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Noções de direitos humanos e cidadania

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Noções de 
Direitos Humanos e 
Cidadania 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE 1 
DIREITOS HUMANOS 
 
 
1 Introdução 
 
 
 
A trajetória da humanidade é repleta de marcos que transformaram a 
história dos direitos humanos, desde o início dos tempos até os dias atuais. 
No passado, conforme a população ia crescendo, os conflitos surgiam, 
mostrando a necessidade de criação de normas de conduta para regular a 
vida em sociedade. Da mesma forma, ocorria a necessidade de limitar o 
poder dos governantes, que acreditavam ter a posse sobre a vida das 
pessoas. Foram momentos em que a violência, o desrespeito à vida e o abuso 
do poder se tornaram tão cruéis que inspiraram a criação de “leis” para 
regular os direitos essenciais à pessoa humana. 
 
E apesar de todo o processo evolutivo pelo qual já passamos, por que 
ainda hoje estamos falando de direitos humanos? Será que nosso grau de 
conscientização ainda não nos permite simplesmente ter esses direitos 
como já consolidados em nossas vidas? 
 
O fato é que teremos sempre que manter o tema vivo, pois, como 
humanos, ainda podemos cometer erros dessa ordem. O que não podemos 
é achar isso natural, isso deve ser combatido, inicialmente dentro de nós e, 
por fim, em nossa sociedade. Este curso tem o propósito de promover uma 
discussão sobre os direitos humanos, sob o ponto de vista individual e 
coletivo, para conhecermos e aplicarmos em nosso dia a dia. 
 
Para os trabalhadores em transporte, que atuam nas estradas, essa é 
uma excelente oportunidade de reflexão, pois ao longo das rotas podem 
testemunhar situações constantes, tanto no trânsito das estradas, bem 
como no trânsito nas cidades, onde a vida muitas vezes perde para a falta de 
respeito ao outro, ocasionada pela pressa e pela imprudência ao volante, 
violando-se, assim, direitos e deveres de todos os cidadãos. 
 
 
2 Conceito de Direitos Humanos 
 
 
Direitos Humanos são os direitos e liberdades básicos de todas as 
pessoas. Tem por objetivo garantir que o ser humano viva de maneira digna. 
São atribuídos de forma universal, sem qualquer distinção e em todas as 
nações. Protegem pessoas, grupos e sociedades. 
 
São considerados interdependentes e indivisíveis, a violação de algum 
deles significa a violação de todos, pois só o seu conjunto é que garante 
adequadamente o respeito à dignidade da pessoa humana. 
 
Os direitos humanos servem como alicerce para todas as ações políticas 
e discussões sobre direitos sociais, principalmente quando praticamos o 
tratamento desigual diante das minorias, como mulheres. Negros, indígenas, 
pessoas com deficiência etc. 
 
 
 
Veja alguns exemplos de direitos: à vida, à liberdade, à segurança 
pessoal, de não ser torturado ou escravizado; às l iberdades de 
pensamento, expressão e religião; à educação; ao trabalho; ao repouso; 
entre outros. 
 
É dever do Estado respeitar e garantir o 
exercício dos Direitos Humanos, de 
acordo com as premissas de sua 
Constituição e declarações. A 
Constituição brasileira, já no seu 
primeiro artigo, afirma que o princípio da 
dignidade da pessoa humana é um valor 
supremo que atrai o conteúdo de todos 
os direitos fundamentais do homem, 
desde o direito à vida. No artigo segundo, 
traz que o Brasil tem como princípio, nas 
relações internacionais, a prevalência dos 
direitos humanos. Já o artigo quinto irá 
elencar 78 itens que tratam dos direitos e 
deveres individuais e coletivos. 
 
 
3 A História dos Direitos Humanos 
 
 
 
Inicialmente, alertamos que direitos humanos podem ter outras 
terminologias, a depender da época e do local. Nas primeiras declarações 
escritas no século XVIII, uti l izavam o nome de direitos naturais, porém 
caiu em desuso por não traduzir sua essência, pois eles não surgem 
espontaneamente, mas, sim, de um processo de construção. 
Houve a intenção de chamá-los de direitos públicos subjetivos, porém, 
por ficarem limitados à esfera pública, não abrangendo as relações 
particulares, que também demandam tais direitos, o termo não alcançou o 
objetivo maior de consagrar todos os direitos considerados essenciais à 
pessoa. 
A doutrina francesa experimentou o uso da expressão liberdades 
públicas e, nesse caso, apesar de chamar pública, abrangia as relações 
particulares, no entanto deixava de fora os direitos sociais e econômicos e, 
da mesma forma, acabou sendo abolida. Outra tentativa foi também com o 
termo liberdades fundamentais. 
Atualmente, os mais aceitos são os termos direitos humanos e direitos 
fundamentais. O primeiro termo, utilizado mais universalmente quando nos 
referimos a todas as nações, independentemente de fronteiras físicas ou 
políticas, e também não fica l imitado a um espaço de tempo, é atemporal. 
O segundo termo normalmente é utilizado quando falamos dos direitos 
essenciais da pessoa de uma determinada nação e fica registrado dentro do 
ordenamento jurídico do país, no caso brasileiro, em nossa constituição. 
A história dos direitos humanos remete à Grécia Antiga, no momento 
em que os filósofos tiraram o centro da análise da mitologia e transferiram para 
a pessoa, iniciando os primeiros ensaios sobre a reflexão sobre a vida 
humana. Na sequência, ainda na Grécia, surgem as primeiras ideias sobre o 
direito natural. Os romanos, ao permitirem a participação do povo nas decisões 
da cidade, fazem um primeiro ensaio para limitação do poder político. O 
cristianismo, por sua vez, trouxe ensinamentos importantes que valorizam o 
ser humano, apesar de o mundo, naquela época, já conviver com inúmeras 
formas de violação dos direitos que conhecemos hoje. 
 
