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14 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
Assinale a alternativa INCORRETA quanto aos recursos estilísticos 
das respectivas frases. 
a) I - Polissíndeto 
b) II - Elipse do artigo 
c) III - Silepse 
d) IV - Metáfora 
e) V - Onomatopeia 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
É terminantemente proibido animais circulando nas áreas comuns 
a todos, principalmente para fazerem suas necessidades 
fisiológicas no jardim do condomínio, onde pode por em risco a 
saúde das crianças que alí brincam descalças. 
(Extraído de um RELATÓRIO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS da 
administração de um prédio.) 
 
(Ita) Assinale a opção que apresenta as figuras de linguagem 
presentes no texto: 
a) Pleonasmo e eufemismo. 
b) Metonímia e eufemismo. 
c) Pleonasmo e polissíndeto. 
d) Pleonasmo e metonímia. 
e) Eufemismo e polissíndeto. 
 
Questão 02 (Espm 2011) 
Hipálage, segundo Massaud Moisés, “designa um expediente 
retórico próprio da poesia, mediante o qual uma palavra troca o 
lugar que logicamente ocuparia na sequência frásica por outro, 
junto de um termo ao qual se vincula gramaticalmente.” Em todas 
as frases abaixo, ocorre essa figura de linguagem, exceto em uma. 
Assinale-a: 
a) “uma alvura de saia moveu-se no escuro” (Eça de Queirós) 
b) “Mandados da rainha, que abundantes / Mesas de altos 
manjares excelentes” (Camões) 
c) “apetite necrófago da mosca” (Augusto dos Anjos) 
d) “o riscar dos fósforos espavoridos” (Clarice Lispector) 
e) “de um povo heroico o brado retumbante” (Osório Duque 
Estrada) 
 
Questão 03 (Espm 2012) 
Na frase: “Mais vale escrever a coisa certa com as palavras 
erradas que escrever a coisa errada com as palavras certas.”, 
está presente um procedimento chamado QUIASMO. Essa figura 
retórica se baseia: 
a) no cruzamento de frases ou termos, invertidos simetricamente 
como num espelho. 
b) na fusão ou união de vocábulos opostos, gerando uma ideia 
contraditória, absurda. 
c) na aproximação de palavras antitéticas ou de pensamentos 
antagônicos. 
d) num rodeio da frase para se chegar indiretamente ao termo ou 
ideia. 
e) na repetição de palavras ou ideias para dar ênfase ou realce. 
Questão 04 
Argumento (Paulinho da Viola) 
 
Tá legal 
Eu aceito o argumento 
Mas não me altere o samba tanto assim 
Olha que a rapaziada está sentindo a falta 
De um cavaco, de um pandeiro 
Ou de um tamborim. 
Sem preconceito 
Ou mania de passado 
Sem querer ficar do lado 
De quem não quer navegar 
Faça como um velho marinheiro 
Que durante o nevoeiro 
Leva o barco devagar Argu 
 
(FGV-RJ 2015) Ao empregar, na letra da canção, o verbo 
“navegar” em sentido metafórico e desdobrar esse sentido nos 
versos seguintes, o compositor recorre ao seguinte recurso 
expressivo: 
a) alegoria. 
b) personificação. 
c) hipérbole. 
d) eufemismo. 
e) pleonasmo. 
 
Questão 05 (Ifsp 2013) 
Leia o texto abaixo. 
 
Sem vós, ninfas do Tejo e do Mondego, 
Por caminho tão árduo, longo e vário! 
Vosso favor invoco, que navego 
Por alto mar, com vento tão contrário 
Que, se não me ajudais, hei grande medo 
Que o meu fraco batel se alague cedo. 
(www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000162.pdf. 
Acesso em: 04.12.2012.) 
 
