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História geral e do Brasil - Vol 2 Claudio Vicentino-48

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238	 PArA	entender	nosso	temPo:	o	século	XiX
Santa Catarina, onde foi proclamada a 
República Juliana, com o auxílio de 
Davi Canabarro e Giuseppe Gari-
baldi, líder revolucionário italiano que 
participou ativamente do movimento.
Durante o Segundo Reinado, a 
rebelião entrou em declínio, especial-
mente diante da repressão empreen-
dida pelo governo central, comandada 
pelo Barão de Caxias. O acordo de paz 
com o Império garantia anistia geral 
aos revoltosos e o atendimento de al-
gumas reivindicações que originaram 
a revolta. Por sua importante atuação, 
Caxias recebeu o título de “Pacificador 
do Império”.
Reprodução/Museu Júlio de Castilhos, 
Porto Alegre, RS.
A EXClUsãO dOs “FArrApOs”
Não estavam em jogo a organização social, o destino dos 
trabalhadores escravizados e o acesso à terra dos gaúchos delas 
desprovidos.
O comportamento dos chefes farroupilhas diante dos escravos 
revela o conteúdo nulamente libertário da revolta. A Constituição 
republicana era clara: “A República do Rio Grande é a associação 
política de todos os cidadãos rio-grandenses”. Isto é, dos “homens 
livres nascidos no território da república”. Nada mudava no relativo 
à pedra angular da organização social do Império: a escravatura. As 
terras confiscadas aos inimigos da república foram vendidas, arren-
dadas ou entregues para serem exploradas pelos grandes fazen-
deiros republicanos. Jamais foram repartidas entre a tropa miúda 
constituída de ex-escravos e gaúchos.
MAESTRI, Mário. O escravo gaúcho: resistência e trabalho. 
Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 1993. p. 79.
Os excluídos dessa história: 
negros e indígenas
Em muitos aspectos, a vida no Império não se 
distinguia muito da que predominara no período 
colonial. A grande mudança política representada pela 
independência não implicou significativas mudanças 
sociais e econômicas. Exceto pela participação de 
alguns batalhões formados por negros nas guerras de 
independência (entre os quais muitos conseguiram a 
liberdade por isso), os setores da sociedade que eram 
subjugados não viram mudanças expressivas em sua 
condição de vida.
Fora de toda a movimentação política no Rio 
de Janeiro e das capitais das províncias estavam, por 
p	 A	revolução	Farroupilha	resultou	na	tentativa	de	separar	do	império	brasi-
leiro	a	província	do	rio	Grande	do	sul.	observe,	acima,	imagem	comemo-
rativa	da	nova	república,	do	artista	Antonio	Parreiras,	de	1912-1914.
exemplo, os indígenas. Desde o período da colônia, o 
indígena era considerado um obstáculo para o proje-
to de país acalentado pelas elites, um grupo “inferior” 
que atrapalhava as atividades econômicas e que ge-
ralmente não interessava nem como escravo. Os gru-
pos indígenas continuavam sendo alvo constante de 
agressão por parte da sociedade dominante, com a 
participação ou conivência dos organismos estatais.
José Bonifácio e alguns outros humanistas, ao 
mesmo tempo, desejavam promover a integração do 
indígena à sociedade nacional. Os estudos e os debates 
que Bonifácio promoveu tanto nas Cortes de Lisboa 
quanto na sede do poder Legislativo brasileiro após a 
independência, porém, não receberam muita atenção. 
Pelo contrário, o Estado brasileiro preferiu políticas de 
“europeização” da população brasileira, com projetos 
de imigração de suíços e alemães, sendo os primeiros já 
a partir de 1818 e os alemães a partir de 1824, ocupan-
do áreas próximas à capital do Império. Apenas no final 
do século XIX começou a ser questionada com mais 
vigor a ideia até então predominante de que negros e 
indígenas eram inferiores aos europeus.
A atitude desses povos discriminados, contudo, 
não era de passividade. Para além das fronteiras da 
sociedade dominante, ou seja, onde acabava o alcan-
ce do Estado ou dos proprietários, começavam terras 
distantes e relativamente livres para negros, indígenas 
e mestiços, que promoviam saques, atacavam povoa-
ções e faziam emboscadas contra as expedições go-
vernamentais. Os “brancos” viviam, assim, em cons-
tante alerta diante da ameaça de que essa contínua 
guerra sociorracial pudesse espalhar-se e destruir a 
ordem estabelecida.
