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Estudos_sobre_Imprensa_e_Historia_Local

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Prévia do material em texto

Reitor
Pedro Fernandes Ribeiro Neto
Vice-Reitor
Fátima Raquel Rosado Morais
Diretora de Sistema Integrado de Bibliotecas 
Jocelânia Marinho Maia de Oliveira
Chefe da Editora Universitária – EDUERN
Anairam de Medeiros e Silva
Conselho Editorial das Edições UERN
Emanoel Márcio Nunes
Isabela Pinheiro Cavalcante Lima
Diego Nathan do Nascimento Souza
Jean Henrique Costa
José Cezinaldo Rocha Bessa
José Elesbão de Almeida
Ellany Gurgel Cosme do Nascimento
Wellignton Vieira Mendes
Capa 
Luzia Andreza Menezes do Monte
Diagramação
Gabriela Mabel Alves Vieira
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
Catalogação da Publicação na Fonte.
Bibliotecária: Jocelania Marinho Maia de Oliveira CRB 15/319
Estudos sobre imprensa e história local no Rio Grande do Norte.
 / Organizadores Francisco Fabiano de Freitas Mendes, 
Ramona Lindsey Rodrigues Mendonça, Antônio Robson de 
Oliveira Alves. - Mossoró, RN: Edições UERN, 2020.
 
 113 p.
 ISBN: 978-65-88660-35-5 
 
 1. História – Rio Grande do Norte. 2. Imprensa e História – 
 Rio Grande do Norte. I. Mendes, Francisco Fabiano de Freitas. 
 II. Mendonça, Ramona Lindsey Rodrigues. III. Alves, Antônio 
 Robson de Oliveira. IV. Universidade do Estado do Rio Grande
 do Norte. V. Título. 
 
 CDD 300
Meus amigos e minhas amigas,
O Programa de Divulgação e Popularização da Produção Científica, 
Tecnológica e de Inovação para o Desenvolvimento Social e Econômico 
do Rio Grande do Norte, pelo qual foi possível a edição de todas essas 
publicações digitais, faz parte de uma plêiade de ações que a Fundação de 
Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (FAPERN), em parceria, 
nesse caso, com a Fundação Universidade do Estado do Rio Grande do 
Norte (FUERN), vem realizando a partir do nosso Governo.
Sempre é bom lembrar que o investimento em ciência auxilia e enriquece 
o desenvolvimento de qualquer Estado e de qualquer país. Sempre é bom 
lembrar ainda que inovação e pesquisa científica e tecnológica são, na 
realidade, bens públicos que têm apoio legal, uma vez que estão garantidos 
nos artigos 218 e 219 da nossa Constituição.
Por essa razão, desde que assumimos o Governo do Rio Grande do 
Norte, não medimos esforços para garantir o funcionamento da FAPERN. 
Para tanto, tomamos uma série de medidas que tornaram possível oferecer 
reais condições de trabalho. Inclusive, atendendo a uma necessidade real 
da instituição, viabilizamos e solicitamos servidores de diversos outros 
órgãos para compor a equipe técnica.
Uma vez composto o capital humano, chegara o momento também de 
pensar no capital de investimentos. Portanto, é a primeira vez que a FAPERN, 
desde sua criação, em 2003, tem, de fato, autonomia financeira. E isso está 
ocorrendo agora por meio da disponibilização de recursos do PROEDI, 
gerenciados pelo FUNDET, que garantem apoio ao desenvolvimento da 
ciência, tecnologia e inovação (CTI) em todo o território do Rio Grande do 
Norte.
Acreditando que o fortalecimento da pesquisa científica é totalmente 
perpassado pelo bom relacionamento com as Instituições de Ensino 
Superior (IES), restabelecemos o diálogo com as quatro IES públicas do 
nosso Estado: UERN, UFRN, UFERSA e IFRN. Além disso, estimulamos que 
diversos órgãos do Governo fizessem e façam convênios com a FAPERN, 
de forma a favorecer o desenvolvimento social e econômico a partir da 
Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) no Rio Grande do Norte.
Por fim, esta publicação que chega até o leitor faz parte de uma série 
de medidas que se coadunam com o pensamento – e ações – de que os 
investimentos em educação, ciência e tecnologia são investimentos que 
geram frutos e constroem um presente, além, claro, de contribuírem para 
alicerçar um futuro mais justo e mais inclusivo para todos e todas! 
Boa leitura e bons aprendizados!
Fátima Bezerra 
Governadora do Rio Grande do Norte
PARCERIA PELO 
DESENVOLVIMENTO 
CIENTÍFICO DO RN
A Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do 
Norte (FAPERN) e a Fundação Universidade do Estado do Rio Grande 
do Norte (FUERN) sentem-se honradas pela parceria firmada em 
prol do desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação. A 
publicação deste livro eletrônico (e-book) é fruto de esforço conjunto 
das duas instituições, que em setembro de 2020 assinaram o 
Convênio 05/2020–FAPERN/FUERN, que, dentre seus objetivos, 
prevê a publicação de quase 200 e-books. Uma ação estratégica 
como fomento da divulgação científica e popularização da ciência.
Este convênio também contempla a tradução para outros idiomas 
de sites de Programas de Pós-Graduação (PPGs) das instituições de 
ensino superior do estado, apoio a periódicos científicos e outras 
ações para a divulgação, popularização e internacionalização do 
conhecimento científico produzido no Rio Grande do Norte. Ao 
final, a FAPERN terá investido R$ 100.000,00 (cem mil reais) oriundos 
do Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
(FUNDET), captados via Programa de Estímulo ao Desenvolvimento 
Industrial do Rio Grande do Norte (PROEDI), programa aprovado 
em dezembro de 2019 pela Assembleia Legislativa na forma da Lei 
10.640, sancionada pela governadora, professora Fátima Bezerra.
Na publicação dos e-books, estudantes de cursos de graduação da 
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) são responsáveis 
pelo planejamento visual e diagramação das obras. A seleção dos bolsistas 
ficou a cargo da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE/UERN).
No Edital 02/2020–FAPERN, os autores/organizadores puderam 
inscrever as obras resultantes de suas pesquisas de mestrado e 
doutorado defendidas junto aos PPGs de todas as Instituições de 
Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTIs) do Rio Grande Norte, bem como 
coletâneas que derivem do trabalho dos grupos de pesquisa nelas 
sediados. Neste primeiro edital foram inscritas 63 obras, das quais 57 
tiveram aprovação após a verificação de atendimento aos critérios e envio 
aos pareceristas, processo editorial que fica a cargo das Edições UERN.
Com essa parceria, a FAPERN e a FUERN unem esforços para o 
desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte, acreditando na 
força da pesquisa científica, tecnológica e de inovação que emana das 
instituições potiguares, reforçando a compreensão de que o conhecimento 
é transformador da realidade social.
Agradecemos a cada autor(a) que dedica seu esforço na concretização 
das publicações e a cada leitor(a) que nelas tem a oportunidade de 
incrementar seu conhecimento, objetivo final do compartilhamento de 
estudos e pesquisas.
Gilton Sampaio de Souza 
Diretor-Presidente da FAPERN 
Fátima Raquel Rosado Morais
Presidente em exercício da FUERN
SOBRE OS
AUTORES
1 Francisco Fabiano de Freitas Mendes (Organizador)
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/7845344312617032
ID Lattes: 7845344312617032
Última atualização do currículo em 28/08/2020
Possui graduação em História pela Universidade Estadual do Ceará - UECE 
(2001), mestrado em História Social pela Universidade Federal do Ceará - UFC (2004) 
e Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo - USP (2014). É 
professor do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio Grande do 
Norte - UERN desde 2006, membro permanente do corpo docente do curso de Pós-
graduação em Ciências Sociais e Humanas - PPGCISH/UERN, nível mestrado, desde 
2016 e membro do Mestrado Profissional em Ensino de História - PROFHISTÓRIA/
REDE/UERN, desde 2019. Tem experiência na área de História, com ênfase em 
História e Linguagens, História do Brasil e Teorias e Metodologias da História, atuando 
principalmente nos seguintes temas: história doBrasil republicano, história-literatura, 
história da cultura, história política e história da produção e circulação de saberes.
2
 Ramona Lindsey Rodrigues Mendonça (Organizadora)
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/8838545661959720
ID Lattes: 8838545661959720
Última atualização do currículo em 22/07/2020
Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas da 
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (2020). Foi bolsista do Programa de 
Demanda Social da CAPES (2018-2020). Possui graduação em História pela Universidade 
do Estado do Rio Grande do Norte (2018). É membro do Grupo de Pesquisa História 
do Nordeste: sociedade e cultura. Desenvolve atividades de pesquisa na área de História 
Cultural, com ênfase em temáticas de Moda, Beleza e Feiura nos periódicos e Gênero.
3
 Antônio Robson de Oliveira Alves (Organizador)
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/0020718317917150
ID Lattes: 0020718317917150
Última atualização do currículo em 30/08/2020
Possui graduação em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte 
(2017). Mestrado em Ciências Sociais e Humanas pela Universidade do Estado do Rio 
Grande do Norte (2020). Atualmente é professor de História no Centro Educacional de 
Aprendizagem Moderna - CEAMO. É membro do Grupo de Pesquisa História do Nordeste: 
sociedade e cultura e do Grupo de Pesquisa MNÊMIS: Memória, Identidade e Ensino 
de História. Desenvolve pesquisa na área de História, dando ênfase nos seguintes temas: 
História Social e Cultural do Crime - Banditismo e Narrativas de Crime na Imprensa.
4
 Ana Paula de Oliveira Góis
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/6230926798364104
ID Lattes: 6230926798364104
Última atualização do currículo em 13/01/2019
Possui graduação em História pela Universidade do Estado do Rio Grande 
do Norte (2014). Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências 
Sociais e Humanas da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
5
 Maria Eunice de Oliveira
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/6976602657176235
ID Lattes: 6976602657176235
Última atualização do currículo em 15/09/2020
Graduada em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN; 
Participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID; 
Professora na Instituição de Ensino Instituto Pequeno Príncipe - IPP (de abril a novembro 
de 2015, ensino fundamental menor e maior); Professora na Instituição de Ensino Instituto 
Alvorada (de fevereiro de 2016 a abril de 2018, ensino fundamental menor e maior); 
Aperfeiçoamento em Políticas Públicas Educacionais - Universidade Federal Rural do 
Semi Árido- UFERSA.; Especialista em Atendimento Educacional Especializado (AEE) 
na Perspectiva da Educação Inclusiva - Faculdades Integradas de Patos - FIP; Libras 
Nível I - CAS- Mossoró. Mestre em Ciências Sociais e Humanas pela Universidade do 
Estado do Rio Grande do Norte - UERN; Graduanda em Pedagogia. EAD-UNICESUMA.
