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História geral e do Brasil - Vol 2 Claudio Vicentino-11

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52	 europa,	o	centro	do	mundo
Ao mesmo tempo, a riqueza 
da região tornou possível o surgi-
mento dos mecenas, indivíduos 
ricos que, em busca de promoção 
pessoal, patrocinavam produções 
artísticas e científicas. Membros 
da família Medici em Florença e 
dos Sforza em Milão foram alguns 
dos mais importantes.
Os abundantes vestígios ma-
teriais da antiga civilização romana 
existentes em toda a Itália também serviram de fonte 
de inspiração e estímulo para os artistas do Renasci-
mento. A riqueza das cidades italianas atraiu sábios 
bizantinos, herdeiros das tradições gregas e romanas 
clássicas, que fugiam da crescente pressão dos turco-
-otomanos após a queda de Constantinopla.
Um grande precursor do Renascimento literário 
na Itália foi Dante Alighieri (1265-1321), autor de A 
divina comédia. Apesar de criticar a Igreja, sua obra 
tem fortes influências medievais.
Na literatura, após a iniciativa de Dante Alighie-
ri, generalizou-se a utilização do dialeto toscano (do 
norte da península Itálica), que seria matriz da língua 
italiana contemporânea. Mas foi Petrarca (1304-1374) 
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Botticelli	 conciliou	 os	 valores	 cristãos	
com	os	do	paganismo.	ao	lado,	detalhe	
de	uma	de	suas	obras,	Nascimento de 
Vênus,	de	cerca	de	1483.
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∏	 a	enigmática	Mona Lisa	(ou	Gioconda),	tela	de	leonardo	da	Vinci.	pes­
quisas	 recentes	 indicam	 que	 a	 gioconda	 era	 de	 fato	 uma	 senhora	
(monna)	chamada	lisa	gherardini,	casada	com	o	rico	negociante	de	
seda	florentino	Francesco	del	giocondo	(por	isso	o	apelido).	da	Vin­
ci	foi	mestre	no	jogo	de	luz	e	sombra,	na	representação	do	primeiro	
plano	e	da	profundidade,	estimulando	a	imaginação	do	observador.	a	
Mona Lisa	encontra­se	hoje	no	museu	do	louvre,	em	paris,	e	mede		
77	cm	de	altura	por	53	cm	de	largura.
o “pai do humanismo e da literatura italiana”. Petrarca 
escreveu De África, de forte inspiração greco-romana, 
e Odes a Laura, expressando uma religiosidade essen-
cialmente medieval. Giovanni Boccaccio (1313-1375) 
é outro grande nome do Trecento (os anos trezentos), 
autor de Decameron, contos satíricos que criticam o 
ascetismo medieval.
No século XV, 
em Florença, desta-
cou-se o pintor Ma-
saccio (1401-1428), 
considerado um mes-
tre da perspectiva, com sua pintura imitando o real. 
Sandro Botticelli (1445-1510), outro destaque, acre-
ditava que a arte era uma expressão ao mesmo tempo 
espiritual, religiosa e simbólica. Sua busca da beleza 
atingiu o ponto máximo em Nascimento de Vênus, pin-
tura que reúne elementos pagãos e cristãos. Mais do 
que sugerir o amor físico, a estonteante beleza do cor-
po nu da Vênus remete à pureza.
Leonardo da Vinci (1452-1519), com uma di-
versidade de interesses típica do homem renascentis-
ta, dedicou-se a vários ramos do conhecimento, ten-
do sido pintor, escultor, urbanista, engenheiro, físico, 
músico, filósofo e botânico – e em todas essas áreas 
atuou com genialidade. Como pintor, criou a Giocon-
da (a famosa Mona Lisa) e a Última Ceia, duas das 
mais conhecidas obras de arte do Ocidente.
ascetismo:	 no	 contexto	 da	
igreja	cristã	medieval,	o	asce­
tismo	 é	 autodisciplina,	 voltar­
­se	 para	 as	 orações,	 para	 o	
espiritual,	rejeitando	prazeres.
