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História geral e do Brasil - Vol 1 Claudio Vicentino-13

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DiscutinDo	a	história	 61
Estudando civilizaçõEs antigas
Para obter informações sobre as civilizações antigas, o historiador 
procura dois tipos principais de vestígios: os voluntários e os involun-
tários. Os primeiros foram produzidos com o objetivo de registrar deter-
minada informação ou imagem de pessoas ou instituições; os segundos 
resultam das atividades do dia a dia, sem outra intenção além de viver a 
própria vida. Ambos compõem as evidências que tornam possível inter-
pretar e reinterpretar o passado.
No caso dessas civilizações antigas, as pesquisas envolvem técnicas 
arqueológicas e de análise de evidências históricas, principalmente docu-
mentos escritos e vestígios materiais, como esculturas, utensílios, cons-
truções. Essas técnicas são relevantes para todo o período, mas especial-
mente para períodos anteriores, como o Neolítico e a Idade dos Metais, 
em que estão as raízes das mudanças que originaram as primeiras aldeias 
e, a partir delas, as primeiras cidades. A todo momento, pesquisadores 
fazem novas descobertas em sítios arqueológicos, até mesmo sítios suba-
quáticos, como vestígios de navios naufragados que trazem informações 
sobre rotas de transportes e características da cultura, política e comér-
cio entre os povos.
Os materiais encontrados em sítios arqueológicos são estudados 
por diferentes especialistas, que dispõem de técnicas específicas, como 
você pode ver no quadro.
EspEcialista Datação
Especialistas em ferramentas de pedra
Organizam e classificam os vestígios de pedra por forma, 
estilo e desgaste e procuram deduzir seu uso original. O 
microscópio eletrônico e as análises químicas ajudam nessa 
tarefa, permitindo encontrar vestígios de plantas, animais e 
sangue nessas ferramentas.
Especialistas em cerâmica
Procuram reconstruir objetos de cerâmica por meio de 
cacos, usando os mesmos recursos adotados pelos 
especialistas em ferramentas de pedra e outras técnicas.
Zoólogos
Identificam restos de animais, sobretudo ossos, em sítios 
arqueológicos, colaborando assim para o conhecimento 
sobre a alimentação, a forma de organização social e a 
relação com a natureza dos primeiros seres humanos.
Botânicos
Têm papel semelhante ao dos zoólogos na Arqueologia, 
mas suas fontes são mais raras, já que os vegetais 
tendem a se deteriorar mais rapidamente. Mesmo assim, 
grãos, sementes, madeira, pólen e restos de fogueira são 
importantes para que se entenda o modo de vida em um 
sítio arqueológico.
Além do carbono 14 e da estratigrafia, que você viu na unidade anterior, também é 
possível datar vestígios ou o próprio sítio utilizando técnicas como a dendrocronologia e 
a termoluminescência.
Dendrocronologia: análise dos anéis que compõem o caule das árvores. A cada ano 
se forma um anel, e a espessura de cada anel varia de acordo com as condições 
climáticas. Comparando os anéis de árvores mais novas com os de árvores mais 
antigas, o pesquisador calcula a idade média da árvore e obtém informações sobre o 
clima do passado.
termoluminescência: estudo da luminosidade de certos materiais quando aquecidos. 
Por meio de técnicas que envolvem radiação nuclear e da propriedade de muitos 
minerais emitirem luz, pode-se calcular o tempo entre um primeiro aquecimento no 
passado e o exame de termoluminescência. Assim, é possível datar a cerâmica, por 
exemplo, já que para ser durável a argila moldada precisa ser aquecida.
∏	 arqueólogos	traba	lhan	do	
na	 conservação	 de	 uma	
escul	tura	 do	 acervo	 do	
Museu	 dos	 guerreiros	 e	
cavalos	 de	 terracota	 lo-
calizado	em	Xian,	na	chi-
na,	em	2012.
p	 Pesquisadores	 trabalham	 em	 sítio	
arqueológico	 subaquático	 localizado	
em	Marselha,	na	França,	em	2011.
