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AULA-06-BIOQUÍMICA

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BIOQUÍMICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 6 – METABOLISMO 
DOS LIPÍDIOS 
Olá! 
 
Os lipídios podem ser conceituados como compostos cuja propriedade 
em comum é a solubilidade em solventes orgânicos e a hidrofobia, ou seja, 
insolubilidade em água. De modo similar aos carboidratos e às proteínas, eles 
possuem em sua estrutura química hidrogênio, carbono e oxigênio, no 
entanto, a cadeia carbônica dos lipídios é muito maior em relação aos demais 
elementos químicos, o que permite que forneçam mais energia que qualquer 
outra macromolécula 
Nesta aula, iremos abordar sobre o conceito e os tipos de lipídios. Além 
disso, iremos observar como nosso organismo metaboliza os lipídios e os 
armazena. 
 
Bons estudos! 
 
 
6 LIPÍDIOS: CONCEITOS E TIPOS 
Os lipídios englobam macromoléculas que possuem estruturas químicas 
diversas, cuja semelhança é o fato de não serem facilmente dissolvidos em água, no 
entanto, conseguem se misturar com facilidade no éter etílico e em outros solventes 
orgânicos. Em relação ao estado físico, chamamos os lipídios que ficam sólidos em 
temperatura ambiente de gorduras, enquanto aqueles que são líquidos nessa mesma 
situação são chamados de óleos. Esse grupo engloba os triglicerídeos, os ácidos 
graxos, os esteróis e os fosfolipídios, que iremos abordar a seguir. 
6.1 Ácidos graxos 
Consistem em lipídios com uma estrutura química mais simples, integrando 
também a composição de alguns triglicerídeos, os lipídios que comumente ingerimos. 
Sua estrutura é formada por uma extensa cadeia carbônica com hidrogênios ligados, 
contando também com um radical carboxila ou ácido (COOH) em uma extremidade, 
enquanto na outra temos um radical metila. 
 
Imagem 1 – Radicais dos ácidos graxos 
 
Fonte: Adaptado de Wardlaw e Smith (2013) 
 
Podemos separar os ácidos graxos que são formados naturalmente em dois 
grupos, sendo eles: 
 
⮚ Ácidos graxos saturados: Consistem em ácidos graxos com uma cadeia 
carbônica contendo apenas moléculas de hidrogênio, ou seja, são nomeados 
assim por estarem “saturados” de hidrogênio. Grande parte dos lipídios que 
Highlight
Highlight
 
 
contém vários ácidos graxos saturados permanecem sólidos em temperatura 
ambiente, sendo caracterizados como gorduras. Como exemplo, podemos citar 
as gorduras de origem animal, como manteiga, banha, gorduras presentes nas 
carnes, entre outros. 
⮚ Ácidos graxos insaturados: São ácidos graxos com cadeias carbônicas 
contendo uma ou mais ligações duplas, com isso, possuem menos hidrogênios 
ligados ao carbono. Caso ele tenha apenas uma ligação dupla, podemos 
chamá-lo de ácido graxo monoinsaturado, que pode ser encontrado no azeite 
de oliva. Caso tenha um número superior a duas ligações duplas, será 
chamado de ácido graxo poli-insaturado, que pode ser encontrado nos óleos 
vegetais e em peixes gordurosos, como sardinha e salmão. 
 
