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História geral e do Brasil - Vol 1 Claudio Vicentino-8

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36	 os	PrimEiros	aGruPamEntos	humanos
seleção	artifi	cial.	mas	a	domesticação	não	é	mais	que	uma	das	condi-
ções	da	transição	para	a	agricultura,	que	somente	culminou	quando	
se	conseguiu	obter	uma	dieta	que	proporcionasse	todos	os	elementos	
nutritivos	(cereais,	carne	e	legumes)	e	que	tornasse	possível	depen-
der	por	completo	do	abastecimento	de	plantas	e	animais	domes-
ticados.
Fontana,	Josep.	Introducción al estudio de la Historia.	
Barcelona:	crítica,	1999.	p.	90-91.	
Considerando a historiografi a atual, é possível 
afi rmar que passar à agricultura e à pecuária como 
fonte principal de alimentação foi uma opção de vários 
grupos. Alguns pesquisadores defendem a teoria de que 
coube às mulheres decifrar o mistério da germinação e 
do crescimento das plantas, uma vez que eram as res-
ponsáveis pela coleta e estavam, portanto, mais fami-
liarizadas com os ciclos e as características do mundo 
vegetal. 
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Como consequência da descoberta da agricul-
tura e da criação de animais, esses grupos, em geral, 
se fi xaram em áreas férteis nas margens de grandes 
rios. Várias sequências de boas colheitas, e conse-
quentemente de boa alimentação, durante longos 
períodos, levaram ao aumento da população, o que, 
por sua vez, demandou as mudanças na organização 
social do grupo.
No Neolítico, os homens aprimoraram o arco e a 
fl echa e utilizaram largamente o fogo para cozinhar, 
espantar animais, iluminar as moradias e se aquecer. 
Tornaram mais efi cientes e sofi sticados os instrumen-
tos – de pedra polida – e passaram a utilizar madeiras, 
tanto para a construção de moradias e canoas como 
para a fabricação de instrumentos de defesa.
o Melhor aMiGo Do hoMeMo Melhor aMiGo Do hoMeM
Em diversas regiões do continente africano, fo-
ram encontrados inúmeros vestígios desse período, 
como instrumentos de pedra lascada/polida, macha-
dos, serras, lanças, arcos e fl echas, arpões, anzóis, pic-
tografi as, vasilhames de barro, redes, etc. Tudo indica 
que a passagem das atividades de caça e coleta para 
as de produção de alimentos tenha acontecido bem 
cedo na região ao norte da linha do equador, prova-
velmente por volta de 8000 a.C., diferentemente do sul 
do Saara, onde a agricultura só se difundiu no início 
da Era Cristã.
Grandes mudanças climáticas ocorridas em 
todo o continente africano nos últimos milênios an-
tes da Era Cristã também infl uenciaram sobrema-
neira o quadro histórico geral, em especial nas áreas 
que hoje denominamos deserto do Saara. Tomando 
esse deserto, que é o maior do mundo, como modelo, 
comumente são apontadas duas grandes sub-regiões 
do continente africano: a África setentrional e a África 
subsaariana.
Por	volta	de	6000	a.c.,	mais	notadamente	entre	
2500	e	500	a.c.,	o	clima	começou	a	ter	um	progres-
sivo	ressecamento.	Em	consequência,	enormes	mi-
grações	foram	se	deslocando	para	o	norte,	sudoeste	
e	Leste,	abandonando	a	região	[...].
p	 a	estatueta	acima	foi	escavada	na	cidade	de	Çatal	hüyük,	
na	anatólia.	com	mais	de	8	mil	anos,	ela	representa	uma	
matrona	sentada	em	um	trono.	os	seios	e	o	ventre	farto	
parecem	associá-la	ao	nascimento	e	à	 fertilidade.	Pos-
sivelmente	 ela	 é	 a	 representação	 de	 uma	 Deusa-mãe,	
divindade	feminina	relacionada	à	proteção	das	colheitas.
