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Leitores e e-books novas formas de leitura e suas aquisições. 2018. Tese (Doutorado em Educação)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARLOS HENRIQUE TAVARES DE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
LEITORES E E-BOOKS: 
NOVAS FORMAS DE LEITURA E SUAS AQUISIÇÕES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuiabá, MT 
2018 
 
 
CARLOS HENRIQUE TAVARES DE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEITORES E E-BOOKS: 
NOVAS FORMAS DE LEITURA E SUAS AQUISIÇÕES 
 
 
 
 
Tese apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Educação, da Universidade 
Federal de Mato Grosso, como requisito 
parcial para a obtenção do título de Doutor em 
Educação na Linha de Pesquisa Organização 
Escolar, Formação e Práticas Pedagógicas, 
Grupo de Pesquisa, Laboratório de Estudos 
sobre as Tecnologias da Informação e 
Comunicação na Educação - LêTECE. 
 
Orientadora: Prof
a
 Dr
a
 Kátia Morosov Alonso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuiabá, MT 
2018 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Fonte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficha catalográfica elaborada pelo Bibliotecário Carlos Henrique T. de Freitas. CRB-1: 2.234. 
 
Permitida a reprodução parcial ou total, desde que citada a fonte. 
 
 
 
 
F866l Freitas, Carlos Henrique Tavares de. 
Leitores e e-books : novas formas de leitura e suas aquisições / Carlos 
Henrique Tavares de Freitas. – 2018. 
209 f. : il. (algumas color.) ; 30 cm. 
 
 
Orientadora: Kátia Morosov Alonso. 
Tese (doutorado) – Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de 
Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, 2018. 
Inclui bibliografia. 
 
 
 
1. Aquisições cognitivas. 2. Leitura imersiva. 3. Leitor imersivo. 4. E-books. 
I. Título. 
 
 
CDU 002:004(817.2) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
À minha mãe, Iraci Tavares de Freitas, pelo amor, carinho e atenção que sempre me 
dedicou e dedica, mesmo à distância. 
Ao meu pai, Nicanor Pires de Freitas, exemplo que serve de inspiração para 
trabalhar, insistir e lutar por uma vida melhor e de modo digno. 
Aos meus irmãos, Márcio, Jerry, Roberto e Marcela Tavares de Freitas, bem como 
aos meus sobrinhos queridos, por tudo o que representam em minha vida. 
À minha esposa querida, Rogéria Brito Arcanjo de Freitas, pelo amor, compreensão e 
apoio durante meus estudos e minha vida. 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
A Deus, pela oportunidade de realizar um Curso de Doutorado, uma conquista 
pessoal muito importante, mas também uma realização acadêmica e profissional rara em 
nosso país, o qual necessita promover diversos avanços no campo da Educação, a fim de que 
todos, indistintamente, tenham acesso a ensino público, gratuito e de qualidade reconhecida. 
Agradecimentos especiais aos meus pais, Seu Nicanor e Dona Iraci. Em primeiro 
lugar, devo meu Doutorado em Educação a essas duas pessoas de origem humilde, honrada e 
digna, que proporcionaram aos filhos a educação escolar que a vida e as circunstâncias não 
lhes possibilitaram. Meu muito, eterno e orgulhoso obrigado! 
À minha esposa Rogéria, pelo carinho, amor e companheirismo. Aos demais 
familiares por tudo de bom que representam na minha vida. 
À Professora Doutora Kátia Morosov Alonso, por acreditar em minha capacidade e 
dedicar seu tempo e atenção para me auxiliar na construção deste conhecimento, com suas 
orientações muito importantes que demonstram um equilíbrio de erudição e sabedoria que 
servem de base para o crescimento de seus orientandos. 
Ao Professor Doutor Cristiano Maciel, pela colaboração com seus conhecimentos, 
provocações intelectuais e motivação para procurar dar sempre o melhor de mim. 
Aos amigos que compõem o Grupo de Pesquisa LêTECE, com os quais tive a 
oportunidade de agregar conhecimentos essenciais desde o percurso do Mestrado, se 
estendendo também pelo momento do Doutorado. 
À Rosângela Sohn, que me apoiou e inclusive me auxiliou durante grande parte de 
minhas atividades de pesquisa de campo, pela colaboração e amizade. Também colaboraram 
significativamente durante a etapa de contagem dos dados dos questionários, as senhoras 
Eunice, Antônia, e minha esposa, Rogéria. Meu muito obrigado a todos vocês! 
Ao Programa de Pós-Graduação da UFMT e à equipe da Secretaria do PPGE, que 
sempre desempenhou seu trabalho com muito primor e atenção. 
A todas aqueles que colaboraram para com a pesquisa, por dispenderem seu valioso 
tempo e atenção. A todas as demais pessoas que por alguma falha eu não tenha me recordado 
nesse momento, meus sinceros agradecimentos. 
 
 
 
É aqui. É o nosso lar. Somos nós. Nele estão 
todos aqueles que você ama, todos aqueles que 
você conhece, todos de quem você já ouviu falar, 
todos os seres humanos que já existiram, todos 
que já viveram suas vidas. A totalidade de nossas 
alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, 
ideologias e doutrinas econômicas, todos os 
caçadores e saqueadores, todos os heróis e 
covardes, cada criador e destruidor de 
civilizações, cada rei e plebeu, cada jovem casal 
apaixonado, cada mãe e cada pai, cada criança 
esperançosa, cada inventor e cada explorador, 
cada professor de moralidade, cada político 
corrupto, cada “superstar”, cada “líder 
supremo”, cada santo e cada pecador na história 
da nossa espécie viveu ali - nesse grão de poeira 
suspenso num raio de sol. 
O pálido ponto azul 
(Carl Sagan) 
 
 
Cada um que passa em nossa vida, 
passa sozinho, pois cada pessoa é única 
e nenhuma substitui outra. 
Cada um que passa em nossa vida, 
passa sozinho, mas não vai só 
nem nos deixa sós. 
Leva um pouco de nós mesmos, 
deixa um pouco de si mesmo. 
Há os que levam muito, 
mas há os que não levam nada. 
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, 
e a prova de que duas almas 
não se encontram ao acaso. 
 
(Antoine de Saint-Exupéry) 
 
 
RESUMO 
 
A leitura imersiva e os e-books compreendem elementos cuja relação pode implicar 
aquisições cognitivas importantes para a formação de conhecimentos dos indivíduos, de modo 
a colaborar qualitativamente para o ensino-aprendizagem e, portanto, para o âmbito da 
Educação. Os e-books são equivalentes a livros em formato digital, que empregam variadas 
tecnologias e linguagens hipermidiáticas, possibilitando experiências de leitura inovadoras 
mediante as interações e aquisições cognitivas que podem proporcionar. A leitura que ocorre 
que ocorre nesse contexto é considerada imersiva, devido à capacidade de envolver a atenção 
do leitor em torno do “objeto” de leitura, processo esse diferente da leitura sequencial 
tradicional, que normalmente acontece com os materiais impressos. Com base nessa situação, 
o objetivo deste estudo é analisar a maneira que se processa a leitura realizada com os e-books 
e compreender as aquisições cognitivas proporcionadas por essa experiência de leitura 
imersiva. Trata-se de uma inquietação relevante para a área da Educação, uma vez que, na 
sociedade contemporânea, as tecnologias promovem grandes transformações em todos os 
setores, inclusive no ambiente educacional. Embora essas questões mereçam atenção, elas não 
têm encontrado respaldo nas pesquisas de pós-graduação hodiernas, por isso a presente 
investigação visa a contribuir com esse tipo de conhecimento. Para isso, o estudo compreende 
uma pesquisa exploratória com abordagem qualitativa, dividida em duas fases principais: a 
primeira compreende uma caracterização dos sujeitos e de suas práticas de leitura; a segunda, 
por sua vez, envolve entrevistas e observações de atividades de leitura imersiva de e-books. 
Os sujeitos do estudo são alunos de cursos de graduação, de mestrado e de doutorado da 
Universidade Federal de Mato Grosso, selecionados segundo critérios previamente definidos. 
Após as análisese as discussões sobre dados, observou-se que a leitura imersiva de e-books 
produziu algumas aquisições cognitivas as quais foram categorizadas de aquisições quanto à 
forma e quanto ao conteúdo. De forma geral, os e-books proporcionaram a ampliação da 
experiência de leitura e angariaram novas aquisições cognitivas aos sujeitos da parte final do 
estudo. Destaca-se, também, que essas aquisições cognitivas ficaram razoavelmente alinhadas 
ao potencial imersivo dos e-books, embora o critério de imersão não tenha implicado 
alterações no contexto geral das aquisições dos sujeitos. Descobriu-se que a leitura de e-books 
proporcionou aos leitores imersivos novas aquisições cognitivas relacionadas tanto à forma / 
estrutura como ao conteúdo dos e-books. Conclui-se, portanto, que as aquisições - 
informações, conceitos e significados -, agregadas pelos sujeitos no decorrer de suas 
experiências, foram integradas, mediante processos de assimilação, no sentido de incorporar 
novas informações aos esquemas mentais existentes, conforme a teoria da epistemologia 
genética de Jean Piaget. 
 
Palavras-chave: Aquisições cognitivas. Leitura imersiva. Leitor imersivo. E-books. 
 
