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História geral e do Brasil - Vol 2 Claudio Vicentino-6

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27
A colônia portuguesa 
na América2
caPítulO
p	 Terra Brasilis	(detalhe),	mapa	ela-
borado	 pelos	 cartógrafos	 Lopo	
Homem,	 pedro	 reinel	 e	 Jorge	
reinel,	em	cerca	de	1519.
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Projeto colonial para servir a quem?
Ao longo dos séculos, a Coroa portuguesa estabeleceu colônias e en-
trepostos comerciais na América, África e Ásia. Alguns exemplos: ilhas de 
Cabo Verde, Açores e Madeira, Angola, Guiné, Moçambique, no Atlântico 
e costa africana; Macau (na China, sob domínio português até 1999); Goa 
e Calicute (na Índia).
A montagem da colônia portuguesa na região que hoje é o Brasil foi 
parte de um projeto que se integrava à dinâmica política, social e econô-
mica do desenvolvimento europeu da época. As vantagens da estrutura-
ção colonial fi caram evidentes: muito poder e riqueza para uma minoria; 
clientelismo e vantagens limitadas para alguns; opressão e sofrimento 
para a maioria.
No entanto, a exploração da chamada “empresa colonial” não se res-
tringiu aos produtos voltados para a exportação ou apenas aos interesses 
metropolitanos. Ao longo de todo o período colonial houve também uma 
diversifi cação econômica e social com o desenvolvimento de diferentes 
práticas econômicas voltadas para o consumo interno e para a efetiva 
ocupação das terras brasílicas.
De que maneira a história dessa ocupação pode ser contada pelos 
diversos grupos que compõem a sociedade brasileira da atualidade? E 
hoje, como os vários segmentos da população podem participar da mon-
tagem de um projeto que sirva à maioria?
Para Pensar historicamente
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28	 europa,	o	centro	do	mundo
A grAdAtivA tomAdA de posse
A instauração de uma colônia portuguesa no 
território americano não se deu imediatamente após 
a tomada de posse por Pedro Álvares Cabral, em 
1500. Portugal mantinha seus recursos voltados para 
o comércio oriental, deixando a colônia americana, 
por alguns anos, numa posição secundária, pois ain-
da não havia encontrado aqui metais preciosos nem 
produtos similares aos do rentável comércio afro-
-asiático: ouro, marfim, especiarias, porcelanas, seda, 
algodão, escravos, entre outros. A única preocupação 
com o território recém-conquistado era garantir sua 
posse, enfrentando as contínuas investidas de outros 
países europeus.
Para isso, nos primeiros anos após a chegada 
de Cabral, a Coroa mandou expedições à sua colônia 
da América. A primeira expedição chegou em 1501. 
Além de nomear diversas localidades litorâneas, 
como a Baía de Todos-os-Santos e o lugarejo de São 
Sebastião do Rio de Janeiro, confirmou a existência 
do pau-brasil, madeira da qual se extraía um coran-
te já utilizado na Europa para tingimento de tecidos. 
Em 1503, outra expedição fundou feitorias no litoral 
fluminense para a armazenagem da madeira e o car-
regamento de navios. As feitorias, além de guardar os 
produtos extraídos da colônia, eram postos de defe-
sa contra outros conquistadores. Em torno da sede, 
formavam-se plantios e se criavam animais para o 
sustento dos feitores e militares locais, de modo que 
acabaram por tornarem-se núcleos colonizadores.
Em razão da abundância de pau-brasil no litoral 
brasileiro, a Coroa portuguesa estabeleceu o mono-
pólio real sobre a exploração do produto. Mais tarde, 
os indígenas passaram a ser utilizados na extração da 
madeira. Por meio do escambo (troca), os indígenas 
realizavam o corte e o transporte da madeira e rece-
biam por isso objetos vistosos, mas de pouco valor, 
como espelhos, miçangas e instrumentos de ferro. 
Depois os indígenas passaram a receber também ar-
mas de fogo, pólvora, cavalos, espadas, em troca de 
farinha, milho e “peças”. “Peças” eram os chamados 
“negros da terra”, indígenas aprisionados para serem 
escravizados. Em consequência, esse tipo de escam-
bo estimulou, da mesma forma que na África, as 
guerras intertribais.
A extração do pau-brasil atraía também os con-
trabandistas estrangeiros, o que levou o governo por-
tuguês a enviar expedições militares ao litoral brasi-
leiro em 1516 e 1526.
