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CONCLUSÃO DE REVISÃO
Atualização da revisão
Quando uma revisão sistemática é considerada obsoleta? Depende. Depende da publicação de estudos após a conclusão da revisão sistemática inicial e também do tamanho da amostra desses estudos. Como também depende da qualidade da evidência da revisão sistemática. Se a revisão já alcançou uma qualidade alta da evidência, dificilmente a nossa confiança será modificada com a disponibilidade dos novos estudos. Não tem um ponto de corte definido para que possamos dizer que determinados anos já deixam a revisão sistemática antiga e com necessidade de atualização. É possível que uma revisão sistemática recente tenha dados incompletos. Isso porque pode ter aplicados os métodos inadequados na sua elaboração. Quando se decide por atualizar a revisão sistemática, o trabalho deve ser ponderado. Alguns grupos consideram que é como se fosse fazer uma revisão sistemática do início, do zero. Isso porque podem ser incorporadas novas bases de dados, pode ser modificada a estratégia de busca ou mesmo mudado os critérios de elegibilidade dos estudos. Mesmo quando não há modificações do método, é possível que a restrição de data na hora de fazer uma busca uma base de dados, implique na perda de artigos relevantes. Porque pode haver uma diferença entre a data de publicação e a data de indexação na base de dados. Devido a todo esse trabalho para atualização de revisões sistemáticas, surgiu o conceito de revisão sistemática viva. A "living systematic review". A revisão sistemática viva é feita da mesma forma que uma revisão sistemática normal. O que ocorre é que no início da etapa de busca já são configuradas atualizações automáticas. Como também é coordenado o trabalho da equipe para que periodicamente apreciem esse resultado e verifiquem se os estudos são elegíveis. Ao concluir a revisão, que geralmente ocorre ali por volta de 12 meses, a revisão é enviada para publicação e as atualizações continuam. Uma vez publicado o artigo científico, é colocado seu material suplementar em repositórios abertos, à disponibilidade das atualizações. Então nesse repositório, os autores, periodicamente, informam qual foi o número de artigos recuperados, quais foram elegíveis e se houve a inclusão de novos estudos. Havendo a inclusão de novos estudos, as novas estimativas são calculadas e então é informado nesse repositório se houve modificação do efeito ou não. Associada à meta-análise em rede, as revisões sistemáticas vivas conseguem antecipar uma qualidade da evidência mais robusta e com isso representam uma economia de recurso e de tempo. Podemos ter acesso a uma evidência de maior qualidade em um tempo mais oportuno.
Conflitos de interesses
Revisões sistemáticas fornecem uma base racional para o desenvolvimento de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas. Por isso, é importante termos garantia que aquela evidência é de boa qualidade e imparcial. Um questionamento que vem sendo feito na literatura, é relação do efeito dos conflitos de interesse no relato das revisões sistemáticas. Apesar de ela ser pouco documentada o foco é muito maior nos ensaios clínicos randomizados, mas tem havido cada vez mais interesse nessa área. Do impacto dos conflitos de interesse nos resultados das revisões sistemáticas. Um ponto importante a ser salientado, é que as revisões sistemáticas geralmente não relatam os potenciais conflitos de interesse dos estudos incluídos na revisão sistemática. 
E isso deve ser feito, porque essa informação deve ser de conhecimento do leitor. Ademais, as revistas científicas também não utilizam checklist na sua maioria para declarar potenciais conflitos de interesse de forma detalhada. Essa questão deve ser aprimorada com o passar do tempo. O conflito de interesse pode se manifestar do financiamento de uma instituição que tem interesse pelo resultado final do estudo, ou também pelos autores que podem se beneficiar de forma material ou não. Uma revisão sistemática, analisou uma amostra aleatória de revisões sistemáticas que tinham declarados conflitos de interesse e outro grupo sem conflitos de interesse. Foi observado que aquelas revisões sistemáticas com conflito de interesse declarado tendem a favorecer as tecnologias sob investigação. Além disso, a qualidade da revisão sistemática é mais baixa naquelas que declararam conflitos de interesse
Conclusão da revisão sistemática
A revisão sistemática produz uma nova evidência a partir dos estudos incluídos. Esse resultado da revisão sistemática deve considerar a qualidade da evidência, é importante que a conclusão de uma revisão responda ao seu objetivo diga então qual é a resposta para aquela dúvida inicial. A prevalência da doença é X o tratamento funciona, não funciona, e também nos diga qual é a confiança que temos nessa estimativa: alta, baixa, refletindo a qualidade da evidência gerada. A conclusão, idealmente, deve trazer também as implicações desses resultados para a prática clínica, trazendo ali as implicações pros pacientes e cuidadores, implicações pra política tendo o público alvo gestores, e também implicações pra pesquisas futuras. Não é papel da revisão sistemática fazer recomendações disso se espera um protocolo clínico, porém se há implicações que se justifiquem essas devem ser apresentadas na conclusão, pois trazem uma aplicabilidade dos resultados já encontrados nessa revisão sistemática. Ao avaliar ou produzir uma revisão sistemática certifique-se que a conclusão traz a confiança da evidência gerada e que ela responda objetivamente a pergunta de pesquisa, considerando então a qualidade dessa nova evidência.
Resposta da pesquisa
Usualmente, a conclusão é composta por uma breve seção que resume de maneira simples e direta o que se pode afirmar a partir dos achados da revisão sistemática. 
Espera-se que conclusão leve em consideração as seguintes boas práticas de redação:
· Responder aos objetivos do estudo;
· Evitar afirmações que não tenham sustentação nos resultados;
· Evitar afirmações sobre benefícios econômicos e custos, exceto se tiverem baseados em uma revisão sistemática de análises econômicas em saúde.
Revisões sistemáticas da literatura devem ter conclusões claras e definidas, sem possibilidade de confusão ao leitor 
Imagine se uma pessoa lhe faz a seguinte pergunta: “qual o melhor tratamento para enxaqueca, medicamento ou compressa de gelo?” A possível resposta estaria entre as alternativas da pergunta. A resposta “sim” nesse caso não tem sentido¹. É uma resposta, mas não responde a pergunta. Existe então uma diferença entre trazer uma conclusão e essa de fato responder ao objetivo, à pergunta PICOT que norteou a revisão sistemática. E é esse aspecto que os autores devem ter em mente nesta etapa de redação.
Quando estamos chegando ao fim de um trabalho tão laborioso como uma revisão sistemática bem conduzida é normal e esperado que o cansaço dê sinais do seu peso. Nessa hora, vale a pena dar uma pausa, se inspirar e reenergizar para, então, com inspiração renovada, escrever um texto que tenha a clareza como prioridade.