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	 arte	e	tecnologia	 53
Cidade e razão
A cultura renascentista, um dos marcos no iní-
cio da Idade Moderna, foi sobretudo urbana. Seu viés 
racional influenciou não apenas a construção de ele-
gantes e funcionais edifícios, como também o modo 
de pensar o espaço da cidade. O artista é também 
arquiteto e planeja o prédio e seu entorno: a praça, o 
monumento no centro da praça, a circulação das pes-
soas, a paisagem urbana.
Album/akg-images/Latinstock/Galleria Nazionale delle Marche, Urbino, Itália.
p	 a	proposta	de	uma	cidade	ideal,	atribuída	a	piero	della	Francesca	(1420?­1492)	e	posteriormente	a	Francesco	di	giorgio	martini	
(1439­1502),	feita	em	cerca	de	1470.	observe	o	equilíbrio	dos	volumes	e	a	simetria	das	formas.
A tendência de pensar a cidade ideal foi mais 
longe e incluiu o movimento denominado “utopista”. 
Dele fizeram parte Tomas Morus (autor de Utopia), 
Francis Bacon (Nova Atlântida) e Tommaso Cam-
panella (Cidade do Sol). Nos três casos, segundo o 
historiador Nicolau Sevcenko:
[...]	essas	utopias	refletem	modelos	basicamen­
te	urbanos,	dispostos	numa	arquitetura	geométrica	
em	que	cada	detalhe	obedece	a	um	rigor	matemático	
absoluto.	nessas	comunidades­modelo,	a	harmonia	
social	deve	ser	uma	derivação	da	perfeição	geomé­
trica	do	espaço	público.	por	trás	desses	projetos	utó­
picos,	o	que	se	percebe	é	um	desejo	de	abolição	da	
imprevisibilidade	da	História	e	da	violência	dos	con­
flitos	sociais.
SeVcenKo,	nicolau.	O Renascimento.	17.	ed.		
São	paulo:	atual,	1994.	p.	24.
Em meio às utopias e às novas construções, o 
próprio papel das cidades passou por transformações.
A invasão da Itália pelo rei da França, Carlos VIII, 
em 1494, acabou com a autonomia de várias repúbli-
cas italianas e impôs os poderes monárquicos sobre as 
liberdades conquistadas pelas cidades desde o final da 
Idade Média. O pensador florentino Nicolau Maquia-
vel (autor de O príncipe) identificou a nova relação de 
forças e abandonou a defesa da República, passando a 
pregar a necessidade de um governo forte, centraliza-
do nas mãos de um príncipe astuto e virtuoso.
Não mais como palco do exercício das liberda-
des, as cidades continuaram sendo centros de poder, 
agora concentrado nas mãos de um monarca e exer-
cido por órgãos de governo – todos eles dotados de 
grande visibilidade, pois sediados em grandes edifí-
cios nas cidades ou suas cercanias.
No século XVI, o principal centro da arte renas-
centista passou a ser Roma. Na literatura, sistema-
tizou-e o uso da língua italiana com autores como 
Francesco Guiciardini, Torquato Tasso, Ariosto e, 
principalmente, o já mencionado Nicolau Maquiavel.
Nas artes plásticas, surgiu Rafael Sanzio (1483- 
-1520), pintor que se tornou um dos mais populares 
artistas do Renascimento e que ficou conhecido como 
o “pintor das madonas”. Entretanto, a maior figura do 
período foi sem dúvida Michelangelo Buonarroti 
(1475-1564).
