Buscar

SUJEITOS DO PROCESSO

Prévia do material em texto

T E O R I A G E R A L D O 
PROCESSO 
 
PROF. GUILHERME ANTUNES DA CUNHA 
 
SUJEITOS DO PROCESSO E 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
PARTES 
§ Relação processual formada por três sujeitos: juiz, autor e 
réu. 
§ Participam também do processo advogados, membros do 
MP e auxiliares da justiça (escrivão, perito, etc). 
§ Teorias clássicas sobre processo e ação: conceito de 
parte ligado ao de direito material. 
§ Credor = autor; devedor = réu. Relação privada. 
PARTES 
§ Evolução das teorias: processo como relação jurídica e 
ação como direito público abstrato e independente do 
direito material. 
§ Parte passa a ser quem solicita e em face de quem se 
solicita a prestação jurisdicional. 
§ Sujeitos ativo e passivo. Partes são aqueles que figuram 
nos pólos ativo e passivo da relação processual. 
PARTES 
§ CAPACIDADE DAS PARTES (agir e processual). 
§ Capacidade de ser parte e capacidade processual: 
assumir direitos e obrigações na ordem civil e estar em 
juízo. NCPC 70 e 71. 
§  Incapazes serão representados ou assistidos no 
processo, pelos pais, tutores ou curadores, pois não têm 
capacidade processual (só de ser parte). 
§ Ex: mãe que representa filho de 3 anos em ação de 
alimentos. 
PARTES 
§ Capacidade de ser parte e processual é uma coisa 
diversa da legitimidade ad causam. 
§ Legitimidade ad causam está ligada às condições da 
ação, ao direito material posto em causa. 
§ Capacidade processual não guarda ligação com o direito 
material, mas somente se pode ou não estar em juízo. 
§ Mas ambas podem gerar a extinção do processo. 
CURADOR ESPECIAL 
 
