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APRESENTAÇÃO Professora Ma. Priscila da Rocha Luiz Bueno ● Mestra em Educação - (UEM). ● Graduada em Pedagogia - Licenciatura e Bacharelado (UniCesumar). ● Especialista em Ensino Aprendizagem nos Anos Iniciais (Instituto Superior de Educação do Paraná). ● Especialista em Gestão e Organização Escolar (ESAP). ● Pós-Graduanda em Psicopedagogia; ● Pós-Graduanda em Docência no Ensino Superior; ● Analista Comportamental Infantil (The99) ● Professora Alfabetizadora no Município de Maringá. ● Coordenadora Pedagógica/Orientadora Educacional em Unidade de Ensino Infantil no Município de Maringá. ● Docente do curso de Pedagogia e Pós-Graduação (Unifamma). Ampla experiência na área de Educação a Distância (tutora e professora), Ensino Superior EAD e Presencial, produção de materiais didáticos, formação de professores. Campo de pesquisa com ênfase na Educação Infantil e Anos Iniciais, bem como: políticas educacionais, dificuldade de aprendizagem, gestão educacional, psicologia da educação, alfabetização infantil, sexualidade e diversidade. Acesse meu currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/1310823097369284 APRESENTAÇÃO DA APOSTILA Olá, aluno(a). Seja muito bem-vindo(a) aos estudos sobre as dificuldades no processo de aprendizagem da matemática. Esta apostila foi organizada de modo especial para você, que no nosso entendimento tem buscado, com excelência, compreender os desafios que envolvem o setor educacional e que influenciam diretamente no processo de ensino – aprendizagem do indivíduo. O estudo da matemática incluindo sua história é uma forma de melhor compreender o processo da construção dessa disciplina através dos tempos. Segundo Rosa Neto (2002, p. 7), “trata-se de uma história social da matemática, que coloca essa ciência como algo humano, um fato social, resultado da colaboração de todos, e que é estritamente ligada às necessidades sociais”. A apostila é composta por uma introdução, seguida de quatro unidades criteriosamente analisadas e selecionadas para dar sustentação à presente discussão e conclusão, bem como todas as referências e sugestões de leitura complementar, livros e filmes. Na Unidade I começaremos abordando a estrutura do desenvolvimento do conhecimento lógico-matemático, compreenderemos a linguagem da matemática, a construção social da criança e da aprendizagem matemática e o desenvolvimento lógico- matemático do ponto de vista de alguns teóricos. Já na Unidade II vamos ampliar nossos conhecimentos sobre a construção do conhecimento lógico matemático. Para isso, vamos trabalhar os processos cognitivos envolvidos no conhecimento lógico-matemático, abordar o conceito de número nas significações aritmética, geométrica e algébrica e os princípios teórico-metodológicos da atividade pedagógica no processo de apropriação de conceitos matemáticos. Na Unidade III trataremos de maneira específica sobre a aprendizagem da matemática, destacaremos a aquisição da aprendizagem na disciplina de matemática e trataremos sobre a importância da relação professor(a) e aluno(a) na aprendizagem da matemática. E por fim, na Unidade IV vamos compreender as dificuldades de aprendizagem da matemática, abordar a aprendizagem dos conceitos matemáticos, as dificuldades na aprendizagem da matemática e as dificuldades de aprendizagem específicas (discalculia e acalculia). Para cada unidade são previstas leituras e atividades que devem ser realizadas para que você tenha conhecimentos seguros sobre sua formação e atuação e ainda tenha certeza de que a atitude de aprender deve ser um hábito do(a) professor(a), visto que essa é uma profissão que exige atualização constante, compromisso e dedicação. Oferecemos a você, como instrumentos, os conteúdos, nossa dedicação e nosso trabalho. Aproveite bem e alcance seus sonhos. Muito obrigada e bom estudo! UNIDADE I ESTRUTURA DO DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO LÓGICO- MATEMÁTICO Professora Mestre Priscila da Rocha Luiz Bueno Plano de Estudo: A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • A linguagem da matemática; • A construção social da criança e da aprendizagem matemática; • Desenvolvimento lógico-matemático do ponto de vista de alguns teóricos. Objetivos de Aprendizagem: • Conhecer a importância da linguagem da matemática no desenvolvimento infantil. • Compreender a construção social da criança e da aprendizagem matemática. • Abordar o desenvolvimento lógico-matemático do ponto de vista de alguns teóricos. INTRODUÇÃO Prezado(a) estudante. Seja bem-vindo(a) à Unidade I da disciplina Dificuldades no Processo de Aprendizagem da Matemática do curso de Graduação em Psicopedagogia. A trajetória da educação brasileira vem sendo marcada, nas últimas décadas, por posições que se contrapõem umas às outras. No momento, emerge a questão do ensino e da aprendizagem. Uma das exigências para se alcançar melhor nível de qualidade na educação é aprimorar o conhecimento sobre esse processo para torná-lo mais capaz de responder ao novo tempo. Os conhecimentos matemáticos foram se constituindo a partir das necessidades humanas e levando-se em conta que a história social da matemática, coloca essa ciência como algo humano, um fato social, resultado da colaboração de todos, e estritamente ligada às necessidades sociais. Diante dessa afirmação, no primeiro momento desta unidade estudaremos sobre a linguagem matemática. No segundo momento, compreenderemos a construção social da criança e da aprendizagem matemática e, por fim, o desenvolvimento lógico-matemático do ponto de vista de alguns teóricos Portanto, recomendo que, durante a realização da disciplina, você procure interagir com os textos, fazer anotações, responder às atividades, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados, pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os desafios na construção de conhecimentos. Bom estudo e ótimos momentos de construção de aprendizagem! 1 A LINGUAGEM DA MATEMÁTICA O estudo da matemática incluindo sua história é uma forma de melhor compreender o processo da construção dessa disciplina através dos tempos. Segundo Rosa Neto (2002, p. 7), “trata-se de uma história social da matemática, que coloca essa ciência como algo humano, um fato social, resultado da colaboração de todos, e que é estritamente ligada às necessidades sociais”. Assim como a sociedade, que veio sofrendo mudanças, a matemática também acompanhou esse ritmo e veio se moldando conforme as necessidades e os conhecimentos de cada época. Em todas as épocas, as atividades matemáticas estiveram, entre as formas de interação do homem com o mundo físico, social e cultural, em intensidade e diversidade crescentes, relacionadas com a evolução histórica. As atividades matemáticas, movidas pela necessidade do homem de organizar e ampliar seu conhecimento e pela sua capacidade de intervenção sobre os fenômenos que o cercam, geraram, ao longo da evolução histórica, um corpo de saber a Matemática, que é um campo científico extenso e diversificado. E, contrariamente ao que muitos pensam, é um campo em permanente evolução nos dias atuais e não um repertório de conhecimentos antigos e imutáveis (SANTOS; LIMA, 2010, p. 2). A linguagem possui uma função muito importante no sistema de ensino, o conhecimento adquirido e acumulado no decorrer da aprendizagem faz com que o sujeito se comunique com as diferentes áreas. Ao ter contato com as mais variadas ferramentas no espaço escolar e social, o sujeito torna-se capaz de elaborar conceitos variados e adequados para resolução dos problemas propostos. O processo de comunicação é uma característica própria dos seres humanos, possibilitandoa convivência social, a interação entre os diferentes costumes, compartilhando as experiências adquiridas no decorrer da vida. Para Castro (2001), os processos de comunicação estão ligados aos processos de ensino, não sendo possível ensinar sem realizar processos comunicativos. Por isso, a relação entre a Matemática e a linguagem é bem maior que essa constatação sobre o processo de ensino e a linguagem comunicativa. Ao pensarmos que a matemática faz parte do sistema de comunicação e linguagem, é preciso que esse conceito seja composto por signos que se construíram historicamente, socialmente e previamente determinados, deixando claro que a linguagem matemática é uma escrita simbólica, porém específica. Autores como Machado e Lerma (1990, apud SMOLE, 2000), indicam que, de acordo com a ótica curricular, a matemática e a língua são dois sistemas básicos de representação, que tem como função desempenhar metas e funções que são paralelas e se complementam. Essa afirmação nos permite compreender que a linguagem e a matemática caminham juntas, a argumentação, as capacidades de formulação e de imaginação que envolvem a antecipação e o planejamento, são idênticas às que deram sustentação para o surgimento da capacidade para a linguagem e para a Matemática. A língua materna e a língua matemática estabelecem um paralelo de comunicação, pois, para que a aprendizagem da leitura matemática seja possível, é preciso tomar emprestado a oralidade da língua materna, que servirá de apoio para significar a aprendizagem da escrita matemática. Dois papéis em relação à matemática são apresentados por Smole (2000). O primeiro está relacionado à língua materna, em que é permitido ler e interpretar os enunciados, fazer comentários sobre o que foi compreendido de maneira explícita ou vaga, já o segundo papel está relacionado à aplicação da língua materna ao trabalho matemático de maneira parcial, pois o raciocínio efetuado nas ações matemáticas se apoia na língua, bem como sua organização e poder dedutivo. O primeiro pensamento que nos aparece quando falamos sobre a linguagem escrita da matemática está ligado à utilização de textos tradicionais, livros didáticos que são apresentados aos(as) professores(as) e alunos(as) como a única forma de comunicação, tornando o trabalho sistêmico e formal. Porém o trabalho com o ensino da matemática precisa ir além dos textos formais didáticos apresentados para as crianças. A aprendizagem matemática está baseada na concepção de que a aprendizagem infantil só será possível se a criança realizar atividades repetitivas e de acordo com as orientações recebidas pelo(a) professor(a). Seguindo essa linha, é comum que profissionais da educação trabalhem a matemática apenas com o intuito de passar noções de número, quantidade, algarismo, figuras geométricas e noções amplas de contagem, sem levar em consideração a fase de desenvolvimento em que a criança se encontra. Para que a compreensão do que está sendo falado pelo(a) educador(a) aconteça, mesmo que este(a) esteja fazendo sua explicação da forma mais clara e precisa, é exigido muita concentração e essa é uma das capacidades individuais mais importantes nessa primeira etapa da vida. Para uma aprendizagem significativa, é preciso que as crianças vivenciem situações por meio do brincar que estimulem a aquisição de novos conhecimentos matemáticos e cabe aos(às) professores(as) favorecerem momentos de experimentação, argumentação e raciocínio, fazendo, assim, uma ligação com os conhecimentos que a criança vivencia em suas situações cotidianas. Diante disso, Smole (2002) afirma que, para a criança desenvolver e conservar um prazer e uma curiosidade pela aprendizagem matemática, é preciso proporcionar uma variedade de situações matemáticas relativas aos números, medidas, formas geométricas, que façam sentido para ela. Em sua aprendizagem diária, a criança estabelece relações com as situações vivenciadas e os objetos e é a partir dessa diversidade de situações que ela desenvolve noções mais complexas, que possibilitarão a solução de problemas. Enquanto ciência, a matemática possui uma comunicação que, para ser compreendida, necessita da linguagem materna para estabelecer uma relação entre a escrita e a oralidade. A relação que a criança estabelece com a linguagem escrita até os seis anos de idade ainda se encontra em desenvolvimento, por esse motivo ela pode apresentar algumas dificuldades ao adquirir e compreender a linguagem matemática. Sendo assim, é de fundamental importância que o trabalho em sala de aula aconteça de maneira clara, para que a criança seja capaz de compreender, fazer ligações com seus fatos diários e principalmente, aprender. Por fim, a aprendizagem da língua matemática, deve estar baseada nas reais situações e realidades de vida, dessa forma formará um indivíduo apto a exercer seu papel social, para o trabalho e munido de cultura e também de conhecimentos que poderão ser postos em prática em seu cotidiano. 2 A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA CRIANÇA E DA APRENDIZAGEM MATEMÁTICA Nos primeiros anos de escolaridade, a criança precisa ter contato diariamente com noções matemáticas para que futuramente consigam resolver situações- problemas diárias, mudando o paradigma de que a disciplina é distante do cotidiano possibilitando, assim, o desenvolvimento da autonomia do pensar em relação aos números. A educação é um fenômeno social, e cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos, preparando-os para a participação ativa em função de necessidades econômicas, sociais e políticas da coletividade, ou seja, a base material de cada sociedade, exigirá uma formação específica para os indivíduos, que atendam às necessidades da mesma. A matemática surgiu a séculos ajudando na reorganização social sendo fundamental para o desenvolvimento do pensamento do indivíduo principalmente quando são relacionadas as ações do cotidiano que facilita a assimilação de números, formas, espaço. Então os processos de reflexão, sistematização e formalização do processo de ensino e aprendizagem e as aplicações no cotidiano e principalmente os estudos sobre a matemática evoluíram com o tempo e foram aperfeiçoados até chegar em todo conhecimento que temos hoje. Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (BRASIL, 2018), a matemática no ensino fundamental e anos iniciais tem como função retomar as experiências desenvolvidas na educação infantil e o conhecimento adquirido por meio das ações vivenciadas do cotidiano relacionadas a números, formas e espaço. Nessa etapa da aprendizagem se inicia a sistematização desses conhecimentos, e as habilidades a serem desenvolvidas, está mais voltada à compreensão dos significados e dos objetos matemáticos que devem ser retomados e aprofundados, desenvolvendo a capacidade de abstração e aplicação em diferentes contextos por meio de exercícios e problemas. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI) (BRASIL, 1998), as instituições de Educação Infantil precisam ajudar as crianças a organizarem suas informações e proporcionar condições que possibilitem a aquisição de novos conhecimentos matemáticos. O trabalhar dos conceitos matemáticos na Educação Infantil precisa ter como finalidade auxiliar as crianças na construção de conhecimentos que atendam à necessidade social, possibilitando o domínio do pensamento, de instrumentalizar a criança em viver melhor, participar e compreender o mundo que exige do sujeito diferentes conhecimentos e habilidades que facilitam a vida humana. Segundo a BNCC (BRASIL, 2018), a matemática é extremamente importante na construção da cidadania e contribui para a resolução do dia a dia e para a construção de outros conhecimentos, como o científico e o tecnológico, que os indivíduos devem se apropriarnos dias de hoje. A exploração matemática pode ser um bom caminho para favorecer o desenvolvimento intelectual, social e emocional da criança. Do ponto de vista do conteúdo matemático, a exploração matemática nada mais é do que a primeira aproximação das crianças, intencional e direcionada, ao mundo das formas e das quantidades (LORENZATO, 2008, p. 1). Para aproximar a criança com os conhecimentos matemáticos de maneira eficaz, o(a) professor(a) na maioria das vezes necessita buscar recursos que desenvolvam um trabalho satisfatório, auxiliando a criança na vida adulta, para que a construção de conhecimentos aconteça de maneira eficaz, permitindo a autonomia para pensar sobre a importância dos números e suas implicações diárias. Para Kamii (1990, p. 26), a conservação é explicada por Piaget como a maneira que a pessoa chega ao conhecimento do número. As crianças não nascem com esse conhecimento matemático pronto, pois se já fossem capazes de compreender esse conceito, antes dos oito anos de idade já conseguiriam conservar a mesma quantidade, independente dos elementos do conjunto. Para Piaget (1976, p. 73), ensinar matemática na Educação Infantil vai além de ensinar as crianças a contar. Os fundamentos para o desenvolvimento matemático das crianças estabelecem-se nos primeiros anos. A aprendizagem matemática constrói-se através da curiosidade e do entusiasmo das crianças e cresce naturalmente a partir das suas experiências [...] A vivência de experiências matemáticas adequadas desafia as crianças a explorarem ideias relacionadas com padrões, formas, número e espaço de uma forma cada vez mais sofisticada. A criança, ao iniciar o processo de contagem dos objetos, nos faz acreditar que ela já possui claramente o conceito de número, porém isso não pode ser considerado como algo verídico, pois nesse momento ela está apenas narrando os números memorizados por ela e não os colocando em ordem certa. De acordo com a teoria de Piaget e com base nela, Kamii (1990, p. 13) define que “[...] o número é construído por cada criança a partir de todos os tipos de relações que ela cria entre os objetos”. Portanto, a aprendizagem do número não se dá por meio de transmissão social, pois a sociedade possui conceitos que podem variar de acordo com a cultura de cada região, sendo preciso que o(a) adulto(a), seja os familiares ou professores(as), auxilie para construir esse conhecimento social. Kamii (1990, p. 19), nos mostra que “o número é uma síntese de dois tipos de relações que a criança estabelece entre os objetos, uma é a ordem e a outra a inclusão hierárquica”. Ou seja, o conceito de número deve ser resultado da construção de um conhecimento lógico-matemático produzido pela própria criança e adquirido a partir da abstração reflexiva. Ao ser capaz de contar os objetos sem saltar ou repetir os números, a criança está adquirindo a noção ordem, fazendo isso independentemente de como os objetos estejam disponíveis para ela. Ou seja, a criança é capaz de organizar a ordem dos objetos mentalmente, sendo capaz, então, de incluir um número dentro do outro. De acordo com Kamii (1990), para quantificar os objetos como um grupo, a criança tem que colocá-los numa relação de inclusão hierárquica. Isso significa que a criança inclui mentalmente um em dois, dois em três, três em quatro etc. Contudo, para promover uma aprendizagem autônoma na criança e instigá-la a pensar sobre o número, é preciso proporcionar atividades lúdicas e significativas para a construção de novos conhecimentos matemáticos. As atividades precisam partir do contexto dos(as) alunos(as) para serem significativas, oportunizando experiências de participações ativas dos(as) educandos(as), mostrando que o conhecimento é um processo construído. 3 DESENVOLVIMENTO LÓGICO-MATEMÁTICO DO PONTO DE VISTA DE ALGUNS TEÓRICOS Atualmente pensar no ensino da matemática não significa somente buscar desenvolver as competências e habilidades exigidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é necessário entender quais os tipos de cidadãos(ãs) estamos formando, pois, eles(as) serão quem constituirão a sociedade. Esta é caracterizada por passar por transformações constantes em grande velocidade; da mesma forma as informações vão e vem pelos meios de comunicação, sendo possível a partir das tecnologias que facilitam a vida humana. Além disso, as formas das pessoas se relacionarem também se modificam e, com toda essa inovação, o mercado de trabalho se torna cada vez mais exigente em relação aos conhecimentos, que agrega muito na vida do indivíduo e em sua qualificação para atuar na sociedade e no trabalho, sendo esse tipo de formação que a BNCC traz como um de seus objetivos educacionais. Segundo Ávila (2010), pode-se perceber a importância da aprendizagem e do conhecimento matemático em sua manifestação de forma mais simples, como, por exemplo, saber as horas do relógio, contar um dinheiro; até maneiras mais complexas, como resolução de problemas, exercícios; mas também a sua aplicação em prática, por exemplo o engenheiro precisa da matemática para medir as áreas da construção, o agrônomo precisa do cálculo para saber a quantidade certa dos produtos para as plantas e para o solo. Essas entre muitas outras funções envolvem e exige o conhecimento matemático. Essas considerações mostram o quanto de riqueza existe no pensamento matemático para além de seus aspectos lógico- dedutivos. Imaginação e intuição são instrumentos tão importantes na invenção matemática como o são para o pintor que concebe um quadro para o escritor que planeja uma obra literária ou para o músico em suas criações artísticas (ÁVILA, 2010, p. 3). O desenvolvimento e construção do conhecimento lógico matemático infantil precisa de alternativas que possibilitem a construção de vários aspectos referentes à aprendizagem e, por essa razão, é necessária a compreensão do desenvolvimento cognitivo infantil. Para Wadsworth (1992, apud PIAGET, 1976), a aprendizagem acontece por processos que, ao serem desenvolvidos, vão elaborando, organizando e reorganizando os conhecimentos adquiridos. Sendo assim, de acordo com a teoria piagetiana, precisamos compreender alguns conceitos básicos para a construção lógico-matemática das crianças, sendo eles: ● Esquemas – são as estruturas mentais ou cognitivas que se organizam de acordo com o meio e fazem com que os indivíduos se adaptem intelectualmente, ou seja, os esquemas se adaptam e se modificam de acordo com o desenvolvimento mental do indivíduo. ● Assimilação – é o processo pelo qual o sujeito agrega um novo conhecimento, ao seu cognitivo, integrando esses dados aos já existentes. Portanto, a assimilação está ligada ao crescimento dos esquemas cognitivos e não as suas mudanças, pois o novo desenvolvimento adquirido irá propor uma ampliação dos esquemas. ● Acomodação – nesse processo ,a criança irá assimilar os esquemas cognitivos já existentes com o novo estímulo recebido, ou seja, a acomodação é o momento de criar novos esquemas ou apenas de modificar e agregar aos velhos. ● Equilibração – é o processo que permite que a experiência externa adquirida pelo sujeito seja incorporada à estrutura interna (esquemas), assim, da mesma maneira que nos adaptamos ao mundo exterior, nossa mente, ao se desenvolver intelectualmente, passa por esse processo de adaptação. Instrumentos reguladores dessa ação- assimilação e acomodação. Esses processos, para Piaget (1976), são fundamentais para a construção lógico-matemática de complexidade crescente. Assim, nesse cenário de contradições, descobertas, conflitos sociais, surpresas e infinitas possibilidades de aprendizagem, surge o ser humano como uma obra em permanente construção e, no decorrer desse processo, coloca-se o raciocínio lógico-matemático como fundamentaldurante todas as etapas de vida do indivíduo. Estamos rastreando o que é comum a todos esses processos, o que os torna complementares, o seu elo de ligação, isto é, a estrutura lógico-matemática que vai sendo construída pelo sujeito através de todos esses processos. Lembrando sempre que esses processos não a reduzem a essa estrutura matemática, mas que ela é sua condição de possibilidade do processo (BECKER, 1999, p. 39). De acordo com as ideias de Fraga (1988), o conhecimento provém de fontes internas e externas ao sujeito, são eles: ● Conhecimento físico - acontece quando o indivíduo executa uma ação efetiva sobre o objeto, tais como: observar, apertar, classificar, semelhanças e diferenças, entre outros aspectos visíveis. ● Conhecimento Social – origina-se a partir das relações com outras pessoas e com o mundo exterior, como exemplo: as regras sociais – “com licença”. ● Conhecimento lógico-matemático – acontece das ações mentais do indivíduo perante o objeto e se dão numa escala de relação, classificação, ordenação e medidas. O ensino do conhecimento matemático deve corromper a visão de razão e verdade absoluta e incontestável, tornando-a uma disciplina dinâmica, criativa, lúdica, repleta de experiências, levando o aluno ir em busca, a pesquisa unindo isso ao conhecimento do professor constituindo-se assim o processo de construção de conhecimento. No entanto, tais conhecimentos só ganham significado em situações vivenciadas pelas pessoas. Nessas situações, elas são chamadas a mobilizar os conhecimentos e a ligá-los, de forma eficaz, às experiências práticas. Em outros termos, é necessário que todos tenham a capacidade e a oportunidade de administrar as mais diferentes situações da vida, pelo recurso a intuições, conceitos, princípios, informações, métodos, técnicas, como fruto de suas experiências pessoais (SANTOS; LIMA, 2010. p. 04). Por fim, todos esses aspectos são contribuintes para a formação cognitiva dentro do processo de ensino e aprendizagem da matemática. Podem agregar melhorias em vários âmbitos, como o relacionamento familiar, atuação social, ou seja, a matemática pode ser considerada como essencial para a formação integral do indivíduo. SAIBA MAIS Caro(a) aluno(a), o processo de aquisição do número, por parte das crianças, é a base para toda sua aprendizagem futura da Matemática e este processo se inicia pela contagem. Você já observou que as crianças, ao contarem um grupo de objetos, falam números, muitas vezes, pulando alguns e repetindo outros? Se os objetos estiverem espalhados, elas costumam contar alguns mais de uma vez e deixam de contar outros. Além disso, nem sempre é claro quando devem parar de contar. As crianças nesse estágio ainda não desenvolveram o conceito de número, mas ele está presente em suas vidas – e isso incentiva suas primeiras contagens. Da mesma forma, os números que estão incorporados ao seu dia a dia – sua idade, o número de irmãos, o número da casa etc., precisam ganhar significado. A partir do conhecimento da criança sobre os números do cotidiano, cabe a nós, professores, ajudá-la a observar diferentes significados e usos. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS Prezado(a) acadêmico(a), geralmente os adultos fazem interpretações errôneas sobre as possibilidades de a criança lidar com os números e de realizar mentalmente operações numéricas com significado. Alguns acreditam que ensinando a numeração falada às crianças, estas aprenderão o número. No entanto, a capacidade de contar objetos com êxito é construída progressiva e interiormente pela criança, e só se consolida quando ela é capaz de coordenar reciprocamente várias ações aplicadas sobre os objetos, a fim de quantificá-los. Quaisquer esforços para “ensinar a contar” são inúteis, pois a criança só é capaz de fazê-lo quando constrói internamente tais coordenações. De fato, memorizar a sequência numérica não significa ter consolidada a estrutura de número, e muito menos significa que a criança esteja apta a aprender as operações matemáticas. Em resumo, muitas ações precisarão ser construídas e coordenadas pela criança para que ela venha a empregar a numeração falada corretamente, para descobrir quantos objetos há em uma coleção. De acordo com Rangel (1992), essas ações se constituem em: a) juntar os objetos que serão contados, separando-os dos que não serão contados (classificação); b) ordenar os objetos para que todos sejam contados e cada um somente uma vez (seriação); c) ordenar os nomes aprendidos para a enumeração dos objetos, utilizando-os na sucessão convencional, não esquecendo nomes nem empregando mais de uma vez o mesmo nome (sequenciação); d) estabelecer a correspondência biunívoca e recíproca nome-objeto (correspondência); e) entender que a quantidade total de elementos de uma coleção pode ser expressa por um único nome; f) Saber que a quantidade não depende da arrumação dos objetos da coleção; g) Perceber que um conjunto pode abranger outro, exemplo: o conjunto das maçãs está contido no conjunto das frutas (inclusão). Para que a correspondência biunívoca e recíproca nome-objeto se efetive, a criança terá de utilizar tanto a ação de juntar os objetos que serão contados, separando-os dos que não serão contados, quanto a ação de ordenar os objetos um após o outro. Sendo assim, o que não se pode pensar é que essas ações surgem uma após outra e vão se somando sucessivamente, ao contrário, elas evoluem simultaneamente. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS As competências específicas de matemática competem a reconhecer a matemática como ciências humanas, desenvolver o raciocínio lógico, compreender diferentes conceitos e procedimentos nos diferentes campos da matemática, fazer observações e sistematizações dos aspectos quantitativos e qualitativos, utilizar processos e ferramentas matemáticas principalmente as tecnologias digitais, enfrentar situações- problemas em diferentes contextos, desenvolver e discutir projetos, desenvolver relações de interação e coletividade. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# REFLITA ● A aprendizagem de um meio de comunicação, a linguagem matemática, deve estar subordinada ao ato de comunicar, ou seja, a aprendizagem de um código e das suas regras de funcionamento não deve, nem pode, ser desconectada do que pretende ser comunicado, pois ensinar e aprender são na sua essência atos de comunicação (MENEZES, 2003). ● O trabalho de Piaget se concentrou no estudo do desenvolvimento cognitivo e não propriamente no processo de aprendizagem. Porém esse processo de desenvolvimento pode ser descrito em termos de aprendizagem. O sujeito que se desenvolve alcança um outro patamar de compreensão da realidade e passa a lidar com essa realidade cada vez com mais adequação: isto é produto de aprendizagem (LA ROSA, 2003). ● Conhecimento lógico-matemático é um domínio intrigante que tem várias características específicas. Primeiro, não é diretamente ensinável, porque é construído a partir das relações que a própria criança criou entre os objetos, e cada relação subsequente que ela cria; é uma relação entre as relações que criou antes. Os processos envolvidos nesta construção são abstração reflexão e equilibração (KAMII, 1991). #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizamos a Unidade I da disciplina de Dificuldades no Processo de Aprendizagem da Matemática, intitulada Estrutura do Desenvolvimento do Conhecimento Lógico-Matemático. No primeiro momento analisamos a importância da linguagem matemática para o desenvolvimento cognitivo infantil, pois é de extrema importância para o processo educacional, possibilitando que a criança se comunique com todas as áreas de conhecimento. No segundo momento estudamos sobre a construção social da criança e a aprendizagemmatemática, compreendendo que o contato diário com as noções matemáticas, possibilitam que a criança consiga resolver situações-problemas cotidianas, permitindo uma autonomia no pensar e agir matemático. Por fim, entendemos o desenvolvimento lógico-matemático do ponto de vista de alguns autores, e que ensinar matemática não significa somente buscar desenvolver as competências e habilidades, mas também qualificar a criança para o desenvolvimento de um raciocínio lógico-matemático eficiente. Portanto, procuramos contribuir para que você caminhe ao encontro de outras possibilidades de entendimento sobre a