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Estratégia
MED
Prof. Thales Thaumaturgo | Dependência química 2PSIQUIATRIA
PROF. THALES 
THAUMATURGO
@thales.thaumaturgo
APRESENTAÇÃO:
Seja muito bem-vindo, caro Aluno do Estratégia Med e 
futuro Residente! Sou o professor Thales Thaumaturgo, de Foz do 
Iguaçu, Paraná, médico formado pela Universidade do Planalto 
Catarinense – UNIPLAC, em Lages, Santa Catarina, e especialista 
em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina – 
IPq - SC. 
Como muitos de vocês, estudei em uma faculdade particular, 
em uma cidade pequena (e muito fria) do interior, localizada na 
serra catarinense. Ao mesmo tempo que isso me distanciou um 
pouco dos grandes polos acadêmicos, centros de pesquisa e das 
instituições mais renomadas do país, também me deu a chance 
de colocar “a mão na massa”. Isso aconteceu porque os alunos 
da faculdade em que estudei prestavam assistência médica para 
quase toda a cidade, com muitas oportunidades de aprendizado 
na “vida real”, associado a uma ótima carga teórica de ensino 
e grandes professores, que se tornaram amigos e colegas de 
profissão.
Após minha formação na faculdade, resolvi partir logo 
para a Residência Médica. Prestei muitas provas, em diversos 
estados do país, e conheci inúmeras bancas organizadoras 
durante minha preparação para entrar na Residência Médica. Vou 
contar para você: quando saí da faculdade, não tinha certeza de 
que carreira médica deveria seguir, por isso prestei provas para 
diversas especialidades. Na época, fui aprovado em Psiquiatria, 
Neurologia, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, além de 
Clínica Médica. 
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Estratégia
MED
Prof. Thales Thaumaturgo | Dependência química 3PSIQUIATRIA
Dentre todas as opções em que havia sido aprovado, 
escolhi a especialidade que considerava a mais cômoda para os 
meus planos de vida: Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Era 
na minha cidade, eu estaria perto da minha família, dos meus 
amigos, com o hospital a poucos quilômetros da minha casa, 
na cidade onde eu já tinha contatos profissionais e já estava 
trabalhando em plantões nas emergências dos serviços de toda 
a região. Na verdade, já estava aprovado e prestes a iniciar a 
Residência de Psiquiatria, quando um amigo me perguntou 
durante um plantão: “você vai prestar a prova para Radio?” – 
eu nem sabia que, naquela altura, meados de fevereiro, ainda 
haveria uma prova de Residência Médica na cidade. Resolvi tentar. 
Poderia ter escolhido entre tentar a Radio, Gineco ou Anestesio. 
Passei em segundo lugar em Rádio. Mas, rapidamente, descobri 
na prática que o comodismo pode ser um grande erro. E, para 
mim, foi. 
Não havia escolhido o que, de fato, queria fazer, havia sido 
seduzido por uma aparente comodidade. Após a empolgação 
inicial, quando a fase da novidade já havia acabado, estava 
vivendo uma rotina que não me agradava e logo percebi que 
não estava feliz. Tive ainda mais certeza disso lá pelo meio do 
R1, quando estava dando um plantão noturno de ultrassom no 
hospital. Só pensava nas minhas possibilidades, culpava-me 
constantemente pelo meu “erro”, achava que tinha “jogado um 
ano inteiro da minha vida fora”, que tinha “ficado para trás”. Nessa 
noite, procurei um dos meus preceptores, que estava no plantão 
da tomografia, e perguntei de maneira direta: “Professor, quando 
você percebeu que fez a escolha certa com a Radiologia?” Ele 
me respondeu: “Desde o meu primeiro dia na Residência. Eu me 
encontrei nisso aqui. Minha mãe não entende direito o que eu 
faço, fala que eu sou raio-xizeiro”. 
Depois disso, ainda levei uns meses para criar a coragem 
necessária para recomeçar. Mas, um dia pela manhã, lá pelo fim 
do ano, fui até a direção do hospital e pedi meu desligamento 
da Residência. Foi um dos dias mais estranhos que tive na vida, 
estava muito triste por abandonar um curso que não gostava, 
mas senti que finalmente tinha feito o que era preciso. Demorei 
alguns meses para perceber que tudo o que tinha vivido não 
foi uma perda de tempo. Aprendi muito profissionalmente, mas 
aprendi muito mais pessoalmente. O desconforto me fez crescer 
e isso não tem preço. A partir de então, voltei a dar plantões, 
estudei por algumas semanas na minha casa e encarei novamente 
as provas, dessa vez decidido: queria entrar na Residência de 
Psiquiatria. Entrei.
Durante minha Residência em Psiquiatria, conheci uma outra 
realidade e tive a oportunidade de trabalhar em grandes hospitais 
na região de Florianópolis, como o Hospital Universitário da UFSC 
e meu querido IPq – SC, hospital de internação psiquiátrica, com 
cerca de 300 leitos, onde fiz grandes amigos, conheci profissionais 
incríveis, atendi pacientes que marcaram minha vida, aprendi o 
belo ofício da Psiquiatria (que hoje tenho o prazer de ensinar). 
Foi lá onde, finalmente, descobri o que gostaria de fazer para o 
resto de minha vida. Foi ali, a duras penas, que percebi que minha 
faculdade tinha me preparado à altura para encarar esse grande 
desafio profissional.
Hoje, sou muito realizado com as minhas escolhas e muito 
grato por tudo que aprendi na faculdade e nos meus anos de 
Residência Médica, seja em Rádio ou Psiquiatria. Acredite em 
mim, uma boa Residência faz toda a diferença em nossa 
carreira, nossa vida e no que podemos proporcionar a nossos 
pacientes! Por isso, estou aqui para ajudá-lo a conquistar sua 
sonhada vaga e espero que, em alguns anos, você também possa 
olhar sua trajetória e sentir orgulho dela.
Então, digo por experiência própria, siga o caminho que 
lhe trará realização profissional, mas, acima de tudo, que lhe 
dê satisfação pessoal, que lhe faça feliz. Não tenha medo de 
recomeçar, sempre valerá a pena.
@estrategiamed
/estrategiamed Estratégia MED
t.me/estrategiamed
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MED
Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 4
PSIQUIATRIA Dependência química
SUMÁRIO
1.0 DEPENDÊNCIA QUÍMICA 5
1.1 INTRODUÇÃO 5
1.2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS 8
1.2.1 CONCEITO DE DEPENDÊNCIA 8
1.2.2 CONCEITO DE TOLERÂNCIA 9
1.2.3 CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS 10
1.2.3.1 ESTÁGIOS MOTIVACIONAIS DE "PROCHASKA E DICLEMENTE" 12
1.2.3.2 REDUÇÃO DE DANOS 13
2.0 DROGAS DEPRESSORAS 15
2.1 ETANOL 15
2.1.1 ABSORÇÃO E METABOLISMO 15
2.1.2 INTOXICAÇÃO ALCOÓLICA 16
2.1.3 ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA 20
2.1.4 DELIRIUM TREMENS (DT) 21
2.1.5 TRATAMENTO DA SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA 22
2.1.6 DEPENDÊNCIA ALCOÓLICA 24
2.2 ANSIOLÍTICOS, HIPNÓTICOS E SEDATIVOS 27
2.2.1 INTOXICAÇÃO POR ANSIOLÍTICOS, HIPNÓTICOS E SEDATIVOS 30
2.2.2 DEPENDÊNCIA E ABSTINÊNCIA DE SEDATIVOS, HIPNÓTICOS OU ANSIOLÍTICOS 31
2.3 OPIOIDES 32
2.3.1 INTOXICAÇÃO POR OPIÓIDES 34
2.3.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE OPIOIDES 36
3.0 DROGAS ESTIMULANTES 37
3.0.1 INTOXICAÇÃO POR ESTIMULANTES 39
3.0.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE ESTIMULANTES 41
3.1 TABAGISMO 43
3.1.1 INTOXICAÇÃO POR TABACO 44
3.1.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE TABACO 44
4.0 DROGAS PERTURBADORAS 51
4.1 MACONHA 51
4.1.1 INTOXICAÇÃO POR MACONHA 52
4.1.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE MACONHA 54
4.2 ALUCINÓGENOS 55
4.2.1 INTOXICAÇÃO POR ALUCINÓGENOS 56
4.2.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE ALUCINÓGENOS 57
5.0 LISTA DE QUESTÕES 58
6.0 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 59
7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 59
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Estratégia
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 5
PSIQUIATRIA Dependência química
CAPÍTULO
Este é o tema de Psiquiatria mais cobrado pelas bancas de todo o País! Estrategista, é 
MUITO extenso este assunto, por isso, como explicarei com maiores detalhes a seguir, seremos 
bem objetivos, focando no que realmente importa para sua aprovação, porque nosso objetivo 
é fazer você ACERTAR QUESTÕES e entrar na Residência Médica dos seus sonhos!
1.0 DEPENDÊNCIA QUÍMICA
Caro Aluno, bem-vindo. Antes de irmos “direto ao ponto”, 
precisamos uniformizar a forma com que conduziremos e 
estudaremos o conteúdo deste capítulo, então peço, por favor, 
que não pule esta escrita introdutória, pois é indispensável para 
a compreensão do restante do capítulo, porque existe aqui uma 
grande diferença de conceitos e da classificação diagnóstica 
utilizada entre a CID-10 e o DSM-5 que você precisa conhecer, 
posto que diversas bancas organizadoras elaboram questões sobre 
os conceitos fundamentais desse tema.
Além disso, esse tema é um verdadeiro mundo à parte, 
Por fim, mas não menos importante, preciso contar-lhe, Estrategista, que cerca de 20% do conteúdo de 
Psiquiatria nas provas de Residência trata do tema deste capítulo. Ah, e neste capítulo não abordaremos as 
especificidades do manejo clínico na sala de emergência durante uma crise de abstinência ou intoxicação aguda, 
pois tudo isso está discutido, de forma específica, junto com muitas outras emergências médicas que envolvem 
contexto psiquiátrico, nos livros de Psicofarmacologia e de Intoxicações Exógenas.
Dito tudo isso, vamos conhecer alguns conceitos fundamentais, que nos darão a base para aprender as especificidades da matéria que 
veremos a seguir.
1.1 INTRODUÇÃO 
Segundo a CID-10, atualmente, podemos classificar os “Transtornos Mentais e de Comportamento Devidos ao uso de Substâncias” da 
seguinte forma:
1 - Intoxicação aguda.
2 - Uso nocivo para a saúde.
3 - Síndrome de dependência.
na verdade, um universo, com grande interface com outras 
subespecialidades ou atuações da Psiquiatria, como Emergências 
Psiquiátricas, Intoxicações Exógenas e Suicídio, além de outras 
disciplinas médicas.
Por isso, caro Aluno, precisaremos focar no conteúdo que é 
frequentemente cobrado, valorizando seu tempo de estudo, mas 
com um conteúdo que também tenha a profundidade necessária 
para que seu aprendizado teórico seja suficiente para acertar todas 
as questões de prova, além de poder ser aplicado em sua prática 
médica.
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 6
PSIQUIATRIA Dependência química
4 - Estado de abstinência.
5 - Estado de abstinência com delirium.
6 - Síndrome amnésica.
7 - Transtorno psicótico residual ou de início tardio.
8 - Outros transtornos mentais ou comportamentais.
9 - Transtorno mental ou comportamental não especificado.
O uso nocivo para a saúde caracteriza-se por apresentar um dano à saúde física, como uma doença hepática ou gástrica. Além disso, o 
paciente geralmente é alvo de cobranças de pessoas próximas ou desaprovação por parte de familiares, além de sofrer algumas consequências 
sociais, como prejuízos na sua relação conjugal e familiar, prejuízos acadêmicos ou profissionais. Preste atenção, caro Aluno: há uma linha 
tênue entre o uso nocivo para a saúde e a síndrome de dependência, que veremos a seguir, com a última apresentando critérios mais bem 
claros e definidos, além de uma definição temporal específica.
Segundo a CID-10, são necessários, no mínimo, três dos seis critérios a seguir, durante um ano ou mais, para diagnosticar a 
síndrome de dependência:
Critérios para diagnóstico da síndrome de dependência, adaptados da CID-10
1 Forte desejo ou compulsão para consumir a substância.
2 Dificuldades em controlar o consumo da substância.
3
Sintomas de abstinência quando a substância é cessada ou reduzida ou, ainda, melhora da abstinência se o uso da 
substância for retomado.
4 Evidências de tolerância, como necessidade de aumento progressivo de dose para que se atinja efeito desejado.
5 Aumento do tempo necessário para se recuperar do uso da substância.
6 Persistir com o uso apesar das evidências de prejuízo à saúde.
Estrategista, agora você percebe como é nebulosa a diferença entre o uso nocivo para a saúde e a síndrome de 
dependência? Na prática, além da questão temporal, devemos considerar se houve a “perda de controle” por parte do 
paciente. Ou seja, se o uso da substância e suas consequências tomaram conta da vida do indivíduo, prejudicando sua 
capacidade de tomar decisões.
No DSM-5, são apresentadas cinco principais modalidades de diagnóstico:
1 - Transtorno por uso de substância.
2 - Intoxicação por substância.
3 - Abstinência de substância.
4 - Outros transtornos induzidos por substância.
5 - Transtorno relacionado à substância não especificado.
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 7
PSIQUIATRIA Dependência química
Pois bem, no DSM-5, houve uma fusão entre os diagnósticos que até então conhecíamos como “abuso” e 
“dependência” em uma única nomenclatura e agora ambos são chamados de “transtorno por uso de substância”. 
Fique atento, caro Aluno, pois tanto os termos catalogados na CID-10 quanto os do DSM-5 poderão aparecer em sua 
prova. Apesar disso, para a prova, considere como equivalentes os conceitos de dependência e transtorno por uso 
de substância e não se preocupe com as especificidades de tantos critérios que veremos nesta aula, pois a banca 
quer apenas saber se você consegue identificar intoxicação, abstinência e dependência, tudo bem? 
Estrategista, repito: não se preocupe em decorar critérios, e sim em aprender os conceitos e praticar com os exercícios deste 
capítulo!!
Em linhas gerais, o diagnóstico do transtorno por uso de substância é dado quando ao menos duas das seguintes manifestações 
ocorrem por, no mínimo, 12 meses: 
Critérios para diagnóstico do transtorno por uso de substância, adaptados do DSM-5
1 A substância é frequentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido.
2 Existe um desejo persistente ou esforços malsucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância.
3
Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância, na utilização da substância ou na 
recuperação de seus efeitos.
4 Fissura ou um forte desejo ou necessidade de usar a substância.
5
Uso recorrente da substância, resultando no fracasso em desempenhar papéis importantes no trabalho, na escola ou 
em casa.
6
Uso continuado da substância, apesar de problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes causados ou 
exacerbados por seus efeitos.
7
Importantes atividades sociais, profissionais ou recreacionais são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da 
substância.
8 Uso recorrente da substância em situações em que isso representa perigo para a integridade física.
9
O uso da substância é mantido apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente 
que tende a ser causado ou exacerbado pela substância.
10 Tolerância com necessidade de consumo progressivamente maior ou efeito reduzido após o consumo.
11 Abstinência ou consumo de substância correlata para evitar ou tratar sintomas de abstinência.
Como os critérios de dependência e transtorno por uso de substância são idênticos para todas as substâncias, consulte-os 
aqui sempre que precisar!
American Psychiatric Association, 2014.
Aqui, caro Aluno, já notamos a primeira grande diferença: apenas cinco categorias e, principalmente, onde está a “dependência”?
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 8
PSIQUIATRIA Dependência química
Estrategista, você deve ter notado a grande diferença entre os diagnósticos dos diferentes 
manuais. Veja bem, os critérios da CID-10 são mais rigorosos, exigem que três dos seis critérios 
sejam atingidos durante um ano, o que pode retardar a identificação e o tratamento da doença. Por 
outro lado, os critérios do DSM-5 são mais flexíveis, pois atingindo dois dos 11 critérios em um ano 
é possível diagnosticar de maneira mais precoce o transtorno por uso de substância, reduzindo os 
prejuízos causados pela doença ao indivíduo, sua família e a comunidade. 