§ Não tendo o incapaz representante legal, o juiz nomear-
lhe-á curador especial. CPC 9º; NCPC 72. 
§ Também será nomeado quando os interesses do 
representado colidirem com os do representante. 
§ Igualmente com o réu preso ou o revel citado por edital ou 
hora certa (quando não apresentarem defesa). 
§ Comparecendo o preso ou o revel ao processo, cessam 
as atividades do curador especial. 
CURADOR ESPECIAL 
§ É função institucional da Defensoria Pública, mas o MP 
poderá atuar na falta de defensor. 
§ Curador Especial não precisa apresentar, em sua 
contestação, impugnação específica aos fatos e 
fundamentos jurídicos da inicial (CPC 302, § único). 
§ Caberá ao autor cumprir seu ônus de prova (CPC 333, I.). 
Não há regra equivalente no NCPC. 
§ Não contestando o curador, o juiz nomeará outro. 
CONSENTIMENTO DO CÔNJUGE 
§ Ações que versam sobre direitos reais imobiliários, o 
cônjuge necessita da autorização do outro para propô-las. 
§  Imissão de posse, nunciação de obra nova, usucapião, 
reivindicatória, adjudicação compulsória. 
§ Outorga (marital ou uxória) pode ser concedida por 
instrumento público ou particular. Independe de regime de 
bens do casamento. 
§ Ausência de consentimento = incapacidade processual. 
CONSENTIMENTO DO CÔNJUGE 
§ Cônjuges são litisconsortes passivos necessários em 
ações reais imobiliárias e nos demais casos CPC 10; 
NCPC 73. 
§ Ônus reais sobre imóveis, que digam respeito a ambos e 
dívidas a bem de família (ambos são responsáveis por 
dívidas contraídas para a economia doméstica – CC 
1.644). 
§ Consentimento pode ser suprido judicialmente, havendo 
recusa injusta ou impossibilidade. CPC 11; NCPC 74. 
LEGITIMAÇÃO E REPRESENTAÇÃO 
§ Legitimação Ordinária: quem, em nome próprio, defende 
direito próprio. 
§ Legitimação Extraordinária: quem, em nome próprio, 
defende direito alheio, quando autorizar a lei. CPC 6º; 
NCPC 18. 
§ Ex: MP defendendo direitos difusos, coletivos ou de 
incapazes, de idoso, de criança e adolescente. 
§ Representação processual: representante age em nome 
alheio e defende direito alheio. Não é parte. 
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL 
§ Representação dos incapazes e os demais casos do art. 
12 do CPC; NCPC 75. 
§ Entes Federativos são representados em Juízo pelo 
Chefe do Executivo ou pelos procuradores (Procuradores 
do Estado e do Município e Advogado da União e 
Procuradores da Fazenda Nacional). 
§  Igualmente com Autarquias e Fundações Públicas (ex: 
procurador federal defende o INSS). 
§ Não precisa de mandato (procuração). 
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL 
§ Demais pessoas da administração indireta serão 
representados pelo seu representante legal. 
§ Pessoas jurídicas privadas pelo representante legal. 
§ Espólio pelo inventariante. Se este for dativo (quando 
nenhum herdeiro pode ser por litigiosidade), todos os 
herdeiros e sucessores serão parte. 
§ Condomínio pelo Síndico. 
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL 
§ Sociedade sem personalidade jurídica (s/ inscrição na 
Junta Comercial), pelo administrador dos bens. 
§ Massa Falida pelo Síndico. 
§ Herança jacente ou vacante pelo curador. 
§ Gerente de filial de pessoa jurídica estrangeira é capaz 
de receber citação de quaisquer ações. 
PROCURADORES DAS PARTES 
§ CPC 36/40; NCPC 103/107. 
§ A parte será representada em juízo por advogado 
legalmente habilitado. 
§ Advogado pode postular em causa própria. 
§ Pressuposto processual de existência. Inobservado, 
haverá extinção do processo sem resolução do mérito. 
PROCURADORES DAS PARTES 
§  Instrumento de mandato. Não pode o advogado atuar em 
Juízo sem Procuração. 
§ Casos de urgência ou para evitar prescrição/decadência, 
pode-se propor ação sem mandato, mas deve este ser 
juntado em 15 dias prorrogáveis por mais 15 pelo juiz. 
§ Não sendo ratificados os atos, estes serão inexistentes, 
respondendo o advogado por perdas e danos. 
§ Possibilidade de assinatura eletrônica. STF e STJ. 
PROCURADORES DAS PARTES 
§ Procuração geral para o foro (ad judicia) habilita o 
advogado a praticar todos os atos do processo. 
§ Exceções: receber citação, transigir, confessar, 
reconhecer a procedência e desistir da ação, renunciar ao 
direito, receber e dar quitação. 
§ Devem ser instituídos como poderes especiais. Ex: 
Alvarás s/ poderes para receber e dar quitação. 
PROCURADORES DAS PARTES 
§ Advogado tem o dever de informar e manter atualizado 
seu endereço para intimações. 
 