Uma forma de aprender é observando bons exemplos, assim como guias de redação e textos que orientam a escrita científica. Outra forma é observando como não fazer. A tabela abaixo lista exemplos de conclusões vagas e que devem ser evitadas se o foco do autor é preparar uma boa conclusão¹:
	Item
	Exemplos
	Falta de objetividade
	“Nossos achados podem contribuir com ações mais efetivas.”
	Frases com pouco conteúdo
	“Mais pesquisas precisam ser realizadas sobre o assunto.”
	Resume-se a uma listagem de achados, repleta de números
	“30% dos artigos identificados tinham problemas metodológicos importantes.”
	Nenhuma tentativa de generalização ou aplicabilidade dos achados
	“A eficácia do medicamento restringe-se ao ambiente dos ensaios clínicos randomizados.”
	Afirmação sem fundamentos ou que extrapolam o alcance da pesquisa
	“A revisão sistemática mapeou a evidência disponível e norteará as futuras pesquisas da área.”
	Contradição ou alegação diferente em face ao que está exposto narevisão sistemática
	“O novo tratamento teve a mesma eficácia que o placebo na remissão dos sintomas. O perfil de segurança sugere que o novo tratamento pode ser usado na população.”
Implicações
Por ser uma pesquisa que teve uma visão completa daquele determinado assunto, espera-se que a conclusão também traga implicações para:
· Prática, indicando questões que a assistência deve observar;
· Política, assinalando pontos que precisam ser considerados;
· Pesquisa, apontando lacunas de conhecimento que carecem de investigação.
Tais implicações também precisam ter respaldo no que foi encontrando, evitando especulações e exageros sem base no que foi pesquisado e encontrado.
Conclusão
Na dúvida sobre como redigir essa parte do manuscrito essencial para compreensão da pesquisa, lembre-se que menos é mais. Responda com clareza ao objetivo dentro do que foi encontrado. Depois, e se as evidências permitem, reflita e traga as implicações.
Familiarize-se com as conclusões de revisões sistemáticas. Inspecionar essa seção em artigos previamente publicados facilitará o processo. Realce, na medida do possível, no que a sua revisão sistemática se difere das demais e o que se tem de novo frente ao que se já conhecia sobre o assunto. Não apresente novos fatos na conclusão. Uma conclusão clara e precisa é uma finalização merecida para tanto trabalho dispendido nesse longo processo.
Referência
1. Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 2011. 383 p. ISBN: 9788527719285
Redação da revisão
Chegou a hora de colocar os resultados da revisão sistemática no formato de artigo científico. Nessa hora, nada é mais assustador do que papel em branco. Nesse momento, porém, podemos contar com o guia de redação PRISMA, o guia que orienta o bom relato das revisões sistemáticas. Não é necessário citar esse guia no método da revisão, mais importante que isso, que, aliás, nem é recomendado pelo PRISMA, é seguir, criteriosamente, o que se espera da revisão sistemática, apresentar o que foi feito para cada item que o PRISMA recomenda a sua redação. A qualidade da revisão sistemática é diretamente influenciada pela sua redação. Nesse momento, lançar mão de uma escrita clara beneficia a todos, autores e leitores que vão usar a revisão sistemática. 
Devido à semelhança nos métodos das revisões sistemáticas, pode ser tentador ou até incosciente incorrer plágio, ou seja, utilizar textos que não são de autoria da equipe de pesquisa sem dar a devida citação. O autoplágio, ou seja, reaproveitar textos do próprio autor também deve ser evitado, mesmo que seja proveniente do protocolo ou de outro produto da mesma revisão sistemática. É uma má prática de redação, que deve ser evitada. Para facilitar a redação científica, os autores devem considerar e utilizar softwares de gerenciamento de referências bibliográficas, para que a citação seja feita sem erros, sem introduzir problemas nesse momento da escrita. Os autores da revisão sistemática devem declarar os seus conflitos de interesse, seguindo as recomendações da revista para qual estão submetendo. Por fim, ressaltamos que a conclusão da revisão deve sempre deixar claro qual é a confiança que temos na nova evidência gerada.
Autoria da revisão
Tem duas coisas na vida que podem gerar conflito: dinheiro e autoria. Essa brincadeira visa chamar a atenção para a necessidade de definirmos os critérios de autoria logo no início da elaboração da revisão sistemática. O Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos, o ICMJE, orienta que a autoria seja baseada quatro critérios principais. Todas as pessoas que atenderam esses quatro critérios devem ser considerados autores e aqueles que eventualmente colaboraram, mas não preenchem os quatros critérios devem constar nos agradecimentos como colaboradores. É considerado autor de artigo científico, as pessoas que participaram da concepção, aquisição ou interpretação dos dados, escreveram o manuscrito, o artigo ou apresentaram contribuição intelectual importante, concordam com a versão final a ser publicada e também se responsabilizam por todos os aspectos da pesquisa. Além disso autor deve saber qual foi a contribuição que cada autor representou para aquele artigo a ser publicado. Todos os autores devem ter confiança na integridade dos coautores. Se uma pessoa participou de uma pequena etapa da revisão sistemática como a busca, ou a seleção dos artigos, essa atividade não preenche o critério para ser autor. E é importante para evitar conflitos no futuro definir com clareza já no início da revisão, especificar quais são os critérios que o grupo vai seguir para que a pessoa seja listada na autoria. Uma coisa que vai evitar problemas é limitar a terceirização das tarefas, manter as atividades em um grupo conciso, que vai se responsabilizar e saber identificar todas as etapas que foram realizadas. Eventuais colaboradores devem portanto ser listados em 
agradecimentos e mais uma vez deixando claro quais são os critérios para que não haja nenhum problema nesse percurso. Vale ressaltar que é longo caminho desde o início da revisão até à sua publicação. Sendo bem otimista, algo torno de dois anos, um para a elaboração da revisão sistemática e outro somente para o processo de submissão, correção, até chegar à sua publicação. Ter clareza nesse processo ajudará todos da equipe a chegarem a resultado bom para todos. 
Escrever
Apesar da escrita da revisão sistemática ser uma das etapas finais, na prática, ela acontece no decorrer de todo o processo.
Alguns ingredientes são importantes para escrever um bom artigo, independente de ser ou não uma revisão sistemática:
1) Habilidades: persistência e disciplina são qualidades que facilitam a aprendizagem e possibilitam o aprimoramento de talentos. Escrever é uma tarefa difícil. Escrever com simplicidade e clareza é ainda mais difícil. Quanto mais o autor se empenhar, menos demandará tempo ao leitor para entender o que foi feito. O manuscrito alcançará, então, maior audiência, recompensa por proporcionar texto agradável e claro, além de ter o devido rigor científico.
