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1 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXO A 
 
CRONOGRAMA DE TEMAS POR AULA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CASCAVEL 
2020 
 
 
2 
PLANO DE AULA - DIREITO DO CONSUMIDOR 
Professora Jesica Lourenço 
 
 CURSO REGULAR – MÉTODO APROVA OAB 
 
- DEMANDA: 6 HORAS GRAVADAS + MATERIAL DE APOIO 
 
1. RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO 
 
AULA 01 – RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO I 
1.1. Conceito de Consumidor 
AULA 02 – RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO II 
1.2. Conceito de Fornecedor 
1.3. Conceito de Produto 
1.4. Conceito de Serviço 
 
2. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
AULA 03 – PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO DO CONSUMIDOR 
2.1. Princípio da vulnerabilidade 
2.2. Princípio do dever governamental 
2.3. Princípio da harmonização dos interesses e da garantia de adequação 
2.4. Princípio do equilíbrio nas relações de consumo 
2.5. Princípio da boa-fé objetiva 
2.6. Princípio da solidariedade 
2.7. Princípio da educação e informação dos consumidores 
2.8. Princípio do incentivo ao autocontrole 
2.9. Princípio da coibição e repressão de abusos no mercado 
2.10. Princípio da racionalização e melhoria dos serviços públicos 
2.11. Princípio do estudo das modificações do mercado 
2.12. Princípio do acesso à justiça 
 
3. DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR 
 
AULA 04 – DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR 
3.1. Proteção da vida, saúde e segurança 
3.2. Educação para o consumo 
3.3. Informação 
3.4. Proteção contra práticas comerciais e cláusulas abusivas 
3.5. Modificação de prestações desproporcionais 
3.6. Reparação integral dos danos 
3.7. Acesso à justiça 
3.8. Inversão do ônus da prova 
 3.9. Prestação eficaz e adequada dos serviços públicos 
 
4. QUALIDADE DOS PRODUTOS E SERVIÇOS 
 
 
 
3 
AULA 05 – PROTEÇÃO À SAÚDE E À SEGURANÇA 
4.1. Da proteção à saúde e segurança 
 
5. DA PREVENÇÃO E REPARAÇÃO DE DANOS 
 
AULA 06 – RESPONSABILIDADE CIVIL PELO FATO 
5.1. Responsabilidade civil pelo fato do produto e do serviço 
AULA 07 – RESPONSABILIDADE CIVIL PELO VÍCIO 
5.2. Responsabilidade civil pelo vício do produto e do serviço 
 
6. PRAZOS E GARANTIAS AO CONSUMIDOR 
 
AULA 08 – PRAZOS E GARANTIAS 
6.1. Prazos - prescrição e decadência 
6.2. Estudo das garantias 
6.3. Desconsideração da personalidade jurídica 
 
7. PRÁTICAS COMERCIAIS 
 
AULA 09 – OFERTA E PUBLICIDADE 
7.1. Oferta 
7.2. Publicidade 
AULA 10 – PRÁTICAS ABUSIVAS 
7.3. Práticas abusivas 
AULA 11 – COBRANÇA DE DÍVIDAS E BANCOS DA DE DADOS 
7.4. Cobrança de dívidas 
7.5. Bancos da de dados 
 
8. PROTEÇÃO CONTRATUAL 
 
AULA 12 – PROTEÇÃO CONTRATUAL I 
8.1. Disposições gerais 
8.2. Cláusulas Abusivas 
AULA 13 – PROTEÇÃO CONTRATUAL II 
8.2. Cláusulas Abusivas 
8.3. Contratos de Adesão 
 
9. DA DEFESA DO CONSUMIDOR EM JUÍZO 
 
AULA 14 – DA DEFESA DO CONSUMIDOR EM JUÍZO 
9.1. Disposições gerais 
9.2. Ações coletivas 
9.3. Ações de responsabilidade do fornecedor 
9.4. Coisa julgada 
 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXO B 
MATERIAL DE APOIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CASCAVEL 
2020 
 
 
5 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
Professora Jesica Lourenço 
 
 
RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO 
 
 
1. RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO 
 
A relação jurídica de consumo é aquela que se estabelece necessariamente entre fornecedores e 
consumidores, tendo por objeto a oferta de produtos ou serviços no mercado de consumo. 
 
 
 
Esses elementos da relação de consumo são relacionais, ou seja, um depende do outro para que haja 
a configuração da relação de consumo e aplicação do CDC. 
 
 Elementos subjetivos 
 Consumidor 
 Fornecedor 
 
 Elementos objetivos 
 Produto 
 Serviço 
 
 Elemento teleológico 
 Destinatário final 
 
1.1. CONCEITO DE CONSUMIDOR 
 
 Análise do art. 2º, CDC 
 
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço 
como destinatário final. 
 
O art. 2º traz o Conceito de consumidor padrão (standard). 
 
a) Pessoa física ou jurídica: tanto pessoas físicas como pessoas jurídicas podem ser enquadradas 
no conceito de consumidor e receber a proteção da norma. O que vai ser o fator definitivo para a 
aplicação do CDC será a análise da vulnerabilidade, que será analisada mais adiante. 
 
 
 
6 
b) Que adquire ou utiliza: Vale lembrar que não é consumidor apenas quem adquire, mas 
também quem utiliza o produto ou serviço como é o caso de familiares do adquirente ou de quem 
recebeu um presente, por exemplo. 
 
c) Destinatário final: a lei não atribui conceituação para a expressão “destinatário final”, o que 
nos leva a buscar a compreensão na doutrina. Sobre o tema, existem algumas teorias: 
 
 Teoria Finalista: parte do conceito econômico de consumidor e propõe que a 
interpretação da expressão destinatário final seja restrita ao consumidor que é o destinatário fático 
ou econômico do produto ou serviço, ou seja, é quem retira o produto ou serviço do mercado 
colocando fim à cadeia de produção (destinatário final econômico), utilizando para uso próprio 
(destinatário final fático) ou de sua família, sendo vedada a aquisição para uso profissional ou de 
revenda. 
 
Enunciado 20, I Jornada Direito Comercial. Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor aos 
contratos celebrados entre empresários em que um dos contratantes tenha por objetivo suprir-se 
de insumos para sua atividade de produção, comércio ou prestação de serviços. 
 
A aplicação da teoria finalista inviabiliza o reconhecimento da pessoa jurídica como consumidora, 
já que de alguma forma utilizaria os produtos/serviços na atividade lucrativa. No entanto, o CDC é 
claro ao permitir que uma pessoa jurídica seja considerada consumidora. Para tanto, a doutrina 
finalista adota um critério de verificação que é saber se a pessoa jurídica utiliza o produto/serviço 
como insumo da produção. Assim, se o produto for utilizado como matéria-prima ou o serviço como 
parte do processo produtivo, a pessoa jurídica não será considerada consumidora. Isso porque nesses 
casos presume-se que a pessoa jurídica conhece bem o produto/serviço que está adquirindo não 
havendo desequilíbrio na relação contratual. 
 
Ex: fábrica têxtil que adquire algodão não é considerada consumidora. 
Ex: fábrica têxtil adquire um veículo para transporte de funcionários é considerada 
consumidora. 
 
 Teoria Maximalista: essa teoria parte do conceito jurídico de consumidor puramente 
objetivo, de modo que para esta teoria o CDC deve regular a sociedade de consumo como um todo, 
abrangendo um maior número de relações. Nesse sentido, para ser considerado consumidor bastaria 
ser o destinatário fático do bem, independentemente de sua destinação econômica, de modo que 
inclusive aquele que reemprega o bem em sua atividade econômica estaria abrangido pelo conceito 
de consumidor. 
 
 Teoria Finalista Mitigada ou Aprofundada: Em virtude dessa abertura pela teoria 
maximalista e pelo fato do caráter restritivo da teoria finalista poder ocasionar injustiças, a doutrina 
finalista verificou que seria necessário atentar para a verdadeira ratio da norma, que é tutelar 
efetivamente aqueles que são vulneráveis. Vulnerabilidade significa ser a parte mais frágil na relação 
de consumo. Vejamos alguns tipos de vulnerabilidade: 
 
Vulnerabilidade 
técnica 
O consumidor não possui conhecimentos técnicos específicos sobre o 
produto ou serviço. 
Vulnerabilidade 
jurídica 
Seria a falta de conhecimentos jurídicos ou de outros pertinentes à 
relação de consumo 
 
 
7 
Vulnerabilidade 
fática/socioeconômica 
É a vulnerabilidade real diante do fornecedor detentor de grande poder 
econômico. 
Vulnerabilidade 
informacional 
Trata-se de espécie de vulnerabilidade técnica e destaca o crescente 
déficit informacional dos consumidores. 
 