§ Não comunicando a mudança, as intimações feitas no 
endereço antigo reputam-se válidas. Não há regra 
equivalente no NCPC. 
§ Pelo NCPC, caso o advogado seja integrante de 
sociedade de advogados, deverá constar na procuração o 
nome desta e seu número de registro na OAB. 
PROCURADORES DAS PARTES 
§ Advogado tem o direito de examinar os autos de 
quaisquer processos, salvo os em segredo de justiça e 
não tiver o advogado mandato específico. 
§ Pode requerer vista/carga dos autos por 5 dias. 
§ Retirar os autos em carga quando lhe competir falar nos 
autos, pelo prazo legal ou judicial. Assinará livro-carga. 
§ Em prazo comum os autos permanecem em cartório, 
salvo prévio ajuste e autorização do juiz. 
SUBSTITUIÇÃO DAS PARTES 
E DOS PROCURADORES 
§ Arts. 41 a 45 do CPC; NCPC 108 a 112. 
§ Perpetuatio legitimationis: partes não podem substituir-se 
voluntariamente por outras no curso do processo, salvo 
casos previstos em lei. 
§ Alienação de coisa ou direito litigioso, a título particular e 
inter vivos, não altera a capacidade processual. 
§ Autonomia entre direito processual e direito material. 
SUBSTITUIÇÃO DAS PARTES 
E DOS PROCURADORES 
§ A alienação de direito/coisa litigiosa é possível, mas não 
traz efeitos diretos ao processo. 
§ O alienante se mantém – legitimidade extraordinária. 
Pleiteando em juízo direito alheio em nome próprio. 
§ Eventualmente, poderá acarretar fraude à execução: 
quando for capaz de reduzir o alienante à insolvência, ou 
sobre o bem pender ação de direito real. 
SUBSTITUIÇÃO DAS PARTES 
E DOS PROCURADORES 
§ O adquirente só substituirá o alienante com o 
consentimento da parte contrária. 
§ Mas o adquirente poderá ingressar como assistente. 
§ A sentença produzirá efeitos entre as partes e também 
para o adquirente. 
§ Morte de uma das partes, substitui-se pelo espólio oupelos herdeiros. Suspende-se o processo para 
regularização, sob pena de extinção. 
SUBSTITUIÇÃO DAS PARTES 
E DOS PROCURADORES 
§ Parte pode revogar o mandato de seu advogado e 
constituir outro para assumir a causa. 
§ Comunica expressamente ao juiz ou constitui outro 
advogado com nova procuração (questão do 
substabelecimento), sem ressalva da anterior. 
§ O advogado pode renunciar, provando que cientificou a 
parte para nomear substituto, devendo representar seu 
outorgante nos 10 dias seguintes. 
SUBSTITUIÇÃO DAS PARTES 
E DOS PROCURADORES 
§ Capacidade processual e capacidade postulatória são 
pressupostos processuais. 
§  Incapacidade processual ou defeito na representação, 
suspende-se o processo, anotando prazo para 
regularização. CPC 13; NCPC 76. 
§ Não cumprida a determinação: se o autor, serão nulos os 
atos e extinção do processo; se o réu, este será revel 
(talvez com efeitos da revelia). 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ Arts. 14 a 35 do CPC; NCPC 77 a 81. 
§ Deveres principais das partes: 
§ Expor fatos verdadeiros, proceder com lealdade e boa-fé, 
não formular pretensões destituídas de fundamento, não 
produzir provas desnecessárias e cumprir os provimentos 
judiciais sem embaraços; não praticar inovação ilegal no 
estado de fato do bem litigioso. 
§ Princípio da Probidade e da Lealdade Processual. 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ Não é crível exigir que uma parte faça alegações que 
beneficiem a parte contrária. 
§ Basta apresentar seus fundamentos com base na 
veracidade dos fatos, crendo naquilo que se afirma. 
§ Expectativas mais ou menos firmes de um provimento 
jurisdicional favorável. 
§ Não se pode omitir fatos relevantes, incontroversos, que 
tenha a parte plena ciência. 
 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
 