 
 
ABSTRACT 
 
Immersive reading experience and e-books involve relations that may arise important 
cognitive acquisitions to individual development. They contribute qualitatively to the 
teaching-learning process and thus to Education as a whole. E-books, which are digital books, 
use a variety of technologies and hypertext programming languages, enabling innovative 
reading experiences through the interactions and cognitive acquisitions they can provide. The 
reading that occurs in this context is considered immersive due to the ability to engage the 
reader's attention around the "object" of reading, a process that is different from traditional 
sequential reading, which usually occurs with printed materials. The meditative reading has, 
on its turn, differences, since it happens in printed material. Based on that, the main purpose 
of this study is to analyze how reading happens using e-books and to understand the cognitive 
acquisitions acquired with the immersive reading experience. The question raised in this study 
has great importance to the education field, since, in contemporary society, technology 
promotes deep transformations in all areas, including in the educational one. Despite its 
importance, those questioning have not found much attention in the current academic 
literature, hence the importance of this study. The process of developing this work was based 
on qualitative methods for exploratory research. It was divided in two major phases: the first 
one involved the describing of subjects and their reading practices; the second one dealt with 
interview and with observations of immersive reading experience using e-books. The subject 
of this study were graduate, master and doctoral students of the Federal University of Mato 
Grosso. They were selected based on previously defined requirements. After analyzing and 
discussing the data found, it was observed that immersive reading experience of e-books 
produced some cognitive acquisitions which were categorized according to their form and to 
their content. In a generally point of view, e-books expanded the reading experience and 
produced new cognitive acquisitions to the subjects that took part in this study. It is 
highlighted that these cognitive acquisitions were reasonable aligned with the immersive 
potential of the e-books, even though the immersion criteria have not changed in the general 
context of the acquisitions of the subjects. It was found that the reading using e-books gave to 
immersive readers new cognitive acquisitions related to the structure and to the contents of 
the e-books. It is possible to conclude that the process of integrating the acquisitions acquired 
by the subject through their experience - information, concepts and meanings -, occurred by 
assimilation. They incorporate new information to the existing mental schemas, according to 
the theories of Jean Piaget regarding the genetic epistemology. 
 
Keywords: Cognitive acquisitions. Immersive reading experience. Immersive reader. E-
books. 
 
 
 
RESUMEN 
 
La lectura inmersiva y los e-books comprenden elementos cuya relación puede implicar 
adquisiciones cognitivas importantes para la formación de conocimientos de los individuos, a 
fin de colaborar cualitativamente para la enseñanza-aprendizaje y, por lo tanto, para el ámbito 
de la Educación. Los e-books, equivalentes a libros en formato digital, emplean variadas 
tecnologías y lenguajes hipermidiáticas, posibilitando experiencias de lectura innovadoras 
mediante las interacciones y adquisiciones cognitivas que pueden proporcionar. La lectura 
que ocurre en este contexto se considera inmersiva debido a la capacidad de involucrar la 
atención del lector en torno al “objeto” de lectura, proceso que es diferente de la lectura 
secuencial tradicional, que normalmente ocurre con los materiales impresos. Basándose en esa 
situación, el objetivo de este estudio es analizar la manera que se procesa la lectura realizada 
con los e-books y comprender las adquisiciones cognitivas proporcionadas por esa 
experiencia de lectura inmersiva. Se trata de una inquietud relevante para el área de la 
Educación, ya que, en la sociedad contemporánea, las tecnologías promueven grandes 
transformaciones en todos los sectores, incluso en el ambiente educativo. Aunque estas 
cuestiones merecen atención, no han encontrado respaldo en las encuestas de postgrado 
actuales, por lo que la presente investigación pretende contribuir con ese tipo de 
conocimiento. Con este fin, el estudio comprende una investigación exploratoria con abordaje 
cualitativo, dividida en dos fases principales: la primera comprende una caracterización de los 
sujetos y de sus prácticas de lectura; la segunda, a su vez, involucra entrevistas y 
observaciones de actividades de lectura inmersiva de e-books. Los sujetos del estudio son 
alumnos de cursos de graduación, de maestría y de doctorado de la Universidad Federal de 
Mato Grosso, seleccionados según criterios previamente definidos. Después de los análisis y 
las discusiones sobre datos, se observó que la lectura inmersiva de e-books produjo algunas 
adquisiciones cognitivas que fueron categorizadas de adquisiciones en cuanto a la forma y en 
cuanto al contenido. En general, los e-books proporcionaron la ampliación de la experiencia 
de lectura y recaudaron nuevas adquisiciones cognitivas a los sujetos de la parte final del 
estudio. Se destaca, también, que estas adquisiciones cognitivas se alinearon razonablemente 
al potencial inmersivo de los e-books, aunque el criterio de inmersión no había implicado 
alteraciones en el contexto general de las adquisiciones de los sujetos. Se descubrió que la 
lectura de e-books proporcionó a los lectores inmersivos nuevas adquisiciones cognitivas 
relacionadas tanto a la estructura y al contenido de los e-books. Por lo tanto, se concluye que 
las adquisiciones - información, conceptos y significados -, agregadas por los sujetos en el 
transcurso de sus experiencias, fueron integradas, mediante procesos de asimilación, en el 
sentido de incorporar nuevas informaciones a los esquemas mentales existentes, conforme a la 
teoría de la epistemología genética de Jean Piaget. 
 
Palabras-clave: Adquisiciones cognitivas. Lectura inmersiva. Lector inmersivo. E-books. 
 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
Figura 1 – Capa e página 43 (capítulo 3) do e-book “Amazônia”, de autoria de 
Marcos A. Lima Filho 
80 
Figura 2 – Capa e página 33 (capítulo 3) do e-book “The interactive space book”, 
de Graham K. Wright 
80 
Figura 3 – Capa e páginas 2 e 136 do e-book “A ditadura acabada” (volume 5), de 
Elio Gaspari 
124 
Figura 4 – Páginas do e-book “D. Quixote” (vol. 1), de Miguel de Cervantes 125 
Figura5 – Capa e páginas do e-book “Criatividade: inovando e aplicando no mundo 
empresarial”, de Symon Hill 
126 
Figura 6 – Capa e partes do e-book “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: 
Lula e Dilma”, organizado por Emir Sader 
128 
Figura 7 – Capa e partes do e-book “Formação de professores: limites 
contemporâneos e alternativas necessárias”, organizado por Lígia 
Márcia Martins e Newton Duarte 
129 
Figura 8 – Capa e imagem da tela de leitura, do e-book “Sua vida em movimento”, 
de Márcio Atalla 
130 
Figura 9 – Capa e páginas do e-book “Emagrecimento: quebrando mitos e mudando 
paradigmas”, de Paulo Gentil 
131 
Figura 10 – Capa e páginas do e-book “Do e-mail ao Facebook: uma perspectiva 
evolucionista sobre os meios de comunicação da internet”, de Leandro 
Dantas Calvão, Mariano Pimentel e Hugo Fuks 
132 
Figura 11 – Capa e páginas do e-book “49 dicas fabulosas de economia doméstica”, 
produzido pela Organizze 
133 
Figura 12 – Capa e página 98 do e-book “E. O. Wilson’s life on earth: plant 
physiology” (volume 5), de Edward O. Wilson, Morgan Ryan e Gaël 
McGill 
134 
Figura 13 – E-books utilizados pelos sujeitos e classificação do potencial de imersão 167 
 
 
 
LISTA DE GRÁFICOS 
 
Gráfico 1 – Preferências de leitura dos sujeitos conforme os meios disponíveis 87 
Gráfico 2 – Quesitos que influenciam a opção por um meio de leitura 88 
Gráfico 3 – Equipamentos utilizados para a leitura de e-books 89 
Gráfico 4 – Forma como os sujeitos acessaram e realizaram a leitura de e-books 90 
Gráfico 5 – Características da leitura de e-books 91 
Gráfico 6 – Equipamentos empregados na atividade de leitura. 136 
Gráfico 7 – Adequação do e-book para leitura, conforme o meio de acesso 137 
Gráfico 8 – Ações semelhantes às do livro impresso. 138 
Gráfico 9 – Ações que não podem ser realizadas no papel. 139 
Gráfico 10 – Presença de atividades lúdicas ou de aprendizagem 140 
Gráfico 11 – Interatividade identificada na leitura de e-books. 141 
Gráfico 12 – Multimídia identificada na leitura de e-books. 141 
Gráfico 13 – Interação entre leitores identificada na leitura de e-books. 142 
Gráfico 14 – Intuitividade na utilização de e-books. 143 
Gráfico 15 – Possibilidade de novas aquisições em função da leitura imersiva. 150 
 
 
 