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Foi provavelmente no Neolítico 
que teve origem a domesticação dos 
cães. Os seres humanos devem ter-
-se aproveitado da proximidade de 
lobos (Canis lupus) interessados 
em restos de comida e selecionado 
os mais adequados para ajudá-los 
na caça, no pastoreio e na guarda. 
Essa seleção artifi cial criou uma nova 
espécie, caracterizada por indivíduos 
muito diferentes entre si, conforme seu 
uso pelos humanos.
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	 Em	Busca	DE	nossos	ancEstrais	 37
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p	 Pintura	rupestre	de	cerca	de	5500,	em	tassili	de	ajer,	no	saara	central,	centro-
-oeste	da	argélia.	na	época	do	neolítico,	a	região	era	de	clima	mediterrâneo	e	
terras	férteis,	rica	em	fauna	e	fl	ora.
signifi	cativa	 parcela	 da	 po-
pulação	 mais	 clara	 emigrou	 para	
o	norte	do	deserto,	dando	origem	
à	 população	 mediterrânea,	 cuja	
língua	 (o	 berbere)	 estaria	 estru-
turada	 já	 por	 volta	 de	 2000	 a.c.	
Dela	 derivam	 os	 líbios,	 que	 amea-
çaram	 o	 Egito	 faraônico;	 os	 ha-
bitantes	 do	 atual	 marrocos;	 os	
ancestrais	 dos	 tuaregues	 do	 de-
serto,	etc.
a	 maioria	 da	 população	 ne-
gra,	 por	 sua	 vez,	 emigrou	 para	 o	
sudoeste.	até	hoje,	na	África	oci-
dental,	 grande	 número	 de	 povos	
(ussá,	ioruba,	ashanti)	afi	rma	des-
cender	 de	 emigrantes	 vindos	 do	
nordeste	 do	 seu	 hábitat	 atual.	 as	
pinturas	pré-históricas	do	maciço	
de	 tassili	 (argélia)	 representam	
máscaras	 quase	 idênticas	 às	 dos	
senufô	da	atual	costa	do	marfi	m,	
assim	 como	 cerimônias	 ainda	
existentes	 entre	 os	 povos	 fulani	
que	resistiram	ao	islã.
roDriGuEs,	João	carlos.	Pequena 
história da África Negra.	são	Paulo:	
Globo,	1990.	p.	18-19.
Ao sul do Saara prevalecem ainda hoje os des-
cendentes dos primeiros agricultores, falantes de 
línguas ligadas ao banto, denominação que designa 
uma origem linguística comum, possivelmente oriun-
da de um grupo de ancestrais africanos constituído 
nos últimos séculos antes de Cristo. Acredita-se que 
a origem do grupo banto esteja na região ao norte do 
rio Congo, nas atuais áreas de Camarões e da Nigéria. 
Por muitos séculos, esse povo, que vivia da caça, da 
pesca, da domesticação de animais, da agricultura de 
coivara e em permanente nomadismo, espalhou-se 
por áreas extensas da África subsaariana.
Ao fi nal do Neolítico, em algumas regiões do pla-
neta, tornara-se generalizado o uso dos metais, com 
técnicas de fundição de cobre, ferro e bronze. Utensí-
lios e armas foram aperfeiçoados, e essa época fi cou 
conhecida como Idade dos Metais. Apesar da impos-
sibilidade de estabelecer uma cronologia exata desses 
avanços, supõe-se que o bronze tenha sido utilizado 
em diversas áreas do Oriente já por volta de 4000 a.C., 
alcançando a Europa e o mundo mediterrâneo cerca 
de 2 mil anos depois. Barb
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Como vimos, o desenvolvimento técnico aplica-
do na agricultura possibilitou maior produção e um 
consequente aumento populacional. Alguns grupos 
familiares passaram a exercer domínio sobre outros 
grupos, gerando sociedades amplia-
das. A necessidade de garantir a 
defesa e a produção em áreas rela-
tivamente extensas, habitadas por 
várias aldeias ou grupos familiares 
(as tribos), levou ao início da or-
ganização de Estados.
as	 fi	guras	 humanas	 (principal-
mente	 femininas)	 e	 de	 animais	
são	 temáticas	 bastante	 comuns	
nas	 esculturas	 das	 primeiras	 po-
pulações.	 a	 Vênus	 de	 Willendorf,	
que	você	vê	ao	lado,	tem	entre	22	e	
24	mil	anos.	Ela	foi	encontrada	na	
Áustria	e	é	feita	de	pedra	calcária,	
trabalhada	 com	 ferramentas	 de	
pedra	pontiaguda.