6
 Gabriel Barreto da Silveira Oliveira
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/0365766150199370
ID Lattes: 0365766150199370
Última atualização do currículo em 31/07/2020
Discente de mestrado do Programa de Pós-graduação em História da UFRN 
(PPGH-UFRN). Possui Licenciatura em História na Universidade Federal do 
Rio Grande do Norte - Campus Natal. Realiza pesquisas no campo da História 
Urbana, vinculado ao Grupo de Pesquisa Espaços na Modernidade a partir do 
projeto “A cidade, do renascimento à morte: espaço, tempo e modernidade na 
cidade de Natal (1900-1940)”. Também tem interesse em estudos nos campos 
da Teoria da História, Historiografia, História da Arte e das Sensibilidades. 
Também possui Curso Técnico em Geologia pelo Instituto Federal de Educação, 
Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (2014), tendo publicações na área 
de Geociências, nos seguintes temas: Geoturismo, Geoparque, Geodiversidade.
7
 Karine Maria Lima Lopes
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/4607030926674264
ID Lattes: 4607030926674264
Última atualização do currículo em 07/08/2020
Concluiu o Ensino Médio Técnico Integrado em Informática, pelo Instituto 
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - IFRN campus 
Pau dos Ferros. Graduanda em História (Licenciatura) e integrante do grupo de 
pesquisa “Os espaços na modernidade” (PIBIC-UFRN). Tem interesse na História 
do Brasil República, principalmente nas áreas de História Urbana e de História Oral. 
Membro do projeto de extensão que resultou no filme A província moderna (2019). 
SOBRE OS AUTORES
APRESENTAÇÃO ........................................................ 16
Francisco Fabiano de Freitas Mendes
Ramona Lindsey Rodrigues Mendonça
Antônio Robson de Oliveira Alves
A FACE E A PRENSA: 100 ANOS DE VINGT-UN ROSADO E 71 ANOS 
DA COLEÇÃO MOSSOROENSE ...................................... 18
Francisco Fabiano de Freitas Mendes
MEDO DO OUTRO: NARRATIVAS DA IMPRENSA DE MOSSORÓ/RN 
SOBRE OS FLAGELADOS E OS CANGACEIROS NOS SÉCULOS XIX E 
XX ............................................................................. 30
Antônio Robson de Oliveira Alves
MODA E PERIÓDICOS: USOS E INSERÇÕES NO COMPORTAMENTO 
FEMININO .................................................................. 45
Ramona Lindsey Rodrigues Mendonça
OS DISCURSOS DA MODERNIDADE: A CONSTRUÇÃO DO 
IMAGINÁRIO MODERNO EM MOSSORÓ NO FINAL DO SÉCULO XIX 
E INÍCIO DO SÉCULO XX .............................................. 61
Ana Paula de Oliveira Góis
O ICOP E A CONSTRUÇÃO CULTURAL DO OESTE POTIGUAR (1957- 
2012) ........................................................................ 73
Maria Eunice de Oliveira
IMPRENSA, MODERNIDADE E CONSERVADORISMO NO GOVERNO 
DE JUVENAL LAMARTINE (1928-1930) ....................... 83
Gabriel Barreto da Silveira Oliveira
TENSÕES NA CIDADE MODERNA: AS SALAS DE CINEMA COMO 
ESPAÇOS DE SOCIABILIDADES URBANAS (NATAL, 1911 – 1929) 
.................................................................................. 99
Karine Maria Lima Lopes
SU
M
ÁR
IO
Queremos entender o poder da imprensa e da palavra impressa.
Robert Darnton
Não podemos nos esquecer de que os jornais costumam ser 
muito tendenciosos, são tremendamente mal-informados e só 
abordam uma pequena parcela da realidade. Apear disso, eles são 
uma fonte inestimável para o historiador, e não só pelo que dizem 
em suas matérias, mas pelo que também se pode extrair de seus 
anúncios e ilustrações
Asa Briggs
A utilização da imprensa como fonte histórica só 
aparentemente é algo fácil. Precisamos estar conscientes 
das ciladas que pode haver e que é muito complicado 
compreender o contínuo ajustamento que existe entre as 
autoridades, os redatores e o público.
Daniel Roche
16
Francisco Fabiano de Freitas Mendes1
Ramona Lindsey Rodrigues Mendonça2
Antônio Robson de Oliveira Alves3
Duas abraçadeiras enfeixam esta coletânea: o uso de impressos como fonte, 
em especial, os periódicos; e o recorte espacial dos estudos sobre a vida social 
local, o que alcança várias regiões do Estado do Rio Grande do Norte. Outra 
característica marcante é a diversidade temática convergente no cuidado de discutir 
a vida social a partir do fenômeno da modernidade, com todas as contradições do 
conceito e as idiossincrasias passíveis de crítica em cada evento, em cada processo. 
Quanto à fonte e suas respectivas metodologias, a presente coletânea traz na 
humildade de seu título uma enorme missão. Tão enorme que não tem fim, embora 
sua finalidade seja precisa: contribuir na manutenção de um tipo de historiografia cada 
vez mais compreendido como ultrapassado, exemplar de um regime de historicidade 
caduco, alinhado a operações excessivamente antipáticas ao pensamento apressado e 
urgente de salvar o presente. Tal crítica desperta, no mínimo, estranhamento diante do 
curioso movimento paroxístico que liberta vozes e desperta a escuta enquantodemoniza 
fontes que há bem pouco tinham o manuseio “proibido” no Brasil e que aos poucos 
vêm ganhando a pecha de “clássicas demais”. E aqui cabe um pedido de desculpas 
pelo uso da expressão “há bem pouco” para um período de mais ou menos 70 anos, 
prazo decerto compreendido como afastado demais diante do presentismo que, qual 
buraco negro, draga para dentro de si a órbita gigante do passado e a sem tamanho do 
futuro, comprimindo-as à vida dos vivos. A história é também sobre a vida dos mortos.
Curiosamente, os textos desta coletânea abarcam temporalidade em grande medida 
pouco maior que a do período citado acima, coincidindo assim a idade das fontes à idade de 
Apresentação
Estudos sobre 
imprensa e história 
local no Rio Grande 
do Norte
17
seu uso corrente na historiografia brasileira. Os exercícios das jovens historiadoras e dos 
jovens historiadores que compõem as páginas a seguir, mostram os desafios de aprender a 
lidar com essas fontes impressas, o que as fazem aparecer para as gerações de profissionais 
da história como sempre novas e desafiadoras, inclusive no necessário diálogo com 
fontes mais novas do que elas. E não exclusiva, mas próximo disso, a atmosfera temporal 
que marca esta coletânea é a do Brasil republicano. E isto leva à outra abraçadeira. 
A opção pelo recorte local, que em muito denuncia o caráter de amadurecimento 
das autoras e dos autores, também traz, à luz da análise de performances 
locais, um rol de questões que vai do mandonismo e violência aos costumes 
e políticas culturais, conectando os textos desta coletânea às discussões 
sobre as dimensões política, cultural, social e imaginária e aos domínios das 
histórias urbana, da vida privada, das ideias, das mulheres, das representações. 
Outro aspecto importante a ser destacado é a possibilidade de uso dos textos na 
sala da aula, reforçando a compreensão de que a historiografia não está dissociada das 
salas de aula de história. Ao contrário: pouco inclinados às viagens temporais de longo 
fôlego, os jovens precisam reconhecer vivências passadas para a melhor compreensão 
dos processos históricos. Os textos desta coletânea trazem essa possibilidade 
– eis uns dos ganhos do estudo local quando não reféns da fórmula local/presente.
 
18
Francisco Fabiano de Freitas Mendes
 
Em 2020, Jerônimo Vingt-un Rosado (1920-2005) faria 100 anos. Sua mais 
ambiciosa criação e projeto mais longevo faz 71. Em sua homenagem, as engrenagens 
da criatura geraram o registro (mais uma vez) e faz circular os feitos do criador. 
Agora, numa roupagem moderna, fartamente colorida e em forma de poesia, Vingt-un 
vira verso e desenho e revisita no texto as realizações de uma vida num interessante 
jogo de espelhos que, contudo, não é inédito. É uma das partes da natureza dos 
impressos da Coleção Mossoroense. Por perseguir a compreensão dessa natureza 
e a atuação de Vingt-un, o presente texto não é laudatório, embora seja impossível 
não reconhecer os feitos que marcam a trajetória impressa em linhas (às vezes tortas) 
de uma instituição voltada para o saber e a performance de seu idealizador, que 
traçou as linhas da política cultural de uma região – uma sofisticada forma de poder.
Responsável pela idealização, montagem, manutenção de um selo editorial que 
teve as atividades iniciadas em fins dos anos 40 do século passado, em Mossoró-RN, 
e ainda está em atividade, Vingt-un estabeleceu a diretriz da Coleção Mossoroense.
O termo diretriz talvez não se aplique de forma plena à condução da instituição 
responsável pela produção e circulação de saberes que teve de início o propósito claro 
de solidificar uma política cultural da prefeitura de Mossoró e acabou por se tornar 
uma força disforme e de crescente abrangência que serviu à impulsão política de 
membros da família Rosado. Embora dentre os vários veios da Coleção Mossoroense 
esteja o papel de se tornar o contundente meio local de divulgação científica, 
principalmente nos 1970 e 1980, se acomodando e ajudando a moldar o processo 
de instalação de instituições de ensino superior na cidade, no final dos anos 1960. 