2) Honestidade: a escrita científica tem o compromisso de ser verdadeira. Falsificação de dados e argumentações exageradas é um desserviço à ciência e à sociedade. Assim, redigir com imparcialidade é uma qualidade essencial para um autor honesto, objetivo e equilibrado para interpretar os achados encontrados. O plágio e os conflitos de interesse não tem espaço na escrita de um bom artigo científico. Exageros são prevenidos ao minimizar o uso de adjetivos e advérbios excessivos. O convencimento deve vir pelos fatos e não por apelações.
3) Conhecimento: o leitor espera que o autor do artigo conheça cientificamente o tema e saiba informar sobre o assunto. O conhecimento científico está disponível nos canais apropriados de divulgação da ciência, como destaque aos artigos originais, mas também na formação e capacitação formal da equipe. Além de assegurar conhecimento aos autores, é estratégico circular o manuscrito aos pesquisadores mais experientes. Na ausência de ter com quem contar nessa etapa, pode-se lançar mão da pré-publicação (preprints) ou fóruns científicos.
4) Espírito científico: refere-se ao rigor e ao ceticismo organizado. O rigor implica em incorporar um hábito que considera que novas hipóteses, ou mudanças de paradigmas vigentes, precisam passar pelo método científico. O ceticismo organizado é o hábito de cientistas resistirem a aceitar teorias e descobertas como definitivamente provadas. Na necessidade de provas para embasar decisões, se considera insuficiente apenas as opiniões para se resolver uma questão. Assim, exigem-se provas, as evidências provenientes de pesquisas. Imbuído desse espírito, evita-se problemas de reprodutibilidade, ao assegurar o devido controle de qualidade à pesquisa e eventuais exageros na redação. A ciência se constrói um passo por vez.
Praticar
O papel em branco é desafiador para qualquer pessoa. O planejamento da escrita ajuda na organização das ideias. Emrevisões sistemáticas, a redação do protocolo facilita o processo. Dispor de um bom registro do que foi realizado em cada etapa auxilia muito a escrita do manuscrito. No decorrer de uma revisão sistemática, é comum identificar evidências que podem nortear a interpretação dos achados. A tecnologia vem substituindo as anotações manuais ou cadernos de laboratório. Mantenha o registro em segurança, independente do cenário, considerando que os fatos tendem a ser esquecidos, parcialmente lembrados ou distorcidos.
Uma dica importante é ter familiaridade com as diretrizes de redação de revisão sistemática. Conhecer o PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) e suas extensões facilitará muito todo o percurso do trabalho. A estrutura é adaptada conforme a natureza e escopo do projeto.
Para saber mais sobre guias de redação científica tanto de revisões sistemáticas como de outros delineamentos, sugerimos conhecer a iniciativa EQUATOR (Enhancing the QUAlity and Transparency Of health Research), que compila os guias de redação científica disponíveis na área da saúde.
Revisar
Ter algum distanciamento e desapego do texto ajuda a alcançar texto com melhor habilidade de comunicação. No momento em que se alcança uma versão mais acabada, pode-se circular o texto para revisões. Pedir (e considerar!) sugestões de colegas que podem revisar o texto, incluindo aí entes queridos que não são da área, pode ajudar bastante na clareza. Nesse ponto, estamos falando do desapego. Passado esse tempo em que os colegas gentilmente se dedicam a melhorar o seu trabalho, ocorre o distanciamento to texto e vale a pena uma nova leitura para identificar pontos que se beneficiariam de clareza.
Entrevista com David Moher - desenvolvimento do PRISMA
E: Vou conversar agora com David Moher, ele é um cientista sênior no Clinical 
Epidemiology Program e Diretor do Center os Journology no Instituto de Pesquisa Hospitalar de Ottawa e professor associado da Universidade de Ottawa em Ontário Canadá O Dr. Moher teve um papel importante no desenvolvimento da declaração PRISMA a orientação para relatar revisões sistemáticas, entre outros esforços para melhorar a transparência e qualidade na pesquisa médica. David, você pode compartilhar conosco a principal motivação para você e sua equipe 
desenvolverem o PRISMA nos anos 2000? 
D: Com certeza, obrigado! a principal motivação é uma história muito interessante na minha opinião, eu sou disléxico, então para seus alunos que significa que eu tenho uma deficiência significativa no aprendizado e eu realmente era incapaz de ler até os 13 anos e quando comecei na pesquisa médica e eu estava lendo artigos que eu não conseguia entender o que eles estavam dizendo e por muitos anos eu pensei oh sou eu tenho dislexia, eu só não consigo entender e um tempo depois, eu perguntei a dois colegas: "Vocês conseguiram ler esse ensaio clínico?", "conseguem ler essa revisão sistemática?" "Vocês entendem ? Eu não consigo obter o mesmo número que eles" E ambos os colegas disseram que também não conseguiam entender e acho que para mim isso realmente colocou um sinal na minha cabeça. Eu me perguntei se isso é um problema mais amplo e isso foi realmente a motivação para eu desenvolver o Consort e desenvolver o PRISMA. Foi uma motivação muito forte. Na América do Norte nós temos um programa de televisão chamado 'Arquivos X', e os arquivos x são sobre atividades paranormais fortes, todos os tipos de coisas estranhas acontecendo e eu costumava dizer para as pessoas: "Quando você estiver escrevendo uma pesquisa biomédica, incluindo revisões sistemáticas, você não deseja que ele faça parte do 'Arquivos X', você não quer que isso seja parte de mal entendidos, com coisas se perdendo, faltando. Então isso é uma motivação muito forte, e ainda é. 
E: Isso é muito interessante, é interessante que alguém que teria uma deficiência poderia, de fato, mostrar que havia espaço para melhorias, então parabéns! É preciso muita coragem para conseguir isso. Isso é muito inspirador para nós! Qual você acha que foi o impacto do PRISMA? 
D: Eu acho que o impacto tem sido... Um é que existem evidências de que a qualidade das revisões sistemáticas melhorou. Eu acho que o PRISMA estava acostumado a desenvolver. O P em PRISMA é para protocolos em desenvolvimento, atualmente sabemos pelo Prospero, que é o Registro Internacional de prospecção, que exitem de quarenta a cinquenta mil protocolos de revisões sistemáticas que são registrados, então isso vem do PRISMA. Eu acho que o PRISMA é muito usado em todo o mundo para ensinar as pessoas não apenas sobre relatar revisões sistemáticas, mas pensando em ajudá-los a pensar sobre como planejar uma revisão sistemática e como para conduzir uma revisão sistemática, eu acho que isso é particularmente verdade para os de explicação e elaboração do PRISMA, então eu acho que teve algum impacto positivo e acho que pode ter mais impacto se descobrirmos uma maneira de implementar o PRISMA, e outras diretrizes de forma melhor em periódicos. 
