o indivíduo recuperou totalmente ou 
parcialmente a capacidade, o benefício vai deixar de ser pago, porque o 
indivíduo pode voltar ao trabalho. 
Isso parece meio contraditório, pois se a aposentadoria por invalidez 
depende de incapacidade permanente, como pode ser revertida? 
A contradição é aparente, pois o que é definitivo hoje pode não ser 
amanhã, já que novos medicamentos e tratamentos surgem todo o 
tempo. Por isso a aposentadoria por invalidez, ao contrário das demais, 
é reversível. 
A única coisa que o segurado pode se recusar (sem perder o benefício) é 
intervenção cirúrgica e transfusão de sangue. Nestes casos não irá 
perder o benefício. 
A aposentadoria por invalidez é um benefício só para os segurados 
(tanto os obrigados, quanto os facultativos). O dependente não tem 
direito a este benefício. 
Tem carência de 12 contribuições mensais. Mas nem sempre é exigida. 
Em algumas hipóteses, a carência é dispensada (ver aula anterior). 
A aposentadoria por invalidez é calculada com base no salário-de-
benefício, com percentual 100%. Então, é 100% do salário-de-benefício. 
Ex.: se o salário-de-benefício deu R$ 2.000,00, o benefício dele vai ser 
de R$ 2.000,00. Lembre-se: a média é sem fator previdenciário neste 
caso (ver aula anterior). 
O interessante é que tem adicional de 25% neste benefício, para o 
segurado que precisa de auxílio permanente de terceiros. Nesta 
hipótese,recebe 25% a mais de auxílio na aposentadoria por invalidez, 
mesmo que passe do teto. É a primeira exceção do “teto” do RGPS (até 
porque a natureza desse aumento é indenizatória). 
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 Naturalmente, quando o segurado morre e deixa viúva, deixará 
para ela pensão por morte. Na hora da morte, o adicional de 25% 
deixará de ser pago, por ser desnecessário. 
A data de início do benefício tem regra para o empregado, e outra para 
os demais segurados. Ex.: empregado sofre acidente que gera 
incapacidade. Quem paga os 15 primeiros dias de salário do empregado 
é a empresa. Por isso sobre valor desses 15 primeiros dias tem 
incidência de contribuição previdenciária. Do 16º dia em diante, entra a 
previdência (desde que entre o segurado com o requerimento do 
benefício em 30 dias). Nada impede que o indivíduo seja prontamente 
aposentado por invalidez. Não é necessário que passe pelo auxílio-
doença. 
Se o empregado entra com o requerimento somente após 30 dias, o 
benefício é devido, somente, a partir da data de entrada do 
requerimento (DER). 
Assim, para os empregados a regra é essa: todos têm prazo de 30 dias 
a contar da incapacidade para entrar com o requerimento. Se a data de 
entrada for dentro de 30 dias, a data de benefício vai retroagir até o 16º 
dia, e vai ser pago daí em diante. Entrando depois dos 30 dias, vai 
receber da data de entrada do requerimento (DER). O benefício não 
retroage. 
Para os demais segurados, a lógica é exatamente a mesma. Mas como 
não há ninguém pagando os 15 primeiros dias, o benefício retroage à 
data de início da incapacidade (DII), desde que requerido no prazo de 
30 dias. Se entrar depois dos 30 dias, recebe pela data de entrada do 
requerimento. 
 
RESUMO: Aposentadoria por Invalidez 
 
V. Lei n° 8.213/91, art. 42 a 47. 
V. RPS, art. 43 a 50. 
 
� Evento determinante – incapacidade permanente para o trabalho e 
insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta 
a subsistência. 
� Beneficiários – todos os segurados 
� Carência – 12 CM (ou nenhuma) 
� Renda Mensal do Benefício – 100% SB 
� Início do pagamento: 
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 I - ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do 
afastamento da atividade ou a partir da data da entrada do 
requerimento, se entre o afastamento e a entrada do requerimento 
decorrerem mais de trinta dias; e 
II - ao segurado empregado doméstico, contribuinte individual, 
trabalhador avulso, especial ou facultativo, a contar da data do início da 
incapacidade ou da data da entrada do requerimento, se entre essas 
datas decorrerem mais de trinta dias. 
 
Durante os primeiros quinze dias de afastamento consecutivos da 
atividade por motivo de invalidez, caberá à empresa pagar ao segurado 
empregado o salário (exceto o doméstico). 
 
O aposentado por invalidez que retornar voluntariamente à atividade 
terá sua aposentadoria automaticamente cessada, a partir da data do 
retorno. 
 
 
 