As drogas causam dependência por agirem como reforçadoras do centro de prazer cerebral no sistema límbico, 
especialmente através da liberação de dopamina. Essa constatação de que o centro do prazer cerebral esteja no 
sistema límbico é corroborada pela observação de que indivíduos tratados com antipsicóticos, que bloqueiam a 
ação dopaminérgica nessa região, apresentam mais sintomas de anedonia, ou seja, falta de prazer.
Os diagnósticos de intoxicação e de abstinência serão abordados individualmente durante o estudo de cada substância, porque não 
há um padrão geral que possa nos orientar, já que cada substância causa efeitos distintos no sistema nervoso central, levando a sinais e 
sintomas heterogêneos.
Caro Aluno, uma dica preciosa que poderemos utilizar para resolver as questões adiante e para avaliar casos de intoxicação e 
de abstinência por uma determinada substância é reparar que, na prática, muitos dos efeitos encontrados durante uma intoxicação 
aguda serão vistos de forma oposta durante a ocorrência de uma síndrome de abstinência. Ou seja, se um paciente intoxicado por 
uma substância fica taquicárdico, quando estiver abstinente, poderá apresentar bradicardia.
1.2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Agora, vamos entender um pouco mais sobre conceitos importantes que você verá em sua prática clínica e que nos auxiliarão na 
resolução das questões.
1.2.1 CONCEITO DE DEPENDÊNCIA
• Dependência física – por vezes também referida como dependência fisiológica, afeta o indivíduo prejudicando, 
de maneira intensa, seu funcionamento social, seu desempenho laboral ou acadêmico, suas relações interpessoais 
e afetivas. Cursa com o desenvolvimento de tolerância, que obriga o sujeito a consumir doses cada vez maiores 
para atingir o efeito esperado, envolve ainda uma compulsão verdadeira pela substância, a fim de diminuir ou 
evitar sinais e sintomas orgânicos ou psiquiátricos da abstinência.
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 9
PSIQUIATRIA Dependência química
Apesar dessas diferenças teóricas, atualmente, alguns autores recomendam entender o conceito de dependência como único, 
envolvendo um continuum entre sintomas físicos e psíquicos, que se misturam e interagem de maneira complexa com o ambiente, provocando 
consequências biológicas, físicas, psicológicas e sociais.
Além disso, precisamos conceituar o que chamamos de codependência, que é o termo utilizado 
para se referir às pessoas que facilitam o uso da substância, os hábitos e as ações do dependente 
químico. Geralmente são familiares, cônjuges ou amigos muito próximos que negligenciam os efeitos 
perniciosos causados pela substância no indivíduo. Essas pessoas relutam em aceitar que seu ente 
querido tem um sério problema de saúde, ou mesmo, inconscientemente, negam que algo ruim esteja 
acontecendo. Muitos familiares inclusive provêm o dinheiro para a compra da substância, ou ainda 
fazem pessoalmente a aquisição da substância, acreditando que isso afasta o usuário do “perigo das 
ruas”, quando o maior perigo, na verdade, não é esse.
Essa negação existente por parte de algumas pessoas em aceitar o óbvio pode ser entendida psicanaliticamente 
como uma forma de preservação individual, um mecanismo de defesa, que permite que o indivíduo não entre 
em contato com o real problema: “eu nego, logo não existe”. 
1.2.2 CONCEITO DE TOLERÂNCIA
A tolerância também pode ser entendida por diferentes vieses:
• A tolerância inata, ou seja, própria do indivíduo:
• Dependência psicológica – equivalente ao que antigamente se denominava como “hábito”, é caracterizada 
pelo prejuízo do funcionamento, geralmente não tão intenso quanto o causado pela dependência física. Não 
ocorre uma tolerância fisiológica verdadeira e as manifestações da abstinência limitam-se a sintomas psicológicos 
ou comportamentais. 
A tolerância “inata” representa um limiar inato para suportar a ação no organismo de substâncias químicas, uma espécie de 
“resistência natural”. 
• A tolerância adquirida é representada principalmente pelas seguintes formas:
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 10
PSIQUIATRIA Dependência química
A tolerância metabólica ou farmacocinética: acontece quando a substância frequentemente consumida promove uma 
adaptação da metabolização hepática, promovendo uma indução enzimática do citocromo P-450. Dessa forma, mais enzimas 
responsáveis pela metabolização de determinada substância são sintetizadas ou as existentes são hiperativadas, tornando-se mais 
eficazes e promovendo uma metabolização mais rápida e consistente da droga em questão, reduzindo os seus efeitos tóxicos.
A tolerância farmacodinâmica ou celular: ocorre quando a substância recorrentemente consumida promove alterações 
celulares ou neuroquímicas nos seus sítios de ação, causando diversas alterações, como na sensibilidade da membrana celular, 
em canais iônicos, na comunicação de segundos mensageiros, neurotransmissores, dentre outros, aumentando o limiar excitatório 
necessário para produção de uma resposta.
A tolerância comportamental ou aprendida também é uma forma adquirida, que reflete as adaptações promovidas pelo 
usuário de substância em seu comportamento, permitindo o desempenho em condições minimamente aceitáveis de suas atividades 
e responsabilidades, como trabalho, estudos e vida social. 
A tolerância cruzada, que acontece quando um indivíduo exibe uma tolerância por determinada substância, por exemplo, uma 
droga depressora do sistema nervoso central, como o etanol, mas também apresenta tolerância quando consome outra substância 
depressora do sistema nervoso central, como um benzodiazepínico.
Dicionário de Conceitos:
Binge = consumo de uma enorme quantidade de droga durante um único uso.
Craving = fissura, desejo intenso pelo consumo de droga.
Lapso = o paciente em tratamento contra a dependência consome a substância em uma determinada situação, mas segue com 
seu tratamento e seus objetivos terapêuticos.
Recaída = o paciente em tratamento contra a dependência volta ao antigo padrão de consumo de substâncias.
1.2.3 CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS
Caro Aluno, dividiremos, em linhas gerais, as principais drogas em três categorias de funcionamento: as drogas principalmente 
depressoras do sistema nervoso central (SNC), que deprimem e reduzem sua atividade; as drogas principalmente estimulantes do SNC, que 
aumentam sua atividade; e as drogas principalmente perturbadoras do SNC, que distorcem sua atividade e sua percepção da realidade, que 
também são chamadas de “psicodélicas” por alguns autores.
O uso acima do termo “principalmente” se justifica porque diversas substâncias 
podem apresentar mais de um efeito sobre o SNC, como o Ecstasy, que, assim como as outras 
anfetaminas, produz efeitos estimulantes sobre o SNC, contudo, devido à sua forte ação 
sobre o neurotransmissor serotonina, causa proeminentes efeitos alucinógenos, portanto, é 
classificado aqui como droga “perturbadora”. 
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Classificação da ação das principais drogas no SNC
DEPRESSORAS ESTIMULANTES PERTURBADORAS
Barbitúricos Anfetaminas Ácido Lisérgico (LSD, “ácido”)
Benzodiazepínicos Bupropiona Anticolinérgicos
Etanol Cafeína Ayahuasca (“chá do Santo Daime”)
Imidazopiridinas (Drogas “Z”) Cocaína - Crack Cogumelos (diversas espécies)
Inalantes e solventes (lança-perfume, 
“cola de sapateiro”)
Modafinila Ecstasy (MDMA)
Opioides Nicotina Maconha
Legenda da tabela: Classificação da ação das principais drogas no SNC.
CAI NA PROVA
1. (CCANSPS 2016) As drogas de abuso são classificadas conforme sua ação no sistema nervoso central. De acordo com essa classificação, 
podemos afirmar que:
A) A cocaína, crack, anfetamina e ecstasy são classificadas como depressoras do sistema nervoso central. 
B) As drogas que provocam as manifestações clínicas mais significativas são as depressoras por apresentarem dupla dependência, física e 
psicológica.
C) Como exemplo de drogas perturbadoras, temos: álcool, opiáceos (morfina, heroína, codeína, meperidina), barbitúricos e solventes. 
D) São exemplos de drogas de abuso estimulantes do sistema nervoso central o LSD, a maconha e a mescalina.
COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Cocaína, crack e anfetaminas são estimulantes do SNC.
Drogas depressoras da atividade cerebral apresentam sintomas potencialmente mais graves, além de 
também causarem dependência física e psicológica.
Incorreta a alternativa C. Substâncias perturbadoras causam perturbação da atividade cerebral, causando distorções perceptivas, como 
os alucinógenos, o LSD, a quetamina, e também a mescalina. A alternativa cita apenas agentes depressivos.
Incorreta a alternativa D. LSD, mescalina e maconha são agentes perturbadores.
Correta a alternativa B.
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1.2.3.1 ESTÁGIOS MOTIVACIONAIS DE "PROCHASKA E DICLEMENTE"
Muito cobrado em provas, conhecido como “estágios motivacionais de Prochaska e DiClemente”, 
é um modelo teórico comportamental para avaliar e classificar o grau de crítica e de motivação do 
paciente dependente químico, independente da droga utilizada, em realizar seu tratamento para 
alcançar a abstinência, e passa por alguns níveis de classificação:
Prochaska e DiClemente
Estágios Motivacionais Características 
Pré-contemplação (I won’t) O usuário não cogita mudança e nem se preocupa com o assunto.
Contemplação (I might) O paciente assume que tem um problema, é ambivalente e considera mudar.
Preparação (I will) Começa a planejar mudanças, cria condições, revisa tentativas prévias.
Ação (I am) Implementa mudanças verdadeiras, engaja-se com seu objetivo e dedica tempo a ele.
Manutenção (I have) Processo de continuidade da abstinência, para manter os ganhos e prevenir recaídas.
Recaída
Falha na manutenção, com retomada do hábito ou comportamento anterior – retorno a 
qualquer dos estágios anteriores.
CAI NA PROVA
2. (AFAMCI 2018) Um homem com 56 anos de idade, fumante há 25 anos de dois maços de cigarro por dia, quando questionado a respeito 
do tabagismo, refere perceber que o cigarro lhe traz mais desvantagens do que vantagens, mas não tem a intenção de deixar de fumar no 
momento. Nessa situação, esse paciente é considerado dependente químico de nicotina no estágio de:
A) Ação;
B) Recaída;
C) Contemplação;
D) Pré-contemplação;
E) Nenhuma das alternativas acima; 
COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Não há ações concretas e estruturadas, como a redução gradual do número de cigarros consumidos diariamente, 
tampouco uma meta a ser alcançada.
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Incorreta a alternativa B. Para que haja recaída é necessário que se tenha chegado à abstinência e à sua manutenção.
A paciente se encontra na fase de contemplação, pois já reconhece os malefícios que a droga causa, 
apesar de não admitir uma mudança imediata, ela pode ocorrer nos próximos meses.
Incorreta a alternativa D. O paciente reconhece os malefícios do tabagismo, portanto, já superou a fase da pré-contemplação, que tem 
como principal característica a negação.
Incorreta a alternativa E. Alternativa C está correta.
Correta a alternativa C.
CAI NA PROVA
3. (UEM 2018) A motivação é um aspecto chave para compreender por que uma pessoa age de certa maneira e para ajudá-la a modificar seu 
comportamento. Neste contexto, os Estágios Motivacionais de Prochaska e DiClemente foram expandidos para além dos comportamentos 
de adição. Qual dos estágios de mudança listados abaixo tem como característica o indivíduo " iniciar algumas mudanças, planejar, criar 
condições para mudar, revisar tentativas passadas" (a mudança pode acorrer nos próximos 30 dias):
A) Pré-contemplação
B) Manutenção
C) Contemplação
D) Preparação 
E) Recaída
COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Durante a pré-contemplação, o paciente não considera que tem um problema.
Incorreta a alternativa B. A manutenção é a “manutenção da abstinência”.
Incorreta a alternativa C. Contemplação é a etapa em que o paciente assume que tem um problema, mas não adota medidas eficientes 
para o combate de seu vício e ainda sente prazer com o uso.
Durante a preparação, o paciente elabora um planejamento de sua ação e está motivado e engajado com 
o tratamento.
Incorreta a alternativa E. Para haver a recaída é necessário que haja a abstinência e sua manutenção.
Correta a alternativa D.
1.2.3.2 REDUÇÃO DE DANOS
Também abordado por diversas bancas organizadoras e considerado um tema atual no cenário internacional, 
o conceito de redução de danos trata de um conjunto de políticas públicas, práticas médicas, de saúde coletiva e de 
assistência social em que o objetivo é reduzir os danos causados pelas drogas e pela dependência química, sejam eles 
danos médicos, econômicos, culturais e sociais.
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A redução de danos é voltada tanto para o próprio usuário quanto para sua comunidade, considerando que o paciente pode escolher 
entre continuar usando drogas, pode tentar reduzir seu uso ou pode tentar abandoná-las, tendo o direito de decidir o que considera o 
melhor para si.
Ou seja, a prática de redução de danos não é uma política a favor ou contra o uso das drogas, e sim a favor dos direitos humanos e 
do bem-estar social.
Um exemplo clássico de redução de danos é a distribuição gratuita de seringas estéreis e 
preservativos em regiões onde há um alto consumo de drogas, assim como a disponibilização 
de locais seguros para que os usuários possam consumir a substância, receber cuidados 
médicos e assistenciais, reduzindo a disseminação de doenças como sífilis, hepatites e HIV, 
além de diminuir a gravidez indesejada. Desse modo são reduzidas as taxas de violência e 
criminalidade. 
CAI NA PROVA
4. (UEVA 2018) A abordagem a usuários de drogas lícitas e ilícitas tem ganhado grande repercussão nas discussões sobre políticas de saúde. 
As ações de redução de danos são colocadas como alternativa importante nessa abordagem. Qual das medidas listadas a seguir refere- se a 
uma ação da política de redução de danos?
A) Grupos operativos com o objetivo de cessação total do uso de álcool e tabaco.
B) Oferta de seringas a usuários de drogas injetáveis.
C) Internação hospitalar para pacientes em padrão de uso abusivo, com objetivo de reduzir acidentes.
D) Multirõesde consultas com psiquiatras e psicólogos em hospitais psiquiátricos.
COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. A estratégia de redução de danos não tem como premissa que o usuário abandone, ao menos imediatamente, 
o uso da substância. 
A oferta de seringas descartáveis, panfletos com instruções sobre o uso e manejo correto, bem como a 
distribuição de preservativos, diminui a disseminação de doenças infecciosas, sendo uma das principais 
ferramentas da redução de danos.
Incorreta a alternativa C. A internação de usuários não faz parte da estratégia de redução de danos e só ocorrerá em casos graves, quando 
envolve risco elevado de morte.
Incorreta a alternativa D. Mutirões de consultas seriam considerados redução de danos se o objetivo fosse a disseminação de informações 
sobre os direitos dos pacientes, distribuição de preservativos ou seringas. Além disso, aconteceriam em regiões estratégicas de alta 
incidência de uso de drogas.
Correta a alternativa B.
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CAPÍTULO
2.0 DROGAS DEPRESSORAS
2.1 ETANOL
O alcoolismo é um dos maiores problemas de saúde pública 
em nosso país e no mundo. Um dos maiores estudos populacionais 
já feitos sobre o assunto, o II Levantamento Domiciliar sobre o uso 
de Drogas Psicotrópicas no Brasil em 2005, do Centro Brasileiro de 
Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), mostrou que 
12% da população brasileira pesquisada, entre 12 anos e 65 anos, 
foi considerada dependente de álcool.
Ainda segundo o II Levantamento Domiciliar sobre o 
uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil em 2005, as drogas 
mais utilizadas em nosso país são o álcool, o tabaco e a 
maconha, e também são as que mais possuem dependentes 
químicos.
2.1.1 ABSORÇÃO E METABOLISMO
O etanol é absorvido entre 10% a 30% ainda no estômago e o 
restante durante seu trajeto no intestino delgado. Após a absorção, 
o etanol é capaz de cruzar rapidamente a barreira hematoencefálica, 
a barreira placentária e as membranas celulares, promovendo 
seus efeitos citotóxicos. No sistema nervoso central (SNC), liga-se 
a receptores de ácido gama aminobutírico (GABA), promovendo 
sedação a nível central, semelhante à ação dos benzodiazepínicos, 
e ainda causa o bloqueio de receptores NMDA excitatórios de 
glutamato, piorando o rebaixamento sensorial, com seu pico sérico 
sendo atingido entre 30 minutos e 90 minutos após o consumo.
