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História I -39

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Aula 2 – Sociedade Colonial 
 
 
 
 
 
223 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
tempo. Apesar de transformar a sociedade indígena, os jesuítas 
permitiam que algumas práticas culturais desse povo continuassem 
fazendo parte de sua rotina, como o canto e a dança, e ainda 
incentivaram que os índios investissem nessa área, ministrando 
aulas de canto e ensinando-lhes novos instrumentos. 
Não se pode dizer que as missões foram ruins para indígenas e 
nem afirmar que foram boas, a única certeza é que elas alteraram 
o modo de vida e o olhar que o índio tinha sobre a realidade que o 
cercava. Todo o processo de colonização do território brasileiro 
acabou traçando um caminho onde ao final, os índios, verdadeiros 
donos de toda a terra, sairiam dizimados e sem suas raízes 
culturais, com curumins que já não saberiam mais quem eram os 
deuses para quais os seus avós apelavam e quais leis seguiam, 
com filhos que nem bem saberiam qual o idioma de seus pais. 
Hoje o processo inverso acontece no âmbito cultural, os costumes 
indígenas e sua língua são objetos de estudo e passam por um 
resgate, mas a quem pertence suas terras ainda é motivo de 
discussão entre indígenas, agricultores e governo. Talvez os índios 
consigam alcançar o patamar de igualdade algum dia, mas o de 
justiça, não parece estar tão perto. 
 
NEGROS 
Os portugueses já exploravam o mercado africano de escravos, 
precisavam ampliar o negócio, organizando a transferência dessa 
mão-de-obra para o Brasil. Os negros africanos já estavam 
habituados ao trabalho agrícola, ao pastoreio e a utilização de 
ferramentas e instrumentos feitos de metais, fora o lucrativo tráfico 
negreiro. 
Na colônia formaram-se duas classes antagônicas: as do todo-
poderosos senhores de engenho, vivendo na casa grande, e a dos 
negros escravos, na senzala, praticamente inexistindo camadas 
sociais intermediarias. No entanto, “os escravos são as mãos e os 
pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é 
possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho 
corrente”. A frase expressa na obra de Antonil, Cultura e Opulencia 
do Brasil relata o papel do escravo negro na sociedade colonial 
brasileira. 
No começo do século XVI, eram trocados no continente africano 
por aguardente, tabaco, instrumentos de metal e outros objetos de 
pouco valor para os portugueses, mas atraentes para os captores. 
Os principais grupos negros trazidos para o Brasil foram os 
Sudaneses, originários da Nigeria, Daome e Costa do Ouro. Os 
Bantos de Angola, Congo e Moçambique. E os Males sudaneses 
islamizados. 
Cerca de 40% dos negros escravos morriam durante a viagem nos 
porões dos navios negreiros. E apesar, da grande resistência 
sobreviviam em média na colônia de 7 a 10 anos. Praticamente 
toda a riqueza produzida na colônia era fruto do trabalho escravo. 
Os negros conviviam com um pequeno número de trabalhadores 
assalariados, cuja função era vigia-los e realizar trabalhos que 
exigiam certos conhecimentos técnicos. Essa situação obedecia ao 
espírito do capitalismo comercial, que visava obter o Máximo de 
lucros com o mínimo de gastos. 
 