importância do desenvolvimento do conhecimento lógico-matemático infantil, pois a aprendizagem matemática está presente em nosso dia a dia, fazendo parte do desenvolvimento social do indivíduo. LEITURA COMPLEMENTAR Olá, estudante. A leitura complementar para a nossa primeira unidade será o artigo A Construção do Conhecimento Lógico-Matemático: Aspectos Afetivos e Cognitivos, da autora Fátima Aparecida Bolognese A autora nos traz um aporte teórico que nos apresenta uma reflexão sobre que o conhecimento lógico-matemático não é inato, mas sim construído por meio do contato social. Por fim, podemos entender que o sujeito constrói a noção de número por meio das relações cotidianas. Segue o link de acesso http://www.profala.com/arteducesp95.htm Aproveitem o material e boa leitura! LIVRO • Título: A matemática no cotidiano infantil: Jogos e atividades com crianças de 3 a 6 anos para o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático - 1º Edição • Autor: Silvia Marina Guedes dos Reis • Editora: Papirus • Sinopse: As noções básicas em matemática, lógica e geometria começam a ser elaboradas na infância, portanto, é vital que a base seja sólida, bem construída e bem trabalhada. Estimular o raciocínio lógico-matemático é muito mais do que ensinar matemática, é propiciar o desenvolvimento mental, é fazer pensar. Esse livro apresenta sugestões de jogos, brincadeiras e atividades que buscam desenvolver o raciocínio lógico-matemático e trabalhar o conteúdo a ser explorado com crianças de 3 a 6 anos de forma lúdica, interativa e desafiadora, auxiliando o educador a construir um "ambiente matematizador" em sala de aula. Várias atividades aliam arte e criatividade, como o desenho com formas geométricas e a construção de jogos e materiais com sucata, proporcionando às crianças a satisfação de construir seus próprios jogos, além de trabalhar o conceito de reciclagem. A obra também tem por objetivo levar à reflexão dos caminhos que conduzem a essa aprendizagem. É destinada a todos que trabalham com crianças nessa faixa etária: professores, coordenadores e orientadores, e também aos estudantes na área da educação. FILME/VÍDEO • Título: Matemática em Toda Parte • Ano: 2015 • Sinopse: O vídeo procura mostrar diversos pontos nos quais a matemática existe no nosso cotidiano e como existem muitas possibilidades de conhecer mais sobre esse universo dentro e fora da escola. https://www.youtube.com/watch?v=OMOL4C0i_k0 REFERÊNCIAS ÁVILA, G. Objetivos do ensino da Matemática. Goiânia: Instituto de Matemática e Física, UFG, 2010. BECKER, F. (Org.). Revisitando Piaget. v. 3, 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 1999. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base. Acesso em: 10 nov. 2020. BRASIL. Secretaria da Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. v. 3. Brasília: MEC/SEF, 1998. CASTRO, C. de M. Educação na era da informação. São Paulo: Cortez, 2001. FRAGA, M. L. A matemática na escola primária: uma observação do cotidiano. São Paulo: EPU, 1988. KAMII, C. 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UNIDADE II CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO LÓGICO MATEMÁTICO Professora Mestre Priscila da Rocha Luiz Bueno Plano de Estudo: A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Processos cognitivos envolvidos no conhecimento lógico-matemático • Conceito de número nas significações aritmética, geométrica e algébrica • Princípios teórico-metodológicos da atividade pedagógica no processo de apropriação de conceitos matemáticos Objetivos de Aprendizagem: • Conhecer os processos cognitivos envolvidos no conhecimento lógico-matemático infantil. • Abordar o conceito de número nas significações aritmética, geométrica e algébrica. • Compreender os princípios teórico-metodológicos da atividade pedagógica no processo de apropriação de conceitos matemáticos. INTRODUÇÃO Prezado(a) estudante, seja bem-vindo(a) à Unidade II da disciplina de Dificuldades no Processo de Aprendizagem da Matemática do curso de Graduação em Psicopedagogia. A construção do raciocínio lógico-matemático infantil, permanece ao longo dos anos e cada situação apresentada no cotidiano eleva o pensamento e o desenvolvimento de novas aprendizagens. Para Smole (2000), é importante realizar um trabalho que apresente uma variedade de pensamentos matemáticos, despertando a curiosidade, não esquecendo o papel da escola nesse processo de aprimoramento das ideias matemáticas, possibilitando novas experiências e fazendo com que o(a) educando(a) vá além do que já sabe. O raciocínio lógico-matemático é um processo construído de maneira processual e por meio das relações estabelecidas pela criança com essa aprendizagem. Portanto, é considerado um conhecimento que não pode ser ensinado. Nessa perspectiva, Maccarini (2009) nos mostra que o raciocínio lógico-matemático precisa ser construído com base em jogos e brincadeiras, voltados para noções espaciais, numéricas, geométricas, entre outras, proporcionando um ambiente enriquecedor e atrativo para o desenvolvimento das habilidades infantis. Diante dessa afirmação, esta unidade nos permitirá aproximar dos processos cognitivos envolvidos no conhecimento lógico-matemático infantil. Em seguida abordaremos o conceito de número nas significações aritmética, geométrica e algébrica. Por fim, sobre os princípios teórico-metodológicos da atividade pedagógica no processo de apropriação de conceitos matemáticos. Sendo assim, o desenvolvimento do raciocínio matemático é fundamentalpara todas as áreas de evolução do sujeito, originando-se das diversas relações que a criança estabelece com as variadas situações e informações adquiridas, podendo organizar seu pensamento a partir de suas próprias perspectivas relacionadas ao mundo dos números. Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa segunda unidade. Boa leitura! 1 PROCESSOS COGNITIVOS ENVOLVIDOS NO CONHECIMENTO LÓGICO- MATEMÁTICO Os fatores sociais, afetivos, biológicos e psicológicos são responsáveis pelo desenvolvimento cognitivo do ser humano, ou seja, o processo de aprendizagem será determinado pela formação das estruturas do conhecimento adquirido pelo indivíduo. O ensino da disciplina de matemática deve corromper a visão de razão e a verdade absoluta e incontestável, tornando-a uma disciplina dinâmica, criativa, lúdica, repleta de experiências, levando o(a) aluno(a) a ir em busca de novas aprendizagens. No entanto, tais conhecimentos só ganham significado em situações vivenciadas pelas pessoas. Nessas situações, elas são chamadas a mobilizar os conhecimentos e a ligá-los, de forma eficaz, às experiências práticas. Em outros termos, é necessário que todos tenham a capacidade e a oportunidade de administrar as mais diferentes situações da vida, pelo recurso a intuições, conceitos, princípios, informações, métodos, técnicas, como fruto de suas experiências pessoais (SANTOS; LIMA, 2010, p. 4). Considerado uma operação mental, o raciocínio também se apresenta como uma atividade discursiva que organiza os dados ou informações obtidas pelo sujeito, sejam palavras, números ou ações, de maneira que façam significado ao contexto que o indivíduo está inserido e tragam um resultado significativo. O desenvolvimento do método matemático ocorre por meio do raciocínio lógico e do pensamento, evoluindo o processo cognitivo e o intelecto humano, organizando a lógica das atividades e as explorações matemáticas infantis. A exploração matemática pode ser um bom caminho para favorecer o desenvolvimento intelectual, social e emocional da criança. Do ponto de vista do conteúdo matemático, a exploração matemática nada mais é do que a primeira aproximação das crianças, intencional e direcionada, ao mundo das formas e das quantidades (LORENZATO, 2008, p. 1). Compreendemos, então, que o processo de aprendizagem da matemática vai além do raciocínio lógico, e que os processos matemáticos podem desenvolver a criatividade, a percepção e a atenção da criança. O ensino da Matemática se justifica ainda pelos elementos enriquecedores do pensamento matemático na formação intelectual do aluno, seja pela exatidão do pensamento lógico- demonstrativo que ela exibe, seja pelo exercício criativo da intuição, da imaginação e dos raciocínios por indução e analogia (ÁVILA, 2010, p. 5). De acordo com Piaget (1978), o conhecimento lógico-matemático infantil, resulta na construção da atividade mental que a criança possui perante o meio em que está inserida, ou seja, perante o mundo. O conhecimento matemático é construído pelas relações que a criança cria em suas atividades diárias, não ficando dependente do objeto de estudo e sim da operação mental que será construída a partir das ações sobre os objetos. Diante das infinitas possibilidades de aprendizagens que se apresentam para o sujeito, que estão em permanente evolução, a construção de novas descobertas matemáticas acontece durante todas as etapas da vida do ser humano e o raciocínio lógico matemático é um dos desenvolvimentos fundamentais deste processo. Piaget (1973) aponta três estágios básicos para entendermos o processo evolutivo das estruturas cognitivas do indivíduo. O primeiro estágio, conhecido como pré-operatório, caracteriza-se pelas ações sensório-motoras, os primeiros esquemas de natureza lógico- matemática infantil se dão por meio dos objetos e exercícios de repetição espontânea. No segundo estágio, chamado de operatório concreto, inicia-se o processo das operações e ações de pensamento, porém a criança ainda precisa ter contato com objetos concretos para a assimilação dos conceitos matemáticos. Por fim, há o estágio formal ou abstrato, nessa fase a criança não depende mais de objetos ou ações concretas para assimilar as operações matemáticas, atingindo, assim, a constituição do pensamento formal. Estamos rastreando o que é comum a todos esses processos, o que os torna complementares, o seu elo de ligação, isto é, a estrutura lógico-matemática que vai sendo construída pelo sujeito através de todos esses processos. Lembrando sempre que esses processos não a reduzem a essa estrutura matemática, mas que ela é sua condição de possibilidade do processo (BECKER, 1999, p. 39). O conhecimento lógico-matemático não pode ser ensinado com verbalização ou repetição. Essa aprendizagem é o resultado das ações mentais que a criança realiza sobre os objetos. Para Kamii (1990), o conhecimento lógico matemático está dividido em três tipos, são eles: o físico, o lógico-matemático e o social. O conhecimento físico está ligado aos objetos; a maneira como a criança vê as características externas, ou seja, sua cor, forma, tamanho e outras características que são possíveis de observar visivelmente pela criança. O conhecimento lógico-matemático está relacionado à capacidade do sujeito estabelecer e coordenar as relações entre os objetos, ou seja, ao observar duas bolas, uma vermelha e uma amarela, estamos identificando a diferença entre elas. Sendo assim, o indivíduo desenvolve relações mentais que lhe auxiliarão no processo de confirmação ou não de suas hipóteses, possibilitando a construção de uma ação própria e individual para a resolução de problemas cotidianos. E, por fim, o conhecimento social. Esse conhecimento está na relação que a criança faz entre o objeto e o meio em que vive. Tal fato acontece quando o sujeito compreende as características e a função de cada objeto. Ou seja, quando compreende que o telefone foi feito para realizar ligações e a televisão para assistir programas infantis, utilizando, assim, um sistema classificatório para suas ações sociais e individuais. O conhecimento lógico matemático infantil é construído pela criança mediante um processo que envolve: o amadurecimento biológico, as informações recebidas pelo meio, a manipulação de objetos e, por fim, as experiências vividas. Por fim, para instigar as crianças a pensarem no número e estimular uma aprendizagem autônoma para construir o conhecimento matemático, é preciso promover atividades lúdicas significativas, partindo do contexto infantil e oportunizando rodas de conversa para exposição de ideias, proporcionando uma ativa participação da criança na construção do conhecimento. 2 CONCEITO DE NÚMERO NAS SIGNIFICAÇÕES ARITMÉTICA, GEOMÉTRICA E ALGÉBRICA No processo de desenvolvimento, cada civilização desenvolveu sua própria cultura, mas, apesar das diferenças, há características comuns entre elas. Muitas se desenvolveram em vales de rios, que sempre tiveram grande importância na vida dos homens, pois forneciam água e alimento. Um conjunto de símbolos e de regras utilizados para representar números é denominado SISTEMA NUMÉRICO. Antigas civilizações, como a dos egípcios, babilônios, gregos, chineses, romanos, maias etc., possuíam formas bem organizadas de representar números. Sistema de numeração egípcia: o sistema de numeração egípcia é um dos primeiros sistemas de que se tem conhecimento. Os numerais egípcios são também conhecidos como hieróglifos e foram criados há, aproximadamente, 5 mil anos a.C. A numeração egípcia baseava-se na ideia de trocas e de agrupamentos de dez em dez, conforme segue: Figura 1 - Sistema Numérico Egípcio Fonte: Diadema (2020). Observe que a base do sistema numérico egípcio é decimal, ou seja, a baseé 10. No entanto, esse sistema não era posicional. Por exemplo, o número 27 poderia ser escrito como: ∩ ∩ | | | | | | | ou ainda, de outra maneira: | | | | ∩ | | | ∩. Por fim, criado há aproximadamente 5.000 a.C., o sistema de numeração egípcio também é conhecido como hieróglifos. Baseado em agrupamentos, esse sistema decimal é de base 10, sendo representado por imagens com formas de pergaminho, ferradura, bastão entre outros. Sistema de numeração romana: o sistema de numeração romano é parecido com o sistema de numeração egípcio, no tocante à dificuldade de efetuar cálculos. A numeração romana utilizava sete símbolos para escrita numérica: Figura 2 - Sistema Numérico Romano Fonte: a autora. Com apenas esses sete signos (I, V, X, L, C, D e M) os antigos romanos escreviam os números utilizando-se das seguintes regras (princípios): Princípio repetitivo: os símbolos I, X, C e M podem ser repetidos até três vezes, consecutivamente. I - 1 X- 10 C- 100 M- 1000 II - 2 XX- 20 CC- 200 MM- 2000 III- 3 XXX- 30 CCC- 300 MMM- 3000 Princípio aditivo: nesse princípio, se escrever à direita de um símbolo de valor maior outro símbolo de valor menor, então, eles serão adicionados. Por exemplo: VI- 5 + 1 = 6 LX - 50 + 10 = 60 CX- 100 + 10 = 110 DC- 500 + 100 = 600 MC- 1000 + 100 = 1100 CL- 100 + 50 = 150 Princípio subtrativo: nesse princípio, se escrever à esquerda de um símbolo de valor maior outro símbolo de valor menor, então, eles serão subtraídos. Por exemplo: IV- 5 – 1 = 4 XL- 50 – 10 = 40 XC- 100 – 10 = 90 CD- 500 – 100 = 400 CM- 1000 – 100 = 900 IX- 10 – 1= 9 Princípio multiplicativo: no final da Idade Média europeia, passou-se a representar os números compreendidos entre 1.000 e 5.000 utilizando barras horizontais sobre o algarismo; o que significava que bastava multiplicar o algarismo por 1.000. Observe o exemplo: V= 5x1000 = 5000 Sabe-se que o ensino das operações deve privilegiar a ação mental de cada uma delas, ao invés da mera produção de resultados. Assim, é importante estimular a criança a executar cálculos mentais e apresentar estimativas sobre o resultado desses cálculos. Para que se alcance esse objetivo, devem ser exploradas situações do cotidiano da criança, nas quais a lógica das operações fique clara, procurando-se retardar a sistematização na obtenção desses resultados. Para que tal sistematização ocorra de forma consistente, é de suma importância a compreensão da lógica do nosso sistema de numeração. A aritmética deriva da palavra grega arithmos, que significa número, sendo assim, a aritmética é a parte da Matemática que