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62	 civilizações	antigas
No caso dos documentos escritos, a análise implica a decifração e 
a tradução de inscrições em pedra, argila, conchas, papiro e outros ma-
teriais. Um dos estudiosos mais importantes na tradução da linguagem 
usada no Egito antigo foi o francês Jean-François Champollion (1790-
-1832), que começou a decifrar os hieróglifos – como são denominados 
os sinais da escrita do antigo Egito.
Durante muitos séculos, os hieróglifos aguçaram a curiosidade dos 
pesquisadores, que não conseguiam decifrá-los. Em 1799, numa expedi-
ção científi ca e militar ao Egito, sob o comando de Napoleão Bonaparte, 
foi encontrado um bloco de granito negro que continha a mesma inscri-
ção gravada em grego, demótico e hieróglifos. A pedra, que se tornaria 
conhecida como Pedra de Roseta, por ter sido encontrada no local de 
mesmo nome, foi a chave para a decifração dos hieróglifos. Como o grego 
permaneceu uma língua conhecida e usada até então, as traduções pu-
deram ser feitas.
O texto da Pedra de Roseta registrava um agradecimento dos sacer-
dotes egípcios ao faraó Ptolomeu V Epifânio, que havia concedido isen-
ção de vários impostos ao povo egípcio.
civilizaçÃo
“Civilização” é uma palavra com muitos signifi cados. As 
origens históricas do termo são diversas, podendo referir-se aos 
bons modos ou hábitos de civilidade (como comer com talheres), 
à intelectualidade, a um estágio avançado do desenvolvimento 
da cultura humana, em oposição ao estado de barbárie ou selva-
geria. No sentido que utilizamos, civilização equivale ao produ-
to material e cultural do trabalho humano e às transformações 
da natureza. Refere-se especialmente às organizações sociais, 
políticas e simbólicas construídas pelo homem. Nesse sentido, 
todas as culturas humanas podem ser consideradas civilizadas, 
rompendo com a visão evolucionista e eurocêntrica construída 
durante o período de conquistas pelos europeus.
hieróglifo: palavra	 de	 origem	 gre	ga	
(hierós = sagrado;	e	glýphein	=	escrita).	
a	arte	de	 ler	e	escrever	esses	sinais	
“sagrados”	era	privilégio	de	sacerdo-
tes,	 membros	 da	 realeza	 e	 escribas.	
É	tido,	ao	lado	da	escrita	cuneiforme,	
como	o	mais	antigo	sistema	organiza-
do	de	escrita	no	mundo.	o	hierático	é	
uma	 forma	 simplificada,	 pintada	 em	
papiros	ou	placas	de	barro.	a	escrita	
com	 hieróglifos	 era	 utilizada	 princi-
palmente	 nas	 paredes	 de	 templos	 e	
túmulos.
demótico: língua	 utilizada	 por	 anti-
gos	 egípcios	 em	 textos	 cotidianos;	
entre	os	egípcios,	apenas	escribas	e	
sacerdotes	 dominavam	 a	 leitura	 e	 a	
escrita	dos	hieróglifos.
p	 a	Pedra	de	roseta	mede	114	cm	de	altura	por	
72	cm	de	largura.	Foi	gravada	em	196	a.c.
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a.
Foto Scala, Florença, Itália/Glow Images/Museu do Louvre, Paris, França.
tábua	de	argila	com	escrita	proto-cuneiforme,	originá-
ria	do	sul	do	atual	iraque,	na	atual	síria.	Data	provável:	
4000	a.c.	a	escrita	cuneiforme	é	feita	com	o	auxílio	de	gli-
fos	(fi	guras,	símbolos)	em	formato	de	cunha	sobre	tábuas	
de	argila	úmida,	posteriormente	levadas	ao	forno.	É,	junto	
com	os	hieróglifos	egípcios,	o	mais	antigo	tipo	de	escrita,	
tendo	sido	criado	pelos	sumérios	na	antiga	Mesopotâmia	
por	volta	de	3500	a.c.	Foi	amplamente	usada	na	Mesopo-
tâmia	durante	aproximadamente	3	mil	anos.