 
 
Na idade medieval destacamos o papel de São Tomás de Aquino, com 
seus relatos sobre a dignidade e igualdade do ser humano, porém a prática 
jurídica da época ainda era a prevalência da coletividade sobre o indivíduo. 
Já no Estado Moderno, com o surgimento da burguesia, inicia-se o 
movimento inverso, em que o indivíduo começa a ter preferência sobre o 
grupo. Nessa mesma época, a Reforma Protestante contesta a dominação 
da Igreja Católica, porém sem grandes avanços no campo dos direitos 
universais. 
 Os grandes avanços vão ocorrer entre 1780 a 1789, com a independência 
dos Estados Unidos e a Revolução Francesa. Os americanos, em sua 
Declaração de Independência, ressaltam que todos os homens são iguais 
perante Deus e que este lhes deu direitos inalienáveis acima de qualquer 
direito político, como a vida, a liberdade e a busca pela felicidade. Na França 
surgiu a mais importante declaração de direitos fundamentais, a Declaração 
dos Direitos do Homem e do Cidadão. Seus princípios iluministas tinham 
como base a liberdade e igualdade perante a lei, a defesa inalienável à 
propriedade privada e o direito de resistência à opressão. 
 Por fim, em 1948, logo após o término da II Guerra Mundial quando 
ocorreram as maiores violações do direto à vida, que é um direito primordial, 
em que milhões de judeus foram simplesmente exterminados, a Organização 
das Nações Unidas (ONU) instituiu a Declaração Universal dos Direitos 
Humanos (DUDH), que veremos com mais detalhes a seguir. 
 Dois personagens simbolizam bem a luta pelos direitos humanos Martin 
Luther King nos Estados Unidos, nas décadas de 1950 e 1960, lutando pelos 
direitos civis dos negros e Nelson Mandela, também no século passado, com 
sua luta contra o Apartheid na África do Sul. 
 
 
 
4 Declaração Universal dos Direitos Humanos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) instituída em 
1948 é o documento mais importante da história sobre direitos humanos, 
pois contou com a participação de nações de todas as regiões do mundo. 
Sua sedimentação final, com a proteção universal dos direitos humanos, 
ocorreu com a adesão maciça de mais 170 países, na Convenção de Viena, 
em 1993. 
Segundo a própria ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanosé 
o documento mais traduzido no mundo, já foi traduzido em mais de 360 
idiomas. 
A declaração possui 30 artigos, dos quais destacamos alguns a seguir. 
Observe que vários artigos foram a fonte inspiradora de nossa constituição. 
 
 
 
 
 
 
Artigo 1° 
 
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. 
Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em 
espírito de fraternidade. 
 
Artigo 2° 
 
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados 
na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de 
cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional 
ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, 
não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou 
internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país 
ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação 
de soberania. 
 
Artigo 3° 
 
Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e segurança pessoal. Artigo 4° 
Ninguém será mantido em escravatura ou servidão; a escravatura e o trato dos 
escravos, sob todas as formas, são proibidos. 
 
Artigo 5° 
 
Ninguém será submetido à tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, 
desumanos ou degradantes. 
 
Artigo 7° 
 
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção 
da lei. Todos têm direito à proteção igual contra qualquer discriminação que 
viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. 
 
Artigo 9° 
 
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. 
 
Artigo 18° 
 
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; 
esse direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como 
a liberdade de manifestar a religião ou convicção sozinho ou em comum, tanto 
em público como em privado, pelo ensino, pela pratica, pelo culto e pelos ritos. 
 
Artigo19° 
 
Todo indivíduo tem direito a liberdade de opinião e de expressão, o que implica 
o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e 
difundir sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio 
de expressão. 
 
Artigo 23° 
 
1 – Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a 
condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o 
desemprego. 
 
 
 
 
2 – Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho 
igual. 
 
3 – Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, 
que lhe permita e à sua família uma existência conforme a dignidade 
humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de proteção 
social. 
 
4 – Toda pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e 
de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses. 
 
Artigo 25° 
 
1 – Toda pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à 
sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao 
vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços 
sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, 
na invalidez, na viuvez, na velhice ou em outros casos de perda de meios de 
subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. 
 
2 – A maternidade e a infância têm direito à ajuda e à assistência especiais. 
Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da 
mesma proteção social. 
 
