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14 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) Assinale a alternativa INCORRETA quanto aos recursos estilísticos das respectivas frases. a) I - Polissíndeto b) II - Elipse do artigo c) III - Silepse d) IV - Metáfora e) V - Onomatopeia EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 É terminantemente proibido animais circulando nas áreas comuns a todos, principalmente para fazerem suas necessidades fisiológicas no jardim do condomínio, onde pode por em risco a saúde das crianças que alí brincam descalças. (Extraído de um RELATÓRIO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS da administração de um prédio.) (Ita) Assinale a opção que apresenta as figuras de linguagem presentes no texto: a) Pleonasmo e eufemismo. b) Metonímia e eufemismo. c) Pleonasmo e polissíndeto. d) Pleonasmo e metonímia. e) Eufemismo e polissíndeto. Questão 02 (Espm 2011) Hipálage, segundo Massaud Moisés, “designa um expediente retórico próprio da poesia, mediante o qual uma palavra troca o lugar que logicamente ocuparia na sequência frásica por outro, junto de um termo ao qual se vincula gramaticalmente.” Em todas as frases abaixo, ocorre essa figura de linguagem, exceto em uma. Assinale-a: a) “uma alvura de saia moveu-se no escuro” (Eça de Queirós) b) “Mandados da rainha, que abundantes / Mesas de altos manjares excelentes” (Camões) c) “apetite necrófago da mosca” (Augusto dos Anjos) d) “o riscar dos fósforos espavoridos” (Clarice Lispector) e) “de um povo heroico o brado retumbante” (Osório Duque Estrada) Questão 03 (Espm 2012) Na frase: “Mais vale escrever a coisa certa com as palavras erradas que escrever a coisa errada com as palavras certas.”, está presente um procedimento chamado QUIASMO. Essa figura retórica se baseia: a) no cruzamento de frases ou termos, invertidos simetricamente como num espelho. b) na fusão ou união de vocábulos opostos, gerando uma ideia contraditória, absurda. c) na aproximação de palavras antitéticas ou de pensamentos antagônicos. d) num rodeio da frase para se chegar indiretamente ao termo ou ideia. e) na repetição de palavras ou ideias para dar ênfase ou realce. Questão 04 Argumento (Paulinho da Viola) Tá legal Eu aceito o argumento Mas não me altere o samba tanto assim Olha que a rapaziada está sentindo a falta De um cavaco, de um pandeiro Ou de um tamborim. Sem preconceito Ou mania de passado Sem querer ficar do lado De quem não quer navegar Faça como um velho marinheiro Que durante o nevoeiro Leva o barco devagar Argu (FGV-RJ 2015) Ao empregar, na letra da canção, o verbo “navegar” em sentido metafórico e desdobrar esse sentido nos versos seguintes, o compositor recorre ao seguinte recurso expressivo: a) alegoria. b) personificação. c) hipérbole. d) eufemismo. e) pleonasmo. Questão 05 (Ifsp 2013) Leia o texto abaixo. Sem vós, ninfas do Tejo e do Mondego, Por caminho tão árduo, longo e vário! Vosso favor invoco, que navego Por alto mar, com vento tão contrário Que, se não me ajudais, hei grande medo Que o meu fraco batel se alague cedo. (www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000162.pdf. Acesso em: 04.12.2012.) A estrofe acima pertence ao canto VII d’Os lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Nele, observamos a figura de linguagem denominada anástrofe, que consiste na mudança da ordem direta dos termos da oração. Assinale a alternativa em que se observa essa ocorrência. a) vós, ninfas do Tejo e do Mondego b) Por caminho tão árduo, longo e vário! c) Vosso favor invoco d) que navego / Por alto mar e) com vento tão contrário / Que, se não me ajudais Questão 06 TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES Sempre desconfiei Sempre desconfiei de narrativas de sonhos. Se já nos é difícil recordar o que vimos despertos e de olhos bem abertos, imagine- se o que não será das coisas que vimos dormindo e de olhos fechados... Com esse pouco que nos resta, fazemos reconstituições suspeitamente lógicas e pomos enredo, sem querer, nas ocasionais variações de um calidoscópio. Me