Os ácidos graxos são fundamentais para proporcionar um bom desempenho 
em todos os sistemas do organismo. São exigidos, por exemplo, para o funcionamento 
dos sistemas respiratório, circulatório, imunológico, tegumentar e neurológico. Nesse 
contexto, denominamos como ácidos graxos não essenciais aqueles que nosso 
organismo consegue produzir, sendo a grande maioria. Entretanto, nosso organismo 
não consegue produzir alguns deles, que podemos chamar de ácidos graxos 
essenciais. 
Fazem parte do grupo de ácidos graxos essenciais o ômega 3 (ácido alfa-
linoleico) e o ômega 6 (ácido linoleico), que fazem parte de estruturas vitais para o 
organismo, cumprindo um papel fundamental na visão e no sistema imune, além de 
auxiliar na formação da membrana plasmática e na produção de substâncias similares 
aos hormônios. 
Wardlaw e Smith (2013) afirmam que os ácidos graxos essenciais devem ser 
obtidos por meio dos alimentos, já que as células humanas não sintetizam enzimas 
capazes de produzi-los. Ácidos graxos semelhantes, como o ômega 9, conseguem 
ser produzidos no corpo humano, sendo assim, não precisam ser ingeridos na 
alimentação. 
Outras funções desempenhadas tanto pelo ômega 6 quanto pelo ômega 6 
consistem em coordenar a coagulação e os níveis de colesterol, assim como regular 
a inflamação nos tecidos, nas articulações e na corrente sanguínea. Podemos 
encontrá-los em alimentos de origem animal (peixes como salmão, atum e sardinha) 
 
 
e de origem vegetal (óleos de canola, soja, milho e cártamo). 
6.2 Ácidos graxos trans 
Caso um composto tenha ligações duplas, podemos ter casos de isomerismo 
geométrico (estrutura molecular com os mesmos átomos que se diferem em sua 
conformação espacial), o que impactará nas características dos ácidos graxos, 
podendo ser cis ou trans. 
Em ambiente natural, grande parte das moléculas são isómeros cis, que 
consistem em moléculas onde ambos os hidrogênios se encontram no mesmo lado 
da ligação dupla, o que proporciona mais fluidez para as membranas. Caso os 
hidrogênios estejam em posições opostas na dupla ligação, eles formam um isômero 
trans, dando origem a uma molécula alongada similar a um ácido graxo saturado. Isso 
aumenta a rigidez das moléculas, que ficarão mais próximas, aumentando o ponto de 
fusão e proporcionando uma consistência maior. 
 
Imagem 2 – Isômeros cis e trans do dicloroeteno 
 
Fonte: https://iplogger.com/2wKm86 
 
Não são raros os casos onde usamos ácidos graxos trans na produção de 
alimentos processados, o que pode acarretar em problemas para a saúde por 
aumentar a produção de LDL e, consequentemente, aumentar o risco de infarto. 
Remig et al. (2010) afirmam que, até 2014, o instituto American Heart Association 
recomendava a ingestão de até 1% de gorduras trans em relação às calorias totais 
presentes em sua dieta. Em 2015, a recomendação mudou, sendo preferível que 
evitasse ao máximo a ingestão dessas gorduras. 
Esses ácidos graxos podem ser produzidos a partir do processamento de 
https://iplogger.com/2wKm86
Highlight
 
 
alimentos e, por isso, podem estar presentes em alimentos com gorduras 
endurecidas, como doces, margarina dura e produtos à base de carne. Além disso, 
podem ser sintetizados por bactérias anaeróbicas no rúmen de vacas e ovinos, com 
isso, alguns ácidos graxos trans podem estar presentes na carne e produtos desse 
animal, como leite e derivados lácteos. 
6.3 Fosfolipídios 
Representam somente 2% dos lipídios ingeridos na alimentação, estando 
presentes em animais e plantas. Na natureza, podemos considerar a proteína lectina 
como a principal fonte de fosfolipídios, podendo ser encontrada em alimentos como 
fígado, ovos, soja, amendoim e gérmen de trigo. Tais compostos são fundamentais 
para a formação da membrana plasmática nas células. 
Ao contrário dos demais lipídios, eles conseguem se dissolver em água com 
relativa facilidade. Sendo assim, podem funcionar como um intermediário entre os 
meios lipídicos e aquosos, funcionando como agentes emulsificantes bem eficientes 
na indústria alimentícia, sendo empregados em alimentos como queijos, margarinas 
e sorvetes. 
Segundo Mann e Truswell (2015), os fosfolipídios não estão presentes apenas 
nos fluidos corporais e no sangue, eles também compõem a fórmula das lipoproteínas, 
como o HDL e LDL, responsáveis por carrear os lipídios pela corrente sanguínea. 
6.4 Triglicerídeos 
Também conhecidos como trigliceróis, são compostos formados por três 
moléculas de ácidos graxos ligados a uma de glicerol, representam aproximadamente 
95% dos lipídios ingeridos na alimentação. Grande parte dos lipídios presentes em 
nosso organismo se encontram nessa forma. 
No decorrer da digestão, os triglicerídeos são lisados com facilidade em 
monoglicerídeos e diglicerídeos, que possuem, respectivamente, uma e duas 
moléculas de ácido graxo. Sendo assim, a maioria dos lipídios ingeridos são 
absorvidos como ácidos graxos ou monoglicerídeos que,após a absorção, retornam 
para sua forma de triglicerídeos. 
Highlight
Highlight
 
