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Direito Civil _ Pdf de conteúdo 41 Exame

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1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
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1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
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 1ª FASE OAB | 41° EXAME 
Direito Civil 
Prof.ª Maitê Damé 
Prof.ª Patricia Strauss 
 
 
Sumário 
 
1. Parte Geral ............................................................................................................................... 4 
2. Direito das Obrigações ........................................................................................................... 22 
3. Contratos ............................................................................................................................... 48 
4. Responsabilidade Civil ........................................................................................................... 84 
5. Coisas .................................................................................................................................... 99 
6. Direito de Família ................................................................................................................. 126 
7. Sucessões ........................................................................................................................... 143 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para 
a 1ª Fase OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, reco-
menda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente. 
 
Bons estudos, Equipe Ceisc. 
Atualizado em fevereiro de 2024. 
 
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Direito Civil 
 
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1. Parte Geral 
 Prof. Maitê Damé 
@maitedame 
 
1.1. Direito civil, constituição e divisão da parte geral 
Apesar de o Direito Civil ser ramo do Direito Privado, em razão de ter utilidade particular, 
deve ser interpretado à luz das normas constitucionais. Os ramos do Direito não podem ser in-
terpretados de forma isolada e estanque. Há, nesse sentido, a chamada constitucionalização do 
Direito Privado ou do Direito Civil. Este processo refere-se à aplicação das normas constitucio-
nais na interpretação do Direito Privado. No Direito brasileiro, este processo ocorreu especial-
mente a partir da Constituição Federal de 1988, quando as normas garantidoras de direitos e 
garantias fundamentais passaram a ser aplicados e respeitados no âmbito civil. Com isto, o Di-
reito Civil está, permanentemente sob a tutela constitucional e os direitos fundamentais, que já 
eram respeitados por parte do Estado, passam a sê-lo também no âmbito privado, nas relações 
entre particulares. Exemplo disto são os direitos fundamentais da igualdade, liberdade, digni-
dade, devido processo legal etc. 
O estudo da parte geral do Direito Civil divide-se em três partes: a teoria das pessoas, que 
trabalha com os sujeitos de direitos (pessoas naturais e jurídicas); a teoria dos bens, que se 
destina a estudar os objetos de direitos e, aqui, já incluímos, por questões didáticas, o estudo do 
bem de família; e a teoria dos fatos, que são os eventos que criam, modificam, conservam, trans-
ferem ou extinguem direitos (negócios jurídicos, atos jurídicos – lícitos e ilícitos, prescrição e 
decadência, prova). 
 
1.2. Pessoas naturais 
1.2.1. Capacidade de fato e de direito ou personalidade jurídica 
Todo indivíduo, a partir do nascimento com vida (art. 2°, CC) é capaz de direitos e obriga-
ções na ordem civil (art. 1°, CC). Esta é a personalidade jurídica ou capacidade de direito, de 
titularizar direitos e obrigações. Apesar de somente se adquirir a personalidade jurídica com o 
nascimento com vida, a lei coloca a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
Assim, toda pessoa tem capacidade de direito. Contudo, nem todos podem exercer seus 
direitos pessoalmente, pois pode faltar a aptidão para exercer, pessoalmente, os atos da vida 
civil, em razão de alguma incapacidade. 
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Aqueles que puderem atuar pessoalmente no exercício de seus direitos terão, além da 
capacidade de direito, a capacidade de fato e, com isso, possuindo as duas capacidades – de 
fato e de direito –, terão a capacidade civil plena. 
 
1.2.2. Incapacidade absoluta e relativa 
Quando o indivíduo não pode exercer, pessoalmente, os atos da vida civil, por lhe faltar a 
capacidade de fato, diz-se que é incapaz. Esta incapacidade divide-se em incapacidade abso-
luta e incapacidade relativa. 
Incapacidade absoluta: o art. 3°, CC estabelece que são absolutamente incapazes os 
menores de 16 anos, não podendo praticar nenhum ato da vida civil e, dessa forma, o ato só 
poderá ser praticado pelo representante legal do absolutamente incapaz. O ato jurídico é prati-
cado pelo representante legal em nome do incapaz, estabelecendo-se, assim, a forma de supri-
mento através da representação. 
A inobservância dessa regra gera a nulidade do ato, nos termos do art. 166, I, CC. 
Incapacidade relativa: o art. 4°, CC estabelece que são incapazes para certos atos ou a 
maneira de os exercer aqueles que tiverem entre 16 e 18 anos, os ébrios habituais e os viciados 
em tóxicos; aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua von-
tade; e os pródigos. 
A incapacidade relativa permite que o incapaz realize o ato, desde que esteja assistido 
pelo representante legal. Havendo a prática do ato pelo incapaz, sem o necessário suprimento 
através da assistência, o ato será anulável, nos termos do art. 171, I, CC, devendo a ação ser 
proposta no prazo de quatro anos a contar do momento em que cessar a incapacidade (art. 178, 
III, CC). 
Maiores de 16 anos e menores de 18 anos: caso o relativamente incapaz pratique um 
ato ocultando sua idade, não poderá invocar a idade para eximir-se de obrigação, pois o Código 
não protege a má-fé (art. 180 do CC). Essa incapacidade, por se tratar de exceção pessoal, só 
pode ser arguida pelo próprio incapaz ou pelo representante legal, nos termos do art. 105 do CC. 
Deve-se observar, também, que esse ato pode ser convalidado, conforme previsão do art. 172 
do CC. 
Contudo, existem atos que podem ser praticados pelo relativamente incapaz, mesmo sem 
a assistência do seu representante legal, como por exemplo, ser testemunha (art. 228, I), aceitar 
mandato (art. 666), fazer testamento (art. 1.860, parágrafo único), casar-se (art. 1.517 do CC – 
necessita de autorização dos genitores). 
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Ébrios habituais e viciados em tóxicos; aqueles que, por causa transitória ou per-
manente, não puderem exprimir a vontade; pródigos. 
Ébrios habituais e viciados em tóxicos = uso habitual. 
Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir a vontade = 
qualquer situação que impeça a manifestação da vontade. Ex.: os portadores de mal de Alzhei-
mer. 
Pródigo é aquele que dissipa seu patrimônio desvairadamente, aquele que gasta imode-
radamente, colocando seus bens em risco. A justificativa da interdição do pródigo é o fato de que 
está permanentemente em risco de se submeter à miséria, colocando fora todo seu patrimônio. 
Sua interdição refere-se tão somente a atos de disposição e oneração do patrimônio. Pode ad-
ministrar seu patrimônio, mas não poderá praticar atos que venham a desfalcá-lo. Os demais 
atos (votar, ser jurado, testemunha etc.), poderá os praticar. 
Salvo a situação da idade (maiores de 16 e menores de 18 anos), nas demais hipóteses, 
o indivíduo é maior de idade e deverá passar por processo de interdição, nos termos do art. 
747 e seguintes do CPC. Neste processo, haverá uma perícia, que fixará os atos que o incapaz 
poderá ou não praticar. Por fim, haverá a nomeação do curador, que será o representante legal 
do incapaz maior de idade. 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei n° 13.146/2015) alterou a teoria das incapaci-
dades e viabilizou a inclusão da pessoa com deficiência. Oart. 6° do Estatuto estabelece que a 
pessoa com deficiência é plenamente capaz para a prática de atos da vida civil, inclusive para 
contrair casamento e, nesse sentido, o art. 1.550, § 2°, CC prevê que a pessoa com deficiência 
mental ou intelectual, que tenha capacidade para o casamento, poderá contraí-lo, manifestando 
sua vontade de forma direta ou por meio do representante legal. 
 
1.2.3. Emancipação 
Nos termos do art. 5°, CC, a incapacidade etária cessa pela maioridade (ao se completar 
18 anos) ou pela emancipação, que é forma de se antecipar a capacidade civil plena. 
A emancipação, uma vez realizada, é definitiva, irretratável e irrevogável, salvo por ocor-
rência de vício de vontade (todos os negócios jurídicos ou atos praticados podem ser anulados 
em razão de vício de vontade). Neste sentido, há o enunciado 397 das Jornadas de Direito Civil: 
“A emancipação por concessão dos pais ou por sentença do juiz está sujeita à desconstituição 
por vício de vontade”. 
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Emancipação voluntária: ocorre pela concessão dos pais, quando estes, em conjunto 
(ou um deles, na falta do outro), concedem, mediante escritura pública, independentemente de 
homologação judicial, a emancipação para o filho que tenha completado 16 anos. Deve ser re-
gistrada no Cartório do Registro Civil, nos termos do art. 107, § 1°, Lei n° 6.015/1973. 
Emancipação judicial: a emancipação judicial é aquela concedida pelo juiz, nos casos 
em que o menor estiver sob tutela, sendo ouvido o tutor, se o menor contar com 16 anos com-
pletos. Pode ocorrer, também, nos casos em que um dos genitores concordar e o outro discordar 
da emancipação. Deve ser registrada no Cartório do Registro Civil, nos termos do art. 107, § 1°, 
Lei n° 6.015/1973. 
Emancipação legal: a emancipação legal é aquela que advém da disposição legal, pela 
ocorrência das situações previstas no art. 5°, incisos II, III, IV e V, CC, ou seja, em razão de 
casamento, emprego público, constituição de empresa ou colação de grau em curso superior. 
Dispensa o registro no Cartório de Registro Civil, produzindo efeitos, independentemente desse 
registro. 
 