HGB_v2_PNLD2015_226a246_u2c17.indd 238 3/21/13 4:18 PM
	 A	construção	do	estAdo	brAsileiro	 239
Dom Pedro I seguiu a política 
que seu pai, dom João VI, adotara no 
Brasil, empreendendo uma guerra de 
extermínio contra os Botocudo e os 
Caigangue, para garantir a posse e a 
comunicação entre as províncias do 
sul, envolvendo também o sul de São 
Paulo, que no Segundo Reinado viria 
a se tornar o Paraná. O aldeamento, 
por meio de colônias-presídio para 
índios sobreviventes, foi uma prá-
tica constante de controle que aca-
bava tendo por resultado a morte da 
maioria dos indígenas confinados. Dessa forma, con-
tinuavam século XIX adentro os levantes e confrontos 
de indígenas com a nascente civilização brasileira.
Os africanos e seus descendentes escravizados 
eram um grupo essencial para a sociedade naquele mo-
mento. Isso porque, além de constituir a principal força 
produtiva, realizavam todos os tipos de trabalhos ma-
nuais. Na mentalidade lusitana da época, os trabalhos 
braçais eram aviltantes, e uma pessoa de boa posição 
social nunca poderia ser vista trabalhando, ou mesmo 
carregando alguma mercadoria ou objeto volumoso, o 
que seria considerado uma grande vergonha.
Com o crescimento das cidades, sendo o maior 
exemplo o Rio de Janeiro após a vinda da família real e 
da independência, a figura do escravo de ganho pas-
sou a ser muito comum. Tipicamente urbanos, esses 
escravos desempenhavam vários ofícios, do comércio 
aos serviços de higiene pessoal e saúde. Ao final do 
dia ou da semana, deviam apresentar a seu senhor 
a quantia em dinheiro por ele estipulada, caso con-
trário recebiam castigos físicos severos. A escravidão 
urbana permitia, entretanto, que o escravo obtivesse 
mais dinheiro do que a quantia exigida por seu se-
nhor, e com o tempo pudesse conseguir sua alforria. 
Tornou-se comum que alguns poucos forros (escravos 
alforriados) passassem a ter vários escravos, ou che-
gassem, por exemplo, à condição de oficiais nas forças 
armadas. Nesse caso, o ex-escravo apenas liderava re-
gimentos de negros, o que mostra outra face do pre-
conceito: os soldados não negros não aceitavam ser 
comandados por negros. Um indicador que diferen-
ciava negros forros dos escravos era o uso de sapatos, 
restritos a pessoas livres. Havia punições para escra-
vos que usassem sapatos.
O fenômeno dos quilombos, iniciado no perío-
do colonial, continuou ocorrendo durante o Império. 
Longe de ser uma prática isolada de resistência, o ato 
de fugir e organizar comunidades fora do alcance do 
poder do Estado ou dos senhores era mais regular do 
que se supunha na época.
Os dados citados pelo antropólogo Kabengele 
Munanga10, nascido na República do Congo e radi-
cado no Brasil, demonstram que os quilombos foram 
uma prática de resistência comum e constante, e que 
muitas comunidades remanescentes dos quilombos 
perduram até os dias atuais. 
Existem atualmente em 24 estados do Brasil, 
1,17 milhão de quilombolas. São mais de 200 mil fa-
mílias em diversas comunidades, sendo 1 948 já reco-
nhecidas oficialmente pelo Estado brasileiro.
A constante vigilância das forças policiais con-
tra negros e mestiços também levou a outras formas 
de organização não violentas. Muitos negros aprovei-
tavam as práticas do catolicismo para se reunir e se 
ajudar mutuamente, e ainda para recordar suas tra-
dições africanas sob a forma de irmandades ou con-
frarias. Na confraria de Nossa Senhora do Rosário dos 
Pretos, por exemplo, nas províncias do Nordeste do 
país, realizavam-se festas em que se elegiam e se co- 
roavam os reis do Congo.
Várias revoltas de escravos ocorreram duran-
te o período regencial, e o poder constituído tentava 
precaver-se judicialmente: o Código Criminal de 1830 
previa a pena de morte para oslíderes dessas insurrei-
ções, caracterizadas como tais sempre que reunissem 
20 ou mais cativos em rebelião. Uma lei de junho de 
1835 reforçou o espírito punitivo, determinando julga-
mento sumário e forca para os escravos que atentas-
sem contra a vida de seus senhores, feitores e familia-
res. Mesmo sob essa forte ameaça, as revoltas escra-
vas continuaram acontecendo, como a de Carrancas 
e a dos Malês.
p	 Escravos de Ganho,	aquarela	de	Joaquim	cândido	Guillobel,	1812.
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10 MUNANGA, Kabengele. Origens africanas do Brasil contemporâneo: histórias, línguas, culturas e civilizações. São Paulo: Global, 2009. p. 93.
