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Professor(a) Esp. Heloiza Helen da Silva ZOOLOGIA GERAL REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Marcelino Fernando Rodrigues Santos PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Hugo Batalhoti Morangueira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira Carlos Henrique Moraes dos Anjos Kauê Berto Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP S586z Silva, Heloiza Helen da Zoologia geral / Heloiza Helen da Silva Paranavaí: EduFatecie, 2023. 98 p.: il. Color. 1. Zoologia. 2. Invertebrados. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 591 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock . 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ 3 Professor(a) Esp. Heloiza Helen da Silva • Especialista Em Gestão Ambiental em Municípios (UTFPR) • Especialista em Biologia: Morfofisiologia do Organismo Humano e sua Integra- ção com o Meio Ambiente (FAFIJAN) • Habilitação em Biologia (UNIPAR) • Ciências (FAFIPA) Trabalhou como professora efetiva do Ensino Fundamental e Médio nas modalida- des Regular e Educação de Jovens e Adultos e atuou na Secretaria de Estado da Educação no setor de Legislação Escolar. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/0202267381493791 AUTOR http://lattes.cnpq.br/0202267381493791 4 É muito bom ter você aqui! Seja bem-vindo(a)! Novos projetos sempre nos propõem grandes desafios, e estudar o Reino Animal — grupo com maior número de representantes dentre os seres vivos, desde a sua forma mais simples até a mais complexa, permeando de sua origem e evolução, sua estrutura morfofisiológica e suas interações entre si e com o meio em que vivem possibilitará, além de conhecimento científico, o despertar de condutas para a conservação e manejo da biodiversidade, pois o equilíbrio do planeta está diretamente ligado à diversidade animal. O ramo da Biologia especializado no estudo científico das espécies animais (vivas ou extintas) chama-se Zoologia. Com o intuito de proporcionar uma melhor compreensão e assimilação das infor- mações vamos apresentar os conteúdos em quatro unidades. Na unidade I, iniciaremos com o conceito e a importância da Zoologia, onde tere- mos uma visão geral da diversidade animal, conhecendo sua classificação e a importância da Nomenclatura Científica para atribuição de nomes às espécies. Na unidade II, embarcaremos no complexo mundo dos invertebrados, onde estuda- remos os Protozoários (primeiros seres vivos considerados animais); Poríferos — conheci- dos como esponja; Cnidários, comumente representados pelas águas-vivas; Platelmintos e Nematelmintos, ambos popularmente conhecidos como vermes. Na unidade III, continuaremos no mundo dos invertebrados, onde serão estudados os Anelídeos, onde o representante mais conhecido e de grande importância agrícola é a minhoca; os Moluscos, animais de corpo mole e facilmente identificados pelo rastro que deixam por onde passam; os Artrópodes — maior grupo de animais catalogados e os Equinodermos — exclusivamente marinhos. Na unidade IV, serão estudados os animais Vertebrados, que inclui os Peixes — to- dos aquáticos; os Anfíbios — animais de vida dupla; os Répteis — primeiros animais exclusi- vamente terrestres; as Aves e Mamíferos — ambos com capacidade de manter a temperatura corporal. Os vertebrados são de grande importância na saúde, economia e lazer. Após esta breve apresentação dos assuntos que serão estudados, desejo que jamais lhe falte motivação e que você possa, ao longo dessa caminhada, intensificar e implementar seu conhecimento. Bom estudo! APRESENTAÇÃO DO MATERIAL 5 UNIDADE 4 A Diversidade Mais Complexa do Reino Animal Invertebrados — Uma Variedade de Seres Vivos — Parte II UNIDADE 3 Invertebrados — Uma Variedade de Seres Vivos — Parte I UNIDADE 2 O Estudo Científico dos Animais UNIDADE 1 SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Introdução À Zoologia • Classificação e nomenclatura zoológica Objetivos da Aprendizagem • Conceituar Zoologia e perceber sua importância para a preservação da fauna e flora existentes em nosso planeta; • Contemplar a magnitude da diversidade animal; • Conhecer alguns sistemas de classificação dos seres vivos ao longo dos tempos e a importância dessa organização para os estudos; • Compreender o objetivo da Nomenclatura Científica; • Aprender as principais regras utilizadas na designação científica dos seres vivos. Professor(a) Esp. Heloiza Helen da Silva O ESTUDO CIENTÍFICO O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISDOS ANIMAIS1UNIDADEUNIDADE INTRODUÇÃO 7O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 Olá! Seja bem-vindo(a) a nossaPrimeira Unidade da disciplina de Zoologia Geral. É com grande satisfação que preparo este material de estudo e início lhe questio- nando: você já parou para observar a diversidade de vida que nos cerca, quantas espécies já passaram pelo nosso planeta e quantas estão aqui e ainda não conhecemos? Como essas espécies estão ligadas à existência humana? Como garantir a sustentabilidade do planeta? O que nos diferencia dos demais animais? Como explicamos essa grande diversi- dade de seres vivos? Qual a importância dos animais para a economia? A ciência que estuda a vida em seus mais variados aspectos e procura responder a esses e outros questionamentos é a Biologia e devido a sua complexidade é subdividida em várias áreas, entre elas está a Zoologia que estuda especificamente o Reino Animal. O equilíbrio dos ecossistemas está diretamente ligado à interação das espécies entre si e com o meio, por isso a necessidade de conhecer as características gerais e específicas dos animais desde os tempos primórdios, vem de encontro com condutas a fim de minimizar prejuízos para o meio ambiente e até mesmo para a economia. Também sabemos que os seres vivos são “batizados” pela população, o que oca- siona um mesmo ser vivo receber vários nomes dentro de um país e pelo mundo. Então, com o objetivo de favorecer os estudos, um outro ramo dentro da Biologia é responsável por organizar esses seres vivos em categorias, agrupando-os de acordo com suas caracte- rísticas comuns, bem como por suas relações de parentesco evolutivo e também fazendo a identificação através da Nomenclatura Científica — que é adotada internacionalmente e obedece às mesmas regras — o que permite a comunicação entre diversos profissionais. Espero que esteja animado(a) para iniciar essa fantástica viagem pela nossa Biodi- versidade, em especial pelo mundo animal. INTRODUÇÃO À ZOOLOGIA1 TÓPICO 8O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 1.1. O que é Zoologia Segundo o Dicionário Etimológico, a palavra Zoologia é proveniente do grego zoon = “animal” e logos = “estudo”, ou seja, ciência que estuda os animais em seus múltiplos aspectos. A proximidade do homem com os animais, uma vez que apresenta grande depen- dência deles para alimentação, vestuário, trabalho e até mesmo companhia, o fez zoólogo por natureza (BARSA, 1997). Um dos primeiros destaques como naturalista foi Plínio, o Velho […] “que resumiu os conhecimentos zoológicos de sua época na obra História naturalis, na qual reuniu inú- meras descrições de animais, uns reais e outros mitológicos” […] (BARSA, 1997, p. 500). Ferigolo (2011, Site Globo Ciência) fala sobre o início das pesquisas em Zoologia: Considerado o Pai da Zoologia, Aristóteles foi um profundo pesquisador do reino animal, chegando a estudar, com grande riqueza de detalhes, as es- truturas anatômicas de mais de 500 espécies. […] Foi ele quem criou a ana- tomia comparada para estudar os animais e compreendê-los por meio da distinção. O método comparativo aparece pela primeira vez em Aristóteles e é utilizado até hoje, sendo a anatomia comparada a base de estudo da biologia atual.[…] 1.2 Importância da Zoologia A Zoologia vai muito além de uma ciência dentro da Biologia, pois está diretamente ligada à cultura, saúde, alimentação e economia da vida humana. Entre tantos exemplos podemos citar: • Produção de substâncias utilizadas em prevenção e/ou tratamento de enfermidades; 9O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 • Como se dá a transmissão de doenças por vetores específicos; • Polinização e controle biológico de pragas nas lavouras; • Domesticação para trabalho e lazer; • Alimentação; • Indústria de calçado e vestuário; • Produção de cosméticos, etc. (BARSA, 1997) 1.3 Diversidade Animal Jr Cleveland et al. (2022, p. 150) retrata a diversidade animal da seguinte forma: Praticamente todos os principais planos corporais que vemos hoje, junto com muitos planos novos que conhecemos apenas do registro fóssil, evoluíram em um espaço de uns poucos milhões de anos. Vivendo em um mundo com espécies esparsas e livres de competição, essas novas formas de vida diver- sificaram-se, produzindo novos temas na arquitetura animal. As explosões de diversificação posteriores, que se seguiram a grandes eventos de extinção, produziram principalmente variações sobre os tipos estabelecidos. FIGURA 1 - DIVERSIDADE ANIMAL Fonte: INTRODUÇÃO ao Estudo dos Seres Vivos. Blog Biologia e Ciências na Cabeça, 2014. Disponível em: http:// quibiolegal.blogspot.com/2014/08/ Acesso em: 10 maio. 2023. Quando nos reportamos à diversidade não podemos restringir este rol apenas aos animais que nos cercam ou que ouvimos falar com certa frequência e que apresentam características gerais semelhantes. Os representantes de um mesmo grupo apresentam diferenças entre si, como cores, comportamentos, estruturas, formas, etc. É simplesmente espetacular a evolução das espécies ao longo das gerações! CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA ZOOLÓGICA2 TÓPICO 10O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 2.1. Histórico da classificação dos seres vivos “O filósofo e biólogo grego Aristóteles (384 a 332 a.C.) foi o primeiro a classificar organismos de acordo com suas similaridades estruturais” (JR CLEVELAND et al., 2022, p. 194). “No século XVII, John Ray resumiu todo o conhecimento acumulado até então e acrescentou-lhes novas classificações úteis.” (BARSA, 1997, p. 495) “Um sistema taxonômico unificado para todos os animais e plantas surgiu pela pri- meira vez dois milênios depois, com o trabalho de Carolus Linnaeus (em português, Carlos Lineu)” (JR CLEVELAND et al., 2022, p. 194). Segundo a Enciclopédia Barsa, em 1758 Lineu criou regras para nomear plantas e animais, sendo essa a sua maior contribuição para o sistema de classificação. À medida que os taxonomistas começaram a aceitar a teoria da evolução pro- posta por Charles Darwin, reconheceu-se que aquilo que havia sido descrito como afinidade natural — a existência de caracteres semelhantes — podia ser explicado como uma relação estabelecida por descendência evolutiva. Fez-se então a passagem do sistema natural de classificação na época vi- gente para o sistema filogenético atual. (BARSA, 1997, p. 495) FIGURA 2 - ARISTÓTELES 11O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 FIGURA 3 - JOHN RAY Fonte: BIOLOGIA Geral. Blog Trabalhos para a Graduação na Univesp, 2015. Disponível em: http://univesp-katia- regina.blogspot.com/2015/10/biologia-geral-2-semana.html Acesso em: 10 maio. 2023. FIGURA 4 - LINEU Fonte: CLASSIFICAÇÃO e evolução Carolus Linnaeus e a sistemática. Blog Biologia para a Vida, 2020. Disponível em: http://segundocientista.blogspot.com/2015/02/classificacao-e-evolucao-carolus.html Acesso em: 10 maio. 2023. 2.1.1 Taxonomia Taxonomia é o ramo da biologia que se ocupa da identificação, nomenclatura e classificação dos seres vivos e extintos (BARSA, 2017, p. 494). O grupo nomeado em qualquer nível da hierarquia é chamado de táxon (URRY et al., 2022, p.554). Os biólogos trabalham com pequenos grupos de seres vivos para determi- nar quão similares são os diferentes tipos de organismos. Daí a criação da hierarquia taxonômica, um sistema de nomenclatura que classifica os orga- nismos por suas relações evolutivas. Dentro dessa hierarquia, os seres vivos são organizados do maior grupo, mais inclusivo, para o menor grupo, menos inclusivo. (KRATZ, 2020, p.12) A seguir, segundo Kratz (2020), a hierarquia taxonômica do maior para o menor: Domínios: Agrupam organismos segundo características fundamentais, como estrutura celular e química. Reinos: Classificam os organismos em função de características do desenvolvi- mento e estratégia nutricional. Filos: Separam os organismos com base nas características específicas que defi- nem os principais grupos dentro dos reinos. 12O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 Classes: Agrupam os organismos de acordo com as características que definem os principais grupos dentro dos filos. Ordens:Classificam os organismos com base em características determinantes que definem os principais grupos dentro da classe. Famílias: Distinguem os organismos com base nas características diferenciadoras que definem os principais grupos dentro da ordem. Gêneros: Diferenciam os organismos com base nas características que definem os principais grupos dentro da família. Espécies: Separam os organismos eucarióticos com base na possibilidade de se reproduzirem uns com os outros. FIGURA 5: HIERARQUIA TAXONÔMICA Fonte: Urry et al. (2022, p.554). 2.1.1.1 Classificação e sistematização A taxonomia se fundamenta em dois princípios gerais: (1) o princípio da descen- dência, que admite relações genéticas; e (2) o princípio da evolução, onde características se acumulam ao longo das gerações. (BARSA, 2017) Conforme abordado por Cleveland (2022), classificar significa agrupar conforme caracte- rísticas em comum; já sistematizar é reunir conforme a evolução a partir de um ancestral comum. 13O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 A filogenia estuda as relações evolutivas entre os organismos. […] procura estabe- lecer linhas em que se reflitam a descendência e o grau de parentesco entre espécies de seres vivos do passado e do presente […] (BARSA, vol. 6, p. 274) […]uma árvore filogenética representa uma hipótese acerca das relações evo- lutivas. Essas relações com frequência são representadas como uma série de dicotomias, ou pontos de ramificação de duas vias. Cada ponto de ramifica- ção representa o ancestral comum às duas linhagens evolutivas que diver- gem dele. Uma linhagem evolutiva é uma sequência de organismos ancestrais que leva a um determinado táxon descendente. (URRY et al., 2022, p.555). FIGURA 6: ÁRVORE FILOGENÉTICA Fonte: RUSSO, C. A. M. Filogenia, um retrato da evolução das espécies. Ciência Hoje, 2020. Disponível em: https:// cienciahoje.org.br/artigo/filogenia-um-retrato-da-evolucao-das-especies/ Acesso em: 10 maio. 2023. 2.2. Nomenclatura Científica A humanidade sempre “batizou” os seres vivos que a cerca, porém a nomenclatura popular é muito variável tanto em dialetos como idiomas. Assim surgiu a necessidade de uma nomenclatura única que facilitasse a comunicação entre os estudiosos dos seres vivos. Nomenclatura é a atribuição de nomes (nome científico) a organismos e às cate- gorias nas quais são classificados. O nome científico é aceito em todas as línguas, e cada nome aplica-se apenas a uma espécie. 2.3. Regras de nomenclatura zoológica Segundo Linhares (2011) para que a classificação fosse uniforme, foi convencionada uma série de regras que devem ser seguidas por todos os cientistas. Abaixo, algumas delas: 14O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 […] “Todos os nomes científicos devem ser escritos em latim e se derivarem de outra língua, deverão ser latinizados”. (Linhares, 2011, p.15) O sistema […] é chamado de nomenclatura binomial. […] grafado em itálico (ou sublinhado, no caso de ser escrito à mão ou datilografado). A primeira palavra é o nome do gênero, com a primeira letra maiúscula; a segunda palavra […] identifica a espécie dentro do gênero, e é grafado em letras minúsculas. (JR CLEVELAND et al., 2022, p. 195) FIGURA 7: GIRAFFA CAMELOPARDALIS Fonte: https://www.pexels.com/photo/giraffe-on-meadow-against-mount-with-trees-4577486/ […] o epíteto genérico é sempre um substantivo e o epíteto específico é geralmente um adjetivo, que qualifica o gênero. Por isso, […] podemos escrever o nome genérico sozinho, desde que seguido de uma abreviatura padronizada. (AMABIS, 2010, p. 21) O epíteto da espécie nunca deve aparecer sozinho; o nome binomial completo deve ser usado para se referir a uma espécie. (JR CLEVELAND et al., 2022, p. 195) […] o mesmo nome não pode ser dado a dois gêneros distintos de animais. No entanto, o mesmo epíteto de espécie pode ser utilizado em diferentes gêneros para deno- minar espécies diferentes. FIGURA 8: PANTHERA LEO Fonte: https://www.pexels.com/photo/powerful-lion-lying-on-grass-in-zoological-garden-4168329/ https://www.pexels.com/photo/giraffe-on-meadow-against-mount-with-trees-4577486/ https://www.pexels.com/photo/powerful-lion-lying-on-grass-in-zoological-garden-4168329/ 15O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 FIGURA 9: PANTHERA TIGRIS Fonte: https://www.pexels.com/photo/close-up-shot-of-a-tiger-7590796/ Segundo Amabis (2010) uma mesma espécie pode se diferenciar e formar novas populações com características próprias. Quando isso acontece surgem as subespécies ou raças geográficas. A denominação científica de uma subespécie requer um acréscimo de um terceiro termo ao binômio que designa a espécie. (AMABIS, 2010, p. 25) FIGURA 10: CANIS LUPUS ARCTOS Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/mam%c3%adfero-bonitinho-animal-3265847/ FIGURA 11: CANIS LUPUS FAMILIARIS Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/golden-retriever-filhote-de-cachorro-2706672/ https://www.pexels.com/photo/close-up-shot-of-a-tiger-7590796/ https://pixabay.com/pt/photos/mam%c3%adfero-bonitinho-animal-3265847/ https://pixabay.com/pt/photos/golden-retriever-filhote-de-cachorro-2706672/ 16O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 FIGURA 12: CANIS LUPUS ARAB Fonte: https://www.pexels.com/photo/eurasian-wolf-eating-meat-13923571/ FIGURA 13: CATEGORIAS TAXONÔMICAS ÀS QUAIS PERTENCEM O SER HUMANO E O GORILA CATEGORIA LINEANA SER HUMANO GORILA Reino Animalia Animalia Filo Chordata Chordata Subfilo Vertebrata Vertebrata Classe Mammalia Mammalia Subclasse Eutheria Eutheria Ordem Primates Primates Subordem Anthropóidea Anthropóidea Família Hominidae Hominidae Subfamília - - Gênero Homo Gorilla Espécie Homo sapiens Gorilla Subespécie - - Fonte: Adaptado de: JR CLEVELAND et al., (2022, p. 194) https://www.pexels.com/photo/eurasian-wolf-eating-meat-13923571/ 17O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 O homem, com suas nobres qualidades, ainda carrega no corpo a marca indelével de sua origem modesta. (Charles Darwin) A sistemática nos permite conhecer a história evolutiva da vida e a distribuição dos seres vivos no planeta. Esse conhecimento ajuda na pesquisa de novos produtos, como medicamentos que podem ser obtidos de plantas e de outros seres vivos, e na busca de novas espécies para o cultivo ou o cruzamento com espécies domésticas. Permite ainda acompanhar o nível de extinção das espécies e ajudar na preservação da biodiversidade. A análise sistemática ajuda também a compreender como a AIDS começou e a evolução do vírus HIV com- parando as sequências de nucleotídeos de várias linhagens desse vírus. A análise mostra que o HIV é se- melhante aos vírus do grupo SIV […], encontrados em chimpanzés e outros macacos, assim o vírus pode ter sido adquirido quando alguns seres humanos foram mordidos ou arranhados ao caçar chimpanzés infectados. A análise permite também identificar de quem uma pessoa contraiu o vírus ao se compararem as sequências de nucleotídeos dos vírus das pessoas envolvidas. Fonte: Linhares e Gewandsznajder (2011, p.21). 