2- APOSENTADORIA POR IDADE 
 
 
O nome deste benefício era aposentadoria por velhice, sendo 
atualmente chamada de aposentadoria por idade. O evento 
determinante é a idade avançada do segurado. 
Note que é um benefício programado - ao contrário da aposentadoria 
por invalidez - porque o evento determinante é previsível (idade 
avançada). 
 Para o homem, a idade é de 65 anos, e para a mulher, 60 anos. 
Ambos tem redução de 5 anos quando forem trabalhadores rurais ou 
garimpeiros. 
 Todos os segurados se aposentam por idade. 
 A carência é de 180 contribuições mensais. Lembre-se que háregra transitória para quem já era filiado em de 24/07/91 (podendo ser 
menos de 180 contribuições mensais). 
 Renda mensal: 70% + 1% a cada grupo de 12 contribuições 
mensais do salário-de-benefício. O benefício não pode ser inferior ao 
salário mínimo e não pode passar de 100%. 
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Por exemplo, imaginem um homem que começa a trabalhar (e a 
contribuir) aos 50 anos, exercendo a atividade até os 65 anos. Poderá 
se aposentar? Sim. Mas qual o valor? 
O valor será de 85% do salário-de-benefício. Existem 15 grupos de 
contribuições mensais (15 anos de trabalho). Então 70 + 15%. Perceba 
que para chegar a 100% precisa de 30 anos. 
Esse benefício não pode ser menor que um salário mínimo. 
A data de início do benefício aqui tem uma regra para o empregado e 
doméstico; e outra regra para os demais segurados. 
Para estes, pode-se entrar com o requerimento em até 90 dias, 
situação na qual o início do benefício retroage até a data de afastamento 
da atividade. Por exemplo, o empregado se afasta hoje do trabalho, mas 
entra com o requerimento somente 70 dias depois. O benefício 
retroagirá até a data de afastamento. 
Se entra com o requerimento 2 anos depois, e a partir daí que receberá 
o benefício. 
 Para os demais segurados, o início deste benefício será sempre a 
partir da data de entrada do requerimento – DER. 
Bom, vamos ver aposentadoria compulsória agora. Você sabe que 
aposentadoria compulsória é um instituto típico de regime próprio de 
previdência de servidor. 
A própria Constituição, prevê lá no artigo 40, que o servidor público, ao 
alcançar setenta anos, é aposentado “na marra”. 
Isso vale para servidor. No regime geral, será que existe isso? Será que 
no regime geral todo mundo é aposentado compulsoriamente aos 
setenta anos? Existe idade máxima de ingresso no RGPS para o 
segurado? 
Vimos que tem idade mínima, não é mesmo? Idade mínima de dezesseis 
anos, salvo menor aprendiz com quatorze. 
E máxima? Será que alguém pode começar a trabalhar aos setenta 
anos? É possível isso? Sim! 
 Imaginem uma pessoa que começou a trabalhar aos setenta anos. Ele 
virou segurado da previdência? Virou. Vai poder se aposentar por idade 
quando? Idade ele já tem de sobra. 
 Está faltando o que? Carência. Na melhor das hipóteses ele vai fechar 
carência quando? Com oitenta e cinco anos. Aos oitenta e cinco anos ele 
vai poder se aposentar por idade. 
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Então, não existe idade máxima de ingresso no RGPS. Se o segurado 
estiver com cem anos e trabalhando, é segurado obrigatório. Mais que 
papo é esse de aposentadoria compulsória? 
É o seguinte: Só para o empregado existe uma previsão de 
aposentadoria compulsória. Para os homens aos setenta anos e para as 
mulheres aos sessenta e cinco anos. 
A idéia é que o empregado ou empregada que atinjam esta idade e 
desde que tenham a carência, traz a possibilidade ao empregador de 
pedir a aposentadoria deste empregado. 
E ela será compulsória. O empregado não poderá se opor a ela. O 
empregador pede a aposentadoria do empregado nessa hipótese, se ele 
empregador quiser. 
Bom, para que serve isso? Qual a lógica disso? A idéia é a seguinte. Na 
época, lá em 1991 na confecção da Lei 8213, a idéia era criar uma 
possibilidade do empregador aposentar o empregado e conseguir se 
“livrar” dele. 
 O empregado que tem décadas de trabalho na mesma empresa. O 
empregado já trabalha naquela empresa quarenta anos, e não se 
aposenta por que? Porque ele quer ser demitido, para levar aquela 
indenização “gorda”. 
Só que se for pagar a indenização, não tem nem empresa! Haja 
dinheiro! Aí a idéia é que o empregador conseguisse pedir a 
aposentadoria desse empregado. A aposentadoria iria então rescindir o 
vínculo, e mesmo que ele continuasse trabalhando, porque nada impede 
que ele continuasse trabalhando na mesma empresa, uma eventual 
demissão a posteriori iria ter um valor de verba rescisória muito 
pequeno. Seria só um pequeno período, pós-aposentadoria. 
Bom, aí tudo bem, isso estava lá no projeto da Lei 8213. Só que na hora 
de fechar o texto final isso foi alterado, e a Lei 8213 hoje diz que a 
empresa pode pedir a aposentadoria do empregado nessas hipóteses 
desde que cumprida a carência. Essa aposentadoria é compulsória. O 
empregado não pode se opor a ela mais fica ressalvado o direito do 
empregado de receber todas as verbas rescisórias. 
Ou seja, perdeu totalmente a função. De modo que você não vê isso na 
prática. Você não vai ver empresa pedindo aposentadoria compulsória 
do empregado. A única relevância disso é para fazer prova realmente. 
Porque não tem importância prática nenhuma, zero. 
O que a empresa faz hoje? Deixa o empregado trabalhando até cair... 
Deixa ele pedir a aposentadoria. 
Olha só um detalhe interessante aqui também na idade. Imagina por 
exemplo, um homem que aos cinqüenta anos se aposentou por 
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invalidez. Então ele está aposentado por invalidez esse tempo todo. Ao 
completar sessenta e cinco anos, será que ele tem como converter 
aquele benefício em aposentadoria por idade? Será que isso é possível? 
É possível desde que tenha cumprido a carência da aposentadoria por 
idade, que é muito maior do que a da aposentadoria por invalidez. 
Mais pode ser que o valor do benefício caia? Pode acontecer sim. Por 
que qual é o valor da aposentadoria por invalidez? Não é cem por cento? 
Idade não necessariamente. 
Então dependendo do tempo que esse cara tenha ele não vai levar cem 
por cento, e aí o benefício ainda pode cair. Por isso que é uma opção 
dele segurado. Converte se quiser e desde que tenha carência. Ah! E se 
não fechou carência? Vai ficar na invalidez mesmo. 
 
RESUMO: Aposentadoria por Idade 
 
V. Lei n° 8.213/91, art. 48 a 51. 
V. RPS, art. 51 a 55. 
 
� Evento determinante – idade avançada, com redução para o 
trabalhador rural (65/60 homens, 60/55 mulheres). . 
� Beneficiários – todos os segurados 
� Carência – 180 CM 
� Renda Mensal do Benefício – 70% a 100% SB (+ 1% a cada 12 CM) 
� Início do pagamento: 
I - ao segurado empregado, inclusive o doméstico: 
a) a partir da data do desligamento do emprego, quando requerida até 
noventa dias depois dela; ou 
b) a partir da data do requerimento, quando não houver desligamento 
do emprego ou quando for requerida após o prazo da alínea "a"; 
 
II - para os demais segurados, a partir da data da entrada do 
requerimento (DER) 
 
 
 
 
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3) Aposentadoria por tempo de contribuição ( EC 20/98 ). 
 