Artigo 26° 
 
1 – Toda pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo 
menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino 
elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser 
generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos 
em plena igualdade, em função do seu mérito. 
 
2 – A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao 
reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve 
favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações 
e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das 
atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. 
 
3 – Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação 
a dar aos filhos. 
 
(DUDH, 1948) 
 
Todo dia 10 de dezembro é comemorado o Dia Internacional dos Direitos 
Humanos, pois nesta mesma data, em 1948, a ONU proclamou a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
 
 
 
5 Oito Objetivos do Milênio 
 
 
 
Para contribuir com os maiores problemas mundiais, a ONU, por meio 
dos seus 189 Estados Membros, no ano de 2000, estabeleceu 8 Objetivos do 
Milênio, que no Brasil são chamados de 8 Jeitos de Mudar o Mundo. A meta 
estipulada deverá ser atingida por todos os países até 2015. 
 
 
 
 
Dentro da concepção da ONU, a responsabilidade de atuação em prol dos 
objetivos deve ser conjunta, envolvendo governos, organismos internacionais, 
cidadãos, organizações da sociedade civil e do setor privado. Trata-se de um 
esforço comum para: 
 
• o engajamento coletivo; 
 
• apoio e sustentação de programas; 
 
• atuação de forma estratégica e eficaz: 
 
• fomento de ações e mobilizações. 
 
No contexto brasileiro, nos últimos anos, houve muitas conquistas e avanços, 
porém ainda há muito a se fazer. Independente de ações governamentais, 
cada cidadão pode contribuir com esses objetivos em sua comunidade. 
 
 
6 Como os Direitos Humanos Estão no Dia a Dia das 
Pessoas 
 
 
Como vimos, os direitos humanos foram fruto de um processo de conquista 
e trabalho ao longo de milhares de anos. Mesmo que saibamos que ainda 
não são respeitados por todos, temos de compreender a importância da 
existência desses registros documentais, como as declarações e 
constituições. Por meio da formalização dos documentos, podemos atuar 
de forma coesa e clara para que os direitos humanos sejam respeitados, 
sem margens para interpretações de conveniência. 
É sabido que em nosso dia a dia lidamos, ouvimos, presenciamos e 
lemos relatos de violações dos nossos direitos, e talvez nem tenhamos a 
consciência da dimensão de sua abrangência, por serem inúmeros os casos. 
Vejamos algumas situações corriqueiras em nossa sociedade: 
 
 
 
 
 
 
 
1. Preconceito contra orientação sexual 
– apesar dos avanços nas últimas 
décadas, infelizmente ainda somos 
considerados um país preconceituoso 
quando lidamos com pessoas com 
orientação sexual diferente da 
heterossexual. Não podemos nos 
esquecer que a nossa Constituição 
Federal prevê liberdades, direitos e 
deveres igualitários. Indiferentemente da 
nossa opção sexual ternos o livre arbítrio 
e o direito·de nos expressar e sermos 
quem nós somos. 
 
No dia 14 de maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça aprovou 
uma resolução que obriga todos os cartórios do país a celebrar casamentos 
entre pessoas do mesmo sexo. 
 
2. Discriminação de gênero – embora tenha diminuído a discriminação contra 
a mulher na sociedade, bem como no mercado de trabalho, ela ainda muitas 
vezes tem sido tratada em condições inferiores ao homem. A violência 
doméstica e os abusos sexuais são as formas mais graves e lamentáveis 
de tratamento dado às mulheres, são crimes que deveriam ser banidos de 
nossa história. No entanto, ainda são inúmeros os relatos, frutos de uma 
sociedade machista – ignorante, que enxerga na mulher um objeto de 
propriedade e prazer do homem. Fora essa questão, convivemos com a 
desvalorização do trabalho das mulheres, como se elas fossem menos 
capazes que os homens e, por isso, merecedoras de um salário menor ou de 
limitações em suas possibilidades de ascensão profissional. 
 
Com a criação em 2006 da Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da 
Penha, as punições para os agressores de violência doméstica ficaram bem 
mais severas. 
 
3. Racismo – a cor da pele, aorigem ou outros traços físicos não 
deveriam ser motivos para determinar 
as chances de vida de uma pessoa. 
No entanto, não só aqui no Brasil , 
mas na maior parte do mundo ocorre 
essa triste violação do artigo 1° da 
DUDH que afirma “Todos os seres 
humanos nascem livres e iguais em 
dignidade e em direitos. Dotados de 
razão e de consciência, devem agir uns 
para com os outros em espírito de 
fraternidade”. Não há pessoas 
superiores a outras, não há raças 
humanas distintas, pertencemos todos 
à raça humana. Logo não deveria haver 
desigualdade econômica e social em 
função dessas condições. 
 
4. Discriminação contra as pessoas com deficiência – cada qual com sua 
limitação, seja física ou psicológica, sofre em seu dia a dia inúmeras barreiras 
para exercer seu papel como cidadão. Além das barreiras que impedem sua 
mobilidade, convive com ambientes não adaptados às suas necessidades. 
Mas, sem dúvida, a pior barreira enfrentada é a do preconceito por sua 
condição. 
 