A FACE E A PRENSA: 
100 ANOS DE VINGT-UN 
ROSADO E 71 ANOS DA 
COLEÇÃO MOSSOROENSE
19
O longevo sucesso, o grau de penetração nas elites econômica e política, e a forte 
atuação em instituições locais, estaduais e mesmo nacionais da família Rosado1 só podem 
ser compreendidos por meio da atuação de Vingt-un Rosado como o responsável pela 
construção de um imaginário cravado na história de Mossoró e do Rio Grande do Norte: 
cidade da liberdade (primeira a abolir a escravidão na província do Rio Grande do Norte, 
em 1883); cidade da resistência (a derrota aplicada ao bando de cangaceiros liderado 
por Lampião, em 1927); e cidade do pioneirismo (primeiro voto feminino do Brasil, em 
1928). Deste modo Vingt-un se encaixa perfeitamente na formulação de Angela de Castro 
Gomes sobre o mediador cultural: “homens da produção de conhecimento e comunicação 
de ideias, direta ou indiretamente vinculados à intervenção político-social” (2016, p. 10).
A definição ampla de mediador cultural pede a verificação de elementos que 
Jean-François Sirinelli chamou de “invariantes”, que baseiam uma “definição de 
geometria variável” da definição mais abrangente ainda de intelectual (2003, p. 242).
Segundo Sirinelli essas invariantes concorrem para o entendimento de “duas 
acepções do intelectual, uma ampla e sociocultural, englobando os criadores e os 
‘mediadores’ culturais, a outra mais estreita, baseada na noção de engajamento” 
(Idem). Ainda de acordo com Sirinelli, a primeira acepção engloba os professores, os 
escritores, os criadores, os “mediadores em potencial”. A segunda acepção engloba 
aquele que performa na “vida da cidade como ator – mas segundo modalidades 
específicas, como por exemplo a assinatura de manifestos – testemunha ou 
consciência” (2003, p. 242-243). Vingt-un Rosado comporta as duas acepções.
E se o foco recair sobre o Vingt-un da Coleção Mossoroense, a definição final de 
Sirinelli, em consonância com a de Angela de Castro Gomes, o classifica ainda como 
detentor de notoriedade e/ou especialização “reconhecida pela sociedade em que ele 
vive – especialização esta que legitima e mesmo privilegia sua intervenção no debate da 
cidade –, que o intelectual põe a serviço da causa que defende” (SIRINELLI, 2003, p. 242). 
1 Os membros da família Rosado em Mossoró foram pessoas de grande influência na cidade norteriograndense, especialmente no 
que condiz às questões comerciais, de indústria e da política, sendo esta última, conquistada por meio da alta condição econômica que os 
referenciava como políticos aptos aos cargos, bem como pela imagem de prestígio que foi construída e levada no nome de todos os familiares. 
20
É importante lembrar que Vingt-um, o caçula dos Rosado não caiu no projeto da 
família como se fosse um movimento natural movido pelo parentesco tão somente. Não 
foi um arranjo ou um encaixe providenciado para que ninguém do grupo político ficasse 
de fora. Se, a partir de 1948, foi ladeado pelos irmãos Dix-sept, à frente da prefeitura 
municipal, e por Dix-huit, atuando na Assembleia Legislativa, começando o jovem de 
28 anos sua vida de homem da cultura e da educação na administração pública, essa 
colocação se deu, entre outros motivos, pela visibilidade adquirida na produção de seu 
primeiro texto: “Mossoró”, de 1940. O texto de estreia recebeu de Câmara Cascudo a 
seguinte crítica:
É a história de Mossoró. A primeira tentativa de sistematização incompleta, 
corrigível, provisória, mas veemente, ampla, olhando todos os ângulos do assunto. 
Antes desse rapaz, recém-saído do Ginásio Diocesano Santa Luzia, Mossoró possuía 
documentos, artigos esparsos, papeis espalhados, informações nas memórias velhas, 
crônicas nos jornais esquecidos. Nada coerente, contínuo, articulado. (CASCUDO 
apud ROSADO, 1993, p. 05)
 Antes, porém, em 1935 já animavaperiódicos locais, como A voz do estudante, 
do Centro Estudantil Mossoroense, publicando textos como Miguelinho e a revolução de 
1817, o que demostrava o gosto pela história local e a inclinação à popularização de vultos. 
Esta seria, aliás, uma das marcas que acompanharam seus textos não puramente técnicos. 
A atuação de Vingt-un Rosado como intelectual mediador cultural também deve ser 
analisada a partir do escopo da História Pública – menos como produtor rival de um tipo 
não acadêmico de história pública, importante questão em pauta para a historiografia 
especializada (ALBIERE, 2011, p. 19-27), e mais como objeto da história a partir do domínio 
da ação dos agentes sociais e seus discursos, reconhecendo-se a tradição de explicadores e 
construtores de sentido da história brasileira, até poucas décadas carente de universidade. 
Daí em diante, após a temporada de estudos, entre 1940 e 1944, na Escola Superior 
de Agricultura de Lavras – ESAL, no interior de Minas Gerais, onde foi um dos 
responsáveis pela construção da sede do Centro Acadêmico e atuou como bibliotecário 
21
do espaço que ajudou a construir, Vingt-un passou a aliar o gosto por escrever suas ideias 
e registrar histórias ao de montar espaços de leitura e completar coleções bibliográficas.
Na administração de Dix-sept como prefeito, a ação chamada “Batalha da Cultura” 
começou com a instalação, quase que simultânea à posse do prefeito, da Biblioteca 
Pública Municipal e de uma Biblioteca infantil. Depois veio a instalação improvisada 
do Museu Público Municipal nos salões de um clube, o Ipiranga, então alugado à 
prefeitura. Paralelo à essas ações estava o Boletim Bibliográfico, publicação mensal 
que trazia algum estudo técnico ou científico sobre Mossoró e o interior do estado. 
Foi a partir do Boletim Bibliográfico, periódico que circulou entre setembro de 1948 e 
março de 1961, que começou a construção discursiva de uma capital regional no interior:
Sob a direção de Assis Silva e Romeu Rebouças, continua a circular mensalmente o 
Boletim Bibliográfico, cujo número de fevereiro corresponde ao vigésimo primeiro. A 
partir de setembro, foi adotado o tamanho ofício. Os 12 números últimos publicaram 
trabalhos de muito valor sobre o município e também sobre a região Oeste do Estado. 
(ROSADO, 1997, p. 07)
 A expressão Oeste Potiguar passou a ganhar força, chegando a ter, a partir 
de 1957, um veículo próprio para definir essa ideia: o Instituto Cultural do Oeste 
Potiguar-ICOP que, até hoje na ativa, também foi idealizado por Vingt-un Rosado 
em parceria com João Batista Cascudo Rodrigues, que cerca de dez anos depois 
viria a ser o primeiro reitor da Universidade Regional do Rio Grande do Norte-
URRN – hoje Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN, instituição 
que nos primeiros momentos também contou com a colaboração de Vingt-un.
A vocação de exportar discursivamente a pequena experiência local num movimento 
que era ao mesmo tempo de auto-engrandecimento e de convencimento das outras 
forças políticas do estado pode ser visto no discurso pronunciado por Vingt-un 
Rosado no Primeiro Congresso Municipal Norteriograndense, realizado em 1949, 
quando o Programa Mínimo de Cultura foi apresentado e sugeria-se sua ampliação 
e replicação: “a experiência mossoroense, na matéria, contando com pouco mais de 
um ano, poderá ser seguida, com maior ou menor amplitude pelas demais Prefeituras” 
22
(ROSADO, 1991, p. 03). Dentre as “demais prefeituras” estava a da capital do Estado, 
chamada a constituir com Mossoró um Departamento Municipal de Cultural. A ideia 
era reunir, “com o mínimo de burocracia e o máximo de trabalho”, as experiências 
das duas cidades na área de cultura num “órgão centralizador [sic], que melhor 
rendimento poderia dar ao seu trabalho de difusão cultural” (ROSADO, 1991, p. 09).
 A inspiração fora o Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São 
Paulo, cujo primeiro diretor foi Mário de Andrade. Sutilmente, o responsável pela pasta de 
cultura do município estava propondo a divisão da responsabilidade do setor cultural entre 
as duas capitais, a política e a cultural, Mossoró, já convencida de ser a capital do interior. 
Para Vingt-un, o coração de um programa mínimo de cultura ideal seria a biblioteca 
pública municipal. A ela se agregariam a biblioteca infantil, o conselho municipal de 
cultura e o museu municipal. Sobre os museus, Vingt-un destaca no plano a necessidade 
de três museus temáticos que instalados estrategicamente cobririam as principais regiões 
do estado:
 
O museu de MOSSORÓ procuraria se especializar cada vez mais em ARQUEOLOGIA 
E PALEONTOLOGIA DO RGN, o MUSEU DE NATAL seria um verdadeiro Museu 
Social do Estado e o MUSEU DE CURRAIS NOVOS estudaria de preferência a 
GEOLOGIA e a MINERALOGIA da Província. (ROSADO, 1991, p. 08-09)
 Do Boletim Bibliográfico brota, em 1949, a Coleção Mossoroense, dividida em 
duas séries: a SÉRIE A - textos mimeografados; e a SÉRIE B – folhetos. Em ambas as 
séries há textos de Vingt-un: Os silvícolas brasileiros e o preformismo (Vol. III – Série 
A); Um possível caso de telegonia entre os nossos indígenas, mencionados por Anchieta 
(N. 1 – Série B) e Um precursor mossoroense do cooperativismo (N. 4 – Série B). 
Os dois primeiros citados têm presença explicada na fórmula mesma de estabelecer 
contato com discurso etnográfico formatado pelo Instituto Histórico e Geográfico 
Brasileiro. O terceiro é sobre o meio irmão, Tércio Rosado, fundador, em 1915, de uma 
cooperativa de comércio chamada “Mossoró Novo”. Com citações de Felipe Guerra, 
datada do mesmo ano, e tendo em anexo um texto do próprio Tércio Rosado, de 1949, a 
23
plaqueta, reeditada em 1992, é um exemplo de como Vingt-un conduzia a rememoração 
seletiva que circulava em textos e discursos pronunciados em momentos cruciais 
de renovação da imagem de uma cidade que, graças aos Rosado, estaria fadada ao 
sucesso. A estratégia reflete aquilo que Daniel Pécault definiu como “uma vocação para 
elite dirigente”, com o afastamento de uma observação de gabinete e a aproximação 
de uma ciência do social, de “setores do conhecimento do real” (1998, p. 21-22).