lembro Aula 2 - Figuras de Linguagem II 15 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência de que, quando menino, minha gente acusava-me de inventar os sonhos. O que me deixava indignado. Hoje creio que ambas as partes tínhamos razão. Por outro lado, o que mais espantoso há nos sonhos é que não nos espantamos de nada. Sonhas, por exemplo, que estás a conversar com o tio Juca. De repente, te lembras de que ele já morreu. E daí? A conversa continua. Com toda a naturalidade. Já imaginaste que bom se pudesses manter essa imperturbável serenidade na vida propriamente dita? (Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo. São Paulo: Globo,1995) (Insper 2014) Infere-se que a principal justificativa para a expressão contida no título e no primeiro período do texto é: a) Na reconstituição dos sonhos, a mente reorganiza de maneira coerente o que se consegue lembrar. b) Habitualmente, os sonhos apenas refletem a incoerência dos fatos naturais da vida. c) Tal como na montagem de um quadro com peças soltas e sem sentido, os sonhos são ilógicos. d) Os adultos não encaram com seriedade os sonhos das crianças, mesmo quando esses são coerentes. e) Sendo incapaz de recordar os sonhos, a mente humana inventa histórias fantasiosas. Questão 07 (Insper 2014) Em “Hoje creio que ambas as partes tínhamos razão”, o autor recorre a uma figura de construção, que está corretamente explicada em a) silepse, por haver uma concordância verbal ideológica. b) elipse, por haver a omissão do objeto direto. c) anacoluto, por haver uma ruptura na estrutura sintática da frase. d) pleonasmo, por haver uma redundância proposital em “ambas as partes”. e) hipérbato, por haver uma inversão da ordem natural e direta dos termos da oração. Questão 08 (Espm 2006) O escritor Paulo Lins em seu romance "Cidade de Deus" expressa o avanço da violência no Brasil, nas últimas décadas, com a frase: "Falha a fala. Fala a bala." Nas duas frases só NÃO se pode identificar a seguinte figura de linguagem: a) Paronomásia, pelo trocadilho ou jogo de palavras com apelo sonoro. b) Aliteração, pela repetição de fonemas consonantais. c) Assonância, pela repetição da vogal "a". d) Perífrase, pela substituição de "violência" por um dos elementos que a compõe (bala). e) Personificação, pela característica humana atribuída à "bala". Questão 09 (G1 - cps 2014) Analise a charge considerando que o personagem de terno seja o dono da empresa aérea. Nessa charge, identifica-se a figura de linguagem a) antítese, já que os comissários de bordo apresentam reação idêntica ao saberem da demissão. b) personificação, visto que o objetivo principal da charge é criar uma cena divertida e plena de humor. c) hipérbole, pois há um exagero na solução drástica encontrada pelo dono da empresa para demitir os comissários. d) metonímia, porque se percebe a indiferença do dono da empresa perante a sensação de terror da tripulação. e) eufemismo, pois o dono da empresa resolve, sem sutileza, como cortar parte dos funcionários da empresa aérea. Questão 10 BEM NO FUNDO 1no fundo, no fundo, bem lá no fundo, 2a gente gostaria de ver 3nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela − silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013. (Uerj 2015) no fundo, no fundo, bemlá no fundo, (ref. 1) Nesses versos iniciais do poema, a repetição de palavras e o emprego do vocábulo “bem” produzem um efeito de: a) ênfase b) eufemismo c) enumeração d) ambiguidade e) paradoxo Questão 11 (Mackenzie 2003) Analisando os elementos constitutivos da tira, percebe-se: a) O tigre é irônico ao tecer seus comentários sobre o processo no último quadrinho. b) O menino demonstra falta de consciência sobre o que pode ser considerado normal e o que pode ser considerado desvio na língua. 