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54	 europa,	o	centro	do	mundo
Considerado por muitos o “gigante 
do Renascimento”, Michelangelo foi es-
cultor e pintor, sendo responsável pelos 
monumentais afrescos da Capela Sisti-
na, em Roma. Essas pinturas retratam 
uma particular síntese da Bíblia, espe-
cialmente a criação do mundo e de Adão; 
ao fundo da capela, ocupando toda uma 
parede, está retratado o Juízo Final. Seus 
trabalhos exprimem a dor e a paixão com 
intensidade inigualável, levando a estéti-
ca renascentista ao máximo de suas po-
tencialidades.
Reprodução/Museu do Vaticano, Cidade do Vaticano, Itália.
akg-images/Electa/Intercontinental Press
∏	 Escola de Atenas	é	um	afresco	 (pin­
tura	mural)	de	1510­1511	encomen­
dado	 ao	 artista	 italiano	 rafael	San­
zio	pelo	papa	Júlio	ii	para	compor	o	
salão	de	sua	biblioteca	particular.	o	
artista	representou	56	personagens,	
reunindo	filósofos,	matemáticos,	poe­	
tas	 e	 outras	 figuras	 históricas	 de	
diferentes	períodos.	ao	centro,	pla­
tão	e	sua	obra	Timaeus.	ao	seu	lado,	
aristóteles	e	sua	obra	Ética.	o	deus	
grego	 da	 beleza,	 apolo,	 e	 a	 deusa	
romana	da	sabedoria,	minerva,	apa­
recem	nas	colunas	laterais.	
por	encomenda	do	papa	Júlio	 ii,	michelangelo	
iniciou	 a	 decoração	 das	 paredes	 e	 do	 teto	 da	
pequena	capela	Sistina,	em	roma,	entre	1537	e	
1541.	na	cena	do	Juízo Final	(detalhe,	ao	lado),	o	
artista	retrata	cristo	no	centro.
P
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	 arte	e	tecnologia	 55
o renAscimento em outrAs regiões dA europA
A expansão comercialde Flandres estimulou as 
artes e as ciências. Erasmo de Roterdã (1466-1536), 
considerado o “príncipe dos humanistas”, buscou es-
clarecer questões religiosas usando uma linguagem 
menos rebuscada que seus 
antecessores filósofos. Em seu 
livro Elogio da loucura, che-
gou a denunciar alguns abu-
sos da Igreja e a imoralidade 
do clero.
Na pintura, destaca-
ram-se os irmãos Van Eyck 
e Pieter Brueghel, que re-
trataram temas do cotidiano 
da sociedade, incluindo fes-
tas populares e homens do povo. Entretanto, o mais 
singular dos pintores renascentistas foi Hieronymus 
Bosch, cujas pinturas retratavam cenas fantásticas e 
oníricas, com formas próximas a sonhos e delírios.
Bem perto da perfeição...
Que obra de arte é o homem: tão nobre no 
raciocínio; tão vário na capacidade; em for-
ma e movimento, tão preciso e admirável, 
na ação é como um anjo; no entendi-
mento é como um Deus; a beleza do 
mundo, o exemplo dos animais.
SHAKESPEARE, William. Hamlet. São Paulo: 
Martin Claret, 2007.
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Na Alemanha, os pintores Albrecht Dürer 
(1471-1528) e Hans Holbein (1497-1543) foram os 
principais nomes do Renascimento.
Na França, Rabelais demonstrou todo o talen-
to do humanismo em Gargântua e Pantagruel, exal-
tando o ser humano e criticando a Igreja. O filósofo 
Montaigne, em sua obra Ensaios, expôs seu ideal de 
equilíbrio: o sentimento de estar em harmonia com o 
Universo aceitando-o como ele é.
O Renascimento inglês só veio a florescer no 
século XVI, depois de prolongado período de guerras 
internas. Seus principais nomes estão na literatura, 
como o já citado Tomas Morus, autor de Utopia, 
obra que descreve uma comunidade perfeita, toleran-
te, erguida em bases essencialmente racionais, que 
condena a cobiça e o desejo pelo poder. O escritor 
mais importante nesse período, no entanto, foi o dra-
maturgo William Shakespeare. Em suas peças tea-
trais (Hamlet, Romeu e Julieta, Otelo e várias outras), 
apresenta personagens dotados de grande profundi-
dade psicológica, que traduz os dilemas da alma hu-
mana e debruça-se sobre questões existenciais ainda 
atuais em nosso tempo.
