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Eixo A - 1 POLÍTICAS PÚBLICAS - CNU

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POLÍTICAS PÚBLICAS 
 1.1 Introdução às políticas públicas: conceitos e tipologias. 
 “Pode-se, então, resumir o que seja política pública como o campo do conhecimento que busca, 
 ao mesmo tempo, "colocar o governo em ação" e/ou analisar essa ação (variável independente) e, 
 quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações (variável dependente).” 
 As políticas públicas servem de ferramenta para implementar mudanças progressivas na sociedade. Elas 
 podem ser usadas para tratar questões que afetam todos os cidadãos, como a saúde, a educação, o meio 
 ambiente e serviços públicos. 
 Por meio dessas políticas, o governo pode estabelecer diretrizes nacionais e providenciar recursos 
 necessários para alcançar tanto objetivos específicos quanto amplamente definidos. 
 Theodor Lowi (1964; 1972) 
 1º - políticas distributivas, decisões tomadas pelo governo que desconsideram a 
 questão dos recursos limitados, gerando impactos mais individuais do que universais, 
 ao privilegiar certos grupos sociais ou regiões em detrimento do todo. ex.: populações 
 atingidas por enchentes ou sistemas de cotas; 
 2º - políticas regulatórias, que são mais visíveis ao público, envolvendo burocracia, 
 políticos e grupos de interesse. ex.: decisões políticas que se tornam lei e a proibição de 
 fumo em locais fechados, regras para publicar certos produtos, códigos de obras e de 
 trânsito; 
 3º - políticas redistributivas, que atinge maior número de pessoas e impõe perdas 
 concretas e no curto prazo para certos grupos sociais e ganhos incertos e futuro para 
 outros; são, em geral, as políticas sociais universais, o sistema tributário e o sistema 
 previdenciário e são as de mais difícil encaminhamento. ex.: bolsa família ou 
 financiamento estudantil; 
 4º - políticas constitutivas, que lidam com procedimentos. ex.: compartilhamento da 
 responsabilidade da educação, entre governo federal, municípios e estados; 
 O ciclo da política pública 
 agenda, formulação, implementação e avaliação 
 O PROBLEMA - A primeira focaliza os problemas, isto é, problemas entram na 
 agenda quando assumimos que devemos fazer algo sobre eles. 
 COMO MOBILIZAR O POVO PARA RESOLVER O PROBLEMA - A segunda resposta 
 focaliza a política propriamente dita, ou seja, como se constrói a consciência coletiva 
 sobre a necessidade de se enfrentar um dado problema. Essa construção se daria 
 via processo eleitoral, via mudanças nos partidos que governam ou via mudanças 
 nas ideologias (ou na forma de ver o mundo), aliados à força ou fraqueza dos grupos 
 de interesse. Segundo essa visão, a construção de uma consciência coletiva sobre 
 determinado problema é fator poderoso e determinante na definição da agenda. 
 Quando o ponto de partida da política pública é dado pela política, o consenso é 
 construído mais por barganha do que por persuasão, enquanto que quando o ponto 
 de partida da política pública encontra-se no problema a ser enfrentado, dá-se o 
 processo contrário, ou seja, a persuasão é a forma para a construção do consenso. 
 COMO SERÁ DEFENDIDO E DIVULGADO - A terceira resposta focaliza os 
 participantes, que são classificados como visíveis, ou seja, políticos, mídia, partidos, 
 grupos de pressão etc., e invisíveis, ou seja, acadêmicos e burocracia. Segundo essa 
 perspectiva, os participantes visíveis definem a agenda e os invisíveis as alternativas 
 POLÍTICAS PÚBLICAS 
 🗑O modelo "garbage 
 can" 
 Coalizão de defesa 
 (acres. fatores externos e 
 valores) 
 Arenas sociais (indivíduos 
 e grupos) 
 equilíbrio interrompido novo gerencialismo 
 público (eficiência) 
 Cohen, March e Olsen 
 (1972) 
 Sabatier e Jenkins-Smith 
 (1993) 
 Baumgartner e Jones 
 (1993) 
 Vários problemas e 
 poucas resoluções. 