RESISTENCIA ESCRAVA 
Contra os atos de rebeldia aplicavam-se as mais variadas torturas. 
Os negros podiam ser colocados no vira-mundo, instrumento de 
ferro no qual amarravam mãos e pés. Em outras ocasiões 
recebiam açoites com o bacalhau ou chicote de couro cru. Os atos 
considerados mais graves eram punidos com a castração, 
amputação de seio ou quebra de dentes a marteladas. 
As condições de vida nas minas chegavam a ser piores que nos 
canaviais, nas minas a média de vida de um escravo girava entre 2 
e 5 anos. 
O contrabando de ouro era uma das formas utilizadas pelos negros 
para obter dinheiro para comprar sua alforria. As fugas e a 
formação de quilombos. A historiografia tradicional normalmente 
não se referia às formas de resistência escrava. Essa omissão foi 
facilitada pela escassez de documentos sobre as rebeliões e pela 
visão eurocêntrica, que acaba por criar uma falsa ideia de 
passividade e resignação do povo brasileiro. 
No entanto, encontram-se indícios de variadas formas de luta dos 
negros. A fuga, o suicídio, a execução de brancos são algumas 
dessas manifestações. 
Tanto o Banzo, conhecido como nostalgia africana, era uma forma 
de reação dos negros escravos. Não se identificando com o mundo 
para o qual fora trazido, o negro entrava em profunda depressão, 
recusando-se a comer e definhando até a morte. Mas a maior 
ameaça para a ordem colonial era certamente a reação coletiva. As 
fugas em massa geralmente resultavam na formação de 
quilombos. Nessas comunidades, os negros procuravam 
reorganizar sua vida como na África. 
O mais importante reduto de luta contra a escravidão em toda a 
história brasileira foi o quilombo de Palmares (1600-1695). 
Liderados inicialmente por Ganga Zumba e depois por Zumbi, os 
negros formaram em Alagoas e no sul de Pernambuco um 
verdadeiro Estado. Devido à momentânea desorganização da 
produção açucareira e da sociedade patriarcal além da invasão 
holandesa ampliou bastante a população do quilombo. Agregando 
cerca de 20 mil escravos foragidos. 
 
CULTURA AFRICANA 
Moleque, quiabo, fubá, caçula e angu. Cachaça, dengoso, quitute, 
berimbau e maracatu. Todas essas palavras do vocabulário 
brasileiro têm origem africana ou referem-se a alguma prática 
desenvolvida pelos africanos escravizados que vieram para o 
Brasil durante o período colonial e imperial. Elas expressam a 
grande influência africana que há na cultura brasileira. 
A existência da escravidão no Brasil durante quase quatrocentos 
anos, além de ter constituído a base da economia material da 
sociedade brasileira, influenciou também sua formação cultural. A 
miscigenação entre africanos, indígenas e europeus é a base da 
formação populacional do Brasil. Dessa forma, a matriz africana da 
sociedade tem uma influência cultural que vai além do vocabulário. 
O fato de as escravas africanas terem sido responsáveis pela 
cozinha dos engenhos, fazendas e casas-grandes do campo e da 
cidade permitiu a difusão da influência africana na alimentação. 
São exemplos culinários da influência africana o vatapá, acarajé, 
pamonha, mugunzá, caruru, quiabo e chuchu. Temperos também 
foram trazidos da África, como pimentas, o leite de coco e o azeite 
de dendê. 
No aspecto religioso os africanos buscaram sempre manter suas 
tradições de acordo com os locais de onde haviam saído do 
continente africano. Entretanto, a necessidade de aderirem ao 
catolicismo levou diversos grupos de africanos a misturarem as 
religiões do continente africano com o cristianismo europeu, 
processo conhecido como sincretismo religioso. São exemplos de 
participação religiosa africana o candomblé, a umbanda, a 
quimbanda e o catimbó. 
Algumas divindades religiosas africanas ligadas às forças da 
natureza ou a fatos do dia a dia foram aproximadas a personagens 
do catolicismo. Por exemplo, Iemanjá, que para alguns grupos 
étnicos africanos é a deusa das águas, no Brasil foi representada 
por Nossa Senhora. Xangô, o senhor dos raios e tempestades, foi 
 
 
 
 
 224 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL – (Prof. Márcio Michiles) 
representado por São Jerônimo. 
O samba, afoxé, maracatu, congada, lundu e a capoeira são 
exemplos da influência africana na música brasileira que 
permanecem até os dias atuais. A música popular urbana no Brasil 
Imperial teve nos escravos que trabalhavam como barbeiros em 
Salvador e Rio de Janeiro uma de suas mais ricas expressões. 
Instrumentos como o tambor, atabaque, cuíca, alguns tipos de 
flauta, marimba e o berimbau também são heranças africanas que 
constituem parte da cultura brasileira. Cantos, como o jongo, ou 
danças, como a umbigada, são também elementos culturais 
provenientes dos africanos. 
Historiadores como João José Reis chegam a afirmar que essa 
cultura da diáspora negra,essa cultura dos africanos saídos do 
continente, caracterizada pelo otimismo, pela coragem, 
musicalidade e ousadia estética e política, foi incomparável no 
contexto da chamada Civilização Ocidental. Como não foi fácil a 
vida em terras americanas, precisando lutar para sobreviver, a 
criação cultural “com a expressão de liberdade que a cultura negra 
possui” foi “um lutar dobrado” para imprimir na cultura brasileira sua 
influência. 
 