Aproximadamente 90% do álcool absorvido é metabolizado por meio de oxidação no fígado pelo mecanismo da enzima álcool 
desidrogenase (ADH), que transforma o álcool em acetaldeído, que, por sua vez, é transformado em ácido acético pela enzima aldeído 
desidrogenase. Já o citocromo P-450 atua em pequena porcentagem nos etilistas crônicos, metabolizando o álcool através da indução de sua 
isoenzima 2E1. Os menos de 10% restantes são excretados inalterados pelos rins e pulmões. 
Fonte: Shutterstock.
Fonte: Shutterstock. m
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Etanol Acetaldeído Ácido Acético
Álcool
desidrogenase
Acetaldeído
desidrogenase
A taxa de consumo de álcool é mensurada por um parâmetro chamado “unidade alcoólica” (U), que corresponde a 10 gramas 
de álcool puro. 
Risco Homens Mulheres
Baixo Risco < 21 U por semana < 14 U por semana 
Uso Nocivo 21 U – 50 U por semana 14 U – 35 U por semana
Dependência > 50 U por semana > 35 U por semana
2.1.2 INTOXICAÇÃO ALCOÓLICA
Assim como veremos nas demais drogas depressoras do SNC, os critérios da intoxicação aguda, segundo o DSM-5, são praticamente 
iguais para todas essas substâncias, com algumas particularidades clínicas que serão discutidas em cada caso.
Critérios da Intoxicação por álcool, adaptados do DSM-5
A Ingestão recente de álcool.
B
Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas e problemáticas desenvolvidas durante ou 
logo após a ingestão de álcool.
C Um (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas, desenvolvidos durante ou logo após o uso de álcool:
1 Fala arrastada.
2 Incoordenação.
3 Instabilidade na marcha.
4 Nistagmo.
5 Comprometimento da atenção ou da memória.
6 Estupor ou coma.
D Os sintomas apresentados pelo paciente não são explicados por outras causas.
American Psychiatric Association, 2014.
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A intoxicação alcoólica, na maioria das vezes, apresenta um curso benigno e autolimitado, durando apenas algumas horas e resolvendo-
se por completo sem deixar quaisquer consequências físicas maiores.
Apresentação clínica conforme a alcoolemia:
20 - 30 mg/dL – Lentificação psicomotora, prejuízos da atenção.
30 - 80 mg/dL – Prejuízos cognitivos mais intensos e piora no desempenho de marcha e coordenação motora, fala arrastada.
80 - 200 mg/dL – Incapacidade em manter a coordenação motora, labilidade afetiva, prejuízo cognitivo muito intenso, perda 
do juízo crítico.
200 - 300 mg/dL – Nistagmo, alteração do nível de consciência.
> 300 mg/dL – Risco muito alto de lesões cerebrais permanentes e de morte.
O manejo clínico do paciente agudamente intoxicado envolve interromper o uso da substância, manter o indivíduo em um ambiente 
calmo, com poucos estímulos ambientais, posicioná-lo preferencialmente em decúbito lateral, para que não haja broncoaspirações decorrentes 
de vômitos, observando o paciente por algumas horas.
Além disso, em todos os casos, está indicado o uso de vitamina B1, também chamada de tiamina, preferencialmente por via parenteral, 
para garantir plena absorção da droga. Seu uso se justifica como prevenção do surgimento da síndrome de Wernicke-Korsakoff.
É fundamental lembrar, caro Aluno, que é ideal a administração de tiamina cerca de 30 minutos 
antes da reposição de glicose ou hidroeletrolítica, que apenas deverá ser realizada se houver 
uma indicação clínica, caso o paciente se apresente hipotenso, hipoglicêmico ou desidratado, 
pois a administração indiscriminada de fluidos e glicose poderá precipitar o surgimento da 
síndrome de Wernicke Korsakoff ou, ainda, agravá-la.
Os pacientes etilistas podem desenvolver um quadro agudo de encefalopatia conhecido como síndrome 
de Wernicke-Korsakoff, caracterizado por amnésia, confabulações (criação de falsas memórias), alucinações, 
oftalmoparesia, ataxia, confusão mental (tríade clássica), sendo considerada uma emergência médica. A causa é 
decorrente da deficiência de tiamina e seu tratamento consiste na reposição dessa vitamina, cofator de enzimas 
importantes no metabolismo energético, preferencialmente por via parenteral.
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5. (UFES 2016) São critérios diagnósticos para síndrome de abstinência ao álcool, definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 
exceto.
A) Taquicardia.
B) Tremores.
C) Agitação psicomotora.
D) Alucinações.
E) Ataxia.
COMENTÁRIOS:
Preste muita atenção, caro Aluno, porque ataxia é clássico da intoxicação alcoólica. Você já deve ter visto 
alguém com dificuldades de caminhar após consumir álcool, não é mesmo? Os demais sintomas são típicos
do quadro de abstinência, que veremosa seguir.
Correta a alternativa D.
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6. (UFRJ 2017) Homem, 62 anos, alcoólatra, apresenta confusão mental, oftalmoplegia com nistagmo e ataxia cerebelar de instalação aguda. 
Este quadro emergencial chama-se:
A) Encefalopatia de Wernicke.
B) Delirium tremens.
C) Síndrome de Korsakoff.
D) Demência por corpúsculos de Lewy.
COMENTÁRIOS:
Apesar de pouco comum, a tríade clássica da encefalopatia de Wernicke está presente de forma aguda 
em um paciente etilista, sendo esse o provável diagnóstico. Esse paciente deve receber tratamento com 
tiamina por via parenteral imediatamente.
Incorreta a alternativa B. Dentre os sintomas de síndrome de abstinência alcoólica, podemos encontrar o delirium tremens (48h a 96h após 
a interrupção do uso de álcool). Caracteriza-se por tremores intensos, alucinações, desorientação, taquicardia, hipertensão, hipertermia, 
agitação e diaforese intensa. 
Incorreta a alternativa C. A síndrome de Korsakoff consiste em um quadro crônico, com prejuízos na memória anterógrada e confabulações 
(produção de memória falsa ou fantasiosa).
Incorreta a alternativa D. Demência por corpúsculos de Lewy é uma síndrome demencial que cursa com sintomas parkinsonianos rígido-
acinéticos, alucinações visuais, hipersensibilidade aos neurolépticos e flutuação do nível de consciência. 
Correta a alternativa A.
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 20
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Caso os pacientes agudamente intoxicados se apresentem com agitação psicomotora, agressividade ou com sintomas psicóticos 
agudos, o uso do antipsicótico típico Haloperidol pode ser empregado pela via intramuscular para controle dos sintomas. 
Drogas que possuem elevado potencial sedativo, como benzodiazepínicos, Prometazina, antipsicóticos 
típicos de baixa potência, como a Clorpromazina, devem ser evitadas, devido a seu risco de causar uma piora 
do rebaixamento do nível de consciência e uma possível parada respiratória. Os antipsicóticos ainda podem 
provocar convulsões, sendo outro motivo para serem evitados. O Haloperidol, que é pouco sedativo e reduz 
pouco o limiar para convulsão, pode ser empregado quando houver indicação clínica adequada, como presença 
de psicose ou agerssividade intensa.
Por fim, em caso de crises convulsivas durante um episódio de intoxicação alcoólica aguda, o uso muito cauteloso de um benzodiazepínico, 
como o Diazepam, poderá ser realizado se necessário, atentando-se ao risco de sinergia entre o etanol e o fármaco, que pode produzir intensa 
sedação em nível central e parada cardiorrespiratória. 
Lembre-se, Estrategista, drogas psicotrópicas pela via parenteral só devem ser utilizadas quando houver uma adequada 
retaguarda clínica, na presença de uma equipe devidamente capacitada para atender imediatamente as eventuais intercorrências.
2.1.3 ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA
O quadro da síndrome de abstinência alcoólica (SAA) pode 
se iniciar 6 horas depois do último consumo de álcool ou mesmo da 
redução da quantidade de álcool consumida por etilistas pesados. 
A SAA é representada por sintomas como tremores em membros 
superiores, que são geralmente as primeiras manifestações clínicas, 
além de ansiedade, irritabilidade, alterações de atenção, náuseas, 
febre, taquipneia, sudorese e outros indícios de ativação do sistema 
nervoso autonômico, como piloereção, taquicardia e alterações de 
pressão arterial. Em pacientes dependentes, mas com história de 
consumo de menores quantidades de álcool etílico, os sintomas 
podem aparecer somente após as 24 horas da interrupção.
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 21
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Critérios da abstinência de álcool, adaptados do DSM-5
A Cessação (ou redução) do uso pesado e prolongado de álcool.
B
Dois (ou mais) dos seguintes sintomas, desenvolvidos no período de algumas horas a alguns dias após a cessação 
(ou redução) do uso de álcool:
1 Hiperatividade autonômica (p. ex., sudorese ou frequência cardíaca maior que 100bpm).
2 Tremor aumentado nas mãos.
3 Insônia.
4 Náusea ou vômitos.
5 Nistagmo.
6 Alucinações ou ilusões visuais, táteis ou auditivas transitórias.
7 Agitação psicomotora.
8 Ansiedade.
9 Convulsões tônico-clônicas generalizadas.
2.1.4 DELIRIUM TREMENS (DT)
Em uma pequena parcela dos pacientes há o agravamento 
da SAA, podendo ocorrer uma crise convulsiva, geralmente em 
um único episódio, além de sintomas psicóticos, como alucinações 
auditivas ou visuais, e prejuízo agudo em seu nível de atenção e 
consciência, em um quadro que chamamos de delirium tremens 
(DT).
O DT é uma complicação aguda de um quadro de síndrome 
de abstinência grave e geralmente surge entre o segundo e o 
terceiro dia após o início dos sintomas, apesar de poder também 
CAI NA PROVA
7. (HSI – SE 2019) A. G. R. tem 30 anos de idade, alcóolatra. Foi internado em hospital para avaliação de uma suspeita de convulsões à 
abstinência. Após dois dias ele se tornou confuso, desorientado e hiperpirético e teve alucinações visuais. Com estes dados, marque a terapia 
mais adequada usada pelo Médico que atendeu A.G.R.
A) Corticosteroides.
B) Vitaminas do Complexo B.
C) Difenil-hidantoína.. 
D) Clordiazepóxido. 
E) Não há resposta correta para esta questão.
American Psychiatric Association, 2014.
aparecer posteriormente. O DT demonstra uma mortalidade de 
5% a 25%, sendo maior especialmente em pacientes idosos ou 
naqueles indivíduos com comorbidades clínicas ou comorbidades 
psiquiátricas.
O delirium tremens tem um curso que pode durar entre uma 
semana até dois meses, contudo, geralmente é resolvido em cerca 
de 10 a 14 dias naqueles que recebem um tratamento adequado, 
sendo um pouco mais extenso em pacientes idosos.
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 22
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COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Corticoides não são úteis no tratamento da síndrome abstinência alcoólica.
Incorreta a alternativa B. Tiamina ou vitamina B1 deve ser administrada por via intramuscular ou endovenosa, como abordagem inicial nos 
pacientes etilistas, para evitar o surgimento da síndrome de Wernicke-Korsakoff, não para evitar a recorrência de convulsões. “Complexo 
B” possui uma pequena quantidade de tiamina, não sendo a apresentação ideal.
Incorreta a alternativa C. Fenitoína está contraindicada nos casos de abstinência alcoólica, podendo, inclusive, sensibilizar o paciente a 
novas crises convulsivas.
Diazepam, clordiazepóxido, lorazepam são benzodiazepínicos, classe medicamentosa de escolha para 
tratamento e profilaxia de convulsões nos casos de abstinência alcoólica.
Incorreta a alternativa E. Resposta correta alternativa D.
Correta a alternativa D.
2.1.5 TRATAMENTO DA SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA
Para se determinar onde deverá acontecer o tratamento do paciente etilista com síndrome de abstinência alcoólica, devemos considerar 
alguns fatores para classificarmos entre “nível I”, quando o tratamento deverá ser prioritariamente direcionado para o seu domicílio ou para 
um setor ambulatorial especializado, ou “nível II”, quando os indivíduos deverão ser preferencialmente encaminhados para a rede hospitalar:
Níveis da Síndrome de Abstinência Alcoólica
Os sinais e sintomas da abstinência alcoólica são de intensidade leve ou moderada, sem prejuízo
da capacidade de crítica ou sintomas psicóticos, presença de um bom suporte social e familiar, acesso
à saúde quando necessário, sem presença de complicações clínicas ou comorbidades relevantes.
Os sinais e sintomas da abstinência são graves, geralmente incluem perda do juízo crítico,sintomas 
psicóticos ou convulsões. O suporte familiar e social não tem sido capaz de promover os cuidados 
adequados ao paciente, que geralmente apresenta complicações decorrentes do uso de álcool e 
comorbidades clínicas ou psiquiátricas.
1
2
O tratamento da síndrome de abstinência alcoólica é realizado conforme o quadro clínico do 
paciente e o local de tratamento. A parte medicamentosa é baseada na reposição de 300 mg ao dia de 
tiamina (B1), preferencialmente por via parenteral, pelos primeiros 7 a 14 dias, associada ao uso de 
benzodiazepínicos de longa duração, de acordo com a necessidade clínica do paciente, com objetivo 
de reduzir os sintomas da síndrome de abstinência alcoólica e prevenir o surgimento do quadro de 
delirium tremens.
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Em casos leves e moderados, o Diazepam poderá ser utilizado, 
entre 20 mg até 40 mg ao dia, ou o Lorazepam, entre 4 mg até 
8 mg ao dia, sendo retirados lentamente após a primeira semana 
ou após a estabilização clínica do paciente. O benzodiazepínico 
Clordiazepóxido, apesar de ser pouco utilizado na prática clínica, 
também pode ser prescrito, entre 100 mg e 200 mg ao dia.
Nos casos graves, em que os pacientes se encontram 
hospitalizados, doses maiores de benzodiazepínicos poderão ser 
O Lorazepam é a medicação de escolha para os pacientes com doença hepática, pois apresenta menor 
toxicidade do que os demais benzodiazepínicos.
O uso do antipsicótico Haloperidol poderá ser indicado na presença de agressividade, agitação psicomotora ou sintomas psicóticos, 
chamados de alucinose alcoólica. Alguns médicos ainda costumam prescrever bloqueadores adrenérgicos, como Propranolol, para reduzir 
sintomas de ativação autonômica, mas fique atento, caro Aluno, pois essas medicações são apenas de caráter sintomático!
CAI NA PROVA
8. (UFRJ 2019) Empresário, 50 anos, tem o hábito de beber de quatro a seis doses de uísque diariamente ao chegar em casa, interrompido ao 
viajar com a família. No terceiro dia de viagem, apresenta ansiedade, tremor nos membros superiores, taquicardia e insônia. O medicamento 
mais adequado para o tratamento destes sintomas é:
A) Paroxetina.
B) Clorpromazina.
C) Diazepam. 
D) Clozapina.
utilizadas, até mesmo com doses administradas a cada duas horas, 
de acordo com a intensidade dos sintomas apresentados pelo 
paciente, que devem ser adequadamente monitorizados devido ao 
risco de sedação excessiva. 
Além disso, esses pacientes podem apresentar rápida 
desidratação devido à franca sudorese, agitação psicomotora 
e febre, devendo receber a adequada reidratação e correção 
hidroeletrolítica.
COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Paroxetina, um antidepressivo ISRS, não está indicada no manejo do quadro de abstinência alcoólica. 
Incorreta a alternativa B. Clorpromazina, um antipsicótico típico de características sedativas, não deve ser utilizada no caso, por aumentar 
a chance de convulsões, devido à sua ação de redução do limiar convulsivo.
O paciente em questão apresenta quadro compatível de síndrome de abstinência alcoólica, sendo que o 
manejo farmacológico inicial adequado é com uso de tiamina e diazepam (ou outro benzodiazepínico). 
Posteriormente, caso haja a agitação ou sintomas psicóticos, haloperidol pode ser utilizado.
Incorreta a alternativa D. Clozapina, um antipsicótico atípico, não está indicada nos casos de abstinência alcoólica, sendo reservada para 
casos graves e refratários de esquizofrenia.
Correta a alternativa C.
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2.1.6 DEPENDÊNCIA ALCOÓLICA
O paciente dependente de álcool é aquele que consome frequentemente 
a droga e sofre prejuízos funcionais importantes, normalmente se envolve em 
problemas interpessoais, conflitos conjugais, é incapaz de manter de forma 
adequada sua rotina e suas responsabilidades sociais, em decorrência do seu uso. 