16 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) c) A expressão facial do menino nos dois primeiros quadrinhos evidencia sua apreensão por constatar que "verbar", apesar de ser gostoso, "esquisita o idioma". d) O tigre demonstra desespero em relação às novidades linguísticas introduzidas pelo garoto. e) Tanto o menino quanto o tigre preveem consequências desastrosas para o idioma advindas da prática de "verbar palavras". Questão 12 (G1 - cps 2015) Leia este fragmento do poema A lua foi ao cinema, do escritor Paulo Leminski. “A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado, a história de uma estrela que não tinha namorado. Não tinha porque era apenas uma estrela bem pequena, dessas que, quando apagam, ninguém vai dizer, que pena! (...)” (http://tinyurl.com/n4oljo7 Acesso em: 24.07.2014. Adaptado) A figura de linguagem predominante nesse poema é a) hipérbole, pois a palavra estrela foi empregada para suavizar um termo. b) pleonasmo, pois a palavra história apresenta o mesmo sentido de incidente. c) sinestesia, pois a felicidade da estrela é tratada com indiferença pelo poeta. d) catacrese, pois a palavra pena foi empregada inadequadamente, num sentido impróprio. e) personificação, pois a lua vivencia uma situação que é própria dos seres humanos. Questão 13 (G1 - ifce 2016) Analise os trechos de músicas a seguir levando em consideração as figuras de linguagem. I. “Não existiria som se não houvesse o silêncio / Não haveria luz se não fosse a escuridão / A vida é mesmo assim / Dia e noite, não e sim.” (Lulu Santos/Nelson Mota) II. “Chove chuva, chove sem parar” (Jorge Ben Jor) III. “Mentes tão bem que parece verdade, o que você me fala / Vou acreditando” (Zezé Di Camargo e Luciano) IV. “Te trago mil rosas roubadas / Pra desculpar minhas mentiras / Minhas mancadas” (Cazuza) Indica a correspondência correta a alternativa a) I. Paradoxo, II. Aliteração, III. Ironia, IV. Sinestesia. b) I. Pleonasmo, II. Anacoluto, III. Metáfora, IV. Hipérbole. c) I. Antítese, II. Comparação, III. Ironia, IV. Hipérbole. d) I. Antítese, II. Pleonasmo, III. Ironia, IV. Hipérbole. e) I. Metáfora, II. Polissíndeto, III. Zeugma, IV. Hipérbole. Questão 14 (Ufscar 2008) Eu tinha o medo imediato. E tanta claridade do dia. O arrojo do rio e só aquele estrape*, e o risco extenso d'água, de parte a parte. Alto rio, fechei os olhos. Mas eu tinha até ali agarrado uma esperança. Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar, e aí ir seguindo, até sobre se sair no seco. Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse: - "Esta é das que afundam inteiras. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau-d'óleo não sobrenadam..." Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto, boas canoas boiantes, de faveira ou tamboril, de imburana, vinhático ou cedro, e a gente tinha escolhido aquela... Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra! (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, p. 88-89.) * instrumento de tortura Diz Alfredo Bosi a respeito de Guimarães Rosa: "'Grande Sertão: Veredas' e as novelas de 'Corpo de Baile' incluem e revitalizam recursos da expressão poética: células rítmicas, aliterações, onomatopeias, rimas internas, ousadias mórficas, elipses, cortes e deslocamentos de sintaxe, vocabulário insólito, arcaico ou de todo neológico, associações raras, metáforas, anáforas, metonímias, fusão de estilos, coralidade". (Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira, p. 430.) a) De qual dos recursos enumerados Guimarães Rosa faz uso no trecho "Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse"? Explique. b) Com qual desses recursos pode ser associada a frase "Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!"? Questão 15 (Eear 2017) Leia: I. “As derrotas e as frustrações são amargas”. II. “O rio tinha entrado em agonia, após tantos meses sem chuva”. III. “As crianças cresceram, no devagar depressa do tempo”. IV. “Maria Joaquina completava quinze primaveras”. As figuras de linguagem encontradas nos textos acima são, respectivamente, a) metáfora, metonímia, paradoxo e prosopopeia. b) antítese, prosopopeia, metáfora e metonímia. c) metonímia, metáfora, prosopopeia e antítese. d) metáfora, prosopopeia, paradoxo e metonímia. e) comparação, personificação, antítese e metáfora. CURSO ANUAL DE LITERATURA Prof. Steller de Paula – VOLUME 1 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência AULA 3 - TROVADORISMO 1.1) Contexto Histórico: Idade Média - Feudalismo Durante a Idade Média, a Igreja Católica acumulou vastas extensões de terra, enriqueceu e exerceu um imenso poder religioso e secular. No período conhecido como Alta Idade Média (séculos XII e XIII), o poder da Igreja medieval era tão grande a ponto do papa Inocêncio III (século 1198-1216) afirmar que “Os príncipes têm poder na terra, os sacerdotes, sobre a alma. E assim como a alma é muito mais valiosa do que o corpo, assim também mais valioso é o clero do que a monarquia [...]. Nenhum rei pode reinar com acerto a menos que sirva devotamente ao vigário de Cristo.". PERRY, Marvin. Civilização ocidental: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 1985. p 218. A Igreja impôs uma ideologia teocêntrica, estimulando os fieis a acreditarem que viviam no pecado e que a possibilidade de salvação residia na total submissão a Deus e à Igreja, sua representante no mundo. *Teocentrismo: refere-se a uma visão de mundo cristã, que afirma a perfeição e a superioridade de Deus. Assim, Deus seria o fundamento de tudo e responsável por todas as coisas. Outra manifestação do poder da Igreja manifestava-se no controle quase absoluto da produção cultural da época, uma vez que a leitura e a escrita estavam restritas aos mosteiros e abadias: cabia a monges e padres traduzir e reproduzir os textos sagrados do cristianismo e as obras de filósofos clássicos, como Platão e Aristóteles. No entanto a circulação desses textos era restrita, pois a Igreja proibia a circulação de obras que ameaçassem seu poder, além de contar com o fato de que apenas dois por cento da população da Europa era alfabetizada. Nesse contexto, a sociedade organizava-se ao redor dos grandes proprietários de terra, os senhores feudais, em torno dos quais se reunia uma pequena corte: membros de uma nobreza empobrecida, cavaleiros, camponeses livres e servos, unidos por uma relação de vassalagem. As relações entre nobres, cavaleiros e senhores feudais eram regidas por um código de cavalaria baseado na lealdade, na honra, na bravura e na cortesia. 1.2) A Literatura Trovadoresca O nascimento da literatura em Portugal coincide com o nascimento do próprio país. Em 1140, Portugal tornou-se um estado independente, mas manteve uma forte ligação cultural com a península Ibérica, principalmente através da língua: o galego- português. E é na corte dos reis portugueses, galegos e castelhanos que a poesia galego-portuguesa floresce. Nas cortes dos senhores feudais, centros de atividades artísticas durante a Idade Média, cantadores e músicos eram contratados pelo senhorpara divertir a corte. As cantigas apresentadas eram compostas, quase sempre, por nobres que se denominavam “trovadores”. 1.3) As Cantigas Líricas são divididas em: Cantigas de Amor e Cantigas de Amigo. a) Cantigas de Amor: O servilismo dos vassalos ao seu suserano e de todos a Deus é a fonte do princípio básico da literatura medieval: a afirmação da absoluta subserviência do trovador à sua dama (na poesia) ou de um cavaleiro à sua donzela (nas novelas de cavalaria). Essa subserviência é a base do amor cortês, um código de comportamento amoroso idealizado, criado por Guilherme IX, nobre e senhor de um dos mais poderosos feudos da Europa. De acordo com o código do amor cortês, o trovador deveria expressar seus galanteios e súplicas a uma mulher casada e pertencente à nobreza, que tivesse uma posição social de destaque. Uma vez que a mulher cortejada é casada, o amor não tem possibilidade de se realizar, originando a “coita de amor”, o sofrimento amoroso. As cantigas de amor galego-portuguesas expressam a paixão infeliz, o amor não correspondido de um trovador pela sua senhora, como fica evidente na famosa Cantiga da Ribeirinha, de Paay Soares de Taveiros: Cantiga da Ribeirinha No mundo non me sei pareiha, Mentre me for como me vai, Ca já moiro por vós – e ai! Mia senhor branca e vermelha, Queredes que vos retraia Quando vos eu vi em saia! Mau dia me levantei, Que vos enton non vi fea! E, mia senhor, dês aquel di’, ai! Me foi a mim mui mal, E vós, filha de don Paai Moniz, e bem vos semelha D’haver eu por vós guarvaia, Pois, eu, mia senhor, d’alfaia Nunca de vós houve nen hei Valia d’ua Correa. Cantiga da Ribeirinha Não há no mundo ninguém que se compare a mim em infelicidade, enquanto a minha vida continuar assim, porque morro por vós e, ai, minha senhora branca e de faces rosadas, quereis que vos retrate quando vos vi sem manto. 