P
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	 DiscutinDo	a	história	 63
Eventos como o extermínio de milhões de pessoas promovido pelos 
nazistas alemães durante a Segunda Guerra Mundial, o lançamento de 
bombas atômicas sobre as cidades japonesas Hiroxima e Nagasáqui, em 
1945, realizado pelos norte-americanos, bem como a corrida armamen-
tista nuclear, protagonizada por povos “avançados” e “civilizados” duran-
te o período da Guerra Fria, no século XX, mostraram que a associação de 
“civilização” com valores “superiores” e humanistas não era tão verdadeira 
como se pensava até então.
É preciso considerar que civilização não é um estágio mais avan-
çado que todos os povos teriam necessariamente de alcançar, como se 
fossempessoas que passam por fases de crescimento e amadurecimen-
to. Não é possível comparar as transformações das sociedades humanas 
com a evolução das espécies ou com o crescimento dos seres vivos.
O que existe são diferentes respostas de distintos grupos humanos 
a seus respectivos meios, resultando em diferentes culturas, que não po-
dem ser comparadas, como se umas fossem classifi cáveis como melhores 
ou piores, ou mais ou menos “avançadas” que outras.
o oriEntE PrÓximo E o mÉdio: 
mEsoPotÂmia, Egito E os hEBrEus
Parte da Mesopotâmia é hoje ocupada pelo Iraque e parte pelo Irã. 
Ainda é forte a crença de que foi nessa região que surgiu a vida urbana, 
embora descobertas recentes tenham encontrado cidades ainda 
mais antigas do que as mesopotâmicas.
No fi nal do século XIX, a região era dominada pelo 
Império Turco Otomano, aliado da Alemanha, que, como 
todas as potências europeias na época, procurava expan-
dir o seu território ou a sua infl uência sobre a África e a 
Ásia. Por isso os primeiros estudiosos das civilizações 
que ocuparam a região foram principalmente alemães, 
que fi zeram escavações sistemáticas entre 1899 e 1917 
(o Portal, ou Porta, de Ishtar, importante monumento 
mesopotâmico, foi levado para a Alemanha a fi m de ser 
reconstruído e até hoje está em Berlim). Em 1920, após a 
Primeira Guerra Mundial e o esfacelamento do Império 
Otomano, a Mesopotâmia passou ao domínio inglês.
Dedicado	à	deusa	babilônica	ishtar	e	construído	aproximada-
mente	em	575	a.c.,	o	Portal	de	 ishtar	 foi	o	oitavo	portal	da	
cidade	 mesopotâmica	 da	 Babilônia.	 sua	 reconstrução,	 com	
material	colhido	das	escavações,	encontra-se	no	Museu	do	
Pergamon,	em	Berlim.	há	outras	partes	do	portal	em	diver-
sos	museus	do	mundo:	istambul,	Detroit,	Paris	(no	Museu	do	
louvre),	nova	York,	chicago,	etc.	na	foto,	réplica	erguida	no	
local	original,	na	região	da	antiga	Babilônia,	a	100	km	ao	sul	
de	Bagdá,	no	iraque.	Foto	de	2012.
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Mohammed Ameen/Reuters/Latinstock
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64	 civilizações	antigas
As escavações do fi m do século XIX foram es-
timuladas pela decifração da escrita cuneiforme, 
encontrada em tábuas de argila no início daquele 
mesmo século. Isso permitiu não só o conhecimento 
dos povos mesopotâmicos, mas também dos persas e 
fenícios, civilizações com as quais esses povos manti-
nham relações. O estudo dos caracteres cuneiformes 
permitiu aos pesquisadores, ainda, analisar textos le-
gais, contratos de propriedade, produção e comércio, 
entre outros documentos.