O tratamento medicamentoso da síndrome de dependência de álcool baseia-se na 
prescrição de fármacos que ajudem a reduzir a fissura em consumir a droga, ou que 
reduzam o prazer sentido pelo paciente ao consumir a substância, ou, então, causem 
efeitos aversivos e desagradáveis caso o álcool seja ingerido. Alguns prescritores 
também costumam acrescentar (de maneira “off-label”) medicamentos sedativos 
ou redutores de impulsos para tentar diminuir a busca ativa ou impulsiva pela 
substância, por exemplo, como fuga para algum problema pessoal.
O Dissulfiram é um fármaco que age inativando a enzima acetaldeído desidrogenase, responsável pela conversão do acetaldeído 
(um metabólito do etanol) em ácido acético, causando um acúmulo de acetaldeído na corrente sanguínea, desencadeando o famoso “efeito 
antabuse”, podendo produzir taquiarritmias, precordialgia, cefaleia, ruborização da face, desmaios e convulsões. Esse medicamento só deve 
ser prescrito para pacientes motivados e cientes do seu uso, pelo risco de efeitos colaterais graves e até mesmo potencialmente fatais, 
devendo o médico prescritor preferencialmente registrar a aceitação do paciente em prontuário, através de um termo de consentimento livre 
e esclarecido (TCLE).
Etanol Acetaldeído
Efeito 
Antabuse
Álcool 
desidrogenase
Dissulfiram inativa 
o acetaldeído 
desidrogense
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9. (AMRIGS 2017) Em relação ao uso do Dissulfiram no manejo do alcoolismo, assinale a alternativa INCORRETA.
A) É recomendado na gestão da dependência de álcool em pacientes selecionados, altamente motivados e que estejam com apoio 
psicoterapêutico. 
B) É adequado prescrever sem o consentimento do paciente.
C) O uso pode reduzir o consumo de álcool, mas não melhora abstinência total ou possíveis recaídas. 
D) Evitar o uso concomitante com álcool ou qualquer alimento (incluindo vinagre, xaropes, bombons com licor) ou produtos de uso tópico 
(loção para barba, perfumes, antissépticos orais) que contenham álcool na sua formulação.
E) O uso oral supervisionado é eficaz quando incorporado a um tratamento que inclua uma abordagem de reforço comunitário; isto 
é, intervenções elaboradas com a finalidade de criar novas habilidades sociais, por meio de aconselhamento, além de atividades de 
ressocialização (por exemplo: clubes socias) e recreacionais, que estimulem a abstinência.
Fonte: Shutterstock.
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COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Atenção, estamos procurando a incorreta! Dissulfiram é um medicamento que promove o acúmulo de acetaldeído 
(um metabólito do etanol) e promove sintomas desagradáveis quando acumulado no organismo, o chamado “efeito antabuse”, assim, 
só deve ser prescrito para pacientes motivados e cientes do seu uso, pelo risco de efeitos colaterais graves e até mesmo potencialmente 
fatais.
O Dissulfiram só deve ser prescrito para pacientes motivados, pois com o uso do medicamento e a 
persistência do uso de álcool, pode haver consequências graves.
Incorreta a alternativa C. O uso da medicação não melhora efeitos da abstinência. Seu principal efeito é tornar o consumo do álcool uma 
experiência desagradável.
Incorreta a alternativa D. O álcool e produtos alcoólicos podem ser absorvidos por via cutânea e por mucosas, acarretando o acúmulo de 
acetaldeído e surgimento do efeito antabuse.
Incorreta a alternativa E. O tratamento da dependência química envolve, além da farmacoterapia, atividades em grupo, psicoterapia, 
alteração dos estímulos/gatilhos para seu uso, como consumo de outras drogas, entre outras abordagens.Correta a alternativa B.
A Naltrexona é uma droga com propriedades antiopióides que torna a experiência de consumir álcool “menos prazerosa”. Já o 
Acamprosato (não disponível no Brasil) age através de modulação de receptores GABAérgicos e glutamatérgicos, reduzindo a fissura pela 
ingestão de bebidas alcoólicas.
Os anticonvulsivantes como o Topiramato, o Ácido Valproico e a Carbamazepina são prescritos de forma off-label por muitos 
profissionais, pela sua ação sedativa e redutora de impulsos.
Principais fármacos envolvidos no tratamento da dependência alcoólica, mecanismo de ação, dosagens terapêuticas, 
efeitos colaterais (EC) e contraindicações
Acamprosato 333 mg
Mecanismo: agonismo GABAérgico e antagonismo glutamatérgico. 
Doses terapêuticas: entre 1332 mg ao dia até 1998 mg ao dia.
EC: diarreia, vômitos, prurido.
Contraindicado em insuficiência renal ou hepática.
Dissulfiram 250 mg
Mecanismo: inativação da enzima acetaldeído desidrogenase e acúmulo de acetaldeído.
Doses terapêuticas: entre 250 mg ao dia até 500 mg ao dia.
EC: precordialgia, taquidispneia, rubor facial, letargia, tontura, convulsões e risco de morte.
Contraindicado em epiléticos, insuficiência hepática ou renal, cardiopatia grave.
OBS: paciente deverá concordar com o uso e assinar o TCLE.
Naltrexona 50 mg
Mecanismo: antagonismo opioide, reduzindo o prazer de consumir álcool.
Dose terapêutica: entre 25 mg ao dia até 50 mg ao dia.
EC: náuseas, vômitos, tontura.
Contraindicada em insuficiência hepática.
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O questionário CAGE é uma ferramenta rápida de rastreio de problemas relacionados ao uso de 
álcool e é composto por quatro perguntas, sendo muito cobrado nas provas: 
1. Você já tentou diminuir ou cortar (Cut down) a bebida?
2. Você já ficou incomodado ou irritado (Annoyed) com outros porque criticaram seu jeito de beber?
3. Você já se sentiu culpado (Guilty) por causa do seu jeito de beber?
4. Você já teve que beber para aliviar os nervos ou reduzir os efeitos de uma ressaca (Eye-opener)?
O CAGE tem sensibilidade e especificidade superiores a 80% na detecção de problemas relacionados ao uso de 
álcool quando duas ou mais das quatro perguntas formuladas forem afirmativas.
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10. (SEMAD 2016) O CAGE é um questionário simples e rápido amplamente utilizado como triagem, para detectar uso abusivo de álcool. 
Marque a opção correta sobre este instrumento. 
A) Utiliza cinco perguntas para avaliação. 
B) Ter agredido alguém verbal ou fisicamente sob efeito de álcool é uma das questões desse instrumento.
C) O “a” significa eye-opener; e diz respeito ao fato de o paciente beber pela manhã para diminuir o nervosismo ou ressaca.
D) Duas ou mais respostas positivas indicam uso abusivo de álcool.
E) O CAGE não é mais tão amplamente usado atualmente, uma vez que o AUDIT é mais sensível e específico.
COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. São 4 perguntas.
Incorreta a alternativa B. Não há perguntas sobre agressão.
Incorreta a alternativa C. A letra “a” do questionário é de “annoyed”, ou seja, “você já se sentiu incomodado pelas críticas?”.
Correto! Duas questões positivas é um indicativo de problemas relacionados ao uso de álcool.
Incorreta a alternativa E. O questionário CAGE é amplamente utilizado na prática clínica, devido à sua rapidez e praticidade, aliadas à boa 
sensibilidade e especificidade. O questionário AUDIT é composto por 10 perguntas, sendo mais demorada sua aplicação, com sensibilidade 
e especificidade parecidas com o CAGE.
Correta a alternativa D.
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 27
PSIQUIATRIA Dependência química
O questionário AUDIT é outra ferramenta para rastreio de problemas relacionados ao álcool, muito menos 
presente nas provas de Residência Médica. É composto por 10 perguntas e cada questão tem uma pontuação 
de 0 a 4, possibilitando uma pontuação final de 0 a 40 pontos. Diferentemente do CAGE, que não avalia 
quantitativamente o uso de álcool, o AUDIT avalia diversos níveis de uso de álcool, desde o não uso até a 
provável dependência, além do consumo nos últimos 12 meses.
Além do uso de medicações, métodos psicoterápicos, como psicoterapia individual, participação em grupos de ajuda mútua como os 
Alcoólicos Anônimos, envolvimento em atividades de terapia ocupacional e apoio social e familiar são fundamentais. Além disso, diversas 
condições psiquiátricas também podem estar relacionadas ao uso de álcool ou agravá-lo, como quadros depressivos, transtorno do humor 
bipolar, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, esquizofrenia, transtornos de personalidade, dentre outros, e nesses casos o 
transtorno psiquiátrico primário poderá ser o alvo principal do tratamento farmacológico.
Motivar o
paciente
Diagnosticar
e tratar
comorbidades
Apoio social e 
familiar
Métodos 
psicoterápicos
Lesão
Muscular
Medicação
2.2 ANSIOLÍTICOS, HIPNÓTICOS E SEDATIVOS
Estrategista, agruparemos, aqui, algumas drogas correlatas, muito utilizadas na prática 
clínica de diversas especialidades, que apresentam efeitos depressores sobre o sistema nervoso 
central, dentre eles os benzodiazepínicos, as imidazopiridinas, também conhecidas como drogas 
“Z”, e os barbitúricos.
Os fármacos benzodiazepínicos, assim como os barbitúricos, atuam como 
agonistas dos receptores de ácido gama-aminobutírico (GABA) tipo “A”, reduzindo 
a excitação neuronal através de sua ligação nas subunidades alfa 1 e alfa 2, levando 
a um estado de depressão central. As drogas “Z” também são agonistas dos 
receptores GABA-A, contudo bloqueiam seletivamente a subunidade alfa 1.
Fonte: Shutterstock.
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Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2023 28
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Estimativas atuais apontam que ao menos 50 milhões de pessoas no mundo façam um uso diário de fármacos benzodiazepínicos, 
especialmente mulheres acima dos 50 anos de idade com comorbidades psiquiátricas ou clínicas. Os maiores prescritores dessas drogas 
são os clínicos gerais. Além disso, essa classe farmacêutica é responsável por ao menos metade das prescrições de psicofármacos em todo o 
mundo.
Os benzodiazepínicos foram desenvolvidos pelo químico e doutor polonês Leo H. Sternbach, 
na metade do século XX, que nomeou sua descoberta farmacológica fazendo referência ao anel de 
benzeno presente na fórmula.
Classificação dos benzodiazepínicos conforme sua meia-vida em horas:
ALPRAZOLAM 6 – 20
BROMAZEPAM 6 – 12
CLOBAZAM 18 – 40
CLONAZEPAM 19 – 42
CLORDIAZEPÓXIDO 10 – 29 
DIAZEPAM 14 – 61
MIDAZOLAM 1 – 3
LORAZEPAM 9 – 22
ZOLPIDEM* 2 – 4 
Legenda da tabela: *Drogas "Z".
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11. (Hospital do Açúcar 2017) Os Benzodiazepínicos (BZDs) devem seu nome à sua estrutura molecular constituída por um anel benzeno e, 
como podem produzir tolerância e dependência, sua aplicação deve ser bastante criteriosa, mesmo sendo classificado como uma substância 
de baixa toxicidade e, portanto, segura. Dentre os dados epidemiológicos a seguir, aponte o único que esteja INCORRETO.
A) Maior a incidência em mulheres acima de 50 anos com problemas médicos e psiquiátricos.
B) Atualmente, 1 em cada 10 adultos recebe prescrições de BZDs a cada ano, a maioria por Psiquiatras. 
C) Os BZDs são responsáveis por cerca de 50% de toda a prescrição de psicotrópicos. 
D) Estima-se que cada clínico tenha em sua lista 50 pacientes dependentes de Benzodiazepínicos.
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COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Atenção! A banca quer a incorreta! Realmente, a maior incidência de prescrições de ansiolítico é em mulheres, 
especialmente após os 40 anos. Lembre-se: transtornos do humor e transtornos ansiosos são duas a três vezes mais prevalentes em 
mulheres.
Essa alternativa está incorreta! Apesar de dificilmente conhecermos essa estatística (não é 
mesmo?), podemos presumir que os benzodiazepínicos, medicações de baixíssimo custo, têm sua
prescrição disseminada por inúmeras especialidades. Onde a maior parte da população do país é atendida? Na atenção básica! Portanto, 
não são os psiquiatras os maiores prescritores desses medicamentos e essa alternativa deve ser assinalada.
Incorreta a alternativa C. Metade dos psicotrópicos prescritos no País é de benzodiazepínicos.
Incorreta a alternativa D. O dado é correto, além disso, acredita-se que um terço dos pacientes em uso de benzodiazepínico deseja parar.
Correta a alternativa B.
Antes da década de 1950, os barbitúricos eram os sedativos e ansiolíticos mais prescritos do mercado, com diversas indicações clínicas, 
como insônia, ansiedade, tensão muscular, agitação e tratamento da epilepsia. Contudo, os barbitúricos possuem um alto potencial de abuso, 
além de apresentarem um índice de segurança baixo e faixa terapêutica estreita, atingindo doses potencialmente letais quando ingeridos 
apenas entre cinco e 10 vezes acima de sua dose terapêutica. Quando lançados comercialmente, os benzodiazepínicos logo conquistaram seu 
lugar nas prescrições dos médicos do mundo todo, devido ao seu perfil de muita segurança, com sua dose letal distanciando-se em cerca de 
200 vezes da dose terapêutica, baixo custo e com menor potencial aditivo.
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12. (UFPB 2020) Laura procura a Unidade Básica de Saúde para a renovação da receita de diazepam. A médica de família e comunidade, 
Cíntia, conversa com ela no acolhimento e descobre que a medicação foi prescrita por um psiquiatra há anos, e desde então vinha sendo 
renovada pela equipe de outra UBS onde a senhora consultava. Na consulta, não se identifica nenhum quadro que justifique o uso de 
medicação. Com base nisso, Cíntia deve:
A) Elaborar um encaminhamento para o psiquiatra, sem o qual não é possível avaliar a suspensão do uso de benzodiazepínico.
B) Substituir o diazepam por um benzodiazepínico de meia-vida mais curta, a fim de iniciar a sua retirada na próxima consulta.
C) Propor a retirada gradual do benzodiazepínico, tendo como meta inicial garantir a retirada de 50% da dose em duas semanas.
D) Ofertar para Dona Laura um breve período de internação, a fim de realizar a retirada total da medicação e manejar a abstinência.
E) Renovar a medicação, considerando que após um ano de uso de diazepam não há melhora de desempenho cognitivo ao retirá-lo.
COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. A paciente deve ser orientada sobre os riscos do uso benzodiazepínicos por longos períodos, como prejuízo 
cognitivo, lentificação motora, aumento do risco de quedas e fraturas, aumento do risco de envolvimentos em acidentes de trabalho e de 
trânsito, dentre outros, e ser orientada sobre a necessidade da retirada da droga.
Incorreta a alternativa B. Diazepam é um fármaco de meia-vida longa, superior a 48 horas e interrompê-lo abruptamente ou trocá-lo por 
uma benzodiazepina de meia vida curta pode gerar sintomas de abstinência.
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Retirar lentamente a medicação, ao longo de semanas, reduz o risco de sintomas graves de abstinência 
da droga. Caso a paciente estivesse usando uma benzodiazepina de meia-vida curta, como midazolam ou 
alprazolam, deveríamos trocá-la por uma de meia-vida longa, como o diazepam ou o clonazepam, e fazer o desescalonamento gradual da 
dose.
Incorreta a alternativa D. Não há necessidade de internação psiquiátrica caso a paciente seja bem orientada e siga as recomendações 
médicas.
Incorreta a alternativa E. Qualquer medicação deve ser prescrita com uma indicação técnica clara, dentro de uma proposta terapêutica. 
A cessação do uso poderá reverter sintomas de prejuízos psicomotores.
Correta a alternativa C.
2.2.1 INTOXICAÇÃO POR ANSIOLÍTICOS, HIPNÓTICOS E SEDATIVOS
A apresentação clínica da intoxicação por essas substâncias é muito semelhante, também similar à intoxicação por etanol, com 
critérios diagnósticos idênticos, segundo o DSM-5, devido à ação comum de todas essas substâncias como depressoras do sistema nervoso 
central. O DSM-5 ainda sugere que para a avaliação do diagnóstico diferencial entre intoxicação por hipnossedativos e etanol deve ser levada 
em consideração a presença de odor alcoólico.