Esse benefício era conhecido como aposentadoria por tempo de serviço 
e foi rebatizado para aposentadoria por tempo de contribuição com a EC 
20/98. Cuidado que na Lei 8213, ainda está com o nome antigo, 
aposentadoria por tempo de serviço. Então, ela está defasada. Nesse 
ponto o que está mais correto é o regulamento, que ainda está de 
acordo com a Constituição. 
A idéia da EC 20 foi justamente mudar os conceitos de tempo de serviço 
para tempo de contribuição. Porque a previdência social como vimos, ela 
requer equilíbrio financeiro e atuarial no seu funcionamento. Então, a 
obtenção do benefício demanda contribuição e não tempo de serviço. O 
que é relevante é o tempo de contribuição. Essa foi uma das razões da 
alteração da EC 20/98. 
O problema é que essa EC 20, diz que a lei teria que definir o que se 
entende por tempo de contribuição. É uma atividade delegada ao 
legislador. Só que essa lei até hoje não veio, e a própria EC 20 diz que 
tudo que era tempo de serviço contaria como tempo de contribuição, até 
que viesse essa lei.O evento determinante aí nesse benefício então, é o tempo de 
contribuição. Trinta e cinco anos homem e trinta anos mulher, com 
redução de cinco anos para professores de ensino infantil, fundamental 
ou médio. Só esses professores. Os demais não têm essa redução. 
Professor universitário não tem redução de tempo. 
Mais olha só. O professor para se aposentar mais cedo tem que ser 
trinta anos ou vinte e cinco anos em atividade de magistério, ali, dando 
aula o tempo todo. 
Imagina o homem, professor que sai da atividade de magistério com 
vinte e nove anos e meio, e vem trabalhar aqui no Ponto. O que 
acontece? Vai ter que ser trinta e cinco anos, paciência. 
Mais e aqueles vinte e nove anos e meio? Vão contar como vinte e nove 
anos e meio, paciência. Para se aposentar como professor, tem que ser 
o tempo todo em atividade de magistério, porque senão não leva. 
Tem limite de idade esse benefício? Qual é o limite mínimo de idade, por 
exemplo, para uma mulher se aposentar por tempo de contribuição? 
Imagina que ela começou a trabalhar aos dezesseis anos, aos quarenta 
e seis anos ela pode estar aposentada? O que você acha? Pode, é 
possível. Não há limite de idade neste benefício. 
Cuidado! Aquela história de sessenta anos é aposentadoria por idade. 
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Isso aqui é outro benefício. Isso aqui é aposentadoria por tempo de 
contribuição e requer tempo de contribuição. 
Um homem que começou a trabalhar aos vinte anos, aos cinqüenta e 
cinco ele pode estar aposentado? Sim. 
Cuidado! Pois com a emenda constitucional 20/98, na sua proposta, 
tinha um limite mínimo de idade que era de sessenta anos homem e 
cinqüenta e cinco anos mulher. Ou seja, a mulher só poderia se 
aposentar com o tempo de contribuição no mínimo com cinqüenta e 
cinco anos e o homem no mínimo com sessenta anos. 
Ou seja, além do tempo de contribuição teria que ter um mínimo de 
idade. A idéia disso é o que? Evitar a aposentadoria precoce. Porque 
realmente, por exemplo, uma mulher se aposentando aos quarenta e 
seis anos de idade, não dá. Ela ainda vai viver um bom tempo e aí não 
há sistema previdenciário que se sustente. 
O problema é que esse assunto foi votado em separado. Por um voto, o 
governo perdeu esse limite de idade. Não passou aqui no RGPS. 
Cuidado! Lá no RPPS este limite etário existe. 
Lá nos regimes próprios de previdência você tem esse benefício que 
costuma ser chamado de aposentadoria voluntária integral, que nada 
mais é do que aposentadoria por tempo de contribuição que requer 
tempo de contribuição e idade mínima. 
Era para ser a mesma coisa aqui. Só que no RGPS não passou esse 
limite de idade e a coisa ficou totalmente “capenga”. 
Mais em contrapartida, ainda em 99, a Lei 9876, lá no final de 99, criou 
o que? Qual foi a invenção dessa lei? Fator previdenciário que é 
aplicado de modo obrigatório em um único benefício. qual? Justamente 
este aí. Fator previdenciário que é desfavorável para quem tem baixa 
idade, porque a expectativa de sobrevida é maior. 
E o que você começa a perceber aí? Esse fator previdenciário parece um 
limite de idade disfarçado, que foi criado por lei para compensar o que 
não passou na EC 20. 
Todavia, o STF entendeu que o fator previdenciário, não é um 
limite de idade disfarçado. Foi declarado constitucional. 
Cuidado com mais um detalhe. Esse benefício que estamos falando aqui 
é uma aposentadoria por tempo de contribuição integral, ou seja, cuja 
renda é cem por cento do salário de benefício. É desse benefício que 
estamos falando. Até porque hoje pela Constituição é o único que existe. 
Mais até o advento da EC 20/98, vimos que o nome era outro, ou seja, 
“aposentadoria por tempo de serviço”, mais com a EC 20, foi rebatizada 
para aposentadoria por tempo de contribuição. 
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Até a EC 20, você tinha aposentadoria por tempo de serviço integral que 
era cem por cento, e aposentadoria por tempo de serviço proporcional 
que era setenta por cento do SB (salário de benefício). Era proporcional 
ao tempo de contribuição e para o homem demandava trinta anos e 
para a mulher vinte e cinco anos. 
Ou seja, era uma possibilidade de se aposentar mais cedo, mais em 
compensação, recebendo menos. Aposentadoria por tempo de serviço 
proporcional. 
Esse benefício proporcional acabou com a EC 20, salvo em nas regras 
transitórias (que não são relevantes para sua prova). 
 
Bom, quem tem direito à aposentadoria por tempo de contribuição? 
Todos os segurados com exceção do segurado especial. 
Bom, porque que o segurado especial ficou de fora? Lembre-se que o 
segurado especial tem um custeio limitado, uma contribuição que incide 
sobre a receita da produção, quando ele vende alguma coisa. 
Então, a priori, não tem como se falar em tempo de contribuição com 
um segurado desse, que não tem essa seqüência contributiva. 
 É por isso que ele, segurado especial, fica de fora desse benefício, a 
menos que ele tenha se utilizado da opção da de contribuir também 
facultativamente (cumulativamente), como se fosse contribuinte 
individual. 
Tem carência esse benefício? Sim, de cento e oitenta contribuições 
mensais. 
A data de início do benefício (DIB) é igual a da aposentadoria por idade; 
a mesma regra, ou seja, para o empregado e para o doméstico é a 
contar do afastamento da atividade, se entrar com o requerimento em 
noventa dias, ou a contar da data de entrada do requerimento, se 
posterior a noventa dias. Para os demais segurados, sempre a contar da 
data de entrada do requerimento. 
 
 
RESUMO Aposentadoria por Tempo de Contribuição 
 
V. Lei n° 8.213/91, art. 52 a 56. 
V. RPS, art. 56 a 63. 
 
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� Evento determinante – tempo de contribuição: 35/30 homens, 30/25 
mulheres; a redução é destinada aos professores. 
� Beneficiários – todos os segurados, exceto o especial, quando não 
contribui facultativamente como individual. 
� Carência – 180 CM. 
� Renda Mensal do Benefício – 100% SB. 
� Início do pagamento – idem aposentadoria por idade. 
 
 
 
 
4) Aposentadoria especial. 
 