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. BUSCA E APREENSÃO. ALIENAÇÃO 
FIDUCIÁRIA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. A litigância de má-fé do agravante 
restou caracterizada pela omissão em informar a existência da r. sentença que 
julgou procedente, simultaneamente, a ação revisional e a ação cautelar de 
sustação de protesto, propostas contra o ora recorrente. [...] No seu item I, o 
citado art. 14 impõe o dever de verdade, isto é, o dever de veracidade, 
consistente em "expor os fatos em juízo conforme a verdade"; esse dever é a 
mais importante expressão prática do princípio da lealdade processual [...] 
Nesse "dever de veracidade" compreende-se não só a proibição de falsear a 
verdade, comissivamente, como também, a mera omissão de fatos, pois que 
esta configura também a infringência daquele dever. [...] Devemos lembrar 
que com a sentença de procedência da ação revisional restou superado o 
juízo de probabilidade por um juízo de certeza do Magistrado. Assim, 
cumpria ao agravante, ao deduzir pedido de tutela antecipada contra 
sentença, no mínimo, noticiar tal circunstância. Devemos lembrar, também, 
que há julgado do Superior Tribunal de Justiça inadmitindo sequer o 
ajuizamento da ação proposta, quando em discussão o débito, reforçando, 
assim, a necessidade de o agravante nada omitir. AGRAVO IMPROVIDO. 
(Agravo de Instrumento Nº 70000819656, Julgado em 14/11/2002). 
 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ Art. 14, § único c/c art. 14, V, do CPC; art. 77 e §§ do 
NCPC: Contempt of Court. 
§ Visa coibir atos atentatórios ao exercício da justiça. 
§ Assim como dar efetividade aos provimentos judiciais 
antecipatórios e definitivos. 
§  Intenção é impedir a criação de embaraços para o 
cumprimento das decisões judiciais. 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ Mais uma forma de efetividade do processo: não cumprir 
decisão é desobedecer o Juízo. 
§ Possibilidade de aplicação de multa de 20% do valor da 
causa, à luz da gravidade da conduta. 
§ Paga diretamente no processo e devida à União ou ao 
Estado (justiça federal ou estadual). Dívida Ativa. 
§ Em tese, possível o bis in idem com a multa cominatória. 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§  AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGÓCIOS JURÍDICOS 
BANCÁRIOS. CADERNETAS DE POUPANÇA. EXPURGOS 
I N F L A C I O N Á R I O S . E X I B I Ç Ã O D E D O C U M E N T O S . 
DESCUMPRIMENTO DO PROVIMENTO MANDAMENTAL. PRAZO 
RAZOÁVEL À EXIBIÇÃO. ATO ATENTATÓRIO À DIGNIDADE DA 
JUSTIÇA. APLICAÇÃO DE MULTA. O prazo de 30 dias concedido 
para exibição de documentos é razoável, no caso concreto. A 
aplicação de multa, por ato atentatório à dignidade da justiça 
(art. 600, III, CPC), após o prazo fixado, é medida que se justifica 
por se tratar de descumprimento de reiterada ordem judicial. 
AGRAVO DESPROVIDO POR UNANIMIDADE. (Agravo de 
Instrumento Nº 70035771328, Primeira Câmara Especial Cível, 
Tribunal de Justiça do RS, Relator: João Moreno Pomar, Julgado em 
11/05/2010). 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
 