SENHORES DE ENGENHO 
A opulência e o requinte atribuídos ao modo de vida dos senhores 
coloniais brasileiros não são reais. Os senhores tinham casas 
simples, pobres, acanhadas e vazios de objetos. Com a 
transferência da corte real no século XIX a riqueza passou a ser 
mais detalhada pelo interior das suas residências. No período 
colonial era a quantidade de escravos ou agregados que mediam o 
prestigio e status quo. Ou os trajes e objetos que pudessem ser 
observados em público. A falsa opulência foi melhor analisada pela 
historiografia que desconfiava da veracidade dos relatos 
exagerados das riquezas das famílias aristocráticas brasileiras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 2 – Sociedade Colonial 
 
 
 
 
 
225 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
CONFISSÃO DE FERNÃO RIBEIRO, ÍNDIO DO BRASIL, EM 12 DE AGOSTO DE 1591: 
"Por querer confessar sua culpa, ser do gentio desta Bahia, e não saber a língua portuguesa, esteve 
presente o padre Francisco de Lemos, religioso da Companhia de Jesus, como intérprete. (...) 
E confessando-se, contou que há dois anos disse-lhe um outro gentio, de nome Simão, que os 
cristãos que comungam (...) são os homens mais virtuosos. Então ele, confessante, respondeu ao dito 
Simão que naquele Sacramento de comunhão estava a morte, e que quem comungava recebia a 
morte [muitos índios associavam este sacramento à morte porque, por vezes, ele era ministrado a 
moribundos]. Depois de o ter dito ficou muito arrependido e lhe pesou muito o Diabo lhe fazer dizer tão 
ruim palavra. 
Contou ainda que, sabendo do ocorrido, o padre superior de sua aldeia, João Alvares, da Companhia 
de Jesus, que tem cuidado de os doutrinar e instruir na fé, o prendeu e penitenciou na igreja, fazendo-
o pedir perdão a todos e aplicando-lhe castigos, ao que ele, confessante, satisfez (...). " 
(Adaptado de Vainfas, Ronaldo (org.) CONFISSÕES DA BAHIA. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. P.81-2) 
 
O texto anterior registra uma das inúmeras confissões que, entre julho de 1591 e fevereiro de 1592, os 
moradores da cidade de Salvador e do Recôncavo Baiano prestaram à Visitação do Santo Ofício da 
lnquisição de Lisboa. A respeito dos jesuítas: 
a) que os jesuítas eram contrários à escravidão dos indígenas e dos africanos, posição que provocou 
conflitos constantes com o governo português. 
b) um dos momentos cruciais da crise entre o governo português e a Companhia de Jesus, que 
culminou com a expulsão dos jesuítas do território brasileiro. 
c) que o ponto fundamental dos confrontos entre os padres jesuítas e os colonos referia-se à 
escravização dos indígenas e, em especial, à forma de atuar dos bandeirantes. 
d) aconteceram episódios isolados como a ação do padre Vieira na luta contra a escravização 
indígena no Estado do Maranhão, que evitava a ação dos bandeirantes para caçar os nativos. 
e) que os padres jesuítas, em oposição à ação dos colonos paulistas, contavam com o apoio do 
governo português na luta contra a escravização indígena. 
 
Questão 02 
1) Antropofagia foi a deglutição, em 1556, do bispo Sardinha pelos índios caetés. 
(Gilberto Cotrim) 
 
2) Antes de os portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade. 
(Oswald de Andrade) 
 
3) Que diferença enorme existe entre as duas humanidades: uma em explosão, na qual é preciso um 
aparato, um sistema repressivo para manter a ordem e a paz; outra tranquila, em que o homem é 
senhor de todos os seus atos. Se um indivíduo der um grito no centro de São Paulo, uma radiopatrulha 
poderá levá-lo preso. Se um índio der um tremendo berro no meio da aldeia, ninguém olhará para ele, 
nem irá perguntar por que ele gritou. O índio é um homem livre. 
(Orlando Vilas-Boas. Adaptado.) 
 