 (soluções procuram por 
 problemas) 
 Segundo essa visão, as 
 organizações são formas 
 anárquicas que compõem 
 um conjunto de idéias com 
 pouca consistência. As 
 organizações constroem 
 as preferências para a 
 solução dos problemas - 
 ação - e não as 
 preferências constrói a 
 ação. A compreensão do 
 problema e das soluções é 
 limitada e as organizações 
 operam em um sistema de 
 tentativa e erro. 
 a política pública deveria 
 ser concebida como um 
 conjunto de subsistemas 
 que são relativamente 
 estáveis, que se articulam 
 com os acontecimentos 
 externos, os quais dão os 
 parâmetros para os 
 constrangimentos e os 
 recursos de cada política 
 pública; defendem que 
 crenças, valores e idéias 
 são importantes 
 dimensões do processo de 
 formulação de políticas 
 públicas, em geral 
 ignorados pelos modelos 
 anteriores. 
 a política pública como 
 sendo iniciada pelos 
 chamados 
 empreendedores políticos 
 ou de políticas públicas. 
 Isto porque, para que um 
 determinada circunstância 
 ou evento se transforme 
 em um problema, é preciso 
 que as pessoas se 
 convençam de que algo 
 precisa ser feito. É quando 
 os policy makers do 
 governo passam a prestar 
 atenção em algumas 
 questões e a ignorar 
 outras. Existiriam três 
 principais mecanismos 
 para chamar a atenção 
 a) divulgação de 
 indicadores que 
 desnudam a dimensão do 
 problema; 
 b) eventos tais como 
 desastres ou repetição 
 continuada do mesmo 
 problema; e 
 c) feedback, ou 
 informações que mostram 
 as falhas da política atual 
 ou seus resultados 
 medíocres. 
 Da biologia veio a noção 
 de "equilíbrio interrompido", 
 isto é, a política pública se 
 caracteriza por longos 
 períodos de estabilidade, 
 interrompidos por períodos 
 de instabilidade, que 
 geram mudanças nas 
 políticas anteriores. Da 
 computação e dos 
 trabalhos de Simon, vem a 
 noção de que os seres 
 humanos têm capacidade 
 limitada de processar 
 informação, daí porque as 
 questões se processam 
 paralelamente e não de 
 forma serial (uma de cada 
 vez). Os subsistemas de 
 uma política pública 
 permitem ao sistema 
 político-decisório 
 processar as questões de 
 forma paralela, ou sejam, 
 fazendo mudanças a partir 
 da experiência de 
 implementação e de 
 avaliação, e somente em 
 períodos de instabilidade 
 ocorre uma mudança 
 serial mais profunda. 
 os interesses de poucos 
 têm mais chances de se 
 organizarem do que os 
 interesses difusos de 
 muitos. Existe, segundo 
 Olson, um interesse 
 público que não é a soma 
 dos interesses dos grupos. 
 Assim, a boa política 
 pública não poderia 
 resultar da disputa entre 
 grupos, mas de uma 
 análise racional. 
 A delegação para órgãos 
 "independentes" nacionais, 
 mas também 
 internacionais, passou a 
 ser outro elemento 
 importante no desenho 
 das políticas públicas. Mas 
 por que os políticos 
 (governantes e 
 parlamentares) abririam 
 mão do seu poder? A 
 resposta está na 
 credibilidade desses 
 órgãos "independentes" 
 devido à experiência 
 técnica e para que as 
 regras não fiquem sujeitas 
 ao ciclo eleitoral, tendo 
 continuidade e coerência. 