DECISÃO MONOCRÁTICA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. 
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUSTAÇÃO DO DESCONTO. 
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. MULTA. -Reiteração de matéria, atinente à 
determinação de sustação do desconto, objeto de anterior agravo de 
instrumento. Preclusão consumativa. -O provimento judicial que 
determina a sustação dos descontos tem caráter mandamental. [...] 
Contudo, afigura-se possível aplicar a penalidade prevista no art. 14, 
parágrafo único, do Código de Processo Civil, em face da 
caracterização de ato atentatório à dignidade da jurisdição, a recair 
sobre o responsável pela prática do ato, na esteira de precedentes 
deste Tribunal. -Recurso ao qual, nos termos do art. 557, § 1ª-A, do CPC, 
é dado parcial provimento, na parte em que conhecido. (Agravo de 
Instrumento Nº 70026213280, Terceira Câmara Especial Cível, Tribunal de 
Justiça do RS, Relator: Leila Vani Pandolfo Machado, Julgado em 
04/09/2008) 
 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ Litigância de má-fé: danos causados à parte contrária. 
§ Diferença entre contempt of court e litigância de má-fé. 
CPC 14 e CPC 16 e 17; NCPC 80 e 81. 
§ Ato atentatório à justiça, descumprimento de ordem 
judicial x danos causados à parte contrária. 
§ Responde por perdas e danos quem agir como litigante 
de má-fé. Medida de caráter excepcional. 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ Vedação de expressões injuriosas nos escritos, sob pena 
de serem riscadas e, se orais, cassação da palavra. 
§ CPC 17; NCPC 80: casos de litigância de má-fé. 
§ Multa de 1% do valor da causa e reparação de eventuais 
prejuízos em no máximo 20% do valor da causa. 
§ Das despesas e das multas: CPC 19/35; NCPC 82/97. 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ Da gratuidade da justiça. NCPC 98 a 102. 
§ A pessoa, com insuficiência de recursos para pagar as 
custas, despesas e honorários advocatícios, tem direito à 
gratuidade da justiça, na forma da Lei nº 1.060/50. 
§ A gratuidade não afasta a responsabilidade do 
beneficiário pelas despesas e honorários decorrentes de 
sua sucumbência, mas f icarão suspensas de 
exigibilidade, salvo se o credor demonstrar, em 5 anos, a 
alteração na situação do beneficiário. 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ O pedido de gratuidade da justiça (atual AJG)pode ser 
apresentado a qualquer tempo no processo, 
preferencialmente na primeira manifestação da parte. 
§ O juiz indeferirá o benefício quando houver provas que 
evidenciem a falta dos pressupostos legais para a 
concessão da gratuidade. Poderá requerer mais provas. 
§ Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência 
deduzida exclusivamente por pessoa natural. 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
§ Quando requerida em sede de recurso, a parte ficará 
dispensada de efetuar o recolhimento do preparo. 
§  Indeferido o benefício, caberá recurso de agravo de 
instrumento, salvo se decidido na sentença, quando 
caberá recurso de apelação. 
§ A parte demandada pode impugnar a concessão do 
benefício por petição simples no prazo de quinze dias 
contados da decisão deferitória. 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO CIVIL. Os 
embargos declaratórios, mesmo quando tenhampor 
fim o prequestionamento, devem se embasar em uma 
das hipóteses elencadas no art. 535 do CPC. 
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. Demonstrado o caráter 
manifestamente protelatório do presente recurso, 
impõe-se condenação por litigância de má-fé. 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESPROVIDOS COM 
APLICAÇÃO DE PENA DE LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. 
(Embargos de Declaração Nº 70042712497, Nona Câmara 
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marilene 
Bonzanini Bernardi, Julgado em 25/05/2011) 
 
 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE 
FAZER CUMULADA COM PEDIDO INDENIZATÓRIO. 
RECURSO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. LITIGÂNCIA 
DE MÁ-FÉ. ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS. I – […] II 
- Manutenção da condenação pela litigância de má-fé, pois 
caracterizada a hipótese do artigo 17, II e III, do CPC. Hipótese 
na qual o autor claramente alterou a verdade dos fatos, a 
fim de atingir objetivo ilegal, pois informou endereço no 
qual não reside, a fim de burlar a competência territorial. 
APELAÇÃO CONHECIDA EM PARTE E, NESTA PARTE, 
DESPROVIDA. (Apelação Cível Nº 70047007968, Décima 
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Túlio de 
Oliveira Martins, Julgado em 03/05/2012). Ação contra empresa 
revendedora de veículos. Competência: foro domicílio do autor.
 
 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
 
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ART. 535 DO CPC. Embargos de 
Declaração dizem com a ocorrência de alguma das previsões legais do 
art. 535 do CPC, ou, por construção jurisprudencial, nos casos de erro 
material ou de nulidade do julgado. Inocorrentes, o recurso não é de 
ser acolhido. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. ALTERAÇÃO DA VERDADE 
DOS FATOS. Alegação da embargante de que o edital que 
publicou não refere descumprimento contratual do autor-
embargado. Existência expressa quanto à inadimplência. Fato 
incontroverso. DESACOLHERAM OS EMBARGOS DE 
DECLARAÇÃO, CONDENANDO A EMBARGANTE POR LITIGÂNCIA 
DE MÁ-FÉ. UNÂNIME. (Embargos de Declaração Nº 70048813026, 
Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge 
Alberto Schreiner Pestana, Julgado em 31/05/2012) 
 