LISTA DE QUADROS 
 
Quadro 1 – Eixos e principais referências teóricas que fundamentaram o estudo 69 
Quadro 2 – Quantitativo de sujeitos da primeira fase do estudo 74 
Quadro 3 – Classificação básica do potencial de imersão de e-books 
(autoria do pesquisador) 
81 
Quadro 4 – Distribuição dos materiais de pesquisa, ordenado conforme os sujeitos 94 
Quadro 5 – Distribuição dos materiais de pesquisa, ordenados conforme os 
equipamentos 
95 
Quadro 6 – Perfil tecnológico básico dos sujeitos, ordenado conforme o nível de 
formação 
97 
Quadro 7 – Ideias predominantes dos sujeitos com relação à “tecnologia” 103 
Quadro 8 – Características gerais dos leitores e de suas atividades de leitura 106 
Quadro 9 – Ideias predominantes dos sujeitos com relação aos “e-books” 111 
Quadro 10 – Características dos leitores e de suas atividades de leitura 121 
Quadro 11 – Distribuição dos leitores conforme o nível de formação e o potencial de 
imersão dos e-books 
148 
Quadro 12 – Leitores e suas aquisições, organizados conforme o nível de formação 169 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
3D – 3 Dimensões 
ANPEd – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação 
CD-ROM – Compact Disc Read-Only Memory 
DVD-ROM – Digital Versatile Disc – Read Only Memory 
EAD – Educação Aberta e a Distância 
Epub – Electronic Publication 
EDUNESP – Editora da Universidade Estadual Paulista 
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
IHC – Interação Humano-Computador 
LêTECE – Grupo de Pesquisa “Laboratório de Estudos sobre as Tecnologias da 
Informação e Comunicação na Educação” 
MOBI – Formato de e-book desenvolvido para o MobiPocket Reader 
PC – Sigla de Computador Pessoal, na Língua Inglesa 
PDF – Portable Document Format 
SUS – Sistema Único de Saúde 
TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação 
UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 15 
2 TECNOLOGIAS, E-BOOKS E AQUISIÇÕES COGNITIVAS ............................ 25 
2.1 Técnica, Tecnologias e Suas Primeiras Manifestações: Percurso Histórico ................ 26 
2.1 Contextualizando as TIC e a Educação ........................................................................ 32 
2.2 O Livro: Percurso Evolutivo......................................................................................... 38 
2.3 O E-book e seus Leitores .............................................................................................. 42 
2.4 A Leitura Imersiva e as Aquisições Cognitivas............................................................ 49 
3 O PERCURSO METODOLÓGICO ........................................................................ 60 
3.1 Abordagem Investigativa e Procedimentos .................................................................. 60 
3.2 Revisão e Fundamentação Bibliográfica ...................................................................... 67 
3.3 Organização Geral da Pesquisa .................................................................................... 69 
3.3.1 A Primeira Fase: Caracterização Preliminar ................................................................ 71 
3.3.2 A Segunda Fase: Entrevistas e Observações ................................................................ 74 
3.4 A Formação da Coleção Digital de E-books ................................................................ 78 
3.5 A Escolha dos Equipamentos de Leitura ...................................................................... 82 
4 REFLEXÕES SOBRE OS DADOS DA PESQUISA .............................................. 83 
4.1 Caracterização Preliminar dos Sujeitos ........................................................................ 83 
4.2 Da Leitura às Aquisições: Entrevistas e Observações .................................................. 93 
4.2.1 Os Sujeitos e as Tecnologias ........................................................................................ 96 
 
 
4.2.2 Os Leitores Imersivos e os E-books ........................................................................... 104 
4.2.2.1 O Aspecto Hipertextual da Leitura Imersiva .............................................................. 113 
4.3 As Atividades de Leitura de E-books ......................................................................... 118 
4.3.1 Discutindo as Experiências de Leitura Imersiva ........................................................ 134 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 161 
5.1 Leitores, E-books e Aquisições Cognitivas: O Caminhar .......................................... 162 
5.2 Pontos de Chegada...................................................................................................... 172 
 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 179 
 APÊNDICES ............................................................................................................. 184 
 APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) .................. 185 
 APÊNDICE B – Questionário de Caracterização – Primeira Fase ............................ 187 
 APÊNDICE C – Instrumento de Autorização de Uso de Imagem, 
 Voz e Informações ...........................................................................190 
 APÊNDICE D – Roteiro de Entrevista Estruturada ................................................... 192 
 APÊNDICE E – Formulário Eletrônico de Resposta à Atividade Leitura ................. 193 
 APÊNDICE F – Análise da Coleção Digital .............................................................. 199 
 APÊNDICE G – Roteiro Condensado da Coleção Digital ......................................... 206 
 APÊNDICE H – Comunidade Acadêmica da UFMT / Campus de Cuiabá (2013) ... 209 
 
15 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
As tecnologias costumam estar no foco das comunicações midiáticas no período 
contemporâneo. Constantemente novos produtos e serviços surgem e se popularizam com 
rapidez, para, em seguida, ir perdendo espaço para outros recursos, que “prometem” cumprir 
funções inovadoras. Essas tecnologias se avizinham silenciosamente e se entranham em nosso 
cotidiano sem que, muitas das vezes, percebamos a real extensão de suas influências em 
nossos hábitos e costumes. Desde as primeiras horas do dia ao final da noite, no trabalho, na 
faculdade, nos carros, nos bares, restaurantes, cinemas e festas, em suma, nos diversos 
espaços pelos quais transitemos, as tecnologias marcam presença e, não raramente, cumprem 
funções importantes em benefício das pessoas. 
Por outro lado, o avanço tecnológico também produz situações problemáticas, como 
por exemplo, o grande e, por vezes, desordenado volume de informações produzidas em 
diversas áreas do conhecimento humano. Em razão disso, não é difícil haver frustração diante 
das várias dificuldades em acessar e saber como lidar cotidianamente com esses conteúdos. 
Porém, se o grande volume, ou mesmo, a dispersão das fontes de informação, 
contribuem para que esse ambiente pareça caótico, para um pesquisador, provavelmente seria 
ainda mais dramático não poder pesquisar um assunto em uma base de dados, selecionar os 
registros mais recentes, ou localizar o autor de um estudo para discutir detalhes científicos. 
A esse respeito, o físico teórico britânico Stephen Hawking assinalou
1
, 
oportunamente, sua preocupação com o desenvolvimento tecnológico acelerado, e, 
consequentemente, o aumento exponencial da produção de conhecimentos num ritmo tão 
vertiginoso que impossibilitaria a um pesquisador se manter devidamente atualizado em sua 
área profissional (HAWKING, 2009). 
A reflexão em torno dessas questões não tem finalidade especulativa ou preditiva, 
mas de evidenciar, por um lado, que as tecnologias fazem parte do nosso cotidiano, quer 
queiramos, quer não, e por outro lado, que elas são instrumentos úteis para o desenvolvimento 
de diversas atividades e práticas inovadoras inclusive no campo educacional. 
 
 
1
 Estas reflexões constam na obra clássica do autor, intitulada “O universo numa casca de noz”, especificamente 
na página 159 da publicação. 
16 
 
Atualmente vivemos em uma sociedade em rede, interconectada, global, a qual 
repercute local e instantaneamente muito do que ocorre em outras regiões do globo, bem 
como influencia esse intrincado contexto com o qual se interconecta. Para Castells (2007), as 
novas tecnologias da informação vêm integrando o mundo em redes globais de 
instrumentalidade, sendo que, a comunicação mediada por computadores produz, por sua vez, 
uma grande quantidade de comunidades virtuais. Além disso, nunca é demais lembrar a 
relação dessa sociedade com a influência capitalista com a qual se entrelaça, pois como 
observa o mesmo autor, a emergente e tecnológica sociedade em rede tem suas bases ligadas 
ao período histórico de reestruturação global do capitalismo (sendo sua ferramenta básica), o 
que reforça sua identidade capitalista e informacional. 
Desse modo, as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) compreendem 
um conjunto de elementos tecnológicos e informacionais, geralmente interconectados em 
redes, e com os quais os indivíduos interagem cotidianamente. Essas tecnologias estão 
emaranhadas em um amplo contexto do qual são partes vibrantes, estando presentes nos mais 
diversos setores da atividade humana (sociedade, cultura, economia, educação), e não apenas 
no ambiente das interfaces computacionais que subsidiam os fluxos de dados mediados pelos 
instrumentos tecnológicos. 
Por outro lado, um dos resultados das transformações técnicas e tecnológicas que 
ocorreram ao longo dos tempos, são os e-books, que consistem em livros em formato digital, 
isto é, que podem ser lidos em dispositivos eletrônicos, como por exemplo, e-readers, 
computadores, tablets e aparelhos de telefone celular (SILVA, 2013). Tais recursos 
consubstanciam o potencial da tecnologia eletrônica, da digitalização das informações 
(incluindo hipermídias) e dos materiais de leitura convencionais, em uma tecnologia 
inovadora, haja visto que transforma a maneira pela qual as pessoas leem e agregam novas 
informações a fim de constituírem seus conhecimentos. 
Diante desse cenário, convém destacar, de minha parte, de onde provém meu 
interesse em estudar esses objetos de leitura. Para tanto, parto do contexto das minhas 
vivências pessoais, para depois expressar meus interesses profissional e acadêmico, situando-
me, devidamente, no contexto desta tese. 
Conforme descrevi em mais detalhes em minha pesquisa de mestrado, grande parte 
de minha infância vivi em região rural, no Distrito de Placa de Santo Antônio, Município de 
Juscimeira (entre as cidades de Juscimeira e Santa Elvira). Ali, cursei até o Primeiro Grau na 
Escola Mista Rural Santo Antônio de Pádua, sendo essa minha primeira experiência escolar. 
17 
 
Nessa época eu gostava muito de ler gibis (e ainda gosto) e foi então que desenvolvi o hábito 
de leitura. Tenho boas lembranças da cidade, da escola, do hábito de leitura que desenvolvi, 
das pescarias. Mas, por ser uma região pobre, praticamente sem opções de trabalho além da 
lavoura, sendo que eu e meus irmãos estávamos crescendo e precisando estudar, meus pais 
decidiram se mudar para a cidade de Rondonópolis. 
Em Rondonópolis, não houve uma adaptação fácil, mas, após algum tempo, logo eu e 
meus irmãos estávamos estudando e, meu pai, trabalhando. Mais tarde, também 
trabalhávamos para ajudar em casa, e após concluir o Segundo Grau (atual Ensino Médio), 
comecei a me preparar para o vestibular. Assim, consegui ser aprovado para o Curso de 
Bacharelado em Biblioteconomia, e tive o privilégio de fazer esse curso entre os anos de 2002 
e 2006, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no Campus de Rondonópolis. 
Por volta dessa época, as formas comuns que eu tinha para utilizar algumas 
tecnologias, como por exemplo, computadores, era basicamente na universidade, em cursos 
ou lan houses. Até aparelho de telefone celular eu demorei um pouco a comprar por conta do 
custo. Assim, desde então, se sucederam várias mudanças envolvendo as tecnologias, as quais 
foram evoluindo e transformando o ambiente em que eu convivi. 
Atendo-me ao contexto de meus estudos em Biblioteconomia, desde os primeiros 
textos que comecei a ler, já ficavam evidentes os impactos das tecnologias nas mais diversas 
áreas, inclusive na Biblioteconomia. As disciplinas básicas empregavam textos que tratavam, 
entre outros, das transformações no “mundo do trabalho”, preocupações com informatização 
de serviços técnicos, roteiros de sítios e bases de dados para realização de atividades. Outro 
tema abordado e que me despertou interesse imediato foram as bibliotecas digitais, virtuais e 
eletrônicas
2
. O interesse foi tanto que, minha pesquisa de conclusão de curso envolveu a 
criação de um protótipo de biblioteca virtual para uma empresa agrícola da região. 
Alguns anos depois de formado, vim morar e trabalhar na cidade de Cuiabá, pois 
havia sido aprovado em um processo seletivo para bibliotecário no SESC Arsenal, onde fiquei 
menos de um ano, pois, logofui nomeado como bibliotecário da UFMT. Antes de tomar 
posse na UFMT, também trabalhei rapidamente na Biblioteca Pública Estadual Estevão de 
Mendonça. Mas foi na Biblioteca Central da UFMT que minha vida profissional se 
intensificou, pois era a maior biblioteca do Estado, com uma grande demanda de público e de 
serviços aos seus funcionários. Foi um momento deveras gratificante em minha vida, 
 