A civilização egípcia povoa a imaginação do Oci-
dente há cerca de três séculos. Está presente em refe-
rências arquitetônicas, fi lmes e desenhos animados. 
O Egito contemporâneo, localizado no nordeste 
da África, adquiriu papel estratégico a partir de 1869, 
por oferecer aos europeus passagem terrestre e marí-
tima, pelo canal de Suez, para a Ásia. No fi nal do sécu-
lo XVIII, Napoleão Bonaparte já ocupara o Egito para 
enfraquecer militar e comercialmente sua maior rival, 
a Inglaterra, controlando rotas comerciais terrestres e 
difi cultando o domínio inglês da Índia.
A expedição militar de Napoleão, que encontrou a Pedra de Roseta, 
já mencionada, durou de 1798 a 1801 e incluiu grande número de estu-
diosos, que fi zeram, pela primeira vez, extenso, sistemático e exaustivo 
levantamento de informações e de objetos da antiga civilização local.
Posteriormente, a Inglaterra, consolidada como maior potência eco-
nômica e militar do século XIX, foi impondo seu poder e infl uência sobre 
o Egito, até fi nalmente instalar funcionários ingleses em postos-chave do 
governo egípcio. Minada a soberania do país, o Egito tornou-se protetora-
do britânico em 1914. Nesse período, estudiosos ingleses foram os princi-
pais responsáveis pelas pesquisas arqueológicas em território egípcio.
o ExtrEmo oriEntE: Índia E china
Por muito tempo, o Extremo Oriente não passava de uma nota de 
rodapé em grande parte dos livros de História Geral, que se dedicavam 
apenas às civilizações antigas mais próximas da Europa. Mesmo assim, 
parte dos historiadores, inicialmente uma minoria, percebia que aquela 
História “Geral” estava deixando de lado grandes grupos humanos para 
os quais a Europa dava pouca ou nenhuma importância até poucos sécu-
los antes. Hoje, essa questão não pode ser mais ignorada, já que a maior 
parte da população mundial – e uma parte cada vez mais expressiva da 
economia planetária – está nos países da Ásia.
Conhecer alguns dados sobre a origem de alguns desses povos nos 
ajuda a compreender melhor o mundo em que vivemos, bem como a 
olhar a experiência humana de ângulos diferentes daqueles com que es-
tamos acostumados.
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p	 a	época	da	colonização	e	dominação	
das	 potências	 europeias	 sobre	 na-
ções	asiáticas	e	africanas	foi	também	
o	 período	 da	 transferência	 de	 diver-
sos	 objetos	 históricos	 e	 arqueoló-
gicos	 desses	 povos	 antigos	 para	 os	
principais	 museus	 da	 europa,	 espe-
cialmente	 da	 inglaterra,	 da	 França,	
da	 alemanha	 e	 do	 vaticano.	 a	 foto,	
de	1922,	registra	a	abertura	da	tum-
ba	 do	 faraó	 tutancâmon,	 em	 luxor,	
no	egito,	uma	das	descobertas	mais	
importantes	 dessa	 época,	 feita	 pela	
equipe	dos	ingleses	lorde	carnavon	e	
howard	carter.
protetorado: é	 um	 estado	 posto	
sob	a	autoridade	de	outro.	
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	 DiscutinDo	a	história	 65
Vamos ilustrar esse desinteresse da maioria dos historiadores por 
povos que não tinham relação direta com a Europa com um exemplo 
que não ocorreu na Antiguidade, mas no século XV. Por volta do ano 
1400 de nossa era, o imperador chinês Zhong Di, da dinastia Ming, li-
derava um poderoso império cuja organização política era distinta da 
que existia na Europa, onde os povos estavam divididos em reinos com 
seus feudos, aldeias e pequenas cidades. Nessa época, os chineses ha-
viam aprimorado as técnicas em geral, em especial as de guerra e de 
navegação.