Critérios da intoxicação por ansiolíticos, hipnóticos e sedativos, adaptados do DSM-5
A Uso recente de um sedativo, hipnótico ou ansiolítico.
B Alterações comportamentais ou psicológicas. 
C Um (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas, desenvolvidos durante ou logo após o uso de álcool:
1 Fala arrastada.
2 Incoordenação.
3 Instabilidade na marcha.
4 Nistagmo.
5 Comprometimento da atenção ou da memória.
6 Estupor ou coma.
American Psychiatric Association, 2014.
O manejo da intoxicação aguda por essas substâncias varia conforme a gravidade do quadro:
• Intoxicações de leve a moderada intensidade: garantir a monitorização e a observação clínica por algumas horas pode 
ser suficiente, pois o quadro será resolvido assim que os efeitos da droga ingerida passarem, de acordo com sua meia-vida.
• Intoxicações graves: proteger a via aérea, descontaminação gástrica, estabilização clínica de intercorrências como 
arritmias, parada respiratória, hipotermia, convulsões, hipotensão grave e choque. 
Para as intoxicações graves por benzodiazepínicos ou drogas “z”, o antídoto específico Flumazenil poderá ser empregado. Já nos casos 
de intoxicações por barbitúricos, não há um antídoto específico.
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2.2.2 DEPENDÊNCIA E ABSTINÊNCIA DE SEDATIVOS, HIPNÓTICOS OU ANSIOLÍTICOS
A síndrome de abstinência desses fármacos cursa com sintomas opostos aos causados fisiologicamente por eles e inicia-se um dia 
após a suspensão do fármaco, para aqueles usuários de medicações de meia-vida curta, como o Alprazolam ou Zolpidem, ou mesmo após 
cinco dias a 10 dias da suspensão de drogas de meia-vida longa, como o Diazepam, Clordiazepóxido ou o Fenobarbital. Pode ocorrer insônia, 
ansiedade, tensão muscular, irritabilidade e, em casos graves, crises convulsivas.
Critérios da abstinência de ansiolíticos hipnóticos e sedativos, adaptados do DSM-5
A Cessação (ou redução) do uso pesado e prolongado de álcool.
B
Dois (ou mais) dos seguintes sintomas, desenvolvidos no período de algumas horas a alguns dias após a cessação 
(ou redução) do uso de álcool:
1 Hiperatividade autonômica.
2 Tremor aumentado nas mãos.
3 Insônia.
4 Náusea ou vômitos.
5 Alucinações ou ilusões visuais, táteis ou auditivas transitórias.
6 Agitação psicomotora.
7 Ansiedade.
8 Convulsões tônico-clônicas generalizadas.
O manejo de uma crise de abstinência e da dependência é similar, com a utilização de um benzodiazepínico de longa duração, como 
o Diazepam, para reduzir os sintomas agudos e evitar o agravamento da síndrome de abstinência, que pode ser fatal.
O anticonvulsivante Carbamazepina também pode ser considerado como uma opção terapêutica para o 
tratamento da síndrome de abstinência, com dose de 800 mg ao dia.
Após a estabilização clínica, deve-se reduzir lentamente a dosagem da droga empregada, cerca de 10% a 20% ao dia, ou mesmo ao 
longo de semanas ou meses no caso depacientes que são considerados dependentes graves ou de longa data.
American Psychiatric Association, 2014.
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PSIQUIATRIA Dependência química
CAI NA PROVA
13. (HOB 2016) Paciente masculino de 32 anos de idade, em acompanhamento irregular em diversos serviços de psiquiatria em razão 
de transtorno ansioso generalizado e dependência de benzodiazepínicos, agitado e trêmulo, invade sala de atendimento. Considerando 
essa situação hipotética e sabendo que, logo em seguida, o paciente manifestou um dos sinais maiores da síndrome de abstinência por 
benzodiazepínicos, de acordo com o Projeto Diretrizes - Abuso e Dependência dos Benzodiazepínicos, assinale a alternativa correta em relação 
ao sinal apresentado.
A) Náuseas.
B) Vômitos.
C) Pesadelos.
D) Irritabilidade. 
E) Convulsões.
COMENTÁRIOS:
Lembre-se da dica: se o benzodiazepínico promove redução do limiar convulsivante, ou seja, previne 
convulsões, durante sua abstinência, o maior sintoma poderá ser justamente uma convulsão. Todos os 
outros sintomas citados pela questão podem estar presentes, contudo são menos graves.
Correta a alternativa E.
2.3 OPIOIDES
Estima-se que haja entre 15 milhões e 20 milhões de 
dependentes de opioides ao redor do mundo, sendo a heroína 
a responsável por cerca de 75% dos casos de dependência, 
especialmente em países como Estados Unidos da América e 
Canadá, que são grandes consumidores mundiais da droga. Na 
América do Sul, o Brasil é considerado o maior consumidor legal e 
ilegal de opioides, que tiveram suas vendas globais aumentadas em 
mais de 150% nas últimas décadas.
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PSIQUIATRIA Dependência química
Os opioides podem ser classificados em 3 classes:
� ÓPIO
� MORFINA
� CODEÍNA
� TEBAÍNA
� HEROÍNA 
(DIACETILMORFINA)
� OXICODONA
� HIDROXICODONA
� OXIMORFONA
� HIDROXIMORFONA
Opiáceos NATURAIS, 
extraídos diretamente
do ópio:
� METADONA
� MEPERIDINA
� PETIDINA
� FENTANIL
� TRAMADOL
Opioides SEMISSINTÉTICOS, 
que são parcialmente 
modificados:
Opioides 
SINTÉTICOS:
Até hoje foram descobertos ao menos quatro diferentes receptores de opioides:
Mu (m) – promove analgesia, sedação, depressão respiratória e constipação.
Kappa (k) – promove analgesia, sedação, alterações no humor.
Delta (s) – promove analgesia e alterações no humor.
Épsilon (e) – provavelmente produz sedação.
Dentre todos os opioides, a heroína é a mais utilizada de maneira ilegal, com alta probabilidade de causar uma rápida dependência 
física e psicológica. É comercializada sob forma de um pó branco ou como um pó marrom, muitas vezes misturada com outras drogas, 
como anfetaminas, podendo ser cheirada, fumada, injetada, atingindo o sistema nervoso central rapidamente. Quando fumada, seus efeitos 
iniciam-se em poucos minutos. Quando é injetava por via endovenosa, apresenta um início de ação quase instantâneo e, dentro de alguns 
segundos, o usuário é tomado pela sensação de uma euforia inicial, já que os opioides são “ativadores” e euforizantes em baixas dosagens 
e sedativos em dosagens maiores. 
Os efeitos euforizantes do uso dos opioides podem persistir por até meia hora, quando chegam os sinais e sintomas de 
depressão das funções neurológicas. m
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2.3.1 INTOXICAÇÃO POR OPIÓIDES
Estrategista, fique muito atento à tríade clássica da intoxicação por opioides, composta por depressão respiratória, rebaixamento do 
nível de consciência ou coma e miose.
Opioide
ComaMiose
Depressão 
respiratória
Critérios da intoxicação por OPIOIDES, adaptados do DSM-5
A Uso recente de um opioide.
B Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas e problemáticas.
C Miose e um (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas:
1 Torpor ou coma.
2 Fala arrastada.
3 Prejuízo na atenção ou na memória.
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14. (UFES 2017) Mulher de 26 anos admitida no pronto socorro com quadro agudo de agitação psicomotora, desorientação alopsíquica, 
tremores, diaforese. Ao exame físico apresentava midríase bilateral, hipertonia muscular, hiperreflexia, sinal de Babinski positivo bilateralmente, 
PA=180x100 mmHg, FC=124 bpm. O quadro clínico citado pode estar relacionado ao uso das seguintes substâncias, exceto: 
A) Metilenodioximetanfetamina. 
B) Ácido lisérgico dietilamino.
C) Diacetilmorfina.
D) Buspirona. 
E) Cocaína.
American Psychiatric Association, 2014.
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COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Atenção, caro Aluno, estamos procurando a incorreta! A intoxicação por drogas como anfetaminas pode 
desencadear a síndrome adrenérgica, com sintomas como agitação, taquicardia, hipertensão, tremores e midríase.
Incorreta a alternativa B. O LSD age sobre o sistema nervoso central aumentando a liberação de diversos neurotransmissores, como 
serotonina, dopamina e noradrenalina, e seus efeitos variam intensamente de acordo com a quantidade consumida. Doses baixas promovem 
taquicardia, hipertensão, tremor, insônia, cefaleia, midríase e sudorese. Doses altas causam vômito, ataxia, nistagmo e alucinações.
A intoxicação por opioides, como a diacetilmorfina, também conhecida como “heroína”, é marcada 
por uma síndrome de depressão central, que se caracteriza por um rebaixamento global das funções 
neurovegetativas, com redução do nível de consciência ou coma, depressão respiratória, bradicardia, hipotensão e hipotermia. Miose é 
uma das principais características dessa síndrome, que, juntamente com a síndrome colinérgica, compõe o grupo das principais síndromes 
cobradas em provas de Residência Médica que cursam principalmente com miose. Naloxona é um antagonista opioide usado no tratamento 
dessa toxíndrome.
Incorreta a alternativa D. Buspirona é um ansiolítico com ações serotoninérgicas, causando a síndrome serotoninérgica, uma reação 
potencialmente grave, causada pelo aumento e hiperestimulação do tônus serotoninérgico no sistema nervoso central. Os principais sinais 
e sintomas são mioclonias, tremores, rigidez muscular, sudorese, hipertermia, agitação psicomotora, midríase, rebaixamento do nível de 
consciência e coma. 
Incorreta a alternativa E. A intoxicação por estimulantes, como cocaína/crack, age através da recaptação das monoaminas, levando a 
sintomas como hipertensão, hipertermia, agitação, midríase, tremores, alterações de ritmo cardíaco, dentre outros, em uma síndrome 
chamada de adrenérgica ou simpatomimética.
Correta a alternativa C.
O manejo clínico de uma intoxicação aguda por opioides geralmente deve ser realizado em ambiente hospitalar, com 
o rápido estabelecimento de medidas de suporte à vida e uso do antídoto específico Naloxona.
As demais drogas depressoras do sistema nervoso central podem cursar com quadro clínico semelhante durante 
uma intoxicação aguda, contudo a contração pupilar ou miose é tipicamente causada por opioides. 
A ausência de miose ou a falta de resposta clínica quando se administra o antídoto Naloxona são indicativos 
de que o quadro é causado por drogas depressoras do SNC, não opioides.
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Naloxona?
A Naloxonaé um antagonista dos receptores opioides que age rapidamente revertendo os sintomas de intoxicação opioides. Sua 
principal indicação clínica é para o tratamento da intoxicação aguda por opioides, com objetivo de reverter a depressão respiratória 
e a sedação.
2.3.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE OPIOIDES
A síndrome de abstinência pode ter início de seis horas a 18 horas após o último consumo da substância, atingindo seu auge no segundo 
ou terceiro dia. A duração pode variar de 10 a 15 dias caso o tratamento empregado seja correto, mas, em casos graves ou inadequadamente 
tratados, pode estender-se por vários meses. 
Critérios da abstinência de OPIOIDES, adaptados do DSM-5
A Presença de qualquer um dos seguintes:
1 Cessação (ou redução) do uso pesado e prolongado de opioides. 
2 Administração de um antagonista de opioides após um período de uso de opioides.
B Três (ou mais) dos seguintes sintomas:
1 Humor disfórico.
2 Náusea ou vômito.
3 Dores musculares.
4 Lacrimejamento ou rinorreia.
5 Midríase, piloereção ou sudorese.
6 Diarreia.
7 Bocejos.
8 Febre.
9 Insônia.
Tanto a síndrome de abstinência quanto a dependência por opioides devem ser tratadas com uso de Metadona, um opioide sintético 
com meia-vida longa, na dosagem diária entre 20 mg e 120 mg. Após a estabilização clínica, a Metadona deve ser reduzida lentamente. 
Clonidina, um agonista adrenérgico, pode ser útil para redução da intensidade dos sintomas da abstinência.
American Psychiatric Association, 2014.
Preste muita atenção, caro Aluno, não ocorre rinorreia, lacrimejamento ocular e midríase nas demais 
abstinências por drogas depressoras do SNC.
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Em pacientes que concluíram com sucesso a desintoxicação, o uso da Naltrexona, um antagonista opioide com meia-vida longa, pode 
ser indicado, reduzindo a sensação de prazer ao se consumir a droga, em uma tentativa de evitar que um lapso se torne uma recaída.
CAI NA PROVA
15. (SCMV 2016) Como problema grave de saúde pública, a adicção causada por drogas é a base de frequente atendimento médico em 
emergências, ambulatórios e consultórios. Ao tratar a síndrome de abstinência à heroína, está CORRETA a administração de:
A) Metadona.
B) Benzodiazepínico.
C) Inibidor seletivo da captação de serotonina (ISRS).
D) Inibidor seletivo da captação de dopamina. 
COMENTÁRIOS:
O tratamento da síndrome de abstinência de heroína faz-se, dentre outras medidas, com uso de outro 
opioide, a metadona. Por quê? Porque envolve a troca de uma droga de abuso por um medicamento com 
ações farmacológicas similares, proporcionando maior segurança e controle no tratamento, aumentando, assim, a taxa de sucesso.
Incorreta a alternativa B. Medicações ansiolíticas podem, eventualmente, ajudar no controle de sintomas ansiosos durante o tratamento.
Incorreta a alternativa C. Antidepressivos não são usados com o propósito específico da abstinência, contudo doenças afetivas como 
humor e bipolaridade são frequentemente comórbidas com dependência química.
Incorreta a alternativa D. Assim como os ISRS, antidepressivos com ação dopaminérgica, como a bupropiona, podem ser utilizados no 
tratamento da depressão.
Correta a alternativa A.
CAPÍTULO
3.0 DROGAS ESTIMULANTES
As anfetaminas são consumidas por cerca de 40 milhões de pessoas por 
todo o mundo. Seu uso foi popularizado entre os trabalhadores com longas 
jornadas de trabalho, especialmente em países como o Japão e a Coreia do Sul, 
além de motoristas, estudantes universitários que praticam o chamado “doping 
cerebral” ou “doping intelectual”, e atletas profissionais que se utilizam da droga 
para o aumento de suas performances esportivas.
De acordo com um estudo do Escritório das Nações Unidas para Drogas e 
Crime (UNDOC), a prevalência do uso de anfetaminas e derivados anfetamínicos 
no Brasil é de 0,7% na população geral, com grande destaque para o uso entre 
os estudantes universitários e de pós-graduação, com a prevalência podendo 
chegar a incríveis 9%.
Fonte: Shutterstock.
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As anfetaminas exercem seus efeitos tóxicos ao promoverem o aumento do 
tônus de monoaminas como a dopamina, serotonina e a noradrenalina, que 
ativam o circuito de recompensa cerebral no sistema límbico, causando sensação 
de prazer e bem-estar, podendo levar à dependência física e psicológica.
Todas as substâncias anfetamínicas são bem absorvidas quando ingeridas pela via oral, com seu início de ação em até 60 minutos após 
o consumo. Quando usadas pela via endovenosa, seus efeitos iniciam-se em poucos segundos; podem, ainda, ser aspiradas pelo nariz ou 
fumadas, com os seus efeitos durando entre 4 e 18 horas, devido à sua longa meia-vida. Apresentam uma acentuada toxicidade ao sistema 
nervoso central.
Exemplos de substâncias anfetamínicas
Ecstasy (MDMA): popularmente conhecida como “Michael Douglas” ou “pílula do amor” pelos usuários devido à euforia e 
à desinibição social e sexual causada. Será tratada com detalhes junto das “drogas perturbadoras”.
Femproporex: utilizado no tratamento da obesidade como inibidor do apetite. Ilegalmente utilizado por motoristas de 
caminhões para manter a vigilância durante a noite, sendo chamado popularmente de “rebite”.
Metanfetamina: pó branco ou marrom, também conhecida como “cristal”, “meth” ou “ice”, pode ser fumada, ingerida, 
injetada ou cheirada.