1.2.4. Tutela e curatela 
1.2.4.1. Tutela 
Estabelece a representação legal de indivíduo menor de 18 anos, em razão da falta de 
seus pais (falecimento, ausência ou perda do poder familiar), nos termos do art. 1.728, CC. 
São três as formas de tutela: 
Testamentária: regulada pelos arts. 1.729 e 1.730, CC, quando o tutor será indicado pe-
los pais, em conjunto, por testamento ou qualquer documento autêntico. 
Legítima: é a tutela que se estabelece quando não há a nomeação de tutor por parte dos 
pais (art. 1.731, CC), sendo estabelecida a ordem de preferência – esta ordem não é absoluta, 
devendo ser observado o melhor interesse da criança e do adolescente. 
Dativa: quando não há a nomeação de tutor pelos pais e não há a possibilidade de ser 
nomeado nenhum dos parentes do menor de idade, estando prevista no art. 1.732, CC. 
O art. 1.735, CC, estabelece aqueles que não podem ser nomeados tutores e, caso o 
sejam, serão exonerados da tutela. 
Por sua vez, o art. 1.736, CC determina os indivíduos que podem se escusar da tutela, 
uma vez que sejam nomeados, devendo a escusa ser apresentada. O prazo a ser considerado, 
neste caso, é o constante no art. 760 do CPC, ou seja, deve ser apresentada a escusa no prazo 
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de cinco dias a contar da intimação para prestar compromisso ou da ocorrência da situação de 
escusa. 
O exercício da tutela importa em uma responsabilidade grande por parte do tutor, que 
ultrapassa os atos de mera administração de bens. Os arts. 1.740 e 1.747 do Código Civil esta-
belecem os atos que o tutor pode praticar com relação ao tutelado, independentemente de auto-
rização judicial. Existem outros atos que exigem, para sua concretização, a atuação/interferência 
do juiz (art. 1.748, CC). 
O tutor deve prestar contas do exercício da tutela. Esta prestação de contas não poderá 
ser dispensada sequer pelos pais que eventualmente tenham instituído a tutela (arts. 1.755-
1.757, CC). 
A tutela cessa com o término da incapacidade (art. 1.763, CC). 
 
1.2.4.2. Curatela 
A curatela visa a proteção de uma pessoa maior, mas que padeça de alguma incapaci-
dade ou de alguma circunstância que impeça a sua livre e consciente manifestação de vontade. 
Para que sejam estabelecidas a curatela e a nomeação do curador, deve haver a interdi-
ção do indivíduo, nos casos dos incisos II, III e IV do art. 4°, CC (art. 1.767, CC), observando-se 
o procedimento do art. 747 e seguintes do CPC. 
A interdição pode ser promovida pelo cônjuge ou companheiro; pelos parentes ou tutores; 
pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o interditando; ou pelo Ministério 
Público (MP), nos termos do art. 747 do CPC. 
Na inicial, devem estar especificados o motivo e os fatos que demonstrem a incapacidade 
do interditando para administrar seus bens (art. 749, CPC/2015). Havendo necessidade, o juiz 
pode nomear curador provisório (art. 749, parágrafo único, CPC/2015); contudo, deverá haver 
laudo médico para provar as alegações do autor (art. 750, CPC/2015). O juiz ouvirá o interditando 
em audiência ou, na impossibilidade de deslocamento, no local onde se encontrar (art. 751, § 1°, 
CPC/2015), utilizando-se dos meios tecnológicos necessários para a entrevista. O interditando 
pode defender-se no prazo de 15 dias (art. 752, CPC/2015). Haverá intervenção do MP como 
fiscal da lei (art. 752, § 1°, CPC/2015). Após este prazo de defesa, haverá a produção de prova, 
com perícia no interditando (art. 753, CPC/2015). O laudo deve indicar os atos para os quais há 
incapacidade. Trata-se, portanto, de uma interdição relativa, já que os interditandos são sempre 
relativamente incapazes. Uma vez que se tenha o laudo e todas as provas, o juiz sentenciará, 
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nomeando o curador e estabelecendo os limites da curatela, segundo o estado e o desenvolvi-
mento mental do interdito (art. 755, CPC). 
Para a nomeação de curador, há previsão de ordem legal no art. 1.775, CC: cônjuge ou 
companheiro, não separado judicialmente ou de fato; na falta, o pai ou a mãe; e, na falta destes, 
o descendente que se demonstrar mais apto. 
O art. 1.783, CC, estabelece que, quando o curador for o cônjuge e o regime de bens do 
casamento for o da comunhão universal de bens, não haverá a obrigatoriedade de prestação de 
contas, salvo por determinação judicial. Dessa forma, o curador deve periodicamente prestar 
contas ou prestá-las todas as vezes que for instado a tal mister, assim como o tutor. 
Ao contrário da tutela, que é temporária, a curatela tem um ânimo definitivo. Todavia, se 
o interdito se recuperar, poder-se-á levantar a interdição e a curatela, nos termos do art. 756, 
CPC/2015. 
 
1.2.5. Direitos da personalidade 
Os direitos da personalidade, também chamados de liberdades públicas, têm proteção 
especial por parte do Estado, sendo derivados da dignidade da pessoa humana (art. 1°, III, CF) 
e inerentes aos seres humanos, ainda que haja a proteção dos direitos da personalidade do 
nascituro (art. 2°, CC) e da pessoa jurídica (art. 52, CC). São qualidades que se agregam ao 
homem e, portanto, intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo sofrer limitação voluntária. 
No Código Civil, há um rol exemplificativo, envolvendo integridade física, nome, intimidade, ima-
gem, honra e vida privada. 
Os arts. 13-15 do CC tratam do direito ao próprio corpo. Prevê o art. 13 do CC a proteção 
à integridade física do indivíduo, proibindo, salvo por exigência médica, atos que importem dimi-
nuição permanente da integridade física. Em razão da exigência médica, pode ser realizada a 
cirurgia de adequação sexual dos transgêneros e, a esse respeito, deve-se observar que o STF, 
na ADIn no 4.275 (rel. Min.Marco Aurélio, rel. p/ Acórdão: Edson Fachin, Tribunal Pleno, j. 1-3-
2018, DJe 7-3-2019), decidiu que o transgênero não necessita submeter-se a cirurgia para que 
possa realizar a alteração do prenome e do sexo no Registro Civil (embora o possa). O art. 14, 
por sua vez, viabiliza a doação de órgãos após morte. Segundo o art. 15 do CC, ninguém pode 
ser obrigado a submeter-se a tratamento médico ou cirúrgico que importe risco de vida. Aqui, há 
a relação com os testamentos vitais, que nada mais são do que uma autorização para a prática 
da suspensão do tratamento médico: “É válida a declaração de vontade expressa em documento 
autêntico, também chamado ‘testamento vital’, em que a pessoa estabelece disposições sobre 
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o tipo de tratamento de saúde, ou não tratamento, que deseja no caso de se encontrar sem 
condições de manifestar a sua vontade” (Enunciado 528, das Jornadas de Direito Civil). 
A proteção ao nome é prevista nos arts. 16-19 do CC. O nome, nele compreendidos o 
prenome e sobrenome, pode ser alterado mediante requerimento ao Oficial do Registro Civil, 
observado o procedimento do art. 56 e seguintes da Lei n° 6.015/1973 (Lei de Registros Públi-
cos). É vedada a utilização do nome alheio em publicações que exponham o portador ao des-
prezo público (art. 17 do CC), e também é vedada a utilização do nome alheio, sem autorização 
do portador, em propagandas comerciais (art. 18 do CC). Havendo violação ao direito ao nome, 
é cabível a reparação por danos. A mesma proteção conferida ao nome estende-se ao pseudô-
nimo utilizado para fins lícitos (art. 19 do CC). Ver art. 515-A e seguintes do Provimento 149 
do CNJ. 
O art. 20 do CC faz a previsão da proteção à palavra e à imagem. O STF julgou a ADIn n° 
4.815 (rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, j. 10-6-2015, DJe 1-2-2016), que dá ao art. 20 do 
CC interpretação conforme a Constituição. Nesta ação, foi autorizada a publicação das “biogra-
fias não autorizadas”, ou seja, a possibilidade de publicação de obras biográficas literárias ou 
audiovisuais, independentemente do consentimento do biografado. Além disso, se a imagem da 
pessoa for utilizada para fins comerciais sem sua autorização, a súmula n° 403 do STJ prevê o 
direito de indenização, independentemente de existência de prejuízo: “Independe de prova do 
prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômi-
cos ou comerciais”. Ver relações com o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), especial-
mente, os arts. 18 e seguintes. 
 
1.3. Direitos de personalidade e LGPD 
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – Lei nº 13.709/2018 – é uma norma que faz a 
previsão do tratamento dos dados pessoais, que venham a ser fornecidos ou coletados, por meio 
de cadastro, por exemplo, seja por pessoas físicas, jurídicas ou pelo Poder Público. O objetivo, 
o foco deste tratamento é trazer proteção desses dados, e, por consequência aos direitos de 
personalidade da pessoa humana, já que a reunião de dados pessoais pode gerar a identificação 
da pessoa. 
A LGPD é aplicada aos dados, independentemente de sua localização, desde que: a ope-
ração de tratamento seja realizada no território nacional; a atividade de tratamento tenha por 
objetivo a oferta ou o fornecimento de bens ou serviços ou o tratamento de dados de indivíduos 
localizados no território nacional; ou os dados pessoais, objeto do tratamento, que tenham sido 
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coletados no território nacional (art. 3º, LGPD). Por outro lado, a LGPD não é aplicável nas hipó-
teses previstas no art. 4º da lei. 
Importante observar que se entende por dados pessoais nome, endereço, link de rede 
social, etc. (art. 5º, I, LGPD), os quais, uma vez contextualizado transformam-se em informação 
e que reunidos podem levar a identificação da pessoa. Há dados pessoais que são sensíveis 
(dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sin-
dicato, etc.), eis que detalham a vida privada da pessoa humana e que podem lhe causar graves 
prejuízos. Estes dados sensíveis terão uma proteção maior por parte da LGPD e só poderão ser 
tratados nas hipóteses do art. 11, da LGPD. 
Deve-se esclarecer que o tratamento dos dados pessoais deve observar os princípios 
elencados no art. 6º, LGPD: finalidade, adequação, necessidade, livre acesso, qualidade, trans-
parência, segurança prevenção, não discriminação, responsabilização e prestação de contas. 
Além disso, o titular dos dados deve ter ciência da finalidade, forma e duração do tratamento dos 
seus dados, além de informações sobre o controlador (art. 9º, LGPD). 
 