 
DEVERES DAS PARTES E 
PROCURADORES 
 
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. 
REQUISITOS LEGAIS NÃO PREENCHIDOS. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ 
CARACTERIZADA. Esta ação de usucapião foi precedida por uma 
de despejo por falta de pagamento, ajuizada pelo réu/apelado, a 
qual foi julgada procedente. Ao tempo do ajuizamento desta, 
aquela já havia transitado em julgado há mais de 03 (três) anos, 
restando incontroverso que a relação entre as partes era de 
locação, descabendo renovar a discussão acerca da suposta 
transmudação da posse. Logo, o autor deduziu pretensão contra 
fato incontroverso, razão pela qual deve ser reputado litigante de má-
fé, nos termos do art. 17, I e II do CPC, restando evidenciado que 
nenhum dos requisitos legais para a aquisição da propriedade por 
usucapião extraordinário foi preenchido. APELO DESPROVIDO. 
(Apelação Cível Nº 70049055098, Décima Nona Câmara Cível, 
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Eugênio Facchini Neto, Julgado em 
14/08/2012) 
 
JUIZ 
§ Poderes e deveres no processo. CPC 125; NCPC 139. 
§  Incumbências: assegurar igualdade de tratamento às 
partes, tentar sempre conciliar as partes e solucionar o 
litígio rapidamente, impedir atos atentatórios à justiça. 
§ Deve decidir nos termos da inicial: princípios da demanda 
e da congruência. 
§ Juiz que instruir deve decidir a causa, salvo exceções. 
CPC 132. Substituto pode repetir provas produzidas. Não 
há regra equivalente no NCPC. 
JUIZ 
§ No NCPC, ainda, há outros deveres, não existentes no 
CPC de 1973: 
§ “Determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, 
mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para 
assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas 
ações que tenham por objeto prestação pecuniária”. 
§  “Dilatar prazos processuais e alterar a ordem da 
produção dos meios de prova, adequando-os às 
necessidades do conflito e conferir maior efetividade à 
tutela do direito”. 
JUIZ 
§ Juiz não se exime de decidir por lacuna ou obscuridade 
da lei, aplicando princípios, costumes, analogia e 
equidade. 
§ Deve determinar as provas que entender necessárias à 
instrução do processo, indeferindo medidas meramente 
protelatórias. Ex: Neoplasia e isenção de IR. 
§ Teoria do ônus dinâmico da prova. 
§ Aprecia livremente a prova, indicando os motivos de seu 
convencimento. “Livre convencimento racional”. 
JUIZ 
§ Responderá por perdas e danos o juiz que proceder com 
dolo no intuito de prejudicar as partes. 
§ Assim como se omitir ou retardar, sem motivo justo, 
providência que deveria determinar de ofício ou a 
requerimento de parte. 
§ Mas esta última só após solicitação expressa da parte ao 
juiz para que cumpra a providência em 10 dias. 
§  Impedimento e suspeição: aplica-se ao MP, escrivão/
diretor, perito e intérprete. 
JUIZ 
§ Nos casos CPC 134 (NCPC 144), é defeso ao Magistrado 
exercer a jurisdição, por impedimento. Rol taxativo. 
§ É pressuposto processual de validade, possibilita 
inclusive propositura de ação rescisória. 
§ Nos casos do CPC 135 (NCPC 145), há presunção 
relativa de parcialidade, devendo a parte alegar 
suspeição no prazo da resposta. 
§ Não alegando, há preclusão e considera-se imparcial. 
JUIZ 
 