Os aspectos da trajetória até aqui traçada sugerem que para divisar a atuação do 
intelectual é indispensável que se observe a potencialidade de seu discurso em se 
constituir farol representativo e como sua atuação, equilibrada entre o intelectual e 
o homem público, consorciou-se ao papel de ser guardião de uma memória que ele 
mesmo ajudou a engendrar de modo interessado por meio de um discurso repleto 
de termos dramáticos como “saga” e “batalha”. Noutras palavras, ao se debruçar 
sobre produtos culturais duma elite letrada, deve-se levar em conta duas diligências. 
A primeira, voltada para a atuação do sujeito, aqui sintetizada na observação de 
Jean-François Sirinelli: “uma história dos letrados demasiado dissociada da sua história 
propriamente intelectual levaria a uma supressão epistemológica nociva” (SIRINELLI, 
1998, p. 271). A segunda, que parte de uma série de observações de Antoine Compagnon 
sobre o texto literário (2010, p. 49-52; 83-91; 97-119; 196-211), chama a atenção para 
o potencial primário do texto: quanto mais for possível se aproximar do efeito primeiro 
que as palavras tiveram sobre seu presente, quando de seu surgimento e registro, melhor. 
Se essa última observação, se acordo com Compagnon, é importante para a análise do 
texto literário levando-se em conta a questão do autor, da intenção e do sentido, o que 
dirá do texto que, sem ser artístico precisa, a seu modo, encantar, convencer, agregar? 
Sobre os colaboradores e o volume de títulos publicados, os números levantados 
impressionam. 
24
Da lista de mais de 4.000 mil títulos Vingt-un figura como autor, co-autor ou 
organizador de cerca de 550 obras (mais ou menos 200 títulos da Série C e mais 
de 300 plaquetas da Série B); ele também foi o responsávelpela publicação de 
obras (acadêmicas ou não) de mais de 200 novos escritores; e na coleção contam 
centenas de títulos (técnicos ou acadêmicos) das Ciências Exatas e da Terra, Ciências 
Biológicas, Engenharias e Ciências Agrárias. Portanto, o gigantismo dos números e a 
variedade de focos flagram a atuação de um intelectual interessado, antes de tudo (ou 
apesar de tudo), na difusão das letras (MENDES, 2018, p. 50-51).
Quando nasceu, a coleção estava ligada à prefeitura, passando, em 1974 a 
se instalar e ter apoio financeiro da Escola Superior de Agronomia de Mossoró-
ESAM, também criada por Vingt-un, em 1967 – hoje Universidade Federal Rural 
do Semi-Árido-UFERSA. A terceira etapa da editora começou em 1995, quando foi 
criada a Fundação Vingt-un Rosado e os convênios e parcerias passam a acontecer 
também com as empresas instaladas no município, principalmente a Petrobras. 
Na década de 1970, a família Rosado comprou o jornal O Mossoroense, fundado 
em 1872, um dos mais antigos do Brasil – hoje funcionando apenas em plataforma 
digital. Com tal aquisição, a Coleção Mossoroense passou a investir mais fortemente 
na produção de plaquetas (Série B), que oportunizava o retorno das matérias publicadas 
no periódico diário num outro formato, num outro suporte e com nova finalidade. 
Exemplo máximo dessa pujança é outra ação do grande projeto: a noite da cultura. 
Motivo de orgulho pessoal do seu idealizador e principal colaborador, a Editora 
Coleção Mossoroense chegou a lançar numa única noite, mais especificamente a 
17ª Noite da Cultura, em 1991, um conjunto de 400 títulos editados num período 
de um ano. Obviamente o registro de tal feito acabou se tornando uma plaqueta, 
que anos depois viria ser lançada (1998), provavelmente aproveitando matérias 
saídas n’O Mossoroense quando do evento e engrossando a lista de títulos da 
própria coleção enquanto reavivava os feitos do patrono e, por conseguinte, 
da família e seu tino para deixar Mossoró em destaque estadual e nacional.
Produzindo os próprios livros aparentemente de forma caótica e com variados 
formatos, chamados de séries (não-temáticas), a coleção, que também é editora 
e hoje, juridicamente, pertence a uma fundação sem espaço físico próprio, e é ao 
mesmo tempo um ajuntamento de temas dos mais variados interesses, um veio por 
onde escoa discursos inéditos ou se requenta textos já publicados, uma janela de 
25
divulgação científica (durante muito tempo praticamente a única em Mossoró) e uma 
forma de se fazer política cultural em nome de uma cultura política forjada durante 
décadas por intelectuais locais – homens da ciência e do campo universitário que em 
suas ações emblemam a questão da posição moral a eles atribuída ou por eles abraçada 
que parece os equidistar entre a cultura e a política (BOBBIO, 1997, p. 21-23).
Esse movimento de retroalimentação, essa intimidade construída por meio de troca 
e divulgação de ideias atravessa muitos dos textos da coleção num nítido retorno (ou 
contribuição) ao campo da política, inclusive, partidária, campo em que o próprio Vingt-
un se aventurou diretamente em 1968, numa malograda eleição para prefeitura, quanto 
perdeu por menos de 100 votos. Tendo passado duas décadas na vitrine da intelectualidade 
local e na linha de frente das ações do grupo político com atuação no campo da educação 
e da cultura, soube capitalizar a derrota colando-a à própria imagem de ponto fora da 
curva no gráfico de detentores do poder local, chegando a colocar em seu currículo o item 
“candidato derrotado a prefeito de Mossoró em 1968” (FERNANDES, 2010, p. 84-85).
A atuação nas universidades foi outro ponto fundamental na difusão do conhecimento 
aliada à manutenção do projeto político-cultural original. Sustentava o veio científico das 
publicações, a realização de eventos acadêmicos de alcance nacional que alimentavam 
os livros e plaquetas em períodos posteriores, seguindo o modus operandi da editora. 
Congressos, simpósios e seminários, como o Congresso Nacional de Botânica, 1974; 
Congresso Brasileiro de Zoologia, 1980; I Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 
1979; Congresso Brasileiro de Fitopatologia, 1975; Congressos Brasileiro de Florestas 
Tropicais, 1975 e 1976, tiveram sus resumos e anais publicados na coleção e, com 
efeito, serviram de matéria para uma obra posterior que os comentava como conquista.
Quando Vingt-un crava e expressão “País de Mossoró”, xistosa e provinciana, 
mas se a ela se junta a observação de toda a atmosfera construída a seu redor, 
percebe-se como as chaves interpretativas desenvolvidas por Koselleck (2006, 
p. 305-327) também podem ser aplicadas: conhecimentos de variados graus de 
proximidade do passado num exercício de “espaços da experiência” com a finalidade 
de usar esse conhecimento para possibilitar um “horizonte de expectativa”.
26
Poucos meses antes de sua morte, disse o idealizador da cultura letrada, da história 
pública, e do projeto político-cultural mossorenses: “as prioridades da Coleção 
Mossoroense: Mossoró, Rio Grande do Norte, Nordeste, Semi-árido, Brasil”. E 
continuou, como que fazendo um relatório sobre uma tarefa que lhe fora dada: um 
inventário de livros nacionais na área de ciências da terra; o registro da quase totalidade 
de livros do DNOCS reeditados pela Coleção; a coleção em cinco volumes sobre as 
Sesmarias do Rio Grande do Norte, baseados em cópia de Pedro Militão; a coleção 
completa das Falas e Relatórios dos Presidentes da Província do Rio Grande do Norte 
– 1835-1888; as centenas de obras discutindo a seca. (ROSADO, 2005, p. 09-17)
Mas no mesmo texto, tem-se uma mostra do que talvez desfaça a dúvida sobre a questão 
da diretriz, exposta no início deste texto. Sobre o Boletim Bibliográfico, a ideia matriz da 
Coleção Mossoroense, diz abertamente Vingt-un: “queríamos imitar a nomenclatura de 
São Paulo” (ROSADO, 2005, p. 08). O patrono dessa nomenclatura foi Mario de Andrade, 
mediador cultural que mantinha laços com Câmara Cascudo. E sobre Câmara Cascudo 
e sua obra, Vingt-un se orgulha de ter jogado luz no que Natal teria deixado à sombra:
As celebrações do centenário em Natal foram admiráveis, mas no passado, a cidade 
muitas vezes foi omissa na valorização do maior potiguar de todos os tempos.
Ninguém é profeta em sua terra, mas o “provinciano incurável” o foi, vantajosamente, 
derrotando todas as profecias e se tornando cidadão do mundo, conhecido e louvado 
em todo recanto de qualquer país, onde houvesse um culto à inteligência.
Só que Natal estava sendo injusta para com Cascudo.
“Alma Patrícia” é o seu primeiro livro, publicado em 1921.
A Coleção Mossoroense reeditou-o em 1991, 70 anos depois.
“Histórias Que o Tempo Leva” é de 1924, a Coleção o reeditou em 1991, 67 anos 
após.
“Joio” de 1924, esperou também 67 anos pela Coleção Mossoroense.
“Lopez Paraguay” é de 1927, como os três primeiros, ficara adormecido em Natal, até 
que Mossoró o redescobriu.
Mossoró ressuscitou os quatro primeiros livros do mestre, esquecidos da inteligência 
natalense durante mais de meio século. (ROSADO, 2005: 12-13)
27
 Havia método e havia diretriz: colocar Mossoró no mapa da cultura letrada nacional.
Os 55 anos que interseccionam a vida de Vingt-un Rosado e a da Coleção 
Mossoroense são um período rico e fartamente documentado das esferas política, 
cultural, social de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Voltar-se para tal período e 
seus sujeitos é fundamental para entender os processos que nos trouxeram até aqui. 
Essa tarefa é possível de ser cumprida em grande parte porque na simbiose entre 
homem e máquina, é possível acompanhar os movimentos de gestação de um país-ideia. 
REFERÊNCIAS
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de; ROVAI, Marta Gouveia de Oliveira (Orgs.). Introdução à história pública. São 
Paulo: Letra e Voz, 2011, p. 19-27.
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na sociedade contemporânea. Trad.: Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Ed. Unesp, 
1997.
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Cleonice P. B. Mourão; Consuelo F. Santiago. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2010.