Dessa forma, pela teoria finalista mitigada admite-se exceções ao campo de aplicação quando a 
pessoa física ou jurídica apresentar uma vulnerabilidade capaz de gerar desequilíbrio na relação 
contratual. Com isso será necessário analisar a vulnerabilidadeno caso concreto para ser possível 
uma relativização da teoria finalista. 
 
Dessa forma, o consumidor intermediário, ou seja, aquele que adquiriu o produto ou o serviço para 
utilizá-lo em sua atividade empresarial poderá receber a proteção do CDC desde que comprovada 
sua vulnerabilidade frente a outra parte. Ex: taxista / costureira. 
 
O STJ admite a mitigação da teoria finalista para autorizar a incidência do Código de Defesa do 
Consumidor nas hipóteses em que a parte (pessoa física ou jurídica), apesar de não ser destinatária 
final do produto ou serviço, apresentasse em situação de vulnerabilidade. 
Ex: farmácia perante a empresa de cartão de crédito – é destinatária final do serviço de crédito, 
portanto é consumidora, já que essa atividade não integra o objeto da empresa (fornecimento de 
medicamentos). 
 
Vale lembrar que a vulnerabilidade do consumidor pessoa física é presumida pela lei, enquanto que 
a vulnerabilidade da pessoa jurídica deve ser demonstrada no caso concreto. 
 
Em síntese: 
 
Teoria Maximalista Teoria Finalista 
Conceito jurídico de consumidor Conceito econômico de consumidor 
Conceito objetivo Conceito subjetivo 
Destinatário fático Destinatário final e econômico 
 
 
2.1.1. CONSUMIDORES POR EQUIPARAÇÃO 
 
Prosseguindo na análise do conceito de consumidor, precisamos verificar outros tipos de consumidor 
que não são o consumidor padrão, são os chamados consumidores por equiparação. Assim, é possível 
que uma pessoa seja considerada consumidora sem que tenha adquirido nenhum produto/serviço. 
 
Existem três categorias de consumidores por equiparação: 
 
 Coletividade de pessoas – art. 2º, § único, CDC 
 Vítimas de acidente de consumo – art. 17, CDC 
 Pessoas expostas às práticas comerciais – art. 29, CDC 
 
a) Coletividade de pessoas 
 
 
 
8 
Art. 2º Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que 
indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo. 
 
Ex: estudante compra uma pasta de dente que é usada por vários estudantes de uma república e a 
pasta causa uma inflamação na gengiva dos usuários: todos que usaram são consumidores, mesmo 
que não tenham firmado contrato de consumo. 
 
b) Vítimas de acidente de consumo 
 
Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do 
evento. 
Trata-se da responsabilidade pelo fato do produto/serviço. São todas as vítimas de danos 
ocasionados pelo fornecimento de produto ou serviço defeituoso. São também chamados de 
bystanders. Assim, sofrendo um dano em razão do produto/serviço, poderá no prazo de 5 anos (art. 
27, CDC) ingressar com ação postulando reparação dos danos. 
 
Ex: acidente aéreo: aeronave cai sobre casas atingindo pessoas e bens: são consumidores por 
equiparação. E as vítimas são consumidores padrão do caput do art. 2º. 
 
Ex: placa de publicidade cai sobre veículo da vítima – consumidor por equiparação. 
 
Ex: pessoa atropelada por um veículo que apresentou problema nos freios. 
 
c) Pessoas expostas às práticas comerciais 
 
Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as 
pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas. 
Assim, quem quer que seja exposto a práticas comerciais, como oferta, publicidade, práticas 
abusivas, mesmo sem ter adquirido produto ou utilizado serviço pode reivindicar a proteção do CDC. 
 
 
1.2. CONCEITO DE FORNECEDOR 
 
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou 
estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, 
montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou 
comercialização de produtos ou prestação de serviços. 
 
Observa-se que o CDC optou em dar amplitude ao conceito de fornecedor. A chave para saber quem 
é fornecedor está na expressão “desenvolvem atividade”, ou seja, para ser considerado fornecedor 
é preciso praticar a atividade com habitualidade. 
 
Ex: escola oferecendo cursos – é fornecedor. 
 
Ex: escola vendendo veículo que transporta professores – não é fornecedor, já que não faz parte da 
atividade comercial da empresa. 
 
 
 
9 
Pelo mesmo raciocínio, não pode ser tido como fornecedor aquele que vende esporadicamente uma 
casa, a fim de comprar outra, para a mudança de seu endereço. Do mesmo modo, alguém que vende 
coisas usadas, de forma isolada, visando apenas desfazer-se delas. 
 
No fornecimento de produtos ou serviços podem ser considerados fornecedores tanto a pessoa 
jurídica como também a pessoa física. As pessoas jurídicas públicas também poderão ser 
enquadradas como fornecedoras quando do fornecimento de serviços com uma contraprestação 
direta pelos consumidores (Exemplo: serviços de água, luz, telefone...). 
 
No entanto, quando o serviço é realizado mediante o pagamento de um tributo, não se submete ao 
CDC, pois aqui a parte não é consumidor e sim contribuinte, que não efetua um pagamento pelo 
serviço prestado, mas sim um pagamento aos cofres públicos. 
 
Os entes despersonalizados estão abrangidos no conceito de fornecedor. Isso ocorre para evitar que 
a falta de personalidade jurídica sirva como obstáculo para a tutela de consumidores. Também estão 
abrangidas as pessoas jurídicas de fato, como por exemplo, o camelô. 
 
O Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/2003) equipara a fornecedor a entidade responsável pela 
organização da competição, bem como a entidade de prática desportiva detentora do mando de 
jogo. Assim, sendo as entidades envolvidas com as atividades esportivas equiparadas a fornecedores, 
os torcedores também serão considerados consumidores. 
 
Quando a lei mencionar “fornecedor” genericamente, pretende obrigar/responsabilizar todos do art. 
3º da cadeia de fornecimento. Vejam artigos que, ao contrário, especificam o fornecedor: Art. 8º, 
parágrafo único, art. 12, art. 13, art. 14, §4º, art. 18, §5º, art. 19, §2º, art. 25, §2º, art. 32 e art. 33, 
CDC. 
 
1.3. CONCEITO DE PRODUTO 
 
Art. 3º 
§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. 
 
Como se observa o legislador ampliou bastante o que pode ser considerado um produto para fins de 
relação jurídica de consumo, a exemplo da abrangência de bens imateriais como programas de 
computador, por exemplo. 
 
Atenção: Amostra grátis. Responsabilidade em caso de danos? 
 
A onerosidade não é requisito para a caracterização do produto no CDC. Portanto, amostra grátis 
enquadra-se no conceito de produto e, por conseguinte, se ocasionar um dano ao consumidor 
ensejará a sua reparação. 
 
 
1.4. CONCEITO DE SERVIÇO 
 
Art. 3º 
 
 
10 
 § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, 
inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das 
relações de caráter trabalhista. 
 
Atenção: Hipóteses em que há remuneração indireta – serviços aparentemente gratuitos. Assim, 
alguns produtos/serviços embora sejam considerados gratuitos estão abrangidos pelo CDC, uma vez 
que o fornecedor de alguma forma está sendo remunerado pelo serviço. 
 
Para caracterização da relação de consumo deve-se considerar a remuneração direta 
(contraprestação de um contrato de consumo) ou indireta (quando resultar de vantagens 
econômicas do fornecedor a serem percebidas independentes de contrato de consumo. 
 
Ex: passagem aérea adquirida no programa de milhas 
 
Enunciado 559, CJF, VI Jornada de Direito Civil – Observado o Enunciado 369 do CJF, no transporte 
aéreo, nacional e internacional, a responsabilidade do transportador em relação aos passageiros 
gratuitos, que viajarem por cortesia, é objetiva, devendo atender à integral reparação de danos 
patrimoniais e extrapatrimoniais. 
 
Ex: Estacionamento “gratuito”. 
 
Súmula 130, STJ: A empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de 
veículo ocorridos em seu estacionamento. 
 
Ex: Serviço público de saúde – não incide o CDC, pois não há remuneração.STJ. 
 
O reconhecimento da remuneração indireta em uma relação de consumo parte do pressuposto de 
que toda atuação do fornecedor no mercado de consumo tem por objetivo a obtenção de vantagem 
econômica. Se oferece a gratuidade de contratos presentes em vista de contratos onerosos no 
futuro. 
 
Além disso, fica claro que as atividades bancárias são consideradas serviços para o CDC. Nesse 
sentido: 
 
Súmula 297, STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável as instituições financeiras. 
 
Súmula 285, STJ: Nos contratos bancários posteriores ao Código de Defesa do Consumidor incide 
a multa moratória nele prevista. 
 
ATENÇÃO: Exemplos casos de aplicação e de não aplicação do CDC, julgados pelo STJ. 
 