estuda as propriedades dos números e as operações que se possam realizar sobre esses números. As operações aritméticas fundamentais são: adição, subtração, multiplicação e divisão. Mas o que são operações? De uma maneira mais ampla, sempre que agimos sobre um objeto, realizamos uma operação, ou seja, uma intenção de ação. ● Adição: está associada às ideias de juntar, reunir, acrescentar. Denominada de operação “juntar” se refere às situações em que, sobre certo número de objeto da mesma espécie, ocorra alguma transformação. ● Subtração: é a ação de retirada de cada dois valores, ou seja, um valor é subtraído e o valor que resta é o resultado da operação, ou seja, completar, comparar e tirar. ● Multiplicação: é uma forma abreviada de somar algo, achando o resultado total de dois grupos iguais ou mais. ● Divisão: é a ação de dividir para todos em partes iguais. Dividir um número consiste em fracioná-lo, assim, sua fragmentação pode ter como resultado um número inteiro ou decimal. [...] em nossos dias, a utilização, com compreensão, das operações aritméticas fundamentais (adição, subtração, multiplicação e divisão) tornou-se um dos objetivos principais de qualquer Educação Matemática básica. É preciso ter em mente a importância de desenvolver a compreensão do sentido e da utilização das operações na resolução dos diversos problemas do cotidiano, o que é mais importante do que o simples domínio de algoritmo (SILVA; LOURENÇO; CÔGO, 2004, p. 71). Para Centurión (2002), muitos defendem a ideia de que todo pensamento depende das ações. Dentre eles, Piaget, que defende a teoria de que o pensamento se dá nas relações que o sujeito cria a partir de suas ações com o objeto, e que não dependem dos objetos em si. Nós “internalizamos” nossas ações e pensamos, mas, no pensamento, qualquer ação pode ser feita e refeita. Algumas ações que realizamos são chamadas de operações diretas, pois transformam uma situação inicial; outras podem ser consideradas operações inversas, pois desfazem as operações diretas e voltam à situação inicial. Já algumas ações que realizamos não dependem da ordem em que são realizadas; dizemos que essas ações têm a propriedade comutativa, em que podemos traçar a ordem das ações sem alterar o resultado. Em nosso cotidiano utilizamos os números como uma forma de expressar nossas ações diárias, não sendo utilizados de maneira pura, apenas como função do que representam. Porém, utilizamos diferentes maneiras quando falamos das operações aritméticas, percebendo-se que podem ser utilizadas de diversas formas. Vamos dar um exemplo: na maioria das vezes ao darmos um troco, completamos o que falta e não a operação de subtração, ou seja, ao pagar uma compra no valor de vinte nove reais e cinquenta centavos, e entregar uma nota de cinquenta reais para o caixa, ele completaria com cinquenta centavos, que chegaria nos trinta reais e após os vinte reais que faltam para completar a quantia do valor recebido. Introduzir a geometria de uma forma natural requer compreendê-la na natureza, nos objetos que usamos, nas artes, nas brincadeiras. É trabalhando com a geometria que iremos despertar em nossos alunos a sensibilidade em apreciar as formas ao seu redor, sejam elas criadas pela natureza ou pela ação do homem. Segundo Pavanello (2000), a Geometria orientou os povos antigos na divisão das terras de cultivo, na elaboração de vários objetos e utensílios, nos desenhos que enfeitavam seus tecidos e na construção de monumentos gigantescos, tais como as pirâmides do Egito. Nos dias atuais, a geometria continua presente, por exemplo, nos projetos arquitetônicos e urbanísticos, na disposição das embalagens de produtos variados, nas diferentes peças de máquinas e motores. Também encontramos a geometria na natureza, presente nos objetos, seres das mais variadas formas e tamanhos que ocupam no espaço as mais diversas posições. Podemos observar as regularidades das formas observadas no casco da tartaruga, no favo de mel, na espiga de milho, na casca de abacaxi, entre outras. Contudo, a álgebra se manifesta por uma linguagem composta por símbolos e regras rígidas, as letras servem de auxílio para a resolução de equações e sistemas, tais letras são conhecidas como variáveis ou incógnitas. A álgebra é um trabalho com equações e as letras são entendidas e aprendidas com valor numérico desconhecido que será determinado após diversos cálculos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) apresentam as dimensões para o ensino da Álgebra, são elas (BRASIL, 1998, p. 116-122): ● Na dimensão Aritmética Generalizada – uso das letras como generalização do modelo aritmético, com ênfase nas propriedades das operações; ● Na dimensão Funcional – o uso de letras como variáveis, expressa relações e funções; ● Na dimensão Equação – as letras entendidas como incógnitas, com ênfase na resolução de equações; ● Na dimensão Estrutural – letras como símbolos abstratos, ênfase nos cálculos algébricos e expressões. Por fim, a álgebra, dentro do contexto matemático, é considerada umaestrutura aritmética, desenvolvida para suprir diariamente as necessidades matemáticas, pois diariamente conseguimos lidar com as operações aritméticas de maneira simples e eficaz. 3 PRINCÍPIOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA ATIVIDADE PEDAGÓGICA NO PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DE CONCEITOS MATEMÁTICOS A educação matemática precisa agregar-se a outras possibilidades de ser efetivada, podendo ser mais dinâmica, criativa, envolvendo a criança em novas experiências, promovendo interação, levando as ações do dia a dia para dentro da sala de aula relacionando-a com a matemática, e ensinar o(a) aluno(a) a aplicar a matemática fora do ambiente escolar. Para Carvalho (1994), a interdisciplinaridade na educação matemática possibilita uma aprendizagem com conteúdos diversos na disciplina, por meio de ferramentas que facilitem o aprendizado. O(A) docente juntamente com o(a) discente realiza pesquisas, cria novas hipóteses e novos métodos que contribuem para o desenvolvimento do raciocínio matemático. De acordo com os PCNs (BRASIL,1998), os(as) alunos(as) desenvolvem uma inteligência prática por meio das necessidades diárias e são elas que possibilitam que o sujeito busque novos conceitos e novas soluções e informações para as tomadas de decisões, desenvolvendo uma grande capacidade de resolver as atividades matemáticas. Sobre o desenvolvimento de conceitos matemáticos, Vygotski (2008) diz que é no processo de solucionar algum problema que o pensamento do sujeito forma novos conceitos e esse conceito só irá surgir e será assimilado com a resolução do problema proposto, ou seja, será o resultado desse processo. Entende-se, então, que as funções superiores e o pensamento teórico só farão sentido para a criança se forem desenvolvidos por meio das vivências cotidianas, fazendo sentido para o desenvolvimento de novos conceitos matemáticos, possibilitando que o indivíduo se desenvolva também de maneira social e cultural. No ensino matemático, é preciso considerar atividades que promovam o processo de produção de determinado conceito, pois, ao desencadear novas situações de aprendizagens, é preciso transformar as necessidades individuais em coletivas, possibilitando que as ações sejam compartilhadas e, assim, encontrem a resolução do problema. Para o ensino de Matemática, é fundamental que a história do conceito permeie a organização das ações do professor de modo que esse possa propor aos seus estudantes problemas desencadeadores que embutam em si a essência do conceito. Isso implica que a história da Matemática que envolve o problema desencadeador não é a história factual, mas sim aquela que está impregnada no conceito ao se considerar que esse conceito objetiva uma necessidade humana colocada historicamente (MORETTI, 2007, p. 98). No espaço escolar os conceitos assimilados pela criança, permitem a aprendizagem por meio de situações problemas pelo qual muitas vezes ela não tenha experimentado anteriormente, como, por exemplo, estudar sobre as cheias das Cataratas do Iguaçu, sem nunca sequer ter estado lá. Vamos conhecer algumas tendências de práticas pedagógicas para o ensino do conhecimento matemático, são elas: Etnomatemática, Modelagem Matemática, Mídias Tecnológicas, História da Matemática, Investigação matemática e a Resolução de problemas. ● Etnomatemática: a aprendizagem matemática acontece por meio da cultura local, tendo como ponto de partida o conhecimento prévio que o sujeito possui, ou seja, pelos conhecimentos adquiridos por meio das experiências fora do ambiente escolar. ● Modelagem Matemática: está relacionada à maneira de transformar os problemas reais do cotidiano em problemas que podem ser desenvolvidos e resolvidos na sala de aula, sendo possível realizar uma análise coletiva dos resultados. Trabalhar com essa alternativa pedagógica é possibilitar que o(a) educando(a) participe ativamente da construção dos conhecimentos matemáticos. ● Mídias Tecnológicas: no espaço escolar, as tecnologias estão sendo implantadas de maneira gradativa. Para Moran (2007), essa ferramenta precisa ser entendida como um auxílio ao trabalho pedagógico do(a) docente, servindo de apoio para a implementação do conhecimento tecnológico a prática pedagógica do(a) professor(a). ● História da Matemática: nessa tendência é possível compreender a necessidade do surgimento da matemática para a comunicação entre as culturas. As Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná (2009) afirmam que o trabalho com a história da matemática possibilita elaborar atividades e problemas matemáticos que favoreçam o entendimento dos conceitos matemáticos. ● Investigação Matemática: para possibilitar o desenvolvimento da criança e facilitar o acesso a novas aprendizagens, é preciso que o conhecimento sistematizado proporcione formas de raciocínio que trabalhem com a investigação de novas formas de construção de significados. ● Resolução de Problemas: os problemas possibilitam o raciocínio de novas ideias e soluções, em sua maioria não estão diretamente ligados. É por meio da resolução de problemas que o(a) discente é desafiado(a), desenvolvendo sua criatividade para que não desanime diante das dificuldades encontradas em seu cotidiano. Diante disso, a sociedade passa por uma constante transformação, implicando mudanças significativas no campo educativo, deixando evidente que o ensino da matemática precisa ir além da realização de cálculos, proporcionando que essa aprendizagem tenha significado para o desenvolvimento infantil. SAIBA MAIS Caro(a) aluno(a), o pensamento matemático é uma construção criativa pela qual a criança adquire novos conhecimentos. O espaço escolar deve apresentar uma abordagem didática que proporcione a aprendizagem integral do(a) aluno(a), resultando na construção do raciocínio lógico-matemático. Dessa forma, ao elaborar diferentes ações matemáticas em seu dia a dia, a criança é encorajada para elaborar diferentes pensamentos matemáticos, solucionando problemas do seu cotidiano, vivenciando diferentes experiências matemáticas. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS Prezado(a) acadêmico(a), o conceito de número é construído gradativamente e sua aprendizagem não acontece de forma direta, pois a criança precisa se aprimorar desse conhecimento e ir aprendendo por si mesma, ou seja, quando esse conceito passa a fazer sentido pra ela. A aprendizagem do conhecimento sobre os números é construída de acordo com as relações que o sujeito obtém entre os elementos físicos, ou seja, quando estabelecem a noção de semelhança e diferença, de classificação e de quantidade, esse conhecimento é criado quando o sujeito faz a relação com os objetos. Sendo assim, a aritmética, geometria e a álgebra fazem parte do cotidiano do indivíduo e inicialmente surge para solucionar as necessidades práticas diárias, estando presente na vida do sujeito de várias formas. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS O pensamento teórico para ser formado precisa ser organizado de maneira que proporcione ao indivíduo a realização de atividades que sejam adequadas para formar e aprimorar seu pensamento matemático. Os princípios metodológicos para o ensino e aprendizagem matemático está relacionado a maneira que será estabelecida a comunicação entre os envolvidos professor(a) e aluno(a) e principalmente como o espaço (sala de aula) será preparado para a efetivação dessa atividade. Por fim, possibilitar situações problemas que vão de encontro com o cotidiano infantil permitirá que a aprendizagem aconteça de maneira significativa, possibilitando que a criança desenvolva um raciocínio matemático eficaz, relacionando sempre com novos conhecimentos. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# REFLITA ● Outra característica do conhecimentológico-matemático é que se o deixarmos desenvolver sozinho e a criança estiver encorajada a estar alerta e curiosa acerca daquilo que a rodeia, então haverá somente um caminho para ele se desenvolver e será através da coerência. [...] Toda criança normal fará inclusão de classe, cedo ou tarde, sem uma simples lição de inclusão de classe. [...] Uma vez que a criança tenha inclusão de classe, ela nunca olhará uma vaca sem saber que é um animal (KAMMI; HOUSMAN, 2002. p. 25). ● O princípio de ensino que pode ser concebido na base desta estruturação progressiva, é o de que, para a construção dos grandes números, é importante facilitar o desenvolvimento dos mesmos processos cognitivos que resultam na construção dos pequenos números (KAMMI, 1990, p. 31). ● A aprendizagem em Matemática está ligada à compreensão, isto é, à apreensão do significado; apreender o significado de um objeto ou acontecimento pressupõe vê-lo em suas relações com outros objetos e acontecimentos. O significado da Matemática para o aluno resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais disciplinas, entre ela e seu cotidiano e das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos (BRASIL, 1997, p. 19). #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizamos a Unidade II da disciplina de Dificuldades no Processo de Aprendizagem da Matemática, intitulada Construção do Conhecimento Lógico-Matemático. No primeiro momento analisamos a importância dos processos cognitivos envolvidos no conhecimento lógico-matemático, pois a evolução da aprendizagem evolui gradativamente e acontece com base na compreensão da realidade da criança, possibilitando a aquisição de novos conhecimentos e o desenvolvimento do esquema cognitivo matemático. No segundo momento estudamos sobre o conceito de número nas significações aritmética, geométrica e algébrica, compreendendo que a construção do número acontece de maneira gradativa e que não pode ser ensinada diretamente, pois a criança precisa construir por si mesma esta relação entre a linguagem, troca de experiências e raciocínio matemático. Por fim, entendemos os princípios teórico-metodológicos da atividade pedagógica no processo de apropriação de conceitos matemáticos e que para a formação e desenvolvimento do pensamento lógico, é preciso organizar atividades adequadas, desencadeando uma aprendizagem matemática que construa novas ideias e solucione problemas. Portanto, procuramos contribuir para que você caminhe ao encontro de outras possibilidades de entendimento sobre a importância da construção do conhecimento lógico- matemático, pois a aprendizagem matemática está presente em nosso dia a dia, fazendo parte do desenvolvimento social do indivíduo. LEITURA COMPLEMENTAR Olá estudante a leitura complementar para a nossa primeira unidade será o artigo A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE NÚMERO E SUAS IMPLICAÇÕES NA APRENDIZAGEM DAS OPERAÇÕES MATEMÁTICAS, das autoras Aline Tafarelo Tracanella e Aparecida de Lourdes Bonanno. As autoras trazem um aporte teórico que mostra a importância do desenvolvimento da construção do conceito de número acontecer desde a infância e será essa processo que influenciará na aprendizagem das operações e o raciocínio lógico-matemático. Por fim, podemos entender que o conhecimento lógico-matemático é aprendido de acordo com as relações que a criança constrói entre os elementos físicos, ou seja, a aquisição do saber matemático acontece quando o sujeito utiliza a abstração reflexiva, fabricando esse conhecimento matemático internamente, com base nas referências estabelecidas. Segue o link de acesso: http://www.sbembrasil.org.br/enem2016/anais/pdf/5122_3136_ID.pdf Aproveite o material e boa leitura! LIVRO • Título: Interdisciplinaridade e aprendizagem da Matemática em sala de aula. • Autoras: Vanessa Sena Tomaz e Maria Manuela M. S. David • Editora: Autêntica • Sinopse: Como lidar com a interdisciplinaridade no ensino da Matemática? A Matemática está sendo chamada a engajar-se na crescente preocupação com a formação integral do aluno como cidadão, o que chama a atenção para a necessidade de tratar o ensino da disciplina levando-se em conta a complexidade do contexto social e a riqueza da visão interdisciplinar na relação entre o ensino e aprendizagem sem deixar de lado os desafios e as dificuldades dessa prática. Para enriquecer a leitura, as autoras apresentam algumas situações ocorridas em sala de aula que mostram diferentes abordagens interdisciplinares dos conteúdos escolares e oferecem elementos para que os professores criem formas cada vez mais produtivas de ensinar e inserir a compreensão matemática na vida do aluno. FILME/VÍDEO • Título: Um Laço de Amor • Ano: 2017 • Sinopse: Frank, um homem solteiro, cria sozinho sua sobrinha Mary, uma criança- prodígio. Quando a garota se destaca na escola por causa de suas habilidades com a matemática, a avó dela planeja um futuro que pode separá-la do tio. https://www.facebook.com/thiago.bordim.1/videos/1815899431883038 REFERÊNCIAS ÁVILA, G. Objetivos do ensino da Matemática. Goiânia: Instituto de Matemática e Física, UFG, 2010. BECKER, F. (Org.). Revisitando Piaget. v. 3, 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 1999. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: 5ª a 8ª Série. Brasília: MEC/SEF, 1998. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. Brasília: MEC/SEF, 1997. CARVALHO, J. P. de. Avaliação e perspectiva na área de ensino de matemática no Brasil. Em Aberto, Brasília, n. 62, p. 74-88, abr./jun. 1994. 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UNIDADE III APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA Professora Mestre Priscila da Rocha Luiz Bueno Plano de Estudo: A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • A dimensão cognitiva da aprendizagem • A aquisição da aprendizagem na disciplina de matemática • A relação professor(a) e aluno(a) na aprendizagem da matemática Objetivos de Aprendizagem: • Compreender a dimensão cognitiva da aprendizagem • Conhecer a aquisição da aprendizagem na disciplina de matemática • Abordar a relação professor(a) e aluno(a) na aprendizagem da matemática INTRODUÇÃO Prezado(a) estudante, seja bem-vindo(a) à Unidade III da disciplina Dificuldades no Processo de Aprendizagem da Matemática do curso de Graduação em Psicopedagogia. A matemática tem enraizado em seu histórico ser um componente curricular que muitos ainda temem no ambiente escolar e social. Isso só acontece por não ser compreendida e nem observado o quanto é utilizada constantemente no dia a dia do ser humano de um modo geral. Quando se pensa em aprendizagem, segundo os autores Santos e Lima (2010), é preciso compreender quem são os alunos dessa nova geração, sua realidade e o contexto social em que estão inseridos. As exigências do mercado de trabalho competem a novos conhecimentos, as novas tecnologias que nos cercam e a matemática está presente em todos esses aspectos e em nosso dia a dia. Esse conhecimento torna-se cada vez mais importante mediante essas exigências sociais. Nessa perspectiva compreendemos como a educação se modificou, e mesmo assim a forma como ainda é pensada e também como é interpretada a aprendizagem da matemática. Porém a matemática não deve ser compreendida a partir da ideia de que só o professor era o detentor de todo conhecimento, que o aluno não tinha conhecimento nenhum, o uso somente do quadro, livros e cadernos como instrumentos de ensino, e todo o tradicionalismo conta muito para a matemática ser vista dessa forma. Diante dessa afirmação, no primeiro momento desta unidade estudaremos sobre a dimensão cognitiva da aprendizagem. No segundo momento, conheceremos a aquisição da aprendizagem na disciplina de matemática e, por fim, a relação professor(a) e aluno(a) na aprendizagem da matemática. Portanto, recomendo que durante a realização da disciplina, você procure interagir com os textos, fazer anotações, responder às atividades, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados, pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os desafios na construção de conhecimentos. Bom estudo e ótimos momentos de construção de aprendizagem! 1 A DIMENSÃO COGNITIVA DA APRENDIZAGEM Compreender as relações existentes entre desenvolvimento, aprendizagem e ensino instrumentaliza o professor e confere novo significado às atividades práticas empreendidas em sala de aula. De maneira geral, os estudos de Piaget sobre a gênese do conhecimento objetivaram o entendimento da maneira pela qual o sujeito constrói e organiza o seu conhecimento pelas ações mútuas entre o sujeito e o meio. Para ele, o conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado pelas estruturas internas do sujeito e nem pelas características do objeto. Todo conhecimento é uma construção, uma interação (ação recíproca entre o sujeito e o objeto), contendo um aspecto de elaboração do novo. Considera-se que a inteligência do homem não é inata, mas que o sujeito também não é passivo diante da influência do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos, agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada. Na perspectiva construtivista, o sujeito é considerado ser ativo na construção do seu conhecimento, organizando o pensamento por intermédio de adaptações e experiências, em uma constante interação objeto do conhecimento e o meio (BIAGGIO, 1976). O fundamento básico da concepção do funcionamento intelectual e do desenvolvimento cognitivo é o de que as relações entre o organismo e o meio são relações de troca, pelas quais o organismo se adapta ao meio e, ao mesmo tempo, o assimila de acordo com suas estruturas, num processo de equilibrações sucessivas. Procurando compreender como o homem elabora o conhecimento, Piaget desenvolveu o que denominou psicologia genética, que se refere à busca das origens e dos processos de formação do pensamento e do conhecimento. Para ele, conhecer é organizar, estruturar e explicar a realidade, a partir daquilo que se vivencia nas experiências com os objetos do conhecimento. Segundo essa concepção, as crianças são vistas como construtoras do próprio conhecimento, uma vez que, por meio da interação com o meio e com base em esquemas mentais já existentes, formulam hipóteses na tentativa de resolver situações inéditas. Durante o processo, surgem construções cognitivas em movimento contínuo e que, movidas pela busca de equilíbrio, são capazes de produzir novas estruturas mentais. Piaget rejeita o enfoque psicométrico e concebe o desenvolvimento da inteligência como algo dinâmico, decorrente da construção gradual de estruturas de conhecimento que, à medida que vão sendo construídas, alojam-se no cérebro. Assim sendo, “[...] o desenvolvimento mental aparecerá, então, em sua organização progressiva como uma adaptação sempre mais precisa da realidade” (PIAGET, 1964, p. 16). Isto evidencia que o conhecimento deve ser construído pelo aprendiz em um sistema de relações vivenciadas e significativas. Distinguem-se três aspectos fundamentais na teoria de Piaget: conteúdo, estrutura e função. ● Conteúdo - refere-se ao que a criança conhece, aos comportamentos observáveis, tanto sensório-motores quanto conceituais, que refletem a atividade intelectual. ● Função – refere-se àquelas características da atividade intelectual, assimilação e acomodação, estáveis e contínuas no decorrer do desenvolvimento cognitivo. ● Estrutura – trata-se das propriedades organizacionais, esquemas que explicam a ocorrência de determinados comportamentos. No processo de interação com o ambiente, o aprendiz desenvolve, de maneira gradual e incessante, suas estruturas psicológicas, compostas por uma série de esquemas de ação integrados. Para entender o que é esquema de ação, pensemos no esquema de preensão. Um bebê pode pegar, por exemplo, um pequeno cubo de madeira, uma bola, a mamadeira ou o dedo de alguém. Relativamente, a cada um desses elementos, a ação de pegar apresenta pequenas diferenças quanto aos movimentos que a criança realiza. No entanto, em todas as situações a ação da criança apresenta determinadas características que permitem chamá-la de pegar e que a diferenciam de outras ações, como puxar, balançar ou empurrar. O esquema de ação é justamente o que é generalizável em uma ação, o que permite reconhecê-la e diferenciá-la de outras ações, independentemente do objeto a que se aplica. E é por meio dos esquemas de ação que a criança começa a conhecer a realidade, assimilando-a e atribuindo-lhe significado. De acordo com Piaget, os esquemas de ação ampliam-se, coordenam-se entre si, diferenciam-se e interiorizam-se, transformando-se em esquemas mentais e dando origem ao pensamento (WADSWORTH, 2003). Os esquemas de ações e representações são construídos pelo aprendiz no contato com o objeto e o meio, incluindo a família, a escola e o social. As experiências e os interesses diferentes provocarão um desequilíbrio e, neste processocognitivo de sistematizar as situações vivenciadas em estruturas coerentes, o indivíduo age sobre o que o afetou buscando se reequilibrar. Ao processo de equilíbrio constante entre a acomodação e a assimilação, atribui-se o nome de equilibração, fundamental ao desenvolvimento intelectual, uma vez que a equilibração ocorre, sobretudo, em uma tendência de recuperação do equilíbrio em um nível superior ao que era permitido pela organização dos esquemas que precedeu à perda do equilíbrio (WADSWORTH, 2003). Portanto, o desenvolvimento cognitivo possui um papel imprescindível na vida do sujeito, proporcionando o contato com novas experiências, possibilitando novas maneiras de aquisição das informações, construindo conhecimentos que proporcionem condições de aprendizagens e ampliando as capacidades cognitivas dos(as) alunos(as). 2 A AQUISIÇÃO DA APRENDIZAGEM NA DISCIPLINA DE MATEMÁTICA O ensino da matemática é regido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (BRASIL, 2018), que orienta os currículos e propostas pedagógicas das redes de ensino e estabelece algumas competências e habilidades para cada componente curricular. Ela traz as unidades temáticas, como grandezas e medidas, probabilidade e estatística, números, álgebra e geometria, que são os conteúdos que devem ser trabalhados juntamente com habilidades que devem ser desenvolvidas em sala de aula. Isso preparará o(a) aluno(a) para as próximas etapas, as quais irão desenvolver habilidades mais complexas, como noção dos aspectos qualitativos e quantitativos, equivalência, ordem, proporcionalidade, variação e interdependência. Às competências específicas de matemática compete reconhecer a matemática como ciências humanas, desenvolver o raciocínio lógico, compreender diferentes conceitos e procedimentos nos diferentes campos da matemática, fazer observações e sistematizações dos aspectos quantitativos e qualitativos, utilizar processos e ferramentas matemáticas, principalmente as tecnologias digitais, enfrentar situações-problemas em diferentes contextos, desenvolver e discutir projetos, desenvolver relações de interação e coletividade. Conforme estabelece a BNCC (BRASIL, 2018), essas competências e habilidades podem ser trabalhadas com diferentes recursos, como materiais didáticos, ábaco, jogos, calculadoras, softwares entre outros que possam auxiliar no processo de ensino e aprendizagem de forma significativa para o desenvolvimento integral do(a) aluno(a). Atualmente, a sociedade, em especial, os educadores, defendem com muito empenho uma educação com qualidade social como um direito fundamental de todo cidadão, a ser assegurado pelo Estado. Além disso, identifica-se a qualidade social da educação pelas suas características de relevância, pertinência e equidade (SANTOS; LIMA, 2020, p. 1). Essa visão se dá sobre o ensino da matemática por se tratar de um bem cultural importante para a formação dos indivíduos, que visa a formação de um ser social. Atualmente há um grande desempenho social e dos(as) educadores(as) para que essa formação seja efetiva e de boa qualidade, esse pensamento deve estar voltado principalmente aos diferentes contextos sociais e sobre o que fazer para que o direito do acesso ao saber seja igual para todos(as). Sobre essa reformulação do ensino de matemática, D’Ambrósio (1989) traz o conceito de modelagem no qual fala sobre a importância de utilizar situações do dia a dia do aluno para sistematizar os conteúdos matemáticos, fazendo com que o aprendizado seja significante. O autor afirma que assim o aluno se torna mais consciente e crítico, capaz de solucionar problemas do dia a dia e que consegue pôr em prática o conhecimento obtido. A modelagem matemática consiste na arte de transformar problemas da realidade em problemas matemáticos e resolvê-los interpretando suas soluções na linguagem do mundo real [...]