18 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) Mau dia foi esse em que me levantei, Porque não vos vi feia! E, minha senhora, desde aquele dia, ai, Tudo para mim foi muito mal, mas vós, Filha de D. Paio Moniz, parece-vos muito Bem que eu tenha de vós uma garvaia (manto de luxo) Quando nunca recebi de vós O simples valor de uma correia. Características das cantigas de amor: - O eu lírico é sempre masculino; - O eu lírico se autodenomina coitado, cativo, sofredor, enlouquecido; - Destaca-se o tema da coita de amor (o sofrimento amoroso); - O amor é não realizado; - A dama é identificada pelas suas qualidades físicas (fremosa, de bem parecer, delgada...) e sempre superior às demais damas da mesma corte; - O espaço é o da corte, espaço civilizado; - Versos de 7 sílabas poéticas (redondilha maior); - Presença de refrão. Cantiga d’amor de refran Quantos han gran coita d'amor eno mundo, qual hoj'eu hei, querrían morrer, eu o sei, e haverían én sabor. Mais mentr'eu vos vir, mia senhor, sempre m'eu querría viver, e atender e atender! Pero ja non posso guarir, ca ja cegan os olhos meus por vós, e non me val i Deus nen vós; mais por vós non mentir, enquant'eu vós, mia senhor, vir, sempre m'eu querría viver, e atender e atender! E tenho que fazen mal sén quantos d'amor coitados son de querer sa morte se non houveron nunca d'amor ben, com'eu faç'. E, senhor, por én sempre m'eu querría viver, e atender e atender! João Garcia de Guilhade Cantiga d’amor de refran Quantos o amor faz padecer Penas que tenho padecido, Querem morrer e não duvido Que alegremente queiram morrer. Porém enquanto vos puder ver, Vivendo assim eu quero estar E esperar, e esperar. Sei que a sofrer estou condenado E por vós cegam os olhos meus. Não me iacudis; nem vós, nem Deus. Mas, se sabendo-me abandonado, Ver-vos, senhora, me for dado, Vivendo assim eu quero estar E esperar, e esperar. Esses que veem tristemente Desamparada sua paixão, Querendo morrer, loucos estão. Minha fortuna não é diferente; Porém eu digo constantemente: Vivendo assim eu quero estar E esperar, e esperar. João Garcia de Guilhade b) Cantigas de Amigo As cantigas de amigo falam de uma relação amorosa concreta, real, entre amantes que vivem no campo. O tema central é a saudade. Características das Cantigas de Amigo: - Eu lírico femininos; - Amor concreto, realizado; - Tema da saudade do amigo (namorado ou amante), que está ausente; - Tom mais alegre e otimista; - Presença de personagens que se relacionam, principalmente, com a donzela: a mãe, as amigas, as damas de companhia; - O cenário caracteriza um ambiente rural, campesino; - Versos de 5 sílabas poéticas (redondilha menor); - Presença de refrão. Cantiga de Amigo Levad', amigo, que dormides as manhanas frías; toda-las aves do mundo d'amor dizían. Leda m'and'eu. Levad', amigo, que dormide-las frías manhanas; toda-las aves do mundo d'amor cantavan. Leda m'and'eu. Toda-las aves do mundo d'amor dizían; do meu amor e do voss'en ment'havían. Leda m'and'eu. Toda-las aves do mundo d'amor cantavan; do meu amor e do voss'i enmentavan. Leda m'and'eu. Do meu amor e do voss'en ment'havían; vós lhi tolhestes os ramos en que siían. Leda m'and'eu. Do meu amor e do voss'i enmentavan; vós lhi tolhestes os ramos en que pousavan. Leda m'and'eu. Vós lhi tolhestes os ramos en que siían e lhis secastes as fontes en que bevían. Leda m'and'eu. Vós lhi tolhestes os ramos en que pousavan e lhis secastes as fontes u se banhavan. Leda m'and'eu. SEMANA 03 - LITERATURA - Trovadorismo - Humanismo e Renascimento - STELLER sem respostas