Cuidado com o nome desse benefício, pois não tem nada haver com 
segurado especial. Só uma coincidência de terminologias. 
Aposentadoria especial é o benefício concebido aos segurados que tem 
exposição permanente à agente nocivo durante quinze, vinte ou vinte e 
cinco anos. 
Nós já falamos alguma coisa deste benefício lá no custeio, quando 
tratamos do adicional ao seguro de acidente do trabalho. 
 Aquele adicional de 6, 9 ou 12%. Vimos que em razão do trabalhador 
se aposentar mais cedo, a empresa que o expõe ao agente nocivo tem 
que pagar contribuição adicional para cumprir esse encargo maior para 
a previdência. Então, agora vamos falar somente da aposentadoria 
especial propriamente dita. 
Esse benefício surgiu lá na década de sessenta e foi alterado muito 
desde então. Esse benefício, na sua origem, era concebido a categorias 
profissionais, ou seja, o segurado era um engenheiro de minas, tinha 
automaticamente direito a aposentadoria especial, se aposentava mais 
cedo. 
Ainda que a única mina que ele tenha visto na vida dele seja a do 
quadro, que esta lá na sala dele, no ar condicionado, ainda assim, ele se 
aposentava mais cedo. Não tinha o menor sentido. 
Aí, somente em 1995, a Lei 9032 acabou com essa festa. Desde a Lei 
9032, a aposentadoria especial não é mais concedida em razão da 
categoria profissional do segurado. Isso não existe. O que existe hoje é 
a necessidade de provar a exposição permanente a agente nocivo. É 
isso que interessa. 
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Ah! O cara é mergulhador.Tem direito? Não sei. Depende do caso 
concreto. Tem exposição permanente a agente nocivo, acima dos limites 
de tolerância? Sim. Então tudo bem. 
OBS: Não existe limite de idade para se aposentar com esse benefício. 
Ainda, para homem e mulher, não há distinção de idade. 
Volto a dizer. O que é importante? O evento determinante. O que é o 
evento determinante? O fato gerador do benefício: exposição habitual e 
contínua a agente nocivo durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos. A 
seqüela é presumida, se o segurado teve ou não, não interessa. 
Mais como você vai evidenciar se na empresa teve agente nocivo? Como 
você vai ver se a exposição é habitual e contínua? Como você verifica se 
é acima do limite de tolerância ou não? Através do laudo técnico de 
condições ambientais do trabalho (LTCAT). 
É este laudo que vai dizer se naquela empresa tem agente nocivo, se os 
segurados tem exposição, quem tem e quem não tem, se é habitual 
contínua ou não, se é acima do limite de tolerância ou não. 
É o laudo que vai ter que dizer se existe EPI (equipamento de proteção 
individual) ou EPC (equipamento de proteção coletiva). E o laudo vai ter 
que dizer se esse EPI ou EPC é eficaz ou não. 
Então o laudo técnico tem que evidenciar isso. 
E cuidado que aí temos um problema. A princípio qual é a lógica? Se um 
laudo técnico diz que o equipamento de proteção existe, é usado e é 
eficaz, excluindo o agente nocivo, qual a conseqüência disso? Bom, o 
evento determinante deixa de existir, não é verdade? Não tem mais a 
exposição e não haveria mais direito ao benefício. É assim que funciona. 
Agora veja que a empresa além do laudo técnico, ela vai ter que 
elaborar também o perfil profissiográfico previdenciário, conhecido como 
PPP. 
Que é um histórico-laboral do segurado, feito individualmente. Você vai 
pegar lá o perfil do João da Silva, vai colocar lá o nome dele, vai dizer o 
que ele faz, a quanto tempo ele trabalha na empresa, se ele é exposto a 
algum agente nocivo, qual é esse agente, se é habitual e contínuo e por 
aí vai. 
É um documento individual do trabalhador. 
O laudo tem que ser feito por um médico do trabalho ou engenheiro de 
segurança. O perfil não. Pode ser feito por qualquer pessoa até por um 
estagiário, porque o responsável vai copiar o que? O que esta no laudo. 
E o trabalhador quando sai da empresa, ele tem que levar uma cópia do 
perfil. A empresa tem que fornecer a ele uma cópia do perfil. Até porque 
será o perfil a prova de que ele trabalhou com agente nocivo. 
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O empregado não precisa ter o laudo técnico, mais ele vai precisar do 
perfil, porque o perfil que vai ser a prova que ele vai utilizar frente à 
previdência para evidenciar que ele exerceu atividade com exposição a 
agente nocivo. 
Quem tem direito a aposentadoria especial? Quem são os beneficiados? 
De acordo com o RPS (siga isso para a prova) só empregados, avulsos e 
hoje os cooperados, por cauda da Lei 10666/03. 
Assim, só tem direito a aposentadoria especial o empregado, o avulso e 
uma espécie de contribuinte individual, que é o cooperado. 
Tem carência esse benefício? Sim. De cento e oitenta contribuições 
mensais. E a renda mensal do benefício é de cem por cento do salário 
de benefício (SB). 
Perceba que das quatro aposentadorias que vimos, três delas são cem 
por cento. A única que não é necessariamente de cem por cento, é a 
aposentadoria por idade. Agora as outras três, invalidez, tempo de 
contribuição e especial, são cem por cento do salário de benefício. 
E a carência aqui é cento e oitenta também. 
A data de início do benefício é igual também a da aposentadoria por 
idade. É a mesma regra da aposentadoria por idade, ou seja, aquela 
mesma história de noventa dias para empregado e doméstico, para 
retroagir ao afastamento, e para os demais a contar da data de entrada 
do requerimento. Mesma regra. 
Como vimos, o segurado deve permanecer os 15, 20 ou 25 anos na 
atividade, prestando serviços de modo habitual e contínuo, com 
exposição ao agente nocivo em níveis acima do limite de tolerância 
durante toda a sua jornada. 
 O indivíduo que não tem exposição habitual e contínua não terá direito 
ao benefício. O benefício requer necessariamente exposição habitual e 
contínua. 
Agora, temos alguns problemas em relação a isso. Imaginem, por 
exemplo, o indivíduo que trabalha dez anos numa atividade 
subterrânea, que é especial de 15. Já trabalhou dez anos nessa 
atividade, aí depois de 10 anos ele deixa essa atividade e começa a 
trabalhar em outra atividade, nociva também, só que de 25 anos, 
começa a trabalhar com berílio, por exemplo, e já trabalha lá há 5 anos, 
nessa nova atividade nociva. 
Assim, trabalhava há 10 anos numa mina de carvão, saiu dessa 
atividade e começou a trabalhar com berílio. Ambas são atividades 
nocivas, só que tempos diferentes. A dúvida é a seguinte: ao final 
desses 15 anos, ele já poderá se aposentar pela especial ou não? 
Porque, veja bem, já tem quanto tempo de trabalho especial? 15 anos. 
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 Então ele já pode se aposentar? Não. 
Não porque ele teria que ter 15 anos na atividade de 15 anos. 
 Ele não tem 15 anos na atividade de 15, ele tem 10 na de 15 e 5 anos 
na atividade na atividade de 25. 
 Bom então se ele tem 15 anos aqui, faltaria o que? Mais 10 para ele se 
aposentar? Também não seria adequado, não é? Porque veja bem, aqui 
na época em que ele estava na atividade de 15 ele já tinha fechado 2/3 
do tempo. 
Então o que é que você vai ter que fazer? Você vai ter que fazer uma 
conversão de tempo. O índice de conversão é previsto no art.66 do RPS. 
 Aí tem lá, de 15 para 25, que é o nosso caso: esse fator aí vai ser 1,67. 
Quer dizer o que? Que 10 anos convertidos - 10 anos na atividade de 15 
convertidos para 25, vão valer, na verdade, 16,7. 
Estes 10 anos vão contar como 16,7 na atividade de 25. 
Vai ser uma conversão aumentando o tempo. E aí então somando com 
os 5 que ele já tinha lá na atividade de 25, vai totalizar 21.7. Veja que 
ele ainda não poderá se aposentar, porque vai precisar de que? 25 anos, 
só tem 21.7, mas já vai ficar mais perto. Essa conversão ampliou o 
tempo que ele tinha originariamente. Então essa é a primeira hipótese 
de conversão de tempo. É a conversão de tempo especial para 
tempo especial. 
Bom, agora temos uma outra hipótese que é aquela em que o indivíduo 
deixa de exercer atividade especial. Por exemplo: Ele trabalhou lá, de 
novo, 10 anos na atividade nociva de 15. Trabalhou 10 anos na mina de 
carvão, atividade subterrânea. Após 10 anos de trabalho nessa atividade 
nociva de 15 anos ele sai, pede demissão e vem trabalhar no Ponto, por 
exemplo. 
 