FERNANDES, Paula Rejane. A escrita de si do intelectual Jerônimo Vingt-un 
Rosado Maia: arquivos pessoais e relações de poder na cidade de Mossoró (RN) – 
1920-2005. 2014. 210 f. Tese (Doutorado em História Social das Relações Políticas) 
– Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória-ES, 2010.
28
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Mediadores: práticas culturais e ação política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 
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PÉCAUT, Daniel. A geração dos anos 1920-40. In: _____. Os intelectuais e a política 
no Brasil: entre o povo e a nação. Trad.: Maria Júlia Goldwasser. São Paulo: Ática, 
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história política. 2ª ed. Trad.: Dora Rocha. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2003, p. 231-269
29
FONTES
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municipal. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 1991 – Série B, n. 1064. (texto 
original: Boletim Bibliográfico, n. 22, de 31-03-1950)
ROSADO, Vingt-un. A Coleção Mossoroense e sua história de 56 anos de teimosia. 
Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 2005 – Série B, n. 2711.
ROSADO, Vingt-un. Um autorretrato. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 1998 – 
Série B, n. 1573.
ROSADO, Vingt-un. Um Programa de Difusão Cultural em 1949. Mossoró-RN: 
Coleção Mossoroense, 1991 – Série B, n. 892
ROSADO, Vingt-un. Umas tantas incursões pelo chão da cultura – discurso 
pronunciado no V Forum Cultural de Mossoró – 14-08-1993. Mossoró-RN: Coleção 
Mossoroense, 1993 – Série B, n. 1264.
30
Antônio Robson de Oliveira Alves
Os espaços que formam uma cidade não se restringem ao concreto que foi usado 
para erguer prédios e alicerçar vigas, nem ao árduo trabalho de profissionais que 
investiram tempo em construções urbanas. Na verdade, podemos pensar esses espaços 
com outro olhar: perscrutando a subjetividade e representatividade de práticas e 
experiências que estão ligadas aos sujeitos que ao longo dos anos as produziram 
e as vivenciaram. Devemos refletir não apenas no material que está ali a amostra, 
mas também no subjetivo, o imaterial. Os rituais, as manifestações e as imagens, 
fazem parte de um patrimônio imaterial que podemos nomear de herança simbólica. 
Dessa forma, deve-se pensar sobre a construção, mantimento e perpetuação desses 
espaços não apenas como coadjuvantes na paisagem urbanística de uma cidade, 
mas como refletores de um passado, que trazem conotações vividas para o presente.
Olharemos para o passado, para Mossoró no final do século XIX, que se firmando 
como um empório comercial é visada pelos retirantes que viam nesse espaço um 
lugar de esperança e alento para a fome e miséria que dilaceravam sua existência. É 
a Mossoró do início do século XX que cangaceiros decidem invadir para roubar e 
suplantar a destreza e imponência de um lugar ímpar em sua região. Estes sujeitos 
são largamente mapeados, suas ações, feitos e querelas, passam a compor as 
principais matérias feitas pela imprensa ainda em construção e desenvolvimento.
MEDO DO OUTRO: 
NARRATIVAS DA IMPRENSA 
DE MOSSORÓ/RN SOBRE 
OS FLAGELADOS E OS 
CANGACEIROS NOS 
SÉCULOS XIX E XX
31
Para Raymond Williams em O Campo e a Cidade, há uma diferença 
crucial para se pensar o hiato existente no que se entende por ambos 
os espaços – campo e cidade –, segundo o autor, historicamente,
O campo passou a ser associado a uma forma natural de vida – de paz, inocência e 
virtudes simples. A cidade associou-se à ideia de centro de realizações – de saber, 
comunicações, luz. Também constelaram-se poderosas associações negativas: a 
cidade como lugar de barulho, mundanidade e ambição; o campo como lugar de 
atraso, ignorância e limitação (WILLIAMS, 2011, p. 11.).
 Seguindo o argumento de Williams, podemos elencar dois tipos de pensamento 
sobre a cidade: um olhar positivo que verifica o progresso com o avanço do urbano, 
em detrimento do atraso que é revelado pela vida no campo e uma visão negativa 
que encontra na cidade um local de tumulto, sem controle ou contenção. É possível 
verificar que em Mossoró ambos os olhares são postulados pela imprensa, ora revelando 
a positividade do crescimento urbano que trazia consigo utensílios da modernidade, 
asseverava um espaço de progresso e que alinhava-se aos centros que começavam a 
crescer naquele momento, e noutro instante, tecia críticas e revelava o medo desse 
crescimento trazer consigo o aumento da criminalidade, chamando a atenção para 
outros sujeitos que poderiam ofuscar o brilho do progresso que se queria vivenciar.
Essa cidade que é dúbia pode ser para os seus munícipes vista sob diversos 
ângulos, Pesavento atenta para essas possibilidades ao dizer que a cidade
Propicia aos seus habitantes representações contraditórias do espaço e das 
sociabilidades que aí têm lugar. Ela é, por um lado, luz, sedução, meda da cultura, 
civilização, sinônimo de progresso. Mas, por outro lado, ela pode ser representada 
como ameaçadora, centro de perdição, império do crime e da barbárie, mostrando 
uma faceta de insegurança e medo para quem nela habita. São, sem dúvidas, visões 
contraditórias, de atração e repúdio, de sedução e rechaço, que, paradoxalmente, 
podem conviver no mesmo portador (PESAVENTO, 1999, p. 19.).
 As ambiguidades que perfazem a percepção dos sujeitos na cidade passam por uma 
construção daquilo que se acredita está sendo vivenciado. É a alegria de ver a energia elétrica 
32
clarear as noites mal iluminadas, mostrando o avanço em relação a claridade advinda das 
iluminárias de querosene que deixavam o ar fétido e escuro2. É o medo dos flagelados, do 
caos que pode ser perpetrado por homens e mulheres que diante da fome, podem cometer 
os crimes mais temerários possíveis. É o gozo de poder dirigir automóveis, de sentir-se 
moderno com a direção na mão e o vento a tocar o rosto. É o horror das ocorrências 
postuladas pelos jornais que traziam em letras garrafais os sanguinários cangaceiros, 
desalmados e descivilizados. Em Mossoró essas realidades são contemporâneas e 
evidenciam uma cidade heteróclita, marcada pelas vicissitudes da realidade vivida.
Esse texto visa refletir sobre o outro: o estrangeiro; o forasteiro. Em Mossoró o outro 
era aquele que vinha de fora. Era o sertanejo que saiu de sua terra e rumou em busca de 
alento para a miséria e fome que acometia sua família. Foi o bandido, o cangaceiro, aquele 
que é mal por natureza, que deve ser extinto e expurgado da terra. Estes sujeitos pulularam 
as páginas dos jornais em Mossoró e região. Foram cotidianamente representados sob 
diversos auspícios. Seguindo as narrativas de Nobert Elias em Os Estabelecidos e os 
Outsiders (2000), aprendemos que é através de relações de poder que se concretizam em 
discursos e ações, que o status de estabelecidos é dado para uns e o de Outsiders é dado 
para o outro. Através dos discursos proferidos pela imprensa local, atestada e assinada pela 
própria elite política e econômica do munícipio, tanto os flagelados como os cangaceiros,tornaram-se, cada um em seu tempo, os inimigos principais a serem combatidos e temidos, 
assim, iremos pensar criticamente sobre como os jornais se tornaram propagadores do 
medo e se colocaram como difusores da ordem que deveria ser o guia daquela cidade.
FOME, MISÉRIA E DESORDEM: NARRATIVAS DA IMPRENSA SOBRE 
OS FLAGELADOS EM MOSSORÓ
Os primeiros anos do século XX é estabelecido como crucial para se entender a 
expansão da imprensa no Brasil, fato que já era percebido na Europa desde metade do século 
XIX. No caso brasileiro, temos fatores que propiciariam tal propagação: o crescimento 
2 C.f FERNANDES, Paula Rejane. Jornal O Mossoroense: o noticiador da modernidade. In: BARRETO, Maria Cristina Rocha; 
MARTINS, Guilherme Paiva de Carvalho. Memórias do espaço: identidades e subjetividades. – Mossoró: UERN, 2014, p. 40.
33
das cidades, o processo de mudança no regime político, expansão das indústrias e 
consequente alterações nas relações sociais, bem como aumento da criminalidade. Os 
jornais iriam acompanhar todas essas mutações e proferir discursos em torno dessas. A 
criminalidade recorrentemente aparecia nas páginas dos impressos com relação a fatores 
variados, como é o caso da manchete a seguir do jornal carioca Correio da manhã: 
Um corpo negro guardando alma ainda mais negra: duas crianças e um homem 
vítimas de terrível degenerado.
[...] O negro Frederico Moraes, de 26 anos, [...] sem profissão e conhecido desordeiro 
[...] sacando de uma navalha, atirou a lâmina de encontro ao ventre de Manoel 
ferindo-o [...]. O corpo do morto não escapou, sendo sacrilegamente atirado ao chão. 
[...] Fugiu o miserável (Frederico Moraes), correndo, desatinadamente, e entrou no 
prédio n. 26, residência do trabalhador da Alfândega Joaquim Juvêncio. [...]
Ali chegado, entrou em um quarto, onde se achavam adormecidos o pequeno Antenor, 
de 6 meses, e a menina Maria Augusta de 5 anos, filhos do infeliz Joaquim Juvêncio.
Não teve coração o perverso e covarde negro. Alçou a navalha, feriu Antenor na 
região occipital, e depois, como terrível fera, lançou-se sobre Maria. [...] Após o 
delito, o famigerado negro procurava fugir, a todos ameaçando [...] (CORREIO DA 
MANHÃ, 1911, p. 3).
Visualizamos um trecho que expressa todo o estigma de um período, e a 
narrativa criada pelo impresso demonstra uma preocupação em levar o leitor ao 
mais próximo possível do ocorrido, tornando-o parte da história e o fazendo refletir 
sobre os sofrimentos das vítimas, construindo um arcabouço crítico sobre o infrator. 
As narrativas dos crimes que se deram no início da República revelam o estereótipo 
construído ao longo de séculos sobre a figura do negro, revelando características 
que o identificava como desordeiro e vadio. O negro Frederico Moraes, como a 
notícia revela, é um sem profissão, desordeiro conhecido. A narrativa apresenta 
Frederico como uma fera, que não tem coração, covarde e perverso. Tais enunciados 
concedem voz aos sentimentos que iriam se formular diante daquela ocorrência 
e o jornal se torna um veículo singular no que concerne expandir esse julgamento.