1.4. Pessoa jurídica 
1.4.1. Criação e desconsideração da personalidade jurídica 
Para o surgimento da pessoa jurídica de Direito Privado, deve-se ter sua criação por con-
trato ou estatuto social e a inscrição dos atos constitutivos no registro competente (art. 45 do 
CC). A partir do registro dos atos constitutivos, a pessoa jurídica adquire personalidade jurídica 
própria distinta dos seus sócios ou administradores. Referido registro deverá ser feito no registro 
civil das pessoas jurídicas ou na junta comercial (para as sociedades mercantis). 
A pessoa física e a jurídica são separadas, não havendo confusão entre a pessoa jurídica 
e a pessoa física (art. 49-A, CC). Ambas possuem patrimônios e responsabilidades separados. 
Contudo, pode haver casos de abuso da personalidade jurídica, caracterizados pelo desvio de 
finalidade (art. 50, § 1°, CC: “utilização dolosa da pessoa jurídica com o propósito de lesar cre-
dores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza”) ou pela confusão patrimonial (art. 
50, § 2°, CC: “ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I – cum-
primento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; II 
transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto o de valor propor-
cionalmente insignificante; III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial”), que 
determinem a possibilidade de pleitear a desconsideração da personalidade jurídica (art. 50, 
CC), observado o procedimento dos arts. 133 e 134 do CPC. 
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O objetivo da desconsideração da personalidade jurídica é evitar a fraude por meio da 
pessoa jurídica. Uma vez deferido o pedido, desconsidera-se a personalidade jurídica da em-
presa para atingir o patrimônio pessoal dos sócios ou vice-versa. Essa desconsideração também 
se aplica de maneira inversa ou invertida (art. 50, § 3°, CC), e serve para os casos em que se 
busca responsabilizar a pessoa jurídica por obrigações de seus sócios, nas situações em que 
um deles abusa da pessoa jurídica, transferindo bens visando ocultá-los. 
 
1.4.2. Associações e fundações 
O art. 40 do CC afirma existirem pessoas jurídicas de Direito Público (interno ou externo) 
e de Direito Privado. São pessoas jurídicas de Direito Público interno a União, Estados, Distrito 
Federal, Territórios, Municípios, autarquias e demais entidades de caráter público (art. 41, CC). 
São pessoas jurídicas de Direito Público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas 
que forem regidas pelo Direito Internacional público (art. 42, CC). 
Por sua vez, o art. 44, CC estabelece o rol das pessoas jurídicas de Direito Público pri-
vado, importando, para fins do estudo do Direito Civil, as associações e as fundações. 
Nos termos dos arts. 53-61, CC, as associações são entidades formadas pela união de 
indivíduos que têm como objetivo fim não econômico. Não são, portanto, empresas. É livre a 
criação de associações, bem como associar-se e manter-se associado, sendo vedada a exclusão 
do associado sem direito de contraditório e ampla defesa (art. 57, CC). Já as fundações, previstas 
nos arts. 62-69, CC, resultam da afetaçãode um patrimônio e determinação de uma finalidade, 
por meio de escritura pública ou testamento (art. 62, CC). A finalidade da fundação está deter-
minada na lei, não podendo ser criadas fundações para fins diferentes daqueles previstos no 
parágrafo único do art. 62, CC. Para a criação da fundação, o instituidor, através de testamento 
ou escritura pública, determina que seu patrimônio (e os frutos dele) seja empregado na concre-
tização dos fins por ele escolhidos (entre o rol do parágrafo único do art. 62, CC). Se os bens 
destinados não foram suficientes para a criação da fundação, serão incorporados a outra funda-
ção com mesmo propósito ou propósito semelhante (art. 63, CC). 
 
1.5. Domicílio 
O domicílio é o lugar onde a pessoa natural estabelece sua residência com ânimo defini-
tivo, bem como o centro de suas atividades. Como o Direito vive de obrigações, para que se 
possa dar cumprimento às obrigações é necessário que as pessoas tenham um local no qual 
possam ser encontradas. Trata-se do domicílio civil das pessoas. 
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Domicílio
Regra geral -
art. 70, CC
Local de residência 
habitual, com ânimo 
definitivo.
Pluralidade de 
domicílios -
art. 71, CC
Quando a pessoa tem 
mais de um domicílio. 
Qualquer deles será 
usado para 
cumprimento das 
obrigações.
Domicílio 
profissional -
art. 72, CC
Pessoa tem residência 
em um local e exerce 
profissão em outro. 
Utilizado para questões 
de caráter profissional.
Local onde exerce 
a profissão.
Sem domicílio 
habitual -
art. 73, CC
Pessoa que não tem 
domicílio certo. Ex: artista 
de circo.
Cumprimento no 
local onde for 
encontrada.
Mudança de 
domicílio -
art. 74, CC
Quando muda o local de 
residência. Intenção 
manifesta de mudar-se.
Domicílio 
necessário -
art. 76, CC
Incapaz
Domicílio de seus pais ou 
representantes legais.
Preso
Local do cumprimento da 
pena.
Servidor Público
Local onde estiver lotado 
para exercer função.
Militar
Onde servir ou na sede do 
comando a que estiver 
subordinado.
Marítimo
Local onde o navio estiver 
matriculado.
Agente diplomático 
- art. 77, CC
Se o agente diplomático 
brasileiro for citado no exterior e 
alegar extraterritorialidade, deve 
indicar o lugar, no Brasil, em que 
tem domicílio.
Não indicando: será 
acionado no DF ou no 
último lugar em que teve 
domicílio no Brasil.
Foro de eleição -
art. 78, CC
Possibilidade de indicar, nos 
contratos escritos, o local de 
cumprimento das obrigações dali 
provenientes.
Domicílio da 
Pessoa Jurídica
Privado
Sede das diretorias 
e administrações.
Havendo filiais, 
cada uma responde 
pelas obrigações ali 
constituídas.
Público
Capitais do Estado, 
DF, União, sede do 
Município.
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1.6. Bem de família 
O direito à moradia é um direito fundamental social, garantido constitucionalmente, através 
do art. 6°, CF. A instituição de bem de família visa afetar bens para o destino especial de abrigar 
a família, protegendo-os da penhora. Pode ser convencional ou legal. 
Bem de família voluntário: a instituição do bem de família voluntário pode ser feita pelo 
proprietário ou pela entidade familiar e incidir sobre bem que represente até 1/3 do patrimônio 
líquido (art. 1.711, CC). A instituição pode ocorrer via testamento ou escritura pública, devendo 
haver o assento no registro de imóveis (art. 1.714, CC), para que tenha oponibilidade erga om-
nes. A partir da instituição como bem de família, este não responde mais por dívidas posteriores 
à instituição (1.715, CC), salvo por dívidas provenientes do próprio imóvel (condomínio e IPTU, 
por exemplo). A isenção dura enquanto viverem os cônjuges (ou companheiros) ou enquanto os 
filhos forem menores de idade. 
Bem de família legal: a Lei n° 8.009/1990 institui o bem de família legal, impedindo a 
penhora do único bem imóvel de natureza residencial, urbano ou rural. Este imóvel não respon-
derá por qualquer tipo de dívida (civil, comercial, fiscal, previdenciária ou qualquer natureza), 
conforme dispõe o art. 1° da Lei n° 8.009/1990, podendo ser oposta a impenhorabilidade em 
qualquer tempo ou grau de jurisdição. O art. 3° da Lei n° 8.009/1990 prevê as exceções, ou seja, 
situações em que o bem de família poderá ser penhorado para pagamento de dívidas, especial-
mente em razão de execução de alimentos (art. 3°, III, Lei n° 8.009/1990), resguardado o direito 
do coproprietário (art. 843 do CPC), o bem de família do fiador em contrato de locação e as 
dívidas provenientes do próprio imóvel (como, por exemplo, condomínio e IPTU). 
Importante! 
Súmula no 486 do STJ: “É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja 
locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsis-
tência ou a moradia da sua família”. 
Súmula no 364 do STJ: “O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange 
também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas”. 
Súmula no 449 do STJ: “A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de 
imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora”. 
 
1.7. Bens jurídicos 
Bem é tudo aquilo que possa corresponder às solicitações de nossos desejos, podendo 
ser tanto os objetos corpóreos e materiais (coisas), quanto os ideais e imateriais, de forma a 
justificar que a liberdade, a honra, a imagem, a vida de alguém possa ser considerada bem jurí-
dico (ainda que não seja uma coisa). 
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
15 
Os bens jurídicos podem ser: considerados em si mesmos, quando sua existência inde-
pende da existência de outro, principal; reciprocamente considerados, quando a existência do 
acessório pressupõe a do principal; bens públicos, que são os de propriedade das pessoas jurí-
dicas de Direito Público; bens particulares, que são pertencentes às pessoas naturais ou jurídicas 
de Direito Privado. 
 