Contrato de transporte Incide o CDC. Enunciado 369, CJF, IV JDC 
Serviços públicos de transporte, educação, 
fornecimento de água e esgoto, luz, serviços de 
telefonia fixa ou móvel 
Incide o CDC. 
Condômino X Condomínio Não incide o CDC 
Contratos de locação urbana Não incide o CDC 
 
 
11 
Locador X Imobiliária Incide o CDC. 
Previdência privada complementar Não incide o CDC 
Serviços educacionais Incide o CDC. 
Crédito educativo Não incide o CDC 
Atividades notariais e registrais Não incide o CDC 
Advogados X Clientes Não incide o CDC 
Casa noturna X cliente Incide o CDC. 
Correios X Usuários Incide o CDC. 
Posto x distribuidor de combustível Não incide o CDC 
Franqueador X franqueado Não incide o CDC 
 
 
 
 
 SÚMULAS RELACIONADAS: 
 
Súmula 638, STJ: É abusiva a cláusula contratual que restringe a responsabilidade de instituição financeira 
pelos danos decorrentes de roubo, furto ou extravio de bem entregue em garantia no âmbito de contrato de 
penhor civil. 
 
Súmula 608, STJ: Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os 
administrados por entidades de autogestão. 
 
Súmula 297, STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável as instituições financeiras. 
 
Súmula 370, STJ: Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado. 
 
Súmula 387, STJ: É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. 
 
Súmula 388, STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral, independentemente de 
prova do prejuízo sofrido pela vítima. 
 
Súmula 563, STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades abertas de previdência 
complementar, não incidindo nos contratos previdenciários celebrados com entidades fechadas. 
 
 
 
 
 COMO JÁ APARECEU NO EXAME DE ORDEM: 
 
 
01. Ano: 2017/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Heitor foi surpreendido pelo recebimento de informação de anotação de seu nome no cadastro restritivo de crédito, em 
decorrência de suposta contratação de serviços de telefonia e Internet. Heitor não havia celebrado tal contrato, sendo o 
mesmo fruto de fraude, e busca orientação a respeito de como proceder para rescindir o contrato, cancelar o débito e 
ter seu nome fora do cadastro negativo, bem como o recebimento de reparação por danos extrapatrimoniais, já que 
nunca havia tido o seu nome inscrito em tal cadastro. Com base na hipótese apresentada, na qualidade de advogado(a) 
de Heitor, assinale a opção que apresenta o procedimento a ser adotado. 
 
 
 
12 
A Cabe o pedido de cancelamento do serviço, declaração de inexistência da dívida e exclusão da anotação indevida, 
inexistindo qualquer dever de reparação, já que à operadora não foi atribuído defeito ou falha do serviço digital, que 
seria a motivação para tal pleito. 
B Trata-se de cobrança devida pelo serviço prestado, restando a Heitor pagar imediatamente e, somente assim, excluir a 
anotação de seu nome em cadastro negativo, e, então, ingressar com a medida judicial, comprovando que não procedeu 
com a contratação e buscando a rescisão do contrato irregular com devolução em dobro do valor pago. 
C Heitor não pode ser considerado consumidor em razão da ausência de vinculação contratual verídica e válida que 
consagre a relação consumerista, afastando-se os elementos principiológicos e fazendo surgir a responsabilidade civil 
subjetiva da operadora de telefonia e Internet. 
D Heitor é consumidor por equiparação, aplicando-se a teoria do risco da atividade e devendo a operadora suportar os 
riscos do contrato fruto de fraude, caso não consiga comprovar a regularidade da contratação e a consequente reparação 
pelos danos extrapatrimoniais in re ipsa, além da declaração de inexistência da dívida e da exclusão da anotação indevida. 
 
02. Ano: 2017/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Alvina, condômina de um edifício residencial, ingressou com ação para reparação de danos, aduzindo falha na prestação 
dos serviços de modernização dos elevadores. Narrou ser moradora do 10º andar e que hospedou parentes durante o 
período dos festejos de fim de ano. Alegou que o serviço nos elevadores estava previsto para ser concluído em duas 
semanas, mas atrasou mais de seis semanas, o que implicou falta de elevadores durante o período em que recebeu seus 
hóspedes, fazendo com que seus convidados, todos idosos, tivessem que utilizar as escadas, o que gerou transtornos e 
dificuldades, já que os hóspedes deixaram de fazer passeios e outras atividades turísticas diante das dificuldades de 
acesso. Sentindo-se constrangida e tendo que alterar todo o planejamento de atividades para o período, Alvina afirmou 
ter sofrido danos extrapatrimoniais decorrentes da mora do fornecedor de serviço, que, ainda que regularmente 
notificado pelo condomínio, quedou-se inerte e não apresentou qualquer justificativa que impedisse o cumprimento da 
obrigação de forma tempestiva. Diante da situação apresentada, assinale a afirmativa correta. 
 
A Existe relação de consumo apenas entre o condomínio e o fornecedor de serviço, não tendo Alvina legitimidade para 
ingressar com ação indenizatória, por estar excluída da cadeia da relação consumerista. 
B Inexiste relação consumerista na hipótese, e sim relação contratual regida pelo Código Civil, tendo a multa contratual 
pelo atraso na execução do serviço cunho indenizatório, que deve servir a todos os condôminos e não a Alvina, 
individualmente. 
C Existe relação de consumo, mas não cabe ação individual, e sim a perpetrada por todos os condôminos, em 
litisconsórcio, tendo como objeto apenas a cobrança de multa contratual e indenização coletiva. 
D Existe relação de consumo entre a condômina e o fornecedor, com base da teoria finalista, podendo Alvina ingressar 
individualmente com a ação indenizatória, já que é destinatária final e quem sofreu os danos narrados. 
 
03. Ano: 2015/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Saulo e Bianca são casados há quinze anos e, há dez, decidiram ingressar no ramo das festas de casamento, produzindo 
os chamados “bem-casados", deliciosos doces recheados oferecidos aos convidados ao final da festa. Saulo e Bianca não 
possuem registro da atividade empresarial desenvolvida, sendo essa a fonte única de renda da família. No mês passado, 
os noivos Carla e Jair encomendaram ao casal uma centena de “bem-casados" no sabor doce de leite. A encomenda foi 
entregue conforme contratado, no dia do casamento. Contudo, diversos convidados que ingeriram os quitutes sofreram 
infecção gastrointestinal, já que o produto estava estragado. A impropriedade do produto para o consumo foi 
comprovada por perícia técnica. Com base no caso narrado, assinale a alternativa correta. 
 
A O casal Saulo e Bianca se enquadra no conceito de fornecedor do Código do Consumidor, pois fornecem produtos com 
habitualidade e onerosidade, sendo que apenas Carla e Jair, na qualidade de consumidores indiretos, poderão pleitear 
indenização 
B Embora a empresa do casal Saulo e Bianca não esteja devidamente registrada na Junta Comercial, pode ser considerada 
fornecedora à luz do Código do Consumidor, e os convidados do casamento, na qualidade de consumidores por 
equiparação, poderão pedir indenização diretamente àqueles.C O Código de Defesa do Consumidor é aplicável ao caso, sendo certo que tanto Carla e Jair quanto seus convidados 
intoxicados são consumidores por equiparação e poderão pedir indenização, porém a inversão do ônus da prova só se 
aplica em favor de Carla e Jair, contratantes diretos. 
D A atividade desenvolvida pelo casal Saulo e Bianca não está oficialmente registrada na Junta Comercial e, portanto, por 
ser ente despersonalizado, não se enquadra no conceito legal de fornecedor da lei do consumidor, aplicando-se ao caso 
as regras atinentes aos vícios redibitórios do Código Civil. 
 
 
13 
 
 GABARITO: 
 
01- D / 02- D/ 03- B 
 
 
 
 
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
CAPÍTULO II 
Da Política Nacional de Relações de Consumo 
 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das 
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus 
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia 
das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
 
2.1. PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE 
 
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo; 
 
A vulnerabilidade deve se fazer presente para que o consumidor seja tutelado pelo CDC. Todo 
consumidor é, por natureza, vulnerável perante o fornecedor. Essa vulnerabilidade é que justifica a 
existência do CDC. 
 
O CDC tem por finalidade, ao proteger o consumidor, promover o equilíbrio contratual, buscando 
soluções justas e harmônicas. 
 
 
 
2.2. PRINCÍPIO DO DEVER GOVERNAMENTAL 
 
II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor: 
a) por iniciativa direta; 
b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas; 
c) pela presença do Estado no mercado de consumo; 
d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, 
durabilidade e desempenho. 
 
Em decorrência do reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor, surge a necessidade de se 
promover a proteção do elo mais fraco por meios legislativos e administrativos, visando garantir o 
equilíbrio e a harmonia nas relações de consumo. 
 