Esse momento é singular pois marca a transição da imprensa com notícias e fatos 
do cotidiano, para uma empresa capitalista, cada vez mais interessada em assuntos 
34
e temas que possuíssem um apelo social e que aproximasse o público leitor das 
realidades que estavam ocorrendo. Esse fato é descrito por Fonteles Neto em sua análise 
nos jornais de Fortaleza nos anos iniciais do século XX, onde conseguiu perceber o 
surgimento de uma nova tendência nos jornais: as crônicas policiais, segundo ele,
Na capital cearense, esse novo gênero se consolidou como componente diário do jornal 
no início do século XX, visto que, até então, os jornais enfatizavam nos noticiários o 
debate político, as disputas entre os partidos, muitas vezes acompanhadas de crimes 
de vingança e pistolagem. O tema do crime já era abordado, mas sem a diversidade 
que a própria dinâmica urbana veio a fomentar. A delinquência e os delitos que 
se espraiaram no espaço citadino, estampados em letra de forma, revelavam a 
preocupação com a manutenção da ordem (FONTELES NETO, 2017, p. 16).
 
 Na análise do autor, é perceptível a preocupação da imprensa em narrar aquilo 
que se colocava como fato novo e do cotidiano. Notícias sobre mortes relacionadas a 
vingança, acontecimentos da política local, se colocam como matérias cruciais para a 
imprensa que ao narrar tais fatos, se perfazia como portadora da verdade e enunciadora 
de temas que estavam no cotidiano dos munícipes3. Esse cotidiano que é pensado e 
repensado pela imprensa ganha potencialidade a medida que novos agentes aparecem 
para dar novos tons e coloração às páginas dos impressos. No final do século XIX o 
tema da seca começa a fazer parte dos noticiários da imprensa em toda a região Norte.
O Ceará foi um dos estados mais afetados com o problema da seca. A multidão de 
flagelados que adentrava à capital, Fortaleza, evidencia o caos em que esses sujeitos estavam 
submetidos. Frederico de Castro Neves, nos informa que houve três ondas de secas no final 
do século XIX (1877, 1889, 1900), seguida pela de 19154. Segundo o autor, a “invasão” 
de retirantes nos anos de 1877-1880 foi alarmante, como cita na seguinte passagem:
3 Um dos assassinatos mais noticiados e que tomou expressão nacional foi a do governador da Paraíba, João Pessoa. Durante 
anos houve uma rixa entre este e alguns adversários políticos da época, fato que culminou em sua morte e que instaurou um clima de grande 
comoção e revolta naquele Estado, bem como impulsionou mudanças no cenário político nacional. Ver: SILVA, Giselda Brito. Sangue e 
violência na política brasileira: o assassinato de João Pessoa. In: SILVA, Gian Carlo de Melo (org.). Os Crimes e a história do Brasil: 
abordagens possíveis. Maceió: EDUFAL, 2015, p. 115-144.
4 Sobre a seca de 1915, ver: RIOS, Kênia Sousa. Isolamento e poder: Fortaleza e os campos de concentração na seca de 1932. 
– Fortaleza: Imprensa Universitária, 2014. RIOS, Kênia Sousa. Engenhos da memória: narrativas da seca no Ceará. Fortaleza: Imprensa 
Universitária, 2014. Na literatura uma obra singular que reconta a seca de 1915 é O Quinze, de Rachel de Querioz. Cf. QUEIROZ, Rachel de. 
O Quinze. 75ª ed. – Rio de Janeiro: José Olimpo, 2004.
35
A ‘invasão’ de retirantes em 1877-80 – que, segundo alguns observadores, chegou a 
mais de 114.000 quando a população da cidade mal atingia 25.000 pessoas – provocou 
uma das desordens urbanas e sociais mais graves em Fortaleza já experimentou. A 
presença destes pobres, famintos e doentes, no mais grave estágio em que ainda 
é possível sobreviver, exigiu uma imediata e radical mudança nos costumes e 
comportamentos, nos hábitos pessoais e cotidianos e, especialmente, no uso social 
de equipamentos urbanos, afetando profundamente a vida dos habitantes da capital 
(NEVES, 2005, p. 144).
 Esse cenário revela os problemas que a população de Fortaleza estava 
encarando com a presença dos flagelados. Um dos medos recorrentes no tocante à 
massa que abarrotava às ruas, era a do aumento da criminalidade que se alardearia 
pelo estado em que estes sujeitos se encontravam: famintos e desatinados. Com 
isso, os jornais iriam focalizar o caos perpetrado pelo problema dos flagelados 
e colocar esses sujeitos como principais causadores da desordem e falta de 
higienização de Fortaleza, fato que é percebido também em Mossoró/RN.
A cidade de Mossoró durante o final do século XIX e início do XX, configurou-se 
como um empório comercial. Essa cidade, localizada entre a capital do Estado, Natal, e 
a capital do Ceará, Fortaleza, viu seus anais serem redigidos inicialmente apenas como 
uma cidade de intercurso, sem grande expressão, todavia, conforme a produção de sal 
crescia, bem como com a chegada de empreendedores e a construção da estrada de ferro, 
passa por uma dinamização em sua economia, fator que possibilitou o crescimento de sua 
importânciaem escala regional e estadual5. Nesse panorama, a cidade começa a enfrentar 
problemas com o contingente de flagelados que, fugindo da fome, rumavam aos centros 
urbanos em busca de subsistência. Nas palavras de Felipe Guerra e Theóphilo Guerra, 
existiam, no fim de dezembro de 1877, “cerca de 25.000 pessoas, cuja a principal ocupação 
era ter fome e morrerem de miséria ou de peste” (GUERRA; GUERRA, 1909, p. 38).
As descrições que iriam ser fomentadas em relação aos flagelados e a cidade de 
Mossoró vão além do solo citadino, na cidade vizinha, Assú, o jornal local, Brado 
Conservador, faz um prenúncio do caos que se avizinhava no ano de 1877, com o levante 
5 C.f ROCHA, Aristotelina Pereira Barreto. Expansão urbana de Mossoró (período de 1980 a 2004): geografia dinâmica e 
restruturação do território. Natal: EDUFRN, 2005. p. 23-46.
36
de pobres maltrapilhos que rumaram para Mossoró em busca de encontrar guarida e 
alento, em matérias que tinham por título “De Mossoró nos dizem”, o jornal noticiava 
delitos que eram cometidos em decorrência da fome, como fica claro nessa descrição:
[...] Na noite de hontem para hoje os habitantes de S. Antonio accommetteram uma 
barcaça que chega a aquelle porto com gêneros do Governo da Parahyba, e a poderam-
se a fortiori de quarenta e quatro saccas com farinha, dez das quaes foram tomadas 
hoje pela madrugada pelo Theodomiro com quatro retirantes que agora pela manha 
acabaram de chegar a esta cidade, trasendo presos e escoltados trez dos salteadores 
(O BRADO CONSERVADOR, 1877, p. 3).
 Essa notícia remete ao ajuntamento que ocorria de sujeitos que tinham o intuito 
de sacarem os alimentos que vinham de outras províncias em socorro à seca. Com essa 
premissa podemos dizer que uma das primeiras formas de manifestação de massa dos 
sertanejos no espaço citadino foram os “saques”6 os quais se alastraram por todo o 
período de estiagens, fomentando uma urgência por parte do governo central em lidar 
com os constantes levantes de flagelados nos centros urbanos, como é o caso de Mossoró.
 As matérias do Brado Conservador trazem uma dimensão do cenário caótico 
em que Mossoró se encontrava. Além dos saques, outra ocorrência que pululava as 
páginas desse impresso era a questão moral que em períodos de seca eram burlados 
pela presença de andrajos que constrangiam a moralidade da época, “rapariguinhas de 
12 e 15 annos vagueião pelas ruas da cidade esmolando o pão envolvidas em farrapos 
que mal amparam uma ou outra parte do corpo! A miséria imporá!” (O BRADO 
CONSERVADOR, 1879, p. 02). Assim, com tom de acusação, o periódico tinha o 
intuito de tornar público a situação conturbada que a cidade estava enfrentando. Dessa 
feita, as contribuições do jornal Brado Conservador nos aproxima das peripécias de 
uma cidade que enfrentava as conturbações da seca e dos resultados catastróficos dessa.
6 Edward Palmer Thompson e George Rúde, em seus estudos sobre o campesinato na Inglaterra e França nos séculos XVIII e XIX, 
buscaram explicar como as ações da multidão camponesa se organizavam durante os motins de fome, os quais entendem que tais ações são 
práticas coletivas que possuem um caráter político de união, irmandade e mutualidade, onde esses sujeitos se organizam seguindo protocolos e 
normas de organização que concede as ações perpetradas por estes como objetivas, visando um bem comum no seio dos grupos. Ver os livros: 
THOMPSON, E. P. Costumes em Comum. São Paulo: Companhia das Letras, 2005; RUDÉ, George, F. E. A Multidão na História: estudos 
dos movimentos populares na França e Inglaterra, 1730-1848. Rio de Janeiro: Campus, 1991.
37
 No final do século XIX, com o adventício da República, a imprensa 
de Mossoró iria continuar focando nos flagelados, fomentando um discurso 
crítico ao governo republicano, como fica evidente na notícia a seguir:
Na noite 11 do corrente, roubaram o armazém de viveres do Sr. Miranda. Começamos 
a experimentar as consequências do indiferentismo do governo da Repúblca, que não 
garante a vida ao povo, a quem deixa morrer a fome, e assim, autoisa o roubo, e 
quanta espécie de crime se possa imaginar. Agora o roubo, a noite e as occultas, mais 
tarde, o ataque de dia, e a mão armada! Maldição! (O MOSSOROENSE, 1904, p. 3).
 É justamente esse o receio da imprensa: que os flagelados começassem a roubar, 
e cometer mais delitos baseados na sua fome e miséria. O jornal não mede palavras ao 
colocar a culpa sob os auspícios do governo da República, que, segundo essa, deveria tomar 
conta desses indivíduos e por consequência ajudar a cidade a enfrentar a seca e a fome.