Os trechos apresentados suscitam reflexões sobre a ação colonizadora dos portugueses no Brasil. 
Identifique uma interpretação correta relacionada com essa colonização e com o pensamento dos 
autores. 
a) Após a chegada dos portugueses ao Brasil, as sociedades indígenas continuaram a viver em 
perfeita harmonia com a Natureza e entre si, conforme se pode depreender das palavras de Gilberto 
Cotrim e de Orlando Vilas-Boas. 
b) Gilberto Cotrim e Orlando Vilas-Boas confirmam a veneração dos indígenas brasileiros pelos 
jesuítas, que não pouparam esforços para catequizar os indígenas e impedir que eles fossem 
escravizados. 
c) Orlando Vilas-Boas reforça a tese de que o sistema colonial teve caráter repressivo, recorrendo à 
escravidão negra para manter as nações indígenas livres e acessíveis ao trabalho catequético dos 
jesuítas. 
d) O fato descrito por Gilberto Cotrim reforça a ideia de que os índios resistiram à dominação europeia 
e de fenderam, como expressam Oswald de Andrade e Orlando Vilas-Boas, a liberdade de sua 
organização social. 
e) Os três autores defendem a tese de que os índios eram desprovidos de organização social e 
política, já que não possuíam normas institucionais e valores que limitassem seus atos de liberdade. 
Anotações 
 
 
 
 
 
 226 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL – (Prof. Márcio Michiles) 
Questão 03 
Com base nesta representação cartográfica do Brasil e em outros conhecimentos sobre o assunto, 
pode-se considerar que: 
 
a) o Brasil era visto como uma terra cuja economia se apoiava na agricultura. 
b) os europeus realizavam o escambo do pau-brasil, utilizando para tanto a mão-de-obra indígena. 
c) indígenas e africanos, na época em que o mapa foi confeccionado, eram utilizados pelos europeus 
como trabalhadores escravos. 
d) a representação de navios europeus e de animais nativos sugere o contrabando de espécimes da 
fauna silvestre brasileira. 
e) os indígenas brasileiros costumavam escravizar membros de tribos inimigas. 
 
Questão 04 
Á língua deste gentio toda pela costa é, uma: carece de três letras - não se acha nela F, nem L, nem 
R, cousa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei; e desta maneira vivem sem 
justiça e desordenadamente. 
Estes índios andam nus sem cobertura alguma, assim machos como fêmeas; não cobrem parte 
nenhuma de seu corpo, e trazem descoberto quanto a natureza lhes deu. (...). Não há como digo entre 
eles nenhum Rei, nem justiça, somente cada aldeia tem um principal que é como capitão, ao qual 
obedecem por vontade e não por força; (...) [e que] não castiga seus erros nem manda sobre eles 
cousa contra sua vontade". 
(GANDAVO, Pero de Magalhães. Tratados da Terra do Brasil. História da província Sta. Cruz. Belo Horizonte / 
São Paulo: Itatiaia/Edusp., 1980). 
 
Sobre a sociedade indígena e suas práticas com os portugueses no período colonial brasileiro é 
possível inferir corretamente que: 
a) A busca da compreensão da cultura indígena era a maior preocupação do colonizador. 
b) A desorganização social dos indígenas se refletia no idioma e na escrita complexa. 
c) A diferença cultural entre nativos e colonos era atribuída à inferioridade do indígena. 
d) A língua dos nativos era caracterizada pela diversidade gramatical e fonética. 
e) Os signos e símbolos dos nativos da costa marítima eram homogêneos. 
 