Ele já trabalha no Ponto há 5 anos. É uma atividade comum, não tem 
agente nocivo. Trabalha lá na recepção. 
Bom, veja que hoje ele não mais exerce atividade nociva, então, não 
poderá se aposentar pela especial, porque ele não fechou os 15 anos. 
Mas ele vai trazer aquele tempo especial para a atividade comum? Bom, 
naturalmente traz. 
Agora, o que é que ele traz? Ele traz só os 10 anos ou ele traz também 
isso convertido? A conversão aqui seria uma conversão aumentando o 
tempo, naturalmente. 
Aqui, nesta hipótese, a conversão também existe - conversão de 
especial para a comum. Isto está no art.70 do Regulamento. Perceba 
que na conversão de especial para comum já é relevante saber se o 
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segurado é homem ou mulher, porque na aposentadoria especial, 
propriamente dita, faz alguma diferença ser homem ou mulher? Não, 
tudo igual. Agora na comum faz diferença? Faz. 
Então quando você converte tempo de especial para comum, você tem 
que saber se o indivíduo, se a pessoaali é homem ou mulher. 
Se você olhar o art.70 do RPS, você vai ver aí esta conta, que no caso, 
vamos ver quanto vai dar: de 15 para 35, sendo homem, no nosso 
exemplo vai dar, 2,33, esse multiplicador. Então esses 10 anos vão 
valer 23,3. 
 Ou seja, esse homem terá 28.3 anos; somando os 5 que ele já tinha no 
Ponto, já está consideravelmente mais próximo da aposentadoria. 
Perceba que esta conversão de tempo da especial para a comum, ela 
gere efeitos em qual benéfico? Aposentadoria por tempo de 
contribuição. Certo? É para isso que você está convertendo o tempo, 
para o segurado se aposentar por tempo de contribuição. 
Para idade, isto não existe, isto é irrelevante. Porque para a 
aposentadoria por idade do que é que o segurado precisa? De idade. 
Você vai criar idade fictícia? Não. 
 Então se você está criando, digamos assim, é tempo de contribuição, e 
por isso que essa conversão de especial para comum gera efeitos 
somente para aposentadoria por tempo de contribuição. 
Quais as atividades que são consideradas como expostas à agente 
nocivo, quais são os agentes nocivos propriamente ditos que dão direito 
a aposentadoria especial? Essa questão é fixada no Regulamento da 
Previdência, no Anexo 4, que relaciona as atividades. 
Agora olhem só, uma última hipótese. Imagina um indivíduo que já 
trabalha há dez anos na atividade comum. Trabalha no Ponto, por 
exemplo, há 10 anos já. 
Depois de 10 anos de atividade comum, sem exposição à agente nocivo, 
ele sai daqui e vai trabalhar lá na mina de carvão e já está lá há 5 anos, 
numa atividade nociva. 
Resolveu fazer um negócio “mais tranqüilo”, aí foi lá para a mina de 
carvão. Está ele lá, há 5 anos já. Será que tem como levar este tempo 
daqui para lá? Converter? Seria uma conversão de tempo comum para 
especial, seria uma conversão reduzindo este tempo, naturalmente. 
E aí? Dá? Nesse caso não é possível conversão. E porque não é possível 
conversão? Simples: qual é o evento determinante da aposentadoria 
especial? Exposição à agente nocivo durante 15, 20 ou 25 anos. 
Neste caso, teve exposição no Ponto? Não. Então tem como converter 
isso? Não, não existe. 
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 Porque isso contraria o evento determinante. Para ter direito a 
aposentadoria especial tem que ser o tempo todo trabalhando com 
agente nocivo. 
Então resumindo: tem como converter o tempo de especial em especial? 
Sim. Tempo de especial para comum? Sim. De comum para Especial? Aí 
não. Comum para especial não existe. 
 
 
RESUMO - Aposentadoria Especial 
 
V. Lei n° 8.213/91, art. 57 e 58. 
V. RPS, art. 64 a 70. 
 
� Evento determinante – exposição contínua e habitual a agentes 
nocivos físicos, químicos ou biológicos, durante 15, 20 ou 25 anos 
(homem ou mulher). 
� Beneficiários – em tese, todos os segurados. Porém, só INSS só 
admite o empregado, avulso e cooperado (CI). 
� Carência – 180 CM. 
� Renda Mensal do Benefício – 100% SB. 
� Início do pagamento – idem aposentadoria por idade. 
 
A empresa deve manter laudo técnico e perfil profissiográfico 
previdenciário atualizado. Uma cópia do último deve ser entregue ao 
empregado em caso de rescisão de contrato. 
 
A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos 
será feita mediante o perfil profissiográfico previdenciário, emitido pela 
empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições 
ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro 
de segurança do trabalho. 
 
Considera-se perfil profissiográfico previdenciário o documento histórico-
laboral do trabalhador, que, entre outras informações, deve conter 
registros ambientais, resultados de monitoração biológica e dados 
administrativos. 
 
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E vedado o retorno ao trabalho com agentes nocivos do segurado 
percipiente da aposentadoria especial. 
 
É possível a conversão de tempo de atividade sob condições especiais 
em tempo de atividade comum (ver nota ao art. 70 do RPS). 
 
As disposições legais sobre aposentadoria especial do segurado filiado 
ao Regime Geral de Previdência Social aplicam-se, também, ao 
cooperado filiado à cooperativa de trabalho e de produção que trabalha 
sujeito a condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou a sua 
integridade física. 
 
 
 
 
5 - Auxílio Doença. 
 
O auxílio doença é hoje o benefício mais concedido pela previdência. 
Ele tem como evento determinante a incapacidade temporária para o 
trabalho por mais de 15 dias. 
Esse é o evento determinante do auxílio doença: incapacidade 
temporária para o trabalho por mais de 15 dias. Porque 15 dias? Porque 
a Lei fixou 15 dias. Poderia ser 17, 13, 12, 21, etc. A Lei fixou 15. 
 Mas e se o segurado fica doente só 10 dias? Bom, se é um empregado, 
a empresa paga os 10 dias, se é um profissional liberal, azar... O 
benefício só é devido quando a incapacidade ultrapassa 15 dias. 
Não se deixe enganar pelo nome deste benefício. Apesar de ser 
chamado auxílio-doença, a incapacidade pode ser resultante de um 
acidente. 
Se o segurado sofre um acidente: é atropelado, cai de uma janela, ou 
qualquer coisa do tipo e tem uma incapacidade temporária por mais de 
15 dias, o que ele vai receber é auxílio-doença, da mesma forma. 
Não confunda com auxílio-acidente, que é um outro benefício que não 
tem nada a ver. Aqui é sempre auxílio-doença, seja a incapacidade 
resultante de acidente ou doença. 
 Qualquer incapacidade temporária para o trabalho por mais de 15 dias 
dá azo ao pagamento de auxílio doença. Cuidado, mesmo que o 
segurado seja acometido de um acidente no trabalho, por exemplo, o 
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que é que ele vai receber? Auxílio-doença, só que este auxílio doença 
costuma ser chamado de auxílio-doença acidentário, mas ainda 
assim é auxílio-doença. 
Auxílio-doença acidentário não tem nada a ver com auxílio-acidente. 
Auxílio-acidente, como veremos, é um benefício totalmente distinto. 
Então cuidado com a terminologia. 
De acordo com o Regulamento da Previdência Social, no art. 336, a 
empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de trabalho 
ocorrido com o segurado empregado, exceto o doméstico, e o 
trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, 
em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena da 
multa. A comunicação, que pode ser feita até pela Internet, é a CAT – 
comunicação de acidente do trabalho. 
 