 Nesse cenário é notório o olhar de medo que é construído através da imagem 
do flagelado. Os jornais apontavam que muitas ações que antes não eram vistas, agora 
estavam sendo vivenciadas, o cotidiano estava sendo invadido pela mudança que a miséria 
perpetrada pela seca, causava na cidade. O outro nesse primeiro momento é o flagelado 
que caminha em busca de redenção em terras estranhas. É o forasteiro que por ser 
diferente não encontra amparo e aconchego noutro lugar. Em Mossoró, essa realidade foi 
vivenciada por muitos que por aqui esperavam encontrar guarida para suas vicissitudes.
SANGUINÁRIOS, TRUCULENTOS E DESALMADOS: NARRATIVAS DA 
IMPRENSA EM MOSSORÓ SOBRE OS CANGACEIROS
 O início do século XX iria propiciar a Mossoró mudanças na cidade que traziam 
em sua égide o prenúncio de novos ares. Era o progresso chegando ao munícipio. 
Podemos elencar, seguindo as descrições de Oliveira, que os estabelecimentos 
públicos começam a mudar de forma singular trazendo novos cenários para a cidade:
38
Obras como a reforma do mercado público, em 1903, tornando-o mais limpo e 
ventilado; a criação de um grupo escolar no ano de 1908, e em 1922 a chegada da 
Escola Normal; o primeiro automóvel a rodar em Mossoró em 1912; o término da 
construção da tão sonhada estrada de ferro, em 1915; e a implantação da energia 
elétrica em 1916, tudo isso foi incorporado como sintomas do moderno, e possuir tais 
melhorias significava que junto com esses elementos poderia se chegar à modernidade 
(OLIVEIRA, 2014, p. 49 - 50).
Com base nos elementos prenunciadores do moderno, Mossoró caminhava rumo ao 
progresso, que era o desejo das elites locais. Um hiato para essa sonhada realidade já 
vinha sendo combatido desde o final do século XIX com ações que visavam deslocar 
os flagelados para espaços remotos e periféricos da cidade7, assim como o combate ao 
crime que seria um entrave para as vicissitudes da modernidade que se queria vivenciar.
A partir da década de 1920, o jornal O Mossoroense esboça uma atenção especial 
ao banditismo do cangaço. Diversas notas vão aparecendo no corpo do periódico 
trazendo novidades quanto ao paradeiro dos grupos de malfeitores. Essa forma 
de noticiar mostra um desejo de criar uma geografia do cangaço, onde os jornais 
circunvizinhos participam também trazendo notas diversas sobre a localidade dos 
grupos e suas ações8. Além dessas informações trocadas havia a publicação de 
telegramas que eram enviados dos estados expondo a localização desses sujeitos. 
Essa união contra o banditismo concede ao jornal o título de ser um propagador 
do civilismo, contra as bestialidades cometidas pelos bandos, fomentando 
uma visão de parceria entre os estados e os meios de comunicação da época.
Essas publicações que esboçavam medo e horror diante das ações 
dos grupos de bandidos no Nordeste já circulavam desde cedo, como 
fica evidente na matéria publicada pelo jornal Diário de Pernambuco:
7 Desde a seca de 1877 se acresceram estratégias para distribuir o montante de flagelados advindos dos estados vizinhos e migrantes 
do próprio estado em zonas mais afastadas e distantes do centro urbano de Mossoró, o intuito era que a cidade não perdesse a beleza que 
tentava ser construída, através dos abarracamentos e casas paupérrimas feitas pelos flagelados. Ver: MACIEL, Francisco Ramon de Matos. 
Territórios da seca:ordenamento e resistência na cidade de Mossoró na seca de 1877. Revista Espacialidades, [online]. v. 8, n. 1, p. 164-192, 
2015
8 O Mossoroense 4 de dezembro de 1920; O Mossoroense 13 de abril de 1922; O Mossoroense 22 de setembro de 1922; O 
Mossoroense 20 de dezembro de 1922
39
Lampeão formou um grupo de scelerados e, com auxílio de um irmão, está 
implantando o terror nas paragens sertanejas de Alagoas e Pernambuco. Apezar de 
ter apenas 25 annos, Lampeão, que é um typo moreno, franzino e indiscutivelmente 
bravo, é de uma perversidade insolita e tão accentuada que orça pela paranela. É com 
essa entidade semi-phantaslica que anda agora ás voltas a polícia alagoana (DIÁRIO 
DE PERNAMBUCO, 1922, p. 2).
Essa reportagem do Diário de Pernambuco acentua a figura de Lampião, traçando 
características físicas que o descrevem como um animal perverso e indomável, mesmo 
sendo jovem. Essa caricatura de Lampião vai sendo massificada pelos impressos em toda a 
região e adentra aos espaços citadinos com força simbólica que trazia medo e inquietações.
No ano de 1927 o bando de Lampião, ao lado de outros dois grupos, chefiados 
por Sabino Gomes e Massilon Leite fizeram uma incursão no Rio Grande do Norte 
visando assaltar Mossoró, esse intento é largamente noticiado pelos jornais do 
Estado, bem como dos estados vizinhos que na trilha do cangaço destilavam suas 
narrativas visando trazer ao conhecimento geral as últimas notícias referentes a estas 
ações. Nesse cenário várias notícias vão sendo veiculadas, como é o caso da feita 
pelo jornal O Nordeste, também de Mossoró, que no dia 14 de maio de 1927, tornou 
público os acontecimentos ocorridos na cidade de Apodi, próxima de Mossoró, que 
no dia 10 de maio, se deparou com um grupo de bandidos que haviam penetrado à 
cidade de madrugada causando arruaças, depredações e toda sorte de más condutas 
que causaram transtorno aos moradores daquela localidade. Essa notícia causou 
abalo e medo em Mossoró, os quais ficaram atentos para uma possível vinda do 
bando para aquela cidade, fato não ocorrido naquele momento, apenas dias depois.
Diante do medo causado pela notícia do ataque do bando a cidade de Apodi, 
a população fica em alerta, uma nota do prefeito de Mossoró da época, Rodolfo 
Fernandes, é publicada no jornal O Nordeste, no dia 30 de maio de 19279
9 Essa matéria tinha por título: “segurança pública – aviso da Prefeitura de Mossoró para tranquilidade das famílias e do povo em 
geral.
40
A prefeitura de Mossoró avaliando o desassossego de muitas famílias e apreensões no 
espírito púbico, pelos boatos alarmantes sobre os bandidos que assaltaram algumas 
localidades do Estado, declara, para tranquilidade de todos que o Governo do Estado 
tem tomado as providências para defender todos os munícipios dos referidos bandidos. 
[...] De nossa parte podemos afirmar que a nossa preocupação é de tal ordem, em 
garantir a segurança da cidade, que toda a nossa atividade nesses últimos dias, se tem 
aplicada em dispor a defesa, com a louvável e benemérita cooperação dos cidadãos 
mossoroenses que, para isto, não regateiam esforços. (O NORDESTE, 1927, p. 1)
 Como fica claro nas palavras do prefeito, reportadas pelo jornal, o sentimento era 
de medo e receio de um possível ataque e os jornais iriam se alimentar desse alvoroço 
e se alicerçar em narrativas carregadas de informações que trariam as localidades que 
estes sujeitos estavam, as descrições de seus atos, entrevistas com as vítimas, bem 
como conclamar a atenção do Estado para o perigo que se alastrava em seu território.
 Como O Nordeste, o jornal O Mossoroense endossa narrativas que com tom 
dramático cria tensão e medo nos populares. Nesse mesmo ano, no dia 13 de junho, 
acontece o tão temido e já aludido pelos jornais: a tentativa de assalto por parte de 
Lampião e seus asseclas à Mossoró. Houve um forte tiroteio ocorrido em algumas partes 
da cidade e através de uma voraz resistência os cangaceiros desistem da empreitada e 
partem rumo ao Estado do Ceará10. Com base nesse episódio as matérias posteriores 
iriam fomentar a bravura dos mossoroenses e engrandecer a figura do prefeito Rodolfo 
Fernandes, instaurando novos ideários que se expandiriam e se tornariam usuais na cidade. 
Essa ocorrência adentrou ao imagético citadino que ainda se baseia nessa epopeia para 
se estabelecer como uma cidade singular, com gente aguerrida e um passado vultoso.11
A resistência que rechaçara Lampião e seu bando lutava contra todo o sentimento 
de ojeriza que já vinha sendo alimentado não apenas em Mossoró, mas nos periódicos 
vizinhos. O bando tinha que ser vencido e seus feitos desbaratados. O estrangeiro nesse 
momento é visto como um animal, como diria Cascudo, fazendo uma descrição da 
10 Há toda uma construção imagético/discursiva em Mossoró em relação a resistência ocorrida à Lampião, a qual não caberia ser feita 
nesse texto pois não é o objetivo de nossa discussão fomentar atenção sob esse evento em questão. Obras que possuem valor bastante singular 
na cidade são as de: FERNANDES, Raul. A Marcha de Lampião-Assalto a Mossoró. Mossoró (RN): Fundação Vingt-un Rosado (Coleção 
Mossoroense) volume 1488 Projeto Rota Batida II, 6º Edição, 2005. Também verificar: NONATO, Raimundo. Lampião em Mossoró. 
Coleção Mossoroense. 5º Edição. 1998.
11 Em Mossoró o louvor a resistência e a outros eventos históricos na cidade são comuns, é a glorificação do passado que é bastante 
presente na cidade, um estudo que se debruçou sobre o processo de construção de uma memória que tinha como evento principal a relação da 
cidade com o cangaço foi: ALVES, Antonio Robson de Oliveira. A memória em foco: O uso da memória do cangaço a serviço do turismo na 
cidade de Mossoró/RN. Temporalidades – Revista de História (UFMG), edição 25, v. 9, n.3, p. 196-210.