 
 
 
 
Veja outro esquema na página a seguir... 
Considerados em si mesmos
Imóveis
art. 79-81
Não podem ser 
transportados de um 
lugar para outro, sem 
que sua substância se 
altere
Nature
za
solo 
(só 
ele)
Acessão (o 
que se gruda 
ao bem imóvel 
por natureza)
Natural 
Árvore 
Artifici
al 
Prédio 
Móveis
art. 82-84
Podem ser 
transportados, 
através da força 
própria ou alheia, de 
um lugar para outro 
sem que se altere 
sua substância
Por 
nature
za
Semov
entes 
movem
-se 
sozinh
os 
Propriamen
te ditos
Carro, celular, 
mesa 
(movimenta 
sem 
deterioração, 
com auxílio 
externo)
Fungíveis e 
infungíveis
art. 85
Bem 
fungível 
é o que 
admite a 
substitui
ção
Soja, 
arroz, 
milho
Bem 
infungível é 
o que não 
admite 
substituição 
Quadro 
do 
pintor 
famoso
Consumíveis e 
inconsumíveis
Art. 86
Consumí
veis
O uso 
importa 
na 
destruição 
(alimento) 
ou estão 
a venda 
(livro da 
livraria)
Inconsu
míveis 
Suporta
m o uso 
continua
do 
(carro, 
roupa)
Divisíveis e 
indivisíveis
art. 87 e 88
Divisí
veis 
Podem 
ser 
fraciona
dos sem 
alterar a 
substân
cia 
(grãos, 
$)
Indivi
síveis 
Não 
podem 
ser 
fraciona
dos 
(cavalo)
Singulares e 
coletivos
Art. 89 a 91
Singula
res
Considera
das em 
sua 
individuali
dade 
represent
adas por 
uma 
unidade 
(cavalo, 
livro, 
árvore) 
Coleti
vos 
Compos
tos de 
várias 
coisas 
singular
es 
(bibliote
ca, 
floresta)
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
16 
 
 
 
 
1.8. Fatos jurídicos: classificação 
Fato é um acontecimento. É qualquer ocorrência que interesse ou não ao direito. Existem 
fatos que não importam ao meio jurídico. A chuva, por exemplo. Trata-se de um fato que ocorre 
e segue ocorrendo seguidamente, mas que não possui qualquer efeito jurídico. Não importa para 
o direito. 
Reciprocamente considerados
art. 92, CC
Principal 
É o que possui 
autonomia 
estrutural, que existe 
por si próprio, de 
forma autônoma 
(solo).
Acessório
Pressupõe a existênciado principal (árvore). Não existe por si 
próprio.
Benfeitorias 
art. 96 a 97
Necessárias –
evitar estragos 
Úteis – melhora o 
uso
Voluptuárias –
recreação 
B
e
n
s
 p
ú
b
lic
o
s
 e
 p
a
rt
ic
u
la
re
s Particulares Iniciativa privada
Públicos
Pertencentes às 
pessoas de 
direito público 
interno 
(art. 98, CC)
Bens de uso 
comum do povo
Praças, ruas, etc. art. 
103 – pode-se pagar 
pelo uso (pedágio)
Bens de uso 
especial
Prestação/execução 
de serviços públicos 
Bens dominicais
Patrimônio das 
pessoas jurídicas de 
direito público, como 
objeto de direito 
pessoal ou real de 
cada entidade
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
17 
Interessam para o direito todos aqueles fatos que produzam efeitos aquisitivos, modifica-
tivos, conservativos ou extintivos de direito. 
 
1.9. Negócio jurídico 
1.9.1. Aspectos gerais 
O negócio jurídico envolve uma declaração de vontade que objetiva a produção de certos 
efeitos jurídicos admitidos pela lei. Essa declaração de vontade baseia-se na autonomia privada, 
na função social e na boa-fé objetiva. 
O negócio jurídico deve ser analisado sob três planos: existência (cumprir certos requisi-
tos mínimos: partes [ou agentes], vontade, objeto e forma. Na falta de algum desses elementos 
estruturais, o negócio é inexistente); validade (o negócio deve estar perfeito, sem qualquer vício 
ou defeito inviabilizante, de forma que se tenham partes ou agentes capazes; vontade livre e não 
viciada; objeto lícito, possível, determinado ou determinável; forma prescrita ou não defesa em 
lei); e eficácia (se produz efeitos imediatos ou se os efeitos estão limitados à ocorrência dos 
elementos acidentais: condição, termo ou encargo). 
Condição: elemento acidental que consiste em um evento futuro e incerto (art. 121, CC). 
A condição pode determinar o início da produção de efeitos do negócio (suspensiva – art. 125, 
CC) ou o término da produção dos efeitos (resolutiva – art. 127, CC). Importante observar que o 
art. 130, CC permite que o titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou re-
solutiva, pratique os atos de conservação necessários. 
Termo: elemento acidental caracterizado pela ocorrência de acontecimento futuro, porém 
certo. O termo pode ser inicial (data de início da produção de efeitos) ou final (data de término 
da produção de efeitos). Mesmo quando se tem termo inicial, apesar de a exigibilidade do negó-
cio contar só a partir da data acordada, já há a aquisição de direitos (art. 131 do CC). A exigibili-
dade está suspensa até a ocorrência do termo inicial, mas os direitos e deveres decorrentes do 
ato são adquiridos de imediato. 
Modo ou encargo: é uma determinação acessória ao negócio jurídico principal, que im-
põe um dever ou ônus ao beneficiário, que, por sua vez, deverá cumpri-lo em prol de uma libe-
ralidade maior. Ex.: doação de um terreno com o encargo de cuidar do doador. O encargo não 
suspende a aquisição ou o exercício do direito, salvo se o encargo for condição suspensiva 
(art. 136 do CC). 
 
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
18 
1.9.2. Defeitos do negócio jurídico 
Ocorrem quando a vontade estiver viciada. Os defeitos do negócio jurídico podem ser: 
erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo, simulação e fraude contra credores. 
Erro ou ignorância – arts. 138-144, CC: falsa representação da realidade, quando a 
pessoa se engana sozinha ao praticar o negócio. Significa dizer que o agente atua de modo que 
não seria sua vontade, se conhecesse a verdade. Esse defeito gera a anulação do negócio, se 
o erro for essencial (substancial, incidente sobre a essência do ato praticado) e escusável (per-
doável) (art. 138 do CC). 
Dolo – arts. 145-150, CC: quando o vício da vontade é provocado por terceiro, que se 
utiliza de artifício malicioso para induzir a celebração do negócio. Importante observar que, neste 
caso, se o indivíduo soubesse da realidade, não praticaria o negócio. Pode ser provocado pela 
parte com quem se celebra o negócio ou por terceiro (com anuência daquele que se beneficia 
com o negócio). Pode ocorrer por ação ou por omissão e, ainda, pode ser recíproco ou bilateral, 
que ocorre quando ambas as partes agem dolosamente. 
Coação – arts. 151-155, CC: pressão física ou moral exercida sobre o negociante, obri-
gando-o a assumir uma obrigação que não quer, fundada em temor de dano iminente e conside-
rável ao paciente, seus familiares ou seus bens. 
Estado de perigo – art. 156, CC: quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, 
ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação exces-
sivamente onerosa. Para que esteja presente o defeito, a outra parte deve ter conhecimento da 
situação de risco que atinge o primeiro (elemento subjetivo). 
Lesão – art. 157, CC: prejuízo resultante da desproporção entre as prestações de um 
contrato celebrado em razão da premente necessidade (necessitar ou precisar de algo) ou inex-
periência de uma das partes. Não haverá anulação do negócio se as partes fizerem acerto e 
houver um aumento da prestação ou diminuição do preço, conforme o caso de onerosidade ex-
cessiva. 
Fraude contra credores – art. 158-165, CC: configura-se na atuação maliciosa e fraudu-
lenta do devedor, já insolvente ou na iminência de tornar-se insolvente, que, de forma gratuita 
(art. 158) ou onerosa (art. 159), dispõe do seu patrimônio e prejudica os credores quirografários. 
A ação que visa a anulação deste negócio é a Ação Pauliana ou Revocatória, podendo ser pro-
posta contra o devedor e aquele que, com ele, celebra a estipulação fraudulenta ou terceiros. 
Simulação – art. 167, CC: é o único vício do negócio jurídico que gera a nulidade do 
negócio. Configura-se por uma declaração enganosa que visa produzir efeito diverso daquele 
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
19 
indicado. Há um desacordo entre a vontade declarada e a vontade real, e as duas partes nego-
ciantes estão mancomunadas e objetivam iludir a terceiros. 
Importante! 
O prazo para buscar a anulação do negócio jurídico eivado de erro, dolo, coação, lesão, 
estado de perigo e fraude contra credores é de quatros anos, a contar da celebração do negócio, 
nos termos do art. 178, do CC. 
 