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p	 o	paço	da	ribeira,	em	Lisboa	(atualmente	chama-se	praça	
do	comércio),	abrigou	a	casa	da	Índia	entre	o	início	do	sé-
culo	XVI	e	meados	do	século	XVIII.	a	essa	organização	me-
tropolitana	cabia	a	administração	dos	assuntos	de	comércio	
e	navegação	na	África	e	Ásia.	acima,	o	paço	da	ribeira	em	
desenho	de	domingos	Vieira	Serrão,	do	século	XVII.
Apenas trinta anos depois da chegada de Cabral 
os portugueses se dedicaram a colonizar o território 
da América. O comércio português com o Oriente en-
trou em crise, reduzindo os lucros de Portugal. Além 
disso, invasões de outros povos europeus ameaçavam 
a posse da Colônia. A primeira expedição colonizado-
ra foi comandada por Martim Afonso de Souza, que 
chegou em 1531.
Nomeado capitão-mor da esquadra e das ter-
ras coloniais pelo rei de Portugal, Martim Afonso 
chegou trazendo homens, sementes, plantas, fer-
ramentas agrícolas e animais domésticos. Detinha 
amplos poderes para procurar riquezas, combater 
estrangeiros, policiar, administrar e povoar as ter-
ras coloniais.
Além de organizar expedições de exploração 
do território para reconhecimento e busca de ri-
quezas, Martim Afonso dirigiu-se à foz do rio da 
Prata, no sul, para efetivar o domínio luso diante 
da crescente presença de outros exploradores euro-
peus na região. Lá aprisionou vários navios piratas 
franceses.
Sua política colonizadora con sistiu na distribui-
ção de sesmarias (lotes de terra) aos novos habitan-
tes que se dispusessem a cultivá-las, bem como na 
plantação da cana-de-açúcar e construção do pri-
meiro engenho da colônia. Fundou, em 1532, as vilas 
de São Vicente e Santo André da Borda do Campo, 
respectivamente no litoral e no interior do atual es-
tado de São Paulo.
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	 a	coLônIa	portugueSa	na	amérIca	 29
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Os índiOs e Os 500 anOs: a festa da exclusãO
Difícil de acreditar, mas os herdeiros dos primeiros habitantes 
da Terra de Vera Cruz não tiveram lugar nem vez na festa oficial dos 
500 anos do descobrimento, em abril do ano passado. Eles foram 
hostilizados pelo governo do estado da Bahia e pelo Ministério do 
Esporte e Turismo – os organizadores da festa.
Mais de 3 mil índios se deslocaram de várias aldeias do país 
até a área indígena de Coroa Vermelha, a 20 quilômetros de Porto 
Seguro. O centro de convergência foi a I Conferência Indígena, reali-
zada na semana das comemorações do descobrimento, para tratar 
sobre o futuro dos índios brasileiros.
Os índios discordavam das comemorações dos “não índios” e 
deixaram claro que, para eles, não se tratava de “descobrimento”, 
mas sim de “dominação”. Tentaram manifestar esse sentimento e 
foram impedidos. A Polícia Militar da Bahia, com um contingente 
de 6 mil homens, foi truculenta e exerceu forte poder de repressão.
No início de abril os policiais destruíram, no meio da noite, um 
monumento-resistência que os índios Pataxó estavam erguendo na 
praia de Coroa Vermelha. Seria um mapa da América do Sul, feito 
em relevo de cimento, sobre o qual estaria a escultura de um ca-
sal indígena e onde os participantes da Conferência depositariam 
suas oferendas. Segundo a Associação Nacional de Ação Indigenista 
(Anai), com sede na Bahia, a vontade do ex-ministro de Esporte, Ra-
fael Grecca, seria de construir no mesmo local um monumento que 
lembrasse uma caravela.
p	 duas	charges	criadas	por	ocasião	dos	500	anos	da	“descoberta”	do	Brasil:	a	primeira,	à	esquerda,	do	chargista	brasileiro	
Kayser,	ironiza	os	impactos	da	exploração	do	pau-brasil,	fazendo	referência	à	mudança	do	nome	de	terra	de	Santa	cruz	
para	Brasil.	À	direita,	charge	publicadana	revista	portuguesa	Grande Reportagem	e	a	representação	do	imaginário	portu-
guês	em	torno	do	samba,	das	telenovelas	e	do	futebol,	símbolos	nacionais	contemporâneos	que	reduzem	a	diversidade	
cultural	brasileira	e	foram	transferidos	para	o	contexto	da	ocupação	portuguesa	de	1500.