18O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 Concluímos nossa primeira unidade! Este foi apenas o início da nossa viagem com um pouco da História desse maravilhoso mundo animal. Sabemos que você terá muito a pesquisar e aprender, tanto ao longo do curso como da vida, pois conforme estudamos, estamos em constante evolução. A diversidade animal vem sendo descrita desde a pré-história através das pinturas nas paredes das cavernas. Sabemos que o ser humano sempre dependeu dos demais seres vivos para sua sobrevivência, então a busca por mais conhecimentos sempre esteve presente. Sabemos que animais ocupam um lugar de destaque na vida do ser humano — que se encontra no topo da escala zoológica — desde os primórdios (alimentação, ves- tuário e proteção) até nos dias atuais como na produção de medicamentos, na economia, em atividades esportivas, entre outras. Perante tantos questionamentos sobre esse grande grupo, foi visto a necessidade de expandir a diversidadedentro da Biologia, criando-se assim áreas específicas de estudos como a Zoologia que se dedica ao estudo dos animais existentes e também dos já extintos e a Taxonomia que identifica, classifica e nomeia os seres vivos. O botânico sueco conhecido como Lineu foi o primeiro a criar uma estrutura hierárquica na qual se posicionava os seres vivos de acordo com suas características e também criou regras aplicadas universalmente para a catalogação dos mesmos. A nomenclatura deve ser binominal — gênero e espécie — e escrita em Latim, língua que não sofre modificações (língua morta). Devemos compreender que o estudo da vida, assim como a própria vida, é uma dinâmica. A cada dia novas descobertas são feitas, novos conceitos elaborados e realoca- ções ocorrem, por isso devemos sempre estar em busca e abertos a novos conhecimentos. Agradeço sua dedicação e lhe aguardo na próxima unidade! CONSIDERAÇÕES FINAIS 19O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 A BIODIVERSIDADE E A EXTINÇÃO DAS ESPÉCIES A extinção é o desaparecimento de espécies, de subespécies ou de grupos de es- pécies, sejam elas animais ou vegetais. Neste trabalho objetivou-se compreender a extinção das espécies, questão abordada frequentemente em nosso cotidiano e também comumente divulgada na mídia. Tal fato pode ser ocasionado por diversos fatores tanto de ordem natural, caso de extinções em massa por catástrofes naturais como furacões e enchentes, quanto de ordem artificial, como ocorre quando o ser humano destrói o hábitat natural das espécies e estas não conseguem se adequar aos outros habitats. A degradação do meio ambiente, como ocorre quando há queimadas e caça ilícita, é uma das principais causas da extinção dos seres vivos, é necessário que se preserve a biodiversidade para que se continue com essa vasta diversidade de espécies que existe atualmente no planeta, podendo usufruir conscientemente dos recursos que a natureza nos fornece. Deve existir um comprometi- mento de todos, empresas, pessoas, comunidades, escolas, entre outros para que ocorra a preservação da biodiversidade e assim evitar a extinção das espécies e não somente ter esse comprometimento, mas também agir, ou seja, ter consciência de que é necessário cuidar do meio ambiente e fazer ações que ponham essa consciência em prática. Fonte: ROOS, A. A Biodiversidade e a Extinção das Espécies. Rev. Elet. em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental. V (7), n.º 7, p. 1494 – 1499, MAR – AGO., 2012. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/reget/article/ download/5651/3628 Acesso em: 09 mai. 2023. LEITURA COMPLEMENTAR https://periodicos.ufsm.br/reget/article/download/5651/3628 https://periodicos.ufsm.br/reget/article/download/5651/3628 MATERIAL COMPLEMENTAR 20O ESTUDO CIENTÍFICO DOS ANIMAISUNIDADE 1 FILME/VÍDEO • Título: Seleção Natural e Adaptação|Filosofia das Origens #3 • Ano: 2016. • Sinopse: Documentário produzido no Arquipélago de Galápagos, local visitado por Charles Darwin em sua viagem a bordo do navio H.M.S. Beagle, sua visita foi de fundamental importância para os estudos do naturalista. O arquipélago sofreu pouco impacto antró- pico, o que beneficia sua fauna e flora originais. • Link do vídeo: https://youtu.be/hewIbEI71iA LIVRO • Título: Princípios Integrados de Zoologia • Autor: JR., Cleveland PH.; KEEN, Susan L.; David J. Eisenhour; e outros • Editora: EDITORA GUANABARA KOOGAN LTDA. • Sinopse: Apresenta uma rica e real experiência ao descreverem a diversidade da vida animal e as fascinantes adaptações que possibilitam aos animais habitarem tantos nichos ecológicos. https://www.youtube.com/watch?v=hewIbEI71iA https://youtu.be/hewIbEI71iA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Zoologia dos Invertebrados Objetivos da Aprendizagem • Conhecer as principais características morfofisiológicas dos Protozoa e dos Filos Porifera, Cnidaria, Platyhelminthes e Nematoda. • Caracterizar os principais grupos dos Protozoa e dos Filos Porifera, Cnidaria, Platyhelminthes e Nematoda. • Identificar algumas doenças causadas por Protozoários, Platelmintos e Nematoides, bem como seus vetores, modo de transmissão e ciclo, reconhecendo em muitas delas a importância da higiene e saneamento básico. Professor(a) Esp. Heloiza Helen da Silva INVERTEBRADOS — INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — DE SERES VIVOS — PARTE IPARTE I2UNIDADEUNIDADE INTRODUÇÃO 22INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 Saudações! Que bom encontrá-lo(a) novamente. Fico muito feliz em continuarmos essa jornada pelo fantástico mundo animal. Com certeza todos conhecemos vários animais, mas você sabia que existem mais de 1 milhão de espécies descritas e que entre elas estamos nós, os humanos? Que os cientistas acreditam que possam haver muito mais que 5 milhões de espécies viventes? Alguma vez você já parou para observar os animais que nos rodeiam? Suas características físicas, como se reproduzem, onde vivem, como ocorre a interação com os demais seres vivos, de que se alimentam, enfim, como é a vida deles? E quanto aos animais que vivem em ambientes totalmente diferentes do nosso, como, por exemplo, os animais aquáticos, de que forma se dá o seu desenvolvimento e como nós humanos estamos ligados a eles? Não podemos nos esquecer da quantidade de doenças que são transmitidas por animais, muitas delas devido à falta de higiene e de saúde pública relacionada principal- mente ao saneamento básico. É também de grande relevância destacar a importância ambiental, farmacêutica e econômica de muitas espécies animais. Neste percurso vamos aprimorar nossos conhecimentos sobre o Reino Animal, o maior e mais diversificado grupo de seres vivos. Iniciaremos pelos mais primitivos que são os Protozoários e seguiremos em direção ao grande grupo dos Invertebrados - denomina- dos destacando nessa unidade os Filos Porifera - representado pelas esponjas marinhas; Cnidaria - também conhecidos por celenterados, de vida aquática, sendo a maioria marinha; Platyhelminthes - vermes de corpo achatado; e Nematoda - vermes de corpo cilíndrico. Espero que esteja preparado(a) para novos conhecimentos e que ao final desta unidade você tenha compreendido as interações entre os organismos e o ambiente e possa relacionar os conhecimentos científicos com os aspectos culturais, sendo capaz de inter- pretar, avaliar e até mesmo planejar intervenções quando necessárias. Lembre-se de sempre consultar fontes complementares. Bom estudo! 23INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 ZOOLOGIA DOS INVERTEBRADOS1 TÓPICO 1.1 Protozoa O nome protozoário (do grego, proto = “primeiro”; zoon = “animal”) foi cunhado por Goldfuss em 1818 como subgrupo de um conjunto enorme de animais conhecidos naquela época […], Karl von Siebold restringiu, em 1845, o nome a todas as formas unicelulares de vida animal. (BRUSCA, 2018, p. 54). De acordo com Laurence (2005), na época havia apenas dois grupos de seres vivos - plantas e animais - o que levou o grupo dos animais ser dividido em unicelulares (protozoários) - atualmente não mais consideradosanimais - e multicelulares (metazoários) - termo que pode ser usado como sinônimo de animais. Nos livros mais antigos os protozoários podem ser encontrados como membros do Reino Animal pelo fato de serem organismos unicelulares, eucariontes, e heterótrofos em sua maioria (LIMA, 2015). Os protozoários exercem papéis de destaque na produção primária e na de- composição, e podem servir como fonte alimentar importante para muitos in- vertebrados e, indiretamente, também para muitos vertebrados […] também têm proporcionado aos biólogos excelente material para estudos genéticos, fisiológicos, de desenvolvimento e ecológicos.[…] Os protozoários ocorrem sempre que houver umidade. As espécies de vida livre são encontradas em habitats marinhos e de água doce, além de solo úmido. Muitos protozoários vivem em íntima associação com outros proto- zoários, com animais ou com plantas, como comensais ou como parasitos. (PECHENIK, 2016, p. 36-37). […] cada protozoário é uma célula individual. […] essa única célula atua como um organismo completo, cumprindo todas as funções básicas – forrageamento, digestão, locomoção, comportamento e reprodução (PECHENIK, 2016, p. 37). 24INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 1.1.1 Nutrição, Digestão e Excreção Os protistas heterotróficos apresentam várias formas de adquirirem alimentos, porém todas apresentam interação da membrana celular com o ambiente. Essas formas são transporte ativo, transporte passivo, difusão, pinocitose e fagocitose (BRUSCA, 2018). Todo alimento engolfado é encapsulado, e lisossomos, carregados de enzimas digestivas, fundem-se a estas cápsulas, formando assim os vacúolos digestivos, que proporcionam a digestão dos alimentos (LIMA, 2015, p. 27-28). Os resíduos metabólicos são eliminados pela superfície celular através de difusão (JR CLEVELAND et al., 2022). 1.1.2 Regulação Osmótica Os protozoários de água doce apresentam em seu meio interno concentrações de soluto muito maior que o meio em que vivem. Assim, sem um mecanismo de controle, a quantidade de água que entraria na célula a levaria ao rompimento. Esse controle é feito através de organelas especializadas denominadas vacúolos contráteis, que eliminam para o exterior o excesso de líquido coletado do citoplasma (PECHENIK, 2016). Certos protozoários marinhos também podem apresentar vacúolos contráteis, mas estes são pequenos e pulsam lentamente. Os protozoários parasitas não possuem vacúo- los (LAURENCE, 2005, p.259). 1.1.3 Locomoção A locomoção dos protozoários pode ocorrer basicamente de três formas: (1) emis- são de pseudópodes - projeções da membrana que modificam o formato celular - exemplo amoeba; (2) cílios - estruturas filamentosas, curtas e numerosas que se movimentam pro- porcionando o deslocamento - exemplo paramecium; (3) flagelos - estruturas filamentosas, longas e menos numerosas que atuam como os cílios - exemplo Euglena (PECHENIK, 2016). FIGURA 1 - ESTRUTURAS LOCOMOTORAS Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/vector-illustration-unicellular-organisms-amoeba-proteus-1724728045 https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/vector-illustration-unicellular-organisms-amoeba-proteus-1724728045 25INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 1.1.4 Reprodução A maioria desses organismos conseguiu aproveitar as vantagens das estratégias de reprodução sexuada e assexuada, embora alguns aparentemente se reproduzam ape- nas assexuadamente. Muitos dos ciclos de vida complexos observados em determinados protistas (especialmente nas formas parasitárias) envolvem alternância entre processos sexuados e assexuados, com uma série de divisões assexuadas entre curtas fases sexua- das (BRUSCA, 2018. p 63). A reprodução assexual é muito comum entre os protozoários, e pode ocorrer por fissão binária, quando a célula divide-se em duas outras semelhantes, mas também por brotamento, quando uma célula menor destaca-se da célu- la-mãe, e ainda existe a esquizogonia, também conhecida por fissão múltipla, onde uma simples célula divide-se em muitas células de tamanhos menores. […] Já nos processos sexuados, há a participação de material genético, e também existem diversas estratégias que resultam em maior variabilidade genética. […] alguns protozoários apresentam vários núcleos (macronúcleos e micronúcleos), e eles podem ser utilizados como gametas. Protozoários através de uma conjugação podem trocar micronúcleos entre si, fundindo-os após as trocas, e ao ocorrer a divisão celular, teremos novas células com a genética diferente da célula-mãe que as originou. Pode ainda ocorrer auto- fecundação, denominada autogamia, na qual, micronúcleos de uma célula podem fundir-se entre si, formando um zigoto no interior da célula, que poste- riormente é liberado para o meio externo (LIMA, 2015, p. 28) 1.1.5 Classificação dos Protozoários A classificação dos protozoários é ainda muito discutida. Na tabela abaixo os proto- zoários estão divididos em seis Filos com seus nomes e principais características. TABELA 1 - CLASSIFICAÇÃO DOS PROTOZOÁRIOS Fonte: Amabis (2010, p.87). 26INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 1.1.6 Doenças Causadas por Protozoários Lima (2015, p. 30) descreve sobre as doenças causadas por protozoários: Dentre as doenças ocasionadas por protozoários, algumas se destacam prin- cipalmente pelo quadro clínico resultante delas. Algumas dessas doenças são consideradas graves, e outras podem ser endêmicas (que ocorrem em regiões específicas no planeta). Entretanto, a melhoria das condições sanitárias e de moradia já seriam medidas úteis para a prevenção de muitas dessas doenças. TABELA 2: ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS Fonte: TABELA Protozooses. Scribd, 2009. Disponível em: https://pt.scribd.com/doc/23541520/Tabela-Protozooses# Acesso em: 10 jun. 2023. 1.2 Filo Porifera FIGURA 2: ESPONJAS Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/golden-sponge-growing-on-sandy-sea-2058165221 https://pt.scribd.com/doc/23541520/Tabela-Protozooses https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/golden-sponge-growing-on-sandy-sea-2058165221 27INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 Somente no século XVIII se reconheceu a natureza animal da esponja, até então confundida com plantas por sua quase imobilidade e sua conformação (BARSA, vol. 6, p. 45). Conforme descrito por Castro (2012): As esponjas são melhor descritas como agregados de células especializadas; têm uma organização ao nível celular, ou seja, suas células são altamente inde- pendentes umas das outras e não formam tecidos verdadeiros nem órgãos. As esponjas estão entre os animais multicelulares estruturalmente mais simples. Quase todas as esponjas são marinhas. Todas são sésseis e vivem perma- nentemente presas ao fundo ou sobre outras superfícies. Elas têm uma gran- de variedade de formas, tamanhos e cores, mas compartilham uma estrutura corporal relativamente simples. 1.2.1 Morfofisiologia das Esponjas • Epiderme - formada por uma camada de células denominadas pinacócitos, in- terrompida por porócitos, células com poros (óstios) pelos quais a água penetra, trazendo alimento (plâncton) e oxigênio (LINHARES, 2011) • Átrio - também chamado de espongiocele, é uma cavidade interna das espon- jas. Não está relacionada com canal digestivo (AMABIS, 2010) • Coanócitos - células características das esponjas que formam a camada interna. O batimento de seus flagelos, um por coanócito, faz com que a água passe por cada célula trazendo alimento e oxigênio e carregando os dejetos (LINHARES, 2011) • Meso - hilo - camada de material gelatinoso presente entre a epiderme e os coanócitos. Nele encontram-se os arqueócitos, células ameboides e sem formas, que exercem várias funções nas esponjas e podem originar todos os outros tipos de células especializadas; são também responsáveis pela digestão de partículas (PECHENIK, 2016) • Espongina - rede maciae flexível de filamentos proteicos com função de sus- tentação das esponjas. É produzida pelos espongioblastos e localiza-se no meso - hilo (LINHARES, 2011). • Espículas - estruturas minerais microscópicas de formas variadas constituídas por sílica (SiO2) ou por carbonato de cálcio (CaCO3), produzidas pelos escleroblastos e também apresentam função de sustentação das esponjas (AMABIS, 2010). • Ósculo - abertura grande localizada na parte superior das esponjas por onde sai a água (LINHARES, 2011) 28INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 FIGURA 3: ORGANIZAÇÃO DAS ESPONJAS (OS ELEMENTOS DA ILUSTRAÇÃO NÃO ESTÃO NA MESMA ESCALA. AS CÉLULAS SÃO MICROSCÓPICAS) Fonte: Pechenik (2016, p. 83) 1.2.2 Reprodução das Esponjas As esponjas podem se reproduzir de forma assexuada e também sexuada. Algu- mas são dioicas (sexos separados) mas a maioria é monoica (hermafroditas), porém óvulo e espermatozoide são produzidos em épocas diferentes, o que impede a autofecundação (LINHARES, 2011). 1.2.2.1 Reprodução Assexuada e Regeneração A reprodução assexuada ocorre principalmente por brotamento: consiste na forma- ção de expansões do corpo, os “brotos”, que crescem e podem constituir novos indivíduos - quando se separam do organismo genitor - ou formar colônias - quando permanecem presos na esponja - mãe (AMABIS, 2010). As esponjas também apresentam uma grande capacidade de regeneração, ou seja, um simples pedaço do animal pode dar origem a uma esponja completa, isso porque os amebócitos dão origem a todos os tipos de células, reconstituindo as partes perdidas (LINHARES, 2011). 1.2.2.2 Reprodução Sexuada Conforme descrito por Castro (2012, p.133): 29INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 Diferentemente da maioria dos animais, os gametas das esponjas não são produzidos pelas gônadas. Em vez disso, células especializadas do colarinho ou amebócitos desenvolvem-se em gametas […] óvulos grandes e ricos em nutrientes, e espermatozoides pequenos que têm um flagelo. […] As espon- jas liberam o espermatozoide na água. […] a fertilização é interna, quando os espermatozoides entram na esponja. Os estágios iniciais do desenvolvi- mento ocorrem dentro da esponja. Finalmente, uma esfera celular minúscula e flagelada é liberada na água. Essa larva planctônica, chamada de paren- químula na maioria das esponjas, é levada pelas correntes até assentar no fundo, e se desenvolver em pequenas esponjas. 1.3 Filo Cnidaria FIGURA 4: CORAIS Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/gorgonian-sea-fan-coral-branching-gorgonia-1668702154 Os cnidários, também conhecidos por celenterados, são invertebrados aquáticos, principalmente marinhos, apresentam várias formas e cores, podem ser fixos ou flutuantes, são carnívoros se alimentando de zooplâncton, ovas de peixe, larvas e crustáceos. Podem ser citados como representantes deste Filo as hidras (que são de água doce), águas-vivas, corais, anêmonas e caravelas (BARSA, 2017, vol. 4). A maioria dos cnidários, com exceção dos corais, tem corpos moles. Anêmonas- -do-mar e muitos outros estão presos a superfícies duras e, portanto, incapazes de fugir do perigo. As formas móveis de águas-vivas não sabem nadar contra as correntes oceânicas. A verdade é que, no entanto, muitos cnidários são preda- dores muito eficientes, aptos a matar e ingerir presas muito mais organizadas, ágeis e inteligentes do que eles próprios (CLEVELAND, 2022, p.251) 1.3.1 Organização Corporal Conforme LINHARES (2011), há duas formas de animais: • Pólipos - são cilíndricos, sésseis ou pouca mobilidade, onde uma extremidade estará sempre apoiada a um substrato e outra livre com tentáculos rodeando a abertura bucal. • Medusas - São arredondadas, têm vida livre e movimentam-se através de contrações do corpo, a boca também é rodeada por tentáculos, porém está loca- lizada na parte inferior do corpo. https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/gorgonian-sea-fan-coral-branching-gorgonia-1668702154 30INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 FIGURA 5: ESQUEMAS DE MEDUSA E PÓLIPO Fonte: Castro (2012, p.125). 1.3.2 Morfofisiologia dos Cnidários O corpo desses animais é formado basicamente por três camadas: uma camada externa denominada epiderme; uma camada intermediária gelatinosa chamada mesogleia e uma camada interna denominada gastroderme (LAURENCE, 2005). Segundo AMABIS (2010), o corpo é revestido externamente pela epiderme, forma- da por diversos tipos de células, entre as quais se destacam: • mioepiteliais epidérmicas - além de servir de revestimento permitem a con- tração do corpo; • intersticiais - capazes de originar os diversos tipos celulares dos cnidários, participam do processo de crescimento e regeneração; • sensoriais - captam estímulos ambientais e os transmitem para as células nervosas presentes na mesogleia; • glandulares - secretam muco que lubrifica e protege o corpo, e nas formas sésseis permite a fixação no substrato; • cnidoblastos - são células urticantes e concentram-se nos tentáculos e ao redor da boca responsáveis pela defesa de predadores e captura das presas. Dentro destas células há uma cápsula denominada nematocisto, que contém um filamen- to enrolado. Ao ser tocada, a cápsula abre-se, o filamento desenrola-se, penetra na 31INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 pele da presa e injeta uma toxina capaz de paralisar e até matar. Os cnidoblastos são constantemente produzidos, pois se degeneram após serem descarregados. Em alguns cnidários, como os corais, a epiderme secreta um exoesqueleto de calcário e substâncias orgânicas (LINHARES, 2011, p. 200) A mesogleia é uma massa gelatinosa, secretada por células das camadas externa e interna, que constitui um esqueleto elástico e flexível dando suporte ao corpo (AMABIS, 2010). A gastroderme reveste a cavidade gastrovascular e funciona principalmente na digestão (CLEVELAND, 2022, p. 255). Esta camada é constituída por vários tipos de células, entre elas destacam-se as intersticiais, sensoriais e glandulares com basicamente as mesmas funções das similares epidérmicas e as mioepiteliais digestórias - apresentam dois flagelos que, ao se movi- mentarem, facilitam a mistura do alimento com as enzimas digestivas, também participam ativamente da absorção e digestão intracelular (AMABIS, 2010). 