 
5. Exploração sexual de crianças e adolescentes – é um dos pontos 
mais vergonhosos de nosso país, pois ainda estamos distantes da 
erradicação desse triste problema, porque precisamos, primeiro, contornar 
as origens dessa questão. Crianças e adolescentes são vítimas da miséria, 
da baixa escolaridade, do lar desajustado pelo alcoolismo, drogas e 
desemprego. Essa realidade é triste e dramática e requer resolução 
imediata, todavia há que se considerar que, se do outro lado da história não 
houvesse o explorador – aproveitador da situação – a violação desse 
importante direito humano não ocorreria. 
 
No Brasil, a prática do racismo é duramente punida por lei, como crime 
inafiançável (o autor do delito não poderá recorrer ao pagamento de uma 
fiança) e imprescritível (não perde a validade com o tempo). 
Entre na campanha contra a exploração sexual de crianças e de 
adolescentes! Disque 100 e denuncie essa exploração! 
O seu ato pode contribuir para defender os direitos de nossas crianças e 
adolescentes. 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que pessoas 
com até 12 anos incompletos são consideradas crianças; e dos 12 aos 18, 
adolescentes. 
 
 
5. Pessoas com restrição de mobilidade, idosos, 
gestantes, pessoas com baixa estatura, 
cadeirantes, entre outras restrições, 
normalmente levam desvantagens por sua 
condição especial. Apesar de existir uma lei 
que garante o atendimento prioritário e a 
acessibil idade dessas pessoas, muitas 
empresas não a respeitam. 
 
A Lei nº 10.048/2000 dá prioridade de atendimento às pessoas com 
deficiência, a idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, a 
gestantes, a lactantes (mães que amamentam) e a pessoas acompanhadas 
por crianças de colo. 
 
6. Trabalho escravo – a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no nosso país, já tem 
mais de 115 anos, porém, eventualmente, ainda escutamos no noticiário 
situações de trabalho escravo e m nosso país. Compara-se à escravidão 
o trabalho degradante, que é aquele sem condições mínimas, sendo o 
salário a ser pago convertido em comida e hospedagem de péssima 
qualidade. A pior situação é quando envolve o tráfico de pessoas, em que 
aliciadores com promessas de bons empregos levam pessoas para outros 
países e retêm seus passaportes e as aprisionam para serem exploradas 
sexualmente, sem qualquer tipo de pagamento. 
 
É considerado também tráfico de pessoas quando a vítima é retirada 
de seu ambiente (cidade ou país) para ter seus órgãos ou tecidos 
removidos. 
 
7. Intolerância religiosa – pessoas que por pressão de familiares ou de 
sua comunidade não são respeitadas por optar e praticar uma religião 
diferente. Esse desrespeito pode ocorrer com críticas e comparações sobre 
a religião escolhida ou, ainda, por manifestações de preconceito e até 
exclusão do convívio social ao se manterem firmes em seu propósito. A 
 
 
intolerância religiosa fere duramente o direito à liberdade de pensamento, 
consciência e religião. 
 
 
No Brasil, dado o crescimento da intolerância religiosa, foi criada, em 
2007, uma lei que institui o dia 21 de setembro como o “Dia Nacional de 
Combate à Intolerância Religiosa”. 
 
 
 Alguns Deveres Importantes de Todo Cidadão 
 
 
 
Não há direito que não pressuponha a existência de deveres e vice-
versa. Cidadão é a pessoa física, nacional (nata ou naturalizada), no pleno 
exercício dos direitos políticos. O que faz uma pessoa ser cidadão é 
justamente essa condição de conhecer e usufruir seus direitos e cumprir com 
seus deveres. Isso vale para todos os brasileiros e naturalizados, 
independentemente de sua condição social, cor, etnia ou religião. 
 
Já conhecemos alguns de nossos direitos, agora veja alguns deveres 
que devem ser cumpridos: 
 
• Respeitar e cumprir as leis do país – não por temer a punição, mas por ser 
correto e ético; 
 
• Comparecer nas votações para escolher os governantes – 
presidente, deputados, senadores, governadores, prefeitos e vereadores 
são eleitos com nosso voto, então a escolha deve ser consciente, pensando 
no que for melhor para a coletividade. Não “venda” ou “leiloe” seu voto, pois 
é a oportunidade que temos para melhorar a situação de nossas cidades e 
da população; 
 
• Respeitar os direitos de outras 
pessoas – brasileiros ou estrangeiros 
devem 
saber viver em sociedade, e a base 
das interações interpessoais deve se 
dar pelo respeito e pela civilidade; 
 
• Proteger a natureza – de que 
adianta o governo fazer a sua 
parte na preservação ambiental se 
as pessoas não reconhecerem a 
importância desta ação. Devemos 
proteger o meio ambiente, não só 
por ser u m dever do cidadão, mas 
pelos nossos valores morais e pela 
consideração e respeito às gerações 
futuras; 
 
• Colaborar com a preservação do patrimônio histórico-cultural brasileiro 
– todo esse patrimônio presente em nossas cidades foi construído ao longo 
de muito tempo, são registros importantes para nossa história. Não podemos 
permitir que atos de vandalismos ou até de desleixos com os bens públicos 
possam ocorrer; 
 