2
 Embora essas terminologias envolvessem conceitos que, à época, tinham sentidos diferentes, atualmente, a 
terminologia dominante é “biblioteca digital”. 
18 
 
especialmente para meus pais, pois, ambos não tendo a oportunidade de se alfabetizarem, 
tiveram o orgulho de ver o filho caçula terminar o curso superior e seguir carreira profissional 
em uma instituição de renome. E nessa carreira profissional na Biblioteca Central iniciada em 
2008, logo evoluí para a Gerência de Processos Técnicos, em 2009 e, em seguida, para a 
Coordenação, no ano de 2010. O volume maior de trabalho e de responsabilidades não me 
desanimou, e foi prazeroso manter uma grande equipe trabalhando com objetivos comuns. 
Basicamente, era o melhor momento até então da minha carreira profissional. 
Um pouco antes, eu havia sido aprovado no processo seletivo Programa de Pós-
Graduação em Educação da UFMT, tendo ingressado em 2010. Iniciado os estudos, foi um 
momento acadêmico extremamente gratificante, em vista das experiências agregadas, do 
aprendizado construído e da conclusão do curso. Foi um momento cansativo diante das 
obrigações acumuladas na Biblioteca Central, porém, ainda assim, foi extremamente 
gratificante. As aulas conduzidas pela professora Kátia Morosov Alonso e o professor 
Cristiano Maciel no Grupo de Pesquisa “Laboratório de Estudos sobre as Tecnologias da 
Informação e Comunicação na Educação – LêTECE” tratavam de temáticas importantes e 
atuais no campo da Educação. Por ser bibliotecário, cuja área de formação está assentada 
entre as Ciências Sociais Aplicadas, minha formação de bacharel foi bastante técnica, e, como 
tal, necessitei fazer um movimento de desequilíbrio piagetiano: precisei “desaprender” 
algumas questões condicionadas por anos de graduação, para depois assimilar conceitos da 
área da Educação, “reaprendendo” a partir desse novo “universo” das Ciências Humanas, e, 
buscando um estado de equilíbrio. 
O curso de Mestrado ocorreu entre os anos de 2010 e 2012 e além das grandes 
amizades, experiência de vida e crescimento intelectual, eu consegui desenvolver a pesquisa 
intitulada “Bibliotecas, leituras e leitores: um estudo no contexto da UFMT”. Nesse estudo, 
realizamos uma investigação qualitativa para conhecer o perfil dos leitores da biblioteca 
universitária, um trabalho que foi extremamente gratificante, dos pontos de vista pessoal, 
profissional e acadêmico. 
Posteriormente, ainda na Coordenação da Biblioteca Central, fui aprovado no 
Programa de Pós-Graduação em Educação e comecei os estudos no Curso de Doutorado em 
2014, e, novamente sob a orientação da Professora Kátia Morosov Alonso, tenho 
desenvolvido a presente pesquisa. As orientações destes professores e as experiências do 
grupo LêTECE, foram muito importantes em minha vida acadêmica, de modo que, ao 
relembrar os conhecimentos da minha área de Biblioteconomia, percebo o quanto foi 
19 
 
agregado em meu conhecimento, pois consigo encarar de uma maneira diferente temas 
biblioteconômicos dos quais ainda gosto muito. Desde meus estudos envolvendo biblioteca 
virtual na graduação, passando pela pesquisa de mestrado sobre leitores imersivos na 
Biblioteca Central da UFMT, venho mantendo, no Doutorado, o interesse em estudar as 
tecnologias nas áreas da Educação e agregar mais conhecimentos a esse respeito. 
Portanto, meu interesse pessoal no tema desta tese também se relaciona à minha 
formação profissional, aliada às experiências acadêmicas: a leitura imersiva que estudei 
durante o mestrado, os e-books, que eram frutos de minhas inquietações mais recentes em 
minha área de formação profissional. E, finalmente, a professora Kátia Morosov Alonso me 
auxiliou nessa delimitação, “costurando” com grande conhecimento esses temas, que tiveram 
as aquisições cognitivas como fio condutor de novos saberes. 
Mas, de que modo me deparei com este tema? Inicialmente, parti do interesse em 
evidenciar a “aprendizagem” envolvendo e-books, e então fazia meu percurso teórico 
buscando apoio na teoria sociocultural e, especificamente, no conceito de aprendizagem 
mediada de Lev Vygotsky. Aos poucos, entretanto, com os estudos teóricos e as profícuas 
orientações que recebi, fui percebendo que, estudar as aprendizagens, era um caminho mais 
longo do que o suposto inicialmente. Além disso, a teoria da epistemologia genética de Jean 
Piaget também poderia me ajudar a responder às minhas inquietações. Nesse sentido, após um 
período de tempo, decidimos lapidar o objeto de estudo em torno da leitura imersiva de e-
books, a partir das aquisições cognitivas, tomadas emprestadas dos estudos de Piaget. E, para 
tanto, tive o privilégio de dispor da vasta experiência pedagógica da professora Kátia 
Morosov Alonso, que, como dito anteriormente, ajudou-me a “trançar” esses elementos e a 
clarear os objetivos da pesquisa. 
Convém mencionar uma questão que guiou minhas preocupações em torno desta 
temática, qual seja, a originalidade do estudo. O doutoramento consiste em uma fase de 
consolidação do conhecimento, na qual, o pesquisador necessita produzir um trabalho com 
densidade teórica, ou seja, que lhe permita articular os conhecimentos prévios com os 
conceitos essenciais advindos do estudo, desembocando não necessariamente em uma obra 
acabada, mas, essencialmente, na produção de uma pesquisa original e, quase sempre, inédita, 
pois, como explica Saviani (2000, p. 15), “a tese pressupõe, em consequência, os requisitos de 
autonomia intelectual e de originalidade, já que estas são condições para que alguém possa 
expressar uma posição própria sobre determinado assunto”. 
20 
 
Diante disso, antes de desenvolver o estudo, iniciei a busca por trabalhos similares, 
em diversas fontes de informação acadêmica e científica, cumprindo destacar: Portal de 
Periódicos da CAPES
3
, Catálogo de Teses da CAPES
4
, Portal Domínio Público
5
, Biblioteca 
Digital de Teses e Dissertações
6
, revista Educação & Sociedade
7
 e Revista Brasileira de 
Educação (RBE)
8
. Também foram verificados os anais do Congresso Brasileiro de Ensino 
Superior a Distância (ESUD)
9
, da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em 
Educação (ANPEd)
10
 e do Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino (ENDIPE)
11
. 
O horizonte temporal de publicação dos materiais pesquisados, compreendeu o intervalo dos 
últimos 4 anos antes de iniciar o curso de doutorado, ou seja, de 2011 a 2014 e foram 
priorizadas como publicações, teses e artigos científicos dos periódicos citados, ou, quando 
proveniente de outra fonte (por exemplo, acessado via Portal de Periódicos da CAPES), que 
possuísse alguma forma de avaliação do conteúdo por pares ou de semelhante rigor. 
Desse modo, com relação ao tema deste estudo, não foi identificado nenhum trabalho 
semelhante à temática proposta. O único material com alguma relação ao tema que cabe 
destacar, não se enquadrou nos critérios acima indicados, pois foi uma pesquisa de mestrado 
intitulada “As possíveis configurações dos livros nos suportes digitais” de autoria de Thaís 
Cristina Martino Sehn (SEHN, 2014). Porém, a pesquisa possuía uma abordagem distinta, se 
dedicando apenas ao estudo dos e-books e não envolvendo leitores, o conceito de leitura 
imersiva, ou de aquisições cognitivas. Em vista da abrangência dessas buscas, os materiais 
identificados, de temas correlacionados e que pudessem contribuir para o desenvolvimento 
teórico e metodológico do estudo, foram mantidos como referencialcomplementar. 
Tendo esse foco estabelecido, os trabalhos se desenvolveram de modo mais natural, e 
embora não tenha conseguido o afastamento das minhas atividades laborais conforme 
solicitado no início do curso, a pesquisa teve prosseguimento. 
 