A estrofe acima pertence ao canto VII d’Os lusíadas, de Luís Vaz 
de Camões. Nele, observamos a figura de linguagem denominada 
anástrofe, que consiste na mudança da ordem direta dos termos da 
oração. Assinale a alternativa em que se observa essa ocorrência. 
 
a) vós, ninfas do Tejo e do Mondego 
b) Por caminho tão árduo, longo e vário! 
c) Vosso favor invoco 
d) que navego / Por alto mar 
e) com vento tão contrário / Que, se não me ajudais 
 
Questão 06 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES 
 
Sempre desconfiei 
Sempre desconfiei de narrativas de sonhos. Se já nos é difícil 
recordar o que vimos despertos e de olhos bem abertos, imagine-
se o que não será das coisas que vimos dormindo e de olhos 
fechados... Com esse pouco que nos resta, fazemos 
reconstituições suspeitamente lógicas e pomos enredo, sem 
querer, nas ocasionais variações de um calidoscópio. Me lembro 
Aula 2 - Figuras de Linguagem II 
 
 
 
 
 
15 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
de que, quando menino, minha gente acusava-me de inventar os 
sonhos. O que me deixava indignado. 
Hoje creio que ambas as partes tínhamos razão. 
Por outro lado, o que mais espantoso há nos sonhos é 
que não nos espantamos de nada. Sonhas, por exemplo, que estás 
a conversar com o tio Juca. De repente, te lembras de que ele já 
morreu. E daí? A conversa continua. 
Com toda a naturalidade. 
Já imaginaste que bom se pudesses manter essa 
imperturbável serenidade na vida propriamente dita? 
 
(Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo. São Paulo: Globo,1995) 
(Insper 2014) Infere-se que a principal justificativa para a 
expressão contida no título e no primeiro período do texto é: 
a) Na reconstituição dos sonhos, a mente reorganiza de maneira 
coerente o que se consegue lembrar. 
b) Habitualmente, os sonhos apenas refletem a incoerência dos 
fatos naturais da vida. 
c) Tal como na montagem de um quadro com peças soltas e sem 
sentido, os sonhos são ilógicos. 
d) Os adultos não encaram com seriedade os sonhos das crianças, 
mesmo quando esses são coerentes. 
e) Sendo incapaz de recordar os sonhos, a mente humana inventa 
histórias fantasiosas. 
 
Questão 07 (Insper 2014) 
Em “Hoje creio que ambas as partes tínhamos razão”, o autor 
recorre a uma figura de construção, que está corretamente 
explicada em 
a) silepse, por haver uma concordância verbal ideológica. 
b) elipse, por haver a omissão do objeto direto. 
c) anacoluto, por haver uma ruptura na estrutura sintática da frase. 
d) pleonasmo, por haver uma redundância proposital em “ambas 
as partes”. 
e) hipérbato, por haver uma inversão da ordem natural e direta dos 
termos da oração. 
 
Questão 08 (Espm 2006) 
O escritor Paulo Lins em seu romance "Cidade de Deus" expressa 
o avanço da violência no Brasil, nas últimas décadas, com a frase: 
 
"Falha a fala. Fala a bala." 
 
Nas duas frases só NÃO se pode identificar a seguinte figura de 
linguagem: 
a) Paronomásia, pelo trocadilho ou jogo de palavras com apelo 
sonoro. 
b) Aliteração, pela repetição de fonemas consonantais. 
c) Assonância, pela repetição da vogal "a". 
d) Perífrase, pela substituição de "violência" por um dos elementos 
que a compõe (bala). 
e) Personificação, pela característica humana atribuída à "bala". 
 
Questão 09 (G1 - cps 2014) 
Analise a charge considerando que o personagem de terno seja o 
dono da empresa aérea. 
Nessa charge, identifica-se a figura de linguagem 
a) antítese, já que os comissários de bordo apresentam reação 
idêntica ao saberem da demissão. 
b) personificação, visto que o objetivo principal da charge é criar 
uma cena divertida e plena de humor. 
 
c) hipérbole, pois há um exagero na solução drástica encontrada 
pelo dono da empresa para demitir os comissários. 
d) metonímia, porque se percebe a indiferença do dono da 
empresa perante a sensação de terror da tripulação. 
e) eufemismo, pois o dono da empresa resolve, sem sutileza, como 
cortar parte dos funcionários da empresa aérea. 
 