Questão 05 
A imagem da gravura retrata uma percepção europeiasobre os comportamentos das tribos indígenas. 
A respeito do tema da gravura e seus conhecimentos é possível inferir que: 
 
Canibais de Theodore Bry, 1593 
Anotações 
 
Aula 2 – Sociedade Colonial 
 
 
 
 
 
227 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
a) A prática do canibalismo entre os autóctones era a principal característica de sua cultura. 
b) A imagem retrata indígenas comendo partes de corpos humanos esquartejados enquanto um 
observador europeu demonstra prazer com a cena. 
c) A carne humana consumida pelos índios tupi era exclusivamente de inimigos mortos em combate e 
se dava em ritual com participação de toda a tribo. 
d) A expressão da barbárie indígena, presente no desenho de Theodor de Bry, revela o imaginário 
europeu do século XVI. 
e) O ritual antropofágico reunia toda a tribo, quando homens, mulheres e crianças, além dos 
guerreiros, deveriam comer a carne do inimigo morto. 
 
Questão 06 
José de Anchieta, missionário jesuíta, veio da Europa, no século XVI, com o objetivo de evangelizar as 
populações indígenas no Brasil. Acerca dos índios, assim ele escreveu: “Pouco se pode obter deles se 
a força do braço secular não acudir para domá-los. Para esse gênero de gente não há melhor 
pregação do que a espada e a vara de ferro.” 
(Apud COTRIM, Gilberto. História e consciência do Brasil. São Paulo: Saraiva, 1997. p. 28.) 
 
O depoimento citado expressa ideias que serviram de base para o(a): 
a) projeto de manutenção da cultura dos povos nativos levado a cabo pela Companhia de Jesus, 
apesar do conflito com as autoridades coloniais. 
b) tratamento dado pelos portugueses aos povos nativos, proibindo sua escravização em todo o 
território da colônia e importando africanos para a lavoura açucareira. 
c) política da Coroa portuguesa, que reunia os nativos nas reduções ou aldeamentos, onde ficavam a 
salvo dos ataques dos colonos interessados em sua escravização. 
d) conquista dos povos nativos, impondo-lhes o idioma, a religião, o direito e o modelo econômico e 
político dominante entre os europeus. 
 
Questão 07 
Sobre a relação entre o uso da língua e as formas de dominação no cotidiano do Brasil Colonial, 
considere as afirmativas abaixo, assinalando com V a(s) verdadeira(s) e com F a(s) falsa(s). 
( ) A tolerância com as “línguas gerais” dos índios ocorreu como forma de viabilizar a ocupação do 
território pela catequese, pelas bandeiras, pelo comércio e pelas alian- ças necessárias, para combater 
a presença de outros europeus, como espanhóis e franceses, que também buscavam ocupar as terras 
do Brasil. 
( ) A mistura de etnias, portanto, das línguas dos africanos, era prática corrente do tráfico negreiro e 
mantinha-se nos engenhos, como forma de dificultar a associação entre escravos e, dessa forma, 
diminuir o risco de revoltas. Assim sendo, não houve desenvolvimento das línguas africanas. 
( ) A imposição da língua portuguesa no Brasil só ocorreu, realmente, a partir do século XVIII, com a 
racionalização administrativa do governo do Marquês de Pombal. Uma de suas principais medidas de 
controle sobre a Colônia foi a obrigatoriedade do uso do português no cotidiano com a proibição do 
uso das demais línguas. A sequência correta é: 
 
a) V F V. b) V V F. c) V F F. d) F V V. e) F F V. 
 
Questão 08 
No século XVI, o alemão Hans Staden, durante vários meses prisioneiro dos tupinambás (uma das 
tribos do grupo tupi), comenta: 
“[...] quando querem construir suas choças, reúne o chefe um grupo de cerca de quarenta homens e 
mulheres, quantos pode conseguir, sendo usualmente seus amigos e parentes que edificam uma 
cabana.” 
STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1974. p. 155. 
 