Metilfenidato: utilizado para o tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Lisdexanfetamina: também utilizada para o tratamento do TDAH e para o tratamento da compulsão alimentar.
As anfetaminas podem ser facilmente manipuladas, modificadas e produzidas em 
laboratórios clandestinos por profissionais com conhecimento ou formação em química, 
como naquele famoso seriado de televisão em que um professor de química do ensino 
médio torna-se um grande produtor de anfetaminas. Por isso, também são chamadas de 
“drogas desenhadas”.
Fonte: Shutterstock.
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A cocaína é um princípio ativo extraído das folhas de uma planta típica das montanhas andinas, na 
América do Sul, a Erythroxylon coca, e seu uso medicinal ou em cerimônias religiosas e espirituais acontece 
há séculos por povos nativos ao longo todo o continente americano. Além disso, quando mascadas, as 
folhas da coca ajudam a diminuir o frio e os sintomas desagradáveis de altitudes elevadas das montanhas.
O crack é uma droga semissintética e foi desenvolvido em Nova Iorque, nos EUA, durante as décadas de 1970 e 1980, através 
de fabricação caseira a partir da pasta base de cocaína misturada a bicarbonato de sódio, tornando-se uma massa de coloração 
amarelada. É comercializado em pequenas pedras, que, ao serem fumadas em cachimbos, produzem um som de quebra, um “crack”.
Quando fumada, a cocaína é muito rapidamente absorvida pelas vias aéreas do usuário, com o início de ação praticamente imediato. 
Seus efeitos euforizantes duram apenas entre cinco minutos e 10 minutos. Já quando é cheirada ou ingerida, seu início de ação ocorre em até 
30 minutos, com seus efeitos durando até 3 horas.
A inalação de crack pode induzir uma variedade de sintomas pulmonares agudos, como edema pulmonar, hemorragia, 
pneumonite, infiltrados, entre outros, em um quadro conhecido como “pulmão de crack”.
Assim como as substâncias estimulantes de forma geral, a cocaína também promove um aumento da recaptação de dopamina e 
noradrenalina, alémde serotonina, aumentando a disponibilidade desses neurotransmissores na fenda sináptica e, por isso, os critérios 
diagnósticos são idênticos entre essas substâncias, assim como seu manejo clínico.
3.0.1 INTOXICAÇÃO POR ESTIMULANTES
Estrategista, pense assim: pacientes agudamente 
intoxicados por drogas estimulantes estarão “estimulados”, 
ou seja, agitados, falantes, desinibidos social ou sexualmente, 
eufóricos ou irritados, com taquicardia, aumento da pressão 
arterial e temperatura, suando, com tremores e a pupila dilatada. 
A morte por intoxicação aguda nos pacientes que utilizaram 
Fonte: Shutterstock.
grandes quantidades de drogas estimulantes associa-se à presença 
de convulsões devido à hipertermia, rebaixamento do nível de 
consciência, depressão respiratória, pico hipertensivo grave, 
arritmias, rabdomiólise devido à excitação muscular prolongada, 
infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.
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Critérios da intoxicação por ESTIMULANTES, adaptados do DSM-5
A Uso recente de uma substância tipo anfetamina, cocaína ou outro estimulante.
B Alterações comportamentais ou psicológicas.
C Dois (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas:
1 Taquicardia ou bradicardia.
2 Dilatação pupilar.
3 Pressão arterial elevada ou diminuída.
4 Transpiração ou calafrios.
5 Náusea ou vômito.
6 Evidências de perda de peso.
7 Agitação ou retardo psicomotor.
8 Fraqueza muscular, depressão respiratória, dor torácica ou arritmias cardíacas.
9 Confusão, convulsões, discinesias, distonias ou coma.
O tratamento de um paciente agudamente intoxicado por drogas estimulantes baseia-se no manejo ambiental, deixando o paciente 
em local calmo e seguro, tentando acalmá-lo através de medidas comportamentais. Caso haja uma agitação importante, ansiedade intensa 
ou agressividade, o uso de benzodiazepínicos será a principal escolha medicamentosa, melhorando não apenas os sintomas psiquiátricos, 
mas também reduzindo a ativação autonômica que causa a hipertensão e a taquicardia. Caso o paciente também apresente alucinações 
ou delírios, o uso de um antipsicótico, preferencialmente o Haloperidol, poderá ser empregado. 
Caro Aluno, é muito importante lembrar que betabloqueadores devem ser evitados durante a 
intoxicação por cocaína, pois podem causar uma piora da hipertensão, chamada de “hipertensão paradoxal”, 
devido ao bloqueio exercido pelos betabloqueadores sobre os receptores B2 que mediam a vasodilatação. 
Caso seja necessário, um nitrato poderá ser administrado.
American Psychiatric Association, 2014.
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COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. Levomepromazina e clorpromazina, antipsicóticos típicos com propriedades sedativas, devem ser evitados por 
reduzirem o limiar convulsivante nesses pacientes.
Incorreta a alternativa B. Caso o paciente não responda ao uso de benzodiazepínicos, haloperidol poderá ser utilizado em conjunto para 
amenizar sintomas psicóticos e agressividade.
Benzodiazepínicos são as drogas de escolha para a abordagem inicial na intoxicação por drogas estimulantes, 
como crack, cocaína e anfetaminas.
Incorreta a alternativa D. Naloxona é um antagonista opioide usado em intoxicações por drogas como fentanil, heroína, morfina, entre 
outros.
Incorreta a alternativa E. Flumazenil é usado como antídoto nos casos de intoxicações por benzodiazepínicos, como midazolam, lorazepam, 
clonazepam, diazepam, entre outros.
Correta a alternativa C.
3.0.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE ESTIMULANTES
Os sintomas típicos da síndrome de abstinência de estimulantes são principalmente representados por sintomas psíquicos, como 
ansiedade, humor deprimido ou irritável, lentificação psicomotora e alterações do sono. Podem surgir poucas horas após o último uso 
em usuários pesados, atingindo um ápice em cerca de dois até quatro dias, com duração de semanas até vários meses, especialmente em 
dependentes que usam as substâncias por via injetável.
CAI NA PROVA
16. (HEDA 2019) Paciente de 25 anos de idade vem trazido por familiares ao atendimento na UPA devido à desorganização do comportamento 
e agitação com heteroagressividade. Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca aumentada, pressão arterial de 180 x 100 mmHg, 
inquieto, com solilóquios, olhar perplexo e com discurso persercutório, repetindo várias vezes que não ficará preso, pois irão matá-lo caso isto 
aconteça. Os familiares informam que o paciente a previamente hígido, mas que está envolvido com drogas nos últimos 12 meses, inclusive 
tendo feito uso de crack ao longo do presente dia. Considerando que a agitação e a alteração do comportamento são segundárias a uma 
intoxicação por crack, a medicação adequada para controle desses sintomas comportamentais é:
A) a clorpromazina.
B) o haloperidol.
C) o midazolam.
D) o naloxone.
E) o flumazenil
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Critérios da abstinência de ESTIMULANTES, adaptados do DSM-5
A Cessação (ou redução) do uso prolongado de substância tipo anfetamina, cocaína ou outro estimulante.
B Humor disfórico e duas (ou mais) das seguintes alterações:
1 Fadiga.
2 Sonhos vívidos e desagradáveis.
3 Insônia ou hipersonia.
4 Aumento do apetite.
5 Retardo ou agitação psicomotora.
O manejo dos sintomas agudos da síndrome de abstinência de estimulantes é baseado principalmente em medidas ambientais, 
como repouso, alimentação e hidratação adequadas, manter o paciente perto de seu núcleo familiar ou de apoio para ser monitorado e 
incentivado. Em caso de sintomas importantes de ansiedade ou insônia, o uso de um benzodiazepínico poderá ser indicado por curtos 
períodos, geralmente nas primeiras semanas, quando os sintomas ansiosos, a fissura e as alterações do apetite e do sono são maiores.
Algumas bancas podem perguntar sobre a evolução característica da abstinência do crack, droga com curta meia-vida e que 
causa um início rápido da síndrome de abstinência:
Fases da Evolução da Fissura do Crack
“CRASH”
Ansiedade, tristeza, desconfiança, 
paranoia, fissura intensa. 
Início cerca de 30 minutos após o último uso. 
Duração de até quatro dias.
Síndrome Disfórica Tardia Alterações do sono, irritabilidade, fissura. 
Início após o fim do “crash”, podendo durar 
até um mês. 
Fase de Extinção
Alterações do humor melhoram, fissura 
diminui.
Duração de meses ou anos.
O grande desafio para o paciente dependente de drogas 
estimulantes é a “longo prazo”, ou seja, manter-se longe do 
consumo de drogas e levar uma vida saudável e produtiva. Como 
manejo não farmacológico, a adesão à psicoterapia individual ou 
a participação em grupos de ajuda mútua, como o Narcóticos 
Anônimos (NA), são fundamentais para incentivar a busca pela 
abstinência e, principalmente, a manutenção da motivação do 
American Psychiatric Association, 2014.
paciente e engajamento com o tratamento ao longo dos meses. 
Infelizmente, não há nenhuma medicação, até hoje, aprovada 
para o tratamento de manutenção da abstinência de estimulantes. 
Apesar disso, muitos médicos têm prescrito para seus pacientes 
o uso de algumas medicações para reduzir a ansiedade, controlar 
os impulsos e a fissura pelo consumo, como anticonvulsivantes ou 
antipsicóticos.
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17. (UEL 2019) O uso de cocaína e crack tem se tornado uma verdadeira epidemia no nosso país, gerando imensos gastos sociais e econômicos. 
Sobre a dependência dessas substâncias, assinale a alternativa CORRETA.
A) A abstinência do uso de cocaína resume-se ao chamado “crash”, quando o paciente apresenta uma drástica redução do humor e da 
energia, iniciando de 2 a 3 dias após a interrupção e com duração de, no máximo, 1 semana.
B) A cocaína pode apresentar efeitos psicomiméticos, devido ao aumento da atividade serotoninérgica no núcleo accumbens.
C) A farmacoterapia não é para todos os usuários de cocaína e deve ser reservada para aqueles cujos sintomas responderiam às medicações. 
D) Agentes antipsicóticos são opções de primeira escolha para o tratamento da dependência de cocaína.
E) O dependente deve inicialmente passar por internação psiquiátrica, após a qual o paciente não necessita mais tratamento. 
COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. O “crash” é caracterizado como uma fase inicial da abstinência da cocaína, inicia-se horas depois do último uso 
e pode apresentar alterações do humor, irritabilidade, ansiedade, entre outros sintomas.
Incorreta a alternativa B. A ação no centro do prazer e recompensa é mediada principalmente por dopamina.
Não há fármaco específico para se utilizar em casos de dependência de cocaína, devendo o 
tratamento envolver uma abordagem multiprofissional, apoio familiar e social, além do uso de 
medicações sintomáticas, caso a avaliação individual aponte benefícios.
Incorreta a alternativa D. Não há “primeira escolha”, podendo os antipsicóticos serem utilizados em contextos específicos para alívio 
sintomático.
Incorreta a alternativa E. O tratamento ambulatorial é sempre desejável, contudo, quando a dependência for grave e colocar em risco 
a vida do paciente, a internação hospitalar pode ser indicada. O tratamento para dependência química não é só farmacológico e deve 
acontecer de maneira constante na vida do paciente.
Correta a alternativa C.
3.1 TABAGISMO
A dependência por tabaco é uma das mais prevalentes de todo o mundo e a 
principal causa de morte evitável do mundo. Estimativas apontam que, embora sejam 
cada vez mais difundidas as informações sobre os malefícios do tabagismo, mais de 
um bilhão de pessoas fumam regularmente no mundo, causando mais de 5 milhões de 
mortes de fumantes ativos e passivos, sendo mais de 200 mil apenas no Brasil.
No Brasil 10% da população estudada entre 12 anos e 65 anos é dependente de 
tabaco, segundo dados do II Levantamento Domiciliar sobre o uso de Drogas Psicotrópicas 
no Brasil em 2005, do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas 
(CEBRID), representando um número de quase cinco milhões de brasileiros. Fonte: Shutterstock.
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Além disso, o tabagismo está relacionado ao surgimento de mais de 50 outras doenças, dentre elas inúmeros tipos de neoplasias, 
doenças respiratórias crônicas e agudas, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, problemas dentários e diversas outras 
patologias, além de aumentar significativamente o risco do desenvolvimento de tuberculose. 
Atenção, Estrategista, mesmo em pacientes que fumam há muitos anos, o abandono do tabagismo reduz significativamente 
o risco do desenvolvimento de câncer relacionado ao fumo, informação que deve sempre ser transmitida para o paciente para 
encorajá-lo e motivá-lo!
Em 2017, no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, houve um déficit de 57 
bilhões de reais entre o que foi arrecadado com os impostos da venda de cigarros e produtos derivados 
do tabaco e o que foi gasto com os cuidados médicos e hospitalares causados pelas consequências do 
fumo.
A principal substância psicoativa do tabaco chama-se nicotina, que é inalada durante o fumo e 
atinge o sistema nervoso central em apenas 15 segundos, com uma meia-vida de 2 horas. Age através 
de ação agonista em receptores de acetilcolina nicotínicos, que se encontram espalhados por diversas 
áreas do cérebro, ativando o centro de recompensa cerebral através da liberação de dopamina, além 
de causar a liberação de noradrenalina e endorfinas.
3.1.1 INTOXICAÇÃO POR TABACO
Apesar de não estar catalogada no DSM-5, a intoxicação por nicotina pode acontecer quando grandes quantidades de nicotina são 
consumidas em um único dia, cerca de 60 mg. Isso geralmente ocorre se houver uma associação de um fumo pesado com dosagens extras de 
nicotina, normalmente através de medicamentos para abandonar o tabagismo, já que um cigarro fornece para o usuário apenas entre 0,3 mg 
a 0,6 mg de nicotina. Nesses casos, sintomas como taquicardia, hipertensão arterial, sudorese, tontura, tremores, sialorreia, dor abdominal 
e diarreia podem acontecer.
3.1.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE TABACO
Os sintomas de abstinência de tabaco surgem geralmente quando um fumante pesado tenta reduzir seu consumo ou quando um 
dependente de tabaco tenta parar de fumar. Os sintomas iniciam-se em até algumas horas após a última tragada, atingindo auge dentro de 
um ou dois dias e podendo durar por vários meses.m
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Critérios da abstinência de TABACO, adaptados do DSM-5
A Uso diário de tabaco durante um período mínimo de várias semanas.
B
Cessação abrupta do uso de tabaco ou redução da quantidade de tabaco utilizada, seguida, no prazo de 24 horas, 
por quatro (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas:
1 Irritabilidade, frustração ou raiva.
2 Ansiedade.
3 Dificuldade de concentração.
4 Aumento do apetite.
5 Inquietação.
6 Humor deprimido.
7 Insônia.
Acredita-se que 80% dos fumantes façam tentativas de abandonar o tabagismo e menos de um terço consiga manter a 
abstinência no terceiro dia da tentativa; pouquíssimos pacientes permanecem abstinentes para o resto de suas vidas, já que um 
fumante faz inúmeras tentativas de abandono “definitivo” do tabagismo ao longo da vida.
O tratamento do tabagismo tem como “pedra fundamental” o emprego de uma técnica de 
psicoterapia, chamada de abordagem cognitivo-comportamental (TCC), que funciona como um fio 
condutor para uma mudança de comportamentos e crenças arraigadas na experiência de vida do 
paciente, sua relação com o cigarro, as situações que o levam a fumar, o uso do cigarro como “válvula 
de escape”. A TCC funciona através de um treinamento cognitivo e de habilidades comportamentais 
com o objetivo de alcançar o abandono do tabagismo e evitar recaídas ou, na pior das situações, 
espaçar o intervalo entre as recaídas.
Essa abordagem poderá ser empregada por três principais maneiras:
A “abordagem breve ou mínima” ou “PAAP” – Perguntar, Avaliar, Aconselhar e Preparar: consiste em dedicar 
três minutos de atenção durante um contato com o paciente para triar o tabagismo e incentivar o fumante a 
abandonar o fumo, independentemente de onde ocorrer o contato com o indivíduo, sem que haja um seguimento 
clínico. Ou seja, a abordagem consiste em um único encontro, podendo ser aplicada por qualquer profissional 
de saúde.