 
3
 A CAPES é a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da 
Educação (MEC) do Brasil. O endereço eletrônico de seu portal de periódicos é o seguinte: 
<http://www.periodicos.capes.gov.br>. 
4
 Disponível em: <http://catalogodeteses.capes.gov.br>. 
5
 Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br>. 
6
 Disponível em: <http://bdtd.ibict.br>. 
7
 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php/script_sci_serial/pid_0101-7330/lng_pt/nrm_iso>. 
8
 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=1413-2478&lng=en&nrm=iso>. 
9
 Disponível em: <https://www.aunirede.org.br/portal/>. 
10
 Disponível em: <http://www.anped.org.br/?>. 
11
 Disponível em: <http://endipe.pro.br>. 
21 
 
Portanto, foi nesse contexto que, no presente estudo, dediquei-me ao objetivo geral 
de analisar a maneira pela qual se processa a leitura realizada com o uso de e-books e as 
aquisições cognitivas proporcionadas por essa experiência. Nesse sentido, para dar conta 
dessa preocupação central, foi necessário delimitar alguns objetivos específicos, os quais 
proporcionaram clareza quanto às ações a serem desenvolvidas no decorrer da pesquisa: 
 
 Verificar como alguns sujeitos interagem com os e-books, com base em entrevistas e 
observações de atividades práticas; 
 Evidenciar as aquisições cognitivas agregadas no contexto das interações entre 
leitores e suas leituras imersivas de e-books; 
 Debater sobre as implicações da leitura imersiva e dos e-books para a área da 
Educação, no contexto da cultura digital contemporânea. 
 
Examinar essa leitura imersiva envolvendo e-books se mostrou uma questão que 
demandava cuidado. Embora alguns procedimentos tenham sido bem delineados a priori, 
outros métodos só emergiram no contexto do desenvolvimento das atividades que 
culminariam na pesquisa de campo. 
Foram surgindo preocupações do tipo: desenvolver uma atividade prática com uso de 
e-books implicaria na escolha de alguns desses materiais, mas, quais os critérios para tanto? 
Preliminarmente, essa preocupação não incomodaria, pois critérios podem ser estabelecidos a 
partir do esforço reflexivo devidamente fundamentado. Assim, o refinamento da pesquisa se 
cercava de critérios, como por exemplo, para a seleção dos sujeitos, para a seleção dos 
materiais digitais, quais equipamentos utilizar e por que. Mas, a seleção de materiais foi algo 
que necessitou de maior atenção, uma vez que, ao decidir compor uma coleção de e-books 
que combinasse diversidade temática, linguística e hipermidiática, era necessário explicitar 
devidamente tais critérios. Além disso, surgia uma preocupação referente ao objetivo central 
do estudo, qual seja, considerando que os e-books possuíam recursos diferentes, inclusive 
hipermidiáticos, os quais poderiam implicar em envolvimento distinto da parte dos sujeitos, 
como tratar dessa peculiaridade no decorrer do estudo? Lembro-me que ao ler uma entrevista 
de Piaget (1980, p. 79) ele dizia acreditar que “a maior diferença entre o pesquisador e o 
computador é que o pesquisador inventa problemas”. 
22 
 
Assim, como esse tipo de problema faz parte da pesquisa, à medida que esta se 
desenvolvia, o mesmo foi solucionado. Para apoiar a análise dos materiais e sua identificação 
apropriada, após estudo, foi definido um quadro básico de “classificação” dos e-books 
selecionados, conforme o potencial imersivo dos mesmos (Quadro 3), o qual, cumpriu sua 
função satisfatoriamente. 
Em termos metodológicos, o estudo compreendeu uma pesquisa exploratória de 
abordagem qualitativa, dividida em duas fases principais: a primeira fase compreendeu a 
caracterização dos sujeitos e de suas práticas de leitura, enquanto que a segunda fase envolveu 
entrevistas e observações de atividades de leitura imersiva com e-books de um grupo 
selecionado desses sujeitos, conforme critérios previamente estabelecidos. Estes sujeitos 
correspondem a alunos de cursos de graduação e pós-graduação stricto sensu (mestrado e 
doutorado) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). 
Quanto à estrutura, esta tese está organizada em 5 capítulos, alguns dos quais se 
subdividem internamente para o desenvolvimento do assunto de forma mais organizada. A 
seguir, são apresentados esses capítulos, seguidos de uma breve descrição para identificá-los. 
O capítulo 1 compreende a “INTRODUÇÃO” ao conteúdo da tese. Nessa parte está 
descrita a síntese do estudo, sua abordagem, organização das partes, além dos objetivos, e 
justificativa de escolha do tema. 
O capítulo 2 intitulado “TECNOLOGIAS, E-BOOKS E AQUISIÇÕES”, apresenta 
os principais aspectos teóricos subjacentes à esta pesquisa. Numa perspectiva histórica, são 
abordadas as técnicas e as tecnologias até chegar às TIC. Também são tratados os livros 
impressos e seus leitores, os e-books e as aquisições cognitivas que estes podem proporcionar. 
No capítulo 3, é detalhado o “PERCURSO METODOLÓGICO”. Parte-se da opção 
pelo tipo de pesquisa exploratória e da abordagem qualitativa envolvida, passando pelo 
escopo da fundamentação teórica e estrutura e organização do estudo (dividido em duas 
fases). Quanto à essa estrutura, são delineados os contornos metodológicos da primeira fase e 
da segunda fase da pesquisa. Ao final, é abordada a forma de análise dos dados. 
As “REFLEXÕES SOBRE OS DADOS DA PESQUISA” são apresentadas no 
capítulo 4, que se inicia com a primeira fase do estudo, qual seja, a caracterização preliminar 
dos sujeitos por meio de pesquisa de campo. Na sequência, são detalhados os resultados da 
segunda fase do estudo, isto é, das entrevistas e observações realizadas a partir de uma 
amostra de sujeitos. Nesse sentido, as partes seguintes se encontram organizadas conforme foi 
23 
 
realizado o tratamento de dados: de forma mais ampla, foram analisadas as questões 
referentes aos sujeitos e ao uso que revelaram fazer das tecnologias, bem como as suas 
características de leitores, compreensão e uso de e-books. Além disso, ainda se discute 
aspectos da leitura imersiva possibilitada pelos e-books. Ao final dessa parte são descritos os 
resultados das atividades realizadas envolvendo a leitura de e-books, na qual as experiências 
são relatadas de forma individual. 
Na sequência, o quinto capítulo apresenta as “CONSIDERAÇÕES FINAIS” a que se 
chegou, procurando integrar os resultados das análises e discussões ao eixo central do estudo. 
Em razão disso, possui dois subcapítulos, de modo que na primeira parte se retoma o contexto 
geral da pesquisa para fazer uma consideração final mais integrada. Já na parte final, são 
apresentados alguns dos pontos de chegada dessa tese, evidenciando aspectos centrais, e, 
inclusive, questões que podem ser aprofundadas por outros estudos de abordagem similar. 
Enfim, a estrutura da tese se completa com as “REFERÊNCIAS” e “APÊNDICES”, incluídos 
ao final do trabalho. 
Porém, o trabalho produzido não se encerra em sua apresentação formal, embora se 
tenha concluído o estudo e alcançando seu produto final, na forma de um documento 
conhecido no meio acadêmico como “tese”. Enquanto proposição sobre o fenômeno de 
interesse do pesquisador, a tese consistiu numa pergunta que o mesmo se fez e que, se 
acredita, tenha sido respondida no decorrer desta pesquisa, como argumentado no item 5.2, 
das Considerações Finais. 
Contudo, como já conjecturava o filósofo austríaco Karl Popper, “não somos 
estudantes de assuntos, mas estudantes de problemas. E os problemas constituem os recortes 
de qualquer assunto ou disciplina” (POPPER, 1972 apud SARACEVIC, 1991, p. 41). Assim, 
tendo partido de umproblema em um campo de estudos, e de uma tese a respeito desse 
problema, a qual se entende que tenha sido confirmada, novos problemas se oferecem, os 
quais também são mencionados no item 5.2. Dessa forma, a tese não é um estado acabado em 
si, pois: 
1) É um conhecimento produzido no caminhar ao lado e com o Grupo de Pesquisa 
LêTECE e seus guias: possui, portanto, a identidade de seus saberes didático-
pedagógicos e epistemológicos; 
2) É um conhecimento abraçado a teorias e métodos decorrentes de outros estudos 
de importância reconhecida, e, portanto, possui uma filiação teórica que o 
24 
 
enquadra conceitualmente em uma linha determinada (nesse caso, junto aos 
estudos interacionistas piagetianos na área da Educação); 
3) Novos problemas e outras abordagens que se aproximem desse contexto podem 
ser beneficiados com experiências e conhecimento constituídos pelo estudo. 
 
Desse modo, entende-se que o estudo relatado nessa tese, também pode ser útil para 
futuras pesquisas no campo da Educação e, na área da TIC, inclusive para aquelas abordagens 
que envolvam a leitura, e-books e aquisições cognitivas. Dando continuidade, a seguir, são 
apresentadas as fundamentações teóricas da pesquisa, por meio de seus principais eixos 
temáticos, representados nos subcapítulos que integram a referida parte. 
 
 
25 
 
2 TECNOLOGIAS, E-BOOKS E AQUISIÇÕES COGNITIVAS 
 
Nesse capítulo, apresenta-se uma revisão contendo os principais aportes teóricos da 
pesquisa. Primeiramente, são abordadas as técnicas e as tecnologias até chegar às TIC, numa 
perspectiva histórica. Em seguida, são abordados os livros impressos e seus leitores, os e-
books e as aquisições cognitivas que estes podem proporcionar. 
A ciência se caracteriza pela tentativa do homem em entender e explicar 
racionalmente a natureza, por meio da formulação de leis que permitam, em última instância, 
a própria atuação humana (ANDERY et al., 2006), podendo auxiliar, de modo mais prudente, 
a lidar com as questões que nos rodeiam, tais como as mudanças climáticas, as epidemias e 
problemas demográficos, para mencionar apenas alguns. Isso porque, o conhecimento 
científico auxilia na superação do desconhecido, da ignorância, da ilusão, do imediatismo, 
fornecendo uma compreensão mais fundamentada da realidade, por meio das leis gerais que 
regem os fenômenos, de modo a entender melhor o mundo e a si mesmo. 
 