E: Sim, às vezes o que você vê é que o periódico pede, mas não verifica se está correto, nem significa que está escrito ali. 
D: Sim, eu acho que é um ponto realmente importante que você faz, e o que fazemos 
é que tentamos fazer uma distinção entre um endosso, que é um periódico dizendo "sim, vamos pedir às pessoas, nos enviem uma lista de verificação", precisamos diferenciar o endosso e a implementação, Implementação é 'tipo': "Como você vai verificar isso? E se você não vai verificar, o quão avançados podemos estar?" 
E: Sim, e não apenas verificar se o arquivo a lista de verificação foi enviado, mas se o que está marcado lá realmente foi escrito, porque às vezes não está. A ferramenta está realmente disponível e ajuda os pesquisadores no campo para entender como uma sistemática revisão deve ser relatada. Quais são seus pensamentos sobre o mau uso do Prisma como uma orientação metodológica para conduzir revisões sistemáticas? Sabemos que a ferramenta fornecem muitas dicas de como fazer a revisão sistemática, mas não é uma diretriz metodológica. 
D: Eu acho que as pessoas que abusam do PRISMA em um sentido, usando ele como um tipo de selo de aprovação. Um jeito de dizer "temos um padrão da indústria", mas eles não estão realmente seguindo isso e acho que isso é um problema bastante significativo, e também vemos que as pessoas estão usando o PRISMA para conduzir uma revisão sistemática, o que eu acho que não é a maneira ideal de usar o PRISMA, quero dizer, PRISMA é realmente uma diretriz de relatórios, e o relatório pode ser muito bom, mas a condução da revisão pode não ser boa, então as pessoas não deveriam simplesmente dizer que estão usando o PRISMA e que esse é o padrão de qualidade, se não for o que eles estão realmente fazendo. 
E: Revisões sistemáticas são altamente citadas e são investigações de custo relativamente baixo. Eles são mais vulneráveis ​​à má conduta científica por esses motivos, em sua opinião? 
D: Eu acho que elas podem ser, mas acho muita pesquisa pode ser, eu acho que o que nós vemos, é que temos essa visão, que eu acredito ser uma visão incorreta, de que é simples fazer uma revisão sistemática e uma meta-análise, que leva apenas alguns dias para fazê-lo, e estas são as mal feitas, você não pode fazer uma revisão sistemática em alguns dias. Eu acho que o outro problema é que vemos, o que chamaríamos de "incentivos perversos", muitas universidades estão usando publicações para as pessoas avançarem em suas carreiras e assim as pessoas estão apenas fazendo revisões sistemáticas dizendo "Eu tenho outra publicação", porque a universidade disse que você precisa de dez publicações para ser promovido etc, então eu acho que isso é um problema sério e acho que realmente precisa ser pensado e examinado em muito mais detalhes.
 E: Certo! O que nos leva à próxima pergunta, então você também é um dos líderes do Hong Kong Manifesto for Assessing Researchers, que se concentra em uma avaliação de produtividade mais justa para os pesquisadores,para melhorar a integridade da pesquisa, que eu acredito que é muito razoável porque como você disse, é um incentivo perverso. Você pode compartilhar seus pensamentos sobre isso e outras iniciativas da integridade na pesquisa? 
D: Claro, e se eu pudesse também queria adicionar porque eu acabei de lembrar, de uma pergunta anterior sobre o PRISMA, nós também vemos na literatura que existem é uma tremenda quantidade de duplicação de revisões sistemáticas e eu acho que é muito desperdício e existem certas áreas onde vemos mais revisões sistemáticas e por exemplo em ensaios randomizados e isso é muito problemático. De volta à sua pergunta sobre os princípios do Hong Kong, eu acho que o Hong Kong está realmente tentando melhorar a integridade da pesquisa, está realmente tentando fazer com que as promoções e as ocupações sejam mais baseadas em evidências, sabemos que a maioria das universidades estão simplesmente perguntando sobre o número de publicações, do fator de impacto da revista, sabemos que existem problemas significativos com isso e também sabemos que isso tem muito pouco impacto sobre a sociedade e nós fazemos pesquisas para tentar impactar em algum nível da sociedade com o que estamos fazendo, nós estamos tentando, de certo modo, melhorar a integridade da pesquisa e estamos tentando fornecer uma justificativa para o porquê devemos fazer isso e também estamos tentando fornecer muitos exemplos disso e, pensando no PRISMA como um exemplo, PRISMA é uma diretriz de redação e o que realmente vemos é que, talvez, quando as pessoas estão escrevendo suas pesquisas usando uma diretriz de relatórios e vamos supor que publiquem uma revisão sistemática essas pessoas devem indicar em seu CV, o curriculum vitae, que eles usaram a diretriz de redação PRISMA para publicar esta revisão sistemática, esta é uma maneira que podemos tentar melhorar a integridade da pesquisa e podemos integrar diretrizes de relatórios nas promoções e as ocupações. Nós não estamos sozinhos trabalhando nos princípios de Hong Kong e outros princípios têm isso, é o que chamaríamos de um espaço muito ocupado, tem muita gente ai. Eu acho que uma das iniciativas mais importantes é algo chamado "declaração de avaliação da pesquisa", que também é chamado DORA. Seus alunos deveriam olhar o DORA, e eles deveriam assinar DORA e eu acho que certamente, se a sua universidade for capaz, eles devem assinar DORA. Ele envia uma mensagem muito forte para a comunidade universitária sobre o que eles consideram ser os incentivos adequados para promover um cargo, acho que no Brasil vocês não chamam assim, mas para promover a integridade da pesquisa e melhores práticas em pesquisa e comportamentos dos pesquisadores, por isso esperamos que no final deste mês vamos enviar os princípios Hong Kong para consideração de publicação, e esperamos que, quando saia, que os indivíduos em todo o mundo, incluindo talvez você e sua Universidade, que assinem e implementem. Os princípios Hong Kong não são sobre como melhorar a integridade da pesquisa, mas sim, como implementar isso dentro do sistema. 
E: Existem alguns princípios e mostrando como eles são razoáveis e qual o impacto que traria, é muito bom, sugerimos aos nossos alunos para que leiam e também para assinem, é muito importante. E por fim, quais seriam suas dicas para pesquisadores que usam e desenvolvem revisões sistemáticas ? 