1.3.2.1 Digestão Os cnidários têm uma boca central localizada ao redor dos tentáculos [...]. A boca abre-se no intestino, onde a comida é digerida (CASTRO, 2012, p. 135). Por não possuir uma abertura anal, seu tubo digestório é considerado incompleto (LINHARES, 2011). Enzimas digestivas iniciam a digestão na cavidade gastrovascular (digestão ex- tracelular), as partículas parcialmente digeridas vão sendo englobadas (AMABIS, 2010). A digestão intracelular nas células alinhadas ao intestino completa a quebra do alimento (CASTRO, 2012, p. 138). Os restos não digeridos no celêntero são expelidos pela boca (BRUSCA, 2018, p. 279). 1.3.2.2 Respiração, Circulação e Excreção Linhares (2011, p. 200) retrata essas funções da seguinte forma: Os cnidários não possuem sistemas respiratório, circulatório e excretor. Como as distâncias no interior do organismo são pequenas (há poucas camadas de células no corpo), a distribuição das substâncias por difusão é suficiente. Desse modo, o oxigênio dissolvido na água difunde-se pela parede do corpo e atinge todas as células. O gás carbônico faz o caminho inverso. Também por difusão, as excretas são eliminadas pela parede do corpo e os alimentos passam da gastroderme para a mesogleia e epiderme. 1.3.2.3 Coordenação Embora os cnidários não tenham cérebro ou nervos verdadeiros, eles têm células nervosas especializadas. Essas células são interconectadas, formando uma rede nervosa que transmite impulsos em todas as direções (CASTRO, 2012, p. 138), constituindo um sistema nervoso difuso (LINHARES, 2011, p. 364). Essa rede nervosa processa estímuloscaptados por células epiteliais e estimula células mioepiteliais, que respondem contraindo-se. (AMABIS, 2010, p. 209). 32INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 1.3.2.4 Reprodução Os cnidários se reproduzem: 1 - De forma assexuada através de: a. brotamento - as células se multiplicam em uma região do corpo e originam um novo ser que poderá se soltar e formar um novo indivíduo ou permanecer ligado e formar colônia (LINHARES, 2011); b. estrobilização (ou estrobilação) - a coluna corporal de um pólipo sofre um tipo de estrangulamento e se divide formando numerosos módulos que vão se desprendendo e originando novos seres (PECHENIK, 2016). 2 - De forma sexuada: Na maioria das espécies os gametas produzidos nas células intersticiais são libera- dos e encontram-se na água (fecundação externa). Do ovo surge uma larva ciliada e livre, plânula, que se transforma até atingir a fase adulta (LINHARES, 2011). 3 - Por alternância de gerações Em muitas espécies de cnidários, há a alternância de gerações ou metagênese, ou seja, a reprodução assexuada alterna-se com a sexuada, em um ciclo em que há tam- bém a alternância entre as formas pólipo e medusa (LINHARES, 2011, p. 201) As medusas (macho e fêmea), que são sexuadas, formam gametas (óvulos e espermatozoides). Após a fecundação, que pode ser interna ou externa, forma-se o zigoto que se desenvolve em uma larva (plânula), que se fixa a um substrato, perde os cílios e se transforma em um pólipo. Este se desenvolve e origina, assexuadamente, novas medusas, fechando o ciclo (AMABIS, 2010). FIGURA 6: ALTERNÂNCIA DE GERAÇÃO Fonte: Amabis (2010, p. 214) 33INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 FIGURA 7: RESUMO TAXONÔMICO Fonte: Pechenik (2016, p. 126). 1.4 Filo Platyhelminthes Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/flatworm-platyhelminths-41950414 Também conhecidos como vermes achatados, apresentam tamanhos variáveis entre milímetros e metros. O corpo pode ser em forma de folha ou de fita. (CLEVELAND, 2022). O grupo inclui uma classe de indivíduos principalmente de vida livre (os turbelários) e três classes de indivíduos exclusivamente parasitos (os monogêneos, trematódeos e cestódeos) (PECHENIK, 2016). 1.4.1 Morfofisiologia Geral dos Platelmintos Apresentam simetria bilateral e desenvolvem em sua vida embrionária três folhe- tos germinativos, ectoderme, mesoderme e endoderme - são os animais triblásticos mais primitivos (AMABIS, 2010). São acelomados, pois não possuem uma cavidade interna, https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/flatworm-platyhelminths-41950414 34INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 o espaço entre a parede do corpo e a do intestino é totalmente preenchido por células originadas na mesoderme e formam um parênquima maciço (LAURENCE, 2005). Apresentam gânglios cerebrais, ligados entre si por dois cordões nervosos. Por- tanto, além da cefalização, há centralização do sistema nervoso, o que permite movimentos mais sofisticados (LINHARES, 2011). Eles não têm órgãos respiratórios, nem sistema circulatório especializados, as trocas gasosas são realizadas por difusão simples através da superfície cor- poral […] a maioria dos platelmintos contém uma série de órgãos especializa- dos, denominados protonefrídeos […] um grupo de cílios que se projetam para dentro de uma estrutura em forma de taça. O batimento ciliar dentro dessa estrutura tem sido comparado ao movimento de uma chama; por isso, o nome comum desse tipo celular é célula-flama. Outros protonefrídeos assumem a forma de solenócitos, em que há um único flagelo em cada estrutura em for- ma de taça. Em ambos os casos, essa estrutura se comunica com um longo túbulo convoluto, o qual desemboca no meio externo através de um único poro excretor. […] Assim, os protonefrídeos dos platelmintos provavelmente desempenham um papel importante na regulação iônica e no balanço hídri- co (osmorregulação), além do seu possível papel na eliminação de amônia, ureia, aminas e outros resíduos metabólicos. (PECHENIK, 2016, p.148 - 149). A digestão de acordo com Linhares (2011, p 208): Os animais de vida livre costumam ser carnívoros e alimentam-se de outros invertebrados. Seu tubo digestório é incompleto, não tem o (sem ânus) e a digestão é extra e intracelular (ela termina no citoplasma das células do intesti- no). Os resíduos são eliminados pela boca. Alguns parasitas, como a tênia, não têm tubo digestório e retiram o alimento já digerido do sangue do hospedeiro. A grande maioria das espécies de platelmintos, de todas as quatro classes, são hermafroditas simultâneas; […], Em geral, não há autofertilização (PECHENIK, 2016, p. 149). 1.4.2 Classe Turbellaria A maioria das espécies de turbelários é marinha; várias espécies são encontradas na água doce; e algumas espécies são consideradas terrestres, embora sejam restritas a áreas muito úmidas (PECHENIK, 2016, p. 149). São popularmente conhecidos como planárias. O corpo é revestido por uma epiderme em que há células responsáveis pela pro- dução de uma secreção mucosa. As células da face anterior são ciliadas e o movimento destes cílios juntamente com o movimento muscular permite o deslizamento do animal sobre a trilha de muco (AMABIS, 2010). Na região dorsal e anterior do corpo, existem estruturas que lembram “olhos”, os ocelos. Eles não formam imagens, mas permitem à planária perceber variações de sombra e luz (LAURENCE, 2005. p. 374). Ainda de acordo com Laurence (2005) na região ventral situam-se a boca e o poro genital. Para se alimentar, ela fica sobre o alimento e desliza a faringe através da boca 35INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 liberando enzimas digestivas e depois suga o alimento parcialmente digerido que será dis- tribuído ao organismo através do intestino ramificado. O restante da digestão é intracelular. A reprodução pode ocorrer de forma assexuada (figura 8) - quando ocorre a fissão transversal. Cada parte do animal formará um novo ser devido a sua alta capacidade de regeneração (AMABIS, 2010); e de forma sexuada (figura 9) - quando dois indivíduos se unem colocando seus poros genitais em contato e introduzindo o pênis no parceiro, assim os espermatozoides de uma planária alcançam e fecundam os óvulos da outra. Os ovos são envoltos por uma cápsula e depositados pela fêmea sob um substrato. As planárias eclodem jovens sem passar pelo estágio larval (LAURENCE, 2005). FIGURA 8: EM A OCORRE UMA REPRODUÇÃO ASSEXUADA POR MEIO DE UM CORTE EM B A REPRODUÇÃO ASSEXUADA JÁ É POR ESTRANGULAMENTO, NÃO HAVENDO CORTES Fonte: PLANÁRIAS / Anatomia do Sistema Reprodutor e Reprodução Assexuada. Blog Natureza de Mármore, 2017. Disponível em: https://naturezademarmore.blogspot.com/2017/10/planarias-anatomia-do-sistema.html Acesso em: 10 jun. 2023. FIGURA 9: REPRODUÇÃO SEXUADA Fonte: PLANÁRIAS / Anatomia do Sistema Reprodutor e Reprodução Assexuada. Blog Natureza de Mármore, 2017. Disponível em: https://naturezademarmore.blogspot.com/2017/10/planarias-anatomia-do-sistema.html Acesso em: 10 jun. 2023. https://naturezademarmore.blogspot.com/2017/10/planarias-anatomia-do-sistema.html https://naturezademarmore.blogspot.com/2017/10/planarias-anatomia-do-sistema.html 36INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 1.4.3 Classe Trematoda Todos os trematódeos são vermes parasitas e quase todas as formas adultas são endoparasitos de vertebrados, possuindo estruturas específicas como ventosas, ganchos e glândulas de penetração (LIMA, 2015). A maioria das espécies possui ciclos de vida complexos com alternância de estágios sexuados e assexuados. “Muitos trematódeos requerem um hospedeiro intermediário, no qual a larva se desenvolve antes de infectar o hospedeiro definitivo” (URRY, 2022, p. 696). Conforme descrito por Lima (2015, p.67): A subclasse Digenea é a mais conhecida, e tem ciclo de vida indireto, parti- cipando dociclo animais invertebrados e vertebrados. Os digêneos são dioi- cos, e sua ocorrência é ampla no Brasil, principalmente em áreas com pouco investimento nos projetos de saneamento urbano. Podemos citar como principal exemplo deste grupo, o Schistosoma mansoni, causador de uma doença popularmente conhecida como esquistossomose, ou barriga d’água. A esquistossomose é contraída pela ingestão ou contato com água contaminada. FIGURA 10: CICLO DE VIDA DO SCHISTOSOMA MANSONI Fonte: Siqueira-Batista (2020, p 406) 1.4.4 Classe Cestoda Nesta classe estão os endoparasitas conhecidos popularmente por tênias, ou solitá- rias, o verme na forma adulta vive no intestino de outros animais, principalmente mamíferos. O corpo apresenta forma de fita e geralmente há presença de um único verme no hospedei- ro. Não apresentam sistema digestório, o alimento é absorvido já digerido diretamente do intestino do hospedeiro. Podem atingir vários metros de comprimento (AMABIS, 2010). 37INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 Conforme Linhares (2011) e AMABIS (2010), o corpo (estróbilo) é formado por uma repetição de segmentos (proglotes) e na região anterior está uma estrutura denomi- nada escólex, na qual estão situadas as estruturas de fixação que podem ser ventosas, ganchos ou sulcos adesivos (dependendo da espécie). Possuem uma cutícula protetora, cordões nervosos e canais excretores. Em cada proglote se desenvolve um sistema reprodutor masculino e um feminino (são hermafroditas) e se autofecundam. As proglotes grávidas situadas na parte terminal do corpo se destacam e são eliminadas com as fezes do hospedeiro. FIGURA 11: REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE ESCÓLEX Fonte: Amabis (2010, p. 222) FIGURA 12: PARTES DA TAENIA Fonte: Cleveland (2022, p. 292) 38INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 FIGURA 13: CICLO DA TAENIA SP. Fonte: Siqueira-Batista (2020, p 555) FIGURA 14: CICLO DO ECHINOCOCCUS GRANULOSUS Fonte: Siqueira-Batista (2020, p 466) 1.4.4 Classe Monogenea Os platelmintos monogenéticos são geralmente parasitos na pele ou guelras de peixes; isto é, a maioria é ecto-parasito. “Há um único hospedeiro, ao qual o platelminto se fixa princi- palmente através de ventosas, ganchos ou escleritos complexos” (PECHENIK, 2016, p. 158). 39INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 1.5 Filo Nematoda Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/helminths-toxocara-canis-known-dog-roundworm-474932008 Conforme Amabis (2010) os representantes desse filo são triblásticos, simetria bilateral, corpo alongado, cilíndrico com as extremidades afiladas. Diversas espécies são parasitas de plantas e animais, mas a maioria tem vida livre e habita diversos ambientes, como solo úmido, rios, lagos e oceanos. 1.5.1 Morfofisiologia dos Nematódeos Apresentam uma cavidade corporal (pseudoceloma) entre a epiderme e o intes- tino que é preenchida por líquido que funciona como um esqueleto hidrostático, atua na distribuição de nutrientes e outras substâncias pelo corpo e também facilita a eliminação de excreções nitrogenadas (Linhares, 2011). A respiração é cutânea e não há sistema circulatório. Parte da excreção resultante do metabolismo celular, constituída principalmente por íons, é eliminada por estruturas especiais denominadas renetes (Laurence, 2005) Sob a epiderme há uma camada de células musculares que por estarem no sentido longitudinal do corpo permitem a realização de movimentos de flexão. Revestindo exter- namente a epiderme há uma película resistente e flexível, a cutícula, que tem por função proteger o verme contra substâncias do meio em que vivem. Possuem sistema digestório completo com boca, faringe, intestino e ânus. Os ali- mentos parcialmente digeridos passam da cavidade do intestino para as células, onde a digestão se completa e os nutrientes são lançados para o pseudoceloma e distribuído pelo corpo. O que não foi digerido é eliminado pelo ânus (AMABIS, 2010). “Em alguns parasitas, o intestino apenas absorve o alimento já digerido pelo hospedeiro” (LINHARES, 2011, p. 220). “Um anel de tecido nervoso e gânglios ao redor da faringe dá origem a pequenos nervos para a região anterior e a dois cordões nervosos, um dorsal e um ventral. Papilas sensoriais estão concentradas ao redor da cabeça e da cauda” (CLEVELAND, 2022, p. 373). Na maioria das espécies o sexo é separado (dioicos) e se diferem em algumas características, sendo o macho com corpo mais curto e também apresentam a região pos- terior em forma de gancho com o qual seguram a fêmea durante a cópula (AMABIS, 2010). https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/helminths-toxocara-canis-known-dog-roundworm-474932008 40INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 Conforme descrito por Linhares (2011, p. 221): Os machos possuem testículos, onde são produzidos os espermatozoides, além de glândulas anexas, que produzem líquido para o transporte dos ga- metas. E as fêmeas possuem ovários, que produzem óvulos, ovidutos, que levam os óvulos fecundados para dois úteros e uma vagina. A fecundação é interna e do ovo sai uma forma jovem semelhante ao adulto […] TABELA 3: ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR NEMATÓDEOS DOENÇA VERME CAUSADOR COMO SE ADQUIRE COMO SE EVITA H. D H. I Ascaridíase Lombriga Ingerindo alimentos e água contamina- dos por ovos da lombriga Lavando bem os ali- mentos, fervendo a água; lavar as mãos antes das refeições. Homem ............ Amarelão ou ancilostomo- se Ancilóstomo Pisando descalço em solos contami- nados por larvas do ancilóstomo. Usar calçados em solos desconheci- dos; não defecar em locais impró- prios; exigir do go- verno saneamento básico. Homem ............ Oxiurose Oxiúro Ingerindo alimentos e água contamina- dos por ovos do oxiúro; coçando o ânus e levando a mão na boca de outra pessoa. Lavando bem os alimentos e ferven- do a água; ao coçar o ânus e levar as mãos na própria boca ou na das ou- tras pessoas. Homem ............ Filariose ou Elefantíase Filária Picada do mosquito fêmea Culex con- taminado por larvas da Filária. Matando o mosquito Culex; colocar telas de proteção em por- tas e janelas; não deixar água parada em vasos, pneus e garrafas. Homem Mosquito fêmea Culex Dermatite serpiginosa ou dermatite do bicho- -geográfico Pisando descalço em areia contendo larvas do bicho – geográfico, por meio de fezes de cães e gatos conta- minados. Andar calçado em praias e parques que tenhas cães e gatos; recolher as fezes desses animais ou simples- mente não levá-los a esses locais. Cães e gatos ............ Fonte: Adaptado de MARCIAL, V. Filo dos Nematelmintos ou Nematódeos, ou Asquelmintos. Slide Payer, 2015. Disponível em: https://slideplayer.com.br/slide/2908344/l Acesso em: 10 jun. 2023. 41INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 Não basta ter informação, é preciso saber o que fazer com ela. (Mario Sergio Cortella) Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/08/mario-sergio-cortella-nao-basta-ter-informacao- e-preciso-saber-o-que-fazer-com-ela.html Devido ao fato de se falar da participação dos caramujos no ciclo da esquistossomose, algumas pessoas tendem a travar uma guerra contra qualquer tipo desses animais, por isso é importante esclarecermos que os caramujos hospedeiros do causador da doença não são os conhecidos como aruás (gên. Pomacea), comuns e que podem ficar bem grandinhos. Os caramujos do gênero Biomphalaria, que são os verdadeiros hospedeiros, são pequenos, com conchas quase transparentes, e tendendo ao amarelo. Fonte: Lima (2015, p.67). https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/08/mario-sergio-cortella-nao-basta-ter-informacao-e-preciso-saber-o-que-fazer-com-ela.html https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/08/mario-sergio-cortella-nao-basta-ter-informacao-e-preciso-saber-o-que-fazer-com-ela.html 42INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADEDE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 Completamos mais uma etapa do nosso caminho pelo vasto mundo animal. Apesar das características e complexidades distintas, os organismos apresentados desempenham papéis importantes nos ecossistemas, além de relevância em termos de saúde humana e animal. Os protozoários, organismos unicelulares, podem ser parasitas ou de vida livre. Estudos sobre eles têm contribuído para a compreensão da biologia celular e da evolução dos seres vivos. Os poríferos, também conhecidos como esponjas, são os animais filtradores, não possuem tecidos verdadeiros ou órgãos, mas desempenham um papel importante na cicla- gem de nutrientes nos oceanos. O estudo deles auxilia na compreensão dos processos de filtragem e na manutenção da qualidade da água. Os cnidários são animais aquáticos que possuem células urticantes chamadas cnidó- citos, utilizadas para capturar presas e se defender. A compreensão da biologia e do compor- tamento deles é fundamental para a conservação dos recifes, e pesquisas sobre a capacidade de regeneração dos cnidários podem fornecer insights valiosos para a medicina regenerativa. Os platelmintos podem ser livres ou parasitas. A investigação sobre suas característi- cas biológicas e o desenvolvimento de estratégias de controle são essenciais para prevenir e tratar doenças parasitárias, especialmente em regiões onde essas infecções são endêmicas. Os nematoides são encontrados desde o solo até o interior do corpo humano. Al- guns são parasitas de plantas e animais, incluindo seres humanos. A compreensão de seus ciclos de vida, transmissão e tratamento é fundamental para o desenvolvimento de medidas de prevenção e controle eficazes contra as doenças que causam. A continuidade da pesquisa e da educação sobre esses organismos é essencial para a proteção da biodiversidade e para a promoção de uma convivência sustentável entre os seres vivos. Aguardo você no próximo módulo. Até mais! CONSIDERAÇÕES FINAIS 43INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 Corais no litoral do Nordeste estão sofrendo branqueamento em massa, aler- tam pesquisadores Nem tudo são golfinhos, tartarugas e baleias voltando a ocupar áreas que antes não víamos. Enquanto o planeta convive com a pandemia, pelas águas do Nordeste bra- sileiro outro fenômeno se alastra desde o último verão devido à temperatura do mar acima da média, uma anomalia térmica. E este, que acontece nos mares, está afetando um tipo diferente de vida. Pesquisadores alertam para um grande evento de branqueamento em recifes de corais desde o norte de Salvador, na Bahia, até o Rio Grande do Norte. Com águas chegando a 30° C, 2 graus acima da média para a época, o NOAA – a agência do governo americano que monitora oceanos – emitiu o alerta 2 de branqueamento, o mais alto, quando existe a possibilidade de morte de corais. A agência acompanha corais do mundo inteiro e tem sete estações virtuais de monitoramento por satélite na costa brasileira. O fenômeno está acontecendo em uma região emblemática do país, de recifes rasos, e atinge em cheio unidades de conservação como a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa do Corais, que vai do sul de Pernambuco até Alagoas e encobre cidades turís- ticas importantes. O branqueamento também foi registrado na APA Estadual dos Recifes de Corais, no Rio Grande do Norte, e APA Estadual de Guadalupe, Parque Municipal Marinho de Tamandaré e arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco. Fonte: CHAMORRO, P. Corais no litoral do Nordeste estão sofrendo branqueamento em massa, alertam pesquisadores. National Geographic, 2020. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2020/05/ corais-no-litoral-do-nordeste-estao-sofrendo-branqueamento-em-massa-alertam Acesso em: 10 maio. 2023. LEITURA COMPLEMENTAR https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2020/05/corais-no-litoral-do-nordeste-estao-sofrendo-branqueamento-em-massa-alertam https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2020/05/corais-no-litoral-do-nordeste-estao-sofrendo-branqueamento-em-massa-alertam 44INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IUNIDADE 2 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Documentário - O Brasil sem o básico saneamento básico • Ano: 2022. • Sinopse: Caminhos da Reportagem mostra que a falta de sanea- mento básico pode trazer uma série de doenças e ainda causar vários impactos ao meio ambiente. • Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=JNHL0qvCH1U LIVRO • Título: Biologia dos Invertebrados • Autor: PECHENIK, Jan A. • Editora: AMGH Editora Ltda. • Sinopse: O incentivo à biologia dos invertebrados está assenta- da na bibliografia de pesquisa fundamental, e o objetivo principal deste livro é motivar e preparar estudantes para terem acesso a essa bibliografia. https://www.youtube.com/watch?v=JNHL0qvCH1U . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Zoologia dos Invertebrados — Metazoários — Filos Mollusca, Annelida, Arthropoda e Echinodermata. Objetivos da Aprendizagem • Conhecer as principais características morfofisiológicas dos Filos Mollusca, Annelida, Arthropoda e Echinodermata. • Caracterizar os principais grupos dos Filos Mollusca, Annelida, Arthropoda e Echinodermata. • Identificar algumas doenças causadas por artrópodes bem como seus vetores, modo de transmissão e ciclo, reconhecendo em muitas delas a importância da higiene e saneamento básico. • Reconhecer a importância desses animais nas áreas de saúde, alimentação e meio ambiente. Professor(a) Esp. Heloiza Helen da Silva INVERTEBRADOS INVERTEBRADOS — UMA VARIEDA-— UMA VARIEDA- DE DE SERES VIVOS DE DE SERES VIVOS — PARTE II— PARTE II UNIDADEUNIDADE3 46INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 INTRODUÇÃO Olá! Estou feliz por nos encontrarmos novamente. Já concluímos metade do nosso caminho e espero que esteja apreciando os conhecimentos adquiridos. Já vimos que os invertebrados formam o maior grupo do reino animal, representan- do mais de 95% de todas as espécies conhecidas. São extremamente diversos em termos de tamanho, forma, habitat e comportamento. Vamos, neste novo módulo, ampliar os conhecimentos sobre eles abordando qua- tro Filos de grande conversão: Mollusca, Annelida, Arthropoda e Echinodermata. Esses grupos representam importantes exemplos de evolução e especialização ao longo da his- tória da vida na Terra. Seus representantes desempenham papéis essenciais na ecologia dos ecossistemas em todo o mundo. Cada um desses filos contribui de maneira única para a manutenção do equilíbrio ecológico e a saúde dos ecossistemas aquáticos e terrestres. Suas interações com outros organismos e o ambiente físico contribuem para a estabilidade e sustentabilidade dos habitats em que vivem, beneficiando não apenas a vida selvagem, mas também os seres humanos que dependem desses ecossistemas para ser- viços ecossistêmicos, como a polinização de culturas e a purificação da água. A perda ou redução desses grupos animais pode ter efeitos negativos em cascata nos ecossistemas, prejudicando a estabilidade ea funcionalidade dos mesmos. Os invertebrados são uma fonte inesgotável de inspiração para a ciência e a medicina, fornecendo novos insights sobre a biologia e as estratégias de sobrevivência. Além disso, muitos são usados como modelos de pesquisa para estudar processos bio- lógicos fundamentais e desenvolver medicamentos e terapias. Seu estudo contínuo e a compreensão de sua importância são cruciais para a conservação da biodiversidade e o futuro sustentável do nosso planeta. E para darmos continuidade vale lembrar a necessidade de pesquisa e estudos em outras fontes para uma melhor compreensão do conteúdo. Bom estudo! ZOOLOGIA DOS INVERTEBRADOS — METAZOÁRIOS, FILOS MOLLUSCA, ANNELIDA, ARTHROPODA E ECHINODERMATA1 TÓPICO 47INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 1.1 Filo Mollusca O nome molusco vem do latim mollis, que significa “mole” e faz referência ao corpo dos animais desse grupo (LAURENCE, 2005, p. 390). São animais invertebrados dotados de celoma (cavidade situada entre a parede do corpo e os órgãos internos) e constituídos, em sua maior parte, por três regiões corporais: cabeça […], massa visceral, […] e pé […] (BARSA, 1997, p. 120). Fransozo (2016, p. 267) diz: Alguns moluscos têm grande importância econômica para os humanos por servirem de alimento, enquanto as conchas de outros são utilizadas na fa- bricação de botões, bijuterias, corretivo de solo, argamassa de casas e pavi- mentação de ruas, além de serem aproveitadas como complemento de cál- cio na alimentação humana (pó de ostra). Alguns moluscos bivalves, como a Anomalocardia brasiliana, são fonte do fármaco heparina, um anticoagulante utilizado no tratamento da trombose e de outras doenças com coagulação sanguínea excessiva. Outros moluscos funcionam como organismos-modelo, como o gastrópode Aplysia, utilizado em estudos de neurobiologia e evolução. 48INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 1.1.1 Morfofisiologia dos Moluscos A maioria dos moluscos tem uma cabeça bem desenvolvida, na qual se observam a boca e alguns órgãos sensoriais especializados. Os receptores fotossensoriais variam desde os mais simples até os complexos olhos dos cefalópodes (CLEVELAND, 2022, p. 232). De acordo com Amabis (2010) o pé é uma estrutura musculosa com função que di- fere em cada grupo, podendo ser deslizamento (gastrópodes); nadar, caminhar ou capturar presas (cefalópodes); cavar ou fixar o animal ao substrato (bivalves). A massa visceral é revestida por uma dobra da epiderme (manto ou pálio), que delimita uma cavidade entre ela e a massa visceral, chamada cavidade palial ou do manto. Nela estão as aberturas dos sistemas digestório e excre- tor, e as brânquias ou pulmões (nas espécies terrestres). Na epiderme do manto há glândulas que secretam uma concha calcária (cor- responde a um exoesqueleto, revestindo o corpo). Na lesma e no polvo está ausente. Na lula é interna e reduzida. Além de proteger o corpo contra preda- dores, abalos mecânicos e desidratação (no caso dos moluscos terrestres), em alguns moluscos a concha pode ser usada para escavar ou perfurar (LI- NHARES, 2011, p. 240) O sistema digestório é completo (boca, esôfago, estômago, intestino e ânus). Na boca (ausente nos bivalves que são filtradores) existe uma estrutura semelhante a uma língua denominada rádula, sua função é de raspar os alimentos. Além dela, glândulas salivares liberam uma substância mucosa que envolve esses alimentos, facilitando sua ingestão (LAURENCE, 2005). As trocas gasosas nos moluscos ocorrem na superfície corporal, principalmente por meio do manto, e em órgãos respiratórios como ctenídios, brânquias secundárias e pulmão, este último nas espécies terrestres (FRANSOZO, 2016, p. 268). Na maioria dos moluscos o sistema circulatório é aberto e consiste em um coração propulsor, vasos e seios sanguíneos. O sangue oxigenado é impulsionado pelo coração para um sistema ramificado de vasos, mas, em certas áreas (hemocelas), entra em con- tato direto com os tecidos e depois é recolhido pelos vasos. Os cefalópodes apresentam sistema circulatório fechado, ou seja, o sangue circula sempre no interior dos vasos san- guíneos (CLEVELAND, 2022). A maioria dos moluscos dispõe de um par de metanefrídios, cuja extremidade interna se abre dentro do celoma por um nefrostômio para a retirada dos produtos nitro- genados, que são, então, despejados para o exterior por um nefridióporo (FRANSOZO, 2016, p. 268). A descrição de Linhares (2011, p. 242) em relação ao sistema nervoso: 49INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 É formado por vários pares de gânglios unidos por cordões nervosos. O polvo e a lula têm olhos bem desenvolvidos […] capazes de formar ima- gens. Em outros moluscos como a ostra e o mexilhão, os órgãos visuais são mais simples e capazes apenas de captar a luz (células fotorreceptoras). Há também estatocistos (que funcionam com órgão de equilíbrio), tentá- culos táteis e osfrádios (receptores químicos próximos às brânquias com função de identificar e analisar as substâncias dissolvidas na água). A maioria das espécies são dioicas, porém algumas são hermafroditas, mas ra- ramente ocorre a autofecundação (LINHARES, 2011). A fecundação pode ser interna ou externa e o desenvolvimento pode envolver fases larvais (que recebem nomes de trocófora e véliger) ou ser direto (LAURENCE, 2005). 1.1.2 Classificação Os principais critérios de classificação do Filo Mollusca são a presença e forma da concha e o desenvolvimento da cabeça, do pé e da massa visceral (AMABIS, 2010). Conforme Urry (2022), o plano corporal básico dos moluscos evoluiu de várias maneiras nos oito principais clados do filo. Estudaremos quatro desses clados: 1.1.2.1 Polyplacophora Classe representada por animais marinhos e bentônicos conhecidos como quítons (LINHARES, 2011). […] têm uma concha dividida em oito placas calcárias imbricadas e articu- ladas, emolduradas por uma cinta do manto, o perinoto. Eles apresentam, também, um grande pé ventral, e seu corpo é oval e achatado dorsoventralmente (FRANSOZO, 2016, p.271). As placas se sobrepõem posteriormente e são geralmente de colorido fosco para combinar com o tom das rochas sobre as quais os quítons aderem. A cabeça e os órgãos sensoriais cefálicos são reduzidos (CLEVELAND, 2022, p. 325) Segundo Linhares (2011), são animais pequenos (entre 2 a 5 cm); e a maioria alimenta-se raspando algas das rochas. FIGURA 1: TONICELLA LINEATA, UM QUÍTON FORRADO DO PACÍFICO Fonte: Brusca (2018, p. 435) 50INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 1.1.2.2 Gastropoda Moluscos assimétricos, geralmente com concha contorcida em espiral na qual o corpo pode ser retraído; a concha não está presente ou está reduzida em muitos grupos (BRUSCA, 2018, p. 435). É a classe que apresenta maior número de espécies e maior diversidade de habitats entre os moluscos, sendo a única com representantes em três tipos de ambientes: marinho, de água doce e terra firme. (AMABIS, 2010, p. 245). O nome deve-se ao fato de apresentarem o saco visceral diretamente sobre os pés (LINHARES, 2011, p. 242). Seus representantes são os caramujos, caracóis e lesmas. Apresentam uma glân- dula na parte anterior da boca que secreta muco viscoso sobre qual o pé desliza através da contração da musculatura (AMABIS, 2010). 1.1.2.3 Bivalvia Conforme relata Brusca (2018), os bivalves também são chamados de Pelecypoda, ou animais com “pé em forma de machadinha”. Entre os mais conhecidos estão as ostras, os mexilhões e os mariscos. A maioria dos bivalves é marinha, mas muitos vivem na água salobra, em cursos d’água e em pequenos e grandes lagos (CLEVELAND, 2022, p. 333). As principais características incluem: (1) uma concha articulada, os dois la- dos (valvas esquerda e direita) fechados por um ou dois músculos adutores; um ligamento elástico mantém as valvas abertas quando osmúsculos aduto- res relaxam; (2) compressão lateral do corpo e do pé; 3) falta de cefalização: quase ausência de uma cabeça e estruturas sensoriais associadas; (4) uma cavidade do manto ampla, comparativamente a outras classes de moluscos; 51INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 (5) um estilo de vida sedentário; e (6) a ausência de um complexo rádula-o- dontóforo. Bivalves são principalmente marinhos, mas aproximadamente 10 a 15% de todas as espécies ocorrem em água doce. Nenhum bivalve é ter- restre. Membros da maioria das espécies são alimentadores de suspensão, utilizando seus cílios branquiais para conduzir água através da cavidade do manto e capturar fitoplâncton e outras partículas microscópicas da água do mar (PECHENIK, 2016, p. 237). 1.1.2.4 Cephalopoda Os Cephalopoda (do grego kephalos, cabeça + podos, pé) apresentam a cabeça diretamente ligada ao pé. Incluem lulas, polvos, náutilos e sibas, todos marinhos e preda- dores ativos (AMABIS, 2010). O pé modificado está concentrado na região cefálica. Ele toma a forma de um funil para expelir a água da cavidade do manto, e a margem anterior prolonga-se em um círculo ou coroa de braços, ou tentáculos (CLEVELAND, 2022, p. 339). Esses tentáculos são fortes e musculosos com ventosas utilizadas na locomoção e captura de presas (AMABIS, 2010). Apresentam em sua pele células especiais, os cromatóforos, que lhes permitem mudar de cor camuflando-se no ambiente (LINHARES, 2011). Ainda como mecanismo de defesa (exceto os náutilus) possuem uma bolsa que elimina uma secreção escura, o que torna a água turva, facilitando sua fuga (AMABIS, 2010). 1.2 Filo Annelida Existem pelo menos 15.500 espécies descritas, […] têm o corpo mole, são ligeira- mente circulares em secção transversal, e são mais compridos do que largos. […] o corpo dos anelídeos consiste em uma série de segmentos repetidos (FRANSOZO, 2016, p. 297). 52INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 1.2.1 Morfofisiologia dos Anelídeos A extremidade anterior dos anelídeos apresenta um prostômio e um peristô- mio, ambos formando uma “cabeça”. Na extremidade posterior encontra-se o pigídio, região na qual geralmente se localiza o ânus. Entre o peristômio e o pigídio há um número muito variável de segmentos, de menos de uma dezena a diversas centenas, denominados metâmeros, que formam a quase totalida- de do corpo destes animais. Cada metâmero possui unidades independentes do celoma e de alguns dos sistemas de funcionamento do corpo, por exemplo, nervoso, circulatório, muscular e excretor (FRANSOZO, 2016, p. 296) De acordo com Linhares (2011) o corpo é revestido externamente por uma cutícula e pode apresentar cerdas que dão apoio ao animal. Abaixo da epiderme encontra-se uma camada muscular no sentido longitudinal e também circular que ao se contrair e se disten- der permitem a locomoção do animal e do alimento ao longo do tubo digestório. O celoma é preenchido por líquido que funciona como esqueleto hidrostático. “A excreção é feita por estruturas chamadas metanefrídios, que filtram os fluidos do celoma e eliminam os resíduos para fora do corpo através de poros excretores, os nefridióporos” (LAURENCE, 2005, p. 396). O sistema circulatório, além de fechado, apresenta uma série de arcos aórticos que são verdadeiros corações que impulsionam o sangue com força. E o sistema nervoso con- tém um cérebro e dois cordões nervosos ventrais fundidos que percorrem toda a extensão corporal (LIMA, 2015). A digestão é extracelular e o tubo digestório é completo com boca, faringe, esôfago, intestino e ânus. Alguns anelídeos alimentam-se de detritos vegetais, outros são parasitas e tem também os carnívoros (LINHARES, 2011). Não existe sistema respiratório. Na maioria das espécies a respiração é cutânea e nos animais maiores é branquial (LAURENCE, 2005). Em geral, os poliquetos apresentam sexo separado com fecundação externa, enquan- to os demais anelídeos são hermafroditas, porém com fecundação cruzada (BARSA, 1997). 1.2.2 Classificação “[…] evidências atuais indicam que os anelídeos podem ser divididos em dois cla- dos principais, Errantia e Sedentaria — um agrupamento que reflete amplas diferenças no modo de vida” (URRY, 2022, p. 702). Esta classificação pode ser encontrada de formas diferentes em outras referências, pois ainda não há consenso entre os cientistas. 1.2.2.1 Errantia “O clado Errantia (do francês antigo errant, viajante) é um grupo amplo e diverso, cuja maioria de seus membros é marinha” (URRY, 2022, p. 703). Abrange os poliquetas, animais que vivem dentro de conchas abandonadas, entre fendas de corais e sob rochas e têm significativa atuação na cadeia alimentar (CLEVE- 53INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 LAND, 2022). São dotados de uma cabeça com vários apêndices sensoriais; na maioria dos segmentos apresentam parapódios — apêndices utilizados na locomoção e respiração (LINHARES, 2011). A maioria das espécies é dioica, com fecundação externa e desenvol- vimento indireto (larva trocófora) (LAURENCE, 2005). FIGURA 2: EXTREMIDADE ANTERIOR DE UM POLIQUETA (ADAPTADA) Fonte: Cleveland (2022, p. 251) FIGURA 3: NEREIMYRA PUNCTATA (POLIQUETO MARINHO) Fonte: Urry (2022, p. 703) “Os anelídeos constituem um filo do reino animal que compreende os vermes mais evoluídos. Seu nome deriva do fato de ter o corpo dividido em segmentos ou ‘anéis’” (BAR- SA, 1997, p. 384). 1.2.2.2 Sedentaria Do latim sedere, que significa sentar, esses animais tendem a ser menos móveis do que aquelas em Errantia. Algumas espécies podem escavar lentamente nos sedimentos marinhos ou no solo; e outras vivem dentro de tubos que protegem e sustentam seus corpos moles (URRY, 2022). 54INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 Dentro desse grupo vamos destacar os Oligochaeta e Hirudinea (citados em algumas literaturas com subclasse da classe Clitellata). 1.2.2.2.1 Oligochaeta “O nome oligoqueta (oligo= pouco, pequeno) deriva da pequena quantidade das cerdas desses animais ou pelo fato de elas serem pouco perceptíveis. […] Eles são repre- sentados pelas minhocas” […] (LIMA, 2015, p. 125). Não possuem cabeça diferenciada, nem parapódios; seu deslocamento é através da contração coordenada dos músculos circulares e longitudinais; a respiração é cutânea e apresenta clitelo — anel mais espesso e claro que funciona como órgão reprodutor acessório (LINHARES, 2011). As minhocas são hermafroditas, mas apresentam fertilização cruzada. (URRY, 2022, p. 703) A reprodução das minhocas pode ocorrer durante todo o ano, desde que con- dições climáticas quentes e úmidas ocorram no decorrer da noite. Durante o acasalamento, as minhocas estendem sua extremidade anterior para fora de suas galerias, fazendo com que suas superfícies ventrais se encontrem. Suas superfícies são mantidas unidas por meio do muco secretado pelo clitelo […] e por cerdas ventrais especiais, as quais penetram no corpo do parceiro nas regiões de contato. Depois de serem liberados, os espermatozoides se locomovem até os receptáculos seminais da outra minhoca pelos sulcos se- minais. Depois do acasalamento, cada minhoca primeiramente secreta um tubo mucoso e, depois, uma forte cinta de aspecto quitinoso, formando um casulo em volta de seu clitelo. Conforme o casulo avança para a frente, os óvulos provenientes do oviduto, a albumina produzida por glândulas da pele e os espermatozoides do parceiro (que estavam armazenados nos receptáculos seminais) vão sendo lançados no casulo. Assim, a fecundação dos óvulos ocorre dentro do casulo. Quando o casulo escorrega para fora da extremidade anterior da minhoca, suas extremidades se fecham, produzindo um corpo se- lado com formato de limão. A embriogênese ocorre dentro do casulo e a forma que nasce do ovo é uma minhoca jovem semelhante ao adulto. Desse modo, o desenvolvimento é direto, sem metamorfose. Os jovens não desenvolvem um cliteloaté que atinjam a maturidade sexual (CLEVELAND, 2022, p.364) FIGURA 4: MINHOCA ADULTA Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/earthworm-garden-grass-1408264658 https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/earthworm-garden-grass-1408264658 55INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 FIGURA 5: REPRODUÇÃO DAS MINHOCAS Fonte: LINHARES (2011, p. 234) 1.2.2.2.2 Hirudinea Os principais representantes são as sanguessugas. Anelídeos desprovidos de cerdas e possuem uma ventosa na região anterior — ao redor da boca — e outra na parte posterior; a respiração é cutânea (LINHARES, 2011). São hermafroditas, com fecundação cruzada durante o acasalamento e desenvolvimento direto. (CLEVELAND, 2022). As sanguessugas são geralmente achatadas dorsoventralmente e exibem uma grande variedade de padrões e coloridos: preto, marrom, vermelho ou verde-oliva. Muitas sanguessugas vivem como carnívoras e predam peque- nos invertebrados; algumas são parasitos temporários e outras permanentes (que nunca abandonam seus hospedeiros). Algumas sanguessugas atacam os seres humanos e são um incômodo aos entusiastas de atividades externas. As sanguessugas são hermafroditas e têm um clitelo, que aparece apenas durante a estação reprodutiva. O clitelo secreta um casulo para recepção dos ovos. (CLEVELAND, 2022, p. 365) […] a Hirudo medicinalis, era muito usada na medicina antiga, com a finalidade de sugar sangue de pacientes com a intenção de reduzir a pressão sanguínea (LAURENCE, 2005, p. 397). “Hoje, elas são usadas para drenar o sangue que se acumula em tecidos após certos ferimentos ou cirurgias” (URRY, 2022, p. 703). A saliva das sanguessugas ectoparasitas contém hirudina, substância que impede a formação de coágulos no corpo da presa e do hospedeiro (LAURENCE, 2005). “Formas de hirudina produzidas com técnicas de DNA recombinante podem ser usadas para dissolver coágulos sanguíneos indesejados que se formam durante cirurgias ou como consequência de doença cardíaca” (URRY, 2022, p. 703). 56INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 FIGURA 6: TRATAMENTO COM UTILIZAÇÃO DE SANGUESSUGA Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/treatment-shoulder-joint-bloodletting-medical-banks-416630815 1.3 Filo Arthropoda “Um dos grupos sistemáticos que alcançaram maior evolução no reino animal foi o dos artrópodes. Sua variedade de formas e dimensões […] atraem a atenção dos que estudam a evolução dos animais e sua adaptação ao ambiente” (BARSA, 1997, p. 102). Quase 85% de todas as espécies animais descritos até́ hoje pertencem ao filo Arthropoda, o que torna o plano corporal artrópode, de longe, o mais bem representado no reino animal. Artrópodes também dominam o registro fóssil (PECHENIK, 2016, p. 341). Os artrópodes estão distribuídos mais amplamente e mais densamente por todas as regiões da biosfera terrestre do que os membros de qualquer ou- tro filo de eucariotos. Eles são encontrados em todos os tipos de ambiente, desde as profundezas oceânicas até altitudes bastante elevadas, e desde os trópicos até bem no interior das regiões polares do Sul e do Norte. Espécies diferentes estão adaptadas para a vida no ar; sobre a terra; em água doce, salobra e marinha; e sobre os corpos de plantas e outros animais ou dentro deles. Algumas espécies vivem em locais nos quais nenhum outro animal consegue sobreviver (CLEVELAND, 2022, p.386). Os artrópodes têm feito parte da história da humanidade desde os seus primórdios. Artrópodes são conhecidos como pragas, vetores de doenças transmitidas a humanos, plantas e animais, mas também pelo papel que de- sempenham como polinizadores, proteção natural contra pragas — inclusive na proteção contra outros artrópodes — recursos alimentares e fonte de maté- ria-prima para a indústria e medicina. Assim, se por um lado são responsáveis por perdas anuais da ordem de 20 a 50% da produção global agrícola poten- cial e transmitem doenças como a malária, que afeta quase 10% da população https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/treatment-shoulder-joint-bloodletting-medical-banks-416630815 57INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 mundial (Thacker, 2002), por outro, suprem a humanidade com milhões de toneladas de alimento anualmente, comercializadas por bilhões de dólares, como no caso da pesca de crustáceos marinhos (FRANSOZO, 2016, p. 418). 1.3.1 Morfofisiologia Geral dos Artrópodes São animais triblásticos, celomados, com simetria bilateral, sistema digestório com- pleto e corpo segmentado (metameria) (AMABIS, 2010, p. 266). Porém, essa segmentação só é evidente nas formas larvárias, pois ao longo do desenvolvimento os segmentos se fundem formando regiões distintas (tagmas) — esse processo chama-se tagmatização (LINHARES, 2011). Conforme descrito por Laurence (2005), todos têm apêndices — estruturas articu- ladas — que se apresentam em três tipos com finalidades diferentes: • antenas - funções sensoriais (olfato e tato); • peças bucais - captura de alimentos; • pernas - locomoção. O corpo desses animais é completamente coberto por uma armadura leve e resis- tente, um exoesqueleto constituído de proteínas associadas a um polissacarídeo - quitina - que tem alta capacidade de proteção sem prejudicar a flexibilidade ou a mobilidade (CLE- VELAND, 2022). Além de proteção, proporciona ponto de apoio para os músculos estriados, capazes de contração rápida, que associados aos apêndices tornam os movimentos e a locomoção bem eficientes (LINHARES, 2011). O crescimento dos artrópodes é descrito por Cleveland (2022, p.389): O exoesqueleto cuticular não expansível, entretanto, realmente impõe res- trições importantes ao crescimento. Para crescer, um artrópode deve trocar seu revestimento externo em certos intervalos de tempo, e produzir um maior – em um processo denominado muda. O processo de muda termina com a efetiva eliminação da pele, ou ecdise. Os artrópodes podem sofrer muda di- versas vezes antes de atingir o estágio adulto, e alguns continuam mudando após isso ter ocorrido. Alguns artrópodes apresentam desenvolvimento direto - não alteram sua forma durante as mudas - e outros sofrem metamorfose - modificações na forma do corpo do estágio larval até a fase adulta (LINHARES, 2011). A respiração na maioria dos artrópodes terrestres é através de um eficiente siste- ma traqueal, onde o oxigênio é conduzido diretamente às células. Os aquáticos respiram principalmente por meio de brânquias. São animais com grande desenvolvimento sensorial - visão, tato, olfato, audição, equilíbrio e recepção química - o que permite uma percepção eficaz do que acontece em seu ambiente (CLEVELAND, 2022) O sistema circulatório é aberto, composto por várias lacunas (hemocelas) que ba- nham os órgãos e também apresenta um coração na parte dorsal do corpo (BARSA, 1997). “O trato digestivo dos artrópodes é completo (trato digestivo inteiro) e geralmente retilíneo, estendendo-se da boca ventral situada na cabeça até o ânus posterior”. (BRUS- 58INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 CA, 2018, p. 701). A digestão é extracelular com enzimas liberadas por células do intestino e dos órgãos anexos - hepatopâncreas e cecos gástricos. Os nutrientes são absorvidos por células da parede intestinal e dos cecos, caem na circulação e são distribuídos para o corpo. Os restos não digeridos são eliminados pelo ânus (AMABIS, 2010). Laurence (2005) descreve como ocorre a excreção nos artrópodes: nos insetos e nas miriápodes, é feita por um conjunto de túbulos chamado túbulos de Malpighi, que coleta os resíduos presentes no sangue e os enviam para a porção terminal do intestino, onde são eliminados junto com as fezes; nos crustáceos as glândulas antenais se abrem em um poro próximo à antena para eliminar as excretas; nos aracnídeos as glândulas coxais (semelhantes às glândulas antenais) removem as excreções. O sistema nervoso é formado por um gânglio cerebral localizadona cabeça, do qual parte uma cadeia nervosa que percorre o corpo ventralmente. “Do gânglio cerebral e da cadeia nervosa partem nervos que conectam o sistema nervoso aos músculos e às estruturas sensoriais” (AMABIS, 2010, p. 282). A grande maioria dos artrópodes é dioica (sexos separados), com reprodução sexuada e, frequentemente, fecundação interna. Alguns grupos apresentam dimorfismo sexual. É comum haver estágios larvais durante o desenvolvi- mento pós-embrionário, cujo número e duração são variáveis. Em muitos grupos, o desenvolvimento é direto, de modo que do ovo eclode um animal semelhante ao adulto (FRANSOZO, 2016, p. 421) 1.3.2 Classificação dos Artrópodes Cleveland (2022, p. 387) apresenta a seguinte classificação dos artrópodes: Atualmente, são definidos cinco subfilos de artrópodes. Centopeias, milípe- des, paurópodes e sínfilos são colocados no subfilo Myriapoda. Os insetos são colocados no subfilo Hexapoda. As aranhas, os carrapatos, os límulos e seus parentes formam o subfilo Chelicerata. As lagostas, os caranguejos, as cracas e muitos outros formam o subfilo Crustacea. Nós incluímos os “vermes-língua” do antigo filo Pentastomida em Crustacea. Os trilobitas, já extintos, foram agrupados no subfilo Trilobita. 1.3.2.1 Trilobita Esses animais estavam restritos e eram típicos dos oceanos da era Paleozoica. […] Em razão dos seus exoesqueletos rígidos […] “os trilobitas deixaram um registro fóssil rico, […] são encontrados nas rochas sedimentares marinhas de todo o planeta” (BRUSCA, 2018, p. 688). 59INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 1.3.2.2 Crustacea Apresentam exoesqueleto popularmente conhecido como carapaça, composta de quitina e impregnada de carbonato de cálcio (Fransozo, 2016). O corpo geralmente é divi- dido em cefalotórax - onde se encontra dois pares de antenas, com função tátil e olfativa e um par de mandíbulas - e abdome (LINHARES, 2011). “O maior grupo de crustáceos é, de longe, a classe Malacostraca, que reúne la- gostas, caranguejos, camarões, saltões-de-praia, tatuzinhos-de-jardim e muitos outros” (CLEVELAND, 2022, p. 405). 1.3.2.3 Chelicerata Os artrópodes quelicerados são representados pelas aranhas, carrapatos e ácaros, escorpiões, aranhas-do-mar e outros grupos menos conhecidos. Seus corpos são com- postos por dois tagmas: cefalotórax e abdome. Apresentam seis pares de apêndices no cefalotórax, sendo: um par de quelíceras (peças bucais); um par de pedipalpos (estruturas com funções diferentes nas espécies - agarrar, matar, reprodução e até mesmo sensorial); quatro pares de apêndices locomotores. Não possuem antenas. A maioria dos quelicera- dos suga alimento líquido de suas presas (CLEVELAND, 2022) São animais tipicamente terrestres, predadores e carnívoros (aranhas e escorpiões) que ingerem insetos considerados pragas, porém são também peçonhentos, pois a picada pode causar graves acidentes e até mesmo a morte em humanos e animais. Alguns são ectoparasitas (ácaros e carrapatos) que atacam mamíferos e animais - inclusive humanos - transmitindo e até mesmo causando doenças (LINHARES, 2011). Alguns aracnídeos – as aranhas (ordem Araneae) – portam até quatro pares de pequenos apêndices abdominais, chamados de fiandeiras. Esses apên- dices estão localizados ventral e posteriormente, próximo ao ânus, e contêm válvulas conectando as glândulas abdominais internas, que secretam proteí- 60INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 nas da seda. Essas proteínas são secretadas pelas fiandeiras para produzir seda, a qual pode ser utilizada para formar linhas de segurança (linhas-guia ou fios-guia) durante a escalada; sacos ovígeros que protegem embriões em desenvolvimento; finos fios para a dispersão aérea de jovens recém-emergi- dos; bolhas para mergulho e alimentação na água; e teias para captura de presas, construção de ninhos ou acasalamento (PECHENIK, 2016, p. 354). 1.3.2.4 Hexapoda Os representantes apresentam seis pernas, corpo dividido em cabeça, tórax e abdome, um par de antenas e a maioria um ou dois pares de asas. Os representantes mais conhecidos são os insetos - formigas, abelhas, pulgas, baratas, piolhos, libélulas, entre tantos outros (AMABIS, 2010). “A maioria das suas modificações estruturais ocorreu nas asas, nas pernas, nas antenas, nas peças bucais e no trato digestório” (CLEVELAND, 2022, p. 425). A epiderme impermeável, o tipo de excreção (que economiza água) “e o ovo coberto por casca possibi- litam sua sobrevivência em ambientes secos” (LINHARES, 2011, p. 252) São dioicos, com fecundação interna e o desenvolvimento pode ser direto ou indi- reto (AMABIS, 2011). Muitos insetos passam por metamorfose durante seu desenvolvimento. Na metamorfose incompleta de gafanhotos e de alguns outros grupos de inse- tos, o jovem (chamado ninfa) se parece com o adulto, porém é menor, tem proporções corporais diferentes e não possui asas. A ninfa passa por uma série de mudas, se parecendo cada vez mais com um adulto. Com a muda final, o inseto alcança o tamanho adulto, adquire asas e se torna sexualmente maduro. Os insetos com metamorfose completa têm estágios larvais espe- cializados para comer e crescer, conhecidos por nomes como lagartas ou larvas. O estágio larval é completamente diferente do estágio adulto, o qual é especializado para a dispersão e a reprodução. A metamorfose do estágio larval para o adulto ocorre durante um estágio de pupa (URRY, 2022, p.711) É difícil avaliar completamente a importância ecológica, médica e econômica desse enorme grupo. “O estudo dos insetos (entomologia) ocupa tempo e recursos de homens e mulheres experientes em todo o mundo” (CLEVELAND, 2022, p. 425). Fransozo (2016, p. 531) descreve sobre esse importante grupo: Embora geralmente vistos como nocivos, especialmente como pragas e transmissores de agentes patogênicos causadores de doenças, muitas es- pécies são conhecidas pelas ações benéficas ao homem. Destaca-se a poli- nização das plantas, o controle biológico de insetos-praga e a ação sobre os processos de decomposição da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes e 61INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 manutenção da fertilidade dos solos. Vários produtos de insetos possuem va- lor comercial e correspondem a atividades econômicas, como as produções de mel (apicultura e meliponicultura) e de seda (sericicultura). Os insetos são uma fonte importante de substâncias bioativas com potencial valor comercial, especialmente na área farmacêutica. Devido ao tamanho pequeno e ao ciclo de vida curto, podem ser criados em pequenos espaços com baixo custo, tornando-os excelentes modelos para estudos científicos, em áreas como genética e evolução, fisiologia e compor- tamento. Os insetos também são considerados excelentes bioindicadores em virtude da sua abundância e grande sensibilidade às alterações ambientais. No setor agrícola, as espécies fitófagas são responsáveis por grandes pre- juízos, pois costumam danificar plantas vivas e produtos armazenados. Os hematófagos acarretam problemas significativos na área de saúde pública, especialmente ao transmitir agentes patogênicos causadores de doenças, como dengue, malária, febre-amarela e doença de Chagas. A enorme va- riedade de formas, cores e hábitos dos insetos sempre atraiu a atenção das pessoas, tornando-os importantes também no folclore e nas artes. 1.3.2.5 Myriapoda As miriápodes atuais são terrestres. “A cabeça da miriápode tem um par de ante- nas e três pares de apêndices modificados como partes bucais, incluindo as mandíbulas” (URRY, 2022, p. 708) “Existem quatro principais linhagens de miriápodes: Chilopoda (centopeias ou lacraias), Diplopoda (piolhos-de-cobra, gongolôs ou embuás), Pauropoda (paurópodes) e Symphyla (sínfilos)” (FRANSOZO, 2016, p. 514). 1.3.2.5.1 Chilopoda “Quilópodes são, em geral, carnívoros de movimentos rápidos que vivem no solo, húmus, sob troncos caídos e, ocasionalmente, em habitaçõeshumanas” (PECHENIK, 2016, 62INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 p. 358). O corpo é formado por dois tagmas: cabeça - com um par de antenas - e tronco - constituído por metâmeros com um par de pernas em cada segmento (AMABIS, 2010). O primeiro par de apêndices do tronco - forcípulas - é modificado e contém glândulas de veneno utilizadas para imobilizar suas presas (LINHARES, 2011). FIGURA 7: ESQUEMA DE UM QUILÓPODE Fonte: http://artropodes2b.blogspot.com/2016/09/quilopodes.html 1.3.2.5.2 Diplopoda Preferem locais escuros e úmidos, debaixo de troncos ou pedras. A maioria é herbívora, alimentando-se de matéria vegetal em decomposição, embora algumas vezes alimentam-se de vegetais vivos. “São animais de movimentos lentos e podem se enrolar quando perturbados” (CLEVELAND, 2022, p. 398). O corpo é formado por três tagmas: cabeça - pequena com um par de antenas; tó- rax - curto formado por quatro metâmeros (no primeiro não há pernas e nos outros três um par de pernas cada); e abdome - longo com vários segmentos (cada segmento é formado por dois metâmeros fundidos) com dois pares de pernas em cada. http://artropodes2b.blogspot.com/2016/09/quilopodes.html 63INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 FIGURA 8: ESQUEMA DE UM DIPLÓPODE Fonte: Brusca (2018, p. 844) 1.3.2.5.3 Pauropoda São animais pequenos que vivem principalmente em solo úmido e entre folhas em decomposição nas florestas. Apresentam cabeça pequena com antenas ramificadas e sem olhos. Não apresentam pernas no primeiro e nem nos dois últimos segmentos do corpo (CLEVELAND, 2022). 1.3.2.5.4. Symphyla São animais pequenos (1 a 9 mm) e não têm olhos; tronco com 14 segmentos, onde os 12 primeiros apresentam um par de pernas, o penúltimo segmento tem um par de fiandeiras e um par de pelos sensoriais longos; a cutícula é macia e não calcificada; vivem em húmus, folhas decompostas e detrito, são pragas frequentes de vegetais e flores, parti- cularmente em estufas de plantas. Poucas espécies foram descritas (CLEVELAND, 2022). FIGURA 9: QUADRO COMPARATIVO DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS ARTRÓPODES Característica Quelicerados (Aracnídeos) Miriápodes Crustáceos Insetos Divisão do Corpo Cefalotórax e abdome Diplópodes: cabeça, tórax e abdome Quilópodes: cabeça e tronco Cefalotórax e abdome Cabeça, tórax e abdome Número de patas 4 pares Diplópodes: 2 pares por segmento Quilópode: 1 par por segmento Variados 3 pares Antenas Ausentes 1 par 2 pares de antenas 1 par Quelíceras 1 par Ausentes Ausentes Ausentes Pedipalpos 1 par Ausentes Ausentes Ausentes Exemplo Aranhas e escorpiões Lacraias e embuás Caranguejo, lagosta e camarão Barata, abelha e mosca Fonte: Adaptado de: A que classe de artrópodes pertence a barata. Blog Várias Classes, 2019. Disponível em: https:// mundoeducacao.uol.com.br/biologia/principais-diferencas-entre-os-grupos-artropodes.htm Acesso em: 01 jul. 2023. https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/principais-diferencas-entre-os-grupos-artropodes.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/principais-diferencas-entre-os-grupos-artropodes.htm 64INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 1.4 Filo Echinodermata O nome Echinodermata (do latim echinatus, espinhoso + do grego derma, pele + ata, caracterizado por) é derivado da presença de espinhos ou protuberâncias externos (CLEVELAND, 2020, p. 453). São de vida livre e exclusivamente marinhos (LINHARES, 2011). Suas larvas planctônicas têm simetria bilateral e somente quando adultos desenvolvem a simetria radial. […] pentâmera – simetria baseada em cinco partes. […] os equinodermos não têm cabeça. Eles não têm extremidade posterior nem anterior, nem lado dorsal ou ventral. Em vez disso, é comum chamar uma das superfícies dos equinodermos de oral, porque é onde se encontra a boca, e a superfície oposta de aboral (CASTRO, 2012, p. 157). “Todos os equinodermos possuem endoesqueleto formado por ossículos de calcá- rio” (LINHARES, 2005, p. 430). O filo é composto por cinco classes principais: Ophiuroidea (cerca de 2.000 espécies), Asteroidea (cerca de 1.800 espécies), Holothuroidea (cerca de1.400 espécies), Echinoidea (cerca de 900 espécies) e Crinoidea (cerca de 700 espécies) (FRANSOZO, 2016). 1.4.1 Morfofisiologia dos Equinodermos O sistema digestório é completo (exceto nos ofiuroides) com absorção dos nutrien- tes pelas células do tubo digestório, passando para o celoma e distribuído por todo o corpo. Nos ouriços-do-mar a boca apresenta um aparelho mastigador - lanterna de Aristóteles - formado por cinco longos dentes com os quais raspa as rochas no fundo do mar. As estre- las-do-mar são carnívoras e o estômago entra em contato com o alimento secretando muco e enzimas produzidas nos cecos gástricos. Quando o estômago é recolhido, o alimento semidigerido entra junto (AMABIS, 2010). O sistema circulatório é rudimentar e não apresenta órgão excretor especializado definido. O sistema nervoso é difuso e descentralizado, consistindo em rede nervosa sube- pitelial, anel nervoso e nervos radiais (BRUSCA, 2018). Uma característica exclusiva dos equinodermos é o sistema aquífero, também chamado de sistema ambulacrário ou hidrovascular, que consiste em uma rede de ca- nais preenchidos com água. Os pés ambulacrais ou pódios são extensões musculares desses canais e estão ligados a dilatações denominadas ampolas. Os pés ambulacrais geralmente terminam em uma ventosa que é usada para fixação, locomoção e recepção de estímulos químicos e físicos (CASTRO, 2012). 65INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 O movimento se dá quando os músculos da ampola se contraem bombeando água para os pódios que se alongam e aderem a uma superfície, em seguida os músculos dos pódios se contraem e fazem a água voltar para a ampola (LINHARES, 2011). Os equinodermos são quase sempre dioicos, com fecundação externa e desenvol- vimento indireto (AMABIS, 2010). TABELA 1: CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS CLASSES DO FILO ECHINODERMATA Classes Características Representantes Ophiuroidea Corpo achatado, com braços finos e flexíveis, separados uns dos outros e ligados a um disco central. Boca locali- zada na região voltada para o substrato (região oral). Não possuem ânus. Locomovem-se por ondulações dos bra- ços. Alimentam-se de pequenos crustáceos, moluscos e detritos orgânicos do fundo do mar. serpentes - do - mar Asteroidea Corpo achatado, em forma de estrela, usualmente com cin- co braços, mas pode ter até 42. Boca e pés ambulacrais localizados na região voltada para o substrato (região oral), ânus na região superior (aboral). Predadores, Alimentam- -se de moluscos, crustáceos e anelídeos. estrelas - do mar Holothuroidea Corpo alongado, sem braços. Diferem do padrão do filo por apresentar corpo macio e alongado. Boca localizada em uma das extremidades do corpo (região oral), rodeada por tentáculos. Ânus na região oposta (aboral). Locomoção por pés ambulacrais distribuídos em fileiras ao longo do corpo. Alimentam-se de detritos orgânicos acumulados nos fundos lodosos e arenosos. pepinos-do-mar Echinoidea Corpo circular, abaulado (ouriços) ou achatados (bolachas- -da-praia), sem braços. Boca localizada na região volta- da para o substrato (região oral). Ânus na região superior (aboral). Pés ambulacrais distribuídos por todo o corpo. Lo- comoção pela movimentação de espinhos e pés ambula- crais. Esqueleto constituído por placas calcárias fundidas, que formam uma carapaça interna. Alimentam-se de algas e detritos orgânicos raspados das rochas. Ouriço-do-mar e bolacha-da-praia Crinoidea Corpo em forma de taça, com braços ramificados e flexí- veis, que lembram plumas. Algumas espécies vivem fixa- das em rochas por um pedúnculo; outras podem nadar. Boca e ânus localizados na região oposta ao substrato (re- gião oral). Alimentam-se de plâncton e detritos orgânicos em suspensão na água, capturados pelos cíliosdos tentá- culos em torno da boca. lírio-do-mar Fonte: Amabis (2010, p. 288) 66INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses (Rubem Alves) A lagarta-de-fogo é uma espécie de taturana classificada como uma das mais perigosas do mundo. Ela é nati- va das matas brasileiras na região Sul do país e pode ser encontrada em toda a sua extensão. O animal geral- mente pode ser encontrado em algumas culturas agrícolas como café, abacate, citros e goiaba, por exemplo. A queimadura da lagarta-de-fogo exige auxílio médico imediato. Isso porque o indivíduo lesionado pode sofrer com uma série de sintomas; incluindo hemorragia, sangramento no local, queimação, ardência e até insuficiência renal. Somente em 2017 foram registrados mais de 700 acidentes em todo o país, sendo considerada um sério risco para populações da região. O número de acidentes aumentados é consequ- ência direta do desmatamento, que diminui os predadores naturais da espécie e obriga as taturanas a se aproximarem do meio urbano e dos pomares domésticos. Fonte: MORAES, M. Lagarta-de-fogo: Saiba tudo sobre essa praga! Agro Pós. Disponível em: https://agro- pos.com.br/lagarta-de-fogo/ Acesso em: 01 jul. 2023. https://www.pensador.com/autor/rubem_alves/ https://agropos.com.br/cafe-como-essa-cultura-ganhou-o-mundo/ https://agropos.com.br/lagarta-de-fogo/ https://agropos.com.br/lagarta-de-fogo/ 67INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 Ao término desta unidade de estudo dos invertebrados dos filos Mollusca, Anneli- da, Arthropoda e Echinodermata, podemos concluir que esses grupos apresentam uma incrível diversidade de formas, adaptações e estratégias de sobrevivência. Cada um deles possui características únicas que contribuem para sua ampla distribuição e sucesso nos mais variados ambientes, desde os mares profundos até os ambientes terrestres. Os anelídeos, representados por animais como as minhocas e as sanguessugas, são conhecidos por seu corpo segmentado e a presença de cerdas. Eles desempenham papéis importantes na ciclagem de nutrientes no solo e na manutenção da saúde dos ecos- sistemas aquáticos. Os moluscos são um dos filos mais diversos e reconhecíveis, com representantes famosos como caramujos, caracóis, polvos e ostras. Possuem um corpo mole, geralmente protegido por uma concha e um pé muscular usado para locomoção. São encontrados em ambientes marinhos, dulcícolas e terrestres. Desempenham papéis importantes nas ca- deias alimentares e têm papel ecológico fundamental como filtradores, ajudando a manter a qualidade da água e servindo como alimento para muitas espécies, inclusive a humana. Os artrópodes são o grupo mais diversificado e abundante de invertebrados, compreendendo insetos, aracnídeos, crustáceos e miriápodes. Com seu exoesqueleto resistente e articulações, são capazes de conquistar praticamente todos os ambientes. Desempenham uma ampla gama de funções ecológicas, desde a polinização de plantas até o controle de pragas, sendo fundamentais para muitos ecossistemas, além de serem importantes para a economia humana. Os equinodermos são animais marinhos exclusivos, caracterizados por sua sime- tria radial e espinhos a também apresentam um esqueleto interno composto por placas calcárias. Desempenham papéis importantes na manutenção do equilíbrio ecológico nos oceanos, além de possuírem recursos regenerativos. A compreensão desses invertebrados é fundamental para a preservação da natu- reza e para a nossa própria sobrevivência. Aguardo você na nossa próxima e última unidade. Até mais! CONSIDERAÇÕES FINAIS 68INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 Biologia e Controle de Artrópodes Em Saúde Pública é dada maior importância aos vetores, isto é, aos artrópodes capazes de transmitir agentes infecciosos. O combate a esse grupo de artrópodes visa, fundamentalmente, a prevenir a transmissão de doenças a eles relacionadas. Em áreas en- dêmicas, torna-se necessário reduzir a incidência de doenças, colocando-as sob controle, pois essa ação propicia a redução da mortalidade e morbidade. Incluem-se como de importância econômica todas as medidas de ordem sanitária porque as mesmas oferecem proteção ao homem e resguardam sua capacidade de pro- dução. Em alguns casos, o controle reveste-se de caráter especial, como, por exemplo, proteção a trabalhadores em estradas de penetração e em grandes obras de engenharia, como as hidrelétricas (Adaptado). O conteúdo completo encontra-se disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/funasa/capitulo_6.pdf LEITURA COMPLEMENTAR https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/capitulo_6.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/capitulo_6.pdf 69INVERTEBRADOS — UMA VARIEDADE DE SERES VIVOS — PARTE IIUNIDADE 3 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: O Colapso das Abelhas • Ano: 2017 • Sinopse: Abelhas são muito conhecidas por produzirem mel, cera, própolis e pólen. Entretanto, o que a maioria das pessoas desconhece é que as abelhas cumprem um papel infinitamente mais relevante: são os melhores e mais eficientes agentes polini- zadores da natureza! • Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=1Xg6RxSxYoY LIVRO • Título: Zoologia dos Invertebrados • Autor: FRANSOZO, Adilson • Editora: EDITORA GUANABARA KOOGAN LTDA. • Sinopse: Escrita especialmente para graduandos na área das Ciências Biológicas e afins, esta obra busca descrever a diversidade dos animais invertebrados, salientando os pontos mais relevantes da biologia de cada grupo. Além de apresentar um panorama quan- to à forma, à função e às adaptações que possibilitam a vida desses organismos nos ambientes em que vivem, Zoologia dos Invertebra- dos aponta, para a maioria dos grupos estudados, a perspectiva de relação de parentesco destes com outros organismos. https://www.youtube.com/watch?v=1Xg6RxSxYoY . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Zoologia dos Chordata — Protocordados, Peixes, Anfíbios, Répteis, Aves e Mamíferos Objetivos da Aprendizagem • Conhecer as características gerais dos Cordados; • Caracterizar os protocordados e os cranianos; • Identificar as principais características morfofisiológicas dos peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos; • Compreender interações dos organismos entre si e com o ambiente. Professor(a) Esp. Heloiza Helen da Silva A DIVERSIDADE A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALDO REINO ANIMAL UNIDADEUNIDADE4 71A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 INTRODUÇÃO Olá! Que prazer estarmos juntos para a última etapa da nossa caminhada. Antes de abordarmos o assunto dessa última unidade, quero ressaltar, mais uma vez, que o estudo não se completa com o término desta apostila. Devemos, a cada dia, aprimorar nosso conhecimento acerca dos seres vivos e suas interações entre si e com o meio, pois novas descobertas ocorrem constantemente. Nesta Unidade iremos abordar um filo de animais notáveis — os Cordados — carac- terizados pela presença da notocorda, estrutura centralno desenvolvimento embrionário. Os cordados cranianos, também conhecidos como vertebrados, incluem peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Os membros desse grupo possuem uma ampla variedade de tolerâncias anatômicas, fisiológicas e comportamentais, permitindo-lhes uma ampla varie- dade de ambientes terrestres, aquáticos e aéreos. Além disso, os cordados desempenham papéis importantes nos ecossistemas como predadores, presas e polinizadores, e incluem alguns dos animais mais inteligentes e socialmente complexos, como golfinhos, primatas e seres humanos. Sua evolução e adaptação ao longo do tempo resultaram em uma diversidade incrí- vel de espécies, das quais muitas têm um impacto significativo no mundo ao nosso redor. Muitos cordados, incluindo os humanos, são objetos de intenso estudo científico devido à sua importância médica, econômica e cultural. Ao estudar os cordados, os cientistas podem desvendar os mistérios da vida e obter insights sobre nossa própria origem e lugar no mundo natural. Bom estudo! E lembre-se de continuar consultando outras fontes. ZOOLOGIA DOS CHORDATA — PROTOCORDADOS, PEIXES, ANFÍBIOS, RÉPTEIS, AVES E MAMÍFEROS1 TÓPICO 72A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 “Os cordados constituem um grande filo do reino animal que abrange os vertebra- dos (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos) e um pequeno grupo de animais marinhos denominados protocordados” (BARSA, 1997, p. 416). As cinco características distintivas que, juntas, diferenciam os cordados de todos os outros filos são: a notocorda, o cordão nervoso tubular dorsal, as bolsas ou fendas faríngeas, o endóstilo e a cauda pós-anal. Essas características são sempre encontradas pelo menos em algum estágio em- brionário, embora possam mudar ou desaparecer nos estágios posteriores da vida (CLEVELAND, 2022, p.478) Notocorda — bastão maciço e flexível localizado na região mediana e dorsal do corpo, é a primeira parte do endoesqueleto que surge durante o desenvolvimento embrio- nário. Na maioria dos vertebrados ela é substituída pelas vértebras (AMABIS, 2010) FIGURA 1: NOTOCORDA Fonte: Cleveland (2022, p. 478) Cordão Nervoso Dorsal — O cordão oco é produzido no embrião pelo dobramento de células ectodérmicas no lado dorsal do corpo, acima da notocorda (CLEVELAND, 2022) e desenvolve-se no sistema nervoso central: o cérebro e a medula espinal (URRY, 2022). 73A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 FIGURA 2: CORDÃO NERVOSO DORSAL Fonte: Cleveland (2022, p. 478) Bolsas ou Fendas Faríngeas — são sulcos que aparecem na faringe. Nos proto- cordados filtram a água e dela retiram alimentos; nos cordados aquáticos desenvolvem-se em brânquias que são responsáveis pela respiração; nos cordados terrestres essas fendas se fecham e participam da formação de várias estruturas distintas, incluindo a tuba auditiva, a cavidade da orelha média, as amígdalas e as glândulas paratireoides (LINHARES, 2011). FIGURA 3: FENDAS FARÍNGEAS Fonte: Cleveland (2022, p. 479) Endóstilo — “Até recentemente, o endóstilo não era reconhecido como um caráter de cordados. Entretanto, ele ou seu derivado, a glândula tireoide, ocorre em todos os cor- dados, mas não em outros animais” (CLEVELAND, 2022, p. 479) FIGURA 4: ENDÓSTILO Fonte: Cleveland (2022, p. 479) Cauda Pós-Anal — Região posterior ao ânus, com músculos e notocorda (coluna vertebral), cujo desenvolvimento e função variam entre os grupos. Nos humanos essa estrutura é atrofiada formando o cóccix (LINHARES, 2011) FIGURA 5: CAUDA PÓS — ANAL Fonte: Cleveland (2022, p. 479) 74A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 1.1 Protocordados Do grego, protos — primeiro, primitivo e do latim chorda, corda. São animais in- vertebrados, marinhos, porém com presença de notocorda. São divididos em Urochordata e Cephalochordata (CLEVELAND, 2022) 1.1.1 Urochordata “Nestes animais a notocorda ocorre na cauda das larvas. Na maioria dos adultos, a notocorda e a cauda desaparecem na metamorfose” (LAURENCE, 2005, p. 433). “Mais comumente denominados tunicados, incluem cerca de 1.600 espécies. Eles vivem em todos os mares, desde as regiões entremarés até grandes profundidades.” Na fase adulta, a maioria é séssil, embora alguns sejam livre-natantes (CLEVELAND, 2022, p. 480) Os adultos possuem dois sifões: o oral, pelo qual a água entra; e o cloacal, pelo qual saem os resíduos, a água e os gametas. O alimento (plâncton) é retido pelas fendas faríngeas, de onde passa para o estômago e depois intestino (LINHARES, 2011). Todas as espécies apresentam reprodução sexuada e a maioria delas é monoica (hermafrodita) (AMABIS, 2010). FIGURA 6: METAMORFOSE DE UMA ASCÍDIA SOLITÁRIA Fonte: Cleveland (2022, p.481) 1.1.2 Cephalochordata São cordados nos quais a notocorda persiste no adulto, percorrendo longitudinal- mente o corpo do animal, desde a cabeça até a cauda (LAURENCE, 2005). Os represen- tantes são os anfioxos, cujo corpo, quase transparente, apresenta a forma de uma lança de duas pontas. A boca é rodeada por tentáculos que impedem a entrada de partículas grandes e as fendas faríngeas filtram o alimento e realizam as trocas gasosas. São dioicos com fecundação externa e desenvolvimento indireto (LINHARES, 2011). FIGURA 7: ANFIOXO Fonte: Cleveland (2022, p. 482) 75A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 1.2 Cranianos ou Vertebrados O nome desse grupo é uma referência à coluna vertebral dorsal articulada que frequentemente substitui a notocorda durante o desenvolvimento inicial como estrutura primária de sustentação (SADAVA, 2019, p. 691). O suporte corporal fornecido pelo endoesqueleto favorece o crescimento contínuo […]. Além disso, o esqueleto dos cranianos está altamente integrado ao sistema muscular, o que garante grande capacidade de movimentação (AMABIS, 2010, p. 300). O sistema digestório é completo e possui glândulas anexas que liberam enzimas que atuam na digestão; para o transporte de oxigênio, gás carbônico, resíduos metabólicos e hormônios existe um sistema circulatório fechado e complexo — formado por veias, arté- rias, capilares e um coração que bombeia o sangue por todo o corpo (LAURENCE, 2005). Os complexos sistemas sensoriais e o cérebro distinto fornecem aos vertebrados informações excelentes sobre o seu ambiente (CLEVELAND, 2022, p. 491) De acordo com Amabis (2010, p. 300) podemos descrever a organização esquelé- tica dos cranianos da seguinte forma: Quanto à composição, o esqueleto dos agnatos e dos peixes cartilaginosos é inteiramente cartilaginoso. Nos demais craniados, o esqueleto é formado principalmente de tecido ósseo, co, alguns componentes cartilaginosos. […] A coluna vertebral e o crânio constituem o esqueleto axial […] que prote- ge o sistema nervoso central, constituído pela medula espinal e encéfalo […]. Além do esqueleto axial, a maioria dos cranianos possui também um esque- leto apendicular, constituído pelas estruturas esqueléticas que dão susten- tação aos apêndices corporais (nadadeiras, asas, pernas ou braços). Peixes, anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos são craniados (LAURENCE, 2005). 1.2.1 Peixes Segundo Amabis (2010), peixe é um termo popular para designar um grupo de animais cranianos aquáticos que respiram praticamente por brânquias. São chamados de peixes os Cyclostomata ou Agnatos (sem mandíbula); os Chondrichthyes (cartilagino- sos); os Osteichthyes(ósseos). 76A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 O corpo do peixe tem um formato hidrodinâmico para a locomoção em meio aquático. Suspenso em um meio que é 800 vezes mais denso que o ar, uma truta ou lúcio podem permanecer imóveis, variando sua flutuabilidade neutra ao adicionar ou remover ar de sua bexiga natatória. Eles podem disparar para a frente ou em ângulos, utilizando as nadadeiras como freios e lemes para ma- nobras. Com excelentes órgãos para troca de sais e água, os peixes podem ajustar finamente sua composição de fluidos corporaisem seu ambiente, seja água doce ou marinha. Suas brânquias são as estruturas respiratórias mais eficientes do reino animal para extrair oxigênio de um meio que contém menos de 1/20 de oxigênio que o ar. Os peixes são dotados de excelentes sentidos olfatório e visual, além de um sistema da linha lateral com extraordinária sensi- bilidade às vibrações e correntes da água. Desse modo, ao dominarem os pro- blemas físicos de seu meio, os primeiros peixes evoluíram um plano corporal básico e um conjunto de estratégias fisiológicas que moldaram e direcionaram a evolução de seus descendentes (CLEVELAND, 2022, p. 492). 1.2.1.1 Cyclostomata ou Agnatos Reúne cranianos primitivos sem mandíbula, de corpo cilíndrico alongado e es- queleto cartilaginoso pouco desenvolvido. Os principais representantes são as feiticeiras (clado Hyperotreti) e as lampreias (clado Hyperoartia). Apresentam apenas uma ou duas nadadeiras e uma cauda, não têm escamas — a pele é lisa. A boca é circular e as brânquias se abrem na lateral do corpo (AMABIS, 2010). 1.2.1.2 Chondrichthyes — Peixes Cartilaginosos Constituído de cartilagem, apresentam o esqueleto formado pelo crânio — caixa craniana, mandíbula e arcos branquiais — e pela coluna vertebral — formada por vérte- bras e por elementos de sustentação das nadadeiras. São exemplos os tubarões, cações e raias (AMABIS, 2010). “A pele resistente e coriácea é coberta por escamas placoides, dérmicas, seme- lhantes a dentes, que reduzem a turbulência da água que flui ao longo da superfície do corpo durante a natação” (CLEVELAND, 2022, p. 499) 77A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 A boca é ventral, com maxilas e várias fileiras de dentes pontiagudos, que são escamas modificadas. Apresentam sistema digestório completo terminando em cloaca e também pâncreas e fígado (LINHARES, 2011). Possuem de cinco a sete fendas branquiais e, com exceção das quimeras, não têm opérculo (placa que protege as brânquias) e nem bexiga natatória (LAURENCE, 2005). O sistema circulatório é fechado, composto de um coração ventral, artérias, veias e capilares. E o sistema excretor apresenta um par de rins que filtram o sangue retirando os resíduos metabólicos (AMABIS, 2010). Linhares (2011, p. 291) descreve o sistema neurossensorial da seguinte forma: […] As narinas, sem comunicação com a cavidade bucal, apresentam apenas função olfativa e são capazes de perceber substâncias químicas dissolvidas na água […]. A orelha interna é sensível a vibrações provocadas por sons na água. Há também órgãos de equilíbrio, que dão informações sobre mudan- ças na posição do corpo. São animais dioicos, com reprodução sexuada e fecundação interna (AMABIS, 2010). 1.2.1.3 Osteichthyes — Peixes Ósseos É um grupo bastante diversificado em formas, cores e tamanhos que habitam tanto águas doces como salgadas. Podemos citar como exemplos o cavalo-marinho, a barracu- da, o baiacu, o peixe-palhaço, a sardinha e a piranha (AMABIS, 2010). Como o próprio nome sugere, o esqueleto é predominantemente ósseo. Suas nadadeiras são flexíveis, o que permite manobras rápidas e mudança de direção. A boca com dentes localiza-se na região anterior do corpo. As brânquias, onde ocorrem as trocas gasosas, são cobertas por uma estrutura óssea denominada opérculo. O sistema circula- tório é fechado com presença de coração e vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares). O coração possui duas cavidades (um átrio e um ventrículo) e a circulação é simples (o sangue passa uma vez pelo coração) (LINHARES, 2011). 