 Infelizmente, é comum que muitos empregadores deixem de 
elaborar este documento, buscando com isso evitar possíveis 
responsabilizações civis e, ainda, excluir o direito do segurado à 
estabilidade provisória, quando do retorno (art. 118, Lei nº 8.213/91). 
De modo a atenuar esta questão, o Ministério da Previdência Social deu 
importante passo ao criar o nexo técnico epidemiológico 
previdenciário - NTEP, que é o vínculo da classificação internacional 
de doenças (CID), obtida a partir da perícia médica, com a atividade 
desempenhada pelo segurado, reconhecendo-se o benefício como 
acidentário mesmo sem a CAT. Essa nova realidade, atendendo aos 
anseios dos segurados, foi criada pela Lei 11.430/06. Este novo 
procedimento é especial importância para as doenças ocupacionais, nas 
quais há grande resistência à emissão da CAT. 
 
Assim, por exemplo, se um bancário tiver LER (Lesão por esforço 
repetitivo), o INSS já poderá reconhecer esta como doença ocupacional, 
concedendo o auxílio-doença acidentário, independente da CAT. Isso é 
importante, pois as doenças profissionais, apesar de serem reconhecidas 
como equiparadas a acidentes do trabalho, raramente são relatadas em 
CAT pelo empregador, de modo a este tentar evitar responsabilidades 
futuras.Este é o chamado Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário– 
NTEP. 
 
Quem tem direito ao auxílio doença? Todos eles, inclusive o facultativo. 
Todos os segurados têm direito ao auxílio doença. 
 Agora perceba que aquelas mesmas regras gerais de aposentadoria por 
invalidez se aplicam aqui, por exemplo: segurado que recebe auxílio 
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doença é obrigado a seguir tratamento prescrito e custeado pela 
Previdência Social sob pena de cancelamento (salvo intervenção 
cirúrgica e transfusão de sangue); a concessão desse benefício requer 
perícia médica da previdência; o segurado que ingressa na Previdência 
já portador da doença ou da lesão também não tem direito ao benefício, 
salvo hipótese de agravamento. Essa parte é toda igual. 
Bom, e qual é o prazo máximo do auxílio-doença? Durante quanto 
tempo o segurado pode ficar recebendo auxílio-doença? 
Não existe prazo máximo. Enquanto a perícia achar que a incapacidade 
é temporária, enquanto a perícia entender que o segurado pode se 
recuperar, ou então esta perícia entender que há como readaptá-lo para 
outra atividade, ele vai ficar no auxílio doença. Ele só é aposentado por 
invalidez quando a perícia conclui que não há mais possibilidade de 
recuperação ou quando esta é extremamente improvável; aí aposenta 
por invalidez. 
Perceba que para aposentar o segurado por invalidez não é necessário o 
auxílio doença anterior. Se a perícia percebe de imediato que o 
segurado não tem condições de recuperação, pode aposentar por 
invalidez, de pronto. Isso é possível. A Lei admite isso. Mas não é o 
comum. 
O comum é o segurado ficar um tempo no auxílio doença, até para dar 
tempo de consolidar a lesão, ver como é que fica, se recupera ou não, e 
aí depois, aposentar por invalidez. Mas isso não é uma obrigatoriedade. 
Então não é necessária a existência do auxílio doença anterior a uma 
aposentadoria por invalidez. 
Bom, este benefício tem carência de 12 contribuições mensais. Agora 
cuidado, que você tem aquelas exceções tanto para auxílio doença, 
como para aposentadoria por invalidez. 
A renda mensal do auxílio doença é 91% do salário de benefício. 
Perceba que qualquer auxílio doença paga 91%, seja o auxílio-doença 
comum, seja o auxílio-doença acidentário. 
Auxílio doença não é salário de contribuição, o único benefício que é 
salário de contribuição é salário maternidade; o único benefício sobre o 
qual a segurada contribui é salário maternidade, auxílio doença não. 
Perceba que o auxílio-doença, mesmo sendo de 91% do SB, não pode 
ser menor que o salário mínimo. Mas será que existe alguma hipótese 
que ele pode ser menor que o salário mínimo? Tem sim, olha só: 
Imagina o indivíduo que trabalha em dois lugares, tem um vínculo na 
empresa A como motorista e na B ele é digitador, por exemplo. Trabalha 
em dois lugares, na empresa A e na empresa B. Tem um duplo vínculo 
empregatício. 
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E aí ele, por exemplo, sofre um acidente ou tem algum tipo de doença 
que gera incapacidade só para uma das atividades. Ele tem uma 
incapacidade aqui para digitador. Ele adquiriu LER, por exemplo, lesão 
por esforço repetitivo. 
Mas ele consegue dirigir, então a incapacidade dele é só para uma das 
atividades que ele exerce, certo? A dúvida é: terá ele direito ao auxílio 
doença se a incapacidade é só para uma das atividades? Sim. Imagina, 
por exemplo que ele ganha R$ 500,00 como motorista e ganha outros 
R$ 500,00 como digitador. Qual é o salário de contribuição mensal dele? 
O Salário de contribuição mensal dele é R$ 1.000,00. Ele está 
contribuindo com R$ 1.000,00 todo mês. O benefício seria calculado, a 
priori, numa média de R$ 1.000,00. A média do eventual benefício teria 
que levar em consideração o que? Todo o salário de contribuição dele. 
Mas neste caso não; neste caso ele só esta incapacitado para uma das 
atividades, então a idéia é que o benefício previdenciário vá buscar 
substituição parcial do salário dele, então o valor que vai entrar nessa 
média será o que? Só R$ 500,00, porque ele vai continuar recebendo o 
salário dele na outra atividade, de motorista. 
Ele não é obrigado a se afastar da outra atividade, se for uma atividade 
de natureza distinta, evidentemente. 
Se ele fosse digitador em ambas as empresas, aí naturalmente, ele teria 
que se afastar de todas as empresas. E o benefício dele, nesta 
hipótese, seria calculado sobre de R$ 1.000,00. 
Mas não é o caso. São atividades distintas e a incapacidade foi só para 
uma delas. 
Perceba que o auxílio doença aqui certamente será inferior ao salário 
mínimo. Nesta hipótese o auxílio-doença certamente pode ser menor 
que o salário mínimo. Porque? Porque ele tem outra atividade e o 
salário da outra atividade somando com o benefício supera o salário 
mínimo. 
Imaginem agora que a incapacidade para digitador foi permanente. O 
individuo desenvolveu uma doença tal que ele nunca mais poderá ser 
digitador. 
È reconhecida pela perícia como sendo incapacidade permanente para 
digitador, mas para a outra não, ele continua apto. E agora? 
 Agora a incapacidade é permanente para uma das atividades que ele 
exerce. Como é que fica? Aposenta por invalidez? Não, ele não está 
inválido, não é hipótese de invalidez. 
 Veja que esse segurado nem precisa ser reabilitado para outra 
atividade, pois ele já tem outra atividade. Então inválido ele não está. 
 