D: Minha dica seria: 1. verifique se você tem um protocolo da sua revisão sistemática; 2. vá ao Prospero, e certifique-se de que outras pessoas não estão abordando a mesma pergunta, se há outras pessoas abordando a mesma pergunta; minha terceira sugestão seria de você tentar colaborar com essas pessoas. Eu não incentivaria alunos a duplicar, desnecessariamente, revisões sistemáticas. Uma vez que o protocolo da revisão sistemática foi desenvolvido e registrado com o Prospero, conduza a revisão sistemática com os mais altos padrões possíveis, e use o PRISMA para redigi-la, e verifique se será publicada em um periódico de acesso aberto, e se não for publicada em um periódico de acesso aberto, certifique-se de que está em um servidor de pré-publicação, para que qualquer pessoa no mundo, independentemente de seus recursos financeiros, tenha a capacidade de ler a revisão sistemática.
 E: Obrigada David, por compartilhar conosco uma discussão tão rica, muito obrigada mesmo! 
D: Muito Obrigado!Tchau!
Entrevista com Kristin Sainani - dicas de redação
E: Vou conversar agora com Kristen Sainani e ela é professora associada na universidade de Stanford, onde ela ensina estatística e está escrevendo por mais de uma década. Dr. Sainani escreve sobre ciência e saúde para uma gama de audiência e ela é co-editora do Journal of physical medicine and rehabilitation e do Outdoors statistic column, falando sobre estatística para este journal. Christie é o instrutora para writing in the sciences , um enorme curso online lançado no Coursera em 2012, que teve mais de cem mil estudantes, incluindo eu mesma. Então, obrigada Kristin pelo seu tempo se juntando à discussão no nosso curso. 
K: Claro! obrigado por me receber! 
E: Você pode compartilhar um pouco da sua visão e suas opiniões sobre o quanto o escrever científico pode impactar, especificamente nas revisões sistemáticas? 
K: Claro, sim, quero dizer, eu diria para qualquer tipo de artigo que você está escrevendo, se é uma revisão sistemática, um artigo original, um comentário, na minha opinião, é difícil expor a importância da boa escrita, então se você quer que sua ciência tenha impacto e você deseja que sua pesquisa alcance um amplo público que tem que ser escrita de uma maneira que as pessoas possam ler e entender, mas eu diria que isso é duplamente importante para uma revisão sistemática, porque essa revisão não está contribuindo com dados originais, o que você está contribuindo é que você está sintetizando, ou digerindo a literatura para o seu leitor, e por isso, se você fizer um bom trabalho, se for legível e facilmente acessível a muitas pessoas, essa revisão sistemática pode ter realmente um grande impacto, mas se você escrever de uma maneira muito difícil de ler, de forma desorganizada, se o tema não for claro, então realmente não terá impacto. Se a contribuição está realmente em um artigo bem escrito, as pessoas podem seguir isso, e usar isso para aprender sobre algo que eles não tem muito conhecimento. Eu mesma, sempre estou procurando por revisões sistemáticas para acelerar meu aprendizado em alguma área da ciência que eu não sei muito sobre, às vezes eu estou escrevendo sobre saúde ou ciência para um público em geral, ou estou designada para um assunto que não conheço muito bem, então sempre estou procurando por uma boa revisão sistemática, bem escrita, para me ajudar a entender o campo. 
E: Então, você acredita que os autores de trabalhos científicos, em geral, têm uma visão clara do seu público e qual é o seu papel com o artigo? Você acredita que autores têm essa visão clara sobre quem eles estão abordando, com quem eles estão tentando se comunicar quando estão escrevendo e publicando um manuscrito? 
K: Infelizmente acho que muitos cientistas realmente não têm um publico claro em mente quando se sentam para escrever, e a primeira coisa que você aprende quando você faz qualquer aula de redação é a pensar no seu público, então quando estou escrevendo um artigo,a primeira coisa que eu me pergunto é: "Quem é meu público? Estou escrevendo para um público em geral? Estou escrevendo para um público mais técnico?" Saber sobre isso, ajuda a orientar todas as decisões que você toma na sua escrita, como exatamente você vai escrever aquilo, o quanto da ciência você tem que descompacta. Por isso é super importante, mas acho que muitos cientistas não pensam nisso porque eles não estão pensando nisso como um pedaço de escrita, às vezes, eles só são estão pensando em "como "baixar" a minha ciência", e infelizmente, isso significa que o maior erro de muitos cientistas é escrever para uma audiência dos dos seus estudantes de graduação ou a pessoado seu laboratório, ou a pessoa sentada ao lado deles, ou seja, pessoas que já estão no seu nicho de especialização, e eles não pensam em escrever para um publico mais amplo o possível. E por isso, quando eu ensino cientistas sobre a escrita eu tento fazer com que eles escrevam para uma audiência mais ampla o possível, e isso é difícil para os cientistas fazerem. É difícil você passar o dia inteiro, toda a sua vida profissional, neste pequeno nicho e fala um idioma muito especializado, o qual você pode conversar com todo mundo do seu laboratório, e todos sabem essa linguagem especializada, e acho que muitos dos cientistas esquecem que no momento em que você sai do seu laboratório, que você fecha suas duas portas, depois disso, existem um monte de cientistas que não falam essa sua linguagem especializada e é difícil reconhecer isso. Então eu tento trazer para os cientistas mais sobre como escrever isso para alguém que está fora do seu campo. Por exemplo, se você está fazendo uma revisão sistemática sobre pesquisas em câncer de mama, eu, por exemplo, faço muitas pesquisas com a medicina do esporte, pense em mim, que estou na medicina do esporte, e que não é necessariamente saberei essa linguagem especializada. Como você pode escrever para esse público, realmente amplo. E pense sobre todos os termos que você usa, eles serão familiares para alguém, talvez até um cientista, mas que não está especificamente no seu campo. Isso é muito difícil de fazer. Eu ensino um curso de verão em Stanford, um curso de carreira, e é para estudantes de doutorado e pós-doutorados que estão pensando em carreiras alternativas e por isso fazemos uma semana de curso intensivo de redação científica e nós os treinamos em como escrever para audiências grandes, para um público leigo, e é realmente difícil para eles para escrever uma audiência leiga, e esses são estudantes realmente inteligentes de Stanford. Nós damos a eles uma semana inteira de treinamento, falamos sobre como fazê-lo e então eles tem que sair e escrever uma notícia para o público de Los Angeles, então temos esses rascunhos de volta e meu co-professor e eu lemos eles e apenas destacamos: Jargão, os cientistas falam jargão, é como uma mudança conformacional, eles ouvem isso e isso faz sentido para eles, e eles esquecem que alguém na rua não sabe o que é uma mudança conformacional. Por isso, é difícil para os cientistas que realmente têm que fazê-lo conscientemente e, realmente pensam sobre o que as outras pessoas saberão sobre aquilo, mas se você quer que a sua ciência tenha um impacto grande, escrevendo para o publico mais amplo possível que você vai ter o maior impacto! 