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38	 os	PrimEiros	aGruPamEntos	humanos
As grandes transformações ocorridas ao longo 
do Período Neolítico mudaram radicalmente as for-
mas de convivência humana em algumas regiões do 
mundo. A posse coletiva, que até então prevalecia 
nas comunidades, passou a coexistir com situações 
de posse privada: os instrumentos e o fruto do traba-
lho, antes pertencentes a toda a comunidade, agora 
se tornavam exclusivos de cada indivíduo, de famílias 
ou de grupos de famílias. Surgiram, nesse período, as 
primeiras organizações sociais, com a criação do Es-
tado e o desenvolvimento da escrita – primeiramente, 
ao que parece, no Oriente Próximo, no Egito e na Me-
sopotâmia.
oriente próximo: nome	que,	antes	da	segunda	Guerra	mun-
dial,	era	dado	às	terras	mais	próximas	da	Europa,	estenden-
do-se	do	mediterrâneo	ao	golfo	Pérsico	(veja	o	mapa	da	pá-
gina	71).
O conceito de Estado é muito importante em História. Sig-nifi ca a autoridade própria que organiza uma sociedade, que de-
fi ne regras para a convivência do conjunto das pessoas submeti-
das a essa autoridade e que faz que as regras sejam cumpridas, 
valendo-se de um conjunto de instituições.
eStaDo
paleOlÍtIcO
Idade da pedra lascada
• coleta, caça e pesca
• nomadismo
• abrigos provisórios
• instrumentos de pedra, ossos e, 
possivelmente, madeira lascados
• bandos pouco numerosos
Idade da pedra polida
• prática da agricultura e criação de animais
• seminomadismo e sedentarismo
• moradias fixas
• instrumentos de pedra e de ossos polidos, 
cestaria e cerâmica
• metalurgia
• organizações sociais 
mais numerosas
NeOlÍtIcO
Idade dos Metais
para reCorDar: períodos pré-históricos
ativiDaDe
• 	tomando	por	base	o	esquema	acima,	elabore	um	texto	diferenciando	a	vida	dos	grupos	humanos	nos	períodos	Pa-
leolítico	e	neolítico.
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	 Em	Busca	DE	nossos	ancEstrais	 39
1 análise de imagem
 Tendo em mente as informações estudadas neste primeiro capítulo, observe a charge e depois responda 
às questões abaixo no caderno.
exerCíCioS De hiStória
P
a) Na charge, a evolução humana é associada ao desenvolvimento de que tecnologia?
b) Qual é a crítica que a charge faz à ideia de progresso?
2 análise de texto e imagem
 Leia o texto abaixo, escrito pelo psicanalista Sigmund Freud por volta de 1920. Em seguida, observe com 
atenção a caricatura de Charles Darwin, publicada no periódico inglês Fun, em 1870.
 Com base no texto, na sua leitura do capítulo e na observação da caricatura, responda:
a) O psicanalista Sigmund Freud está fazendo referência a qual pesquisa biológica?
b) Por que essa pesquisa teria ferido o amor-próprio da humanidade? 
c) Na caricatura acima, Darwin é representado como um macaco ou como um híbrido de macaco e ser 
humano? 
d) A imagem reflete corretamente as ideias de Darwin acerca da evolução humana? Explique sua resposta. 
No decurso do tempo, a humanidade teve de aguentar, das mãos 
da ciência, duas grandes ofensas a seu ingênuo amor-próprio. 