Esse comentário ilustra o fato de que, na sociedade tribal, à época da chegada dos europeus à 
América, 
a) o acúmulo de excedentes econômicos era mínimo, e, por conseguinte, as trocas de produtos entre 
as tribos ocorriam raramente e em escala reduzida. 
b) a cooperação entre vizinhos do mesmo grupo, ou até mesmo de outros grupos locais, constituía um 
dos pilares da sua organização social. 
c) a distribuição de bens e serviços, nas sociedades indígenas, era determinada por uma série de 
regras semelhantes às existentes numa economia de mercado. 
d) o acesso à propriedade da terra era reservado ao chefe tribal e a sua família, devendo o restante 
dos membros ceder a força de trabalho para o cultivo. 
Anotações 
 
 
 
 
 
 228 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL – (Prof. Márcio Michiles) 
Questão 09 
Entre as várias formas de resistência do negro ao regime escravista no Brasil Colonial encontramos os 
quilombos. Palmares, o maior exemplo de grande quilombo, possuía uma organização econômica que 
apresentava as seguintes características: 
a) agricultura policultora como principal atividade, organizada com base num sistema de sesmarias 
semelhante ao dos engenhos, que visava o consumo local e a comercialização do excedente. 
b) agricultura monocultora, que visava a comercialização, e caça, pesca, coleta e criação de gado para 
o consumo interno. 
c) agricultura policultora realizada em pequenos roçados das famílias, e um sistema de trabalho 
cooperativo que produzia excedentes comercializados na região, além da extração vegetal e da 
criação para a subsistência. 
d) atividades extrativas, pecuária bovina e caprina para atender o consumo local, e fabricação de 
farinha, aguardente e azeite para a comercialização. 
e) criação de animais, caça, pesca e coleta para a subsistência, e agricultura monocultora que 
concorria com a produção dos engenhos. 
 
Questão 10 
“No navio em que saímos de Angola (…) conheci um velho que afirmava ter sido amigo de meu pai. 
Ele recordou- me que na nossa língua (e em quase todas as outras línguas da África ocidental) o mar 
tem o mesmo nome que a morte: Calunga. Para a maior parte dos escravos, portanto, aquela jornada 
era uma passagem através da morte”. 
(José Eduardo Agualusa, Nação Crioula) 
 
O fragmento anterior refere-se a um aspecto da tradição cultural da África ocidental, que os 
contingentes de escravos trazidos para o Brasil trouxeram consigo. Trata- se da ideia de que: 
a) a escravidão era considerada de uma forma positiva, havendo seitas místicas que viam no cativeiro 
uma possibilidade de renascimento. 
b) a tradição católica foi incorporada pelos africanos, comparando-se a travessia do Atlântico com o 
episódio bíblico do Êxodo. 
c) a escravidão era impossível na África, local de vida, sendo apenas tolerada pelos africanos na 
América. 
d) a vida deixada na África era a única vida possível, sendo a travessia do Atlântico já considerada 
uma morte. 
e) a influência islâmica na África negra via na América local de ressurreição, equivalente ao paraíso 
muçulmano. 
 
Questão 11 
A escravidão indígena adotada no início da colonização do Brasil foi progressivamente abandonada e 
substituída pela africana entre outros motivos, devido: 
a) ao constante empenho do papado na defesa dos índios contra os colonos. 
b) à bem-sucedida campanha dos jesuítas em favor dos índios. 
c) à completa incapacidade dos índios para o trabalho. 
d) aos grandes lucros proporcionados pelo tráfico negreiro aos capitais particulares e à Coroa. 
e) ao desejo manifestado pelos negros de emigrarem para o Brasil em busca de trabalho. 
 
Questão 12 
As relações escravistas de produção marcaram o período colonial brasileiro. Sobre a utilização do 
trabalho escravo, podemos afirmar que: 
a) o trabalho negro era de baixa produtividade, mas a forte procriação remunerava os investimentos 
realizados na compra de escravos. 
b) a organização tribal dos negros africanos evitava o seu aprisionamento, constituindo-seem um 
empecilho para as trocas comerciais. 
c) articulava-se numa estrutura comercial onde a aquisição de escravos permitia o barateamento da 
produção de produtos tropicais. 
d) o trabalho escravo era economicamente menos rentável que o trabalho indígena, que possibilitava a 
existência de um mercado interno na colônia. 
e) os senhores de engenho brasileiros e a burguesia comercial intermediária favoreceram a 
acomodação inter-racial existente no Brasil-Colônia, possibilitando a organização dos negros. 
 
Questão 13 
"Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível 
fazer, conservar e aumentar fazenda." 
(Antonil, CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL, 1711, livro 1, Capítulo, IX). 
Anotações

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