A “abordagem básica” é uma extensão natural da abordagem anterior, sendo reconhecida pelo mnemônico 
“PAAPA” – Perguntar, Avaliar, Aconselhar, Preparar e Acompanhar: dura entre três e cinco minutos e fornece 
orientações necessárias para uma correta tentativa de abandono do tabagismo, elaboração de um planejamento 
e proposta de um acompanhamento clínico.
American Psychiatric Association, 2014.
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A “abordagem intensiva” consiste em identificar os fumantes que estiverem realmente engajados em abandonar 
o tabagismo e ainda não tenham conseguido espontaneamente ou com as abordagens anteriores, encaminhando 
esses indivíduos para programas ou ambulatórios especializados na atenção básica. Esses pacientes participarão 
de sessões de abordagem cognitivo-comportamental semanais, individuais ou coletivas, podendo, ainda, receber 
fármacos específicos para o abandono do tabagismo.
É muito importante frisar, Estrategista, que a base do tratamento para o abandono 
do tabagismo é o emprego de técnicas cognitivo-comportamentais. Apesar disso, muitos 
estudos demonstram que a associação desse método com o uso de terapia medicamentosa, 
em pacientes maiores de 18 anos de idade, aumenta consideravelmente as chances de sucesso.
Então, quando indicar o uso de um medicamento para abandonar o tabagismo?
Segundo a publicação Abordagem e Tratamento do Fumante – Consenso de 2001 do Ministério da Saúde, poderá ser indicado o uso 
complementar de um medicamento nos seguintes casos:
1 - Fumantes pesados, ou seja, que fumam 20 ou mais cigarros por dia*.
2 - Fumantes que fumam o 1º cigarro até 30 minutos após acordar e fumam, no mínimo, 10 cigarros por dia.
3 - Fumantes com escore do teste de Fagerström igual ou maior a 5, ou avaliação individual, a critério do profissional.
4 - Fumantes que já tentaram parar de fumar anteriormente apenas com a abordagem cognitivo-comportamental, mas não obtiveram 
 êxito devido a sintomas da síndrome de abstinência.
5 - Não haver contraindicações clínicas.
* Caro Aluno, preste muita atenção, pois, apesar de o Consenso de 2001 do Ministério da Saúde (MS) indicar em seu item 1 
a possibilidade de uso de medicamentos nos fumantes que fumam mais de 20 cigarros por dia, indicação que é corroborada pela 
Portaria do MS de número 761, de 21 de junho de 2016, que valida as orientações técnicas do tratamento do tabagismo constantes 
no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Dependência à Nicotina, diversas publicações recentes passaram a considerar que os 
indivíduos que fumam mais de 10 cigarros por dia também preenchem critério para receber a terapia medicamentosa, flexibilizando 
o uso dos medicamentos.m
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TESTE DE FAGERSTROM
1 Quanto tempo após acordar você fuma o primeiro cigarro?
Dentro de cinco minutos = 3
Entre 6 e 30 minutos = 2
Entre 31 e 60 minutos = 1
Após 60 minutos = 0
2
Você acha difícil não fumar em lugares proibidos como 
igrejas, cinemas, ônibus, etc?
Sim = 1
Não = 0
3 Qual o cigarro do dia que traz mais satisfação?
O primeiro da manhã = 1
Outros = 0
4 Quantos cigarros você fuma por dia?
Menos de 10 = 0
De 11 a 20 = 1
De 21 a 30 = 2
Mais de 31 = 3
5 Você fuma mais frequentemente pela manhã?
Sim = 1
Não = 0
6 Você fuma mesmo doente, quando precisa ficar de cama?
Sim = 1
Não = 0
Grau de Dependência
0 — 2 pontos = muito baixo
3 — 4 pontos = baixo
5 pontos = médio
6 — 7 pontos = elevado
8 — 10 pontos = muito elevado
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18. (SMS – SJP 2014) Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o tabagismo é a principal causa de morte prevenível no mundo. A 
dependência à nicotina é considerada uma doença crônica, que deve ser abordada e tratada pelo médico. De acordo com Teste de Fagerstrom, 
qual paciente abaixo teria indicação de tratamento medicamentoso para cessação do tabagismo? 
A) Fumantes que consomem 10 cigarros por dia.
B) Fumar o primeiro cigarro após uma hora depois de acordar. 
C) Fumantes com escore de Teste de Fagerstrom de 4.
D) Fumantes que já tentaram cessar previamente e recaíram.
E) Fumantes vulneráveis como gestantes e adolescentes.
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COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. A indicação medicamentosa é para 20 cigarros ou mais ao dia.
Incorreta a alternativa B. Pacientes que fumam seu primeiro cigarro do dia na primeira meia hora após acordar podem receber tratamento 
farmacológico.
Incorreta a alternativa C. Pontuar cinco ou mais na escala de Fagerstrom é critério para prescrição farmacológica.
Pacientes que já tentaram parar de fumar sem sucesso, especialmente aqueles que sofreram com sintomas 
de abstinência, devem receber suporte medicamentoso na nova tentativa de cessação do tabagismo.
Incorreta a alternativa E. Em adolescentes e gestantes, a terapia cognitivo-comportamental é a principal indicação terapêutica.
Correta a alternativa D.
O emprego de medicamentos tem como objetivo minimizar 
os sintomas da síndrome de abstinência do cigarro e aumenta 
em cerca de três vezes as chances de sucesso no tratamento. O 
fármaco de escolha deve ser empregado por um período de três 
meses, podendo seu uso ser prolongado por mais tempo se ainda 
houver sintomas de abstinência ou alto risco de recaída. 
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza 
dois tipos de medicamentos como primeira linha de tratamento: 
o antidepressivo atípico Bupropiona e a Terapia de Reposição de 
Nicotina (TRN), disponível sob as formas de adesivo transdérmico ou 
Principais drogas de primeira linha utilizadas no tratamento do tabagismo
Bupropiona 150 mg e 300 mg
Dosagem máxima: 450 mg ao 
dia
Paciente não precisa parar imediatamente o tabagismo para iniciar o uso. 
Recomenda-se cessar o tabagismo no oitavo dia.
Início com 150 mg ao dia, por 3 dias, aumentando para 300 mg no quarto dia. 
Principais contraindicações: história de convulsão ou traumatismo craniano, 
transtornos alimentares, gestantes*.
Efeitos colaterais: anorexia, insônia, taquicardia, ansiedade, cefaleia.
Vareniclina 0,5 mg e 1 mg
Dose máxima: 2 mg ao dia
Paciente não precisa parar imediatamente o tabagismo para iniciar o uso. 
Recomenda-se cessar o tabagismo no oitavo dia.
Início com 0,5 mg ao dia, aumentando para 0,5 mg duas vezes ao dia no quarto dia. 
No sétimo dia, administrar 1 mg duas vezes ao dia.
Principais contraindicações: insuficiência renal grave, gestantes*.
Efeitos colaterais: náusea, alterações do sono, diarreia, vômito.
goma de mascar. Existem outras formas de TRN não disponibilizadas 
regularmente pelo SUS até este momento, como a pastilha de 
nicotina, o spray de nicotina e o inalador de nicotina. 
Consideramos também como primeira linha de tratamento, 
apesar de não ser disponibilizado pelo SUS, o fármaco chamado 
Vareniclina, uma medicação com ação nicotínica. Como segunda 
linha de tratamento, podemos utilizar outro antidepressivo, desta 
vez um tricíclico, a Nortriptilina, e a Clonidina, um medicamento de 
ação agonista de receptores adrenérgicos.
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Adesivo de Nicotina 7 mg, 14 mg, 
21 mg
Dosagem máxima:
 42 mg ao dia
Paciente deve interromper o tabagismo ao iniciar esse medicamento.
Na semana 1 a 4: adesivo de 21 mg a cada dia.
Na semana 5 a 8: adesivo de 14 mg a cada dia.
Na semana 9 a 12: adesivo de 7 mg a cada dia.
*Pacientes que fumam menos do que 20 cigarros ao dia podem começar com 14 mg.
Principais contraindicações: infarto agudo do miocárdio há menos de 15 dias, lesões 
dermatológicas no local da aplicação do adesivo, gestantes*.
Efeitos colaterais: lesões de pele no local da aplicação, náuseas, vômitos, cefaleia.
Goma de Nicotina 2 mg ou 4 mg
Paciente deve interromper o tabagismo ao iniciar esse medicamento.
Semana 1 a 4: 1 de goma de 2 mg a cada 1 a 2 horas.
Semana 5 a 8: 1 goma de 2 mga cada 2 a 4 horas.
Semana 9 a 12: 1 goma de 2 mg a cada 4 a 8 horas.
*Em fumantes pesados ou naqueles com sintomas de abstinência, a goma de 4 mg 
poderá ser utilizada.
Principais contraindicações: infarto agudo do miocárdio há menos de 15 dias, úlcera 
péptica, gestantes*.
Efeitos colaterais: náuseas, vômitos, cefaleia, dor na mandíbula, aftas.
Principais drogas de primeira linha utilizadas no tratamento do tabagismo
Sobre o tratamento medicamentoso em gestantes, temos uma situação que deve ser avaliada 
individualmente. É correto afirmar que o tratamento deve ser, preferencialmente, não medicamentoso. 
Contudo, o que é pior para a gestante e seu filho, o tabagismo ou o tratamento? É muito provável que o 
tabagismo seja mais prejudicial do que qualquer um dos medicamentos de primeira linha, cabendo ao 
médico e à paciente decidirem utilizar, ou não, os medicamentos durante a gestação.
Outra pergunta clássica sobre o tratamento do tabagismo é sobre os pacientes cardiopatas:
Segundo as Diretrizes Clínicas na saúde suplementar - Tabagismo: “o tratamento dos pacientes cardiopatas deve seguir as 
recomendações gerais para o uso de tratamento farmacológico. O uso da terapia de reposição de nicotina (TRN) foi questionado 
inicialmente, mas estudos recentes mostram que não há evidência de aumento do risco cardiovascular com o uso da medicação. 
Precaução no uso de TRN em pacientes portadores de condições cardiovasculares específicas, como período pós-infarto imediato 
(duas semanas), com arritmias graves e com angina instável está mantida nas informações sobre o produto.” 
Quanto ao estado “pós-infarto”, a Bupropiona e a Vareniclina podem ser iniciadas mesmo em pacientes infartados há menos de 15 
dias, enquanto a TRN deve ser iniciada após este período.
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19. (USP 2018) Homem de 48 anos de idade está internado na unidade coronariana no 3º dia após infarto agudo do miocárdio sem 
supradesnivelamento do segmento ST. No momento está sem dor ou dispneia. É obeso e tabagista, sem outras comorbidades. Interrompeu 
o tabagismo na internação e não sente falta, mostra-se motivado a persistir abstêmio após a alta hospitalar. Entretanto, tem medo de fissuras 
quando voltar para sua rotina diária. Qual medicamento está indicado para a cessação do tabagismo nesse caso? 
A) Bupropiona. 
B) Nortriptilina. 
C) Adesivo de nicotina. 
D) Alprazolam. 
COMENTÁRIOS:
Bupropiona, um antidepressivo atípico, é considerada de primeira linha no tratamento do tabagismo e 
pode ser iniciada mesmo alguns dias após o evento.
Incorreta a alternativa B. Nortriptilina, um antidepressivo tricíclico, não é considerada de primeira linha nesse tratamento e está relacionada 
a um maior número de complicações cardiovasculares, devendo ser evitada nesses casos.
Incorreta a alternativa C. Adesivos, gomas e pastilhas de nicotina constituem a terapia de reposição de nicotina e devem, obrigatoriamente, 
ser iniciada após um intervalo de duas semanas após o infarto.
Incorreta a alternativa D. Alprazolam, um benzodiazepínico, não está indicado no tratamento contra o tabagismo.
Correta a alternativa A.
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20. (UEVA 2016) As campanhas contra o tabagismo e a diminuição da publicidade a favor deste têm levado pessoas a buscarem tratamento 
na atenção primária para cessar o uso do cigarro. Nesse contexto e em relação ao tratamento medicamentoso do tabagismo:
A) Recomenda-se iniciar o tratamento com bupropiona uma semana antes da data programada para a cessação. 
B) Recomenda-se iniciar o uso de adesivos de nicotina 10 dias antes da data marcada para a cessação. 
C) O tratamento com bupropiona deve ser iniciado na data esperada para deixar o cigarro.
D) A presença de transtornos de ansiedade ou depressão maior contraindicam o uso de bupropiona.
Nos casos em que houve falha no tratamento mesmo após emprego adequado da abordagem cognitivo-comportamental com uma das 
medicações de primeira linha, associação de medicações pode ser utilizada. Estudos recentes demonstram redução de sinais e sintomas da 
síndrome de abstinência e um aumento nas taxas de sucesso terapêutico, especialmente com a combinação de fármacos de primeira linha, 
como, por exemplo, Bupropiona + TRN, ou adesivo transdérmico de nicotina + goma de nicotina.
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Bupropiona, um antidepressivo com ações dopaminérgicas e noradrenérgicas, primeira linha no tratamento 
do tabagismo, deve ser iniciado uma semana antes da data da cessação do tabagismo. Inicia-se com
150 mg/dia, aumentando para 300 mg/dia em até sete dias. Eventualmente, pode-se alcançar 450 mg/dia.
Incorreta a alternativa B. O adesivo de nicotina deve ser iniciado após a interrupção do tabagismo devido ao risco de intoxicação por 
nicotina, causando sintomas como hipertensão, náuseas, tontura, vômitos, entre outros.
Incorreta a alternativa C. O início do tratamento com o antidepressivo bupropiona deverá ocorrer antes do abandono do tabagismo, para 
exercer efeitos sobre a recaptação de catecolaminas previamente ao abandono do cigarro, minorando os sintomas da possível abstinência.
Incorreta a alternativa D. As principais contraindicações da bupropiona são histórico de convulsão e histórico de traumatismo craniano.
Correta a alternativa A.
4.0 DROGAS PERTURBADORAS
CAPÍTULO
4.1 MACONHA
Maconha é a droga ilegal mais usada em todo o mundo, com milhões de usuários espalhados 
por todos os continentes. No Brasil, onde não existe um comércio legalizado da droga, estima-se 
que cerca de 4% a 5% das pessoas façam uso dessa substância durante a vida, obtendo-a em folhas 
e flores da planta Cannabis sativa, Cannabis indica, dentre outras variedades. A maconha pode 
ser ingerida por via oral quando misturada em alimentos, como bolos, ou fumada em cigarros ou 
cachimbos. A resina desidratada da maconha é uma preparação rica em princípios psicoativos, de cor 
marrom, sendo chamada de Haxixe, de onde se costuma obter um líquido viscoso conhecido como 
“óleo de Maconha”.
CAI NA PROVA
21. (UFT 2013) Segundo dados do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, baseado no II Levantamento Domiciliar sobre o uso 
de Drogas Psicotrópicas no Brasil 2005, as principais drogas utilizadas pela população do nosso país são:
A) Álcool, tabaco e maconha.
B) Álcool, tabaco e cocaína. 
C) Álcool, crack e maconha.
D) Álcool, maconha e benzodiazepínicos.
E) Álcool, derivados da cocaína e benzodiazepínicos.
Fonte: Shutterstock.
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Correta a alternativa A.
COMENTÁRIOS:
Naturalmente, as drogas mais baratas, acessíveis e legalizadas são as mais utillizadas. A maconha é 
considerada ilegal, contudo, especialmente no Brasil, existe uma grande e facilitada distrubuição de drogas 
por influência de produtores de maconha como a Bolívia, Peru e Paraguai.
A maconha possui centenas de canabinóides, sendo o delta 9 tetra-hidrocanabinol (THC) seu principal princípio ativo, responsável por 
suas propriedades psicoativas e alucinógenas. O THC liga-se a receptores canabinóides endógenos, chamados de receptores de anandamida, 
que significa “felicidade suprema”, ou simplesmente receptores CB, que podem apresentar ações alucinógenas, estimulantes ou sedativas, 
dependendo da dose utilizada pelo indivíduo, tempo transcorrido desde o uso e também da sensibilidade do usuário. Por sua vez, o canabidiol 
(CBD) aparenta desempenhar atividadessedativas e ansiolíticas.