1.9.3. Invalidade do negócio jurídico 
A invalidade pode ser absoluta ou relativa. 
a) Nulidade: é a forma de invalidade absoluta, que não tem prazo para ser pleiteada. 
Hipóteses: arts. 166 e 167, CC – negócio celebrado por absolutamente incapaz; objeto 
ilícito, impossível ou indeterminável; motivo ilícito; não revestido da forma prescrita em lei; se não 
for observada solenidade essencial; objetivo de fraudar lei imperativa; se a lei o declarar nulo, ou 
proibir-lhe a prática; negócio simulado. 
Não convalesce pelo decurso do tempo (art. 169, CC). Pode ser buscada a invalidade a 
qualquer tempo. 
Não pode ser confirmado pelas partes (art. 169, CC). 
b) Anulação: é a forma de invalidade relativa, tendo prazo para ser pleiteada. 
Hipóteses: art. 171, CC – negócio celebrado por relativamente incapaz, sem a devida as-
sistência; vício do negócio jurídico: erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo ou fraude a cre-
dores; outros casos especificados pela lei como de anulabilidade. Ex.: arts. 1.647 e 1.649, CC; 
art. 496, CC. 
Convalesce pelo decurso do tempo – prazo de quatro anos para propor ação de anulação 
– art. 178, CC. Quando a lei não fizer previsão de prazo para anulação, será ele de dois anos 
(art. 179, CC). 
Pode ser confirmado pelas partes (arts. 172-174, CC). 
 
1.10. Prescrição e decadência 
O transcurso do tempo gera efeitos aquisitivos ou extintivos de direitos. Quando se fala 
em prescrição e decadência, refere-se ao transcurso do tempo que gera a perda de direitos em 
razão da inércia do titular. 
 
Veja o esquema na página seguinte... 
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
20 
 
 
1.10.1. Prescrição 
É a perda da pretensãode reparação do direito violado (reparação do dano, cobrança da 
dívida, ressarcimento de despesas etc.), em razão da inércia do titular, dentro do prazo previsto 
pela lei (arts. 205 e 206, CC). O prazo prescricional inicia no momento em que há a violação do 
direito. 
Pode haver renúncia da prescrição somente após a ocorrência/consumação (art. 191, 
CC). Prazos prescricionais (art. 192, CC) não podem ser alterados pelas partes. A prescrição 
pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição (art. 193, CC). O juiz pode, de ofício, reconhecer 
a prescrição. Cabe ação contra os representantes que deram causa à prescrição (art. 195, CC). 
A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o sucessor (art. 196, CC). 
Causas que impedem ou suspendem a prescrição: arts. 197-201, CC. Nesses casos, a 
contagem do prazo não se inicia enquanto estiverem as partes nas condições previstas nestes 
artigos. Ex.: entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar, não corre prescrição. 
PRESCRIÇÃO
Existe um direito
Este direito é 
violado 
Nasce para o 
titular uma 
pretensão
•Cobrança
•Reparação civil
• Indenização
Deve ser exercida 
nos prazos dos 
arts. 205 e 206, 
CC
DECADÊNCIA
Há prática de um 
ato/negócio
•Pela parte 
•Por terceiro
Em razão deste 
ato/negócio, nasce 
um direito
Deve ser exercido 
no prazo 
estabelecido
Geralmente o 
dispositivo que 
prevê o direito, já 
traz o prazo. Se 
não trouxer, art. 
179, CC = 2 anos.
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
21 
Assim, somente após se alcançar 18 anos (que é quando cessa o poder familiar) é que começa 
a contagem do prazo. 
Causas que interrompem a prescrição: art. 202, CC. Nos casos de interrupção da prescri-
ção, o prazo começou a correr e, em razão da ocorrência de uma das hipóteses previstas, inter-
rompe-se a contagem, recomeçando novamente a correr o prazo prescricional. A interrupção só 
pode ocorrer uma vez. As causas que interrompem a prescrição são: I – despacho do juiz, 
mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma 
da lei processual; II – por protesto, nas condições do inciso antecedente; III – por protesto cam-
bial; IV – pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credo-
res; V – por qualquer ato judicial que constitua mora ao devedor (notificação extrajudicial, feita 
pelo Cartório de Títulos e Documentos, não é capaz de interromper a prescrição); VI – por qual-
quer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor 
(pagamento parcial da dívida, envio de carta reconhecendo a dívida etc.). 
Os prazos prescricionais podem ser: 
a) Ordinários: quando não houver prazo especial, o prazo prescricional é de dez 
anos, tanto para ações reais quanto para pessoais (art. 205 do CC). 
b) Especiais: são prazos mais exíguos, previstos especificamente no art. 206 do CC, 
e podem ser de um, dois, três, quatro ou cinco anos. 
 
1.10.2. Decadência 
É a perda do direito potestativo pela inércia de seu titular no período determinado pela lei. 
Na decadência, o prazo começa a correr no momento em que o direito nasce e os prazos deca-
denciais estão previstos na disposição que prevê o direito a ser exercido. 
A decadência pode ser legal ou convencional. No caso da decadência convencional, es-
tabelece o art. 211 do CC que a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de 
jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação. O juiz deve, de ofício, reconhecer a decadên-
cia, quando for legal (art. 210 do CC). 
Os prazos decadenciais estão previstos em locais esparsos na legislação. Tem-se alguns 
exemplos: 
30 dias: para o comprador propor ação em que pretenda rescindir o contrato e reaver o 
preço pago pela coisa móvel (art. 445 do CC). 
60 dias: para o exercício do direito de preferência, caso inexista prazo estipulado, na coisa 
imóvel, contados da data em que o comprador tiver notificado o vendedor (art. 516 do CC). 
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
22 
180 dias: para o exercício do direito de preferência do condômino a quem não tenha sido 
dado tal direito e o imóvel tenha sido vendido a terceiro (art. 504, CC). 
1 ano: para revogação da doação por ingratidão ou diante da inexecução do encargo. 
1 ano e 1 dia: para desfazer janela, sacada, terraço ou goteira sobre o seu prédio, em 
face do vizinho. Prazo conta-se da conclusão da obra (art. 1.302 do CC). 
3 anos: anulação de casamento celebrado com erro essencial quanto à pessoa do outro, 
contados da data da celebração. 
4 anos: para anular negócio jurídico celebrado com vício do consentimento. 
5 anos: para impugnar a validade de testamento, contados da data do seu registro. 
2. Direito das Obrigações 
Prof. Patrícia Strauss 
@prof.patriciastrauss 
2.1. Considerações iniciais 
Arts. 233-420 do Código Civil. 
Elementos constitutivos da obrigação: 
• Credor (sujeito ativo) e devedor (sujeito passivo); 
• Elemento objetivo imediato: prestação; 
• Elemento imaterial: vínculo. 
 
No Direito Obrigacional temos os sujeitos envolvidos que são o credor (polo ativo) e o 
devedor (polo passivo). O credor tem o direito de exigir o cumprimento da obrigação e o devedor 
tem a obrigação de prestá-la. 
 
2.2. Fonte das obrigações 
Lei, contratos (tidos como principais fontes das obrigações), atos ilícitos e abuso de direito, 
atos unilaterais etc. 
 
2.3. Modalidade de obrigações 
As modalidades de obrigações são: dar, fazer, não fazer, alternativas, indivisíveis e soli-
dárias. 
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
23 
2.3.1. Obrigação de dar 
Se divide em: dar coisa certa e dar coisa incerta. 
A obrigação de dar coisa certa (artigos 233-242), por sua vez, se divide em obrigação de 
dar coisa certa, modalidade entregar e obrigação de dar coisa certa, modalidade restituir. Tanto 
na de entregar ou na obrigação de restituir, o devedor se compromete a entregar ou restituir 
algo específico, que pode ser tanto bem móvel quanto imóvel. 
 
2.3.1.1. Obrigação de dar coisa certa 
A – Modalidade entregar. 
Um dos exemplos desta modalidade é o contrato de compra e venda, no qual, após efetuar 
o pagamento do preço, o comprador se torna credor e o vendedor se torna devedor. 
Para o Código Civil, o importante é quando o devedor não cumpre com sua obrigação. Ao 
não a cumprir, a lei então disciplina a solução. 
 
Perecimento 
(perda total) 
Com culpa: a obrigação se resolve (volta ao “status quo ante” e o 
devedor deverá pagar ao credor perdas e danos. 
Sem culpa: a obrigação se resolve (volta ao “status quo ante”). 
Deterioração 
(perda parcial) 
Com culpa: credor terá duas opções: resolver a obrigação ou fica 
com a coisa como se encontra exigindo, em qualquer dos casos, per-
das e danos. 
Sem culpa: credor terá duas opções: receber o bem como se encon-
tra com abatimento ou resolver a obrigação (voltar ao estado inicial). 
 
Resolver a obrigação significa voltar ao estado inicial, ao status quo ante. Assim, por 
exemplo, o devedor devolveria o dinheiro ao credor. 
B – Modalidade restituir. 
Um dos exemplos de tal modalidade é o contrato de comodato (empréstimo gratuito de 
bens), uma vez que o bem dado em comodato, teremos de um lado o comodante como credor 
e o comodatário como devedor (com obrigação de restituir, de devolver ao comodante). 
Da mesma forma, aqui o Código Civil se preocupa quando o devedor não cumpre com a 
obrigação: 
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
24 
 
Perecimento 
Com culpa: responderá o comodatário pelo equivalente do valor do 
bem mais perdas e danos. 
Sem culpa: se a coisa se perde e não é culpa do devedor, então 
arcará o credor com a perda. Suporta o credor o prejuízo. 
 
Deterioração 
Com culpa: credor poderá escolher ficar com a coisa como se en-
contra ou exigir o equivalente, com perdas e danos. 
Sem culpa: sofre o credor a perda e deveráreceber o bem no estado 
em que se encontra. 
 