 CORONELISMO (até 1930) -os políticos iriam recorrer aos “coronéis” para conseguir votos , porque estes 
 estavam mais próximos das pessoas, muitas vezes eram os patrões dos trabalhadores, donos dos meios de 
 produção que estes utilizavam e, em linhas gerais, dispunham de popularidade local. Já os “coronéis”, teriam o 
 apoio do Estado para conseguir cargos públicos importantes – de delegado a professoras primárias – e 
 assim perpetuar e expandir seu poder. 
 No clientelismo, a relação de troca pode ser entre político e político ou político e cidadão. No caso do apoio 
 entre políticos há oferta de cargos públicos para amigos e parentes entre as partes envolvidas. Quando se 
 trata da relação político-cidadão, as propostas são diversas: de vaga em hospitais, a cestas básicas. 
 * 1995 teve início no Brasil a Reforma da Gestão Pública ou reforma gerencial do Estado com a publicação, 
 nesse ano, do Plano Diretor da Reforma do Estado e o envio para o Congresso Nacional da emenda da 
 administração pública que se transformaria, em 1998, na Emenda 19. 
 1.2 Ciclos de políticas públicas:agenda e formulação; processos de decisão; implementação, 
 seus planos, projetos e programas; monitoramento e avaliação. 
 O processo de políticas públicas (policy making process – PMP) é um processo em que diferentes atores, 
 formais e informais, com diferentes poderes, interagem em distintas arenas, para a discussão, aprovação e 
 implementação das políticas públicas. Este processo, de barganha política entre atores, ocorre dentro dos 
 limites impostos pelo ambiente institucional, e o comportamento destes atores depende, portanto, das suas 
 preferências e dos incentivos que lhes são oferecidos, constrangidos por estes limites. A produção de políticas 
 públicas ancora-se fortemente, portanto, na capacidade de cooperação entre os distintos atores, 
 variáveis-chave desse processo. 
 POLÍTICAS PÚBLICAS 
 1. Formação da Agenda (transformar basicamente “reclamações” informais em problemas públicos) 
 2. Elaboração (identificação e delimitação do problema e estabelecimento de possíveis alternativas) 
 3. Formulação (seleção da alternativa mais conveniente) (TOMADA DE DECISÃO) 
 4. Implementação (planejamento e ver se há recursos) 
 5. Execução (ação) 
 6. Acompanhamento 
 7. Avaliação 
 POLÍTICAS PÚBLICAS 
 Quando pode ser um “problema público”? 
 1.3 Institucionalização das políticas em Direitos Humanos como políticas de Estado. 
 1993 - Convenção de Viena - A origem dos programas nacionais de direitos humanos está na Declaração e 
 Programa de Ação de Conferência Mundial de Viena de 1993, organizada pela Organização das Nações 
 Unidas , que instou os Estados a concatenar os esforços rumo à implementação de todas as espécies de 
 direitos humanos. Na Conferência de Viena, o Brasil presidiu o Comitê de Redação (pelas mãos do 
 Embaixador Gilberto Sabóia) 
 1996 - Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) 1- Decreto nº 1.904/1996, quando o Brasil era 
 governado por Fernando Henrique Cardoso. O plano possuía como um de seus objetivos realizar o 
 levantamento sobre os direitos humanos no Brasil – ou seja, verificar se esses direitos estavam sendo 
 respeitados adequadamente, avaliar situações de descumprimento, e desenvolver medidas para aprimorar a 
 legislação brasileira sobre o tema e circunstâncias correlatas. Os direitos em foco sob a perspectiva do PNDH 
 1 eram referentes aos direitos civis – como o direito de ir, vir e permanecer, direito de propriedade e direito à 
 liberdade de expressão- e a questão da violência policial. 
 * O Brasil é o terceiro país, sendo o primeiro na América Latina a fazê-lo. 