Por ordem do poderoso imperador, foram construídos cerca de 300 
ba chuans, navios gigantescos para a época, com aproximadamente 150 
metros de comprimento. Uma frota deles partiu de Nanquim em 1421, 
atravessou o oceano Índico e passou pela costa da África, chegando até 
a metade inferior do continente, já no Atlântico. Com isso, percorreu o 
dobro da distância da viagem em que Colombo, setenta anos depois, che-
garia à América. Assim, certos pesquisadores supõem que essa armada 
de ba chuans conseguiu fazer uma viagem de circum-navegação quase 
cem anos antes dos europeus.
A pergunta aqui não é se essa viagem continuou para a América de-
pois de passar pela África – e nesse caso os asiáticos teriam chegado à 
América antes dos europeus. A pergunta a ser feita é: por que a viagem 
dos chineses parece uma grande novidade para nós, que nos acostuma-
mos com a ideia de que os europeus foram os primeiros conquistado-
res a chegar ao continente americano? O importante é percebermos que 
existiu entre os historiadores europeus, além de desconhecimento e/ou 
desconsideração pelas culturas alheias, um profundo desejo de contar a 
história como se nada houvesse de mais antigo ou de mais importan-
te que a Europa antes do século XVI.
Para ir além dessa visão centrada nos acontecimentos euro-
peus, o estudo da Antiguidade aqui proposto inclui a Ásia, repre-
sentada pela China e pela Índia. Obviamente outras civilizações 
signifi cativas existiram nessa parte do mundo ao longo dos últi-
mos 5 mil anos.
amÉrica E ÁFrica
Livros antigos de história no Brasil começavam com a 
chegada dos espanhóis e portugueses à América. Com isso, 
afi rmavam implicitamente a ideia de que os europeus haviam tra-
zido a História ao continente e que antes disso existiria apenas uma 
pré-história pouco interessante. Com a ajuda de arqueólogos, antropó-
logos e historiadores, foi possível perceber que essa visão deixava de 
lado civilizações e experiênciashumanas, desconsiderando suas his-
tórias. Logo, passou-se a recuperar o passado dos grupos que viviam 
como caçadores-coletores nômades, das aldeias que começavam a ex-
perimentar a agricultura e das civilizações que haviam erguido grandes 
cidades na América antes da chegada de Colombo.
res a chegar ao continente americano? O importante é percebermos que 
existiu entre os historiadores europeus, além de desconhecimento e/ou 
desconsideração pelas culturas alheias, um profundo desejo de contar a 
história como se nada houvesse de mais antigo ou de mais importan-
Para ir além dessa visão centrada nos acontecimentos euro-
peus, o estudo da Antiguidade aqui proposto inclui a Ásia, repre-
sentada pela China e pela Índia. Obviamente outras civilizações 
signifi cativas existiram nessa parte do mundo ao longo dos últi-
afi rmavam implicitamente a ideia de que os europeus haviam tra-
zido a História ao continente e que antes disso existiria apenas uma 
pré-história pouco interessante. Com a ajuda de arqueólogos, antropó-
logos e historiadores, foi possível perceber que essa visão deixava de 
lado civilizações e experiências humanas, desconsiderando suas his-
tórias. Logo, passou-se a recuperar o passado dos grupos que viviam 
como caçadores-coletores nômades, das aldeias que começavam a ex-
perimentar a agricultura e das civilizações que haviam erguido grandes 
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π	 Detalhe	 de	 um	 Tumi,	 faca	 cerimonial	
representativa	da	arte	pré-colombia-
na	 (cultura	 chimu),	 produzida	 entre	
os	séculos	X	e	Xv.
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