§ EXCEÇÃO DE IMPEDIMENTO. MEDIDA PROTETIVA. A 
ATUAÇÃO DO GENITOR DO MAGISTRADO EM 
AUDIÊNCIA COMO DEFENSOR DATIVO, CONFIGURA A 
HIPÓTESE DO ART. 134, IV, DO CPC. JULGARAM 
PROCEDENTE. UNÂNIME. (SEGREDO DE JUSTIÇA) 
(Exceção de Suspeição Nº 70020567558, Sétima Câmara 
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Felipe Brasil 
Santos, Julgado em 29/08/2007) 
JUIZ 
EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. EXECUÇÃO. CARTA 
PRECATÓRIA DE AVALIAÇÃO E PRAÇA. BEM IMÓVEL. 
ARREMATAÇÃO. Em que pese a longa tramitação do processo 
e os inúmeros incidentes manejados pelo executado para 
retardar a solução da lide, tendo em vista que o magistrado 
apontado reconheceu ter estado no escritório do irmão do 
executado, acompanhando o exeqüente em tratativas de 
acordo, e mesmo que não tenha participado das conversas, 
a presença, por si só, culminou por colocá-lo sob suspeita, 
sendo procedente, portanto, o pedido, declarando-se a 
nulidade das decisões referidas. EXCEÇÃO PROCEDENTE. 
(Exceção de Suspeição Nº 70016742496, Décima Sexta 
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Paulo 
Augusto Monte Lopes, Julgado em 08/11/2006). 
 