E: Sim, este é o problema porque todo mundo tem uma agenda apertada e não têm tempo, e a escrita leva muito tempo, então geralmente você tem um prazo curto e você tem que fazer, mas neste momento do projeto, você devia ter mais tempo, você devia gastar mais tempo, mas é complicado, é difícil para um pesquisador definir um horário especial para isso. 
K: Sim, você realmente precisa definir tempo suficiente para a escrita, e você não pode pensar "Vou escrever este manuscrito em um dia" Você precisa levar tempo para realmente digerir qual é o tema do seu artigo e depois ter tempo para a revisar, voltar e realmente torná-lo o mais claro, e tirar todas as palavras extras e todo o extra jargão e por isso, priorizar a escrita é importante. Então eu reservo um dia da minha semana para ser o meu dia de escrita para às vezes pode ser a solução. 
E: Então, no ambiente acadêmico, a produtividade é julgada principalmente pelo número de artigos publicados e pelo fator de impacto da revista que publicamos, você acha que isso favorece a escrita de baixa qualidade? 
K: Sim, acho que, infelizmente, muitos dos incentivos na academia são configurados de uma maneira que incentiva uma escrita pobre, especialmente essa ideia de que somos recompensados mais por volume e quantidade do que por qualidade, por isso, se você estiver apenas tentando obter outra linha no seu currículo e ter uma publicação apenas por publicar, e você não se importa se alguém lê ou entende seu artigo, obviamente, isso não é propício para uma boa escrita, por isso é um problema, porque recompensamos atualmente a quantidade. Eu acho que há alguns movimentos para mudar isso e acho lentamente podemos começar a recompensar outras coisas, diferente da quantidade, mas certamente quantidade de escrita nunca deveria ser a medida. Sabe, eu gasto tempo tentando fazer as pessoas escreverem menos e em um volume de escrita menor, e de forma mais limpa e nítida, eu diria que, no entanto, que até certo ponto os fatores de impacto e o número de citações que você recebe se correlacionam com o quão bem você escreve. Artigos bem citados e com muita atenção tendem a ser aqueles que estão bem escritos isso é uma coincidência, se algo é legível por um grande público, geralmente vai ser algo que chama mais atenção, e então talvez o fator de impacto e as citações se correlacionam um pouco com a qualidade da escrita, mas certamente existem muitos incentivos que não são muito bons na academia, e que precisa ser mudados. 
E: Além de uma escritora da área da saúde, você também é uma estatística, e você sabe que os dados por trás de um artigo pode ter falhas, por exemplo. O que poderia melhorar a transparência e clareza de um relatório de resultados em um artigo científico, na sua opinião? 
K: Então, apenas um pequeno passo que as pessoas poderiam dar para torná-lo mais fácil para a revisão estatística, por exemplo, é apenas melhorar a clareza da redação e a quantidade de detalhes que você está colocando na seção dos métodos estatísticos. Colocando a explicação do que você fez de forma especificamente clara, isso vai longe para melhorar a transparência. No meu trabalho como revisora estatística, por exemplo, é melhor para examinar os dados e fazer um trabalho melhor nas tabelas e figuras, para que os dados sejam apresentado de uma maneira que é mais fácil de entender, e eu amo figuras que têm visualizações de dados onde você pode ver todos os pontos de dados, em vez de um gráfico de barra, colocar todos os dados individuais juntos aponta se não há muitos dados para esse tipo de gráfico em barras. Esses tipos de coisas ajudariam muito a melhorar credibilidade e transparência, e é claro que a resposta fácil, não é uma resposta fácil, mas como uma estatística eu adoraria é se todo mundo apenas compartilhasse seus dados, todos os dados estariam disponíveis com o artigo, o que tornaria a minha vida muito fácil. Nós estamos muito longe disso, porque eu diria que é talvez um ou dois por cento dos artigos atualmente que realmente têm os dados e códigos compartilhados que, como estatística, seria muito fácil para mim verificar os artigos. Eu acho que estamos indo para essa direção, com a tecnologia chegando, mas ainda estamos, sabe? Apenas cerca de um ou dois por cento dos artigos têm isso disponível. Por agora, se você não tiver os dados disponíveis escrever essa seção dos método o mais clara possível é muito útil, e colocando as coisas em um apêndice, se você quer mais detalhes, não pense que a maioria dos leitores não vão olhar um apêndice, quero que vá em frente e crie um apêndice, eu vou olhar para isso sim. 
E: Sim! Obrigada por falar do apêndice. Nosso grande público neste curso é brasileiro e falantes de inglês não nativos, por isso enfrentamos um monte de problemas, como as grandes frases, nós amamos frases grandes, e também fazemos muito o uso da voz passiva, devido à nossa cultura de escrita, então, que dicas você gostaria de dar aos nossos alunos para melhorar a escrita científica? 