 
6.5 Esteróis 
Formam o tipo menos comum de lipídios, mesmo que o colesterol, que é parte 
desse grupo, seja muito popular. Consistem em compostos de característica cerosa, 
que não se assemelham aos triglicerídeos, isto é, não possuem uma estrutura base 
formada por ácidos graxos ligados ao glicerol. Podem ser incluídos na categoria de 
lipídios por não se dissolverem em água com facilidade. 
Segundo Wardlaw e Smith (2013), podemos encontrar os esteróis em alimentos 
de origem animal, como leite, carne e derivados de ovos, entretanto, o organismo 
absorve somente uma pequena porção de colesterol através da comida, sendo grande 
parte dele sintetizada pelo próprio corpo. 
Diversas substâncias fundamentais para o funcionamento do organismo podem 
ser classificadas como esteróis. Como exemplo, podemos citar os hormônios sexuais, 
os ácidos biliares, a vitamina D e os hormônios adrenais, assim como o colesterol, 
que pode servir como estrutura base na síntese das substâncias supracitadas, 
servindo também para estruturar a membrana plasmática. 
Whitney e Rolfes (2008) afirmam que, ao contrário do que é popularmente 
concebido, o colesterol é extremamente importante para nosso organismo, sendo 
produzido pelo fígado usando fragmentos de proteínas, carboidratos e lipídios. O 
fígado consegue produzir, aproximadamente, 800 a 1500 mg de colesterol em um dia. 
6.6 Características e funções dos lipídios 
Os lipídios possuem como sua função principal isolar termicamente e proteger 
o corpo, estocar e proporcionar energia, atribuir saciedade e sabor na alimentação e 
carrear vitaminas lipossolúveis. 
 
6.6.1 Estocar e proporcionar energia 
 
Os triglicerídeos obtidos na alimentação e estocados no tecido adiposo 
conseguem oferecer ácidos graxos, que funcionam como fonte de energia para os 
músculos durante uma atividade leve e repouso, representando metade da energia 
consumida no decorrer desses períodos. 
Caso o número de calorias ingeridas supere a quantidade exigida, elas são 
 
 
transformadas em fontes de armazenamento, que serão convertidas em energia 
caso não tenha carboidratos disponíveis para proporcioná-la. 
A maioria das células do corpo conseguem estocar pouca quantidade de 
lipídios, no entanto, as células do tecido adiposo, denominadas adipócitos, são 
especializadas nessa função, contando com a habilidade de aumentar seu tamanho 
quase indefinidamente. No entanto, um tecido adiposo muito extenso pode acarretar 
em estresse corporal e trazer malefícios para a saúde. 
Como exemplo dos efeitos causados pela gordura excessiva estão o acúmulo 
de colesterol nas paredes das artérias, tornando-as rígidas e originando doenças 
cardiovasculares, como derrame ou infarto. Com isso, podemos afirmar que lipídios 
em quantidades adequadas são fundamentais para nossa sobrevivência ao mesmo 
passo que seu excesso pode ocasionar doenças e mal funcionamento do organismo. 
 