O principal nome do Renascimento espanhol 
na pintura foi Domenico Teotokopoulos. Conhecido 
como El Greco (1541-1614), era dotado de estilo úni-
pieter	Brueghel	foi	um	dos	maio­
res	nomes	do	renascimento	artís­
tico	nos	países	Baixos,	retratando	
pequenas	aldeias.	ao	lado,	a	Dan-
ça dos camponeses,	tela	de	1568.
P
Bettmann/Corbis/Latinstock
co em suas linhas nervosas e explosivas. Na literatura, 
o grande nome foi Miguel de Cervantes (1547-1616), 
autor de Dom Quixote de la Mancha, sátira aos valores 
medievais de cavalaria.
Em Portugal, destacaram-se o teatro de Gil Vi-
cente (1465-1536) e, principalmente, a obra de Luís 
Vaz de Camões (1525-1580), autor de Os lusíadas, 
maior epopeia da língua portuguesa.
as	 obras	 de	 Shakespeare	
ainda	 hoje	 são	 representa­
das	 no	 teatro	 e	 no	 cinema.	
ao	 lado,	 retrato	 do	 drama­
turgo	feito	por	martin	dro­
eshout	no	século	XVii.
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56	 europa,	o	centro	do	mundo
renAscimento Além dA Arte
Também no desenvolvimento de outras áreas do 
conhecimento, notadamente da Física, Astronomia, 
Matemática e Biologia, a ampliação da gradual inde-
pendência em relação a dogmas e proibições religio-
sas gerou mudanças.
Contrariando as antigas concepções geocen-
tristas defendidas pela Igreja, ganhou aceitação de-
finitiva na época a teoria heliocêntrica, ou seja, a 
ideia de que é o Sol que está no centro do Universo. 
A teoria, proposta por Copérnico, foi defendida por 
Galileu Galilei.
Essas novas ideias, porém, provocaram reações 
violentas por parte da Igreja.
Na divulgação da nova concepção, destaca-
ram-se Nicolau Copérnico (1473-1543), Giordano 
Bruno (1548-1600) e Galileu Galilei (1564-1642). 
Giordano Bruno foi condenado e queimado vivo 
pela Inquisição, por defender teses consideradas he-
réticas, e o matemático e físico Galileu foi também 
julgado e considerado suspeito pela Igreja. Somente 
em 1999 a Igreja católica retratou-se publicamente 
em favor de Galileu.
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Outros nomes de destaque na astronomia foram 
Tycho Brahe (1546-1601) e Johannes Kepler (1571- 
-1630), que chamou a atenção para o movimento elíp-
tico dos astros.
O Renascimento nas áreas do conhecimento 
científico europeu rompeu com o monopólio da ex-
plicação do mundo e da natureza das mãos da Igreja, 
predominante no período medieval, abrindo cami-
nho para explicações racionais, livre de limitações e 
dogmas. O racionalismo triunfava sobre concepções 
herdadas de uma tradição religiosa que se baseava na 
fé, e não na observação, experimentação e formulação 
de hipóteses.
Mesmo assim, destaca-se que no panorama ita-
liano surgiu, ao mesmo tempo, a censura ao Renas-
cimento. A reação foi imposta pela Contrarreforma, 
que procurava recuperar o poderio católico, abalado 
após a Reforma protestante do século XVI. Os valores 
humanistas, considerados pagãos, eram condenados 
pela Igreja (assunto do próximo capítulo).
p	 diagrama	do	sistema	heliocêntrico	de	copérnico,	com	a	terra	e	os	planetas	em	órbita	em	
torno	do	Sol;	De Revolutionibus	(1543).
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