Questão 10 
BEM NO FUNDO 
1no fundo, no fundo, 
bem lá no fundo, 
2a gente gostaria 
de ver 3nossos problemas 
resolvidos por decreto 
 
a partir desta data, 
aquela mágoa sem remédio 
é considerada nula 
e sobre ela − silêncio perpétuo 
 
extinto por lei todo o remorso, 
maldito seja quem olhar pra trás, 
lá pra trás não há nada, 
e nada mais 
 
mas problemas não se resolvem, 
problemas têm família grande, 
e aos domingos saem todos a passear 
o problema, sua senhora 
e outros pequenos probleminhas 
 
LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Cia. 
das Letras, 2013. 
 
(Uerj 2015) no fundo, no fundo, 
bemlá no fundo, (ref. 1) 
 
Nesses versos iniciais do poema, a repetição de palavras e o 
emprego do vocábulo “bem” produzem um efeito de: 
a) ênfase 
b) eufemismo 
c) enumeração 
d) ambiguidade 
e) paradoxo 
 
Questão 11 (Mackenzie 2003) 
Analisando os elementos constitutivos da tira, percebe-se: 
a) O tigre é irônico ao tecer seus comentários sobre o processo no 
último quadrinho. 
b) O menino demonstra falta de consciência sobre o que pode ser 
considerado normal e o que pode ser considerado desvio na 
língua. 
 
 
 
 
 16 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
c) A expressão facial do menino nos dois primeiros quadrinhos 
evidencia sua apreensão por constatar que "verbar", apesar de ser 
gostoso, "esquisita o idioma". 
d) O tigre demonstra desespero em relação às novidades 
linguísticas introduzidas pelo garoto. 
e) Tanto o menino quanto o tigre preveem consequências 
desastrosas para o idioma advindas da prática de "verbar 
palavras". 
 
Questão 12 (G1 - cps 2015) 
Leia este fragmento do poema A lua foi ao cinema, do escritor 
Paulo Leminski. 
 
“A lua foi ao cinema, 
passava um filme engraçado, 
a história de uma estrela 
que não tinha namorado. 
Não tinha porque era apenas 
uma estrela bem pequena, 
dessas que, quando apagam, 
ninguém vai dizer, que pena! (...)” 
 
(http://tinyurl.com/n4oljo7 Acesso em: 24.07.2014. Adaptado) 
 
A figura de linguagem predominante nesse poema é 
a) hipérbole, pois a palavra estrela foi empregada para suavizar um 
termo. 
b) pleonasmo, pois a palavra história apresenta o mesmo sentido 
de incidente. 
c) sinestesia, pois a felicidade da estrela é tratada com indiferença 
pelo poeta. 
d) catacrese, pois a palavra pena foi empregada inadequadamente, 
num sentido impróprio. 
e) personificação, pois a lua vivencia uma situação que é própria 
dos seres humanos. 
 
Questão 13 (G1 - ifce 2016) 
Analise os trechos de músicas a seguir levando em consideração 
as figuras de linguagem. 
 
I. “Não existiria som se não houvesse o silêncio / Não haveria luz 
se não fosse a escuridão / A vida é mesmo assim / Dia e noite, 
não e sim.” (Lulu Santos/Nelson Mota) 
II. “Chove chuva, chove sem parar” (Jorge Ben Jor) 
III. “Mentes tão bem que parece verdade, o que você me fala / Vou 
acreditando” (Zezé Di Camargo e Luciano) 
IV. “Te trago mil rosas roubadas / Pra desculpar minhas mentiras / 
Minhas mancadas” (Cazuza) 
 