78A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 “A superfície corporal externa da maioria das espécies de peixes de nadadeiras raiadas é coberta por escamas finas, planas e leves que proporcionam proteção ou aumen- tam o movimento na água” (SADAVA, 2019, p. 693). Os peixes ósseos normalmente também possuem uma bexiga natatória: um dispositivo de flutuação cheio de gás. “Ao ajustar o volume de gás dentro dessa bexiga natatória, o peixe ósseo consegue ficar suspenso na água em diferentes profundidades” (Starr, 2012, p. 125). O sistema digestório é completo, terminando em ânus. O fígado é bem desenvolvi- do e produz a bile, que auxilia na digestão das gorduras. Os órgãos excretores, localizados acima da bexiga natatória, são um par de rins que retiram os resíduos metabólicos do sangue formando a urina. Esta é conduzida através dos ureteres e eliminada através de um poro excretor. O sistema nervoso é bem desenvolvido. As informações captadas pelos órgãos dos sentidos são processadas no encéfalo (AMABIS, 2010). “Os detalhes da reprodução dos peixes variam extensamente. A maioria das es- pécies é ovípara, se reproduzindo por fertilização externa após a fêmea depositar grandes números de pequenos ovos.” Entretanto, a fertilização interna e a parição caracterizam outras espécies (URRY, 2022, p. 728). “Do ovo da maioria dos peixes sai um filhote parecido com o adulto: é o alevino. A reprodução da maioria dos peixes apresenta, portanto, desenvolvimento direto” (LINHA- RES, 2011, p. 296). 1.2.2 Anfíbios (Amphibia) Atualmente, os anfíbios são representados por cerca de 6.150 espécies, em três clados: salamandras (clado Urodela, “com caudas”), rãs (clado Anura, “sem caudas”) e cecílias (clado Apoda, “sem patas”) (URRY, 2022, p. 731) Os anfíbios são vertebrados que habitam a terra, que precisam de água para procriar e possuem um coração dividido em três câmaras. […] A transição para a terra não foi simplesmente uma questão de mudanças esqueléticas. A divisão do coração em três câmaras permitiu o fluxo em dois circuitos, um para o corpo e um para os pulmões. Mudanças no ouvido interno melhora- ram a detecção de sons. Os olhos foram protegidos por pálpebras para não secarem. Qual foi a vantagem seletiva de viver na terra? A capacidade de sobreviver fora da água teria sido favorecida em lugares sazonalmente se- 79A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 cos. Além disso, na terra, indivíduos escaparam dos predadores aquáticos e tiveram novas fontes de alimento — como os insetos, que também evoluíram durante o período Devoniano (STARR, 2012, P. 126). São animais com esqueleto ósseo dividido em axial (crânio e coluna vertebral); apendicular (ossos dos membros e ossos que ligam os membros à coluna vertebral — sendo-os últimos divididos em cintura escapular e cintura pélvica) (AMABIS, 2010). O sistema digestório é completo, terminando em cloaca. Apresenta fígado, pân- creas e vesícula biliar. São animais carnívoros (LINHARES, 2011). As larvas aquáticas respiram através de brânquias que, na maioria, desaparecem durante a metamorfose, dando lugar a pulmões; porém a superfície desse órgão é pe- quena, o que faz com que a respiração cutânea se torne mais importante que a pulmonar (AMABIS, 2010). Conforme descrito por Linhares (2011), os anfíbios possuem sobre a pele uma fina camada de queratina, o que não a protege contra a desidratação. A presença de glândulas produtoras de muco garante a umidade da pele, o que facilita as trocas gasosas (respiração cutânea). O coração possui três cavidades (dois átrios e um ventrículo) e a circulação é dupla (pequena circulação — entre o coração e os pulmões; grande circulação — entre o coração e o corpo) e incompleta (o sangue venoso se mistura com o arterial no ventrículo). São animais pecilotermos, ou seja, não há mecanismo interno que mantenha a temperatura corporal (LAURENCE, 2005). A excreção é realizada por um par de rins que removem a ureia do sangue e, juntamente com outros resíduos metabólicos, são excretados na urina que é conduzida até a bexiga através dos ureteres e eliminada pela cloaca (AMABIS, 2010). Quanto ao sistema nervoso, Linhares (2011, p. 305) o descreve da seguinte forma: […] os anfíbios possuem dez pares de nervos cranianos. Apresentam epi- télios olfativos nas narinas, botões gustativos na boca e sensibilidade tátil ao longo do corpo. Osolhos dos adultos possuem pálpebras e glândulas lacrimais, o que constitui uma adaptação à vida terrestre, pois protegem e evitam o ressecamento ocular. A visão é capaz de perceber apenas objetos em movimento e está adaptada para captar os movimentos rápidos de suas presas. O sistema de linha lateral, que capta vibrações sonoras na água, está presente na larva e nos adultos aquáticos. Além da orelha interna (ouvido interno presente também nos peixes responsá- vel pela audição e pelo equilíbrio), há uma orelha média (ouvido médio), for- mada por um osso (columela) que liga uma membrana situada na superfície do corpo (tímpano) à orelha interna. Essa estrutura amplifica as ondas sonoras. Seguimos com a reprodução dos anfíbios descrita por (BENEDITO, 2015, p. 99) 80A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 Os anfíbios exibem uma enorme diversidade de comportamentos e estraté- gias reprodutivas e, devido ao grande número de espécies pouco estudadas, certamente ainda há muito por se descobrir. Os anfíbios são extremamente dependentes de ambientes aquáticos e úmidos, não só pelo fato de terem uma pele úmida e permeável, mas também por serem organismos anamnio- tas, isto é, seus ovos são desprovidos de casca e anexos embrionários. Os ovos de anfíbios são envoltos por cápsulas gelatinosas, as quais conferem proteção mecânica e dificultam o ataque de predadores, principalmente in- vertebrados. […] A fertilização é externa na maioria dos anuros e algumas salamandras e interna na maioria dos urodelos e todas as cecílias. A maioria das espécies é ovípara […]. O desenvolvimento pode ser indireto, por meio de uma larva, geralmente aquática, que sofre metamorfose, ou direto, quan- do do ovo emerge uma miniatura do adulto […]. 1.2.2.1 Ordem Gymnophiona (Apoda) São anfíbios alongados, vermiformes e sem pernas representados pelas cecílias, também conhecidas por cobras-cegas. Os olhos são atrofiados e em algumas espécies cobertos por membranas. Os adultos possuem um pulmão atrofiado e respiram principal- mente pela pele. (LAURENCE, 2005). A fecundação é interna e frequentemente depositam seus ovos no solo úmi- do, próximo à água. Algumas espécies têm larvas aquáticas; em outras espé- cies, o desenvolvimento da larva ocorre todo dentro do ovo. Algumas cecílias protegem seus ovos cuidadosamente em dobras do próprio corpo. A vivipari- dade também é comum em algumas espécies, nas quais os embriões obtêm nutrientes consumindo a parede do oviduto CLEVELAND, 2022, p.523) 1.2.2.2 Ordem Urodela (Caudata) Representados pelas salamandras e tritões, apresentam cauda e pernas. As espé- cies terrestres apresentam pálpebras (LINHARES, 2011). Esses animais também sofrem metamorfose, porém as larvas são bem parecidas com o adulto. As principais alterações durante a metamorfose são o desaparecimento das 81A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 brânquias e da nadadeira caudal, modificações no coração e surgimento dos pulmões. Em algumas espécies de salamandras ocorre a neotenia, ou seja, o animal atinge a maturidade sexual sem perder as características larvais (LAURENCE, 2005). Na maioria das salamandras, os machos eliminam pequenos pacotes de esper- matozoides que são sugados pelas cloacas das fêmeas, ocorrendo assim a fecundação interna (AMABIS, 2010). 1.2.2.3 Ordem Salientia (Anuros) Os anuros estão representados pelos sapos, rãs e pererecas. Possuem pernas, mas não têm cauda e os olhos são protegidos por pálpebras (LINHARES, 2011). Membros posteriores musculares e compridos permitem aos adultos sem cauda nadar, pular e dar saltos […]. As pernas anteriores são muito menores e ajudam a absorver o choque das aterrissagens (STARR, 2012, p. 127). As patas das rãs são semelhantes às dos sapos e suas patas traseiras apresentam uma membrana entre os dedos que auxilia o nado. As pererecas apresentam ventosas nas extremidades dos dedos, o que possibilita sua fixação em vários lugares (LAURENCE, 2005). Embora a maioria das rãs e dos sapos seja indefesa, muitos dos que ocorrem nas regiões tropicais e subtropicais são agressivos, saltando e mordendo os predadores. Alguns se defendem fingindo-se de mortos. A maioria dos anuros pode inflar seus pulmões de forma a dificultar a deglutição por parte de preda- dores. Quando perturbados junto à margem de uma lagoa ou de um riacho, uma rã permanece imóvel ou salta na vegetação em busca de refúgio. Quan- do capturada, pode deixar de resistir por alguns instantes, mas saltando de repente logo em seguida e expelindo urina. A proteção mais eficaz dos sapos reside em sua capacidade de saltar e, em algumas espécies, nas glândulas de veneno. As espécies da família Dendrobatidae utilizam toxinas potentes como forma de defesa (CLEVELAND, 2022, p. 527). Como a maioria dos anuros tem hábito noturno […] a comunicação acústica é extremamente eficiente e importante em contextos sociais de corte e territorialidade, pois independe da luz (BENEDITO, 2015, p. 125). A fecundação na maioria dos anuros é externa e o desenvolvimento é indireto. A larva dos anuros recebe o nome de girino — a cauda é bem desenvolvida e não possui patas (AMABIS, 2010). 82A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 1.2.3 Répteis (Reptilia) Derivado do latim reptilis — que se arrasta — com os representantes mais conhe- cidos jacarés, crocodilos, cágados, tartarugas, jabutis, serpentes e lagartos, esses animais conquistaram definitivamente o ambiente terrestre devido às seguintes características: corpo coberto por uma grossa camada impermeável de queratina; pulmões eficientes; e ovo amniótico — apresentam casca que evita a desidratação e anexos embrionários que garantem proteção e nutrição ao embrião (AMABIS, 2010). 1.2.3.1 Morfofisiologia dos Répteis A pele dos répteis é seca, protegida por escamas de origem epidérmica ou placas ósseas de origem dérmica, não possuem glândulas mucosas (LAURENCE, 2005, p. 473). Abaixo da epiderme está a derme, que contém os nervos e vasos sanguíneos que alimen- tam a epiderme (BENEDITO, 2015, p. 146) O sistema digestório é completo terminando em cloaca e o sistema respiratório é exclusivamente pulmonar. A excreção é realizada por um par de rins (AMABIS, 2010). O coração da maioria dos répteis apresenta três cavidades e a circulação é dupla e incompleta. Nos crocodilianos (crocodilos e jacarés) o coração apresenta 4 cavidades, pois o septo é completo, o que impede que o sangue venoso se misture com o sangue arterial. Dizemos então que a circulação é dupla e completa (LINHARES, 2011). O cérebro é mais desenvolvido e apresentam maior quantidade de terminações nervosas na pele. A visão e o olfato são mais desenvolvidos que a gustação e a audição. Também são animais pecilotermos. (LINHARES, 2011) São animais dioicos com fecundação interna e desenvolvimento direto (LAUREN- CE, 2005). “Os répteis podem ser ovíparos ou vivíparos. Enquanto as espécies vivíparas geram filhotes completamente formados e independentes, as espécies ovíparas depositam ovos com embriões ainda em formação” (BENEDITO, 2015, p. 167). Os ovos dos répteis contêm água e alimento suficiente para o desenvolvimento do embrião. Algumas estruturas — anexos embrionários — ligadas ao corpo do embrião formam-se durante o seu desenvolvimento (AMABIS, 2010). 83A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 Cleveland (2022, p. 540) descreve sobre os anexos embrionários: Todos os amniotas caracterizam-se por ovos dotados de quatro membranas extraembrionárias, o âmnio, o alantoide, o córion e o saco vitelino. O âmnio envolve o embrião em fluido, proporcionando um meio aquoso para seu cres- cimento. As excretas metabólicas são armazenadas em uma estrutura saculi- forme representada pelo alantoide. O córion envolve todos os elementos que compõem o ovo e, assim como o alantoide, é altamente vascularizado. Por isso, tanto o córion quanto o alantoide compreendem eficientes superfícies respiratóriaspara eliminação do dióxido de carbono e absorção de oxigênio. 1.2.3.2 Classificação Com a utilização crescente da metodologia cladística em Zoologia […] aves e cro- codilianos são grupos irmãos; ambos são os descendentes mais recentes de um ancestral comum, sendo, portanto, mais relacionados entre si do que com qualquer linhagem reptilia- na atual (CLEVELAND, 2022, p. 543) Por razões didáticas vamos estudar as aves posteriormente e usar o termo rép- til no sentido tradicional, ou seja, divididos em quatro grupos: Testudinea ou Chelonia, Squamata, Crocodilia e Sphenodontia (LINHARES, 2011). 1.2.3.2.1 Testudinea ou Chelonia São representantes dos quelônios — os cágados: em geral, são de água doce; as tartarugas: principalmente marinhas, mas colocam seus ovos na terra; e os jabutis: são terrestres (LINHARES, 2011). A principal característica desse grupo são as placas ósseas unidas que formam a carapaça no dorso e um plastrão ventral (LAURENCE, 2005). 1.2.3.2.2 Squamata (Escamados) São répteis que possuem o corpo coberto por escamas (LAURENCE, 2005). A maioria dos escamados são espécies ovíparas que depositam seus ovos elípticos e com 84A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 casca embaixo de troncos ou pedras, ou em buracos no solo. “O restante é vivíparo, dando à luz a filhotes totalmente desenvolvidos” (CLEVELAND, 2022, p. 546). Neste grupo estão os répteis mais abundantes e diversificados, divididos em: la- certílios ou sauros (lagartos, lagartixas e camaleões); ofídios (serpentes); e anfisbenas (cobra-de-duas-cabeças) (LAURENCE, 2005) 1.2.3.2.3 Crocodilia “Os crocodilianos são os parentes vivos mais próximos dos pássaros e, como os pássaros, exibem comportamento parental complexo. Por exemplo, eles constroem e guardam o ninho, depois alimentam e cuidam da cria” (STARR, 2012, p. 131). São animais de pernas curtas, porém com bom deslocamento. São predadores de hábitos semi aquáticos (LAURENCE, 2005). São representantes do grupo os jacarés, crocodilos e gavial (LINHARES, 2011) 1.2.3.2.4 Sphenodontia (Rincocéfalos) Conhecidos por tuataras, apresentam forma semelhante ao lagarto e conserva algumas características dos répteis primitivos, como uma linha de escamas eréteis dorsais. Existem apenas duas espécies vivas na Nova Zelândia (LAURENCE, 2005). 1.2.4 Aves 85A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 “Estão dentre os animais mais conhecidos e facilmente encontrados, devido ao fato de serem ativas durante o dia e habitarem grande variedade de hábitats.” As aves variam muito em formatos, cores, tamanhos e comportamentos, o que atesta o sucesso evolutivo do grupo (BENEDITO, 2015, p. 175). A única característica específica que distingue as aves dos outros animais vivos são suas penas. Se um animal tem penas, é uma ave […] Além das pe- nas, todas as aves têm os membros anteriores modificados em asas (embora nem sempre usadas para o voo); todas têm os membros posteriores adapta- dos para andar, nadar ou empoleirar-se; todas têm bicos queratinizados sem dentes; e todas põem ovos. A razão para essa grande uniformidade estrutural e funcional é que as aves evoluíram para animais voadores, o que as força a manter tais características diagnósticas. (CLEVELAND, 2022, p. 558). Para as espécies terrestres, insetos e frutos são os itens mais importantes da dieta. “As aves também consomem sementes, néctar e pólen, folhas e brotos, carniça e outros vertebrados. Ao consumirem frutos e sementes, as aves atuam como importantes agentes dispersores” (SADAVA, 2019, p. 703). “São animais homeotermos, ou seja, mantém relativamente constante a temperatu- ra do corpo independente da temperatura do ambiente” (LAURENCE, 2005, p. 493). 1.2.4.1 Morfofisiologia das Aves Benedito (2015, p.192) descreve sobre o esqueleto das aves da seguinte forma: O esqueleto das aves é leve e delicado, contém alguns ossos entremea- dos por cavidades aéreas que diminuem o peso (ossos pneumáticos), mas a substância óssea é extremamente dura.[…] A coluna vertebral das aves é extremamente rígida. A maioria das vértebras, com exceção das cervicais, é fusionada, e junto à cintura pélvica há uma firme, porém leve, estrutura que sustenta as pernas e proporciona grande rigidez para o voo. As costelas também são fundidas (na maioria das vezes) com as vértebras, com a cintura peitoral e com o esterno para auxiliar na rigidez.[…] Nas aves, os ossos dos membros anteriores são altamente modificados devido à faculdade de voo; além de serem reduzidos em número, muitos deles são fusionados. Assim, eles são claramente um “rearranjo” dos membros de um tetrápode. “O osso esterno geralmente é bem desenvolvido, com uma expansão — chamada quilha ou carena — na qual está implantada a forte musculatura peitoral, responsável pelo movimento das asas” (LINHARES, 2011, p. 327). A pele é seca e coberta por formações epidérmicas — as penas — que apresentam as seguintes funções: protegem o corpo contra choques mecânicos, atuam como isolante térmico, ajudando a manter a temperatura corporal e possibilitam o voo (AMABIS, 2010). A única glândula epidérmica é a uropigiana — situada na região posterior da cauda e produtora de uma substância oleosa que é retirada e espalhada com o bico sobre as penas, impermeabilizando-as. (LINHARES, 2011). 86A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 Os pássaros não possuem dentes. “Em vez disso, ossos da mandíbula cobertos por camadas de queratina formam um bico duro. A forma do bico varia, com tipos diferentes de bicos adequados para dietas diferentes” (STARR, 2012, p. 132). O sistema digestório das aves é bastante complexo, conforme descreve Benedito (2015, p. 195): As aves dispõem de um eficiente sistema digestório que processa o alimento rapidamente. Elas têm poucos botões gustativos, embora, em algum grau, todas possam sentir sabores. A partir da faringe curta, o esôfago muscular e elástico estende-se até o estômago. Muitas aves têm uma dilatação do esôfago (papo) na sua porção inferior final que serve como câmara de esto- cagem. Glândulas salivares, que são pouco desenvolvidas, secretam muco para a lubrificação do alimento. […] O formato do estômago das aves, assim como o bico, está relacionado com a sua dieta. […], Em geral, o estômago das aves consiste em duas câmaras relativamente distintas: um proventrí- culo (estômago químico ou glandular) mole e anterior, com paredes grossas secretando os sucos gástricos; e o ventrículo ou moela (estômago físico), com paredes grossas e musculatura densa. Além dessa função mecânica na trituração do alimento, a moela também estoca alimento enquanto a digestão química continua. […] O intestino é delgado, com algumas alças, e termina no reto; na união destes, existem dois cecos […] O reto tem conexão com a cloaca, saída comum para fezes, excretas, gametas (no caso dos machos) e ovos (no caso das fêmeas) […] Em aves jovens, a parede cloacal apresenta uma pequena saliência, a Bursa de Fabrício, um órgão linfático formador de anticorpos que protegem contra infecções. O fígado é bilobado, com vesícula biliar e dois ductos biliares; o pâncreas geralmente tem três ductos e todos eles desembocam na alça anterior do intestino. O sistema circulatório é fechado. O coração tem quatro câmaras (dois átrios e dois ventrículos) totalmente separados. A circulação é dupla e completa (AMABIS, 2010). “A respiração é pulmonar e para garantir um suprimento de oxigênio adequado, os pássaros têm um sistema único de bolsas aéreas que mantém o ar fluindo continuamente por seus pulmões” (STARR, 2012, p. 132). Junto ao sistema respiratório existe uma forma- ção característica chamada siringe, responsável pela emissão de sons (LAURENCE, 2005). Os rins são responsáveis por filtrar o sangue e retirar principalmente ácido úrico, que é conduzido pelos ureteres até cloaca (não possuem bexiga urinária), onde a maior parte da água da urina é reabsorvida e o ácido úrico, altamente concentrado,forma uma pasta branca e é eliminado junto com as fezes (AMABIS, 2010). O encéfalo é bem desenvolvido, principalmente as regiões que coordenam o equi- líbrio e o movimento do corpo. A visão e audição são bastante aguçadas, facilitando a comunicação, já o olfato e paladar são menos desenvolvidos (LINHARES, 2011). São animais dioicos e ovíparos com desenvolvimento direto (AMABIS, 2010). A maioria das aves não apresenta órgão copulatório (pênis), com exceção de patos, gansos, inhambus e avestruzes, que têm um pênis na cloaca. Nas demais espécies, a cópula é feita colocando as superfícies cloacais em con- tato, normalmente enquanto o macho monta no dorso da fêmea. Algumas espécies, tais como andorinhões e algumas espécies de aves de rapina, con- seguem copular durante o voo (BENEDITO, 2015, p. 198) 87A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 “Enquanto os ovos estão passando pelo oviduto, a albumina, ou clara do ovo, proveniente de glândulas especiais, é adicionada a eles” mais adiante no oviduto são tam- bém secretados sobre os ovos a membrana da casca, a casca e os pigmentos da casca (CLEVELAND, 2022, p. 575). Durante o desenvolvimento embrionário há a formação dos anexos da mesma forma que ocorre nos répteis (AMABIS, 2010). 