A primeira foi quando percebeu que a Terra não era o centro do 
universo, mas apenas um pontinho num sistema de magnitude 
dificilmente compreensível. A segunda quando a pesquisa bioló-
gica lhe roubou o privilégio de ter sido criada especialmente, e 
relegou o homem a descendente do mundo animal.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. Rio de Janeiro: Imago, 1997. 
v. XXI. (Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud).
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40	 os	PrimEiros	aGruPamEntos	humanos
P
a) De acordo com o autor do texto, o conceito de humanidade acompanhou a espécie humana desde o 
início da História? Expliquem sua resposta. 
b) No mundo ocidental, que obstáculos impediram, por muito tempo, o desenvolvimento do conceito de 
humanidade? 
c) Tomando como base as informações oferecidas neste capítulo, vocês diriam que as descobertas cientí-
ficas favoreceram ou dificultaram a constituição do conceito de humanidade?
d) Que características podem ser apontadas como definidoras dos seres humanos e os diferenciam dos 
outros animais?
4 leitura e pesquisa
 O trecho que você vai ler a seguir foi extraído do conto O garotinho feio, 
escrito pelo russo Isaac Asimov. Nessa história de ficção, uma grande 
empresa de tecnologia consegue capturar do passado um menino Nean-
derthal, que recebe o nome de Timmie. Durante anos, a criança vive con-
finada num ambiente isolado, sob os cuidados da enfermeira Fellowes, 
que desenvolve por ele um afeto crescente. O clímax da história e seu 
desfecho surpreendente desenrolam-se a partir do momento em que o dr. 
Hoskins, o presidente da empresa, decide devolver o pequeno Timmie ao 
seu tempo de origem, desconsiderando o fato de ele ter se transformado 
no contato com os homens modernos. No trecho abaixo, Timmie, então 
com cerca de 7 anos, se desentende com o filho de Hoskins, com quem 
era incentivado a brincar, enquanto estavam sob os cuidados de uma en-
fermeira substituta.
[...] aqueles dentre nós que pensam que somos humanos sentem total confiança em nossa identidade 
humana e em nossa capacidade de reconhecê-la em outros; mal paramos para nos congratular pela 
amplidão de nossas visões, sentindo a humanidade comum em espécimes de nossa espécie, apesar das 
diferenças de cor e cultura. Mas nosso conceito atual é um artifício recente: a maioria das pessoas na 
maioria das sociedades durante a maior parte da história teria sentido dificuldade de compreender a 
palavra “humano” ou encontrar um equivalente para o termo em sua própria linguagem, exceto como um 
modo de designar os membros do próprio grupo. Para essas pessoas, os outsiders pertenciam a alguma 
outra classe, alheia, junto com os animais ou os demônios. Os limites atuais do nosso conceito de huma-
nidade não são óbvios e não são universais. Foram estabelecidos como produto de uma árdua e prolonga-
da batalha no mundo ocidental para descobrir um modo de compreender a humanidade que abrangesse 
comunidades antes excluídas pelo racismo e pelo etnocentrismo, sem deixar de insistir numa distinção 
clara entre seres humanos e não humanos.
FERNÁNDEZ-ARMESTRO, Felipe. Então você pensa que é humano? Uma breve história da humanidade. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 14.
Mandy Terris estava debulhada em lágrimas.
— Não posso saber como foi que aconteceu... Eu só fui até a ponta do corredor para dar uma espiada 
numa pequena tela que colocaram ali. Não levei mais do que um minuto. E então, antes que pudesse fa-
zer qualquer coisa... — Suas explicações tinham, entretanto, um tom acusador — Foi a senhora que disse 
que eles não dariam trabalho, que seria melhor deixá-los em paz...
3 leitura de texto e reflexão
 Depois de ler com atenção o texto a seguir, reúna-se com mais quatro colegas, discutam as questões que 
o acompanham e respondam ao que se pede.
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capa	do	livro	Nove amanhãs,	
de	isaac	asimov.
P
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