ÍNDIOS continuam lutando pela aprovação de seu Estatuto. Disponível em: <www.comciencia.br/reportagens/501anos/br08.htm>. Acesso em: 20 jun. 2012.
costa Brasileira, 22 de aBril de 1500...
samBa, futeBol, telenovelas...
que vês?
o projeto AgrícolA dA explorAção coloniAl portuguesA
A partir do século XVI, iniciativas colonizadoras 
diferenciadas marcaram a integração do continente 
americano à vida política e principalmente econômica 
da Europa. Parte da América do Norte foi colonizada 
por ingleses como uma região onde prevaleceu o povoa-
mento, embora o sul do território dos atuais Estados 
Unidos fosse uma região predominante de exploração.
Já a colonização ibérica na atual América Latina 
caracterizou-se por se basear no domínio monopolis-
ta metropolitano, a serviço do Estado e de sua classe 
mercantil, que tinha interesse em assegurar a posse e 
a exploração colonial e executar a administração e a 
fiscalização.
Pelas características peculiares da colônia portu-
guesa e da expansão lusa, a colonização foi feita a par-
tir da agricultura. Para viabilizar a ocupação e o povoa-
mento da colônia, a Coroa portuguesa recorreu ao cul-
tivo da cana-de-açúcar, pois até então, ao contrário do 
que ocorrera nas áreas de dominação espanhola, não 
haviam sido descobertas jazidas de metais preciosos.
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30	 europa,	o	centro	do	mundo
∏	 Pequena moenda portátil,	aqua-
rela	 de	 Jean-Baptiste	 debret,	
do	início	do	século	XIX.
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Embora Portugal já conhecesse o cultivo da ca-
na-de-açúcar desde o século XIII, foi só no século XV 
que essa atividade ganhou amplitude e deixou de ser 
uma produção limitada e isolada. A mudança ocor-
reu com a instalação de engenhos na ilha da Madeira, 
outra colônia portuguesa, onde as técnicas de cultivo 
se desenvolveram. O trabalho era feito por escravos, 
trazidos das regiões conquistadas na costa africana.
O investimento português contou com o apoio 
de mercadores e banqueiros de Flandres (norte da Eu-
ropa), que ficaram responsáveis pelo financiamento, 
refino e distribuição do açúcar.
Nesse empreendimento de proporções tão gran-
des, que Portugal implantou em sua colônia da Amé-
rica, a mão de obra também não representava um 
problema.
A escravidão havia muito tempo era pratica-
da por europeus e árabes na chamada África negra 
(centro-sul do continente). Foi considerada uma ins-
tituição justa, quando, no seu início, os portugueses 
escravizavam os mouros, considerados infiéis pelos 
cristãos. A “infidelidade” religiosa acabou sendo tam-
bém estendida aos negros africanos, legitimando sua 
escravização. Leia o que diz o historiador Ronaldo 
Vainfas sobre a relação entre a Igreja e a escravidão:
a	 Igreja	 apoiou	 a	 escravidão.	 através	 da	 bula	
papal	Dum diversas,	de	1452,	
o	papado	concedeu	aos	por-
tugueses	o	direito	de	atacar,	
conquistar	 e	 submeter	 pa-
gãos	e	sarracenos,	tomando	
seus	bens	e	 reduzindo-os	à	
escravidão	 perpétua.	 a	 bula	 Romanus pontifex,	 de	
1455,	ampliou	o	território	de	atuação	dos	portugue-
ses,	 incluindo	 marrocos	 e	 as	 Índias.	 Várias	 outras	
bulas	ratificaram	ou	ampliaram	os	poderes	conce-
didos	aos	portugueses	no	sentido	de	converter	ho-
mens	à	fé	católica,	escravizá-los	e	comercializá-los.
VaInFaS,	ronaldo	(dir.).	Dicionário do Brasil colonial.	rio	de	Janei-
ro:	objetiva,	2000.	p.	205.
A utilização do trabalho escravo africano envol-
via interesses ligados ao tráfico negreiro, que logo se 
tornou um empreendimento altamente lucrativo para 
a Coroa e para os mercadores portugueses.
Em relação ao trabalho indígena, havia dife-
rentes formas de entender a legitimidade da uti-
lização dessa mão de obra. Existiam também di-
versas interpretações das leis metropolitanas que 
regulavam as relações com os indígenas. Foi assim 
que foram se moldando as relações de colonos, je-
suítas e funcionários metropolitanos com os po-
vos nativos. Como poderemos estudar no capítulo 
7 deste volume, a mão de obra indígena foi larga-
mente utilizada por meio da aliança dos colonos 
com grupos nativos, da interferência dos jesuí tas, 
que criaram aldeamentos indígenas, ou ainda por 
meio da dominação dos chamados “índios bravos”, 
escravizados segundo o conceito de “guerra justa”. 