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Mas também não é hipótese de incapacidade temporária, porque agora 
há incapacidade permanente. Olha que “sinuca”... 
 O que diz a Lei nessa hipótese? Nessa hipótese o auxílio-doença 
continua sendo pago em razão da atividade em que há a 
incapacidade permanente. O auxílio-doença continua sendo pago 
indefinidamente, até ele se aposentar, ou até ele ficar inválido para as 
demais atividades, daí aposentando-se por invalidez. 
Então ainda que a incapacidade seja permanente para uma das 
atividades, ele continua recebendo auxílio-doença até a aposentadoria 
final. 
Bom, vamos ver esta data do início do benefício, a DIB. Primeiro para o 
empregado. No caso de empregado, a empresa tem que pagar os 15 
primeiros dias, esses 15 primeiros dias são necessariamente pagos pela 
empresa que tem natureza salarial, incide contribuição de previdência, 
FGTS, etc. 
 Agora a contar da incapacidade, existe um prazo de 30 dias para que o 
segurado entre com o requerimento do benefício. Este benefício tem que 
ser requerido. 
Imaginem que ele entrou com o requerimento dentro dos 30 dias, aí 
então o benefício se inicia a partir do 16º dia, ou seja, o efeito desse 
requerimento retroage até o 16º dia e o benefício é pago daí para 
frente. 
 Agora se a data do requerimento for feita após 30 dias, o benefício não 
retroage é pago dali para frente. Perceba que esta é a mesma regra, do 
que? Da aposentadoria por invalidez que agente viu, mesma coisa. 
Exatamente a mesma regra; a idéia é então que o segurado tem prazo 
de 30 dias para entrar com o requerimento. Entrou no prazo de 30 dias 
a contar da incapacidade, retroage. Entrou depois de 30 dias, não 
retroage, certo?. 
Para os demais segurados a lógica é exatamente a mesma; tem que 
entrar em 30 dias para retroagir. Só que retroage até a data de início da 
incapacidade. Porque para os demais segurados ninguém pagou os 15 
primeiros dias. Um contribuinte individual, por exemplo, que sofra um 
acidente e entre com o requerimento em 30 dias o benefício retroage à 
data do início da incapacidade. 
Se eles entram no prazo de 30 dias os efeitos retroagem à data de início 
da incapacidade. Se eles entram depois? Pago daí para frente. Se 
entram depois dos 30 dias, paga a partir da data de entrada do 
requerimento.CURSO ON-LINE – DIREITO PREVIDENCIÁRIO P/ MINISTÉRIO DA FAZENDA 
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Agora, imaginem o seguinte: o empregado que ganha R$ 10.000,00. 
Está lá trabalhando normalmente, até que um dia ele sofre um acidente 
do trabalho. 
Está lá na empresa exercendo suas atividades, aí cai da escada, por 
exemplo, “rola” lá uns três andares e quebra alguns ossos e tem uma 
incapacidade temporária para o trabalho por mais de 15 dias. 
Qual o benefício que ele recebe? Auxílio-doença. 
 Qual será o valor máximo desse auxílio-doença? O salário do segurado 
era R$ 10.000,00. 
Qual o benefício máximo pago pela Previdência? R$ 3.218,90. Que 
nesse caso nem isso vai dar, porque ainda vai ser 91% do SB. 
 Então esse segurado vai ter aí um prejuízo considerável. 
Mas, ele vai ficar lá todo engessado e ganhando bem menos? Ou a 
empresa é obrigada a complementar a diferença? 
 Não, não é. Ele fica no prejuízo mesmo. Mas cuidado. Algumas 
empresas por acordo ou convenção coletiva, assumem o ônus de 
complementar essa diferença. 
Não é que a Lei mande, mas a empresa assume lá no acordo ou 
convenção e diz: se você se acidentar, eu (empresa) pago a diferença 
do auxílio-doença até o seu salário. 
Então isso é possível. Agora a dúvida é a seguinte: esta diferença paga 
pela empresa, ela integra o salário-de-contribuição? 
Por exemplo: imaginem que a Previdência está pagando R$ 2.000,00 de 
auxílio-doença, e a empresa está pagando os outros R$ 8.000,00 que é 
a diferença. 
Os R$ 2.000,00 de auxílio-doença integram o salário de contribuição? 
Não. O único benefício que integra salário de contribuição é salário-
maternidade. 
E os R$ 8.000,00 que a empresa paga, integram o salário-de-
contribuição? A regra é que não, desde que seja um direito extensível a 
todos os trabalhadores. 
Se a empresa, no acordo ou convenção coletiva, estende esse direito de 
pagar a diferença do auxílio-doença para todos os trabalhadores, não 
integra o salário de contribuição. 
O que significa dizer que não integra o salário de contribuição? Que 
sobre esta parcela não incide contribuição nem do trabalhador, nem da 
empresa. 
Bom, ainda sobre o auxílio doença. O que eu vou falar agora é só para o 
empregado. Vou falar sobre uma regra de aplicação exclusiva só para 
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empregados. Imaginem que nosso segurado tem uma doença qualquer 
que gere incapacidade. 
Os 15 primeiros dias, como sabemos, quem paga é a empresa, daí para 
frente ele entra em auxílio-doença, porque ele entrou com requerimento 
no prazo. 
Aí ficou lá três anos, por exemplo, em auxílio-doença. Ao término do 
auxílio doença, teve alta e aí retornou ao trabalho. 
Retornou ao trabalho após a alta do auxílio doença. 
Tem estabilidade aí, o empregado? Não necessariamente, só se for 
auxílio-doença acidentário. 
Agora se foi um evento qualquer não relacionado ao trabalho, aí não é o 
caso. Mas imaginem que foi uma doença profissional. Aí ele voltou ao 
trabalho e trabalhou um período inferior a 60 dias. 
Após o retorno, ele trabalhou um período inferior a 60 dias, trabalhou 
40, por exemplo. Trabalhou só 40 dias e teve novo afastamento em 
razão da mesma doença. 
Novo afastamento em razão da mesma doença. O que é que acontece 
aqui? Ele já vai direto para o auxílio-doença. Ou seja, a empresa 
não tem que pagar os 15 primeiros dias nessa hipótese. 
Mas tem que ser um novo afastamento em razão da mesma 
doença, dentro dos 60 dias do retorno. Tem que reunir todos esses 
requisitos. Qualquer coisa diferente disso, o que é que acontece? A 
empresa vai ter que pagar os 15 primeiros dias. 
Bom, vamos a uma segunda hipótese agora (ainda restrita aos 
empregados). Houve um acidente e o segurado ficou 10 dias afastado, e 
aí teve alta, voltando a trabalhar. 
Veja o que mudou nesse segundo exemplo - não teve auxílio-doença em 
primeiro lugar, ele só ficou afastado 10 dias e voltou. 
E aí, trabalhou um período inferior a 60 dias e teve novo 
afastamento em razão da mesma doença. A empresa vai ter que 
pagar mais 5 dias (só para fechar os 15 dias) e aí ele já vai direto para 
o auxílio-doença. 
 Perceba que neste segundo exemplo a empresa teve que pagar só os 
dias faltantes para completar 15 dias. 
Mas de novo tem que ser: novo afastamento decorrente da mesma 
doença, num período inferior a 60 dias. Aqui também, qualquer coisa 
diferente disso, a empresa terá que pagar os 15 dias integrais. Por 
exemplo: quando tem 9 dias de afastamento, no segundo período a 
empresa teria que pagar mais 6. Essa é a idéia, fechar 15. 
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Inovação questionável, com relação à alta do segurado, veio com o 
Decreto n° 5.844, de 13 de julho de 2006, o qual insere no 
Regulamento da Previdência Social o procedimento da alta programada, 
que já era adotado administrativamente. A intenção da previdência 
social é reduzir o número de perícias médicas, já estabelecendo o perito, 
por ocasião da avaliação médico-pericial inicial, o tempo necessário de 
recuperação, aferível com base do conhecimento do profissional. 
De acordo com o citado decreto, se o segurado não se conformar com a 
alta, por entender que ainda se encontra incapacitado, “poderá solicitar 
a realização de nova perícia médica, na forma estabelecida pelo 
Ministério da Previdência Social” (art. 78, § 2°, RPS). Em verdade, o 
RPS não fala que o segurado deva “identificar” que ainda está 
incapacitado, mas assevera que se o prazo se “revelar insuficiente” 
(talvez por inspiração divina), haverá o direito à extensão do benefício, 
mediante nova requisição. 
 