1.2.4.2 Classificação das Aves As aves atuais são divididas em dois grupos: Ratitas as grandes aves não voadoras similares aos avestruzes e os quivis, que têm o esterno achatado com músculos peitorais pouco desenvolvidos; e Carinatas que compreende todas as outras aves, quase todas as voadoras que possuem um esterno com quilha, ao qual se fixam poderosos músculos de voo (LAURENCE, 2005). 1.2.5 Mamíferos (Mammalia) A característica que eu nome a esse grupo é a presença de glândulas mamárias, que são mais desenvolvidas nas fêmeas. Após o nascimento dos filhotes, as fêmeas ama- mentam-nos com o leite produzido nessas glândulas (LAURENCE, 2005). “Atualmente, os mamíferos variam em tamanho desde musaranhos e morcegos diminutos, com cerca de 2 gramas, até a baleia-azul, o maior animal da Terra, que mede até 32 metros” (SADAVA, 2019, p. 703). Os mamíferos estão entre os animais mais ativos, exibindo velocidade e capacidade de manter esforço por longos períodos em hábitats aquáticos, aéreos e terrestres. Eles mantêm essa atividade em quase todas as condi- ções ambientais, inclusive em baixas temperaturas da noite, desertos escal- dantes, oceanos polares e invernos gélidos. Embora os pelos sejam talvez a característica mais óbvia dos mamíferos, uma série de outras inovações evolutivas sustentam sua diversificação. Essas inovações únicas incluem um conjunto de ossos da orelha média para a transmissão de sons à orelha in- terna, glândulas mamárias para alimentar os filhotes, um cérebro grande com revestimento único do encéfalo (o neocórtex), um diafragma para ventilação eficiente dos pulmões e adaptações para um sentido de olfato altamente de- senvolvido. A maioria dos mamíferos tem uma placenta intrauterina vascular para alimentar o embrião, dentes e músculos dos maxilares especializados para processar o alimento, e um modo de andar ereto para locomoção rápida e eficiente. CLEVELAND, 2022, p. 583). 88A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 1.2.5.1 Morfofisiologia dos Mamíferos Benedito (2015, p. 214) descreve algumas características externas dos mamíferos: Apesar de os mamíferos apresentarem grande variação em sua morfologia, seu corpo pode ser dividido basicamente em cabeça, tronco, membros e cau- da, sendo a forma e o revestimento adaptados ao meio onde cada animal vive. A cabeça é composta essencialmente por duas narinas, boca, olhos com pálpebras carnosas, orelhas e, em muitas ordens, vibrissas, que são prolon- gamentos de pelos queratinosos com função sensorial […]. As narinas são aberturas externas para a entrada de ar […] Todos os mamíferos têm boca ro- deada por lábios geralmente carnosos e com certa mobilidade. Ela é utilizada na alimentação, e os lábios constituem uma barreira de proteção para a entra- da de microrganismos no sistema digestório. […] Na maioria das espécies, os olhos têm pálpebras móveis, que promovem a proteção dos olhos. A pele, com epiderme queratinizada e derme, apresenta pelos em sua superfície, que além de proteger, funcionam como isolante térmico e contribuem para a manutenção de uma temperatura constante (LINHARES, 2011). Conforme Cleveland (2022) várias glândulas estão presentes na pele desses animais: • Glândulas sudoríparas estão presentes na superfície do corpo da maioria dos mamíferos, elas secretam um fluido aquoso que quando evapora da superfície da pele ajuda no resfriamento. • Glândulas sebáceas produzem uma substância gordurosa (sebo) que serve para manter a pele e os pelos lustrosos e flexíveis. • Glândulas mamárias, presentes em todas as fêmeas e, de forma rudimentar, em todos os machos. Conforme já descrito, produzem o leite que servirá de ali- mento para os filhotes. O sistema esquelético se difere dos demais vertebrados por apresentarem uma dimi- nuição de cartilagens e fusão de alguns ossos. A caixa craniana é larga para abrigar o encéfalo mais desenvolvido. O formato diferente dos dentes lhes confere funções específicas, fator que auxilia no processo da mastigação. A coluna vertebral é dividida em cinco regiões: cervical, torácica, lombar, sacra e caudal, e as vértebras possibilitam flexibilidade (BENEDITO, 2015). O sistema respiratório é formado pelas vias aéreas — cavidades nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios e bronquíolos — e pulmões — são esponjosos formados pelos alvéolos, estruturas bastante irrigadas pelos vasos sanguíneos onde ocorrem as trocas gasosos — hematose (LAURENCE, 2005). O coração tem quatro cavidades totalmente separadas. A rede de vasos sanguíneos é formada por veias (transportam sangue do corpo para o coração), artérias (transportam sangue do coração para o corpo) e capilares (neles ocorrem as trocas de substâncias entre sangue e fluído extracelular) A circulação é dupla e completa (LINHARES, 2011). O sistema excretor é formado por um par de rins que filtra o sangue retirando dele os resíduos metabólicos, sendo a ureia em maior quantidade. A urina formada é levada 89A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 pelos ureteres até a bexiga onde fica armazenada até sua eliminação através da uretra (AMABIS, 2010) O sistema digestório é completo formado por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus (AMABIS, 2010). Estão presentes fígado, pân- creas e glândulas salivares (menos nos aquáticos). No ornitorrinco e na equidna o sistema digestório termina em cloaca (LINHARES, 2011). Benedito (2015, p. 219) descreve o sistema nervoso dos mamíferos: Os mamíferos possuem o córtex cerebral e a massa encefálica acentuada- mente maior que outras classes, entre os vertebrados, assim como o sistema nervoso, que é mais desenvolvido neles.[…] O tamanho maior do cérebro é atribuído ao desenvolvimento dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo […] são constituídos por dois componentes distintos: a massa cinzenta, em que es- tão localizados os corpos celulares dos neurônios, e a massa branca, formada pelos axônios dos neurônios.[…] Uma estrutura nova, encontrada nos mamífe- ros eutérios, é o corpo caloso, formado por grande concentração de nervos, o que promove basicamente a comunicação entre os hemisférios. O tálamo, con- siderado um centro de organização cerebral […] O hipotálamo, localizado sob o tálamo, controla funções como a pressão sanguínea, a temperatura corporal e o metabolismo de carboidratos, essenciais para animais endotérmicos. O epitálamo encontra-se na região posterior do tálamo, sendo a glândula pineal seu elemento mais evidente […] está relacionada com os ciclos circadianos, ou seja, com o ciclo biológico que ocorre durante 24h, já que produz melatoni- na, hormônio ligado principalmente à regulação dos ciclos de atividade-vigília. O cerebelo […]responsável pela manutenção do equilíbrio, dos movimentos voluntários e do tônus muscular. Fixo ao cerebelo, entre o cérebro e a medula espinal, encontra-se o tronco cerebral, […] serve como estação de passagem para os sinais dos centros neurais superiores. A medula espinal aloja-se no canal vertebral e atua na retransmissão de impulsos nervosos, e é por ela que o encéfalo estabelece comunicação com as demais regiões do corpo, exceto com a cabeça. […] Todo o sistema nervoso, tanto cérebro quanto medula es- pinal, é revestido por três membranas conjuntivas, denominadas meninges. São elas: pia-máter: meninge mais interna, que fica em contato direto com o sistema nervoso. Seus capilares são responsáveis pela nutrição do cérebro; aracnoide: segunda meninge, que tem como função amortecer possíveis im- pactos; dura-máter: é a camada mais externa e espessa, ricamente inervada. Os órgãos sensoriais — visão, olfato, paladar, audição e tato — são bem desenvol- vidos e adaptados ao modo de vida de cada espécie (AMABIS, 2010). Os mamíferos são dioicos com fecundação interna e o desenvolvimento é direto. Quase todos são vivíparos(LINHARES, 2011). 1.2.5.2 Classificação “A forma de reprodução é usada como critério sistemático na classificação dos mamíferos” (LINHARES, 2011, p. 345). 90A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 1.2.5.2.1 Monotremata (monotremados) Os monotremados são encontrados apenas na Austrália e Nova Guiné — os orni- torrincos e as equidnas. São mamíferos que põem ovos (ovíparos). As fêmeas constroem o ninho e chocam os ovos até o nascimento dos filhotes e depois os alimenta com leite produzido pelas glândulas mamárias que escorre sobre o ventre, pois não apresentam mamilo (CLEVELAND, 2022). 1.2.5.2.2 Metatheria (marsupiais) São animais vivíparos, mas a placenta é pouco desenvolvida, insuficiente para nutrir o feto (LAURENCE, 2005). O recém-nascido agarra-se ao pelos da mãe e desloca-se até o marsúpio — bolsa existente na barriga da mãe — onde estão localizadas as glândulas mamárias. Algumas espécies não possuem marsúpio, mas sim pregas na pele. Os filhotes permanecem ali até completar o seu desenvolvimento (AMABIS, 2010). 1.2.5.2.3 Eutheria (placentários) Maior grupo com aproximadamente 95% das espécies de mamíferos. O que os ca- racteriza é que a placenta é bem desenvolvida e os filhotes completam o desenvolvimento 91A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 dentro do útero materno. O filhote recebe nutrientes e realiza as trocas gasosas através da placenta que se comunica com o embrião através do cordão umbilical. Estão presentes também o âmnio, o córion, a alantoide e o saco vitelínico (LINHARES, 2011). “Como regra geral, os nomes das ordens são criados com base em alguma carac- terística de seus representantes” (LAURENCE, 2005, p. 510). Starr (2012, p.379) lista os grupos mais importantes: • Ordem Edentata — Tamanduás, bichos-preguiça, tatus. • Ordem Insectivora — Musaranhos, topeiras, ouriços. • Ordem Chiroptera — Morcegos. • Ordem Scandentia — Musaranhos insetívoros. • Ordem Primatas. Subordem Strepsirhini (prossímios). Lêmures, lóris. Subordem Haplorhini (tarsioides e antropoides). Infraordem Tarsiformes. Tarsioides. Infraordem Platyrrhini (macacos do Novo Mundo). Família Cebidae. Macacos-aranha, macacos-uivadores, capuchinos. Infraordem Catarrhini (Macacos do Velho Mundo e hominoides). Superfamília Cercopithecoidea. Babuínos, macacos, langures. Superfamília Hominoidea. Macacos e humanos. Família Hylobatidae. Gibão. Família Pongidae. Chimpanzés, gorilas, orangotangos. Família Hominidae. Espécies humanas existentes e extintas (Homo) e espécies se- melhantes ao ser humano, incluindo os australopitecos. • Ordem Lagomorpha — Coelhos, lebres, pikas. • Ordem Rodentia — A maioria dos animais roedores (esquilos, ratos, camun- dongos, cobaias, porcos-espinhos, castores, etc.). • Ordem Carnivora — Carnívoros (lobos, gatos, ursos, etc.). • Ordem Pinnipedia — Focas, morsas, leões-do-mar. • Ordem Proboscidea — Elefantes, mamutes (extintos). • Ordem Sirenia — Peixe-boi (manatis, dugongos). • Ordem Perissodactyla — Ungulados de cascos ímpares (cavalos, antas, rinocerontes). • Ordem Tubulidentata — Porco-da-terra africano. • Ordem Artiodactyla — Ungulados de casco pares (camelo, cervo, bisão, ove- lha, cabra, antílope, girafa, etc.). • Ordem Cetacea — Baleias. 92A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 “Temos muito que aprender com os animais. Eles se respeitam, mesmo em espécies diferentes, e só se enfrentam quando se sentem ameaçados. Nós, seres humanos, precisamos adquirir esse respeito” (Sebastião Bognar) Fonte: https://www.osasco.sp.leg.br/institucional/noticias/nossa-historia-faz-reflexao-sobre-meio-ambiente- e-bem-estar-animal Os sapinhos-ponta-de-flecha são anfíbios encontrados na América do Sul e Central. Possuem cores vivas e a maioria pertence aos gêneros Dendrobates e Phyllobates. Proporcionalmente ao peso, a espécie Phylloba- tes terribilis é a mais venenosa da Terra. Na Colômbia, caçadores nativos utilizam os venenos da pele des- ses animais na ponta de suas flechas durante as caçadas. O veneno, uma neurotoxina, paralisa pássaros e pequenos mamíferos quase imediatamente. Para o animal o veneno é uma forma de defesa. Esses anfíbios possuem a chamada coloração de advertência: as cores vivas servem de aviso de que eles são venenosos ou tem gosto ruim. Com isso os predadores passam a evitá-los. As propriedades medicamentosas dos venenos dessas espécies vêm sendo estudados por causa dos seus efeitos analgésicos, anticonvulsivos e cardiotônicos. Fonte: Linhares (2011, p. 302) https://www.osasco.sp.leg.br/institucional/noticias/nossa-historia-faz-reflexao-sobre-meio-ambiente-e-bem-estar-animal https://www.osasco.sp.leg.br/institucional/noticias/nossa-historia-faz-reflexao-sobre-meio-ambiente-e-bem-estar-animal 93A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 Fico feliz pela caminhada que juntos fizemos. Concluímos aqui nossa última unida- de de estudo, onde o trabalho foi direcionado ao grupo mais evoluído dos animais. Os vertebrados são um grupo de animais caracterizados pela presença de uma coluna vertebral, que é a principal característica que os diferencia de outros animais. Nesse grupo, temos os protocordados e os cranianos. Os protocordados têm importância significativa para a compreensão da evolução vertebral, pois representam os primeiros estágios da história dos vertebrados. Os verte- brados cranianos incluem os peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Esses animais possuem crânio que protege o cérebro e os órgãos sensoriais, que são essenciais para sua adaptação e sucesso no ambiente em que vivem. Os peixes são uma classe diferenciada de animais aquáticos que habitam uma am- pla variedade de ambientes marinhos e de água doce. Possuem características adaptadas para a vida na água. Os anfíbios passam parte de suas vidas em ambientes aquáticos e parte em am- bientes terrestres. A maioria deles passa por metamorfose. Os répteis adaptaram-se a uma variedade de habitats terrestres e alguns também podem ser encontrados em ambientes aquáticos. São conhecidos por sua pele escamosa, que ajudam a evitar a perda de água. As aves são animais com penas e bicos adaptados a diferentes tipos de alimentação. São os únicos animais capazes de voar de forma ativa. Elas têm papéis fundamentais nos ecossistemas, como a dispersão de sementes, controle de pragas e polinização de plantas. Os mamíferos são animais que possuem glândulas mamárias e cuidam de suas crias. A inteligência e o comportamento social de muitas espécies de mamíferos são notáveis. É nosso dever como sociedade promover a conservação e o respeito por todas as formas de vida no nosso planeta. Lembre-se sempre que a vida é uma constante evolução. Por isso a importância do estudo contínuo. CONSIDERAÇÕES FINAIS 94A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE4 Conservação de serpentes nos biomas brasileiros Este estudo avaliou o estado atual de conservação das serpentes nos biomas brasileiros. As questões levantadas foram principalmente: quantas e quais são as espécies de serpentes ameaçadas? Quais as principais ameaças e estratégias adotadas para sua conservação? Entre as 392 espécies de serpentes conhecidas no Brasil, 29 constam da “Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção”, das quais 11 são endêmicas da Mata Atlântica, o bioma mais devastado; 6 espécies ocorrem na Caatinga, 5 no Cerrado, 1 na Amazônia e uma no Pampa, também endêmicas desses biomas. A perda e a degradação de habitats são as principais ameaças às serpentes em decorrência do desmatamento para atividades agropecuárias, expansão urbana, extração de madeira e queimadas. Cinco Planos de Ação Nacionais, voltados para conservação da herpetofauna brasileira, incluem 44 espécies de serpentes como alvo, das quais apenas 9 constam da atual lista nacional de espécies ameaçadas. Para várias espécies de serpentes, há defi- ciência de dados, evidenciando a necessidade de mais estudos que permitam avaliar o status e implementar medidas de conservação. Fonte: NAVEGA-GONÇALVES, M. E. C.; PORTO, T. Conservação de serpentes nos biomas brasileiros. Bioikos — Título não-corrente, [S. l.], v. 30, n. 1, 2017. Disponível em: https://seer.sis.puc-campinas.edu.br/bioikos/article/ view/3533 Acesso em: 25 jul. 2023. LEITURA COMPLEMENTAR https://seer.sis.puc-campinas.edu.br/bioikos/article/view/3533 https://seer.sis.puc-campinas.edu.br/bioikos/article/view/3533 95A DIVERSIDADE MAIS COMPLEXA DO REINO ANIMALUNIDADE 4 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: O Cérebro das Aves (dublado) — Documentário • Ano: 2017. • Sinopse: A surpreendente inteligência das aves e sua complexa forma de comunicação. A incrível memória de uma espécie que esconde milhares de sementes para comer durante o inverno e é capaz de lembrar-se de praticamente todos os esconderijos. O papagaio africano que aprendeu a compreender e a falar inglês, a contar, a diferenciar cores e objetos e a expressar as suas vontades. • Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=v_ZWrrYdMHg LIVRO • Título: Biologia e Ecologia dos Vertebrados • Autor: Evanilde Benedito • Editora: Roca • Sinopse: Didática e abrangente, esta obra promissora preenche uma lacuna importante no ensino de zoologia de vertebrados no Brasil, introduzindo elementos conceituais imprescindíveis à forma- ção do profissional que tem o objetivo de conhecer e aprofundar-se no estudo de vertebrados. Biologia e Ecologia dos Vertebrados con- duzem pesquisadores e discentes a um maior envolvimento com a fauna brasileira, aprofundando a teoria relacionada ao estudo dos ecossistemas. Seu conteúdo apresenta informações sobre o que se tem conhecido sobre a fauna de vertebrados — sistemática, estrutura, funcionamento e ecologia —, por meio de um debate de múltiplas vozes, de diferentes especialistas provenientes de várias regiões brasileiras, contribuindo para a compreensão, a investi- gação e o processamento dos dilemas ambientais que o mundo contemporâneo apresenta. https://www.youtube.com/watch?v=v_ZWrrYdMHg 96 O estudo é uma jornada dinâmica e envolvente que transcende a mera aquisição de conhecimento. Cada novo tópico estudado abre portas para um vasto universo de possibili- dades. Nessa busca contínua pelo conhecimento, somos inspirados a ser curiosos, críticos e adaptáveis, preparando-nos para enfrentar os desafios do mundo em constante evolução. A zoologia oferece uma visão aprofundada sobre a vasta gama de organismos vivos que povoam o planeta. Ao estudar a morfofisiologia e comportamento dos animais podemos notar como a evolução agiu seletivamente para moldar as características de cada espécie, permitindo sua sobrevivência e reprodução no ambiente específico em que habitam. A nomenclatura científica é uma ferramenta crucial para garantir que cada espécie seja identificada de forma única e universal. O sistema binomial, proposto por Carl Linnaeus, é amplamente utilizado, consistindo na recepção de um nome binário a cada espécie, com um gênero e uma designação específica. Esse sistema facilita a comunicação entre os cientistas e evita confusões sobre a identidade das espécies. A relação entre os animais e o meio ambiente é essencial para entender como eles se desenvolvem e interagem com os recursos disponíveis. A forma como os animais se adaptam às condições ambientais é um reflexo da luta pela sobrevivência e da pressão seletiva e preservação da biodiversidade torna-se uma prioridade, considerando o impacto crescente das atividades humanas sobre o meio ambiente. A diferenciação entre invertebrados, que constituem a maioria das espécies animais e apresentam uma gama surpreendente de formas e tamanhos; e cordados, animais com uma estrutura corporal distinta, caracterizada por uma notocorda ou espinha dorsal, nos fornece uma base sólida para entender a variedade e complexidade da vida animal. Com o estudo da Zoologia, podemos apreciar a maravilhosa diversidade do reino animal, compreender melhor a evolução e adaptação dos animais ao longo do tempo e reconhecer a importância de proteger a biodiversidade para garantir um futuro sustentável para todas as formas de vida em nosso planeta. CONCLUSÃO GERAL 97 AMABIS, J. M; MARTHO, G. R. Biologia dos organismos, Vol. 2. São Paulo: Editora Moderna, 2010. BARSA, N. Nova Enciclopédia, Rio de Janeiro — São Paulo: [s.n.] 1997. BENEDITO, E. Biologia e Ecologia de Vertebrados. Grupo GEN, 2015. E-book. ISBN 978-85-277-2698-6. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/978-85-277-2698-6/. Acesso em: 18 jul. 2023. BRUSCA, R. C.; MOORE, W; SHUSTER, S. M. Invertebrados, 3ª edição. Grupo GEN, 2018. E-book. ISBN 9788527733458. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca. com.br/#/books/9788527733458/. Acesso em: 13 jun. 2023. CASTRO, P; HUBER, M. E. Biologia Marinha. Grupo A, 2012. E-book. ISBN 9788580551037. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551037/. Acesso em: 03 jul. 2023. CLEVELAND, J. R.; KEEN, P. H.; DAVID, S. L.; EISENHOUR, J. Princípios Integrados de Zoologia. Grupo GEN, 2022. CONTRIBUIÇÕES de Aristóteles na Zoologia ainda permanecem atuais. Globo Ciência, 2011. 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