Amparados por uma legislação contraditória e va-
riada, colonos e jesuítas se beneficiaram do traba-
lho compulsório dessas populações. No entanto, 
mesmo nas regiões do território em que essa utili-
zação foi comum, a dizimação cultural e física e a 
expulsão destes povos ao longo dos séculos levou 
sarraceno:	 a	 partir	
do	 período	 medieval	
foi	 o	 termo	 utilizado	
pelos	 cristãos	 para	
denominar	 os	 mu-
çulmanos.
guerra justa:	 o	 conceito	 de	
guerra	 justa	 legitimou	 o	 uso	
da	força	e	a	imposição	de	tra-
balhos	forçados	aos	indígenas	
resistentes	 à	 conversão	 ca-
tólica	 e	 ao	 aldeamento	 e	 que	
fossem	 hostis	 com	 os	 colo-
nos.	 a	 escravização	 indígena	
também	poderia	ocorrer	com	
os	 chamados	 “índios	 resga-
tados”,	 indígenas	que	haviam	
sido	 feitos	 cativos	 por	 outros	
grupos	indígenas.
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	 a	coLônIa	portugueSa	na	amérIca	 31
1 Segundo R. Simonsen, citado por SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Conquista e colonização da América portuguesa: o Brasil colônia – 1500/1750. In: LINHARES, Yedda 
Maria. História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1990. p. 53-54.
ao predomínio do trabalho escravo africano nas ati-
vidades econômicas desenvolvidas na colônia por-
tuguesa na América.
as instalações produtivas açucareiras
Martim Afonso de Souza trouxe as primeiras 
mudas de cana-de-açúcar da ilha da Madeira e insta-
lou o primeiro engenho da colônia em São Vicente, no 
ano de 1533. Inaugurava-se, assim, a base econômica 
da colonização portuguesa no Brasil.
Os engenhos multiplicaram-se rapidamente 
pela costa da América portuguesa, chegando a 400 
em 1610. A importância econômica do açúcar como 
principal riqueza colonial evidencia-se no valor das 
exportações do produto no período do apogeu da 
mineração (século XVIII): superior a 300 milhões de 
libras esterlinas, enquanto a mineração, na mesma 
época, gerou um lucro de cerca de 200 milhões1.
A produção de açúcar voltava-se especialmente 
para a exportação. No entanto, a chamada cultura 
do açúcar movimentou um mercado interno e gerou 
hábitos alimentares, técnicas de produção e consumo 
dos derivados do açúcar (como o melado, a rapadura 
e a cachaça), e marcas permanentes na cultura mate-
rial brasileira, como os utensílios, máquinas e locais 
destinados ao beneficiamento da cana-de-açúcar.
Embora inicialmente tenham sido destinados 
à produção canavieira grandes investimentos de 
capital, as melhores terras e a maior parte da mão 
de obra, os pequenos engenhos também tiveram im-
portância nas vilas coloniais. Além disso, outras la-
vouras e práticas econômicas movimentaram a eco-
nomia colonial e o mercado interno e eram desen-
volvidas como suporte à manutenção do engenho: 
plantio de milho, feijão, arroz; criação de animais; 
produção de ferro e louças, etc. 
O responsável pela produção açucareira – o 
senhor de engenho – tinha enorme prestígio so-
cial. Era um tipo de “nobre da terra”, um membro da 
“açucarocracia”2. Assim, no início da colonização e 
em algumas localidades da colônia da América por-
tuguesa, a agricultura assentava-se sobre o latifúndio 
monocultor (grandes extensões de terras destinadas 
a uma cultura agrícola), escravista e exportador, um 
padrão de exploração agrícola denominadoplanta-
tion pelos estudiosos.
O Nordeste, destacadamente o litoral de Per-
nambuco e da Bahia, concentrou a maior produção 
de açúcar da colônia, como se observa na tabela e no 
gráfico a seguir.
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10
20
30
40
50
60
70
1570
2,6
1580
5,1
1600
41,1
1610
58,8
1630
22
1640
26,4
1650
30,8
1670
29,4
1710
23,5
1760
36,7
milhares de 
toneladas
anos
2 Denominação dada pelo historiador Evaldo Cabral de Mello, segundo Sheila de Castro Faria. In: VAINFAS, Ronaldo (Dir.). Dicionário do Brasil colonial. Rio de Janeiro: Editora 
Objetiva, 2000. p. 200.
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p	 o	gráfico	e	a	tabela	nos	informam	sobre	as	instalações	e	o	volume	de	produção	de	açúcar	nos	primeiros	três	séculos	da	colo-
nização	portuguesa	na	américa.
exportação de açúcar (1570-1760)
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97
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25
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engenhos instalados no Brasil (1570)
Pernambuco 23
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ilhéus 8
Porto seguro 5
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espírito santo 1
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