Enquanto tentativa de explicar a realidade, a ciência caracteriza-se por ser uma 
atividade metódica. É uma atividade que, ao se propor conhecer a realidade, busca 
atingir essa meta por meio de ações possíveis de serem reproduzidas. O método 
científico é um conjunto de concepções sobre o homem, a natureza e o próprio 
conhecimento, que sustentam um conjunto de regras de ação, de procedimentos 
prescritos para se construir conhecimento científico. (ANDERY et al., 2006, p. 14). 
 
Assim, esse método científico não é único e nem permanece o mesmo, pois decorre 
de condições históricas concretas, como por exemplo, as necessidades, a organização social 
para sua satisfação, o nível de desenvolvimento técnico, as ideias e os conhecimentos já 
produzidos, entre outros, bem como do momento histórico que caracteriza a elaboração do 
conhecimento. A fim de tentar explicar a realidade, a ciência se assenta no método e no 
conhecimento científico, seguindo critérios historicamente validados, passíveis de reproduzir 
os fenômenos e comprová-los cientificamente, produzindo-se, assim, novos conhecimentos 
científicos, inclusive com novas interpretações científicas da realidade investigada. 
Seguindo essas premissas, esta pesquisa se conduz pela observância de questões que 
possam ser verificadas com base em fundamentos científicos, obedecendo à procedimentos 
metodológicos historicamente validados, e fundamentando-se em teorias do campo da 
Educação. 
26 
 
 
2.1 Técnica, Tecnologias e Suas Primeiras Manifestações: Percurso Histórico 
 
As técnicas e as tecnologias são partes importantes da história humana, e observar 
essas manifestações na perspectiva histórica, revela a importância desses elementos para a 
sociedade, permitindo compreendê-las melhor. Essa é a finalidade dessa seção. 
Ao se refletir de forma mais aprofundada sobre as tecnologias, constata-se que estas 
nos remetem aos primórdios do surgimento do próprio homem, ou seja, ao contexto das 
primeiras referências humanas que se tem. E, é nesta “aurora do homem”
12
 que, junto dele, 
também surgiram outros elementos que caracterizam a própria essência do fenômeno humano, 
os quais (voltando aos dias atuais), ainda apresentam interpretações amplas: a técnica e a 
linguagem. 
Nesse sentido, Vargas (1994, p. 171) afirma ser “petição de princípio”, dizer que o 
homem criou a linguagem e a técnica, uma vez que “não tem sentido imaginar o homem antes 
de ele próprio fazer sua linguagem e sua técnica”. Foi assim, a partir desses “inventos”, que 
“algo que não era humano, tornou-se homem”. 
Desse modo, deixando de ser hominídeo, surgiu o homem, juntamente com a 
linguagem e a técnica por ele construídas, as quais, mesmo sendo tão antigas quanto o ser 
humano, não se pode dizer que apareceram instantaneamente; em todo caso, essas três 
entidades, são, provavelmente, produtos de uma evolução natural que durou milhares de anos, 
como pontua o autor anteriormente citado. 
Veraszto et al. (2008) explicam que tanto a palavra técnica, quanto tecnologia têm 
ambas origem na palavra grega techné a qual, significava muito mais alterar o mundo de 
forma prática do que compreendê-lo, não havendo no princípio, praticamente nenhuma 
influência da contemplação científica. 
Com base nesse autor, a técnica está focada em como transformar, como modificar, e 
o significado original do termo techné decorre de uma das variáveis de um verbo que significa 
 
12
 O termo “aurora do homem” corresponde a um subtítulo dentro do filme “2001: uma odisseia no espaço”, do 
diretor Stanley Kubrick. Na parte citada, é feito referência à evolução humana, mostrando macacos que 
posteriormente evoluiriam para homo sapiens. Esses personagens são caracterizados por atitudes que, em 
muitos aspectos, lembram o próprio ser humano. 
27 
 
fabricar, produzir, construir, dar à luz
13
, enquanto que a palavra tecnologia deriva da junção 
dos termos tecno (do grego techné), que é saber fazer, e logia (do grego logus), razão, sendo 
que tecnologia significa, nesse sentido, a razão do saber fazer, ou ainda, o estudo da técnica, 
da própria atividade do modificar, do transformar, do agir. 
Contudo, Vargas (1994, p. 18) explica que “o que designamos hoje, de uma forma 
geral por técnica, não é exatamente a ‘techné’ grega”. Além disso, em vista de a técnica ser 
considerada tão antiga quanto o próprio homem, a techné grega, para este autor, era um tipo 
de conhecimento que não se limitava à pura contemplação da realidade, mas uma atividade 
interessada por resolver problemas práticos, conduzir os homens nas questões vitais, curar 
doenças, construir edifícios, instrumentos, entre outros. Eram, portanto, conjuntos de 
conhecimentos e habilidades profissionais e, assim como a “ars” romana (considerada seu 
prolongamento), consistia numa forma elaborada e sistematizada de técnica, aperfeiçoada pela 
educação, descrita em livros e compêndios e repassada de geração a geração, tendo ainda o 
importante papel de romper com a natureza “mágica”, “divina”, que era atribuída às técnicas 
desde suas origens. 
De outro lado, se a técnica é tão antiga quanto o homem, esse mesmo autor 
argumenta que foi somente a partir de 1600, com a Ciência Moderna, que surgiu a tecnologia 
como a conhecemos nos dias atuais, ou seja, um saber fazer baseado na teoria e na 
experimentação científica. 
 
[...] Tecnologia, portanto, é hoje a atividade de transformação do mundo, resolução 
de problemas práticos,construção de obras e fabricação de instrumentos, baseada 
em conhecimentos científicos e por processos cientificamente controlados. É um 
saber científico dos materiais e dos processos de planejamento, e construção de 
obras e de invenção, projeto e fabricação de instrumentos. Portanto, é bastante difícil 
distinguir, hoje em dia, a Ciência da Tecnologia (VARGAS, 1994, p. 20). 
 
Assim, a tecnologia consistia na solução de problemas técnicos a partir de teorias, 
métodos e processos científicos, sendo, portanto, vinculada à técnica. Contudo, há que 
destacar também que suas raízes remetem ao surgimento da mentalidade renascentista que 
propiciou o aparecimento da Ciência Moderna, pois, foi nesse bojo que ciência e técnica se 
aproximaram ainda mais. 
 
13
 O verbo teuchô ou tictein. Nesse sentido, teuchos significa ferramenta, instrumento (TOLMASQUIM, 1989; 
LION, 1997 apud VERASZTO et al., 2008). 
28 
 
Um primeiro exemplo disso foi quando Galileu tentou, sem sucesso, resolver um 
problema técnico com a aplicação da teoria racional mecânica dos momentos, técnica cujos 
resultados a ciência teórica conseguiu explicar com sucesso dois séculos depois. O mesmo 
aconteceu com a termodinâmica, que explicou, apenas mais tarde, o funcionamento da 
máquina a vapor. Entretanto, esse rumo inverteu-se com o advento da eletricidade, com a 
teoria passando à frente da técnica e as máquinas elétricas sendo então projetadas e 
construídas a partir de teorias científicas. E a eletrônica consolidou definitivamente o processo 
desse fluxo do saber da teoria para a prática, embora, somente após a Segunda Guerra 
Mundial é que se firmou a opinião de que toda realização técnica deve ser orientada por um 
estudo científico. “Estabeleceu-se, assim, definitivamente a tecnologia. Pode-se assim 
entender essa como o ‘logos’ da técnica” (VARGAS, 1994, p. 179). 
Outra forma pela qual se pode compreender as tecnologias é tratando destas como 
“extensões” do ser humano. Em seus estudos sobre os meios de comunicação, McLuhan 
(2007) argumenta que, todos os meios tecnológicos desempenham funções de extensões do 
corpo humano, assim como as bicicletas são extensões das pernas, as roupas são extensões de 
nossa pele, as facas são extensões da unha. Trata-se de um raciocínio interessante, em uma 
sociedade em que ocorrem diversos tipos de mediação tecnológica. 
Sendo um dos teóricos mais conhecidos entre os defensores da não-neutralidade 
tecnológica, McLuhan (2007) argumenta que “o meio é a mensagem”, ou seja, que as 
tecnologias em si, também exercem a função de modificar o comportamento humano, 
introduzir uma alteração significativa, “pois, a ‘mensagem’ de qualquer meio ou tecnologia, é 
a mudança de escala, cadência ou padrão que esse meio ou tecnologia introduz nas coisas 
humanas” (MCLUHAN, 2007, p. 22). 
Assim, entre as tecnologias ou extensões mencionadas, encontram-se a escrita, o 
alfabeto, a eletricidade, a imprensa, a roda, o computador digital, a televisão e outros 
instrumentos, bem como outras interpretações que esses “meios” suscitam: tecnologia 
humana, tecnologia bélica, tecnologia não-visual, tecnologias sociais (MCLUHAN, 2007). 
Veraszto et al. (2008), ao argumentar que a fabricação dos primeiros instrumentos de 
pedra lascada estava relacionada a um saber-fazer, uma tecnologia desenvolvida pelos nossas 
antepassados, assume que seriam estes primeiros artefatos “instrumentos tecnológicos” cujo 
propósito era garantir a sobrevivência humana por meio da interferência do homem no meio, 
caçando e defendendo a si e a seu território das feras, sendo não só o uso das ferramentas 
(instrumentos), como também todo o processo de seu desenvolvimento (invenção, concepção, 
29 
 
e produção) o verdadeiro feito. “As estratégias e outras formas de organização desenvolvidas 
por nossos ancestrais pré-históricos reafirmam o potencial tecnológico humano” (ACEVEDO, 
1998; VERASZTO, 2004 apud VERASZTO et al., 2008, p. 64). 
Além disso, a técnica e, partindo dessa linha teórica a própria tecnologia, surgem 
antes mesmo da preparação, lapidação de um instrumento; ou seja, antes da pedra lascada e 
preparada para o ataque e a caça, os hominídeos se apropriaram dos recursos disponíveis na 
natureza e os ressignificavam na forma de instrumentos úteis. Um exemplo clássico de 
concepção de um instrumento “bruto” vemos em Vargas (1994; 1999), bem como em 
Veraszto et al. (2008), ao abordarem uma cena do filme 2001: uma odisseia no espaço, de 
Stanley Kubrick. 
 