 POLÍTICAS PÚBLICAS 
 1997 - Secretaria Nacional de Direitos Humanos - em substituição à Secretaria dos Direitos da Cidadania (SDC) a 
 quem cabia formular, normatizar e coordenar - em todo o Brasil - a política de defesa dos direitos da criança e do 
 adolescente e defender os direitos das pessoas portadoras de deficiência. A SNDH foi criada e ampliou as competências 
 da SDC passando a se responsabilizar também por: coordenar, gerenciar e acompanhar a execução do Programa 
 Nacional de Direitos Humanos, promover a cooperação com os Organismos Internacionais, e coordenar a escolha e 
 entrega do Prêmio Nacional de Direitos Humanos. 
 1998 - Constituição Federal - 
 1999- Secretaria de Estado dos Direitos Humanos - (SEDH) - Em 1º de janeiro de 1999, a antiga Secretaria Nacional de 
 Direitos Humanos (SNDH) foi transformada em Secretaria de Estado dos Direitos Humanos - (SEDH), atribuindo a seu 
 titular o status de ministro de Estado, com prerrogativa de assento nas reuniões ministeriais. 
 2002 - Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) 2 - Secretaria de Estado dos Direitos da Mulher - SEDIM - Os 
 direitos sociais, que também são direitos humanos, tiveram uma análise mais aprofundada no país com o PNDH 2, 
 justamente por conta da necessidade de se reduzir os índices brasileiros de desigualdade. Nas palavras de CARVALHO 
 RAMOS (2018, pág. 542): 
 “Já o PNDH-2, 13 anos depois da primeira eleição direta do primeiro presidente após a ditadura militar (1989), preferiu focar temas 
 sociais de grupos vulneráveis, como os direitos dos afrodescendentes, dos povos indígenas, de orientação sexual, consagrando o 
 multiculturalismo. Outra característica importante do PNDH-2 é que sua aprovação se deu no último ano do segundo mandato do 
 Presidente Henrique Cardoso (1994-2002). Sua implementação, então, incumbia ao seu opositor, Presidente Luiz Inácio lula da Silva 
 (2003-2010).” 
 Outro detalhe importante é que para elaboração do PNDH-2 foi realizada uma consulta pública pela internet, entre 19 de 
 dezembro de 2001 e 15 de março de 2002. Isso demonstrou a vontade do governo de, além de elaborar um novo Plano 
 para tutela dos direitos humanos, que esse Plano tivesse a participação popular no processo criativo do texto. 
 2003 - Secretaria Especial dos Direitos Humanos - SEDH, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres – SEPM e a 
 Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – - SEPPIR. 
 2009 - Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) 3 
 POLÍTICAS PÚBLICAS 
 1.4 Federalismo e descentralização de políticas públicas no Brasil: organização e 
 funcionamento dos sistemas de programas nacionais. 
 O federalismo foi introduzido no Brasil com a proclamação da República (1889). A maneira mais simples de 
 definir Estado Federal é caracterizá-lo como uma forma de organização e de distribuição do poder estatal em 
 que a existência de um governo central não impede que sejam divididas responsabilidades e competências 
 entre ele e os Estados-membros. 
 O FEDERALiSMO É UMA FORMA DE ESTADO E REFERE-SE À ORGANiZAÇÃO DO ESTADO 
 iNDEPENDENTEMENTE DA FORMA OU SiSTEMA DE GOVERNO ViGENTES EM SEU 
 TERRiTÓRiO. 
 ● FORMA DE ESTADO: UNiTÁRiO OU FEDERADO; 
 ● FORMA DE GOVERNO: MONARQUiA OU REPÚBLiCA; 
 ● SiSTEMA DE GOVERNO: PARLAMENTARiSTA OU PRESiDENCiALiSTA. 
 2 DESAFIOS DO ESTADO DE DIREITO: DEMOCRACIA E CIDADANIA 
 2.1 Estado de direito e a Constituição Federal de 1988: consolidação da democracia, 
 representação política e participação cidadã. 
 Estado de direito: 
 a) Supremacia da Constituição 
 b) Separação dos poderes 
 c) Superioridade da lei 
 d) Garantia dos Direitos Fundamentais

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