K: Antes de tudo, é uma tarefa tremenda ter que escrever sobre ciência em uma língua estrangeira, eu não posso me imaginar fazendo isso, seria difícil para mim escrever em uma língua estrangeira e muito menos escrever sobre ciência em uma língua estrangeira, então isso é realmente uma tarefa muito difícil, obviamente, quanto mais prática, melhor, mas, na verdade eu vejo com um montede estudantes estrangeiros que tendem a escrever na voz passiva, então eu acho que isso é ensinado, talvez em universidades, ou em alguns lugares. A língua inglesa é executada em verbos, e assim, abandonando o hábito de usar a voz passiva, mudando para a voz ativa, usando verbos ativos fortes que aparecem no início das sentenças e não no final das sentenças, isso realmente faz o inglês mais fácil, então, realmente prestando atenção aos seus verbos. Em seguida, em termos de frases longas, tentando quebrar as suas sentenças, especialmente se você está escrevendo em uma língua estrangeira, é mais difícil entender uma gramática complexa e uma frase muito complexa, então eu começaria usando frases mais curtas, e ao passo que você se torna mais experiente, você pode construir frases mais complexas não há nada de errado com uma longa sentença, desde que esteja bem construída, mas é difícil de fazer, você tem que obter o andamento da sentença e da estrutura correta, então não tenha medo de parecer simples, eu acho que as vezes os cientistas temem que algo pareça simplista demais, muito poucos cientistas irão errar por ser simplistas, então vá para o mais simplista e você provavelmente vai acertar. E quando você se tornar mais experiente, você pode construir uma gramática mais complexa. Outra dica é apenas cortar todas as palavras desnecessárias, que você coloca, naturalmente, em um primeiro rascunho. É difícil deixar de lado essas palavras, mas volte e diga "Bom, quais são as palavras que não são necessárias e que eu posso me livrar?" A outra coisa que me deixa louca como um leitora são siglas e abreviações. Como escritor, você pode estar 
digitando a mesma palavra repetidamente e dizer "Vou apenas inventar uma abreviação", seja qual for a abreviação, você acha que isso é bom, porque é mais fácil para você quando está digitando, você acha que será mais fácil para o seu leitor, mas não é assim! Eu estou fazendo uma revisão de artigos onde eu não necessariamente conheço o assunto bem, porque eu estou revendo as estatísticas e assim, toda vez que me deparo com uma abreviação, eu tenho que olhar para isso traduzir isso, é quase como se eu estivesse lendo uma língua estrangeira, então, isso é muito irritante para um leitor. Um dos meus comentários mais comuns na revisão de artigos é dizer para se livrar de todas as abreviações e acrônimos, exceto, sabe, você pode manter algo como como DNA ou RNA, são muito comuns, mas em geral, substitua tudo no seu manuscrito, quando terminar coloque de volta as palavras. O leitor realmente prefere ter uma frase longa, do que tem essa abreviação que eles têm que procurar sempre o que é. Então, essas são algumas coisas, tenho muitas dicas no meu curso, onde você pode ir e praticar um pouco e realmente, praticar é a maneira de aprender. Uma maneira muito boa de praticar é encontre alguém com quem você possa trocar artigos e editar o trabalho um do outro. É muito mais fácil editar trabalhos de outras pessoas do que editar o seu próprio trabalho e, assim, editando o trabalho de outras pessoas, você pode descobrir sentenças que você não entende muito bem, e é mais fácil cortar algo do trabalho de alguém do que cortar do seu. 
E: Sim, porque você já tem alguns sentimentos sobre o seu trabalho. Eu costumo falar, talvez as pessoas pensem que é chique usar siglas, porque isso parece científico, mas não é, é o oposto. Então, seu curso tem um monte de dicas eu recomendo fortemente ao nosso público a fazer o "Writing the science", mas eu gostaria que você enviasse uma mensagem final, para dar algumas dicas ou sugestões para nossos alunos que desejam melhorar a sua escrita, que querem obter um conhecimento mais profundo neste campo da escrita científica. 
K: Uma coisa que eu tento é ler inglês que não é da literatura científica. Infelizmente nós fazemos um trabalho ruim ao escrever na literatura científica, mesmo entre nativos, eu diria que a literatura científica como um todo é muito mal escrita e uma das minhas missões na vida é fazer isso melhorar, mas se você estiver lendo somente a partir da literatura científica você pega esses maus hábitos, de usar voz passiva, de usar um monte de abreviações, você acha que é assim que é feito. Então se você puder sair desta literatura científica e ler a escrita em inglês fora disso, apenas coisas como o New York Times, e prestando atenção em como esses escritores estão escrevendo e pegando alguns desses hábitos, é realmente uma boa maneira de aprender, muita leitura, mas não na literatura científica, ou ler livros que são sobre ciência, talvez, mas que são escritos para um público em geral. Isso é um ponto e, infelizmente, na escrita, nada substitui a prática, são muitos e muitos anos de prática e, novamente, como eu mencionei, muitas vezes é mais fácil de praticar na escrita de alguém do que na sua própria. Então, meu curso tem muitos exercícios de prática, é um bom lugar para começar, mas se você encontrar outra pessoa com quem você poderia trocar trabalhos, isso pode ser realmente útil, se você encontrar alguém que esteja disposto a editar seu trabalho e olhar para o seu trabalho para você e te dar um feedback, é assim que eu aprendi a escrever, trabalhando com bons editores que foram capazes de me mostrar, tipo, "Olha, aqui você só precisa de quatro palavras ao invés de dez e quando você vê isso você entende, mas até alguém apontar isso para você, fica muito difícil perceber isso na sua própria escrita, porque você se torna muito apegado às suas palavras. Então, em qualquer lugar que você pode praticar, apenas saiba que, mesmo que você esteja vindo de um inglês não nativo, muitos nativos não fazem um bom trabalho de escrita na literatura científica, então você está em boa companhia, e apenas praticando e e prestando atenção às suas palavras e se importando em escrever bem, isso percorre um longo caminho para fazer um trabalho melhor escrevendo. 
E: Sim, não seja tímido, vá em frente! Então, muito obrigada Kirstin tanto por suas dicas, pelo seu tempo em dar tantas sugestões boas para o nosso público. 
K: Fico feliz em conversar, e boa sorte com o curso! 
E: Tchau! 
K: Tchau!
Publicar
O modo mais conveniente de comunicar os achados de uma revisão sistemática é por meio de artigos científicos. Em um ciclo perfeito, o editor do periódico identificará a relevância da investigação e encaminhará à revisão por pares, dois ou mais pesquisadores avaliarão o texto e sugerirão pontos a serem revistos pelos autores, que terão oportunidade de ajustar o manuscrito e encaminhar para apreciação. Em caso de recusa, esse ciclo é repetido até o artigo tornar-se aceitável, o que pode levar em torno de 4-12 meses ou mais. 
Além de disseminar os achados, trazer reconhecimento acadêmico aos autores e promover o avanço da ciência, a publicação científica envolve o domínio de ética e integridade em pesquisa. Em primeiro lugar, seria ético ocupar o tempo de pessoas treinadas e consumir em um esforço que jamais será conhecido além dos muros da elaboração? Por mais que a pesquisa não confirme hipóteses prévias, os resultados devem ser disseminados, até para evitar pesquisas redundantes em algo que não funciona, ou para permitir o aprimoramento dos métodos em eventual replicação da pesquisa.
Tendo isso em mente, vejamos orientações adicionais para suceder na tarefa de publicação científica.
Periódico escolhido
Você conhece o periódico que vai submeter?
Escolher potenciais periódicos para submeter a revisão sistemática no início do projeto é estratégico. A escolha do periódico ajudará a ajustar o texto para sua audiência. Nesse momento, alguns indicadores bibliométricos como o fator de impacto* são levados em conta. O escopo da revista também deve ser considerado. É comum, por exemplo, a revista ser da área mas não aceitar determinados delineamentos, como revisões sistemáticas.
Cada revista tem suas regras, é estratégico familiarizar-se com essas normas e atendê-las minuciosamente. Pense no cenário em que você estabelece como gostaria de receber um texto, explica todosos detalhes e quando o recebe nada do que você explicou foi observado. Você consideraria que o remetente está interessado na sua apreciação? Agora pense nesse cenário em contexto de alta competição. Ao passo que teve um texto mal formatado, há vários outros que atendem às normas. Qual seria a prioridade de avaliação?