Aí está expresso simbolicamente o caráter progressista da técnica, uma vez 
descoberto o primeiro instrumento, pelo homem primitivo, progressivamente ele 
será aperfeiçoado até os atuais sofisticadíssimos instrumentos do homem atual, para 
a conquista dos espaços extraterrestres (VARGAS, 1999, p. 8). 
 
Além disso, a cena mostra o aparecimento da técnica em uma atmosfera emocional e 
de aprendizado simbólico, pois, surge também nesse momento, “os três elementos 
fundamentais do ser humano: a emoção, o símbolo e a habilidade” (VARGAS, 1994). 
A partir desse momento, com o uso do intelecto, o hominídeo se transforma em 
homem, à medida que associa, em seus pensamentos, o osso do animal com um instrumento 
poderoso para caça e defesa, similar à uma extensão do seu corpo, provavelmente do seu 
braço, que normalmente usaria para golpear os inimigos ou outros animais, admitindo aqui 
algumas das ideias de McLuhan (2007)
14
. 
 
Assim surgiu o homem. Somente através do emprego de sua capacidade intelectual 
primitiva é que foi capaz de estabelecer relações fundamentais que o auxiliaria a 
modificar o meio, empregando uma técnica até então inexistente. O homem surgiu 
somente no exato momento em que o pensamento aliou-se à capacidade de 
transformação. A utilização daquele primeiro instrumento não só dava início à 
modificação do meio assim como também iniciava um processo de modificação do 
próprio grupo de hominídeos que o descobriram. O homem ainda não modificara a 
natureza construindo um novo artefato, mas tão importante quanto isso, o homem 
 
14
 Embora o osso não seja um meio de comunicação (ao menos no contexto da cena do filme), tampouco uma 
tecnologia sofisticada, ou menos ainda um instrumento trabalhado, lapidado, ele foi “instrumentalizado”, foi 
tomado ou apropriado como instrumento útil para uma finalidade definida, ressignificado, razão pela qual o 
associamos a uma “extensão” do corpo humano, pois cumpre funções auxiliares que, normalmente o 
indivíduo desempenharia com o uso de seus membros. 
30 
 
acabava de descobrir uma nova função para um osso recém descoberto. Modificando 
o papel do osso e resignificando-o, o homem alterava para sempre as relações 
sociais estabelecidas a partir de então. Segundo estudos, é de se crer que o osso 
tenha sido utilizado em estado bruto desde os primeiros tempos, apesar de seu 
aperfeiçoamento sistemático ter ocorrido em tempo mais tardio. (DUCASSÉ, 1987 
apud VERASZTO et al., 2008, p. 63-64). 
 
Nesse contexto, o que diferencia o homem dos animais é a capacidade humana de 
raciocinar, conceber, com o uso do intelecto humano, novos instrumentos e novas aplicações, 
pois, “de acordo com a Antropologia, não há homem sem instrumentos, por mais 
rudimentares que sejam” (VARGAS, 1994, p. 18-19). O homem passa a criar novas conexões 
mentais, a pensar o mundo sobre outro ponto de vista, sob uma ótica mais ativa; aprende que 
pode desenvolver instrumentos mais sofisticados, que sirvam como extensões de seu corpo, 
de modo que possa agir com mais eficiência e obter mais sucesso. Nesse caminho, progride 
alterando a natureza, produzindo novos instrumentos úteis á sua necessidade, para além de 
simplesmente ressignificar o que a natureza lhe forneceu. 
Assim, resta-nos esclarecer o conceito de tecnologia que utilizaremos como base.Conforme Vargas (1994; 1999), as técnicas surgiram como o homem, mas a tecnologia, como 
é entendida na atualidade, surgiu apenas a partir de 1600, junto com a Ciência Moderna. De 
outro lado, partindo de McLuhan (2007), temos um amplo espectro de tecnologia que 
retrocede à Imprensa (tecnologia mecânica), ao alfabeto, à roda e outros instrumentos. 
Veraszto et al. (2008), entende que a fabricação dos primeiros instrumentos de pedra lascada 
já envolvia um saber-fazer, uma tecnologia, denominando, assim, os primeiros artefatos de 
“instrumentos tecnológicos”, cujo propósito particular era a sobrevivência do homem no seu 
meio hostil. Considerando-se a complexidade do tema, também não deixamos de assumir que 
outros pesquisadores podem apresentar abordagens semelhantes a essas ou mesmo mais 
diversas ainda, mas não nos convém fazer um aprofundamento exaustivo do assunto, pois 
seria desnecessário para o objetivo desse estudo. 
 
Uma definição exata e precisa da palavra tecnologia fica difícil de ser estabelecida 
tendo em vista que ao longo da história o conceito é interpretado de diferentes 
maneiras, por diferentes pessoas, embasadas em teorias muitas vezes divergentes e 
dentro dos mais distintos contextos sociais (GAMA, 1987 apud VERASZTO et al., 
2008, p. 62). 
 
De todo modo, damos prosseguimento, entendendo que, sob um contexto mais 
amplo, pode se compreender as tecnologias como o resultado da ação dos seres humanos para 
dominar a natureza, o que pode se expressar por diferentes e sucessivas inovações, 
31 
 
transformações ou mesmo revoluções, em busca de algo novo, que permita concretizar um 
objetivo, realizar uma tarefa, cumprir uma função, ou mesmo obter um resultado esperado ou 
ainda não atingido de diversos modos alternativos àqueles até então conhecidos e 
empregados. 
Portanto, concordamos com Veraszto et al. (2008, p. 78), quando argumentam que a 
tecnologia é um “conjunto de saberes inerentes ao desenvolvimento e concepção dos 
instrumentos (artefatos, sistemas, processos e ambientes) criados pelo homem através da 
história para satisfazer suas necessidades e requerimentos pessoais e coletivos”, podendo estar 
presente em vários instrumentos antigos, mas, sem desprezar seu papel na revolução científica 
e tecnológica mais recente, que estabeleceu sua primazia sobre a técnica, firmando-se como o 
“logos” da técnica (VARGAS, 1994). 
Em síntese, as tecnologias são compreendidas nesse estudo como um conjunto de 
saberes humanos, historicamente constituídos, uma atividade de transformação do mundo 
para dar conta de problemas práticos e solucionar questões técnicas, incluindo a construção de 
obras ou a fabricação de instrumentos
15
, a partir de conhecimentos científicos, e por processos 
cientificamente controlados. Assim, pode ser um instrumento, um produto, ou mesmo uma 
atividade, um processo, um procedimento técnico melhorado cientificamente. Pode ser uma 
tecnologia mais ou menos avançada, bem como servir como “extensões” do corpo humano ou 
dar conta de problemas de outra ordem, mas, em essência, será uma aplicação da ciência 
sobre a técnica, para atender uma necessidade humana. Esse entendimento desconsidera 
alguns limites temporais estabelecidos, como por exemplo, por Vargas (1994; 1999), uma vez 
que, o objeto de pesquisa requer um conceito mais amplo de tecnologia, considerando que o 
livro passou por uma série de transformações ao longo de sua história, até chegar a mais 
recente delas, a revolução da tecnologia eletrônica, que concebeu o e-book. Caso se 
concordasse que a tecnologia, de uma forma geral, surgiu apenas com a Ciência Moderna, se 
desconsideraria toda a história por trás da concepção deste objeto histórico, inclusive suas 
transformações tecnológicas (notadamente envolvendo seu suporte material, sua produção e 
reprodução, formas de uso e linguagens). 
Assim, ao contrário do que erroneamente as propagandas sugerem, as tecnologias 
não estão presentes apenas no ambiente dos computadores e dos sistemas informatizados, das 
inovações da mais alta tecnologia e da informática. As TIC, que abrangem esse outro polo, 
são compostas de um conjunto de elementos tecnológicos e informacionais, e marcam 
 
15
 Muitas vezes os próprios instrumentos e produtos concebidos dessa forma são denominados como tecnologias. 
32 
 
presença nos mais diversos setores, na sociedade, na cultura, na educação e na economia. É a 
partir dessa perspectiva que nos ocupamos desse tema a seguir. 
 
2.1.1 Contextualizando as TIC e a Educação 
 
Que as TIC permeiam os mais variados ambientes, esta é uma constatação evidente, 
uma vez que a sociedade, a cultura, a economia e a política, entre outros, se desenvolveram 
historicamente no amplo contexto da experiência humana e dos diversos produtos de sua 
atividade (entre eles, as tecnologias), influenciando, reciprocamente, a própria vida dos seres 
humanos. Entretanto, para o melhor entendimento de uma experiência tão ampla, parece-nos 
apropriado primeiramente situar alguns contornos teóricos e suas consequências, que 
permitirão compreender a própria influência dessas tecnologias. 
Um ponto de partida para a compreensão da revolução da tecnologia da informação, 
conforme defendido por Castells (2007) é que, no final do século XX, vivemos um raro 
intervalo histórico caracterizado pela transformação da nossa cultura material pelos 
mecanismos de um novo paradigma tecnológico organizado em torno da tecnologia da 
informação. Assim: 
Como tecnologia, entendo [...] “o uso de conhecimentos científicos para especificar 
as vias de se fazerem as coisas de uma maneira reproduzível”. Entre as tecnologias 
da informação, incluo, como todos, o conjunto convergente de tecnologias em 
microeletrônica, computação (software e hardware), telecomunicações/radiodifusão, 
e optoeletrônica. Além disso, diferentemente de alguns analistas, também incluo nos 
domínios da tecnologia da informação a engenharia genética e seu crescente 
conjunto de desenvolvimentos e aplicações. [...] Ao redor desse núcleo de 
tecnologias da informação, definido em um sentido mais amplo, houve uma 
constelação de grandes avanços tecnológicos, nas duas últimas décadas do século 
XX, no que se refere a materiais avançados, fontes de energia, aplicações na 
medicina, técnicas de produção (já existentes ou potenciais, como a nanotecnologia) 
e tecnologia de transportes, entre outros. Além disso, o processo atual de 
transformação tecnológica expande-se exponencialmente em razão de sua 
capacidade de criar uma interface entre campos tecnológicos, mediante uma 
linguagem digital comum na qual a informação é gerada, armazenada, recuperada, 
processada e transmitida (CASTELLS, 2007, p. 67-68, grifos do autor). 
 