41
viagem deles em terra norte-rio-grandense, é “uma cavalaria de hunos. [...] galopavam 
cantando, berrando, uivando, disparando fuzis, guinchando, tocando os mais disparatados 
instrumentos, desafiando todos os elementos” (CASCUDO, 1934, p. 60). É feroz; é 
temível. Vencer esses sujeitos era mostrar que a civilidade conseguiria triunfar sob a 
barbárie e a monstruosidade que se assentavam sob a figura do cangaceiro. O início 
do século XX em Mossoró tinha como figura principal nos noticiários o banditismo 
e em 1927 a cidade se encontrou com o outro: o cangaceiro. Aquele que vem de 
fora e que aqui não pode ficar, e que ao ser expulso nada poderia levar desse solo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O recorte temporal que abrange esse texto – séculos XIX e XX – tinham como 
alicerce as teorias criminais que se alastraram no Brasil nos últimos decênios do 
século XIX. A Criminologia voltava sua atenção ao estudo do criminoso. Essa 
“ciência”, rapidamente entrou no espaço acadêmico e se tornou conhecida e utilizada 
pelos vários pesquisadores e pensadores daquele período. O desejo era mensurar as 
ações e características que diferenciavam o homem criminoso do homem ordinário. 
Cesare Lombroso foi o grande expoente dessa ideia e ao longo de sua vida debruçou-
se sobre estudos que tinham como intuito provar a existência de um “delinquente nato”, 
todavia, suas teorias que se embasavam nos traços físicos dos sujeitos criminosos deram 
lugar a outra perspectiva: o delinquente possuía um “micróbio” do crime e que só seria 
ativado em condições específicas e ambientais12. Esse contexto é basilar para se entender 
o olhar que se tinha sobre os sujeitos que praticavam crimes no final do século XIX, 
assim o século XX iria testemunhar mudanças no tocante ao se entender e pensar o crime.
O olhar tipificado do corpo social recai sob aqueles que quebravam as regras de 
convivência e de status quo que estavam embutidos no imagético da sociedade. É nesse 
sentido que a partir do século XX iria se expandir o uso da força policial sob muitos 
segmentos marginalizados e estereotipados, os quais reforçam uma visão ainda muito 
12 C.f FONTELESNETO, Francisco Linhares. O Impresso e uma Visão Caótica da Cidade de Fortaleza na Década de 1920 (UFPB). 
Prim@ Facie, v. 15, 2016. p. 546
42
particular dos poderes vigentes de teorias que veiculam imagens sobre sujeitos baseados 
na cor da pele e do local onde habitam13. É nesse período que no Nordeste iria se fomentar 
discursos contra os flagelados, sujeitos que fogem a higienização do período nos grandes 
centros, e do banditismo que floresce dentro do mandonismo do coronelismo nesta região.14 
O caso que enfatizamos tomou como recorte espacial à cidade de Mossoró, situada no 
Estado do Rio Grande do Norte e que dentre muitas outras viu sua história ser redigida 
por periódicos que noticiavam cotidianamente o caos perpetrado por indivíduos que 
fugiam as normas vigentes e a ordem, prerrogativas recorrentes nas páginas dos jornais.
O outro em Mossoró era, em determinados momentos, o flagelado advindo de 
outras cidades e estados. Em outros instantes era o cangaceiro, forasteiro que queria 
roubar e depredar aquilo que já havia sido construído naquele lugar. A construção do 
medo sobre o outro não foi uma realidade apenas em Mossoró, no mesmo período nos 
grandes centros do Sul do país, essa mesma prática pululavam os impressos. Era o 
medo do negro, recém liberto da escravidão, que logo ganhou adjetivos que o designava 
como vadio, capoeira, dentre outros atributos que fomentavam um ser a parte do corpo 
social15, um hiato aquilo que era comum e ordinário, mas quem são os estabelecidos 
nessa história? Remontando mais uma vez Nobert Elias, são os que possuem poder.
13 Cf. BRETAS, Marcos Luiz. A Polícia Carioca no Império. Revista de Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.12, n.22, p. 219-234, 
1998; BRETAS, Marcos Luiz. Polícia e Polícia Política no Rio de Janeiro dos anos 1920. Arquivo História da Revista do Arquivo Público 
do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, v.3, p. 25-34, 1997.
14 Quando nos utilizamos do termo “Nordeste”, o fazemos entendendo que esse é cunhado no início do século XX, mais 
necessariamente após a década de 1910. Para saber mais, ver: ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste 
e outras artes. 4 Ed. Ver. São Paulo: Cortez, 2009. No que concerne ao período de higienização em que os grandes centros passaram, 
ver: CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que não foi. 3ª ed. São Paulo: Cia das Letras, 1987; 
SEVCENKO, Nicolau. A Revolta da Vacina: mentes insanas em corpos rebeldes. 3. ed. São Paulo: CosacNaify, 2010. Sobre o coronelismo e 
o sistema que se arregimentou em torno desse, ver: LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo, editora Alfa-Omega, 1976; 
RESENDE, Maria Efigênia Lage de. O processo político na Primeira República e o Liberalismo Oligárquico. In: NEVES, L. A.; FERREIRA, 
J. (Org.). O Brasil Republicano: o tempo do liberalismo excludente. Belo Horizonte: Civilização Brasileira, 2003, v. V.1, p. 89-120.
15 Para pensar sobre a marginalização do negro durante os anos que sucederam a abolição, ver: MATTOS, Hebe; RIOS, Ana Maria 
Lugão. Memórias do Cativeiro: Família, trabalho e cidadania no pós-abolição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
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REFERÊNCIAS
CASCUDO, Câmara. Viajando o Sertão. 4. ed. [S.l.:s.n.], 1934.
ELIAS, Norbert; SCOTSON, John L. Os Estabelecidos e os outsiders: sociologia das 
relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 
2000.
FERNANDES, Paula Rejane. Jornal O Mossoroense: o noticiador da modernidade. 
In: BARRETO, Maria Cristina Rocha; MARTINS, Guilherme Paiva de Carvalho. 
Memórias do espaço: identidades e subjetividades. – Mossoró/RN: Edições UERN, 
2014
FONTELES NETO, Francisco Linhares. O Crime do Boulevard: a sensacional e 
misteriosa morte de Edith Davis. Mossoró – RN: EDUERN, 2017
FONTELES NETO, Francisco Linhares. O Impresso e uma visão caótica da cidade de 
Fortaleza na década de 1920 (UFPB). Prim@ Facie, v. 15, 2016.
GUERRA, Felipe; GUERRA, Theóphilo. Seccas contra a secca. Rio de Janeiro: Cruz 
Coutinho, 1909.
NEVES, Frederico de Castro. Estranhos na Belle Époque: a multidão como sujeito 
político. Trajetos, UFC, Fortaleza, v. 6, n. 6, 2005.
44
OLVEIRA, Ionara Rafaela Costa da. Mossoró, “A pérola dos Sertões”: a recepção 
dos discursos modernizadores no jornal O Mossoroense no que diz respeito ao espaço 
público da cidade de Mossoró (1915 – 1928). Revista Sertões, v. 4, n. 2, jul/dez. 2014.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Imaginário da cidade: representações do urbano (Paris, 
Rio de Janeiro e Porto Alegre). Porto Alegre: Ed. da Universidade, 1999.
ROCHA, Aristotelina Pereira Barreto. Expansão urbana de Mossoró (período de 
1980 a 2004): geografia dinâmica e restruturação do território. Natal: EDUFRN, 2005.
WILLIAMS, Raymond. O Campo e a cidade: na história e na literatura. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2011.
FONTES
Jornal Diário de Pernambuco (1922) 
Jornal O Brado Conservador (1877 – 1879)
Jornal O Mossoroense (1904 – 1922)
Jornal O Nordeste (1927)
45
Ramona Lindsey Rodrigues Mendonça
A história da moda proporciona o conhecimento de uma infinidade de eventualidades. 
Sua inserção nos diferentes campos sociais possibilita a percepção e a compreensão 
das transformações da sociedade ao longo do tempo. Dessa forma, a moda pode ser 
percebida em inúmeras fontes históricas, como por exemplo nas publicações impressas. 
A partir disso, tentaremos apreender como a moda presente nesses documentos, no 
que condiz ao Anuário das Senhoras e dos jornais O Mossoroense, atuam sobre o 
comportamento feminino entre as décadas de 1940 e 197016. A escolha dos periódicos 
e a principal intenção aqui gira em torno de analisar em que medida aspectos 
das dicas de moda ensejadas nacionalmente por meio do Anuário das Senhoras 
podem ser vistos no contexto de Mossoró-RN a partir do jornal O Mossoroense, 
e de como ambos, por serem periódicos, se ligam ao comportamento feminino.
 Dito isto, direciona-se os seguintes questionamentos: como a moda, 
em sua conceitualização, se estabelece socialmente? De que forma 
os periódicos se encontravam ligados à moda e ao comportamento? 
Qual a consequência dessa associação na conduta feminina? 
Assim, a partir dos suportes teóricos, pretende-se compreender acerca do conceito 
de moda, as questões que evolvem sua etimologia, seu surgimento e sua pluralidade 
de significações. Quanto ao debate em relação aos periódicos, abordaremos sobre 
seus domínios para tentar entender como se desenvolve sua inserção no exercício 
historiográfico. Partindo dessas concepções, tentaremos conectar e assimilar 
como esses pontos se encaixam nas discussões do comportamento feminino, em 
16 O recorte temporal abordado trata-se do recorte da pesquisa de monografia da autora intitulada “Vestidas de Texto: moda e 
comportamento feminino em Mossoró (1940-1970)”, sendo o presente artigo um apêndice da pesquisa monográfica. 
MODA E PERIÓDICOS: 
USOS E INSERÇÕES 
NO COMPORTAMENTO 
FEMININO
46
busca de analisar como a constituição de um ideal e/ou um padrão de mulher 
modifica os modelos e as formas de vestuário, bem como o movimento inverso.
MODE: O CONCEITO E SUAS INTERPRETAÇÕES
A moda vai mais além do que corresponde ao vestuário. Ela atende a um conceito 
amplo que está presente das diversas divisões da sociedade, modificando-se ao passo 
em que também transforma no decorrer do tempo. Para entender a conjuntura da 
moda no comportamento feminino, é necessário antes, compreender como se deu 
a gênese do conceito e suas interpretações. A pergunta que se faz a partir de então 
é: desde quando apareceu essa expressão? “O termo moda surgiu por volta do séc. 
XVIII e tinha como objetivo designar uma maneira, um gênero, um estilo de vida, 
de vestuário, de conduta, etc.” (PINA, 2006. p. 29). A datar pelo século XVIII, 
passou-se a adotar o termo para estabelecer aquilo que estaria em “alta” na sociedade. 
Entretanto, o conceito

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