HGB_v2_PNLD2015_226a246_u2c17.indd 239 3/21/13 4:18 PM
A interação entre o colonizador europeu e os escravizados africanos na América 
portuguesa deu-se nos mais diversos âmbitos. Ela ocorreu tanto nas relações de trabalho, 
no ambiente externo, como nas relações que perpassavam o campo cultural. Dessas 
relações surgiram manifestações peculiares no Brasil colonial, como a festa da coroação 
dos reis negros, que acontecia no interior dos quilombos e entre as irmandades.
inFogrÁFico
a construção de identidade como 
forma de resistência
240
reis do congo
Os	reis	negros,	também	conhecidos	
como	reis	do	Congo,	expressavam	ligações	
simbólicas	entre	os	afro-brasileiros,	seus	
antepassados	e	as	estruturas	políticas	
africanas.	Essas	festas	faziam	referência	
às	chefi	as	ancestrais	africanas	e	aos	
seus	ritos	de	fi	delização	da	comunidade	
para	com	seus	reis	e	rainhas.
discriminAção
As	festividades	realizadas	pelas	comunidades	negras	tiveram	
ora	condenação,	ora	aceitação	pela	administração	senhorial.	
Foram	vistas	com	desconfi	ança,	uma	vez	que	elas	permitiam	
comportamentos	tradicionalmente	proibidos	aos	escravos,	
como	a	manifestação	pública	de	danças	e	cantos.
Mas,	em	alguns	casos,	os	cortejos	de	coroação	de	um	rei	
negro,	organizados	pelas	irmandades	nas	festas	de	seus	
santos	padroeiros,	eram	aceitos	como	forma	de	inserir	
os	escravizados	e	aproximá-los	da	sociedade	colonial.
irmAndAdes
As	irmandades	eram	associações	
religiosas	laicas	que	promoviam	o	
culto	e	a	assistência	solidária	entre	
seus	membros	no	plano	econômico	
e	espiritual.	Também	buscavam	
prover	materialmente	espaços	e	
manifestações,	além	de	prestar	
assistência	a	doentes,	presos	e	
desamparados,	promovendo	ajuda	a	
essas	pessoas	e	prestando	assistência	
em	sepultamentos.	Membros	das	
irmandades	recebiam	os	donativos	que	
iriam	arcar	com	os	custos	das	festas,	
dos	cultos	e	de	toda	a	assistência.
11 SOUZA, Marina de Mello e. Catolicismo negro no Brasil: 
Santos e Minkisi, uma reflexão sobre miscigenação cultural. 
Disponível em: <www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia_n28_
p125.pdf>. Acesso em: 5 nov. 2012.
p	 Festa de Nossa Senhora do Rosário,	de	Johann	moritz	rugendas,	litografia	
presente	na	obra	Viagem pitoresca ao Brasil,	do	início	do	século	XiX.
Coleção particular
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	 241
A FestA
A	festividade	era	animada	por	ritmos	próprios,	
tocados	por	meio	de	instrumentos	africanos	como	
oboés	e	tambores,	acompanhados	por	danças	
típicas,	marcadas	pela	grande	movimentação	
corporal.	Os	participantes	seguiam	o	rei	e	a	rainha,	
que	eram	eleitos	entre	a	comunidade,	e	marchavam	
dançando	e	cantando	versos	feitos	para	a	ocasião.	
Os	indicados	ao	trono	podiam	ser	escravos	livres	
ou	não.	As	roupas	trajadas	pelo	rei,	pela	rainha	e	
por	sua	corte	eram	muito	coloridas,	bem	como	as	
coroas,	cetros	e	outras	insígnias	que	demonstravam	
o	poder	real,	feitas	de	papelão	e	geralmente	
forradas	com	papel	de	cores	vibrantes.
 
 
 
 
 
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π	 Coleta para manutenção da 
Igreja do Rosário por uma 
irmandade negra,	litografi	a	
de	Jean-baptiste	debret.
noVAs identidAdes
Nessa	construção	de	novas	identidades	
estão,	por	exemplo,	os	ajustes	que	as	
imagens	dos	santos	do	culto	católico	
ganharam	dos	cultos	afro-brasileiros,	
com	sentidos	e	papéis	semelhantes	aos	
das	imagens	e	objetos	usados	nas	religiões	
tradicionais	africanas.	“Dessa	forma,	os	
elementos	da	cultura	dominante	de	origem	
europeia,	ao	serem	incorporados	pelas	
comunidades	afrodescendentes,	receberam	
sentidos	por	elas	criados.”11		
p	 comemoração	do	dia	da	consciência	negra,	em	ribeirão	Preto,	sP.	
Foto	de	2011.
Edson Silva/FolhapressCarlos Julião/Fundação Biblioteca 
Nacional/DRD/Divisão de Iconografia
p	 Coroação de um rei nos festejos de 
reis,	aquarela	de	carlos	Julião,	de	
cerca	de	1776.