6.6.2 Proteção e isolamento do corpo 
 
Logo abaixo da pele, temos uma camada protetora composta, especialmente, 
por triglicerídeos. Ela consegue isolar o corpo de temperaturas extremas, além de 
auxiliar na manutenção da temperatura interna. Além disso, os lipídios evitam o atrito, 
especialmente nas mãos, nádegas e pernas. Pessoas que possuem pouco estoque 
de gordura costumam sentir mais frio, além de sentir fadigas constantes e ter feridas 
de pressão na pele. 
Aproximadamente 30% do peso corporal é formado por tecido adiposo, sendo 
uma parte dele representada pela gordura visceral, que consiste nos lipídios presentes 
ao redor dos órgãos, podendo ser encontrados nos rins, no coração e no fígado. No 
cérebro, podemos encontrar 60% dessa gordura, o que ressalta sua função básica em 
nosso organismo. 
 
6.6.3 Regulação hormonal 
 
O tecido adiposo é capaz de liberar a leptina, um hormônio que coordena o 
apetite. Além disso, os ácidos graxos são fundamentais para uma boa saúde 
reprodutiva, uma vez que servem para a síntese dos hormônios sexuais. As mulheres 
com quantidades insuficientes de lipídios podem ter problemas de fertilidade e até 
parar de menstruar. 
Highlight
Highlight
 
 
6.6.4 Carreamento de vitaminas lipossolúveis 
 
Alguns micronutrientes podem ser transportados pelos lipídios, como é o caso 
das vitaminas lipossolúveis, como a vitamina D, A, K e E. Tais vitaminas conseguem 
ser bem absorvidas quando estão ligadas a alimentos gordurosos. Além disso, os 
lipídios também fazem a biodisponibilidade de substâncias como o licopeno (presente 
nos tomates), os fitoquímicos (presentes nas plantas) e o betacaroteno (presente na 
cenoura) aumentar. 
 
6.6.5 Saciedade e sabor 
 
Os lipídios podem melhorar o aroma e o sabor dos alimentos, bem como 
oferecer uma textura agradável à comida, uma vez que alimentos cozidos com gordura 
ficam mais úmidos e macios. Com isso, podemos concluir que alimentos feitos com 
gordura possuem uma melhor aceitação pelas pessoas. 
A gordura também cumpre um papel fundamental na nutrição, proporcionando 
a sensação de plenitude e saciedade. Quando ingerimos alimentos gordurosos, o 
organismo reconhece o atraso na digestão e estimula uma sensação geral de 
plenitude. 
No entanto, essa sensação pode acontecer e as pessoas podem continuar 
ingerindo alimentos gordurosos, ou seja, os mesmos elementos que fazem esses 
alimentos serem mais atrativos podem torná-los um obstáculo para a manutenção da 
saúde. 
6.7 Metabolismo dos lipídios 
O sistema digestivo recebe, diariamente, entre 4 e 8g de fosfolipídios, 50 e 100g 
de triglicerídeos e 200 e 300g de colesterol, dando ao organismo a responsabilidade 
de digerir e absorver esses compostos. O objetivo principal é quebrar os triglicerídeos 
em compostos menores que podem ser usados pelo corpo. Iremos descrever 
brevemente as etapas de digestão e absorção dos lipídios. 
 
⮚ Boca: Aqui, é liberada uma enzima chamada lipase lingual, que será ativada 
no estômago. 
Highlight
Highlight
Highlight
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⮚ Estômago: A lipase gástrica é liberada, no entanto, sua função fisiológica não 
é tão relevante pelo fato do pH estomacal não possibilitar a ação completa 
dessa enzima. Desse modo, a digestão dos lipídios é mecânica, acontecendo 
através da ação gástrica e dos movimentos peristálticos do estômago, que os 
dispersa e emulsifica uniformemente para dar origem ao bolo alimentar. 
⮚ Intestino delgado: O bolo alimentar acidificado chega à primeira porção do 
intestino, denominada duodeno, o que estimula a liberação do hormônio 
colecistocinina, responsável por induzir a contração da vesícula biliar e, 
consequentemente, a liberação da bile, que irá emulsificar os lipídios e originar 
micelas. 
⮚ Pâncreas: Essa glândula libera a lipase pancreática, que é a enzima mais 
importante na digestão dos lipídios, conseguindo quebrar os ácidos graxos, 
uma boa parte do colesterol e alguns compostos di e monoglicerídeos. A 
produção da lipase pancreática é estimulada por meio do hormônio secretina, 
bem como pela presença de triglicerídeos no intestino delgado. 
 