• Colaborar com as autoridades – não nos referimos apenas aos policiais, 
mas, 
sim, a todos os agentes públicos que no exercício de sua função necessitam 
contar com o apoio e respeito da população. A autoridade é indispensável para 
realização do seu trabalho, caso contrário, viveríamos em completa desordem, 
cada um fazendo o que bem entende; 
 
• Tratar com respeito e solidariedade todos os cidadãos – esse é um dever 
que devemos ter de forma intrínseca (dentro de nós), independente de lei, 
norma ou qualquer outra orientação. Esse cuidado torna-se mais importante 
ainda quando lidamos com idosos, crianças, pessoas com deficiência e com 
as pessoas menos favorecidas; 
 
• Proteger e educar as crianças – nós, adultos, temos um papel 
importantíssimo, 
independente de sermos ou não pais. Dificilmente uma criança criada em um 
lar ajustado, onde as pessoas se respeitam e há princípios morais 
consolidados, será um adulto sem valores. Isso independe de condição 
financeira ou social, basta dar bons exemplos. 
 
 
 
8 Direitos Humanos e o Trabalho 
 
 
Como vimos, os direitos humanos são universais e absolutos colocando-
nos todos em situação de igualdade, podendo ser traduzidos no 
entendimento de que ninguém é superior a ninguém. Logo, nas relações de 
trabalho, regidas pelos direitos sociais, a base humanista não desaparece. 
O que ocorre é que o empregador tem prerrogativas próprias na relação de 
emprego, mas isso não significa que a dignidade da pessoa seja violada. 
 
O empregado tem os seus direitos assegurados por uma série de 
legislações específicas que limitam o poder do empregador. Assim como 
essas mesmas leis determinam as obrigações do empregado, buscando 
manter uma relação justa de remuneração x força de trabalho. 
 
É fundamental um bom ordenamento jurídico desse tema, pois o risco de 
entendimento raso do empregador pode levá-lo acrer que, ao remunerar 
seus funcionários passe a ter direitos arbitrários sobre seus 
subordinados, que venham a ferir não só os direitos trabalhistas, mas 
principalmente os direitos humanos. Por isso, é importante o conhecimento 
dos direitos, não para provocar situações polêmicas, mas sim para a busca 
de um entendimento harmonioso. 
 
A prevalência dos direitos humanos não deve ocorrer somente no âmbito 
das relações de trabalho, mas também nas relações domésticas e nas demais 
relações interpessoais de nosso cotidiano. 
 
 
9 Direitos Humanos nas Estradas 
 
 
É inquestionável que as grandes cidades possuem suas mazelas, que 
tornam o convívio entre seus semelhantes, muitas vezes, conflituoso. 
Porém, no interior do país, nas regiões mais pobres a miséria da 
população torna-se infelizmente a base justificadora de uma série de 
violações contra os direitos humanos. E por falta ainda de uma estrutura 
adequada de policiamento preventivo e apuração, de impunidade estimula a 
perpetuação de situações vergonhosas para a sociedade brasileira. 
 
As estradas e suas redondezas tornam-se palco para exposição de 
graves situações, veja algumas delas: 
 
• Exploração sexual de crianças e adolescentes; 
 
• Trabalho degradante e situações análogas à escravidão; 
 
• Aliciamento para tráfico de pessoas; 
 
• Transporte de carga viva em péssimas condições; 
 
• Crimes em nome da honra. 
 
Nesse contexto, caminhoneiros e motoristas de ônibus 
interestaduais acabam testemunhando muitas dessas situações ao longo 
de suas jornadas de trabalho nas rodovias brasileiras, pois transportam 
cargas e pessoas pelos lugares mais remotos de nosso país. Por si só, já se 
trata de trabalho árduo, que envolve muita responsabilidade e dedicação. 
Todavia, esses mesmos profissionais gozam de uma oportunidade peculiar em 
seus trajetos: atuam como agentes em defesa da vida. 
 
Ao se deparar com esse tipo de 
situação, denuncie! 
 
Há diversos órgãos públicos, 
Organizações Não Governamentais 
(ONGs) e outras instituições que 
trabalham na defesa dos direitos 
humanos e dispõem de canais para 
denúncias. 
 
Sugestões de canais de denúncia 
contra a violação dos direitos 
humanos: 
 
• De forma geral, todo e qualquer crime pode ser denunciado na Delegacia 
de 
Polícia mais próxima. Agora, caso a denúncia envolva policiais, a Ouvidoria de 
Polícia do seu Estado deve ser procurada; 
 
• Disque 100 para Denúncia Nacional de Abuso e Exploração contra 
Crianças e 
Adolescentes. Esse é um serviço de proteção de crianças e adolescentes 
com foco em violência sexual. O Disque 100 funciona diariamente, inclusive 
nos fins de semana e feriados, a ligação é gratuita e a identidade do 
denunciante é mantida em sigilo. Além do telefone, a denúncia também pode 
ser encaminhada via e-maiI para disquedenuncia@sdh.gov.br; 
 