HGB_v2_PNLD2015_226a246_u2c17.indd 241 3/21/13 4:18 PM
242	 PArA	entender	nosso	temPo:	o	século	XiX
O historiador Marcos Ferreira de Andrade destaca a importân-
cia da revolta, a diversidade étnica e cultural dos participantes e a 
afi rmação de um projeto de liberdade no contexto imperial brasi-
leiro:
Os escravos da família Junqueira se apropriaram, a seu modo, 
do contexto de disputas entre a elite que estava colocado naquele 
instante. Apropriaram-se até mesmo dos apelidos que os membros 
da elite utilizavam para desqualifi car ou enquadrar seus oponentes. 
O depoimento de Maria Joaquina do Espírito Santo, mulher parda, 
agregada e moradora na fazenda Bom Jardim, é revelador, nesse 
aspecto. O grupo de escravos, liderados por Ventura, que se dirigiu 
para aquela fazenda, na noite do dia treze, passou pela casa da tes-
temunha. Depois de ameaçá-la, exigiu que lhes entregasse logo as 
espingardas que havia na casa. Um dos escravos que fazia parte do 
grupo, o preto Antônio Benguela, “pulava no seu terreiro e batia nos 
peitos dizendo para ela e seu companheiro: Vocês não costumam a 
falar nos caramurus, nós somos os caramurus, vamos arrasar tudo”.
ANDRADE, Marcos Ferreira de. Imprensa moderada e escravidão: o debate 
sobre o fim do tráfico e temor do haitinismo no Brasil Regencial (1831-1835). 
Disponível em: <www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos4/
marcosferreiradeandrade.pdf>. Acesso em: 17 nov. 2012.
Ainda que a Revolta de Carrancas fi casse restrita às proprie-
dades da família Junqueira, não deixaria de ser uma história de 
grande importância e mereceria ser resgatada dos papéis velhos 
que, muitas vezes, fi cam escondidos em nossos arquivos à espe-
ra de historiadores curiosos para trazer das sombras do passado 
personagens e histórias esquecidas. Mas essa história é bem mais 
que isso. Trata-se da maior rebelião escrava da província de Minas 
Gerais e que, no contexto das rebeliões regenciais, causou grande 
temor no seio da elite do sudeste escravista do império do Brasil. [...]
[...] o que mais chama a atenção na Revolta de Carrancas foi a 
organização e sucesso do levante enquanto não houve repressão, 
além do número de escravos condenados à pena de morte, superan-
do os da Revolta dos Malês, e a composição étnica variada dos parti-
cipantes. A revolta contou com a participação de cativos de origens 
diversas: crioulos, minas, angolas, benguelas, congos, cassanges e 
moçambiques. Dos 31 escravos indiciados no processo, nove (29%) 
eram crioulos, e 17 (54,8%) oriundos da África Central e dois minas. 
Constata-se a presença signifi cativa de escravos falantes de bantu, 
considerados pela historiografi a como mais acomodados e menos 
afeitos a revoltas, diferente dos “minas” e “nagôs”. A diversidade 
étnica e cultural dos escravos da freguesia de Carrancas não impe-
diu que eles se associassem; pelo contrário, revela a superação de 
tais diferenças para que o projeto de liberdade fosse alcançado [...].
ANDRADE, Marcos Ferreira de. Negros rebeldes nas Minas Gerais: a revolta dos 
escravos de Carrancas (1833). Disponível em: <www.acervos.ufsj.edu.br/site/
fontes_civeis/revolta_carrancas.pdf>. Acesso em: 17 nov. 2012.
A revolta de Carrancas 
(minas Gerais, 1833)
Pouco conhecida na historiografi a, a Revolta de 
Carrancas tem chamado aatenção dos pesquisadores 
pelos autos relativos às penas aplicadas aos escravos 
rebeldes. Foi a maior condenação à pena de morte por 
enforcamento aplicada a escravos no Brasil durante 
o Império: 16, no total. A revolta, pelo clima de ter-
ror instaurado, com a invasão das sedes das fazendas 
e morte de fazendeiros e familiares, é considerada a 
maior revolta escrava da província de Minas Gerais. 
Iniciada na freguesia de Carrancas, região estratégica 
próxima das estradas que ligavam Minas Gerais com 
as províncias de São Paulo e Rio de Janeiro, restringiu-
-se às fazendas da família Junqueira. Seu início, numa 
revolta contra castigos e por liberdade, deu-se em 
meio às disputas políticas regionais entre restaurado-
res (caramurus) e liberais moderados. Entre seus par-
ticipantes, os autos destacam como líder principal o 
escravo Ventura Mina.
nEGrOs rEBEldEs Em minAs GErAis
p	 Africanos	de	diferentes	origens	representados	por	rugendas	em	1835:	à	esquerda,	de	moçambique;	no	
centro,	de	benguela;	e	à	direita,	de	Angola.
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