Os lipídios são absorvidos no intestino delgado, especialmente no jejuno. 
Estando emulsificados pela bile, conseguem ser absorvidos por difusão passiva, 
através da mucosa intestinal. Quando chegam na corrente sanguínea, os lipídios são 
carreados pelas lipoproteínas, que consistem em compostos formados por proteínas 
e lipídios. 
 
6.7.1 Lipoproteínas 
 
Pelo seu aspecto hidrofóbico, os lipídios não podem circular com facilidade pela 
corrente sanguínea, podendo flutuar ou até se separar, com isso, precisam do auxílio 
de compostos hidrofílicos. 
As primeiras lipoproteínas a possibilitarem o ingresso dos lipídios no sangue 
são os quilomicrons, que são substâncias mais leves e maiores. Elas podem ser 
divididas conforme sua densidade, podendo ser separadas através de uma 
ultracentrifugaçãoda amostra sanguínea. 
Nessa amostra, uma faixa terá a presença dos quilomicrons. Na faixa seguinte, 
irão aparecer as lipoproteínas de densidade muito baixa, de baixa densidade e de alta 
densidade, em ordem decrescente em relação ao tamanho. A seguir, essas 
Highlight
 
 
lipoproteínas serão brevemente descritas. 
 
⮚ VLDL (very-low density lipoprotein): Consistem em lipoproteínas de 
densidade muito baixa, sendo sintetizadas no fígado, por meio de fragmentos 
de triglicerídeos e de quilomicrons. Se encarregam de carrear os lipídios 
presentes no fígado para os mais variados tecidos. Enquanto a VLDL está 
circulando na corrente sanguínea, a lipase quebra os triglicerídeos presentes 
nela. 
⮚ LDL (low density lipoprotein): São lipoproteínas de baixa densidade, que se 
encarregam de retirar os lipídios do fígado e os depositar nas células dos 
tecidos, pois elas possuem um receptor específico para a LDL. Ela abriga cerca 
de 50% dos ésteres de colesterol e, quando entra na célula, é quebrada para 
liberar o colesterol presente nela. 
Quando temos uma deficiência nos receptores de LDL, poderemos observar 
uma quantidade considerável de colesterol sendo liberada na corrente 
sanguínea, que pode gerar aterosclerose e doenças cardíacas e, por esse 
motivo, são erroneamente denominadas como “colesterol ruim” (só existe um 
colesterol, essa é uma das lipoproteínas que o transporta). Caso sejam 
consumidos alimentos com muita gordura saturada, os receptores de LDL ficam 
limitados. 
⮚ HDL (high density lipoprotein): Consistem em lipoproteínas de alta 
densidade, se encarregando de remover o colesterol dos vasos sanguíneos 
para transportá-los ao fígado, visando reutilizá-los ou removê-los do organismo 
com o auxílio da bile. Quando comparada com as demais lipoproteínas, o HDL 
possui uma quantidade de proteínas superior à de lipídios, cerca de 20 a 30% 
a mais e, por esse motivo, também é erroneamente denominada como 
“colesterol bom”. 
 
 
 
 
 
Tabela 1 – Função e composição das lipoproteínas 
Highlight
 
 
Lipoproteína 
Composto 
base 
Função 
Quilomicron Triglicerídeos Carrear os lipídios vindos do intestino delgado 
VLDL Triglicerídeos 
Carrear os lipídios sintetizados e captados pelas 
células hepáticas 
LDL Colesterol 
Carrear o colesterol sintetizado pelo fígado para 
as demais células 
HDL Proteína 
Auxilia na remoção do colesterol das células e da 
corrente sanguínea para eliminá-lo do organismo 
Fonte: Elaborada pelo autor. 
 