 
 
14 
A autorização para atuação do Estado (ação governamental) como verdadeiro poder/dever é feita 
por meio da instituição de órgãos públicos de defesa do consumidor (ex: Procons), como também 
por meio de incentivo à criação de associações destinadas à defesa de tais interesses. 
 
Compete ao Estado proteger efetivamente o consumidor, intervindo no mercado para evitar 
distorções e desequilíbrios, zelando pela garantia de produtos e serviços com padrões adequados de 
qualidade e segurança, bem como de durabilidade e desempenho. 
 
2.3. PRINCÍPIO DA HARMONIZAÇÃO DOS INTERESSES E DA GARANTIA DE 
ADEQUAÇÃO 
 
III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da 
proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo 
a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), 
sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores; 
 
Com base nisso, novos produtos com tecnologias inovadoras somente serão aceitos no mercado de 
consumo se não apresentarem riscos à saúde e à segurança dos consumidores, bem como se 
mostrarem eficientes. 
 
O objetivo é defender o consumidor, de modo a garantir que a sua proteção não quebre a harmonia 
das relações de consumo para que, de forma efetiva, contribua com o desenvolvimento econômico 
e tecnológico, viabilizando, inclusive, a concretização dos princípios constitucionais da ordem 
econômica, previstos no art. 170, CRFB/88. 
 
O princípio da garantia de adequação, por sua vez, prescreve que o fornecedor deverá ser o 
responsável pela efetivação da adequação dos produtos e serviços, atendendo às necessidades dos 
consumidores em segurança e qualidade, bem como respeitando a saúde, segurança, dignidade e 
interesses econômicos. 
 
2.4. PRINCÍPIO DO EQUILÍBRIO NAS RELAÇÕES DE CONSUMO 
 
III - harmonização dos interesses (...) sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre 
consumidores e fornecedores; 
 
Para proteção e garantia do equilíbrio contratual, são vedadas obrigações iníquas (injustas, contrárias 
à equidade), abusivas (que desrespeitam valores da sociedade) ou que ofendem o princípio da boa-
fé objetiva (como a falta de cooperação, lealdade) e a equidade. 
 
2.5. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA 
 
III - harmonização dos interesses (...) sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre 
consumidores e fornecedores; 
 
A boa-fé objetiva estabelece um dever de conduta entre fornecedores e consumidores no sentido de 
agirem com lealdade e confiança, na busca do fim comum que é o adimplemento do contrato, 
protegendo a expectativa de ambas as partes. 
 
 
15 
 
A boa-fé constitui um conjunto de padrões éticos de comportamento, aferíveis objetivamente, que 
devem ser seguidos pelas partes contratantes em todas as fases da existência da relação contratual, 
inclusive após sua extinção. 
 
O princípio da boa-fé objetiva apresenta tríplice função: interpretativa, integrativa e de controle. 
 
 
 
Os deveres anexos da boa-fé, ínsitos a qualquer negócio jurídico, consubstanciam-se em deveres de 
cuidado, de cooperação, de lealdade e de informação. Vale lembrar que não precisam estar previstos 
no instrumento contratual. 
 
 
 
Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422, CC, a violação dos deveres anexos constitui 
espécie de inadimplemento, independentemente de culpa, chamada de violação positiva do 
contrato. 
 
Além disso, o princípio da boa-fé objetiva, que deve ser observado pelas partes na fase de 
negociações preliminares e após a execução do contrato deve levar o credor a evitar o agravamento 
do próprio prejuízo (duty to mitigate the loss). 
 
2.6. PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE 
 
Orienta-se pelo princípio da solidariedade a divisão de riscos estabelecidos pelo CDC. A regra da 
responsabilidade civil objetiva estendida a toda cadeia de fornecimento (todos os fornecedores que 
 
 
16 
participam do ciclo econômico do produto/serviço no mercado) é resultado dos ditames da 
solidariedade social, afastando a regra da culpa para imputação da responsabilidade. 
 
2.7. PRINCÍPIO DA EDUCAÇÃO E INFORMAÇÃO DOS CONSUMIDORES 
 
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres, com 
vistas à melhoria do mercado de consumo; 
 
É dever de todos, Estado, entidades privadas de defesa do consumidor, empresas etc informar e 
educar o consumidor a respeito de seus direitos e deveres para que possa atuar de maneira mais 
consciente no mercado de consumo. Quanto maior o grau de informações existentes, menor será o 
índice de conflito nas relações de consumo. Além disso, a informação é um direito básico do 
consumidor. 
 
Art. 6º III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação 
correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como 
sobre os riscos que apresentem; 
 
Algumas normas foram editadas para melhor informar o consumidor sobre seus direitos nas relações 
de consumo: 
 
Lei 12.291/2010 – obrigatoriedade de manutenção de exemplar do CDC nos estabelecimentos 
comerciais e de prestação de serviço. 
 
Lei 12.741/2012 – medidas de esclarecimento do consumidor sobre tributos incidentes nos preços 
dos produtos/serviços 
 
2.8. PRINCÍPIO DO INCENTIVO AO AUTOCONTROLE 
 
V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança 
de produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo; 
 
O autocontrole dos fornecedores pode ocorrer de três formas distintas: 
- Controle de qualidade e segurança dos produtos defeituosos no mercado de consumo; 
- Prática do recall; 
- Criaçãopelas empresas de departamentos/sistemas de atendimento ao consumidor. 
 
2.9. PRINCÍPIO DA COIBIÇÃO E REPRESSÃO DE ABUSOS NO MERCADO 
 
VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo, inclusive 
a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes 
comerciais e signos distintivos, que possam causar prejuízos aos consumidores; 
 
A política nacional de consumo procura coibir e, principalmente, reprimir as práticas abusivas 
cometidas pelos fornecedores no mercado de consumo, permitindo a atuação livre e consciente do 
consumidor na relação. 
 
 
 
17 
2.10. PRINCÍPIO DA RACIONALIZAÇÃO E MELHORIA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS 
 
VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos; 
 
Art. 6º, X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral. 
 
Art. 22, CDC. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob 
qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, 
seguros e, quanto aos essenciais, contínuos. 
 
2.11. PRINCÍPIO DO ESTUDO DAS MODIFICAÇÕES DO MERCADO 
 
VIII - estudo constante das modificações do mercado de consumo. 
 
Em razão da permanente evolução social, o estudo constante das modificações ocorridas no mercado 
de consumo evita que as normas instituídas para regrar as relações de consumo se tornem 
ultrapassadas e sem eficácia. 
 
As transações ocorridas via internet configuram exemplo de modificação do mercado que merece 
estudos e maior análise. 
 
2.12. PRINCÍPIO DO ACESSO À JUSTIÇA 
 
Trata-se de um princípio implícito. O legislador se preocupou com a busca pela criação de novos 
mecanismos que pudessem facilitar ainda mais o acesso dos consumidores à justiça, como meio de 
defesa dos direitos. 
 
Assim, há como direito básico do consumidor “a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com 
a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a 
alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências” 
 
Da mesma forma temos o art. 83, que dispõe que “para a defesa dos direitos e interesses protegidos 
por este código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e 
efetiva tutela.” 
 
 
 
 
 
 COMO JÁ APARECEU NO EXAME DE ORDEM: 
 
 
01. Ano: 2015/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
A responsabilidade civil dos fornecedores de serviços e produtos, estabelecida pelo Código do Consumidor, reconheceu 
a relação jurídica qualificada pela presença de uma parte vulnerável, devendo ser observados os princípios da boa-fé, 
lealdade contratual, dignidade da pessoa humana e equidade. 
 
 
 
18 
A respeito da temática, assinale a afirmativa correta. 
A A responsabilidade civil subjetiva dos fabricantes impõe ao consumidor a comprovação da existência de nexo de 
causalidade que o vincule ao fornecedor, mediante comprovação da culpa, invertendo que tange ao resultado danoso 
suportado. 
B A responsabilidade civil do fabricante é subjetiva e subsidiária quando o comerciante é identificado e encontrado para 
responder pelo vício ou fato do produto, cabendo ao segundo a responsabilidade civil objetiva. 
C A responsabilidade civil objetiva do fabricante somente poderá ser imputada se houver demonstração dos elementos 
mínimos que comprovem o nexo de causalidade que justifique a ação proposta, ônus esse do consumidor. 
D A inversão do ônus da prova nas relações de consumo é questão de ordem pública e de imputação imediata, cabendo 
ao fabricante a carga probatória frente ao consumidor, em razão da responsabilidade civil objetiva 
 
02. Ano: 2013/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Maria e Manoel, casados, pais dos gêmeos Gabriel e Thiago que têm apenas três meses de vida, residem há seis meses 
no Condomínio Vila Feliz. O fornecimento do serviço de energia elétrica na cidade onde moram é prestado por um única 
concessionária, a Companhia de Eletricidade Luz S.A. Há uma semana, o casal vem sofrendo com as contínuas e 
injustificadas interrupções na prestação do serviço pela concessionária, o que já acarretou a queima do aparelho de 
televisão e da geladeira, com a perda de todos os alimentos nela contidos. O casal pretende ser indenizado. 
 