 Indica a correspondência correta a alternativa 
a) I. Paradoxo, II. Aliteração, III. Ironia, IV. Sinestesia. 
b) I. Pleonasmo, II. Anacoluto, III. Metáfora, IV. Hipérbole. 
c) I. Antítese, II. Comparação, III. Ironia, IV. Hipérbole. 
d) I. Antítese, II. Pleonasmo, III. Ironia, IV. Hipérbole. 
e) I. Metáfora, II. Polissíndeto, III. Zeugma, IV. Hipérbole. 
Questão 14 (Ufscar 2008) 
Eu tinha o medo imediato. E tanta claridade do dia. O arrojo do rio 
e só aquele estrape*, e o risco extenso d'água, de parte a parte. 
Alto rio, fechei os olhos. Mas eu tinha até ali agarrado uma 
esperança. Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica 
boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo 
que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar, e aí ir 
seguindo, até sobre se sair no seco. Eu disse isso. E o canoeiro 
me contradisse: - "Esta é das que afundam inteiras. É canoa de 
peroba. Canoa de peroba e de pau-d'óleo não sobrenadam..." Me 
deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto, 
boas canoas boiantes, de faveira ou tamboril, de imburana, 
vinhático ou cedro, e a gente tinha escolhido aquela... Até fosse 
crime, fabricar dessas, de madeira burra! 
(Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, p. 88-89.) 
 
* instrumento de tortura 
Diz Alfredo Bosi a respeito de Guimarães Rosa: "'Grande Sertão: 
Veredas' e as novelas de 'Corpo de Baile' incluem e revitalizam 
recursos da expressão poética: células rítmicas, aliterações, 
onomatopeias, rimas internas, ousadias mórficas, elipses, cortes e 
deslocamentos de sintaxe, vocabulário insólito, arcaico ou de todo 
neológico, associações raras, metáforas, anáforas, metonímias, 
fusão de estilos, coralidade". 
(Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira, p. 430.) 
 
a) De qual dos recursos enumerados Guimarães Rosa faz uso no 
trecho "Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse"? Explique. 
 
b) Com qual desses recursos pode ser associada a frase "Até 
fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!"? 
 
Questão 15 (Eear 2017) 
Leia: 
 
I. “As derrotas e as frustrações são amargas”. 
II. “O rio tinha entrado em agonia, após tantos meses sem chuva”. 
III. “As crianças cresceram, no devagar depressa do tempo”. 
IV. “Maria Joaquina completava quinze primaveras”. 
 
As figuras de linguagem encontradas nos textos acima são, 
respectivamente, 
a) metáfora, metonímia, paradoxo e prosopopeia. 
b) antítese, prosopopeia, metáfora e metonímia. 
c) metonímia, metáfora, prosopopeia e antítese. 
d) metáfora, prosopopeia, paradoxo e metonímia. 
e) comparação, personificação, antítese e metáfora. 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA 
Prof. Steller de Paula – VOLUME 1 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
AULA 3 - TROVADORISMO 
 
 
1.1) Contexto Histórico: Idade Média - Feudalismo 
Durante a Idade Média, a Igreja Católica acumulou vastas 
extensões de terra, enriqueceu e exerceu um imenso poder 
religioso e secular. No período conhecido como Alta Idade Média 
(séculos XII e XIII), o poder da Igreja medieval era tão grande a 
ponto do papa Inocêncio III (século 1198-1216) afirmar que 
“Os príncipes têm poder na terra, os sacerdotes, sobre a alma. E 
assim como a alma é muito mais valiosa do que o corpo, assim 
também mais valioso é o clero do que a monarquia [...]. Nenhum 
rei pode reinar com acerto a menos que sirva devotamente ao 
vigário de Cristo.". 
PERRY, Marvin. Civilização ocidental: uma história concisa. São Paulo: 
Martins Fontes, 1985. p 218. 
 
A Igreja impôs uma ideologia teocêntrica, estimulando os fieis a 
acreditarem que viviam no pecado e que a possibilidade de 
salvação residia na total submissão a Deus e à Igreja, sua 
representante no mundo. 
 
*Teocentrismo: refere-se a uma visão de mundo cristã, que afirma 
a perfeição e a superioridade de Deus. Assim, Deus seria o 
fundamento de tudo e responsável por todas as coisas. 
 
Outra manifestação do poder da Igreja manifestava-se no controle 
quase absoluto da produção cultural da época, uma vez que a 
leitura e a escrita estavam restritas aos mosteiros e abadias: cabia 
a monges e padres traduzir e reproduzir os textos sagrados do 
cristianismo e as obras de filósofos clássicos, como Platão e 
Aristóteles. No entanto a circulação desses textos era restrita, pois 
a Igreja proibia a circulação de obras que ameaçassem seu poder, 
além de contar com o fato de que apenas dois por cento da 
população da Europa era alfabetizada. 
 