Observa-se inicialmente uma caracterização técnica de tecnologia da informação 
(infraestrutura tecnológica convergente), complementada pela sua extensão aos domínios da 
engenharia genética (que inclui as interações entre a biologia, a eletrônica e a informática), 
seus desenvolvimentos e aplicações. De outro lado, o autor ressalta ainda a característica 
33 
 
dinâmica do contexto informacional contemporâneo, no qual a tecnologia age desde a geração 
da informação, passando pelo seu armazenamento, recuperação e processamento, até chegar à 
sua transmissão. 
Igualmente situando as TIC em um contexto tecnológico maior, observa-se também 
na literatura da área educacional, a sua influência no âmbito da ecologia cognitiva e 
organizacional das sociedades: 
 
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) não são apenas meros 
instrumentos que possibilitam a emissão/recepção deste ou daquele conteúdo de 
conhecimento, mas também contribuem fortemente para condicionar e estruturar a 
ecologia cognitiva e organizacional das sociedades. Cada época histórica e cada tipo 
de sociedade possui uma determinada configuraçãoque lhe é devida e 
proporcionada pelo estado das suas TIC, reordenando de um modo particular as 
relações espaço-temporais, nas suas diversas escalas (local, regional, nacional, 
global) que o homem manteve e mantém com o mundo, e estimulando e provocando 
transformações noutros níveis do sistema sociocultural (educativo, econômico, 
político, social, religioso, cultural etc.). Assim foi desde a utilização das tecnologias 
primitivas. (SILVA, 2008, p. 29). 
 
Lévy (1997 apud SILVA, 2008) ao refletir sobre os espaços de identidade do ser 
humano (a terra, o território e o mercado), defende que a tecnologia digital e as redes de 
comunicação contribuíram para o surgimento de um novo espaço antropológico: o “Espaço do 
Saber”. Mais que conhecimento científico, este espaço compreende um saber-viver, um saber 
que se entende à vida e que qualifica o homo sapiens. Este espaço virtual é também 
denominado como um “não-lugar”, embora, por sua natureza dissimulada, misturada, 
travestida, dispersa, seja habitado e animado por intelectos coletivos em busca de novas 
formas de comunicação. 
Nesse contexto, as tecnologias e, especificamente as TIC, potencializam uma nova 
forma de identificação dos seres humanos com o ambiente informacional que povoam e põem 
em movimento, um espaço antropológico inovador, coletivo e mais livre, cujos limites podem 
ser rompidos tanto pelos indivíduos quanto pelas comunidades que o compõe. Centrando a 
discussão nas TIC, embora não tenhamos nenhuma inclinação a determinismos tecnológicos 
ou a visões utópicas
16
, são patentes os impactos que estas tecnologias exercem sobre a vida 
humana, pois no cerne do Espaço do Saber e da cibercultura, está o progresso tecnológico que 
 
16
 Convém ressaltar esse ponto de vista, uma vez que o autor anteriormente citado (Pierre Lévy) possui um ponto 
de vista bastante otimista quanto às tecnologias, motivo de algumas de suas ideias serem criticadas por outros 
pesquisadores como sendo utópicas. 
34 
 
contribuiu para revolucionar a forma como lidamos com a informação e o conhecimento no 
mundo contemporâneo. 
Uma vez apresentadas estas considerações, passamos a refletir a partir de alguns 
recortes, ou seja, de configurações assumidas e influências exercidas pelas TIC em nosso 
cotidiano, com o intuito de ilustrar um pouco as questões teóricas anteriormente expostas. De 
forma prática, o que significa afirmar que as TIC estão presentes nos mais diversos setores 
humanos? Como se poderia ilustrar um pouco melhor essa influência? 
A fim de tentar responder essas questões de forma mais explicativa, estabelecemos 
três breves recortes para tecer algumas reflexões, quais sejam a economia, o cinema e a 
educação, sendo este último ponto o que mais nos interessa. 
Atualmente já se tornou comum a realização de diversos serviços bancários a partir 
de quaisquer lugares em que os usuários tenham acesso a equipamentos ou dispositivos 
(microcomputador, notebook, smartphone) conectados à internet e um software ou aplicativo 
(internet banking) instalado. Além disso, com o desenvolvimento do comércio eletrônico ou 
e-commerce, vários recursos foram e continuam sendo incorporados cotidianamente pelas 
pessoas. As compras em lojas virtuais oferecem várias possibilidades de pagamento, além de 
rastreamento da entrega e avaliação dos clientes. Serviços de pagamento ou transferências de 
recursos como o PayPal
17
 e o PagSeguro
18
, beneficiam tanto comerciantes quanto 
consumidores e a economia em geral. Ainda sem a devida regulamentação, existem também 
as criptmoedas, das quais, a mais conhecida é o bitcoin, um tipo de moeda virtual, 
independente de qualquer autoridade monetária ou mesmo central, funcionando a partir da 
tecnologia de criptografia de chave pública, conhecida por blockchain. 
Por meio de um aplicativo de negociação de ações (homebroker), disponibilizado por 
bancos, corretoras ou distribuidoras de valores, quaisquer investidores, mesmo com poucos 
recursos financeiros disponíveis, conseguem comprar e vender ações e outros produtos 
financeiros, instantaneamente, a partir de dispositivos móveis, como smartphones e tablets 
conectados à internet. Aliás, com o auxílio de uma consultoria financeira competente e um 
domínio razoável de língua estrangeira, as pessoas também podem investir no exterior, tanto 
em produtos dessa natureza, quanto de outros tipos, existentes no mercado externo. 
 
17
 Sítio do PayPal: https://www.paypal.com/br/home. 
18
 Sítio do PagSeguro: https://pagseguro.uol.com.br. 
35 
 
Sem ater às questões legais, mas também sem desconsiderá-las, pode-se tomar o 
cinema como outro elemento de análise e observar, inicialmente, que antes mesmo de serem 
lançados oficialmente, muitos filmes costumam ser comercializados no mercado paralelo. 
Não tão rapidamente, mas também não tão lentamente quanto os canais abertos, as redes de 
televisão por assinatura (via satélite ou a cabo), também oferecem em seus pacotes de 
assinatura, variados canais de filmes e outros produtos, incluindo a compra de filmes e jogos 
para assistir sob demanda
19
, adquiridos separadamente da programação convencional. O que 
não dizer então dos serviços de streaming como o Netflix ou o Spotfy
20
, que atraem os 
entusiastas de produções cinematográficas e musicais? 
Ora, o próprio cinema, por meio das produtoras de filmes, vem introduzindo cada 
vez mais a tecnologia 3D, que deixou de ser novidade há muito tempo, lançando filmes novos 
e convertendo filmes antigos para essa formatação audiovisual, a qual, por meio dos aparelhos 
de reprodução blu-ray em conjunto com as smart TV (HD, 3D ou 4K), está chegando cada 
vez mais às residências. Em não muito tempo, é provável que estas tecnologias também já 
estejam superadas por outras de igual ou superior potencial. 
Apenas nesses dois pequenos recortes, da área econômica, e da área cinematográfica 
(relacionada à cultura e entretenimento), evidenciam-se várias inovações proporcionadas 
pelas TIC, muito longe de serem as únicas. Além disso, trata-se de exemplos citados sob a 
compreensão da forte dinâmica inerente às tecnologias, que pode fazer com que em pouco 
tempo essas tecnologias cedam espaço a outras inovações. Mas o que vislumbramos na área 
educacional? 
Quando tratamos das TIC no contexto educacional, rapidamente surge a figura do 
computador e as discussões envolvendo a internet, a Sociedade em Rede, programas de 
inclusão digital, questões de formação de professores e estratégias de uso das TIC, além das 
discussões envolvendo a área da Educação Aberta e a Distância (EAD). De fato, a Educação é 
uma área na qual as TIC, há muito, já não são mais novidades. Entretanto, constantemente 
surgem novas lacunas a serem exploradas, uma vez que as tecnologias se transformam 
rapidamente, enquanto que sua incorporação às práticas escolares retrata um atraso comum: 
antes de serem “apropriadas” pelos professores, muitas tecnologias são facilmente 
 
19
 Recursos do tipo pay per view, ou on demand, como algumas destas empresas costumam denominar. O 
usuário paga para assistir, seletivamente, sem adquirir propriedade. 
20
 Os serviços de streaming oferecem aos seus assinantes, acesso a um imenso repertório de filmes e séries de 
TV com altíssima qualidade. Inclui recursos que permitem ao usuário, por exemplo, pausar para continuar 
assistindo um vídeo em outro momento, a partir daquele mesmo ponto, quando e de onde quiser, em 
praticamente qualquer tela com conexão à internet (smartphones, computadores, tablets, smart TV). 
36 
 
apreendidas pelos próprios alunos, caracterizando algumas das tensões existentes neste 
ambiente, sobretudo quanto à formação de professores. 
Nesse sentido, entre os instrumentos mais comuns estão os microcomputadores e 
outras

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