MINISTÉRIO PÚBLICO 
§ Atua como parte ou como fiscal da lei. NCPC 176/181. 
§ Propõe ACP, ADIN, ADC, ações para defender incapazes, 
direitos difusos e coletivos. 
§  Intervém em causas com interesse de incapazes, de 
direito de família e sucessões, estado de pessoas 
(interdição, tutela, curatela). 
§ Mesmos direitos e deveres das partes e fala nos autos, 
como fiscal da lei, depois das partes. Prazo em dobro. 
DEFENSORIA PÚBLICA 
§ Exerce a orientação jurídica, a promoção dos direitos 
humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos 
aos necessitados, em todos os graus, de forma gratuita. 
§ NCPC: arts. 185 a 187. 
§ Tem prazo em dobro para todas as suas manifestações. 
§ A DP pode requer ao juiz que a parte seja intimada 
pessoalmente dos atos que somente por ela possam ser 
prestados ou realizados. 
ADVOCACIA PÚBLICA 
§  Incumbe defender e promover interesses públicos da 
União, dos Estados, Do Distrito Federal e dos Municípios, 
por meio da representação judicial. 
§ NCPC 182 a 184. 
§ Assim como das pessoas jurídicas de direito público que 
integram a administração pública direta ou indireta. 
§ Prazo em dobro para manifestação. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Arts. 139 a 153 do CPC. Arts. 149 a 175 do NCPC. 
§ Participam do processo para a prestação jurisdicional. 
§ Permanentes ou eventuais. 
§ Permanentes: escrivão (ou diretor de secretaria), oficiais 
escreventes, oficial de justiça, distribuidor, contador. 
§ Eventuais: apenas em alguns processos.Intérpretes, 
peritos, administradores e depositários. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Escrivão ou Diretor de Secretaria: presente em cada 
Juízo (cartório ou secretaria de vara, câmara ou turma). 
§ Atribuições nos termos da organização judiciária, além 
das incumbências do CPC 141; NCPC 152. 
§ Pode valer-se do apoio de escrevente juramentado. Seus 
atos têm fé pública. 
§ Organiza a supervisão geral do andamento dos 
processos em tramitação ou lá arquivados. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ No NCPC, há regras mais específicas sobre o escrivão 
ou o chefe de secretaria, no que tange ao controle e à 
transparência na tramitação dos processos. Art. 153. 
§ Devem zelar pela observância da ordem cronológica de 
recebimento de processos para publicação e efetivação 
dos pronunciamentos judiciais. 
§ A lista será disponibilizada para consulta pública. 
Excluem-se da regra os atos urgentes e as preferências 
legais (que terão sua “lista separada”). 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Oficiais de Justiça: encarregados de cientificar os 
interessados e dar cumprimento às ordens judiciais. 
§ Mandados de citação, intimação, penhora, depósito, 
avaliação, reintegração de posse, despejo, imissão de 
posse, etc. 
§ Operacionaliza as determinações judiciais que não 
realizadas por carta, edital ou nota de expediente. 
§ CPC 143. NCPC 154 (novidade: inciso VI). 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Distribuidor: distribui as ações judiciais, registrando sob 
determinado número. 
§ Havendo mais de uma vara, a distribuição será por 
sorteio, alternado e igualitário. 
§ Distribuição por dependência: conexão, continência, 
ações idênticas, ou quando for proposta nova ação 
extinta a anterior sem resolução do mérito. 
§ Contador: custas e cálculos solicitados pelo juiz. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Perito: auxiliar técnico do juiz. Quando a prova depender 
de conhecimento técnico ou científico. 
§ Ex: médicos, biólogos, engenheiros, etc. Mas o juiz não 
está vinculado ao laudo pericial. 
§ Escolhido pelo juiz entre profissionais de nível 
universitário e inscritos no órgão de classe competente. 
§ Perito pode escusar-se do encargo, por motivo legítimo. 
Responde pelos danos que causar com culpa ou dolo. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Depositário e Administrador. 
§ Responsável pela guarda e conservação de bens à 
disposição do juízo. 
§ Às vezes, administra o bem, evitando perecimento. 
§ Casos de penhora, arresto ou sequestro. 
§ Administrador: falências, usufruto de bem em execução. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§  Intérprete: analisa documento de entendimento duvidoso 
redigido em língua estrangeira. 
§ Ainda, traduz declarações de partes e testemunhas de 
língua estrangeira e a mímica dos surdos-mudos. 
§ Não pode ser intérprete quem testemunha ou é perito no 
processo; se estiver inabilitado ou que não estiver na livre 
administração de seus bens. 
§ Pode escusar-se do encargo, alegando justo motivo. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Conciliadores e Mediadores. Inovação do NCPC. O novo 
diploma preocupa-se em todos os seus setores com a 
resolução consensual dos conflitos. Arts. 165 a 175. 
§ Para tanto, determina que os Tribunais criarão centros 
judiciários de solução consensual de conflitos, que 
realizarão audiências de conciliação e mediação. 
§  Inclusive, na petição inicial o autor deve apontar se tem 
interesse ou não nessa espécie de audiência, a ocorrer já 
no início do processo. NCPC 319, inciso VII. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ O NCPC dá a entender que, mesmo que a parte autora 
não requeira, pode o juiz determinar de ofício a realização 
de audiência de conciliação ou mediação. Art. 334. 
§ Entretanto, tal audiência não será realizada se ambas as 
partes manifestarem expresso desinteresse. 
§ Pode haver, inclusive, mais de uma sessão de audiência, 
quando necessário à composição das partes. 
§ O autor deve manifestar seu desinteresse expressamente 
na inicial; o réu, por petição, em até 10 dias do ato. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ A composição e a organização dos centros de solução 
consensual dos conflitos serão definidas pelo respectivo 
tribunal, observando as normas do CNJ. 
§ O conciliador atuará preferencialmente nos casos que 
não tiver vínculo prévio com as partes e poderá sugerir 
soluções para o litígio. 
§ O mediador atuará preferencialmente nos casos que tiver 
havido vínculo anterior com as partes, auxiliando-as a 
compreender os interesses em conflito, fomentando 
soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Na conciliação e na mediação são informadas pelos 
princípios da independência, imparcialidade, autonomia 
da vontade, oralidade, informalidade e decisão informada. 
§ Além destes, do princípio da confidencialidade, que 
estende-se a todas as informações produzidas no curso 
do procedimento. 
§ O conciliador e o mediador deverá ter capacitação 
certificada por entidade credenciada pelo CNJ e pelo 
Ministério da Justiça. 
SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
§ Tribunais poderão optar pela criação de quadro próprio de 
conciliadores e mediadores, por concurso público, em vez 
de utilizar o cadastro nacional (também precedido de 
concurso). 
§ Em comum acordo, as partes podem escolher o 
conciliador ou mediador. Não havendo, haverá 
distribuição entre os cadastrados. 
§ Os mediadores e conciliadores serão remunerados de 
acordo com tabela do Tribunal, pelos parâmetros do CNJ.

Outros materiais

Materiais relacionados

Perguntas relacionadas

Materiais recentes

Perguntas Recentes