• No caso de violência cometida contra criança ou adolescente você 
também 
pode procurar o Conselho Tutelar, ou a Delegacia Especializada em Crimes 
contra Crianças e Adolescentes de sua cidade; 
 
• No caso de violência contra a mulher, você deve preferencialmente 
encaminhar 
sua denúncia à Delegacia da Mulher mais próxima ou procurar os conselhos 
de defesa dos direitos da mulher. Não havendo delegacias especializadas, 
procurar a Delegacia de Polícia mais próxima; 
 
• A Polícia Federal, por meio do e-maiI denuncia.ddh@dpt.gov.br, 
recebe 
denúncias contra racismo, pedofilia e tráfico de pessoas; 
 
 
 
Outras entidades que podem acolher denúncias de violação dos 
direitos 
humanos são a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio do portal 
www.sedh.gov.br/ouvidoria; Ordem dos Advogados do Brasil de sua cidade; as 
Comissões de Direitos Humanos do seu Estado. 
 
 
 
 
10 Direitos Humanos no Trânsito 
 
 
 
Os problemas do trânsito, até décadas atrás, era exclusividade de 
algumas poucas grandes cidades brasileiras, mas, com o aumento 
massivo da frota de veículos, atualmente é rara a cidade que não tem no 
trânsito um dos seus problemas a serem contornados. Esse é considerado 
um grande problema não só por levar as pessoas a perderem muito tempo 
em seus deslocamentos, mas, principalmente, por provocar diversas mortes 
diariamente. 
 
Quando pensamos nessas mortes, imaginamos inicialmente que 
houve uma “causalidade”, uma “fatalidade” que levou ao acidente. Em 
primeiro lugar, na grande maioria dos acidentes de trânsito não há o acaso e, 
sim, imprudência. Essas ocorrências são normalmente fruto da imprudência 
dos motoristas, seja pelo excesso de velocidade, desrespeito à sinalização, 
ou, ainda, pelo consumo de álcool ou drogas. No entanto, temos ainda que 
considerar outro tipo de morte no trânsito aquela provocada por uma 
discussão, em que as pessoas simplesmente esquecem todo e qualquer 
bom senso e desperdiçam suas vidas para provar quem estava certa. 
 
O trânsito infelizmente tem o poder 
de levar muitas pessoas que, 
habitualmente, são calmas e 
controladas, a um alto nível de 
estresse, desencadeando uma série 
de atitudes incompatíveis com a sua 
natureza. Motoristas, em geral, 
passam a olhar para os outros 
motoristas como inimigos. Com isso, 
levam ao trânsito a filosofia do “cada um 
por si”. 
E, com isso, não costumam ceder a vez, irr itam-se profundamente se 
alguém os corta ou se demora um pouco mais para arrancar após um sinal 
vermelho, por exemplo. É como se a carcaça do veículo “protegesse ou 
isentasse” da necessidade de ser civilizado. 
 
 Diante desse cenário, fica difícil falarmos de direitos humanos no trânsito. 
Todavia, o trânsito é um dos locais importantes que precisamos lembrar e 
aplicar regras de boa convivência. Um pedestre, um ciclista ou um 
motociclista tem o mesmo direito à vida que os que estão em um veículo maior 
e mais seguro! 
 
 Nesse ponto, os trabalhadores em transporte, em especial os 
motoristas de ônibus urbano e taxistas, conhecem bem essa realidade. Por 
isso, assim como os colegas das estradas, eles também podem contribuir 
para a preservação dos direitos humanos no trânsito. Motoristas que 
atuam profissionalmente podem servir de exemplo de educação, tolerância, 
respeito e civilidade. Por mais que o estresse também os atinja, e momentos 
de impaciência sejam naturais, esses profissionais podem atuar como um 
 
ponto de equilíbrio, colaborando na diminuição dos riscos de acidentes, por 
meio de uma direção preventiva. 
 
Os Direitos humanos são os direitos mais essenciais e importantes que 
temos, pois eles protegem, na sua essência, a vida e a dignidade humana. 
Aliás, poder viver a vida com dignidade é o mínimo que se espera que um ser 
humano deseje a seu semelhante. Parece pouco, mas percebemos em 
diversas ocasiões uma total desvalorização da vida. 
 
 
E, como vimos nesta unidade, o dever de garantir que os direitos essenciais 
à vida sejam sempre cumpridos é de todos nós! Nosso grande desafio é 
reconhecer que somos todos de uma mesma espécie – a humana –, porém 
com características e limitações diversas que devem ser respeitadas. 
 
Fica o convite para a sociedade e para os trabalhadores em transporte 
para unir forças e atuar; paralelamente às suas atribuições como um exemplo 
de categoria que valoriza e respeita o seu semelhante. Com nossas ações, 
podemos estimular mais pessoas a contribuir para uma sociedade mais 
Justa e livre de todo tipo de violação aos nossos “Direitos Humanos”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE 2 
CIDADANIA E DIREITOS DO CIDADÃO 
 
1 Cidadania 
 
 
 
A Constituição Federal (CF) diz que 
todo poder emana do povo, que pode 
exercê-lo diretamente ou por meio de 
representantes eleitos, e coloca a 
cidadania como fundamento da 
República Federativa do Brasil, ao lado 
de valores como a soberania nacional, 
a dignidade humana, os valores sociais 
do trabalho e da livre iniciativa, e a 
liberdade política. 
 