Nesse caso, à luz do princípio da vulnerabilidade previsto no Código de Proteção e Defesa do Consumidor, assinale a 
afirmativa correta. 
A Prevalece o entendimento jurisprudencial no sentido de que a vulnerabilidade no Código do Consumidor é sempre 
presumida, tanto para o consumidor pessoa física, Maria e Manoel, quanto para a pessoa jurídica, no caso, o Condomínio 
Vila Feliz, tendo ambos direitos básicos à indenização e à inversão judicial automática do ônus da prova. 
B A doutrina consumerista dominante considera a vulnerabilidade um conceito jurídico indeterminado, 
plurissignificativo, sendo correto afirmar que, no caso em questão, está configurada a vulnerabilidade fática do casal 
diante da concessionária, havendo direito básico à indenização pela interrupção imotivada do serviço público essencial. 
C É dominante o entendimento no sentido de que a vulnerabilidade nas relações de consumo é sinônimo exato de 
hipossuficiência econômica do consumidor. Logo, basta ao casal Maria e Manoel demonstrá-la para receber a integral 
proteção das normas consumeristas e o consequente direito básico à inversão automática do ônus da prova e a ampla 
indenização pelos danos sofridos. 
D A vulnerabilidade nas relações de consumo se divide em apenas duas espécies: a jurídica ou científica e a técnica. 
Aquela representa a falta de conhecimentos jurídicos ou outros pertinentes à contabilidade e à economia, e esta, à 
ausência de conhecimentos específicos sobre o serviço oferecido, sendo que sua verificação é requisito legal para 
inversão do ônus da prova a favor do casal e do consequente direito à indenização. 
 
 GABARITO: 
01- C / 02 - B 
 
 
 
 
DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR 
 
 
3.1. PROTEÇÃO DA VIDA, SAÚDE E SEGURANÇA 
 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento 
de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; 
 
Art. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou 
segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua 
 
 
19 
natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a dar as informações 
necessárias e adequadas a seu respeito. 
 
Ex: remédios, bebidas alcoólicas, fogos de artifício. 
 
Espécies de periculosidade 
 
 Periculosidade inerente: a insegurança presente no produto/serviço é normal e previsível. 
Ex: facas. 
 
 Periculosidade adquirida: os produtos se tornam perigosos em decorrência da existência de 
um defeito que apresentam. 
 
 Periculosidade exagerada: possuem, em regra, uma periculosidade inerente, mas a 
informação adequada ao consumidor não serve para mitigar os riscos. Por isso, não podem 
ser colocados no mercado de consumo. Ex: brinquedo que pode sufocar uma criança. 
 
 
 
 
Aplicação dos princípios da prevenção e da precaução. 
 
Prevenção de danos à saúde e à segurança 
Precaução: o fornecedor deve provar que o produto/serviço que vai colocar no mercado não oferece 
riscos. 
 
O CDC visa prevenir os danos causados aos consumidores, de modo que não ocorram. 
 
Pelo princípio da precaução caso o fornecedor não comprove que o produto ou serviço não oferece 
riscos, não deve introduzi-los no mercado. Como não se tem certeza quanto aos possíveis efeitos 
negativos, por precaução, não se permite a introdução do produto ou serviço até que se prove o 
contrário. 
 
PERICULOSIDADE INERENTE
Não é defeituoso pois está dentro da
expectativa de normalidade e
previsibilidade do consumidor
PERICULOSIDADE ADQUIRIDA
É defeituoso. Apresenta defeitosde
concepção, fabricação ou
comercialização
PERICULOSIDADE EXAGERADA
É defeituoso por ficção grande
potencialidade de causar danos ao
consumidor
 
 
20 
Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou 
deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. 
 
 RECALL 
 
 Art. 10, § 1°. O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no 
mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá comunicar o 
fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, mediante anúncios 
publicitários. 
 
 
3.2. EDUCAÇÃO PARA O CONSUMO 
 
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a 
liberdade de escolha e a igualdade nas contratações; 
 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das 
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus 
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia 
das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
 
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres, 
com vistas à melhoria do mercado de consumo; 
 
 
3.3. INFORMAÇÃO 
 
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta 
de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre 
os riscos que apresentem; 
 
Permite que o consumidor manifeste seu consentimento de forma informada e qualificada. Alguns 
exemplos: 
 
 Lei 12.291/2010: obrigatoriedade da manutenção do CDC nos estabelecimentos comerciais e 
de prestação de serviços. 
 
Lei 12.741/2012: medidas de esclarecimento do consumidor sobre os tributos incidentes nos 
preços dos produtos e serviços. 
 
Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III do caput deste artigo deve ser acessível à 
pessoa com deficiência, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) 
 
Representa a inclusão social no mercado de consumo da pessoa com deficiência, por meio do acesso 
à informação e à comunicação. 
 
 
 
21 
O objetivo do Estatuto foi garantir que a pessoa com deficiência efetivamente tenha acesso às 
informações constantes nos produtos e serviços, podendo, sem o auxílio de terceiros, escolher 
produtos, verificar e comparar preços, observar os riscos etc. 
 
 
3.4. PROTEÇÃO CONTRA PRÁTICAS COMERCIAIS E CLÁUSULAS ABUSIVAS 
 
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, 
bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços; 
 
Princípio da identificação obrigatória da mensagem publicitária 
 
Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a 
identifique como tal. 
 
Veda a publicidade subliminar, pois ao adquirir um produto ou serviço o consumidor deverá fazê-lo 
de forma racional, sem ser induzido inconscientemente a comprar. 
 
Princípio da transparência da fundamentação da publicidade 
Art. 36, Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em 
seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que 
dão sustentação à mensagem. 
 
O dispositivo visa que as mensagens publicitárias sejam dotadas de veracidade e correção. 
 
Publicidade enganosa e abusiva 
 
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. 
 
Princípio da veracidade da publicidade 
 
§1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira 
ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro 
o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, 
preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. 
 
Basta a mera potencialidade de engano para caracterizar a publicidade como enganosa, não 
necessitando de prova da enganosidade real. A aferição é feita abstratamente, buscando 
simplesmente a capacidade de induzir o consumidor a erro. 
 
Princípio da não abusividade da publicidade 
 
§2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à 
violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência 
da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar 
de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. 
 
 
 
22 
A publicidade abusiva é aquela que fere a vulnerabilidade do consumidor, podendo até ser 
verdadeira, mas que, pelos seus elementos ou circunstâncias, ofendem valores básicos de toda a 
sociedade. 
 
Princípio do ônus da prova do fornecedor 
 
Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe 
a quem as patrocina. 
 
Inversão do ônus da prova ope legis 
 
Princípio da correção do desvio publicitário 
 
Dever de contrapropaganda: Art. 56, XII e Art. 60, CDC. 
 
Art. 60. A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na prática 
de publicidade enganosa ou abusiva, nos termos do art. 36 e seus parágrafos, sempre às expensas 
do infrator. 
 
 
3.5. MODIFICAÇÃO DE PRESTAÇÕES DESPROPORCIONAIS 
 
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais / ou sua 
revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; 
 
“a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais..” – Teoria 
da Lesão. Aqui o desequilíbrio ocorre desde a formação do contrato. 
 
“ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;” – Teoria 
do rompimento da base objetiva do negócio jurídico 
 
 
3.6. REPARAÇÃO INTEGRAL DOS DANOS 
 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos; 
TEORIA DA IMPREVISÃO 
(CC) 
TEORIA DA BASE OBJETIVA DO NEGÓCIO 
JURÍDICO (CDC) 
Exige a imprevisibilidade e a extraordinariedade 
do fato superveniente 
Somente exige o fato superveniente 
Exige extrema vantagem para o credor Não exige essa condição 
Implica resolução (a revisão somente com a 
voluntariedade do credor) 
Implica revisão (resolução somente quando 
não houver possibilidade de revisão). 
Aplicação do princípio da conservação dos 
contratos. 
 
 
23 
 
No CDC o ressarcimento integral deverá se dar tanto em relação de danos patrimoniais como morais, 
seja a título individual ou coletivo. 
 
 
3.7. ACESSO À JUSTIÇA 
 
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos 
patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, 
administrativa e técnica aos necessitados; 
 
 
3.8. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA 
 
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, 
no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele 
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; 
 
A inversão do ônus da prova procura restabelecer a igualdade e o equilíbrio na relação processual 
em razão do fornecedor, geralmente, dispor de melhores condições técnicas e econômicas para a 
disputa judicial. Ela não ocorre de forma automática. Assim, para que haja inversão do ônus da prova 
é necessário que o juiz analise as peculiaridades do caso concreto e represente uma facilitação à 
defesa do consumidor. 
 