. E pressupõe a multidisciplinaridade. E nesse sentido, vai de encontro às novas tendências que apontam para a remoção de fronteiras entre as diversas áreas de pesquisa (BASSANEZI, 2014, p. 16). A matemática é apresentada para as crianças no espaço escolar para que consigam utilizar esse conhecimento em situações cotidianas fora do ambiente educativo. Ao chegarem na escola, as crianças já possuem algum conhecimento matemático que são adquiridos pelas interações realizadas em seu dia a dia. Assim, Rosamund (2009, p. 43), argumenta que: As crianças não apenas trazem suas experiências escolares prévias em matemática para uma nova situação de aprendizagem, mas também trazem suas experiências de fora dela. Ao longo dos anos escolares, as crianças participam, junto com adultos e outras crianças, de toda uma gama de práticas matemáticas cotidianas relacionadas ao trabalho e ao tempo livre que podem influenciar sua aprendizagem de matemática na escola, tais como jogar cartas, ajudar com tarefas gerais em casa, planejar um feriado, trabalhar em uma loja ou trabalhar com um irmão mais velho em sua tarefa de casa. Para melhor compreensão de como se processa a evolução da aprendizagem e desenvolvimento da criança, busca-se argumento na teoria de Piaget (1983), que apresenta os seguintes estágios sobre o desenvolvimento: o sensório-motor, o pré-operatório, o de operações concretas e o de operações formais. ● Estágio Sensório-Motor (0 a 2 anos): caracteriza-se pela forma de inteligência empírica, exploratória, não verbal. A criança aprende pela experiência, examinando e experimentando com os objetos ao seu alcance, somando conhecimentos. A interação da criança com o ambiente é estabelecida por ações sensoriais. ● Estágio Pré-Operatório (2 aos 6 anos): caracteriza-se pelo desenvolvimento da capacidade da criança de representação de objetos e eventos. Os objetos da percepção ganham a representação por palavras, as quais o indivíduo, ainda criança, maneja experimentalmente em sua mente, assim como havia previamente experimentado com objetos concretos. As representações podem ocorrer também pela imitação diferida, que consiste no fato de imitar alguém ou objeto ou fatos que já aconteceram. A imitação é importante no sentido de comprovar que a criança desenvolveu a capacidade de representar mentalmente o que está imitando (BIAGGIO, 1976). Outra forma de representação é o jogo simbólico. Nesse predominam a fantasia, a imaginação, o faz de conta. A criança dá vida a objetos inanimados. Nesse processo, a criança exercita não só sua capacidade de pensar, ou seja, representar, simbolicamente, ações, mas também habilidades motoras: já salta, corre, gira, transporta, empurra etc. A linguagem é outra forma de representação, que permite a troca de informações. Devido ao egocentrismo, mesmo em grupo, existe, entre elas, uma espécie de monólogo coletivo, ou seja, conversam sem a preocupação de estar sendo ouvidas, sem se preocupar com a resposta do outro. Nesse estágio, a criança centraliza-se em apenas uma dimensão do problema, não sendo capaz de considerar mais de um aspecto de um problema ao mesmo tempo (por exemplo, na partilha de um refrigerante, ela considera apenas a altura do líquido no copo. Ainda não é capaz de levar em conta as várias dimensões envolvidas no problema). ● Estágio das Operações Concretas (7 aos 12 anos): a criança já possui organização mental integrada, os sistemas de ação reúnem-se em todos, integrados. Piaget fala em operações de pensamento ao invés de ações. É capaz de ver a totalidade de diferentes ângulos. Conclui e consolida as conservações do número, da substância e do peso. É capaz de classificar objetos conforme semelhanças ou diferenças. A criança já consegue realizar operações, no entanto, precisa de realidade concreta para realizá-las, ou seja, necessita da a noção da realidade concreta para que seja possível, à criança, efetuar as operações. Se no período pré-operacional a criança aindanão havia adquirido a capacidade de reversibilidade, agora já descentraliza suas percepções e acompanha as transformações, alcançando a reversibilidade das operações mentais. Duas operações intelectuais relevantes que se desenvolvem são a seriação e a classificação, as quais formam a base para o conceito do número. ✔ Seriação: capacidade de organizar mentalmente um conjunto de elementos, em ordem crescente ou decrescente de tamanho, peso ou volume. ✔ Classificação: habilidade de organizar os objetos, levando em consideração seus atributos. ● Estágio das Operações Formais (11 aos 15 anos): raciocinar dedutivamente, fazer hipóteses a respeito de soluções para o problema, pensar simultaneamente em várias hipóteses. É capaz de raciocínio científico e de lógica formal e pode aceitar a forma de um argumento, embora deixe de lado seu conteúdo concreto, de onde se origina o termo “operações formais”. O raciocínio hipotético-dedutivo implica deduzir conclusões de hipóteses, em vez de deduzir de fatos que o sujeito tenha realmente verificado. As estruturas construídas a um nível são integradas nas estruturas do nível seguinte (por exemplo, um “esquema de reunião” para condutas, como a de um bebê que empilha toquinhos, permanece na criança mais velha que junta objetos procurando classificá-los). Portanto, para que a aprendizagem matemática aconteça de maneira satisfatória, é preciso que as crianças façam a ligação dos conceitos matemáticos com o seu dia a dia, desenvolvendo, assim, o raciocínio lógico-matemático. 3 A RELAÇÃO PROFESSOR(A) E ALUNO(A) NA APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA Se tratando dos conhecimentos matemáticos, é preciso destacar o quanto o(a) aluno(a) vai precisar desses conhecimentos para sua vida toda e em quase todas as suas ações e organizações. Com isso, é preciso estar preparado para atuar na sociedade contemporânea. Cabe ao professor(a) levar o(a) aluno(a) a se desafiar, conhecer novas possibilidades como os recursos tecnológicos que não é só saber lidar com os aparelhos tecnológicos, como aparelhos celulares, computadores, retroprojetor, aplicativos, plataformas digitais etc.; mas também compreender em que pode empregar esses conhecimentos para suas atividades, tanto escolares como nas futuras atuações de trabalho. Para isso, o(a) professor(a) de matemática deve possuir domínio dos conteúdos, da organização curricular e dos métodos que podem ser trabalhados esses determinados conteúdos, buscando sempre desenvolver as aulas e o aprendizado com o que condiz a Base Comum Curricular levando o aluno a reflexão, descoberta, interação e a compreensão das relações entre os diferentes contextos matemáticos (FILHO, GHEDIN, 20189). A formação matemática do pedagogo, segundo Santos (2015, p. 14 ), “deve permear a questão da práxis pedagógica”, ou seja, o pedagogo deve ser formado como um professor pedagogo que se preocupa com a realidade educacional e com as inovações, que seja pesquisador, mediador do processo de ensino e aprendizagem, transformando os conhecimentos comum pedagógico em atos científicos, baseados nos valores educacionais a partir de toda essa apropriação, e desse modo conseguir atender as exigências da educação e conduzir o processo de aprendizagem da matemática. Os(as) docentes devem mostrar para seus(as) alunos(as) que a matemática vai além do raciocínio lógico, e que os processos matemáticos podem nos fazer desenvolver a criatividade, a percepção e que pode ser muito divertida, podendo ser utilizada a matemática aplicada. Para isso a aula deve ocorrer de forma mais interativa, que estimule os(as) discentes a ficarem mais interessados a aprender, levá-los(as) a investigação, fazer com que participem de trabalhos em equipe, realizem experimentos proporcionando a troca de experiências, conhecimentos e abrindo espaço para os diferentes pontos de vista e formas de raciocínio, que tornam o processo de ensino e aprendizagem da matemática mais rico e tem mais chances de ser efetivo. O ensino da Matemática se justifica ainda pelos elementos enriquecedores do pensamento matemático na formação intelectual do aluno, seja pela exatidão do pensamento lógico-demonstrativo que ela exibe, seja pelo exercício criativo da intuição, da imaginação e dos raciocínios por indução e analogia (ÁVILA, 2010, p. 05). A partir disso o(a) professor(a), ao ensinar a matemática hoje, tem como função dar sentido a toda essa inovação, a todos esses conhecimentos em suas aulas, direcionando o(a) aluno(a) para transformar essas experiências em conhecimento científico. Realizando uma aula mais dinâmica, fazendo com que o(a) aluno(a) tenha prazer em aprender e que essa aprendizagem se torne significante para ele(a), é preciso que, de forma gradativa, a aprendizagem prepare o sujeito para utilizar os novos conhecimentos adquiridos nas situações-problemas que possam aparecer em seu dia a dia. O objetivo fundamental do “uso” de matemática é de fato extrair a parte essencial da situação- problema e formalizá-la em um contexto abstrato onde o pensamento possa ser absorvido com uma extraordinária economia de linguagem. Desta forma, a matemática pode ser vista como um instrumento intelectual capaz de sintetizar ideias concebidas em situações empíricas que estão quase sempre camufladas num emaranhado de variáveis de menor importância (BASSANEZI, 2014, p. 18). O ensino da matemática deve agregar-se a outras possibilidades de ser efetivado, podendo ser mais dinâmico, criativo, envolvendo o(a) aluno(a) com novas experiências, promovendo interação, levando as ações do dia a dia para dentro da sala de aula, relacionando-as com a matemática, e ensinar o(a) discente a aplicar a matemática fora da escola. Para Kamii (1991), há seis princípios apresentados sobre três títulos que representam diferentes perspectivas e que podemos utilizar no trabalho do(a) professor(a) diante do ensino e aprendizagem matemático, são eles: 1. Criar todos os tipos de relações: Encorajar a criança a estar atenta e colocar todos os tipos de objetos, eventos e ações em todas as espécies de relações. 2. Quantificar objetos: a) Encorajar as crianças a pensarem sobre os números e as quantidades de objetos quando estes sejam significativos para elas. b) Encorajar a criança a quantificar objetos de maneira lógica e a comparar conjuntos, ao invés de apenas ensiná-la a contar. c) Encorajar a criança a fazer conjuntos com objetos móveis. 3. Interagir socialmente com os(as) colegas e professores(as): a) Encorajar a criança a trocar ideias com seus(as) amigos(as). b) Imaginar como é que a criança está pensando e intervir de acordo com aquilo que parece fazer sentido para ela. A matemática já tem por si só uma complexidade, é importante que se entenda qual a atribuição da matemática em relação aos conhecimentos sistematizados, pois a falta desse entendimento pode desencadear grandes problemas no processo de ensino e também o impedimento da aprendizagem do próprio aluno. Sendo assim, o(a) professor(a) de matemática deve possuir domínio dos conteúdos, da organização curricular e dos métodos em que podem ser trabalhados esses determinados conteúdos, buscando sempre desenvolver as aulas e o aprendizado com o que condiz à Base Comum Curricular, levando o aluno à reflexão, descoberta, interação e a compreensão das relações entre os diferentes contextos matemáticos. SAIBA MAIS Caro(a) aluno(a), o desenvolvimento cognitivo é um processo pelo qual o sujeito, ao adquirir o conhecimento, torna-se capaz de gravar as informações, selecioná-las e utilizá-las em seu dia a dia, ou seja, em situações que irão envolver raciocínio lógico. Por ser um processo interno, as ações e a fala são os meios que permitem a observação do desenvolvimento cognitivo na criança. Para Piaget (1983), a criança constrói sua realidade como ser humanosingular, em que o cognitivo está em hegemonia entre o social e o afetivo. E o ser humano passa a construir conhecimento a partir da interação com o meio em que está inserido, ou seja, é a ação do sujeito sobre o objeto, a fim de compreendê-lo. Por fim, a questão cognitiva não está relacionada apenas à aquisição de conhecimentos, mas uma maneira de modificar-se internamente, sendo, assim, um processo que influencia os sujeitos de maneira mútua, para que atuem em seu meio social, favorecendo um aumento de informações que serão armazenadas em sua memória do contexto social que o indivíduo está inserido. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS Prezado(a) acadêmico(a), a aprendizagem dos conhecimentos matemáticos não acontece apenas no espaço escolar. A criança passa a ter contato com a matemática em casa e isso não exige a participação e/ou intervenção de um adulto, pois, de maneira natural, ela realiza a classificação de objetos associando com suas diferenças e semelhanças, tamanho e forma. O aprendizado das crianças começa muito antes delas frequentarem a escola. Qualquer situação de aprendizado com a qual a criança se defronta na escola tem sempre uma história prévia. Por exemplo, as crianças começam a estudar aritmética na escola, mas muito antes elas tiveram alguma experiência com quantidades – elas tiveram que lidar com operações de divisão, adição, subtração e determinação de tamanho. (VYGOTSKY, 1989, p. 94 - 95). Com base na relação que a criança cria com o objeto ela vai descobrindo as operações matemáticas, relacionando a matemática com todos os campos de sua vida. Isso não anula a importância da intervenção de outras pessoas nesse processo, pois acredita-se que, para a criança assimilar os conhecimentos matemáticos de maneira significativa, ela precisa desse auxílio para adquirir uma variedade de conhecimentos e competências matemáticas. Sendo assim, é necessário que o adulto responsável por essa aprendizagem matemática considere as variadas formas de expressões que a criança demonstra no cotidiano escolar, auxiliando a criança na organização do seu pensamento e registro das informações significativas dos conceitos e operações matemáticas. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS O ensino de matemática na educação básica atualmente tem como objetivo a formação integral do(a) aluno(a), do saber pensar. Além disso, deve permitir a criança que consiga desenvolver novas habilidades e competências a partir das que já tenha, adquirir conhecimentos e conseguir relacioná-los à sua realidade e saber aplicá-los em situações do dia a dia. Desta forma, ela conseguirá se identificar com os conteúdos e, consequentemente, terá maior interesse pelo aprendizado, é importante que, a partir disso, o(a) professor(a) consiga levar o(a) aluno(a) a tornar-se pesquisador(a), que busque, explore e desenvolva e tenha novas experiências, e também adquira conhecimentos que complementem o que é aprendido em sala de aula, e que consiga compreender a implicação dos conhecimentos e conceitos adquiridos. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# REFLITA ● Sentimentos de êxito ou de fracasso levam o aluno a uma facilidade ou uma inibição na aprendizagem da matemática. Porém, as estruturas das operações não são modificadas. A criança poderá errar, mas não inventará por isso novas regras de adição; ou compreenderá mais rápido que outros, mas a operação é sempre a mesma (PIAGET, 1964, p. 189). ● Os significados atribuídos aos números fora da escola devem ser considerados e incorporados na abordagem mais ampla que esse assunto assume na sala de aula. A humanidade demorou séculos para descontextualizar o número, não podemos esperar que o aluno o faça espontaneamente ao entrar na escola (CARVALHO, 1991, p. 33). ● Assim, constrói seu conhecimento em uma relação mútua com o professor: ambos ensinam e aprendem. A partir da assimilação de algo do meio em que se vive, o aluno busca respostas para desenvolver seu conhecimento, refazendo-se sobre si mesmo. Neste momento acontece a acomodação, um equilíbrio, onde aumenta-se o nível do conhecimento cognitivo do sujeito ao criar uma ideia ou conceito novo (SANTOS, 2015, p. 6). #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizamos a Unidade III da disciplina de Dificuldades no Processo de Aprendizagem da Matemática, intitulada Aprendizagem da Matemática. No primeiro momento compreendemos a importância da dimensão cognitiva para o desenvolvimento social e afetivo do indivíduo, pois as experiências vividas pela criança auxiliarão no processo de aquisição de novos conhecimentos que revelem novas sensações, maneiras de pensar e agir e habilidades para assim conquistar uma aprendizagem significativa. No segundo momento estudamos sobre a aquisição da aprendizagem na disciplina de matemática, compreendendo que a construção desse conhecimento acontece de maneira gradual e para ampliar e consolidar esse raciocínio lógico é preciso que essa experiência lógica matemática esteja diretamente ligada com atividades que estabeleçam relação com o cotidiano infantil. Por fim, entendemos a relação professor(a) e aluno(a) na aprendizagem matemática, e que o(a) docente deve fazer com que a aprendizagem aconteça de uma forma mais dinâmica, saber aproveitar a bagagem de conhecimentos que a criança já tem e, partir disso, seguir para a construção dos conhecimentos científicos, levando o(a) aluno(a) à reflexão, à descoberta, a novas experiências. Portanto, procuramos contribuir para que você caminhe ao encontro de outras possibilidades de entendimento sobre a importância da aprendizagem matemática, pois essa relação construída por meio do processo de ensino e aprendizagem, tem significado para o(a) aluno(a) e ele(a) consegue aplicar o conhecimento adquirido em situações do seu cotidiano. LEITURA COMPLEMENTAR Olá, estudante. A leitura complementar para a nossa terceira unidade será o artigo Matemática: o processo de ensino-aprendizagem, da autora Clarice Lúcia Schneider. A autora nos traz um aporte teórico que nos apresenta como o processo de ensino- aprendizagem da Matemática deve acontecer no(a) aluno das séries iniciais como sendo uma construção do pensamento lógico-matemático, despertando nele o espírito da investigação, além de fornecer elementos básicos para a participação desses(as) discentes na vida em sociedade. Por fim, podemos entender que a aprendizagem matemática está presente na resolução dos problemas diários e é preciso que as pessoas percebam que pensamos matematicamente todo tempo e de forma lógica cotidianamente. Segue o link de acesso https://www.somatematica.com.br/artigos/a32/index.php Aproveitem o material e boa leitura! LIVRO • Título: Educação Infantil e percepção matemática. • Autor: Sergio Lorenzato • Editora: Autores Associados BVU • Sinopse: Este é um livro para educadores responsáveis pelo desenvolvimento da percepção matemática da criança em idade pré-escolar. É, também, útil aos professores das séries iniciais de ensino fundamental, pois trata dos principais aspectos que compõem o conhecimento matemático da criança: o espacial, o numérico e o de medida. Cada aspecto é desvelado por duas facetas: uma que revela a essência de sua constituição e outra que visa a ação pedagógica do professor junto à criança. A obra está assim estruturada: perfil da criança pré-escolar; concepção atual de educação infantil; princípios facilitadores do desenvolvimento infantil e função do professor; percepção matemática: número, suas funções e dificuldades para sua aprendizagem, geometria da criança, medição e suas interpretações. FILME/VÍDEO • Título: Matemática do Amor • Ano: 2010 • Sinopse: Quando criança, a solitária Mona Gray desenvolveuhabilidades com a matemática para superar os problemas causados pela doença do pai. Com o passar do tempo, a moça passou a ensinar a matéria aos estudantes e a ajudá-los a superar suas crises. https://www.youtube.com/watch?v=eWHUW0BtpNE REFERÊNCIAS ÁVILA, G. Objetivos do ensino da Matemática. Goiânia: Instituto de Matemática e Física, UFG, 2010. BASSANEZI, R. C. Ensino e Aprendizagem com Modelagem Matemática uma Nova Estratégia. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2014. BIAGGIO, Â. M. B. Psicologia do desenvolvimento. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1976. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base. Acesso em: 10 dez. 2020. CARVALHO, D. L. Metodologia do Ensino da Matemática. São Paulo: Cortez, 1991. D’AMBROSIO, B. S. Como ensinar matemática hoje? Temas e Debates. ano II. n. 2. Brasília: SBEM, 1989. FILHO, M. de S. C.; GHEDIN, E. L. Formação matemática do professor dos anos iniciais: reflexões e considerações. 2018. 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Pensamento e linguagem. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1989. WADSWORTH, B. J. Inteligência e afetividade da criança na teoria de Piaget. 5 ed. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2003. UNIDADE IV DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA Professora Mestra Priscila da Rocha Luiz Bueno Plano de Estudo: A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • A aprendizagem dos conceitos matemáticos • As dificuldades na aprendizagem da matemática • Dificuldades de aprendizagem específicas (discalculia e acalculia) Objetivos de Aprendizagem: • Compreender a aprendizagem dos conceitos matemáticos • Conhecer as dificuldades na aprendizagem da matemática • Abordar as dificuldades de aprendizagem específicas (discalculia e acalculia) INTRODUÇÃO Prezado(a) estudante, seja bem-vindo(a) à Unidade IV da disciplina Dificuldades no Processo de Aprendizagem da Matemática do curso de Graduação em Psicopedagogia. Como podemos ver, a matemática é essencial na aprendizagem e transita por todas as áreas do conhecimento, por isso, possibilitar que a criança compreenda esse conceito é de suma importância. Esta unidade nos levará à compreensão sobre como as dificuldades de aprendizagem da matemática estão cada vez mais presentes no espaço escolar. Por ser um componente curricular presente no cotidiano infantil e nas diferentes áreas do conhecimento, é preciso que a identificação dos(as) alunos(as) que apresentam dificuldade de aprendizado seja feita o quanto antes, para que a intervenção adequada seja realizada, possibilitando a evolução na aquisição desse conhecimento. Diante dessa afirmação, no primeiro momento desta unidade estudaremos sobre a aprendizagem dos conceitos matemáticos. No segundo momento, conheceremos as dificuldades na aprendizagem da matemática e, por fim, abordaremos as dificuldades de aprendizagem específicas (discalculia e acalculia). Este texto contribuirá para a sua melhor compreensão sobre a temática abordada nesta última unidade. Boa leitura! 1 A APRENDIZAGEM DOS CONCEITOS MATEMÁTICOS A educação básica é definida pelo Art. 21 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394/96, que traz a composição dos níveis escolares. Nele é definido que a educação básica corresponde aos primeiros anos escolares da criança, que inclui a educação infantil, ensino fundamental e até o ensino médio. Para atender a todos esses princípios, a Lei nº 9394/96(LDB) trouxe a Base Comum Curricular (BNCC) para nortear os currículos dos sistemas de ensino, tanto públicos quanto privados, desde a educação infantil e ensino fundamental ao ensino médio. A BNCC é um documento normativo que estabelece conhecimentos, competências e habilidades para serem desenvolvidas durante a escolaridade, essas são tidas como aprendizagens essenciais, e tem como objetivo a formação integral do indivíduo, visando uma sociedade justa, democrática e também inclusiva (BRASIL, 2018). Essas definições estabelecidas pela BNCC referem-se às seguintes áreas do conhecimento: linguagens e suas tecnologias, ciências e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas e matemática e suas tecnologias. Sendo a área de matemática, assim como a de língua portuguesa, ensinos obrigatórios. Sobre o ensino da matemática na educação básica, a BNCC (BRASIL, 2018) traz que o conhecimento matemático é fundamental para a formação social e crítica do indivíduo. Explica ainda que a matemática não se limita somente em cálculos, medidas e grandezas, mas também Estuda a incerteza proveniente de fenômenos de caráter aleatório. A Matemática cria sistemas abstratos, que organizam e inter-relacionam fenômenos do espaço, do movimento, das formas e dos números, associados ou não a fenômenos do mundo físico. Esses sistemas contêm ideias e objetos que são fundamentais para a compreensão de fenômenos, a construção de representações significativas e argumentações consistentes nos mais variados contextos (BRASIL, 2018, p. 263 ). As competências se definem basicamente em reconhecer a matemática como ciência humana; desenvolver o raciocínio lógico; compreender as relações entre conceitos e procedimentos dos diferentes campos da matemática e de outras áreas do conhecimento; fazer observações sistemáticas de aspectos quantitativos e qualitativos presentes nas práticas sociais e culturais; utilizar processos e ferramentas matemáticas, inclusive tecnologias digitais disponíveis; enfrentar situações-problemas em múltiplos contextos incluindo situações imaginárias; desenvolver e discutir projetos que abordem, sobretudo, questões de urgência social; interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente no planejamento e desenvolvimento de pesquisas, responder questionamentos e busca de soluções para problemas (BRASIL, 2018). Dessa forma, percebe-se que existe a necessidade de adequação curricular em todas as etapas para que a formação do aluno em matemática e em suas diversas áreas de atuação futura possua forma estruturada e organizada, no âmbito tecnológico atual, compreendendo todo processo histórico da Humanidade para atender a vida social em que está inserido (OLIVEIRA, 2017, p. 22). O ensino de matemática na educação básica atualmente, como pode-se compreender, tem como objetivo a formação integral do(a) aluno(a), o saber pensar; além disso deve permitir que a criança consiga desenvolver novas habilidades e competências a partir das que já possui, adquira conhecimentos e consiga relacioná-los a sua realidade e saiba aplicá-los em situações do dia a dia. Dessa forma, ela conseguirá se identificar com os conteúdos e, consequentemente, terá maior interesse pelo aprendizado. É importante que a partir disso o(a) professor(a) consiga levar o aluno a tornar-sepesquisador(a), que busque, explore, desenvolva e tenha novas experiências, e também adquira conhecimentos que complementam o que é aprendido em sala de aula, e que o aluno consiga compreender a implicação dos conhecimentos e conceitos adquiridos. Mas para que esse processo ocorra a educação deve ser observada de forma diferente para que as técnicas e os métodos de ensino possam ser renovados e aplicados de acordo com a demanda de alunos(as) e possa suprir as questões educacionais, de forma com que a sala de aula se transforme em um local no qual o indivíduo que dê oportunidades para que a criança tenha um crescimento não só intelectual mas também constitua relações sociais em meio às diferenças de opinião, cultura, crença, tenha contato com as tecnologias e sejam educados para usá-la de forma filtrada e que assim amplie seus conhecimentos. Desde os primeiros anos de vida, a criança já possui contato com a matemática e é nesse período que os conceitos matemáticos são adquiridos, esse processo acontece de maneira tão natural e abstrata que ela nem percebe. Ainda pequena, a criança já sabe nomear e quantificar sua idade, possui noções de espaço e tempo; com o seu desenvolvimento cognitivo esses conhecimentos serão aprimorados e se concretizarão no ambiente escolar. Nesse sentido, Howard (2004, p. 25) diz que É razoável admitir que a espécie humana, mesmo nas épocas mais primitivas, tinha algum senso numérico, pelo menos ao ponto de reconhecer mais ou menos quando se acrescentavam ou retiravam alguns objetos de uma coleção pequena. O conhecimento gerado na área da matemática possibilita ao sujeito uma forma de compreender e atuar no mundo, auxiliando na construção humana dessa criança e na interação constante que ela terá com o meio natural, social e cultural em que está inserida. Portanto, o ensino do conhecimento matemático favorece a compreensão dos conceitos matemáticos, dos símbolos, sinais e tantas outras maneiras de representação dos cálculos e principalmente possibilitar ao(à) aluno(a) uma forma de expressão de suas experiências diárias, agregando novas aprendizagens. 2 AS DIFICULDADES NA APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA A linguagem matemática é expressa por meio de símbolos. Para Chauí (2000), a linguagem nada mais é do que um sistema de signos ou sinais usados para indicar coisas, para comunicação entre as pessoas e para expressão de ideias e sentimentos. As dificuldades de aprendizagem ocorrem devido a várias razões. Uma delas é que a criança apresenta alguma dificuldade cognitiva particular que faz com que seu aprendizado se torne mais difícil que o normal. Dessa maneira, é preciso atenção pois na maioria das vezes as crianças não compreendem os enunciados para realização das operações matemáticas por terem dificuldade no processo de leitura e escrita. De acordo com Smith e Strick (2001), as dificuldades de aprendizagem são problemas neurológicos que afetam a capacidade do cérebro para entender, recordar ou comunicar informações. Ainda de acordo com a estudiosa, 5% da população hoje é afetada pelas dificuldades de aprendizagem, o que gera o fracasso escolar (repetências, evasão). Apesar das dificuldades de aprendizagem terem uma base biológica, o ambiente influencia muito no progresso educacional de uma criança e, apesar dessas dificuldades serem permanentes, nada impede de que possa haver um grande progresso no seu desenvolvimento. Isso, sem dúvida, quem decidirá é o meio em que a criança está inserida. Quanto mais estimulada a desenvolver suas potencialidades, menor será a chance de somente sua dificuldade ficar em evidência. De acordo com Bastos (2008), quando o sujeito apresenta ter dificuldade na aprendizagem do ensino da matemática traz menos preocupação para o ambiente educativo do que se apresentar dificuldade na aprendizagem de leitura e escrita. Esse pensamento tornou-se um errôneo hábito escolar, por acreditarem que a matemática é considerada difícil nos diferentes níveis de ensino. O fracasso do ensino de matemática e as dificuldades que os alunos apresentam em relação a essa disciplina não é um fato novo, pois vários educadores já elencaram elementos que contribuem para que o ensino da matemática seja assinalado mais por fracassos do que por sucessos (VITTI, 1999, p. 19). Assim, o professor precisa levar em conta a bagagem que os alunos trazem dos ciclos anteriores, para organizar o seu trabalho, de modo que os alunos desenvolvam a própria capacidade para construir conhecimentos matemáticos. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, É importante que estimule os alunos a buscar explicações e finalidades para as coisas, discutindo questões relativas à utilidade da Matemática, como ela foi construída, como pode construir para a solução tanto de problemas do cotidiano como de problemas ligados à investigação científica. Desse modo, o aluno pode identificar os conhecimentos matemáticos como meios que o auxiliam a compreender e atuar no mundo (BRASIL, 1998, p. 62-63). 2.1 Dificuldade de Processamento da Linguagem De acordo com Smith e Strick (2001), essa dificuldade de aprendizagem caracteriza- se pela criança ter problemas com qualquer aspecto da linguagem: ouvir palavras corretamente, entender seu significado, recordar instruções verbais e comunicar-se claramente. Na área do raciocínio matemático, apresentamos algumas das dificuldades de aprendizagem relacionadas ao processo da linguagem: ● resposta lenta durante exercícios de matemática devido a problemas com recuperação de números da memória; ● dificuldade com problemas por extenso devido à fraca compreensão da linguagem; ● problemas com matemática de nível superior, devido a dificuldades com análise e raciocínio lógico. “É importante ter em mente que é por meio da linguagem que a criança é exposta ao conhecimento humano e adquire conhecimentos sobre o mundo que a rodeia, aprimorando- se por meio da experiência acumulada pelo gênero humano no discurso da história cultural” (ZUCHI, 2004, p. 49). 