Podemos concluir que, ao conceito de cidadania, devem ser agregadostodos esses outros valores, de forma que ela seja percebida de maneira mais 
completa. 
 
O verdadeiro cidadão é um indivíduo consciente de seu papel na sociedade. 
Dessa maneira, a Cidadania pode ser definida como o conjunto de direitos e 
deveres que um indivíduo tem perante o Estado, e que podem ser 
entendidos como normas de conduta que devem ser seguidas. 
 
Ser cidadão é participar ativamente da vida e do governo de seu país. 
 
Embora esta afirmação deixe claro o conceito de cidadania, restam ainda 
algumas dúvidas como, por exemplo, que direitos seriam esses que tem o cidadão 
brasileiro? E quais seriam seus deveres? 
 
 
 
2 Direitos e Garantias Individuais 
 
 
 
Para começar, vamos analisar os direitos chamados de individuais. 
 
Atualmente, a Constituição prevê uma série de direitos individuais 
compostos tanto por direitos do homem quanto por direitos fundamentais. 
Essa distinção se faz porque os chamados direitos do homem são aqueles 
inerentes à condição humana, cabendo ao Estado, por meio da Constituição, 
reconhecê-los como preexistentes. Já os direitos fundamentais são aqueles 
considerados indispensáveis à pessoa humana; a legislação brasileira cria e 
estabelece garantias para protegê-los. 
 
O conjunto de direitos individuais é bastante extenso e não se esgota 
apenas naqueles previstos na Constituição Federal, podendo constar 
também nos Tratados de Direito Internacional ou quaisquer outras fontes 
legislativas, tamanha é a sua importância. 
 
De acordo com o Art. 5º da Constituição Federal, todos são iguais 
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, sendo garantida aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito 
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Para 
conhecer melhor seus direitos, consulte o texto completo da Constituição 
através do link a seguir. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 
 
 
3 Direitos Sociais e Fundamentos Básicos 
Constitucionais 
 
 
 
As mudanças causadas pela Revolução Industrial modificaram a relação 
de trabalho entre patrões e empregados, principalmente restringindo 
as condições abusivas impostas aos trabalhadores até então. Constatou-
se, por aquele contexto, a necessidade de intervenção estatal como forma 
de proteger o lado mais fraco da relação (os empregados). Os patrões 
perderam o direito de definir a jornada de trabalho diária de seus 
empregados e o Estado passou a determinar, por lei, qual deveria ser a 
jornada mais razoável e justa. 
 
 A Revolução Industrial teve início no século XVIII, na Inglaterra, com a 
mecanização dos sistemas de produção. Enquanto na Idade Média o 
artesanato era a forma de produzir mais utilizada, na Idade Moderna houve um 
conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo 
produtivo. No século XIX esse processo se difundiu por outros países. 
 
Os direitos sociais vieram para complementar as conquistas até então 
realizadas, buscando aumentar a qualidade de vida dos cidadãos. A 
Constituição Federal trata dos direitos sociais em um capítulo próprio, 
classificando-os em direitos trabalhistas e direitos do homem, que dizem 
respeito, por exemplo, à previdência social que deve ser prestada ao 
indivíduo. 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
 
3.1 Direitos Sociais em Sentido Estrito 
 
 
A Constituição define em seu Art. 6º que são direitos sociais: educação, saúde, 
moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à 
infância e assistência aos desamparados. Entende-se que, assim dispondo, 
a Constituição está tratando do mínimo necessário para a dignidade humana. 
 
Um exemplo é o direito à saúde. Esse direito implica que, nos casos de 
doença, todos têm direito a um tratamento compatível com os avanços da 
Medicina, não importando a sua situação financeira. O direito à saúde vem 
para exigir que o Estado garanta a continuidade da vida, executando 
medidas e serviços que previnam e tratem as doenças. 
 
Ainda sob essa perspectiva, há o direito à educação. A Constituição diz que “a 
educação é direito de todos e dever do Estado e da família”, o que significa 
que o Estado deve oferecer serviços educacionais a todos e que é dever da 
família verificar que crianças e adolescentes estejam estudando. 
 
Por fim, temos aqueles direitos sociais que asseguram ao ser humano a 
qualidade de vida, como o direito à cultura, ao lazer e a um meio ambiente 
saudável e ecologicamente equilibrado. Todos esses direitos impõem ao 
Estado o dever de tomar ações positivas no intuito de concretizá-los e garanti-
los. 
 
 
 
3.2 Direitos Trabalhistas 
 
 
 
Para estudar os direitos trabalhistas é necessário, primeiro, saber o 
que é uma relação de emprego. De acordo com a Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), a relação de emprego é aquela que envolve um empregador e 
um empregado, sendo o empregado qualquer pessoa que presta 
serviços com regularidade para outra, recebendo para isso um salário. 
 
A CLT define as condições mínimas de trabalho que o empregador deverá 
oferecer a seus empregados, especificando os principais direitos que devem 
ser observados, bem como as obrigações de empregados e empregadores. 
 
