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História geral e do Brasil - Vol 1 Claudio Vicentino-6

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26	 os	PrimEiros	aGruPamEntos	humanos
Estamos nos tempos da globalização, mas isso não signifi ca que 
todos os grupos humanos estejam vivendo da mesma forma. Ainda exis-
tem, nas partes do mundo mais afastadas dos grandes centros urbanos, 
pessoas que vivem com pouca ou nenhuma tecnologia atual e de acor-
do com as permanências e as recriações dos costumes e crenças de seus 
antepassados. Eles vivem em outro ritmo e em outro tempo. Acreditar 
que suas referências cotidianas devem ser suprimidas ou “moderniza-
das” é desconsiderar sua história e cultura. Além disso, as populações 
das grandes cidades são formadas por pessoas de diferentes origens e 
referências culturais. Não existe uma cultura, mas sim culturas plurais 
e diversifi cadas.
Vivemos em um tempo de mecanização técnica. Lascar uma pe-
dra para fazer uma ponta de lança ou trançar e tecer à mão, produ-
zindo desde a fi bra vegetal até o tingimento do tecido, são habilidades 
manuais que envolvem conhecimentos técnicos bastante específi cos. 
Considerar essas práticas como atrasadas ou situá-las fora do contexto 
histórico signifi ca dizer que elas não são sufi cientemente importantes. 
As técnicas e tecnologias não devem ser avaliadas e comparadas com 
juízos de valor, mas, sim, vistas como importantes testemunhos da vida 
material de diferentes povos, de suas modifi cações e adequações ao 
longo do tempo.
globalização:	processo	de	integração	
econômica,	social,	cultural	e	política.	
É	 considerada	 a	 “terceira	 revolução	
tecnológica”.	Entre	seus	aspectos	de	
maior	impacto	na	atualidade	estão:	o	
fluxo	de	informações	em	escala	mun-
dial	(possibilitado	principalmente	pe-
la	 tecnologia	 da	 informação,	 como	
a	 internet,	 a	 televisão	 e	 o	 rádio)	 e	 a	
interligação	de	mercados	mundiais.
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há	 milênios,	 diferentes	 povos	 usam	
fi	bras	 naturais	 e	 técnicas	 específi	cas	
para	 fazer	 cestos	 e	 outros	 objetos	 de	
uso	 cotidiano.	 na	 foto,	 de	 2012,	 ces-
taria	 dos	 indígenas	 Guarani	 mbyá	 de	
Parelheiros	(sP). π
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	 DiscutinDo	a	história	 27
As sociedades “primitivas” (esse termo se tornou depreciativo, mas 
significa ‘aquele que é o primeiro a existir, que coincide com a origem’) 
eram capazes de produzir e preparar tudo do que necessitavam para viver 
com os recursos que a natureza lhes oferecia. Embora também tenham 
desenvolvido práticas predatórias, com seus impactos ambientais, pode-
mos afirmar que esse convívio com o meio geralmente se fez de maneira 
mais harmoniosa e que a vida social e mítica integrava e incorporava os 
ritmos, os seres e os ciclos naturais.
Os órgãos indigenistas do governo brasileiro e as organizações não 
governamentais registram surtos de suicídio entre jovens indígenas e 
constantes mortes por epidemias, resultado de um longo processo de de-
sestruturação cultural, de contato com as doenças “dos brancos” e com as 
drogas e bebidas alcoólicas com as quais passam a ter acesso, de conflitos 
fundiários e perda dos seus referenciais de identidade. Fatos como esses 
nos fazem pensar: aquilo que poderia ser considerado “progresso” para 
algumas culturas se coloca para outras como retrocesso e destruição.
Ao estudarmos sociedades diferentes da nossa é importante nos 
mantermos abertos à compreensão de suas culturas, sem preconceitos 
ou julgamentos de valor. Afinal, se formos avaliar a sabedoria das socie-
dades europeias ocidentais, veremos que o “progresso” nem sempre signi-
ficou “evolução” positiva e que a humanidade cria ameaças à sua própria 
existência no planeta. A destruição do meio ambiente, a produção da 
miséria, da fome e da violência, as trocas pessoais baseadas na cultura 
de mercado e no consumismo, a constante ameaça das armas nucleares, 
entre outros desafios da atualidade, demonstram a necessidade de repen-
sarmos nossos valores e nossa cultura. 
Diz o historiador brasileiro Alfredo Bosi:
o	que	estaria	errado	na	“religião	do	progresso”	não	é,	evidente-
mente,	a	justa	aspiração	que	todos	os	homens	nutrem	de	viver	melhor,	
mas	os	hábitos	de	dominação	que	esse	desejo	 foi	gerando	por	 via	de	
uma	tecnologia	destrutiva	e	de	uma	política	de	violência.	Em	outras	pa-
lavras:	 a	 sequência	 dos	 tempos	 não	 produz	 necessária	 e	 automatica-
mente	uma	evolução	do	inferior	para	o	superior.