Nesse contexto, a sociedade organizava-se ao redor dos grandes 
proprietários de terra, os senhores feudais, em torno dos quais se 
reunia uma pequena corte: membros de uma nobreza 
empobrecida, cavaleiros, camponeses livres e servos, unidos por 
uma relação de vassalagem. As relações entre nobres, cavaleiros 
e senhores feudais eram regidas por um código de cavalaria 
baseado na lealdade, na honra, na bravura e na cortesia. 
 
1.2) A Literatura Trovadoresca 
O nascimento da literatura em Portugal coincide com o nascimento 
do próprio país. Em 1140, Portugal tornou-se um estado 
independente, mas manteve uma forte ligação cultural com a 
península Ibérica, principalmente através da língua: o galego-
português. 
E é na corte dos reis portugueses, galegos e castelhanos que a 
poesia galego-portuguesa floresce. 
Nas cortes dos senhores feudais, centros de atividades artísticas 
durante a Idade Média, cantadores e músicos eram contratados 
pelo senhorpara divertir a corte. As cantigas apresentadas eram 
compostas, quase sempre, por nobres que se denominavam 
“trovadores”. 
 
1.3) As Cantigas Líricas são divididas em: Cantigas de Amor e 
Cantigas de Amigo. 
 
a) Cantigas de Amor: O servilismo dos vassalos ao seu suserano 
e de todos a Deus é a fonte do princípio básico da literatura 
medieval: a afirmação da absoluta subserviência do trovador à sua 
dama (na poesia) ou de um cavaleiro à sua donzela (nas novelas 
de cavalaria). 
Essa subserviência é a base do amor cortês, um código de 
comportamento amoroso idealizado, criado por Guilherme IX, 
nobre e senhor de um dos mais poderosos feudos da Europa. 
De acordo com o código do amor cortês, o trovador deveria 
expressar seus galanteios e súplicas a uma mulher casada e 
pertencente à nobreza, que tivesse uma posição social de 
destaque. 
Uma vez que a mulher cortejada é casada, o amor não tem 
possibilidade de se realizar, originando a “coita de amor”, o 
sofrimento amoroso. 
As cantigas de amor galego-portuguesas expressam a paixão 
infeliz, o amor não correspondido de um trovador pela sua senhora, 
como fica evidente na famosa Cantiga da Ribeirinha, de Paay 
Soares de Taveiros: 
 
Cantiga da Ribeirinha 
No mundo non me sei pareiha, 
Mentre me for como me vai, 
Ca já moiro por vós – e ai! 
Mia senhor branca e vermelha, 
Queredes que vos retraia 
Quando vos eu vi em saia! 
Mau dia me levantei, 
Que vos enton non vi fea! 
 
E, mia senhor, dês aquel di’, ai! 
Me foi a mim mui mal, 
E vós, filha de don Paai 
Moniz, e bem vos semelha 
D’haver eu por vós guarvaia, 
Pois, eu, mia senhor, d’alfaia 
Nunca de vós houve nen hei 
Valia d’ua Correa. 
 
Cantiga da Ribeirinha 
Não há no mundo ninguém que se compare a 
mim em infelicidade, 
enquanto a minha vida continuar assim, 
porque morro por vós e, ai, 
minha senhora branca e de faces rosadas, 
quereis que vos retrate 
quando vos vi sem manto. 
 
 
 
 
 18 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
Mau dia foi esse em que me levantei, 
Porque não vos vi feia! 
E, minha senhora, desde aquele dia, ai, 
Tudo para mim foi muito mal, mas vós, 
Filha de D. Paio Moniz, parece-vos muito 
Bem que eu tenha de vós uma garvaia (manto 
de luxo) 
Quando nunca recebi de vós 
O simples valor de uma correia. 
 