O CDC adotou a regra da distribuição dinâmica do ônus da prova, uma vez que o magistrado tem o 
poder de redistribuição (inversão) do ônus probatório, caso verificada a verossimilhança da alegação 
ou hipossuficiência do consumidor. 
 
Sobre a distribuição do ônus da prova, aplica-se o art. 373do CPC também ao Direito do Consumidor. 
 
Art. 373, CPC. O ônus da prova incumbe: 
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 
 
§ 1º. Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade 
ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de 
obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde 
que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se 
desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. 
 
 
 
24 
 
 
 
 
Atenção. Vulnerabilidade não se confunde com hipossuficiência. 
 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das 
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus 
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia 
das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
 
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo; 
 
 
Vulnerabilidade Fenômeno material Presunção absoluta 
Hipossuficiência Fenômeno processual Análise casuística 
 
 
3.9. PRESTAÇÃO EFICAZ E ADEQUADA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS 
 
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral. 
 
 
 
 SÚMULAS RELACIONADAS: 
 
Súmula 370, STJ: Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado. 
 
Súmula 387, STJ: É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. 
 
Súmula 388, STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral, independentemente de 
prova do prejuízo sofrido pela vítima. 
 
 
 
 
INVERSÃO DO ÔNUS DA 
PROVA
OPE JUDICIS Art. 6º, VIII
OPE LEGIS
Art. 12, §3º, II
Art. 14, §3º, I
Art. 38
 
 
25 
 COMO JÁ APARECEU NO EXAME DE ORDEM: 
 
 
01. Ano: 2019/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Antônio é deficiente visual e precisa do auxílio de amigos ou familiares para compreender diversas questões da vida 
cotidiana, como as contas de despesas da casa e outras questões de rotina. Pensando nessa dificuldade, Antônio procura 
você, como advogado(a), para orientá-lo a respeito dos direitos dos deficientes visuais nas relações de consumo. Nesse 
sentido, assinale a afirmativa correta. 
 
A O consumidor poderá solicitar às fornecedoras de serviços, em razão de sua deficiência visual, o envio das faturas das 
contas detalhadas em Braille. 
B As informações sobre os riscos que o produto apresenta, por sua própria natureza, devem ser prestadas em formatos 
acessíveis somente às pessoas que apresentem deficiência visual. 
C A impossibilidade operacional impede que a informação de serviços seja ofertada em formatos acessíveis, considerando 
a diversidade de deficiências, o que justifica a dispensa de tal obrigatoriedade por expressa determinação legal. 
D O consumidor poderá solicitar as faturas em Braille, mas bastará ser indicado o preço, dispensando-se outras 
informações, por expressa disposição legal. 
 
02. Ano: 2012/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
O ônus da prova incumbe a quem alega a existência do fato constitutivo de seu direito e impeditivo, modificativo ou 
extintivo do direito daquele que demanda. O Código de Proteção e Defesa do Consumidor, entretanto, prevê a 
possibilidade de inversão do onus probandi e, a respeito de tal tema, é correto afirmar que 
 
A ocorrerá em casos excepcionais em que o juiz verifique ser verossímil a alegação do consumidor ou quando for ele 
hipossuficiente. 
B é regra e basta ao consumidor alegar os fatos, pois caberá ao réu produzir provas que os desconstituam, já que o autor 
é hipossuficiente nas relações de consumo. 
C será deferido em casos excepcionais, exceto se a inversão em prejuízo do consumidor houver sido previamente 
ajustada por meio de cláusula contratual. 
D ocorrerá em todo processo civil que tenha por objeto as relações consumeristas, não se admitindo exceções, sendo 
declarada abusiva qualquer cláusula que disponha de modo contrário. 
 
 GABARITO: 
 
01- A / 02 - A 
 
 
 
QUALIDADE DOS PRODUTOS E SERVIÇOS 
 
 
4. PROTEÇÃO À SAÚDE E À SEGURANÇA 
 
Art. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou 
segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua 
natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a dar as informações 
necessárias e adequadas a seu respeito. 
 
§ 1º Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe prestar as informações a que se refere 
este artigo, através de impressos apropriados que devam acompanhar o produto. 
 
 
 
26 
§ 2º O fornecedor deverá higienizar os equipamentos e utensílios utilizados no fornecimento de 
produtos ou serviços, ou colocados à disposição do consumidor, e informar, de maneira ostensiva e 
adequada, quando for o caso, sobre o risco de contaminação. 
 
Os produtos e serviços oferecidos no mercado de consumo não poderão acarretar riscos à saúde e 
segurança dos consumidores, salvo aqueles que, pela sua própria natureza, apresentam em si um 
risco inerente, como por exemplo, remédios, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, fogos de artifício). 
 
O direito, em regra, só atua quando a insegurança ultrapassa um patamar de normalidade e 
previsibilidade do risco, consubstanciando-se um verdadeiro defeito. 
 
 
4.1. ESPÉCIES DE PERICULOSIDADE 
 
– Periculosidade inerente: a insegurança presente no produto/serviço é normal e previsível. 
Ex: facas. 
 
– Periculosidade adquirida: os produtos se tornam perigosos em decorrência da existência de 
um defeito que apresentam. 
 
– Periculosidade exagerada: possuem, em regra, uma periculosidade inerente, mas a 
informação adequada ao consumidor não serve para mitigar os riscos. Por isso, não podem ser 
colocados no mercado de consumo. Ex: brinquedo que pode sufocar uma criança. 
 
 
 
 
 
 
 
4.2. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA PREVENÇÃO E DA PRECAUÇÃO 
 
– Prevenção de danos à saúde e à segurança 
 
 
27 
– Precaução: o fornecedor deve provar que o produto/serviço que vai colocar no mercado não 
oferece riscos. 
 
O CDC visa prevenir os danos causados aos consumidores, de modo que não ocorram. 
 
Pelo princípio da precaução caso o fornecedor não comprove que o produto ou serviço não oferece 
riscos, não deve introduzi-los no mercado. Como não se tem certeza quanto aos possíveis efeitos 
negativos, por precaução, não se permite a introdução do produto ou serviço até que se prove o 
contrário. 
 
Art. 9° O fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou perigosos à saúde ou 
segurança deverá informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da sua nocividade ou 
periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis em cada caso concreto. 
 
Em qualquer caso, em decorrência do princípio da informação, o legislador garantiu ao consumidor 
o direito de ser informado, de maneira ostensiva e adequada, sobre a periculosidade ou nocividade 
do que vai adquirir. 
 
Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou 
deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. 
 
O conhecimento desses riscos por parte do fornecedor é presumido, já que ele “sabe ou deveria 
saber” de sua existência, não podendo se eximir da responsabilidade ao argumento de que os 
desconhecia. 
 
Art. 10, § 1°. O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado 
de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá comunicar o fato 
imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, mediante anúncios publicitários. 
 
Em decorrência disso, ocorre o recall. Quando se descobre, por exemplo, que um produto foi posto 
no mercado de consumo com algum defeitode fabricação, deve o fornecedor comunicar a 
constatação aos consumidores, para que possa haver o conserto do vício ou ressarcimento por 
eventuais danos. 
 
Ex: retirada do mercado de consumo do medicamento Vioxx, quando constatado que o uso contínuo 
poderia provocar problemas cardíacos. 
 
O fato de o fornecedor alertar consumidores através de anúncios publicitários ou comunicar o ato 
imediatamente às autoridades competentes, não o exime da responsabilidade objetiva sobre os 
danos provenientes dos vícios e defeitos de tais produtos/serviços, devendo responder nos termos 
do art. 12, CDC. 
 
No entanto, caso o consumidor seja comprovadamente notificado do vício e informado de que deva 
comparecer ao estabelecimento do fornecedor para possibilitar a troca, por exemplo, de uma peça 
defeituosa e mesmo assim se mantém inerte, ele age com negligência e, caso venha posteriormente 
sofrer danos em razão da peça objeto do recall poderá ter o quantum da indenização reduzida em 
razão da culpa concorrente. 
 
 
 
28 
Em decorrência do princípio da boa-fé objetiva, o consumidor deverá colaborar com o fornecedor, 
de forma a evitar danos a ambas as partes, uma vez que se o vício for sanado, o consumidor terá a 
segurança esperada pelo produto e o fornecedor não será responsabilizado por eventuais danos. 
 
Art. 63. Omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos, nas 
embalagens, nos invólucros, recipientes ou publicidade: 
Pena - Detenção de seis meses a dois anos e multa. 
 
Art. 64. Deixar de comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou 
periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado: 
Pena - Detenção de seis meses a dois anos e multa. 
 