Inicialmente, a Constituição estabelece como direito trabalhista a 
garantia contra a demissão arbitrária ou sem justa causa. Isso não quer dizer 
que o empregador esteja proibido de despedir alguém sem que haja justa 
causa. No entanto, existem restrições ao empregador para demissões sem 
justificativa, cabendo, no caso, indenização aos empregados dispensados. 
 
Outro direito do trabalhador é o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço 
(FGTS), que funciona da seguinte forma: a cada mês trabalhado o empregado 
tem direito a um depósito numa conta vinculada, administrada pela Caixa 
Econômica Federal, no valor correspondente a 8% de seu salário. 
 
A garantia de emprego engloba dois outros direitos. O primeiro deles é o 
aviso prévio, que é uma forma de assegurar que o empregado seja avisado 
com antecedência sobre sua dispensa, visando preveni-lo contra situações de 
dificuldade. O aviso prévio não é só um direito do empregado, mas também 
um dever deste para com o empregador. Ou seja, no caso de o empregado 
ser aquele que deseja romper o vínculo empregatício, também ele deverá 
avisar o patrão. 
 
 
 
O aviso prévio, conforme o próprio nome diz, deve anteceder a 
dispensa em, no mínimo, trinta dias para que o empregado ou o empregador 
possam se preparar para a situação. Dessa forma, o empregado que não 
recebeu previamente o aviso de sua dispensa deve receber como 
indenização um salário adicional, como se ele estivesse trabalhando naquele 
mês, enquanto que, ao empregador que não recebe o aviso de seu 
empregado, cabe o direito de descontar o valor do salário correspondente ao 
período. 
 
No mês de aviso prévio, o trabalhador tem direito a reduzir sua jornada 
de trabalho em duas horas para procurar outro emprego. Essas duas horas 
devem ser corridas, não podendo ser fracionadas à conveniência do 
empregador. No entanto, é facultado ao empregado optar pelo cumprimento 
da jornada integral, então com a possibilidade de faltar sete dias corridos. 
 
Por f im, a Constituição prevê a possibil idade de o trabalhador receber 
o seguro- desemprego. O tempo de benefício varia em função do tempo 
trabalhado no último emprego. Esse recebimento dar-se-á nas condições 
estipuladas em Lei, devendo o empregado cumprir alguns requisitos, como 
estar naquele mesmo emprego há pelo menos seis meses. O recebimento 
do seguro-desemprego está ainda condicionado à liberação de guias 
referentes a tal seguro pelo empregador, o que é um direito do empregado 
quando da dispensa imotivada. 
 
Devemos destacar, ainda, o direito a dois benefícios financeiros que 
incrementam a renda do trabalhador: o décimo terceiro salário e as férias. 
 
O décimo terceiro salário buscaproporcionar condições de 
comemorar devidamente as festas de fim de ano. Conforme o próprio nome 
diz, o décimo terceiro salário é uma parcela salarial com o mesmo valor dos 
demais salários mensais. Para não onerar a empresa, esse salário adicional é 
pago em duas parcelas. 
 
O empregado terá direito a férias sempre que tiver trabalhado por pelo 
menos um ano na empresa. Após ter adquirido o direito a férias, o 
empregado terá, com data à escolha do empregador, o período de mais um 
ano para fazer uso delas. Uma vez concedidas as férias, o empregado terá 
então direito a receber, naquele mês, o salário acrescido de um terço de seu 
valor, para garantir que o trabalhador de férias possa aproveitá-las bem, 
sem maiores dificuldades financeiras. 
 
Além dos direitos trabalhistas que acabamos de discutir, há ainda muitos 
outros que podem ser enumerados, como por exemplo, a duração máxima da 
jornada de trabalho – de oito horas diárias – sendo que todas as horas 
excedentes serão consideradas extras e deverão ser remuneradas com 
adicional de, no mínimo, 50% de seu valor. 
 
Como a Constituição diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção 
de qualquer natureza, todos são cidadãos e possuem os mesmos direitos. 
 
Vale realçar que, no Brasil, os trabalhadores são agentes sociais 
importantes na defesa dos direitos humanos. Fortalecer este papel é uma 
forma de ampliar a consciência de todos quanto aos seus direitos e deveres, 
fazendo com que se tenha conhecimento da realidade e dos problemas nas 
diversas regiões do país. 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
 
 
 
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da 
Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, 1990. Disponível 
em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069Compilado.htm>. Acesso 
em: 28 jun. 2017. 
 
_______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 
1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso 
em: 28 jun. 2017. 
 
ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Direitos humanos. Portal da 
internet, 2017. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/>. 
Acesso em: 28 jun. 2017. 
 
REZENDE, Maria José de. Os objetivos de desenvolvimento do milênio da ONU: 
alguns desafios políticos da co-responsabilização dos diversos segmentos 
sociais no combate à pobreza absoluta e à exclusão. Investig. desarro., [online], 
v.16, n. 2, 2008, p.184-213. 
 
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Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, 1990. Disponível 
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em: 28 jun. 2017. 
 
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