Características das cantigas de amor: 
- O eu lírico é sempre masculino; 
- O eu lírico se autodenomina coitado, cativo, sofredor, 
enlouquecido; 
- Destaca-se o tema da coita de amor (o sofrimento amoroso); 
- O amor é não realizado; 
- A dama é identificada pelas suas qualidades físicas (fremosa, de 
bem parecer, delgada...) e sempre superior às demais damas da 
mesma corte; 
- O espaço é o da corte, espaço civilizado; 
- Versos de 7 sílabas poéticas (redondilha maior); 
- Presença de refrão. 
 
Cantiga d’amor de refran 
Quantos han gran coita d'amor 
eno mundo, qual hoj'eu hei, 
querrían morrer, eu o sei, 
e haverían én sabor. 
Mais mentr'eu vos vir, mia senhor, 
 sempre m'eu querría viver, 
 e atender e atender! 
 
Pero ja non posso guarir, 
ca ja cegan os olhos meus 
por vós, e non me val i Deus 
nen vós; mais por vós non mentir, 
enquant'eu vós, mia senhor, vir, 
 sempre m'eu querría viver, 
 e atender e atender! 
 
E tenho que fazen mal sén 
quantos d'amor coitados son 
de querer sa morte se non 
houveron nunca d'amor ben, 
com'eu faç'. E, senhor, por én 
 sempre m'eu querría viver, 
 e atender e atender! 
 
João Garcia de Guilhade 
 
Cantiga d’amor de refran 
Quantos o amor faz padecer 
Penas que tenho padecido, 
Querem morrer e não duvido 
Que alegremente queiram morrer. 
Porém enquanto vos puder ver, 
 Vivendo assim eu quero estar 
 E esperar, e esperar. 
 
Sei que a sofrer estou condenado 
E por vós cegam os olhos meus. 
Não me iacudis; nem vós, nem Deus. 
Mas, se sabendo-me abandonado, 
Ver-vos, senhora, me for dado, 
 Vivendo assim eu quero estar 
 E esperar, e esperar. 
 
Esses que veem tristemente 
Desamparada sua paixão, 
Querendo morrer, loucos estão. 
Minha fortuna não é diferente; 
Porém eu digo constantemente: 
 Vivendo assim eu quero estar 
 E esperar, e esperar. 
João Garcia de Guilhade 
b) Cantigas de Amigo 
As cantigas de amigo falam de uma relação amorosa concreta, 
real, entre amantes que vivem no campo. O tema central é a 
saudade. 
Características das Cantigas de Amigo: 
- Eu lírico femininos; 
- Amor concreto, realizado; 
- Tema da saudade do amigo (namorado ou amante), que está 
ausente; 
- Tom mais alegre e otimista; 
- Presença de personagens que se relacionam, principalmente, 
com a donzela: a mãe, as amigas, as damas de companhia; 
- O cenário caracteriza um ambiente rural, campesino; 
- Versos de 5 sílabas poéticas (redondilha menor); 
- Presença de refrão. 
 
Cantiga de Amigo 
Levad', amigo, que dormides as manhanas frías; 
toda-las aves do mundo d'amor dizían. 
 Leda m'and'eu. 
 
Levad', amigo, que dormide-las frías manhanas; 
toda-las aves do mundo d'amor cantavan. 
 Leda m'and'eu. 
 
Toda-las aves do mundo d'amor dizían; 
do meu amor e do voss'en ment'havían. 
 Leda m'and'eu. 
 
Toda-las aves do mundo d'amor cantavan; 
do meu amor e do voss'i enmentavan. 
 Leda m'and'eu. 
 
Do meu amor e do voss'en ment'havían; 
vós lhi tolhestes os ramos en que siían. 
 Leda m'and'eu. 
 
Do meu amor e do voss'i enmentavan; 
vós lhi tolhestes os ramos en que pousavan. 
 Leda m'and'eu. 
 
Vós lhi tolhestes os ramos en que siían 
e lhis secastes as fontes en que bevían. 
 Leda m'and'eu. 
 
Vós lhi tolhestes os ramos en que pousavan 
e lhis secastes as fontes u se banhavan. 
 Leda m'and'eu. 
	SEMANA 03 - LITERATURA - Trovadorismo - Humanismo e Renascimento - STELLER sem respostas

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