4.1.1 INTOXICAÇÃO POR MACONHA
A maconha é considerada uma droga perturbadora porque pode causar distorções perceptivas, alucinações auditivas e visuais, 
desconfianças, delírios, entre outros sintomas. Quanto maior a concentração de THC, mais intensas as manifestações, que podem durar até 
12 horas.
Ao ser fumada, a maconha causa um efeito de desinibição do comportamento, levando o usuário a uma sensação de euforia em 
poucos minutos, com seu ápice acontecendo entre 30 e 60 minutos após o fumo. 
Critérios da intoxicação por MACONHA, adaptados do DSM-5
A Uso recente de Cannabis.
B Alterações comportamentais ou psicológicas.
C
Dois (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas, desenvolvidos no período de duas horas após o uso de 
Cannabis:
1 Conjuntivas hiperemiadas.
2 Apetite aumentado.
3 Boca seca.
4 Taquicardia.
American Psychiatric Association, 2014.
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Apesar de ser uma droga muito popular, barata e com ampla distribuição dentro do território 
nacional, a maconha não é responsável por quadros graves de intoxicação ou overdose. Isso se 
explica porque seus receptores CB podem ser encontrados nos núcleos da base, no cerebelo, nos 
hipocampos, dentre outras áreas do encéfalo, contudo são pouco presentes no tronco encefálico, o 
que justifica a ausência de depressão respiratória ou cardíaca após seu consumo.
A intoxicação por maconha é um quadro autolimitado que, 
geralmente, envolve baixa gravidade e não incorre em risco iminente 
de morte ao usuário devido à intoxicação. O manejo clínico é, além da 
abordagem comportamental, manter o paciente em um local calmo e 
seguro. O uso de Propranolol tem se demonstrado útil no tratamento dos 
pacientes agudamente intoxicados, por melhorar a ansiedade, reduzir a 
taquicardia e a pressão arterial e também melhorar a hiperemia conjuntival. 
Em pacientes agitados ou pouco colaborativos, benzodiazepínicos podem 
ser empregados.
Durante muitos anos, foi motivo de debates e dúvidas na comunidade médica e científica se o uso prolongado 
da maconha seria capaz de levar o indivíduo à dependência. Evidências recentes concluíram que a maconha é 
capaz de causar dependência psicológica em cerca de 10% a 15% dos usuários, contudo a dependência física 
não foi consistentemente comprovada, apesar de evidências dos crescentes achados sobre o desenvolvimento de 
tolerância.
CAI NA PROVA
22. (HSD – MA 2019) Com relação ao uso da maconha, qual a afirmação verdadeira?
A) Podem ocorrer sintomas psicóticos, que desaparecem completamente após a desintoxicação.
B) As alterações de humor e de apetite são devido às ações da substância nos gânglios da base.
C) A ocorrência dos sintomas não sofre nenhuma influência do contexto.
D) Sua toxicidade é muito baixa, sendo pouco provável a busca por um serviço de emergência psiquiátrica devido ao seu uso.
E) A interrupção abrupta do uso diário não traz risco de desencadear síndrome de abstinência. 
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COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A. O uso da maconha pode gerar sintomas psicóticos que, eventualmente, podem ser um gatilho para o 
desenvolvimento de uma síndrome psicótica crônica, como a esquizofrenia. Em outros casos, os sintomas remitirão após o término de 
seus efeitos fisiológicos.
Incorreta a alternativa B. O tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol ligam-se a receptores de canabinóides endógenos, espalhados 
pelo tecido cerebral, nos gânglios da base, hipocampo e cerebelo. Acredita-se que o aumento do apetite tenha relação com ação sobre o 
hipotálamo e os sintomas de humor, dentre outras causas, com a ação dopaminérgica sobre o núcleo accumbens.
Incorreta a alternativa C. O contexto de uso, como recreacional, religioso, medicinal, de uma substância psicoativa pode influenciar nas 
emoções e sensações experimentadas pelos usuários. 
Receptores endógenos de canabinoides não são encontrados no tronco encefálico, dessa forma, há pouca 
ação sobre funções vitais, como respiratória e cardiovascular, gerando menos emergências relacionadas 
à sua intoxicação aguda.
Incorreta a alternativa E. Assim como as demais drogas de abuso que agem no centro de recompensa cerebral, a maconha pode 
desencadear síndrome dependência e de abstinência.
Correta a alternativa D.
4.1.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE MACONHA
Os sintomas de abstinência de maconha são principalmente psicológicos, normalmente leves ou moderados e autolimitados. Limitam-se 
a alterações do humor, como irritabilidade, surgimento de ansiedade, alterações do sono e mudanças no apetite, que geralmente se iniciam 
em até três dias após a parada do consumo e duram por até quatro semanas nos usuários mais intensos. O uso breve de benzodiazepínicos 
para redução da ansiedade ou melhora do sono pode ser proposto para os poucos pacientes que procuram por ajuda médica.
Em pacientes que fazem o uso da maconha por vários anos, especialmente naqueles que o iniciaram ainda 
durante a infância ou a adolescência, período em que está em curso o neurodesenvolvimento, tem se discutido 
a ocorrência de prejuízos cognitivos permanentes, capacidade atencional prejudicada e déficits de memória, 
especialmente devido à presença de receptores CB nos hipocampos. Além disso, estudos recentes têm associado o 
uso crônico de maconha à redução volumétrica de hipocampos e da amígdala. 
Também se especula que o uso crônico de maconha cause um quadro conhecido como síndrome amotivacional, em que o dependente 
torna-se apático, “preguiçoso”, pouco responsivo às demandas do seu dia a dia, demonstra baixa energia e baixo desempenho em suas 
tarefas e responsabilidades.m
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Critérios da abstinência de CANNABIS, adaptados do DSM-5
A Cessação do uso pesado e prolongado de Cannabis.
B Três (ou mais) dos seguintes sinais e sintomas:
1 Irritabilidade, raiva ou agressividade.
2 Nervosismo ou ansiedade.
3 Dificuldade em dormir.
4 Apetite reduzido ou perda de peso.
5 Inquietação.
6 Humor deprimido.
7
Pelo menos um dos seguintes sintomas físicos causa desconforto significativo: dor abdominal, tremor, sudorese, 
febre, calafrios ou cefaleia.
O tratamento de manutenção da dependência, assim 
como na maioria das outras drogas, baseia-se na mudança de 
estilo de vida, suporte familiar, adesão a métodos psicoterápicos 
e participação em grupos de ajuda mútua, como o Narcóticos 
Anônimos.
Mesmo com muitos investimentos e esforços da indústria 
farmacêutica para o desenvolvimento de um fármaco específico 
para o tratamento da síndrome de dependência de maconha, 
Diversos outros medicamentos foram testados sem sucesso, como antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores 
do humor, anticonvulsivantes e psicoestimulantes.
4.2 ALUCINÓGENOS
Substâncias alucinógenas são aquelas que produzem no indivíduo a ruptura 
com a realidade, ou seja, são drogas que levam o indivíduo a vivências psicóticas, 
como alucinações, delírios e comportamento francamente desorganizado, e que 
podem levar a uma sensação de experiência sobrenatural ou espiritual. Acredita-se 
que os efeitos gerados por essas substâncias ocorram por ação em receptores pós-
sinápticos de serotonina, além de possível ação dopaminérgica e anticolinérgica. 
Essas drogas podem ter origem natural, como a ayahuasca, a beladona, 
diversas espécies de cogumelos, o cacto peiote, dentre outras, ou sintética, como 
o LSD, o Ecstasy, a Fenciclidina(PCP) e a Quetamina.
American Psychiatric Association, 2014.
Fonte: Shutterstock.
apenas um medicamento para esse fim foi aprovado até hoje pelo 
FDA, chamado Dronabinol, que, em 2006, foi liberado para uso no 
mercado norte-americano (não disponível no Brasil). Trata-se de 
um canabinóide sintético agonista do receptor CB, com resultados 
ainda pouco convincentes na prática clínica e que mantém o 
paciente exposto aos riscos do uso de uma substância com ação 
potencialmente neurotóxica. 
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O livro "The Doors of Perception", ou “As Portas da Percepção”, em tradução livre, publicado em 
1954 pelo renomado escritor britânico Aldous Huxley, relata suas experiências alucinatórias durante o 
uso de mescalina, um alucinógeno obtido do cacto peiote. Esse livro inspirou o músico Jim Morrison 
a criar, em 1965, na Califórnia, a famosa banda “The Doors”.
4.2.1 INTOXICAÇÃO POR ALUCINÓGENOS
Intoxicações por alucinógenos podem provocar, além de sintomas psicóticos, alguns sintomas semelhantes aos causados pelas drogas 
estimulantes, como taquicardia, hipertensão arterial, sudorese, hipertermia, agitação psicomotora, com manejo clínico também muito 
semelhante.
Critérios da intoxicação por ALUCINÓGENOS, adaptados do DSM-5
A Uso recente de alucinógeno.
B Alterações comportamentais ou psicológicas.
C
Alterações da percepção, ocorrendo em um estado de plena vigília e alerta que se desenvolveram durante ou 
logo após o uso de alucinógenos.
D Dois (ou mais) dos seguintes sinais desenvolvidos durante ou logo após o uso de alucinógenos:
1 Midríase.
2 Taquicardia.
3 Sudorese.
4 Palpitações.
5 Visão borrada.
6 Tremores.
7 Incoordenação.
Os pacientes devem ser mantidos em locais calmos, sob vigilância. O uso de benzodiazepínicos pode ser realizado nos pacientes 
agitados ou ansiosos, podendo acrescentar o uso do antipsicótico típico Haloperidol nos pacientes agressivos. 
American Psychiatric Association, 2014.m
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4.2.2 ABSTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA DE ALUCINÓGENOS
A síndrome de abstinência não costuma ocorrer com uso 
de alucinógenos, porque ocorre uma rápida tolerância aos seus 
efeitos, o que não torna interessante para o usuário a persistência 
do uso da droga. Essa tolerância pode aparecer já no segundo dia 
de consumo e resolve-se rapidamente também depois de poucos 
dias.
Assim como não ocorre abstinência, também não se 
desenvolve uma dependência física de alucinógenos, sendo 
também muito raros, mas existentes, os casos de dependência que 
envolvam apenas sintomas psicológicos, especialmente naqueles 
que buscam experiências de cunho espiritual ou religioso. Além 
disso, o efeito de muitos alucinógenos é imprevisível, podendo 
ocorrer tanto as “viagens ruins” quanto as “viagens boas”, o que 
também afasta o usuário de um uso persistente e prolongado.
Quando ocorre a dependência por alucinógenos, seu curso 
costuma ser breve e apresentar resolução espontânea, sem a 
necessidade de tratamento medicamentoso. Suporte psicoterápico 
pode ser indicado para o paciente, especialmente psicoterapia 
individual.
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CAPÍTULO
7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao fim desta aula, com esse grande grupo de transtornos psiquiátricos, muito cobrado em provas de Residência Médica pelo 
País. A Psiquiatria pode estar presente em sua prova de Residência em questões de medicina interna, como veremos casos de diagnóstico 
diferencial de delirium, agitação no pronto socorro e intoxicações exógenas. Poderá ser cobrada em Pediatria com temas relacionados a 
autismo, síndrome de Down, déficit intelectual e transtorno do déficit da atenção e hiperatividade. Em ginecologia e obstetrícia, com perguntas 
sobre medicações durante a gravidez ou aleitamento, blues do puerpério, depressão ou psicose puerperal. Em medicina preventiva e da 
comunidade, com questões sobre as síndromes psiquiátricas mais comuns na população, tais como transtornos do humor, que tratamos nesta 
aula, transtornos ansiosos, além de esquizofrenia, demências e dependência química, TOC, questões relacionadas à lei “antimanicomial”, a 
reforma Psiquiátrica e história da Psiquiatria no Brasil. Há ainda muitos outros temas que poderão ser cobrados.
Espero, nas próximas aulas, trazer os demais temas da Psiquiatria para continuarmos com nossos estudos.
Em casos de dúvidas ou sugestões, não hesite em procurar o fórum ou enviar-me um e-mail, responderei o mais rápido possível.
Até breve, 
Professor Thales
6.0 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CAPÍTULO
1. CLASSIFICAÇÃO DE TRANSTORNOS MENTAIS E DE COMPORTAMENTOS DA CID- 10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto 
Alegre: Artes Médicas, 1993.
2. Kaplan, Sadock BJ, Sadock VA et al. Contribuições das ciências socioculturais In: Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P. Compêndio de Psiquiatria: 
ciência do comportamento e Psiquiatria clínica. 1 1. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017. p. 139-45.
3. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais [recurso eletrônico] : DSM-5 / [American Psychiatric Association ; tradução: 
Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.] ; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli ... [et al.]. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre: 
Artmed, 2014.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com 
doença crônica : o cuidado da pessoa tabagista / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 
Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 154 p. : il. (Cadernos da Atenção Básica, n. 40)
5. Dependência química : prevenção, tratamento e políticas públicas [recurso eletrônico] /Organizadores, Alessandra Diehl, Daniel Cruz 
Cordeiro, Ronaldo Laranjeira. 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2019.
6. LARANJEIRA, Ronaldo; NICASTRI, Sérgio; JERONIMO, Claudio and MARQUES, Ana C. Consenso sobre a Síndrome de Abstinência do 
Álcool (SAA) e o seu tratamento. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, n.2 [cited 2020-11-17], pp.62-71. Available from: <http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000200006&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1809-452X. https://doi.org/10.1590/
S1516-44462000000200006.
7. Diretrizes Clínicas na Saúde Suplementar – Tabagismo. AMB/ANS/SBPT e outras, 2011.
8. Abordagem e Tratamento do Fumante - Consenso 2001. Rio de Janeiro: INCA, 2001
9. PORTARIA Nº 761, DE 21 DE JUNHO DE 2016 - Valida as orientações técnicas do tratamento do tabagismo constantes no Protocolo 
Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Dependênciaà Nicotina.
10. II Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil : estudo envolvendo as 108 maiores cidades do país: 2005 / E. 
A. Carlini (supervisão) [et. al.], -- São Paulo : CEBRID - Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas: UNIFESP - Universidade 
Federal de São Paulo, 2006.
11. SUKYS-CLAUDINO, Lucia et al . Novos sedativos hipnóticos. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 32, n. 3, p. 288-293, Sept. 2010 . 
Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462010000300014&lng=en&nrm=iso>. access on 17 
Jan. 2021. https://doi.org/10.1590/S1516-44462010000300014.
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https://sbpt.org.br/portal/wp-content/uploads/2019/01/2011-AMB-DIRETRIZ-TABAGISMO.pdf
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	1.0 DEPENDÊNCIA QUÍMICA
	1.1 INTRODUÇÃO 
	1.2 Conceitos Fundamentais
	1.2.1 Conceito de Dependência
	1.2.2 Conceito de Tolerância
	1.2.3 Classificação das Drogas
	1.2.3.1 Estágios Motivacionais de "Prochaska e DiClemente"
	1.2.3.2 Redução de Danos
	2.0 Drogas Depressoras
	2.1 Etanol
	2.1.1 Absorção e metabolismo
	2.1.2 INTOXICAÇÃO ALCOÓLICA
	2.1.3 ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA
	2.1.4 Delirium Tremens (DT)
	2.1.5 Tratamento da Síndrome de Abstinência Alcoólica
	2.1.6 DEPENDÊNCIA ALCOÓLICA
	2.2 ANSIOLÍTICOS, HIPNÓTICOS E SEDATIVOS
	2.2.1 Intoxicação por Ansiolíticos, Hipnóticos e Sedativos
	2.2.2 Dependência e abstinência de sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos
	2.3 OPIOIDES
	2.3.1 INTOXICAÇÃO POR OPIÓIDES
	2.3.2 Abstinência e Dependência de Opioides
	3.0 DROGAS ESTIMULANTES
	3.0.1 Intoxicação por Estimulantes
	3.0.2 Abstinência e Dependência de Estimulantes
	3.1 TABAGISMO
	3.1.1 Intoxicação por Tabaco
	3.1.2 Abstinência e dependência de tabaco
	4.0 Drogas perturbadoras
	4.1 MACONHA
	4.1.1 Intoxicação por Maconha
	4.1.2 Abstinência e Dependência de Maconha
	4.2 ALUCINÓGENOS
	4.2.1 Intoxicação por Alucinógenos
	4.2.2 Abstinência e Dependência de Alucinógenos
	5.0 LISTA DE QUESTÕES
	6.0 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
	7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS

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