Bosi,	alfredo.	o	tempo	e	os	tempos.	in:	noVaEs,	adauto	(org.).	Tempo e História.		
são	Paulo:	companhia	das	Letras,	1992.	p.	22.
predatórias: que	promovem	a	destrui-
ção.
impactos ambientais:	 alterações	 so-
ciais,	econômicas	e	ecológicas	no	meio	
ambiente	provocadas	por	atividades	e	
ações	humanas.
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28	 os	PrimEiros	aGruPamEntos	humanos
em busca de 
nossos ancestrais1
Capítulo
p	 representação	 mostrando	 como	
poderiam	 ter-se	 organizado	 os	
primeiros	 grupos	 humanos	 de	
que	temos	conhecimento.	
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 Im
ag
es
espaço e tempo
O tempo e o espaço são dois elementos centrais no conhecimento 
histórico. Assim, pensar historicamente signifi ca, entre outras coisas, lo-
calizar fatos no tempo e no espaço. Por isso, no decorrer da leitura deste 
capítulo, procure responder: onde e quando os primeiros agrupamentos 
humanos ocorreram.
Considere que a concepção de tempo que usamos hoje e que expli-
ca a evolução dos primeiros grupos humanos não é necessariamente a 
concepção que esses grupos adotavam. Ao se “transportar” mentalmente 
para o passado e para lugares muito diferentes daquele em que você vive, 
é importante lembrar-se de que, além das diferenças no tempo e no es-
paço, existem diferenças na maneira de ver, organizar e sentir o mundo. 
Além disso, lembre-se sempre de que a História é escrita e construí-
da com base em variadas versões e fontes. Como todo conhecimento 
científi co, o que sabemos é válido enquanto não for refutado por novos 
estudos, novas descobertas e teorias. Esse aspecto é muito ressaltado no 
estudo dos primeiros grupos humanos. Descubra por quê.
para peNSar HIStOrIcaMeNte
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	 Em	Busca	DE	nossos	ancEstrais	 29
Os conhecimentos que temos sobre os primei-
ros tempos da humanidade vêm dos fósseis e objetos 
encontrados nas escavações paleontológicas, que ga-
nharam maior impulso a partir do fi m do século XIX.
Os estudos dos vestígios deixados pela ação 
humana, obtidos em escavações arqueológicas, 
originam análises e teorias que serão confi rmadas, 
aprimoradas ou negadas por descobertas e inter-
pretações posteriores. Por eles, podem ser avaliadas 
as organizações sociais, as interferências humanas 
no meio ambiente e as concepções das primeiras 
sociedades. Esses estudos abrangem vários campos 
das ciências, como a Geologia, a Filologia, a Antro-
pologia, a Paleontologia, a Bioquímica, e partem da 
análise de artefatos materiais (como instrumentos, 
fósseis, fragmentos cerâmicos, vestígios de alimen-
tação) e dos contextos naturais e culturais onde es-
ses materiais foram localizados (abrigos rochosos, 
cemitérios indígenas, etc.). Muitas vezes esses arte-
fatos são encontrados fragmentados e em locais di-
ferentes do seu contexto original, ou seja, de onde 
foram produzidos.
ÁFrIca: Nosso lugar de orIgem
fósseis:	 vestígios	petrificados	de	seres	vivos	de	épocas	re-
motas,	que	conservam	as	características	físicas	essenciais.
paleontológicas: referentes	 à	 Paleontologia,	 ciência	 que	
estuda	a	vida	de	todos	os	organismos	que	viveram	na	terra	
(animal,	vegetal,	a	evolução	primata-homem)	e	seu	desen-
volvimento	no	decorrer	do	tempo	geológico.	o	paleontólogo	
investiga	pisadas,	fósseis	ósseos,	entre	outros	vestígios,	reu-
nindo	conhecimentos	biológicos	e	geológicos.
arqueológicas: referentes	à	arqueologia,	ciência	que	estuda	
as	culturas	humanas	do	passado	por	meio	devestígios	mate-
riais,	com	o	auxílio	de	disciplinas	como	a	Paleoantropologia,	
a	Biologia	e	a	medicina.
Filologia: ciência	que,	apoiada	em	documentos	escritos,	es-
tuda	certa	língua,	literatura,	cultura	ou	civilização	sob	uma	
visão	histórica.
B
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∏	 Fóssil	de	um	pterodáctilo,	réptil	voador	do	Perío-
do	Jurássico	com	cerca	de	200	milhões	de	anos,	
encontrado	na	alemanha.	Foto	de	2007.
Fóssil	 de	 esqueleto	 hu-
mano	 datado	 de	 10	 mil	
anos.	 Parque	 nacional	
da	 serra	 da	 capivara,	
são	 raimundo	 nonato,	
Piauí.	Foto	de	2007.