 
 
 
DA PREVENÇÃO E REPARAÇÃO DE DANOS 
 
 
5. RESPONSABILIDADE CIVIL NO DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
 
 
QUANTO À ORIGEM 
 
• Responsabilidade Civil Contratual ou Negocial 
Ocorre nos casos de inadimplemento de uma obrigação, previsto dos arts. 389 a 391, CC, sendo este 
último com a consagração do princípio da responsabilidade patrimonial contratual, ou seja, pelo 
inadimplemento da obrigação respondem todos os bens do devedor. 
 
• Responsabilidade Civil Extracontratual ou Aquiliana 
No CC/1916, essa responsabilidade tinha como único pilar o ato ilícito do art. 159 daquele diploma. 
Hoje, no CC/2002, a responsabilidade está baseada no ato ilícito do art. 186, CC e no abuso de direito 
do art. 187, CC. O art. 942, CC consagra o princípio da responsabilidade patrimonial extracontratual. 
 
 
29 
 
QUANTO À CULPA 
 
• Responsabilidade Civil Subjetiva 
É a regra geral no ordenamento jurídico, baseada na teoria da culpa. Para que o agente responda 
civilmente e indenize é necessária a comprovação da sua culpa genérica, que inclui o dolo (intenção 
de prejudicar) e a culpa em sentido estrito (imprudência, negligência ou imperícia). Art. 186 e 927, 
caput, CC. 
 
 
 
 Responsabilidade Civil Objetiva 
Ocorre nos casos expressamente previstos em lei e no exercício de uma atividade de risco. Essa 
modalidade de responsabilidade baseada na teoria do risco, em uma de suas modalidades, sendo as 
principais: 
 
Teoria do risco administrativo (art. 37, §6º, CRFB) 
Teoria do risco criado (ex: art. 938, CC) 
Teoria do risco da atividade (profissional) – art. 927, § ún, 2ª parte 
Teoria do risco-proveito (atividade lucrativa) – (CDC) 
Teoria do risco integral (ex: danos ambientais) 
 
 
 
 
 
CONDUTA
NEXO 
DE 
CAUSALIDADE
DANO
 
 
30 
Pelo sistema de responsabilidade objetiva baseado no risco-proveito responde pelos riscos de danos 
causados por atividades que dão causa a tais riscos aqueles que a promovem, obtendo delas 
vantagem econômica. Trata-se da distribuição dos custos que representam os riscos causados pela 
atividade de fornecimento de produtos e serviços no mercado de consumo. 
 
Exceção: responsabilidade subjetiva pelo fato do serviço dos profissionais liberais. 
Art. 14, § 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação 
de culpa. 
 
5.1. RESPONSABILIDADE CIVIL PELO FATO DO PRODUTO E DO SERVIÇO 
 
5.1.1. RESPONSABILIDADE PELO FATO DO PRODUTO 
 
Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, 
independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores 
por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, 
apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou 
inadequadas sobre sua utilização e riscos. 
 
RESPONSABILIDADE PELO FATO RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO 
Art. 12 ao 17, CDC Art. 18 ao 25, CDC 
Defeito relacionado à segurança Vícios de adequação 
Prejuízo extrínseco ao bem Prejuízo intrínseco ao bem 
Acidentes de consumo Bem em desacordo com o fim a que se destina 
Garantia da incolumidade físico-psíquica Garantia da incolumidade econômica 
Prazo de prescrição –art. 27, CDC Prazo de decadência – art. 26, CDC 
 
 
 
31 
 
Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, 
independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores 
por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, 
apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou 
inadequadas sobre sua utilização e riscos. 
 
Atenção! Falha no dever de informar – art. 12, CDC. 
– Responsabilidade objetiva pelo risco da atividade 
– Responsabilidade solidária ou subsidiária? 
 
5.1.1.1. PARÂMETRO DE PRODUTO DEFEITUOSO 
 
§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, 
levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: 
 
I - sua apresentação; 
II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; 
III - a época em que foi colocado em circulação. 
 
§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido 
colocado no mercado. 
 
5.1.1.2. O ENQUADRAMENTO DO COMERCIANTE 
 
Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: 
 
I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; 
RESPONSABILIDADE PELO 
FATO
DO PRODUTO
Fornecedor – art.12
Comerciante – art.13
DO SERVIÇO
Fornecedor – art.14
RESPONSABILIDADE PELO 
VÍCIO
DO PRODUTO
Qualidade – art.18
Quantidade – art.19
DO SERVIÇO
Qualidade – art.20
Quantidade – art.19
 
 
32 
II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou 
importador; 
III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. 
 
– Responsabilidade solidária ou subsidiária? 
 
5.1.1.3. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE 
 
Como o CDC adotou a responsabilidade objetiva pelo risco da atividade e não pelo risco integral, é 
possível que em algumas situações a responsabilidade seja excluída. O ônus da prova é do 
fornecedor. 
 
Art. 12, § 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado 
quando provar: 
 
I - que não colocou o produto no mercado; 
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; 
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. 
 
5.1.2. RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO 
 
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela 
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem 
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. 
 
5.1.2.1. PARÂMETROS DE SERVIÇO DEFEITUOSO 
 
Art. 14, § 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode 
esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: 
 
I - o modo de seu fornecimento; 
II - o resultado e os riscosque razoavelmente dele se esperam; 
III - a época em que foi fornecido. 
 
5.1.2.2. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE 
 
Art. 14, § 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: 
I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; 
II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. 
 
5.1.2.3. RESPONSABILIDADE DOS PROFISSIONAIS LIBERAIS 
 
Art. 14, § 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação 
de culpa. 
 
 
5.2. RESPONSABILIDADE CIVIL PELO VÍCIO DO PRODUTO E DO SERVIÇO 
 
 
33 
 
Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem 
solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados 
ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da 
disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem 
publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a 
substituição das partes viciadas. 
 
a) VÍCIO DE QUALIDADE 
 
§1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, 
alternativamente e à sua escolha: 
I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; 
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais 
perdas e danos; 
III - o abatimento proporcional do preço. 
 
Atenção! Esse prazo pode ser reduzido ou ampliado. 
 
§2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, 
não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a 
cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do 
consumidor. 
 
Cuidado! Exceções – casos em que o consumidor não precisa aguardar o prazo de 30 dias 
 
§3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em 
razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou 
características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial. 
 
b) VÍCIO DE QUANTIDADE 
 
Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto sempre 
que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às 
indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária, 
podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: 
 
I - o abatimento proporcional do preço; 
II - complementação do peso ou medida; 
III - a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios; 
IV - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais 
perdas e danos. 
 
 
34 
 
3.2.2. RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO SERVIÇO 
 
Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao 
consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as 
indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, 
alternativamente e à sua escolha: 
 
I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível; 
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais 
perdas e danos; 
III - o abatimento proporcional do preço. 
 
Aqui também não incide o prazo de 30 dias, podendo o consumidor fazer uso direto das hipóteses 
do art. 20, CDC. 
 
§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta 
e risco do fornecedor. 
 
§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles 
se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade. 
 
Art. 21. No fornecimento de serviços que tenham por objetivo a reparação de qualquer produto 
considerar-se-á implícita a obrigação do fornecedor de empregar componentes de reposição 
originais adequados e novos, ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo, 
quanto a estes últimos, autorização em contrário do consumidor. 
 
Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob 
qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, 
seguros e, quanto aos essenciais, contínuos. 
 
Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das obrigações referidas neste 
artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma 
prevista neste código. 
 
Art. 23. A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos e 
serviços não o exime de responsabilidade. 
 
Art. 24. A garantia legal de adequação do produto ou serviço independe de termo expresso, vedada 
a exoneração contratual do fornecedor. 
 
 
 
35 
Art. 25. É vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou atenue a 
obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores. 
 
§ 1° Havendo mais de um responsável pela causação do dano, todos responderão solidariamente 
pela reparação prevista nesta e nas seções anteriores. 
 
§ 2° Sendo o dano causado por componente ou peça incorporada ao produto ou serviço, são 
responsáveis solidários seu fabricante, construtor ou importador e o que realizou a incorporação. 
 
 
 
 
 COMO JÁ APARECEU NO EXAME DE ORDEM: 
 
 
01. Ano: 2019/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Mara adquiriu, diretamente pelo site da fabricante, o creme depilatório Belle et Belle, da empresa Bela Cosméticos Ltda. 
Antes de iniciar o uso, Mara leu atentamente o rótulo e as instruções, essas unicamente voltadas para a forma de 
aplicação do produto. Assim que iniciou a aplicação, Mara sentiu queimação na pele e removeu imediatamente o 
produto, mas, ainda assim, sofreu lesões nos locais de aplicação. A adquirente entrou em contato com a central de 
atendimento da fornecedora, que lhe explicou ter sido a reação alérgica provocada por uma característica do organismo 
da consumidora, o que poderia acontecer pela própria natureza química do produto. Não se dando por satisfeita, Mara 
procurou você, como advogado(a), a fim de saber se é possível buscar a compensação pelos danos sofridos. 
Nesse caso de clara relação de consumo, assinale a opção que apresenta a orientação a ser dada a Mara. 
 