2.2 Dificuldade da Percepção Visual Estudantes com dificuldade da percepção visual têm problemas para entender o que veem. De acordo com Smith e Strick (2001), o problema dessas pessoas não é de visão, mas o modo como seus cérebros processam as informações visuais. Assim, há dificuldade para reconhecer, organizar, interpretar e recordar imagens visuais. Dessa maneira, entender letras, palavras, diagramas, mapas, gráficos, tabelas etc. torna-se muito difícil. A seguir encontram-se algumas das dificuldades apresentadas por sujeitos com dificuldade na percepção visual e que interferem na aprendizagem matemática (SMITH; STRICK, 2001): ● fraco alinhamento de problemas resulta em erros de cálculo; ● dificuldade para memorização de fatos de matemática, tabelas de multiplicação, fórmulas e equações; ● problemas para interpretar gráficos, diagramas e tabelas; ● confunde esquerda e direita; ● tem dificuldade para estimar a hora, para ser pontual; ● fraco senso de direção; ● dificuldade para julgar velocidade e distância; ● não capta o humor e os sentimentos das outras pessoas; ● fraco planejamento e habilidades de organização; ● frequentemente perde as coisas; ● antipatia por quebra-cabeças, labirintos e outras atividades com um forte elemento visual. A identificação das dificuldades de aprendizagem é algo mais complexo, precisa ser estudada, analisada por um profissional, pois essas dificuldades são de ordem neurológica, como no caso da hiperatividade, por exemplo. O que as crianças com dificuldades de aprendizagem têm em comum é o baixo desempenho inesperado. Na maior parte do tempo, elas funcionam de um modo consistente com o que seria esperado de sua capacidade intelectual e de sua bagagem familiar e educacional, mas dê-lhe certos tipos de tarefase seus cérebros parecem “congelar” (SMITH; STRICK, 2001, p. 15). Por fim, as dificuldades de aprendizagens matemáticas interferem significativamente no desenvolvimento infantil e no seu dia a dia, por isso é preciso compreendermos que as crianças se envolvem diretamente com os números em situações cotidianas e necessitam interpretar as operações matemáticas para utilizarem esse conhecimento de maneira efetiva em seu dia a dia. 3 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS (DISCALCULIA E ACALCULIA) A matemática é uma linguagem expressa através de símbolos. Assim sendo, cabe abordar aqui as dificuldades dos alunos que não conseguem compreender instruções e enunciados matemáticos, bem como as operações aritméticas, pois é necessário que eles superem as dificuldades de leitura e escrita antes de poderem resolver as questões matemáticas que lhes são propostas. A discalculia é uma má formação neurológica que provoca transtornos na aprendizagem de tudo o que se relaciona a números, como fazer operações matemáticas, fazer classificações, dificuldade em entender os conceitos matemáticos, a aplicação da matemática no cotidiano e na sequenciação numérica. Acredita-se que a causa dessa má formação pode ser genética, neurobiológica ou epidemiológica. Normalmente, crianças e qualquer outra pessoa que possui tal distúrbio apresentam sinais como dificuldade com tabuadas, ordens numéricas, dificuldades em posicionar os números em folha de papel, dificuldade em somar, subtrair, multiplicar e dividir, dificuldade em memorizar cálculos e fórmulas, dificuldade em distinguir os símbolos matemáticos, dificuldade em compreender os termos utilizados. García (1998) classificou a discalculia em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos: ● Discalculia Verbal: dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações. ● Discalculia Practognóstica: dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente. ● Discalculia Léxica: dificuldades na leitura de símbolos matemáticos. ● Discalculia Gráfica: dificuldades na escrita de símbolos matemáticos. ● Discalculia Ideognóstica: dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos. ● Discalculia Operacional: dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos. Para Moraes (1997), a criança com discalculia é incapaz de: ● Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior. ● Conservar a quantidade: não compreendem que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas. ● Sequenciar números: o que vem antes do 11 e depois do 15 – antecessor e sucessor. ● Classificar números. ● Compreender os sinais +, -, ÷, × ● Montar operações. ● Entender os princípios de medida. ● Lembrar as sequências dos passos para realizar as operações matemáticas. ● Estabelecer correspondência um a um: não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras. ● Contar através dos cardinais e ordinais. Para García (1998), a Discalculia, também conhecida como Discalculia do desenvolvimento, é caracterizada por uma desorganização estrutural da maturação das capacidades matemáticas. Essa desordem pode ser diagnosticada ainda na Educação Infantil, como exemplo: a partir dos 4 a 5 anos a criança não consegue distinguir qual número vem antes ou depois do 10. Essa dificuldade de aprendizagem matemática pode ser observada também quando é exigido da criança um raciocínio matemático rápido ou um pensamento abstrato, isso é percebido nos jogos pedagógicos, pois a criança apresentará baixo nível de desempenho nas atividades de matemática que envolvem competências e habilidades aritméticas. A acalculia acontece após o sujeito sofrer uma lesão cerebral, ou seja, um acidente vascular cerebral, um traumatismo craniano ou alguma lesão sofrida no cérebro, perdendo as habilidades matemáticas já adquiridas no decorrer do processo de aprendizagem, como contar, somar e subtrair. De acordo com Bastos (2008), Henschen, em 1925, introduziu o termo acalculia, que tem como significado a perda da capacidade de realizar cálculos e desenvolver o raciocínio aritmético. Já Bernardi (2006) nos aponta que acalculias são alterações intrínsecas ao ser humano, causadas por uma disfunção no sistema nervoso central. Portanto, manifestam-se após lesão cerebral, ocorrendo posteriormente à aquisição da função, ou seja, quando as habilidades cognitivas já haviam se consolidado. Para um diagnóstico e um tratamento adequado das acalculias, há a necessidade do auxílio de profissionais especializados na área médica (BERNARDI, 2006, p. 18). A acalculia é dividida em dois grupos e essa divisão dependerá das capacidades alteradas e das áreas danificadas no cérebro do sujeito. Responsável pelo desenvolvimento do raciocínio lógico, o hemisfério esquerdo é afetado e acarretará a dificuldade da aprendizagem matemática, porém a classificação de qual grau a criança se encontra dependerá das alterações ocorridas no hemisfério esquerdo, quanto às habilidades cognitivas. Os dois grupos são: acalculia primária e acalculia secundária. A acalculia primária está relacionada à falha das habilidades de realização de cálculos e não está vinculada a qualquer transtorno. A criança perderá a capacidade de compreensão dos conceitos numéricos e não conseguirá combiná-los. As mais importantes falhas aparecem quando a criança não executa as operações e outras questões mais abstratas desse conhecimento, tais como: uso e interpretação dos sinais. Por fim, a acalculia primária nos apresenta dois sintomas claros de serem observados: a anarimética, relacionada à impossibilidade de realização dos cálculos aritméticos, e a assintática, relacionada à perda do sentido computacional, ou seja, a solução de problemas. Já a acalculia secundária está relacionada às alterações de habilidades matemáticas e está associada a outros transtornos neuropsicológicos, ou seja, ela advém de um déficit linguístico, espacial e de funções gerais da aprendizagem. A acalculia secundária é dividida da seguinte maneira: ● Acalculia aléxica: está relacionada aos problemas de leitura e reconhecimento dos símbolos numéricos, a criança não compreende por meio da leitura. ● Acalculia afásica: são os defeitos no cálculo e origina-se das alterações linguísticas, sendo a incapacidade de codificar a linguagem numérica, impossibilitando essas operações. ● Acalculia agráfica: consiste na incapacidade de comunicação e expressão por meio da escrita, a criança não consegue escrever o número. ● Acalculia frontal: está relacionada aos transtornos de atenção, por isso é considerada a mais comum no meio escolar. A incapacidade de identificar os erros e planejar novas estratégias fazem com que a criança insista na realização da atividade, o que consequentemente amplia a repetição dos erros. ● Acalculia Semântica: é a incapacidade da criança em relacionar as situações problemas com as operações matemáticas que trarão a solução. ● Acalculia espacial: consiste na lesão do hemisfério direito e está relacionada à dificuldade de realização dos cálculos aritméticos associados ao processamento espacial. Sendo assim, é fundamental que, ao ser observada a dificuldade de aprendizagem da criança, consideremos suas especificidades, para que o desenvolvimento significativo aconteça na vida escolar do indivíduo por meio de novas formas de ensino. Possibilitando, assim, principalmente, diferentes maneiras de aprendizagem, para que o objetivo do ensino seja alcançado e o sujeito tenha interesse e motivação pelos conhecimentos matemáticos. SAIBA MAIS Caro(a) aluno(a), na aprendizagem dos conceitos matemáticos é evidente que os conhecimentos matemáticos são adquiridos pelas criançasantes mesmo de estarem no espaço escolar. As atividades informais e diárias possibilitam que a criança adquira esses conhecimentos e utilize-os em seu dia a dia. Por fim, os conhecimentos matemáticos adquiridos durante a formação da criança, tanto teórico quanto prático, devem trazer significado, devem ser utilizados e estar em constante atualização e não apenas serem conteúdos acumulados. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS Prezado(a) acadêmico(a), as dificuldades de aprendizagem na matemática em sua maioria estão presentes no ambiente escolar, e cabe às instituições que auxiliem os(as) alunos(as) com metodologias diferenciadas e a resolução de situações problemas, ampliando assim o pensamento matemático. Sendo assim, essas dificuldades no processo de aprendizagem precisam ser questionadas e analisadas para otimizar uma nova concepção matemática, incluindo assim novas experiências escolares. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# SAIBA MAIS O processo de aprendizagem diz respeito aos estímulos recebidos do ambiente pelo cérebro. A matemática é uma linguagem que é expressa de maneira simples ou complexa. Por esse motivo muitas crianças não conseguem compreender esses conceitos matemáticos iniciando as dificuldades de aprendizagem específicas, discalculia e acalculia. Assim, organizar a melhor maneira de ensinar a matemática, possibilitará que o sujeito compreenda a matemática de maneira que faça sentido para ele, por esse motivo a intervenção precisa ser realizada na especificidade de cada criança. Fonte: a autora. #SAIBA MAIS# REFLITA ● [...] O aprendizado das crianças começa muito antes delas frequentarem a escola. Qualquer situação de aprendizado com a qual a criança se defronta na escola tem sempre uma história prévia. Por exemplo, as crianças começam a estudar aritmética na escola, mas muito antes elas tiveram alguma experiência com quantidades – elas tiveram que lidar com operações de divisão, adição, subtração e determinação de tamanho. Consequentemente, as crianças têm a sua própria aritmética pré- escolar (VYGOTSKY, 1989, p. 94) ● É importante que estimule os alunos a buscar explicações e finalidades para as coisas, discutindo questões relativas à utilidade da Matemática, como ela foi construída, como pode construir para a solução tanto de problemas do cotidiano como de problemas ligados à investigação científica. Desse modo, o aluno pode identificar os conhecimentos matemáticos como meios que o auxiliam a compreender e atuar no mundo (BRASIL, 1998, p. 62-63). ● É hoje incontestável a afirmação de que o órgão privilegiado da aprendizagem é o cérebro. Dadas as relações inevitáveis entre o cérebro e o comportamento entre o cérebro e a aprendizagem, da mesma forma essa relação se verifica quando se abordam as Dificuldades de Aprendizagem (FONSECA, 1995, p. 148). #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizamos a Unidade IV da disciplina de Dificuldades no Processo de Aprendizagem da Matemática, intitulada Aprendizagem da Matemática. No primeiro momento compreendemos a aprendizagem dos conceitos matemáticos e que esse conhecimento possibilita para a criança compreender o meio em que está inserida e principalmente atuar nele de maneira efetiva. No segundo momento conhecemos as dificuldades na aprendizagem da matemática e que os(as) docentes(as) precisam considerar os conhecimentos que as crianças já possuem para organizar a aprendizagem, possibilitando que os(as) alunos(as) construam seus conhecimentos matemáticos. Por fim, abordamos as dificuldades de aprendizagem específicas (discalculia e acalculia). É preciso considerar a particularidade de cada criança no processo escolar, para que, por meio de diferentes formas de ensino, aconteçam novas maneiras de aprendizagem. Esperamos que as discussões propostas tenham colaborado com o seu conhecimento acerca das dificuldades de aprendizagem matemáticas e a importância de uma intervenção personalizada para cada indivíduo. Para aprofundar seus conhecimentos não deixe de consultar as referências. LEITURA COMPLEMENTAR Olá estudante a leitura complementar para a nossa terceira unidade será o artigo Possibilidades e Limitações: as dificuldades existentes no processo de ensino- aprendizagem da Matemática, dos autores Jamison Luiz Barros Santos, Gracineide Barros Santos, Ildema Gomes Aragão. Os autores trazem um aporte teórico que nos apresenta como no âmbito escolar, o ensino da Matemática é visto como uma linguagem capaz de traduzir a realidade e estabelecer suas diferenças. Por fim, podemos entender que a o ensino da matemática precisa envolver uma situação que a criança consiga aprender plenamente, superando assim suas dificuldades no processo de aprendizagem. Segue o link de acesso https://www.infoescola.com/pedagogia/possibilidades-e-limitacoes-as-dificuldades- existentes-no-processo-de-ensino-aprendizagem-da-matematica/ Aproveitem o material e boa leitura! LIVRO • Título: Discalculia do Desenvolvimento • Autora: Flávia Heloísa dos Santos • Editora: Casa do Psicólogo • Sinopse: A aprendizagem da matemática é fundamental para alcançar o sucesso em uma sociedade como a atual, que se baseia no conhecimento. A carência de certas habilidades matemáticas pode levar a sérias consequências na hora de conseguir e manter um emprego ou certo status profissional. FILME/VÍDEO Título: Dificuldade com Matemática: Discalculia • Ano: 2019 • Sinopse: Fátima Bernardes conversa com um adolescente diagnosticado com o problema e o Dr. Fernando Gomes Pinto explica como identificar o distúrbio e o tratamento. https://globoplay.globo.com/v/7284060/ REFERÊNCIAS BASTOS, J. A. O cérebro e a matemática. São Paulo: Edição do Autor, 2008. BERNARDI, J. Alunos com Discalculia: o resgate da auto-estima e da auto-imagem através do lúdico. Dissertação (Mestrado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica, Porto Alegre, 2006. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base. Acesso em: 10 jan. 2021. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB. 9394/1996. BRASIL. Secretaria da Educação Fundamental. PCN - Parâmetros curriculares nacionais: Matemática. Brasília: MEC/SEF, 1998. CHAUÍ, M. Convite a filosofia. 12. ed. São Paulo: Ática, 2000. FONSECA, V. da. 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Para tanto, abordamos o desenvolvimento cognitivo matemático, suas variadas configurações para a construção desse conhecimento que está presente no cotidiano infantil, a importância de compreendermos que o(a) professor(a) é o sujeito que organiza e auxilia na construção dessa aprendizagem, na interação, adaptação e mediação no processo de formação do pensamento lógico; por fim, as dificuldades de aprendizagem que estão frequentes no espaço escolar, porém ao serem percebidas com antecedência e adotando uma intervenção adequada será possível uma evolução significativa na compreensão dos conceitos matemáticos, para que sejam reconhecidos como fundamentais em todas as áreas de conhecimento. Nessa perspectiva, cabe a mim, a você, enfim, aos envolvidos com a educação, buscarmos entender e reconhecer que a área da psicopedagogia ocupa um lugar fundamental no auxílio da aprendizagem escolar, sendo um campo que se preocupa com o processo de aprendizagem do indivíduo, assegurando assim que todos(as) alcancem o desenvolvimento cognitivo e social. Portanto, enquanto educadores(as), precisamos compreender, de maneira crítica, as relações entre psicopedagogia, educação e sociedade, para que o trabalho realizado dentro e fora da escola proporcione condições diversas e diferenciadas de aprendizagem. Esperamos que as discussões propostas tenham colaborado com o seu conhecimento Até uma próxima oportunidade. Sucesso e muito obrigada!