Com os lipídios convertidos em ácidos graxos, eles são direcionados para as 
mitocôndrias das células, onde são degradados em duas unidades de carbono através 
da betaoxidação, dando origem à acetil-CoA, que iniciará a respiração celular pelo 
ciclo de Krebs. 
Em relação aos ácidos graxos, são necessárias quatro etapas da betaoxidação 
para sintetizar uma molécula de acetil-CoA, processo que retira dois carbonos da 
estrutura do composto. A título de exemplo, vamos considerar um ácido graxo 
contendo 16 carbonos, com isso, será necessário repetir o processo por 7 vezes para 
oxidar a molécula por completo, já que a última irá produzir duas moléculas de acetil-
CoA. 
Podemos observar as etapas da betaoxidação na imagem 3, onde temos a 
redução de uma unidade das coenzimas NAD+ e FAD em cada ciclo e, considerando 
o ácido graxo palmitoil, com 16 carbonos, teremos que passar por sete ciclos até sua 
completa redução, gerando como produtos oito acetil-CoA e 14 coenzimas reduzidas, 
sendo 7 moléculas de NADH e 7 de FADH2. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 3 – Betaoxidação do palmitoil 
 
 
 
Fonte: Adaptado de Nelson e Cox (2019) 
 
O funcionamento da rota de betaoxidação depende da concentração de ácidos 
graxos, estando relacionada com a atividade da enzima triaglicerol-lipase no tecido 
adiposo, que é potencializada através de reações de desfosforilação e fosforilação 
coordenadas pelo glucagon, pelo AMPc (adenosina monofosfato cíclico) e pela 
adrenalina, podendo ser bloqueada pela insulina. 
Os adipócitos são capazes de realizar uma reação de hidrólise nos 
triglicerídeos, gerando como produto glicerol e ácidos graxos, sendo estimulada pelo 
nível de adrenalina e glucagon, a reação é catalisada pela enzima triacilglicerol-lipase. 
A produção de ácidos graxos acontece no retículo endoplasmático liso a partir da 
acetil-CoA. 
A taxa de produção depende da atividade da enzima acetil-CoA-carboxilase, 
 
 
que é estimulada por desfosforilação e por citrato coordenada pela insulina, sendo 
bloqueada pelo palmitol-CoA, um produto da rota de betaoxidação, e pela fosforilação 
dependente de AMP e AMPc. 
Segundo Nelson e Cox (2019), a produção de ácidos graxos é coordenada a 
longo prazo, através de mudanças na velocidade de produção das enzimas que 
catalisam o processo, sendo bloqueadas pelo glucagon e estimuladas pelas enzimas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Highlight
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
MANN, J.; TRUSWELL, S. Nutrição humana. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2011. 
NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de bioquímica de Lehninger. 7. ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2019. 
REMIG, V. et al. Trans fats in America: a review of their use, consumption, health 
implications and regulation. Journal of The American Dietetic Association. [s. l.], v. 
110, n. 4, p. 585-592, 2010. 
WARDLAW, G. M.; SMITH, A. M. Nutrição contemporânea. 8. ed. Porto Alegre: 
AMGH; Artmed, 2013. 
WHITNEY, E. ROLFES, S. R. Nutrição. 10. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
	6 LIPÍDIOS: CONCEITOS E TIPOS
	6.1 Ácidos graxos
	6.2 Ácidos graxos trans
	6.3 Fosfolipídios
	6.4 Triglicerídeos
	6.5 Esteróis
	6.6 Características e funções dos lipídios
	6.6.1 Estocar e proporcionar energia
	6.6.2 Proteção e isolamento do corpo
	6.6.3 Regulação hormonal
	6.6.4 Carreamento de vitaminas lipossolúveis
	6.6.5 Saciedade e sabor
	6.7 Metabolismo dos lipídios
	6.7.1 Lipoproteínas
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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