 
RESUMO - Auxílio-Doença 
 
V. Lei n° 8.213/91, art. 59 a 63. 
V. RPS, art. 71 a 80. 
 
� Evento determinante – incapacidade temporária para o seu trabalho 
ou para a sua atividade habitual por mais de quinze dias consecutivos. 
� Beneficiários –todos os segurados. 
� Carência – 12 CM. 
� Renda Mensal do Benefício – 91% SB. 
� Início do pagamento – idem aposentadoria por invalidez. 
 
Não será devido auxílio-doença ao segurado que se filiar ao RGPS já 
portador de doença ou lesão invocada como causa para a concessão do 
benefício, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de 
progressão ou agravamento dessa doença ou lesão. 
 
Durante os primeiros quinze dias consecutivos de afastamento da 
atividade por motivo de doença, incumbe à empresa pagar ao segurado 
empregado o seu salário. 
 
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Se concedido novo benefício decorrente da mesma doença dentro de 
sessenta dias contados da cessação do benefício anterior, a empresa 
fica desobrigada do pagamento relativo aos quinze primeiros dias de 
afastamento, prorrogando-se o benefício anterior e descontando-se os 
dias trabalhados, se for o caso. 
 
Se o segurado empregado, por motivo de doença, afastar-se do trabalho 
durante quinze dias, retornando à atividade no décimo sexto dia, e se 
dela voltar a se afastar dentro de sessenta dias desse retorno, fará jus 
ao auxílio doença a partir da data do novo afastamento. 
O segurado empregado em gozo de auxílio-doença é considerado pela 
empresa como licenciado (+ pagamento da diferença, se for o caso). 
 
 
Exercícios Propostos: 
 
1) Com relação ao auxílio-doença e suas características, assinale 
a opção incorreta (ESAF 2002). 
 
a) Benefício continuado. 
b) Devido ao segurado. 
c) Extinção do benefício pela recuperação da capacidade para o 
trabalho. 
d) Possui prazo de carência, em regra. 
e) Incapacitação permanente para o trabalho. 
 
 
Comentários: 
 
 
 A letra “a” é correta, pois o benefício de auxílio-doença é pago 
mensalmente, e por isso é “continuado”. Da mesma forma, correta a 
letra “b”,já que quem recebe este benefício é o segurado, e não seus 
dependentes. 
 
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 Da mesma forma, correta a letra “c”, já que o benefício é extinto 
com a recuperação para o trabalho, já que seu evento determinante é 
justamente a incapacidade para a atividade laborativa. 
 
 A letra “d” também é correta, pois este benefício possui carência 
de 12 contribuições mensais, com exceções dos acidentes de qualquer 
natureza ou causa e as doenças relacionadas pela previdência. 
 
 Por fim, a letra “e” está incorreta, sendo então o gabarito. A 
incapacidade permanente para o trabalho é atendida pela aposentadoria 
por invalidez, e não auxílio-doença. 
 
 
 
 
2) Quanto à aposentadoria especial, assinale a alternativa 
correta. 
 
a) Entre as espécies de aposentadoria especial, pode-se citar, a 
título de exemplo, a aposentadoria especial do professor que exerça 
atividade exclusiva de ensino fundamental ou médio. 
b) A concessão de aposentadoria especial ao segurado 
empregado dispensa qualquer tipo de comprovação perante o INSS, 
pois o recolhimento deste segurado é sempre presumido. 
c) A aposentadoria especial para as mulheres é em menor tempo 
frente aos homens. 
d) O período em que o segurado está de férias não é computado 
com tempo de efetiva exposição a agente nocivo. 
e) O valor da aposentadoria especial será, sempre, equivalente a 
100% do salário-de-benefício do segurado. 
 
 
Comentários: 
 
 
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 A letra “a” é incorreta, pois o professor não tem aposentadoria 
especial, mas sim aposentadoria por tempo de contribuição diferenciada, 
em razão da “penosidade” de sua atividade. 
 
 A letra “b” é também incorreta, pois embora o recolhimento seja 
presumido, poderá ser exigido do segurado a efetiva comprovação de 
exposição a agentes nocivos, que é atualmente feita pelo PPP – perfil 
profissiográfico previdenciário. 
 
 A letra “c” é incorreta, pois as regras para aposentadoria especial 
são iguais para homens e mulheres, ao contrário do que ocorre para as 
aposentadorias por idade e tempo de contribuição. 
 
 A letra “d” é incorreta, pois, apesar do benefício somente ser 
concedido na hipótese de exposição “habitual e contínua” a agentes 
nocivos, não devemos “radicalizar”, pois é evidente que períodos de 
férias, almoço, idas ao banheiro etc são computados como tempo de 
efetiva exposição também. 
 
 A letra “e” está correta, sendo então o gabarito. A aposentadoria 
especial é sempre calculada sobre o percentual de 100% do salário-de-
benefício.

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