Importante! 
Art. 237: Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acres-
cidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o deve-
dor resolver a obrigação. 
Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes. 
 
Se entre o contrato e a entrega do bem, por exemplo, houver melhoramentos no bem, o 
devedor poderá exigir aumento no preço a ser pago e, se o credor não concordar, poderá então 
o devedor pedir a resolução do contrato. 
 Artigos do Código Civil para cada tipo de obrigação: 
 
DAR COISA 
CERTA
Art. 233 a 
242 do CC
Entregar. 
Exemplo: 
compra e 
venda
Perecimento 
(perda total)
Com culpa 
Art. 234, 2ª 
parte do CC
Sem culpa 
Art. 234, 1ª 
parte, do CC
Deterioração 
(perda 
parcial)
Com culpa 
Art. 236, CC
Sem culpa
Art. 235, CC
Restituir
Perecimento 
(perda total)
Com culpa
Art. 239, CC
Sem culpa
Art. 238, CC
Deterioração 
(perda 
parcial)
Com culpa
Art. 240, CC
Sem culpa
Art. 240, CC
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
25 
2.3.1.2. Obrigação de dar coisa incerta (arts. 243-246, CC) 
O objeto da obrigação não é algo específico, mas precisa ser, ao menos, indicado por 
gênero e quantidade. Assim, o objeto deve ser, ao menos, determinável, ou seja, virá a ser 
determinado. 
Como exemplo, podemos pensar em um contrato em que credor e devedor estabelecem 
que o devedor irá entregar sacas de soja de sua fazenda. É, assim, possível que se contrate um 
objeto determinável, mas que precisará ser escolhido e separado, para que então possa ser 
entregue e vire, como consequência, determinado. 
Como regra, aqui e em outros momentos do Código Civil, se nada foi estipulado pelas 
partes de outra maneira, a escolha cabe ao devedor. 
A coisa incerta irá, em algum momento, se tornar coisa certa, já que ainda que seja pos-
sível a contratação de algo que vai vir a ser determinado, não é possível que se entregue algo 
sem que haja uma determinação. Segundo a doutrina, 
 
após a escolha feita pelo devedor, e tendo sido cientificado o credor, a obrigação genérica 
é convertida em obrigação específica (art. 245 do CC). Com essa conversão, aplicam-se 
as regras previstas para a obrigação de dar coisa certa (arts. 233 a 242 do CC), outrora 
estudadas. Antes dessa concentração, não há que se falar em inadimplemento da obriga-
ção genérica, em regra. (Tartuce, 2022). 
 
Importante! 
Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, 
ainda que por força maior ou caso fortuito. 
 
Por este artigo, o “gênero nunca perece”. Assim, antes da escolha, a obrigação continuava 
sendo INCERTA, e se houver o perecimento/deterioração, não poderá o devedor alegá-lo em 
defesa, ainda que tais fatos tenham ocorrido por caso fortuito ou força maior. 
 
2.3.2. Obrigação de fazer (arts. 247-249, CC) 
Neste caso, não se tem a obrigação um objeto móvel ou imóvel e sim sua prestação, que 
consiste no cumprimento de uma tarefa ou na realização de um serviço, por exemplo. A obriga-
ção de fazer pode ser fungível ou infungível. 
 
2.3.2.1. Obrigação de fazer infungível (arts. 247-249, CC) 
Possui natureza personalíssima. Em caso de o devedor não cumprir com a obrigação, o 
credor terá as seguintes opções: 
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Direito Civil 
 
26 
A) exigir o cumprimento da obrigação, por força do art. 497 do CPC, com cominação 
de multa ou; 
B) resolver a obrigação e pedir perdas e danos. 
 
No entanto, se não for culpa do devedor (escultor famoso acometido por doença grave, 
por exemplo), então a obrigação será resolvida (art. 248). 
Fixação: 
A) Personalíssima: somente a pessoa que pode cumprir com o seu contrato. 
Exemplo: João foi contratado para fazer um show na cidade de Santa Cruz do Sul, 
logo, somente João poderá cumprir o contrato. 
• Com culpa: resolve + indenização por perdas e danos. 
• Sem culpa: o contrato somente se resolve (se desfaz). 
 
2.3.2.2. Obrigação de fazer fungível 
É aquela que pode ser cumprida por outra pessoa. Em caso de não cumprimento pelo 
devedor, poderá o credor optar entre: 
A) exigir o cumprimento forçado da obrigação; 
B) pedir o cumprimento da obrigação por terceiro, à custa do devedor originário; ou 
C) poderá requerer a conversão em perdas e danos. 
 
Fixação: 
Não personalíssima: ocorre quando a obrigação pode ser cumprida por terceiro. 
Exemplo: Paulo é contratado para pintar a casa de Ana. Caso Paulo não faça a pintura 
da casa, há a possibilidade de outra pessoa fazer o serviço. Sendo assim, um terceiro executa o 
serviço, e Paulo realiza o pagamento ao mesmo. 
Vejamos o que dispõe o art. 249 do Código Civil e seu parágrafo único: 
 
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar 
à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível. 
Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização 
judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. 
 
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2.3.3. Obrigação de não fazer (arts. 250-251, CC) 
Importante destacar o momento em que a pessoa se torna inadimplente na obrigação de 
não fazer. O art. 390 do Código Civil dispõe que, nas obrigações negativas, o devedor será con-
siderado inadimplente a partir do dia em que executar o ato do qual deveria se abster. 
A obrigação de não fazer extingue-se quando não é possível abster-se do ato ao qual se 
obrigou a não praticar, desde que o devedor não tenha culpa (art. 250, CC). 
A) Quando o devedor praticou o ato que deveria ser abster, mas é possível desfazer 
o que foi feito, é possível voltar ao “status quo ante” – art. 251. 
Regra: necessária autorização do juiz: art. 251 do Código Civil. 
Exceção: se for urgente, conforme disposto no art. 251, parágrafo único do Código Civil, 
não será necessária autorização do juiz. 
B) Quando o devedor praticou o ato que deveria se abster, mas não é possível des-
fazê-lo, não é possível voltar ao “status quo ante” – art. 250. 
Com culpa: ocorrerá a extinção do contrato, e a pessoa será condenada a pagar indeni-
zação por perdas e danos. 
Sem culpa: só será feita a extinção do contrato. 
Obs.: vide art. 390 do CC – inadimplemento nas obrigações negativas. 
 
2.3.4. Obrigações alternativas (arts. 252-256, CC) 
Nas obrigações alternativas, é possível o cumprimento da obrigação através da escolha 
de um ou de outro objeto. A obrigação será adimplida no momento em que se efetuar o cumpri-
mento de 1 dos objetos. Assim, se Maria, devedora, se obrigou a pagar para João 1.000 sacas 
de arroz ou 1.000 sacas de farinha, com a entrega de somente um deles, teremos o adimple-
mento da obrigação. 
Se nada foi estipulado, a escolha caberá ao devedor. Não poderá o credor (João) exigir, 
por exemplo, que Maria entregue parte em farinha e parte em arroz. Da mesma forma que não 
pode João solicitar tal feito à Maria, também não pode Maria solicitar tal feito para João (entrega 
em partes de cada objeto). 
Além disso, se a obrigação se estipulou de forma que ocorram através de prestações 
periódicas (todo mês, Maria precisa entregar uma parte, por exemplo), esta escolha poderá ser 
exercida em cada período. 
O art. 253 nos informa que, se uma das duas prestações não puder ser objeto de obriga-
ção ou se tornada inexequível, subsistirá o débito quanto à outra. Assim, se uma das obrigações 
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não puder ser executada (proibida por lei, por exemplo), então o que era antes obrigação alter-
nativa passa a ser obrigação comum, já que o débito subsistirá com relação à outra prestação. 
 
Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não 
competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último 
seimpossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar. 
 
Exemplo: Maria (devedora) se comprometeu a entregar para João um cavalo ou uma 
vaca. Por culpa de Maria, os dois animais morreram, impossibilitando o cumprimento da presta-
ção. Se a escolha couber a Maria ou a terceiro, por exemplo, temos que ficará Maria obrigada a 
pagar o valor da que por último se impossibilitou (o último animal que morreu, por exemplo) mais 
perdas e danos. 
Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível 
por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da 
outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem 
inexequíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização 
por perdas e danos. 
 
Já o art. 256 trata de quando a escolha cabe ao credor: Maria (devedora) se comprometeu 
a entregar para João um cavalo ou uma vaca. Aqui, um dos objetos se tornou impossível (um 
animal morreu, por exemplo) por culpa do devedor, poderá o credor João exigir o outro animal 
ou o valor do animal que morreu com perdas e danos. Se os dois morreram por culpa de Maria, 
então o credor poderá reclamar o valor de um ou de outro, além de indenização por perdas e 
danos. Vale lembrar que, neste artigo, a escolha cabia a João. 
Já se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á 
a obrigação, conforme art. 256 do CC. 
 
2.3.5. Obrigações divisíveis e indivisíveis (arts. 257-263, CC) 
A classificação em divisível ou indivisível somente possui relevância quando tivermos mais 
de um devedor ou mais de um credor. 
 
2.3.5.1. Obrigação divisível 
O art. 257 trata da obrigação divisível e nos informa que, sendo assim a obrigação, ela 
será dividida entre quantos credores e devedores houver. Assim, se Maria e Carla são devedoras 
de R$100.000,00 (cem mil reais) de João, que é o credor, de acordo com o art. 257, João so-
mente poderá exigir R$50.000,00 (cinquenta mil reais) de cada uma: “Havendo mais de um 
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devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obri-
gações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores”. 
 