Custos com a publicação devem ser observados. Alguns periódicos fazem cobranças pela publicação na modalidade open access, por exemplo. Gastos eventuais também podem ocorrer, como exigência de revisão idiomática certificada, independentemente da exigência de taxas de publicação.
Literatura da área
Você conhece a literatura da área?
Pegue pelo menos três bons artigos originais ou revisões sistemáticas do tema. Observe como os autores organizaram as ideias, como o texto flui e qual ênfase é dada aos achados. A essa altura do curso você já tem clareza de que estar publicado não é indicativo de qualidade. Uma dica para escolher bons exemplos é buscar pelos artigos mais citados na área. A base Scopus*, por exemplo, fornece essa funcionalidade e abrange diversas áreas do conhecimento.
Escrita
Conheça o estilo da redação para onde você pretende escrever sua revisão sistemática. Veja como ocorre a comunicação. São usados parágrafos longos e confusos ou curtos e diretos? Há abuso de siglas, usuais ou não? Utiliza-se voz ativa ou passiva? Talvez, o caminho trilhado pelos colegas que nos precederam sejam um indicativo de como suceder na missão.
Erros ortográficos, semânticos e gramaticais podem distorcer um bom trabalho científico e reduzir a apreciação de um manuscrito após submissão, por mais que se trate de resultado robusto e inovador. Como dar valor a algo que não está bem apresentado? Novamente, pense no editor que recebe numerosos manuscritos por dia. Será que ele valorizará um manuscrito mal escrito e mal organizado?
Ilustrações
Dispor de boas ilustrações e tabelas enaltece o trabalho e facilita a seu entendimento. Vale a pena despender um bom tempo nessa elaboração até que se alcance ilustrações verdadeiramente explicativas e elucidativas. Novamente os exemplos publicados ajudam nesse processo.
* Acesso institucional gratuito à essas bases via Portal Periódicos Capes.
Atenção aos detalhes
É lá que reside o truque!
Alguns itens podem passar desapercebidos aos olhos menos treinados, mas dificilmente escaparão aos "olhos de lince" de um bom editor ou revisor de periódico.
Listamos alguns exemplos:
· Estilo das referências
· Forma de citação no texto (ex.: sobrescrito, parênteses, espaçamento, pontuação)
· Uso de maiúsculas nos títulos, subtítulos e texto
· Espaçamento e pontuação do texto
· Indicadores para notas de rodapé (ex: símbolo, letras, números)
· Informações mínimas exigidas para títulos de ilustrações
· Formato de arquivo para as figuras (ex: JPG, TIF, PNG)
· Resolução das figuras
· Tamanho aceitável para tabelas (ex: limites de linhas e/ou colunas)
Por fim, ressaltamos: persistência e perseverança, aliadas ao rigor científico, são o caminho para o sucesso. "Por isso que o nome disso é trabalho", já dizia um sábio professor. O resultado, e que só comprovamos ao experienciar, é gratificante!
ENCERRAMENTO
Despedida
Chegou a hora de nos despedirmos. Ao longo das últimas semanas buscamos apresentar os métodos necessários para a elaboração das revisões sistemáticas. Esperamos que o curso tenha trazido reflexões importantes a você e a sua equipe. Pode ser que nesse momento você esteja entusiasmado em fazer uma revisão sistemática. Pode ser também que você esteja ponderando, refletindo se é o momento certo e se dispõe dos recursos adequados. Seja qual for a sua decisão, esperamos que o curso tenha trazido informações claras sobre as potencialidades desse método e também as suas limitações. 
Espero que a caminhada tenha sido proveitosa. Eu e os demais professores gostaríamos de agradecer a sua dedicação ao longo desse curso. A revisão sistemática é uma ferramenta poderosa de elaboração da evidência e sua avaliação crítica. Existem cuidados e limitações que devemos observar, porém a aplicação desse método pode trazer evidência relevante para a tomada de decisão na clínica ou na gestão. Um bom produtor de informação deve ser, primeiro lugar bom consumidor de informação e esperamos que o curso também tenha contribuído nesse ponto. Nos ajude a disseminar o curso para pessoas que se beneficiariam do seu conteúdo. Espero que possamos nos encontrar breve. Até logo
Se você chegou até esse ponto...
Parabéns!
... Deve estar ciente dos processos envolvidos na elaboração e utilização das revisões sistemáticas da literatura. A despeito de desfrutar de uma imagem científica elevada, esse método está sujeito a limitações e pode levar a conclusões enganosas ou errôneas. Essa é uma das principais mensagens que esperamos que o curso tenha incutido em você. Há nuances e fragilidades que devem ser observadas para que dessa pesquisa derive resultado útil, robusto e aplicável na prática.
Outro aspecto que desejamos que este curso tenha esclarecido é que a pesquisa científica - mesmo de menor custo, como se presume no caso das revisões sistemáticas -, envolve recursos preciosos e requerem preparo adequado dos pesquisadores. Executar etapas de forma acrítica e sem reflexão sobre o que de fato se aplicaria ao problema de pesquisa pode tão somente dar trabalho, algo bem diferente de produzir um trabalho relevante e cientificamente válido. 
Consumir tempo e energia dissociados do rigor metodológico e de comunicação necessários não resultará em pesquisa profícua. Essa é uma mensagem que, reiteradamente, buscamos transmitir.
Continuidade
Uma boa forma de aprender a fazer revisão sistemática é colocar o conhecimento em prática. Tendo clareza do que destacamos acima e ao longo do curso, e dispondo dos conhecimentos e habilidades básicas, esse é um delineamento que todo pesquisador e profissional engajado deveria ter familiaridade. Esse domínio é privilegiado ao fazer essa pesquisa.
Se você está animado para iniciar a esse tipo de pesquisa, reúna os recursos e planeje sua execução. A caminhada será extensa e proveitosa. Se o momento é de se preparar melhor, procure recursos adicionais que mencionamos ao longo desse curso. A maioria deles são gratuitos e frequentemente atualizados. A educação formal, seja por meio de graduação, pós-graduação ou até mesmo um estágio de pesquisa com grupo experiente são também estratégias para se aprimorar e desenvolver pesquisas com esse método.
Até logo!
Nosso empenho em disponibilizar esse curso é recompensado se nossos objetivos iniciais tiverem sido alcançados. Que tenhamos cada vez mais pesquisadores e profissionais ciosos dos processos envolvidos nesse método.
E, principalmente, se neste momento você está lendo essa despedida com um sorriso no rosto, satisfeito por ter investido seu tempo nesse curso. :)
Até uma próxima vez!

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