A Poderá ser afastada a responsabilidade civil da fabricante, se esta comprovar que o dano decorreu exclusivamente de 
reação alérgica da consumidora, fator característico daquela destinatária final, não havendo, assim, qualquer ilícito 
praticado pela ré. 
B Existe a hipótese de culpa exclusiva da vítima, na medida em que o CDC descreve que os produtos não colocarão em 
risco a saúde e a segurança do consumidor, excetuando aqueles de cuja natureza e fruição sejam extraídas a 
previsibilidade e a possibilidade de riscos perceptíveis pelo homem médio. 
C O fornecedor está obrigado, necessariamente, a retirá-lo de circulação, por estar presente defeito no produto, sob 
pena de prática de crime contra o consumidor. 
D Cuida-se da hipótese de violação ao dever de oferecer informações claras ao consumidor, na medida em que a 
periculosidade do uso de produto químico, quando composto por substâncias com potenciais alergênicos, deve ser 
apresentada em destaque ao consumidor. 
 
02. Ano: 2018/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Dora levou seu cavalo de raça para banho, escovação e cuidados específicos nos cascos, a ser realizado pelos profissionais 
da Hípica X. Algumas horas depois de o animal ter sido deixado no local, a fornecedora do serviço entrou em contato 
com Dora para informar-lhe que, durante o tratamento, o cavalo apresentou sinais de doençacardíaca. Já era sabido por 
Dora que os equipamentos utilizados poderiam causar estresse no animal. Foi chamado o médico veterinário da própria 
Hípica X, mas o cavalo faleceu no dia seguinte. Dora, que conhecia a pré-existência da doença do animal, ingressou com 
ação judicial em face da Hípica X pleiteando reparação pelos danos morais suportados, em decorrência do ocorrido 
durante o tratamento de higiene. 
Nesse caso, à luz do Código de Defesa do Consumidor (CDC), é correto afirmar que a Hípica X 
A não poderá ser responsabilizada se provar que a conduta no procedimento de higiene foi adequada, seguindo padrões 
fixados pelos órgão competentes, e que a doença do animal que o levou a óbito era pré-existente ao procedimento de 
higienização do animal. 
 
 
36 
B poderá ser responsabilizada em razão de o evento deflagrador da identificação da doença do animal ter ocorrido 
durante a sua higienização, ainda que se comprove ser pré-existente a doença e que tenham sido seguidos os padrões 
fixados por órgãos competentes para o procedimento de higienização, pois o nexo causal resta presumido na hipótese. 
C não poderá ser responsabilizada somente se provar que prestou os primeiros socorros, pois a pre-existência da doença 
não inibiria a responsabilidade civil objetiva dos fornecedores do serviço; somente a conduta de chamar atendimento 
médico foi capaz de desconstruir o nexo causal entre o procedimento de higiene e o evento do óbito. 
D poderá ser responsabilizada em solidariedade com o profissional veterinário, pois os serviços foram prestados por 
ambos os fornecedores, em responsabilidade objetiva, mesmo que Dora comprove que o procedimento de higienização 
do cavalo tenha potencializado o evento que levou ao óbito do animal, ainda que seguidos os padrões estipulados pelos 
órgãos competentes. 
 
03. Ano: 2019/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Um homem foi submetido a cirurgia para remoção de cálculos renais em hospital privado. A intervenção foi realizada por 
equipe médica não integrante dos quadros de funcionários do referido hospital, apesar de ter sido indicada por esse 
mesmo hospital. 
Durante o procedimento, houve perfuração do fígado do paciente, verificada somente três dias após a cirurgia, motivo 
pelo qual o homem teve que se submeter a novo procedimento cirúrgico, que lhe deixou uma grande cicatriz na região 
abdominal. O paciente ingressou com ação judicial em face do hospital, visando a indenização por danos morais e 
estéticos. Partindo dessa narrativa, assinale a opção correta. 
 
A O hospital responde objetivamente pelos danos morais e estéticos decorrentes do erro médico, tendo em vista que ele 
indicou a equipe médica. 
B O hospital responderá pelos danos, mas de forma alternativa, não se acumulando os danos morais e estéticos, sob 
pena de enriquecimento ilícito do autor. 
C O hospital não responderá pelos danos, uma vez que se trata de responsabilidade objetiva da equipe médica, sendo o 
hospital parte ilegítima na ação porque apenas prestou serviço de instalações e hospedagem do paciente. 
D O hospital não responderá pelos danos, tendo em vista que não se aplica a norma consumerista à relação entre médico 
e paciente, mas, sim, o Código Civil, embora a responsabilidade civil dos profissionais liberais seja objetiva. 
 
04. Ano: 2012/ Banca: FGV / Órgão: OAB / Prova: Exame de Ordem Unificado 
 
Franco adquiriu um veículo zero quilômetro em novembro de 2010. Ao sair com o automóvel da concessionária, percebeu 
um ruído todas as vezes em que acionava a embreagem para a troca de marcha. Retornou à loja, e os funcionários 
disseram que tal barulho era natural ao veículo, cujo motor era novo. Oito meses depois, ao retornar para fazer a revisão 
de dez mil quilômetros, o consumidor se queixou que o ruído persistia, mas foi novamente informado de que se tratava 
de característica do modelo. Cerca de uma semana depois, o veículo parou de funcionar e foi rebocado até a 
concessionária, lá permanecendo por mais de sessenta dias. Franco acionou o Poder Judiciário alegando vício oculto e 
pleiteando ressarcimento pelos danos materiais e indenização por danos morais. Considerando o que dispõe o Código 
de Proteção e Defesa do Consumidor, a respeito do narrado acima, é correto afirmar que, por se tratar de vício oculto, 
A o prazo decadencial para reclamar se iniciou com a retirada do veículo da concessionária, devendo o processo ser 
extinto. 
B o direito de reclamar judicialmente se iniciou no momento em que ficou evidenciado o defeito, e o prazo decadencial 
é de noventa dias. 
C o prazo decadencial é de trinta dias contados do momento em que o veículo parou de funcionar, tornando-se 
imprestável para o uso. 
D o consumidor Franco tinha o prazo de sete dias para desistir do contrato e, tendo deixado de exercê-lo, operou-se a 
decadência. 
 
 
 
 GABARITO: 
 
01- D / 02- A/ 03- A/ 4-B 
 
 
 
 
37 
PRAZOS E GARANTIAS AO CONSUMIDOR 
 
6.1. PRAZOS 
 
6.1.1. PRESCRIÇÃO 
 
Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto 
ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do 
conhecimento do dano e de sua autoria. 
 
O artigo trata da prescrição da pretensão de pleitear judicialmente a reparação pelos danos causados 
por um acidente de consumo (responsabilidade pelo fato do produto e do serviço). 
 
Vale ressaltar que o artigo 27 tem sua aplicação restrita às hipóteses de acidente de consumo. Dessa 
forma, o STJ já reconheceu que não se aplica o prazo de 5 anos do CDC quando houver um 
inadimplemento contratual sem caracterizar um acidente de consumo. 
 
6.1.2. DECADÊNCIA 
 
Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: 
I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis; 
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis. 
 
Exemplos de não-duráveis: alimentos, remédios, combustíveis... 
 
§ 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término 
da execução dos serviços. 
 
§ 2° Obstam a decadência: 
I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e 
serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca; 
II - (Vetado). 
III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento. 
 
§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado 
o defeito. 
 
 
 
38 
 
 
6.2. ESTUDO DAS GARANTIAS 
 
A) Garantia legal (prazo para reclamação) 
 
Art. 24. A garantia legal de adequação do produto ou serviço independe de termo expresso, vedada 
a exoneração contratual do fornecedor. 
Quando o fornecedor presta um serviço ou coloca um produto no mercado, deve garantir que os 
mesmos correspondam às expectativas do consumidor, tanto em sua qualidade, como em 
quantidade, eficiência e informação. 
 
Essa garantia independe de termo expresso, já que decorre da lei. Por isso, qualquer cláusula para 
exonerar dessa garantia será nula (art. 51, I, CDC). 
 
B) Garantia contratual 
 
Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito. 
 
Dessa forma, os prazos de garantia legal (Art. 26, CDC) só começarão a correr depois do prazo de 
garantia que o fornecedor oferecer ao consumido. 
 
 
 
6.3. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
 
Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento 
do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou 
violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver 
falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má 
administração. 
 
 
 
39 
 
 
 
 
 
 SÚMULAS RELACIONADAS:

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