2.3.5.2. Obrigação indivisível 
Segundo o art. 258, a obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa 
ou um fato não suscetível de divisão por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada 
razão determinante do negócio jurídico. Pode, assim, a indivisão ser natural (um animal, por 
exemplo) por motivo de ordem econômica ou então legal (imposta pela lei). 
 
2.3.5.3. Regras da obrigação indivisível 
A) Plural de devedores: Maria e Carla são devedoras de um animal (indivisível) para 
João (credor). João poderá cobrar a dívida toda (animal) somente de uma. Aquela que entregar 
para João o animal, poderá cobrar da outra a quota-parte do valor do animal. 
 
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será 
obrigado pela dívida toda. 
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em rela-
ção aos outros coobrigados. 
 
B) Plural de credores: Maria é devedora de um animal para João e Carlos, que são os 
credores de Maria. Tanto João quanto Carlos poderão exigir de Maria o animal, mas Maria só se 
desobriga da dívida entregando-o para João e Carlos em conjunto ou então entregando-o para 
João, que dará caução (garantia) de que o outro credor irá ratificar a entrega. 
 
Artigo 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida in-
teira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: 
I - a todos conjuntamente; 
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. 
 
Lembrando que aquele credor que receber o animal deverá pagar em dinheiro a quota-
parte dos outros credores (art. 261). 
C) Remissão: art. 262. Se um dos credores perdoar (remitir) a dívida, não teremos a 
extinção da dívida, mas tão somente o desconto da quota do credor que perdoou. Isso também 
ocorre em caso de transação, novação, compensação ou confusão. 
 
Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os 
outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente. 
Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação, compen-
sação ou confusão. 
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D) Perda da qualidade de indivisível: art. 263. A obrigação indivisível perde esta quali-
dade, quando se converter em perdas e danos. Perdas e danos é uma obrigação de dar e que é 
divisível. Se todos os devedores foram culpados, todos responderão em partes iguais. Se so-
mente um for o culpado, fica o culpado com a responsabilidade de pagar perdas e danos. 
 
2.3.6. Obrigações solidárias (arts. 264-285, CC) 
Tanto quanto na divisibilidade e na indivisibilidade, somente há importância em se discutir 
sobre obrigações solidárias se tivermos mais de um credor ou devedor. E, como regra principal 
da solidariedade, temos que cada credor pode exigir de cada devedor o cumprimento da obri-
gação por inteiro. Da mesma forma, cada devedor pode pagar a qualquer um de seus credores 
a dívida toda. 
Obs.: a solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. 
 
2.3.6.1. Solidariedade ativa (arts. 267-274, CC) 
Regras da solidariedade ativa 
A) Credor pode exigir a prestação por inteiro: de acordo com o art. 267, cada credor 
poderá exigir o cumprimento da obrigação por inteiro. Além disso, enquanto algum credor não 
ajuizou ação contra o devedor, este mesmo devedor poderá fazer pagamento a qualquer um dos 
credores e estará liberado da obrigação (art. 268). 
Em adição, a dívida será extinta até o valor que for pago. Assim, se Maria deve 
R$50.000,00 (cinquenta mil reais) para João e Carlos, seus credores, e paga R$40.000,00 para 
um deles, ainda assim ficará devendo R$10.000,00 (dez mil reais). 
B) Falecimento de um dos credores solidários: se um dos credores solidários falecer 
deixando herdeiros, cada um destes herdeiros somente terá direito a exigir e receber a quota de 
crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se for obrigação indivisível, conforme 
art. 270 do CC. 
Digamos que Maria, devedora, deve R$50.000,00 (cinquenta mil reais) para João e Car-
los, seus credores solidários. João tem dois filhos, A e B. João falece. Sendo a quota de João o 
valor de R$25.000,00, cada filho poderia cobrar de Maria a quantia de R$12.500,00. 
Um ponto muito importante na solidariedade ativa é a de que, ainda que qualquer um 
dos credores possa cobrar a dívida toda, ele não terá direito ao valor todo. Após cobrar a totali-
dade da dívida, por exemplo, deverá entregar as quotas-partes aos demais credores. 
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C) Manutenção da solidariedade: ao contrário da indivisibilidade, se a prestação se con-
verter em perdas e danos, a solidariedade entre os credores se mantém (art. 271). 
D) Remissão por um dos credores: se um dos credores remitiu a dívida, responde aos 
demais pelas partes que lhes caibam. Assim, se João perdoou a dívida de Maria, que era de 
R$50.000,00, deverá responder para com as quotas-partes dos demais. 
E) Exceções pessoais: exceções pessoais são defesas de mérito que podem ser argui-
das como, por exemplo, vícios do consentimento (erro, dolo...) e também incapacidades, por 
exemplo. Na obrigação solidária ativa o devedor não poderá opor essas defesas contra os de-
mais credores, somente contra aquele credor que fez negócio viciado. 
 
2.3.6.2. Solidariedade passiva (arts. 275-285, CC) 
Regras da solidariedade passiva 
A) Cobrança da integralidade da dívida: a principal regra aqui é a de que, havendo mais 
de um devedor, o credor poderá exigir de qualquer um o pagamento da dívidatoda. 
Assim, se Maria e Carla são devedoras de R$50.000,00, Carlos, seu credor, poderá cobrar 
a totalidade da dívida somente de Maria, por exemplo. 
Se o pagamento foi parcial, ainda assim continuam as duas devedoras obrigadas à totali-
dade da dívida. 
B) Morte de um dos devedores solidários: se um dos devedores solidários falecer dei-
xando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu 
quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados 
como um devedor solidário em relação aos demais devedores, conforme art. 276 do CC. 
Assim, se Maria e Carla são devedores de R$50.000,00 e Maria falece, deixando dois 
herdeiros, A e B, cada um dos herdeiros será responsável apenas pela sua quota-parte. Assim, 
João, credor, somente poderia cobrar de A o valor de R$12.500,00, por exemplo. 
C) Remissão e pagamento parcial: se o pagamento parcial foi realizado por um dos 
devedores, ou se houve o perdão da dívida para um dos devedores, isso não irá atingir os demais 
devedores solidários. O que os demais devedores terão é um desconto na parte paga parcial ou 
na parte remitida (perdoada). 
D) Impossibilidade de prestação: se a prestação ficar impossibilitada por culpa de um 
dos devedores solidários, a obrigação de pagar o valor desta obrigação irá subsistir para todos. 
Pelas perdas e danos, somente responderá o culpado. 
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E) Exceções pessoais: segundo o artigo 281 o devedor demandado por opor ao credor 
as exceções que lhes forem pessoais e as comuns a todos. Como exemplo, podemos pensar 
que qualquer devedor poderá alegar a prescrição da dívida, já que são defesas comuns. Já vícios 
do consentimento, por exemplo (exceções pessoais) somente poderão ser usados pelo devedor 
que sofreu. 
F) Renúncia: é possível que o credor renuncie de forma parcial a solidariedade (somente 
para um devedor, por exemplo) ou total (em favor de todos os devedores). 
Exemplo: João é credor e possui três devedoras: Maria, Carla e Joana, que devem 
R$30.000,00. João renunciou a solidariedade com relação a Maria. Assim, Maria somente po-
derá ser cobrada por R$10.000,00, enquanto Carla e Joana poderão ser demandadas por 
R$20.000,00. 
G) Devedor insolvente: o devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de 
cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o 
houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os codevedores. 
Assim, no caso de João credor ter três devedoras solidárias: Maria, Carla e Joana, se uma 
delas efetuar o pagamento da obrigação, poderá solicitar que as demais paguem as quotas-
partes de cada. Se uma delas for insolvente, a sua quota-parte será dividida entre os outros 
codevedores. 
Obs.: qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, estipulada entre um dos deve-
dores solidários e o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes. 
 
2.4. Da transmissão das obrigações (arts. 286 – 303, CC) 
É importante destacar o título da matéria a ser examinada: as obrigações são transmiti-
das. Assim, não há o adimplemento, inadimplemento etc. O que há é a transmissão de uma 
obrigação de um sujeito para o outro. 
 
2.4.1. Cessão de crédito (arts. 286-298, CC) 
• Negócio jurídico bilateral; 
• Gratuito ou oneroso; 
• Credor transfere a outra pessoa total ou parcialmente a sua posição da relação 
jurídica. 
 