P
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30	 os	PrimEiros	aGruPamEntos	humanos
Mas por que essas pesquisas ganharam intensi-
dade nos últimos tempos? Porque foi necessário que 
os pesquisadores estivessem convencidos de que os se-
res humanos tiveram ancestrais biológicos. Isso só foi 
possível depois da assimilação do grande abalo no co-
nhecimento científico causado pela publicação do livro 
A origem das espécies, de Charles Darwin, em 1859. 
Antes disso, só havia explicações mítico-religiosas (bí-
Situando nossas origens
No centro-norte da África, na floresta tropical das 
imediações do Chade, hoje desérticas, foi encontrado 
o crânio fóssil do mais antigo hominídeo conhecido 
até agora, com idade entre 6 e 7 milhões de anos. Per-
tencia ao gênero Sahelanthropus tchadensis e foi bati-
zado de Toumai. Na região que atravessa a Etiópia, o 
Quênia e a Tanzânia foram encontrados outros fósseis 
de ancestrais humanos, como os do gênero Australopi-
thecus (do latim australis, ‘do sul’, e do grego pithekos, 
‘macaco’), que viveu no continente desde pelo menos 
4 milhões de anos e se diferenciava de outros prima-
Charles Darwin	 (1809-1882):	
cientista	inglês	que	propôs	uma	
teoria	da	evolução	das	espécies	
segundo	a	qual	as	espécies	evo-
luíram	 por	 seleção	 natural.	 De	
acordo	 com	 o	 darwinismo,	 ou	
evolucionismo,	 os	 seres	 vivos	
sofrem	 mutações	 genéticas;	
aqueles	 mais	 adaptados	 ao	
meio	sobrevivem	e	deixam	des-
cendentes.
No século XIX, época da supremacia econômica europeia e da 
expansão imperialista, ganhou força a doutrina racista do filósofo 
inglês Herbert Spencer, conhecida como darwinismo social. Se-
gundo Spencer, a Teoria da Evolução de Darwin podia ser perfeita-
mente aplicada à evolução da sociedade: assim como ocorria uma 
seleção natural entre as espécies, com o predomínio dos animais e 
das plantas mais capazes, existia uma seleção natural também na 
sociedade: “A luta pela sobrevivência entre os animais correspondia 
à concorrência capitalista; a seleção natural não era nada além da 
livre troca dos produtos entre os homens; a sobrevivência do mais 
capaz, do mais forte, era demonstrada pela forma criativa dos gi-
gantes da indústria, que engoliam os competidores mais fracos, em 
seu caminho para o enriquecimento’’1.
Deturpando as ideias de Darwin, que sempre evitou extrapolar 
os princípios do mundo animal e vegetal para as sociedades huma-
nas, o darwinismo social foi utilizado como justificativa enganosa da 
superioridade de uns sobre outros nas sociedades europeias (ricos 
sobre pobres; vencedores sobre vencidos; dominadores sobre domi-
nados), bem como entre socie-
dades distintas. Seguindo essa 
lógica, haveria uma evolução 
histórica das civilizações em eta-
pas, cabendo às sociedades eu-
ropeias o estágio mais avançado, 
afirmando sua superioridade, a 
dos brancos, sobre os demais.
Sobre evolução
1 BRUIT, Héctor H. O imperialismo. São Paulo: Atual, 1986. p. 9.
blicas, no caso das 
civilizações judaico-
-cristãs; mitológicas, 
no caso de povos 
africanos e indíge-
nas, entre outras) 
para o surgimento 
da humanidade.
hominídeo:	os	primatas	são	divididos	em	prossímios	e	antro-
poides.	nestes	últimos	estão	classificadas	as	famílias	dos	ho-
minídeos	(família	humana)	e	a	dos	pongídeos	(cujas	espécies	
atuais	são	o	gorila,	o	chimpanzé,	o	orangotango	e	o	gibão).	
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charles	Darwin		
em	foto	de	1870.
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Arte: Deixar espaço para duas 
perguntas do boxe, mais ou 
menos de 300 caracteres.
tas pela dentição semelhante à dos humanos atuais, 
pelo andar bípede e pela postura ereta. Também foram 
encontrados fósseis do gênero Homo, sobretudo da es-
pécie mais evoluída do Homo habilis (desde antes de 3 
milhões de anos) e do Homo erectus (desde 2 milhões 
de anos). Ali viveram, portanto, diversas linhagens pa-
ralelas de nossos ancestrais, que se entrelaçaram até 
desembocarem no homem moderno.
QueStõeS INterdIScIplINareS
1.	 	De	que	forma	a	teoria	da	Evolução	explica	a	perpetuação	de	espécies	mais	adaptadas	aos	seus	meios?
2.	 	como	o	darwinismo	social	de	spencer	se	utiliza	da	teoria	da	Evolução	para	 justificar	a	dominação	de	alguns	
grupos	humanos	sobre	outros?	
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