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Partes da cessão de crédito: cedente e cessionário. Um ponto muito importante é que 
para que ocorra a cessão não é necessário o consentimento do devedor. 
Obs.: não é possível ceder o crédito em alguns casos (alimentos, por exemplo). 
A impossibilidade de cessão pode estar no documento (instrumento obrigacional) que en-
tão impede qualquer tipo de cessão. 
A regra proibitiva de cessão não pode ser oposta ao cessionário de boa-fé se não constar 
no próprio instrumento. 
Como as demais regras do CC, a cessão entre partes (cedente e cessionário) possui total 
eficácia. Porém, para que tenha eficácia perante terceiros, é necessária a celebração de um 
acordo escrito, por meio de instrumento público ou particular. 
Ainda que, para que ocorra a cessão de crédito, não seja necessária a participação do 
devedor (já que o credor-cedente está cedendo o crédito para outra pessoa – cessionário), é 
necessária a notificação do devedor. Esta notificação pode ocorrer de forma judicial ou extraju-
dicial (art. 290). Também pode ocorrer a notificação presumida, na qual, no próprio documento 
de cessão de cedente para cessionário, o devedor informa que está ciente da cessão. 
Em decorrência do princípio da boa-fé, o devedor que não sabia que tinha havido a cessão 
de crédito (não foi notificado, por exemplo) e que paga ao devedor primitivo não terá que a pagar 
novamente. 
De acordo com o art. 294, as exceções (defesas) que o devedor poderia opor ao seu 
antigo credor (cedente) poderão ser opostas também ao novo (cessionário). 
Obs.: na cessão onerosa (cessionário cobra algo do cedente pela cessão de crédito, por 
exemplo), o cedente fica responsável pela existência da dívida para com o cessionário, mas não 
pelo pagamento a ser feito pelo devedor. 
Exemplo de cessão onerosa: “Factoring” (cheques são vendidos por valores menores). 
Além disso, o cedente não responde pela solvência do devedor. Se o devedor não pagar 
a dívida ao cessionário, não poderá o cessionário cobrá-la do cedente – salvo disposição em 
contrário (conforme art. 296). 
Se ficar estipulado que o cedente responde pela solvência do devedor (art. 297), o cessi-
onário responderá apenas com relação ao que recebeu do cessionário, com os respectivos juros. 
 
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2.5. Adimplemento e extinção das obrigações 
2.5.1. Do pagamento 
Para que se tenha a liberação do vínculo obrigacional, com a extinção da obrigação (e, 
como consequência a extinção de credor e devedor) é necessário que se cumpra o pagamento 
com seus 5 requisitos: quem paga, para quem se paga, o que se paga, onde se paga e quando 
se paga. Uma vez cumpridas tais exigências, teremos a extinção da obrigação através do paga-
mento. Se uma delas não for cumprida, poderá ser aplicado o ditado de que: “quem paga mal, 
paga duas vezes.” 
Requisitos: 
 
2.5.1.1. De quem deve pagar: arts. 304 – 307 
Um ponto muito importante aqui é que usa as palavras solvens (que paga) e accipiens 
(quem recebe) e não exatamente credor e devedor. Isso porque outras pessoas além do devedor 
podem pagar e outras pessoas além do credor podem receber. 
Muito importante! Quem paga: 
• Devedor. 
• Terceiro interessado. (por exemplo: fiador): Ao pagar, se sub-roga nos direitos do 
credor primitivo. 
• Terceiro não interessado: (amigo, por exemplo). Ao pagar, não se sub-roga, mas 
tem direito de regresso contra o devedor. Isso se fizer o pagamento em seu nome. 
Se fizer em nome do devedor, será como uma doação e então não terá direito à 
reembolso. 
Quem paga;
Para quem se paga;
Qual o objeto do pagamento;
Lugar do pagamento;
Tempo do pagamento.
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Segundo o artigo 304 qualquer interessado poderá pagar a dívida e se o credor se opuser 
poderá o terceiro ajuizar ação de consignação em pagamento. 
Se houver pagamento por terceiro não interessado, sem que o devedor saiba ou em opo-
sição ao devedor não terá o terceiro direito de pedir o reembolso para o devedor, se este último 
tinha meios para ilidir a ação. 
 
2.5.1.2. Para quem se paga 
O pagamento será feito ao credor ou a quem de direito represente este credor. 
Obs.: pagamento feito ao credor putativo terá validade se feito de boa-fé, ainda provado 
que depois não era credor. Aplicação da teoria da aparência (artigo 309). 
Pagamento feito cientemente ao credorincapaz como regra não terá validade, mas se 
provar que o pagamento reverteu em benefício do incapaz, então será válido. 
Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as cir-
cunstâncias contrariarem a presunção daí resultante. 
 
2.5.1.3. Objeto de pagamento e sua prova: artigos 313 – 326 
• Objeto do pagamento: arts. 313 a 318 do Código Civil. 
• Prova: art. 319 a 326 do Código Civil. 
 
Objeto: com relação ao objeto de pagamento, o devedor e credor não são obrigados a 
pagar ou receber um objeto diferente do contratado, ainda que sejam mais valiosos. Da mesma 
forma, sendo a obrigação divisível, não podem credor/devedor partilhar a prestação se assim 
não se estipulou. 
Princípio do Nominalismo: artigo 315. As dívidas em dinheiro devem ser pagas em moeda 
corrente nacional e pelo valor nominal. 
É permitida a cláusula de escala móvel ou cláusula de escalonamento, de acordo com o 
artigo 316: “É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas”. 
Extremamente relevante o artigo 317 que trata sobre a revisão contratual por fato super-
veniente. Para que ocorra é necessária uma imprevisibilidade somada a uma onerosidade ex-
cessiva. Estaria aqui consagrada a teoria da imprevisão. 
Obs.: contratação de pagamento em moeda estrangeira e em ouro, quando não há auto-
rização legislativa, é tida como nula – artigo 318. 
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Para o STJ não há nulidade caso o pagamento seja cotado em moeda estrangeira ou em 
ouro, mas há o valor correspondente em reais, por conversão. REsp 1.323.219/RJ. 
Prova: o devedor que paga, tem direito à quitação regular e pode reter o pagamento, se 
não lhe for entregue a quitação. Quitação é a prova efetiva do pagamento. Seus requisitos se 
encontram no artigo 320: 
 
Artigo 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará 
o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o 
tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. 
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se 
de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. 
 
Desta forma, preferencialmente se espera que a quitação preencha os requisitos do “ca-
put” do artigo 320. Contudo, caso não possua todos os requisitos, poderá ainda assim o paga-
mento ser comprado por outros meios. 
Presunções de pagamento: são presunções relativas (admitem prova em contrário). 
• Artigo 322: quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última 
estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores. 
• Art. 323: sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se 
pagos. 
• Juros são acessórios: uma vez pago o principal, presume-se que os acessórios 
também foram pagos. 
• Art. 324: a entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. 
• Parágrafo único: ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em 
sessenta dias, a falta do pagamento. 
• Art. 325: presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e a 
quitação; se ocorrer aumento por fato do credor, suportará este a despesa acres-
cida. 
 
2.5.1.4. Do lugar de pagamento: arts. 327 – 330 
Como regra geral, se nada for estipulado, o pagamento será feito no domicílio do devedor. 
Assim, se nada for estipulado, o credor deverá ir até o devedor para buscar o pagamento. 
Domicílio do devedor – dívida quesível ou quérable. 
Domicílio do credor ou outro domicílio escolhido dívida portável ou portable. 
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Designados dois ou mais lugares, caberá ao credor escolher qual domicílio será efetuado 
o pagamento. Importante lembrar que se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em 
prestações relativas a imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem. 
Muito importante: 
 
Artigo 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do 
credor relativamente ao previsto no contrato. 
 
Temos uma importante relação com o princípio da boa-fé objetiva. Temos aqui a aplicação 
da “supressio” e da “surrectio”. 
“Supressio” significa supressão, por renúncia tácita, pelo não exercício com o passar do 
tempo. 
Já a “surrectio” significa que, ao mesmo tempo em que o credor, por exemplo, perde o 
direito do pagamento no domicílio estipulado, significa que o devedor ganha um novo domicílio 
para efetuar o pagamento. 
 
2.5.1.5. Do tempo de pagamento: arts. 331 – 333 
Como regra, a dívida deve ser paga no vencimento (artigo 331). No entanto, se não houver 
data de pagamento, o cumprimento da obrigação poderá ser exigido à vista (cuidar o contrato de 
mútuo, que tem regra própria no artigo 592 do CC). 
Já o artigo 333 trata sobre a possibilidade de vencimento antecipado da dívida. Isso 
ocorre: 
I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; 
II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro 
credor; 
III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou 
reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. 
 
1) Da consignação em pagamento: 334 – 345: depósito feito pelo devedor ou terceiro 
de uma coisa devida, para que consiga se liberar da obrigação. É um instituto misto, já que 
também é tratado no Código de Processo Civil, artigos 539 e seguintes do CPC. 
O depósito pode ser feito de forma judicial ou em estabelecimento bancário da coisa de-
vida. 
Uma vez julgada procedente a ação de consignação, teremos a liberação do devedor, que 
não será inadimplente e, assim, não terá contra ele as consequências do inadimplemento. 
As hipóteses do pagamento em consignação são trazidas no artigo 335: 
1ª Fase | 41° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
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Art. 335. A consignação tem lugar: 
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar qui-
tação na devida forma; 
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; 
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em 
lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; 
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; 
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. 
 
Como a consequência da consignação é a liberação do devedor, como se tivesse reali-
zado o pagamento, para que a consignação tenha então força de pagamento, é necessário que 
concorram em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais 
não é válido o pagamento. 
Obs.: a consignação deverá ser requerida no lugar do pagamento – artigo 337 do CC. 
Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor con-
sinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores. 
O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a 
qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do paga-
mento. 
Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente 
excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação. Este é o único caso em que um credor 
pode pedir a consignação. 
2) Do pagamento com sub-rogação: art. 346 – 351: a sub-rogação pode ser entendida 
como a substituição de uma pessoa por outra, realizada através do pagamento. 
 O exemplo que pode ser trazido é o caso do fiador que paga a dívida do devedor, para 
que não seja responsabilizado pelo pagamento. Ao fazer isso, o credor sai da relação obrigacio-
nal, já que recebeu o pagamento e o então fiador passa a ser o novo credor do devedor (que 
não pagou e então continuará devendo, mas agora para o novo credor, que era seu antigo fiador). 
 Importante destacar que na sub-rogação não há a extinção da dívida e sim a substitui-
ção

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